Prévia do material em texto
ACESSE AQUI ESTE MATERIAL DIGITAL! UBIRATAN SILVA ALVES ORGANIZADOR NICOLAU MELO DE SOUZA FUTSAL E FUTEBOL Coordenador(a) de Conteúdo Mara Cecília Rafael Lopes Projeto Gráfico e Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Lavígnia da Silva Santos Design Educacional Emerson Vieira Revisão Textual Carolina Guimarães Branco Ilustração Geison Odlevati Ferreira Fotos Shutterstock e Envato Impresso por: Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722. Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Núcleo de Educação a Distância. ALVES, Ubiratan Silva. Futsal e Futebol / Ubiratan Silva Alves; organizador: Nicolau Melo de Souza. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 216 p. ISBN papel 978-65-279-0341-3 ISBN digital 978-65-279-0338-3 1. Esportes 2. Futsal 3. Futebol 4. EaD. I. Título. CDD - 796.33407 EXPEDIENTE FICHA CATALOGRÁFICA N964 02511800 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/17299 RECURSOS DE IMERSÃO Utilizado para temas, assuntos ou con- ceitos avançados, levando ao aprofun- damento do que está sendo trabalhado naquele momento do texto. APROFUNDANDO Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de filmes que se conectam com o tema do conteúdo. INDICAÇÃO DE FILME Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Aqui você terá indicações de livros que agregarão muito na sua vida profissional. INDICAÇÃO DE LIVRO Utilizado para desmistificar pontos que possam gerar confusão sobre o tema. Após o texto trazer a explicação, essa interlocução pode trazer pontos adicionais que contribuam para que o estudante não fique com dúvidas sobre o tema. ZOOM NO CONHECIMENTO Este item corresponde a uma proposta de reflexão que pode ser apresentada por meio de uma frase, um trecho breve ou uma pergunta. PENSANDO JUNTOS Utilizado para aprofundar o conhecimento em conteúdos relevantes utilizando uma lingua- gem audiovisual. EM FOCO Utilizado para agregar um conteúdo externo. EU INDICO Professores especialistas e con- vidados, ampliando as discus- sões sobre os temas por meio de fantásticos podcasts. PLAY NO CONHECIMENTO PRODUTOS AUDIOVISUAIS Os elementos abaixo possuem recursos audiovisuais. Recursos de mídia dispo- níveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. 4 73 119 165 U N I D A D E 3 CAPACIDADES FÍSICAS E HABILIDADES MOTORAS DO FUTEBOL/FUTSAL 74 HABILIDADES TÉCNICAS INDIVIDUAIS DO FUTEBOL/FUTSAL 96 U N I D A D E 4 TREINAMENTO DAS HABILIDADES TÉCNICAS 120 TÁTICAS DE JOGO NO FUTEBOL 140 U N I D A D E 5 TÁTICAS DE JOGO NO FUTSAL 166 TREINAMENTO DAS TÁTICAS DE JOGO 190 7U N I D A D E 1 INICIAÇÃO ESPORTIVA E ESPECIALIZAÇÃO 8 31U N I D A D E 2 BASES GERAIS DO TREINAMENTO ESPORTIVO 32 PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO 50 5 CAMINHOS DE APRENDIZAGEM UNIDADE 1 MINHAS METAS INICIAÇÃO ESPORTIVA E ESPECIALIZAÇÃO Analisar o esporte moderno e suas implicações sociais e culturais. Entender as particularidades das modalidades esportivas. Compreender a iniciação esportiva, seus objetivos, estágios e importância. Analisar a iniciação no futebol e futsal, focando em prática e talentos. Refletir sobre práticas para futebol e futsal, com jogos reduzidos e progressão. Diferenciar especialização de iniciação esportiva. Reconhecer o impacto da especialização precoce no desenvolvimento infantil. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1 8 INICIE SUA JORNADA O futebol e o futsal são essenciais à cultura brasileira, refletidos nos muitos títu- los conquistados, como Copas do Mundo, que destacam o Brasil como potência global. Apesar da fama, o estudo técnico desses esportes ainda não alcançou o nível esperado. Esse contraste entre sucesso prático e falta de estudo científico oferece uma oportunidade para desenvolver novos conhecimentos e abordagens. A importância do estudo do futebol e do futsal está em aprimorar o de- senvolvimento dos jogadores desde cedo até o alto rendimento. Esses esportes envolvem capacidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas. Respeitar o período de desenvolvimento é crucial para promover criatividade e tomada de decisão, evitando práticas inadequadas e a aplicação de modelos profissionais em crianças, garantindo o pleno desenvolvimento dos atletas. No Brasil, o futebol e o futsal vão além de esportes, sendo parte do tecido social e econômico. Investir em estudos nessas modalidades é crucial para o desenvol- vimento dos atletas e a evolução do esporte. A questão é: como podemos trans- formar essa paixão nacional em um estímulo para o avanço científico e técnico? Neste podcast, vamos explorar como a prática deliberada é crucial na formação de jovens atletas, destacando a importância de desenvolver a criatividade e os cuidados necessários durante o processo. Recursos de mídia disponíveis no con- teúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? O futebol, com raízes em diversas culturas antigas, evoluiu ao longo dos séculos, tornando-se o esporte global que conhecemos hoje. Explore o que se conhece dessa rica história no vídeo História do Futebol. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=8X4q8AgqGkc UNICESUMAR 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 DESENVOLVA SEU POTENCIAL ABRANGÊNCIA DO ESPORTE MODERNO E FUTEBOL Não é incomum ouvirmos dizer que o esporte é uma grande ferramenta educa- cional e pode tirar crianças e jovens da criminalidade, projeta pessoas do ano- nimato para o estrelato, pode ser um meio de inclusão social, traz benefícios em nível de saúde a uma sociedade e pode estreitar laços familiares e/ou profissionais. A expressão “esporte moderno” demarca diferenças dessa prática para as sociedades ditas antigas e tradicionais. Em primeira instância, ocorre uma auto- nomização do campo esportivo em relação a outros campos sociais (religiosos, rituais) que aparecem a partir da constituição de locais específicos para essas práti- cas, como, por exemplo, os estádios, ginásios e outros. Em segunda instância, surge a secularização, ou seja, desvinculo da prática esportiva de rituais religiosos, quan- do as práticas passam a acontecer de modo independente de questões religiosas. Por fim, na terceira questão, o esporte moderno prega uma igualdade formal de chances entre os jogadores, distante da prática antiga em rituais que explicitavam as diferenças entre os indivíduos, principalmente no âmbito social. Assim, o esporte moderno, autonomizado, caracteriza-se por ter espaços pró- prios criados para esse fim e, nas regras, postula uma igualdade entre os jogado- res, anulando diferenças sociais que possam existir. Nessas regras, não existem mais interesses situacionais nem tampouco tradições locais, sendo prevalecente o potencial universal. A prática passa a ter tempo regrado, calendário próprio, sensível ao mundo social, mídia, trabalho e lazer. 1 1 Uma das modalidades esportivas, considerada, atualmente, como uma das mais populares no mundo, é o futebol. Ainda que o futebol possa ser identifi- cado em diferentes práticas que se assemelham, principalmente no que tange ao contato dos pés com a bola, como, por exemplo, o futsal, o futevôlei, o beach soccer, futebol society, sepaktakraw, dentre outras, a prática nos gramados (seja de grama natural ou artificial) atrai a atenção de inúmeras pessoas por todas as partes do mundo. Nessa modalidade esportiva, acontece um dos maiores eventos do planeta que, de quatro(1997), a periodização pode ser entendida como uma forma sistemática de organizar temporadas de um atleta, ainda que seja amador, podendo ser profissional, com objetivo de melhorar a sua performance e alcançar metas, sendo que os objetivos, via de regra, deverão ser pre- viamente instituídos e constantemente avaliados a partir das métricas estabelecidas. Silva (1998) ratifica e acrescenta essa definição dizendo que a periodi- zação se constitui como sendo a divisão de uma temporada de preparação em diferentes períodos e etapas de treinos com objetivos, orientações e ca- racterísticas peculiares, o que demanda ter procedimentos e orientações de treinos específicos e bem definidos. Para o autor, a periodização é uma das etapas mais importantes do planejamento de um treinamento esportivo, pois vai influenciar de maneira categórica na organização, na estruturação dos treinos e, consequentemente, nos resultados. Essa organização da periodização tem relação direta e, deve ser organizada, a partir dos diferentes calendários de competição existentes nas diferentes mo- dalidades esportivas, por conta das exigências físicas relacionadas à adaptação do corpo do atleta, somadas às especificidades de cada modalidade esportiva, principalmente no que tange aos gestos técnicos, materiais e regras que precisam ser conhecidas, acatadas e respeitadas nos períodos de preparação. Silva (1998) acrescenta a esse cenário as possíveis interferências que podem ocorrer relacionadas às condições climáticas de cada região onde acontecerão os treinos, bem como das regiões onde acontecerão as competições. Vale ressaltar que, quando não existe a periodização planejada para um trei- namento, pode ocorrer de um atleta treinar em períodos que deveria descansar, aumentar cargas em períodos que deveria diminuir e incorrer no erro de chegar próximo a uma competição em estado de estafa ou despreparo, pela desorgani- zação da periodização. As atividades na periodização possibilitam que haja controle do processo da forma esportiva do atleta que, para Matveev (1991), é o estado de ótima prepara- ção para que se obtenha bons resultados, ou seja, é o melhor estado possível de um atleta. Essa forma esportiva é caracterizada como sendo a unidade harmoniosa de todos os elementos da capacidade ótima do atleta, que são os físicos, técnicos, UNICESUMAR 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 táticos e psíquicos. O autor enfatiza que apenas com a presença de todos os ele- mentos citados é possível afirmar que um atleta está em boa forma. A partir dessa perspectiva, os profissionais responsáveis pela elaboração da periodização devem sempre aplicar cargas de treino apropriadas, administrar as etapas da forma do atleta, viabilizando ter coincidência entre o período de resultados elevados com o período das grandes competições elencadas. Diante disso, Silva (1997) endossa que a periodização do treinamento des- portivo tem como intenção organizar e orientar o processo de preparação física/ esportiva de um indivíduo, a fim de que a melhor forma atlética possível de ser alcançada incida no período de competição ou das competições previstas numa temporada. Para esse autor, a organização de um treino deve estar sistematiza- da num ciclo que deve ser dividido em três períodos: preparação, competição e transição, correspondentes às três fases da forma atlética, que são: aquisição, manutenção e perda temporária. O primeiro período, o de preparação, deve ser dividido em duas etapas: a básica e a específica, que corresponde à fase em que o atleta deverá adquirir con- jecturas da forma atlética a fim de desenvolver condições necessárias para uma participação esportiva positiva, aponta Silva (1997). No período de competição, no qual o atleta, via de regra, deverá estar em boa forma atlética, os melhores re- sultados devem ser esperados. Para o período de transição, faz-se necessário que o treinador administre a possível queda da forma atlética, a fim de estar preparado para que, na sequência dos treinamentos, o atleta adquira novas formas atléticas em patamares mais elevados. Ainda nessa temática relacionada ao tipo de periodização, Matveev (1991) apresenta ciclos que podem ser semestrais e/ou anuais. Para o autor, algumas modalidades esportivas que têm alta exigência da capacidade física de resistência deveriam se embasar numa periodização simples, ou seja, um ciclo anual, pois os melhores resultados serão buscados apenas num período. Já para modalidades esportivas que se utilizam predominantemente de capacidades físicas de força e velocidade, os planejamentos deveriam acontecer nos ciclos semestrais, ou seja, na periodização dupla, na qual se necessitaria de resultados melhores em mais de um período do ano. Uma terceira possibilidade levantada pelo autor é a pe- riodização tripla, predominantemente utilizada com atletas mais jovens ou em formação, pois ainda não têm estrutura rígida suficiente para suportar cargas muito elevadas de treinamento. 5 4 Periodização: modelos Existem alguns modelos de periodização que podem ser utilizados em treina- mentos esportivos de acordo com a modalidade esportiva em questão, o(s) atle- ta(s), o período, as competições, o tempo hábil, dentre outros fatores. ■ Modelo clássico: proposto por Matveev (1991) na década de 1950. O autor sugere um trabalho dividido em três fases: preparatória, competitiva e de transição. ■ Na fase preparatória, que pode durar de três a quatro meses, ciclos se- mestrais, cinco a sete meses, e ciclos anuais, o treinamento objetiva uma melhor forma física geral do atleta, focando os objetivos nas capacida- des físicas de força, resistência e agilidade somadas aos treinamentos específicos da modalidade esportiva em questão. ■ Na fase competitiva, que pode durar de um mês e meio a dois meses, com possibilidade de se estender até quatro ou cinco meses, se pro- põe um aumento na intensidade e no volume dos treinamentos a fim de atingir seu pico, vislumbrando a estabilização para o período das competições. ■ Na fase de transição, que pode durar de três a quatro semanas, com possibilidade de se estender até seis semanas, a proposta é organizar um período de recuperação com diminuição da intensidade e da quan- tidade dos treinamentos. ■ Modelo modular: a maior ênfase dos treinamentos neste modelo pro- posto por Vorobjev (1970 apud Tschiene, 1985) é o treino específico com foco no objetivo do próprio indivíduo, seja relacionando a uma modali- dade esportiva ou treinamentos feitos em academias de ginástica. ■ Modelo pendular: o modelo pendular foi proposto por Arosiev e Kali- nin como uma adaptação ao de Matveev, apresentado por autores como Dias et al. (2016) e Marques Junior (2011), sugerindo que, nesse modelo, a divisão não vai acontecer em fases, mas, sim, em diversos microciclos. A partir da definição do ciclo, haverá um revezamento entre a preparação geral e a preparação específica, o que, suspostamente, vai garantir uma condição positiva durante todo o ano de treinamento. UNICESUMAR 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 ■ Modelo de periodização em blocos: neste modelo de periodização, trabalham-se as técnicas e as táticas específicas da modalidade em questão, além das habilidades motoras e capacidades físicas gerais, concomitantemente. No primeiro momento, trabalha-se com as competências físicas. Posteriormente, trabalha-se com as habilidades competitivas e, na última etapa, que são as competições, todas as capacidades e habilidades devem ser reforçadas. ■ Modelo ondulatório: neste modelo utilizam-se vários estímulos, alte- rando-se a carga e a intensidade de modo contínuo, o que vai influenciar diretamente nos tipos de exercícios propostos. Este modelo é muito utili- zado em treinamentos de musculação, em que os resultados do indivíduo aparecerão de forma mais rápida. Outra corrente de periodização muito utilizada pelo mundo todo, especialmente por portugueses, é a periodização tática. Esta metodologia confronta os modelostradicionais, com foco principal no jogo e integrando o desenvolvimento físico ao contexto do jogo. O artigo Contribuições da Periodização Tática para o Desenvolvi- mento de uma Identidade Coletiva em Equipes de Futebol analisa como essa abor- dagem inovadora fundamenta-se em uma sólida base teórica e prática. Acesse em: https://core.ac.uk/download/pdf/228507671.pdf EU INDICO CICLOS Ao se tratar de questões relacionadas a ciclo de treinamento, autores como Za- kharov e Gomes (1992) e Matveev (1991) partem do princípio de que o corpo humano funciona a partir de duas esferas: a aptidão física (força e habilidade) e a fadiga (cansaço e desgaste). Cada ser humano tem um metabolismo que trabalha de forma particular e diferente dos demais indivíduos, tanto no que tange às necessidades distintas de estimulação quanto de recuperação. 5 1 A partir disso, entende-se que cada corpo humano tem um tempo distinto dos demais para possíveis respostas e adaptações aos treinamentos físicos. Nesse sen- tido, os ciclos de treinamento são organizados e planejados para oferecer a cada indivíduo um treinamento personalizado para que possa buscar e, possivelmente, alcançar, de modo eficiente, os melhores resultados. O treinamento organizado em ciclos trabalha com o corpo do indivíduo de for- ma sistemática e organizada, a partir da oferta de estímulos programados e pausas adequadas, para que possa haver o restabelecimento fisiológico e muscular. Nesse sistema de treino, o atleta vai descansar quando for necessário e ter energia armaze- nada suficiente para dar o máximo possível na execução das tarefas em seus treinos. No início de um trabalho de periodização, em que o profissional de educação física irá organizar os ciclos de treinamento, devem ser definidos de modo claro os prazos e períodos, bem como os objetivos que, via de regra, devem ser atingíveis. Na fase de planejamento, é imprescindível que o profissional de educação física tenha acesso e conheça todas as características do atleta e suas condições físicas e clínicas que possam interferir no planejamento. Com base nessas informações, será determinado o tempo de duração de cada período dos ciclos. Os ciclos são divididos em macrociclo, mesociclo e microciclo, assim apresentados: O macrociclo consiste num planejamento de treinos em longo prazo, ou seja, no período total, que pode ser semestral, anual, bianual ou ciclo olímpico com duração de quatro anos. Nesse segmento, deve-se ter claro quais são as principais competições de que o atleta ou a equipe irá participar, podendo haver modifi- cações ou adaptações caso haja alguma intercorrência nesse período, como, por exemplo, uma lesão ou o cancelamento/adiamento de uma competição. O mesociclo é o conjunto de microciclos. Esse é o agrupamento de treinos com menor tempo, sendo composto de uma até quatro semanas de treino. Caso essa periodização se estenda por seis semanas, será chamada de microciclo ex- tensivo. Via de regra, cada mesociclo pode ter de 1 a 12 microciclos. Em se tratando de futebol e futsal, Frade (2014) mostra que o macrociclo é visto como o trabalho completo, ou seja, chegar ao final da temporada, sendo, por exemplo, campeões, ou não rebaixados de divisão. No mesociclo, o autor sugere que pode haver conteúdos distintos, ainda que sejam opostos, desde que tenham certa interação lógica. A ideia é a de fragmentar as atividades em peque- nas propostas, distribuindo no tempo disponível, promovendo uma evolução da complexidade e assimilação dos gestos pelos atletas. UNICESUMAR 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 Por fim, o microciclo, de acordo com Frade (2014), deve ser organizado com a ideia completa do jogo e do desenvolvimento do jogador, visto que as demandas no Brasil são quase sempre semanais. É importante que se distribua as atividades de maneira equilibrada ao longo da semana de treinamento. Como planejar mesociclos se não sabemos como serão os jogos? Dependendo do calendário, muitos times só têm microciclos focados em recuperação. Para manter ou adquirir desempenho, integre treinos curtos e específicos durante es- ses períodos. Utilize janelas de tempo para sessões intensivas e técnicas de recu- peração ativa. Flexibilidade no planejamento e adaptação contínua são essenciais para otimizar o desempenho ao longo da temporada. PENSANDO JUNTOS Esse segmento do mesociclo tem várias fases, assim elencadas: período de base, período pré-competitivo, período competitivo e período de transição (Zakharov; Gomes 1992). O período de base dura, em média, de quatro a dez semanas, podendo variar de acordo com o nível de respostas do atleta, bem como dos objetivos traçados. É nesse período que o profissional de educação física deve desenvolver no atleta as capacidades físicas básicas e gerais, como, por exemplo, na corrida, em que se deve desenvolver a capacidade aeróbia. O período pré-competitivo é o momento em que o profissional de edu- cação física organiza as atividades com tarefas especificas que serão exigências na modalidade esportiva em questão. Nessa fase, deve ocorrer o aumento da intensidade e da duração do treinamento, que pode ser compreendido entre seis e dez semanas. Existem outras adaptações que vão acontecer no organismo, como, por exemplo, o aumento da tolerância com intensidades mais elevadas; a maior tolerância a concentrações mais elevadas de lactato sem perda de desempenho; melhora na velocidade de remoção do lactato; e aumento da utilização do glico- gênio como fonte energética. 5 8 User Destacar O período competitivo deve levar em consideração a recuperação do atleta em relação à alta carga de treino que aconteceu no período pré-competitivo, a fim de deixar o atleta pronto para a competição. O nome que se dá a essa situa- ção é “polimento”, com uma diminuição progressiva e rápida do volume e da intensidade dos treinos. Outro detalhe que deve ser levado em conta nessa fase é a completa recuperação entre as competições, não podendo fazer com que o atleta perca o melhor da sua forma. O período de transição tem uma duração média de duas a quatro semanas em que o atleta não deve parar por completo as atividades, tendo como possi- bilidade praticar outras modalidades esportivas diferentes das suas para que o condicionamento físico adquirido não tenha uma redução muito alta. Ressalta-se que, além das questões físicas a serem recuperadas, os aspectos emocionais tam- bém devem ser levados em consideração no que tange à recuperação. Outra classificação encontrada em autores como Bompa (1994), Silva (1998) e Forteza de La Rosa (2001), relacionada aos ciclos, é assim descrita: ■ Ciclo básico: dura de quatro a oito semanas, sendo que o trabalho é ini- ciado com aquecimento, atividades relacionadas à aprendizagem motora e sobrecargas de peso. Neste ciclo, o número de repetições varia e as séries são estabelecidas de acordo com as necessidades e condições físicas do atleta, tendo um aumento de carga após o quarto treino. ■ Ciclo adaptativo: dura de quatro a oito semanas, tendo uma intensifica- ção do treino das capacidades físicas de resistência muscular e resistência cardiovascular, introduzindo atividades específicas das capacidades físi- cas de força e velocidade. Neste ciclo, recomenda-se trabalhos em forma de circuitos, objetivando otimizar a resistência muscular e a capacidade cardiorrespiratória. ■ Ciclo específico: dura de quatro a doze semanas, tendo o trabalho feito com uma quantidade de repetições e sobrecargas necessárias para o ob- jetivo específico, ou seja, o trabalho de hipertrofia é diferente do trabalho de força. ■ Ciclo de transição: dura de uma a quatro semanas, tendo como princi- pal intenção a manutenção do corpo numa perspectiva de treinamento mínimo posterior ao período de treinamento longo já executado com o mesmo objetivo. Neste ciclo, prevalece a estabilização para que o corpo do atleta não se acomode, pois deve haver desafios com reajuste da capa- UNICESUMAR 5 9 TEMADE APRENDIZAGEM 3 cidade física de força para que haja uma sólida construção e manutenção da massa muscular. ■ Ciclo readaptativo: dura de uma a quatro semanas, tendo o foco no recondicionamento físico, principalmente quando houve abandono tem- porário dos treinamentos. Em se tratando de futebol e futsal, Silva (1998) destaca que todos esses planejamentos e programações terão inúmeras variáveis influenciando as atividades, sendo que a que teria maior desta- que seria o calendário das competições de que a equipe participará. REFLEXÕES ACERCA DO TREINAMENTO ESPORTIVO No caso do monitoramento das cargas de treinamento, o principal objetivo é minimizar eventuais limitações que podem vir a ocorrer durante as sessões do treinamento esportivo, a fim de que se evite uma prescrição das variáveis de volume, intensidade e densidade com incoerências diante da demanda fisiológi- ca, somadas às mudanças no desempenho que são conferidas pelo processo de treinamento (Impellizzeri et al., 2005; Moreira et al., 2012). Juntamente com os testes de desempenho e o uso dos parâmetros fisiológicos, pode-se, ainda, utilizar ferramentas como recordatórios, questionários e escalas para quantificação das cargas de treinamento (Nakamura; Moreira; Aoki, 2010; Nunes et al., 2011; Kirk; Hurst; Atkins, 2014). A partir disso, o monitoramento a ser feito das cargas de treinamento pode contribuir de modo positivo na or- ganização do processo de treinamento, pois vai oferecer subsídios para auxiliar a interpretação das respostas dos atletas em relação às cargas de treinamento utilizadas durante o próprio processo de treinamento. 1 1 PERIODIZAÇÃO NO FUTEBOL E NO FUTSAL Relembrando o que já foi discutido anteriormente, a periodização se divide em três grandes períodos: o preparatório, o competitivo e o transitório, como nos mostra Weineck (2000). Em se tratando de futebol e futsal, no período preparatório, os treinamentos vi- sam à preparação para a competição, sendo necessário, inicialmente, se fazer uma análise diagnóstica dos jogadores para que se possa, de modo profundo, conhecer as características individuais de cada atleta. Posteriormente, é necessário que o profissional de educação física conheça e analise as competições que a equipe irá disputar na temporada. Finalmente, deve conhecer as condições para a efetivação dos treinamentos, ou seja, recursos materiais e humanos oferecidos pelo clube. Nesse período, é possível dividir as atividades em algumas etapas, assim apre- sentadas por Mourinho (2000): ANÁLISE DIAGNÓSTICA Nesta etapa, o profissional de educação física deve fazer um grande levantamento das características individuais dos atletas que estão no grupo, principalmente conhecendo quem são, como são, como agem, quais as condições físicas e quais as características técnicas. MONTAGEM DO CRONOGRAMA DE TRABALHO Nesta etapa, se definirá, a partir do calendário de competições, quais serão as datas e períodos de treinamentos somados ao conteúdo específico de atividades que serão desenvolvidas em cada uma das etapas dessa preparação. DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS Esta etapa irá ilustrar quais parâmetros serão priorizados na preparação. UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DEFINIÇÃO DOS CONTEÚDOS A SEREM DESENVOLVIDOS Depois de se ter os dados da análise diagnóstica, deve-se definir quais serão os conteúdos a serem treinados, sempre dando ênfase ao trabalho de desenvolvimento das valências físicas, técnicas e táticas que, porventura, estejam fora dos patamares considerados mínimos exigidos para que se possa ter bons resultados. PLANIFICAÇÃO DOS TREINAMENTOS Nesta etapa é feita uma reunião de todos os tópicos anteriores e se dá início à prepa- ração propriamente dita da equipe. DISTRIBUIÇÃO DE CARGAS DE TRABALHO Nesta etapa, organiza-se a distribuição das cargas de trabalho por meio dos macro- ciclos, mesociclos, microciclos e, ainda, com possíveis sessões individuais de treina- mentos específicos. AVALIAÇÕES FISIOLÓGICAS E TÉCNICAS Esta etapa ocorre durante todo o período preparatório, quando se faz um acompa- nhamento do desenvolvimento de cada atleta e da equipe por meio de avaliações fisiológicas e técnicas, obtendo resultados que apontem para dados relacionados aos estágios de desenvolvimento dos atletas. EXECUÇÃO Nesta etapa, acontece a efetivação de todo o planejamento, quando todos os mem- bros da comissão técnica devem ter controle e conhecimento do desenvolvimento das atividades a fim de que se evite erros e imprevistos que possam vir a prejudicar o bom andamento da preparação. No período competitivo, acontecem os treinamentos, ao mesmo tempo em que se está competindo, tendo como prioridade a obtenção dos melhores resultados. Nesse período, os treinamentos devem focar nas especificidades do futebol, dan- do ênfase ao trabalho das técnicas individuais e táticas coletivas, diminuindo o trabalho exclusivamente físico. Os treinamentos físicos vão acontecer apenas para 1 1 manutenção da base adquirida no período de preparação. Vale ressaltar que, nesse período, aumenta muito o desgaste físico e emocional dos atletas, principalmen- te pela quantidade de jogos e viagens, o que sugere a introdução de sessões de treinamento regenerativas, que devem ser organizadas com os profissionais da comissão técnica, em especial o profissional de educação física (organizador da programação e execução das sessões), o fisiologista (responsável pelo controle da fadiga muscular dos atletas por meio de testes fisiológicos, como controle de acidose e lactato muscular), o nutricionista (responsável pela reposição correta dos nutrientes perdidos pelo desgaste físico) e o psicólogo (responsável pelo au- xilio no equilíbrio das emoções). Cada um na sua especialidade deve contribuir nesse momento tão importante da periodização. No período transitório, diminui-se a carga de treinamento se preparando para a próxima temporada, em que o atleta vai iniciar a recuperação do des- gaste que os períodos anteriores causaram. Nesse período, pretende-se evitar o chamado overtraining (que ocorre quando um atleta participa e executa mais treinamentos do que seu corpo está preparado) e, consequentemente, possíveis lesões. Na transição, as atividades devem ser desenvolvidas com cargas reduzidas, vislumbrando também o período de férias. Vale ressaltar que o descanso é uma peça fundamental na preparação física e técnica de um atleta. É nesse período que a comissão técnica vai iniciar a planificação para a próxima temporada. Confira no artigo Quantificação da Carga de Treino Interna e Externa de uma Época de Futebol de uma Equipa Europeia de Elite como a carga de treino interna e exter- na foi monitorada em um time da elite europeia, que participou de competições importantes como a Liga dos Campeões. Utilizando o índice de Hooper (HI), dis- tância total (DT), distância percorrida em alta velocidade (HSD) e percepção sub- jetiva de esforço (s-RPE), o estudo revela variações na carga de treino ao longo da temporada e como essas cargas se ajustam. Acesse em: http://formacao.comiteolimpicoportugal.pt/PremiosCOP/COP_ PFO_TS/file117.pdf EU INDICO UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 NOVOS DESAFIOS Como podemos observar, a periodização é uma ferramenta eficaz para planejar, monitorar e controlar treinos, jogos e atletas, com o objetivo de prevenir lesões, melhorar o desempenho e manter estímulos e respostas adequadas durante trei- nos e partidas. É importante reconhecer que o futebol e o futsal possuem características es- pecíficas, como a carga de treino mais oscilatória e um longo período competitivo, portanto, cabe aos treinadores e à comissão técnica entender esses processos para otimizar a preparação dos atletas durante os períodos preparatórios e garantir uma manutenção consistente do desempenho ao longo da temporada. O entendimento detalhado de todo esse planejamento distingue o estudante de educação física dos demais profissionais, como,por exemplo, antigos atletas que, apesar de conhecerem bem a modalidade, podem não possuir o conheci- mento adequado para trabalhar as cargas de forma ótima e organizada. Essa capacidade de aplicar teorias e métodos de forma estruturada e científica oferece ao estudante uma vantagem significativa, preparando-o para otimizar a prepa- ração dos atletas e contribuir efetivamente para o sucesso das equipes em um ambiente profissional. Olá! Agora, assista ao nosso vídeo e enriqueça seus estudos. Neste vídeo, vamos falar a respeito de temas relevantes para a área. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 4 1. Estudos apontam que a periodização do treinamento desportivo parece ter suas raízes oriundas do treinamento com atletas na Europa Ocidental que praticavam levantamento de peso. O principal objetivo dessa proposta era modificar as extenuantes rotinas de trei- namento, objetivando uma melhor recuperação do atleta para que pudesse obter melho- res resultados, principalmente nas valências de força e potência. A base fundamental da periodização está na desejada síndrome de adaptação geral proposta por Hans Selye, em 1936, que tenta se explicar as reações do corpo a partir de situações de estresse. A síndrome da adaptação geral proporciona três tipos diferentes de adaptação do corpo que acontecem diante das exigências do treinamento físico. Como elas são descritas? a) A primeira fase é chamada de choque, na qual o indivíduo terá contato com uma carga de choques elétricos e podem aparecer dores ou desconfortos, diminuindo o desempenho. A segunda fase é chamada de reclusão, na qual o indivíduo passa a ficar recluso, sem contato com ninguém. A terceira fase é chamada de abstinência, na qual o indivíduo não deve fazer absolutamente nada. b) A primeira fase é chamada de distanciamento, na qual o indivíduo não terá contato com nenhum outro atleta. A segunda fase é chamada de abertura, na qual o indivíduo passa a ter contato com grandes multidões. A terceira fase é chamada de descanso, na qual o indivíduo deve ficar dormindo na maior parte do dia. c) A primeira fase é chamada de gelada, na qual o indivíduo terá contato com locais de baixa temperatura. A segunda fase é chamada de quente, na qual o indivíduo terá contato com locais de alta temperatura. A terceira fase é chamada de contraste, na qual o indivíduo terá contato, num momento, com temperaturas geladas, e, imediatamente, colocado a altas temperaturas. d) A primeira fase é chamada de choque, na qual o indivíduo terá contato com um novo estímulo de treinamento e podem aparecer dores ou desconfortos, diminuindo o desem- penho. A segunda fase é chamada de adaptação ao estímulo, na qual o indivíduo passa a se adaptar e, assim, terá aumento em seu desempenho. A terceira fase é chamada de cansaço, na qual o indivíduo já se adaptou ao estímulo e, por isso, não acontecerão mais adaptações. e) A primeira fase é chamada de relaxamento, na qual o indivíduo deve descansar comple- tamente e evitar qualquer tipo de esforço físico. A segunda fase é chamada de meditação, na qual o indivíduo deve focar em técnicas de respiração e meditação para melhorar o desempenho. A terceira fase é chamada de visualização, na qual o indivíduo deve ima- ginar mentalmente os exercícios e treinos para obter melhores resultados. VAMOS PRATICAR 1 5 2. A periodização se divide em três grandes períodos: o preparatório, o competitivo e o transi- tório. No caso do futebol, o período preparatório vislumbra uma preparação para a compe- tição que se faz a partir de uma análise diagnóstica dos jogadores, a fim de conhecê-los de modo mais aprofundado, conhecendo as características individuais. No próximo momento, os profissionais devem se atentar ao calendário de competições a serem disputadas, bem como as possíveis condições que terão para desenvolver seus treinamentos no que se refere a espaços, materiais e pessoal. Com base nas questões relacionadas às etapas do período preparatório a serem desenvol- vidas, analise as sentenças a seguir: I - A análise diagnóstica deve ser feita a partir de um levantamento das características indi- viduais dos familiares dos atletas da equipe em relação às condições físicas e técnicas. II - A elaboração do cronograma de trabalho deve ser feita a partir do conhecimento do calendário das competições dos anos anteriores, bem como dos locais em que ocor- rerão as disputas. III - A definição dos objetivos deve ser feita com intuito de ilustrar os parâmetros a serem utilizados na preparação. IV - A definição dos conteúdos a serem desenvolvidos deve ser feita com a definição dos conteúdos a serem treinados, no que tange a valências físicas, técnicas e táticas. V - A planificação dos treinamentos deve ser feita a partir das informações obtidas em todos os outros tópicos, dando início efetivo aos trabalhos. É correto o que se afirma em: a) II. III e V, apenas. b) I, II e III, apenas. c) II, IV e V apenas. d) II, III e IV apenas. e) I, III, IV e V apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 3. Outra maneira de se dividir os períodos do treinamento esportivo também pode ser apre- sentada por meio de pequenos momentos de tempo que levam o nome de ciclos, os quais são fundamentais para o planejamento eficaz dos treinos. Esses ciclos podem variar em duração e intensidade, dependendo dos objetivos específicos do atleta ou da equipe. Conforme estudos e pesquisas dentro dessa área, analise as sentenças: I - O ciclo conhecido como básico tem duração que varia entre quatro e oito semanas, tendo as atividades iniciadas com aquecimento seguidas de atividades especificas relacionadas a aprendizagem motora e sobrecargas de peso. Nesse ciclo, o número de repetições varia, e as séries são estabelecidas de acordo com as necessidades e condições físicas do atleta, tendo um aumento de carga após o quarto treino. II - O ciclo conhecido como adaptativo tem duração que varia entre quatro e oito semanas, intensificando o treino nas capacidades físicas de resistência muscular e resistência cardiovascular somadas ao posterior trabalho com as capacidades físicas de força e velocidade. Nesse ciclo, recomenda-se trabalhos em forma de circuitos, objetivando otimizar a resistência muscular e a capacidade cardiorrespiratória. III - O ciclo conhecido como específico tem duração que varia entre quatro e 12 semanas, tendo a quantidade de repetições e sobrecargas organizadas a partir dos adversários relacionadas ao objetivo específico planejado, ou seja, o trabalho de hipertrofia é igual ao trabalho de força. IV - O ciclo conhecido como transição tem duração que varia entre uma e quatro semanas, tendo a manutenção do corpo como foco principal numa perspectiva de treinamento mínimo posterior ao período de treinamento longo que já ocorreu. Pretende-se que aconteça uma estabilização com fins de não acomodar o corpo, sugerindo desafios com reajuste da capacidade física de força para que haja uma sólida construção e manuten- ção da massa muscular. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Indaial: UNIASSELVI, 2022. BOMPA, T. Theory and methodology of training – the key to athletic performance. Iowa: Ken- dall-Hunt, 1994. DIAS, H. et al. Evolução histórica da periodização esportiva. Revista Corpoconsciência, Cuiabá, v. 20, n. 1, p. 67-79, 2016. FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do treinamento de força muscular. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. FORTEZA DE LA ROSA, C. A. Treinamento desportivo: carga, estrutura e planejamento. São Paulo: Phorte, 2001. FRADE, V. Fora de jogo o tempo todo. Lisboa: Prime Books, 2014. IMPELLIZZERI, F. M. et al. Use of RPE-based training load in soccer. Medicine and Science in Sports andExercise, Indianapolis, v. 36, n. 6, p. 1042-1047, 2005. KIRK, C.; HURST, H. T.; ATKINS, S. Measuring the Workload of Mixed Martial Arts using Accele- rometry, Time Motion Analysis and Lactate. International Journal of Performance Analysis in Sport, New York, v. 15, n. 1, p. 359-370, 2014. MARQUES JUNIOR, N. Modelos de periodização para os esportes. Revista Brasileira de Prescri- ção e Fisiologia do Exercício, São Luís, v. 5, n. 26, 143-162, 2011. MATVEEV, L. P. Fundamentos do treino desportivo. 2. ed. Lisboa: Horizonte, 1991. MOREIRA, A. et al. Monitoring internal load parameters during simulated and official basketball matches. The Journal of Strength & Conditioning Research, Philadelphia, v. 26, n. 3, p. 861-866, 2012. MOURINHO, J. Programação e periodização do treino em futebol. Sports Med , New York, v. 30, n. 2, p. 79-87, 2000. NAKAMURA, F. Y.; MOREIRA, A.; AOKI, M. S. Monitoramento da carga de treinamento: a percep- ção subjetiva do esforço da sessão é um método confiável? Rev Educ Fís , Tocantinópolis, v. 21, n. 1, p. 1-11, 2010. NUNES, J. A. et al. Salivary hormone and immune responses to three resistance exercise sche- mes in elite female athletes. The Journal of Strength & Conditioning Research, Philadelphia, v. 25, n. 8, p. 2322-2327, 2011. SELYE, H. Síndrome produzida por diversos agentes nocivos. Nature, London, v. 138, n. 32, 1936. SILVA, F. M. A necessidade de novas elaborações teórico-metodológicas para o treino despor- tivo: uma realidade que se impõe. Revista Horizonte, Belo Horizonte, v. 13, n. 76, mar./abr. 1997. 