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https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 1/27 Sociologia Lista de Exercícios Exercício 1 (Uece 2020) Atente para o seguinte excerto: “A miscigenação que largamente se praticou aqui corrigiu a distância social que de outro modo se teria conservado enorme entre a casa-grande e a senzala. O que a monocultura latifundiária e escravocrata realizou no sentido de aristocratização, extremando a sociedade brasileira em Senhores e escravos, com uma rala e insigni�cante lambujem de gente livre sanduichada entre esses dois extremos antagônicos, foi em grande parte contrariado pelos efeitos sociais da miscigenação. A índia e a negra-mina a princípio, depois a mulata, a cabrocha, a quadrarona, a oitavona, tornando-se caseiras, concubinas e até esposas legítimas dos senhores brancos, agiram poderosamente no sentido de democratização social do Brasil. Entre os �lhos mestiços, legítimos e mesmo ilegítimos, havidos delas pelos Senhores brancos, subdividiu-se parte considerável das grandes propriedades, quebrando-se assim a força das sesmarias feudais e dos latifúndios do tamanho de reinos”. FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime patriarcal. 52ª ed. São Paulo: Global, 2013. O sociólogo brasileiro Gilberto Freyre aponta, na citação acima, a criação de uma “democracia racial” na história da relação entre senhores e escravos no Brasil escravocrata. Assim, mesmo que se possa criticar tal concepção, a perspectiva teórico-sociológica de Freyre a�rma que a) a miscigenação na história do Brasil foi positiva, pois aproximou a Casa-Grande e a Senzala ou senhores e escravos. b) a escravidão e o latifúndio da monocultura açucareira lançaram distâncias sociais insuperáveis entre senhores e escravos. c) foram os homens negros, e não as mulheres negras, os principais responsáveis pela criação da democracia racial no Brasil. d) os negros e os brancos em conjunto, no período colonial, constituíram uma vigorosa democracia social de governo da sociedade. Exercício 2 (Uece 2020) Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha (1866-1909), autor de Os Sertões – Campanha de Canudos (1902), é seguramente um dos primeiros pensadores deste país que foi capaz de entender o Brasil na sua substância especí�ca de grande diversidade genético- mestiça e conturbada formação social. Os Sertões trata da “Campanha” do exército brasileiro republicano contra o arraial de Canudos, ocorrida no sertão baiano, que durou de meados de 1896 a outubro de 1897. O livro é um clássico da Literatura e das Ciências Sociais e para além de uma interpretação da formação social e cultural do Brasil, é um livro de denúncia contra a então República brasileira: “A Campanha de Canudos foi, na signi�cação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo”. CUNHA, Euclides da. Os Sertões – Campanha de Canudos. São Paulo: Ática, 1998. Com base no exposto, assinale a a�rmação verdadeira. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 2/27 a) A Guerra de Canudos, como demonstra Euclides da Cunha em Os Sertões, foi uma luta entre monarquistas e republicanos. b) Em Os Sertões, Euclides da Cunha procura compreender a construção sociocultural brasileira e vinga a memória de Canudos. c) Em Os Sertões, é provado que a mestiçagem do povo brasileiro é uma das causas da perturbação social que formou o país. d) A Campanha de Canudos representou a justiça feita pelo exército republicano contra os criminosos do sertão baiano. Exercício 3 (Uem-pas 2017) A nação, a nacionalidade e a identidade nacional são construções sócio- históricas, portanto são resultado da ação de vários agentes sociais. O intelectual é um dos agentes sociais envolvidos na construção das ideias de nação, de nacionalidade e de identidade nacional. Para o caso brasileiro, no que diz respeito à criação da identidade nacional, um intelectual central foi Gilberto Freyre (1900- 1987). Em suas obras, Freyre sistematizou, divulgou e ajudou a sedimentar a ideia do Brasil como país mestiço, atrelando a identidade nacional brasileira à miscigenação, à mestiçagem. Sobre a identidade nacional brasileira assentada na miscigenação e na mestiçagem, é correto a�rmar: 01) A identidade nacional brasileira assentada nos ideais da mestiçagem e da miscigenação busca conciliar discursivamente uma sociedade altamente estrati�cada onde o racismo é um operador social importante. 02) A construção da identidade nacional brasileira favoreceu a expropriação do patrimônio cultural da população negra, uma vez que elementos da cultura negra foram transformados em cultura nacional, situação que colaborou para fortalecer a ideia da ausência de uma cultura da população negra no Brasil. 04) A identidade nacional alicerçada nos ideais da miscigenação e da mestiçagem é algo que foi e ainda é utilizado para encobrir o racismo existente no Brasil. 08) A construção da identidade nacional em torno do ideal da miscigenação e da mestiçagem favoreceu o desenvolvimento do mito da democracia racial e da ausência de racismo no Brasil. 16) A identidade nacional calcada nos ideais da miscigenação e da mestiçagem favoreceu o surgimento de con�ito racial explícito no Brasil. Exercício 4 De acordo com a professora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, “é importante destacar que se entende por raça a construção social forjada nas tensas relações entre brancos e negros, muitas vezes simuladas como harmoniosas, nada tendo a ver com o conceito biológico de raça cunhado no século XVIII e hoje sobejamente superado. Cabe esclarecer que o termo raça é utilizado com frequência nas relações sociais brasileiras para informar como determinadas características físicas, como cor de pele, tipo de cabelo, entre outras, in�uenciam, interferem e até mesmo determinam o destino e o lugar social dos sujeitos no interior da sociedade brasileira”. (SILVA, P. B. G. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana. Brasília: CNE/MEC, 10/03/2003, p. 13). Segundo a argumentação apresentada acima é correto a�rmar: 01) O conceito de “raça” utilizado pela autora se baseia na de�nição biológica de raça elaborada https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 3/27 no século XVIII. 02) Segundo o enunciado da questão, o conceito de “raça” não é baseado em uma de�nição biológica dos seres humanos, e sim em uma construção social criada nas relações tensas entre indivíduos e grupos classi�cados como brancos e negros na sociedade brasileira. 04) Para a autora do texto acima, a aparência dos indivíduos pode in�uenciar ou mesmo determinar suas oportunidades de viver, trabalhar, estudar e participar da sociedade brasileira. 08) Com base na leitura do texto acima, podemos a�rmar que os indivíduos classi�cados como negros não sofrem preconceito e discriminação na sociedade brasileira atual. 16) Para a autora do texto, as formas de preconceito e discriminação existentes entre brancos e negros no Brasil muitas vezes são dissimuladas. Exercício 5 (Unioeste 2016) Para Gilberto Freire, a família, não o indivíduo, nem tampouco o Estado nem nenhuma companhia de comércio, é, desde o século XVI, o grande fator colonizador no Brasil, a unidade produtiva, o capital que desbrava o solo, instala as fazendas, compra escravos, bois, ferramentas, a força social que se desdobra em política, constituindo-se na aristocracia colonial mais poderosa da América. Sobre ela, o rei de Portugal quase reina sem governar. Os senados de Câmara, expressões desse familismopolítico, cedo limitam o poder dos reis e mais tarde o próprio imperialismo ou, antes, parasitismo econômico, que procura estender do reino às colônias os seus tentáculos absorventes (Gilberto Freire. Casa Grande & Senzala. Rio de Janeiro: José Olympio. 1994, p. 19). Assinale a a�rmativa CORRETA. a) Para Freire, o Estado Brasileiro foi o grande impulsionador do desenvolvimento brasileiro. b) Para Freire, o rei de Portugal mantinha o total controle sobre o processo de colonização no Brasil. c) Para Freire, a família não pode ser considerada o agente colonizador do Brasil. d) Para Freire, a família foi predominante no desenvolvimento da sociedade brasileira, sua existência relacionou-se, desde o início, ao domínio das grandes propriedades, tanto na zona rural como posteriormente no meio urbano. e) Para Freire, a família manteve-se longe da aristocracia colonial brasileira. Exercício 6 (Uem 2013) Os arranjos familiares têm sido considerados pelo pensamento social moderno como agências primárias de socialização dos indivíduos. A partir das contribuições sociológicas sobre o assunto, assinale o que for correto. 01) Para Gilberto Freyre, a lógica patriarcal, que regulou as relações familiares no Brasil colônia, também ajudou a estruturar as relações políticas e econômicas da época a partir da �gura do “patriarca”. 02) A “família nuclear” burguesa pode ser compreendida como um modelo idealizado de organização familiar que representou valores e relações sociais dominantes no imaginário ocidental contemporâneo. 04) Os novos papéis sociais assumidos pelas mulheres vêm produzindo mudanças nas relações familiares contemporâneas, pois alteram os sentidos tradicionais atribuídos ao casamento e à maternidade. 08) No Brasil, o reconhecimento jurídico da união estável de pessoas do mesmo sexo signi�cou uma conquista recente dos grupos envolvidos nas lutas pela legitimação de arranjos familiares alternativos. 16) O aumento expressivo no número de divórcios ocorridos nas últimas décadas está diretamente relacionado à crise moral e social por que passa a sociedade brasileira. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 4/27 Exercício 7 (Interbits 2012) O principal, e pior, impacto da escravidão seria o de negar ao trabalhador sua humanidade. Reduziria o homem à sua “mais simples expressão, pouco senão nada mais que o irracional”, já que para o empreendimento colonial interessaria dele “o ato física apenas, com exclusão de qualquer outro elemento ou concurso moral. A ‘animalidade’ do Homem, não a sua ‘humanidade’”. É difícil imaginar algo mais brutal. [...] Caio Prado nota também que, em razão da escravidão, “existiu sempre um forte preconceito discriminador de raças” no Brasil. Considera, portanto, que esse preconceito não tem motivos biológicos, mas históricos e sociais. RICUPERO, B. Sete lições sobre as interpretações do Brasil. 