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A Justiça e o Direito Positivo
A Idade Média não teorizou o direito como um complexo autônomo. Concebeu o antes enquanto função da justiça. 
três concepções da justiça
A justiça foi para os homens dessa época o fundamento da vida social. Resultado da perfeição individual de cada um; sendo os homens justos, justa seria a sociedade.
a justiça como condição da sociedade
· justiça universal: considera o mundo intra-subjetivo - diz respeito ao caráter e a consciência de cada pessoa, o homem para consigo próprio- é uma virtude mas uma virtude suprema; é “a síntese de todas as virtudes”, visto ninguém ser perfeito se alheio a qualquer virtude (justiça subjetiva). Esta conceção foi particularmente importante como elemento determinante da voluntária observação do direito; sendo ainda considerável na fundamentação das penas e estabelecer os pontos de contacto entre o direito e a moral
· justiça particular: é uma virtude específica que se relava no campo das relações intersubjetivas, diz respeito as relações dos elementos de uma comunidade; “atribuir a cada um o seu” (aristoteles- com inspiração em ulpiano) - segundo Ulpiano, “a justiça é a constante e perpétua vontade de dar a cada um o seu”- sum cuique tribuere
Segundo Sto Agostinho, a justiça particular é uma virtude, “a justiça é a virtude que dá a cada um o seu”. 
De acordo com a generalidade da filosofia eclesiástica havia a distinguir dois tipos de justiça particular:
→ distributiva: com comunidade e particulares - diz respeito às relações da comunidade com os seus membros; pressupõe uma ideia de proporcionalidade- a comunidade nas suas relações com os particulares vai ter de tratar aquilo que é igual de forma igual e aquilo que é desigual de forma desigual (portanto não exige uma igualdade absoluta mas sim uma “igualdade geométrica"). 
→ comutativa: entre particulares - diz respeito às relações entre iguais; pressupõe uma igualdade estrita- o objeto típico desta justiça é a troca ou comutação; requere se nela absoluta igualdade entre o que se dá e o que se recebe, devendo restituir quando assim não ocorre. a justiça significa igualdade e tem um acento de matriz quantitativo
· justiça objetiva: modelo de conduta e forma de retidão plena e normativa- surge a consideração da justiça divina. Como os homens são feitos à imagem de Deus, a justiça humana é também objetiva e é apenas reflexo da justiça divina.
Sob influência da ideia romana de “bonus pater familias”, a jurisprudência medieval determinou o conteúdo da justiça humana objetiva com recurso à ideia do considerado homem médio, sendo este na racionalidade do seu actuar, o exemplo a seguir; boa-fé - existindo o padrão de homem médio para cada classe social de cada homem
bom pai de família= homem médio, alguém que perante uma circunstância vai agir da melhor maneira possível 
ex: caso de um cirurgião, tem de seguir as regras definidas para cada médico, e que no fim da cirurgia se apercebe que deixou uma gaze dentro do doente. este vai a tribunal e este irá julgar pensando na situação de um homem médio naquela situação
em todas as circunstâncias, a justiça tem de ser seguida da idade média
príncipe tem não só de salvar a sua própria alma mas fazer com que todos a sua volta atinjam também a bem aventurança interna 
não esquecer que os principais juristas são na sua maioria clérigos 
Justiça subjetiva: aquela que os homens devem aplicar na relação que mantêm uns com os outros. A justiça é subjetiva na medida que é necessário avaliar cada caso concreto; justiça particular
Encontramos nesta o trabalho desenvolvido por São Tomás de Aquino – 
A justiça pode assumir 3 dimensões 
→ Comutativa ou sinalagmática: justiça celebrada entre iguais, entre privados.
→ Distributiva ou geométrica: proporcional. Atribuir a cada um o que é seu: propugna a desigualdade. É a relação entre o docente e o discente. Tratar igual o que é igual e diferente o que é diferente na medida da sua diferença. Avaliado o mérito e o desmérito.
→ Social: justiça da base para com o todo, todos contribuem autonomamente para um fim comum, o todo, a justa sobrevivência do todo. Vai de baixo para cima. A ideia de imposto advém da Justiça Social
Resumindo
A Justiça é a suma virtude, a virtude das virtudes. Na sociedade medieval, todo o Direito tem de prosseguir a ideia de justiça. A justiça vai pautar todas as fontes de Direito. 
O fim útil da sociedade é o fim útil dos indivíduos, e este fim útil é a salvação da alma, bem aventurança eterna.
Não há Direito sem justiça, e este tem de agir de uma forma que prossiga sempre a justiça.
Todos os homens devem prosseguir a justiça, que é a máxima Ulpiana de justiça universal e perpétua: atribuir a cada um o seu, sum cuique tribuere. A justiça é um ato de reconhecimento comum a todos os homens, mas que é aplicada caso a caso.
O direito suprapositivo assume 3 dimensões: direito divino, direito natural, e direito das gentes
direito divino- o direito situa-se nao apenas no plano humano mas decorre mesmo em última análise, da realidade que ultrapassa o homem- Deus. o direito divino é a razão de Deus, criadora e ordenadora de todas as coisas; o homem tem de prosseguir os desígnios que Deus lhe dá a conhecer através da sua própria razão humana. É fácil confundir direito divino com direito natural. Sao Tomas de Agostinho vem distinguir os dois:	 
→ direito divino​ provém de Deus, e é-nos revelado através das Sagradas Escrituras
→ direito natural​ é o que está inscrito nos corações dos Homens e que lhes permite distinguir o bem do mal, sendo isto um reflexo da razão e vontade de Deus (lei eterna)
Quando o homem apreende o direito divino e o integra na sua naturalidade, na sua maneira de agir, estamos face ao direito natural
direito natural- manifestação do direito divino na razão humana, o que permite distinguir o justo do injusto; direito que é comum a todos os homens (núcleo do direito natural), utilizado ao longo da história da humanidade como o núcleo dos direitos humanos - realidade que se impõe; é esse núcleo de direitos humanos que é reduzido a escrito da declaração dos direitos dos homens e dos cidadãos 
Na idade média , vamos ter 2 grandes correntes
corrente de santo agostinho- coloca a tónica na vontade, é Deus na sua vontade que faz a lei divina. o direito natural para st agostinho e apreendido não pela razão, mas pelo coração humano 
corrente são tomás de aquino- corrente racionalista; vai distinguir 4 tipo de leis:
· a lei eterna, de onde decorre, própria razão de Deus
· a lei divina
· a lei natural que dão origem à
· lei humana
para são tomás d’aquino, a lei eterna é a própria razão de Deus, governadora de todas as coisas, dela procedem a lei natural e divina; a lei natural é a participação da lei eterna na criatura racional para que distingua o bem e o mal; a lei divina é também uma participação da lei eterna revelada através das sagradas escrituras
a lei natural e suscetível de ser modificada, já a lei eterna não o pode de forma alguma
os teólogos da idade média definiram dois preceitos distintos 
 preceitos primários e preceitos secundários 
 ↓ ↓
aqueles que não são variáveis suscetíveis de mutação
 são obrigatorios pois nao sao evidentes nem comuns para todos os homens
direito das gentes- direito suprapositivo e supralegal, “ius gentium”; situa-se precisamente entre dois planos, é a consequência do direito natural mas é já também direito humano. é direito do pretor peregrino, sobrepõe se ao direito civil, ao ius civile e dessa forma era utilizado para situações de lacunas do ius civile; direito suprapositivo, é um direito criado , direito aplicado às relações entre os homens
direito positivo “supraregna”
direito supraregna 
→ aplicação a todos 
dois ordenamentos jurídicos: 
· direito canónico
· direito romano 
aplicado por força do imperador 
→ funcionam em paralelo
Eram ensinadas nas faculdades os dois → INUROQUE
direito canônico - conjunto de normas jurídicas relativas à igreja;literária e essa junta vão elaborar um livro- o "compêndio"
Este constitui um levantamento de todos os problemas da universidade portuguesa, não apenas da Universidade de Coimbra mas também da Universidade de Évora. Tinha o objetivo de mostrar o atraso do ensino portugues e atribuir um culpado ao mesmo. É com base no compêndio que se vão então fazer as grandes reformas do ensino, tanto no ensino básico, como no médio. Em Coimbra dá- se a verdadeira grande reforma- adaptação de toda a universidade às novas exigências do ensino moderno. 
Para além de uma alteração arquitetónica (importância da biblioteca) vai surgir toda uma renovação do ensino que vai surgir em 1772 através dos estatutos da universidade de coimbra. A 1 de janeiro deste ano a universidade vai portanto refundir-se, mas não em termos de pessoas nem de pensamento, mas com a obrigação de um novo método de ensino - mas nada se faz por querer. Preocupação de criar uma nova mentalidade em vários campos, sobretudo no campo do direito. 
→ reformas no campo do direito
1) primeira reforma - o método- método de ensino e alterado para a designação composta de método sintético, demonstrativo, compidiario -antigo sistema era analítico- partir do caso concreto e analisar, dessa forma um professor podia passar um ano inteiro a falar da mesma matéria, o que não era educativo. Sintético (por oposição ao método analítico)- porque o professor tem de explicar todos os conceitos básicos sinteticamente para que o aluno aprenda imediatamente o sentido de cada um. Partir sempre de um todo, de um geral para um particular, e enquadrar tudo num sistema.
Depois, tem de apresentar de forma demonstrada, (contrariamente ao método problemático)- influência do raciocínio matemático ou científico, aplicação de certas regras interpretativas para que se possa chegar a solução certa, verdadeira. Explicar a sua realidade, incluir esses conceitos jurídicos na realidade da vida social para que seja demonstrada a sua utilidade. 
