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ECOLOGIA VEGETAL 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Letícia Estela Cavichiolo Espindola 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Após estudarmos como o indivíduo interage com fatores bióticos e 
abióticos, passaremos a compreender unidades de organização maiores. 
Visando compreender melhor a sucessão ecológica, o presente texto focará no 
estudo de como as espécies se comportam dentro de populações e 
comunidades. Para tanto, encontra-se organizado nos seguintes tópicos e 
objetivos principais: 
• Populações, com objetivo de compreender como estudar ecologicamente 
os indivíduos dentro de grupos da mesma espécie; 
• Comunidades, buscando compreender como o indivíduo interage com 
outros elementos bióticos; 
• A sucessão primária e as comunidades pioneiras, identificando os fatores 
que impactam os ecossistemas nas etapas iniciais de desenvolvimento; 
• A sucessão secundária e as comunidades tardias, buscando 
compreender as características de ecossistemas considerados maduros; 
• Introdução à biodiversidade, buscando compreender a variedade, 
dominância e diversidade dos ecossistemas. 
TEMA 1 – POPULAÇÕES 
Dentro do estudo da ecologia vegetal os seres vivos podem ser 
organizados em diferentes escalas. Nesta etapa, abordaremos duas delas: a 
população e a comunidade. Segundo Odum (2006, p. 225), a população pode 
ser definida como qualquer grupo de organismos da mesma espécie que ocupa 
um espaço particular e funciona como parte de uma comunidade biótica. Esta, 
por sua vez, é definida como o conjunto de populações que funciona da 
mesma forma como uma unidade integrativa, por meio de uma série de 
transformações metabólicas coevolutivas ocorridas em uma área, um mesmo 
habitat físico. Em outras palavras, o conjunto de indivíduos forma populações, e 
o conjunto de populações forma a comunidade, em que cada um deles 
respondeu a pressões evolutivas próprias. 
Uma população tem várias propriedades únicas, que não são 
características dos indivíduos que se agrupa. Tais propriedades, geralmente 
expressas por variáveis estatísticas, são: densidade, natalidade (taxa de 
 
 
3 
natalidade), mortalidade (taxa de mortalidade), distribuição por idades, dispersão 
espacial e formas de crescimento (r e K estrategistas). Frequentemente, as 
populações apresentam características genéticas que estão diretamente 
relacionadas com a ecologia, incluindo adaptabilidade, sucesso reprodutivo e 
persistência (compreendida como a probabilidade de deixar descendentes por 
longos períodos) (Odum, 2006, p. 225). 
Dentre as características de uma população, faremos o aprofundamento 
do estudo das seguintes propriedades: densidade populacional, taxa de 
crescimento populacional, curvas de sobrevivência e a pirâmide por idade. 
A relação entre o número de indivíduos que compõe uma população e o 
espaço por ela ocupado corresponde à densidade populacional. Em outras 
palavras, a densidade populacional (expressa em número por área) é o tamanho 
da população em relação a alguma unidade de espaço. Embora este número 
tenha a tendência em se manter relativamente estável, as populações podem 
crescer em número quando as condições tornam-se favoráveis. Esta capacidade 
da população aumentar numericamente, sob condições ótimas, é chamada de 
potencial biótico. Do mesmo modo, a população pode decrescer numericamente 
frente a fatores bióticos (como a predação) ou abióticos (como a seca) limitantes. 
Esta combinação de fatores que limitam o crescimento de uma população é 
chamada de resistência ambiental (Pugues, 2011, p. 31-33; Odum, 2006, p. 225). 
Para compreender a taxa de crescimento populacional, faz-se necessário 
levar em consideração as taxas de natalidade e de mortalidade, além dos 
processos imigração e emigração. Enquanto a taxa de natalidade indica o 
acréscimo de indivíduos à uma população e a taxa de mortalidade indica o 
decréscimo, a imigração corresponde à quantidade de novos indivíduos que 
chegaram à população, vindos de outras áreas. Já a emigração corresponde à 
quantidade de indivíduos que saíram daquela população para outras áreas 
(Pugues, 2011, p. 31-33; Odum, 2006, p. 229). À primeira vista, pode parecer 
estranho imaginar os processos de imigração e emigração em plantas, pois as 
compreendemos como organismos imóveis. Contudo, as sementes e outros 
propágulos vegetais foram evolutivamente desenhados para cumprir este exato 
papel de mobilidade, o que garante o fluxo gênico. Assim, sementes de dente-
de-leão chegarão a novas populações da sua espécie (imigração), bem como 
aguapés de um lago deixarão uma determinada população após inundações 
(emigrarão), por exemplo. 
 