2ª ed. São Paulo: Alameda, 2008, p. 144-145. O texto acima, de Bernardo Ricupero, apresenta uma explicação da forma como Caio Prado Jr. compreende os efeitos da escravidão para a constituição da sociedade brasileira. Tendo em conta essa abordagem, assinale a alternativa incorreta: a) A noção de que a escravidão destitui o homem da sua humanidade está relacionada ao conceito marxista de alienação. Na medida em que o homem deixa de possuir direito sobre aquilo que produz e se constitui somente em mercadoria, ele se aliena do fruto de seu trabalho e se “coisi�ca”. A escravidão leva ao limite essa transformação do homem em coisa. b) A escravidão causou efeitos perniciosos para a constituição da própria sociedade brasileira. Isso porque possibilitou, entre outras coisas, a existência do racismo, que se mantém até hoje. c) A discriminação racial não existe mais no Brasil. Uma vez que o Brasil já está em um regime democrático e a escravidão foi abolida há mais de cem anos, as bases sociais que sustentavam essa discriminação já não existem mais. d) Não se pode compreender a constituição do Brasil sem ter em consideração o período colonial e a importância do escravo negro para a cultura brasileira. Apesar de ter sofrido brutalmente durante esse período, o negro vindo da África trouxe consigo diversos elementos culturais que, posteriormente, foram incorporados à “cultura brasileira”. e) A escravidão ainda existe no Brasil. Ainda que não seja institucionalizada, ainda existem pessoas trabalhando de maneira forçada e em condições desumanas no país. Não por acaso, diversas associações e empresas são signatárias de um Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil. Exercício 8 (Uel 2015) Leia o fragmento a seguir, de Sobrados e Mucambos, de 1936, do sociólogo brasileiro Gilberto Freyre. Os engenhos, lugares santos donde outrora ninguém se aproximava senão na ponta dos pés e para pedir alguma coisa – pedir asilo, pedir voto, pedir moça em casamento, pedir esmola para a festa da igreja, pedir comida – deram para ser invadidos por agentes de cobrança, representantes de uma instituição arrogante da cidade – o Banco – quase tão desprestigiadora da majestade das casas- grandes quanto a polícia. Houve senhores que esmagados pelas hipotecas e pelas dívidas encontraram amparo no �lho ou no genro, deputado, ministro, funcionário público. O Estado foi a�nal o “grande asilo das fortunas desbaratadas da escravidão”. Adaptado de: FREYRE, G. Sobrados e Mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento urbano. 14.ed. São Paulo: Global, 2003. p.121-123. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 5/27 Com base no texto e nos conhecimentos sociológicos sobre o Brasil, cite, no mínimo, três características da descrição de Freyre a respeito do processo de modernização que se instalou no País. Exercício 9 (Uel 2013) Leia o texto a seguir. Estava na primeira página: “O ESCANDALOSO ABANDONO DA BARRA”. Descompostura em regra, em Alfredo Bastos, “deputado estadual eleito pelo povo de Ilhéus para defender os sagrados interesses da região cacaueira” e cuja “eloquência franzina só se fazia ouvir para celebrar os atos do governo, parlamentar do muito bem e do apoiado!”, um compadre do coronel Ramiro, “inútil mediocridade, servilismo exemplar ao cacique, ao manda-chuva”, culpando os políticos no poder pelo abandono da barra de Ilhéus. “O maior e mais premente problema da região, que signi�cará riqueza e civilização ou atraso e miséria, o problema da barra de Ilhéus, ou seja, o magno problema da exportação direta do cacau” que não existia para os que haviam “em circunstâncias especiais, abocanhado os postos de mando”. E por aí vinha, terminando numa evidente alusão a Mundinho, ao lembrar que, no entanto, “homens de elevado sentimento cívico, estavam dispostos, ante o criminoso desinteresse das autoridades municipais, a tomar o problema em suas mãos e a resolvê-lo”. (Adaptado de: AMADO, J. Gabriela, cravo e canela: crônica de uma cidade do interior. São Paulo: Record, 1978. p.136-137.) Caio Prado Jr., em seu livro Formação do Brasil Contemporâneo, publicado em 1942, defendia a tese de que a origem do atraso da nação brasileira está vinculada ao tipo de colonização. O texto citado, do escritor Jorge Amado, é referente a uma notícia do jornal de Ilhéus, em que a oposição da cidade contesta os líderes políticos do local, sobre o descaso para com o porto da cidade. a) Identi�que e explique o tipo de economia vivida à época pelo País (década de 1920), ilustrado no texto. b) Aponte três características de relações de poder formadas no País que aparecem descritas no trecho citado. Exercício 10 (Uece 2020) Sérgio Buarque de Holanda (1902- 1982), na suaobra Raízes do Brasil, publicada no ano de 1936, aponta que o povo brasileiro tem como uma de suas características culturais a “cordialidade”. O “brasileiro cordial”, criado historicamente no seio do modelo da família patriarcal, seria guiado nas suas relações sociais por uma “ética emotiva” e personalista. Isto signi�ca que, de modo geral, as pessoas no Brasil não seriam culturalmente direcionadas para o “cultivo do espírito”, da “razão”, mas sim do “coração”. E, assim, na crítica de Holanda (1995), a cordialidade aqui seria inadequada aos ritos sociais próprios da vida cidadã e da modernidade capitalista. Para este autor, o “brasileiro cordial” é menos adaptado para o trabalho racional seja no Estado seja nas empresas privadas modernas. HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Considerando essa “cordialidade brasileira”, segundo Holanda, avalie as seguintes a�rmações: I. A personalidade do “homem cordial” proporciona habilidade para o trato impessoal com a coisa pública. II. A emotividade do “homem cordial” o torna inapto para as atividades que demandam razão e impessoalidade. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 6/27 III. A cordialidade é própria de qualquer forma de convívio social ditada pelas proximidades pessoais e afetivas. IV. O “brasileiro cordial” cultiva, no seio da família tradicional patriarcal, o personalismo ritual da cidadania. Está correto o que se a�rma somente em a) II e III. b) I e IV. c) III e IV. d) I e II. Exercício 11 (Uem 2018) “Conforme propôs Sérgio Buarque de Holanda, o país foi sempre marcado pela precedência dos afetos e do imediatismo emocional sobre a rigorosa impessoalidade dos princípios, que organizam usualmente a vida dos cidadãos nas mais diversas nações. ‘Daremos ao mundo o homem cordial’, dizia Holanda, não como forma de celebração, antes lamentando a nossa difícil entrada na modernidade re�etindo criticamente sobre ela”. (SCHWARCZ, L. M.; STARLING, H. M. Brasil: uma biogra�a. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 17). Ao pensar a sociedade brasileira nos anos 1930, Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) indicou ser a cordialidade uma característica fundamental da sociedade local. Acerca do conceito de homem cordial, conforme construído por Sérgio Buarque de Holanda, é correto a�rmar que 01) indica o desapreço da sociedade brasileira pelo uso da violência. 02) versa sobre a adesão da sociedade brasileira ao cumprimento das leis e sobre o desprezo pelo “jeitinho”. 04) as relações pessoais extrapolam as relações privadas e organizam também a vida pública. 08) a cordialidade seria algo transmitido no processo de socialização presente, de certa forma, na maioria dos brasileiros. 16) indica a superação do passado colonial e a possibilidade de estruturação de uma democracia no Brasil baseada nos princípios de ordem e de progresso. Exercício 12 (Ufsc 2018) Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo – há muita gente de jenipapo ou mancha mongólica pelo Brasil –, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro. No litoral, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, e em Minas Gerais, principalmente do negro. A in�uência direta, ou vaga e remota, do africano. Na ternura, na mímica excessiva, no catolicismo em que se deliciam nossos sentidos, na música, no andar, na fala, no canto de ninar menino pequeno, em tudo que é expressão sincera de vida, trazemos quase todos a marca da in�uência negra. Da escrava ou sinhama que nos embalou. Que nos deu de mamar. Que nos deu de comer, ela própria amolengando na mão o bolão de comida. FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala, 2005 [1933], p. 367. Em suma, a expansão urbana, a revolução industrial e a modernização ainda não produziram efeitos bastante profundos para modi�car a extrema desigualdade racial que herdamos do passado. Embora “indivíduos de cor” participem (em algumas regiões segundo proporções aparentemente consideráveis) das “conquistas do progresso”, não se pode a�rmar, objetivamente, que eles compartilhem, coletivamente, das correntes de mobilidade social vertical vinculadas à estrutura, ao https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 7/27 funcionamento e ao desenvolvimento da sociedade de classes. FERNANDES, Florestan, O negro no mundo dos brancos, 2006 [1972], p. 67. [Adaptado]. Acerca do debate sobre relações raciais no Brasil e com base na leitura dos textos acima, é correto a�rmar que: 01) a chamada “democracia racial” é uma expressão normalmente atribuída a Florestan Fernandes, que defendia essa ideia sobre o Brasil. 02) para o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o Brasil seria um país miscigenado não apenas no plano biológico, mas também no cultural. 04) há diferentes interpretações sociológicas e antropológicas sobre como se dão as relações raciais no Brasil, inclusive correlacionando as desigualdades raciais com outros fatores, como gênero e classe social. 08) segundo as ideias de Florestan Fernandes, no Brasil foi necessária a realização de medidas formais para separar negros de brancos. 16) segundo Gilberto Freyre, era necessário distinguir raça de cultura, pois algumas diferenças existentes entre brancos e negros seriam de ordem cultural, e não racial, como defendiam algumas teorias. Exercício 13 (Ufsc 2019) Abaixo, o samba-enredo de 2018 da escola de samba do grupo especial Acadêmicos do Salgueiro. Senhoras do Ventre do Mundo Composição: Xande de Pilares, Demá Chagas, Dudu Botelho, Renato Glante, Jassa, Leonardo Gallo, Betinho de Pilares, Vanderley Sena, Ralfe Ribeiro e W. Corrêa Senhoras do ventre do mundo inteiro A luz no caminho do meu Salgueiro A me guiar, vermelha inspiração Faz misturar ao branco nesse chão Na força do seu ritual sagrado Riqueza ancestral Deusa raiz africana Bendita ela é e traz no axé um canto de amor Magia pra quem tem fé Na gira que me criou É mãe, é mulher, a mão guardiã Calor que afaga, poder que assola No Vale do Nilo, a luz da manhã A �lha de Zambi nas terras de Angola Guerreira, feiticeira, general contra o invasor A dona dos saberes con�rmando seu valor Ecoou no Quariterê O sangue é malê em São Salvador Oh matriarca desse cafundó A preta que me faz um cafuné Ama de leite do senhor A tia que me ensinou a comer doce na colher A bênção, mãe baiana rezadeira Em minha vida, seu legado de amor ôô Liberdade é resistência E à luz da consciência A alma não tem cor Firma o tambor pra rainha do terreiro É negritude, Salgueiro Herança que vem de lá (ô) Na ginga que faz esse povo sambar Com base no texto acima, é correto a�rmar que: 01) a temática abordada pela escola de samba Salgueiro possui pouca relevância para o contexto social brasileiro, uma vez que no Brasil não há racismo ou quaisquer outras formas de discriminação racial. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 8/27 02) na África antes da chegada dos europeus, havia uma produção cientí�ca e cultural pouco signi�cativa, sendo os europeus, portanto, os responsáveis pelo desenvolvimento desse continente. 04) o Brasil possui profundos vínculos culturais com a África, de modo que em todas as diferentes regiões do país encontra-se a presença de manifestações culturais de origem afro-brasileira. 08) as mulheres negras na sociedade brasileira atingiram um nível de igualdade social que permite dizer que suas condições de trabalho e de salário são iguais às das mulheres brancas. 16) as religiões afro-brasileiras concentram-se nas regiõesNordeste e Sudeste do Brasil, inexistindo na Região Sul. 32) no Brasil, o racismo manifesta-se de diversas formas, muitas vezes sutis, como por meio de piadas e de outros atos cotidianos. Exercício 14 (Unesp 2017) Texto 1 O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justiça obrigue os funcionários do prédio onde esse juiz mora a chamá-lo de “senhor” ou de “doutor”, sob pena de multa diária. Na ação judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condomínio de “você” e de “cara” e que ouviu a expressão “fala sério!” após ter feito uma reclamação. Mariana Oliveira. “Ministro do STF nega pedido de juiz que quer ser chamado de ‘doutor’”. http://g1.globo.com, 22.04.2014. Adaptado. Texto 2 O “Você sabe com quem está falando?” não parece ser uma expressão nova, mas velha, tradicional, entre nós. Na medida em que as marcas de posição e hierarquização tradicional, como a bengala, as roupas de linho branco, o anel de grau e a caneta-tinteiro no bolso de fora do paletó se dissolvem, incrementa-se imediatamente o uso da expressão separadora de posições sociais para que o igualitarismo formal e legal, mas cambaleante na prática social, possa �car submetido a outras formas de hierarquização social. Roberto da Matta. Carnavais, malandros e heróis, 1983. Adaptado. Considerando a análise do antropólogo Roberto da Matta, o fato descrito no texto 1 pode ser corretamente interpretado como resultante a) da contradição entre igualitarismo liberal e autoritarismo cultural. b) da plena assimilação cultural dos ideais iluministas de cidadania. c) das tendências estatais de controle totalitário da existência cotidiana. d) da superação das hierarquias sociais pela universalização ética. e) da hegemonia ideológica da classe operária sobre a classe burguesa. Exercício 15 (Uem 2017) “(...) o que �ca no centro das preocupações, das apreensões e, mesmo, das obsessões é o ‘preconceito de não ter preconceitos’. Através de processos de mudanças psicossocial e sociocultural reais sob certos aspectos profundos e irreversíveis, subsiste uma larga herança cultural, como se o brasileiro se condenasse, na esfera das relações raciais, a repetir o passado no presente.” FERNANDES, F. O negro no mundo dos brancos. São Paulo: Global, 2007, p. 42. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 9/27 Com base na citação acima e em estudos realizados acerca das relações raciais no Brasil, assinale o que for correto. 01) A sociedade brasileira tende a condenar publicamente o racismo, todavia ele é considerado relativamente aceito em diversos espaços, momentos e relações sociais de caráter privado ou coletivo. 02) No Brasil, a democracia racial é uma realidade. O racismo, portanto, não existe. 04) A herança cultural da escravidão foi irrelevante para a sociedade brasileira após a abolição. 08) O mito da democracia racial foi e é uma construção que colabora para a dissimulação do racismo no Brasil. 16) Dentre as marcas culturais da escravidão no Brasil está a tendência a associar pessoas negras a pro�ssões de menor status social. Exercício 16 Udesc 2019) Leia o trecho a seguir: “Não existe democracia racial efetiva, onde o intercâmbio entre indivíduos pertencentes a ‘raças’ distintas começa e termina no plano da tolerância convencionalizada. Esta pode satisfazer as exigências do bom-tom, de um discutível espírito cristão e da necessidade prática de ‘manter cada um no seu lugar’. Contudo, ela não aproxima realmente os homens senão na base da mera coexistência no mesmo espaço social e, onde isso chega a acontecer, da convivência restritiva, regulada por um código que consagra a desigualdade, disfarçando-a e justi�cando-a acima dos princípios de integração da ordem social democrática”. Florestan Fernandes, 1960. Florestan Fernandes se refere à ideia de “democracia racial” que, durante um período, foi considerada constitutiva da identidade nacional brasileira. Esta tese era caracterizada por: a) pressupor uma miscigenação harmoniosa entre os diferentes grupos étnicos constitutivos da nação brasileira. b) apregoar que representantes de todos os grupos étnicos deveriam ter representatividade política em âmbito legislativo. c) promover a denúncia de práticas racistas contra negros, mulheres e indígenas. d) reivindicar a instauração de processos e eventuais julgamentos dos responsáveis pelo processo de favelização nas grandes capitais brasileiras, a partir de �ns do século XIX. e) defender as candidaturas plurirraciais nos processos eleitorais, pós 1964. Exercício 17 (Uema 2015) Leia o fragmento abaixo. “[...] Se a supressão do nexo colonial não se re�etiu na condição de escravo nem afetou a natureza da escravidão mercantil, ela alterou a situação econômica do senhor que deixou de sofrer o peso da ‘espoliação colonial‘ e passou a contar, por conseguinte, com todas as vantagens da ‘espoliação escravista‘ que não fossem absorvidas diretamente pelos mecanismos secularizados do comércio internacional”. Fonte: FERNANDES, Florestan. Circuito Fechado: quatro ensaios sobre o “poder institucional”. São Paulo: Globo, 2010. Baseando-se no fragmento de Florestan Fernandes, pode-se a�rmar que a independência do Brasil a) di�cultou o fortalecimento da economia nacional. b) fortaleceu o setor econômico escravista nacional. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 10/27 c) extinguiu o trá�co de pessoas escravizadas ao país. d) rompeu com a estrutura econômica baseada na escravidão. e) aumentou a dependência brasileira aos interesses portugueses. Exercício 18 O decênio de 1930 viu �orescer um gênero novo de textos sobre o Brasil. O país, que já havia sido interpretado anteriormente em livros de gênero literário (como em Os Sertões, de Euclides da Cunha), passou a contar com análises advindas do campo das ciências sociais, que também começavam a se constituir em terreno nacional. Um dos mais destacados autores do período foi Sérgio Buarque de Holanda, que escreveu, em 1936, o clássico ensaio Raízes do Brasil, que aborda aspectos fundamentais acerca da colonização nacional e da formação de características da cultura política brasileira. Muito conhecida é sua formulação acerca do homem cordial. Com base nessas considerações, disserte sobre como a cordialidade do brasileiro, descrita por Sérgio Buarque de Holanda, in�ui na relação entre o público e o privado na sociedade brasileira. Exercício 19 Leia o texto a seguir. Cumpre ainda acrescentar que essa cordialidade, estranha, por um lado, a todo formalismo e convencionalismo social, não abrange, por outro, apenas obrigatoriamente, sentimentos positivos e de concórdia. A inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração, e procedem, assim, da esfera do íntimo, do familiar, do privado. Nenhum povo está mais distante dessa noção ritualista da vida do que o brasileiro. Nada mais signi�cativo dessa aversão ao ritualismo social, que exige, por vezes, uma personalidade fortemente homogênea e equilibrada em todas as suas partes, do que a di�culdade em que se sentem, geralmente, os brasileiros, de uma reverência prolongada ante um superior. Nosso temperamento admite fórmulas de reverência, e até de bom grado, mas quase somente enquanto não suprimam de todo a possibilidade de convívio mais familiar. Para o funcionário “patrimonial”, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular. As funções, os empregos e os benefícios que deles aufere, relacionam-se a direitos pessoais do funcionário enão a interesses objetivos, como sucede no verdadeiro Estado burocrático, em que prevalecem a especialização das funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos. (Adaptado de: HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. 13.ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979. p.105- 108.) O pensador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda desenvolveu sua noção de “homem cordial” em Raízes do Brasil. A partir desse trecho da obra, identi�que e explique as três características básicas ligadas a essa noção. Exercício 20 TEXTO 1: Vamos celebrar nossa bandeira Nosso passado de absurdos gloriosos Tudo o que é gratuito e feio Tudo que é normal Vamos cantar juntos o Hino Nacional A lágrima é verdadeira Perfeição – Legião Urbana (Adaptado) https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 11/27 TEXTO 2: A sociedade brasileira é violenta? Estamos enganados com essa história de que o brasileiro é cordial? O mito da cordialidade já foi contestado há muito tempo. Chego a defender o argumento de que você pode até escrever a história social da sociedade brasileira como a história social e política da violência. A violência sempre foi um recurso utilizado nas relações de dominação e de mando - seja nas fazendas, na vida doméstica, seja no plano da vida política. Durante o século 19, todos os movimentos sociais de raízes populares foram reprimidos com muita violência, como a Sabinada [rebelião autonomista ocorrida na Bahia, de 1837 a 1838, que chegou a proclamar uma república baiana] e a Balaiada [revolta de caráter social ocorrida entre 1838 e 1841, no interior do Maranhão]. Na vida doméstica, o modo como se tratavam os escravos, as crianças, as mulheres e os desafetos sempre foi com o emprego de muita violência. Há uma extrema violência ao lidar com as diferenças, quando você tem de lidar com con�itos, com interesses opostos. Ou seja, a gente pode dizer que há um lastro de violência tanto na cultura quanto na política