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Distúrbios Neurológicos Enfermeiro Thiago Hessel Acidente Vascular Encefálico (AVE) Principal causa de incapacidades entre adultos e idosos Segunda causa de morte por doença no Brasil Sua incidência aumenta a partir dos 55 anos de idade Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um importante fator de risco para o AVE 70 % das pessoas que sofreram um AVE têm história pregressa de hipertensão Meninges Duramater Aracnóide Piamater Crânio Encéfalo Espaço Epidural ou extradural Espaço Subdural (líquido lubrificante) Espaço Subaracnóide (líquor) Dá resistência aos órgãos nervosos Acidente Vascular Encefálico hemorrágico (AVEh) • Representam de 15 a 20% dos distúrbios cerebrais. Grande letalidade. • Principal causa de hemorragia intracraniana ou subaracnóidea • A principal causa do AVEh é a HAS não controlada. • A hemorragia subaracnóidea pode resultar da ruptura de um aneurisma (enfraquecimento da parede de um vaso arterial) intracraniano. Acidente Vascular Encefálico Isquêmico (AVEi) • Mais comum, cerca de 80% dos casos. • Em geral é causado pela oclusão de uma artéria cerebral por um trombo ou fragmento de gordura que se solta de um ateroma. • Ataque isquêmico transitório (AIT): comprometimento temporário do fluxo sanguíneo em que os sinais e sintomas duram menos de 24 horas. AVE Sintomas Iniciais • Cefaléia súbita e intensa, geralmente occipital. • HEMIPARESIA (súbita fraqueza nos membros superiores ou inferiores, em um dos lados do corpo) • Náuseas e vômitos • Incontinência Urinária Transitória AVE Sintomas Graves • HEMIPLEGIA (paralisia de um lado do corpo) • AFASIA (perda da fala) • Distúrbios da visão • Confusão mental; inconsciência e coma 1) Favorecimento da perfusão adequada do cérebro • Monitorar FR e o padrão respiratório, PA e temperatura • Monitorar glicemia • Manter o paciente aquecido • Observar: nível de consciência, alterações de reflexos, modificações no tônus muscular e presença de movimentos involuntários 2) Segurança e proteção da integridade física • Manter grades laterais do leito elevadas. • Manter as rodas da cama travadas. • Manter o corpo bem alinhado no leito, visando a prevenção de deformidades, principalmente no lado mais afetado. Usar travesseiros, coxins, almofadas. • Realizar mudanças de decúbito frequentemente (de 2 em 2 horas), para evitar úlceras por pressão. Manter calcâneos elevados. Estar atento a lesões na região occipital e nas orelhas (orelha dobrada na decúbito lateral). 3) Estabilização da condição hemodinâmica cardiovascular • Monitorar alterações no pulso e na frequência cardíaca. • Monitorar sinais de hipotensão e hipertensão. • Observar a coloração da pele e das extremidades do corpo, verificando sinais de cianose. 4) Manutenção do equilíbrio hidreletrolítico • Registrar líquidos administrados e eliminados - Balanço Hídrico • Observar a ocorrência de incontinência ou retenção urinária • Controle rigoroso de gotejamento na infusões prescritas. Uso de bomba de infusão. 5)Manutenção da mecânica e do padrão respiratório • Controlar a FR e saturação de oxigênio através da oximetria de pulso. • Manter vias aéreas pérvias. • Manter cabeceira a 30 graus. • Realizar aspiração das vias aéreas superiores, se houver excesso de secreção ou muco. • Promover higiene nasal e oral para prevenir infecções respiratórias e oferecer conforto. • Estar atento aos sinais de DISFAGIA, para prevenir a broncoaspiração. • Promover mudanças de decúbito, a fim de evitar atelectasias, estase pulmonar e pneumonias. Exames indicados na fase