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DIREITO DESPORTIVO APLICADO 
MÓDULO: TEORIA GERAL DO DIREITO 
DESPORTIVO 
TEMA: ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DESPORTO 
1. Considerações gerais 
Achados arqueológicos revelam que luta livre, corrida de bigas (carro de 
combate utilizado na antiguidade), caça, tiro com arco, natação e corrida eram 
atividades favoritas de muitas culturas antigas, como os sumérios, babilônios, assírios, 
hititas e fenícios. Outras culturas como os egípcios, chineses e indianos se dedicavam 
a atividades como jogos de bola, exercícios físicos e arremesso de objetos diversos 
(SWADDLING, 2002). 
A competição esportiva e a atividade física eram um modo de vida para os 
gregos antigos desde os tempos pré-históricos, conforme vestígios arqueológicos dos 
eventos esportivos em Creta Minoica (a civilização Minoica surgiu durante a Idade do 
Bronze, sendo a maior ilha do mar Egeu, situado no interior da bacia do mar 
Mediterrâneo e floresceu aproximadamente entre o século XXX e XV a.C.), ligados a 
cerimônias religiosas. Na Grécia micênica (Civilização micênica ou civilização 
micénica é um termo utilizado para descrever a última fase da Idade do Bronze na 
Grécia Antiga, abrangendo o período de aproximadamente 1.600 a 1.100 a.C.), as 
competições atléticas eram parte integrante dos ritos fúnebres em homenagem aos 
ilustres mortos (SINN, 2000). 
A partir do século VIII a.C., o surgimento das primeiras cidades-estados 
também influenciou o desenvolvimento do esporte. Vários sistemas de educação 
foram desenvolvidos em cada cidade-estado que incluíam ginástica, música, escrita e 
leitura. A educação dos jovens visava ajudá-los a desenvolver seus corpos e suas 
mentes e alcançar a harmonia. O exercício físico foi acompanhado por música e 
dança, pois ajudavam a alcançar o equilíbrio harmonioso do corpo e da mente. A partir 
do século VI a.C., ginásios foram estabelecidos e o exercício físico foi estabelecido 
como meio de educação (SWADDLING, 2002). Na Grécia antiga (período da história 
que abrange desde o Período Homérico dos séculos XIV a IX a.C. até o fim da 
antiguidade (476 d.C.) e imediatamente após este período foi o início da Idade Média 
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e da era bizantina) não havia cidade sem ginásio, ou seja, um espaço exclusivamente 
dedicado ao exercício físico dos cidadãos e um povoado sem ginásio (SINN, 2000). 
O exercício físico foi o elemento mais importante na educação da juventude 
de Esparta (Esparta ou Lacedemônia ou Lacedemónia foi uma relevante cidade da 
Grécia antiga em torno do século X a.C.). Seu sistema dava mais ênfase ao 
fortalecimento do corpo e menos ao cultivo do espírito. Espartanos de ambos os sexos 
se exercitavam diariamente para manter seus corpos fortes e saudáveis. Várias 
corridas, passeios a cavalo, natação, bem como jogos de bola, estiveram na 
programação diária (SINN, 2000). O programa de exercícios físicos tornou-se mais 
difícil com a idade avançada e incluía corrida, luta livre, dardo, arremesso de objetos 
diversos, pancrácio (Arte marcial da Grécia antiga e esporte gladiatório), caça de 
animais silvestres, equitação, boxe e tiro com arco (SWADDLING, 2002). 
O sistema educacional da juventude de Esparta foi criticado por grandes 
filósofos da antiguidade, como Platão e Aristóteles, por causa da unilateralidade que 
o caracterizava, com sua orientação exclusiva para o treinamento físico e a 
preparação militar. No entanto, apesar das desvantagens do sistema de educação 
que os espartanos implementaram com a dura formação de sua juventude, os 
mesmos filósofos admitiram a importância desse sistema de educação física, pois 
conseguiu incutir na juventude grandes virtudes, como a disciplina e bravura 
(SWADDLING, 2002). 
Em contraste com Esparta, a educação em Atenas significava o 
desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito. As letras, a música e a ginástica 
eram os elementos mais essenciais da educação da juventude ateniense. Cada uma 
das disciplinas supracitadas era ministrada por um professor especial. Embora a 
educação não fosse obrigatória e nem pública, o Estado supervisionava e regulava o 
funcionamento adequado de escolas individuais de educação em Atenas. O processo 
foi dirigido a todos os cidadãos atenienses do sexo masculino, mas não a meninas e 
escravos (SWADDLING, 2002). 
Deste modo, os pais buscavam o desenvolvimento harmonioso de seus filhos, 
enfatizando a música e a ginástica. Assim, desde muito cedo os atenienses enviavam 
seus filhos à Pedótriba (professor de ginástica para crianças) e Palaestra (local de 
ensino de luta corporal que funcionava como escola de treinamento e também como 
lugar de convívio social masculino, onde conversas sobre literatura, filosofia e 
música), para aprender as técnicas de luta e fortalecer seus corpos. Mais tarde, os 
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adolescentes se exercitavam fisicamente nos ginásios públicos da cidade, onde se 
envolveram em luta livre, pancrácio, boxe, corrida, salto, lançamento de dardo e disco 
e várias outras atividades e jogos (SINN, 2000). 
