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S IS T E M A D E IN F O R M A Ç Õ E S D E M A R K E T IN G J O S E L M O R E Z E N D E JOSELMO REZENDE Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6539-4 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 3 9 4 Código Logístico 58950 Vivemos um momento único na transformação dos negócios. Diversas oportunidades se apresentam para as organizações e novos negócios são criados enquanto outros deixam de existir. As organizações possuem acesso a informações como nunca se viu antes, pois estão disponíveis de forma gratuita na web. O conhecimento não é mais centralizado ou monopolizado, nem mesmo possui alto custo, já que os computadores deixaram de ser grandes investimentos e passaram a ser somente um componente a mais na implantação dos sistemas informatizados das organizações. Nesse contexto, entender os dados gerados no mercado e transformá-los em informações consistentes para a tomada de decisão nas organizações, deixando- as disponíveis na hora certa para o indivíduo certo, ainda é um desafio. Implantar um Sistema de Informações de Marketing (SIM) nas empresas é complexo, pois envolve não somente infraestrutura, mas também pessoas, processos e conhecimento de onde buscar dados efetivos. Dentro desse cenário, esta obra tem por objetivo trazer um panorama sobre o SIM no ambiente empresarial. Sistema de Informações de Marketing Joselmo Rezende IESDE 2020 Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: INGARA/Shutterstock CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ R356s Rezende, Joselmo Sistema de Informações de Marketing / Joselmo Rezende. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 122 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6539-4 1. Marketing - Administração. 2. Serviços de informação. 3. Sistemas de recuperação da informação - Comercialização. I. Título. 19-61537 CDD: 658.8 CDU: 658.8 Joselmo Rezende Mestre em Administração Estratégica com ênfase em Marketing pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). MBA em Gestão Empresarial Estratégica pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Marketing pela Faculdade Católica de Administração e Economia (FAE). Graduado em Administração pela FAE. Professor no ensino superior e executivo de negócios em empresas nacionais e multinacionais nos segmentos automobilístico, tecnológico, educacional e de serviços. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 9 1.1 Conceito de sistema de informações 10 1.2 Micro e macroambiente 14 1.3 A informação nas organizações 19 1.4 Evolução e classificação dos sistemas de informações 22 1.5 A função do Sistema de Informações de Marketing 27 2 Modelos de Sistema de Informações de Marketing 32 2.1 Modelo de Kotler 33 2.2 Modelo de Mattar e Santos 35 2.3 Modelo de Rochas e Coquard 37 2.4 Modelo de Semenik e Bamossy 39 2.5 Modelo de Sandhusen 40 2.6 Modelo de Chiusoli e Ikeda 42 3 Pesquisas mercadológicas 47 3.1 Conceitos e visão de pesquisa 48 3.2 Informações quantitativas e qualitativas 53 3.3 Pesquisa quantitativa 57 3.4 Pesquisa qualitativa 58 3.5 Coolhunting e pesquisa de tendências 62 4 Processo decisório de gestão com base em informações 69 4.1 Definição de dados e informações 70 4.2 Conversão de dados em informações 73 4.3 Previsão e mensuração de resultados 75 4.4 Tipos de decisões 78 4.5 Mundo digital e a influência no processo decisório 81 SUMÁRIO 5 Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 86 5.1 Banco de dados 87 5.2 Data warehouse 90 5.3 Data mining 93 5.4 Database marketing e a segmentação do mercado 95 5.5 Indústria 4.0 99 6 Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 105 6.1 Avaliação da produtividade e aplicabilidade dos sistemas 106 6.2 Sistemas de informação 109 6.3 Ética aplicada à coleta de dados e informações 113 6.4 Alta gestão e o Sistema de Informações de Marketing 116 APRESENTAÇÃO Vivemos um momento único na transformação dos negócios. Diversas oportunidades se apresentam para as organizações e novos negócios são criados enquanto outros deixam de existir. As organizações possuem acesso a informações como nunca se viu antes, pois estão disponíveis de forma gratuita na web. O conhecimento não é mais centralizado ou monopolizado, nem mesmo possui alto custo, já que os computadores deixaram de ser grandes investimentos e passaram a ser somente um componente a mais na implantação dos sistemas informatizados das organizações. Nesse contexto, entender os dados gerados no mercado e transformá-los em informações consistentes para a tomada de decisão nas organizações, deixando-as disponíveis na hora certa para o indivíduo certo, ainda é um desafio. Implantar um Sistema de Informações de Marketing (SIM) nas empresas é complexo, pois envolve não somente infraestrutura, mas também pessoas, processos e conhecimento de onde buscar dados efetivos. Dentro desse cenário, esta obra tem por objetivo trazer um panorama sobre o SIM no ambiente empresarial. No Capítulo 1, apresentamos os conceitos iniciais do SIM e as definições de autores e pesquisadores do tema. Refletiremos também sobre como trabalhar as informações nas organizações e sua importância na tomada de decisão. Abordaremos o SIM sob os aspectos dos micro e macroambientes, e veremos como esse sistema funciona, bem como sua evolução e classificação. No Capítulo 2, conheceremos os modelos de SIM de diferentes autores. O objetivo é entender suas características e sua complexidade; desse modo, poderemos analisar a realidade das organizações a fim de implantar o modelo mais adequado e orientado à realidade. Já no Capítulo 3, discutiremos conceitos gerais sobre a pesquisa de mercado e a obtenção e geração de informações relativas à tomada de decisão, assim como suas fontes, procedimentos apropriados e os tipos de pesquisa e informações coletadas. No Capítulo 4, veremos conceitos ampliados sobre dados e informações, e entenderemos de que maneira devemos investigá-los nas empresas e no ambiente de marketing. Discutiremos também o modo de transformar dados em informações pertinentes à tomada de decisão e os diferentes tipos de decisões que podemos tomar. Apresentaremos, ainda, o ambiente tecnológico com o qual nos deparamos atualmente. No Capítulo 5, nosso conhecimento sobre banco de dados, data warehouse, data mining, database marketing, indústria 4.0 e tecnologias utilizadas no SIM será ampliado, uma vez que cada um desses sistemas, assim como suas definições, possui pontos distintos e peculiares com relação às características técnicas e a seu uso dentro das empresas. Por fim, no Capítulo 6, focaremos a questão ética da coleta de informações e sua aplicabilidade no dia a dia das organizações; entenderemos a sua importância na coleta de informações, bem como os principais pontos da nova Lei de Proteção de Dados, vigente no Brasil desde 2018. Enfim, esta obra tem por objetivo contribuir para os estudos sobre os Sistemas de Informações de Marketing e servir como suporte a quem trabalha com eles, que atua em áreas de inteligência ou que pretende se aprofundar no tema. Bons estudos! ConceitosPodemos notar, assim, que mais autores apresentam o SIM como um sistema que integra equipamentos e máquinas e, neces- sariamente, recorre a subsistemas e procedimentos para que o proces- so possa acontecer de maneira contínua e integrada. Figura 4 Sistema de Informações de Marketing – Modelo de Semenik e Bamossy Informações geradas Entrada de dados: Fontes de informações Análise de dados Saída de dados Resultados Análise de oportunidades de marketing (previsões de vendas, tamanho do mercado e tendências de consumo) 1 Identificação de oportunidades 1 Planejamento estratégico 2 Avaliação de desempenho 3 Planejamento do marketing mix (produto, preço, distribuição e comunicação) 2 Implementação das estratégias de marketing (segmentação, diferenciação, posicionamento e competitividade) 3 Controle: dados de desempenho (custos, vendas, lucros e participação de mercado) 4 Análise quantitativa e qualitativa 1 O consumidor (demografia, estilo de vida, atitudes, necessidades, intenções e comportamentos) 1 Sistema de marketing (distribuidores, atacadistas, varejistas e fornecedores) 2 Ambiente (concorrência, tendências culturais, político-legislativo, tecnologia e economia) 3 Operações internas (pesquisa e desenvolvimento, produção, administração, força de vendas, registros financeiros) 4 Atividades e registros internos da organização (dados secundários) 1 Sistema de acompanhamento do ambiente (dados secundários) 2 Projeto de pesquisa de mercado (dados primários) 3 Fonte: Semenik; Bamossy, 1995, p. 89. 40 Sistema de Informações de Marketing Neste modelo, temos, primeiro, as fontes de informações. Elas podem ser fontes primárias (projetos de pesquisas de mercado), ela- boradas para gerar dados adequados à necessidade de informações específicas dos tomadores de decisão, ou secundárias (dados inter- nos da organização e sua operação), cuja relevância é verificada pelo gestor do SIM. A segunda fase é composta pelas informações geradas a partir dos dados primários e secundários. Segundo os autores, as informações mais pertinentes se referem aos clientes, pois, a partir deles, a organi- zação pode ser competitiva e bem-sucedida em atender às necessida- des do mercado e dos consumidores. Uma vez completada essa etapa, são realizadas várias análises de dados, tanto com técnicas qualitati- vas, que usam informações não numéricas, quanto quantitativas, que enfatizam dados e métodos estatísticos e de probabilidade, a fim de gerar informações relevantes para a tomada de decisão. Feitas as análises, ocorre a saída de dados. São gerados dados e in- formações para as análises de oportunidades, de decisões sobre o mix de marketing (preço, produto, promoção e praça) e de estabelecimento de estratégias de segmentação, posicionamento e competitividade no mer- cado. Há também o acompanhamento de dados de desempenho que per- mitam corrigir ou melhorar o planejamento e as decisões tomadas. Na última etapa, temos os resultados e podemos, então, identificar as oportunidades de mercado, corrigir, melhorar ou alterar o planeja- mento estratégico e avaliar o desempenho no mercado de acordo com as decisões tomadas. 2.5 Modelo de Sandhusen Vídeo Para Sandhusen (2010, p. 132), em um sistema de marketing efi- ciente, as funções de vendas, pesquisa, propaganda etc. “interagem de forma sinérgica com outros sistemas internos e externos, incluindo outros departamentos, grupos de clientes, distribuidores e agentes externos, para alcançar metas organizacionais atendendo às necessi- dades dos clientes-alvo”. O SIM trabalha em conjunto para satisfazer o mercado-alvo (nessa visão, falamos das necessidades dos consu- midores e dos objetivos da organização). Sandhusen (2010, p. 157) define um SIM como: Modelos de Sistema de Informações de Marketing 41 No vídeo Case de Sucesso: Coelbra implanta o SAP Business One, publicado pelo canal ALFA Sistemas de Gestão, é explicado que o crescimento de 40% ao ano obrigou a organização Coelbra a buscar um software que desse acesso à informa- ção em tempo real, dire- tamente nos dispositivos móveis dos gestores. Disponível em: https://youtu. be/4hEsN91G8SA. Acesso em: 4 dez. 2019. Vídeoum sistema integrado de dados, análise estatística, modelos e formatos de exibição dependente de tecnologia de hardware e software de computador, que junta, classifica, avalia, armaze- na e distribui informação precisa e oportuna para a utilização pelos executivos de marketing a fim de aperfeiçoar o planeja- mento, a organização, a implementação e o controle. Podemos perceber que o autor ressalta a importância da integra- ção dos recursos humanos e tecnológicos, bem como a necessidade de tratamento da informação e sua distribuição correta. É colocada, assim, a necessidade de processos e procedimentos para que elas ocorram de forma oportuna. Figura 5 Sistema de Informações de Marketing – Modelo de Sandhusen Pedidos Input (estimado) Gerente Registro internoOutput dos sistemas (impressora e monitor) Armazenamento de dados e informações Unidade de processamento eletrônico de dados Custos da empresa Mercado (relatórios regulares de vendas e estudos de propósitos especiais) Ambiente Construção do modelo e análise (programas, planos, mercado-alvo, compostos, elemento individual do composto) Análise de vendas e custo (para controle e planejamento) Interação dos Gerentes Fluxo de dados O SIM imaginado pelo gerente de marketing Fonte: Chiusoli; Ikeda, 2010, p. 82. Nesse modelo, temos um esforço grande de planejamento estraté- gico, pois toda e qualquer interação do gerente necessita de informa- ções para o posicionamento e promoção dos objetivos de interesse. 42 Sistema de Informações de Marketing Podemos identificar quatro subsistemas que suportam a visão do gerente de marketing no modelo apresentado por Sandhusen: Todo e qualquer registro contábil interno da empresa, como lucros, gastos, compras, vendas por áreas, vendedores e clientes. CONTABILIDADE INTERNA Informações de marketing obtidas de jornais, revistas, relatórios, exposições, feiras e vendedores. INTELIGÊNCIA DE MARKETING Auxílio aos administradores na tomada de decisão, incluindo a utilização de mo- delos e gráficos. Forma sistemática de coletar, re- gistrar e analisar dados relativos a problemas e oportunidades de marketing, podendo ser constan- te ou pontual. CIÊNCIA DE MARKETING PESQUISA Além disso, nesse modelo, fazemos a leitura da parte inferior para a superior, em que são gerados relatórios regulares de vendas e do ambiente de marketing. Eles são armazenados num repositório de da- dos e informações, onde são compilados, tratados e transformados em informações e, posteriormente, reportados como outputs do sistema, para o gerente, e análises de vendas e custos. Esses resultados servem como base para a construção do modelo e para a análise de programas, planos e ações do mercado que vêm por meio de pedidos do gerente. 2.6 Modelo de Chiusoli e Ikeda Chiusoli e Ikeda (2010) definem que o SIM trata de organizar dados analisados por relatórios e modelos estatísticos, transformando núme- ros brutos em informações, dando subsídios ao gerente de marketing. Para os autores, a base desse processo consiste em: • Sistema: toda estrutura que trata dos dados brutos, informa- ções, relatórios e modelos estatísticos, satisfazendo os objetivos de marketing. Os dados são extraídos de várias fontes, internas e externas, tratados por meio de relatórios ou modelos estatísticos Vídeo Modelos de Sistema de Informações de Marketing 43 e, por fim, resultam em informações que embasam as decisões de marketing. • Informação: obtida a partir dos dados definidos como números brutos não tratados pelo sistema. Auxilia a tomada de decisões. • Marketing: é responsável por tomar decisões quanto a produ- tos, consumidor, forças de vendas, mercado e outras informa- ções que influenciam o resultadoda organização. O modelo apresenta uma sequência processual de atividades na to- mada de decisão, conforme vemos na Figura 6. Figura 6 Sistema de Informações de Marketing – Modelo de Chiusoli e Ikeda Subsistemas (base de dados internos) Decisões de produtos e serviços Decisões de canal Tomador de decisão Executivo de marketing Decisões de preço Decisões de comunicações Subsistema de pesquisa de marketing Subsistema de inteligência de marketing Si st em a de a po io a d ec is õe s de m ar ke tin g Pl an ej am en to e e st ru tu ra Se gm en ta çã o e po si ci on am en to Subsistemas de entradas Processamento de dados Decisões de marketingFonte de dados Ambiente interno Ambiente externo SIM como atividade estratégica Fonte: Chiusoli; Ikeda, 2010, p.85. Nesse modelo são seguidas as etapas: • Fonte de dados: tem como base o ambiente de marketing (micro e macro) e os dados internos da organização. • Subsistemas de entradas: são informações originadas de dados secundários e primários. Os dados secundários resultam das fon- tes internas à organização e os dados primários vêm das fontes externas, como pesquisas de marketing e sistemas de inteligên- cia de marketing. Compare dois modelos apresen- tados neste capítulo, apontando semelhanças e diferenças. Atividade 2 44 Sistema de Informações de Marketing • Processamento de dados: é basicamente composto pelos siste- mas de tecnologia de informação e comunicação, que devem dar suporte às decisões de marketing, tanto com hardware quanto com software. • Decisões de marketing: apresenta duas divisões no processo. A primeira é o desenho do planejamento de marketing e do po- sicionamento e segmentação do mercado, público-alvo ou equi- valente, e serve como base para a segunda divisão. A segunda consiste nas decisões sobre produtos e serviços (margem, preço de mercado, posicionamento e custo), canais (canal de distribui- ção/venda, revendedores, atacadistas etc.), preço (em relação à concorrência) e comunicação (público-alvo, posicionamento de mercado, veículos de comunicação, formato de propaganda etc.). • Tomador de decisão: é o responsável pela decisão final, com base nas análises realizadas. Para que ele possa ser assertivo, é necessário que as informações sejam precisas e convenientes. Destacamos as decisões de marketing de maneira mais ampla por- que esse subsistema congrega todos os dados que são coletados pelos subsistemas de entradas. Estes são responsáveis pela coleta de dados dos ambientes internos e externos e pelo encaminhamento para o de- vido processamento de dados, transformando-os em informações para as decisões de marketing e, então, gerando informações para os toma- dores de decisões e executivos de marketing. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebemos neste capítulo que diversos autores descrevem o SIM. Apesar de divergirem quanto às necessidades, devemos lembrar que alguns modelos apresentados tiveram início na década de 1960 ou 1970. Mesmo assim, segundo Chiusoli e Ikeda (2010), existem pontos em co- mum em todos os modelos apresentados – o sistema, a informação e o marketing –, e cada autor destaca um ou outro processo com mais ênfase. Além disso, identificamos que os modelos apresentados seguem princípios semelhantes de coleta de dados, tratamento das informações, análise e tomada de decisão. Assim, apresentamos uma síntese do SIM de cada autor a seguir. Modelos de Sistema de Informações de Marketing 45 Quadro 1 Síntese de modelos de SIM quanto aos subsistemas e formas de uso Autores Componentes Destaques Kotler 1. Sistemas de pesquisa de marketing (aná- lise); 2. Sistemas e inteligência de marketing (análise e controle externo); 3. Sistemas de registros internos (controle interno); 4. Sistema de apoio à decisão de marke- ting (análise e tomada de decisão). Um dos modelos mais conhecidos na literatura. Tem uma forma mais com- pleta e abrangente, com introdução da inteligência de marketing, sistemas analíticos e uso dos dados por meio de registros internos. Mattar e Souza 1. Pesquisa de marketing (análise); 2. Informações competitivas (análise e controle externo); 3. Informações internas (busca); 4. Monitoramento ambiental (aná- lise e tomada de decisão). Cita um sistema cuja fonte de da- dos provém da coleta de pesquisa de marketing, informações competitivas, informações internas e monitoramento ambiental. Chiusoli e Ikeda 1. Fonte de dados (interno e externo); 2. Subsistemas de informações; 3. Processa- mento das informações; Planejamento e de- cisões de marketing; 5. Tomador de decisão. Considera três componentes básicos: registros internos, pesquisa de marke- ting e inteligência competitiva. Rochas e Coquard 1. Análises (internas, de ações, das infor- mações de pesquisas e do ambiente); 2. Planejamento (plano de marketing); 3. Controle (feedback). Compara o SIM e o plano de marketing. A tarefa do Sistema de Informações de Marketing é auxiliar a elaboração do plano de marketing por meio de sub- sistemas de pesquisa, do composto de marketing e da análise da concorrência. Semenik e Bamossy 1. Registros internos da empresa (controle interno); 2. Acompanhamento do ambien- te (análise e controle externo); 3. Pesquisa de mercado (análise). Considera como fonte de informações as entradas de dados alimentados por registros internos da empresa, acom- panhamento do ambiente externo e pesquisa de mercado para a geração das informações necessárias ao auxílio à tomada de decisões. Sandhusen 1. Informações de mercado (análise e con- trole externo); 2. Ambiente de marketing (análise e controle externo); 3. Pesquisa de marketing (análise) Considera as informações de mercado, do ambiente de marketing e da pesqui- sa de marketing. Fonte: Adaptado de Chiusoli; Pacagnan, 2009; Chiusoli; Ikeda, 2010. Destacamos que todos os modelos precisam de uma pesquisa de marketing e do uso de técnicas de inteligência. Além disso, os mo- delos mais atuais não descartam a utilização massiva de siste- mas computacionais para o tratamento das informações e a forte interação entre máquina, sistemas, recursos humanos e processos para a for- mação de um SIM que atenda à necessidade de toma- da de decisões nas empresas. Existe um modelo de SIM aplicável a todos os segmentos da indústria? Justifique. Atividade 3 46 Sistema de Informações de Marketing REFERÊNCIAS CHIUSOLI, C. L.; IKEDA, A. A. Sistema de informação de marketing. São Paulo: Atlas, 2010. CHIUSOLI, C. L.; PACAGNAN, M. A importância das informações de mercado como apoio a tomada de decisões de marketing. Revista de Gestão, São Paulo, v. 16, n. 2, p. 83-100, 2009. KOTLER, P. Administração de marketing: análise, planejamento, implantação e controle. São Paulo: Atlas, 1995. MATTAR, F. N. S.I.M. - Sistemas de informação de marketing. Revista Mercado Global, ano XIII, n. 67, p. 24-45, 1986. MATTAR, F. N.; SANTOS, D. G. Gerência de produtos - como tornar seu produto um sucesso. São Paulo: Atlas, 2003. SANDHUSEN, R. L. Marketing Básico. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. SEMENIK, R. J.; BAMOSSY, G. J. Princípios de marketing - uma perspectiva global. São Paulo: Makron, 1995. GABARITO 1. As quatro maneiras são: • Visão indireta: exposição geral das informações sem um objetivo específico. Ex.: análise do mercado para acompanhar a movimentação e novas perspectivas de consumo. • Visão condicionada: exposição direta sem uma busca ativa. Ex.: recebimento de re- latórios de mercado para análises, mas que podem trazer padrões desconhecidos. • Busca informal: esforço limitado, não estruturado. Obtém informações para um propósito específico. Ex.: esforço de um gestor visitando pontos de vendas para entender a exposição de produtos da concorrência e layout das lojas. • Busca formal: esforço deliberado e com um plano, procedimento ou metodologia para obtenção de informações específicas. Ex.: pesquisa estruturada com meto- dologia para identificaro comportamento de consumo de um mercado específico. 2. Você pode escolher qualquer um dos modelos apresentados neste capítulo. Como exemplo, vamos comparar os modelos de Kotler e Mattar e Souza. O modelo de Kotler possui os seguintes componentes: sistemas de pesquisa de marketing (análise); sistemas de inteligência de marketing (análise e controle externo); sistemas de registros internos (controle interno); e sistemas de apoio à decisão de marketing (análise e tomada de decisão). O modelo de Mattar e Souza apresenta componentes bem parecidos com os de Kotler, que são: pesquisa de marketing (análise); informações competitivas (análise e controle externo); informações internas (busca); e monitoramento ambiental (análise e tomada de decisão). Percebemos, assim, que ambos os modelos se preocupam com as etapas de análise, controle externo e tomada de decisão. 3. Não. Cada segmento de mercado e cada organização, mesmo dentro de um segmento específico, possui características próprias e peculiaridades inerentes aos negócios. Imaginemos dois restaurantes, porém um deles oferece o produto por quilo e o outro, à la carte (serve na mesa). O primeiro precisa de um SIM que controle o peso da balança, a comida que é abastecida durante o serviço, a produção na cozinha em grandes volumes, com médias de consumo por dia no mês etc. O segundo, além da produção de pratos específicos, deve controlar também os clientes, entender os seus pedidos, relacionar-se com eles, o tipo de comida e bebida a oferecer etc. Assim, percebemos que o mesmo segmento pode apresentar características bem diferentes. Pesquisas mercadológicas 47 As informações do ambiente de marketing influenciam diretamente o Sistema de Informações de Marketing (SIM) e podem ser obtidas por meio da verificação constante de informações, acompanhando-as sistematicamente e detendo aquelas pertinentes ao dia a dia da organização, ou da pesquisa de marketing, que obtém informações específicas sobre um determinado assunto para planejamentos futuros. Uma pesquisa de marketing, também chamada de pesquisa de mercado, deve ser planejada em todo o seu processo; não basta ir a campo e coletar dados. Ela deve ser sistemática e ter um objetivo claro e definido, pensando em uma situação específica sobre a qual se deseja conhecer mais. O intuito de realizar uma pesquisa de mercado é obter informações do ambiente que possibilitem às empresas conhecerem melhor seu público-alvo. Portanto, ela é crucial para o SIM após seu processamento, para a tomada de decisões. A prática constante de coleta de informações e pesquisa de mercado deve ser intrínseca à cultura da organização para que suas decisões sobre planos futuros tenham menos erros ou incertezas. Portanto, neste capítulo, iremos discutir conceitos gerais sobre a pesquisa de marketing e a obtenção de informações relativas à tomada de decisões. Além disso, pretendemos apresentar o papel da pesquisa na geração de informações, as fontes de pesquisa, os procedimentos apropriados e os tipos de pesquisa e de informações (qualitativas e quantitativas). Por fim, abordaremos dois conceitos relativamente novos no ambiente corporativo: pesquisa de tendências e coolhunting. Pesquisas mercadológicas 3 48 Sistema de Informações de Marketing 3.1 Conceitos e visão de pesquisa Vídeo Para Semenik e Bamossy (1995), a pesquisa de marketing deve ser uma coleta sistemática e organizada, e sua interpretação deve apre- sentar informações relevantes para a tomada de decisões nessa área. Chiusoli e Ikeda (2010) também reforçam essa ideia, destacando que a pesquisa deve descobrir e/ou descrever fatos, atitudes e opiniões, ou mesmo verificar a correlação de dados relevantes. Para Paixão (2012, p. 83), ela “deve ser vista como um investimento que tem por objetivo responder a questões cruciais com o objetivo de reduzir riscos e incer- tezas de qualquer decisão que deva ser tomada”. Assim, devemos encarar a pesquisa de marketing como um inves- timento feito pela organização, e não como uma despesa. Ela deve constar na planilha orçamentária e ser considerada como um fator estratégico no planejamento das organizações. A pesquisa deve estar integrada ao plano de lançamento de produtos e serviços, por exem- plo, a fim de responder as primeiras perguntas de viabilidade, posicio- namento, público-alvo etc. Chiusoli e Ikeda (2010, p. 112) também expõem a definição apre- sentada pela American Marketing Association (AMA) sobre pesquisa de marketing: é a função que liga o consumidor, o cliente e o público ao marketing através da informação – informação usada para identificar e definir oportunidades e problemas de marketing; gerar, refi- nar e avaliar a ação de marketing; monitorar o desempenho de marketing; e aperfeiçoar o entendimento de marketing como um processo. Outra descrição para a pesquisa de marketing é apresentada por Branco (2007, p. 24), como sendo “a identificação, coleta, análise e disseminação de forma sistemática e objetiva (...) [cuja utilidade é] as- sessorar a gerência na tomada de decisões”. Kotler (1995) corrobora essa definição e acrescenta que a pesquisa apresenta informações re- levantes sobre determinada situação enfrentada por uma organização. Reichelt (2013 apud ALVES, 2018) dá sua contribuição, destacando que não existe marketing sem pesquisa e que as informações coletadas são essenciais para o sistema de informações. Pesquisas mercadológicas 49 Portanto, a pesquisa de marketing deve ser controlada e sistemática, ou seja, precedida de procedimentos e objetivos específicos. Devemos então prever ferramentas de monitoramento e controle para obtermos os resultados desejados e sua disseminação. Reforçamos que os pro- cedimentos são necessários para que a informação possa realmente apoiar a tomada de decisão dos gestores de marketing. Alguns auto- res apresentam o processo de pesquisa como um subsistema do SIM, o que reforça a perspectiva de que o sistema de informações não é isolado ou pontual, mas sim processual e contínuo. É necessário compreender o processo de pesquisa e ter seus ob- jetivos definidos para que os resultados sejam claros e efetivos. Para que isso aconteça, precisamos ter uma sequência bem definida, como a apresentada por Chiusoli e Ikeda (2010), a seguir. Figura 1 Processo de pesquisa segundo Chiusoli e Ikeda (2010) Desenvolvimento do plano de pesquisa para coleta de informações Implementação do plano de pesquisa, coleta e análise de dados Definição do problema e dos objetivos de pesquisa 1. apresentação do problema 2. objetivos da pesquisa 3. questões e hipóteses 4. fontes de informação 5. orçamento e cronograma 6. metodologia 6.1. população 6.2. amostragem 6.3. forma de coleta de dados 6.3.1. levantamento 6.3.1.1 estruturada – não disfarçada 6.3.1.2 estruturada – disfarçada 6.3.1.3 não estruturada – não disfarçada 6.3.1.4 não estruturada – disfarçada 6.3.2. observação 6.3.3. experimental 6.4. determinação da forma de aplicação do instrumento 6.5. equipe de aplicação 6.6. controle de aplicação 7. processamento de dados 7.1. formas de codificação 7.2. formas de tabulação 8. análise de dados 9. formato e principais elementos do relatório final Interpretação e apresentação dos resultados Fonte: Adaptado de Chiusoli e Ikeda, 2010, p. 114. No modelo apresentado, podemos observar que, para cada etapa, existe uma série de atividades correlacionadas e que correspondem às necessidades, o que corrobora novamente a ideia de que a pesquisa de marketing é sistemática e controlada. Kotler (1995) também apresenta um processo de pesquisa semelhan- te, destacando cada uma das etapas, conforme podemos ver na Figura 2. Imagine que será lançado um novo curso de engenharia na faculdade X em uma cidade N, no interior do estado, com uma população de 400 mil habitantes e 30 mil alunos se formando no ensino médio. Como sua organização quer saber se esse curso será viável e aceito, ela pede avocê que faça uma pesquisa de mercado. Considerando esse cenário, monte um planejamento de pesquisa segundo o modelo apresentado por Chiusoli e Ikeda (2010) e descreva o que você precisaria fazer em cada uma das etapas. Atividade 1 50 Sistema de Informações de Marketing Definição do problema e dos objetivos de pesquisa Desenvolvimento do plano de pesquisa Coleta de informações Análise de informações Apresentação dos resultados Figura 2 Processo de pesquisa segundo Kotler Fonte: Adaptado de Kotler, 1995, p. 127. Percebemos assim que todo processo de pesquisa começa com a definição do problema e dos objetivos da pesquisa. Essa é uma etapa crítica, pois direciona toda a pesquisa e, se começar de maneira errada, todo o processo ficará equivocado. Kotler (1995) acrescenta que é a administração quem deve definir o problema de modo amplo ou restrito, isto é, deve indicar o propósito da pesquisa. De acordo com Chiusoli e Ikeda (2010), uma pesquisa pode ser: • exploratória: coleta informações preliminares que ajudarão a definir o problema e as hipóteses. • descritiva: identifica o potencial do mercado para um certo produto, além dos dados demográficos e das atitudes dos seus consumidores. • causal: testa hipóteses sobre as relações de causa e efeito de variáveis relacionadas. Na etapa de desenvolvimento do plano de pesquisa, é importante determinar se a coleta de dados será feita por dados primários (co- letados por meio de pesquisa), secundários (coletados nos registros internos ou em publicações) ou ambos. Também é necessário definir como será a abordagem da pesquisa – por exemplo, se ela será qua- litativa ou quantitativa. Por serem provenientes de pesquisas, os dados primários necessi- tam de algumas definições, como a forma da abordagem da pesquisa, o método utilizado, a amostragem necessária para uma confiabilida- de de respostas e os instrumentos de pesquisa utilizados (CHIUSOLI; IKEDA, 2010). Pesquisas mercadológicas 51 Segundo Kotler (1995), a abordagem pode ser realizada por meio de: • observação em grupos relevantes; • grupos de discussão, em que o pesquisador conduz uma discus- são em um grupo determinado; • levantamento, utilizado para pesquisas descritivas quando o objetivo é levantar dados sobre algum comportamento, crença ou preferência; e • pesquisa experimental, com foco mais científico. Aplicam-se diferentes variáveis em grupos com características distintas a fim de observar se as diferenças nas respostas são significativas. Com relação à coleta, Chiusoli e Ikeda (2010) observam três deci- sões importantes: a unidade de amostragem, que identifica quem deve ser entrevistado; o tamanho da amostra, que estabelece qual univer- so será pesquisado/entrevistado; e os procedimentos da amostragem, que reforçam como serão escolhidos os entrevistados. Essa escolha pode ser: • aleatória simples: todos os elementos da população têm a mes- ma probabilidade de serem escolhidos. • aleatória sistemática: a amostra é escolhida a partir de um pon- to de partida aleatório e é criada uma regra de amostragem para cada elemento. • aleatória estratificada: é determinada uma população por es- tratos, de onde são retiradas amostras aleatórias com a mesma probabilidade de seleção. • aleatória por cluster: a população pesquisada é dividida em áreas exclusivas, como regiões. • não aleatória por conveniência (acidental): a população é se- lecionada mediante um critério de conveniência para facilitar a obtenção de informações. • não aleatória por julgamento (intencional): o pesquisador se- leciona a população a seu critério a fim de obter boas perspecti- vas e informações precisas. • não aleatória por cotas (proporcional): um número predeter- minado de pessoas em cada uma das várias categorias é identifi- cado por entrevistas. 