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Relações étnico raciais: algo sobre os brasileiros1 Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos. (...) Nessa confluência, matrizes raciais se fundem para dar lugar a um povo novo, (...) novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras. (RIBEIRO, 1995. p.19) Partimos da epígrafe em que destacamos o pensamento do antropólogo Darcy Ribeiro para pensarmos sobre nosso conhecimento a respeito de nossas matrizes culturais. O que faz o brasil, Brasil? A essa pergunta feita pelo antropólogo Roberto da Matta, em seu livro, de mesmo nome podemos responder que o Brasil é um mosaico de sons, cores e sabores. A referência ao mosaico, que é, segundo o dicionário Houaiss, uma obra feita pela justaposição de pequenas peças coloridas formando um desenho ou imagem, quer demonstrar a representação que se tem do Brasil e dos brasileiros. Uma sociedade que se formou pela liga de diferentes culturas. Fomos formados inicialmente como povo, a partir da junção de índios, europeus e africanos. A miscigenação é nossa marca. Vamos começar falando da cultura africana. Quando se fala em cultura africana deve-se pensar em culturas africanas, tendo em vista que os africanos que para o Brasil foram trazidos à força, pertenciam a diversas sociedades de diferentes locais do continente africano, com línguas, costumes e formas de exercer a fé distintos, e que por sua vez haviam tido a influência anterior de outras culturas, inclusive a árabe. Podemos dizer desse modo que a cultura afro-brasileira advém de um processo de combinação e reelaboração de diversas culturas da África. Da mesma maneira havia no Brasil diferentes sociedades indígenas antes da vinda dos portugueses. Eles não encontraram esta terra vazia. 1 Maria Aura Marques Aidar - Professora na Universidade de Uberaba, Mestre em História, Especialista em Docência Universitária e Especialista em Educação à Distância. De acordo com o Instituto Sócio Ambiental em seu site sobre povos indígenas no Brasil http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/povos-indigenas Acessado em 04jun2012 Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima- se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente encontramos no território brasileiro 238 povos, falantes de mais de 180 línguas diferentes.Os povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 817.963 pessoas. Destas, 315.180 vivem em cidades e 502.783 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,42% da população total do país. A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 673 Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional. . Em relação aos europeus a situação não foi muito diferente: vieram inicialmente os portugueses, depois os franceses e holandeses, mais a frente espanhóis, italianos, alemães e não só europeus, mas também, japoneses, chineses, árabes, libaneses, sírios, entre outros. Cada um com sua cultura a contribuir para o que se chama cultura brasileira, que por sua vez se desdobra em culturas regionais. Você está percebendo que a cultura no Brasil em seus primeiros trezentos anos teve como marca a diversidade. Índios, europeus e africanos, formavam um mosaico, que apesar da hegemonia europeia sobre as instituições e Estado, em relação a aspectos culturais não havia prevalência, falavam-se várias línguas e dialetos, rezavam-se para Deus e para várias entidades. Tal encontro de culturas foi responsável pela construção de uma cultura diferente de Portugal, diferente da África e que não se configurou como uma continuação da cultura dos primitivos habitantes desta terra. Havia muito a se fazer, tudo era novo, desde as relações sociais entre os elementos de formação da nossa matriz cultural, até o clima, a geografia. De acordo com Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil (1995, p.31) a tentativa de implantação da cultura europeia em tão extenso território como o brasileiro, cujas condições naturais diferiam em muito do velho continente, propiciou ricas consequências nas origens da sociedade brasileira. A inovação, a aventura e a criatividade abriram portas necessárias ao crescimento. E segundo Da Matta (1985, p.14) o Brasil foi feito de uma combinação especial de possibilidades universais, temos um estilo, um modo de ser, um jeito de existir que, não obstante estar fundado em coisas universais é exclusivamente brasileiro. Essas influências recebidas no processo de desenvolvimento do povo brasileiro em algumas vezes destacam-se individualmente, outras vezes unem-se e produzem um novo modelo detentor de aspectos próprios às três culturas. No entanto, as diferentes participações e desempenhos de papeis na construção da identidade nacional, originaram representações limitantes e preconceituosas, que desconsideraram a importância das culturas indígena e africana para a sociedade brasileira. Todos nós carregamos diferentes heranças culturais. Os brasileiros têm estrutura genética idêntica aos demais grupos humanos. A cor da pele, o formato do nariz, a textura dos cabelos, são formas de adaptação do ser humano ao ambiente, não podem ser considerados como fatores limitantes ao convívio. Em relação à genética humana, Souza (2006, p.122) afirma: A genética, ao mostrar que a discussão racial envolve 0,0005% do genoma humano, provou que a noção de raça não está fundada em evidências biológicas e sim em distinções culturais, (...) as insignificantes diferenças genéticas desmentem que há raças superiores ou inferiores. O antropólogo Franz Boas (2004) afirmava que toda cultura tem história própria, que se desenvolve de maneira singular e que não pode ser julgada a partir da história de outras culturas, não existe cultura superior a outra. Roger Chartier, historiador cultural (1991, p.183) pode nos ajudar a esclarecer mais um pouco a questão da representação da identidade brasileira, que apesar de híbrida teve durante muitos anos a predominância da cultura europeia representada pelos colonizadores brancos. Veja que à noção de representação coletiva se articulam três modalidades de relação com o mundo social: 1- o trabalho de classificação e de recorte que produz configurações intelectuais múltiplas, pelas quais a realidade é contraditoriamente construída pelos diferentes grupos que compõem uma sociedade; 2- as práticas que visam a fazer reconhecer uma identidade social, a exibir uma maneira própria de ser no mundo, a significar