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GERENCIAM
ENTO e controle da poluição da água e do solo
50669
Código Logístico
2017
Gerenciamento e Controle de 
Poluição da Água e do Solo
Amilcar Marcel de Souza
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
Capa: IESDE BRASIL S/A.
Imagem da capa: Shutterstock/ILeysen/file404
© 2016 – IESDE Brasil S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos 
autores e do detentor dos direitos autorais.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
S713g Souza, Amilcar Marcel de
Gerenciamento e controle de poluição da água e do solo / Amilcar 
Marcel de Souza. - 1. ed. - Curitiba, PR : IESDE BRASIL S/A, 2016.
180 p. : il. ; 
ISBN 978-85-387-6214-0
1. Meio ambiente. 2. Água - Poluição. 3. Recursos hídricos. I. Título.
16-34093
CDD: 363.7
CDU: 628.19
Apresentação
Este material tem o objetivo de instrumentalizar o aluno para o tema 
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo, que é muito impor-
tante para seu curso e para sua formação acadêmica. A qualidade das 
águas e dos solos para o desenvolvimento e qualidade de vida dos huma-
nos é uma questão extremamente importante. Conforme a Organização 
Mundial da Saúde (OMS), constitui um dos principais assuntos de saúde 
pública, seja visto que a humanidade necessita da água para seu consumo 
e do solo para a produção de alimentos.
Para a melhor gestão desses recursos naturais, as instituições pú-
blicas e privadas vêm desenvolvendo estratégias de gestão ambiental e 
tecnologias de controle e redução da poluição da água e solo. Uma dessas 
estratégias, por exemplo, é a definição de ordenamentos jurídicos restriti-
vos associados aos procedimentos técnicos, como é o caso dos parâmetros 
de qualidade da água estipulados pela Anvisa.
A disciplina Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo é 
muito importante nesse contexto, pois ela abordará os parâmetros físicos, 
químicos e biológicos, que são fundamentais para indicar a qualidade 
de águas e solos visando a sua importância no abastecimento de água 
doméstica e na agricultura e reduzindo possíveis impactos ambientais. 
Também terá como foco as tecnologias para recuperação da qualidade de 
águas contaminadas ou poluídas e as tecnologias voltadas à conservação 
do recurso.
Integrando esses conteúdos, serão abordados o funcionamento e as 
organizações de comitês de bacias hidrográficas atuantes no Brasil, bem 
como a outorga de direito e cobrança pelo uso da água.
O aluno terá a oportunidade de se aprofundar na gestão e no ma-
nejo de recursos hídricos em áreas urbanas, uso do solo urbano e nos 
impactos causados ao ambiente. Por fim, serão abordados os aspectos da 
ocupação do espaço rural e suas implicações no uso e na conservação dos 
recursos naturais.
Os conteúdos foram selecionados com muito cuidado e escritos com 
linguagem simples para dar mais autonomia aos seus estudos.
Sobre o autor
Amilcar Marcel de Souza
Presidente e fundador do Instituto Pró-Terra, é Mestre em Recursos 
Florestais pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da 
Universidade de São Paulo (ESALQ/USP) e Graduado em Engenharia 
Florestal pela mesma instituição. Tem atuado em projetos de extensão 
rural por diversos estados brasileiros que visam à conservação ambiental 
e resgate cultural de vivências de ruralidade.
6 Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
SumárioSumário
1 Parâmetros físicos, químicos e biológicos 9
1.1 Parâmetros físicos da água e do solo 10
1.2 Parâmetros químicos da água e do solo 12
1.3 Parâmetros biológicos da água e do solo 15
2 Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura 23
2.1 Indicadores previstos na legislação para o abastecimento de água doméstica 24
2.2 Indicadores previstos na legislação para a agricultura 37
2.3 Órgãos competentes e oficiais previstos na legislação para análise de indicadores 41
3 Reduzindo possíveis impactos ambientais 49
3.1 Técnicas e métodos de redução de impactos ambientais em recurso hídrico 50
3.2 Técnicas e métodos de redução de impactos ambientais no solo 54
3.3 Educação ambiental e redução de impactos ambientais 55
4 Tecnologias para recuperação 
da qualidade de águas contaminadas ou poluídas 65
4.1 Metodologias de tratamentos físicos 66
4.2 Metodologias de tratamentos químicos 69
4.3 Metodologias de tratamentos biológicos 72
5 Tecnologias voltadas à conservação do recurso 79
5.1 Tecnologias para conservação da água 80
5.2 Tecnologias para conservação do solo 83
5.3 Educação ambiental e conservação 85
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 7
SumárioSumário
6 Funcionamento e organizações de comitês 
de bacias hidrográficas 95
6.1 O que é um comitê de bacias hidrográficas 96
6.2 Legislação e órgão regulador 99
6.3 Gestão participativa e aplicabilidade da democracia 103
7 Outorga de direito e cobrança pelo uso da água 113
7.1 Legislação pertinente 114
7.2 Objetos de outorga 117
7.3 Procedimentos técnicos e administrativos 120
8 Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas 129
8.1 Plano de macrodrenagem urbana 130
8.2 Segurança hídrica para abastecimento público 132
8.3 Metodologias de educação ambiental voltada à gestão 
e ao manejo de recursos hídricos em áreas urbanas 137
9 Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente 147
9.1 Impermeabilização 148
9.2 Poluição difusa 150
9.3 Ocupação de áreas de risco 153
10 Aspectos da ocupação do espaço rural e suas 
implicações no uso e na conservação dos recursos naturais 163
10.1 Fragmentação da paisagem 164
10.2 Modelos de produção agropecuária e seus impactos nos recursos naturais 167
10.3 Percepção, conhecimento e educação 
 sobre os valores ambientais no espaço rural 172
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 9
1
Parâmetros físicos, 
químicos e biológicos
A qualidade das águas e dos solos para o desenvolvimento e a qualidade de vida 
dos humanos é uma questão extremamente importante. Conforme a Organização 
Mundial da Saúde (OMS), constitui um dos principais assuntos de saúde pública, seja 
visto que a humanidade necessita de água para seu consumo e do solo para a produ-
ção de alimentos.
Nesta aula serão apresentados os parâmetros de análise de qualidade da água e do 
solo no Brasil, dando enfoque aos parâmetros físicos, químicos e biológicos.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo10
1.1 Parâmetros físicos da água e do solo
1.1.1 Água
Segundo a Organização das Nações Unidas ONU (2010), estima-se que aproximadamen-
te 1 bilhão de pessoas necessitam de acesso ao abastecimento de água que seja suficiente para 
suprir suas necessidades básicas, definido como uma fonte que possa fornecer 20 litros por 
pessoa por dia a uma distância não superior a mil metros. Essas fontes incluem ligações do-
mésticas, fontes públicas, fossos, poços e nascentes protegidos e coleta de águas pluviais.
A Declaração da ONU Água para o Dia Mundial da Água em 2010 apontou as seguintes 
diretrizes:
A água potável limpa, segura e adequada é vital para a sobrevivência de todos 
os organismos vivos e para o funcionamento dos ecossistemas, comunidades 
e economias. Mas a qualidade da água em todo o mundo é cada vez mais 
ameaçada à medida que as populações humanas crescem, atividades agrí-
colas e industriais se expandem e as mudanças climáticas ameaçam alterar o 
ciclo hidrológico global.
[…]
A cada dia, milhões de toneladas de esgoto tratado inadequadamente e resíduos 
agrícolas e industriais são despejados nas águas de todo o mundo. […] Todos os 
anos, morrem mais pessoas das consequências de água contaminada do que de 
todas as formas de violência, incluindo a guerra. […] A contaminação da água 
enfraquece ou destrói os ecossistemasManganês (Mn), 
Molibdênio (Mo), Zinco (Zn), Cobalto (Co), Silício (Si) e outros elementos que a 
pesquisa científica vier a definir, expressos nas suas formas elementares;
XV – aditivo: qualquer substância adicionada intencionalmente ao produto para 
melhorar sua ação, aplicabilidade, função, durabilidade, estabilidade e detecção 
ou para facilitar o processo de produção;
XVI – fritas: produtos químicos fabricados a partir de óxidos e silicatos, tratados 
a alta temperatura até a sua fusão, formando um composto óxido de silicatado, 
contendo um ou mais micronutrientes;
XVII – estabelecimento – pessoa física ou jurídica registrada ou cadastrada no 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, cujas atividades consis-
tem na produção, na importação, na exportação ou no comércio de produtos 
abrangidos por este Regulamento, ou que prestam serviços de armazenamento, 
de acondicionamento e de análises laboratoriais relacionados a esses produtos 
ou, ainda, que gerem materiais secundários ou forneçam minérios concentrados 
para a fabricação de produtos;
XVIII – transporte – ato de deslocar, em todo território nacional, fertilizantes, cor-
retivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas 
e suas matérias-primas;
XIX – armazenamento – ato de armazenar, estocar ou guardar os fertilizantes, 
corretivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos para 
plantas e suas matérias-primas;
XX – embalagem – invólucro, recipiente ou qualquer forma de acondicionamen-
to, destinado a empacotar, envasar, proteger ou identificar os fertilizantes, cor-
retivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas
XXI – tolerância: os desvios admissíveis entre o resultado analítico encontrado 
em relação às garantias registradas ou declaradas;
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo40
XXII – varredura: toda sobra de fertilizantes, sem padrão definido, resultante da 
limpeza de equipamento de produção, instalações ou movimentação de produ-
tos, quando do seu carregamento ou ensaque;
XXIII – embaraço: todo ato praticado com o objetivo de dificultar a ação da ins-
peção e fiscalização;
XXIV – impedimento: todo ato praticado que impossibilite a ação da inspeção e 
fiscalização;
XXV – veículo: excipiente líquido utilizado na elaboração de fertilizante fluido.
XXVI – fraude, adulteração ou falsificação – ato praticado para obtenção de van-
tagem ilícita, com potencial de causar prejuízo a terceiros, por alteração, supres-
são ou contrafação de produtos, matérias-primas, rótulos, processos, documen-
tos ou informações;
XXVII – rótulo – toda inscrição, legenda, imagem ou matéria descritiva ou gráfica 
que esteja escrita, impressa, estampada, gravada, gravada em relevo ou litogra-
fada ou colocada sobre a embalagem de fertilizantes, corretivos agrícolas, inocu-
lantes ou biofertilizantes;
XXVIII – garantia – indicação da quantidade percentual em peso de cada elemen-
to químico, de seu óxido correspondente, ou de qualquer outro componente do 
produto, incluídos, quando for o caso, o teor total, o teor solúvel ou ambos os 
teores de cada componente e a especificação da natureza física;
XXIX – quantidade declarada ou teor garantido – quantidade de produto adicio-
nado ou o teor de um elemento químico, nutriente, de seu óxido, ou de qualquer 
outro componente do produto que deverá ser nitidamente impresso no rótulo, 
na etiqueta de identificação ou em documento relativo ao produto
XXX – análise de fiscalização – análise efetuada rotineiramente sobre os produtos 
e matérias-primas abrangidos por este Regulamento, para verificar a ocorrência 
de desvio quanto a conformidade, qualidade, segurança e eficácia dos produtos 
ou matérias-primas;
XXXI – análise pericial ou de contraprova – análise efetuada na outra unidade de 
amostra em poder do órgão de fiscalização, quando requerida pelo interessado, 
em razão de discordância do resultado da análise de fiscalização;
XXXII – segregação – separação e acomodação seletiva das partículas constituin-
tes de um produto, motivado por sua movimentação e trepidação;
XXXIII – amostra de fiscalização – porção representativa de um lote ou partida 
de fertilizante, inoculante, corretivo, biofertilizante, remineralizador e substrato 
para plantas suficientemente homogênea e corretamente identificada, retirada 
por fiscal federal agropecuário ou sob sua supervisão ou aprovação e obtida por 
método definido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
XXXIV – amostragem – ato ou processo de obtenção de porção de produto, para 
constituir amostra representativa de lote ou partida definidos;
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
41
XXXV – remineralizador – material de origem mineral que tenha sofrido ape-
nas redução e classificação de tamanho de partícula por processos mecânicos e 
que, aplicado ao solo, altere os seus índices de fertilidade, por meio da adição 
de macronutrientes e micronutrientes para as plantas, e promova a melhoria de 
propriedades físicas, físico-químicas ou da atividade biológica do solo; e
XXXVI – substrato para plantas – produto usado como meio de crescimento de plantas.
2.3 Órgãos competentes e oficiais previstos 
na legislação para análise de indicadores
2.3.1 Água para abastecimento humano
De acordo com a Portaria do Ministério da Saúde 2.914, de 12 de dezembro de 2011, to-
das as esferas da federação têm competências e responsabilidades no que tange à verificação 
de indicadores de análise de qualidade de água.
Em seu artigo 6°, são definidas as competências atribuídas à União e que serão exercidas 
pelo Ministério da Saúde e entidades a ele vinculadas, que estão apresentadas no quadro 13.
Quadro 13 – Relação de órgãos vinculados ao Ministério da Saúde.
Órgãos vinculados ao ministério da saúde Sigla
Secretaria de Vigilância em Saúde SVS/MS
Secretaria Especial de Saúde Indígena Sesai/MS
Fundação Nacional de Saúde Funasa
Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa
Fonte: Elaborado pelo autor.
A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) apresenta as seguintes competências 
estabelecidas pela supracitada portaria:
I – promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água para consumo 
humano, em articulação com as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios e respectivos responsáveis pelo controle da qualidade 
da água;
II – estabelecer ações especificadas no Programa Nacional de Vigilância da 
Qualidade da Água para Consumo Humano (VIGIAGUA);
III – estabelecer as ações próprias dos laboratórios de saúde pública, especifica-
das na Seção V desta Portaria;
IV – estabelecer diretrizes da vigilância da qualidade da água para consumo 
humano a serem implementadas pelos Estados, Distrito Federal e Municípios, 
respeitados os princípios do SUS;
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo42
V – estabelecer prioridades, objetivos, metas e indicadores de vigilância da 
qualidade da água para consumo humano a serem pactuados na Comissão 
Intergestores Tripartite; e
VI – executar ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano, de 
forma complementar à atuação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Em atenção especial aos povos indígenas brasileiros foi criada em 2010 a Secretaria 
Especial de Saúde Indígena (Sesai/MS), que tem como competência executar, diretamente 
ou mediante parcerias, incluída a contratação de prestadores de serviços, as ações de vi-
gilância e controle da qualidade da água para consumo humano nos sistemase soluções 
alternativas de abastecimento de água das aldeias indígenas.
Compete à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) apoiar as ações de controle da quali-
dade da água para consumo humano proveniente de sistema ou solução alternativa de abas-
tecimento de água para consumo humano, em seu âmbito de atuação, conforme os critérios 
e parâmetros estabelecidos na supracitada portaria.
Em Portaria interna da Funasa, 190/2014, fixa-se a orientação ao Apoio ao Controle da 
Qualidade da Água (ACQA) como um conjunto de ações exercidas pelas Unidades Regionais 
de Controle da Qualidade da Água (URCQA), instaladas nas superintendências da Funasa 
junto aos Estados, podendo ser traduzidas como a análise laboratorial, visita e orientação 
técnica, capacitação, suporte técnico, orientação acerca das alternativas e tecnologias apro-
priadas ao tratamento e à análise de água para consumo humano, inclusive em áreas de 
interesse do Governo Federal, como as comunidades quilombolas, reservas extrativistas, 
assentamentos rurais e populações ribeirinhas.
Por fim, na esfera federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem 
como competência exercer a vigilância da qualidade da água nas áreas de portos, aeropor-
tos e passagens de fronteiras terrestres, conforme os critérios e parâmetros estabelecidos na 
portaria do Ministério da Saúde supracitada, bem como diretrizes específicas pertinentes.
Já no âmbito da esfera estadual, são as Secretarias de Saúde dos Estados que têm as 
competências para a análise de indicadores de qualidade de água. Conforme a Portaria do 
Ministério da Saúde 2.914/2011, as seguintes atribuições são de sua competência:
I – promover e acompanhar a vigilância da qualidade da água, em articulação 
com os Municípios e com os responsáveis pelo controle da qualidade da água;
II – desenvolver as ações especificadas no VIGIAGUA, consideradas as peculia-
ridades regionais e locais;
III – desenvolver as ações inerentes aos laboratórios de saúde pública, especifica-
das na Seção V desta Portaria;
IV – implementar as diretrizes de vigilância da qualidade da água para consumo 
humano definidas no âmbito nacional;
V – estabelecer as prioridades, objetivos, metas e indicadores de vigilância da 
qualidade da água para consumo humano a serem pactuados na Comissão 
Intergestores Bipartite;
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
43
VI – encaminhar aos responsáveis pelo abastecimento de água quaisquer infor-
mações referentes a investigações de surto relacionado à qualidade da água para 
consumo humano;
VII – realizar, em parceria com os Municípios em situações de surto de doença 
diarréica aguda ou outro agravo de transmissão fecal-oral, procedimentos de 
análise de água:
VIII – executar as ações de vigilância da qualidade da água para consumo hu-
mano, de forma complementar à atuação dos Municípios, nos termos da regula-
mentação do SUS.
Na esfera municipal compete às Secretarias de Saúde dos Municípios a aplicação da 
Portaria do Ministério da Saúde 2.914/2011.
I – exercer a vigilância da qualidade da água em sua área de competência, 
em articulação com os responsáveis pelo controle da qualidade da água para 
consumo humano;
II – executar ações estabelecidas no VIGIAGUA, consideradas as peculiaridades 
regionais e locais, nos termos da legislação do SUS;
III – inspecionar o controle da qualidade da água produzida e distribuída e as 
práticas operacionais adotadas no sistema ou solução alternativa coletiva de 
abastecimento de água, notificando seus respectivos responsáveis para sanar a(s) 
irregularidade(s) identificada(s);
IV – manter articulação com as entidades de regulação quando detectadas falhas 
relativas à qualidade dos serviços de abastecimento de água, a fim de que sejam 
adotadas as providências concernentes a sua área de competência;
V – garantir informações à população sobre a qualidade da água para consumo 
humano e os riscos à saúde associados, de acordo com mecanismos e os instru-
mentos disciplinados no Decreto nº 5.440, de 4 de maio de 2005;
VI – encaminhar ao responsável pelo sistema ou solução alternativa coletiva de 
abastecimento de água para consumo humano informações sobre surtos e agra-
vos à saúde relacionados à qualidade da água para consumo humano;
VII – estabelecer mecanismos de comunicação e informação com os responsáveis 
pelo sistema ou solução alternativa coletiva de abastecimento de água sobre os 
resultados das ações de controle realizadas;
VIII – executar as diretrizes de vigilância da qualidade da água para consumo 
humano definidas no âmbito nacional e estadual;
IX – realizar, em parceria com os Estados, nas situações de surto de doença diar-
réica aguda ou outro agravo de transmissão fecal oral.
X – cadastrar e autorizar o fornecimento de água tratada, por meio de solução 
alternativa coletiva, mediante avaliação e aprovação dos documentos exigidos 
no art. 14 desta Portaria.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo44
Nova portaria de potabilidade de água – Busca 
de consenso para viabilizar a melhoria de 
água potável distribuída no Brasil
(DAE, 2012)
Em dezembro de 2011, o Ministério da Saúde publicou a portaria n. 2914, 
que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da quali-
dade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Esta 
nova portaria é a quinta versão da norma brasileira de qualidade da água 
para consumo que, desde 1977, vem passando por revisões periódicas, 
com vistas à sua atualização e à incorporação de novos conhecimentos, 
em especial fruto dos avanços científicos conquistados em termos de tra-
tamento, controle e vigilância da qualidade da água e de avaliação de 
risco à saúde. Essas revisões acomodam, também, possibilidades técnicas 
e institucionais próprias de cada momento de revisão da norma. E, a cada 
revisão nota-se a preocupação do Ministério da Saúde e do setor do sane-
amento em inovar e aprimorar tanto o processo participativo de revisão 
como as exigências a serem apresentadas.
Esta última publicação é resultado de um amplo processo de discussão para 
revisão da Portaria MS n. 518/2004, realizado no período de 2009 a 2011, 
sob a coordenação do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e 
Saúde do Trabalhador, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério 
da Saúde. O processo de revisão foi desenvolvido por um grupo de tra-
balho composto por representantes do setor da saúde, de instituições de 
ensino e pesquisa, das associações das empresas de abastecimento de 
2.3.2 Água para o uso na agricultura
Os órgãos competentes e oficiais previstos na legislação para análise de indicadores do 
uso da água na agricultura podem ser nas esferas federal, estadual e municipal dependendo 
da área de abrangência da análise.
Cada ente da federação define seus órgãos competentes, mas de forma geral são incum-
bidos dessa tarefa os órgãos de agricultura e meio ambiente que devem seguir os parâme-
tros das qualidades das águas que são regidos pela Resolução 357 do Conselho Nacional do 
Meio Ambiente – Conama, de 17 de março de 2005.
 Ampliando seus conhecimentos
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
45
água e dos órgãos de meio e recursos hídricos. Essa ampla discussão com 
todos os setores envolvidos, aliás, parece ter sido o ponto alto desta nova 
Portaria. Rafael Bastos, Professor Dr. do Departamento de Engenharia 
Civil da Universidade de Viçosa, foi responsável pela coordenação dos 
trabalhos de revisão do padrão de potabilidade. Segundo ele, um dos 
aspectos mais importantes desta Portaria foi o fato de ela ser resultadoconsensuado de ampla discussão, envolvendo setores diversos da socie-
dade, em torno da proteção da saúde humana. “Naturalmente, em se tra-
tando de uma norma de uso obrigatório em todo o território nacional, 
heterogêneo por natureza, sempre haverá críticas, às vezes considerando 
a norma excessivamente permissiva, em outras desnecessariamente exi-
gente ou rigorosa”.
Do ponto de vista do padrão de potabilidade, o professor explica que a 
atualização foi resultado de cuidadosa revisão, baseada em critérios de 
avaliação de risco. Assim, se determinada substância química fazia parte 
do padrão de potabilidade e não faz mais, é porque o conhecimento atual 
não aponta tal substância como de toxicidade preocupante e, ou de que 
a exposição via consumo de água não é das mais relevantes. Raciocínio 
semelhante justifica eventual flexibilização de valor máximo permitido 
para a determinada substância, e raciocínio inverso justifica a inclusão de 
novas substâncias no padrão de potabilidade ou maior rigor no estabele-
cimento de valor máximo permitido na água.
Os valores máximos permitidos de cada substância na água foram defi-
nidos com base na abordagem de avaliação quantitativa de risco quí-
mico, que permite estimar a concentração limite que, em tese, poderia ser 
ingerida continuamente ao longo de toda a vida sem risco considerável à 
saúde. Estimativa esta feita com largas margens de segurança.
No caso o padrão microbiológico de potabilidade, a referência utili-
zada é a metodologia de avaliação quantitativa de risco microbiológico, 
que orientou a definição do padrão de turbidez da água filtrada, como 
indicador da remoção de protozoários, e dos parâmetros de controle da 
desinfecção, indicadores da inativação de bactérias, vírus e protozoários. 
“Obviamente, o que se busca é a minimização de riscos, tomando como 
referência o que se tem de mais atual em termos de abordagem científica, 
as mesmas utilizadas pela Organização Mundial da Saúde”, explica o pro-
fessor Rafael Bastos.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo46
Concretamente, o padrão de substâncias químicas que representam risco 
à saúde e o padrão organolético da Portaria 518/2004, em conjunto, regu-
lamentavam 74 substâncias/características da água, e esse número foi ele-
vado para 87 na Portaria 2914/2011.
Livre Docente na área de Toxicologia da Universidade Estadual de 
Campinas (UNICAMP), Gisele Umbuzeiro se diz orgulhosa por viver em 
um país com regras para a potabilidade. “É muito bom ver que a água 
tem grande importância para todos os envolvidos. O processo de regula-
mentação da água reflete o amadurecimento de um país e sua capacidade 
científica, tecnológica, econômica e social”. Apesar de achar que a Portaria 
tenha evoluído muito, Gisela Umbuzeiro lamenta o fato de os interferentes 
endócrinos não terem sido considerados. “Infelizmente, o Brasil perdeu 
uma grande possibilidade de avançar na questão. Não acho que devemos 
ter padrões ainda, mas poderíamos ter tomado algumas medidas como a 
recomendação de um monitoramento da água bruta para esses compostos 
– já que temos informações suficientes para medi-los – para trabalhar no 
preventivo, especialmente para águas subterrâneas, pois nesse recurso, 
quando se detecta a contaminação, fica difícil conter a fonte. Isso sim seria 
uma ação interessante”. E ela conclui: “Antes nossos problemas fossem 
somente os interferentes endócrinos. Existem milhares de substâncias 
tóxicas presentes na água de beber que não regulamentamos, não sabe-
mos sua concentração, mas que bebemos sem saber. Com a evolução da 
química, essas informações aparecerão cada vez mais e teremos de repen-
sar a forma de enfrentar esse problema, usando técnicas de prevenção”.
Além do próprio processo de discussão e transparência que permitiu a 
todos uma visão mais abrangente sobre o assunto, muitos foram os pon-
tos positivos levantados pelos especialistas entrevistados nessa matéria.
Em seus 53 artigos, a Portaria 2914 coloca para o país muitas outras 
importantes medidas como: a necessidade da estruturação e habilitação 
de laboratórios, nos mais diversos níveis do governo e também na área 
privada; exige a informação sobre a qualidade de produtos químicos utili-
zados em tratamento de água para consumo humano e a comprovação do 
baixo risco a saúde; proíbe a existência de Solução Alternativa Coletiva, 
onde houver rede de distribuição e de misturas com a água da rede; prevê 
competências específicas para a União, os Estados e Municípios; amplia 
a necessidade de capacitação e atualização técnica aos profissionais que 
atuam no fornecimento e controle de qualidade da água, dentre outros.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
47
 Atividades
1. O Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União, Seção 1, do dia 14 de 
dezembro, a Portaria 2.914, de 12 de dezembro de 2011, a qual dispõe sobre os proce-
dimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e 
seu padrão de potabilidade. Verifique por meio de uma análise de água feita em sua 
cidade, condomínio predial, clube etc., se atende às determinações estabelecidas por 
lei. Se for o caso, identifique os parâmetros em discordância e faça um comunicado 
técnico para os responsáveis sobre a necessidade de adequações.
2. Da mesma forma da atividade 1, acrescentando uma análise da Resolução 357 do Con-
selho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 17 de março de 2005, verifique os 
padrões dos parâmetros de agrotóxicos com a análise de água como objeto de estudo.
3. Faça uma pesquisa em sua cidade ou estado e identifique, listando em uma tabela, as 
principais informações sobre os órgãos competentes oficiais previstos na legislação 
para análise de indicadores de qualidade de água que atuam em sua localidade.
 Referências
BRASIL. Casa Civil. Decreto n. 8.384, de 29 de dezembro de 2014. Dispõe sobre a inspeção e fiscali-
zação da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes ou biofertilizantes destina-
dos à agricultura. Disponível em: . Acesso em: abr. 2016.
______. Ministério do Meio Ambiente. Resolução n. 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente 
– Conama, de 17 de março de 2005. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
______. Ministério da Saúde. Portaria do Ministério da Saúde n. 2.914, de 12 de dezembro de 2011. 
Disponível em: . 
Acesso em: mar. 2016.
DAE. Nova portaria de potabilidade de água – Busca de consenso para viabilizar a melhoria de 
água potável distribuída no Brasil. Revista DAE/SABESP, n. 189, mai-ago 2012. Disponível em: 
. Acesso em: mar. 2017.
 Resolução
1. Com a análise dos indicadores será possível identificar os parâmetros que estão de 
acordo com os padrões da legislação, fazendo com que você tome contato com esse 
tipo de informação. Se houver alguma discordância nos parâmetros, você terá a 
oportunidade de elaborar um comunicado técnico exercitanto suas habilidades para 
os responsáveis pela água em análise.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo48
2. Com a análise dos indicadores será possível identificar os parâmetros que estão de 
acordo com os padrões da legislação fazendo com que você tome contato com esse 
tipo de informação. Se houver alguma discordância nos parâmetros, você terá a 
oportunidade de elaborar um comunicado técnico exercitanto suas habilidades paraos responsáveis pela água em análise.
3. Deverá ser feita a relação com as principais informações, como nome do órgão, suas atri-
buições, qual vínculo governamental, endereço etc. Você também poderá divulgar com 
o auxílio e a conferência de seu professor essas informações e a prévia autorização do 
órgão para a sua comunidade visando divulgar e socializar essa importante informação.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 49
3
Reduzindo possíveis 
impactos ambientais
Os impactos ambientais que são advindos das atividades humanas pela sua forma 
desenvolvimentista têm causado significativos danos aos recursos naturais e compro-
metido a sua capacidade de resiliência. Como resultados, temas como crise hídrica, 
mudanças climáticas, desertificação, poluição dos oceanos, redução da produtividade 
agrícola etc., têm feito parte da pauta tanto dos governos como sociedade civil em 
geral. Ao mesmo tempo, nos últimos 60 anos, muitas técnicas e métodos vêm sendo 
desenvolvidos para amenizar esses impactos ambientais, com o objetivo de amenizar 
ou mesmo reverter a degradação ambiental.
Nesta aula serão apresentadas técnicas de redução de impactos ambientais nos 
recursos hídricos e nos solos, bem como alguns conceitos de educação ambiental que 
são utilizados para a redução desses impactos.
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo50
3.1 Técnicas e métodos de redução de 
impactos ambientais em recurso hídrico
De acordo com o impacto ambiental que é gerado no recurso hídrico, toma-se a decisão 
de utilizar determinadas técnicas e métodos de redução de impactos. Levando em considera-
ção que, conforme orientado pela Agência Nacional das Águas – ANA (2016), o conceito de 
bacia hidrográfica deve ser levado em consideração para a definição de ações de gestão am-
biental e manejo dos recursos hídricos. Neste capítulo daremos enfoque ao manejo de bacias 
hidrográficas e suas principais ações de gestão ambiental, como a recuperação de áreas degra-
dadas, a recuperação de matas ciliares e o tratamento e a interceptação de efluentes líquidos.
3.1.1 Manejo de bacias hidrográficas
A bacia hidrográfica é a unidade de planejamento dos recursos hídricos, sobre ela in-
cidem planos e normas estabelecidos em diferentes escalas: Federal, Estadual e Municipal.
A Lei Federal 9.433/97 instituiu o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos, que elegeu a bacia hidrográfica como unidade territorial de atuação das políticas 
de recursos hídricos, planejamento e gerenciamento. Assim, a água passou a ser considera-
da um bem de domínio público, recurso natural limitado e dotado de valor econômico, que 
tem uso prioritário para consumo humano e dessedentação de animais em caso de escassez. 
Sua gestão deve proporcionar o uso múltiplo, ser descentralizada e participativa.
A aplicação do conceito de bacia hidrográfica ou fluvial é extremamente relevante para 
a redução de impactos ambientais nos recursos hídricos. Nesse contexto, a bacia hidrográ-
fica é o conjunto de terras drenadas por um rio e seus afluentes. Seu contorno é limitado 
pelas partes mais altas do relevo, chamadas de divisores de água. As águas das chuvas ou 
escoam superficialmente formando os riachos e rios, ou infiltram no solo para a formação de 
nascentes e do lençol freático. Em condições naturais, as cabeceiras são formadas por riachos 
que brotam em terrenos de maior declividade. À medida que as águas desses riachos des-
cem, juntam-se com as águas de outros riachos. Esses pequenos rios continuam seus trajetos 
recebendo água de outros tributários, formando rios cada vez maiores até desembocar nos 
oceanos (BARRELA et al., 2001).
É desejável que a quantidade de água produzida pelas nascentes e escoada pelos rios 
tenha distribuição adequada no tempo, ou seja, a variação da vazão deve situar-se conforme 
de determinados limites ao longo do ano. A bacia não deve funcionar como um recipiente 
impermeável, escoando em curto espaço de tempo toda a água recebida durante uma pre-
cipitação pluvial. Ao contrário, ela deve absorver grande parte dessa água através do solo, 
armazená-la em seu lençol subterrâneo e cedê-la, aos poucos, aos cursos de água pelas nas-
centes (CALHEIROS, 2004).
A conservação da água por meio do manejo adequado da terra e a necessidade da uti-
lização das bacias hidrográficas como unidades para o planejamento e o controle do uso 
da terra, para a consecução do desenvolvimento sustentável de forma integrada com a 
Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
3
51
conservação dos ecossistemas naturais e dos recursos hídricos, são recomendadas desde a 
década de 1980 (IUCN, 1984).
3.1.2 Recuperação de microbacias hidrográficas degradadas
A microbacia hidrográfica é uma área drenada por um rio e seus afluentes e delimitada 
por seus divisores de águas (linhas que unem os pontos de maior altitude e que definem 
divisores entre uma bacia e outra).
É a unidade básica de planejamento para a compatibilização da preservação dos recursos 
naturais e da produção agropecuária, mais ainda quando o fator principal da análise é a água.
As microbacias hidrográficas apresentam características ecológicas, geomorfológicas e 
sociais integradoras, o que possibilita uma abordagem sistêmica e participativa envolvendo 
estudos interdisciplinares para o estabelecimento de formas de desenvolvimento sustentá-
vel inerentes ao local ou região onde serão implementadas.
Essa visão integrada, por parte dos planejadores, assim como dos produtores rurais, 
evidencia a lógica da interligação biofísica entre as ações desenvolvidas na microbacia e as 
reações do sistema. Por exemplo, alterações feitas por um agricultor nas práticas de manejo 
em determinadas áreas da microbacia podem acarretar melhoria ou comprometimento da 
qualidade da água.
Na microbacia, a água representa o componente unificador de integração no manejo 
devido à sua estreita relação com os outros recursos ambientais especialmente com a floresta 
ciliar (LIMA, 2006).
Dessa forma, somente o planejamento e a execução de ações de restauração das matas 
ciliares considerando a microbacia como área de intervenção e não propriedades rurais in-
dividualmente proporcionam resultados efetivos e abrangentes para a conservação do solo, 
da biodiversidade e consequentemente para a preservação dos recursos hídricos. E tudo isso 
conduz a melhor qualidade de vida para as comunidades rurais e urbanas.
3.1.3 Recuperação de matas ciliares em microbacias 
hidrográficas
Ao se destruir a natureza, destrói-se a própria base da produção agrícola, que são os 
recursos naturais: o solo, a água e a biodiversidade.
Fica claro que é importante manter a visão holística, integradora, sistêmica que os pro-
jetos em escala de microbacias proporcionam para estabelecer a busca da preservação da 
natureza e do desenvolvimento sustentável.
Em uma microbacia as funções ecológicas e hidrológicas das matas ciliares são:
• contribuem para o armazenamento de água na microbacia, diminuindo o risco de 
falta de água na estação seca do ano;
• colaboram para a manutenção da qualidade da água dos rios da microbacia.
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo52
As matas ciliares funcionam como filtros, retendo sedimentos e poluentes das áreas agríco-
las e urbanas adjacentes, pois os sedimentos e poluentes transportados por meio do escoamento 
superficial (enxurrada) são depositados na vegetação localizada nas margens dos rios. De acor-
do com dados experimentais, as florestas ciliares removem 80-90% dos sedimentos oriundos de 
processos erosivos das áreas agrícolas da microbacia (NAIMAN et al., 1997). Elas promovem 
também uma diminuição significativa da concentração de herbicidas nos cursos de água.
Além dessa ação física de filtragem de sedimentos e nutrientes, as matas ciliares podem 
exercer uma filtragem biológica, pormeio da captação, pelas raízes da floresta ou pelos mi-
cro-organismos do solo, de nutrientes liberados dos ecossistemas terrestres que chegam aos 
rios por meio de seu transporte em solução no escoamento subsuperficial (efeito tampão): 77 
e 10 kg a –1 ano –1 de N e P respectivamente, retidos pela vegetação (NAIMAN et al., 1997); 
redução em 38% da concentração de nitrogênio que chegaria ao curso de água, em 94% o 
fosfato e em 42% o fósforo dissolvido (EMMETT et al., 1994).
Essa ação de proteção dos recursos hídricos das matas ciliares não ocorre quando a con-
taminação se origina de fontes pontuais, como lançamento de esgoto não tratado nos rios e 
córregos de muitos municípios brasileiros.
Em uma paisagem, a presença de vegetação nativa formando corredores ecológicos ao 
longo dos rios permite que haja circulação de animais e o transporte de sementes entre 
pontos muitas vezes distantes. As matas ciliares podem interligar a maioria dos fragmentos 
florestais ainda existentes. Ao se estabelecerem corredores que interliguem as áreas isola-
das, pode-se facilitar o trânsito de animais e sementes, favorecendo o crescimento das popu-
lações da fauna e da flora, a reprodução e consequentemente a perpetuação dessas espécies 
(INSTITUTO PRÓ-TERRA, 2014).
A recuperação de matas ciliares é uma recomendação técnica para a redução de im-
pactos ambientais nos recursos hídricos pelos principais motivos:
• Criação de micro-hábitats favoráveis para alguns organismos aquáticos, resultante 
da queda de galhos, troncos e folhas das árvores da floresta ciliar.
• Abastecimento do rio com materiais orgânicos, frutos e folhas, que servem de ali-
mento aos peixes e insetos.
• Favorecimento do equilíbrio térmico da água do rio, devido ao sombreamento do 
canal do rio pelas copas das árvores.
• Estabilização da morfologia dos leitos dos rios: os barrancos dos rios sem vegeta-
ção são 30 vezes mais susceptíveis à erosão do que os vegetados.
• Proteção e manutenção da biodiversidade (animais e plantas). É importante res-
saltar que nas matas ciliares ocorrem espécies vegetais típicas dessas áreas. Por 
exemplo, algumas espécies de árvores são exclusivas das áreas encharcadas das 
Florestas Paludosas. Consequentemente, os pássaros que se alimentam de seus 
frutos, os insetos que polinizam suas flores provavelmente também podem ser 
típicos desse hábitat.
Entretanto, em uma microbacia hidrográfica a presença da vegetação ciliar não é, por 
si só, garantia de proteção dos recursos hídricos. Outras medidas integradas devem ser 
Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
3
53
consideradas para que não ocorra uma sobrecarga à mata ciliar e assim a consequente de-
gradação deste importante ecossistema.
3.1.4 Tratamento e interceptação de resíduos sólidos e líquidos
No Brasil, 49% do esgoto produzido é coletado pela rede e somente 10% do esgoto 
total é tratado. O resultado é que as regiões metropolitanas e grandes cidades concentram 
grandes volumes de esgoto coletado que é despejado sem tratamento nos rios e mares que 
servem de corpos receptores. Como consequência disso, a poluição das águas que cercam 
nossas maiores áreas urbanas é bastante elevada, dificultando e encarecendo, cada vez mais, 
a própria captação de água para o abastecimento.
Como principal técnica para a redução desse impacto ambiental nos recursos hídricos 
temos a implantação de estação de tratamento de esgotos, que tem por objetivo a remoção 
dos principais poluentes presentes nas águas residuárias, retornando-as ao corpo de água 
sem alteração de sua qualidade.
As águas residuárias de uma cidade compõem-se dos esgotos sanitários e industriais 
que, em caso de geração de efluentes muito tóxicos, devem ser tratados em unidades das 
próprias indústrias.
O parâmetro mais utilizado para definir um esgoto sanitário ou industrial é a demanda 
bioquímica por oxigênio (DBO). Pode ser aplicada na medição da carga orgânica imposta 
a uma estação de tratamento de esgotos e na avaliação da eficiência das estações – quanto 
maior a DBO, maior a poluição orgânica.
A escolha do sistema de tratamento é função das condições estabelecidas para a qua-
lidade da água dos corpos receptores. Além disso, qualquer projeto de sistema deve estar 
baseado no conhecimento de diversas variáveis do esgoto a ser tratado, tais como a vazão, o 
pH, a temperatura, o DBO etc.
A composição do esgoto é bastante variável, apresentando maior teor de impurezas 
durante o dia e menor durante a noite. A matéria orgânica, especialmente as fezes humanas, 
confere ao esgoto sanitário suas principais características, mutáveis com o decorrer do tem-
po, pois sofre diversas alterações até sua completa mineralização ou estabilização.
Os corpos de água podem se recuperar da poluição ou depurar-se pela ação da própria na-
tureza. O efluente geralmente pode ser lançado sem tratamento em um curso de água, desde que 
a descarga poluidora não ultrapasse cerca de quarenta avos da vazão: um rio com 120 L/s de va-
zão pode receber, grosso modo, a descarga de 3 L/s de esgoto bruto, sem maiores consequências.
A maioria dos mananciais de abastecimento público de água recebe diariamente quan-
tidades elevadas de efluentes e, por normalmente serem pequenos córregos com baixas va-
zões especialmente na estação seca do ano, têm baixa resiliência, ou seja, não conseguem 
recuperar e equilibrar por si só suas características físicas, químicas e biológicas, havendo 
portanto a necessidade do seu tratamento artificial.
A determinação da escolha da metodologia do tratamento dependerá das condições 
mínimas estabelecidas para a qualidade da água dos mananciais receptores, a sua função 
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo54
de utilização, como para abastecimento humano, irrigação ou no uso industrial. Em qual-
quer projeto é fundamental o estudo das características da qualidade da água a ser tratada 
e também da qualidade do efluente que será lançado no corpo hídrico, pois é obrigatório o 
atendimento de ordenamentos jurídicos que traçam os critérios e diretrizes. Os principais 
aspectos a serem estudados são vazão, pH e temperatura, demanda bioquímica de oxigênio 
(DBO), demanda química de oxigênio (DQO), toxicidade e teor de sólidos em suspensão ou 
sólidos suspensos totais (SST).
Após definida a metodologia de tratamento, é importante diagnosticar e quantificar os 
seguintes indicadores:
– eficiência na remoção da demanda biológica de oxigênio – DBO;
– eficiência na remoção de coliformes;
– disponibilidade de área para sua instalação;
– custos operacionais visando a análise de viabilidade;
– quantidade de lodo gerado e determinação de seu destino final.
3.2 Técnicas e métodos de redução 
de impactos ambientais no solo
Qualquer atividade agrícola que emprega recursos naturais, como água e solo, e usa in-
sumos e defensivos químicos, como fertilizantes e praguicidas, provoca inúmeros impactos 
ambientais no solo. Contudo, é possível reduzir quaisquer impactos, ao fazer planejamento, 
ocupação criteriosa do solo agrícola e emprego de técnicas de conservação para cada cultura 
agrícola e região.
De maneira geral, os principais impactos ambientais gerados por atividades agrícolas e 
industriais nos solos são:
• redução da biodiversidade, causada pelo desmatamento e pela implantação de 
monocultura;
• contaminação das águas superficiais e subterrâneas e do solo, devido ao excesso 
de adubos químicos, corretivos minerais, herbicidas e defensivos agrícolas, previs-
to na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) 420/2009, que 
dispõe sobre critérios e valores orientadores sobre a qualidade do solo;
• compactação do solo, devido ao tráfego de máquinas pesadas durante o plantio, 
tratos culturais e colheita;
• assoreamento de corpos de água, devido à erosão do solo em áreas de reforma;
• emissão de fuligem e gases de efeito estufa, na queima de palha, ao ar livre,duran-
te o período de colheita;
• danos à flora e à fauna, causados por incêndios descontrolados;
• consumo intenso de óleo diesel nas etapas de plantio, colheita e transporte.
Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
3
55
No quadro a seguir seguem informações das principais técnicas e métodos de redução 
de impacto ambiental no solo.
Quadro 1 – Principais técnicas e métodos de redução de impacto ambiental no solo.
Impacto ambiental Técnica/método redução de impacto
Desmatamento – Promover o manejo florestal certificado pelo Ibama.
Implantação de 
monoculturas
– Planejar e diversificar a paisagem com a produção de mais 
de um gênero agrícola e a adequação ambiental da proprie-
dade agrícola, com os cumprimentos das leis ambientais.
