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Programa Mais Médicos para o Brasil
EIXO TRANSVERSAL
Metodologia 
do Trabalho 
de Conclusão 
de Curso
MÓDULO 33
Programa Mais Médicos para o Brasil
EIXO TRANSVERSAL
Ministério da Saúde
Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
2024
Metodologia 
do Trabalho 
de Conclusão 
de Curso
MÓDULO 33
Instituições patrocinadoras:
Ministério da Saúde
Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS)
Secretaria-Executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz
B823m
 
Brasil. Ministério da Saúde.
Metodologia do trabalho de conclusão de curso [módulo 33] / 
Ministério da Saúde, Universidade Aberta do SUS, Fiocruz Brasília. 
Brasília : Fundação Oswaldo Cruz, 2024.
Inclui referências.
103 p. : il. (Programa Mais Médicos para o Brasil. Eixo transversal).
 
ISBN 978-65-01-26025-9 
1. Metodologia científica. 2. Trabalho de conclusão de curso. 3. 
Normalização bibliográfica. I. Título II. Universidade Aberta do SUS. 
III. Fiocruz Brasília. IV. Série.
 
CDU 610
Ficha Técnica
© 2024. Ministério da Saúde. Sistema Universidade Aberta do SUS. Fundação Oswaldo Cruz.
Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação e utilização dessa obra, 
em parte ou em sua totalidade, nos termos da licença para usuário final do Acervo de Recursos 
Educacionais em Saúde (ARES). Deve ser citada a fonte e é vedada a sua utilização comercial.
Referência bibliográfica
MINISTÉRIO DA SAÚDE. UNIVERSIDADE ABERTA DO SUS. FIOCRUZ BRASÍLIA. Metodologia do 
trabalho de conclusão de curso [módulo 33]. In: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Mais Médicos 
para o Brasil. Eixo transversal. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. 103 p.
Ministério da Saúde
Nísia Trindade Lima | Ministra
Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS)
Felipe Proenço de Oliveira | Secretário
Departamento de Saúde da Família (DESF)
Renata Maria de Oliveira Costa | Diretor
Coordenação Geral de Estratégia da Saúde da Família (CGESF)
Antônio Leopoldo Nogueira Neto | Coordenador
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Nísia Trindade Lima | Presidente
Secretaria-executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
Maria Fabiana Damásio Passos | Secretária-executiva
Coordenação de Monitoramento e Avaliação de Projetos e Programas (UNA-SUS)
Alysson Feliciano Lemos | Coordenador
Assessoria de Planejamento (UNA-SUS)
Aline Santos Jacob
Assessoria Pedagógica UNA-SUS
Márcia Regina Luz
Sara Shirley Belo Lança
Vânia Moreira
Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
Fundação Oswaldo Cruz Brasília 
Av. L3 Norte, Campus Universitário Darcy Ribeiro
Gleba “A”, 2º andar CEP: 70.904-130
Telefone: (61) 3329-4517
Site: https://www.unasus.gov.br/
Ficha de créditos
Revisor Técnico-Científico UNA-SUS
Márcia Regina Luz
Sara Shirley Belo Lança
Vânia Moreira
Designer Gráfico UNA-SUS
Claudia Schirmbeck
Apoio Técnico UNA-SUS
Aline Santos Jacob
Acervo de Recursos Educacionais em Saúde (ARES) – UNA-SUS
Fhillipe de Freitas Campos
Juliana Araujo Gomes de Sousa
Tainá Batista de Assis
Engenheiro de Software UNA-SUS
José Rodrigo Balzan
Onivaldo Rosa Júnior
Desenvolvedor de Moodle UNA-SUS
Claudio Monteiro
Jaqueline de Carvalho Queiroz
Josué de Lacerda Silva
Luciana Dantas Soares Alves
Lino Vaz Moniz
Márcio Batista da Silva
Rodrigo Mady da Silva
Coordenador UNA-SUS
Alysson Feliciano Lemos
Conteudistas
Unidade 1
Adelson Guaraci Jantsch 
Diogo Luis Scalco
Edison José Corrêa
Marcelo Pellizzaro Dias Afonso
Unidade 2
Sheila Rubia Lindner
Dalvan Antônio de Campos
Thays Berger Conceição
Unidade 3
Daniel Almeida Gonçalves
Maria Elisabete Salvador
Rita Maria Lino Tarcia
Sumário
1. Fundamentos básicos da metodologia científica
1.1. Introdução da unidade
1.2. O que é e para que serve a ciência?
1.3. O desenvolvimento da pesquisa científica e a necessidade 
de ética em pesquisa
1.4. A ética em pesquisa no Brasil
1.5. Outros cuidados éticos na pesquisa científica
1.6. A importância da pesquisa para a medicina de família e 
comunidade e para a atenção primária à saúde
1.7. Desenhos de estudo
1.7.1. Conceitos importantes em epidemiologia
1.7.2. Estudos experimentais versus observacionais
1.7.3. Pesquisas quantitativas
1.7.4. Pesquisa qualitativa
1.7.5. Métodos mistos de pesquisa
1.7.6. Pesquisa-ação participativa
1.7.7. A hierarquia das evidências
1.8. Análise crítica da evidência
1.9. Fechamento da unidade
2. Projeto de Intervenção (PI) 
2.1. Introdução da unidade
2.2. Importância de realizar um projeto de intervenção
2.3. Projeto de intervenção
2.3.1. O que é um projeto de intervenção?
2.3.2. Pressupostos teóricos aplicados ao PI
2.4. Estrutura metodológica do projeto de intervenção
2.4.1. Desenvolvendo um projeto de intervenção
2.5. Aspectos éticos do projeto de intervenção
2.6. Fechamento da unidade
3. Projeto de intervenção aplicado ao Trabalho de Conclusão de 
Curso – TCC
3.1. Introdução da unidade
3.2. Leitura crítica de obras científicas
3.2.1. Técnicas de leitura – aspetos iniciais
3.2.2. Técnicas de leitura – interpretação crítica
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11
11
 
16
20
24
 
24
26
26
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52
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53
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61
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71
72
72
73
76
3.2.3. Fontes de busca
3.3. Redação técnica e científica
3.3.1. Diferenças entre a redação literária, técnica e 
científica
3.3.2. O conhecimento da língua portuguesa e os textos 
científicos
3.3.3. Construção de frases e parágrafos
3.3.4. Etapas da construção do texto científico
3.3.5. Como evitar plágio
3.4. Projeto de intervenção aplicado ao TCC
3.5. Citação de obras
3.6. Referências norma ABNT
3.7. Fechamento da unidade
4. Encerramento do módulo
 Bibliografia
 Minicurrículo dos conteudistas
77
78
 
79
 
81
81
83
85
87
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90
91
92
93
99
Ao final deste módulo, você deverá ser capaz de:
• Compreender os fundamentos da ética em pesquisa e da necessidade dos Comitês 
de Ética em Pesquisa
• Diferenciar os principais desenhos de estudo no meio científico
• Utilizar diferentes técnicas na realização de leitura crítica de obras científicas
• Produzir textos científicos
• Utilizar as principais etapas para construção do Projeto de Intervenção
Para estudar e apreender todas as informações e conceitos abordados, bem como 
trilhar todo o processo ativo de aprendizagem, estabelecemos uma carga horária 
de 45 horas para este módulo.
Objetivos de aprendizagem do módulo
Carga horária de estudo recomendada 
para este módulo
Fundamentos 
básicos da 
metodologia 
científica
UNIDADE 01
Objetivo geral da unidade: Ao final desta unidade, o profissional 
deverá conhecer os fundamentos básicos da pesquisa científica e 
sua aplicabilidade na Atenção Primária à Saúde.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
11
1.1. INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Boas-vindas, profissional estudante!
Vamos iniciar agora uma importante jornada no estudo da metodologia científica, 
como preparação para a construção do seu Trabalho de Conclusão de Curso – TCC. 
Para tanto, é importante retornarmos a alguns conceitos fundamentais como o 
que é ciência, o que é pesquisa científica e a importância desses temas no nosso 
cotidiano de médicos de família e comunidade. 
Vamos recuperar a importância da ética em pesquisa, lembrando de alguns episó-
dios muito tristes da história recente da ciência no mundo ocidental, para então 
fecharmos essa unidade com uma breve apresentação dos desenhos de estudos 
científicos mais comuns na literatura médica. 
Esses conhecimentos serão fundamentais, não somente para a redação do seu Tra-
balho de Conclusão de Curso – TCC –, que deve contar com embasamento robusto 
e estrutura válida, mas, principalmente, para sua familiarização com a leitura cientí-
fica, imprescindível para sua atualização profissional permanente e para uma atuação 
verdadeiramente baseada nas melhores evidências disponíveis.
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Reconhecer a importância da pesquisa científica para o desenvolvimentosão os “estudos antes-e-depois” e os 
“estudos paralelos”. Nos “estudos antes-e-depois” o que aconteceu previamente à 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
39
intervenção é usado como controle e é comparado com os efeitos sobre o desfe-
cho no período após a intervenção. Como exemplo são comparadas as incidências 
de uma determinada doença nos anos anterior e posterior à implementação de um 
programa de prevenção da mesma doença. Nos “estudos paralelos” diferentes 
grupos populacionais recebem diferentes intervenções (ou não recebem) – sem 
randomização – e os efeitos entre os desfechos são medidos após a intervenção. 
Como exemplo, em uma cidade é implementado um programa de prevenção (in-
tervenção) de uma determinada doença e em outra cidade vizinha não (controle) e 
ao final de um determinado período são comparadas as incidências do desfecho 
(doença) entre ambas as cidades. 
Propósito
Como os ensaios clínicos, os quasi-experimentos são estudos que têm como obje-
tivo avaliar relação de causa e efeito entre variáveis independentes (intervenção) e 
variáveis dependentes (desfecho). São geralmente utilizados para avaliação de efe-
tividade de intervenções comunitárias.
A seguir apresentamos algumas vantagens e desvantagens dos ensaios clínicos. 
 
Vantagens Desvantagens
Avaliação de efetividade em vez de 
eficácia.
Mais sujeitos a vieses decorrentes da 
ausência de randomização da interven-
ção. Reduz capacidade de inferir cau-
salidade.
Geralmente utilizados para estudos com 
grandes grupos populacionais, a partir 
de intervenções comunitárias.
Maior risco de fatores de confundi-
mento interferirem no resultado. 
Mais baratos e fáceis de serem aplica-
dos que experimentos.
 
Exemplo de quasi-experimento
No artigo Yoga in primary health care: A quasi-experimental study 
to access the effects on quality of life and psychological distress, 
publicado em 2018 no periódico Complement Ther Clin Practi., 
Ponte et al. pretendiam determinar os efeitos da yoga sobre quali-
dade de vida e estresse psicológico, bem como avaliar a viabilida-
de da introdução da ioga em ambiente de atenção primária à saúde 
(APS). Foi realizado um estudo quasi-experimental em um centro 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
40
de saúde de uma cidade do Brasil entre julho de 2016 e abril de 
2017. A intervenção consistiu na participação dos indivíduos em um 
grupo de yoga com práticas de uma hora semana ao longo de 24 
semanas. Foram analisados 49 indivíduos no grupo de intervenção 
e 37 no grupo controle. Ao final do estudo o grupo de intervenção 
apresentou significativa melhora em todos os domínios de qualida-
de de vida e redução do estresse psicológico em relação aos níveis 
pré-intervenção, o que não ocorreu no grupo controle. No entanto, 
como havia diferença nos níveis basais entre os grupos (interven-
ção e controle) de características como escolaridade, situação con-
jugal, depressão e qualidade de vida, tais resultados devem ser ana-
lisados com cautela. A intervenção foi bem aceita, segura e indicativa 
de um efeito positivo da yoga sobre qualidade de vida e estresse 
psicológico. Os autores apontaram a necessidade da realização de 
estudos com mais indivíduos, mais longos e randomizados para 
confirmar tais achados.
Ponte SB, Lino C, Tavares B, Amaral B, Bettencourt AL, Nunes T, Silva C, Mota-
-Vieira L. Yoga in primary health care: A quasi-experimental study to access the 
effects on quality of life and psychological distress. Complement Ther Clin Pract. 
2019 Feb; 34:1-7. doi: 10.1016/j.ctcp.2018.10.012. Epub 2018 Oct 25. PMID: 30712710.
1.7.4. PESQUISA QUALITATIVA
No livro Robert E. Stake sobre Pesquisa Qualitativa de 2011, o primeiro capítulo 
resume no seu título uma definição bastante interessante sobre pesquisa qualita-
tiva: Pesquisa Qualitativa - Estudando como as Coisas Funcionam. O termo “como” 
condensa a ideia de forma como algo acontece. Pode também significar “para 
quem”, “em que contexto”, “apesar de quais dificuldades”. A primeira ideia que vem 
à cabeça sobre a diferença entre pesquisas quantitativas e qualitativas poderia ser 
resumida na seguinte frase: “Enquanto pesquisas quantitativas buscam mensurar 
algum fenômeno, pesquisas qualitativas buscam descrevê-lo, independente da 
sua magnitude”. 
Esta ideia não está de todo errada, mas não corresponde à realidade. Em seu livro, 
Robert E. Stake demonstra como o pensamento qualitativo e quantitativo estão en-
trelaçados, compartilhando definições e sentidos comuns entre si. Seja na definição 
de conceitos (qualitativa) ou na exploração do impacto dos resultados de estudos 
quantitativos, aspectos qualitativos sempre estão misturados. A definição de “de-
mência” em um paciente segue critérios diagnósticos que precisam ser descritos 
no estudo para que, ao relatar os resultados, pesquisadores possam dialogar com 
outros artigos. Contudo, a definição dos critérios é uma etapa final de um processo 
absolutamente qualitativo de descrição de um fenômeno. Os critérios podem definir 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
41
um diagnóstico e um tratamento, mas foram identificados e explorados por pergun-
tas qualitativas.
Em termos pragmáticos, contudo, quando desenhamos uma pesquisa, a definição 
da pergunta a ser estudada discrimina se iremos abordá-la qualitativamente ou 
quantitativamente. Se buscamos explorar um fenômeno, buscando entender “como” 
ele acontece, nossa abordagem precisará ser qualitativa no nosso estudo. 
Pesquisas qualitativas compreendem uma série de métodos de pesquisa, coletas de 
dados, processos analíticos e bases filosóficas para a realização de estudos voltados 
a descrever, identificar e compreender como um fenômeno funciona. Cada um destes 
métodos possui, portanto, suas próprias vantagens e desvantagens no momento da 
aplicação. Entrevistas individuais podem explorar com profundidade um fenômeno 
junto a um indivíduo, mas podem ser muito trabalhosas para serem transcritas e ana-
lisadas. Uso de registros de consulta em prontuário podem ser facilmente transcritos, 
mas podem não refletir tudo o que se passou durante uma consulta. 
 
