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Relações étnico raciais: algo sobre os brasileiros1 
Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do 
invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros 
africanos, uns e outros aliciados como escravos. (...) Nessa 
confluência, matrizes raciais se fundem para dar lugar a um povo 
novo, (...) novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada 
culturalmente de suas matrizes formadoras. 
(RIBEIRO, 1995. p.19) 
 
Partimos da epígrafe em que destacamos o pensamento do antropólogo Darcy 
Ribeiro para pensarmos sobre nosso conhecimento a respeito de nossas matrizes 
culturais. 
O que faz o brasil, Brasil? A essa pergunta feita pelo antropólogo Roberto da Matta, 
em seu livro, de mesmo nome podemos responder que o Brasil é um mosaico de 
sons, cores e sabores. A referência ao mosaico, que é, segundo o dicionário 
Houaiss, uma obra feita pela justaposição de pequenas peças coloridas formando 
um desenho ou imagem, quer demonstrar a representação que se tem do Brasil e 
dos brasileiros. Uma sociedade que se formou pela liga de diferentes culturas. 
Fomos formados inicialmente como povo, a partir da junção de índios, europeus e 
africanos. A miscigenação é nossa marca. 
Vamos começar falando da cultura africana. Quando se fala em cultura africana 
deve-se pensar em culturas africanas, tendo em vista que os africanos que para o 
Brasil foram trazidos à força, pertenciam a diversas sociedades de diferentes locais 
do continente africano, com línguas, costumes e formas de exercer a fé distintos, e 
que por sua vez haviam tido a influência anterior de outras culturas, inclusive a 
árabe. Podemos dizer desse modo que a cultura afro-brasileira advém de um 
processo de combinação e reelaboração de diversas culturas da África. 
Da mesma maneira havia no Brasil diferentes sociedades indígenas antes da vinda 
dos portugueses. Eles não encontraram esta terra vazia. 
 
1
 Maria Aura Marques Aidar - Professora na Universidade de Uberaba, Mestre em História, Especialista em 
Docência Universitária e Especialista em Educação à Distância. 
De acordo com o Instituto Sócio Ambiental em seu site sobre povos indígenas no 
Brasil 
http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/povos-indigenas 
Acessado em 04jun2012 
Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a 
imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima-
se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 
povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente 
encontramos no território brasileiro 238 povos, falantes de mais de 
180 línguas diferentes.Os povos indígenas somam, segundo o Censo 
IBGE 2010, 817.963 pessoas. Destas, 315.180 vivem em cidades e 
502.783 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 
0,42% da população total do país. A maior parte dessa população 
distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 673 
Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional. 
. 
Em relação aos europeus a situação não foi muito diferente: vieram inicialmente os 
portugueses, depois os franceses e holandeses, mais a frente espanhóis, italianos, 
alemães e não só europeus, mas também, japoneses, chineses, árabes, libaneses, 
sírios, entre outros. Cada um com sua cultura a contribuir para o que se chama 
cultura brasileira, que por sua vez se desdobra em culturas regionais. 
Você está percebendo que a cultura no Brasil em seus primeiros trezentos anos teve 
como marca a diversidade. Índios, europeus e africanos, formavam um mosaico, que 
apesar da hegemonia europeia sobre as instituições e Estado, em relação a 
aspectos culturais não havia prevalência, falavam-se várias línguas e dialetos, 
rezavam-se para Deus e para várias entidades. 
Tal encontro de culturas foi responsável pela construção de uma cultura diferente de 
Portugal, diferente da África e que não se configurou como uma continuação da 
cultura dos primitivos habitantes desta terra. Havia muito a se fazer, tudo era novo, 
desde as relações sociais entre os elementos de formação da nossa matriz cultural, 
até o clima, a geografia. De acordo com Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do 
Brasil (1995, p.31) a tentativa de implantação da cultura europeia em tão extenso 
território como o brasileiro, cujas condições naturais diferiam em muito do velho 
continente, propiciou ricas consequências nas origens da sociedade brasileira. A 
inovação, a aventura e a criatividade abriram portas necessárias ao crescimento. E 
segundo Da Matta (1985, p.14) o Brasil foi feito de uma combinação especial de 
possibilidades universais, temos um estilo, um modo de ser, um jeito de existir que, 
não obstante estar fundado em coisas universais é exclusivamente brasileiro. 
Essas influências recebidas no processo de desenvolvimento do povo brasileiro em 
algumas vezes destacam-se individualmente, outras vezes unem-se e produzem um 
novo modelo detentor de aspectos próprios às três culturas. No entanto, as 
diferentes participações e desempenhos de papeis na construção da identidade 
nacional, originaram representações limitantes e preconceituosas, que 
desconsideraram a importância das culturas indígena e africana para a sociedade 
brasileira. 
Todos nós carregamos diferentes heranças culturais. Os brasileiros têm estrutura 
genética idêntica aos demais grupos humanos. A cor da pele, o formato do nariz, a 
textura dos cabelos, são formas de adaptação do ser humano ao ambiente, não 
podem ser considerados como fatores limitantes ao convívio. 
Em relação à genética humana, Souza (2006, p.122) afirma: 
A genética, ao mostrar que a discussão racial envolve 0,0005% do 
genoma humano, provou que a noção de raça não está fundada em 
evidências biológicas e sim em distinções culturais, (...) as 
insignificantes diferenças genéticas desmentem que há raças 
superiores ou inferiores. 
 
O antropólogo Franz Boas (2004) afirmava que toda cultura tem história própria, que 
se desenvolve de maneira singular e que não pode ser julgada a partir da história de 
outras culturas, não existe cultura superior a outra. 
Roger Chartier, historiador cultural (1991, p.183) pode nos ajudar a esclarecer mais 
um pouco a questão da representação da identidade brasileira, que apesar de 
híbrida teve durante muitos anos a predominância da cultura europeia representada 
pelos colonizadores brancos. Veja que à noção de representação coletiva se 
articulam três modalidades de relação com o mundo social: 
1- o trabalho de classificação e de recorte que produz configurações 
intelectuais múltiplas, pelas quais a realidade é contraditoriamente 
construída pelos diferentes grupos que compõem uma sociedade; 
2- as práticas que visam a fazer reconhecer uma identidade social, a 
exibir uma maneira própria de ser no mundo, a significar simbolicamente 
um estatuto e uma posição; e 
3- as formas institucionalizadas e objetivadas em virtude das quais 
representantes (instâncias coletivas ou indivíduos singulares) marcam de 
modo visível e perpétuo a existência do grupo, da comunidade ou da 
classe. 
Ou seja, o brasileiro teve sua cultura construída a partir da cultura de diferentes 
grupos que compuseram nossa sociedade, criando uma identidade social que é 
única no mundo. Única não por ser um mosaico de culturas, mas por ser a "nossa" 
cultura, aquela que nos diferencia das demais sociedades. 
Ainda segundo Chartier (1991) uma dupla via abre-se em torno desse pensamento: 
a primeira que acredita que a construção das identidades sociais é resultado de uma 
relação de forças entre as representações impostas pelos que detêm o poder de 
classificar, de nomear e a definição, de aceitação ou de resistência de cada 
comunidade produz de si mesma; e a segunda que considera o recorte social 
objetivado como tradução do crédito conferido à representação que cada grupo dá 
de si mesmo, logo a capacidadede fazer reconhecer sua existência a partir de uma 
demonstração de unidade. 
O historiador Jacques Le Goff (1990, p. 477), nos aponta que devemos trabalhar de 
forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos 
homens. 
 