Os jogos sagrados pan-helênicos (termo coletivo utilizado para designar 
quatro festivais separados que se realizavam periodicamente na Grécia Antiga, sendo 
eles: Jogos Olímpicos, em homenagem à Zeus; Jogos Píticos, em homenagem à 
Apolo; Jogos Nemeus, em homenagem à Zeus e Herácles; e Jogos Ístmicos, em 
homenagem à Poseidon) foram uma das criações da antiguidade (os registos mais 
antigos que se referem os Jogos Olímpicos datam de 776 a.C., mas há indícios de 
que a sua origem remonte alguns séculos antes e os demais jogos foram instituídos 
no século VI a.C.) que mais ajudaram na coesão e comunicação entre os gregos. 
Esses jogos indicaram a oportunidade de lembrar suas características comuns 
(língua, religião, origem) e esquecer por um tempo o que os dividia (SINN, 2000). 
Gregos não apenas da Grécia continental, mas também das margens do 
Ponto, das cidades da Ásia Menor, das colônias da Baixa Itália e do Norte da África 
vieram assistir ou participar desses jogos. Para além da coroa simbólica, os 
vencedores usufruíram de honras, privilégios e sobretudo do respeito dos seus 
concidadãos. A partir disso, Alexandre, o Grande (ou Alexandre III da Macedônia ou 
Alexandre Magno, foi rei do reino grego antigo da Macedônia) em campanha no 
Oriente, expandiu as fronteiras do helenismo (período da história da Antiguidade 
Clássica referente a decadência do mundo grego antigo e pela expansão territorial do 
Império Macedônico) como nenhum outro (SINN, 2000). Nas antigas e especialmente 
nas novas cidades fundadas por Alexandre e seus sucessores, foram criados ginásios 
e jogos organizados. A gregacidade (modo de vida grego, educação grega) se 
expressava através dos ginásios e buscava-se a helenização dos não gregos, visto 
que os gregos usavam o esporte como meio de educação (SWADDLING, 2002). 
Em contrapartida, romanos hesitavam, viam este conceito com desconfiança 
e utilizavam o exercício físico principalmente para a sua preparação militar. Além 
disso, para os romanos, tudo o que era atlético e atraente se tornava um espetáculo. 
A política de "pão e espetáculo", que foi implementada pela maioria dos imperadores 
romanos, resultou no povo apaixonado por duelos, lutas de animais e outros 
espetáculos sanguinários (SWADDLING, 2002). 
Os Jogos Olímpicos após um curso de cerca de 1.200 anos deixaram de 
existir, após sua abolição provavelmente por Teodósio I em 393 d.C., porque como 
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um costume pagão, não tinha razão para existir em um império cristão. No entanto, o 
esporte não deixou de existir, embora o estado teocrático atribuísse muito pouca 
importância às atividades esportivas. Assim, as corridas de bigas eram o espetáculo 
mais popular dos tempos bizantinos (SINN, 2000). Os espectadores foram divididos e 
organizados em grupos conhecidos pelas cores transportadaspelos cocheiros. Um 
de seus jogos favoritos era o chamado "gykanio", um jogo de equipe, que tinha muitas 
semelhanças com o polo de cavalos de hoje (SWADDLING, 2002). 
Por conseguinte, a tendência mais importante na Europa durante esses anos 
tenha sido o amor pelo conhecimento e o cultivo intelectual. Ao contrário dos antigos 
gregos, que adotavam o princípio de que uma mente forte e um corpo forte eram 
inseparáveis, os intelectuais desse período pareciam desvalorizar o desenvolvimento 
físico, acreditando que o tempo gasto em atividade física poderia ser usado para 
atividades espirituais e sua educação religiosa (SARIAN, 1988). 
A história cultural do Egito remonta ao início do 3º milênio a.C. e é, portanto, 
uma das culturas mais antigas da história humana. Nesta longa história, o país foi 
governado por 31 dinastias e desenvolveu sua própria cultura física que vem sendo 
cultivada há milhares de anos. Nenhuma outra cultura fornece representações 
pictóricas mais antigas e mensagens escritas sobre o esporte. Assim, as fontes mais 
antigas para o esporte vêm do Egito (SARIAN, 1988). Comparado com outras culturas 
antigas, o número de fontes existentes, especialmente as representações pictóricas, 
é muito rico. Esta riqueza de fontes remonta, entre outras concepções, a numerosos 
bens funerários que permitem uma observação precisa e um conhecimento 
aprofundado dos exercícios desportivos, pois destinavam-se a dar à pessoa morta, 
que se pensava estar viva, um prazer estético (MILLER, 2001). 
