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Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 1 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Esta sigla significa Regime Geral de Previdência Social, ou seja, tudo que diz respeito ao nosso famoso INSS. É importante destacar que o curso versa sobre as aposentadorias programáveis do RGPS, pois também existem os RPPS (regimes próprios de previdência social), que são àqueles instituídos na União, nos Estados e em alguns Municípios, que tem seus regramentos distintos do RGPS. Àquela aposentadoria que se pode programar, que se pode planejar, como as aposentadorias por idade, por tempo, especial, a rural ou híbrida e da pessoa com deficiência. Diferente de uma aposentadoria por incapacidade permanente, por exemplo, em que não existe possibilidade de programar a data da incapacidade. Se deu através da Emenda Constitucional nº 103, que alterou disposições da Constituição Federal, e entrou em vigor em 13/11/2019. A respectiva emenda trouxe novas regras de aposentadoria para quem se filiar ao INSS depois de 13/11/2019, e, para quem já estava filiado ao INSS, trouxe regras de transição (uma regra distinta, assim, quem já estava filiado ao INSS não se aposentará na regra antiga, mas também não precisa cumprir os requisitos das regras novas). Também restaram resguardados todos os direitos de aposentadoria para quem cumpriu todos os requisitos da legislação “antiga” até 13/11/2019 (direito adquirido). Existem ainda as regras transitórias, que são regras que ainda serão regulamentadas por lei complementar, portanto, não são definitivas, como a própria regra de cálculo do salário do benefício do art. 26 da EC nº 103, que será alterada assim que vier lei complementar regulamentando a sua forma de cálculo. Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 2 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Para compreendimento dos temas que envolvem a Reforma da Previdência, vamos estudar trechos da Constituição Federal, boa parte da Emenda Constitucional nº 103, trechos da Lei 8.213/91, Lei 9.876/99, e do Decreto 3.048/99, com as atualizações do Decreto 10.410/2020, assim como a Portaria nº 450 do INSS (que disciplinou as novas regras da reforma, para o sistema do INSS). Filiação é o momento em que se estabelece o vínculo entre Previdência e Segurado, ou seja, no exato momento que o indivíduo entra no campo da seguridade social, é o momento que ele faz uma contratação de direitos e deveres com a Previdência Social, e isso acontece em diferentes datas, dependendo da espécie de segurado, vejamos: para o segurado obrigatório, a filiação decorre automaticamente do primeiro dia em que exercida uma atividade remunerada (é o caso do empregado e do contribuinte individual, por exemplo), já para o segurado facultativo (àquele que não tem atividade remunerada mas deseja contribuir para o INSS espontaneamente), a filiação se dá no momento do pagamento da primeira contribuição em dia (art. 20 do Decreto 3.048/99). A inscrição, por sua vez, é mero ato de cadastro no INSS, mediante comprovação de dados pessoais (art. 18 do Decreto 3.048/99), é o momento que a Previdência Social recebe estas informações de dados do Segurado (CPF, PIS, endereço, etc). É importante saber o que significa filiação para saber que tipo de regra se aplica a um Segurado do INSS, pois, com a atual reforma da previdência, existem as regras aplicadas para quem já estava filiado antes do dia 13/11/2019, bem como as regras que irão se aplicar a quem ainda vier a se filiar ao INSS depois de 13/11/2019. Tenho vídeo no youtube sobre esta diferença: https://youtu.be/Sod392C-4Ds Art. 20 caput e §1º do Decreto 3.048: Filiação é o vínculo que se estabelece entre pessoas que contribuem para a previdência social e esta, do qual decorrem direitos e obrigações. § 1o A filiação à previdência social decorre automaticamente do exercício de atividade remunerada para os segurados obrigatórios, observado o disposto no § 2o, e da inscrição formalizada com o pagamento