Uso indevido de 
agrotóxicos
– Verificar legislação vigente orientadora sobre 
o uso de agrotóxicos e fazer aplicações se real-
mente há necessidade e de forma adequada.
– Se possível mudar o sistema de produção com o uso de 
tecnologias e metodologias agroecológicas como perma-
cultura, sistemas agroflorestais, agricultura orgânica, etc.
Compactação dos solos
– Definir e planejar rotas de acesso a áreas agrí-
colas com a finalidade de reduzir a impacta-
ção do solo pelo uso de máquinas agrícolas.
– Utilizar a prática de rotação de culturas agrí-
colas com espécies de leguminosas que tem com 
uma de suas funções descompactar os solos.
Erosão e voçoro-
cas dos solos
– A conservação do solo por meio de curvas de 
nível, terraços e plantio em nível são as melho-
res técnicas para evitar erosões e voçorocas.
Incêndios descontrolados 
e queimas controladas
– O uso do fogo na agricultura é milenar, no entanto 
causa intenso impacto na microbiologia do solo, ma-
tando todos os organismos que são fundamentais para 
os ciclos biogeoquímicos e ciclagem de nutrientes.
Contaminação com 
óleos e combustíveis de 
máquinas agrícolas
– Fazer sempre a manutenção das máqui-
nas agrícolas com a finalidade de evitar vaza-
mentos de óleos e combustíveis no campo.
Fonte: Elaborado pelo autor. 
3.3 Educação ambiental e redução 
de impactos ambientais
Desde a metade do século XX, a humanidade vive um impasse entre a preservação 
ambiental versus desenvolvimento econômico. Segundo Sánchez (2006), essa discussão se 
estende por três aspectos principais: o ecológico, que visa gerar o menor impacto possível; o 
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo56
econômico, que visa atender à demanda de consumo; e o ético, que visa ao equilíbrio entre 
o ecológico e econômico.
A questão ambiental é uma entre tantas que marcam este começo de século XXI nas re-
flexões sobre os caminhos da humanidade. A educação ambiental surge como uma forma de 
encarar o comportamento e o papel do ser humano na busca de parâmetros que propiciem 
a sustentabilidade da vida no planeta Terra. Conforme as reflexões vão se aprofundando, 
percebe-se seu poder interdisciplinar de questionamentos e de contribuição para o delinea-
mento de cenários alternativos para o futuro (BRASIL, 1998:30).
Os rumos do desenvolvimento sustentável e das práticas cotidianas promovem discus-
sões a respeito de uma nova ética global, afirmando que os atores principais dessa realidade 
são os próprios indivíduos que compõem a sociedade e precisam articular ações no campo 
político, cultural, social, ambiental e econômico, ampliando os laços de sociabilidade e de-
mocratização da vida.
Segundo o professor Ab’Saber (1991), “a educação ambiental é uma das coisas mais sérias 
que geralmente têm sido apresentada em nosso meio”. É um apelo à seriedade do conhecimen-
to e uma busca de propostas corretas de aplicação de ciências. Uma ”coisa” que se identifica 
com o processo. Um processo que envolve um vigoroso esforço de recuperação de realidades, 
nada simples. Uma ação, entre missionária e utópica, destinada a reformular comportamentos 
humanos e recriar valores perdidos ou jamais alcançados. Um esforço permanente na reflexão 
sobre o destino da humanidade face à harmonia das condições naturais e o futuro do planeta 
“vivente”, por excelência. Um processo de educação pode garantir um compromisso com o 
futuro e influenciar de maneira significativa a redução de impactos ambientais.
Na Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, organizada pela Unesco, 
realizada na cidade de Tbilisi, em outubro de 1977, foi declarado que a educação ambiental 
deve abranger pessoas de todas as idades e de todos os níveis sociais, no âmbito do ensino 
formal ou não (EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 1997). Todos os meios de comunicação têm a res-
ponsabilidade de cooperar por meio de seus recursos a serviço dessa missão educativa.
Nessa mesma Conferência, declarou-se que a educação ambiental deve constituir-se de 
um ensino geral permanente, reagindo às mudanças que se produzem num mundo em rápida 
evolução. Tem o papel de tornar possível a compreensão sobre os principais problemas do 
mundo atual, contribuindo para a formação de indivíduos capazes de realizar ações cotidia-
nas que visem à melhoria da qualidade de vida e à proteção do meio. “Afirma-se ainda que ela 
deve ser direcionada a um processo ativo no sentido de resolver os problemas dentro de um 
contexto de realidades específicas, estimulando a iniciativa, o senso de responsabilidade e o 
esforço para construir um futuro melhor” (EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 1997, p. 18-19).
A educação ambiental pode promover o aprendizado e emprego de novas tecnologias, 
o aumento da produtividade, a redução dos impactos ambientais e do conhecimento, a uti-
lização de novas oportunidades e a tomada de decisões acertadas. Ela deflagra percepções 
globais ou locais de fatores econômicos, tecnológicos, históricos, culturais e processos natu-
rais ou artificiais que causam e sugerem ações para saná-lo; ajuda a compreender, apreciar, 
Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
3
57
saber lidar e manter os sistemas ambientais na sua totalidade, proporcionando uma har-
monia nas relações entre a comunidade humana e o meio em que vivemos, integrando-se à 
sustentabilidade global (VIEZZER; OVALLES, 1995:120-130).
Segundo Sato (2002), a educação ambiental para uma sustentabilidade equitativa é um 
processo de aprendizagem permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal 
educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e 
para a preservação da natureza, reduzindo impactos ambientais que são produzidos pela 
forma de vida que se prega atualmente. A educação ambiental estimula a formação de socie-
dades socialmente justas e ecologicamente equilibradas que conservam entre si as relações 
de interdependência e diversidade. A educação ambiental deve gerar com urgência mudan-
ças na qualidade de vida e maior consciência na conduta pessoal, assim como harmonia 
entre os seres humanos e destes com outras formas de vida.
Um marco da educação ambiental no Brasil foi o sancionamento da Lei Federal 9.795, 
de 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional 
de educação ambiental.
Em seus artigos 1°, 2°, 4° e 5° corrobora com as ideias e os conceitos de que a educação 
ambiental contribui para a redução de impactos ambientais.
Art. 1° Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o 
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, 
atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de 
uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.
Art. 2.° A educação ambiental é um componente essencial e permanente da edu-
cação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis 
e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.
No artigo 4o são apresentados os princípios básicos da educação ambiental:
I – o enfoque humanista,holístico, democrático e participativo;
II – a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interde-
pendência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da 
sustentabilidade;
III – o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, 
multi e transdisciplinaridade;
IV – a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais;
V – a garantia de continuidade e permanência do processo educativo;
VI – a permanente avaliação crítica do processo educativo;
VII – a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacio-
nais e globais;
VIII – o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual 
e cultural.
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo58
No artigo 5o são apresentados os objetivos fundamentais da educação ambiental:
I – o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em 
suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológi-
cos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos;
II – a garantia de democratização das informações ambientais;
III – o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemá-
tica ambiental e social;
IV – o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, 
na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qua-
lidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania;
V – o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro 
e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente 
equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, de-
mocracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade;
VI – o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia;
VII – o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidarieda-
de como fundamentos para o futuro da humanidade.
Portanto, a educação ambiental pode ser uma estratégia para enfrentar a necessidade 
de compatibilizar desenvolvimento econômico e preservação/conservação de ecossistemas, 
bem como reduzir os impactos ambientais que são gerados pela forma desenvolvimentista 
adotada. A educação não é o único, mas certamente é um dos meios de atuação pelos quais 
nos realizamos como seres em sociedade, ao exercitarmos nossa capacidade de definirmos 
conjuntamente os melhores caminhos para a sustentabilidade da vida; e ao favorecermos 
a produção de novos conhecimentos que nos permitam refletir criticamente sobre o que 
fazemos no cotidiano.
Logo, a educação é entendida como processo unidirecional de uns para outros ou ex-
clusivamente pessoal, sem o outro, ocorrendo quando estabelecemos meios de superação 
da dominação e exclusão, tanto em relação a nossos grupos sociais quanto em relação aos 
demais seres vivos e à natureza como totalidade (DUARTE, 2002).
 Ampliando seus conhecimentos
Cidades sustentáveis 
reduzem impactos ambientais
(PORTAL BRASIL, 2014)
Conhecidas por adotarem práticas que aliam a qualidade de vida da popu-
lação, o desenvolvimento econômico e a preservação do meio ambiente, 
as chamadas cidades sustentáveis reduzem os impactos ambientais 
Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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59
relacionados ao consumo de matéria e energia e à geração de resíduos 
sólidos, líquidos e gasosos.
Embora não exista uma cidade que seja 100% sustentável, várias delas já 
praticam ações sustentáveis em diversas áreas.
Planejamento ambiental urbano
O planejamento ambiental urbano é importante não só para a nossa qua-
lidade de vida, mas principalmente para o futuro das próximas gerações.
A partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento, realizada em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, conhe-
cida como ECO 92 ou Rio 92, ficou estabelecido que os Estados devem 
adotar instrumentos econômicos como iniciativa de proteção à integri-
dade do sistema ambiental global.
Atualmente, é realizado o pagamento por serviços ambientais urbanos 
que atuariam na remuneração pela produção de impactos positivos ou 
minimização de impactos negativos ambientalmente. Entre eles, podem-
-se citar: manutenção de áreas verdes urbanas; melhoria na rede de 
transporte coletivo; disposição correta e reciclagem de resíduos sólidos 
urbanos; e tratamento de esgoto sanitário.
A Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do 
Meio Ambiente (MMA) oferece o curso de Capacitação em Sustentabilidade 
Ambiental Urbana, na modalidade de Ensino e Aprendizado a Distância 
(EAD), com o objetivo de preparar servidores públicos municipais em 
relação à política e gestão ambientais urbanas.
Construções Sustentáveis
O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da 
construção como o setor de atividades humanas que mais consome recur-
sos naturais e utiliza energia de forma intensiva, gerando consideráveis 
impactos negativos ao meio ambiente. Buscando mudar esse cenário, 
surge o conceito de construção sustentável.
Em síntese, ele envolve a redução e otimização do consumo de materiais e 
energia, a redução dos resíduos gerados, a preservação do ambiente natu-
ral e a melhoria da qualidade do ambiente construído.
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo60
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e 
a Agência Nacional de Águas (ANA) realizaram em outubro passado o 
seminário “Construções Sustentáveis – Materiais e Técnicas”.
O objetivo era divulgar e valorizar práticas construtivas que equilibrem 
o que é socialmente desejável, economicamente viável e ecologicamente 
sustentável nas Unidades de Conservação (UCs).
Saiba mais sobre o Seminário
No ICMBio há a preocupação de que as obras possam servir de referên-
cia para a sociedade. “Nosso exemplo é muito importante. A preocupa-
ção com a sustentabilidade tem de estar presente desde a concepção dos 
projetos, que precisam contemplar tecnologias inovadoras, uso racional 
da água, eficiência energética, gestão adequada de resíduos e redução do 
desperdício”, explica o coordenador geral de Uso Público e Negócios do 
ICMBio (CGEUP/ICMBio), Fábio de Jesus.
Qualidade do ar
A poluição atmosférica traz prejuízos à qualidade de vida das pessoas, e 
consequentemente ao estado, tendo em vista os gastos que são realizados 
com recursos hospitalares por causa de doenças respiratórias.
Além disso, a poluição de ar pode afetar ainda qualidade dos materiais (cor-
rosão), do solo e das águas (chuvas ácidas), além de afetar a visibilidade.
Em uma cidade sustentável é necessário que seja estabelecida uma gestão 
da qualidade do ar.
Os processos industriais e de geração de energia, os veículos automotores 
e as queimadas são as atividades humanas que mais causam a introdução 
de substâncias poluentes na atmosfera. Portanto, é fundamental imple-
mentar ações de prevenção, combate e redução das emissões de poluentes 
e dos efeitos da degradação do ambiente atmosférico.
Áreas Verdes Urbanas
As áreas verdes urbanas contribuem para o bem-estar da sociedade e para 
a conservação da natureza. Essas áreas possibilitam a valorização da pai-
sagem e do patrimônio natural.
Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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61
Exercem funções sociais e educativas relacionadas com a oferta de cam-
pos esportivos, áreas de lazer e recreação, oportunidades de encontro, 
contato com os elementos da natureza e educação ambiental (voltada 
para a sua conservação).
Os Parques urbanos desempenham a função ecológica, estética e de lazer, 
no entanto, com uma extensão maior que as praças e jardins públicos.
Resíduos Sólidos
Resíduos sólidos são os tipos de lixos produzidos pelo homem, como gar-
rafas, sacos plásticos, embalagens, baterias, pilhase até restos de comida.
Além de causarem a poluição visual e mal cheiro, esses resíduos poluem a 
água, o solo e colocam os animais em risco, já que eles podem se ferir em mate-
riais cortantes ou mesmo ingerir os materiais descartados de forma indevida.
A aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, marcou o 
início de uma forte articulação institucional envolvendo União, Estados e 
Municípios, o setor produtivo e a sociedade na busca de soluções para os 
problemas na gestão de resíduos sólidos que comprometem a qualidade 
de vida da população.
É preciso buscar soluções para o problema em relação a esse tipo de mate-
rial. Se manejados adequadamente, os resíduos sólidos adquirem valor 
comercial e podem ser utilizados em forma de novas matérias-primas ou 
novos insumos.
A implantação de um Plano de Gestão trará reflexos positivos no âmbito 
social, ambiental e econômico: proporciona a abertura de novos merca-
dos, gera trabalho, emprego e renda, conduz à inclusão social e diminui os 
impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos resíduos.
Boas Práticas
Na capital federal, Brasília (DF), o incentivo de uso bicicleta e a ampliação 
das ciclovias contribuem para redução dos poluentes emitidos por auto-
móveis, além de trazer maior mobilidade, menos poluição e congestiona-
mento e melhor qualidade de vida.
Outra cidade brasileira que é referência em práticas sustentáveis é João 
Pessoa (PB). A prefeitura da capital promoveu, nos dois últimos anos, 
a preservação de áreas verdes, a arborização urbana e a recuperação de 
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo62
áreas degradadas, utilizando as mudas de árvores nativas produzidas no 
Viveiro Municipal.
Em Santana do Parnaíba (SP), organização formada por ex-catadores 
de materiais recicláveis, a Avemare, criou o Programa Lixo da Gente – 
Reciclando Cidadania, que promove a coleta seletiva por meio de cons-
cientização da população sobre a importância da reciclagem para a pre-
servação ambiental, assim como a inclusão e o desenvolvimento social.
 Atividades
1. Pesquise junto aos órgãos competentes de sua cidade e região, como prefeituras, ór-
gãos estaduais e federais bem como comitês sobre as bacias hidrográficas da região 
e organize essas informações em um documento técnico, contendo uma tabela com 
as informações como nome da bacia hidrográfica, área geográfica, características de 
uso e ocupação do solo, áreas degradadas, biomas ocorrentes, aquíferos presentes, 
qualidade e quantidade das águas. Some essas informações a mapas, se houver e se 
estiverem disponíveis.
2. Assim como na atividade 1, organize um banco de dados dos principais impactos 
ambientais no solo, correlacione-os e verifique se as técnicas e os métodos para redu-
zir tais impactos são aplicados em sua região.
3. Com as informações do banco de dados gerados nas atividades 1 e 2, verifique se 
ocorre alguma ação de Educação Ambiental para reduzir os impactos ambientais. 
Caso não ocorra com os conceitos apresentados, liste ações e projetos que poderiam 
reduzir os impactos ambientais diagnosticados.
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Afins-CNPq, 1991.
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Reduzindo possíveis impactos ambientais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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63
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SATO, Michele. Educação ambiental. São Carlos: Ed RIMA, 2002, 88p.
VIEZZER, M.; OVALLES, O. Manual latino-americano de educação ambiental. São Paulo: Editora 
Gaia, 1995.
 Resolução
1. Você deverá ter feito um banco de dados correlacionando as informações com os 
mapas. Assim, será possível analisar os principais recursos hídricos de sua região e 
verificar seus principais impactos ambientais, como urbanização, crise hídrica, con-
taminação de mananciais de abastecimento público etc.
Reduzindo possíveis impactos ambientais3
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo64
2. Após ter elaborado o banco de dados com os principais impactos ambientais e as 
técnicas e os métodos de redução, você poderá verificar os métodos e as técnicas 
utilizados em suas região, organizando-os em uma listagem.
3. Após analisar o banco de dados, você pode acrescentar uma coluna relacionando as 
ações de educação ambiental desenvolvidas para a redução dos impactos. Caso não 
ocorra nenhuma ação, em uma nova coluna você poderá sugerir projetos e ações de 
educação.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 65
4
 Tecnologias 
para recuperação da 
qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
De maneira geral, a definição de tratamento de água está associada a uma sequên-
cia de operações que conjuntamente consistem em melhorar suas características orga-
nolépticas, físicas, químicas e bacteriológicas, a fim de que se torne adequada ao con-
sumo humano. Nem toda água requer tratamento para abastecimento público, isto 
porque depende da sua qualidade em comparação aos padrões de consumo e também 
da aceitação dos usuários. Normalmente as águas de superfície presentes nos rios enas represas são as que mais necessitam de tratamento, porque se apresentam com 
qualidades físicas e bacteriológicas impróprias pela sua exposição contínua à contami-
nação por poluentes.
Nesta aula daremos destaque às principais tecnologias para a recuperação da qua-
lidade das águas contaminadas e poluídas, focando as metodologias de tratamentos 
físicos, químicos e biológicos.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo66
4.1 Metodologias de tratamentos físicos
O tratamento físico da água é considerado preliminar, tendo como procedimento con-
vencional as detecções de turbidez, cor e pH. A turbidez ou turvação da água é ocasionada 
pela presença de argilas, matéria orgânica e micro-organismos mono e policelulares oriun-
dos de processos naturais e antrópicos. A cor se deve à presença de tanino, oriundo dos 
vegetais e, em geral, varia de incolor até o castanho intenso.
A etapa seguinte consiste em dosar as operações de floculação, decantação e filtração 
tendo como base os resultados dos parâmetros de turbidez, cor e pH.
4.1.1 Grades e crivos
As águas que chegam até as estações de tratamento de água (ETA), provenientes de rios 
e represas, têm inúmeras impurezas para sua qualidade como resíduos sólidos (garrafas, 
plásticos, lixo em geral). A primeira filtragem então se dá pelo impedimento da entrada de 
suspensões grosseiras na ETA por grades e crivos que são barreiras físicas de ferro locadas 
na entrada de água para a estação. Essas estruturas devem sempre estar em manutenção, 
pois a quantidade de resíduos indesejáveis é bastante volumosa.
Figura 1 – Detalhe ilustrativo de grade de contenção.
Fonte: OLIVEIRA, 2014. Adaptado. 
Portanto, nessa etapa ocorre a remoção de sólidos grosseiros, em que o material de 
dimensões maiores do que o espaçamento entre as barras é retido. Há grades grossas, cujos 
espaços podem variar de 5,0 a 10,0 cm, grades médias com espaços entre 2,0 a 4,0 cm e gra-
des finas com espaços entre 1,0 e 2,0 cm. As principais finalidades do gradeamento são:
• proteção dos dispositivos de transporte dos efluentes (bombas e tubulações);
• proteção das unidades de tratamento subsequentes;
• proteção dos corpos receptores.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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67
4.1.2 Desarenação
A desarenação tem como objetivo remover a areia que é muito presente nos corpos de 
água naturais por sedimentação. Esse mecanismo ocorre separando a areia, que tem grãos 
com maiores dimensões e densidade e que vão por gravidade para o fundo do tanque, da 
matéria orgânica, que tem sedimentação bem mais lenta permanecendo em suspensão, se-
guindo para as unidades seguintes do tratamento de água.
• Sedimentação simples: como a água tem grande poder de dissolver e de carrear 
substâncias, esse poder aumenta ou diminui com a velocidade da água em mo-
vimento. Quanto menor a velocidade de escoamento da água, menor seu poder 
de carreamento e assim as substâncias mais grosseiras sedimentáveis e partículas 
mais pesadas tendem a se depositar no fundo do canal. O material sólido ao se 
depositar arrasta consigo micro-organismos presentes na água, melhorando sua 
qualidade. Artificialmente obtém-se a sedimentação, fazendo passar ou detendo a 
água em reservatórios, reduzindo sua velocidade de escoamento. Quando a água 
for captada em pequenas fontes superficiais, deve-se ter uma caixa de areia antes 
da tomada. A função dessa caixa é decantar a areia, protegendo a tubulação, as 
bombas etc. contra o desgaste excessivo que seria promovido por efeitos abra-
sivos. O próprio manancial de captação pode funcionar naturalmente como um 
grande reservatório de sedimentação simples, como no caso de barragens que, 
no tempo de chuvas, apresentam-se com um grau de turbidez bem superior ao 
registrado durante a estiagem. A sedimentação simples, desde a simples caixa de 
areia até um tanque de decantação, como processo preliminar, é muito utilizada 
nos casos de emprego de filtros lentos.
Figura 2 – Ilustração de processo simples de sedimentação.
Água bruta Próximas fases 
do tratamento
Aeração Decantação
Processo de filtragem
Fonte: Elaborada pelo autor.
As finalidades básicas da remoção de areia são:
• evitar abrasão nos equipamentos e tubulações;
• eliminar ou reduzir a possibilidade de obstrução em tubulações, tanques, orifí-
cios, sifões;
• facilitar o transporte do líquido, principalmente a transferência de lodo, em suas 
diversas fases.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo68
4.1.3 Aeração
A oxidação da matéria orgânica presente na água bruta que chega à ETA tem gases dis-
solvidos, gerando odor e sabor à água. Nesse caso, é necessária a ativação dos processos ae-
róbicos de oxidação nos quais se emprega a introdução de ar no meio aquoso oxigenando o 
líquido. Esse procedimento é denominado de aeração, é mais rápido e produz gases inodoros.
No caso de águas retiradas de poços, fontes ou de pontos profundos de grandes repre-
sas, estas podem conter ferro e outros elementos dissolvidos, ou ainda ter perdido o oxigê-
nio em contato com as camadas que atravessaram e em consequência ter, por exemplo, um 
gosto desagradável. Assim, embora não seja prejudicial à saúde do consumidor, torna-se 
necessário arejá-las para melhorar sua condição de potabilidade.
Em águas superficiais, a aeração é também usada para a melhoria da qualidade bio-
lógica da água e como parte preliminar de tratamentos mais completos. Para as pequenas 
instalações, a aeração pode ser feita na entrada do próprio reservatório de água, bastando 
que este seja bem ventilado e que essa entrada seja em queda livre.
4.1.4 Métodos de aeração
Nos aeradores mais simples, a água sai de uma fonte no topo, que pode ser constituída 
por um conjunto de bandejas, sobrepostas, espaçadas e fixadas na vertical por um eixo, ou 
um tabuleiro de vigas arrumadas em camadas transversais às vizinhas. A água cai atraves-
sando os degraus sucessivamente sobre um efeito de cascata, o que permite a entrada de 
ar oxigenado em seu meio, até ser recolhida na parte inferior da estrutura. As bandejas ou 
tabuleiros ainda podem conter cascalho ou pedra britada.
Figura 3 – Ilustração de aeração da água para o seu tratamento.
Fonte: ymgerman/Shutterstock.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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69
4.2 Metodologias de tratamentos químicos
A etapa do tratamento de água na ETA em que se inserem componentes químicos con-
siste em dosar as operações de floculação, decantação e filtração tendo como base os resul-
tados dos parâmetros de turbidez, cor e pH.
Nessa etapa procedem-se a equalização e neutralização da carga do efluente com um 
tanque de equalização e adição de produtos químicos. Seguidamente, ocorre a separação de 
partículas líquidas ou sólidas por meio de processos de floculação e sedimentação, utilizan-
do floculadores e decantador (sedimentador) primário.
Como na ETA a água chega de forma bruta, em geral o primeiro produto químico colo-
cado na água é o coagulante, assim chamado em virtude de sua função. No Brasil comumen-
te emprega-se o sulfato de alumínio líquido ou liquefeito com água. A função do sulfato de 
alumínio é justamente agregar as partículas coloidais, aquele material que está dissolvido na 
água, ou seja, a sujeira, iniciando um processo chamado de coagulação-floculação.
4.2.1 Floculação
Na floculação, em seguida, ocorre um fenômeno complexo, que consiste essencialmente 
em agregar em conjuntos maiores, chamados flocos, as partículas coloidais que não são ca-
pazes de se sedimentarem espontaneamente. Para isto, na floculação, a água é submetida à 
agitação mecânica para possibilitar que os flocos se agreguem com os sólidos em suspensão,permitindo assim uma decantação mais rápida. Essa agregação, que diminui a cor e a turbi-
dez da água, é provocada pela atração de hidróxidos, provenientes dos sulfatos de alumínio 
e ferro II, por íons cloreto e sulfatos existentes na água.
Não há uma regra geral para prever o melhor floculante. O que se faz normalmente é 
averiguar, por meio de ensaios de laboratório, se determinado floculante satisfaz às exigên-
cias previstas. O floculante mais largamente empregado é o sulfato de alumínio, de aplica-
ção restrita à faixa de pH situada entre 5,5 e 8,0. Quando o pH da água não se encontra nessa 
faixa, costuma-se adicionar cal ou aluminato de sódio, a fim de elevar o pH, permitindo a 
formação dos flóculos de hidróxido de alumínio. O aluminato de sódio, empregado junta-
mente com o sulfato de alumínio, tem faixa de aplicação restrita a pHs elevados, em que se 
salienta, em certos casos, a remoção do íon magnésio.
Removidas a cor e a turbidez pelas operações de floculação, decantação e filtração, faz-
-se uma cloração. Nessa operação, o cloro tem função bactericida e clarificante, podendo ser 
utilizado sob várias formas: cloro gasoso, hipoclorito de cálcio (35 a 70% de cloro), hipoclo-
rito de sódio (10% de cloro) e monóxido de dicloro ou anidrido hipocloroso.
4.2.2 Coagulação
A coagulação geralmente realizada por sais de alumínio e de ferro resulta de dois fe-
nômenos essencialmente químicos. Consiste nas reações do coagulante com a água e na 
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo70
formação de espécies hidrolisadas com carga positiva, que depende da concentração do 
metal e pH final da mistura. O fenômeno físico que ocorre é o transporte das espécies hidro-
lisadas para que haja contato entre as impurezas presentes na água.
A coagulação depende fundamentalmente das características da água e das impurezas 
presentes, conhecidas por meio de parâmetros como pH, alcalinidade, cor, turbidez, tempe-
ratura, condutividade elétrica, tamanho e distribuição do tamanho das partículas em estado 
coloidal e em suspensão.
Figura 4 – Ilustração de processo de coagulação.
Coagulante 
adicionado
Impurezas
Coagulantes formam 
precipitados
Coagulantes e impure-
zas se precipitam
Fonte: NaturalTec (2016).
Segundo Fogaça (2016), é necessário acrescentar à água coagulantes químicos para o 
seu tratamento, e comumente no Brasil é utilizado o sulfato de alumínio (Al2(SO4)3) pela 
sua eficiência no custo/benefício. No entanto, existem outros elementos químicos que tam-
bém podem ser utilizados com essa mesma função, como os sais de ferro ou mesmo os 
polímeros orgânicos. Esses coagulantes têm como características serem insolúveis na água e 
gerar íons positivos (cátions) que atraem as impurezas carregadas negativamente nas águas.
A representação química desse processo utilizando o sulfato de alumínio gera os se-
guintes íons na água:
Al2(SO4)3 → 2 Al3+ + 3 SO42–
Uma menor parte dos cátions Al3+ neutraliza as cargas negativas das impurezas pre-
sentes na água, e a maior parte deles interage com os íons hidroxila (OH–) da água, forman-
do o hidróxido de alumínio:
Al2(SO4)3 + 6 H2O → 2 Al(OH)3 +6 H+ + 3 SO42–
Esse hidróxido de alumínio é um coloide carregado positivamente que neutraliza as im-
purezas coloidais carregadas negativamente que estiverem na água. O excesso de H+ torna o 
meio ácido e pode impedir a formação do hidróxido de alumínio. Por isso, com o coagulante 
é adicionado à água também algum composto que aumente o pH (a alcalinidade) do meio, 
tais como as bases hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) e hidróxido de sódio (NaOH), ou um sal 
de caráter básico, como o carbonato de sódio (Na2CO3), conhecido como barrilha.
Como resultado final desse processo, as partículas poluidoras desestabilizam-se e so-
frem uma aglutinação, o que facilita a sua deposição ou aglomeração em flóculos que po-
dem ser mais facilmente removidos do processo de tratamento de água.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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71
4.2.3 Benefícios da coagulação
O processo de coagulação também é muito comumente empregado em operações de 
tratamento de água em indústrias como curtumes, indústria têxtil e indústria de celulose 
e papel nas quais se emprega o processo físico-químico para retirar poluentes inorgânicos, 
materiais insolúveis, metais pesados, material orgânico não biodegradável, sólidos em sus-
pensão e cor.
Para o tratamento da água para consumo humano a coagulação é responsável por tratar 
poluentes como o fósforo orgânico solúvel, nitrogênio, matéria orgânica (DBO), DQO, bactéria 
e vírus, sólidos em suspensão, sólidos coloidais e soluções que contribuam para turbidez.
Figura 5 – Ilustração da purificação da água pelo processo de coagulação.
Fonte: Konstantin Chagin/Shutterstock.
4.2.4 Fluoretação
A fluoretação é realizada visando proporcionar uma medida segura e econômica de au-
xiliar na prevenção da cárie infantil. Nas ETAs e nos poços artesianos é utilizado o flúor sob 
a forma de ácido fluossilícico. As dosagens de cloro e flúor utilizados para o tratamento da 
água seguem as normas convencionais dos padrões de potabilidade definidos pela Portaria 
do Ministério da Saúde 2.914/2011.
Segundo a Fundação Nacional da Saúde (2012), a fluoretação da água para consumo 
humano deve ser uma medida preventiva com o objetivo da redução da cárie dental entre 
50% e 65% em populações sob exposição contínua desde o nascimento, por um período de 
aproximadamente dez anos de ingestão da dose ótima.
Os compostos de flúor comumente utilizados são: fluoreto de cálcio ou fluorita (CaF2); 
fluossilicato de sódio (Na2SiF6); fluoreto de sódio (NaF); ácido fluossilícico (H2SiF6).
4.2.5 Cloração
A desinfecção é uma das etapas mais importantes no tratamento de uma água potável, 
visto que permite a eliminação de micro-organismos nocivos à saúde, que podem transmitir 
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo72
as mais variadas doenças. A cloração/desinfecção é realizada utilizando-se de algum produ-
to à base de cloro.
De acordo com a Fundação Nacional da Saúde (2014), os principais produtos da família 
do cloro disponíveis no mercado para realizar a desinfecção da água são:
• cloro gasoso;
• cal clorada;
• hipoclorito de sódio;
• hipoclorito de cálcio.
A concentração de aplicação do cloro deve seguir os teores permitidos para consumo 
humano, conforme estabelecido no Anexo VII da portaria de potabilidade (Portaria 2.914, de 
12 de dezembro de 2011, do Ministério da Saúde).
4.3 Metodologias de tratamentos biológicos
O tratamento biológico que é utilizado no tratamento da água para consumo humano 
tem como objetivo degradar a matéria orgânica dos efluentes, por meio de ação de agentes 
biológicos, como bactérias e protozoários, e pode ocorrer na forma aeróbia, com utilização 
de oxigênio, e anaeróbia, sem a presença de oxigênio.
O tratamento biológico é a forma mais eficiente de remoção da matéria orgânica dos 
esgotos, pois o próprio esgoto contém grande variedade de bactérias e protozoários para 
compor as culturas microbiais mistas que processam os poluentes orgânicos. O uso desse 
processo requer o controle da vazão, a recirculação dos micro-organismos decantados, o 
fornecimento de oxigênio e outros fatores. Os fatores que mais afetam o crescimento das 
culturas são a temperatura, a disponibilidade de nutrientes, o fornecimento de oxigênio, o 
pH, a presença de elementos tóxicos e a insolação. Havendo oxigênio livre (dissolvido), são 
as bactérias aeróbias que promovem a decomposição. Na ausência do oxigênio, a decom-
posição se dá pela ação das bactérias anaeróbias. A decomposição aeróbia diferencia-se da 
anaeróbia pelo seu tempo de processamento e pelos produtos resultantes.
Em condições naturais, a decomposição aeróbianaturais que sustentam a saúde humana, 
a produção alimentar e a biodiversidade. […] A maioria da água doce poluída 
acaba nos oceanos, prejudicando áreas costeiras e a pesca. […]
A água é um bem natural de alto valor agregado e de interesse difuso com ordenamento 
jurídico bem extenso no Brasil, como na esfera federal pelo Decreto 24.643/34, que estipulou 
o Código de Águas; a Lei 9.433/97, conhecida como Lei das Águas, e a Lei 9.984/2000, que 
criou a Agência Nacional de Águas, sem olvidar da Carta Magna Federal de 1981, esses são 
os diplomas legais sobre a temática.
Os diferentes processos físicos aquáticos podem ser influenciados pela poluição am-
biental por meio do aporte de substâncias nos mananciais e têm origem em várias fontes, 
como efluentes domésticos e industriais e escoamentos superficial urbano e agrícola.
Cada uma dessas fontes apresenta características próprias quanto aos poluentes que 
transportam, como: contaminantes orgânicos, nutrientes (que podem causar eutrofização 
dos ambientes lóticos e lênticos) e bactérias.
Mesmo separando os poluentes em grupos, a diversidade das indústrias existentes au-
menta, ainda mais, a variabilidade dos contaminantes aportados nos corpos de água, tor-
nando-se praticamente impossível a determinação sistemática de todos os poluentes que 
possam estar presentes nas águas superficiais, em tempo relativamente curto.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
1
11
Existem parâmetros de qualidade de água, levando em conta os poluentes mais repre-
sentativos que são: físicos, químicos, microbiológicos e bioensaios ecotoxicológicos.
Nesta aula daremos enfoque aos parâmetros físicos que também são indicadores de 
qualidade das águas. No Brasil, a resolução Conama 357, de 17 de março de 2005, dispõe 
sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, 
bem como estabelece as condições e os padrões de lançamento de efluentes, além de dar 
outras providências e ser utilizada para o monitoramento e fiscalização ambiental.
A seguir, apresentamos os principais parâmetros físicos da água.
• Turbidez: A turbidez da água é determinada por diversos materiais em suspensão, de tama-
nho e natureza variados, tais como areia, matéria orgânica e inorgânica, compostos corados 
solúveis, plâncton e outros organismos microscópicos (BRASIL, 2006).
• Cor: A cor da água é proveniente da matéria orgânica como, por exemplo, substâncias hú-
micas, taninos e também por metais como o ferro e o manganês e resíduos industriais forte-
mente coloridos (BRASIL, 2006).
• Temperatura: A variação da temperatura tem incidência sobre distintos parâmetros físicos e 
químicos que, por sua vez, podem afetar a qualidade das águas de irrigação. Os fatores que 
se deve ter em conta são oriundos dos sistemas de irrigação, das condições de cultivo e da 
variação de temperatura diária e das estações (ALMEIDA, 2010).
• Condutividade elétrica: A condutividade específica de uma água é a amplitude dela para 
transmitir uma corrente elétrica. Para medir a condutividade, faz-se uso de uma ponte de 
wheatstone (condutivímetro digital com sonda de temperatura) e uma cédula de condutivi-
dade apropriada (ALMEIDA, 2010).
1.1.2 Solo
De acordo com Gomes (2016), a qualidade do solo é tão importante quanto as qualida-
des do ar e da água no estudo de indicadores da qualidade global dos ambientes e ecossis-
temas. A qualidade do solo está ligada diretamente aos efeitos na saúde e na produtividade 
de determinado ecossistema e nos ambientes a ele relacionados.
Gomes (2016) ainda aponta que a melhor eficiência e indicadores que sejam apropria-
dos para avaliar a qualidade do solo dependem da conjuntura e análise dos componentes 
múltiplos que determinam a sua capacidade em desempenhar suas funções, como a produ-
tividade e o equilíbrio ambiental.
Neste capítulo daremos foco aos parâmetros físicos que são comumente analisados e 
que estão relacionados ao arranjamento das partículas e do espaço poroso do solo, incluin-
do densidade, porosidade, estabilidade de agregados, textura, encrostamento superficial, 
compactação, condutividade hidráulica e capacidade de armazenagem de água disponível.
O solo é composto fisicamente por estruturas complexas e variáveis resultantes da inte-
ração e mistura não homogênea dos seus componentes. É formado por um conjunto de três 
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo12
frações, sendo a física que são os sólidos, os líquidos que é a solução do solo e os gases que 
são compostos pelo ar presente nos poros do solo (LIER, 2015).
Os principais parâmetros físicos do solo são:
• Textura: é um termo empregado para designar a proporção relativa das frações argila, silte ou 
areia no solo. Estes se diferenciam entre si pelo tamanho de suas partículas (granulometria).
• Densidade global: relaciona a massa do solo seco por unidade de volume. A densidade global 
é variável, manifestando a influência da compactação, estrutura, adensamentos e textura.
• Porosidade: representa a porção do solo em volume, não ocupada por sólidos.
• Estabilidade de agregados: a agregação resulta das forças de aproximação e cimentação de 
partículas orgânicas e minerais no solo. A união de agregados menores formam os macroa-
gregados (> 0,25 mm) do solo. Nos solos tropicais a cimentação é resultante principalmente 
da matéria orgânica e da ação e do metabolismo de organismos vivos sobre essa matéria 
orgânica gerando substâncias agregantes. Também tem papel relevante a secreção de com-
postos orgânicos pelas raízes e a presença de elementos químicos minerais como cálcio, 
magnésio, entre outros (HERNANI, 2016).
• Encrostamento: é o processo de desagregação do solo pela água da chuva reduzindo os poros 
que absorvem a água. Desse modo, com menos poros para absorver água, há uma diminuição 
da velocidade de infiltração de água no solo, estando esta mais sujeita a correr na superfície do 
solo em um processo denominado escoamento superficial. Esse processo é chamado de erosão 
por salpico, e a redução da infiltração em virtude da obstrução de poros da superfície do solo 
é conhecida como selamento superficial devido à formação de crostas superficiais.
• Compactação: processo de aumento da densidade do solo no qual ocorre aumento de sua 
resistência, redução da porosidade, redução da permeabilidade, redução da disponibilidade 
de nutrientes e água.
1.2 Parâmetros químicos da água e do solo
1.2.1 Água
No Brasil, os parâmetros químicos da água no que compete a sua qualidade para o 
consumo humano são determinados pelo Ministério da Saúde pela Portaria MS 2.914, de 12 
de dezembro 2011.
Essa portaria traz algumas definições que são importantes na análise de parâmetros de 
qualidade química de água.
I – água para consumo humano: água potável destinada à ingestão, preparação 
e produção de alimentos e à higiene pessoal, independentemente da sua origem;
II – água potável: água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido nesta 
Portaria e que não ofereça riscos à saúde;
Parâmetros físicos, químicos e biológicos
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
1
13
III – padrão de potabilidade: conjunto de valores permitidos como parâmetro 
da qualidade da água para consumo humano, conforme definido nesta Portaria;
IV – padrão organoléptico: conjunto de parâmetros caracterizados por provocar 
estímulos sensoriais que afetam a aceitação para consumo humano, mas que não 
necessariamente implicam risco à saúde;
V – água tratada: água submetida a processos físicos, químicos ou combinação 
destes, visando atender ao padrão de potabilidade.
Os indicadores de qualidade química que são analisados como referência para a qualidade 
de água são potencial hidrogeniônico (pH), alcalinidade, dureza, cloretos, ferro, manganês, ni-
trogênio, fósforo, fluoretos, oxigênio dissolvido (OD), matéria orgânica (demanda bioquímica de 
oxigênio:necessita três vezes menos tempo que 
a anaeróbia e dela resultam gás carbônico, água, nitratos e sulfatos, substâncias inofensivas 
e úteis à vida vegetal. O resultado da decomposição anaeróbia é a geração de gases como 
o sulfídrico, metano, nitrogênio, amoníaco e outros que geralmente são gases malcheirosos 
(COSTA, 2008).
A decomposição do esgoto é um processo que demanda vários dias, iniciando-se com 
uma contagem elevada de demanda biológica de oxigênio, que vai decrescendo e atinge seu 
valor mínimo ao completar-se a estabilização. A determinação da demanda biológica de 
oxigênio é importante para indicar o teor de matéria orgânica biodegradável e definir o grau 
de poluição que o esgoto pode causar ou a quantidade de oxigênio necessária para submeter 
o esgoto a um tratamento aeróbio.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
4
73
4.3.1 Processo anaeróbio
De uma forma simplificada, o processo anaeróbio ocorre em quatro etapas. Na primei-
ra etapa, a matéria orgânica complexa é transformada em compostos mais simples como 
ácidos graxos, aminoácidos e açúcares, pela ação dos micro-organismos hidrolíticos. Na 
segunda etapa, as bactérias acidogênicas transformam os ácidos e açúcares em compostos 
mais simples como ácidos graxos de cadeia curta, ácido acético, H2 e CO2. Na terceira etapa, 
esses produtos são transformados principalmente em ácido acético, H2 e CO2, pela ação 
das bactérias acetogênicas. Por fim, na última etapa, os micro-organismos metanogênicos 
transformam esses substratos em CH4 e CO2.
A digestão anaeróbia é um processo fermentativo que tem como finalidade a remoção 
de matéria orgânica, a formação de biogás e a produção de biofertilizantes mais ricos em 
nutrientes, portanto é uma alternativa atraente para alguns casos de esgoto industrial e es-
goto sanitário. Uma das dificuldades encontradas inicialmente era o desconhecimento dos 
fatores que influenciavam a digestão anaeróbia.
A dificuldade atual a ser superada na aplicação da digestão anaeróbia para a estabili-
zação de águas residuárias é alcançar a alta retenção da biomassa ativa no reator anaeróbio, 
usando-se meios simples e baratos. Como um método de tratamento de águas residuárias, 
a digestão anaeróbia oferece um número de vantagens significantes sobre os sistemas de 
tratamentos aeróbios convencionais disponíveis atualmente.
Vantagens
• baixa produção de lodo biológico;
• dispensa energia para aeração;
• há produção de metano;
• há pequena necessidade de nutrientes;
• o lodo pode ser preservado ativo durante meses sem alimentação;
• o processo pode trabalhar com altas e baixas taxas orgânicas.
Desvantagens
• nem sempre atende à legislação;
• a partida dos reatores pode ser lenta devido às bactérias metanogênicas;
• falta de tradição em sua aplicação.
4.3.2 Tipos de biodigestores anaeróbios
Biodigestores convencionais: são reatores anaeróbios que normalmente recebem o lodo 
de decantadores primários e secundários. São sistemas destinados ao tratamento da fase 
sólida, com as finalidades de eliminação de maus odores e transformação do material em 
um lodo menos instável e com menor teor de umidade, de destruir ou reduzir a níveis pre-
viamente estabelecidos os micro-organismos patogênicos, estabilizar total ou parcialmente 
as substâncias instáveis e a matéria orgânica presente nos lodos frescos, reduzir o volume 
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo74
de lodo por meio de fenômenos de liquefação, gaseificação e adensamento e permitir o uso 
do lodo, quando este estiver estabilizado convenientemente, como fonte de húmus ou con-
dicionador de solo para fins agrícolas.
Fossas sépticas: são unidades de escoamento horizontal e contínua, que realizam a se-
paração de sólidos, decompondo-os anaerobiamente. A fossa séptica não é um simples de-
cantador e digestor, mas é uma unidade que realiza simultaneamente várias funções, como 
decantação e digestão de sólidos em suspensão, que formará o lodo que se acumulará na 
parte inferior, ocorrerá a flotação e uma retenção de materiais mais leves e flotáveis como 
óleos e graxas que formarão uma escuma na parte superior. Os micro-organismos existentes 
serão anaeróbios e ocorrerá a digestão do lodo com produção de gases.