Os egípcios já tinham uma cultura física sistemática com treinos de ginástica, 
artes marciais (luta livre, socos, esgrima) e esportes aquáticos, sendo comprometida 
com um conceito de esporte diferente do que a palavra moderna reflete (WOLFGANG, 
1987). O termo egípcio “sḫmḫ - jb”, que significa "divirta-se", na verdade não é um 
título adequado para o esporte em geral. O próprio conceito de esporte mudou ao 
longo da história. Portanto, relacionado às culturas físicas antigas, pode incluir 
elementos típicos que faltam na cultura esportiva moderna e vice-versa (MILLER, 
2001). É, portanto, usado como um termo genérico auxiliar quando se refere aos 
exercícios físicos da cultura egípcia. 
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Comparado às sociedades modernas ou à antiguidade grega, o agonal 
(competição esportiva ou artística) desempenhava um papel subordinado no esporte 
egípcio antigo. Isso não significa que não havia competição atlética no antigo Egito, 
visto que competições foram organizadas e realizadas na frente de um público 
selecionado. Isso pode ser ilustrado, por exemplo, com a ajuda das cenas de esgrima 
de anéis e varas no templo mortuário de Ramsés III (GERHARD, 1969). Outro 
exemplo é o relatório de jogo da estela em execução de Taharqa (25ª dinastia). Ela 
relata uma corrida de longa distância, que foi realizado como uma competição 
(MILLER, 2001). Como a superioridade do rei (faraó), que era sobre-humano para os 
egípcios, não foi questionada, ele nunca participou de competições. Um duelo entre 
forças iguais com a participação do faraó era impensável (WOLFGANG, 1987). 
Neste sentido, o faraó era o fiador e guardião da ordem mundial. De acordo 
com essa visão, os inimigos que emergiram do caos tiveram que ser expulsos dele. 
Isso foi possível pela influência dos deuses que seguravam suas mãos sobre ele. O 
faraó era, portanto, a figura central da sociedade egípcia. Todas as ideias e 
pensamentos sobre a existência da ordem, a existência do Estado e o bem-estar dos 
egípcios foram dirigidos a ele (WOLFGANG, 1987). O cargo de rei exigia força física 
superior. Ele tinha que ser como um herói de guerra invencível e agir assim que o 
reino for ameaçado por inimigos. Esta insuperabilidade poderia ser vantajosamente 
sublinhada com façanhas esportivas (MILLER, 2001). 
O esporte foi, portanto, um meio de auto expressão para muitos reis do Egito 
nos tempos pré-históricos e desempenhou um papel importante. O auge dos faraós 
esportivos cai principalmente na 18ª dinastia e revivida no final da dinastia sob 
Tutancâmon e Eje II. Em face disso, o festival Sed (antiga cerimônia egípcia que 
celebrava o governo continuado de um faraó, cujo nome tem referência a um deus 
lobo) era um festival/ rito de renovação (WOLFGANG, 1987). O núcleo da cerimônia 
era o tradicional ritual de corrida que o faraó tinha que completar para recuperar o 
poder. Além disso, a corrida do rei apontava para o direito de retomar a posse do 
domínio (corrida de posse). Supõe-se que a substituição do governante por um 
sucessor jovem e fresco ocorria neste evento. Aqui, o príncipe mais capaz qualificado 
como herdeiro do trono (MILLER, 2001). 
A pirâmide de degraus de Djoser (3ª dinastia), com seu grande pátio e a 
estação de corrida nele oferece boas informações sobre um possível curso de ação 
do festival Sed. Acredita-se que seja a instalação esportiva mais antiga da história 
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mundial (por volta de 2600 a.C.). Como é uma estação de corrida no necrotério do rei, 
não era o local para a corrida real de Sed, mas pretendia dar ao rei a oportunidade de 
celebrar inúmeros festivais na vida após a morte. No entanto, isso permitiu tirar 
conclusões sobre os dispositivos que realmente foram usados para as comemorações 
de aniversário. Pode-se supor que a corrida teve que ser completada em torno de 
marcos semicirculares do domínio, com uma volta não superior a 140 metros 
(GERHARD, 1969). 
No entanto, nenhum esporte egípcio é tão numeroso e bem documentado 
quanto o tiro com arco em um alvo. Foi a disciplina de desfile real da 18ª dinastia, 
como evidenciado por um grande número de inscrições relevantes e achados de arcos 
e acessórios originais. A primeira menção foi feita em 1501 a.C. O alvo típico do faraó 
era um disco de cobre, como evidenciado por vários documentos e pela estela de 
Armant de Tutmés III (MILLER, 2001). O material era proveniente dos lingotes de 
cobre enviados para os portos do Mediterrâneo no comércio de cobre da Idade do 
Bronze. A incrível façanha do faraó, cuja flecha perfurou uma placa de cobre com três 
dedos de espessura, é comemorada como um exemplo de força real no Templo de 
Amon, na margem leste do rio Nilo (WOLFGANG, 1987). 
Aos mortais comuns, praticavam tiro com arco em alvos de madeira. A 
construção do arco de composição era bastante complicada devido à junção de 
diferentes elementos como madeira dura e macia, chifre e tendão animal e exigia a 
cola usada para secar por anos. Os arcos, muitas vezes decorados de forma 
elaborada, caracterizavam-se por uma grande flexibilidade e, em comparação com os 
arcos fabricados convencionalmente, davam ao usuário um alto nível de precisão. Os 
valiosos utensílios podiam ser armazenados com segurança em seus próprios 
recipientes. As pontas de flecha tinham uma grande variedade de formas, para que 
uma escolha vantajosa pudesse ser feita para cada ocasião (MILLER, 2001). 