da primeira contribuição para o segurado facultativo. Art. 18 do Decreto 3.048: Considera-se inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no RGPS, por meio da comprovação dos dados pessoais, da seguinte forma https://youtu.be/Sod392C-4Ds Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 3 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA : É a condição atribuída a todo cidadão filiado ao INSS que possua uma inscrição e faça pagamentos mensais a título de Previdência Social (presumindo-se o recolhimento no caso de empregado, por exemplo), e é um requisito para muitos benefícios (como os benefícios por incapacidade, por exemplo), ocorre que a qualidade de segurado não existe apenas para o segurado que está em dia contribuindo para o INSS, pois ela é mantida, mesmo nas hipóteses de encerramento de vínculo de emprego, de encerramento de benefício, ou de encerramento das contribuições, é o que chamamos de período de graça (manutenção da qualidade de segurado). O art. 15 da Lei 8.213 estipula os períodos de manutenção de qualidade de segurado, que, se encerra doze meses após o encerramento de uma atividade remunerada (art. 15, inciso II da Lei 8.213), mas para o Segurado Facultativo, se encerra apenas seis meses após, conforme inciso VI do art. 15, do Decreto 8.213. Todavia, estes prazos ainda podem ser prorrogados, conforme §1 e 2º do referido art. 15 da Lei 8.213, se o segurado tiver contribuído mais de 120 contribuições sem perder a qualidade de segurado, e se comprovar situação de desemprego. Já o §4º do referido art. 15 da Lei 8.213, determina como será calculado exatamente o dia em que se encerrou essa qualidade de segurado. Estas informações são importantes nas aposentadorias programáveis, tanto para orientar o cliente sobre nunca deixar de contribuir por períodos longo ao INSS (para não ficar sem as proteções dos benefícios por incapacidade, morte, maternidade, etc), mas também para analisar se é possível indenizar uma contribuição atrasada, por exemplo no caso de contribuinte individual, e verificar se este período contará apenas como tempo de contribuição, ou também como carência (mas calma que isso vamos falar detalhadamente no curso). O art. 19-E do Decreto 3.048, incluído pelo Decreto 10.410, trouxe SIGNIFICATIVA alteração sobre a qualidade de segurado (Inconstitucional na minha interpretação), determinando que a qualidade de segurado está condicionada a contribuição mensal sobre o salário mínimo, e aqui exige muita cautela do advogado, pois muitos segurados terão benefícios negados por conta deste regulamento, e teremos que ingressar com ações judiciais. Para entender melhor o porquê desta inconstitucionalidade, eu recomendo este vídeo do youtube que gravei recentemente: https://www.youtube.com/watch?v=iZOh_uj5GsA&t=189s Lembre-se que o requisito da qualidade de segurado não é exigido para a concessão dos benefícios programáveis (§1º do art. 102 da Lei 8.213/91 e §5º e 6º do art. 13 do Decreto 3.048). Tenho vídeo no youtube explicando sobre a qualidade de segurado: https://youtu.be/K8hCHGFOp48 Sobre a manutenção da qualidade de segurado também: https://youtu.be/FsOXVyfgU30 https://www.youtube.com/watch?v=iZOh_uj5GsA&t=189s https://youtu.be/K8hCHGFOp48 https://youtu.be/FsOXVyfgU30 Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 4 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Art. 15 da Lei 8.213: Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições: inciso II: até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração; inciso VI: até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo. § 1º O prazo do inciso II será prorrogadopara até 24 (vinte e quatro) meses se o segurado já tiver pago mais de 120 (cento e vinte) contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda da qualidade de segurado. § 2º Os prazos do inciso II ou do § 1º serão acrescidos de 12 (doze) meses para o segurado desempregado, desde que comprovada essa situação pelo registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social. § 