1 8 REFERÊNCIAS SILVA, F. M. Planejamento e periodização do treinamento desportivo: mudanças e perspectivas. In: SILVA, F. M. (org.). Treinamento desportivo: reflexões e experiências. João Pessoa: Editora Universitária, 1998. p. 29-47. TSCHIENE, P. I ciclo annuale d’allenamento. Revista di Cultura Sportiva, Roma, v. 4, n. 2, p. 16-21, 1985. TUBINO, M. J. G. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3. ed. São Paulo: Ibrasa, 1984. WEINECK, J. Futebol total: treinamento físico no futebol. Tradução Sérgio Roberto Ferreira Ba- tista. São Paulo: Phorte, 2000. ZAKHAROV, A.; GOMES, A. C. Ciência do treinamento desportivo. Rio de Janeiro: Grupo Palestra Sport, 1992. 1 9 1. Alternativa D A primeira fase é chamada de choque, na qual o indivíduo terá contato com um novo estí- mulo de treinamento e podem aparecer dores ou desconfortos, diminuindo o desempenho. A segunda fase é chamada de adaptação ao estímulo, na qual o indivíduo passa a se adaptar e, assim, terá aumento em seu desempenho. A terceira fase é chamada de cansaço, na qual o indivíduo já se adaptou ao estímulo e, por isso, não acontecerão mais adaptações. A. Incorreta. A descrição das fases da síndrome de adaptação geral está equivocada. A pri- meira fase não envolve contato com choques elétricos, e a segunda fase não é de reclusão, e a terceira fase não é de abstinência. B. Incorreta. A descrição das fases da síndrome de adaptação geral não está correta. A primeira fase não é de distanciamento, a segunda fase não é de abertura, e a terceira fase não é de descanso. C. Incorreta. A descrição das fases da síndrome de adaptação geral está incorreta. A primeira fase não é gelada, a segunda fase não é quente, e a terceira fase não é de contraste de temperaturas. E. Incorreta. A descrição das fases da síndrome de adaptação geral não está correta. A pri- meira fase não é relaxamento, a segunda fase não é meditação, e a terceira fase não é de visualização. 2. Alternativa D I. Incorreta. A análise diagnóstica deve focar nas características dos próprios atletas, não dos familiares, em relação às condições físicas e técnicas. II. Correta. A elaboração do cronograma de trabalho deve considerar o calendário das com- petições anteriores e os locais das disputas. III. Correta. A definição dos objetivos deve ilustrar os parâmetros a serem utilizados na pre- paração. IV. Correta. A definição dos conteúdos a serem desenvolvidos deve abranger valências físicas, técnicas e táticas. V. Incorreta. A planificação dos treinamentos deve ser baseada nas informações obtidas nos outros itens, menos na afirmativa I, para iniciar efetivamente os trabalhos. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 3. Alternativa E I. Correta. O ciclo básico, com duração entre quatro e oito semanas, foca em aquecimento, atividades específicas e sobrecargas de peso. O número de repetições e séries varia conforme as necessidades do atleta, com aumento de carga após o quarto treino. II. Correta. O ciclo adaptativo também dura entre quatro e oito semanas e intensifica o treino em resistência muscular e cardiovascular. O uso de circuitos é recomendado para melhorar resistência muscular e capacidade cardiorrespiratória. III. Incorreta. O ciclo específico tem duração de quatro a 12 semanas e organiza repetições e sobrecargas com base no objetivo específico planejado. O trabalho de hipertrofia não é igual ao trabalho de força. IV. Correta. O ciclo de transição, com duração de uma a quatro semanas, foca na manutenção do corpo com treinamento mínimo após um período longo de treinamento, visa estabilizar o corpo e manter a massa muscular. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 UNIDADE 3 MINHAS METAS CAPACIDADES FÍSICAS E HABILIDADES MOTORAS DO FUTEBOL/FUTSAL Entender as capacidades físicas e habilidades motoras no esporte. Identificar e entender os diferentes tipos de capacidades físicas. Compreender os conceitos fundamentais de habilidades motoras. Entender as características de cada capacidade física. Analisar o metabolismo associado a diferentes capacidades físicas. Compreender as diferenças dessas capacidades no futebol e no futsal. Exemplificar capacidades físicas e habilidades motoras no futebol e futsal. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4 1 4 INICIE SUA JORNADA Entender as capacidades físicas e habilidades motoras dos esportes é essencial para uma prescrição eficaz de treinamento e o desenvolvimento dos atletas. Esse entendimento não deve ser exclusivo dos profissionais responsáveis pelo de- sempenho físico; é fundamental que treinadores e toda a equipe técnica com- preendam o processo para construir programas de treinamento mais assertivos e integrados. Além disso, é crucial reconhecer as particularidades de cada esporte, pois cada modalidade demanda diferentes capacidades físicas e habilidades especí- ficas. Compreender essas diferenças permite adaptar o treinamento de forma mais precisa, garantindo que as necessidades de cada esporte sejam atendidas de maneira adequada. Quando atletas e treinadores possuem conhecimento das diferentes abor- dagens de treinamento, eles podem reconhecer e aplicar as estratégias mais ade- quadas para cada situação. Esse processo permite que a equipe técnica direcione o treinamento com foco nas capacidades específicas exigidas pela modalidade, estabelecendo objetivos claros e precisos. Isso garante que o desenvolvimento dos atletas esteja sempre alinhado com as demandas específicas do esporte, maximi- zando os resultados de forma direcionada. Neste episódio do podcast, abordamos como o sono afeta a recuperação e o rendimento dos atletas. Entenda a importância do descanso adequado e explore métodos para otimizar o sono, garantindo um melhor desempenho. Ouça agora para conhecer diferentes abordagens para melhorar o descanso e a recuperação! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de apren- dizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNICESUMAR 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 VAMOS RECORDAR? No vídeo Futsal vs Futebol: Diferenças e Características, são destacadas as características específicas de cada modalidade. O vídeo mostra como essas diferenças implicam a necessidade de abordagens distintas no treinamento. Enquanto o futebol exige um treinamento que considera o campo maior e a dinâmica mais aberta, o futsal demanda exercícios adaptados ao ambiente menor emais rápido. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=tRFR_biIcQE 1 1 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CAPACIDADES FÍSICAS E HABILIDADES MOTORAS Antes de especificar as capacidades físicas e as habilidades motoras do futebol/ futsal, é necessário um entendimento mais detalhado de cada um desses termos. Assim, a base da discussão das capacidades físicas foi feita a partir das obras de Tubino (1984), Åstrand e Rodahl (1986), Weineck (1986), Tubino e Moreira (2003), Dantas (2005), Mcardle, Katch e Katch (2016). O termo capacidade física sofre alguma modificação, de acordo com o refe- rencial adotado em nível de estudo, também denominado como qualidade física ou, ainda, valência física. Em todos os casos, independentemente da terminologia utilizada, vale lembrar que algumas dessas capacidades são inatas, congênitas, ou seja, nascem com cada indivíduo, podendo ser treinadas e aperfeiçoadas. Já outras são adquiridas e desenvolvidas, podendo sofrer influências do meio ambiente e ser definidas como todo atributo físico treinável em um organismo humano, ou seja, todas as qualidades físicas motoras passíveis de treinamento (Weineck, 1986). As capacidades físicas são qualidades próprias de cada indivíduo e, corres- pondente essencialmente à parte física corporal do movimento, podendo ser aprimoradas a partir de atividades físicas ou treinamentos físicos específicos (Tubino; Moreira, 2003; Mcardle; Katch; Katch, 2016). Em grande medida, Tubino (1984) aponta que as capacidades físicas determi- nam o desempenho motor de um indivíduo e que, para melhorar esse desempenho motor na prática de uma modalidade esportiva ou em alguma atividade ou exercício físico, é necessário organizar treinamentos físicos, com exercícios específicos que visem a focar a melhora de alguma dessas capacidades ou mais de uma delas. As melhores respostas motoras que os seres humanos darão aos estímulos a serem apresentados na sua vida diária ou na prática de alguma atividade física ou esportiva estão distribuídas pelas capacidades físicas (Dantas, 2005). Um ser humano pode ser mais veloz, mais forte ou mais flexível que outro a partir de suas origens, ou seja, de acordo com a sua carga hereditária somada ao tipo de atividade e de treinamento físico que participa durante a vida (Tubino, 1984; Weineck, 1986; Dantas, 2005; Mcardle; Katch; Katch, 2016). UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 As capacidades físicas podem ser identificadas como sendo condicionais ou coordenativas (Dantas, 2005). Enquanto as condicionantes estão relacionadas com os processos de obtenção de energia, as coordenativas relacionam-se, fun- damentalmente, com os processos de controle do movimento dependentes do sistema nervoso central. Futsal – A Ciência da Preparação Física O livro de Rodrigues, Nakamura e Rabelo oferece uma análise inovadora da preparação física no futsal. Destinado a profissio- nais e estudantes, aborda conceitos e técnicas baseadas em ciência e prática, preenchendo uma lacuna na literatura do es- porte. O livro é uma referência para preparadores físicos e treinado- res, fornecendo insights valiosos para otimizar o desempenho dos atletas e acompanhar a evolução do esporte. INDICAÇÃO DE LIVRO CAPACIDADES FÍSICAS: TIPOS É importante entendermos as definições e as especificidades de cada uma das capacidades físicas dos seres humanos, conforme Tubino e Moreira (2003), as quais serão apresentadas em ordem alfabética. Agilidade Capacidade física que permite uma mudança rápida de direção do corpo no menor tempo possível, tentando se manter em equilíbrio. Essa capacidade física está intimamente ligada às capacidades físicas de flexibilidade, equilíbrio e força, estando presente na maioria das modalidades esportivas, exceto, por exemplo, corridas de curta distância, do tipo 100 metros rasos. 1 8 No futebol, podemos exemplificar a partir de um jogador, com ou sem a bola, que se desloca em várias direções, com mudanças de sentido para se desvencilhar do adversário e, assim, usar sua agilidade. Coordenação motora Essa capacidade física também é conhecida como destreza ou qualidade de siner- gia, que permite uma ação ótima dos diversos grupos musculares na realização de uma sequência de movimentos com máxima eficiência e economia de energia. A coordenação motora permite ao indivíduo assumir a consciência e a execução de movimentos, levando-o à integração progressiva de aquisições motoras. Não apenas nas práticas que envolvem modalidades esportivas, a coordenação mo- tora está presente em todas as ações e gestos motores humanos, o que nos leva a perceber que não existe um indivíduo que não tenha coordenação motora, mas que apresenta dificuldades em realizar determinada tarefa motora, o que não significa ausência total dessa capacidade física. A coordenação motora pode ser identificada como fina ou grossa (ampla). • Coordenação motora fina envolve uma pequena quantidade de músculos e pequenos grupos musculares, em conjunto com articulações de pequeno porte, para que o indivíduo, efetivamente, consiga executar uma ação dita mais delicada e precisa que, geralmente, é feita com as mãos ou pés. Por exemplo: a escrita e o desenho. • Coordenação motora grossa (ampla) envolve uma grande quantidade de músculos e grandes grupos musculares, em conjunto com as articulações de médio ou grande porte, para que o indivíduo, efetivamente, consiga executar uma ação. Por exemplo: as corridas e os saltos. No futebol, um exemplo seria um jogador, em suas ações de domínio e controle de bola, invariavelmente, fazer uso de sua coordenação motora para essas ações. UNICESUMAR 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 8 1 Endurance orgânica (resistência) É a capacidade física que permite a realização de exercícios prolongados com esforço contínuo em intensidade fraca ou média. A endurance caracteriza-se pela realização de atividades aeróbias e que consegue suportar por um bom tempo a fadiga resultante da atividade, tendo recuperação rápida. Pode ser resistência orgânica aeróbia e anaeróbia, que, por sua vez, pode ser láctica ou alática. ■ Resistência aeróbia: é definida como uma qualidade física que permite a um indivíduo sustentar, por um período, uma atividade física, relativa- mente, generalizada em condições aeróbias, isto é, nos limites do equilí- brio fisiológico, denominado steady state. Trata-se do período longo de uma atividade nos limites do equilíbrio de oxigênio. O desenvolvimento da capacidade aeróbia de um indivíduo promove melhora da capacidade funcional do coração, aumento da capacidade muscular de queimar açú- cares e gorduras, melhora no transporte de oxigênio (O2), aumento dos glóbulos vermelhos (número), redução da massa corporal e da frequência cardíaca (FC) de repouso. Considera-se também, como resistência geral, estamina. Estabelecem-se cargas em torno de 60% a 80% da máxima, e o estudo na fisiologia tem sido amplamente discutido. Sua fonte energética é chamada de glicogênio. ■ Resistência anaeróbia alática: qualidade física que permite susten- tar, durante o maior tempo possível, uma atividade física em condições anaeróbias. O termo alático aparece conforme o exercício muito inten- so, tem a duração de, aproximadamente, até dez segundos, o que já está se tornando discutível e estudado em laboratórios, pois se acredita que alguns atletas treinados suportem mais tempo. Os exercícios por curtos períodos, até 60 segundos, dependem essencialmente da adenosina trifos- fato (ATP), gerada pelos sistemas de energia anaeróbia imediata. Provoca fadiga bioquímica e neuromuscular. ■ Resistência anaeróbia láctica: qualidade física que permite sustentar o maior tempo possível de uma atividade física em condições anaeróbias, com tempo superior ao exercício anaeróbio alático, no qual, para susten- tação de três a cinco minutos, se aumenta a quantidade de energia gerada pela glicólise. Várias repetições causam um acúmulo de lactato, resultando em nível de ácido láctico maisalto. UNICESUMAR 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 ■ Resistência muscular localizada (resistência de força): é uma quali- dade física que permite realizar, em um maior tempo possível, a repetição de determinado movimento com a mesma eficiência. É indicado no trei- namento de musculação isotônico ou isocinético, no intervalado, no cir- cuito e, até mesmo, na musculação isométrica. Permite a continuação do esforço, tanto em condições aeróbias quanto anaeróbias. Tem uma relação direta com a duração do esforço com grupos musculares determinados, sugerindo-se uma duração de esforço mínima de 15 repetições. Provoca fadiga periférica (circulatória e motriz) e também a nervosa. Um exemplo, no futebol, seria um jogador que, durante um jogo, fará uso dessa capacidade, tanto nas ações que têm um tempo longo de duração, nas trocas de pas- ses, quanto aquelas com tempo menor, mas com alta velocidade, em lançamentos. Equilíbrio É a capacidade física conseguida por uma combinação de ações musculares, com o propósito de assumir e sustentar o corpo sobre uma base, contra a lei da gra- vidade, ou seja, o controle do corpo em relação ao seu centro de gravidade. Pode ser de três tipos: dinâmico, estático e recuperado. ESTÁTICO Conseguido em determinada posição e usado, sobretudo, em esportes como saltos ornamentais e ginástica artística. DINÂMICO Alcançado em movimento, dependendo do dinamismo dos processos nervosos. Pode ser trabalhado com os fundamentos técnicos das modalidades esportivas. RECUPERADO Considerado na recuperação do equilíbrio em uma posição qualquer. Pode ser eviden- ciado nos saltos e em esportes como voleibol, basquetebol, handebol, futebol e futsal. 8 1 Como exemplo, no futebol, podemos citar um jogador, em um jogo de futebol, que está em constante desequilíbrio, principalmente por conta de os contatos com a bola acontecerem predominantemente com os pés, sendo estes que irão possibilitá-lo de se deslocar. Assim, o equilíbrio, a todo momento do jogo, inclu- sive quando o jogador não está se movimentando, utilizará essa capacidade física. Flexibilidade Permite executar movimentos com grande amplitude, em diferentes partes do corpo, que pode ser medida em unidades angulares ou lineares e que depende da mobilidade articular e da elasticidade muscular. Essa capacidade física con- diciona a capacidade funcional de as articulações se movimentarem nos limites ideais de determinadas ações. Vale ressaltar que as estruturas e a composição corporal das pessoas do sexo feminino permitem que sejam mais flexíveis do que as pessoas do sexo masculino. A flexibilidade é a responsável pela ação voluntá- ria de um movimento de amplitude angular máxima, nos limites morfológicos, sendo parte de um conteúdo de treinamento específico, que depende de fatores genéticos, ambientais, sexo, temperatura, idade e horário. Força É a capacidade física que permite deslocar um objeto, o corpo de um parceiro ou o próprio corpo, por meio da contração de um músculo ou de um grupo muscular, produzindo tensão suficiente para vencer uma resistência na ação de empurrar, tracionar ou elevar. A força pode ser dividida em três tipos: ■ Força dinâmica: é a força executada por membros em movimento ou suportando o peso do corpo em movimentos repetidos. Também pode ser chamada de força em movimento, conhecida, ainda, pelas nomenclaturas de máxima, pura ou isotônica. A força dinâmica pode ser dividida em força absoluta, força relativa e força de resistência, dividida em aeróbica e anaeróbica: ■ força absoluta é aquela considerada no valor máximo, que pode desen- volver uma pessoa, em determinado movimento; UNICESUMAR 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 ■ força relativa é aquela considerada como o quociente entre a força ab- soluta e o peso corporal da pessoa; ■ força de resistência é aquela considerada pela vitória sobre o cansa- ço após um certo tempo de contrações, ou seja, suportar a fadiga, e é dividida em: ■ força de resistência aeróbia é aquela que ocorre com a presença de suficiente provisão de oxigênio; ■ força de resistência anaeróbia é aquela que ocorre com a ausência de provisão de oxigênio. ■ Força estática: é a força que produz calor, mas não ocorre em forma de movimento, sendo também chamada de força isométrica. Essa força é medida pelo tempo que uma pessoa pode permanecer em uma situação de contração isométrica, suportando determinada carga. ■ Força explosiva: é a força exercida com o máximo de energia em um ato explosivo, sendo o produto da força pela velocidade (P = F × V), presente na maioria das modalidades esportivas. No futebol, podemos citar, como exemplo, um jogador que irá usar a força nas situações em que necessi- tar: chegar ao local onde está a bola, aproximar-se do adversário para marcação e fazer chutes; no caso do goleiro, nas defesas e nas jogadas de reposição de bola. Tempo de reação ou velocidade de reação É a capacidade física que demonstra a velocidade em que cada indivíduo irá reagir diante de um estímulo, o qual pode ser visual, auditivo ou tátil sinestésico. Muitas vezes, essa capacidade física é chamada de maneira inadequada de “re- flexo”. Vale ressaltar que o reflexo é um movimento humano que independe da nossa vontade e não é treinável, diferentemente das capacidades físicas que são consideradas atributos treináveis pelos seres humanos. Essa capacidade física está intimamente ligada ao sistema nervoso central e pode ser apreciada, de modo claro, nas modalidades esportivas que fazem uso de bola. Essa capacidade física pode ser identificada em três tipos: 8 4 ■ Simples: quando existe um estímulo para iniciar o movimento. ■ Complexo: quando existe um implemento (por exemplo, a bola) em que o atleta deve iniciar o movimento. ■ Complexo por escolha: quando existe, além do implemento, uma toma- da de decisão perante um adversário. No futebol, por exemplo, um jogador a todo momento terá que fazer escolhas, opções e, consequentemente, fará uso da sua velocidade de reação, de seu tempo de reação. Quanto maior for a velocidade de reação e menor o tempo de reação, maior a possibilidade de êxito do jogador diante de um estímulo. A cada jogada de uma partida, surgirá um estímulo, com o qual o jogador irá se deparar e, assim, tomar decisões. Quanto mais treinado, em nível gestual, estiver o atleta, melhores serão executadas as suas decisões. Velocidade É a capacidade física que permite realizar alguns tipos de movimentos no menor tempo possível, com a melhor qualidade ou, ainda, executar uma sucessão rápida de gestos em uma intensidade máxima e um mínimo de tempo. Essa capacidade física depende de aspectos como aptidão, desenvolvimento de aprendizagem, fatores sensório-cognitivos e psicológicos, fatores neurais e fatores músculo-tendinosos. A velocidade pode ser classificada da seguinte maneira: ■ Velocidade de deslocamento: é a capacidade máxima que um indivíduo pode se deslocar de um ponto a outro e que depende, em grande medida, do dinamismo e dos processos nervosos que atuam no sistema motor, somados à própria frequência e à amplitude dos movimentos de cada um. ■ Velocidade de impulsão: é a capacidade de mover os membros supe- riores ou membros inferiores o mais rápido possível, especialmente, em saltos dependentes da própria força de impulsão de cada indivíduo. Por exemplo, no futebol, um jogador deverá ter uma velocidade adequada ao momento do jogo e, principalmente, à ação que irá executar. Muitas vezes, preci- sará executar seus movimentos em uma velocidade alta e, em outros momentos, deverá diminuir a velocidade, de acordo com as circunstâncias do jogo. UNICESUMAR 8 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 HABILIDADES MOTORAS: CONCEITOS A base da discussão das habilidades motoras foi feita a partir das obras de Tani, Kokubun e Manoel (1998), Magill (2000), Schimidt e Wrisberg (2001), Malina e Bouchard (2002), Barbanti (2003; 2005) e Gallahue (2008). Para Magill (2000), habilidade motora é definida comoatos ou tarefas que requerem movimentos e devem ser aprendidos, a fim de serem executados de modo eficiente. Já em Tani, Kokubun e Manoel (1998), o conceito de habilidade motora está relacionado à capacidade de realizar movimentos com eficiência ou à habilidade que envolve movimentos voluntários do corpo ou membros para atingir um determinado objetivo. A classificação das habilidades motoras, apresentada em Barbanti (2005), divide tais habilidades em precisão do movimento, organização do movimento ou previsibilidade do ambiente. Precisão de movimento: quesito que está relacionado às habilidades motoras grossas, que necessitam de menor precisão na execução dos movimentos e que envolvem a participação de grandes grupos musculares; e às habilidades motoras finas, que necessitam de maior precisão e, consequentemente, maior controle, o que envolve pequenos grupos musculares ou apenas de músculos isolados. O estudo de Irineu Loturco, Tomás Freitas, Pedro Alcaraz, Ronaldo Kobal, Renan Hartmann Nunes, Anthony Weldon e Lucas Pereira investigou os métodos de trei- namentos e estratégias utilizadas por preparadores físicos que atuam no futebol brasileiro. O estudo coletou e caracterizou, através de uma pesquisa on-line padrão, os métodos de treinamentos e as estratégias relacionadas ao desenvolvimento de força, potência muscular, treinamento de velocidade, pliometria, flexibilidade, testes físicos, uso de tecnologia e programação, utilizados por 49 preparadores físicos que atuam em times de futebol profissional no Brasil. Como conclusão do estudo, os au- tores citam que as estratégias de treinamento utilizadas pelos preparadores físicos são altamente influenciadas pelos calendários congestionados de jogos, além das dimensões do país e das disparidades econômicas entre regiões e clubes. Para maiores informações, acesse o artigo (em inglês) na íntegra no link a seguir:. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35959323/ EU INDICO 8 1 Previsibilidade do ambiente: quesito que está relacionado às habilidades motoras fechadas, ocorrendo a partir de um ambiente previsível, no qual os movimentos podem ser organizados de modo antecipado, pois, via de regra, o ambiente não sofrerá alteração durante a utilização da habilidade motora; e às habilidades motoras abertas, que são executadas a partir de ambientes considerados instáveis ou imprevisíveis, ou seja, sofrem alterações durante a utilização da habilidade motora, colocando o sujeito diante de possibilidades que, talvez, ele não havia previsto. Organização do movimento: quesito que está relacionado à habilidade motora discreta, que possui fases bem definidas de início e de fim; à habilidade motora seriada, que é constituída por várias habilidades discretas que são executadas de modo integrado; às habilidades motoras contínuas, que têm suas demarcações, início e fim, determinadas por fatores relacionados ao ambiente. A habilidade considerada como geral é aquela que vem dominar movimentos complicados, conhecer novas práticas e assim poder fazer adaptações a novas si- tuações. A ideia é a de possibilitar uma boa organização da melhor forma possível de uma composição complexa de algum movimento, fazendo com que as partes do corpo que a compõe sejam coordenadas entre si permitindo que estas partes operem de modo adequado na expressão dos movimentos. As habilidades motoras são tidas, por Magill (2000), como qualquer tarefa motora, seja simples ou complexa que, por intermédio de algum exercício físico, passa a ser realizada com maior grau de qualidade, podendo chegar à automati- zação. As habilidades motoras podem estar relacionadas diretamente a um gesto técnico de alguma modalidade esportiva ou, simplesmente, a uma ação relativa às tarefas diárias do ser humano. Com relação às principais características das habilidades motoras: ■ têm um determinado propósito; ■ são executadas de modo voluntário; ■ requerem movimentos corporais e/ou movimentos dos seus segmentos; ■ devem que ser aprendidas. As habilidades motoras, em grande escala, expressam as capacidades físicas de modo complexo, podendo ser modificadas, a partir de práticas e exercícios físicos, e suportadas por várias capacidades. UNICESUMAR 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 Uma das características das habilidades motoras são relativas aos movimentos denominados de finos ou amplos. No caso dos movimentos finos, caracterizam- -se por requererem precisão e destreza, sendo executados por uma pequena mus- culatura, em especial das mãos/pés e dedos. Já os movimentos amplos utilizam o corpo todo ou grandes segmentos principais do corpo. Diante disso, enfatiza-se que muitas tarefas motoras são executadas a partir de ambos os movimentos. Habilidades motoras: tipos É importante sabermos os tipos e as especificidades de cada uma das habilidades motoras utilizadas pelos seres humanos. HABILIDADES MOTORAS DE LOCOMOÇÃO Fazem referência às ações motoras que irão mover o corpo por meio do espaço, ou seja, transportar em uma direção vertical ou horizontal de um ponto para o outro. Os principais exemplos das habilidades motoras de locomoção são andar, correr, saltar, saltitar, dentre outras (Malina; Bouchard, 2002; Gallahue, 2008). HABILIDADES MOTORAS DE MANIPULAÇÃO Fazem referência às ações motoras que irão propiciar o contato do corpo com algum ob- jeto, implemento ou ainda o corpo de outra pessoa. Essas habilidades motoras envolvem o manejo ou o manuseio de peças ou de terceiros que vislumbram projetar estimativas de trajetória, distância e velocidade. O uso dessas habilidades motoras está diretamente alicerçado pelo uso das habilidades motoras de locomoção e estabilização. Os principais exemplos das habilidades motoras de manipulação são arremessar, lançar, chutar, bater, rebater, receber, agarrar, dentre outras (Tani; Kokubun; Manoel, 1998). HABILIDADES MOTORAS DE EQUILÍBRIO OU ESTABILIZAÇÃO Fazem referência às ações motoras que permitem que o sujeito se mantenha em equi- líbrio, estabilizado em relação à força da gravidade. Vale ressaltar que a estabilidade é um elemento fundamental do aprendizado do deslocamento, da locomoção, porque todo movimento humano, via de regra, suscita um bom equilíbrio. Os principais exem- plos das habilidades motoras de equilíbrio ou estabilização são rolar, girar, flexionar, apoiar, dentre outras (Tani; Kokubun; Manoel, 1998; Gallahue, 2008). 8 8 Entender as habilidades motoras é essencial para o desenvolvimento desde a infância, promovendo a variabilidade e o repertório motor. A integração eficaz dessas habilidades permite um desempenho aprimorado e adaptações às exigên- cias esportivas, favorecendo o desenvolvimento contínuo. Agora que você já conhece as capacidades físicas e habilidades motoras, o artigo de revisão de Matheus Luís da Silva explora os testes mais comuns utilizados no futebol para as avaliações de capacidade aeróbia, anaeróbia e agilidade. Acesse em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/ava- liacoes-praticas EU INDICO NOVOS DESAFIOS As principais capacidades físicas envolvidas no futebol incluem resistência, velo- cidade, agilidade e força, com algumas características sendo mais exigidas em cer- tas posições. Goleiros precisam mais de força explosiva, flexibilidade e velocidade de reação; nos laterais, predomina a força explosiva e a coordenação; zagueiros precisam mais de força e agilidade; meio-campistas demandam mais resistência e velocidade; atacantes precisam mais de velocidade e agilidade. Já no futsal, o jogo é desenvolvido em dois tempos de 20 minutos cada, com o cronômetro pausado quando a bola está fora de jogo. O futsal moderno apresenta uma grande rotatividade nas ações dos jogadores em quadra, com exigências físi- cas semelhantes para todas as posições devido ao constante rodízio. A resistência Assista a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem.EM FOCO UNICESUMAR 8 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 4 aeróbica é essencial para manter um alto desempenho durante os 40 minutos re- gulamentares. A resistência anaeróbica alática e a potência são fundamentais nas movimentações rápidas e nos gestos técnicos específicos, como chutes e passes. A agilidade é crucial nas mudanças rápidas de direção, enquanto a velocidade é necessária tanto nas ações ofensivas quanto defensivas. O tempo de reação é vital, especialmente para os goleiros, que precisam decidir rapidamente suas ações e posicionamentos. A força é importante para melhorar a potência nos chutes e deslocamentos rápidos. Entender essas demandas físicas e as diferenças específicas entre modalidades é essencial para o profissional de educação física que deseja atuar em comissões téc- nicas, principalmente como preparador físico. Esse conhecimento permite a elabo- ração de programas de treinamento personalizados tanto para a modalidade quanto para as demandas específicas de cada posição, melhorando o desempenho dos atle- tas e contribuindo para o sucesso das equipes em diferentes contextos esportivos. 9 1 1. O futebol de salão e o futsal são duas modalidades esportivas consideradas bem parecidas, por suas características relacionadas à quadra em que ocorre o jogo, aos gestos técnicos e à própria mecânica do jogo, no entanto, elas diferem em vários aspectos. Identifique a alternativa correta. a) A origem do futebol de salão tem raízes na FIFA e a do futsal, na Associação Cristã de Moços (ACM). b) A origem do futebol de salão tem raízes na Associação Cristã de Moços (ACM) e a do futsal, na FIFA. c) A origem do futebol de salão tem raízes nas escolas inglesas e a do futsal, nos morros do Rio de Janeiro. d) A origem do futebol de salão tem raízes em organizações não governamentais (ONGs) internacionais de direitos humanos e a do futsal, nas penitenciárias dos Estados Unidos da América. e) Nenhuma está correta. 2. Uma das capacidades físicas mais utilizadas no futebol e no futsal, além de outras tantas modalidades esportivas, é a endurance orgânica ou resistência. Essa capacidade física admite que um indivíduo realize exercícios físicos ou ações motoras de modo estendido, tendo esforço contínuo, podendo ser em intensidade baixa ou média. A endurance ou resis- tência é evidenciada pela possibilidade que um indivíduo tem de realizar atividades físicas, suportando, por tempo considerável, a fadiga que a própria atividade promoveu, somada a uma possível recuperação em um curto espaço de tempo. Essa resistência orgânica pode ser aeróbia e anaeróbia, além de poder ser láctica ou alática. VAMOS PRATICAR 9 1 De acordo com as características da capacidade física de endurance ou resistência, analise as afirmativas a seguir: I - A resistência muscular localizada também é conhecida como resistência de velocidade, que permite realizar atividades físicas/esportivas e exercícios físicos em uma alta ve- locidade, repetindo movimentos bem rápidos. Essa capacidade tem muita importância nas atividades esportivas com predominância intelectual, como o xadrez, que necessita de movimentos isotônicos, isocinéticos e isométricos. Essas atividades nunca provocam fadiga periférica, mas, sim, fadiga no sistema nervoso. II - resistência anaeróbia alática permite que um indivíduo sustente suas ações motoras pelo maior tempo possível, pois o termo alático demonstra que o exercício é muito intenso, com tempo de duração em torno de dez segundos, podendo ser estendido de acordo com o nível de treinamento de cada indivíduo. As atividades físicas, que se estendem por um tempo de até um minuto, dependendo da adenosina trifosfato (ATP), que é concebida nos sistemas de energia anaeróbia imediata, provocam a chamada fadiga bioquímica e neuromuscular. III - A resistência anaeróbia lática permite que um indivíduo sustente as suas atividades fí- sicas no maior tempo possível em condições anaeróbias, ou seja, em um tempo para sustentação que pode variar entre três e cinco minutos e aumentar a quantidade de energia motivada pela glicólise. Nesses casos, especificamente, a quantidade elevada de repetições de um exercício causa acúmulo de lactato e, consequentemente, aumenta o nível de ácido lático. IV - A resistência aeróbia oferece a possibilidade de o indivíduo sustentar suas ações físicas por um longo período, chegando a um estado de equilíbrio chamado de steady state, no qual ocorrem limites do equilíbrio de oxigênio. Essa capacidade física oferece melhoria da capacidade funcional do coração, aumento da capacidade muscular para queimar açúcares e gorduras, melhora no transporte de oxigênio, aumento do número de gló- bulos vermelhos, redução da massa corporal e da frequência cardíaca (FC) de repouso, tendo o glicogênio como fonte energética. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) I, II, III e IV. d) I, II e III, apenas. e) III e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 9 1 3. O termo “capacidade física” também é conhecido como qualidade física ou valência físi- ca, consideradas inatas ou congênitas, que podem ser treinadas e aperfeiçoadas. Essas capacidades físicas correspondem, essencialmente, à parte física corporal do movimento humano e são determinantes quanto ao desempenho motor de um indivíduo. Com base nas reflexões acerca das capacidades físicas dos seres humanos, analise as sentenças a seguir: I - As respostas motoras mais eficientes que cada ser humano oferecerá diante dos dife- rentes estímulos apresentados no cotidiano ou, ainda, em práticas físicas esportivas são evidenciadas nas capacidades físicas. II - A explicitação da falha, por parte de um indivíduo, em alguma capacidade física, susci- tará dificuldade na sua participação em algum tipo de manifestação intelectual, pois as capacidades físicas invocam toda a produção intelectual de um ser humano. III - As capacidades físicas estão fortemente ligadas a uma herança genética, e o treinamento dessas capacidades é limitado, não promovendo melhora significativa. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) I e III, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, apenas. VAMOS PRATICAR 9 1 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Indaial: UNIASSELVI, 2022. ÅSTRAND, P.; RODAHL, K. Tratado de fisiologia do exercício. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. BARBANTI, V. J. Dicionário de educação física e esporte. 2. ed. São Paulo: Manole, 2003. BARBANTI, V. J. Formação esportiva. Barueri: Manole, 2005. DANTAS, E. H. M. Flexibilidade, alongamento e flexionamento. 5. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2005. GALLAHUE, D. L. Educação física desenvolvimentista para todas as crianças. 4. ed. São Paulo: Phorte, 2008. MALINA, R. M.; BOUCHARD, C. Atividade física do atleta: do crescimento a maturação. São Paulo: Roca, 2002. MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, 2000. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempe- nho. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. SCHIMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001. TANI, G.; KOKUBUN, E.; MANOEL, E. J. Educação física escolar: fundamentos de uma aborda- gem desenvolvimentista. São Paulo: EPU/EDUSP, 1998. TUBINO, M. J. G. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3. ed. São Paulo: Ibrasa, 1984. TUBINO, M. J. G.; MOREIRA, S. B. Metodologia científica do treinamento desportivo. 13. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: Shape, 2003. WEINECK, J. Manual de treinamento desportivo. 2. ed. São Paulo: Manole, 1986. 9 4 1. Alternativa B A origem do futebol de salão está, de fato, na Associação Cristã de Moços (ACM), e a do futsal tem suas raízes na FIFA, que regulamentou e promoveu a modalidade. A. Incorreta. A origem do futebol de salão é na AssociaçãoCristã de Moços (ACM), não na FIFA, e o futsal tem uma relação mais direta com a FIFA. C. Incorreta. O futebol de salão não tem raízes nas escolas inglesas, e o futsal não surgiu nos morros do Rio de Janeiro. D. Incorreta. O futebol de salão não tem origem em ONGs internacionais de direitos humanos, e o futsal não surgiu em penitenciárias dos Estados Unidos. E. Incorreta. A alternativa B está correta. 2. Alternativa E I. Incorreta. A resistência muscular localizada não se relaciona à velocidade nem a atividades intelectuais. II. Incorreta. A resistência anaeróbia alática se limita a ações curtas de até dez segundos. III. Correta. Trata da resistência anaeróbia lática sustentando atividades intensas por três a cinco minutos com acúmulo de lactato. IV. Correta. Aborda a resistência aeróbia permitindo atividades prolongadas e melhorando a função cardíaca e queima de açúcares e gorduras, estão corretas. 3. Alternativa E I. Correta. As capacidades físicas influenciam diretamente a eficiência das respostas motoras, tanto no cotidiano quanto em práticas esportivas. II. Incorreta. Uma falha em capacidades físicas não necessariamente causa dificuldades em atividades intelectuais, já que capacidades físicas e produção intelectual são aspectos distintos. III. Incorreta. Apesar da base genética das capacidades físicas, elas podem ser significativa- mente desenvolvidas e melhoradas por meio do treinamento, superando os limites impostos pelos genes com a prática adequada. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 9 5 MINHAS METAS HABILIDADES TÉCNICAS INDIVIDUAIS DO FUTEBOL/FUTSAL Reconhecer a importância das habilidades técnicas no futebol e futsal. Identificar principais habilidades técnicas para cada esporte. Compreender conceitos fundamentais de cada habilidade técnica. Analisar fundamentos principais, como drible, passe e chute. Explorar habilidades técnicas para diferentes posições, como goleiros. Investigar diferenças na aplicação das habilidades entre futebol e futsal. Exemplificar habilidades técnicas em ambos os esportes. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5 9 1 INICIE SUA JORNADA As habilidades técnicas individuais no futebol e no futsal são determinantes nas partidas, influenciando diretamente o resultado final. Por exemplo, um chute preciso pode resultar em um gol, um passe bem executado pode gerar uma as- sistência, e uma defesa eficaz do goleiro pode evitar um resultado adverso. Essas situações exemplificam a importância das habilidades técnicas em um ambiente dinâmico e aberto como o desses esportes. O entendimento dessas habilidades é fundamental para planejar treinos de maneira eficiente. Saber de onde partir permite que o treinador defina os objeti- vos do treinamento, responda por que treinar determinadas habilidades, como executar os treinos, para quais tipos de jogadores e para corrigir quais deficiên- cias específicas. Além disso, é necessário ajustar os treinos para diferentes níveis e categorias de atletas, garantindo que cada jogador receba o desenvolvimento adequado de acordo com suas necessidades individuais e as exigências do jogo. UNICESUMAR 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 DESENVOLVA SEU POTENCIAL HABILIDADES TÉCNICAS INDIVIDUAIS NO FUTEBOL/FUTSAL Por se tratar de modalidades com características bastante semelhantes, no que tange aos fundamentos, às ações individuais ou às habilidades técnicas indivi- duais, o futebol e o futsal se assemelham muito nesse quesito, ainda que a bola, o campo de jogo e algumas regras sejam diferentes. A análise de desempenho individual é a nova tendência no futebol. Descubra como a avaliação detalhada de cada jogador está transformando treinos, decisões estratégicas e negociações nos clubes. Saiba como essa especialização pode me- lhorar a performance dos atletas em nosso podcast!. Recursos de mídia disponí- veis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? No artigo O Ensino da Tática e da Técnica no Futebol: Concepção de Treinadores das Categorias de Base, Otávio Bettega explora as abordagens de treinadores nas categorias de base acerca da integração da técnica e da tática no treinamento. Os treinadores entrevistados destacam a necessidade de adaptar os treinos às necessidades individuais dos atletas e à fase da temporada. Alguns priorizam o desenvolvimento técnico específico, enquanto outros combinam a técnica com a tática, ajustando as estratégias conforme a idade e o nível dos jogadores. O artigo oferece uma visão concisa das práticas e estratégias usadas para aprimorar o treinamento nas categorias de base do futebol. Acesse em: https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1172272 9 8 Muitos autores, como Carravetta (2001), Melo (2002), Paoli e Grasseli (2003), Tenroller (2004), Costa (2007), Voser (2019), Alves e Bello (2020) apresentam como principais ações individuais do futebol e do futsal: o domínio de bola, o controle de bola, o passe, o chute, a condução de bola, o drible ou a finta, e goleiro. DOMÍNIO DE BOLA É a ação de interceptar ou ir ao encontro da bola, fazendo que ela fique em posse do esportista ou que consiga realizar algum movimento por meio de um ou mais contatos com a bola, a qual poderá ter procedência de um companheiro ou de um adversário. Os tipos de domínio estão relacionados às diferentes partes do corpo que a bola irá entrar em contato, podendo ser: cabeça, ombro, peito, abdômen, coxa ou pé. Vale ressaltar que o goleiro pode utilizar as mãos dentro de sua área de meta. O esportista deve escolher com qual parte do corpo fará o domínio da bola, a partir de uma observação de sua altura e velocidade. Para ter um bom domínio de bola, é imprescindível que o indivíduo esteja em equilíbrio. No caso do futebol e do futsal, as partes do corpo que estão em constante desequilíbrio são os pés, visto que mantêm as ações de deslocamento e, pre- dominantemente, o contato com a bola. Dessa maneira, a parte do corpo que melhor pode auxiliar as ações de manutenção do estado de equilíbrio são os membros superiores, por isso os profissionais de educação física que pretendem desenvolver atividades e treinamentos para trabalhar o domínio de bola no futebol e no futsal devem levar em conta o equilíbrio e, consequentemente, as atividades relacionadas com os membros superiores. Esse fundamento, essa ação individual ou habilidade técnica individual é usada a todo momento em um jogo de futebol/futsal, especialmente quando o jogador busca contato com a bola e, por isso, pode ser considerada tanto defensiva quanto ofensiva. UNICESUMAR 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 CONTROLE DE BOLA O controle de bola ocorre quando o jogador mantém a bola em contato com alguma parte do corpo. Considera-se controle de bola no momento exato em que a bola toca qualquer parte do corpo, seja de um companheiro ou de um adversário, e permanece assim. Os tipos do controle de bola estão relacionados às diferentes superfícies que mantêm o contato com a bola, as quais podem ser: cabeça, ombro, peito, abdômen, coxa ou pé. É importante ressaltar que o goleiro ainda pode utilizar as mãos para controle de bola, desde que esteja dentro da sua área de meta. No caso específico do futebol e do futsal, o pé exerce preferência nesse tipo de ação. Um bom exemplo, para o entendimento desses dois termos, são as “pedaladas”, ou seja, a ação de um jogador de futebol ou futsal quando passa um pé por cima da bola e, posteriormente, passa o outro pé, em movimentos sincronizados (Alves; Bello, 2020). Durante a execução das pedaladas, quando o jogador passa os pés por cima da bola sem tocá-la, não é possível afirmar se ele está com o domínio da bola. É necessário observar o que acontece após as pedaladas: se o jogador conseguir entrar em contato com a bola, o domínio é efetivado; caso contrário, pode-se dizer que ele perdeu o domínio. PASSE O passe é considerado ao enviar, deslocar ou empurrar a bola para um compa-em quatro anos, mobiliza uma legião de pessoas para trabalharem ou para acompanharem os jogos: o Campeonato Mundial de Futebol. Figura 1 – Taça da Copa do Mundo de Futebol da FIFA / Fonte: https://www.flickr.com/photos/saojoseli- berto/14231974005/in/photostream. Acesso em: 28 ago. 2024. Descrição da Imagem: fotografia da taça da Copa do Mundo sobre uma base tubular de cor cinza escuro contra um fundo preto. O troféu é dourado e brilhante. No topo, há um globo terrestre com detalhes em relevo, repre- sentando os continentes. Abaixo do globo, duas figuras humanas estilizadas parecem segurar o mundo com seus braços erguidos. Fim da descrição. UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 INICIAÇÃO ESPORTIVA A iniciação esportiva, de acordo com Vidal (2006), pode ser entendida como uma atividade física que oferece ao indivíduo inúmeras possibilidades motoras e vivências no processo de aprendizagem de muitos jogos e modalidades esporti- vas, buscando desenvolver as capacidades e habilidades humanas nas dimensões motoras, cultural, social, cognitiva e afetiva. A autora ressalta que um indivíduo que teve uma iniciação ruim e não teve uma preparação adequada, provavelmen- te não terá sucesso no esporte de alto rendimento. Em Barbanti (1979), o conceito de iniciação esportiva está descrito como a fase inicial de todo treinamento esportivo, com uma preparação generaliza- da para que as crianças possam colher experiências motoras em várias atividades, tendo sugerido como idade ideal de início dos oito aos nove anos a fim de poder, na idade adulta, colher bons resultados. A partir dessa contextualização, po- de-se perceber que, para que ocorra a iniciação esportiva, seja em qual mo- dalidade esportiva for, é impres- cindível que o sujeito tome gosto pela prática e sinta prazer, a fim de tornar aqueles períodos de treinamento em momentos de alegria e satisfação. Quanto mais agradável for a relação do praticante com a modalidade esporti- va com a qual está envolvido, maiores serão as possibilidades de incorporação dos treina- mentos de modo mais frequente, bem como das possíveis melhoras no que tange aos aspectos técnicos individuais e, consequentemente, aos aspectos táticos coletivos. 1 1 Em se tratando de iniciação esportiva, considera-se como sendo o período em que um indivíduo começa a aprender e a praticar de forma específica e planejada uma modalidade esportiva. Ressalta-se que a iniciação esportiva não exclusivamente acontece com crianças, pois qualquer indivíduo pode ter seu primeiro contato com alguma modalidade esportiva, ainda que não seja criança, ou seja, em qualquer idade. No caso de crianças, Santana (2004) sugere ser um período em que uma criança inicia a prática regular e orientada de uma ou mais modalidades espor- tivas, tendo como objetivo imediato o de oferecer continuidade ao seu desenvol- vimento de forma integral, não implicando competições regulares. Nos estudos de Almeida (1996), encontra-se a iniciação esportiva dividida em três estágios: iniciação desportiva, aperfeiçoamento desportivo e introdução ao treinamento. O primeiro estágio ocorre entre oito e nove anos e tem como objetivo a aquisi- ção de habilidades motoras, destrezas específicas e globais, com atividades básicas de movimentos somadas a jogos pré-desportivos, pois, para Almeida (1996), nessa faixa de idade a criança está apta para a aprendizagem inicial das modalidades es- portivas, mas não para as modalidades coletivas com caráter de competição, por isso a atração que a criança sente pelas práticas esportivas está no prazer da atividade em si, e não pela competitividade. As propostas para as crianças deveriam ser pautadas num planejamento motivador, enfatizando atividades recreativas, na busca de um aprendizado objetivo, eficiente e pouco monótono. O autor sugere que se deva ofe- recer às crianças um grande número de oportunidades para o desenvolvimento das mais variadas formas de habilidades, instrumentalizando-a com atividades motoras que poderão ser utilizadas em diversas modalidades esportivas. No segundo estágio encontrado em Almeida (1996), na fase do aperfeiçoa- mento desportivo, crianças estão numa idade entre 10 e 11 anos e já experimentam e participam plenamente de ações baseadas na cooperação e colaboração. A partir desse cenário, o jogo assume um aspecto sociodesportivo em que os participantes interagem entre si com papéis bem definidos, tendo como objetivo introduzir ele- mentos técnicos fundamentais, táticas gerais e regras por meio de jogos educativos e atividades com regras. O autor ressalta que essa fase é muito propícia para que haja aprendizado e, por isso, as atividades devem ampliar o repertório de movimen- tos dos fundamentos básicos das diversas modalidades esportivas. Soma-se, ainda, a possibilidade de instrumentalizar as crianças com elementos psicossociais que permitam a socialização e as ações cooperativas por meio de jogos e brincadeiras. UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 1 4 No último estágio, Almeida (1996) afirma ser a introdução ao treinamento aquela em que a criança com idade entre 12 e 13 anos tem a possibilidade de alcançar bom desenvolvimento de suas capacidades intelectuais e físicas e, por isso, o objetivo dessa fase é o aperfeiçoamento das técnicas individuais, dos siste- mas táticos somados à aquisição das qualidades físicas usadas nas modalidades esportivas. As propostas devem ter como meta o aperfeiçoamento das qualidades físicas, das técnicas individuais e das táticas (individuais e coletivas) das diversas modalidades esportivas, que pode acontecer por meio de uma organização da preparação física e de práticas esportivas (jogos), oferecendo oportunidades para o desenvolvimento corporal e para a melhoria do desempenho individual. As atividades devem ser adequadas e diversificadas (motivadoras) vislumbrando uma aprendizagem individualizada, dentro do grupo, permitindo-lhes solucionar conflitos em coletivos. A iniciação esportiva, a partir da perspectiva de Capitanio (2003), deve ser organizada de modo bastante criterioso e cuidadoso no sentido de não valorizar demais os resultados atléticos que poderiam deixar de lado alguns enfoques edu- cacionais que a prática esportiva pode oferecer. A autora ressalta que a principal abordagem na fase da iniciação esportiva não deve ser nas habilidades motoras e técnicas específicas, mas, sim, na ampliação das possibilidades para diferentes estímulos com ênfase no desenvolvimento e no crescimento físico, fisiológico, motor, cognitivo, afetivo-social e a aprendizagem motora. Uma estratégia extremamente importante a ser utilizada nessa fase de ativi- dades com iniciantes é a possível relação existente com os pais/responsáveis, que pode ser positiva ou negativa. Hellstedt (1990) sugere que existem três tipos de envolvimento dos pais/responsáveis nessa fase. O primeiro envolvimento é deno- minado de “subenvolvimento”, em que acontece um pequeno comprometimen- to emocional, financeiro ou funcional dos pais/responsáveis que efetivamente não comparecem a jogos ou treinamentos e não têm contato com o treinador. O outro tipo de envolvimento é chamado de moderado, com características de suporte mais firme dos pais/responsáveis em relação a orientações e metas possíveis, somadas ao apoio financeiro. O último tipo de envolvimento é o “superenvolvimento” em que os pais/ responsáveis não conseguem separar os desejos pessoais como os desejos do filho sendo que esse sentimento atrapalha mais do que ajuda o desenvolvimento do iniciante. UNICESUMAR 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 Ratificando esses tipos de envolvimento, Filgueira (2005) afirma que, muitas vezes, técnicos e pais/responsáveis colocam seus objetivos acima dos objetivos do iniciante, estando mais interessados em ver a criança jogar bem, ganhar jogos, ser campeã, receber troféus e medalhas do que com o próprio aprendizado e formação daquele iniciante. Se faz necessário apoio e incentivonheiro, para um espaço vazio ou para lugar nenhum. Existe, no futebol e no futsal, o termo assistência, que se caracteriza por ser um passe que deixa o companheiro em totais condições de fazer um gol. Ao analisarmos o gesto técnico do passe (com o pé) no futebol ou no futsal, é importante conhecermos a nomenclatura utilizada em relação aos pés do es- portista. 1 1 1 O passe pode ser executado com qualquer parte do corpo: pé, cabeça, ombro, abdômen, coxa, joelho e, raramente, costas, e, no caso do futebol, os jogadores podem usar os membros superiores na cobrança do arremesso lateral. Além disso, em ambas as modalidades esportivas, o goleiro pode usar os membros superiores, desde que dentro de sua área de meta. Destaca-se que a predominância do passe é feita com os pés e com a cabeça, por isso vale a pena analisarmos esses gestos de maneira mais específica. No caso dos pés, é possível compreendermos o passe conforme os parâmetros apresen- tados a seguir. A superfície de contato da bola com o pé Para facilitar essa análise, podemos visualizar o pé como uma caixa de sapatos, tendo, portanto, seis possíveis diferentes superfícies de contato: A parte lateral interna (condução, chapa ou chapado); a parte lateral externa (trivela, três dedos, desviado); a parte superior (dorso, peito do pé); a parte inferior (sola ou solado). A parte anterior (bico, bicanca, bicuda ou dedão), a qual pode ser distinguida de duas maneiras: encoberta ou cobertura (quando o tempo de contato do pé na bola é longo, favorecendo uma direção mais eficiente e uma menor velocidade na ação) e o cavado ou cavadinho (quando o tempo de contato do pé na bola é curto, desfavorecendo uma direção mais eficiente e favorecendo uma velocidade maior na ação) – ambas proporcionam uma trajetória parabólica na bola. A parte posterior (calcanhar/osso calcâneo), distinguida de duas maneiras: o calcanhar paralelo (em que o pé de apoio fica ao lado do pé de contato com a bola) e o calcanhar cruzado (em que o pé de apoio se cruza com o pé de chute). O pé que faz o contato com a bola, no ato da ação, seja chamado de “pé de chute”, “pé de passe” ou “pé de contato”, e o pé que não faz contato com a bola no ato da ação seja chamado de “pé de apoio”. ZOOM NO CONHECIMENTO UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 Execuções com a cabeça Deve-se ressaltar que o cabeceio pode ser tanto defensivo quanto ofensivo. O gesto é defensivo quando o esportista age para proteger ou resguardar a sua própria meta, e ofensivo quando o esportista entra em contato com a bola, a fim de facilitar ações de ataque ou endereçá-la diretamente ao gol adversário. Ainda, em relação ao gesto com a cabeça ou caixa craniana, para efeito de análise das ações do futsal, pode ser dividida em parte anterior (testa/osso frontal); parte superior (osso parietal); parte posterior (nuca/osso occipital); parte lateral (direita ou esquerda/osso temporal) (Paulsen; Waschke, 2012). Distância A distância entre o executante e seu “alvo” (que pode ser um companheiro, um espaço vazio/ponto futuro ou lugar nenhum): curto (no caso do futebol, entre 1 e 15 metros e, no futsal, entre 1 e 3 metros); médio (no caso do futebol, entre 16 e 40 metros e, no futsal, entre 4 e 9 metros); longo (no caso do futebol, entre 41 e 90 metros e, no futsal, entre 10 e 20 metros); muito longo (também chamado de lançamento; no caso do futebol, mais de 90 metros e, no futsal, mais de 20 metros). Trajetória da bola A trajetória da bola (a partir do momento que a bola perde contato com aquele que fez o passe): retilínea (o deslocamento da bola representa uma linha reta); curvilínea (o deslocamento da bola representa uma linha curva); parabólica (o deslocamento da bola representa uma linha parabólica). Altura A altura da bola em relação ao solo (a partir do momento que a bola perde o contato com o jogador que fez o passe): rasteiro (o deslocamento da bola está em contato com o chão do campo de jogo); meia altura (o deslocamento da bola está acima do chão do campo de jogo, em uma altura entre 1 e 3 metros); alto (o deslocamento da bola está acima do chão do campo de jogo, em uma altura maior do que 3 metros). 1 1 1 Espaço de jogo O espaço de jogo entre o executante e seu “alvo” (que pode ser um companheiro, um espaço vazio/ponto futuro ou lugar nenhum): diagonal (o deslocamento da bola representa uma linha diagonal em relação às linhas laterais dentro do retân- gulo do campo de jogo); lateral (o deslocamento da bola representa uma linha perpendicular em relação às linhas laterais dentro do retângulo do campo de jogo); paralelo (o deslocamento da bola representa uma linha paralela em relação às linhas laterais dentro do retângulo do campo de jogo). CHUTE É a ação de tocar, enviar, deslocar ou empurrar a bola com o objetivo de acertar a meta adversária. O chute tem, como único e exclusivo objetivo, o gol adversário, sendo executado exclusivamente com o pé. O último contato do pé com a bola antes de entrar na meta também é conhecido como finalização. Pode-se estudar o chute de modo semelhante ao realizado nas análises de passe quanto: à superfície de contato da bola com o pé: para facilitar essa análise, pode-se visualizar um pé como uma caixa de sapatos, tendo, portanto, seis possí- veis diferentes superfícies de contato: a parte lateral interna (condução, chapa ou chapado); a parte lateral externa (trivela, três dedos, desviado); a parte superior (dorso, peito do pé); a parte inferior (sola ou solado); a parte anterior (bico, bi- canca, bicuda ou dedão), que pode ser distinguida de duas maneiras: encoberta ou cobertura (quando o tempo de contato do pé na bola é longo, favorecendo uma direção mais eficiente e uma menor velocidade na ação) e o cavado ou ca- vadinho (quando o tempo de contato do pé na bola é curto, desfavorecendo uma direção mais eficiente e favorecendo uma velocidade maior na ação) – ambas proporcionam uma trajetória parabólica na bola; a parte posterior (calcanhar/ osso calcâneo), distinguida de duas maneiras: o calcanhar paralelo (em que o pé de apoio fica ao lado do pé de contato com a bola) e o calcanhar cruzado (em que o pé de apoio se cruza com o pé de chute). UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 A localização da bola: ■ voleio: o executante entra em contato com a bola, localizada acima da altura do solo, sem que ela entre em contato com o chão; ■ semivoleio (bate-pronto, bola de tempo): o executante entra em contato com a bola, localizada acima da altura do solo, imediatamente após o contato dela com o chão. O passe é utilizado nas ações ofensivas, quando o jogador tentará construir as jogadas de ataque, sendo o fundamento mais utilizado no futebol e futsal, o que o torna determinante para o desempenho coletivo e individual. O cabeceio, apesar de já ter aparecido como possível domínio ou passe, também pode ser utilizado para finalizar ao gol e também deve ser um conteúdo a ser con- siderado para os treinamentos. PENSANDO JUNTOS 1 1 4 CONDUÇÃO DE BOLA É a ação de carregar, transportar, dirigir, guiar ou acompanhar a bola de um ponto a outro do campo de jogo. A condução de bola normalmente é executada com o pé, no entanto, nada impede que a bola seja conduzida com outras partes do corpo, como a cabeça, a coxa, o ombro etc. A condução de bola, quando execu- tada com os pés, pode ser descrita de acordo com o local de contato do pé com a bola: parte lateral interna; parte lateral externa; parte superior; parte inferior; parte anterior; parte posterior. Outra possível análise da condução de bola pode ser feita a partir da trajetória que o esportista irá traçar em seu deslocamento: retilínea – o deslocamento do esportista com a bola representa uma linha reta; curvilínea – o deslocamento do esportista com a bola representa uma linha curva. Ainda, podemos analisar a condução a partir da direção que o esportista irá traçar em seu deslocamento: para a frente (em direção à meta adversária);para trás (em direção a sua própria meta); para o(s) lado(s) (em direção às linhas laterais do campo de jogo); com mudanças (em direções variadas). Além disso, pode ser analisada com base na velocidade do deslocamento que o esportista irá exercer em seu deslocamento: rápida (velocidade intensa); lenta (velocidade reduzida); progressiva (velocidade em aumento); regressiva (velocidade em diminuição). A condução de bola é utilizada, essencialmente, nas ações ofensivas, quando o jogador tentará, em posse de bola, ocupar espaços do campo/quadra, a fim de organizar um bom ataque, podendo levar a bola mais próxima do gol ou atrair o adversário para abrir espaço para outros jogadores da equipe. DRIBLE OU FINTA É a ação de se desvencilhar, enganar, iludir, ultrapassar um ou mais adversários. No conceito de drible, cabe o complemento “com” o domínio ou o controle de bola e, no caso da finta, cabe o complemento “sem” o domínio ou controle de bola. Os dribles e as fintas (ressaltando-se que o que os diferencia é a presença ou ausência da bola) podem ser descritos como: UNICESUMAR 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 ■ Simples: acontecem com mudanças curtas e rápidas de direção, poden- do ser para a frente, para trás, para a direita ou para a esquerda (slalon), quando o jogador fingirá ir em uma direção, mas optará por outra (es- pecificamente no futsal, também é conhecido como gato – “dar o gato”). ■ Com giro: são ações em que o jogador executa uma rotação com o seu corpo, de 90, 180, 270 ou de 360 graus diante do seu adversário, tentando “dar-lhe as costas”, para dificultar a ação de interceptação. ■ De criação: são as ações diferentes das já citadas, ou seja, aquelas em que o jogador se destaca pela inovação do movimento, apresentando uma nova forma. Destacam-se: “elástico”, “pedaladas”, “chapéu”, “carretilha”, “da vaca”, “rolinho”, dentre outros que são considerados dribles, pois necessitam da presença da bola. ■ Corta-luz: é considerado um drible e uma finta (dependendo de quem é o indivíduo analisado durante a execução), sendo mais comum a pre- sença de, pelo menos, dois companheiros da mesma equipe para executar essa ação – um com a posse de bola (portanto, executando um drible) e outro sem a bola (executando uma finta). Assim, o jogador sem a posse de bola tenta ficar à frente de um ou mais adversários, a fim de bloquear e atrapalhar a visão dele(s), com o objetivo de facilitar a ação do seu com- panheiro que está com a posse de bola. Esse bloqueio pode ser feito por um ou mais jogadores. É possível também que o corta-luz seja executado “utilizando” um adversário na ação, ou seja, o jogador percebe que existe algum posicionamento inadequado dos adversários e faz com que eles se atrapalhem, para que possa manter a posse de bola. Nesse caso, como foi feito por um único sujeito com o domínio da bola, pode-se dizer que ocorreu um drible do tipo corta-luz. O drible é utilizado com a intenção de superar a marcação de um adversário, conquistando espaços no campo/quadra; na finta, o jogador tentará, nesse caso sem a posse de bola, superar a marcação e conquistar espaços no campo/quadra, a fim de viabilizar a recepção da bola ou ainda abrir espaços para seus compa- nheiros de equipe. 1 1 1 GOLEIRO O único jogador, tanto no futebol quanto no futsal, que tem prerrogativas es- pecíficas em relação às regras do jogo é o goleiro. Diante dessas peculiaridades, existem alguns gestos, fundamentos, ações individuais ou habilidades técnicas individuais executadas pelos goleiros que podem ser analisadas, conforme dis- cutido a seguir. Defesa (ação de entrar em contato com a bola) A defesa no futebol/futsal é a habilidade mais importante de um goleiro, envol- vendo diversas técnicas que precisam ser compreendidas e aprimoradas para possibilitar um treinamento específico e eficaz. ■ Parada da bola que rola pelo chão ■ Ação de deter a bola quando ela está em contato com o solo. ■ Parada da bola à meia altura ■ Ação de deter a bola quando ela está na altura da cintura. ■ Parada da bola alta ■ Ação de deter a bola quando ela está acima da linha da cintura. Mourinho: a Descoberta Guiada No livro de Luís Lourenço, com a colaboração de José Mouri- nho e seus jogadores mais icônicos, são explorados os princí- pios de liderança que fazem de Mourinho um dos treinadores mais reconhecidos. A obra revela como ele aprimora o trabalho em equipe e oferece aprendizados acerca de sua abordagem vitoriosa no futebol. O livro demonstra que bons conteúdos de treino e liderança potencializam jogadores e equipes, revelan- do segredos de seu sucesso. INDICAÇÃO DE LIVRO UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 ■ Mergulho ■ Ação de deter a bola quando estiver em desequilíbrio. Esse tipo de ação pode ser em direção ao solo ou não. ■ Amortecimento da bola ■ Ação de conter a bola sem perda de contato, ou seja, sem espalmar ou rebater deixando-a próxima ao corpo. Arremesso/lançamento (ação de enviar a bola a um companheiro) O arremesso no futebol e futsal é uma técnica fundamental que pode ser utilizada para iniciar transições ofensivas, oferecer soluções imediatas em situações de pressão ou mesmo permitir pular a etapa de construção para que a bola já fique próxima do ataque da equipe e pode ser executado das seguintes formas: ■ Com as mãos: pode ser executado com uma ou com as duas mãos e, dependendo do objetivo, podendo ser curto, médio ou longo, de acordo com a distância do local que o goleiro deseja que a bola alcance. ■ Com os pés: o arremesso assemelha-se ao chute ou ao passe e pode ter como objetivos um companheiro, um espaço vazio/ponto futuro, lugar nenhum (passe) ou o gol adversário (chute). Posicionamento Quando um goleiro se posicionar para entrar em ação durante uma jogada, ou para ficar em constante ação durante o jogo, necessariamente ele estará envolvido por alguns quesitos que dependem de sua intervenção: ■ Atenção: quando vislumbra as ações gerais que estão acontecendo no jogo. ■ Olhar a bola: quando vislumbra as ações específicas das trajetórias que a bola percorre no campo de jogo e, possivelmente, a trajetória que irá seguir. ■ Deslocamento: ações de movimentação, executadas em função da cir- culação da bola no transcorrer do jogo. 1 1 8 Saída de gol que pode ser: defensiva: ações com a intenção de diminuir o espaço e a visão do adversário em relação a sua meta; ofensiva: ações com a intenção de participar da movimentação da equipe, com a finalidade de atacar o adversário e, no caso do futsal, com o objetivo de acrescentar um jogador a mais, atacando e buscando um desequilíbrio defensivo do adversário. ■ Orientações: ações verbais que o goleiro destaca, a fim de ajudar o posicionamento dos seus companheiros em determinadas situações. Essas verbalizações acontecem porque o goleiro se encontra em uma posição privilegiada em relação aos outros participantes do jogo. Existem ainda outras intervenções que o goleiro pode executar, como: ■ Rebater: ação de rechaçar a bola, fazendo com que ela permaneça em jogo. Pode ser executada, predominantemente, com o(s) punho(s) ou a(s) palma(s) da(s) mão(s) ou com outra parte qualquer do corpo. ■ Desviar: ação de alterar a trajetória da bola, com a intenção de direcio- ná-la para fora de uma das quatro linhas da quadra de jogo. Pode ser executada, predominantemente, com o(s) punho(s) ou a(s) palma(s) da(s) mão(s) ou com outra parte qualquer do corpo. O Homem que Mudou o Jogo Filme de 2011, estrelado por Brad Pitt, Jonah Hill e Philip Sey- mour Hoffman. Baseado em fatos reais, conta a história de Billy Beane, gerente do Oakland Athletics, que usa um programa de estatísticas sofisticado para recrutar jogadores. Com um orçamento limitado, Beane desafia as tradições do beisebol e supera clubes mais ricos. Demonstra como o uso de dados pode revolucionar a tomada de decisões. Embora seja focado no beisebol, inspira abordagens semelhantes no futebol. INDICAÇÃODE FILME UNICESUMAR 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 5 NOVOS DESAFIOS A compreensão das habilidades técnicas no futebol e no futsal é um dos primeiros passos fundamentais para os treinadores. É somente a partir dessa avaliação de- talhada que se pode realizar uma análise eficaz das necessidades individuais dos atletas, permitindo a elaboração de programas de treinamento personalizados e mais eficientes. No treinamento esportivo, podemos adotar abordagem analítica, situacional ou global. O treinamento analítico foca em tarefas isoladas e específicas, permi- tindo uma prática detalhada e controlada de habilidades técnicas. O treinamento situacional envolve ações dentro de contextos de jogo, simulando situações que os atletas encontrarão durante as competições e oferecendo um grau maior de complexidade. Por fim, o treinamento global busca integrar as habilidades téc- nicas em cenários que imitam a realidade competitiva, algo que se torna mais fácil de desenvolver conforme o nível dos atletas aumenta, pois eles já possuem habilidades mais consolidadas, como os profissionais. Cabe ao treinador determinar a melhor abordagem de treinamento com base no nível dos atletas, na categoria e na posição em campo ou quadra. Em grupos heterogêneos, frequentemente encontrados em categorias de iniciação esporti- va, pode ser necessário oferecer atenção especial a certos atletas em habilidades técnicas específicas. Além disso, diferentes posições podem exigir técnicas espe- cializadas, e o treinador deve ajustar o foco e a metodologia do treinamento para atender a essas demandas específicas, garantindo, assim, um desenvolvimento mais eficaz e personalizado para cada atleta. Assista a aula referente a este tema.. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 1 1 UNICESUMAR 1 1 1 1. Nas diferentes situações em que o esportista executa um gesto, um fundamento ou uma habilidade técnica individual, ocorrem três fases: a fase de preparação (quando o execu- tante se concentra e elabora um esquema motor para a ação a ser realizada), a fase de ação (a principal fase, quando o executante operacionaliza aquilo que foi predeterminado na fase anterior) e a fase final (em que termina a execução do gesto). Nessa temática, exis- tem também as fases de aprendizagem, pelas quais os indivíduos devem ser submetidos durante o treinamento (Alves, 2022). Com base na a aprendizagem de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais, relacionadas com os estágios das fases de aprendizagem, assinale a alternativa que cor- responde corretamente à descrição do estágio: a) Estágio de iniciação: deve ter baixa intensidade e ênfase no resultado, com foco ao desenvolvimento específico no esporte, apenas no desempenho de uma modalidade esportiva, tendo o treinamento variado e momentos de competição. b) Estágio de formação esportiva: deve haver um aumento na intensidade das propostas, enfatizando principalmente questões relacionadas ao desempenho e a vitórias. c) Estágio de alto desempenho: acontece independentemente do resultado das fases an- teriores, sendo que, mesmo com um desenvolvimento ruim nos estágios anteriores, é possível suprir as necessidades por meio das ciências. d) Estágio de especialização: deve acontecer com mudanças mais relevantes nos trei- namentos, sendo o volume e a intensidade planejados de modo a evitar lesões, e os esportistas, por sua vez, passam a ter maior tolerância às exigências dos treinamentos e das competições. e) Nenhuma das anteriores. VAMOS PRATICAR 1 1 1 2. No futebol e no futsal, a função do goleiro permite algumas situações durante o jogo que só cabem a esse jogador, que possui prerrogativas específicas em relação às regras do jogo, podendo, por exemplo, fazer uso das mãos para entrar em contato com a bola dentro da área de sua meta (Alves, 2022). A partir dessas particularidades, os goleiros executam algumas ações específicas. Indique as ações que correspondem corretamente com essas particularidades. I - Arremesso: ação de enviar a bola para fora do campo de jogo. II - Controle de bola ou defesa: ação de entrar em contato com a bola. III - Orientações: ações verbais. IV - Saída de gol: defensiva ou ofensiva. V - Rebater: ação de reter a bola. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) III e V, apenas. c) I, II e III, apenas. d) IV e V, apenas. e) II, III e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 1 3. Gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais podem ser vistos e reconhecidos pela forma racional, ideal e eficiente, baseada na biomecânica e correspondente a uma sequência de movimentos realizada corretamente de determinado gesto, que faz parte de todo o suporte que um indivíduo necessita ter para participar, de modo efetivo, em uma modalidade esportiva. Tanto nos aspectos individuais quanto nos coletivos, quando executada de modo adequada, a técnica proporciona uma atuação motora de melhor qualidade, possibilitando, ao esportista, uma ação mais objetiva e econômica. Soma-se, ainda, o fato de que o domínio do gesto, fundamento ou habilidade técnica é parte de um contexto extremamente importante para um bom raciocínio e desempenho tático, ou seja, um esportista, tecnicamente, eficiente pode visualizar melhor o posicionamento dos seus companheiros e dos adversários, tomando decisões mais rápidas e adequadas nas diferentes situações durante uma disputa (Alves, 2022). Diante do exposto, para a realização de um bom gesto, fundamento ou habilidade técnica, assinale a alternativa correta: a) O indivíduo deve executar a ação com muita intensidade, volume, força e velocidade, a fim de alcançar os objetivos, sendo que a melhora desses movimentos acontece a partir de estudos científicos. b) O indivíduo deve executar a ação com muita calma, segurança, concentração e flexibili- dade, a fim de alcançar os objetivos, sendo que a melhora desses movimentos acontece a partir de estudos empíricos. c) O indivíduo deve executar a ação com muita ética, amor, carinho e dedicação, a fim alcançar os objetivos, uma vez que a melhora desses movimentos acontece a partir do descanso orientado. d) O indivíduo deve executar a ação com muita coordenação, precisão, ritmo e leveza, a fim de alcançar os objetivos, pois a melhora desses movimentos acontece a partir de treinamentos. e) Nenhuma das alternativas. VAMOS PRATICAR 1 1 4 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Indaial: Arqué, 2022. ALVES, U. S.; BELLO, N. Futsal: conceitos modernos. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2020. CARRAVETTA, E. O jogador de futebol: técnicas, treinamento e rendimento. Porto Alegre: Mer- cado Aberto, 2001. COSTA, C. Futsal: aprenda a ensinar. Florianópolis: Visual Books, 2007. MELO, R. S. Trabalhos técnicos para futebol. 2. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2002. PAOLI, P. B.; GRASSELI, A. Fundamentos técnicos do futebol. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 2003. PAULSEN, F.; WASCHKE, J. S.: Atlas de anatomia humana. 23. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. TENROLLER, C. A. Futsal: ensino e prática. Canoas: Editora da Ulbra, 2004. VOSER, R. Futsal: princípios técnicos e táticos. 5. ed. Canoas: Editora da Ulbra, 2019. 1 1 5 1. Alternativa D O estágio de especialização envolve mudanças significativas nos treinamentos, com volume e intensidade planejados para evitar lesões, permitindo que os atletas se adaptem melhor às exigências dos treinos e competições. A. Incorreta. O estágio de iniciação deve ter baixa intensidade e foco no desenvolvimento geral, não apenas no desempenho específico de uma modalidade esportiva, com treinamento variado e momentos de competição. B. Incorreta. No estágio de formação esportiva, deve haver um aumento moderado na in- tensidade e ênfase no desenvolvimento de habilidades motoras, sem foco predominante em desempenho ou vitórias. C. Incorreta. O estágio de alto desempenho deve ser resultadoda aplicação eficaz dos pla- nejamentos anteriores, e não deve ocorrer independentemente do desenvolvimento nos estágios anteriores, pois a base é essencial para o sucesso nesta fase. E. Incorreta. A alternativa D é a correta. 2. Alternativa E. A afirmativa II está correta, porque controle de bola ou defesa se refere à ação de entrar em contato com a bola para pará-la ou mantê-la sob controle. A afirmativa III está correta, pois orientações são ações verbais usadas pelo goleiro para coordenar a defesa e se comunicar com os colegas. A afirmativa IV está correta, porque a saída de gol pode ser defensiva para interceptar um ataque ou ofensiva para iniciar um contra-ataque. Já a afirmativa I é incorreta, pois arremesso no contexto do goleiro refere-se ao lançamento da bola dentro do campo e não para fora. A afirmativa V é incorreta, pois rebater não significa reter a bola, mas sim desviá-la para longe. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 1 3. Alternativa D A execução da ação com coordenação, precisão, ritmo e leveza é crucial para o aprimoramen- to dos movimentos. A melhora desses aspectos geralmente ocorre a partir de treinamentos específicos e contínuos. A. Incorreta. A execução da ação com muita intensidade, volume, força e velocidade é uma abordagem importante, mas a melhora dos movimentos também requer treinamento ade- quado e não apenas estudos científicos. O estudo científico pode fornecer fundamentos, mas a prática é essencial. B. Incorreta. Embora calma, segurança, concentração e flexibilidade sejam importantes, a melhora dos movimentos não é alcançada apenas por estudos empíricos. A prática siste- mática e o treinamento também são fundamentais para o progresso. C. Incorreta. A ética, amor, carinho e dedicação são importantes para o envolvimento e motivação, mas a melhoria dos movimentos é predominantemente alcançada por meio de treinamento técnico e prática específica, não apenas por essas qualidades emocionais. E. Incorreta. A alternativa D é a correta. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 1 UNIDADE 4 MINHAS METAS TREINAMENTO DAS HABILIDADES TÉCNICAS Entender o processo do treinamento das habilidades técnicas individuais. Diferenciar o treinamento conforme o estágio atual do atleta. Saber adaptar o treino em diferentes contextos desportivos. Aprender quais métodos são os mais utilizados no futebol e futsal. Explorar atividades práticas de treinamento de habilidades individuais. Compreender as diferenças da didática aplicada para cada habilidade técnica. Refletir sobre o processo de ensino das habilidades no futebol e futsal. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6 1 1 1 INICIE SUA JORNADA O treinamento das habilidades técnicas individuais possuem uma relevância de destaque, pois, mesmo em esportes de cooperação, a individualidade é determi- nante para o sucesso da equipe e entender cada técnica e saber prescrever um treino para melhorar um gesto motor determinado torna-se fundamental. Bons treinadores sabem identificar os aspectos-chave do que desenvolver em cada atleta e ainda, possuem a habilidade e domínio de aplicar atividades que bus- cam potencializar as habilidades técnicas por meio de repetições sistematizadas e acompanhamento do desenvolvimento. Dessa forma, o tema aborda diferentes exemplos de como treinar, para que os profissionais possam replicar, ou, melhor ainda, despertar ideias para criar atividades diversas, mas que consigam atingir o objetivo das habilidades técnicas específicas no contexto do futebol e futsal. Neste episódio, vamos discutir se os métodos tradicionais de treino no futebol e futsal realmente atendem às necessidades dos atletas para desenvolver suas habilidades técnicas. Descubra alternativas e diferentes abordagens no nosso po- dcast!. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Antes de avançarmos no tema, vamos recordar a prática no treinamento esportivo, que deve promover situações ricas no treinamento das habilidades técnicas individuais dos atletas, sendo fundamental a variabilidade e situações desafiadoras para o desenvolvimento técnico no esporte. É assim que demonstra o vídeo a seguir, que, na fase de iniciação, utiliza um jogo lúdico com elementos do futebol, para que crianças consigam desenvolver a sua técnica em um contexto de jogo que envolve também a tomada de decisão e variabilidade do movimento. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=x7l5-nQ-CqM UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 DESENVOLVA SEU POTENCIAL TREINAMENTO ESPORTIVO A especificidade do treinamento esportivo relacionado a algum tipo de exercício físico ou a alguma modalidade esportiva por meio de seus gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais, caracteriza-se pelo processo repetitivo e sis- temático, composto de exercícios progressivos que visam ao aperfeiçoamento do desempenho, ou seja, é uma atividade organizada e sistematizada de aperfeiçoa- mento físico, nos seus aspectos morfológicos e funcionais, que, em consequência, influenciarão diretamente a capacidade de execução de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais que envolvam possíveis demandas motoras, as quais podem ser esportivas ou não (Barbanti; Tricoli; Ugrinowitsch, 2004). No nível didático, os estudos relacionados ao treinamento físico-esportivo compreendem quatro grandes áreas: avaliação do treinamento, controle do trei- namento, modelos de organização da carga de treinamento e desenvolvimento das capacidades motoras, sendo que o entendimento dessas áreas, por parte dos profissionais de educação física, propiciará a maximização do rendimento físico- -esportivo dos atletas, pois as exigências do esporte moderno faz com que esses atletas estejam mais predispostos a lesões e estados de sobretreinamento, em que o rendimento esportivo será afetado de modo negativo. De acordo com Frisselli e Mantovani (1999), a aquisição e o desenvolvimento da técnica, relacionada aos fundamentos do futebol, passam por uma série de fases, as quais são denominadas de treinamento técnico, que, por sua vez, é de- finido como a aprendizagem, o aperfeiçoamento ou o desenvolvimento de um fundamento do futebol. Ao organizar as atividades que serão desenvolvidas, para que se efetive o treinamento das habilidades técnicas individuais do futebol, os profissionais de educação física, com os outros profissionais que devem fazer parte da equipe multidisciplinar, levam em conta vários fatores, dentre eles: 1 1 1 • fase do treinamento (iniciação, aperfeiçoamento, performance); • características do grupo de atletas; • disponibilidade de espaços e materiais; • tempo para execução dos treinamentos; • período em que ocorrerão os treinamentos, pensando no calendário de competições. A partir desse cenário inicial, o treinamento específico de cada um dos gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais do futebol e do futsal deve ser conhecido, entendido e transformado em propostas práticas, a fim de aprimorar cada um desses movimentos. A ideia desses treinamentos é que o esportista con- siga incorporar as técnicas da maneira mais eficiente e assim tenha possibilidade de utilizar da melhor forma quando for solicitado nas diferentes situações que vão acontecer durante um jogo. As discussões práticas de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas indivi- duais do futebol e do futsal serão apresentadas a partir das obras de Alves e Bello (2020), Pérez Sánchez, Peres dos Santos e Solano (2020), Voser (2019), Lopes e Belozo (2017), Arruda e Bolaños (2010), Melo (2006; 2001) e Carravetta (2001). Para o desenvolvimento de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas in- dividuais no futebol/futsal, sugere-se a utilização do método de “parte x todo” ou método parcial, apresentado por Tenroller e Merino (2006), os quais sugerem que o aprendizado seja focado na execução das técnicas de modo correto, a partir das repetiçõesem diferentes exercícios, pequenos jogos ou desafios para que, posteriormente, se possa executar o gesto, fundamento ou habilidade técnica individual da maneira mais eficiente durante o jogo e, assim, obter melhores re- sultados. Esse método viabiliza um maior detalhamento da execução buscando a maneira mais correta, podendo fazer as devidas correções, quando necessárias. O treinamento com base nesse método se torna efetivamente individualizado. UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Domínio e controle de bola Para trabalhar esses gestos técnicos, sugere-se uma atividade bem comum aos praticantes do futebol e do futsal: as “embaixadinhas”. Essa atividade consiste em fazer diferentes contatos na bola, seja com o pé ou com outras partes do corpo (com exceção dos membros superiores), fazendo com que a bola se mantenha no alto, ou seja, sem encostar no chão. Ainda que a exe- cução das embaixadinhas, efetivamen- te, pouco seja utilizada em um jogo, as ações e a movimentação que envolvem essa atividade desenvolve vários aspectos técnicos em um esportista. A execução das “embaixadinhas” pode ser feita tanto individualmente como com um ou mais companheiros, o que aumenta o grau de dificuldade. Essa atividade não necessita de um es- paço muito elaborado, mas, sim, uma bola. Partindo-se do pressuposto de que, para executar um bom domínio de bola, o esportista deve estar em equilíbrio e, tanto no futebol quanto no futsal, a regra não permite que o jogador utilize o contato dos membros superiores com a bola (exceto o goleiro, dentro de sua área de meta), a parte do corpo que predomina, nas ações de equilíbrio dos jogadores de linha no futebol e no futsal, são os membros superiores. Diante disso, vale ressaltar que, para executar bons domínios de bola no fute- bol e no futsal, deve-se trabalhar atividades que utilizem os membros superiores, para que se desenvolvam posições corporais equilibradas. Para isso, propõe-se um jogo chamado de “birabol”, com as regras e o funcionamento descritos a seguir: 1 1 4 ■ O jogo é desenvolvido em uma quadra de futsal ou em um campo de futebol, imaginando-as sem linhas demarcatórias. ■ A bola pode ser de futebol, de futsal ou outra qualquer disponível. ■ Formam-se duas equipes, que podem variar em número de jogadores, de acordo com o local. ■ O objetivo do jogo é fazer gol na meta adversária. ■ A regra básica é não permitir o contato dos membros inferiores com a bola (essa regra possibilita o uso dos membros superiores para ter posicionamen- tos, movimentações e colocações adequados, com finalidade de desenvolver um bom equilíbrio e, como consequência, um bom domínio de bola). ■ O jogador com a posse de bola pode fazer o que quiser com ela: cor- rer, quicar, lançar e qualquer coisa que evite o contato da bola com os membros inferiores (caso algum jogador toque a bola com os membros inferiores intencionalmente, será punido com a perda da posse de bola para a equipe adversária). ■ Para que o adversário “roube” a bola de quem tem posse, deve apenas tocar com as mãos em qualquer parte do corpo daquele que está com a bola e, assim, o jogador que estava com a posse de bola deve aguardar pelo primeiro lançamento ou passe daquele que a “roubou” (essa situação assemelha-se a uma cobrança de falta e o cobrador, nesse momento, não poderá ser tocado, mas também não poderá se deslocar com a bola antes de executar o passe). ■ O gol deve ser feito, exclusivamente, com a cabeça, sendo que o jogador não pode lançar a bola para que ele mesmo a cabeceie para o gol. ■ Nesse jogo, não há utilização das linhas demarcatórias, tampouco de goleiros, pois todos os jogadores têm basicamente as mesmas funções, podendo, de acordo com a determinação dos grupos, montar as suas es- tratégias. ■ O jogo pode ser desenvolvido por tempo ou por um número de gols predeterminado. UNICESUMAR 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Passe Quando o objetivo for ensinar o gesto técnico do passe, primeiramente, é ne- cessário organizar o local, a fim de que a ação atinja um objetivo estabelecido, ou seja, um alvo que pode ser fixo ou em movimento (no caso do ponto futuro). O treinamento do passe pode ser feito com a bola parada ou com a bola em movimento. O passe, em grande medida, é feito com os pés, mas nada impede que se faça com as mãos (goleiro dentro da área de meta ou arremesso lateral no futebol), com a cabeça, com o peito, com o joelho, com a coxa ou com o ombro. É importante, na organização da execução de um passe, quando for executado com os pés, a colocação do pé de apoio, que pode estar posicionado atrás, ao lado ou à frente da bola, dependendo de qual região o pé terá contato com a bola. Após entender como é feito um treino de domínio no futebol e futsal, veja o vídeo Domínio de Bola – (Lateral do Pé) Bola Rasteira e Alta, explicando na prática como podemos treinar e dando dicas de como ajustar o corpo para poder dominar me- lhor a bola. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=oT5HzTkMdYo EU INDICO Um ABC para Iniciantes nos jogos Esportivos O livro de Kroger e Roth apresenta uma abordagem esportiva multilateral, tanto para níveis iniciantes quanto avançados, com foco em jogos e atividades, apoiando-se em três pilares: jogos situacionais, desenvolvimento de habilidades, prática de tática, coordenação e técnica. O livro traz diversos exemplos práticos para o profissional que procura ideias de atividades variadas, que proporcionem um desenvolvimento motor amplo dos seus jogadores. INDICAÇÃO DE LIVRO 1 1 1 Caso o jogador esteja sozinho, a proposta é que ele encontre uma parede e faça deslocamentos paralelos a esse muro, executando toques que serão di- recionados em uma trajetória diagonal, fazendo com que seu toque na parede incida no anteparo com um ângulo de mais ou menos 45 graus e retorne a ele nesse mesmo ângulo, porém, em um local um pouco mais à frente de onde se iniciou a atividade. Caso o jogador esteja com um companheiro, a proposta é que façam des- locamentos pelo campo de jogo, endereçando passes, efetivamente, ao compa- nheiro posicionado e também executando passes em locais diferentes de onde o companheiro está, sugerindo o “ponto futuro” ou espaço vazio, o que favorece deslocamentos e encontros do jogador com a bola. Quando o treinamento de passe for feito com as outras partes do corpo, é importante ter dois jogadores, para que um deles realize os lançamentos da bola com as mãos em direção a diferentes partes do corpo do outro (cabeça, peito, joelho, coxa e ombro), predispondo um objetivo no qual a bola deverá ser enviada após o passe, que pode ser um alvo fixo (no caso, seria um suposto companheiro) ou um espaço vazio, ponto futuro. Após compreender os fundamentos do passe no futebol e futsal, você sabe que o treino pode ser feito de forma simples ou mais elaborada, com isso, o vídeo Dinâmica de Passe nos mostra uma alternativa de treino, que, ao invés de passes apenas para frente, ou para o companheiro, ou para um mini gol, utiliza passes de maneira dinâmica, incluindo tabelas, passes de primeira ou após e domínio e com movimentações constantes. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=Ecvz8jEgyhc EU INDICO UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 1 1 8 Chute O treinamento do chute no futebol e no futsal possui a necessidade de que o jo- gador se atente à meta, ao gol, que é o objetivo do chute. Ainda que o alvo esteja parado, fixo, em uma situação de jogo, na maioria das vezes existirá o goleiro, cuja função é tentar impedir que esse chute se transforme em gol. O treinamento de chute pode ser feito com a bola parada ou com a bola em movimento. O chute, via de regra, é executado com os pés. Assim como no passe, o posicionamento do pé de apoio varia conforme a região do pé que terá o contato com a bola. O treinamento do chute, quando for feito com a bola parada (por exemplo, em uma situação de cobrança de falta em um jogo), pode ser desenvolvidode modo solitário, ou seja, o esportista colocará a bola em locais variados do campo de jogo e, repetidas vezes, tentará acertar o alvo, no caso a meta. Ainda sozinho, no caso de treinar o chute com a bola em movimento, é pos- sível que o esportista toque a bola em direção a um aparato (parede ou muro) e, quando a bola retornar, fazer o chute em direção à meta. No caso de termos duas ou mais pessoas treinando chutes, sugere-se a utili- zação de um jogo chamado “chutegol”, que tem as seguintes regras: ■ o objetivo é executar chutes com a bola em movimento; ■ pode-se usar a meta (gol) ou uma parede (desde que demarcado o alvo); ■ forma-se uma fila, e o primeiro da fila executará o primeiro chute com a bola parada em uma distância combinada previamente; ■ a bola deve entrar e sair da meta ou bater no alvo localizado na parede; ■ o objetivo do primeiro chute é fazer com que a bola entre e saia da meta; no caso da parede, deve bater no alvo demarcado; ■ o segundo da fila deverá chutar com apenas um único contato com a bola, assim como os demais colegas, sucessivamente, um depois do outro. ■ se o alvo for uma meta, após o chute, o “chutador” estará desclassificado se: ■ a bola acertar a trave ou o travessão sem que entre no gol; ■ a bola entrar na meta, mas não sair do gol, ou seja, a bola permanecer dentro do gol; ■ a bola ficar presa em algum local dentro da meta, por exemplo, na rede ou nos ferros que compõe a trave; ■ o “chutador” entrar em contato com a bola pela segunda vez antes de outro participante o fazer; UNICESUMAR 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 ■ a bola furar a rede. ■ por outro lado, se o jogo for realizado em uma parede, após o chute, o “chutador” estará desclassificado se: ■ a bola não acertar no espaço demarcado; ■ o “chutador” entrar em contato com a bola pela segunda vez antes de outro participante o fazer. ■ caso haja erros e desclassificação de algum participante, o jogo será reiniciado com um chute do mesmo local previamente acordado. ■ caso a bola toque em algum participante que não tenha feito essa in- tervenção na sua vez de atuação, ele também estará desclassificado. ■ vence o jogo o último jogador que permanecer sem cometer nenhuma infração. O chute é o fundamento mais importante no futebol e futsal, pois por meio dele acontece o elemento mais importante no jogo, o gol, porém, ele não ocorre de maneira homogênea e essas variações devem ser praticadas. Dessa forma, o ví- deo Treino de Finalização (Faça Muitos Gols) mostra variações que podem ocorrer no futsal, combinando uma movimentação que imita a realidade do jogo, seguido de um chute. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=T7p8tn_4Nwc EU INDICO Condução de bola O desenvolvimento da habilidade técnica de condução de bola necessita de um espaço relativamente amplo e semelhante ao campo de jogo, no quesito de ter- reno, pois o deslocamento da bola será diferenciado, de acordo com o local por onde se deslocar. A ideia é promover situações em que o esportista conduza a bola em diferentes direções e sentidos, com as diferentes partes dos pés. Esse treinamento pode ser feito tanto individualmente como com dois ou mais companheiros. Quando o jogador for realizar a atividade sozinho, o 1 1 1 esportista conduzirá a bola em diferentes sentidos e direções, com diferentes velocidades, de acordo com as suas próprias orientações. Já em situações de treinos em grupos, é possível que um dos envolvidos monte um caminho a ser seguido pelos demais colegas, com algumas dificuldades, que podem ser obstáculos, mudanças de sentidos e direções previamente determinadas, com aumento ou diminuição da velocidade. Outra possibilidade é que, enquanto um esportista conduz a bola, o outro oferecerá tarefas a serem cumpridas (podem ser verbais ou visuais). Por exemplo: “carregue a bola para o lado direito”, “agora para trás”, “agora com o pé esquerdo para o lado”, “mais rápido”, “mais devagar”, e assim por diante. Agora vamos ver um exemplo prático de treino das habilidades técnicas combi- nadas. No vídeo: Melhore Seu Chute, Drible, Condução e Passe – Circuito Técnico, podemos observar uma situação de aprendizagem desses quatro fundamentos de forma isolada. O vídeo serve como base para poder aplicar algo semelhante na sua realidade, ou, melhor ainda, adaptar ao seu contexto. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=OD7pCa_PP5c EU INDICO Drible ou finta Para aperfeiçoar o drible ou finta, é fundamental que os exercícios contemplem situações em que o esportista esteja com a bola (drible) ou sem a bola (finta). Se o esportista estiver sozinho, pode-se criar um circuito, no qual ele fará deslocamen- tos com a bola ou sem a bola e, além disso, em cada obstáculo, ele deve executar um tipo de ação. Por exemplo, no cone, ele deve executar um drible/finta simples e, na cadeira, um drible/finta com giro. Se os treinos forem em grupos, pode-se sugerir que os indivíduos andem ou corram pelo espaço, com ou sem a bola, sendo que um dos membros do grupo deve sugerir, em determinado momento, qual drible/finta quer que os seus co- legas executem. UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 6 Conseguimos, portanto, aprender diversos exemplos de treinos para serem uti- lizados nos treinamentos técnicos no futebol e futsal, como utilizar e o porquê. A partir das ideias apresentadas no tema, o próximo passo é aplicar na prática, adaptar ao nível de seus atletas e principalmente criar novas atividades que os potencializem e permitam variar o movimento, sempre lembrando de estimular o prazer no esporte e a criatividade. O drible e a finta podem ser treinados tanto isoladamente quanto com adversários. O vídeo Como Melhorar o Drible #02 (Treine C/Amigos) mostra exatamente isso, de uma forma progressiva, de uma atividade sem bola até a situação de 1x1, incenti- vando a criatividade. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=O7A3acmXCrc EU INDICO Se o drible é a ação de se desvencilhar, enganar, iludir, ultrapassar um ou mais adversários, torna-se fundamental a replicação dessa ideia na prática, ou seja, é importante criar situações no treino que englobem o enfrentamento para poder realizar o drible, como em situações de treinos de 1x1 e encorajamentos verbal do drible em outras atividades com mais jogadores. PENSANDO JUNTOS Estudante, assista ao nosso vídeo e enriqueça seus estudos. Neste vídeo, falare- mos a respeito de temas relevantes para a área.. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 1 1 NOVOS DESAFIOS Agora que temos a ideia clara do que são e como treinar as habilidades técnicas, é hora de aplicar isso nos treinos. Dessa forma, algumas questões são relevantes para a prática profissional. Primeiramente, precisamos entender que as técnicas podem ser treinadas de forma isolada ou em situação de jogo, cabendo a nós, profissionais, expor os jogadores nas duas condições, já que uma favorece uma correção e reflexão maior a respeito do gesto motor e o outro desenvolve a técnica em um contexto mais próximo do jogo, que é juntamente com a tomada de decisão e tendo relação direta com o ambiente e com o comportamento dos colegas e adversários. Segundo e mais importante, o profissional deve saber como realizar os ajus- tes necessários no atleta, quando intervir na ação para não ser algo monótono e maçante, além de avaliar o estado atual e acompanhar de perto a evolução de cada jogador individualmente, para haver uma prática com intenção clara de desenvolvimento das habilidades técnicas na totalidade. Por fim, conhecendo agora alguns exercícios práticos de como treinar, cabe ao profissional saber criar novas atividades e/ou buscar novas ideias para diversificar o treino, com o intuito de manter o ambiente rico e motivador. UNICESUMAR 1 1 1 1. Nas questões relacionadas ao treinamento esportivo, especificamente, encontram-se pro- cessos repetitivos e sistemáticos, compostospor exercícios progressivos que visam ao aperfeiçoamento do desempenho dos atletas. Esses processos são elaborados para garan- tir o desenvolvimento contínuo por meio de estímulos variados, que promovem adaptações físicas e mentais. Com relação ao treinamento esportivo, assinale a alternativa correta: a) Trata-se de uma atividade organizada e sistematizada de aperfeiçoamento mental, nos seus aspectos intrínsecos e extrínsecos, que, em consequência, influenciarão diretamen- te a capacidade de execução das relações interpessoais e intrapessoais que envolvam possíveis demandas motoras relacionadas a uma modalidade esportiva. b) Trata-se de uma atividade organizada e sistematizada de relaxamento corporal, nos seus aspectos musculares e articulares, que, em consequência, influenciarão diretamente a capacidade de flexibilidade de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais que envolvam possíveis demandas nas atividades rítmicas. c) Trata-se de uma atividade organizada e sistematizada de aperfeiçoamento motor, nos seus aspectos finos e grossos, que, em consequência, jamais irão influenciar diretamente as demais capacidades físicas do ser humano ou as habilidades técnicas individuais que envolvam possíveis demandas motoras ou não relativas à vida diária. d) Trata-se de uma atividade organizada e sistematizada de aperfeiçoamento físico, nos seus aspectos morfológicos e funcionais, que, em consequência, influenciarão direta- mente a capacidade de execução de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas indivi- duais que envolvam possíveis demandas motoras, as quais podem ser esportivas ou não. e) Trata-se de uma atividade organizada e sistematizada de aperfeiçoamento emocional, nos seus aspectos psicológicos e afetivos, que, em consequência, influenciarão direta- mente a capacidade de lidar com o estresse e a ansiedade, sem qualquer impacto nas habilidades físicas ou motoras necessárias para a prática esportiva. VAMOS PRATICAR 1 1 4 2. No âmbito conceitual, o termo treinamento refere-se à organização de atividades e/ou ações com o objetivo de aprimorar comportamentos, conhecimentos, atividades, aspectos, relações, sistemas, ações ou atitudes, tanto de um indivíduo quanto de um grupo de indi- víduos, por isso treinar significa desenvolver alguma habilidade que desejamos possuir ou, ainda, melhorar alguma habilidade que já possuímos. Os treinamentos são eventos cíclicos e contínuos, que ocorrem em diferentes etapas. Com base nas reflexões acerca dessa temática, analise as sentenças a seguir: I - A etapa de diagnóstico é a hipótese de dados, por meio de discussões. II - A etapa de desenho é a elaboração do programa sem relação com o diagnóstico. III - A etapa de implementação é a aplicação e a condução do programa elaborado. IV - A etapa de avaliação é a etapa final, em que se os resultados serão verificados. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) III, apenas. c) II e III, apenas. d) IV, apenas. e) III e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 5 3. A condução de bola é um gesto técnico fundamental aos esportistas em um jogo de futebol ou futsal e, para treinar esse fundamento, a principal ideia é promover situações em que o esportista conduza a bola em diferentes direções e sentidos, com as diferentes partes dos pés, o que pode ser realizado individualmente ou em grupo. De acordo com os entendimentos dessa habilidade técnica individual, analise as sentenças a seguir: I - Quando um esportista treina a condução de bola sozinho, ele conduzirá a bola por dife- rentes sentidos e direções, com diferentes velocidades, de acordo com as suas próprias orientações. II - Quando um esportista treina a condução de bola em grupo, um colega pode montar um caminho a ser seguido por todos com alguns obstáculos, mudanças de sentidos e direções, com aumento ou diminuição da velocidade. III - Quando um esportista treina a condução de bola em grupo, um colega oferecerá tarefas a serem cumpridas, que podem ser verbais ou visuais (por exemplo, “carregue a bola para o lado esquerdo”, “carregue a bola para trás” etc.). É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) II e III, apenas. c) I e III, apenas. d) I, apenas. e) I, II e III, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 1 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Florianópolis: Arqué, 2022. ALVES, U. S.; BELLO, N. Futsal: conceitos modernos. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2020. ARRUDA, M.; BOLAÑOS, M. A. C. Treinamento para jovens futebolistas. São Paulo: Phorte, 2010. BARBANTI, V. J.; TRICOLI, V.; UGRINOWITSCH, C. Relevância do conhecimento científico na práti- ca do treinamento físico. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v. 18, p. 101-109, 2004. BELLO, N. A ciência do esporte aplicada ao futsal. Rio de Janeiro: Sprint, 1998. CARRAVETTA, E. O jogador de futebol: técnicas, treinamento e rendimento. Porto Alegre: Mer- cado Aberto, 2001. FRISSELLI, A.; MANTOVANI, M. Futebol: teoria e prática. São Paulo: Phorte, 1999. LOPES, C. R.; BELOZO, F. L. Futebol sistêmico: conceitos e metodologias de treinamento. São Paulo: Paco Editorial, 2017. MELO, R. S. Futebol da iniciação ao treinamento. Rio de Janeiro: Sprint, 2001. MELO, R. S. Ensinando futsal. Rio de Janeiro: Sprint, 2006. PÉREZ SÁNCHEZ, J. I.; PERES DOS SANTOS, T. A.; SOLANO, J. C. 100 exercícios e jogos selecio- nados para a iniciação ao futsal. Sevilla: Wanceulen, 2020. TENROLLER, C. A.; MERINO, E. Métodos e planos para o ensino dos esportes. Canoas: Editora da ULBRA, 2006. VOSER, R. Futsal: princípios técnicos e táticos. 5. ed. Canoas: Editora da Ulbra, 2019. 1 1 1 1. Alternativa D Descreve de forma adequada a relação entre o aperfeiçoamento físico, seus aspectos morfológicos e funcionais, e a influência direta na execução de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas. A. Incorreta. Não estabelece uma conexão clara entre as relações interpessoais e intrapes- soais e as demandas motoras, tornando o enunciado confuso. B. Incorreta. Limita a influência do relaxamento corporal apenas às atividades rítmicas, o que é impreciso. C. Incorreta. Afirma incorretamente que o aperfeiçoamento motor não influencia as capaci- dades físicas ou habilidades técnicas, o que não é verdade. E. Incorreta. Foca apenas no aperfeiçoamento emocional, enquanto o treinamento esportivo deve desenvolver principalmente as capacidades físicas e motoras dos atletas. 2. Alternativa E I. Incorreta. O diagnóstico não é apenas uma hipótese de dados por meio de discussões, ele envolve uma análise mais completa. II. Incorreta. A etapa de desenho deve estar vinculada ao diagnóstico e não desconectada dele. III. Correta. A implementação é a aplicação e condução do programa elaborado. IV. Correta. A avaliação é a etapa final, em que os resultados são verificados. 3. Alternativa E I. Correta. Descreve de forma adequada como, em um treino individual, o esportista ajusta a condução da bola conforme suas próprias orientações, variando sentidos, direções e velocidades. II. Correta. Descreve corretamente a dinâmica de um treino em grupo, no qual um colega pode criar um percurso com obstáculos e variações de velocidade, sentidos e direções. III. Correta. Descreve com precisão como, em um treino em grupo, tarefas verbais ou visuais podem ser dadas por um colega para direcionar a condução da bola. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 8 MEU ESPAÇO 1 1 9 MINHAS METAS TÁTICAS DE JOGO NO FUTEBOL Entender os conceitos gerais que norteiam a tática de jogo no futebol. Refletir sobre a relação entre as particularidades dos jogadores e a tática. Aprender como foi a evolução da tática de jogo no futebol. Analisar como equipes históricas influenciaram os sistemas de jogo. Compreender as diferentes variações táticas e suas características. Saber como o comportamento dos jogadores muda em cada sistema tático. Explorar os sistemas táticos modernos. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7 1 4 1INICIE SUA JORNADA A tática no futebol tem uma longa história, moldada por treinadores e times his- tóricos, principalmente em Copas do Mundo, o maior evento esportivo do fute- bol, que influenciaram as variações e o ritmo ao longo do tempo, com a evolução pautada principalmente na melhor distribuição de jogadores no campo de jogo. Entender a tática no futebol é a maneira pela qual a comissão técnica define como a equipe deve jogar, buscando uma distribuição racional dos jogadores em campo. O objetivo é potencializar as capacidades dos atletas, atribuindo funções claras e bem definidas, de modo que eles saibam o que fazer e a equipe evolua coletivamente. Isso cria uma estrutura que permite ao jogador executar seu pa- pel de forma eficiente, gerando um ambiente organizado, mas que ainda oferece espaço para criatividade e desempenho individual. Diante disso, é essencial refletir se a melhor estratégia é seguir à risca as con- vicções da comissão técnica ou adaptar-se à capacidade individual de cada jo- gador. O ideal talvez seja encontrar um equilíbrio que permita uma organização tática eficiente, mas que também valorize a individualidade dos atletas, propor- cionando liberdade em uma estrutura organizada. Neste tema, abordaremos a tática e sua história, oferecendo subsídios para aplicar esse conhecimento de for- ma prática e adaptada à realidade de cada profissional em uma comissão técnica. UNICESUMAR 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 DESENVOLVA SEU POTENCIAL CONCEITOS DE SISTEMA DE JOGO E TÁTICA DE JOGO A tática no futebol é amplamente discutida ao longo de sua história. Fernandes (2004) sugere estruturá-la em componentes de atividades intelectuais, psíquicas e físicas, podendo ser dividida em: tática individual ofensiva, tática individual defensiva, tática de bola pa- rada, condições externas, tática de posição, tática de jogo coletivo e sistemas táticos. Para Bauer e Uberle (1988), o êxito no desempenho tático depende de al- gumas capacidades: capacidades sensoriais: visão central e periférica, sentido espacial e sentido cinestésico; capacidades cognitivas: inteligência de jogo, adap- tação e de aprendizagem; capacidades psíquicas: segurança própria, equilíbrio, tranquilidade e resistência diante do estresse. Neste podcast, vamos explorar como a cultura molda o estilo de jogo das equipes. Discutiremos a importância de entender a identidade cultural de um clube ou se- leção e como isso impacta as táticas. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Antes de avançarmos nas táticas de jogo no futebol, assista ao vídeo Conceitos Táticos do Futebol Moderno – Diferentes Fases do Jogo e veja que os esquemas táticos não são fixos, são apenas pontos de partida, o qual também apresenta as fases do jogo, mostrando a sua complexidade, imprevisibilidade e como a tática pode variar dentro do jogo de futebol. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=oyOUCwdjQIw A tática no futebol é amplamente discutida ao longo de sua história 1 4 1 Além disso, alguns fatores podem influenciar diretamente na tática de jogo construída para uma equipe, como o tipo de adversário, as condições técnicas da própria equipe, a condição física dos jogadores, os aspectos psicológicos tempo- rais, as situações ocorridas durante a partida (gols de vantagem ou de desvanta- gem, expulsão, posicionamento no campo de jogo), regulamento da competição, dentre outros (Bauer; Uberle, 1988). Um conceito importante, nessa temática, é o de sistema de jogo. Drubscky (2003) usa o termo “sistema tático” para definir o sistema de jogo, afirmando ser o conjunto das táticas que determina as ações e as características de uma equipe, ou seja, é a ideia de jogo chamada de desenho tático, esquematizações, variações, posturas, sistemas de marcação, detalhes táticos e estilos de jogo. O sistema de jogo é definido pelas numerações, distribuídas como 4×4×2, 3×5×2, 4×3×3, dentre outros. Paoli e Grasseli (2003) ressaltam que o sistema de jogo é a posição tomada por uma equipe dentro do campo de jogo, ou seja, a distribuição dos jogadores com a finalidade de ocupar, racionalmente, todos os setores do campo. Dessa forma, a distribuição dos jogadores pode ser dividida em grupos: o grupo da linha defensiva, o da linha média e o da linha ofensiva (Paoli; Grasseli, 2003). A partir desses autores, entende-se que o sistema de jogo é uma perspectiva inicial daquilo que poderá ser vislumbrado a partir de táticas. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE JOGO NO FUTEBOL O formato do futebol moderno teve suas raízes na Ingla- terra por volta de 1823, quando se estabeleceu o número fixado de jogadores, por equipe, dentro do campo de jogo, em 11. Nessa época, ainda com muita influência das regras do rugby, o futebol passava por muitas insta- bilidades técnicas e táticas (Giulianotti, 2002; Leal, 2000). A partir da regulamentação da modalidade, em 1863, o futebol tinha nove regras e, no sistema de jogo, os jogadores faziam suas intervenções de modo quase que intuitivo, sem ordem, com claras intenções apenas de atacar e fazer gols. Nesse contexto, todos os jogadores ficavam o tempo todo correndo atrás da bola, em especial no campo de ataque, próximo à meta adversária (Leal, 2000). O formato do futebol moderno teve suas raízes na Inglaterra UNICESUMAR 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Esse sistema, com perspectivas essencialmente de ataque, foi chamado de 1×1×1×8, cuja distribuição era o goleiro, um zagueiro, um médio e oito atacantes (Santos Filho, 2002; Unzelte, 2002). Nesse cenário, percebeu-se que o sistema de jogo 1×1×1×8 deixava muitas partes do campo vazias e desocupadas, o que suscitou que um dos jogadores de ataque jogasse mais recuado na linha média, a fim de reforçar mais o setor do meio-campo. Para Leal (2000), esse fato pode ter ocorrido porque, apesar do grande número de atacantes, nem todas as oportunidades de gol foram concre- tizadas, possivelmente devido à falta de qualidade técnica de alguns jogadores, que, em certas ocasiões, atrapalhavam seus companheiros. Desse modo, os escoceses decidiram recuar dois jogadores que ficavam à frente, sendo um zagueiro e um meio-campista. Desenha-se, então, uma nova configuração, tendo um zagueiro à frente do goleiro e um meio-campista com funções de ligar a defesa ao ataque. Esse sistema ficou conhecido como 1×2×8. Os escoceses modificaram novamente o sistema de jogo e, em uma partida contra a Inglaterra, em 1872, recuaram mais dois jogadores do ataque, criando um quadrado em frente do goleiro, o que viabilizou que a equipe da Escócia não levasse gols e, assim, o jogo terminou com placar de 0×0. O sistema adotado pelos escoceses foi chamado de 1×2×2×6 (Melo, 1999). A partir dessa configuração apresentada pelos escoceses, Frisselli e Mantovani (1999) destacam que os treinadores iniciam um processo de equilíbrio entre os jogadores de defesa e os de ataque. Surgiu, então, o sistema clássico do futebol, chamado de “piramidal”, composto por um goleiro, dois zagueiros, três médios e cinco atacantes, com um desenho distribuído em 1×2×3×5. Nesse sistema, se- gundo autores como Melo (1999) e Santos Filho (2002), cada jogador incorpora uma função mais específica, ou seja, os jogadores da frente atacavam em linha, o que facilitava a ação dos defensores, visto que a lei do impedimento ainda exigia, pelo menos, três defensores mais próximos da linha de fundo, para dar condição de jogo para um atacante. A partir de uma nova alteração na lei do impedimento, que impôs que apenas dois jogadores devem estar mais próximos da linha de fundo, para dar condição de jogo a um atacante, os treinadores fizeram novas configurações em seus siste- mas de jogo (Melo, 1999; Santos Filho, 2002). Considera-se uma radical mudança o sistema de jogo chamado de WM, apresentado por Herbert Chapman, à época, técnico do Arsenal, da Inglaterra, em 1925. 1 4 4 11 9 7 3 5 2 81046 1 goleiro zagueiro zagueiro zagueiro ponta centroavante ponta volantevolante meiameia UNICESUMAR 1 4 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Essa mudança na regra, de três para dois jogadores quanto à condição de jogo ao atacante, facilitou o trabalho das equipes no campo de ataque, aumentando a agressividade na busca pelo gol, pois poderiam colocar um atacante próximo ao pe- núltimo jogador da equipe de defesa, visto que o último seria, obviamente, o goleiro. A partir desse cenário, Chapman propôs colocar um maior reforço para sua equipe no campo de defesa, trocando a função do jogador no meio de campo pela função de um terceiro zagueiro, ficando à frente dos dois zagueiros da sua equipe, posicionado mais próximo ao centro do campo. O sistema proposto por Chapman fez muito sucesso, tanto que sua equipe, o Arsenal, conquistou três títulos consecutivos da Liga Inglesa (1933, 1934 e 1935), tendo a seguinte distribuição de seus jogadores em campo: o goleiro, uma linha de três zagueiros na defesa, dois jogadores no meio de campo, dois meio-atacantes centralizados, um ponta direita e um ponta esquerda, viabilizando jogadas com o centroavante. Conforme Frisselli e Mantovani (1999), a partir da implementação do sistema de jogo WM, as equipes introduziram, em seus sistemas de defesa, a chamada marcação individual, diferentemente da antiga marcação por zona. Os autores sinalizam que, com a evolução técnica e física das equipes, o sis- tema WM sofre alterações e passa a ser chamado de Sistema Diagonal, o qual foi utilizado pelas equipes brasileiras até 1958, tendo como marca os três zagueiros jogando com maior liberdade e os meio-campistas recuando um pouco mais. Esse sistema passa a ser identificado como 4×2×4, com os jogadores do meio de campo e da defesa movimentando-se em ambos os espaços do campo de jogo. 1 4 1 Svensson Börjesson Parling Gustavsson Axbom LiedholmGren Bergmark SkolundHamrin Simonsson Pelé Zito Vavá Zagallo Garrincha Djalma Santos Orlando PeranhaBellini Nilton Santos Didi Gilmar UNICESUMAR 1 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 A partir do sistema 4×2×4, a identificação da distribuição numérica dos jogado- res em campo não mais se apresentou com a identificação da posição do goleiro, sendo esse sistema definido com a distribuição de dois zagueiros centrais, dois laterais, dois meio-campistas e quatro atacantes (Bangsbo; Peitersen, 2000). No mundial do Chile, em 1962, o Sistema WM havia acabado, pois todas as seleções apresentavam um sistema que tinha um reforço no meio para a defesa (Frisselli; Mantovani, 1999). Nessa Copa, o Brasil reforçou o meio-campo e apre- sentou o sistema 4×3×3, no qual as posições, previamente determinadas, estavam cada vez menos incorporadas. Com esse aumento do número de jogadores no meio-campo de dois para três, chegando, às vezes, a quatro, surge um sistema misto de defesa com a aparição de zagueiros e meio-campistas com habilidades técnicas individuais mais explicitadas. Na Copa do Mundo do México, em 1970, o Brasil foi campeão utilizando o sistema 4×3×3, tendo os jogadores brasileiros distribuídos com o goleiro, quatro zagueiros (dois laterais e dois centrais), três jogadores no meio de campo (um com a função de dar cobertura para a defesa e dois com a função de armação e conclusão das jogadas) e três jogadores no ataque (um em cada ponta do campo e um centroavante) (Frisselli; Mantovani, 1999). Já a Copa da Alemanha, de 1974, apresentou para o mundo a seleção holande- sa, apelidada de laranja mecânica, pela cor de sua camisa e pela distribuição tática de seus jogadores em campo, conhecida como Carrossel Holandês, sob o comando do técnico Rinus Michels. A Holanda, que seria vice-campeã dessa Copa, apresen- tou uma grande rotatividade de seus jogadores, praticamente, por todos os setores do campo, muitas vezes, os defensores deixando sua zona de defesa para apoiar a zona de ataque ou, ainda, armando jogadas, conforme Melo (1999). Em 1982, na Copa do Mundo da Espanha, segundo Melo (1999), aconteceu nos sistemas de jogo uma alta concentração de jogadores no meio de campo, tendo o recuo de um e, às vezes, de dois atacantes, gerando vários desequilíbrios entre o campo de defesa e o de ataque. Nessa Copa, grande parte das seleções utilizou o sistema 4×4×2, introduzindo uma figura chamada de líbero. O autor ressalta que as caraterísticas dos atacantes, nesse sistema, eram diferentes daquelas apresentadas por atacantes em outros sistemas, pelo fato de terem que ajudar as ações de marcação. 