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Noções de fonética e fonologia da língua espanhola Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a evolução dos estudos fonéticos e fonológicos na história da língua espanhola. Analisar a relação da fonética e da fonologia com as outras áreas dos estudos gramaticais. Relacionar o objeto de estudo da fonética e o da fonologia. Introdução A fonética se preocupa com os aspectos físicos dos sons produzidos pelas pessoas, isto é, como eles são articulados dentro do nosso aparelho fonador. Esse estudo, portanto, é comum a todas as línguas. Chama-se fonologia o estudo da classificação dos sons de uma língua, em que se analisa de que maneira eles são captados pelos falantes como único elemento básico. Neste capítulo, você vai acompanhar a evolução dos estudos foné- ticos e fonológicos na história da língua espanhola, analisar a relação da fonética e da fonologia com as outras áreas dos estudos gramaticais e relacionar o objeto de estudo da fonética com o da fonologia. Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce A evolução dos estudos fonéticos e fonológicos na história da língua espanhola De forma imprecisa, durante o século XIX, os termos fonética e fonologia foram usados, em conformidade com os parâmetros linguísticos daquela época, para construir um cabedal de estudos sobre a evolução histórica dos sons. O surgimento da fonologia como disciplina diferenciada da fonética é recente e ocorreu em função do contato das pesquisas e ideias revolucionárias de Ferdinand de Saussure, no início do século XX. O linguista revelou que há uma clara diferença conceitual entre os eixos sincrônicos e diacrônicos promovidos pelos estudos linguísticos; assim, pôs fi m a uma análise histórica que predominava naquela época. O eixo sincrônico mostra pesquisas e/ou estudos realizados em um mesmo período de tempo. Nos estudos linguísticos, trata-se dos fatos ou das situações observadas pelos pesquisadores em sua contemporaneidade, considerando a língua em seu aspecto estático em um dado instante de sua existência histórica. O eixo diacrônico trabalha de forma diferente, uma vez que estuda e pesquisa as mudanças da língua ao longo do tempo. Na diacronia, podemos encontrar vários estudos sincrônicos de determinada língua em um recorte temporal. Esses eixos não são excludentes, mas transversais e complementares. Marco teórico O marco teórico do surgimento do interesse pelo registro começou com o estudo da língua usando textos escritos — até porque o conceito de língua como algo estático havia dominado durante muito tempo. Entretanto, a língua não é algo parado, mas está em pleno movimento, evoluindo e desenvolvendo-se permanentemente nas mãos de seus falantes. Assim, as gramáticas refl etem aquilo que é usado, e não o contrário. A norma obedece aos falantes, pois são eles que realmente colocam a língua em prática. No âmbito hispânico, o ponto de partida foi a tradução, em 1964, de El Español Coloquial, publicado por Beinhauer em 1929. Alguns linguistas espanhóis (como Criado de Val e F. Ynduráin) passaram a partir de então a se interessar pelo fenômeno da língua falada, ao interpretarem e explicarem a obra de Beinhauer. Nos anos 1970, houve um crescente interesse pelo estudo Noções de fonética e fonologia da língua espanhola2 Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce das formas orais da comunicação, tomando impulso de investigação por meio dos trabalhos de J. Polo, G. Salvador, M. Seco, E. Lorenzo e B. Steal, entre outros. Não obstante, esses trabalhos iniciais ainda não desenvolviam um estudo aprofundado, porque os pesquisadores ainda trabalhavam exclusivamente com textos literários. Era necessário retomar a direção de uma perspectiva pragmática do estudo do som da língua, com uma análise de textos orais. Gili Gaya (1966) não citam essa nova perspectiva, mas afirmam que a língua não se ajusta por completo aos parâmetros gramaticais e sintáticos. Já nos anos 1980, apareceram os trabalhos pioneiros de Antonio Narbona, afirmando que a conversação não pode ser descrita com base oracional sintá- tica, mas analisada em padrões textuais, discursos e fenômenos práticos, os quais considerem o dinamismo e a vivacidade da língua — ou seja, o modelo oracional deveria ser superado por novos critérios. Nessa época, surgiram os primeiros trabalhos discursivos e conversacionais, deixando de lado a litera- tura. Entre eles, encontramos Vigara Tauste, com a obra Aspectos del Español Hablado (1989), e Antonio Narbona, cujos estudos eram centralizados nos usos orais da língua, com ênfase na pragmática e fundamentados na busca pelas explicações dos usos estratégicos. Nos