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Revisada
Atualizada
Ampliada
Edição 
2025.1
L e i d e
DROGAS
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 1 
 
LEI 11.343/2006 - LEI DE DROGAS 
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 3 
LEI DE DROGAS - 11.343/2006 ......................................................................................................... 4 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ....................................................................................................... 4 
2. OBJETIVIDADE JURÍDICA .......................................................................................................... 5 
3. OBJETO MATERIAL .................................................................................................................... 5 
4. SUJEITO ATIVO ........................................................................................................................... 6 
5. SUJEITO PASSIVO ...................................................................................................................... 6 
6. ELEMENTO SUBJETIVO ............................................................................................................. 7 
7. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO .............................................................................................. 7 
8. AÇÃO PENAL ............................................................................................................................... 7 
9. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA .............................................................................................. 7 
10. PORTE E CULTIVO PARA CONSUMO PESSOAL ................................................................ 9 
 PREVISÃO LEGAL ............................................................................................................... 9 
 ATUAL ENTENDIMENTO DO STF .................................................................................... 10 
 FUGA DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE .................................................................. 12 
 CONSUMO PESSOAL X USO PRÓPRIO ......................................................................... 12 
 PRINCÍPIO DA ALTERIDADE ............................................................................................ 13 
 NATUREZA JURÍDICA ....................................................................................................... 13 
 CRITÉRIOS PARA DIFERENCIAÇÃO COM O TRÁFICO ................................................ 15 
 PENAS ................................................................................................................................. 16 
 PRESCRIÇÃO ..................................................................................................................... 19 
 RITO PROCESSUAL .......................................................................................................... 20 
11. ART. 33 - TRÁFICO DE DROGAS ......................................................................................... 20 
 CONSIDERAÇÕES INICIAIS.............................................................................................. 20 
 SUJEITO ATIVO ................................................................................................................. 21 
 ELEMENTO NORMATIVO .................................................................................................. 22 
 FLAGRANTE PREPARADO ............................................................................................... 22 
 DOSIMETRIA DA PENA ..................................................................................................... 23 
11.5.1. Pena privativa de liberdade ......................................................................................... 23 
11.5.2. Pena de multa .............................................................................................................. 23 
 CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA .................................................................................. 24 
11.6.1. Previsão legal ............................................................................................................... 24 
11.6.2. Vedação de penas restritivas de direitos .................................................................... 25 
11.6.3. Tráfico privilegiado X Crime Hediondo ........................................................................ 25 
11.6.4. Requisitos cumulativos ................................................................................................ 26 
11.6.5. Diminuição da pena e quantidade da droga................................................................ 27 
11.6.6. Exercício de atividade criminosa ................................................................................. 29 
11.6.7. “Mulas” do tráfico ......................................................................................................... 29 
11.6.8. Causa de diminuição e histórico de ato infracional ..................................................... 30 
 FIGURAS EQUIPARADAS ................................................................................................. 32 
11.7.1. Inciso I .......................................................................................................................... 32 
11.7.2. Inciso II ......................................................................................................................... 34 
11.7.3. Inciso III ........................................................................................................................ 37 
11.7.4. Inciso IV ........................................................................................................................ 37 
12. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO USO INDEVIDO DE DROGAS................ 38 
13. CEDENTE EVENTUAL ........................................................................................................... 39 
14. ART. 34 - MAQUINISMO E OBJETOS DESTINADOS AO TRÁFICO .................................. 40 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 2 
 
 FINALIDADE DO TIPO PENAL .......................................................................................... 41 
 OBJETO MATERIAL ........................................................................................................... 41 
 CONFLITO DE NORMAS COM O ART. 33, CAPUT, E PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO .. 41 
 CONCURSO DE CRIMES: ART. 33, CAPUT E ART. 34 .................................................. 42 
15. ART. 35 - ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO ........................................................................ 44 
 INADMISSIBILIDADE DE TENTATIVA .............................................................................. 44 
 OUTRAS FORMAS DE ASSOCIAÇÃO .............................................................................. 44 
 REITERAÇÃO NA INTENÇÃO DE COMETER CRIMES .................................................. 44 
 CONCURSO DE CRIMES .................................................................................................. 45 
16. ART. 36 - FINANCIAMENTO AO TRÁFICO .......................................................................... 45 
 FINANCIAMENTO OU CUSTEIO SEM TRÁFICO ............................................................. 45 
 AUTOFINANCIAMENTO E ART. 40, VII, DA LD ............................................................... 46 
17. ART. 37 - INFORMANTE COLABORADOR .......................................................................... 47 
 COLABORADOR FUNCIONÁRIO PÚBLICO ..................................................................... 48 
 ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E SUBSIDIARIEDADE ............................................... 48 
18. CAUSAS DE AUMENTO DA PENA ....................................................................................... 48 
 APLICABILIDADE ...............................................................................................................112 da 
LEP, expressando que o tráfico privilegiado não é crime hediondo e nem equiparado: 
 
6 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Tráfico privilegiado não é hediondo (cancelamento da Súmula 512-STJ). Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: . 
Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 26 
 
Art. 112, § 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste 
artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, 
de 23 de agosto de 2006. 
 
Ressalta-se, todavia, que a Lei 13.964/2019, ao promover alterações na Lei de Execução 
Penal, apenas afastou o caráter hediondo ou equiparado do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei 
11.1343/2006), nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas, de modo que a 
equiparação do tráfico de drogas a delitos hediondos decorre da previsão constitucional contida no 
art. 5º, XLIII, da Constituição Federal. 
As alterações providas pelo Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019) apenas 
afastaram o caráter hediondo ou equiparado do tráfico privilegiado, previsto 
no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, nada dispondo sobre os demais 
dispositivos da Lei de Drogas. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 748.033-SC, Rel. 
Min. Jorge Mussi, julgado em 27/09/2022 (Info 754). 
 
A Lei nº 13.964/2019, ao promover alterações na Lei de Execução Penal, 
apenas afastou o caráter hediondo ou equiparado do tráfico privilegiado (art. 
33, § 4º, da Lei nº 11.1343/2006), nada dispondo sobre os demais dispositivos 
da Lei de Drogas. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 754.913-MG, Rel. Ministro 
Jorge Mussi, julgado em 6/12/2022 (Info 760). 
11.6.4. Requisitos cumulativos 
Para que o tráfico privilegiado seja reconhecido, é necessário o preenchimento de 4 
requisitos, quais sejam: 
1) O agente deve ser primário; 
2) O agente deve possuir bons antecedentes; 
3) O agente não pode se dedicar a atividades criminosas; 
4) O agente não pode integrar organização criminosa. 
São requisitos cumulativos. Logo, caso o agente não preencha algum não poderá ser 
beneficiado, conforme determinou o STJ: 
STJ - Tese 22: A causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da 
Lei de Drogas só pode ser aplicada se todos os requisitos, cumulativamente, 
estiverem presentes. 
 
Além disso, a habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser 
comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício seja afastado por simples 
presunção. 
A previsão da redução de pena contida no § 4º do art. 33 da Lei nº 
11.343/2006 tem como fundamento distinguir o traficante contumaz e 
profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como do que se 
aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se 
com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. Assim, para legitimar 
a não aplicação do redutor é essencial a fundamentação corroborada 
em elementos capazes de afastar um dos requisitos legais, sob pena de 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11343.htm#art33%C2%A74
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11343.htm#art33%C2%A74
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 27 
 
desrespeito ao princípio da individualização da pena e de 
fundamentação das decisões judiciais. Desse modo, a habitualidade e o 
pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados, não 
valendo a simples presunção. Não havendo prova nesse sentido, o condenado 
fará jus à redução de pena. Em outras palavras, militará em favor do réu a 
presunção de que é primário e de bons antecedentes e de que não se 
dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. O 
ônus de provar o contrário é do Ministério Público. Assim, o STF 
considerou preenchidas as condições da aplicação da redução de pena, por 
se estar diante de ré primária, com bons antecedentes e sem indicação de 
pertencimento a organização criminosa. STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, 
rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
4/2/2020 (Info 965). 
 
Destaca-se, ainda, que não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico 
privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu 
responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em 
fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). 
Não cabe afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 
11.343/2006 (Lei de Drogas) com base em condenações não alcançadas pela 
preclusão maior (coisa julgada). STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1936058/SP, 
Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021. 
 
É vedada a utilização de inquéritos e/ou ações penais em curso para impedir 
a aplicação do art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. REsp 
1.977.027-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 10/08/2022 (Info 745). 
 
 Pergunta-se: O réu pode receber a minorante do tráfico privilegiado, mesmo sendo mula do 
tráfico? 
 
 SIM. A condição de 'mula' do tráfico, por si só, não comprova que o acusado integra organização 
criminosa e, por via de consequência, não se presta a fundamentar a não aplicação da minorante do tráfico 
privilegiado, mas, tão-somente, justifica a aplicação da referida causa de diminuição em seu patamar mínimo, 
de 1/6 (um sexto). (AgRg no AREsp 2.482.593-PI - Info 21 – Edição Extraordinária). 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-SP - Juiz - VUNESP - 2021): A respeito do tráfico ilícito de drogas na sua 
forma privilegiada (artigo 33, parágrafo 4º, da Lei nº 11.343/06), é correto 
afirmar que não se aplica a réus reincidentes. Correto. 
 
(TJ-MS - Juiz - FCC - 2020): É cabível a redução da pena de um sexto a dois 
terços para o agente que tem em depósito, sem autorização ou em desacordo 
com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto 
químico destinado à preparação de drogas, desde que primário, de bons 
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre 
organização criminosa. Correto. 
11.6.5. Diminuição da pena e quantidade da droga 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 28 
 
Imagine que o agente é primário, de bons antecedentes, não se dedica a atividades 
criminosas e nem integra organização criminosa. Contudo, foi apreendido com uma grande 
quantidade de drogas. Neste caso, será possível a concessão do benefício? De acordo com o STF 
(2ª Turma), a quantidade de drogas, isoladamente, não pode servir de fundamento para a negativa 
do benefício. 
A quantidade e natureza da droga são circunstâncias que, apesar de 
configurarem elementos determinantes na modulação da causa de 
diminuição de pena, por si sós, não são aptas a comprovar o envolvimento 
com o crime organizado ou a dedicação à atividade criminosa, devendo o 
juízo condenatório obter outros elementos hábeis a embasar tal afirmativa. 
(STF - HC: 195319 SP 0110517-85.2020.1.00.0000, Relator: CÁRMEN 
LÚCIA, Data de Julgamento: 24/02/2021, Segunda Turma, Data de 
Publicação: 05/03/2021). 
 
Seguindo o posicionamento do STF, o STJ firmou entendimento no sentido de que o simples 
fato de o indivíduo ter sido preso levando uma grande quantidade de droga para terceiros não é 
motivo para se afastar o tráfico privilegiado; isso porque a condição de mula não é argumento, por 
si só, para afastar o privilégio. Assim segue: 
A quantidade e a natureza da droga apreendida podem servir de fundamento 
para a majoração da pena-base ou para a modulação da fração da causa de 
diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, desde que não 
tenham sido utilizadas na primeira fase da dosimetria. O fundamento de que 
o agente transportava grande quantidade de droga a serviço de terceiros não 
se presta a sustentar o afastamento do tráfico privilegiado,uma vez que 
evidencia apenas a condição de “mula” e não de dedicação a atividades 
criminosas. A condição de “mula”, por si só, não tem o condão de impedir o 
reconhecimento do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da LD). STJ. 6ª Turma. 
AgRg no HC 842.630-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 
18/12/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). 
 
Não obstante, a existência de um contexto de grande quantidade de drogas, multiplicidade 
de agentes, divisão de tarefas, forma de transporte do entorpecente e distância entre a origem e o 
destino são elementos que permitem afastar o tráfico privilegiado, conforme definido pelo STJ: 
A elevada quantidade de drogas apreendidas, a multiplicidade de agentes 
envolvidos na trama criminosa - que perpassa pela contratação e pela 
proposta de pagamento -, a forma de transporte da substância entorpecente, 
a distância entre os estados da federação e a nítida divisão de tarefas entre 
os membros do grupo descaracterizam a condição de pequeno traficante - ou 
traficante ocasional - impedindo o reconhecimento do benefício do tráfico 
privilegiado. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2115857-MS, Rel. Min. João 
Otávio de Noronha, Rel. Acd. Ministro Jorge Mussi, julgado em 25/10/2022 
(Info Especial 10). 
 
Frise-se, contudo, que a apreensão de petrechos para a traficância, a depender das 
circunstâncias do caso concreto, pode afastar a causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado, 
in verbis: 
Caso adaptado: o agente foi preso em flagrante delito e com ele foram 
encontrados, além de entorpecentes, balança de precisão, colher, peneira, 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 29 
 
todos com resquícios de cocaína e 66 frasconetes. O juiz condenou o réu e 
negou o benefício do art. 33, § 4º sob o argumento de que havia a apreensão 
desses petrechos, utilizados comumente para o tráfico de drogas, indicam 
que o réu se dedicava às atividades criminosas. Assim, não preencheu um 
dos requisitos para a obtenção do benefício. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 
773113-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2022 
(Info 752).7 
 
Por fim, no que se refere ao regime de cumprimento da pena ao condenado por tráfico 
privilegiado, é importante evidenciar que o STF editou o seguinte enunciado: 
Súmula Vinculante 59: É impositiva a fixação do regime aberto e a 
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos quando 
reconhecida a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 
11.343/2006) e ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria 
(art. 59 do CP), observados os requisitos do art. 33, § 2º, ‘c’, e do art. 44, 
ambos do Código Penal. STF. Plenário. PSV 139/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, 
julgado em 19/10/2023 (Info 1113). 
11.6.6. Exercício de atividade criminosa 
Indaga-se: a atividade criminosa deve ser exercida com exclusividade para invalidar o 
benefício? 
Antes, importante relembrar os requisitos para concessão da causa de diminuição de pena: 
primariedade do agente, bons antecedentes, não se dedicar a atividades criminosas e não integrar 
organização criminosa. 
Imagine o seguinte caso: o agente é médico e, eventualmente, dedica-se às atividades 
criminosas de tráfico de drogas. Mesmo que a defesa alegue que o agente desempenha a função 
de médico e esporadicamente recorre ao tráfico, não será possível reconhecer a causa de 
diminuição de pena, conforme entendimento dos tribunais superiores. 
Ainda que o réu comprove o exercício de atividade profissional lícita, se, de 
forma concomitante, ele se dedicava a atividades criminosas, não terá direito 
à causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 
11.343/2006 (Lei de Drogas). O tráfico de drogas praticado por intermédio de 
adolescente que, em troca da mercancia, recebia comissão, evidencia 
(demonstra) que o acusado se dedicava a atividades criminosas, 
circunstância apta a afastar a incidência da causa especial de diminuição de 
pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006. STJ. 6ª Turma. REsp 
1380741-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/4/2016 (Info 
582).8 
11.6.7. “Mulas” do tráfico 
 
7 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A apreensão de petrechos para a traficância, a depender das circunstâncias do caso concreto, 
pode afastar a causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da LD). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível 
em: . Acesso em: 15/03/2024. 
8 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O fato de o réu ter ocupação lícita não significa que terá direito, necessariamente, à minorante 
do § 4º do art. 33 da LD. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 30 
 
De acordo com Márcio Cavalcante9, “mula” é o nome dado a pessoa, geralmente primária e 
de bons antecedentes (para que não desperte suspeitas), que é cooptada pelas quadrilhas de tráfico 
de drogas para que realize o transporte do entorpecente de uma cidade, estado, país, para outros, 
em troca de uma contraprestação pecuniária, ou por conta de ameaças. 
Normalmente, a droga é transportada pela “mula” de forma dissimulada, escondida em 
fundos falsos de bolsas, junto ao corpo ou até mesmo em cápsulas dentro do estômago da pessoa. 
A “mula” também é conhecida como “avião” ou “transportador”. 
Em relação às mulas, até pouco tempo, entendia-se que havia dedicação à atividade 
criminosa e que integrava organização criminosa. Portanto, o benefício não seria aplicado. 
Contudo, o atual entendimento do STF é no sentido de que: 
HC 124.107 - Info 766 STF - o fato de o agente transportar droga, por si 
só, não é suficiente para afirmar que ele integre a organização 
criminosa. Assim, é possível aplicar a causa de diminuição, não se podendo 
fundamentar tal negativa em mera suposição de que o réu se dedique a 
atividades criminosas em face da quantidade de droga apreendida. 
 
O STJ, no Informativo 602, seguiu o mesmo entendimento do STF: 
HC 387.077 É possível o reconhecimento do tráfico privilegiado ao agente 
transportador de drogas, na qualidade de "mula", uma vez que a simples 
atuação nessa condição não induz, automaticamente, à conclusão de que ele 
seja integrante de organização criminosa. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-GO - Juiz - FCC - 2021): É inviável a aplicação da causa especial de 
diminuição da pena do art. 33, § 4°, da Lei 11.343/2006, quando há 
condenação simultânea do agente nos crimes de tráfico de drogas e de 
associação para o tráfico, mas possível que a fração de redução, em caso de 
exclusiva condenação por tráfico, seja modulada em razão da qualidade e da 
quantidade de droga apreendida, além das demais circunstâncias do delito, 
não obstando a aplicação da minorante, por si só, a condição de “mula”. 
Correto. 
11.6.8. Causa de diminuição e histórico de ato infracional 
Conforme bem descreveu Márcio Cavalcante10, o STJ entende que a existência de ato(s) 
infracional(is) pode ser sopesada para fins de comprovar a dedicação do réu a atividades criminosas 
e, por conseguinte, de impedir a incidência da causa especial de diminuição de pena prevista no § 
4º do art. 33 da Lei de Drogas. 
 
9 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É possível aplicar o § 4º do art. 33 da lei de drogas às “mulas”. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . Acesso em: 
15/03/2024. 
10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O histórico infracional é suficiente para afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, 
da Lei 11.343/2006?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
.Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 31 
 
Embora atos infracionais praticados na adolescência não constituam crime na acepção 
normativa do termo, não há como se olvidar que eles são fatos contrários ao Direito e implicam, 
sim, consequências jurídicas, inclusive a possibilidade de internação do menor. 
Quando esse indivíduo completa 18 anos de idade – e, portanto, torna-se imputável – essa 
mesma conduta deixa de ser considerada ato infracional e passa a ser, em seu sentido técnico-
jurídico, classificada como crime. No entanto, do ponto de vista da essência do fato, não há distinção 
entre ambos, porque o fato, objetivamente analisado, é o mesmo. 
Diante de tais considerações, não se vê óbice a que a existência de atos infracionais possa, 
com base nas peculiaridades do caso concreto, ser considerada elemento apto a evidenciar a 
dedicação do acusado a atividades criminosas, até porque esses atos não serão sopesados para 
um agravamento da pena do réu, mas para lhe negar a possibilidade de ser beneficiado com uma 
redução em sua reprimenda. 
Se a natureza do instituto em análise é justamente tratar com menor rigor o indivíduo que se 
envolve circunstancialmente com o tráfico de drogas – e que, destarte, não possui maior 
envolvimento com o narcotráfico ou habitualidade na prática delitiva – não parece razoável punir 
um jovem de 18 ou 19 anos de idade, sem nenhum passado criminógeno e sem nenhum registro 
contra si, da mesma forma e com igual intensidade daquele indivíduo que, quando adolescente, 
cometeu reiteradas vezes atos infracionais graves ou atos infracionais equivalentes a tráfico de 
drogas. Se assim fosse feito, estaria havendo uma afronta ao princípio da individualização da pena 
e do próprio princípio da igualdade. 
É importante esclarecer que o registro da existência de atos infracionais pode afastar o 
benefício do art. 33, § 4º não por ausência de preenchimento dos 2 primeiros requisitos elencados 
pelo legislador (primariedade e existência de bons antecedentes), mas sim pelo descumprimento 
do terceiro requisito exigido pela lei, que é a ausência de dedicação do acusado a atividades 
criminosas. 
Em outros termos, embora seja evidente que não seja possível considerar atos infracionais 
como antecedentes penais e muito menos como reincidência, não se vê razões para desconsiderar 
todo o passado de atuação de um adolescente contrário ao Direito para concluir pela sua dedicação 
a atividades delituosas. Não há impedimento, portanto, a que se considere fatos da vida real para 
esse fim. 
Ademais, exigir a existência de prévio cometimento de crime e de prévia imposição de pena 
para fins de justificar o afastamento do redutor em questão acaba, em última análise, esvaziando o 
próprio conceito de dedicação a atividades criminosas. Isso porque, se houver trânsito em julgado 
de condenação por crime praticado anteriormente, então essa condenação anterior já se enquadra 
ou no conceito de maus antecedentes ou no de reincidência. Assim, considerando que não há 
palavras inúteis na lei, por certo que o legislador quis abarcar situação diversa ao prever a 
impossibilidade de concessão do benefício àqueles indivíduos que se dedicam a atividades 
criminosas. 
Vale ressaltar que não é todo e qualquer ato infracional praticado pelo acusado quando ainda 
adolescente que poderá, automaticamente, gerar a negativa de incidência do redutor previsto no 
art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006, até porque justiça penal não se faz por atacado e sim 
artesanalmente, examinando-se atentamente cada caso para dele extraírem-se todas as suas 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 32 
 
especificidades, de modo a torná-lo singular e, portanto, a merecer providência adequada e 
necessária. 
Para que se negue o benefício é necessário que, no caso concreto, se identifique: 
1) Se o ato infracional foi grave; 
2) Se o ato infracional está documentado nos autos, de sorte a não pairar dúvidas sobre o 
reconhecimento judicial de sua ocorrência; 
3) A distância temporal entre o ato infracional e o crime que deu origem ao processo no 
qual se está a decidir sobre a possibilidade de incidência ou não do redutor, ou seja, se 
o ato infracional não está muito distante no tempo. 
Ante todo o exposto, é preciso verificar se STF possui a mesma posição. 
Para o STF, a existência de atos infracionais pode servir para afastar o benefício do § 4º do 
art. 33 da LD? Ainda não há entendimento uníssono. 
Para a 1ª Turma do STF, SIM, pode afastar: 
(...) Tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/06). Condenação. Dosimetria. 
Aplicação do redutor de pena do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas. Utilização da 
prática de atos infracionais para se afastar a causa de diminuição. 
Possibilidade. Precedentes. Agravo regimental não provido. STF. 1ª Turma. 
RHC 190434 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/08/2021. 
 
