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BIOQUÍMICA AULA 3 Prof. Benisio Ferreira da Silva Filho 2 CONVERSA INICIAL Não existe um único caminho, sempre há vias alternativas e outras opções para que a célula trabalhe e não morra. O metabolismo celular é um intrincado conjunto de processos bioquímicos que ocorrem dentro das células, visando a obtenção de energia e a síntese de moléculas essenciais para a sobrevivência. Esse intricado sistema é essencial para o funcionamento adequado dos organismos vivos, permitindo a realização de funções vitais como o crescimento, a reprodução e a manutenção do equilíbrio interno. No cerne do metabolismo celular, encontra-se a constante busca por recursos e a capacidade de adaptação diante das condições variáveis do ambiente celular. A afirmação de que “não existe um único caminho, sempre há vias alternativas e outras opções para que a célula trabalhe e não morra” destaca a incrível plasticidade e flexibilidade do metabolismo celular. Cada etapa desse processo está sujeita a regulação precisa, permitindo que a célula ajuste suas atividades de acordo com as demandas específicas. Essa diversidade de rotas metabólicas possibilita à célula contornar obstáculos e adaptar-se a condições adversas, assegurando sua sobrevivência. Em momentos de escassez de nutrientes ou estresse ambiental, as células têm a capacidade de redirecionar seu metabolismo para vias alternativas. Por exemplo, na ausência de glicose, a célula pode utilizar outros substratos, como ácidos graxos ou aminoácidos, para gerar energia. Esse fenômeno é crucial para a resistência da célula a condições desfavoráveis e para a manutenção de suas funções vitais. A compreensão das múltiplas opções metabólicas disponíveis para as células é fundamental não apenas para a pesquisa científica, mas também para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas. O entendimento das intricadas redes metabólicas pode fornecer insights valiosos para o tratamento de doenças metabólicas, câncer e outras condições em que a regulação do metabolismo desempenha um papel crucial. Assim, a flexibilidade metabólica é uma característica fundamental da vida celular, permitindo a adaptação constante e garantindo a sobrevivência em ambientes dinâmicos e desafiadores. 3 TEMA 1 – USANDO LIPÍDIOS COMO SUBSTRATO INICIAL Anteriormente, exploramos o tema da geração de energia a partir da glicose, um monossacarídeo pertencente ao grupo dos carboidratos. Em determinadas circunstâncias, organismos vivos também oxidam lipídeos para obter energia. Portanto, começaremos agora a análise do metabolismo dessas moléculas orgânicas insolúveis em água, focalizando as reações envolvidas no metabolismo dos lipídeos, como a oxidação e o transporte dos ácidos graxos, responsáveis pela produção de energia. Em última instância, examinaremos a formação dos lipídeos. Simultaneamente, investigaremos as interconexões entre as oxidações desses nutrientes e as oxidações de outras macromoléculas, tais como os carboidratos e as proteínas. Logo, o propósito primordial desta etapa é compreender os processos biológicos que oxidam ácidos graxos para gerar energia, além de compreender as transformações moleculares dos constituintes celulares. Os lipídeos, como já abordado, desempenham diversas funções nos organismos vivos, sendo a reserva de energia, realizada principalmente pelos triglicerídeos, a função mais crucial. Os ácidos graxos presentes nos triglicerídeos são adquiridos pelas células por meio das gorduras ingeridas na dieta, das gorduras armazenadas nas células e das gorduras sintetizadas em um órgão para exportação para outros tecidos, exemplificado pelo fígado, que converte o excesso de carboidratos da dieta em gordura para exportação. Após a obtenção de triacilgliceróis (TAG) de forma exógena, esses lipídeos, dependendo do tamanho de suas cadeias, possuem dois caminhos distintos para a digestão e absorção no intestino delgado. TAG de cadeia curta ou média: Serão absorvidos na boca e no estômago por meio das lipases ácidas; estas enzimas fragmentarão e transportarão os TAG para o sistema porta. Para o transporte sanguíneo, é imperativo que os lipídeos estejam associados à albumina. TAG de cadeia longa: Juntamente com os TAG de cadeia curta e média, que não foram absorvidos na boca e no estômago, os TAG de cadeia longa serão decompostos e absorvidos no duodeno. O transporte será conduzido pela lipase básica para o sistema linfático através dos quilomícrons (Figura 1). 