2- O Brasil das desigualdades 
No Brasil, as desigualdades estão presentes desde a colonização e se apresentam 
no campo econômico, racial, de orientação sexual, de gênero, entre outros, e se 
mostram diferentes inclusive em relação às regiões do país: norte, nordeste, sul, 
sudeste e centro-oeste, apresentam números e progresso diferenciado. As 
oportunidades ainda são diferentes e ainda há muito que fazer, as conquistas são 
muito lentas. 
A democracia pode ser definida como o regime político fundado na soberania 
popular e no respeito integral aos direitos humanos, reunindo as exigências da 
cidadania plena, que engloba as liberdades civis e a participação política, ao mesmo 
tempo em que reivindica a igualdade e a prática da solidariedade. Igualdade perante 
a lei, participação política, dignidade humana são pressupostos da cidadania 
democrática. A implementação de políticas públicas e programas de ação do Estado 
visam garantir a dignidade humana. A população exercendo a cidadania ativa, ou 
seja, participando de conselhos, e consultas populares, pode exercer seus direitos e 
deveres junto ao Estado, exercendo legítima pressão para que aconteçam as 
mudanças almejadas por seu grupo social. 
As desigualdades percebidas na sociedade são minimamente reduzidas pelos 
direitos sociais que visam garantir a justiça social. E por que há a necessidade de 
garantir a justiça social? As diferenças econômicas na sociedade brasileira impedem 
o acesso a condições de vida e sobrevivência para certos grupos sociais, havendo a 
necessidade de se fixar em lei os direitos sociais, resultantes de processos de luta 
dos trabalhadores e da população em situação de desigualdade. Desse modo, 
verificamos que o estabelecimento de direitos ocorre num processo histórico, e 
como tal não é linear, havendo avanços e retrocessos ao longo do caminho. 
O fato de termos direito a liberdade de expressão e pensamento, o direito ao voto e 
a participação política não quer dizer que os problemas sociais estarão resolvidos. 
No período colonial, a cidadania foi negada à quase totalidade da população; porém, 
os mais afetados foram os escravos africanos e afro-brasileiros. O ponto mais 
negativo para nossa cidadania foi a escravidão. 
Esta só foi abolida depois de mais de 300 anos, e mesmo assim mais por pressão 
externa do que por um amadurecimento da consciência social da população. Havia 
uma pressão internacional para o fim do tráfico negreiro, bem como para o fim da 
escravidão. Estávamos em plena Idade Moderna, o comércio internacional em 
ascensão e o país vivendo práticas da antiguidade. 
Hoje se considera que a data mais significativa para celebrar a história do povo 
negro, sua cultura, seu anseio por liberdade e sua verdadeira participação na 
sociedade, no Brasil como o dia 20 de Novembro, data da morte de Zumbi, principal 
líder da resistência da comunidade de Palmares em Alagoas, onde os ex-escravos 
viviam em liberdade. Nesse dia em 1695 o grupo do bandeirante Domingos Jorge 
Velho levou a cabo o interesse de muitos em liquidar Zumbi. Estima-se que 
Palmares, chegou a contar com vinte mil componentes, foi o quilombo mais famoso, 
mais importante e que teve maior tempo de existência (95 anos). 
O índio brasileiro não foi tratado de forma muito diferente. Dizimado pelas tentativas 
de escravização, pelas doenças dos europeus e constantes apropriações de suas 
terras com o uso da violência, não tiveram seus direitos respeitados. Em 1973 foi 
promulgada a Lei 6001, denominada "Estatuto do Índio" que dispõe sobre as 
relações entre a sociedade brasileira e o Estado com os índios. Essa lei foi escrita 
em acordo com o Código Civil brasileiro de 1916, que considerava os índios, como 
sendo "relativamente incapazes", devendo ser tutelados por um órgão indigenista 
estatal (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio - SPI; atualmente, a 
Fundação Nacional do Índio - FUNAI) até que eles estivessem “integrados à 
comunhão nacional”, ou seja, à sociedade brasileira. 
Consideravam-se ainda em 1973, quatrocentos e setenta e três anos depois do 
avistamento entre índios e portugueses, que sua cultura por ser diferente era menor, 
e precisava ser tutelada. 
Somente com a Constituição de 1988 essa situação foi em parte "quebrada", 
reconhecendo aos índios o direito de manter a sua própria cultura. 
Segundo o Instituto Socioambiental - ISA: 
A Constituição não fala em tutela ou em órgão indigenista, mas 
mantém a responsabilidade da União de proteger e fazer respeitar os 
direitos indígenas. Apesar de não tratar de maneira expressa da 
capacidade civil, a Constituição reconheceu no seu Artigo 232, a 
capacidade processual ao dizer que "os índios, suas comunidades e 
organizações, são partes legítimas para ingressar em juízo, em 
http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai
http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca
defesa dos seus direitos e interesses". Significa que os índios 
podem, inclusive, entrar em juízo contra o próprio Estado, o seu 
suposto tutor. (http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/estatuto-do-
Indio/introducao- acesso em 04jun2012) 
 