Os arqueiros egípcios evitaram o impacto doloroso do tendão zumbido após 
a flecha ser disparada, cobrindo as partes sensíveis com protetores de antebraço 
feitos de couro, talvez também de chifre. Como atirador entre reis, Amenhotep II conta 
(18ª Dinastia), que conta como o maior atleta que já usou a coroa egípcia. Um relevo 
descoberto no túmulo de seu professor, o conde Min de Este, fornece informações 
sobre as aulas de tiro com arco. Os inscritos recebem instruções como: "Estique seus 
arcos para seus ouvidos!” O rei tradicional como arqueiro desportivo perdeu 
importância decisiva após Amenófis II, mas só desapareceu completamente na 19ª 
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dinastia. De acordo com um selo cilíndrico de Ramsés II (19ª dinastia) encontrado na 
Palestina, o assunto do atirador atlético não aparece mais (MILLER, 2001). 
Não obstante, um dos passatempos mais populares no Egito Antigo era a 
caça. Os motivos básicosoriginais do caçador eram adquirir comida e proteger a tribo 
do perigo iminente de animais perigosos. Com a domesticação e a criação planejada 
de animais e gado, a caça tornou-se menos importante como função vital. Ao mesmo 
tempo, a caça na forma de atividades esportivas assumiu uma função substituta. 
Assim, quando a caça deixou de ser apenas para alimentação e deixou o nível de 
autoproteção, o esporte começou (WOLFGANG, 1987). No entanto, deve-se dizer que 
o animal caçado foi comido, mesmo que a matança tenha sido feita por motivos 
esportivos. A caça egípcia antiga pode ser dividida em duas formas distintas. Por um 
lado, havia a caça grossa, que só era permitida ao rei e por outro, a caça no pântano, 
que era particularmente popular entre a nobreza. Este último, por sua vez, incluía 
lanças de pesca, bem como a caça de pássaros com varas de arremesso ou redes de 
rebatidas (GERHARD, 1969). 
Com esses métodos de caça no pântano, foi um evento social frequentado 
por famílias inteiras com esposas e filhos. Os barcos eram frequentemente decorados 
de forma elaborada e os participantes também eram decorados festivamente. As 
inúmeras representações fornecem bons relatos sobre o uso da rede de palmas na 
caça de aves (WOLFGANG, 1987). Era importante puxar a corda no momento certo 
para fechar a rede. Como essa operação exigia certa velocidade e a rede era mais 
pesada, teve que ser realizada por várias pessoas. Além disso, era necessário um 
batedor para sinalizar os espreitadores com um pano assim que fizesse sentido fechar 
a rede. Essa abordagem mostra que esse tipo de caça exigia habilidade e uma 
espécie de espírito de equipe para obter presas lucrativas (MILLER, 2001). 
A caça com varas de arremesso também é uma variante da caça aos 
pássaros. A madeira arremessada, arremessada com bastante ímpeto, servia para 
quebrar o pescoço das aves em voo e certamente poderia acertar alguns golpes em 
enxames densos. Além de outras formas de varetas de arremesso, existem aquelas 
que são surpreendentemente semelhantes à forma das varetas de arremesso 
australianas, os bumerangues. O mesmo pode ser dito para dispositivos 
sobreviventes. 
Uma grande variedade de esportes era praticada entre os privados egípcios, 
ou seja, aqueles que não participavam dos esportes reais. Este fato por si só explica 
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a alta popularidade do esporte como atividade de lazer. Como os humildes poços de 
terra do homem comum não sobreviveram muito bem ao tempo, a tradição remonta 
em grande parte aos túmulos da classe alta. Assim, a corrida se mostra em relevos 
em diferentes tipos e nos aparece como uma disciplina esportiva que pode ser 
praticada em qualquer lugar sem muita preparação técnica (MILLER, 2001). 
Por outro lado, o salto atlético é notavelmente raro na história do Egito Antigo. 
No entanto, há duas representações características que o apoiam definitivamente. 
Ambos seguem um padrão semelhante e são jogos infantis. Eles foram descobertos 
nas tumbas de Saqqara (GERHARD, 1969). O primeiro do final da 5ª dinastia de 
Ptahhotep e o outro do túmulo de Mereruka, que deve ser datado cerca de 50 anos 
depois. Diante disso, os saltos também faziam parte das danças acrobáticas, como 
pode ser visto em uma representação do túmulo de Senet (12ª dinastia). 
De modo análogo, a força física de um homem desempenhou um papel 
importante na determinação de sua posição na sociedade, especialmente no início da 
história. Com o tempo, a ideia de matar se desvinculou da competição durante o 
desenvolvimento de eventos esportivos, por razões de conservação das espécies. 