anos 1990, a linguística hispânica iniciou uma grande variedade te- órica de trabalhos, desenvolvendo-se, assim, vários grupos de investigação, entre os quais se destaca o grupo Val.Es.Co (Valencia Español Coloquial). Estabeleceu-se então um marco pragmático pleno, reunindo registros históricos e gramaticais a partir de autores como J. Portolés, Fuentes Rodríguez, Martín Zorraquino, A. Narbona, E. Montolío, Bustos Tovar, Payrató o B. Gallardo, além de A.Briz, membro fundador do grupo Val.Es.Co., com El Español Coloquial (1998). A dicotomia entre a língua e a fala A dicotomia que se estabelecia entre língua e fala em espanhol marcou fortemente as prioridades e os objetivos da linguística moderna. Segundo Saussure, a língua seria um modelo geral e abstrato das realizações linguísticas particulares, parte essencial da linguagem porque não existiria sem uma espécie de contrato social instituído entre indivíduos de uma comunidade (havendo a necessidade de conhecer o seu funcionamento para assimilação). A língua é tão distinta que o ser humano pode privar-se da fala conservando a língua, contanto que entenda os signos vocais que ouve. Devido ao seu caráter homogêneo, é possível estudar a língua na sua dicotomia com a fala observando a sua composição dentro de um sistema de signos unidos pelo sentido e pela imagem acústica. 3Noções de fonética e fonologia da língua espanhola Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Já a fala seria considerada pelo linguista suíço como um fenômeno concreto e individual, uma vez que o ato de falar demonstra a representação da língua. Sem dúvida, como dizia o pesquisador, esses dois objetos estão intimamente ligados e se envolvem um no outro, de modo que a língua é indispensável para que a fala se torne inteligível, produzindo as suas consequências. Por outro lado, a fala é imprescindível para que a língua se solidifique em algum lugar e seja usada como ferramenta de domínio, conquista, etc. A fala é a parte individual da linguagem, pois é ela que faz a língua evoluir. Há uma interdependência entre ambas, de modo que aquela é, ao mesmo tempo, o instrumento e o produto desta. Entretanto, isso não impossibilita que elas possam ser estudadas e pesquisadas de formas diferentes uma da outra. Dicotomia significa uma divisão em partes, uma bifurcação de um método científico de pesquisa e posterior classificação, que consiste em separar em dois um conceito de forma sucessiva. Exemplos de dicotomias são sincronia e diacronia, língua e fala, significante e significado, sintagma e paradigma. Em seu compêndio Curso de Linguística Geral, Ferdinand de Saussure demonstrava essa divisão de conceitos por meio de uma ilustração, usando para isso um jogo de xadrez. Nas suas pesquisas, chegou à conclusão de que a fala significava aquilo que não é alterado, o essencial, o importante, o que realmente é comum a todas as manifestações possíveis do jogo — ou seja, o que é natural em todas as línguas, a chamada linguística externa, sujeita a fatores externos. Por outro lado, a língua é um sistema de valores que se opõem uns aos outros. Ela está depositada como produto social na mente de cada falante de uma comunidade e possui homogeneidade — achamada linguística interna. Dessa maneira, o pesquisador propõe que estudar determinado idioma deveria consistir na descrição da língua ou no conhecimento abstrato que compartilham todos os seus falantes, por meio das manifestações linguísticas realizáveis que o observador contempla. Ao aplicar essa divisão conceitual Noções de fonética e fonologia da língua espanhola4 Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce entre língua e fala no terreno do som, Saussure (Figura 1) estava relacionando dois ramos da linguística moderna: a fonética e a fonologia. Figura 1. Ferdinand de Saussure. Fonte: Dima Sobko/Shutterstock.com. Fonética e fonologia em sua relação com a gramática “¿Qué hay en una gramática?” Essa pergunta apareceu na coluna do jornal eletrônico El País, chamando a atenção para a reportagem sobre a Nova Gra- mática Espanhola. Informava o periódico que nela consta a descrição dos sons de uma língua, da estrutura interna das palavras e seus componentes e das relações entre as palavras. Quando o jornal fala dos componentes, da estrutura interna entre as palavras e das suas relações, refere-se aos estudos gramaticais, que envolvem a relação da fonética e da fonologia com as outras áreas, como os estudos morfológicos da língua, a sintaxe, a semântica e o léxico. 