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FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR Reabilitação Cardiovascular Somatório das atividades necessárias para garantir aos pacientes portadores de cardiopatia as melhores condições física, mental e social, de forma com que eles consigam, pelo seu próprio esforço, reconquistar uma posição normal nas comunidades e levar uma vida ativa e produtiva. A reabilitação cardiovascular conta com uma equipe multiprofissional, onde o fisioterapeuta tem um papel importante desde a fase hospitalar até a fase ambulatorial. A principal ferramenta utilizada no processo de reabilitação é o exercício físico supervisionado, controlado e com parâmetros estabelecidos para cada paciente. Pode ser feito em esteiras, bicicletas, etc. Objetivos Traçados de acordo com a fase que o paciente se encontra. Fase I: hospitalar. Período em que o paciente se encontra na UTI coronariana ou na enfermaria. Atuação da equipe multi, levantando fatores de risco. Fase II: alta hospitalar. Do momento da alta até cerca de 2 a 3 meses após alta. Período em que o indivíduo está com maior risco cardíaco. Paciente encaminhado para algum atendimento ambulatorial. Fase III: continuidade do tratamento em nível ambulatorial. Paciente estável e com menor nível de risco. A diferença da fase II para a fase III é a intensidade de treino (na III é maior). Não tem tempo definido de duração, mas de 6 meses a 1 ano é o ideal para ficar em reabilitação supervisionada. Fase IV: momento em que o paciente faz o exercício sem supervisão direta. Pode ser feito em academias, ruas, praças, etc. O treinamento físico associado a mudança de estilo de vida diminui a mortalidade cardíaca e melhora significativamente múltiplas variáveis relacionadas à doença cardiovascular. Estratificação de risco clínico: Leva em consideração: o O tempo após de evento cardiovascular; o Capacidade funcional (teste de esforço e teste cardiopulmonar); o Sinais e sintomas de isquemia miocárdica; o Sintomatologia; o Outras características clínicas. Indicações: Indivíduos aparentemente sadios; Portadores de fatores de risco de doença coronária aterosclerótica Portadores de DAC: isquemia miocárdica silenciosa, angina estável, pós IAM, pós revascularização miocárdica, pós angioplastia coronária Indivíduos com teste ergométrico anormal Valvulopatias Portadores de cardiopatias congênitas Cardiopatia hipertensiva Cardiomiopatia dilatada Pós-transplante cardíaco Portadores de marcapasso. Contraindicações absolutas: Insuficiência cardíaca descompensada Infarto agudo do miocárdio instável Angina instável Miocardite ativa FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR Pericardite aguda Aneurismas da aorta torácica e abdominal Embolias pulmonar ou sistêmica recentes Tromboflebite Hipertensão pulmonar ou arterial grave não tratadas Estenose aórtica e insuficiência mitral graves Taquicardia ventricular em repouso Infecções agudas Obstrução arterial periféricas graus II limitante, III e IV Retinopatia diabética com deslocamento da retina. Figura 1 - Classificação da Obstrução Arterial Periférica Contraindicações Relativas: Arritmia supraventricular de alta frequência, não controlada Aneurisma ventricular Estenose aórtica moderada Cardiomiopatia hipertrófica Cardiomegalia acentuada Anemias em geral, incluindo anemia falciforme Distúrbios metabólicos não compensados (diabetes, tireotoxicose, mixedema, dislipidemias graves) Distúrbios psiconeuróticos terapia-dependente Insuficiência respiratória moderada Condições que requerem considerações especiais e precauções: Arritmia cardíaca controlada Distúrbios de condução: bloqueio atrioventricular completo, bloqueio do ramo esquerdo, Síndrome de Wolff Parkinson White Marcapasso artificial Distúrbios eletrolíticos Uso de medicamentos: digital, betabloqueadores, antagonistas