Assim, o processo de hierarquização social via duelos finalmente decorreu de acordo 
com as regras esportivas (WOLFGANG, 1987). O fato de que as mortes, no entanto, 
ocorreram não é muito frequentemente documentado em esportes antigos, mas 
compreensivelmente a maioria dos relatados ocorreu no contexto das artes marciais. 
Desta maneira, as artes marciais egípcias consistiam em luta livre, esgrima com vara 
e luta de socos (MILLER, 2001). 
Percorrendo essa linha esportiva egípcia, evidências sobre o esporte do remo 
não são muito informativas até agora. No entanto, muito já foi descoberto sobre a 
tecnologia do trem de remo naquela época. Refere-se à operação de navios de 
transporte que navegaram em grande número pelas costas do Nilo e do Mediterrâneo. 
Durante a puxada do remo, havia uma alternância cíclica de sentar e ficar em pé. O 
remo começou na posição em pé, seguido de sentado no banco de remo. No final do 
movimento, as mãos foram pressionadas para baixo e o lençol foi lentamente guiado 
para fora da água. A redefinição simultânea da perna interna do navio possibilitou a 
subida (GERHARD, 1969). Depois que o leme foi devolvido sobre a água, a posição 
de pisar foi abandonada. Para os faraós da 18ª dinastia, os remadores eram 
distinguidos por habilidades especiais. Assim, muitas vezes acontecia que o faraó 
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recompensava remadores particularmente notáveis com uma promoção (MILLER, 
2001). 
Nesse sentido, aqueles que sabiam nadar eram tidos em alta estima. Além 
disso, devido à proximidade com o Nilo, o conhecimento da natação era aconselhável 
para quase todos os habitantes do Egito, mas principalmente para os pescadores e 
barqueiros, para quem esse conhecimento poderia garantir sua sobrevivência. Mesmo 
em uma luta, definitivamente poderia ser uma vantagem se soubesse nadar. O 
conhecimento inicial da natação é fornecido pelos primeiros fechamentos de jarros e 
hieróglifos na forma de nadadores. A maneira como o estilo de natação é mostrada é 
uma reminiscência do nado livre com uma reconhecível braçada alternada 
(GERHARD, 1969). 
Isso prova que o rei cuidava pessoalmente da educação física de seus filhos 
e que isso acontecia junto com os filhos da nobreza real. As aulas de natação faziam 
parte do programa educacional e provavelmente eram ministradas por um instrutor de 
natação pertencente à nobreza (WOLFGANG, 1987). A natação como competição 
não é conhecida no antigo Egito, mas é assumida no contexto esportivo na história de 
Hórus e Seth (história mitológica da Vigésima Dinastia que conta as batalhas entre os 
deuses para determinar quem sucederá Osíris como rei) quando ambos completam 
uma competição de mergulho (MILLER, 2001). 
O esporte, no sentido moderno, é um fenômeno do século XX que não teria 
sido possível sem o desenvolvimento simultâneo da mídia (rádio, televisão) e sem o 
apoio político da era do nacionalismo. O esporte moderno se desenvolveu, como 
mostra a própria palavra e todo o campo de conceitos em todas as línguas europeias, 
a partir da Inglaterra, reconhecidamente apenas a partir do século XIX. Através de sua 
associação com a educação escolar e universitária, particularmente desde as 
reformas do educador britânico Dr. Thomas Arnold (1823–1900), tornando uma das 
principais formas culturais da sociedade moderna (HARRIS, 1988). 
No século XVIII, o conceito dominante de "esporte" ainda era sobreposto por 
sensações gerais, diversões e representações ocasionais (GOLDEN, 1998). A este 
respeito, era livremente negociável e amplamente aleatório em suas manifestações. 
Um elemento de exercício físico e realização estava presente, mas nem sempre 
dominante. Em alguns casos, as conquistas e competições esportivas eram mais de 
caráter de feira; eles serviram ao divertimento público (HARRIS, 1988). 
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Não havia um cânone específico de esportes. Os esportes que mais tarde 
vieram à tona (futebol, tênis etc.) não tiveram um papel importante. Mesmo quando as 
competições eram organizadas, ainda não se tratava de recordes, de números 
absolutos medidos e máximos comparáveis. O lema "Mais rápido, mais alto, mais 
longe" apenas se referia às condições locais, a um confronto individual específico 
como um evento.Além de corridas de cavalos e boxe, todas as competições atléticas eram 
praticamente livres de regras; chegou-se a um acordo ad hoc sobre o que era possível 
e permitido. Não havia esporte profissional, embora houvesse uma tendência nos 
primeiros dias de atletas de sucesso se concentrarem em uma determinada 
especialidade e comercializá-la (GOLDEN, 1998). O elemento de emoção das apostas 
era predominante, especialmente nas corridas de cavalos. Nesse aspecto, os eventos 
esportivos eram mais como jogos de azar e loterias. Prazer e emoção estavam em 
primeiro plano. Mas a ganância também determinaria a participação em tais eventos 
(HARRIS, 1988). 
Os elementos atléticos de tais competições muitas vezes retrocederam. 
