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E-Book Apostila Psicologia Hospitalar e a Psico-Oncologia E-Book - Apostila Esse arquivo é uma versão estática. Para melhor experiência, acesse esse conteúdo pela mídia interativa.E-Book Apostila Apresentação Olá estudante, é um prazer ter você aqui novamente! No decorrer da nossa unidade de aprendizagem entederemos melhor sobre sofrimento que abate um paciente oncológico, não sendo somente o sofrimento físico causado pelo mal-estar da doença e dos tratamentos, mas também do sofrimento psíquico que é provocado. Veremos também sobre a importância do trabalho em equipe que o profissional da psicologia precisa desenvolver dentro do ambiente hospitalar e os instrumentos de avaliação do paciente que ele deve utilizar. Prepare seu material e vamos começar! Objetivos Objetivo principal: Discorrer sobre a importância do trabalho psicológico no âmbito hospitalar e oncológico. Objetivos específicos: Assimilar os desconfortos físicos e mentais vivenciados pelo paciente; Conhecer as ferramentas utilizadas pelos psicólogos na avaliação oncológica; Distinguir os diferentes tipos de intervenção em psico-oncologia. Infográfico No infográfico a seguir você verá sobre as características do modelo biopsicossocial que vem sendo muito utilizado no campo de atuação da psico-oncologia.E-Book Apostila Fatores de construção do modelo biopsicossocial Condição de saúde Genética Fitness Força / Endurance BIOLÓGICOS Resposta a Dieta estilo de vida Regulação emocional FADIGA Conhecimento Trabalhos Percepção do da distância esforço restante Grupos c/ SOCIOAMBIENTAIS interesses Incentivos sociais Habilidades de enfrentamento SOCIOAMBIENTAIS Motivação Motivação Experiência evento potencial prévia cultura CLIQUE AQUI E VEJA A DESCRIÇÃO DA IMAGEM Descrição da imagem: gráfico de interseção no qual cita os fatores biológicos, socioambientais e psicológicos do modelo biopsicossocial. São eles, respectivamente: Condição de saúde, genética, fitness, força/endurance, resposta a estímulos, regulação emocional; Dieta, estilo de vida, trabalhos, grupos c/ interesses, cultura, evento, incentivos sociais, motivação; Conhecimento da distância restante, habilidades de enfrentamento, motivação potencial, experiência prévia, conhecimento da distância. Fonte: Carlos Perruci Faria, 2020E-Book Apostila Siga para próximo tópico. Psicologia Hospitalar e a Psico-Oncologia Para as autoras Aguiar, Gomes, Ulrich e Mantuani (2019), atualmente, câncer pode ser considerado a segunda maior causa de morte no Brasil. 0 desenvolvimento da investigação na área médica, principalmente na área da oncologia, é reconhecido por diversos estudos que mostram a descoberta de tratamentos cada vez mais eficazes no combate ao câncer. No entanto, o câncer é considerado por todos como uma doença que carrega uma sentença de morte. Segundo Fagundes Netto, Noguchi e Kernkraut (2019), nas décadas de 1960 e 1970, apareceram movimentos que exacerbaram a natureza falha do tratamento de pacientes com câncer. A busca de conhecimento sobre a interferência de vários fenômenos psicológicos no diagnóstico de uma variedade de doenças possibilitou a introdução de conhecimentos psicológicos no setor da saúde. entendimento da saúde como fenômeno biopsicossocial ajudou muito na integração da psicologia e no fortalecimento do trabalho em saúde por meio de equipes interdisciplinares, simultaneamente em que novos conhecimentos psicológicos foram criados no setor saúde. Como um desses saberes, pode-se citar a psico-oncologia e, a partir de sua definição e do estudo de sua estrutura, é possível rever suas colaborações na prática em psico-oncologia. Em consonância com o autor Carvalho (2008), é importante considerar que apenas 4,9% das pesquisas feitas no campo da psico-oncologia são destinadas à formação de profissionais que poderão disseminar os conhecimentos já consolidados e estimular o interesse pela aquisição de novos conhecimentos. 4 35E-Book Apostila Clique no recurso abaixo para ler uma curiosidade que trouxemos para você. Você sabia? termo hospital vem do latim "hospitiu", e significa lugar onde se hospedavam as pessoas. Antes do século XVIII, hospital era um local para o cuidado e exclusão dos pobres e doentes, que eram considerados um perigo para outros cidadãos. Essas pessoas eram cuidadas por leigos ou religiosos que acreditavam que a caridade pelos enfermos levaria à salvação de suas almas. hospital não era um local que tinha como objetivo tratamento e cura de doenças. A introdução de conhecimentos disciplinares e mecanismos de controle sobre os corpos é o que representou uma nova organização do espaço hospitalar. A origem do hospital para fins de assistência médica configura-se quando há uma mudança na forma de intervenção, em que a cura é direcionada para fatores que afetam adversamente a doença apresentada pelo paciente, incluindo o meio. A partir desse momento, foi criada uma ordem hierárquica em que a prática hospitalar estava totalmente ligada aos conhecimentos médicos e, consequentemente, hospital e medicina passaram a se suceder inseparavelmente, e transcorreram de séculos em séculos assegurando o poder médico dos hospitais e predomínio de seu modelo de intervenção no cuidado à saúde (ARANTES, 2019). De acordo com Albuquerque e Cabral (2015), no que diz respeito ao tratamento específico das doenças, sua compreensão mudou muitas vezes ao longo da história. A noção do câncer e a maneira como as pessoas pensam sobre uma determinada doença, hoje, não são mais as mesmas de quando a medicina começou a se desenvolver. Galeno (131-201 d.C.), um médico romano, apontou para a natureza destrutiva do câncer, e acreditava que, uma vez diagnosticado, não havia mais nada a fazer porque era uma doença incurável. Por muito tempo, câncer foi uma doença sobre a qual muito pouco se tinha conhecimento, e pouco que se sabia era baseado em descrições das pessoas que possuíam a doença. Para o autor Canciam (2012), Hipócrates foi o primeiro a inserir um termo relacionado ao câncer na literatura médica: karkinos, uma palavra grega, que significa caranguejo. 5 35E-Book Apostila médico grego ClaudiusGalen (129-200 d.C.) melhorou a teoria humoral proposta por Hipócrates e definiu o câncer como "bile negra aprisionada, bile estática incapaz de sair do lugar e, portanto, congelada numa massa opaca". Segundo Aguiar, Gomes, Ulrich e Mantuani (2019), no século XVIII, câncer foi reconhecido como uma doença local, por meio de estudos mais extensos sobre a anatomia e as células, e apenas no século XIX a doença foi associada ao processo de divisão celular. Apesar do vasto conhecimento sobre o câncer que foi adquirido ao longo dos anos, as possibilidades de cura ainda têm sido uma meta inatingível para qualquer cientista que estuda a doença. A única forma de ajuda e cuidado aos afetados pela doença era a internação em asilos, onde aguardavam a morte, em meio ao sofrimento. Em consonância com os autores Fagundes Netto, Noguchi e Kernkraut (2019), é correto afirmar que somente depois de mais avanços, no campo da cirurgia, foi que surgiram algumas esperanças de cura para essas pessoas totalmente desenganadas nos asilos. No ano de 1846, William Morton inventou a anestesia, que permitiu a realização das primeiras cirurgias mais invasivas. No entanto, as infecções pós-operatórias continuaram sendo um problema que marcou o fracasso dessas operações. Em 1865, Joseph Lister começou a desenvolver técnicas de assepsia e antissepsia. Esse novo tipo de cuidado foi uma grande evolução cirúrgica, que permitiu a realização de uma variedade de operações, que antes haviam falhado por infecções posteriores. Os tratamentos que se desenvolveram no início do século XX, ainda são as intervenções mais importantes hoje em dia, como quimioterapia, radioterapia, medicamentos específicos