Já para a 2ª Turma do STF, NÃO é possível: 
(...) 2. A causa de diminuição prevista no § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006 
é aplicada desde que o agente seja primário, possua bons antecedentes, não 
se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. 
3. Na linha dos precedentes desta Colenda Turma, a menção a atos 
infracionais praticados pelo agente não consiste fundamentação idônea para 
afastar a minorante em exame. Esse entendimento está em consonância com 
sistema de proteção integral assegurado a crianças e adolescentes por nosso 
ordenamento jurídico. (...) STF. 2ª Turma. HC 202574 AgR, Rel. Min. Edson 
Fachin, julgado em 17/08/2021. 
 FIGURAS EQUIPARADAS 
As figuras equiparadas ao tráfico de drogas estão previstas nos incisos do § 1º do art. 33 da 
LD, passando-se, então, a analisar cada um dos seus incisos. 
11.7.1. Inciso I 
Art. 33, § 1º Nas mesmas penas incorre quem: 
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, 
oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda 
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação 
legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado 
à preparação de drogas. 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 33 
 
Novamente, nota-se que há diversos núcleos, a fim de que o maior número de situações 
seja enquadrado como tráfico de drogas. 
Aqui, o objeto material não é a droga, não se exige que contenha o princípio ativo, mas que 
seja a matéria-prima, insumo ou o produto químico. Basta que seja idôneo à produção da droga, a 
exemplo da posse de acetona que é utilizada como matéria-prima para a produção de cocaína. 
O § 1º do art. 33 da LD prevê que também é crime a importação de “matéria-prima” ou 
“insumo” destinado à preparação de drogas. 
Nesse liame, questiona-se: a semente de maconha poderia ser considerada como “matéria-
prima” ou “insumo” destinado à preparação de drogas? Também não. 
Isso ocorre porque ela não é um “ingrediente” para a confecção de drogas. Não se faz droga 
misturando a semente de maconha com qualquer coisa. Dito de outro modo: não se prepara droga 
com semente de maconha. Isso porque a semente de maconha não tem substância psicoativa (ela 
não tem nada em sua composição que atue no sistema nervoso central gerando euforia, mudança 
de humor, prazer etc.), conforme já explicou o Ministro Gilmar Mendes: 
“Na doutrina, afirma-se que a matéria-prima, conforme Vicente Greco Filho e 
João Daniel Rassi, é a substância de que podem ser extraídos ou produzidos 
os entorpecentes que causem dependência física ou psíquica (GRECO 
FILHO, Vicente; RASSI, João Daniel. Lei de drogas anotada. 3ª edição. São 
Paulo: Saraiva, 2009. p. 99). Ou seja, a matéria-prima ou insumo devem ter 
condições e qualidades químicas para, mediante transformação ou adição, 
por exemplo, produzirem a droga ilícita, o que não é o caso das sementes da 
planta Cannabis sativa, que não possuem a substância psicoativa (THC)” (HC 
144161/SP). 
 
Dessemodo, a semente da cannabis sativa não é, em si, droga (não está listada na Portaria) 
e também não pode ser considerada matéria-prima ou insumo destinado à preparação de droga 
ilícita. 
Não configura crime a importação de pequena quantidade de sementes de 
maconha. STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 
em 11/9/2018 (Info 915). 
 
As turmas do STJ divergiam sobre o tema, mas o tema já também se encontra atualmente 
pacificado: 
É atípica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de 
maconha. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.624.564-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, 
julgado em 14/10/2020 (Info 683). 
 
Ressalta-se, ainda, que a apreensão de pequenas quantidades de droga junto com o ácido 
bórico não implica, necessariamente, a conduta de tráfico de drogas (art. 33, § 1º, I, da LD): 
No caso analisado, o réu foi condenado como incurso no art. 33, § 1º, I, da 
Lei nº 11.343/2006 porque portava, em via pública, 0,32 g de crack e 164,80 
g de ácido bórico. A posse de ácido bórico, por si só, é um indiferente penal, 
haja vista que é largamente utilizado para fins lícitos, como tratamentos de 
saúde, desinsetização, adubamento etc. Não se está a ignorar que o ácido 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 34 
 
bórico seja utilizado, também, para os fins de preparação de drogas ilícitas. 
Ocorre que, nesses casos, a condenação deve se pautar em outros 
elementos que apontem, de modo inequívoco, para a traficância, como a 
apreensão de consideráveis quantidades de droga, balanças de precisão, 
embalagens plásticas, somas de dinheiro etc. Segundo pesquisas, vários 
usuários de crack fazem uso do chamado “pó virado”, consistente na mistura 
de crack ao ácido bórico para os fins de consumo pela via nasal. A preparação 
do “pó virado” é feita pelos próprios usuários, em grupos e de forma 
compartilhada, a fim de obter efeito mais duradouro e, consequentemente, 
menores níveis de fissura e paranoia decorrentes do uso da droga. Diante 
desses achados, é preciso cuidado redobrado ao avaliar se a conduta de 
portar drogas e ácido bórico deve ser tipificada como tráfico de drogas ou 
posse de drogas para uso pessoal. Logo, a apreensão de pequenas 
quantidades de droga junto com o ácido bórico não implica, necessariamente, 
a conduta tipificada no art. 33 da Lei nº 11.343/2006. STJ. 5ª Turma. AgRg 
no AREsp 2.271.420-MG, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 
27/6/2023 (Info 13 - Edição Extraordinária). 
 
 Por fim, vale destacar, o entendimento do STJ quanto a aquisição de sementes da Cannabis sativa, 
para fins medicinais: 
 
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CULTIVO DOMÉSTICO 
DA PLANTA CANNABIS SATIVA PARA FINS MEDICINAIS. HABEAS 
CORPUS PREVENTIVO. UNIFORMIZAÇÃO DO ENTENDIMENTO DAS 
TURMAS CRIMINAIS. RISCO DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. DIREITO 
A SAÚDE PÚBLICA E A MELHOR QUALIDADE DE VIDA. 
REGULAMENTAÇÃO. OMISSÃO DA ANVISA E DO MINISTÉRIO DA 
SAÚDE. ATIPICIDADE PENAL DA CONDUTA. (...) 2. O entendimento da 
Quinta Turma passou a corroborar o da Sexta Turma que, na sessão de 
julgamento do dia 14/6/2022, de relatoria do Ministro Rogério Schietti Cruz, 
por unanimidade, negou provimento ao Recurso Especial n. 1.972.092-SP do 
Ministério Público, e manteve a decisão do Tribunal de origem, que havia 
concedido habeas corpus preventivo. Então, ambas as turmas passaram a 
entender que o plantio e a aquisição das sementes da Cannabis sativa, 
para fins medicinais, não se trata de conduta criminosa, independente 
da regulamentação da ANVISA. (...) 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-PB - Delegado - CESPE - 2022): A importação de pequena quantidade 
de sementes da planta conhecida como maconha é atípica. Correto. 
 
(MPE-TO - Promotor de Justiça - CESPE - 2022): A conduta de importar 
pequena quantidade de sementes de maconha configura uma das 
modalidades do tipo penal de tráfico previsto na Lei Antidrogas. Errado. 
11.7.2. Inciso II 
Art. 33, § 1º Nas mesmas penas incorre quem: 
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em 
matéria-prima para a preparação de drogas. 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 35 
 
Novamente, o objeto material é uma matéria-prima, no caso a planta que irá ser utilizada na 
produção da droga. Não é necessário que a planta origine diretamente a droga. 
Ressalta-se que só estará configurado o crime quando presente o elemento normativo “sem 
autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar”. Aplica-se, aqui, o art. 2º 
da Lei 11.343/2006, in verbis: 
Art. 2o Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o 
plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais 
possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de 
autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a 
Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, 
de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso. 
 
A Lei prevê, ainda, que a União poderá autorizar o plantio de tais vegetais, desde que sejam 
para fins medicinais ou científicos, fixando o prazo e o local em que serão plantadas, com a referida 
fiscalização. 
Art. 2º, Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a 
colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para 
fins medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados, mediante 
fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas. 
 
Nesse mesmo sentido, importante trazer à tona a seguinte discussão: é possível que o 
Poder Judiciário conceda autorização para que a pessoa faça cultivo de maconha com 
objetivos medicinais? 
A 5ª Turma do STJ, no AgRg no RHC 155.610-CE, julgado em 10/05/2022 (Info 736), 
entendeu que NÃO é possível, com base no seguinte fundamento: 
É incabível salvo-conduto para o cultivo da cannabis visando a extração do 
óleo medicinal, ainda que na quantidade necessária para o controle da 
epilepsia, posto que a autorização fica a cargo da análise do caso concreto 
pela ANVISA. 
 
Já no julgamento do HC 779289/DF, em 22/11/2022 (Info 758), a 5ª Turma mudou seu 
posicionamento, passando a entender que é possível que o Poder Judiciário conceda autorização 
para que a pessoa faça o cultivo de maconha com objetivos medicinais: 
As condutas de plantar maconha para fins medicinais e importar sementes 
para o plantio não preenchem a tipicidade material, motivo pelo qual se faz 
possível a expedição de salvo-conduto, desde que comprovada a 
necessidade médica do tratamento. 
 
A 6ª Turma do STJ, no REsp 1.972.092, julgado em 14/06/2022 (Info 742), já afirmava que 
é possível SIM, considerando que: 
É cabível a concessão de salvo-conduto para o plantio e o transporte de 
Cannabis Sativa para fins exclusivamente terapêuticos, com base em 
receituário e laudo subscrito por profissional médico especializado, e 
chancelado pela Anvisa. 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 36 
 
A 3ª Seção do STJ, por sua vez, definiu que o e a aquisição das sementes da cannabis 
sativa, para fins medicinais, não configuram conduta criminosa, independente da regulamentação 
da ANVISA: 
A ausência de regulamentação administrativa persiste e não tem previsão 
para solução breve, uma vez que a ANVISA considera que a competência 
para regular o cultivo de plantas sujeitas a controle especial seria do 
Ministério da Saúde e este considera que a competência seria da ANVISA. 
Logo, é necessário superar eventuais óbices administrativos e cíveis, 
privilegiando-se, dessa forma, o acesso à saúde, por todos os meios 
possíveis, ainda que pela concessão de salvo-conduto mediante habeas 
corpus. A questão aqui discutida não pode ser objeto da sanção penal, 
porque se trata do exercício de um Direito Fundamental, constitucionalmente, 
garantido, isto é, o Direito à Saúde, e a atuaçãoproativa do STJ justifica-se 
juridicamente. STJ. 3ª Seção. AgRg no HC 783.717-PR, Rel. Min. Messod 
Azulay Neto, Rel. para acórdão Min. Jesuíno Rissato (Desembargador 
convocado do TJDFT), julgado em 13/9/2023 (Info 794). 
 
No caso concreto, o STJ concedeu o habeas corpus a fim de garantir à paciente o salvo-
conduto, para obstar que qualquer órgão de persecução penal turbe ou embarace a aquisição de 
10 sementes de cannabis, bem como o cultivo de 7 plantas de cannabis e extração do óleo, por ser 
imprescindível para a sua qualidade de vida e saúde. 
Assim, é possível concluir, que o entendimento prevalente é no sentido de que o porte da 
maconha para consumo pessoal (uso recreativo), respeitados os limites quantitativos, bem como, a 
conduta de plantar maconha para fins medicinais e importar sementes para o plantio, não 
preenchem a tipicidade material. 
Em continuidade, destaca-se o art. 243 da CF, pertinente ao tema, segundo o qual será 
possível expropriar (natureza de confisco, não havendo indenização) as propriedades rurais e 
urbanas que se destinam a cultura ilegal de plantas psicotrópicas. Além disso, nada impede a 
aplicação nos casos do art. 28, § 1º da Lei de Drogas. 
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde 
forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de 
trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma 
agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao 
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no 
que couber, o disposto no art. 5º. 
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em 
decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração 
de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial com 
destinação específica, na forma da lei. 
 
Por sua vez, o art. 32 da Lei 11.343/2006 prevê a destruição imediata da plantação, 
conforme abaixo exposto: 
Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas pelo delegado 
de polícia na forma do art. 50-A, que recolherá quantidade suficiente para 
exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das condições 
encontradas, com a delimitação do local, asseguradas as medidas 
necessárias para a preservação da prova. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 37 
 
 
Outro ponto de destaque refere-se ao alcance da medida expropriatória: será atingida a 
totalidade da área e não apenas a que for destinada ao plantio de matéria-prima que será utilizada 
na produção de drogas. 
Por fim, a responsabilidade do proprietário da área destinada ao plantio, de acordo com o 
STF, poderá ser afastada, desde que comprove que não possui culpa. Assim, comprovado que não 
agiu com culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo, não perderá a propriedade. 
A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser 
afastada, desde que o proprietário comprove que não incorreu em culpa, 
ainda que in vigilando ou in eligendo. STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).11 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-MG - Promotor de Justiça - FUNDEP - 2021): É possível ao juiz 
determinar a destruição das drogas apreendidas antes da confecção do laudo 
definitivo. Correto. 
 
(Polícia Federal - Delegado - CESPE - 2021): O confisco e a posterior 
reversão a fundo especial de bem apreendido em decorrência do tráfico ilícito 
de entorpecentes exigem prova de habitualidade e reiteração do uso do bem 
para a referida finalidade. Errado. 
11.7.3. Inciso III 
Art. 33, § 1º Nas mesmas penas incorre quem: 
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, 
posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se 
utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas. 
 
Refere-se à utilização para o efetivo tráfico de drogas, não se restringe ao proprietário do 
bem e não se exige a finalidade de lucro. Caso seja utilizado para o consumo pessoal de drogas, 
não incidirá no tráfico equiparado. 
Trata-se de crime doloso, o agente deve conhecer a natureza da substância. 
11.7.4. Inciso IV 
Art. 33, § 1º Nas mesmas penas incorre quem: 
IV - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto 
químico destinado à preparação de drogas, sem autorização ou em 
desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial 
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta 
criminal preexistente. 
 
 
11 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Possibilidade de o proprietário afastar a sanção do art. 243 da CF/88 se provar que não teve 
culpa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 38 
 
Trata-se de novidade introduzida pelo Pacote Anticrime que visou legalizar a situação de 
flagrante preparado em relação às condutas criminais preexistentes. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-MG - Promotor - FUNDEP - 2023): Para a configuração do crime 
tipificado no art. 33, §1°, IV, da Lei de Drogas, não se exige, na lei, que a 
atuação do policial disfarçado tenha sido previamente autorizada 
judicialmente. Correto. 
12. INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO USO INDEVIDO DE DROGAS 
É delito previsto no § 2º do art. 33 da LD, cuja pena será de detenção, de 1 a 3 anos, e multa 
de 100 a 300 dias. 
Art. 33, § 2o Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 
(trezentos) dias-multa. 
 
O induzimento (faz surgir a ideia), a instigação (reforça a ideia que já existe) e o auxílio 
(participação material) devem ser dirigidos a pessoas determinadas. 
A consumação exige o efetivo uso da droga, não basta só induzir, instigar ou auxiliar sem 
que a pessoa efetivamente faça uso. 
Não é crime equiparado a hediondo. É crime de médio potencial ofensivo e admite a 
suspensão condicional do processo. 
MARCHA DA MACONHA: não caracteriza o crime do § 2º do art. 33, 
conforme decidiu o STF na ADI 4274/DF, tendo em vista que a 
liberdade de expressão e manifestação de pensamento é consagrada 
na CF. Ademais, só existe o crime quando as condutas são destinadas 
a pessoa determinada, não a uma multidão. 
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PEDIDO DE 
“INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO” DO § 2º DO ART. 33 
DA LEI Nº 11.343/2006, CRIMINALIZADOR DAS CONDUTAS DE “INDUZIR, 
INSTIGAR OU AUXILIAR ALGUÉM AO USO INDEVIDO DE DROGA”. 1. 
Cabível o pedido de “interpretação conforme à Constituição” de preceito legal 
portador de mais de um sentido, dando-se que ao menos um deles é contrário 
à Constituição Federal. 2. A utilização do § 3º do art. 33 da Lei 11.343/2006 
como fundamento para a proibição judicial de eventos públicos de defesa da 
legalização ou da descriminalização do uso de entorpecentes ofende o direito 
fundamental de reunião, expressamente outorgado pelo inciso XVI do art. 5º 
da Carta Magna. Regular exercício das liberdades constitucionais de 
manifestação de pensamento e expressão, em sentido lato, além do direito 
de acesso à informação (incisos IV, IX e XIV do art. 5º da Constituição 
Republicana, respectivamente). 3. Nenhuma lei, seja ela civil ou penal, pode 
blindar-se contra a discussão do seu próprio conteúdo. Nem mesmo a 
Constituição está a salvo da ampla, livre e aberta discussão dos seus defeitos 
e das suas virtudes, desde que sejam obedecidas as condicionantes ao 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 39 
 
direito constitucional de reunião, tal como a prévia comunicação às 
autoridades competentes. 4. Impossibilidade derestrição ao direito 
fundamental de reunião que não se contenha nas duas situações 
excepcionais que a própria Constituição prevê: o estado de defesa e o estado 
de sítio (art. 136, § 1º, inciso I, alínea “a”, e art. 139, inciso IV). 5. Ação direta 
julgada procedente para dar ao § 2º do art. 33 da Lei 11.343/2006 
“interpretação conforme à Constituição” e dele excluir qualquer 
significado que enseje a proibição de manifestações e debates públicos 
acerca da descriminalização ou legalização do uso de drogas ou de 
qualquer substância que leve o ser humano ao entorpecimento 
episódico, ou então viciado, das suas faculdades psicofísicas. ADI 4274, 
Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 23/11/2011, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-084 DIVULG 30-04-2012 PUBLIC 02-05-
2012 RTJ VOL-00222-01 PP-00146). 
13. CEDENTE EVENTUAL 
É crime previsto no § 3º do art. 33, da Lei 11.343/2006, conforme redação legal abaixo: 
 
Art. 33, § 3o Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa 
de seu relacionamento, para juntos a consumirem: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 
(setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas 
previstas no art. 28. 
 
Obviamente, este delito não é considerado tráfico de drogas e, consequentemente, não é 
equiparado a crime hediondo. Trata-se de uma infração penal de menor potencial ofensivo, cuja 
competência será do JECRIM. 
Na antiga lei, como não havia previsão legal, a conduta descrita no § 3º era considerada 
tráfico de drogas (majoritário) e, ainda, fato atípico (minoritária). 
Para que o agente incorra nas sanções do § 3º é necessário o preenchimento de quatro 
requisitos, cumulativos, quais sejam: 
1) Oferta eventual de droga; 
2) Oferta gratuita; 
3) O destinatário da droga deve ser pessoa do relacionamento de quem oferece a droga; 
4) A droga deve ser destinada ao consumo conjunto (tanto de quem oferece quanto de 
quem recebe). 
A falta de algum requisito acarreta as sanções do art. 33, caput, da LD. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MP-MG – Promotor de Justiça – 2023): O oferecimento de drogas 
para uso compartilhado (art. 33, §3°, da Lei de Drogas) não demanda, 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 40 
 
para efeitos da subsunção típica, que o destinatário da droga seja 
pessoa de relacionamento do agente, bastando que a oferta seja 
gratuita. Errado. 
14. ART. 34 - MAQUINISMO E OBJETOS DESTINADOS AO TRÁFICO 
Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, 
entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que 
gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto 
destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, 
sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e 
duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa. 
 
Trata-se do tráfico de drogas, portanto, equiparado a hediondo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-SC - Promotor - CESPE - 2023): A posse de maquinário, aparelho ou 
instrumento de fabricação de drogas destinadas ao consumo pessoal é 
conduta penalmente típica, embora não equiparada a crime hediondo. 
Errado. 
Vale relembrar, que o entendimento dominante, hoje, é que a expressão “tráfico de drogas” 
abrange os delitos previstos no art. 33, caput, e § 3º, bem como o art. 34 da referida lei. Há doutrina 
que também inclui os arts. 35 e 37 como tráfico. 
TRÁFICO DE DROGAS 
Art. 33, caput e §3º Art. 34 
Doutrina que inclui o art. 
35 e 37 
 
Art. 33. Importar, exportar, 
remeter, preparar, produzir, 
fabricar, adquirir, vender, 
expor à venda, oferecer, ter 
em depósito, transportar, 
trazer consigo, guardar, 
prescrever, ministrar, 
entregar a consumo ou 
fornecer drogas, ainda que 
gratuitamente, sem 
autorização ou em desacordo 
com determinação legal ou 
regulamentar: 
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 
15 (quinze) anos e 
pagamento de 500 
(quinhentos) a 1.500 (mil e 
quinhentos) dias-multa. 
 