Exemplo de estudo qualitativo
Fixação de profissionais de saúde e motivação para seguir trabalhan-
do no cenário da APS é um problema em diversos países, desde 
aqueles ricos e com uma APS bem estruturada, como Canadá, até 
outros, ainda em desenvolvimento. Neste estudo, Shah et al. busca-
ram identificar quais os principais fatores envolvidos na motivação de 
profissionais médicos atuantes na APS para continuar nela trabalhan-
do ou buscar outro rumo profissional. Esta pergunta visa explorar junto 
aos médicos informações qualitativas sobre este fenômeno, uma vez 
que os autores, a priori, não sabiam quais eram as razões pelas quais 
os médicos seguiam ou não trabalhando na APS. Desta forma, os 
autores realizaram uma pesquisa qualitativa em um distrito rural do 
Paquistão na província de Khyber Puktunkhwa. Utilizaram um modelo 
conceitual para orientar entrevistas com profissionais de saúde. Este 
modelo compreendia fatores ligados à organização dos serviços de 
saúde, fatores individuais de cada profissional e fatores externos ao 
trabalho (família, contexto social e do país). Foram entrevistados 
médicos ligados diretamente à assistência da população, gestores 
distritais e regionais. Foram revisados também documentos oficiais 
da gestão, da organização do sistema e dos serviços de saúde. 
A partir dos dados coletados e analisados, os autores identificaram 
os seguintes fatores ligados à falta de motivação para seguir traba-
lhando na APS naquela província: (1) remuneração inadequada; (2) 
habitações fornecidas pelos distritos sanitários em condições inacei-
táveis; (3) ambiente de trabalho precário; (4) interferência política sobre 
EIXO TRANSVERSAL| MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
42
o processo de trabalho; e (5) suprimentos e instalações médicas ina-
dequadas. Muitos médicos aceitavam trabalhar nas unidades de 
saúde públicas nesta província acreditando que esses empregos 
eram mais seguros e com horários de trabalho convenientes. Médicos 
do sexo masculino pareciam estar mais motivados porque enfrenta-
ram menos desafios do que as mulheres nas unidades de saúde, es-
pecialmente durante as realocações. No geral, os fatores organiza-
cionais surgiram como os mais significativos, em que a política de 
recursos humanos, política de crescimento de carreira, avaliação de 
desempenho profissional e benefícios monetários desempenharam 
um papel importante. Entre as mulheres médicas, o fato de ser mulher 
e ser casada foi considerado como o fator individual mais importan-
te na retenção e motivação na APS.
Sayed Masoom Shah, Shehla Zaidi, Jamil Ahmed, and Shafiq Ur Rehman; Motiva-
tion and Retention of Physicians in Primary Healthcare Facilities: A Qualitative Study 
From Abbottabad, Pakistan; Int J Health Policy Manag. 2016 Aug; 5(8): 467–475. 2016 
Apr 9. doi: 10.15171/ijhpm.2016.38
1.7.5. MÉTODOS MISTOS DE PESQUISA
Este termo provavelmente soará como novidade para você, prezado profissional 
estudante. Tanto o termo “métodos mistos de pesquisa”, bem como a aplicação 
desta metodologia - ou dos princípios que regem o conjunto de metodologias mistas 
- ainda não são algo popular em nosso país. Ainda é possível escutar pessoas utili-
zando a expressão “pesquisa quanti-quali” como sendo um desenho de estudo que 
combina informações quantitativas e qualitativas. Contudo, esta expressão não cor-
responde àquilo que o conceito de métodos mistos realmente implica para os de-
senhos de estudos. 
Métodos mistos de pesquisa não se aplicam somente a desenhos de estudo na área 
da saúde, mas também têm sido utilizados nas áreas de educação, negócios, eco-
nomia e ciências sociais. Podem ser definidos como “desenhos de estudo que fazem 
uso de dados quantitativos e qualitativos deliberadamente coletados para que sejam 
analisados de forma integrada”. Duas palavras nesta definição são importantes para 
compreendermos o porquê métodos mistos de pesquisa não são somente “pes-
quisa quanti-quali”. Primeiro, o uso “deliberado” de ambos os tipos de dados, ou seja, 
à priori os dados serão coletados objetivando capturar aspectos quantitativos e qua-
litativos do fenômeno de interesse. Cada informação coletada tem um propósito no 
estudo e a forma como estes dados serão combinados também deve estar plane-
jada de antemão. A palavra Integração também se destaca no conceito. Como iremos 
combinar estes dados para conseguirmos uma informação mista é crucial e deve, 
novamente, ser planejado de antemão. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
43
Ao desenvolver estas metodologias, a intenção dos pesquisadores é somar aquilo 
que abordagens qualitativas e quantitativas têm de melhor. Além disso, ao integrar 
informações de ambos os lados, ganha-se um terceiro dado da realidade que não 
seria possível utilizando apenas uma ou outra abordagem. Pesquisadores que uti-
lizam métodos mistos de pesquisa costumam dizer que “com métodos mistos de 
pesquisa, 1 + 1 = 3”, ou seja, ganhamos evidências qualitativas, quantitativas e da in-
tegração dos dados. 
Pragmaticamente, estudos de métodos mistos compreendem três tipos genéricos de 
desenhos, a depender de como os dados são coletados. Caso os dados sejam cole-
tados concomitantemente, passará a se chamar estudo de métodos mistos convergen-
tes. Caso os dados sejam coletados em momentos distintos, passará a se chamar 
estudo de métodos mistos sequencial, sendo que, caso os dados quantitativos sejam 
coletados por primeiro, o estudo será chamado de estudo de métodos mistos sequen-
cial explanatório, pois os dados qualitativos que virão depois poderão “explicar” ou “ex-
planar” os dados quantitativos que vieram primeiro. Se o oposto ocorrer – dados qua-
litativos sendo coletados por primeiro – o estudo será chamado de estudo de métodos 
mistos sequencial exploratório, pois aquela informação qualitativa coletada primeira-
mente poderá gerar questionários e inquérito para que se explore o fenômeno na po-
pulação, não somente em uma amostra pequena do estudo qualitativo.
Ao apostar neste tipo de abordagem metodológica, combinando e integrando in-
formações quanti e qualitativas, pesquisadores assumem alguns riscos também. Da 
mesma forma que os benefícios produzem uma operação na qual “1 + 1 = 3”, as de-
mandas metodológicas, operacionais e analíticas também seguem a mesma fórmula. 
Muito trabalho para organizar dados quantitativos, dados qualitativos e para a inte-
gração e interpretação de ambos. 
Finalmente, uma última explicação é necessária aqui. Pesquisa com métodos mistos 
não restringe o tipo de dado quantitativo ou qualitativo que será utilizado. Questioná-
rios, inquéritos, instrumentos de medida psicométricos, dados de prontuário eletrôni-
co, resultados de exames laboratoriais, renda familiar são todas informações que 
podem ser utilizadas como dados quantitativos. Entrevistas, grupos focais, textos cien-
tíficos, leis descrevendo políticas públicas, relatos escritos de consultas médicas são, 
por outro lado, informações que podem ser utilizadas como dados qualitativos. 
Em seu livro “The mixed methods research workbook” de 2020, Michael Fetters or-
ganiza uma lista de vantagens e limitações desta abordagem de pesquisa. 
Vantagens Desvantagens
Utiliza as fortalezas de abordagens qua-
litativas para compensar as fraquezas de 
abordagens quantitativas, e vice-versa.
Aparente incompatibilidade teórica e 
filosófica entre os métodos quantitati-
vos e qualitativos.
Aprimora o escopo e aprofunda o co-
nhecimento envolvido na pesquisa.
Pode ser que a pergunta de pesquisa 
não precisa de uma abordagem de 
métodos mistos de pesquisa.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
44
Integra dados de forma comparativa 
para examinar achados similares, discor-
dantes ou aparentemente discordantes 
sobre um fenômeno.
Difícil adquirir habilidades técnicas 
para conduzir abordagens quantitati-
vas e qualitativas com primor.
Utiliza os dados quantitativos para orien-
tar a coleta de dados qualitativos - e 
vice-versa.
Requer mais recursos para sua reali-
zação.
Pode ajudar a desenvolver um modelo 
qualitativamente, para depois testá-lo 
quantitativamente.
Estende o escopo que cada metodo-
logia inicialmente poderia ter.
Pode desenvolver um modelo teórico 
quantitativamente, para depois validá-lo 
qualitativamente.
Requer o trabalho colaborativo de 
pessoas com diferentes competên-
cias e origens de formação. *
Publicar dados de métodos mistos 
pode ser mais difícil do que publicar 
dados estritamente qualitativos ou 
quantitativos.
Fonte: Michael D. Fetters The Mixed Methods Research Workbook: Activities for Designing, Im-
plementing, and Publishing Projects; SAGE Publications, 2019
* Pode ser uma limitação, mas que, também, pode se reverter em benefício, pela colaboração 
que se pode obter do trabalho em equipe.
Exemplo de estudo utilizando métodos mistos de pesquisa na APS
No artigo Harms from discharge to primary care: mixed methods analy-
sis of incident reports um estudo de métodos mistos realizado na In-
glaterra em 2015 os pesquisadores buscavam identificar a frequên-
cia com que desfechos indesejáveis pacientes poderiam sofrer após 
receberem alta hospitalar. Um em cada cinco pacientes sofre algum 
problema em casa relacionado à internação hospitalar em até três 
semanas após receber alta do hospital. Para identificar quais são os 
fatores associados a estes eventos indesejáveis e identificar possí-
veis medidas para minimizá-los no futuro, os pesquisadores reali-
zaram um estudo de métodos mistos convergentes,utilizando dados 
de alta hospitalar combinando com dados de prontuário de pacien-
tes e registros de visita a serviços de emergência para identificar os 
efeitos adversos pós alta hospitalar. Eventos foram categorizados e 
tabulados conforme a frequência com que ocorriam. Além disso, o 
perfil de morbidade e dados biomédicos de cada paciente também 
foram mensurados (dados quantitativos). Informações escritas no 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
45
prontuário destes pacientes na atenção primária e nos serviços de 
emergência forneceram informação qualitativa para identificar os 
principais eventos que poderiam ser agrupados em grandes temas 
(motivos) que levaram à ocorrência do desfecho. Dessa forma, os 
pesquisadores descobriram que o momento da alta hospitalar era 
decisivo para a ocorrência destes desfechos. 
Um total de 598 relatórios de alta foram analisados, identificando quatro 
temas principais: erros na comunicação do relatório de alta (n = 151; 54% 
causando danos); erros nos encaminhamentos para a atenção primária 
e para o médico de família (n = 136; 73% causando danos); erros na pres-
crição de medicamentos (n = 97; 87% causando danos); e falta de forne-
cimento de materiais de suporte para o cuidado no domicílio, como 
curativos, fraldas, etc. (n = 62; 94% causando danos). Fatores ligados aos 
profissionais (não seguir protocolos de referência); e fatores organiza-
cionais (falta de diretrizes claras ou processos ineficientes) também con-
tribuíram para ocorrência de eventos indesejáveis. 
Como oportunidades de melhoria, surgiram: (1) desenvolver e testar 
ferramentas eletrônicas para facilitar o relatório de alta do pacien-
te com requisitos mínimos de informação acordados, minimizando 
assim a falha de comunicação; (2) formar sistemas unificados de en-
caminhamento do hospital para a atenção primária e; (3) promover 
uma cultura de segurança dos pacientes com listas de verificação 
para uma ‘alta segura’, com supervisores que auditem a alta dos pa-
cientes, sempre com o envolvimento da família. Dessa forma, os 
pesquisadores conseguiram não somente identificar as causas e os 
fatores contribuintes, mas também identificar a frequência com que 
cada evento ocorreu nesta amostra de pacientes. 
Huw Williams, Adrian Edwards, Peter Hibbert, Philippa Rees, Huw Prosser Evans, 
Sukhmeet Panesar, Ben Carter, Gareth Parry, Meredith Makeham, Aled Jones, 
Anthony Avery, Aziz Sheikh, Sir Liam Donaldson and Andrew Carson-Stevens; 
Harms from discharge to primary care: mixed methods analysis of incident reports; Br 
J Gen Pract 2015; DOI: 10.3399/bjgp15X687877
1.7.6. PESQUISA-AÇÃO PARTICIPATIVA
A pesquisa-ação participativa – PAR – é uma abordagem metodológica de pesqui-
sa bastante distinta das descritas anteriormente, pois envolve, como o próprio nome 
diz, a participação direta da população de estudo. Tradicionalmente, indivíduos se-
lecionados para participar de um estudo deveriam ser influenciados, ao mínimo, 
pelos pesquisadores, evitando distorções das falas e de opiniões, e evitando a 
indução de respostas. Para a pesquisa-ação participativa, este seria justamente o 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
46
meio pelo qual a construção de conhecimento deve se dar, explorando junto à po-
pulação de estudo o seu conhecimento e experiência sobre o assunto e envolven-
do-as no desenho de intervenções sobre a própria realidade. 
A pesquisa-ação participativa tem forte influência de autores ligados à educação 
construtivista, sendo Paulo Freire um autor bastante citado pelos pesquisadores 
que utilizam esta metodologia. Assim como métodos mistos de pesquisa, pesqui-
sa-ação participativa trata-se muito mais de uma metodologia ou estratégia de pes-
quisa do que um método (coorte, caso-controle) em si. 
Algumas metodologias mais recentes e que buscam envolver atores na exploração 
de um problema e sua resolução têm sido mais popularizadas em países como 
Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Melhoria Contínua da Qualidade – Quality Im-
provement – e seus diversos instrumentos para identificação de problemas e elabo-
ração conjunta de soluções têm sido bastante difundidos no cenário da atenção 
primária. Contudo, muitos autores e profissionais envolvidos com esta metodologia 
de trabalho ressaltam que Melhoria Contínua da Qualidade não se trata de uma me-
todologia de pesquisa, mas sim de trabalho em equipe. Por meio de ações pontu-
ais e utilizando técnicas e instrumentos validados, os profissionais de saúde podem, 
de forma mais organizada e pragmática, identificar problemas, propor e aplicar so-
luções sobre o cenário em que vivem, atuando como agentes da transformação da 
realidade onde atuam.
Maggie Walter destaca a seguir algumas vantagens e desvantagens na realização 
de Pesquisa-ação participativa:
Vantagens Desvantagens
Trata-se de pesquisa aplicada a proble-
mas identificados na prática. Isso signi-
fica que ela tem como objetivo produzir 
resultados e mudanças positivas sobre 
a realidade onde é aplicada. 
Por princípio, não possui um líder de pes-
quisa. O processo deve ser democrático 
e gerido pelo grupo, o que pode levar a 
conflitos de agendas e interesses.
Metodologia de pesquisa colaborativa, 
envolvendo a comunidade de interes-
se (população de estudo) no desenho 
do estudo, objetivos e resultados. 
Em algumas situações, pode ser impra-
ticável. Encontrar um grupo com inte-
resses comuns - ou que compartilhem 
de um mesmo problema - não ne-
cessariamente resultará em consenso 
sobre a origem do problema, ou ainda, 
sobre como deve ser resolvido. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
47
Envolve compromisso com a popula-
ção na qual o estudo está sendo reali-
zado. Este compromisso faz com que 
a pesquisa consiga mais facilmente 
acessar aquilo que a comunidade en-
volvida compreende e percebe sobre 
o problema estudado. 
Geralmente não possui um cronogra-
ma estritamente definido. Por nature-
za, o processo de pesquisa não tem 
uma data para ser concluído, o que 
leva pesquisadores a tentar responder 
à questão “quando saberemos que 
o problema foi resolvido?” ou ainda, 
“quando saberemos se tentar resolver 
este problema é impraticável?”
Deve partir da comunidade (população 
de estudo). Seu locus de controle so-
bre o projeto é o que leva a identifica-
ção de problemas que são importantes 
para a comunidade, geralmente não 
percebidos por quem é de fora. 
Fonte: Maggie Walter; Participatory Action Research; in Social Research Methods. 
Rehabilitation Counseling Bulletin, v37 n1 p2-5 Sep 1993
Sue Duke et al. conduziram um estudo muito interessante que, apesar 
de não ser diretamente realizado na APS ou por médicos de família, 
aborda um aspecto do cuidado dos pacientes que nos diz respeito, 
que são os cuidados paliativos no fim da vida e a comunicação com 
familiares e cuidadores no momento em que estes pacientes 
recebem alta hospitalar e voltam para suas casas. Os autores reali-
zaram a implementação de uma metodologia de comunicação 
chamada de “Family-Focused Support Conversation”, ferramenta 
usada em cuidados paliativos. Ao perceber o potencial de uso desta 
ferramenta e a necessidade de melhorar a comunicação entre pro-
fissionais de saúde do hospital e familiares de pacientes em fim de 
vida, os pesquisadores buscaram implementá-la neste cenário, ins-
trumentalizando médicos dos hospitais para conduzirem conversas 
com pacientes e familiares no momento da alta hospitalar. 
Para a implementação desta ferramenta os pesquisadores realiza-
ram uma pesquisa-ação participativa na qual familiares e médicos 
atuaram como atores da pesquisa, produzindo mudanças no ins-
trumento inicial, tornando-o mais adequado para todos os atores 
envolvidos e adaptando-o ao contexto de alta hospitalar. “Norma-
lization Process Theory”foi a abordagem teórica utilizada na pes-
quisa, pois atendia às premissas dos autores de que o processo de 
implementação de uma inovação em saúde sempre acontece de 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
48
forma dinâmica e é influenciado por fatores contextuais e pelos 
atores envolvidos. Depois de uma revisão da literatura sobre o tema 
e metodologias de comunicação, os pesquisadores conduziram ofi-
cinas com os participantes, praticando o uso da ferramenta e iden-
tificando elementos cruciais para cada um dos envolvidos, o que 
facilitou para que a ferramenta fosse lapidada e adaptada para o 
cenário de prática ao qual seria aplicado. Isto ajudou a refinar a fer-
ramenta, padronizar seu uso e assegurar todos os envolvidos de 
que todas as partes interessadas foram levadas em consideração 
e opinaram para sua construção, aumentando, desta forma, sua 
usabilidade e a probabilidade de que será efetiva na comunicação 
entre profissionais de saúde e familiares.
Abaixo, imagem ilustrativa dos passos elaborados na pesquisa para 
adaptar o instrumento de comunicação ao cenário de aplicação. 
BMC Palliat Care; 2020 Sep 21;19(1):146. doi: 10.1186/s12904-020-00647-5.
Co-construction of the family-focused support conversation: a participatory learning 
and action research study to implement support for family members whose relatives 
are being discharged for end-of-life care at home or in a nursing home. Sue Duke, 
Natasha Campling, Carl R May, Susi Lund, Neil Lunt, Alison Richardson
Olá, sou João, um dos 
enfermeiros que cuidam 
da sua mãe. Posso falar 
com você sobre os planos 
de alta da sua mãe?
Vocês já pensaram em 
como vocês podem 
gerenciar essas preocupa-
ções como uma família?
Existem coisas que 
podemos fazer para 
ajudar com essas 
preocupações?
Obrigado. Em resumo, 
nós discutimos e sua 
esperança de (levar sua 
mãe para casa). Se você 
tiver alguma dúvida, a 
melhor pessoa para entrar 
em contato é (detalhes de 
contato).
Reconhecemos que 
este possa ser um 
momento cheio de 
incertezas para as 
famílias (pausa).
Vocês conversaram 
em família sobre a 
alta de sua mãe?
Que preocupações 
você tem como 
família?
Introduza o tema 
da conversa
Apoie os membros da família a considerar como eles podem abordar suas 
preocupações para tomar uma decisão informada sobre seu papel no cuidado.
Resuma a discussão e os planos de 
ação, forneça os dados para contato.
Reconheça a importância 
da situação Identifique preocupações
Cumprimento inicial e Introdução Significância Compreensão
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
49
1.7.7. A HIERARQUIA DAS EVIDÊNCIAS
Você se lembra da hierarquia das evidências, tradicionalmente apresentada como 
uma pirâmide? Nela, a ordem dos estudos representa a força da evidência, inver-
samente relacionada ao risco de viés, também denominado de erro sistemático. 
Essa hierarquia é importante na interpretação sobre o grau de confiança que podemos 
ter dos resultados encontrados, no entanto, ao conhecer os propósitos de cada 
desenho de estudo, você percebeu que apesar dessa hierarquia, cada desenho terá 
a sua importância em situações específicas.
Figura 3. A pirâmide das evidências revisada
Fonte: (MURAD et al., 2016)
Na nova pirâmide das evidências, fica clara a diferença das revisões sistemáticas 
(estudos secundários) dos estudos primários que compõem a base restante da pirâ-
mide. A descrição dos tipos de revisões, incluindo a revisão sistemática, extrapola a 
proposta deste texto e pode ser aprofundada na leitura complementar indicada.
Aprenda mais sobre Revisão Sistemática e as suas diferenças 
para outros tipos de revisão no manuscrito “Tipos de revisão de 
literatura”, da UNESP Botucatu: https://www.fca.unesp.br/Home/
Biblioteca/tipos-de-evisao-de-literatura.pdf (BIBLIOTECA PROF 
PAULO DE CARVALHO MATTOS, 2015).
Saiba mais
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
50
1.8. ANÁLISE CRÍTICA DA EVIDÊNCIA
Um dos passos mais importantes da aplicação da Prática em Saúde Baseada em 
Evidências é a análise crítica da evidência científica encontrada. Como andar de bi-
cicleta, essa habilidade precisa ser praticada com paciência antes de se alcançar a 
proficiência, pouco adiantando o estudo teórico isolado.
Essa tarefa, no entanto, pode amedrontar você, caro profissional estudante, espe-
cialmente se nunca se engajou nesse tipo de exercício anteriormente. Para auxiliá-
-lo nesse desafio de análise, foram desenvolvidas listas de verificação (checklists) de 
modo a sistematizar e facilitar a análise de forma sequencial. O resultado da análise 
por meio dessas listas não deve ser interpretado a partir de um escore final de pon-
tuação, mas sim por meio de uma avaliação qualitativa dos seus itens e o quanto 
que as falhas metodológicas identificadas podem comprometer a confiança no re-
sultado por meio da inserção de vieses no estudo. Assim, se os riscos de vieses são 
importantes, nossa confiança no resultado reduz, o que pode comprometer a apli-
cação da evidência na nossa prática.
1.9. FECHAMENTO DA UNIDADE
Parabéns, caro profissional estudante!
Você recuperou os principais conceitos relacionados à ciência e ao conhecimento 
científico, à ética em pesquisa e aos desenhos de estudo nesta unidade.
Você agora está preparado para seguir em frente para a próxima unidade, onde con-
versaremos sobre a construção do Projeto de Intervenção. Aproveite todos os novos 
conhecimentos aqui adquiridos para enriquecer ainda mais o seu Trabalho de Con-
clusão de Curso!
Siga em frente e boa sorte nas novas etapas.
Até breve!
A Universidade de Cardiff, no País de Gales, apresenta um repositório bas-
tante completo destas listas de apoio para análise crítica, já classificadas 
segundo o tipo de estudo em análise, neste site: . Use sempre para o seu desenvolvimento crítico e para 
maior clareza sobre o grau de segurança dos resultados do estudo.
Projeto de 
Intervenção (PI) 
UNIDADE 02
Objetivo de aprendizagem para a unidade: Ao final desta 
unidade, o profissional deverá compreender os fundamentos 
teórico-metodológicos e práticos para a elaboração de um 
Projeto de Intervenção.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
52
2.1. INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Nesta unidade convidamos você a estruturar o seu projeto de intervenção com 
todas as etapas. O Pi é uma ferramenta importantíssima tanto para os seus estudos 
quanto para o seu processo cotidiano de trabalho. Com ele você estabelece a re-
flexão sobre o contexto de trabalho, permitindo observar e diagnosticar a realidade 
e seus problemas, bem como agir sobre eles. Essas intervenções auxiliam na mudança 
e melhorias no processo de trabalho das equipes e, principalmente, dos níveis de 
saúde da população, fomentando a necessidade de realização do planejamento 
das atividades no serviço. 
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Identificar a importância do uso do Projeto de Intervenção
• Conhecer os pressupostos teóricos que orientam um Projeto de Intervenção
• Compreender a estrutura metodológica para elaboração do Projeto de 
Intervenção
• Utilizar as principais etapas para construção do Projeto de Intervenção
• Elaborar um Projeto de Intervenção apresentando sua experiência
Bons estudos!
2.2. IMPORTÂNCIA DE REALIZAR UM PROJETO DE INTERVENÇÃO
Como você já deve ter observado em sua prática profissional e em seus estudos, as 
condições de saúde-doença nos territórios são diversas, complexas e influenciadas 
por fatores socioeconômicos, culturais e biológicos. Assim, nos serviços de saúde 
da APS, os profissionais médicos e demais profissionais da saúde lidam no seu coti-
diano com diversos desafios e problemas de saúde (GIOVANELLA et al., 2019). Tal 
cenário,faz com que algumas demandas de saúde importantes para população ads-
crita fiquem descobertas ou com alguma fragilidade nas ações desenvolvidas.
Intervir sobre os problemas de saúde e seus determinantes sociais e biológicos é tarefa 
cotidiana dos profissionais que, como você, atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) 
seja em ações individuais, coletivas ou intersetoriais. Neste sentido, a intervenção é 
base do seu trabalho como profissional médico, entretanto, para algumas formas de 
intervenção, ainda há um desafio para inserção do planejamento.
É neste contexto que o Projeto de Intervenção (PI) surge como uma ferramenta para 
reflexão sobre o contexto de trabalho, permitindo observar e diagnosticar a reali-
dade e seus problemas, bem como agir sobre eles. Essas intervenções auxiliam na 
mudança e melhorias no processo de trabalho das equipes e, principalmente, dos 
níveis de saúde da população, fomentando a necessidade de realização do plane-
jamento das atividades no serviço. 
Além disso, trabalhar com o PI possibilita a não reprodução da visão hegemônica 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
53
no campo científico acerca da distinção entre o “saber” e o “fazer”. Assim, essas in-
tervenções possibilitam a aproximação entre a produção do conhecimento, nos 
moldes científicos, das práticas de saúde, e principalmente dos usuários do serviço 
de saúde, principais interessados neste processo. A participação dos colegas de 
equipe de saúde e da população é fundamental para que esta aproximação se 
efetive na prática, fazendo com que esses não fiquem apenas na condição de pes-
quisadores e público-alvo da intervenção, mas que tenham papel ativo na constru-
ção das soluções para os problemas da comunidade (XAVIER, et al., 2018).
Você já deve ter percebido que tal perspectiva se alinha com a abordagem huma-
nizada no Sistema Único de Saúde (SUS), trazida pela Política Nacional de Huma-
nização. Essa política, propõe a ampliação do escopo das intervenções em saúde 
a partir dos problemas dos territórios, necessidade de saúde e seus determinan-
tes e condicionantes. Assim, os PI alinham-se a uma perspectiva ampliada da 
saúde, envolvendo ações e serviços que atuem nas situações de adoecimentos, 
mas também atuando nos territórios, nas comunidades e sobre as condições de 
vida para favorecer a ampliação de escolhas saudáveis pelos indivíduos e famí-
lias (BRASIL, 2008). 
Desta forma, a importância do PI no contexto de SUS perpassa principalmente 
pelo seu potencial de mudança na realidade por meio de intervenções contextu-
alizadas, planejadas e que incluam a participação popular e a promoção da saúde. 
Como você verá ao longo desta unidade, o PI permitirá o exercício focalizado de 
uma atividade de reconhecimento, planejamento, ação e monitoramento/avalia-
ção, que são a base para uma atuação adequada na APS. Devido a isso, neste 
curso você desenvolverá um PI como atividade de Trabalho de Conclusão do 
Curso (TCC).
Acompanhe no item a seguir a explicação do que é um Projeto de Intervenção! 
2.3. PROJETO DE INTERVENÇÃO
2.3.1. O QUE É UM PROJETO DE INTERVENÇÃO?
O PI é uma ação planejada que visa a tomada de decisão para ações sobre deter-
REFLEXÃO
A prática em saúde no SUS exige um exercício crítico constante sobre 
a atuação profissional, conforme Freire (1996 p.34) “É pensando cri-
ticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a 
próxima prática”.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
54
minados problemas com vista a alcançar objetivos definidos. Dessa forma, trata-se 
de uma intervenção organizada a priori para responder a necessidades identifica-
das. O PI é material objetivo e focalizado, pois seu intuito é a ação para a resolução 
de problemas da realidade (XAVIER, et al., 2018).
De modo geral, esse tipo de projeto tem como principal objetivo a transformação 
ou mudança de estruturas e processos em uma determinada realidade, enquanto 
os projetos de pesquisa objetivam conhecer algo da realidade, sem a preocupação 
de agir sobre os problemas identificados. Essa diferenciação é fundamental para o 
correto desenvolvimento do seu trabalho final deste curso, visto que não deverá ser 
proposto um projeto que enfoque estritamente a pesquisa.
Por estas características, o PI aproxima o universo acadêmico ao da prática, mos-
trando que, em vez de antagônicos, essas esferas são complementares. Ele permite 
perceber o uso do conhecimento científico enquanto uma ferramenta de transfor-
mação social e mudança positiva da realidade.
Neste sentido, o PI é utilizado em diversas áreas do conhecimento, podendo ser de-
senvolvido em contextos específicos ou organizações, com a finalidade de modifi-
car a estrutura, processo de trabalho, práticas sociais e dinâmicas consideradas ina-
dequadas, mediante parâmetros estabelecidos (MOURA; BARBOSA, 2006). Ou seja, 
um PI visa sempre solucionar problemas ou atender a necessidades identificadas, 
e seu desenvolvimento deve partir de uma ação conjunta com a integração de todas 
as pessoas afetadas pela intervenção (XAVIER, et al., 2018).
Quando abordamos o PI especificamente na saúde e no contexto da APS, ele é uma 
proposta de ação desenvolvida a partir de um diagnóstico da realidade para atuar 
em um ou mais problemas presentes no território, comunidade ou em grupos da 
população adscrita, seja no âmbito assistencial ou da gestão, visando a melhoria 
das condições de saúde ou modificação positiva nos seus determinantes e condi-
cionantes (XAVIER, et al., 2018).
Outro aspecto central para compreender o que é um PI são os seus pressupostos 
e bases teóricas. Embora sua finalidade seja a prática, a ideia e ferramentas meto-
dológicas que o sustentam são oriundas de dois lugares: a Pesquisa-Ação e o Pla-
nejamento em Saúde (XAVIER, et al., 2018). As teorizações e ferramentas disponi-
bilizadas por essas duas abordagens estão na estrutura constituinte dos PI, 
especialmente no campo da saúde.
Entretanto, o fato de ser objetivo, focalizado e transformador da 
realidade não significa que o PI esteja fora do conhecimento cien-
tífico. Pelo contrário, ele é uma modalidade de produção cientí-
fica, pois baseia-se na racionalidade e tem como fundamento 
teorias específicas e conhecimentos sistematizados produzidos 
sobre problemas que precisam ser superados. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
55
Acompanhe no item a seguir quais são os pressupostos teóricos do Projeto de 
Intervenção!
2.3.2. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS APLICADOS AO PI
Conforme apontam Xavier et al. (2018 p.286), em análise sobre os PI nos serviços 
de saúde:
Os que atuam no mundo prático, a exemplo dos serviços de saúde, acredi-
tam muitas vezes não lançar mão de modelos teóricos; e alguns acadêmi-
cos preferem se distanciar do universo das práticas. Contudo, tanto acadê-
micos quanto trabalhadores que atuam nos serviços de saúde teorizam, 
mobilizam saberes diversos em sua prática de trabalho e constroem co-
nhecimento, sistematizando efeitos e resultados de suas ações. As práticas 
estão permeadas de teorias.
Sendo assim, percebe-se que os PI não só estão embasados por pressupostos te-
óricos como também, na sua ação prática, produzem novas possibilidades de teo-
rização e construção de conhecimento. A partir disso, vamos conhecer a relação da 
Pesquisa-Ação e do Planejamento em Saúde com o PI.
2.3.2.1. PRESSUPOSTOS DA PESQUISA-AÇÃO APLICADOS AO PI
A Pesquisa-Ação, como seu próprio nome sugere, tem por objetivo ir além da pes-
quisa convencional, descritiva ou analítica, com o pesquisador em um papel ativo 
frente aos problemas identificados, buscando caminhos e ações para solucioná-los. 
Ou seja, além do levantamento dos dados e produção de informações, o desenvol-
vimento dessa modalidade de pesquisa pressupõe uma relação dialética entre a 
pesquisa e a ação de modoque ambas não podem ser dissociadas no desenvolvi-
mento do processo.
Segundo Tholen (2011, p. 30) a Pesquisa-Ação é uma modalidade de:
…pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita 
associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo no 
qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do pro-
blema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
Conforme o autor destaca, os pesquisadores não são neutros e participam ativamen-
te das etapas em busca de aprimoramento das práticas analisadas e da construção 
de novos conhecimentos (THIOLLENT, 2011). Assim, a Pesquisa-Ação não apresenta 
uma estrutura linear, mas sim característica de etapas em espiral ligando o planeja-
mento, a ação e a apuração de fatos com o resultado da ação e da avaliação (TRIPP, 
2005). Veja na figura a seguir a representação visual das etapas em espiral.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
56
Com certeza você já percebeu que é possível pensarmos em algumas característi-
cas comuns entre Pesquisa-Ação e PI:
• grande interação entre profissional da saúde e as pessoas do local em que se de-
senvolve o trabalho; 
• objeto de trabalho não definido pelas pessoas, mas sim pela realidade da situa-
ção social e problemas identificados;
• objetivo de sempre resolver, completamente ou em parte, as situações indeseja-
das que são verificadas na realidade; 
• trabalho incorporando integralmente a participação popular, não só como objeto 
de intervenção, mas como ator ativo no processo; 
• planejamento das ações com vistas ao êxito, definindo metas e objetivos, inter-
venções, atores implicados no processo, atividade de cada ator, critérios de mo-
nitoramento e avaliação, entre outros.
Deste modo, percebe-se que a Pesquisa-Ação está na base do PI, tanto no aspecto 
teórico quanto metodológico. Contudo, deve-se atentar para a diferença da finalida-
de dos dois tipos de trabalho. Enquanto o PI é focado na intervenção contextualiza-
da, ou seja, busca a partir do conhecimento da realidade promover ações mais efe-
tivas e melhorias no processo de trabalho, a Pesquisa-Ação tem dois enfoques: o 
prático e o de conhecimento. O PI até pode gerar novos conhecimentos, todavia esse 
não é seu enfoque principal, mas sim a organização da assistência para melhorias 
de problemas identificados.
Decisão de iniciar
Projeto de pesquisa de ação
Planejar
Refletir Ag
ir
Observar
Refletir
Pla
ne
ja
r
Agir
Observar
Melhor saúde
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
57
Thiollent (2011) propõe diferentes momentos para o desenvolvimento de uma pes-
quisa-ação, sendo que os procedimentos propostos auxiliam na elaboração e no 
desenvolvimento dos PI. O autor destaca quatro momentos específicos:
• Fase exploratória: consiste no diagnóstico inicial ou da realidade onde os proble-
mas do território e da comunidade são identificados, bem como as pessoas inte-
ressadas em participar da pesquisa e suas expectativas. É o momento para defi-
nição dos objetivos e identificação de possíveis ações (Thiollent 2011). 
• Tema da pesquisa: é o momento de identificação da área temática de conheci-
mento onde o problema elencado para trabalho se insere. Nesta etapa é impor-
tante definir o marco teórico norteador que trará o olhar pretendido para o proble-
ma e a forma de agir sobre ele (Thiollent 2011).
• Colocação de problemas: é o momento de observar cuidadosamente a temáti-
ca escolhida e levantar uma ou mais problemáticas para ser abordado na inter-
venção. No caso do PI, destaca-se a necessidade de serem elencados problemas 
de ordem prática, visto que o enfoque é a mudança e melhorias de uma determi-
nada situação (Thiollent 2011).
• Lugar da teoria: neste momento, deve-se definir um marco teórico que irá guiar 
seu trabalho, dando base para suas interpretações, construção de hipóteses e de-
finição da intervenção. Apesar de ter enfoque na prática, o PI não dispensa a teoria, 
pois é nela que você encontrará a direção para sua intervenção (Thiollent 2011).
Agora que conhecemos os pressupostos da Pesquisa-Ação relacionados ao PI, 
vamos seguir os estudos tratando sobre os pressupostos de planejamento em Saúde 
no próximo item.
2.3.2.2. PRESSUPOSTOS DO PLANEJAMENTO EM SAÚDE APLICADOS AO PI
O planejamento tem grande relevância dentro da operacionalização do SUS, embora 
ainda seja um desafio no cotidiano dos gestores e equipes de saúde. Planejar é, de 
forma abrangente, perceber a realidade como está colocada, avaliá-la com parâ-
metros definidos e construir previamente um referencial para caminhos futuros. Ou 
seja, traçar caminhos, segui-los com antecedência para que as coisas fiquem como 
deveriam ser, realizar cálculos que precedem e presidem a ação.
Por ser um recurso do campo da administração, mas aplicado em diversos outros 
campos do conhecimento, o planejamento tem suas peculiaridades quando tra-
balhado na saúde. Nesse sentido, ressalta-se o Planejamento Estratégico e Situ-
acional (PES) proposto por Carlos Matus, a partir de um olhar crítico sobre os 
métodos tradicionais de planejamento difundidos na América Latina nos anos 50 
(IIDA,1993).
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
58
Neste sentido, o PES é um método que atua a partir de problemas, especialmen-
te a partir daqueles mal estruturados e complexos que não possuem solução 
normativa ou conhecida previamente. Além disso, os problemas são sempre ob-
servados a partir de suas dimensões social, política, econômica, cultural, entre 
outras (MATUS, 1989), porque assume-se a complexidade e intersetorialidade 
dos problemas, reconhecendo que:
1. suas causas não se limitam a uma dimensão ou setor específico;
2. sua solução pode depender do diálogo entre várias dimensões, da interlocução 
de mais de um setor e dos diversos atores envolvidos no processo.
Com ênfase na utilidade de suas ferramentas metodológicas para o PI, destaca-se 
que, apesar de ter sido desenhado para utilização em nível central e global, possui 
um formato flexível que permite a aplicação em níveis regionais, locais e até seto-
riais. Apesar disso, sugere sempre a necessidade de situar os problemas em um 
contexto mais amplo, mantendo a explicação situacional que permite a análise da 
viabilidade para a intervenção na realidade.
Como já vimos na Pesquisa-Ação, o PES também aponta para a necessidade de 
superar a visão tradicional da ciência, reconhecendo os sujeitos implicados no pro-
cesso como atores comprometidos com os resultados das ações planejadas, ou 
seja, não apenas como um mero expectador, mas sim um agente. Sendo que isso 
deve contribuir para contextualização das demandas e maior senso prático, com 
projeções de curto, médio e longo prazo (MATUS, 1989). 
Outro aspecto do PES, que deve ser considerado no desenvolvimento do PI, é o re-
conhecimento dos problemas/limitações políticas. Sabe-se que os diferentes agentes 
estão colocados em distintas posições de poder e, principalmente, as restrições de 
poder aparecem como limitadores ao avanço de determinados planos. Devido a 
isso, é necessária uma ampla articulação com os níveis de gestão, assistência e co-
munidade para que seja possível viabilizar as intervenções (MATUS, 1989).
Como proposta metodológica para sua operacionalização, o PES é composto por 4 
momentos distintos, mas interligados, descritos a seguir:
• momento explicativo: diagnóstico da realidade com seleção de problemas con-
siderados relevantes para os atores sociais, bem como análise e descrição dos 
problemas selecionados;
O PES diferencia-se do planejamento tradicional, pois incorpora 
aspectos de gerência, organizacionais e enfatiza o momento tá-
tico-operacional em que se observa a conjuntura em que o pla-
nejamento está sendo desenvolvido, possibilitando avaliação e 
atualização constante do plano.Assim o planejamento fica intrin-
secamente ligado às intervenções e aos resultados/impactos, 
não somente ao cálculo que visa anteceder a ação. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
59
• momento normativo: definição e desenho da situação objetivo/situação futura 
que se deseja frente aos problemas, bem como construção das intervenções e 
ações concretas para atingir os resultados, tendo como referência as metas defi-
nidas. Realização da pré análise de viabilidade;
• momento estratégico: realização da análise de viabilidade do planejamento pro-
posto nas dimensões social, política, econômica, cognitiva, organizativa, entre 
outras. Esse processo deve focar em situações em que os atores não controlam 
todos os fatores para realização do plano;
• momento tático-operacional: realização de intervenções e ações, ou seja, a imple-
mentação do plano. Deve-se considerar que o plano não se trata de um mero desenho 
no papel, mas sim um compromisso de ação para obtenção de novas situações mais 
favoráveis do que as iniciais. Para isso, também deve-se fazer o monitoramento, ajustes 
nas rotas traçadas (quando necessário) e avaliação das intervenções.
A partir disso, podemos pensar nos pressupostos e ferramentas do planejamento 
para o desenvolvimento adequado do PI. Inicialmente é necessário ter claras algumas 
questões como:
• Onde se quer chegar? 
• Quais objetivos se tem? 
• O que se considera ideal? 
Caso isso não esteja delimitado e estabelecido corre-se o risco de se ter um projeto 
sem direção e pouco efetivo. Todavia, considerando o planejamento um processo 
dinâmico, as respostas para essas perguntas não devem estar fechadas e pré-es-
tabelecidas a priori, mas sim construídas no processo. Não equilibrar esses dois 
pontos (definição e contextualização) pode fazer com que se caia em um equívoco 
comum: o processo de planejamento restrito a como se acha que as coisas deve-
riam ser (IIDA,1993; KLEBA; KRAUSER; VENDRUSCOLO, 2011).
Neste sentido, o PI deve ser baseado na realidade e testado na prática, tendo fac-
tibilidade técnica e política para que não se torne apenas um exercício para os que 
fazem o plano. Existem alguns cuidados, baseados no planejamento em saúde, re-
levantes para o PI. Acompanhe a seguir:
• ter objetivos claros e estabelecer as condições ideais para esses;
• ter um bom diagnóstico da realidade do local em que se pretende atuar, incluin-
do equipe de saúde e comunidade nesta construção;
• estabelecer metas claras para os objetivos traçados;
• verificar as condições e viabilidade das intervenções antes de propô-las;
• estabelecer as formas de operacionalizar, os recursos necessários e os responsá-
veis para as intervenções propostas; e
• determinar ferramentas para monitoramento e avaliação das intervenções propostas.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
60
Exemplificando, não basta no processo de construção do PI afirmar que se quer 
reduzir as taxas de diabetes mellitus tipo 2. Isso é o que se deseja. Para que se tra-
balhe na perspectiva do planejamento em saúde é necessário identificar, por meio 
de diagnóstico da realidade, se este realmente é um problema relevante para a co-
munidade, quais os principais grupos afetados, bem como os condicionantes e de-
terminantes do excesso de peso naquele contexto. 
A partir disso, é momento de estabelecer objetivos e metas claras para redução das 
taxas do excesso de peso na comunidade, de preferência apontando quais os grupos 
ou faixas etárias serão alvo das ações. Somente aí deve-se pensar em como serão 
executadas as intervenções, considerando a viabilidade mediante aos recursos e 
relações de poder na gestão. Serão ações de promoção da alimentação adequada 
e saudável e de atividades físicas, de prevenção ou de tratamento? Individuais, co-
letivas e/ou intersetoriais? Onde serão realizadas as ações? Quem realizará? Com 
quais recursos? Em quanto tempo?
Tendo isso pactuado, deve-se, então, definir marcadores para que seja possível re-
alizar um monitoramento das intervenções, por meio de verificação da adesão às 
ações por parte do público-alvo, ou mesmo analisando a redução nas taxas de in-
divíduos com essa morbidade a médio e longo prazo. Esse procedimento permite 
corrigir problemas na intervenção para que seja possível atingir os objetivos e metas 
traçados. E, no final do processo, avaliar os resultados do PI como um todo, obser-
vando se a intenção inicial de redução das taxas de excesso de peso, por exemplo, 
foi cumprida, analisando as especificidades.
Agora que identificamos a importância do PI e conhecemos os pressupostos para 
o seu desenvolvimento, vamos compreender a sua estrutura metodológica.
2.4. ESTRUTURA METODOLÓGICA DO PROJETO DE INTERVENÇÃO
Como vimos, os PI devem ser adequados à realidade e, portanto, o andamento deles 
ocorrerá em velocidade e tempos particulares a cada intervenção. Para finalidade 
de trabalho de conclusão de curso, constitui-se em etapa obrigatória a construção 
do PI, sendo sua implantação/execução recomendável. 
Os TCCs podem assumir formatos distintos a depender das diretrizes do curso 
e do tipo de trabalho que se propõem para esta etapa final. Na presente espe-
A metodologia utilizada para o desenvolvimento do PI não será 
a da Pesquisa-Ação e do PES dentro da complexidade a que 
estes se propõem. Conforme apresentado, o caminho é utilizar 
ferramentas dessas abordagens para fornecer o apoio necessá-
rio para a construção e implementação do PI.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
61
cialização, por tratar-se de um PI, propõe-se uma estrutura com os seguintes 
itens: Introdução; Objetivos; Revisão da Literatura; Metodologia; e Resultados 
Esperados.
A partir disso, vamos apresentar a estrutura metodológica do PI, que dará base para 
você construir cada um dos itens do seu TCC. Ou seja, ao passar por esses conteú-
dos, conhecerá quais informações deverão compor os capítulos do seu PI, para que 
ele esteja adequado à aplicação. Por isso, é importante que o trabalho siga os passos 
operacionais que serão descritos a seguir. Acompanhe! 
2.4.1. DESENVOLVENDO UM PROJETO DE INTERVENÇÃO
Desenvolver o PI implica: identificar, envolvendo os atores da sociedade, os proble-
mas da realidade em que se vai atuar; selecionar um tema relevante para abordar; 
definir objetivos; conhecer a literatura sobre as melhores práticas já testadas para 
agir sobre o tipo de problema identificado; traçar ações/estratégias para atuar sobre 
esses problemas; monitorar/avaliar sua aplicação; e sugerir possíveis resultados 
que se espera obter com a intervenção.
Nessa fase, vamos passar por cada uma dessas etapas, de forma objetiva e clara, 
para auxiliá-lo na construção do TCC. Vamos, então, iniciar pela fase exploratória.
2.4.1.1. FASE EXPLORATÓRIA
Neste momento você precisará realizar um diagnóstico social e epidemiológico de 
comunidade sob sua responsabilidade, pois reconhecer a realidade na qual se está 
inserido é o primeiro passo na elaboração de seu PI. Como trabalhamos no campo 
da saúde com o conceito ampliado, deve-se observar os determinantes biológicos, 
sociais e ambientais da saúde. 
Você pode obter informações de três diferentes formas, conforme descrito a seguir:
1. percorrer o território que pretende atuar e fazer anotações de suas percepções; 
2. buscar informações nas bases de dados e sistemas de informação em saúde da 
unidade, município ou do Ministério da Saúde; e
3. conversar de forma individual e coletiva com os trabalhadores de saúde das 
equipes e com membros da população adscrita. 
Recomenda-se que as informações obtidas sejam analisadas e sistematizadas para 
a construção de um diagnóstico da realidade que permita visualizar os problemas 
vigentes na comunidade. 
Por exemplo, se você obtiver dados epidemiológicos, sugere-se organizá-los em 
porcentagempara melhor compreensão. Quando tiver relatos dos profissionais e 
usuários ou anotações sobre a comunidade, busque fazer uma análise básica, bus-
cando o que se repete nas falas, as contradições entre elas e as divergências entre 
o que se fala e o que você observa. Fazer essas análises simples permitirá que você 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
62
compreenda mais profundamente os problemas e fortalezas da comunidade em 
que se irá realizar a intervenção. 
Para facilitar sua organização e ordenar a construção do seu PI, recomendamos que 
você organize as informações em uma tabela com três itens:
1. problema identificado - problema deve ser descrito em uma frase afirmativa;
2. fatores que influenciam a ocorrência do problema - uma lista de fatores que 
influenciam a ocorrência do problema deve ser elencada a partir do conheci-
mento que tem de sua comunidade e realidade local.
3. Consequências - as possíveis consequências de saúde para os indivíduos, caso 
o problema não seja abordado também devem ser listadas. 
Veja a seguir dois exemplos e observe os modelos de tabela, que embora apenas 
ilustrativos, a partir de territórios fictícios, são bastante próximos a algumas realida-
des locais. Com isso, ao ler os exemplos, talvez você identifique situações similares 
em seu território ou considere-os distantes da realidade onde atua. O mais impor-
tante, é que você saiba que este modelo é apenas para explicação didática. 
 