aguda do AVE (Investigação Etiológica do AVE) • TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA DE CRÂNIO • Ressonância magnética do crânio • Angiorressonância ou angiotomografia dos vasos extra ou intracranianos • Arteriografia digital Exames de neuroimagem Exames Laboratoriais ECG 12 derivações Pressão Intracraniana É o equilíbrio entre o líquor, o sangue e o parênquima cerebral Valor normal5 • Déficit moderado NIHSS 5 - 17 • Déficit grave NIHSS > 17 - 22 • Déficit muito grave NIHSS > 22 NIHSS - National Institute of Health Stroke Scale • A National Institute of Health Stroke Scale (NIHSS) é uma escala padrão, validada, segura, quantitativa da severidade e magnitude do déficit neurológico após o Acidente Vascular Cerebral (AVC). São avaliados os seguintes itens: Nível de consciência (0 a 3) Orientação (0 a 2) Comandos (0 a 2) Olhar (0 a 2) Campos visuais (0 a 3) Paresia facial (0 a 3) Força musculas MsSs e MsIs (0 a 9 cada membro) Ataxia dos membros (0 a 2) Sensibilidade (0 a 2) Linguagem (0 a 3) Disartria (0 a 9) Inatenção (0 a 2) • Déficit ligeiro NIHSS 17 - 22 • Déficit muito grave NIHSS > 22 Escala de Cincinnati (pré-hospitalar) • A escala pré-hospitalar de acidentes vasculares de Cincinnati é uma escala de avaliação médica utilizada para diagnosticar a presença de um acidente vascular encefalico(AVE). A taxa de acerto da Cincinnati é de 72%. Composta por três comandos é sinal indicativo de acidente vascular encefálico se uma das assertivas for positiva: • Primeiro comando: falar para o paciente sorrir, mostrando os dentes. Resposta inadequada assimetria facial. • Segundo comando: falar para o paciente levantar os braços para frente por 10 segundos. Resposta inadequada queda de um dos braços evidenciando fraqueza muscular. • Terceiro comando: falar para o paciente falar uma frase simples. Resposta inadequada: dificuldade ou incapacidade de falar. Escala de Cincinnati (pré-hospitalar) Fluxograma de Atendimento do Acidente Vascular Cerebral Agudo Trombólise Endovenosa - Critérios de inclusão para uso de rtPA (ALTEPLASE) • AVC isquêmico em qualquer território encefálico; • Possibilidade de se iniciar a infusão do rtPA dentro de 4,5 horas do início dos sintomas. Para isso, o horário do início dos sintomas deve ser precisamente estabelecido. Caso os sintomas forem observados ao acordar, deve-se considerar o último horário no qual o paciente foi observado normal; • Tomografia computadorizada (TC) do crânio ou ressonância magnética (RM) sem evidência de hemorragia; • Idade superior a 18 anos. Controle de pressão arterial antes, durante e após o uso de trombolítico Sinal de Battle • Trata-se de uma equimose (área roxa) atrás da orelha que pode ser indicativa de fratura(s) na base do crânio, mais especificamente fratura(s) na região do osso temporal. Sinal de guaxinim • Trata-se de uma equimose (área roxa) em torno das órbitas, simulando a mancha preta ao redor dos olhos do animal guaxinim. A fratura de um ou mais ossos da face pode apresentar este sinal: da base do crânio, osso frontal, osso nasal, osso maxilar e osso zigomático. A tríade de Cushing • Se relaciona a hipertensão intracraniana grave. É composta por: • Hipertensão arterial sistêmica (níveis pressóricos elevados) • Bradicardia (baixa frequência cardíaca) • Alterações do ritmo respiratório (padrão respiratório irregular) Tríade de Beck TA M P O N A M EN TO C A R D ÍA C O HIPOTENSÃO ABAFAMENTO DE BULHAS CARDÍACAS DISTENSÃO VENOSA-JUGULAR 1) Em relação ao acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), assinale as afirmações abaixo com V (verdadeiro) ou F (falso). ( ) Alguns dos sintomas sugestivos de AVCI, são: paresia, parestesia, confusão, disartria e cefaleia intensa. ( ) A endarterectomia é o principal procedimento cirúrgico para pacientes com diagnóstico de acidente vascular cerebral isquêmico agudo, com até três horas de evolução. ( ) Somente pacientes que chegarem à Emergência com mais de três horas de evolução dos sintomas de AVCI deverão ser submetidos à terapia trombolítica. ( ) Antes de o paciente receber o trombolítico, é aplicada a escala National Institutes of Health Stoke Scale (NIHSS), ferramenta de avaliação padronizada que ajuda a avaliar a gravidade do acidente vascular cerebral. ( ) O sangramento é o efeito colateral mais comum da administração de trombolítico, não sendo recomendadas punções intravenosas e sondagens nas primeiras 24 horas após a infusão do mesmo. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é (A) V – F – F – V – V. (B) V – V – F – V – F. (C) F – F – V – V – V. (D) F – V – V – F – F. (E) V – F – V – F – V. 2) A doença vascular cerebral é a patologia neurológica que mais acomete a população adulta no mundo atualmente. No Brasil, é a principal causa de morte em pessoas acima de sessenta anos e a principal causa isolada de óbito, como também a primeira causa de incapacidade por sequelas neurológicas. Sobre o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), assinale a alternativa correta. (A) Os AVCIs são hemorrágicos e ocorrem em 80% dos casos de acidente vascular cerebral em consequência da doença trombótica ou embólica. (B) A obstrução do fluxo sanguíneo ocasionada por hemorragia provoca alterações estruturais e funcionais no parênquima cerebral em função da maior demanda de oxigênio e glicose no tecido cerebral. (C) No atendimento pré-hospitalar, pode-se usar a escala de Cincinnati, que é a escala de avaliação para rápida suspeição dos sinais indicativos de acidente vascular cerebral. (D) O diagnóstico se baseia exclusivamente na avaliação clínica e nos exames de imagem. (E) O regime de tratamento do AVCI com trombolítico endovenoso é monitorizar a pressão arterial a cada uma hora, nas duas primeiras horas após o início do tratamento, e depois a cada seis horas 3) Em relação às manifestações clínicas, o acidente vascular cerebral isquêmico pode causar uma grande variedade de déficits neurológicos, dependendo da localização da lesão. Assinale a alternativa correta em relação aos sinais ou sintomas que o paciente pode apresentar. (A) Dormência ou fraqueza de face, do braço ou da perna, especialmente de um lado do corpo. Confusão mental ou alteração do estado mental. Dificuldade de falar ou de compreender a fala. Não apresenta distúrbios visuais. Dificuldade de caminhar, tonteiras ou perda do equilíbrio ou da coordenação. Cefaleia leve e súbita. (B) Dormência ou fraqueza de face, do braço ou da perna, especialmente de um lado do corpo. Confusão mental ou alteração do estado mental. Dificuldade de falar ou de compreender a fala. Distúrbios visuais. Dificuldade de caminhar, tonteiras ou perda do equilíbrio ou da coordenação. Cefaleia leve e súbita. (C) Dormência ou fraqueza de face, do braço ou da perna, especialmente de um lado do corpo. Confusão mental ou alteração do estado mental. Dificuldade de falar ou de compreender a fala. Distúrbios visuais. Dificuldade de caminhar, tonteiras ou perda do equilíbrio ou da coordenação. Cefaleia intensa súbita. (D) Dormência ou fraqueza de face, do braço ou da perna, especialmente de um lado do corpo. Confusão mental ou alteração do estado mental. Dificuldade de falar ou de compreender a fala. Não apresenta distúrbios visuais. Dificuldade de caminhar, tonteiras ou perda do equilíbrio ou da coordenação. Cefaleia intensa súbita. (E) Dormência ou fraqueza de face, do braço ou da perna, especialmente de um lado do corpo. Não apresenta confusão mental ou alteração do estado mental. Dificuldade de falar ou de compreender a fala. Não apresenta distúrbios visuais. Dificuldade de caminhar, tonteiras ou perda do equilíbrio ou da coordenação. Cefaleia leve e súbita. 