5Noções de fonética e fonologia da língua espanhola Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce A palavra gramática originou-se do latim grammatĭcus, que veio do grego grammatikós. Conforme os especialistas da língua, a gramática é a parte da linguística moderna responsável pelos estudos dos elementos constituintes de uma língua, bem como a forma como eles se organizam e se combinam. Existem vários tipos de gramáticas: a gramática comparativa estuda as relações entre duas ou mais línguas; a gramática descritiva estuda os componentes e as relações fundamentais que se processam em uma língua que, de forma geral, atende ao eixo sincrônico; a gramática especulativa se preocupa em explicar os fenômenos linguísticos por meio dos princípios constantes e universais; a gramática estrutural estuda a língua mantendo o princípio de que todos os seus elementos conservam entre si relações sistemáticas; a gramática funcional tem como base o estudo das funções dos elementos constituintes de uma língua; a gramática geral estabelece os princípios comuns a todas as línguas; a gramática gerativa descreve o sistema cognitivo, permitindo aos falantes pro- duzirem e interpretarem as construções formadoras da língua; a gramática histórica estuda a evolução que determinada língua experimentou ao longo do tempo; a gramática normativa define os usos corretos na língua culta de uma comunidade; a gramática tradicional remonta à tradição greco-latina e se desenvolveu nos séculos posteriores, praticamente até a aparição da gramática estrutural, na primeira metade do século XX; a gramática transformacional, lançada por Noam Chomsky em 1957, trata do aspecto criativo da faculdade da linguagem e aborda os processos de transformação pelos quais passa o sintagma. Relações gramaticais da fonética e da fonologia Os aspectos físicos do som, assim como as suas características produzidas pela articulação e pela fonação dos homens, são interesse da fonética, que não se preocupa com a estrutura. A fonologia, por outro lado, verifi ca a produção e a percepção do som em suas realizações naturais e humanas, estruturando-as em fonemas. A fonética, ainda que se preocupe com o som, vê-se obrigada a ocupar-se das formas, declarando que a transmissão dos sons de geração a geração não foi isolada, mas viva, existencial e modifi cada no seio das palavras. A morfologia investe em como estruturar os fonemas (mínimas unida- des do som) em palavras, visando delimitá-las em classes. Trata de várias categorias de palavras (substantivos, artigos, adjetivos, pronomes, numerais, verbos, advérbios, preposições, conjunções e interjeições) e das suas diferentes Noções de fonética e fonologia da língua espanhola6 Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Sublinhado Terezinha Sublinhado Terezinha Sublinhado Terezinha Realce formas de flexão (conjugação). Alega-se que a morfologia se ocupa somente da forma, mas tal afirmação não é verdadeira, porque as formas (morfologia) e as funções (a sintaxe) são solidárias, e separá-las não seria fácil. Por conseguinte, a função da sintaxe é estudar profundamente as regras que determinam a combinação dos constituintes internos e a formação de unidades superiores. Os sintagmas, por exemplo, são usados no âmbito da gramática para compor um grupo ou um conjunto de palavras representantes de um elemento linguístico formador de enunciado contínuo, ou seja, é uma unidade básica composta de um ou mais vocábulos, criando as orações, as frases, os períodos. A semântica examina o modo como são atribuídos os significados às palavras (que sentido ou valor semântico tem aquele vocábulo na frase, na oração, no texto). A fonética estabelece o repertório de sons de uma língua de acordo com as suas particularidades e em conformidade com os pontos de articulação. O cientista da língua se vale das próprias sensações sinestésicas (associação espontânea, que varia segundo os indivíduos, entre sensações de naturezas diferentes que parecem estar intimamente ligadas) e dos recursos que oferecem os laboratórios de pesquisas linguísticas. Com base nesse inventário científico, cria-se uma relação entre a descrição articulatória e a realidade idiomática do falante. Como exemplo disso, observamos duas realizações fonéticas distintas da letra “b”, quando pronunciadas as palavras rombo e robo. A fonologia organiza os mesmos sons em determinado sistema, beneficiando- -se das características articulatórias da distribuição desses sons na cadeia sonora da fala e estabelecendo, desse modo, unidades de som chamadas de fonemas. Fonema tem um caráter distintivo em relação aos sons; por isso, essas unidades mínimas do som permitem diferenciar uma palavra da outra. Dessa forma, teremos o seguinte: /s/ e /l/ são fonemas diferentes, como notado nos vocábulos casa e cala, resultando, por conseguinte, em palavras