Art. 34. Fabricar, adquirir, 
utilizar, transportar, oferecer, 
vender, distribuir, entregar a 
qualquer título, possuir, 
guardar ou fornecer, ainda 
que gratuitamente, 
maquinário, aparelho, 
instrumento ou qualquer 
objeto destinado à 
fabricação, preparação, 
produção ou transformação 
de drogas, sem autorização 
ou em desacordo com 
determinação legal ou 
regulamentar: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 
10 (dez) anos, e pagamento 
 
Art. 35. Associarem-se duas 
ou mais pessoas para o fim 
de praticar, reiteradamente 
ou não, qualquer dos crimes 
previstos nos arts. 33, caput e 
§ 1º, e 34 desta Lei: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 
10 (dez) anos, e pagamento 
de 700 (setecentos) a 1.200 
(mil e duzentos) dias-multa. 
Art. 37. Colaborar, como 
informante, com grupo, 
organização ou associação 
destinados à prática de 
qualquer dos crimes previstos 
nos arts. 33, caput e § 1º, e 
34 desta Lei: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 41 
 
 FINALIDADE DO TIPO PENAL 
Busca incriminar condutas não abrangidas pelo caput do art. 33, as quais são ligadas à 
produção de drogas. 
 OBJETO MATERIAL 
É o bem relacionado ao processo de criação, fabricação e produção da droga. Ex.: o agente 
que monta um laboratório para refinar cocaína. 
Obs.: não há crime quando se apreende um bem ou instrumento 
ligado ao uso da droga, sem que esta exista. Por exemplo, a 
apreensão de um cachimbo para consumo de crack. 
Para que se configure a lesão ao bem jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 
11.343/2006, a ação de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o especial 
fim de fabricar, preparar, produzir ou transformar drogas, visando ao tráfico. 
Assim, ainda que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/2006 possa 
subsistir de forma autônoma, não é possível que o agente responda pela 
prática do referido delito quando a posse dos instrumentos se configura como 
ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente. As 
condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo 
mais brando, razão pela qual não há respaldo legal para punir com maior rigor 
as ações que antecedem o próprio consumo pessoal do entorpecente. STJ. 
6ª Turma. RHC 135.617-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021 
(Info 709). 
 CONFLITO DE NORMAS COM O ART. 33, CAPUT, E PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO 
O agente responderá pelo art. 34 da LD quando não houver nenhuma droga no local, mas 
sim apenas o maquinário. Havendo os objetos de produção da droga e a droga, o agente responderá 
apenas pelo art. 33, caput, da LD, absorvendo o 34. 
I - A prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei de Drogas absorve o 
delito capitulado no art. 34 da mesma lei, desde que não fique caracterizada 
a existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem 
jurídico tutelado de forma distinta. Assim, responderá apenas pelo crime do 
§ 3º Oferecer droga, 
eventualmente e sem 
objetivo de lucro, a pessoa de 
seu relacionamento, para 
juntos a consumirem: 
Pena - detenção, de 6 (seis) 
meses a 1 (um) ano, e 
pagamento de 700 
(setecentos) a 1.500 (mil e 
quinhentos) dias-multa, sem 
prejuízo das penas previstas 
no art. 28. 
de 1.200 (mil e duzentos) a 
2.000 (dois mil) dias-multa. 
 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 
6 (seis) anos, e pagamento 
de 300 (trezentos) a 700 
(setecentos) dias-multa. 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 42 
 
art. 33 (sem concurso com o art. 34), o agente que, além de preparar para 
venda certa quantidade de drogas ilícitas em sua residência, mantiver, no 
mesmo local, uma balança de precisão e um alicate de unha utilizados na 
preparação das substâncias. Isso porque, na situação em análise, não há 
autonomia necessária a embasar a condenação em ambos os tipos penais 
simultaneamente, sob pena de “bis in idem”. STJ. 5ª Turma. REsp 1196334-
PR, Rel. Min. Marco AurélioBellizze, julgado em 19/9/2013 (Info 531).12 
 
Para melhor compreensão sobre o referido julgado, colaciona-se abaixo a excelente 
explicação do Dizer o Direito, retirada do Info 531 do STJ. 
Carlos foi preso, em sua residência, com certa quantidade de cocaína destinada à venda. 
Além da droga, o agente mantinha, no mesmo local, uma balança de precisão e um alicate de unha 
utilizados na preparação das “trouxinhas” de cocaína. O Ministério Público desejava a condenação 
do réu pelos delitos do art. 33 e 34 da Lei 11.343/2006, em concurso. 
O STJ, no REsp 1.196.334-PR (5ª Turma), contudo, decidiu que o acusado deveria 
responder apenas pelo crime de tráfico de drogas (art. 33), ficando o delito do art. 34 absorvido. O 
Min. Marco Aurélio Bellize assentou que “a prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei de 
Drogas absorve o delito capitulado no art. 34 da mesma lei, desde que não fique caracterizada a 
existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma 
distinta.” 
Na situação em análise, entendeu-se que não há autonomia necessária a embasar a 
condenação em ambos os tipos penais simultaneamente, sob pena de “bis in idem”. Para o Min. 
Relator, deve ficar demonstrada a real lesividade dos objetos tidos como instrumentos destinados 
à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sob pena de a posse de uma 
tampa de caneta (utilizada como medidor), atrair a incidência do tipo penal em exame. 
Relevante, assim, analisar se os objetos apreendidos são aptos a vulnerar o tipo penal em 
tela. Na situação em análise, o STJ entendeu que, além de a conduta não se mostrar autônoma, a 
posse de uma balança de precisão e de um alicate de unha não poderia ser considerada como 
posse de maquinário nos termos do que descreve o art. 34, pois os referidos instrumentos integram 
a prática do delito de tráfico, não se prestando à configuração do crime de posse de maquinário. 
 CONCURSO DE CRIMES: ART. 33, CAPUT E ART. 34 
II - Responderá pelo crime de tráfico de drogas (art. 33) em concurso com o 
art. 34 o agente que, além de ter em depósito certa quantidade de drogas 
ilícitas em sua residência para fins de mercancia, possuir, no mesmo local e 
em grande escala, objetos, maquinário e utensílios que constituam laboratório 
utilizado para a produção, preparo, fabricação e transformação de drogas 
ilícitas em grandes quantidades. Não se pode aplicar o princípio da 
consunção porque nesse caso existe autonomia de condutas e os objetos 
encontrados não seriam meios necessários nem constituíam fase normal de 
execução daquele delito de tráfico de drogas, possuindo lesividade autônoma 
para violar o bem jurídico. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 303213-SP, Rel. 
Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 8/10/2013 (Info 531). 
 
12 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Tráfico de maquinário (art. 34). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 43 
 
 
Para melhor compreensão do julgado acima, tem-se o seguinte caso: Pablo foi preso, em 
sua residência, com certa quantidade de cocaína destinada à venda. Além da droga, o agente 
mantinha, no mesmo local e em grande escala, objetos, maquinário e utensílios que constituíam um 
verdadeiro “laboratório” utilizado para a produção, preparo, fabricação e transformação de drogas 
ilícitas em grandes quantidades. 
O Ministério Público pediu a condenação do réu pelos delitos do art. 33 e 34 da Lei n. 
11.343/2006, em concurso. O STJ concordou com o MP e decidiu que o acusado deveria responder 
pelos crimes de tráfico de drogas (art. 33) e tráfico de maquinário (art. 34) em concurso. 
Nessa situação, as circunstâncias fáticas demonstraram que havia verdadeira autonomia 
das condutas, o que inviabilizava a incidência do princípio da consunção. O princípio da consunção 
deve ser aplicado quando um dos crimes for o meio normal para a preparação, execução ou mero 
exaurimento do delito visado pelo agente, situação que fará com que este absorva aquele outro 
delito, desde que não ofendam bens jurídicos distintos. 
Dessa forma, a depender do contexto em que os crimes foram praticados, será possível o 
reconhecimento da absorção do delito previsto no art. 34 pelo crime previsto no art. 33. Contudo, 
para tanto, é necessário que não fique caracterizada a existência de contextos autônomos e 
coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta. Levando-se em 
consideração que o crime do art. 34 visa coibir a produção de drogas, enquanto o art. 33 tem por 
objetivo evitar a sua disseminação, deve-se analisar, para fins de incidência ou não do princípio da 
consunção, a real lesividade dos objetos tidos como instrumentos destinados à fabricação, 
preparação, produção ou transformação de drogas. 
Relevante aferir, portanto, se os objetos apreendidos são aptos a vulnerar o tipo penal em 
tela quanto à coibição da própria produção de drogas. Logo, se os maquinários e utensílios 
apreendidos não forem suficientes para a produção ou transformação da droga, será possível a 
absorção do crime do art. 34 pelo do art. 33, haja vista ser aquele apenas meio para a realização 
do tráfico de drogas (como a posse de uma balança e de um alicate – objetos que, por si sós, são 
insuficientes para o fabrico ou transformação de entorpecentes, constituindo apenas um meio para 
a realização do delito do art. 33). 
Todavia, a posse ou depósito de maquinário e utensílios que demonstrem a existência de 
um verdadeiro laboratório voltado à fabricação ou transformação de drogas implica autonomia das 
condutas, por não serem esses objetos meios necessários ou fase normal de execução do tráfico 
de drogas. 
Ainda nesses termos, vale registrar o julgado do STJ (RHC 135617-PR), que definiu não ser 
possível que o agente responda pela prática do crime do art 34 da Lei 11.343/2006 quando a posse 
dos instrumentos configura ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente. Ao 
passo que condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo mais 
brando, razão pela qual não há respaldo legal para punir com maior rigor as ações que antecedem 
o próprio consumo pessoal do entorpecente. 
Mas, quanto ao porte de drogas para consumo pessoal, vale a ressalva de que não comete 
infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para 
consumo pessoal, a substância cannabis sativa (maconha), conforme o mais recente 
entendimento do STF sobre o tema (Tema 506 - Repercussão Geral). 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 44 
 
15. ART. 35 - ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO 
O art. 35 da Lei de Drogas dispõe sobre o crime de associação para o tráfico, salientando 
que a leitura de sua parte final confirma que apenas os arts. 33, caput e seu § 1º e o art. 34 da LD 
são crimes de tráfico: 
Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, 
reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e 
§ 1o, e 34 desta Lei: 
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) 
a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa. 
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se 
associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei. 
 
 INADMISSIBILIDADE DE TENTATIVA 
Este crime não admite tentativa, eis que se trata de um crime obstáculo, ou seja, é um crime 
que o legislador utiliza um ato preparatório de outro crime e o tipifica de forma autônoma. Cria-se 
um tipo penal preventivo, antecipando-se a tutela penal. 
 OUTRAS FORMAS DE ASSOCIAÇÃO 
É importante distinguir o delito de associação para o tráfico de drogas do crime de 
associação criminosa, previsto no art. 288 do CP. Observe a tabela abaixo: 
Art. 288. Associarem-se 3 (três) oumais pessoas, para o fim específico de 
cometer crimes: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada 
ou se houver a participação de criança ou adolescente. 
 
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA 
Basta a presença/união de 2 pessoas, sendo 
suficiente que apenas um deles seja 
imputável. 
Exige, pelo menos, 3 pessoas para que se 
caracterize. 
A intenção é cometer quaisquer crimes 
previstos nos arts. 33, caput e § 1º e art. 34 da 
Lei de Drogas. 
A intenção é cometer qualquer delito em geral, 
a exemplo de roubo, furto. 
Existe ou não reiteração na intenção de 
cometer os crimes. 
Exige permanência. 
 REITERAÇÃO NA INTENÇÃO DE COMETER CRIMES 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 45 
 
Segundo Masson, o art. 35 é falho ao dispensar a reiteração, uma vez que toda a associação 
reclama, como o próprio nome diz, um ânimo de permanência. Não existe eventualidade na 
associação, a reiteração é um requisito. Quando não está presente, é caso de concurso de pessoas. 
Segundo o STJ e o STF, para configuração do tipo de associação para o tráfico, é necessário 
que haja estabilidade e permanência na associação criminosa. Dessa forma, é atípica a conduta se 
não houver ânimo associativo permanente (duradouro), mas apenas esporádico (eventual), 
conforme entendimento do seguinte julgado: 
“(...) Para a caracterização do crime de associação para o tráfico é 
imprescindível o dolo de se associar com estabilidade e permanência, sendo 
que a reunião ocasional de duas ou mais pessoas não se subsumi ao tipo do 
artigo 35 da Lei 11.343/2006. Doutrina. Precedentes. (...)” (HC 254.428/SP, 
Rel. Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 27/11/2012).13 
 CONCURSO DE CRIMES 
É perfeitamente possível concurso de crimes entre a associação e tráfico de drogas. Este 
não irá absorver o delito do art. 35 da LD. 
16. ART. 36 - FINANCIAMENTO AO TRÁFICO 
É um crime de pena alta, de modo que a doutrina minoritária entende que se trata de um 
crime de tráfico de drogas, juntamente com o caput e § 1º do art. 33 e o art. 34 da LD. 
Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos 
arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei: 
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e 
quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa. 
 FINANCIAMENTO OU CUSTEIO SEM TRÁFICO 
O agente que pratica o art. 36 da LD não é um traficante de drogas, tendo em vista que ele 
irá apenas financiar ou custear as condutas previstas como tráfico de drogas. 
É o caso, por exemplo, de um empresário que empresta 500 mil reais para o traficante 
adquirir as drogas. 
Por isso, este crime é uma exceção à Teoria Monista (quem concorre de qualquer forma 
para a prática do crime irá responder por ele), já que apesar de concorrer para a prática do tráfico 
de drogas o agente não irá responder por ele, mas sim pelo art. 36. 
Vamos relembrar as teorias sobre o concurso de pessoas: 
 
 
13 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Associação para fins de tráfico (art. 35). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 46 
 
TEORIA MONISTA TEORIA PLURALISTA 
É prevista no art. 29 do CP. É adotada de forma excepcional no CP. 
Prega que todos os concorrentes 
respondem por um único crime. A 
consequência do delito é a mesma para 
todos os concorrentes. É a regra. 
As condutas dos concorrentes têm 
consequências distintas, respondendo 
cada um por um delito autônomo. 
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, 
concorre para o crime incide nas penas 
a este cominadas, na medida de sua 
culpabilidade. 
Outros crimes que se aplica a teoria 
pluralista: Aborto, Corrupção e 
Facilitação de Contrabando e 
Descaminho. 
 AUTOFINANCIAMENTO E ART. 40, VII, DA LD 
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de 
um sexto a dois terços, se: 
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime. 
 
Tal causa de aumento de pena será aplicada quando o próprio agente, que pratica a conduta 
de tráfico, financia a atividade criminosa, isto é, ele utiliza seus recursos para comprar a droga, por 
isso terá sua pena aumentada. 
Não haverá concurso material entre os delitos de tráfico e financiamento para o tráfico. 
Nesse sentido, o Info 534 do STJ, com a excelente explicação do Dizer o Direito: 
Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do 
art. 33: responderá apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas. Se o agente, além 
de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do art. 33: 
responderá apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será 
condenado pelo art. 36). STJ. 6ª Turma. REsp 1290296-PR, Rel. Min. Maria 
Thereza de Assis Moura, julgado em 17/12/2013 (Info 534).14 
 
O agente que atua diretamente na traficância, executando, pessoalmente, as condutas 
tipificadas no art. 33 e que também financia a aquisição das drogas, deve responder apenas pelo 
crime previsto no art. 33 com a causa de aumento prevista no art. 40, VII, sendo afastado o crime 
do art. 36. O financiamento ou custeio ao tráfico ilícito de drogas (art. 36) é delito autônomo aplicável 
somente ao agente que NÃO tem participação direta na execução do tráfico, limitando-se a fornecer 
os recursos necessários para subsidiar a mercancia. 
Ao prever como delito autônomo a atividade de financiar ou custear o tráfico (art. 36), o 
objetivo do legislador foi estabelecer uma exceção à teoria monista e punir o agente que não tem 
participação direta na execução no tráfico e que se limitada a fornecer dinheiro ou bens para 
subsidiar a mercancia, sem praticar qualquer conduta do art. 33. 
 
14 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Financiamento do tráfico e assemelhados (art. 36). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível 
em: . Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 47 
 
Assim, nas hipóteses em que ocorre o AUTOFINANCIAMENTO para o tráfico ilícito de 
drogas, como no caso concreto, não há que se falar em concurso material entre os crimes dos arts. 
33 e 36, devendo o agente ser condenado pela pena do tráfico (art. 33), com a causa de aumento 
de pena do art. 40, VII, da Lei de Drogas. 
Se o agente que faz autofinanciamento fosse condenado pelos arts. 33 e 36, haveria bis in 
idem. Além disso, seria possível chegar à conclusão de que o art. 40, VII, nunca poderia ser aplicado 
em conjunto com o art. 33. 
Ante todo exposto, em síntese, tem-se que: 
1) Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33, 
responderá apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas; 
2) Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do art. 
33, responderá apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será 
condenado pelo art. 36). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-TO - Promotor de Justiça - CESPE - 2022): O agente que atuar 
diretamente na traficância e também financiar ou custear a aquisição de 
drogas ilícitas responderá pelos dois crimes correspondentes, em concurso 
material. Errado. 
 
(MPE-RS - Promotor de Justiça - MPE-RS - 2021): O agente que atua 
diretamente na traficância e que também financia ou custeia a aquisição de 
drogas deve responder pelo crime previsto no artigo 33, caput, com a 
incidência da causa de aumento de pena prevista no artigo 40, inciso VII, 
ambos da Lei nº 11.343/2006, afastando-se, por consequência, a conduta 
autônoma prevista no artigo 36 do mesmo ato normativo. Correto. 
 
(DPE-GO – Defensor Público – FCC – 2021): No crime de tráfico ilícito de 
entorpecentes, a participação daquele que meramente custeia a prática docrime é circunstância atenuante da pena. Errado. 
17. ART. 37 - INFORMANTE COLABORADOR 
Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação 
destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 
1o, e 34 desta Lei: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) 
a 700 (setecentos) dias-multa. 
 
Para a caracterização do crime do art. 37 da LD, não basta a colaboração para o tráfico. 
Exige-se que o agente colabore para o grupo, organização ou associação voltados ao tráfico. 
O informante colaborador não integra o grupo, organização ou associação, apenas auxilia 
no desempenho de suas atividades. Caso fosse um integrante, praticaria o crime do art. 35 da LD. 
Cita-se, como exemplo, o fogueteiro (pessoa que avisa quando a droga chegou). 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 48 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-RN – Delegado – FGV – 2021): Após receber informação de que uma 
grande quantidade de droga estaria chegando a certa comunidade, a polícia 
civil planejou uma operação objetivando a apreensão do material 
entorpecente e a prisão de vários traficantes. Joaquim, policial civil lotado na 
delegacia em que a operação era planejada, no momento de sua execução, 
ciente de que o líder do tráfico do local era um antigo colega de infância, 
acende, escondido, fogos de artifício que ficavam na comunidade para 
acionamento em diligências policiais. Em razão do aviso, a diligência tem 
resultado negativo, ninguém sendo preso e não sendo apreendida qualquer 
droga. O comportamento de Joaquim foi descoberto, devendo ele responder 
pelo crime de colaboração ou informante do tráfico. Certo 
 COLABORADOR FUNCIONÁRIO PÚBLICO 
Caso o informante colaborador seja funcionário público: 
1) Se não tiver solicitado nem recebido qualquer vantagem indevida, deve responder pelo 
crime do art. 37 da LD, com a majorante prevista no art. 40, II; 
2) Se tiver solicitado ou recebido vantagem indevida, responderá pelo art. 37 em concurso 
material com o crime de corrupção passiva (art. 317 do CP). Nesse caso, não haverá a 
incidência da majorante do art. 40, II, da LD, considerando que a condição de servidor 
público já foi utilizada para caracterizar o crime do art. 317. 
 ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E SUBSIDIARIEDADE 
Caso o agente integre a associação, irá responder pelo art. 35 da LD. Não há concurso de 
crimes entre os arts. 35 e 37 da LD, consoante precedente do STJ: 
É possível que alguém seja condenado pelo art. 35 e, ao mesmo tempo, pelo 
art. 37, da Lei de Drogas em concurso material, sob o argumento de que o 
réu era associado ao grupo criminoso e que, além disso, atuava também 
como “olheiro”? NÃO. Segundo decidiu o STJ, nesse caso, ele deverá 
responder apenas pelo crime do art. 35 (sem concurso material com o art. 37 
Considerar que o informante possa ser punido duplamente (pela associação 
e pela colaboração com a própria associação da qual faça parte), contraria o 
princípio da subsidiariedade e revela indevido bis in idem, punindo-se, de 
forma extremamente severa, aquele que exerce função que não pode ser 
entendida como a mais relevante na divisão de tarefas do mundo do tráfico. 
STJ. 5ª Turma. HC 224849-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 
11/6/2013 (Info 527).15 
18. CAUSAS DE AUMENTO DA PENA 
 
15 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Informante do tráfico (art. 37). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 49 
 
As causas de aumento de pena estão previstas no art. 40 da LD, aplicando-se apenas aos 
crimes dos arts. 33 a 37 da LD, razão pela qual serão analisados os crimes dos arts. 38 e 39 em 
momento posterior. 
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de 
um sexto a dois terços, se: 
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as 
circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito; 
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no 
desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância; 
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de 
estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de 
entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou 
beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem 
espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de 
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou 
policiais ou em transportes públicos; 
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de 
arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva; 
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o 
Distrito Federal; 
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem 
tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de 
entendimento e determinação; 
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime. 
 APLICABILIDADE 
As causas de aumento de pena são aplicadas ao tráfico de drogas, bem como aos crimes 
ligados ao tráfico (associação, financiamento, colaboração). Não incidem nos crimes dos arts. 28, 
28 e 29 da Lei de Drogas. 
Incidem na terceira fase da pena e, por isso, a pena pode ser fixada acima do máximo legal. 
 TRANSNACIONALIDADE (INC. I) 
Art. 40, I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido 
e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito. 
 
Trata-se do tráfico internacional de drogas, caracterizado pela natureza, pela procedência 
ou pelas circunstâncias do fato. 
Percebe-se que o tráfico internacional não é um delito autônomo, de modo que o agente 
responde, em regra, pelo art. 33, caput, com a causa de aumento do inc. I, do art. 40 da LD. 
18.2.1. Transposição da fronteira 
Para incidir a causa de aumento de pena, não é necessário que a droga tenha saído do 
Brasil. Basta que haja circunstância indicativa que a droga sairia do país. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 50 
 
Nesse sentido, a Súmula 607 do STJ: 
Súmula 607 do STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, 
I, da Lei n. 11.343/2006) configura-se com a prova da destinação 
internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de 
fronteiras. 
18.2.2. Competência 
É de competência da Justiça Federal, nos termos do art. 70 da LD: 
Art. 70. O processo e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 
desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional, são da competência da 
Justiça Federal. 
 
