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“Neste trabalho julgamentos e diferenciações entre “o bem ou o mal”, assim como ideias de 
“certo ou errado”, “inclusão ou rejeição”, “melhor ou pior”, ou ainda a diferença entre “vida e 
morte”, deixaram de ter separação. A separação não existe quando se apropria de uma 
consciência maior, em uma dimensão espiritual. Esta consciência maior é uma 
consciência criativa que cria tudo e está sempre em movimento”. 
Bert Hellinger 
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1. O QUE SÃO CONSTELAÇÕES FAMILIARES? 
 
 
As constelações são um serviço à vida, nos permitem descobrir a dimensão 
oculta que direciona nossas decisões, emoções e destinos. Graças a estas tomadas de 
consciência, somos capazes de reorientar nosso dia-a-dia para mais vida, mais saúde, 
mais amor. 
Permitem uma abertura da consciência que, por sua vez, cura a nossa vida. 
Ajuda-nos a estarmos mais vivos, na força e na responsabilidade do adulto, a estarmos 
centrados, no respeito e na gratidão. E, com, isso, nossas vidas começam a mudar. É 
uma ferramenta baseada na representação de outros, sem saber nada sobre eles, a 
partir de um centramento interno, apenas impulsionados por um lento e silencioso 
movimento, permite uma cura profunda, frequentemente rápida, de qualquer sofrimento 
de nossa vida. 
Quanto ao processo em si: o cliente escolhe, dentre os participantes de um 
grupo, representantes para os membros de sua família que são importantes: pai, mãe, 
irmãos, etc. Então, concentrado e a partir de seu sentimento interno coloca-os, uns em 
relação aos outros. Os representantes que foram escolhidos colocam-se à disposição. 
Isso é um serviço para o cliente. Tão logo os representantes estejam na constelação, 
sentem como as pessoas que representam. A partir daí vem à luz cada passo para um 
solução, quando existe uma solução. 
É importante que todos saibam, inclusive o cliente, que se trata de um processo 
vivo, no qual se exige dele um passo de crescimento. Por isso, depende também de que 
ele seja suficientemente forte e corajoso para expor-se a isso. 
 
 
 
2. INFLUÊNCIAS E EVOLUÇÃO DO TRABALHO DE BERT HELLINGER 
 
 
Inicialmente, a própria pessoa de Bert Hellinger nos fascina. É possível verificar 
sua força e sabedoria além de uma profunda sensibilidade para as dinâmicas e leis de 
relacionamentos, bem como para seus os efeitos. 
Bert Hellinger nasceu na Alemanha em 1925. Com 20 anos se preparava para 
ser padre. Como padre ele foi viver entre os Zulus na África do Sul, lá permanecendo 
durante 16 anos, atuando também como diretor de escola. Nesta época vê-se diante 
dos costumes e dos rituais do povo Zulu. Estudou pedagogia e teologia. 
A partir de sua experiência com a Terapia Primal (Terapia baseada na 
respiração e no corpo), ficou claro para Bert Hellinger que os vínculos familiares não se 
constroem apenas pelas vivências marcantes da criança com as pessoas de suas 
relações imediatas. Carregamos em nosso sentimento vivências de outras pessoas e, 
quando são revelados os destinos dessas
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pessoas, às vezes totalmente desconhecidas para nós, esses nossos sentimentos 
deixam de valer como expressão de algo que pessoalmente vivenciamos. 
Após um tempo, Bert entra em contato com a Análise Transacional da Gestalt, 
com a Terapia Sistêmica e Constelações Familiares de Ruth McClendon e Leslie Kadis, 
passando também pela Programação Neurolinguística, Terapia Provocativa (de Frank 
Farelly) e Terapia do Abraço (de Irena Precop). Hoje Hellinger se diz filósofo e recebe 
influência dos trabalhos de Martin Heidegger. Ele qualifica seu trabalho como 
fenomenológico e como um caminho de crescimento da alma. E embora tenha efeitos 
terapêuticos, ele não utiliza mais a constelação como terapia, no sentido próprio da 
palavra. 
 
 
 
2.1. Evolução do processo: A constelação 
 
 
O termo original desta abordagem é “Familienaufstellung”, cujo sentido literal seria 
“colocar a família na posição”. Portanto, constelar consiste em posicionar as pessoas em 
lugares específicos nos espaços. 
No início Hellinger apenas constelava de duas formas: Uma era a constelação de 
sua família de origem (irmãos, pais, avós, etc.) e a segunda de sua família atual 
(cônjuge, filhos, netos). Os participantes dos grupos sentavam-se ao seu lado e 
escolhiam representantes para os membros de sua família. O próprio cliente 
posicionava os representantes no espaço, e Hellinger fazia as intervenções 
necessárias, reposicionando algum representante e sempre perguntando como cada um 
se sentia. Depois se encerrava a constelação e o cliente seguia com esta imagem final. 
Porém, com o passar do tempo, Hellinger observou que os representantes 
possuíam movimentos corporais e que, quando eles seguiam estes movimentos algo se 
revelava, eram informações do sistema da pessoa que estava constelando. A esses 
movimentos ele chamou de movimentos da alma. Nesse instante, a postura do 
constelador começou a mudar, não havia tanta interferência nos movimentos dos 
representantes. Apenas se observava junto ao cliente a próxima informação a ser 
revelada até surgir uma possível solução. 
A partir do encontro com Sophie Hellinger, sua atual esposa, as constelações 
mudaram totalmente o formato. Sophie trouxe uma visão mais espiritual às 
constelações, desenvolvendo trabalhos de percepção energética, como o trabalho que 
ela desenvolve chamado Cosmic Power e as novas constelações espirituais ou mediais. 
Nesta nova constelação, o facilitador se torna um observador junto com o cliente, em 
total sintonia com a força que atua nos campos da constelação. Criou-se a Hellinger 
Sciencia, como a Ciência dos Relacionamentos e também a 
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Hellinger Schule (Escola Hellinger). Hoje a Hellinger Sciencia e a Hellinger Schule está 
espalhada em diversos países, tendo sua sede na Alemanha. 
 
 
 
3. COMPREENSÃO SISTÊMICA – O SISTEMA FAMILIAR 
“Quanto maior nossa consciência do todo, mais a nossa ação beneficia este todo”. 
Peter Senge “A meta do sistema familiar é transmitir a vida. Toda a energia do campo 
do sistema familiar é 
dirigida a transmissão e manutenção da vida. Toda desordem se tem que ir 
compensando para 
que a energia do sistema esteja totalmente dedicada à vida”. Brigitte C. Ribes. 
 