52 Sistema de Informações de Marketing Após a coleta, é necessário tabular os dados pesquisados para que os resultados sejam formatados e apresentados da melhor forma possível. Existem diversas técnicas de tabulação e análise, mas as mais conhecidas são: regressão múltipla; análise discriminante; análise conjunta; análise fatorial; análise por conglomerado; e escala multidimensional (CHIUSOLI; IKEDA, 2010). Vejamos mais claramente essas técnicas: Quadro 1 Técnicas de tabulação e análise Regressão múltipla É uma ferramenta descritiva, na qual se desenvolve uma equação matemá- tica com a finalidade de estimar tendências de valores para uma variável de- pendente, considerando alterações nos valores das variáveis independentes. Análise discriminante É usada para classificar objetos ou pessoas em duas categorias ou mais. Pos- sui uma escala nominal de uma variável dependente com uma ou mais variá- veis independentes com uma escala intervalar ou de razão. Ou seja, tem por objetivo interpretar grupos de objetos, previamente conhecidos por meio de suas variáveis. Análise conjunta Diz respeito a diferentes ofertas, decompostas para se determinar o grau de utilidade para cada atributo e a importância destes com vistas a identificar as preferências dos entrevistados. Análise fatorial É uma técnica de interdependência que determina poucas dimensões bási- cas, limitando o número de variáveis a uma quantidade reduzida e formando um grupo que se sobrepõe às características de mensuração. Análise por conglomerado Trata o agrupamento de objetos ou pessoas similares, criando homogenei- dade entre os grupos pesquisados. Escala multidimensional Refere-se a uma técnica de interdependência com o objetivo de criar uma descrição espacial da percepção do respondente sobre um determinado objetivo. Criam-se mapas percentuais de produtos ou de concorrentes, e a medida de espaço entre os pontos do mapa representa as diferenças. Fonte: Elaborado pelo autor. Por fim, a apresentação dos resultados deve estar de acordo com as necessidades iniciais definidas. É importante apresentar os princi- pais resultados que sejam relevantes para a tomada de decisão. Vale lembrar que apresentações gráficas são mais fáceis de serem visuali- zadas e interpretadas, e que a base de dados deve estar acessível para consultas em caso de necessidade. Pesquisas mercadológicas 53 3.2 Informações quantitativas e qualitativas Vídeo Antonio Gil (2008, p. 8) afirma que a ciência tem como objetivo fundamental chegar à veracidade dos fatos. Neste sentido não se distingue de outras formas de conhecimento. O que torna, porém, o conhecimento científico distinto dos demais é que tem como característica fundamental a sua verificabilidade. Tal afirmativa reforça a necessidade de conhecermos mais assuntos diversos, não somente aqueles relativos às organizações, para conhe- cermos o mundo ao nosso redor. Para tanto, a pesquisa é uma ferra- menta imprescindível. É necessário, então, saber o que queremos pesquisar para propor- cionarmos, como resultado, informações relevantes para a tomada de decisão nas organizações. O método, o registro, o tratamento das in- formações e a forma de apresentação dos resultados são essenciais para que o gestor tenha capacidade de tomar decisões com base em informações não somente corretas, mas também claras e objetivas. Assim, discutiremos agora as características das informações que podem ser coletadas nas pesquisas. Basicamente temos dois formatos de pesquisas e informações: quantitativas e qualitativas. Normalmente, em uma pesquisa quanti- tativa, devemos entender dois conceitos básicos para classificarmos a dimensão dos indivíduos a serem pesquisados: o universo (totalidade de indivíduos com características semelhantes); e a amostra (subcon- junto do universo a ser analisado). Esse tipo de pesquisa procura fazer enumerações e/ou medições e utiliza instrumentos estatísticos na aná- lise dos dados. A amostra da pesquisa deve ser determinada a partir de concei- tos estatísticos para que o resultado seja representativo à tomada de decisão. Para definirmos o tamanho da amostra, precisamosdetermi- nar sua confiabilidade segundo a curva de Gauss (GIL, 2008). 54 Sistema de Informações de Marketing Gráfico 1 Curva de Gauss -3 σ -2 σ -1 σ +1 σ +2 σ +3 σ Fonte: Gil, 2008, p. 95. O nível de confiança da amostra se refere à área da curva normal definida a partir dos desvios-padrão em relação à sua média. Assim, de acordo com o Gráfico 1, numa curva normal, a área compreendida por um desvio-padrão à direita e um à esquerda da média corresponde a aproximadamente 68% de seu total. Já a área compreendida por dois desvios corresponde a cerca de 95,5% de seu total, e a área compreen- dida por três desvios corresponde a 99,7% do total (GIL, 2008). Uma vez entendido o nível de confiança, passamos para o erro de medição, expresso em termos percentuais. Usualmente, a estimativa de erro é indicada entre 3 e 5%. Por fim, é importante definir a probabi- lidade de o fenômeno pesquisado acontecer. Se entendermos que ele ocorre em menos de 10% das ocorrências, será necessário um número de casos bem maior do que numa situação em que a percentagem pre- sumível esteja próxima de 50%. Uma vez entendidos esses fatores, é possível calcular o tamanho da amostra. Segundo Gil (2008), amostras grandes (com mais de 100.000 indivíduos), consideradas populações infinitas, são definidas pela seguinte fórmula: n = k² p x q e² Em que: n = tamanho da amostra; k² = nível de confiança, expresso em número de desvios-padrão; p = percentagem em que o fenômeno se verifica; q = percentagem complementar (100 – p); e² = erro máximo permitido. Pesquisas mercadológicas 55 Para populações consideradas finitas (o número de elementos não supera 100.000 indivíduos), seguimos a fórmula: n = k² p x q x N e² (N – 1) + k² p x q Em que: n = tamanho da amostra; k² = nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão; p = percentagem em que o fenômeno se verifica; q = percentagem complementar; N = tamanho da população; e² = erro máximo permitido. Por sua vez, as pesquisas qualitativas levantam percepções, e não números ou medições; não utilizam instrumentos estatísticos na análi- se dos dados. Nesse formato de pesquisa, o objeto parte de questões mais amplas e se define à medida que a pesquisa se desenvolve. O pes- quisador entra em contato direto com a situação estudada e procura compreender os fenômenos segundo o ponto de vista dos indivíduos (GODOY, 1995). Seus resultados são dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos e são expressos em percepções e re- latos, descritos pelos indivíduos entrevistados, e perfis descritivos de personalidade, de atitudes e de percepções ambientais. Para o levantamento dos dados qualitativos e quantitativos, pode- mos tomar diversos caminhos. Entretanto, é importante testar as hi- póteses da pesquisa a fim de determinar se estão alinhadas com os resultados esperados. Também é importante testar o formato de co- leta dos dados para saber se o resultado final estará de acordo com a hipótese da pesquisa. Há vários formatos de coleta de dados. Gil (2008) apresenta dois grandes grupos: aqueles que se valem das fontes de “papel”; e aqueles cujos dados são fornecidos por pessoas. O autor destaca que as no- menclaturas podem variar entre pesquisadores, porém a grande maio- ria se encaixa nos modelos que descreveremos a seguir. A pesquisa bibliográfica parte da análise de livros, artigos, relató- rios e periódicos já apresentados. Sua vantagem é permitir ao inves- tigador cobrir uma gama de fenômenos muito maior do que poderia pesquisar diretamente, já que tem acesso a fontes e informações que poderiam ser custosas se fossem procuradas por esforço próprio. Porém, é importante confirmar se as fontes de referência são confiáveis Seguindo os dados da Atividade 1, considere o universo de clientes da faculdade X e calcule o tama- nho da amostra a ser pesquisada. Considere os valores de 95,5% de nível de confiabilidade e 5% de desvio. Além disso, você deve observar que o fenômeno não ocorre em mais de 10% dos casos. Atividade 2 O formato de coleta de dados deve ser escolhido conforme o formato da pesquisa eleito, isto é, se as informações serão quantitativas ou qualitativas. Uma pesquisa quantitativa pode envolver, por exemplo, coleta de dados no modelo bibliográfico ou no modelo de pesquisa de campo, com levantamento por amostragem, a depender da necessidade. Atenção 56 Sistema de Informações de Marketing e saber como os dados foram coletados para não cometermos erros ou nos basearmos em fontes não confiáveis. Já a pesquisa documental, semelhante à bibliográfica, se baseia em dados brutos, ainda não publi- cados e que podem ser retrabalhados para sua apresentação. Porém, devemos tomar os mesmos cuidados quanto à sua confiabilidade. Temos também a pesquisa experimental, que consiste em um de- terminado objeto de estudo com algumas variáveis, que são selecio- nadas caso sejam capazes de influenciá-lo. Além disso, as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto são definidas e os resultados são coletados. Nessa pesquisa, o ambien- te deve ser controlado para as variáveis e o objeto determinado. No caso de uma pesquisa social, é importante deixar claro qual é o experi- mento, seguindo a ética na aplicação da pesquisa. Outro modelo é a pesquisa de campo, que além de envolver do- cumentos e registros, também coleta dados com pessoas. Segundo Gerhardt e Silveira (2009), temos alguns tipos de pesquisa de campo: • ex-post-facto: tem o objetivo de investigar relações de causa e efeito entre um determinado fato e um fenômeno que ocorre posteriormente. Sua principal característica consiste na coleta de dados ser executada após a ocorrência de um evento. • pesquisa de levantamento: é feita por amostragem ou por sen- so e possibilita a tabulação para análises estatísticas, por meio da obtenção de dados agrupados, conferindo maior rapidez à análise. • pesquisa survey: é quando os dados são obtidos de um deter- minado grupo de pessoas, indicado como representante de uma população-alvo. Os pesquisados não são identificados, e expres- sam informações sobre as características ou as opiniões. • estudo de caso: objetiva estudar uma determinada unidade, seja uma empresa, uma pessoa ou um pequeno grupo, sem a inter- ferência do pesquisador, que deve coletar informações e percep- ções do ponto de vista de quem está sendo observado. • pesquisa participante: o pesquisador se envolve com o ambien- te ou com o público a ser pesquisado, interagindo com este e vivenciando a rotina do que se está analisando. • pesquisa-ação: o pesquisador se envolve diretamente com uma situação de modo cooperativo, participando da solução de um problema, por exemplo. Pesquisas mercadológicas 57 Por fim, temos a pesquisa etnográfica, que busca entender grupos sociais, sua cultura, modo de agir, crenças e comportamentos. Gerhardt e Silveira (2009) destacam as principais características desse modelo: o pesquisador usa de observação participante, de entrevista ou da aná- lise de documentos, interagindo com o objeto pesquisado; ele pode também modificar a orientação da pesquisa, dar ênfase no processo, e não nos resultados finais; esse modelo possibilita ter uma visão dos sujeitos pesquisados sobre suas experiências; o pesquisador pode não intervir sobre o ambiente pesquisado. A pesquisa, nesse caso, pode variar em semanas, meses e até anos, e os dados descritivos coletados podem ser transcritos literalmente para a utilização no relatório. Como esse tipo de pesquisa demanda um longo tempo de coleta de informa- ções e observações, torna-se comercialmente inviável. Para efeitos de estudo mercadológico e considerando as platafor- mas tecnológicas, principalmente de redes sociais, muitas organizações fazem pesquisas netnográficas, que podem ser definidas como “uma adaptação da pesquisa etnográfica que leva em conta as características dos ambientes digitais e da comunicaçãomediada por computador” (CORRÊA; ROZADOS, 2017, p. 2). Assim, podemos perceber que há diversas formas de captação de dados e informações qualitativas e quantitativas, e o pesquisador é quem deve identificar o melhor método de pesquisa de acordo com o objetivo. 3.3 Pesquisa quantitativa Vídeo Na pesquisa quantitativa, trabalhamos com amostras grandes que são necessariamente consideradas como representativas para uma população pesquisada. Isto é, os resultados apresentados são toma- dos como um retrato real da população-alvo da pesquisa (GERHARDT; SILVEIRA, 2009). em linhas gerais, num estudo quantitativo o pesquisador conduz seu trabalho a partir de um plano estabelecido a priori, com hipóteses claramente especificadas e variáveis operacionalmente definidas. Preocupa-se com a medição objetiva e a quantificação dos resul- tados. Busca a precisão, evitando distorções na etapa de análise e interpretação dos dados, garantindo assim uma margem de segu- rança em relação às inferências obtidas. (GODOY, 1995, p. 58) 58 Sistema de Informações de Marketing Uma vez definido o objetivo da pesquisa e o método de coleta, identificamos um padrão de comportamento. Além disso, tomamos como base o resultado de uma amostra, desde que ela seja represen- tativa para o universo desejado, e a adotamos como resultado para a tomada de decisão. Assim, podemos ver que a pesquisa quantitativa é mais lógica e di- reta quanto aos dados. Tendo raízes no pensamento positivista lógi- co, ela enfatiza o raciocínio dedutivo, as regras da lógica e os atributos mensuráveis (GERHARDT; SILVEIRA, 2009). Segundo Dalfovo et al. (2008), a abordagem quantitativa tem por objetivo garantir a precisão dos trabalhos e apresentar resultados com poucas chances de distorção. Para os autores, o pesquisador come- ça com quadros conceituais com referências estruturadas, a partir dos quais formula hipóteses sobre fenômenos e situações que quer estudar. A coleta dos dados apresenta números que permitem verificar a ocorrência ou não das consequências e posterior análise das hipóte- ses. Os dados são analisados com o apoio da estatística ou de técnicas matemáticas (DALFOVO et al., 2008). Nesses estudos, é possível criar correlações por meio do cruzamen- to de dados e informações e responder a questões específicas da pes- quisa, que foram levantadas inicialmente nas hipóteses. Dalfovo et al. (2008) ainda destacam que a coleta dos dados nas pesquisas quantitativas geralmente é realizada por meio da aplicação de questionários dos pesquisadores e entrevistas que apresentam va- riáveis distintas, predeterminadas e relevantes para a pesquisa. A apre- sentação dos resultados é feita sempre por meio de tabelas e gráficos. 3.4 Pesquisa qualitativa Vídeo A pesquisa qualitativa procura estudar relações complexas para o entendimento da situação, uma vez que ela não se explica por variáveis estatísticas, mas pela compreensão das relações existentes (GÜNTHER, 2006). A pesquisa qualitativa é percebida então como um ato subjeti- vo de construção, baseado na observação feita pelos pesquisadores, e parte do princípio de que ela interpreta textos e palavras, produzindo novos trabalhos com diferentes técnicas analíticas. Pesquisas mercadológicas 59 Para Godoy (1995), a pesquisa qualitativa é relativa a dados descriti- vos sobre pessoas, processos ou lugares e busca compreender fenôme- nos segundo a visão do sujeito pesquisado. A autora também destaca que essa pesquisa parte da análise do mundo empírico no ambiente natural como fonte de dados e valoriza o contato direto e prolongado do pesquisador com a situação a ser estudada. Seus dados são coleta- dos por meio de gravação, seja de vídeo, som ou anotações do próprio pesquisador. No último caso, o pesquisador deve estar ciente de sua isenção aos fatos para que a coleta, observação, seleção, análise e in- terpretação dos dados seja a mais confiável possível (GODOY, 1995). A relativa falta de controle de variáveis ou a constatação de que não existem variáveis interferentes e irrelevantes, para Günther (2006), faz com que todas as variáveis do contexto sejam consideradas im- portantes. Além disso, o autor destaca que as crenças e valores do pesquisador, além de seu possível envolvimento emocional, podem influenciar os resultados e as transcrições coletadas. Por ser uma pesquisa “descritiva”, a palavra ocupa um lugar de des- taque nas etapas dessa modalidade, desde a coleta até a interpretação dos dados. Estes aparecem na forma de transcrições, anotações, ima- gens, vídeos e vários outros tipos de documentos coletados, ampliando assim a compreensão do fenômeno que está sendo estudado. Segundo Godoy (1995), o objetivo nesse tipo de pesquisa é ob- servar como um fenômeno se manifesta nas atividades, buscando entender seu comportamento. Ao autor, isso ocorre por meio da perspectiva de quem está sendo pesquisado, esclarecendo o dina- mismo interno das situações, o qual é frequentemente invisível para observadores externos. Por fim, os pesquisadores utilizam um enfoque indutivo para ana- lisar os dados, buscando informações ou evidências que construam ou neguem as suposições iniciais. A pesquisa parte de questões am- plas, que vão se tornando mais diretas e específicas durante a inves- tigação. As conclusões são estabelecidas de baixo para cima, ou seja, parte-se das percepções obtidas para chegar nas conclusões relativas aos objetivos iniciais. 60 Sistema de Informações de Marketing Günther (2006) cita vários autores que discorrem sobre técnicas de análise de dados qualitativos, dentre as quais destacamos: • grounded theory: baseia-se nos dados coletados ao longo da pes- quisa. Assim, parte-se do princípio de que a teoria surgirá por meio de procedimentos sistematizados a partir da coleta dos da- dos (GIL, 2008). • análise fenomenológica: estuda os fenômenos apresentados ao longo da pesquisa. Foca no cotidiano e na compreensão do modo de viver das pessoas, e não na definição de conceitos pré- -estabelecidos (GIL, 2008). • paráfrase social-hermenêutica: analisa o contexto sócio-histórico e espaço-temporal do fenômeno pesquisado; pode-se empreen- der análises discursivas, semióticas, de conteúdo ou de qualquer padrão formal que venha a ser necessário. São reconstituídas as condições sociais de produção, circulação e recepção das formas simbólicas, procurando resgatar situações no espaço e no tempo (VERONESE; GUARESCHI, 2006). • análise de conteúdo qualitativa: descreve e interpreta o con- teúdo de documentos e textos, com descrições sistemáticas que reinterpretam mensagens, compreendendo seus significa- dos de modo mais aprofundado do que em uma simples leitura (MORAES, 1999). • hermenêutica objetiva: opera com a reconstrução lógica de acontecimentos. É aplicada especialmente em estudos que se in- teressam pelo entendimento dos processos lógicos de interação, o que explica sua apropriação para os estudos de família e dos intramuros da escola e da sala de aula (VILELA; NAPOLES, 2008). • interpretação psicanalítica de textos: parte do princípio de análise dos textos e observações coletadas considerando o con- texto do momento da coleta. Uma de suas vertentes investiga a sociedade e a cultura (AIELLO-FERNANDES, 2012). • análise tipológica: determina categorias por meio do estudo de tipos e formas de modelos básicos. Foca na sua constituição dos documentos, considerando o suporte, o conteúdo e a estrutura (SILVA; TRANCOSO, 2015). Agora que conhecemos os dois métodos de pesquisa (qualitativo e quantitativo), pensamos: qual método eu deveria escolher? A res- posta não é simples e nem óbvia do ponto de vista do pesquisador. Pesquisas mercadológicas 61 É preciso identificar qual é o objetivo inicial, e se é possível iniciar um tipo de pesquisa com base na resposta esperada. Também é impor- tante saber questões mais objetivas, como o tempo disponível para a pesquisa e para a análise e apresentação dos resultados, pois eleinterfere no contexto. A seguir, podemos observar as características de cada metodologia. Quadro 2 Características das pesquisas qualitativas e quantitativas Pesquisa quantitativa Pesquisa qualitativa Focaliza uma quantidade pequena de con- ceitos Tenta compreender a totalidade do fenômeno, e não focalizar conceitos específicos Inicia com ideias preconcebidas sobre o modo como os conceitos estão relacionados Possui poucas ideias preconcebidas e salienta a importância das interpretações dos eventos mais do que a interpretação do pesquisador Utiliza procedimentos estruturados e instru- mentos formais para a coleta de dados Coleta dados sem instrumentos formais e es- truturados Coleta os dados mediante condições de con- trole Não tenta controlar o contexto da pesquisa, e sim captar o contexto na totalidade Enfatiza a objetividade na coleta e análise dos dados Enfatiza o subjetivo como meio de compreen- der e interpretar as experiências Analisa os dados numéricos por meio de procedimentos estatísticos Analisa as informações narradas de uma forma organizada, mas intuitiva Fonte: Adaptado de Gerhardt; Silveira, 2009. Günther (2006) reforça que, analisando a literatura sobre pesquisa qualitativa, ela está frequentemente em contraponto com a pesquisa quantitativa. Assim, apresentamos também algumas diferenças, resu- mindo o quadro anterior, entre essas duas pesquisas no Quadro 3. Quadro 3 Diferenças entre pesquisas qualitativas e quantitativas Aspecto Pesquisa quantitativa Pesquisa qualitativa Enfoque na interpretação do objeto Menor Maior Importância do contexto do objeto pes- quisado Menor Maior Proximidade do pesquisador em rela- ção aos fenômenos estudados Menor Maior Alcance do estudo no tempo Instantâneo Intervalo maior Quantidade de fontes de dados Uma Várias Ponto de vista do pesquisador Externo à organização Interno à organização Quadro teórico e hipóteses Definido rigorosamente Menos estruturado Fonte: Adaptado de Gerhardt; Silveira, 2009. 62 Sistema de Informações de Marketing http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2.pdf Neste artigo, o pesquisador faz um comparativo entre os dois métodos e pode melhorar a visão do aluno com relação às duas abordagens de pesquisa (qualitativa e quantitativa). Artigo Acesso em: 12 dez. 2019. Percebemos que ambas as pesquisas possuem características positivas e negativas. Dessa forma, não podemos afirmar que um método é melhor ou pior que outro, mas sim que os métodos se com- plementam e ajudam a explicar melhor os fenômenos. Por fim, cabe ressaltar que, muitas vezes, é necessário combinar modelos para se chegar a um resultado adequado, que possa subsidiar decisões de planejamento mais precisas. 3.5 Coolhunting e pesquisa de tendências Vídeo Já vimos que a pesquisa de marketing é determinante no apoio ao sistema de informações. Entretanto, é necessário também termos em vista o futuro para que possamos estar preparados. Nesse contexto, insere-se a pesquisa de tendências, um estudo relativamente novo no processo de pesquisa. Ela apresenta técnicas que nos possibilitam ve- rificar e entender os processos de mudanças futuros que irão impactar a organização. A partir desse conhecimento, podemos reduzir impac- tos de investimentos em alterações de produtos, processos produtivos, comportamento do consumidor e novas tecnologias. Rasquilha (2015, p. 17) explica que o objetivo das técnicas tradicio- nais de pesquisa é “estudar as atitudes e comportamentos dos consu- midores, não se tratando só de fornecer informações de tendências atuais”. Para o autor, as tendências se baseiam em dois grandes tipos de mudanças: • a curto prazo: não podem ser consideradas tendências exata- mente em função do curto prazo. São histórias curtas que se dissipam rapidamente, substituídas rapidamente por novos lan- çamentos. Geram o que podemos chamar de ondas ou moda. • a longo prazo: são as verdadeiras tendências. Envolvem mudan- ças com impactos profundos no gosto, no estilo de vida, nas for- mas e nos comportamentos, e são incorporadas no dia a dia dos indivíduos. Pesquisas mercadológicas 63 O gráfico a seguir nos dá uma visão mais clara das definições de onda, moda e tendência: Gráfico 2 Onda, moda e tendência Mudança Onda Tendência Moda Tempo Fonte: Adaptado de Rasquilha, 2015, p. 18. A onda representa um grande impacto. Os indivíduos a incorporam rapidamente, muitas vezes sem entender o porquê. Porém, ela logo se dissipa e é substituída por novas ondas. Já a moda é incorporada de modo consciente na rotina diária. Ela não acarreta mudanças no comportamento e tem um impacto menor do que a onda. Por fim, a tendência é o resultado de uma mudança no comportamento, assumi- da com uma mentalidade emergente e dominante. Ela começa tímida, mas sua duração é grande e com impactos mais profundos. Esses três aspectos são importantes no planejamento e na tomada de decisões das organizações, pois impactam significativamente seu dia a dia. Porém, é necessário entender, dentro das pesquisas de mercado, com que tipo de mudança estamos lidando. A análise e o acompanha- mento sistemático dos padrões de mudanças evitam que as empresas recuem no mercado e fornecem informações para que elas se adaptem às mudanças na sua atuação, identificando e marcando novos territó- rios (RASQUILHA, 2015). Explique os conceitos de onda, moda e tendência enquanto pa- drões de mudanças observados no mercado. Atividade 3 64 Sistema de Informações de Marketing Para tanto, devemos identificar os tipos de tendências para que possamos adotá-las como estratégias e integrá-las nos planos de ino- vação organizacional (RASQUILHA, 2015): • tendência como oportunidade: é um modelo rápido e radical. Esse tipo de tendência afeta as vendas, a participação no merca- do e os lucros, e os consumidores exercem grande influência no mercado e na estratégia da organização. • tendência como ameaça: está ligada diretamente ao negócio e pode gerar um desinteresse do consumidor pelo produto ou serviço ofertado. A previsão dessa tendência é importante para a sobrevivência da organização. Um exemplo que podemos citar é o da empresa Kodak, que não observou a tendência para o cres- cimento e uso de imagens digitais e não alterou a perspectiva de seu negócio, levando a organização à falência 1 . • tendência em falta: trata-se de identificar novas oportunidades, ganhando tempo e a oportunidade para aproveitar melhor o im- pacto do lançamento de uma nova tecnologia, um novo mercado ou um novo produto de sucesso. • “apanhar” tendências: trata-se de identificar uma tendência e implementá-la na cultura da empresa. Algumas organizações têm essa perspectiva em sua cultura. Porém, se isso não acontece, é importante criar processos para a identificação de novas tendên- cias de mercado. Em resumo, tendência é “um processo de mudança que resulta da observação do comportamento dos consumidores e que origina o de- senvolvimento de novas ideias: de negócio, de produto ou serviço, de marca ou de ação” (RASQUILHA, 2015, p. 28, grifos do original). Acompanhar, identificar e entender as tendências cria um ambien- te de inovação nas organizações. Desenhar processos e sistemas nas empresas para esse tipo de pesquisa de marketing é essencial para a sobrevivência da organização a longo prazo e, como vimos, algumas vezes a curto prazo também. Pensando em um processo que possa introduzir o conceito de coolhunting (ou seja, o estudo de tendências) na cultura organizacional, Rasquilha (2015) apresenta o seguinte modelo: Você pode ler mais sobre a falência da Kodak em: https:// gizmodo.uol.com.br/kodak- -apos-falencia/. Acesso em: 10 dez. 2019. 