Caso a droga tenha sido importada pela via postal, a competência será do local em que a 
substância for apreendida ou do local do destino da droga?16 
Importação da droga via postal (Correios) 
Tráfico transnacional de drogas (art. 33 c/c art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) 
A competência será do local onde a droga foi apreendida ou do local de destino da 
droga? 
Entendimento anterior do STJ: 
Local de apreensão da droga 
Entendimento atual do STJ: 
Local de destino da droga 
Essa posição estava manifestada na Súmula 
528 do STJ, aprovada em 13/05/2015: 
Súmula 528 do STJ: Compete ao juiz federal 
do local da apreensão da droga remetida do 
exterior pela via postal processar e julgar o 
crime de tráfico internacional. 
Na hipótese de importação da droga via 
correio cumulada com o conhecimento do 
destinatário por meio do endereço aposto na 
correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser 
flexibilizada para se fixar a competência no 
Juízo do local de destino da droga, em favor 
da facilitação da fase investigativa, da busca 
da verdade e da duração razoável do 
processo. 
STJ. 3ª Seção. CC 177.882-PR, Rel. Min. Joel 
Ilan Paciornik, julgado em26/05/2021 (Info 
698). 
Argumentos desse antigo entendimento: 
O CPP prevê que a competência é definida 
pelo local em que o crime se consumar: 
Art. 70. A competência será, de regra, 
determinada pelo lugar em que se consumar 
a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar 
em que for praticado o último ato de execução. 
A conduta prevista no art. 33, caput, da Lei nº 
11.343/2006 constitui delito formal, 
multinuclear, sendo que, para sua 
Argumentos do novo entendimento: 
O primeiro argumento decorre do bom senso. 
Em São Paulo desembarca a maioria das 
remessas importadas, via correios, do 
exterior. A existência de destinatário certo e 
devidamente identificado colocaria a Polícia 
Federal lotada no Estado de São Paulo para 
investigar indivíduo que residisse, v.g., em 
Porto Alegre, em Boa Vista, em Cuiabá etc. 
Enfim, em qualquer lugar do Brasil para onde 
a encomenda estivesse endereçada. Isso 
 
16 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Compete ao Juízo Federal do endereço do destinatário da droga, importada via Correio, 
processar e julgar o crime de tráfico internacional. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 51 
 
consumação, basta a execução de qualquer 
das condutas previstas no dispositivo legal. 
No caso em tela, a pessoa que encomendou 
a droga praticou o verbo “importar”, que 
significa “fazer vir de outro país, estado ou 
município; trazer para dentro.” Logo, pode-se 
afirmar que o delito se consumou no instante 
em que o produto importado tocou o território 
nacional, entrada essa consubstanciada na 
apreensão da droga. 
Vale ressaltar que, para que ocorra a 
consumação do delito de tráfico transnacional 
de drogas, é desnecessário que a 
correspondência chegue ao destinatário final. 
Se chegar, haverá mero exaurimento da 
conduta. A consumação (importação) ocorreu 
quando a encomenda entrou no território 
nacional. 
Dessa forma, o delito se consumou no local de 
entrada da mercadoria, sendo esse o juízo 
competente, nos termos do art. 70 do CPP. 
dificultaria sobremaneira as investigações, 
quando não as inviabilizasse por completo. 
O segundo argumento decorre da regra que 
define a competência pelo lugar em que 
efetivamente se consuma a infração, 
circunstância esta essencial para a fixação da 
competência, nos termos do art. 70, do CPP. 
Para que haja a remessa da droga ao Brasil, 
é necessário que o importador entabule um 
negócio (evidentemente ilícito). Não é crível, 
ainda mais no âmbito do tráfico internacional, 
que alguém remeta drogas para o Brasil 
gratuitamente ou ofereça essa remessa como 
um presente sem ônus. 
É evidente que há um negócio espúrio 
preliminar à remessa do entorpecente. Assim, 
quando o importador acerta a remessa do 
entorpecente, efetua o pagamento do preço e 
se cerca dos cuidados para que receba o 
produto, o negócio se encontra aperfeiçoado, 
dependendo o seu êxito integral, tão somente, 
do efetivo recebimento da droga. Desse 
modo, a consumação da importação da droga 
ocorre no momento da entabulação do 
negócio jurídico. Logo, o local de apreensão 
da mercadoria em trânsito não se confunde 
com o local da consumação do delito, o qual 
já se encontrava perfeito e acabado desde a 
negociação. 
 
A ementa oficial do julgado fala em “flexibilização da Súmula 528 do STJ”: 
(...) 7. A fixação da competência no local de destino da droga, quando houver 
postagem do exterior para o Brasil com o conhecimento do endereço 
designado para a entrega, proporcionará eficiência da colheita de provas 
relativamente à autoria e, consequentemente, também viabilizará o exercício 
da defesa de forma mais ampla. Em suma, deve ser estabelecida a 
competência no Juízo do local de destino do entorpecente, mediante 
flexibilização da Súmula n. 528/STJ, em favor da facilitação da fase 
investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo. 
 
Em suma: 
Na hipótese de importação da droga via correio cumulada com o 
conhecimento do destinatário por meio do endereço aposto na 
correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a 
competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da 
facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração 
razoável do processo. STJ. 3ª Seção. CC 177.882-PR, Rel. Min. Joel Ilan 
Paciornik, julgado em 26/05/2021 (Info 698). 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 52 
 
Logo, para fins de concurso público, adota-se a expressão “flexibilização da Súmula 528 do 
STJ”. 
É mister salientar, contudo, que em 25/02/2022, após o julgamento acima, o STJ decidiu 
cancelar formalmente a Súmula 528. Portanto, a Súmula 528 do STJ está formalmente cancelada. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-GO - Promotor de Justiça - FGV - 2022): Para configuração da 
majorante da transnacionalidade (Art. 40, inciso I, da Lei nº 11.343/2006), a 
persecução penal deve demonstrar elementos concretos aptos de que o 
agente pretendia disseminar a droga no exterior, sendo dispensável 
ultrapassar as fronteiras que dividem as nações. Correto. 
 AGENTES (INC. II) 
Art. 40, II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou 
no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância. 
 
Os crimes da Lei de Drogas são comuns, não exigem uma qualidade especial do agente. 
Contudo, as penas serão aumentadas quando o delito for praticado por certos agentes, sendo eles: 
1) O agente que pratica o crime prevalecendo-se de sua função pública; 
2) O agente que pratica o crime no desempenho de missão de educação; 
3) O agente que pratica o crime no exercício do poder familiar, guarda ou vigilância. 
 LOCAL EM QUE O CRIME FOR COMETIDO (INC. III) 
Art. 40, III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações 
de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de 
entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou 
beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem 
espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de 
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou 
policiais ou em transportes públicos. 
18.4.1. Fundamento 
A majorante fundamenta-se na difusão do dano e na maior potencialidade do delito, sua 
extensão nas referidas localidades. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-TO - Promotor de Justiça - CESPE - 2022): O rol de ambientes 
disposto no inciso III do art. 40, que enseja majoração da pena aplicada por 
crime previsto na Lei Antidrogas, é taxativo e tem por objetivo proteger 
espaços que promovam a aglomeração de pessoas, circunstância que facilita 
a ação criminosa. Errado. 
18.4.2. Estabelecimento prisional 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 53 
 
Para o STF, não é necessário que a droga seja destinada à difusão dentro do 
estabelecimento prisional. Basta que seja apreendida no local. 
Não é necessário que a droga passe por dentro do presídio para que incida 
a majorante prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006. Esse dispositivo 
não faz a exigência de que as drogas efetivamente passem por dentro dos 
locais que se busca dar maior proteção, mas apenas que o cometimento dos 
crimes tenha ocorrido em seu interior. STJ. 5ª Turma. HC 440.888-MS, Rel. 
Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/10/2019 (Info 659).17 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPDFT - Promotor de Justiça - MPDFT - 2021): Configura a causa de 
aumento de pena de ter sido a infração realizada nas dependências ou 
imediações de estabelecimento prisionais, a conduta de indivíduo preso no 
sistema carcerário movimentar volume de entorpecentes e realizar 
negociações de tráfico por telefone, mesmo que nenhuma droga tenha 
entrado dentro do presídio. Correto. 
18.4.3. Transporte público 
A49 
 TRANSNACIONALIDADE (INC. I) ...................................................................................... 49 
18.2.1. Transposição da fronteira ............................................................................................ 49 
18.2.2. Competência ................................................................................................................ 50 
 AGENTES (INC. II) .............................................................................................................. 52 
 LOCAL EM QUE O CRIME FOR COMETIDO (INC. III) .................................................... 52 
18.4.1. Fundamento ................................................................................................................. 52 
18.4.2. Estabelecimento prisional ............................................................................................ 52 
18.4.3. Transporte público ....................................................................................................... 53 
18.4.4. Imediações de estabelecimento de ensino ................................................................. 53 
18.4.5. Imediações de Igreja .................................................................................................... 54 
 MODO COMO O CRIME FOI PRATICADO (INC. IV) ........................................................ 55 
 TRÁFICO INTERESTADUAL.............................................................................................. 55 
 ENVOLVENDO CRIANÇAS E ADOLESCENTES ............................................................. 57 
19. COLABORAÇÃO EFICAZ (ART. 41) ..................................................................................... 58 
20. CRIME CULPOSO (ART. 38) ................................................................................................. 59 
21. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE APÓS O CONSUMO DE DROGA ...... 59 
22. PROCEDIMENTO POLICIAL ................................................................................................. 60 
 LAVRATURA DO APF ........................................................................................................ 60 
 CONCLUSÃO DO INQUÉRITO .......................................................................................... 61 
23. DESTRUIÇÃO DAS DROGAS APREENDIDAS .................................................................... 62 
 COM PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 50) ....................................................................... 62 
 SEM PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 50-A) .................................................................... 62 
24. PROCEDIMENTOS INVESTIGATÓRIOS ESPECIAIS (ART. 53) ........................................ 63 
 AGENTE INFILTRADO (INC. I) .......................................................................................... 63 
 AÇÃO CONTROLADA (INC. II) .......................................................................................... 63 
25. INTERROGATÓRIO DO RÉU ................................................................................................ 63 
26. APREENSÃO, ARRECADAÇÃO E DESTINAÇÃO DE BENS DO ACUSADO .................... 65 
27. JURISPRUDÊNCIA EM TESE ............................................................................................... 68 
 
 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 3 
 
APRESENTAÇÃO 
 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. 
O Caderno Legislação Penal Especial possui como base as aulas dos professores Renato 
Brasileiro, Cleber Masson e Vinícius Marçal, complementadas com as aulas do Professor Fábio 
Roque (CERS). 
Três livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) 
Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), 
ano 2018, b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2020, ambos da Editora 
Juspodivm e c) Lei de Drogas - Aspectos Penais e Processuais (Cleber Masson e Vinícius Marçal, 
ano 2021, da Editora Gen. 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de 
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é 
necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você 
faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos! Bons estudos! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 4 
 
LEI DE DROGAS - 11.343/2006 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
A Lei 11.343/2006, também denominada de Lei de Drogas (LD), trata de forma integral 
(material e processual) toda a sistemática penal envolvendo drogas. Além disso, revogou 
expressamente as Leis 6.368/76 e 10.409/2002: 
Art. 75. Revogam-se a Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976, e a Lei 
n° 10.409, de 11 de janeiro de 2002. 
 
Destaca-se que, anteriormente, a Lei 6.368/76 regulava a sistemática das drogas, sendo 
editada em 2002 a Lei 10.409/2002, a qual teve sua parte material (crimes e penas) integralmente 
vetada pelo Presidente da República, prevalecendo apenas sua parte processual. Assim, havia, até 
a edição da Lei 11.343/2006, duas leis que tratavam sobre o tema, uma dispondo sobre o direito 
material penal e a outra contendo a parte procedimental. 
A nova Lei de Drogas criou o SISNAD - Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre 
Drogas: 
Art. 1o Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre 
Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, 
atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece 
normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de 
drogas e define crimes. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
A Lei nº 11.343/2006 é a atual Lei sobre drogas. Tendo por base os ditames 
do citado diploma, é correto afirmar que o referido diploma legal institui o 
Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. Correto. 
A finalidade do SISNAD é articular, integrar, organizar e coordenar as atividades 
relacionadas com a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e 
dependentes de drogas e a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas. 
Em 2019, a Lei 13.840/2019 incluiu os §§ 1º e 2º ao art. 3º da Lei de Drogas: 
Art. 3º, § 1º Entende-se por Sisnad o conjunto ordenado de princípios, regras, 
critérios e recursos materiais e humanos que envolvem as políticas, planos, 
programas, ações e projetos sobre drogas, incluindo-se nele, por adesão, os 
Sistemas de Políticas Públicas sobre Drogas dos Estados, Distrito Federal e 
Municípios. 
§ 2º O Sisnad atuará em articulação com o Sistema Único de Saúde - SUS, 
e com o Sistema Único de Assistência Social - SUAS. 
 
Outrossim, destaca-se que a Lei de Drogas substituiu a expressão “substâncias 
entorpecentes” por DROGAS. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6368.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10409.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10409.htm
 
 
CS - LEI DE DROGAScausa de aumento de pena irá incidir apenas quando a intenção do agente for a de vender 
a droga no transporte público. 
Assim, se o agente leva a droga em transporte público, mas não a comercializa dentro do 
meio de transporte, incidirá essa majorante? NÃO. A majorante do art. 40, III, da Lei 11.343/2006 
somente deve ser aplicada nos casos em que ficar demonstrada a comercialização efetiva da droga 
em seu interior. É a posição majoritária no STF e STJ. 
18.4.4. Imediações de estabelecimento de ensino 
A prática do delito de tráfico de drogas nas proximidades de estabelecimentos de ensino 
(art. 40, III, da Lei 11.343/06) enseja a aplicação da majorante, sendo desnecessária a prova de 
que o ilícito visava atingir os frequentadores deste local. 
Para a incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei 11.343/2006 é 
desnecessária a efetiva comprovação de que a mercancia tinha por objetivo atingir os estudantes, 
sendo suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido em locais próximos, ou seja, nas imediações de 
tais estabelecimentos, diante da exposição de pessoas ao risco inerente à atividade criminosa da 
narcotraficância. 
Não incide a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei 11.343/2006, 
se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em que não facilite a prática criminosa e a 
disseminação de drogas em área de maior aglomeração de pessoas. Por exemplo, se o tráfico de 
drogas é praticado no domingo de madrugada, dia e horário em que o estabelecimento de ensino 
não estava funcionando, não deve incidir a majorante. 
 
17 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não é necessário que a droga passe por dentro do presídio para que incida a majorante prevista 
no art. 40, III, da Lei 11.343/2006. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 54 
 
No mesmo sentido, destaca-se que também não incide a causa de aumento de pena se o 
crime foi praticado nas proximidades de escola fechada em razão da COVID-19, de acordo com 
posicionamento adotado pelo STJ nos seguintes termos: 
No delito de tráfico de drogas praticado nas proximidades ou nas imediações 
de estabelecimento de ensino, pode-se, excepcionalmente, em razão das 
peculiaridades do caso concreto, afastar a incidência da majorante prevista 
no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006. A razão de ser da causa especial de 
aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006 é a 
de punir, com maior rigor, aquele que, nas imediações ou nas dependências 
dos locais a que se refere o dispositivo, dada a maior aglomeração de 
pessoas, tem como mais ágil e facilitada a prática do tráfico de drogas, 
justamente porque, em localidades como tais, é mais fácil ao traficante passar 
despercebido à fiscalização policial, além de ser maior o grau de 
vulnerabilidade das pessoas reunidas em determinados lugares. Na espécie, 
não ficou evidenciado nenhum benefício advindo ao réu com a prática do 
delito nas proximidades ou nas imediações de estabelecimento de ensino – 
o ilícito foi perpetrado em momento em que as escolas estavam fechadas por 
conta das medidas restritivas de combate à COVID-19 – e se também não 
houve uma maximização do risco exposto àqueles que frequentam a escola 
(alunos, pais, professores, funcionários em geral), deve, excepcionalmente, 
em razão das peculiaridades do caso concreto, ser afastada a incidência da 
referida majorante. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 728750-DF, Rel. Min. 
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/05/2022 (Info 738). 
18.4.5. Imediações de Igreja 
Há 2 correntes acerca da incidência da causa de aumento em caso de tráfico de drogas 
cometido nas dependências ou nas imediações de igreja: 
1) 1ª Corrente: NÃO há incidência. 
Entende-se que o tráfico de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado 
pelo legislador no rol das majorantes previstas no inciso III do art. 40 da Lei 11.343/2006, não 
podendo, portanto, ser utilizado com esse fim tendo em vista que no Direito Penal incriminador não 
se admite a analogia in malam partem. 
Caso o legislador quisesse punir de forma mais gravosa também o fato de o agente cometer 
o delito nas dependências ou nas imediações de igreja, teria feito expressamente, assim como fez 
em relação aos demais locais. 
Trata-se de posicionamento adotado pela 6ª Turma do STJ no HC 528851-SP, julgado em 
05/05/2020 (Info 671), sendo a corrente que prevalece. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RJ - Promotor - VUNESP - 2024): Ao tráfico de entorpecentes 
praticado no âmbito de Igreja, pelo princípio da reserva legal, não incide a 
causa de aumento prevista no art. 40, inciso III, da Lei no 11.345/2006 (que 
estabelece a majorante em razão do local em que praticado o crime). Correto. 
2) 2ª Corrente: há SIM incidência. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 55 
 
Justificada a incidência da causa de aumento prevista no art. 40, inciso III, da Lei 
11.343/2006, uma vez consta nos autos a existência de igreja evangélica a aproximadamente 23 
metros de distância do local onde a traficância era realizada. 
Foi o entendimento firmado pela 5ª Turma do STJ no AgRg no HC 668934/MG, julgado em 
22/06/2021. 
Obs.: com relação ao caso concreto envolvendo o AgRg no HC 
668934/MG, salienta-se que além de uma igreja evangélica, o local 
também funcionava como entidade social, de modo que se amoldava 
no inciso III por esse outro motivo. 
 MODO COMO O CRIME FOI PRATICADO (INC. IV) 
Art. 40, IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, 
emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou 
coletiva. 
 
A violência não precisa ser no momento em que a droga for vendida. 
 TRÁFICO INTERESTADUAL 
Art. 40, V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes 
e o Distrito Federal. 
 
Aqui, o legislador não cometeu o mesmo erro que ocorre na recepção, por exemplo, ao não 
fazer referência ao DF. 
Não é necessário que ocorra a transposição das fronteiras, bastando que as circunstâncias 
demonstrem que isso iria ocorrer, consoante apontado pelo STF: 
Para que incida a causa de aumento de pena prevista no inciso V do art. 40, 
não se exige a efetiva transposição da fronteira interestadual pelo agente, 
sendo suficiente a comprovação de que a substância tinha como destino 
localidade em outro Estado da Federação. STF. 1ª Turma. HC 122791/MS, 
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2015 (Info 808).18 
 
O STJ segue o entendimento do STF, tendo, inclusive, editado uma súmula sobre o assunto: 
Súmula 587 do STJ: Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, V, 
da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre 
estados da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da 
intenção de realizar o tráfico interestadual. 
 
INDAGA-SE: é possível a incidência desta majorante e, ao mesmo 
tempo, a incidência da causa de aumento da transnacionalidade? 
Depende. Se a droga chegar ao Brasil e era destinada a ser difundida 
 
18 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Súmula 587-STJ. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 56 
 
em mais de um Estado, aplicar-se-á as duas majorantes. Se droga ao 
chegar ao Brasil, passa por mais de um Estado, mas seu destino era 
um único Estado, aplicar-se-á apenas a causa de aumento do tráfico 
internacional. 
Nesse sentido, o Info 586 do STJ define que as causas especiais de aumento da pena 
relativas à transnacionalidade e à interestadualidade do delito, previstas, respectivamente, nos 
incisos I e V do art. 40 da Lei de Drogas, até podem ser aplicadas simultaneamente, desdeque 
demonstrada que a intenção do acusado que importou a substância era a de pulverizar a droga em 
mais de um Estado do território nacional. Se isso não ficar provado, incide apenas a 
transnacionalidade. 
Assim, é inadmissível a aplicação simultânea das causas de aumento da transnacionalidade 
(art. 40, I) e da interestadualidade (art. 40, V) quando não ficar comprovada a intenção do importador 
da droga de difundi-la em mais de um Estado-membro. O fato de o agente, por motivos de ordem 
geográfica, ter que passar por mais de um Estado para chegar ao seu destino final não é suficiente 
para caracterizar a interestadualidade. 
 
 Tráfico Interestadual 
 
Tráfico Transnacional 
 
Tráfico Interestadual + 
Tráfico Transnacional 
 
Majorante Majorante 
Possibilidade de incidência 
das duas majorantes 
 
Art. 40, V - caracterizado o 
tráfico entre Estados da 
Federação ou entre estes 
e o Distrito Federal. 
 
Art. 40, I - a natureza, a 
procedência da substância 
ou do produto apreendido e 
as circunstâncias do fato 
evidenciarem a 
transnacionalidade do 
delito; 
 
1) Se a droga chegar ao Brasil 
e era destinada a ser difundida 
em mais de um Estado – 
Aplica-se as duas 
majorantes. 
 
2) Se droga ao chegar ao 
Brasil, passa por mais de um 
Estado, mas seu destino era 
um único Estado – Aplica-se 
só uma majorante (art. 40, I). 
 
Conclusão: A aplicação 
simultânea das causas de 
aumento da transnacionalidade 
(art. 40, I) e da 
interestadualidade (art. 40, V) 
só ocorre quando comprovada 
a intenção do importador da 
droga de difundi-la em mais de 
um Estado-membro. 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-GO - Juiz - FCC - 2021): Para a incidência da majorante do art. 40, V, da 
Lei n° 11.343/2006, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras, 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 57 
 
bastando a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico 
interestadual, e, se além dela, houver a incidência de outra circunstância 
elencada no mesmo artigo, possível a aplicação de acréscimo acima da 
fração mínima com base apenas no número de causas de aumento 
identificadas. Errado. 
 ENVOLVENDO CRIANÇAS E ADOLESCENTES 
Art. 40, VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou 
a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de 
entendimento e determinação. 
 
Praticar um crime na companhia de menores, além das sanções do delito, enseja o crime 
de corrupção de menores, em concurso. 
Em relação aos crimes dos arts. 33 a 37 da LD, quando o maior pratica um crime juntamente 
com um menor, não é possível aplicar as sanções do delito de corrupção de menores, em razão do 
princípio da especialidade (art. 44, VI da LD). 
Nesse sentido, o entendimento consolidado pela 6ª Turma do STJ no REsp 1622781-MT, 
julgado em 22/11/2016 (Info 595)19, foi no sentido de que caso delito praticado pelo agente e pelo 
menor de 18 anos não esteja previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu responderá pelo 
crime praticado e também pelo delito do art. 244-B do ECA (corrupção de menores). 
Todavia, caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos seja o art. 33, 34, 35, 
36 ou 37 da Lei 11.343/2006, ele responderá apenas pelo crime da Lei de Drogas com a causa de 
aumento de pena do art. 40, VI. Não será punido pelo art. 244-B do ECA para evitar bis in idem. 
Em síntese: na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não estar 
previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de corrupção 
de menores, porém, se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será 
possível a condenação por aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 
40, VI, da Lei 11.343/2006. 
 
