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Ambiente Estuario 
 Um estuário, na geologia, é um ambiente de transição entre sistemas fluviais e 
marinhos, caracterizado pelo encontro das águas doces dos rios com as águas salgadas 
dos oceanos ou mares. Essa junção forma uma região de água salobra, com salinidade 
variável, altamente influenciada por marés, vazões fluviais e condições climáticas. Os 
estuários são ambientes geologicamente dinâmicos, marcados por intensa 
sedimentação, pois os rios transportam grandes volumes de sedimentos que, ao 
chegarem à foz e encontrarem a diminuição da velocidade da água, acabam sendo 
depositados. O mesmo ocorre com sedimentos trazidos pelo mar, o que resulta em 
áreas ricas em lamas, areias e matéria orgânica. Essa deposição contínua forma feições 
como planícies de maré, bancos de areia e ambientes associados como manguezais. 
Além disso, os estuários registram variações no nível do mar ao longo do tempo e são 
considerados importantes arquivos geológicos de mudanças climáticas e processos 
costeiros. Ecologicamente, esses ambientes têm grande importância por abrigarem uma 
biodiversidade rica e por servirem de berçário natural para várias espécies aquáticas. 
Assim, o estuário é um sistema complexo e essencial para o equilíbrio entre os 
ambientes continentais e oceânicos. 
 Exemplos: Baía de Guanabara, onde o Rio Meriti e Rio Iguaçu desaguam no atlântico 
Zona de Transição 
 Um estuário pode ocorrer em diferentes ambientes costeiros, como deltas, lagunas e 
áreas protegidas por barreiras, pois se trata de um ambiente funcional caracterizado 
principalmente pela transição entre águas doces e salgadas, e não por uma forma 
geológica fixa. A presença de um estuário depende da dinâmica de mistura entre o rio e 
o mar, e essa interação pode se dar em vários contextos morfológicos. 
 Nos deltas, por exemplo, o ambiente estuarino pode estar presente nos canais 
distributários que se ramificam na foz do rio. Esses canais conduzem água doce que, 
ao encontrar o mar, passa a se misturar com a água salgada, formando zonas 
estuarinas. Essa condição é comum em deltas amplos, como o do Rio Amazonas ou do 
Parnaíba, onde alguns braços do rio exibem variações de salinidade, influência das 
marés e sedimentação mista — características típicas de estuários. 
 Nas lagunas, que são corpos d'água costeiros parcialmente isolados do mar por 
cordões litorâneos ou bancos de areia, também é possível encontrar áreas estuarinas. 
Isso acontece quando um rio deságua dentro da laguna e esta, por sua vez, mantém 
alguma comunicação com o oceano, geralmente por meio de canais ou bocas. Nesses 
casos, a região onde ocorre a mistura da água fluvial com a intrusão salina forma um 
estuário funcional dentro do sistema lagunar. Um exemplo disso é a Lagoa dos Patos, 
no Rio Grande do Sul, onde há um contínuo entre o ambiente lagunar e o estuarino. 
 Já as barreiras costeiras, como restingas ou cordões arenosos, podem influenciar ou 
delimitar estuários ao formar baías ou enseadas parcialmente isoladas do mar aberto. 
Se um rio desemboca nessa área protegida e ainda houver uma conexão com o oceano, 
cria-se uma zona de transição estuarina entre o ambiente fluvial e marinho. Nessas 
situações, a barreira funciona como um elemento geológico que contribui para a 
proteção e estabilidade do estuário, como ocorre em regiões como a Baía de Sepetiba, 
no Rio de Janeiro. 