Com o novo Código Civil de 10 de janeiro de 2002, os índios deixaram a categoria 
de relativamente incapazes. Sendo sua condição definida em legislação especial. 
O prof. Dr. Claudio O. C. do Nascimento nos aponta que a diferença não pode ser 
diluída na diversidade e a diversidade não deve ocultar a diferença (ver: 
portal.mec.gov.br/arquivos/conferencia/documentos/claudio_nascimento.pdf) 
Vemos que a dificuldade em aceitar a diferença não é um problema que se verifica 
apenas em sociedades ocidentais. Entretanto, o problema se torna mais nítido 
quando é visto sob a ótica das democracias liberais. Isso acontece porque o respeito 
à diferença é um dos pilares constitucionais dessas democracias, ou seja, a defesa 
da igualdade cívica é fundamento de sua legitimidade. 
A noção de diferença passa a ser bastante valorizada depois da segunda guerra 
mundial. O genocídio de judeus, bem como o assassinato de milhares de pessoas 
pertencentes às chamadas minorias étnicas, em prol da pureza da raça ariana 
buscada por Hitler e seus seguidores, mostrou ao mundo os horrores que poderiam 
ser cometidos na tentativa de se homogeneizar a diferença. Ganhando cada vez 
mais terreno, a discussão acerca da valorização das diferenças, atingiu tanto o 
campo político quanto o científico, e hoje é questão marcante no ocidente. Tem-se 
buscado demonstrar que a condição humana e toda a sua evolução não seriam 
possíveis sem que houvesse a mistura, a combinação de inúmeras características 
na formação de seres cada vez mais singulares. 
O indivíduo em sua luta por reconhecimento desenvolve a percepção de sua própria 
identidade e a do outro. Esse processo acontece subjetivamente, visto que cada 
sujeito apreenderá esses sentimentos de forma individual e intrinsecamente 
particular, o que não significa, entretanto, que essa individualidade o afaste da ideia 
de pertencimento a determinado grupo ou grupos sociais, ou que o impeça de criar 
laços dentro de diferentes comunidades. Esses grupos não são definíveis, como se 
pode pensar, a bases meramente étnicas, como demonstram homossexuais, 
organizações de indivíduos portadores de deficiências físicas, ou grupos de 
orientação religiosa. Vê-se, então, que a formação do coletivo está diretamente 
ligada aos processos de interação das subjetividades individuais e dos grupos, 
formando, assim, as identidades e interesses que serão compartilhados, as práticas 
sociais instituídas, estratégias de ação e as culturassímbolos e imagens 
combinados em dado contexto social. 
Sabe-se, no entanto, que há grande dificuldade por parte das instituições políticas e 
sociais para lidar com as situações geradas pela aceitação da diferença. Pessoas e 
grupos sociais buscam liberdade dentro dos espaços públicos para que possam 
coexistir em harmonia vivenciando a diversidade de forma real. 
É justamente na ausência das condições necessárias a essa convivência, que 
surgem as várias formas de exclusão social, seja estabelecendo diferenciações de 
gênero, raça, classe ou orientação sexual, que por força de muita luta, pretende-se 
resolver com a edição de leis que visem, se não a solução, pelo menos a 
minimização de tais situações. 
 
3 - Os movimentos 
O que hoje se convencionou chamar de movimento negro, também possui longa 
origem histórica e é composto de várias nuances. Remontando ao período colonial e 
aos tempos da escravidão, a luta pela extinção de desigualdades entre negros e 
brancos compõe a pauta de reivindicações dos diversos movimentos. As primeiras 
manifestações em prol da abolição da escravatura no Brasil aconteceram com as 
lutas dos próprios escravos que recorriam às rebeliões, às fugas e à formação de 
Quilombos, por exemplo. A aspiração por liberdade ganhou força na segunda 
metade do século dezenove, quando os protestos de partes das classes dominantes 
do país se juntam à luta dos escravizados. Alguns por convicção e outros por 
temerem as pressões internacionais, de ordem econômica e política, principalmente 
da Inglaterra e da França. Em 1871, tem-se a aprovação da Lei do Ventre Livre, e o 
chamado movimento abolicionista somente toma corpo a partir de 1878, dele 
participando intelectuais, estudantes de nível superior, profissionais liberais e ainda 
pessoas dos setores agrários não vinculados à escravidão e da classe média 
urbana. 
Ao longo do tempo, aconteceram diversas mudanças sociais no Brasil que refletiram 
na atuação do movimento negro, como a urbanização das cidades, o crescimento 
das atividades industriais, a introdução do trabalho mediante salário e, o mais 
importante para a conjuntura do próprio movimento: o crescimento da população 
livre. Como forma de manifestação, os abolicionistas promoviam todo tipo de evento 
que difundisse a causa pela qual lutavam, como comícios, conferências, festas 
beneficentes e quermesses. Também fundaram associações e clubes (Sociedade 
Brasileira contra a Escravidão, por exemplo). 
Em 1884, aboliu-se a escravidão nos Estados do Ceará e Amazonas, que somente 
foi possível por possuírem um vínculo menor com a escravatura, entretanto, é 
sabido que apenas em 1888, com a edição da Lei Áurea, é que os mais de 
setecentos e cinquenta mil escravizados remanescentes seriam libertados. 
Liberdade essa que não serviu aos negros como deveria, pois agora eram livres, 
mas não possuíam emprego (sem formação técnica, os negros precisavam 
concorrer com o grande número de imigrantes que chegavam ao país aos poucos 
postos de trabalho que existiam) ou moradia, passando a ser cada vez mais 
excluídos socialmente. As dificuldades enfrentadas para se integrarem à sociedade 
burguesa e capitalista foram enormes, pois os planos do movimento abolicionista 
que possuíam diretrizes que eram necessárias à integração dos negros não foram 
executados. 
Durante o passar dos anos, houve várias formas de organização do movimento 
negro, que atuavam em diversas frentes. É preciso ter em mente que esses 
movimentos também possuíram agendas de luta diversas que mudaram conforme 
as novas conquistas foram obtidas. São alguns exemplos de reivindicações que 
foram se incorporando a esses movimentos no Brasil: direito à liberdade religiosa e 
de culto para os praticantes das religiões afro-brasileiras, direito à igual participação 
no mercado de trabalho, em concursos públicos e instituições de ensino superior por 
meio de cotas e contratações preferenciais, cotas para a atuação de artistas negros 
na publicidade, televisão e cinema, entre outros. 
Um resultado importante da atuação recente dos movimentos é a edição da Lei Nº 
12.288, de 20 de julho de 2010, Estatuto da Igualdade Racial, que estava em trâmite 
desde 1998, Destina-se o Estatuto a garantir à população negra a efetivação da 
igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e 
difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. 
Como se pode ver, o conteúdo das lutas empreendidas pelos movimentos sociais e 
a forma como elas se expressam variam, naturalmente, com o passar do tempo e 
com as mudanças de panoramas políticos e socioeconômicos em que estão 
inseridas. O papel dos movimentos é justamente garantir que novos objetivos sejam 
alcançados, que os debates em torno de temas importantes não cessem. Para isso, 
podem assumir novas formas nos espaços sociais, ampliando sua visibilidade e 
buscando a instituição de uma igualdade real e a universalização do acesso ao 
espaço público. 
 