brasileira. ADORNO, Sérgio. O professor e sociólogo analisa a violência no Brasil. Revista E Nº 127 - Dezembro de 2007. Adaptado.Disponível online em: <http://www.nevusp.org/portugues/index.php? option=com_content&task=view&id=1483&Itemid=29> Acesso em 08 out. 2013. Em nosso país, existe a ideia de que o brasileiro é acolhedor e cordial, onde todos os estrangeiros são bem recebidos. Qual é a importância dessa ideia para a construção da identidade nacional do brasileiro? Essa ideia corresponde à realidade? Exercício 21 (Ufpr 2020) Considere o seguinte excerto da obra O povo brasileiro, do antropólogo Darcy Ribeiro: A classe dominante empresarial-burocrático- eclesiástica, embora exercendo-se como agente de sua própria prosperidade, atuou também, subsidiariamente, como reitora do processo de formação do povo brasileiro. Somos, tal qual somos, pela forma que ela imprimiu em nós, ao nos con�gurar, segundo correspondia a sua cultura e a seus interesses. Inclusive, reduzindo o que seria o povo brasileiro, como entidade cívica e política, a uma oferta de mão de obra servil. Foi sempre nada menos que prodigiosa a capacidade dessa classe dominante para recrutar, desfazer e reformar gentes aos milhões. Isso foi feito no curso de um empreendimento econômico secular, o mais próspero de seu tempo, em que o objetivo jamais foi criar um povo autônomo, mas cujo resultado principal foi fazer surgir como entidade étnica e con�guração cultural um povo novo, destribalizando índios, desafricanizando negros e deseuropeizando brancos. Ao desgarrá-los de suas matrizes, para cruzá-los racialmente e trans�gurá-los culturalmente, o que se estava fazendo era gestar a nós brasileiros tal qual fomos e somos em essência. Uma classe dominante de caráter consular-gerencial, socialmente irresponsável, frente a um povo- massa tratado como escravaria, que produz o que não consome e só se exerce culturalmente como uma marginália, fora da civilização letrada em que está imerso. (RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995. p.178-179.) https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 12/27 Levando em consideração a hipótese do autor, em relação à formação da sociedade brasileira, às dinâmicas sociais e às formas de dominação, é correto a�rmar: a) O fortalecimento das elites empresarial, burocrática e eclesiástica se deu num processo de correlação de forças que visaram, num processo histórico de longa duração, a constituir um domínio econômico, a partir do qual as classes inferiores, por não disporem de poder e capital, foram alijadas do processo de dominação. b) A igreja teve papel central na organização da vida colonial e imprimiu um sentido sagrado à dominação por longo tempo. Sua importância em relação à burocracia civil e às elites econômicas no Brasil foi de tal maneira preponderante, que a Inquisição se fez presente como forma de manutenção da ordem e do domínio dos portugueses sobre nativos indígenas e escravos africanos. ade como “povo brasileiro”. c) As mudanças sociais que ocorreram no Brasil desde sua colonização produziram um tipo de dominação secular, que associou as elites empresarial, burocrática e eclesiástica a um processo civilizacional intimamente associado a um estado de barbárie, em que as camadas subalternas sempre cumpriram um papel marginal no seu processo emancipação e esclarecimento. d) O objetivo principal da cúpula patricial, toda ela oriunda da metrópole, era formar uma sociedade que fosse capaz de contribuir com a expansão dos limites territoriais da Coroa Portuguesa. Em contrapartida, essas populações nativas teriam o direito ao reconhecimento da cidadania lusitana. e) O autor frisa que, apesar da dominação severa, ainda assim havia algum senso de solidariedade por parte das elites empresarial, burocrática e eclesiástica, sendo esses três grupos sociais responsáveis pela colonização do Brasil e possibilitando que camadas sociais inferiores, o povo, as massas, participassem da construção do país, de sua cultura e de sua unid Exercício 22 (Interbits 2013) A foto acima mostra alguns indígenas (sem especi�car de qual etnia), interessados na demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol, presentes numa sessão do Superior Tribunal Federal. Na foto, além de estarem em um local tradicionalmente considerado “ocidental”, os indígenas também estão manipulando dispositivos eletrônicos (no caso, uma câmera fotográ�ca). Esse tipo de iniciativa signi�ca que: (Assinale com V as a�rmativas corretas e com F as falsas) ( ) Os indígenas estão sofrendo um processo de desaculturação. A utilização de instituições brancas é somente um jogo de interesses indígenas. ( ) Os indígenas vivem em um processo de mudança cultural. No entanto, isso não signi�ca a perda de sua própria identidade. ( ) Os indígenas estão criando novas formas de defender seus interesses e de ter acesso à Justiça. ( ) A cultura indígena passa por um processo de evolução. Os índios estão se tornando mais ocidentais, deixando de andar nus e de ser tão violentos. ( ) Os índios estão passando a viver em terras quilombolas. São estas as denominações dos https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 13/27 terrenos demarcados pela FUNAI para as comunidades indígenas. Exercício 23 A complexidade do ambiente amazônico em muito in�uencia na vida das populações que fazem desse ambiente o seu habitat. Sobre o processo de adaptação humana nessa região, é correto a�rmar: a) Os saberes tradicionais acumulados sobre o território foram substituídos pelo modo de trabalho semifeudal epela prática do aviamento, o que possibilita o processo de adaptação humana em áreas ribeirinhas. b) As condições ambientais limitaram o desenvolvimento cultural das populações humanas amazônicas: um exemplo é o que ocorreu com grupos sociais indígenas, quilombolas e caboclos. c) Enfatizados nos estudos sócio-históricos sobre populações da região amazônica, os povos provenientes do continente africano determinaram os atuais modos de vida cabocla nesta região. d) Os saberes tradicionais dos povos indígenas foram constituídos e repassados de geração a geração a partir da oralidade. E desde tempos imemoriais, esses conhecimentos têm proporcionado a adaptação desses povos em diferentes contextos socioambientais. e) A atual população humana presente na Amazônia foi constituída, seguindo o exemplo do que tem ocorrido com a totalidade da população brasileira, a partir da miscigenação de povos oriundos do próprio continente americano. Exercício 24 (Uem 2012) Considere o texto a seguir e assinale o que for correto sobre o fenômeno religioso. “Transe, possessão e mediunidade são fenômenos religiosos recorrentes na sociedade brasileira. No candomblé, na umbanda, no espiritismo, no pentencostalismo e em outros grupos religiosos, entidades, guias, o Espírito Santo, orixás descem ou sobem, se incorporam, se comunicam etc. através de cavalos, aparelhos, ou do que costumamos denominar de indivíduo agente empírico, unidade signi�cativa da sociedade ocidental moderna nos termos de Louis Dumont.” (VELHO, Gilberto. Indivíduo e religião na cultura brasileira In: VELHO, Gilberto. Projeto e Metamorfose. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999, p. 53.) 01) Os sistemas de crença são construções sociais criadas pelos indivíduos para organizar o mundo em que vivem. 02) A análise sociológica das crenças e de seus sistemas de representação nos permite compreender as ligações entre os mundos sagrado e profano. 04) As religiões e os cultos acima mencionados revelam pluralidades de técnicas corporais e visões de mundo expressas por seus seguidores. 08) Por ser o Brasil um país majoritariamente católico, o respeito e a tolerância pelas mais diversas religiões não conseguem obter amparo legal. 16) Na abordagem acima apresentada, o indivíduo agente empírico é o personagem das dramatizações religiosas, sendo, dessa forma, o sujeito da investigação sociológica. Exercício 25 (Unicentro 2010) Sobre as religiões brasileiras, assinale a alternativa incorreta. a) A sociedade brasileira vivencia a presença de inúmeras manifestações religiosas, o que a caracteriza como uma sociedade que possui um sincretismo religioso. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 14/27 b) Existem no Brasil diversas manifestações religiosas, aquelas chamadas de orientais como o budismo e as africanas como o candomblé. c) Embora atualmente existam um número crescente de igrejas evangélicas e outras denominações religiosas, o Brasil ainda é considerado um país de origem católica. d) Existe no Brasil pessoa que se declaram agnósticas e ateias, ou seja, que não possuem nenhum tipo de religião e nem acreditam em Deus. e) Manifestações religiosas como o candomblé e a umbanda sempre foram aceitas no país e seus praticantes nunca foram alvos de preconceitos e discriminação. Exercício 26 (Unioeste 2013) O antropologo brasileiro Darcy Ribeiro, em sua obra O Povo Brasileiro, a�rma: “Nós, brasileiros, somos um povo sem ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela, fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na ninguendade. Assim foi até se de�nir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros.” RIBEIRO, D. O Povo Brasileiro. 