Maré 
 A influência da maré astronômica em geral é dominante tanto em intensidade como 
em frequência de ocorrência. A maré gerada globalmente pelas forças astronômicas – 
forças de atração gravitacional da lua e do sol, associadas à aceleração centrípeta – em 
regiões oceânicas é uma das principais forças geradoras dos movimentos e dos 
processos de mistura nos estuários 
 A classificação dos estuários de acordo com a maré baseia-se na amplitude vertical 
entre a maré alta e a maré baixa, e influencia diretamente a dinâmica hidrossedimentar, 
a morfologia e os processos ecológicos dos estuários. Essa classificação é dividida em 
quatro categorias principais: micromaré, mesomaré, macromaré e hipermaré. 
 Os estuários de micromaré apresentam amplitudes inferiores a 2 metros. Neles, a 
influência das marés é relativamente fraca, o que resulta em uma mistura limitada entre 
as águas doce e salgada. A morfologia desses estuários tende a ser mais estável, com 
canais mais profundos e estreitos, e com áreas restritas de planícies de maré. São 
comuns em regiões com baixa energia marinha, como partes do mar Mediterrâneo. 
 Nos estuários de mesomaré, a amplitude varia entre 2 e 4 metros. Nesse caso, as 
marés já exercem influência moderada sobre a circulação das águas e os processos 
sedimentares. A mistura entre as águas torna-se mais eficiente, e há formação mais 
significativa de planícies de maré, manguezais e bancos de areia. Esses estuários 
representam uma condição intermediária entre sistemas dominados por rios e sistemas 
dominados por marés. 
 Os estuários de macromaré apresentam amplitudes entre 4 e 6 metros, podendo 
chegar a 8 metros, dependendo do critério adotado. A ação das marés é intensa, 
dominando a hidrodinâmica estuarina e promovendo forte mistura das massas de água. 
A morfologia desses estuários costuma ser ampla e rasa, com canais móveis e grandes 
extensões de áreas intertidais. A energia do sistema é suficiente para transportar e 
redistribuir grandes volumes de sedimentos. 
 Por fim, os estuários de hipermaré (ou megamaré) são aqueles com amplitudes 
superiores a 6 ou 8 metros, alcançando, em casos extremos, mais de 15 metros, como 
na Baía de Fundy, no Canadá. Nessas regiões, as marés são extremamente vigorosas 
e controlam quase totalmente o comportamento estuarino. Correntes de maré intensas, 
ressuspensão constante de sedimentos, formação de ondas de maré (bores) e forte 
dinâmica dos canais são características marcantes desses ambientes. 
Padrão de diluição 
 O padrão de diluição em estuários refere-se à forma como a água doce, proveniente 
dos rios, se mistura com a água salgada do mar ao longo do estuário, definindo 
gradientes de salinidade e estruturas de circulação. Esse padrão depende 
principalmente da relação entre o volume de descarga fluvial e a intensidade das marés, 
além de fatores como a morfologia do estuário, os ventos e a profundidade do canal. A 
distribuição da salinidade e o grau de mistura da coluna d’água podem variar muito de 
um estuário para outro, e por isso os estuários são classificados conforme seu padrão 
de estratificação e diluição salina. 
 Nos estuários estratificados, também chamados de estuários de cunha salina, 
predomina uma forte descarga fluvial e uma fraca influência das marés. A água doce flui 
em uma camada superficial, enquanto a água salgada, mais densa, forma uma cunha 
que avança na base do estuário, sem muita mistura vertical. A transição entre as duas 
massas de água é bem marcada, e a salinidade aumenta abruptamente com a 
profundidade. Esse padrão ocorre geralmente em estuários profundos, com grande 
aporte fluvial e em regiões de marés fracas. 
 Já nos estuários parcialmente misturados, a descarga fluvial e a força das marés 
apresentam magnitudes mais equilibradas. A mistura entre as águas doce e salgada é 
mais significativa, e a salinidade varia tanto na vertical quanto na horizontal. Há uma 
estratificação moderada da coluna d’água, e a transição de salinidade é mais gradual. 
Estuários desse tipo são bastante comuns ao redor do mundo e caracterizam zonas 
dinâmicas, com circulação estuarina bidirecional: a água doce flui para o mar pela 
superfície, enquanto a água salgada entra pela base. 