4º A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo fixado no Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição referente ao mês imediatamente posterior ao do final dos prazos fixados neste artigo e seus parágrafos. Art. 102, §1º Lei 8.213: A perda da qualidade de segurado importa em caducidade dos direitos inerentes a essa qualidade § 1º A perda da qualidade de segurado não prejudica o direito à aposentadoria para cuja concessão tenham sido preenchidos todos os requisitos, segundo a legislação em vigor à época em que estes requisitos foram atendidos. Antes de estudarmos os requisitos de cada modalidade de aposentadoria programável, precisamos entender que o tempo de contribuição e carência são dois requisitos básicos de todo o benefício programável, e que, apesar de serem conceitos parecidos, tratam-se de coisas diferentes, tanto na sua análise, quanto na forma de cálculo. Vou exemplificar: se um contribuinte individual comprovar que exerceu uma atividade remunerada há muitos anos atrás sem NUNCA contribuir para a previdência na época própria, ele até pode indenizar o período e contar como tempo de contribuição, mas o respectivo período não será computado como carência! Então, se o requisito da carência não existisse, uma pessoa que nunca contribuiu para o INSS, poderia esperar chegar a sua idade mínima de aposentadoria, e pagar todo o tempo atrasado, para se aposentar, por isso que, além do tempo de contribuição, é preciso ter carência, para obrigar que os cidadãos façam suas contribuições em dia para o INSS. O tempo de contribuição é mais fácil de analisar, enquanto a contagem da carência é mais complexa, e estes dois institutos sofreram várias modificações na sua análise e contagem com o Decreto 10.410, que passam a valer desde a entrada em vigor da reforma, ou seja, 13/11/2019. Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 5 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Antes da reforma da previdência, ou seja, até 13/11/2019, o tempo de contribuição deve ser calculado por dia de trabalho, então se um vínculo de emprego inicou em 01/10 e se encerrou no dia 15/10, por exemplo, naquele mês só serão computados 15 dias de tempo de contribuição. Já a carência, sempre foi, e continua sendo, uma contagem mensal, ou seja, não existem frações na contagem da carência, é sempre o mês inteiro, pois ela leva em conta a competência (o mês) do recolhimento de uma contribuição, e não os dias de trabalho daquele mês. Portanto, em relação ao mesmo vínculo de emprego citado (de 01/10 até 15/10), o segurado contará com 15 dias de contribuição, e UMA carência, independente do valor do salário base de contribuição (antes da reforma da previdência). Outro exemplo, se alguém trabalhou como empregado, do dia 20/06/2019 até 02/07/2019 ele terá 12 dias de contribuição, em compensação, terá 2 meses de carência (mês 06/2019 e mês 07/2019) . Ocorre que o novo Decreto 10.410 fez uma ligeira confusão entre os institutos da carência e tempo de contribuição, determinando que a partir de 13/11/2019 o tempo de contribuição também seria calculado mensalmente, ou seja, se o segurado trabalhou apenas 15 dias do mês, serão contabilizados como tempo de contribuição, os 30 dias (§2º, art. 19-C do Decreto 3.048), desde que a contribuição mensal seja igual ou superior ao salário mínimo, mas calma que já vamos falar disto com maior profundidade. : Falando da carência antes da reforma, temos que, para o segurado empregado, inclusive o doméstico, trabalhador avulso e contribuinte individual que prestar serviço à empresa (neste caso, a empresa tem a obrigação do recolhimento), a carência conta desde o mês em que iniciada a atividade nesta condição, presumindo-se a contribuição (antigo §4ª do art. 26 do Decreto 3.048/99), independente do valor recolhido. ANTIGO § 4º do art. 26 do Decreto 3.048: Para efeito de carência, considera-se presumido o recolhimento das contribuições do segurado empregado e do trabalhador avulso Art. 26, § 6º Para fins de carência, as contribuições anteriores à data de publicação da Emenda à Constituição nº 103, de 12 de novembro de 2019, serão consideradas em conformidade com a legislação vigente à época. Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 6 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Já para o contribuinte individual e facultativo (como eles são os responsáveis pelos recolhimentos), a carência é calculada a partir da primeira contribuição paga em dia. É importante referir, que as contribuições recolhidas em atraso, POSTERIORES A UMA PAGA SEM ATRASO, também contam como carência (art. 27, II, Lei 8.213/91), desde que não haja a perda da qualidade de segurado, conforme atualização do Decreto 10.410, §4º do art. 28. Lembre-se ainda, que não conta como carência o tempo de atividade do trabalhador rural anterior à 11/1991 (§3º do art. 26 do Decreto 3.048), para utilização na aposentadoria por tempo de contribuição, pois no período não há pagamento/recolhimentos (veja-se vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=e_J1l6d_CFw&t=76s) Todavia, na análise de carência para o segurado especial (agricultor em regime de economia familiar) se aposentar por idade rural ou híbrida, considera-se carência, a comprovação do exercício da atividade rural (§1º, art. 28 Decreto 3.048) inclusive antes de 1991, conforme recente julgamento do tema 1007 do STJ. Importante ainda, saiba que contribuições vertidas para o RPPS são consideradas como carência (§5º art. 26 Decreto 3.048). Sobre a carência, antes da reforma, tem vídeo no youtube também: https://youtu.be/ipe67sWrrY8 O Decreto 10.410 alterou a forma da contagem da carência, mas lembrem-se, que Decreto é mero regulamento, não tendo força de lei ok? O fato é que este Decreto dispôs que, a partir da reforma da previdência (13/11/2019), só será computado como carência o recolhimento em valor igual ou superior ao salário mínimo, mesmo em se tratando de empregado, veja-se novo art. 26 do Decreto 10.410: Art. 26. Período de carência é o tempo correspondente ao número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas as competências cujo salário de contribuição seja igual ou superior ao seu limite mínimo mensal. https://www.youtube.com/watch?v=e_J1l6d_CFw&t=76s https://youtu.be/ipe67sWrrY8 Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 7 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Ocorre que o dispositivo legal da reforma da previdência, que trata desta limitação do salário mínimo, diz respeito apenas a contagem de tempo de contribuição e não carência (§14º, art. 195 da CF): § 14. O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou superior à contribuição mínima mensal exigida para sua categoria, assegurado o agrupamento de contribuições. Portanto, interpreto inconstitucional este dispositivo do Decreto, e acho que teremos muita judicialização neste tópico, até tem um vídeo no meu canal do youtube sobre esta problematização: https://www.youtube.com/watch?v=iZOh_uj5GsA PRA FACILITAR TUDO ISTO, EU FIZ UM QUADRINHO DEMONSTRANDO A DIFERENÇA DA ANÁLISE DA CARÊNCIA ANTES E DEPOIS DO DECRETO 10.410. https://www.youtube.com/watch?v=iZOh_uj5GsA Material desenvolvido por Advogada Júlia Batistaem 10/2020 8 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA CARÊNCIA ANTES DO DECRETO 10.410 Data limite: EC 103 (art. 26, §6º Decreto 3.048) DEPOIS DO DECRETO 10.410 Data base: EC 103 Vínculo de emprego, trabalhador avulso, empregado doméstico e contribuinte individual que presta serviço a pessoa jurídica Os meses sempre vão contabilizar como carência, mesmo que não haja contribuição para o INSS. Presume-se a contribuição: inciso I, art. 27 Lei 8.213 antigo §4ª do art. 26 do Decreto 3.048/99 Só vai ser contabilizada se o empregador recolher a contribuição e em valor igual ou superior o salário mínimo (tese de inconstitucionalidade) Art. 19-E, Decreto 3.048 Contribuinte Individual e Contribuinte facultativo Somente é considerada se o pagamento é realizado EM DIA e em valor igual ou superior ao salário mínimo OU Quando paga em atraso, apenas