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Direito Penal - Parte Especial Crimes contra a vida Homicídio: Art. 121, CP: Matar alguém. HOMICÍDIO DOLOSO – art. 121, CP: Quando o agente quis e conseguiu matar alguém, tem dolo, responde de maneira dolosa. O homicídio doloso pode ser: Homicídio Doloso Privilegiado, ocorre por: 1. relevante valor moral (ex.: eutanásia; pai que mata quem estuprou a sua filha); 2. relevante valor social (quando se mata por motivos coletivos - ex.: quem mata o bandidão do bairro); ou 3. sob domínio de violenta emoção logo depois de injusta provocação da vítima (ex.: sujeito que mata o amante da mulher - pessoa que está cega de raiva e não consegue se segurar). Não é preciso que as três hipóteses se apresentem juntas no caso concreto, pode ter uma só. A única hipótese que você tem que ocorrer imediatamente é sob domínio de violenta emoção logo após a injusta provocação, as demais pode ser a qualquer momento. ATENÇÃO: Se houver erro sobre a pessoa (art. 20, § 3º, CP) lembrar que se caracteriza o homicídio privilegiado pois se leva em consideração a vítima virtual, ou seja, terá a diminuição da pena; Se o crime for praticado em concurso de pessoas o privilégio da diminuição da pena não se comunica a terceiros (art. 30, CP), é de caráter pessoal; O homicídio doloso privilegiado tem redução da pena, mas continua sendo fato punível. Homicídio Doloso Qualificado, pode ser qualificado pelos motivos: 1. motivo torpe: recebimento de dinheiro/recebimento de herança (ex.: Suzana); 2. motivo fútil: motivo idiota/bobo (ex.: garçom que te dá uma cerveja quente); Pode ainda ser qualificado pelos meios: · se causar maior sofrimento a vitima (ex.: mulher que mata alguém ateando fogo com ela ainda viva); Pode ser qualificado também pelos modos: · quando pega a vítima de surpresa, quando não tem chance de defesa (ex.: tiro pelas costas); Pode ser qualificado pelos fins: · quando o homicídio se relaciona com outros crimes. Para caracterizar essa qualificadora não é necessário que o segundo crime ocorra (ex.: quando mata o marido para estuprar a esposa; quando o homicídio é cometido como queima de arquivo; para ganhar vantagem; ocultar ou manter impune outro crime); Pode ser ainda em razão do feminicídio: · quando há uma vítima do sexo feminino: + violência doméstica (portadora do órgão feminino) – quando o crime ocorre dentro do contexto familiar (ex.: pai matar a filha; filho matar a mãe), quando há coabitação (ex.: homem que decide matar empregada doméstica dentro de sua casa), dentro da relação de afeto (ex.: não é necessário que tenha coabitação e pode ocorrer mesmo que a relação já tenha acabado – pode ocorrer contra namorados, por exemplo); + menosprezo à condição de mulher: quando o sujeito não admite que a mulher esteja em patamar de igualdade com ele (ex.: mata porque a mulher é a sua chefe). O homicídio doloso qualificado é causa de aumento da pena. Homicídio Doloso Qualificado Privilegiado: quando mata por uma razão que caracteriza o privilégio (ex.: fez uma tocaia e matou quem estuprou a sua filha). Se aplica para: Homicídio privilegiado + qualificadora de ordem objetiva sendo (meios, modos e feminicídio em violência familiar). Homicídio Doloso Simples: é por exclusão. Quando não tem privilegio, nem qualificação. Homicídio tentado: quer matar alguém mas não consegue por motivo alheio a sua vontade responde de maneira tentada; HOMICÍDIO CULPOSO – art. 121, §3º: Quando por um descuido/acidentalmente (negligencia, imprudência ou imperícia) o resultado é morte – ex.: vaso deixado na sacada aberta e por conta de um vento o vaso cai e acerta um transeunte. Homicídio Culposo de Trânsito: quando a gente está na direção de veículo automotor (que necessita de carteira