distintas. O aspecto fonológico interage com a morfologia proporcionando a aparição dos fonemas, que se apresentam caracterizados por sua função significante e pela capacidade de distinguir as significações. Observe o que acontece com as unidades “r”, “rr” e “b” nos vocábulos caro, carro e cabo. Agora perceba o seguinte: se você retirar essas unidades de dentro das palavras, restará “ca-o”. Porém, se pensarmos nas realizações da letra “b” em rombo e robo e 7Noções de fonética e fonologia da língua espanhola Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce suprimirmos a unidade “b”, não existirá liberdade de opção entre eles, porque o uso de um ou do outro estará delimitado pelo seu entorno (pelas letras que estão ao redor) — são membros de um fonema, e não fonemas independentes. Cada fonema fica definido pelos traços distintivos que acontecem simul- taneamente nele e somente nele. O fenômeno pelo qual um ou mais traços distintivos são comuns a vários fonemas ocorre pelo fato de que o número e a natureza desses traços permitem instituir o sistema fonológico ramificado em outros subsistemas. Devemos considerar também outra forma linguística: a mínima forma, ou a pequena sucessão de fonemas dotada de significação. Ela tem recebido vários nomes técnicos, entre eles o de morfema. Pode coincidir, em muitos casos, com a própria palavra (como em sol, mar). Falamos então de vocábulos radicais. Em outras realizações, o morfema é parte de uma palavra (sol-ar, mar-es) e, por isso, não encontra lugar entre as pausas virtuais. As palavras podem, de modo geral, ser individualizadas em função da separabilidade (uma das características mais relevantes). A separabilidade possibilita o afastamento de uma palavra das outrasdentro do corpo do discurso, mediante uma pausa que não aparece na elocução normal, ou seja, nas expressões ou nos enunciados — daí o nome de pausa virtual. A sintaxe corresponde ao estudo do contexto linguístico, isto é, aos agru- pamentos de palavras conexas ou relacionadas entre si, com os meios para significar as suas mútuas relações, classificando as unidades ou os grupos para informar que o propósito do falante se estabelece no conjunto do enunciado. As regras de combinação de uma língua são parte da sua sintaxe; elas dizem, por exemplo, que em espanhol o sujeito normalmente aparece antes do verbo, além de criar frases infinitamente longas. A sintaxe nos ajuda, inclusive, a entender uma ideia com palavras e permite que essa ideia seja entendida por quem nos escuta. Se você lê “dos camisas compró en el domingo Pedro”, é bem possível que tenha dificuldade de compreender essa frase, pois a sintaxe estabelece que a ordem correta para expressar uma ideia completa é a seguinte: “Pedro compró dos camisas en el domingo”. A fonologia se comunica com a sintaxe na produção de palavras observando o seguinte critério: qualquer vocábulo que não cumpra o filtro da sintaxe, ao aplicar as regras do reajuste prosódico (parte da gramática tradicional que se dedica às características da emissão dos sons da fala), fracassará na forma Noções de fonética e fonologia da língua espanhola8 Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce fonética. Confirma-se assim que os componentes sintático e fonológico estão derivacionalmente relacionados. Compreende-se que a separação entre a morfologia e a sintaxe espanholas tem como base o exame minucioso da linguagem em diferentes pontos de vista. Quando a morfologia classifica as palavras, recorre aos conceitos funcionais da sintaxe. Por outro lado, quando a sintaxe determina as regras de concordância, não faz mais do que ajustar, repetindo o sistema das desinências estudado pela morfologia. É por esse motivo que encontramos, ao estudarmos a sintaxe, uma série das mais variadas repetições de usos, significados e funções das formas nominais e verbais (morfologia). A sintaxe não pode ter acesso ao nível em que são aplicadas as regras fonológicas e, por conseguinte, predizer se um sujeito pré-verbal formará ou não uma frase tonal. Evita-se, dessa forma, a produção de derivações que podem fracassar em termos de estrutura fonética. No âmbito semântico, o sistema fonológico se relaciona por meio de signi- ficados nos quais o processamento auditivo é disposto em série com interações entre os módulos sintático e semântico, produzindo o vocabulário. A análise semântica tem como foco central o significado convencional das palavras, mas não o que cada falante pretende falar por meio delas em determinado momento. Essa estratégia de análise destaca o objetivo e o geral, evitando assim o subjetivo e o particular. Quando se investiga o significado de uma palavra dentro de