conta como carência se o contribuinte tem pelo menos uma contribuição paga em dia, e ele deseja pagar as parcelas atrasadas ainda dentro do período de qualidade de segurado (conforme jurisprudência e Art. 27, II, Lei 8.213/91) Não mudou Apenas entrou em regulamento o que já era entendimento da jurisprudência: que só conta como carência se for indenizada no período após uma contribuição paga sem atraso e dentro do período de qualidade de segurado. Inciso II e §4º do art. 28 decreto 3.048 Segurado especial Para aposentadoria por idade rural e híbrida basta provar a atividade e já conta como carência (§2º art. 48 Lei 8.213). Não há necessidade de contribuir diretamente para o INSS. Período anterior a 10/1991: conta para aposentadoria por idade e híbrida como carência, mas para aposentadoria por tempo de contribuição, conta apenas como tempo de contribuição, pois é um período reconhecido sem indenização. Não mudou Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 9 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA CARÊNCIA ANTES DO DECRETO 10.410 Data limite: EC 103 (art. 26, §6º Decreto 3.048) DEPOIS DO DECRETO 10.410 Data base: EC 103 Tempo em benefício por incapacidade Se intercalado entre contribuições conta como carência, e se for de natureza acidentária, nem precisa ser intercalado. As normas eram omissas quanto ao cômputo como carência, mas o art. 55, inciso II, da lei 8.213/91 + o Art. 60, incisos III e IX do Decreto 3.048 faziam a jurisprudência entender que referido tempo intercalado deveria não apenas ser contado como tempo de contribuição, mas como carência também. Nos estados da região Sul (residentes da 4ª região do TRF – RS, SC, PR), por força de ACP, tinha validade o disposto do §1º do art. 153 da IN 77. Os tribunais superiores entendem que o período intercalado conta como carência + Portaria Conjunta n. 12/2020 de 25/05/2020 (liminar em ACP do RJ que vale para todo território nacional): em caso de benefício não acidentário, seria exigida intercalação, mas em se tratando de benefício acidentário, tal exigência seria dispensada, nos termos do art. 60, inciso IX, do Decreto 3.048/99. TEMA 1125 STF (cuidado facultativo) Este período contaria como tempo de contribuição mas não como carência. O art. 60, IX do decreto n. 3.048/99 foi revogado e foi introduzido o art. 19-C, § 1º, todavia, a atualização do decreto contraria a portaria conjunta n. 12/2020 de 25/05/2020 (liminar em ACP que vale para todo território nacional), e a própria jurisprudência A dúvida que fica é: qual vai efetivamente valer? O Decreto ou a Portaria? Na ACP que instituiu a Portaria ainda não havia a previsão do Decreto. Como o Decreto pode confrontar a jurisprudência? Aí cabe tese para ação judicial. Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 10 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA CARÊNCIA ANTES DO DECRETO 10.410 Data limite: EC 103 (art. 26, §6º Decreto 3.048) DEPOIS DO DECRETO 10.410 Data base: EC 103 Tempo convertido da atividade especial ou da pessoa com deficiência O tempo majorado da atividade especial não conta como carência Exemplo: homem trabalhou 10 anos em atividade especial, com a conversão do tempo especial para comum, o tempo foi majorado para 14 anos. Os 10 anos de vínculo de emprego contam como carência, mas os 4 anos de acréscimo não Não mudou, apenas foi regulamentado a questão da carência do tempo convertido da pessoa com deficiência: Art. 188-Q Decreto 3.048 APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS Por idade urbana Por idade rural Por idade hibrida Por idade de professor Por tempo de contribuição Por tempo de Contribuição de Professor Especial Por idade e tempo da pessoa com deficiência 180 meses OU Tabela do art. 142 da Lei 8.213 para filiados antes da Lei 8.213 Jurisprudência entende que a carência exigida é àquela do ano em que implementou a idade Súmula 44 TNU e STJ AgRg 1.364.714.RS Exemplo: implementou idade 1999, só precisa 108 meses de carência Não mudou 180 meses OU Tabela do art. 142 da Lei 8.213 para as aposentadorias das regras de transição (art. 182 do Decreto 3.048) OBS: Existem dúvidas se a tabela do art. 142 vai continuar valendo para as aposentadorias programadas para os filiados ao INSS após a reforma da previdência, ficando em aberto a possibilidade de construção de tese. Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 11 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA O tempo de contribuição antes da reforma da previdência era contabilizado em dias, e, nunca foi exigido valor mínimo de contribuição para o segurado empregado, para que o tempo fosse considerado como tempo de contribuição, ocorre que o Decreto 10.410, através do seu art. 19-E estipulou que o tempo de contribuição só será contabilizado quando a contribuição mensal for igual ou superior ao salário mínimo, o que vai de encontro com a Ec nº 103, em seu §14, art. 195: §14, art. 195 da EC nº 103: O segurado somente terá reconhecida como tempo de contribuição ao Regime Geral de Previdência Social a competência cuja contribuição seja igual ou superior à contribuição mínima mensal exigida para sua categoria, assegurado o agrupamento de contribuições." O Decreto então, permitiu aos segurados que receberem remuneração inferior ao limite mínimo mensal do salário de contribuição, fazer os seguintes mecanismos para elevar o valor base até o salário mínimo e conseguir usar o mês como tempo de contribuição (incisos I, II e III do §1º do art. 19-E do Decreto 3.048): I - complementar a contribuição das competências, de forma a alcançar o limite mínimo do salário de contribuição exigido; II - utilizar o excedente do salário de contribuição superior ao limite mínimo de uma competência para completar o salário de contribuição de outra competência até atingir o limite mínimo; ou III - agrupar os salários de contribuição inferiores ao limite mínimo de diferentes competências para aproveitamento em uma ou mais competências até que estas atinjam o limite mínimo. § 2º Os ajustes de complementação, utilização e agrupamento previstos no § 1º poderão ser efetivados, a qualquer tempo, por iniciativa do segurado, hipótese em que se tornarão irreversíveis e irrenunciáveis após processados. § 3º A complementação de que trata o inciso I do § 1º poderá ser recolhida até o dia quinze do mês subsequente ao da prestação do serviço e, a partir dessa data, com os acréscimos previstos no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. § 4º Os ajustes de que tratam os incisos II e III do § 1º serão efetuados na forma indicada ou autorizada pelo segurado, desde que utilizadas as competências do mesmo ano civil definido no art. 181-E, em conformidade com o disposto nos § 27-A ao § 27-D do art. 216. Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 12 Curso: ASAPOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA § 5º A efetivação do ajuste previsto no inciso III do § 1º não impede o recolhimento da contribuição referente à competência que tenha o salário de contribuição transferido, em todo ou em parte, para agrupamento com outra competência a fim de atingir o limite mínimo mensal do salário de contribuição. § 6º Para complementação ou recolhimento da competência que tenha o salário de contribuição transferido, em todo ou em parte, na forma prevista no § 5º, será observado o disposto no § 3º. § 7º Na hipótese de falecimento do segurado, os ajustes previstos no § 1º poderão ser solicitados por seus dependentes para fins de reconhecimento de direito para benefício a eles devidos até o dia quinze do mês de janeiro subsequente ao do ano civil correspondente, observado o disposto no § 4º." (NR) Tem vídeo no youtube sobre esta atualização do Decreto: https://youtu.be/3mNQvsITqIU PRA FACILITAR TUDO ISTO, FIZ UM QUADRINHO DEMONSTRANDO A DIFERENÇA DA ANÁLISE DO TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO ANTES E DEPOIS DO DECRETO 10.410. https://youtu.be/3mNQvsITqIU Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 13 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO ANTES DO DECRETO 