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DIREITO CIVIL Coisas – Parte I Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 231023541224 CARLOS ELIAS Consultor Legislativo do Senado Federal na área de Direito Civil, Processo Civil e Direito Agrário (único aprovado no concurso de 2012). Advogado. Parecerista. Árbitro. Ex-Advogado da União (AGU). Ex-Assessor de Ministro do STJ. Doutor e mestre em Direito na Universidade de Brasília (UnB). Bacharel em Direito na UnB (1º lugar no vestibular de Direito na UnB 1º/2002). Pós-graduado em Direito Notarial e de Registro. Pós-graduado em Direito Público. Professor de Direito Civil e de Direito Notarial e de Registral. Membro da Academia Brasileira de Direito Civil (ABDC). Fundador do Instituto Brasileiro de Direito Contratual (IBDCont). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. 3 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Coisas – Parte I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1. Noções Gerais de Direitos das Coisas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2. Propriedade e Domínio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 3. Noções Gerais de Direitos reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 4. Teoria Realista vs Teoria Personalista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 5. Princípios dos Direitos Reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 5.1. Princípio da Taxatividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 5.2. Princípio do Absolutismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 5.3. Princípio da Prevalência (Prior in Tempore, Potio in Iure) . . . . . . . . . . . . . . . 14 6. Constituição de Direitos Reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 7. Poderes Inerentes à Propriedade e a Plasticidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 8. Classificação da Propriedade quanto à Plenitude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 9. Princípio da Perpetuidade do Direito Real de Propriedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 10. Princípio da Exclusividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 11. Direitos Reais em Espécies: Noções Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 12. Direito Real de Propriedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 12.1. Noções Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 12.2. Descoberta (Antiga “Invenção”) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 12.3. Aquisição Imobiliária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 12.4. Acessão sobre Imóveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 12.5. Construção ou Plantação em Terreno Alheio e a Acessão Inversa . . . . . . . 31 12.6. Construção Parcialmente em Terreno Alheio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 12.7. Aquisição Mobiliária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 12.8. Ocupação, Tesouro, Especificação e Acessão de Móvel a Móvel (Confusão, Comistão e Adjunção) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 12.9. Extinção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 13. Imissão Provisória na Posse e Respectivas Cessão ou Promessa de Cessão . . . 36 14. Direito Real de Laje . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 14.1. Noções Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 14.2. Mesma Pessoa como Titular da Construção-Base e das Lajes . . . . . . . . . . 42 14.3. Lajes Sucessivas (Graus de Laje) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 14.4. Dispensa de Entrada para as Lajes e a Aplicação do Direito de Vizinhança 43 14.5. Natureza Jurídica: Direito Real sobre Coisa Própria ou Alheia? Questões Práticas: Tributos Reais (IPTU Etc.), Ônus Reais etc. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 14.6. Observância da Legislação Urbanística e a Qualificação do Título pelo Cartório de Imóveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 14.7. Titularidade do Solo: Ausência de Frações Ideais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 14.8. Condomínio Necessário sobre Partes Comuns do Edifício: Consequências Práticas e Regras de Administração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 14.9. Direito de Preferência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 14.10. Extinção da Laje . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 14.11. Procedimento no Cartório de Registro de Imóveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 14.12. Direito Real de Aquisição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-sePlantação Construção Já tivemos a oportunidade de explicitar o modo de constituição dos direitos reais sobre imóveis (registro no Cartório, como regra) e móveis (tradição, como regra) ao tratarmos de conceitos gerais de Direitos Reais. A aquisição da propriedade, como regra geral, deve observar o que foi lá exposto. O direito real de propriedade pode ser adquirido por: (1) transmissão: decorre de um ato jurídico translativo, como um contrato de compra e venda, uma dação em pagamento, uma arrematação em leilão judicial etc.; (2) sucessão causa mortis: a transmissão ocorre na forma do art. 1.789 e ss do CC; (3) usucapião; (4) legitimação fundiária: ocorre no caso de regularização fundiária urbana na forma do art. 23 da Lei n. 13.465/2017; (5) acessão: o objeto da propriedade é ampliado em razão de um acréscimo decorrente da natureza (acessão natural) ou da conduta humana (acessão artificial). Quanto à transmissão, remetemos ao que foi exposto quando tratamos de modo de constituição dos direitos reais. No tocante à sucessão causa mortis, o art. 1.784 do CC estabelece que, no momento da morte, os herdeiros adquirem a propriedade do falecido (princípio da Saisine). Em relação ao usucapião, deixamos para aprofundar o tema quando formos tratar de posse, na medida em que o usucapião decorre do exercício de uma posse ad usucapionem. Quanto à legitimação fundiária, trata-se de uma forma de aquisição originária da propriedade utilizada em regularização fundiária urbana da Lei n. 13.465/2017. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 12 .4 . ACeSSÃo SoBre IMÓveIS12 .4 . ACeSSÃo SoBre IMÓveIS Amigos e amigas, vejam esta questão antes de tudo: 014. 014. (IBFC/ANALISTA/TJPE /2017/ADAPTADA) A avulsão ocorre quando o indivíduo, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova cuja propriedade será sua. A questão está “errada”, porque ela define a especificação (criar espécie nova a partir de uma matéria-prima bruta - arts. 1.269 ao 1.271, CC), e não a avulsão, que é o aumento de um imóvel pelo deslocamento violento de uma porção de terra (art. 1.251, CC). Errado. 015. 