É necessária, por fim, uma última realidade: ensino compendiario (por oposição a um método casuístico, ensina matérias soltas e nao unidas entre si)- é preciso criar e elaborar livros para o ensino da matéria - manuais sinetitcos→ ao abrigo do ensino joanino não havia livros, apenas sebentas criadas pelos alunos- o professor limitava se a ler e os alunos a ouvir e escrever. O problema é que criar/escrever livros não é uma realidade rápida, e por isso em 1772 nao vao aparecer livros, e a solução do legislador e que quando aparecerem livros sobre estas matérias nos países ditos polidos e iluminados, adotem se esses livros no direito portugues, o que vai acontecer por exemplo no direito natural (ex vão importar o livro de iuris naturalis da Alemanha), mas o mesmo não é válido para todos os casos, como é o caso do direito pátrio cujos primeiros livros vão já surgir na década de 80 
Estatutos vão obrigar a que os professores devam criar cadeiras para as suas cadeiras de maneira a termos manuais portugueses
2) disciplinas- surgem novas disciplinas, o curso de direito vai ser reestruturado - responder a própria exigência das novas fontes de direito; o próprio curso tem de preparar advogados e juízes para aplicarem a lei da boa razão. Para além disso, o curso vai ser reestruturado em função de 2 dimensões
· o direito romano só é aplicado ao abrigo do usus modernus pandectarum, logo não se vai ensinar tudo aquilo que não for necessário para aplicação- disciplinas de direito romano vão ser reduzidas, alteradas, para que no seu próprio conteúdo se insira as correntes humanistas
· o canônico deixa de se aplicar nos tribunais civis, apenas nos eclesiásticos- separação muito clara entre o ensino das leges ( direito romano) e dos cânones
· novas matérias a ensinar: 1º ano direito natural e direito das gentes (2 semestres)
cria se também a cadeira de economia política- próprias ideias iluministas e mercantilistas exigiam que os estados se preocupassem com as questões do desenvolvimento econômico; desafio do estado iluminado, estado que tem de prover questões econômicas e preocupar se com o equilíbrio das suas balanças financeiras 
história do direito e direito pátrio, ensinadas no 5º ano e objetivo claro- explicar a evolução do direito no ponto de vista histórico, perceber de onde surgem as fontes e perceber aquilo que faz sentido ser aplicado (o iluminismo a funcionar, gosta de história) + ensinar o direito pátrio pois o conteúdo jurídico é estudar as ordenações do rei para preparar os juristas para a sua aplicação após terminarem os 5 anos do curso
→ ensino do direito na universidade de coimbra com as novas disciplinas
Dá se também um adiamento da entrada no curso (16 anos) para que os alunos se pudessem formar e tornar se mais construídos antes de embarcar no curso
é necessário também alterar o calendário geral e obrigar os professores a dar aulas e contactem com os alunos, transmitindo ensinamentos 
A lei da boa razão para a sua aplicação está dependente da reforma e da modificação do plano de estudos universitários, novos métodos de aplicação do direito
→ grandes mudanças introduzidas
· lingua portuguesa
· exigência de formação sólida em latim, retórica, lógica, metafísica, ética e grego
· introdução de novas cadeiras- diminuição de ensino de direito romano e acréscimo de direito natural (direito das gentes) em ambos os cursos e no curso de leis, hd e instituições de direito pátrio
· renovação total do corpo docente
· redução do tempo de curso para 5 anos 
humanismo juridico VS humanitarismo juridico
o radical da palavra é o mesmo mas os sentidos são diferentes
humanismo é uma corrente do século 16 de contestação às escolas jurisprudenciais medievais e aplicação do direito romano feita por essas escolas e corrente que pede re estudo direito romano na sua vert original
humanitarismo jurídico é uma corrente do sec 18 de aplicação ao direito penal 
Humanitarismo jurídico - corrente de reforma do direito penal, princípios do direito penal medieval; inicia se em itália pela mão Beccaria, que escreveu um livro pequenino “dos delitos e das penas” que foi o livro mais utilizado pelos juristas que defendem a reforma do direito penal. esta corrente vai chegar a pt no tempo de marquês de Pombal e vai ser defendida por certos juristas portugueses. Pascoal de Melo já faz eco das ideias do humanitarismo portugues, mas o grande humanitarista é o seu sobrinho Freire de Melo. Estas correntes vem nos dizer:
a defesa de uma reforma no direito penal que o torne mais previsível e garantístico - ideia de previsibilidade, garantia e legalidade 
partindo destas ideias, humanitaristas vão trabalhar e apresentar várias premissas: 
· "não há crime sem lei” (em latim) - ninguém pode ser condenado de uma prática de um crime se não houver uma lei que previamente diga que aquele comportamento constitui um ilícito penal, o que parece óbvio hoje mas na altura não era → daí a tipicidade do direito penal; 
· segunda premissa "não há pena sem crime”- ninguém pode ser condenado sem ter praticado um crime e se esse crime estiver previsto na lei; 
· “nula puede seer culpa”- não pode ser aplicada pena se não se provar a culpa do agente → premissas que vem reformular direito penal
aí surgem os princípios da tipicidade, proporcionalidade (proporção entre grau de culpa e pena que seja aplicada), legação entre a pena e a culpa
Com base nestas premissas vai se defender uma reforma do direito penal
→ necessidade de uma lei penal que preveja tipos de crime
tipos de penas 
· pena corporal, que pode variar entre amputação da mão a um chicoteamento 
· penas monetárias - sempre penas cumulativas, ou com penas cumulativas ou inflamadas 
· cárcere privado - reintrodução na sociedade após cumprimento da pena. primeiro modelo que conhecemos foi a prisão de filadélfia - esse modelo vai ser traduzido para ser aplicado em Portugal → até ao séc XIX era prisão em cárcere privado ou seja competia a vítima ou família da mesma manter a pessoa presa 
· penas infamantes (até ao séc XIX).; apartida é uma pena que não causa dor física mas causa dor psicológica pois passa por um reconhecimento próprio perante a sociedade da sua culpa. As penas infamantes assumiam variadas modalidades: podia ser passear na localidade dentro de uma gaiola (momento em qual lhe podia ser atiradas variadas coisas); pode ser exposição no plurim da própria vila durante x dias; corte da barba (moralmente das mais gravosas)- judei tinha de andar de cara tapada e o cristao podia andar de barba 
Tornam se proibidas na constituição
→ criação de um processo penal garantistico que recorresse a provas e não a provas obtidas por meio do medo e da força, nomeadamente orvalhos- obtenção de prvas por meio dos orvalhos manifestamente contestado
ou seja, o humanitarismo vem contestar tipos de meios tortura para recorrer a provas
- vitima tem de ter direito se defender e a confssao nao pode ser obtida por meios de tortura 
Pena de morte:
redução paulatina da pena de morte tendente à abolição da mesma ; reduzida a casos muoito extremos 
A partir do sec XVII - penas de degredo
Em suma, vem contestar a desumanização do direito penal ,medieval e propugnar um direito mais humano e proporcional- grandes defensores de pena de prisão como pena por excelência 
Monarquia pura- monarquia que o rei tem o poder sozinho; indivisibilidade e inalienabilidade do poder do reino → ver como se construiu
poder político vem do contrato entre o povo e o próprio rei 
a monarquia portuguesa é uma monarquia pura desde D Afonso Henriques 
Ribeira dos Santos vem dizer que é preciso temperá la com a constituição das cortes
“ de Melo concorda com a monarquia pura 
Os assentos da casa da Suplicação (ver teóricas) 
texto 16, Ordenações Manuelinas
para poder existir a formação deste assento para fazer a interpretação autêntica, é necessário surgir uma dúvida por parte dos desembargadores, sobre a interpretação dos textos - levam a questão ao regedor que é como se fosse o presidente do tribunal. Este vai então reunir um número de juízes para se discutir sobre a questão- estes juízes vao então determinar qual a interpretação a ser seguida e essa determinação é que será o assento.
No entanto, podem surgir dúvidas no próprio processo, e nesse caso o que os juízes devem fazer é consultar o livro dos assentos mas se não houver nenhuma solução então deve se consultar o rei que apresenta a sua solução régia 
Solução que vale para o caso mas que vai valer de igual forma para o futuro e sera registado no livro dos assentos
texto 17, nas ordenações filipinas
O chanceler celava (garantir autenticidade) as sentenças e ao fazê lo deveria verificar se existem erros expressos, ou seja, se for contra as ordenações e se assim fosse, nao as celava e meti a na sua glosa, escrevendo lhe uma anotação a explicar pq e que violava as ordenações ou o direito subsidiário. Face a isso falava com os juízes que fizeram a sentença 
Daria ao juiz oportunidade de corrigir a sentença e se se mantivesse a divergência então aí sim vai ao regedor, que reúne juízes que vão então fixar a interpretação a seguir
→ chamados assentos por ação do chancelerdefinição do professor Almeida e Costa: normas jurídicas sobre matérias que são da competência da igreja; atual código de d.canônico aplicado no tribunal eclesisastico
designado como um ordenamento jurídico supra regna, no sentido de algo que se encontra num plano superior ao dos reinos
fontes de direito canônico: 
a) sagradas escrituras 
b) tradição (prática e forma de viver na igreja)
 → fontes de direito divino
c) costumes
 → fontes de direito humano
jurisprudência, disposições pontifícias (decretos - parte da iniciativa do papa e tem de ter conselho dos cardeais - e decretais - emanadas em resposta a um pedido e podiam ou não ter o conselho dos cardeais)
→Tese conciliarista
→A fonte de direito que defende que a maior fonte de direito é a fonte do papa chama-se fonte curialista.
fontes canonicas de direito humano
ele próprio criador de direito
produções normativas de direito que tem como destinatários a república cristiana
1. cânones - são as determinações conciliares- 
2. concílios - assembleia eminentemente religiosa, uma reunião do clero;
3. decreto - (ou cartas decretais) normas jurídicas-canónicas da direta iniciativa do papa; na glosa ao decreto de graciano distingue se decretum e decretal, definindo
· decretum como decisão do papa que estatui por conselho dos cardeais sem consulta de ninguém 
· decretal - papa estatui sozinho ou com os seus cordiais em resposta a consulta de alguém; decretalistas
↓
deu origem a escolas
os textos das importantes coleções de decretos e canones foram compilados numa obra: Corpus Iuris Canonis, sendo este composto por:
· decreto de Graciano (1140)
· decretais de Gregorio (1234)
· livro Sexto das Decretais (posteriores a 1234) promulgadas por Bonifácio VIII
· livro sétimo das decretais (1313) Clementino V 
· extravagantes de João XXII (posteriores 1313)
8 livros de decretais, 1 de decretos 
concórdia e concordata - tanto uma como outra regulam as relações entre a igreja e o rei. disposições dos concílios (eumérico, nacionais, provinciais, diocesanos). 