 Nos estuários bem misturados, a ação das marés é muito intensa e domina sobre o 
fluxo fluvial. Isso resulta em uma homogeneização vertical da coluna d’água, com 
salinidade praticamente constante ao longo da profundidade, embora ainda haja um 
gradiente longitudinal— com água mais doce no interior e mais salgada em direção à 
foz. Esses estuários geralmente são rasos e largos, e sua dinâmica é controlada 
principalmente pelas correntes de maré, que promovem mistura contínua e 
redistribuição de sedimentos. 
 Existe ainda o estuário inverso, encontrado em regiões áridas ou semiáridas, onde 
a evaporação supera a entrada de água doce. Nesse tipo de estuário, a salinidade 
aumenta no sentido do continente, ou seja, o padrão de salinidade é invertido em 
relação ao normal. A água do mar avança para o interior do estuário e, com a perda de 
água por evaporação, torna-se mais salina. Essa condição é típica de estuários com 
baixa vazão fluvial e grande exposição à radiação solar. 
Divisões do estuário 
 Os estuários podem ser divididos em diferentes zonas ou regiões, cada uma com 
características distintas de salinidade, circulação de água e dinâmica sedimentar. Essas 
divisões são comumente descritas em termos de sua proximidade com o rio e com o 
mar, e cada região apresenta uma variação nas condições ambientais, incluindo o 
gradiente de salinidade. A salinidade varia consideravelmente de uma região para outra 
dentro de um estuário, e essa variação é influenciada pela interação entre as águas 
doces do rio e as águas salgadas do mar, além das marés e da topografia local. 
 A zona do rio é a região mais interna do estuário, onde a influência das águas fluviais 
é predominante. Nessa área, a salinidade tende a ser baixa, muitas vezes quase doce, 
especialmente nos períodos de maior aporte de água doce. A descarga fluvial dilui 
fortemente a água salgada, e os processos de mistura são limitados devido à distância 
da embocadura e à pouca interferência das marés. A salinidade aqui pode ser mais 
variável, dependendo da estação do ano e das chuvas, mas, de maneira geral, é mais 
baixa do que nas regiões mais próximas ao mar. 
 Seguindo em direção à zona montante, a salinidade começa a aumentar 
gradualmente à medida que a água doce do rio ainda predomina, mas a influência das 
marés já começa a ser notada. Embora ainda haja uma maior proporção de água doce, 
a mistura com a água salgada se intensifica. A salinidade aumenta conforme se 
aproxima da região intermediária, especialmente durante marés altas, quando a água 
salgada penetra mais profundamente no estuário. Nessa área, a salinidade pode 
apresentar flutuações significativas dependendo da intensidade das marés e da 
quantidade de água doce aportada pelo rio. 
 A zona superior do estuário é uma região de transição, onde a influência tanto da 
água doce quanto da água salgada é mais equilibrada. Aqui, a mistura de águas é mais 
evidente, e a salinidade varia de forma mais gradual, tanto na vertical quanto na 
horizontal. Em alguns estuários, essa região pode apresentar uma estratificação 
moderada, com uma camada de água doce flutuando sobre a água salgada mais densa. 
No entanto, a influência das marés pode ser significativa o suficiente para promover 
alguma mistura vertical, resultando em uma distribuição de salinidade menos 
pronunciada, mas ainda com um gradiente de salinidade ao longo do estuário. 
 Na zona intermediária, a salinidade continua a aumentar à medida que a água 
salgada começa a dominar mais fortemente, especialmente durante as marés altas. A 
mistura entre as massas de água se intensifica, e a transição de água doce para água 
salgada torna-se menos evidente. A salinidade pode ser bem variável aqui, mas de 
forma geral, essa região tende a ter salinidades mais altas do que as zonas mais 
internas do estuário, especialmente durante os períodos de maré alta. 