simbolicamente um estatuto e uma posição; e 3- as formas institucionalizadas e objetivadas em virtude das quais representantes (instâncias coletivas ou indivíduos singulares) marcam de modo visível e perpétuo a existência do grupo, da comunidade ou da classe. Ou seja, o brasileiro teve sua cultura construída a partir da cultura de diferentes grupos que compuseram nossa sociedade, criando uma identidade social que é única no mundo. Única não por ser um mosaico de culturas, mas por ser a "nossa" cultura, aquela que nos diferencia das demais sociedades. Ainda segundo Chartier (1991) uma dupla via abre-se em torno desse pensamento: a primeira que acredita que a construção das identidades sociais é resultado de uma relação de forças entre as representações impostas pelos que detêm o poder de classificar, de nomear e a definição, de aceitação ou de resistência de cada comunidade produz de si mesma; e a segunda que considera o recorte social objetivado como tradução do crédito conferido à representação que cada grupo dá de si mesmo, logo a capacidadede fazer reconhecer sua existência a partir de uma demonstração de unidade. O historiador Jacques Le Goff (1990, p. 477), nos aponta que devemos trabalhar de forma a que a memória coletiva sirva para a libertação e não para a servidão dos homens. 2- O Brasil das desigualdades No Brasil, as desigualdades estão presentes desde a colonização e se apresentam no campo econômico, racial, de orientação sexual, de gênero, entre outros, e se mostram diferentes inclusive em relação às regiões do país: norte, nordeste, sul, sudeste e centro-oeste, apresentam números e progresso diferenciado. As oportunidades ainda são diferentes e ainda há muito que fazer, as conquistas são muito lentas. A democracia pode ser definida como o regime político fundado na soberania popular e no respeito integral aos direitos humanos, reunindo as exigências da cidadania plena, que engloba as liberdades civis e a participação política, ao mesmo tempo em que reivindica a igualdade e a prática da solidariedade. Igualdade perante a lei, participação política, dignidade humana são pressupostos da cidadania democrática. A implementação de políticas públicas e programas de ação do Estado visam garantir a dignidade humana. A população exercendo a cidadania ativa, ou seja, participando de conselhos, e consultas populares, pode exercer seus direitos e deveres junto ao Estado, exercendo legítima pressão para que aconteçam as mudanças almejadas por seu grupo social. As desigualdades percebidas na sociedade são minimamente reduzidas pelos direitos sociais que visam garantir a justiça social. E por que há a necessidade de garantir a justiça social? As diferenças econômicas na sociedade brasileira impedem o acesso a condições de vida e sobrevivência para certos grupos sociais, havendo a necessidade de se fixar em lei os direitos sociais, resultantes de processos de luta dos trabalhadores e da população em situação de desigualdade. Desse modo, verificamos que o estabelecimento de direitos ocorre num processo histórico, e como tal não é linear, havendo avanços e retrocessos ao longo do caminho. O fato de termos direito a liberdade de expressão e pensamento, o direito ao voto e a participação política não quer dizer que os problemas sociais estarão resolvidos. No período colonial, a cidadania foi negada à quase totalidade da população; porém, os mais afetados foram os escravos africanos e afro-brasileiros. O ponto mais negativo para nossa cidadania foi a escravidão. Esta só foi abolida depois de mais de 300 anos, e mesmo assim mais por pressão externa do que por um amadurecimento da consciência social da população. Havia uma pressão internacional para o fim do tráfico negreiro, bem como para o fim da escravidão. Estávamos em plena Idade Moderna, o comércio internacional em ascensão e o país vivendo práticas da antiguidade. Hoje se considera que a data mais significativa para celebrar a história do povo negro, sua cultura, seu anseio por liberdade e sua verdadeira participação na sociedade, no Brasil como o dia 20 de Novembro, data da morte de Zumbi, principal líder da resistência da comunidade de Palmares em Alagoas, onde os ex-escravos viviam em liberdade. Nesse dia em 1695 o grupo do bandeirante Domingos Jorge Velho levou a cabo o interesse de muitos em liquidar Zumbi. Estima-se que Palmares, chegou a contar com vinte mil componentes, foi o quilombo mais famoso, mais importante e que teve maior tempo de existência (95 anos). O índio brasileiro não foi tratado de forma muito diferente. Dizimado pelas tentativas de escravização, pelas doenças dos europeus e constantes apropriações de suas terras com o uso da violência, não tiveram seus direitos respeitados. Em 1973 foi promulgada a Lei 6001, denominada "Estatuto do Índio" que dispõe sobre as relações entre a sociedade brasileira e o Estado com os índios. Essa lei foi escrita em acordo com o Código Civil brasileiro de 1916, que considerava os índios, como sendo "relativamente incapazes", devendo ser tutelados por um órgão indigenista estatal (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio - SPI; atualmente, a Fundação Nacional do Índio - FUNAI) até que eles estivessem “integrados à comunhão nacional”, ou seja, à sociedade brasileira. Consideravam-se ainda em 1973, quatrocentos e setenta e três anos depois do avistamento entre índios e portugueses, que sua cultura por ser diferente era menor, e precisava ser tutelada. Somente com a Constituição de 1988 essa situação foi em parte "quebrada", reconhecendo aos índios o direito de manter a sua própria cultura. Segundo o Instituto Socioambiental - ISA: A Constituição não fala em tutela ou em órgão indigenista, mas mantém a responsabilidade da União de proteger e fazer respeitar os direitos indígenas. Apesar de não tratar de maneira expressa da capacidade civil, a Constituição reconheceu no seu Artigo 232, a capacidade processual ao dizer que "os índios, suas comunidades e organizações, são partes legítimas para ingressar em juízo, em http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca defesa dos seus direitos e interesses". Significa que os índios podem, inclusive, entrar em juízo contra o próprio Estado, o seu suposto tutor. (http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/estatuto-do- Indio/introducao- acesso em 04jun2012) Com o novo Código Civil de 10 de janeiro de 2002, os índios deixaram a categoria de