 
A terapia e o desenvolvimento pessoal se manifestam em diferentes níveis, que 
podemos pensar em termos de ego e de alma. No plano do ego, todos temos nossas 
histórias: "Meu marido me enganou" - "Tenho um filho problemático" - "Minha mãe é 
responsável pelo suicídio do meu pai". Temos o hábito de enxergar de um lado as 
vítimas e do outro os agressores. As vítimas são inocentes, enquanto os agressores são 
responsáveis pelo sofrimento que causaram, consequentemente eles devem ser 
censurados e punidos. 
Nossas histórias são as ideias que formamos sobre o que se passou. As 
constelações familiares buscam com amor, e sem qualquer julgamento, aquilo que 
realmente aconteceu. Tentam trazer à tona a estrutura do campo de energia familiar, 
que levou os membros de uma família a se tornarem agressores ou vítimas, a ficarem 
com problemas mentais ou doentes, e levar a cura a essa estrutura. As perguntas se 
tornam sistêmicas: "O que se passou na minha família ou na do meu marido que o levou 
a me trair? O que se passa entre mim e meu marido, ou em nosso campo de energia, 
para que meu filho seja tão problemático? O que se passou na família do meu pai que 
possa explicar por que ele se suicidou?" 
 
 
 
3.1. Quem pertence ao Sistema? 
 
 
- O filho e seus irmãos (inclusive natimortos, abortos, meio-irmão). 
- Os pais e seus irmãos (inclusive mortos, natimortos, abortos, meio-irmão, nascidos 
fora do casamento). 
- Os avós e às vezes seus irmãos. 
- Eventualmente um ou outro dos bisavós. 
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- Pessoas sem laço parentesco que tenham cedido lugar a outros no grupo familiar, 
como: parceiros anteriores dos pais ou dos avós;todos cuja desgraça ou morte tenha 
resultado em vantagem para outras pessoas do grupo familiar (exemplo: Guerras, 
Homicídios, Engano, Roubos, etc.) 
 
 
 
3.2 Prática do Olhar Sistêmico 
 
 
A filosofia das constelações deve ser levada à vida diária, para que possamos 
estar totalmente em sintonia com a consciência espiritual e o amor do espírito. Para isso 
podemos começar a praticar ao nosso redor o olhar sistêmico. 
 
- Com os que dão raiva, diga: “Em ti me encontro, deixo contigo sua responsabilidade e 
honro teu destino, é tão necessário como eu”. 
- Com os que dão medo: Sinta teus pais e os pais destas pessoas, honra à quem estão 
seguindo e a quem você está seguindo. Diga: “Sou como você”. Assim somos 
lembrados e amados pelo sistema. 
- Com os que dão pena: Honra o seu destino, seu sistema e seu caminho de 
purificação. Honra o antepassado que está seguindo. Toma o sofrimento em teu 
coração e se faça pequeno diante deles. 
- Com os excluídos e marginalizados: “Os incluo em meu coração, honro teu destino, 
honro o excluído que segue”. 
 
 
 
4. FENOMENOLOGIA 
 
 
Hellinger baseia as constelações na fenomenologia, uma corrente filosófica cuja 
premissa é que a experiência deve ser descrita simplesmente como ocorre, sem 
analisá-la ou interpretá-la com crenças ou juízos prévios; quer dizer, mediante a 
observação pura do fenômeno, livre de intenções, a partir de um vazio interno (ou um 
centramento) do observador. Na fenomenologia, as coisas são vistas tal como são. 
Durante a constelação nos encontramos com um fenômeno muito particular: os 
representantes encontram acesso a um conhecimento que em princípio só pode ser 
conhecido pelas pessoas diretamente interessadas. Em outras palavras: os 
representantes percebem 
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sentimentos e relações das pessoas que estão representando. Este fenômeno ocorre 
em todas as constelações. 
 
Hellinger qualifica a constelação como "fenomenológica". O que ele quer dizer com isso? 
 
 
“Na fenomenologia, procuro perceber o essencial dentre a grande variedade dos 
fenômenos, na medida em que me exponho totalmente a eles, com minha máxima 
abertura. Coloco-me à disposição em um contexto maior sem compreendê-lo. Coloco-
me a ele sem a intenção de ajudar e sem a intenção de provar nada. E enquanto 
mantenho esta postura, algo, como um relâmpago, sai à luz e surge então, a 
compreensão daquilo que estava além do fenômeno em si. O constelador permite ser 
guiado por um movimento do espírito em todo o caminho e a cada passo. Este 
movimento nos guia para saber com quem podemos trabalhar, até onde podemos ir e 
quando precisamos parar” Bert Hellinger 
Hellinger explica: "A serenidade e a lucidez diante dos acontecimentos tornam-
se possíveis pelo fato de 'aceitar o mundo como ele é', sem intenção de fazê-lo mudar. 
Não pretendo atingir um conhecimento superior e não espero realizar nada mais do que 
aquilo que as forças internas, já funcionando dentro do sistema, realizariam sozinhas. 
Quando testemunho um acontecimento terrível, esse é também um aspecto do mundo, 
e eu aceito isso. Quando vejo algo de bom, eu também aceito isso. Dou a essa postura 
o nome de 'humildade': é o fato de aceitar o mundo tal como ele é. Só essa aceitação 
torna possível a percepção. Sem ela, os desejos, os medos, os julgamentos (as 
construções do meu espírito), interferem na minha percepção." Essa postura está na 
origem dos movimentos de onde decorre a harmonia. 
 
 
 
4.1. Postura Fenomenológica 
 
 
As constelações familiares são resultado da atitude fenomenológica. Vista a 
partir da filosofia, significa que alguém se retrai e que está sem intenção, sem medo e 
sem amor, no sentido de que queira ajudar alguém de qualquer maneira. O 
acontecimento em si, fica fora do facilitador, acontece algo fora dele, portanto nessa 
atitude ele não interfere. Portanto não existe um método. 
Para Bert o conhecimento pode chegar através do caminho fenomenológico, que 
ele descreve nas seguintes etapas: 
- O primeiro passo deste caminho é: eu esqueço tudo o que já foi dito antes sobre o 
problema. Seja lá o que é ou foi dito, eu esqueço. 
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- O segundo é que me exponho a uma situação do cliente sem nenhuma intenção. A 
intenção de ajudá-lo, por exemplo, me impediria de perceber realmente. 
- O terceiro é: permanecer sem medo. Não sentimos medo do que se revela e nem do 
que as outras pessoas dirão. Aqui temos uma força extra. 
A partir desta postura, que também pode ser chamado de caminho da purificação, é 
possível que algo se revele, então este conhecimento é receptivo ao invés de ativo. 
 