Caso o delito praticado pelo agente e pelo 
menor de 18 anos NÃO esteja previsto 
nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu 
... 
 
 
... responderá pelo crime praticado e 
também pelo delito do art. 244-B do 
ECA (corrupção de menores). 
 
Caso o delito praticado pelo agente e pelo 
menor de 18 anos seja o art. 33, 34, 35, 
36 ou 37 da Lei de Drogas, ele ... 
 
... responderá apenas pelo crime da Lei 
de Drogas com a causa de aumento 
de pena do art. 40, VI. 
 
 
19 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Agente que pratica delitos da Lei de Drogas envolvendo criança ou adolescente responde 
também por corrupção de menores?. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 58 
 
Não será punido pelo art. 244-B do ECA 
para evitar bis in idem. 
 
STJ. 6ª Turma. REsp 1622781-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/11/2016 
(Info 595). 
 
19. COLABORAÇÃO EFICAZ (ART. 41) 
Possui a seguinte redação legal: 
Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a 
investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais 
coautores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto 
do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois 
terços. 
 
Segundo Masson, trata-se de uma manifestação do Direito Penal premial. Significa dizer que 
o criminoso arrependido que colabora com o Estado possui direito a um prêmio. 
Na Lei de Drogas, a colaboração que poderá ser feita tanto na fase investigatória quanto na 
fase processual, reduzirá a pena de 1/3 a 2/3, desde que: 
1) Seja possível identificar a participação dos partícipes; 
2) Seja possível recuperar de forma total ou parcial o produto do crime. 
Destaca-se que só poderá ser reconhecida pelo juiz, na sentença condenatória. Assim, será 
proferida sentença condenando o agente e, posteriormente, o juiz irá reduzir a pena. 
Por fim, observa-se o entendimento jurisprudencial acerca dos requisitos legais dispostos no 
art. 41 da LD: 
OS REQUISITOS LEGAIS PREVISTOS NO ART. 41 DA LEI DE DROGAS SÃO 
ALTERNATIVOS OU CUMULATIVOS? 
5ª Turma do STJ: são cumulativos 6ª Turma do STJ: são alternativos 
A jurisprudência desta Corte é no sentido de 
que a concessão do benefício da delação 
previsto no art. 41 da Lei n. 11.343/06 (causa 
de diminuição de pena) depende do 
preenchimento cumulativo dos requisitos nele 
descritos, quais sejam, a identificação dos 
demais coautores ou partícipes do crime e a 
recuperação total ou parcial do produto do 
delito. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 
Os requisitos legais previstos no art. 41 da Lei nº 
11.343/2006, que trata da causa de diminuição 
da pena por colaboração premiada, são 
alternativos e não cumulativos. STJ. 6ª Turma. 
HC 663.265-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 
julgado em 12/9/2023 (Info 789). 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 59 
 
2.032.118/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, 
julgado em 28/8/2023. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-PE - Delegado - CESPE - 2024): O indiciado ou acusado que colaborar 
voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na 
identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e na recuperação 
total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena 
reduzida de um terço a dois terços. Correto. 
20. CRIME CULPOSO (ART. 38) 
Conforme apontado anteriormente, é o único crime culposo da Lei de Drogas: 
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas 
necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 
(cinquenta) a 200 (duzentos) dias-multa. 
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da 
categoria profissional a que pertença o agente. 
 
Trata-se de infração de menor potencial ofensivo, que será julgada e processada no 
JECRIM. 
Como se percebe pelos núcleos do tipo penal, éum crime próprio, exigindo-se a qualidade 
especial do agente, pois a conduta de prescrever uma droga só pode ser praticada pelo médico, 
veterinário ou dentista e conduta de ministrar, além das pessoas acima, só pode ser praticada pelos 
profissionais da enfermagem ou de farmácia. 
Salienta-se que se trata de um crime culposo previsto em tipo fechado, pois o legislador 
descreve expressamente as hipóteses em que a culpa poderá ocorrer, quais sejam: 
1) Quando o paciente não necessita da droga; 
2) Quando a droga é prescrita ou ministrada em doses excessivas; 
3) Quando a droga é prescrita ou ministrada em desacordo com determinação legal ou 
regulamentar. 
21. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE APÓS O CONSUMO DE DROGA 
Trata-se de crime de perigo concreto (situação de perigo deve ser provada no caso real), 
previsto no art. 39 da LD: 
Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, 
expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 60 
 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do 
veículo, cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo 
mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento de 200 
(duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa. 
Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente 
com as demais, serão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) 
a 600 (seiscentos) dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for 
de transporte coletivo de passageiros. 
 
Vamos relembrar os conceitos de crime de perigo concreto e perigo abstrato: 
 
 Crime de Perigo 
Concreto 
Crime de Perigo 
Abstrato 
Conceito 
Exige a comprovação efetiva 
de um perigo real e concreto 
para o bem jurídico 
protegido. 
Presume-se o perigo pela 
simples realização da 
conduta, sem a necessidade 
de comprovação de um risco 
efetivo. 
Comprovação 
do perigo 
Necessária a prova concreta 
de que a conduta do agente 
gerou um risco efetivo ao 
bem jurídico. 
Não há necessidade de 
prova concreta, pois o perigo 
é presumido pela lei. 
Justificativa 
Proteção de bens jurídicos 
que exigem uma maior 
comprovação do risco, como 
o meio ambiente. 
Proteção de bens jurídicos 
que, por sua natureza, já 
envolvem um risco inerente à 
conduta, como o trânsito. 
 
O tipo penal refere-se apenas à aeronave ou à embarcação (de qualquer porte, pois não há 
especificação na lei). Dessa forma, não se aplica aos casos de condução de veículo automotor em 
via pública, casos em que será aplicado o art. 306 do CTB: 
Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada 
em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que 
determine dependência: 
Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição 
de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. 
22. PROCEDIMENTO POLICIAL 
 LAVRATURA DO APF 
Para a lavratura do auto de prisão em flagrante, nos termos do art. 50, § 1º, basta que seja 
feito um laudo de constatação da natureza da droga (materialidade), apontando o tipo e a 
quantidade da droga. 
Art. 50, § 1o Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e 
estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de 
constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, 
na falta deste, por pessoa idônea. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 61 
 
 
Ressalta-se que o laudo será suficiente para a lavratura do APF, bem como para o 
oferecimento e o recebimento da denúncia. Mas, por ser precário, não servirá para a condenação 
do agente, sendo necessário o exame químico-toxicológico. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2023): De acordo com a Lei no 11.343, de 
26 de agosto de 2006, o laudo de constatação da natureza e quantidade da 
droga, para efeito da lavratura do flagrante, pode ser firmado, na falta do 
perito oficial, por qualquer pessoa idônea, sendo que o perito subscritor do 
laudo de constatação não ficará impedido de participar da elaboração do 
laudo definitivo. Correto. 
Quanto a comprovação da materialidade delitiva, para efeito de condenação, o STJ definiu 
(Inf. 801), que apreensão e perícia da droga se revelam imprescindíveis para a condenação do 
acusado pela prática do crime de tráfico de drogas. 
Conforme extraído do site Dizer o Direito20, imagine o caso hipotético em que a polícia 
investigava há alguns meses João, Pedro e Tiago, suspeitos de praticarem tráfico de drogas na 
região. Havia, inclusive, o depoimento de pessoas que afirmaram que adquiram drogas com o 
grupo. Com base nesses elementos informativos, a polícia requereu a interceptação telefônica dos 
suspeitos, o que foi deferido. Foram então captadas conversas que indicavam a existência de 
negociações de drogas entre os membros do grupo, com detalhes sobre venda, compra e oferta de 
substâncias ilícitas a terceiros. O juiz também autorizou a realização de busca e apreensão nas 
residências dos suspeitos. Apesar disso, não foram encontradas drogas no local. 
Com base nos depoimentos dos compradores e nas conversas telefônicas, o Ministério 
Público estadual denunciou João, Pedro e Tiago por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 
11.343/2006). Em resposta à acusação, dentre outros argumentos, os réus alegaram não haver 
provas da materialidade dos crimes, pois não foram apreendidas quaisquer substâncias 
entorpecentes com os acusados e, por consequência, não havia laudo de constatação nem exame 
químico-toxicológico nos autos. 
O STJ concordou com os argumentos dos acusados. E decidiu que a apreensão e perícia 
de drogas se revelam imprescindíveis para a condenação do acusado pela prática do crime de 
tráfico de drogas. Na ausência de apreensão de substâncias entorpecentes, os demais 
elementos de prova, por si sós, ainda que em conjunto, não se prestam à comprovação da 
materialidade delitiva. 
 CONCLUSÃO DO INQUÉRITO 
O inquérito policial deve ser concluído em: 
1) 30 dias: indiciado preso. 
 
20 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A apreensão e perícia da substância entorpecente é imprescindível 
para a comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: 
. 
Acesso em: 25/10/2024 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 62 
 
2) 90 dias: indiciado solto. 
Os prazos podem ser duplicados pelo juiz, mesmo no caso de indiciado preso, conforme o 
art. 51 da LD: 
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o 
indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto. 
Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados 
pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da 
autoridade de polícia judiciária. 
 
(TJMS – JUIZ – FCC – 2020): Quanto aos aspectos processuais da Lei de 
Drogas, correto afirmar que o inquérito policial será concluído no prazo de 30 
(trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando solto, 
podendo haver duplicação de tais prazos pelo juiz, ouvido o Ministério 
Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia. Certo 
23. DESTRUIÇÃO DAS DROGAS APREENDIDAS 
A existência de uma droga, por si só, coloca em risco a saúde pública. Assim, quanto mais 
rapidamente providenciar-se a destruição da droga, melhor. 
 COM PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 50) 
Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, 
imediatamente, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do 
auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 
(vinte e quatro) horas. 
§ 3o Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo de 10 
(dez) dias, certificará a regularidade formal dolaudo de constatação e 
determinará a destruição das drogas apreendidas, guardando-se amostra 
necessária à realização do laudo definitivo. 
§ 4o A destruição das drogas será executada pelo delegado de polícia 
competente no prazo de 15 (quinze) dias na presença do Ministério Público e 
da autoridade sanitária. 
§ 5o O local será vistoriado antes e depois de efetivada a destruição das 
drogas referida no § 3o, sendo lavrado auto circunstanciado pelo delegado de 
polícia, certificando-se neste a destruição total delas. 
 
Antes da destruição, é preciso guardar uma quantidade para o exame definitivo, bem como 
para eventual contraprova. 
O MP irá fiscalizar a destruição da droga, que será feita pelo delegado de polícia. 
Por fim, o local de destruição será vistoriado antes e após a destruição (o ideal é filmar e 
fotografar). 
 SEM PRISÃO EM FLAGRANTE (ART. 50-A) 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 63 
 
Art. 50-A. A destruição das drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão 
em flagrante será feita por incineração, no prazo máximo de 30 (trinta) dias 
contados da data da apreensão, guardando-se amostra necessária à 
realização do laudo definitivo. 
 
Quando a droga for apreendida sem prisão em flagrante, deverá ser destruída, por 
incineração, em até 30 dias, contados da data da apreensão. 
24. PROCEDIMENTOS INVESTIGATÓRIOS ESPECIAIS (ART. 53) 
Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes 
previstos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos em lei, mediante 
autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os seguintes procedimentos 
investigatórios: 
I - a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação, constituída 
pelos órgãos especializados pertinentes; 
II - a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores 
químicos ou outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem 
no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior 
número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo 
da ação penal cabível. 
Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a autorização será 
concedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação 
dos agentes do delito ou de colaboradores. 
 
São meios especiais, que dependem de autorização judicial, mas que não excluem os meios 
comuns previstos no CPP. 
Obs.: a oitiva do MP só será necessária quando o procedimento 
investigatório especial for solicitado pela autoridade policial. 
 AGENTE INFILTRADO (INC. I) 
Ocorre quando se infiltra um policial na organização criminosa, o qual está autorizado a 
praticar fatos típicos, que estarão acobertados pela excludente de ilicitude do estrito cumprimento 
do dever legal. 
 AÇÃO CONTROLADA (INC. II) 
É também chamada de flagrante retardado/diferido. 
A autoridade policial retarda o momento da prisão, com autorização judicial, a fim de que 
sejam obtidas mais provas e a prisão de mais pessoas. 
25. INTERROGATÓRIO DO RÉU 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 64 
 
A Lei de Drogas, em seu art. 57, determina que o interrogatório do réu é o primeiro ato da 
audiência de instrução: 
Art. 57. Na audiência de instrução e julgamento, após o interrogatório do 
acusado e a inquirição das testemunhas, será dada a palavra, 
sucessivamente, ao representante do Ministério Público e ao defensor do 
acusado, para sustentação oral, pelo prazo de 20 (vinte) minutos para cada 
um, prorrogável por mais 10 (dez), a critério do juiz. 
Parágrafo único. Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes 
se restou algum fato para ser esclarecido, formulando as perguntas 
correspondentes se o entender pertinente e relevante. 
 
Contudo, o CPP, desde 2008, passou a prever que o interrogatório do acusado é o último 
ato da instrução: 
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo 
máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do 
ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela 
defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem 
como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento 
de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado 
 
CPP (art. 400) Lei 11.343/2006 (art. 57) 
O art. 400 do CP foi alterado pela Lei 
11.719/2008 e, atualmente, o interrogatório 
deve ser feito depois da inquirição das 
testemunhas e da realização das demais 
provas. 
Em suma, o interrogatório passou a ser o último 
ato da audiência de instrução (segundo a antiga 
previsão, o interrogatório era o primeiro ato). 
O art. 57 da Lei de Drogas prevê que, na 
audiência de instrução e julgamento, o 
interrogatório do acusado seja feito antes da 
inquirição das testemunhas. 
Em suma, o interrogatório é o primeiro ato da 
audiência de instrução. 
 
O que é mais favorável ao réu: ser interrogado antes ou depois da oitiva das testemunhas? 
Depois. Isso porque após o acusado ouvir o relato trazido pelas testemunhas, ele poderá decidir a 
versão dos fatos que irá apresentar. Se, por exemplo, avaliar que nenhuma testemunha o apontou 
como o autor do crime, poderá sustentar a negativa de autoria ou optar pelo direito ao silêncio. Ao 
contrário, se entender que as testemunhas foram sólidas em incriminá-lo, terá como opção viável 
confessar e obter a atenuação da pena. 
Dessa feita, a regra do art. 400 do CPP é mais favorável ao réu do que a previsão do art. 57 
da Lei 11.343/2006. 
Diante dessa constatação, e pelo fato de a Lei 11.719/2008 ser posterior à Lei de Drogas, 
surgiu uma corrente na doutrina defendendo que o art. 57 foi derrogado e que, também no 
procedimento da Lei 11.343/2006, o interrogatório deveria ser o último ato da audiência de 
instrução. Essa tese foi acolhida pela jurisprudência? SIM. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 65 
 
A exigência de realização do interrogatório ao final da instrução criminal, conforme o art. 400 
do CPP, é aplicável: 
1) Aos processos penais militares; 
2) Aos processos penais eleitorais; 
3) A todos os procedimentos penais regidos por legislação especial (Ex.: a própria Lei de 
Drogas). 
Tal modificação se deu em virtude do HC 127900/AM, julgado pelo STF em 3/3/2016 (Info 
816). 
Vale ressaltar que antes deste julgamento (HC 127900/AM), o entendimento que prevalecia 
era outro. Por conta disso, o STF, por questões de segurança jurídica, afirmou que a tese fixada 
(interrogatório como último ato da instrução em todos os procedimentos penais) só se tornou 
obrigatória a partir da data de publicação da ata deste julgamento, ou seja, do dia 11/03/2016 em 
diante. Os interrogatórios realizados nos processos penais militares, eleitorais e da Lei de Drogas 
até o dia 10/03/2016 são válidos mesmo que tenham sido o primeiro ato da instrução. 
O STJ acompanhou a posição do STF: 
(...) 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC n. 127.900/AM, deu 
nova conformidade à norma contida no art. 400 do CPP (com redação dada 
pela Lei n. 11.719/08), à luz do sistema constitucional acusatório e dos 
princípios do contraditório e da ampla defesa. O interrogatório passa a ser 
sempre último ato da instrução, mesmo nos procedimentos regidos por lei 
especial, caindo por terra a solução de antinomias com arrimo no princípio da 
especialidade. Ressalvou-se, contudo, a incidência da nova compreensão 
aos processos nos quais a instrução não tenha se encerrado até a publicação 
da ata daquele julgamento (10.03.2016). In casu, o paciente foi sentenciado 
em 3.8.2015, afastando-se, pois, qualquer pretensão anulatória. (...) STJ. 6ª 
Turma. HC 403.550/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
15/08/2017 (Info 609). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-RJ - Delegado - CESPE - 2022): A audiência de instrução e julgamento 
será realizada dentro dos sessenta dias seguintes ao recebimento da 
denúncia,salvo se determinada a realização de avaliação para atestar 
dependência de drogas, quando a referida audiência se realizará em noventa 
dias. Errado. 
26. APREENSÃO, ARRECADAÇÃO E DESTINAÇÃO DE BENS DO ACUSADO 
Segundo Cleber Masson, com o objetivo de assegurar a efetividade dos efeitos (civis) da 
condenação criminal e o pagamento das penas pecuniárias e despesas processuais, a Lei de 
Drogas, em seu Capítulo IV do Título IV, tratou da apreensão, arrecadação e destinação de bens 
do acusado, seguindo a lógica de que o crime não deve compensar porque o Estado vai recuperar 
o patrimônio que deita raízes no delito. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 66 
 
Nesse sentido, dispõe o art. 60 da LD que: 
Art. 60. O juiz, a requerimento do Ministério Público ou do assistente de 
acusação, ou mediante representação da autoridade de polícia judiciária, 
poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras 
medidas assecuratórias nos casos em que haja suspeita de que os bens, 
direitos ou valores sejam produto do crime ou constituam proveito dos crimes 
previstos nesta Lei, procedendo-se na forma dos arts. 125 e seguintes do 
Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo 
Penal . 
 
Trata-se das medidas assecuratórias relacionadas ao produto (vantagem direta obtida pelo 
agente em decorrência da prática do crime) ou proveito (é a vantagem indireta do crime) do delito. 
Em linhas gerais, a cautelar de sequestro se volta para os bens imóveis (art. 125 do CPP) 
e móveis (art. 132 do CPP) que constituam proveitos do crime (ex.: casas e veículos adquiridos 
com o dinheiro do narcotráfico). A medida reclama a suspeita da proveniência ilícita dos bens (art. 
60, caput, da LD) e tem por escopo garantir o confisco e a reparação do dano. 
Tratando-se, ao contrário, do produto (ex.: dinheiro obtido com a mercancia), do objeto 
material (a droga) ou do instrumento do delito (ex.: veículo empregado em prol do narcotráfico), a 
medida assecuratória adequada a ser tomada pelo Estado é a busca e apreensão. 
No que se refere à apreensão, de acordo com entendimento adotado pelo STJ, tem-se que 
a apreensão e perícia da substância entorpecente é imprescindível para a comprovação da 
materialidade do crime de tráfico de drogas, in verbis: 
Caso hipotético: A polícia investigava há alguns meses João, Pedro e Tiago, 
suspeitos de praticarem tráfico de drogas na região. Havia, inclusive, o 
depoimento de pessoas que afirmaram que adquiram drogas com o grupo. 
Com base nesses elementos informativos, a polícia requereu a interceptação 
telefônica dos suspeitos, o que foi deferido. Foram então captadas conversas 
que indicavam a existência de negociações de drogas entre os membros do 
grupo, com detalhes sobre venda, compra e oferta de substâncias ilícitas a 
terceiros. O juiz também autorizou a realização de busca e apreensão nas 
residências dos suspeitos. Apesar disso, não foram encontradas drogas no 
local.Com base nos depoimentos dos compradores e nas conversas 
telefônicas, o Ministério Público estadual denunciou João, Pedro e Tiago por 
tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006).Em resposta à acusação, 
dentre outros argumentos, os réus alegaram não haver provas da 
materialidade dos crimes, pois não foram apreendidas quaisquer substâncias 
entorpecentes com os acusados e, por consequência, não havia laudo de 
constatação nem exame químico-toxicológico nos autos. O STJ concordou 
com os argumentos dos acusados. A apreensão e perícia de drogas se 
revelam imprescindíveis para a condenação do acusado pela prática do crime 
de tráfico de drogas. Na ausência de apreensão de substâncias 
entorpecentes, os demais elementos de prova, por si sós, ainda que em 
conjunto, não se prestam à comprovação da materialidade delitiva. STJ. 3ª 
Seção. HC 686.312/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, relator para acórdão 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/4/2023. STJ. 5ª Turma.REsp 
2.107.251-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/2/2024 
(Info 801). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art125
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art125
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art125
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 67 
 
 
O sequestro, que pode ser manejado em qualquer fase da persecução penal (art. 127 do 
CPP), destina-se a evitar que o agente dilapide o seu patrimônio e, com isso, frustre o perdimento 
e o ressarcimento dos eventuais danos. Trata-se, pois, de diligência com a finalidade de evitar o 
enriquecimento ilícito do traficante, bem como evitar a lavagem de dinheiro, possibilitando a 
transformação de dinheiro sujo em dinheiro limpo. 
De acordo com posicionamento de Masson, o standard necessário para a decretação das 
medidas assecuratórias com relação ao sequestro no âmbito da Lei de Drogas é menor que o 
exigido pelo CPP para o sequestro. Com efeito, enquanto a Lei de Drogas se contenta apenas com 
a suspeita de que os bens, direitos ou valores sejam produto do crime ou constituam proveito dos 
delitos previstos na Lei 11.343/2006 (art. 60), o CPP reclama a existência de indícios veementes da 
proveniência ilícita dos bens (art. 126) para a efetivação do sequestro. 
Ao contrário do que ocorre com o sequestro, o arresto (de imóveis ou móveis) e a 
especialização da hipoteca legal de imóveis (direito real sobre coisa alheia op lege que não 
importa em perda da posse, nem da propriedade) são providências acauteladoras incidentes sobre 
os bens de origem lícita adquiridos pelo sujeito, sem que haja qualquer liame com o delito, e têm 
por fim assegurar a indenização do ofendido pelos danos causados e o pagamento das despesas 
judiciais, mediante a indisponibilização de determinado(s) bem. 
Entretanto, como o sujeito passivo dos crimes previstos na Lei de Drogas é a coletividade 
(crime vago), em regra, faltarão ofendidos – ressalvados os casos envolvendo os delitos inscritos 
nos arts. 38 e 39 – legitimados a manejar esses procedimentos na busca por bens do acusado para 
a garantia de pleito indenizatório. O Ministério Público, contudo, continua tendo legitimidade para 
requerer o arresto e a especialização da hipoteca legal com vistas a garantir o pagamento da pena 
pecuniária e das despesas processuais. 
Outrossim, destaca-se a inovação trazida em 2022, ocasião na qual o legislador buscou 
oportunizar o direito de manifestação ao acusado acerca da origem lícita do bem, bem como 
resguardou o direito do terceiro de boa-fé nos §§ 5º e 6º do art. 60, in verbis: 
Art. 60, § 5º Decretadas quaisquer das medidas previstas no caput deste 
artigo, o juiz facultará ao acusado que, no prazo de 5 (cinco) dias, apresente 
provas, ou requeira a produção delas, acerca da origem lícita do bem ou do 
valor objeto da decisão, exceto no caso de veículo apreendido em transporte 
de droga ilícita. 
§ 6º Provada a origem lícita do bem ou do valor, o juiz decidirá por sua 
liberação, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga 
ilícita, cuja destinação observará o disposto nos arts. 61 e 62 desta Lei, 
ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. 
 