1995, p.453. Partindo da análise do texto transcrito acima, assinale a alternativa INCORRETA. a) A identidade nacional brasileira nasceu do encontro e mestiçagem entre diversos grupos étnicos. b) A miscigenação do povo brasileiro se deu �sicamente e principalmente no seu modo de ser e agir. c) A mestiçagem no Brasil foi um erro histórico e um obstáculo para a construção de uma identidade nacional. d) As identidades não são coisas com as quais nascemos, são formadas e transformadas no interior das representações coletivas. e) O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado, é herdeiro de um longo processo acumulativo, que re�ete o conhecimento e as experiências adquiridas pelas numerosas gerações que o antecederam. Exercício 27 (Ufu 2012) Dentre as várias interpretações sobre a brasilidade, destaca-se aquela que atribui a nós, brasileiros, os recursos do jeitinho, da cordialidade e da malandragem. De acordo com as leituras weberianas aplicadas à realidade brasileira (por autores tais como: Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre, Roberto Damatta), a malandragem signi�caria a) a manifestação prática do processo de miscigenação que combinou elementos genéticos pouco inclinados ao trabalho. b) a consagração do fracasso nacional representado pela incapacidade de desenvolver formas capitalistas de relações sociais. c) a inovação de um estilo especial de se resolver os próprios problemas, que tem sua origem nas tradições ibéricas. d) a materialização da oposição popular ao trabalho e ao imperialismo europeu, como característica de resistência de classe. Exercício 28 (Ufpr 2021) Considere o seguinte excerto: Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda desenvolve uma ideia em torno da qual constrói sua interpretação sociológica: a do “homem cordial”. Este seria o brasileiro típico, fruto da colonização portuguesa e representante conceitual da nossa sociedade. Acontece que, como a palavra “cordial” na linguagem comum tem o sentido de afável, afetuoso, a ideia do “homem cordial” �cou associada à concepção do brasileiro como gentil, hospitaleiro, pací�co. E https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 15/27 Sérgio Buarque foi muito criticado por essa maneira de ver os brasileiros. (O’DONNEL, Júlia et al. Tempos Modernos, Tempos de Sociologia. Rio de Janeiro: Editora do Brasil, 2018. p. 346-347.) A partir da re�exão acima, é correto a�rmar que para Sérgio Buarque de Holanda a “cordialidade” designa: a) um comportamento cortês e civilizado. b) um símbolo da cultura brasileira que deveria ser valorizado. c) o enaltecimento do caráter igualitário e impessoal das leis. d) o personalismo e a aversão ao formalismo da burocracia. e) um dos efeitos da urbanização e da industrialização do Brasil. Exercício 29 (Unioeste 2017) Leia as indicações abaixo sobre as questões indígenas no Brasil: I “Logo que cheguei à província do Paraná, de que fui presidente pouco mais de sete mezes, de 28 de setembro de 1885 a 4 de maio de 1886, tive que me avir com os chamados índios de Guarapuava. Vagava pelas ruas de Curityba uma turma semi-nua dessa gente, reclamando ferramentas, roupas, dinheiro, etc., e lamentando-se de haverem sido maltratados por brasileiros e despojados de terras que lhe pertenciam”. TAUNAY, Visconde de. Entre os Nossos Índios. São Paulo: Melhoramentos. 1931, p. 84. II “A antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, argumenta que: essas reservas superlotadas, cujos recursos naturais não permitem um modo de vida tradicional, são focos permanentes de con�itos, suicídios e miséria. Contrastam tristemente com as aldeias Kaiowá, as tekoha, cujo nome literalmente signi�ca “o lugar onde vivemos segundo nossas regras morais” (Folha deS. Paulo, 19 de novembro de 2014). [...] Na década de 1970, a Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná, cobriu aproximadamente 60 aldeias Guarani em ambas as margens (do lado do Brasil e do Paraguai). Reconhecendo parcialmente sua responsabilidade, o empreendimento binacional devolveu aos Guarani menos de 1% das terras indígenas que foram alagadas. Essas comunidades seguem sem terra, sem o reconhecimento concreto de seus direitos e sem qualquer tipo de reparação. [...] Apenas 34% dos recursos destinados a ações, como a de demarcação dos territórios indígenas, foram liquidados até 2014”. RANGEL, Lúcia H. (Coord.). Violência contra os povos indígenas. Relatório. Dados de 2014. Brasília: CIMI, 2015, p.18; 21, 36) Sobre os indígenas no Brasil, é INCORRETO a�rmar. a) A presença indígena na sociedade brasileira a partir do século XIX teve suas terras preservadas para que não ocorressem novas ações de dizimação como efetuadas no que se denominou de América Portuguesa. b) A demora no processo de demarcação de territórios indígenas faz com que atos de violência e sentimento de impunidade frente a essas ações sejam comuns em diferentes regiões do País, inclusive no estado do Paraná. c) A existência de reservas e aldeias indígenas não garante a manutenção dessas comunidades, https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 16/27 ao contrário, muitas vezes expõe os limites de sua autopreservação. d) Atualmente, as diferentes versões e interesses expressos nas disputas territoriais e sobre as condições de vida dos indígenas ganham espaço nos meios de comunicação e nos debates acadêmicos e escolares. Contudo, essa é uma questão que não avançou muito na resolução dos con�itos e desigualdades desse processo. e) Devido à grande presença indígena na sociedade brasileira, as questões sobre violência e con�itos em áreas de disputa indígena não ganham notoriedade política e social como deveriam, uma vez que não se trata de um caso isolado e nem uma comunidade especí�ca. Exercício 30 (Uel 2021) De acordo com Priscila Tapajowara, indígena e ativista: Em nossa cultura indígena, [...] vivemos em comunhão com o próximo. Nós compartilhamos utensílios domésticos, dividimos o mesmo espaço de convivência, em nossas habitações vivem muitas pessoas, o que facilita o contágio de doenças infecciosas. [...] Ao longo da história, [...] nós povos indígenas viemos sofrendo grandes massacres e muitos povos foram dizimados. [...] Outro fator que dizimou povos inteiros foram as doenças trazidas pelo homem branco. Doenças infectocontagiosas, como gripe, sarampo, tuberculose e varíola, [...] foram umas das responsáveis pela redução da nossa população. TAPAJOWARA, Priscila. Disponível em: www.uol.com.br. Com base no texto e nos conhecimentos sobre Antropologia, assinale a alternativa correta. a) A relação entre povos indígenas e povos não indígenas deve fundamentar-se no etnocentrismo, conceito segundo o qual há respeito e compreensão sobre as especi�cidades e diferenças culturais. b) A expressão “Em nossa cultura indígena”, utilizada pela ativista, a�rma que tal cultura é heterogênea e que os povos indígenas estão integrados à sociedade brasileira. c) Nas duas últimas décadas, no Brasil, as políticas indigenistas têm se baseado em ideias evolucionistas e em práticas de tutela e assimilação cultural, visando promover a evolução cultural destes povos. d) Parte dos povos indígenas do Brasil, por suas especi�cidades culturais e condições objetivas de sobrevivência, está mais sujeita a doenças infecciosas. e) A constituição física dos indígenas, em razão do seu estado de vida natural, garante a eles maior imunidade às doenças infecciosas oriundas de povos não indígenas. Exercício 31 (Ufu 2020) O primeiro Código Civil Brasileiro, promulgado no ano de 1916, de�nia os membros das comunidades indígenas – então denominados “silvícolas” – como incapazes de exercer certos direitos. “Artigo 6° São incapazes, relativamente a certos atos, ou a maneira de exercê-los”: I – os maiores de 16 (dezesseis) e os menores de 21 (vinte e um) anos; II – os pródigos; III – os silvícolas. Parágrafo único. Os silvícolas �carão sujeitos ao regime tutelar, estabelecido em leis e regulamentos especiais, o qual cessará à medida que se forem adaptando à civilização do País.” Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L3071.htm Acesso em: 03 fev. 2020. Atualmente, essa concepção expressa no antigo Código Civil é criticada pelas Ciências Sociais por https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 17/27 a) limitar o desenvolvimento econômico das comunidades indígenas. b) negar o papel do Estado quanto à defesa dos direitos dos indígenas. c) estabelecer uma concepção hierárquica e evolucionista em relação à diversidade cultural. d) abolir a aculturação dos povos indígenas, garantindo a tutela estatal. Exercício 32 (Ufu 2020) “Neste novo século, na América Latina, os indígenas estão re-emergindo como a grande novidade no cenário das lutas e movimentos sociais na região. Sabe-se que a luta dos indígenas, de resistência à colonização europeia e branca, é secular. Na atualidade, o elemento novo é a forma e o caráter que essas lutas têm assumido – não apenas de resistência, mas também de luta por direitos: reconhecimento de suas culturas e da própria existência, redistribuição de terras em territórios de seus ancestrais, escolarização na própria língua, etc.” Gohn, Maria da Glória. Abordagens teóricas no estudo dos movimentos sociais na América Latina. Caderno CRH, Salvador. v. 21, n. 54, p. 439-455. Set/Dez. 2008. De acordo com o texto, os movimentos indígenas contemporâneos têm buscado a) justiça social e integração da sociedade indígena pela aculturação. b) retorno às tradições e defesa da miscigenação. c) reconhecimento identitário e valorização de seu modo de vida. d) defesa da igualdade racial e diminuição da legitimidade da autoridade estatal. Exercício 33 (Uem 2020) Em relação aos povos indígenas brasileiros, assinale o que for correto. 01) As populações indígenas brasileiras viviam em plena harmonia entre si antes da chegada dos europeus. 02) Por viverem de forma primitiva, a exemplo dos primeiros homens da espécie Homo sapiens, as populações indígenas brasileiras podem ser consideradas povos sem história. 04) O desconhecimento sobre o passado e sobre as culturas indígenas gera leituras etnocêntricas e evolucionistas em relação a essas populações. 08) As populações indígenas viviam totalmente isoladas em pequenos grupos quando foram descobertas por espanhóis e portugueses. 16) Apesar do genocídio e da escravidão, os povos indígenas desenvolveram formas coletivas de resistência e de política indígena. Exercício 34 (Uema 2020) O texto a seguir é parte de um dos sermões do Padre Antônio Vieira pregado na Irmandade dos Pretos de um engenho da Bahia, em 1633. Esse discurso traça uma semelhança entre o Cristo cruci�cado e a condição de trabalho daqueles que lá se encontravam. Escreve o Padre Antônio Vieira: Em um engenho, sois imitadores de Cristo cruci�cado (...) porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz, e em toda sua Paixão. A sua cruz foi composta de dois madeireiros, e a vossa em um engenho é de três. Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes entraram na Paixão: uma vez servindo para o escárnio e outra vez para a esponja em que lhe deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite, parte de dia, sem descansar, e tais são as vossas noites e os vossos dias. Cristo despido e vós despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudomaltratado, e vós maltratados em tudo. Os https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 18/27 ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação, que se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio (...) Em todas invenções e instrumentos de trabalho parece que não achou o Senhor outro mais que parecido fosse com o seu, que o vosso. A propriedade e energia desta comparação é porque no instrumento da Cruz e na o�cina de toda a Paixão, assim, como nas outras em que se espreme o sumo dos frutos, assim foi espremido todo o sangue da humanidade sagrada. CIDADE, Hermani (org.), Padre Vieira. Lisboa: Sá da Costa, 1940. Além dos aspectos religiosos, o sermão de Padre Antônio Vieira evoca outro aspecto ideológico referente à ocultação de um discurso. Numa leitura na perspectiva da atualidade, o leitor é levado a inferir que esse discurso seja o da a) discussão sobre valores éticos. b) busca do bem comum. c) aceitação da escravidão. d) integração de caráter social. e) enaltecimento de virtudes humanas. Exercício 35 (Uepg 2019) Sobre os povos indígenas no Brasil, assinale o que for correto. 