 
4 
 O estudo do total de indivíduos por faixa de idade pode trazer 
compreensões interessantes acerca do desenvolvimento de uma população. A 
Figura 1 exemplifica dois destes tipos de análises: as curvas de sobrevivência e 
a pirâmide por idade. 
Figura 1 – Curvas de sobrevivência e pirâmide por idade 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: elaborada com base em Odum, 2006, p. 232-234. 
As curvas de sobrevivência correlacionam o logaritmo do número de 
indivíduos pela porcentagem do período de vida e, grosso modo, podem resultar 
em três principais tipos. O tipo 1 demonstra o comportamento de populações que 
tendem a apresentar alta taxa de mortalidade no final da vida. De modo oposto, 
as curvas do tipo 3 são típicas de populações que apresentam altas taxas de 
mortalidade no início do ciclo de vida. Já as populações que tendem a apresentar 
uma taxa relativamente constante de morte em todas as faixas etárias, tendem 
a apresentar curvas semelhantes ao tipo 2. 
Outra forma de análise importante consiste em comparar a idade em 
meses ou anos com a porcentagem de indivíduos para cada faixa de idade, o 
que forma figuras semelhantes às pirâmides e origina o nome desta análise 
(Figura 1). Se uma população possui muitos indivíduos jovens, mas 
expressivamente maior do que a de adultos e de idosos, esta população 
encontra-se em expansão (pirâmide A, de forma semelhante a um sino). Se ela 
apresenta taxas de natalidade e mortalidade estáveis, tende a configurar uma 
pirâmide semelhante a B, típica de populações ditas estáveis. Por outro lado, as 
populações consideradas em colapso apresentam “pirâmides” com bases muito 
menores do que seu corpo, em que é possível ver uma faixa de idade na qual a 
Tipo 3 
0 50 100 
N
º 
d
e 
in
d
iv
íd
u
o
s 
(l
o
g)
 
Tipo 1 
Tipo 2 
Idade (% do período de vida) 
A C B 
Fa
ix
a 
et
ár
ia
 
 
 
5 
natalidade passou a ser muito menor (pirâmide C, com forma semelhante a um 
pentágono). 
Para refletir, faça a si mesmo o seguinte questionamento: como você 
imagina a pirâmide de idade das populações de araucárias (ou outra árvore 
símbolo de sua região) em sua cidade? E em seu estado? Caso sejam do tipo 
de declínio, o que você pode fazer a respeito em seu campo de atuação 
profissional? 
TEMA 2 – COMUNIDADES 
No tópico anterior, percebemos que os organismos podem ser estudados 
na escala de população. Outra escala possível de estudo é a de comunidades. 
A comunidade, biota ou biocenose consiste no conjunto de populações que 
vivem em uma mesma área geográfica (Pugues, 2011, p. 25). Desta forma, ao 
estudar comunidades, necessariamente estudamos a interação entre espécies 
diferentes. As comunidades diferem quanto aos tipos e ao número de espécies 
que apresentam e quanto aos papéis ecológicos que desempenham (Miller 
Júnior, 2007, p. 116). 
As comunidades podem abrigar espécies nativas, não nativas, 
indicadoras, chave ou fundadoras (Pugues, 2011, p. 25; Miller Júnior, 2007, p. 
117). São consideradas nativas as espécies de ocorrência natural em uma 
determinada comunidade. Do modo oposto, são conhecidas por não nativas, 
invasoras ou exóticas as espécies que foram introduzidas em uma comunidade 
de modo intencional ou acidental.Além destas, existem algumas espécies que 
têm forte impacto na estrutura de uma comunidade, por vezes até mesmo 
tornando possível sua existência. Neste grupo de maior relevância, responsável 
pelo equilíbrio de uma comunidade, encontram-se as espécies chamadas de 
fundadoras e as espécies-chave. 
As espécies que modificam o ambiente, de modo que este passe a 
suportar outros seres vivos, são conhecidas como espécies fundadoras (Pugues, 
2011, p. 25). Uma espécie fundadora desempenha um papel único e essencial 
na criação e definição de uma comunidade. Geralmente, espécies fundadoras 
agem modificando o ambiente de forma que este possa suportar os outros 
organismos que formam a comunidade. Este é o caso da alga parda Macrocystis 
pyrifera, popularmente conhecida como Kelp. A instalação desta espécie cria 
condições para o desenvolvimento de uma rica comunidade chamada floresta 
 
