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Noções de fonética e 
fonologia da língua 
espanhola
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Reconhecer a evolução dos estudos fonéticos e fonológicos na história 
da língua espanhola.
 Analisar a relação da fonética e da fonologia com as outras áreas dos 
estudos gramaticais.
 Relacionar o objeto de estudo da fonética e o da fonologia.
Introdução
A fonética se preocupa com os aspectos físicos dos sons produzidos 
pelas pessoas, isto é, como eles são articulados dentro do nosso aparelho 
fonador. Esse estudo, portanto, é comum a todas as línguas. Chama-se 
fonologia o estudo da classificação dos sons de uma língua, em que se 
analisa de que maneira eles são captados pelos falantes como único 
elemento básico.
Neste capítulo, você vai acompanhar a evolução dos estudos foné-
ticos e fonológicos na história da língua espanhola, analisar a relação da 
fonética e da fonologia com as outras áreas dos estudos gramaticais e 
relacionar o objeto de estudo da fonética com o da fonologia.
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
A evolução dos estudos fonéticos e fonológicos 
na história da língua espanhola
De forma imprecisa, durante o século XIX, os termos fonética e fonologia 
foram usados, em conformidade com os parâmetros linguísticos daquela 
época, para construir um cabedal de estudos sobre a evolução histórica dos 
sons. O surgimento da fonologia como disciplina diferenciada da fonética é 
recente e ocorreu em função do contato das pesquisas e ideias revolucionárias 
de Ferdinand de Saussure, no início do século XX. O linguista revelou que 
há uma clara diferença conceitual entre os eixos sincrônicos e diacrônicos 
promovidos pelos estudos linguísticos; assim, pôs fi m a uma análise histórica 
que predominava naquela época. 
O eixo sincrônico mostra pesquisas e/ou estudos realizados em um mesmo período 
de tempo. Nos estudos linguísticos, trata-se dos fatos ou das situações observadas 
pelos pesquisadores em sua contemporaneidade, considerando a língua em seu 
aspecto estático em um dado instante de sua existência histórica. O eixo diacrônico 
trabalha de forma diferente, uma vez que estuda e pesquisa as mudanças da língua 
ao longo do tempo. Na diacronia, podemos encontrar vários estudos sincrônicos de 
determinada língua em um recorte temporal. Esses eixos não são excludentes, mas 
transversais e complementares.
Marco teórico
O marco teórico do surgimento do interesse pelo registro começou com o 
estudo da língua usando textos escritos — até porque o conceito de língua como 
algo estático havia dominado durante muito tempo. Entretanto, a língua não 
é algo parado, mas está em pleno movimento, evoluindo e desenvolvendo-se 
permanentemente nas mãos de seus falantes. Assim, as gramáticas refl etem 
aquilo que é usado, e não o contrário. A norma obedece aos falantes, pois são 
eles que realmente colocam a língua em prática.
No âmbito hispânico, o ponto de partida foi a tradução, em 1964, de El 
Español Coloquial, publicado por Beinhauer em 1929. Alguns linguistas 
espanhóis (como Criado de Val e F. Ynduráin) passaram a partir de então a 
se interessar pelo fenômeno da língua falada, ao interpretarem e explicarem a 
obra de Beinhauer. Nos anos 1970, houve um crescente interesse pelo estudo 
Noções de fonética e fonologia da língua espanhola2
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
das formas orais da comunicação, tomando impulso de investigação por meio 
dos trabalhos de J. Polo, G. Salvador, M. Seco, E. Lorenzo e B. Steal, entre 
outros. Não obstante, esses trabalhos iniciais ainda não desenvolviam um estudo 
aprofundado, porque os pesquisadores ainda trabalhavam exclusivamente 
com textos literários. Era necessário retomar a direção de uma perspectiva 
pragmática do estudo do som da língua, com uma análise de textos orais. Gili 
Gaya (1966) não citam essa nova perspectiva, mas afirmam que a língua não 
se ajusta por completo aos parâmetros gramaticais e sintáticos.