1 4 8 No campeonato europeu de seleções, em 1984, a Dinamarca trouxe uma no- vidade em relação ao seu sistema de jogo, por sua distribuição em três zagueiros, dois alas, três jogadores no meio de campo e dois atacantes, chamada de 3×5×2, que ainda sofria variações para um sistema mais defensivo chamado de 5×3×2. Na Copa do Mundo do México, em 1986, a Argentina sagrou-se campeã utilizando esse sistema de jogo, 3×5×2. Nessa formação argentina, a equipe jogou com três zagueiros (um deles jogando atrás dos outros, a fim de fazer a cobertura de toda a zaga – líbero), cinco meio-campistas (dois alas com a função de fazer as jogadas pelas laterais do campo e três jogadores mais centralizados) e dois ata- cantes (que se movimentavam o tempo todo, para confundir a defesa adversária). Nos Estados Unidos, em 1994, o sistema de jogo que levou a seleção brasileira ao tetracampeonato mundial foi o 4×4×2, também utilizado por outros países, assim como algumas seleções fizeram uso do sistema 4×5×1, que teve, na Copa seguinte, em 1998, na França, uma excelente performance pela seleção da No- ruega. Este último sistema mostra um goleiro, quatro defensores (dois zagueiros no meio da área e dois laterais), cinco meio-campistas e apenas um atacante, o que facilita a função da defesa, que sempre estará posicionada para ganhar a bola, principalmente quando estiver alta, como ressalta Melo (1999). Em 2002, na Copa do Mundo realizada na Coreia do Sul e no Japão, a seleção brasileira se sagrou pentacampeão mundial jogando com o sistema 3×5×2, cuja distribuição foi feita com três zagueiros, dois alas, três meias e dois atacantes, ou seja, um sistema considerado bastante defensivo. A Pirâmide Invertida A Pirâmide Invertida, de Jonathan Wilson, oferece uma nova perspectiva acerca da evolução da tática no futebol. Ao longo da narrativa, o autor analisa momentos-chave da história do espor- te, das antigas formações ofensivas até mudanças mais atuais. O livro permite um aprofundamento maior na história da tática do futebol, trazendo muitos exemplos práticos de equipes e jogos históricos. INDICAÇÃO DE LIVRO UNICESUMAR 1 4 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 SISTEMAS DE JOGO NO FUTEBOL MODERNO Alguns sistemas de jogo, no futebol, são considerados a base dos sistemas mais utilizados atualmente. Emílio (2004) cita que os sistemas 4×3×3, 4×4×2 e 3×5×2 deram origem às mais diversas variações de posicionamentos exis- tentes no futebol. O sistema de jogo 4×3×3 Borsari (1989) mostra que, nesse sistema 4×3×3, a distribuição dos jogadores é feita com quatro defensores (dois zagueiros e dois laterais), três jogadores de meio-campo (dois volantes e um meia de ligação) e três atacantes. A ideia, segun- do o autor, é ter uma definição defensiva bem clara nesse sistema, para viabilizar ações dos laterais no sentido longitudinal. A evolução da preparação física dos jogadores foi essencial para o sucesso desse sistema de jogo. Os atacantes começam a participar de modo efetivo na marcação, os meio-campistas conseguem alternar ações defensivas com ações ofensivas e os defensores têm um pouco mais de autonomia para deixar o setor de defesa e ir ao campo de ataque. Essas condições físicas melhoradas dos atletas facilitaram, em grande medida, que pudessem ocupar todos os setores do campo, expondo cada vez mais as condições técnicas de cada um. Quando se trata da defesa, no sistema 4×3×3, de acordo com Capinussú e Reis (2004),os dois laterais têm funções tanto defensivas como ofensivas, essen- cialmente, por terem de ocupar os espaços compreendidos nas laterais do campo. Ainda, na distribuição defensiva, os zagueiros têm funções nomeadamente defensivas, conforme Melo (1999) e Capinussú e Reis (2004). Os zagueiros que, em grande medida, têm estatura elevada, são aproveitados em jogadas aéreas (bolas altas), para fazerem cabeceios. Outro papel que pode ser ofertado aos za- gueiros é organizar a saída de bola do campo de defesa para o meio de campo e, posteriormente, ao campo de ataque. O setor do meio de campo, no sistema 4×3×3, é composto por dois volantes e um jogador chamado de meia de ligação. Os volantes têm funções tanto defensi- vas quanto ofensivas, ainda que predominem as ações defensivas, pois esse setor, nesse sistema, conta com três jogadores, sublinha Borsari (1989). A marcação, 1 5 1 exercida pelos volantes, normalmente, é individual para com os meias de ligação da equipe adversária. Aos volantes, também são atribuídas funções de auxiliar os zagueiros e os laterais nos momentos de marcação, principalmente quando um desses jogadores se envereda ao campo de ataque, fazendo a chamada cobertura. Uma possível variação desse sistema é a utilização de um jogador mais defensi- vo e dois jogadores mais ofensivos e foi amplamente utilizada no futebol entre o final dos anos 2000 e meados de 2010. Os exemplos mais marcantes foram os da seleção espanhola, campeã da Eurocopa em 2008 e 2012, e vencedora da Copa do Mundo de 2010, e do Barcelona, que conquistou a UEFA Champions League nas temporadas 2008-2009 e 2010-2011. O esquema priorizava a posse de bola e a fluidez do jogo, utilizando apenas um jogador próximo dos zagueiros para ajudar na primeira fase de construção e dois meio campistas controlando o ritmo do jogo. APROFUNDANDO O setor de ataque, no sistema 4×3×3, é composto por três jogadores com funções fundamentalmente ofensivas, tendo seus posicionamentos no campo de ataque com um jogador centralizado e um jogador em cada um dos lados do campo. O sistema de jogo 4×4×1 A distribuição dos jogadores em campo, no sistema 4×4×2, apresenta quatro defensores (dois zagueiros e dois laterais), quatro jogadores de meio-campo (dois volantes e dois meias de ligação) e dois atacantes, como mostra Leal (2000). No caso dos demais defensores, os laterais têm funções defensivas e ofensivas, por conta de seus posicionamentos nas laterais do campo. Nas funções ofensivas, os laterais devem apoiar o ataque na própria região da lateral do campo, favorecendo, ainda, possibilidades da organização de contra ataques, jogadas na linha de fundo para efetivar cruzamentos na grande área da equipe adversária, podendo também fazer inversões da bola de uma lateral do campo para outra. UNICESUMAR 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 Os dois zagueiros, nesse sistema de jogo, se posicionam um pela direta e outro pela esquerda, com funções, primordialmente, defensivas, ainda que existam pos- sibilidades de ações ofensivas, notadamente, geradas a partir de jogadas ensaiadas ou oriundas de bolas paradas, como faltas ou escanteios, a fim de aproveitar a estatura elevada que grande parte dos zagueiros possui. Muitas vezes, esses za- gueiros também iniciam a saída de bola da defesa em direção ao meio de campo, para que, assim, possa chegar ao ataque (Melo, 1999). Os jogadores posicionados no meio de campo desse sistema, se dividem geralmente em dois volantes e dois meias de ligação. No caso dos dois volantes, estes têm funções defensivas e ofensivas, porém, com as funções defensivas predominando principalmente em marcações individuais dos meio-campis- tas da equipe adversária. Soma-se a essa função de marcação individual uma contribuição com o auxílio de marcação na cobertura dos zagueiros ou dos laterais, quando um destes parte para o campo de ataque em alguma jogada ofensiva. Esses volantes, em funções ofensivas, auxiliam os laterais e os meias de ligação, ainda que a principal função ofensiva dos dois volantes seja fazer a ligação entre o setor de defesa e o setor de ataque, ou seja, receber a bola da defesa e entregá-la ao ataque, tendo ainda, em algumas vezes, a possibilidade de entrar no setor de ataque com um elemento a mais, chamado de “homem surpresa”, contra a equipe adversária (Leal, 2000). Ainda, no setor do meio de campo, junto aos volantes, esse sistema apresenta dois meias de ligação, que são os principais responsáveis por fazer a ligação da bola do setor defensivo para o de ataque. Ofensivamente, os meias de ligação têm um papel essencial, com base na possibilidade de entregar a bola aos atacantes e ainda de fazer a finalização de algumas jogadas de ataque. Uma característica bem marcante dos meias de ligação, segundo Deshors (1998), é o fato de serem extremamente habilidosos, no que se refere aos fundamentos individuais do fu- tebol, com um toque de bola conhecido como “refinado”. Nesse setor, que conta com quatro jogadores, é possível que a distribuição de funções ocorra das seguintes maneiras: um volante, dois meias de armação e um meia atacante; um volante, um meia de armação e dois meio atacantes; dois volantes, um meia de armação e um meio atacante; dois volantes e dois meias de ligação. 1 5 1 No setor de ataque, esse sistema conta com dois atacantes, que têm funções predominantemente ofensivas, devendo ser efetivadas na concretização em gols. Esses atacantes também são responsáveis, em se tratando de ações defensivas, por oferecer o primeiro combate na marcação da saída de bola da equipe adversária, como enfatiza Deshors (1998). Agora que você já aprendeu os sistemas táticos 4-3-3 e 4-4-2, vamos ver na prática como funciona. O professor Ricardo Pombo Sales explica de forma bem detalhada como poderia ser uma equipe em um sistema atacando contra outro sistema. Os detalhes vão desde a construção do ataque até como a dinâmica da marcação pode acontecer no vídeo Sistema 4-3-3 Atacando e Defendendo Contra 4-4-2 Losango. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=TntJCRc5Xns EU INDICO O sistema de jogo 3×5×2 Sistema tático que, de acordo com Leal (2000), se apresenta em campo com a distribuição dos jogadores: três zagueiros, cinco jogadores no meio de campo (dois alas, sendo um pela direita e outro pela esquerda; um volante; e dois meias de ligação) e dois atacantes. Ainda que as funções dos três zagueiros, nesse sistema de jogo, sejam defensivas, eles também auxiliam na saída de bola da defesa para o meio de campo, podendo ser solicitados para participar de ações ofensivas, geradas a partir de bolas paradas, como faltas ou escanteios, quando a bola poderá ser alçada dentro da área adversária, a fim de que esses zagueiros possam fazer cabeceios, visto que, normalmente, têm estatura elevada, como indicam Leal (2000) e Capinussú e Reis (2004). Os alas são os jogadores que irão apoiar as ações ofensivas, pontualmente, utilizando os lados do campo, sobretudo no campo de ataque, tentando fazer cruzamentos para dentro da área adversária, além de auxiliarem os meias de ligação nas jogadas ofensivas. UNICESUMAR 1 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 As funções defensivas do volante se sobressaem das funções ofensivas, pois, dos cinco jogadores no meio de campo, ele é o escolhido para fazer a marcação dos adversários nesse setor, podendo, por vezes, ser individual, de um adversário mais habilidoso, e também a cobertura dos alas e dos zagueiros, quando estes abandonam seus respectivos setores, visando ao campo adversário (Deshors, 1998). Ofensivamente, os volantes auxiliam os meias de ligação, a fim de favorecer a chegada da bola no setor de meio de campo, vinda do setor de defesa. Os meias de ligação, por sua vez, nas funções ofensivas, possibilitam que a bola saia do meio de campo e chegue ao ataque, com o objetivo de abastecer os atacantes para finalizarem ao gol. Nas funções defensivas, esses meias de ligação fazem a mar- cação dosdos pais/responsáveis com perspectivas no bem-estar da criança e tendo cuidado para não pressionar nas escolhas, favo- recendo o desenvolvimento e aprimoramento no tempo adequado com respeito aos limites e erros concretizando as práticas com prazer (Mutti, 2003). Além da enorme importância do professor de educação física nesse processo, que deve ter organizações planejadas e adequadas das atividades, fica explícita a necessidade da utilização de uma grande variedade de movimentos relacio- nados às modalidades esportivas, sempre respeitando os estágios de maturação do aluno, como nos mostra Hellstedt (1990). Seguindo tais ideias, evita-se que o aluno se especialize em apenas um esporte ou em apenas uma pequena parcela de movimentos, o que caracterizaria uma especialização esportiva precoce. A iniciação esportiva no futebol/futsal Ao tratar da iniciação esportiva no futebol, vislumbra-se uma fase na qual o iniciante construa experiências positivas e diversificadas a fim de dar continui- dade às atividades. Para que se descubra um talento esportivo, é necessário fazer relações entre as práticas sustentadas e estruturadas (quantidade e qualidade das práticas) a fim de que esse indivíduo possa melhorar seu desempenho, conforme mostra Garganta (2009). Por se tratarem de modalidades esportivas coletivas, tanto no futebol quanto no futsal o desenvolvimento é tido como sendo multifatorial, aponta Franchini (2001), ou seja, devem-se considerar diferentes variáveis, dentre elas a tática, a técnica, os aspectos físicos, psicológicos (como motivação para a prática, aderência ao treinamento, autocontrole, autoconfiança e foco de atenção) e sociais (suporte da família, relacionamentos afetivos, acesso ao treinamento, aspectos econômicos, culturais e identitários). 1 1 A diversidade é fundamental no início dos treinamentos do futebol/futsal, sendo importante oferecer ao iniciante quantidades grandes de propostas práticas em detrimento da qualidade, visto que é importante a criação da bagagem motora que será utilizada para vida toda. Pedagogia do Futsal: Jogar para Aprender Composto por dois capítulos – o primeiro voltado para a teoria do “jogar para aprender” e o segundo dedicado à prática do “jogar para aprender” –, é uma referência teórico-prática valiosa para o ensino do futsal. O livro é amplamente ilustrado e traz 55 dinâmicas de treino que foram aplicadas em crianças entre os 6 e os 11 anos de idade. INDICAÇÃO DE LIVRO Ainda que a detecção de talentos seja extremamente importante no processo de trabalho com o futebol/futsal, se faz necessário perceber quais cenários são os mais adequados para que esses talentos descobertos possam se desenvolver. Todo o processo que envolve a organização da iniciação esportiva no fu- tebol/ futsal deve ser qualificado e adequado com a aproximação dos iniciantes a boas práticas e a contextos qualificantes que possam potencializar o desenvol- vimento desses indivíduos, auxiliando-os no crescimento a partir da base do futebol. O cenário dessa iniciação passa pelas escolinhas de futebol, projetos sociais ou clubes, principalmente na educação básica. Esses locais deveriam investir na qualificação de seus profissionais de educa- ção física, bem como nos espaços e materiais adequados e seguros para trabalhos mais eficientes com essas modalidades. As metodologias utilizadas nesse período de iniciação devem ser adequadas a esse tipo de treinamento, encaixando-se a estrutura física desses indivíduos, respeitando todos os processos de crescimento e desenvolvimento humanos. Soma-se, ainda, a participação em competições, que deve acontecer como mais um meio de aprendizado, oferecendo situações e experiências muito ricas nesses eventos, e não apenas como simples cobrança de bons resultados. UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 É fundamental que essa fase de treinamentos vislumbre um trabalho para um período bem longo, seduzindo o iniciante para que realmente tenha aderência e prazer nas atividades, fazendo com que se fixe nos treinamentos por um extenso prazo, tendo a competição e a formatação de equipes, nessa fase, como ferramen- tas de trabalho, e não apenas como base e principal objetivo. Propostas práticas para o futebol/futsal As modalidades em questão têm muitas proximidades, não apenas não ações táticas, mas principalmente nas questões técnicas. Diante disso, pelo caráter co- letivo de ambas as modalidades esportivas, os treinamentos feitos a partir de propostas de campo reduzido têm surtido bons resultados, especialmente no período de iniciação. A criação do chamado “futebol/futsal” adaptado, em que o profissional de educação física vai organizar pequenos jogos e desafios que trabalhem as técnicas das modalidades, deve ser utilizada em diferentes formatos, tamanhos e regras, sendo imprescindível observar e organizar a chamada progressão metodológica. Nessa progressão, iniciam-se as atividades, por exemplo, com situações de enfren- tamento e disputas. No caso do futebol, entre três jogadores (3 x 3), aumentando-se gradativamente até chegar a 11 x 11. No caso do futsal, desde 1 x 1 até se chegar a 5 x 5. Essas atividades devem estimular a relação com a bola e a capacidade técni- ca individual, a quantidade e a qualidade nas interações, a tomada de decisões, dentre outros fatores que são fundamentais nesses treinamentos. As propostas podem oferecer situações como mudanças no tamanho do cam- po, no tamanho e no número de bolas, na estruturação do espaço de confronto, no tamanho e no número de traves (balizas), no número de jogadores, dentre outras alterações. VOCÊ SABE RESPONDER? Como treinar habilidades técnicas em situações de jogo? Você acha que é possível desenvolver a técnica com a utilização de jogos reduzidos? Como? 1 8 A iniciação esportiva, desde cedo, favorece a possibili- dade de tornar indivíduos adultos que também prati- quem atividades físicas ou esportivas de modo regular. UNICESUMAR 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 ESPECIALIZAÇÃO ESPORTIVA A iniciação esportiva, desde cedo, favorece a possibilidade de tornar indivíduos adultos que também pratiquem atividades físicas ou esportivas de modo regular. A iniciação esportiva, entretanto, não necessariamente deve obrigar a criança a chegar na prática esportiva de alto rendimento, ainda que, para se atingir essa etapa da prática esportiva, ou seja, de alto rendimento, é importante que as experiências motoras e as oferecidas na própria iniciação esportiva sejam positivas, muito bem planejadas, obedecendo princípios científicos. É certo que o fenômeno do esporte sofre influência direta das mídias, soma- da à grande oferta de competições, favorecendo, assim, um cenário esportivo cada vez mais especializado que, consequentemente, passou a definir algumas exigências no que tange à preparação esportiva, estimulando a especialização precoce, na qual há expectativa de se obter resultados rápidos, em se tratando de vitórias e conquistas, favorecendo o abandono das bases teóricas relaciona- das ao período mais adequado em que deve ocorrer a especialização esportiva, ressalta Silva, Fernandes e Celani (2001). A especialização precoce, a partir de Brasil (2004), se define como sendo uma prática intensa, sistematizada e regular de crianças e jovens, anterior às possíveis idades consideradas normais. Esse cenário explicita que essa especialização precoce tem seu referencial na utilização de sistemas de treino inadequados ou, ainda, utili- zação de sistemas de treino que devem ser propostos para adultos. Esse trabalho de iniciação, quando feito de modo precoce, preconiza a utilização de cargas de treino muito altas e intensas a fim de possibilitar rápidos ganhos e melhoras, sejam físicas ou técnicas, que invariavelmente podem levar o indivíduo a um esgotamento pre- maturo, dificultando posteriormente o seu próprio desenvolvimento e rendimento. O cenário esportivo sinaliza para uma tendência dos profissionais envolvi- dosvolantes da equipe adversária em posse de bola, quando eles estiverem organizando jogadas de ataque. Por terem funções de criação e de organização de jogadas de ataque, Deshors (1998) e Leal (2000) destacam que esses jogadores são bastante habilidosos, no que tange às técnicas individuais. A principal função dos atacantes, nesse sistema 3×5×2, é concluir as jogadas e fazer gols, como afirma Deshors (1998). Para efetivar essa missão, eles devem se posicionar, de modo a estarem prontos para receber a bola, assim como, muitas vezes, se deslocar próximos ao meio de campo, para buscar a bola. Defensivamen- te, são os jogadores que dão o primeiro combate na saída de bola do adversário. A partir desse cenário, percebe-se que o sistema 3×5×2 tem algumas carac- terísticas, segundo Paoli e Grasseli (2003), que merecem ser destacadas: versa- tilidade para articular as jogadas de ataque; estabilidade defensiva elevada, pelo número de zagueiros (três); dificulta a articulação das jogadas da equipe adver- sária, pelo número elevado de jogadores no setor de meio de campo (cinco); permite segurança nas ações de ataque, pois conta com cinco jogadores no meio de campo mais dois atacantes, totalizando sete jogadores; dependendo do sistema da equipe adversária, se apresentar três atacantes, isso deixará a defesa sempre em marcação do tipo um contra um, sem a possibilidade de sobra. 1 5 4 SISTEMAS DE JOGO MODERNOS Com a evolução dos materiais, das superfícies dos campos e da preparação física, o futebol tem se tornado cada vez mais rápido ao longo do tempo. Esse cenário suscitou muitos treinadores a fazerem alterações, adaptações e mu- danças nos sistemas de jogo existentes, a fim de tentar aproveitar, da melhor manei- ra possível, as características dos atletas, dos equipamentos e dos espaços do campo. O sistema de jogo 3×4×3, conforme Leal (2000), surgiu na década de 1990, sendo uma variação do sistema de jogo 4×3×3, que fora muito utilizado pelas equipes da Holanda, tendo como um bom exemplo desse uso a equipe do Ajax. A ideia da variação foi aumentar o número de jogadores no meio de campo, abrindo mão dos dois jogadores laterais e mantendo um dos jogadores de defesa com funções de líbero. Esse meio de campo é organizado a partir de um volante, dois meias e um meia articulador que abastecem o ataque, formado por três jogadores, sendo um centroavante e dois pontas. Já o sistema de jogo 4×5×1 foi utilizado, pela primeira vez, na Copa do Mundo da França, em 1998, e tudo indica ter sido uma variação do sistema de jogo 4×4×2, no qual a ideia era recuar um dos dois atacantes, para tentar fazer com que o setor do meio de campo levasse vantagem. O principal idealizador do sistema de jogo 4×5×1 foi o norueguês Egil Olsen. O artigo de Brazão (2016) aborda de forma detalhada os três principais tipos de marcação utilizados no futebol: a marcação por zona, a marcação individual e a marcação mista, destacando suas vantagens, desvantagens e as opções mais adotadas no cenário contemporâneo, além dos sistemas táticos defensivos mais utilizados atualmente e suas características. Acesse em: https://rbf.ufv.br/index.php/RBFutebol/article/view/267 EU INDICO UNICESUMAR 1 5 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 7 O sistema de jogo 3×6×1, provavelmente, é uma variação do sistema de jogo 3×5×2, em que o treinador aciona o recuo de mais um homem para o setor do meio de campo (Parreira, 2005). O pioneiro a implantar esse sistema foi o trei- nador argentino Marcelo Bielsa, que estava à frente da seleção da Argentina nas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2002, entretanto, nos jogos da Copa, a seleção Argentina não obteve sucesso. NOVOS DESAFIOS O tema, portanto, proporcionou aos alunos um conhecimento amplo da tática, sua história e seu desenvolvimento, oferecendo uma gama de possibilidades para aplicar em sua prática esportiva, porém, é importante que o aluno, enquanto um integrante de uma comissão técnica, entenda que tudo deve ser adaptado ao seu contexto. Por exemplo, o mais importante não é saber qual formação teve mais sucesso no futebol, e sim, quais tipos de formação melhor se adequam ao seu contexto de ensino-aprendizagem. Uma formação pode servir para uma equipe e não servir para outras, pois, cada sistema tem o objetivo final de potencializar os jogadores envolvidos, por exemplo, se possui mais jogadores com características ofensivas, defensivas, mais atacantes, mais zagueiros, e assim por diante. Mesmo com um amplo conhecimento da tática de jogo no futebol, deve- mos entender que isso é apenas o ponto de partida, pois o mais importante é, dentro desse sistema, entender como o jogador vai se aproveitar dessa organi- zação para extrapolar suas características individuais e como os jogadores vão interagir entre eles durante o jogo. Por fim, devemos ter a clara concepção de que a tática coletiva isolada não tem efeito sem o desenvolvimento da tática e da técnica individual dos atletas e do desenvolvimento das interações que ocorrem nesse sistema. Estudante, assista ao nosso vídeo e enriqueça seus estudos. Neste vídeo, falare- mos a respeito de temas relevantes para a área. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 5 1 UNICESUMAR 1 5 1 1. Os sistemas de jogo modernos no futebol iniciam sua organização a partir da efetivação dos jogadores no setor ofensivo e, assim, surge o sistema de jogo 1×1×1×8. Com as mudanças ocorridas nas regras do jogo, esse sistema sofre alteração e passa a ser praticado com a configuração 1×2×8. Outras modificações estruturais nas equipes fazem com que apareça o sistema denominado de 1×2×2×6. A partir daí, foi criado o sistema de jogo clássico do futebol, chamado de “piramidal”, distribuído como 1×2×3×5. Um grande marco na organização dos sistemas de jogo foi a mudança da lei do impedimento, que favoreceu o nascimento do sistema de jogo chamado de WM, o qual, posteriormente, sofreu adaptações e transfor- mações, passando a ser conhecido como Sistema Diagonal. Nas Copas do Mundo, surgem novidades relacionadas ao futebol e, em grande medida, nos sistemas de jogo. De acordo com os sistemas de jogo apresentados nas Copas do Mundo, analise as afirma- tivas a seguir: I - Na Copa do Mundo de futebol realizada no Chile, o Brasil apresentou um sistema de jogo definido como 4×3×2×1. II - Na Copa do Mundo de futebol realizada no México, pela primeira vez, o Brasil apresentou um sistema de jogo definido como 4×3×2×1. III - Na Copa do Mundo de futebol realizada na Alemanha, a Holanda apresentou um sistema de jogo definido como Carrossel Holandês. IV - Na Copa do Mundo de futebol realizada no México, pela segunda vez, a Argentina apre- sentou o sistema de jogo 3×5×2. V - Na Copa do Mundo de futebol de 2002, realizada no Japão e na Coreia, o Brasil utilizou o sistema de jogo 3×5×2. É correto o que se afirma em: a) II e V, apenas. b) III e IV, apenas. c) I e II, apenas. d) I, II e III, apenas. e) III, IV e V apenas. VAMOS PRATICAR 1 5 8 2. Com a evolução prática do futebol, no que tange a equipamentos, espaços e preparação física, as comissões técnicas concentram seus planejamentos e organizações na posição de cada jogador, com o intuito de criar estratégias e possibilidades de vencer os jogos. A eficiência e a efetividade desse tipo de trabalho estão diretamente ligadas ao conheci- mento prévio que a equipe multidisciplinar tem que ter de cada um de seus jogadores, de modo individualizado, ao nível técnico, físico, emocional e mental, para poder utilizar as caraterísticas da melhor maneira possível dentro do coletivo. Surge, então, a preparação ao nível tático, ou seja, como utilizar as características de cada jogador, para montar a melhor distribuição dos jogadores dentro do campo de jogo. Com relação ao principal objetivo da organização tática de uma equipe de futebol é, assinale a alternativa correta: a) Desorganizar o próprio sistema defensivo,fazendo com que o setor de meio decampo e o setor ofensivo possam atuar de modo isolado. b) Utilizar o goleiro da equipe adversária, tentando atingir o gol, principalmente com bolas altas, a partir de faltas ou escanteios. c) Reestruturar a equipe adversária, tentando atingir os seus pontos fortes e utilizando os pontos fracos de sua equipe. d) Desestruturar a equipe adversária, tentando atingir os seus pontos fracos e utilizando os pontos fortes de sua equipe. e) Focar exclusivamente no treinamento físico dos jogadores, ignorando os aspectos técni- cos e emocionais, para garantir que todos estejam em ótima forma física durante os jogos. VAMOS PRATICAR 1 5 9 3. As ações coletivas, no futebol, são vistas como movimentações ordenadas, preestabele- cidas e treinadas para aproveitar, de maneira mais eficiente, as características individuais dos jogadores de uma equipe em relação a suas ações, de forma coletiva. A organiza- ção das ações coletivas depende dos conhecimentos técnicos de cada jogador, aliados à criatividade do técnico que irá utilizar essas características da melhor maneira possível. Essas organizações coletivas só terão êxitos se estiverem adequadas às características e aos potenciais de cada jogador, que não se resumem à parte física, mas também à parte emocional e cognitiva. Existem vários conceitos relacionados a essa temática coletiva, identificada como sistema de jogo. Com base nas reflexões acerca das ações coletivas no futebol, analise os sistemas de jogo apresentados a seguir: I - Sistema de jogo que pode ser considerado o conjunto das táticas que determinam as ações e as características de uma equipe, ou seja, a ideia do jogo chamada de desenho tático, esquematizações, variações, posturas, sistemas de marcação, detalhes táticos e estilos de jogo. II - Sistema de jogo pode ser considerado um esquema de distribuição dos jogadores pelo campo de jogo, que procura atender exclusivamente às necessidades defensivas da ocupação do meio-campo e da viabilidade de atacar a meta adversária, objetivando fazer gols. III - Sistema de jogo que pode ser considerado uma forma de distribuição dos jogadores no terreno de jogo, a fim de poder ocupar, de maneira racional, todos os setores do campo, a fim de, exclusivamente, fazer uso de jogadas com a bola parada. IV - Sistema de jogo que pode ser considerado uma forma de atuação da equipe, quando se trata da distribuição desordenada dos adversários dentro da área de meta, ou seja, é o rascunho formado pelos jogadores na lousa. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 1 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Florianópolis: Arqué, 2022. BANGSBO, J.; PEITERSEN, B. Soccer systems & strategies. Champaign: Human Kinetics, 2000. BAUER, G.; UBERLE, H. Fútbol: factores de rendimiento, dirección de jugadores y del equipo. Barcelona: Martínez Roca, 1988. BORSARI, J. R. Futebol de campo. São Paulo: EPU, 1989. CAPINUSSÚ, J. M.; REIS, J. Futebol: técnica, tática e administração. Rio de Janeiro: Shape, 2004. DESHORS, M. O futebol. Lisboa: Estampa, 1998. DRUBSCKY, R. O universo tático do futebol – escola brasileira. Belo Horizonte: Health, 2003. EMÍLIO, P. Futebol: dos alicerces ao telhado. 2. ed. Rio de Janeiro: Oficina dos livros, 2004. FERNANDES, J. L. Futebol: da “escolinha” de futebol ao futebol profissional. São Paulo: Pedagó- gica e Universitária, 2004. FRISSELLI, A.; MANTOVANI, M. Futebol: teoria e prática. São Paulo: Phorte, 1999. GIULIANOTTI, R. Sociologia do futebol – dimensões históricas e socioculturais do esporte das multidões. São Paulo: Nova Alexandria, 2002. LEAL, J. C. Futebol – arte e ofício. Rio de Janeiro: Sprint, 2000. MELO, R. S. Sistemas e táticas para o futebol. Rio de Janeiro: Sprint, 1999. PAOLI, P. B; GRASSELI, A. Fundamentos técnicos do futebol. Viçosa: Canal Quatro, 2003. PARREIRA, C. A. Evolução tática e estratégias. Brasília, DF: EBF, 2005. SANTOS FILHO, J. L. A. Manual de futebol. São Paulo: Phorte, 2002. UNZELTE, C. O livro de ouro do futebol. São Paulo: Ediouro, 2002. 1 1 1 1. Alternativa E I. Incorreta. O Brasil não utilizou o sistema 4×3×2×1 na Copa do Mundo realizada no Chile. II. Incorreta. O sistema 4×3×2×1 não foi introduzido pelo Brasil na Copa do Mundo realizada no México. III. Correta. A Holanda apresentou realmente o sistema conhecido como Carrossel Holandês na Copa do Mundo realizada na Alemanha. IV. Correta. A Argentina utilizou o sistema 3×5×2 pela segunda vez na Copa do Mundo reali- zada no México. V. Correta. Na Copa do Mundo de 2002, realizada no Japão e na Coreia, o Brasil utilizou o sistema de jogo 3×5×2. 2. Alternativa D A organização tática de uma equipe de futebol visa desestruturar a equipe adversária, explo- rando seus pontos fracos e utilizando os pontos fortes da própria equipe de forma estratégica. A. Incorreta. Desorganizar o próprio sistema defensivo não é uma estratégia eficaz, pois isolar os setores de meio de campo e ofensivo pode prejudicar o desempenho coletivo. B. Incorreta. Utilizar o goleiro adversário para tentar atingir o gol a partir de bolas altas é uma estratégia limitada e não reflete uma abordagem ampla para desestruturar a defesa. C. Incorreta. Reestruturar a equipe adversária visando seus pontos fortes não é uma estratégia lógica; o foco deveria ser explorar suas fraquezas. E. Incorreta. A organização tática de uma equipe de futebol deve considerar aspectos físicos, técnicos, emocionais e mentais dos jogadores. Focar apenas no treinamento físico compro- meteria a eficácia da equipe em desestruturar o adversário e explorar seus pontos fracos. 3. Alternativa E I. Correta. Define o sistema de jogo como o conjunto de táticas que determinam as ações e características da equipe, incluindo desenho tático, esquematizações, variações e estilos de jogo. II. Incorreta. O sistema de jogo não atende exclusivamente às necessidades defensivas, pois também deve equilibrar aspectos ofensivos e defensivos. III. Incorreta. O sistema de jogo não se limita exclusivamente a jogadas com bola parada; ele abrange toda a dinâmica de jogo. IV. Incorreta. A descrição de um “rascunho formado pelos jogadores na lousa” não reflete a realidade de um sistema de jogo, que é algo que se traduz diretamente nas ações dentro do campo e não permanece apenas como um conceito desenhado na lousa. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 1 MEU ESPAÇO 1 1 1 MEU ESPAÇO 1 1 4 MEU ESPAÇO 1 1 5 UNIDADE 5 MINHAS METAS TÁTICAS DE JOGO NO FUTSAL Compreender o conceito da tática aplicada ao futsal. Entender as características de cada posição e sua implicação na tática. Aprender os princípios táticos na fase ofensiva e na fase defensiva. Analisar os tipos de táticas de ataque e suas dinâmicas. Entender a evolução da dos sistemas de jogo no futsal. Conhecer os sistemas táticos mais utilizados. Compreender as dinâmicas atuais utilizando o goleiro como jogador de linha. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8 1 1 8 INICIE SUA JORNADA Você sabia que, assim como no futebol, o futsal possui os seus sistemas táticos? Apesar de muitas vezes o futsal parecer apenas jogadores se movimentando em quadra com o objetivo de desorganizar a defesa adversária, toda essa dinâmica possui uma organização prévia. Ao longo dos anos, o futsal ganhou força, visibilidade e também diversidade em sua maneira de pensar e aplicar. Assim como as diversas ideias de treinado- res ao redor do mundo, as regras do futsal também ditaram a maneira de jogar durante anos, com destaque para as mudanças relacionadas com os goleiros. VOCÊ SABE RESPONDER? Será que a compreensão dos sistemas táticos pode proporcionar um novo olhar sobre o posicionamento e o papel dos jogadores em quadra? O que isso pode despertar no profissional de educação física em relação ao seu ensino damodalidade? Dessa forma, faremos um aprofundamento nas táticas de jogo no futsal e como elas impactam diretamente nas funções dos jogadores e no planejamento da comissão técnica. Será que tática para crianças engessa ou ajuda? Neste episódio, falamos dos ris- cos de sistemas fechados e ensaiados que limitam a criatividade e como o posi- cionamento orientado pode, na verdade, abrir espaço para o desenvolvimento e decisões criativas. Descubra o equilíbrio ideal neste podcast! Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNICESUMAR 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 VAMOS RECORDAR? Você já deve ter ouvido falar que Falcão é o rei do futsal. Agora, fora das quadras, ele apresenta um jogador de cada posição, explicando as características que os diferenciam e como se completam em quadra. Não perca o vídeo do futsal sendo explicado na prática! Por fim, o vídeo também demonstra como as combinações entre os jogadores funcionam no jogo, destacando a importância do entrosamento para o sucesso do time. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=KTYM67gamAQ 1 1 1 DESENVOLVA SEU POTENCIAL OS SISTEMAS DE JOGO NO FUTSAL Quando se pensa em táticas de jogo no futsal, é importante frisar a importância que esse tipo de organização tem para um bom desempenho de uma equipe. Muitas vezes, é divulgado que o sucesso de uma equipe acontece por conta das ações de seu treinador, o qual faz uso de todos os seus conhecimentos, associados aos conhecimentos de seu grupo de jogadores, para montar as táticas de jogo que a sua equipe irá utilizar durante uma partida. Em grande medida, o sistema de jogo no futsal é a distribuição posicional dos jogadores na quadra, e a tática de jogo corresponde às possíveis movimentações que esses jogadores poderão executar dentro daquilo que o sistema permite fazer durante uma partida (Alves; Bello, 2020). No futsal, é muito comum ver equipes atuando com sistema de jogo que per- mitem inúmeras variações nas movimentações, nos posicionamentos e nas funções de seus jogadores, o que faz essa modalidade esportiva ser extremamente versátil. Todas as possíveis alterações nas movimentações, nos posicionamentos e nas funções dos jogadores em quadra dependem muito das características dos joga- dores, das características da equipe adversária, do momento do jogo, do placar do jogo, dentre outras variáveis que existem durante um jogo de futsal, conforme explanam Alves e Belo (2020). Desde a organização das regras da modalidade e da internacionalização, a partir de Mutti (2003), Melo e Melo (2006), e Navarro e Almeida (2008), o futsal apresenta, na quadra, duas equipes de cinco jogadores, distribuídos em: UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 GOLEIRO É o jogador que tem o privilégio de poder usar as mãos dentro da sua área penal. Este jogador pode sair de sua área penal e atuar como jogador de linha, passando, assim, a ter as mesmas regras dos demais atletas. Sua principal função é a de defender a sua meta, sendo ainda possível contribuir diretamente em ações ofensivas. O goleiro é o responsável pela chamada cobrança do arremesso de meta. FIXO É o jogador que, na maioria das vezes, é o último elemento da defesa antes do goleiro, colocando-se em posicionamento bastante recuado em relação ao seu ataque. Esse jogador faz muitas movimentações, a fim de proteger a sua meta e deve ser um bom marcador, principalmente em se tratando de marcação individual. Ele deve ser um bom comunicador, pois está à frente do goleiro e, por isso, também tem uma visão ampla da quadra de jogo, o que favorece organizar posicionamentos e ações de seus companheiros. O fixo também participa do início das jogadas e auxilia os alas, tanto nas questões defensivas quanto nas ofensivas. ALAS São os jogadores que utilizam as laterais da quadra para fazer suas ações tanto ofen- sivas quanto defensivas. Esses jogadores são aqueles que fazem a ligação da bola da meia quadra de defesa para a meia quadra de ataque e, por isso, devem ser velozes e com boa agilidade. Nas ações defensivas, os alas devem contribuir na contenção de ações ofensivas da equipe adversária nesse setor da quadra. Nas ações ofensivas, de- vem organizar as jogadas para que a bola chegue ao pivô. Por ter o formato de um re- tângulo, a quadra de futsal tem duas laterais, ocupadas pelos alas direito e esquerdo. PIVÔ É o jogador que se posiciona de modo mais avançado da quadra, geralmente, na meia quadra de ataque. Esse jogador é responsável por fazer a finalização das jogadas, que, em grande medida, devem ser concluídas em gol por meio de seus chutes. O pivô deve ter um chute bastante forte e ter um bom domínio e controle de bola, visto que, muitas vezes, atua de costas para o gol adversário e necessita fazer uma rotação, a fim de se posicionar de frente e, assim, poder fazer a conclusão das jogadas. No quesito defensivo, o pivô tem um papel importante no posicionamento no meio da quadra, para poder ajudar na marcação da saída de bola da equipe adversária. 