4- A Lei 10.639/2003. 
Foram constantes as reivindicações durante décadas, de movimentos organizados, 
para que fosse incluído no currículo do ensino fundamental e médio, tanto na rede 
privada quanto na particular, o ensino de Cultura e História Afro-brasileira. Vamos 
procurar refletir sobre tais questões. 
Em 1883, Joaquim Nabuco, destacado abolicionista brasileiro, acreditava, conforme 
relatava no prefácio de seu livro, O Abolicionismo (2000, p.XXI), que: 
Já existe, felizmente, em nosso país uma consciência nacional - em 
formação, é certo - que vai introduzindo o elemento da dignidade 
humana em nossa legislação, e para a qual a escravidão, apesar de 
hereditária, é uma verdadeira mancha de Caim que o Brasil traz na 
fronte. 
 
No entanto, somente em 2003, cento e vinte anos após a elaboração desse 
pensamento, é que foi promulgada uma lei que determina como obrigatório o ensino 
sobre História e Cultura Afro-Brasileira. A ausência da História Africana no currículo 
das escolas era uma das grandes lacunas no sistema educacional brasileiro, 
conhecer a história da África e dos africanos que vieram para o Brasil por força da 
escravidão, bem como dos brasileiros descendentes desses africanos, significa 
conhecer um lado do nosso passado que precisa ser entendido. 
Os africanos foram trazidos para o Brasil para trabalhar, mas, como escravos, sem 
nenhum direito. “Desembarcaram no Brasil negros de diferentes nações africanas. 
Traziam conhecimentos agrícolas de como trabalhar o bronze, o cobre, o ouro e a 
madeira. Havia também entre eles, muitos tecelões, ferreiros e artesãos” (ROCHA, 
2006, p. 83). 
Segundo o IBGE (1990), no continente americano, o Brasil foi o país que importou 
mais escravos africanos. Entre os séculos XVI e meados do XIX, vieram cerca de 
quatro milhões de homens, mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço 
de todo comércio negreiro. Visualize nas tabelas, a seguir, a estatística do 
desembarque de africanos no Brasil. 
 
Tabela 1 - Desembarque estimado de africanos no Brasil - Séculos XVI-XVIII 
PERÍODO 
Africanos que chegaram 
nesse período 
1531-1575 10.000 
1576-1600 40.000 
1601-1625 100.000 
1626-1650 100.000 
1651-1670 185.000 
1671-1700 175.000 
1701-1710 153.700 
1711-1720 139.000 
1721-1730 146.300 
1731-1740 166.100 
1741-1750 185.100 
1751-1760 169.400 
1761-1770 164.600 
1771-1780 161.300 
Total 1.895.500 
Fonte: Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. 
ed. rev. atual. do v. 3 de Séries estatísticas retrospectivas. Rio de Janeiro: IBGE, 1990. p.60. 
 
Tabela 2 - Desembarque estimado de africanos no Brasil Século XVIII nos quinquênios de 
1781 a 1855 
Períodos Chegados no período 
1781-1785 63.100 
1786-1790 97.800 
1791-1795 12.5000 
1796-1800 10.8700 
1801-1805 11.7900 
1806-1810 12.3500 
1811-1815 13.9400 
1816-1820 18.8300 
1821-1825181.200 
1826-1830 250.200 
1831-1835 93.700 
1836-1840 240.600 
1841-1845 120.900 
1846-1850 157.500 
1851-1855 6.100 
Total 2.113.900 
Fonte: Adaptado de – BRASIL. IBGE. Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, 
demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. ed. v. 3. Rio de Janeiro: IBGE, 1990. p. 60 (Séries 
estatísticas retrospectivas). 
 
Veja bem, vieram para o Brasil sem vontade própria, cerca de quatro milhões de 
africanos. Joaquim Nabuco, em O Abolicionismo (2000, p.3), levantava a seguinte 
questão: 
O abolicionismo, porém, não é só isso e não se contenta com ser o 
advogado Ex officio da porção da raça negra ainda escravizada; não reduz 
a sua missão a promover e conseguir - no mais breve espaço possível - o 
resgate dos escravos e dos ingênuos. Essa obra – de reparação, vergonha 
ou arrependimento, como a queiram chamar – da emancipação dos atuais 
escravos e seus filhos é apenas a tarefa imediata do abolicionismo. Além 
dessa, há outra maior, a do futuro: a de apagar todos os efeitos de um 
regime que, há três séculos, é uma escola de desmoralização e inércia, de 
servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores. 
 
No entanto, a autoconsciência do país em relação a seu passado e à reparação 
invocada por Nabuco em 1883, ainda está por fazer. 
Segundo Priore, em relação à autoconsciência: 
Nela estaria uma das chaves para reconstituir a imagem e a 
visibilidade de grupos inteiros cujos descendentes ainda 
desconhecem sua própria história. Grupos cujos ancestrais, ainda 
hoje estão em busca de um lugar em nossa memória histórica 
(PRIORE, 2004, p.1.introd.). 
 
Da história da Europa muito sabemos, da história das Américas e de seus povos 
primitivos não sabemos tudo que deveríamos, do Oriente muito pouco, do Brasil 
ainda há muito que pesquisar. 
 
E a história da África? 
 
No Brasil, os estudos sobre a escravidão, sobre os descendentes de africanos e o 
seu papel na formação histórica brasileira, continuam avançando bem mais do que 
as pesquisas e estudos sobre a História da África (BORGES, 2007). Desde o início 
do processo de escravização dos africanos até a abolição, a América teve íntima 
relação com a África. A partir de então, África e africanos ficaram afastados e 
desconhecidos dos brasileiros. 
Ensinar História da África e cultura afro-brasileira não significa a abolição da História 
europeia e como lembra Marisa Antunes Laureano. “A questão não é trocar o centro, 
mas destacar todos os pontos que possam acarretar valorização da diversidade 
cultural da qual o Brasil é feito” (2008, p.8). 
Alberto da Costa e Silva (2000. p.9-13) nos chama a atenção para que o legado 
trazido por homens e mulheres angolas, benguelas, cabindas, jejes, minas, 
moçambiques, nagôs, imbangalas entre outros, aqui compuseram outras etnias. Não 
reproduziram as suas diversas Áfricas no processo de formação histórica e social no 
Brasil, mas “nos impregnaram” (BORGES, 2007). Sem estudarmos o que se passou 
nas diversas regiões da África, em cada período, dos três séculos que os navios 
negreiros alimentavam o Brasil de gente, não saberemos de onde, como e por que 
foram determinados povos, e não outros, que se trouxeram à força para o Brasil. 
Ainda segundo Silva (2000 p 9-13): 
Retemos na memória o sistema europeu dos três afolhamentos, mas 
ignoramos como era a agricultura nas distintas regiões da África. 
Tampouco nos ensinam como cada grupo comerciava com os 
vizinhos e a longa distância. Ou como vestia cada nação. Ou vivia a 
sua gente. E, no entanto, essa gente é nossa ancestral. 
 