Meditação: Imaginar alguém por quem gostaríamos de fazer algo, alguém que nos 
preocupamos, por ex. Expomo-nos a essa pessoa a uma certa distância, uma ampla 
distância, sem nenhuma intenção, sem preocupações, sem lamentá-la, sem medo, sem 
receio daquilo que talvez possa acontecer. Permanecemos nesta postura. Vemos o que 
se modifica nesta pessoa e em nós. O modo como entramos em sintonia com algo 
maior, para além de nossas preocupações. Em seguida, olhamos para além desta 
pessoa, para seu destino, para bem longe. Centrado, presente. Dizemos SIM e após um 
tempo Por Favor. 
 
 
 
Texto complementar: O método fenomenológico, por Jakob Robert Schneider 
 
 
Com que realidade lidamos nas constelações? Até que ponto uma constelação é 
verdadeira? Sem pretender aqui entrar em discussões epistemológicas, gostaria de 
esclarecer alguns conceitos fundamentais sobre realidade, verdade e método de 
conhecimento, que estão na base das constelações familiares. 
Como “realidade”, entendemos tanto o mundo dos fenômenos, portanto dos fatos, 
quanto nossa interpretação desses fenômenos. A realidade se “mostra” a nós através de nossa 
percepção, por meio da qual nos relacionamos com ela. De acordo com o ponto de 
vista, a realidade, isto é, o que atua, pode deparar-se conosco de formas muito 
diversas. Nas constelações observamos os representantes, seus movimentos, palavras, 
emoções e seus efeitos sobre a constelação, o cliente, o grupo, o terapeuta. Não 
observamos a família em si mesma, pois ela só comparece na pessoa do cliente e, 
mesmo nele, num contexto anímico muito complexo. 
O método da constelação parte do pressuposto de que o mundo 
existe 
independentemente da consciência e que as informações que nos proporciona não são 
arbitrárias ou apenas “subjetivamente construídas”, embora nos sejam acessíveis através de 
nossa experiência, e apesar de sabermos o quanto a observação condiciona o 
observado. Podemos descrever a descoberta da verdade como um processo no qual 
tanto o observador 
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quanto a realidade observada aportam elementos separados, que se unem no processo 
da percepção. Na percepção confluem o acontecimento – do qual não podemos dispor 
– e o entendimento que constrói o significado. 
Então como podemos entender a relação que as constelações têm com a realidade? 
Seguramente, não no sentido de que as constelações simplesmente 
reproduziram os acontecimentos e as relações na história de uma família como num 
filme documentário. Não se trata de uma concordância entre realidade objetiva, a nossa 
língua e o nosso conhecimento. Algo se condensa em imagens e palavras, permitindo 
que a realidade, que antes estava oculta, apresente-se à nossa experiência. 
O próprio Bert Hellinger, apoiando-se em Heidegger, evoca o antigo conceito 
grego da verdade, a alétheia ou o “não-oculto”. Através das constelações vem à luz algo da 
realidade de um sistema de relações ou de um acontecimento. Algo se mostra 
“espontaneamente”, mas apenas de uma forma que podemos perceber, dentro dos 
condicionamentos de nossa consciência. 
O método fenomenológico é aquele que nos permite perceber uma realidade 
complexa. A fenomenologia consiste, de modo geral, em perceber e descrever a 
realidade em suas manifestações. Num sentido filosófico mais apurado,a 
fenomenologia se refere a uma forma de experiência na qual a realidade, através de 
sua manifestação, dá-se a conhecer em sua estrutura, em sua essência mais profunda. 
Para proceder fenomenologicamente nas constelações, não nos basta apenas 
contemplar os fenômenos. É preciso que uma estrutura mais profunda dos fenômenos 
seja percebida pelos observadores e faça sentido para eles, de modo que os 
fenômenos também sejam entendidos em linguagem das imagens. O que assim se 
mostra nas constelações, só se pode ser comprovado por sua concordância com as 
informações sobre a família em questão, por seus efeitos sobre o cliente e sua família e 
por permitir que outras pessoas vejam, num relance, o que estava oculto. 
Não podemos deixar de olhar para os fenômenos, embora saibamos como essa 
visão é sujeita a fantasias, interpretações erradas, falsas conclusões, meras 
associações, construções e erros. No trabalho com as constelações, o terapeuta precisa 
ser extremamente reservado em sua percepção, no que toca aos seus próprios 
condicionamentos, à sua interpretação e ao seu modo de agir, para que possa vir à luz 
uma realidade significativa para o cliente. Isso requer dele constante treino, ânimo 
intrépido, liberdade com respeito a ideias e preconceitos e isenção de intenções diante 
daquilo que se mostra como uma realidade. 
10 
 