Tanques Imhoff: têm as finalidades idênticas às unidades de tratamento primário, ou 
seja, decantação ou digestão de sólidos. Funcionam como se fossem unidades separadas. 
Apresentam grandes vantagens em relação às fossas sépticas devido à ausência de partí-
culas de lodo no efluente, a não ser em operações anormais. O efluente líquido apresenta 
geralmente eficiência variando com as seguinte reduções: sólidos suspensos (50-70%), remo-
ção de DBO (30-50%). Têm como principais problemas uma grande quantidade de sólidos 
flutuantes e acumulação de espuma.
Reator de contato anaeróbio: tem semelhanças com lodos ativados, só que os micro-or-
ganismos são anaeróbios, há mistura, aquecimento e tanque de equalização, seu tempo de 
detenção é de 24 horas, com reciclo o tempo de detenção hidráulico é menor que o tempo de 
retenção celular e tem alta qualidade depuradora.
Filtro anaeróbio: tem como principais características seu fluxo ser ascendente, não ter 
mistura, pode haver aquecimento, tempo de detenção hidráulico costuma ser próximo de 
24 horas.
Reator Anaeróbio de Manta de Lodo (UASB): é uma unidade de fluxo ascendente que 
possibilita o transporte das águas residuárias por meio de uma região que apresenta elevada 
concentração de micro-organismos anaeróbios. O reator deve ter seu afluente criteriosamente 
distribuído junto ao fundo, de maneira que ocorra o contato adequado entre os micro-organis-
mos e o substrato. O reator oferece condições para que grande quantidade de lodo biológico 
fique retida no interior em decorrência das características hidráulicas do escoamento e tam-
bém da natureza desse material que apresenta boas características de sedimentação, tendo 
como consequência os fatores físicos e bioquímicos que estimulam a floculação e a granulação.
4.3.3 Processo aeróbio
No tratamento biológico aeróbio, os micro-organismos, mediante processos oxidativos, 
degradam as substâncias orgânicas, que são assimiladas como “alimento” e fonte de ener-
gia. Dentre os processos aeróbios, o processo de lodo ativado é um dos mais aplicados e 
também de maior eficiência. O termo lodo ativado designa a massa microbiana floculenta 
que se forma quando esgotos e outros efluentes biodegradáveis são submetidos à aeração 
(COSTA, 2008).
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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75
No tanque de aeração, ocorrem as reações que conduzem a metabolização dos com-
postos biotransformáveis. É essencial que se tenha boa mistura e aeração. No decantador 
secundário, ocorre a separação do lodo, que é a biomassa proveniente do tanque de aeração.
4.3.4 Fatores que influenciam o tratamento biológico por 
lodos ativados
Segundo Costa (2008), os fatores que influenciam o tratamento biológico por lodos ati-
vados são:
• pH – O valor do pH deverá estar entre 6,0-8,0. Para valores entre 3,0-5,0, have-
rá formação de fungos e má sedimentação de lodo. Já no caso de valores entre 
8,0-10,0, a transparência da água será comprometida, com lodo de aparência 
amarelo-marrom.
• Temperatura – A temperatura adequada para o tratamento varia entre 20° e 30°C.
• Oxigênio Dissolvido (OD) – Controlar entre 1 e 4 ppm.
• Nutrientes – Para que o tratamento de efluentes seja eficiente, como regra geral a 
relação mássica entre os nutrientes deve obedecer à relação:
DBO(C) : N : P : = 100 : 5 : 1
Ou seja, para cada 100 g de matéria orgânica (DBO) presente no efluente, são necessá-
rios 5 g de nitrogênio (N) e 1 g de fósforo (P).
A falta de nutrientes N/P ocasionará a formação de flocosdispersos e crescimento de 
bactérias filamentosas, o que prejudicará a eficiência do tratamento do efluente. Assim, a 
adição de nutrientes (produtos à base P e/ou N) pode ser necessária para garantir a perfor-
mance do processo de tratamento biológico.
 Ampliando seus conhecimentos
Poluição das águas urbanas
(AG SOLVE, 2010)
Esgotos domésticos e efluentes industriais são considerados 
os principais contaminantes das águas superficiais, especial-
mente em áreas urbanas. Tecnologias contribuem no moni-
toramento e avaliação dos elementos químicos na água
Há milhões de anos a água do planeta sofre constantes transformações, 
se renova e é reutilizada. Uma das principais transformações que a água 
sofreu no último século é a crescente contaminação, problema que afeta 
especialmente zonas litorâneas e grandes cidades. Entre os principais 
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo76
fatores que colaboram para a poluição da água estão: lançamento de esgo-
tos domésticos e efluentes industriais nos corpos hídricos, urbanização 
desenfreada, atividades agrícolas e de mineração, poluentes presentes na 
atmosfera carregados pela chuva, mudanças climáticas, entre outros fato-
res que colocam em risco a existência de água para consumo na Terra.
O artigo 3º da Declaração Universal pelos Direitos da Água recomenda: 
“Os recursos naturais de transformação da água em água potável são 
lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipu-
lada com racionalidade, precaução e parcimônia”, porém, a preservação 
dos recursos hídricos no planeta está comprometida. Segundo relatório 
da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado no último dia 12 
de março, durante o 6º Fórum Mundial da Água, 80% das águas residu-
ais não são recolhidas ou tratadas e são depositadas com outras massas 
de água ou infiltradas no subsolo, resultando em problemas de saúde à 
população, além de danos ao meio ambiente.
No Brasil os rios mais poluídos se encontram em áreas urbanas. Segundo 
Ney Maranhão, superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos 
da Agência Nacional de Águas (ANA), “de acordo com o Censo 2010 
(IBGE, 2010), a população urbana do País é de cerca de 161 milhões de 
pessoas, correspondente a 84,4% da população total. Este alto nível de 
urbanização causa um impacto significativo nos rios que atravessam as 
cidades, pois somente 42,6% dos esgotos domésticos são coletados e ape-
nas 30,5% recebe algum tratamento (Atlas Brasil, 2010)”.
Recuperar a qualidade das águas urbanas é possível?
De acordo com Nelson Menegon, Gerente da Divisão de Águas e Solos da 
Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (CETESB), a melhor 
ação quanto à recuperação da qualidade das águas ainda é a de prevenção 
e o cuidado para que poluentes não sejam lançados no ambiente sem o 
tratamento adequado. “Existe uma série de tecnologias disponíveis para 
tratar a água a ser lançada num corpo hídrico. A tecnologia adequada 
para o tratamento deve ser selecionada e dimensionada com base no tipo 
de contaminação do efluente líquido e o nível de tratamento que se quer 
atingir. Por outro lado, a recuperação de um rio ou lago já contaminado é 
muito dispendiosa e demorada”, afirma Menegon.
Através da tecnologia, é possível monitorar a qualidade da água, medindo 
os parâmetros e os elementos químicos presentes, como nitrato, amô-
nia, fósforo, nitrogênio, etc – explica Mauro Banderali, especialista em 
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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77
instrumentação ambiental. “Por meio deles, é possível avaliar qual trata-
mento deve ser aplicado para que a água tenha a potabilidade necessária 
para preservar a saúde da população.”
 Atividades
1. Faça uma visita a uma estação de tratamento de água e pesquise/verifique com 
o técnico responsável as metodologias utilizadas para o tratamento físico e con-
fronte as informações com as metodologias apresentadas neste capítulo.
2. Faça uma visita a uma estação de tratamento de água e pesquise/verifique com o téc-
nico responsável as metodologias utilizadas para o tratamento químico e confronte 
as informações com as metodologias apresentadas neste capitulo.
3. Faça uma visita a uma estação de tratamento de água e pesquise/verifique com o téc-
nico responsável as metodologias utilizadas para o tratamento biológico e confronte 
as informações com as metodologias apresentadas neste capítulo.
 Referências
AG SOLVE. Poluição das águas urbanas. Set. 2012. Disponível em: . Acesso em: mar. 2017.
ÁVILLA. Fabiano. Ciência de foguetes para o tratamento da água, 2010. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
BRASIL. Decreto n. 76.872, de 22 de dezembro de 1975. Regulamenta a Lei n. 6.050, de 24 de maio de 
1974, que dispõe sobre a fluoretação da água em sistemas públicos de abastecimento. Diário Oficial da 
União, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 dez. 1975ª.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria do Ministério da Saúde n. 2.914, de 12 de dezembro de 2011. 
Disponível em: . 
Acesso em: mar. 2016.
COSTA. Andréia Fernanda de Santana. Aplicação de tratamento biológicos e físico-químicos em 
efluentes de lavanderia e tinturaria industriais do município de Toritama/PE. Dissertação de mes-
trado do programa de pós-graduação em desenvolvimento de Processos Ambientais da Universidade 
Católica de Pernambuco, 2008. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Coagulação e Floculação. Brasil Escola. Disponível em: . Acesso em: 28 mar. 2016.
FUNDAÇÃO NACIONAL DA SAÚDE – FUNASA. Manual de cloração de água em pequenas comu-
nidades. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
Tecnologias para recuperação da qualidade de águas 
contaminadas ou poluídas4
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo78
FUNDAÇÃO NACIONAL DA SAÚDE – FUNASA. Manual de fluoretação da água para consumo 
humano, 2012. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
NATURALTEC. Tratamento de água e meio ambiente. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
OLIVEIRA, Robson Alves. Noções básicas sobre tratamento de efluentes. Departamento de 
Engenharia Ambiental. Fundação Universidade Federal de Rondônia. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
 Resolução
1. Após ter feito a visita, você deverá descrever e organizar as informações na forma 
de texto, tabelas, fotos e esquemas relacionando as metodologias utilizadas para o 
tratamento físico da água e confrontando as informações com as metodologias apre-
sentadas neste capítulo.
2. Após ter feito a visita, você deverá descrever e organizar as informações na forma 
de texto, tabelas, fotos e esquemas relacionando as metodologias utilizadas para o 
tratamento químico da água e confrontando as informações com as metodologias 
apresentadas neste capítulo.
3. Após ter feito a visita, você deverá descrever e organizar as informações na forma 
de texto, tabelas, fotos e esquemas relacionando as metodologias utilizadas para o 
tratamento biológico da água e confrontando as informações com as metodologias 
apresentadas neste capítulo.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 79
5
Tecnologias voltadasà 
conservação do recurso
A busca por tecnologias de recuperação e conservação da natureza surge em diver-
sas regiões do planeta, e importantes avanços na recuperação dos recursos naturais têm 
sido apresentados. O Brasil tem tido posição de vanguarda em algumas áreas como a 
conservação de águas para o consumo humano e dos solos na produção agrícola, mesmo 
enfrentando tantos problemas de adesões de novas tecnologias pelas comunidades.
Nesta aula daremos destaque às principais tecnologias para a conservação das 
águas, dos solos e alguns princípios adotados na Educação Ambiental para a conser-
vação desses recursos naturais.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo80
5.1 Tecnologias para conservação da água
A intensificação das atividades econômicas e a crescente urbanização acarretam o au-
mento da demanda por recursos hídricos, tanto em quantidade como em qualidade, favo-
recendo, assim, a deterioração dos mananciais de abastecimento de água. Os resultados 
desse cenário incluem problemas no abastecimento e escassez hídrica, sendo fundamental, 
portanto, a sensibilização da sociedade acerca da importância desse recurso natural e de seu 
uso racional. Nesse contexto, a busca por sistemas alternativos de gestão de água que con-
tribuam com a sua conservação se mostra como uma solução para o cenário atual de estresse 
hídrico, em que a demanda de água supera a sua oferta em várias regiões do planeta.
De acordo com Silva (2011, p. 6)
a conservação de água pode ser compreendida como práticas, técnicas e tecno-
logias que aperfeiçoam a eficiência do uso da água, podendo ainda ser definida 
como qualquer ação que:
– reduz a quantidade de água extraída das fontes de suprimento;
– reduz o consumo de água;
– reduz o desperdício de água;
– reduz as perdas de água;
– aumenta a eficiência do uso da água;
– aumenta a reciclagem e o reuso da água;
– evita a poluição da água
5.1.1 Produção de água
As ações voltadas para o uso racional e manejo dos recursos naturais, principalmente 
da água, do solo e da biodiversidade, visam a promover a sustentabilidade, seja ela local ou 
de grande abrangência geográfica, aumentando a segurança na oferta de alimentos, água 
para o consumo e sistemas produtivos e melhorando os níveis de emprego e renda tanto no 
meio rural como urbano.
A adoção das microbacias hidrográficas para o planejamento, o monitoramento e a ava-
liação do uso dos recursos naturais é o primeiro passo para projetos de conservação da água 
e do solo. O segundo passo é a organização e conscientização da comunidade como estraté-
gia para promover a melhoria da qualidade de vida pelo uso de tecnologias adequadas sob 
o ponto de vista ambiental, econômico e social.
As microbacias são unidades geográficas naturais, em que fatores ambientais, econô-
micos e sociais se encontram assemelhados ou em condições homogêneas e, por isso, mais 
apropriadas para o estabelecimento de um plano unificado para o controle das interferên-
cias das atividades humanas nos recursos naturais (LIMA, 2006).
Para Balbinoti (2008) citando Silveira (1997), é necessário no estudo dos recursos hídri-
cos o conhecimento do ciclo hidrológico da água, de seus componentes e das relações entre 
Tecnologias voltadas à conservação do recurso
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
5
81
eles. O ciclo hidrológico é o fenômeno global de circulação fechada da água entre a superfí-
cie terrestre e a atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela energia solar associada à 
gravidade e à rotação terrestre.
Dessa forma, todos os acontecimentos no caminho da água devem ser observados e 
manejados de forma que melhorem o seu aproveitamento para as necessidades humanas.
O manejo das bacias hidrográficas é umas das tecnologias mais avançadas na conser-
vação da água. Dentre suas práticas e técnicas estão a conservação do solo, o planejamento 
e a conservação de estradas rurais, os programas de macrodrenagens em áreas urbanas e a 
recuperação de matas ciliares.
• Conservação do solo: a conservação do solo nas bacias hidrográficas é caracteri-
zada por intervenções físicas com a finalidade de conduzir e reduzir a velocidade 
das águas da chuva e fomentar que ela se infiltre no solo para alimentar os lençóis 
freáticos e aquíferos. Basicamente são as formações de curvas de nível e terracea-
mentos nos cultivares agrícolas (GOMES, 2006).
• Planejamento e conservação de estradas rurais: as estradas rurais tradicionalmen-
te foram construídas sem planejamento e somente com o princípio da estrutura 
fundiária e das facilidades do terreno. Como consequências, elas se transformam 
em dias de chuvas em canais de escoamento de água gerando sérios processos 
erosivos degradando os próprios cultivares agrícolas, bem como assoreando as 
nascentes, os rios e os riachos. Portanto, a condução e redução da velocidade da 
água da chuva são novamente adotadas nessa técnica que tem como práticas o 
desnivelamento (retiram-se os cursos da estrada de barrancos e trincheiras) e a 
condução topográfica da água para as curvas de nível situadas nas áreas agricul-
táveis (FATTORI, 2007).
• Programas de macrodrenagens em áreas urbanas: os projetos de drenagem urbana 
têm como filosofia o escoamento da água precipitada o mais rápido possível para 
fora da área projetada. Para alterar essa tendência, as técnicas adotas no controle 
de enchentes consideram o seguinte: o aumento de vazão devido à urbanização 
não deve ser transferido para jusante; a bacia hidrográfica deve ser o domínio 
físico de avaliação dos impactos resultantes de novos empreendimentos; o hori-
zonte de avaliação deve contemplar futuras ocupações urbanas; as áreas ribeiri-
nhas somente poderão ser ocupadas dentro de um zoneamento que contemple as 
condições de enchentes; as medidas de controle devem ser preferencialmente não 
estruturais (PARANÁ, 2002).
• Recuperação de matas ciliares: as matas ciliares funcionam como filtros, retendo 
sedimentos e poluentes das áreas agrícolas e urbanas adjacentes, pois os sedimen-
tos e poluentes transportados por meio do escoamento superficial (enxurrada) são 
depositados na vegetação localizada nas margens dos rios, protegendo e conser-
vando de forma efetiva a água. Na recuperação das matas ciliares, é necessário sa-
ber, primeiramente, como eram essas matas, no local, antes de serem desmatadas 
ou degradadas. É importante nas ações de manejo garantir a volta dos processos 
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo82
ecológicos e das interações que fazem as florestas se estruturarem, se autoperpe-
tuarem e cumprirem suas funções. Esses processos ecológicos são, por exemplo, a 
floração, a produção de frutos, a germinação de sementes e o desenvolvimento de 
plântulas no solo da floresta. É muito importante também a interação da mata com 
os animais (pássaros, morcegos, roedores, insetos, etc.) que garantem a poliniza-
ção das flores, a dispersão de sementes. Portanto, é preciso conhecer que tipo de 
floresta nativa existia na área antes de ser degradada para saber quais espécies são 
adaptadas às condições de clima, solo e umidade do local (SOUZA, 2014).
• Redução do consumo e reuso: a disponibilidade hídrica para o setor de sanea-
mento tem se agravado por conta da deterioração da qualidade da água bruta dos 
mananciais, localizados nas regiões mais próximas dos centros urbanos consumi-
dores. Com o desenvolvimento econômico das regiões metropolitanas e a conse-
quente exploração dos recursos ambientais, a disponibilidade hídrica, em termos 
de quantidade e qualidade, dos rios, dos reservatórios, dos poços e dos demais 
mananciais, diminui ao longo do tempo. O desmatamento e a ocupação desor-
denada nas regiões periurbanas afetam suas características hidrológicas, aumen-
tando o escoamento superficial e diminuindo a infiltração da água no solo, com 
o consequente aumento das enchentes e a diminuição dasrecargas dos aquíferos. 
Por conta desses aspectos há o aumento da poluição da água dos mananciais mais 
próximos das cidades, o que onera, ainda mais, o seu tratamento nas ETAs das 
companhias de abastecimento urbano.
Nesse contexto, inúmeras tecnologias de redução do consumo e reuso da água vêm 
sendo desenvolvidas em grandes obras como hospitais, prédios públicos e indústrias ou 
mesmo em residências ou pequenos empreendimentos.
Assim sendo, uma das tecnologias que vamos dar destaque neste capítulo é a implanta-
ção de um programa de conservação e reuso da água (PCRA).
A implantação de um PCRA significa avaliar de forma sistêmica o uso da água, ou seja, 
otimizar o consumo de água, com a consequente redução do volume de efluentes gerados, 
e utilizar as fontes alternativas de água disponíveis, considerando os diferentes níveis de 
qualidade necessários, de acordo com um sistema de gestão apropriado.
Sob a óptica do meio ambiente, implantar um programa de conservação e reuso de água 
contribui para a preservação dos recursos hídricos, favorecendo o “desenvolvimento sus-
tentável”. Na questão social, provoca um aumento da disponibilidade hídrica à população 
por meio da redução das captações de água dos mananciais. E, ainda, no aspecto econômico, 
reduz os custos com insumos.
O uso da água varia entre os diversos tipos de indústrias e atividades consumidoras, o 
que significa que o detalhamento do PCRA deve ser diferenciado caso a caso.
Um PCRA se inicia com a implantação de ações para a otimização do consumo de água, 
em busca do menor consumo possível para a realização das mesmas atividades, garantindo-
-se a qualidade da água fornecida e o bom desempenho dessas atividades.
No quadro 1, é possível verificar as ações necessárias para a sistematização de um PCRA.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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83
Quadro 1 – Ações necessárias para a sistematização e implantação de um PCRA.
Etapas Principais atividades Produtos
Avaliação técni-
ca preliminar
– Análise documental
– Levantamento de campo
Plano de setorização do 
consumo de água *
Avaliação da de-
manda de água
– Análise de perdas físicas
– Análise de desperdício
– Identificação dos diferentes
níveis de qualidade de água
– Análise de perdas físicas
– Análise de desperdício
– Identificação dos diferentes
níveis de qualidade de água
Avaliação da 
oferta de água
– Concessionárias
– Captação direta
– Águas pluviais
– Reuso de efluentes
– Águas subterrâneas
Plano de aplicação de fon-
tes alternativas de água
Estudo de via-
bilidade técnica 
e econômica
– Montagem da ma-
triz de soluções
– Análise técnica e econômica
Cenário ótimo
Detalhamento
técnico
– Especificações técnicas
– Detalhes técnicos
Projeto executivo
Sistema de gestão
– Plano de monitoramento de
consumo de água
– Plano de capacitação dos
gestores e usuários
– Rotinas de manutenção
– Procedimentos específicos
Sistema de gestão da água
Fonte: Elaborado pelo autor.
5.2 Tecnologias para conservação do solo
O solo é um elemento essencial para a produção de alimentos e para a manutenção da 
vida no planeta. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o solo abriga 25% 
da biodiversidade do planeta. As diversas formas de vida que habitam o seu interior, assim 
como a matéria orgânica depositada sob a sua superfície, estão entre os principais indicadores 
de fertilidade, influenciando diretamente nos níveis de qualidade desse recurso.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo84
Existem muitas maneiras de conservar o solo, mas é importante que o agricultor conhe-
ça as características do solo de sua propriedade para adotar técnicas adequadas de conserva-
ção. Realizar uma boa análise da área que deseja utilizar na atividade produtiva é o primeiro 
passo. Entre as tecnologias para a agricultura destacam-se o manejo conservacionista do 
solo, o sistema de plantio direto, os sistemas agroflorestais (SAFs) e a integração lavoura-
-pecuária-floresta (iLPF). Esses sistemas funcionam como alternativas ao uso do fogo na 
agricultura e possibilitam a rotação de culturas, com o plantio sucessivo em uma mesma 
área, potencializando a produção e promovendo o uso racional da terra.
5.2.1 Manejo conservacionista do solo
O manejo do solo consiste num conjunto de operações realizadas com objetivos de pro-
piciar condições favoráveis à semeadura, ao desenvolvimento e à produção das plantas cul-
tivadas, por tempo ilimitado. Para que esses objetivos sejam atingidos, é imprescindível a 
adoção de diversas práticas, dando-se prioridade, por exemplo, ao uso do sistema plantio 
direto que envolve, simultaneamente, todas as boas práticas conservacionistas.
• Sistema de plantio direto: é uma técnica de cultivo conservacionista em que o plan-
tio é efetuado sem as etapas do preparo convencional da aração e da gradagem. 
Nessa técnica, é necessário manter o solo sempre coberto por plantas em desenvol-
vimento e por resíduos vegetais. Essa cobertura tem por finalidade proteger o solo 
do impacto direto das gotas de chuva, do escorrimento superficial e das erosões 
hídrica e eólica. O plantio direto pode ser considerado como uma modalidade do 
cultivo mínimo, visto que o preparo do solo limita-se ao sulco de semeadura, pro-
cedendo-se à semeadura, à adubação e, eventualmente, à aplicação de herbicidas 
em uma única operação. O conceito plantio direto envolve o plantio de espécies 
arbóreas perenes e semiperenes e ainda hortaliças propagadas por mudas, mas 
no que diz respeito ao cultivo de culturas de grãos, semeadura direta e plantio dire-
to apresentam o mesmo significado. Portanto, a expressão semeadura direta deve 
ser entendida como o ato de depositar no solo sementes ou partes de plantas na 
ausência de mobilizações intensas de solo, tradicionalmente promovidas por ara-
ções, escarificações e gradagens.
• Sistemas agroflorestais (SAFs): são reconhecidamente modelos de exploração de 
solos que mais se aproximam ecologicamente da floresta natural e, por isso, con-
siderados como importante alternativa de uso sustentado do ecossistema tropical 
úmido. Têm origem indígena que combinam, de maneira simultânea ou em se-
quência, a produção de cultivos agrícolas com plantações de árvores frutíferas ou 
florestais e/ou animais, utilizando a mesma unidade de terra e aplicando técnicas 
de manejo que são compatíveis com as práticas e os conhecimentos culturais da 
população local. Essa tecnologia ameniza limitações do terreno, minimiza riscos 
de degradação inerentes à atividade agrícola e otimiza a produtividade a ser obti-
da. Há diminuição na perda de fertilidade do solo e no ataque de pragas. A utiliza-
ção de árvores é fundamental para a recuperação das funções ecológicas, uma vez 
Tecnologias voltadas à conservação do recurso
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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85
que possibilita o restabelecimento de boa parte das relações entre as plantas e os 
animais. Os componentes arbóreos são inseridos como estratégia para o combate 
da erosão e o aporte de matéria orgânica, restaurando a fertilidade do solo. Na fase 
inicial de recuperação, deve ser feito o plantio de árvores de rápido crescimento, 
para acelerar a disponibilidade e de biomassa, o que promoverá a ciclagem de nu-
trientes e permitirá o plantio de espécies mais exigentes. Há melhoria na estrutura 
e na atividade da fauna do solo e maior disponibilidade de nutrientes.
• Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF): a ILPF tem como grande objetivo a 
mudança do sistema de uso da terra, fundamentando-se na integração dos com-
ponentes do sistema produtivo, visando atingir patamares cada vez mais elevados 
de qualidade do produto, qualidade ambiental e competitividade. A ILPF se apre-
senta como uma estratégia para maximizar efeitos desejáveis no ambiente, aliando 
o aumento da produtividade com a conservação de recursos naturais no processo 
de intensificaçãode uso das áreas já desmatadas no Brasil.
A ILPF apresenta especificidades, mas de maneira geral é a integração do sistema de pro-
dução agrícola e pecuário em rotação, consórcio ou sucessão na mesma área e associado ao 
componente florestal com espécies de uso comercial (FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL, 2016).
A implantação da ILPF em uma propriedade possibilita a recuperação de áreas degrada-
das. Ao mesmo tempo, com a intensificação do uso da terra aumenta os efeitos complemen-
tares entre as diferentes espécies cultivadas, bem como entre elas e a criação de animais. Essa 
combinação proporciona benefícios simultâneos para as atividades e, de forma sustentável, 
uma maior produção por área.
5.3 Educação ambiental e conservação
Quando se aborda o campo da educação ambiental, pode-se dar conta de que apesar 
de sua preocupação comum com o meio ambiente e do reconhecimento do papel central da 
educação, inúmeros valores éticos, morais, culturais e sociais também fazem parte do marco 
conceitual, uma vez que o eixo central de qualquer ação educativa no campo socioambiental 
é a conscientização.
Como os problemas socioambientais são complexos, garantir a existência de um am-
biente saudável para todos os seres humanos e outras formas de vida implica uma conscien-
tização que vá realmente abranger todos. Essa maturidade só pode ter ressonância por meio 
de um processo de educação ambiental que envolva ciência e ética e uma renovada filosofia 
de vida.
Segundo Sato (2002), educação ambiental para uma sustentabilidade equitativa é um 
processo de aprendizado permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida. Tal 
educação afirma valores e ações que contribuem para a transformação humana e social e 
para a preservação da natureza. Ela estimula a formação de sociedades socialmente justas e 
ecologicamente equilibradas que conservem entre si a interdependência e diversidade.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo86
Para o educador Paulo Freire (1980), a conscientização é o ato de responder aos desafios 
que lhe apresentam seu contexto de vida, o ser humano se cria, se realiza como sujeito, por-
que essa resposta exige dele reflexão, crítica, invenção, eleição, decisão, organização e ação. 
Todos esses movimentos pelas quais se cria a pessoa e que fazem dela um ser não somente 
adaptado à realidade e aos outros, mas integrado. Freire ainda complementa que se entende 
por conscientização o descobrimento de si mesmo interrogando-se e buscando respostas aos 
seus desejos e observações.
No campo da conservação dos recursos naturais como a água e o solo, por exemplo, a 
educação ambiental é fundamental para proporcionar reflexões e fomentar a conscientiza-
ção, uma vez que tais recursos são bens difusos e de interesses coletivos. Sabendo e enten-
dendo da diversidade social e cultural de uma região ou de um país é importante escolher a 
melhor estratégia para aplicar em processos de educação ambiental com a finalidade de não 
ser somente uma intervenção educativa superficial e que não promova a conscientização e a 
conservação dos recursos naturais de maneira efetiva.
Diante das diversidades, as formas da educação ambiental se apresentam em correntes 
que focam assuntos de interesse de determinada comunidade ou projeto. Em uma mesma 
corrente podem se incorporar uma pluralidade e uma diversidade de proposições e em uma 
mesma proposição pode corresponder a dois ou três correntes diferentes, segundo o ângulo 
sob o qual é analisada. Cada corrente apresenta um conjunto de características específicas 
que as distingue de outras, no entanto as correntes não são excludentes em todos os planos.
As correntes de educação ambiental são as que veremos a seguir:
Naturalista
• Meio ambiente: natureza.
• Finalidade: reconstruir um laço com a natureza.
• Enfoques: sensorial, experimental, afetivo, cognitivo e artístico.
• Estratégias: imersão/interpretação/jogos sensoriais/atividades de descobrimento.
Conservacionista
• Meio ambiente: natureza-recurso.
• Finalidade: adotar comportamentos de conservação. Desenvolver habilidades 
para a gestão ambiental e o ecocivismo.
• Enfoques: cognitivo, pragmático.
• Estratégias: guia de código de comportamentos/Auditoria ambiental/Projetos de 
gestão e/ou conservação.
Resolutiva
• Meio ambiente: conjunto de problemas.
• Finalidade: desenvolver habilidades de resolução de problemas – do diagnóstico à 
ação. Modificação de comportamentos.
• Enfoques: pragmático, cognitivo.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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• Estratégias: estudo de casos – análises de situações-problema/Experiência de reso-
lução de problemas associada a um projeto.
Sistêmica
• Meio ambiente: sistema (ecosociosistema).
• Finalidade: desenvolver o pensamento sistêmico – análises e sínteses por meio de 
uma visão global. Compreender as realidades ambientais em vista a uma tomada 
de decisões ótimas.
• Enfoques: cognitivo.
• Estratégias: estudo de casos – análises de sistemas ambientais.
Científica
• Meio ambiente: objeto de estudos.
• Finalidade: adquirir conhecimentos em ciências ambientais. Desenvolver habili-
dades relativas à experiência científica.
• Enfoques: experimental e cognitivo.
• Estratégias: estudo de fenômenos/observação/demonstração/experimentação/ati-
vidade de investigação hipotético-dedutiva.
Humanista
• Meio ambiente: meio de vida (dimensão humana do meio ambiente).
• Finalidade: conhecer seu meio de vida e se conhecer melhor em relação a ele. 
Desenvolver um sentimento de pertença.
• Enfoques: sensorial, afetivo, experiencial, cognitivo, criativo/estético.
• Estratégias: estudo do meio/itinerário ambiental/leitura da paisagem.
Moral/Ética
• Meio ambiente: objeto de valores.
• Finalidade: dar prova de ecocivismo. Desenvolver um sistema ético. Construir um 
sistema de valores.
• Enfoques: afetivo, cognitivo e moral.
• Estratégias: análises de valores/clarificação de valores/crítica de valores sociais.
Holística
• Meio ambiente: Holos. Todo o Ser.
• Finalidade: desenvolver as múltiplas dimensões de seu ser em interação com o 
conjunto de dimensões do ambiente. Desenvolver um conhecimento “orgânico” 
do mundo e um atuar participativo em e com o ambiente.
• Enfoques: holístico, orgânico, intuitivo e criativo.
• Estratégias: exploração livre/visualização/oficinas de criação/integração de estra-
tégias complementares.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo88
Biorregionalista
• Meio ambiente: lugar de pertença, projeto comunitário.
• Finalidade: desenvolver competências em ecodesenvolvimento comunitário, local 
ou regional.
• Enfoques: pragmático, experiencial, afetivo, cognitivo e criativo.
• Estratégias: exploração do meio/projeto comunitário/criação de ecoempresas.
Práxica
• Meio ambiente: crisol de ação/reflexão.
• Finalidade: aprender na ação, pela ação e para melhorar a ação.
• Enfoques: práxico (integrar a reflexão e a ação, as quais se alimentam mutuamente).
• Estratégias: pesquisa-ação.
Crítica
• Meio ambiente: objeto de transformação, lugar de emancipação.
• Finalidade: desconstruir as realidades socioambientais para transformar o que 
causa problemas.
• Enfoques: práxico, reflexivo e dialógico.
• Estratégias: análises de discurso/estudo de casos/debate/pesquisa-ação.
Feminista
• Meio ambiente: objeto de solicitude.
• Finalidade: integrar os valores feministas na relação com o meio.
• Enfoques: intuitivo, simbólico, afetivo, espiritual e criativo/estético.
• Estratégias: estudo de casos/imersão/oficina de criação/atividade de intercâmbio 
de ideias, de comunicação.
Etnográfica
• Meio ambiente: território/lugar de identidade/natureza-cultura.
• Finalidade: reconhecer o laço entre natureza e cultura. Clarificar sua própria cos-
mologia. Valorizar a dimensão cultural de sua relação com o meio.
• Enfoques: intuitivo, experiencial,afetivo, simbólico, espiritual e criativo/estético.
• Estratégias: contos, narrações, lenda/estudo de casos/acompanhamento/imersão.
Da ecoeducação
• Meio ambiente: esfera de interação essencial para a formação pessoal. Crisol de 
identidade.
• Finalidade: experimentar o meio para se experimentar e se formar em e pelo meio. 
Construir sua relação com o mundo, com os seres outros que humanos.
• Enfoques: sensorial, experiencial, afetivo, simbólico e criativo.
• Estratégias: relato de vida/imersão/jogos/exploração/introspecção/alternância 
subjetiva-objetiva.
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Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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Da sustentabilidade
• Meio ambiente: recursos para desenvolvimento econômico. Recursos compartidos.
• Finalidade: promover um desenvolvimento econômico respeitoso com os aspectos 
sociais e ambientais.
• Enfoques: pragmático e cognitivo.
• Estratégias: estudo de casos/experiência de resoluções de problemas/projeto de 
desenvolvimento sustentável/sustentabilidade.
 Ampliando seus conhecimentos
A educação como instrumento para 
a concretização do desenvolvimento 
sustentável
(TOALDO, MEYNE, 2013)
A educação é que forma o ser humano, a sociedade e aí justamente reside à 
necessidade de educar para se atingir um nível satisfatório de democracia.
Parece claro que uma sociedade composta por pessoas de grau de esco-
laridade elevado é mais participativa. No Brasil, tradicionalmente, se tem 
percebido por parte de alguns governos, que a educação e a formação 
da consciência de cidadania e democracia nunca foram uma prioridade, 
justamente para tentar garantir uma perpetuação no poder, através das 
“massas de manobra”. Por outro lado, isso também não é uma criação 
moderna, na antiguidade já se falava em pão e circo para o povo. Embora 
não se possa atrelar a participação ao grau de escolaridade da população, 
percebe-se que a educação popularizada tem trazido significativos avan-
ços na autonomia, liberdade e consciência das decisões.
A preocupação com a educação ambiental não é de hoje, em 1972 a 
Declaração de Estocolmo, em seu princípio 19º, assim determina que seja 
essencial um trabalho de educação em matéria ambiental, tanto para as 
gerações mais jovens como para as mais adultas, que tenha em conta os 
menos favorecidos, com a finalidade de possibilitar a formação de uma 
opinião pública esclarecida e uma conduta responsável por parte dos indi-
víduos, das empresas e comunidade, na proteção e melhoria do ambiente 
e sua dimensão humana global.
Nesta perspectiva a educação ambiental tem fundamental papel, consubs-
tanciando-se em uma necessidade do mundo moderno, existindo cada vez 
mais o desafio, enquanto prática dialógica, no sentido de serem criadas 
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo90
condições para a participação dos diferentes segmentos sociais, tanto na 
formulação de políticas para o meio ambiente, quanto do meio natural, 
social e cultural. A prática educativa deve partir de uma premissa de que 
a sociedade é um lugar em constantes conflitos e confrontos, não existindo 
harmonia, nas esferas políticas, econômicas, das relações sociais, e dos 
valores, possibilitando que diferentes segmentos da sociedade, possam 
ter condições de intervirem no processo de gestão ambiental.
Objetivando a formação da personalidade em relação a um meio ambiente 
ecologicamente equilibrado é preciso que seja inserido a partir das séries 
iniciais e subsequentes e que seja um trabalho permanente com essas pes-
soas para que se torne contínuo, como acrescenta Geraldo Ferreira Lanfredi.
“A educação ambiental objetiva a formação da personalidade despertando 
a consciência ecológica em crianças e jovens, alem de adulto, para valo-
rizar e preservar a natureza, porquanto, de acordo com princípios comu-
mente aceito, para que se possa prevenir de maneira adequada, necessário 
é conscientizar e educar. A educação ambiental é um dos mecanismos pri-
vilegiados para a preservação e conservação da natureza, ensino que há 
de ser obrigatório desde a pré-escola, passando pelas escolas de 1.° e 2.º 
grau, especialmente na zona rural, prosseguindo nos cursos superiores”.
Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscien-
tização pública para a preservação do meio ambiente é o que está redigido 
no artigo 225, inciso VI da nossa Constituição.
A educação, que é o alicerce do Estado Democrático de Direito, é um 
direito público subjetivo do cidadão, por intermédio do qual ele assume 
a plenitude de sua dignidade e resgata a cidadania, figurando no rol 
dos direitos humanos, reconhecidos pela comunidade internacional. É a 
forma, ainda, de atingir diversas finalidades, como saúde pública. É um 
processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva 
para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em lingua-
gem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência 
crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. 
Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não 
apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assu-
mindo a crise ambiental como uma questão ética e política.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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91
Nessa mesma linha de raciocínio Ivanaldo Soares da Silva Junior enfatiza que:
“A educação ambiental deve se constituir em uma ação educativa perma-
nente por intermédio da qual a comunidade têm a tomada de consciência 
de sua realidade global, do tipo de relações que os homens estabelecem 
entre si e com a natureza, dos problemas derivados e de ditas relações 
e suas causas profundas. Este processo deve ser desenvolvido por meio 
de práticas que possibilitem comportamentos direcionados a transforma-
ção superadora da realidade atual, nas searas sociais e naturais, através 
do desenvolvimento do educando das habilidades e atitudes necessárias 
para dita transformação.”
A Constituição Federal em seu artigo 225 diz que todos têm direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essen-
cial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade 
o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 
Entretanto não é o que se vê nos dias atuais em que os noticiários dão conta 
da devastação do meio ambiente, como os desmatamentos, poluição dos rios 
e do ar ocasionado pelo crescimento econômico desordenado.
As medidas preventivas, como seu próprio nome indica, devem se ante-
cipar e impedir ou minorar a ocorrência dos fatores de degradação. Duas 
razões principais tornam preferencial a aplicação dessas medidas. A pri-
meira é por sua implantação depender de custos financeiros menores e, 
portanto, pressionar menos os caixas públicos e privados na disputa de 
recursos que são sempre escassos para atender ao conjunto das deman-
das da sociedade. A segunda razão é que as medidas preventivas serão 
mais eficazes se tomadas antes da ocorrência de degradação ambiental e 
de consequentes outros custos de natureza econômica e social nem sem-
pre traduzíveis em valores monetários, mas nem por isso destituídos de 
importância. Em contrapartida, sua aplicação depende de a sociedade 
estar suficientemente organizada para planejar e gerenciar os processos 
socioeconômicos e assegurar o principal objetivo dessas medidas, que é a 
distribuição das atividades humanas no espaço e no tempo (planejamento 
territorial e de uso do solo) de maneira compatível com padrões desejá-
veis de qualidade ambiental.
Nesse sentido, João Marcos Adede y Castro ressalta que:
“O crescimento ou desenvolvimento não pode ser causa de destruição do 
meio ambiente, e deve buscar sempre formas de produção e consumo que 
Tecnologias voltadas à conservação do recurso5
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo92anule ou reduzas ao máximo a possibilidade de poluição ou modificação 
negativa da casa onde vivemos.”
Sendo assim, a forma correta de se ter um crescimento econômico sem 
destruir o meio ambiente é através do desenvolvimento sustentável ecolo-
gicamente, que proporciona ainda uma qualidade de vida sadia.
 Atividades
1. Faça uma saída de campo, em área de zona rural que estiver mais próxima, e analise 
se na paisagem estão ocorrendo práticas de conservação da água, como a presença 
de matas ciliares, curvas de nível e se as estradas rurais estão bem conservadas sem 
erosões, voçorocas etc.
2. Na mesma saída de campo da atividade 1, verifique se na paisagem em análise ocor-
rem práticas de conservação do solo como o plantio direto, sistemas agroflorestais, 
curvas de nível, Integração lavoura-pecurária-floresta.
3. Escolha uma ou mais correntes de Educação Ambiental apresentadas neste capítulo e 
organize uma ação de Educação Ambiental para sua turma da universidade ou em seu 
bairro, focando a conservação da água ou solo. Dica: defina o perfil socioambiental e cul-
tural do público beneficiário para facilitar a escolha da corrente de Educação Ambiental.
 Referências
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Agronomia – Área de Concentração em Irrigação e Drenagem. Universidade estadual paulista Julio 
de Mesquita Filho Faculdade de Ciências Agronômicas Campus de Botucatu. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
Tecnologias voltadas à conservação do recurso
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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GONÇALVES, Ricardo Franci (coordenador). Conservação de água e energia em sistemas prediais e 
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de drenagem para a bacia do Rio Iguaçú na Região Metropolitana de Curitiba, 2002. Disponível 
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Acesso em: mar. 2016.
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Implementando o conceito da microbacia hidrográfica como unidade de planejamento (W.P. Lima & 
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 Resolução
1. Você deverá verificar se há ações de conservação da água na paisagem analisada e 
sistematizar as informações em tabelas e fotos. Pode-se comunicar o órgão ambiental 
que atua na área para apresentar suas observações caso ocorra alguma eventualida-
de ou crime ambiental.
2. Você deverá verificar se há ações de conservação do solo na paisagem analisada e 
sistematizar as informações em tabelas e fotos e tecer comentários sobre a eficiência 
das práticas observadas.
3. Você deverá escolher uma ou mais correntes de educação ambiental e fazer interven-
ções buscando a conscientização para a conservação do solo e da água do público 
beneficiário que escolher.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 95
6
Funcionamento e 
organizações de comitês de 
bacias hidrográficas
No Brasil, a luta pela conquista de espaços para aumentar a participação social 
é sem dúvida um dos aspectos mais desafiadores para a análise sobre os alcances da 
democracia. Tendo como base a Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política 
Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, a gestão 
das águas se tornou um marco na descentralização e fomento da participação da socie-
dade em tomadas de decisões de relevância e abrangências regionais, estaduais e até 
nacionais. Neste capítulo, será dado enfoque a uma das principais ferramentas de 
participação e democratização em gestão de recursos naturais que são os Comitês de 
Bacias Hidrográficas, a legislação e os órgãos reguladores e os aspectos da gestão par-
ticipativa e aplicabilidade da democracia.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo96
6.1 O que é um comitê de bacias hidrográficas
Os comitês de gerenciamento de bacia hidrográfica são organismos colegiados instituí-
dos pelo Poder Público, com base na Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política 
Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Recursos Hídricos, com atribuições 
específicas no gerenciamento dos usos e da conservação da água e dos corpos hídricos, ten-
do como base de planejamento e gestão a bacia hidrográfica.
Os comitês de bacias hidrográficas brasileiros têm como referência e modelo experiên-
cias estrangeiras, particularmente a da França. No Brasil, a partir do marco constitucional, 
todas as águas são públicas, de domínio federal ou estadual. Os primeiros comitês de bacias 
de rios estaduais surgiram no Rio Grande do Sul, em 1988 (Comitê da Bacia do Rio dos 
Sinos) e 1989 (Comitê Gravataí) e da experiência desses dois somados aos de vários instituí-
dos por diversos estados nos anos de 1990 foi formulada a referida lei federal.