Pela tabela 3, a seguir, adaptada do IBGE, percebe-se, como é formado o povo 
brasileiro e por que é importante estudar a História da África e a cultura afro-
brasileira. 
 
Tabela 3 – Evolução da população brasileira 
Evolução da população brasileira, segundo a cor - 1872/1991 
Cor 1872 1890 1940 1950 1960 1980 1991 
Brancos 3.787.289 6.302.198 26.171.778 32.027.661 42.838.639 64.540.467 75.704.927 
Pretos 1.954.452 2.097.426 6.035.869 5.692.657 6.116.848 7.046.906 7.335.136 
Pardos 4.188.737 5.934.291 8.744.365 13.786.742 20.706.431 46.233.531 62.316.064 
Amarelos 242.320 329.082 482.848 672.251 630.656 - - 
Sem 
declaração 
41.983 108.255 46.604 517.897 534.878 - - 
Total 9.930.478 14.333.915 41.236.315 51.944.397 70.191.370 119.011.052 146.521.661 
Fonte: adaptado de BRASIL - Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. 
 
Repare, na tabela, que a soma da população negra e parda algumas vezes suplanta 
o número de brancos e que, em 1991, somadas as linhas de negros, pardos e os 
sem declaração teremos praticamente o mesmo número que o da população branca. 
 
Então, esse não é um motivo muito forte para que brasileiros conheçam a 
história do povo de suas origens? 
 
Antes de prosseguirmos, leia com atenção algumas informações importantes: 
 
 Por lutar contra a política oficial de segregação racial, o líder Negro Nelson 
Mandela ficou preso durante vinte e oito anos. Essa situação foi denominada 
“apartheid”, na qual os negros, mesmo sendo maioria da população da África 
do Sul, eram proibidos de participar da vida política e de comprar 
propriedades, o país foi dividido em duas partes, e aos negros coube a menor 
parcela, as terras mais miseráveis e inférteis, Quando foi libertado em 1990, 
Mandela ganhou o prêmio Nobel da Paz e foi eleito presidente em 1994. 
 Existem mais de 700 áreas remanescentes de quilombos já identificadas no 
Brasil e 68 delas se localizam em Minas Gerais (Rocha, 2006 p. 54). 
 Na Guerra do Paraguai, os senhores de escravos substituíram seus filhos 
mandando no lugar deles de oito a doze escravos. 
 Rui Barbosa, em 1890, determinou que fossem queimados todos os 
documentos relativos à escravidão no Brasil, o que dificulta enormemente o 
levantamento de dados a respeito dos africanos que foram escravizados no 
país. 
 Os impérios coloniais da África, organizados a partir da Conferência de 
Berlim, que, em 1885, dividiu o continente africano entre as potências 
europeias, sobretudo Alemanha, França e Grã Bretanha, processo que ficou 
conhecido como “Partilha da África”, durou três gerações. A partir de 1950, os 
países africanos iniciaram processos de independência. 
 
É importante também que os brasileiros de outras origens conheçam a história 
desse continente que foi o berço da humanidade, seus valores, saberes, religiões e 
tradições para que passem a respeitar. 
 
 
 
4.1 Diretrizes e leis que regulamentam o ensino de História da África 
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais 
tiveram como embasamento o Parecer 003/2004, que propõe à divulgação e 
produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que 
eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial - descendentes de 
africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – para 
interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos, igualmente, 
tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. 
O Estado propõe Políticas de Reparações, de Reconhecimento e Valorização, de 
Ações Afirmativas e, segundo o relatório que embasou as Diretrizes, a demanda por 
reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir os 
descendentes de africanos negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, 
políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista, bem como em virtude das 
políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população, de manutenção de 
privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação 
de políticas, no pós-abolição. Visa também a que tais medidas se concretizem em 
iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações. 
Ainda, segundo o relatório, a demanda da comunidade afro-brasileira por 
reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, no que diz respeitoà 
educação, passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 
10639/2003, que alterou a Lei 9394/1996, estabelecendo a obrigatoriedade do 
ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. 
Outros documentos que nos auxiliam a entender a situação de grande parte da 
sociedade negra deste país são os dados colhidos pelo IBGE. Eles nos orientam 
com a coleta de informações que demonstram índices de escolaridade, mercado de 
trabalho e remuneração. 
Segundo dados do Censo 2000 - resultados da amostra, o Brasil possuía naquele 
ano uma população de 170 milhões de habitantes, dos quais 91 milhões se 
classificaram como brancos (53,7%), 65 milhões como pardos (38,4%), 10 milhões 
como pretos (6,2%), 761 mil como amarelos (0,4%) e 734 mil como indígenas 
(0,4%). 
Ainda de acordo com o Censo 2000, houve uma melhora no aspecto educacional 
em relação aos resultados de 1991. Em 2002, o rendimento médio mensal de 
brancos (R$ 812,00) era quase o dobro de negros e pardos (R$ 409,00). Se 
analisarmos o valor da hora de trabalho veremos que brancos recebem R$ 5,00 e os 
negros e pardos R$ 2,60 por hora trabalhada. 
Vamos fazer um exercício de cronologia histórica das leis brasileiras que visam uma 
educação de qualidade: A Lei 9394 de 1996, é a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional, nessa Lei havia sido inserido o artigo 26A pela Lei 10.639/2003, 
que tratava da obrigatoriedade do ensino da História da África e Cultura Afro-
brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e 
particulares. Porém, cinco anos depois, para que se corrigisse uma injustiça em 
relação ao ramo indígena da formação da população brasileira, foi editada a Lei 
11.645/2008 que vem alterar o artigo 26A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 
1996, que passa a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino 
médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e 
cultura afro-brasileira e indígena. 
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá 
diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a 
formação da população brasileira, a partir desses dois grupos 
étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a 
luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e 
indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade 
nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, 
econômica e política, pertinentes à história do Brasil. 
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos 
povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o 
currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de 
literatura e história brasileiras.” (NR) 
 