Texto Complementar: Fenomenologia, por Bert Hellinger 
 
 
A fenomenologia é um método filosófico. Para mim a fenomenologia significa: Eu 
me exponho a um contexto mais amplo sem compreendê-lo. Eu me exponho a esse 
contexto sem a intenção de ajudar e também sem a intenção de provar nada. Eu me 
exponho sem medo do que poderá vir à luz. Tampouco tenho medo de que algo 
assustador venha à tona. Eu me exponho à tudo assim como se apresenta. 
Diante de uma constelação, eu olho para todos, também para os ausentes. 
Tenho todos na minha frente. E, então, exposto a esse quadro, de repente reconheço o 
que está por trás do fenômeno. Por exemplo: De repente, posso ver numa constelação, 
que uma criança foi assassinada. É algo que não é visível. Aparece subitamente através 
das observações dos fenômenos. E vem à luz. Essa é uma abordagem fenomenológica. 
Ela não está ligada a nenhuma escola e tampouco pode constituir uma escola, 
pois não se trata de adotar algo de outra pessoa. Aprende-se aqui apenas a se ajustar 
aos fenômenos e a se expor a eles, interiormente, livre de intenções e medo. Então 
cada um de nós vai viver a experiência de uma súbita iluminação. 
Normalmente os esclarecimentos vêm depois da experiência. Vou dar um 
exemplo do que é a fenomenologia. Antigamente, eu fazia, em meus cursos, exercícios 
em grupos de seis pessoas. Cinco participantes se sentavam em semicírculo e o sexto 
se sentava de frente para os outros. Os cinco tinham de contemplar o sexto com a 
atenção voltada para o todo, contemplando-o com amor, assim como ele era, até que 
conseguissem captar algo sobre ele. Nesse momento, cada um deles aprendia algo 
essencial sobre essa pessoa, e lhe comunicava isso. Dessa forma a pessoa que fora 
contemplada também se transformava diante dos próprios olhos. Isso quer dizer que a 
percepção não é somente receptiva. Ela cria um campo de energia que tem um efeito 
externo. 
Nesse exercício podem-se reconhecer algumas leis da fenomenologia. A 
primeira é que preciso amar as pessoas cuja verdade quero conhecer. Aceitá-las seja 
qual for o destino delas, sua família e seus problemas. A segunda é a necessidade de 
um certo distanciamento. Quem se precipita neste trabalho – e muitos dos que querem 
ajudar se precipitam – não consegue perceber nada. A grande intimidade que decorre 
desse tipo de percepção só é possível à distância. Ela não é possível quando se está 
próximo. Ela não tem intenção pessoal e só leva em conta o que existe e o que surte 
efeito. Nada mais. 
Quando estou diante de alguém que não conheço, é mais fácil olhar essa 
pessoa com amor. Amar não significa que eu queira alguma coisa dele, mas que eu o 
aceito tal como ele é. Sem julgamentos. Quem olha assim as árvores, acha toda árvore 
bonita, seja como ela for. Não 
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existe outra possibilidade. Isso acontece também com os seres humanos. Isso é amor: 
o reconhecimento do que é belo e bom tal como é. 
Com essa atitude nos ligamos a forças de percepção totalmente diferentes, com 
forças que causam um efeito. Como as forças de crescimento, por exemplo. Se a partir 
desse tipo de percepção chego a uma solução para um cliente, o efeito é imediato. Vê-
se como os semblantes se iluminam. 
Às vezes não sei se captei a coisa certa. Então eu faço uma experiência. Se não 
ocorrer mudanças na fisionomia, tudo o que eu disse foi em vão, mesma que pareça ter 
sentido. Assim que o semblante ilumina, sei que acertei o alvo. Algo se pôs em 
movimento. Eu estava em harmonia com as forças positivas naquela pessoa. Ela entra 
em contato com essas forças e eu não tenho mais nada a fazer. 
Nós concebemos uma coisa somente em oposição a outra. Nossa consciência é 
totalmente dialética. Mas, na dialética, também aquela de Hegel, a antítese acaba, pelo 
menos em parte, com a tese, na medida em que revela sua deficiência. No pensamento 
estruturado dialeticamente, o perigo é que, ao se conhecer a estrutura, existe desde o 
início, o receio de que o pensamento demonstrado se revele relativo. Pensar na 
possibilidade de que o oposto possa ser verdadeiro diminui a viabilidade da tese. Se eu 
interpretar o amor como o contrário do ódio e der a ambos o mesmo peso no mundo, 
então o amor fica relativizado pelo ódio. Para poder ver claramente um deles, somos 
obrigados a separar um do outro. 
Na fenomenologia é diferente. Não se trata de um pensamento dialético. Vejo os 
opostos como uma unidade, o bom e o mau ou movimentos políticos opostos. Com isso 
chego a uma afirmação que não permite contradição. Quando eu procedo 
fenomenologicamente e me exponho a uma realidade como ela é, renuncio à liberdade 
de pensar ou querer qualquer coisa. Eu me submeto à realidade tal como ela se 
apresenta. Na medida que eu me submeto, passo a ter liberdade de ação. 
A nossa liberdade é limitada. Posso escolher entre vários caminhos diferentes, 
mas para onde eles me levam, isso é predeterminado. Por exemplo, posso infringir uma 
ordem básica, mas não tenho poder sobre as consequências. Elas são 
predeterminadas. Liberdade significa aqui reconhecer que não posso esquivar-me das 
consequências do meu comportamento. Se faço isso, tenho a capacidade de agir. 
Sem dúvida posso pensar no que quiser. Mas, depois de ter jogado com todas 
as possibilidades, quanta energia me resta para poder agir? Se, pelo contrário, procedo 
fenomenologicamente e, de repente, vejo e identifico o essencial, tenho força e espaço 
para agir. Dentro desse espaço eu me sinto livre. 
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5. OS LIMITES DA CONSCIÊNCIA DENTRO DAS CONSTELAÇÕES: PESSOAL, 
FAMILIAR E ESPIRITUAL 
 