relativamente incapazes. Sendo sua condição definida em legislação especial. O prof. Dr. Claudio O. C. do Nascimento nos aponta que a diferença não pode ser diluída na diversidade e a diversidade não deve ocultar a diferença (ver: portal.mec.gov.br/arquivos/conferencia/documentos/claudio_nascimento.pdf) Vemos que a dificuldade em aceitar a diferença não é um problema que se verifica apenas em sociedades ocidentais. Entretanto, o problema se torna mais nítido quando é visto sob a ótica das democracias liberais. Isso acontece porque o respeito à diferença é um dos pilares constitucionais dessas democracias, ou seja, a defesa da igualdade cívica é fundamento de sua legitimidade. A noção de diferença passa a ser bastante valorizada depois da segunda guerra mundial. O genocídio de judeus, bem como o assassinato de milhares de pessoas pertencentes às chamadas minorias étnicas, em prol da pureza da raça ariana buscada por Hitler e seus seguidores, mostrou ao mundo os horrores que poderiam ser cometidos na tentativa de se homogeneizar a diferença. Ganhando cada vez mais terreno, a discussão acerca da valorização das diferenças, atingiu tanto o campo político quanto o científico, e hoje é questão marcante no ocidente. Tem-se buscado demonstrar que a condição humana e toda a sua evolução não seriam possíveis sem que houvesse a mistura, a combinação de inúmeras características na formação de seres cada vez mais singulares. O indivíduo em sua luta por reconhecimento desenvolve a percepção de sua própria identidade e a do outro. Esse processo acontece subjetivamente, visto que cada sujeito apreenderá esses sentimentos de forma individual e intrinsecamente particular, o que não significa, entretanto, que essa individualidade o afaste da ideia de pertencimento a determinado grupo ou grupos sociais, ou que o impeça de criar laços dentro de diferentes comunidades. Esses grupos não são definíveis, como se pode pensar, a bases meramente étnicas, como demonstram homossexuais, organizações de indivíduos portadores de deficiências físicas, ou grupos de orientação religiosa. Vê-se, então, que a formação do coletivo está diretamente ligada aos processos de interação das subjetividades individuais e dos grupos, formando, assim, as identidades e interesses que serão compartilhados, as práticas sociais instituídas, estratégias de ação e as culturassímbolos e imagens combinados em dado contexto social. Sabe-se, no entanto, que há grande dificuldade por parte das instituições políticas e sociais para lidar com as situações geradas pela aceitação da diferença. Pessoas e grupos sociais buscam liberdade dentro dos espaços públicos para que possam coexistir em harmonia vivenciando a diversidade de forma real. É justamente na ausência das condições necessárias a essa convivência, que surgem as várias formas de exclusão social, seja estabelecendo diferenciações de gênero, raça, classe ou orientação sexual, que por força de muita luta, pretende-se resolver com a edição de leis que visem, se não a solução, pelo menos a minimização de tais situações. 3 - Os movimentos O que hoje se convencionou chamar de movimento negro, também possui longa origem histórica e é composto de várias nuances. Remontando ao período colonial e aos tempos da escravidão, a luta pela extinção de desigualdades entre negros e brancos compõe a pauta de reivindicações dos diversos movimentos. As primeiras manifestações em prol da abolição da escravatura no Brasil aconteceram com as lutas dos próprios escravos que recorriam às rebeliões, às fugas e à formação de Quilombos, por exemplo. A aspiração por liberdade ganhou força na segunda metade do século dezenove, quando os protestos de partes das classes dominantes do país se juntam à luta dos escravizados. Alguns por convicção e outros por temerem as pressões internacionais, de ordem econômica e política, principalmente da Inglaterra e da França. Em 1871, tem-se a aprovação da Lei do Ventre Livre, e o chamado movimento abolicionista somente toma corpo a partir de 1878, dele participando intelectuais, estudantes de nível superior, profissionais liberais e ainda pessoas dos setores agrários não vinculados à escravidão e da classe média urbana. Ao longo do tempo, aconteceram diversas mudanças sociais no Brasil que refletiram na atuação do movimento negro, como a urbanização das cidades, o crescimento das atividades industriais, a introdução do trabalho mediante salário e, o mais importante para a conjuntura do próprio movimento: o crescimento da população livre. Como forma de manifestação, os abolicionistas promoviam todo tipo de evento que difundisse a causa pela qual lutavam, como comícios, conferências, festas beneficentes e quermesses. Também fundaram associações e clubes (Sociedade Brasileira contra a Escravidão, por exemplo). Em 1884, aboliu-se a escravidão nos Estados do Ceará e Amazonas, que somente foi possível por possuírem um vínculo menor com a escravatura, entretanto, é sabido que apenas em 1888, com a edição da Lei Áurea, é que os mais de setecentos e cinquenta mil escravizados remanescentes seriam libertados. Liberdade essa que não serviu aos negros como deveria, pois agora eram livres, mas não possuíam emprego (sem formação técnica, os negros precisavam concorrer com o grande número de imigrantes que chegavam ao país aos poucos postos de trabalho que existiam) ou moradia, passando a ser cada vez mais excluídos socialmente. As dificuldades enfrentadas para se integrarem à sociedade burguesa e capitalista foram enormes, pois os planos do movimento abolicionista que possuíam diretrizes que eram necessárias à integração dos negros não foram executados. Durante o passar dos anos, houve várias formas de organização do movimento negro, que atuavam em diversas frentes. É preciso ter em mente que esses movimentos também possuíram agendas de luta diversas que mudaram conforme as novas conquistas foram obtidas. São alguns exemplos de reivindicações que foram se incorporando a esses movimentos no Brasil: direito à liberdade religiosa e de culto para os praticantes das religiões afro-brasileiras, direito à igual participação no mercado de trabalho, em concursos públicos e instituições de ensino superior por meio de cotas e contratações preferenciais, cotas para a atuação de artistas negros na publicidade, televisão e cinema, entre outros. Um resultado importante da atuação recente dos movimentos é a edição da Lei Nº 12.288, de 20 de julho de 2010, Estatuto da Igualdade Racial, que estava em trâmite desde 1998, Destina-se o Estatuto a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica. Como se pode ver, o conteúdo das lutas empreendidas pelos movimentos sociais e a forma como elas se expressam variam, naturalmente, com o passar do tempo e com as mudanças de panoramas políticos e socioeconômicos em que estão inseridas. O papel dos movimentos é justamente garantir que novos objetivos sejam alcançados, que os debates em torno de temas importantes não cessem. Para isso, podem assumir novas formas nos espaços sociais, ampliando sua visibilidade e buscando a instituição de uma igualdade real e a universalização do acesso ao espaço público. 