Com as leis 10639/03 e 11.645/08 que alteraram a lei 9394/96 de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional não só as escolas e editoras de livros didáticos tiveram que 
se adaptar, mas, também o professor que pouco sabia falar da África e dos afro-
brasileiros. O que dizermos então do estudo da História Indígena? A maioria dos 
livros didáticos de história trata muito superficialmente o assunto, e assim mesmo 
somente no período colonial. 
A partir da edição dessas leis, tem havido necessidade de atualização continuada 
dos educadores, segundo Munanga (2005, s/n, apud FERREIRA, 2008, p.226): 
A formação de professores que não tiveram em sua base de 
formação a história da África, a cultura do negro no Brasil e a própria 
história do negro de um modo geral se constitui no problema crucial 
das novas leis. E isso não simplesmente por causa do conhecimento 
teórico, mas, principalmente, porque o estudo dessa temática implica 
no enfrentamento e derrubada do mito da democracia racial que 
paira sobre o imaginário da grande maioria dos professores. 
 
Diante da determinação legal, os livros didáticos vêm sendo reformulados com a 
inserção de conteúdos que dizem respeito às novas temáticas. No entanto, os 
professores que ficarem restritos à leitura dos livros didáticos correm o risco de 
encontrar, conforme nos diz Oliva (2003, p.429): 
Silêncio, desconhecimento e representações eurocêntricas. 
Poderíamos assim definir o entendimento e a utilização da História 
da África nas coleções didáticas de História no Brasil. Das vinte 
coleções compulsadas pela pesquisa, apenas cinco possuíam 
capítulos específicos sobre a História da África. Nas outras obras, a 
África aparece apenas como um figurante que passa despercebido 
em cena, sendo mencionada como um apêndice misterioso e pouco 
interessante de outras temáticas. 
 
A professora Rosa Margarida de Carvalho Rocha (2006, p.15-16), nos propõe em 
seu livro Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro alguns princípios norteadores 
quanto ao trato da questão das diferenças etnoculturais no cotidiano escolar que 
são: 
1) A questão racial como conteúdo multidisciplinar durante o ano letivo: é 
fundamental fazer com que o assunto não seja reduzido a estudos 
esporádicos ou unidades didáticas isoladas. 
Quando se dedica apenas tempo específico para tratar a questão ou 
direcioná-la para uma disciplina, corre-se o risco de considerá-la uma 
questão exótica a ser estudada, sem relação com a realidade vivida. 
A questão racial pode e deve ser assunto para todas as propostas de 
trabalho, projetos e unidades de estudo de todo o ano letivo. 
2) Reconhecimento e valorização das contribuições reais do povo negro à 
nação brasileira: ao estudar o segmento negro ou outros diferentes grupos 
sociais, atentar para visualizá-los com consciência e dignidade, enfatizando 
as contribuições sociais, econômicas, culturais, seus pontos positivos e 
negativos, experiências, estratégias e valores. 
Tratar com superficialidade, banalizando e/ou folclorizando sua 
cultura, estudando apenas aspectos relativos a seus costumes, 
alimentação, vestimentas ou rituais festivos é um equívoco que não 
pode acontecer no ambiente escolar. 
3) A conexão entre as situações de diversidade com a vida cotidiana nas 
salas de aula: essa conexão é um fator indispensável. Na contextualização 
das situações, eles aprenderão conceitos, analisarão fatos e poderão ser 
capacitados para intervir na sua realidade, a fim de transformá-la. 
Tratar as questões raciais no ambiente escolar apenas 
transversalmente, ou em uma disciplina, etapa determinada ou dia 
escolhido, não é a melhor estratégia para levar os alunos aos 
posicionamentos de ação reflexiva e crítica da realidade em que 
estão inseridos. 
4) Combate às posturas etnocêntricas para a desconstrução de 
estereótipos e preconceitos atribuídos ao grupo negro: a visão de que as 
diferenças entre grupos etnoculturais não têm nada a ver com superioridade 
ou inferioridade dos mesmos deverá ser cultivada no ambiente escolar, 
comprometido com a construção de uma metodologia antiracista. 
5) A história do povo negro, a cultura, a situação de sua marginalização e 
seus reflexos incorporados como conteúdo do currículo escolar: esta 
história, bem como a dos outros grupos sociais oprimidos e toda a trajetória 
de luta, opressão e marginalização sofrida por eles, deverá constar como 
conteúdo escolar. Os alunos compreenderão melhor os porquês das 
condições de vida dessas populações e a correlação entre estas e o racismo 
presente em nossa sociedade. 
As situações de desigualdades deverão ser o ponto de reflexão para 
todos e não somente para o grupo discriminado, condição básica 
para o estabelecimento de relações humanas mais fraternas e 
solidárias. 
6) Extinção do uso de material pedagógico contendo imagens 
estereotipadas do negro, com repúdio às atitudes preconceituosas e 
discriminatórias: a escola que deseja pautar sua prática escolar no 
reconhecimento, aceitação e respeito à diversidade racial articula estratégias 
para o fortalecimento da auto-estima e do orgulho ao pertencimento racial de 
seus alunos. 
Banir de seuambiente qualquer texto, referência, descrição, 
decoração, desenho, qualificativo ou visão que construir ou fortalecer 
imagens estereotipadas do negro, ou de qualquer outro coletivo 
diferente, é imprescindível. Portanto, deverá ser meta da instituição 
escolar elevar o nível de reflexão de seus educadores, 
instrumentalizando-os no sentido de fazer uma leitura crítica do 
material didático, paradidáticos ou qualquer produção escolar. 
7) Uma maior atenção à expressão verbal escolar cotidiana: a escola deverá 
estar alerta quanto à linguagem utilizada no cotidiano escolar, pois esta é 
fortemente expressiva! As falas diretas, de respeito e valorização do grupo 
racial negro por parte dos educadores, ajudarão sensivelmente na construção 
positiva da identidade racial dos alunos. 
Eufemismo para se referir ao pertencimento racial do aluno, falas que 
depreciam o povo negro e sua cultura, apelidos depreciativos 
relacionados à cor, comparação, usando-se a cor branca como 
símbolo do que é limpo e a cor preta simbolizando o que é sujo e 
ruim deverão ser abolidos. 
8) A construção coletiva de alternativas pedagógicas com suporte de 
recursos didáticos adequados: é uma empreitada para toda a comunidade 
escolar: direção, supervisão, professores, bibliotecários, pessoal de apoio, 
grupos sociais e instituições educacionais. 
Algumas ferramentas são essenciais nessa construção: a 
disponibilização de recursos didáticos adequados, a construção de 
materiais pedagógicos eficientes, o aumento total de livros da 
biblioteca sobre o assunto, a oferta de variedade de brinquedos 
contemplando as dimensões multiculturais. E o mais importante: a 
capacitação constante do professor para lidar com essas questões. 
 