A criação dos comitês de bacias hidrográficas está pautada na preocupação das comuni-
dades e de grandes usuários da água com a crescente escassez provocada por problemas de 
ordem qualitativa (poluição) e/ou de ordem quantitativas comprovadas técnica e cientifica-
mente pela Agência Nacional das Águas, que em seus relatórios anuais apontam que todas 
as regiões metropolitanas brasileiras passam por crise hídrica.
A gestão dos recursos hídricos como uma política pública envolvendo todos os usuá-
rios e a população foi um passo necessário para superar o enfoque de atacar apenas os efei-
tos localizados da poluição e da demanda crescente. A bacia hidrográfica é a unidade ideal 
para a aplicação regionalizada dessa política, pois é a unidade natural dos recursos hídricos. 
O enfoque de planejamento e o uso de instrumentos de gestão como a outorga do direito 
de usoda água e a cobrança pelo mesmo uso garantem, nos países em que são aplicados, 
resultados efetivos na recuperação e na conservação dos recursos hídricos e no melhor com-
partilhamento dos mesmos.
Nesse sentido, os comitês de bacias hidrográficas têm ganhado muita importância nas 
tomadas de decisões de gestão dos recursos naturais vinculados à água em âmbitos regio-
nais, estaduais e federais. As decisões têm caráter deliberativo, com poderes para decidir 
sobre questões bem definidas na Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Além disso, atuam como 
fóruns de debate sobre questões afins aos usos dos recursos hídricos, sempre entendidos 
como bens ambientais e, portanto, intrinsecamente vinculados aos demais componentes 
ambientais, como bens sociais, dada a importância da água e dos cursos de água em todas 
as manifestações de vida coletiva e como bens econômicos, em função de sua escassez cada 
vez maior e pelo valor que a água tem no processo produtivo.
Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA, 2011), o principal objetivo dos comitês 
de bacia hidrográfica é estabelecer metas, sejam elas qualitativas, sejam quantitativas, de 
maneira consensual por parte dos membros dos comitês e demais interessados como usuá-
rios do setor industrial, agropecuário, elétrico etc. e pela população, que é atingida pela 
execução dos chamados planos de bacia, nestes incluídos prazos, custos e fontes de recurso.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
6
97
Dessa forma, o comitê de bacia hidrográfica tem esse poder por ser um ente integrante 
do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos ordenado juridicamente pela 
Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e tem entre as suas principais atribuições:
• promover o debate sobre questões relacionadas a recursos hídricos e articular a 
atuação das entidades intervenientes;
• arbitrar, em primeira instância administrativa, os conflitos relacionados aos recur-
sos hídricos;
• aprovar o Plano de Recursos Hídricos da Bacia, acompanhar a sua execução e su-
gerir as providências necessárias ao cumprimento das metas;
• propor aos conselhos de recursos hídricos as acumulações, as derivações, as cap-
tações e os lançamentos de pouca expressão, para efeito de isenção da obrigatorie-
dade de outorga de direitos de uso;
• estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os 
valores a serem cobrados.
6.1.1 Representação nos comitês de bacias hidrográficas
A composição de um comitê de bacia hidrográfica deverá refletir os múltiplos interesses 
com relação às águas de determinada bacia hidrográfica. Eles estão legalmente organizados 
no formato bipartite, em que são representados por pessoas dos poderes públicos constituí-
dos (municípios, estados e União) na implementação das diferentes políticas públicas e das 
organizações da sociedade civil organizada na defesa dos interesses coletivos e com o olhar 
dos interesses difusos.
O artigo 39 da Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, diz claramente que os comitês de bacia 
hidrográfica são compostos por representantes:
I – da União;
II – dos Estados e do Distrito Federal cujos territórios se situem, ainda que par-
cialmente, em suas respectivas áreas de atuação;
III – dos Municípios situados, no todo ou em parte, em sua área de atuação;
IV – dos usuários das águas de sua área de atuação;
V – das entidades civis de recursos hídricos com atuação comprovada na bacia.
§1° O número de representantes de cada setor mencionado neste artigo, bem 
como os critérios para sua indicação, serão estabelecidos nos regimentos dos 
Comitês, limitada a representação dos poderes executivos da União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios à metade do total de membros.
§2° Nos Comitês de Bacia Hidrográfica de bacias de rios fronteiriços e transfron-
teiriços de gestão compartilhada, a representação da União deverá incluir um 
representante do Ministério das Relações Exteriores.
§3° Nos Comitês de Bacia Hidrográfica de bacias cujos territórios abranjam ter-
ras indígenas devem ser incluídos representantes:
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo98
I – da Fundação Nacional do Índio – Funai, como parte da representação da União;
II – das comunidades indígenas ali residentes ou com interesses na bacia.
§4° A participação da União nos Comitês de Bacia Hidrográfica e com área atua-
ção restrita a bacias de rios de domínio estadual, dar-se-á na forma estabelecida 
nos respectivos regimentos.
6.1.2 Estrutura organizacional
A estrutura organizacional dos comitês de bacias hidrográficas compõe-se de plenário, 
diretoria e câmaras técnicas, podendo ser instituídos de acordo com demandas locais, a 
critério de alguns colegiados, os chamados grupos de trabalho para análise de temas espe-
cíficos e que os comitês devem se manifestar a pedido por órgãos ambientais ou ministério 
público como de licenciamentos ambientais. No quadro a seguir está apresentada a correla-
ção da estrutura organizacional com suas funções e atribuições.
Quadro 1 – Correlação da estrutura organizacional de um comitê de bacia hidrográfica com suas 
funções e atribuições.
Estrutura 
organizacional
Funções e atribuições
Plenário
Conjunto dos membros eleitos formalmente a cada 
dois anos que se reúnem em assembleia-geral, configu-
rando a principal instância de tomada de decisões.
Diretoria
Composta por presidente que de maneira geral é um re-
presentante do poder público e um secretário, poden-
do contar com outras figuras, como vice-presidente.
Câmaras técnicas
Criadas pelo plenário, as câmaras técnicas têm por atri-
buição desenvolver e aprofundar as discussões sobre 
temáticas necessárias antes de sua submissão ao plená-
rio. Elas são compostas por representantes técnicos e de 
maneira geral são sobre os temas saneamento, recursos 
naturais, educação ambiental, políticas públicas etc.
Grupos de trabalho
Instituídos para realizarem análise ou execução de te-
mas específicos para subsidiar alguma decisão cole-
giada. Em geral, têm caráter temporário e são extintos 
quando o objetivo para o qual foram criados tenha sido 
atingido. É comum o convite à participação de especia-
listas experientes e professores de universidades.
Secretaria Executiva
Estrutura responsável pelo apoio administrativo, técnico, 
logístico e operacional ao comitê. De forma geral, é atribuída 
a algum órgão público por ter estruturas mínimas de gestão.
Fonte: Adaptado de Agência Nacional das Águas (2011) e experiências do autor na coordenação da Câmara Técnica de Recursos 
Naturais do CBH-Tietê-Jacaré no Estado de São Paulo.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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99
6.1.3 Comitês de bacias hidrográficas, 
cidadania e políticas públicas
Os comitês de bacia hidrográfica no Brasil têm se tornado um verdadeiro e genuíno 
espaço de democratização e cidadania. Nos debates é possível ter acesso a informações pú-
blicas relevantes, como os relatórios de situação de qualidade e a quantidade de água, e 
compreender a complexidade dos processos de gestão e especialmente sobre um recurso 
que há inúmeros conflitos de interesses universos.
Nos comitês de bacia hidrográfica não há espaço para políticas partidárias de interesse 
de um ou outro setor. Os debates são técnicos e principalmente de interesses difusos e do 
bem-estar da coletividade, tendo os membros a grande responsabilidade de participar de 
tomadas de decisões que influenciam a vida das comunidades.
Dessa forma, a práxis dos comitês de bacias hidrográficas em todo o Brasil tem sido um 
dos exemplos da grande mudança no contexto das políticas públicas no País onde todos os re-
presentantes têm voz e poder de opinião. Pelo link ; da Agência Nacional das Águas (ANA), é possível ter acesso a todos os comitês debacias hidrográficas do Brasil e suas informações específicas, como localização geográfica, 
instrumento de criação, mapas, relatórios de situação e demais informações.
6.2 Legislação e órgão regulador
Os comitês de bacias hidrográficas no Brasil têm seu ordenamento jurídico maior re-
gido pela Lei das Águas 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de 
Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Em seu artigo 1°, a Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes 
fundamentos:
I – a água é um bem de domínio público;
II – a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III – em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consu-
mo humano e a dessedentação de animais;
IV – a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo 
das águas;
V – a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política 
Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento 
de Recursos Hídricos;
VI – a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a par-
ticipação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo100
No artigo. 2°, os objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos foram assim 
definidos:
I – assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, 
em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos;
II – a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o transporte 
aquaviário, com vistas ao desenvolvimento sustentável;
III – a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natu-
ral ou decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais.
Para tratar de assuntos específicos como o estabelecimento de diretrizes de formação e 
funcionamento dos comitês, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos emite resoluções de 
ordenamento jurídico. As resoluções do Conselho Nacional de Recursos Hídricos seguem 
apresentadas no quadro 2 a seguir.
Quadro 2 – Resoluções do Conselho Nacional de Recursos Hídricos sobre comitês de bacias 
hidrográficas.
Resoluções Ordenamento jurídico
05/2000 Estabelece diretrizes para a formação e o funciona-
mento de comitês de bacias hidrográficas
17/2001 Estabelece diretrizes para a elaboração dos Planos 
de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas
18/2001 Possibilita a prorrogação do mandato de diretoria pro-
visória dos comitês de bacias hidrográficas
24/2002 Altera a redação dos artigos 8o e 14 da Resolução n. 5
109/2010 Estabelece procedimentos complementares para a cria-
ção e acompanhamento dos comitês de bacia
Fonte: Elaborado pelo autor.
Como prevê o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, os estados 
também são responsáveis pela gestão das águas, tendo atribuições de legislar sobre assuntos 
específicos de cada estado.
No quadro 3, estão apresentados os instrumentos jurídicos de cada estado sobre comi-
tês de bacias hidrográficas.
Quadro 3 – Instrumentos jurídicos de cada estado sobre comitês de bacias hidrográficas.
Estado Instrumento jurídico
Alagoas
Lei 5.965/1997. Dispõe sobre a Política Estadual de 
Recursos Hídricos e institui o Sistema Estadual de 
Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos.
Acre Lei 1.500/2003. Institui a Política Estadual de Recursos Hídricos, 
cria o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
6
101
Estado Instrumento jurídico
Amazonas
Lei 3.167/2007. Reformula as normas disciplinadoras 
da Política Estadual de Recursos Hídricos e do Sistema 
Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Amapá Lei 686/2002. Dispõe sobre a Política de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Bahia
Lei 11.612/2009. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, o Sistema Estadual de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Ceará
Lei 11.996/1992. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, institui o Sistema Integrado 
de Gestão de Recursos Hídricos.
Distrito Federal Lei 2.725/2001. Institui a Política de Recursos Hídricos do Distrito 
Federal, cria o Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Espírito Santo
Lei 5.818/1998. Dispõe sobre a Política Estadual de 
Recursos Hídricos, institui o Sistema Integrado de 
Gerenciamento e Monitoramento dos Recursos Hídricos.
Goiás Lei 13.123/1997. Dispõe sobre a Política 
Estadual de Recursos Hídricos.
Maranhão
Lei 8.149/2004. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, institui o Sistema de 
Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos.
Mato Grosso
Lei 6.945/1997. Dispõe sobre a Lei de Política 
Estadual de Recursos Hídricos, institui o 
Sistema Estadual de Recursos Hídricos.
Mato Grosso do Sul Lei 2.406/2002. Institui a Política Estadual de Recursos Hídricos, 
cria o Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos.
Minas Gerais Lei 13.199/1999. Dispõe sobre a Política 
Estadual de Recursos Hídricos.
Pará
Lei 6.381/2001. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, institui o Sistema Estadual 
de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Paraíba Lei 6.308/1996. Institui a Política Estadual de Recursos Hídricos.
Paraná Lei 12.726/1999. Institui a Política Estadual de Recursos Hídricos, 
cria o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Pernambuco
Lei 12.984/2005. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos e o Sistema Integrado de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Piauí
Lei 5.165/2000. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, institui o Sistema Estadual 
de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo102
Estado Instrumento jurídico
Rio de Janeiro
Lei 3.239/1999. Institui a Política Estadual de Recursos 
Hídricos, cria o Sistema Estadual de Gerenciamento de 
Recursos Hídricos, regulamenta a Constituição Estadual em 
seu artigo 261, §1º, inciso VII, e dá outras providências.
Rio Grande 
do Norte
Lei 6.908/1996. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, institui o Sistema Integrado 
de Gestão de Recursos Hídricos.
Rio Grande do Sul
Lei 11.560/2000. Introduz alterações na Lei 10.350/1994, que insti-
tuiu o Sistema Estadual de Recursos Hídricos e na Lei 8.850/1989, 
que criou o Fundo de Investimento em Recursos Hídricos.
Rondônia
Lei Complementar 255/2002. Institui a Política 
Estadual de Recursos Hídricos e o Sistema Estadual 
de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Roraima Lei 547/2006. Dispõe sobre a Política 
Estadual de Recursos Hídricos.
Santa Catarina Lei 9.748/1994. Dispõe sobre a Política 
Estadual de Recursos Hídricos.
São Paulo Lei 9.034/1994. Dispõe sobre o Plano 
Estadual de Recursos Hídricos.
Sergipe
Lei 3.870/1997. Dispõe sobre a Política Estadual de 
Recursos Hídricos, e institui o Sistema Integrado 
de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Tocantins Lei 1.307, de 22/03/2002. Dispõe sobre a Política Estadual 
de Recursos Hídricos, e adota outras providências.
Fonte: Elaborado pelo autor
6.2.1 Órgão regulador
O órgão regulador no nível federal para os comitês de bacias hidrográficas é a Agência 
Nacional das Águas (ANA), que foi criada a partir da Lei 9.443/97 e tem características institu-
cionais e operacionais com autoridade responsável pela emissão de outorgas de direito de uso 
de recursos hídricos em rios sob domínio da União, ou seja, aqueles que atravessam mais de 
um estado, os transfronteiriços e os reservatórios construídos com recursos da União.
À ANA cabe organizar, traçar diretrizes e disciplinar a implementação, a operacionali-
zação, o controle e a avaliação dos instrumentos de gestão criados pela Política Nacional de 
Recursos Hídricos. Dessa forma, sua atuação de regulação ultrapassa os limitesdas bacias hi-
drográficas com rios de domínio da União, pois alcança aspectos institucionais relacionados à 
regulação dos recursos hídricos no âmbito nacional, como a organização e tomada de medidas 
técnicas e legais sobre a crise hídrica que está presente em todas as regiões brasileiras.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
6
103
Uma das atribuições e metas da ANA é o apoio à criação dos comitês de bacias hi-
drográficas, compostos por representantes da sociedade civil, dos usuários da água e dos 
poderes públicos, proporcionando que se cumpra, de forma descentralizada, a regulação 
dos recursos hídricos de forma eficiente. Como órgão regulador, a ANA tem a competência 
para definir as condições de operação dos reservatórios, públicos ou privados, para garantir 
os usos múltiplos dos recursos hídricos, e avaliar a sustentabilidade de obras hídricas com 
participação de recursos federais.
A ANA é uma autarquia sob regime especial, com autonomia administrativa e finan-
ceira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, conduzida por uma diretoria colegiada 
composta por cinco membros: um diretor-presidente e quatro diretores, todos nomeados 
pelo Presidente da República, com mandatos não coincidentes de quatro anos.
6.3 Gestão participativa e 
aplicabilidade da democracia
Segundo Miranda (2004), desde os anos de 1930 já havia no Brasil a vontade e a ne-
cessidade de se fazer um grande e profunda reforma no sistema de gestão do estado. No 
entanto, a realidade tem nos mostrado que essas reformas sofrem em sair e são comumente 
atentadas em suas ideias e princípios, como a ruptura das instituições e o golpe militar nos 
anos de 1960.
A promulgação da Constituição em 1988 deu início à redemocratização do país, com 
um grande movimento de resgate de valores, direitos individuais, liberdade de expres-
são, luta pela igualdade e pelo bem-estar social com desenvolvimento se faz presente até a 
atualidade.
A constituição de formas alternativas de gestão de temas públicos, como a participação 
em comitês de bacias hidrográficas, simultaneamente com a ampliação do espectro de pro-
blemas tratados publicamente, está associada à emergência de novos atores coletivos, como 
é o caso da sociedade civil organizada que vem desenvolvendo diversas formas de partici-
pação nas aberturas democráticas que se têm apresentado no Brasil.
No modelo atual da gestão dos recursos hídricos na organização das instituições, a ges-
tão participativa pode ser entendida como um instrumento para a viabilização das políticas 
públicas no que tange à conservação das águas e demais recursos naturais associados.
Para Gadoti (2014), a gestão democrática não é só um princípio pedagógico, mas sim um 
direito e conquista constitucional. O parágrafo único do artigo 1o da Constituição Federal de 
1988 estabelece como cláusula pétrea que “todo o poder emana do povo, que o exerce por 
meio de representantes eleitos ou diretamente”, consagrando uma nova ordem jurídica e 
política no país com base em dois pilares:
• a democracia representativa (indireta);
• a democracia participativa (direta), entendendo a participação social e popular 
como princípio inerente à democracia.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo104
A ampliação de canais de representatividade democrática dos setores organizados para 
atuarem junto aos órgãos públicos em temas de interesse difuso e do bem-estar da coletivi-
dade, como conquista dos movimentos organizados da sociedade civil, é parte componen-
te do processo de transformação político-institucional. Isso caracteriza a potencialidade de 
constituição de sujeitos sociais identificados por objetivos comuns para transformar a gestão 
pública, configurando a construção de uma lógica de gestão com participação social, o que 
representa uma nova institucionalidade.
Assim, conforme reflete Jacobi (2007), a implementação de políticas públicas tendo 
como base a participação tem relação com as mudanças na matriz sociopolítica dominante e 
que prevalece e que se baseia em uma lógica verticalizada.
A ideia de participação é organizada principalmente no foco dos grupos interessados 
e não apenas da perspectiva dos interesses globais definidos pelo Estado. Os complexos 
vínculos entre representação e participação abrem o Estado a um conjunto de organizações 
sociais, admitindo a tensão política como método decisório, e diluindo, na medida do possí-
vel, as práticas autoritárias e patrimonialistas.
O principal desafio a se enfrentar é o de construir uma organização societária baseada 
na articulação da democracia política com a participação social nas tomadas de decisões, 
representada por uma maior permeabilidade da gestão às demandas dos diversos sujeitos 
sociais e políticos (JACOBI, 2007).
O destaque é na mobilização entre a implantação de práticas descentralizadoras, como 
é o caso da gestão dos recursos hídricos nos comitês de bacias hidrográficas e uma engenha-
ria institucional que concilia participação com heterogeneidade e diversidade, e formas mais 
eficazes de representatividade.
Nesse contexto, Souza (2005) aponta que os envolvidos em uma ação participativa pela 
melhoria da qualidade de vida da coletividade torna possível uma comunidade solidária que 
encontra elementos capazes de potencializar ações de democracia em soluções para muitos 
dos impasses coletivos e individuais de nossa civilização nos campos da alimentação, saúde, 
educação, segurança pública, meio ambiente, dos relacionamentos humanos e familiares.
Qualquer lugar em que se vivam seres humanos pode ser transformado em espaços 
ético-políticos alternativos por meio da ação local e a práxis da democracia.
A ação da gestão participativa tem criado condições para que as pessoas se sintam moti-
vadas a trabalhar e a terem uma relação de cumplicidade com propósitos de interesse difuso 
e melhoria da coletividade, criando condições favoráveis para a aplicação e o fortalecimento 
da democracia no Brasil (SOUZA, 2005).
Essa maneira de atuação da sociedade civil organizada é fundamental para o controle, 
a fiscalização, o acompanhamento e a implementação das políticas públicas, bem como para 
o exercício do diálogo e de uma relação mais rotineira e orgânica entre os governos e a so-
ciedade civil.
Assim, a gestão participativa e a aplicabilidade da democracia têm a ver com autono-
mia e participação e nessa perspectiva de governança, no Brasil existem instrumentos de 
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
6
105
participação previstos na Constituição, tais como o projeto de lei de iniciativa popular, o 
referendo e o plebiscito. Além desses instrumentos, a Constituição prevê outros meios de 
participação, como é o caso dos conselhos comunitários, nos quais representantes da popu-
lação podem participar de decisões nos campos da educação, saúde, direitos da criança e do 
adolescente, meio ambiente e as audiências públicas, nas quais a população deve ser infor-
mada e ouvida sobre projetos e iniciativas do Legislativo e do Executivo, ou sobre decisões 
que este deve tomar.
Também está prevista na Constituição a participação dos cidadãos nos conselhos exis-
tentes nos níveis federal, estadual e municipal. Os conselhos costumam ter em sua compo-
sição representantes de entidades ambientalistas, e de outros segmentos da sociedade civil, 
tais como representantes dos trabalhadores, do setor produtivo, das universidades, dentre 
outros. A maioria dos conselhos são consultivos, o que propicia que a sociedade apresente 
seu ponto vista na formulação de políticas públicas e programas, mas os que têm a atribui-
ção de ser deliberativos têm a função de regulamentar leis, o que torna a participação nesses 
espaços ainda mais importante para os diferentes segmentos com interesse na matéria deDBO e demanda química de oxigênio: DQO) e componentes orgânicos e inorgânicos.
De acordo com Moraes (2008), esses indicadores apresentam os seguintes conceitos:
• Potencial hidrogeniônico (pH) – pH é a sigla usada para potencial (ou potência) 
hidrogeniônico porque se refere à concentração de [H+] (ou de H3O+) em uma solu-
ção. Assim, o pH serve para nos indicar se uma solução é ácida, neutra ou básica. A 
escala de pH varia entre 0 e 14 na temperatura de 25°C. Se o valor do pH for igual 
a 7 (pH da água), o meio da solução (ou do líquido) será neutro. Mas se o pH for 
menor que 7, será ácido, e se for maior que 7, básico.
• Alcalinidade da água – também pode ser identificada em função da concentração 
de sais alcalinos, como sódio e cálcio. Tais elementos interferem no processo de 
tratamento da água. A presença de cálcio e magnésio configura a dureza, e esses 
sais em grandes concentrações provocam incrustações em tubulações, além de au-
mentar o consumo de água pelos seres humanos.
• Oxigênio dissolvido (OD) – origina-se do ar e da atividade fotossintética de algas 
e outros vegetais aquáticos e é fundamental à sobrevivência dos organismos aeró-
bios. A água com baixos teores de OD indica que recebeu uma carga de matéria 
orgânica que, para ser decomposta por bactérias aeróbias, necessita consumir o 
OD presente na água.
A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e a demanda química de oxigênio (DQO) 
indicam o teor de matéria orgânica presente em determinado corpo hídrico. O aumento no 
teor da matéria orgânica, como o despejo de esgoto sem tratamento nos rios, representa o 
consumo de oxigênio por micro-organismos.
• Demanda bioquímica de oxigênio (DBO): quantidade de oxigênio que seria neces-
sário fornecer às bactérias aeróbias, para consumirem a matéria orgânica presente 
em um líquido (água ou esgoto). A DBO é determinada em laboratório, obser-
vando-se o oxigênio consumido em amostras do líquido, durante cinco dias, à 
temperatura de 20°C.
• Demanda química de oxigênio (DQO): quantidade de oxigênio necessária à oxi-
dação da matéria orgânica por meio de um agente químico. A DQO também é de-
terminada em laboratório, em prazo muito menor ao teste da DBO. Para o mesmo 
líquido, a DQO é sempre maior que a DBO.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo14
1.2.2 Solos
No Brasil, os parâmetros químicos da qualidade do solo são orientados pelas 
Resoluções Conama 420/2009 e 460/2013 (altera o artigo 8° da Conama 420/2009 e acres-
centa novo parágrafo).
Em seu artigo 3° da Resolução Conama 420/2009, “a proteção do solo deve ser realizada 
de maneira preventiva, a fim de garantir a manutenção da sua funcionalidade ou, de ma-
neira corretiva, visando restaurar sua qualidade ou recuperá-la de forma compatível com os 
usos previstos”.
Parágrafo único. São funções principais do solo:
I – servir como meio básico para a sustentação da vida e de habitat para pessoas, 
animais, plantas e outros organismos vivos;
II – manter o ciclo da água e dos nutrientes;
III – servir como meio para a produção de alimentos e outros bens primários de 
consumo;
IV – agir como filtro natural, tampão e meio de adsorção, degradação e transfor-
mação de substâncias químicas e organismos;
V – proteger as águas superficiais e subterrâneas;
VI – servir como fonte de informação quanto ao patrimônio natural, histórico 
e cultural;
VII – constituir fonte de recursos minerais; e
VIII – servir como meio básico para a ocupação territorial, práticas recreacionais 
e propiciar outros usos públicos e econômicos.
Para Gomes (2006), os estudos dos parâmetros de análise química do solo podem ser 
aplicados tanto para uso agronômico quanto ambiental. Esses estudos podem ser agrupados 
em quatro classes:
• Indicam os processos do solo ou de comportamento. Ex: pH, carbono orgânico.
• Indicam a capacidade do solo de resistir à troca de cátions. Ex.: Tipo de argila (1:1 ou 2:1), 
CTC, CTA, óxidos de ferro e óxidos de alumínio.
• Indicam as necessidades nutricionais das plantas. Ex: N, P, K, Ca, Mg e elementos traços 
(micronutrientes).
• Indicam contaminação ou poluição. Ex.: metais pesados, nitrato, fosfato, agrotóxicos.
Os parâmetros de análise química dos solos mais comumente utilizados estão apresen-
tados a seguir. É importante ressaltar que pode ter outros indicadores específicos de análise 
conforme a situação de interesse, como análise de metais pesados advindos de contami-
nação de determinada indústria. Nesse caso, os parâmetros serão determinados de forma 
específica pelo órgão ambiental fiscalizador/controlador.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
1
15
• Potencial hidrogeniônico (pH): índice de concentração de H+ no solo usado para 
determinar se um solo é ácido (pH menor que 7), neutro (pH igual a 7) ou básico 
(pH maior que 7). Esse parâmetro identifica a solubilidade de nutrientes no solo, ou 
seja, o quanto pode ser absorvido pelos vegetais. Os solos ideais para cultivo devem 
apresentar pH entre 6,0 e 6,5. Porém, essa faixa pode ser estendida de 5,5 a 6,8.
• Carbono orgânico: esse elemento não é um nutriente absorvível pela planta, no 
entanto ele está ligado à estrutura do solos podendo, na disponibilidade de água, 
ser um tamponante diante da presença de compostos tóxicos às plantas.
• Capacidade de troca de cátions (CTC) efetiva: este parâmetro mede a quantidade 
total de cátions retidos na superfície das argilas ou coloides minerais e orgânicos 
existentes no solo, expressa em e.mg/100 g ou cmolc/kg; CTC = Ca2+ + Mg2+ + K+ + 
H+ + Al3+ + Na+ + NH4+ + ... Se estiver ocorrendo a troca de cátions, é um indicador 
que os nutrientes estão tendo mobilidade na solução do solo e portanto as plantas 
estarão absorvendo os nutrientes.
• Nitrogênio do solo: o nitrogênio é absorvido pelas plantas nas formas nítrica (NO3–) 
e amoniacal (NH3–). De forma geral, a grande maioria das espécies de vegetais exi-
gem teores elevados de nitrogênio para desenvolverem-se.
• Condutividade elétrica e sais solúveis totais: a alta concentração de sais na região 
das raízes é uma limitação severa, por exemplo, em muitos solos de regiões se-
miáridas e áridas, pois eles reduzem a CTC. A salinidade, portanto, constitui fator 
importante na avaliação da qualidade química e produtividade dos solos.
1.3 Parâmetros biológicos da água e do solo
1.3.1 Água
Os parâmetros da qualidade biológica no que tange à potabilidade e que serão foca-
dos neste capítulo são as algas e os coliformes. Os indicadores que são analisados determi-
nam a potencialidade de um corpo de água ser portador de agentes causadores de doenças. 
Ressalta-se que a avaliação da qualidade de água também pode ser feita por meio de in-
dicadores biológicos dos componentes de um ecossistema aquático, como o fitoplâncton, 
zooplâncton, bentos, macrófitas, peixes, pois comunidades bióticas refletem impactos ou 
alterações causadas em seus hábitats (JONSSON, 2000).
A detecção dos agentes patogênicos, principalmente bactérias, protozoários e vírus, 
em uma amostra de água, é extremamente difícil em razão de suas baixas concentrações. 
Portanto, a determinação da potencialidade de um corpo d’água ser portador de agentes 
causadores de doenças pode ser feita de forma indireta, por meio dos organismos indicado-
res de contaminação fecal do grupo dos coliformes.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo16
Os coliformes indicam a presença de micro-organismos patogênicos, provenientes de efluentes 
sanitários. Os principais constituintes são coliformes totais; coliformes termotolerantes; Escherichia 
coli; bactérias heterotróficas; protozoários (Giardia e Cryptosporidium) e clorofila “a”.
Os coliformes estão presentes em grandes quantidades nas fezes do ser humano e dos 
animais de sangue quente. A presença de coliformes na água não representa, por si só, um 
perigo à saúde, mas indica a possívelconservação ambiental.
Dessa forma, no contexto nacional, os instrumentos democráticos estão à disposição 
dos cidadãos para participar de processos de gestão de assuntos públicos. O grande desafio 
que ainda o Brasil deve superar é o da má ou ausência de uma educação libertadora, que 
forme pessoas críticas e reflexivas que combatam a dominação das minorias capitalizadas 
sobre as maiorias.
O grande educador brasileiro Paulo Freire argumentou muitas décadas sobre um en-
sino baseado no diálogo, na liberdade e no exercício de busca do conhecimento, de forma 
participativa e transformadora, em uma relação horizontal e de simpatia entre educando e 
educador, enfatizando a necessidade do processo reflexão e ação, e assim possibilitando o 
rompimento com o modelo de educação verticalizada (FREIRE, 1980).
 Ampliando seus conhecimentos
Desafios e potencialidades do comitês 
de bacias hidrográficas
(CARDOSO, 2003)
A política nacional de recursos hídricos, calcada nos princípios da descen-
tralização e da participação, instituiu a bacia hidrográfica como unidade 
de gestão. Para tanto, foi idealizado o ‘Comitê de Bacia Hidrográfica’, 
órgão colegiado formado por representantes da sociedade civil e do poder 
público. Com caráter normativo, deliberativo e jurisdicional, trata-se de um 
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo106
órgão público, mantido por recursos públicos e vinculado organicamente 
à estrutura administrativa de um estado, do Distrito Federal ou da União.
Existem comitês de rios federais que estão vinculados diretamente à 
Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), e os comitês de rios estaduais vin-
culados aos órgãos de gestão dos estados. Atualmente, existem comitês de 
bacias hidrográficas muito pequenas, como a do rio Mosquito, por exem-
plo, ao norte de Minas Gerais, que abrange a área de três municípios, até 
comitês das grandes bacias como as do rio Paraíba do Sul, São Francisco 
e Doce, que envolvem diversos estados e um grande número de municí-
pios. Encontram-se ainda comitês de trechos ou afluentes de um rio que 
estão dentro do território de um estado. Atualmente existem 93 comitês 
de bacias estaduais instituídos em todo país, distribuídos em dez estados, 
além de seis comitês de bacias de rios estaduais. São Paulo é o estado que 
possui um número maior, com 22 comitês; seguido de Minas Gerais, que 
possui 17; e Rio Grande do Sul, com 16.
O Comitê de Bacia Hidrográfica está composto pelos três setores: repre-
sentantes do poder público (União, estados, Distrito Federal e municípios, 
conforme a abrangência da bacia), usuários das águas e organizações da 
sociedade civil ligadas a recursos hídricos. O número de representantes 
de cada ‘setor’ e os critérios para sua indicação são estabelecidos nos regi-
mentos internos dos próprios comitês (algumas leis estaduais também 
explicitam esta composição), limitando a representação dos poderes exe-
cutivos à metade do total de membros.
Essas organizações desempenham um papel estratégico na política nacio-
nal de recursos hídricos. Por um lado, sintetizam os princípios da lei: são 
os órgãos que materializam a descentralização da gestão, contam com a 
participação dos três setores da sociedade e têm a bacia hidrográfica como 
unidade de gestão. Assim, o êxito de seu funcionamento em certa medida 
significa o êxito da própria política das águas. Sua legitimidade tem sido 
conferida não apenas pela própria lei e pelas políticas nacional e esta-
duais, mas por políticas paralelas que têm sido implementadas tanto no 
âmbito nacional como no estadual e, em alguns casos, até no municipal.
Bacia hidrográfica: um território desprovido de imagem e identidade 
Embora o conceito de bacia hidrográfica tenha sido apropriado pelas geo-
ciências, ganhou um novo estatuto na política de recursos hídricos, pelo 
fato de esse território ser considerado a unidade de gestão, isto é, como 
possuidor de um arcabouço institucional próprio para administração e 
deliberação sobre o uso das águas. Observa-se uma naturalização da bacia 
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
6
107
hidrográfica na implementação da política, isto é, considerá-la como algo 
dado, que simplesmente as pessoas têm que compreender o que é. Existe, 
no entanto, uma série de fragilidades na incorporação da bacia como uni-
dade de gestão.
A bacia é um redelineamento territorial que se sobrepõe às divisões polí-
tico-administrativas tradicionais entre municípios, estados e países. De 
antemão, a criação dessa nova unidade territorial de gestão já se aponta 
como um potencial gerador de conflitos, particularmente em um país 
como o Brasil onde os municípios são unidades fortes em termos adminis-
trativos e políticos, reforçados pela política de descentralização impulsio-
nada com a Constituição de 1988. Portanto, em certa medida o comitê vem 
na contracorrente do fortalecimento do municipalismo, já que cria uma 
instância supramunicipal. Isso pode tanto gerar um choque de poderes, 
como o comitê pode ser visto como um espaço político de disputa entre 
os municípios que dele fazem parte e, portanto, ficar à mercê das práticas 
políticas clientelistas tradicionais.
Além do mais, alianças políticas em torno da água não necessariamente se 
estruturam a partir dessa organização geográfica. Problemas como escassez 
de água, seca, contaminação dos rios, construção de barragens, uso abu-
sivo da água para fins de irrigação ou industrial, entre outros, facilmente 
extrapolam os limites da bacia e, consequentemente, a configuração dos 
atores políticos envolvidos tem outro formato. Por outro lado, as identida-
des sociais e as áreas de atuação das instituições seguem lógicas próprias de 
recorte territorial que, embora muitas vezes englobem vários municípios, 
dificilmente correspondem aos limites de uma bacia hidrográfica.
Não existe qualquer tipo de identidade social que corresponda aos limi-
tes da bacia hidrográfica. A diversidade de atores que estão trabalhando 
na sua gestão possui percepções espaciais calcadas em outras referências 
territoriais; a referência da bacia terá necessariamente que ser construída e 
disputada com as unidades e percepções já existentes. No entanto, a maio-
ria dos comitês dá pouca importância ao aspecto da construção simbólica 
da bacia. Um exemplo típico é a divulgação de mapas apenas com os rios 
ou com informações do tipo ‘qualidade da água’ ou ‘tipos de uso da água’, 
sem que estejam inseridos os principais referenciais geográficos dos ato-
res sociais envolvidos. Existem algumas iniciativas, no entanto, que têm 
investido esforços no sentido de criar uma imagem da bacia como, por 
exemplo, a distribuição de material de divulgação e a promoção de even-
tos que percorrem a bacia. Entretanto, há uma diferença grande em reco-
nhecer a área, e se identificar com ela. Pode-se realizar ações que busquem 
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo108
desenvolver a capacidade da população de reconhecer o que é uma bacia 
hidrográfica e se ela está localizada em seu território. No entanto, quando 
a proposta é que essa unidade seja objeto de uma gestão coletiva, é neces-
sário que haja um sentido que motive as pessoas e instituições a participar 
desse processo de gestão.
As faces da descentralização na democracia das águas A questão da des-
centralização tem se transformado num novo paradigma para as orga-
nizações, onde se juntam as ideias de modernidade administrativa e de 
democratização das tomadas de decisão. Da perspectiva das novas formas 
de governo e de administração pública, significa a possibilidade de uma 
maior democratização, e de que o Estado assuma um novo papel, dei-
xando às comunidades e ao capital privado a realização de tarefas antes 
centralizadas por ele mesmo.
Nesse sentido, a descentralizaçãoproposta na política nacional de recur-
sos hídricos se traduz, do ponto de vista institucional, na criação de instân-
cias colegiadas (comitês e conselhos), onde o poder de decisão é dividido 
com três setores por ela definidos: o poder público, os usuários da água e 
a sociedade civil, tirando das mãos do estado o monopólio da gestão de 
um bem público. No entanto, em que medida esses ‘setores’ definidos na 
lei correspondem à forma como se constroem as alianças e identidades 
locais ou mesmo como são estruturados os grupos de interesse em torno 
da questão da água? Existem alguns casos que demonstram que as alian-
ças frequentemente se constroem com outras lógicas. Um caso exemplar é 
o que ocorre no Ceará, onde o manejo da água significa negociar a dimen-
são da escassez. Diversos rios intermitentes foram perenizados através de 
sistemas de açudes que implicam uma complexa engenharia de controle 
da quantidade de água liberada no rio. As alianças, no caso, se dão entre 
aqueles que estão no mesmo trecho de um rio de modo a garantir uma 
vazão equilibrada entre as diferentes regiões.
Por outro lado, a interpretação do que é poder público, usuário e socie-
dade civil, é extremamente variada, tanto que tem sido até objeto de 
regulamentação por parte de alguns governos estaduais, como no caso 
de Minas Gerais. Citamos alguns exemplos que ocorrem frequentemente 
com comitês de bacias. Uma das principais críticas, provenientes de orga-
nizações da sociedade civil, é que empresas públicas de saneamento e 
de energia elétrica, entram na categoria de usuários, quando geralmente 
defendem interesses governamentais. A outra se refere a associações e 
sindicatos, que entrariam inicialmente na categoria de sociedade civil 
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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109
quando podem representar interesses de grandes usuários. Há ainda o 
caso dos Conselhos Municipais e Câmaras de Vereadores que, embora 
pertencendo ao poder público municipal, também podem ser considera-
dos sociedade civil. Essas interpretações variam conforme a articulação 
política dos atores envolvidos e do poder relativo que o comitê desempe-
nhe na região.
Outro aspecto apontado como uma das vantagens da descentralização é 
a autonomia financeiro-administrativa dos órgãos descentralizados. No 
caso dos comitês essa autonomia ainda está longe de ser concretizada e 
algumas propostas têm claramente apontado no sentido de cercear as 
possibilidades de que efetivamente aconteça. A autonomia se exprime em 
poder de decisão sobre a gestão da bacia, o que significa aplicar recursos, 
os quais ainda são muito escassos. A definição da cobrança é um ponto 
chave para que o comitê exerça sua autonomia. Por outro lado, políticas 
governamentais que alocam recursos para determinado tipo de interven-
ção, como para saneamento, limitam imensamente as possibilidades do 
comitê decidir quais são suas prioridades. A ausência de uma personali-
dade jurídica própria (lembremos que o comitê é um órgão público), tam-
bém cerceia as alternativas de busca de recursos. A autonomia se constrói 
politicamente e, muitas vezes, com subterfúgios legais, como a criação de 
instituições paralelas com personalidade jurídica que possam assumir o 
papel de gestoras de recursos, enquanto não é instituída a cobrança e são 
criadas as Agências de Água para gerir a cobrança.
Alguns artifícios da participação A ideia de participação tem redimensio-
nado não só as políticas públicas, mas tem se tornado uma verdadeira pana-
ceia nas organizações não governamentais e organismos internacionais, e 
partidos políticos de esquerda. Os comitês de Bacias, assim como diversas 
outras instâncias criadas nessa concepção, experimentam uma série de fra-
gilidades para a participação de todos os atores que dele fazem parte.
Um dos problemas é a criação de Comitês por um mandato político. O 
ritmo imposto pelas gestões políticas é muito diferente do ritmo das orga-
nizações da sociedade civil, particularmente, daquelas representativas de 
grandes grupos como sindicatos e associações, que frequentemente recla-
mam falta de tempo e condições de mobilização de suas bases. Juntar um 
grupo de entidades, com ou sem legitimidade na comunidade, criar um 
comitê para realizar determinadas ações e dizer que o processo foi partici-
pativo, é uma estratégia bastante fácil de ser realizada e também criticada.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo110
Por sua vez, a implementação de uma política, negociada dentro de uma 
estrutura de governo, não raro sofre influência de determinados grupos 
que podem vir a resistir duramente à criação de espaços participativos. É 
interessante o caso da Bahia, em que o governo resiste veementemente em 
criar comitês, mas apenas associações de usuários onde não estão presen-
tes organizações da sociedade civil. Há ainda uma outra estratégia muito 
comum, que é não negar frontalmente a participação, mas miná-la através 
de subterfúgios que visam destituir de poder os espaços participativos, 
tais como colocar uma maioria de participantes da esfera pública, não 
convocar para reuniões, não ‘convidar’ a participar organizações de opo-
sição ou contestatárias, indicar representantes sem poder de tomar deci-
são, ou mesmo limitar as competências da instância participativa.
No que tange ao discurso de técnicos, é muito frequente que nas audiên-
cias públicas para apresentar os Planos Diretores das Bacias, realizados 
por instituições de pesquisa e empresas de consultoria, aqueles que apre-
sentam façam-no de uma forma que simplesmente inviabiliza sequer que 
se gere algum tipo de discussão, ou mesmo que se levante dúvidas.
Além disso, o processo de municipalização levou à criação de tantas instân-
cias de participação que, no caso de municípios pequenos, particularmente, 
acaba esgotando os recursos humanos disponíveis e a possibilidade de repre-
sentação das organizações existentes. Isso pode levar ao fortalecimento de 
determinados atores, por participarem de diversas instâncias colegiadas, ou 
ao simples esvaziamento do comitê dada a sobrecarga dessas pessoas.
Considerações finais Os desafios hoje enfrentados pelos Comitês de Bacias 
Hidrográficas são tão grandes quanto suas potencialidades. O processo 
político próprio que vem sendo construído, evidentemente, vem carregado 
de velhos vícios, entretanto, sua própria dinâmica traz novos ares.
Não cabe dúvida que os comitês já estão contribuindo para fortalecer o 
papel dos diversos atores sociais na discussão e criação de políticas públi-
cas que contemplem os interesses de uma camada maior da população. O 
que seria inadmissível é que reforcem as elites políticas e ampliem as desi-
gualdades. Creio que cabe a todos – gestores e acadêmicos – estar atentos 
para os rumos que venham a tomar.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
6
111
 Atividades
1. Idetifique o comitê de bacia hidrográfica que atua na região em que você mora e 
verifique sua estrutura organizacional, perfil e tipo de instituições que participam 
da plenária, dinâmicas de reuniões, perfil e tipos de delibelações, projetos em de-
senvolvimento e outras informações que sejam relevantes. Participe de uma reunião 
plenária que é aberta ao público e analise o perfil da gestão participativa. Por fim, 
faça um documento informativo para a comunidade em que você mora.
2. Os comitês de bacias hidrográficas no Brasil têm seu ordenamento jurídico maior 
regido pela Lei das Águas 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Na-
cional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos. Entre os objetivos dessa legislação é monitorar os usos múltiplos da água. 
Identifique, junto ao comitê de bacias hidrográficas que atua em sua região, os usos 
múltiplosda água e suas características, analisando e listando em ordem de impor-
tância quanto aos impactos ambientais que são gerados.
3. Na comunidade em que está inserido (universidade, cidade, bairro, região, estado 
etc.) identifique as formas de gestão participativa e aplicabilidade da democracia e 
analise se essas formas estão organizadas de forma vertical ou horizontal e se elas 
proporcionam a criticidade dos participantes.