Problema 
identificado
Fatores que influenciam a 
ocorrência do problema
Consequências
Alto número de ges-
tantes com menos 
de 6 consultas de 
acompanhamento 
pré-natal.
• Fechamento de alguns serviços 
na UBS para remanejamento de 
profissionais para atendimento de 
casos sintomáticos COVID-19.
• Área adscrita com população que 
não utiliza os serviços do SUS, 
pois tem plano de saúde. 
• A UBS é muito distante de sua 
casa. 
• Custo de deslocamento para a 
UBS.
• Descoberta tardia da gestação.
• A gestante esconde a gestação 
dos familiares responsáveis.
• Dificuldade de a gestante compa-
recer à consulta por não ter com 
quem deixar os outros filhos e não 
se liberar dos afazeres domésti-
cos. 
• Não consegue liberação do traba-
lho.
• Possibilidade de o RN ter 
baixo peso ao nascer. 
• Chance de prematurida-
de.
• Risco aumentado de mor-
te materno-infantil.
• Índice de complicações 
maternas durante a ges-
tação e no momento do 
parto aumentado. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
63
Baixo número de 
crianças menores 
de um ano de idade 
com calendário vaci-
nal completo. 
• Percepção errada da população 
sobre a vacinação em relação a 
doenças já erradicadas.
• Indisponibilidade de vacina na 
UBS. 
• Dificuldade de acesso.
• Risco aumentado para 
desenvolvimento das 
doenças relativas às imu-
nizações que não foram 
realizadas. 
• Crianças não vacinadas 
estão mais suscetíveis a 
maior morbimortalidade.
• Risco de doenças graves 
ressurgirem.
Essas informações serão imprescindíveis para que você e os profissionais de saúde 
envolvidos trabalhem as etapas seguintes do seu PI, pois esse diagnóstico da fase 
exploratória subsidiará as tomadas de decisão a seguir e irá compor a etapa de in-
trodução do seu PI.
2.4.1.2. DEFINIÇÃO DO TEMA
A definição do tema é um momento crucial onde, a partir do reconhecimento da re-
alidade local, você escolhe a temática mais relevante para a melhoria dos níveis de 
saúde da comunidade a ser abordada em seu PI (Projeto de Intervenção). No Pro-
grama Mais Médicos para o Brasil, é possível acomodar uma variedade de temas, 
pois eles tratam de questões amplas que podem ser alvo de diferentes ações. Confira 
a seguir uma lista ampliada de temáticas que poderão ser trabalhadas por você no 
seu PI:
• Ações de melhoria da comunicação do profissional/equipe/UBS com os 
usuários;
• Ações de monitoramento e avaliação do trabalho;
• Ações do médico/equipe/UBS de Educação Permanente para promover me-
lhorias do cuidado;
• Ações em Educação Popular;
• Acolhimento e/ou Classificação de risco;
• Acompanhamento a Gestantes e Pré-Natal;
• Adscrição de Clientela;
• Articulação intersetorial - projetos e ações que implicam participação de servi-
ços / instituições de outros setores fora da Saúde;
• Atenção/Visita domiciliar;
• Biossegurança;
• Busca ativa;
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
64
• Cadastramento familiar e dos usuários do território;
• Cobertura Vacinal / Imunização;
• Condicionalidades do Programa Bolsa Família (PBF);
• Cuidado às Pessoas em Situação de Violência;
• Cuidados Paliativos;
• Diagnóstico Situacional;
• Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (Hipertensão, Diabetes, Câncer, Doenças 
Cardiovasculares, Doenças Respiratórias, Obesidade);
• Doenças Infecciosas Transmissíveis (Hanseníase, Tuberculose, HIV/AIDS, Sífilis 
e outras IST, SARS, Influenza);
• Estratégias de agendamento;
• Fomento à participação popular na organização da equipe / UBS;
• Humanização do cuidado;
• Integração com as e-Multi;
• Integração com Saúde Bucal;
• Integração com serviços de outros níveis de atenção na Rede de Atenção à Saúde 
(Hospitais, Centros Especializados, CAPS, UPA, Policlínicas);
• Mapeamento da área de abrangência;
• Oferta de Atendimento Integral e Igualitário;
• Organização da demanda (espontânea e programada)
• Orientação ao autocuidado;
• Práticas Integrativas em Saúde (PIS);
• Programação da Oferta de serviços para população adscrita;
• Promoção à Saúde e Prevenção de Doenças;
• Saúde da Criança;
• Saúde da Mulher;
• Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência;
• Saúde da População em Situação de Rua;
• Saúde da População Indígena;
• Saúde da População LGBTQIA+;
• Saúde da População Negra;
• Saúde da População Privada de Liberdade;
• Saúde das Populações do Campo, Florestas e Águas;
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
65
• Saúde do Adolescente e do Jovem;
• Saúde do Homem;
• Saúde do Idoso;
• Saúde do Trabalhador;
• Saúde Mental;
• Saúde Sexual e Reprodutiva;
• Segurança do Paciente;
• Vigilância em Saúde;
Assim, caberá a você definir qual o tema prioritário na sua comunidade, consideran-
do a viabilidade de nele atuar. Nesses temas você poderá optar em trabalhar por 
fases do ciclo da vida ou ainda trabalhar com grupos vulneráveis específicos na sua 
comunidade, priorizando aqueles com piores indicadores de saúde.
Considerando especialmente o potencial transformador, é fundamental que a de-
finição do que será o tema do PI seja resultado de debates e acordo entre os en-
volvidos, ou seja, você, a equipe, a gestão e a comunidade. Essa negociação é im-
portante, porque mobiliza-os para atuar sobre as pactuações. A definição do tema, 
bem como informações sobre ele também irão compor o capítulo de Introdução 
do seu PI..
2.4.1.3. ESCOLHA DO PROBLEMA
A partir do diagnóstico inicial e do tema escolhido será necessário explicitar o pro-
blema que se deseja trabalhar. Nesse momento você deve resgatar as informações 
que foram organizadas em tabela durante a fase exploratória e compartilhar com 
sua equipe. Naturalmente você listou diversos problemas, sendo necessário, nesta 
etapa, analisar qual problema será trabalhado no PI. 
 Tenha em mente que a intervenção sempre deve ser feita a partir de um problema 
relevante para equipe de saúde e comunidade, que seja de sua governabilidade e 
passível de atuação em equipe. Para isso, elencamos algumas perguntas que você 
pode utilizar para discutir com sua equipe no momento da escolha do problema 
em sua comunidade. Veja seguir:
• Qual impacto a situação atual tem nos resultados de saúde e qualidade de vida 
das pessoas?
• Quais custos em saúde são necessários para resolução?
• Quais grupos de pessoas estão em maior risco?
• Quais configurações ou situações são dealto risco ou representam uma oportu-
nidade única de intervenção?
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
66
• Como a comunidade local percebe a situação? 
• Qual é a sua capacidade de agir? 
• A resolução trará benefícios duradouros para a comunidade?
As respostas a essas questões indicarão se o problema é passível de ser escolhido 
ou não. É possível elencar mais de um problema para o PI, todavia se deve cuidar 
para não tornar o projeto muito abrangente e pouco eficiente.
Os problemas escolhidos, bem como as justificativas para sua escolha, deverão ser 
descritos na introdução do PI.
2.4.1.4. OBJETIVOS
Com a realidade reconhecida, o tema e os problemas definidos é o momento de 
traçar os objetivos que se pretende alcançar com a intervenção. Nesta etapa, você 
precisará ter em mente o que propor para resolver a situação que se coloca como 
problemática na comunidade e que motivou a realização do seu projeto, com base 
em conhecimento científico.
Os objetivos precisam ser afirmativos, definindo aquilo que se pretende atingir, in-
cluindo público-alvo e local, e as mudanças que serão implementadas. Além disso, 
devem ter coerência frente à metodologia do trabalho, sendo que no caso do PI 
deve-se atentar para que os objetivos sejam de intervenção e não de pesquisa. 
É necessário traçar um objetivo geral e objetivos específicos, conforme as recomen-
dações a seguir:
• objetivo geral: deve estar relacionado aos resultados mais abrangentes para os 
quais o projeto pretende contribuir; 
• objetivos específicos: devem expressar exatamente o que você espera atingir ao 
final do trabalho, podendo incluir, também, os produtos que se espera gerar com 
a execução do projeto de intervenção. 
Com o intuito de lhe auxiliar na construção dos seus objetivos, elencamos algumas 
perguntas que você poderá responder para verificar se os objetivos traçados estão 
Busque ter um olhar abrangente e criativo, procure escolher um 
problema diferente daqueles que você já aborda diariamente. 
Inove, mas sempre ponderando trabalhar um problema contex-
tualizado em sua realidade local.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
67
adequados.
• Seus objetivos declaram ações diretas a serem tomadas na execução do seu 
projeto? 
• Qual é um prazo realista para atingir o objetivo, considerando os recursos dispo-
níveis e seu contexto situacional?
• Os critérios para serem considerados alcançáveis estão claros e será possível men-
surar os resultados obtidos?
• As condições necessárias para a obtenção dos resultados estão claras? 
Sugere-se que os objetivos construídos sejam apresentados e discutidos com seus 
colegas de equipe, gestão e/ou membros da comunidade para determinar quais 
são relevantes e inspirá-los a apoiar e contribuir no desenvolvimento das ações 
programadas. 
Os objetivos definidos, servirão como âncora e estrutura para o planejamento do pro-
grama. Eles precisam fornecer um conjunto de pontos finais claros, em torno dos quais 
você pode organizar as estratégias de intervenção ou atividades. À medida que o pla-
nejamento avança e a situação evolui, suas estratégias e atividades podem mudar, 
mas os objetivos bem estabelecidos permanecem relativamente constantes.
Conforme o nome sugere, os objetivos, geral e específicos, irão compor o capítulo 
de Objetivos do seu PI. 
2.4.1.5. REVISÃO DA LITERATURA
A revisão da literatura é uma parte do trabalho em que se busca e aprofunda os as-
pectos teóricos e práticos, disponíveis na literatura científica sobre o tema e proble-
ma que serão abordados no PI. Destaca-se que, desde o início do trabalho, tem-se 
contato com diversas literaturas sobre o tema. Neste sentido, recomenda-se que 
essas leituras prévias sejam incluídas, visto que subsidiaram as fases iniciais do PI.
Para realizar essa etapa, você terá auxílio do orientador desde o início e para uma 
construção completa você deverá pesquisar sobre o tema do seu projeto para iden-
tificar os conhecimentos já produzidos e que irão contribuir como base para a inter-
venção que será desenvolvida. Utilize materiais com base científica como artigos, 
livros, teses, dissertações, monografias, legislações, portarias, instrutivos, protoco-
los, políticas, entre outros para sustentar seu PI.
Recomenda-se que sejam trabalhados minimamente os tópicos a seguir:
• definição conceitual do tema e problema a ser trabalhado;
• contextualização social e histórica do problema escolhido;
• Informações e dados epidemiológicos sobre o seu tema no âmbito internacional, 
nacional e local;
• políticas públicas sobre o seu tema e problemas;
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
68
• a relevância da intervenção que você deseja realizar; e
• experiência, dados e procedimentos sobre intervenções realizadas sobre proble-
mas semelhantes em outros contextos.
Tenha em mente que uma boa revisão da literatura auxilia na construção de pro-
postas de intervenção adequadas, cientificamente e alinhadas às melhores práti-
cas. Para isso, deve-se pesquisar referências atualizadas em bases de dados con-
fiáveis como, por exemplo:
• Scientific Eletronic Library Online: http://www.scielo.org/php/index.php
• Pubmed: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed 
• Biblioteca Virtual em Saúde: https://brasil.bvs.br/ 
• Google Acadêmico: http://scholar.google.com.br/
Você pode utilizar outras bases de sua confiança, sendo que é importante dialogar 
com seu orientador e contar com sua ajuda nesta fase.
2.4.1.6. PROPOSTA DE AÇÃO METODOLÓGICA
Essa etapa concentra-se na seleção e descrição das estratégias, intervenções e ati-
vidades que irão possibilitar o alcance dos objetivos traçados, bem como na atribui-
ção dos recursos necessários para executá-los com eficácia. Você também contará 
com o auxílio do orientador desde a fase inicial para construção desse material.
 Na construção das propostas de ação metodológica é necessário detalhar o que 
será feito na implementação do PI. Essa construção serve para formalizar as inter-
venções, sendo, também, um guia para os atores envolvidos no processo. Assim, 
você precisará descrever, de forma minuciosa, quais os participantes, os instrumen-
tos e os procedimentos que serão empregados para superar os problemas identi-
ficados e selecionados para o PI.
Para o desenvolvimento desta etapa você pode se perguntar: 
Quais estratégias e atividades irão nos aproximar dos objetivos dentro dos limites 
de nossos recursos (tempo, recursos econômicos e pessoas)? 
Além disso, certifique-se que suas propostas de ações estão alinhadas e baseadas 
em evidências científicas robustas. 
A descrição apresentada no percurso metodológico deve ser 
clara, com textos rápidos e objetivos. Entretanto, deverá ser com-
pleta ao ponto que permita que qualquer pessoa que leia o 
projeto, consiga compreender e colocar as ações em prática.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
69
Confira a seguir alguns pontos que devem estar respondidos na elaboração do per-
curso metodológico:
• Para quem será feito? Elencar aqueles que serão diretamente afetados.
• O que será feito? Apresentar uma descrição clara e detalhada das ações/inter-
venções que serão executadas. 
• Como será feito? Descrever o passo a passo ações/intervenções propostas no PI. 
• Onde será feito? Apresentar o local em que será desenvolvido o PI. É importante 
que o local esteja relacionado com área adscrita.
• Quando será feito? Indicar o tempo necessário para desenvolver e implementar a 
proposta do PI. 
• Quem fará? Indicar os atores responsáveis por cada ação/intervenção proposta.
Além disso, para monitorar e avaliar as atividades desenvolvidas do PI, nesta etapa 
é necessário definir as formas de monitoramento e avaliação com indicadores claros 
e relacionados aos objetivos. Todas as decisões e formalizações do PI devem serfeitas em conjunto e consenso com os atores envolvidos no projeto.
Recomenda-se, para fins de organização da implementação do PI, a construção de 
um cronograma com as datas, atividades, população alvo, participante responsável 
e objetivos a serem alcançados. Esse material facilitará a visualização e cumprimen-
to dos prazos, durante a execução do projeto.
O material construído neste momento irá compor o capítulo da Metodologia do seu 
PI. 
2.4.1.7. RESULTADOS ESPERADOS
No desenvolvimento de projetos, costuma-se fazer uma previsão dos resultados 
que serão alcançados a partir da implementação das atividades planejadas. Isso 
exige uma percepção crítica, visto que apresentar os resultados esperados é im-
portante ser realista, tem base da literatura e prever as possíveis barreiras que serão 
encontradas ao longo da execução.
Dessa forma, a etapa dos resultados esperados será a última parte do projeto. No 
PI para o TCC deste curso, você poderá descrever intervenções já realizadas ou que 
ainda serão realizadas. Assim você deverá considerar essas duas possibilidades e 
suas diferenças.
No primeiro caso, a descrição será de resultados obtidos, ou seja, quais os resulta-
dos alcançados com a execução das intervenções. Os resultados devem estar ali-
nhados com os objetivos do trabalho e devem ser apresentados com linguagem 
adequada e com análise das informações obtidas.
No segundo caso, será necessário imaginar quais são os resultados esperados, com 
base na literatura e na sua experiência prática, como médico na APS. Neste caso, re-
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
70
comenda-se que o material tenha, pelo menos, os três pontos destacados a seguir:
• retomado de forma sucinta os problemas escolhidos e objetivos traçados; 
• retomar o os benefícios dos métodos escolhidos para as intervenções;
• descrever o que se espera alcançar com a intervenção.
Independentemente da situação do seu PI, o material construído nesta etapa irá 
compor o capítulo da Resultados Esperados no projeto.
2.5. ASPECTOS ÉTICOS DO PROJETO DE INTERVENÇÃO
Se cotidianamente, em sua profissão, dilemas éticos se apresentam, no desenvol-
vimento do seu Projeto de Intervenção não será diferente. Neste sub tópico, vamos 
apresentar algumas informações para auxiliá-lo a compreender e abordar as situ-
ações que surgirão neste processo. 
Os aspectos éticos são base para uma boa convivência em sociedade, visto que repre-
sentam as regras, preceitos e pressupostos de aspecto valorativo e moral de indivíduos, 
grupos sociais ou sociedades. No campo da saúde, as discussões sobre ética são centrais 
na produção de conhecimento, bem como na prática cotidiana dos profissionais da saúde. 
As pesquisas em saúde, quando envolvem a participação de seres humanos, devem 
seguir procedimentos éticos pré-definidos e aprovadas por comitês de ética em 
pesquisa antes de serem executadas (CNS, 2012). Sendo este procedimento uma 
forma de proteção dos indivíduos, sociedade e dos próprios pesquisadores.
Na prática cotidiana, as profissões da saúde possuem os códigos de ética, de seus 
respectivos conselhos de classe, que visam estabelecer os parâmetros referentes 
aos direitos, deveres, proibições e responsabilidades para o exercício da profissão. 
Sendo assim, as práticas profissionais devem ser balizadas por estes pressupostos 
éticos, com a previsão de punição em caso de violações.
Conforme já abordamos ao longo desta unidade, o PI não será 
uma pesquisa, mas sim uma intervenção com base em diagnós-
tico da realidade e conhecimentos científicos já consolidados. 
Neste sentido, por se tratar de uma ação no serviço de saúde, semelhante às que 
ocorrem no cotidiano de trabalho, com planejamento e execução, e fazer parte de um 
processo formativo de especialização, ressalta-se que não há necessidade de aprova-
ção do trabalho por comitê de ética em pesquisa para o desenvolvimento do PI. En-
tretanto, isso não significa que não há necessidade de cuidados éticos, pelo contrário, 
é indispensável conhecê-los e colocá-los em prática no desenvolvimento do PI. Assim, 
vamos trazer alguns pressupostos tanto da ética em pesquisa quanto da ética profis-
sional para auxiliar no desenvolvimento de um PI adequado em relação aos aspectos 
éticos. Acerca dos cuidados em relação ao público-alvo da intervenção, destacam-se 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
71
alguns pontos adaptados da resolução nº466, de 12 de dezembro de 2012 (CNS, 2012):
• respeito às pessoas que compõem o público-alvo da intervenção em sua digni-
dade e autonomia, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua vontade 
de contribuir e permanecer, ou não nas atividades do PI;
• ponderar entre os riscos e benefícios, tanto conhecidos como potenciais, indivi-
duais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo 
de danos e riscos das intervenções propostas;
• ser adequado aos princípios científicos que o justifiquem e com possibilidades 
concretas de responder aos problemas;
• utilizar os métodos e ferramentas adequadas para responder aos problemas 
identificadas;
• obter concordância e anuência formal e/ou verbal das pessoas que compõem 
que irão participar do PI como membros e como o público-alvo;
• construir procedimentos para assegurar a confidencialidade e privacidade dos 
participantes, principalmente em intervenções que atuem sobre problemas em 
grupos vulneráveis e que possam ser estigmatizados.
Esses cuidados devem ser considerados desde o início da construção do PI. Em 
relação ao código de ética médico (CFM, 2019), destaca-se alguns itens dos con-
ceitos fundamentais que fornecem subsídio para o desenvolvimento do projeto:
• II - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da 
qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.
• XI - O médico guardará sigilo a respeito das informações de que detenha conheci-
mento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em lei.
• XIV - O médico empenhar-se-á em melhorar os padrões dos serviços médicos e 
em assumir sua responsabilidade em relação à saúde pública, à educação sani-
tária e à legislação referente à saúde.
• XVII - As relações do médico com os demais profissionais devem basear-se no 
respeito mútuo, na liberdade e na independência de cada um, buscando sempre 
o interesse e o bem-estar do paciente.
• XXVI - A medicina será exercida com a utilização dos meios técnicos e científicos 
disponíveis que visem aos melhores resultados.
Além disso, no Capítulo III, aponta em seu artigo primeiro que é vedada ao médico 
“Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, im-
prudência ou negligência’’ (CFM, 2019 p. 21).
Ou seja, como vimos o PI é a organização de uma ação planejada a partir da realidade. 
Neste sentido, ele deverá estar integrado à atuação profissional do médico no APS, con-
siderando os aspectos éticos já presentes na prática. Entretanto, destaca-se que a pos-
sibilidade de construir este projeto, com participação da equipe, gestão e/ou usuários 
é uma oportunidade de formalizar e qualificar aspectos éticos do trabalho na APS.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
72
2.6. FECHAMENTO DA UNIDADE
Os Pis são ferramentas importantíssimas para seu desenvolvimento profissional. 
Invista nas suas habilidades de estruturar os Pis.
Nessa Unidade, você pôde identificar a importância do uso do Projeto de Interven-
ção, conhecer os pressupostos teóricos que orientam um Projeto de Intervenção, 
compreender a estrutura metodológica para elaboração do Projeto de Intervenção, 
utilizar as principais etapas para construção do Projeto de Intervenção e elaborar 
um Projeto de Intervenção.
Projeto de 
intervenção 
aplicado ao 
Trabalho de 
Conclusão de 
Curso – TCC
UNIDADE 03
Objetivodo co-
nhecimento e da sociedade
• Compreender os fundamentos da ética em pesquisa e da necessidade dos Comitês 
de Ética em Pesquisa
• Diferenciar os principais desenhos de estudo no meio científico
Muito sucesso nessa jornada!
1.2. O QUE É E PARA QUE SERVE A CIÊNCIA?
Mais adiante, profissional estudante, você precisará desenvolver o seu Trabalho 
de Conclusão de Curso - TCC. Esse trabalho marcará o final de uma importante 
etapa de sua formação, demonstrando a sua competência científica como um dos 
pré-requisitos para a conclusão do seu Curso de Especialização.
Na próxima unidade, você relembrará como deve construir um projeto de inter-
venção, método escolhido para o seu TCC, mas, antes disso, é importante relem-
brarmos alguns conceitos importantes, que o auxiliarão a embasar melhor o seu 
trabalho. Tais definições lhe serão muito úteis para todas as leituras científicas que 
você ainda fará, no ininterrupto processo de educação continuada em sua vida 
profissional. E, se em algum momento você desejar se aprofundar no mundo aca-
dêmico, como por exemplo na escrita de um artigo científico, esses tópicos serão 
a base sólida de que você precisará.
Vamos começar então do mais básico. O que é ciência? E o que é pesquisa ou 
método científico?
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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PARA REFLETIR
Você já parou para pensar o que define o conhecimento 
científico? 
Apesar das suas múltiplas definições na literatura, o conhecimento 
científico, de maneira geral, é apresentado como real ou factual – 
lida com fatos; contingente – suas hipóteses podem ser atestadas 
ou refutadas por meio da experimentação e não pela razão; siste-
mático – segue uma lógica ordenada formando um sistema de 
ideias denominado teoria; verificável – o que não pode ser compro-
vado não pertence ao âmbito da ciência; falível – por definição, é 
sempre um saber provisório e refutável; e, aproximadamente, exato 
– busca a acurácia e a precisão. Todavia o desenvolvimento de novas 
técnicas pode reformular a teoria existente, alterando-se resulta-
dos e saberes (PEREIRA et al., 2018).
Por meio do conhecimento científico é possível alcançar um conhe-
cimento mais objetivo e racional, comparativamente a outras formas 
de saber. O conhecimento científico se contrapõe, desse modo, a 
outros três tipos de conhecimento: popular, religioso e filosófico 
(MARCONI; LAKATOS, 2003). Assim temos:
Conhecimento Científico
• Real (factual)
• Contingente
• Sistemático
• Verificável
• Falível
• Aproximadamente exato
Conhecimento Popular
• Valorativo
• Reflexivo
• Assistemático
• Verificável
• Falível
Conhecimento Filosófico
• Valorativo
• Racional
• Sistemático
• Não verificável
• Infalível
• Exato
Conhecimento Religioso (Teológico)
• Valorativo
• Inspiracional
• Sistemático
• Não verificável
• Infalível
• Exato
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
13
Dessa forma, podemos conceituar ciência como “todo um con-
junto de atitudes e atividades racionais, dirigidas ao sistemático co-
nhecimento com objeto limitado, capaz de ser submetido à verifica-
ção” (FERRARI, 1974, p.8).
E para organizar essas “atitudes e atividades racionais”, torna-se necessário um 
método, que foi inicialmente descrito por Galileu Galilei, a partir do raciocínio in-
dutivo, e por Francis Bacon, a partir do raciocínio dedutivo. Este método científico 
pode ser definido como o “conjunto de processos que o espírito humano deve em-
pregar na investigação e demonstração da verdade”. (CERVO; BERVIAN, 1978, p.17) 
A construção do conhecimento científico depende, portanto, do método científico, 
o que equivale dizer que, sem ele, não existe ciência (SILVA, 2015).
Existe hoje uma longa lista de métodos, para além do indutivo inaugurado por 
Galileu e do dedutivo descrito por Bacon, apresentada a seguir. Essa diversidade 
de métodos não apaga o conceito do método de uma forma mais geral, que rege 
a reflexão e a experimentação adequadas (PEREIRA et al., 2018).
Infográfico 1. Métodos científicos 
1 Método Indutivo
cuja aproximação dos fenômenos caminha geralmente para planos cada 
vez mais abrangentes, indo das constatações mais particulares às leis e 
teorias (conexão ascendente); método que considera o conhecimento 
como baseado na experiência; a generalização deriva de observações 
de casos da realidade concreta e são elaboradas a partir de constata-
ções particulares;
2 Método Dedutivo 
partindo das teorias e leis, na maioria das vezes prevê a ocorrência dos 
fenômenos particulares (conexão descendente); se o conhecimento é 
insuficiente para explicar um fenômeno, surge o problema; para expres-
sar as dificuldades do problema são formuladas hipóteses; das hipóte-
ses deduzem-se consequências a serem testadas ou falseadas (tornar 
falsas as consequências deduzidas das hipóteses); enquanto o método 
dedutivo procura confirmar a hipótese, o hipotético-dedutivo procura 
evidências empíricas para derrubá-las;
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
14
3 Método Hipotético-dedutivo 
que se inicia por uma percepção de uma lacuna nos conhecimentos, 
acerca da qual formula hipóteses e, pelo processo de inferência deduti-
va, testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela hipó-
tese, se o conhecimento é insuficiente para explicar um fenômeno, surge 
o problema; para expressar as dificuldades do problema são formuladas 
hipóteses; das hipóteses deduzem-se consequências a serem testadas 
ou falseadas (tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses);
4 Método dialético 
que penetra o mundo dos fenômenos, por meio de sua ação recíproca, 
da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre 
na natureza e na sociedade. Empregado em pesquisa qualitativa, consi-
dera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto 
social; as contradições se transcendem dando origem a novas contradi-
ções que requerem soluções;
5 Método Histórico 
consiste em investigar acontecimentos, processos e instituições do 
passado para verificar a sua influência na sociedade de hoje. Para melhor 
compreender o papel que atualmente desempenham na sociedade, 
remonta aos períodos de sua formação e de suas modificações;
6 Método Comparativo 
é utilizado tanto para comparações de grupos no presente, no passado, 
ou entre os atuais e os do passado, quanto entre sociedades de iguais 
ou de diferentes estágios de desenvolvimento;
7 Método Monográfico 
consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, instituições, 
condições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter 
generalizações;
8 Método Estatístico 
significa a redução de fenômenos sociológicos, políticos, econômicos, 
entre outros, em termos quantitativos. A manipulação estatística permite 
comprovar as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações 
sobre sua natureza, ocorrência ou significado;
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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9 Método Tipológico 
apresenta certas semelhanças com o método comparativo. Ao compa-
rar fenômenos sociais complexos, o pesquisador cria tipos ou modelos 
ideais (que não existam de fato na sociedade), construídos a partir da 
análise de aspectos essenciais do fenômeno;
10 Método Funcionalista 
é a rigor mais um método de interpretação do que de investigação. Estuda 
a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades, isto é, como 
um sistema organizado de atividades;
11 Método Estruturalista 
o método parte da investigação de um fenômeno concreto, eleva-se, a 
seguir, ao nível abstrato, por intermédio da construção de um modelo 
que represente o objeto de estudo, retomando por fim ao concreto, 
dessa vez como uma realidade estruturada e relacionada com a experi-
ência do sujeito social.
Fonte: (PEREIRA et al., 2018)
Segundo Silva (2015), “o método científicogeral da Unidade: Ao final desta Unidade, você 
deverá ser capaz de conhecer os fundamentos básicos da 
redação técnica e científica para a elaboração estruturada dos 
elementos textuais e capítulos do Projeto de Intervenção (PI) 
aplicado ao TCC.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
74
3.1. INTRODUÇÃO DA UNIDADE
Nesta Unidade, convidamos você a nos acompanhar em um processo de aprendi-
zado sobre as técnicas de leitura e de redação, bem como sobre a estrutura meto-
dológica para elaboração e formatação do seu Projeto de Intervenção (PI) aplica-
do ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
Esse aprendizado também permitirá ampliar seu desempenho tanto profissional, 
quanto acadêmico a partir do aprimoramento de habilidades e competências re-
lacionadas à construção de documentos técnicos e científicos. Nessa perspectiva, 
tenha em mente que promover ações que visem beneficiar o trabalho junto a sua 
equipe e comunidade requer exigências metodológicas que podem subsidiar a ela-
borações, execução, avaliação e monitoramento eficaz de projetos.
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Conhecer as técnicas para a leitura crítica de obras científicas
• Conhecer as caraterísticas técnicas e aspectos éticos da redação científica
• Compreender os aspectos técnicos e éticos para citação de obras científicas
• Conhecer a estrutura metodológica e formatação dos capítulos do PI
• Utilizar diferentes técnicas na realização de leitura crítica de obras científicas
• Produzir textos científicos
Bons estudos!
3.2. LEITURA CRÍTICA DE OBRAS CIENTÍFICAS
Nas diferentes áreas do saber, incluindo nossa área de saúde, a prática da leitura 
regular de obras científicas, utilizando técnicas básicas para leitura crítica, promo-
vendo a compreensão das principais etapas relacionadas à interpretação correta 
dos textos acadêmicos, é fundamental para estimular exercício de raciocínio, pro-
mover qualificação profissional e ampliar conhecimento especializado para tomada 
assertiva de decisões. 
Nesse cenário, você deve considerar a leitura dos artigos científicos (ênfase dessa 
Unidade) que representam publicações acadêmicas de autoria original e que dis-
cutem ideias, métodos, resultados, entre outros. São estudos produzidos em di-
versas áreas do conhecimento e têm por finalidade: 
• comunicar os resultados de pesquisas à comunidade de profissionais e 
pesquisadores;
• servir de medida de produtividade de pesquisadores e instituições; 
• veicular conhecimento e elucidar – depurar ideias;
• testar e provar teorias, registrar e rever dados de diferentes campos da pesquisa;
• servir como meio de intercâmbio de conhecimentos entre pesquisadores
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
75
A leitura crítica de artigos, dessa forma, contempla o entendimento aprofundado 
de questões, hipóteses, ideias, opiniões, reflexões, críticas e contrapontos sobre 
determinados assuntos. Identificar os aspetos relacionados à forma e à estrutura 
metodológica de capítulos, seções e itens é importante, pois auxilia na elaboração 
adequada dos estudos e documentos que você poderá produzir nos meios profis-
sional e acadêmico.
3.2.1. TÉCNICAS DE LEITURA – ASPETOS INICIAIS
A leitura produtiva de obras científicas pode ser realizada das seguintes formas:
1. leitura seletiva: em que você busca por textos que, de fato, interessam;
2. leitura crítica ou reflexiva: em que você reflete sobre a visão global do assunto a 
fim de sintetizar as ideias principais do estudo;
3. leitura interpretativa: quando você compreende as considerações dos autores e 
informações relacionadas aos problemas e hipóteses formulados. Então, é ne-
cessário comparar, diferenciar e julgar para construir sua própria ideia sobre o 
assunto.
Infográfico 5. Dicas de leitura.
Escolha ambiente e momento oportuno em que 
sua mente esteja descansada e atenta, pois favo-
rece a concentração.
Lembre-se, não se trata de folhear o estudo como 
Divida a leitura em duas etapas: 
Na 1ª leitura atenha-se ao resumo a fim de obter 
A 2ª leitura compreende aspectos técnico-científi-
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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Existem muitas informações relevantes nos estudos e 
nem todas podem ser absorvidas de uma só vez. 
 