 
6 
de kelp, onde os demais organismos dependem da sua existência. Outros 
exemplos são determinadas espécies de plantas de dunas, que ao se instalarem, 
fixam a areia e permitem o desenvolvimento de outros seres na restinga, papel 
também desempenhado pelas plantas que compõem um manguezal, este tão 
incompreendido berçário oceânico. Morcegos frugívoros, por exemplo, podem 
regenerar grandes áreas, semeando muitas espécies nativas junto aos seus 
excrementos (Miller Júnior, 2007, p. 121) 
Assim como as fundadoras, as denominadas espécies-chave apresentam 
grande relevância para uma comunidade. Isto porque ao eliminá-la, grandes e 
profundos impactos serão observados na comunidade, podendo ocasionar 
crises demográficas e extinções em muitas outras espécies (Miller Júnior, 2007, 
p. 119). Um bom exemplo de espécie-chave é a juçara (Euterpe edulis), uma 
palmeira muito especial da Mata Atlântica que, além de fornecer palmito aos 
humanos, produz frutos que alimentam dezenas de espécies de animais, como 
tucanos, sabiás, arapongas, jacus, antas, cotias, esquilos e catetos (Vinholes, 
2018, p. 1; Silva et al, 2017, p. 138). 
Outro grupo muito interessante são as chamadas espécies indicadoras. 
Por serem facilmente afetadas por mudanças ambientais, como a presença de 
poluentes e inseticidas ou perda de biodiversidade, estas espécies indicam 
estados de saúde ambiental, podendo ser usadas como avisos de alterações 
ambientais importantes. As plantas indicadoras de qualidade ambiental, também 
conhecidas por bioindicadoras, respondem às mudanças do ambiente por meio 
da alteração das taxas de crescimento, da capacidade de reprodução, da 
abundância, declínio, desaparecimento ou ausência, sendo usadas como 
ferramentas muito sensíveis para predição e reconhecimento de estresses 
ambientais (Parmar et al., 2016, p. 110). As borboletas, por exemplo, dependem 
diretamente de determinadas espécies de plantas, tanto na sua fase larval 
quanto na fase adulta. Por serem muito vulneráveis à fragmentação e perda de 
habitat, são consideradas boas espécies indicadoras destes quesitos (Miller 
Júnior, 2007, p. 118). 
TEMA 3 – SUCESSÃO PRIMÁRIA E COM UNIDADES PIONEIRAS 
A sucessão ecológica corresponde ao processo dinâmico em que um 
ambiente se altera por meio da colonização de novas comunidades biológicas, 
ou seja, a modificação da comunidade ao longo do tempo. Trata-se de um 
 