Cada um de nós se movimenta dentro de um determinado campo de informação. 
O primeiro campo é o da nossa família. A consciência nos diz o que temos que fazer 
para pertencer a este campo, se fizermos isso, temos consciência boa, tranquila, ou 
seja, teremos certeza que faremos parte. Porém, se me comporto de uma forma que 
pode colocar em risco este pertencer, sinto a consciência pesada e essa consciência 
nos força a mudar nosso comportamento de forma que possamos pertencer ao campo 
novamente. 
A natureza do nosso campo familiar é determinada pela história da nossa família: 
sua religião, suas crenças, país de origem, etc. Essa natureza é moldada por 
acontecimentos marcantes, como a história dos relacionamentos dos pais e dos avós, 
morte de uma criança muito nova, aborto, parto prematuro, adoção, suicídio, guerra, 
exílio forçado, troca de religião, incesto, antepassado agressor ou vítima, traição, ou 
mesmo a confiança. As ações generosas e altruístas de nossos pais e de nossosantepassados são saudáveis para nós, enquanto suas más ações modificam o campo 
familiar, obrigando as gerações posteriores a uma compensação. 
Para Hellinger, a consciência é o órgão de equilíbrio sistêmico que nos avisa 
sobre se o “movimento” (conduta, atitude, opinião) que estamos fazendo nos afasta ou 
não de nosso sistema, neste caso familiar. É como um sensor que nos sinaliza quando o 
direito de pertencer a um grupo corre perigo. Portanto, nesse contexto, a boa consciência 
significa apenas: “Posso estar seguro de que ainda pertenço ao meu grupo.” E a má 
consciência significa: “Receio não fazer mais parte do grupo. Assim, a consciência pouco 
tem a ver com leis e verdades universais, mas é relativa e varia de um grupo para outro”. 
Bert Hellinger aponta três campos espirituais de consciência: Consciência 
Pessoal, Consciência Coletiva e Consciência Espiritual. Cada qual com seu alcance, 
funcionamento e ordens. 
A Consciência Pessoal é regida pela dinâmica “culpa e inocência” permeando 
conceitos de moralidade, baseado no “certo e errado”, a qual está diretamente ligada a 
valores familiares e à educação recebida. É estreita e tem seu alcance limitado. Pois, 
através de sua diferenciação entre bom e mau, só reconhece para alguns o direito de 
pertencer, excluindo os demais. Experimentamos a consciência pessoal como boa e má 
consciência. Sentimo-nos bem quando temos boa consciência e mal quando temos má 
consciência. Isso significa que ela cuida para que fiquemos conectados com essas 
pessoas e grupos. Ela assegura nossa sobrevivência. 
Na Consciência Coletiva, a consciência deixa de ser pessoal e passa a estar 
ligada ao grupo. Aqui se faz presente um poder de atuação inconsciente, o poder da 
alma do grupo e 
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apenas sentimos seus efeitos. Este poder cobra qualquer desrespeito para com o 
grupo, em relação às forças de vínculo, hierarquia e compensação (Ordens do Amor). É 
mais ampla, defendendo também os interesses daqueles que foram excluídos pela 
consciência pessoal. 
Contudo, a consciência coletiva também tem um limite porque abrange somente 
os membros dos grupos que são governados por ela. É uma consciência poderosa e 
seus efeitos são mais fortes do que os da consciência pessoal. Está a serviço da 
sobrevivência do grupo inteiro, mesmo que para isso alguns precisem ser sacrificados. 
Nesta Consciência, o princípio da ordem é determinante e os membros que 
chegam por último aos sistemas são escolhidos pelos emaranhados sistêmicos. Assim, 
o membro familiar posterior que vive agora responde pelos membros anteriores, que já 
morreram. Na justiça da Consciência Coletiva, quem veio depois, está a serviço das 
forças do vínculo e pertencimento, independente da vontade e compreensão. 
Assim, “culpa e inocência” são dois lados da mesma moeda que se encontram a serviço 
das Ordens do Amor, em suas diferentes instâncias de consciências: pessoal, coletiva e 
espiritual. No vínculo, a culpa é experimentada como exclusão e distância, e a inocência 
como conforto e proximidade. Na ordem, a culpa é vivida como transgressão e medo de 
punição e a inocência como retidão e lealdade. No equilíbrio entre o dar e tomar das 
relações, a culpa é sentida como obrigação e a inocência como liberdade ou 
reivindicação. 
A Consciência Espiritual nos conduz para além dos limites. Supera as 
limitações das outras duas consciências, limitações estas que surgem através da 
diferenciação entre bom e mau e da diferenciação entre pertencimento e exclusão. Ela 
também estrutura a filosofia de Bert sobre a aceitação incondicional do outro e das 
coisas tal como são, se baseando no amor que tudo une, sem preconceitos, 
julgamentos ou controle. 
Aqui, reside o amor do espírito e o movimento do espírito, do qual Bert se refere. 
Para o amor do espírito não existe mais ou menos pertencimento, nenhum direito maior 
ou menor de pertencer, para ele, nada vai mais além do existir presente. O amor do 
espírito se mantém em movimento criador, presente em tudo. Percebemos nossa 
sintonia com este amor quando entramos em contato com o assentir à vida como é e a 
todos como são. 
O movimento do espírito é diferente do movimento da Consciência Pessoal, na 
qual culpa e inocência se encontram presentes. Nossa sintonia com a Consciência 
Espiritual é reconhecida quando nos encontramos na calma, centrados; e sentida 
quando estamos em paz. Ela gera leveza. Seguir esta consciência exige grande esforço 
espiritual, pois ela nos afasta da obediência aos ditames da nossa família, religião, 
cultura e identidade pessoal. 
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6. LEALDADE SISTÊMICA E DINÂMICAS OCULTAS: OS EMARANHADOS SISTÊMICOS 
 
 
Nossas vidas estão determinadas pelo sistema familiar e pelos outros sistemas a 
que pertencemos. Uma observação sistêmica a qual não podemos ignorar é a seguinte: 
os menores (que vieram depois, descendentes) têm que terminar o que seus maiores 
(que vieram antes, antepassados) não terminaram. Se um enfrentamento não chegou à 
reconciliação, se não se agradeceu um favor, se não se terminou de chorar um morto, 
um descendente terá que viver este mesmo conflito, até que se resolva. Nosso destino 
está marcado por várias fidelidades a ancestrais que não acabaram algo. E seus 
conflitos serão nossos conflitos, mesmo que neguemos a assumi-los. 
Emaranhamento Sistêmico significa que alguém na família retoma e revive 
inconscientemente o destino de um familiar que viveu antes dele. Se, por exemplo, 
numa família, uma criança foi entregue para adoção, mesmo numa geração anterior, 
então um membro posterior desta família se comporta como se ele mesmo tivesse sido 
entregue. Sem conhecer este emaranhamento ele não pode se livrar dele. A solução 
segue o caminho contrário: a pessoa que foi entregue para adoção entra novamente em 
jogo. É colocada, por exemplo, na Constelação Familiar. Quando essa pessoa volta a 
fazer parte do sistema familiar e é honrada, ela olha com afeto para os descentes e 
estes estão liberados do emaranhamento. 
Durante uma constelação aparecem as desordens dos campos que o cliente 
está vinculado. Diante dele e do constelador irão se manifestar as dinâmicas ocultas 
que governam a vida do cliente como membro de distintos sistemas. E começa a se 
manifestar um movimento de reconciliação entre os ancestrais, que vai até onde a 
atitude interna do cliente o permita. E, por sua vez, este movimento de reconciliação 
libera o cliente de sua intrincação. 
Guiador pelo constelador, o cliente irá fazendo, internamente, afirmações 
curadoras, reconhecendo, sem medo, o que existe (dinâmicas sistêmicas como “sigo você na 
morte”, “pago por você”, etc.) e tomando decisões conscientes (me despeço de você, deixo a 
culpa com você, honro você, etc) que irão atuar sobre o desenvolvimento da constelação, 
pois o movimento do espírito mostra o caminho ao cliente, mas não o obriga a tomá-lo 
se ele não se decide por isso. Quando acaba a constelação, o constelador se retira e se 
esquece, deixando o cliente com toda sua força e sua nova autonomia, totalmente 
aberto à vida e à sua nova consciência. 
Lembrando que pertencem à consciência coletiva, os filhos, os pais, os avós, os 
irmãos dos pais e aqueles que foram substituídos por outras pessoas que se tornaram 
membros da família, por exemplo, parceiros anteriores (maridos/mulheres) ou noivos 
(as) dos pais. Se qualquer um destes membros do grupo foi tratado injustamente, 
existirá neste grupo uma necessidade irresistível de compensação. 
15 
 
Isso significa que, a injustiça cometida em gerações anteriores será 
representada e sofrida posteriormente por alguém da família para que a ordem seja 
restaurada no grupo. A consciência do grupo atende à lei de que quem pertenceu uma 
vez ao sistema tem o mesmo direito de pertencimento dos outros. Essa injustiça é 
expiada através do emaranhamento sem que as pessoas afetadas saibam disto. 
 