015. (PGR/PROCURADOR DA REPÚBLICA/PGR/2017) Ao deslocamento de uma porção de terra, por força natural violenta, desprendendo-se de um prédio para se juntar a outro, dá-se o nome de: a) aluvião. b) álveo. c) achado. d) avulsão. O gabarito é letra “D”, por definir a avulsão, que é disciplinada no art. 1.251 do Código Civil. Letra d. 016. 016. (FAUEL/PROCURADOR/PREFEITURA PARANAVAÍ/2018) A aluvião diz respeito aos acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, os quais pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. A questão está “correta” por definir a aluvião (art. 1.250, CC). Certo. 017. 017. (IBFC/JUIZ/TRF2/2018) Dez anos atrás o Município de São Paulo realizou obra que acabou por definir novo traçado ao rio Tietê, cujas águas abandonaram parte do antigo leito e passaram a correr em outra região. Com o desvio do rio e consequentemente esvaziamento das águas, a “Sociedade Especial Veículos e Peças Ltda” que era proprietária de terreno localizado às margens do antigo traçado do rio Tietê, tomou posse da área do O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias álveo descoberto que ficava no limite de sua testada, totalizando 791,5 m2. Dois sujeitos se insurgiram contra tal ocupação: a) o dono do imóvel ribeirinho localizado na mesma direção da Sociedade, mas na outra margem; b) o Município de São Paulo. Assinale a alternativa correta: a) a propriedade do álveo abandonado é do Município. b) ambos os proprietários ribeirinhos têm direito à metade do terreno descoberto pelo álveo abandonado. c) o Município de São Paulo terá que desfazer a obra para que seja retomado o curso do rio Tietê. d) nenhum dos insurgentes tem razão. e) a área passou a ser considerada res nullius. O gabarito é letra “A”, pois o Rio Tietê é um rio navegável e, como tal, é um bem público. Logo, os proprietários ribeirinhos não podem ser apropriar do seu álveo. No tocante ao Rio Tietê, esse rio é estadual, mas, apesar disso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) permitiu que o município de São Paulo (e não o Estado de São Paulo) se apropriasse do álveo descoberto como forma de compensação com os gastos feitos com o desvio do curso do Rio Tietê (STJ, REsp 330.046/SP, 2ª Turma, Rel. Ministro Franciulli Netto, DJ 11/04/2005). No mesmo sentido, convém lembrar o art. 27 do Código das Águas (Decreto n. 24.643/1934: Art. 27. Se a mudança da corrente se fez por utilidade pública, o prédio ocupado pelo novo álveo deve ser indenizado, e o álveo abandonado passa a pertencer ao expropriante para que se compense da despesa feita. Letra a. Vamos tratar mais do assunto. Acessão é acréscimo. Imóvel por acessão é aquele que foi acrescido ao imóvel por natureza (que é o solo). A acessão é uma hipótese de aquisição da propriedade imobiliária por implicar uma expansão horizontal ou vertical ou um adensamento do solo em razão de um acréscimo de área, de uma construção ou de uma plantação. A acessão pode ser classificada como: acessão natural ou acessão artificial. A acessão natural em imóveis é o acréscimo de terra decorrente de fenômeno natureza. Ocorre em situações de imóveis banhados por um rio não navegável. Se o rio for navegável, não haverá acessão em razão do fato de o seu álveo (o leito) ser bem público, conforme Código das Águas (arts. 2º, 8º e 10 do Decreto n. 24.643/1934). As espécies de acessões naturais sobre imóveis são estas: a. Aluvião (art. 1.250, CC; arts. 16 ao 18, Código de Águas): é o acréscimo vagaroso e lento de terra às margens de um imóvel banhado por um rio não navegável, ocasionando o aumento da superfície. Nesse caso, o dono do imóvel adquire esse terreno adicionado (= terreno aluvional) sem ter de pagar indenização a outrem, ainda que o acréscimo tenha decorrido do fato de a corrente de águas ter deslocado terras do imóvel deste O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias b. Avulsão (art. 1.251, CC; arts. 19, 20 e 28 do Código de Águas): no vernáculo, avulsão significa o ato de extrair ou arrancar algo com violência. No Direito, avulsão é o acréscimo de uma porção de terra a um terreno que foi arrancada abruptamente de outro terreno por força natural violenta, a exemplo de uma violenta corrente de água de um rio. Na avulsão, um imóvel perde abruptamente uma porção de terra e reduz sua superfície, ao passo que outro imóvel recebe essa porção de terra destacada e aumenta a superfície. Nesse caso, o dono do imóvel desfalcado pode, às suas próprias expensas, retomar a porção de terra perdida, desde que: (1) não tenha transcorrido o prazo decadencial de 1 ano e (2) o dono do imóvel beneficiado não exerça o seu direito de apropriar-se da porção de terra pagando uma indenização. c. Formação de ilha (art. 1.249, CC; art. 23, Código de Águas): se uma ilha se formarem rios não navegáveis, a propriedade dela será dos proprietários dos terrenos frontais e marginais na proporção de sua testada (= sua frente), até a linha imaginária que divide o álveo em partes iguais. d. Álveo abandonado (art. 1.252, CC; arts. 26 e 27, Código de Águas): álveo é o leito (“o fundo”) do rio. Se a água do rio evapora ou desvio o seu curso, o álveo metaforicamente ficou abandonado. Grosso modo, álveo abandonado é quando o rio seca e, com emersão do leito, há um aumento dos terrenos marginais. Essa forma de acessão só se dá com rios não navegáveis, pois, se o rio for navegável, o leito do rio é considerado bem público. Explicando de forma mais técnica, se o rio não navegável secar ou desviar seu curso emergindo o álveo, os proprietários dos imóveis ribeirinhos passarão a ser titulares desse álveo na proporção da respectiva testada até a linha média, sem ter de indenizar terceiros cujos imóveis tenham sido total ou parcialmente submersos pelo desvio do curso do rio. A acessão artificial diz respeito à plantação e à construção. Ao construir uma edificação ou realizar uma plantação, o terreno é ampliado: a construção e a plantação incorpora-se ao solo, conforme a regra romana da superfície solo cedi (traduzindo, a superfície – entendido como tudo quanto é construído ou plantado nela – é acrescida ao solo). Daí decorre a presunção de que construções e plantações foram feitas pelo proprietário do imóvel, salvo prova em contrário (art. 1.253, CC). No caso de construção, essa construção tem de ser averbada na matrícula do imóvel no Cartório a fim de retratar a situação atual do bem. A averbação, porém, é meramente declaratória, pois a aquisição da construção ocorreu no momento em que ela foi realizada. 12 .5 . CoNStrUÇÃo oU PlANtAÇÃo eM terreNo AlHeIo e A ACeSSÃo 12 .5 . CoNStrUÇÃo oU PlANtAÇÃo eM terreNo AlHeIo e A ACeSSÃo INverSAINverSA Os arts. 1.255 ao 1.259 do Código Civil estabelecem regras para situações em que alguém planta ou constrói em terreno alheio. Em regra, é assegurado direito de indenização a quem planta ou constrói de boa-fé em terreno alheio. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Excepcionalmente, porém, esse construtor de boa-fé poderá reivindicar a propriedade do terreno alheio, pagando indenização, desde que a construção exceda demasiadamente o valor do terreno. Trata-se do que a doutrina denomina de “acessão inversa”, nome assim cunhado pelo fato de está ocorrendo o inverso do usual: o solo é que está cedendo diante da construção. Cuida-se de uma exceção ao princípio da superfície solo cedit (art. 1.255, parágrafo único, CC). O construtor ou plantador de má-fé é totalmente desprestigiado: perde tudo quanto acresceu sobre terreno alheio. O dono do terreno se apropriará da construção e da plantação sem ter de indenizar nada. Se ambos estavam de má-fé – tanto o construtor quanto o dono do terreno –, o construtor poderá pleitear indenização pelo valor da construção que perderá em proveito do dono do terreno (art. 1.256, CC). E, se a matéria-prima usada pelo construtor de má-fé pertencer a terceiro, este poderá pedir a indenização da matéria-prima do dono do terreno caso não consiga obtê-la desse construtor de má-fé (art. 1.257, CC). 12 .6 . CoNStrUÇÃo PArCIAlMeNte eM terreNo AlHeIo12 .6 . CoNStrUÇÃo PArCIAlMeNte eM terreNo AlHeIo Há hipóteses em que uma construção é feita em parte do terreno vizinho. Se a invasão for expressiva, ou seja, for superior a 20% do imóvel vizinho, será assegurado ao construtor de boa-fé a acessão inversa: ele poderá adquirir a propriedade do solo invadido mediante pagamento de valor que não apenas repara a perda do terreno e a desvalorização da área remanescente, mas também evita o enriquecimento sem causa do invasor com a valorização que a construção teve com a invasão. Se, porém, o construtor estava de má-fé, a punição é severa: ele não nada poderá pleitear indenização, terá de demolir a área invadida e, ainda por cima, terá de pagar indenização em dobro (art. 1.259, CC). A demolição aí se justifica pelo fato de a invasão ter sido muito expressiva a ponto de prejudicar demasiadamente o dono do imóvel invadido, que ficará com uma área remanescente bem menor. O art. 1.258 do CC é menos severo quando a invasão da construção não for expressiva, ou seja, for inferior a 20% do imóvel vizinho. Ele garante a “acessão inversa” ao construtor se o valor da construção exceder consideravelmente o da área invadida e se a demolição comprometer a estrutura do restante da construção. A acessão inversa aí é deferida mesmo ao construtor de má-fé. Entretanto, se o construtor estava de má-fé, o valor da indenização será dez vezes mais do que o dano efetivamente causado, ou seja, será o décuplo do valor correspondente ao valor da área perdida com o valor da área remanescente. Não se incluirá no valor da indenização a valorização que a construção obteve com a invasão, pois, apesar de isso aparentar ser um enriquecimento sem causa, a porção de área invadida é pequena, ao contrário do que sucede na hipótese de a invasão exceder a 20% do terreno vizinho. Parcela substancial da doutrina é mais severa contra o construtor de má-fé, entendendo que a acessão inversa que o art. 1.258 do CC lhe assegura mediante o pagamento do décuplo da indenização depende de um outro requisito implícito: a necessidade de proteger O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias terceiros de boa-fé. É o caso, por exemplo, de uma incorporadora maliciosa que, construindo dolosamente mediante invasão de mais de 20% do terreno vizinho, já vendeu apartamentos “na planta” para consumidores de boa-fé. Nesse caso, apesar da má-fé, a incorporadora poderá adquirir a propriedade do solo invadido, pagando indenização em décuplo. Esse é o enunciado n. 318/JDC: “O direito à aquisição da propriedade do solo em favor do construtor de má-fé (art. 1.258, parágrafo único) somente é viável quando, além dos requisitos explícitos previstos em lei, houver necessidade de proteger terceiros de boa-fé”. 12 .7 . AQUISIÇÃo MoBIlIÁrIA12 .7 . AQUISIÇÃo MoBIlIÁrIA Assim como sucede com os imóveis, a aquisição de direito real sobre móvel também ocorre com (1) a transmissão por tradição, (2) a sucessão causa mortis e (3) o usucapião. Não há o que acrescer no tocante à transmissão por tradição e à sucessão causa mortis, remetemos ao que escrevemos quando cuidamos de modo de constituição dos direitos reais. No caso de usucapião de móveis, ele é tratado nos arts. 1.260 ao 1.262 do CC. 12 .8 . oCUPAÇÃo, teSoUro, eSPeCIFICAÇÃo e ACeSSÃo De MÓvel A MÓvel 12 .8 . oCUPAÇÃo, teSoUro, eSPeCIFICAÇÃo e ACeSSÃo De MÓvel A MÓvel (CONFUSÃO, COMISTÃO E ADJUNÇÃO)(CONFUSÃO, COMISTÃO E ADJUNÇÃO) Figuras de aquisição específicas para móveis Ocupação Apropriar-se de coisa sem dono ou abandonada Achado de tesouro Coisa precisosa escondida e de dono desconhecido Especificação Dar forma (espécie) a uma matéria-prima bruta Acessão de móvel a móvel Confusão (mistura de coisas líquidas) Comistão (mistura de coisas sólidas) Adjunção (justaposição de coisas sólidas ou de coisa líquida com sólida de modo a se tornar inseparáveis) Há, porém, figuras de aquisição específicas para móveis, a saber: a. ocupação: é apropriar-se de coisa sem dono (res nullius) ou abandonada (res derelicta),conforme art. 1.263 do CC. b. Achado de tesouro: quem encontra coisas preciosas escondidas e de dono desconhecido tem direito a se apropriar dela, dividindo-a, por metade, com o dono do terreno (arts. 1.264 ao 1.266, CC). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias c. Especificação: quem, trabalhando um matéria-prima, dá-lhe uma forma específica é o especificador, como no caso de alguém que transforma argila em escultura ou tinta em uma pintura. Se a matéria-prima era alheia e a nova espécie não for redutível, o especificador de boa-fé se torna dono da coisa, mas deverá indenizar a matéria-prima. A má-fé do especificador, porém, é punida, pois ele perderá tudo ao dono da matéria-prima sem poder reivindicar indenização alguma pelo trabalho que fez, salvo uma única exceção: a hipótese de o valor da espécie nova exceder consideravelmente o da matéria-prima. Nesse caso excepcional, o especificador de má-fé se torna dono, mas pagará indenização (arts. 1.269 ao 1.271, CC). d. Acessão de móvel a móvel: um móvel pode ser acrescido a outro móvel nos casos de: (d.1) confusão: mistura de coisas líquidas, como a mescla do conteúdo de dois tonéis de óleo em um único tonel; (d.2) comistão: mistura de coisas sólidas, como a mescla de grãos de arroz que estavam separados; e (d.3) adjunção: justaposição de coisas sólidas ou de coisa líquida com sólida de modo a se tornar inseparáveis, a exemplo da pintura de uma parede (tinta + parede) ou de um colar de diamantes, que é fruto da justaposição dos diamantes ao colar. No caso de as