1 1 1 Pivô Ala Fixo 1-2-1 Figura 1 – Posições dos jogadores no futsal fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Official_Futsal_position_names.jpg. Acesso em: 29 out. 2024. Descrição da Imagem: representação simplificada de uma quadra de futsal, de fundo em verde-claro, com posi- ções específicas marcadas. Há quatro setas, cada uma com um ponto vermelho indicando a posição dos jogadores. A seta superior indica um ponto vermelho rotulado como “pivot”, as setas no meio indicam dois pontos vermelhos rotulados como “ala”, posicionados próximos à linha branca que delimita o meio da quadra, e a seta inferior, pró- xima à área do gol, indica um ponto vermelho rotulado como “fixo”. Na parte inferior, há um pequeno semicírculo indicando a área do goleiro, o qual é representado por um ponto verde-escuro. No canto superior esquerdo está escrito “1-2-1”, indicando a formação representada na imagem. Fim da descrição. UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 A partir dessa distribuição dos jogadores e das regras atuais que vigoram na prática do futsal, ressalta-se que essa modalidade esportiva exige um raciocínio, extremamente, rápido de seus jogadores, no que tange às suas intervenções, além de se ter uma condição atlética bem elevada, visto que a dinâmica de jogo, atualmente, é de altíssima velocidade. O jogo de futsal, no segmento do alto rendimento, passou a ficar muito explici- tado nas ações táticas coletivas, não apenas daquelas oriundas da bola parada, mas, principalmente, das organizações de jogadas a partir da bola em movimento, em que os treinadores têm papel fundamental na organização tática de suas equipes. Esse tipo de organização é considerado, muitas vezes, como algo robotizado e mecânico, impedindo que o jogador possa ousar em suas ações que não estejam predeterminadas, por isso exalta-se, cada vez mais, a figura do treinador, que deve planejar as ações de sua equipe, conforme o grupo que tem, considerando o tipo de campeonato, a tabela de jogos, o momento do jogo, o placar, dentre outros quesitos envolvidos, o que o torna um estrategista que irá tentar duelar, taticamente, com o técnico da equipe adversária. Atualmente, nessas organizações táticas das equipes, identifica-se a versatili- dade que envolve todos os jogadores, incluindo o goleiro, que participa das cons- tantes variações táticas que o treinador colocará em prática durante um jogo. As equipes de futsal têm jogadores que desenvolveram a capacidade de atuar, pratica- mente, em todas as posições da quadra, independentemente do sistema utilizado, o que demonstra a enorme complexidade tática que essa modalidade atingiu. 1 1 4 PRINCÍPIOS TÁTICOS Em um jogo de futsal, Souza (2002) afirma que a atuação de um jogador está fortemente condicionada pelo modo como ele percebe e compreende o jogo, para melhor coordenar as suas intervenções. Garganta (2002)acrescenta que um jogador, durante o jogo, deve saber o que fazer, a fim de poder resolver o problema que virá posteriormente à sua ação. Visto que as decisões, durante um jogo, via de regra, segundo Souza (2002), são táticas, pressupõe-se uma atitude cognitiva do jogador para que possa reconhecer, orien- tar-se e regular suas intervenções. O autor complementa essa ideia afirmando que as decisões que um jogador toma, com ou sem a bola, seja de modo individual ou coletivo, fazem parte do conceito de tática. Diante disso, Costa et al. (2009) apresentam a forma de entendimento da tática que concede relevância a todas as movimentações dos jogadores norteadas pelos princípios táticos que, de acordo com Teodorescu (1984), são as normas de base, segundo as quais os jogadores coordenam as suas ações durante as fases ofensivas e defensivas. Os princípios táticos podem ser divididos em princípios gerais e específicos ou fundamentais, conforme os estudos de Queiroz (1983), Teodorescu (1984), Castelo (1994), Garganta e Pinto (1994), e Costa (2010). Primeiramente, os princípios táticos gerais preveem o equilíbrio ou o de- sequilíbrio de situações de igualdade, superioridade ou inferioridade numérica, tendo relações espaciais e numéricas, entre os jogadores da mesma equipe e da equipe adversária, especialmente nas zonas de disputa da bola. Por fim, os princípios específicos representam um conjunto de regras que orientam as ações dos jogadores e da equipe em duas fases do jogo: defensiva ou ofensiva, tendo como principal objetivo criar desequilíbrios na organização da equipe adversária. Na fase ofensiva, observam-se os seguintes princípios: a penetração, a co- bertura ofensiva, a mobilidade e o espaço. Já na fase defensiva, observam-se os seguintes princípios: a contenção, a cobertura defensiva, o equilíbrio e a concentração. UNICESUMAR 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Táticas de ataque Ao discutir o ataque no futebol ou no futsal, Castelo (1999) define, como forma geral de organização das dinâmicas dos jogadores no setor de ataque, métodos de jogo ofensivo (MJO), os quais têm origem em Portugal, com três formas fundamentais: CONTRA-ATAQUE É uma ação tática que acontece durante a transição ofensiva, em especial quando se recupera a posse de bola, devendo a equipe chegar o mais rápido possível ao campo do adversário, sem dar chances para haver recomposição da defesa. As principais condutas são: rápida transição; alta velocidade da bola; poucos jogadores; e contato com a bola. ATAQUE RÁPIDO É uma ação tática que acontece quando a equipe adversária está organizada na sua zona de defesa. As principais condutas são: circulação da bola em profundidade, com passes rápidos entre poucos jogadores; realização rápida do ataque; e elevação do ritmo de jogo. ATAQUE POSICIONAL É uma ação tática que acontece de modo mais lento, ou seja, há uma construção mais demorada, por meio de desmarcações de apoio, coberturas ofensivas e passes curtos. As principais condutas são: a bola circula mais pelas laterais do que em profundidade; alto gasto de tempo; vários jogadores fazem parte do grande número de passes para essa organização. O contra-ataque é uma ação que deve ocorrer de maneira muito objetiva. Assim como nas dicas que já vimos, o professor e atual campeão do mundo pela seleção brasileira, Marquinhos Xavier, nos apresenta orientações valiosas para realizar um contra-ataque de sucesso no vídeo: Situações da Transição Defesa-Ataque. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=FSz385Sm-38 EU INDICO 1 1 1 Sistema de jogo 2×2 Um dos primeiros sistemas de jogo utilizados no futsal, quando se trata de cate- gorias de base, foi o 2×2, como afirma Apolo (2004), principalmente por oferecer equilíbrio entre a defesa e o ataque. Segundo o autor, esse sistema de jogo é con- siderado pioneiro da modalidade e originou-se no futebol de salão na década de 1950, organizado com dois jogadores na defesa (um fixo e um dos alas, podendo ser o direito ou o esquerdo) e dois jogadores no ataque (o pivô e o outro ala). Ainda que a dupla de jogadores seja orientada a ficar mais avançada (no ataque) ou mais recuada (na defesa), as funções desses jogadores devem ser mais flexíveis, uma vez que a dupla atacante deve ajudar a defesa e a dupla da defesa, o ataque, visto que grande parte das equipes de futsal organiza seu ataque e sua defesa com, pelo menos, três jogadores. Uma crítica em relação a esse sistema de jogo é feita por Mutti (2003), que afir- ma que existem poucas opções de jogadas devido à disposição dos jogadores em quadra, resultando em falta de apoio tanto nos setores de defesa quanto de ataque. O sistema de jogo 2×2 é ótimo para se trabalhar com equipes em fase de iniciação, pois permite uma fácil assimilação dos posicionamentos em qua- dra, bem como da identificação dos setores. Esse sistema favorece um grande equilíbrio da equipe referente à relação do setor defensivo com o ofensivo, além de propiciar que ambos os setores tenham, em todo momento do jogo, ao menos um jogador posicionado. Por outro lado, esse sistema restringe a Apontamentos Pedagógicos na Iniciação e na Especialização O livro Apontamentos Pedagógicos na Iniciação e na Especiali- zação contribui com a pedagogia do futsal. O livro traz exem- plos práticos para o treino na fase de iniciação e especialização e alerta para os cuidados com o desenvolvimento dos atletas. O livro permite que profissionais reflitam sobre o processo de ensino aprendizagem e entendam na prática qual é a metodo- logia mais adequada conforme a sua realidade competitiva e faixa etária em que atua. INDICAÇÃO DE LIVRO UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 movimentação e a criatividade dos jogadores, podendo-se tornar deficitário no setor defensivo, caso os atacantes se restrinjam a atacar, ou deficitário no setor ofensivo, caso os defensores se restrinjam a defender. Sistema de jogo 2×1×1 Sistema que pode ser considerado uma variação do sistema de jogo 2×2, organi- zado com dois jogadores na defesa (um fixo e um dos alas que pode ser o direito ou o esquerdo), um jogador pelo meio (um dos alas, que pode ser o direito ou o esquerdo) e um jogador no ataque (pivô), conforme mostra Mutti (2003). O jogador posicionado no ataque deve fazer uma marcação ofensiva, pres- sionando os adversários que estão com a posse da bola, em constante desloca- mento de um lado para o outro da quadra. Nesse caso, a equipe com a posse de bola sofre alta pressão desse atacante, induzindo-a a sair da zona de defesa para a zona de ataque. O jogador que se posiciona próximo ao meio da quadra, fará a orientação das possíveis trocas de marcação, sendo responsável por acompanhar o adversário que se desloca da defesa para o ataque. É um sistema razoavelmente simples de ser utilizado, não apenas no setor defensivo, mas também no setor ofensivo, o que sugere ser adotado por equipes nas categorias de base (Mutti, 2003). Nas equipes de futsal de alto rendimento, esse sistema faz parte da organiza- ção dos jogadores, principalmente nas jogadas de saída de bola, e tem a intenção de enganar a marcação que, porventura, seja de “pressão” do adversário, visto que há, nesse sistema, uma aproximação maior de um dos jogadores de frente, em relação aos jogadores de defesa. Sistema de jogo 1×2×1 Sistema que também pode ser considerado uma variação do sistema de jogo 2×2, apresentando maiores características de posicionamento com jogadores no setor da metade da quadra (Mutti, 2003). Sua organização, em quadra, acontece no setor defensivo, com um jogador (o fixo) no setor da metade da quadra, dois jogadores próximos à linha que divide ao meio (o ala direito e ala esquerdo) e, no setor de ataque, um jogador (o pivô), sugere Apolo (2004). 1 1 8 Essa distribuição dos jogadores em quadra fica bem parecida com a fi- gura geométrica do losango, o que distancia, tanto o fixo quanto o pivô, dos jogadores que se concentram na metadeda quadra, nesse caso, os alas. Esse posicionamento dos jogadores facilita a reposição de bola do goleiro, princi- palmente no arremesso de meta, em que terá duas opções (os alas), para fazer essa reposição (Mutti, 2003; Apolo, 2004). A utilização do sistema de jogo 1×2×1 favorece o bloqueio de ações no setor de meio de quadra, próximo à linha central, visto que, nesse local, terá dois joga- dores, os alas (Apolo, 2004). Esses alas também podem ser utilizados para uma marcação chamada de “meia pressão” com trocas, ou seja, sem aproximar-se da meia quadra de ataque, posicionados, estrategicamente, para evitar organizações do adversário, a partir desse setor, facilitando a marcação do pivô no acompanha- mento da saída de bola da outra equipe, como destaca Mutti (2003). O autor afirma que tal cenário indica um acompanhamento dos adversários que se deslocam em direção à meia quadra de ataque na saída de bola, pelos alas já posicionados para acompanhar essas movimentações. Por outro lado, esse sistema cria alguns espaços que facilita a troca de passes da equipe adversária, principalmente na meia quadra defensiva até a linha central o que obriga o pivô acompanhar os diferentes deslocamentos da bola entre a troca de passes dos adversários desgastando-o fisicamente (Mutti, 2003; Apolo, 2004). Sistema de jogo 3×1 ou 1×3 Sistema também conhecido como “diamante” (por sua distribuição dos jogadores em quadra se aproximar da figura de um diamante), é considerado um dos mais utilizados pelas equipes de futsal e, segundo Saad e Costa (2001), é organizado com três jogadores na defesa (dois alas – um direito e um esquerdo – e um fixo – centralizado) e um jogador no ataque (pivô). Nessa distribuição dos jogadores, esse sistema se torna mais defensivo. Essa mesma distribuição e organização dos jogadores, nesse sistema, se- gundo os autores, pode tornar esse sistema mais ofensivo quando os alas, em vez de ficarem na meia quadra de defesa, atuam na predominância da meia quadra de ataque, ou seja, deixando o ataque com três jogadores (dois alas mais o pivô) e a defesa apenas com um jogador (fixo). Nesse caso, o sistema passa ser conhecido como 1×3. UNICESUMAR 1 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Os alas, especificamente, atuam tanto na marcação dos adversários quanto nas saídas de bola ao ataque (Saad; Costa, 2001). Para que haja essa variação de enfoque desse sistema, no setor defensivo ou setor ofensivo, é imprescindível ressaltar a importância da preparação física dos atletas, a fim de que consigam efetivar essas movimentações com alta velocidade durante um jogo, como co- menta Saad e Costa (2001). Para Mutti (2003), esse sistema tem uma alta complexidade em sua organi- zação, visto que três dos quatro jogadores de linha (ora os dois alas e o fixo, ora os dois alas e o pivô) atuam na mesma região da quadra, o que viabiliza a possi- bilidade de combinar algumas variações e trocas de posições durante as jogadas. Em grande medida, segundo Mutti (2003), os treinadores que usam esse sis- tema de jogo planejam muitas trocas de passes, com muitas trocas de posições, no sentido de manter e facilitar a criação de jogadas ofensivas. O Manual Evolução de Futsal Juvenil da CONMEBOL traz um conhecimento ge- nuíno do futsal sul-americano, com foco no desenvolvimento de jovens talentos nas categorias de base. O manual aborda de forma avançada comportamentos táticos ofensivos e defensivos, sistemas táticos detalhados, táticas de bola parada e conceitos de organização defensiva. É um conteúdo rico para quem busca um entendimento profundo e estratégico do futsal. Acesse em: https://unigra.com.br/ler/356_MANUAL-EVOLUCAO-DE-FUTSAL- -JUVENIL---CONMEBOL EU INDICO Sistema de jogo 4×0, 0×4 ou quatro em linha O sistema 4×0, ou quatro em linha, necessita, efetivamente, de jogadores que tenham um alto nível, no que se refere a gestos, fundamentos ou habilidades téc- nicas individuais, que devem ser realizados de modo preciso, associado ao grau elevado de preparação física a ser solicitado durante todo o transcorrer de uma partida (Saad; Costa, 2001; Mutti, 2003; Apolo, 2004). 1 8 1 Desse modo, a organização dos jogadores em quadra, nesse sistema, propõe que os quatro jogadores de linha façam movimentações simultâneas por todos os setores da quadra, ocupando, assim, todos os espaços, em uma troca constante de posições. Esse tipo de troca e de movimentação pelos vários setores da quadra permite que haja várias opções para trocas de passes, infiltrações, fintas, dribles e grande quantidade de oportunidades para conclusão e finalização de uma jogada de ataque (Mutti, 2003). Quando uma equipe utiliza esse sistema de jogo, terá a possibilidade de pro- mover uma maior dinâmica na movimentação dos atletas, o que pode viabilizar maiores chances de chegar ao gol adversário (Saad; Costa, 2001). Os autores ainda ressaltam que a equipe que se defende do sistema de jogo 4×0, ou quatro em linha, sempre terá grande dificuldade em organizar, de maneira efetiva, a marcação, pois a movimentação constante e a rápida troca de posições e de setores dos jogadores em condições de ataque desestabilizam as defesas, principalmente quando um jogador consegue fazer uma infiltração e recebe uma bola próxima ao gol. A bola, nesse sistema de jogo, segundo Mutti (2003), está em alta velocidade, a partir da promoção de passes rápidos dos jogadores que se movimentam pela quadra, o que faz com que, tanto a equipe que ataca quanto a equipe que se de- fende, tenham um grande desgaste físico, visto que, praticamente, não existem momentos de pausa enquanto a bola está em jogo. Ainda para Mutti (2003), partindo do pressuposto de que a equipe na orga- nização em quadra do 4×0, ou quatro em linha, deve ter jogadores com gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais bem treinados, o tempo de posse de bola dessa equipe é muito grande, o que favorece o aumento de opor- tunidades para finalizar as jogadas em gol. Quando uma equipe se dispõe a fazer uma marcação sob pressão, a equipe pres- sionada, ao usar o sistema de jogo 4×0, ou quatro em linha, terá grandes chances de se desvencilhar dessa marcação, pois a velocidade, nos deslocamentos dos jogadores para se colocarem em posição de receber a bola, dificulta os marcadores da equipe que faz uso da marcação sob pressão, no sentido de acompanharem o tempo todo os adversários em suas movimentações em alta velocidade (Saad; Costa, 2001). UNICESUMAR 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Para que uma equipe utilize esse sistema de jogo, é imprescindível que, se- gundo Saad e Costa (2001), além de serem incorporados, em um nível elevado, os gestos, os fundamentos ou as habilidades técnicas individuais, os jogadores devem ter uma percepção e um reconhecimento espacial da quadra muito bem interiorizado, a fim de que possam se deslocar, para receber passes e, assim, efe- tivar as jogadas com maiores possibilidades de fazer o gol. Os autores ainda falam que o ponto forte desse sistema está no espaço defen- sivo deixado pelos jogadores da equipe adversária (Saad; Costa, 2001). Ainda que a movimentação tenha sua origem na meia quadra defensiva, esse sistema é con- siderado altamente ofensivo, identificado pela progressão gradual dos jogadores do setor defensivo para o meio da quadra e, posteriormente, para o setor ofensivo. Esse sistema ainda permite uma variação do 4×0 para o chamado 0×4, tor- nando-o mais ofensivo. Nesse caso, os jogadores, em vez de iniciarem as movi- mentações e as trocas de posições no setor defensivo, já iniciam essas circulações no setor ofensivo. Esse cenário reverencia o aumento da exigência física e técnica e, por isso, é utilizado mais perto do final do jogo em uma situação de placar desfavorável, por exemplo, quando a equipe precisa fazer algum gol para sair de um empate ou tentar vencer o jogo quando o placar está em igualdade. É evidente que, nessa tomada de posições em 0×4, o setor defensivo fica extremamente vul- nerávelem relação à viabilidade de sofrer gols (Saad; Costa, 2001; Mutti, 2003). Sistema de jogo 1×2×2, 3×2, 2×3, 1×4 ou goleiro-linha O sistema de jogo 1×2×2, 3×2, 2×3, 1×4, ou “goleiro-linha”, é utilizado, geralmente, pelas equipes quando estão em desvantagem no placar, precisando fazer gols para igualar o resultado, sair de um empate ou, ainda, quando o treinador opta por manter a posse de bola com sua equipe por um tempo maior, passando a bola, rapidamente, em todos os setores da quadra, tentando fazer com que a equipe adversária sofra um maior desgaste físico por ficar, a todo custo, conseguir a posse de bola (Balzano, 2018). 1 8 1 A principal vantagem gerada pelas equipes que utilizam esse sistema de jogo é a superioridade numérica disponibilizada nos setores da quadra, ou seja, a equipe que utiliza o sistema de jogo 1×2×2, 3×2, 2×3, 1×4, ou “goleiro-linha”, terá cinco jogadores de linha contra quatro jogadores de linha da equipe adversária, o que indica uma possibilidade de ficar mais tempo com a posse de bola, aumentado, assim, as chances de finalizações das jogadas. Por outro lado, a retirada do goleiro de sua área penal fica muito mais exposta e vulnerável a sofrer gols, principalmente de média e longa distância, caso os seus jogadores de linha percam a posse de bola (Saad, 2005). Atualmente, os goleiros regulares têm passado por treinamentos específicos de gestos, fundamentos ou habilidades técnicas individuais dos jogadores de linha, a fim de poderem, durante uma partida, serem utilizados nessas funções sem a necessidade de substituição por um jogador de linha (Balzano, 2018; Saad, 2005). As regras do jogo de futsal mudaram algumas vezes durante os anos, impactan- do diretamente o uso do goleiro-linha (quando o goleiro participa efetivamente das jogadas de ataque) ou do linha-goleiro (quando um jogador de linha entra na quadra para participar como um jogador em superioridade numérica). Em 2013, o goleiro passou a poder participar com bola apenas uma vez em seu campo de de- fesa (contando com o arremesso de meta), podendo receber por vezes ilimitadas no campo de ataque da sua equipe ou receber mais uma vez caso o adversário tenha tocado na bola (CBFS, 2024). APROFUNDANDO Agora que você entendeu como funciona o goleiro linha, vamos ver na prática com o rei do futsal “Falcão” ensina os movimentos, variações e dicas no vídeo: Aprenda a jogar sendo goleiro-linha – Falcão novo técnico?. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=YF2eMO8mxmY EU INDICO UNICESUMAR 1 8 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 8 Estudante, assista ao nosso vídeo e enriqueça seus estudos. Neste vídeo, falare- mos a respeito de temas relevantes para a área. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 8 4 NOVOS DESAFIOS Todas as modalidades esportivas possuem as suas próprias táticas de jogo, que são constantemente atualizadas, pela quantidade e qualidade profissionais que atuam na área, em que muitos buscam inovar, criar, estudar e até adaptar ideias para a sua realidade. No futsal isso não se difere e cada sistema tático aqui citado nos remete a reflexões para o contexto da prática, como, qual impacto de cada estrutura no jogar da equipe e no desenvolvimento e potencialização dos atletas? Dessa forma, podemos interpretar os sistemas táticos de maneira direta para a quadra, levando em consideração cada estilo de jogo que pretendemos apresentar. O sistema 2x2 oferece um maior equilíbrio entre defesa e ataque, facilitando o ensino para categorias menores, no entanto, pode não ser tão produtivo na especialização, pois pode limitar a criatividade dos jogadores, por ser um sistema mais fixo. Já o sistema 2x1x1 possui uma facilidade de implantação, enquanto o 1x2x1 auxilia em um bloqueio mais eficaz no meio da quadra. O sistema 3x1 possibilita uma maior ocupação defensiva, podendo ser o con- trário quando passamos para o 1x3, já que torna o time mais ofensivo, com três jogadores mais próximos da meta. Esses sistemas 3x1 e 1x3 facilitam a troca de posições entre jogadores e permitem manter uma boa circulação de bola. O sistema 4x0 ou 0x4 oferece aos jogadores uma movimentação mais dinâ- mica, proporcionando maior dificuldade de marcação para o adversário, além de facilitar finalizações e a posse de bola. Por fim, a estratégia do goleiro-linha tem sido utilizada em dois momentos principais: para manter a posse de bola, apesar do risco de sofrer um gol por es- tar exposto e a segunda e principal utilização é no fim da partida, visando criar superioridade numérica e aumentar as chances de finalização. Diante das características táticas do futsal e suas aplicações, é essencial que o profissional de educação física saiba como aplicar esse conhecimento na prática, adaptando-o aos jogadores disponíveis. UNICESUMAR 1 8 5 1. Sabemos que no futsal atual, o goleiro atuando como jogador de linha tem se tornado cada vez mais comum, exigindo dos goleiros uma capacidade cada vez maior de participar da primeira fase de construção ofensiva da equipe, impactando tanto na maneira de jogar das equipes quanto do treinamento. Com relação ao goleiro-linha no futsal atual, indique a alternativa correta: a) O goleiro-linha é geralmente utilizado quando a equipe está com vantagem no placar, possibilitando uma segurança maior por ter um jogador de linha a mais no jogo. b) A principal vantagem do goleiro-linha é manter a igualdade numérica nos setores da quadra. c) O uso do goleiro-linha diminui a chance de a equipe finalizar, já que o goleiro possui uma menor qualidade de finalização. d) A utilização do goleiro-linha oferece poucos riscos, pois oferece uma superioridade para a equipe. e) Os goleiros têm passado por treinamentos específicos semelhantes aos jogadores de linha, para que os treinadores precisem cada vez menos recorrer a um jogador de linha como goleiro. 2. As equipes de futsal e de futebol de salão, em grande medida, distribuem os seus jogadores em quadra divididos por algumas funções, sendo muito comum identificar essas posições a partir dos diferentes sistemas de jogo utilizados, os quais permitem muitas variações em relação, principalmente, às movimentações. Essas movimentações e posicionamentos dependem, sobretudo, das características individuais dos jogadores de futsal. As principais funções e posições dessa modalidade podem ser definidas como: goleiro, fixo, alas e pivô. VAMOS PRATICAR 1 8 1 A respeito das funções e posições no futsal, analise as alternativas a seguir: I - Goleiro é o jogador que tem o privilégio de poder usar as mãos dentro da sua área penal. Pode sair de sua área penal e atuar como jogador de linha, passando, assim, a ter as mesmas regras dos demais atletas. Sua principal função é defender a sua meta, podendo, ainda, contribuir diretamente em ações ofensivas. O goleiro é responsável pela chamada cobrança do arremesso de meta. II - Fixo é o jogador que, na maioria das vezes, é o primeiro elemento da defesa depois do goleiro, colocando-se em posicionamento bastante recuado em relação ao seu ataque. Esse jogador faz muitas movimentações, a fim de proteger a sua meta, e deve ser um bom marcador, principalmente em se tratando de marcação coletiva. Deve ser um bom comunicador, pois tem uma visão ampla da quadra de jogo, o que favorece organizar posicionamentos e ações de seus adversários. Também participa do início das jogadas e auxilia o goleiro tanto nas questões defensivas quanto nas ofensivas. III - Alas são os jogadores que utilizam as laterais da quadra para fazer suas ações, tanto ofensivas quanto defensivas. São os jogadores que fazem a ligação da bola da meia quadra de defesa para a meia quadra de ataque e, por isso, devem ser velozes e com boa agilidade. Nas ações defensivas, devem contribuir na contenção de ações ofensivas da equipe adversária nesse setor da quadra. Nas ações ofensivas, devem organizar as jogadas, para quea bola chegue ao pivô. Por ter o formato de um retângulo, a quadra de futsal tem duas laterais, que são ocupadas pelos alas direito e esquerdo. IV - Pivô é o jogador que se posiciona de modo mais avançado da quadra, geralmente, na meia quadra de ataque. Esse jogador é responsável por fazer a maioria das finalizações das jogadas, que, em grande medida, devem ser concluídas em gol, a partir de seus chutes. O pivô deve ter um bom chute e um bom domínio e controle de bola, visto que, muitas vezes, atua de costas para o gol adversário e necessita fazer uma rotação, a fim de se posicionar de frente e, assim, poder fazer a conclusão das jogadas. No quesito defensivo, o pivô tem um papel importante no posicionamento no meio da quadra, para poder ajudar na marcação da saída de bola da equipe adversária. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. VAMOS PRATICAR 1 8 1 3. O sistema de jogo no futsal visa potencializar a equipe por meio da distribuição posicional dos jogadores na quadra da forma mais racional possível, na qual o sucesso de uma equipe muitas vezes está associado às ações de seu treinador, quando este utiliza os seus conhe- cimentos aliados aos conhecimentos de seu grupo de jogadores. Com relação à utilização do sistema de jogo no futsal e às características dos jogadores, analise as afirmativas a seguir: I - O sistema 2x2 é ideal para jogadores criativos, pois favorece a criação de jogadas, já que possui dois jogadores de ataque na equipe. II - Quando a equipe possui pelo menos um jogador com características de pivô com força e boa finalização, o sistema 1x2x1 e o 1x3 são os mais indicados para potencializar a utilização desse jogador. III - Jogadores com velocidade, com bom drible e finta, podem se adaptar bem ao sistema quatro em linha, pois podem gerar mais movimentações, dificultando a marcação ad- versária. IV - Equipes com jogadores com características mais defensivas podem se beneficiar se a escolha do treinador for pelo sistema tático 3x1. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) II, III e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 8 8 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Florianópolis: Arqué, 2022. ALVES, U. S.; BELLO, N. Futsal: conceitos modernos. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2020. APOLO, A. Futsal: metodologia e didática na aprendizagem. São Paulo: Phorte, 2004. BALZANO, O. N. Modelo de jogo de uma equipe de futsal. São Paulo: Fontoura, 2018. CASTELO, J. Futebol: modelo técnico-táctico do jogo. Lisboa: Edições F. M. H. da Universidade Técnica de Lisboa, 1994. CASTELO, J. Fútbol: estructura y dinámica del juego. Barcelona: Editorial Inde, 1999. CBFS – CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTSAL. Futsal: leis do jogo. Fortaleza: CBFS, 2024. Disponível em: https://cbfs.com.br/cbfsadm/arquivos/Site/228_.pdf. Acesso em: 29 out. 2024. COSTA, I. T. Comportamento tático no futebol: contributo para a avaliação do desempenho dos jogadores em situação de jogo reduzido. 2010. Dissertação (Doutorado) – Faculdade de Despor- to da Universidade do Porto, Porto, 2010. COSTA, I. T. et al. Princípios táticos do jogo de futebol. Motriz: Revista de Educação Física, Rio Claro, v. 15, p. 1-15, 2009. GARGANTA, J. Competência de ensino de jovens futebolistas. Lecturas, Educación y Deportes, Buenos Aires, v. 8, n. 45, p. 1-3, 2002. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd45/ensino. htm. Acesso em: 29 out. 2024. GARGANTA, J.; PINTO, J. O ensino do futebol. In: GRAÇA, A.; OLIVEIRA, J. (ed.). O ensino dos jogos desportivos. Porto: Centro de Estudos dos Jogos Desportivos (FCDEF-UP), 1994. p. 97-137. MELO, R. S.; MELO, L. B. Ensinando futsal. São Paulo: Sprint, 2006. MUTTI, D. Futsal: da iniciação ao alto nível. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2003. NAVARRO, A. C.; ALMEIDA, R. Futsal. São Paulo: Phorte, 2008. SAAD, M. A. Movimentação ofensiva e defensiva. São Paulo: Visual Books, 2005. SAAD, M. A.; COSTA, C. Futsal: movimentações defensivas e ofensivas. Florianópolis: Bookstore, 2001. SOUZA, P. Validação de teste para avaliar a capacidade de tomada de decisão e o conheci- mento declarativo em situações de ataque no Futsal Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2002. TEODORESCU, L. Problemas da teoria e metodologia nos jogos desportivos. Lisboa: Livros Horizonte, 1984. 1 8 9 1. Alternativa E Os goleiros têm passado por treinamentos específicos semelhantes aos jogadores de linha, tornando menos necessário o uso de um jogador de linha como goleiro. A. Incorreta. O goleiro-linha é geralmente utilizado quando a equipe está em desvantagem, para tentar aumentar a pressão ofensiva. B. Incorreta. A principal vantagem do goleiro-linha é criar superioridade numérica, e não apenas manter a igualdade nos setores da quadra. C. Incorreta. O uso do goleiro-linha visa aumentar as chances de finalização, não diminuir. D. Incorreta. A utilização do goleiro-linha oferece riscos, como a possibilidade de sofrer um gol em contra-ataque, apesar da superioridade numérica. 2. Alternativa E I. Correta. Define o goleiro como o jogador que pode usar as mãos dentro da sua área penal e é responsável por defender a meta, além de participar em ações ofensivas. II. Correta. Descreve o fixo como o primeiro elemento da defesa depois do goleiro, destacando sua função defensiva e sua habilidade de organização no jogo. III. Correta. Apresenta os alas como jogadores que utilizam as laterais da quadra, com funções ofensivas e defensivas, e são responsáveis pela ligação entre a defesa e o ataque. IV. Correta. Caracteriza o pivô como o jogador que finaliza as jogadas na meia quadra de ataque e tem um papel importante tanto nas finalizações quanto na marcação defensiva. 3. Alternativa E I. Incorreta. O sistema 2x2 não é o mais indicado para jogadores criativos, sendo mais utili- zado para equilíbrio entre ataque e defesa, e não necessariamente para favorecer a criação de jogadas. II. Correta. Os sistemas 1x2x1 e 1x3 são ideais para equipes que possuem um jogador com características de pivô, permitindo aproveitar sua força e boa finalização. III. Correta. O sistema quatro em linha é adequado para jogadores rápidos, com bom drible e finta, gerando mais movimentações e dificultando a marcação adversária. IV. Correta. Equipes com jogadores mais defensivos podem se beneficiar do sistema 3x1, que oferece maior proteção à defesa. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 9 1 MEU ESPAÇO 1 9 1 MINHAS METAS TREINAMENTO DAS TÁTICAS DE JOGO Entender os conceitos táticos fundamentais. Compreender os níveis de treinamento tático no futebol. Aprofundar metodologias de treino tático. Compreender os treinamentos táticos aplicados ao futsal. Explorar ideias de treinamentos táticos práticos. Analisar os treinos táticos ofensivos e defensivos no futsal. Estudar os treinos táticos ofensivos e defensivos no futebol. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9 1 9 1 INICIE SUA JORNADA Como passar um treino tático do papel para a quadra ou campo? Como utilizar a teoria na prática? Este é o questionamento que o traz aqui, especialmente após estudar as bases do treinamento, como a periodização e as características das habilidades físicas e motoras. O treino tático é frequentemente considerado um dos mais desafiadores, pois envolve a integração das características de todos os jogadores em prol do coletivo, no entanto, é também visto como um dos mais prazerosos, pois é nesse contexto que a comissão técnica ajusta os erros dos jogos passados e planeja novas estra- tégias. Além disso, é no treino tático que se busca melhorar os princípios táticos individuais que os jogadores precisam desenvolver. Assim, precisamos compreender como treinar, porque treinar, qual o objeti- vo, qual método mais adequado e quaisprincípios devemos focar, seja coletiva ou individualmente. É fundamental perceber que tudo isso constitui um ciclo de reflexões entre prática e teoria, em que cada um retroalimenta o outro. Essa relação é interdependente, sendo um processo contínuo de avaliação e adaptação ao longo do tempo. Será que estamos treinando da mesma forma que jogamos e vice-versa? Neste episódio, abordamos os desafios que treinadores enfrentam na escolha das me- lhores abordagens, a importância especificidade dos treinos e como evitar os cair nas armadilhas da globalização no treinamento.. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNICESUMAR 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 VAMOS RECORDAR? O modelo de jogo no futebol consiste em fases: organização ofensiva e defensiva, transição ofensiva e defensiva e bola parada. Na prática, o treinamento tático se concentra na escolha de uma ou mais dessas fases, trabalhadas simultaneamente, com o conceito de aumento da complexidade e é isso que vamos ver no vídeo #1 Sessão de Treino Transição Ofensiva, que apresenta um treino progressivo começando com um jogo reduzido sem goleiros, no qual quatro duplas jogam. Uma equipe aguarda enquanto duas mantêm a posse contra uma dupla que marca. Ao recuperar a bola, a equipe defensiva passa rapidamente para a equipe que estava descansando, atuando em um 4 x 2. Em seguida, o campo é ampliado com a adição de um goleiro, jogando em um espaço de 6 x 3. Se a equipe sair do retângulo, transita para um 6 x 7 para marcar; se a defesa recuperar, realiza a transição ofensiva para os golzinhos laterais. O treino conclui com um jogo 11 x 11, com três goleiros, no qual as equipes buscam recuperar a bola e acelerar o jogo, enfatizando a transição ofensiva. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=cPfJykoCqOA 1 9 4 DESENVOLVA SEU POTENCIAL PRINCÍPIOS TÁTICOS DO TREINAMENTO A principal ideia na organização de treinamentos táticos de uma equipe de fute- bol ou de futsal é organizar um conjunto de agentes, em interação, que cooperam com objetivos e comportamentos comuns, buscando criar ordem e estabilidade no contexto de desordem e instabilidade que acontece durante um jogo. Nessas atividades, deve-se prever situações em que os jogadores, tanto em ações coletivas quanto em ações individuais, busquem uma melhor ocupação espacial do campo jogo. Diante disso, Garganta e Pinto (1994) sugerem que os princípios táticos formam um conjunto de normas comportamentais relacionadas ao jogo, que proporciona aos jogadores a possibilidade de atingirem rapidamente soluções táticas para os problemas advindos das situações que defrontam. Outros auto- res, como Worthington (1974), Hainaut e Benoit (1979), Queiroz (1983), Bayer (1994), Castelo (1999) e Costa et al. (2010), organizam princípios que regem os treinamentos táticos, conforme descrito a seguir. Os princípios gerais se pautam nas relações espaciais e numéricas entre os jogadores da equipe e os adversários, nas zonas de disputa pela bola, são: ■ não permitir a inferioridade numérica; ■ evitar a igualdade numérica ■ procurar criar a superioridade numérica. Os princípios operacionais são relacionados a conceitos atitudinais para as duas fases do jogo, sendo: ■ defensivos: anular as situações de finalização; recuperar a bola; impedir a progressão do adversário; proteger a meta; reduzir o espaço de jogo adversário; ■ ofensivos: conservar a bola; construir ações ofensivas; progredir pelo campo de jogo adversário; criar situações de finalização; finalizar à meta adversária. UNICESUMAR 1 9 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Os princípios fundamentais sugerem a possibilidade de desequilibrar a or- ganização da equipe adversária e estabilizar a própria organização nos aspectos defensivo ou ofensivo: ■ defensivos: contenção; cobertura defensiva; equilíbrio; concentração; unidade defensiva; ■ ofensivos: penetração; mobilidade; cobertura ofensiva; espaço; unidade ofensiva. Para quem deseja se aprofundar nos princípios táticos fundamentais, um dos ar- tigos precursores foi o de Costa et al. (2009), que detalha cada princípio e ressalta como eles podem ser aplicados nas fases ofensiva e defensiva do jogo. Acesse em: https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/motriz/ article/view/2488/2534 EU INDICO Queiroz (1983), Garganta e Oliveira (1996) e Casarin et al. (2011) acrescentam princípios relacionados ao modelo de jogo, que se caracterizam como padrões de ação tática de intencionalidades e regularidades, em que os jogadores se ma- nifestam em diferentes medidas, a partir dos diferentes cenários do jogo, sempre obedecendo às ideias de jogo do treinador, em todos os níveis do jogo, seja indi- vidual, grupal, setorial, intersetorial ou coletivo. TREINAMENTO DAS TÁTICAS DE JOGO NO FUTEBOL Dentre as ferramentas mais eficientes a serem utilizadas para o treinamento das táticas no futebol estão os chamados pequenos jogos e os jogos para desenvolver a inteligência tática, nos quais o treinador deve utilizar todos os recursos de apren- dizagem, como uma apresentação verbal ou visual (campo magnético, quadro branco, lousa, fotos, vídeos etc.) e também a demonstração no campo. 