uma língua, o interesse geralmente está na caracteriza- ção do significado conceitual, em detrimento do significado associativo. O conceitual engloba definições cujos componentes básicos e essenciais estão inseridos no uso literal de um vocábulo. A semântica estuda os sintagmas, as orações, os significados das palavras ou, ainda, como esses significados vêm se transformando ao longo do tempo. A semântica é uma disciplina que estuda o significado das unidades linguísticas e de suas combinações. Há dois tipos: a composicional e a léxica. A primeira investiga o significado dos sintagmas (em gramática, significa a palavra ou um conjunto de palavras que se articula em torno do núcleo frasal e que pode exercer função sintática) e das orações (é um enunciado de valor completo ou uma estrutura gra- matical formada pela união de um sujeito e de um predicado). A segunda (a léxica) se preocupa em estudar o significado das palavras, assim como os vários sentidos que se estabelecem entre elas. 9Noções de fonética e fonologia da língua espanhola Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce A semântica tem se ocupado em mostrar os diferentes significados que uma mesma palavra pode ter (a palavra pila, em espanhol, pode significar pia ou pilha, por exemplo) e investigar algumas palavras que são pronunciadas igualmente, porém escritas de formas diferentes (cabo é um acidente geográfico e uma hierarquia militar; cavo é uma flexão do verbo cavar). Além disso, graças à semântica, reconhecemos as palavras antônimas e as sinônimas (amplificar é o mesmo que ampliar, e seco é diferente de mojado). A semântica e a fonologia se relacionam de tal maneira que, por exemplo, a produção de uma consonante sonora no lugar de uma surda condiciona o significado das palavras. Há três componentes fundamentais do vocabulário espanhol: as vozes do latim (popu- lares e cultas), os aportes de outras línguas (helenismos, germanismos, mozarabismos, galicismos, etc.) e os mecanismos próprios de formação de palavras desenvolvidas. O objeto de estudo da fonética e o da fonologia O homem possui a capacidade de nomear os seres. Para isso, desenvolveu a necessidade ou faculdade de emitir sons e, a partir dos sons, formar palavras. Portanto, o objeto de estudo da fonética e da fonologia são os sons: ambos os ramos da linguística investigam como o ser humano produz e usa os sons. A fonética descreve o estudo da produção humana do som que se forma nas articulações internas do aparelho fonador. A fonologia estuda a representação gráfi ca desses sons e como eles funcionam na linguagem. Ambas possuem metodologias diferentes de análise e procuram obter resultados distintos. O som está baseado em ondas produzidas pelas vibrações do corpo humano e se propaga pelo ar a uma velocidade de 340 metros por segundo. As ondas emitidas podem ser simples ou compostas, conforme a quantidade de ondas produzidas pela vibração. Costuma-se distinguir ondas periódicas (quando se repetem em um mesmo espaço temporal) e não periódicas (quando são empregados distintos espaços de tempos em sua repetição). Noções de fonética e fonologia da língua espanhola10 Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Terezinha Realce Segundo Weiss (1988), a fonética estuda os sons da fala humana em sua realização, sem se preocupar com a sua função ou o seu significado. Outra definição de fonética, oferecida por Alarcos Llorach (1994, p. 28), é a de que: La fonética estudia los elementos fónicos en sí, en su realidad de fenómenos físicos y fisiológicos, y se plantea el problema de cómo tal sonido y tal otro son pronunciados, y qué efecto acústico producen, pero olvida por completo la relación que tienen con una significación lingüística; puede definirse como la ciencia del plano material de los sonidos del lenguaje humano. É a partir dela que se compreende o sistema de sons das línguas e quais são os sons possíveis dentro desse sistema. A fonética tem como objetivo descrever os órgãos que participam da produção dos sons, mostrar o caminho e os órgãos pelos quais o ar passa até a sua exteriorização, investigar a propagação do som no espaço e como o ouvinte o recebe. A fonologia, de forma sistêmica, organiza os sons. Para Alarcos Llorach (1994, p. 25): La disciplina lingüística que se ocupa del estudio de la función de los elemen- tos fónicos de las lenguas, es decir, que estudia los sonidos desde el punto de vista de su funcionamiento en el lenguaje y de su utilización para formar signos lingüísticos, se llama fonología. A finalidade da fonologia consiste em detectar as representações mentais a partir de pares significativos, descrever as combinações possíveis desses sons e estabelecer sons de acordo a sua funcionalidade em um sistema fonológico. 