coisas misturadas pertencerem a pessoas diversas, deve-se separá-las para restituição aos respectivos donos, mas, se tal for inviável, formar-se-á um condomínio tradicional sobre a coisa e cada um ficará com uma fração ideal proporcional ao valor de sua coisa. Não haverá a formação do condomínio se uma das coisas puder ser considerada principal, pois aí o dono da coisa principal ficará com a propriedade de tudo, indenizando os demais, tudo em razão da regra de que o acessório segue o principal (art. 1.272, § 2º, CC). Se a mistura foi feita de má-fé por um indivíduo, este terá de indenizar os demais, que, além da indenização, poderão escolher entre ficar com a propriedade da coisa final (caso em que o valor da coisa será abatido do montante da indenização) ou renunciá-la para receber uma indenização integral (arts. 1.272 ao 1.273, CC). Cabe um esclarecimento. Se um móvel se mistura a outro e forma uma espécie nova, não se aplicarão as regras de acessão de móvel a móvel, e sim as regras de especificação. É isso que pretendeu consignar o art. 1.274 do CC, que, por falha de redação legislativa, fez remissão a dispositivos totalmente desconexos, como alerta Flávio Tartuce. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 35 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 12 .9 . eXtINÇÃo12 .9 . eXtINÇÃo Extinção do direito real de propriedade Por ato de vontade do proprietário Alienação Abandono Renúncia Por ato de império do Estado Desapropriação Pela perda do objeto do direito real Perecimento Antes de tudo, veja esta questão: 018. 018. (VUNESP/TITULAR DO CARTÓRIO/TJSP/2018) Configurado o inequívoco abandono pelo proprietário de bem imóvel com valor superior a trinta salários-mínimos, nos termos do Código Civil, é correto afirmar: a) a perda da propriedade por abandono não tem aplicação com relação aos imóveis com valor superior a trinta salários-mínimos. b) a perda da propriedade imóvel somente ocorrerá após o registro do abandono no Registro de Imóveis. c) a eficácia do abandono dependerá da concordância do Município, do Distrito Federal ou da União, conforme a localização do imóvel. d) há perda da propriedade. O gabarito é letra “D”, pois o abandono não depende de nenhum ato formal para se aperfeiçoar. Letra d. Vamos falar mais sobre o tema. As hipóteses de extinção do direito real de propriedade estão catalogadas no art. 1.275 do CC e ocorrem por ato de vontade explícita ou implícita do proprietário (alienação, abandono ou renúncia), por ato de império do Estado (desapropriação) ou pela perda do objeto do direito real de propriedade (perecimento). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 36 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias A alienação é uma hipótese de extinção da propriedade para o alienante, mas é uma de aquisição para o adquirente. Decorre de ato jurídico de alienação, como contrato de compra e venda ou um leilão judicial. A desapropriação decorre de ato de império do Poder Público que subtrai a propriedade do particular nas hipóteses constitucionalmente permitidas. É hipótese de extinção da propriedade em relação ao desapropriado, mas é forma de aquisição (e originária) para o Poder Público. Se a coisa objeto do direito real de propriedade perecer, extingue-se o direito real por obviedade. No caso de imóveis por natureza (solo), as hipóteses são mais raras, como as de submersão de uma cidade por um rio. Renúncia e abandono são formas pelas quais o proprietário abre mão da sua titularidade e tornar a coisa um bem vago. A diferença entre os institutos é apenas que a renúncia decorre de ato formal e expresso do proprietário, ao passo que o abandono decorre implicitamente de conduta do proprietário de deixar a coisa com a intenção de não mais ser dono. 13 . IMISSÃo ProvISÓrIA NA PoSSe e reSPeCtIvAS CeSSÃo 13 . IMISSÃo ProvISÓrIA NA PoSSe e reSPeCtIvAS CeSSÃo oU ProMeSSA De CeSSÃooU ProMeSSA De CeSSÃo Imissão provisória na posse (desapropriação) Novo Direito Real ou direito real de propriedade? Uma matéria de Direito Administrativo veio ao Código Civil. E com atecnia! O art. 1.225 do CC passou a prever, como direito real, os direitos oriundos de imissão provisória na posse e as respectivas cessão ou promessa de cessão. Veja o inciso XIV do art. 1.225 do CC. Art. 1.225. São direitos reais: I – a propriedade; II – a superfície; III – as servidões; IV – o usufruto; V – o uso; VI – a habitação; VII – o direito do promitente comprador do imóvel; VIII – o penhor; IX – a hipoteca; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias X – a anticrese. XI – a concessão de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei n. 11.481, de 2007) XII – a concessão de direito real de uso; (Redação dada pela Lei n. 14.620, de 2023) XIII – a laje; (Redação dada pela Lei n. 14.620, de 2023) XIV – os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. (Incluído pela Lei n. 14.620, de 2023) O melhor entendimento é de que não há direito real novo aí, mas apenas um direito real de propriedade,fruto de uma desapropriação promovida pelo pertinente ente desapropriante, à luz das regras de Direito Administrativo. De fato, à luz da melhor orientação da doutrina administrativista, a aquisição da propriedade pelo ente público desapropriante dá-se com a imissão provisória na posse. Logo, nesse momento, o ente desapropriante já passa a ter o direito real de propriedade. Para concurso em Direito Civil, parece-nos isso basta. Seja como for, para aprofundamento, extraímos este excerto de artigo que escrevemos sobre o tema8: A recente Lei n. 14.620/2023, batizada como Lei do Novo Programa Minha Casa, Minha Vida – NPMCMV, supostamente criou um novo direito real: os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. Fê-lo mediante acréscimo de mais um inciso ao art. 1.225 do Código Civil (CC), dispositivo que lista os direitos reais no Brasil. (...) (...) De fato, apesar de haver expresso texto legal, é atécnico afirmar que os direitos oriundos da imissão provisória são direitos reais. É que, no caso de desapropriação, o momento da imissão na posse marca a aquisição originária da propriedade pelo ente desapropriante. Eventual registro posterior no Cartório de Imóveis não tem eficácia constitutiva, mas apenas declaratória. Trata-se de uma exceção ao princípio da inscrição (segundo o qual os direitos reais nascem com o registro na matrícula do imóvel, conforme arts.1.227 e 1.245 do CC9). 8 OLIVEIRA, Carlos E. Elias de Oliveira. NOVO DIREITO REAL COM A LEI N. 14.620/2023: UMA ATECNIA UTILITARISTA DIANTE DA IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-notariais-e-registrais/390037/novo-direito-real-com-a-lei-14-620-23. 9 Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. (...) Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1 o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2 o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11481.htm#art10 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14620.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14620.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14620.htm#art30 38 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Não importa se essa imissão foi deferida em sede de tutela provisória, tal qual autorizado no rito da ação de desapropriação, especificamente no art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365/1941. As etapas posteriores do procedimento de desapropriação são essencialmente para discutir se a indenização paga pelo ente desapropriante foi ou não quantificada corretamente. Em suma, o ente desapropriante deposita em juízo o valor de indenização que reputa justo e, ato contínuo, já pode obter a imissão provisória na posse. Ao ingressar na posse do bem, o ente desapropriante já se torna proprietário do bem. Já é titular, portanto, do direito real de propriedade. Não há necessidade de nenhum reconhecimento judicial posterior. Lembre-se de que, no caso de “desapropriação indireta”, a lógica é similar. No momento em que o ente desapropriante “invade” o imóvel e passou a ocupá-lo, há a aquisição originária da propriedade. Só sobrará ao particular discutir judicialmente o valor devido a título de indenização. A famosa ação de desapropriação indireta destina-se basicamente a essa discussão. Não se discute aí a titularidade do bem! Portanto, por aí já se vê a atecnia grave em afirmar que seriam direitos reais “os direitos oriundos da imissão provisória na posse”. Não se trata de direitos reais autônomos, e sim de direito real de propriedade do ente desapropriante. Consideramos, portanto, ter havido gravíssima atecnia em ter acrescido ao art. 1.225 do CC os direitos oriundos da imissão provisória na posse como um novo direito real. Cabe à doutrina e à jurisprudência reagir hermeneuticamente, chamando à ordem a manobra legislativa. Por essa razão, entendemos que os “direitos oriundos da imissão provisória na posse” bem como os direitos de eventual cessionário ou promitente cessionário não são direitos reais autônomos, mas apenas direitos reais de propriedade. Uma utilidade prática disso é que as regras relativas ao direito real de propriedade previstas no Código Civil, como os arts. 1.228 ao 1.232 do CC, são plenamente aplicáveis. Igualmente, podem-se considerar dispensável a previsão de que “os direitos oriundos da imissão provisória na posse” são hipotecáveis ou alienáveis fiduciariamente em garantia. Isso, porque o direito real de propriedade sobre imóvel já abarca essas espécies de garantias reais. Outrossim, a previsão de abertura de matrículas na hipótese de imissão provisória em áreas total ou parcialmente divergentes das constantes de matrículas já abertas é desnecessária, pois isso já decorre do que deve ser aplicado em qualquer situação de aquisição de direito real de propriedade. Em suma, do ponto de vista técnico, o mais adequado teria sido que o legislador simplesmente houvesse esclarecido que a imissão provisória na posse pelo ente desapropriante implica a aquisição originária do direito real de propriedade e houvesse fixado as regras desburocratizantes de sua preferência. Resta, porém, saber: por que o texto legal acabou descarrilando dos trilhos da dogmática e ziguezagueou na disciplina dos ditos “direitos oriundos da imissão provisória na posse”? A resposta é uma postura utilitarista dos players públicos e privados que atuam na prática imobiliária. Diante de notas devolutivas de alguns cartórios de imóveis e ante as divergências de entendimento entre os registradores de imóveis, esses players acabaram movimentando o Poder Legislativo para editar normas muito textuais, ainda que em sacrilégio à dogmática civilística. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Consideramos não apenas censuráveis, mas também perigosas, essas pisadas trôpegas no tratamento dos institutos jurídicos. Isso, porque, ao sair dos trilhos, abre-se espaço para teses jurídicas indesejadas, que podem frustrar os objetivos do legislador. Além disso, normas do status técnico e científico como o Código Civil não deveriam sofrer “intervenções cirúrgicas” do legislador com tanta facilidade. É preciso haver muita reverência e cuidado nisso, porque, ao contrário das demais leis, o Código Civil é marcado por uma sistematização e cientificidade construída ao longo de milênios de desenvolvimento do Direito Civil. Não é à toa que os anteprojetos de Código Civil sempre foram desenhados por juristas de alto porte. O caso em tema enfileira-se com outros de inoculações atécnicas de dispositivos no Código Civil, a exemplo do equivocado emprego do termo “posse direta” na usucapiãofamiliar (art. 1.240-A, Código Civil) e da indevida inclusão dos “fundos de investimento” como uma espécie de condomínio no âmbito do livro de Direito das Coisas do Código Civil. Seja como for, o fato é que à doutrina e à jurisprudência resta interpretar a lei de modo a alinhá- la à correta natureza jurídica dos institutos jurídicos, atraindo o regime jurídico pertinente. In casu, concluímos: a Lei do NPMCMV não criou nenhum direito real novo, apesar de ter engordado a lista do art. 1.225 do CC. Ela, na verdade, apenas fez referência ao direito real de propriedade na hipótese de este ser adquirido por meio da desapropriação (mais especificamente quando da imissão provisória na posse). O inciso XIV do art. 1.225 do CC deve ser lido como uma hipótese meramente declaratória e indicativa do próprio direito real de propriedade. O legislador, nesse ponto, confundiu a causa de aquisição do direito real de propriedade com o próprio direito real. A imissão provisória na posse é apenas a causa jurídica de aquisição do direito real de propriedade, à semelhança do usucapião (que, com o transcurso do tempo de posse ad usucapionem, faz nascer o direito real de propriedade de modo originário para o usucapiente). É, pois, atécnico afirmar que os “direitos oriundos da imissão provisória na posse” são uma nova categoria de direito real, assim como seria atécnico asseverar o mesmo em relação aos “direitos oriundos do usucapião”. Na verdade, esses direitos oriundos da imissão provisória na posse são apenas epítetos do velho e consagrado direito real de propriedade.