4) Assinale a alternativa que apresenta terminologias relacionadas ao sistema neurológico. A) Oligúria e disúria. B) Nistagmo e hemiparesia. C) Dispepsia e disfagia. D) Deiscência e sutura. E) Flutter e eructação. 5) Relacione Coluna 1 à Coluna 2 referente a termos utilizados no sistema neurológico. Coluna 1 1. Neuralgia. 2. Hemiplegia. 3. Hemiparesia. 4. Anisocoria. 5. Midríase. 6. Miose. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: A) 4 – 2 – 5 – 1 – 3 – 6. B) 6 – 3 – 5 – 1 – 2 – 4. C) 4 – 3 – 1 – 6 – 5 – 2. D) 6 – 5 – 3 – 4 – 1 –2. E) 5 – 3 – 4 – 1 – 2 – 6. Coluna 2 ( ) Desigualdade de diâmetro das pupilas. ( ) Paralisia total de um lado do corpo. ( ) Dilatação da pupila. ( ) Dor intensa e paroxística em um ou mais nervos do corpo humano. ( ) Paralisia parcial de um lado do corpo. ( ) Diminuição no diâmetro da pupila. 6) A apresentação clínica dos pacientes com trauma craniano pode ser muito variável. Uma anamnese e um exame físico detalhado são essenciais para a determinação da intensidade da lesão intracraniana. Qual das alternativas abaixo NÃO se refere ao exame neurológico e físico da criança com trauma cranioencefálico? A) Reflexo de Babinski. B) Reflexos pupilares à luz. C) Presença de equimose periorbitais. D) Reflexo de Galant. E) Presença de rinorreia. 7) O traumatismo cranioencefálico apresenta um alto potencial para ocasionar lesões neurológicas graves e severas. Ocorre frequentemente entre a população jovem adulta, com alto índice de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo. São sinais indicativos de lesão intracraniana, EXCETO: A) Otorragia B) Tríade de Beck C) Sinal de Battle D) Olhos de Guaxinim E) Tríade de Cushing 8) A avaliação pupilar e reflexo fotomotor é uma ferramenta importante para detectar assimetrias que também indicam alterações neurológicas. Nesse sentido, analise as seguinte assertivas: I. Pupilas midriáticas: pupilas de tamanhos iguais, porém encontram-se dilatadas. II. Pupilas isocóricas: pupilas de tamanhos iguais, porém encontram-se contraídas. III. Pupilas disocóricas: pupilas do mesmo tamanho. IV. Pupilas anisocóricas: pupilas de tamanhos diferentes, ideal identificar qual é maior e qual é a menor. Quais estão corretas? A) Apenas I. B) Apenas II. C) Apenas I e II. D) Apenas I e IV. E) Apenas III e IV. GABARITO 1) A 2) C 3) C 4) B 5) A 6) D 7) B 8) D Referências • BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de rotinas para atenção ao AVC. 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_rotina s_para_atencao_avc.pdf. • MORAES, Rafael Barbarena et al. Medicina intensiva: consulta rápida. Porto Alegre: Artmed, 2014. • ROMANO, Regina Trino. Enfermagem Clínica: assistência humanizada e cuidados integrais à saúde do adulto e do idoso. 3. ed. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2014. 116 p. • SUDDARTH, Brunner &. Manual de enfermagem médico- cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. Tradução de Patrícia Lydie Voeux. • UENISHI, Elisa Kaori. Enfermagem Médico-Cirúrgica em unidade de terapia intensiva. 10. ed. São Paulo: Senac, 2011.