Como você pode ver, ainda existe muita coisa a ser feita, e é possível adequar as 
orientações da professora Margarida ao ensino da História Indígena. 
 
5 - A Lei 11.645/2008 
Outro movimento no Brasil que se originou da batalha contra desigualdades 
verificadas desde os primórdios da constituição de nosso país é o indígena. 
Historicamente sempre houve luta, afinal os povos indígenas não entregaram suas 
terras sem reagir à invasão dos que se proclamavam civilizados, Desde a 
colonização até os dias de hoje constatamos a luta indígena por seu espaço. 
No início do século vinte, mais especificamente em 1910, o governo brasileiro criou 
o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), com o intuito de amparar os indígenas 
brasileiros, especialmente aqueles residentes no sul do país. Essa era a forma que o 
Estado julgava ser a mais apropriada para tratar o que chamavam de problemática 
indígena no país, integrando os povos indígenas à economia nacional e adequando-
os à nova filosofia burguesa que vinha ganhando força desde a proclamação da 
República em 1889, poder-se-ia liberar suas terras para utilização capitalista sem o 
derramamento de sangue. 
A cidadania para os índios viria atrelada à suposta necessidade de que, para isso, 
eles fossem civilizados, pois seriam seres inferiores culturalmente. O SPI não 
deixou, entretanto, de propor algumas diretrizes que seriam esboços de políticas 
favoráveis aos índios recentes, como a liberdade para proferir suas crenças, a 
proteção em seus territórios ou ainda a garantia de posse das terras ocupadas por 
eles. Na década de 1960, o SPI é extinto e dá lugar à Fundação Nacional do Índio, a 
FUNAI. As políticas da fundação, que possuíam como meta terminar de integrar os 
indígenas à lógica do mercado, resultaram em inúmeros prejuízos às comunidades, 
mas também permitiram às lideranças de cada uma delas adaptarem-se à nova 
realidade, precisando reelaborar suas políticas para ter chance nas novas formas de 
luta. Dessas primeiras e localizadas formas de resistência é que surgirão projetos 
maiores. 
 
 
A propósito da Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável (Rio 
+20) seu objetivo foi assegurar um comprometimento político renovado com o 
desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas que 
ainda existem na implementação dos resultados dos principais encontros sobre 
desenvolvimento sustentável, além de abordar os novos desafios emergentes. 
Dois temas foram o foco na Conferência: (a) a economia verde no contexto do 
desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e (b) o quadro institucional 
para o desenvolvimento sustentável. 
A ideia da Conferencia foi debater que o mundo tem limite, e que para vivermos dentro 
deste planeta, precisamos de equilíbrio entre o econômico e as pessoas cada vez mais 
distantes do meio ambiente. Precisamos também rever o projeto de civilização que 
projetamos para nós, pois não estamos conseguindo que todas as pessoas do mundo 
tenham direitos e cuidados, alimentação e moradia, além de voz política. 
Esses temas estão relacionados com o que se discute aqui. Atente-se para os resultados 
dessa Conferência. 
 
Algumas das problemáticas que permeiam as reivindicações dos movimentos 
indígenas são as invasões de suas terras e o garimpo. Concomitantemente a esses 
acontecimentos, vê-se também uma maior participação da Igreja Católica em tais 
questões, que cria o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) com o objetivo de aliar-
se aos índios, como parceiro político, em suas lutas pelos direitos mais básicos, 
inclusive o direito a serem e permanecerem índios. Para tanto, a década de 1970 foi 
definida pelas Assembleias Indígenas, promovidas pelo CIMI, onde os índios 
defendiam sua participação na construção das políticas estatais a eles destinadas, a 
união entre os povos indígenas com a intenção de fortalecer o movimento e, mais 
uma vez, a posse das terras que eram deles por direito. 
Essas Assembleias terminaram por possibilitar uma união ainda maior entre as 
lideranças de cada povo, originando de seus debates e deliberações, a União das 
Nações Indígenas (UNI) no ano de 1980. A década foi marcada pela dificuldade da 
UNI em articular um movimento que possuísse realmente uma representatividade 
nacional e sua metade final é caracterizada pela construção de organizações 
regionais e locais, com o intuito de fortalecer suas reivindicações. 
Em 1992, houve nova tentativa de organizar o movimento em torno de uma 
organização nacional que resultou na criação do Conselho de Articulação dos Povos 
Indígenas do Brasil (CAPOIB), sediado em Brasília. 
Atualmente o movimento indígena possui várias organizações locais e regionais e 
possui interlocução inclusive com instituições internacionais como a ONU 
(Organização das Nações Unidas) e a OEA (Organização dos Estados Americanos) 
e tem procurado trabalhar em conjunto com outros movimentos que possuam 
agendas próximas, como a emancipação econômica e cultural. 
Algumas das recentes conquistas – obtidas após a Constituição de 1988, em seu 
capítulo VIII, artigos 231 e 232 – são o direito de demarcação de suas terras e 
alfabetização em sua própria língua. 
 
Ampliando o conhecimento 
“Constituição da República Federativa do Brasil de 1988”. 
Capítulo VIII 
Dos Índios 
Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e 
tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo 
à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. 
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter 
permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação 
dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução 
física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. 
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, 
cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas 
existentes. 
§ 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos,a pesquisa 
e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com 
autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes 
assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. 
§ 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre 
elas, imprescritíveis. 
§ 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do 
Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua 
população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, 
garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. 
§ 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a 
ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das 
riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante 
interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a 
nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, 
quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. 
§ 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, §§ 3º e 4º. 
Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar 
em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos 
os atos do processo.” 
O que se percebe, portanto, é que os esforços empreendidos pelas vias administrativas e 
jurídicas são algumas das respostas dadas as requisições e que garantiram, por exemplo, 
maior acesso ao ensino superior e a postos de trabalho de maior complexidade. 
Um exemplo atual e cotidiano dessas vitórias, no Brasil, é a Constituição Federal de 1988, 
que assegura um tratamento igualitário a todos, vetando qualquer forma de discriminação. 
Ou ainda a lei n. 7.716, criada em 1989, que criminaliza o racismo, tornando-o passível de 
pena de prisão de até cinco anos e multa. 
Art.1º "Serão punidos, na forma desta Lei os crimes resultantes de discriminação ou 
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.” 
 