A depender das regras editoriais das revistas científicas e do tipo de estudo (revisão 
bibliográfica, relato de experiência etc.), você poderá encontrar a seguinte divisão 
metodológica de capítulos, itens e seções de um estudo publicado, descrita em 
resumo e de forma geral:
1. Título: oferece noção objetiva sobre os temas principal e secundário.
2. Resumo: é a descrição sintética do estudo e, geralmente, inicia-se com uma 
breve introdução do assunto principal, mas também pode começar pelos obje-
tivos. Em seguida, encontram-se as informações mais importantes (resumidas) 
da metodologia. Os resultados mais relevantes também são apresentados de 
forma resumida. Por fim, a conclusão expressa, de forma concisa, as respostas 
ao objetivo proposto.
3. Introdução: contextualiza o assunto e situa o leitor sobre os temas principal e 
secundário. Contém a pergunta de pesquisa e os problemas levantados, incluin-
do cenário macro e micro; contempla exemplos da literatura sobre assuntos cor-
relatos e a forma como lidaram com os mesmos problemas e desfechos. Geral-
mente finaliza com uma justifica e a proposta dos objetivos.
4. Metodologia: são as etapas da condução e delineamento do desenho do estudo 
para alcançar os objetivos propostos. Trata-se do passo a passo considerando-
-se a reprodutibilidade do estudo, isto é, quando se deseja demonstrar a forma 
de replicar os mesmos métodos por outros autores.
Faça anotações e questionamentos a cada 
capítulo; destaque os pontos importantes, 
Ler duas ou mais vezes traz clareza do estudo, 
porém, faça isso em momentos diferentes.
Dê pausas e descanse sua mente, pois auxilia na 
consolidação do conhecimento e reflexão das 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
77
5. Resultados: é a apresentação dos resultados após a execução da metodologia 
e análises estatísticas. Podem estar descritos por textos no formato descritivo e/
ou por elementos gráficos como tabelas, quadros, gráficos etc. Neste capítulo 
descrevem-se apenas os dados, não contendo explicações e justificativas (en-
contradas na Discussão).
6. Discussão: considerada a alma do estudo, é o capítulo mais importante em que 
os autores justificam, explicam, discutem, refletem e comparam os dados dos re-
sultados. São as intepretações dos autores embasadas pela literatura. Isto é, bus-
ca-se corroborar ou contrapor os achados com os da comunidade científica.
7. Conclusão: trata-se de um capítulo breve, em que os autores apenas respon-
dem aos objetivos propostos de forma concisa.
8. Referências: lista de obras utilizadas para citar e referenciar o estudo.
Com esta divisão em mente, as seguintes etapas da leitura devem ser consideradas:
1. priorize a busca por fontes confiáveis como as bases de dados bibliográficas e 
selecione estudos do seu interesse a partir do título. Em seguida, leia o resumo 
e as palavras-chave (Descritores em Saúde – DeCS), a fim de compreender a 
ideia principal a partir de uma rápida visão do estudo; 
2. leia todo o estudo pela primeira vez e considere que compreender as termino-
logias amplia seu vocabulário técnico-científico sobre o assunto e melhora seu 
conhecimento para leituras adicionais. Porém, nesta etapa, obtenha definições 
pontuais dos termos, caso contrário será cansativo, podendo perder o foco do 
assunto principal.
3. dê uma pausa e, em seguida, leia o estudo de forma aprofundada e procure res-
ponder para si mesmo: 
• Introdução: qual a temática principal e secundária do estudo? Qual o objetivo 
e a hipótese? Há evidências do problema a partir de outras fontes recentes?
• No momentooportuno, leia as principais referências, pois amplia o conheci-
mento e promove reflexões de contraponto.
• Metodologia: qual o tipo de estudo, quais as etapas, qual o delineamento e 
quais os critérios utilizados? Tudo isso é coerente com o tipo de estudo e com 
os objetivos propostos? 
Em alguns casos, você poderá encontrar o item limitação do 
estudo que indica os problemas/entraves encontrados na con-
dução da pesquisa. Nesses casos, a comunidade científica aprecia 
a transparência dos autores.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
78
• Resultado: houve resultados? Quais os principais achados? São quantitativos 
ou qualitativos? São coerentes com o tipo de estudo e com a metodologia 
propostos? 
• Discussão: quais as principais reflexões dos autores? Há evidências de estudos 
semelhantes que possam ser comparadas aos resultados?
• Conclusões: o trabalho responde à hipótese e a cada objetivo?
4. dê atenção aos elementos gráficos:
• Compreenda os gráficos, quadros, tabelas, entre outros, por meio dos respec-
tivos textos explicativos no corpo do estudo. Leia o título e a legenda a fim de 
conhecer o cenário, em seguida, concentre-se nos dados como, por exemplo, 
das abscissas e ordenadas; linhas e colunas;
5. destaque o que mais chamou sua atenção em cada capítulo; 
6. releia alguns capítulos analisando se você viu um resultado que chamou sua 
atenção e para compreender melhor a forma como o autor chegou nesse dado, 
siga para a metodologia e veja a respectiva técnica da coleta de dados e análise 
estatística. Assim, detalhes despercebidos vêm à tona, melhorando a compres-
são do estudo.
3.2.2. TÉCNICAS DE LEITURA – INTERPRETAÇÃO CRÍTICA
Compreender os estudos também depende de estar atento aos detalhes. Desse 
modo, você estará apto à interpretação crítica, que consiste na reflexão cuidadosa 
das principais ideias a partir da visão dos autores.
A leitura crítica de um artigo científico é 
especialmente atenta aos detalhes.
Segundo Vieira S. & Hossne W.S., 2001, pág. 18, “[…] parece razoável desconfiar da 
qualidade de artigos científicos que relatam […] taxas de crescimento constantes de 
REFLEXÃO
Em relação aos detalhes que devem chamar sua atenção, observe, 
por exemplo: a coerência entre o objetivo, o método e a conclusão; 
proporção e representatividade da população/amostra estudada 
com os resultados encontrados. Fique atento aos estudos com ex-
perimentos que relatam dados milagrosos em amostras insignifican-
tes, por exemplo, pois dependendo do contexto podem oferecer falsa 
impressão de resultados.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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10% ao mês e experimentos nos quais todos os pacientes que receberam a droga 
foram curados […]”. Os autores ainda destacam que “[…] seria ingênuo acreditar em 
um artigo que alardeia um tratamento que curou 66% dos pacientes, se esse per-
centual foi calculado sobre uma amostra de três pessoas”. Igualmente importantes 
são os equívocos metodológicos ou estatísticos e, particularmente, a omissão de 
informações relevantes. Isto é, o estudo deve conter as respostas para a maioria dos 
seus questionamentos.
Em relação à interpretação pessoal dos estudos, à luz de diferentes perspectivas, 
exercite seu próprio ponto de vista; esteja aberto às novas ideias, argumentos, di-
vergências e novos pontos de vista. Com o tempo, sua maturidade profissional poderá 
permitir ricas discussões a partir de correlações entre a vivência da prática e o olhar 
dos autores. Outra técnica que auxilia na adequada interpretação crítica é consul-
tar estudos semelhantes que possam complementar o assunto. Isso ampliará o 
escopo de conhecimento dos temas correlatos favorecendo melhor entendimento 
de suas ideias.
Lembre-se, leitura crítica não significa que você deve buscar falhas, mas estar 
atento às incoerências metodológicas e julgar com prudência e senso crítico.
3.2.3. FONTES DE BUSCA
A forma, o local, o tipo e a data da fonte para obtenção e seleção de artigos também 
constituem aspectos e etapas importantes, pois há uma quantidade significativa de 
estudos disponíveis, especialmente na Internet. Na área da saúde, algumas regras 
devem ser consideradas em relação à busca por informações científicas:
• priorize as bases de dados bibliográficas (em detalhes, a seguir) caso a busca seja, 
necessariamente, por artigos; 
• considere websites de bibliotecas para a busca de dissertações, teses, entre outros 
tipos de estudos. Para a busca de informações especializadas como protocolos, 
considere, por exemplo, portais de universidades, sociedades, associações e 
organizações;
• verifique a autoria, data da publicação (diferente da data de postagem) e referên-
cias disponíveis sobre a informação postada; 
• priorize informações que apresentem o link da publicação original. Não é raro en-
contrar considerações equivocadas, sobretudo, mediante tradução;
• julgue com prudência websites que sejam patrocinados ou apoiados por empre-
sas privadas.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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A busca em bases de dados bibliográficas requer algumas técnicas, tais como:
• identifique os DeCS (palavra-chave indexada) relacionados à temática que deseja 
estudar. Dica: digite apenas a palavra relacionada ao assunto no campo de busca 
do DeCS no portal BVS;
• faça a busca com os DeCS selecionados em portais como, por exemplo, BVS ou 
PubMed. Lembre-se que o PubMed requer DeCS em inglês e você pode obter a 
tradução oficial na BVS;
• selecione os artigos a partir do título e ano de publicação; utilize mais filtros para 
triar a seleção, se desejar;
• priorize artigos recentes, haja vista o avanço rápido das informações científicas, 
como, por exemplo, atualização de protocolos, políticas, leis e diretrizes.
3.3. REDAÇÃO TÉCNICA E CIENTÍFICA
O domínio das técnicas básicas de elaboração de documentos acadêmicos e pro-
fissionais pode nortear a adequada redação técnica e científica e, consequentemen-
te, melhorar a compreensão das leituras. Destacam-se alguns aspectos fundamen-
tais, tais como: regras da língua portuguesa; estruturação e paragrafação do texto; 
estilo de redação para obras científicas; técnicas e métodos da escrita formal, clareza 
e objetividade e, cuidado para evitar plágio. 
Muitas vezes, as regras da escrita formal, principalmente, as gramaticais, são igno-
radas na produção de documentos nos ambientes profissional e acadêmico, gerando 
dúvidas na leitura e má interpretação das informações. O cuidado com a escrita 
deve ser, por isso, uma das etapas mais relevantes do processo de elaboração de 
documentos técnico-científicos, particularmente na área da saúde. Trata-se da aqui-
sição gradual de habilidades e competências que você precisa empreender e que 
demanda tempo e amadurecimento das ideias para a construção do texto, sua 
leitura crítica e necessária revisão. 
Você pode consultar as bases de dados bibliográficas (Medline, Lilacs, 
Web of Science, Scopus, Cochrane etc.) disponíveis em portais como Bi-
blioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed, constituem acervo padrão 
ouro de informações científicas em saúde para a comunidade médica. 
Apresentam banco significativo de publicações provenientes, sobretudo, 
de revistas (periódicos) indexadas a cada Base. Essa indexação ocorre a 
partir de um exigente e rigoroso crivo editorial, em que as revistas são 
avaliadas por cerca de dez anos a fim de obter aprovação e pertencer ao 
acervo das bases. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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3.3.1. DIFERENÇAS ENTRE A REDAÇÃO LITERÁRIA, TÉCNICA E CIENTÍFICA
A eleição de um estilo de escrita, de uma forma geral, representa o viés de expressão dos 
pensamentos e ideias. Existem, conforme o contexto e a situação comunicativa, diferen-
tes estilos de redação, com variado grau de formalidade. A escrita acadêmicautiliza a for-
malidade, obedece à norma culta do idioma e opta pela linguagem técnica.
Na produção literária, por exemplo, predomina a subjetividade, possibilitando múltiplas 
interpretações, por meio da linguagem conotativa com sentido figurado. Já a redação 
técnica e científica utiliza linguagem denotativa, buscando apenas uma interpretação, 
dado seu caráter objetivo. 
Confira alguns exemplos a partir do olhar da Atenção Primária à Saúde (APS) e dicas sobre 
o que você deverá observar, por exemplo: autoria e local da postagem; termos coloquiais 
como gírias ou formais e científicos; objetividade ou subjetividade; voz, modo e tempo 
verbal. 
• Texto informal – Pensamentos reflexivos sobre a prática na APS:
“Acho que a é maneira como eu chego mesmo, eu não vou chegar pra um jovem 
e ir conversando a mesma coisa com um idoso, ou chegar pra um idoso e falar 
o que eu tava falando com um jovem. É totalmente diferente, né? O jovem tá 
com hormônios a flor da pele e o idoso não, tá naquela calma. A gente saber res-
peitar se é evangélico, católico, sei lá outro tipo de religião, sabe? A gente tem 
que saber a maneira certa de conversar, acho que facilita.” (DANTAS, 2010, p. 99)
Fonte: reflexão de um profissional médico da APS.
• Texto jornalístico – matéria sobre a prática na APS:
“A Oeste do Estado do Pará, mais especificamente entre a Reserva Extrativista 
Tapajós-Arapiuns e a Floresta Nacional dos Tapajós, que se localiza a única estrada 
dos povos ribeirinhos: o Rio Tapajós, afluente da margem direita do Rio Amazo-
nas. Principal meio de transporte e comunicação das comunidades ribeirinhas 
dos rios Amazonas, Tapajós e Arapiuns, localizadas nos municípios de Santarém, 
Aveiro e Belterra, é às margens dos rios que residem milhares de família”. 
“E é também pela correnteza dos rios que a saúde chega aos Povos das Águas. 
O barco-hospital Abaré, cujo nome indígena significa “amigo, cuidador”, pode ser 
visto atracado no rio Arapiuns, de onde segue em direção aos locais de mais difícil 
acesso na Amazônia. Através dele, a primeira embarcação do Brasil qualificada 
pelo Ministério da Saúde como Unidade de Saúde da Família Fluvial, são aten-
didas cerca de 70 comunidades e 13 mil ribeirinhos”. 
Fonte: “Se tudo chega por barco, a saúde também tem que chegar”.
Publicado em 5 de fevereiro de 2021 por Daniele Olímpio de Campos.
• Texto literário – Uma poesia: 
“Cantigas de andar junto; de onde ainda nem chegamos, acende o zelo de ser 
único na vontade de todos. Ver de frente o que acende para espalhar mais alvos. 
Como cada um ser junto na astúcia de entender caminho e rumo. Cada estreito 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
82
nosso há de alcançar os vãos num fazer de espalhar lugares. E onde chegar serão 
árvores nossas mãos de uma raiz só. Dessa raiz que rompe que remove o lugar 
e que aprofunda em longes. Como horizonte fosse igual andar sustentando-nos 
em cada olhar acendido em cada vontade de alcançar-se. Assim os gestos vão 
gestando os vãos como meninos nas varandas olhando para além dos muros”. 
(PEDREIRA, 2021, p. 18)
Fonte: poesia de um médico de família às comemorações dos 40 anos da Socie-
dade Brasileira de Medicina e Comunidade e aos 45 anos da especialidade no Brasil.
• Texto técnico acadêmico – Um artigo científico sobre a prática médica na APS:
“O presente estudo apresenta como objetivo analisar a Atenção Primária à Saúde 
(APS) como ambiente de aprendizagem para os discentes do curso de Medici-
na. Realizou-se um estudo transversal descritivo, com abordagem qualitativa, por 
meio de quatro grupos focais com internos dos quatro cursos de Medicina em 
Fortaleza (Ceará, Brasil). Utilizou-se o método de interpretação dos sentidos, tendo 
sido identificadas duas categorias empíricas. Para os alunos, a Atenção Primária 
é um cenário de ensino importante para correlação teoria e prática, mas sem di-
mensionar a importância desta no Sistema Único de Saúde (SUS). Não incluindo, 
portanto, a defesa do SUS como um princípio importante em sua profissão. No 
entanto, o incentivo à docência na Atenção Primária e o desenvolvimento de as-
pectos humanísticos durante a formação seriam fatores motivadores para atuação 
nessa área.”
Fonte: Resumo do artigo. 
COELHO, M.G.M., et al. Atenção Primária à Saúde na perspectiva da formação do 
profissional médico. Interface (Botucatu). 2020; 24: e190740.
Os textos científicos visam expressar ideias e defendem-nas com argumentos, para trans-
mitir conhecimento, registrar e demonstrar resultados de estudos acadêmicos. Sua pro-
dução envolve atividades de pesquisa que obedecem a planejamento rigoroso e respei-
tam a adequação às normas metodológicas. Deve, por isso, seguir padrões exigidos pela 
comunidade científica. A falta de critério e rigor por parte da redação ou estilo inadequa-
do são alguns dos principais problemas observados pelos editores e revisores de revis-
tas científicas. Nessa perspectiva, muitos estudos são rejeitados, sobretudo, pela falta de 
cuidado na redação, que muitas vezes dificulta a interpretação dos dados.
REFLEXÃO
Assim, a redação científica apresenta aspectos fundamentais rela-
cionados ao estilo objetividade; transparência; formalidade; reprodu-
tibilidade; concisão; clareza; precisão; imparcialidade e, impessoali-
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
83
3.3.2. O CONHECIMENTO DA LÍNGUA PORTUGUESA E OS TEXTOS CIENTÍFICOS
O respeito às regras da norma culta da língua portuguesa permite a elaboração de 
textos fluídos, elegantes, formais, mas, sobretudo, objetivos e compreensíveis. Dessa 
forma, o emprego adequado de: voz, tempos e modos verbais; pontuação; vocabu-
lário preciso; elaboração e articulação coerente de ideias; frases e parágrafos bem 
construídos, são aspectos que favorecem textos de fácil interpretação. 
O dicionário de sinônimos, por exemplo, é uma ferramenta útil que auxilia na defi-
nição do significado das palavras, apresentação ortográfica e etimologia delas a fim 
de favorecer clareza ao texto. Pode melhorar a leitura ao trazer termos que expres-
sam pensamentos de forma mais técnica, pois serve de consulta em relação às pa-
lavras similares, evitando-se repetições. Nele você encontrará palavras formais 
pouco comuns que podem tornar seus textos originais. 
Não repita palavras no mesmo parágrafo; busque sinônimos.
O uso correto da língua portuguesa em textos científicos, necessariamente contribui 
para a forma com a qual os autores se expressam e descrevem suas ideias; os padrões 
que elegem para cada capítulo ou seção; a forma como iniciam e finalizam as frases/
parágrafos e o modo como contextualizam seus assuntos em cada etapa do estudo. 
Você pode melhorar significativamente seu estilo de redação e a adoção adequa-
da de regras e normas da língua portuguesa a partir do hábito de leitura de textos 
técnico científicos bem redigidos. Compreender como a informação emerge de um 
texto ou como as ideias são representadas pelas palavras, constituem aspectos fun-
damentais de aprendizado. Você também irá se identificar com a forma de escrita 
de determinados autores. O treino, ao longo do tempo, traz apropriação de termos 
e enriquece seu repertório de vocabulário, bem como a compreensão da norma 
culta e do linguajar técnico, produzindo textos fluídos e agradáveis à leitura. 
3.3.3. CONSTRUÇÃO DE FRASES E PARÁGRAFOS
A primeira frase é a abertura de um parágrafo e deve conter a informação inicial 
dade. A partir desses aspectos, o texto resulta em perfeita articulação, 
coerência, coesão de ideias e sequência lógica de posicionamentos. 
Em resumo, ao escrever textos acadêmicos: vá direto ao ponto e man-
tenha o foco; use a norma culta e o vocabulário técnico de sua área 
de conhecimento; dê atenção às normas metodológicas; e não copie, 
não faça plágio, em vez disso cite e referencie.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologiado Trabalho de Conclusão de Curso
84
para introduzir o assunto essencial. Ela orienta sobre o que será abordado no pará-
grafo e deve ser escrita de forma a transmitir progressão fluente e natural do pen-
samento. Isto é, a primeira frase chama o assunto principal e as demais ampliam o 
tema. Trata-se de uma prévia de todos os argumentos seguintes.
As frases subsequentes devem sustentar o conteúdo principal apresentado na pri-
meira. São sentenças do corpo do parágrafo que fornecem o argumento mais im-
portante e definem o raciocínio, elucidam conceitos, explicam teorias e descrevem 
resultados, ou seja, são o cerne da unidade de pensamento. A última frase reúne e 
conclui todos os argumentos do parágrafo, deve agregar valor às ideias ou introdu-
zir o assunto do próximo parágrafo.
Alguns autores dedicam especial atenção à escrita das primeira e última frases, pois 
são sentenças que elucidam rapidamente o assunto, favorecendo o entendimento, 
pois frases muito elaboradas dificultam a compreensão do texto, especialmente na 
escrita científica. Evite-as, bem como os parágrafos intermináveis, pois geram de-
sorientação no leitor, tornando o texto confuso e cansativo.
Não seja prolixo, não faça rodeios.
A essência do parágrafo necessita de gerenciamento cuidadoso, especialmente 
quando há muita informação. As sentenças devem estar alinhadas de forma lógica 
e harmônica, ordenadas das mais simples às mais complexas, de forma crescente. 
Um parágrafo bem escrito faz sentido na primeira leitura, evitando-se releituras.
Pausas são necessárias para trazer clareza à construção do texto, 
evitando o cansaço.
Evite frases de início com grande impacto, como definições curtas e objetivas sobre 
um argumento que deve ser elaborado de forma gradativa ao longo do parágrafo. 
Na prática, o leitor lê a frase e pula o parágrafo por considerar que o cerne da infor-
mação já foi descrito no início. 
Ao começar um parágrafo, varie a forma de iniciar a partir de uma referência de um 
autor, por exemplo: “Silva (2019, 12p) ressalta que...”. O leitor pode pular um parágra-
fo ou frase se considerar que se trata apenas de um recorte da obra. Em contrapar-
tida, ao iniciar o parágrafo com argumentos pessoais, seguidos de exemplos exter-
nos, suas ponderações serão valorizadas em detrimento de outras fontes. Isto é, 
primeiro evidencie as suas ideias, em seguida, fundamente-as com a literatura. 
Considere utilizar outros recursos a fim de variar seu estilo de escrita. Ao mencionar 
estudos e autores, detalhe sobre o nome da universidade, do centro ou serviço a 
que os autores pertencem; sobre o impacto do estudo em termos de citações ex-
pressivas num curto espaço de tempo; uma amostra significativa, entre outros de-
talhes que poderão trazer interesse do leitor ao seu texto. Por exemplo: 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
85
“Segundo Christopher Dede, professor de tecnologias de aprendizagem da 
Universidade de Harvard, nos EUA, as recentes inovações tecnológicas, 
como games e simulações têm evidenciando o que deveria ser o cerne de 
todo processo educacional: interação”. (Dede, 2019)
“Nessa perspectiva, o impacto da capacitação sobre o comportamento dos 
médicos em relação ao cuidado com seus pacientes foi produto de uma 
revisão sistemática de 64 ensaios clínicos randomizados”. (Davis, 1999)
“Descobertas do ganhador de Prêmio Nobel, Carl Wieman, em um estudo 
realizado na Universidade British Columbia, no Canadá, concluíram que o 
ensino interativo resultou em uma melhora significativa na frequência às 
aulas. Ressalta-se que essa universidade foi considerada líder mundial em 
educação STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematic)”. (Sirakaya, 
2020)
Não escreva demasiadamente em um único parágrafo e evite encerrá-lo abrupta-
mente por receio de estar longo e confuso. Nestes casos, é necessário dividir os 
parágrafos. Lembre-se, um texto bem escrito pode transmitir a ideia principal em 
poucas frases e o treino auxilia na reconstrução lógica ao reorganizar as ideias.
Finalizar o parágrafo é tão importante quanto iniciar.
Por outro lado, parágrafos muito curtos não são adequados (menos de 40 palavras 
ou menos de três linhas). São prejudiciais ao entendimento de argumentos, pois não 
contemplam a construção de frases necessárias para o início, meio e fim do pensa-
mento. Geralmente ocorre quando o autor não desenvolve adequadamente uma 
ideia. São denominadas ”frases órfãs”. Nestes casos devem ser incorporadas aos pa-
rágrafos anterior ou subsequente, conforme adequação do conteúdo.
3.3.4. ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DO TEXTO CIENTÍFICO
Ao iniciar um texto científico é necessário que você tenha uma linha de raciocínio clara 
que explique suas ideias, seus pensamentos e, sobretudo, o conhecimento especia-
lizado relacionado ao assunto sobreo qual deseja escrever. Para tanto, evite iniciar a 
partir de uma folha em branco. Comece esse processo pela rica literatura existente, 
em seguida, organize suas ideias e rascunhe uma sequência com base nas leituras 
selecionadas. Essa etapa inicial traz clareza, enriquece e abre novas perspectivas de 
ideias e como serão organizadas no texto. Não é raro alterar, aprimorar e redefinir 
ideias pré-concebidas após leituras, porém, é necessário comparar, diferenciar e julgar 
com a finalidade de formar suas próprias reflexões sobre o assunto.
Crie um roteiro e elabore uma exposição crescente e interligada dos assuntos para 
que o texto flua com clareza e harmonia. Apresente um delineamento de ideias e 
fundamente-as com exemplos da literatura, que valorizam, elucidam, trazem co-
nhecimento especializado e credibilidade ao seu texto. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
86
“O pesquisador que não souber o que está procurando, não compreenderá 
o que encontrar”. Claude Bernard.
Aprenda com os autores e inspire-se na literatura. Seguem algumas perguntas a 
serem feitas sobre os textos lidos e sobre os escritos por você:
• O que o autor incluiu no resumo?
• Que tipo de informação há em cada seção/capítulo? 
• Observe o estilo de redação. Qual a voz, modo e tempo verbal utilizado em cada 
seção/capítulo?
• Como as menções e referências foram utilizadas? 
• Qual o tipo de estudo e itens do delineamento metodológico?
• Como os resultados foram apresentados? Textos deram lugar a quadros e tabelas, 
por exemplo?
• Como o autor iniciou a discussão e como apresentou as informações subsequen-
tes? Trouxe comparações e exemplos de outras fontes?
• O autor concluiu o estudo respondendo a cada objetivo?
Como treino, observe a forma como os autores constroem suas frases, 
parágrafos e sequência de ideias.
Orientações normativas e diretrizes auxiliam a construção de bons textos, assim, 
algumas regras são necessárias, tais como:
• identifique a temática principal e secundária do assunto a ser tratado.
• pesquise como seu estudo se familiariza com a literatura existente. Faça alguns 
questionamentos
• que perguntas não foram respondidas e quais conhecimentos ainda não temos 
sobre o assunto selecionado? 
• sua temática, sua pergunta e sua hipótese são relevantes e contribuem para a co-
munidade científica?
• em que o seu estudo se diferencia das pesquisas atuais existentes?
• sintetize o assunto de forma ordenada, do macro para o microuniverso;
• defina uma lógica coerente para o texto, que permita compreender as ideias mais 
simples e alcançar, gradualmente, o conhecimento mais complexo e específico, a 
fim de conduzir uma leitura linear;
• oriente o leitor e contextualize o assunto de forma geral e, em seguida, especifique. 
Traga evidências da literatura para ilustrar e apoiar suas ideias; 
• use vocabulário especializado, termos técnicos e científicos e, se desejar, crie um 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
87
glossário; 
• organize a estrutura de cada seção/capítulo;• associe novos conceitos às ideias apresentadas ao escrever cada seção/capítulo, 
evitando a famosa colcha de retalhos. Não escreva exatamente a mesma ideia em 
diferentes momentos do texto, pois as informações devem fluir de forma crescen-
te, sem repetições;
• tenha em mente a reprodutibilidade do seu estudo; não omita dados a fim de resumir 
o texto; prefira reescrever de forma objetiva;
• evite valorações pessoais como frases que qualifiquem positiva ou negativamente; 
evite frases e linguagem vagas e ambíguas; prefira frases afirmativas às negativas; 
não use variações de grau (diminutivo, aumentativo, superlativo) e excesso de 
adjetivação;
• seja imparcial; evite fazer suposições, afirmações, negações e declarações não com-
provadas, pois suas ideias devem estar embasadas cientificamente a partir de evi-
dências publicadas e citadas corretamente;
• use linguagem objetiva e não subjetiva; utilize, preferencialmente, 3ª pessoa (por ter 
caráter formal e impessoal); 
• evite vícios de linguagem como ecos, por exemplo, avaliação da produção, cacó-
fatos, como por cada tratamento e gerundismos, como espera-se estar 
comprovando;
• não use jargões, neologismos, modismos, gírias e estrangeirismos;
• os termos em língua estrangeira devem estar em itálico, exceto nomes próprios. 
3.3.5. COMO EVITAR PLÁGIO
Há posturas éticas adotadas quando se escreve um texto científico e, por falta de 
clareza e conhecimento, são cometidos equívocos que podem ser considerados 
plágios. O plágio consiste na utilização da informação extraída de outras publica-
ções sem referenciar a fonte original, podendo resultar em consequências graves. 
O ato de copiar o texto, escrito por outra pessoa, sem a sua permissão, referência 
ou citação é considerado crime. 
O plágio pode ocorrer da seguinte forma: copiar o texto ou vários parágrafos exata-
mente como o autor publicou sem citar ou referenciar a fonte e, escrever com suas 
palavras a partir de um texto de uma obra sem citar ou referenciá-la. Você pode 
evitar o plágio realizando adequada citação e referenciar as obras mencionadas no 
seu texto ou utilizadas para consulta. As citações e referências são inseridas no corpo 
do texto e capítulo Referências e/ou Bibliografia Consultada.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS
Segundo o portal do Mistério de Defesa do governa brasileiro, a Lei Geral de Prote-
ção de Dados Pessoais (LGPD), Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, dispõe sobre 
o tratamento de dados pessoais (inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou 
por pessoa jurídica de direito público ou privado), com o objetivo de proteger os di-
reitos fundamentais de liberdade e de privacidade e, o livre desenvolvimento da 
personalidade da pessoa natural.
 