Assim, os espetáculos que não são mais vistos no contexto do esporte: brigas de 
galos, mordidas de ursos e touros e esportes sangrentos semelhantes eram 
característicos da Inglaterra no início do período moderno. Eles permitiam apostas 
altas, emoções e entretenimento. Eles não pararam abruptamente na Era do 
Iluminismo. Os tradicionais esportes sangrentos foram gradualmente dando lugar 
àquelas competições que tornavam a comparação do desempenho humano objeto de 
altas apostas, às vezes combinadas com divertimentos de vários dias alinhados com 
as classes mais baixas, enquanto em tempos anteriores eram divertimentos 
socialmente mistos, incluindo a nobreza (HARRIS, 1988). 
Os prazeres da caça e as corridas de cavalos eram algo excepcional nesta 
área. Na própria Inglaterra, também, foram os sentimentos religiosos e o 
esclarecimento que não levaram a uma proibição fundamental, mas à repressão das 
atrocidades bestiais. Quando as regulamentações de proteção animal surgiram no 
final do século XVIII, foram os observadores continentais que apontaram que tais 
medidas legislativas só eram necessárias e apropriadas na Inglaterra. A este respeito, 
as leis de proteção animal não são uma expressão de humanidade avançada, mas 
sim uma acusação do estado da moralidade pública na Grã-Bretanha (GOLDEN, 
1998). 
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Corridas de cavalos também existiam em outros lugares da Europa. Mas eles 
eram particularmente proeminentes na Inglaterra e estavam mais aos olhos do público 
do que em outros países, isso porque poderia ser usado como estímulo à sua criação 
e, portanto, ao cultivo de um recurso útil a todos, seja para caça, transporte ou guerra. 
Os jogos de bola também existiam em outras partes da Europa, notadamente 
nas cidades italianas. A Inglaterra tornou-se proeminente nesse campo na medida em 
que certas regras se desenvolveram aqui e diferentes formas de jogos de bola foram 
distinguidas umas das outras (GOLDEN, 1998). A diferenciação e padronização dos 
jogos de bola representam essencialmente um desenvolvimento que ocorreu pela 
primeira vez no século XIX. O críquete já era considerado uma especialidade inglesa 
em épocas anteriores. Já no surgimento do futebol, sua origem é discutida, pois um 
jogo de bola que os povos mesoamericanos (astecas, maias etc.) jogavam já no 
período pré-colombiano de 1400 a.C. foi considerado o precursor do jogo de futebol 
atual, cujo objetivo era fazer com que uma bola passasse por uma argola colocada na 
parte central do campo de jogo central a alguma altura (2,50 a 3,50 m). Em paralelo, 
na China, já era do século III, um jogo de futebol chamado Cuju (Ts'uh-kuh) era 
disputado com uma bola de couro recheada com pelos de animais. Neste sentido, o 
grande entusiasmo pelo futebol na Turquia também pode ser explicado pelo fato de 
que um jogo chamado Tepük (chute em turco) era muito popular desde o século XI 
entre os povos turcos que viviam na Ásia Central (HARRIS, 1988). 
Embora a Inglaterra seja considerada a pátria do futebol, também houve jogos 
de luta relacionados ao jogo de bola propelida na França e na Itália. A partir desse 
momento, o futebol na Inglaterra foi jogado por duas aldeias tentando colocar uma 
bola no portão da cidade adversária. Tudo era permitido, ferimentos graves eram 
comuns (GOLDEN, 1998). O "campo de jogo" sempre foi entre duas aldeias, mesmo 
que estivessem a vários quilômetros de distância. Esses jogos eram extremamente 
brutais e, portanto, foram proibidos várias vezes pela Igreja e pela Coroa, razão pela 
qual sua importância diminuiu gradualmente após a Revolução Industrial no início do 
século XIX. No entanto, sua disputa como conhecemos hoje surge através do primeiro 
clube de futebol do mundo, o inglês Sheffield Football Club, fundado em 24 de outubro 
de 1857 (HARRIS, 1988). 
O boxe sempre foi considerado particularmente inglês (como a palavra 
sugere, que do inglês “boxing”, é a luta praticada com punhos fechados, cujo verbo 
“to box” significa “bater, surrar com os punhos”, sendo seu substantivo “box” se traduz 
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como “golpe, murro, soco”); tornou-se um esporte da moda no século XVII, que 
mesmo os aristocratas não estavam acima de si. Não obstante, um rígido código de 
conduta estabelecia o que era permitido e o que era proibido no boxe. Deve-se ter em 
mente que os duelos também eram travados na forma de lutas de boxe (GOLDEN, 
1998). A noção de que a luta corpo a corpo era, então, era prova de força mais nobre 
e mais justa e foi consolidada em comparação com um duelo de pistolas ou uma 
partida de esgrima com florete ou espada. Fontes contemporâneas costumam relatar 
duelos na forma de lutas de boxe (HARRIS, 1988). 