No entanto, mesmo representando evoluções necessárias, nenhum dos esforços 
empreendidos até hoje representou o fim dessas questões e algumas iniciativas são 
controversas e chegam, inclusive, a exacerbar a exclusão na tentativa de diminuí-la. 
A própria Constituição e lei que tornam o racismo um crime, pouco possuem de 
atuação imediata, sendo pouco aplicadas. Tem-se que registrar que, naturalmente, 
contra cada pretensão de um grupo, há e haverá contrapretensões, vindas de outros 
grupos, sejam aqueles definidos como maiorias ou não, que se sentirão tolhidos em 
seus direitos. Essa relação de forças também definirá como cada um desses 
clamores será atendido pelo Estado e aceito pela sociedade. 
De acordo com Camila Bertolazzi (2008): 
Aas dificuldades enfrentadas pelos índios vão além do âmbito 
cultural. Os interesses econômicos nacionais e estrangeiros também 
podem ser inimigos das sociedades indígenas. Os índios brasileiros 
e suas terras muitas vezes são alvo de garimpeiros, madeireiros e 
fazendeiros que cobiçam essas terras e as riquezas naturais delas, 
sem se importar com os males e prejuízos causados aos índios e o 
meio ambiente. Um exemplo são os garimpeiros que exploram ouro, 
diamante e cassiterita em terras indígenas e que, além de agir com 
violência e transmitir todo o tipo de doenças contagiosas aos índios, 
provocam danos poluindo os rios com mercúrio e outros produtos 
químicos. 
Nas áreas dos índios Xikrin, Tembé e Parakanã, no Pará, as 
madeireiras procuram convencer os índios a arrendar lotes de suas 
terras para a exploração. Em troca propõem um pagamento que não 
chega a 10% do valor das madeiras no mercado mas que, mesmo 
assim, parece alto e suficiente aos índios. 
Há também problemas com relação aos projetos de colonização de 
terras. Os latifundiários que compram a terra formam grandes 
propriedades e os índios são obrigados a aceitar a viver em áreas 
espaçadas umas das outras, cortadas por fazendas e estradas. Da 
mesma forma os posseiros, sem terras onde trabalhar, invadem 
terras indígenas, sobretudo aquelas ainda não demarcadas, gerando 
conflitos e impactos que afetam profundamente as sociedades 
indígenas. 
http://www.itu.com.br/conteudo/detalhe.asp?cod_conteudo=13446&a
dm=1(acesso em 04jun2012) 
 
No site do MEC, você vai encontrar dicas para acesso à História Indígena 
 http://portal.mec.gov.br/index.php?id=10182&option=com_content&task=view 
Ali é possível verificar que o portal Domínio Público pode ajudar professores e alunos a 
conhecer melhor a história e a cultura dos índios do Brasil. Além de documentos, artigos, 
teses, livros, poesias, o portal torna disponível para acesso, a série Vias dos Saberes. Que 
são quatro volumes que abordam a temática indígena e étnico-racial. Todo esse acervo 
pode ser consultado gratuitamente. Professor e aluno podem se informar sobre a formação 
da identidade do povo brasileiro, por meio de uma diversidade de fontes e temas capazes 
de oferecer diferentes pontos de vista sobre a temática indígena. 
 
"O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje" é o 
título do primeiro dos quatro volumes da série Vias dos Saberes, escrito por Gersen José 
dos Santos Luciano. Nele, são discutidos, por exemplo, a identidade e a organização 
indígenas, o meio ambiente e a situação política dos índios, além da contribuição dos povos 
indígenas ao país e ao mundo. 
 
O segundo volume trata da presença indígena na formação do Brasil e aborda o sistema 
colonial, a ação missionária e a resistência indígena. “A obra chama-se A presença indígena 
na formação do Brasil” e foi escrito por João Pacheco de Oliveira. O terceiro título discute a 
evolução dos direitos indígenas no Brasil desde a colonização portuguesa até os dias de 
hoje, passando pela criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). O volume chama-se 
http://portal.mec.gov.br/index.php?id=10182&option=com_content&task=view
Povos indígenas e a lei dos “brancos”: o direito à diferença e foi escrito por Ana Valéria 
Araújo. 
 
O quarto e último título que compõe a série serve de instrumento para a formação de 
professores indígenas na área da linguagem. Em Manual de lingüística: subsídios para a 
formação de professores indígenas na área de linguagem, o autor Marcus Maia traz 
assuntos pertinentes ao professor indígena. A série Vias dos Saberes está disponível em 
forma de texto na categoria educação do portal Domínio Público. 
 
Outras fontes – O aluno também pode baixar sem nenhum custo os primeiros romances 
brasileiros a incluir a figura do índio na literatura, como I Juca Pirama, de Gonçalves Dias, 
ou O Guarani, de José de Alencar. Caso o estudioso tenha interesse em consultar teses, 
dissertações, revistas e outras obras de não-ficção, poderá procurar, por exemplo, pelos 
volumes da revista de História Regional. No número 2 do volume 5, o estudante poderá se 
informar sobre a educação de indígenas e luso-brasileiros pela ótica do trabalho. Já na tese 
de doutorado da aluna Jaci Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco, é possível 
pesquisar sobre a ocupação de terras indígenas em Roraima. 
 
Ministério da Educação – MEC 
 
 
 
Considerações finais 
Vimos que no Brasil, há o convívio multicultural visto que a sociedade brasileira 
resulta da mistura de pessoas negras, brancas, e índias, com seus valores, 
costumes, e modos de vida, e da adaptação dessas culturas entre si. Como bem 
disse Darcy Ribeiro dessa mistura é que surge um indivíduo que não é branco, não 
é índio ou negro, mas, brasileiro. O Brasil como um país democrático não poderia 
mais conviver com a exclusão étnica que ocasiona o racismo, uma representação da 
suposta inferioridade de negros, e índios. Impossibilitando a formaçãode uma 
identidade positiva sobre as nossas origens. 
Se multiculturalismo é o reconhecer as diferenças, como falar em igualdade? A 
igualdade que se busca é a de direitos, igualdade perante a lei, de direitos e deveres 
apesar das diferenças de costumes. Mas não bastam leis, é preciso que todos nós: 
legisladores, governos, professores, diretores de estabelecimentos de ensino, 
editoras e autores de livros didáticos, família e estudantes nos mobilizemos para 
mudar a situação de desigualdade. 
 
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