ou mesmo as cirurgias, que até então melhoraram muito e possibilitaram aos pacientes uma expectativa de vida mais longa. Carvalho (2008). sofrimento e a Psico-oncologia 6 35E-Book Apostila No que se refere ao sofrimento, é importante ressaltar que não se trata somente de sofrimento físico, causado pelo mal-estar da doença, que requer uma série de cuidados e intervenções, mas também do sofrimento psíquico que é provocado. Sendo assim, o atendimento à saúde mental das pessoas afetadas e dos familiares afetados pela doença se tornam um alvo extremamente importante (SANTOS; MIRANDA; NOGUEIRA, 2017). De acordo com Moretto (2019), a integração do psicólogo nas instalações do hospital foi possível pela primeira vez em 1818, em Massachusetts, no Hospital McLean, por meio da formação de uma equipe multiprofissional. Em 1904, foi instalado um laboratório de psicologia no mesmo hospital, o que tornou possível o desenvolvimento de pesquisas pioneiras na área. Dessa forma, deu-se início ao processo de construção de uma psicologia com especificidade hospitalar. Para as autoras Albuquerque e Cabral (2015), no Brasil, o trabalho do psicólogo em ambiente hospitalar só teve início na década de 1950, quando foi registrado o estabelecimento de um serviço hospitalar de psicologia, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. A atuação era bem aparecida com trabalho de um consultório particular. As mudanças na concepção de saúde, quando ela passa a ser entendida como um fenômeno biopsicossocial entre as décadas de 1970 e 1990, foi um marco na criação de um espaço para psicólogo nos serviços da saúde. Uma nova preocupação surgiu a partir da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada em 1978, voltada para a adesão do paciente à terapia, tendo em vista que essa aceitação à terapia poderia ser comprometida por problemas psicológicos. Segundo Canciam (2012), uma das principais dificuldades da atuação do psicólogo no ambiente hospitalar é a incorporação à realidade institucional. hospital possui uma realidade muito particular em relação a outras instituições, e psicólogo deve estar ciente de que sua atuação requer diversas reflexões. Devido ao grande distanciamento que há entre o trabalho do psicólogo e a realidade no campo social, surge a necessidade de organizar a formação profissional para a atuação no setor público, onde é preciso superar o modelo clínico para a compreensão do processo saúde-doença, crivado de questões sociais, econômicas e políticas, que vão além das questões psicológicas. Em consonância com as autoras Aguiar, Gomes, Ulrich e Mantuani (2019), é correto afirmar que o psicólogo que atua no âmbito hospitalar, ao lidar com o sofrimento originado pela hospitalização, as sequelas e consequências emocionais ocasionadas pela mesma, centra seu trabalho nas relações que se constroem com paciente. Dentre essas relações, pode-se citar a relação do paciente com grupos como o seu grupo familiar, a equipe de profissionais envolvidos no caso e os demais pacientes com os quais convive durante a internação. Além disso, existe a relação do paciente com o curso da doença e também consigo mesmo, levando em conta sua personalidade, mitos, fantasias, necessidades e fragilidades emocionais. 7 - 35E-Book Apostila psicólogo não se posiciona de maneira isolada dentro do ambiente hospitalar, pois possui diversos aspectos imprescindíveis para alcançar os objetivos propostos em seu trabalho, pois traz consigo a chance de analisar as relações interpessoais e pode ser considerado como um agente facilitador no processo de humanização hospitalar. Fagundes Netto, Noguchi e Kernkraut (2019). Ao se falar em humanização na assistência à saúde, é importante que profissional esteja disposto a oferecer acolhimento e, dessa forma, estar disposto a ouvir paciente e conhecer suas necessidades, principalmente quando ele é recebido no ambiente hospitalar. A humanização visa criar um ambiente agradável ao paciente, de respeito aos seus direitos, no qual ele possa experimentar uma internação com dignidade e, até mesmo, vivenciar a sua morte. A psico-oncologia pode ser entendida como uma área de ligação entre a Psicologia e a Oncologia que, com base nos conhecimentos pedagógicos, técnicos e metodológicos da Psicologia da Saúde, procura promover assistência aos pacientes, familiares e demais profissionais de saúde em todas as fases da doença ou do tratamento. Além disso, aspira ser uma área para explorar variáveis psicológicas e sociais que podem promover entendimento da ocorrência, recuperação e do tempo de vida que o paciente possui, após diagnóstico. Propõe-se, portanto, a organização de serviços com o objetivo de prestar assistência integral ao paciente, e promover o aperfeiçoamento dos profissionais implicados nas diferentes fases do tratamento (PEREIRA FRANCO, 2014). De acordo com Santos, Miranda e Nogueira (2017), o trabalho do psicólogo na área da oncologia é muito semelhante ao da psicologia hospitalar, que busca diminuir significativamente os sofrimentos gerados pela hospitalização e todos os problemas que afetam a vida do paciente. Para a autora Moretto (2019), na década de 1930, a Psicanálise teve grande influência na psiquiatria americana, o que abriu a possibilidade de pesquisas no aparecimento do câncer de uma perspectiva psicológica. 8 35E-Book Apostila Aproximadamente 20 anos depois, estudos sobre as consequências psicossociais do câncer deram início a uma discussão sobre comunicar ou não diagnóstico ao paciente, a fim de manter seu bem-estar e não ser estigmatizado pela sociedade. Segundo Albuquerque e Cabral (2015), em 1940, o psicanalista Franz Alexander estudou a probabilidade de aspectos psicológicos estarem relacionados em certas doenças e, ao mesmo tempo, colaborou para a instauração da medicina psicossomática, que já era influenciada pelas obras de Sigmund Freud, cujo objetivo era a investigação empírica das relações mente e corpo em medicina, e as fundamentos teóricos para a compreensão das doenças e possíveis intervenções transdisciplinares. Com a permanência da medicina psicossomática, vários eventos nos EUA e na Europa sobre questões psicológicas relacionadas ao câncer foram consolidados. A maior eficiência dos tratamentos, a progressiva prestação dos serviços e a atenção voltada para os aspectos psicológicos levaram a um aumento da expectativa de vida dos doentes, e também de uma maior preocupação com a sua qualidade de vida dos pacientes. Esses fatores possibilitaram estruturar os saberes e as práticas da Psico-oncologia. A Psico-oncologia foi reconhecida pela ciência como um campo do conhecimento a partir da década de 1950, quando os aspectos emocionais eram considerados como importantes mediadores no tratamento e remissão do câncer, de forma que as doenças biomédicas não funcionariam de forma eficaz sem o suporte emocional oferecido ao paciente. Conforme Aguiar, Gomes, Ulrich e Mantuani (2019), tornou-se obrigatório envolvimento do psicólogo nos serviços de apoio e também para o cadastramento dos centros de atendimento em Oncologia no Sistema Único de Saúde (SUS), fundado em 1988. Sendo assim, o psicólogo passa a integrar a equipe interdisciplinar responsável pelo atendimento ao paciente oncológico que atua em todas as fases do processo de tratamento. Independentemente de sua abordagem teórica, o atendimento psicoterapêutico ainda é mais comum, no que diz respeito ao método usado pelo psicólogo no contexto oncológico. Porém, nos congressos realizados, destacam-se métodos como o atendimento em grupo com pacientes e familiares, bem como estratégias de enfrentamento e acompanhamento em domicílio, que mostra que os métodos tendem a ser ampliados, conforme as necessidades identificadas. É muito difícil para profissional determinar o método adequado para cada caso. A contribuição técnica e teórica usada deve ser estruturada de acordo com o local de trabalho, o diagnóstico do paciente, o tipo de intervenção e, principalmente, objetivo a ser alcançado (GORAYEB, 2015). De acordo com Pereira Franco (2015), como acontece com qualquer outra intervenção no campo da saúde, a intervenção psicológica é adaptada às condições do paciente e da instituição em que ele está localizado, mas em se tratando de doenças graves como o câncer, existem outras variáveis que devem ser consideradas. 