Já nos anos 1980, apareceram os trabalhos pioneiros de Antonio Narbona, 
afirmando que a conversação não pode ser descrita com base oracional sintá-
tica, mas analisada em padrões textuais, discursos e fenômenos práticos, os 
quais considerem o dinamismo e a vivacidade da língua — ou seja, o modelo 
oracional deveria ser superado por novos critérios. Nessa época, surgiram os 
primeiros trabalhos discursivos e conversacionais, deixando de lado a litera-
tura. Entre eles, encontramos Vigara Tauste, com a obra Aspectos del Español 
Hablado (1989), e Antonio Narbona, cujos estudos eram centralizados nos 
usos orais da língua, com ênfase na pragmática e fundamentados na busca 
pelas explicações dos usos estratégicos.
Nos anos 1990, a linguística hispânica iniciou uma grande variedade te-
órica de trabalhos, desenvolvendo-se, assim, vários grupos de investigação, 
entre os quais se destaca o grupo Val.Es.Co (Valencia Español Coloquial). 
Estabeleceu-se então um marco pragmático pleno, reunindo registros históricos 
e gramaticais a partir de autores como J. Portolés, Fuentes Rodríguez, Martín 
Zorraquino, A. Narbona, E. Montolío, Bustos Tovar, Payrató o B. Gallardo, 
além de A.Briz, membro fundador do grupo Val.Es.Co., com El Español 
Coloquial (1998).
A dicotomia entre a língua e a fala
A dicotomia que se estabelecia entre língua e fala em espanhol marcou fortemente 
as prioridades e os objetivos da linguística moderna. Segundo Saussure, a língua 
seria um modelo geral e abstrato das realizações linguísticas particulares, parte 
essencial da linguagem porque não existiria sem uma espécie de contrato social 
instituído entre indivíduos de uma comunidade (havendo a necessidade de 
conhecer o seu funcionamento para assimilação). A língua é tão distinta que o 
ser humano pode privar-se da fala conservando a língua, contanto que entenda 
os signos vocais que ouve. Devido ao seu caráter homogêneo, é possível estudar 
a língua na sua dicotomia com a fala observando a sua composição dentro de 
um sistema de signos unidos pelo sentido e pela imagem acústica. 
3Noções de fonética e fonologia da língua espanhola
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Já a fala seria considerada pelo linguista suíço como um fenômeno 
concreto e individual, uma vez que o ato de falar demonstra a representação 
da língua. Sem dúvida, como dizia o pesquisador, esses dois objetos estão 
intimamente ligados e se envolvem um no outro, de modo que a língua 
é indispensável para que a fala se torne inteligível, produzindo as suas 
consequências. Por outro lado, a fala é imprescindível para que a língua 
se solidifique em algum lugar e seja usada como ferramenta de domínio, 
conquista, etc. A fala é a parte individual da linguagem, pois é ela que 
faz a língua evoluir. Há uma interdependência entre ambas, de modo que 
aquela é, ao mesmo tempo, o instrumento e o produto desta. Entretanto, isso 
não impossibilita que elas possam ser estudadas e pesquisadas de formas 
diferentes uma da outra. 
Dicotomia significa uma divisão em partes, uma bifurcação de um método científico 
de pesquisa e posterior classificação, que consiste em separar em dois um conceito 
de forma sucessiva. Exemplos de dicotomias são sincronia e diacronia, língua e fala, 
significante e significado, sintagma e paradigma.
Em seu compêndio Curso de Linguística Geral, Ferdinand de Saussure 
demonstrava essa divisão de conceitos por meio de uma ilustração, usando 
para isso um jogo de xadrez. Nas suas pesquisas, chegou à conclusão de 
que a fala significava aquilo que não é alterado, o essencial, o importante, 
o que realmente é comum a todas as manifestações possíveis do jogo — ou 
seja, o que é natural em todas as línguas, a chamada linguística externa, 
sujeita a fatores externos. Por outro lado, a língua é um sistema de valores 
que se opõem uns aos outros. Ela está depositada como produto social na 
mente de cada falante de uma comunidade e possui homogeneidade — achamada linguística interna.