 Na zona inferior, ou região inferior, a influência da água salgada do mar é 
predominante. Aqui, a água do rio já não tem tanta força para diluir a salinidade, e a 
salinidade é mais constante ao longo da profundidade. Essa área é mais afetada pela 
dinâmica das marés, o que resulta em variações periódicas da salinidade, mas de forma 
menos pronunciada na vertical. A salinidade é geralmente mais alta nesta região, mas 
ainda pode haver gradientes horizontais, com uma concentração maior de sal próximo 
à embocadura do estuário. 
 Por fim, a embocadura do estuário, que é a região mais próxima do mar, apresenta 
salinidades mais altas, próximas à salinidade do oceano, devido à constante troca de 
águas com o mar. A salinidade nesta região pode ser muito estável, com pequenas 
variações provocadas pelas marés, mas em sua maioria, a água é salgada. A troca de 
água entre o estuário e o oceano é mais intensa na embocadura, e a influência das 
marés é máxima, promovendo uma circulação contínua de água e uma mistura eficiente 
das massas de água doce e salgada. 
Geomorfologia 
 Fiordes: foram formados durante o Pleistoceno, nas regiões que estavam cobertas 
por calotas de gelo, devido à intensa escavação glacial na planície costeira ou próximo 
à plataforma continental. A pressão dessas calotas nos blocos continentais e os efeitos 
erosivos durante o descongelamento aprofundaram os vales dos rios primitivos e 
deixaram um fundo rochoso na entrada, denominado soleira, que restringe a circulação 
estuarina. A descarga fluvial na primavera e no verão é dominante sobre o prisma de 
maré e nos meses de inverno é muito pequena ou ausente. São ambientes localizados 
em latitudes altas e comuns no Alasca, Noruega, Chile e na Nova Zelândia. Têm seção 
transversal aproximadamente retangular e são profundos, de até 1.200 m. 
 Planície costeira: Os estuários que são típicos de regiões de planície costeira 
formaram-se durante a transgressão marinha do Holoceno, que inundou os vales 
fluviais. São relativamente rasos, raramente excedem 30 m de profundidade e, em geral, 
estão localizados em regiões tropicais e subtropicais, podendo-se citar os estuários dos 
rios Japaratuba, Sergipe, Vasa Barris e Piauí no estado de Sergipe e do rio Hudson, em 
Nova York 
 Em forma de barra: São estuários também formados com a inundação de vales 
primitivos de rios durante a transgressão marinha, mas a sedimentação recente 
ocasionou a formação de barras na desembocadura. Em geral são rasos, com 
profundidades não superior a 20-30 m, e podem apresentar canais e lagunas extensas 
no seu interior. O rio ou sistema fluvial que alimenta esse estuário apresenta descarga 
variável de acordo com as estações do ano e pode transportar elevada concentração 
de sedimentos em suspensão, ocasionando alterações sazonais na geometria da foz. 
Esse tipo de estuário geralmente ocorre em regiões tropicais, sendo referido na literatura 
regional brasileira pela terminologia sistema ou complexo estuarino-lagunar, como o da 
região de Cananeia-Iguape e o sistema estuarino de Santos, ambos localizados no 
litoral do Estado de São Paulo. 
 Restantes: São formados por outros processos costeiros, tais como: falhas 
tectônicas, erupções vulcânicas, tremores e deslizamentos de terra. Nessa categoria 
estão incluídos os estuários cuja morfologia foi alterada por processos de sedimentação 
recente como os deltas de enchente e de vazante, dominados pela maré e pela 
descarga fluvial, respectivamente. A classificação dos estuários de acordo com a 
estratificação vertical de salinidade permite estabelecer qualitativamente as principais 
características da circulação na zona de mistura, abrangendo a grande maioria dos 
estuários de planície costeira. Assim, temos os seguintes tipos de estuários