9 - 35E-Book Apostila É importante lembrar que, no atendimento a pessoas hospitalizadas, não tem como controlar o tempo de internação e eventualidades, como agravamento da doença, transferência de hospital, medicamentos que podem afetar o estado de vigília e consciência do paciente e até mortes repentinas, que são situações que podem acontecer e mudar as propostas de atendimento ao paciente. Para os autores Santos, Miranda e Nogueira (2017), cada caso tem suas especificidades, mas primeiro passo na atuação do psicólogo com paciente com câncer é diagnóstico. Na maioria das vezes, paciente chega ao psicólogo com conhecimento de seu diagnóstico, e profissional deve ajustar seu trabalho ao tratamento que está sendo oferecido ao paciente. É preciso se preparar para todas as reações possíveis do paciente, e estar disponível para oferecer ajuda psicológica, se necessário. Nesse ponto, é importante que o psicólogo dê prioridade à realidade no acolhimento do paciente. Quando se oferece o máximo de informações possível sobre sua doença, aumenta-se a confiança do paciente na equipe, que, tem impacto direto em sua adesão ao tratamento. psicólogo deve ter o cuidado de falar em uma linguagem que seja acessível a cada paciente, e sempre garantir que as informações dadas pela equipe foram devidamente compreendidas pelo paciente. Segundo Moretto (2019), com um diagnóstico como o do câncer, dependendo da gravidade do caso, a pessoa acometida não consegue mais realizar suas atividades diárias e não vê sentido em planejar um futuro que, para ela, será incerto. paciente pode entrar em crise psicológica, que pode apresentar-se em graus variados de intensidade, pois ele estará em uma situação de despersonalização, em que não se sabe mais se continuará como sempre foi e o que poderá acontecer a partir desse momento. Diante de um momento de crise e da mobilização dos mecanismos de defesa que paciente utiliza para se ajustar a uma nova realidade, psicólogo primeiro tenta conhecer seu modo pessoal de agir e reagir aos fatos para ajudar esse paciente a se organizar e a processar psicologicamente da melhor maneira possível as suas experiências. É essencial fazer com que paciente sinta segurança para manifestar seus sentimentos e emoções, buscando oportunidades de discutir seus medos relacionados à doença e ao tratamento. Em consonância com as autoras Albuquerque e Cabral (2015), é correto afirmar que o psicólogo pode trabalhar com grupo de pacientes que também estão em tratamento oncológico, possibilitando ao paciente vivência de aprendizado e, acima de tudo, de alívio. Deve-se notar que em uma sessão de quimioterapia, por exemplo, sofrimento do paciente é causado não só pelo desconforto físico, mas também que após a sessão paciente fica em isolamento, o que muitas vezes é vivenciado com um grande sentimento de abandono. 10 35E-Book Apostila Esses grupos podem melhorar a capacidade do paciente de enfrentar a situação e fortalecer relacionamento com a família, visto que, na maioria das vezes, sua presença é considerada fundamental para paciente. Além disso, a comunicação com os médicos aumentará muito a autoconfiança, a competência e o controle do paciente. trabalho do psicólogo no campo da psicologia oncológica visa, prioritariamente, a satisfação do paciente, a fim de entender os problemas emocionais que afetam seu estado de saúde e o processo de adoecimento e tratamento, em busca de novos significados que colaboram positivamente para que o paciente se ajuste à doença vivenciada. Acredita-se que o psicólogo que atua nessa área deve adotar uma postura muito ativa, visando proporcionar ao paciente um cuidado humanizado e abrangendo todas as áreas da internação (CANCIAM, 2012). É importante ressaltar que a atuação do psicólogo na área de oncologia inclui uma rede de contatos com a equipe de profissionais da instituição; a comunicação entre todos é crucial para se obter uma melhoria significativa nos resultados alcançados no tratamento dos pacientes, pois envolve todos os aspectos relacionados a eles e seu processo de adoecimento. desejo em trabalhar com equipes multiprofissionais tem aumentado no contexto da Saúde Coletiva, devido ao desenvolvimento do modelo biopsicossocial de saúde, no qual a saúde pode ser entendida como algo complexo que se relaciona com o bem-estar do indivíduo como um todo, abrangendo as dimensões físicas, mentais e sociais, e assim se posiciona em contraposição ao modelo biomédico, que enfoca de maneira reducionista no aspecto orgânico. Os médicos seguidores do modelo biomédico organizam uma corrente que nega qualquer probabilidade de associar problemas psicossomáticos no processo cancerígeno. Dessa forma, nesta corrente, todos os fatores considerados psicológicos que aparecem no decorrer do processo de tratamento, como ansiedade e depressão, só são tratados com a prescrição de medicamentos, estratégia que certamente dificulta o desenvolvimento do campo psico-oncológico por causa da extrema potência das intervenções medicamentosas. Por outro lado, mesmo que papel do psicólogo em oncologia seja novo, e as práticas desse profissional sejam fortemente distorcidas e até desvalorizadas, existem instituições hospitalares que valorizam seu trabalho e facilitam o desenvolvimento desse campo de atuação (BUENO NEME, 2010). 11 35E-Book Apostila Esperamos que você estudante tenha compreendido até aqui a importância da psico- oncologia e da atuação em grupo do psicólogo no ambiente hospitalar. De acordo com Gorayeb (2015), o trabalho em equipe ainda pode ser considerado um grande desafio na Psicologia Hospitalar e da atuação em todo sistema de saúde, pois as intervenções interdisciplinares são dificultadas pela discriminação hierárquica dentro das instituições, que ocorre quando o status da função não é diferenciado, e as especificidades de cada membro da equipe são substituídas de acordo com as relações de poder. É essencial o diálogo entre todos os profissionais, a fim de tirar quaisquer dúvidas sobre qualquer aspecto de uma intervenção no tratamento dos pacientes, para que as responsabilidades possam ser compartilhadas e, consequentemente, para que exista uma rotação de gestores dependendo da situação. Para a autora Pereira Franco (2015), no que diz respeito ao trabalho em equipe, é importante mencionar a diferenciação entre três paradigmas relacionados ao campo da Saúde Coletiva: 1. Multidisciplinaridade cada profissional atua individualmente buscando objetivo específico de sua atuação, onde também cada profissional apresenta o seu olhar para determinada prática. 2. é possível uma comunicação entre os profissionais da equipe e, a partir disso, emergem novos métodos e novos objetos devido à intercessão de aspectos de diferentes áreas de conhecimento. 3. Transdisciplinaridade todos os profissionais se posicionam de forma cooperativa em prol de um único tema a ser investigado e, através desse processo, será construído um novo objeto de pesquisa. Segundo Santos, Miranda e Nogueira (2017), quando se realiza uma intervenção com pacientes que também são atendidos por outros profissionais de diferentes áreas, é preciso que o psicólogo possua informações básicas sobre o câncer, além de sua área de atuação, especialmente ao que está relacionado às suas características orgânicas. Da mesma forma, outros profissionais precisam demonstrar interesse pelo trabalho dos membros da equipe, a fim de facilitar a comunicação entre eles e contribuir para o sucesso de suas intervenções. Pensando nisso, é importante destacar diálogo que precisa ser estruturado entre os profissionais da equipe. Por meio desse diálogo, torna-se possível a formação de uma equipe interdisciplinar com atuação transdisciplinar, pois sucesso das intervenções realizadas exige uma comunicação aberta e cooperativa entre os profissionais, que será a base de todos os trabalhos feitos na instituição. 