Dessa maneira, o pesquisador propõe que estudar determinado idioma 
deveria consistir na descrição da língua ou no conhecimento abstrato que 
compartilham todos os seus falantes, por meio das manifestações linguísticas 
realizáveis que o observador contempla. Ao aplicar essa divisão conceitual 
Noções de fonética e fonologia da língua espanhola4
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
entre língua e fala no terreno do som, Saussure (Figura 1) estava relacionando 
dois ramos da linguística moderna: a fonética e a fonologia. 
Figura 1. Ferdinand de Saussure.
Fonte: Dima Sobko/Shutterstock.com.
Fonética e fonologia em sua relação com 
a gramática
“¿Qué hay en una gramática?” Essa pergunta apareceu na coluna do jornal 
eletrônico El País, chamando a atenção para a reportagem sobre a Nova Gra-
mática Espanhola. Informava o periódico que nela consta a descrição dos sons 
de uma língua, da estrutura interna das palavras e seus componentes e das 
relações entre as palavras. Quando o jornal fala dos componentes, da estrutura 
interna entre as palavras e das suas relações, refere-se aos estudos gramaticais, 
que envolvem a relação da fonética e da fonologia com as outras áreas, como 
os estudos morfológicos da língua, a sintaxe, a semântica e o léxico. 
5Noções de fonética e fonologia da língua espanhola
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
A palavra gramática originou-se do latim grammatĭcus, que veio do grego grammatikós. 
Conforme os especialistas da língua, a gramática é a parte da linguística moderna 
responsável pelos estudos dos elementos constituintes de uma língua, bem como a 
forma como eles se organizam e se combinam.
Existem vários tipos de gramáticas:
  a gramática comparativa estuda as relações entre duas ou mais línguas;
  a gramática descritiva estuda os componentes e as relações fundamentais que 
se processam em uma língua que, de forma geral, atende ao eixo sincrônico;
  a gramática especulativa se preocupa em explicar os fenômenos linguísticos por 
meio dos princípios constantes e universais;
  a gramática estrutural estuda a língua mantendo o princípio de que todos os 
seus elementos conservam entre si relações sistemáticas;
  a gramática funcional tem como base o estudo das funções dos elementos 
constituintes de uma língua;
  a gramática geral estabelece os princípios comuns a todas as línguas;
  a gramática gerativa descreve o sistema cognitivo, permitindo aos falantes pro-
duzirem e interpretarem as construções formadoras da língua;
  a gramática histórica estuda a evolução que determinada língua experimentou 
ao longo do tempo;
  a gramática normativa define os usos corretos na língua culta de uma comunidade;
  a gramática tradicional remonta à tradição greco-latina e se desenvolveu nos 
séculos posteriores, praticamente até a aparição da gramática estrutural, na primeira 
metade do século XX;
  a gramática transformacional, lançada por Noam Chomsky em 1957, trata do 
aspecto criativo da faculdade da linguagem e aborda os processos de transformação 
pelos quais passa o sintagma.
Relações gramaticais da fonética e da fonologia
Os aspectos físicos do som, assim como as suas características produzidas pela 
articulação e pela fonação dos homens, são interesse da fonética, que não se 
preocupa com a estrutura. A fonologia, por outro lado, verifi ca a produção e 
a percepção do som em suas realizações naturais e humanas, estruturando-as 
em fonemas. A fonética, ainda que se preocupe com o som, vê-se obrigada 
a ocupar-se das formas, declarando que a transmissão dos sons de geração a 
geração não foi isolada, mas viva, existencial e modifi cada no seio das palavras.
A morfologia investe em como estruturar os fonemas (mínimas unida-
des do som) em palavras, visando delimitá-las em classes. Trata de várias 
categorias de palavras (substantivos, artigos, adjetivos, pronomes, numerais, 
verbos, advérbios, preposições, conjunções e interjeições) e das suas diferentes 
Noções de fonética e fonologia da língua espanhola6
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Sublinhado
Terezinha
Sublinhado
Terezinha
Sublinhado
Terezinha
Realce
formas de flexão (conjugação). Alega-se que a morfologia se ocupa somente 
da forma, mas tal afirmação não é verdadeira, porque as formas (morfologia) 
e as funções (a sintaxe) são solidárias, e separá-las não seria fácil.
