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UEA/CEST Docente: Rosineide Rodrigues Monteiro Disciplina: Leitura e Produção Textual Curso de Pedagogia 2025/1, terça-feira, horário: 18h as 21h40, sala: 08 Discente: Maria Eduarda Castro/ Vivian Arevalo Castro Ficha de leitura MARTINS, Maria Helena. O que é Leitura. 17. ed. São Paulo: Brasiliense, 2006. (Coleção Primeiros Passos). Capitulo 7 (p.7-10); capitulo 11 ' (p.11-21); No início da obra, Maria Helena Martins amplia o conceito tradicional de leitura. Ela explica que, embora geralmente pensemos que ler e apenas decodificar letras, a leitura vai muito além disso: “Será assim também que acontece com a leitura de um texto escrito”? (p.10). A autora propõe que ler envolve compreender o mundo a nossa volta, inclusive gestos, imagens e situações cotidianas. A autora cita Paulo Freire: A leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra, e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele (p.10), defendendo que a leitura começa nas experiências sensoriais desde a infância, e não apenas na alfabetização escolar. Sobre o aprendizado da leitura, Martins argumenta que ele se dá de maneira natural e subjetiva: ”Ninguém ensina ninguém a ler; esse e um processo individual e solitário, embora se desenvolva na convivência com os outros” (p.13). Ela destaca que o leitor se forma a partir de suas vivencias e experiências previas, mesmo antes de ter contato com as palavras escritas. A autora também cita exemplos literários, como: Tarzan e Sartre, para mostrar que a curiosidade e a relação afetiva com o texto são fundamentais para a leitura acontecer. No caso de Sartre: Quando a última [pagina] foi virada, eu sabia ler” (p.15), demonstrando como o envolvimento emocional impulsiona o processo de alfabetização. Maria Helena critica a visão de leitura imposta pela escola, que muitas vezes desestimula o prazer de ler ao associar a leitura a métodos mecânicos e a obrigação “Prevalece a pedagogia do sacrifício, do aprender por aprender, sem se colocar o porquê, como e para que” (p.23). “Ela também observa que o uso de livros didáticos padronizados mais inibem do que estimulam o gosto de ler” (p.25). Outra crítica importante da autora está na elitização da leitura e na exclusão de analfabetos ou iletrados da pratica leitora: “Seria contra-senso insistir na importância do habito de ler restringindo-o aos livros” (p.28). Ela propõe que a leitura seja reconhecida como qualquer forma de construção de sentido seja através da oralidade, imagens, sons ou outros códigos. Por fim, a autora defende que o papel do educador e criar condições para que o educando realize a sua própria aprendizagem (p.36), e que a leitura deve ser encarada como instrumento de libertação (p.35), e não de dominação. Continuando sua análise crítica, Maria Helena Martins aprofunda a noção de leitura como um processo histórico, cultural e subjetivo. Para ela, a leitura não pode ser reduzida a mera decodificação de signos linguísticos. Decodificar sem compreender e inútil; compreender sem decodificar, impossível (p.31). Essa afirmação evidencia que leitura e uma relação ativa entre o leitor e o objeto lido. Ela propõe que existem três níveis inter-relacionados de leitura: Sensorial, emocional e racional. No nível sensorial, os sentidos são ativados como primeiros canais de contato com o mundo. A autora escreve: A leitura sensorial começa muito cedo e nos acompanhada por toda a vida (p.40), destacando que esse tipo de leitura se manifesta em respostas táteis, visuais e auditivas. O nível emocional e marcado pela identificação afetiva com o que se lê. Isso e evidente quando ela diz: “Essa e a leitura mais comum de quem diz gostar de ler, talvez a que de maior prazer” (p.49). Leitores muitas vezes se veem refletidos nos personagens e nas situações dos textos, criando vínculos profundos e duradouros. Já a leitura racional aparece quando o leitor passa a refletir criticamente sobre o conteúdo. Ela afirma: E nesse nível que os leitores começam a dominar sua leitura, tornando-se capazes de comparar, argumentar, analisar (p.58). Essa leitura e fruto da articulação entre a razão, as emoções e o conhecimento prévio do leitor. Ao longo da obra, a autora enfatiza que a leitura, quando significativa, leva a transformação pessoal e social. Ela propõe que o papel do educador não e apenas ensinar a ler, mas criar condições para que o educando desenvolva sua própria leitura do mundo: Trata-se, pois, de dialogar com o leitor sobre a sua leitura (p.36). Por fim, Maria Helena Martins reafirma a importância de democratizar o acesso à leitura, compreendida como instrumento de emancipação, “Enquanto permanecermos isolados na cultura letrada, não poderemos encarar a leitura senão como instrumento de poder” (p.36). Ela conclui que a leitura e uma experiência viva, moldada pela subjetividade e pelo contexto do leitor, sendo possível e necessária a todos.