12 35E-Book Apostila De acordo com Moretto (2019), é correto afirmar que, devido à importância da relação que se estabelece entre os profissionais da equipe, também é responsabilidade do psicólogo estar ciente dos possíveis conflitos entre a equipe que podem afetar a comunicação entre eles, pois a relação entre os profissionais é a base da relação com os pacientes e seus familiares. Instrumentos de Avaliação do Paciente Oncológico Conforme Albuquerque e Cabral (2015), câncer resulta do crescimento desequilibrado de células que podem invadir tecidos e órgãos, e podem ser agressivas, causando a formação de tumores. Aproximadamente 80 a 90% dos casos estão relacionados a causas ambientais. A qualidade de vida influencia positivamente os pacientes com câncer, portanto o controle da dor colabora, de forma satisfatória, para uma melhor tolerância ao tratamento. Para ter sucesso, é preciso introduzir os medicamentos no momento certo; portanto, espera-se que um algoritmo prático de avaliação da dor seja fornecido para escolher melhor os analgésicos, especialmente os opioides, que serão utilizados. Em alguns casos, o tratamento adotado para o paciente são os cuidados paliativos que, segundo a Organização Mundial da Saúde, são classificados como um tipo de abordagem que foca na melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares, que, por meio identificação precoce, avaliação e tratamento correto da dor e outros problemas, sejam de natureza física, psicológica ou espiritual, possui a finalidade de prevenir e avaliar o sofrimento do paciente (HOFF, 2018). De acordo com Bueno Neme (2010), conforme a classificação definida pela International Association for the Study of Pain (IASP), em 1979, a dor é vista como uma experiência sensorial e emocional desconfortável relacionada a um dano oculto, real ou potencial dos tecidos; pode ser aguda ou crônica, e leva o paciente ao estresse devido à sua intensidade, mudando seu estado emocional e bem-estar. É considerada o quinto sinal vital, e deve ser incluída na assistência aos pacientes, pois é medida durante o atendimento, e tem a necessidade de ser medida assim como a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura. 13 35E-Book Apostila A dor é comum em pacientes, especialmente entre aqueles que são expostos a procedimentos invasivos. É muito difícil para o profissional avaliar uma experiência dolorosa porque envolve aspectos multidimensionais A dor está relacionada a pacientes com câncer e está principalmente associada ao próprio câncer, e pode estar relacionada aos procedimentos usados durante o curso do tratamento (GORAYEB, 2015). Se a dor não for mensurada adequadamente, é possível que o paciente apresente limitações em suas atividades, alterações fisiológicas, perda da qualidade do sono e do processo de aprendizagem. É necessário, portanto, avaliar a dor e seus efeitos, observar se ela está relacionada a deficiências e estado de saúde que são agravados pelo fator idade, pois, ao entrar na vida de uma pessoa, acarreta restrições para os indivíduos em suas atividades que eram realizadas em seu cotidiano. Dessa forma, paciente fica sendo privando da convivência social. cuidado integral no sentido de alívio e controle da dor é imprescindível e, assim, contribui para melhoria na qualidade de vida, sendo os sinais reconhecidos. Segundo Pereira Franco (2015), garantir que a dor do paciente será amenizada é um dos objetivos dos profissionais de saúde da área de oncologia. A avaliação da dor especialmente registrada dá recursos à equipe especializada no uso correto de analgésicos, e está associada a uma redução no uso destes. Escalas de mensuração de dor são as ferramentas de avaliação mais válidas para serem aplicadas em todos os pacientes, tanto para aqueles que estão em estado crítico e não conseguem se autoavaliar quanto para os que possuem funções motoras intactas. Em consonância com os autores Santos, Miranda e Nogueira (2017), é correto afirmar que, para avaliar a intensidade da dor, existem várias escalas que podem ser utilizadas, dentre elas estão: Escala visual numérica (EVN); Escala visual analógica (EVA); Escala de descritores verbais; Escala de faces (EDF); Pain Assessment in advanced dementina (PAINAD); Questionário de DN4 um questionário de diagnóstico de dor neuropática; Breve Inventário de Dor. 14 35E-Book Apostila Conforme Moretto (2019), o profissional deve conhecê-las para realizar uma assistência eficaz. Existem também outras escalas como: Verbal Rating Scale-5 (VRS5); Verbal Rating Scale-6 (VRS6); DOLOPLUS-2 que é caracterizada pela avaliação das expressões faciais, queixas verbais, posturas corporais como gestos de proteção, padrão de sono, limitações funcionais, problemas comportamentais, mudanças na comunicação e na vida social; Red Wedge Scale RWS que é uma variação da EVA, e é utilizada uma linha vermelha que indica a intensidade da dor; Escala facial de dor EFD, tem uma fileira de seis rostos que o paciente escolhe a face que melhor representa a de dor; Questionário de dor McGill. controle da dor, que é considerado quinto sinal vital, auxilia na identificação do melhor tipo de tratamento, que pode ou não ser através de medicamentos, viabilizando bem-estar dos pacientes. Dessa forma, é preciso que os profissionais continuem recebendo treinamento permanente, e confiem nas informações passadas pelos pacientes que se encontram internados. Para se ter uma assistência de qualidade, o profissional deve ter conhecimento técnico-científico para controlar e tratar a dor oncológica, para saber reconhecer de que tipo de dor se trata, se ela é sensorial, emocional, psicológica ou espiritual, ou se é uma dor apenas causada pela doença, o que requer do profissional sensibilidade e dedicação ao paciente (YAMAGUCHI, 2019). De acordo com Hoff (2018), as escalas de dor auxiliam os profissionais na identificação de mudanças presentes nos pacientes, e utilizem as intervenções corretas. responsável necessita ser treinado para aplicar e interpretar as escalas. É uma ferramenta que orienta as atividades, voltadas à melhoria do estado do paciente. A Atuação do Psicólogo com Pacientes com Câncer Diversos acontecimentos e eventos relacionados a ciências criaram um campo muito fértil para desenvolvimento da psicologia, psiquiatria e medicina no mundo todo (BUENO NEME, 2010). 15 35E-Book Apostila No que se refere à inclusão do psicólogo nos cenários de cuidado ao paciente hospitalar, após diversas revisões e questionamentos sobre sua aplicação, parece ter-se firmado como uma possibilidade importante na busca pelo entendimento da existência humana e suas respectivas contribuições para os pacientes que vivenciam a internação hospitalar. Portanto, a psicologia no contexto hospitalar busca, por meio de sua intervenção, diminuir significativamente o sofrimento infligido ao paciente pela hospitalização, e prevenir possíveis consequências e futuros efeitos emocionais causados por esse período. Segundo Gorayeb (2015), o trabalho da Psicologia, especificamente no tratamento de pacientes com câncer, começou na década de 1970 devido a diversos fatores psicológicos que estão associados aos pacientes com câncer. Assim, o aparecimento desse segmento só foi possível com a redução do estigma existente em torno dessa doença, o que possibilitou mudanças importantes nas atitudes relacionadas ao câncer e a ao seu portador. estigma e mitos que cercam câncer foram mudados por conhecimentos e ferramentas de enfrentamento, como tratamentos, grupos de autoajuda, apoio psicossocial, dentre outros. Com base nesses fatos, foi possível pesquisar e estudar reações e comportamentos psicológicos relacionados ao câncer. 