Por conseguinte, a função da sintaxe é estudar profundamente as regras que 
determinam a combinação dos constituintes internos e a formação de unidades 
superiores. Os sintagmas, por exemplo, são usados no âmbito da gramática para 
compor um grupo ou um conjunto de palavras representantes de um elemento 
linguístico formador de enunciado contínuo, ou seja, é uma unidade básica 
composta de um ou mais vocábulos, criando as orações, as frases, os períodos. A 
semântica examina o modo como são atribuídos os significados às palavras (que 
sentido ou valor semântico tem aquele vocábulo na frase, na oração, no texto).
A fonética estabelece o repertório de sons de uma língua de acordo com 
as suas particularidades e em conformidade com os pontos de articulação. 
O cientista da língua se vale das próprias sensações sinestésicas (associação 
espontânea, que varia segundo os indivíduos, entre sensações de naturezas 
diferentes que parecem estar intimamente ligadas) e dos recursos que oferecem 
os laboratórios de pesquisas linguísticas. Com base nesse inventário científico, 
cria-se uma relação entre a descrição articulatória e a realidade idiomática do 
falante. Como exemplo disso, observamos duas realizações fonéticas distintas 
da letra “b”, quando pronunciadas as palavras rombo e robo. 
A fonologia organiza os mesmos sons em determinado sistema, beneficiando-
-se das características articulatórias da distribuição desses sons na cadeia sonora 
da fala e estabelecendo, desse modo, unidades de som chamadas de fonemas. 
Fonema tem um caráter distintivo em relação aos sons; por isso, essas unidades mínimas 
do som permitem diferenciar uma palavra da outra. Dessa forma, teremos o seguinte: 
/s/ e /l/ são fonemas diferentes, como notado nos vocábulos casa e cala, resultando, 
por conseguinte, em palavras distintas.
O aspecto fonológico interage com a morfologia proporcionando a aparição 
dos fonemas, que se apresentam caracterizados por sua função significante e 
pela capacidade de distinguir as significações. Observe o que acontece com 
as unidades “r”, “rr” e “b” nos vocábulos caro, carro e cabo. Agora perceba 
o seguinte: se você retirar essas unidades de dentro das palavras, restará 
“ca-o”. Porém, se pensarmos nas realizações da letra “b” em rombo e robo e 
7Noções de fonética e fonologia da língua espanhola
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
suprimirmos a unidade “b”, não existirá liberdade de opção entre eles, porque 
o uso de um ou do outro estará delimitado pelo seu entorno (pelas letras que 
estão ao redor) — são membros de um fonema, e não fonemas independentes. 
Cada fonema fica definido pelos traços distintivos que acontecem simul-
taneamente nele e somente nele. O fenômeno pelo qual um ou mais traços 
distintivos são comuns a vários fonemas ocorre pelo fato de que o número e 
a natureza desses traços permitem instituir o sistema fonológico ramificado 
em outros subsistemas.
Devemos considerar também outra forma linguística: a mínima forma, ou a pequena 
sucessão de fonemas dotada de significação. Ela tem recebido vários nomes técnicos, 
entre eles o de morfema. Pode coincidir, em muitos casos, com a própria palavra 
(como em sol, mar). Falamos então de vocábulos radicais. Em outras realizações, o 
morfema é parte de uma palavra (sol-ar, mar-es) e, por isso, não encontra lugar entre 
as pausas virtuais. As palavras podem, de modo geral, ser individualizadas em função 
da separabilidade (uma das características mais relevantes). A separabilidade possibilita 
o afastamento de uma palavra das outrasdentro do corpo do discurso, mediante 
uma pausa que não aparece na elocução normal, ou seja, nas expressões ou nos 
enunciados — daí o nome de pausa virtual. 
A sintaxe corresponde ao estudo do contexto linguístico, isto é, aos agru-
pamentos de palavras conexas ou relacionadas entre si, com os meios para 
significar as suas mútuas relações, classificando as unidades ou os grupos para 
informar que o propósito do falante se estabelece no conjunto do enunciado. 