10.410 DEPOIS DO DECRETO 10.410 Contagem Em dias. Exemplo: trabalhou de 01/09 até 12/09, contam 12 dias de contribuição, independentemente do valor recolhido (se for empregado, por exemplo), isso porque contribuinte individual e facultativo precisam respeitar o recolhimento sobre o mínimo. Em meses. Exemplo: trabalhou de 01/09 até 12/09, contam 30 dias de contribuição, desde que o valor recolhido seja igual ou superior ao salário mínimo (para qualquer segurado) §2º art. 19-C do Decreto 3.048 Requisito O valor só precisava respeitar o mínimo se fosse contribuinte individual ou segurado facultativo Para qualquer segurado, exige-se contribuição mínima de um salário mínimo Art. 19-E do Decreto 3.0418 Tem vídeo no youtube sobre esta diferença: https://www.youtube.com/watch?v=yateAb2AWvM https://www.youtube.com/watch?v=yateAb2AWvM Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 14 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Para os inscritos após 24/07/1994: 180 contribuições mensais (art. 24, II da Lei 8.213/91), antes e depois da reforma (inciso II do art. 29 Decreto 3.048 e parágrafo único do art. 5 º da Portaria nº 450 do INSS). Para os inscritos antes de 24/07/1991: Conforme a tabela progressiva do art. 142 da Lei 8.213/91. OBS: a tabela se aplica em função do ano em que o segurado completa a idade mínima, ainda que o período de carência seja preenchido depois. (Súmula 44 da TNU). A Renda Mensal Inicial é o valor mensal da aposentadoria, que nada mais é do que o Salário de Benefício (uma média das contribuições) multiplicado por um coeficiente (que varia de acordo com a modalidade de aposentadoria). Para cada modalidade de aposentadoria a lei estabelece uma alíquota ou coeficiente, que é um multiplicador sobre o salário de benefício (média contributiva), e o seu resultado então, é a renda mensal inicial. Salário de Benefício é a média de contribuição do Segurado, que sofreu grandes mudanças na forma do cálculo ao longo dos anos. Para os inscritos após 29/11/1999: média dos 80% maiores salários de contribuição de todo período contributivo. Para os inscritos antes de 29/11/1999: média dos 80% maiores salários de contribuição a partir de 07/1994, com aplicação do divisor mínimo. Para os inscritos após 13/11/2019, e para os segurados que optarem se aposentar em alguma das regras de transição: média de 100% das contribuições vertidas desde 07/1994, sem aplicação do divisor mínimo (com exceção da aposentadoria da pessoa com deficiência, que a regra de cálculo ficou mantida e mesmo com a reforma da previdência, mesmo que o Decreto 10.410 remeta o cálculo a média de todas as contribuições, mas neste aspecto, já existe tese de que o Decreto é inconstitucional, eu sugiro usar a intepretação mais favorável ao cliente). Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 15 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Para calcular uma média das contribuições, precisamos somá-las e depois dividir esta soma, pelo número de contribuições somadas. Vou dar um exemplo bem “bobo”, mas só para que vocês visualizem: se eu tenho 5 contribuições de R$ 3.000 e 5 contribuições de R$ 7.000,00, eu vou soma-las, o que vai dar o valor de R$ 50.000,00 (5X R$ 3.000,00) + (5X R$ 7.000), e vou dividir este número por 10 certo (que é o número de contribuições somadas), então, a média de contribuição neste caso é de R$ 5.000,00 (R$ 50.000 / 10). Agora, imagine se eu não pudesse dividir essa soma por 10, e sim sobre o número mínimo que a lei determina, pois é, é exatamente isto o DIVISOR MÍNIMO. A lei determina que ele não será inferior a 60% do período decorrido de 07/1994 até a data de início do benefício (Art. 3º, §2º da Lei 9.876/99). Vejamos: Se a pessoa vai se aposentar em 07/2019, e ela tem apenas 140 contribuições depois de 07/1994, teremos um divisor mínimo de 180 (porque entre 07/1994 e 07/2019, temos o transcorrer de 300 meses, e 60% disto são 180). Então, somaremos o valor das 140 contribuições mas, vamos dividir por 180 para chegar a “média”, ao invés de dividir