 
 
7. ESTADO DE PRESENÇA. ESTAR A SERVIÇODA VIDA. 
 
 
“Presença é o sentido personificado da consciência. Presença está sempre aqui, 
receptivo ao que é. É natural e universal. Antes da percepção, análise, comparação ou 
julgamento ocorrerem, a Presença já aceitou tudo exatamente como é, sem argumento, 
manipulação ou resistência. A Presença não pode ser percebida diretamente, mas há 
um sentido impessoal de ser você mesmo que está sempre lá. É o que está lá quando 
a pessoa simplesmente relaxa entrando em seu estado natural, não fazendo nenhum 
esforço para concentrar a atenção ou excluir objetos internos ou externos”. Thomas 
Bryson 
Quanto mais a pessoa está presente e vive com abertura e receptividade, mais 
se tem um compromisso primário com a vida, ao invés de viver apenas em resposta às 
projeções e interpretações. Presença é a chave para libertar-se da limitação ao 
pensamento conceitual apenas e ao retorno ao estado de possibilidade e nos oferece a 
força necessária para enfrentar as coisas difíceis que têm limitado o nosso acesso à paz 
e à liberdade aqui e agora. 
Presença é um recurso essencial para o cliente – intelectual, emocional, 
espiritual e fisicamente. O fato do constelador estar presente naturalmente tende a 
chamar a Presença e a estabilidade inerentes no outro. No processo, o cliente é 
inconscientemente lembrado do seu ser mais profundo e mais rico em recursos. Ele 
revela a possibilidade de que ele não tem que ficar no mesmo padrão herdado, mas que 
pode incorporar a sua própria maneira natural de ser, personificar força e segurança e 
dar o seu presente mais profundo para o mundo. Quando o constelador está presente, o 
cliente sente-se visto e recebido. A presença autêntica oferece um refúgio de segurança 
e de respeito nesse lugar do mero ser, antes de qualquer ação, aconselhamento ou 
intervenção. 
É importante o constelador saber trazer clientes de volta à Presença e fora de 
seus transes familiares. Devemos estar sempre conscientes de que os clientes podem 
ter vivenciados traumas graves. E que seus padrões sistêmicos, que muitas vezes se 
confundem com as experiências pessoais também podem ser desencadeados pelas 
intervenções. É importante trabalhar com todos os clientes com cuidado e lentamente 
ao explorar temas difíceis e sensíveis, 
16 
 
a fim de evitar a “retraumatizar” os clientes. Como resultado, eles têm mais recursos disponíveis 
para lidar com as questões que anteriormente eram esmagadoras para eles ou seus 
antepassados. 
Engajar a vida com Presença é dizer SIM à vida como ela é, incluindo a 
aceitação de que a morte é um parceiro natural da vida. A Presença aceita todo 
movimento de vida, sem argumento de que deveria ser diferente. Isto não é uma atitude 
passiva para a vida, mas sim uma atitude realista. A conexão com a vida se tornou cada 
vez mais prioritária, até que Hellinger entendeu que, quem movia os representantes e 
produzia a cura, era o movimento do espírito e não a técnica do constelador. O 
elemento essencial da constelação, passa a ser, a sintonia do constelador, cujo papel é 
centrar-se e conectar o grupo, os representantes e os demandantes de uma 
constelação. Centrar a todos (levar a um estado de presença), aproximá-los do 
assentimento incondicional a tudo e a todos, é a primeira tarefa do constelador. 
Sobre a representação: a constelação não é psicodrama, nem é emocional. 
Trata-se de deixar-se levar por algo que impulsione nosso corpo independentemente de 
nossas emoções ou de nosso diálogo interno. Os participantes se recolhem 
internamente, desenvolvem um estado de Presença, como para estar num estado de 
meditação e, a partir desse momento, apenas se deixam guiar por algo que impulsione 
seus corpos sem que saibam motivo. Quanto mais lento for seu movimento, mais 
curador será. 
A partir de um centramento e um assentimento a tudo como é, sem intenção de 
ajudar, o grupo de participantes se coloca à disposição da cura da pessoa que constela, 
deixando-se agir pelo campo, em completo silêncio e sem saber o que representam, na 
maioria das vezes. Os representantes, na medida em que se entregarem sem colocar 
nada de sua parte, totalmente recolhidos e em silêncio, receberão, em troca, cura. Não 
se sabe de que maneira, mas irão se sentir diferentes, com mais força e maior 
consciência. 
O constelador não é o curador; ele apenas se coloca a serviço do cliente, do seu 
destino, do seu sistema familiar e da energia, permitindo que outras forças (movimento 
do espírito, forças de cura, ressonância, etc.) trabalhem fazendo emergir uma nova 
realidade da sua própria vida. Esse movimento de cura respeita o livre arbítrio da 
pessoa e não irá além do quanto ela se rende ao amor, à aceitação e ao respeito. 
 
 
 
8. O SIM - ASSENTIR COMO MOVIMENTO DE SOLUÇÃO 
 
 
“Rejeitar algo só serve para que esse algo cresça. Temer algo é atrair esse 
algo. 
17 
 
Somente o assentimento (reconhecer e dizer SIM), nos libera das cargas e permite que 
se inicie a mudança”. Brigitte C. Ribes 
 