As regras de combinação de uma língua são parte da sua sintaxe; elas dizem, 
por exemplo, que em espanhol o sujeito normalmente aparece antes do verbo, 
além de criar frases infinitamente longas. A sintaxe nos ajuda, inclusive, a 
entender uma ideia com palavras e permite que essa ideia seja entendida por 
quem nos escuta. Se você lê “dos camisas compró en el domingo Pedro”, é 
bem possível que tenha dificuldade de compreender essa frase, pois a sintaxe 
estabelece que a ordem correta para expressar uma ideia completa é a seguinte: 
“Pedro compró dos camisas en el domingo”. 
A fonologia se comunica com a sintaxe na produção de palavras observando 
o seguinte critério: qualquer vocábulo que não cumpra o filtro da sintaxe, ao 
aplicar as regras do reajuste prosódico (parte da gramática tradicional que se 
dedica às características da emissão dos sons da fala), fracassará na forma 
Noções de fonética e fonologia da língua espanhola8
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
fonética. Confirma-se assim que os componentes sintático e fonológico estão 
derivacionalmente relacionados. 
Compreende-se que a separação entre a morfologia e a sintaxe espanholas 
tem como base o exame minucioso da linguagem em diferentes pontos de vista. 
Quando a morfologia classifica as palavras, recorre aos conceitos funcionais da 
sintaxe. Por outro lado, quando a sintaxe determina as regras de concordância, 
não faz mais do que ajustar, repetindo o sistema das desinências estudado pela 
morfologia. É por esse motivo que encontramos, ao estudarmos a sintaxe, uma 
série das mais variadas repetições de usos, significados e funções das formas 
nominais e verbais (morfologia). A sintaxe não pode ter acesso ao nível em 
que são aplicadas as regras fonológicas e, por conseguinte, predizer se um 
sujeito pré-verbal formará ou não uma frase tonal. Evita-se, dessa forma, a 
produção de derivações que podem fracassar em termos de estrutura fonética.
No âmbito semântico, o sistema fonológico se relaciona por meio de signi-
ficados nos quais o processamento auditivo é disposto em série com interações 
entre os módulos sintático e semântico, produzindo o vocabulário. A análise 
semântica tem como foco central o significado convencional das palavras, 
mas não o que cada falante pretende falar por meio delas em determinado 
momento. Essa estratégia de análise destaca o objetivo e o geral, evitando 
assim o subjetivo e o particular. Quando se investiga o significado de uma 
palavra dentro de uma língua, o interesse geralmente está na caracteriza-
ção do significado conceitual, em detrimento do significado associativo. O 
conceitual engloba definições cujos componentes básicos e essenciais estão 
inseridos no uso literal de um vocábulo. A semântica estuda os sintagmas, as 
orações, os significados das palavras ou, ainda, como esses significados vêm 
se transformando ao longo do tempo. 
A semântica é uma disciplina que estuda o significado das unidades linguísticas e 
de suas combinações. Há dois tipos: a composicional e a léxica. A primeira investiga 
o significado dos sintagmas (em gramática, significa a palavra ou um conjunto 
de palavras que se articula em torno do núcleo frasal e que pode exercer função 
sintática) e das orações (é um enunciado de valor completo ou uma estrutura gra-
matical formada pela união de um sujeito e de um predicado). A segunda (a léxica) 
se preocupa em estudar o significado das palavras, assim como os vários sentidos 
que se estabelecem entre elas.
9Noções de fonética e fonologia da língua espanhola
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
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Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
A semântica tem se ocupado em mostrar os diferentes significados que 
uma mesma palavra pode ter (a palavra pila, em espanhol, pode significar pia 
ou pilha, por exemplo) e investigar algumas palavras que são pronunciadas 
igualmente, porém escritas de formas diferentes (cabo é um acidente geográfico 
e uma hierarquia militar; cavo é uma flexão do verbo cavar). Além disso, graças 
à semântica, reconhecemos as palavras antônimas e as sinônimas (amplificar é 
o mesmo que ampliar, e seco é diferente de mojado). A semântica e a fonologia 
se relacionam de tal maneira que, por exemplo, a produção de uma consonante 
sonora no lugar de uma surda condiciona o significado das palavras. 