1. concordios - acordo interno entre o poder político de um reino e o poder nacional 
2. concordata - acordo internacional entre o papa e um determinado reino: tratado internacional
3. bulas - documentos emanados pelo papa para conceder direitos a determinados reinos 
Direito canônico aplica se em função das:
> pessoas → membros do clero + (viúvas, órfãos estudantes,mendigos, + pessoas que vivam perante fragilidade social)
> matéria → todas as questões sobre a igreja, família, sucessões, +matérias tradicionais
 
Era possível aplicar o direito canônico nos tribunais civis.
 
fontes canônicas, tem origem na igreja e vão ter influência na vida dos vários reis peninsulares.
direito canônico e direito nacional - cúria de 1211
relação entre direito canônico e lei régia
Os dois primeiros reis não foram reis legislativos de excelência; o objetivo destes focava-se mais essencialmente, no caso de D. Afonso Henriques na conquista de território, ou povoar os territórios conquistados pelo pai no caso de Sancho I
D. Afonso Henriques faz uma única lei→ lei das barregãs- regula as prostitutas 
D. Sancho I→ tem um provisão militar 
se não os temos como legisladores vamos ter, ao contrário, Afonso II
O direito canônico foi recebido na península ibérica desde os seus primeiros tempos;
A penetração do direito canónico era tal que houve necessidade de hierarquizá-lo em relação ao direito regio. D. Afonso II vai entãos em 1211 reunir uma curia, curia essa que vai reunir na cidade de Coimbra uma assembleia que vai aprovar o primeiro pacote legislativo portugues (20 e tal leis); a cúria alargada de 1211 é uma assembleia do rei e dos seus familiares, membros do clero e membros da nobreza- não tem representação do povo 
(O povo passa a participar nas cúrias a partir de 1254; na cúria de 1253 vamos ter o povo a apresentar as suas queixas e só no ano seguinte também em coimbra o rei informa que o povo passa a ter assento permanente nas cortes que vão passar a reunir de forma quase contínua.
1385 teoriza-se o principio qot- “quod omnes tangit ab omnibus aprobali debet”
→ “o que toca a todos por todos tem de ser decidido” (princípio da democracia))
Na cúria de 1211, houve portanto um conjunto de leis definido, tendo relevância a lei 2, que vem definir a relação entre a lei do rei e o direito canônico
1. “o rei determinou que tanto as suas leis como as leis da santa igreja sejam aplicados e observados em Portugal”; 
2. exceção- “no respeitante aos direitos ou ao direito da igreja, esclareceu que se as suas leis não o respeitarem bem como à santa igreja não devem ser consideradas válidas nem produzirão efeitos” 
→ há portanto um reconhecimento do rei de que as leis da igreja podem ser superiores ao direito régio (vontade do rei) se a vontade do rei contraditar o direito da igreja.
Se quisermos em 1211 definir uma hierarquia de leis o direito régio e o direito canônico aparentam estar equivalentes exceto nas situações que o direito canônico possa ainda ser superior e deva ser respeitado ao direito regio 
restrições a receção do direito canônico:
Houve no entanto tentativas de restrições à penetração do direito canónico;
beneplácito régio - reinado de D. Pedro I - uma lei que vem determinar que todos os atos autoritários da igreja apenas seriam aplicáveis e teriam eficácia em portugal após aprovação régia - instituto através do qual os reis se atribuíram a si próprios o direito de controlar a publicação das letras apostólicas no reino
(D. Pedro apresenta a seguinte justificação para esta lei - 
↓
período do sisma do acidente- fase em que dois papas foram eleitos- um em roma e um em avignon; o papa de roma sendo considerado um verdadeiro representante de Deus e o de avignon como o papa que estaria a violar os preceitos canônicos; Portugal mantém se fiel a roma, mas Castela une se a Avignon → D Pedro usa então o beneplácito régio para assegurar que os decretos aprovados provém do considerado “verdadeiro papa”, o papa de roma
No entanto, mesmo após terminar o período, o beneplácito mantém-se; até o vir derrogar D. João II (durante 2 anos); mas este volta até 1911
quer o direito romano quer o direito canônico são ambos direitos supra regna 
o direito romano há quem entenda que já influenciou as leis de d. afonso II mas este é mais notório em Portugal no reinado de D. Afonso III (5ºrei de Portugal- segunda metade do séc XIII
digesto velho- volume 1 ao 23
digesto novo- 30 e tal ao 50
digesto reforçado 24 a 33/34)
interpretações do beneplácito régio
- interpretação clássica: vários professores defendem que aqui estaria em causa o rei reconhecer que o direito canônico prevalece 		
- interpretação Braga da cruz : critica interpretação ao considerá-la exagerada; nesta posição direito do rei não estava a baixo direito canônico, apenas quando o metesse abaixo
 - interpretação José Duarte Nogueira : concorda sentido restritivo primeira posição, diz que esta lei deve ser tida como tendo valor de declaração politica; pacote legislativo vão contra interesses da igreja 
Aplicação do direito canónico nos tribunais							O direito canónico foi aplicado nos tribunais nacionais, não só nos eclesiásticos Era assim de igual modo utilizado nos tribunais civis, onde determinavam quem estava sujeito aos tribunais eclesiásticos por dois critérios:
· - Matéria ( questão em disputa);
· - Pessoa ( membros do clero só poderiam ser julgados em tribunais
eclesiásticos)								 	
APLICAÇÃO NOS TRIBUNAIS CIVIS							Nos tribunais civis o direito canónico aplicou-se primeiramente como direito preferencial, fonte imediata, sendo tal determinado pelo próprio monarca → nas cúrias de 1211 D.Afonso II decidiu estabelecer que as suas leis só seriam válidas se não fossem contra a Santa Igreja. (ver art2 cúria de 1211 acima). Esta ideia vem, claro, sofrer uma interpretação restritiva pela parte do prof Braga da Cruz “apenas direitos da santa igreja de roma”, esta lei não significa uma subordinação ao direito da Igreja(ou seja, ao direito canónico), mas sim aos direitos (ou seja, ​regalias ou privilégios​) 
⇒ leis régias só não valeriam contra os cânones que estabelecem especiais privilégios em favor da Igreja
Mais tarde, direito canônico limita-se a posição de direito subsidiário- só seria aplicado quando faltasse o direito nacional (concorrência direito romano ou imperial)	 critério de ordenação relativa do ordenamento canônico e cesário → critério do pecado só em casos de pecado é que se aplicaria o direito canônico em vez do direito romano
APLICAÇÃO NOS TRIBUNAIS ECLESIÁSTICOS					 em razão da matéria e em razão da pessoa 						 O direito canônico foi aplicado em Portugal, não apenas em tribunais civis como também eclesiásticos. Os tribunais eclesiásticos conheciam as causas em função da matéria e em função da pessoa → certas matérias eram consideradas da competência especial da jurisprudencia ecclesiastica e certas pessoas só podiam ser julgadas por estes tribunais (da igreja) ex: clero - divergência doutrinária					tribunais da igreja onde reina o direito canônico										 
IUS REGNI
DIREITO VISIGÓTICO										visigóticos: povo germanico, um dos vários que conquistaram os territórios portugueses; é importante aludir ao direito dos povos que se estabeleceram na Península Ibérica antes da fundação da nacionalidade portuguesa no séc XII; têm especial relevância para o desenvolvimento do direito português os chamados direitos germânicos→ leis visigóticas​ são das mais importantes, visto que os Visigodos dominaram a Península durante séculos, antes das invasões muçulmanas- são quem exerce um domínio mais prolongado e efetivo; a partir de 585 tomam o controlo total da península ibérica
A base do direito visigótico era o costume, o que se justificava pelo facto do povo godo ter uma natureza nómada e, portanto, não ter a necessidade de criar um direito positivado.
Porém ficou-se a dever-lhes alguns monumentos jurídicos, dos quais se destacam: 
 • Código de Eurico (476)									• Breviário de Alarico (506)									• Código de Leovigildo (572 e 586)							• Código Visigótico (654)
Código de Eurico- considerado por alguns como direito romano vulgar; já é possível verificar influência jurídica de roma
Breviário de Alarico- compilação direito romano clássico (iura, constituições de gaio, leges…) aplicado em território visigótico. Trata-se de um código de pequenas dimensões, com conteúdo eminentemente romano e tem uma aplicação bastante pessoal, aplicava-se aos romanos; tem por fontes constituições romanas, novelas e escritos de juristas romanos
Código de Leovigildo- considerado revisão ao código de Eurico
Código Visigótico- direito romano vulgar em compilação com o direito canônico; vai se manter durante o período de conquista muçulmana e a população hispano romana vai aplicar sobretudo o direito código visigótico
a influência do direito visigótico no nosso direito vai se ver sobretudo no direito da família e no direito público
A grande questão que se coloca no estudo do direito visigodo é saber qual o direito que tutelava os povos;
→ tese da dualidade legislativa - vem defender que o Código de Eurico tinha aplicação territorial e que seria aplicado aos visigodos e o Breviário de Alarico seria aplicado às populações romanas
→ tese da territorialidade - Breviário de Alarico veio revogar Código de Eurico
Maior parte da doutrina defende que o Código Visigótico se aplicou em Portugal até ao século XIII, até ir sendo gradualmente substituído por um ordenamento considerado mais completo e perfeito, nomeadamente o direito romano Justinianeu.