1 Este vídeo, publicado pelo canal Panke, fala da “virada” das sandálias Havaianas. Percebemos que a empresa observou o comportamento dos consumidores, entendeu que havia uma necessida- de e expectativa e alterou o produto para atender a essa demanda. Disponível em: https://www.you-tube.com/watch?v=7cOfu_VuJ2w. Acesso em: 16 set. 2019. Vídeo Pesquisas mercadológicas 65 1 Input 2 Geração de ideias 3 Oportunidade de inovação Avaliação das ideias 4 Recursos para implementação 5 Output Insights do negócio Tendências e cool (legal) Exemplos Ideias Inovação Recursos e capacidades Insights e respostas do mercado Gráfico 3 Ferramenta de apoio à inovação estratégica Fonte: Adaptado de Rasquilha, 2015, p. 112. Esse processo é composto de cinco etapas, a saber: 1 Observação dos consumidores e, por consequência, do mercado para a identificação de tendências, padrões de mudanças e geração de inputs para a organização. 2 Construção de um banco de ideias e um pipeline de projetos. 3 Identificação de oportunidades de inovação a fim de verificar possibilidades de negócios e gerar um novo projeto. 4 Levantamento de recursos organizacionais e habilidades necessá- rias para o desenvolvimento do projeto. 5 Validação dos insights obtidos em função das ideias geradas. Obter informações sobre inovação, mudanças de comportamen- to, tendências de consumo e comportamento do consumidor é rela- tivamente fácil, haja vista os aspectos que envolvem a pesquisa de marketing. O grande desafio das organizações é entender se as mu- danças não são somente ondas ou modas que influenciam o merca- do constantemente, e direcionar seu olhar apenas para as tendências, pois elas é que provocarão impactos profundos no mercado e, por con- sequência, nas suas realidades. Conhecer o estudo de tendências não é somente uma forma de trabalho, mas também uma alteração na cultura da organização, que muda o posicionamento de seus resultados de curto para longo prazo, sem deixar de planejar a curto e médio prazo. 66 Sistema de Informações de Marketing CONSIDERAÇÕES FINAIS As pesquisas são essenciais para o SIM, uma vez que, por meio delas, é possível aprofundar nosso conhecimento sobre o mercado, os produtos, a concorrência ou os consumidores. Sendo assim, as organizações de- veriam utilizar essa ferramenta com mais frequência para subsidiar suas decisões. Entretanto, sabemos que o investimento e o trabalho são altos. O planejamento da pesquisa até a análise dos dados leva muito tempo, e a gestão das organizações não tem esse tempo para tomar as decisões necessárias. É importante, então, que o gestor de marketing crie ferramentas de mo- nitoramento e acompanhamento do mercado. Essas ferramentas devem estar na rotina do departamento para que as informações sejam atualiza- das e constantes. Com as plataformas tecnológicas, podemos obter muitas informações do ambiente de marketing para subsidiar a alta gestão. Além disso, o planejamento de pesquisas de mercado deve ocorrer sazonalmente, seja de acordo com o calendário da organização ou com o calendário do mercado em que ela está inserida, seja para acompanha- mento do mercado ou do comportamento dos consumidores. Sendo assim, o investimento em pesquisa deve fazer parte do orça- mento anual da organização assim, como o investimento em ferramentas tecnológicas para monitoramento e pesquisa e para a geração de relató- rios que subsidiem as tomadas de decisões. REFERÊNCIAS AIELLO-FERNANDES, R. A. O método psicanalítico como abordagem qualitativa: considerações preliminares. Anais da X Jornada Apoiar (p. 306-314). Campinas: Instituto de Psicologia da USP, 2012. Disponível em: http://serefazer.psc.br/wp-content/ uploads/2013/09/aiello-fernandes-ambrosio-e-aiello-vaisberg-APOIAR-2012.pdf. Acesso em: 29 nov. 2019. ALVES, E. B. Sistemas de informações em marketing. Curitiba: InterSaberes, 2018. BRANCO, F. P. Pesquisa de Mercado: Controle e Qualidade e o ISSO 20252. São Paulo, 2007. 57f. Monografia. (Especialista em Pesquisa de Mercado em Comunicação) - Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo. CHIUSOLI, C. L.; IKEDA, A. A. Sistema de informação de marketing. São Paulo: Atlas, 2010. 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Seguindo o modelo de Chiusoli e Ikeda (2010), podemos fazer, por exemplo, o seguinte planejamento: 1) apresentação do problema Identificar se o novo curso será aceito pelos jo- vens da cidade N 2) objetivos da pesquisa Ver a aceitação do curso Levantar o potencial de matrículas 3) questões e hipóteses O curso pode não ser aceito O curso pode sofrer mudanças para ser aceito O curso será aceito sem alterações 4) fontes de informação Dados de matrículas das escolas da cidade (Continua) https://www3.ufpe.br/moinhojuridico/images/ppgd/9.1b%20metodos_quantitativos_e_qualitativos_um_resgate_teorico.pdf https://www3.ufpe.br/moinhojuridico/images/ppgd/9.1b%20metodos_quantitativos_e_qualitativos_um_resgate_teorico.pdf http://www.scielo.br/pdf/rae/v35n3/a04v35n3.pdf http://www.scielo.br/pdf/rae/v35n3/a04v35n3.pdfhttp://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2.pdf http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4125089/mod_resource/content/1/Roque-Moraes_Analise%20de%20conteudo-1999.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4125089/mod_resource/content/1/Roque-Moraes_Analise%20de%20conteudo-1999.pdf http://revistas.unisinos.br/index.php/ciencias_sociais/article/view/6019 http://revistas.unisinos.br/index.php/ciencias_sociais/article/view/6019 68 Sistema de Informações de Marketing 5) orçamento e cronograma Tempo de planejamento Tempo de organização e treinamento da equipe de pesquisa Levantamento em campo Período de tabulação e análise dos dados Dia de apresentação dos resultados 6.1) população 30 mil 6.2) amostragem Jovens formados no ensino médio 6.3) forma de coleta de dados 6.3.1) levantamento Estruturada – não disfarçada (6.3.1.1) 6.4) determinação da forma de aplicação do instrumento Será feita uma pesquisa quantitativa com pergun- tas fechadas do tipo survey 6.5) equipe de aplicação Será composta por aplicadores visitando as esco- las determinadas 6.6) controle de aplicação Por meio de questionário com perguntas fecha- das e direcionadas aos alunos do universo a ser pesquisado 7.1) formas de codificação Por meio de tabulação das respostas 7.2) forma de tabulação Levantamento das respostas codificadas por es- tatísticas 8) análise de dados Estatística 9) formato e principais elementos do relatório final Respostas por meio de gráficos estatísticos 2. Você deve identificar as variáveis necessárias e utilizar a fórmula indicada por Gil (2008) para calcular o tamanho da amostra de grupos com menos de 100.000 indivíduos (universo finito). Além disso, deve considerar que o nível de confiabilidade de 95,5% equivale a dois espaços na curva de Gauss e, por isso, o número será 2. Assim, considerando a Atividade 1, o cálculo será: n = 2² x 10 x 90 x 30.000 5² x (30.000 – 1) + 2² x 10 x 90 n = 143,31 Assim, serão necessárias 143 pesquisas para confirmar a resposta. 3. A onda representa um grande impacto. Os indivíduos a incorporam rapidamente, muitas vezes sem entender o porquê. Porém, ela logo se dissipa e é substituída por novas ondas. Já a moda é incorporada de modo consciente na rotina diária. Ela não acarreta mudanças no comportamento e tem um impacto menor do que a onda. Por fim, a tendência é o resultado de uma mudança no comportamento, assumida com uma mentalidade emergente e dominante. Ela começa tímida, mas sua duração é grande e com impactos mais profundos. Esses três aspectos são importantes no planejamento e na tomada de decisões das organizações, pois impactam significativamente seu dia a dia. Processo decisório de gestão com base em informações 69 Sabemos que conhecer as definições de dados e informações e compreender como utilizá-las para mensurar resultados e tomar decisões é fundamental. Afinal, muitas vezes nos deparamos com situações que respondem a todas as nossas dúvidas, mas não tomamos as decisões necessárias. Em outras ocasiões, as informações estão batendo à porta e, mesmo assim, as organizações não conseguem enxergar seus próprios números. Costumamos dizer que um dado é uma informação não trabalhada, porém, se o cruzarmos com outras variáveis, dados relevantes se transformam em ricas fontes de informações. Nesse sentido, as pesquisas, por meio de técnicas, têm o objetivo de levantar dados e fazer os cruzamentos necessários para gerar informações relevantes para a tomada de decisão. Dessa forma, neste capítulo, discutiremos conceitos ampliados sobre dados e informações, bem como de que forma devemos investigar esses dados na organização e no ambiente de marketing e transformá-los em informações pertinentes à tomada de decisão. Veremos também os diferentes tipos de decisões que podemos tomar nas organizações. Por fim, trataremos do ambiente tecnológico com que nos deparamos atualmente, pois os ambientes virtuais são uma fonte inesgotável de informações e um vasto campo de dados dispostos na rede mundial de computadores prontos para serem trabalhados e utilizados pelas organizações, que poderão explorar todo o seu potencial, investindo em tempo e tecnologia. Processo decisório de gestão com base em informações 4 70 Sistema de Informações de Marketing 4.1 Definição de dados e informações Vídeo Com o mercado cada vez mais competitivo e as organizações en- frentando ambientes dinâmicos e adversos, considerando inclusive a competição nos ambientes virtuais (com uma linha tênue entre o real e o virtual), cada vez mais os executivos das organizações, principalmen- te os gestores de marketing e os tomadores de decisões, necessitam de informações constantes, atualizadas e rápidas. Muitos autores consideram a informação como matéria-prima para a tomada de decisões. Outros, por sua vez, usam-na como uma ferra- menta essencial para tal ação. O fato é que, sem informação, não se toma nenhuma decisão dentro das organizações. Isso é válido tanto para ações simples, como controle de produção e ajustes contábeis, quanto para decisões estratégicas sobre lançamentos de produtos, atualização de negócios baseados na mudança de legislação e ativida- des mercadológicas em relação ao preço, à concorrência ou ao canal de distribuição. Essas atividades dependem de pesquisas de marketing e de sistemas de tratamento de informações e dados. Sob essa perspectiva, Chiusoli e Pacagnam (2009, p. 85) reforçam que “existem no mercado inúmeras fontes de dados e informações disponíveis ao gestor de marketing, derivadas de livros técnicos e acadêmicos, relatórios anuais, mídia impressa, equipe de vendas”. Os autores destacam também uma valorização das informações de mercado no Brasil, mas com uma utilização equivocada, em virtude da falta de procedimentos tanto para a coleta quanto para o tratamento das informações, bem como para transformá-las em informações que possam ser utilizadas na tomada de decisões. Em linhas gerais, a grande dificuldade das organizações é entender a importância e a necessidade das informações para a tomada de deci- sões. Nesse sentido, muitas vezes, as pesquisas de campo, a compra de um anuário ou o relatório de mercado são vistos como despesas, e não como investimentos. Contar com um sistema que converta os dados em informações pertinentes, bem como com um profissional de dados, é encarado como algo não relevante, e a alta gestão toma decisões ba- seadas em experiências anteriores e no “sentimento” dos movimentos de mercado, o que é um grande equívoco. Processo decisório de gestão com base em informações 71 A esse respeito, para definir o conceito de informação, Robredo (2003) cita diversos autores, entre eles Harrod (1938 apud ROBREDO, 2003, p. 1), que define informação como “um conjunto de dados organizado de forma compreensível, registrado em papel ou em outro meio e suscetível de ser comunicado”. Já para Shannon e Weaver (1962 apud SUGAHARA; SOUZA; VISELI, 2009), a informação reduz a incerteza, e para Le Coadic (1996 apud SUGAHARA; SOUZA; VISELI, 2009), a informação é um conhecimento inscrito sob forma escrita, oral ou audiovisual. Com base nisso, Robredo (2003, p. 9) prefere focar o aspecto mais amplo da informação, como o “registro e transmissão do conhecimen- to, o armazenamento, processamento, análise, organização e recupera- ção da informação registrada e os processos e técnicas relacionados”. Sob essa ótica, a informação é: • registrada (codificada) de diversas formas, • duplicada e reproduzida ad infinitum, • transmitida por diversos meios, • conservada e armazenada em suportes diversos, • medida e quantificada, • adicionada a outras informações, • organizada, processada e reorganizada segundo diversos critérios, • recuperada quando necessário segundo regras preestabeleci- das. (ROBREDO, 2003, p. 9) Partindo da visão desse autor, compreendemos que a premissa da informação é a existência de algum sistema parao tratamento dos dados e a consequente transformação em informações. Portanto, no momento atual, é impossível ter informação sem um sistema associa- do para seu tratamento, armazenamento e distribuição. Conforme definido por Chiusoli e Ikeda (2010, p. 11), o sistema de informações consiste em “um conjunto organizado de pessoas, hardware, software, rede de comunicação e recurso de dados que coleta, transforma e dissemina informações em uma organização”, e tem por objetivo “fornecer informações pertinentes sobre um determinado assunto a alguém interessado”. Portanto, não se separa a informação dos sistemas nem dos procedimentos e fatores humanos e tecnológicos, considerando o tratamento, a armazenagem e a distribuição. 72 Sistema de Informações de Marketing Considerando os sistemas de tratamento da informação e seus res- pectivos elementos (dados, processador, informações e controle), os dados são a entrada dos sistemas de informações. Os dados “podem ser coletados nas mais diversas formas, portanto, para que sejam re- levantes e úteis é necessário que sejam coletados, triados, juntados, armazenados, convertendo-se em informações” (CHIUSOLI; IKEDA, 2010, p. 11). A esse respeito, Rezende (2007, p. 18) destaca que dado é “um con- junto de letras, números ou dígitos que, tomado isoladamente, não transmite nenhum conhecimento, não contém um significado claro”. Ainda segundo o autor, a informação é um dado trabalhado ou tratado. Eleutério (2015) também reforça essa descrição e define dado como sendo algo que foi observado e medido de maneira numérica, textual ou visual, e a informação seria o conjunto de dados interpretado e ana- lisado que ganha, assim, relevância e finalidade. O autor ainda menciona que o “dado é o elemento básico da in- formação e a informação é o resultado da interpretação dos dados” (ELEUTÉRIO, 2015, p. 32), destacando que os dados são facilmente ma- nipulados, armazenados e disponibilizados em grande quantidade, ao passo que a informação é produzida em menor escala, com base no tratamento deles. De acordo com Rezende (2007), quando a informação é trabalhada pelo sistema de informações, gerando cenários, simulações e oportu- nidades, ela se transforma em conhecimento. Nas palavras do autor, “o conhecimento completa o conceito de informação com valor relevante e propósito definido” (REZENDE, 2007, p. 19). Seguindo essa mesma lógica, dados e informações se apresentam em grande volume, disponibilizados nos mais diversos formatos, po- rém o conhecimento é mais difícil de ser armazenado e compartilha- do (REZENDE, 2007). Nesse sentido, conforme expõe Rezende (2007), dados, informações e conhecimentos não podem ser confundidos com decisões ou ações, embora elas estejam, na maioria das vezes, baseadas neles e dependam da interpretação do fator humano sobre o que foi processado no sistema. Processo decisório de gestão com base em informações 73 4.2 Conversão de dados em informações Vídeo Os dados são a base da informação, que é transformada em conhe- cimento. Então, nessa perspectiva, existe um tripé no sistema de infor- mações. Na Figura 1, podemos ver como os dados são transformados em informação – isto é, o dado bruto trabalhado, compilado, organiza- do e agrupado a fim de subsidiar a tomada de decisão. Figura 1 Esquema genérico de transformação dos dados em informações Tratamento de dados InformaçõesDados Entrada Saída Fonte: Elaborada pelo autor. Os dados são elementos brutos que, tomados isoladamente, não permitem a compreensão de uma situação em especial. Como já cita- do, existe uma grande quantidade de dados nas organizações e, sem estruturá-los e organizá-los, não é possível obter informações geren- ciais para a tomada de decisão: eles não fazem sentido e são insuficien- tes para fornecer cenários ou avaliações precisas. Sob essa ótica, a pirâmide do conhecimento elaborada por Rowley (2007 apud ELEUTÉRIO, 2015) demonstra claramente o processo de transformação do dado em inteligência. Figura 2 Pirâmide do conhecimento Inteligência Conhecimento Informação Dados interpretados Inferências produzidas pelas informações Como e quando aplicar o conhecimento Dados Registros estruturados Baixo volume Alto valor Alto volume Baixo valor Fonte: Adaptada de Rowley, 2007, citada por Eleutério, 2015, p. 40. 74 Sistema de Informações de Marketing A pirâmide ilustra cada etapa dessa transformação até chegar ao produto final, que é a inteligência, ou seja, o produto do conhecimento, aplicado na forma e no momento adequados, a fim de atingir resulta- dos, objetivos e metas almejados pela organização. O sucesso dessa empreitada, sem dúvida, também está atrelado à capacidade do pro- fissional que terá acesso a esse conhecimento, que será capaz de inter- pretá-lo e aplicá-lo de maneira efetiva. Outra variável que cresce cada vez mais atualmente nas organiza- ções é o volume de dados transmitido pela internet. Com relação a eles, as organizações precisam ter um olhar diferenciado e de preocupação, no sentido de saberem o quê, onde e como extrair informações neces- sárias do ambiente digital, além de tratá-las para que sejam relevantes nas tomadas de decisões. Na maioria das vezes, é preciso promover uma higienização dos dados coletados para que eles possam ser úteis e ganhem relevância estatisticamente. Essa é mais uma etapa do processo de tratamento de dados. O que fazer diante desse fato? Como transformar informações em conhecimento? A esse respeito, Eleutério (2015) reforça a necessidade de uma re- formatação para que os dados façam sentido e se tornem úteis. Segun- do o autor, temos a seguinte perspectiva: Figura 3 Processo de conversão de dados em informações São coletados de fontes diversas, tanto internas quanto externas. Dependendo da necessidade, os dados podem ser coletados diariamente por meio de informes ou relatórios de mercado, de modo a subsidiar as decisões cotidianas ou resolver um problema específico, por meio de pesquisas. DADOS São selecionados os dados relevantes para a análise de um quadro ou situação em questão; os dados que não se encaixam para responder a tal questão são descartados. FILTRAGEM Os dados passam por um tratamento estatístico. Eles são totalizados, sumarizados e transformados em percentuais e médias. A aplicação de métodos estatísticos permite que se observe uma tendência ou se determine períodos de sazonalidade, entre outros movimentos mercadológicos importantíssimos. PROCESSAMENTO São emitidos relatórios com gráficos e planilhas que permitem a visualização, a interpretação e a compreensão dos dados. Deve- -se ter grande cuidado com essa etapa, pois a qualidade da decisão tomada está intimamente ligada à clareza de interpretação do decisor após o contato com o material fruto de tal apresentação. APRESENTAÇÃO Fonte: Adaptada de Eleutério, 2015, p. 37. O GÊNIO e o Louco. Direção: Farhad Safinia. EUA: The Weinstein Company, 2019. 124 min. O filme trata das vidas do professor James Murray e do doutor W. C. Minor, retratadas a partir do momento em que o pro- fessor Murray começa a trabalhar na compilação de palavras para a primei- ra edição do dicionário de língua inglesa de Oxford, em meados do século XIX, obtendo a ajuda de Minor. O filme apresenta a organização dos dados, a forma encontrada para receber as informações na época e como o dicio- nário foi construído. Filme Processo decisório de gestão com base em informações 75 Enfim, podemos perceber que os dados são extremamente neces- sários, entretanto é preciso tratá-los para transformá-los em infor- mações úteis. Nessa etapa, tanto profissionais preparados quanto a tecnologia são importantes. Assim, na etapa final, para que um relatório apresente a qualidade esperada, deve contar com informações necessárias e precisas. Logo, os tomadores de decisão nas organizações devem estar capacitados a interpretá-lo e aplicá-lo eficazmente, uma vez que as informaçõese componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 9 A informação, no planejamento estratégico dos negócios e na atuação das empresas no mercado competitivo atual, é um fato, pois aquele que a possui tem um lugar privilegiado no mercado e dentro das organizações. Isso está diretamente relacionado à evolução da economia, cujo início deu-se no século XVIII com o advento da era industrial, sucedendo-a, depois, a nova revolução na década de 1970, com a introdução da internet, chegando aos dias atuais, em que se alicerça na informação e no conhecimento. Porém, essa era da informação é mais do que apenas um momento de mercado; é, sim, uma estratégia assertiva no desenvolvimento dos negócios. As informações se tornaram o grande diferencial competitivo e estratégico das empresas, trazendo grandes consequências na tomada de decisão. Além disso, ocupam uma posição de destaque nas decisões organizacionais por diversos motivos, principalmente pelo aumento da concorrência, pela disputa do consumidor, pelo uso de novas tecnologias que pode chegar à personalização do atendimento e do produto, bem como pela desterritorialização dos mercados mundiais. Neste primeiro capítulo, discutiremos os conceitos iniciais do Sistema de Informações de Marketing (SIM) e as definições dos grandes autores e pesquisadores do tema, além de compreender como trabalhar as informações nas organizações e sua importância nas tomadas de decisão. Abordaremos o SIM sob os aspectos dos micro e macroambientes e veremos como esse sistema funciona, além de conhecer sua evolução e classificação. Este é o início da jornada que propomos para que você, até o final desta obra, tenha domínio sobre o SIM e sobre como aplicar os modelos apresentados dentro das empresas. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 1 10 Sistema de Informações de Marketing 1.1 Conceito de sistema de informações Vídeo A informação é a base do plano de qualquer negócio. Um planeja- mento se inicia com uma série de dados coletados, tanto internamente (informações de vendas, produtividade, custos de mão de obra, ma- nufatura e matéria-prima, entre outras) como externamente (políticas públicas, taxas, impostos, concorrência, legislação, comportamento do consumidor, tendências do mercado, e tantas outras). Faz-se necessário organizar e sistematizar esse arcabouço de dados coletados e transformá-los em informações palpáveis e consistentes para a tomada de decisão dentro da organização. De acordo com Choo (2003, p. 27), a informação é um componente intrínseco de quase tudo que uma organização faz. Sem uma clara compreensão dos pro- cessos organizacionais e humanos pelos quais a informação se transforma em percepção, conhecimento e ação, as empresas não são capazes de perceber a importância de suas fontes e tec- nologias de informação. Além disso, Alves (2018, p. 25) destaca que em um sistema há uma entrada, um processamento e uma saída: “o que sai nunca é igual ao que entra”. Dessa forma, as entradas são dados (registros não tratados) e as saídas são informações que passaram por um processamento. Eleutério (2015) ressalta que as informações permeiam todos os níveis da organização: no nível operacional, são utilizadas em casos cotidianos; no nível tático, são tratadas de maneira mais detalhada e produzem efeitos mais amplos; e, por fim, no nível estratégico, são utilizadas em situações complexas e incertas, com a elaboração de cenários, previsões, tendências e análises que causam impactos nos rumos da empresa. Segundo Choo (2003), existem três áreas distintas para a criação e o uso da informação, nas quais ela desempenha papéis estratégicos para o crescimento e adaptação da empresa. A primeira área é aquela em que a empresa usa a informação para significar as mudanças do ambiente externo, sejam elas informações do mercado, governos ou consumidores. A segunda área diz respeito à criação, à organização e ao processamento da informação para gerar novos conhecimentos por meio do aprendizado; e a terceira se refere ao uso estratégico da infor- mação para tomada de decisões importantes. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 11 As diversas informações coletadas, tratadas e divulgadas dentro das organizações seguem fluxos formais, que são embasados em normas, procedimentos e processos, e fluxos informais, iniciados espontanea- mente pelas pessoas. Os sistemas de informações tendem a zerar os fluxos informais, normatizando as informações e sua distribuição, con- forme a necessidade (ELEUTÉRIO, 2015). Com relação ao Sistema de Informações de Marketing (SIM), a de- finição mais antiga vem de Cox e Good (1967 apud KHAUAJA; HAMZA, 2008, p. 61): “um complexo estruturado e interagente de pessoas, máquinas e procedimentos destinados a gerar um fluxo ordenado e contínuo de dados, coletados de fontes internas e externas à empresa, para uso como base na tomada de decisões em áreas de responsabili- dade específicas de marketing”. Notamos que, desde esse primeiro conceito, os autores já propu- nham que o SIM tem componentes humanos e máquinas interagindo entre si de maneira ordenada e contínua, partindo do pressuposto de que devem existir processos e procedimentos desenhados para que o modelo funcione. Kotler baseou-se no modelo de Cox e Good com a interação de pes- soas, equipamentos e procedimentos, deixando mais explícito esse fator. Para o autor, o SIM é “um conjunto que consiste de pessoas, equipamentos e procedimentos para reunir, classificar, analisar, avaliar e distribuir as informações necessárias, oportunas e precisas para os tomadores de decisões de marketing” (KOTLER, 1995, p. 121). Assim, Kotler (1995) reforça o resultado final desse sistema no que concerne à entrega de resultados “necessários, oportunos e precisos” no momento da tomada de decisão, ressaltando que o SIM deve dar suporte às decisões de marketing e não somente fornecer informações genéricas. Khauaja e Hamza (2008, p. 61) citam Kimball (1996), que define o SIM como um “sistema abrangente, flexível, formal e contínuo, dese- nhado para suprir um fluxo organizado de informações relevantes a fim de guiar a tomada de decisões em marketing” de uma empresa. Segundo as autoras, Kimball se preocupou com a flexibilidade do siste- ma e sua adequação a situações distintas. Isso porque, para o autor, o SIM deve ser flexível e contínuo, dando a percepção de que o sistema deve permitir variáveis e condicionantes que se adequem às mudanças organizacionais e de mercado constantes e contínuas, sem permitir a 12 Sistema de Informações de Marketing quebra do fluxo, mesmo que alterações venham a acontecer ao longo do caminho. Outra definição de SIM vem de Wierenga et al. (1999), que pro- puseram um modelo denominado Marketing Management Support Systems (MMSS), ou, em português, sistema de apoio à administração de marketing. Trata-se de um sistema mais complexo e fundamentado em teorias e modelos anteriores. Segundo os autores, ele é um conjunto completo de ferramentas que dá suporte a decisões financeiras e de marketing para os gestores das organizações. O sistema proposto por Wierenga et al. (1999) não foge dos mo- delos anteriores quanto às ferramentas necessárias para dar suporte às decisões de marketing e, ainda, abrange as decisões de impacto financeiro na organização. Os autores também destacam que esse sistema deve ser encabeçado pela alta direção ou CEO da empresa, ressaltando que esse envolvimento o fará ser aceito e implantado. A importância do envolvimento da alta administração está no fato de que ela deve se envolver na implementação e na cultura dentro da empresa, com vistas a criar um Sistema de Informações de Marketing que respalde suas tomadas de decisão. Além disso, o SIM envolve di- versos outros sistemas internos, como relatórios de vendas, internos financeiros, de produção, de custos e de informações externas (por exemplo, mercados-alvo,am- pliarão o conhecimento e o domínio do negócio e do segmento. 4.3 Previsão e mensuração de resultados Vídeo Um dos objetivos que mais motivam as organizações a desenvol- verem um Sistema de Informações de Marketing (SIM) está ligado a poder prever movimentos de mercado e conhecer sua lógica. Discernir o momento certo de mercado, além de saber o que e onde oferecer, aumenta a competitividade da organização e, sem dúvida, a levará ao sucesso e à liderança. Torna-se necessário, então, promover uma avaliação do potencial de mercado. Para tanto, é preciso um estudo de previsão de demanda e de possíveis resultados mercadológicos, e esse é um dos maiores de- safios dos administradores e empresários. Nesse sentido, Alves (2018) salienta que a previsão de demanda e de resultados pode ser aplicada em diversas áreas da organização, como a financeira, de recursos humanos, de vendas, entre tantas ou- tras. Porém, é importante entender que se trata de um prognóstico em um determinado espaço de tempo; existe a possibilidade de a previsão não se concretizar. Essa perspectiva também deve ser considerada nas análises de dados. Assim, quanto melhores forem a base de dados e a sua análise, mais confiáveis serão as previsões de demandas e os resultados obtidos. O dinamismo do mercado e as variáveis macro e microeconômicas têm grande influência sobre o comportamento da demanda em geral. Porém, as variáveis consideradas podem sofrer alterações. É necessá- rio promover a criação de cenários com base em premissas que orien- tem tanto o planejamento quanto a tomada de decisões, dessa forma elas serão mais exatas quanto mais precisas forem as informações ge- radas pelo tratamento de dados coletados. 