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 14. DIREITO REAL DE LAJE14. DIREITO REAL DE LAJE Direito real de laje Espécies de laje Aérea Subterrânea Matrículas autônomas para cada laje Acesso à laje não precisa ser independente Direito real sobre coisa própria. Poder instituir ônus real sobre o proprio imóvel Laje como fato gerador de tributos (IPTU, ITR) Há controvérsiaObservância da legislação urbanística Não há vinculação das lajes a uma fração ideal do solo Condomínio necessário entre as partes comuns do edifício Despesas com conservação e fruição das partes comuns da edificação Rateio Administração das partes comuns Regras do condomínio tradicional Direito de preferência no caso de alienação Extinção da laje Voluntária Legal O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 41 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 14 .1 . NoÇÕeS GerAIS14 .1 . NoÇÕeS GerAIS Vamos começar com esta questão: 019. 019. (VUNESP/PROCURADOR/PGE-SP/2018/ADAPTADA) O direito real de laje pressupõe a coexistência de unidades imobiliárias, autônomas ou não, de titularidades distintas e situadas na mesma área, de modo a permitir que o proprietário ceda a superfície de sua construção a outrem para que ali construa unidade distinta daquela originalmente construída sobre o solo. A questão está “errada”, porque o direito real de laje pressupõe, sempre, criação de unidades imobiliárias autônomas. Cada laje é uma unidade imobiliária autônoma (art. 1.510-A, § 1º, CC). Errado. 020. 020. (FAUEL/ADVOGADO/AGEPAR/2018/ADAPTADA) O proprietário de uma construção-base poderá ceder a superfície superior ou inferior de sua construção a fim de que o titular da laje mantenha unidade distinta daquela originalmente construída sobre o solo. A questão está correta por retratar o regime do direito real de laje nos termos do caput do art. 1.510-A do CC. Certo. Vamos tratar mais do tema. Disciplinado nos arts. 1.510-A ao 1.510-E do CC e no art. 176. § 9º, da LRP, o direito real de laje é aquele por meio do qual o titular da construção-base cede a superfície superior (o telhado) ou inferior (a base) para a criação de uma unidade autônoma em projeção vertical ascendente (aérea) ou descendente (subterrânea). A doutrina tem chamado de lajeário10 ou cessionário o titular do direito real de laje e de lajeiro ou de cedente o titular da construção-base. Por isso, pode-se falar em duas espécies de laje: a laje aérea ou a laje subterrânea. Seja na laje aérea, seja na laje subterrânea, é requisito legal que já haja uma construção- base averbada na matrícula inicial (art. 1.510-A, caput, CC). Não pode ser instituída uma laje 10 Lajeário, porque recebeu a laje. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 42 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias se, na matrícula, inexistir uma construção averbada. Há razão de ser para a regra: quanto à laje aérea, é materialmente inviável o titular da laje fazer uma edificação flutuante; quanto à laje subterrânea, a realização de uma construção pelo titular da laje subterrânea inviabilizaria que o titular do imóvel-base11 fizesse edificações posteriormente diante da necessidade de uso do subsolo para os fundamentos das obras. Em outras palavras, a instituição de laje sem uma construção-base significaria ter um direito real imprestável (laje aérea) ou um direito real que esvaziaria a utilidade do imóvel-base (laje subterrânea). Portanto, é requisito da instituição da laje a existência de uma prévia edificação no imóvel-base. 14.2. MESMA PESSOA COMO TITULAR DA CONSTRUÇÃO-BASE E DAS LAJES14.2. MESMA PESSOA COMO TITULAR DA CONSTRUÇÃO-BASE E DAS LAJES A laje é unidade imobiliária autônoma e, portanto, pode pertencer a qualquer pessoa, mesmo ao titular da construção-base. Não há, pois, qualquer impedimento de que a mesma pessoa seja titular da construção-base e das lajes. Os arts. 1.510-A ao 1.510-E do CC não prevê tal situação como ensejadora de extinção da laje. 14.3. LAJES SUCESSIVAS (GRAUS DE LAJE)14.3. LAJES SUCESSIVAS (GRAUS DE LAJE) Resolva esta questão: 021. 021. (VUNESP/PROCURADOR/PGE-SP/2018/ADAPTADA) O direito real de laje confere ao seu titular o direito de sobrelevações sucessivas, mediante autorização expressa ou tácita do proprietário da construção-base, desde que observadas as posturas edilícias e urbanísticas vigentes. A questão está errada, porque a autorização tem de ser expressa, e não tácita (art. 1.510- A, § 6º, CC). Errado. Vamos falar sobre o assunto. É admitido que o titular da laje ceda a superfície de sua construção para a instituição de uma laje sucessiva, desde que haja autorização dos demais titulares de laje e do titular da construção-base (art. 1.510-A, § 6º, CC). Trata-se do que chamamos de lajes sucessivas, 11 Imóvel-base é o que abrange o solo com eventual construção-base; é o imóvel indicado na matrícula inicial (a matrícula-mãe). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 43 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias que podem ser divididas em graus: a laje de primeiro grau é aquela contígua à construção- base; a de segundo grau é a contígua à de primeiro grau; a de terceiro grau é a contígua à de segundo grau; etc. As lajessucessivas podem ser em projeção vertical ascendente (lajes aéreas sucessivas) ou descendentes (lajes subterrâneas descendentes). Em termos de nomenclatura, o lajeário de primeiro grau é o titular da laje de primeiro grau; o lajeário de segundo grau é o titular da laje de segundo grau; etc. No caso das lajes sucessivas, é requisito da sua instituição a existência de uma construção na laje anterior, pois, à luz do § 6º do art. 1.510-A do CC, a laje é uma cessão da superfície dessa construção. Além do mais, é inviável materialmente o titular da laje sucessiva fazer uma construção suspensa no ar no caso de lajes aéreas ou, na hipótese de lajes subterrâneas, fazer uma construção enterrada em área mais profunda sem comprometer o espaço subterrâneo menos profundo. 14.4. DISPENSA DE ENTRADA PARA AS LAJES E A APLICAÇÃO DO DIREITO 14.4. DISPENSA DE ENTRADA PARA AS LAJES E A APLICAÇÃO DO DIREITO De vIZINHANÇADe vIZINHANÇA Não há exigência de o acesso à laje ser independente. Havia essa exigência na Medida Provisória n. 759/2017, mas, no momento em que ela foi convertida na Lei n. 13.465/2017, o legislador propositalmente excluiu essa obrigatoriedade. As partes têm liberdade para dispor como lhes aprouver sobre o acesso à laje. Se não tiver tido nenhum acordo sobre o acesso à laje, poderá o titular dela valer-se da “passagem forçada”, instituto de direito de vizinhança que garante o direito de acesso ao imóvel encravado (no caso, a laje) mediante pagamento de indenização. 14.5. NATUREZA JURÍDICA: DIREITO REAL SOBRE COISA PRÓPRIA OU ALHEIA? 