0 termo Psico-oncologia foi sugerido pela primeira vez, em 1961, pelo cirurgião oncológico e psicanalista argentino José Schavèlson. Ele utilizou este termo para referir-se a este no campo do conhecimento, formado por um ramo da medicina que deveria tratar do cuidado ao paciente oncológico, seu contexto familiar e social e dos aspectos médicos e administrativos que estão presentes no dia a dia do paciente oncológico (PEREIRA FRANCO, 2015). Conforme Santos, Miranda e Nogueira (2017), a Psico-oncologia é definida como uma especialidade que estuda duas perspectivas psicológicas presentes no diagnóstico do câncer, o efeito desta doença no funcionamento emocional do paciente, da sua família e dos profissionais envolvidos em seu tratamento, e o papel dos fatores psicológicos e comportamentais na incidência e sobrevivência do câncer. Portanto, a Psico-oncologia é uma área que enfoca os problemas emocionais dos pacientes com câncer. Apesar da evolução em relação aos conhecimentos da Psico-oncologia, investigações minuciosas sobre a interferência de questões de natureza psicológica no desenvolvimento do câncer não eram rotina em clínicas especializadas em oncologia, até o início dos anos 1980. A influência de variáveis psicossociais, consideradas individual ou coletivamente, no tratamento do câncer também não foi estudada de forma satisfatória. 16 35E-Book Apostila Com base nos achados anteriores em Psico-oncologia, já é possível definir as circunstâncias em que se indica a necessidade de atendimento psicológico ao paciente oncológico. Uma grande parte delas está baseada no reconhecimento de variáveis de natureza psicossocial do paciente e de sua família e os impedem de procurar tratamento e de colaborar com que está em curso, ou atuando de forma negativa sobre o processo de tratamento (GOTTLIEB, 2020). De acordo com Yamaguchi (2019), no que diz respeito às variáveis psicossociais, cuidar de pacientes com câncer e de suas respectivas famílias deve incluir a compreensão da interação entre vários fatores: Desenvolvimentais, considerados os diferentes contextos de desenvolvimento; Socioeconômicos e culturais do paciente e dos familiares; Capacidade de enfrentamento de situações estressantes; Nível de coesão e facilidade de comunicação entre os membros da família; História pessoal e familiar do paciente. Segundo Bueno Neme (2010), os estudos da Psico-oncologia envolvem muito mais do que a identificação de variáveis de risco psicossocial ou a determinação de situações em que o paciente precisa de ajuda psicológica. planejamento ambiental baseado no desenvolvimento comportamental do paciente é de extrema importância. Não basta demarcar circunstâncias específicas ou definir variáveis psicossociais isoladas, é preciso compreender a relação funcional do paciente com o ambiente em que os cuidados com o tratamento estão sendo realizados, no hospital, em casa ou outro local. Em consonância com o autor Gorayeb (2015), é correto afirmar que um fator abordado pela Psico- oncologia é sobre a necessidade de o paciente saber sobre sua doença e condição. Existem várias discussões sobre a comunicação do diagnóstico. Ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos, como Estados Unidos e países da Europa, é muito difícil aqui no Brasil comunicar o diagnóstico de câncer. É essencial que o profissional saiba como comunicar ao paciente e garantir que ele receberá o melhor tratamento, e que a cura é um objetivo comum da equipe. Vários psico-oncologistas discutem sobre esta questão da informação do diagnóstico, sobre o que contar, como contar e quem deverá contar. Observa-se que existe um consenso de que o paciente deve ser informado de acordo com o que deseja e está pronto para saber, dessa forma ele sinaliza o quanto pode e estima conhecer. É preciso destacar a importância de adquirir conhecimentos sobre câncer e tratamento para um enfrentamento eficaz. Isso ajuda paciente a tomar decisões sobre seu tratamento, informando corretamente a família e amigos, planejando futuro e, assim, criando mais controle sobre a situação. 17 35E-Book Apostila As intervenções relacionadas à reconstrução de representações sobre a doença e a terapia também podem ajudar no controle da ansiedade, pois o problema é visto de maneira diferente, clara e organizada, e os sentimentos associados à doença são trabalhados, incluindo medo da morte, que pode ser assustador. No Brasil, observa-se o constante avanço da Psico-oncologia, tendo em vista o aumento da necessidade de atendimento psicológico nos casos relacionados às doenças oncológicas. Nesse cenário, ela é definida como uma área de atuação interdisciplinar realizada por meio de uma equipe incorporada, conforme uma visão geral que transcende a doença, analisando o paciente e todo o ambiente que o cerca. Apesar dos avanços na área das Ciências Médicas relativos ao câncer, ainda são muitos os desafios que a doença representa para a sociedade, sendo também muitas as descobertas e novas práticas que estão surgindo na busca pela melhoria do atendimento aos que estão envolvidos neste importante problema de saúde pública (ANGERAMI; CAMON; GASPAR, 2013). De acordo com Gottlieb (2020), a Psico-oncologia não possui uma proposta teórica definida, mas busca um modelo teórico de intervenção, que vise prestar atenção integral ao paciente, sua família e equipe de saúde. Atualmente, a área de pesquisa e atuação nesse campo tem se expandido muito, principalmente porque se concentra não apenas na questão dos sobreviventes da doença, mas também em suas intervenções para cuidadores de pacientes com câncer, sejam formais (profissionais) ou informais (família) com objetivo de melhorar a sua qualidade de vida no trabalho. Para a autora Yamaguchi (2019), o paciente com câncer precisa lidar com as mudanças emocionais, sociais e físicas associadas à doença e seus tratamentos. A forma como ele irá se ajustar aos fatores cognitivos e comportamentais relacionados a tais alterações é influenciada por vários aspectos, que variam significativamente entre os pacientes. Muito investimento tem sido feito no conhecimento e identificação das variáveis que intervêm no processo de adaptação ao câncer, levando em consideração a concepção biopsicossocial do processo saúde-doença. Estes estudos resultaram na busca de motivos que predizem ajustamento. 