4- A Lei 10.639/2003. Foram constantes as reivindicações durante décadas, de movimentos organizados, para que fosse incluído no currículo do ensino fundamental e médio, tanto na rede privada quanto na particular, o ensino de Cultura e História Afro-brasileira. Vamos procurar refletir sobre tais questões. Em 1883, Joaquim Nabuco, destacado abolicionista brasileiro, acreditava, conforme relatava no prefácio de seu livro, O Abolicionismo (2000, p.XXI), que: Já existe, felizmente, em nosso país uma consciência nacional - em formação, é certo - que vai introduzindo o elemento da dignidade humana em nossa legislação, e para a qual a escravidão, apesar de hereditária, é uma verdadeira mancha de Caim que o Brasil traz na fronte. No entanto, somente em 2003, cento e vinte anos após a elaboração desse pensamento, é que foi promulgada uma lei que determina como obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. A ausência da História Africana no currículo das escolas era uma das grandes lacunas no sistema educacional brasileiro, conhecer a história da África e dos africanos que vieram para o Brasil por força da escravidão, bem como dos brasileiros descendentes desses africanos, significa conhecer um lado do nosso passado que precisa ser entendido. Os africanos foram trazidos para o Brasil para trabalhar, mas, como escravos, sem nenhum direito. “Desembarcaram no Brasil negros de diferentes nações africanas. Traziam conhecimentos agrícolas de como trabalhar o bronze, o cobre, o ouro e a madeira. Havia também entre eles, muitos tecelões, ferreiros e artesãos” (ROCHA, 2006, p. 83). Segundo o IBGE (1990), no continente americano, o Brasil foi o país que importou mais escravos africanos. Entre os séculos XVI e meados do XIX, vieram cerca de quatro milhões de homens, mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço de todo comércio negreiro. Visualize nas tabelas, a seguir, a estatística do desembarque de africanos no Brasil. Tabela 1 - Desembarque estimado de africanos no Brasil - Séculos XVI-XVIII PERÍODO Africanos que chegaram nesse período 1531-1575 10.000 1576-1600 40.000 1601-1625 100.000 1626-1650 100.000 1651-1670 185.000 1671-1700 175.000 1701-1710 153.700 1711-1720 139.000 1721-1730 146.300 1731-1740 166.100 1741-1750 185.100 1751-1760 169.400 1761-1770 164.600 1771-1780 161.300 Total 1.895.500 Fonte: Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. ed. rev. atual. do v. 3 de Séries estatísticas retrospectivas. Rio de Janeiro: IBGE, 1990. p.60. Tabela 2 - Desembarque estimado de africanos no Brasil Século XVIII nos quinquênios de 1781 a 1855 Períodos Chegados no período 1781-1785 63.100 1786-1790 97.800 1791-1795 12.5000 1796-1800 10.8700 1801-1805 11.7900 1806-1810 12.3500 1811-1815 13.9400 1816-1820 18.8300 1821-1825181.200 1826-1830 250.200 1831-1835 93.700 1836-1840 240.600 1841-1845 120.900 1846-1850 157.500 1851-1855 6.100 Total 2.113.900 Fonte: Adaptado de – BRASIL. IBGE. Estatísticas históricas do Brasil: séries econômicas, demográficas e sociais de 1550 a 1988. 2. ed. v. 3. Rio de Janeiro: IBGE, 1990. p. 60 (Séries estatísticas retrospectivas). Veja bem, vieram para o Brasil sem vontade própria, cerca de quatro milhões de africanos. Joaquim Nabuco, em O Abolicionismo (2000, p.3), levantava a seguinte questão: O abolicionismo, porém, não é só isso e não se contenta com ser o advogado Ex officio da porção da raça negra ainda escravizada; não reduz a sua missão a promover e conseguir - no mais breve espaço possível - o resgate dos escravos e dos ingênuos. Essa obra – de reparação, vergonha ou arrependimento, como a queiram chamar – da emancipação dos atuais escravos e seus filhos é apenas a tarefa imediata do abolicionismo. Além dessa, há outra maior, a do futuro: a de apagar todos os efeitos de um regime que, há três séculos, é uma escola de desmoralização e inércia, de servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores. No entanto, a autoconsciência do país em relação a seu passado e à reparação invocada por Nabuco em 1883, ainda está por fazer. Segundo Priore, em relação à autoconsciência: Nela estaria uma das chaves para reconstituir a imagem e a visibilidade de grupos inteiros cujos descendentes ainda desconhecem sua própria história. Grupos cujos ancestrais, ainda hoje estão em busca de um lugar em nossa memória histórica (PRIORE, 2004, p.1.introd.). Da história da Europa muito sabemos, da história das Américas e de seus povos primitivos não sabemos tudo que deveríamos, do Oriente muito pouco, do Brasil ainda há muito que pesquisar. E a história da África? No Brasil, os estudos sobre a escravidão, sobre os descendentes de africanos e o seu papel na formação histórica brasileira, continuam avançando bem mais do que as pesquisas e estudos sobre a História da África (BORGES, 2007). Desde o início do processo de escravização dos africanos até a abolição, a América teve íntima relação com a África. A partir de então, África e africanos ficaram afastados e desconhecidos dos brasileiros. Ensinar História da África e cultura afro-brasileira não significa a abolição da História europeia e como lembra Marisa Antunes Laureano. “A questão não é trocar o centro, mas destacar todos os pontos que possam acarretar valorização da diversidade cultural da qual o Brasil é feito” (2008, p.8). Alberto da Costa e Silva (2000. p.9-13) nos chama a atenção para que o legado trazido por homens e mulheres angolas, benguelas, cabindas, jejes, minas, moçambiques, nagôs, imbangalas entre outros, aqui compuseram outras etnias. Não reproduziram as suas diversas Áfricas no processo de formação histórica e social no Brasil, mas “nos impregnaram” (BORGES, 2007). Sem estudarmos o que se passou nas diversas regiões da