 Referências
AGENCIA NACIONAL DAS ÁGUAS. O Comitê de bacia hidrográfica prática e procedimento. 
Cadernos de capacitação em recursos hídricos volume 2, 2011. Disponivel em: . Acesso em: abr. 2017.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a política nacional 
de recursos hídricos, cria o sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos. Disponível em 
. Acesso em: abr. 2017.
CARDOSO, Maria Lúcia de Macedo. Desafios e potencialidades dos comitês de bacias hidrográficas. 
Revista Ciência e cultura. Vol. 55, n. 4. São Paulo out/dez. 2003. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
GADOTTI, Moacir. Gestão democrática com participação popular no planejamento e na organização 
da educação nacional. Conferência Nacional de Educação, 2014 - Ministério da Educação. Disponível 
em: . Acesso em: abr. 2017.
JACOBI, Pedro Roberto; BARBI, Fabiana. Democracia e participação na gestão dos recursos hídricos 
no Brasil. Revista Katálysis, vol. 10, n. 2 Florianópolis jul/dez. 2007. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
Funcionamento e organizações 
de comitês de bacias hidrográficas6
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo112
MIRANDA, Cristiani Olga. Descentralização e gestão participativa dos recursos hídricos. Dois estudos 
de caso na bacia do Médio Tietê. Dissertação para a obtenção do titulo de mestre em 2004 no Programa 
de pós graduação de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
SOUZA, Amilcar Marcel. Caminhos para uma educação ambiental voltada á conservação dos ma-
nanciais de abastecimento público: Um estudo de caso. Dissertação para a obtenção do titulo de 
mestre em 2004 no programa de pós graduação de Ciências Florestais da Universidade de São Paulo, 
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. 2005. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
 Resolução
1. Você deverá listar as informações e participar de alguma reunião do plenário que 
são abertas ao público e elaborar um artigo analítico/informativo para a comunidade 
em formatos digitais ou impressos.
2. Você deverá analisar, por meio de gráficos e marcos teóricos, os tipos de usos múl-
tiplos, listando por ordem de importância os impactos ambientais que são gerados.
3. Você poderá elaborar uma matriz com as instituições pesquisadas e relacioná-las 
com o perfil de gestão participativa que elas desenvolvem e analisá-las se estão fo-
mentando a aplicabilidade da democracia.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 113
7
Outorga de direito e 
cobrança pelo uso da água
A água atualmente é uma das maiores preocupações em todos os setores de diver-
sas partes do mundo e tem gerado debates importantes em níveis globais e regionais 
em diferentes estratos sociais, religiosos e organismos estatais. Diante dessa importân-
cia, neste capítulo serão apresentados os aspectos do direito de uso da água, focando 
a outorga e cobrança pelo uso por meio da legislação pertinente, objetos outorgáveis e 
seus procedimentos técnicos e administrativos.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo114
7.1 Legislação pertinente
A preocupação com a finitude da água advém com o aumento da população mundial, a 
poluição provocada pelas atividades humanas, o consumo excessivo e o alto grau de desper-
dício, apesar de cobrir quase a totalidade da Terra. No entanto, apenas 2,5% de seu volume é 
de água doce, dos quais 68,9% são geleiras e neves eternas, 29,9% são de águas subterrâneas, 
0,9% está na umidade do solo, nos pântanos e nas geadas e apenas 0,3% está em rios e lagos 
(UOL EDUCAÇÃO, 2007).
Com o crescimento da população e o modelo desenvolvimentista adotado, a pressão 
nos recursos naturais é insustentável, levando à exaustão e até mesmo ao seu esgotamento. 
Diante disso, os instrumentos jurídicos de ordenamento para bens difusos e coletivos, como 
é o caso da água, se fazem necessários e no Brasil o instrumento para ordenar o seu uso é a 
outorga de direito de uso dos recursos hídricos.
7.1.1 Direitos de uso
O direito de uso é o instituto jurídico de direito administrativo pelo qual o poder pú-
blico, a União, os Estados ou o Distrito Federal atribui ao cidadão nas pessoas física e jurí-
dica. O uso da água pelo terceiro impõe a obrigação de que este a destine para sua própria 
finalidade que, no entanto, pode ser limitada pela administração pública tendo como base 
conceitos técnicos e jurídicos, porém nunca desvirtuada de seu fim natural. Portanto, a ou-
torga não está no direito de disposição, circunscrevendo-se apenas ao simples direito de uso, 
conforme preconiza o art. 18, da Lei 9.433/97, a água, como um bem de domínio público, 
deve, como princípio fundamental, ser administrada pelo próprio ente público a quem a 
Constituição Federal legitimou competência para administrá-la. A outorga é a faculdade de 
repassar essa administração a terceiros (MEDEIROS, 2010).
A União, o Estado ou o Distrito Federal, nas águas que lhes compete administrar, é quem, 
no exercício do típico poder discricionário, decidirá se essa ou aquela água será objeto de direi-
to de uso. Uma vez outorgado o uso, contudo, a administração pública concedente não perde 
o controle da delegação.
Portanto, a água será apenas usada pelo outorgado, mas, se este não cumprir os termos 
da outorga, não usá-la por três anos consecutivos, houver necessidade premente para aten-
der às situações de calamidade, de prevenção ou reversão de degradação ambiental, houver 
necessidade para atender aos usos prioritários de interesse coletivo ou navegabilidade do 
corpo de água, a outorga de direito de uso poderá ser suspensa parcial ou totalmente, em 
definitivo ou por prazo determinado.
7.1.2 Outorga de direito de uso de recursos hídricos
A outorga de direito de uso de recursos hídricos é um dos seis instrumentos da Política 
Nacional de Recursos Hídricos, estabelecidos no inciso III, do art. 5° da Lei Federal 9.433, de 
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
7
115
8 de janeiro de 1997. Esse instrumento tem como objetivo assegurar o controle quantitativo e 
qualitativo dos usos da água e o efetivo exercício dos direitos de acesso aos recursos hídricos.
De acordo com o inciso IV, do art. 4° da Lei Federal 9.984, de 17 de junho de 2000, com-
pete à Agência Nacional de Águas (ANA) outorgar, por intermédio de autorização, o direito 
de uso de recursos hídricos em corpos de água de domínio da União, bem como emitir ou-
torga preventiva. Também é competência da ANA a emissão da reserva de disponibilidade 
hídrica para fins de aproveitamentos hidrelétricos e sua consequente conversão em outorga 
de direito de uso de recursos hídricos.
A outorga de direito de uso ou interferência de recursos hídricos é um ato adminis-
trativo, de autorização ou concessão, mediante qual o Poder Público faculta ao outorgado 
fazer uso da água por determinadotempo, finalidade e condição expressa no respectivo ato 
(DAAE, 2016).
Como mencionado, a Política Nacional de Recursos Hídricos é instrumento jurídico que 
traz o ordenamento para a outorga de direito de uso de recursos hídricos e baseia-se nos 
seguintes fundamentos, que orientarão a implementação dos seus instrumentos definidos, 
entre eles a outorga.
I. – a água é um bem de domínio público;
II. – a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III. – em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consu-
mo humano e a dessedentação de animais;
IV. – a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo 
das águas;
V. – a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da Política 
Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento 
de Recursos Hídricos;
VI. – a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a parti-
cipação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.
A Lei 9.433/97, na seção III, que trata da outorga de direito de uso de recursos hídricos, 
estabelece que:
Art. 11. O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como 
objetivos assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água e o 
efetivo exercício dos direitos de acesso à água.
Art. 12. Estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos 
de recursos hídricos:
Art. 13. Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas 
nos Planos de Recursos Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de 
água estiver enquadrado e a manutenção de condições adequadas ao transporte 
aquaviário, quando for o caso.
Parágrafo único. A outorga de uso dos recursos hídricos deverá preservar o uso 
múltiplo destes.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo116
Art. 14. A outorga efetivar-se-á por ato da autoridade competente do Poder 
Executivo Federal, dos Estados ou do Distrito Federal.
§1.º O Poder Executivo Federal poderá delegar aos Estados e ao Distrito Federal 
competência para conceder outorga de direito de uso de recurso hídrico de do-
mínio da União.
Art. 15. A outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa 
parcial ou totalmente, em definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes 
circunstâncias:
I – não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;
II – ausência de uso por três anos consecutivos;
III – necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, in-
clusive as decorrentes de condições climáticas adversas;
IV – necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambiental;
V – necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo, para os 
quais não se disponha de fontes alternativas;
VI – necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do cor-
po de água.
Art. 16. Toda outorga de direitos de uso de recursos hídricos far-se-á por prazo 
não excedente a trinta e cinco anos, renovável.
Art. 17. (VETADO)
Art. 18. A outorga não implica a alienação parcial das águas, que são inaliená-
veis, mas o simples direito de seu uso.
7.1.3 Cobrança pelo uso da água
Segundo a Agência Nacional das Águas (2016), a cobrança pelo uso de recursos hídricos 
é um dos instrumentos de gestão da Política Nacional de Recursos Hídricos, instituída pela 
Lei 9.433/97, e tem como objetivos: i) dar ao usuário uma indicação do real valor da água; ii) 
incentivar o uso racional da água e iii) obter recursos financeiros para recuperação das bacias 
hidrográficas do País.
É importante ressaltar que essa cobrança não é um imposto, mas uma remuneração 
pelo uso de um bem público que é difuso e de interesse da coletividade, cujo preço é fixado 
com base na participação dos usuários da água, da sociedade civil e do poder público no 
âmbito dos comitês de bacia hidrográfica, a quem a Legislação brasileira estabelece a com-
petência de sugerir ao respectivo Conselho de Recursos Hídricos os mecanismos e valores 
de cobrança a serem adotados na sua área de atuação política-geográfica.
Na seção IV da Lei Federal 9.433, de 8 de janeiro de 1997, estão contidas as diretrizes 
para a cobrança pelo uso de recursos hídricos. Seguem as orientações jurídicas.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
7
117
Art. 19. A cobrança pelo uso de recursos hídricos objetiva:
I – reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indicação de 
seu real valor;
II – incentivar a racionalização do uso da água;
III – obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e interven-
ções contemplados nos planos de recursos hídricos.
Art. 20. Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos ter-
mos do art. 12 desta Lei.
Parágrafo único. (VETADO)
Art. 21. Na fixação dos valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos 
devem ser observados, dentre outros:
I – nas derivações, captações e extrações de água, o volume retirado e seu regime 
de variação;
II – nos lançamentos de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, o volume 
lançado e seu regime de variação e as características físico-químicas, biológicas 
e de toxidade do afluente.
Art. 22. Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos 
serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e 
serão utilizados:
I – no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos nos 
Planos de Recursos Hídricos;
II – no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e 
entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
§1.º A aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo é limitada a sete 
e meio por cento do total arrecadado.
§2.º Os valores previstos no caput deste artigo poderão ser aplicados a fundo 
perdido em projetos e obras que alterem, de modo considerado benéfico à cole-
tividade, a qualidade, a quantidade e o regime de vazão de um corpo de água.
§3.º (VETADO)
Art. 23. (VETADO)
7.2 Objetos de outorga
O direito de uso da água advém de uma discussão antiga desde 1934 com o Código 
das Águas que definia tipos de propriedades da água diferenciando poder público federal, 
estadual e municipal e também o direito privado. Em 1988, a Constituição Federal definiu o 
domínio público das águas entre Estado e União. Por fim, a Política Nacional dos Recursos 
Hídricos, definida pela Lei 9433/1997, traça as diretrizes e define as regras para o uso múl-
tiplo da água.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo118
7.2.1 Categorias de outorga
Conforme ordena a Lei 9433/1997, ocorrem três categorias de outorga: a outorga pre-
ventiva, a outorga de direito de uso e a declaração de reserva de disponibilidade hídrica.
• Outorga preventiva: A emissão da outorga preventiva está ordenada juridicamente 
no artigo 6° da Lei Federal 9.984/2000 e tem como diretriz o ordenamento da reserva 
da vazão outorgável, permitindo que os interessados façam o planejamento dos em-
preendimentos tendo como base os limites estabelecidos para o uso. De acordo com 
o referido ordenamento jurídico, a outorga preventiva não confere o direito de uso 
de recursos hídricos, e sim as adequações de volumes a serem solicitadas conforme 
as vazões dos corpos hídricos, e seu prazo de validade é fixado levando-se em conta 
a dimensão do empreendimento, limitando-se ao prazo máximo de três anos.
A Resolução CNRH 65, de 7 de dezembro de 2006, define a outorga preventiva como 
manifestação prévia, tornando importante instrumento de articulação dos procedimentos 
técnicos e administrativos para obtenção da outorga de direito de uso de recursos hídricos 
que se dá na próxima fase do processo de outorga.
• Outorga de direito de uso de recursos hídricos: A outorga de direito de uso de 
recursos hídricos dá o direito do requerentede uso de recursos hídricos. Ainda 
nessa fase, a outorga não autoriza a instalação do empreendimento, apenas con-
fere o direito de uso dos recursos hídricos. Para a instalação do empreendimento 
são necessárias outras autorizações, como a licença ambiental emitida pelo órgão 
ambiental competente na localidade do empreendimento.
Conforme prevê a Lei 9.433, de 1997, a outorga de direito de uso de recursos hídricos 
não tem validade indeterminada, sendo concedida por um prazo limitado, tendo a lei es-
tipulado sua validade máxima em 35 anos, ainda que possa haver renovação, suspensão, 
revogação e até sua transferência para terceiros.
• Declaração de reserva de disponibilidade hídrica: O reservatório de grande vo-
lume de água tem como característica ser utilizado para a geração de energia elé-
trica, o qual está condicionado à obtenção da outorga de direito de uso de recursos 
hídricos para a exploração do potencial hidrelétrico. A Lei 9.984/2000 em seu arti-
go 7° estabelece que os interessados na concessão do uso de potencial de energia 
hidráulica em corpo de água devem pedir autorização junto à Agência Nacional 
de Energia Elétrica (ANEEL) e esta deverá promover junto à ANA a prévia obten-
ção da declaração de reserva de disponibilidade hídrica (DRDH).
No caso de aproveitamentos hidrelétricos, dois bens públicos são objetos de autorização 
pelo poder público: o uso do potencial de energia hidráulica e o uso da água. Anteriormente 
à licitação da concessão ou à autorização do uso do potencial de energia hidráulica, a auto-
ridade competente do setor elétrico deve obter a declaração de reserva de disponibilidade 
hídrica (DRDH) junto ao órgão gestor de recursos hídricos.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
7
119
Posteriormente, a DRDH é convertida em outorga de direito de uso em nome da entida-
de que receber da autoridade competente do setor elétrico a concessão ou autorização para 
uso do potencial de energia hidráulica.
7.2.2 Usos dos recursos hídricos que dependem da outorga
Conforme está disposto na Lei Federal 9.433/1997, dependem de outorga os seguintes 
usos da água que estão apresentados no quadro 1.
Quadro 1 – Usos que dependem da outorga de uso da água.
Tipos de usos Características
A derivação ou captação 
de parcela da água existen-
te em um corpo de água 
para consumo final.
– Abastecimento público, ou insu-
mo de processo produtivo.
– A extração de água de aquífero subterrâneo para 
consumo final ou insumo de processo produtivo.
Lançamento em corpo de 
água de esgotos e demais 
resíduos líquidos ou gasosos.
– Resíduos tratados ou não, com o fim de sua 
diluição, transporte ou disposição final.
Uso de recursos hídricos com 
fins de aproveitamento dos 
potenciais hidrelétricos.
– Dois bens públicos são objetos de au-
torização pelo poder público:
 • o uso do potencial de energia hidráulica;
 • o uso da água para consumo.
Outros usos que alterem o 
regime, a quantidade ou a 
qualidade da água existen-
te em um corpo de água.
– Irrigação utilizada na agricultura.
– Uso industrial.
– Uso em estabelecimentos particulares como clu-
bes, condomínios, sítios, chácaras e fazendas.
– Uso em estabelecimentos de bens pú-
blicos como hospitais, creches etc.
Fonte: Elaborado pelo autor.
7.2.3 Usos dos recursos hídricos que não dependem da outorga
De acordo com o §1° do Art. 12 da Lei 9433/97, regulamentado pelo Art. 6° da Resolução 
707/2004 da Agência Nacional das Águas (ANA), não são objeto de outorga de direito de uso 
de recursos hídricos os usos relacionados no quadro 2, no entanto são obrigados a ser cadas-
trados no Cadastro Nacional de Recursos Hídricos pelo link .
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo120
Quadro 2 – Usos que não dependem da outorga de uso da água.
Tipos de usos Características
Serviços de limpeza e con-
servação de margens.
Dragagem, desde que não alterem o re-
gime, a quantidade ou qualidade da 
água existente no corpo de água.
Obras de travessia de corpos de água.
Desde que não interfiram na quantidade, 
qualidade ou regime das águas, cujo cadas-
tramento deve ser acompanhado de atestado 
da Capitania dos Portos quanto aos aspectos 
de compatibilidade com a navegação.
Usos com vazões de captação máxi-
mas instantâneas inferiores a 1,0 L/s.
Quando não houver deliberação diferente 
por parte do Conselho Nacional de recursos 
Hídricos ou um critério diferente expresso 
no plano da bacia hidrográfica em questão.
Fonte: Elaborado pelo autor.
7.3 Procedimentos técnicos e administrativos
Os critérios orientadores para a outorga de direito de uso de recursos hídricos estão 
contidos na Resolução CNRH 16, de 8 de maio de 2001, a qual estabelece critérios para 
emissão dos atos administrativos pela autoridade outorgante.
Conforme estabelece a Resolução CNRH 16/2001, para a emissão das outorgas preven-
tivas e de direito de uso deverão ser observadas as prioridades de uso estabelecidas nos 
Planos de Recursos Hídricos no âmbito do comitê de bacias hidrográficas, a classe em que 
o corpo de água estiver enquadrado, a preservação dos usos múltiplos previstos, a manu-
tenção de condições adequadas ao transporte aquaviário, e demais restrições impostas pela 
legislação, seja ela estadual ou federal.
A análise do pedido de outorga preventiva e de direito de uso de recursos tem suas 
diretrizes estabelecidas no artigo 5° da Resolução ANA 707, de 21 de dezembro de 2004, em 
que a Agência Nacional das Águas (ANA) deverá observar o disposto no Plano Nacional de 
Viação, com a finalidade de manter as características de navegabilidade no corpo hídrico, 
valendo-se de informações da Capitania dos Portos, quando couber.
O modelo de outorga de competência da ANA está definido na Resolução ANA 147, 
de 4 de maio de 2012. Esse modelo faz referência aos usos de recursos hídricos de domínio 
da União registrados no Cadastro Nacional de Usuários de Recursos Hídricos (CNARH). 
Constituem-se, ainda, em modelos de resolução de outorga de direito de uso de recursos 
hídricos de domínio da União individual simplificada e coletiva simplificada.
As determinações e características técnicas dos usos de recursos hídricos objeto das resoluções 
de outorga estão disponíveis no portal do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNARH) em 
 e na página eletrônica da ANA .
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
7
121
O critério técnico, para atender à exigência de casos especiais, orienta que poderão ser 
emitidas resoluções de outorga que discriminem as características técnicas dos usos de re-
cursos hídricos outorgados. Conforme definidas na Resolução 147/2012, as outorgas de di-
reito de uso podem ser deferidas por meio de resolução individual ou resolução coletiva.
7.3.1 Outorga de direito de uso – individual
A Resolução do CNRH 16/2001 define que “A outorga de direito de uso de recursos hídricos 
extingue-se, sem qualquer direito de indenização ao usuário, nas seguintes circunstâncias”.
I – morte do usuário – pessoa física;
II – liquidação judicial ou extrajudicial do usuário – pessoa jurídica;”
Nesses casos, a ANA deverá emitir resolução para um mesmo usuário, diversos usos 
outorgados em corpos de água, no contexto da análise de um mesmo empreendimento.
Quando da situação da solicitação de outorga de direito de uso por ministérios, secreta-
rias de estado e prefeituras municipais, deve-se observar o estabelecido no Código Civil em 
que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios é que têm personalidade jurídica, 
portanto, são eles que devem receber a outorga. Assim, essas outorgas devem ser emitidas 
da seguinte forma:
• outorgar à União, por intermédio dos Ministérios;
• outorgar ao Estado, por intermédio das Secretarias de Estado;
• outorgar ao Município, porintermédio das prefeituras municipais.
7.3.2 Outorga de direito de uso – coletiva
A Agência Nacional das Águas (ANA) utiliza o termo outorga coletiva para referir-se a 
um ato da autoridade outorgante, no qual são outorgados diversos usuários e as respecti-
vas utilizações dos recursos hídricos em uma mesma resolução. Apesar de ser uma única 
resolução, a responsabilidade é individualizada, portanto, cada usuário relacionado é indi-
vidualmente responsável pelo uso que lhe foi outorgado, cabendo a aplicação de todas as 
regras técnicas e legais.
É comum esse tipo de situação após a realização de uma campanha de regularização 
de uso em determinada bacia hidrográfica, na qual é publicada uma resolução listando os 
usuários, os respectivos empreendimentos e os usos de recursos hídricos, bem como a vali-
dade das respectivas outorgas preventivas ou de direito de uso de recursos hídricos.
Um exemplo bem típico de outorga coletiva pode ser verificado na Resolução ANA 
860/2011, que trata de outorgas na bacia do Rio Paraíba do Sul. Em uma mesma Resolução 
constam diversos usuários outorgados, que responderão individualmente por qualquer uso 
indevido da outorga e poderão solicitar as respectivas renovações mediante notificação à 
ANA, com antecedência mínima de 90 dias do término de sua validade.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo122
Nesse caso, conforme informa a ANA na referida resolução, será possível o desmembra-
mento da outorga coletiva em diversas novas resoluções individuais, quando das respectivas 
renovações ou solicitações de alteração ou transferência.
A segunda situação é aquela em que, após a definição de um marco regulatório ou alo-
cação negociada de água, é publicada uma resolução outorgando diversos usuários, estando 
todos comprometidos com uma vazão máxima a ser utilizada.
O exemplo desse tipo de outorga coletiva aconteceu no entorno dos reservatórios de 
Estreito e Cova da Mandioca, na bacia do Rio Verde Pequeno, entre os estados de Minas 
Gerais e Bahia e está publicado na Resolução ANA 465, de 4 de julho de 2011, que outorgou 
o direito de uso de água a 77 usuários. Nesse exemplo citado, os usuários têm interesse 
comum na utilização dos recursos hídricos e, provavelmente, assim permanecerão até o 
estabelecimento de novo marco regulatório, objeto de nova alocação da água.
7.3.3 Indeferimento do pedido de outorga
A Resolução CNRH 16/2000 em seu artigo 19 define que os pedidos de outorga pode-
rão ser indeferidos em função do não cumprimento das exigências técnicas ou legais ou do 
interesse público, mediante decisão devidamente fundamentada, devendo ser publicada na 
forma de extrato no Diário Oficial.
O ato de indeferimento do pedido de outorga representa a não aprovação pela ANA 
da solicitação de outorga encaminhada pelo interessado. O indeferimento pode também se 
referir a um pedido de alteração das características outorgadas, como aumento de vazões de 
captação e de lançamento e alteração das cargas de parâmetros de qualidade outorgáveis.
O indeferimento pode ter diversos motivos, como por exemplo, pela baixa precipitação 
em determinado ano e consequente indisponibilidade hídrica, pela não adequação das va-
zões solicitadas aos limites adotados pela ANA em função do porte e das características do 
empreendimento, ou pela não adequação às normas relacionadas à outorga.
7.3.4 Suspensão e revogação de outorga
A Resolução ANA 833, de 5 de dezembro de 2011, define os critérios técnicos e legais 
para a suspensão parcial ou total de outorga de direito de uso de recursos hídricos. Seguem 
as principais diretrizes:
I – não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;
II – ausência de uso por três anos consecutivos;
III – necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, in-
clusive decorrentes de condições climáticas adversas;
IV – necessidade de prevenir ou reverter grave degradação ambiental;
V – necessidade de atender a usos prioritários de interesse coletivo para os quais 
não se disponha de fontes alternativas;
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
7
123
VI – necessidade de serem mantidas as características de navegabilidade do cor-
po de água;
VII – conflito com normas posteriores sobre prioridade de usos de recursos hídricos;
VIII – indeferimento ou cassação da licença ambiental, se for o caso desta exigência;
XIX – não início da implantação do empreendimento objeto da outorga em até 
dois anos, contados da data de publicação da outorga de direito de uso de recur-
sos hídricos;
X – não conclusão da implantação do empreendimento projetado em até seis anos, 
contados da data de publicação da outorga de direito de uso de recursos hídricos;
XI – de ser instituído regime de racionamento de uso de recursos hídricos;
XII – se o Conselho de Defesa Nacional (CND) vier a estabelecer critérios e con-
dições de utilização dos recursos naturais em Faixa de Fronteira, se for o caso;
XIII – usuário de recursos hídricos fraudar as medições dos volumes de água 
utilizados ou declarar valores diferentes dos medidos;
XIV – usuário de recursos hídricos obstar ou dificultar a ação fiscalizadora das 
autoridades competentes no exercício de suas funções.
 Ampliando seus conhecimentos
A cobrança pelo uso da água como 
mecanismo de sustentabilidade
(ROSA; RIBEIRO, 2014)
Muitas são as possíveis causas da escassez de água, não se propondo este 
artigo a esgotá-las ou tratar do tema como enfoque principal. Quando se 
fala em escassez, importante lembrar que não está sendo questionada a 
apenas quantidade de água disponível, mas, igualmente a qualidade da 
água existente.
De certo que o desperdício e a poluição são inegáveis causas da escassez da 
disponibilidade deste recurso, causas essas que poderiam ser minimizadas 
com políticas de conscientização da população e aplicação de penalidades 
tais como multas.
Contudo, infelizmente a crise da água se deve a outros fatores atrelados dire-
tamente ao desrespeito com a natureza e aos recursos ambientais existentes.
O desmatamento pode ser indicado como um importante fator que con-
tribui para o problema de escassez da disponibilidade da água. Ao se 
retirar a cobertura vegetal, prejudica-se a infiltração da água no solo que 
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo124
alimentaria os lençóis freáticos, fonte de nascentes, que alimentam cór-
regos e ribeirões que formam os rios. Dessa forma, ao longo do tempo o 
volume de água nos rios vai se reduzindo. Por outro lado, sem cobertura 
vegetal, as águas escoam pelo solo, carreando sedimentos, desaguando 
diretamente nos rios. Assim, as águas que deveriam percorrer seus cami-
nhos naturais de infiltração e alimentação da rede hídrica, escoam rapida-
mente causando inundações.
Sobre esta causa, manifesta-se Viegas que “Em todo esse contexto, o desman-
telamento das matas ciliares ao longo dos tempos e nos mais variados locais 
da terra agrava a crise da água, fazendo desaparecer rios e lagos; tornando 
desprotegidas as nascentes; escasseando a água dos lençóis subterrâneos, 
deixando de filtrar e frear a velocidade da água oriunda das chuvas, bem 
como produtos químicos, como agrotóxicos, que chegam ao leito das lagoas, 
lagos e rios, banhado, prejudicando a qualidade das águas, etc.”
Havendo alteração no ciclo natural da água, decorrente das causas apon-
tadas, acaba-se por gerar a crise hoje latente. Se, por muito tempo a crise 
da água foi vista como apenas a má distribuição do recurso pelo mundo, 
hoje, as ações antrópicas que promovem o desmatamento e a poluição 
dos recursos hídricos pelo lançamento de esgotos domésticos e efluentes 
industriais agravam o problema, tornando essa fonte primordial de vida 
cada vez mais escassa para os seus diversos usos.
Uma das soluções apontadas por especialistas para sanar a crise hídrica, 
é a elaboraçãode um planejamento de políticas públicas consistentes, que 
leve em consideração as causas descritas e que de fato utilize de instru-
mentos conferidos por lei para garantir a preservação do recurso.
A cobrança pelo uso dos recursos hídricos como instrumento de política 
pública (Lei 9.433/97)
Considerada a necessidade de promoção do desenvolvimento de forma 
equilibrada, com vistas à proteção dos recursos ambientais disponíveis, 
cabe ao Poder Público definir metas e ações com vistas a resguardar estes 
bens de uso comum de todos, mediante a elaboração de políticas públicas.
Sobre o significado de políticas públicas Granziera manifestou-se:
A expressão políticas públicas é normalmente entendida como conjunto 
de ações decididas e implementadas pelo Estado. O qualificativo públicas 
advém da concepção de que o Estado tem por finalidade realizar o bem 
comum, o interesse público. [...] Nesse sentido, o bem comum só pode ser 
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
7
125
entendido como sendo o conjunto dos valores que em determinado período 
a sociedade – ou a maioria de seus membros aceita e se propõe a realizar.
Com bases em tais propósitos, no âmbito de proteção das águas, fora edi-
tada a Lei n.º 9.433/97 que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, 
regulamentando o art. 21, XIX, da Constituição Federal que confere à União 
a competência para elaborar e executar planos nacionais e regionais de 
ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social.
Retornando à Lei 9.433/97, seu art. 1º traça os fundamentos nos quais se 
baseia a PNRH implantada.
Art. 1.º A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes 
fundamentos:
I – a água é um bem de domínio público;
II – a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III – em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o 
consumo humano e a dessedentação de animais;
IV – a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múl-
tiplo das águas;
V – a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da 
Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacional de 
Gerenciamento de Recursos Hídricos;
VI – a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com 
a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades.
Observa-se que o legislador, ao definir a água como um bem público, afasta 
portanto, a existência de águas particulares, sendo certo que a utilização 
deste bem deverá se dar de forma consciente dada sua natureza limitada.
Um aspecto importante a ser considerado é o valor econômico atribuído à 
água, sendo um fundamento apontado no inciso II do artigo acima citado. 
Para uma melhor compreensão desta valoração, Machado assevera que a 
água “por ser um recurso natural limitado, é passível de ser mensurada 
dentro dos valores da economia e essa valoração deve levar em conta o 
preço da conservação, da recuperação e da melhor distribuição desse bem”.
Ora, na medida em que há diminuição da disponibilidade da água, é 
natural que haja a imposição de um custo, o qual vem se elevando ao 
longo dos tempos.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água7
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo126
 Atividades
1. A Lei Federal 9.433, de 8 de janeiro de 1997, define os critérios de outorga de direito 
do uso da água no Brasil, no entanto os estados também têm autonomia e competên-
cia para legislar sobre temas específicos ressalvando a lei maior. Pesquise os ordena-
mentos jurídicos em seu estado.
2. Além dos usos da água que dependem de outorga definidos pela Lei Federal 
9.433/1997, pesquise na legislação estadual verificada na atividade 1 se há particula-
ridades em seu estado.
3. A cobrança pelo uso da água está estabelecida na Lei Federal 9.433, de 8 de janeiro 
de 1997, como instrumento de políticas públicas. Pesquise em seu estado quais ba-
cias hidrográficas já estão aplicando esse instrumento e quais ações e projetos estão 
sendo utilizados com esses recursos. Dica: essas informações podem ser acessadas 
nas secretarias de recursos hídricos e meio ambiente estaduais e nas secretarias exe-
cutivas dos comitês de bacias hidrográficas.
 Referências
AGENCIA NACIONAL DAS ÁGUAS – ANA. Manual de procedimentos técnicos e administrativos 
de outorga de direito de uso de recursos hídricos da agência nacional de águas. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
______. Outorga de direito de uso de recursos hídricos. Vídeo técnico disponível no Youtube. 
Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
______. Resolução ANA n. 147, de 04 de maio de 2012. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
______. Resolução ANA n. 833, de 05 de dezembro de 2011. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
______. Resolução ANA n. 860/2011. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
______. Resolução ANA n. 465, de 04 de julho de 2011. Disponível em . Acesso em: abr. 2017.
______. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a política nacional de recursos hídricos, cria o 
sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos. Disponível em: . Acesso em: abr. 2016.
______. Lei n. 9.984, de 17 de julho de 2000. Dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas - 
ANA, entidade federal de implementação da política nacional de recursos hídricos e de coordenação 
do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
Outorga de direito e cobrança pelo uso da água
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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127
______. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a política nacional de recursos hídricos, cria o 
sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
______. Lei n. 9.984, de 17 de julho de 2000. Dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas - 
ANA, entidade federal de implementação da política nacional de recursos hídricos e de coordenação 
do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
MEDEIROS, Nathalie da Nóbrega. Outorga do direito de uso das águas: sustentabilidade e com-
petência. Revista Eletrônica Jusbrasil, 2010. Disponível em: . Acesso em: 
abr. 2017.
ROSA, Bruna Pereira; RIBEIRO, José Cláudio Junqueira. A cobrança pelo uso da água como meca-
nismo de sustentabilidade. Revista do Mestrado em Direito. Volume 9 n. 2 p. 59-90, jul-dez, 2014. 
Disponível em: . Acesso em: 
. Acesso em: abr. 2017.
UOL EDUCAÇÂO. Água potável: Apenas 3% das águas são doces. Disponível em: . Acesso 
em: abr. 2017.
 Resolução
1. Você deverá pesquisar os ordenamentos jurídicos de seu estado e listá-los.
2. Você deverá pesquisar as particularidades dos usos da água que dependem de ou-
torga na legislação estadual pesquisada.
3. Você deverá pesquisar e listar os comitês e na mesma tabela relacionar os projetos e 
asações que estão sendo desenvolvidos. Se houver disponibilidade, poderá visitar 
esses projetos para uma análise mais crítica.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 129
8
Gestão e manejo de recursos 
hídricos em áreas urbanas
A gestão de recursos hídricos ganhou força no início dos anos 1990 quando os 
Princípios de Dublin, na Irlanda, foram acordados na reunião preparatória à Conferência 
das Nações Unidas para o Meio Ambiente em 1992, no Rio de Janeiro. Diz o Princípio 1 
que a gestão dos recursos hídricos, para ser efetiva, deve ser integrada e considerar 
todos os aspectos, físicos, sociais e econômicos. Para que essa integração tenha o foco 
adequado, sugere-se que a gestão esteja baseada nas bacias hidrográficas como forma 
de gestão e manejo de recursos hídricos, tanto em áreas rurais como urbanas. Dessa 
forma, neste capítulo serão apresentados alguns conceitos e práticas de manejo e ges-
tão de recursos hídricos, dando destaque para o plano de macrodrenagem urbana, 
segurança hídrica para abastecimento público e metodologias de educação ambiental 
voltada à gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo130
8.1 Plano de macrodrenagem urbana
A infraestrutura urbana de modo geral, no Brasil, tem sido projetada de forma desorga-
nizada, assim como o próprio planejamento urbano, causando impactos ambientais signifi-
cativos, como aumento da frequência de inundações, redução da qualidade e quantidade de 
águas nas bacias hidrográficas, permeabilização do solo etc.
Para Zacharias (2010), isso ocorre porque a maior parte das cidades, ao elaborar seu pla-
nejamento ambiental, baseia-se nos modelos habituais de caráter funcionalista, em que áreas 
urbanas são divididas em macrozonas e/ou zonas, de acordo com suas categorias de usos e 
atividades, sem sequer incorporar diretrizes que visem à proteção e ao controle ambientais, 
sobretudo em áreas de fundo de vale das bacias hidrográficas, declividades impróprias, 
denso fluxo de mananciais, aumento de permeabilidade do solo, probabilidade de erosão, 
intensificação de poluição, grande potencial para contaminação e formação de ilha de calor, 
entre outras.
Assim sendo, a tendência das cidades brasileiras é de se reformularem nas formas de se 
planejar em suas múltiplas áreas de gestão. No que tange às inundações, os termos de pla-
nejamento de drenagem urbana precisam escoar a água precipitada o mais rápido possível 
e as áreas ribeirinhas aos corpos de água devem ser preservadas como área de segurança de 
inundação. Ou seja, em caso de inundações, essas áreas não devem ter ocupações humanas 
com moradias, e sim com parques públicos, florestas ou outros usos que não coloquem em 
risco as pessoas.
Uma das cidades brasileiras que é pioneira nesse tipo de planejamento é Curitiba e, 
de acordo a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado do Paraná (2002), com esse tipo de 
ação, para alterar essa tendência é necessário adotar princípios de controle de enchentes que 
considerem o seguinte:
– aumento de vazão devido à urbanização não deve ser transferido para Jusante;
– bacia hidrográfica deve ser o domínio físico de avaliação dos impactos resul-
tantes de novos empreendimentos;
– horizonte de avaliação deve contemplar futuras ocupações urbanas;
– as áreas ribeirinhas somente poderão ser ocupadas dentro de um zoneamento 
que contemple as condições de enchentes;
– as medidas de controle devem ser preferencialmente não estruturais.
De acordo com professor Tucci (2000), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 
de maneira geral, o planejamento urbano, mesmo envolvendo fundamentos interdisciplina-
res, na prática, é realizado em uma esfera mais restrita de conhecimento. A planificação da 
ocupação do espaço urbano no Brasil, por meio do Plano Diretor Urbano, não tem conside-
rado aspectos de drenagem urbana e da qualidade de água, que trazem grandes transtornos 
e custos para a sociedade e para o meio ambiente.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
131
8.1.1 Drenagem urbana
Tucci (2008) define drenagem urbana como sendo um conjunto de medidas que têm por 
objetivo reduzir os riscos que as populações estão sujeitas, diminuir prejuízos causados por 
inundações e tornar possível o desenvolvimento urbano de forma harmônica, articulada e 
sustentável. Ressalta, ainda, que as consequências da urbanização que mais interferem na 
drenagem urbana são modificações do escoamento superficial direto.
Barros (2005) diz que o sistema de drenagem tem que ser projetado para dar vazão ao 
excesso de chuvas e o seu dimensionamento depende da ocorrência do fenômeno natural.
Esse autor subdivide o sistema de drenagem em medidas estruturais, correspondentes 
às obras hidráulicas essenciais para se obter uma boa drenagem do escoamento superficial, 
e medidas não estruturais, aquelas que correspondem a várias propostas para minimizar os 
efeitos das chuvas intensas nas áreas urbanas.
As principais medidas estruturais são:
• Sistema de coleta da água da chuva no lote e lançamento na rede – corresponde à 
coleta de água no lote e transporte até a rede de drenagem.
• Sistema de microdrenagem – é formado por bueiros e bocas de lobo que captam 
águas superficiais das ruas e vias. Essas ferramentas são instaladas nas sarjetas, 
em locais adequados para boa drenagem da rua. A coleta é feita por rede de gale-
rias que transportam as águas superficiais até serem lançadas em rios ou córregos. 
Essas galerias apresentam poços de visita para sua manutenção, caixas de ligação 
para interligá-las e sistema de ventilação.
• Sistema de macrodrenagem – é composta por canais e rios que recebem água cole-
tada pela microdrenagem.
• Reservatórios para controle de cheias – barramentos construídos em rios para se-
gurar o excesso de chuva e proteger as áreas a jusante.
• Reservatórios urbanos de detenção ou bacias de detenção – pequenos reservató-
rios instalados em algumas áreas da cidade para conter o excesso de chuva e pro-
teger áreas a jusante.
• Drenagem forçada em áreas baixas – constituído por diques, obras e estações 
de bombeamento em áreas localizadas abaixo do nível de água de cheias dos 
córregos próximos.
• Manutenção do sistema de drenagem – é fundamental que os sistemas de micro e 
macrodrenagem estejam sempre limpos para evitar possíveis inundações.
• Trincheiras de infiltração – elementos de drenagem de controle na fonte que têm a 
função de armazenar temporariamente a água até que ela infiltre no solo. São com-
postas por valetas preenchidas por material granular, como brita e pedra de mão e 
tem porosidade de 40%. Esse material granular é revestido por filtro geotêxtil que 
impossibilita a entrada de dispositivos finos.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo132
Suas vantagens são: diminui a rede de microdrenagem local, reduz risco de inundação 
e poluição das águas locais, recarga das águas subterrâneas e apresenta boa adaptação ao 
ambiente urbano. E como desvantagens podemos citar a dificuldade em se ter informações 
de seu funcionamento a longo prazo e conseguir critérios de projetos e dimensionamento 
(GOLDENFUM, 2001).
Para Canholi (2005), na formulação do plano diretor de macrodrenagem, devem-se con-
siderar os seguintes aspectos:
• A drenagem é um fenômeno de abordagem regional e a unidade de gerencia-
mento é a bacia hidrográfica, podendo transcender os limites administrativos do 
município nos princípios de bacia ambiental.
• A drenagem é uma questão de alocação de espaços, pois a supressão de várzeas 
alagáveis implica sua relocação para jusante, e ele deve ser aplicado à perda de 
áreas por infiltração pela impermeabilização.
• A macrodrenagem faz parte da infraestrutura urbana e o seu planejamento deve 
ser multidisciplinar compatibilizando comoutros planos e projetos dos demais 
serviços públicos, principalmente, os voltados à gestão das águas urbanas, in-
cluindo o abastecimento público e os esgotos sanitários.
• Acrescenta que tem de ser sustentável e seu gerenciamento deve garantir a sua 
sustentabilidade institucional, econômica e ambiental. As soluções devem ser fle-
xíveis e prever as eventuais necessidades de modificações futuras.
Um abrangente plano de drenagem urbana deve atingir, entre outras atividades, o 
levantamento das características físicas da bacia de drenagem, notadamente daquelas que 
influenciam os deflúvios (run-off); a formulação de planos alternativos de controle ou cor-
reção de sistemas de drenagem, apontando os respectivos objetivos; a análise da viabilida-
de técnica e econômica das alternativas, considerando também os aspectos sociopolíticos e 
ambientais, e uma metodologia consistente para a seleção da alternativa mais conveniente.
Em síntese, o plano diretor deve diagnosticar os problemas existentes ou previsíveis no 
horizonte de planejamento adotado e determinar, hierarquizar e redimensionar as soluções 
mais adequadas do ponto de vista técnico, econômico e ambiental.
8.2 Segurança hídrica para abastecimento público
A água é um importante elemento que fundamenta as ações do desenvolvimento huma-
no. Ter água disponível de forma segura é, portanto, vital para todos os setores sociais e econô-
micos, além da saúde coletiva bem como base dos recursos naturais de que o mundo depende.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
133
No entanto, o modelo desenvolvimentista adotado pelo sistema capitalista vem pro-
porcionando o crescimento demográfico, o desenvolvimento econômico e o aumento da 
pressão nos recursos naturais. Aliado a uma gestão deficiente da água, os recursos hídricos 
estão se exaurindo em diversos locais do Brasil e do mundo gerando uma situação de crise 
hídrica e desequilibrando as relações sociais e os modos de produção.
Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), conforme apresentado no quadro 1, 
todas as regiões brasileiras necessitam de investimentos em abastecimento público de água, 
pois se encontram em situação temporária de crises hídricas, tendo a Região Sudeste como a 
mais comprometida e em especial os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Quadro 1 – Síntese por regiões geográficas da situação de abastecimento urbano de água.