1 9 1 Partindo do conceito de tática, apresentado por Teoldo, Guilherme e Gargan- ta (2015), que afirmam ser a gestão do espaço, acrescentando o conceito de Greco (2006), sugerindo ser a capacidade de solucionar problemas e tomar decisões durante o jogo, o treinamento tático, a partir de Praça e Greco (2020), pode ser definido como o processo pedagógico que deve construir e organizar oportuni- dades de aprendizagem, com objetivo de melhorar a capacidade de tomada de decisão do indivíduo em diferentes situações do jogo. Esses autores ressaltam que treinamentos táticos, no futebol, devem seguir uma lógica progressiva, ou seja, partir das atividades simples para as complexas. Nessa perspectiva, quanto maior a complexidade da atividade, maior será a chan- ce de erro, e isso deve ser levado em conta no processo a longo prazo, uma vez que os membros da equipe multidisciplinar devem definir objetivos e metas de cada uma das atividades, com a percepção dessa relação entre o nível de dificuldade e a possível taxa de erro que poderá acontecer. Os pequenos jogos utilizados nos treinamentos táticos do futebol têm de- monstrado uma expressiva melhora, no que tange à tomada de decisão dos atletas diante de situações ocorridas em um jogo (Práxedes et al., 2019). Desse modo, esse tipo de atividade apresenta situações e contextos muito próximos àqueles que acontecem em um jogo real e, assim, produzem respostas mais rápidas e uma sensível redução do tempo de reação em um ambiente de jogo. Os jogos para desenvolver a inteligência tática são jogos coletivos, criados com alterações de regras, que, segundo Balzano (2007), não têm tanta exigência quanto à execução perfeita da habilidade técnica individual, mas que permitem a vivência e a experimentação dessas habilidades de forma implícita. A ideia é fazer com que o sujeito tenha interesse em participar das atividades, sem que haja obrigatoriedade, induzindo-o ao aprendizado coletivo do jogo, que deve ser pra- ticado com prazer, em detrimento das longas repetições de exercícios específicos. Esses jogos podem trazer vários benefícios aos participantes, que devem manter uma concepção positiva do esporte, incorporando o hábito regular da prática de atividades físicas para toda a vida. Bompa (2002) divide o trabalho tático em quatro níveis, referindo-se à pro- gressão do treinamento, os quais fazem relação direta com a periodização, es- tabelecendo um planejamento integrado entre os aspectos físicos, fisiológicos, técnicos, táticos, emocionais e psicológicos. UNICESUMAR 1 9 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 No Nível 1, o autor ressalta que o objetivo é introduzir o trabalho de fute- bol, o trabalho de campo e a relação com a bola, sendo empregado noinício da preparação, quando o volume do condicionamento físico é alto, tendo um objetivo mais geral, sem muitos detalhes táticos aprofundados. A introdução aos sistemas táticos e às táticas de jogo é desenvolvida e trabalhada de modo bem generalista, tendo, sim, exercícios com baixa intensidade, baixa duração e pausa longa (Bompa, 2002). No Nível 2, a exigência física, aliada ao trabalho com bola, aos sistemas táticos e às táticas propostos, começam a aparecer de modo mais intenso e com mais especificidade. Os exercícios são desenvolvidos com baixa e média intensidade, baixa e média duração e com pausa média e longa (Bompa, 2002). No Nível 3, o trabalho com bola passa a ser mais intenso e acontece como complemento do trabalho de condicionamento físico. O trabalho tático é bem específico e todas as variantes são empregadas nesta etapa. Os exercícios são desenvolvidos com alta intensidade, média e alta duração, pausa curta e média (Bompa, 2002). No Nível 4, por ser a última etapa, deve-se fazer uma verificação de todo o treinamento executado, ou seja, com a participação em jogos amistosos e ofi- ciais, é possível verificar o resultado do total dos treinamentos. Os exercícios são desenvolvidos com altíssima intensidade, com alta duração e, praticamente, sem pausa (Bompa, 2002). Em cada nível de trabalho, segundo Bompa (2002), o treinador e o preparador físico devem planejar os exercícios conforme a periodização dos treinamentos. Assim, os exercícios devem ser aplicados com objetivos que vão muito além do condicionamento físico, devendo atingir questões técnicas e táticas concomitan- temente, bem como o aprendizado que cada jogador deve incorporar em relação ao jogo de modo coletivo. Ressalta-se que a individualidade e a técnica gestual devem ser respeitadas, mas o objetivo comum, em conjunto, deve ser a prioridade. 1 9 8 MÉTODOS DE ENSINO DAS TÁTICAS DE JOGO NO FUTEBOL Existem diferentes maneiras de treinar as táticas do futebol, com destaque para o método situacional e o método analítico (Silva; Greco, 2009). Método situacional No método situacional, o indivíduo deve adquirir uma capacidade geral, re- lacionada ao jogo, propriamente dito, a partir de situações possíveis da própria realidade de jogo (Kröger; Roth, 2002). A principal ideia desse método, de acor- do com Greco (1998), é desenvolver a competência do jogador em solucionar os problemas motores específicos de uma modalidade esportiva, com base no desenvolvimento de suas capacidades coordenativas e técnico-motoras. Autores, como Greco e Chagas (1992), Graça e Oliveira (1998) e Greco (1998), destacam que o método situacional é organizado a partir de jogadas básicas, ex- traídas de situações de jogo envolvendo comportamentos individuais e coletivos, tendo grande proximidade com as ações do jogo competitivo formal, relaciona- das ao aprendizado das habilidades técnicas por meio de resolução de problemas. Greco (1998) afirma que as situações ou as estruturas funcionais desse mé- todo possibilitam o indivíduo confrontar as reais situações de jogo, sendo os planejamentos feitos a partir de situações problemas, que podem ser formadas por um ou mais jogadores, os quais irão desenvolver em situações reais de jogo, tanto no âmbito defensivo quanto no âmbito ofensivo. Na utilização desse sistema de trabalho, entra em destaque o sistema de me- mória humano, que incide na recordação e no reconhecimento de fatos que estão interligados ao sistema de recepção, transmissão e elaboração de informação. Segundo Greco (1998), os mecanismos de memória, de recordação e de reconhe- cimento são ativados conforme as situações de jogo que aparecerão, enaltecendo o desenvolvimento das capacidades cognitivas do jogador, como a percepção, a antecipação e tomada de decisão. Em grande medida, a variação do uso desse método acontece, de acordo com Greco (1998), nas seguintes questões: quanto aos jogadores – aumentando ou diminuindo o número; quanto ao espaço – o aumentando ou diminuindo; quanto à forma de definição de jogo. UNICESUMAR 1 9 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Método analítico No método analítico, Coutinho e Silva (2009) enfatizam que a característica inicial é a divisão para a aprendizagem das partes de cada modalidade esportiva, seguida da união dessas partes, finalizando com o jogo propriamente dito. Silva (2007) acrescenta que esse método fragmenta o jogo, a partir da máxima que se deve aprender para jogar, otimizando, assim, os gestos técnicos. Greco (2001) comenta que esse método apresenta uma organização de exercí- cios em série, com a finalidade da prática do jogo ou, ainda, de obter êxito na pró- pria ação técnica. Garganta (2002) complementa que esse método tem privilegiado o treinamento do gesto técnico, com um retardo relativo à abordagem do jogo, o que acontecerá apenas quando os gestos tiverem eficiência e eficácia reconhecidas. De modo geral, o método analítico tem, como base, a fragmentação dos diver- sos quesitos que fazem parte do processo de ensino e são exercitados de modo iso- lado, sendo, posteriormente, integrados nas situações reais do jogo (Duarte, 2006). Os princípios desse método, de acordo com Rezende (2008), são: ■ seguir a lógica da progressão do simples para o mais complexo, evoluindo o grau de dificuldade dos exercícios durante o treinamento; ■ as oportunidades de repetição devem ser suficientes para contribuir para movimentos automatizados; ■ a correção dos erros pelos professores deverá ser adequada, evitando ví- cios técnicos. Uma Ideia de Jogo – Momento de Organização Ofensiva O livro Uma Ideia de Jogo – Momento de Organização Ofensiva, oferece um aprofundamento da maneira de jogar, apresentan- do exercícios táticos com complexidades crescentes (micro, média e macro) que aprimoram a aplicação prática da ideia de jogo. Agora que você está familiarizado com as táticas do fute- bol e as metodologias de treinamento, esta obra proporciona ideias forma prática, para adaptar os conceitos ofensivos à sua realidade no campo. INDICAÇÃO DE LIVRO 1 1 1 TREINAMENTO DAS TÁTICAS DE JOGO NO FUTSAL Em se tratando de treinamento tático do futsal, Costa (2003) sugere três tipos: o método parcial, o método global e o método misto. O método parcial consiste no ensino da modalidade dividida em partes, ou seja, cada habilidade técnica individual trabalhada em etapas, de modo a vislum- brar que, ao final dessa etapa da aprendizagem, seja possível agrupar esses gestos técnicos individuais em um único conjunto, ou seja, o próprio jogo efetivamente de futsal (Costa, 2003). No método global, Costa (2003) salienta que a ideia é desenvolver e pro- porcionar o aprendizado dessa modalidade esportiva, por meio da participação efetiva no próprio jogo de futsal. O ensino da habilidade técnica individual acon- tecerá a partir de participações no jogo. O método misto, para Costa (2003), viabiliza as práticas de exercícios que envolvem as habilidades técnicas individuais de modo isolado, associadas a uma iniciação ao próprio jogo, que misturará o método global e o método parcial. Uma das possíveis atividades que desenvolvem aspectos táticos nos jogadores, apresentada por Durães e Souza (2014), é a divisão da quadra em setores: quatro retângulos na quadra toda; quatro triângulos na quadra toda; dois retângulos na quadra toda; dois triângulos na quadra toda; dois retângulos na defesa e um retângulo no ataque; dois retângulos na direita e um retângulo na esquerda; dois retângulos na esquerda e um retângulo na direita. Nessas divisões da quadra em figuras geométricas, o treinador distribui os jogadores em cada setor, podendo fazer diferentes movimentações, como varia- ções, flutuações, coberturas e infiltrações, que podem ser incorporadas como ações a serem utilizadas nos jogos. UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Outros autores, como Graça e Oliveira (1998), apresentam como formas de trabalhar as táticas do futsal: COM FOCO NA TÉCNICA O aprendizadodeve acontecer a partir do ensino das técnicas analíticas para o jogo formal, decompondo a modalidade em elementos técnicos individuais, como o passe, o chute, a condução de bola etc., sugerindo uma hierarquização dessas técnicas. Por norma, essa abordagem de aprendizagem pode gerar um jogo mecanizado e pouco criativo, tendo, por parte dos indivíduos, comportamentos estereotipados, que irão suscitar problemas na compreensão do jogo completo. CENTRADA NO JOGO FORMAL O aprendizado deve acontecer a partir da utilização exclusiva do jogo formal, ou seja, não se faz nenhum condicionamento, tampouco decomposição das habilidades técnicas individuais, sendo que estas, possivelmente, aparecerão como resposta às demandas que o jogo irá apresentar. Normalmente, essa metodologia pode produzir indivíduos mais criativos, ainda que com base no individualismo e no virtuosismo téc- nico, que será contrastado com uma anarquia tática, com soluções motoras variadas, tendo várias lacunas táticas e ações coletivas, aparentemente, descoordenadas. FORMA CENTRADA EM JOGOS CONDICIONADOS O aprendizado deve acontecer com a organização do jogo, para situações particulares, sendo feita uma decomposição em unidades funcionais, tendo preparação sistemática com complexidade crescente, sendo que os princípios do jogo, em si, farão a regu- lação das atividades. Costuma-se usar essa forma de ensino para que as técnicas se manifestem em função das táticas, acontecendo de maneira orientada e provocada. A ênfase será dada à inteligência tática, com uma correta interpretação e aplicação dos princípios do jogo, favorecendo a viabilização da técnica e da criatividade nas ações do próprio jogo. De acordo com Costa (2003), os tipos de jogos condicionados são: jogos técnicos, recreativos, táticos de ataque, táticos de defesa, com vantagem e desvantagem numérica e para funções específicas. 1 1 1 TREINAMENTO DAS TÁTICAS OFENSIVAS NO FUTSAL No treinamento das táticas ofensivas, é importante entender que essas ações po- dem ser realizadas a partir de investidas individuais ou coletivas, sendo que as individuais não podem, de maneira nenhuma, atrapalhar o desenvolvimento das ações coletivas, por isso, Lozano (1995) alerta que as atitudes individuais dentro do jogo são muito bem-vindas, mas devem ser realizadas com o consentimento do treinador, a fim de que não aconteçam muitas interferências no posicionamento tático da equipe durante o jogo. A colocação dos jogadores em quadra tem um posicionamento dito básico, que poderá ser quebrado com alguma ação individual criativa, que deve sempre respeitar as normas lógicas de equilíbrio posicional. Balzano (2007) apresenta os princípios táticos individuais de ataque, apre- sentados em ordem alfabética: • Aproximar-se do companheiro e da bola. • Deslocar-se constantemente. • Diminuir o tempo de decisão em uma jogada. • Enfatizar as tabelas com trocas rápidas de passe. • Favorecer a entrada do atacante na linha de passe. • Fazer bloqueios. • Fugir do campo de visão do defensor. • Movimentar-se atrás da linha de marcação do adversário. • Oferecer “corta luz”. • Proteger a bola (parede). • Tentar de ações individuais criativas. • Ultrapassar por trás e pela frente do companheiro. UNICESUMAR 1 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 TREINAMENTO DAS TÁTICAS DEFENSIVAS NO FUTSAL O treinamento das táticas defensivas, para Apolo (1995), se configuram eminen- temente como a distribuição dos jogadores em quadra com principal objetivo de anular as ações referentes ao ataque da equipe adversária. Ainda que o sistema defensivo de uma equipe possa variar no decorrer da mesma partida, ou, ainda, de um jogo para outro, segundo Fonseca (2007), a essência do sistema defensivo se fundamenta na constante busca de adaptação às características do ataque adversário, uma vez que as movimentações dos joga- dores devem enfatizar a recuperação da posse de bola. Para o autor, a dinâmica do jogo, tanto em termos de movimentação quanto de posicionamento, depende diretamente da ocupação dos espaços da quadra pelos jogadores, da intensidade da marcação, das movimentações defensivas e da eficácia das coberturas. Essas características, em conjunto, definem os diferentes sistemas de defesa, cujo obje- tivo principal é neutralizar as ações ofensivas. Treinamento das táticas defensivas no futsal com marcação individual A marcação individual se caracteriza pela responsabilidade individual de um jogador da equipe defensiva em inutilizar as ações de um jogador da equipe atacante, ou seja, um defensor marca um atacante. O posicionamento e a distribuição dos jogadores da equipe que se defende será organizado em função dos jogadores da equipe que está no ataque, sendo que a marcação individual pode ocorrer sob pressão ou sob meia pressão. No caso da marcação individual sob pressão, o defensor acompanhará o ata- cante por todos os setores da quadra, tentando evitar que o adversário receba a bola. No caso da marcação individual sob meia pressão, o defensor só irá se aproximar do atacante que receber ou que estiver com a posse de bola, evitando a aproximação dos atacantes que não estão com a posse de bola. Uma importan- te ação, neste tipo de marcação, é a cobertura dos companheiros de equipe de defesa, que farão o combate naqueles atacantes que estão com a posse de bola, como reforça Mutti (2003). 1 1 4 O treinamento desse tipo de marcação pode ser feito com exercícios, em que um jogador tem que acompanhar outro jogador por diferentes espaços da quadra. As brincadeiras e os jogos de pegador (ou pega-pega) são bem utilizados para essas movimentações. Treinamento das táticas defensivas no futsal com marcação por zona A marcação por zona se caracteriza pela atribuição de um setor da quadra para cada jogador, ou seja, divide-se a quadra em zonas, sendo cada jogador defensivo responsável por ocupar e defender uma região, conforme sinaliza Mutti (2003). Uma das principais características desse tipo de marcação, para o mesmo autor, é o posicionamento que deve acontecer sempre atrás da linha da bola, ou seja, os defensores sempre devem olhar a bola de frente. A ideia desse posicio- namento é poder fazer trocas constantes de regiões, esperando que haja um erro na troca de passes do adversário e, assim, roubar a bola e partir para o ataque (Saad; Costa, 2001). Segundo Bayer (1994), nesse tipo de marcação, o posicionamento dos defen- sores ocorre em função do deslocamento da bola imposto pela equipe atacante e é por isso que ocorrem trocas constantes de marcação e de setor. Normalmente, para esse tipo de marcação, a equipe defensora divide a quadra em três corredores, sendo que cada um dos jogadores é responsável por um dos corredores e o quarto jogador fica responsável pelas possíveis coberturas que sejam necessárias. Existe também a possibilidade de se dividir a quadra em quatro quadrados, sendo que, nesse caso, cada um dos jogadores da equipe defensiva deve ocupar um desses locais. O treinamento desse tipo de marcação pode ser feito com exercícios em que se divide a quadra em setores, colocando cada jogador em um setor e, ao coman- do do treinador, fazendo trocas de setores, o que favorece possíveis coberturas. UNICESUMAR 1 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 9 Treinamento das táticas defensivas no futsal com marcação mista A marcação mista se caracteriza por ser a combinação da marcação individual com a marcação por zona. Neste tipo de marcação, alguns jogadores da equipe defensiva fazem a marcação individual a um ou mais jogadores da equipe ata- cante e os demais se mantém ocupando os setores tentando evitar a construção dos ataques (Mutti, 2003). Para que uma equipe faça esse tipo de marcação, Mutti (2003) sugere que é fundamental que a inteligência tática esteja altamente desenvolvida, pois as mu- danças de posições, setores, coberturas e antecipações ocorrem em uma veloci- dade muito alta e, para isso, o treinamento dessas movimentações é acom essas crianças que praticam esporte de diminuir a idade de iniciação esportiva, reforça Silva, Fernandes e Celani (2001). Esse panorama, conforme Vidal (2006), transforma a criança num objeto, numa mercadoria, digna de planejamento, investimento estratégico e capital humano envolvido que pode ser encontrado nas chamadas escolinhas de iniciação esportiva. Nem todas têm claro o objetivo da iniciação. 1 1 O capital humano envolvido nesse contexto, como técnicos, professores e diri- gentes, além das empresas especializadas que comercializam diferentes produtos relacionados ao esporte, somados aos familiares que demonstram certa pressão na obtenção de resultados, sucesso e status, desconsideram os aspectos bioló- gicos, físicos, motores, emocionais, sociais, dentre outros que cercam a criança, complementam Darido e Farinha (1995). O que se pode perceber, segundo Allen e Howe (1998), é que, em muitos casos, essa especialização precoce decorre da necessidade de alguns profissionais evi- denciarem seus trabalhos com tais proezas, sendo que seus treinamentos visam a resultados no curto prazo em detrimento do desenvolvimento integral do ini- ciante para a vida toda. Vale ressaltar que esse treinamento intenso, de acordo com Almodóvar (2017), pode resultar tanto em adaptações positivas, que são as melhores respostas na performance esportiva, quanto negativas, que estão relacionadas ao excessivo treinamento físico, que pode resultar em consequências muitas vezes desastrosas. Isso acontece, pois, muitas vezes, os iniciantes não possuem um desenvol- vimento total da estrutura musculoesquelética durante o processo de iniciação esportiva, e o volume de treino, os movimentos explosivos e repetitivos são as principais causas de lesões apresentadas em Mann et al. (2010). Nesse cenário, Almeida e Souza (2016) asseguram que é indispensável que o desempenho técnico não tenha prioridade acima do desenvolvimento físico e cognitivo do iniciante nesse processo de iniciação esportiva. A especialização esportiva deve ser vista como uma possível etapa, mas não como condição, pois depende de vários fatores, principalmente na vontade e no desejo do próprio praticante. PENSANDO JUNTOS UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 1 NOVOS DESAFIOS No contexto social e global, o futebol e o futsal destacam-se como modalidades extremamente democráticas, que aceitam e acolhem pessoas de todos os luga- res, crenças, classes sociais, raças e demais diferenças. São verdadeiros meios de ascensão social, democratização e cooperação. O fato de serem populares pode ser paradoxal: a popularidade ajuda na inclu- são, mas também pode gerar uma percepção errônea de conhecimento e preparo. Muitas vezes, pessoas acreditam entender do esporte sem o estudo adequado só por terem praticado. Uma formação sólida é essencial para mudar essa percepção. Profissionais bem preparados compreendem o desenvolvimento dos atletas e aplicam esse conhecimento em práticas eficazes, promovendo repertório motor, criatividade e prazer em jogar. A distinção entre treinos iniciantes e especializados requer uma abordagem cuidadosa para garantir um desenvolvimento natural e evitar traumas ou aban- dono esportivo. É fundamental respeitar o processo de aprendizagem e ajustar as práticas conforme as necessidades e capacidades dos atletas. Após compreender o processo, o desafio é implementar as práticas no treino real. Utilize uma variedade de atividades e jogos reduzidos para garantir maior participação. Mantenha uma sequência lógica dos exercícios, do simples ao com- plexo, de acordo com o progresso dos atletas. Os treinos devem ser desafiadores, mas realizáveis, para maximizar o desenvolvimento. Assista a aula referente a este tema. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 1 1 UNICESUMAR 1 1 1. A iniciação esportiva pode ser considerada a primeira fase ou, ainda, o primeiro momento de contato de um indivíduo com uma modalidade esportiva, ou seja, independe da idade (Alves, 2022). De acordo com os principais conceitos relacionados à temática iniciação esportiva, analise as afirmativa a seguir. I - A iniciação esportiva é tida como sendo uma etapa de formação generalizada, com o objetivo de ampliação do acervo motor do praticante que deve ocorrer por meio de estimulação e prazer na prática. II - A iniciação esportiva visa promover o desenvolvimento corporal no aspecto exclusiva- mente físico e motor, vislumbrando melhorar as capacidades físicas e motoras indivi- duais, sem se preocupar com outros aspectos do ser humano. III - A iniciação esportiva deve acontecer na vida de um ser humano de modo tardio, com pouca diversidade, a fim de que o mais cedo possível o indivíduo comece a se especia- lizar numa modalidade e, assim, possa colher bons resultados. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. VAMOS PRATICAR 1 4 2. A especialização esportiva desempenha um papel crucial no desenvolvimento dos atletas, mas é essencial que se respeitem as etapas formativas, de forma a garantir a integridade e o desenvolvimento saudável dos praticantes, por isso os profissionais de educação física devem ter cuidado redobrado em relação à especialização precoce, evitando possíveis consequências negativas que podem surgir ao negligenciar o tempo correto para cada fase do treinamento esportivo. Com relação ao tema da especialização precoce, analise as afirmativas a seguir. I - Os profissionais de educação física não precisam se preocupar com as etapas de forma- ção dos atletas, já que o mais importante é alcançar resultados esportivos rapidamente. II - A especialização precoce pode levar o atleta a desistir do esporte, devido ao excesso de cobranças por resultados imediatos. III - A criatividade, a liberdade de movimentos e a tomada de decisão sem muita interferência são características da especialização precoce dos jogadores. IV - A prática do futebol e do futsal em parques, na rua e em outros locais públicos é o opos- to da especialização precoce e favorece o prazer de jogar desde criança, o que pode prevalecer até a vida adulta. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. VAMOS PRATICAR 1 5 3. Os treinamentos em campo reduzido para futebol e futsal têm demonstrado resultados eficazes. Essas atividades são realizadas com base em uma progressão metodológica, começando por enfrentamentos em grupos reduzidos e aumentando gradativamente o número de jogadores. Com relação ao treinamento em campo reduzido, analise as afirmativas a seguir. I - Treinamentos em campo reduzido focam apenas no desenvolvimento das habilidades táticas dos jogadores, negligenciando as técnicas individuais. II - Jogos em campo reduzido favorecem um maior número de ações dos jogadores, per- mitindo mais oportunidades de tomada de decisão e desenvolvimento técnico. III - O futsal pode auxiliar na formação dos jogadores de futebol, pois funciona como um jogo reduzido que desenvolve habilidades aplicáveis a ambas as modalidades. IV - O treinamento em campo reduzido pode limitar a criatividade dos jogadores, uma vez que não há espaço suficiente para executar diferentes jogadas. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) II, III e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 REFERÊNCIAS ALLEN, J.; HOWE, B. Player ability, coach feedback, and female adolescent athletes’ perceived competence and satisfaction. Journal of Sport & Exercise Psychology, Champaign, v. 20, p. 280-299, 1998. Disponível em: https://dspace.stir.ac.uk/bitstream/1893/8939/1/AllenandHo- we_JSEP_1998.pdf. Acesso em: 28 ago. 2024. ALMEIDA, D.; SOUZA, R. M. A influência dos pais no envolvimento da criança com o esporte du- rante a Iniciação Esportivagrande base de sucesso da marcação mista. Ressalta-se a utilização desse tipo de marcação ocorre, especialmente, em equipes de alto rendimento, não sendo aconselhada para equipes em início de trabalho. O treinamento desse tipo de marcação pode ser feito por meio da constru- ção de jogos reduzidos, limitando-se a alguns espaços da quadra, para serem realizadas as movimentações de ataque e, consequentemente, as movimentações defensivas (Saad; Costa, 2001). O treino defensivo no futebol é semelhante ao do futsal, com marcação individual, por zona e mista, envolvendo princípios de ocupação de espaço e cobertura. No futebol, devido ao tamanho maior do campo, as movimentações defensivas são mais complexas. A marcação por zona organiza-se em três corredores (central, la- teral direito e esquerdo), e um exemplo de treino envolve os jogadores ocupando os corredores laterais e centrais conforme a posição da bola. Quando a bola está no setor lateral, o corredor oposto é desocupado, criando uma defesa mais com- pactada na região próxima ao portador da bola. APROFUNDANDO 1 1 1 NOVOS DESAFIOS Você percebeu que o treino tático envolve diversas situações, métodos, princí- pios, variações, ideias e objetivos. Agora é o momento de transpor isso para sua prática desportiva. Primeiramente, devemos considerar algumas premissas universais em esportes coletivos. A primeira é respeitar as características dos jogadores, independentemente do nível, local ou das suas próprias ideias. Em segundo lugar, é importante entender essas características e adequar as propostas que você acredita que irão potencializar a todos. Por fim, o desafio mais complicado é determinar como alcançar o padrão desejado para a equipe evoluir e ter um desempenho melhor. Olá! Assista ao nosso vídeo e enriqueça seus estudos. Neste vídeo, vamos falar a respeito de temas relevantes para a área.. Recursos de mídia disponíveis no con- teúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO Ao pensar na estratégia de treino a ser adotada, uma característica que se mostra comum e conveniente em qualquer situação é a busca por uma complexidade crescente, tanto em uma sessão de treino quanto ao longo do tempo. Um exercício que pode ser fácil para um grupo pode ser difícil para outro, e essa dificuldade pode variar também com o passar do tempo. Considerando esse aumento de complexidade, devemos avaliar a metodo- logia de treino. O treino analítico ou parcial pode facilitar correções de gestos, enquanto os treinos mistos, globais ou situacionais tendem a aproximar a prática do jogo real e a desenvolver a tomada de decisão. Agora, com todas essas ferramentas, você está preparado para iniciar sua jornada como treinador e aplicar os treinos de forma fundamentada, porém, não se esqueça de que o futsal e o futebol são esportes que têm como maior atrativo a sua imprevisibilidade. Permita treinos que favoreçam também a criatividade e não fique preso a ideias fechadas. UNICESUMAR 1 1 1 1. O treinamento tático é muito importante e fundamental para o sucesso em equipes de futebol/futsal. Esse tipo de treinamento deve ser organizado desde as categorias de base e, inevitavelmente, acompanhará os treinadores e os jogadores por todo período em que estiverem planejando treinamentos esportivos nessas modalidades. As atividades devem ocorrer de modo progressivo, fazendo sempre as relações com a periodização e estabe- lecendo um planejamento para integrar aspectos físicos, fisiológicos, técnicos, táticos, emocionais e psicológicos (Alves, 2022). Conforme os entendimentos em relação aos níveis de treinamento, indique as afirmativas que descrevem corretamente os níveis de progressão do treinamento: I - Nível 1: o objetivo é introduzir o trabalho de futebol/futsal, o trabalho de campo/quadra e a relação com a bola, sendo empregado no início da preparação, quando o volume do condicionamento físico é alto, tendo um objetivo mais geral, sem muitos detalhes táticos aprofundados, ou seja, de modo generalista. II - Nível 2: aumenta-se a intensidade das atividades com predominância física, aliada às especificidades do trabalho com bola e aos sistemas táticos e às táticas. No treinamento, os exercícios são desenvolvidos com baixa e média intensidade, baixa e média duração e com pausa média e longa. III - Nível 3: o trabalho com bola passa a ser menos intenso e acontece como prioridade do trabalho de condicionamento físico. O trabalho tático é bem menos específico e todas as variantes são empregadas nas etapas anteriores. Os exercícios passam a acontecer com pequena intensidade, média e baixa duração, com pausa curta e longa. IV - Nível 4: considerada a última etapa, deve-se fazer uma verificação de todo o treinamento executado, com a participação em jogos amistosos e oficiais, sendo possível verificar se os treinamentos surtiram ou não efeito. No treinamento, os exercícios são desenvolvidos com altíssima intensidade, com alta duração e quase sem pausa. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 8 2. Treinar coletivamente no futebol e futsal exige muito mais do que simplesmente a com- preensão tática dos jogadores. É fundamental integrar os aspectos físicos, técnicos, emo- cionais e outros, para criar um treino completo. O treinador, ao escolher o esquema tático ideal para sua equipe, precisa levar em conta todos esses fatores, pois o entendimento de posicionamento, movimentação e cobertura é crucial para o sucesso da estratégia esco- lhida (Alves, 2022). Com base nas reflexões acerca dessa temática, analise as sentenças a seguir: I - Os sistemas táticos, no futebol ou no futsal, jamais devem vislumbrar equilíbrio entre os setores do campo/quadra, pois o setor de ataque sempre terá prioridade. II - Os sistemas táticos, no futebol ou no futsal, organizados com muitos detalhes em relação às variações e às movimentações, sempre resultarão em sucesso, pois a vitória da equipe depende somente do sistema tático escolhido. III - Os sistemas táticos, no futebol ou no futsal, não necessariamente estarão em equilíbrio, quando existir uma distribuição equilibrada de jogadores nos setores do campo/quadra. IV - Os sistemas táticos, no futebol ou no futsal, devem ser muito bem treinados, mas devem oferecer certa liberdade aos jogadores, para usarem a sua criatividade e ousadia. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) IV, apenas. VAMOS PRATICAR 1 1 9 3. Quando se pensa em treinamento das táticas de jogo, seja no futebol ou no futsal, o profis- sional responsável deve fazer os projetos usando muita criatividade, aliada às características físicas, técnicas e psicológicas de cada um dos atletas. Para isso ocorrer, o treinador, em conjunto com a equipe multidisciplinar, deve identificar essas características e, assim, fazer os planejamentos (Alves, 2022). Diante desse cenário, analise as afirmativas a seguir: I - Não existe um sistema tático que pode ser considerado mais eficiente que outro, nem mesmo um esquema de jogo ideal, visto que muitos fatores irão influenciar a escolha do sistema. II - O melhor sistema tático a ser escolhido é sempre aquele utilizado pela equipe no último jogo em que houve desempenho favorável, com placar a favor. III - A comissão técnica não precisa se restringir a apenas um sistema tático; ela pode explo- rar diversas variações, adaptando-se tanto às características dos jogadores disponíveis quanto ao estilo de jogo do adversário. IV - O melhor sistema tático deve ser aquele utilizado pela equipe adversária, que obteve resultado favorável em algum jogo, pois será bem incorporado com bons resultados. É correto o que se afirma em: a) II e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I e III, apenas. VAMOS PRATICAR 11 1 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Florianópolis: Arqué, 2022. p. 235. APOLO, A. Manual técnico didático de futsal. São Paulo: Scortecci, 1995. BALZANO, O. N. Metodologia dos jogos condicionados para o futsal e educação física esco- lar. Porto Alegre: Autor, 2007. BAYER, C. O ensino dos desportos coletivos. Lisboa: Dinalivro, 1994. BOMPA, T. O. Treinamento total para jovens campeões. Barueri: Manole, 2002. CASARIN, R. V. et al. Modelo de jogo e processo de ensino no futebol: princípios globais e espe- cíficos. Movimento, Porto Alegre, v. 17, n. 3, p. 133-152, jul.-set. 2011. CASTELO, J. Fútbol: estructura y dinámica del juego. Barcelona: Inde, 1999. COSTA, C. F. Futsal aprenda a ensinar. Florianópolis: Visual Books, 2003. COSTA, I. T. et al. Princípios táticos do jogo de futebol. Motriz, Rio Claro, v. 15, p. 1-15, 2009. COSTA, I. T. et al. Comparing tactical behaviours of youth soccer teams through the test “GK- 3-3GK”. The Open Sports Sciences Journal, Amstrerdam, v. 3, p. 58-61, 2010. COUTINHO, N. F.; SILVA, S. A. P. S. Conhecimento e aplicação de métodos de ensino para os jo- gos esportivos na formação profissional em educação física. Revista Movimento, Porto Alegre, v. 15, n. 1, p. 117-144, 2009. DUARTE, R. Modelação do esforço em desportos coletivos: aplicação no futsal. Treino Despor- tivo, Lisboa, v. 30, p. 54-62, 2006. DURÃES, G. M.; SOUZA, P. R. C. Metodologia do futsal. Montes Claros: Unimontes, 2014. FONSECA, C. Futsal: o berço do futebol brasileiro – princípios teóricos para treinadores. São Paulo: ALEPH, 2007. GARGANTA, J.; OLIVEIRA, J. Estratégia e táctica nos jogos desportivos colectivos. In: OLIVEIRA, J.; TAVARES, F. (org.). Estratégia e táctica nos jogos desportivos colectivos. Porto: FCDEF-UP, 1996. p. 7-23. GARGANTA, J. O treino da táctica e da técnica nos jogos desportivos à luz do compromisso cog- nição-ação. In: BARBANTI, V. J. et al. (org.). Esporte e atividade física: interação entre rendimento e qualidade de vida. Barueri: Manole, 2002. p. 281-306. GARGANTA, J.; PINTO, J. O ensino do futebol. In: GRAÇA, A.; OLIVEIRA, J. (ed.). O ensino dos jogos desportivos. Porto: Centro de Estudos dos Jogos Desportivos (FCDEF-UP), 1994. p. 97-137. GRAÇA, A.; OLIVEIRA, J. O ensino dos jogos desportivos. Porto: Faculdade de Desporto da Uni- versidade do Porto. 1998. 1 1 1 REFERÊNCIAS GRECO, P. J. Conhecimento tático-técnico: eixo pendular da ação tática (criativa) nos jogos es- portivos coletivos. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 20, p. 210-2, 2006. GRECO, P. J. Iniciação esportiva universal: metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998. v. 2. GRECO, P. J. Métodos de ensino-aprendizagem-treinamento nos jogos esportivos coletivos. In: GARCIA, E. S.; LEMOS, K. L. M. (ed.). Temas atuais em educação física e esportes. Belo Horizon- te: Health, 2001. v. VI, p. 48-72. GRECO, P. J.; CHAGAS, M. H. Considerações teóricas da tática nos jogos esportivos coletivos. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v. 6, n. 2, p. 47-58, 1992. HAINAUT, K., BENOIT, J. Enseignement des pratiques physiques spécifiques: le football mo- derne – tactique-technique-lois du jeu. Bruxelas: Presses Universitaires de Bruxelles, 1979. KRÖGER, C.; ROTH, K. Escola da bola: um ABC para iniciantes nos jogos esportivos. São Paulo: Phorte, 2002. LOZANO, J. Futbol sala experiências tácticas. Madrid: Real Federacion Española de Fútbol, 1995. MUTTI, D. Futsal: da iniciação ao alto nível. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2003. PRAÇA, G. M.; GRECO, P. J. Network analysis and tactical behaviour in soccer small sided and conditioned games: influence of absolute and relative playing areas on different age categories. International Journal of Performance Analysis in Sport, Milton Park, v. 20, n. 1, 2020. PRÁXEDES, A. et al. Effects of a nonlinear pedagogy intervention programme on the emergent tactical behaviours of youth footballers. Physical Education and Sport Pedagogy, London, v. 24, n. 4, p. 332-343, 2019. QUEIROZ, C. Para uma teoria de ensino/treino do futebol. Ludens, Funchal, v. 8, n. 1, p. 25-44, 1983. REZENDE, A. Ensino e avaliação do futebol. In: CONGRESSO CENTRO-OESTE DE CIÊNCIA DO ESPORTE (CONCOCE), 3., 2008, Cuiabá. Anais [...]. Porto Alegre: UFRGS, 2008. SAAD, M. A.; COSTA, C. Futsal: movimentações defensivas e ofensivas. Florianópolis: Bookstore, 2001. SILVA, M. V. Processo de ensino-aprendizagem-treinamento no futsal: influência no conhe- cimento tático processual. Dissertação (Mestrado em Treinamento Esportivo) – Escola de Edu- cação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. 1 1 1 REFERÊNCIAS SILVA. M. V.; GRECO, P. J. A influência dos métodos de ensino-aprendizagem treinamento no desenvolvimento da inteligência e criatividade tática em atletas de futsal. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 23, n. 3, p. 297-307, 2009. TEOLDO I.; GUILHERME, J; GARGANTA, J. Para um futebol jogado com ideias. Curitiba: Appris, 2015. WORTHINGTON, E. Learning & teaching soccer skills. Califórnia: Hal Leighton Printing Com- pany, 1974. 1 1 1 1. Alternativa E. I. Correta. Descreve a introdução do trabalho de futebol/futsal com foco em condiciona- mento físico, com um objetivo generalista e sem muitos detalhes táticos, típico do início da preparação. II. Correta. Aumenta a intensidade física e o trabalho com bola, aliado aos sistemas táticos, com pausas médias e longas, características dessa fase intermediária. III. Incorreta. Afirma que o trabalho com bola seria menos intenso e menos específico, o que é incoerente com o esperado nessa fase de treinamento, que deveria ter mais intensidade. IV. Correta. Detalha a fase final do treinamento, com exercícios de altíssima intensidade e avaliação dos efeitos por meio de jogos amistosos e oficiais. 2. Alternativa E. I. Incorreta. Os sistemas táticos devem buscar o equilíbrio entre os setores do campo ou quadra, e não priorizar exclusivamente o ataque, sendo o equilíbrio fundamental para o bom funcionamento da equipe. II. Incorreta. Embora detalhes e variações táticas possam contribuir para o sucesso, não garantem grande sucesso, já que isso depende de vários fatores, como a execução e adap- tação dos jogadores. III. Incorreta. A distribuição equilibrada de jogadores em campo ou quadra tende a resultar em equilíbrio tático, mesmo que isso dependa de outros fatores dinâmicos do jogo. IV. Correta. Os sistemas táticos devem ser bem treinados, mas também devem oferecer liberdade aos jogadores para poderem usar sua criatividade e ousadia, essenciais no futebol e no futsal. 3. Afirmativa E. I. Correta. Não existe um sistema tático que possa ser considerado mais eficiente que outro, nem um esquema de jogo ideal, uma vez que muitos fatores influenciam a escolha do sistema. II. Incorreta. Escolher o sistema tático com base apenas no último jogo em que a equipe teve um desempenho favorável pode ser limitante, desconsiderando a dinâmica e as caracterís- ticas do próximo adversário. III. Correta. Já que a comissão técnica não precisa se restringir a apenas um sistema tá- tico, ela pode explorar diversas variações, adaptando-se às características dos jogadores disponíveis e ao estilo de jogo do adversário. IV. Incorreta. Uma vez que o melhor sistema tático não deve ser baseado no que a equipe adversária utilizou, mas sim nas características e necessidades do próprio time, além das condições específicas do jogo. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 1 4 MEU ESPAÇO 1 1 5 MEU ESPAÇO 1 1 1 unidade 1 INICIAÇÃO ESPORTIVA e ESPECIALIZAÇÃO unidade 2 BASES GERAIS DO TREINAMENTO ESPORTIVO PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO unidade 3 CAPACIDADES FÍSICAS E HABILIDADES MOTORAS DO FUTEBOL/FUTSAL HABILIDADES TÉCNICAS INDIVIDUAIS DO FUTEBOL/FUTSAL unidade 4 TREINAMENTODAS HABILIDADES TÉCNICAS TÁTICAS DE JOGO NO FUTEBOL unidade 5 TÁTICAS DE JOGO NO FUTSAL TREINAMENTO DAS TÁTICAS DE JOGO _30j0zll _7g13f1rgmbo0 _30j0zll Button 28: Forms - Unicesumatr:no futebol em uma escolinha de Campo Bom-RS. Revista Brasileira de Futsal e Futebol, São Paulo, v. 8, n. 30, p. 256-268, 14 maio 2016. Disponível em: http://www. rbff.com.br/index.php/rbff/article/view/422. Acesso em: 28 ago. 2024. ALMEIDA, L. T. P. Iniciação desportiva na escola – a aprendizagem dos esportes coletivos. Pers- pectivas em Educação Física Escolar, Niterói, v. 1, n. 1, p. 41-51, 1996. ALMODÓVAR, A. Examining burnout in division in collegiate athletes: identifying the major fac- tors and level of importance in an athlete’s life. Siegel Institute Ethics Research Scholars, New York, v. 2, n. 1, p. 1-33, 2017. Disponível em: https://digitalcommons.kennesaw.edu/siers/vol2/ iss1/1/. Acesso em: 28 ago. 2024. ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Indaial: Arqué, 2022. BARBANTI, V. J. Teoria e prática do treinamento desportivo. 2. ed. São Paulo: Edgar Blücher, 1979. BRASIL, A. N. Proposta metodológica para a formação do jovem guarda-redes de futebol. EF- Deportes com, Buenos Aires, v. 10, n. 69, fev. 2004. Disponível em: http://www.efdeportes.com/ efd69/futebol.htm. Acesso em: 28 ago. 2024. CAPITANIO, A. N. Educação através da prática esportiva: missão possível? EFDeportes com, Buenos Aires, v. 8, n. 58, mar 2003. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd58/esport. htm. Acesso em: 28 ago. 2024. DARIDO, S. C.; FARINHA, F. K. Especialização precoce na natação e seus efeitos na idade adulta. Revista Motriz, Rio Claro, v. 1, n. 1, p. 25-32, 1995. FILGUEIRA, F. M. Objetivo dos pais em relação à prática do futebol na iniciação. Revista Mineira de Educação Física, Viçosa, v. 13, n. 1, p. 96-110, 2005. FRANCHINI, E. Judô: desempenho competitivo. São Paulo: Manole, 2001. GARGANTA, J. Identificação, seleção e promoção de talentos nos jogos desportivos: factos, mi- tos e equívocos. In: FERNANDEZ, J.; TORRES, G.; MONTERO, A. (eds.). Actas do II Congresso Internacional de Deportes de Equipo. Coruña: Editorial y Centro de Formação de Alto Rendi- miento, Universidade da Coruña, 2009. HELLSTEDT, J. C. Early adolescent perceptions of parental pressure in the sport environment. Journal of Sport Behavior, Mobile, v. 13, n. 3, p. 135-144, 1990. 1 1 REFERÊNCIAS MANN, L. et al. Modalidades esportivas: impacto, lesões e a força de reação do solo. Journal of Physical Education, Maringá, v. 21, n. 3, p. 553-562, 2010. MUTTI, D. Futsal da iniciação ao alto nível. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2003. SANTANA, W. C. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na especialização. 2. ed. Campinas: Autores Associados, 2004. SILVA, F. M.; FERNANDES, L.; CELANI, F. O. Desporto de crianças e jovens – um estudo sobre as idades de iniciação. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v. 1, n. 2, p. 45-55, 2001. VIDAL, I. R. A “iniciação esportiva” a quem compete? Um estudo sobre a formação profissional no campo da educação física. 2006. 273 f. Dissertação (Mestrado em Ciências da Motricidade) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Rio Claro, 2006. 1 8 1. Alternativa A I. Correta. A iniciação é uma etapa generalizada, pois visa o desenvolvimento motor por completo, contemplando vários estímulos para que seja prazeroso e rico em movimento. II. Incorreta. O foco na iniciação esportiva não é melhorar as capacidades físicas e motoras individuais e sim a preocupação com um repertório motor diversificado. III. Incorreta. A iniciação esportiva deve ser precoce e diversificada, e não tardia e com pouca variedade. A especialização e a busca por resultados devem ocorrer mais tarde, na fase de especialização. 2. Alternativa B I. Incorreta. Os profissionais de educação física devem se preocupar com as etapas formativas, pois focar apenas em resultados rápidos pode comprometer o desenvolvimento integral e a saúde dos atletas a longo prazo. II. Correta. A especialização precoce pode levar o atleta a desistir do esporte devido ao ex- cesso de cobranças por resultados imediatos, que pode causar estresse e diminuir o prazer pela atividade. III. Incorreta. A criatividade, a liberdade de movimentos e a tomada de decisão são carac- terísticas da iniciação esportiva diversificada e não da especialização precoce, que tende a limitar essas habilidades. IV. Correta. A prática do futebol e do futsal em parques, na rua e em outros locais públicos é o oposto da especialização precoce e favorece o prazer de jogar desde criança, o que pode prevalecer até a vida adulta. 3. Alternativa B I. Incorreta. Nos treinamentos reduzidos, a técnica individual aparece a todo momento. II. Correta. Por possuir um espaço menor, os jogadores tocam mais vezes na bola e tomam mais decisões. III. Correta. O futsal favorece, assim como os jogos reduzidos, na tomada de decisão e ações técnico-táticas, podendo ser uma iniciação para depois o atleta se especializar no futebol. IV. Incorreta. A criatividade quando está em um espaço menor tende a aumentar, pois, o atleta participa mais vezes e tem menos tempo-espaço para pensar, sendo assim, espaços menores não limitam a criatividade. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 1 9 UNIDADE 2 MINHAS METAS BASES GERAIS DO TREINAMENTO ESPORTIVO Compreender as bases e princípios do treinamento esportivo. Entender as individualidades dos atletas. Compreender a dosagem adequada do treinamento para otimizar adaptações. Saber ajustar o treinamento às demandas da modalidade esportiva. Utilizar variabilidade para manter a motivação e expandir o repertório motor. Compreender a aplicação prática do treinamento no futebol/futsal. Analisar metodologias pedagógicas no futebol/futsal durante a aprendizagem. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2 1 1 INICIE SUA JORNADA Apesar de muitos terem algum tipo de aprendizado acerca das particularidades especificas das modalidades esportivas, é fundamental que a intervenção seja sempre feita por um profissional da educação física, pois, antes de qualquer co- nhecimento técnico, o processo deve estar seguindo os princípios do treinamento esportivo, afinal, profissionais de educação física são capacitados para assegurar que esses princípios sejam aplicados de forma eficaz, promovendo um desenvol- vimento adequado e seguro para os atletas. Além disso, a atuação de um profissional de educação física é crucial em si- tuações práticas, como a potencialização de resultados e a adequação dos treinos às necessidades individuais dos atletas. Com isso, surgem algumas reflexões importantes: será que apenas o conheci- mento prático é suficiente para garantir um treinamento eficaz? Mesmo que um profissional tenha experiência prática, será que ele pode lidar adequadamente com as peculiaridades de cada atleta sem uma formação sólida em educação física? Como garantir a potencialização dos resultados se não houver um en- tendimento profundo dos princípios de treinamento e das necessidades indivi- duais dos atletas? Essas perguntas destacam a importância de um conhecimento abrangente e técnico, que não só fundamenta a prática, mas também possibilita uma intervenção mais precisa e segura, maximizando o desenvolvimento e a performance dos atletas Neste podcast, vamos mergulhar na importância de adaptar o treinamento às po- sições específicas no futebol e futsal. Descubra como as exigências individuais de cada função podem maximizar o desempenho dos jogadores e transformar o preparo das equipes. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do am- biente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 DESENVOLVA SEU POTENCIAL PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO ESPORTIVO Independentemente da etapa que o sujeito está envolvido em práticas esportivas, seja na iniciação, na especialização ou no treinamento propriamente dito, é ne- cessário que os profissionais envolvidos nesses procedimentos conheçam as bases gerais do treinamento esportivo a fim de poder organizar e planejar as atividades com objetivo de obter melhoresresultados. As bases gerais do treinamento esportivo, em grande medida, suscitam si- tuações que devem englobar a melhora do rendimento esportivo, tendo como principais pontos a maximização do desempenho das capacidades motoras e o desenvolvimento de ferramentas adequadas para a avaliação, prescrição e mo- nitoramento das cargas utilizadas durante o processo de treinamento, ressaltam Tavares, Laurentino e Tricoli (2016). Os autores acrescentam que a prescrição do treinamento objetiva a discussão e a apresentação de diferentes possibilidades no que tange à manipulação das va- riáveis de organização das cargas de treinamento (volume, intensidade, frequên- cia semanal, densidade, dentre outras) para cada período desse treinamento. Para que um atleta obtenha sucesso em suas competições esportivas, faz-se necessária a organização do processo de treinamento para diferentes capacidades motoras (força, flexibilidade, potência e resistência aeróbia). VAMOS RECORDAR? Cada atleta tem a sua particularidade e ela deve ser respeitada de acordo com as necessidades do atleta, Ronaldo “Fenômeno” fez uma breve reflexão sobre o treinamento antigo e o atual, mais específico sobre a preparação física, e você pode conferir no vídeo A Minha Geração Treinou Errado Durante Muitos Anos. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=VnEA45Lz09s 1 4 Nas questões relacionadas ao treinamento esportivo, encontram-se alguns princípios apresentados por Tubino (1984), Dantas (1995) e Costa (1996) que se inter-relacionam em todas as suas aplicações. São oito, assim descritos e de- talhados: Princípio da individualidade biológica A individualidade biológica pode ser considerada o fenômeno que mostra a va- riabilidade entre indivíduos da mesma espécie, demonstrando que, ainda que sejam da mesma espécie, não existem sujeitos iguais entre si. No caso dos seres humanos, cada um tem uma estrutura física e psíquica própria, sinalizando para melhores resultados quando se organizar treinamentos de modo individualizado porque, assim, corresponderiam às características e necessidades de cada indiví- duo. No caso de treinamentos em grupos, aqueles que forem mais homogêneos podem facilitar o planejamento das atividades. Princípio da adaptação A adaptação é um dos principais fatores da sobrevivência de diferentes espécies no nosso planeta. As adaptações biológicas são consideradas mudanças funcio- nais e estruturais nos sistemas do corpo humano. No caso das práticas esportivas, essas adaptações organizam alterações de órgãos e sistemas funcionais, ou seja, uma reorganização orgânica e funcional do organismo diante das exigências in- ternas e externas para facilitar a realização das tarefas esportivas. As adaptações representam a melhora da condição interna de uma capacidade que existe em todos os níveis hierárquicos do corpo. Vale ressaltar que tanto a adaptação quanto a capacidade de adaptação fazem parte da evolução das espécies, caracterizando um grande referencial para a manutenção da vida. A capacidade de adaptação ou adaptabilidade é o que se conceitua como sendo a diferente assimilação dos estímulos a partir da mesma qualidade e quantidade de exercícios ou carga de treinamento, e é atribuída à correlação sujeito/ambien- te, o que inclui a predisposição hereditária e sua expressão (genética). APROFUNDANDO UNICESUMAR 1 5 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Nesse quesito das adaptações, é importante reconhecer que são reversíveis, e por isso devem ser frequentemente revalidadas. Em propostas de treinamento esportivo, os estímulos oferecidos aos prati- cantes dividem-se em: • estímulos débeis: não acarretam consequências; • estímulos médios: apenas excitam; • estímulos médios para fortes: provocam adaptações; • estímulos muito fortes: causam danos. Um bom referencial de identificação de adaptabilidade de um indivíduo frente a uma atividade é a chamada homeostase, um equilíbrio mantido entre os sistemas constitutivos do organismo durante as atividades. Princípio da sobrecarga Durante um treinamento, existe o chamado período de assimilação, ou seja, quan- do as possíveis mudanças ocorridas a partir dos treinos se incorporam após um cenário de adaptações. Tubino (1984) apresenta fases nesse processo. A primeira acontece quando há uma recomposição das energias perdidas, chamada de pe- ríodo de restauração, quando acontece a chegada a um mesmo nível de energia anterior ao estímulo. Na segunda fase, chamada de período de restauração am- pliada, o corpo terá uma maior fonte de energia para outros novos estímulos. O autor ressalta que os estímulos mais fortes devem sempre ser aplicados ao final do processo de assimilação compensatória, efetivamente quando houver uma maior amplitude do período de restauração ampliada para que seja elevado o limite de adaptação do sujeito. Tubino (1984) ainda acrescenta que, nesse princípio da sobrecarga, existem variáveis que devem ser levadas em consideração, como, por exemplo, o volume (quantidade) e a intensidade (qualidade). Quem planeja um treino levando em conta esse princípio deve ter atenção ao definir a sobrecarga, respeitando as necessidades e anseios do indivíduo, mas, principalmente, os li- mites éticos desses treinamentos. 1 1 Princípio da continuidade O princípio da continuidade está relacionado diretamente ao princípio da adap- tação, visto que a continuidade dos treinamentos, a longo prazo, é fundamental para as diversas adaptações sofridas pelo organismo. Para esse princípio, Tubino (1984) enfatiza que uma boa condição atlética será alcançada depois de alguns anos contínuos de treinamento, e que tem influência significativa das preparações anteriores oferecidas ao indivíduo. O autor acrescenta que, para esse princípio, se faz necessária a sistematização do trabalho sem interrupção, com intervenção compacta de todas as variáveis interatuantes, ou seja, não se deve permitir inter- rupções durante esse período. Vale ressaltar que a continuidade do treinamento permite ao treinador manter todas as fases planejadas. A sobrecarga no treinamento esportivo: é uma aliada para a adaptação ou uma po- tencial ameaça? Qual é o equilíbrio ideal para otimizar os benefícios da sobrecarga sem comprometer o desempenho e a saúde do atleta? PENSANDO JUNTOS UNICESUMAR 1 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 Princípio da interdependência volume-intensidade O princípio da interdependência está relacionado diretamente ao princípio da so- brecarga, já que o aumento das cargas de trabalho é um dos fatores fundamentais que incidem na melhora da performance do indivíduo, principalmente quando se foca no volume e na intensidade das atividades. Tubino (1984) enfatiza que bons resultados obtidos por atletas de alto rendi- mento se sustentam diante de uma grande quantidade (volume) e uma alta qua- lificação (intensidade). Essas duas variáveis devem estar alinhadas às diferentes fases de treinamento a partir da interdependência. O autor acrescenta que, em grande parte dos treinamentos, quando se aumenta uma dessas variáveis, ocorre a diminuição da outra. A partir desse cenário, o autor sugere que o treinador não deve arriscar em seus planejamentos, nem tampouco colocar o indivíduo em risco e, para isso, deve observar, de modo claro, a relação de interdependência existente entre o volume e a intensidade do trabalho. Somados aos princípios apresentados por Tubino (1984), Estélio Dantas (1995) inclui o princípio da es- pecificidade. Princípio da especificidade Dantas (1995) indica que esse princípio confere, em seu ponto essencial, a questão de que um treinamento físico/esportivo deve ter em seu principal foco a premissa da performance esportiva no que tange à qualidade física presente, ao principal sistema energético, ao segmento corporal vigente e às coordenações psicomotoras que serão utilizadas. Para o autor, o princípio da especificidade recai sobre o prin- cípio da individualidade biológica que vai estabelecer certos limites individuais no quese refere à capacidade de transferência. O autor acrescenta que esse princí- pio vai conjecturar os aspectos metabólicos e neuromusculares, sugerindo que os treinamentos devem acontecer além dos sistemas energético e cardiorrespiratório ligados às particularidades da modalidade esportiva em questão, aproximando-se ao máximo dos gestos motores específicos. Dantas (1995) ratifica que o treina- mento na fase próxima à competição tem que ser categoricamente específico à modalidade esportiva trabalhada. Com relação aos aspectos neuromusculares, deve-se pressupor que os gestos esportivos específicos da modalidade em questão estejam completamente aprendidos, a fim de que nesse período do treinamento 1 8 não haja necessidade de se criar coordenações neuromusculares, mas sim ape- nas recordar dos movimentos incorporados e assimilados para que possam ser eficientemente executados. A especificidade da execução de um movimento está vinculada à memória do gesto motor ocorrida nos treinamentos e, por isso, esse princípio tem uma ligação com os gestos motores específicos de cada modalidade esportiva, bem como o treinamento realizado para o aprendizado e o desenvol- vimento desses gestos. Marcelo Gomes da Costa (1996), em seus estudos, apresenta mais dois princí- pios do treinamento esportivo. São eles: o princípio da variabilidade e o princípio da saúde. Princípio da variabilidade Esse princípio também é conhecido como o princípio da generalidade, pois tem seus principais fundamentos na proposta do treinamento total, do desenvolvi- mento global de um indivíduo, ou seja, o mais completo possível. Costa (1996) sugere que um treinamento esportivo deve utilizar a maior quantidade de varia- ções possíveis, pois, segundo o autor, quanto mais variados forem os estímulos (desde que em conformidade com todos os conceitos de segurança e eficiência que regem a atividade) as possibilidades de se conseguir uma alta performance aumentam. Esse princípio favorece a diminuição da possibilidade de fatores de- sestimulantes, visto que haverá foco na motivação e na possibilidade de criação de novas técnicas de treinamento, estratégias e táticas, somadas, ainda, a novos gestos específicos. A partir desse cenário, ressalta-se que esse princípio tem, como um de seus principais alicerces, a criatividade do treinador e do atleta. Princípio da saúde Para Costa (1996), esse princípio está diretamente ligado a um dos principais objetivos das práticas de atividades físicas, que é a obtenção da saúde, por isso destaca que esse princípio está alicerçado na chamada interdisciplinaridade, em que várias áreas devem estar conectadas para um bom resultado. O autor res- salta que, nas práticas de atividades físicas, atualmente, existem objetivos claros de manutenção da saúde, bem como aquelas práticas que têm como objetivo a alta performance, sendo essas possíveis causadoras de malefícios ao praticante UNICESUMAR 1 9 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 devido à busca sem medida dos resultados, muitas vezes, sem compromisso ético e científico. Muitas vezes, as pessoas colocam suas vidas em risco, praticando, por exemplo, esportes extremamente radicais (sem segurança), ultrapassando limites conhecidos anteriormente. Partindo do pressuposto de que cada princípio, visto de modo isolado, possui seu valor e função próprios, a integração e a inter-relação entre eles têm uma importância imensa. Assim, cada princípio se torna bem maior se associado, e com o conhecimento e a aplicação de todos os princípios, se torna possível realizar um treinamento ideal e eficaz. Somados aos princípios discutidos, os treinadores devem ter conhecimentos específicos das modalidades trabalhadas, bem como outros conhecimentos que, juntos, darão suporte para a eficiência e a eficácia de um bom treinamento. Vale lembrar que atualização em todas essas informações por meio do contato com artigos científicos e livros da temática devem fazer parte constante da vida profissional de treinadores esportivos. Outro importante autor na temática do treinamento esportivo é Gomes (2009) que, na sua obra, apresenta os princípios pedagógicos da preparação des- portiva mostrados em primeira instância como princípios pedagógicos gerais, que se associam aos princípios didáticos, incidindo na pedagogia geral. O autor nomeia esses conhecimentos aplicados referentes às regras do ensino e da educa- ção como uma possibilidade também de se ter as denominações dos princípios da consciência e da atividade, ou, ainda, da intuitividade e da acessibilidade, do caráter sistemático. Nesse sentido, os princípios desse gênero devem refletir regras universais do ensino e da educação que acompanham a preparação de um atleta. Gomes (2009), sustentado em Matveev (1991), acrescenta princípios existen- tes na teoria e na metodologia da educação física, a fim de garantir o caráter cons- tante nos processos da disciplina, como, por exemplo, as alternâncias sistemáticas de cargas de treinamento, os organizados intervalos de descanso, o real aumento das influências do treinamento, além da construção cíclica dos sistemas de treinos conjugados com a orientação adaptável aos diferentes objetivos estabelecidos e a adequação dos períodos de desenvolvimento físico/motor de cada sujeito. Outros princípios elencados por Gomes (2009) se intitulam como princí- pios especiais da preparação do desportista. Eles dizem respeito à junção e ao 4 1 condicionamento mútuo dos fatores de preparação que exercem influência nas alterações dos sistemas do organismo do atleta em razão do resultado do treina- mento e do grau de preparação em geral. Tanto o futsal quanto o futebol são modalidades esportivas consideradas intermitentes, com exigências físicas variadas e, por isso, os princípios do treina- mento esportivo, quanto se trata dessas modalidades esportivas, deve ter destaque na busca constante de equilíbrio entre as exigências das capacidades físicas. Investigue as bases científicas do treinamento esportivo focando em princípios e práticas essenciais. O estudo de Lima, Reis Júnior e Bandeira (2024) avalia como o treinamento de força e outros componentes influenciam o desempenho de atle- tas e não atletas. A análise revisa a importância do conhecimento científico para otimizar a formação física e esportiva, discutindo conceitos-chave e resultados de pesquisas. Acesse em: https://revistas.ufj.edu.br/rir/article/view/58791/34625 EU INDICO UNICESUMAR 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 PROPOSTAS DO TREINAMENTO NO FUTEBOL/FUTSAL O treinamento esportivo do futebol/futsal pode ser organizado a partir de duas vertentes, segundo Bayer (1994). Uma vertente se refere ao método tradicional, ou seja, as atividades vão decompor os elementos (fragmentação), nos quais a memorização e a repetição permitem moldar o indivíduo ao modelo referencial do gesto técnico dito correto. Para o autor, a outra vertente apresenta métodos dito ativos, ou seja, as propostas levam em consideração interesses e gostos dos iniciantes a partir de situações vivenciadas que vão solicitar que os participantes tenham iniciativa. Vai, ainda, favorecer a imaginação e proporcionar situações de reflexão para que, assim, possam adquirir bagagem a fim de solucionar problemas que vão surgir durante um jogo, visto que ambas as modalidades apresentam situações imprevisíveis. Nessa segunda vertente, Bayer (1994) indica a chamada pedagogia das si- tuações, que deve promover aos participantes condições de cooperação com os companheiros, favorecendo a integração do coletivo, fazendo oposição aos adversários, mostrando possibilidades de percepção em diferentes situações do próprio jogo, que vão interferir nas possíveis tomadas de decisão, elaborando uma “solução mental”, para que, posteriormente, se efetive em soluções motoras, buscando resolver os problemas que surgem com ações mais rápidas, principal- mente no que tange às interceptações e antecipações diante das movimentações dos adversários.Explore como métodos de ensino-aprendizagem e treinamento influenciam o desenvolvimento tático-técnico no futebol, destacando a importância da tomada de decisão e da execução de habilidades. O artigo Ensino-Aprendizageme Treina- mento dos Comportamentos Tático-Técnicos no Futebol mostra as diferenças entre os métodos analítico, global e situacional, enfatizando como a adaptação desses métodos às necessidades dos jogadores e às exigências da modalidade é crucial para o desenvolvimento cognitivo e técnico ao longo do tempo. Acesse em: https://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/remef/article/ view/3478/2858 EU INDICO 4 1 Nas ideias de Garganta (1998), as vertentes podem ser a mecanicista ou a com- binação de jogos. Na mecanicista, a proposta é centrada na execução do gesto técnico, quando se faz uma decomposição do jogo nas diferentes ações individuais (no caso do futebol/futsal, o passe, o chute, o drible, a finta, a condução de bola, o controle de bola e o domínio de bola). Esses gestos individuais devem ser trei- nados, aprimorados e especializados, tendo como possíveis consequências uma ação em jogo pouco criativa com comportamentos estereotipados. Soma-se, ainda, uma baixa condição de se resolver problemas na compreensão do jogo, além de leituras deficientes do ponto de vista tático. Na abordagem da combinação de jogos, o autor sugere o treinamento das táticas por intermédio dos jogos condicio- nados, voltados para o todo, em que as relações das partes são fundamentais para a compreensão do jogo, facilitando o processo de aprendizagem da técnica. Nesse caso, o jogo é decomposto em unidades funcionais sistemáticas de complexidade crescente, nas quais os princípios regulam a aprendizagem. As ações técnicas são desenvolvidas com base nas ações táticas, de forma orientada e provocada. Outra proposta para o treinamento do futebol/futsal é a de Greco e Benda (2001), que indicam a chamada “pedagogia das intenções”, na qual os gestos in- dividuais são trabalhados em situações representadas por exercícios nos seus parâmetros particulares de execução e aplicação. Os autores empregam o mé- todo chamado de situacional, em que as situações de jogo do tipo 1 x 1, 2 x 2, 3 x 3 (no futsal) ou 1 x 1, 2 x 1, 2 x 2, 3 x 3, 4 x 4 (no futebol), vão servir para o aperfeiçoamento técnico-tático aliado à melhora física, contribuindo para os comportamentos táticos posteriores. Nessa fase de treinamento, o foco das intervenções pedagógicas deve facilitar a compreensão das lógicas dos jogos, sejam pequenos, médios ou grandes. Faci- litar a ação não significa dar a resposta pronta, mas, sim, ajudar os indivíduos a construírem conhecimentos relativos às intervenções no jogo, por isso o ensino isolado da técnica ou de movimentos físicos descontextualizados deve ser sig- nificativo quanto ao ganho de aprendizagem, sendo que essa aprendizagem não pode ser associada somente às capacidades técnicas ou físicas, mas, também, à amplitude do contexto do jogo. UNICESUMAR 4 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 2 NOVOS DESAFIOS Chegando ao final desta discussão, é hora de refletirmos sobre como aplicar os princípios do treinamento esportivo na prática, especialmente no contexto do futebol e futsal. Em categorias menores, a individualidade biológica se destaca, pois, por exemplo, em uma categoria sub-15, jogadores podem ter diferenças significativas no estágio maturacional. Um atleta maturado pode competir com um jogador ainda longe do pico de velocidade de crescimento, e não reconhecer essa fase pode levar à supervalorização de jogadores mais avançados fisicamente, enquanto aqueles em estágios mais iniciais podem ser subestimados. Com relação aos princípios de adaptação, é crucial selecionar adequadamente a carga de exercícios. Uma carga inadequada pode regredir as adaptações ou até mesmo causar lesões, prejudicando o progresso. É fundamental equilibrar o volu- me e a intensidade do treinamento, pois excessos em ambos podem sobrecarregar a recuperação e reduzir os benefícios. A especificidade, atualmente, é essencial. Treinos que antes eram mais genéri- cos agora são adaptados para atender às demandas específicas do jogo. A variação nas ações motoras e a redução de atividades monótonas são fundamentais para garantir um repertório motor mais rico e manter o engajamento dos atletas. Finalmente, o princípio da saúde deve sempre ser uma prioridade. Muitas vezes, a busca por resultados imediatos pode levar a negligenciar aspectos impor- tantes da saúde, o que pode ter consequências negativas no médio e longo prazo. Desafiamos você a refletir sobre esses princípios e a aplicá-los de forma prá- tica e cuidadosa na formação de jovens atletas. A integração equilibrada desses conceitos pode potencializar o desenvolvimento esportivo e garantir um pro- gresso sustentável e saudável Assista a aula referente a este tema.. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. EM FOCO 4 4 1. Quando se estuda o treinamento esportivo, autores como Tubino (1984), Dantas (1995) e Costa (1996) apresentam os princípios que fazem parte dessas atividades. Dentre os princí- pios sugeridos pelos autores, encontra-se o princípio da adaptação, que faz uma analogia com a vida das espécies, considerando-se como um dos fatores da sobrevivência mais importantes para nossas vidas, sendo que essas adaptações podem ser biológicas, ou seja, mudanças funcionais e estruturais nos sistemas do nosso corpo. No treinamento esportivo, essas adaptações a partir de alterações de órgãos e sistemas funcionais promovem uma reorganização orgânica e funcional do organismo por conta da realização dos exercícios físicos exigidos num treinamento. Com relação aos estímulos organizados pelo profissional de educação física, ao planejar um treinamento esportivo que vai viabilizar adaptações corporais, este podem existir em diferentes intensidades. De acordo com os principais conceitos sugeridos por autores relacionados aos estímulos organizados no princípio da adaptação, analise as afirmativas a seguir. I - Estímulos débeis – acarretam consequências. II - Estímulos médios – apenas excitam. III - Estímulos médios para fortes – provocam adaptações. IV - Estímulos muito fortes – não causam danos. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) III e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) I e IV, apenas. e) I, II e III. VAMOS PRATICAR 4 5 2. Um dos princípios do treinamento esportivo apresentado por Gomes (2009) trata da pre- paração do atleta e diz respeito à união do condicionamento físico concomitante aos fa- tores de preparação que exercem influência nas alterações dos sistemas do organismo do esportista diante do resultado desse treinamento e do grau de preparação em geral. No caso das modalidades esportivas do futsal e do futebol, identifica-se serem intermitentes com exigências físicas variadas tendo, nos princípios do treinamento esportivo, uma busca constante. Que busca é essa? a) Pelo equilíbrio entre as exigências das diferentes capacidades físicas. b) Pelo foco nas exigências psíquicas dos atletas. c) Pelo processo de transformação emocional dos atletas. d) Pelo condicionamento cognitivo do esportista. e) Pelo aumento de força do atleta apenas. VAMOS PRATICAR 4 1 3. O princípio da sobrecarga, também muito importante nos treinamentos esportivos, apre- senta um período chamado de assimilação, que consiste nas mudanças que vão ocorrer no corpo humano, bem como as adaptações sofridas a partir dos exercícios, que podem também ser divididas em fases. Durante a primeira fase, acontece a recomposição de energia e, na segunda, o corpo terá uma maior fonte de energia (Alves, 2022). Com base nas questões relacionadas ao princípio da sobrecarga, analise as sentenças a seguir: I - A primeira fase é também chamada de período de restauração, em que o sujeito vai chegar a um mesmo nível de energia existente na fase anterior ao estímulo executado. II- A segunda fase é também chamada de período de restauração ampliada, em que o sujeito terá uma maior fonte de energia para outros novos estímulos. III - Os estímulos mais pesados devem sempre ser aplicados no início do treinamento, no qual o sujeito terá uma menor amplitude do período de restauração ampliada para que seja diminuído o limite de adaptação. IV - Nesse princípio da sobrecarga, as variáveis do volume (quantidade) e a da intensidade (qualidade) devem ser descartadas, importando apenas a potência e a velocidade na execução dos exercícios. É correto o que se afirma em: a) I e IV, apenas. b) II e III, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II, apenas. e) II, III e IV, apenas. VAMOS PRATICAR 4 1 REFERÊNCIAS ALVES, S. U. Prescrição e treinamento do futebol e futsal. Indaial: Arqué, 2022. BAYER, C. O ensino dos desportos colectivos. Lisboa: Dinalivro, 1994. COSTA, M. G. da. Ginástica localizada. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1996. DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. 3. ed. Rio de Janeiro: Shape, 1995. GARGANTA, J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos. In: GRAÇA, A.; OLIVEIRA, J. (ed.). O ensino dos jogos desportivos coletivos. 3. ed. Lisboa: Universidade do Porto, 1998. GOMES, A. C. Treinamento desportivo: estruturação e periodização. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009. GRECO, P. J.; BENDA, R. N. Iniciação esportiva universal: da aprendizagem motora ao treina- mento técnico. Belo Horizonte: UFMG, 2001. MATVEEV, L. P. Fundamentos do treino desportivo. 2. ed. Lisboa: Horizonte, 1991. TAVARES; L. D.; LAURENTINO, G. C.; TRICOLI, V. Treinamento esportivo. In: ALVES, U. S. Educação física no ensino superior do Brasil: áreas de conhecimento e relações com a intervenção pro- fissional. Rio de Janeiro: Autografia, 2016. TUBINO, M. J. G. Metodologia científica do treinamento desportivo. 3. ed. São Paulo: Ibrasa, 1984. 4 8 1. Alternativa C I. Incorreta. Estímulos débeis não acarretam consequências. II. Correta. Estímulos médios, apenas excitam sem gerar consequências ou adaptações. III. Correta. Estímulos médios para fortes provocam adaptações. VI. Incorreta. Estímulos muito fortes, causam danos, como, por exemplo, lesões ou fadiga. 2. Alternativa A A modalidade esportiva do futsal e do futebol é intermitente e apresenta exigências físicas variadas, como resistência, velocidade e força. A busca constante é pelo equilíbrio entre essas diferentes capacidades físicas B. Incorreta. A busca não é focada exclusivamente nas exigências psíquicas dos atletas, mas sim no equilíbrio das capacidades físicas. C. Incorreta. O processo de transformação emocional dos atletas não é o foco principal na busca constante dos princípios do treinamento esportivo. D. Incorreta. O condicionamento cognitivo do esportista não é a busca principal no contexto das exigências físicas das modalidades esportivas intermitentes. E. Incorreta. Embora o aumento de força seja importante, a busca constante é pelo equilíbrio entre as diferentes capacidades físicas e não apenas pelo aumento da força. 3. Alternativa D I. Correta. A primeira fase é chamada de período de restauração, quando há a recomposição das energias perdidas e o retorno ao nível de energia anterior ao estímulo. II. Correta. A segunda fase é chamada de período de restauração ampliada, quando o corpo tem uma maior fonte de energia disponível para novos estímulos. III. Incorreta. Os estímulos mais fortes devem ser aplicados após o período de assimilação compensatória e não no início do processo. IV. Incorreta. No princípio da sobrecarga, as variáveis de volume (quantidade) e intensidade (qualidade) devem ser consideradas, e não apenas a potência e a velocidade na execução dos exercícios. CONFIRA SUAS RESPOSTAS 4 9 MINHAS METAS PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO ESPORTIVO Compreender a evolução da periodização do treinamento. Entender os modelos de periodização Analisar os ciclos de periodização. Estudar os períodos da periodização e suas fases específicas. Refletir sobre a aplicação da periodização no treinamento esportivo. Avaliar o impacto da periodização no rendimento esportivo. Explorar a aplicação da periodização no futebol e no futsal. T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3 5 1 INICIE SUA JORNADA O treinamento desportivo teve uma evolução significativa com o passar dos anos, passando a ter exigências maiores em termos de preparação, organização de objetivos, acompanhamento sistemático da performance e da efetividade de diferentes tipos de treinamento. Dessa forma, a periodização no treinamento esportivo surge como um meio para planejar o treino e contemplar uma programação completa do atleta, desde o início da preparação até o período competitivo. Neste tema, você vai conhecer os métodos mais conhecidos, entender seu funcionamento, assim como seus ciclos e processos de desenvolvimento. Por fim, será abordada a aplicação e as reflexões da periodização e dos seus ajustes necessários para atender às especificidades de modalidades como o futsal e o futebol. Neste podcast, exploramos os impactos do calendário competitivo na periodiza- ção do futebol. Entenda como a programação intensa de jogos afeta o treinamento e como os clubes ajustam suas estratégias para manter o desempenho dos atle- tas. Ouça agora para conhecer alternativas de como podem se adaptar!. Recursos de mídia disponíveis no conteúdo digital do ambiente virtual de aprendizagem. PLAY NO CONHECIMENTO VAMOS RECORDAR? Na pré-temporada, a preparação física é indispensável para o sucesso de uma equipe de futebol, e o Ceará Sporting Club é um exemplo de como essa fase é fundamental. O vídeo A Importância da Pré-Temporada no Ceará: Ajustes e Preparação ilustra como o clube nordestino utilizou este período em 2023 para ajustar e aprimorar o treinamento, preparando os atletas para a temporada. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=VXEf6B7r58I UNICESUMAR 5 1 TEMA DE APRENDIZAGEM 3 DESENVOLVA SEU POTENCIAL Historicamente, a partir da segunda década do século XX, encontram-se as pri- meiras discussões acerca da temática da periodização construídas pelo russo Kotov. Posteriormente, na década de 1950, Lev Matveev atualizou e fez aprofun- damentos nesses conhecimentos, estruturando alguns fundamentos teóricos do sistema de treino (Silva, 1998). Na visão de Fleck e Kraemer (1999), a periodização do treinamento despor- tivo tem suas raízes com atletas que praticavam levantamento de peso na Europa Oriental com intenção de alterar as rotinas de treinamento, tendo objetivo de melhorar a recuperação e, consequentemente, terem resultados melhores nos quesitos de força e potência. O principal fundamento da organização de uma periodização tem base na chamada síndrome de adaptação geral de Selye, que explica como o corpo de um indivíduo reage diante de uma situação de estresse. O autor e fisiologista Hans Selye, em 1936, apresentou os processos fisiológicos ocorridos no corpo humano quando existe alguma coisa no ambiente que nos oprime, que ultrapassa limites ou excede a capacidade individual de se controlar. Essa síndrome apresenta três tipos de adaptação do corpo a partir de alguma exigência que, nos treinamentos físicos, são os exercícios propostos. A primeira fase é chamada de choque, em que o indivíduo terá contato com um novo estímulo de treinamento, e podem aparecer dores ou desconfortos, dimi- nuindo o desempenho. Na segunda fase de adaptação ao estímulo, o indivíduo passa a se adaptar e, assim, terá aumento em seu desempenho. A terceira fase é a do cansaço, em que o indivíduo já se adaptou ao estímulo e, por isso, não acon- tecerão mais adaptações. Os autores ressaltam que, nessa última fase, é provável que o desempenho não se altere, tendo, ainda, a possibilidade de tê-lo diminuído. APROFUNDANDO 5 1 PERIODIZAÇÃO Em nível conceitual, a partir de autores como Tubino (1984), Matveev (1991), Zakharov e Gomes (1992), Bompa (1994) e Silva