Há três componentes fundamentais do vocabulário espanhol: as vozes do latim (popu-
lares e cultas), os aportes de outras línguas (helenismos, germanismos, mozarabismos, 
galicismos, etc.) e os mecanismos próprios de formação de palavras desenvolvidas.
O objeto de estudo da fonética e o da fonologia
O homem possui a capacidade de nomear os seres. Para isso, desenvolveu a 
necessidade ou faculdade de emitir sons e, a partir dos sons, formar palavras. 
Portanto, o objeto de estudo da fonética e da fonologia são os sons: ambos os 
ramos da linguística investigam como o ser humano produz e usa os sons. 
A fonética descreve o estudo da produção humana do som que se forma nas 
articulações internas do aparelho fonador. A fonologia estuda a representação 
gráfi ca desses sons e como eles funcionam na linguagem. Ambas possuem 
metodologias diferentes de análise e procuram obter resultados distintos. 
O som está baseado em ondas produzidas pelas vibrações do corpo humano e se propaga 
pelo ar a uma velocidade de 340 metros por segundo. As ondas emitidas podem ser simples 
ou compostas, conforme a quantidade de ondas produzidas pela vibração. Costuma-se 
distinguir ondas periódicas (quando se repetem em um mesmo espaço temporal) e não 
periódicas (quando são empregados distintos espaços de tempos em sua repetição).
Noções de fonética e fonologia da língua espanhola10
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Terezinha
Realce
Segundo Weiss (1988), a fonética estuda os sons da fala humana em sua 
realização, sem se preocupar com a sua função ou o seu significado. Outra 
definição de fonética, oferecida por Alarcos Llorach (1994, p. 28), é a de que: 
La fonética estudia los elementos fónicos en sí, en su realidad de fenómenos 
físicos y fisiológicos, y se plantea el problema de cómo tal sonido y tal otro 
son pronunciados, y qué efecto acústico producen, pero olvida por completo 
la relación que tienen con una significación lingüística; puede definirse como 
la ciencia del plano material de los sonidos del lenguaje humano.
É a partir dela que se compreende o sistema de sons das línguas e quais são 
os sons possíveis dentro desse sistema. A fonética tem como objetivo descrever 
os órgãos que participam da produção dos sons, mostrar o caminho e os órgãos 
pelos quais o ar passa até a sua exteriorização, investigar a propagação do 
som no espaço e como o ouvinte o recebe.
A fonologia, de forma sistêmica, organiza os sons. Para Alarcos Llorach 
(1994, p. 25):
La disciplina lingüística que se ocupa del estudio de la función de los elemen-
tos fónicos de las lenguas, es decir, que estudia los sonidos desde el punto 
de vista de su funcionamiento en el lenguaje y de su utilización para formar 
signos lingüísticos, se llama fonología.
A finalidade da fonologia consiste em detectar as representações mentais a 
partir de pares significativos, descrever as combinações possíveis desses sons 
e estabelecer sons de acordo a sua funcionalidade em um sistema fonológico.
1. Com base nos textos, Ferdinand de 
Saussure escolheu o xadrez para 
fazer uma analogia com a descoberta 
de seus estudos fonológicos. A 
que conclusão ele chegou?
a) Demonstrou umadivisão 
conceitual na linguística 
entre fonética e fonologia.
b) Concluiu que existe uma 
dicotomia na linguística moderna 
entre a fala e a palavra.
c) Descobriu que a linguística 
histórica estava defasada e 
propôs novos critérios para os 
estudos da língua fundando 
a linguística moderna. 
11Noções de fonética e fonologia da língua espanhola
d) Descobriu que era necessário 
contaminar, com as suas ideias, 
o meio linguístico na época. 
e) Concluiu que, instituindo 
uma evidente distinção de 
conceitos entre os eixos 
sincrônicos e diacrônicos 
dos estudos linguísticos, 
poria fim à análise histórica 
predominante no século XIX.
2. No século XX, começaram a aparecer 
pesquisadores interessados em 
explicar o fenômeno da língua 
falada. Após a tradução do livro 
El Español Coloquial, de Werner 
Beinhauer (1929), alguns linguistas 
espanhóis, como Criado de Val e F. 