01) Há variedade de etnias indígenas no Brasil, o que justi�ca a�rmar que existem culturas indígenas e não apenas uma cultura. 02) Ao ter acesso aos bens de consumo de tecnologia industrial, o índio perde sua condição de indígena tanto do ponto de vista jurídico quanto cultural. 04) É possível identi�car a permanência de traços culturais indígenas na população brasileira em geral, como, por exemplo, na língua e na alimentação. 08) Os povos indígenas são atrasados e inferiores em relação à população urbana. Exercício 36 (Upe-ssa 1 2018) Pernambuco sofreu forte in�uência da herança indígena na composição de sua identidade cultural. Sobre esse assunto, analise os itens a seguir: I. Na linguagem, a contribuição indígena teve maior in�uência em relação aos termos utilizados pelas artes plásticas e às músicas que retratam a vida da região litorânea de Pernambuco. No entanto, no dia a dia, essa herança linguística foi rejeitada, adotando-se as expressões africanas. II. Macaxeira, beiju, pamonha e canjica são alimentos de herança indígena, bastante consumidos hoje, em Pernambuco, principalmente em grandes festas populares ao longo do ano. III. Os hábitos cotidianos são importantes para a constituição cultural de um povo. O banho diário foi um desses hábitos deixados pelos indígenas à cultura pernambucana. IV. A cerâmica é uma técnica utilizada pelos indígenas para guardar alimentos, servindo como objeto decorativo ou religioso. Em Pernambuco, o uso dessa técnica sofreu críticas por parte dos artistas pelo fato de distorcer a origem cultural do estado. V. Os cultos indígenas são percebidos na cultura pernambucana, em manifestações populares, como no maracatu rural e em rituais de jurema ou de umbanda, existentes em diferentes regiões do Estado. Estão CORRETOS a) I, II e III. b) II, IV e V. c) II, III e V. d) I e V. e) III e IV. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 19/27 Exercício 37 (Ufu 2015) A questão da demarcação de terras indígenas tem ao longo do tempo suscitado diversos con�itos. Mais recentemente, observou-se a possibilidade de modi�car os critérios de demarcação, pois, conforme seus críticos, os regulamentos vigentes possibilitariam a ação de “indígenas civilizados”, ou seja, aqueles que supostamente teriam perdido sua identidade indígena, e que agora a reivindicavam com o intuito de obter terras. No centro deste debate, encontra-se a de�nição do que é ser indígena, en�m, a de�nição dos critérios de�nidores de uma etnia. Para os estudos antropológicos atuais, de�ne-se uma etnia por meio da a) identi�cação da presença de traços fenotípicos comuns a uma população, atrelados ao cultivo de uma tradição cultural. b) ocupação territorial de um país especí�co e pela persistência de traços culturais tradicionais. c) identi�cação de uma concepção, partilhada por uma população, da existência de uma trajetória histórica comum que funda uma identidade. d) identi�cação de traços raciais comuns a uma população, aliados a elementos culturais especí�cos. Exercício 38 (Uerj 2015) Utilize as informações a seguir para responder à(s) questão(ões). Congresso indigenista originou o Dia do Índio No Brasil, o Dia do Índio é celebrado em 19 de abril desde um decreto-lei do presidente Getúlio Vargas, de 1943. A origem da data é resultado do 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940. Compreendendo a importância do diálogo, diversas lideranças indígenas resolveram aderir ao congresso, que teve entre suas resoluções a adoção da data comemorativa para toda a América. Também na década de 1940, o Brasil viveu um momento importante com relação à sua população indígena. Em 1943, a Marcha para Oeste incentivou a ocupação e o desenvolvimento da região Centro-Oeste do país. Entre os desbravadores, estavam três jovens sertanistas, os irmãos Villas Bôas, que tiveram suas trajetórias levadas ao cinema no �lme “Xingu”. Adaptado de blogs.estadao.com.br, 19/04/2012. Um Xingu comportado demais Fui ver “Xingu”: didático, belo, comportado. Eu queria ver outro �lme, e de�nitivamente “Xingu” não é sobre os “índios”, mas sobre a relação dos brancos com um mundo que precisam neutralizar e que é, de certa forma, insuportável. O �lme aplaca certa culpa com essa bela defesa do Parque do Xingu, que evitou a dizimação ainda mais atroz de índios brasileiros. Mas criar uma reserva de humanidade já é matar. Mal menor, diz o �lme. A história dos irmãos Villas Bôas e dos sertanistas é tão incrível que o �lme é um disparador de mundos e imaginários. A cosmologia indígena, sua outra forma de viver e de pensar são uma das mais radicais experiências de outras humanidades. BENTES, Ivana. Adaptado de controversia.com.br, 17/04/2012. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 20/27 Na crítica ao �lme “Xingu”, é apontado um dilema quanto aos direitos de populações indígenas. Nesse dilema, são confrontadas as seguintes diretrizes das atuais políticas governamentais: a) tutela − emancipação b) proteção − aculturação c) preservação − integração d) territorialização – miscigenação Exercício 39 (Uerj 2015) Utilize as informações a seguir para responder à(s) questão(ões). Congresso indigenista originou o Dia do Índio No Brasil, o Dia do Índio é celebrado em 19 de abril desde um decreto-lei do presidente Getúlio Vargas, de 1943. A origem da data é resultado do 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940. Compreendendo a importância do diálogo, diversas lideranças indígenas resolveram aderir ao congresso, que teve entre suas resoluções a adoção da data comemorativa para toda a América. Também na década de 1940, o Brasil viveu um momento importante com relação à sua população indígena. Em 1943, a Marcha para Oeste incentivou a ocupação e o desenvolvimento da região Centro-Oeste do país. Entre os desbravadores, estavam três jovens sertanistas, os irmãos Villas Bôas, que tiveram suas trajetórias levadas ao cinema no �lme “Xingu”. Adaptado de blogs.estadao.com.br, 19/04/2012. Um Xingu comportado demais Fui ver “Xingu”: didático, belo, comportado. Eu queria ver outro �lme, e de�nitivamente “Xingu” não é sobre os “índios”, mas sobre a relação dos brancos com um mundo que precisam neutralizar e que é, de certa forma, insuportável. O �lme aplaca certa culpa com essa bela defesado Parque do Xingu, que evitou a dizimação ainda mais atroz de índios brasileiros. Mas criar uma reserva de humanidade já é matar. Mal menor, diz o �lme. A história dos irmãos Villas Bôas e dos sertanistas é tão incrível que o �lme é um disparador de mundos e imaginários. A cosmologia indígena, sua outra forma de viver e de pensar são uma das mais radicais experiências de outras humanidades. BENTES, Ivana. Adaptado de controversia.com.br, 17/04/2012. A década de 1940 representou um momento importante para debates e iniciativas relacionados aos direitos das populações indígenas, como a realização do 1º Congresso Indigenista Interamericano. Naquele momento, a iniciativa de criar o Dia do Índio tinha como objetivo o estímulo a: a) conversão religiosa de comunidades tribais b) preservação de línguas em desaparecimento https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 21/27 c) reconhecimento de patrimônios culturais nativos d) crescimento demográ�co de grupos em extinção Exercício 40 (Uerj 2015) A década de 1940 representou um momento importante para debates e iniciativas relacionados aos direitos das populações indígenas, como a realização do 1º Congresso Indigenista Interamericano. Naquele momento, a iniciativa de criar o Dia do Índio tinha como objetivo o estímulo a: a) conversão religiosa de comunidades tribais b) preservação de línguas em desaparecimento c) reconhecimento de patrimônios culturais nativos d) crescimento demográ�co de grupos em extinção Exercício 41 (Uem 2014) “[...] Protegidos por sua retirada para regiões de difícil acesso, os Jê do Sul do Brasil sobreviveram por alguns séculos aos Tupi, logo liquidados pelos colonizadores. Nas �orestas dos estados meridionais, Paraná e Santa Catarina, pequenos bandos selvagens mantiveram-se até o século XX; talvez ainda subsistissem alguns em 1935, tão ferozmente perseguidos nos últimos cem anos que se mantinham invisíveis; porém, a maioria fora aldeada e assentada pelo governo brasileiro, por volta de 1914, em vários centros” (LÉVI-STRAUSS, C. Tristes Trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 144). A partir dos signi�cados da cultura segundo a antropologia, da história dos con�itos entre populações indígenas e outros grupos humanos e do texto de Lévi- Strauss, é correto a�rmar que 01) a inferioridade cultural dos índios Jê frente a outros grupos humanos foi o principal fator que contribuiu para o seu desaparecimento. 02) a perseguição feroz a grupos étnicos distintos do grupo socialmente dominante pode levar à invisibilidade social dos grupos perseguidos. 04) a perseguição e o massacre dos índios Jê no Sul do Brasil foram fortemente motivados por pontos de vista etnocêntricos, interesses de Estado e ação de grupos sociais diversos. 08) já não existiam grupos indígenas no Sul do Brasil no início do século XX. 16) o etnocentrismo, o preconceito, os interesses econômicos e as relações de poder in�uenciaram a maioria dos estados modernos no desrespeito aos direitos e às culturas das populações nativas que habitam seus territórios. Exercício 42 (Unicamp 2022) Transcrição da primeira legenda: “Mas também, quando a gente se lembra que eles assentam um pobre cristão naquele prato que travam no beiço e o engolem como se fosse feijoada!