COSTUME E DIREITO JUDICIAL
Costume em termos de fonte direito- o costume é um direito também ele marcadamente consuetudinário. Traduzindo-se na repetição habitual de uma conduta havida por juridicamente vinculante; além do mais é uma prática confirmada e criada espontaneamente pelos membros da comunidade. O costume é aplicado essencialmente nos tribunais locais (tribunais dos conselhos). Nestes tribunais julgava-se então de acordo com os costumes. Para que este fosse aplicado, era necessário mostrá-lo, prová-lo. Os juristas medievais vão olhar para o costume com alguma exigência, com a necessidade de o comprovar, de o perceber. E é nesta sequência que são determinados requisitos para determinar a validade dos mesmos ↓
· a prescrição: repetição de atos e aqui a doutrina medieval é unânime; acusadores e comentadores dizem que para que haja costume é indispensável haver dois atos (repetição) em quanto tempo? é esse tempo que vai trazer divergência
· antiguidade: primeira opinião - Azão e Acúrsio defendem que o costume é antigo se tiver 10 ou 20 anos, e 10 anos perante uma comunidade presente, 20 perante uma comunidade ausente. Para estes glosadores aquilo que interessava era perceber se a comunidade que deu origem aquela prática e a repetiu está toda ela presente , ou se há renovação de geração, sendo preciso perceber se esta nova assume o comportamento como obrigatório (daí serem mais 10 anos)
João André vem dizer que basta 10 anos porque a comunidade está sempre presente, sendo ela um todo → ficamos então numa divisão doutrinária mas com a certeza que é obrigatória uma repetição de atos sendo o limite 20 anos
· racionalidade: conformidade do costume com a razão, o costume tem de ser racional - o costume é racional quando é decorrente da razão; o costume não pode também ele pôr em causa os direitos suprapositivos; é racional quando prossegue a justiça e não contraria o direito natural e o direito divino
· consenso da comunidade: repete os atos e aceita-os; tal sendo uma decisão unânime ou basta ser uma maioria a faze lo? Temos aqui a opinião expressa de S. Raimundo de Peñafort- vem dizer que basta uma maioria para que exista consenso da comunidade
· consensus legislatori: consenso do poder político; aqui são também os decretalistas que se vão pronunciar e aquilo que se diz e: é necessário um consenso do legislador para que o costume seja aceite? a resposta é que não é necessário um consentimento obrigatório mas que um consentimento voluntário então o costume assume maior força; é aceite pelo legislador quando racional
Qual é o valor jurídico do costume e qual é a relação entre a lei e o costume?
A articulação do consensus communitatis e o consensus legislatoris coloca-nos perante o problema de relações entre o direito costumeiro e o direito legislado. O decreto de Graciano vem reproduzir uma das lições de santo Isidoro de Sevilha, um dos doutores da igreja, “o costume vale como lei na falta dela”- tem o mesmo valor jurídico. Há decretais que definem o costume como melhor intérprete da lei. Em Portugal, D.Sancho I vem dizer que o costume quando aprovado tem o mesmo valor da lei; ao costume atribui-se a mesma força legal. Esta é a tendência normal e a doutrina comum ao longo de toda a idade média. Nas comunidades locais, autarquias o costume é tido como fonte de direito por excelência. Na falta de lei, o juiz tem de aplicar o costume. Existem:
· costumes nacionais (criados e assumidos como um todo a nível nacional)
· costumes regionais (os costumes podem variar de região para região)
· costumes locais (uma costume que numa autarquia seja considerado um crime, noutra comunidade local pode ser aceite) 
O direito judicial vai ser criado também ele como costume. Atividade diária dos tribunais. Estes vão seguir as regras costumeiras, no entanto, também os tribunais começaram a criar costume –– a decidir e essas suas decisões começaram a assumir um papel de precedente. Estas decisões constituem fonte de direito para os tribunais.	Esta é uma construção muito interessante da Idade Média, em que os tribunais à falta de lei processual criam as suas próprias leis. 							Dentro do direito judicial temos 3 figuras: 
→ estilos, sendo estes os mais importantes por serem fontes primárias de direito em Portugal nas ordenações Afonsinas, Manuelinas e Filipinas. “costumehe en casa d’el rey”= sinónimo de estilos da corte
Cino de Pistoia define estilo da corte como uma espécie de direito não escrito introduzido pela prática de um pretório (diferindo assim do costume que é consagrado pela generalidade das pessoas ou pela sua maioria); é direito processual ou direito adjetivo criado pelo tribunal para fixar regras relativas ao processo judicial; o estilo é costume em matéria processual; pela sua repetição torna-se prescrito (duas vezes em 10 anos)
É a partir dos estilos da corte que se vai elaborar em Portugal o processo civil e penal
										 
→ alvidros ou alvedrio: 
- decisoes de juizes arbitrais; são pessoas (juízes) livremente escolhidas pelas partes em litígio para arbitrar as suas situações- decisão judicial adotada por juízes árbitros
semelhança com o iudex do direito romano
as sentenças dos alvidros acabavam por constituir uma implicação ou decisões jurídicas que podiam ser seguidas e decididas em processos judiciais subsequentes 
das decisões dos juízes alvidros recorria se ao sobrejuiz (nomeado pelo rei) função de análise e decisão de sentença em certo recurso (acima do juiz) 
Em Portugal tivemos estilos e alvidros mas não tivemos façanhas, última figura do direito judicial. Houve sim no entanto utilização de decisões proferidas como façanhas, Portugal importou façanhas e utilizou as em alguns territórios portugueses.
 ↓
→façanhas: definição de Duarte Nunes de Leão; um juízo sobre uma ação notável que fica com um padrão normativo para o futuro por virtude da autoridade de quem a aprovou (que é o juiz). Outro autor, José Anastácio de Figueiredo vem dizer que a façanha é uma sentença que valia não só para o respectivo caso onde eram pronunciadas mas para casos futuros em virtude de ser uma decisão régia tomada num processo especial. Ou seja para ele a façanha retira a obrigatoriedade da sua natureza régia enquanto que para Duarte Nunes a respectiva força vinculativa decorre da autoridade do agente do feito e dos que o acreditam
 qual a relação entre o direito costumeiro e a ação criativa de direito pelos tribunais, ou seja, a jurisprudência?
Braga da Cruz vem dizer que o direito judicial não pode ser visto como fonte de direito autónomo, visto que as sentenças judiciais eram sempre tidas como uma definição autorizada de costumes anteriormente vigentes, e não como um modo autónomo de criar direito novo; discute-se se as decisões judiciais são, ou não, elemento indispensável para o estabelecimento de um direito consuetudinário- esta opinião parte da ideia de que a norma jurídica só existe na medida em que se efetiva pelo aparelho de coerção
DIREITO PACTUADO OU FORALEIRO
Na idade média as localidades podiam ter autonomia e ao ter autonomia podiam conceder o direito próprio daquela localidade. Nas comunidades locais aplicava-se não só o direito nacional da lei régia que se aplica na generalidade a portugal mas também um direito específico de carácter local, (muitas vezes negociado com os homens bons dos municípios e o senhor da terra); foi necessário para isto criar mecanismos jurídicos que dessem autonomia a essas localidades
2 documentos importantes:
· cartas de povoação 
· forais
Ambos cartas de privilégio pois vão atribuir a comunidades locais o direito de se autoadministrar. tem um âmbito local, destinam se e vão ser aplicadas a uma comunidade específica; são outorgadas pelo rei ou senhor da terra 
A carta de povoação é um documento concedido pelo rei, pelo clero ou pela nobreza para criar comunidade em locais em que elas não existem (pretende povoar- concedida a territórios sem ninguém). Em regra utilizada para povoar áreas não povoadas e muito pouco atrativas, circunscrições territoriais muito pouco interessantes mas necessárias de povoar. Para atrair povoação tinham de lhes dar privilégios, direitos, regalias que aqui são muito importantes pois falamos de comunidades que nada tem e ao ser atraídos para estas regiões passam a possuir terras próprias, comunidades locais que administram, e a possibilidade de produzir para si próprios. Acaba por ter um papel preponderante para povoar o território e atrair para áreas pouco atrativas. Tem liberdade de negociação, e vinculativa, mas não tem liberdades de estipulação. 
Natureza jurídica convencionada 
- existe a tese de ato unilateral por parte do senhor,
- contratual “contratos agrários coletivos”
- professores ruy e martim de albuquerque- “contrato de adesão”
Os forais são cartas de privilégio concebidas a comunidades já existentes, não tem como finalidade atrair povoação para as comunidades não habitadas mas tem sim finalidade de conceder a esses habitantes autonomia jurídica.
ato de descentralização dado a que outorga os forais, que podem ser o rei, a nobreza, e o clero. O objetivo era permitir o desenvolvimento nessas terras 
Que matéria inclui: essencialmente direito publico mas disposições de direito processual, militar, fiscal, penal e administrativo,​ tal como ​regras de direitoprivado
acaba por ter papel administrativo essencial na gestão local, aplicação do direito e regras costumeiras da localidade.
Os forais foram sendo concedidos ao longo da idade média. 
Os forais medievais foram perdendo importância com o aumento do poder régio e foram se tornando antiquados; os impostos foram mudando de nome, a linguagem evoluindo, as medidas mudaram mas não foi feita uma atualização deles. A mando de D. Manuel foi entao pedido para se recolher todos os forais para serem atualizados. A este fenómeno chama-se reforma manuelina dos forais. Em 1521, depois da reforma dos forais, D. Manuel volta a conceder os forais às localidades e foram intitulados de forais novos. 
Estatutos municipais: Os estatutos municipais, conhecidos como foro municipais/costumes municipais são cadernos de direito, de leis civis, criminais, políticas, administrativas e processuais
 elaborados pelos municípios, que já têm autonomia jurídica e administrativa e são negociados entre o senhor da terra (clero, nobreza ou rei) e os municípios → compilações de leis úteis para um município, que utiliza essas mesmas leis para a administração da justiça. 
sec XIII, sec XIV
								 
Também as façanhas que foram aplicadas em Portugal (não sendo portuguesas) foram no feito através de estatutos municipais 
ESCOLAS JURISPRUDENCIAIS MEDIEVAIS 
(ler matéria ars inveniendi livro) 
escola dos comentadores e dos glosadores 
O séc XII, traz-nos o renascimento do direito romano na sua vertente justinianeia mas sendo apenas o direito romano tradicional aplicado.