76 Sistema de Informações de Marketing Nas organizações, essa responsabilidade fica a cargo dos profis- sionais de marketing, de vendas ou vinculados ao setor financeiro. In- clusive, não é raro que as três áreas trabalhem em conjunto. Nesse sentido, Alves (2018), destaca alguns tipos de demandas encontradas no mercado: Quadro 1 Tipos de demandas TIPO DE DEMANDA DESCRIÇÃO Negativa Quando uma fatia de consumidores não gosta do produto ou serviço. Inexistente Quando os consumidores desconhecem ou ignoram o produto ou serviço. Latente Quando muitos consumidores demandam a mesma necessidade, que nenhum pro- duto disponível no mercado é capaz de satisfazer. Em declínio Quando a demanda vai diminuindo ano a ano. Irregular Quando a demanda é marcada pela sazonalidade. Excessiva Quando há mais demandantes que produtos ofertados. Plena Quando a empresa está satisfeita com a recepção de sua oferta pelo mercado. Indesejada Quando existem forças que inibem o consumo do produto, como ocorre com cigarros e bebidas alcoólicas. Fonte: Adaptado de Alves, 2018, p. 102. Com base no Quadro 1, podemos compreender que, para cada tipo de demanda, há uma forma de planejar, prever e atuar. Para tanto, existem ações diferenciadas que precisam ser aplicadas, bem como di- ferentes maneiras de se calcular a previsão de demanda. Nesse sentido, Kotler e Keller (2006 apud ALVES, 2018) destacam quatro tipos de mercado que precisamos conhecer para falarmos so- bre previsão de demandas, a saber: • Mercado potencial: formado por consumidores com suficientes características semelhantes para uma oferta de mercado, o que não garante a demanda necessária. • Mercado disponível: relaciona-se aos consumidores com renda, interesse e acesso a uma oferta, mas que apresentam algum tipo de restrição que os impede de comprar determinado produto. Considerando os tipos de demanda apresentados por Kotler e Keller (2006 apud ALVES, 2018), o que devemos fazer diante de um quadro de demanda negativa? Atividade 1 Processo decisório de gestão com base em informações 77 • Mercado-alvo: diz respeito aos consumidores acessíveis e dispo- níveis, porém não garante que eles necessariamente comprarão a oferta. • Mercado atendido: refere-se aos consumidores que realmente estão comprando a oferta. Com essas informações, podemos entender como as organizações de fato fazem suas previsões de demanda e atingem os resultados es- perados. Nas palavras de Alves (2018, p. 106), “por meio das informa- ções de demanda, a empresa vai planejar desde o fluxo de produção até seu fluxo financeiro”. O autor ainda apresenta um fluxo de infor- mações para a previsão de demanda, conforme ilustrado na Figura 4. Figura 4 Fluxo de informações para a previsão de demanda Demanda da indústria Planos de marketing Market share Previsão de demanda Planos e decisões da empresa Planos de produção Planos financeiros Objetivos e estratégias Ev en to s ex te rn os Eventos internos Fonte: Alves, 2018, p. 106. Kotler e Keller (2006 apud ALVES, 2018) ressaltam que existem mais de 90 tipos de previsões de demandas, que podem envolver os níveis de produto (vendas totais, setoriais, da empresa, por linhas de produ- tos, formas ou itens), o tempo (curto, médio ou longo prazo), o espaço (mundo, país, região, território) ou os clientes. Nessa perspectiva, a previsão de demandas e resultados deve ser específica, considerando os conjuntos de variáveis possíveis, pois as variáveis de mercado, produto e tempo definem com maior especifici- dade as características de cada mercado. 78 Sistema de Informações de Marketing 4.4 Tipos de decisões Vídeo De acordo com Eleutério (2015), uma tomada de decisão significa escolher o que se deve fazer em determinada situação. Ou seja, não se refere apenas a identificar alternativas possíveis, mas a escolher aquela que melhor atenda aos objetivos esperados. A esse respeito, diversos são os conceitos, mas todos concordam que há um processo, e cabe ao decisor optar por uma alternativa como solução para sua questão. Sendo a tomada de decisão um processo intelectual, ela passa pelo reconhecimento de que algo não está certo ou necessita mudar. A partir disso, passa-se à fase de busca de alternativas possíveis que venham a corrigir determinada situação ou problema. Nesse sentido, Saaty (2012) apresenta um conceito segundo o qual o processo de tomada de deci- são é analítico e hierárquico, o que nos faz enxergar um problema de forma estruturada, identificando alternativas viáveis, qualificando-as e quantificando-as para escolhermos a que melhor nos atende. Entretanto, a qualidade da decisão envolve, basicamente, dois fa- tores: o caráter das informações fornecidas sobre as alternativas e a racionalidade do tomador de decisão (uma vez que todo ser humano é influenciável e emocional). Dessa forma, podemos compreender que o ato de tomar uma decisão não pode ser um processo levado com displicência, pois a escolha realizada para responder a determinada questão ou solucionar um problema terá consequências que poderão ou não vir ao encontro do resultado desejado. A análise das alternativas exige atenção, pois o tomador de decisão precisa estar seguro de que se trata, efetivamente, da melhor escolha. Não é raro que executivos da alta direção precisem convencer um gru- po de acionistas ou investidores de que determinada alternativa é a mais adequada. Assim, nessa etapa, deter-se à análise significa investir tempo e atenção para garantir o melhor resultado. Para compreendermos melhor o processo de tomada de decisões, na sequência, vamos observar como Eleutério (2015) classifica as decisões. • Conforme sua complexidade: a complexidade das decisões geren- ciais é diretamente proporcional ao nível hierárquico do decisor, ou seja, quanto maior for o nível hierárquico, mais complexas serão as decisões a serem tomadas. Elas podem ser categorizadas em: Processo decisório de gestão com base em informações 79 • Simples: decisões de rotina. • Complexas: envolvem grande margem de incerteza e informações imprecisas. • Conforme o grau de incerteza das informações e previsibili- dade: as decisões podem ser estruturadas, não estruturadas e semiestruturadas. • Estruturadas: normalmente,são de nível operacional, baseadas em situações bem definidas e variáveis precisas ou informações consistentes. Em geral, são tomadas rapidamente, com maior segurança e grau de assertividade. • Não estruturadas: envolvem uma situação de incerteza devido à imprevisibilidade ou porque as informações são imprecisas, estimadas ou desconhecidas. São comuns na alta gestão e seu impacto na organização é muito significativo, sendo recomendada uma análise cuidadosa a fim de minimizar os riscos. • Semiestruturadas: ocorrem, normalmente, na média gerência e envolvem elementos dos dois tipos anteriores. Os gestores buscam tanto por informações quantitativas quanto qualitativas para respaldar a decisão a ser tomada. Os tipos de decisões e seus respectivos níveis funcionais podem ser visualizados mais claramente na figura a seguir: Gerência estratégica / Diretoria Gerência intermediária Gerência operacionalEstruturada Semistruturada Não estruturada Tipos de decisão Fonte: Adaptada de Eleutério, 2015, p. 52. Figura 5 Tipos de decisões e seus respectivos níveis funcionais Quanto ao processo decisório, Simon (1979 apud ELEUTÉRIO, 2015) apresenta quatro etapas descritas na sequência. 80 Sistema de Informações de Marketing • Inteligência: caracterizada pela definição clara do problema ana- lisado em profundidade, por meio da formulação de premissas e de objetivos a serem atingidos. Nessa etapa, sob uma ótica estra- tégica, também é importante avaliar a situação, definindo se dela decorrerá ou não determinada ação. • Concepção: nessa etapa, são levantadas e avaliadas as alter- nativas possíveis de solução para uma situação, por meio da elaboração de estudos de viabilidade técnica, financeira e com- portamental, além de análises quantitativas e estatísticas. • Seleção: etapa de seleção da alternativa que contribuirá de ma- neira mais efetiva para alcançar os objetivos predeterminados na etapa de inteligência. • Revisão: ocorre a implementação da alternativa e a realização de um monitoramento para garantir o resultado ou para promover os ajustes necessários. Essas etapas para a tomada de decisões estão ilustradas na Figura 6. Figura 6 Etapas do processo de decisão Formulação do pro- blema ou situação de decisão • relatório de status; • dados internos do projeto; • análises de tendências; • pesquisa de mercado. Avaliação e geração de alternativas Geração de alternativas Implementação e vali- dação da decisão Inteligência SeleçãoConcepção Revisão • modelos matemáticos; • ferramentas analíticas; • projeções. • cenários possíveis; • previsões e projeções; • avaliação das alterna- tivas. • dados de monitora- mento; • feedback. Fonte: Adaptada de Eleutério, 2015, p. 54. Eleutério (2015, p. 49) menciona que, para cada decisão que toma- mos, “utilizamos uma quantidade maior ou menor de informações que, quando combinadas, embasam nossas escolhas e nos ajudam a formar uma espécie de modelo racional”. Tais decisões são embasadas nas premissas iniciais e na qualidade de informações que o gestor possui para a análise dos cenários. Como podemos ver, durante todo o processo, cada etapa é suporta- da por informações. Além disso, a solução implementada pode ser uma combinação de alternativas, as quais depois serão monitoradas para correção de curso ou ajustes. Durante o dia, recebemos uma série de notícias vindas da te- levisão, dos jornais, da internet etc. Podemos considerar essas notícias dados ou informações para uma tomada de decisões rotineira? Atividade 2 Processo decisório de gestão com base em informações 81 4.5 Mundo digital e a influência no processo decisório Vídeo Em tempos de mundo digital, interconexões, internet, excesso de dados e informações, a realidade das organizações tem se alterado ra- dicalmente no que diz respeito à coleta de informações e à análise de resultado de campanhas e investimento em mídia, bem como em rela- ção ao perfil de consumidor e à amplitude de mercado. Os universos digital e físico têm se interligado cada vez mais, dificul- tando até mesmo nossa identificação sobre onde um termina e outro se inicia. O comportamento do consumidor não se dá mais por regiões demográficas ou faixa etária; a venda é muito mais complexa, e o mer- cado foi ampliado. Atualmente, uma organização de atuação local pode fazer negócio em todo o mundo por meio da web. Inclusive, precisamos estabelecer a diferença entre internet e web. A primeira diz respeito a toda a infraestrutura existente para a tramitação de dados no mundo, composta de um complexo sistema de cabos, transmissão por satélites e grandes servidores dispostos em diversos locais do mundo (denominados nuvens), nos quais é possível acessar e armazenar dados. Já a web se refere à plataforma de softwares e aplicativos que faz com que seja possível desenvolver “inteligência” em cima da infraestrutura existente. Dito isso, podemos identificar o campo que estamos abordando nes- te momento e como essa tecnologia influenciou e segue agindo sobre o mundo dos negócios. Empresas aparecem e desaparecem, e novos modelos de negócios são apresentados em uma economia disruptiva. Essa história se iniciou em 1969, com o aparecimento da Arpanet, desenvolvida pela agência norte-americana Advanced Research and Projects Agency (Arpa), com o objetivo de conectar os computadores dos seus departamentos de pesquisa. Já em 1983, foi criado o Protoco- lo de Controle de Transferência/Protocolo Internet (TCP/IP), o qual se tornou padrão para a formatação da internet, sendo utilizado até hoje. Desde então, a internet passou por três grandes transformações. A primeira onda, com características restritas, não tinha grandes ambi- ções. As informações eram estáticas e centralizadas, cada projeto era customizado, existia um baixo nível de controle, não havia interativida- de entre os usuários e os projetos não tinham escalabilidade. 82 Sistema de Informações de Marketing A segunda onda da internet começou a trabalhar com a inteligência coletiva, deu poder ao usuário para produzir e passou a utilizar essa inteligência em um projeto maior. A esse respeito, Lévy (2010) reforça que o conhecimento da internet não se faz de maneira individual, o co- nhecimento disseminado não possui territorialidade e a aprendizagem cooperativa, a inteligência coletiva e a cooperação se constituem como os pilares da web. Por fim, a terceira onda utiliza a inteligência artificial para enten- der e poder aprender melhor sobre o comportamento do usuário. Sua principal característica é promover a capacidade de máquinas assumi- rem atividades anteriormente realizadas apenas manualmente. Nesse sentido, podemos notar que a evolução passou de uma sim- ples forma de se comunicar e transmitir dados para um sistema in- teligente de análise do comportamento do consumidor, do mercado, de números e de estatísticas. É possível parametrizar tudo, identificar padrões e criar indicadores, tudo em tempo real. De acordo com Kenn (1996), em relação aos sistemas empresariais e a como esses sistemas evoluíram dentro das organizações, o primei- ro momento foi o processamento de dados – possível a partir da déca- da de 1960, com o aparecimento dos computadores nas organizações, mas ainda com aplicações limitadas. As aplicações de geração de in- formações eram poucas e muito mais voltadas ao processamento e ao arquivamento de dados. O segundo momento, considerado de sistemas de informações, con- tou com a possibilidade de as linhas telefônicas transmitirem dados e permitiu o acesso remoto a terminais de consulta e a customização de sistemas para atender às necessidades das organizações. Para o autor, a maior evolução técnica na década de 1970 consistiu na transformação do processamento de dados em gerenciamento de banco de dados. Já no início da década de 1980, começou a fase da inovação e da vantagem competitiva, com mudanças tecnológicas que proporciona- ram maior agilidade. A expressão tecnologia da informação(TI) passou a ser utilizada e se tornou uma área estratégica nas organizações. Os computadores pessoais se tornaram mais comuns, substituindo os grandes centros de processamento de dados. Além disso, a capacidade dos computadores pessoais aumentou, gerando a necessidade de pro- mover um gerenciamento de redes de computadores. Processo decisório de gestão com base em informações 83 Na década de 1990, deu-se o fim da incompatibilidade. Os sistemas abertos e a integração de modelos foram essenciais aos departamen- tos de sistemas. A integração tecnológica flexibilizou a troca e o acesso às informações, otimizando seu fluxo e o funcionamento das organi- zações. Nesse sentido, Kenn (1996) reforça que a TI passou a ser um fator crítico na competitividade e na capacitação, permitindo eliminar barreiras geográficas, temporais ou de atividades. Subitamente, a velocidade dessas mudanças invadiu todas as áreas do negócio e da tecnologia. A utilização da TI passou a ser global, fun- dindo computadores e comunicação e mudando radicalmente o mun- do dos negócios. O computador se tornou, assim, indispensável em uma organização. Algumas tecnologias surgiram para apoiar a coleta de dados e os controles gerenciais, tornando mais inteligentes os sistemas e permitin- do ampliar cada vez mais a quantidade e a qualidade das informações coletadas e processadas. Uma delas é o Radio Frequency Identification (RFID – em português, sistema de identificação por radiofrequência), que objetiva rastrear e identificar o movimento de determinado objeto e pode ser aplicado em lojas de departamentos para o controle de pro- dutos e de consumo, bem como para a segurança, a automatização de pagamentos etc. Em seguida, surgiu o bluetooth, tecnologia sem fio para a troca de dados por meio de ondas de rádios de curta frequência entre dispo- sitivos móveis. Ele agiliza a comunicação entre dispositivos e siste- mas, além de permitir a comunicação com consumidores. Também podemos citar as redes wi-fi, que permitem a criação de uma rede de dados, substituindo os tradicionais cabeamentos. Seu grande destaque é a sua aplicação em atividades comerciais em ambientes controlados, como lojas. Já os sistemas de posicionamento global, os famosos GPS, muito além de orientar o usuário, permitem às organizações conhe- cerem a mobilidade de seus clientes e entenderem os hábitos deles, extrapolando os limites geográficos. A tecnologia tem essa grande possibilidade de desterritorializar as organizações, mas, para isso, é importante que os dados e as infor- mações geradas sejam de qualidade, a fim de garantir que exista uma inteligência para a tomada de decisões, a definição de estratégias e o subsídio dos tomadores de decisões. Com base no histórico da internet, na sua evolução e na perspectiva do uso da inteligên- cia artificial, imagine uma loja de artigos esportivos e disserte sobre como seria possível utili- zar as ferramentas virtuais para melhorar a performance dela. Atividade 3 84 Sistema de Informações de Marketing Nesse sentido, a web fornece um conjunto infinito de informações sobre consumo e negócios ao marketing. Tudo o que se produz para a web pode ser rastreado, coletado, trabalhado e utilizado para a tomada de decisão. Com os dados de usuários, podemos ter um rico banco de informações para ser utilizado no desenho estratégico da organização. Para finalizar, com o objetivo de evitar qualquer equívoco de in- terpretação, devemos diferenciar banco de dados e data marketing. O primeiro tem por objetivo ser um repositório de dados que serão traba- lhados, enquanto o segundo se refere a um banco de informações que permite a combinação de dados que fornecem subsídios para a toma- da de decisões. É nesse sentido que as organizações devem trabalhar em relação à web: criar data marketing não para que tenham apenas acesso a dados, mas também para que possam realmente ter informa- ções que subsidiem seus negócios e suas tomadas de decisões, bem como para direcioná-las a melhores patamares de competitividade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Compreender os conceitos que envolvem dados, informações e os processos de transformação necessários para alcançar os objetivos es- perados é essencial para as organizações. Assim, a primeira orientação é alinhar expectativas, definir objetivos e reorganizar processos e sistemas, a fim de que as organizações tenham a possibilidade de produzir dados à tomada de decisões. Muitas empresas e profissionais ainda hoje estão presos ao fazer e resolver, esquecendo-se de analisar e planejar. Realizar tarefas é, muitas vezes, algo instintivo e mais fácil. Entretanto, o diferencial vem da análise, de enxergar e perceber o que o concorrente não viu, conseguir antever/ prever uma tendência ou um movimento de mercado e estar preparado para aproveitá-lo. Essa será a chave da competitividade e diferenciação. Logo, é preciso visualizar a situação como um todo; saber garimpar os dados, definir os processos de transformação e analisar as informações com olhos estratégicos. Nesse sentido, faz-se necessário entender o tra- tamento de dados e as necessidades da organização, com o objetivo de que as informações geradas sejam relevantes e estejam disponíveis no momento necessário, bem como cheguem às pessoas que necessitam recebê-las. Para que isso aconteça, é preciso investir em tecnologias para o tratamento de dados, que permitam uma melhor mensuração de de- mandas e resultados, uma vez que produzem uma quantidade infindável de informações. ELA. Direção: Spike Jonze. EUA: Warner Bros. Pictures, 2013. 126 min. Essa produção gira em torno da relação que o per- sonagem principal desen- volve com um assistente virtual de computador (OS), semelhante à Siri do iOS ou à Cortana da Microsoft, com voz feminina e perso- nalidade. Assistir a esse fil- me será útil para que você reflita sobre a evolução da inteligência artificial e a sua capacidade de influenciar a vida real. Filme https://pt.wikipedia.org/wiki/Siri_(software) https://pt.wikipedia.org/wiki/Microsoft_Cortana Processo decisório de gestão com base em informações 85 REFERÊNCIAS ALVES, E. B. Sistemas de informações em marketing: uma visão 360º das informações mercadológicas. Curitiba: InterSaberes, 2018. CHIUSOLI, C. L.; PACAGNAN, M. A importância das informações de mercado como apoio à tomada de decisões de marketing. Revista de Gestão USP, São Paulo, v. 16, n. 2, p. 83-100, 2009. CHIUSOLI, C. L.; IKEDA, A. A. Sistema de informação de marketing (SIM): ferramenta de apoio com aplicações à gestão empresarial. São Paulo: Atlas, 2010. ELEUTÉRIO, M. A. Sistemas de informações gerenciais na atualidade. Curitiba: InterSaberes, 2015. KENN, P. G. Guia gerencial para a tecnologia da informação: conceitos essenciais e terminologia para empresas e gerentes. Rio de Janeiro: Campus, 1996. LÉVY, P. Cibercultura. 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2010. REZENDE, D. A. Sistemas de informações organizacionais: guia prático para projetos em cursos de administração, contabilidade e informática. São Paulo: Atlas, 2007. ROBREDO, J. Da ciência da informação revisitada aos sistemas humanos de informação. Brasília: Thesaurus e SSRR Informações, 2003. SAATY, T. L. Decision Making for Leaders: The Analytic Hierarchy Process for Decisions in a Complex World. Pittsburgh: RWS Publications, 2012. SUGAHARA, C. R.; SOUZA, J. H.; VISELI, J. A informação dos sistemas de informação gerenciais como elemento determinante no apoio à tomada de decisão em hospitais. TransInformação, Campinas, v. 21, n. 2, p. 117-122, 2009. GABARITO 1. Em um quadro de demanda negativa, a empresa precisa buscar quais são os motivos de rejeição que existem em determinado grupo de consumidores. A esse respeito, indica-se a realização de uma pesquisa qualitativa para compreender os motivos da rejeição. Após isso, pode-se testar com esse grupo uma versão do produto “melhorada” com as sugestões dadas por esses consumidores e verificar a aceitaçãodeles. 2. Devemos entender as notícias como dados, que podem ser relevantes ou não e que, uma vez processados e cruzados com as atividades realizadas no dia, podem se tornar informações importantes para uma tomada de decisões. Por exemplo: imagine que você está indo trabalhar e vê a notícia de que o aeroporto estará fechado por três dias. O dado era irrelevante até você saber que precisa comparecer a um compromisso urgente em outra cidade. A notícia a respeito do aeroporto era somente um dado, que não era importante no momento que você a viu, mas passou a ser fundamental para a tomada de decisão sobre a sua viagem, a data e o meio de transporte alternativo à sua disposição. 3. A inteligência artificial pode ser utilizada para identificar tendências de consumo e o perfil dos consumidores. Com essa informação, torna-se possível criar campanhas e estímulos aos consumidores de maneira personalizada, de acordo com padrões de comportamento, acesso a plataformas (móveis ou não) e melhoria de números deficitários de vendas. 86 Sistema de Informações de Marketing Este capítulo procura aumentar o seu conhecimento sobre banco de dados, database marketing e as tecnologias utilizadas no Sistema de Informações de Marketing (SIM). Apesar de alguns termos parecerem similares ou serem utilizados de maneira ampla, cada um deles possui pontos distintos e peculiares com relação às características técnicas e à sua aplicabilidade nas organizações. Um SIM está diretamente ligado aos sistemas computacionais. Em todas as definições apresentadas por distintos autores, vemos que os sistemas computacionais se referem à base para o tratamento de dados e à geração de informações e de inteligência para a tomada de decisões. Nesse sentido, os primeiros modelos propostos tinham por objetivo reunir as informações e processá-las para serem utilizadas como apoio à tomada de decisões. Na evolução desses modelos, o SIM reforçou a ideia de que os dados são processados e transformados em informação, ao passo que outros modelos o apresentaram como um sistema de apoio às decisões. Dessa forma, a partir de vários estudos, diversos autores apresentaram modelos de fluxos de informações armazenadas em bancos de dados, o que pode ser feito localmente ou via banco de dados on-line. Assim como esses exemplos, outros modelos apresentados por pesquisadores e autores reforçaram as ideias de subsistemas de informática e de necessidade de processamentos de dados. Diante da complexidade do mercado, da quantidade de informações existentes, bem como da dificuldade em entender Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 5 Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 87 os hábitos de consumo – considerando não somente o ambiente físico, mas também o virtual e a amplitude de atuação das organizações –, torna-se imprescindível conhecer e entender esses sistemas que suportam os SIM, para que o profissional, mesmo não atuando na área de sistemas de informações, saiba como apoiar a estruturação dela em conjunto com a área de informática na definição de hardwares e softwares necessários. 5.1 Banco de dados Vídeo O uso de banco de dados no marketing permite uma abordagem interativa, apoiando a ampliação do público-alvo, estimulando a de- manda de produtos e serviços e, principalmente, permitindo o regis- tro de dados de clientes, de transações e comunicações, o que ajuda a melhorar o planejamento e o contato futuro com os consumidores (SHAW, 1993). Considerando que os dados são elementos brutos e não trabalha- dos, ao passo que as informações são dados trabalhados que geram, assim, inteligência, convém observar o que Alves (2018, p. 25) afirma: “[dados] são registros crus que se tornam informações por meio de processamento”. Eleutério (2015) também salienta que dados são re- gistros de algo observado e que, quando interpretados e analisados, ganham relevância e se tornam informações. Para que os dados se tornem informações, é necessário contar com um sistema que armazene, organize, trabalhe, interprete e gere relató- rios com informações que possibilitem a análise para a tomada de de- cisões. Dessa forma, há um sistema que deve armazenar todos esses dados antes de serem tratados, o qual é conhecido por banco de dados. Segundo Eleutério (2015), o que caracteriza um SIM é a existência de um banco de dados. Ainda, o autor afirma que esse banco desem- penha as funções de processamento, armazenamento e recuperação de dados, sendo esse o ponto principal de qualquer sistema de infor- mação. Alves (2018), em sintonia, afirma que esse banco está relacio- nado à forma como a organização guarda as próprias informações. 88 Sistema de Informações de Marketing Antigamente, os dados eram mantidos de maneira aleatória, até que surgiram os Sistemas Gerenciadores de Bancos de Dados (SGBD) co- merciais, que os armazenavam de modo independente da aplicação e consistiam em uma “colação de dados inter-relacionados e de uma co- leção de programas para acessar esses dados” (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012, p. 19). As aplicações de registros de dados iniciaram entre as décadas de 1960 e 1970, com o uso de fitas magnéticas. Nos anos 1970, começa- ram a ser utilizados os discos rígidos que permitiam o acesso direto aos dados (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). Somente a partir da década de 1980 é que as aplicações evoluíram. Logo apareceram formas mais estruturadas de representação e armazenamento, como as bases de dados orientadas a objetos (BOSCARIOLI, 2006). Nos anos 1990, foi desenvolvida a linguagem SQL 1 . Além disso, com o crescimento da web nessa década, o ritmo da implantação dos bancos de dados aumentou, com altas taxas de processamentos de transações. Por fim, nos anos 2000, houve o aparecimento de novas linguagens (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). Sob essa perspectiva, existem dois tipos de bancos de dados: os rela- cionais (BDR) e os orientados a objetos (BDOO). Ambos apresentam ca- racterísticas distintas, mas servem ao mesmo propósito: “persistir dados necessários para a manutenção do negócio para o qual são aplicados” (BOSCARIOLI, 2006, p. 2). Especificamente, em um BDR: uma coleção de tabelas, todas com nomes únicos, compõem a base de dados, podendo estar relacionada a uma ou mais ta- belas. Conceitos como integridade referencial de dados – que garantem que um dado referenciado em uma tabela esteja pre- sente na tabela que está sendo referenciada – e chaves primárias estão presentes e garantem que um conjunto de informações possa ser representado de maneira consistente, independente da forma de acesso. (BOSCARIOLI, 2006, p. 2) Em resumo, o BDR propõe uma combinação de diferentes tabelas, permitindo uma integração de dados sem perder sua integridade, com a presença de chaves primárias. Na figura a seguir, apresentamos um exemplo de BDR. Structured Query Language (SQL – em tradução direta, linguagem de consulta estru- turada) é uma linguagem de gerenciamento de dados que interage com o banco de dados relacional e possibilita consultas com grandes volumes. 1 Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 89 Figura 1 Exemplo de banco de dados relacionais (BDR) RELAÇÃO EMPREGADOS NumEmpregado NomeEmpregado NomDepto Ramal 032 J Silva Pessoal 124 043 P Ariquemes Financeiro 223 067 A Brandão Produção 312 123 M Lucia Produção 312 149 C Andrade Financeiro 223 DEPARTAMENTO NumDepto NomeDepto Ramal 21 Pessoal 124 25 Financeiro 223 28 Produção 312 EMPREGADO NumEmpregado NomeEmpregado SalárioEmpregado 032 J Silva 380 043 P Ariquemes 420 067 A Brandão 520 123 M Lucia 450 149 C Andrade 950 Fonte: Elaborada pelo autor. Um BDR é baseado em uma coleção de tabelas. Assim, o usuário pode consultá-las, inserir novas duplas (função finita que mapeia no- mes de campos para um conjunto de valores inter-relacionados), bem como excluí-las ou atualizá-las (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). Por sua vez, um BDOOse ancora em três pilares fundamentais: herança, polimorfismo e encapsulamento. Assim, esse modelo revela mais flexibilidade para a manipulação dos conteúdos que o compõem. Logo, por meio de identificadores de objetos, ele é capaz de manipular os dados de forma consistente (BOSCARIOLI, 2006). A modelagem de um BDOO está intimamente ligada aos diagramas de classes gerados para o sistema, em que cada objeto possui um esta- do e seus comportamentos, diferenciando-se por um indicador único. Essa base de dados trata de uma coleção de objetos, enquanto em um sistema orientado a objetos, cada um deles representa uma entidade do mundo real (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). Esse mo- 90 Sistema de Informações de Marketing delo torna mais fácil a modelagem de dados e as consultas, utilizando tipos de dados complexos. A linguagem que se comunica com os bancos de dados é denomina- da Structured Query Language (SQL), a qual “atende a todos os coman- dos enviados pelo software e responde por meio de um processamento interno denominado transação de dados” (ELEUTÉRIO, 2015, p. 80). Em- bora seja uma linguagem de consulta, ela pode definir a estrutura dos dados, além de modificá-los e de especificar restrições de segurança (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). A linguagem SQL possui várias divisões: • Linguagem de definição de dados (DDL): fornece comandos para definir esquemas de relação. • Linguagem de manipulação de dados (DML): possibilita consul- tar informações e inserir, excluir ou modificar duplas. • Integridade: a DDL inclui comandos para especificar restrições de integridade às quais os dados armazenados precisam satisfazer. • Definição de visão: inclui comandos para definir visões. • Controle de transações: apresenta comandos para especificar o início e o fim das transações. • SQL embutida e SQL dinâmica: ambas definem como as ins- truções podem ser incorporadas nas linguagens gerais de programação. Tais conceitos são básicos para o entendimento de um banco de dados. Dessa forma, a seguir, discutiremos outros modelos mais com- plexos e com aplicações específicas. Pesquise na web os tipos de banco de dados mais utilizados pelas organizações atualmente e como eles impactam as mudanças internas. Atividade 1 A partir da pesquisa feita na Atividade 1, escolha uma organização específica e identi- fique quais são as informações utilizadas por ela, bem como quais são as deficiências que ela apresenta e as possíveis melhorias. Atividade 2 5.2 Data warehouse Vídeo Eleutério (2015) ressalta que quando os dados se originam de várias fontes armazenadas nos mais diferentes formatos, eles são denominados dados heterogêneos. Para poder analisá-los, torna-se necessário, inicialmente, integrá-los em um local único e transformá- -los em um padrão que permita a leitura e interpretação. Essa prática é chamada de consolidação de dados, e é exatamente nesse contexto que surge o data warehouse. Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 91 O conceito de data warehouse se refere a um grande depósito de dados de uma organização, em que os dados consolidados do histórico das transações ficam armazenados. Frequentemente, o trabalho com tais dados é viável para a identificação do comportamento de compra de um cliente (BRAMBILLA, 2009). A esse respeito, Silberschatz, Korth e Sudarshan (2012) definem o data warehouse como um depósito de dados, ou informações colhidas de várias origens, que estão sob um esquema unificado em um único local. Desse modo, Alves (2018) informa que o data warehouse é enten- dido como um banco capaz de lidar com vários dados, e não apenas com aqueles que se encontram dentro da organização. Além disso, nas palavras de Eleutério (2015, p. 159), “enquanto um banco de dados tra- dicional se destina ao processamento de transações – armazenamento, recuperação e atualização de dados – o data warehouse é projetado para realização de consultas e análises complexas sobre os dados”. Assim, o data warehouse responde pelo fornecimento das infor- mações confiáveis que amparam o processo de tomada de decisão. Essa ferramenta exerce as funções de integração da base de dados e de fornecimento de uma visão única e orientada aos tomadores de decisão, permitindo o acesso a dados históricos e consolidados em uma mesma codificação (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012; BRAMBILLA, 2009). Dessa forma, ele é importante devido ao armazenamento de in- formações em uma única locação central, a qual é utilizada para uma posterior construção da imagem do cliente da organização. Trata-se, portanto, de uma ferramenta que busca mapear e compreender o cliente, além de centralizar as informações; para que seja efetiva, deve estar conectada a todos os canais e departamentos da organização que mantêm contato com os clientes (BRAMBILLA, 2009). De acordo com Brown (2001 apud BRAMBILLA, 2009), o data warehouse consiste em um fator fundamental para que possam ser de- sempenhadas a personalização e criação do marketing one to one, por meio do qual a empresa pode aumentar consideravelmente a satisfa- ção dos seus clientes. Esse é um passo essencial para o início do CRM analítico (Customer Relationship Management ou, em português, gestão de relacionamen- to com o cliente), em que as fontes de dados são projetadas para o 92 Sistema de Informações de Marketing uso operacional. Nessa lógica, conforme expõem Silberschatz, Korth e Sudarshan (2012, p. 560), acessar as informações a partir de um único ban- co de dados “garante que os sistemas de processamento de transações on-line não sejam afetados pela carga de trabalho de apoio à decisão”. Segundo essa perspectiva, os dados constantes em um data warehouse possuem algumas características, conforme apresenta o Quadro 1. Quadro 1 Características do data warehouse Tipo Explicação Orientação por assunto A orientação por assunto é uma característica marcante, pois toda a modelagem é dese- nhada em torno dos principais assuntos da organização. Enquanto os sistemas transacio- nais estão voltados aos processos e às aplicações específicas, o data warehouse objetiva o assunto, que trata de um conjunto de informações relativas à determinada área estratégica de uma organização. Integração A integração é uma característica importante, pois é por meio dela que se padroniza uma representação única para os dados de todos os sistemas, os quais formarão a base de dados do data warehouse. Grande parte do trabalho de construção deste é baseado na análise dos sistemas transacionais e dos dados que eles contêm. Tais dados geralmente se encontram armazenados em vários padrões de codificação, referentes aos diversos sistemas existentes nas organizações e codificados por diversos analistas; isso significa que dados semelhantes podem estar em formatos diferentes. Variação no tempo O registro dos dados é mantido por um período muito superior ao dos sistemas tradicio- nais. Nele, o registro do dado vem de algum momento específico, o que demonstra que ele não é atualizável. Para cada atualização, realiza-se um novo registro para marcar a alteração. Seu principal objetivo é acompanhar o comportamento das mudanças durante um período maior, tendo em vista que os gestores tomam decisões fundamentais nessa variação. Não volatilidade Existem somente duas operações relacionadas à não volatilidade: a carga inicial e as con- sultas dos front-ends aos dados. Após serem integrados e transformados, os dados são car- regados em blocos, a fim de serem disponibilizados para o acesso dos usuários. A maneira como os dados são carregados e tratados é diferente dos sistemas tradicionais. No ambien- te tradicional, os dados são carregados registro a registro, em múltiplas transações. Essa volatilidade requer um trabalho considerável para assegurar integridade e consistência. Um data warehouse, por sua vez, não requer esse grau de controle, uma vez que os dados são lidos apenas na origem e gravados no destino.(Continua) Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 93 Tipo Explicação Localização Os dados podem estar fisicamente armazenados em três formas: i) Em um único local centralizado e integrado, de modo a maximizar o poder de processa- mento e agilizar a busca de dados. Esse modelo é bastante utilizado, sendo um alto investi- mento em um hardware que comporte uma base de dados volumosa. ii) Por áreas de interesse, como marketing, financeira, produção ou administrativa. A vanta- gem desse modelo é a performance, pois essa forma não sobrecarrega um único servidor, e as consultas são atendidas em um tempo satisfatório. iii) Pelos níveis de detalhes em que as unidades de dados são mantidas. Nesse caso, os da- dos podem ser armazenados de maneira resumida em diferentes servidores, considerando os níveis de detalhe. Assim, os servidores de primeira camada são otimizados para suportar um grande número de acessos e um baixo volume de dados, enquanto os servidores de ou- tras camadas podem ser adequados para processar grandes volumes de dados com baixo acesso. Credibilidade dos dados É importante para o sucesso de qualquer projeto. Pequenas discrepâncias podem causar sérios problemas quando se quer extrair dados para apoiar decisões estratégicas ao ne- gócio. Logo, dados não dignos de confiança podem resultar em relatórios inúteis ou sem importância. 5.3 Data mining Vídeo Data mining (em português, mineração de dados) se refere à análi- se das informações em um banco de dados, por meio de ferramentas que procuram tendências ou anomalias sem o conhecimento do sig- nificado dos dados. Trata-se de um processo fundamental em estra- tégias de CRM, especialmente no comércio eletrônico. De acordo com Silberschatz, Korth e Sudarshan (2012, p. 563), trata-se de um “proces- so para analisar grandes bancos de dados de forma semiautomática para encontrar padrões úteis”. Em outras palavras, significa o processo de extração e cruzamento de informações relevantes, as quais apre- sentam um modelo comportamental. A aplicação desse sistema é útil para analisarmos as informações contidas no repositório maior de dados da empresa ou nos repositó- rios por área. Assim, seu foco primário é voltado para o descobrimento de conhecimentos anteriormente não existentes ou não disponíveis. Fonte: Adaptado de Alves, 2018, p. 133. A garantia de usar um banco de dados único representa uma maior segurança das informações, além de reduzir as distorções por integrar diversos dados de origens diversas e padronizar sua apresentação. Porém, acima de tudo, o banco de dados facilita a vida dos tomadores de decisões, pois promove uma visão única da organização. 94 Sistema de Informações de Marketing Porém, também pode ser utilizado para automatizar a análise de uma grande quantidade de conjuntos de dados (BRAMBILLA, 2009; SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). Já Bretzke (1992) descreve o data mining como uma ferramenta uti- lizada na busca de clientes mais rentáveis ou de segmentos de clientes mais significativos para a empresa. Nesse sentido, segundo Brambilla (2009), suas principais vantagens são: • orientar o desenvolvimento de produtos aos clientes, por meio da utilização de suporte tecnológico; • encurtar a distância com o consumidor final; • oferecer produtos e serviços a preços competitivos; • agregar valor extra aos clientes por segmentação, mediante a análise das classes de clientes. Alves (2018), nessa perspectiva, cita algumas características impor- tantes do data mining: Quadro 2 Características do data mining Tipo Explicação Classificação Associa ou classifica um item a uma ou várias classes categóricas predefinidas. Os objeti- vos dessa técnica envolvem descrição gráfica ou algébrica das características diferenciais das observações e de várias populações, além da classificação das observações de uma ou mais classes predeterminadas. A ideia é derivar uma regra que possa ser usada para classificar, de maneira otimizada, uma nova observação a uma classe já rotulada. Modelos de relacionamento entre variáveis Associam um item a uma ou mais variáveis de predição de valores reais, consideradas de variáveis independentes ou exploratórias. Isto é, constatam se há uma relação funcional entre “x” e “y”. Análise de agrupamentos (cluster) Relaciona um item a uma classe categórica ou a um grupo delas (cluster). Os clusters são definidos por meio de agrupamentos de dados baseados em medidas de similaridade ou em modelos probabilísticos. A análise de cluster é uma técnica que visa detectar a existência de diferentes grupos dentro de determinados conjuntos de dados e, em caso de existência, determinar quais são eles. Sumarização Designa uma descrição compacta para dado subconjunto. As medidas de posição e va- riabilidade são exemplos simples de sumarização. Ainda, as funções mais sofisticadas en- volvem técnicas de visualização e a determinação de relações funcionais entre variáveis. Modelo de dependência Descreve dependências significativas entre variáveis. Existem modelos de dependência em dois níveis: estruturado e quantitativo. O estruturado especifica, em forma de grá- fico, quais variáveis são localmente dependentes; já o quantitativo especifica o grau de dependência, usando alguma escala numérica. (Continua) Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 95 Regras de associação Estabelecem relações entre campos de um banco de dados. A ideia é promover a cor- relação das derivações multivariadas que permitem subsidiar a tomada de decisões. Análise de séries temporais Determina características sequenciais, como dados com dependência de tempo. O ob- jetivo é modelar o estado do processo, extraindo e registrando desvios e tendências no tempo. Fonte: Adaptado de Alves, 2018, p. 137. A previsão é um dos tipos mais importantes de mineração de dados. Para isso, é necessário criar classificadores e associações. A classificação pode ser realizada por meio de regras que particionam os dados agrupados em grupos disjuntos, mas a maior dificuldade é definir à qual classe um novo item pertence (SILBERSCHATZ; KORTH; SUDARSHAN, 2012). A classificação se refere à previsão de classes e de instâncias de teste que podem considerar determinados atributos. A seguir, apresentamos alguns tipos de classificadores, conforme expõem os autores Silberschatz, Korth e Sudarshan (2012): • Classificadores de árvore de decisão: realizam uma classifi- cação, construindo uma árvore baseada nas instâncias de trei- namento, sendo que as “folhas” apresentam rótulos de classe. Assim, várias técnicas estão disponíveis para a construção de árvores de decisão. Porém, essa técnica se baseia em heurísticas gulosas, em que são construídas uma ou mais soluções, elemen- to a elemento, conforme algum critério heurístico. • Classificadores bayesianos: são mais simples e funcionam me- lhor em caso de falta de valores de atributos (ou nulos). • Máquina de suporte de vetor: amplamente utilizada, consiste em um conjunto de métodos que analisa os dados e reconhece padrões. É usada para classificação e análise de regressão. Com isso, podemos concluir que a mineração de dados objetiva identificar padrões. Logo, torna-se possível prever comportamentos com base em eventos passados. heurístico: método de investigação baseado na progressiva aproximação de um dado problema. Glossário 5.4 Database marketing e a segmentação do mercado Vídeo O database marketing diz respeito ao depósito de dados consolida- dos, sendo específico para processos e ações da área comercial das organizações usuárias de sistemas de CRM (BRAMBILLA, 2009). Dados sobre o perfil de clientes atuais (registros das vendas realizadas) e 96 Sistema de Informações de Marketing potenciais (prospects) são aspectos primordiais para o entendimento do funcionamento do database marketing. Seu funcionamento ocorre por meio de um banco de informações sobre clientes individuais, possibilitando aanálise de padrões de com- pra e solicitações de informações (SHAW, 1993). Dessa forma, torna-se possível direcionar promoções, prever novos padrões de produtos ou serviços, bem como melhorar a performance de vendas e as receitas da organização. Assim, o database marketing consiste em um gerenciamento dinâ- mico de uma base de dados atualizada com as informações relevantes dos clientes, sejam atuais ou potenciais. Sua principal vantagem está na atualização constante de um grande número de informações de clientes. A esse respeito, acompanhe, na Figura 2, um exemplo de mo- delo de database marketing integrado. Figura 2 Modelo de database marketing integrado Sistemas de marketing e vendas • Planejamento de campanha, coordenação e gerenciamento. Planejamento da campanha • Planejamento estratégico. • Pesquisa e desenvolvimento. • Planejamento de produto. Sistemas financeiros e operacionais • Entrada de pedidos. • Controle de estoques. • Faturamento. • Cobrança/contas a receber. CLIENTES PROSPECTS SUSPECTS • Previsão de vendas. • Análise de mercado/concorrência. • Apoio de vendas em campo. • Telemarketing. • Comunicação com clientes. • Gerenciamento da força de vendas. Fonte: Shaw, 1993, p. 21. Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 97 De acordo com Hughes (1998 apud BRAMBILLA, 2009), o database marketing deve ser configurado com os dados que demonstram o perfil dos clientes atuais, além de mostrar o histórico de compras efetivadas e potenciais. Dessa forma, o sistema agrega as informações sobre cada cliente e, assim, constrói e gerencia um relacionamento personalizado com ele. Para Shaw (1993), as principais vantagens desse sistema são: • é mensurável: permite medir o desempenho de campanhas e a eficácia de diferentes abordagens. • é passível de ser testado: possibilita o teste de diferentes ele- mentos da abordagem, tais como produto, comunicação, oferta, mercado-alvo, entre outros. Os testes podem ser realizados rapi- damente para a obtenção de respostas rápidas, a fim de melho- rar a performance das campanhas enquanto elas ocorrem. • é seletivo: permite direcionar a campanha de modo mais singu- lar, uma vez que se volta a clientes específicos. • é personalizável: promove a personalização da comunicação cliente a cliente, aumentando a taxa de respostas. • é flexível: por meio dele, pode-se programar uma campanha e alterá-la no momento necessário. Tais características do database marketing fazem com que seja possí- vel reduzir custos de campanha, pois a comunicação em massa aumen- ta os custos a cada dia e, também, permite uma direção mais específica ao público interessado, bem como aos clientes potenciais. Sob essa ótica, de acordo com Shaw (1993, p. 75), o objetivo do uso do database marketing é “criar e sustentar um fluxo de comunicação nos dois senti- dos entre a empresa e seus cientes”. Por sua vez, segundo Alves (2018), a construção desse banco de dados pode ser feita de várias formas, as quais podem ser resultado do envio de malas diretas, redes sociais, mídias, canais de contatos com os clientes etc. Assim, as organizações podem escolher o melhor mercado para atuar, as melhores abordagens de vendas, as perfor- mances de produtos ou serviços mais seguras, a melhor segmentação para o mercado, entre outras estratégias. O autor ainda apresenta al- gumas formas de segmentar o mercado, partindo das informações do database marketing, as quais estão indicadas no Quadro 3. 98 Sistema de Informações de Marketing Quadro 3 Formas de segmentação do mercado Tipo Explicação Segmentação geográfica Requer a divisão do mercado em diferentes unidades geográficas, como: país, estados, cidades, regiões etc. A empresa pode optar por trabalhar em apenas uma ou em di- versas regiões. Segmentação demográfica Divide-se em grupos de variáveis básicas, como idade, tamanho da família, gênero, nível de instrução, entre outras. Trata-se da base mais utilizada pelas organizações. Segmentação psicográfica Separa os clientes com base no estilo de vida e em aspectos como personalidade e valores. O modo de consumo traduz o estilo de vida dos consumidores. Segmentação comportamental Segmentação por meio do conhecimento e da atitude do consumidor com relação ao produto, no uso ou na resposta a ele. Podemos identificar esse uso por status, fidelida- de, índice de utilização e atitudes. Segmentação de multiatributos: análise geodemo- gráfica Trata-se de uma combinação de diversas variáveis para identificar grupos-alvo especí- ficos e definidos. Assim, o banco identifica subgrupos e segmentos dentro de grupos existentes. Fonte: Adaptado de Alves, 2018, p. 140. Isso resulta no novo marketing, impactado pelas tecnologias de in- formação e por técnicas de comunicação, e preparado para responder aos desafios da “era do cliente”, uma vez que dispõe das ferramentas que permitem tratar o consumidor individualmente. Nesse sentido, Bretzke (1992, p. 113) elucida que o database marketing “é colocado como sinônimo de Marketing Direto, Marketing de Relacionamento, Target Marketing, evidenciando a importância que esta técnica assume frente às diversas abordagens de marketing existentes”. Ainda segundo Bretzke (1992), o que permite o desenvolvimento rápido desse sistema não é a necessidade de grandes equipamen- tos, mas, sim, de aplicações mais robustas que possibilitem a orga- nização e criação de um banco de dados de marketing. Além disso, essa técnica promove: • a criação de relacionamento entre a empresa e seus consumidores/clientes; • a exploração desse relacionamento para transformar prospects em clientes e em novos consumidores do produto; • a construção e manutenção de fidelidade com os clientes ou consumidores; • a ação de melhora nos resultados das vendas; • a identificação de novos mercados ou nichos de mercado; O Contador. Direção: Gavin O’Connor. Estados Unidos: Dune Entertainment, 2016. 1 DVD. 128 min. O filme apresenta a história de um contador autista, perito em números, que consulta toda a base de dados de uma organi- zação para identificar os desvios de dinheiro que nela estão ocorrendo. O enredo demonstra a importância da organização de dados, dos relatórios e da capacidade de compreendê-los para a tomada de decisão. Filme Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 99 • a otimização e redução de custos de comunicação por meio da sistematização e do uso integrado de mídias, como TV, rádio, re- vistas, jornais, telemarketing e mala direta. Entretanto, é necessário compor um planejamento organizado para transformar um banco de dados em um database marketing. Sob essa ótica, segundo Bretzke (1992), os fatores-chave para que essa ferra- menta seja bem-sucedida são: • definir claramente a estratégia de marketing; • estabelecer que tipo de aplicação se fará dessa estratégia; • identificar quais informações serão necessárias. Dessa forma, o database marketing é uma excelente ferramenta, que, se for bem projetada e implantada, permitirá às organizações atingirem um novo patamar de relacionamento não só com os clientes, mas também de performance de vendas em relação ao mercado. Analise as diferenças em cada um dos bancos de dados apresentados e, em seguida, elabore um esquema de implantação para a realidade vivida na organização escolhida na Atividade 1. Atividade 3 5.5 Indústria 4.0 Vídeo Quando falamos em indústria 4.0, estamos nos referindo a uma re- volução na forma de produzir, relacionar-se com clientes, ofertar e ven- der produtos e serviços e, até mesmo, operacionalizar organizações. O desenvolvimento de sistemas inteligentes e a própria tecnologia dos sistemas de informação evoluíram muito, permitindo uma interação praticamente instantânea entre organizações e clientes. Da mesma forma, os mercados – antes restritos, principalmente por questões geo- gráficas – atualmente estão ampliados, ou seja, tanto as organizações vendem para alémde seus mercados como os clientes podem comprar de qualquer lugar do mundo. Com relação à evolução da web, podemos destacar três momentos: web 1.0, web 2.0 e web 3.0. A primeira versão (web 1.0) tinha caracterís- ticas bem restritas, tais como: informações estáticas e centralizadas; projetos customizados e sem reutilização; impossibilidade de ser con- trolada (ou apresentava baixo controle); nenhuma interatividade entre usuários; e os projetos não tinham escalabilidade. A web 2.0 se aproveitou da inteligência coletiva e dos efeitos de rede, criando uma rede de informações por meio da contribuição de seus integrantes. A esse respeito, Gabriel (2010) destaca a web como uma 100 Sistema de Informações de Marketing plataforma em que atualmente não apenas se consome conteúdo, mas também o produz, dando empoderamento ao indivíduo, que passou de um simples consumidor de conteúdo para um produtor. Já na sua última versão (web 3.0), além do empoderamento e do uso de inteligência coletiva, desenvolveu-se a Inteligência Artificial (IA), que permitiu à máquina identificar padrões e executar atividades rotinei- ras, viabilizando ainda mais o conhecimento a respeito dos hábitos do consumidor e aumentando muito a interação destes com as organiza- ções e vice-versa. Essa é a última geração da internet, a qual apresenta mais recursos, além de ser mais rápida e inteligente. O uso intensivo de IA permite que o comportamento do consumidor seja mais bem compreendido, possibilitando atender às suas necessidades de manei- ra mais individualizada, direta e inteligente. Toda essa alteração de tecnologias, somada ao conhecimento adquirido e ao novo modelo de se fazer negócios, modificou também a forma como as organizações devem pensar seus bancos de dados, a mineração de dados, além da guarda dos dados necessários para a tomada de decisões. Assim, a tecnologia da informação e o marketing são dois componentes indissociáveis nas organizações atuais, ocupan- do um lugar de destaque para dar suporte às tomadas de decisões dos gestores, com ferramentas que operam essa quantidade de informa- ções geradas na rede. Os serviços sem fio, como Radio Frequency Identification (RFID), para o rastreio de cargas, o bluetooth, os serviços de mensagens instantâ- neas (SMS ou WhatsApp) e o GPS, muito utilizados pela indústria nos mais diversos segmentos, revolucionaram não somente a indústria de transformação, como também o varejo e os serviços. Além desses componentes, foram criadas outras várias tecnologias para a automação do varejo, o que também impactou a construção dos bancos de dados. Assim, atualmente, é possível conhecer melhor as vendas, bem como promover uma combinação de vendas de produtos distintos por meio da criação de códigos para nomenclatura e identi- ficação de produtos – os códigos de barras –, presentes em 100% dos produtos comprados. Desse modo, os códigos de barras são muito uti- lizados no comércio, pois identificam, além do sequencial do produto e da empresa fabricante, o país e o continente de origem. Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 101 Em 1994, a empresa Denso criou um símbolo bidimensional (uma evolução dos códigos de barras) conhecido como QR Code: uma simbologia matricial destinada a facilitar a localização de um produto, sua posição, seu tamanho e outras informações mais apuradas. Para o consumidor, as buscas por produtos e serviços passaram a ocorrer, primeiramente, no ambiente on-line, realizadas por search engines (buscadores) cuja finalidade é auxiliar na busca de informações armazenadas em sistemas computacionais na rede (GABRIEL, 2010). Nessa lógica, outro fenômeno muito vinculado à web se refere à teoria da cauda longa, que nada mais é do que a identificação de pe- quenos e infinitos grupos que, no montante, representam um mercado maior do que os mercados de massa. A esse respeito, Anderson (2006, p. 36), autor dessa teoria, menciona: “Embora a Cauda Longa se mani- feste como fenômeno da internet [...] ela não começou com a web. Em vez disto, é a culminância de uma sucessão de inovações em negócios que remontam há mais de um século – avanços na maneira como des- cobrimos, produzimos, distribuímos e vendemos bens”. Esse fenômeno tornou ainda mais complexa a procura por informa- ções e conhecimentos do mercado, uma vez que a busca por clientes não está nos grandes, e sim nesse universo infinito de pequenos merca- dos e nichos. Logo, as organizações precisam não só conhecer e identi- ficar esses grupos, mas também coletar e registrar informações de seus integrantes, a fim de melhorar a complexa forma de venda para um con- sumidor também 3.0. Nesse cenário, também se destaca a chamada Internet das Coisas (IoT – do inglês Internet of Things), que se refere ao agrupamento de dispositivos das cidades que estão interconectados e conectados à internet. O início da IoT ficou registrado entre 2008 e 2009, quando o número de objetos conectados à internet superou o número de habi- tantes no planeta (EVANS, 2011). Tais dispositivos estão presentes nos mais diversos lugares do nosso dia a dia, coletando e transmitindo da- dos, tais como veículos, dispositivos móveis, telefones celulares, com- putadores e tantos outros que possuem tecnologia. https://www.cisco.com/c/dam/global/pt_br/assets/executives/pdf/internet_of_things_iot_ibsg_0411final.pdf. Este texto demonstra a mudança ocorrida no mundo desde 2008, sobre como a indústria está mudando em função da tecnologia. Acesso em: 29 out. 2019. Artigo 102 Sistema de Informações de Marketing Por fim, na complexa indústria 4.0, conectada em todos os lugares e com tecnologias inovadoras sendo lançadas todos os dias, ressaltamos as tecnologias evolutivas e as tecnologias disruptivas. As tecnologias evo- lutivas, por seu próprio nome, são aquelas que têm por objetivo melho- rar a geração anterior em eficiência, tecnologia ou aplicabilidade, mas que, ao mesmo tempo, possuem as mesmas características. Podemos citar o exemplo dos veículos automotores: estamos presenciando uma evolução para os motores elétricos, com carros mais equipados tecno- logicamente, porém a função e característica permanecem inalteradas, pois continuam sendo veículos de transporte. Por sua vez, as tecnologias disruptivas apresentam inovações incre- mentais, alterando parâmetros dos mercados existentes e criando no- vos mercados. Eventualmente, ainda, elas contribuem para substituir indústrias ou produtos estabelecidos no mercado, incorporando novos padrões de atuação e alterando, assim, os esquemas de produção e regulação vigentes (BAPTISTA; KELLER, 2016). Foi o que aconteceu com o Uber, por exemplo, que alterou todo o modelo que anteriormente era ocupado por táxis e, também, a regulamentação de trânsito de al- gumas cidades. Para finalizar, é importante ressaltarmos algumas tecnologias que levaram muitos anos para atingir 50 milhões de usuários, corroboran- do com o exposto neste capítulo. O avião, por exemplo, levou 68 anos para atingir esse nível de usuários; o carro precisou de 62 anos; a eletri- cidade levou 46 anos; e a televisão, 22 anos. Já as tecnologias firmadas na internet conseguem números nunca imaginados, a começar pela própria web, que chegou à marca de 50 milhões de usuários em apenas 7 anos, o que parece um tempo longo se comparado a negócios emer- gentes como o Facebook, que precisou de apenas 3 anos, ou ainda o aplicativo Pokémon Go, que precisou somente de 19 dias para chegar a essa marca. Com base nesses dados, podemos estabelecer alguns comparati- vos relacionados à época em que tais tecnologias foram lançadas e ao comportamento de sua maturidade. Algumas delas alteraram toda a realidade da sociedade da época. Por exemplo, vamos considerar a eletricidade: até sua criação, a iluminação do espaço público e das resi- dências era feita por meio de lamparinas à base de óleo; já em relação à televisão, antes que ela fosse lançada, o entretenimento era feito so- mente pelorádio. A REDE social. Direção: David Fincher. Estados Unidos: Relativity Media, Trigger Street Productions, 2010. 1 DVD. 120 min. Este filme conta a história da criação do Facebook e como isso impactou o relacionamento en- tre as pessoas envolvidas, além de apontar as dificuldades na criação de um banco de dados dos alunos da universidade em que ela foi criada, logo no início da rede. Filme Tecnologias e o Sistema de Informações de Marketing 103 Esses são exemplos de tecnologias que foram disruptivas em suas épocas, pois alteraram a realidade da sociedade. Da mesma forma, atualmente existem tecnologias ligadas ao meio digital que somente com alguns meses já atingem um grande número de pessoas, o que é permitido graças à evolução da internet. CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente, o uso de banco de dados é primordial na vida das organi- zações. Os mercados se tornaram mais complexos, a quantidade de infor- mações aumentou significativamente, e o uso de inteligência para coletar, agrupar, analisar e criar mais inteligência se tornou imprescindível para a vida das organizações. O aparecimento da web nos anos de 1990, especialmente no Brasil, o uso da inteligência coletiva e a grande quantidade de informações que circulam na rede obrigam as organizações a controlar, cada vez mais, o mercado em que atuam. Isso porque a web proporcionou aos usuários um poder maior de escolha e independência. Ela desterritorializou os mercados, quebrou barreiras, ampliou as opções dos consumidores e possibilitou que estes falassem de marcas e organizações com grande abrangência e capacidade de influenciar o consumo de um grande grupo de consumidores. Tal fato obrigou as empresas a melhorarem seu moni- toramento do mercado, sua capacidade de análise e seus investimentos em tecnologia. Por outro lado, as organizações conseguem muito mais acesso a in- formações, tanto de consumidores como de monitoramento de ações de mercado. As barreiras para se chegar aos consumidores foram quebra- das, permitindo que as empresas adquirissem um melhor conhecimento e monitoramento do mercado. Isso significa maior complexidade para os consumidores guardarem seus dados, bem como para as organizações analisarem a infinitude de informações veiculadas no mercado. REFERÊNCIAS ALVES, E. B. Sistemas de informações em marketing: uma visão 360º das informações mercadológicas. Curitiba: Intersaberes, 2018. ANDERSON, C. 