 
7 
desenvolvimento gradual, em que as espécies podem colonizar um local 
totalmente desprovido de vida ou mesmo parcialmente degradado por ações 
antrópicas ou catástrofes naturais. Isto se dá de maneira ordenada e 
progressiva, em que comunidades mais simples são gradualmente substituídas 
por comunidades mais complexas. 
O pesquisador que investigou e propôs as ideias de sucessão ecológica 
foi o norte-americano Frederic Edward Clements (1874-1945). Dedicando-se à 
botânica e à ecologia, Clements norteou seus trabalhos para os estudos e 
discussões a respeito dos fenômenos que ocorrem na dinâmica de uma 
associação de plantas, propondo o conceito de sucessão ecológica e, ao mesmo 
tempo, explicando suas fases em relação às causas próximas e remotas 
responsáveis por esse fenômeno. 
Como todo novo conceito, o entendimento da sucessão ecológica 
envolveu muitas interpretações e debates. Enquanto Clements considerava a 
comunidade vegetal como um “superorganismo”, visão explicada e defendida em 
seu livro de 1916 intitulado Plant Succession: an analysis of the development of 
vegetation (Sucessão de plantas: uma análise do desenvolvimento da 
vegetação), posteriores estudiosos como Arthur G. Tansley (1871-1955) e Henry 
A. Gleason (1882-1975) apresentavam outras propostas. Para Tansley, a 
comunidade se comportava como um “quase-organismo”, enquanto Gleason 
elaborou um conceito individualístico da associação de planta (Nunes et al., 
2013, p. 618). 
Atualmente é aceito que processo de sucessão pode ser dividido em 
sucessão primária e secundária. O tipo de sucessão classificada como primária 
ocorre em ambientes que apresentam condições desfavoráveis ao 
estabelecimento de vida, tais como locais que não possuíam comunidades 
biológicas instaladas, por exemplo: rochas nuas, solos pós-derramamento de 
lava vulcânica e dunas. As espécies que colonizam inicialmente estes ambientes 
são chamadas de espécies pioneiras. 
Dentre os vários estágios até que a comunidade se estabeleça numa 
sucessão ecológica, a fase inicial é conhecida por comunidade pioneira ou 
ecese. São características de comunidades pioneiras a presença de um número 
reduzido de espécies, mas pouco exigentes e tolerantes às adversidades do 
meio, como as cianofíceas e os líquens. Geralmente, as plantas de comunidades 
pioneiras apresentam taxa fotossintética superior à taxa de respiração (produção 
 
 
8 
primária líquida), o que permite o aumento de biomassa na comunidade. Nesta 
fase, há o estabelecimento de espécies chamadas de pioneiras, capazes de se 
estabelecer rapidamente no habitat alterado, tanto por dispersão rápida para o 
local ou a partir de propágulos que já estejam presentes no ecossistema. “As 
plantas de início da sucessão têm um estilo de vida fugaz, a continuidade da sua 
sobrevivência depende da dispersão para outros locais perturbados. Elas não 
conseguem subsistir em competição com espécies tardias e, desse modo, 
precisam crescer e consumir rapidamente os recursos disponíveis” (Pugues, 
2011, p. 36-38). 
De modo geral, a sucessão de comunidades vegetais se dá segundo o 
esquema a seguir, culminando em comunidades clímax que serão objeto de 
estudo do tópico a seguir. 
Figura 2 – Esquema da sucessão ecológica em comunidades vegetais 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEMA 4 – SUCESSÃO SECUNDÁRIA E COMUNIDADES TARDIAS 
Diferentemente da sucessão primária, que se dá onde não existiam seres 
vivos, a sucessão secundária acontece em regiões que anteriormente eram 
povoadas por seres vivos. Com o desenvolvimento das comunidades pioneiras, 
o ambiente vai se tornando favorável ao surgimento de novas espécies. Uma 
sequência clássica de vegetação é: desenvolvimento de ervas anuais, seguida 
por espécies perenes herbáceas, substituída gradualmente por arbustos e 
árvores sucessionais iniciais e, por fim, árvores sucessionais tardias. As 
transições graduais que acontecem nas comunidades vegetais não são 
claramente identificadas por serem graduais, sendo chamadas de seres ou 
séries. 
Comunidade clímax Sucessão de comunidades 
intermediárias 
Instalação de 
espécies pioneiras 
Complexidade estrutural e funcional do ecossistema 
 