de habilitação), o motorista é descuidado ao dirigir e por descuido acaba matando alguém. Não quer cometer o crime, porém por descuido acaba cometendo o crime. Detenção de 2 a 4 anos. Homicídio Culposo no CP: é aquele que por um descuido mata alguém (ex.: médico que esquece pinça na barriga de alguém). Detenção de 1 a 3 anos. ATENÇÃO: No crime de homicídio culposo e no crime de homicídio culposo de transito quando as consequências do fato são tão graves para o agente (decorrentes de vínculo afetivo entre a vítima e o autor – ex.: pai e filho) que a pena se torna desnecessária não haverá punição Se ocorre um perdão judicial, mas não há punição (é o perdão do chifre, quando a pessoa perdoa mas a traição continua existindo), o crime continua existindo. PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO E AUTOMUTILAÇÃO – art. 122 – Pacote Anti Crime: Conduta típica: influenciar uma vítima (ex.: falar para alguém que está na ponte falando que vai se matar para ela se matar e ela se joga e morre). Ela não faz, mas faz a própria pessoa fazer. Pode se dar por meio de: 1. indução: fazer nascer a ideia (ex.: a vida da pessoa está maravilhosa, mas chega alguém e fala que o mundo está uma desgraça, que todo mundo vai morrer); 2. instigação: a pessoa já tem a ideia de fazer algo e você instiga (ex.: a pessoa já quer cortar o pulso, você vai e fala para ela fazer mesmo); 3. auxílio: quando você fornece meios para que ela possa chegar ao resultado final (ex.: dá as cordas para quem já quer se matar); SE APLICA AO SUICÍDIO E A AUTOMUTILAÇÃO. Consumação: ocorre com a indução, com a instigação ou com o auxílio, MESMO QUE A VÍTIMA NÃO ATENTE CONTRA A PROPRIA VIDA OU A INTEGRIDADE FÍSICA. Qualificação pelo resultado: casos de aumento de pena: 1. Caso de morte; 2. Lesão grave ou gravíssima. ATENÇÃO: Vítimas especiais (menor de 14 anos, pessoas com doenças mentais ou se a vítima for coagida) é considerado o crime de homicídio ou lesão corporal (responde pelo fato produzido pelo agente). INFANTICÍDIO – art. 123: É a hipótese onde uma mãe sob influência do estado puerperal comete um homicídio, matando seu próprio filho, durante o parto ou logo após a ele (ex.: se for quatro meses após o parto não se caracteriza o infanticídio e sim homicídio). Ela age com dolo, ela tem que querer matar o próprio filho. ATENÇÃO: É possível a comunicabilidade de circunstancia pessoal do crime por meio do concurso de pessoas, o terceiro que ajudou pode responder pelo infanticídio (ex.: pai, enfermeiro, amigo, etc). O terceiro que divide tarefas com a mãe que está sob influência do estado puerperal para matar o próprio filho logo após o parto responderá por infanticídio desde que saiba que a mãe está sob influência do estado puerperal (obs.: se a enfermeira mata a criança porque ela está chorando demais é lhame subjetivo diferente, ela responde por homicídio). Erro sob pessoa no caso de infanticídio: por mais que a mãe tenha matado a criança errada, se aplica a vitima virtual, como se ela tivesse matado o próprio filho. Se a mãe sabendo que está matando o filho de outrem se trata de homicídio (ex.: matou o filho da vizinha que era bonito). LESÃO CORPORAL – art. 129: Conduta típica: ofender a integridade física de alguém e também há ofensa contra a saúde. ATENÇÃO: para caracterizar a lesão corporal a vítima não precisa sentir dor (ex.: serra as pernas de alguém que está anestesiado num hospital). A lesão não precisa ser aparente. MODALIDADES DE LESÃO CORPORAL: · Dolosa: quando o agente quer machucar a vítima. Ele age com o dolo de ferir alguém e não de matar. Sendo: Lesão corporal grave, ocorre quando: · o agente fica incapaz de realizar as ocupações habituais, por mais de trinta dias: aplica-se para qualquer tipo de