4 Figura 1 – Formação dos quilomicrons no intestino Crédito: Jeniffer Fontan/Shutterstock. Os ácidos graxos transportados pelos quilomícrons na corrente sanguínea ingressam nas células, podendo ser oxidados como fonte de combustível, gerando CO2 e ATP, ou esterificados (reação de ligação do ácido graxo ao glicerol, produzindo éster e água) para armazenamento na forma de triacilgliceróis. Por que, então, os seres humanos, excluindo a reserva de glicogênio hepático, optam por armazenar energia em lipídeos? Essa indagação pode ser respondida considerando que as células preferem armazenar energia na forma de gordura, pois os adipócitos (células de gordura) conseguem armazenar uma quantidade significativamente maior de gordura, e o armazenamento de lipídeos não causa danos osmóticos às células por serem insolúveis em água. Adicionalmente, as moléculas de triglicerídeos são mais reduzidas do que as moléculas de carboidratos, resultando em um rendimento energético substancialmente superior, uma vez que sua oxidação produz mais energia. 5 Portanto, ao comparar as duas formas de armazenamento, concluímos que armazenar lipídeos é mais eficaz para as células do que armazenar carboidratos. De maneira análoga à remoção de elétrons da glicose e sua transferência para o Ciclo de Krebs e a cadeia respiratória, os elétrons retirados dos ácidos graxos passam pelo mesmo processo, resultando na síntese de ATP por meio de uma oxidação completa e na produção de CO2, H2O e energia. TEMA 2 – ÁCIDOS GRAXOS O componente principal da maioria dos lipídeos é o ácido graxo, estando, portanto, presente na composição dos triacilgliceróis, cerídeos e glicerofosfolipídeos, mas ausente nos esteróis. Os ácidos graxos são constituídos por cadeias de hidrocarbonetos com extensões que variam de 4 a 36 carbonos, podendo ser saturados ou insaturados. Cadeias saturadas são aquelas em que os carbonos que compõem os ácidos graxos estabelecem ligações simples entre si, não apresentando ligações duplas e sendo, além disso, não ramificadas. Essa característica facilita o agrupamento, resultando em gorduras sólidas à temperatura ambiente. No entanto, essa propriedade aumenta a propensão dessas gorduras a se acumularem nos vasos sanguíneos, podendo contribuir para problemas cardíacos. Por outro lado, cadeias insaturadas possuem uma ou mais ligações duplas entre os átomos de carbono, o que dificulta o agrupamento e confere um estado líquido à substância em temperatura ambiente. Esses lipídeos são considerados mais saudáveis, sendo exemplificados pelos óleos vegetais e pelo óleo de peixe. A gordura hidrogenada, uma criação da indústria alimentícia, transforma óleos vegetais em gorduras sólidas e mais estáveis à temperatura ambiente. Esse processo envolve a adição de hidrogênio às moléculas de óleo, e a hidrogenação catalítica pode gerar gorduras trans, mais prejudiciais à saúde, devido à sua maior propensão para se acumular nos vasos sanguíneos. Um exemplo comum de ácido saturado encontrado em animais e plantas, como no óleo de palma, é o ácido palmítico, com 16 carbonos. Na mesma linha, a figura anterior destaca o ácido cis oleico, conhecido como ômega 9, presente em abundância no azeite de oliva, e o ácido trans vacênico, com 18 carbonos, encontrado em gorduras de ruminantes e produtoslácteos. 6 Vale observar que o ácido graxo insaturado cis destacado na figura anterior possui sua dupla ligação no carbono 9, com hidrogênios do mesmo lado. Já o ácido graxo insaturado trans apresenta sua dupla ligação no carbono 11, com hidrogênios em lados opostos, também evidenciado na Figura 2. Figura 2 – Estrutura do ácido palmítico Crédito: Firatturgut/Shutterstock. TEMA 3 – β-OXIDAÇÃO OCORRE NA MITOCONDRIA Compreendemos que as gorduras podem ser obtidas através da ingestão alimentar e absorvidas no intestino delgado, assim como podem ser adquiridas pela utilização das reservas lipídicas do organismo. Em cenários de excesso de glicose, a redução do ATP diminui a velocidade do Ciclo de Krebs, levando ao acúmulo de citrato que se desloca para fora da mitocôndria. No ambiente extramitocondrial, o citrato é convertido em acetil-CoA, precursor da síntese de ácidos graxos, os quais são armazenados sob a forma de TAG. Essa condição propicia a formação dos ácidos graxos, ou seja, a biossíntese dos TAG, um tema que será explorado de maneira mais detalhada posteriormente. 