África, em cada período, dos três séculos que os navios negreiros alimentavam o Brasil de gente, não saberemos de onde, como e por que foram determinados povos, e não outros, que se trouxeram à força para o Brasil. Ainda segundo Silva (2000 p 9-13): Retemos na memória o sistema europeu dos três afolhamentos, mas ignoramos como era a agricultura nas distintas regiões da África. Tampouco nos ensinam como cada grupo comerciava com os vizinhos e a longa distância. Ou como vestia cada nação. Ou vivia a sua gente. E, no entanto, essa gente é nossa ancestral. Pela tabela 3, a seguir, adaptada do IBGE, percebe-se, como é formado o povo brasileiro e por que é importante estudar a História da África e a cultura afro- brasileira. Tabela 3 – Evolução da população brasileira Evolução da população brasileira, segundo a cor - 1872/1991 Cor 1872 1890 1940 1950 1960 1980 1991 Brancos 3.787.289 6.302.198 26.171.778 32.027.661 42.838.639 64.540.467 75.704.927 Pretos 1.954.452 2.097.426 6.035.869 5.692.657 6.116.848 7.046.906 7.335.136 Pardos 4.188.737 5.934.291 8.744.365 13.786.742 20.706.431 46.233.531 62.316.064 Amarelos 242.320 329.082 482.848 672.251 630.656 - - Sem declaração 41.983 108.255 46.604 517.897 534.878 - - Total 9.930.478 14.333.915 41.236.315 51.944.397 70.191.370 119.011.052 146.521.661 Fonte: adaptado de BRASIL - Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000. Repare, na tabela, que a soma da população negra e parda algumas vezes suplanta o número de brancos e que, em 1991, somadas as linhas de negros, pardos e os sem declaração teremos praticamente o mesmo número que o da população branca. Então, esse não é um motivo muito forte para que brasileiros conheçam a história do povo de suas origens? Antes de prosseguirmos, leia com atenção algumas informações importantes: Por lutar contra a política oficial de segregação racial, o líder Negro Nelson Mandela ficou preso durante vinte e oito anos. Essa situação foi denominada “apartheid”, na qual os negros, mesmo sendo maioria da população da África do Sul, eram proibidos de participar da vida política e de comprar propriedades, o país foi dividido em duas partes, e aos negros coube a menor parcela, as terras mais miseráveis e inférteis, Quando foi libertado em 1990, Mandela ganhou o prêmio Nobel da Paz e foi eleito presidente em 1994. Existem mais de 700 áreas remanescentes de quilombos já identificadas no Brasil e 68 delas se localizam em Minas Gerais (Rocha, 2006 p. 54). Na Guerra do Paraguai, os senhores de escravos substituíram seus filhos mandando no lugar deles de oito a doze escravos. Rui Barbosa, em 1890, determinou que fossem queimados todos os documentos relativos à escravidão no Brasil, o que dificulta enormemente o levantamento de dados a respeito dos africanos que foram escravizados no país. Os impérios coloniais da África, organizados a partir da Conferência de Berlim, que, em 1885, dividiu o continente africano entre as potências europeias, sobretudo Alemanha, França e Grã Bretanha, processo que ficou conhecido como “Partilha da África”, durou três gerações. A partir de 1950, os países africanos iniciaram processos de independência. É importante também que os brasileiros de outras origens conheçam a história desse continente que foi o berço da humanidade, seus valores, saberes, religiões e tradições para que passem a respeitar. 4.1 Diretrizes e leis que regulamentam o ensino de História da África As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais tiveram como embasamento o Parecer 003/2004, que propõe à divulgação e produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial - descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos, igualmente, tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. O Estado propõe Políticas de Reparações, de Reconhecimento e Valorização, de Ações Afirmativas e, segundo o relatório que embasou as Diretrizes, a demanda por reparações visa a que o Estado e a sociedade tomem medidas para ressarcir os descendentes de africanos negros, dos danos psicológicos, materiais, sociais, políticos e educacionais sofridos sob o regime escravista, bem como em virtude das políticas explícitas ou tácitas de branqueamento da população, de manutenção de privilégios exclusivos para grupos com poder de governar e de influir na formulação de políticas, no pós-abolição. Visa também a que tais medidas se concretizem em iniciativas de combate ao racismo e a toda sorte de discriminações. Ainda, segundo o relatório, a demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, no que diz respeitoà educação, passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10639/2003, que alterou a Lei 9394/1996, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. Outros documentos que nos auxiliam a entender a situação de grande parte da sociedade negra deste país são os dados colhidos pelo IBGE. Eles nos orientam com a coleta de informações que demonstram índices de escolaridade, mercado de trabalho e remuneração. Segundo dados do Censo 2000 - resultados da amostra, o Brasil possuía naquele ano uma população de 170 milhões de habitantes, dos quais 91 milhões se classificaram como brancos (53,7%), 65 milhões como pardos (38,4%), 10 milhões como pretos (6,2%), 761 mil como amarelos (0,4%) e 734 mil como indígenas (0,4%). Ainda de acordo com o Censo 2000, houve uma melhora no aspecto educacional em relação aos resultados de 1991. Em 2002, o rendimento médio mensal de brancos (R$ 812,00) era quase o dobro de negros e pardos (R$ 409,00). Se analisarmos o valor da hora de trabalho veremos que brancos recebem R$ 5,00 e os negros e pardos R$ 2,60 por hora trabalhada. Vamos fazer um exercício de cronologia histórica das leis brasileiras que visam uma educação de qualidade: A Lei 9394 de 1996, é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nessa Lei havia sido inserido o artigo 26A pela Lei 10.639/2003, que tratava da obrigatoriedade do ensino da História da África e Cultura Afro- brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares. Porém, cinco anos depois, para que se corrigisse uma injustiça em relação ao ramo indígena da formação da população brasileira, foi editada a Lei 11.645/2008 que vem alterar o artigo 26A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.” (NR) Com as leis 10639/03 e 11.645/08 que alteraram a lei 9394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional não só as escolas e editoras de livros didáticos