· direito prudencial:​ ordem normativa criada pelos prudentes, ou seja, por aqueles que conhecem o direito, e cuja autoridade (​auctoritas)​ lhes permitia declarar a verdade jurídica nos casos concretos
→ vulgarizado o direito visigótico; o direito romano clássico foi sofrendo alterações dos ordenamentos que se foram desenvolvendo; prof Almeida e Costa não gosta da expressão "renascimento" pois não tinha havido um total desaparecimento mas uma aplicação bastante limitada → factores políticos, fatores econômicos, factores culturais
factores políticos- o mais relevante é o restabelecimento do Império através do Sacro Império Romano-Germânico que se vai arrogar de ter poder temporal sobre toda a Cristandade e o direito romano conhecia muitas prerrogativas a uma pessoa centralizada (Imperador) que vai conhecer o direito romano como seu direito, mais tarde conhecido como direito imperial, que vai ser bastante útil pois vai ser aplicado pelo Imperador na Cristandade. 
factores económicos - a partir desta altura dá se uma abertura das comunidades sobretudo ao comércio internacional; surgem no entanto problemas jurídicos com o mesmo
factores culturais - progresso generalizado da cultura; contacto com novas realidades culturais; vai sobretudo criar um desenvolvimento nas faculdades que vai potenciar o desenvolvimento do ensinamento do direito romano nesta altura
o imperador vai ver o direito romano como o seu direito, muitas vezes acabando este porser mesmo visto como direito imperial 
	→ toda esta realidade nasce como direito prudencial - prudentes/juristas
A partir deste século vamos encontrar um jurista, Irnero, que vai descobrir o código de Justiniano → foi a redescoberta do direito romano
Irnero vai dividir o digesto em 3 partes:
· digesto velho > divisão dos livros 1 ao 24
· digesto novo > 39 ao 50
· esforçado 
idade média faz também divisão 
codex vai ser só e apenas dividido por 9 volumes, sendo os últimos intitulados de três libri institutas, novelas, e um livro pequenino de direito medieval que é o livro dos feudos → livro parvum (ou livro pequeno) - a divisao medieval do código justiniano para pela divisão do digesto, do codex e do livro parvum que é a junção
Irnerio vai encabeçar a escola dos glosadores, vai ser considerado o “pai” da mesma
escola medieval metodológica (escola de método, caracterizada por um método específico- análise e interpretação diferentes) Inerico- direito romano era estudado em conjunto com outros e por isso inério vai procurar recolher as fontes justinianeias existentes e tentar desbravar aquela obra, fazendo ao mesmo tempo uma nova compilação, sistematização daquele direito justinianeu, sendo lhe dado o nome de corpus iuris civilis→ o estudo que vai depois ser feito nas universidades vai ser este pelo que tem bastante importância (todo o direito romano justinianeu). é usada como ferramenta de trabalho a chamada glosa - método de interpretação - explicitação ou explanação de uma palavra, frase ou parte de texto romano com o objetivo de retirar o seu sentido jurídico. As glosas podem ser interlineares (feitas entre as linhas) ou marginais (feitas à margem do texto). O objetivo da glosa é perceberem o significado do texto romano. Irnerio está a ver estes textos 600 anos depois e por isso com certeza que tudo foi evoluindo, pelo que é preciso perceber se o que faria sentido, continua a fazer no sec XII, na epoca de irnerio; perceber que situações do direito romano podem ser aplicadas a época em que irnero e os seus vivem. O que os glosadores não fazem e não querem é perceber o espírito dos romanos, é perceber apenas se é útil ou não, se podem usar ou não…
Acúrsio- magna glosa- vai criar esta obra onde compila 40000 glosas e onde organiza o saber que foi criado na escola dos glosadores; o discurso de acúrsio vai se tornar fonte subsidiária de direito, muita importância
										 
discípulos de Inerio nas escolas dos glosadores 
Martim de Gosia- escola com tendência mais livre na análise dos textos e sua ponderação
Bulgaro- tendência de maior apego aos textos 
Acúrsio- último grande jurista da escola dos glosadores, conhecido pela sua Magna Glosa - gigantesca compilação de glosas, que conteve não só glosas de autores anteriores mas também algumas suas e os profs albuquerque defendem que ele não se absteve de retirar algumas com as quais não concordava ; em Portugal esta magna glosa foi incluída nas ordenações como fonte de direito 
doutrina que defende que há um período de transição entre as grandes escolas
pós acursianos- escolas de transição - muito diversificadas- Alberto Gandino, Guilherme Durante (processualista)
Tratando se de uma escola de transição, transitou se para a escola dos comentadores
escola dos comentadores
método escolástico- método que está presente em várias áreas do conhecimento e que os comentadores vão aplicar
conhecidos porque a sua função é essencialmente comentar 
ja nao vao estar presos apenas ao corpus iuris civile, vão aprender novas fontes como 
vão ser muito mais inventivos com a liberdade que tem 
a figura maior é inquestionavelmente Bartolo - instituiu uma tal autoridade em matéria do conhecimento do direito que também foi consagrado nas ordenações como fonte subsidiária ; tendência em POrtugal por oposição ao humanismo 
Estas escolas são aqueles que evoluindo estudaram os textos do direito romano, justinianeu, adaptaram ao direito da época e o tornaram direito romano atual,útil
caracterização destas escolas: 
· doutrina tradicional distinguia as escolas em relação ao facto de glosadores- trabalhos de proximidade com os textos, com a glosa, anotações dos próprios textos e de acordo com esta doutrina só os comentadores teriam conseguido alcançar o sentido dos textos, tendo ficado apenas para os glosadores o estudo
· professores de albuquerque discordam, visto que os comentadores não podiam ter entendido os textos se os glosadores não os tivessem apreendido 
hermenêutica medieval e vários níveis de sentido dos textos
Os comentadores encontraram os textos trabalhados, decifrados e por isso foi possível através dos trabalhos dos glosadores ir mais além- aplicando textos do direito romano ao direito nacional 
Houve escolas que trabalharam na formação do ius commune (glosadores)
e houve escolas que aplicaram o direito romano ao iura propria (comentadores)
estampa das glosas pagina 282
ponto de ligação da jurisprudência a universidade
este processo foi eminentemente universitário e não por ação política; foi por força da circulação do direito romano entre universidades e mobilidade entre professores e alunos na altura 
infiltração do direito romano no direito portugues criou uma familia de direitos 
os professores na altura circulavam muito porque tinham uma licença de ensinar em toda a parte - licentia ubique docendi 
quaestio- forma dialogada assente no princípio do contraditório
tem muitas modalidades , pode incidir sobre um facto, ou uma questão de direito, muitas vezes registada por um aluno mas frequentemente era o professor que usava a quaestio para ensinar - quaestio redata- solutio determinatio
podem usar se dois tipos de diálogo: catequístico- para ensinar ou controvecistico
o comentário caracteriza se por ser um gênero literário e escursivo- extensa/longa dissertação sobre um tema, um dos genes preferidos dos comentadores e tem duas ou tres caracteristicas que se devem sublinhar- natureza casuística, ser desenvolvido, ter autonomia face aos textos romanos e foi um instrumento utilizado por excelência pelos comentadores para adaptação do direito romano aos direitos locais 
ARS INVENIENDI
→ é a arte do conhecimento
lógica formal e lógica material - como é que um jurista medieval pensava e encontrava soluções casos concretos 
O pensamento jurídico dos medievais (estamos a falar essencialmente nos juristas das escolas dos glosadores e dos comentadores) é um pensamento analitico-problematico - parte da analise dos textos latinos e depois vão problematizar, meter em questão
A ars inveniendi divide se em 3 etapas: (podem cruzar-se umas com as outras)
· as leges → é o elemento escrito, a parte lógica, o pensamento
· raciones → é a parte problemática, é a parte formal, é a dúvida a funcionar
· autoritatas → é o argumento de autoridade (escola da opinião comum- escola dos comentadores)
como funciona? 
O jurista medieval, a primeira coisa que faz, é olhar para o caso concreto e pensar a solução justa; não tem o mesmo raciocínio que hoje (subsunção jurídica essencialmente), mas procura a solução justa - qual a solução justa na sua visão para aquele caso concreto e após isso, vai fundamentar o seu pensamento 
E como é que faz esta fundamentação? 
→ Leges- após pensar qual a solução justa vou procurar argumentos na lei, no texto escrito- procuramos argumentos provavelmente mais justos (porque o direito vive na incerteza, na problemática). E onde os vai procurar? Primeiro nos textos escritos. No entanto esta procura nos textos requer algumas exigências: primeiro, o jurista medieval tem de reconhecer a gramática, saber ler mas mais do que isso conhecer o sentido da palavra, a gramática e portanto umas das artes imprescindíveis do pensamento jurídico. Os argumentos retirados do texto escrito até podem contrariar os argumentos mais justos; isso não o vai fazer ignorá- los mas sim utilizá- los para os afastar- o argumento que está no texto jurídico pode não ser o mais correto para o caso concreto. Ou seja, não fica ansioso,apenas requer mais trabalho para procurar mais argumentos. E assim nessa nova procura, elenca para o caminho das raciones
→ Raciones- argumento, fase problemática, é a dúvida a funcionar- procurar argumentos que sejam lógicos e permitam confirmar ou contraditar os argumentos liberais, duvida-se da letra da lei e procura-se fundamentar a nossa opinião, os nossos argumentos de justiça . No âmbito do pensamento problemático, passamos por 3 fases:
· a retórica = a arte da persuasão, utilização de raciocínios lógicos que permitam convencer a parte contrária que a nossa solução justa e efetivamente a mais justa para aquele caso concreto. utiliza não apenas a força do argumento mas utiliza também a forma de expressar esse argumento. não só vive da força do argumento mas da forma como se exprime- utilização da arte da persuasão, mas esta nada é sem a dialética
· a dialética = a arte da discussão, mas pode ser lida de forma diferente: a arte da discussão enquanto a arte de desencadear argumentos, utilizar arg literais, procurar outros através da tópica e depois encadea-los, encadear o nosso raciocínio, o que significa construir um argumentário que seja convincente e que seja ao mesmo tempo coerente - vive da organização dos argumentos
	não é oca como pode ser a retórica, tem de trabalhar com as leges, com os 
documentos escritos
· a tópica = a tópica é uma arte de procura de argumentos; “topor” significa em grego ligar, o lugar dos arg, há quem a define como o reservatório de argumentos. É a procura de argumentos lógicos que possam ser utilizados para confirmar ou infirmar as leges ou para completar o nosso raciocínio. A tópica procura os argumentos onde quer que eles estejam. 