7 Neste ponto, é fundamental assimilar que, ao utilizar as reservas lipídicas para fornecer ácidos graxos ao organismo, ocorre uma mobilização inicial, caracterizada pela ativação dos ácidos graxos. Em situações de jejum, o glucagon, hormônio com ação contrária à insulina, é secretado em resposta aos baixos níveis de glicose. Esse hormônio desencadeia uma série de transformações que ativam a adenilato ciclase, uma proteína de membrana. A adenilato ciclase, por conseguinte, ativa a proteína quinase A (PKA), que estimula a lipase sensível a hormônios (LHS), responsável pela quebra dos TAG em ácidos graxos e glicerol. Dessa forma, uma sequência de reações é deflagrada pelo estímulo inicial do glucagon para ativar a quebra dos TAG. Os ácidos graxos resultantes podem ser liberados na corrente sanguínea, sofrer β-oxidação a CO2 e gerar energia na forma de ATP. Por sua vez, o glicerol pode ser liberado na corrente sanguínea e utilizado como fonte energética na via glicolítica ou atingir o fígado e passar pela gliconeogênese, um processo de formação de glicose a partir de precursores não glicídicos. No processo de deslocamento dos TAG e dos ácidos graxos, as lipoproteínas, em particular as apolipoproteínas, desempenham um papel crucial na mobilização dos lipídeos. Elas realizam o transporte dos TAG pelo sistema linfático e corrente sanguínea. As apolipoproteínas são proteínas que se associam a lipídeos no sangue e conduzem o transporte de triacilgliceróis, fosfolipídeos, colesterol e ésteres de colesterol entre os órgãos (Figura 3). Figura 3 – Estrutura e organização das lipoproteínas Crédito: Macrovector/Shutterstock. 8 Percebemos que, para além das biomoléculas capazes de transportar os TAG, as lipoproteínas, existem também biomoléculas que sinalizam a necessidade de energia metabólica. Essas biomoléculas ativadoras são os hormônios, como o glucagon, os quais desencadeiam a ativação dos TAG armazenados para seu transporte aos tecidos e, subsequentemente, para dentro das mitocôndrias, possibilitando assim a oxidação dos ácidos graxos para a produção de energia. TEMA 4 – ENTRANDO NA MITROCONDRIA O ÁCIDO GRAXO É BETA OXIDADO Resumo da β-Oxidação • Processo catabólico de ácidos graxos que consiste na sua oxidação mitocondrial. Eles sofrem remoção, por oxidação, de sucessivas unidades de dois átomos de carbono na forma de acetil-CoA; • A oxidação de ácidos graxos de cadeia longa para Acetil-CoA é uma via central para a produção de energia em animais e em algumas bactérias e fungos; • Ocorre na matriz mitocondrial; • Primeiro é necessário que o ácido graxo chegue até a matriz. Ele deverá sofrer transformações até chegar e lá (na matriz mitocondrial) sofrer 4 reações por ciclo. De cada reação, FADH2, NADH + H+ e acetil-CoA serão produzidas. Antes de explorarmos as fases nas quais ocorre a β-oxidação, em que os ácidos graxos passam por conversão em acetil-CoA, é relevante observar que existem alternativas para a destinação da acetil-CoA. Por exemplo, em situações de escassez de glicose no cérebro, o fígado tem a capacidade de transformar a acetil-CoA em corpos cetônicos, resultantes do metabolismo dos ácidos graxos, os quais podem ser utilizados como fonte de energia para o cérebro. A função biológica da oxidação dos ácidos graxos pode variar de acordo com o organismo, embora o mecanismo subjacente permaneça essencialmente inalterado, conforme veremos adiante. Após a digestão e o transporte das gorduras para os tecidos e células que empregam ácidos graxos como fonte de energia, essas moléculas adentrarão a 9 mitocôndria para serem oxidadas por meio de um processo repetitivo conhecido como β-oxidação. A molécula de ácido graxo necessita ser oxidada, transformando-se em uma forma ativa denominada acil-CoA. Essa transformação é catalisada pela enzima acil-CoA sintetase, localizada na face citosólica da membrana interna da mitocôndria. Devido à impermeabilidade desta membrana ao acil-CoA, a carnitina desempenha um papel crucial, associando-se