 
Bert Hellinger com as constelações familiares traz um conceito curador que é o 
“assentir”. O “assentir” pode-se traduzir em: “concordo que ele/isso seja exatamente como é”. 
Assentir a algo ou a alguém significa estar em “sintonia com”, e é uma experiência pessoal. A 
esta pessoa (ou situação) assentimos, independentemente se nos agrada, se nos dá 
algo ou nos tira, seja qual for sua exigência. Isso ou esta pessoa que eu assinto está a 
partir daí dentro de mim, faz parte do que eu sou. O assentimento exterior é 
consequência de um reconhecimento e um amor que previamente experimentei dentro 
de mim. Graças a este assentimento tanto eu quanto o outro nos enriquecemos e nos 
tornamos mais plenos. 
Assentimento quer dizer também, aceito o outro tal como é, sem restrições ou 
julgamentos. O que antes parecia estranho e ameaçador se transforma em uma parte 
minha que faltava. E isso acontece, sem o outro saber, a vibração do assentimento 
alcança a todos. E como o assentimento produz este efeito? De onde vem esta força 
transformadora? Da sintonia com a fonte criadora, que move e pensa tudo como é, 
olhando a todos da mesma forma. 
Nossa vida é energia, é movimento e mudança. Se fluímos com esse 
movimento, vamos para mais vida. Se nos opomos a ele, a mudança não chega, a 
estamos bloqueando. Contudo, uma forte influência sistêmica nos leva a imitar o que já 
existe. O sentimento de culpa nos impede de sermos autênticos: como vou me atrever a 
abandonar a tradição? 
Além do mais, nossa mente tem medo de mudanças: agarra-se ao conhecido e 
quer repeti-lo várias vezes. Estamos continuamente freando a corrente viva da vida com 
nossos medos, ilusões, frustações. Custa-nos reconhecer que a vida está nos falando 
através de provas, problemas, conflitos ou acidentes. Cada dificuldade é necessária 
para que dela germine algo novo. Mas, para que dê frutos, temos que aceitar vivê-la. 
Para que nossos problemas nos falem, primeiro temos que aceita-los. Aceitar todos os 
limites que configuram nosso destino. Somente, então, a vida voltará a seguir seu fluxo. 
No problema, está a solução, está a vida. 
Para o trabalho com as constelações, Bert fala de alguns pressupostos para a 
sintonia fina com o Assentir. O primeiro pressuposto para alcançar essa compreensão é 
a ausência de intenção. Quem mantém intenções impõe à realidade algo de seu; talvez 
pretenda alterá-la a partir de uma imagem preconcebida ou influenciar e convencer 
outras pessoas de acordo com ela. Procedendo assim, procede como se estivesse 
numa posição superior face à realidade; como se ela fosse um objeto para a sua 
subjetividade e não fosse ele, ao invés, o objeto da realidade. 
18 
 
Aqui fica evidente o tipo de renúncia exigido de nós para abdicarmos de nossas 
intenções, inclusive das boas intenções. Além do mais, o próprio bom senso exige essa 
renúncia, pois a experiência nos mostra que frequentemente sai errado o que fazemoscom boa intenção ou até mesmo com a melhor das intenções. A ausência de intenção e 
de medo permite a sintonia com a realidade como ela é, inclusive com seu lado 
atemorizante, avassalador e terrível. Dessa maneira, o constelador fica em sintonia com 
a felicidade e a infelicidade, a inocência e a culpa, a saúde e a doença, a vida e a morte. 
Justamente por meio dessa sintonia ele adquire a compreensão e a força para encarar 
o mal e, às vezes, em sintonia com essa realidade, para revertê-lo. 
O segundo pressuposto para essa compreensão é o destemor. Quem teme o 
que a realidade traz à luz coloca uma viseira nos olhos. E quem receia o que outros vão 
pensar ou fazer quando diz o que percebeu fecha-se a um novo conhecimento. Aquele 
que, como constelador, teme defrontar-se com a realidade de um cliente — por 
exemplo, a de que lhe resta pouco tempo de vida — transmite-lhe medo, dando-lhe a 
ver que o constelador não está à altura dessa realidade. 
O fundamento do trabalho em constelações familiares é "aceitar as coisas como 
elas são"; este é, aliás, o título de um dos livros de Hellinger. O papel do constelador é 
colocar-se a serviço do campo de energia. A história familiar ajuda a clarear a posição 
dos representantes, nós a utilizamos como fonte de informações factuais. Evitamos todo 
julgamento e qualquer interpretação. 
 
 
 
9. O CAMPO, por Rupert Sheldrake 
 
 
Os campos são regiões de influência não materiais. O campo de gravitação da 
Terra, por exemplo, estende-se à nossa volta. Não nos é visível, mas nem por isso é 
menos real. Dá o seu peso às coisas e provoca a sua queda. Mantém-nos em contato 
com a Terra neste preciso momento; sem ele, flutuaríamos. A Lua gira em redor da 
Terra por causa da curvatura do campo de gravitação da Terra; a Terra e todos os 
planetas giram em redor do Sol por causa da curvatura do campo do Sol. De fato, o 
campo de gravitação permeia todo o universo, curvando toda a matéria. 
Também há campos eletromagnéticos, muito diferentes, pela sua natureza, da 
gravitação. Apresentam muitos aspectos e fazem parte integrante da organização de 
todos os sistemas materiais — dos átomos às galáxias. São essenciais à operação de 
toda a nossa maquinaria elétrica. E, à nossa volta, há, no campo, inúmeros padrões de 
atividade vibratórios 
19 
 
que escapam aos nossos sentidos; podemos, todavia, distingui-los por meio de 
receptores de rádio ou de TV. Tudo isto nos parece evidente. Vivemos, 
permanentemente, nestes campos, quer saibamos, quer não, como os físicos os 
modelizam matematicamente. Não duvidamos de que possuem uma realidade física, 
sejam quais forem as modelizações que deles fizermos, ou o nome com que os 
designamos. 
A natureza dos campos é inevitavelmente misteriosa. Segundo a física moderna, 
estas entidades são mais fundamentais do que a matéria. Os campos não podem 
explicar-se em termos de matéria; pelo contrário, a matéria é explicada em termos de 
energia nos campos. A física só pode explicar a natureza dos diferentes tipos de 
campos em relação a um eventual campo unificado mais fundamental — o campo 
cósmico original, por exemplo. Mas este é inexplicável — a menos que se suponha 
criado por Deus. Mas então é Deus que é inexplicável. 
Um campo é a condição à qual um sistema vivo deve a sua organização típica e 
as suas atividades específicas. Estas atividades são específicas no sentido em que 
determinam o carácter das formações a que dão origem. Os fatores de campo 
possuem, eles mesmos, uma ordem definida. A natureza específica dos campos 
significa que cada espécie de organismo possui o seu campo morfogenético próprio, o 
que não impede que campos de espécies aparentadas possam ser semelhantes. O 
organismo encerra, além disso, campos secundários que se integram no campo global 
do organismo — uma espécie de hierarquia de campos encaixados em campos. 
E o que são, exatamente os campos morfogenéticos? Como é que funcionam? 
Apesar do emprego difundido deste conceito em biologia, não existe resposta precisa 
para estas perguntas. De fato, a natureza destes campos continua a ser tão misteriosa 
como a própria morfogénese. Porém, podemos dizer que representam uma espécie de 
memória coletiva da espécie. Cada membro é moldado por estes campos de espécie e 
contribui, por sua vez, para moldá-lo, influenciando os membros futuros da espécie. 
Como poderia funcionar este tipo de memória? Dependeria de uma espécie de 
ressonância mórfica que ocorre com base na semelhança. Quanto mais um organismo 
for semelhante a organismos anteriores, maior será a sua influência sobre ele por meio 
da ressonância mórfica. E quanto mais organismos semelhantes houver, maior será a 
sua influência cumulativa. Como todos os membros passados da espécie contribuem 
para formar estes campos, a sua influência é cumulativa: aumenta proporcionalmente 
ao número total dos membros da espécie. 
Se os campos morfogenéticos são responsáveis pela organização e forma de 
sistemas materiais, eles devem ter estruturas características. E de onde vêm estes 
campos-estruturas? Derivam dos campos morfogenéticos associados a sistemas 
similares anteriores: os campos 
20 
 