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Como a atividade envolve uma pesquisa particular, a resposta também é de caráter pessoal. Porém, recomendamos que você realize uma busca no Google com os títulos banco de dados, data mining, data warehouse e database marketing, buscando modelos de sistemas, quais são os mais utilizados e marcas. Assim, será possível identificar que tipos de sistemas existem no mercado e como eles são estruturados. 2. A resposta a esta atividade abrange uma análise interna de uma organização. Por mais simples que possa ser (mesmo que seja um micronegócio), ela necessita de informações. Logo, é interessante observar como os sistemas apresentados podem colaborar. Exemplo: constatar na empresa avaliada se ela possui matriz e filial ou mais de um ponto de vendas, bem como se ela conta com um sistema integrado de informações (data warehouse); se os sistemas de RH, finanças e vendas estão integrados em um único sistema com cruzamento de informações (banco de dados); e, por fim, se os departamentos de marketing e vendas apresentam sistemas de análise de vendas, registro de clientes e outros. 3. A resposta a esta atividade representa o fechamento das duas atividades anteriores. Ela envolve o conhecimento do que existe no mercado, a realidade das organizações e, ainda, a compreensão dos seus processos. A elaboração de um esquema pode contribuir para que você entenda como utilizar os conceitos discutidos na prática. Exemplo: você deve fazer o cruzamento entre os bancos existentes e aquele que a organização está utilizando; se o banco de dados é SQL ou Oracle; se existe um sistema de database marketing, como RD Station, CRM etc. Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 105 Conhecer a aplicabilidade da ética no dia a dia das empresas, bem como entender a sua importância na coleta de informações, é necessário para a sobrevivência de qualquer organização. Vivemos em um mundo repleto de informações disponíveis nos mais variados canais, especialmente no ambiente on-line, no qual, em instantes, tudo se torna passível de análise, mensuração e correção de rota. Os negócios passaram a ser mais complexos e a tomada de decisão ficou ainda mais arriscada, uma vez que a concorrência está tendo acesso às mesmas informações que antes eram custosas, mas que, neste momento, possuem um gasto muito menor de aquisição. A relação com o consumidor também foi modificada devido ao advento das redes sociais, das mídias sociais e da relação virtual com as marcas e com as empresas, seja por meio de laços fortes ou fracos. Atualmente, o potencial de propagação de uma informação por parte desse consumidor é infinitamente maior e de mais influência que, até mesmo, o das próprias organizações. Outro aspecto que passou a influenciar essas relações é a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), a qual regula as atividades de tratamento de dados pessoais das organizações e de seus clientes. Essa lei determina que dados pessoais só podem ser coletados mediante o consentimento do usuário. Da mesma forma, a segurança e o tratamento desses dados devem ser redobrados pelas organizações que estão sujeitas a punições severas, conforme determina a lei. Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 6 106 Sistema de Informações de Marketing Assim, a escolha de um sistema que atenda à organização como um todo e seja, de fato, uma solução tecnológica para ela é de extrema importância. A solução deve ser “lúdica” o suficiente para se integrar à organização e ser uma ferramenta deapoio à tomada de decisão, e não mais uma solução tecnológica que atrapalha a rotina e não é confiável. Sob essa ótica, a ética no tratamento das informações coletadas no mercado agora possui uma legislação para punir os infratores. 6.1 Avaliação da produtividade e aplicabilidade dos sistemasVídeo Devemos entender que os sistemas de informações servem como uma ferramenta para a tomada de decisão nas organizações. Anterior- mente, discutimos os mais diversos tipos de sistemas e modelos possí- veis que devem ser avaliados em sua complexidade e aplicabilidade na realidade da organização. Essa realidade, porém, modifica-se de orga- nização para organização. A prática da tomada de decisão baseada em números e informa- ções deve ser inserida na rotina de qualquer empresa de modo que faça parte de todas as decisões internas, da mais rotineira à mais estra- tégica, contanto que possua uma base lógica e suportada por dados e informações consistentes aos tomadores de decisões. A esse respeito, Eleutério (2015) reforça que gerenciar é fazer o que precisa ser feito, e o ato de tomar decisões exige, além de experiência, conhecimento de dados e informações que baseiem essas decisões. Por isso, segundo o autor (2015, p. 48), tomar uma decisão significa “escolher o que deve ser feito em determinada situação, a qual deve ter mais de uma alternativa”. Também precisamos compreender que as decisões podem ser sim- ples, isto é, fazer parte do cotidiano, ou complexas, baseadas em in- formações estimadas, passíveis de criação de cenários. Igualmente, elas podem ser estruturadas, ou seja, tomadas em situações definidas, com variáveis precisas e consistentes, bem como semiestruturadas, que acontecem normalmente nos níveis gerenciais e contam com uma combinação de informações consistentes com um cenário mais amplo. Por fim, existem, ainda, as decisões não estruturadas, normalmente li- Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 107 gadas à alta gestão, em que os executivos consideram cenários futuros e projeções contextuais (ELEUTÉRIO, 2015). Todos esses níveis de decisões impactam diretamente as organiza- ções, refletindo na operação diária ou, até mesmo, comprometendo o futuro das empresas. Portanto, independentemente do nível, a re- solução adotada deve ser baseada em informações que permitam a tomada de decisão mais correta para se chegar ao resultado desejado. Nessa direção, torna-se necessário escolher corretamente um siste- ma de informações que contemple o atendimento às necessidades da organização como um todo. Eleutério (2015) reforça que os sistemas de informações suportam os processos de negócios e tratam do fluxo e da manutenção dos dados dentro das organizações. Nessa perspectiva, o autor destaca cinco objetivos para o Sistema de Informação Organi- zacional, conforme exposto na figura a seguir: Figura 1 Os cinco objetivos de um Sistema de Informação Organizacional Sustentabilidade do negócio Relacionamento com o cliente Novos produtos e serviços Excelência operacional Melhores decisões Sistema de Informação Organizacional Fonte: Eleutério, 2015, p. 92. Para cada objetivo organizacional, é necessário ter uma base de in- formações diferenciadas, que, muitas vezes, pode ser partilhada com outros subsistemas, mas que deve apresentar informações importan- tes e pertinentes à tomada de decisão. Assim, as duas formas mais utilizadas para classificar os sistemas de informações organizacionais são pela sua abrangência ou pelo seu nível decisório. A classificação pela abrangência se refere à capacidade de atender às diferentes áreas funcionais da organização, as quais po- dem ser: sistemas departamentais, integrados ou interorganizacionais (ELEUTÉRIO, 2015). 108 Sistema de Informações de Marketing Segundo o autor, os três sistemas apresentados possuem caracte- rísticas e funções distintas. Os sistemas departamentais atendem a demandas exclusivas de áreas ou departamentos ou, ainda, de uma função organizacional específica, como o sistema responsável pela fo- lha de pagamento dos colaboradores ou o sistema de controle da área de produção. Já os sistemas integrados agregam as informações de todas as áreas organizacionais, a exemplo de finanças, vendas, marketing, RH, produção etc. Também conhecidos como Enterprise Resource Plannings (ERP – em português, planejamentos dos recursos da empresa), tratam-se de sistemas planejados e elaborados com diversos módulos que atendem às demandas organizacionais e compartilham um mes- mo banco de dados. Isso facilita o cruzamento de dados, análises mais complexas e a construção de informações com uma visão mais holística da organização, promovendo uma gestão integrada (ELEUTÉRIO, 2015). Por fim, os sistemas interorganizacionais integram duas ou mais organizações que operam em conjunto, embora possuam titularidades totalmente independentes. Como exemplos, podemos citar montado- ras e fornecedoras de peças que trabalham em sistema Kanban – que usa recursos visuais para indicar como está o fluxo de produção de fabricações em série – ou, seguindo o mesmo raciocínio, uma mon- tadora de veículos com seu operador logístico. Esse tipo de sistema é importante em casos de parcerias de gestão de negócios ou de gestão integrada de uma cadeia de fornecedores (ELEUTÉRIO, 2015). Outra forma de compor os sistemas de informações diz respeito ao nível decisório. Nessa perspectiva, os níveis organizacionais, como ope- racional, gerencial ou estratégico, possuem maior relevância. Conforme expõe Eleutério (2015), os níveis decisórios são classifi- cados em três categorias: sistemas de processamento de informações; sistemas de informações gerenciais; e sistemas de informações estra- tégicas. Esse modelo de sistemas de informações também pode ser apresentado pela pirâmide funcional, sobre a qual refletiremos ainda neste capítulo. A grande questão relativa a essa etapa é entender qual seria o me- lhor modelo a ser implementado dentro de uma organização. Para isso, faz-se necessário promover uma análise prévia do modelo de gestão e Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 109 da inter-relação entre departamentos, entre empresas e subsidiárias, bem como compreender os fluxos de informações e as práticas geren- ciais. É importante ter em mente que, ao ser implementado em uma organização, um sistema de informações tem como principal objetivo melhorar o nível do planejamento, além do nível das decisões tomadas na organização, para que sejam mais assertivas e colaborem como um todo para o crescimento da empresa. A esse respeito, Rezende (2007, p. 102) destaca que a qualidade da informação é entendida como “a conformidade com os requisitos funcionais exigidos, a satisfação dos clientes (ou usuários)”, em outras palavras, como a adequação ao uso. Ainda segundo o autor, a produti- vidade é entendida como “a relação entre os resultados obtidos e os re- cursos disponíveis consumidos”; isto é, o resultado final é a efetividade da informação, que se refere ao “somatório da eficiência (desempenho) e da eficácia (resultado), baseada na sua regularidade, praticidade, du- rabilidade e constância”. Dessa forma, para que a ferramenta automa- tizada produza informações e apoie o processo decisório, as análises são imprescindíveis. 6.2 Sistemas de informação Vídeo Nas palavras de Rezende (2007, p. 13, grifo nosso), “os sistemas e funções empresariais ou organizacionais se complementam. A organi- zação ou empresa é um sistema e a partir dela existem outros siste- mas integrados”. Podemos assumir que o conceito de sistema é muito amplo e pode se aplicar a diversos campos do conhecimento. Conside- rando o exposto, definimos sistema como um “conjunto de partes que interagem entre si, integrando-se para atingir um objetivo ou resulta- do” (REZENDE, 2007, p. 13). Nesse sentido, Eleutério (2015) destaca, ain- da, que se trata de um conjunto de partes independentescanais de vendas, público-alvo e forças do macroambiente). Segundo Alves (2018), o Sistema de Informações de Marketing, com- posto de diversos subsistemas, é uma “atitude organizacional” que visa coletar e trabalhar dados para transformá-los em informações úteis. A junção dessas informações e de outras tantas que venham a aparecer deve ser inserida em um sistema que permita sua análise e distribuição para a tomada de decisão dos gestores. O papel do SIM é avaliar a necessidade de informações dos gesto- res, buscando desenvolver as mais úteis e distribuí-las no momento adequado (KOTLER, 1995). Essas informações serão desenvolvidas com base nos registros e sistemas citados anteriormente, proporcionando o cruzamento das informações e gerando cenários de decisões para a alta administração, conforme disposto na figura a seguir. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 13 Figura 1 Lógica da coleta de dados, tratamento pelo SIM e entrega das informações. Recebimento das informações Tratamento da base Validação das informações Elaboração de relatórios Encaminhamento aos interessados Sistema de informações Recebimento das informações Análise Execução do plano/ações Tomadores de decisão Mercado Nichos potenciais Governo Concorrência Posicionamento de marcas Consumidor Índices e expectativas futuras Canais de vendas Macroambiente Produção Custos Investimentos Tecnologias Recursos humanos Financeiros Subsistemas internos Dados En tr ad a In fo rm aç õe s Fonte: Elaborada pelo autor. Nesse contexto, Alves (2018) acentua que o SIM deve dar suporte às decisões do composto de marketing (preço, produto, praça e promo- ção), como definição de composição do produto, nome, posicionamento de mercado, preço adequado em relação à concorrência, melhor forma de entrega e como ele deve ser comunicado para o mercado utilizando os canais mais efetivos. O autor também aponta que “um Sistema de Informações de Marketing é fundamental para que a empresa possa manter o alicerce concreto de informações que vão integrar os depar- tamentos, com o objetivo de melhorar o fluxo gerencial e apoiar os processos e as operações empresariais” (ALVES, 2018, p. 21). Por fim, é necessário que as informações do sistema sejam valida- das, considerando os aspectos destacados por Alves (2018): • analisar sua fonte; • contrapô-las a outras fontes; • confirmar sua veracidade; • averiguar se ela é realmente útil; • verificar se ela é completa. De modo geral, vimos então que os SIM são integrados, sistemá- ticos, com seus fluxos desenhados e que integram os indivíduos aos equipamentos a fim de proporcionar resultados consistentes e preci- sos para a tomada de decisão nas empresas. Por sua vez, tais dados devem estar dispostos no momento em que forem requeridos pela alta administração. 14 Sistema de Informações de Marketing 1.2 Micro e macroambiente Vídeo As organizações vivem em ambientes competitivos, e os mercados demandam cada vez mais alta performance delas. Sua perpetuidade e longevidade requerem que a alta administração tenha domínio do ne- gócio e acesso às informações, as quais precisam ser compreendidas e transformadas em planos estratégicos e ações táticas, planejadas e revisadas constantemente. As informações devem ser atualizadas quase em tempo real, assim como os dados históricos, que permitem identificar sazonalidades e fatores externos ou internos em períodos distintos, que influenciam os resultados. Tais informações são provenientes dos micro e macroam- bientes nos quais as empresas estão inseridas e necessitam de moni- toramento constante. 1.2.1 Microambiente Para Alves (2018), o microambiente de uma organização é compos- to de clientes, concorrentes e fornecedores. Kotler (1995) reforça que esses elementos são os agentes que afetam a habilidade da empresa em produzir produtos e serviços. Ainda, para Reichelt (2013), o microambiente de uma organização envolve aspectos mais próximos à empresa, de modo que ela pode influenciá-los, mas não os controlar. O autor também destaca os intermediários de marketing, públicos, fornecedores e concorrentes. O Quadro 1, a seguir, ilustra esses agentes. Quadro 1 Agentes do microambiente organizacional Agentes/aspectos Definição/tipos Exemplos de informações extraídas Fornecedores Organizações externas que fornecem serviços ou produtos para a organização Custos de transformação Custos indiretos Custos diretos, tais como transporte Subcontratações em períodos de pico Intermediários de marketing Redes varejistas Redes atacadistas Representantes Distribuidores Custos de distribuição por canal de vendas Valor consumidor final (Continua) Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 15 Agentes/aspectos Definição/tipos Exemplos de informações extraídas Consumidores Leads Prospects Clientes Potencial de venda de um produto com foco no perfil do consumidor Comportamento de compra Régua de vendas para fidelização do cliente Concorrentes Concorrentes diretos Substitutos Novos entrantes Preços praticados no mercado Performance de vendas da concorrência Estratégias de vendas Promoções Ofertas de produtos similares que substituem a oferta inicial Novos concorrentes que buscam atender às necessidades deixadas pelos concorrentes atuais do mercado Públicos Comunidade Clientes Sindicatos Mídia Informações sobre perfil de consumidor Nichos de consumidores Influências de sindicatos e políticas salariais Retorno das mídias mais acessadas e com melhor performance Fonte: Elaborado pelo autor. Os fornecedores influenciam diretamente o custo de um produ- to ou serviço, uma vez que fazem parte do processo produtivo, seja ofertando matéria-prima, conjuntos semiconstruídos, componentes ou peças. Eles também influenciam indiretamente os custos quando não fazem parte do processo produtivo, pois compõem o custo operacional das organizações em serviços, como limpeza e vigilância. Já os intermediários de marketing influenciam os custos de ope- rações de uma empresa, principalmente o entendimento dos canais de distribuição e comercialização definidos estrategicamente. Muitas vezes, a mudança do canal interfere na tabela e política de preços, na contratação de novos serviços ou novas tecnologias, na mão de obra ou, mesmo, na simples modificação dos componentes de custos e nos investimentos em infraestrutura, não contemplados anteriormente. Os consumidores determinam o quanto estão dispostos a pagar por um produto ou serviço. Costumamos dizer que não existe um pro- duto/serviço caro ou barato, mas sim um preço honesto. Se o consumi- dor se sente confortável em comprar um determinado item, é porque se sente recompensado em satisfazer seu desejo. Qualquer organiza- ção, independentemente de tamanho ou mercado atuante, deve en- tender quem são seus consumidores e definir seu consumidor ideal, consumidor ideal: ou persona, é o consumidor mais característico de sua organização. Glossário 16 Sistema de Informações de Marketing assim como sua “jornada de compras”, pois a compreensão do perfil e do processo de compras ajudará o planejamento da empresa. Em relação aos concorrentes, devemos acompanhar a movimen- tação do mercado atuante e as estratégias dos concorrentes diretos. Também, é preciso entender quais são os concorrentes substitutos, ou seja, as empresas que ofertam produtos com os benefícios das linhas principais de um segmento (ALVES, 2018), ou mesmo produtos com benefícios distintos, mas que podem substituir os principais quando o consumidor decidir satisfazer outra necessidade imediata. Por fim, relacionados aos consumidores, os públicos são agen- tes que interferem na organização direta ou indiretamente e podem interferir drasticamente em seu posicionamento, comercialização e estratégias. Os públicos próximos da empresa demandam informações que podem interferir no consumo. A ideia de público não é estudarque constitui uma unidade. Já nas palavras de Veiga (2006, p. 2), sistema de informação é “um termo utilizado para descrever um sistema automatizado usado para promover informação”, sendo que ele envolve máquinas, pessoas, pro- cessos e outros sistemas. Além disso, também é importante compreen- dermos que, na prática, para se configurar como tal, um sistema de informações deve presumir a existência de um banco de dados. 110 Sistema de Informações de Marketing Sob essa ótica, as informações estão presentes nas decisões diárias das organizações, bem como nas rotineiras e estratégicas, apresen- tando-se em diferentes tipos e formatos. Colabora com essa perspec- tiva a compreensão de Eleutério (2015, p. 19) de que as informações “são manipuladas em um processo cíclico que envolve a identificação de necessidades, passando pelas etapas de aquisição, organização, armazenamento, distribuição e utilização”. Tais informações seguem fluxos específicos, denominados operacionais, os quais circulam por toda a organização conforme os níveis funcionais. As informações e seus respectivos fluxos operacionais se fazem pre- sentes nos mais diversos níveis das organizações. No nível operacional, elas se referem às informações utilizadas em situações cotidianas e previsíveis. Nos níveis táticos ou gerenciais, elas são tratadas de modo detalhado e analítico, combinando diversas fontes e com uma amplitu- de mais ampla de seus efeitos. Por fim, no nível estratégico, os executi- vos lidam com informações mais complexas e incertas, que envolvem a elaboração de cenários, tendências e previsões, entre outros aspectos. Assim, seus resultados têm grande impacto em toda a organização. 6.2.1 No nível operacional Com relação às decisões no nível operacional, Rezende (2007, p. 41) destaca que “elas estão ligadas a controles de atividades operacionais e cotidianas da organização”. Tais decisões têm o objetivo de atender a padrões de funcionamento predefinidos, com controles detalhados de cada atividade, contemplando detalhes específicos de determinada tarefa da organização. Para Eleutério (2015), os sistemas operacionais (denominados sis- temas de processamento de informações) são responsáveis por registrar as operações básicas e rotineiras das organizações. Eles são úteis para informatizar os níveis operacionais, como sistemas de vendas em uma loja de produtos ou sistemas de controle de estoque, que registram as retiradas de produtos diários para a área de vendas. Tais sistemas estão presentes em praticamente todas as áreas de uma organização e referem-se à coleta, ao monitoramento, armazenamento e processa- mento das transações. Rezende (2007) reforça que as informações apresentadas nesse ní- vel são analíticas e detalhadas, isto é, contemplam a maioria dos com- Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 111 ponentes básicos para o funcionamento operacional dos sistemas de informações organizacionais. Assim, os dados coletados por esses sis- temas suprem a base de dados acessada em outros sistemas – geral- mente, aqueles que dão apoio à gestão organizacional. 6.2.2 No nível gerencial De acordo com Rezende (2007), as decisões táticas ocorrem nos escalões intermediários, sendo que seus efeitos são sentidos em um tempo mais curto e de menor impacto no plano estratégico da organi- zação. Nesse nível, as informações são agrupadas e sintetizadas e con- templam as atividades de uma unidade departamental, de um negócio ou de uma atividade da organização. Por sua vez, Eleutério (2015) destaca que a gerência de nível médio trata da coordenação sobre o nível operacional e busca a excelência desse nível. Sua principal atividade é o acompanhamento constante das operações e de seus indicadores de desempenho. O autor ainda desta- ca que, nesse nível, deve-se transformar os dados em informações que serão utilizadas pelo nível decisório, sustentando administrativamente o atingimento dos resultados esperados. Dessa forma, as informações devem ser apresentadas nos formatos de relatórios gerenciais e grá- ficos, que são mais sintéticos e objetivos. A figura a seguir apresenta esse esquema genérico do sistema de informações gerenciais. Figura 2 Estrutura genérica de um sistema de informações gerenciais Sistema de dados no nível operacional Módulo gerencial Relatórios gerenciais Dados da operação Dados da operação Dados da operação Banco de dados Fonte: Adaptado de Eleutério, 2015, p. 105. Observando a Figura 2, fica claro que os sistemas operacionais e o sistema gerencial devem estar interligados, fornecendo informações 112 Sistema de Informações de Marketing pertinentes para uma tomada de decisão direta, consolidada e perti- nente no nível gerencial. Ainda quanto ao sistema de informações gerenciais, ele deve ser en- tregue à pessoa certa e no momento adequado. A esse respeito, Rezen- de (2007, p. 27) menciona que os sistemas de informações gerenciais “contemplam o processo de grupos de dados das operações e transa- ções operacionais, transformando-os em informações agrupadas para a gestão”. Tais relatórios utilizam dados produzidos nas operações diá- rias e devem estar integrados aos sistemas de informações do nível operacional. Na prática, as áreas operacionais captam dados da operação e, por meio de uma interface, transformam tais dados em informações rele- vantes. Assim, eles são interpretados e ganham significado e relevân- cia, produzindo informação em forma de relatórios, os quais podem ser programados periodicamente pelo sistema, gerados sob a deman- da de um determinado usuário ou automaticamente, com alertas de situações anormais (ELEUTÉRIO, 2015). 6.2.3 No nível estratégico A grande diferença entre os níveis estratégicos e gerencial está no objetivo final: enquanto este busca a excelência da operação diária da organização, controlando operações e processos, o nível estratégico visa à sustentabilidade e à competitividade da organização. Sob essa ótica, de acordo com Rezende (2007), o nível estratégico contempla o processamento e os grupos de dados das atividades ope- racionais e transações gerenciais, transformando tudo em informações estratégicas. Dessa forma, o trabalho acontece no nível macro, consi- derando o ambiente interno e, também, o ambiente externo para a tomada de decisões da alta direção da organização. Nesse sentido, Eleutério (2015) reforça que o nível gerencial olha para dentro da organização, ao passo que o nível estratégico se direcio- na para fora dela, corroborando com a definição de Rezende (2007) no que diz respeito à contemplação de dados e informações do ambiente externo à organização. Com relação à definição de um sistema de informação estratégico, Callon (1996 apud ELEUTÉRIO, 2015) menciona que ele deve ser capaz de delinear ou apoiar a estratégia competitiva de uma unidade de ne- Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 113 gócio. Seguindo a mesma ideia, Hemmatfar (2010 apud ELEUTÉRIO, 2015) descreve que tal sistema deve possibilitar o apoio ou a alteração da estratégia de uma organização. Assim, para que seja considerado estratégico, ele deve considerar fatores externos à empresa. Dessa forma, conforme exposto por Eleutério (2015), existem dois tipos de sistema de decisões estratégicas: • Sistema de apoio a decisões: objetiva dar suporte à solução de problemas complexos e pontuais. Esse sistema formata a infor- mação de maneira a apoiar os gestores à tomada de decisões. • Sistema de apoio aos executivos: auxilia a alta gestão a identifi- car oportunidades e ameaças por meio da interpretação de infor- mações internas e externas. Tal sistema, especialmente, observa mais o ambiente externo à organização, considerando elemen- tos como comportamento do mercado, consumo e concorrência. Essa análise possibilita que os executivos atuem proativamente em relação à proposta de cenários e decisões estratégicas. Tais sistemas se tornaram mais popularescom a integração da tecnologia, exemplificada por inteligências artificiais, data mining, pro- cessos analíticos on-line e sistemas de business intelligence aplicados aos negócios. Qual é o objetivo das decisões nos diferentes níveis (operacio- nal, gerencial e estratégico) de uma organização? Atividade 1 6.3 Ética aplicada à coleta de dados e informaçõesVídeo Antes de adentrarmos especificamente no tema desta seção, preci- samos entender alguns conceitos sobre a palavra ética. Muitas vezes, ela é utilizada para descrever uma ação de acordo com a lei; em ou- tros, ela somente é lembrada em discursos e missões apresentadas por organizações, sendo exposta por escrito em quadros fixados pelas empresas, mas pouco aplicada no dia a dia organizacional. De acordo com Candiotto (2010), a ética preserva uma autonomia relativa aos códigos morais e aos ordenamentos jurídicos. Assim, ela também deve englobar uma reflexão sobre a ação humana enquanto objeto da lei. Dessa forma, para o autor, a ética é como uma “reflexão propriamente filosófica a respeito dos princípios axiológicos que orien- tam e fundamentam as ações morais” (CANDIOTTO, 2010, p. 12). 114 Sistema de Informações de Marketing Por sua vez, Aristóteles (1984), considerado o pai da ética, reforça que a melhor forma de vida é aquela que propicia a realização de um bem e que nos traz felicidade. Assim, do ponto de vista ético, qualquer ação humana deve ser orientada por um conjunto de valores qualifi- cados como virtudes. O filósofo grego parte do princípio de que tudo que fazemos tem um fim desejado, em que as pessoas recebem o que merecem. Já na opinião de Vázques (2012, p. 22), “a ética não cria a moral, mas supõe princípios, normas ou regras de comportamento”. Logo, depen- de do homem praticar atos nobres ou vis, se é isso que se entende por bem ou mal. Ainda segundo o autor, a “ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade” (VÁZQUES, 2012, p. 23), por isso o termo ética, do grego ethos, significa modo de ser ou caráter, e a reflexão sobre tal expressão deve ser feita sobre valores reduzidos às esferas individual e inter-humana. Seguindo, Aristóteles (1984) afirma que um homem age de maneira justa ou injusta sempre que pratica tais atos de maneira voluntária. Nessa perspectiva, o justo é o respeitador da lei, ao passo que o injusto é o homem sem lei. Podemos compreender que a ética está ligada ao comportamento e ao cumprimento de leis. Logo, uma vez que determinado indivíduo respeite a lei, não há como não trabalhar com ética. Porém, não neces- sariamente a lei deve estar escrita, mas sim compor um regramento quanto ao modo de trabalhar. Com relação ao contexto desta seção, que se refere à coleta de da- dos e ao tratamento e uso das informações, uma vez que estaremos captando dados de clientes e consumidores em potencial (seja por meio de pesquisas que envolvam ou não ferramentas on-line), é impor- tante estabelecermos claramente quem está informando tais dados. Quanto ao uso de informações internas da organização, este tam- bém deve seguir os princípios éticos de manipulação de dados. Nesse sentido, os colaboradores terão acesso a dados sigilosos, usados na operação e no planejamento estratégico de organizações. Tais infor- mações são de uso exclusivo da organização e devem ser tratadas com ética, cuidado e sigilo. Justiça: o que é fazer a coisa certa Esse livro apresenta importantes conceitos sobre ética e moral nos dias atuais, em uma visão moderna. Desse autor existem também diversos vídeos de aulas ministra- das na Universidade de Harvard. SANDELL, M. J. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. Livro Qual é a relação entre ética e lei? Atividade 2 Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 115 Para regulamentar essa utilização de dados de terceiros, em 2018, no Brasil, foi criada a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), a qual dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive por meios digitais, “com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liber- dade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural” (BRASIL, 2018). Essa lei tornou mais rígidas as punições por uso incorreto ou indevi- do de dados de terceiros, considerando até mesmo a abordagem utili- zada na coleta e no uso das informações pelas organizações. Sob essa ótica, o artigo 2º da referida lei menciona: A disciplina da proteção de dados pessoais tem como fundamentos: I - o respeito à privacidade; II - a autodeterminação informativa; III - a liberdade de expressão, de informação, de comunicação e de opinião; IV - a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem; V - o desenvolvimento econômico e tecnológico e a inovação; VI - a livre iniciativa, a livre concorrência e a defesa do consumi- dor; e VII - os direitos humanos, o livre desenvolvimento da personali- dade, a dignidade e o exercício da cidadania pelas pessoas natu- rais. (BRASIL, 2018) Tal lei é aplicada a toda e qualquer organização de caráter privado ou público. Assim, de maneira geral, as empresas que possuem siste- mas de informações relacionados a Customer Relationship Management (CRM), isto é, ao relacionamento com os clientes, tais como tratamento de dados de vendas, cadastros, faturamento e gastos, devem promo- ver um controle redobrado sobre eles e seu armazenamento. Considerando o exposto no artigo 42, a lei deixa clara a seguinte responsabilidade sobre os dados: O controlador ou o operador que, em razão do exercício de ati- vidade de tratamento de dados pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, em violação à legisla- ção de proteção de dados pessoais, é obrigado a repará-lo. § 1º A fim de assegurar a efetiva indenização ao titular dos dados: I - o operador responde solidariamente pelos danos causados pelo tratamento quando descumprir as obrigações da legislação de proteção de dados ou quando não tiver seguido as instruções lícitas do controlador, hipótese em que o operador equipara-se 116 Sistema de Informações de Marketing ao controlador, salvo nos casos de exclusão previstos no art. 43 desta Lei; II - os controladores que estiverem diretamente envolvidos no tratamento do qual decorreram danos ao titular dos dados res- pondem solidariamente, salvo nos casos de exclusão previstos no art. 43 desta Lei. (BRASIL, 2018) Esse artigo deixa clara a responsabilidade e a punição aos contro- ladores pelas informações. E no seu artigo 50, a lei também apresenta algumas boas práticas às organizações que trabalham com dados, in- clusive na implementação de compliance para o controle e o tratamen- to das informações. Então, mais do que somente uma questão de ética, existe uma re- gulamentação que delimita a coleta e a forma de coletar, bem como o uso inadequado, o tratamento e a guarda correta das informações pelas organizações. Portanto, ao considerarmos que justo é o respeitador da lei e injusto é o homem sem lei, de acordo com o conceito exposto por Aristóteles (1984), temos, então, que a LGPD deve ser seguida não somente pelo aspecto legal, mas também pelo aspecto ético, o qual deve permear todos os negócios. 6.4 Alta gestão e o Sistema de Informações de MarketingVídeo Mais do que uma ferramenta de apoio à tomada de decisões, uma ferramenta tecnológica ou um sistema de facilitação e organização de acesso a informações, a implantação de um Sistema de Informações de Marketing (SIM) promove, acima de tudo, uma mudança na forma de administrar o negócio e uma alteração na cultura da organização. Essa mudança não pode acontecer somente por iniciativa das áreas operacionais ou de gestão da organização, tampouco por uma neces- sidade de melhorar a performance da área ou da unidade operacional. Pelo contrário, ela deve surgir como uma cultura organizacional basea- da em números, dados concretos, informações consistentes e precisas quanto a cenários, projetose perspectivas. Nesse sentido, a alta gestão deve administrar com base em dados concretos, e não somente pela experiência dos gestores. Isso porque o mercado muda, bem como as Qual ou quais são os principais desafios das organizações para atender à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)? Atividade 3 Compliance significa, em linhas gerais, estar de acordo com as normas e leis, sejam elas internas ou externas à organização. Ela garante que a empresa está cumprindo todos os seus deveres, o que dá maior segurança àqueles que estão envolvidos com ela. Glossário Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 117 posições das empresas e os consumidores. Tudo se torna um comple- xo de informações que necessitam de um olhar técnico para uma de- cisão assertiva. Há diversas formas de captar e trabalhar com dados: o banco de dados armazena os dados básicos das operações; o data mining en- volve padrões para gerar informações de tendências e de grupos; os sistemas de CRM tratam dados de clientes, informações de compor- tamento de compra e buscam se relacionar com os consumidores de forma constante; além dos sistemas complexos de integração de orga- nizações ou de empresas distintas. Tais perspectivas devem nortear a alta administração das organiza- ções a fim de que os gestores vejam essas soluções como investimen- tos para a melhoria da performance, e não como despesas relativas às áreas de tecnologia da informação ou de informática. No novo ambiente organizacional, existe uma realidade global, que envolve competição não apenas com os adversários locais e nos mercados tradicionais. Assim, as organizações já não limitam mais seu crescimento às bases tradicionais de clientes. Isso porque os mercados mudaram; as empresas de cartões adentraram mercados antes reser- vados a bancos; seguradores passaram a comercializar serviços finan- ceiros; novos modelos de negócios surgiram com as novas tecnologias. De acordo com Oliveira (2000, p. 55), “as barreiras que separavam setores econômicos e verticais de mercado e as empresas que opera- vam dentro de tais setores começaram a desaparecer”. O autor ainda destaca que as economias têm sido impulsionadas por avanços em tec- nologia de informação. Nesse sentido, ele explica que há sete impulsio- nadores desse novo ambiente empresarial, a saber: • necessidade de melhorar a competência e a produtividade de tra- balhadores de informação (knowledge workers) e prestadores de serviços; • melhoria contínua da qualidade de sistemas e geração de informações; • reação rápida às mudanças constantes do mercado, por meio de sistemas informatizados e inteligentes; • globalização como um fator real que exige conhecer mercados e estar presente neles; 118 Sistema de Informações de Marketing • outsourcing – em português, terceirizações –, pois, pelo fato de estarem cada vez mais focadas em seu negócio principal, as organizações passaram a terceirizar áreas de informações para empresas especializadas, gerando soluções escalonáveis; • partnering ou criação de joint ventures (alianças estratégicas en- tre empresas com um objetivo em comum) em determinados mercados, obrigando o partilhamento de sistemas de inteligência – esses esforços fazem com que as empresas compartilhem cus- tos e investimentos em grandes estruturas em mercados mais abrangentes e competitivos; • responsabilidade social e ambiental, considerando que os fun- cionários e os grupos têm poder de decisão e motivação para cooperar na obtenção de sucesso. Ainda para Oliveira (2000), a estratégia de implementação é um dos fatores críticos de um projeto de sistema de informações. Para isso, o autor destaca alguns mais importantes: • visão do negócio da alta administração: as mudanças não de- vem ocorrer somente no nível de informática, mas serem impul- sionadas pela alta gestão; • a escolha da solução mais adequada é essencial: a solução não deve ser influenciada por fatores externos, pelo contrário, deve-se mapear e entender as necessidades da operação e a es- trutura organizacional; • definição de um software de gestão como base: é preciso ter em mente que algumas personalizações serão necessárias à rea- lidade da organização; • os prazos devem ser realistas e não apressarem a implemen- tação: o mapeamento e o planejamento são essenciais para a determinação de tais prazos; • comprometimento da alta direção: tal comprometimento deve ser difundido na organização, por meio do aculturamento e da educação dos novos processos e das tecnologias envolvidas; • escolha de parcerias qualificadas: essa medida é fundamental para a implementação dos sistemas, bem como para a promoção de testes e de capacitação da organização. Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 119 Por fim, o autor comenta que as organizações não devem cometer o erro de implementar o sistema todo de uma única vez. Fazer esse processo em etapas é mais prudente, pois minimiza os erros e permite a capacitação gradual da equipe (OLIVEIRA, 2000). Dessa maneira, tor- na-se possível promover uma implementação e mudança de cultura de forma consistente e confiável. Com relação aos Sistemas de Informações de Marketing, é impor- tante salientar que eles compõem apenas uma parte dos sistemas de informações organizacionais e devem estar integrados ao planejamen- to estratégico da empresa como um todo. Dessa forma, segundo Khauaja (2007, p. 28), a informação deve ser vista como uma vantagem competitiva. Nessa perspectiva, “as empre- sas devem identificar as atividades que podem ser mais afetadas em termos de custo e diferenciação, e desenvolver um plano para tirar vantagem da tecnologia da informação”. Essa ideia ratifica os conceitos anteriores com relação ao quesito entrega de valor, que se refere ao mapeamento necessário das funções mais importantes que serão afetadas pela implementação dos siste- mas de informações. Assim, a mudança organizacional se torna necessária pela perspec- tiva de uma visão estratégica que considera a perpetuação da empresa e seu crescimento perante o mercado concorrente, por meio de uma atuação diferenciada que lhe permita melhorar continuamente seu posicionamento. O homem que mudou o jogo. Direção: Bennett Miller. EUA: Columbia Pictures, 2011. 133 min. Baseado em uma história real, esse filme conta a trajetória do dirigente de futebol Billy Beane. Surpreendido com um corte no orçamento do clube, Billy e seu parceiro, com a ajuda de dados estatísticos e de inteligência de informações, passam a recrutar jogadores mais baratos, mas com potencial, para formar um time competente e vencedor de beisebol. Filme CONSIDERAÇÕES FINAIS A perspectiva da opção por um sistema de informações organizacional que contemple as atividades organizacionais deve permear toda a orga- nização. Nesse sentido, a necessidade de implementar um sistema deve, acima de tudo, prezar o mapeamento da organização, bem como o enten- dimento das funções organizacionais e dos processos. Dessa forma, a automatização de informações deve constituir um be- nefício para a organização, e não um novo problema, porém no formato digital e automático. Sob essa lógica, devemos entender que os sistemas de informações servem como uma ferramenta de tomada de decisões nas organizações. 120 Sistema de Informações de Marketing Assim, é importante que tal sistema contemple os níveis da organi- zação com diferentes funções que se agreguem e se complementem, a exemplo dos sistemas operacionais, gerenciais, de apoio à alta gestão e às decisões. Tais níveis de decisões devem ser contemplados para funcionar e apoiar cada nível organizacional. Ademais, além de trabalharem sob os aspectos de boa conduta e éti- ca, com destaque para o respeito às leis, as organizações que coletam e manipulam dados devem se atentar para a Lei Geral de Proteção de Da- dos (LGPD), que pode puni-las severamente por conta de incorreções nacoleta, na manipulação ou na utilização de informações de consumidores. Por essa razão, a implantação de um sistema não é simples. Pelo contrário, a complexidade atrelada a esse processo existe desde o ma- peamento das necessidades até a finalização da implementação e o uso da tecnologia, que não deve somente permear os níveis operacionais, mas sim contar com uma participação efetiva da alta gestão. Dessa for- ma, tal sistema deve contemplar tanto a iniciativa à implementação dos sistemas de informação quanto a mudança de cultura da organização, bem como o uso e as tomadas de decisões com base em números, ten- dências e informações. REFERÊNCIAS ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Victor Civita, 1984. BRASIL. Lei n. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 15 ago. 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2018/lei/L13709.htm. Acesso em: 6 dez. 2019. CANDIOTTO, C. Ética: abordagens e perspectivas. Curitiba: Champagnat, 2010. ELEUTÉRIO, M. A. Sistemas de informações gerenciais na atualidade. Curitiba: Intersaberes, 2015. KHAUAJA, D. M. O sistema de informações no planejamento de marketing: em busca da vantagem competitiva. Revista de Gestão da Tecnologia e Sistemas de Informação, v. 4, n. 1, p. 23-46, 2007. OLIVEIRA, J. F. Sistemas de Informação: um enfoque gerencial inserido no contexto empresarial e tecnológico. São Paulo: Erica, 2000. REZENDE, D. A. Sistemas de informações organizacionais: guia prático para projetos em cursos de administração, contabilidade e informática. São Paulo: Atlas, 2007. VÁZQUES, A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. VEIGA, F. J. Evolução dos sistemas de informação. Coimbra, 2006. Disponível em: https:// student.dei.uc.pt/~fveiga/GSI/Evolucao_Sist_Inf.pdf. Acesso em: 6 dez. 2019. Desempenho e aplicação do Sistema de Informações de Marketing nas empresas 121 GABARITO 1. No nível operacional, as decisões têm o objetivo de atender a padrões de funcionamento predefinidos, com controles detalhados de cada atividade, contemplando detalhes específicos de determinada tarefa da organização. No nível gerencial, a tomada de decisões busca a excelência da operação diária da organização. Já no nível estratégico, as decisões visam à sustentabilidade e competitividade organizacional. 2. A ética deve ser uma reflexão sobre a ação humana enquanto objeto de lei, uma vez que a lei ordenada parte do homem para regularizar suas ações. Também, a ética está relacionada ao cumprimento das leis, uma vez que, se determinado indivíduo respeita a lei, não há como não trabalhar com ética. 3. O primeiro grande desafio está na mudança de cultura das organizações, a começar pela instauração de uma área de compliance, a fim de entender os processos existentes e se eles atendem à nova lei, contemplando a necessidade de novos processos e controles, se necessário. Informar os consumidores de que seus dados estão sendo capturados durante sua navegação no site da empresa é um bom exemplo. S IS T E M A D E IN F O R M A Ç Õ E S D E M A R K E T IN G J O S E L M O R E Z E N D E JOSELMO REZENDE Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6539-4 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 3 9 4 Código Logístico 58950 Página em branco Página em brancosomente um grupo de consumidores, mas as referências de consu- midores (públicos) com características comuns, que interferem nas decisões de consumo, como influenciadores. Assim, acompanhar, conhecer e se relacionar com os públicos é de extrema importância e um fator estratégico. 1.2.2 Macroambiente Se no microambiente a organização pode interferir ou exercer al- guma influência, no macroambiente já não existe essa possibilidade. Entretanto, é de extrema relevância o olhar das empresas para esse outro ambiente, uma vez que ele pode interferir significativamente nas suas estratégias. O macroambiente é representado pelas forças demográficas, econô- micas, físicas, tecnológicas, políticas, legais, sociais e culturais que afe- tam suas vendas ou lucros (KOTLER, 1995). Alves (2018) destaca que esse ambiente é composto de informações que influenciam o microambiente e engloba forças distantes da empresa, mas que influenciam todo o am- biente. De acordo com Reichelt (2013, p. 66), “o macroambiente envolve aspectos que a empresa não pode influenciar”. Devemos analisar e acompanhar o macroambiente para prevermos tendências e oportunidades futuras, reduzindo ameaças e localizando mais oportunidades de negócios. Scherer (2015, p. 60) reforça que é “imprescindível fazer uma previsão do futuro para antecipar problemas e ultrapassar a mera perspectiva de sobrevivência para as empresas”. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 17 Os principais fatores do macroambiente são: ambiente demográfico e econômico e O fator demográfico se refere à densidade populacional por regiões, à taxa de crescimento da população, a pirâmides etárias, à população economicamente ativa etc. Já os fatores econômicos são os estágios da economia, se ela está em crescimento ou recessão, qual é a renda e o endividamento da população, as políticas monetárias, o histórico de preços de mercadorias e serviços (inflação ou deflação) etc. ambiente sociocultural Diz respeito a crenças, valores e normas que definem os gostos e preferências dos consumidores quanto à cultura local/regional. O ambiente sociocultural determina o comportamento de uma sociedade, e as organizações precisam acompanhá-lo e entendê-lo. Por exemplo, ao chegar ao Brasil, o McDonald’s se deparou com um cenário um pouco diferente no tocante ao consumo: os brasileiros não eram acostumados a grandes consumos de refrigerantes, o que obrigou a rede a reduzir seus copos no país. Da mesma forma, a sobremesa quente de banana foi desenvolvida para nosso mercado, uma vez que existia uma preferência por esse produto. ambiente físico e tecnológico Nesse ambiente, precisamos entender o nível em que a empresa se encontra quanto à implantação de tecnologias nos processos produtivos, administrativos, comerciais etc., como o mercado está e qual automação ele utiliza. Essa avaliação implica mudanças não somente na tecnologia, como sistemas e softwares, mas também nos investimentos em hardware e equipamentos. Nesse contexto, precisamos entender a economia do meio ambiente, sistemas de reciclagem de materiais do processo produtivo e administrativo, quais são as tecnologias disponíveis, legislação específica e treinamentos e adaptações necessárias ao processo. ambiente político e legal Diz respeito a decisões governamentais nos níveis federal, estadual e municipal. Elas são capazes de afetar as atividades e operações da empresa, além da legislação sobre políticas salariais, direitos do consumidor, construções, embalagens, linhas de crédito, impostos e tantos outros aspectos legais que podem influenciar a operação de uma empresa. Esse é um dos fatores que mais pode barrar a evolução de uma organização. Muitas vezes, políticas públicas interferem de maneira positiva, mas há casos em que acordos sindicais, políticas de demissões e controle de preços, por exemplo, impedem o crescimento das organizações. 18 Sistema de Informações de Marketing Enfim, o macroambiente exerce influência direta na operação de uma organização e pode mudar processos, direcionar investimentos e alterar sua estrutura. Assim, acompanhar esses fatores, analisar mudanças e prever cenários reduz as incertezas e prepara melhor a empresa para o futuro. Para compreendermos melhor a relação entre o micro e o ma- croambiente de uma empresa, a figura a seguir ilustra uma síntese: Ambiente sociocultural Ambiente físico e tecnológico Ambiente político e legal Ambiente demográfico e econômico Intermediários de marketing PúblicosFornecedores Concorrentes Sistema de organização e implementação de marketing Sistema de controle de marketing Sistema de planejamento de marketing Sistema de informações de marketing Promoção PreçoPraça Produto Consumidores- -alvo Fonte: Adaptada de Kotler, 1995. Na Figura 2, portanto, podemos observar os agentes e fatores que influenciam uma empresa interna e externamente. Figura 2 Fatores que influenciam a estratégia de marketing da empresa Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 19 1.3 A informação nas organizações Vídeo Qualquer atividade gerencial dentro de uma empresa depende di- retamente da manipulação e do controle das informações, e o dia a dia de um gestor consiste em controlá-las e analisá-las para a tomada de decisões. Essas práticas orientam a organização, de um lado, para a efi- ciência operacional e, de outro, para a tomada de decisões estratégicas com vistas ao futuro. As informações permeiam todos os níveis de uma organização, se- jam operacionais, táticos ou estratégicos. Assim, compreender seu im- pacto no resultado das empresas é essencial ao sucesso do negócio, sobretudo na integração das áreas funcionais, cada vez mais interde- pendentes (ELEUTÉRIO, 2015). Eleutério (2015) destaca que as informações são manipuladas em um processo cíclico, sendo necessário primeiro identificar sua neces- sidade, aquisição, armazenamento, distribuição e organização. Isto é, a informação somente é importante se for relevante para uma deter- minada área organizacional, se for recebida e organizada quando soli- citada e entregue ao tomador de decisão. Além disso, Sugahara (2009) cita que a informação sempre está associada a algum tipo de sistema, o qual é manipulado pelo homem para a obtenção de certo benefício. Assim, precisamos organizar, manipular e utilizar a informação no mo- mento certo e para a pessoa certa na tomada de decisão. A informação como fator de produção permite que as empresas acrescentem valor ao produto, partindo da criação, com as informa- ções que fornece, passando pela produção, venda e características do produto e dados de vendas, e chegando ao pós-venda, com o correto atendimento e prestação de serviços (ALMEIDA, 1994). A informação deveria, então, ser tratada como matéria-prima para todo o processo decisório nas empresas. Almeida (1994) também apresenta um modelo de fluxos de in- formações de uma organização e destaca que, em cada um deles, devemos considerar dois componentes: a informação de atividade e a informação de convívio. Enquanto a informação de atividade garan- te o funcionamento da empresa, como a emissão de pedidos, notas e custos de produção, a informação de convívio permite aos indivíduos conviver e influenciar seu comportamento. 20 Sistema de Informações de Marketing Se, por um lado, a informação de convívio é indispensável para a exis- tência da empresa, por outro, a de atividade é indispensável para seu funcionamento (ALMEIDA, 1994). Sendo assim, ambas devem ser traba- lhadas e orientadas para que as operações e relações interpessoais se- jam harmônicas e focadas nos objetivos e perpetuidade da organização. Ao avaliarmos quais são os grandes fluxos de informações de uma empresa, segundo Almeida (1994), podemos citar três deles, didatica- mente dispostos na Figura 3: Figura 3 Os três fluxos de informaçõesde uma empresa Empresa Fluxo de informação produzida pela empresa e destinada a ela Fluxo de informação coletada externamente à empresa e utilizada por ela Fluxo de informação produzida pela empresa e destinada ao mercado Merc ado Fonte: Almeida, 1994, p. 71. A interpretação da Figura 3 é enriquecida e mais bem explicada no quadro a seguir, que relaciona os três grandes fluxos de informações com os tipos apresentados. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 21 Quadro 2 Localização das realizações em informação INFORMAÇÃO GRANDES FLUXOS TIPOS DE INFORMAÇÃO ATIVIDADE CONVÍVIO Interno (da empresa para a empresa) Nota de pedido interno Situação de estoque Informação de gestão Informação contábil Procedimentos de gestão Diferentes funções informatizadas Newsletter da empresa Comunicação informal Ideias De dentro para fora da empresa Pedido de compra Fatura para o cliente Comunicação ao cliente Oferta de emprego Catálogo de produtos Publicidade Relatório anual para os acionistas Conferências em universi- dades Artigos de mídia Patrocínio De fora para dentro da empresa Fatura do fornecedor Extratos de bancos Pedido dos clientes Leis e regulamentações Intervenção de um consultor Catálogo do fornecedor Relações pessoais Participação em seminários Planos da concorrência Fonte: Almeida, 1994, p. 72. A informação, então, deveria ser considerada como matéria-prima dentro do processo decisório em uma organização. Sua disponibilidade e acesso a uma maior quantidade significam que uma melhor decisão será tomada (CALLADO, 2012). Assim, é imprescindível que os gestores de uma empresa saibam claramente qual é a função da informação na operação diária. É importante também identificar de onde vêm as informações (se são geradas fora ou dentro da empresa), qual seu uso, em qual área interna ou externa ela é útil e em qual momento ela deve ser considerada para uma tomada de decisão. Segundo Almeida (1994), a informação é algo que deve ser admi- nistrado, pois permite uma vantagem competitiva no mercado. Ela pode prevenir mudanças no mercado, entrada de novos players, estra- tégia dos concorrentes, orientações e alterações de normas governa- mentais, de legislação, dentre outros fatores. Para Sugahara (2009), a 22 Sistema de Informações de Marketing informação reduz a incerteza, sendo um conhecimento gravado sob a forma escrita, oral ou audiovisual. Isso reforça a ideia de que ela deve estar associada a um sistema, seja ele manual ou automatizado. Então, um dos passos a tomar, quando conhecemos uma informação e como ela será utilizada, é identificar o melhor sistema para tratá-la e, assim, obter o melhor resultado. Eleutério (2015) reforça que as informações permeiam os níveis operacional (utilizadas em operações cotidianas, previsíveis e de efei- to imediato), tático (tratadas de maneira detalhada e analítica, produ- zindo efeitos mais amplos) e estratégico (utilizadas em situações mais complexas e incertas que envolvem o desenvolvimento de cenários, previsões e tendências), formando a base do processo decisório e de- terminando, muitas vezes, o curso das ações de uma organização. As- sim, a compreensão do impacto das informações nos resultados das empresas é essencial para o sucesso do negócio. Por fim, para o autor, as informações formam elos entre as equipes internas e servem como fator motivacional nas organizações. Dessa forma, o uso correto das informações em todos os fluxos apresentados e nos níveis adequados e o sistema certo para seu trata- mento reduzem os ruídos e as divergências internas e melhoram os flu- xos de trabalho, bem como a relação da organização com o mercado. 1.4 Evolução e classificação dos sistemas de informações Vídeo Como vimos anteriormente, a informação está relacionada dire- tamente a um sistema, seja ele informatizado ou manual, sendo im- possível trabalhar com informações dentro de uma organização sem utilizar um sistema adequado para coletá-las, recebê-las, manipulá-las, armazená-las e distribuí-las aos interessados. Além disso, devemos identificar a importância e relevância de uma informação para uma empresa; uma vez feito isso, devemos encontrar o melhor sistema para trabalhá-la. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 23 1.4.1 Evolução dos sistemas de informações O computador, como equipamento de processamento de dados, surgiu em 1945 com o Electronic Numerical Integrator and Computer (Eniac), considerado o primeiro computador capaz de ser reprogra- mado. Criado na época da Segunda Guerra Mundial pela U.S. Army Ordnance Corps, ele tinha por objetivo calcular tabelas de fogo da arti- lharia inimiga. Porém, a computação como conhecemos hoje teve início apenas cerca de duas décadas mais tarde (VEIGA, 2006). O nascimento da era da informação veio entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960, com a International Business Machines Corporation (IBM). Em 1959, a IBM lançou o 1401, que fazia algumas aplicações orien- tadas a negócios, como inventários, controle de estoque, registos de pagamentos e vendas, estatísticas e emissão de relatórios periódicos. Assim, as aplicações desse computador eram voltadas a controles e ge- ração rápida de informações, o que deu início aos sistemas de informa- ções organizacionais. Mais tarde, em 1965, a IBM lançou o System 360 (VEIGA, 2006; ELEUTÉRIO, 2015), que se conectava a uma rede por meio de linhas telefônicas e permitia a gravação de dados em discos rígidos. Logo na sequência, a IBM, por solicitação da National Aeronautics and Space Administration (NASA), desenvolveu o Information Management System (IMS – em português, sistemas de informações gerenciais), que apresentou uma técnica capaz de organizar um gran- de volume de dados e sua rápida localização no banco de dados. De acordo com Veiga (2006, p. 6), “estes sistemas eram usados essen- cialmente para produzir relatórios predefinidos de interesse para o negócio, como relatório de lucros, balanços, estatísticas e relatórios de vendas”. Eleutério (2015) destaca que os sistemas de informações organiza- cionais passaram por quatro ondas de evolução, que foram possíveis graças aos avanços da tecnologia digital. A primeira onda – infância – corresponde à fase dos mainframes e dos primeiros sistemas de informações produzidos no início da década de 1960. Basicamente, eles eram desenvolvidos por equipes internas por uma necessidade específica, com linguagem Cobol ou Fortran 1 , e impul- sionaram o aprimoramento de bancos de dados e discos rígidos para ar- quivamento de grandes quantidades de informações (ELEUTÉRIO, 2015). O JOGO da Imitação. Direção: Morten Tyldum. EUA: Black Bear Pictures, Bristol Automotive, 2014. 114 min. O filme conta a história de Alan Turing, considera- do o criador do primeiro computador. O enredo se concentra nos anos em que Turing participou da criação de máquinas que decodificavam as men- sagens criptografadas trocadas entre os mem- bros do Eixo e ajudaram a acabar com a Segunda Guerra Mundial. Filme O Cobol é uma linguagem de programação orientada a sistemas corporativos e comerciais, pois apresenta grande facilidade para lidar com documentos e linguagem fácil e acessível para administradores. Já a Fortran é uma linguagem alto nível, desenvolvida nos anos 1950 para otimizar a velocidade das máquinas. Sua linguagem também é bastante eficiente, mas seu uso está voltado à comunidade científica em áreas que exigem aplicações intensivas, como engenharia e ciência da computação. 