por 140. OBS: Existe tem tese judicial de revisão, sobre a inclusão dos salários contribuídos antes de 1994, já acolhida pelo STJ (agora está no STF), que é o Tema 999 do STJ, então é sempre interessante calcular, se vale a pena incluir os salários antes de 1994, para revisão da RMI e para atenuar o prejuízo do divisor mínimo. A EC nº 103 não trouxe nenhuma determinação de aplicação do Divisor Mínimo, e o Art. 26 da EC 103 renova toda a sistemática de cálculos, não podemos esquecer que o art. 26 é regra transitória, ou seja, ainda será regulamentado por lei complementar, e acredito que o legislador vai se dar conta deste equívoco da não aplicabilidade do divisor mínimo, por isso temos que aproveitar enquanto o art. 26 está em vigência. Tem uma super live sobre esta matéria no meu canal do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=u64JS_O3qzk&t=1242s E tem outras boas dicas em vídeo sobre o divisor mínimo: https://www.youtube.com/watch?v=atf2ZDE9jgY&t=30s https://www.youtube.com/watch?v=uJLLrLxa-ZI https://www.youtube.com/watch?v=u64JS_O3qzk&t=1242s https://www.youtube.com/watch?v=atf2ZDE9jgY&t=30s https://www.youtube.com/watch?v=uJLLrLxa-ZI Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 16 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA Para calcular a média de contribuição (o salário de benefício), sempre é preciso atualizar os salários de contribuições, por exemplo, o valor de contribuição lá de 08/1994 deve ser corrigido, pois obviamente o valor da moeda mudou muito de lá para cá. Então, para ficar mais próximo da atualidade, conforme determina o art. 33 do Decreto 3.048/99, todos os salários-de-contribuição utilizados no cálculo do salário-de-benefício serão corrigidos, mês a mês, de acordo com a variação integral do Índice Nacional de Preço ao Consumidor - INPC, de modo a preservar o seu valor real. No site do INSS você encontra estes índices, mensalmente o INSS lança tabela atualizada, você abre ela no excel já: Veja https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/legislacao/indices-de-atualizacao-e-valores-medios-dos-beneficios em: índice de atualização das contribuições para o cálculo do salário de benefício (art. 33 do Decreto 3.048/99): https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/legislacao/indices-de-atualizacao-e-valores-medios-dos-beneficios Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 17 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIAO mais incrível é que o sistema já te dá a planilha completa (EM EXCEL) com todos os índices de atualização, para cada mês e ano: Você também pode fazer esta correção no salário pela calculadora do cidadão do banco central, o problema é que você terá que fazer o cálculo de cada mês por vez: https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores Então, eu recomendo a facilidade do site do INSS. https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores Material desenvolvido por Advogada Júlia Batista em 10/2020 18 Curso: AS APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA É um coeficiente calculado com base na idade, expectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do Segurado. Para fins de cálculo de fator previdenciário, deve ser observado os incisos do §9º do Art. 29 da Lei 8213/91 para mulheres e professores. A Fórmula dele está descrita no §11 do art. 32 do Decreto 3.048/99. Dá para simular aproximadamente o Fator Previdenciário através do site do IEPREV: https://www.ieprev.com.br/fator. O fator previdenciário incide, obrigatoriamente, nas aposentadorias por tempo de contribuição (antes da reforma), e nas aposentadorias por idade e aposentadoria especial do deficiente somente será aplicado se for positivo e, consequentemente, aumentar a média. Pós reforma da previdência, ele só é aplicado na regra do pedágio de 50% (§ único do art. 17 da EC 103). https://www.ieprev.com.br/fator ANTES DE COMEÇARMOS A APROFUNDAR O ASSUNTO: APOSENTADORIAS PROGRAMÁVEIS NO RGPS, ACHEI INTERESSANTE REPASSAR ALGUNS ESCLARECIMENTOS IMPORTANTES.