Região 
geográfica/
estado
Total de 
municípios 
estudados
Demanda 
2015 (m3/s)
Mananciais e sistemas
Sistema isolado
Sistema 
integrado
Manancial 
superficial/
misto
Manancial 
subterrâneo
Centro-Oeste 466 39,3 280 176 8
Nordeste 1.794 136,2 685 573 517
Norte 449 45,1 180 263 5
Sudeste 1.668 274,6 1.023 490 149
Sul 1.188 75,0 487 571 116
Brasil 5.565 570,2 2.655 2.073 795
Região 
geográfica/
estado
Total de 
municípios 
estudados
Demanda 
2015 
(m3/s)
Avaliação oferta/demanda 2015
Abastecimento 
satisfatório
Requer investimento
Ampliação 
de sistema
Novo 
manancial
Centro-Oeste 466 39,3 260 168 38
Nordeste 1.794 136,2 466 1.064 248
Norte 449 45,1 156 265 28
Sudeste 1.668 274,6 932 647 83
Sul 1.188 75,0 692 407 75
Brasil 5.565 570,2 2.506 2.551 472
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo134
Região 
geográfica/
estado
Total de 
municípios 
estudados
Demanda 
2015 (m3/s)
Soluções propostas e investimentos
Demanda 
2025 (m3/s)
N. de 
municípios 
que requerem 
investimento
Investimento 
total em 
abastecimento 
de água (R$ 
milhões)
Centro-Oeste 466 39,3 44,1 206 1.709,63
Nordeste 1.794 136,2 151,5 1.348 9.132,47
Norte 449 45,1 53,9 294 1.953,86
Sudeste 1.668 274,6 298,2 738 7.416,18
Sul 1.188 75,0 82,7 483 2.021,23
Brasil 5.565 570,2 630,4 3.069 22.233,36
Fonte: Atlas do Abastecimento Urbano do Brasil, 2015.
Na Declaração Ministerial do 2° Fórum Mundial da Água realizada em 2000 em Haia, 
na Holanda, foi definido que segurança hídrica “significa garantir que ecossistemas de água 
doce, costeira e outros relacionados sejam protegidos e melhorados; que o desenvolvimento 
sustentável e a estabilidade política sejam promovidos; que cada pessoa tenha acesso à água 
potável suficiente a um custo acessível para levar uma vida saudável e produtiva, e que a 
população vulnerável seja protegida contra os riscos relacionados à água”.
Para a Agência Nacional das Águas, segurança hídrica também é definida como a ca-
pacidade da população de garantir o acesso sustentável à quantidade adequada e qualidade 
aceitável para os meios de subsistência, bem-estar humano e desenvolvimento socioeconô-
mico, para assegurar a proteção contra a poluição e os desastres relacionados com a água e 
para a preservação dos ecossistemas em um clima de paz e estabilidade política.
A segurança hídrica considera a garantia da oferta de água para o abastecimento hu-
mano e para as atividades produtivas em situações de seca, estiagem ou desequilíbrio entre 
a oferta e a demanda do recurso. Além disso, o conceito abrange as medidas relacionadas 
ao enfrentamento de cheias e da gestão necessária para a redução dos riscos associados a 
eventos críticos (secas e cheias).
Nesse contexto, a Lei 9433/1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, 
cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, que trouxe relevantes 
avanços na preservação e conservação das águas no Brasil, ordenando, por exemplo, os 
processos de outorga. No contraponto, temos que a importância das águas ainda não está 
bem incorporada por importante parcela da população, que continua utilizando da água de 
formas irresponsáveis, como ocupando áreas de preservação permanente, jogando lixo dire-
tamente nos rios ou até mesmo desmatando áreas relevantes para a conservação das águas 
nas bacias hidrográficas, como áreas de recarga hídrica dos lençóis freáticos e em nascentes.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
135
8.2.1 Origem da crise hídrica
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) (2016), os registros 
de precipitação apontam que nos últimos 40 anos o Brasil viveu uma alteração no regime de 
chuvas em todas as regiões brasileiras, resultado dos efeitos das mudanças climáticas.
Esse fenômeno natural, associado ao aumento da população urbana e, consequente-
mente, à elevação no consumo de água, são fatores que geram a crise hídrica. Ressalva-se 
que a crise hídrica também pode ser potencializada por diversos fatores, por exemplo, o 
intenso uso e ocupação do solo tanto nas áreas rurais como urbanas, pela impermeabilização 
dos solos e consequente redução da recarga hídrica nos lençóis freáticos e também a redução 
de ecossistemas naturais como florestas e planícies aluviais, que cumprem importante fun-
ção para o equilíbrio do ciclo hidrológico.
8.2.2 As florestas e a segurança hídrica
As florestas têm papel essencial na conservação e na purificação das águas. É na vege-
tação, e também nos solos e nos organismos, que fica retida boa parte da água que vem com 
as chuvas que infiltram para os lençóis freáticos e aquíferos subterrâneos.
Esse ciclo funciona como um grande filtro natural, no qual os poluentes que estejam 
na água vão sendo filtrados e eliminados pelos ecossistemas. Uma vez quando essa água 
filtrada pelas florestas chegar novamente aos rios, ou quando retornar à atmosfera em 
forma de chuva, estará limpa e livre dos poluentes.
Esse processo acontece, segundo o Programa Águas e Florestas da Mata Atlântica (2010) 
da seguinte forma: a água de chuva que se precipita sobre uma floresta segue dois cami-
nhos, sendo o primeiro o retorno à atmosfera por evapotranspiração, ou atingindo o solo, 
por meio da folhagem ou do tronco das árvores. Na floresta, a interceptação da água acima 
do solo garante a formação de novas massas atmosféricas úmidas, enquanto a precipitação 
interna, pelospingos de água que atravessam a copa e pelo escoamento pelo tronco, atingem 
o solo e o seu folhedo.
De toda a água que chega ao solo, uma parte tem escoamento superficial, chegando 
de alguma forma aos cursos de água ou aos reservatórios de superfície. A outra parte sofre 
armazenamento temporário por infiltração no solo, podendo ser liberada para a atmosfera 
por meio da evapotranspiração, manter-se como água no solo por mais algum tempo ou 
percolar como água subterrânea. De qualquer forma, a água armazenada no solo que não 
for evapotranspirada termina por escoar da floresta paulatinamente, compondo o chamado 
deflúvio, que alimenta os mananciais hídricos e possibilita os seus usos múltiplos.
Um exemplo muito importante da relação da floresta e a conservação das águas e 
consequente segurança hídrica é o caso da floresta amazônica, que absorve a água da chu-
va que vem do oceano, funcionando como uma bomba de sucção que “puxa” a água do 
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo136
Oceano Atlântico para o continente e a mantém na floresta, em um fenômeno chamado 
popularmente como “rios voadores”.
É exatamente essa água, gerenciada pelo ciclo hidrológico da Bacia Amazônica, que 
acaba sendo distribuída entre a Cordilheira dos Andes e a porção meridional do continente 
sul-americano. Esse processo carrega a umidade da Bacia Amazônica para o Centro-Oeste, 
Sudeste e Sul do Brasil principalmente nos meses de novembro a março. Pelo link é possível ver detalhes desse fenômeno altamente relevante para a 
segurança hídrica em grande parte do território brasileiro.
8.2.3 Soluções para a crise hídrica
As soluções para a crise hídrica podem se dar de inúmeras formas, como o racionamen-
to de água e o aumento de taxas monetárias pelo uso da água. O importante nesse processo é 
promover ações que resolvam as “raízes” do problema e, em casos extremos de crise, execu-
tar ações mesmo que sejam paliativas. No quadro 2, estão apresentadas 8 ações que podem 
contribuir para a solução ou redução da crise hídrica no Brasil.
Quadro 2 – Possíveis soluções estruturais e paliativas para a redução da crise hídrica no Brasil.
Ação Situação Formas Resultados
Conservação 
das florestas Estrutural
Aplicação da legislação 
vigente e criação de novos 
mecanismos de conser-
vação e preservação
Equilíbrio e sus-
tentabilidade da 
oferta de água para 
consumo humano
Manejo e recupe-
ração das bacias 
hidrográficas
Estrutural
Aplicação dos planos de 
bacia e novos regramentos 
de uso e ocupação do solo
Equilíbrio e sus-
tentabilidade da 
oferta de água para 
consumo humano
Reaproveitamento 
da água da chuva Estrutural Criar e incentivar po-
líticas públicas
Redução da quanti-
dade de água coleta-
da nos mananciais
Redução do desper-
dício dos sistemas 
de abastecimento
Estrutural
Aplicação de novas 
tecnologias e manuten-
ção das redes existentes
Redução das perdas 
e consequente maior 
oferta de água 
para consumo
Mudança de hábitos Estrutural Implantar programas 
de educação ambiental
População conscien-
tizada com resulta-
dos permanentes
Despoluição e prote-
ção dos mananciais Estrutural Ampliar os sistemas de 
tratamento de esgoto
Melhoria na qua-
lidade de água e 
consequente maior 
oferta de água 
para consumo
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
137
Ação Situação Formas Resultados
Racionamento
Paliativa. 
Utilizada 
em tempos 
de crise
Organizar e reduzir 
a distribuição de água 
para consumo
Efeitos rápidos 
para o reabasteci-
mento e aumento 
dos níveis de água 
dos mananciais
Descontos e punições
Paliativa. 
Utilizada 
em tempos 
de crise
Por meio de ordenamen-
tos jurídicos, estabelecer 
regras de descontos 
monetários para o bom 
usuário e punições para 
o péssimo usuário
Efeitos rápidos 
para a mudança 
de hábitos para 
a população, no 
entanto não é de 
forma permanente
Fonte: Elaborado pelo autor.
8.3 Metodologias de educação ambiental 
voltada à gestão e ao manejo de 
recursos hídricos em áreas urbanas
Entre os problemas socioambientais mais graves da atualidade, a qualidade e quanti-
dade dos recursos hídricos talvez seja o tema que mais envolve educadores e gestores em 
busca de soluções para uma das fontes mais primárias de vida. As águas são um dos princi-
pais motivos mobilizadores de programas, políticas, projetos e ações voltadas à reversão ou 
minimização da sua situação atual de degradação.
Nesse sentido, diferentes setores da sociedade começam a se sensibilizar para atuar 
conjuntamente na reversão de situações que comprometeram ou comprometerão o uso múl-
tiplo das águas. Entre as áreas protegidas por lei, as bacias hidrográficas têm sido uma 
unidade paisagística delimitada que contêm áreas protegidas e que vêm contribuindo para 
ações de conservação, já que seus limites ultrapassam os interesses das divisões territoriais 
políticas para abranger as necessidades físicas, biológicas, ecológicas e sociais.
8.3.1 Bacias hidrográficas, participação e territorialidade
Bacias hidrográficas são paisagens socioambientais que, assim como outras áreas prote-
gidas, são delimitadas legalmente por um recurso natural e que abrangem elementos físicos, 
biológicos, sociais e toda sua rede complexa de relações. São paisagens em que a gestão, não 
somente da água, mas de todo o ambiente inserido na bacia hidrográfica, depende do diálo-
go, da solução de conflitos e da mediação das diferentes necessidades e interesses do atores 
socioambientais envolvidos nesse sistema.
Para Sammarco (2005), o gerenciamento da bacia hidrográfica é um instrumento que 
orienta o poder público e a sociedade na utilização e monitoramento dos recursos ambien-
tais, econômicos e sociais nos limites da bacia, promovendo o desenvolvimento sustentável. 
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo138
Segundo a autora, atualmente os conflitos entre a disponibilidade e demanda de recursos hí-
dricos têm se tornado mais frequente, gerando como consequência o mau uso dos recursos 
hídricos e práticas insuficientes para gerenciamento da água. Somado a isso, o fato de que o 
Brasil detém aproximadamente 12% da água do mundo reforça a necessidade da educação 
ambiental não somente para conservar os corpos hídricos, mas também para saber como 
melhor utilizar e reutilizar a água como recurso diante dos sintomas de escassez mundial.
A água cada vez mais se torna um elemento facilitador nas relações complexas de uma 
paisagem, no campo de atuação para mudanças e mediações entre diferentes usos e interes-
ses. Pode-se dizer que a integração dos diferentes atores para a gestão das águas aumentou 
nas últimas décadas diante das mudanças históricas no sentido de propriedade, em que a 
percepção da água como bem comum foi sendo legalmente e culturalmente construído.
Preocupado com esse diálogo, o Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) incorpo-
ra em suas macromatrizes (Programa IV), de maneira transversal, a educação ambiental, o 
desenvolvimento das capacidades, a difusão de informações, a comunicação e a mobilização 
social em gestão integrada de recursos hídricos. Portanto, o PNRH procura concordar com 
a Lei Federal 9.433/97 (Política Nacional de Recursos Hídricos), na qual a educação ambien-
tal torna-se fundamental para a gestão democrática das águas, de forma descentralizada e 
participativa.
É importante ressaltar que o Programa IV surgiu como pauta reivindicatória oriunda 
principalmente da sociedade civil, sendo então acolhido e integrado ao conjunto perma-
nente de documentos aprovados pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Entre as 
proposições definidas no Programa IV, algumas são relevantes, por exemplo:
• promover o diálogo entre diferentes saberes sobre a água (técnico-científico, polí-
tico, biorregional, tradicional) e a decodificaçãopresença de outros organismos causadores de proble-
mas. Os principais indicadores de contaminação fecal são as concentrações de coliformes 
totais e coliformes fecais, expressas em número de organismos por 100 mL de água.
Os coliformes são bactérias e estão subdivididas em totais e termotolerantes ou fecais e 
estão presentes em materiais fecais. A sua presença na água pode indicar a possível presen-
ça de seres patogênicos. Quanto maior a concentração desses organismos em um corpo de 
água, maior o seu grau de poluição e também o seu potencial causador de doenças.
Todas as bactérias coliformes são gram-negativas manchadas, de hastes não esporula-
das, que estão associadas às fezes de animais de sangue quente e com o solo. As bactérias 
coliformes fecais reproduzem-se ativamente a 44,5ºC e são capazes de fermentar o açúcar. O 
uso da bactéria coliforme fecal para indicar poluição sanitária mostra-se mais significativo 
que o uso da bactéria coliforme “total” porque as bactérias fecais estão restritas ao trato in-
testinal de animais de sangue quente.
Os coliformes totais são bacilos gram-negativos, aeróbios ou anaeróbios facultativos e 
não formadores de esporos e estão associados à decomposição de matéria orgânica em geral. 
Exemplos: Citrobacter, Klebsiella, Enterobacter.
Os coliformes termotolerantes ou fecais toleram temperaturas acima de 40°C, reprodu-
zem-se nessa temperatura em menos de 24 horas e estão associados às fezes de animais de 
sangue quente, como Enterobacter e Citrobacter.
As algas desempenham um importante papel no ambiente aquático, sendo responsáveis pela 
produção de grande parte do oxigênio dissolvido do meio. Quando presente em grandes quan-
tidades, como resultado do excesso de nutrientes (eutrofização) na água, trazem alguns incon-
venientes como sabor e odor; toxidez, turbidez e cor; formação de massas de matéria orgânica 
que, ao serem decompostas, provocam a redução do oxigênio dissolvido; corrosão; interferência 
nos processos de tratamento da água, além de apresentarem um aspecto estético desagradável.
A determinação da concentração dos coliformes assume importância como parâmetro 
indicador da possibilidade da existência de micro-organismos patogênicos, responsáveis 
pela transmissão de doenças de veiculação hídrica, tais como febre tifoide, febre paratifoide, 
disenteria bacilar e cólera (BRASIL, 2006).
De modo geral, nas águas para abastecimento público, o limite tolerável de coliformes 
fecais estabelecido pela Portaria 2.914, de 12 de dezembro de 2011, do Ministério da Saúde 
Parâmetros físicos, químicos e biológicos
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
1
17
não deve ultrapassar 4 mil coliformes fecais em 100 ml de água em 80% das amostras colhi-
das em qualquer período do ano.
1.3.2 Solo
Muito ao contrário do que visualmente se apresenta, o solo é um recurso natural vivo 
e dinâmico que condiciona e sustenta a produção de alimentos e fibras e regula o balanço 
global do ecossistema. O solo tem sua qualidade definida como a capacidade de funcionar 
dentro do ecossistema visando sustentar a produtividade biológica, mantendo a qualidade 
ambiental e promovendo a saúde e o desenvolvimento das plantas e dos animais, além de 
ser sustento físico para ambos, podendo ser avaliado pelo uso de indicadores físicos, quími-
cos e biológicos (ARAÚJO, 2007).
Neste capítulo será dado enfoque para os parâmetros biológicos que estão relacionados 
a seguir.
• Biomassa microbiana do solo: de acordo com Jenkinson e Ladd (1981, citado por 
ARAÚJO, 2007), a biomassa microbiana do solo é o componente vivo da matéria 
orgânica do solo, exceto a macrofauna e as raízes dos vegetais. A biomassa micro-
biana é responsável por controlar os ciclos biogeoquímicos, como a decomposição 
e o acúmulo de matéria orgânica, ou transformações envolvendo os nutrientes 
minerais. Em função dos processos de decomposição e transformação são acumu-
ladas consideráveis quantidades de nutrientes que servem como reserva, e que 
são continuamente assimiladas durante os ciclos de crescimento dos diferentes 
organismos que compõem o ecossistema.
• Respiração do solo: a respiração do solo é caracterizada pela oxidação biológica da 
matéria orgânica gerando CO2 pelos microrganismos aeróbios. Por esse processo, 
ela ocupa uma posição chave no ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres. O 
estudo e a identificação da respiração do solo devem ser de forma frequente, seja 
visto que se quantifica a atividade microbiana no solo, podendo verificar os con-
teúdos de matéria orgânica, com a biomassa microbiana e consequentemente a 
dinâmica da vida ativa do solo.
• Fixação biológica do N2: a fixação biológica do nitrogênio é muito conhecida nos 
meios agronômicos com a utilização por plantas da família das leguminosas para 
melhorar as condições químicas do solo. Isso é possível, pois essa família botânica 
tem uma relação de simbiose com uma bactéria do gênero Rhizobium, Bradyrhizobium 
e Azorhizobium, que convertem o N2 atmosférico em NH3, incorporada em diversas 
formas de N orgânico para a utilização por plantas. Esse processo ocorre no interior 
de estruturas específicas, denominadas de nódulos, nos quais as bactérias têm a ca-
pacidade de absorver o nitrogênio. Esse processo quebra a tripla ligação do N2 por 
meio de um complexo enzimático, denominado nitrogenase (ODUM, 2007). Assim 
sendo, a análise desse processo no solo foi transformada em um parâmetro de aná-
lise biológica da qualidade do solo.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo18
• Enzimas do solo: as enzimas são mediadoras do catabolismo biológico dos com-
ponentes orgânicos e minerais do solo, podendo ser estudada como medida de 
atividade microbiana, produtividade e efeito de poluentes no solo. A atividade 
enzimática do solo está relacionada com o aumento da matéria orgânica, com a 
melhoria das propriedades físicas e com a atividade e biomassa microbiana.
 Ampliando seus conhecimentos
Influência do uso e ocupação do solo na 
qualidade da água: um método para avaliar a 
importância da zona ripária
(COELHO, 2011)
Para o desenvolvimento sustentável da humanidade são necessárias as 
práticas de exploração dos recursos naturais que aliam princípios de pre-
servação e conservação do meio ambiente, atendendo às necessidades 
do presente sem comprometer a capacidade de atendimento das futu-
ras gerações (WORD COMMISSION ON ENVIRONMENTAL 
AND DEVELOPMENT,1987).
Além de considerar os aspectos econômicos e sociais, esse desenvol-
vimento deve considerar a mitigação dos impactos ecológicos com os 
conceitos de biodiversidade e integridade de ecossistemas. Esses efeitos 
ecológicos envolvem principalmente questões relativas à degradação 
do solo, às alterações do ciclo hidrológico, às alterações climáticas e à 
manutenção da biodiversidade.
Diferentes princípios, conceitos e práticas têm sido desenvolvidos com vis-
tas ao desenvolvimento, que, sendo “economicamente viável, socialmente 
justo e ecologicamente equilibrado” é chamado de sustentável. Variadas 
concepções envolvem tão abrangentes conceitos, como o que é “social-
mente justo” ou o que vem a ser propriamente um ambiente “ecologica-
mente equilibrado”, mas além dessa discussão existe a clara necessidade de 
se avaliar o impacto exclusivo das atividades humanas no meio ambiente.
No caso dos processos hidrológicos, onde interagem os ciclos biogeo-
químicos, o fluxo de energia e os dinâmicos fatores bióticos, em muitos 
casos têm-se considerado a bacia hidrográfica como a unidade ecossistê-
mica para estudo e planejamento (LOTSPEICH, 1980), sendo utilizados 
diferentes indicadores tais como balanço hídrico, extensão e condição 
da zona ripária, taxas de infiltração e de erosão do solo, diversidade de 
Parâmetros físicos, químicos e biológicos
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
1
19
invertebrados bentônicos e qualidade da água, para mensurar e avaliar a 
sustentabilidadee difusão de informações técnicas 
e sociais;
• promover a valorização simbólica da territorialidade hídrica e o sentido de 
pertencimento;
• difundir a percepção do valor socioambiental relevante da água e da sua impor-
tância estratégica para o desenvolvimento do país em bases sustentáveis;
• desenvolver cartografias de conflitos e vocações das territorialidades hídricas, bem 
como de atores atuantes nas territorialidades hídricas e plataformas de saberes e cui-
dados com a água nas várias escalas (local, regional, nacional, platina, amazônica, 
sul-americana, internacional).
Pode-se observar nas proposições anteriores que as percepções, os diálogos entre di-
ferentes saberes, a identidade e a territorialidade, assim como os processos comunicativos 
e formativos, estão entre as principais estratégias para o fomento da educação ambiental 
para as águas. Cabe ressaltar que a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) (Lei 
9.795/09) também estabelece entre seus objetivos estratégicos o “incentivo à participação 
individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio am-
biente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exer-
cício da cidadania”.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
139
Pode-se dizer, portanto, que de forma coerente com a política das águas, a construção 
de uma cultura de participação, qualificada com o diálogo, mostra-se como um dos eixos da 
política de educação ambiental e que o desafio de construir metodologias competentes para 
promover essa participação está ancorada em ambas as políticas nacionais.
Percebe-se que cada vez mais são imprescindíveis os processos participativos para a ges-
tão integrada da água. No entanto, a participação qualificada não tem sido uma tarefa fácil 
para os diversos educadores. Para Souza (2015), a participação e o engajamento político da 
base da sociedade brasileira são desafios históricos, que precisam enfrentar obstáculos de 
ordem social, e de ordem psicossocial, como a despolitização e o isolacionismo. Para lidar 
com isso, seriam necessários Programas de Educação Ambiental (PEA) permanentes, con-
tinuados e articulados, que configurem estratégias e não a simples soma de ações. Os PEA 
devem não somente favorecer o acesso da sociedade às informações claras sobre a realidade 
socioambiental, como precisam ampliar progressivamente sua capacidade de interpretar es-
sas informações socioambientais.
8.3.2 Paisagem, educomunicação e pertencimento
Nesse sentido, as bacias hidrográficas tornam-se paisagens socioambientais 
(SAMMARCO, 2005) nas quais a percepção, os saberes e os valores devem ser diagnostica-
dos para qualquer processo educador que tenha como objetivo o resgate da territorialidade, 
identidade e participação de seus atores. É cada vez mais necessário inserir métodos que 
proporcionem a percepção da paisagem não somente como um diagnóstico dos problemas 
a serem discutidos, mas também como um instrumento para fomentar a capacidade de in-
terpretar essas informações e participar ativamente das soluções propostas.
O exercício da percepção da paisagem torna-se importante para resgatar o valor sim-
bólico das bacias hidrográficas assim como diagnosticar o ideário dos atores sobre seus 
ambientes. Por meio da percepção dos espaços vividos que a imaginação acontece, e o ser 
humano estrutura sua representação cognitiva do ambiente. A avaliação traz a organiza-
ção do meio ambiente como o resultado da aplicação de conjuntos de regras que refletem 
diferentes concepções de qualidade ambiental.
Essas práticas de percepção muitas vezes realizadas por meio de técnicas como mapa 
mental, desenhos, mapeamento socioambiental participativo, entre outros, permitem res-
surgir nos discursos e nas representações sociais figuradas os elementos para que a territo-
rialidade passe por um processo de pertencimento e cooperação.
Nos desenhos metodológicos que têm sido utilizados para a gestão de territórios e dos 
recursos hídricos, a construção participativa de materiais didáticos tem sido uma técnica 
inovadora e que deveria ser cada vez mais utilizada, pois unifica procedimentos de diagnós-
tico, formação, gestão e avaliação. Esses materiais não somente têm como objetivo e produto 
a divulgação de informações, mas também podem ser uma ferramenta de educação, eman-
cipação, transformação e comunicação ambiental.
Pode-se dizer que a comunicação ambiental é a mediação e instrumentalização do em-
poderamento e da apropriação da questão ambiental pela sociedade e suas lideranças, sendo 
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo140
a educomunicação um conceito novo que representa a ação comunicativa para a criação de 
sociedades sustentáveis. O termo educomunicação foi inicialmente compreendido como a 
prática da leitura crítica dos meios e evoluiu conceitualmente para as ações que compõem o 
complexo campo da inter-relação entre comunicação e educação.
A educomunicação, segundo Sammarco (2005), é o conjunto das práticas voltadas para 
a formação e o desenvolvimento de ecossistemas comunicativos, por meio da compreensão 
da ecologia social e sua transdisciplinaridade em espaços educadores. Tais práticas são me-
diadas pelos processos e pelas tecnologias da informação, tendo como objetivo a ampliação 
das formas de expressão dos membros das comunidades e a melhoria do coeficiente comu-
nicativo das ações educadoras, tendo como meta o pleno desenvolvimento da cidadania.
É necessário explorar cada vez mais a possibilidade do entendimento de que bacias hi-
drográficas são paisagens educadoras e socioambientais e não apenas uma delimitação geo-
política. A gestão das águas por meio de suas bacias ainda é bastante limitada às discussões de 
colegiados com técnicos da área na qual a participação ampla da sociedade esbarra nas tecnici-
dades conceituais e linguísticas. Portanto, também é cada vez mais necessário que educadores 
e gestores criem ferramentas e desenhos metodológicos que facilitem os processos participa-
tivos no intuito de envolver uma maior diversidade de atores. É com a ampla participação da 
sociedade que realmente poderão se ver mudanças nesses espaços de convívio.
Os processos participativos mediados pela educação ambiental são cada vez mais im-
portantes e desafiantes, principalmente no que condiz a gestão integrada dos recursos hídri-
cos. Nesse sentido, a educação ambiental crítica e transformadora (PRONEA, 2005) precisa 
ser cada vez mais inovadora, dinâmica e vivencial para que envolva os múltiplos usuários 
das águas em processos de transformação social.
É necessário envolver os diferentes atores em atividades que resgatem a identidade e o 
pertencimento deles com suas paisagens, mas mais do que isso que fomentem suas capaci-
dades de interpretar as informações que esses territórios oferecem para o entendimento real 
da gestão compartilhada.
 Ampliando seus conhecimentos
Água urbanas
(TUCCI, 2008)
As águas urbanas geralmente incluem abastecimento de água e sanea-
mento. Nessa perspectiva, saneamento envolve a coleta de tratamento de 
efluentes domésticos e industriais, não inclui drenagem urbana, gestão 
dos resíduos sólidos, porque ainda perdura uma visão desatualizada da 
gestão das águas urbanas da cidade. Águas urbanas envolvem compo-
nentes que permitem o desenvolvimento ambiental sustentável e utilizam 
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
141
os conceitos da Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH), neces-
sários para planejamento, implementação e manutenção da infraestru-
tura da cidade. Nesse contexto, ficam denominados Gestão Integrada das 
Águas Urbanas. Neste artigo, analisam-se o desenvolvimento urbano e 
suas relações com as águas urbanas no Brasil. A gestão dos recursos hídri-
cos no Brasil é realizadapor bacias hidrográficas, e o domínio é federal ou 
estadual. Examinam-se as possibilidades de gestão da água na cidade e na 
bacia hidrográfica no contexto institucional brasileiro.
Gestão das águas urbanas
A gestão das ações dentro do ambiente urbano pode ser definida de 
acordo com a relação de dependência da água através da bacia hidrográ-
fica ou da jurisdição administrativa do município, do Estado ou da nação. 
A tendência da gestão dos recursos hídricos tem sido realizada através 
da bacia hidrográfica, no entanto a gestão do uso do solo é realizada pelo 
município ou grupo de municípios numa Região Metropolitana. A ges-
tão pode ser realizada de acordo com a definição do espaço geográfico 
externo e interno à cidade.
Os planos das bacias hidrográficas têm sido desenvolvidos para bacias 
grandes (> 1.000 km²). Nesse cenário, existem várias cidades que interfe-
rem umas nas outras, transferindo impactos. O plano da bacia dificilmente 
poderá envolver todas as medidas em cada cidade, mas deve estabelecer 
os condicionantes externos às cidades, como a qualidade de seus efluen-
tes, as alterações de sua quantidade, que visem à transferência de impactos. 
O mecanismo, já previsto na legislação, para gestão dos impactos da qua-
lidade da água externa às cidades é o enquadramento do rio dentro dos 
padrões do Conama. No entanto, esses padrões não estabelecem padrões 
para controle do aumento da vazão por causa da urbanização.
A gestão do ambiente interno da cidade trata de ações dentro do municí-
pio para atender aos condicionantes externos previstos no Plano de Bacia 
para evitar os impactos. Esses condicionantes geralmente buscam mini-
mizar os impactos da quantidade e melhorar a qualidade da água no con-
junto da bacia, além dos condicionantes internos que tratam de evitar os 
impactos à população da própria cidade. Para esses dois espaços existem 
gestores, os instrumentos utilizados e as metas da gestão. A construção 
global dessa estrutura de gestão esbarra em algumas dificuldades:
Limitada capacidade dos municípios para desenvolverem a gestão, consi-
derando a maioria desses.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo142
O sistema de gestão das bacias ainda não é uma realidade consolidada na 
maioria dos países da América do Sul.
Reduzida capacidade de financiamento das ações pelos municípios e o 
alto nível de endividamento.
No primeiro caso, a solução passa pelo apoio estadual e federal mediante 
escritórios técnicos que apóiem as cidades de menor porte no desenvol-
vimento de suas ações de planejamento e implementação. O segundo 
dependerá da transição e evolução do desenvolvimento da gestão no país. 
O terceiro dependerá fundamentalmente do desenvolvimento de um pro-
grama em nível federal e mesmo estadual, com um fundo de financia-
mento para viabilizar as ações.
Tendências
As metas do milênio propostas pelas Nações Unidas envolvem vários 
aspectos nos quais a gestão das águas urbanas faz parte. Os principais são: 
(a) redução da falta de água potável e coleta e tratamento de esgoto em 
50% até 2015; (b) redução da pobreza, em que a vulnerabilidade a eventos 
naturais e antrópicos tem peso muito grande, já que a vulnerabilidade a 
secas e inundações é um dos principais fatores de pobreza. Para atingir as 
Metas do Milênio em 2002 em Johanesburgo foi estabelecido que os países 
deveriam buscar desenvolver Planos de Recursos Hídricos para atingir as 
várias metas. Esses planos na realidade envolviam desenvolver a gestão 
dos recursos hídricos nos países.
O Brasil evoluiu no processo quanto à Gestão de Recursos Hídricos, pois 
ao implantar a Lei de Recursos Hídricos deu o primeiro passo instituindo o 
mecanismo amplo de gestão das águas, criou os instrumentos como outorga, 
cobrança e enquadramento dos rios (metas de qualidade da água), estabele-
cendo as condições de contorno para as cidades quanto à contaminação dos 
rios. Recentemente concluiu o Plano Nacional de Recursos Hídricos (MMA, 
2006) e foi aprovada (janeiro de 2007) uma nova Legislação de Saneamento 
Ambiental que integra os mecanismos econômicos. Implementou as insti-
tuições como a Agência Nacional de Águas e estão em andamento as agên-
cias estaduais e os Conselhos e Comitês de bacia. Portanto, o processo está 
se encaminhando de forma adequada. No entanto, no âmbito das ações no 
saneamento observa-se o seguinte:
a. Atualmente no país existe um universo de várias cidades com servi-
ços privatizados (empresas de direito privado é da ordem de 10%), 
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
143
com serviços públicos municipais e a grande maioria com serviços 
de empresas públicas estaduais. As empresas estaduais representam 
aproximadamente 82% da população atendida para abastecimento e 
77% da população no esgoto (Ipea, 2002).
b. A cobertura de coleta de esgoto é média se forem consideradas as fos-
sas, mas baixa cobertura de tratamento de esgoto que compromete o 
todo, já que contamina os mananciais.
c. A vulnerabilidade a eventos pluviais das cidades é alta, o que agrava 
a situação de pobreza na periferia das cidades. Os maiores prejuízos 
não são necessariamente materiais, mas sociais.
Para que o país possa atingir as metas do milênio e aumentar o abasteci-
mento e o atendimento de coleta e tratamento de esgoto reduzindo esse défi-
cit em 50% até 2005, seria necessário atuar especialmente sobre o seguinte:
Aumentar o abastecimento de água na área rural e da população de baixa 
renda, buscando atingir os níveis de cobertura total de água segura.
O déficit em coleta de esgoto é ainda de 32,9%; portanto, para buscar as 
metas, representaria reduzir esse déficit para 16,4%.
O maior problema, no entanto, se encontra na redução no tratamento de 
esgoto, cujo déficit se encontra em 81,8%. Dentro da metas do milênio 
representaria reduzir para 40,9%.
Estudo realizado pelo PMSS em 2003-2004 (apud Esbe, 2006) menciona 
a necessidade de um investimento de R$178 bilhões em vinte anos para 
atingir a universalização, representando 0,6% do PIB. Tucci (2005a) apre-
sentou a necessidade de investimento para um Programa Nacional de 
águas Pluviais que controlasse os impactos na drenagem e inundação das 
cidades, e identificou um total de R$21,5 bilhões em 24 anos para solu-
ção desses impactos, representando até 0,2% do PIB num ano. Com base 
nessas estimativas, é possível antever a necessidade de investimentos da 
ordem de 0,8% do PIB para o saneamento ambiental (sem incluir resí-
duos sólidos). Essa quantia representaria a ordem de R$16 bilhões por 
ano em água, esgoto e drenagem para, no horizonte de aproximadamente 
vinte anos, existir um processo sustentável de desenvolvimento urbano. 
Caso esse investimento fosse realizado como previsto em Tucci (2005a), 
iniciando com as cidades maiores para as menores em termos prioritários, 
as maiores cargas seriam contidas nos próximos anos.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo144
A evolução da cobertura dos serviços nos últimos cinco anos (~1%), no 
entanto, é inferior ao crescimento habitacional brasileiro (2001-2005), o que 
tem levado a um aumento do déficit e não necessariamente a uma redução 
(Esbe, 2006). As principais dificuldades existentes são relacionadas com:
a. Aspectos institucionais relacionados com a gestão das companhias, 
mudança de legislação e falta de eficiência dos serviços na medida em 
que não existem parâmetros, metas bem definidas de atendimento e 
eficiência dos serviços. A ineficiência é transferida aos usuários, já que 
os serviços não possuem competitividade.
b. Econômico-financeiro, como o contingenciamento dos recursos e a capa-
cidade de endividamento dos municípios e financiamento permanente.
Atualmente falta integrar efetivamente as metas da Gestão dos Recursos 
Hídricos às do Saneamento Ambiental. Apesar de essaintegração estar 
implicitamente prevista na legislação, na prática não ocorre. O Plano da 
Bacia Hidrográfica prevê o enquadramento dos rios, e as cidades deveriam 
atuar no controle dos efluentes urbanos para atingir a meta do enqua-
dramento dos rios internos e externos à bacia. No entanto, é necessário 
que existam planos e que estes enquadrem os rios nos quais as cidades 
influenciam, seguidos de um plano de ações para atingir as metas.
 Atividades
1. Faça um diagnóstico na cidade em que você vive sobre os aspectos de drenagem da 
água urbana. Primeiramente vá até o órgão público ou universidade que é responsável 
por gerar informações sobre esse assunto, como a defesa civil, e liste os pontos de ala-
gamento, enchentes e as áreas de risco. Em seguida, verifique se há um plano de ma-
crodrenagem e verifique se as principais medidas estruturais estão sendo executadas.
2. Faça um diagnóstico sobre a situação da demanda hídrica para o abastecimento hu-
mano para as capitais brasileiras ordenando por maior deficiência e verifique se exis-
te situação de crise hídrica.
3. Faça um diagnóstico sobre os projetos e as ações de educação ambiental em seu 
estado e em sua cidade. Verifique se há projetos ou ações que têm como objetivo a 
conservação dos recursos hídricos para o abastecimento humano. Analise também o 
tipo e a linha de educação ambiental que estão sendo desenvolvidos.
Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
8
145
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Gestão e manejo de recursos hídricos em áreas urbanas8
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo146
 Resolução
1. Você deverá fazer uma lista e correlacionar se as principais medidas estruturais es-
tão sendo executadas e se for possível apontá-las aos órgãos responsáveis. Caso não 
haja um plano de macrodrenagem urbana, você poderá elaborar um documento e 
encaminhar aos órgãos competentes, como a prefeitura e o Ministério Público, co-
brando a elaboração desse plano. Ainda, poderá divulgar nos meios de comunicação 
a importância desse tipo de instrumento de gestão e manejo dos recursos hídricos 
para a melhoria da qualidade de vida nas cidades.
2. Você deverá fazer uma lista com as informações sobre o abastecimento de água das 
capitais brasileiras e correlacionar se existe crise hídrica.
3. Você deverá relacionar os projetos e as ações que ocorrem em seu estado e município 
e analisar suas linhas de desenvolvimento, por exemplo, se são projetos de Educação 
Ambiental na corrente conservacionista, crítica etc.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 147
9
Uso do solo 
urbano e impactos 
causados no ambiente
Após a Segunda Guerra Mundial, já no fim da década de 40, ocorreu um cresci-
mento das áreas metropolitanas e o aumento da industrialização, advindo do renas-
cimento das cidades. A partir daí, as áreas impermeabilizadas pelas construções das 
casas e pelo uso de pavimentação asfáltica e a ocupação de áreas declivosas ou em 
fundos de vales fluviais, chamadas de áreas de risco, se intensificaram. A partir disso, 
as populações urbanas começaram a vivenciar sérios impactos causados pela forma de 
uso do solo nos ambientes.
Sendo assim, para discutir esse tema, este capítulo está organizado para apresen-
tar o uso do solo urbano e os impactos causados no ambiente dando destaque para a 
impermeabilização, poluição difusa e ocupação de área de risco.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo148
9.1 Impermeabilização
A impermeabilização pode ser gerada por diversos fatores e ações que ocorrem em uma 
paisagem de uma bacia hidrográfica, como os modelos de urbanização que usam pavimen-
tos impermeáveis, loteamentos sem áreas mínimas permeáveis, uso intensivo de máquinas 
agrícolas e consequente compactação dos solos.
A impermeabilização do solo ocorre quando ele perde a capacidade de absorção da 
água. Esse processo acontece principalmente nas cidades. Os processos de cimentação, as-
faltamento, calçamento de ruas e calçadas e outros, como a própria construção das edifica-
ções, formam uma espécie de capa sobre o solo, impedindo que a água fique em contato com 
este e assim possa ser absorvida.
A impermeabilização está ligada diretamente com os princípios de escoamentosuper-
ficial da água, apresentados a seguir.
9.1.1 Escoamento superficial
O escoamento superficial é o segmento de ciclo hidrológico que estuda o deslocamento 
das águas na superfície terrestre (MARTINS, 1973). Esse deslocamento ocorre devido à di-
ferença de potencial entre dois pontos, ou seja, o desnível do terreno de montante e jusante 
em uma bacia hidrográfica.
Esse estudo considera o movimento da água a partir da menor porção de chuva que, 
caindo sobre um solo saturado de umidade ou impermeável, escoa pela sua superfície, for-
mando sucessivamente as enxurradas ou torrentes, córregos, ribeirões, rios e lagos ou reser-
vatórios de acumulação (MARTINS, 1973).
O escoamento superficial tem origem nas precipitações e no ciclo hidrológico e, com 
relação à engenharia, o escoamento superficial é uma das fases mais importantes a ser 
estudado.
Quando falamos de escoamento numa bacia hidrográfica, a impermeabilização influen-
cia diretamente no curso de água por meio do aumento significativo do escoamento super-
ficial durante os eventos de chuvas mais intensas. E, dependendo do grau de impermeabi-
lização da bacia, o volume anual de escoamento superficial pode aumentar de 2 a 16 vezes.
Parte da água das chuvas é interceptada pela vegetação e outros obstáculos, de onde 
se evapora posteriormente. Do volume que atinge a superfície do solo, parte é retida em 
depressões do terreno, parte se infiltra no solo e o restante escoa pela superfície, logo que 
a intensidade da precipitação supera a capacidade de infiltração no solo e os espaços nas 
superfícies retentoras tenham sido preenchidos (MARTINS, 1973).
No início do escoamento superficial forma-se uma película laminar que aumenta de 
espessura, à medida que a precipitação prossegue, até atingir um estado de equilíbrio 
(MARTINS, 1973).
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
149
9.1.2 Consequências da impermeabilização
Uma das principais consequências da impermeabilização são os problemas advindos 
das inundações que dependem do grau de ocupação da área pela população e da imper-
meabilização e canalização da rede de drenagem. As inundações vêm sendo registradas 
juntamente com a história do desenvolvimento humano e esses acontecimentos podem se 
suceder devido ao comportamento natural dos rios ou maximizados por ações antrópicas 
por meio da urbanização, impermeabilização do solo e a canalização dos rios (PORTAL SÃO 
FRANCISCO, 2011).
Com a precipitação intensa e o solo não tendo capacidade de infiltração, grande parte 
do volume acaba escoando para o sistema de drenagem, superando sua capacidade natural 
de escoamento. O volume que não consegue ser drenado ocupa a área inundando-a de acor-
do com a topografia dos locais próximos aos rios. Esses acontecimentos ocorrem de forma 
aleatória segundo os processos climáticos locais e regionais (TUCCI, 2003).
Quanto maior a impermeabilização do solo, maior o escoamento através de canais e 
menor o tempo de concentração, ou seja, o tempo necessário para que toda a bacia contribua 
em dada seção, acarretando inundações mais frequentes que as que aconteciam quando se 
tinha uma superfície permeável.
O aumento de lugares com enchentes e inundações ocorre devido à grande impermea-
bilização do solo, isso porque as vias de circulação são constituídas de asfalto. As casas 
atualmente não são áreas permeáveis, com baixo índice de área verde urbana, habitações 
e construções em áreas de várzeas dos rios e o grande desenvolvimento urbano brasileiro 
também têm agravado problemas socioambientais, impulsionando as maiores frequências 
de inundações, produções de sedimentos e danificação da qualidade das águas superficiais 
e subterrâneas (PHILIPPI JR.; MALHEIROS, 2005).
Segundo Souza e Romualdo (2009), a impermeabilização e canalização nas cidades au-
mentam as vazões máximas, a produção de sedimentos e a qualidade da água chega a ter 
80% da carga de esgoto doméstico. Esses mesmos autores explicam que esses impactos têm 
resultado em um ambiente degradado, prejudicando a qualidade de vida da população que 
na atual realidade brasileira, sem apoio de políticas públicas que proponham mitigar ou 
solucionar esses impactos, tem a propensão a um agravamento da situação.
A inundação urbana fruto da impermeabilização é um problema cada vez mais assí-
duo que resulta em sérios prejuízos ambientais, econômicos e sociais, em que as políticas 
públicas não conseguem englobar a dimensão da problemática, algumas vezes por falta de 
investimento público, outras vezes por descuido, o que prejudica mais o quadro.
Nessas situações, a população sofre com as consequências desse descaso, com prejuízos 
e perdas humanas e materiais, paralisação das atividades econômicas nas áreas inundadas, 
contaminação por doenças de veiculação hídrica como a cólera e a leptospirose, contamina-
ção da água pela inundação de depósitos de material tóxico, analisa Tucci (2003).
Também para Suleiman (2005) as cidades cada vez mais estão passando por sérios pro-
blemas relacionados a inundações e o principal agente causador de uma cheia é a ocupação 
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo150
indiscriminada das áreas de várzea. Ele também explica que o desenvolvimento urbano 
brasileiro produz um aumento na frequência das inundações devido à impermeabilização 
do solo e canalização dos cursos de água.