Conforme o art. 5º da LGPD, dado pessoal é toda informação relacionada à pessoa 
natural identificada ou identificável. Em relação aos direitos dos titulares de dados 
pessoais, destaca-se que toda pessoa natural tem assegurada a titularidade de seus 
dados pessoais e garantidos os direitos fundamentais de liberdade, de intimidade 
e de privacidade, nos termos da LGPD (artigo 17 da LGPD). O titular dos dados pes-
soais tem direitos, que podem ser exercidos mediante requerimento expresso ao 
Ministério da Defesa. Os direitos do titular são: confirmação da existência de trata-
mento; acesso aos dados; correção de dados incompletos, inexatos ou desatuali-
zados; eliminação dos dados pessoais, entre outros.
Em resumo, essa lei define o que são dados pessoais e esclarece que todos os 
dados tratados, tanto no meio físico quanto digital, estão sujeitos à regulação. O 
principal objetivo é garantir o uso sério dos dados das pessoas em quaisquer meios. 
A lei também garante que as empresas e profissionais tenham transparência e ética 
para lidar com as informações pessoais durante coleta, armazenamento, processa-
mento e tratamentos de dados das pessoas, sobretudo na Internet e serviços de 
atendimento público aos usuários.
Para saber mais sobre a LGPD você pode acessar o site a seguir e ler a lei 
integralmente: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2018/lei/l13709.htm 
REFLEXÃO
Na sua prática profissional ou acadêmica como médico de família, 
você deve lidar com as informações de pacientes, provenientes do 
serviço onde atua ou de outras instituições, de forma ética e sigilosa. 
Por exemplo: você necessita estudar dados de seus pacientes para 
realizar análises ou uma pesquisa científica. Para tanto, poderá utili-
zar banco de dados, prontuários ou documentos (digital ou papel) 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
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3.4. PROJETO DE INTERVENÇÃO APLICADO AO TCC
Os capítulos e seções que deverão compor o Projeto de Intervenção (PI) estão des-
critos a seguir. O Projeto de Intervenção NÃO será implantado, isto é, trata-se de um 
desenho de estudo e seu facilitador e seu orientador estarão disponíveis para au-
xiliar nessa elaboração. 
Em termos de regras gramaticais, utilize preferencialmente 3ª pessoa singular. Por 
exemplo:
• “Conclui-se que o presente estudo...”; “Concluiu-se que o presente estudo...”; “Foi 
possível concluir que...”;
• “Observa-se que o relato...”; “Foi possível observar que...”;
• “Compreende-se que essa metodologia...”; “Foi possível compreender que...”;
• “Conforme pôde ser identificado na análise”; “Conforme se identificou na análise...”;
• “Identificou-se que os estudos foram analisados...”
• “Os resultados foram apresentados na forma de quadros e tabelas.”
Considere os seguintes elementos textuais para a elaboração das etapas metodo-
lógicas do seu PI. 
Elementos textuais do Projeto de Intervenção:
• Título
• Resumo
• Palavra-chave e Descritores em Saúde
• Introdução
• Justificativa
• Objetivos
• Fundamentação Teórica
• Metodologia
tanto do serviço onde atua ou externos. O processo de coleta, arma-
zenamento e organização dos dados deve ser cuidadosamente re-
alizado por você. Isto é, seja ético e respeite a privacidade e sigilo 
dessas informações; não divulgue ou discuta em qualquer meio, so-
bretudo, em mídias sociais e, esteja atento aos locais onde irá arma-
zenar ou tratar os dados para que não haja exposição. Lembre-se, os 
dados dos pacientes são protegidos por lei.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
90
• Resultados Esperados
• Considerações Finais
• Referências
Título: escreva o título de forma concisa, abordando a temática principal do PI. Até 
15 palavras.
Palavras-chave e Descritores em Saúde: selecione duas áreas temáticas (por meio 
de palavras-chave) e três a cinco DeCS referentes ao assunto principal e secundá-
rio do PI.
Resumo: escreva as principais ideias desenvolvidas no PI de forma objetiva. Aborde 
o problema/situação, o objetivo, as ações e os resultados esperados. 
Introdução: inicie escrevendo sobre o problema/situação selecionado (relaciona-
do a sua prática). Identifique e apresente o cenário no qual o problema/situação se 
encontra incluindo definições, conceitos, estatísticas e outros dados que conside-
rar necessários. Traga evidências sobre a ocorrência do problema/situação a partir 
de exemplos da literatura. Cite e referencie as obras corretamente. Em seguida, 
escreva o que se pretende resolver, transformar ou melhorar. Deixe claro que o PI 
é uma resposta a um determinado problema/situação percebido por você em seu 
local de trabalho atual ou anterior, caso tenha mudado. Basicamente, a Introdução 
deve conter: 1. Descrição do problema/situação. 2. Evidências de sua ocorrência. 3. 
Propostas de melhorias e como poderão ser monitoradas. 
Justificativa: escreva a importância e os benefícios de seu PI; justifique o motivo 
pelo qual seu projeto é relevante. Procure articular a relevância funcional do seu 
problema/situação, acrescentando a sua experiência práticacomo profissional 
médico de um serviço de saúde pública. Destaque o motivo pelo qual é importan-
te resolver o problema/situação identificado. 
Fundamentação Teórica: escreva os pressupostos teóricos que forneçam emba-
samento científico e coerência sobre o problema/situação. Inclua exemplos da li-
teratura como, experiências, relatos, políticas públicas, leis, entre outras informa-
ções, bem como relatos de autores sobre a forma pela qual solucionaram ou apri-
moraram o problema/situação que você selecionou. Por outro lado, não descar-
te exemplos da literatura cujos resultados não foram satisfatórios. Essas informações 
também podem mostrar a relevância do seu PI. Cite e referencie as obras 
corretamente. 
Objetivos: devem ser claros, realistas, exequíveis. Trata-se do motivo principal do 
PI. Possui coerência entre o problema/situação selecionado e a finalidade que se 
deseja alcançar. É divido em objetivo geral e específico. O objetivo geral descreve 
a ação principal de forma generalizada do que se quer alcançar. Já o(s) objetivo(s) 
específico(s) corresponde à descrição das etapas necessárias a fim de alcançar o 
objetivo geral. Deve ser descrito de forma numerada e com verbos de ação no in-
finitivo ao iniciar cada frase do objetivo. 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
91
Metodologia: trata-se do percurso para alcançar os objetivos propostos. Escreva, 
em tópicos e em detalhes, as seguintes informações: 1. O local onde a intervenção 
deverá ser realizada, como estado, cidade e serviço de saúde (não há necessidade 
de especificar o nome do serviço). 2. O período (em meses e ano) necessário para 
que o PI tenha início, desenvolvimento e encerramento. 3. Os participantes envol-
vidos no contexto da intervenção (participantes e público-alvo, incluindo população 
e amostra, se houver). 4. As ações que serão realizadas, descritas em detalhes. Isto 
é, defina as intervenções por meio de etapas, incluindo previsão de tempo e parti-
cipantes envolvidos; escreva também as formas de avaliação e monitoramento das 
ações ao longo do tempo. O monitoramento permite verificar se o projeto está ca-
minhando como planejado. 
Resultados Esperados: é a descrição dos resultados previstos que poderão ser al-
cançados a partir da “implantação” do PI. Escreva reflexões pessoais sobre as con-
tribuições que o projeto poderá trazer e relate o que você espera obter com as ações 
propostas. 
Considerações Finais: escreva reflexões pessoais sobre como o serviço em que atua 
poderá se beneficiar das ações propostas e, de que forma o projeto poderá ter con-
tinuidade a fim de trazer melhorias pontuais em longo prazo. Caso desejar, traga re-
ferências de estudos semelhantes que obtiveram resultados importantes. 
Referências: liste as publicações descritas por ordem alfabética, contendo as fontes 
que foram utilizadas nos capítulos do PI. Formato ABNT. 
3.5. CITAÇÃO DE OBRAS
Citação é a menção de informações de uma obra no seu texto. Essa prática é neces-
sária a fim de promover credibilidade ao seu texto; fornecer informações a respeito 
de pesquisas desenvolvidas na área do seu estudo e, permitir rica discussão sobre 
as considerações de outros autores sobre o assunto que esteja abordando. 
Não há necessidade em utilizar citações caso escreva com suas próprias palavras 
a partir de uma reflexão pessoal. Também não são necessárias citações quando 
você estiver escrevendo informações de senso ou conhecimento comum. Por 
exemplo, o ventrículo esquerdo é o maior músculo do coração comparando-se ao 
ventrículo direito.
As citações podem ser diretas, indiretas e citação da citação. A citação direta ocorre 
quando a menção possui até três linhas (transcrição curta). Lembre-se, a transcri-
ção ou cópia de um parágrafo, frase ou expressão é proveniente do autor da fonte 
consultada. Escreva entre aspas, acompanhada da fonte consultada.
Exemplo 1, formato ABNT:
De acordo com Belkin et al. (1982, p. 76),”nos adultos, a divisão celular tem 
por finalidade exclusiva a compensação das perdas celulares somáticas e 
a reprodução”.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
92
Exemplo 2, formato ABNT:
“Nos adultos, a divisão celular tem por finalidade exclusiva a compensação 
das perdas celulares somáticas e a reprodução”. (BELKIN et al., 1982, p. 76)
A citação direta com mais de três linhas (transcrição longa) apresenta-se com trans-
crições em parágrafo independente, recuo de 4 cm, letra menor que a utilizada no 
texto e espaço simples.
Exemplo 1 formato ABNT:
Valendo-se de várias hipóteses, Sinhorini (1983, p. 55) constata que:
[...] o granuloma tuberculoso é constituído por dois sistemas inde-
pendentes: o macrófago que controlaria tanto o escape de antí-
geno da lesão, quanto o crescimento bacteriano da mesma, e o 
imunocompetente, representado pela hipersensibilidade e ex-
presso morfologicamente pelo halo de células jovens da perife-
ria da lesão, responsável pelo controle da saída de antígeno do 
granuloma e também pelo caráter crônico-produtivo do mesmo.
Exemplo 2, formato ABNT:
Valendo-se de várias hipóteses é possível constatar que:
[...] o granuloma tuberculoso é constituído por dois sistemas in-
dependentes: o macrófago que controlaria tanto o escape de an-
tígeno da lesão, quanto o crescimento bacteriano da mesma, e 
o imunocompetente, representado pela hipersensibilidade e ex-
presso morfologicamente pelo halo de células jovens da perife-
ria da lesão, responsável pelo controle da saída de antígeno do 
granuloma e também pelo caráter crônico-produtivo do mesmo. 
(SINHORINI, 1983, p. 55)
A citação indireta (paráfrase) é a reprodução das ideias e informações a partir da 
consulta de outras obras. A paráfrase exige atenção e deve manter-se fiel à ideia 
central do texto original.
Exemplo 1, formato ABNT:
Para Silva (2002, p. 5), o metabolismo dos carboidratos pode alterar os níveis 
glicêmicos.
A citação da citação (apud) é a menção de um texto que você teve acesso a partir 
de outra obra. Você deve utilizar os termos apud ou “citado por”.
Exemplo 1, formato ABNT:
Buhler (1960, p. 11) citado por Klein et al. (2003, p. 54) chegou a uma sur-
preendente conclusão: verificou que desde o nascimento até o terceiro mês 
de vida.
Exemplo 2, formato ABNT:
Martin (2002, p. 19) apud Elliot (2010, p. 13), chegou às mesmas conclusões 
dos estudos.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
93
Exemplo 3, formato ABNT:
O currículo e as questões educacionais mais genéricas sempre estiveram 
atrelados à história dos conflitos de classe, raça, sexo e religião, tanto nos 
Estados Unidos quanto em outros países (APPLE, 1994 apud MOREIRA; 
SILVA, 2002, p. 39).
3.6. REFERÊNCIAS NORMA ABNT
Gerenciadores de referências são softwares, geralmente gratuitos e encontrados 
na Internet, que auxiliam a formatação e indexação de referências em trabalhos 
acadêmicos. Permitem armazenar, gerenciar e citar as referências de acordo com 
normas específicas. Isto é, normalizam citações e geram automaticamente as res-
pectivas referências formatadas. Os gerenciadores podem estar vinculados a uma 
rede acadêmica onde é possível criar grupos de compartilhamento de arquivos, en-
contrar pesquisadores de uma mesma área e analisar tendências.
São exemplos de Gerenciadores de referências:
• EndNote Web - http://www.myendnoteweb.com
• Zotero - http://www.zotero.org
• Citeulike - http://www.citeulike.org
• JabRef - http://jabref.sourceforge.net
• RefBase - http://www.refbase.net
• RefWorks - http://www.refworks.com
• Reference Manager - http://www.refman.com
• Mendeley - https://www.mendeley.com/
3.7. FECHAMENTO DA UNIDADE
O hábito da leitura especializada em saúde promove melhorias significativas no de-
sempenho profissional ao aprimorar competências para interpretação eficaz dos 
estudos e, consequentemente, favorece a redação técnicae científica para elabo-
ração adequada de projetos.
Nessa Unidade, você pôde conhecer a forma pela qual os autores se expressam a 
partir da escrita e estilo de redação. Esse aprendizado será útil ao longo do tempo, 
em que você poderá treinar e se familiarizar com os métodos, técnicas, termos, 
formas, vocabulários, a fim de escrever no idioma formal e técnico, produzindo textos 
claros, objetivos e, sobretudo, fluídos.
4. ENCERRAMENTO DO MÓDULO
Parabéns, caro profissional estudante!
Nesta unidade, você conheceu os fundamentos básicos da 
leitura crítica e redação técnico-científica para a elaboração 
do Projeto de Intervenção aplicado ao TCC. Confira e aproveite 
os exercícios e discussão das Unidades deste Módulo a fim de 
aprimorar suas habilidades e competências em relação aos 
registros e documentação na sua prática profissional.
Boa sorte nas novas etapas do Curso.
Até breve!
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
95
Referências
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EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
98
envolvendo seres humanos e revoga as Resoluções CNS nos. 196/96, 303/2000 e 
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CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE - CNS. RESOLUÇÃO Nº 510, DE 07 DE ABRIL 
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EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
101
Minicurrículo dos 
conteudistas
MARCELO PELLIZZARO DIAS AFONSO
Médico de Família e Comunidade. Professor assistente do Departamento de Medici-
na Preventiva e Social, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais. 
Doutorando em Saúde Pública, pela Faculdade de Medicina, Universidade Federal 
de Minas Gerais. Mestrado Acadêmico em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciên-
cias da Saúde, Universidade de Brasília (2016). Residência médica em Medicina de 
Família e Comunidade pelo Hospital Municipal Odilon Behrens de Belo Horizonte/MG 
(2014). Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009).
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/2143500321613029 
ADELSON GUARACI JANTSCH 
Possui graduação em medicina pela Universidade Federal do Paraná (2003) e resi-
dência em Medicina de Família e Comunidade pelo Grupo Hospitalar Conceição 
(2005), Mestrado em Saúde Coletiva - Epidemiologia pelo Instituto de Medicina Social 
da UERJ em 2016 com o estudo de desigualdades educacionais impactando a ocor-
rência de multimorbidade no estudo Pró-Saúde. Possui Doutorado em Saúde Cole-
tiva - Epidemiologia pelo Instituto de Medicina Social da UERJ em 2020 com a tese 
intitulada “The impact of residency training in family medicine in promoting the attri-
butes of primary care in Rio de Janeiro” Trabalhou como Médico de Família e Comu-
nidade em Lages/SC em 2006, em Curitiba entre 2007 e 2011 e no Rio de Janeiro 
entre 2011 e 2015. Foi docente do curso de medicina da UNIPLAC/Lages, do curso 
de medicina da Faculdade Evangélica do Paraná de junho de 2007 a fevereiro de 
2009. Foi preceptor do programa de residência em Medicina de Família e Comuni-
dade da prefeitura do Rio de Janeiro entre 2012 e 2014 e foi coordenador do mesmo 
programa enrte 2014 e 2018. Colaborou com o grupo EURACT para formação de 
formadores em Medicina de Família e Comunidade entre 2013 e 2017 e é colabora-
dor do Centro Besrour junto ao colégio canadense de médicos de família que visa 
promover a APS e a medicina de família em países de baixa e média renda.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/6985435062388171 
DIOGO LUIS SCALCO
Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina (2002). 
Residência em Medicina de Família e Comunidade no Hosp. Nossa Senhora Con-
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
102
ceição - Porto Alegre, RS (2005). Mestrado em epidemiologia pela Universidade 
Federal de Pelotas (2008). Médico de Família e Comunidade da SMS da Prefeitura 
Municipal de Florianópolis, onde atua como médico no Centro de Saúde João Paulo 
desde 2012. Preceptor do Programa de Residência de Medicina de Família e Co-
munidade da SMS da Prefeitura Municipal de Florianópolis desde 2011 e facilitador 
do mesmo programa de residência desde 2020.
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EDISON JOSÉ CORRÊA
Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais UFMG 
(1968). Especialista em Pediatria. Atualmente é professor adjunto IV da Universi-
dade Federal de Minas Gerais (aposentado, Professor Convidado).Diretor da Fa-
culdade de Medicina da UFMG (1994/1998), Pró-Reitor de Extensão da UFMG 
(1998/2006). Presidente (2003/2005), coordenador da Comissão de Saúde 
(2006/2007) e Assessor (2006 -2013) do Fórum de Pró Reitores de Extensão das 
Universidades Públicas Brasileiras. Coordenador Técnico e Vice - Diretor do Núcleo 
de Educação em Saúde Coletiva NESCON/UFMG (2007-atual) e coordenador do 
Programa Ágora/Curso de Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família/
Universidade Aberta do Brasil - núcleo UFMG. Profissional liberal - pediatra neo-
natologista Maternidade Octaviano Neves (1971-2007). Tem experiência na área 
de Pediatria/Neonatologia e Administração Universitária, com ênfase em Exten-
são Universitária, atuando principalmente nos seguintes temas: extensão univer-
sitária, saúde coletiva, universidades-transformação social, atenção primária à 
saúde, escolas médicas, educação médica e especialização em saúde da família 
(Educação a Distância).
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/0682662099208286 
SHEILA RUBIA LINDNER
Possui graduação em enfermagem, mestrado em Saúde Pública (2005) e douto-
rado em Saúde Coletiva (2013) pela Universidade Federal de Santa Catarina. É 
pesquisadora na temática de violência e saúde; direitos humanos, seguridade 
social e sistemas de justiça. É professora adjunta do Departamento de Saúde 
Pública, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e do Mestrado Pro-
fissional em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Universidade Federal de 
Santa Catarina. Coordena o Observatório da Seguridade Social e Sistemas de 
Justiça (OSJ/UFSC). É coordenadora do Núcleo da Universidade Aberta do SUS 
(UNA-SUS) da UFSC. Coordena a cooperação institucional entre a UFSC e as Uni-
versity of British Columbia (UBC) do Canadá e University of Melbourne (UNIMELB) 
da Austrália.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/3507140374697938
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
103
DALVAN ANTÔNIO DE CAMPOS
Nutricionista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, Mestre e Doutor 
em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC). Tra-
balha com pesquisa em Saúde Coletiva, no Departamento de Saúde Pública/UFSC, 
vinculado ao Núcleo de Estudos EPICENES, é membro da equipe editorial da revista 
Saúde & Transformação Social e atua no desenvolvimento e oferta de cursos de es-
pecialização,capacitação e autoinstrucionais na Universidade Aberta do SUS - UFSC.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/2272195512817044
THAYS BERGER CONCEIÇÃO
Doutoranda e Mestre em Saúde Coletiva, pela Universidade Federal de Santa Cata-
rina (UFSC). Graduada em Enfermagem, pela UFSC. Membro da equipe de produ-
ção de material didático para cursos de Prevenção e Controle do Sobrepeso e Obe-
sidade, parceria entre a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição e o Ministério 
da Saúde (CGAN/MS) e UFSC. Membro da equipe de coordenação de tutoria e TCC 
do Curso de Especialização Multiprofissional na Atenção Básica, da Universidade 
Aberta do SUS (UNA-SUS). Participa dos Grupo de Pesquisa Condições de saúde 
dos idosos de Florianópolis - Epi Floripa e do Grupo de Pesquisa Violência e Saúde.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/8067887275425001
DANIEL ALMEIDA GONÇALVES
Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo/Escola 
Paulista de Medicina (1999), mestrado em Psiquiatria e Psicologia Médica (2009) e 
Doutorado em Saúde Coletiva (2012) pela Universidade Federal de São Paulo. Atu-
almente é coordenador pedagógico do curso de Especialização em Saúde da Família/
UNASUS Unifesp, Médico Técnico Administrativo em Educação do Departamento 
de Medicina Preventiva da UNIFESP/EPM, supervisor da residência médica de Me-
dicina de Família e Comunidade da Universidade Federal de São Paulo e supervi-
sor de Educação Médica da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medi-
cina - SPDM/PAIS. Também atua como médico clínico da Prefeitura Municipal de 
São Paulo. Tem experiência na área de Medicina, atuando principalmente nos se-
guintes temas: Medicina de Família e Comunidade, Atenção Primária à Saúde, Cui-
dados Paliativos, Educação Médica, Saúde Coletiva, Saúde Pública e Saúde Mental.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/5392203984984554
MARIA ELISABETE SALVADOR
Possui graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo / Escola 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
104
Paulista de Medicina (UNIFESP) (1988), mestrado em Ciências da Saúde (1997), Dou-
torado em Ciências da Saúde (2002) pela UNIFESP e Pós-doutorado 2022-2024. 
Atualmente é professora associada no Depto de Informática em Saúde da UNIFESP. 
Assessora técnica científica da SPDM Afiliadas. Coordenadora de Educação a Dis-
tância e Metodologia Científica dos Cursos de Especialização UNA-SUS, UNIFESP. 
Líder do Grupo de Estudos, Pesquisa e Inovação Interdisciplinar em Informática 
Médica da CNPq. Orientadora do Programa de Mestrado Profissional em Tecnolo-
gia, Gestão e Saúde Ocular da UNIFESP. Tem experiência nas áreas: Informática em 
Saúde; Cardiologia; Saúde Coletiva e Metodologia Científica, atuando com ensino, 
pesquisa e, desenvolvimento / avaliação de projetos científicos.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/2940944860729134
RITA MARIA LINO TARCIA
Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1984); 
mestrado e doutorado em Semiótica e Linguística Geral pela Faculdade de Filoso-
fia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH da Universidade de São Paulo/USP (2001). 
Professora Adjunta do Departamento de Informática em Saúde da Escola Paulista 
de Medicina (Unifesp); Professora, Doutora e Pesquisadora no Programa de Pós-
-Graduação em Ensino em Ciências da Saúde do Centro de Desenvolvimento do 
Ensino Superior em Saúde – CEDESS/Unifesp; Coordenadora Pedagógica do Curso 
de Especialização em Saúde da Família da UNASUS/Unifesp. Pesquisadora de pro-
cessos educativos interativos e mediados por tecnologias na educação em saúde. 
Diretora Administrativa financeira da ABED – 2019-2023.
Endereço do currículo na plataforma lattes: http://lattes.cnpq.br/5091970329164141
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
105
Programa Mais Médicos para o 
EIXO TRANSVERSAL
REALIZAÇÃO
Ministério da Saúde
Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS)
2024
Metodologia do Trabalho de 
Conclusão de Curso 
MÓDULO 33alcança seus objetivos, de forma cientí-
fica, quando cumpre ou se propõe a cumprir as seguintes etapas:
“I) Tema que será pesquisado: refere-se a uma situação ou ideia que necessi-
ta ser pesquisada.
II) Elaboração do objetivo geral: transforme o título da situação ou ideia em 
um objetivo.
III) Descobrimento do problema: para qualquer situação ou ideia existe um 
problema desconhecido e precisa ser investigado.
IV) Elaboração de hipóteses para resolver o problema: são as opções (tentati-
vas) possíveis para solucionar o problema.
V) Elaboração dos objetivos específicos: transforme as hipóteses em objetivos 
específicos.
VI) Plano de pesquisa: são atividades oriundas dos objetivos específicos, e que 
serão desenvolvidas. É a pesquisa de campo.
VII) Descrição da metodologia: descrição de como as atividades do plano de 
pesquisa serão desenvolvidas.
VIII) Cronograma do desenvolvimento do plano de pesquisa: agendamento do 
tempo de execução de cada atividade do plano de pesquisa.
IX) Execução do plano de pesquisa: desenvolvimento da pesquisa de campo.
X) Obtenção dos dados: são os dados obtidos da pesquisa de campo.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
16
XI) Resultados da pesquisa: organização dos dados em tabelas, gráficos, etc.
XII) Discussão da pesquisa: discutir os resultados da pesquisa.
XIII) Considerações finais da pesquisa executada: finalização da pesquisa.”
A pesquisa científica é, por fim, a atividade científica pela qual é possível alcançar 
o conhecimento e descobrir a realidade – elo fundamental entre o método e co-
nhecimento (Infográfico a seguir). Nessa perspectiva, é constantemente necessária, 
uma vez que a realidade não se apresenta integralmente na superfície dos fatos, e 
os seus resultados nunca esgotam a realidade, sendo esta última sempre mais exu-
berante do que a pesquisa (DEMO, 1985).
Infográfico 2. Relação entre os conceitos de ciência e conhecimento
 