ao grupo acil e facilitando a entrada na matriz mitocondrial. Já dentro da matriz, a carnitina se dissocia, e o grupo acil se liga a uma nova molécula de coenzima-A, dando início ao processo de β-oxidação. Veja a explicação do professor no vídeo e na imagem a seguir: Figura 4 – Reações enzimáticas que levam o ácido graxo até a matriz mitocondrial Devido à estabilidade relativamente duradoura das ligações C-C nos ácidos graxos, ocorre a conversão destes em acetil-CoA, como mencionado anteriormente, pela união do grupo carboxil do C-1 à coenzima. Isso viabiliza a oxidação progressiva do grupo acil graxo na posição C-3, também conhecida como β-oxidação. Para realizar a oxidação completa do ácido graxo, é essencial uma colaboração entre a β-oxidação e o Ciclo de Krebs, pois é neste último que o acetil-CoA é oxidado a CO2. Consequentemente, os elétrons provenientes da oxidação e do Ciclo de Krebs são transferidos para o O2 através da cadeia 10 respiratória, similar ao processo ocorrido com a glicose. Esse fluxo energético resulta na síntese de ATP por meio da fosforilação oxidativa. Até o momento, abordamos a oxidação de ácidos graxos saturados com um número par de átomos de carbono, os quais são os lipídeos mais frequentes na natureza. Já os ácidos graxos com um número ímpar de carbonos são prevalentes nos lipídeos de diversas plantas e alguns organismos marinhos. A maioria dos ácidos graxos presentes nos triacilgliceróis e fosfolipídeos de animais e plantas é insaturada, possuindo uma ou mais ligações duplas. Portanto, a oxidação de ácidos graxos com número ímpar de carbonos e aqueles com cadeias insaturadas demanda reações adicionais, envolvendo enzimas específicas para cada caso, até que sejam convertidos em acetil-CoA para ingressar no Ciclo de Krebs. TEMA 5 – QUANDO FALTA OXIGÊNIO: FERMENTAÇÃO Resumo da fermentação • Produzir energia (ATP) sem nenhum consumo de oxigênio; • A quantidade de ATP produzida é muito menor quando comparada a produção da respiração celular (apenas 2 ATP); • A etapa inicial é a glicólise. A segunda etapa dependendo do microrganismo, irá produzir produtos diferentes por causa da ação de diferentes enzimas convertendo o ácido pirúvico. Para manter o raciocínio, vou dar continuidade ao que está sendo apresentado e ao final falar da fermentação em outros contextos. Até o momento você viu que há uma sequência de eventos até a produção de ATP na mitocôndria ocorra garantindo que muitas moléculas de ATP sejam produzidas para em seguida serem quebradas e assim gerem calor dessa quebra molecular. O mecanismo final de produção que é a fosforilação oxidativa depende da presença do oxigênio ligadoao complexo proteico para que de fato permita o correto funcionamento. A questão agora é: e se faltar oxigênio, a célula vai morrer? A resposta é: NÃO! Ela vai dar um jeito de se manter viva, bioquimicamente ativa, vai produzir ATP por uma outra via até que o oxigênio volte a entrar na célula. Por isso, a fermentação é uma via alternativa para produção de ATP que se intensifica após parar de entrar oxigênio na célula. Sendo assim, o Ciclo de 11 Krebs que produz apenas em uma de suas reações ATP não é viável como “opção de substituição” à fosforilação oxidativa porque a quantidade produzida seria muito baixa. Porém o mais importante é você saber que a parada da cadeia fosforilativa, deixando de bombear os H+ para região intermembranas, e aí o pH da matriz muda e boa parte das enzimas (incluindo as enzimas do Ciclo de Krebs) param de funcionar. Muitas reações ficam comprometidas. O Piruvato que entraria na mitocôndria e seria convertido enzimaticamente em Acetil-CoA não será convertido e, após ter um acúmulo na região intermembranas, o piruvato produzido no citoplasma pela Glicólise começa a se acumular. Acúmulo de piruvato no citoplasma. A glicólise ao longo de suas 10 reações tem ao final um saldo positivo de 2 ATPs. Logo, aumentar o trabalho de glicólise vai momentaneamente garantir uma quantidade de ATP para suprir as atividades da célula impedindo que ela pare de funcionar. Aumentar o glicólise e fazer com que a célula continue “funcionando” só por essa via de produção de ATP irá consequentemente aumentar a produção de piruvato. O que acontecerá com esse excesso de piruvato? A resposta é: Depende da célula. No caso dos animais ocorrerá a conversão do piruvato em ácido lático pela enzima Lactato Desidrogenase. Veja na figura abaixo o resumo: Figura 5 – Início do processo de fermentação Fonte: Silva Filho, 2023. 