 
9 
As sementes das plantas típicas dos estágios sucessionais tardios podem 
germinar na sombra, por exemplo, abaixo do dossel em uma floresta. Elas 
podem continuar a crescer lentamente, sob essas intensidades luminosas 
baixas, ao contrário das espécies pioneiras (Pugues, 2011, p. 36-38). As 
diversas características que diferenciam as comunidades em desenvolvimento 
das comunidades maduras estão compiladas na Tabela 1.Tabela 1 – Comparação entre fases de desenvolvimento de ecossistemas 
Atributos dos 
ecossistemas 
Fases em 
desenvolvimento 
Fases maduras 
Diversidade de espécies Pequena Grande 
Composição de espécies Muda rapidamente Tende a não mudar 
Cadeias alimentares Linear, predominante 
de pastoreio 
Tecido, predominante 
de detritos 
Detritos na regeneração Pouca importância Grande importância 
Matéria orgânica total Pouca Muita 
Estratificação e 
heterogeneidade espacial 
Pouco organizada Muito organizada 
Tamanho dos organismos Pequenos Grandes 
Ciclos de vida Curtos e simples Longos e complexos 
Troca de nutrientes Rápida Lenta 
Crescimento Rápido (r 
estrategistas) 
Lento (K 
estrategistas) 
Resistência a perturbações 
externas 
Baixa Alta 
Razão P/B: produção 
bruta/respiração da 
comunidade 
Distante do que 1 Próxima de 1 
Razão B/E: biomassa 
suportada/fluxo de energia 
Baixa Alta 
Fonte: elaborada com base em Odum, 1988, p. 405. 
Quando comparamos comunidades em desenvolvimento com as 
comunidades maduras (Tabela 1), podemos perceber que estas se comportam 
de maneira praticamente oposta. Comunidades jovens tendem a apresentar 
 
 
10 
menos espécies, composto por seres menores e de crescimento rápido, com 
ciclos de vida curtos. Sua composição de espécies tende a mudar, uma vez que 
as espécies pioneiras criam condições favoráveis ao desenvolvimento de outras 
espécies. Este é o caso das comunidades com predominância de indivíduos 
herbáceos. Já as comunidades ditas maduras (ou clímax) apresentam uma 
grande diversidade, composta por organismos grandes e de crescimento lento, 
que interagem de forma complexa. Este é o caso de florestas arbóreas, onde a 
composição de espécies tende a não mudar. 
Segundo Odum (1988, p. 423), é chamada de clímax a comunidade 
vegetal final ou estável numa série de desenvolvimento (sere). Esta, é 
autoperpetuável e se encontra em equilíbrio com o ambiente físico. Portanto, a 
importação de nutrientes e a produção de biomassa estão em equilíbrio em 
relação ao consumo da comunidade. Identificar este tipo de comunidade pode 
ser desafiador, como destaca Pugues (2011, p. 37): 
Na realidade, geralmente é muito difícil identificar no campo uma 
comunidade “clímax” estável, normalmente, podemos apenas salientar 
que a taxa de alterações se processa devagar, até o ponto onde 
qualquer mudança torna‑se imperceptível. Uma floresta ou uma ampla 
formação campestre que parece ter alcançado uma estrutura de 
comunidade estável, quando estudada em escala de hectares, será 
sempre um mosaico de sucessões em miniatura. Com a queda de 
árvores ou a morte de ervas campestres, criam‑se clareiras nas quais 
começam novas sucessões. O padrão da dinâmica em manchas de 
muitas comunidades é o resultado dos processos de mortes, 
substituições e microssucessões que uma observação mais 
abrangente pode ocultar. 
Comunidades consideradas jovens ou em desenvolvimento possuem 
taxas de fotossíntese bruta ou de produção altas, inclusive maiores do que as 
taxas de respiração. Por isso, a razão P/B (razão entre produção bruta pela 
respiração da comunidade) tende a ser maior do que 1. Conforme a comunidade 
progride na sucessão ecológica, amadurecendo ao clímax, a razão P/B tende a 
apresentar valores muito próximos de 1, o que demonstra que a energia fixada 
tende a ser equilibrada pelo custo energético total de manutenção da 
comunidade. Por isso, Odum (1988, p. 406) considera que a razão P/B é um 
excelente índice para identificar a maturidade de uma floresta. 
TEMA 5 – INTRODUÇÃO À BIODIVERSIDADE 
As comunidades clímax, assim como os ecossistemas, são complexas e 
apresentam um equilíbrio ecológico, ou seja, um estado de equilíbrio dinâmico 
 