de cálcio, anticoagulantes, insulina Angina estável Obesidade acentuada Osteoporose Insuficiência hepática e renal OBS: Em relação aos medicamentos, sempre verificar se o paciente está tomando corretamente e se a inadequação do uso pode estar causando alguma alteração cardíaca. Riscos dos programas de reabilitação cardíaca: O treinamento físico tem sido considerado uma forma segura de intervenção. A morte cardíaca súbita é rara em indivíduos aparentemente desafios, mesmo em exercícios vigorosos. Causas mais frequentes de PCR: o Sujeitos > 35 anos = doença coronária aterosclerótica; o Sujeitosvisando o steady-state, estando em condição de equilíbrio e na faixa de treinamento. 2. Intervalado: o Séries de exercícios alternados com períodos de repouso ativo ou intervalos de recuperação. o Número, duração, intensidade e intervalos variados. o Resistência aeróbia ou muscular periférica. São usados para resistência aeróbia ou muscular periféricas. Usado em cardiopata bem condicionada, onde o treino de resistência aeróbia contínua já não consegue mais alcançar a frequência de treinamento, precisando de cargas maiores intervaladas ou pneumopatas que não tem uma boa condição física, que precisa intervalar com períodos de repouso para manter o treino. Período inicial ou final do treinamento: 1. Aquecimento Maior eficácia metabólica. Prevenir lesões osteomioarticulares. 2. Recuperação ou desaquecimento Retorno para condições de repouso de maneira planejada. O aquecimento e a recuperação ou desaquecimento são inerentes à sessão de treinamento. No programa de exercício físico, além do aquecimento e da recuperação, incluir a resistência aeróbia, resistência muscular localizada e flexibilidade. Resistência aeróbia São exercícios dinâmicos, que ocorrem em condições de equilíbrio de oferta e demanda de oxigênio (steady-state). Em intensidade moderada, tempo prolongado (30min), envolvendo grandes grupos musculares. Exemplos: andar, correr, pedalar, nadar, etc. Resistência muscular localizada: Deve abranger resistência muscular e força. Privilegiar grandes grupamentos musculares. Feito com o peso corporal ou implementos, carga individualmente ajustadas e técnicas e posturas corretas. O objetivo é melhorar a fatigabilidade do paciente. Conseguir que ele faça o treino completo em uma intensidade moderada para ganhar capacidade aeróbia. Flexibilidade: Importante para evitar lesões, favorecer a realização dos outros exercícios e diminuir queixas de dor muscular. Devem estar incluídos exercícios de flexibilidade e alongamento nos programas de treinamento, tanto preventivo como de reabilitação, pois eles facilitam as atividades cotidianas. Fórmulas para determinação da FC de treinamento FC de reserva (Karvonen) FCT= (FC max - FCrep) x percentual + FCrep FC max: máxima que o indivíduo atingiu no teste de esforço. FC de repouso: mínima que o indivíduo atingiu no teste de esforço. Percentual: varia de 0,5 a 0,8 - (50-80%). Depende da fase que o paciente se encontra e da condição clínica do paciente. o Fase II: 50-70% o Fase III: 60-80% Faz primeiro parênteses, depois multiplicação e por último adição. Fazer a conta sempre da variação do percentual (fazer x 0,5 e x 0,8, por exemplo) para saber a variação da frequência de treinamento. FC positivação: sinais de isquemia miocárdica (supradesnível de ST, angina). Muda a frequência de treinamento. FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR Ao invés de usar a FC pico, usar a frequência de positivação para fazer a conta. Ergoespirometria Prescrição de exercícios mais segura e adequada. FC atingida no limiar de anaerobiose do teste ergoespirométrico. Percentuais de VO2max atingido num teste cardiopulmonar (40-78%). Escala de BORG Escala subjetivos de percepção de esforço. Cansaço avaliado em 10 a 12 pontos da escala de