→ tópica formal- recorre a argumentos abstratos que a partida não tem conteúdo mas que utlizados perante o caso concreto podem ser úteis, ter consistência jurídica 
→ tópico material- são argumentos que com conteúdo podem ser procurados ou no meio jurídico ou em qualquer outro local onde se encontrem; argumentos meteorológicos, geológicos, climáticos … todos estes argumentos podem e devem ser utilizados. Olhamos para o caso concreto, pensamos o caso concreto através da nossa ideia de justiça, provavelmente mais justa, procuramos argumentos nas leges, nos textos escritos, vamos duvidar deles, podem ser utilizados ou utilizados para os afastar, e necessário por vezes justificar/provar os próprios argumentos, procurando elementos lógicos que não sejam argumentos necessariamente jurídicos e assim inicia se o processo de procura dos argumentos, através da tópica, encontrando argumentos da tópica formal, organizo os e utilizo-os com os argumentos literais e vou construir o meu raciocínio encadeando os argumentos, recorrendo a retórica colocando os em locais diferentes organizadamente
No fim do dia preciso de algo mais, preciso de autoria → o argumento da autoridade = as auctoritates- procurar/recorrer argumentos na opinião comum; daí os juristas dizerem que para além dos argumentos literais, dos argumentos da lógica, vão dizer que a opinião justa, a utilização desses argumentos correspondem também a uma opinião comum (argumento da autoridade- opinião comum porque vários o dizem) -utilizar um arg da autoridade e através da autoridade dos outros autorizar o meu argumento; por isso as auctoritates viverem da opinião comum qualitativa (qualidade do argumento) e quantitativa (número de juristas com a mesma opinião)
escola dos comentadores vivem da opinião comum 
inveniendi é a arte da invenção mas a invenção é a invenção a qualquer custo, nao e a arte da invenção de fazer coisas; é a arte da invenção na procura de argumentos lógicos e justos que permitam com eles procurar a solução justa para o caso
→ início da centralização do poder régio
Começa a partir do séc XV, com a conquista de Ceuta, e tem como grande característica a concentração do poder régio. 
Em Portugal tivemos três ordenações:
afonsinas - afonso V
manuelinas - Manuel I 
filipinas - Filipe II 
ordenações- porque nao sao codigo, nao estamos perante uma sistematização jurídica 
as ordenações do reino são compilações de leis
Ordenações Afonsinas
publicadas em 1446 durante o reinado de Afonso V
entrada em vigor em janeiro- compilação que vai ser elaborada ao longo de 3 reinados 
D. Afonso V aprova a lei mas quem aprova realmente é o regente do rei
O processo de elaboração das ordenações é iniciado por D. João I e manda que um dos juristas da sua corte o faça (João Mendes). Este morre e continua o seu trabalho Rui Fernandes, outro jurista. Há uma diferença entre o trabalho de elaboração de ambos:
João Mendes- elabora primeiro livro da ordenação - estilo completamente inverso, decretório, artigos redigidos de forma imperativa- cuidado na redação da lei, tendência já para uma centralização de poder atribuída a lei
Rui Fernandes- outros 4 livros - estilo compilatório organizado por títulos e datas
em termos de sistematização: 5 livros, cada um 
· livro primeiro- cargos públicos 
· livro segundo- igreja, poderes e deveres da igreja e do clero, direitos do rei, fisco, donatarias, nobreza, judeus e mouros 
· livro terceiro - processo civil
· livro quarto- direito civil
· livro quinto- direito penal; também conhecido como o “livro escrito a sangue” pela dureza das penas na altura
Todas as ordenações vão seguir a mesma estrutura das ordenações Afonsinas, com a diferença que no livro segundo das ordenações Manuelinas já não é abordada a matéria dos judeus e dos mouros 
elaboradas num período em que não havia impressa, redigidos à mão, distribuídas após a sua publicação; casa da suplicação recebeu uma cópia dos 5 livros 
ordenações afonsinas não tiveram grande evolução em portugal
há quem entenda que tal se deva à dificuldade da leitura da própria lei
há quem diga que se deve ao facto da sua reprodução ser difícil (poucos exemplares)
há finalmente uma vertente política- dever se ao facto de terem sido 
(batalha de alfarrobeira )
influência para as ordenações: inspiram-se numa obra que é o livro de leis e costuras - compilação cronológica de todas as leis portuguesas desde D. Afonso Henriques
vão inspirar se também nas siete partidas bem como no direito romano seja através da escola dos glosadores seja através de opiniões
As ordenações Afonsinas vão apresentar um artigo claro onde se encontram presentes as fontes de direito em Portugal - livro segundo título IX na parte inicial relativa aos privilégios da igreja. Curiosamente coloca neste a seguinte epígrafe “quando a lei contradiz a decretal qual delas se deve guardar?” 
lei = não significa lei do rei, significa direito romano
decretal =significa direito canônico
→ é aqui que vai surgir o critério do pecado para responder a esta dúvida
artigo é dirigido ao juiz; artigo tem como destinatário o juiz do tribunal cível
(esta questão é um problema dos tribunais civis e nao vai aparecer nos tribunais canônicos) ; apresenta as fontes de direito portuguesas dividindo as em fontes principais e subsidiárias - artigo na página 69 livro
organização das fontes em hierarquia: lei do reino, estilo da corte, costume antigo
estas fontes aplicam se mesmo que o direito romano disponha em sentido contrário porque quando se aplicarem cessão todas as outras; (fontes primárias)
na falta de direito do rei aplica se então as fontes subsidiárias- direito romano e direito canônico - aqui se enquadra a justificação do critério do pecado: mecanismo criado pelo legislador para determinar se o direito a aplicar a uma causa civile pelo juiz civile é o direito romano ou canonico; se a aplicação ao caso do direito romano violar preceitos do direito canônico, então este não pode ser aplicado e deve antes ser aplicado este último; 
usucapião - aquisição do direito à propriedade por decorrer um tempo de posse. alguém que não tem título de proprietário mas detém a posse, pode adquirir a propriedade do bem após 20 anos e com autorização; só se pode adquirir a posse por usucapião se na base estiver a boa fé.
todo aquele que age em ma fe nao tem direito a usucapir obem por usucapião 
O direito romano aplica-se a todas as questões temporais se não derem origem a pecado, enquanto que o direito canônico se aplica a questões temporais e espirituais cuja aplicação do direito romano é afastada por redundar em pecado. 
E se existir caso em que o direito romano diz uma coisa e o canônico diz outra? Se a solução do direito romano não der origem a pecado aplica-se SEMPRE o direito romano mesmo que ele seja contrário ao direito canónico. Ele só é afastado quando a sua solução dá origem a pecado, ou seja, nesta situação mesmo que o direito canónico apresente uma posição diferente, desde que a aplicação do direito romano não implique um pecado, então aplica-se o direito romano. 
3ª fonte subsidiária: glosa de acúrsio 
4ª fonte subsidiária: decisão do papa.
5ª fonte subsidiária: resolução régia (decisão com força de lei tomada pelo rei, através da carta de suplicação). O rei resolve a situação como bem entender e, portanto, a sua decisão surge como vinculativa à sociedade.
										 12/04/2023
no final do livro segundo artigo 9, surge uma dúvida 
→ se surgir caso que não seja matéria do pecado o qual nao fosse determinado por lei do reino nem por estilo da corte nem por costume antigo, nem nas leis imperiais e fosse determinado por cânones por um lado e as glosas de acúrsio por outro e opinião de bartolo(solução nestes) - nesta circunstância que legislação se aplica? 