Competições atléticas como corrida, salto, arremesso etc., ainda não existiam 
no sentido padronizado (além de eventos locais como os Jogos Olímpicos em 
Cotswolds – evento esportivo anual organizado na região inglesa de Cotswold). No 
entanto, as apostas eram consideradas "um costume britânico distinto" e hoje uma 
cultura extremamente difundida no país e em todas as modalidades esportivas. Em 
contrapartida, a natação só surgiu como aposta em casos isolados e só se 
desenvolveu como esporte após 1800 (GOLDEN, 1998). O remo, por sua vez, também 
se tornou objeto de apostas. Nem sempre era apenas uma luta entre dois remadores 
ou dois barcos; em alguns casos já foram anunciadas regatas mais abrangentes. As 
regatas à vela eram escassas antes do século XIX (HARRIS, 1988). Comparável às 
corridas de cavalos, o remo foi promovido publicamente como uma escola para 
marítimos e, portanto, como um pré-requisito para a marinha na guerra e na paz, 
também com prêmios reais. Não obstante, a pesca era uma ocupação tradicional 
inglesa, reconhecidamente vista como um passatempo e não como um esporte. 
Somente no decorrer do século XIX a pesca se tornou um passatempo esportivo para 
os trabalhadores, embora com menos prestígio que a caça (GOLDEN, 1998). 
Atividade física significa qualquer movimento desencadeado pelos músculos 
esqueléticos que aumenta o gasto de energia acima da taxa metabólica de repouso 
(KYLE, 2014). Este tipo de trabalho físico de grupos musculares maiores pode assumir 
várias formas que correspondem a uma maneira natural de mover o corpo humano, 
de manusear objetos por ele e às formas primárias pelas quais ele defende e ataca, à 
qual um caráter competitivo, para controlar, em si mesmo, excelência e distinção, 
conseguir um feito e ganhar um prémio simbólico (INGOMAR, 1988). 
Uma atividade física independente, autônoma e autossuficiente, 
historicamente moldada e aceita, no contexto da qual o homem sistematicamente e 
organizado ativa suas potências e habilidades, com o objetivo de maximizá-las, para 
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que sejam expressas quantitativamente pelo seu desempenho/registro, o que a marca 
novamente no contexto, de uma competição direta ou indireta, contra seus rivais 
convencionais (INGOMAR, 1988). Assim, por exemplo, os esportes são corrida, salto, 
arremesso, luta livre, levantamento de peso, natação, etc. atividades físicas naturais 
(como já eram chamadas), com formacompetitiva e competição (para distingui-lo do 
esporte), em correspondência com a primeira, 100 metros de estrada, salto em 
distância, arremesso de peso, luta livre, 100 metros de natação livre etc (KYLE, 2014). 
No ano de 1894 d.C., numa conferência de esportes ocorrido em Paris, 
França, o barão Peter de Coubertin argumentou que o exercício físico é necessário 
para o desenvolvimento espiritual do homem. Ele também falou sobre a repetição dos 
Jogos Olímpicos. As ideias e pensamentos de Coubertin foram aceitos por todos os 
países que participaram da conferência. Em seguida, o grego Dimitrios Vikelas 
(empresário e escritor grego, famoso por ser o primeiro presidente do Comitê Olímpico 
Internacional) propôs que os primeiros jogos olímpicos da era moderna fossem 
realizados em Atenas(INGOMAR, 1988).. De fato, em 1896 os Jogos Olímpicos 
aconteceram novamente após um intervalo de 1500 anos, em Atenas. Agora, no 
entanto, não só os gregos participaram, como era o caso da Grécia antiga, mas 
também atletas de outros países de todo o mundo. Desde então, são realizadas 
continuamente, a cada quatro anos, em um país diferente (KYLE, 2014). 
Em paralelo, a Copa do Mundo é uma competição de futebol, que acontece a 
cada quatro anos, desde 1930, sob os auspícios da Federação Internacional de 
Futebol (FIFA). As seleções dos países membros da federação, que conseguiram se 
classificar após as partidas de qualificação, participam dele. É considerado o principal 
evento do futebol, que consegue atrair um grande número de espectadores, 
espectadores e patrocinadores, sendo que a primeira Copa do Mundo a ser 
televisionada foi em 1954. Hoje, a Copa do Mundo é o evento esportivo mais assistido 
do mundo, superando até mesmo os Jogos Olímpicos. A audiência da Copa do Mundo 
de 2002 chegou a 2,82 bilhões, enquanto a final foi assistida por 1,1 bilhão. 300 
milhões de telespectadores assistiram ao sorteio do grupo daquela Copa do Mundo. 
Através disso, nos primeiros anos do capitalismo o esporte foi industrializado. 
Não era mais apenas uma atividade de lazer, era um negócio. As pessoas estavam 
febrilmente inclinadas a apostar. As condições de vitória tornaram-se cada vez mais 
importantes, pois a manipulação da competição tinha o poder de arruinar as chances 
iguais de vitória. Consequentemente, nasceram os precursores das regras e 
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regulamentos de concorrência, embora o puro interesse em maximizar o lucro tenha 
inspirado sua criação (KYLE, 2014). 