Borg (graduada de 6 a 20). Cansaço avaliado em 3 a 4 pontos da escala de Borg (graduada de 0 a 10). Fatores que modificam o nível de frequência de treinamento (FCT) o Angina o Desnível do segmento ST o Presença de arritmias o PÁS e PAD o Medicamentos OBS: Angina e desnível do segmento ST são os que mais alteram o nível de FCT Prescrição de treinamento de RML Séries: 1 a 3 Números de repetições: 6 a 20 Intensidade: o Baseada no teste de 1 RM Leve: até 30% Média: 30% a 60% ou 70% Alta: a partir de 60% ou 70% o Quando não tem a possibilidade de fazer o teste de 1 RM, faz uma avaliação subjetiva utilizando método de repetição variável em um Borg em torno de 3. 15 a 20min de uma sessão. Intervalos de 30s para recuperação da musculatura solicitada. Alternar os grupos musculares solicitados para evitar fadiga, lesões musculares e articulares Orientar a técnica correta de atividade respiratória e execução de cada exercício. Individualização das cargas de treinamento. Manutenção dos exercícios por período mínimo de oito sessões de condicionamento físico, para facilitar o aprendizado e o aperfeiçoamento da técnica de execução. Períodos muito prolongados de execução dos mesmos exercícios provocam falta de motivação e prejudicam os resultados com o treinamento. Prescrição de flexibilidade: Exercícios de fácil execução e respeito às limitações individuais. FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR Ambiente tranquilo, combinando técnicas de relaxamento e respiração. Exercícios de alongamento o Redução da tensão muscular o Atenuação das dores lombares o Melhoria da postura o Consciência corporal o Capacidade de desempenho das tarefas profissionais e de lazer Aquecimento e desaquecimento Causas das lesões desenvolvidas no Programa de treinamento físico: Fraqueza Redução da resistência muscular Retrações Sobrecarga muscular Incoordenação motora Assimetria de membros Alterações músculo esqueléticas anteriores Fase II: Teste de esforço precoce o 50 a 70% FC pico o Sinais o Sintomas o Alterações ECG o Monitorização Fase III: TE: 60 a 80% da FC máx em esforço Capacidade funcional em média de 8 METS Baixo risco de novos eventos cardíacos Monitorização durante o esforço Controle da PA e FC antes, durante e após o exercício físico Reavaliação periódica: o Clínica 6 M o Fisioterapêutica 3 M Reprogramar tratamento O que é necessário para realização de reabilitação do paciente cardiopata ou de portadores de fatores de risco? Ergômetros Monitorização cardíaca Colchonetes, pesos, bastões, cronometro, estetoscópio e esfigmomanômetro. Fase IV da Reabilitação Cardíaca Candidatos aptos a programa de reabilitação supervisionada apenas 25%. Durante um período de 6 meses a taxa de desistência é de 25 a 50%. E no período de 1 ano cerca de 90%. Principais fatores para a falta de adesão a reabilitação supervisionada: Transporte Horários e/ou localização inconvenientes Custo excessivo Incompatibilidade com o trabalho Prescrição inadequada Complicações de ordem médica Problemas psicossociais Escassez de centros de treinamento. Benefícios do exercício físico: São inúmeros, e quando falamos da reabilitação não supervisionada (RNS), temos alguns pontos importantes: o Após treinamento físico em clínicas especializadas. o Exercício físico em parques, ruas e domicílios. o Aderência maior quando comparada a reabilitação cardíaca supervisionada. A RNS o Tem alguns pontos: o Envolve uma equipe multiprofissional o E querendo ou não uma supervisão a distância e que deve englobar reavaliações periódicas. Objetivos: o Condições fisiológicas o Condições psicológicas o Condições vocacionais o Condições sociais o Readaptação do paciente à comunidade Indicações para a RNS: Estratificação de risco para exercício físico (AHA) FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR Os quatro estágios da insuficiência