morfogenéticos de todos os sistemas passados tornam-se presentes para qualquer 
sistema similar subsequente; as estruturas de sistemas passados afetam sistemas 
similares subsequentes por uma influencia cumulativa que age tanto através do espaço 
quanto do tempo. Enquanto os campos morfogenéticos influenciam a forma, os campos 
comportamentais influenciam o comportamento. Os campos organizadores de grupos 
sociais, como bando de aves, cardume de peixes e colônias de cupins, são chamados 
de campos sociais. Todos eles são campos mórficos. Todo campo mórfico tem uma 
memória inerente dada pela ressonância mórfica. Campos morfogenéticos, os campos 
organizadores da morfogênese, são um tipo da 
categoria mais ampla de campos mórficos, como uma espécie dentro de um gênero. 
 
 
 
10. CAMPOS ESPIRITUAIS, por Bert Hellinger 
 
 
O campo espiritual da família pode ser comparado aos campos morfogenéticos 
dos quais nos fala Rupert Sheldrake. Ele fez uma observação importante em relação 
aos campos morfogenéticos: não são capazes de se modificar entre si mesmos. Nos 
campos morfogenéticos algo se repete constantemente. Vemos isso também quando 
olhamos para o campo familiar. 
Existem algumas confusões sobre os termos campo e alma. Os primeiros que se 
dedicaram a estudar os campos foram filósofos alemães no início do século passado. Já 
haviam sido feitas observações relativas aos campos espirituais. Eles usaram a palavra “alma”. 
Falavam de uma alma generalizada e também da alma do mundo. Mas a palavra “alma” 
não era aceita pela ciência. Por isso, preferiam falar em “campo”. 
De qualquer forma, podemos observar que um campo espiritual segue 
determinadas ordens que se encontram em movimento e que deseja alcançar algo com 
esses movimentos. Porém, poderá realizar tal empreendimento só se tiver consciência. 
Um campo não pode ter consciência, por isso, aqui o termo alma é mais adequado. 
Portanto me refiro frequentemente a uma grande alma. 
Essa alma familiar encontra-se presa nesse campo, isto é, nesse campo tudo se 
repete. Os destinos da família são repetidos. Quando uma pessoa se encontra 
emaranhada no destino de um membro familiar anterior, comportando-se de modo 
correspondente, então alguém de uma próxima geração se encontrará emanharado 
com ele. E isso não soluciona nada. 
Sheldrake observou que algo de fora precisa vir ao encontro dessa alma, algo 
maior. Ele denominou spirit. Darei alguns exemplos. Os psicanalistas são um campo. 
Dentro desse campo todos se comportam da mesma forma. Precisam se comportar de 
modo semelhante. Os 
21 
 
advogados, as pessoas que ocupam cargos de liderança também estão ligadas a um 
campo, quando falam e tomam posturas semelhantes; este é outro exemplo. 
Quando um delesfaz uso de outro método, ameaça o campo. Por isso, às vezes 
é excluído do campo. O campo tem ainda outro efeito: determina o que podemos 
perceber. Proíbe-nos de perceber ou pensar determinadas coisas. Quando os membros 
se permitem pensar sobre algo de forma diferente, de repente se sentem 
desconfortáveis ou até mesmo com medo e sentirão a consciência pesada. A própria 
constelação familiar não está livre de se tornar um campo, e aqui só existe uma saída: 
mantermo-nos constantemente abertos para o novo, com os olhos de uma criança que 
descobre algo novo todo dia. 
Nesse campo todos estão em ressonância entre si. Ninguém e nada pode 
escapar-lhe. Até mesmo o passado e os mortos continuam nele, presentes, atuantes. 
Por isso, todas as tentativas de excluir uma pessoa ou de livrar-se dela são fadadas ao 
fracasso. Pelo contrário, o que foi excluído, desprezado ou exterminado ganha mais 
poder nesse campo com as tentativas de eliminá-lo. Quanto mais se tenta eliminá-lo, 
tanto mais fortemente atua. O campo fica perturbado e em desordem até que também o 
reprimido seja reconhecido e receba o lugar que lhe cabe. 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE 
LEITURA 
 
 
 
CERBONI, David R. Fenomenologia. Petrópolis: Vozes, 2006 
HELLINGER, Bert. As Ordens do Amor. São Paulo: Cultrix, 
2001 HELLINGER, Bert. A Simetria Oculta do Amor. São 
Paulo: Cultrix, 1998 HELLINGER, Bert. O Amor do Espírito. 
Goiânia: Atman, 2008 
HELLINGER, Bert. Felicidad que Permanece. Barcelona: Rigden Institut 
Gestalt, 2006 HELLINGER, Bert. Um Lugar para os Excluídos. Goiânia: 
Atman, 2006 
HERMOSILLO, Rosa Doring. Constelaciones Familiares y Abrazo de Constención. 
México: Gudiño Cícero S.A., 2007 
 
MANNÉ, Joy. As Constelações Familiares em sua Vida Diária. São Paulo: 
Cultrix, 2008 RUPERT, Franz. Simbiose e Autonomia nos 
Relacionamentos. São Paulo: Cultrix, 2010 SHELDRAKE, Rupert. A 
Presença do Passado. Lisboa: Instituo Piaget, 1988 www.hellinger.com 
http://www.hellinger.com/
22 
 
www.alinecharanam.blogspot.com 
http://www.alinecharanam.blogspot.com/

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