 
11 
dentro de uma comunidade de organismos na qual a diversidade genética e de 
espécies do ecossistema permanece relativamente estável, sujeita a mudanças 
graduais por meio da sucessão natural. Para compreendê-las, faz-se necessário 
acompanhar sua biodiversidade, que segundo Juniper (2019, p. 92) pode ser 
definida como: 
Biodiversidade é a variedade de vida na Terra - em todas as suas formas 
e em todos os níveis, desde genes de micróbios até humanos e todas as 
outras espécies, incluindo aquelas ainda serão descobertas. Os 
humanos necessitam da biodiversidade para alimentos e combustível, 
abrigo, medicina, beleza e prazer. Para outras espécies, também 
fornece nutrientes, dispersão de sementes, polinização e sucesso 
reprodutivo. Nenhum ser vivo poderia sobreviver sem biodiversidade. 
Odum (2006, p. 38) pondera que, além da diversidade de espécies e 
genética, a diversidade de um ecossistema engloba a diversidade de habitats e 
de processos que mantêm este sistema complexo. Para analisar melhor as 
espécies em uma determinada escala ambiental, podemos recorrer aos 
seguintes parâmetros: diversidade, riqueza e dominância. 
A diversidade de espécies refere-se à variedade de espécies de 
organismos vivos de uma determinada comunidade, habitat ou região. É 
considerada como um aspecto favorável de comunidades naturais. Já a riqueza 
de espécies refere-se à abundância numérica de uma determinada área 
geográfica, região ou comunidade, enquanto a dominância procura identificar 
qual ou quais espécies são dominantes nesta mesma área. Ao investigar a 
dominância, podemos perceber, por exemplo, que uma só espécie representa 
um grande número de indivíduos e é responsável por uma grande biomassa em 
uma comunidade, possuindo, portanto, grande importância neste contexto. 
Os parâmetros de diversidade, riqueza e dominância podem ser 
acompanhados estatisticamente. Dentre as diversas propostas de análise 
existentes, faremos o recorte detalhado a seguir, baseando-nos na publicação 
de Odum (2006, p. 38-40) no intuito de facilitar a compreensão do seu uso 
prático. 
A riqueza pode ser expressa apenas por um número, ou seja, o total 
numérico das categorias de análise (espécies, variedades genéticas etc.). Já o 
índice de Shannon resulta de cálculos em que, quanto maior o valor, maior a 
biodiversidade. Outro índice muito utilizado é o de Simpson, que é uma dentre 
as formas de acompanhar a dominância. Seu cálculo resulta em um valor que 
varia de zero até um, em que valores altos indicam forte dominância e baixa 
 
 
12 
diversidade. Agora que nos apoderamos destas informações, proponho o 
seguinte desafio: observe a Tabela (2) a seguir e liste quais afirmações podemos 
levantar baseado em seus dados. 
Tabela 2 – Comparação da variedade, dominância e diversidade entre dois 
ambientes 
Habitat N. de espécies 
Índice de Simpson 
(dominância) 
Índice de Shannon 
(diversidade) 
Pradaria natural 29 0,13 0,83 
Campo de milho 11 0,89 0,06 
Fonte: elaborada com base em Odum, 2006, p. 40. 
Se, ao responder o desafio proposto, você foi capaz de concluir que o 
campo cultivado possui alta dominância com baixa diversidade, você acertou em 
cheio. Mas o que isso significa? Significa que este tipo de ambiente é pobre em 
espécies e, mais do que isso, concentra grande número de plantas em uma ou 
poucas espécies. De modo contrário, as pradarias naturais se mostram ricas e 
complexas. Por isso, existe uma grande perda de biodiversidade ao transformar 
pradarias em campos de cultivo. 
Vale salientar que a conformação espacial de uma comunidade impacta 
muito na composição de suas espécies. Por exemplo, 100 km² contínuos de 
Mata Atlântica são muito diferentes de 10 fragmentos do mesmo bioma que, 
somados, totalizam 100 km² também. Atualmente, os habitats encontram-se 
cada vez mais fragmentados em consequência das ações antrópicas, 
principalmente do desmatamento e queimadas. 
Como consequência da fragmentação, as comunidades e ecossistemas 
têm sofrido a perda da diversidade biótica local em consequência da perda de 
habitats. Com o tempo, muitas espécies podem ficar isoladas em fragmentos 
que não fornecem condiçõesao seu desenvolvimento, culminando em extinções. 
No processo de fragmentação, as espécies tolerantes à sombra tendem 
a sofrer grande impacto, pois as bordas dos fragmentos possuem condições de 
luminosidade e temperatura do solo (dentre outras) muito diferentes das 
encontradas nos centros dos fragmentos. Tal condição, denominada efeito de 
borda, pode impactar distâncias entre 10 e 600 metros para o interior do 
 