ocupação (pode ser trabalho, atividade física, pode ser ato voluntário, mesmo que não remunerada. O único tipo de lesão corporal que não se enquadra é o ilícito – ex.: quebrou o braço de um ladrão e ele não pode roubar mais). Se observa o art. 168, § 2º, CPP para realizar a prova da incapacidade via laudo, devendo a vítima retornar após 30 dias para refazer o laudo e verificar se persiste a lesão; · Perigo de vida: agente portador de doença contagiosa que propositalmente age para que a sua doença seja contraída por outrem (ex.: quis transmitir covid e a pessoa foi parar na UTI por 5 dias); · Debilidadepermanente de membro, sentido ou função: enfraquecimento sem perspectiva de cura em quaisquer membros, sentidos ou função do corpo. ATENÇÃO: aos órgãos duplos, quando se perde um dos órgãos duplos se enfraquece a função, por isso é lesão corporal grave; · Antecipação do parto: quer agredir uma mulher grávida mas sem dolo de praticar um aborto, porém a criança nasce antes do tempo viva. Lesão corporal gravíssima, ocorre quando: · Incapacidade permanente para o trabalho específico da vítima e não qualquer trabalho (não tem perspectiva de melhora e volta ao trabalho – ex.: dá um tiro na mão de um pintor); · Enfermidade incurável: quando transmite uma doença incurável para alguém (ex.: quando o agente tem a intenção de transmitir o vírus do HIV para alguém); · Perda ou inutilização de membro, sentido ou função: ex.: perda de um braço, perda de visão. · Deformidade permanente: quando a lesão corporal cria uma deformidade, uma cicatriz, algo que foge da normalidade e que sozinho não vai se reconstituir (ex.: uma cicatriz enorme no rosto; marido que arranca o bico do seio da esposa; quando alguém joga ácido no rosto de alguém); · Aborto: o agente quer lesionar mas a mulher acaba perdendo o bebe (ex.: deu um tapa no rosto da mulher e ela acaba perdendo o bebe). Lesão corporal seguida de morte, ocorre quando (crime preterdoloso): O agente não queria matar, nem assumiu o risco de matar a vítima. Ele queria apenas lesionar a vida. (ex.: o agente sai para tomar uma cerveja mas acaba virando a noite e chega em casa 6h da manhã tendo reunião no trabalho as 8h – dolo não era virar a noite, mas acabou acontecendo). No crime só queria lesionar, mas ocorre a morte da vítima (ex.: dá um tiro na mão e por um motivo qualquer a pessoa morre, não responde pela morte só responde pela lesão corporal). Lesão corporal simples/leve, ocorre quando: Não está enquadrada em nenhuma das outras hipóteses citadas anteriormente (ex.: um soco no olho que deixa seu olho roxo por dois dias). Lesão corporal culposa: o descuido causa uma lesão corporal na vítima (ex.: mãe que deixa cair sem intenção uma bacia de água quente na criança e ela tem várias queimaduras – responde por lesão corporal culposa). Não há que se falar em lesão corporal culposa grave ou gravíssima. Há também a possibilidade de lesão culposa de trânsito, quando ocorre na direção de veículo automotor. Cabe perdão judicial em ambas hipóteses de lesão corporal culposa (a normal e a de trânsito). Ação Penal: regras de processamento do crime de lesão corporal. 1. É crime de ação penal publica incondicionada: não é necessária representação/autorização da vítima; 2. Exceções: a. lesão dolosa leve: é publica condicionada a representação. ATENÇÃO: não se aplica para crimes de violência doméstica – é crime de ação penal pública incondicionada, o MP oferece denuncia mesmo sem representação da vítima (Súm. 542, STJ); b. lesão corporal culposa do CP: é ação penal pública condicionada; c. lesão corporal culposa de trânsito: é ação penal pública condicionada. ATENÇÃO: não se aplica em caso de embriaguez – o crime se tornará de ação penal pública incondicionada. image1.png