A Lei de Drogas também disciplinou expressamente acerca da apreensão dos instrumentos 
(instrumenta sceleris) e outros objetos utilizados para a prática do crime: 
Art. 61. A apreensão de veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer 
outros meios de transporte e dos maquinários, utensílios, instrumentos e 
objetos de qualquer natureza utilizados para a prática, habitual ou não, dos 
crimes definidos nesta Lei será imediatamente comunicada pela autoridade 
de polícia judiciária responsável pela investigação ao juízo competente. 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 68 
 
Realizada a comunicação prevista no art. 61, o magistrado ordenará às secretarias de 
fazenda e aos órgãos de registro e controle que efetuemas averbações necessárias (LD, art. 61, § 
12) e, mediante manifestação do Ministério Público e avaliação prévias, poderá submeter os bens 
que constituam instrumentos utilizados para a prática do narcotráfico e os que tenham sido 
sequestrados, apreendidos ou submetidos a qualquer medida assecuratória, denominada utilização 
funcional. 
Para Cleber Masson, constatado o interesse público, a coisa pode ser entregue para 
custódia e uso (sob responsabilidade) dos órgãos de segurança pública previstos no art. 144 da 
Constituição Federal, do sistema prisional, do sistema socioeducativo, da Força Nacional de 
Segurança Pública e do Instituto Geral de Perícia, com o objetivo de sua conservação e para o 
desempenho de suas atividades (LD, arts. 61 e 62, caput, c.c. CPP, art. 133-A, caput). Há na 
medida, portanto, dupla finalidade. 
A decisão que viabiliza a utilização funcional do bem constrito pode ser tomada tão logo 
efetivada a comunicação a que se refere o art. 61, não dependendo, pois, de sentença condenatória. 
Ao contrário, o ideal é que, quando cabível, seja ela proferida ainda na primeira fase da persecução 
penal, de modo a evitar a ação corrosiva do tempo sobre esses objetos e a sanar a incapacidade 
prática do Estado de adequadamente administrar os bens que ingressam em sua esfera de 
proteção. 
27. JURISPRUDÊNCIA EM TESE 
A seguir, colaciona-se o compilado das Edições da Jurisprudência em Tese do STJ. 
1) É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/2006, desde que o resultado da incidência 
das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei 
n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. 
2) A inobservância do art. 55 da Lei 11.343/2006, que determina o recebimento da denúncia 
após a apresentação da defesa prévia, constitui nulidade relativa quando forem demonstrados os 
prejuízos suportados pela defesa. 
3) O laudo pericial definitivo atestando a ilicitude da droga afasta eventuais irregularidades 
do laudo preliminar realizado na fase de investigação. 
4) A falta da assinatura do perito criminal no laudo toxicológico é mera irregularidade que 
não tem o condão de anular o referido exame. 
A simples falta de assinatura do perito encarregado pela lavratura do laudo 
toxicológico definitivo constitui mera irregularidade e não tem o condão de 
anular a prova pericial na hipótese de existirem outros elementos que 
comprovem a sua autenticidade, notadamente quando o expert estiver 
devidamente identificado e for constatada a existência de substância ilícita. 
STJ. 3ª Seção.REsp 2.048.422-MG, REsp 2.048.645-MG e REsp 2.048.440-
MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgados em 22/11/2023 (Recurso 
Repetitivo – Tema 1206) (Info 796). 
 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 69 
 
5) O princípio da insignificância não se aplica aos delitos do art. 33, caput, e do art. 28 da 
Lei de Drogas, pois trata-se de crimes de perigo abstrato ou presumido. 
6) A conduta de porte de substância entorpecente para consumo próprio, prevista no art. 28 
da Lei 11.343/2006, foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada, 
não havendo, portanto, abolitio criminis. 
7) As contravenções penais, puníveis com pena de prisão simples, não geram reincidência, 
mostrando-se, portanto, desproporcional que condenações anteriores pelo delito do art. 28 da Lei 
11.343/2006 configurem reincidência, uma vez que não são puníveis com pena privativa de 
liberdade. 
8) O crime de uso de entorpecente para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei 
11.343/2006, é de menor potencial ofensivo, o que determina a competência do Juizado Especial 
estadual, já que ele não está previsto em tratado internacional e o art. 70 da Lei n. 11.343/2006 não 
o inclui dentre os que devem ser julgados pela justiça federal. 
9) A conduta prevista no art. 28 da Lei 11.343/2006 admite tanto a transação penal quanto 
a suspensão condicional do processo. 
10) A posse de substância entorpecente para uso próprio configura crime doloso e quando 
cometido no interior do estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 52 da Lei 
de Execução Penal - LEP (Lei 7.210/1984). 
11) É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade da 
infração disciplinar e a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de 
estabelecimento prisional. 
12) A comprovação da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio (art. 28 
da Lei 11.343/2006) exige a elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que 
evidencie a natureza e a quantidade da substância apreendida. 
13) O tráfico de drogas é crime de ação múltipla e a prática de um dos verbos contidos no 
art. 33, caput, da Lei 11.343/2006 é suficiente para a consumação do delito. 
14) O laudo de constatação preliminar de substância entorpecente constitui condição de 
procedibilidade para apuração do crime de tráfico de drogas. 
15) Para a configuração do delito de tráfico de drogas previsto no caput do art. 33 da Lei 
11.343/2006, é desnecessária a aferição do grau de pureza da substância apreendida. 
16) Não se reconhece a existência de bis in idem na aplicação da causa de aumento de 
pena pela transnacionalidade (art. 40, inciso I, da Lei 11.343/2006), em razão do art. 33, caput, da 
Lei 11.343/2006 prever as condutas de "importar" e "exportar", pois trata-se de tipo penal de ação 
múltipla, e o simples fato de o agente "trazer consigo" a droga já conduz à configuração da tipicidade 
formal do crime de tráfico. 
17) O agente que atua diretamente na traficância e que também financia ou custeia a 
aquisição de drogas deve responder pelo crime previsto no art. 33, caput, da Lei 11.343/2006 com 
a incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 40, VII, da Lei 11.343/2006, afastando-
se, por conseguinte, a conduta autônoma prevista no art. 36 da referida legislação. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 70 
 
18) É possível a aplicação do princípio da consunção entre os crimes previstos no § 1º do 
art. 33 e/ou no art. 34 pelo tipificado no caput do art. 33 da Lei 11.343/2006, desde que não 
caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes, aptos a vulnerar o bem jurídico 
tutelado de forma distinta. 
19) Quando o agente no exercício irregular da medicina prescreve substância caracterizada 
como droga, resta configurado, em tese, o delito do art. 282 do Código Penal, em concurso formal 
com o art. 33, caput, da Lei 11.343/2006. 
20) O § 3º do art. 33 da Lei 11.343/2006 traz tipo específico para aquele que fornece 
gratuitamente substância entorpecente a pessoa de seu relacionamento para juntos a consumirem 
e, por se tratar de norma penal mais benéfica, deve ser aplicado retroativamente. 
21) O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006) 
não é crime equiparado a hediondo. 
22) A causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas só pode ser 
aplicada se todos os requisitos, cumulativamente, estiverem presentes. 
23) É inviável a aplicação da causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 
33 da Lei 11.343/2006 quando há condenação simultânea do agente nos crimes de tráfico de drogas 
e de associação para o tráfico, por evidenciar a sua dedicação a atividades criminosas ou a sua 
participação em organização criminosa. 
24) A condição de "mula" do tráfico, por si só, não afasta a possibilidade de aplicação da 
minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006, uma vez que a figura de transportador da droga 
não induz, automaticamente, à conclusão de que o agente integre, de forma estável e permanente, 
organização criminosa. 
25) Configura constrangimento ilegal o afastamento do tráfico privilegiado e da redução da 
fração de diminuição de pena por presunção de que o agente se dedica a atividades criminosas, 
derivada unicamente da análise da naturezaou da quantidade de drogas apreendidas. 
26) Para a caracterização do crime de associação para o tráfico de drogas (art. 35 da Lei 
11.343/2006) é imprescindível o dolo de se associar com estabilidade e permanência. 
27) Para a configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 
da Lei 11.343/2006, é irrelevante apreensão de drogas na posse direta do agente. 
28) O crime de associação para o tráfico de entorpecentes (art. 35 da Lei 11. 343/2006) não 
figura no rol taxativo de crimes hediondos ou de delitos a eles equiparados. 
29) Em se tratando de condenado pelo delito previsto no art. 14 da Lei 6.368/1976, deve-se 
observar as reprimendas mínima e máxima estabelecidas pelo art. 8º da Lei 8.072/1990 (3 a 6 anos 
de reclusão), por ser norma penal mais benéfica ao réu, impondo-se, inclusive, se for o caso, a 
exclusão da pena de multa. 
30) O crime de financiar ou custear o tráfico ilícito de drogas (art. 36 da Lei 11.343/2006) é 
delito autônomo aplicável ao agente que não tem participação direta na execução do tráfico, 
limitando-se a fornecer os recursos necessários para subsidiar as infrações a que se referem os art. 
33, caput e § 1º, e art. 34 da Lei de Drogas. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 71 
 
31) O crime de colaboração com o tráfico, art. 37 da Lei n. 11.343/2006, é um tipo penal 
subsidiário em relação aos delitos dos arts. 33 e 35 da referida lei e tem como destinatário o agente 
que colabora como informante, de forma esporádica, eventual, sem vínculo efetivo, para o êxito da 
atividade de grupo, de associação ou de organização criminosa destinados à prática de qualquer 
dos delitos previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei de Drogas. 
32) A Lei 11.343/2006 manteve as condutas descritas no art. 12, § 2º, inciso III, da Lei 
6.368/1976, razão pela qual não há que se falar em abolitio criminis. 
33) A Lei 11.343/2006 aboliu a majorante da associação eventual para o tráfico prevista no 
art. 18, III, primeira parte, da Lei 6.368/1976. 
34) A incidência da majorante da segunda parte do inciso III do art. 18 da Lei 6. 368/1976 – 
"visar [o crime] a menores de 21 (vinte e um) anos" – segue contemplada no art. 40, inciso VI, da 
nova Lei de Drogas – "sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente" – não restando 
configurada a abolitio criminis. 
35) O art. 40 da Lei 11.343/2006 conferiu tratamento mais favorável às causas especiais de 
aumento de pena, devendo ser aplicado retroativamente aos delitos cometidos sob a égide da Lei 
6.368/1976. 
36) Não acarreta bis in idem a incidência simultânea das majorantes previstas no art. 40 da 
Lei 11.343/2006 aos crimes de tráfico de drogas e de associação para fins de tráfico, porquanto são 
delitos autônomos, cujas penas devem ser calculadas e fixadas separadamente. 
37) Para a incidência das majorantes previstas no art. 40, I e V, da Lei 11. 343/2006, é 
desnecessária a efetiva transposição de fronteiras, sendo suficiente, respectivamente, a prova de 
destinação internacional das drogas ou a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico 
interestadual. 
38) É cabível a aplicação cumulativa das causas de aumento relativas à transnacionalidade 
e à interestadualidade do delito, previstas nos incisos I e V do art. 40 da Lei de Drogas, quando 
evidenciado que a droga proveniente do exterior se destina a mais de um estado da Federação, 
sendo o intuito dos agentes distribuir o entorpecente estrangeiro por mais de uma localidade do 
país. 
39) O rol previsto no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas não deve ser encarado como 
taxativo, pois o objetivo da referida lei é proteger espaços que promovam a aglomeração de 
pessoas, circunstância que facilita a ação criminosa. 
40) A causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas possui 
natureza objetiva e se aplica em função do lugar do cometimento do delito, sendo despicienda a 
comprovação efetiva do tráfico nos locais e nas imediações mencionados no inciso ou que o crime 
visava a atingir seus frequentadores. 
41) A incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei 11.343/2006 deve ser 
excepcionalmente afastada na hipótese de não existir nenhuma indicação de que houve o 
aproveitamento da aglomeração de pessoas ou a exposição dos frequentadores do local para a 
disseminação de drogas, verificando-se, caso a caso, as condições de dia, local e horário da prática 
do delito. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 72 
 
42) Para a caracterização da causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei 11. 343/2006, 
é necessária a efetiva oferta ou a comercialização da droga no interior de veículo público, não 
bastando, para a sua incidência, o fato de o agente ter se utilizado dele como meio de locomoção 
e de transporte da substância ilícita. 
43) A aplicação das majorantes previstas no art. 40 da Lei de Drogas exige motivação 
concreta, quando estabelecida acima da fração mínima, não sendo suficiente a mera indicação do 
número de causas de aumento. 
44) Para fins de fixação da pena, não há necessidade de se aferir o grau de pureza da 
substância apreendida uma vez que o art. 42 da Lei de Drogas estabelece como critérios "a natureza 
e a quantidade da substância". 
45) É possível a valoração da quantidade e natureza da droga apreendida, tanto para a 
fixação da pena-base quanto para a modulação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da 
Lei 11.343/2006, neste último caso ainda que sejam os únicos elementos aferidos, desde que não 
tenham sidos considerados na primeira fase do cálculo da pena. 
46) A utilização concomitante da quantidade de droga apreendida para elevar a pena-base 
e para afastar a incidência da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas, por demonstrar 
que o acusado se dedica a atividades criminosas ou integra organização criminosa, não configura 
bis in idem, tratando-se de hipótese diversa da Repercussão Geral - TEMA 712/STF. 
47) Reconhecida a inconstitucionalidade da vedação prevista na parte final do § 4º do art. 
33 da Lei de Drogas, inexiste óbice à substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de 
direitos aos condenados pelo crime de tráfico de drogas, desde que preenchidos os requisitos do 
art. 44 do Código Penal. 
48) A utilização da reincidência como agravante genérica é circunstância que afasta a causa 
especial de diminuição da pena do crime de tráfico, e não caracteriza bis in idem. 
49) Reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei 8.072/1990, é possível a 
fixação de regime prisional diferente do fechado para o início do cumprimento de pena imposta ao 
condenado por tráfico de drogas, devendo o magistrado observar as regras previstas no Código 
Penal para a fixação do regime prisional. 
50) O juiz pode fixar regime inicial mais gravoso do que aquele relacionado unicamente com 
o quantum da pena ao considerar a natureza ou a quantidade da droga. 
51) Configura ofensa ao princípio da proteção integral a aplicação de medida de 
semiliberdade ao adolescente pela prática de ato infracional análogo ao crime previsto no art. 28 da 
Lei 11.343/2006. 
52) O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz obrigatoriamente à 
imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente. 
53) A despeito de não ser considerado hediondo, o crime de associação para o tráfico, no 
que se refere à concessão do livramento condicional, deve, em razão do princípio da especialidade, 
observar a regra estabelecida pelo art. 44, parágrafo único, da Lei 11.343/2006: cumprimento de 
2/3 (dois terços) da pena e vedação do benefício ao reincidente específico. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 73 
 
54) É possível a concessão de liberdade provisória nos crimes de tráfico ilícito de 
entorpecentes. 
55) É vedada a concessão de indulto aos condenados por crime hediondo ou por crime a 
ele equiparado,entre os quais se insere o delito de tráfico previsto no art. 33, caput e § 1º da Lei 
11.343/2006, afastando-se a referida vedação na hipótese de aplicação da causa de diminuição 
prevista no art. 33, § 4º, da mesma Lei, uma vez que a figura do tráfico privilegiado é desprovida de 
natureza hedionda. 
56) A expropriação de bens em favor da União, decorrente da prática de crime de tráfico 
ilícito de entorpecentes, constitui efeito automático da sentença penal condenatória. 
57) Não viola o princípio da dignidade da pessoa humana a revista íntima realizada conforme 
as normas administrativas que disciplinam a atividade fiscalizatória, quando houver fundada 
suspeita de que o visitante esteja transportando drogas ou outros itens proibidos para o interior do 
estabelecimento prisional. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-SC - Promotor - CESPE - 2023): No caso de condenação pelo crime 
de associação para o tráfico, o livramento condicional depende do 
cumprimento de dois terços da pena, sendo vedada sua concessão ao 
reincidente específico. Correto. 
 
(MPE-SP - Promotor de Justiça - MPE-SP - 2022): A utilização da 
reincidência como agravante genérica e como circunstância que afasta a 
causa especial de diminuição da pena do crime de tráfico não caracteriza bis 
in idem. Correto. 
 
(MPE-SE - Promotor de Justiça - CESPE - 2022): Indivíduo primário, mas 
comprovadamente envolvido com atividade criminosa, foi preso e condenado 
pela prática de tráfico de drogas, tendo o juiz decidido por uma pena de sete 
anos. Nesse caso, pode o juiz fixar o regime inicial de cumprimento de pena, 
com fundamento na natureza ou na quantidade da droga. Correto. 
 
(PC-PR - Delegado - NC-UFPR - 2021): A comprovação da materialidade do 
delito de posse de drogas para uso próprio não depende da elaboração de 
laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a natureza 
e a quantidade da substância apreendida. Errado.- 2025.1 5 
 
2. OBJETIVIDADE JURÍDICA 
Por meio da objetividade jurídica analisa-se o bem jurídico protegido pelo Direito Penal. Por 
exemplo, no delito de furto o bem jurídico protegido é o patrimônio, no crime de homicídio protege-
se a vida. 
A Lei 11.343/2006, por sua vez, visa tutelar a saúde pública. Ressalta-se, assim, que na 
parte penal a referida lei não se preocupa com a saúde individual (de cada usuário), mas sim com 
a saúde de toda a coletividade, pois enquanto há a circulação de drogas, “toda a sociedade corre 
perigo”. 
3. OBJETO MATERIAL 
Por objeto material entende-se a coisa ou pessoa sobre a qual recai a conduta criminosa do 
agente. 
A droga é o objeto material da Lei 11.343/2006 e sua definição está prevista no art. 1º, 
parágrafo único da referida lei, in verbis: 
Art. 1º, Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as 
substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim 
especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente 
pelo Poder Executivo da União. 
 
Percebe-se, assim, que para determinada substância ser considerada uma droga é 
necessário que: 
1) Cause dependência física ou psíquica; 
2) Esteja prevista em uma lei ou ato administrativo (lista) da União. 
Obs.: os crimes da Lei de Drogas estão previstos em norma penal em 
branco, uma vez que necessitam de complemento em seu preceito 
primário. Pela redação do parágrafo único do art. 1º, infere-se que os 
crimes podem ser complementados tanto por uma norma penal em 
branco homogênea (complemento em lei) quanto heterogênea 
(complemento está em ato administrativo, a exemplo de uma portaria). 
Atualmente no Brasil, os crimes previstos na Lei de Drogas estão 
dispostos em normas penais heterogêneas, eis que a relação de 
drogas está contida em atos administrativos da União. 
A Portaria SVS/MS 344/1998 é que disciplina as substâncias consideradas como drogas, 
sendo atualizada de forma contínua, conforme preleciona o art. 66 da LD: 
Art. 66. Para fins do disposto no parágrafo único do art. 1o desta Lei, até que 
seja atualizada a terminologia da lista mencionada no preceito, denominam-
se drogas substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sob 
controle especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio de 1998. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 6 
 
 
Ressalta-se que para ser considerada como droga basta a presença do princípio ativo, 
pouco importando a nomenclatura utilizada (maconha, cocaína, LSD etc.). Há, inclusive, diversos 
medicamentos que possuem seu princípio ativo na Portaria. 
A prova da materialidade, constatação do princípio ativo, será feita por meio de um exame 
químico-toxicológico (perícia). 
4. SUJEITO ATIVO 
Em regra, os crimes previstos na Lei de Drogas são crimes comuns ou gerais, isto é, são 
crimes que podem ser cometidos por qualquer pessoa, não se exigindo situação especial. 
Há, contudo, uma exceção prevista no art. 38 da LD, eis que as condutas de prescrever 
(médico ou dentista) ou ministrar (farmacêutico ou profissional de enfermagem) drogas, 
culposamente, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, exigem qualidade especial, tratando-se de 
crime próprio ou especial. 
5. SUJEITO PASSIVO 
Obs.: sempre que se estudar o sujeito passivo, de qualquer crime, 
deve-se relacionar com a objetividade jurídica (bem jurídico protegido), 
pois o sujeito passivo é o titular do bem protegido. 
Como o bem jurídico protegido pela Lei de Drogas é a coletividade, o sujeito passivo de tais 
crimes será a coletividade, por isso são classificados como crimes vagos. 
Frisa-se que o crime vago possui como sujeito passivo um ente destituído de personalidade 
jurídica (crimes de trânsito, crimes contra a família, crimes da Lei de Drogas). 
Sistematizando: 
 
OBJETIVIDADE 
JURÍDICA 
 
OBJETO 
MATERIAL 
SUJEITO ATIVO SUJEITO PASSIVO 
Saúde Pública Droga Crime comum 
Crime vago 
(sujeito passivo sem 
personalidade 
jurídica). 
Saúde da 
coletividade 
Substância que 
causa dependência 
e esteja prevista em 
lei ou ato normativo 
da União. 
Em regra, pode ser 
praticado por 
qualquer pessoa. 
Exceção: Art. 38 da 
LD. Exige qualidade 
especial. 
Coletividade 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 7 
 
6. ELEMENTO SUBJETIVO 
Os crimes da Lei 11.343/2006 são DOLOSOS, salvo o crime previsto no art. 38: 
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas 
necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 
(cinquenta) a 200 (duzentos) dias-multa. 
7. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO 
Inicialmente, salienta-se que crime de perigo é aquele em que a consumação ocorre com a 
exposição do bem jurídico a um risco de dano. Não se exige a efetiva lesão ao bem jurídico, 
bastando a probabilidade de dano. 
Por sua vez, no crime de perigo abstrato, também chamado de crime de perigo presumido, 
a prática da conduta descrita em lei acarreta a presunção absoluta do perigo ao bem jurídico, não 
se exigindo prova concreta. 
Cita-se, como exemplo, o caso do traficante de drogas, que não se exige prova de que a 
coletividade, efetivamente, estava em perigo com a sua conduta. 
Veja a tabela comparativa entre crime de perigo abstrato e perigo concreto: 
 
CRIME DE PERIGO ABSTRATO 
 
 
CRIME DE PERIGO CONCRETO 
 
Perigo é presumido pela lei. A simples 
realização da conduta é suficiente para 
configurar o crime. 
 