tiveram que se adaptar, mas, também o professor que pouco sabia falar da África e dos afro- brasileiros. O que dizermos então do estudo da História Indígena? A maioria dos livros didáticos de história trata muito superficialmente o assunto, e assim mesmo somente no período colonial. A partir da edição dessas leis, tem havido necessidade de atualização continuada dos educadores, segundo Munanga (2005, s/n, apud FERREIRA, 2008, p.226): A formação de professores que não tiveram em sua base de formação a história da África, a cultura do negro no Brasil e a própria história do negro de um modo geral se constitui no problema crucial das novas leis. E isso não simplesmente por causa do conhecimento teórico, mas, principalmente, porque o estudo dessa temática implica no enfrentamento e derrubada do mito da democracia racial que paira sobre o imaginário da grande maioria dos professores. Diante da determinação legal, os livros didáticos vêm sendo reformulados com a inserção de conteúdos que dizem respeito às novas temáticas. No entanto, os professores que ficarem restritos à leitura dos livros didáticos correm o risco de encontrar, conforme nos diz Oliva (2003, p.429): Silêncio, desconhecimento e representações eurocêntricas. Poderíamos assim definir o entendimento e a utilização da História da África nas coleções didáticas de História no Brasil. Das vinte coleções compulsadas pela pesquisa, apenas cinco possuíam capítulos específicos sobre a História da África. Nas outras obras, a África aparece apenas como um figurante que passa despercebido em cena, sendo mencionada como um apêndice misterioso e pouco interessante de outras temáticas. A professora Rosa Margarida de Carvalho Rocha (2006, p.15-16), nos propõe em seu livro Almanaque Pedagógico Afro-Brasileiro alguns princípios norteadores quanto ao trato da questão das diferenças etnoculturais no cotidiano escolar que são: 1) A questão racial como conteúdo multidisciplinar durante o ano letivo: é fundamental fazer com que o assunto não seja reduzido a estudos esporádicos ou unidades didáticas isoladas. Quando se dedica apenas tempo específico para tratar a questão ou direcioná-la para uma disciplina, corre-se o risco de considerá-la uma questão exótica a ser estudada, sem relação com a realidade vivida. A questão racial pode e deve ser assunto para todas as propostas de trabalho, projetos e unidades de estudo de todo o ano letivo. 2) Reconhecimento e valorização das contribuições reais do povo negro à nação brasileira: ao estudar o segmento negro ou outros diferentes grupos sociais, atentar para visualizá-los com consciência e dignidade, enfatizando as contribuições sociais, econômicas, culturais, seus pontos positivos e negativos, experiências, estratégias e valores. Tratar com superficialidade, banalizando e/ou folclorizando sua cultura, estudando apenas aspectos relativos a seus costumes, alimentação, vestimentas ou rituais festivos é um equívoco que não pode acontecer no ambiente escolar. 3) A conexão entre as situações de diversidade com a vida cotidiana nas salas de aula: essa conexão é um fator indispensável. Na contextualização das situações, eles aprenderão conceitos, analisarão fatos e poderão ser capacitados para intervir na sua realidade, a fim de transformá-la. Tratar as questões raciais no ambiente escolar apenas transversalmente, ou em uma disciplina, etapa determinada ou dia escolhido, não é a melhor estratégia para levar os alunos aos posicionamentos de ação reflexiva e crítica da realidade em que estão inseridos. 4) Combate às posturas etnocêntricas para a desconstrução de estereótipos e preconceitos atribuídos ao grupo negro: a visão de que as diferenças entre grupos etnoculturais não têm nada a ver com superioridade ou inferioridade dos mesmos deverá ser cultivada no ambiente escolar, comprometido com a construção de uma metodologia antiracista. 5) A história do povo negro, a cultura, a situação de sua marginalização e seus reflexos incorporados como conteúdo do currículo escolar: esta história, bem como a dos outros grupos sociais oprimidos e toda a trajetória de luta, opressão e marginalização sofrida por eles, deverá constar como conteúdo escolar. Os alunos compreenderão melhor os porquês das condições de vida dessas populações e a correlação entre estas e o racismo presente em nossa sociedade. As situações de desigualdades deverão ser o ponto de reflexão para todos e não somente para o grupo discriminado, condição básica para o estabelecimento de relações humanas mais fraternas e solidárias. 6) Extinção do uso de material pedagógico contendo imagens estereotipadas do negro, com repúdio às atitudes preconceituosas e discriminatórias: a escola que deseja pautar sua prática escolar no reconhecimento, aceitação e respeito à diversidade racial articula estratégias para o fortalecimento da auto-estima e do orgulho ao pertencimento racial de seus alunos. Banir de seuambiente qualquer texto, referência, descrição, decoração, desenho, qualificativo ou visão que construir ou fortalecer imagens estereotipadas do negro, ou de qualquer outro coletivo diferente, é imprescindível. Portanto, deverá ser meta da instituição escolar elevar o nível de reflexão de seus educadores, instrumentalizando-os no sentido de fazer uma leitura crítica do material didático, paradidáticos ou qualquer produção escolar. 7) Uma maior atenção à expressão verbal escolar cotidiana: a escola deverá estar alerta quanto à linguagem utilizada no cotidiano escolar, pois esta é fortemente expressiva! As falas diretas, de respeito e valorização do grupo racial negro por parte dos educadores, ajudarão sensivelmente na construção positiva da identidade racial dos alunos. Eufemismo para se referir ao pertencimento racial do aluno, falas que depreciam o povo negro e sua cultura, apelidos depreciativos relacionados à cor, comparação, usando-se a cor branca como símbolo do que é limpo e a cor preta simbolizando o que é sujo e ruim deverão ser abolidos. 8) A construção coletiva de alternativas pedagógicas com suporte de recursos didáticos adequados: é uma empreitada para toda a comunidade escolar: direção, supervisão, professores, bibliotecários, pessoal de apoio, grupos sociais e instituições educacionais. Algumas ferramentas são essenciais nessa construção: a disponibilização de recursos didáticos adequados, a construção de materiais pedagógicos eficientes, o aumento total de livros da biblioteca sobre o assunto, a oferta de variedade de brinquedos contemplando as dimensões multiculturais. E o mais importante: a capacitação constante do professor para lidar com essas questões. Como você pode ver, ainda existe muita coisa a ser feita, e é possível adequar as orientações da professora Margarida ao ensino da História Indígena. 