A urbanização causa um dos principais impactos no ciclo hidrológico, pois altera a 
drenagem da água devido à impermeabilização do solo, podendo causar enchentes, des-
lizamentos e desastres provocados pelo desequilíbrio no escoamento das águas, além de 
problemas à saúde humana (TUNDISI, 2005).
9.2 Poluição difusa
A poluição dos recursos hídricos, sejam eles superficiais ou subterrâneos, não é cau-
sada unicamente por efluentes domésticos e industriais não tratados. Nas áreas urbanas, a 
poluição também é provocada no escoamento superficial em áreas impermeáveis, como nas 
ruas pavimentadas e construções, levando tudo o que pode ser escoado, desde elementos 
químicos, como metais pesados, até objetos maiores, como um saco de lixo mal acondicio-
nado nas ruas.
Com a impermeabilização, a velocidade de escoamento da água é aumentada, gerando 
maior capacidade de arraste, carregando, portanto, maiores cargas poluidoras. São nas re-
des de drenagem urbanas em que são levadas as cargas poluidoras que degradam enorme-
mente os corpos de água como os rios, lagos, mar costeiro e estuários.
9.2.1 Fontes geradoras de poluição difusa
A poluição difusa tem uma origem de inúmeros componentes presentes na paisagem 
urbana e rural, sendo muito diversificada, podendo, por exemplo, se originar do desgaste 
das ruas pavimentadas pelos veículos, lixo acumulado nas ruas e calçadas, atividades de 
construção civil, resíduos de combustíveis e óleos e graxas deixadas por veículos e produtos 
tóxicos utilizados na lavagem de veículos e calçadas.
O termo difusa é devido à poluição gerada pelo escoamento superficial da água em zo-
nas urbanas, quando tem origem de forma esparsa e múltipla de diferentes fontes na área 
de drenagem de uma bacia hidrográfica.
Segundo Maciel (2003), a fonte da poluição difusa é caracterizada por cinco condições:
• lançamento da carga poluidora é intermitente e está relacionado à precipitação;
• os poluentes são transportados a partir de extensas áreas;
• as cargas poluidoras não podem ser monitoradas a partir de seu ponto de origem, 
mesmo porque não é possível identificar a sua origem;
• o controle de poluição difusa, obrigatoriamente, deve incluir ações sobre a área 
geradora de poluição, em vez de incluir apenas o controle do efluente quando do 
lançamento;
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
151
• é difícil o estabelecimento de padrões de qualidade para o lançamento do efluente, 
uma vez que a cargapoluidora lançada varia de acordo com a intensidade e duração 
do evento meteorológico, a extensão da área de produção e outros fatores que tornam 
a correlação vazão x carga poluidora praticamente impossível de ser estabelecida.
A origem das cargas de poluição pode ser tanto em zonas urbanas residenciais e comer-
ciais, como industriais, não sendo possível correlacionar as fontes geradoras e consequente 
combate e monitoramento dos poluentes. O que se pode correlacionar é com as diferentes 
taxas de ocupação: em zonas residenciais que apresentam baixa densidade de ocupação, há 
uma menor contribuição de volumes gerados no escoamento, assim como zonas industriais 
podem ser formadas por indústrias leves ou mais poluidoras.
A correta identificação das fontes de poluição difusa e sua consequente avaliação dos 
problemas causados e a escolha das medidas mitigadoras a serem implantadas são dificul-
tadas pelo possível efeito conjunto com outras descargas poluidoras, que tendem a mascarar 
o problema pela irregularidade e imprevisibilidade do processo, pela variação temporal e 
espacial dos impactos causados e pela dificuldade da coleta de dados.
Além disso, as medidas de controle das cargas difusas devem contemplar toda a bacia 
hidrográfica em que está ocorrendo esse processo e, por serem distribuídas, têm sua eficiên-
cia difícil de ser avaliada. Uma das formas mais eficazes é o licenciamento ambiental que em 
alguns estados e municípios tem legislação própria sobre o tema e obrigam os novos lotea-
mentos residenciais ou distritos industriais a fazer o gerenciamento e controle da poluição 
difusa.
Assim, pode considerar-se que é o transporte intermitente de poluentes, cuja origem 
não é pontual para os recursos hídricos superficiais ou para as águas subterrâneas, podendo 
tornar a qualidade da água inadequada para a maioria dos usos.
No quadro 1, estão relacionadas as principais fontes geradoras de poluição difusa e 
seus efeitos.
Quadro 1 – Relação das principais fontes geradoras de poluição difusa.
Origem Fonte Principais composições Resultados
Atmosférica
- Indústrias
- Veículos
- Agrotóxicos
Enxofre, metais, pestici-
das, compostos orgâni-
cos, nutrientes, asfalto, 
cinzas e compostos 
químicos como óxidos, 
nitritos e nitratos, clore-
tos, fluoretos e silicatos.
Chuva ácida.
Acúmulo de 
poluentes 
nas ruas
- Desgaste do pa-
vimento asfáltico
- Veículos
- Lixo mal 
acondicionado
Metais pesados (cád-
mio, zinco, chumbo, 
cromo), pesticidas orga-
noclorados e bifelinas 
policloradas (PCBs).
Contaminação das 
águas e consequen-
te inviabilização de 
seu tratamento.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo152
Origem Fonte Principais composições Resultados
Erosão
- Obras de cons-
trução civil
- Ruas não 
pavimentadas
- Ausência de 
matas ciliares
Sedimentos diversos da 
construção civil e solo.
Assoreamento dos rios, 
aumentando a vulne-
rabilidade de enchen-
tes e alagamentos.
Alterações na fau-
na e flora aquática 
reduzindo a qua-
lidade da água.
Hospitalar
- Lixo hospitalar 
mal acondicionado
- Deposição/des-
tinação irregular 
por moradores
Compostos farmacêu-
ticos ativos, disrup-
tores endócrinos.
- Comprometimento 
dos mananciais de 
água para abaste-
cimento humano.
- Alterações genéticas 
na fauna aquática.
Fonte: Elaborado pelo autor.
9.2.2 Medidas de controle
Sabendo dos graves problemas que a poluição difusa causa nos recursos hídricos, inú-
meros técnicos e autores têm proposto medidas de controle para a poluição difusa. Entre 
elas, podem-se destacar algumas sugeridas por Silva (2009).
Quadro 2 – Medidas de controle de poluição difusa.
Ação Medida
Estabelecimento de medidas e programas 
para a prevenção e controle da poluição.
Implementação de planos de gestão de 
efluentes e resíduos nas atividades urba-
nas, industriais, agrícolas e mineiras.
Controle do armazenamento e aplica-
ção de fertilizantes e agentes de com-
bate a pragas em campos agrícolas.
Drenagem de águas pluviais e imple-
mentação de zonas de infiltração a mon-
tante e de zonas de tratamento.
Controle e vigilância de pontos onde po-
dem ocorrer ligações clandestinas.
Recolha e tratamento de es-
corrências rodoviárias.
Planeamento do uso e da ocupação do solo.
Limpeza de arruamentos e zonas pa-
vimentadas nas áreas urbanas.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
153
Ação Medida
Estabelecimento de medidas e 
programas de intervenção.
Estabelecer políticas públicas lo-
cais e/ou estaduais/nacionais.
Cartografar as zonas mais vulne-
ráveis e georreferenciar as poten-
ciais origens da poluição difusa.
Gerar mapas de interven-
ção por regiões ou bairros.
Criar programas de educação ambiental. Estabelecer ações de educação ambien-
tal de forma crítica e mobilizadora.
Fonte: Elaborado pelo autor.
9.3 Ocupação de áreas de risco
Áreas de risco são regiões onde é recomendada a não construção de casas ou instala-
ções, pois são muito expostas a desastres naturais, como desabamentos e inundações. Essas 
regiões vêm crescendo constantemente nos últimos 40 anos, principalmente devido à pró-
pria ação humana. Em função disso, no Brasil, vêm sendo realizados vários projetos no sen-
tido de reestruturação de algumas áreas e da própria concepção de urbanização, além da 
conscientização da população.
As principais áreas de risco são aquelas sob encostas de morros inclinados ou à beira de 
rios nos chamados vales fluviais, onde a cota de inundação dos rios incide nas várzeas. Em al-
guns países como Estados Unidos e Canadá, além de alguns países europeus como Espanha 
e Portugal, algumas áreas próximas às plantações florestais com alta vulnerabilidade para 
incêndios em períodos secos são também consideradas áreas de risco.
Na prevenção aos desastres naturais, inúmeras medidas podem ser adotadas, que se 
enquadram em medidas estruturais e medidas não estruturais. As de maior destaque e ên-
fase são as medidas estruturais, entretanto, o seu alto custo pode inviabilizá-las, pois são 
necessárias à execução de obras complexas e que exigem alta tecnologia.
Existem vários serviços de assistência à população em casos de emergência, como bom-
beiros, polícia militar, exército e até grupos organizados no próprio bairro. A principal ins-
tituição responsável pelo monitoramento das áreas de risco é a Defesa Civil, que tem como 
o principal objetivo organizar o conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e 
recuperativas com o propósito de evitar ou minimizar desastres, procurando, ao mesmo 
tempo, preservar a moral da população e restabelecer a normalidade do convívio social.
O trabalho da Defesa Civil se desenvolve em quatro fases: preventiva, socorro, assisten-
cial e recuperativa. Seu sistema está organizado para planejar e promover a defesa permanen-
te contra desastres, atuar na eminência e em situações de emergência e prevenir ou minimizar 
danos, socorrer e assistir populações atingidas e recuperar áreas afetadas por desastres.
Os desastres nas áreas de risco são acentuados por desmatamentos, retirada e uso in-
tensivo de materiais minerais, alterações da malha hídrica de cursos de água, ocupação de 
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo154
várzeas e encostas, queimadas, produção e deposição inadequada de lixo, poluição atmos-
férica, aplicação de agrotóxicos, explosão de artefatos, entre outros.
Essas ações e forma de intervenções humanas, como a ocupação desordenada do solo, 
pela pobreza social, pela deseducação e pelos muitos efeitos colaterais do chamado progres-
so, somam-se aos fenômenos da natureza como altas precipitações de chuvas, fogo, erodibi-
lidade de solos frágeis, neve, terremotos etc.
O grande número de acidentes naturais registrados nas últimas décadas e os danos por 
eles provocados forçaram os organismos internacionais a estimularo estabelecimento de 
medidas com o objetivo de minimizar as consequências sociais e econômicas causadas por 
esses eventos, como tufões, ciclones, trombas de água, terremotos, tsunamis, entre outros.
Dessa forma, a Organização das Nações Unidas (ONU) debateu e decidiu em Assembleia 
Geral realizada em 22 de dezembro de 1989, aprovando a Resolução 44/236, que considerou 
1990 como início da década internacional para redução dos desastres naturais (DIRDN), cuja 
principal finalidade foi a de reduzir perdas de vidas, danos e transtornos socioeconômicos 
nos países em desenvolvimento, provocados por desastres naturais, como escorregamentos, 
terremotos, erupções vulcânicas, tsunamis, inundações, vendavais, seca e desertificação, in-
cêndios, pragas de gafanhotos, além de outras calamidades de origem natural.
Os dados da ONU são relevantes sobre esse tema: somente nas duas últimas décadas, 
segundo estimativas, houve 3 milhões de vítimas e prejuízos econômicos que ultrapassaram 
23 bilhões de dólares.
As metas principais da década internacional para redução dos desastres naturais são:
• otimizar as condições que cada país tem para minorar, com rapidez e eficácia, 
as consequências dos eventos danosos, dando ênfase à assistência aos países em 
desenvolvimento, avaliando eventuais danos no caso da ocorrência de desastres 
naturais, além de criar sistemas de alerta e desenvolver estruturas resistentes a tais 
desastres;
• estabelecer diretrizes e estratégias adequadas à aplicação do corpus técnico-cien-
tífico já acumulado sobre o assunto, considerando, no entanto, as características 
culturais e econômicas de cada nação;
• estimular atividades científicas e técnicas tendentes a suprir lacunas críticas do 
conhecimento e evitar ou reduzir o número de perdas de vida humana e de bens 
materiais;
• difundir informações técnicas sobre medidas de avaliação, prevenção e diminui-
ção dos efeitos dos desastres naturais existentes, como aquelas que sejam futura-
mente obtidas;
• tomar medidas de avaliação, prevenção e diminuição dos efeitos dos desastres na-
turais por meio de programas de assistência técnica e transferência de tecnologia, 
projetos de demonstração e atividades de educação e formação adaptadas ao tipo 
de desastre e local de sua ocorrência, ao final buscando aferir o alcance e a eficácia 
de tais iniciativas.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
155
9.3.1 Escorregamentos de terras
No Brasil, os processos naturais mais comuns são os escorregamentos, as enchentes, as 
erosões e as secas. Em função da grande ocupação irregular de morros, o escorregamento é 
aquele que mais gera transtorno e preocupa pelo número de vítimas fatais que tem gerado.
Os escorregamentos destacam-se como o tipo de acidente de origem geológica mais co-
mum que ocorre, principalmente no período das chuvas, quando muitos eventos dessa na-
tureza têm ocorrido, causando acidentes em várias cidades, entre as quais São Paulo, Rio de 
Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Vitória e Recife. O fato se agrava e se torna mais preocupan-
te em vista do aumento considerável da ocupação de encostas sem os cuidados necessários.
Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, são diversas as causas principais do 
desabamento. Dentre elas, destacam-se as seguintes:
• declividade e altura excessiva de cortes – atingindo o solo de alteração e outros 
fatores condicionantes, a encosta fica suscetível ao desabamento;
• execução inadequada de aterros – pode gerar novas vias de condução de água 
levando à ruptura do aterro e aos escorregamentos;
• lançamento e concentração de águas pluviais – pela ineficiência de sistemas de 
drenagem, ocorrem infiltrações por trincas e fissuras, diminuindo a resistência do 
solo e provocando a ruptura de solos e aterros;
• lançamento de águas servidas – infiltração excessiva de água no solo, agravada no 
período de chuvas;
• vazamento na rede de abastecimento de água – causam saturação de água no solo 
e redes improvisadas são ainda mais inadequadas;
• fossa sanitária;
• deposição de lixo;
• remoção indiscriminada da cobertura vegetal – diminui a proteção ao impacto e às 
infiltrações pluviais, e as raízes ajudam a conter o solo.
Infelizmente, pelas formas de desenvolvimento urbano que se têm aplicado no Brasil com 
modelos habitacionais em formas de aglomerados e em áreas de vulnerabilidade a riscos, não 
há nenhuma perspectiva de que essa situação se modifique a curto prazo, uma vez que de-
vido à crescente desigualdade socioeconômica associada ao desemprego, à falta de moradia, 
à deseducação etc., a ocupação de encostas sem os cuidados necessários tende a aumentar, 
levando a um consequente aumento do número de acidentes dessa natureza.
Com base nessa realidade, medidas paliativas são necessárias como atuação preventiva 
de iniciativa pública ou privada, propiciando às famílias que moram em áreas de risco con-
dições de conviver com os riscos, em segurança.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo156
O início do período de chuvas aumenta os riscos de inundação, desabamentos de casas 
e deslizamentos de terra e muitas evidências podem sinalizar a identificação e evitar desas-
tres. Como exemplo, podemos citar os postes de luz e energia elétrica, cercas e árvores que 
começam a inclinar mostrando que o terreno está se movendo, ou mesmo trincas nas pare-
des ou no chão e degraus, junto aos barrancos, são outro sinal de alerta.
9.3.2 Formas de prevenção de desastres nas áreas de risco
Tendo como base os princípios hidrológicos, pedológicos, físicos e biológicos, a seguir 
estão apontadas formas de prevenção de desastres em áreas de risco.
• Evitar os cortes verticais do talude.
• Evitar, nas encostas, a plantação de bananeiras, que é uma planta pesada e de raiz 
superficial, dando preferência às plantas mais leves e de raízes profundas, como 
o bambu.
• Não jogar lixo nas encostas, nos córregos e nas bocas de lobo.
• Construir calhas nos telhados, conservando-os limpos para reduzir a velocidade 
da água da chuva.
• Construir canaletas no chão para direcionar a água e reduzir a sua velocidade.
• Manter limpos os ralos, esgotos, galerias, valas etc.
• Aterrar buracos que acumulam água.
• Reforçar muros e paredes que estejam vulneráveis às enchentes.
• Fazer o manejo adequado com a poda ou corte de árvores com risco de queda.
• Incentivar a criação de grupos de cooperação entre os moradores em locais de risco.
• Não construir moradias às margens de cursos de água, sobre aterros ou próximos 
de brejos.
• Construir a casa sempre em nível mais elevado que o curso de água mais próximo.
• Observar se as árvores estão ficando inclinadas, se há trincas novas nas paredes 
das casas ou no chão e se há movimentação do terreno.
• Observar em dias de chuvas fortes se a água da chuva está barrenta e contendo 
plantas e troncos, pois poderá ser um sinal de inundação.
9.3.3 Órgãos públicos que podem ser chamados
O quadro 3 aponta os principais órgãos públicos que devem ser chamados em caso de 
desastre em áreas de risco. Ressalta-se que os profissionais que fazem parte desses órgãos são 
qualificados e preparados para lidar com as inúmeras situações ocorrentes em um desastre.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
157
Quadro 3 – Principais órgãos públicos a serem acionados em caso de desastre em área de risco.
Órgão Função
Corpo de Bombeiros Salvamento, proteção e resgate de pessoas e objetos em 
caso de fato consumado ou de consumação eminente.
Defesa Civil Municipal Realizam vistorias preventivas, remoção e alojamento de 
pessoas em risco, distribuição de alimentos, lonas e barracas.
Defesa Civil Estadual Cooperação com as comissões municipais de Defesa Civil.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Outros órgãos, como a Polícia Militar e Civil e as Forças Armadas, podem ser acionadostambém, mas sempre estarão sob a orientação dos órgãos citados no quadro 3.
 Ampliando seus conhecimentos
Sustentabilidade urbana e impactos 
socioambientais: uma abordagem acerca da 
ocupação humana desordenada no espaço 
urbano
(ANDRADE, 2013)
O termo sustentabilidade apresenta-se como uma incompletude concei-
tual, isto é, conceitos que são constantemente reconstruídos. Segundo 
Nascimento (2012), o conceito de sustentabilidade tem duas origens. 
A primeira, na biologia, por meio da ecologia. Refere-se à capacidade 
de recuperação e reprodução dos ecossistemas (resiliência) em face de 
agressões antrópicas (uso abusivo dos recursos naturais, desfloresta-
mento, fogo etc.) ou naturais (terremoto, tsunami, fogo etc.). A segunda, 
na economia, como adjetivo do desenvolvimento, em face da percepção 
crescente ao longo do século XX de que o padrão de produção e con-
sumo em expansão no mundo, sobretudo no último quarto desse século, 
não tem possibilidade de perdurar.
A ideia de sustentabilidade permeia a racionalidade do uso dos recursos 
naturais, objetivando satisfazer as necessidades das gerações do presente 
e do futuro. E no ambiente urbano, a ocupação desordenada requer o des-
matamento de extensas áreas de floresta e da poluição, principalmente 
das águas, ao serem construídas moradias irregulares à beira de igarapés, 
lagos e demais cursos d’água.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo158
Nascimento (2012) explica ainda que o termo sustentabilidade surgiu por 
volta da década de 1950, com a percepção de um risco global ambiental 
acerca da poluição nuclear. Posteriormente, novas preocupações surgi-
ram através do uso de pesticidas e inseticidas químicos, denunciado pela 
bióloga Rachel Carson. Além da poluição nuclear e do uso de pesticidas 
e inseticidas químicos, as chuvas ácidas foram a problemática ao final da 
década de 1960, pois este caracteriza-se pela emissão de gás carbônico das 
indústrias e veículos. Podemos perceber nesse contexto, que o boom da 
crise ambiental foi a partir do crescimento demográfico urbano, onde um 
grande contingente de mão de obra movimentava as indústrias, além do 
consumo exacerbado pelo automóvel.
Inicialmente, as dimensões da sustentabilidade apresentam-se como um 
“trevo de três folhas”. A primeira diz respeito à equidade social, com o 
objetivo de erradicar a pobreza e definir o padrão de desigualdade aceitá-
vel e que ninguém absorva irracionalmente os recursos naturais, para que 
todos tenham acesso aos mesmos, visando uma justiça social. A segunda 
diz respeito à eficiência econômica, trata-se daquilo que alguns denomi-
nam como ecoeficiência, que supõe uma contínua inovação tecnológica 
que nos leve a sair do ciclo fóssil de energia (carvão, petróleo e gás) e a 
ampliar a desmaterialização da economia. A terceira diz respeito à pre-
servação ambiental, através do uso responsável e racional dos recursos 
naturais, com o intuito de propiciar a resiliência dos ecossistemas.
Outros autores (MACHADO, 2005; MACEDO, 2004; LEFF, 2006) abor-
dam ainda as dimensões espaciais; demográfica, fundamentada pelo 
autor Arno Naess, pois o processo migratório do espaço rural para o 
urbano acarreta em um inchaço populacional e crescimento desordenado, 
comprometendo o aumento da capacidade carga em áreas verdes, além 
da geração de grandes problemas sociais, como a violência, prostituição, 
desemprego entre outros; ética; estética; política; cultural, com o objetivo 
de questionar os padrões de consumos atuais, baseado no modelo de 
reprodução ampliado de capital; e a dimensão tecnológica, pois segundo 
Robert Solow (2000), toma como séria a questão da finitude dos recur-
sos naturais, porém, ao contrário dos críticos da economia dominante, 
considera que o homem é capaz de construir as respostas necessárias a 
esse desafio sem grandes mudanças sociais, mas tecnológicas. Isto é, as 
inovações tecnológicas são capazes de reduzir essa grande problemática, 
tais como exemplos, a adoção de energias renováveis, estação de trata-
mento de água, investimentos em transportes públicos híbridos, mapea-
mento de áreas de risco em áreas urbanas etc. Leff (2001) destaca que a 
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
159
crise ambiental demonstra a necessidade de revalorização do fato urbano 
a partir da racionalidade do ambiente; de romper a inércia crescente de 
urbanização e repensar as funções atribuídas à vida urbana.
Moreno (2002) destaca ainda algumas propostas que foram consolidadas e 
ordenadas em quatro estratégias de sustentabilidade urbana, consideradas 
como prioritárias para a sustentabilidade das cidades brasileiras, a seguir:
Regular o uso e ocupação do solo e o ordenamento do território, contri-
buindo para a melhoria das condições de vida da população, mediante 
promoção da equidade, eficiência e qualidade ambiental;
Promover o desenvolvimento institucional e o fortalecimento da capaci-
dade de planejamento e gestão democrática da cidade, incorporando no 
processo a dimensão ambiental urbana e assegurando a efetiva participa-
ção da sociedade;
Promover mudanças nos padrões de produção e consumo da cidade, 
reduzindo custos e desperdícios e fomentando o desenvolvimento de 
tecnologias urbanas sustentáveis;
Desenvolver e estimular a aplicação de instrumentos econômicos no 
gerenciamento dos recursos naturais, visando à sustentabilidade urbana.
A sustentabilidade urbana busca reduzir os impactos socioambientais e, 
consequentemente, melhorar a qualidade de vida da população local, por 
meio de instrumentos legais e de planejamento.
Planejamento, uso e ocupação do solo urbano
Com o intenso crescimento urbano e construção de moradias irregulares, 
surge a necessidade de fiscalização e regulamentação, visto que as cidades 
são as grandes responsáveis pela degradação ambiental, gerando então 
os problemas socioambientais. Dentro deste processo, o planejamento é 
imprescindível para minimizar esses impactos, pois a atividade da ocupa-
ção urbana deve obedecer a princípios legais preestabelecidos e seguir a 
um planejamento territorial urbano de autoria da gestão pública.
O planejamento consiste em um processo indispensável à tomada de deci-
sões, incluindo a participação da população local na formulação da percep-
ção ambiental, permitindo com isso a incorporação da decisão da popu-
lação e sua interferência na paisagem urbanizada, a partir da pesquisa de 
informações e necessidades da população. O planejamento permite que a 
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo160
população tome conhecimento dos destinos que os políticos desejam atri-
buir à cidade, participação das decisões ou tendo oportunidade de se opor a 
elas, evitando-se o fato consumado (MARQUES, 2005). É a partir do plane-
jamento que o gestor público, juntamente com a sociedade civil organizada 
chega-se a tomada de decisão que contemplam as necessidades da popula-
ção local e a busca pela melhoria da qualidade de vida urbana.
De acordo com Moura (2006), A formação do sistema de normas de direito 
urbanístico, foi umas das exigências da Constituição. Esse corpo norma-
tivo deve ser composto pelas normas constitucionais referentes à política 
urbana estabelecida, lei federal de desenvolvimento urbano, o conjunto de 
normas sobre a política urbana estabelecidas nas Constituições Estaduais, 
lei estadual de política urbana e a legislação estadual urbanística, bem 
como o conjunto de normas municipais referentes à política urbana, dis-
postas nas Leis Orgânicas dos Municípios, no Plano Diretor e na legisla-
ção municipal urbanística.
O planejamento urbano municipal é uma importante ferramenta para que 
possa reduzir os impactos socioambientais dos terrenos ocupados. Toda 
esta ferramenta está embasada legalmente no Plano Diretor do Município, 
que caracteriza-se como um conjuntode diretrizes, objetivos e metas a 
serem cumpridas em um determinado período de tempo preestabelecido, 
envolvendo o desenvolvimento socioambiental, uso e ocupação ordenada 
e planejada do solo urbano, acesso à infraestrutura e serviços públicos bási-
cos. Todo esse planejamento deve levar em consideração as consequências 
das possíveis intervenções antrópicas no ambiente e logo, apresentar alter-
nativas ou propostas para reduzir as consequências da ação humana.
O solo urbano possui um valor econômico, social e ambiental, pois a espe-
culação imobiliária impulsionou o aumento dos valores dos terrenos urba-
nos, através do boom das construções civis e facilidades de pagamento 
das moradias. Os terrenos urbanos são objetos de compra e venda sujei-
tos, portanto, às leis que regem o mercado, com a grande desigualdade 
social muitas vezes os requisitos legais são violados e traz as grandes con-
sequências no crescimento das grandes cidades (GONZALES et al., 1991). 
Como os valores dos terrenos, são, em sua grande maioria muito elevados 
para as famílias de baixa renda, a alternativa é a ocupação desordenada na 
beira de igarapés, lagos, rios, dentro de áreas verdes e terrenos baldios etc.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
9
161
 Atividades
1. Faça um diagnóstico na cidade em que você vive sobre os aspectos de impermeabili-
zação urbana. Primeiramente vá até o órgão público ou universidade que é respon-
sável por gerar informações sobre esse assunto, como a Defesa Civil e liste os pontos 
de alagamento, enchentes e as áreas de risco. Em seguida, verifique se há um plano 
diretor que traça diretrizes para a resolução desses problemas e verifique observan-
do pela cidade se as orientações do plano estão sendo executadas.
2. Faça um diagnóstico andando pela cidade, com a observação de fontes de poluição 
difusa, caracterizando-as quanto à sua periculosidade e potencial de contaminação 
do recurso hídrico.
3. Faça um diagnóstico sobre as áreas de risco que ocorram em sua cidade apontando 
as principais causas geradoras de um eventual desastre. Verifique se há projetos ou 
ações que têm como objetivo a prevenção ou minimização dos danos.
 Referências
ANDRADE, Francisco Alcicley Vasconcelos. Sustentabilidade urbana e impactos socioambientais: 
uma abordagem acerca da ocupação humana desordenada no espaço urbano. Contribuciones a las 
Ciencias Sociales. 2013. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
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Anhembi Morumbi. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
MARTINS, J. A. Hidrologia de superfície. São Paulo: Ed. Edgard Blücher Ltda, 1973. p. 7-35.
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de tráfego intenso por meio de trincheira de infiltração e vala de detenção. Dissertação apresen-
tada ao Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da 
Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em 
Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos em 2009. Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
SOUZA, Graziella, Martinez; ROMUALDO, Sanderson Santos. Inundações urbanas: a percepção so-
bre a problemática socioambiental pela comunidade do bairro Jardim Natal Juiz de Fora (MG). In: XIII 
Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, 2009, Viçosa. A geografia física e as dinâmicas de 
apropriação da natureza, 2009.
Uso do solo urbano e impactos causados no ambiente9
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo162
SULEIMAN, Hélio Cesar. Mapeamento preliminar de áreas urbanas de inundação. São Carlos. 
Dissertação (Mestrado Engenharia Urbana) – Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, 2005. 
Disponível em: . Acesso em: abr. 2017.
TUCCI, Carlos. Inundações e drenagem Urbana. In: Carlos E. M. Tucci e Juan Carlos Bertoni. (Org.). 
Inundações urbanas na América do Sul. Porto Alegre: ABRH GWP, 2003, v. 1, p. 45-150.
TUNDISI, José Galicia. Água no século 21: enfrentando a escassez. RIMA/IIE, 2003. 247 p.
 Resolução
1. Você deverá fazer uma lista e correlacionar as principais consequências da imper-
meabilização, como os pontos de alagamentos na cidade, enchentes etc. Caso não 
haja um plano diretor que envolva as questões de impermeabilização na urbani-
zação da cidade, você poderá elaborar um documento e encaminhar aos órgãos 
competentes, como a prefeitura e o Ministério Público, cobrando a elaboração desse 
plano. Ainda, poderá divulgar nos meios de comunicação a importância desse tipo 
de ação estrutural na urbanização e instrumento de gestão e manejo dos recursos 
hídricos para a melhoria da qualidade de vida nas cidades.
2. Você deverá fazer uma lista com as informações sobre as fontes de poluição difusa 
observadas em seu diagnóstico e corelacionar se existe potencial de contaminação ao 
recurso hídrico.
3. Você deverá fazer uma lista e relacionar as principais áreas de risco com suas po-
tenciais causas, além de correlacionar se há projetos ou ações para prevenção ou 
minimização do dano.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 163
10
Aspectos da ocupação do 
espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos 
recursos naturais
O espaço rural tem passado por grandes e inúmeras mudanças, decorrentes de 
crescentes interações com a dinâmica econômica global e principalmente pela mercan-
tilização de commodities agrícolas. Isso tem proporcionado para o meio técnico-cientí-
fico-informacional gerar novas tecnologias que atendam a essa demanda capitalista. 
Com consequências imediatas dessa nova forma de se fazer agricultura, os modos 
de vida do camponês são alterados juntamente com suas funções e seus conteúdos 
técnicos, gerando profundas alterações socioculturais e crescente pressão aos recursos 
naturais no espaço rural.
Este capítulo está organizado para apresentar os aspectos da ocupação do espaço 
rural e suas implicações no uso e na conservação dos recursos naturais, dando des-
taque para fragmentação da paisagem, modelos de produção agropecuária e seus 
impactos nos recursos naturais e percepção, conhecimento e educação sobre os valores 
ambientais no espaço rural.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais10
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo164
10.1 Fragmentação da paisagem
Decorrente da teoria da biogeografia de ilhas, a paisagem é percebida como um conjunto 
de fragmentos de hábitat dispersos numa matriz homogênea e inóspita (HANSKI, 1997). De 
uma forma mais realista, a matriz é antes de tudo uma área heterogênea, contendo uma va-
riedade de unidades de não hábitats, que representam condições mais ou menos favoráveis 
às espécies do hábitat estudado. As unidades da matriz podem, muitas vezes, ser fonte de 
perturbação e favorecer o desenvolvimento de espécies generalistas, predadoras e parasitas 
invasoras que agem principalmente nas bordas dos fragmentos e participam na extinção de 
espécies desse hábitat. Dessa forma, a matriz inter-hábitat inibe em geral os deslocamentos 
dos organismos, e essa ação é mais ou menos intensa em função da suapermeabilidade e 
das capacidades de deslocamento das espécies nas paisagens fragmentadas (RODRIGUES; 
PRIMACK, 2015).
A permeabilidade da matriz como um todo pode ser estimada pela densidade de 
pontos de ligação e pelo grau de resistência ao movimento de cada uma das unidades da 
paisagem ou fragmentos de ecossistemas naturais. Os pontos de ligação constituem pe-
quenas áreas de hábitat dispersas na matriz e esses pontos podem ter um papel importan-
te no movimento de algumas espécies ou na persistência, numa paisagem fragmentada, de 
espécies que não carecem de grandes espaços para se desenvolverem.
Murcia (1995) mostra, por exemplo, que o movimento de espécies de aves frugívoras 
em pradarias norte-americanas é governado pela presença e pelo arranjo espacial de ele-
mentos florestais de áreas relativamente reduzidas, como florestas ripárias ou matas cilia-
res, ou mesmo árvores isoladas. Essas aves favorecem ainda a disseminação de espécies 
lenhosas pela deposição de sementes nos pontos de ligação, propiciando o estabelecimento 
dessas espécies na matriz. Existe um grande número de espécies que utiliza a matriz para se 
locomover e promover interações benéficas, como o fluxo gênico.
Na regulação da locomoção pela paisagem, os corredores e a matriz da paisagem têm 
funções complementares. As espécies que não conseguem se deslocar fora das áreas de seu 
hábitat são favorecidas pela presença de corredores largos. Por outro lado, as espécies que 
podem se deslocar em outras unidades da paisagem serão mais sensíveis às características 
da matriz. A permeabilidade da matriz é, dessa forma, mais um parâmetro que influi sobre 
os deslocamentos das espécies na paisagem e pode, consequentemente, levar à extinção de 
populações fragmentadas que não se deslocam na paisagem.
A noção de diversidade da paisagem envolve vários parâmetros, tornando difícil a in-
terpretação de uma medida única de diversidade. Uma melhor compreensão da diversidade 
deve ser desenvolvida correlacionando estruturas ou processos ecológicos aos componentes 
mais simples da diversidade, como o tipo, o número, a área e a forma dos fragmentos ou, 
ainda, a área e o tipo de borda.
A fragmentação de hábitats é um dos mais sérios problemas ecológicos da atualidade. 
Na região tropical, um grande número de espécies está sendo perdido antes mesmo de 
estas serem conhecidas pela ciência. Visto que os hábitats fragmentados corresponderão à 
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
10
165
situação padrão no futuro e para algumas regiões brasileiras como o Sudeste, Sul e Centro-
Oeste, serão necessárias ações de manejo do ambiente para evitar a erosão da diversidade 
biológica e dos benefícios inerentes a ela.
A constatação de uma crescente perda de diversidade biológica nas últimas décadas, 
em virtude da fragmentação das paisagens e dos ambientes naturais e substituição de es-
pécies nativas tem estimulado a procura de formas de planejamento e manejo dos recursos 
naturais que possam minimizar esse problema (METZGER, 1997).
O manejo efetivo da paisagem e de ecossistemas tropicais para a preservação, conserva-
ção e obtenção de recursos florestais e agrícolas deve estar fundamentado em informações 
biológicas, como estudos em fenologia, biologia floral e reprodutiva das espécies, dinâmica 
de populações, biologia de sementes, regeneração e genética de populações e adequação 
da produção agrícola aos solos e clima. Atualmente, há certo consenso de que o manejo dos 
recursos deve considerar a paisagem como um todo (BUDOWSKI, 1965).
É preciso entender a dinâmica das populações existentes nos fragmentos e sua interação 
com os elementos da paisagem para que as práticas de manejo e conservação sejam as mais 
eficientes possíveis. Além disso, existe uma carência de dados ecológicos quantitativos nas 
florestas brasileiras no que diz respeito aos aspectos da dinâmica dessas formações, que 
envolvem estudos temporais de comunidades, estudos de biologia de populações, dos as-
pectos reprodutivos dessas formações e da sustentabilidade dessas áreas.
Os poucos remanescentes dos ecossistemas brasileiros distribuídos na ampla paisagem 
brasileira estão sendo reconhecidos pelos seus serviços ambientais como produção de água, 
conservação do patrimônio genético e conservação dos solos, além do equilíbrio climático. 
Os ecossistemas são de grande valor ecológico e taxonômico, funcionando como uma cole-
ção viva de espécies representativas da flora local e de sua diversidade genética, bem como 
banco de informações acerca da estrutura e funcionamento desses tipos de ecossistemas.
10.1.1 Aspectos da fragmentação
O processo de substituição da vegetação nativa na paisagem, especialmente da cober-
tura florestal, ocasionou a fragmentação dos ecossistemas florestais, condicionando-os a pe-
quenas manchas ou fragmentos isolados.
Apesar de o processo de fragmentação florestal ser bem antigo no Brasil, os estudos que 
visam à compreensão do comportamento das espécies, do fluxo gênico, da migração e da 
extinção são bastante recentes.
A fragmentação é basicamente um processo de ruptura na continuidade de hábitats 
naturais e que muitas vezes ocasiona também ruptura dos fluxos gênicos entre populações 
presentes nesses hábitats. A destruição de hábitats e consequente fragmentação de popula-
ções naturais têm levado muitas espécies a atingir uma limitação evolutiva, decorrente da 
perda de variabilidade genética, que basicamente reduz a habilidade das populações de se 
adaptarem a mudanças ambientais.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais10
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo166
A fragmentação ocasiona o isolamento populacional, os efeitos de borda, a colonização 
de espécies exóticas, a diminuição do fluxo gênico e a reprodução entre indivíduos apa-
rentados ou entre menor número de indivíduos. As principais causas da diminuição do 
tamanho populacional são a deriva genética e a endogamia. A primeira provoca perda de 
variação genética e a segunda é responsável pela perda de heterozigosidade.
Portanto, existe a necessidade imediata de se desenvolver e adaptar técnicas de restau-
ração de paisagens que promovam a conservação desses remanescentes.
10.1.2 Consequências da fragmentação da paisagem
No quadro 1, estão apresentadas as consequências da fragmentação correlacionadas 
com seus principais indicadores.
Quadro 1 – Consequências da fragmentação da paisagem.
Resultado do impacto na(o) Consequência
Conectividade dos hábitats Reduz a capacidade de a fauna e a flora transmitirem 
seus genes pela paisagem, ocasionando endogamia.
Corredores ecológicos Idem anterior.
Metapopulação Redução das populações de determinadas es-
pécies viventes em uma mesma paisagem.
Clima Alteração dos padrões climáticos regionais e globais.
Recursos hídricos Redução da quantidade e qualidade de água, po-
dendo gerar crise hídrica em regiões populosas.
Solos
Perda de fertilidade e rompimento dos 
ciclos biogeoquímicos responsáveis pela 
ciclagem de nutrientes no planeta Terra.
Biodiversidade Perda de espécies que necessitam de áreas 
não fragmentadas para sobreviver.
Econômica
– Dependência de commodities agríco-
las de monocultivos agrícolas.
– Dependência de bolsas de valores.
Justiça socioambiental
– Aumento do desemprego devido à presença de uma 
paisagem monocultivável e com baixa exploração.
– Concentração de renda para minorias.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
10
167
10.2 Modelos de produção agropecuária 
e seus impactos nos recursos naturais
No Brasil, os conflitos de terras se estendem por séculos, e uma tentativa de minimi-
zação dessa situação foi organizar o perfil das propriedadesrurais pelo Estatuto da Terra 
definido pela Lei 4.504, de 30 de novembro de 1964.
Para uma melhor classificação das propriedades, o Estatuto da Terra padronizou os 
imóveis rurais, denominados de módulos rural e fiscal. Assim, para estabelecer o módulo 
rural e fiscal são analisados basicamente três aspectos:
• localização – se o imóvel rural se encontra próximo de grandes centros e conta com 
infraestrutura terá uma área menor;
• fertilidade e clima – quanto maiores as condições para o cultivo, menor será a área;
• tipo de produto cultivado – se uma região produz, por exemplo, mandioca em 
nível extensivo, a área será maior, agora caso o cultivo seja de morangos com em-
prego de alta tecnologia, sua área é inferior.
Depois dessa padronização, foram estabelecidas as categorias de propriedades.
• minifúndio: são pequenas propriedades rurais responsáveis pela produção de 
cerca de 70% de todo o alimento consumido no país, com utilização em geral de 
mão de obra familiar;
• latifúndio por dimensão: corresponde a grandes propriedades rurais, com ati-
vidade vinculada à agroindústria e seus produtos geralmente são destinados ao 
mercado externo;
• latifúndio por exploração: esse tipo de propriedade tem como característica a im-
produtividade, pois o proprietário adquire terras com intuito de desenvolver espe-
culação imobiliária, dessa forma não há nenhuma intenção de cultivá-las, produzin-
do empregos, impostos e colaborando com o crescimento econômico do país;
• empresa rural: propriedade de porte médio e grande que produz matéria-pri-
ma (laranja, soja, cana-de-açúcar, leite, carne, entre outros) destinada para as 
agroindústrias.
No contexto mundial, o Brasil segundo a FAO – Órgão das Nações Unidas para a 
Agricultura (2016) é um dos maiores produtores de alimentos de todo o mundo. Isso se dá 
pelas suas dimensões continentais em relevos em sua grande maioria suaves ondulados e 
climas variados e amenos que são favoráveis para a produtividade e diversidade de alimentos.
Somado a esse cenário, no Brasil se aplica, pela sua diversidade socioeconômica, fun-
diária e ambiental, diferentes modelos de produção agropecuária. Entre esses modelos se 
destacam a denominada agricultura tradicional e a agricultura moderna. Um terceiro tam-
bém tem ganhado espaço e competitividade na última década, que é a agricultura orgânica.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais10
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo168
10.2.1 Agricultura tradicional
A agricultura tradicional é característica de pequenos produtores rurais com até quatro 
módulos rurais, segundo classificação do Ministério da Agricultura, em que são utilizados 
métodos simples de plantio, sem o uso excessivo de defensivos agrícolas como agrotóxicos e 
adubos químicos ou mesmo não se enquadram nos pacotes tecnológicos das grandes empre-
sas do agronegócio. Por estar sendo praticada em áreas geralmente familiares e pequenas, 
a produção é realizada em pequena escala e serve de base para a subsistência de famílias.
Segundo a Constituição brasileira, materializada na Lei 11.326, de julho de 2006, con-
sidera-se agricultor familiar aquele que desenvolve atividades econômicas no meio rural e 
que atende a alguns requisitos básicos, tais como: não possuir propriedade rural maior que 
quatro módulos fiscais, que pode variar de 5 a 100 hectares, de acordo com o município, 
utilizar predominantemente mão de obra da própria família nas atividades econômicas de 
propriedade e ter a maior parte da renda familiar proveniente das atividades agropecuárias 
desenvolvidas no estabelecimento rural.
A agricultura familiar é extremamente importante para a economia e segurança ali-
mentar brasileira, pois segundo o IBGE (2016), estima-se que, atualmente, 70% de todo o 
alimento consumido internamente no país venha desse tipo de agricultura.
Nesse modelo de produção agrícola, também são utilizadas tecnologias como máqui-
nas e defensivos agrícolas em seu processo produtivo, o que mesmo em pequena escala gera 
impactos nos recursos naturais.
No quadro 2 são apresentados os principais impactos ambientais na paisagem rural por 
esse modelo de produção agropecuária.
Quadro 2 – Possíveis impactos nos recursos naturais.
Ação
Tipo de impacto nos 
recursos naturais
Relevância
Uso de agrotóxicos
– Contaminação dos recursos hídri-
cos superficiais e subterrâneos.
– Mortalidade de peixes.
– Inviabilização de capta-
ção de água em mananciais de 
abastecimento humano.
Negativa de 
baixa a média.
Uso de fertilizantes
– Eutrofização dos recursos hídricos.
– Salinização de solos agrícolas.
Negativa de
baixa a média.
Uso de máquinas agrícolas – Compactação dos solos e consequen-
te aumento de erosões e voçorocas.
Negativa de
baixa a média.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
10
169
Ação
Tipo de impacto nos 
recursos naturais
Relevância
Uso do solo
– Desmatamentos.
– Ocupação de áreas de pre-
servação permanente.
– Aumento de processos erosivos.
Negativa de
baixa a média.
Diversidade de produção
– Geralmente média a alta.
– Matriz da paisagem diversificada.
Positiva de
 baixa a média.