> legislador afonsino diz “venha a mim” - solução régia mas tal levantou dúvidas na doutrina moderna 
> professores Ruy e Martim de Albuquerque nesta circunstância concreta na falta de direito romano para resolver o caso mas havendo direito canônico para o fazer então deve se utilizar o direito canônico porque ambos constituem utrumque ius (tronco comum)- são fonte subsidiária um do outro
professor Duarte Nogueira tem posição divergente e entende que não se deve aplicar direito canônico mas a glosa de acúrsio e opinião de bartolo porque estes são traços do direito romano 
ordenações manuelinas 
As ordenações Afonsinas são de 1446 e vão ser revistas, acabando D. Manuel por aceder às mesmas e iniciar um processo de revisão das ordenações afonsinas 1498
3 juristas- Luis Boto, Rui Aguiar da Grã, João Cotrim
→ expurgar todas as matérias revogadas
→ reorganizar os livros atendendo ao facto de já não haver judeus e mouros 
Com base nesta reorganização vai ser preparada uma nova organização - ordenações Manuelinas
1512/1513 - impressão dos 5 volumes e edição editada pela tipografia de Valentim e Fernandes porque nos séc 16 e 17 conhece se a qualidade e perfeição da obra pelas editoras → são então publicados os 5 livros, da seguinte forma
· 30 março 1512- livro 5
· 29 junho 1512- livro 4
· 30 de agosto- livro 3
· 17 de dezembro- livro 1
· 19 de novembro 1513- livro 2 → mais demora por problemas de estatutos dos juízes da casa do cível que queriam ter o mesmo estatuto da casa da suplicação 
revisão que dá origem a uma nova edição impressa na tipografia de João Pedro Donini → publicação da edição de 1514
· 11 março- livro 3
· 24 de março- livro 4
· 28 junho - livro 5 
· 30 outubro - livro 1
· 15 de dezembro - livro 2 
Vai ser posteriormente revista pq publicadas leis relativas a pesos e medidas o que vai levar a que seja publicada uma nova edição em 1521- aquela que vai perdurar no tempo
Seguem a mesma estrutura das ordenações afonsinas
· livro primeiro- cargos públicos 
· livro segundo- igreja, poderes e deveres da igreja e do clero, direitos do rei, fisco, donatarias, nobreza
· livro terceiro - processo civil
· livro quarto- direito civil
· livro quinto- direito penal;
fontes de direito vão variar da edição de 1512/13 para a edição de 1521
As ordenações manuelinas vão manter as fontes de direito no livro segundo
o que vai mudar entre as 2? a epígrafe, o que significa muito pois significa uma nova forma de olhar para as fontes de direito 
1512 epígrafe igual a das afonsinas “quando a lei contraria a decretal qual delas se deve manter” ; este mesmo texto mantém ainda redação semelhante à das ordenações afonsinas e a mesma técnica de exemplificação
edição de 1521- passa do título 3º para 5º e a epígrafe passa a ser “como se julgaram os casos que não forem determinados por nossas ordenações” já não é um privilégio da igreja, ja nao esta subjacente criterio do pecado, estamos perante uma concessão dos juristas medievais que esta é uma norma relativa às fontes subsidiárias
fontes principais são as mesmas= lei do reino, estilo da corte, costume antigo
fontes subsidiárias= na falta deste aplica se direito romano e canônico
mantém se o critério do pecado mas já não se exemplifica o mesmo 
novidade= glosa de acúrsio e opinião de Bartolo - e se o caso de que se trata em prática não for determinado por lei do reino nem por estilo da corte nem por costume antigo, nem nas leis imperiais e por cânones
aplica se a glosa de acúrsio- quando não for reprovada por opinião comum dos comentadores 
aplica se a opinião de bartolo - mesmo que alguns doutores anteriores tenham opinião diferente
por fim resolução régia 
as ordenações manuelinas incluem uma fonte "às escondidas", implícita - não é explicita mas e a opinião comum dos doutores → e a consagração nas ordenações manuelinas da escola dos comentadores 
→ vão vigorar até as ordenações filipinas 
Surgem ao longo do séc XVI várias modificações 
a meio do séc XVI vamos ter por parte de alguns
compilação de legislação extravagante “extravagantes de Duarte Nunes de Leão “
rei Filipe I manda rever as ordenações manuelinas
3 juristas= Afonso Vaz Tenreiro, Jorge de Cabedo, Duarte Nunes de Leao 
Esta comissão terminou em 1595 mas só em 1603, já no reinado de D. Filipe I é que sao publicada as novas ordenações 
após a restauração da independência 1643 vão ser aceites por D. João 
Vão ter a mesma organização que as ordenações manuelinas
fontes de direito; matéria vai sair de livro 2 e vai passar para o livro 3, livro relativo ao processo civil (acaba por ir para o livro onde devia ter estado sempre- matéria dirigido ao juiz) 
textos iguais ordenações manuelinas edições de 1521 e mesma epígrafe da mesma; mantemos também a opinião comum como fonte implícita 
As ordenações filipinas publicadas em 1603 tiveram erros e então os portugueses contraditórios disseram que os erros das ordenações eram “filipinos” e estes entraram no léxico portugues como “a asneira”
DIREITO PENAL
O direito penal vigente em Portugal até 1415 é essencialmente pluralista: um pano de fundo não estatal, marcada pela autotutela que procura através do direito canônico e do direito romano assegurar um monopólio de punição- define que condutas são consideradas crimes 
nestes tempos, na realidade, a “justiça do rei” significa essencialmente a aplicação de uma sanção penal
regime de autotutela= a reparação dos crimes é deixada a autodefesa do próprio ofendido ou do seu grupo familiar, sem recurso aos esquemas da justiça pública. 
regime jurídico que vai representado nesta altura é essencialmente a vindicta privada 
dentro da mesma temos duas modalidades - perda de paz relativa
						 - perda de paz absoluta
da vingança privada ao monopólio estadual da punição
esquema de transição
1) comunidade começa a estabelecer condições em que a vingança possa ser exercida
2) proporcionalidade da vingança à ofensa
3) ofensa regida através de uma composição pecuniária 
4) estabelecimento do regime de arbitragem 
direito penal na idade média é marcado por este sistema de transição onde essencialmente no direito local permanecem traços do sistema de vingança privada (vindicta)
a perda de paz relativa
apenas permitida em delitos mais graves 
para que a vingança pudesse efetivar se o ofendido teria de fazer um desafio formal 
depois de desafiado o autor do delito gozava de um seguro de 9 dias (chamadas tréguas) em que não podia exercer vingança, dentro do qual se procedia a declaração de inimizade. este podia no entanto ainda abandonar o lugar nos 8 dias seguintes se satisfizesse as obrigações econômicos da inimizade (fredum)*
efeitos tipo da inimizade
1) sanção pecuniária - possibilidade de adiar a vingança*
2) desterro 
3) faida - perseguição do desafiador ou parentes que o podiam legitimamente matar
instituto do direito foraleiro- perda de paz é relativa essencialmente por isso (fugir para outro território)
Como podia cessar? → pela composição
podia comprar a paz, composição corporal, composição por missas, composição por prisão → depois de satisfeita a composição dava se a reconciliação pública
perda de paz absoluta
tinha como feitos transformar o criminoso em “inimigo público", retirando lhe todos os direitos → toda a comunidade dever de o perseguir, matar, perda de casa e bens - delitos de extrema gravidade
não tinha o período de tréguas como tem a perda de paz relativa 
publicização do direito de punir 
podem encontrar se uma série de penas públicas a serem oficialmente impostas pela comunidade
· pena de morte para certos delitos mais graves 
· penas pecuniarias
· penas corporais 
· penas privativas de liberdade
· penas infamantes
reação da legislação régia contra a vindicta privada 
D. Afonso II 1211- limita a vindicta privada
D. Afonso IV - proibe a vindicta privada- invoca a jsutiça particular para dizer que e da competencia do rei garantir a jsutiça- proibe sob pena de morte e impoe em substituoção de acoimar os crimes os casos que surgirem terem de ir aos tribunais competencia para exercer justiça penal 
no entanto esta lei não vai ter muito boa receção por parte dos fidalgos - os nobres não gostaram desta proibição o que mostra claramente que a vindicta privada era valorativa para os nobres - o que leva a que o rei estabeleça casos em que a vindicta ainda possa ser legítima
exceções:
- 60 dias para o agressor se apresentar no tribunal
- crimes antes da lei entrar em vigor
a lei de 1355 e os crimes públicos 
a lei de d. afonso V- importante marco direito penal - crimes públicos, ou seja crimes para os quais é obrigatória a investigação oficiosa do juiz; incluem como essenciais crimes os seguintes delitos :
· crime de lesa majestade
· homicídio doloso qualificado e certos ferimentos graves
· alguns crimes contra a justiça pública
· heresia e blasfemia; sacrilegio (crimes religiosos)
· violação, adulterio, incesto… (crimes sexuais)
· feitiçaria
· furto e dano (crimes contra a propriedade)
ainda assim o direito penal vai continuar a ter grandes características, nomeadamente nas penas e nas provas
definição e punição de crimes na legislação
importa assinalar que a definição de crimes pela via legal é apenas esporádica, continuando a maioria dos delitos e penas conformada pelo direito consuetudinário; 
em alguns delitos de direito canônico e romano como de crimes contra a religião e a moral as penas podem ser diretamente aplicáveis, sem necessidade de legislação régia intermediária
não existe nada de semelhante aquele que é o princípio da legalidade do sistema jurídico de hoje
→ funciona a retroatividade da lei penal
FIM DA ÉPOCA MEDIEVAL
Humanismo Jurídico 
século XVI 
Portugal vai manter a escola dos comentadores e a escola dos glosadores (glosa de acursio e opinião de bártolo) como fontes de direito subsidiária → escola que vai marcar o pensamento jurídico e o estudo do direito em Portugal no século XVI. Mas se é assim em portugal no séc XVI não é assim para lá dos Pirinéus- movimento contrário 
O século do renascimento , como o renascer da cultura greco-romana 
No campo do direito vamos olhar para o humanismo jurídico; vai ter outras designações, como escola dos "mos gallicus” ou escola elegante ou escola alciateia ou escola culta ou finalmente escola cujaciana → É a corrente renascentista do estudo do direito. Vai contestar o método de estudo da escolástica e vai defender o retorno ao estudo do direito como ele tinha sido elaborado no tempo dos romanos → voltar a ler e estudar o código justiniano… 
O que os humanistas vão dizer é que se deve sempre utilizar quando possível o direito clássico; apesar não ser um processo fácil, sobretudo por falta de adaptação, e por isso não ser possível voltar ao direito clássico puro, é importante voltar a ler o direito romano como ele era 
O humanismo é já uma corrente racionalista, já estamos na época em que a própria concessão do homem muda e ao mudar, vamos assistir a transição de uma fase teocentrica a uma fase em que o homem é criador e intérprete do direito , de acordo com a sua razão. E contrapor a liberdade interpretativa do jurista à autoridade opinativa comum. 
O jurista já não lê a letra da lei, lê as glosas e os comentários e aplica se o direito com base nos intérpretes sem ler a letra da lei. Por isso os humanistas jurídicos vem contrapor a opinião comum à liberdade interpretativa.
A reforma protestetante vai permitir o desenvolvimento destas teses sobretudo na Alemanha, quer na Holanda, Dinamarca ou Noruega→ crítica à igreja de Roma que vai defender ensino com base na escolástica enquanto que os países que vão adotar reformas prtestetante vão aproveitar o humanismo jurídico e aproveitar para mudar a liberdade interpretativa do homem- colocar o homem operante a letra da lei e permitir que ele interprete conforme a sua própria interpretação
Vamos ter homens a ir estudar direito para Paris e estes homens vão estudar e inscrever-se nas correntes humanistas. Influenciaram o pensamento portugues? A resposta é não. Há muito pouca influência do humanismo jurídico em Portugal.
motovos:
· muitos deles acabam por não regressar ao país- caso de Henrique Caiado
· noutros casos, como caso de Luís Teixeira, voltaram e tentaram impor o humanismo mas o panorama jurídico atual portugues não permitiu que se manifestassem e este acaba até por deixar o direito e dedicar se a outra coisa
· Martinho Figueiredo, também volta mas nem chega a tentar, e afasta se logo do direito 
→ isto significa que em Portugal não houve terreno para desenvolvimento das teses humanistas: 2 ordens de razão- primeira sendo que ordenações manuelinas impunham glosa de Acúrsio, o pensamento romano; segunda sendo a contra reforma da igreja ; na sequência da reforma protestante e criada a companhia de jesus e quando chegam a portugal tem a cobertura do rei D. João III e permite lhes a abertura de uma universidade- univ de évora em que vão manter o ensino do direito com base na tradição medieval e escolástica- vai manter a tendência bartolista. Por isso, o método escolástico que é estudado em Coimbra e em évora e um estudo da opinião comum.