18 35E-Book Apostila Segundo Hoff (2018), mesmo com a falta de congruência entre os estudos sobre quais variáveis são mais importantes, o ajustamento psicológico tem sido um conceito essencial estudado por estar associado à maneira como paciente lida com as ameaças específicas do câncer e seus tratamentos. A adaptação ao câncer é processo de aprender e se ajustar às várias mudanças vivenciadas em decorrência da doença e do tratamento. grau de ajustamento depende do resultado combinado das respostas de enfrentamento, apoio social e da avaliação cognitiva do indivíduo sobre sua experiência. Em consonância com a autora Bueno Neme (2010), é correto afirmar que, no que diz respeito à gravidade da doença, deve-se notar que esta não pode ser considerada a única responsável pelas reações mal adaptativas. Estudos encontraram danos ao ajustamento psicológico ao câncer, mesmo em casos potencialmente curáveis, indicando que pacientes com bom prognóstico também apresentam diminuição da qualidade de vida, dificuldades afetivas e cognitivas, altos níveis de ansiedade e adaptação psicológica prejudicada. Ufa, são muitas coisas para ler, não é mesmo? Descanse um pouco e volte em alguns instantes para continuar os seus estudos. Conforme Gorayeb (2015), a necessidade de internação também é identificada como uma condição que eleva os níveis de estresse e causa transtornos mentais em pacientes com câncer. No entanto, não revisaram as características dos pacientes envolvidos no processo de adaptação ao contexto de hospitalização, apenas considerando esse fator como um indicador de risco. Uma vez diagnosticada a neoplasia, a dinâmica familiar e a rotina mudam conforme as diferentes personalidades e estilos de vida de cada pessoa, tornando imprescindível o acompanhamento emocional, especialmente quando a doença ocorre em crianças, onde câncer causa compaixão e luto por seus medos e mitos. Porém, o profissional que apoia as famílias se depara com as diferenças nesse tipo de cuidado, principalmente no que se refere ao complexo conceito de família, especialmente em se tratando da família brasileira. Isso porque se caracteriza por uma variedade de composições criadas por diferentes meios, como laços de sangue, relação não formalizada por parentesco, família conjugal e extensa, núcleo doméstico e família com vínculo estável, dentre outras (DE MARCO; ABUD; LUCCHESE; ZIMMERMANN, 2012). 19 35E-Book Apostila Compreender as diferenças existentes em todo o processo de adoecimento, assim como no ciclo de vida da família, requer o empenho e a disponibilidade dos profissionais implicados em acompanhar as várias alterações e imprevistos que possam surgir para esses pacientes (ANGERAMI; CAMON; GASPAR, 2013). Para o autor Gottlieb (2020), o paciente e sua família passam por uma fase de crise, que vai desde o diagnóstico e esclarecimento da situação até os possíveis planos de tratamento. Nessa fase, surge a necessidade de um aprendizado prático, por exemplo, no trato com a dor e com ambiente hospitalar. A família também sofre com a descoberta do câncer, porque acredita que os filhos devem absolutamente sobreviver aos pais. Por exemplo, câncer infantil causa um forte medo na família de uma possível mudança no curso dos eventos naturais da vida, como a morte precoce de uma criança. Segundo Yamaguchi (2019), diagnóstico de câncer rompe a invulnerabilidade tão presente na sociedade atual, que se caracteriza pelo seu aspecto capitalista e consumista, que valoriza e estimula o novo e que possui um sentimento de inutilidade em relação ao que é velho e à morte. câncer provoca diversos sentimentos na família do paciente e, devido às características mórbidas da doença, pode ser acolhido pela família com reações de culpa, raiva, inconformidade, depressão e isolamento. A negação da realidade, que pode afetar os familiares e os próprios pacientes, aliada à desconfiança da validade do prognóstico, também pode ocorrer. Em consonância com o autor Hoff (2018), é correto afirmar que ressalta-se também o papel do psicólogo, em seu trabalho com pacientes oncológicos e seus familiares, como promotor de mecanismos de enfrentamento que permitam a essas pessoas enfrentar essa situação de adoecimento com a mínima possibilidade de distúrbios comportamentais. Esse processo, conhecido como coping, tem a função de gerenciar e comunicar estratégias que permitam aos envolvidos, seja o paciente ou seus respectivos familiares, utilizar mecanismos que reduzam, minimizem ou estabeleçam maneiras de tolerância, diante de situações estressantes, como as observadas com pacientes oncológicos. Conforme Bueno Neme (2010), o psicólogo deve atuar junto ao paciente oncológico, à família e também à sociedade. Em relação ao paciente oncológico deve: Auxiliar no momento do diagnóstico; 20 35E-Book Apostila Informar sobre a doença; Esclarecer os tratamentos a que será submetido e os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles; Ajudar paciente a enfrentar a doença através de técnicas específicas, visando sua participação ativa na evolução do tratamento. As intervenções em Psico-oncologia As intervenções realizadas em psico-oncologia não são diferentes daquelas da psicologia em geral, cujo objetivo é sempre bem-estar do paciente. Os primeiros profissionais de promoção da saúde que passaram a prestar atendimento psicológico a pacientes com câncer foram enfermeiros e assistentes sociais. Pela proximidade e interação com os pacientes, esses profissionais começam a perceber a necessidade de algum tipo de cuidado que os auxiliassem nas respostas emocionais relacionadas à progressão da doença e aos tratamentos aos quais eram submetidos (MORETTO, 2019). De acordo com De Marco, Abud, Lucchese e Zimmermann (2012), que diferencia o psico- oncologista é que para prestar ajuda ao paciente com câncer, seus familiares ou mesmo a equipe de saúde, ele deve dominar alguns aspectos que não são estritamente necessários em outros cuidados. que se exige inicialmente para o trabalho em Psico-oncologia está relacionado à necessidade de conhecimento sobre o câncer e também das formas essenciais de tratamento a que esses pacientes podem ser submetidos. Não é preciso dominar discurso do oncologista, mas é necessário um conhecimento básico da doença e de suas peculiaridades. A razão dessa necessidade se deve ao fato de que para cada tipo de câncer, suas características, localização e o processo terapêutico a que é submetido, o paciente apresenta um determinado tipo de reação. Mesmo sabendo que essa reação irá ocorrer, não é possível prever como cada pessoa reagirá a ela. Depende de algumas variáveis, como idade do paciente, classe socioeconômica, estrutura psicológica, personalidade em relação às frustrações persistentes e eventos de vida, variáveis que já existiam antes do início da doença. 21 35E-Book Apostila Para os autores Angerami, Camon e Gaspar (2013), no que diz respeito aos tratamentos, conhecimento do psicólogo é o mais importante, pois são muitos os efeitos colaterais e podem criar estados emocionais complexos. Uma interpretação incorreta dessas condições pode causar prejuízo ao paciente. Uma das principais questões a serem consideradas em pacientes com câncer é a depressão. É fato que um estado depressivo pode afetar sistema imunológico do paciente, por isso é importante que esse sintoma seja identificado mais cedo possível para que paciente possa ser tratado e, eventualmente, problema possa ser aliviado ou eliminado. Segundo Gottlieb (2020), com base nessas considerações, fica clara a necessidade de treinamento específico no cuidado ao paciente oncológico. Porém, isso não significa que um profissional sem essa formação não possa desenvolver seu trabalho, caso se depare com um paciente com câncer. próprio ato de acolher um doente, ouvi-lo e estar ao seu lado o conforta. No entanto, a cada dia cresce a demanda por treinamento em Psico-oncologia para profissionais que desejam estar mais bem preparados para atender pacientes com câncer. A partir da Portaria n. 3.535/98 do Ministério da Saúde, a presença de um profissional de psicologia passou a ser obrigatória em todas as clínicas ou instituições de atendimento a pacientes com câncer. Embora essa lei geralmente não seja cumprida, muitos profissionais ficaram surpresos, sendo obrigados a prestar atendimento a pacientes com câncer. Em consonância com a autora Yamaguchi (2019), é correto afirmar que, uma das preocupações da Psico-oncologia é a atenção com os cuidadores. cuidador pode ser entendido tanto como cuidador profissional, que pertence à equipe de promoção da saúde, quanto um cuidador domiciliar que pode ser um enfermeiro contratado, familiar, vizinho, ou seja, aquele que está disponível e que o paciente o aceite como cuidador. Com isso em mente, tanto a equipe assistencial quanto cuidador individual do paciente enfrentam situações semelhantes de ansiedade, desamparo, frustração e impotência, sendo importante atender às suas necessidades e demandas. Conforme Hoff (2018), tendo em vista os potenciais prejuízos psicológicos que cuidado de pacientes com câncer pode causar aos cuidadores profissionais e individuais, deve-se lembrar que, por estarem sujeitos ao desenvolvimento de diversos transtornos psicopatológicos e ao desgaste ocupacional, também necessitam de assistência psicológica para assegurar a esses indivíduos a manutenção de um bom estado psicológico, de forma a evitar possíveis impactos emocionais originados pelos cuidados com esses pacientes. Siga para próximo tópico e assista nossa videoaula. 