12 Em resumo, a fermentação é um procedimento metabólico que induz modificações químicas em substâncias orgânicas por meio da atuação de enzimas. Em termos bioquímicos, é amplamente caracterizada como a obtenção de energia a partir de carboidratos na falta de oxigênio. Esse processo leva ao aumento do piruvato e conversão desta em ácido lático (Lactato) pela enzima Lactato desidrogenase. Figura 6 – Fermentação ácido láctica Crédito: Kooto/Shutterstock. Curiosidade, outras células, mais especificamente procariotos, bactérias, diferentes bactérias possuem outras enzimas o que irá gerar diferentes compostos a partir do piruvato. Portanto algumas células quando fermentam não produzem exatamente ácido lático, podem por exemplo produzir álcool pois essas células possuem a enzima álcool desidrogenase. 13 Figura 7 – Processo de fermentação em bactéria com a enzima álcool desidrogenase obtendo como produto final o álcool Crédito: Ali DM/Shutterstock. Concomitantemente à respiração aeróbica, a fermentação representa um método para extrair energia das moléculas, sendo um processo compartilhado por todas as bactérias e eucariotos. É considerada a rota metabólica mais ancestral, adequada a ambientes primitivos anteriores à existência de vida vegetal na Terra, ou seja, antes da presença de oxigênio na atmosfera. Leveduras, uma variante de fungos, estão presentes em praticamente todos os ambientes propícios à sustentação de micróbios, desde as cascas de frutas até as entranhas de insetos e mamíferos, assim como as profundezas do oceano. Elas convertem moléculas ricas em açúcar, desencadeando a produção de etanol e dióxido de carbono. Os mecanismos fundamentais da fermentação persistem em todas as células de organismos mais complexos. Durante períodos de exercício intenso, 14 quando o suprimento de oxigênio se torna limitado, os músculos dos mamíferos realizam a fermentação, resultando na formação de ácido láctico. Em invertebrados, a fermentação também gera succinato e alanina. Bactérias fermentativas desempenham papel crucial na produção de metano em diversos habitats, desde o rúmen de gado até digestores de esgoto e sedimentos de água doce. Elas geram hidrogênio, dióxido de carbono, formato, acetato e ácidos carboxílicos. Consórcios microbianos convertem, então, dióxido de carbono e acetato em metano. Bactérias acetogênicas oxidam ácidos para obter mais acetato, hidrogênio ou formato. Por fim, metanógenos, pertencentes ao domínio Archaea, convertem acetato em metano. NA PRÁTICA Sugestões para estudar bioquímica: 1. Estabeleça uma dinâmica de interação entre os elementos, desenhando a célula ou o tecido e posicionando os elementos envolvidos; 2. Identifique as interações entre os elementos, compreendendo quem interage com quem, os produtos gerados e as consequências; 3. Crie uma sequência de eventos visualmente compreensível, destacando o início, as reações e o fim com o produto desejado ou sua eliminação; 4. Priorize a compreensão da dinâmica de interações antes de se preocupar com os nomes complicados, memorizando-os posteriormente. Utilize exemplos dados pelo professor em videoaulas como referência para seus estudos. FINALIZANDO Agora você entende que produzir algo através da fermentação é um processo “biotecnológico” afinal, usa-se células para gerar um produto. O conhecimento bioquímico é que permitiu a obtenção do vinho e de outras bebidas, do leite fermentado dentre outros produtos. Mas não é só isso, como profissionais da saúde peço que antes da próxima etapa você leia sobre o “Ciclo de Cori” assunto da próxima etapa e que dá continuidade aos nossos estudos. 15 REFERÊNCIAS ALBERTS, B. et al. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. LEHNINGER, A. L.; NELSON, D. D.; COX M. M. Lehninger Princípios de Bioquímica. 7. ed. São Paulo: Sarvier, 2019. LAURALEE S. Fisiologia humana: das células aos sistemas. 7. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2011. Conversa inicial Não existe um único caminho, sempre há vias alternativas e outras opções para que a célula trabalhe e não morra. Na prática