Isto significou que o direito portugues acabou por ficar envelhecido. O direito era estudado com base naquilo que o professor dizia. O que levou a que no séc XVII começassem a aparecer alguns advogados que vão fazer publicação de livros de praxes, vão criar livros de praxes, livro de minutas - para ensinar os recém basculantes em direito a exercer a sua profissão. (o direito pátrio não era ensinado nas universidades). Enquanto PT mantém a sua tradição jurídica medieval vamos encontrar outras zonas como a Alemanha a desenvolverem o direito através do pensamento racionalista. Esta corrente de pensamento que vai entrar e ganhar influência em pt no sec XVIII (mas que só vai ser aplicado e ensinado com marquês de pombal) ilustra o homem como centro da razão. Grossio é o primeiro autor a dizer que os homens na sua racionalidade e na sua conceção da realidade é que criam o direito.
A partir de grócio o direito perde a sua carga teológica e passa a ser apreendido apenas pelo fenômeno jurídico. Vamos assistir ao direito como criação da razão humana. 
SEC XVIII - LEI DA BOA RAZÃO
influência humanismo jurídico, racionalismo jurídico e nova corrente que vai influenciar a lei da boa razão- corrente dos usos modernus pandectarum- corrente racionalista de aplicação do direito romano
esta corrente vai dizer que o direito romano deve ser utilizado e aplicado apenas naquilo que for atual - vai exigir aos juristas que separem o direito romano histórico daquele s instrumentos jurídicos que podem ser considerados intemporais 
→ vai restringir o núcleo do direito romano aplicável(lei de 17 de agosto de 1769 durante muito tempo)
inspirada pelas 3 correntes jurídicas anteriores (humanismo, racionalismo e usos modernus pandectarum) e mais uma que é o iluminismo jurídico 
lei da boa razão porque toda a construção da lei e feita com base no conceito de boa razao; lei que vem revogar as ordenações filipinas no tocante ao título 64 do art. 3º- título relativo às fontes de direito
As fontes de direito a partir do marquês de pombal vão passar a ser aplicadas em função de um critério- critério da boa razão → acaba por estar a definir toda a construção jurídica e as fontes de direito praticadas em Portugal. Decorre do próprio conceito racionalista do próprio conceito humano, é a razão do homem na sua dimensão de ser humano, razão de homem iluminado (o rei), que é aquele que tem capacidade legislativa
O legislador acaba por ser a fonte de construção de todo o direito e é na sua mão que está a capacidade de definir o que é útil para o povo
Influenciada pelo humanismo jurídico, a crítica ao direito romano, aplicada pela escolas dos glosadores; influenciada pelo racionalismo, ideia da razão ordenadora do pensamento, conhece se e constrói se através da razão; constr do pensamento usus modernus pandectarum que vem na sequência dos anteriores determinar regras cívicas para a aplicação do direito romano. Nesta sequência surge-nos então a lei de 18 de agosto de 1769- pedido de marquês de Pombal a casa da suplicação. 
pag 113 parágrafo 9 temos os critérios da boa razão; critérios podem ser essencialmente divididos em 4 (segundo regente)
1) a boa razão e aquela que decorre dos princípios que contêm as verdades essenciais da ética dos romanos 
2) esta ética dos romanos influenciou o direito divino e natural que constituem as regras de ética moral e de direito civil do cristianismo
3) aplica se a boa razão em função das regras universais do direito das gentes. integra se aqui pela primeira vez a importância do direito das gentes 
O fandom vem nos dizer que o direito das gentes (razão que decorre da vivência dos estados uns com os outros; desenvolve se no séc 17 com os alvores do séc moderno e vai constituir aquele que é hoje o direito internacional público) é o direito natural aplicada a relação entre os estados soberanos, e esta relação
A lei da boa razão vem dizer que a boa razão também é aferida em função do direito que se aplica aos estados, porque se o legislador de um estado decide aprovar uma lei que mete em causa a paz entre estados, essa lei não respeita a boa razão → em vez de levar o povo para o des econômico e social, leva o povo para a guerra. 
Veja se como há já uma preocupação no final do séc XVIII em de algum modo delimitar limites ao poder régio já na altura- ao legislador da monarquia pura pergunta se muitas vezes se o rei tem limites na elaboração da lei- os teóricos da monarquia pura, vem dizer que sim- o rei não pode violar o direito natural (direitos inerentes a cond hum), não pode violar o direito divino, não pode violar o direito das gentes (paz e equilíbrio existente entre os estados e através da sua lei criar uma situação de guerra). Por isso para se determinar a boa razão em matéria de fontes de direito temos de aferir se ha ou nao persecução dos princípios do direito das gentes
4) produto do iluminismo e do racionalismo- afere se a boa razão em função do que está estabelecido em matéria de leis políticas, econômicas, mercantis e marítimas pelas nações cristãs polidas e iluminadas. O iluminismo vai influenciar a que os estados se inspirem uns nos outros em matéria jurídica- quando há lacunas na lei em determinado estado, em vez de procurar a solução no direito romano, deve procurar essa solução nas leis dos outros estados. Em que materias? nas acabadas de referir. É o início do direito comparado.
Quais são as fontes de direito da lei da boa razão?
· A primeira e a mais importante é que as leis pátrias têm como destinatários os tribunais, e a lei deve resolver quase tudo. Só se deve recorrer às outras fontes quando a lei não pode resolver o problema. 
e mais, a lei deve ser interpretada de acordo com o espírito e a vontade do legislador por isso a interpretação é autêntica- compete ao rei interpretar a lei e quando não o fizer então quem deve interpretar e a casa da suplicação- supremo tribunal do rei que em seu nome deve determinar qual a vontade do legislador
· A segunda fonte de direito é o estilo da corte mas agora com uma pequena limitação- aplica se desde que aprovado por assento da casa da suplicação → durante o período em que esteve em vigor as 3 ordenações, nao so a vcasa da suplicaçãp podia fazer estilos mas também relações e portanto temos estilos da relação de lisboa, do porto, da baía, de goa…(etc) e por isso tinham liberdade em definir regras para a sua atuação enquanto tribunal, e faziam estilos e em algumas circunstâncias começavam a surgir estilos contraditórios entre as relações - por isso a lei da boa razão vem determinar que tenha de haver aceitação por parte da casa da suplicação
· terceira fonte: os assentos da casa da suplicação. O assento é uma decisão do tribunal superior com o objetivo de determinar o direito aplicável a um caso concreto. Mas, o assento vai ter com a lei da boa razão uma outra função: a função de interpretar a lei- é através dos assentos que a casa da suplicação interpretam as leis e determinam qual a interpretação autêntica das leis (existem desde o séc xvi mas num surgiu ate aqui como fonte de direito)
· quarta fonte: costume- mas agora com 3 especificidades, 3 requisitos cumulativos para que possa ser aplicado nos tribunais: tem que ser conforme a boa razao, nao pode contrariar a lei, tem de ter uma antiguidade de 100 anos → aquilo que a lei da boa razão faz é criar um entrave a possibilidade de se invocar novos costumes. Num período de monarquia pública em que o poder está centrado na mão do rei que é o legislador, a lei da boa razão vem dizer que não se permite que a sociedade se possa opor ao poder legislativo regio. 
Na falta destas fontes aplicam se as fontes subsidiárias: o direito romano aplicado ao abrigo dos usus modernus pandectarum (sem comentadores, glosadores, revendido pelo humanismo jurídico e após verif dos critérios do usus modernus) e a lei das nações cristãs polidas e civilizadas/iluminadas- direito estrangeiro (espanha, frança, áustria, rússia, inglaterra)- matéria de leis políticas, econômicas, mercantis, marítimas das nações cristãs, iluminadas e polidas. Ou seja, nestas materias deve ser utilizado o direito estrangeiro “lei das nações cristas e polidas”…. O direito romano só podia ser aplicado como fonte subsidiária se for conforme à boa razão
O direito canônico passa a ser aplicado apenas em tribunais eclesiásticos
Glosa de Acúrsio e opinião de Bartolo- são proibidas a sua aplicação- porque estes dois elementos nao sao de acordo com a boa razão (ideia do humanismo) 
Tudo isto foi no entanto muito difícil de fazer, pois vai ser preciso alterar o ensino do direito 
→ na realidade, tudo submetido à lei ou à vontade real
Reforma pombalina da Universidade de Coimbra
1772- estatutos da universidade de coimbra ou estatutos pombalinos 			Comissão nomeada em 1770 → ​objetivos​: análise das causas de decadência do ensino universitário em Portugal; emissão de pareceres sobre os critérios adequados à sua reforma. Em 1771, a comissão apresentou o ​Compêndio Histórico da Universidade de Coimbra- critica-se, neste relatório, a organização e o sistema de ensino existente, de modo a colmatar as falhas apontadas. A comissão é encarregue também da
subsequente elaboração dos ​Estatutos da Universidade de Coimbra​, aprovados em
1772 
A grande preocupação era ensinar o direito romano, olhar para a opinião comum, a glosa de acúrsio e adaptar as próprias realidades nacionais ao conhecimento que advinha do direito romano e da escolástica- isto estava totalmente desfasado da realidade. Por isso MP vai fazer um levantamento sobre o estado da escolástica e para isso vai fazer uma junta, junta da revisão