22 35E-Book Apostila Vídeoaula Veja abaixo a videoaula que preparamos para você, ela te ajudará a fixar a leitura feita. Vídeo Clique aqui para abrir vídeo Clique aqui para ver a transcrição do vídeo. Seja bem-vindo estudante! No decorrer da videoaula de hoje, entenderemos melhor sobre o sofrimento de um paciente oncológico, considerando não somente sofrimento físico causado pelo mal-estar da doença e dos tratamentos, mas também do sofrimento psíquico que é provocado. Veremos também sobre a importância do trabalho em equipe que profissional da psicologia precisa desenvolver no ambiente hospitalar e os instrumentos de avaliação do paciente. Prepare seu material de estudos e boa aula! desenvolvimento da investigação na área médica, principalmente na área oncologia, é reconhecido por diversos estudos que mostram a descoberta de tratamentos cada vez mais eficazes no combate ao mesmo. No entanto, o câncer é considerado por todos como uma doença que carrega uma sentença de morte. Nas décadas de 60 e 70, apareceram movimentos que exacerbaram a natureza falha do tratamento de pacientes com câncer. A busca de conhecimento sobre a interferência de vários fenômenos psicológicos no diagnóstico de uma variedade de doenças, possibilitou a introdução de conhecimentos psicológicos no setor da saúde. entendimento da saúde como fenômeno biopsicossocial ajudou muito na integração da psicologia e no fortalecimento do trabalho em saúde por meio de equipes interdisciplinares, simultaneamente em que, novos conhecimentos psicológicos foram criados no setor. É importante considerar que apenas 4,9% das pesquisas feitas no campo da psico-oncologia são destinadas à formação de profissionais. 23 35E-Book Apostila A introdução de conhecimentos disciplinares e mecanismos de controle sobre os corpos é que representou uma nova organização do espaço hospitalar. A origem do hospital para fins de assistência médica se configura na mudança da forma de intervenção, onde a cura é direcionada para fatores que afetam adversamente a doença apresentada pelo paciente. Um fato curioso de um médico romano que apontou para a natureza destrutiva do câncer, e acreditava que, uma vez diagnosticado, não havia mais nada a fazer porque era uma doença incurável. É importante ressaltar sofrimento causado pela enfermidade, não se trata somente de algo físico, mas também psíquico. Sendo assim, o atendimento à saúde mental das pessoas afetadas e dos familiares afetados pela doença se tornam um alvo extremamente importante. A integração do psicólogo nas instalações do hospital foi possível pela primeira vez em 1818, em Massachusetts, no Hospital McLean, por meio da formação de uma equipe multiprofissional. Em 1904, foi instalado um laboratório de psicologia no mesmo hospital, o que tornou possível desenvolvimento de pesquisas pioneiras na área. Dessa forma, deu-se início ao processo de construção de uma psicologia com especificidade hospitalar. Vale ressaltar as mudanças na concepção de saúde, quando ela é entendida como um fenômeno biopsicossocial. Podemos pontuar um marco importante nas décadas de 70 e 90, que foi a criação de um espaço para psicólogo nos serviços da saúde. Mas devemos pontuar uma nova preocupação que surgiu a partir da Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada em 1978. A terapia para pacientes oncológicos poderia ser compreendida como problemas psicológicos. Um conceito bem equivocado não é mesmo? Se considerarmos que a terapia hoje é uma ferramenta importante para nosso século, na organização do pensamento. Atualmente uma das principais dificuldades da atuação do psicólogo no ambiente hospitalar é a incorporação à realidade institucional. que pode ser percebido é que hospital possui uma realidade muito particular em relação a outras instituições, e psicólogo deve estar ciente que sua atuação requer diversas reflexões. Devido ao grande distanciamento que há entre trabalho do psicólogo e a realidade no campo social, surge a necessidade de organizar a formação profissional para a atuação no setor público. É preciso superar o modelo clínico para a compreensão do processo saúde-doença, crivado de questões sociais, econômicas e políticas, que vão além das questões psicológicas. É correto afirmar que, psicólogo que atua no âmbito hospitalar, ao lidar com sofrimento originado pela hospitalização, as sequelas e consequências emocionais ocasionadas pela mesma, centra seu trabalho nas relações que se constroem com paciente. Além disso, a psico-oncologia pode ser entendida como uma área de ligação entre a Psicologia e a Oncologia, com base nos conhecimentos pedagógicos, técnicos e metodológicos da Psicologia da Saúde. 24 35E-Book Apostila Ela visa promover assistência aos pacientes, familiares e demais profissionais de saúde em todas as fases da doença ou do tratamento. Além disso, é uma área que visa explorar variáveis psicológicas e sociais que podem promover entendimento da ocorrência, recuperação e do tempo de vida que paciente possui, após o diagnóstico. que podemos notar, no entanto, é a maior eficiência dos tratamentos, a progressiva prestação dos serviços e a atenção voltada para os aspectos psicológicos que levaram a um aumento da expectativa de vida dos doentes, e também de uma maior preocupação com a qualidade de vida dos pacientes. Esses fatores possibilitaram estruturar os saberes e as práticas da Psico-oncologia. A Psico-oncologia foi reconhecida pela ciência como um campo do conhecimento a partir da década de 1950, quando os aspectos emocionais eram considerados como importantes mediadores no tratamento do câncer. que fica claro é que as doenças biomédicas não funcionariam de modo eficaz sem o suporte emocional oferecido ao paciente. Independentemente de sua abordagem teórica, atendimento psicoterapêutico ainda é o mais comum, no que diz respeito ao método usado pelo psicólogo no contexto oncológico. Porém, nos congressos realizados, destacam-se métodos como atendimento em grupo com pacientes e familiares, bem como estratégias de enfrentamento e acompanhamento em domicílio, que mostra que os métodos tendem a ser ampliados, conforme as necessidades identificadas. É muito difícil para o profissional determinar o método adequado para cada caso. A contribuição técnica e teórica usada deve ser estruturada conforme local de trabalho, diagnóstico do paciente, tipo de intervenção e, principalmente, objetivo a ser alcançado. É importante lembrar que no atendimento a pessoas hospitalizadas, não tem como controlar o tempo de internação e eventualidades, como agravamento da doença, transferência de hospital, medicamentos que podem afetar o estado de vigília e consciência do paciente, e até mortes repentinas, situações que podem acontecer e mudar as propostas de atendimento ao paciente. Após um diagnóstico como o do câncer, dependendo da gravidade do caso, a pessoa acometida não consegue mais realizar suas atividades diárias e não vê sentido em planejar um futuro que, para ela, se tornará incerto. paciente pode entrar em crise psicológica, que se pode apresentar em graus variados de intensidade. Logo, a qualidade de vida influencia positivamente os pacientes com câncer; portanto, o controle da dor colabora, de forma satisfatória, para uma melhor tolerância ao tratamento do câncer. Em alguns casos, tratamento adotado para paciente são os cuidados paliativos que, segundo a Organização Mundial da Saúde, são classificados como um tipo de abordagem que foca na melhoria da qualidade de vida do paciente e de seus familiares. 