cardíaca, segundo a AHA, são: Estágio A: Pacientes com alto risco de desenvolver insuficiência cardíaca, mas que ainda não apresentam sinais ou sintomas da doença. Estágio B: Pacientes com doença cardíaca estrutural (ex: histórico de ataque cardíaco, pressão alta) que ainda não desenvolveram sintomas de insuficiência cardíaca. Estágio C: Pacientescom insuficiência cardíaca com sintomas (ex: fadiga, falta de ar, inchaço). – NÃO INDICADO. Estágio D: Pacientes com insuficiência cardíaca avançada, refratária ao tratamento convencional. - NÃO INDICADO. Avaliação do paciente na RNS: História Clínica: o Diagnóstico cardiovascular o Fatores de risco para aterosclerose o Comorbidades o Avaliação das medicações Exame Físico: o Sinais vitais o Avaliação cardiovascular e pulmonar o Avaliação musculoesquelética o Medidas antropométricas Exames: o ECG repouso o Teste ergométrico o Ecocardiograma o RX tórax o Exames laboratoriais o Outros Outros: o Avaliação nutricional o Avaliação das atividades de vida diária o Questionário de qualidade de vida o Avaliação psicossocial Prescrição do Exercício na RNS: Deve ser INDIVIDUALIZADO Pensando no: o Tipo: Exercícios aeróbios: caminhada em terreno plano, esteira e bicicleta ergométrica, cicloergômetro de braço e outros o Intensidade: 40% a 60% do VO2pico 60% a 80% da Fcmax Escala de Borg (12 a 13) o Frequência 30 a 60 minutos o Duração 3 a 5 vezes por semana Dias alternados Etapas: Aquecimento: 5-10 mim Condicionamento: 15-30 mim Desaquecimento: 5-10 mim Orientações durante a sessão de treinamento: Início: o Devagar o Progressões graduais Velocidade nos aclives Limitações pessoais o Se exercitar apenas quando estiver se sentindo bem Evitar: o Exercício sob impacto de emoções o Logo após despertar o Em grupos de indivíduos sadios ou de faixa etária inferior o Esportes esporádicos (feriados ou fins de semana) Afecções agudas: aguardar dois dias após resfriados para voltar aos exercícios Competições: apenas sob liberação médica Interromper treinamento e procurar médico: o Movimentos dolorosos persistente o Agravamento de queixas preexistentes o Sintomas de treinamento excessivo Não ingerir bebidas alcoólicas ou fumar antes e após os exercícios Alimentação: o Grandes refeições: 2 horas o Café, chá preto, refrigerantes: 1 hora antes e após o Água: antes, durante e após o Nunca se exercitar em jejum FISIOTERAPIA CARDIOVASCULAR o Diabetes: instruções especiais Banhos: o Evitar quentes ou frios próximo ao exercício o Preferência: banhos tépidos após 15 minutos Condições Ambientais: o Temperatura o Umidade relativa do ar o Poluição o Grandes variações de altitude o Avenidas de tráfego intenso Vestimentas: o Roupas porosas e adequadas às condições climáticas o Nunca utilizar trajes emborrachados o Calçados macios e flexíveis, de preferência tênis Horário Frequência cardíaca Sinais e sintomas de treinamento excessivo Sinais e sintomas de treinamento excessivo: Durante ou logo após a sessão: o Angina grau 3 ou 4 em escala de 1 a 4 o Aumento da frequência de arritmias o Bradicardia inapropriada o Taquicardia inapropriada o Ataxia, tonturas, confusão o Náuseas e vômitos o Claudicação de membros inferiores o Palidez, cianose o Dispnéia persistente por mais de 10 minutos o Hipoglicemia no diabetes mellitus Tardios: o Fadiga prolongada o Insônia incomum o Ganho de peso por retenção hídrica o Taquicardia persistente (FC maior que 100 a 110, 6 o minutos após o exercício) o Hipoglicemia no diabetes mellitus até 48 horas Adesão ao tratamento: Consultas periódicas com a equipe multiprofissional. Acompanhamento telefônico semanal Palestras educativa ou reuniões Atividades recreativas em grupo Solicitar apoio de familiares e amigos Escolher exercícios prazerosos Exercícios não muito intensos Gráficos de progressão para registar resultados aos participantes.