5 - A Lei 11.645/2008 Outro movimento no Brasil que se originou da batalha contra desigualdades verificadas desde os primórdios da constituição de nosso país é o indígena. Historicamente sempre houve luta, afinal os povos indígenas não entregaram suas terras sem reagir à invasão dos que se proclamavam civilizados, Desde a colonização até os dias de hoje constatamos a luta indígena por seu espaço. No início do século vinte, mais especificamente em 1910, o governo brasileiro criou o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), com o intuito de amparar os indígenas brasileiros, especialmente aqueles residentes no sul do país. Essa era a forma que o Estado julgava ser a mais apropriada para tratar o que chamavam de problemática indígena no país, integrando os povos indígenas à economia nacional e adequando- os à nova filosofia burguesa que vinha ganhando força desde a proclamação da República em 1889, poder-se-ia liberar suas terras para utilização capitalista sem o derramamento de sangue. A cidadania para os índios viria atrelada à suposta necessidade de que, para isso, eles fossem civilizados, pois seriam seres inferiores culturalmente. O SPI não deixou, entretanto, de propor algumas diretrizes que seriam esboços de políticas favoráveis aos índios recentes, como a liberdade para proferir suas crenças, a proteção em seus territórios ou ainda a garantia de posse das terras ocupadas por eles. Na década de 1960, o SPI é extinto e dá lugar à Fundação Nacional do Índio, a FUNAI. As políticas da fundação, que possuíam como meta terminar de integrar os indígenas à lógica do mercado, resultaram em inúmeros prejuízos às comunidades, mas também permitiram às lideranças de cada uma delas adaptarem-se à nova realidade, precisando reelaborar suas políticas para ter chance nas novas formas de luta. Dessas primeiras e localizadas formas de resistência é que surgirão projetos maiores. A propósito da Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável (Rio +20) seu objetivo foi assegurar um comprometimento político renovado com o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento e as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados dos principais encontros sobre desenvolvimento sustentável, além de abordar os novos desafios emergentes. Dois temas foram o foco na Conferência: (a) a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e (b) o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. A ideia da Conferencia foi debater que o mundo tem limite, e que para vivermos dentro deste planeta, precisamos de equilíbrio entre o econômico e as pessoas cada vez mais distantes do meio ambiente. Precisamos também rever o projeto de civilização que projetamos para nós, pois não estamos conseguindo que todas as pessoas do mundo tenham direitos e cuidados, alimentação e moradia, além de voz política. Esses temas estão relacionados com o que se discute aqui. Atente-se para os resultados dessa Conferência. Algumas das problemáticas que permeiam as reivindicações dos movimentos indígenas são as invasões de suas terras e o garimpo. Concomitantemente a esses acontecimentos, vê-se também uma maior participação da Igreja Católica em tais questões, que cria o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) com o objetivo de aliar- se aos índios, como parceiro político, em suas lutas pelos direitos mais básicos, inclusive o direito a serem e permanecerem índios. Para tanto, a década de 1970 foi definida pelas Assembleias Indígenas, promovidas pelo CIMI, onde os índios defendiam sua participação na construção das políticas estatais a eles destinadas, a união entre os povos indígenas com a intenção de fortalecer o movimento e, mais uma vez, a posse das terras que eram deles por direito. Essas Assembleias terminaram por possibilitar uma união ainda maior entre as lideranças de cada povo, originando de seus debates e deliberações, a União das Nações Indígenas (UNI) no ano de 1980. A década foi marcada pela dificuldade da UNI em articular um movimento que possuísse realmente uma representatividade nacional e sua metade final é caracterizada pela construção de organizações regionais e locais, com o intuito de fortalecer suas reivindicações. Em 1992, houve nova tentativa de organizar o movimento em torno de uma organização nacional que resultou na criação do Conselho de Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (CAPOIB), sediado em Brasília. Atualmente o movimento indígena possui várias organizações locais e regionais e possui interlocução inclusive com instituições internacionais como a ONU (Organização das Nações Unidas) e a OEA (Organização dos Estados Americanos) e tem procurado trabalhar em conjunto com outros movimentos que possuam agendas próximas, como a emancipação econômica e cultural. Algumas das recentes conquistas – obtidas após a Constituição de 1988, em seu capítulo VIII, artigos 231 e 232 – são o direito de demarcação de suas terras e alfabetização em sua própria língua. Ampliando o conhecimento “Constituição da República Federativa do Brasil de 1988”. Capítulo VIII Dos Índios Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos,a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. § 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. § 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, §§ 3º e 4º. Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.” O que se percebe, portanto, é que os esforços empreendidos pelas vias administrativas e jurídicas são algumas das respostas dadas as requisições e que garantiram, por exemplo, maior acesso ao ensino superior e a postos de trabalho de maior complexidade. Um exemplo atual e cotidiano dessas vitórias, no Brasil, é a Constituição Federal de 1988, que assegura um tratamento igualitário a todos, vetando qualquer forma de discriminação. Ou ainda a lei n. 7.716, criada em 1989, que criminaliza o racismo, tornando-o passível de pena de prisão de até cinco anos e multa. Art.1º "Serão punidos, na forma desta Lei os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.” No entanto, mesmo representando evoluções necessárias, nenhum dos esforços empreendidos até hoje representou o fim dessas questões e algumas iniciativas são controversas e chegam, inclusive, a exacerbar a exclusão na tentativa de diminuí-la. A própria Constituição e lei que tornam o racismo um crime, pouco possuem de atuação imediata, sendo pouco aplicadas. Tem-se que registrar que, naturalmente, contra cada pretensão de um grupo, há e haverá contrapretensões, vindas de outros grupos, sejam aqueles definidos como maiorias ou não, que se sentirão tolhidos em seus direitos. Essa relação de forças também definirá como cada um desses clamores será atendido pelo Estado e aceito pela sociedade. De acordo com Camila Bertolazzi (2008): Aas dificuldades enfrentadas pelos índios vão além do âmbito cultural. Os interesses econômicos nacionais e estrangeiros também podem ser inimigos das sociedades indígenas. Os índios brasileiros e suas terras muitas vezes são alvo de garimpeiros, madeireiros e fazendeiros que cobiçam essas terras e as riquezas naturais delas, sem se importar com os males e prejuízos causados aos índios e o meio ambiente. Um exemplo são os garimpeiros que exploram ouro, diamante e cassiterita em terras indígenas e que, além de agir com violência e transmitir todo o tipo de doenças contagiosas aos índios, provocam danos poluindo os rios com mercúrio e outros produtos químicos. Nas áreas dos índios Xikrin, Tembé e Parakanã, no Pará, as madeireiras procuram convencer os índios a arrendar lotes de suas terras para a exploração. Em troca propõem um pagamento que não chega a 10% do valor das madeiras no mercado mas que, mesmo assim, parece alto e suficiente aos índios. Há também problemas com relação aos projetos de colonização de terras. Os latifundiários que compram a terra formam grandes propriedades e os índios são obrigados a aceitar a viver em áreas espaçadas umas das outras, cortadas por fazendas e estradas. Da mesma forma os posseiros, sem terras onde trabalhar, invadem terras indígenas, sobretudo aquelas ainda não demarcadas, gerando conflitos e impactos que afetam profundamente as sociedades indígenas. http://www.itu.com.br/conteudo/detalhe.asp?cod_conteudo=13446&a dm=1(acesso em 04jun2012) No site do MEC, você vai encontrar dicas para acesso à História Indígena http://portal.mec.gov.br/index.php?id=10182&option=com_content&task=view Ali é possível verificar que o portal Domínio Público pode ajudar professores e alunos a conhecer melhor a história e a cultura dos índios do Brasil. Além de documentos, artigos, teses, livros, poesias, o portal torna disponível para acesso, a série Vias dos Saberes. Que são quatro volumes que abordam a temática indígena e étnico-racial. Todo esse acervo pode ser consultado gratuitamente. Professor e aluno podem se informar sobre a formação da identidade do povo brasileiro, por meio de uma diversidade de fontes e temas capazes de oferecer diferentes pontos de vista sobre a temática indígena. "O índio brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje" é o título do primeiro dos quatro volumes da série Vias dos Saberes, escrito por Gersen José dos Santos Luciano. Nele, são discutidos, por exemplo, a identidade e a organização indígenas, o meio ambiente e a situação política dos índios, além da contribuição dos povos indígenas ao país e ao mundo. O segundo volume trata da presença indígena na formação do Brasil e aborda o sistema colonial, a ação missionária e a resistência indígena. “A obra chama-se A presença indígena na formação do Brasil” e foi escrito por João Pacheco de Oliveira. O terceiro título discute a evolução dos direitos indígenas no Brasil desde a colonização portuguesa até os dias de hoje, passando pela criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). O volume chama-se http://portal.mec.gov.br/index.php?id=10182&option=com_content&task=view Povos indígenas e a lei dos “brancos”: o direito à diferença e foi escrito por Ana Valéria Araújo. O quarto e último título que compõe a série serve de instrumento para a formação de professores indígenas na área da linguagem. Em Manual de lingüística: subsídios para a formação de professores indígenas na área de linguagem, o autor Marcus Maia traz assuntos pertinentes ao professor indígena. A série Vias dos Saberes está disponível em forma de texto na categoria educação do portal Domínio Público. Outras fontes – O aluno também pode baixar sem nenhum custo os primeiros romances brasileiros a incluir a figura do índio na literatura, como I Juca Pirama, de Gonçalves Dias, ou O Guarani, de José de Alencar. Caso o estudioso tenha interesse em consultar teses, dissertações, revistas e outras obras de não-ficção, poderá procurar, por exemplo, pelos volumes da revista de História Regional. No número 2 do volume 5, o estudante poderá se informar sobre a educação de indígenas e luso-brasileiros pela ótica do trabalho. Já na tese de doutorado da aluna Jaci Vieira, da Universidade Federal de Pernambuco, é possível pesquisar sobre a ocupação de terras indígenas em Roraima. Ministério da Educação – MEC Considerações finais Vimos que no Brasil, há o convívio multicultural visto que a sociedade brasileira resulta da mistura de pessoas negras, brancas, e índias, com seus valores, costumes, e modos de vida, e da adaptação dessas culturas entre si. Como bem disse Darcy Ribeiro dessa mistura é que surge um indivíduo que não é branco, não é índio ou negro, mas, brasileiro. O Brasil como um país democrático não poderia mais conviver com a exclusão étnica que ocasiona o racismo, uma representação da suposta inferioridade de negros, e índios. Impossibilitando a formaçãode uma identidade positiva sobre as nossas origens. Se multiculturalismo é o reconhecer as diferenças, como falar em igualdade? A igualdade que se busca é a de direitos, igualdade perante a lei, de direitos e deveres apesar das diferenças de costumes. Mas não bastam leis, é preciso que todos nós: legisladores, governos, professores, diretores de estabelecimentos de ensino, editoras e autores de livros didáticos, família e estudantes nos mobilizemos para mudar a situação de desigualdade. Referências: BOAS, Franz. Antropologia Cultural. Organização Celso Castro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. BORGES, Edson. Palestra no Seminário Cultura, Literatura e História Afro-Brasileira na Aprendizagem. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia: ago. 2007. BRASIL. 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