1 24 Sistema de Informações de Marketing A segunda onda – pré-adolescêcia – teve início na década de 1980, com o surgimento dos minicomputadores e computadores pessoais. Eles colocaram a tecnologia na mesa de trabalho, permitindo que pessoas empregassem recursos de informática nas atividades profis- sionais e pessoais. Já a terceira geração – adolescência – ocorreua partir do surgimento das redes de dados corporativas, pelo rápido desenvolvimento do hardware e software e das tecnologias de comuni- cação. Houve uma disseminação dos computadores em larga escala, e as empresas começaram a procurar soluções de mercado, e não mais de desenvolvimentos internos (ELEUTÉRIO, 2015). A quarta geração – fase adulta – foi marcada pelo advento da World Wide Web (WWW – em português, rede mundial de computado- res, ou internet) na década de 1990. Com a disseminação da internet e das plataformas on-line, a competição ficou mais acirrada. Surgiram as redes sociais, o comércio eletrônico, a mídia não controlada por grandes grupos e a liberdade para o usuário produzir conteúdo. Nes- se novo ambiente, a empresa se viu na obrigação de manter-se em contato constante com clientes e fornecedores (ELEUTÉRIO, 2015). A partir desse período, as necessidades dos clientes mudaram, os pro- cessos de negócio das organizações foram redesenhados e surgiram as data warehouses. Sistemas de informações organizacionais – guia prático para projetos em cursos de adminis- tração, contabilidade e informática. A apresentação de slides desse livro, feita pelo pró- prio autor, Denis Alcides Rezende, mostra diversos gráficos e conceitos de sistemas que podem aprofundar seus estudos. Rezende, um estudioso na área de sistemas de infor- mações, competitividade e cidades inteligentes, é um dos autores utilizados como referência nesta obra. Você pode ver a apresentação em: https:// bit.ly/2DnO6u7. Acesso em: 28 nov. 2019. Slides data warehouse: depósito de dados relacionados ao histórico de transações de uma organização. Glossário 1.4.2 Classificação dos sistemas de informações Os sistemas de informações podem ser classificados de diversas formas, contribuindo para o planejamento de atividades, planos estra- tégicos e desenvolvimento de soluções que sejam mais adequadas à realidade da organização. Eleutério (2015) sublinha que as mais usuais são as classificações por abrangência, que consideram os depar- tamentos organizacionais, e por nível decisório, que consideram os níveis funcionais. Relativamente a esta última classificação, podemos utilizar a pirâmide funcional, como demonstra a Figura 4. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 25 Figura 4 Tipos de sistema de informações e níveis funcionais Sistema de apoio aos executivos Alta gestãoSAE Sistema de apoio às decisões Gerência sênior Nível estratégico SIS SAD Sistema de informações gerenciais Gerência intermediária SIG SPT Sistema de processamento de informações Nível operacional Dados Informações Conhecimento Fonte: Elaborada por Eleutério, 2015, p. 100. Na Figura 4, vemos o Sistema de Processamento de Informações (SPT), que serve para automatizar o nível operacional, coletar as infor- mações de rotinas diárias e registrar os dados fornecidos diariamen- te. Esses dados abastecem as bases necessárias para outros sistemas, tornando o SPT um verdadeiro guardião de dados corporativos. O Sis- tema de Informações Gerencial (SIG) é uma gestão intermediária, res- ponsável pelo controle e coordenação das operações, com o objetivo de ter uma operação com desempenho que atenda às expectativas da organização. Para o nível estratégico, temos dois sistemas: o Sistema de Apoio às Decisões (SAD) e o Sistema de Apoio aos Executivos (SID). Enquanto o SAD tem a função de dar suporte à solução de problemas complexos e pontuais, o SAE identifica oportunidades e ameaças para o desenvolvimento dos negócios (ELEUTÉRIO, 2015). Rezende (2007) também apresenta outras quatro formas de classificação: • Segundo o suporte e as decisões: refere-se aos níveis decisórios operacional (que contempla as transações rotineiras e controla os dados das operações e funções organizacionais), gerencial (que controla os grupos de dados das operações, transformando- -os em dados agrupados para gestão), e estratégico (que possui informações gráficas amigáveis e observa as particularidades de cada organização). Quais procedimentos são rea- lizados em uma empresa para gerar e distribuir informações? Atividade 1 26 Sistema de Informações de Marketing Figura 5 Classificação de um sistema de informações segundo o nível decisório Sistemas de informações empresariais Sistema de Processamento de Transações (SPT) Registra os dados produzidos pela operação Sistema de Informações Gerenciais (SIG) Informações gerenciais, planejamento e gestão de operações Sistema de Informações Estratégicas (SIE) Sistema de Apoio à Decisão (SAD) Apoio às decisões complexas, simulações, modelagem de problemas Sistema de Apoio aos Executivos (SAE) Visão estratégica dos negócios, indicadores críticos de desempenho Quanto ao nível decisório Fonte: Elaborada por Eleutério, 2015, p. 99. • Segundo a forma evolutiva: o sistema pode ser manual, meca- nizado, informatizado, automatizado, ou gerencial e estratégico. O primeiro, como o próprio nome diz, não possui nenhum recur- so tecnológico; o segundo utiliza a tecnologia da informação de maneira mecânica, sem valor agregado; e o terceiro usa recursos de modo inteligente e com valor agregado. Já os sistemas auto- matizados usam recursos de automação comercial, bancários e industriais. Por fim, os gerenciais e estratégicos são sistemas para a alta direção. • Segundo a abrangência da organização: considera os gru- pos ou departamentos organizacionais ou interorganizacionais. Assim, a classificação pode ser organizada por uma determinada pessoa (informação pessoal), por um grupo de pessoas ou por um grupo de departamentos (de um grupo ou departamental), por um grupo de sistemas utilizados pela empresa (informação organizacional), ou por sistemas usados por toda a organização e por um grupo de outras empresas ou parceiros (informação interorganizacional). Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 27 Figura 6 Classificação de um sistema de informações segundo a abrangência Sistemas de informações empresariais Departamento (funcionais) Destina-se a suprir a demanda de um departamento específico Integrados (ERP) Integra as informações de todas as áreas de uma organização Interorganizacionais Integra as informações de várias empresas Quanto à abrangência Fonte: Eleutério, 2015, p. 96. • Segundo a entrada na organização: é feita de acordo com o desenvolvimento, aquisição e manutenção ou adaptação do sis- tema. O desenvolvimento se refere às atividades de projetos, elaboração e implantação de novos sistemas. A aquisição está relacionada à administração de compras, tais como pesquisa de mercado, análise de fornecedores e de informações e contrata- ção de um prestador de serviços de software. Por fim, a manu- tenção ou adaptação diz respeito às atividades de melhoria ou ajustes dos sistemas existentes. Enfim, as formas de classificação dos sistemas de informações po- dem variar de acordo com o lugar. O importante é entender a maturi- dade e a complexidade das operações da empresa. Assim, os sistemas de informações a serem implantados corresponderão às expectativas da gestão, serão de grande utilidade ao controle das atividades e deci- sões diárias e servirão de grande suporte às decisões estratégicas. 1.5 A função do Sistema de Informações de Marketing Vídeo Como vimos anteriormente, os SIM são fundamentais para manter a integração entre os departamentos de uma organização, melhorar o fluxo gerencial e apoiar os processos e, principalmente, as tomadas de decisões, seja no âmbito operacional, de gestão ou estratégico. De acordo com Alves (2018, p. 21, grifos do original), o Sistema de Informações de Marketing é uma ferramenta que pode colocar ordem na casa, possibilitando às empresas geren- ciar informações de forma eficaz e, com isso, ter condições de tomar decisões assertivas. 28 Sistema de Informações de Marketing O SIM, segundo Alves(2018), oferece suporte aos processos de to- mada de decisão e auxilia no gerenciamento das informações internas, ou necessidades, e externas, reduzindo assim o grau de incerteza e ris- cos (ALVES, 2018). Para o autor, são três as funções do SIM: • identificação das informações necessárias, válidas e legítimas; • distribuição das informações com um fluxo definido que ela deve seguir dentro da empresa; • geração de informações, manipuladas pelo sistema e criadas para a tomada de decisão. De maneira similar, para Veiga (2006), as funções estão relaciona- das com os objetivos pretendidos para a utilização dos sistemas de in- formações, dando uma dimensão de escalabilidade ao projeto. Assim, temos os relacionamentos descritos na Figura 7 a seguir. Figura 7 Funções e objetivos dos sistemas de informações Processamento de transações e exceções Pesquisa e análise de informações Detecção do foro informal que melhora o relacionamento com clientes e stakeholders Processamento de dados Automatizar processos básicos Eficiência Sistemas de informações estratégicas Afetar a estratégia do negócio Competitividade Sistemas de informação de gestão Satisfazer necessidades de informação Eficácia Sistemas de informações de relacionamento Aperfeiçoar relacionamento com clientes e outros stakeholders Relacionamento ObjetivosFunção Fonte: Adaptada de Veiga, 2006, p. 9. Quais são os tipos de decisão que você precisa tomar no seu dia a dia e quais informações são necessárias para fazer isso? Atividade 2 Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 29 Na Figura 7, vemos que as três funções se referem a objetivos específicos relacionados à eficiência, eficácia, competitividade e rela- cionamentos. Para cada função do sistema, Veiga (2006) apresenta um objetivo e interliga os resultados obtidos. Por exemplo, o processa- mento de dados é uma função do processamento de informações que determina a eficiência do sistema e se relaciona com os sistemas de informações de relacionamentos com os públicos de interesse (stakeholders). Além disso, Reichelt (2013) destaca que um bom SIM pode trazer vantagem competitiva de três formas: • Melhor definição do mercado em que se pretende atuar. • Melhor definição da oferta; uma vez que se conhece o mercado, pode-se aperfeiçoar o desenvolvimento dos produtos ou serviços. • Melhor execução do planejamento de marketing, visto que o SIM permite mensurar com maior rapidez os resultados, melhorando o planejamento e as correções futuras. Ao analisarmos os sistemas de informações, estes devem: • Reconhecer as informações necessárias. Isto é, devem reco- nhecer de maneira clara a organização e suas variáveis internas e externas, e investigar os envolvidos no processo e quais fato- res, dados e informações influenciam o resultado. Isso envolve tanto os setores operacionais quanto os mais estratégicos, além de uma análise do ambiente interno, como tecnologia disponí- vel para a organização, capacidades de produção e atendimento, limitações e outras informações disponíveis, e do ambiente ex- terno, como mercado, concorrentes, legislação, influenciadores, consumidores. • Gerar as informações necessárias. Não há sentido em gerar informações que não sejam compatíveis com a necessidade da organização. Esse fator é importante, pois não desperdiçamos esforços na geração da informação e identificamos o nível da in- formação que será utilizada; ou seja, podemos gerar a mesma informação para níveis diferentes de atuação dentro da empresa. Assim, a mesma informação pode ir ao nível operacional, estraté- gico ou de gestão, porém sua forma e detalhamento serão entre- gues de modo diferente em função da necessidade de cada área. Você utiliza 100% das informa- ções que recebe para tomada de decisões? Sobram informações que não utiliza ou faltam infor- mações e você necessita solicitar que sejam complementadas? Atividade 3 30 Sistema de Informações de Marketing • Distribuir as informações segundo um fluxo predeterminado. Outro ponto importante é eliminar os fluxos informais de informação, tornando um fluxo predeterminado a fonte oficial da organização. Para que esse fluxo aconteça, é necessário ter procedimentos bem definidos, que sejam do conhecimento de todos. Por fim, vale lembrar que a definição do SIM vai muito além daquela de equipamentos e softwares, pois ele envolve equipes, processos, in- vestimentos e, principalmente, uma preocupação organizacional com a perpetuidade da organização no mercado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os sistemas de informações se mostraram essenciais para o desenvol- vimento de negócios, deixando de ser um simples emissor de relatórios, como no início de seu uso, para ser uma ferramenta de apoio à tomada de decisões estratégicas dentro de uma empresa. O aumento da competitividade, o aparecimento de novas tecnologias, o aumento do número de informações, a internet, as tecnologias disrup- tivas e o aparecimento de novos negócios, cada vez mais, aumentaram a competitividade das organizações e exigiram informações que sejam mais assertivas e minimizem os riscos. Os sistemas de informações não possuem um modelo fechado, rígido e estático. Pelo contrário, devem ser compostos de sistemas informacionais que sejam flexíveis, adaptáveis e escalonáveis, uma vez que os negócios são dinâmicos. Outro ponto importante é o fator humano. A tecnologia e os colaboradores devem se relacionar, uma vez que o sistema de informa- ções deve estar integrado às rotinas da organização. É importante entendermos que o SIM não existe sem a integração de homem, máquina, sistemas e processos definidos. A falta de um desses itens compromete o resultado final não somente no quesito da definição das informações necessárias para tomada de decisão, como o correto fluxo da informação dentro da empresa, definição das ferramentas neces- sárias para implementar o sistema, procedimentos para o correto fluxo de informações, seus responsáveis e os tomadores de decisões, como na correta coleta desses dados. Por fim, para utilizar um sistema de informações, é fundamental enten- der sua necessidade, o fluxo interno das informações, quem irá utilizar a informação gerada e quando ela será utilizada. Conceitos e componentes do Sistema de Informações de Marketing (SIM) 31 REFERÊNCIAS ALMEIDA, F. C. Administração estratégia da informação. Revista de Administração, São Paulo, v. 29, n. 3, p. 66-75, 1994. ALVES, E. B. Sistemas de informações em marketing. Curitiba: InterSaberes, 2018. CALLADO, A. C. Sistemas de informação e estratégia em organizações agroindustrais. Economia Global e Gestão, Lisboa, v. 17 n. 1, p. 9-24, 2012. CHOO, C. W. A organização do conhecimento – como as organizações usam a informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. São Paulo: Senac, 2003. ELEUTÉRIO, M. A. Sistemas de informações gerenciais na atualidade. Curitiba: InterSaberes, 2015. KHAUAJA, D. M. R.; HAMZA, K. M. O sistema de informações de marketing no mercado industrial. Gestão & Regionalidade, São Caetano do Sul, v. 24, n. 72, p. 59-72, 2008. KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 1995. REICHELT, V. P. Fundamentos de marketing. Curitiba: InterSaberes, 2013. REZENDE, D. A. Sistemas de informações organizacionais – guia prático para projetos em cursos de administração, contabilidade e informática. São Paulo: Atlas, 2007. SCHERER, F. L. Análise do ambiente de marketing: um estudo aplicado em uma cooperativa do setor de agronegócios da região centro-oeste do Rio Grande do Sul. Revista de Gestão e Organizações Cooperativas, Santa Maria, v. 2, n. 4, p. 59-70, 2015. SUGAHARA, C. R. A informação dos sistemas de informação gerenciais como elemento determinante no apoio a tomada de decisão em hospitais. TransInformação, Campinas, v. 21, n. 2, p. 117-122, 2009. VEIGA, F. J. A. Evolução dos sistemas de informação. Coimbra: Universidade de Coimbra,2006. Disponível em: http://student.dei.uc.pt/~fveiga/GSI/Evolucao_Sist_Inf.pdf. Acesso em: 18 nov. 2019. WIERENGA, B. et al. The success of marketing management support systems. Marketing Science, INFORMS, v. 18, n. 3, p. 196-207, 1999. GABARITO 1. Deve-se perceber quais processos, fluxos e procedimentos estão predefinidos para a circulação das informações, desde as informações de RH até as informações estratégicas e de mercado, as fontes utilizadas, os fluxos de distribuição e as formas de distribuição. 2. Você deve desenhar quais são as decisões diárias e quais informações são pertinentes para tomar cada uma delas. O desenho deve ter um começo, meio e fim, demonstrando como uma informação é utilizada para a tomada de decisão. Com esse exercício, será possível perceber se as informações que chegam são completas, corretas e efetivas para as tomadas de decisões. Esse mapeamento pode ser por meio de fluxos. A partir disso, será possível criar procedimentos operacionais e melhorar os processos informacionais. 3. Você deve analisar, na rotina, se as informações que recebe são completas e necessárias. Esse mapeamento permite medir a eficiência do processo e corrigir sistemas e procedimentos para a melhoria de suas atividades. 32 Sistema de Informações de Marketing Transformar dados em informação relevante para a tomada de decisão não é uma tarefa simples, e a forma mais adequada de prover os membros da empresa de informações é por meio de um Sistema de Informações de Marketing (SIM). Para tanto, não basta recolhermos informações dos ambientes organizacionais e coletar dados de vendas, custos, produção e ações de marketing. O responsável pelo SIM deve, antes de tudo, conhecer os processos decisórios da organização, os tomadores de decisões, além de quais informações são relevantes e quando elas devem ser geradas. Assim, devemos conhecer modelos de SIM diversos, a fim de entender sua complexidade para que possamos ver a realidade das organizações e implantar o modelo que seja mais adequado e orientado à sua realidade e complexidade. Logo, neste capítulo, apresentaremos modelos de diferentes autores em contextos variados. Cabe destacar a existência de diversos autores que apresentaram modelos de SIM. Dentre tantos, selecionamos aqueles que apresentam modelos diferenciados e que nos permitem ter uma visão ampla das perspectivas do modelo em questão. Da mesma forma, você encontrará descrições concisas dos modelos, o que permite conhecer e ter uma visão holística dos sistemas, bem como dos pontos mais importantes de cada um. Ressaltamos que todos os modelos apresentados partem do princípio de coleta, tratamento e distribuição da informação. Assim, envolvem processos, máquinas, sistemas de tratamento de informações, capital humano e tomadores de decisões para que exista, principalmente, uma cultura de tomada de decisão com base em informações precisas. Modelos de Sistema de Informações de Marketing 2 Modelos de Sistema de Informações de Marketing 33 2.1 Modelo de Kotler Vídeo O primeiro modelo que discutiremos é o SIM apresentado por Kotler (1995). O autor expõe o sistema em três grandes grupos: gerên- cia de marketing, responsável pelas análises, controles, implementação e planejamento; Sistema de Informações de Marketing, que coleta as informações do terceiro grupo; e ambiente de marketing, composto de mercado-alvo, canais de marketing, concorrência, públicos e forças macroambientais. Figura 1 Sistema de Informações de Marketing – Modelo de Kotler Análise Planejamento Implementação Controle Mercados-alvo Canais de marketing Concorrentes Públicos Forças macroambientais Gerência de marketing Ambiente de marketingSistema de Informações de Marketing Desenvolvimento de informações Avaliação das necessidades de informação Registro interno Análise de apoio às decisões de marketing Inteligência de marketing Pesquisa de marketing Decisões e comunicação de marketing Distribuição das informações Fonte: Kotler, 1995, p. 122. Dentro do sistema de informações apresentado por Kotler, desta- camos o subsistema de desenvolvimento de informações, no qual, além da coleta de dados externos ao ambiente de marketing, são reu- nidos os registros internos e o nível mais básico usados pelos gerentes de marketing, como registros de pedidos, vendas, preços, níveis de es- toque e contas a receber. 34 Sistema de Informações de Marketing Já a inteligência de marketing é “um conjunto de procedimentos e fontes usados por administradores para obter informações diárias sobre os desenvolvimentos pertinentes no ambiente de marketing” (KOTLER, 1995, p. 124). Em outras palavras, as informações são obtidas no dia a dia, estão no ambiente externo à organização e colaboram no desenvolvimento das atividades internas. A pesquisa de marketing consiste na coleta, análise e apresenta- ção de dados de maneira planejada e sistemática sobre uma situação específica enfrentada por uma organização. A coleta e a observação ocorrem devido a uma necessidade específica: informações que pos- sam colaborar nos planejamentos futuros, e não diários. Isso se dá por meio de avaliação de um produto, pela pesquisa de consumidor ou, então, pela análise de um determinado volume de vendas em um seg- mento, por exemplo. Diferentemente de um sistema de monitoramen- to, a pesquisa é disparada pela necessidade específica da organização. Ainda segundo o autor, o apoio às decisões de marketing é um “conjunto coordenado de dados, sistemas, ferramentas e técnicas com software e hardware de apoio pelos quais uma organização reúne e in- terpreta informações relevantes” (KOTLER, 1995, p. 138). Isto é, ele reúne recursos necessários para interpretar e apresentar de modo claro as infor- mações para tomada de decisão, ajudando os gerentes nesse processo. Por fim, os registros internos constituem o banco de dados res- ponsável pelas operações internas da organização, como volume de vendas, registro de clientes, registros financeiros, entre outros. Elas fornecem informações para a inteligência de marketing e informações de apoio às decisões de marketing; também interagem com as pes- quisas de marketing, criando um grande banco de informações e de inteligência. Por meio desse modelo, o gerente de marketing, responsável pelo SIM, é capaz de: analisar as informações geradas; controlar o processo; elaborar o planejamento adequado à realidade da organização dian- te do cenário desenhado pelas informações externas e internas; e im- plementar os projetos e planos aprovados. O resultado pode ser visto no ambiente de marketing (mercado, público-alvo, concorrência e ma- croambiente), e o processo é realizado de modo ininterrupto. CHIUSOLI, C. L.; IKEDA, A. A. Sistema de informação de marketing. São Paulo: Atlas, 2010. No Capítulo 5, Chiusoli e Ikeda apresentam diversos modelos de SIM além dos apresentados neste livro, como os mo- delos de Mincioti, Kimbal, Sisodia, entre outros. Livro Modelos de Sistema de Informações de Marketing 35 Segundo Kotler (1995), os administradores examinam o ambiente de quatro maneiras: Exposição geral das informações. Os administrado- res não possuem um objetivo espe- cífico. Esforço limitado, mas não estrutu- rado, para obter informações ou para um propósi- to específico. Esforço delibera- do acompanhado de um plano, procedimento ou metodologia para obtenção de informações específicas. Exposição direta. Não envolve uma busca ativa e nem uma área ou tipo de informação identificada. VISÃO INDIRETA BUSCA INFORMAL BUSCA FORMAL VISÃO CONDICIONADA Tais visões e esforços são contemplados nesse modelo, uma vez que o sistema integra visões internas e externas da organização, além de sistemas de pesquisa e sistemas de monitoramento, necessários para a obtenção de informações para a tomada de decisões. Segundo Kotler (1995), os administradores examinam o ambiente de quatro maneiras. Explique cada umae dê um exemplo. Atividade 1 2.2 Modelo de Mattar e Santos Vídeo O ambiente de negócios vem sofrendo mudanças contínuas e aceleradas, principalmente com o advento das novas tecnologias, do consumidor virtual e de organizações baseadas somente no ambiente virtual, com as mudanças econômicas mundiais e com as novas políti- cas. Tudo isso reforça a necessidade de uma gestão eficaz e correta de informações. Para reduzirmos o risco de erros, precisamos conhecer essas variá- veis, que envolvem dois importantes aspectos, de acordo com Mattar (1986): Condição necessária, mas não suficiente. Envolve desde saber dar valor ao uso da informação e triar a certa até saber interpretá-la corretamente. DISPONIBILIDADE DE INFORMAÇÃO COM QUALIDADE USO DA INFORMAÇÃO Para Mattar e Santos (2003), não existe um SIM padronizado ou único. Ele deve ser implementado segundo a realidade da organização, além de atender às funções de reunir, processar e disseminar dados e informa- ções externas e internas à empresa, relevantes para a tomada de decisão. 36 Sistema de Informações de Marketing De acordo com os autores, o processo de decisão em uma empresa pode ser classificado em três tipos: informações para análise da situa- ção; informações sobre as variáveis de decisão de marketing; e infor- mações sobre medidas de desempenho. Ele deve ser bem elaborado e diagnosticar os fatores-chave de sucesso da categoria de produto ou setor empresarial, assim como suas potencialidades e vulnerabilidades (produtos, concorrentes e segmento), vantagens e desvantagens com- petitivas. É importante, ainda, identificar as ameaças e oportunidades, as características do comportamento do cliente, o tamanho, a evolução e a segmentação do mercado, além do comportamento e posiciona- mento dos principais concorrentes (MATTAR; SANTOS, 2003). Figura 2 Sistema de Informações de Marketing – Modelo de Mattar e Santos Fonte de dados Macroambiente Concorrentes Empresa Mercado Usuários Analisam Planejam Organizam Decidem Executam Controlam Coleta de dados Processamento Sistema de monitoração ambiental Sistema de informações competitivas Sistema de informações internas Sistema de pesquisa de marketing Monitora Avalia Seleciona Condensa Trata Classifica Armazena Atualiza Recupera Analisa Interpreta Dissemina DADOS INFORMAÇÕES Fonte: Adaptado de Mattar; Santos, 2003, p. 124. Como podemos ver na Figura 2, esse modelo apresenta quatro sub- sistemas na etapa de coleta de dados: monitoramento ambiental (ou sistema de inteligência), sistema de informações competitivas, sistema de informações internas (ou sistema de contabilidade gerencial) e sis- tema de pesquisa de marketing. O sistema de monitoramento ambiental coleta as informações no macroambiente de marketing da empresa e mantém os executivos Modelos de Sistema de Informações de Marketing 37 informados. Esse sistema coleta informações não sistematizadas e es- porádicas, assim como informações constantes e sistematizadas. Por meio do seu monitoramento, é possível atualizar os executivos sobre mudanças do macroambiente em todas as suas variáveis, como mu- danças da concorrência, alterações de normas e leis realizadas pelo governo, movimentação da concorrência, entre tantos outros. O sistema de informações competitivas mantém os usuários do SIM informados e atualizados sobre a concorrência, obtendo o máximo de informações de caráter público possíveis. Já o sistema de informa- ções internas indica aos executivos o desempenho de marketing da empresa para que possam controlar parte da atividade. Além das in- formações de vendas e resultados, o sistema deve gerar informações sobre potencialidades da própria empresa. Destacamos que, nesse subsistema, os relatórios gerados devem agilizar o processo de decisão nos diversos níveis de sua estrutura. O sistema de pesquisa de marketing fornece informações so- bre problemas específicos e esporádicos identificados ao longo do processo. Diferente do sistema de monitoramento ambiental, nesse sistema é necessário definir um problema ou objetivo específico para que seja resolvido. Enfim, no modelo de Mattar e Santos (2003) todos os dados devem ser processados para gerar informações concretas e relevantes para a tomada de decisões. Notamos que, assim como no modelo de Kotler, as decisões são retornadas para o macroambiente de marketing e tornam-se fontes de dados para nova coleta, processamento e gera- ção de informações relevantes para a tomada de decisão futura. Ressaltamos os subsistemas de coleta de dados por sua impor- tância dentro do SIM proposto por Mattar e Santos (2003), uma vez que contemplam desde a coleta e o monitoramento das fonte de dados até a etapa de disseminação das informações, para os usuários analisarem, planejarem, organizarem, deci- direm, executarem e controlarem as informações processadas pelos subsistemas de coleta de dados. Atenção 2.3 Modelo de Rochas e Coquard Vídeo Como já destacado anteriormente, o SIM é a base para a diferen- ciação de atuação da empresa no mercado, pois o uso de um sistema permite maior competitividade para a organização, planejamento e controle mais efetivos das atividades. O modelo apresentado nesta seção tem uma preocupação maior com as informações sobre produto, mercado, ações comerciais e ou- tras contempladas pela pesquisa de campo (CHIUSOLI; IKEDA, 2010). Seu foco está no planejamento, monitorando constantemente as ativi- dades comerciais das organizações, buscando informações de pesqui- 38 Sistema de Informações de Marketing sas de notoriedade da marca pela penetração e referência dela para o consumidor, analisando a performance e a qualidade do mix de ven- das, além do market share, importante para responder a ações de recu- peração de mercado. O modelo de SIM apresentado por Rochas e Coquard tem um foco grande nos resultados mercadológicos, possibilitando que as organiza- ções alterem suas estratégias e táticas para manter ou aumentar sua posição mercadológica. Figura 3 Sistema de Informações de Marketing – Modelo de Rochas e Coquard Outras informações (pesquisas): - Notoriedade - Imagem Objetivos da comunicação Planos de publicidade Objetivos de venda Planos de ações promocionais Segmentos-alvo Planos de vendas Ação Informações sobre produtos: - Composto de produtos - Evolução do composto de produtos - Atividades Informações sobre mercado: - Penetração - Segmentação - Market share Informações sobre ações comerciais: - Penetração - Cobertura - Prospecção - Eficácia - Intermediários - Ações promocionais Resultados/Objetivos de vendas Aceitação dos intermediários Resultados das ações promocionais Plano de marketing Sistema de Informação de Marketing Co nt ro le Pl an ej am en to An ál is es Fonte: Chiusoli; Ikeda, 2010, p. 74. Podemos notar, com base na Figura 3, que Rochas e Coquard apre- sentam um sistema de informações com ênfase nas atividades de pla- nejamento, análise e controle. A inclusão do plano de marketing no sistema de informações demonstra que há uma preocupação com o controle do resultado do planejamento, assim como uma necessidade Modelos de Sistema de Informações de Marketing 39 de mudanças constantes no planejamento alinhadas com os resulta- dos. Além disso, Mattar (1986) destaca que os autores se preocupam em separar as atividades de análise, planejamento e controle, além de enfatizar as informações de planejamento, mas não as de controle. Portanto, nesse modelo, a preocupação está nas informações sobre produto, mercado, ações comerciais e outras que a pesquisa de campo possa contemplar (CHIUSOLI; IKEDA, 2010). 2.4 Modelo de Semenik e Bamossy Vídeo Para Semenik e Bamossy (1995, p. 88), o SIM é “um complexo es- truturado e interativo de pessoas e máquinas, projetado para gerar informações pertinentes numa base contínua e a partir de fontes in- ternas e externas da empresa, para dar suporte ao processo decisório de marketing”.