25 35E-Book Apostila Esperamos que conteúdo de hoje tenha sido um facilitador na compreensão sobre a complexidade envolvida em tratamentos de câncer e como paciente e seus familiares são afetados pela doença. Associar valor do bem-estar mental ao desenvolvimento, enfrentamento ou cura de enfermidades é o passo principal para absorver a importância da psicologia hospitalar e da psico-oncologia. Ficamos por aqui com essa aula. Aproveite o seu material com atividades e leituras complementares. Até mais! Siga para próximo tópico. Caso Prático Leia trecho abaixo e reflita sobre a afirmação de acordo com os conhecimentos adquiridos ao longo dos estudos nesta unidade de aprendizagem. 'O atendimento pelo psicólogo da saúde a portadores de doenças crônicas no contexto hospitalar segue os mesmos princípios e tem os mesmos objetivos que a psicoterapia realizada em consultórios.' 26 35E-Book Apostila Clique aqui para ver a RESPOSTA ESPERADA tratamento psicológico no âmbito hospitalar se difere muito das consultas realizadas em consultórios particulares. Atender pacientes com doenças graves requer uma atuação multidisciplinar do profissional com os outros participantes da vida médica da pessoa em questão. Além disso, o trabalho em hospitais requer outras ferramentas de intervenção e atuação específicas para cada caso e para o local em que ele se encontra. Mas e você estudante, que respondeu por ai? Clique em próximo tópico. Simulado Trouxemos algumas questões de concurso para você finalizar seus estudos de forma completa. (UNIRIO - 2008) Ao definir saúde como um "estado de completo bem-estar 27 35E-Book Apostila físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou a Organização Mundial de Saúde propiciou o surgimento do chamado Modelo Biopsicossocial de atenção que requer a atuação de equipes multiprofissionais. A equipe multiprofissional com atuação multidisciplinar caracteriza-se pela busca da síntese de saberes e de identidade teórica para a ação do grupo a de profissionais. Resposta Incorreta: Tente novamente. trabalho multidisciplinar no modelo biopsicossocial é um trabalho em conjunto com os profissionais para melhor atender ao paciente, e não necessariamente uma síntese de saberes e identidade teórica. criação de interdependência dos distintos campos de saber e b modos de atuação. Resposta Incorreta: Tente novamente. A proposta desse trabalho é justamente aproximar os distintos campos de saber e modos de atuação. 28 35E-Book Apostila construção de um trabalho coordenado e orientado por c métodos comuns. Resposta Incorreta: Tente novamente. Não necessariamente trabalho será orientado por métodos em comuns, cada profissional de determinada área pode agir de uma forma, mas baseado no entendimento coletivo dos demais campos de atuação cooperação entre os profissionais e manutenção de seus d objetivos específicos. Resposta Correta: Parabéns! trabalho multidisciplinar no modelo biopsicossocial visa justamente a cooperação entre os profissionais com cada um mantendo seus objetivos específicos. superação de possíveis barreiras profissionais e ação planejada e em comum acordo. Resposta Incorreta: Tente novamente. As ações não precisam estar em comum acordo. 29 35E-Book Apostila (VUNESP - 2022) Quando um psicólogo que atua em uma instituição hospitalar precisa comunicar a um paciente um diagnóstico sombrio, especialmente que estão associados a pouca chance ou tempo de sobrevivência, é importante que ele estimule as expectativas de cura e reforce as condições do a paciente para se recuperar plenamente. Resposta Incorreta: Tente novamente. psicólogo não deve criar expectativas de cura no paciente, e sim ser real quanto à sua situção. faça uma exposição técnica detalhada sobre todos os aspectos b envolvidos com a situação do paciente. Resposta Incorreta: Tente novamente. Exposição técnica com os detalhes de sua situação deve ficar por conta do médico que trata paciente. comunique dados fundamentais sobre a condição desse c paciente, bem como os dados por ele solicitados. 30 35E-Book Apostila Resposta Correta: Parabéns! profissional deve comunicar os dados fundamentais e reais sobre a condição desse paciente, bem como os dados por ele solicitados. apresente claramente ao paciente uma estimativa do tempo de d vida que ainda lhe resta. Resposta Incorreta: Tete novamente. É meio improvável saber ao certo tempo de vida que resta a cada paciente, psicólogo não deve fazer isso. evite referir-se à natureza real do diagnóstico do paciente, e assunto que deve ser abordado unicamente pelos familiares. Resposta Incorreta: Tente novamente. psicólogo deve justamente referir-se à natureza real do diagnóstico do paciente, contando com apoio familiar para estes momentos. (CESPE / CEBRASPE - 2021) Com relação à psicologia da saúde, campo da psicologia que estuda, de modo interdisciplinar, aspectos do processo saúde- doença e seus vários objetivos, julgue item a seguir. 31 35E-Book Apostila Em se tratando de pacientes que apresentam altos níveis de ansiedade por indicação de quimioterapia, que recebem intervenção psicológica por esse motivo e que apresentam redução da ansiedade, em geral os efeitos colaterais da quimioterapia também são reduzidos. a Certo Resposta Correta: Parabéns! Já foi comprovado que intervenções psicológicas interferem diretamente na resposta do paciente às doenças e aos processos de tratamento, sendo assim a redução da ansiedade devido à quimioterapia também leva a uma diminuição dos efeitos colaterais da quimioterapia. b Errado Resposta Incorreta: Tente novamente. A afirmação está correta! tratamento da ansiedade em pacientes que precisam fazer quimioterapia gera redução dos efeitos colaterais do tratamento. Clique em próximo tópico. Saiba Mais 32 35E-Book Apostila Com propósito de agregar aos seus estudos nós trouxemos a sugestão de leitura de um artigo sobre a psico-oncologia e papel humanizado do psicólogo hospitalar. Arquivo PDF A PSICO-ONCOLOGIA E PAPEL HUMANIZADO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR Recurso é melhor visualizado no formato interativo No vídeo abaixo você verá sobre importância da psico-oncologia no tratamento do câncer explicada pela Psicóloga Marisa Campio. Vídeo Clique aqui para abrir vídeo Finalize a unidade no próximo tópico. Considerações Finais Finalizamos aqui mais uma unidade de aprendizagem. 33 35E-Book Apostila Esperamos que com material disponibilizado tenha sido possível compreender a complexidade envolvida em tratamentos de câncer e como o paciente e seus familiares são afetados pela doença. Associar o valor do bem-estar mental ao desenvolvimento, enfrentamento e/ou cura de enfermidades é passo principal para absorver a importância da psicologia hospitalar e da psico- oncologia. Continue sempre complementando seus estudos, pois assim você cresce! Até a próxima! Referências Bibliográficas Referencial bibliográfico básico: AGUIAR, Marília A. Freitas de; GOMES, Paula Azambuja; ULRICH, Roberta Alexandra; MANTUANI, Simone Borba de. Psico-oncologia: caminhos de cuidado. São Paulo: Summus Editorial, 2019. ALBUQUERQUE, Emília; CABRAL, Ana Sofia. Psico-oncologia: temas fundamentais. Lisboa: Lidel, 2015. ANGERAMI CAMON, Valdemar Augusto; GASPAR, Karla Cristina. Psicologia e câncer. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013. Referencial bibliográfico complementar: ARANTES, Ana Claudia Quintana. A morte é um dia que vale a pena viver: e um excelente motivo para se buscar um novo olhar para a vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. BUENO NEME, Carmen M. 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