 
13 
fragmento, variando muito de acordo com as características e comunicações 
entre os fragmentos formados. Pugues (2011, p. 39) destaca que: 
A permanência de uma determinada espécie em um fragmento vai 
depender de sua tolerância aos efeitos de borda, como aumento da 
temperatura do ambiente, incluindo a temperatura do solo, diminuição 
da umidade do ar, maior exposição aos ventos etc. Essas mudanças 
afetam as espécies presentes nos fragmentos, originando mudanças 
bióticas, como a proliferação de espécies adaptadas às novas 
condições ambientais, as quais tendem a competir com as espécies 
originalmente presentes, podendo ocorrer extinção de plantas e 
animais. 
NA PRÁTICA 
Para uma análise prática, utilizaremos o exemplo da pesquisa realizada 
por Tabarelli e Mantovani, (1999, p. 245), em que foi acompanhado o processo 
de regeneração de uma Floresta Tropical Montana, no estado de São Paulo, 
após processos de corte e queima. Para iniciarmos, leia o resumo dos resultados 
obtidos por estes pesquisadores no parágrafo a seguir. Finalize montando um 
breve esquema visual do processo de sucessão nesta área de estudo. 
No estudo de Tabarelli e Mantovani, ao comparar áreas em diferentes 
fases de sucessão, foi possível perceber que o uso intensivo das áreas 
degradadas alterou as condições físico-químicas do solo, favorecendo o 
desenvolvimento de plantas herbáceas e arbustivas e dificultando a regeneração 
por espécies tolerantes à sombra. Foi possível notar que o estabelecimento de 
uma comunidade pioneira é um pré-requisito para o estabelecimento sequencial 
de outros grupos de espécies. No processo de sucessão ecológica local, 
observou-se o desaparecimento de espécies pioneiras, como as plantas da 
família Asteraceae, seguido do aparecimento de um maior número de espécies 
de Myrtaceae e Lauraceae, famílias compostas, em sua maioria, por espécies 
de maior porte, tolerantes à sombra e zoocóricas. Além destas, também surgiram 
Myrtáceas, composta por espécies típicas de sub-bosque. Os estágios mais 
maduros apresentaram-se mais complexos, diversos e com indivíduos maiores 
do que os estágios inicias de sucessão. Estes resultados estão em consonância 
com o apresentado nos temas anteriores, sobretudo a Figura 2 e a Tabela 1. 
 
 
 
14 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, aprendemos que espécies podem ser estudadas em nível 
de população e/ou de comunidades. Populações vegetais podem ser estudadas 
por meio do acompanhamento de diversas propriedades, tais como densidade 
populacional, taxa de crescimento populacional, curvas de sobrevivência e a 
pirâmide por idade. O estudo das comunidades vegetais permite compreender 
suas fases de desenvolvimento e identificar espécies de grande relevância, tais 
como as espécies-chave e indicadoras. As comunidades em desenvolvimento 
tendem a apresentar indivíduos menores, de ciclo de vida mais curtos e com 
diversidade de espécies menor do que as comunidades autoestáveis e maduras, 
chamadas de clímax. Além do estágio sucessional, a conformação espacial das 
comunidades, como o seu grau de fragmentação, pode influenciar grandemente 
a diversidade e dominância de espécies que estas apresentam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
REFERÊNCIA 
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