Fonte: Elaborado pelo autor.
10.2.2 Agricultura moderna
A agricultura moderna é aquela praticada com o auxílio do pacote tecnológico de gran-
des empresas do agronegócio, utilizando uma série de tecnologias com base nos insumos 
agrícolas, como uso intensivo de adubos químicos e agrotóxicos, levando à produção em 
grande escala.
No Brasil esse modelo é dominante, pois os formatos fundiários se configuraram nos 
últimos 30 anos de propriedades médias a de grande porte. Até fins dos anos 80, houve um 
enorme crescimento da área cultivada com produtos agroindustriais de exportação em detri-
mento de cultivos voltados ao abastecimento interno, o que tem levado a uma problemática 
de justiça social no campo, pois esse modelo de produção, que é altamente tecnificado, exclui 
a mão de obra braçal, que é típica no Brasil, gerando o crescimento do desemprego nesse setor.
Outro contraponto importante que deve ser destacado sobre a modernização das técnicas 
é a valorização e consequente concentração de terras, a plena subordinação da agropecuária 
ao capital industrial, além da intensificação do êxodo rural e inchaços das periferias urbanas 
em condições precárias de ressocialização e inclusão nos novos mercados de trabalho.
Nos últimos 40 anos nesse contexto, os pequenos agricultores familiares que resistem 
à vida camponesa estão sendo obrigados a recorrer a empréstimos bancários para se capi-
talizar e ter condições de cultivar a terra de acordo com os padrões exigidos e estar dentro 
da competitividade. Como consequência da instabilidade dos mercados agrícolas associada 
com as variações climáticas, vem se tornado comum o acúmulo de dívidas que só podem ser 
pagas com a venda de sua terra, que normalmente pelos contratos de créditos financeiros 
bancários ficam penhorados no banco.
Uma característica bem típica das propriedades rurais que adotam esse modelo se re-
fere às dimensões das áreas plantadas. São grandes extensões de terra ocupadas por um 
único tipo de cultura agrícola caracterizando a paisagem com monoculturas. Essa atividade 
agrícola é uma herança do Período Colonial e pode ser verificada em diferentes regiões do 
Brasil, com o objetivo da produção em larga escala e tendo como foco a exportação de espé-
cies agrícolas que são commodities e têm alto valor de mercado.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais10
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo170
Nessas propriedades que adotam esse modelo, os impactos ambientais e sociais são 
relevantes em consequência do uso extensivo de defensivos químicos ou até mesmo semen-
tes selecionadas ou geneticamente modificadas, alémdas intervenções antropogênicas em métodos de análise 
multicriterial (FRANCISCO et al., 2008).
Uma zona fundamental para a preservação da qualidade da água e diver-
sificação de habitats em uma bacia hidrográfica é o ecossistema ripário 
que constitui uma interface entre o ambiente terrestre e o aquático. Esse 
ambiente ribeirinho reflete um complexo de fatores geológicos, climáti-
cos, hidrológicos que em interação com os fatores bióticos definem uma 
heterogeneidade de ambientes (RODRIGUES, 2000). Sob florestas ciliares 
ocorre uma significativa variação de solos, cujos reflexos aparecem nos 
diversos tipos de formações florestais (JACOMINE, 2000). As compara-
ções florísticas entre remanescentes de formações florestais ciliares mos-
tram que essas áreas são muito diversas, mesmo em áreas de grande pro-
ximidade espacial, e essa diversidade é dependente também, entre outros 
fatores, do tamanho da faixa ciliar florestada (METZEGER et al., 1997). 
Esses autores ressaltam que apenas um grande esforço de preservação 
pode possibilitar a manutenção dessa biodiversidade, no pouco que resta 
de florestas ciliares, aliado a uma implementação no conhecimento cientí-
fico sobre essas áreas. A água que flui nos cursos não está isolada e hermé-
tica à complexa interação com a área ripária. Em realidade, são sistemas 
abertos e que participam de todos os processos ecológicos que ocorrem 
nas bacias hidrográficas, historicamente negligenciados no processo de 
exploração dos recursos naturais (BARRELA et al., 2000).
A preservação da faixa ripária, principalmente nos córregos, é de extrema 
importância pois evita a erosão de solos adjacentes, impedindo ou ate-
nuando a sedimentação e assoreamento do leito. O assoreamento pro-
voca a perda de habitats aquáticos, o rebaixamento do lençol freático, a 
diminuição na vazão média e o declínio da biodiversidade do sistema 
(BERKMAN e RABENI, 1987). A retirada da vegetação das margens 
dos cursos d’água é prejudicial também porque o material em suspen-
são interfere na qualidade da água do corpo receptor (ODUM, 1988). Em 
escala de pequenas bacias e sub-bacias hidrográficas, a extensão e condi-
ção da mata ciliar podem ser utilizadas como indicadores hidrológicos da 
sustentabilidade das atividades humanas (LIMA e ZÁKIA, 1998), pois a 
vegetação ripária é responsável por grande parte do regime ambiental do 
ecossistema aquático (LIKENS, 1985).
A delimitação da zona ripária é uma das primeiras etapas para a avaliação 
desta como um indicador, e, em tese, seus limites estendem-se às mar-
gens laterais dos corpos d’água até o alcance máximo da zona saturada 
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo20
do solo, que dada a dinâmica dessa zona, aumenta a dificuldade de seu 
mapeamento. Diferentes métodos de modelagem e mapeamento das 
zonas ripárias foram desenvolvidos a partir de fatores topográficos e de 
condutividade do solo, simulando a resposta hidrológica da bacia a uma 
determinada chuva em modelos digitais (SIMÕES, 2001), entretanto, na 
legislação brasileira, a zona ripária é estabelecida, na prática, conforme 
a largura da lâmina dos corpos d’água, sendo protegida como área de 
preservação permanente (BRASIL, 1965). O uso dessa área é permitido em 
casos de utilidade pública, como obras de infraestrutura, ou no caso de 
interesse social, como no caso da pequena propriedade agrícola aliada às 
práticas de manejo sustentável (BRASIL, 2000) as quais podem implemen-
tar a funcionalidade do sistema, diminuindo a contaminação dos corpos 
d’água por poluentes antropogênicos (WALLACE, 1997).
Mas como avaliar a condição da zona ripária? No caso de toda a bacia, 
Mancini et al. (2005) avaliaram a condição da bacia de drenagem clas-
sificando o uso e cobertura do solo em 4 categorias avaliados com um 
índice de antropização. Esse índice foi correlacionando com a qualidade 
biológica da água, avaliada pela diversidade de invertebrados bentôni-
cos. O escopo deste trabalho foi desenvolver um método unicriterial de 
avaliação da zona ripária com enfoque no uso do solo, avaliado com um 
índice de antropização adaptado e correlacionado com a qualidade físi-
co-química da água corrente, considerando-se como zona ripária aquela 
estritamente estabelecida na legislação brasileira como área de preserva-
ção permanente ripária.
 Atividades
1. Escolha um corpo de água mais próximo e de fácil acesso, colete uma amostra de 
água e faça uma análise visual. Verifique a turbidez, a cor, o odor e a temperatura. 
Nessa análise, observe se nessa amostra ocorre algum fenômeno que indique a qua-
lidade da água.
2. Faça um ensaio sobre a qualidade do solo. Pegue uma pequena quantidade de dife-
rentes tipos de solos presentes em sua localidade (de um campo de futebol, da beira 
de um rio, da base de uma edificação recém-iniciada etc.) e verifique alguns indica-
dores, como fertilidade e compactação. Para isso, escolha uma espécie de vegetal de 
rápido crescimento, plante-o em recipientes com a mesma quantidade de solo e dis-
ponibilize as mesmas condições de irrigação. Verifique o comportamento da planta 
quanto ao seu crescimento, coloração e absorção de água pelo solo.
Parâmetros físicos, químicos e biológicos
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
1
21
3. Faça uma pesquisa sobre a qualidade de água de abastecimento público de seu mu-
nicípio. Solicite a análise de água que é feita pela concessionária de captação e trata-
mento e verifique se as análises estão de acordo com o limite tolerável de coliformes 
fecais estabelecido pela Portaria 2.914, de 12 de dezembro de 2011, do Ministério da 
Saúde, que diz que não deve se ultrapassar 4 mil coliformes fecais em 100 mL de 
água em 80% das amostras colhidas em qualquer período do ano.
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critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e 
estabelece diretrizes para o gerenciamentode máquinas e métodos modernos de 
plantio, irrigação e colheita.
No quadro 3 são apresentados os principais impactos ambientais na paisagem rural por 
esse modelo de produção agropecuária.
Quadro 3 – Possíveis impactos nos recursos naturais.
Ação Tipo de impacto nos recursos naturais Relevância
Uso intensivo de 
agrotóxicos
– Contaminação dos recursos hídri-
cos superficiais e subterrâneos.
– Mortalidade de peixes.
– Inviabilização de captação de água em 
mananciais de abastecimento humano.
Negativa de 
baixa a alta.
Uso intensivo de 
fertilizantes
– Eutrofização dos recursos hídricos.
– Salinização de solos agrícolas.
Negativa de
baixa a alta.
Uso intensivo de má-
quinas agrícolas
– Compactação dos solos e consequen-
te aumento de erosões e voçorocas.
Negativa de
baixa a alta.
Uso intensivo do solo
– Desmatamentos.
– Ocupação de áreas de pre-
servação permanente.
– Aumento de processos erosivos.
Negativa de
baixa a alta.
Diversidade de produção
– Geralmente média a alta.
– Matriz da paisagem diversificada.
Negativa de
 baixa a alta.
Fonte: Elaborado pelo autor.
10.2.3 Agricultura orgânica
Como alternativa aos modelos apresentados, vêm crescendo no Brasil os modelos que 
preconizam a produção agrícola livre de insumos químicos como agrotóxicos e uso intensivo 
de fertilizantes químicos. Na maioria dos exemplos de unidades produtivas orgânicas têm-se 
características e similaridades com a agricultura familiar, no entanto, grandes grupos econô-
micos já estão fazendo experiências de produtividade e mercado para produtos orgânicos.
O Brasil, em função de ter diferentes tipos de solo e condições climáticas, além de ter 
uma biodiversidade das mais ricas do mundo, somada a uma grande diversidade cultural, 
apresenta um dos maiores potenciais para o crescimento da produção orgânica.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
10
171
Na agricultura orgânica, os alimentos são cultivados por meio de processos de controle 
biológico, sem a presença de defensivos químicos agrícolas e também sem estar vinculado 
aos grandes grupos e indústria do agronegócio. Nesse modelo produtivo, diferentes méto-
dos são utilizados para garantir a qualidade e a produtividade, visando, sempre, ao equilí-
brio ambiental e ao desenvolvimento social dos produtores.
Segundo o Ministério da Agricultura (2016), na agricultura orgânica não é permitido 
o uso de insumos agrícolas que possam prejudicar ou por em risco a saúde humana e os 
recursos naturais como água, solo, ar e biodiversidade.
Para se considerar agricultura orgânica e se ter o direito do título de certificações 
agrícolas e ambientais sobre o tema, no sistema produtivo não é permitida a utilização de 
fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos, além de ser necessário respei-
tar rigorosamente todas as leis trabalhistas.
Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente de 
produção orgânica, onde se utilizam como base do processo produtivo os princípios agroe-
cológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos 
naturais, respeitando as relações sociais e culturais.
No quadro 4 são apresentados os principais impactos ambientais na paisagem rural por 
esse modelo de produção agropecuária.
Quadro 4 – Possíveis impactos nos recursos naturais.
Ação
Tipo de impacto nos 
recursos naturais
Relevância
Uso intensivo de 
agrotóxicos – Não se aplica. Positiva de baixa a alta.
Uso de fertilizantes – Eutrofização dos re-
cursos hídricos.
Se o manejo for ina-
dequado, a relevância 
pode ser negativa 
de baixa a alta.
Uso intensivo de má-
quinas agrícolas – Não se aplica. Positiva de baixa a alta.
Uso intensivo do solo
– Desmatamentos.
– Ocupação de áreas de pre-
servação permanente.
– Aumento de processos erosivos.
Se o manejo for ina-
dequado, a relevância 
pode ser negativa 
de baixa a alta.
Diversidade de produção
– Geralmente média a alta.
– Matriz da paisa-
gem diversificada.
Positivo alta.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais10
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo172
10.3 Percepção, conhecimento e educação 
sobre os valores ambientais no espaço rural
A percepção, o conhecimento e a educação sobre os valores ambientais no espaço rural 
são desenvolvidos com base na percepção do ambiente pelo ser humano, que classifica e usa 
referências para escolher esse ambiente.
A mente humana organiza e representa essa realidade percebida por meio de esquemas 
perceptivos e imagens mentais, com atributos específicos (DEL RIO; OLIVEIRA, 1999) e que 
servem para avaliar a qualidade dos ambientes. Uma imagem é uma representação interna-
lizada do ambiente, com base na experiência e incorporação de ideais. Isto é, a avaliação traz 
a organização do meio ambiente como o resultado da aplicação de conjuntos de regras que 
refletem diferentes concepções de qualidade ambiental (SAMMARCO, 2005). Além disso, 
com base na percepção o ser humano estrutura sua representação cognitiva do ambiente.
De acordo com Del Rio e Oliveira (1999), a percepção consiste em trocas funcionais do 
indivíduo com o meio exterior, as quais têm dois aspectos: cognitivo e o afetivo. Isto é, o pri-
meiro ocorre paralelamente, quando o indivíduo conhece o mundo exterior e começa a ter 
sentimentos em relação a ele e o segundo é a energia do sistema. Para Sammarco (2005), é cada 
vez mais necessário considerar os costumes cognitivos com o fim de entender a maneira por 
meio da qual o meio ambiente é conhecido e estruturado pelos indivíduos e pela sociedade.
As pessoas, como organismos ativos, adaptativos e procuradores de objetivos ou fins, 
estruturam o mundo com base em três fatores: o organismo, o meio ambiente e o meio cul-
tural, os quais se relacionam para formar representações cognitivas. Segundo Ojeda (1995), 
existem dois significados diferentes do termo cognição ambiental, um psicológico e outro an-
tropológico: o primeiro ressalta o conhecimento do meio ambiente, enquanto o antropoló-
gico afirma que os processos cognitivos convertem o mundo em algo significativo. Decifrar 
e valorizar os costumes cognitivos das paisagens deveria ser uma ferramenta indispensável 
na gestão pública ou privada de forma participativa ou não das áreas rurais a partir do mo-
mento em que identifica não somente os diferentes ideários na busca da qualidade ambien-
tal como também os saberes e significados socioambientais específicos das inter-relações 
evolutivas entre natureza e populações locais camponesas.
Nessa dinâmica se insere a questão paisagística, incluindo-se a necessidade de inves-
tigar o significado das diversas expressões do verde nas diferentes culturas. O verde existe 
como objeto dado no mundo e como idealização. Ao se projetar áreas verdes, como nas áreas 
rurais, navega-se, portanto, na semiótica de significantes e significados, não como elementos 
isolados, mas como partes de um todo no qual aquele que habita é indissociável do espaço 
onde exerce sua autopoiésis (MATURANA; VARELLA, 1980).
O ser humano sempre criou ao seu redor um ambiente que é uma projeção de suas ideias 
abstratas. Cada momento histórico tem uma paisagem, reflexo da relação circunstancial 
Aspectos da ocupação do espaço rural e suas implicações 
no uso e na conservação dos recursos naturais
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
10
173
entre o ser humano e a natureza e que pode ser vista como a ordenação do ambiente de 
acordo com a imagem ideal.
Além disso, o ser humano, assim como os organismos, impõe ordens espacial, social e 
temporal diferentes, porém relacionadas entre si, já que têm de coexistir na trama espaço-
temporal de um mesmo mundo, e porque todas as ordenações se apoiam nos mesmos pro-
cessos de aprendizagem, memória, identidade, localizaçãoambiental de áreas contaminadas por essas substâncias em 
decorrência de atividades antrópicas.
COELHO, R. C. T. P.; BUFFON, I.; GUERRA, T. Influência do uso e ocupação do solo na qualidade 
da água: um método para avaliar a importância da zona ripária. Ambi-Agua, Taubaté, v. 6, n. 1, p. 
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GOMES, Algenor da S. Qualidade do solo: conceito, importância e indicadores da qualidade. 
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GOMES, Marco Antônio Ferreira; FILIZOLA, Heloisa Ferreira. Indicadores físicos e químicos de 
qualidade de solo de interesse agrícola. Embrapa Meio Ambiente Jaguariuna/SP, 2006. Disponível 
Parâmetros físicos, químicos e biológicos1
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo22
em: . Acesso em: mar. 2016.
JONSSON, C. M. Avaliação de toxicidade aguda, crônica e da bioconcentração em organismos aquá-
ticos. Palestra proferida no “Curso teórico-prático sobre bioindicadores de qualidade da água – mé-
todos químicos e biológicos para estudo da contaminação das águas”. Jaguariúna: Embrapa Meio 
Ambiente. 2000. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
HERNANI, Luis Carlos. Agregação do solo. Agencia Embrapa de Informação e Tecnologia – 
AGEITEC. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
LIER, Quirijn de Jong Van. Cálculo de alguns parâmetros físicos do solo. Site de apoio às disciplinas 
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Queiroz. Departamento de engenharia de biossistemas. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
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Tecnológica – Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, 2008. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
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ORGANIZAÇÃO DAS NAÇOES UNIDAS – ONU. A ONU e a água. Declaração para o Dia Mundial 
da Água 2010. Disponível em: . Acesso em: mar. 2016.
 Resolução
1. Com a análise da turbidez, do odor e da temperatura é possível verificar se a água 
apresenta condições básicas de parâmetros físicos de consumo. Se houver uma 
amostra turva, por exemplo, este já é um indicador da não potabilidade. E assim por 
diante, a análise pode ser feita para os outros indicadores.
2. Ao observar o crescimento da planta, será possivel verificar se o solo está compacta-
do ou não e também as diferenças de fertilidade entre as amostras e tipos de solos.
3. Com a análise da água em posse, deve-se verificar as quantidades de coliformes 
fecais presente na água de abastecimento público de sua localidade, e também verifi-
car os processos de análise da qualidade de água presentes nos relatórios de análises 
de potabilidade.
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo 23
2
Indicadores da qualidade de 
águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de 
água doméstica e na agricultura
O Brasil tem um sistema de avaliação e controle da qualidade das águas para o 
consumo humano e para as atividades de produção agrícola. Esse controle se torna 
importante, pois o crescimento da população tem pressionado os recursos naturais, 
como a água demandando em maior quantidade e ao mesmo tempo impactando-a 
pelos seus modos de desenvolvimento. A qualidade de vida e da saúde das pessoas 
acaba por ser comprometida caso não ocorra controle da qualidade das águas.
Nesta aula serão apresentados os parâmetros de análise de qualidade da água, pre-
vistos na legislação brasileira para o abastecimento humano e no uso na agricultura.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo24
2.1 Indicadores previstos na legislação para 
o abastecimento de água doméstica
O Ministério da Saúde publicou no Diário Oficial da União, Seção 1, do dia 14 de de-
zembro, a Portaria 2.914, de 12 de dezembro de 2011, que dispõe sobre os procedimentos 
de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de 
potabilidade.
Essa portaria teve antecedentes na legislação brasileira de potabilidade de água para 
consumo humano, sendo a Portaria BSB 56, de 14 de março de 1977, a primeira legislação 
nacional que estabeleceu o padrão de potabilidade brasileira, após assinatura do Decreto 
Federal 79.367, de 9 de março de 1977. Esse decreto previu a competência do Ministério da 
Saúde para legislar sobre normas e o padrão de potabilidade da água para consumo huma-
no. A Portaria BSB 56/1977 foi revisada em 1990 e resultou na Portaria GM 36/1990, seguida 
da Portaria MS 1.469, de 29 de dezembro de 2000. Em função do novo ordenamento na es-
trutura do Ministério da Saúde com a instituição da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), 
a Portaria MS 1.469/2000 foi extinta passando a vigorar a Portaria MS 518, de 25 de março de 
2004 e que foi substituída pela atual 294/2011.
Para o melhor entendimento dos parâmetros previstos na legislação para o abasteci-
mento de água doméstica é importante se ater ao que descreve o artigo 5° da Portaria MS 
2.914/2011. As principais definições pela referida Portaria são:
I – água para consumo humano: água potável destinada à ingestão, preparação 
e produção de alimentos e à higiene pessoal, independentemente da sua origem;
II – água potável: água que atenda ao padrão de potabilidade estabelecido nesta 
Portaria e que não ofereça riscos à saúde;
III – padrão de potabilidade: conjunto de valores permitidos como parâmetro 
da qualidade da água para consumo humano, conforme definido nesta Portaria;
IV – padrão organoléptico: conjunto de parâmetros caracterizados por provocar 
estímulos sensoriais que afetam a aceitação para consumo humano, mas que não 
necessariamente implicam risco à saúde;
V – água tratada: água submetida a processos físicos, químicos ou combinação 
destes, visando atender ao padrão de potabilidade;
VI – sistema de abastecimento de água para consumo humano: instalação com-
posta por um conjunto de obras civis, materiais e equipamentos, desde a zona 
de captação até as ligações prediais, destinada à produção e ao fornecimento 
coletivo de água potável, por meio de rede de distribuição;
VII – solução alternativa coletiva de abastecimento de água para consumo hu-
mano: modalidade de abastecimento coletivo destinada a fornecer água potável, 
com captação subterrânea ou superficial, com ou sem canalização e sem rede de 
distribuição;
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
25
VIII – solução alternativa individual de abastecimento de água para consumo hu-
mano: modalidade de abastecimento de água para consumo humano que atenda a 
domicílios residenciais com uma única família, incluindo seus agregados familiares;
IX – rede de distribuição: parte do sistema de abastecimento formada por tubula-
ções e seus acessórios, destinados a distribuir água potável, até as ligações prediais;
X – ligações prediais: conjunto de tubulações e peças especiais, situado entre a 
rede de distribuição de água e o cavalete, este incluído;
XI –cavalete: kit formado por tubos e conexões destinados à instalação do hidrô-
metro para realização da ligação de água;
XII – interrupção: situação na qual o serviço de abastecimento de água é interrom-
pido temporariamente, de forma programada ou emergencial, em razão da ne-
cessidade de se efetuar reparos, modificações ou melhorias no respectivo sistema;
XIII – intermitência: é a interrupção do serviço de abastecimento de água, sis-
temática ou não, que se repete ao longo de determinado período, com duração 
igual ou superior a seis horas em cada ocorrência;
XIV – integridade do sistema de distribuição: condição de operação e manuten-
ção do sistema de distribuição (reservatório e rede) de água potável em que a 
qualidade da água produzida pelos processos de tratamento seja preservada até 
as ligações prediais;
XV – controle da qualidade da água para consumo humano: conjunto de ativida-
des exercidas regularmente pelo responsável pelo sistema ou por solução alter-
nativa coletiva de abastecimento de água, destinado a verificar se a água forne-
cida à população é potável, de forma a assegurar a manutenção desta condição;
XVI – vigilância da qualidade da água para consumo humano: conjunto de ações 
adotadas regularmente pela autoridade de saúde pública para verificar o aten-
dimento a esta Portaria, considerados os aspectos socioambientais e a realidade 
local, para avaliar se a água consumida pela população apresenta risco à saúde 
humana;
XVII – garantia da qualidade: procedimento de controle da qualidade para mo-
nitorar a validade dos ensaios realizados;
XVIII – recoleta: ação de coletar nova amostra de água para consumo humano no 
ponto de coleta que apresentou alteração em algum parâmetro analítico; e
XIX – passagem de fronteira terrestre: local para entrada ou saída internacional de 
viajantes, bagagens, cargas, contêineres, veículos rodoviários e encomendas postais.
O artigo 27 define que a água potável deve estar em conformidade com padrão micro-
biológico definido em seus anexos, assim como as demais disposições dessa portaria como 
turbidez, pH, temperatura, substâncias químicas inorgânicas, substâncias orgânicas, agro-
tóxicos e desinfectantes.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo26
No quadro 1, estão apresentados os padrões para o parâmetro microbiológico da água 
para abastecimento humano, no qual se destaca a análise de coliformes totais e em que toda 
análise deverá ter como referência de potabilidade e segurança para o consumo.
Quadro 1 – Padrão microbiológico da água para abastecimento humano.
Tipo de água Parâmetro VMP(1)
Água para consumo 
humano Escherichia coli(2) Ausência em 100 mL
Água 
tratada
Na saída do 
tratamento Coliformes totais(3) Ausência em 100 mL
No sistema de 
distribuição 
(reservatórios 
e rede)
Escherichia coli Ausência em 100 mL
Coliformes 
totais(4)
Sistemas ou soluções 
alternativas coletivas 
que abastecem 
menos de 20 mil 
habitantes
Apenas uma 
amostra, entre 
as amostras 
examinadas no mês, 
poderá apresentar 
resultado positivo
Sistemas ou soluções 
alternativas coletivas 
que abastecem 
a partir de 20 
mil habitantes
Ausência em 
100 mL em 95% 
das amostras 
examinadas no mês
Notas:
(1) Valor máximo permitido.
(2) Indicador de contaminação fecal.
(3) Indicador de eficiência de tratamento.
(4) Indicador de integridade do sistema de distribuição (reservatório e rede).
Anexo II: – Padrão de turbidez para água pós-filtração ou pré-desinfecção.
Tratamento da água VMP(1)
Desinfecção (para águas subterrâneas) 1,0 uT(2) em 95% das amostras
Filtração rápida (tratamento 
completo ou filtração direta) 0,5(3) uT(2) em 95% das amostras
Filtração lenta 1,0(3) uT(2) em 95% das amostras
Notas:
(1) Valor máximo permitido.
(2) Unidade de turbidez.
(3) Esse valor deve atender ao padrão de turbidez de acordo com o especificado no §2o do art. 30.
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 2, estão apresentados os padrões para o parâmetro turbidez da água para 
abastecimento humano, no qual se destaca a análise de partículas em suspensão e que toda 
análise deverá ter como referência de potabilidade e segurança para o consumo.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
27
Quadro 2 – Padrão para turbidez da água para abastecimento humano.
Filtração rápida (tratamento completo ou filtração direta)
Período após a 
publicação da portaria TurbidezÁgua e do Solo30
C(2)
Temperatura = 20°C
Valores de pH
≤ 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0
2,6 3 3 4 5 6 7 8
2,8 3 3 4 5 6 7 8
3,0 2 3 4 4 5 6 77
C(2)
Temperatura = 25°C
Valores de pH
≤ 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0
≤ 0,4 9 12 14 18 21 24 28
0,6 7 8 10 1 15 17 20
0,8 5 6 8 10 11 13 16
1,0 4 5 6 8 9 11 13
1,2 4 5 5 7 8 10 11
1,4 3 4 5 6 7 8 10
1,6 3 4 4 5 6 7 9
1,8 3 3 4 5 6 7 8
2,0 2 3 4 4 5 6 7
2,2 2 3 3 4 5 6 7
2,4 2 3 3 4 4 5 6
2,6 2 2 3 3 4 5 6
2,8 2 2 3 3 4 5 5
3,0 2 2 3 3 4 4 5
C(2)
Temperatura = 30°C
Valores de pH
≤ 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0
≤ 0,4 6 8 10 12 15 17 20
0,6 5 6 7 9 10 12 14
0,8 3 5 6 7 8 10 11
1,0 3 4 5 6 7 8 9
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
31
1,2 3 3 3 5 6 7 8
1,4 2 3 3 4 5 6 7
1,6 2 3 3 4 4 5 6
1,8 2 2 3 3 4 5 6
2,0 2 2 3 3 4 4 5
2,2 2 2 2 3 3 4 5
2,4 2 2 2 3 3 4 4
2,6 1 2 2 3 3 4 4
2,8 1 2 2 2 3 3 4
3,0 1 2 2 3 3 3 4
Notas:
(1) Valores intermediários aos constantes na tabela podem ser obtidos por interpolação.
(2) C: residual de cloro livre na saída do tanque de contato (mg/L).
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 5, estão apresentados os padrões para o parâmetro desinfecção por meio 
de cloraminação da água para abastecimento humano, no qual se destaca a análise do cloro 
residual e que toda análise deverá ter como referência de potabilidade e segurança para o 
consumo.
Quadro 5 – Padrão para a desinfecção por meio de cloraminação, de acordo com concentração de 
cloro residual combinado (cloraminas) e com a temperatura da água, para valores de pH da água 
entre 6 e 9 em águas para abastecimento humano.
C(2)
Temperatura (°C)
5 10 15 20 25 30
≤ 0,4 923 773 623 473 323 173
0,6 615 515 415 315 215 115
0,8 462 387 312 237 162 87
1,0 369 309 249 189 130 69
1,2 308 258 208 158 108 58
1,4 264 221 178 135 92 50
C(2)
Temperatura (°C)
5 10 15 20 25 30
1,6 231 193 156 118 81 43
1,8 205 172 139 105 72 39
2,0 185 155 125 95 64 35
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo32
2,2 168 141 113 86 59 32
2,4 154 129 104 79 54 29
2,6 142 11 9 96 73 50 27
2,8 132 11 0 89 678 46 25
3,0 123 103 83 63 43 23
Notas:
(1) Valores intermediários aos constantes na tabela podem ser obtidos por interpolação.
(2) C: residual de cloro combinado na saída do tanque de contato (mg/L).
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 6, estão apresentados os padrões para o parâmetro desinfecção com dióxido de 
cloro da água para abastecimento humano, em que se destaca a concentração de dióxido de clo-
ro e que toda a análise deverá ter como referencia de potabilidade e segurança para o consumo.
Quadro 6 – Padrão para a desinfecção com dióxido de cloro, de acordo com concentração de dió-
xido de cloro e com a temperatura da água, para valores de pH da água entre 6 e 9 em águas para 
abastecimento humano.
C(2)
Temperatura (°C)
5 10 15 20 25 30
≤ 0,4 13 9 8 7 6 6
0,6 9 6 5 6 4 4
0,8 7 5 4 4 3 3
1,0 5 4 3 3 3 2
1,2 4 3 3 3 2 2
1,4 4 3 2 2 2 2
1,6 3 2 2 2 2 1
1,8 3 2 2 2 1 1
2,0 3 2 2 2 1 1
2,2 2 2 2 1 1 1
2,4 2 2 1 1 1 1
2,6 2 2 1 1 1 1
2,8 2 1 1 1 1 1
3,0 2 1 1 1 1 1
Notas:
(1) Valores intermediários aos constantes na tabela podem ser obtidos por interpolação.
(2) C: residual de cloro combinado na saída do tanque de contato (mg/L).
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 7, estão apresentados os padrões para substâncias químicas inorgânicas e 
orgânicas da água para abastecimento humano em que toda a análise deverá ter como refe-
rência de potabilidade e segurança para o consumo.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
2
33
Quadro 7 – Padrão de potabilidade de água para substâncias químicas inorgânicas e orgânicas que 
representam risco à saúde.
Parâmetro CAS(1) Unidade VMP(2)
Inorgânicas
Antimônio 7440-36-0 mg/L 0,005
Arsênio 7440-38-2 mg/L 0,01
Bário 7440-39-3 mg/L 0,7
Cádmio 7440-43-9 mg/L 0,005
Chumbo 7439-92-1 mg/L 0,01
Cianeto 57-12-5 mg/L 0,07
Cobre 7440-50-8 mg/L 2
Cromo 7440-47-3 mg/L 0,05
Fluoreto 7782-41-4 mg/L 1,5
Mercúrio 7439-97-6 mg/L 0,001
Níquel 7440-02-0 mg/L 0,07
Nitrato (como N) 14797-55-8 mg/L 10
Nitrito (como N) 14797-65-0 mg/L 1
Selênio 7782-49-2 mg/L 0,01
Urânio 7440-61-1 mg/L 0,03
Orgânicas
Acrilamida 79-06-1 μg/L 0,5
Benzeno 71-43-2 μg/L 5
Benzo[a]pireno 50-32-8 μg/L 0,7
Cloreto de vinila 75-01-4 μg/L 2
1,2-dicloroetano 107-06-2 μg/L 10
1,1-dicloroeteno 75-35-4 μg/L 30
1,2-dicloroeteno (cis + trans) 156-59-2 (cis)
156-60-5 (trans) μg/L 50
Diclorometano 75-09-2 μg/L 20
Di(2-etil-hexil)ftalato 117-81-7 μg/L 8
Estireno 100-42-5 μg/L 20
Pentaclorofenol 87-86-5 μg/L 9
Tetracloreto de Carbono 56-23-5 μg/L 4
Tetracloroeteno 127-18-4 μg/L 40
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 8, estão apresentados os padrões para o parâmetro agrotóxicos presentes 
na água para abastecimento humano, no qual se destaca a análise de elementos químicos 
prejudiciais à saúde humana e que toda análise deverá ter como referência de potabilidade 
e segurança para o consumo.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo34
Quadro 8 – Padrão de potabilidade de água para agrotóxicos.
Parâmetro CAS(1) Unidade VMP(2)
Agrotóxicos (continuação)
2,4 D + 2,4,5 T 94-75-7 (2,4 D)
93-76-5 (2,4,5 T) μg/L 30
Alaclor 15972-60-8 μg/L 20
Aldicarbe + Aldicarbesulfona 
+ Aldicarbesulfóxido
116-06-3 (aldicarbe)
1646-88-4 (aldicarbesulfona) μg/L 10
1646-87-3 (aldicarbe 
sulfóxido) μg/L
Aldrin + Dieldrin 309-00-2 (aldrin)
60-57-1 (dieldrin) μg/L 0,03
Atrazina 1912-24-9 μg/L 2
Carbendazim + benomil 10605-21-7 (carbendazim)
17804-35-2 (benomil) μg/L 120
Carbofurano 1563-66-2 μg/L 7
Clordano 5103-74-2 μg/L 0,2
Clorpirifós + clorpirifós-oxon 2921-88-2 (clorpirifós)
5598-15-2 (clorpirifós-oxon) μg/L 30
DDT+DDD+DDE
p, p’-DDT (50-29-3)
p, p’-DDT (72-54-8)
p, p’-DDE (72-55-9)
μg/L 1
Diuron 330-54-1 μg/L 90
Endossulfan (α β e sais)(3) 115-29-7; I
(959-98-8); II μg/L 20
(33213-65-9);
sulfato (1031-07-8) μg/L
Endrin 72-20-8 μg/L 0,6
Glifosato + AMPA 1071-83-6 (glifosato)
1066-51-9 (AMPA) μg/L 500
Lindano (gama HCH) (4) 58-89-9 μg/L 2
Mancozebe 8018-01-7 μg/L 180
Metamidofós 10265-92-6 μg/L 12
Metolacloro 51218-45-2 μg/L 10
Molinato 2212-67-1 μg/L 6
Parationa metílica 298-00-0 μg/L 9
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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Parâmetro CAS(1) Unidade VMP(2)
Agrotóxicos (continuação)
Pendimentalina 40487-42-1 μg/L 20
Permetrina 52645-53-1 μg/L 20
Profenofós 41198-08-7 μg/L 60
Simazina 122-34-9 μg/L 2
Tebuconazol 107534-96-3 μg/L 180
Terbufós 13071-79-9 μg/L 1,2
Trifluralina 1582-09-8 μg/L 20
Desinfetantes e produtos secundários da desinfecção(5)
Ácidos haloacéticos total (6) mg/L 0,08
Bromato 15541-45-4 mg/L 0,01
Clorito 7758-19-2 mg/L 1
Cloro residual livre 7782-50-5 mg/L 5
Cloraminas total 0599-903 mg/L 4,0
2,4,6 triclorofenol 88-06-2 mg/L 0,2
Tri-halometanos total (7) mg/L 0,1
Notas:
(1) CAS é o número de referência de compostos e substâncias químicas adotado pelo Chemical 
Substract Service.
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 9, estão apresentados os padrões para o parâmetro cianotoxinas presentes 
na água para abastecimento humano e em que toda análise deverá ter como referência de 
potabilidade e segurança para o consumo.
Quadro 9 – Padrão de potabilidade de água de cianotoxinas da água para consumo humano.
Cianotoxinas
Parâmetro(1) Unidade VMP(2)
Microcistinas μg/L 1,0(3)
Saxitoxinas μg/L equivalente STX/L 3,0
Notas:
(1) Valor máximo permitido.
(2)O valor representa o somatório das concentrações de todas as variantes de microcistinas.
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 10, estão apresentados os padrões para o parâmetro radioatividade da água 
para abastecimento humano e em que toda análise deverá ter como referência de potabilida-
de e segurança para o consumo.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo36
Quadro 10 – Padrão de potabilidade de água de radioatividade da água para consumo humano.
Parâmetro(1) Unidade VMP
Rádio-226 Bq/L 1
Rádio-228 Bq/L 0,1
Nota:
(1) Sob solicitação da Comissão Nacional da Energia Nuclear, outros radionuclídeos devem ser inves-
tigados.
Fonte: BRASIL, 2011.
No quadro 11, estão apresentados os padrões para o parâmetro organoléptico da água 
para abastecimento humano, no qual se destaca o gosto e odor provocados por determina-
dos elementos químicos e em que toda análise deverá ter como referência de potabiidade e 
segurança para o consumo.
Quadro 11 – Padrão organoléptico de potabilidade de água para consumo humano.
Parâmetro CAS Unidade VMP(1)
Alumínio 7429-90-5 mg/L 0,2
Amônia (como NH3) 7664-41-7 mg/L 1,5
Cloreto 16887-00-6 mg/L 250
Cor aparente(2) uH 15
1,2-diclorobenzeno 95-50-1 mg/L 0,01
1,4-diclorobenzeno 106-46-7 mg/L 0,03
Dureza total mg/L 500
Etilbenzeno 100-41-4 mg/L 0,2
Ferro 7439-89-6 mg/L 0,3
Gosto e odor(3) Intensidade 6
Manganês 7439-96-5 mg/L 0,1
Monoclorobenzeno 108-90-7 mg/L 0,12
Sódio 7440-23-5 mg/L 200
Sólidos dissolvidos totais mg/L 1000
Sulfato 14808-79-8 mg/L 250
Sulfeto de hidrogênio 7783-06-4 mg/L 0,1
Surfactantes (como LAS) mg/L 0,5
Tolueno 108-88-3 mg/L 0,17
Turbidez(4) uT 5
Zinco 7440-66-6 mg/L 5
Xilenos 1330-20-7 mg/L 0,3
Notas:
(1) Valor máximo permitido.
(2) Unidade Hazen (mgPt-Co/L).
(3) Intensidade máxima de percepção para qualquer característica de gosto e odor com exceção do 
cloro livre, nesse caso por ser uma característica desejável em água tratada.
(4) Unidade de turbidez.
Fonte: BRASIL, 2011.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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No quadro 12, estão apresentados os padrões para o parâmetro cianobactéria presente 
na água para abastecimento humano, no qual se destaca a análise da quantidade máxima 
permitida e em que toda análise deverá ter como referência de potabilidade e segurança 
para o consumo.
Quadro 12 – Padrão de frequência de monitoramento de cianobactérias no manancial de abasteci-
mento de água.
Quando a densidade de cianobactérias (células/mL) for: Frequência
 10.000 Semanal
Fonte: BRASIL, 2011.
2.2 Indicadores previstos na 
legislação para a agricultura
A agricultura intensiva desenvolvida no Brasil apresenta diferentes impactos ambien-
tais na qualidade da água. É necessário, portanto, o monitoramento de diversos indicadores 
de qualidade e entre eles a avaliação de resíduos de agrotóxicos.
2.2.1 Água
Assim, os indicadores de avaliação da qualidade de água previstos na legislação para a 
agricultura são ordenados juridicamente pela Portaria do Ministério da Saúde 2.914, de 12 
de dezembro de 2011, nos quais os principais indicadores estão apresentados no quadro 7 
do capítulo anterior e também pela Resolução 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente 
(Conama), de 17 de março de 2005, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e 
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e os 
padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências.
2.2.2 Solo
A qualidade dos solos utilizados na agricultura tem uma legislação que traz como in-
dicadores de controle da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes 
e biofertilizantes. O Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas (DFIA/SDA) do 
Ministério da Agricultura é o responsável pela fiscalização em nível nacional.
O Decreto 8.384, de 29 de dezembro de 2014, que dispõe sobre a inspeção e fiscaliza-
ção da produção e do comércio de fertilizantes, corretivos, inoculantes, ou biofertilizantes, 
remineralizadores e substratos para plantas destinados à agricultura traz as diretrizes de 
controle de qualidade dos solos no Brasil.
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura2
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo38
O referido decreto apresenta as seguintes considerações e definições:
Art. 2o Para os fins deste Regulamento, considera-se:
I – produção: qualquer operação de fabricação ou industrialização e acondicio-
namento que modifique a natureza, acabamento, apresentação ou finalidade do 
produto;
II – comércio – atividade de compra, venda, exposição à venda, cessão, emprésti-
mo ou permuta de fertilizantes, corretivos agrícolas, inoculantes, biofertilizantes 
e matérias-primas; 
III – fertilizante: substância mineral ou orgânica, natural ou sintética, fornecedo-
ra de um ou mais nutrientes de plantas, sendo:
IV – corretivo – produto de natureza inorgânica, orgânica ou ambas, usado para 
melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, isoladas ou 
cumulativamente, não tendo em conta seu valor como fertilizante, além de não 
produzir característica prejudicial ao solo e aos vegetais, assim subdividido
V – inoculante: produto que contém micro-organismos com atuação favorável ao 
crescimento de plantas, entendendo-se como:
a) suporte: material excipiente e esterilizado, livre de contaminantes segundo os 
limites estabelecidos, que acompanha os micro-organismos e tem a função de 
suportar ou nutrir, ou ambas as funções, o crescimento e a sobrevivência destes 
micro-organismos, facilitando a sua aplicação; e
b) pureza do inoculante: ausência de qualquer tipo de micro-organismos que 
não sejam os especificados;
VI – biofertilizante: produto que contém princípio ativo ou agente orgânico, isen-
to de substâncias agrotóxicas, capaz de atuar, direta ou indiretamente, sobre o 
todo ou parte das plantas cultivadas, elevando a sua produtividade, sem ter em 
conta o seu valor hormonal ou estimulante;
VII – matéria-prima – material destinado à obtenção direta de fertilizantes, corre-
tivos, inoculantes, biofertilizantes, remineralizadores e substratos para plantas, 
por processo químico, físico ou biológico;
VIII – dose: quantidade de produto aplicado por unidade de área ou quilograma 
de semente;
IX – lote: quantidade definida de produto de mesma especificação e procedência;
X – partida – quantidade de produto de mesma especificação constituída por 
vários lotes;
XI – produto – qualquer fertilizante, corretivo, inoculante, biofertilizante, remi-
neralizador e substrato para plantas;
XII – produto novo: produto sem antecedentes de uso e eficiência agronômica 
comprovada no País ou cujas especificações técnicas não estejam contempladas 
nas disposições vigentes;
Indicadores da qualidade de águas e solos visando a sua 
importância no abastecimento de água doméstica e na agricultura
Gerenciamento e Controle de Poluição da Água e do Solo
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39
XIII – carga: material adicionado em mistura de fertilizantes, para o ajuste de for-
mulação, que não interfira na ação destes e pelo qual não se ofereçam garantias 
em nutrientes no produto final;
XIV – nutriente: elemento essencial ou benéfico para o crescimento e produção 
dos vegetais, assim subdividido:
a) macronutrientes primários: Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), ex-
pressos nas formas de Nitrogênio (N), Pentóxido de Fósforo (P2O5) e Óxido de 
Potássio (K2O);
b) macronutrientes secundários: Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S), ex-
pressos nas formas de Cálcio (Ca) ou Óxido de Cálcio (CaO), Magnésio (Mg) ou 
Óxido de Magnésio (MgO) e Enxofre (S); e
c) micronutrientes: Boro (B), Cloro (Cl), Cobre (Cu), Ferro (Fe),

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