 
Perigo não é presumido. É necessário 
comprovar a existência concreta do 
perigo para a consumação do crime. 
 
Exemplo: Tráfico de drogas e porte ilegal 
de arma de fogo. 
 
 
Exemplo: Incêndio culposo. 
8. AÇÃO PENAL 
Todos os crimes da Lei de Drogas são de ação penal pública incondicionada. 
9. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
Como se sabe, o princípio da insignificância é uma causa supralegal de exclusão da 
tipicidade material do crime. No tráfico de drogas NÃO se aplica tal princípio, uma vez que há 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 8 
 
incompatibilidade lógica entre ambos, já que o tráfico é um crime de alta periculosidade (crime de 
máximo potencial ofensivo), equiparado a hediondo. 
Contudo, em relação ao art. 28 da Lei (consumo próprio), o STF (Info 655) já admitiu a 
aplicação de tal princípio, com base nos seguintes argumentos1: 
a) A privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se justificam 
quando estritamente necessárias à própria proteção das pessoas, da sociedade e de 
outros bens jurídicos que lhes fossem essenciais, notadamente naqueles casos em que 
os valores penalmente tutelados são expostos a dano, efetivo ou potencial, impregnado 
de significativa lesividade; 
b) Deste modo, o Direito Penal não deve se ocupar de condutas que produzam resultados 
cujo desvalor – por não importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes – não 
representam, por isso mesmo, expressivo prejuízo, seja ao titular do bem jurídico 
tutelado, seja à integridade da própria ordem social. 
Assim, estão preenchidos os requisitos de aplicação do princípio da insignificância: a) 
mínima ofensividade da conduta do agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) reduzido 
grau de reprovabilidade do comportamento; e d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
A decisão do STF é de 2012, e apenas da 1ª Turma, levando em consideração o caso 
concreto. 
Outrossim, a 2ª Turma do STF, no HC 202883, de relatoria do Min. Gilmar Mendes e julgado 
em 15/09/2021, no caso em que o Réu portava 1,8g de maconha para consumo próprio, também 
houve possibilidade de aplicação do princípio da insignificância em porte de drogas para consumo 
pessoal com a concessão de habeas corpus. 
No referido caso, os argumentos favoráveis à concessão do remédio constitucionalforam, 
em síntese: 
a) Entende-se que a razão para a recusa da aplicação do princípio da insignificância em 
crimes relacionados a entorpecentes está muito mais ligada a uma decisão político-
criminal do que propriamente a uma impossibilidade dogmática; 
b) O comportamento do paciente pode não ser capaz de lesionar ou colocar em perigo o 
bem jurídico protegido ou colocar em perigo a paz social, a segurança ou a saúde 
pública, sendo afastada a tipicidade material do tipo penal imputado. Trata-se de um 
caso exemplar em que não há qualquer demonstração da lesividade material da conduta, 
apesar da subsunção desta ao tipo formal. 
Entretanto, vale registrar que o caso foi empatado com 2 votos favoráveis dos Ministros 
Gilmar Mendes e Edson Fachin e com 2 votos contrários dos Ministros Ricardo Lewandowski e 
Nunes Marques, bem como que o tema aguarda posicionamento do STF (Tema 506). 
O STJ, em sentido diverso, entende que NÃO é possível a aplicação do princípio da 
insignificância ao delito do art. 28. Nesse sentido: 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Porte de droga para consumo pessoal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 14/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 9 
 
STJ (Jurisprudência em Tese): O princípio da insignificância não se aplica 
aos delitos do art. 33, caput, e do art. 28 da Lei de Drogas, pois trata-se de 
crimes de perigo abstrato ou presumido. 
 
Contudo, é importante conhecer o atual posicionamento do STF quanto o porte de pequena 
quantidade de maconha para uso pessoal. 
No RE 635.659/SP (Tema 506 de Repercussão Geral), o STF definiu que não comete 
infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para 
consumo pessoal, a substância cannabis sativa, sem prejuízo do reconhecimento da ilicitude 
extrapenal da conduta, com apreensão da droga e aplicação de sanções de advertência sobre os 
efeitos dela (art. 28, I) e medida educativa de comparecimento à programa ou curso educativo (art. 
28, III). 
De modo que, será presumido usuário quem, para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver 
em depósito, transportar ou trouxer consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis plantas-
fêmeas, até que o Congresso Nacional venha a legislar a respeito. Mas ainda iremos tratar do tema 
em tópico próprio, logo abaixo. 
Assim, ressalta-se que é importante conhecer os precedentes acima mencionados para 
eventual segunda fase e prova oral, mas em provas objetivas é recomendado ficar com o 
entendimento de que não é possível que seja aplicado o princípio da insignificância à Lei de Drogas. 
10. PORTE E CULTIVO PARA CONSUMO PESSOAL 
 PREVISÃO LEGAL 
O porte e cultivo para consumo pessoal é delito previsto no art. 28 da Lei de Drogas, com a 
seguinte redação legal: 
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer 
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo 
com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: 
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
II - prestação de serviços à comunidade; 
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
§ 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, 
semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena 
quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou 
psíquica. 
§ 2o Para determinar se a droga se destinava a consumo pessoal, o juiz 
atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às 
condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e 
pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente. 
§ 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão 
aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses. 
§ 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput 
deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 10 
 
§ 5o A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas 
comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, 
estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que 
se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação 
de usuários e dependentes de drogas. 
§ 6o Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere 
o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, 
poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a: 
I - admoestação verbal; 
II - multa. 
§ 7o O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, 
gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, 
para tratamento especializado. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-PE - Promotor de Justiça - FCC - 2022): O autor da conduta de trazer 
drogas consigo para consumo pessoal (art. 28, da Lei de Drogas) deve ser 
encaminhado diretamente ao juiz, que irá lavrar o termo circunstanciado e 
fará a requisição dos exames e perícias; somente se não houver juiz é que 
tais providências serão tomadas pela autoridade policial. Correto. 
 
(PC-SP - Delegado - VUNESP - 2022): Nos termos da Lei n° 11.343/2006 
(Lei Antidrogas), é correto afirmar que para garantia do cumprimento da 
medida educativa de prestação de serviço à comunidade, havendo recusa 
injustificada, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a admoestação verbal 
e multa. Correto. 
 
 ATUAL ENTENDIMENTO DO STF 
No tema 506 de Repercussão Geral (RE 635.659/SP), o Plenário do STF decidiu, dentre 
outras questões, que não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, 
transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, a substância cannabis sativa, sem prejuízo 
do reconhecimento da ilicitude extrapenal da conduta, com apreensão da droga e aplicação de 
sanções de advertência sobre os efeitos dela (art. 28, I) e medida educativa de comparecimento à 
programa ou curso educativo (art. 28, III). Nota-se que o atual entendimento se refere tão somente 
a cannabis sativa (maconha), não se aplicando a outras drogas. 
Resumo das deliberações do STF2: 
1. Não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, 
transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, a substância cannabis 
sativa, sem prejuízo do reconhecimento da ilicitude extrapenal da conduta, 
com apreensão da droga e aplicação de sanções de advertência sobre os 
efeitos dela (art. 28, I) e medida educativa de comparecimento a programa 
ou curso educativo (art. 28, III); 
 
2 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Decisão do STF quanto ao porte de pequena quantidade de maconha 
para uso pessoal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
Acesso em: 23/10/2024 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 11 
 
2. As sanções estabelecidas nos incisos I e III do art. 28 da Lei 11.343/06 
serão aplicadas pelo juiz em procedimento de natureza não penal, sem 
nenhuma repercussão criminal para a conduta; 
3. Em se tratando da posse de cannabis para consumo pessoal, a autoridade 
policial apreenderá a substância e notificará o autor do fato para comparecer 
em Juízo, na forma do regulamento a ser aprovado pelo CNJ. Até que o CNJ 
delibere a respeito, a competência para julgar as condutas do art. 28 da Lei 
11.343/06 será dos Juizados Especiais Criminais, segundo a sistemática 
atual, vedada a atribuição de quaisquer efeitos penais para a sentença; 
 4. Nos termos do § 2º do artigo 28 da Lei 11.343/2006, será presumido 
usuário quem, para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver em depósito, 
transportar ou trouxer consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis 
plantas-fêmeas, até que o Congresso Nacional venha a legislar a respeito;5. A presunção do item anterior é relativa, não estando a autoridade policial 
e seus agentes impedidos de realizar a prisão em flagrante por tráfico de 
drogas, mesmo para quantidades inferiores ao limite acima estabelecido, 
quando presentes elementos que indiquem intuito de mercancia, como a 
forma de acondicionamento da droga, as circunstâncias da apreensão, a 
variedade de substâncias apreendidas, a apreensão simultânea de 
instrumentos como balança, registros de operações comerciais e aparelho 
celular contendo contatos de usuários ou traficantes; 
6. Nesses casos, caberá ao Delegado de Polícia consignar, no auto de prisão 
em flagrante, justificativa minudente para afastamento da presunção do porte 
para uso pessoal, sendo vedada a alusão a critérios subjetivos arbitrários; 
7. Na hipótese de prisão por quantidades inferiores à fixada no item 4, deverá 
o juiz, na audiência de custódia, avaliar as razões invocadas para o 
afastamento da presunção de porte para uso próprio; 
8. A apreensão de quantidades superiores aos limites ora fixados não impede 
o juiz de concluir que a conduta é atípica, apontando nos autos prova 
suficiente da condição de usuário. 
STF. Plenário. RE 635.659/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 
26/06/2024 (Repercussão Geral – Tema 506). 
 
Pergunta-se, portar maconha para uso pessoa é crime? 
Antes da decisão do STF: SIM. 
Depois da decisão do STF: NÃO. 
Assim, nas palavras do Prof. Márcio Cavalcante, em regra, uma pessoa que é encontrada 
com maconha, para consumo pessoal, pratica a conduta prevista no art. 28 da Lei nº 11.343/2006. 
Como o STF havia dito, em 2006, que o art. 28 da Lei nº 11.343/2006, era crime, se uma pessoa 
fosse encontrada com maconha, ainda que para consumo pessoal, ela cometia um crime. 
Entretanto, no ano de 2024, o STF alterou essa conclusão. 
De modo que, definiu, que criminalização das aludidas condutas, relacionadas ao porte de 
maconha para o uso próprio (Lei nº 11.343/2006, art. 28), afronta o postulado da proporcionalidade, 
pois: 
(i) versa sobre lesividade que se restringe à esfera pessoal dos usuários; e 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 12 
 
(ii) produz crescente estigmatização, ofuscando os principais objetivos do Sistema Nacional 
de Políticas de Drogas, quais sejam, a política de redução de danos e a prevenção do uso abusivo 
de drogas3. 
Então, podemos afirmar que o STF legalizou o consumo da maconha? 
Não. O porte e o uso de maconha para fins recreativos ainda é algo ilícito. Só não é mais 
um ilícito penal. Portanto, a conduta de portar maconha para consumo pessoal é, segundo STF, um 
ilícito extrapenal. 
Assim, quando a polícia encontrar o autor do fato com maconha, irá definir se isso é para 
consumo pessoal ou para tráfico usando os seguintes critérios (o STF construiu uma presunção): 
1) se foram apreendidos até 40 gramas de cannabis sativa ou até seis plantas-fêmeas: 
presume-se que esse indivíduo é apenas usuário e, portanto, não cometeu crime; 
2) se foi apreendida uma quantia superior: existe uma presunção de que não era para 
consumo pessoal. 
Todavia, tanto em um caso como no outro, essa presunção é relativa. Isso quer dizer que 
mesmo que a polícia encontre a pessoa com menos de 40 gramas ou com menos do que 6 plantas, 
ainda assim será possível, com base no caso concreto, concluir que o agente é traficante, de acordo 
com os elementos do caso concreto. 
 E caso o agente seja apreendido com quantidades superiores a 40 gramas de 
cannabis sativa ou seis plantas-fêmeas, necessariamente será considerado traficante? 
O STF disse que não. A apreensão de quantidades superiores aos limites ora fixados não 
impede o juiz de concluir que a conduta é atípica, apontando nos autos prova suficiente da condição 
de usuário. 
 FUGA DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE 
É consenso que o problema do usuário de drogas não é de justiça penal, mas sim um 
problema de saúde pública que necessita de políticas públicas. 
A atual Lei de Drogas abrandou muito a situação do usuário (na antiga lei tal delito era punido 
com pena de detenção de até um ano), prevendo penas de advertência, prestação de serviço à 
comunidade e medidas socioeducativas, acabando com a pena privativa de liberdade. Portanto, 
não caberá prisão provisória (preventiva e temporária) e nem prisão definitiva. 
 CONSUMO PESSOAL X USO PRÓPRIO 
O tipo penal do art. 28 faz referência ao porte e à posse para consumo pessoal, 
diferentemente da legislação antiga, que se falava em uso próprio. 
 
3 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Decisão do STF quanto ao porte de pequena quantidade de maconha 
para uso pessoal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
Acesso em: 23/10/2024 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 13 
 
 PRINCÍPIO DA ALTERIDADE 
Idealizado por Claus Roxin, o princípio da alteridade defende que não há crime na conduta 
que prejudica somente quem a praticou. O crime, portanto, deve ultrapassar a esfera pessoal do 
agente, causando danos ou perigo a terceiros. 
Os crimes da Lei de Drogas são crimes contra saúde pública, não havendo preocupação 
com a saúde do usuário. Justamente por isso que não há no art. 28 a expressão “uso” e, 
consequentemente, não há crime no uso pretérito da droga. 
 NATUREZA JURÍDICA 
Quando a Lei de Drogas entrou em vigor (2006), o saudoso Luiz Flávio Gomes afirmou que 
o art. 28 não era crime e nem contravenção penal, com base no art. 1º da Lei de Introdução ao CP, 
considerando que o gênero “infração penal” se subdivide em 2 espécies: 
1) Crime: espécie de infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou detenção, 
isolada ou cumulativamente com a pena de multa; 
2) Contravenção penal: espécie de infração penal a que a lei comina prisão simples ou 
multa, de forma isolada ou cumulativa. 
Como não há nenhuma dessas penas cominadas ao art. 28, para Luiz Flávio Gomes o 
referido tipo penal não seria crime e muito menos contravenção, mas sim uma infração penal sui 
generis. Contudo, há uma crítica: não basta afirmar que não se trata de crime e nem de 
contravenção penal, precisa definir o que é, não simplesmente dizer que é algo sui generis. 
Assim, vale ressaltar, que de acordo com o posicionamento do STF (RE 430.105), o porte 
de droga para consumo pessoal, trata-se de CRIME, desde que não enquadrado nas hipóteses 
do Tema de RG nº 506, eis que: 
a) A lei, ao tratar do tema, classificou a conduta como crime; 
b) Estabeleceu o rito processual junto ao Juizado Especial Criminal; 
c) No tocante à prescrição, o art. 30 determina a aplicação do art. 107 do CP; 
d) A finalidade do art. 1º da Lei de Introdução ao CP era apenas diferenciar, em 1942, os 
crimes das contravenções penais, uma vez que o CP e a LICP entraram em vigor 
simultaneamente (01 de janeiro de 1942); 
e) A LICP pode ser modificada por outra lei ordinária, como aconteceu com a Lei de Drogas. 
Ou seja, o art. 1º da LICP traz um conceito legal de crime, de natureza genérica, aplicado 
aos crimes em geral, ao passo que o art. 28 da Lei de Drogas também traz um conceito 
de crime, mas de forma restrita, pois aplicado apenas à Lei de Drogas; 
f) Não existiam penas alternativas quando a LICP entrou em vigor. 
No mesmo sentido, o entendimento do STJ: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 14 
 
STJ (Jurisprudência em Tese nº. 131) - 6) A conduta de porte de substância 
entorpecente para consumo próprio, prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, 
foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não 
descriminalizada, não havendo, portanto, abolitio criminis. 
 
Contudo, conforme explicado no tópico anterior, o STF enfrentou novamente a questão no 
ano de 2024, no RE 635.659/SP, em sede de Repercussão Geral – Tema 506, e definiu, dentre 
várias outras questões, que o porte de maconha para uso pessoal, quando em quantidades 
inferiores até 40 gramasde cannabis sativa ou seis plantas-fêmeas, trata-se de um ilícito 
extrapenal, isto é, uma conduta atípica. 
Mas vale frisar, que o recente entendimento do STF (RE 635.659/SP), vale tão somente para 
o porte para uso pessoal de maconha, portanto, quando se tratar de outras drogas, ainda 
prevalece o entendimento do RE 430.105, que considera a conduta como CRIME. 
Ainda, importante consignar que por caracterizar crime doloso (na hipótese de não aplicação 
do entendimento do Tema 506), quando praticado no interior de estabelecimento prisional, será 
considerado como falta grave, conforme entendimento do STJ: 
STJ – Jurisprudência em Tese, Edição 131: 10) A posse de substância 
entorpecente para uso próprio configura crime doloso e quando cometido no 
interior do estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 
52 da Lei de Execução Penal - LEP (Lei n. 7.210/1984). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-GO - Juiz - FCC - 2021): É desproporcional que condenações anteriores 
pelo delito do art. 28 da Lei n° 11.343/2006 configurem reincidência e, por 
isso, quando cometido no interior de estabelecimento prisional, não constitui 
falta grave. Errado. 
Não obstante, salienta-se que a mera solicitação do preso, sem a efetiva entrega do 
entorpecente ao destinatário no estabelecimento prisional, configura ato preparatório, o que impede 
a sua condenação por tráfico de drogas, in verbis: 
Caso hipotético: Tiago cumpre pena em um presídio. Ele pediu que Natália, 
sua namorada, levasse maconha para ele na próxima visita. Natália adquiriu 
a droga e levou até o presídio. Ocorre que, durante o procedimento de revista 
de visitantes, os agentes encontraram o entorpecente. Natália praticou tráfico 
de drogas e Tiago fato atípico. A interceptação da droga pelos agentes 
penitenciários antes de ser entregue ao destinatário, recolhido em 
estabelecimento prisional, impede a ocorrência da conduta típica do art. 33, 
caput, da Lei nº 11.343/2006 na modalidade “adquirir”, que viria, em tese, a 
ser por esse praticada. A conduta de apenas solicitar que a droga seja levada 
para o interior do estabelecimento prisional pode configurar, no máximo, ato 
preparatório e, portanto, impunível. Não se trata de ato executório do delito, 
seja na conduta de “adquirir”, seja nas demais modalidades previstas no tipo. 
Evidencia-se, portanto, a atipicidade da conduta. STJ. 5ª Turma. AgRg no 
REsp 1.999.604-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/3/2023 (Info 
770). 
 
Em continuidade, quanto ao cultivo de drogas para o consumo pessoal, prevista no § 1º do 
art. 28 da Lei de Drogas: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 15 
 
Art. 28, § 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo 
pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de 
pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência 
física ou psíquica. 
 
As mesmas medidas são: 
1) Advertência sobre os efeitos das drogas; 
2) Prestação de serviços à comunidade; 
3) Medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
A figura equiparada solucionou um problema que existia com a legislação anterior. Sempre 
que era caso de cultivo para consumo pessoal, o fato era considerado atípico ou, dependendo do 
juiz, enquadrado como tráfico de drogas, não havia coerência. 
Assim, o recente entendimento do STF, fixado no RE 635.659/SP, que passou a tratar o 
porte de maconha para uso pessoal como um ilícito extrapenal, também se aplica ao cultivo de 
maconha para uso pessoal, por se tratar de conduta equiparada. 
Contudo, tratando-se de plantas de qualquer outra droga ilícita, que não seja a maconha, 
afasta-se o entendimento atual do STF, configurando conduta criminosa. 
Obs.: não confunda o § 1º do art. 28 com o art. 33, § 1º, II que trata de 
figura equiparada ao tráfico, cuja finalidade do agente é entregar 
matéria prima, para preparação de drogas, a terceiros. 
Art. 33, 1º, II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em 
desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se 
constituam em matéria-prima para a preparação de drogas. 
 
Art. 28, § 1º Art. 33, § 1º, II 
Infração de menor potencial ofensivo. Equiparado a crime hediondo. 
Plantio destinado ao consumo pessoal e em 
pequena quantidade. 
Plantio destinado ao tráfico. 
 CRITÉRIOS PARA DIFERENCIAÇÃO COM O TRÁFICO 
O § 2º do art. 28 da Lei de Drogas traz os critérios que irão diferenciar a droga que se destina 
ao consumo pessoal e a que se destina ao tráfico de drogas, quais sejam: 
a) Natureza e quantidade da droga; 
b) Local e condições em que foi apreendida; 
c) Circunstâncias pessoais e sociais do agente; 
d) Conduta e os antecedentes do agente. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 16 
 
Havendo dúvida entre tráfico e porte de drogas para consumo pessoal, o juiz deve condenar 
pelo crime menos grave (in dubio pro reo). 
De acordo com o STJ (AgRg no AREsp 1740201/AM), não é apenas a quantidade de drogas 
que constitui fator determinante para a conclusão de que a substância se destinava a consumo 
pessoal, mas também o local e as condições em que se desenvolveu a ação, as circunstâncias 
sociais e pessoais, bem como a conduta e os antecedentes do agente. 
Em recente decisão do STF (Tema 506 – Repercussão Geral), foi definido em relação ao 
porte de pequena quantidade de maconha, que, nos termos do § 2º do artigo 28, será presumido 
usuário quem, para consumo próprio, adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer 
consigo, até 40 gramas de cannabis sativa ou seis plantas-fêmeas, até que o Congresso Nacional 
venha a legislar a respeito. E na hipótese de prisão por quantidades inferiores as descritas, deverá 
o juiz, na audiência de custódia, avaliar as razões invocadas para o afastamento da presunção de 
porte para uso próprio. 
Portanto, não comete infração penal quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar 
ou trouxer consigo, para consumo pessoal, a substância cannabis sativa, sem prejuízo do 
reconhecimento da ilicitude extrapenal da conduta. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-AP - Juiz - FGV - 2022): A prisão do agente em local conhecido por venda 
de drogas não afasta a possibilidade de aplicação de tráfico privilegiado. 
Correto. 
 