Fonte: (PEREIRA et al., 2018)
1.3. O DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA CIENTÍFICA E A NECESSIDADE 
DE ÉTICA EM PESQUISA
Você agora compreende o que fundamenta o conhecimento científico e certamen-
te confia nos benefícios desse tipo de pensamento para a evolução da sociedade 
como um todo. Mas será que a ciência possui algum tipo de efeito colateral?
PARA REFLETIR
Você se lembra de alguma situação em que a ciência tenha sido 
empregada com prejuízo para os seres humanos, seja no âmbito 
biológico, psicológico, social, espiritual ou ambiental?
Nos séculos XIX e XX, o desenvolvimento científico e tecnológico se 
acelerou de forma assustadora, expandindo o conhecimento a propor-
ções inimagináveis e provocando profundas mudanças sociais em todo 
Ciência
ConhecimentoPesquisa
RaciocínioMétodo
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
17
o mundo. Se por um lado, a ciência foi responsável pelo surgimento de 
insumos e tecnologias capazes de elevar a expectativa e a qualidade 
de vida em maior ou menor grau em todos os continentes do planeta, 
ela se mostrou impotente perante necessidades básicas da sociedade, 
seja pela brutal desigualdade na distribuição de seus benefícios persis-
tente até os dias hoje, ou mesmo por sua aplicação contra o próprio ser 
humano. A mesma ciência que fez o homem pisar na Lua, criou máqui-
nas direcionadas para morte e destruição. 
A II Guerra Mundial tornou-se icônica, não só por inaugurar o uso de 
armas de destruição em massa, com a explosão das bombas atômi-
cas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, mas também pelos horro-
res do Nazismo e do Holocausto, incluindo experimentos absoluta-
mente abomináveis com seres humanos. Devido aos experimentos 
brutais conduzidos, no Tribunal de Nuremberg – tribunal militar inter-
nacional encarregado de julgar os crimes ocorridos na II Guerra Mundial 
– 20 dos 23 julgados eram médicos, sendo que destes 7 foram con-
denados à morte. Em defesa, os acusados argumentaram que não 
havia legislação que definisse, até aquele momento, o que seria legal 
ou ilegal em pesquisas envolvendo seres humanos. E isso era um fato: 
na prática, aqueles experimentos execráveis pouco diferiam dos inú-
meros relatos ocorridos antes da Guerra e ao longo dos séculos. (TRI-
BUNAL MILITAR INTERNACIONAL DE NUREMBERG, 1947)
Figura 1 – Julgamento de Nuremberg.
À frente, de cima para baixo: Hermann Göring, Rudolf Heß, Joachim von Ribbentrop, 
Wilhelm Keitel. Atrás, de cima para baixo: Karl Dönitz, Erich Raeder, Baldur von 
Schirach, Fritz Sauckel. Fonte: Work of the United States Government - Esta mídia 
está disponível no acervo do National Archives and Records Administration, catalo-
gada sob o identificador ARC (National Archives Identifier) 540128. (Domínio público)
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
18
Como primeiro esforço em prol da ética em pesquisa com seres humanos, ainda 
que sem força legal na maioria dos países à época, foi criado o Código de Nurem-
berg (1947). Confira a seguir, os seus dez princípios básicos.
Infográfico 3. Os dez princípios do Código de Nuremberg (1947)
1. O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente 
essencial. Isso significa que a pessoa envolvida deve ser legal-
mente capacitada para dar o seu consentimento; tal pessoa 
deve exercer o seu direito livre de escolha, sem intervenção de qualquer 
desses elementos: força, fraude, mentira, coação, astúcia ou outra forma 
de restrição ou coerção posterior; e deve ter conhecimento e compreen-
são suficientes do assunto em questão para tomar sua decisão. Esse último 
aspecto requer que sejam explicadas à pessoa natureza, duração e pro-
pósito do experimento; os métodos que o conduzirão; as inconveniências 
e riscos esperados; os eventuais efeitos que o experimento possa ter sobre 
a saúde do participante. O dever e a responsabilidade de garantir a qua-
lidade do consentimento recaem sobre o pesquisador que inicia, dirige 
ou gerencia o experimento. São deveres e responsabilidades que não 
2. O experimento deve ser tal que produza resultados vantajo-
sos para a sociedade, os quais não possam ser buscados por 
outros métodos de estudo, e não devem ser feitos casuística e 
4. O experimento deve ser conduzido de maneira a evitar todo 
6. O grau de risco aceitável deve ser limitado pela importância 
humanitária do problema que o pesquisador se propõe 
3. O experimento deve ser baseado em resultados de experi-
mentação animal e no conhecimento da evolução da doença 
ou outros problemas em estudo, e os resultados conhecidos 
5. Nenhum experimento deve ser conduzido quando existirem 
razões para acreditar numa possível morte ou invalidez perma-
nente; exceto, talvez, no caso de o próprio médico pesquisador 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
19
Como forma de induzir um compromisso oficial dos países, alguns anos mais tarde, 
mais precisamente em 1964, na cidade de Helsinque, é produzida a Declaração de 
Helsinque, por iniciativa da Associação Médica Mundial (WMA), trazendo elemen-
tos muito similares ao Código de Nuremberg. Ainda que, novamente, este docu-
mento também não apresentasse nenhuma validade legal, sendo basicamente uma 
orientação à comunidade médica internacional, desta vez surtiu um importante 
efeito sobre os países, influenciando fortemente a legislação nacional e regional 
acerca do tema. O documento passou por sete revisões, sendo a última durante a 
64ª Assembleia da WMA, em Fortaleza, em outubro de 2013.
 