…Que horror!” Transcrição da segunda legenda: “Mas quem diria! Esses antropófagos é que �caram com medo de serem devorados pela curiosidade pública. Só a muito custo o diretor do museu impediu que eles fugissem." (Angelo Agostini, Charge sobre a Exposição Antropológica, Revista Ilustrada, n. 310, 1882, p. 4-5.) https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 22/27 “A Exposição Antropológica Brasileira, ocorrida em 1882, insere-se no quadro das grandes Exposições Internacionais, bem como das exposições etnográ�cas desenvolvidas ao longo do século XIX. Marcadas pela prática colecionista e pela ambição de conhecer, colonizar e categorizar o mundo, as exposições etnográ�cas expunham objetos e muitas vezes pessoas de culturas exóticas e distantes. Na ocasião, sete índios botocudos, acompanhados de intérprete, foram enviados para o Rio de Janeiro com a �nalidade de serem expostos ao público e também estudados pelos pesquisadores do Museu Nacional. Os Botocudos pareciam estar ali para performar o mito do primeiro contato ao serem apresentados como selvagens, bárbaros, violentos e grotescos. Apesar de terem vivido no aldeamento do Mutum, portanto sob o jugo e tutela do Estado, foram lidos pelos habitantes da corte como se estivessem tendo seu primeiro contato com os brancos naquele momento, já que, segundo os jornais, estavam com medo e queriam fugir. Nessa exposição os Botocudos representavam por de�nição “o outro”, a imagem que espelha exatamente o contrário do Brasil civilizado.” (Adaptado de Marina Cavalcanti Vieira, “A Exposição Antropológica Brasileira de 1882 e a exibição de índios botocudos: performances de primeiro contato em um caso de zoológico humano brasileiro”, in Horizontes antropológicos, n. 53, 2019, p. 317-357.) a) Considerando o contexto das exposições da época, explique qual o objetivo de apresentar os indígenas em um zoológico humano durante a Exposição Antropológica, de 1882. Analise criticamente a proposta da Exposição. b) Há uma contradição entre os estereótipos sobre os Botocudos representados na charge e sua situação concreta no contexto de 1882. Relacionando a imagem com o excerto, identi�que os atores das ações violentas na charge e explique essa contradição. Exercício 43 (Uem 2016) Aconteceu em Palmas, no Tocantins, entre os dias 23 de outubro e 01 de novembro de 2015, a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, que reuniu cerca de dois mil atletas de diferentes etnias e de mais de países. Considerando esse evento e conhecimentos sobre a temática do etnocentrismo, relativismo e diversidade cultural, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A organização dos jogos como um evento mundial evidencia a descaracterização das práticas tradicionais indígenas, uma vez que não faz parte dessas culturas o encontro com diferentes etnias. 02) Todo jogo, indígena ou não, ao estabelecer regras entre o que é permitido ou proibido num processo de interação social, constitui-se como um sistema simbólico e cultural. 04) Os jogos são práticas culturais que também se expressam por meio de técnicas corporais, ou seja, são construções coletivas manifestadas nas expressões, nos gestos e nas habilidades do corpo humano. 08) Eventos como esse incentivam as populações indígenas a superarem sua condição primitiva original e migrarem rumo a formas civilizadas de socialização, como o esporte e a competição, por exemplo. 16) Partindo do princípio de que é possível, a qualquer grupo humano, assimilar e reinventar formas culturais produzidas por outras sociedades, pode-se considerar que os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas não têm para seus participantes signi�cados idênticos aos que genericamente são atribuídos por nossa sociedade à Copa do Mundo ou às Olimpíadas. Aliás, a Copa do Mundo, por exemplo, não têm o https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 23/27 mesmo signi�cado para brasileiros, ingleses, coreanos ou sul-africanos. Exercício 44 (Ufpr 2017) Considere os seguintes dados da Retrospectiva da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, referente ao período de 2003 a 2013: A taxa de desocupação de 2013 (média de janeiro a dezembro) foi estimada em Esta taxa era de em 2003. [...] A pesquisa apontou disparidade entre os rendimentos de homense mulheres e, também, entre brancos e pretos ou pardos. Em 2013, em média, as mulheres ganhavam em torno de do rendimento recebido pelos homens. A menor proporção foi a registrada em 2003, O rendimento dos trabalhadores de cor preta ou parda, entre 2003 e 2013, teve um acréscimo de enquanto o rendimento dos trabalhadores de cor branca cresceu A pesquisa registrou, também, que os trabalhadores de cor preta ou parda ganhavam, em média, em 2013, pouco mais da metade do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. [...] Destaca-se que, em 2003, não chegava à metade (BRASIL. Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística. Retrospectiva da Pesquisa Mensal de Emprego 2003 a 2013. Disponível em: <Http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores Acesso em: 20 ago. 2016. Texto adaptado). Escreva um texto apontando as conclusões a que se pode chegar com a interpretação dos dados apresentados. GABARITO Exercício 1 Exercício 2 Exercício 3 Exercício 4 Exercício 5 Exercício 6 a) a miscigenação na história do Brasil foi positiva, pois aproximou a Casa-Grande e a Senzala ou senhores e escravos. b) Em Os Sertões, Euclides da Cunha procura compreender a construção sociocultural brasileira e vinga a memória de Canudos. 01) A identidade nacional brasileira assentada nos ideais da mestiçagem e da miscigenação busca conciliar discursivamente uma sociedade altamente estrati�cada onde o racismo é um operador social importante. 02) A construção da identidade nacional brasileira favoreceu a expropriação do patrimônio cultural da população negra, uma vez que elementos da cultura negra foram transformados em cultura nacional, situação que colaborou para fortalecer a ideia da ausência de uma cultura da população negra no Brasil. 04) A identidade nacional alicerçada nos ideais da miscigenação e da mestiçagem é algo que foi e ainda é utilizado para encobrir o racismo existente no Brasil. 08) A construção da identidade nacional em torno do ideal da miscigenação e da mestiçagem favoreceu o desenvolvimento do mito da democracia racial e da ausência de racismo no Brasil. 02) Segundo o enunciado da questão, o conceito de “raça” não é baseado em uma de�nição biológica dos seres humanos, e sim em uma construção social criada nas relações tensas entre indivíduos e grupos classi�cados como brancos e negros na sociedade brasileira. 04) Para a autora do texto acima, a aparência dos indivíduos pode in�uenciar ou mesmo determinar suas oportunidades de viver, trabalhar, estudar e participar da sociedade brasileira. 16) Para a autora do texto, as formas de preconceito e discriminação existentes entre brancos e negros no Brasil muitas vezes são dissimuladas. d) Para Freire, a família foi predominante no desenvolvimento da sociedade brasileira, sua existência relacionou-se, desde o início, ao domínio das grandes propriedades, tanto na zona rural como posteriormente no meio urbano. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 24/27 Exercício 7 Exercício 8 Exercício 9 Exercício 10 Exercício 11 Exercício 12 Exercício 13 Exercício 14 Exercício 15 Exercício 16 Exercício 17 Exercício 18 01) Para Gilberto Freyre, a lógica patriarcal, que regulou as relações familiares no Brasil colônia, também ajudou a estruturar as relações políticas e econômicas da época a partir da �gura do “patriarca”. 02) A “família nuclear” burguesa pode ser compreendida como um modelo idealizado de organização familiar que representou valores e relações sociais dominantes no imaginário ocidental contemporâneo. 04) Os novos papéis sociais assumidos pelas mulheres vêm produzindo mudanças nas relações familiares contemporâneas, pois alteram os sentidos tradicionais atribuídos ao casamento e à maternidade. 08) No Brasil, o reconhecimento jurídico da união estável de pessoas do mesmo sexo signi�cou uma conquista recente dos grupos envolvidos nas lutas pela legitimação de arranjos familiares alternativos. c) A discriminação racial não existe mais no Brasil. Uma vez que o Brasil já está em um regime democrático e a escravidão foi abolida há mais de cem anos, as bases sociais que sustentavam essa discriminação já não existem mais. Para Gilberto Freyre, o processo de modernização brasileiro, ocorrido a partir do século XIX, resultou da entrada do capitalismo avançado no país. Isso modi�cou as relações de poder, mas sem interferir diretamente nas bases da cultura patriarcal do país. Nesse sentido, houve, de fato, um certo enfraquecimento do patriarcalismo, mas que continuou a se reproduzir no interior das relações familiares e no Estado. Por �m, segundo Gilberto Freyre, essas modi�cações criaram, nas camadas dominantes, um comportamento de troca de favores no interior da vida pública e privada. Comportamento este que pode relacionar com diversas práticas da política contemporânea. a) A economia vivida pelo Brasil nas primeiras décadas do século XX, era a do modelo de exploração da terra (ou agrário- exportador ou ainda periférico e exploratório), que preconiza a relação de obrigatório fornecimento de produtos primários/agrários do país periférico (como o Brasil) para os países centrais, desenvolvidos. b) O trecho do livro mostra que esse tipo de economia desencadeou disputas de poder tanto entre elites políticas locais e o restante da população, como entre facções dessas elites. O trecho também mostra como poderosos locais dispunham do poder e o disputavam, com o intuito de tirar lucro e usufruir os bens advindos dele, e não o de bene�ciar a toda a sociedade. a) II e III. 04) as relações pessoais extrapolam as relações privadas e organizam também a vida pública. 08) a cordialidade seria algo transmitido no processo de socialização presente, de certa forma, na maioria dos brasileiros. 02) para o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o Brasil seria um país miscigenado não apenas no plano biológico, mas também no cultural. 04) há diferentes interpretações sociológicas e antropológicas sobre como se dão as relações raciais no Brasil, inclusive correlacionando as desigualdades raciais com outros fatores, como gênero e classe social. 16) segundo Gilberto Freyre, era necessário distinguir raça de cultura, pois algumas diferenças existentes entre brancos e negros seriam de ordem cultural, e não racial, como defendiam algumas teorias. 04) o Brasil possui profundos vínculos culturais com a África, de modo que em todas as diferentes regiões do país encontra- se a presença de manifestações culturais de origem afro- brasileira. 32) no Brasil, o racismo manifesta-se de diversas formas, muitas vezes sutis, como por meio de piadas e de outros atos cotidianos. a) da contradição entre igualitarismo liberal e autoritarismo cultural. 01) A sociedade brasileira tende a condenar publicamente o racismo, todavia ele é considerado relativamente aceito em diversos espaços, momentos e relações sociais de caráter privado ou coletivo. 08) O mito da democracia racial foi e é uma construção que colabora para a dissimulação do racismo no Brasil. 