Ynduráin, interessaram-se e fizeram 
uma interpretação explicando a obra 
do autor alemão. Na década de 1980, 
os trabalhos pioneiros de Antonio 
Narbona apregoavam os usos orais 
da língua como o centro dos seus 
estudos linguísticos. Por quê? 
a) Narbona apresentava um 
estudo sistemático da língua 
baseado em novos critérios 
partindo do pressuposto de 
estudos literários do espanhol. 
b) Antonio Narbona afirmava 
que a conversação não pode 
ser descrita em base oracional 
sintática, mas analisada em 
padrões textuais, discursos 
e fenômenos pragmáticos, 
considerando a dinâmica e 
vivacidade da língua, ou seja, o 
modelo oracional deveria ser 
superado por novos critérios.
c) Narbona acreditava que a 
língua formal deveria ser 
analisada em padrões formais.
d) O pesquisador espanhol sentiu 
a necessidade de dissociar 
os estudos linguísticos 
por causa da literatura.
e) Antônio Narbona, assim como 
Vigara Tauste, gostou tanto 
da ideia de investigar a língua 
falada que criou um grupo 
de estudos chamado de Val.
Es.Co., estabelecendo um marco 
pragmático pleno e reunindo 
registros históricos e gramaticais.
3. O sistema fonológico (fonética e 
fonologia) se relaciona com outras 
áreas de estudos gramaticais, 
como a morfologia, a semântica e 
a sintaxe. Em qual área gramatical 
apareceriam os textos oracionais?
a) Morfológica.
b) Semântica.
c) Sintática.
d) Lexical.
e) Lexical e semântica.
4. A fonologia se comunica com a 
sintaxe na produção de palavras 
observando o seguinte conselho: 
qualquer vocábulo que não cumpra 
o filtro sintático, ao aplicar as regras 
do reajuste prosódico (parte da 
gramática tradicional que se dedica 
às características da emissão dos sons 
da fala), fracassará na forma fonética. 
O que esse conselho está dizendo?
a) Que a sintaxe pode produzir as 
palavras sem o sistema fonológico.
b) Que, ao aplicar as regras 
prosódicas, a fonologia se 
transforma em sintaxe. 
c) O conselho é apenas uma 
sugestão de mudança fonética.
d) O conselho está confirmando 
que os componentes 
sintático e fonológico estão 
derivacionalmente relacionados.
e) O conselho está fazendo uma séria 
advertência aos pesquisadores da 
Noções de fonética e fonologia da língua espanhola12
língua que insistem em afirmar 
que o sistema fonológico se 
inter-relaciona com a sintaxe 
de tal maneira que a produção 
de uma consonante sonora no 
lugar de uma surda condiciona 
o significado das palavras. 
5. É de reconhecimento científico 
que o objeto de estudo do sistema 
fonológico (fonética e fonologia) 
é o som em suas diferentes 
realizações. Sobre esse tema, 
assinale a alternativa correta. 
a) Tanto a fonética quanto a fonologia 
chegam ao mesmo resultado 
científico usando técnicas distintas.
b) O sistema fonológico possui 
o mesmo objeto de estudo 
para alcançar a diversidade 
linguística de opiniões.
c) O som é o objetivo final das 
investigações do sistema 
fonológico. Quando o som é 
produzido, a fonética procura 
descrever os órgãos que 
funcionam na sua produção, 
enquanto a fonologia 
descreve o funcionamento da 
linguagem sem se preocupar 
com o seu significado.
d) O objeto de estudo da fonética, 
juntamente à fonologia, é o som 
emitido pelos indivíduos em 
suas mais variadas realizações 
e possibilidades. No entanto, 
para Weiss, o sistema fonológico 
estuda os elementos fônicos 
em si mesmos e na linguagem.
e) Pertencem ao mesmo sistema 
e, mesmo usando os mesmos 
mecanismos descritivos e 
experimentos científicos, 
chegam a conclusões diferentes. 
ALARCOS LLORACH, E. Gramática de la lengua española. Madrid: Espasa Calpe, 1994.
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Leituras recomendadas
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https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/84698/205848.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.

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