Mas se você, prezado profissional estudante, acreditou que os crimes e escândalos 
relacionados à pesquisa envolvendo seres humanos foram exclusividade dos na-
zistas ou que o Código de Nuremberg e a Declaração de Helsinque tenham sido 
Você pode conferir a versão completa da última atualização da Declara-
ção de Helsinque, da WMA, com tradução para o português pela Asso-
ciação Médica Brasileira no link: https://arquivos.amb.org.br/_downlo-ads/491535001395167888_DoHBrazilianPortugueseVersionRev.pdf 
7. Devem ser tomados cuidados especiais para proteger o par-
ticipante do experimento de qualquer possibilidade, mesmo 
8. O experimento deve ser conduzido apenas por pessoas cien-
tificamente qualificadas. Deve ser exigido o maior grau possível 
de cuidado e habilidade, em todos os estágios, daqueles que 
9. Durante o curso do experimento, o participante deve ter plena 
liberdade de se retirar, caso ele sinta que há possibilidade de 
Fonte: (TRIBUNAL MILITAR INTERNACIONAL DE NUREMBERG, 1947)
10. Durante o curso do experimento, o pesquisador deve estar 
preparado para suspender os procedimentos em qualquer 
estágio, se ele tiver razoáveis motivos para acreditar que a con-
tinuação do experimento causará provável dano, invalidez ou morte para 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
20
suficientes para a predominância da ética em pesquisa na segunda metade do 
século XX, infelizmente você errou. Diversas outras experiências antiéticas continu-
aram a ocorrer, inclusive no ocidente. Um dos casos mais emblemáticos foi o estudo 
de Tuskegee, pequena cidade no condado de Macon, estado do Alabama, Estados 
Unidos, conduzida por órgãos oficiais do governo norte-americano. Neste estudo, 
centenas de participantes negros e pobres foram acompanhados, sem o seu co-
nhecimento, com diagnóstico de sífilis, mantendo-os sem tratamento mesmo após 
estabelecimento de terapêutica efetiva para a condição. O estudo só foi encerrado 
em 1972, após 40 anos de seguimento, quando o escândalo se tornou público, com 
consequente repercussão social e forte pressão política.
Conheça mais sobre o caso Tuskegee no vídeo a seguir:
 
Se violações éticas são tão susceptíveis de ocorrer, como proteger os sujeitos de 
pesquisa desses riscos? As pesquisas científicas envolvendo seres humanos deve-
riam ser banidas?
O banimento de estudos envolvendo seres humanos seria catastrófico para o de-
senvolvimento científico e social. A alternativa encontrada, de modo a garantir a re-
alização de estudos conforme os preceitos éticos, foi a criação de sistemas de 
revisão ética que, no caso do Brasil, foi levada a cabo pelos Comitês de Ética em 
Pesquisa (CEP ou COEP), apresentado mais detalhadamente a seguir.
1.4. A ÉTICA EM PESQUISA NO BRASIL
Constatada a insuficiência do Código de Nuremberg e da Declaração de Helsinque 
isoladamente para garantir a ética em estudos envolvendo seres humanos, os países 
passaram a legislar sobre a atividade científica em seu território, cada qual forma-
tando um sistema de revisão ética com suas particularidades. No caso do Brasil, as 
bases legais dessa iniciativa remontam à Constituição Federal de 1988, conhecida 
como a Constituição Cidadã, devido aos importantes avanços nos direitos sociais. A 
partir da Constituição e posteriormente com as Leis Orgânicas do Sistema Único de 
Saúde (SUS) (8.080 e 8.142 de 1990), o Conselho Nacional de Saúde (CNS) – órgão 
com representatividade paritária entre sociedade civil, gestores e trabalhadores da 
saúde – passa a ser responsável pela assessoria, fiscalização e monitoramento das 
políticas públicas no âmbito do SUS, incluindo as atividades de pesquisa (OSTOS, 
2011).
Por determinação do CNS, no final da década de 80, as instituições credenciadas 
Você pode conhecer o Caso Tuskegee na integra acessando o endereço: 
https://www.ufrgs.br/bioetica/tueke2.htm
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
21
com atividade científica passam a ser cobradas quanto a existência de Comitês de 
Ética em Pesquisa (CEP). Apesar disso, poucas instituições seguem essa diretriz de 
imediato, sendo mais amplamente obedecida somente após a Resolução CNS nº 
196 de 1996. Esta resolução define Comitê de Ética em Pesquisa como (CONSELHO 
NACIONAL DE SAÚDE, 1996):
“colegiados interdisciplinares e independentes, com ‘munus público’, de caráter 
consultivo, deliberativo e educativo, criados para defender os interesses dos 
sujeitos da pesquisa em sua integridade e dignidade e para contribuir no de-
senvolvimento da pesquisa dentro de padrões éticos.”
PARA REFLETIR
O que os princípios da bioética – beneficência, não-maleficência, 
justiça e autonomia – têm a ver com a ética em pesquisa?
Percebe-se que o objetivo dos CEPs vai muito além da simples 
análise e aprovação de projetos de pesquisa, de vez que possui 
papel fundamental no fortalecimento da cultura da ética e da pro-
teção da segurança dos sujeitos de pesquisa. Para tanto, deve apre-
sentar caráter multi e transdisciplinar, com composição de, no 
mínimo, 7 membros, incluindo a “participação de profissionais da área 
de saúde, das ciências exatas, sociais e humanas, incluindo, por exemplo, 
juristas, teólogos, sociólogos, filósofos, bioeticistas e, pelo menos, um 
membro da sociedade representando os usuários da instituição”. (CON-
SELHO NACIONAL DE SAÚDE, 1996) Os membros são eleitos por 
seus pares a cada 3 anos, sendo que metade deve apresentar ex-
periência em pesquisa.
Para registro, coordenação e orientação dos CEPs, criou-se Comitê 
Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), instância colegiada vincu-
lada diretamente ao CNS/Ministério da Saúde. Além do apoio aos 
CEPs, é a atribuição do CONEP a análise dos projetos de pesquisa 
em áreas temáticas especiais, como por exemplo, genética humana, 
reprodução humana, populações indígenas, pesquisas coordena-
das do exterior ou com participação estrangeira e pesquisas que 
envolvam remessa de material biológico para o exterior, ou mesmo 
para outros temas os quais o CEP, por meio de justificativa, julga 
merecedores de análise pelo CONEP. A integração entre CONEP e 
os mais de 800 CEPs ativos no país atualmente é denominado de 
Sistema CEP/CONEP.
No Brasil, todo e qualquer estudo envolvendo seres humanos deve 
ser apreciado e aprovado por um CEP antes de seu início. O início 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
22
Infográfico 4. Exceções de estudos envolvendo seres humanos que 
não serão avaliados pelo sistema CEP/CONEP
da execução de um estudo científico sem prévia autorização é con-
siderado uma infração ética grave e por si só justifica a reprovação 
de seu protocolo de pesquisa. A definição de pesquisa envolvendo 
seres humanos, segundo a Resolução CNS nº 196/1996 é bastan-
te ampla:
Pesquisa envolvendo seres humanos – pesquisa que, individual ou cole-
tivamente, envolva o ser humano, de forma direta ou indireta, em sua to-
talidade ou partes dele, incluindo o manejo de informações ou 
materiais.
Dessa forma, os CEPs não se ocupam somente das análises e orien-
tações para pesquisas da área da Saúde, mas se estendem também 
para as Ciências Humanas e Sociais. Com o objetivo de evidenciar 
algumas particularidades das pesquisas nesses outros campos, es-
senciais para a adequada avaliação ética de seus protocolos, o CNS 
publicou a Resolução nº 510 de 2016 de modo a complementar a 
Resolução nº 196/1996, que, no entanto, continua vigente. Dentre 
suas novidades, a nova resolução explicita em seu Art. 1º as exce-
Ações cujos projetos de pesquisa envolvendo seres humanos não 
serão avaliados pelo sistema CEP/CONEP.
Art. 1º. Parágrafo único. Não serão registradas nem avaliadas pelo sistema 
CEP/CONEP:
I – pesquisa de opinião pública com participantes não 
identificados;
II – pesquisa que utilize informações de acesso público, 
nos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011;
III – pesquisa que utilize informações de domínio público;
IV – pesquisa censitária;
V – pesquisa com bancos de dados, cujas informações são 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
23
agregadas, sem possibilidade de identificação individual; 
VI – pesquisa realizada exclusivamente com textos científicos 
para revisão da literatura científica;
VII – pesquisa que objetivao aprofundamento teórico de situa-
ções que emergem espontânea e contingencialmente na prática profis-
sional, desde que não revelem dados que possam identificar o 
sujeito; 
VIII – atividade realizada com o intuito exclusivamente de edu-
cação, ensino ou treinamento sem finalidade de pesquisa científica, de 
alunos de graduação, de curso técnico, ou de profissionais em 
especialização;
§ 1º Não se enquadram no inciso antecedente [isto é, inciso VIII] os Traba-
lhos de Conclusão de Curso, monografias e similares, devendo-se, nestes 
casos, apresentar o protocolo de pesquisa ao sistema CEP/CONEP;
§ 2º Caso, durante o planejamento ou a execução da atividade de educa-
ção, ensino ou treinamento surja a intenção de incorporação dos resulta-
Perceba que o fato de se tratar de um Trabalho de Conclusão de 
Curso não exime o pesquisador da obrigatoriedade de apresen-
tar seu projeto para a apreciação ética. No entanto, no âmbito 
deste curso de especialização, você será convidado a construir 
um projeto de intervenção que dialogue com a necessidade do 
seu território. Desde que você garanta o sigilo e privacidade das 
informações relacionadas aos sujeitos de pesquisa, essa situa-
ção se enquadra no inciso VII (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE, 
2016; art. 1º, parágrafo único), conforme apresentado no infográ-
fico anterior.
Portanto, fique tranquilo, você não precisará apresentar o seu projeto a um Comitê 
de Ética em Pesquisa dessa vez, porém, quando quiser mergulhar no mundo da 
produção científica, não tenha medo! As submissões dos projetos de pesquisa hoje 
estão centralizadas em uma plataforma eletrônica nacional, a Plataforma Brasil 
(https://plataformabrasil.saude.gov.br/), que direciona o seu projeto automatica-
mente para o CEP da sua instituição ou para o CEP de referência regional da sua 
localidade.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
24
1.5. OUTROS CUIDADOS ÉTICOS NA PESQUISA CIENTÍFICA
Alguns cuidados precisam ser tomados ao redigir um projeto de pesquisa ou mesmo 
os seus resultados posteriormente. As ideias do pesquisador devem ser sempre ori-
ginais e todos os elementos extraídos de outras pesquisas ou trabalhos devem ser 
adequadamente referenciados, seja por citação direta ou citação indireta. A apre-
sentação de elementos de terceiros sem o devido referenciamento pode ser con-
siderada plágio, previsto como crime no Código Penal brasileiro (Art. 184 do Código 
Penal - Decreto Lei 2.848/40), podendo resultar em multa e até reclusão. Mesmo 
as ideias do próprio autor já publicadas em outros materiais devem ser adequada-
mente referenciadas, de modo a se evitar a situação de autoplágio. 
Por fim, os elementos que embasam e justificam, assim como os relatos e resulta-
dos apresentados devem ser absolutamente fieis à realidade. Outro crime previsto 
pelo Código Penal é o de falsidade ideológica (Art. 299 do Código Penal – Decreto 
Lei 2.848/40), definido como o ato de “omitir, em documento público ou particular, de-
claração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou 
diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar 
a verdade sobre fato juridicamente relevante”. 
Cuide bem da sua escrita e sempre compartilhe suas dúvidas com seu facilitador. 
A escrita científica será mais bem detalhada na última unidade deste módulo.
1.6. A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA PARA A MEDICINA DE FAMÍLIA E CO-
MUNIDADE E PARA A ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
É bem estabelecida a evidência científica sobre o impacto positivo do fortalecimen-
to da Atenção Primária à Saúde nos resultados dos Sistemas de Saúde, seja em 
termos de efetividade, eficiência, satisfação ou equidade na aplicação dos recursos 
(STARFIELD; SHI; MACINKO, 2005). O mesmo não se pode dizer da Medicina de 
Família e Comunidade. Na maioria dos países desenvolvidos com fortes Sistemas 
Nacionais de Saúde, a decisão pelo investimento da especialização dos médicos 
atuantes na APS foi anterior ao acúmulo de informações sobre seus resultados. 
Acesse a Plataforma Brasil (https://plataformabrasil.saude.gov.
br/) e conheça mais sobre a Ética em Pesquisa no Brasil. Lá está 
reunida toda a legislação nacional vigente relacionada à pesqui-
sa científica, bem como manuais e orientações de como produ-
zir um projeto e seus anexos, como por exemplo, o Termo de Con-
sentimento Livre e Esclarecido ou a justificativa de seu pedido 
de dispensa, essencial para a aprovação do estudo. 
Saiba mais
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
25
Dessa forma, diante da escassez de evidências que possam induzir políticas públi-
cas de recursos humanos na APS, sobretudo nos países em desenvolvimento, de-
pende-se grandemente de pesquisas que ainda não foram conduzidas ou finaliza-
das. (JANTSCH, 2020) Mesmo para a APS, há campos ainda pouco explorados e 
com muito potencial de crescimento. Multimorbidade, modelos de remuneração e 
cuidado de populações vulneráveis são somente alguns exemplos de mundos nos 
quais nosso conhecimento científico atual mal toca a superfície. 
Assim, produção científica nas áreas da APS e da Medicina de Família e Comunida-
de têm enorme importância, tendo em vista que seus conhecimentos e aprendiza-
dos potenciais podem representar um salto de qualidade e de custo-efetividade das 
ações em saúde, especialmente nos países de baixa e média renda, como o nosso.
Com o objetivo de fomentar e apoiar as iniciativas de pesquisa voltadas para esses 
campos, alguns materiais técnicos foram produzidos ao redor do mundo. Dentre 
eles, se destacam os livros publicados pela Associação Mundial de Médicos de 
Família (WONCA) apresentados a seguir.
 