1. Com base nos textos, Ferdinand de Saussure escolheu o xadrez para fazer uma analogia com a descoberta de seus estudos fonológicos. A que conclusão ele chegou? a) Demonstrou umadivisão conceitual na linguística entre fonética e fonologia. b) Concluiu que existe uma dicotomia na linguística moderna entre a fala e a palavra. c) Descobriu que a linguística histórica estava defasada e propôs novos critérios para os estudos da língua fundando a linguística moderna. 11Noções de fonética e fonologia da língua espanhola d) Descobriu que era necessário contaminar, com as suas ideias, o meio linguístico na época. e) Concluiu que, instituindo uma evidente distinção de conceitos entre os eixos sincrônicos e diacrônicos dos estudos linguísticos, poria fim à análise histórica predominante no século XIX. 2. No século XX, começaram a aparecer pesquisadores interessados em explicar o fenômeno da língua falada. Após a tradução do livro El Español Coloquial, de Werner Beinhauer (1929), alguns linguistas espanhóis, como Criado de Val e F. Ynduráin, interessaram-se e fizeram uma interpretação explicando a obra do autor alemão. Na década de 1980, os trabalhos pioneiros de Antonio Narbona apregoavam os usos orais da língua como o centro dos seus estudos linguísticos. Por quê? a) Narbona apresentava um estudo sistemático da língua baseado em novos critérios partindo do pressuposto de estudos literários do espanhol. b) Antonio Narbona afirmava que a conversação não pode ser descrita em base oracional sintática, mas analisada em padrões textuais, discursos e fenômenos pragmáticos, considerando a dinâmica e vivacidade da língua, ou seja, o modelo oracional deveria ser superado por novos critérios. c) Narbona acreditava que a língua formal deveria ser analisada em padrões formais. d) O pesquisador espanhol sentiu a necessidade de dissociar os estudos linguísticos por causa da literatura. e) Antônio Narbona, assim como Vigara Tauste, gostou tanto da ideia de investigar a língua falada que criou um grupo de estudos chamado de Val. Es.Co., estabelecendo um marco pragmático pleno e reunindo registros históricos e gramaticais. 3. O sistema fonológico (fonética e fonologia) se relaciona com outras áreas de estudos gramaticais, como a morfologia, a semântica e a sintaxe. Em qual área gramatical apareceriam os textos oracionais? a) Morfológica. b) Semântica. c) Sintática. d) Lexical. e) Lexical e semântica. 4. A fonologia se comunica com a sintaxe na produção de palavras observando o seguinte conselho: qualquer vocábulo que não cumpra o filtro sintático, ao aplicar as regras do reajuste prosódico (parte da gramática tradicional que se dedica às características da emissão dos sons da fala), fracassará na forma fonética. O que esse conselho está dizendo? a) Que a sintaxe pode produzir as palavras sem o sistema fonológico. b) Que, ao aplicar as regras prosódicas, a fonologia se transforma em sintaxe. c) O conselho é apenas uma sugestão de mudança fonética. d) O conselho está confirmando que os componentes sintático e fonológico estão derivacionalmente relacionados. e) O conselho está fazendo uma séria advertência aos pesquisadores da Noções de fonética e fonologia da língua espanhola12 língua que insistem em afirmar que o sistema fonológico se inter-relaciona com a sintaxe de tal maneira que a produção de uma consonante sonora no lugar de uma surda condiciona o significado das palavras. 5. É de reconhecimento científico que o objeto de estudo do sistema fonológico (fonética e fonologia) é o som em suas diferentes realizações. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta. a) Tanto a fonética quanto a fonologia chegam ao mesmo resultado científico usando técnicas distintas. b) O sistema fonológico possui o mesmo objeto de estudo para alcançar a diversidade linguística de opiniões. c) O som é o objetivo final das investigações do sistema fonológico. Quando o som é produzido, a fonética procura descrever os órgãos que funcionam na sua produção, enquanto a fonologia descreve o funcionamento da linguagem sem se preocupar com o seu significado. d) O objeto de estudo da fonética, juntamente à fonologia, é o som emitido pelos indivíduos em suas mais variadas realizações e possibilidades. No entanto, para Weiss, o sistema fonológico estuda os elementos fônicos em si mesmos e na linguagem. e) Pertencem ao mesmo sistema e, mesmo usando os mesmos mecanismos descritivos e experimentos científicos, chegam a conclusões diferentes. ALARCOS LLORACH, E. Gramática de la lengua española. Madrid: Espasa Calpe, 1994. 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