(MPE-SC - Promotor de Justiça - CESPE - 2021): Agente denunciado por 
tráfico de drogas que confesse o porte da substância para consumo próprio, 
caso venha a ser condenado pela conduta imputada, não terá a seu favor o 
benefício da atenuante da confissão. Correto. 
 
(MPE-SC - Promotor de Justiça - CESPE - 2021): No entendimento dos 
tribunais superiores, a conduta de posse ou porte ilegal de droga para 
consumo pessoal e em desacordo com determinação legal e regulamentar 
não constitui infração penal, pois, nos termos da LICP, constitui infração penal 
apenas as condutas que sejam sancionadas com pena privativa de liberdade 
ou de multa. Errado. 
 PENAS 
Há 3 penas cominadas ao crime do art. 28 da Lei de Drogas. 
• advertência sobre os efeitos das drogas; 
• prestação de serviços à comunidade; 
• medida educativa de comparecimento à programa ou curso educativo. 
Nos termos do art. 28, § 3º, a prestação de serviços à comunidade e a medida educativa 
terão prazo máximo de 5 meses. Caso o réu seja reincidente específico, o prazo máximo passa a 
ser de 10 meses, de acordo com o § 4º do referido artigo: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 17 
 
Art. 28, § 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão 
aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses. 
§ 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput 
deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-SC - Promotor - CESPE - 2023): A duplicação do prazo máximo das 
penas de prestação de serviços à comunidade e comparecimento a programa 
oucurso educativo ao condenado pelo crime de porte de drogas para 
consumo pessoal depende de reincidência específica. Correto. 
Conforme entendimento do STJ, a reincidência deve ser específica. Assim, se um indivíduo 
já condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º, 
isso porque se trata de reincidente genérico. 
A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 é a 
específica. Segundo a interpretação topográfica (que leva em consideração 
à posição dos artigos, parágrafos, incisos), os parágrafos não são unidades 
autônomas, estando vinculadas ao caput do artigo a que se referem. Logo, 
quando o § 4º fala em reincidência, quer se referir à nova prática do mesmo 
crime previsto no caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Rel. 
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662). 
 
Conforme já estudado nos tópicos acima, o porte de maconha para consumo pessoal não 
é crime, logo, não será possível aplicar uma pena para quem pratica essa conduta. 
Ensina o professor Márcio Cavalcante4, que o STF entendeu que ao contrário das sanções 
dos incisos I e III do art. 28, a prestação de serviço a comunidade possui uma natureza de pena, 
tanto que está prevista expressamente no art. 43, IV, do Código Penal: 
Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (...) 
IV - prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas. 
 
Portanto, o indivíduo que é encontrado com maconha para consumo pessoal, pode receber 
como sanções a advertência (inciso I do art. 28) e o comparecimento à programa ou curso educativo 
(inciso III do art. 28). Por outro lado, não pode ser obrigado a prestar serviços à comunidade (inciso 
II do art. 28). 
Mas vale frisar, novamente, que a decisão do STF no tema 506 de RG, se aplica tão somente 
à cannabis sativa (maconha), substância objeto de análise no caso concreto, e não engloba as 
demais drogas. Assim, a pena de prestação de serviço a comunidade, poderá ser aplicada as 
hipóteses de porte de droga para consumo pessoal, quando a droga objeto do caso concreto NÃO 
FOR a cannabis sativa. 
 
4 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Decisão do STF quanto ao porte de pequena quantidade de maconha 
para uso pessoal. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
Acesso em: 24/10/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 18 
 
Quando aplicável, a prestação de serviço à comunidade será cumprida em estabelecimentos 
que se ocupem, preferencialmente, com a recuperação de usuários e dependentes de drogas (art. 
28, § 5º): 
Art. 28, § 5o A prestação de serviços à comunidade será cumprida em 
programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, 
estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que 
se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da 
recuperação de usuários e dependentes de drogas. 
 
Além disso, as penas poderão ser aplicadas de forma isolada ou de forma cumulativa, sendo 
possível sua substituição, ouvido o MP e a defesa, a qualquer tempo (art. 27). Assim, por exemplo, 
o juiz poderá aplicar a pena de advertência e a de prestação de serviço à comunidade 
cumulativamente, bem como substituí-las, a qualquer tempo, pela pena de medida educativa, após 
ouvir o MP e a defesa. 
Importante salientar, ainda, que caso o condenado não cumpra as penas impostas, o agente 
não poderá ser conduzido à prisão. O juiz deverá utilizar o § 6º do art. 28 da Lei de Drogas que 
prevê a admoestação verbal e, após, multa. 
Obs.: destaca-se que admoestação verbal e multa NÃO são penas, 
mas sim medidas coercitivas para que o cumprimento da pena seja 
efetivado. 
Art. 28, § 6o Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se 
refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o 
agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a: 
I - admoestação verbal; 
II - multa. 
 
Em relação à multa, destaca-se que irá para o Fundo Nacional Antidrogas (art. 29) e que 
será fixada em 2 fases, quais sejam: 
1) 1ª fase: o juiz irá calcular quantidade de dias-multa (entre 40 e 100). Aqui, leva-se em 
conta a reprovabilidade da conduta; 
2) 2ª fase: o juiz irá fixar o valor de cada dia-multa (entre 1/30 até 3x o valor do salário-
mínimo). Aqui, considera-se a capacidade econômica do agente. 
Salienta-se que a condenação anterior pelo crime do art. 28 da Lei de Drogas, conforme 
entendimento do STJ, não enseja reincidência. 
Para tanto, vislumbram-se os argumentos utilizados pelo STJ, de acordo com a excelente 
explicação do Professor Márcio Cavalcante5: 
1) A condenação anterior por contravenção penal não gera reincidência, ou seja, um 
indivíduo condenado por contravenção penal, se praticar em seguida um crime, quando 
 
5 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A condenação pelo art 28 da Lei 11.343/2006(porte de droga para uso próprio) não configura 
reincidênciaa. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 15/03/2024. 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 19 
 
for julgado, não se aplicará a ele a agravante da reincidência. Isso porque o art. 63 do 
Código Penal é expresso ao se referir à prática de novo crime ao dispor: 
Art. 63. Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois 
de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha 
condenado por crime anterior. (veja que o agente tem que ter sido condenado 
por crime anterior) 
 
2) Em outras palavras, se a pessoa é condenada definitivamente por CONTRAVENÇÃO e, 
depois desta condenação, pratica um CRIME, ao ser julgada por esta segunda infração 
não sofrerá os efeitos da reincidência. Se a primeira infração praticada foi uma 
contravenção, não há reincidência. 
3) A contravenção é punida com prisão simples e/ou multa (art. 5º, do DL 3688/41). 
4) O art. 28 da LD é punido apenas com “advertência sobre os efeitos das drogas”, 
“prestação de serviços à comunidade” e “medida educativa de comparecimento à 
programa ou curso educativo”. Em nenhuma hipótese, a prática do crime do art. 28 da 
LD poderá gerar condenação que leve à prisão. 
5) Desse modo, comparando a pena das contravenções penais com a do crime do art. 28 
da LD, chega-se à conclusão de que as penas previstas para as contravenções são mais 
gravosas (mais duras) do que as sanções cominadas para o art. 28 da LD. 
6) Diante disso, se as sanções do art. 28 da LD são menos graves que a das 
contravenções, não se mostra proporcional considerar que o art. 28 da LD gera 
reincidência se a contravenção penal não tem esse efeito negativo. 
Evidencia-se, por fim, que a 2ª Turma do STF comungou do mesmo entendimento e decidiu 
que: 
Viola o princípio da proporcionalidade a consideração de condenação anterior 
pelo delito do art. 28 da Lei nº 11.343/2006, “porte de droga para consumo 
pessoal”, para fins de reincidência. STF. 2ª Turma. RHC 178512 AgR/SP, 
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/3/2022 (Info 1048). 
 PRESCRIÇÃO 
A prescrição é fixa e não poderá ser calculada com base na quantidade da pena imposta. 
Por isso, o art. 30 fixou o prazo de 2 anos, tanto para a pretensão punitiva quanto para a pretensão 
executória, aplicando-se o art. 107 do CP para os casos de interrupção do prazo. 
Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas, 
observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e 
seguintes do Código Penal 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-RJ - Delegado - CESPE - 2022): Prescrevem em dois anos a imposição 
e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o 
disposto no art. 107 e seguintes do Código Penal e, quando houver concurso 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 20 
 
materialcom outro delito específico previsto nessa lei, deverão ser 
observados os ditames do art. 109 do Código Penal. Errado. 
 
(TJ-MS - Juiz - FCC - 2020): No que concerne à lei de drogas, é de dois anos 
o prazo de prescrição no crime de posse de droga para consumo pessoal, 
não se aplicando, contudo, as causas de interrupção previstas no Código 
Penal. Errado. 
 RITO PROCESSUAL 
Para encerrar a análise do art. 28 da Lei de Drogas, é importante observar o rito processual 
do referido delito. Por se tratar de uma infração de menor potencial ofensivo, seguirá o rito da Lei 
9.099/95. 
Nesse sentido, o item 8 da Jurisprudência em Tese do STJ (Edição 131): 
STJ (Jurisprudência em Tese): 8) O crime de uso de entorpecente para 
consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, é de menor 
potencial ofensivo, o que determina a competência do Juizado Especial 
estadual, já que ele não está previsto em tratado internacional e o art. 70 da 
Lei n. 11.343/2006 não o inclui dentre os que devem ser julgados pela justiça 
federal. 
 
Portanto, é um crime de competência do Juizado Especial Criminal (para aprofundamento 
recomendamos nosso CS sobre o JECrim, baseado nas aulas do Prof. Renato Brasileiro). 
A luz do Tema nº 506 de Repercussão Geral, qual é o juízo competente para receber o 
autor do fato e eventualmente aplicar essas sanções? 
Isso será ainda definido na Resolução que será editada pelo CNJ. 
Em se tratando da posse de cannabis para consumo pessoal, a autoridade policial 
apreenderá a substância e notificará o autor do fato para comparecer em Juízo, na forma do 
regulamento a ser aprovado pelo CNJ. Até que o CNJ delibere a respeito, a competência para julgar 
as condutas do art. 28 da Lei 11.343/06 será dos Juizados Especiais Criminais, segundo a 
sistemática atual, vedada a atribuição de quaisquer efeitos penais para a sentença. 
11. ART. 33 - TRÁFICO DE DROGAS 
 CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, 
vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, 
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda 
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação 
legal ou regulamentar: 
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 
(quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. 
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 21 
 
I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, 
oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda 
que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação 
legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado 
à preparação de drogas; 
II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em 
matéria-prima para a preparação de drogas; 
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, 
posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se 
utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com 
determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas. 
§ 2o Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 
(trezentos) dias-multa. 
§ 3o Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu 
relacionamento, para juntos a consumirem: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 
(setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas 
previstas no art. 28. 
§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão 
ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas 
restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons 
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre 
organização criminosa. (Vide Resolução nº 5, de 2012) 
 
Os crimes previstos na Lei de Drogas não possuem um nome específico, não há uma 
“rubrica marginal” como ocorre no CP, por exemplo, que chama o art. 121 de homicídio, o art. 155 
de furto, o art. 157 de roubo. Aqui, o nome dos crimes é dado pela doutrina e pela jurisprudência. 
O entendimento dominante, hoje, é que a expressão “tráfico de drogas” abrange os delitos 
previstos no art. 33, caput, e § 3º, bem como o art. 34 da referida lei. Há doutrina que também inclui 
os arts. 35 e 37 como tráfico. 
O caput do art. 33 contém 18 núcleos. É chamado de tipo misto alternativo, de crime de ação 
múltipla ou crime de conteúdo variável. Assim, mesmo que o agente pratique 2 ou mais condutas 
contra o mesmo objeto material (mesma droga) irá responder por um único crime. 
Contudo, se as drogas forem diversas haverá concurso de crime. Ex.: o agente importou 
cocaína, guardou maconha, vendeu LSD. 
 SUJEITO ATIVO 
Trata-se de crime comum ou geral, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa. Não se 
exige qualidade especial do agente. 
Obs.: caso o agente pratique o tráfico de drogas prevalecendo-se de 
sua função pública, no desempenho de missão de educação, poder 
familiar, guarda ou vigilância, a pena será aumentada, nos termos do 
art. 40, II. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 22 
 
Art. 40 - As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de 
um sexto a dois terços, se: 
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no 
desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância. 
 ELEMENTO NORMATIVO 
É necessário que a conduta seja praticada sem “autorização ou em desacordo com 
determinação legal”. Portanto, havendo autorização para a prática de algum dos 18 núcleos, não 
haverá o crime de tráfico de drogas. 
Assim, é perfeitamente possível o comércio lícito de drogas, desde que haja autorização 
legal. 
Art. 31. É indispensável a licença prévia da autoridade competente para 
produzir, extrair, fabricar, transformar, preparar, possuir, manter em depósito, 
importar, exportar, reexportar, remeter, transportar, expor, oferecer, vender, 
comprar, trocar, ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas ou matéria-prima 
destinada à sua preparação, observadas as demais exigências legais. 
 
As condutas de plantar maconha para fins medicinais e importar 
sementes para o plantio não preenchem a tipicidade material, motivo pelo 
qual se faz possível a expedição de salvo-conduto, desde que comprovada 
a necessidade médica do tratamento. STJ. 5ª Turma. HC 779.289/DF, Rel. 
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/11/2022 (Info 758). 
 
A ausência de regulamentação administrativa persiste e não tem previsão 
para solução breve, uma vez que a ANVISA considera que a competência 
para regular o cultivo de plantas sujeitas a controle especial seria do 
Ministério da Saúde e este considera que a competência seria da ANVISA. 
Logo, é necessário superar eventuais óbices administrativos e cíveis, 
privilegiando-se, dessa forma, o acesso à saúde, por todos os meios 
possíveis, ainda que pela concessão de salvo-conduto mediante habeas 
corpus. A questão aqui discutida não pode ser objeto da sanção penal, 
porque se trata do exercício de um Direito Fundamental, 
constitucionalmente, garantido, isto é, o Direito à Saúde, e a atuação 
proativa do STJ justifica-se juridicamente. STJ. 3ª Seção. AgRg no HC 
783.717-PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Rel. para acórdão Min. Jesuíno 
Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 13/9/2023 (Info 
794). 
 
 FLAGRANTE PREPARADO 
O típico exemplo de flagrante preparadoé o caso do policial à paisana que procura um 
traficante para comprar drogas. Após a efetiva entrega da droga, o policial efetua a prisão. 
Para saber se o flagrante preparado é válido ou não, importante conhecer a Súmula 145 do 
STF: 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 23 
 
Súmula 145 do STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela 
polícia torna impossível a sua consumação. 
 
TJ-PR - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Remoção -
2019: Sobre a prisão em flagrante, é correto afirmar que não há crime 
quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua 
consumação. Certo. 
 
A súmula trata do crime de ensaio ou experiência ou delito putativo por obra do agente 
provocador. Segundo Nelson Hungria, neste caso, o traficante será um “protagonista inconsciente 
de uma comédia criminosa”. 
Para determinar se há ou não crime, importante separar as condutas, com base nos 
seguintes critérios: 
1) Em relação à conduta de vender, o flagrante é preparado. Portanto, deve-se observar o 
enunciado da Súmula 145 do STF. No exemplo acima, não haveria crime, eis que o 
policial forçou a situação de flagrante. 
2) Em relação à conduta de ter em depósito, não há flagrante preparado, pois, 
independentemente da ação do policial o agente já tinha a droga em depósito (crime 
permanente). 
 DOSIMETRIA DA PENA 
11.5.1. Pena privativa de liberdade 
Para a fixação da pena, o juiz irá considerar a natureza e a quantidade do produto, a 
personalidade e a conduta social do agente, as quais serão preponderantes sobre as circunstâncias 
judiciais do art. 59 do CP. 
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância 
sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da 
substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente. 
 
Aqui, também, segue-se o critério trifásico para a fixação da pena. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-MS - Juiz - FCC - 2020): O juiz, na fixação das penas, em igualdade de 
condições com todas as circunstâncias previstas no Código Penal para 
estabelecimento das sanções básicas, considerará a natureza e a quantidade 
da substância ou do produto. Errado. 
 
(DPE-GO - Defensor - FCC - 2021): No crime de tráfico ilícito de 
entorpecentes, a natureza e quantidade da substância ou do produto não 
podem ser valoradas negativamente na aplicação da pena por configurar bis 
in idem. Errado. 
11.5.2. Pena de multa 
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 24 
 
Para fixar a pena de multa, após observar o art. 42 da Lei Drogas, o juiz irá fixar os dias-
multas (500 até 1500). Posteriormente, irá calcular o valor de cada dia-multa, o qual não poderá ser 
menor do que 1/30 avos do salário-mínimo e nem ultrapassar o valor de 5 vezes o salário-mínimo. 
Aqui, utiliza-se o sistema bifásico. 
Caso o valor da multa seja insuficiente, o juiz poderá aumentar em até 10x o seu valor. 
Obs.: havendo concurso de crimes, as multas são impostas 
cumulativamente. 
Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o 
juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de 
dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos 
acusados, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes 
o maior salário-mínimo. 
Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão 
impostas sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se, 
em virtude da situação econômica do acusado, considerá-las o juiz 
ineficazes, ainda que aplicadas no máximo. 
 
TJ-MS – Juiz - FCC – 2020: A pena de multa pode ser aumentada até 
o limite do triplo se, em virtude da situação econômica do acusado, 
considerá-la o juiz ineficaz, ainda que aplicada no máximo. Errado. 
Foi questionada no STF a constitucionalidade da multa mínima prevista no art. 33 da Lei de 
Drogas (500 dias-multa), pois violaria os princípios da proporcionalidade, da isonomia e da 
individualização da pena. O STF (Tema 1.178 - Repercussão Geral) entendeu que o preceito 
secundário do art. 33 da Lei 11.343/06 é opção legislativa no combate ao tráfico de drogas, 
apenando com maior severidade aqueles infratores, não competindo ao Poder Judiciário interferir 
nessas escolhas, in verbis: 
A multa mínima prevista no artigo 33 da Lei 11.343/06 é opção legislativa 
legítima para a quantificação da pena, não cabendo ao Poder Judiciário 
alterá-la com fundamento nos princípios da proporcionalidade, da isonomia e 
da individualização da pena. STF. Plenário. RE 1347158/SP, Rel. Min. Luiz 
Fux, julgado em 21/10/2021 (Repercussão Geral – Tema 1.178) 
 CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA 
11.6.1. Previsão legal 
Está prevista no art. 33, § 4º da Lei 11.343/2006. 
Também é chamada de tráfico acidental, de tráfico privilegiado, de tráfico eventual. 
Art. 33, § 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas 
poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em 
penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons 
antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre 
organização criminosa. (Vide Resolução nº 5, de 2012) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm
 
 
CS - LEI DE DROGAS - 2025.1 25 
 
11.6.2. Vedação de penas restritivas de direitos 
O STF, em controle difuso de constitucionalidade, entendeu que a expressão “vedada a 
conversão em penas restritivas de direitos” era inconstitucional, uma vez que viola os princípios da 
individualização da pena e da proporcionalidade. 
Diante disso, o Senado Federal, em 2012, editou a Resolução nº 5, a fim de que a decisão 
do STF fosse retirada a expressão, admitindo-se a substituição da pena privativa de liberdade por 
penas restritivas de direitos. 
11.6.3. Tráfico privilegiado X Crime Hediondo 
O STF, em mudança de entendimento (overruling), passou a considerar que o chamado 
tráfico privilegiado não pode ser equiparado a crime hediondo, considerando que (argumentos 
extraídos do Info 831 do Dizer o Direito)6: 
1) Para que um crime seja considerado hediondo ou equiparado, é indispensável que a lei 
assim o preveja. Ao se analisar a Lei 11.343/2006, percebe-se que apenas as 
modalidades de tráfico de entorpecentes definidas no art. 33, caput e § 1º são 
equiparadas a crimes hediondos. 
2) O art. 33, § 4º não foi incluído pelo legislador como sendo equiparado a hediondo. O 
legislador entendeu que deveria conferir ao tráfico privilegiado um tratamento distinto 
das demais modalidades de tráfico previstas no art. 33, caput e § 1º. 
3) A redação dada ao art. 33, § 4º demonstra que existe um menor juízo de reprovação 
nesta conduta e, em consequência, de punição dessas pessoas. Não se pode, portanto, 
afirmar que este crime tem natureza hedionda. 
4) Os Decretos 6.706/2008 e 7.049/2009 beneficiaram com indulto os condenados por 
tráfico de entorpecentes privilegiado, a demonstrar inclinação no sentido de que esse 
delito não é hediondo. 
5) Vale ressaltar, ainda, que o crime de associação para o tráfico, que exige liame subjetivo 
estável e habitual direcionado à consecução da traficância, não é equiparado a hediondo. 
Dessa forma, afirmar que o tráfico minorado é crime equiparado a hediondo significaria 
concluir que a lei conferiu ao traficante ocasional tratamento penal mais severo que o 
dispensado ao agente que se associa de forma estável para exercer a traficância de 
modo habitual. 
Em virtude da decisão do Plenário do STF, o STJ cancelou a Súmula 512, a qual afirmava 
que a aplicação da causa de diminuição de pena do § 4º do art. 33 não afastava a hediondez do 
crime. 
Corroborando o entendimento acima, o Pacote Anticrime alterou a redação do art.

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