16) Dentre as marcas culturais da escravidão no Brasil está a tendência a associar pessoas negras a pro�ssões de menor status social. a) pressupor uma miscigenação harmoniosa entre os diferentes grupos étnicos constitutivos da nação brasileira. b) fortaleceu o setor econômico escravista nacional. Sérgio Buarque de Holanda argumenta que o excesso de pessoalidade presente em todas as relações sociais no Brasil fere alguns princípios básicos da ordem pública, onde todos os cidadãos devem ser tratados igualmente, independentemente de seus círculos de socialização, amizade ou parentesco. Nesse raciocínio, a ordem burocrática (no sentido apregoado por Max Weber) é completamente https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas…25/27 Exercício 19 Exercício 20 Exercício 21 Exercício 22 Exercício 23 Exercício 24 Exercício 25 Exercício 26 Exercício 27 Exercício 28 Exercício 29 comprometida quando a esfera pública é entendida como um prolongamento da esfera privada. A cordialidade apresenta, assim, seu lado mais cruel, pois ela fundamenta diferentes formas de tratamento para as pessoas que fazem e as que não fazem parte dos círculos de relação de funcionários do Estado, por exemplo. Nesse sentido, ter acesso ou não a benefícios e direitos sociais passa a depender mais das relações sociais que as pessoas travam entre si do que dos princípios da ordem pública. Como pode ser visto, as competências para cumprir determinadas funções não são priorizadas, de forma que até mesmo a empregabilidade depende mais dos círculos de sociabilidade do que de critérios objetivos e impessoais de escolhas de candidatos. A extrema pessoalidade das relações sociais, marca da cordialidade brasileira, enfraquece as instituições, a democracia e o próprio Estado, que sofrem com a debilidade de seu funcionamento. Além disso, a fraqueza da dimensão pública, impessoal e coercitiva, é relativa à força e à permanência da estrutura patriarcal da sociedade brasileira. O gabarito o�cial do vestibular identi�ca três características do “homem cordial”: 1) O caráter dual ou duplo, de cor/cordial/coração, signi�cando não apenas amor, afeto, simpatia, mas ódio ou desamor, em relação às pessoas em geral. 2) Caráter informal ou de descompromisso excessivo em todas as instâncias e relações da vida cotidiana: na religião, nos rituais, no trabalho, nos estudos, na política, nos horários, nas normas, na vida privada etc., ou seja, a pessoalidade superando a impessoalidade. 3) Trato indiscriminado entre a coisa pública e a coisa privada, que ocorre entre políticos e burocratas, os quais as utilizam como equivalentes, agradando parentes, amigos, correligionários, e prejudicando inimigos ou desconhecidos, ou seja, usando o bem público como extensão pessoal e sentimental de sua casa e de seus interesses. A ideia de cordialidade permite ao brasileiro criar uma característica identitária, que o distinguiria de todos os outros povos e que iria além da diversidade física e cultural que diferencia os brasileiros uns dos outros. No entanto, se observarmos a história do país, perceberemos que houve e há muita violência. Desta maneira, o que se pode dizer é que essa visão de cordialidade diz respeito mais a uma imagem que o brasileiro faz de si mesmo do que a alguma característica de fato existente. c) As mudanças sociais que ocorreram no Brasil desde sua colonização produziram um tipo de dominação secular, que associou as elites empresarial, burocrática e eclesiástica a um processo civilizacional intimamente associado a um estado de barbárie, em que as camadas subalternas sempre cumpriram um papel marginal no seu processo emancipação e esclarecimento. F – V – V – F – F. Falsa, porque os indígenas estão defendendo justamente as suas culturas e suas formas de vida. Verdadeira. Verdadeira. Falsa, porque a noção de evolução social não é sinônimo de ocidentalização Falsa, porque as terras quilombolas são remanescentes de escravos negros, e não indígenas. d) Os saberes tradicionais dos povos indígenas foram constituídos e repassados de geração a geração a partir da oralidade. E desde tempos imemoriais, esses conhecimentos têm proporcionado a adaptação desses povos em diferentes contextos socioambientais. 01) Os sistemas de crença são construções sociais criadas pelos indivíduos para organizar o mundo em que vivem. 02) A análise sociológica das crenças e de seus sistemas de representação nos permite compreender as ligações entre os mundos sagrado e profano. 04) As religiões e os cultos acima mencionados revelam pluralidades de técnicas corporais e visões de mundo expressas por seus seguidores. 16) Na abordagem acima apresentada, o indivíduo agente empírico é o personagem das dramatizações religiosas, sendo, dessa forma, o sujeito da investigação sociológica. e) Manifestações religiosas como o candomblé e a umbanda sempre foram aceitas no país e seus praticantes nunca foram alvos de preconceitos e discriminação. c) A mestiçagem no Brasil foi um erro histórico e um obstáculo para a construção de uma identidade nacional. c) a inovação de um estilo especial de se resolver os próprios problemas, que tem sua origem nas tradições ibéricas. d) o personalismo e a aversão ao formalismo da burocracia. a) A presença indígena na sociedade brasileira a partir do século XIX teve suas terras preservadas para que não ocorressem novas ações de dizimação como efetuadas no que se denominou de América Portuguesa. https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 26/27 Exercício 30 Exercício 31 Exercício 32 Exercício 33 Exercício 34 Exercício 35 Exercício 36 Exercício 37 Exercício 38 Exercício 39 Exercício 40 Exercício 41 Exercício 42 Exercício 43 d) Parte dos povos indígenas do Brasil, por suas especi�cidades culturais e condições objetivas de sobrevivência, está mais sujeita a doenças infecciosas. c) estabelecer uma concepção hierárquica e evolucionista em relação à diversidade cultural. c) reconhecimento identitário e valorização de seu modo de vida. 04) O desconhecimento sobre o passado e sobre as culturas indígenas gera leituras etnocêntricas e evolucionistas em relação a essas populações. 16) Apesar do genocídio e da escravidão, os povos indígenas desenvolveram formas coletivas de resistência e de política indígena. c) aceitação da escravidão. 01) Há variedade de etnias indígenas no Brasil, o que justi�ca a�rmar que existem culturas indígenas e não apenas uma cultura. 04) É possível identi�car a permanência de traços culturais indígenas na população brasileira em geral, como, por exemplo, na língua e na alimentação. c) II, III e V. c) identi�cação de uma concepção, partilhada por uma população, da existência de uma trajetória histórica comum que funda uma identidade. c) preservação − integração c) reconhecimento de patrimônios culturais nativos c) reconhecimento de patrimônios culturais nativos 02) a perseguição feroz a grupos étnicos distintos do grupo socialmente dominante pode levar à invisibilidade social dos grupos perseguidos. 04) a perseguição e o massacre dos índios Jê no Sul do Brasil foram fortemente motivados por pontos de vista etnocêntricos, interesses de Estado e ação de grupos sociais diversos. 16) o etnocentrismo, o preconceito, os interesses econômicos e as relações de poder in�uenciaram a maioria dos estados modernos no desrespeito aos direitos e às culturas das populações nativas que habitam seus territórios. [Resposta do ponto de vista das disciplinas de História e Artes] a) Dentro de um contexto – que ganhou força no século XIX – reforçado pelas ideias do Darwinismo Social, que categoriza das “raças”, classi�cando-as da mais desenvolvida para a menos desenvolvida, expor os indígenas em uma espécie de zoológico humano ajuda a a�rmar a ideia de inferioridade e submissão dos índios aos brancos, além de quali�car como exótico e absurdo hábitos da tradição indígena, como a antropofagia. b) A contradição se identi�ca no fato de que na imagem o botocudo é apresentado como selvagem e violento, mas no excerto �ca claro que os indígenas submetidos ao zoológico humano tentaram fugir por sentir medo dos brancos. Logo, podemos concluir que, na realidade, eram os brancos que empregavam práticas violentas contra os indígenas, apesar de esses últimos serem considerados selvagens. [Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia] a) A exposição e “estudo” de indígenas constituíam práticas comuns ao longo do século XIX. Essas práticas tinhamcomo base ideias de teorias como o Darwinismo social e a antropologia evolucionista. Nesta perspectiva, todos os povos humanos passariam por estágios evolutivos similares, do mais primitivo ao mais complexo, sendo este último identi�cado aos povos europeus. Assim, capturar e estudar os chamados “povos primitivos” era visto como uma forma de estudar o passado da humanidade. Estas ideias também se associam fortemente às práticas colonialistas, justi�cando a exploração dos povos indígenas e de suas terras. b) Na charge, os Botocudos são representados como selvagens violentos e arredios. O trecho deixa evidente, no entanto, que os brancos de origem europeia capturaram violentamente os indígenas, os retiraram à força de suas terras e os expuseram a uma condição da qual queriam fugir. Estes são, portanto, os verdadeiros atos violentos, condizentes com a mentalidade evolucionista do século XIX. 02) Todo jogo, indígena ou não, ao estabelecer regras entre o que é permitido ou proibido num processo de interação social, constitui-se como um sistema simbólico e cultural. 04) Os jogos são práticas culturais que também se expressam por meio de técnicas corporais, ou seja, são construções coletivas manifestadas nas expressões, nos gestos e nas habilidades do corpo humano. 16) Partindo do princípio de que é possível, a qualquer grupo humano, assimilar e reinventar formas culturais produzidas por outras sociedades, pode-se considerar que os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas não têm para seus participantes signi�cados idênticos aos que genericamente são atribuídos https://aprovatotal.com.br/medio/sociologia/exercicios/sociologia-brasileira/ex.1-sociologia-brasileira-i?dificuldade=random&tentativa=ultima&respostas… 27/27 Exercício 44 por nossa sociedade à Copa do Mundo ou às Olimpíadas. Aliás, a Copa do Mundo, por exemplo, não têm o mesmo signi�cado para brasileiros, ingleses, coreanos ou sul- africanos. Fatores como cor de pele, gênero e renda são importantes diagnósticos da desigualdade social no Brasil. Os dados de diminuição da taxa de desocupação, bem como de diminuição das diferenças de renda entre homens e mulheres e entre brancos e negros demonstram que entre 2003 e 2013 a desigualdade social diminuiu no Brasil. Isso se deu por alguns motivos, dentre eles o desenvolvimento econômico do período e a criação de políticas a�rmativas como cotas.