Apesar dessas tendências, havia esperança para aqueles que acreditavam 
nos valores reais do esporte. Começou a ressurgir o movimento que considerava a 
educação física uma ferramenta educacional única. Finalmente, no século XIX, o 
florescimento do capitalismo e do liberalismo burguês viu o desenvolvimento do 
esporte moderno e o nascimento da noção de jogo limpo. A expressão foi usada pela 
primeira vez por Shakespeare em sua peça, King John (em 1597), mas tornou-se 
conhecida e difundida no século XIX. O Jovem Atleta Cristão e o Cavalheiro Cristão 
da sociedade inglesa, tidos como o ideal de sua época, foram educados por meio do 
esporte que se tornou uma ferramenta inestimável e fundamental para a formação da 
personalidade. Seu comportamento era regulado e controlado pelo espírito de jogo 
limpo. 
Fair play significa jogo honesto e justo e era uma regra não escrita, um valor 
moral que representava a verdadeira essência do esporte. Esperava-se que os atletas 
profissionais que lutavam pelo sucesso individual em nível internacional respeitassem 
as regras do jogo. Se alguém não jogasse por eles, eles arruinavam o jogo e destruíam 
os resultados. Os oponentes tinham que ser apreciados, quanto melhores eles eram, 
mais valiosos eles se tornavam. Esta filosofia descartou a possibilidade de 
chauvinismo (chauvinismo ou chovinismo é o termo dado a todo tipo de opinião 
exacerbada, tendenciosa ou agressiva em favor de um país, grupo ou ideia). 
Era muito importante ter o fair play como guia moral no esporte. No final do 
século XIX e início do século XX, além da descoberta das funções educativas, 
sanitárias e de entretenimento do esporte, mudanças significativas estavam em curso. 
Desenvolvimentos técnicos consideráveis envolvendo a indústria de equipamentos 
esportivos estavam em andamento e um sistema internacional de competições foi 
criado. Clubes e associações foram fundados em todo o mundo (KYLE, 2014). 
Tendências sociais, guerras mundiais, crises, ditaduras, choque de interesses 
econômicos e políticos, chauvinismo, nacionalismo e terrorismo deixaram de lado o 
ideal de jogo limpo dentro e fora do campo. Mais uma vez, o princípio de ganhar a 
todo custo tornou-se dominante e quase a regra. Essa doutrina levou a todo tipo de 
distorções no esporte como brutalidade, agressividade, uso de drogas e racismo. 
É bem reconhecido que o esporte espelha a sociedade. Como consequência, 
de tempos em tempos o valor e a expressão do fair play podem variar de uma 
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sociedade para outra. Quanto mais civilizada for uma sociedade, maior será sua 
consciência moral e senso de responsabilidade. No entanto, tem sido demonstrado 
repetidamente que o sucesso é considerado mais importante do que qualquer outra 
coisa e pode ser perseguido por qualquer meio. O sucesso esportivo traz vantagens 
sociais e financeiras que são uma tentação forte e irresistível para alguns (KYLE, 
2014). 
Políticos responsáveis, pesquisadores, educadores influentes, sociólogos e 
cientistas do século XXI perceberam coletivamente que o esporte é muito mais do que 
o direito de desfrutar de atividades emocionantes de lazer e preservar a saúde. O 
esporte é uma ferramenta incrível para fomentar e manter os valores morais, 
desenvolver o caráter e moldar o corpo e a mente. 
Mais do que nunca é de vital importância defender os valores intrínsecos ao 
esporte: respeito por si mesmo e pelos outros, solidariedade e fair play. Por meio do 
esporte e de valores como o fair play, que engloba respeito, amizade, espírito de 
equipe, competição justa, esporte sem doping, respeito às regras escritas e não 
escritas, igualdade, integridade, solidariedade, tolerância, cuidado e alegria, podemos 
contribuir para a construção de uma sociedade pacífica e, finalmente, um mundo 
melhor (KYLE, 2014). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIA 
GERHARD, Lukas. A cultura física nas primeiras épocas do 
desenvolvimento humano. Sportverlag Berlim, Berlim 1969. 
GOLDEN, M. Sport and Society in Ancient Greece. Cambridge: Cambridge 
University Press, 1998. 
HARRIS, H. A. Sport in Greece and Rome. “Os odes de Píndaros e as 
tiranias siciliotas”. In: Clássica. São Paulo: SBEC, 1988. 
INGOMAR, Weiler. Esporte entre os povos do Velho Mundo. Sociedade do 
Livro Científico, Darmstadt, 1988. 
KYLE, Donald G. Sport and spectacle in the ancient world. John Wiley & 
Sons, 2014. 
MILLER, Toby. Globalization and sport: Playing the world. Sage, 2001. 
SARIAN, H. “Culto heróico, cerimônias fúnebres e a origem dos jogos 
olímpicos”. In: Clássica. São Paulo: SBEC, 1988. 
SINN, U. Olympia: Cult, sport and ancient festival. Princepton. Markus 
Wiener Publishers, 2000. 
SWADDLING, J. The Ancient Olympic Games. Austin: University of Texas 
press, 2002. 
WOLFGANG, Decker. Esportes e jogos no antigo Egito. Beck, Munique 
1987. 
 
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