Figura 2. Livros de apoio para a pesquisa em APS no mundo
Fonte: (WONCA, 2016, 2019)
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
26
1.7. DESENHOS DE ESTUDO
Ciente das potencialidades e perigos da pesquisa, você, caro profissional estudan-
te, está preparado para revisar os principais tipos de desenho de estudo. Este tema 
é muito importante não somente para quem irá conduzir novas pesquisas, mas 
também para os leitores de artigos científicos, que são a maioria dos profissionais 
de saúde. Estudar tipos de desenho de estudo nos ajudará a entender qual desenho 
é mais adequado para qual pergunta de estudo e quais são possíveis de serem 
usados, dadas as condições de aplicação e contingências do contexto. 
Não há um desenho de estudo melhor do que o outro: todos têm sua importância, 
benefícios de uso e limitações a serem consideradas. 
Apresentaremos daqui em diante os principais desenhos de estudo utilizados em 
pesquisas médicas e em saúde pública, as razões de utilizar cada um deles, ou seja, 
o propósito, as vantagens e as desvantagens. Além disso, apresentaremos junto a 
cada desenho de estudo, um pequeno resumo de um artigo publicado utilizando 
aquele tipo de desenho no cenário da Atenção Primária à Saúde, reportando seus 
objetivos, a metodologia aplicada e os resultados. Antes de começarmos, contudo, a 
abordar os desenhos de estudo, cabe revisar alguns conceitos importantes em 
Epidemiologia.
1.7.1. CONCEITOS IMPORTANTES EM EPIDEMIOLOGIA
População – é um grupo de indivíduos que têm, pelo menos, uma característica 
em comum. A população de um estudo pode ser composta, por exemplo, por todas 
as pessoas nascidas em uma cidade em um determinado ano, como o estudo de 
coorte que acompanhou todos os nascidos no ano de 1983 na cidade de Pelotas, 
RS. Por outro lado, a população de um estudo pode ser composta por um grupo 
específico de pessoas, como a população representada pelas gestantes de um mu-
nicípio do interior do Brasil, que foram avaliadas quanto à prevalência de autome-
dicação e o seu perfil. Frequentemente, os estudos trabalham com amostras, que 
é um subconjunto representativo da população de interesse na comunidade.Variável – é uma característica dos dados sob observação em um estudo que pode 
ser medida. Em um estudo hipotético de prevalência de diabetes mellitus entre todos 
os adultos com mais de 20 anos de determinado bairro, idade (medida em anos com-
pletos), cor da pele (medido em cinco categorias conforme classificação do IBGE) e 
diabetes mellitus (presença ou ausência), foram algumas das variáveis utilizadas.
Desfecho (variável dependente) – é a variável avaliada durante um estudo para do-
cumentar o resultado ou impacto de uma dada exposição ou intervenção (variável 
independente). É a variável central no estudo, a qual tentamos compreender tanto 
sua ocorrência quanto sua variação. A exposição (variável independente) é a variável 
que é analisada sob a ótica da influência que tem sobre o desfecho. Também pode 
ser entendida como um grupo exposto a determinada condição de saúde ou agente 
que seja determinante de um status de saúde ou doença (desfecho). Em um estudo 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
27
de coorte que avaliou a incidência de morte em pessoas com Covid conforme a faixa 
etária (maior ou igual a 60 anos e menor que 60 anos), morte é o desfecho, enquan-
to faixa etária é a exposição. Nossa hipótese é de que idosos (exposição) têm uma 
maior probabilidade de morte por Covid que não idosos (controle). 
Prevalência – é o número de casos ou eventos de uma determinada doença/con-
dição de saúde em uma determinada população em um dado momento. Geralmen-
te apresentada como uma razão entre o número de casos e a população em risco 
de ter a doença/condição de saúde. Como exemplo, estudo de prevalência iden-
tificou 157 casos de hipertensos entre todos os 1.495 adultos de um bairro que tiveram 
sua pressão arterial aferida em um intervalo de uma semana em seus domicílios. A 
prevalência de hipertensão nessa população foi de 9,16 casos de hipertensão / 
1.000 adultos em risco para hipertensão.
Incidência – é o número de novos casos ou eventos de uma determinada doença/
condição de saúde em uma determinada população durante um determinado 
período. Como exemplo, estudo que buscava averiguar o número de casos novos 
de HIV (casos incidentes) ao longo de três anos em uma cidade de 3.000 habitan-
tes, teve 33 casos novos no primeiro ano do estudo, 57 no segundo e 40 no tercei-
ro ano. A taxa de incidência cumulativa (risco relativo) foi de 12 casos / 3.000 habi-
tantes (número de pessoas sem a doença no início do período) ao final do estudo, 
que daria uma proporção de 4,3%. Outra forma comum de apresentar incidência é 
a taxa de incidência (casos/pessoas-ano).
1.7.2. ESTUDOS EXPERIMENTAIS VERSUS OBSERVACIONAIS
Uma das várias formas em que podemos categorizar os desenhos de estudo ba-
seia-se na aplicação de uma intervenção junto a pacientes e/ou população. Estudos 
que realizam tal tipo de aplicação – considere como intervenção um medicamen-
to, uma nova forma de organizar o serviço de saúde, uma nova vacina, um progra-
ma de transferência de renda (por exemplo, bolsa família) – recebem o nome de 
estudos experimentais (ou de intervenção). Aqueles que não lançam mão de aplicar 
uma intervenção e que buscam observar um fenômeno junto a pacientes ou popu-
lações – diagnóstico de hipertensão, percepções sobre o itinerário terapêutico dos 
pacientes hipertensos, cobertura vacinal, internações por condições sensíveis aos 
cuidados ambulatoriais em uma população coberta pelo Programa Mais Médicos 
para o Brasil – são chamados de observacionais. Caso o estudo compare popula-
ções que receberam uma intervenção com outra que não a recebeu, se o estudo 
for feito posteriormente à aplicação desta intervenção, então ele também deverá 
ser chamado de observacional. Em resumo:
Estudos experimentais – compreendem estudos em que os sujeitos do estudo são 
submetidos a um experimento. No caso, um experimento refere-se à manipulação de 
uma determinada exposição (exemplo: treinamento para dar uma determinada aula 
para um grupo de professores; uso de um medicamento de um grupo de indivíduos 
com diabetes mellitus) pelos investigadores (pessoas que conduzem a pesquisa).
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
28
Estudos observacionais – estudos onde não ocorre qualquer experimento. O in-
vestigador simplesmente observa ou mede, sem realizar qualquer intervenção. 
Podem ser realizados por meio da obtenção de dados secundários (dados coleta-
dos de fontes já disponíveis, levantados em pesquisas anteriores) ou através da re-
alização de inquéritos (dados primários). Além disso, estudos observacionais ainda 
podem ser classificados como analíticos ou meramente descritivos. Um estudo ob-
servacional descritivo limita-se a descrever a ocorrência de um desfecho para ajudar 
a descrever um fenômeno e sua magnitude, como por exemplo “determinar preva-
lência de diabetes mellitus da população de adultos de uma equipe de saúde”. Se 
for feita qualquer análise para avaliar, neste mesmo estudo, a associação de uma 
exposição (ex: gênero) com o desfecho (diabetes mellitus), já deixa de ser um estudo 
descritivo puro e passa a ser chamado então de estudo observacional analítico. Este 
procura avaliar possíveis associações entre exposição e desfecho. Exemplo: estudo 
de coorte para avaliar associação entre tabagismo (exposição) e infarto agudo do 
miocárdio (desfecho).
1.7.3. PESQUISAS QUANTITATIVAS
Estudos seccionais ou transversais
A definição de estudos seccionais vem da definição de corte no tempo que o estudo 
é feito. Um inquérito realizado em uma população ao longo de alguns meses, pode 
gerar uma imagem dos eventos estudados nesta população. O censo brasileiro re-
alizado a cada início de década e estudos epidemiológicos feitos pelo IBGE, como 
a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domi-
cílios (PNAD) são exemplos de estudos seccionais realizados no Brasil. 
Também podem ser chamados de estudos de prevalência, pois incluem como su-
jeitos do estudo todas as pessoas da população em um determinado momento ou 
uma amostra representativa desta população, selecionadas independentemente 
do status da exposição ou do desfecho. Como se trata de um desenho de estudo 
que faz um recorte de uma população em um único momento no tempo, exposi-
ções e desfechos são medidos concomitantemente.
Propósito
A vocação dos estudos seccionais é primeiramente estimar e/ou medir a prevalên-
cia de eventos na população, sejam doenças, exposições, determinantes de saúde, 
complicações, uso de medicamentos etc. Estudos seccionais são adequados quando 
queremos explorar um fenômeno populacional, ou seja, se quisermos saber quantos 
cadastrados na nossa unidade de saúde são tabagistas, este seria o desenho mais 
adequado. A partir destes desenhos de estudo também é possível medir associa-
ção entre exposição e desfecho, levando em consideração as limitações quanto à 
inferência causal.
Alguns exemplos de aplicação deste tipo de desenho podem nos ajudar a enten-
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
29
der melhor para que situações pode ser aplicado:
1) rastrear grupos populacionais para tratamento de doenças importantes ou cuidado 
de grupos específicos, como por exemplo, portadores de HIV, gestantes, 
lactentes; 
2) coletar informações de saúde sobre as famílias e seus membros, como quanto 
acesso à saneamento básico, segurança nutricional, preferências alimentares e 
comportamentos de busca de saúde; 
3) descobrir as crenças e costumes locais, como a amamentação e o planejamen-
to familiar;
4) compreender a aceitação de novas intervenções, como para Covid-19, incluin-
do lavagem das mãos, distanciamento físico, uso de máscaras faciais e aceita-
ção de vacinas; 
5) avaliar a efetividade dos serviços de saúde, como atendimento pré-natal, cober-
tura de imunização e utilização de ambulatórios;6) avaliar necessidades de saúde da população, como a realização de diagnóstico 
de demanda ao longo de 30 dias em um centro de saúde; 
7) analisar tendências de saúde da população, como estudos anuais de prevalên-
cia de diabetes mellitus no Brasil.
A seguir apresentamos algumas vantagens e desvantagens dos estudos 
seccionais. 
Vantagens Desvantagens
Estudos mais rápidos e baratos de 
serem realizados do que ensaios 
clínicos ou estudo de coorte.
Pode superestimar condições de longa du-
ração e baixa letalidade e subestimar con-
dições de curta duração e alta letalidade. 
Exemplo: pacientes sobreviventes de um 
infarto agudo do miocárdio (IAM) podem ser 
superestimados, enquanto pessoas já mor-
tas por IAM podem ser subestimadas, pois 
não poderão mais responder ao inquérito.
Úteis para investigação de ex-
posições que são características 
individuais fixas que não mudam 
com o tempo. Exemplo: ano de 
nascimento, cor da pele, grupo 
sanguíneo.
Inadequado para estudos analíticos de 
doenças raras. Haveria necessidade de in-
vestigar uma população muito grande para 
obter um número pequeno de casos e fazer 
algum estudo analítico.
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
30
Um número grande de condições 
de saúde pode ser investigado ao 
mesmo tempo.
Pouco úteis para doenças com curta du-
ração. Estudo transversal, a depender de 
como são coletados os dados, pode não 
identificar uma doença que teve início há 
uma semana e hoje não está mais presente.
Útil como estudo inicial para le-
vantamento de hipóteses causais.
Como exposição e desfecho são analisados 
ao mesmo tempo, dificulta a avaliação das 
possíveis associações causais. Transversal-
mente, podemos encontrar uma associação 
entre obesidade e uso de adoçante, mas 
não será possível afirmar se pessoas que 
ficam obesas passam a usar mais adoçan-
te ou se pessoas que usam adoçantes se 
tornam obesas. 
Pesquisas de prevalência repeti-
das, com amostra de séries tem-
porais, podem mostrar tendências.
Condições de saúde com variação sazonal 
podem ser interpretados erroneamente a 
depender do período e do tempo de reali-
zação da pesquisa. Um estudo transversal 
realizado no verão avaliando pessoas asmá-
ticas em um centro de saúde pode encon-
trar uma prevalência menor do que se fosse 
feito no inverno. 
Úteis para estudar doenças de 
baixa letalidade ou que tenham 
duração suficiente para serem 
identificadas, ou seja, doenças 
crônicas de evolução lenta.
Exemplo de estudo Seccional realizado na APS
No artigo Epidemiology of multimorbidity and implications for health 
care, research, and medical education: a cross-sectional study de 
Karen Barnett et al., publicado em 2012 no The Lancet os autores 
pretendiam medir a prevalência de pacientes com Multimorbida-
de (presença de duas ou mais condições crônicas de saúde em 
um mesmo indivíduo) que eram atendidos pelos serviços de 
atenção primária na Escócia. Para tanto, os pesquisadores fizeram 
uma extração de dados de prontuário eletrônico de pacientes no 
mês de março de 2007 (seccional) em 314 clínicas de atenção pri-
mária na Escócia. Quarenta morbidades foram consideradas e 
EIXO TRANSVERSAL | MÓDULO 33 Metodologia do Trabalho de Conclusão de Curso
31
dados de 1.751.841 pessoas foram analisados. Nesta população, 
42,2% (95% CI 42,1–42,3) de todos os pacientes tinham uma mor-
bidade crônica ou mais e 23,2% (23,08–23,21) foram considerados 
como Multimórbidos, pois tinham mais de duas condições crôni-
cas. Além disso, identificaram alguns fatores que estavam corre-
lacionados com maior chance de o paciente ter Multimorbidade. 
Pessoas com mais anos de vida e que viviam em áreas de maior 
privação social tinham maior probabilidade de serem Multimórbi-
das. Desta forma, os pesquisadores puderam determinar qual a 
magnitude do problema nesta região (quantas pessoas têm Mul-
timorbidade) e agora possuem argumentos para informar gesto-
res e tomadores de decisão sobre a necessidade de priorizar re-
cursos para esta população.
Karen Barnett, Stewart W Mercer, Michael Norbury, Graham Watt, Sally Wyke, 
Bruce Guthrie, Epidemiology of multimorbidity and implications for health care, re-
search, and medical education: a cross-sectional study, The Lancet, Volume 380, 
Issue 9836, 7–13 July 2012, Pages 37-43; https://doi.org/10.1016/S0140-6736(12) 
60240-2.
Estudos de coorte
Também chamados de estudos de incidência ou de seguimento, são baseados em 
observações ao longo do tempo de pessoas que estão livres do desfecho no início do 
estudo (não têm a doença/condição de saúde) e que são classificadas em dois ou 
mais grupos de indivíduos (coortes do estudo) de acordo com a exposição a uma causa 
potencial do desfecho em investigação. Ao longo do tempo, o aparecimento do des-
fecho (evento de saúde/doença/condição de saúde) vai sendo medido (incidência) e 
pode ser comparado entre as diferentes coortes do estudo. Como os dados são co-
letados em diferentes pontos do tempo, é considerado um estudo longitudinal.
Como exemplo, em um estudo para avaliar a associação de obesidade e surgimento 
de diabetes mellitus, foram pesados todos os pacientes atendidos ao longo de uma 
semana em um centro de saúde que não tinham diabetes (livres do desfecho). Os in-
divíduos foram classificados em obesos (IMC maior ou igual a 30) e não obesos (IMC 
abaixo de 30). Ao longo de 5 anos foram acompanhados (exame laboratorial anual) e 
foram medidas as incidências de diabetes (desfecho) no grupo de obesos (exposto) e 
de não obesos (controle), buscando observar se houve diferença entre os grupos. Al-
ternativamente, o mesmo estudo poderia ter sido realizado com a definição, no início 
do estudo, de três coortes: obesos (IMC maior igual a 30); sobrepeso (IMC entre 26 e 
30) e sem sobrepeso ou obesidade (IMC abaixo de 26), com a exposição deixando de 
ser dicotômica. Da mesma forma, as incidências de diabetes mellitus seriam compa-
radas entre os grupos.
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Estudos de coorte podem ser prospectivos, quando o estudo é desenhado ante-
riormente à coleta de dados ou retrospectivos (coorte histórica), quando os dados 
foram coletados previamente ao início do estudo atual.
Propósito
Os estudos de coorte são feitos com o objetivo de determinar a incidência de um des-
fecho (doenças/eventos de saúde/condições de saúde/morte) e/ou de comparar as 
incidências entre as diferentes coortes ao longo de um determinado tempo. São estudos 
adequados para a avaliação de relações de causalidade entre exposição e desfecho, 
sendo capazes de determinar o risco relativo individual de determinada exposição para 
o desenvolvimento de um desfecho. Como exemplo, estudos de coorte que compara-
ram tabagistas com não tabagistas que chegaram à conclusão de que fumantes têm 
cerca de 15 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão que não fumantes. 
Estudos de coorte também podem servir de base para a realização de estudos de caso-
-controle aninhados a uma coorte. As coortes permitem que os casos incidentes de de-
terminada condição sejam utilizados como casos de um estudo caso-controle. Os con-
troles também serão obtidos de dentro da mesma coorte. Pode ser útil quando determinar 
o status de exposição pode ser muito caro, como no caso do uso de testes bioquímicos 
ou genéticos. Testar somente parte dos controles se torna bem mais factível.
A seguir apresentamos algumas vantagens e desvantagens dos estudos de coorte. 
Vantagens Desvantagens
Estudo observacional é mais propício 
para investigação de causalidade.
Como costumam ser mais demorados, 
pois podem exigir um longo tempo de 
observação para detecção de um nú-
mero considerável de casos incidentes, 
costumam ser mais caros e deman-
dam mais tempo dos investigadores.
Se mostra mais útil em situações que os 
casos incidentes (desfechos)são mais 
frequentes.
Especificamente no caso de doenças 
raras, a necessidade de um estudo 
com tempo muito prolongado para 
detecção de casos incidentes em nú-
mero suficiente para posterior análise, 
pode torná-lo inviável.
É útil para casos em que o desfecho 
ocorre brevemente após a exposição. 
Como exemplo, coorte em que é ava-
liada a associação entre uso de deter-
minado medicamento no período ges-
tacional e surgimento de má-formação 
congênita no recém-nascido.
Nos casos em que a exposição pode 
levar muitos anos para desenvolver o 
desfecho, estudos podem exigir tem-
po muito longo de seguimento.
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Coortes de base populacional podem 
avaliar um número grande de diferentes 
exposições (fatores de risco) e desfechos. 
Trata-se de estudo conceitualmente 
simples.
 
Exemplo de estudo de coorte na APS
No artigo Primary care experience and remission of type 2 diabetes: a 
population-based prospective cohort study, publicado em 2021 na 
Family Practice, Dambha-Miller et al. pretendiam avaliar a associa-
ção entre experiência na atenção primária à saúde (APS) e remis-
são de diabetes mellitus tipo 2 em pacientes acompanhados ao 
longo de cinco anos em 49 clínicas de atenção primária na Ingla-
terra. A experiência na atenção primária foi aferida por meio da res-
posta a um questionário previamente validado aplicado no primei-
ro ano após o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2, com perguntas 
sobre experiências com médicos e enfermeiros da atenção primá-
ria, focadas nos aspectos relacionais. A remissão do diabetes melli-
tus foi definida como Hemoglobina glicadaemergency 
department presentation and hospital admission with pneumonia: a case-control 
study of preschool-aged children. NPJ Prim Care Respir Med. 2015;25:14113. Pu-
blished 2015 Feb 5. doi:10.1038/npjpcrm.2014.113 
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Ensaios clínico explanatórios e pragmáticos
Os ensaios clínicos, sejam eles explanatórios ou pragmáticos, são estudos de inter-
venção. Os mais conhecidos, e que serão abordados primeiramente, são os ensaios 
clínicos explanatórios, também conhecidos como ensaios clínicos randomizados.
Os ensaios clínicos randomizados (ECR) caracterizam-se por ser um experimento em 
que os indivíduos do estudo são aleatoriamente expostos a diferentes intervenções 
com o objetivo de comparar a incidência do desfecho (evento em saúde, doença, 
morte). As intervenções podem ser por exemplo: (1) o uso de um medicamento versus 
placebo para tratamento de uma doença; (2) o uso de uma vacina versus placebo 
para prevenção de uma doença ou; (3) o uso de um checklist durante cirurgia a ser 
feito pela equipe cirúrgica versus cuidado cirúrgico padrão para avaliar complicações 
infecciosas. A aleatoriedade (randomização) da escolha da intervenção permite que 
todos os indivíduos tenham a mesma chance de serem alocados a determinada ex-
posição e que as possíveis diferenças na incidência do desfecho sejam, salvo acaso, 
resultantes do efeito de determinada intervenção.
Os ECRs podem ser classificados, quanto ao cegamento, em triplo-cego (quando in-
divíduos que recebem a intervenção, indivíduos que aplicam a intervenção e indiví-
duos que fazem as análises dos dados não sabem quem recebeu que tipo de inter-
venção), duplo-cego (quando indivíduos que recebem a intervenção e indivíduos que 
aplicam a intervenção não sabem quem recebeu que tipo de intervenção), simples 
(quando indivíduos que recebem a intervenção não sabem quem recebeu que tipo 
de intervenção) ou aberto (quando não há cegamento).
Nos estudos sobre medicamentos, outra classificação comumente empregada está 
relacionada às fases dos ensaios clínicos, importante para aprovação de novos me-
dicamentos por agências reguladoras. Um estudo de fase 2 só pode ser autorizado 
após passar por um estudo de fase 1, bem como um estudo de fase 3 só pode ser 
autorizado após passar por um estudo de fase 2.
1. Estudos de fase 1: também chamados de estudos de segurança. Envolve um 
pequeno número de indivíduos (ex: 10 a 80), geralmente saudáveis, que são ex-
postos à intervenção, geralmente por curto espaço de tempo, para avaliar efeitos 
adversos. Não costumam ser randomizados.
2. Estudos de fase 2: número maior de indivíduos (100 a 300), visando avaliações 
preliminares de eficácia e determinação de dosagem adequada.
3. Estudos de fase 3: ECRs de larga escala (1.000-3.000) para avaliar efetividade e 
segurança na população alvo da intervenção. Quando aprovados, podem ser li-
berados para comercialização.
4. Monitoramento após aprovação do medicamento (estudos de fase 4): estudos 
de seguimento com o grupo que continua fazendo uso do medicamento que 
passou em estudos de fase 3. São monitorados efeitos adversos que podem 
demorar mais tempo para se desenvolverem. Não são mais ECRs.
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Como os ensaios clínicos envolvem intervenção em um grupo e noutro não, essa 
escolha, ainda que aleatória, deve atender alguns preceitos éticos: (1) não há razão 
forte para acreditar que um dos braços da intervenção seja melhor que o outro; (2) 
os participantes do estudo devem ser informados sobre as consequências do estudo 
e podem optar por sair a qualquer momento sem qualquer prejuízo e; (3) o estudo 
deve ser interrompido sempre que houver evidência convincente de que um braço 
da intervenção seja mais eficaz ou tenha mais efeitos adversos.
Os ensaios clínicos pragmáticos diferem dos explanatórios por serem realizados sob 
condições menos rígidas, mais próximas àquelas encontradas na prática clínica. Geral-
mente têm critérios de inclusão mais amplos, recrutam pacientes de vários locais dife-
rentes - condizente com a realidade, costumam ser abertos e costumam analisar des-
fechos importantes, sobretudo para formuladores de políticas de saúde e para os 
pacientes - exemplo: morte, status funcional, qualidade vida e custos do tratamento. 
Outros dois tipos de estudos experimentais são os ensaios de campo e os ensaios 
comunitários.
Propósito
Os ECR têm como objetivo testar o efeito de uma dada intervenção sobre uma deter-
minada doença/evento ou condição de saúde (desfecho). Esses ensaios clínicos ex-
planatórios costumam ser aplicados sob condições ideais e costumam avaliar 
eficácia. 
 Os ensaios clínicos pragmáticos também visam testar o efeito de determinada in-
tervenção sobre algum desfecho em saúde, no entanto são desenhados em con-
dições mais próximas à vida real, que por vezes sacrificam sua validade interna em 
troca de maior capacidade de generalização. Desta forma, quando as evidências 
encontradas em ensaios pragmáticos forem traduzidas para a prática (translação 
de conhecimento), é mais provável que se alcancem resultados parecidos aos en-
contrados no estudo. Em outras palavras, a validade externa destes estudos é muito 
maior do que aquela proveniente de ensaios explanatórios clássicos. A seguir apre-
sentamos algumas vantagens e desvantagens dos ensaios clínicos:
 
Vantagens Desvantagens
Melhor desenho para avaliar relação 
causa-efeito entre exposição e desfe-
cho, teoricamente não influenciados por 
variáveis de confusão - principalmente 
os ECRs.
Estudos mais caros.
Estudos que avaliam eficácia, com 
boa validade interna, mas nem sem-
pre generalizáveis (validade externa).
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Podem ser eticamente inaceitáveis, o 
que limita sua realização em algumas 
situações
Maior risco de perdas de seguimento, o 
que pode inviabilizar suas conclusões
Exemplo de ensaio clínico explanatório (ECR)
No artigo Effects of a simple home-based exercise program on fall 
prevention in older adults: A 12-month primary care setting, rando-
mized controlled trial, publicado em 2017 no periódico Geriatrics 
Gerontology International, Boongird et al. pretendiam investigar os 
efeitos de um “programa de exercícios no domicílio” sobre quedas, 
função física, medo de queda e qualidade de vida em ambiente de 
atenção primária. 439 idosos (65 anos ou mais) de uma clínica de 
atenção primária da Tailândia, com disfunção do equilíbrio mode-
rado, foram randomizados para intervenção com exercício (219) ou 
receberam “educação de prevenção de quedas” - controle (220), 
entre agosto de 2013 e março de 2015. Após 12 meses de segui-
mento houve redução no medo de queda, medido pela “Thai fall 
efficacy scale” (24,7 versus 27,0, p=0,003); não houve redução da 
incidência de quedas (0,75 - IC95% 0,55-1,04) e não houve diferen-
ça na função física e na qualidade de vida entre os grupos. Os autores 
concluíram que o “programa de exercícios no domicílio” teve impacto 
positivo no medo de queda e que novos estudos, talvez com maior 
tempo de seguimento, possam demonstrar os impactos do progra-
ma sobre o risco de quedas.
Boongird, C., Keesukphan, P., Phiphadthakusolkul, S., Rattanasiri, S., & Thakkins-
tian, A. (2017). Effects of a simple home-based exercise program on fall preven-
tion in older adults: A 12-month primary care setting, randomized controlled trial. 
Geriatrics & Gerontology International, 17(11), 2157–2163. doi:10.1111/ggi.13052 
Quasi-experimento
Quasi-experimento são estudos experimentais que não utilizam randomização para 
a alocação do grupo exposição. Costumam ser utilizados em situações em que a 
realização de um ensaio clínico randomizado não pode ocorrer, seja por motivos 
éticos ou práticos.
Dois tipos de estudos quasi-experimentais

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