14.5. NATUREZA JURÍDICA: DIREITO REAL SOBRE COISA PRÓPRIA OU ALHEIA? QUESTÕES PRÁTICAS: TRIBUTOS REAIS (IPTU ETC.), ÔNUS REAIS ETC.QUESTÕES PRÁTICAS: TRIBUTOS REAIS (IPTU ETC.), ÔNUS REAIS ETC. Como a laje é unidade distinta e recebe matrícula própria no Cartório de Imóveis, ela é um direito real sobre coisa própria: o titular da laje é titular de uma coisa (a laje) que lhe pertence. O CC dá esse contorno ao expressamente batizar a laje como uma “unidade imobiliária autônoma constituída em matrícula própria” (art. 1.510-A, § 3º), no que é corroborada pelo § 9º do art. 176 da LRP, que determina a abertura de matrícula sobre a laje. O próprio princípio da unitariedade matricial, segundo o qual a cada imóvel deve corresponder uma matrícula, confirma que a laje é um direito real sobre coisa própria. A situação da laje se aproxima ao condomínio edilício, em que cada unidade autônoma é considerada um imóvel próprio. A diferença é que, no condomínio edilício, a unidade autônoma é objeto de um direito real de propriedade, ao passo que, na laje, a unidade autônoma (que é o poliedro correspondente à laje) é objeto de um direito real de laje. Enfim, a laje é um direito real sobre coisa própria, dividindo com o direito real de propriedade (do qual a laje é diferente) essa categoria. Daí decorrem consequências práticas. Uma delas é a de que o titular da laje pode instituir ônus reais sobre o próprio imóvel, como os direitos reais sobre coisa alheia. Ele pode instituir hipoteca (art. 1.473, I, CC), O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 44 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias usufruto e outros direitos reais sobre coisa alheia que recaem sobre imóveis. Pode também alienar fiduciariamente a laje em garantia de uma dívida. De fato, se a laje fosse um direito sobre coisa alheia, tal não seria possível. Outra consequência prática é que o fato gerador do IPTU, ITR e outros tributos reais é a laje em si, por ela ser uma unidade imobiliária autônoma distinta das demais lajes e do imóvel- base. Daí decorre que, se o titular da laje deixar de pagar o IPTU, não pode outro titular de laje nem o dono da construção-base ser responsabilizado por esse tributo inadimplido, pois eles não possuem vínculo com o fato gerador daquele tributo. Nesse sentido, em sintonia com as normas tributárias, o § 2º do art. 1.510-A do CC estabelece que o titular do direito real de laje responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre sua unidade. O tema, porém, não é pacífico: há doutrinadores que defendem a laje como um direito real sobre coisa alheia. O sempre genial professor Flávio Tartuce cataloga bem os polos em confronto, in verbis: “Realizando pesquisas em textos publicados na internet, obras jurídicas e consultando diretamente alguns colegas juristas, a questão, de fato, é tomentosa e divide a doutrina contemporânea. Assim, são adeptos da existência de um direito real sobre coisa própria: Marco Aurélio Bezerra de Melo, Nelson Rosenvald, Fernando Sartori, Fábio Azevedo, Carlos Eduardo Elias de Oliveira, Leonardo Brandelli, Vitor Kümpel e Bruno de Ávila Borgarelli. Por outra via, entendendo existir um direito real sobre coisa alheia: José Fernando Simão, Pablo Stolze Gagliano, Rodolfo Pamplona Filho, Salomão Viana, Cristiano Chaves de Farias, Rodrigo Mazzei, Frederico Viegas de Lima, Maurício Bunazar, Cesar Calo Peghini, Eduardo Busatta, Alexandre Barbosa, Luciano Figueiredo, João Ricardo Brandão Aguirre, Pablo Malheiros Frota e Rodrigo Toscano de Brito.” 14 .6 . oBServÂNCIA DA leGISlAÇÃo UrBANÍStICA e A QUAlIFICAÇÃo Do 14 .6 . oBServÂNCIA DA leGISlAÇÃo UrBANÍStICA e A QUAlIFICAÇÃo Do tÍtUlo Pelo CArtÓrIo De IMÓveIStÍtUlo Pelo CArtÓrIo De IMÓveIS Outro requisito é a obrigatoriedade de observação da legislação urbanística para identificar se é ou não admissível a existência de mais de uma unidade no local. Por exemplo, se a legislação urbanística estabelece que determinada região é de imóveis de habitação unifamiliar, isso significa que não pode haver a instituição de laje no local, pois isso implicaria haver mais de uma unidade habitacional no mesmo local. O CC foi redundante em reafirmar essa obrigatoriedade, que já decorre de lei (art. 1.510-A, §§ 5º e 6º, CC). Cabe ao Cartório de Registro de Imóveis fazer esse controle no momento da qualificação do título de instituição da laje, requerendo, se for necessário, prévia consulta ao município. 14 .7 . tItUlArIDADe Do Solo: AUSÊNCIA De FrAÇÕeS IDeAIS14 .7 . tItUlArIDADe Do Solo: AUSÊNCIA De FrAÇÕeS IDeAIS 022. 022. (VUNESP/PROCURADOR/PGE-SP/2018/ADAPTADA) O direito real de laje pressupõe a coexistência de unidades imobiliárias, autônomas ou não, de titularidades distintas O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 45 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias e situadas na mesma área, de modo a permitir que o proprietário ceda a superfície de sua construção a outrem para que ali construa unidade distinta daquela originalmente construída sobre o solo. A questão está “errada”, porque o direito real de laje não implica atribuição de fração ideal do terreno ao lajeário (art. 1.510-A, § 4º, CC). Errado. 023. 023. (FAUEL/ADVOGADO/AGEPAR/2018/ADAPTADA) A instituição do direito real de laje não implica a atribuição de fração ideal de terreno ao titular da laje ou a participação proporcional em áreas já edificadas. A questão está correta por força do art. 1.510-A, § 4º, CC. Certo. Falemos mais sobre o tema. O direito real de laje não garante nenhum direito de propriedade sobre solo. Não há vinculação das lajes a uma fração ideal do solo, ao contrário do que sucede com as unidades autônomas de condomínios edilícios (art. 1.510-A, § 4º, CC). O titular da construção-base é o único proprietário do solo. Há, porém, condomínio necessário sobre as partes comuns que servem o prédio, conforme expostomais à frente. 14 .8 . CoNDoMÍNIo NeCeSSÁrIo SoBre PArteS CoMUNS Do eDIFÍCIo: 14 .8 . CoNDoMÍNIo NeCeSSÁrIo SoBre PArteS CoMUNS Do eDIFÍCIo: CoNSeQUÊNCIAS PrÁtICAS e reGrAS De ADMINIStrAÇÃoCoNSeQUÊNCIAS PrÁtICAS e reGrAS De ADMINIStrAÇÃo Apesar de cada laje ser um imóvel distinto por ficção jurídica e de inexistir vinculação de fração ideal do solo às lajes, há materialmente interrelações entre os lajeários e entre estes e o titular da construção-base pelo fato de todos estarem em uma mesma edificação. As partes da edificação que servem a construção-base e as lajes devem ser consideradas como sujeitas a um condomínio necessário, à semelhança do que sucede com os muros divisórios entre terrenos contíguos na forma dos arts. 1.327 do CC. E, considerando que a conduta de algum lajeário ou do titular da construção-base sobre as partes comuns da edificação pode interferir no exercício do direito dos demais, é inevitável a aplicação das regras de Direito de Vizinhança, como as que condenam o uso anormal da propriedade (arts. 1.277 e seguintes, CC). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 46 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias O legislador tomou cuidado com essa situação ao estabelecer, no art. 1.510-C do CC, a obrigatoriedade de o titular da construção-base e os lajeários ratearem as despesas com a conservação e fruição das partes comuns da edificação, assim entendidas os alicerces, as tubulações e todas as partes que afetam ao uso de todo edifício. No caso de omissão de qualquer um e havendo urgência em algum reparo, é assegurado a qualquer um promovê-las sozinho e, em seguida, pleitear reembolso dos demais, conforme § 2º do art. 1.510-C do CC. O critério de repartição das despesas com as partes comuns do edifício deve seguir o que for pactuado entre as partes. Esse pacto pode ser estabelecido no próprio ato de instituição da laje e, apesar do silêncio legal, convém que o critério adotado seja noticiado na matrícula de cada laje e na matrícula da construção-base. No silêncio das partes, deve- se presumir uma divisão pro rata entre o titular da laje e os lajeários. Ainda em razão da inevitável interligação material entre o titular da construção-base e os lajeários, há necessidade de todos adotarem comportamento destinado a garantir a segurança e a preservação do arranjo estético do edifício, abstendo-se de realizar obras indevidas (art. 1.510-B, CC). Como não há um sujeito de direito despersonalizado para praticar atos relativos às partes comuns da edificação, a administração dessas partes deve seguir, por analogia, as regras de condomínio tradicional, de modo que o titular da laje e os lajeários poderão nomear um administrador e outorgar-lhe poderes praticar atos no interesse comum. Afinal de contas, há condomínio necessário – que é um condomínio tradicional imposto pela lei - sobre as partes comuns do edifício. Em princípio, contratos destinados a cuidar das partes comuns da edificação (ex.: contrato com empresa para reparação da tubulação) deverá ser feito em nome de todas as partes. O quórum para deliberação deve também seguir, por analogia, as regras de condomínio tradicional: a maioria absoluta. Enfim, as questões referentes à administração da parte comum devem seguir, por analogia, as regras de condomínio tradicional (arts. 1.317, 1.318 e 1.323 ao 1.325, CC). 14 .9 . DIreIto De PreFerÊNCIA14 .9 . DIreIto De PreFerÊNCIA 024. 024. (VUNESP/PROCURADOR/PGE-SP/2018/ADAPTADA) As unidades autônomas constituídas em matrícula própria poderão ser alienadas por seu titular sem necessidade de prévia anuência do proprietário da construção-base. A questão está correta, pois o lajeário tem liberdade para vender a laje a terceiros livremente, sem prévio consentimento de outros lajeários ou do titular da construção-base. Todavia, há O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 47 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias necessidade de ser assegurado o direito de preferência a eles nos termos do art. 1.510-D do CC. Para alienar a laje, basta COMUNICÁ-los para o exercício do direito de preferência, e não pedir autorização deles. Certo. 025. 025. (FAUEL/ADVOGADO/AGEPAR/2018/ADAPTADA) Em caso de alienação de qualquer das unidades sobrepostas, terão direito de preferência, em igualdade de condições com terceiros, os titulares da construção-base e da laje, nessa ordem, que serão cientificados por escrito para que se manifestem no prazo de trinta dias, salvo se o contrato dispuser de modo diverso. A questão está correta por força do art. 1.510-A, caput, CC. Certo. Vamos falar mais sobre o tema. Inevitavelmente, o direito real de laje cria um ambiente de potencial conflito por se assemelhar a um condomínio, que, como diziam os romanos, é a mãe da discórdia. Por isso, o legislador estabeleceu o direito de preferência no caso de alienação das lajes, tudo com o objetivo de estimular que uma mesma pessoa se aproprie de todas as lajes e da construção-base (art. 1.510-D, CC). O art. 1.510-D do CC estabelece a ordem de preferência entre os membros da comunidade imobiliária. Interpretamos o dispositivo no sentido de que, sempre, o titular da construção- base tem prioridade absoluta no exercício do direito de preferência, pois o objetivo é facilitar que ele – que é titular da composição imobiliária principal da edificação, ou seja, da construção-base – adquira todas as lajes. Assim, não importa se há 10 lajes ascendentes e o último lajeário esteja a alienar sua unidade: o titular da construção-base terá prioridade no exercício do direito de preferência sobre todos os demais. Se o titular da construção-base não quiser exercer o direito de preferência, este passará para o titular da laje contígua àquela que está sendo alienada com o objetivo de que estimular que a mesma pessoa seja titular das últimas lajes. Se o lajeário contíguo não exercer o direito de preferência, o direito de preferência repassa ao seguinte lajeário limístrofe, e assim sucessivamente. Isso vale tanto para o caso de lajes ascendentes quanto descendentes. Suponha que haja 5 lajes aéreas, e a última seja colocada à venda. A prioridade no exercício do direito de preferência é do titular da construção-base; depois, do lajeário de 4º grau; depois, do lajeário de 3º grau; etc. Se houvesse 5 lajes subterrâneas, e a última fosse colocada à venda, ocorreria o mesmo: o direito de preferência recairia sucessivamente sobre o titular da construção-base, o lajeário de quarto grau, o lajeário de terceiro grau etc. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 48 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias O exercício do direito de preferência deverá ser feito dentro do prazo decadencial de 30 dias do recebimento de uma notificação escrita, prazo esse que pode ser alterado mediante pacto entre as partes (art. 1.510-D, CC). Entendemos que, no ato de instituição da laje, é possível pactuar prazo diverso para o exercício do direito de preferência. Esse ato – que é o título hábil à instituição do direito real de laje – ficará arquivado no Cartório de Imóveis. O direito de preferência só deveser aplicado para o caso de contratos de compra e venda da laje, pois o vendedor cobrará uma prestação fungível (dinheiro) que pode ser oferecida por outros. Embora o art. 1.510-D do CC mencione o verbete “alienação”, na verdade, ele se refere apenas aos casos de venda. Aplica-se, por analogia, o art. 504 do CC. Não se aplica, pois, a contratos de permuta, pois a contrapartida exigida é um bem infungível e, portanto, não poderia ser oferecido por outrem. Também não se aplica para contratos gratuitos: é evidente que o titular da laje pode doar a terceiros sem oferecer a liberalidade primeiramente a outro da comunidade imobiliário. A natureza do direito de preferência é incompatível com negócios gratuitos. 14.10. EXTINÇÃO DA LAJE14.10. EXTINÇÃO DA LAJE Vamos começar com esta questão: 026. 026. (VUNESP/PROCURADOR/PGE-SP/2018/ADAPTADA) A ruína da construção-base não implica extinção do direito real de laje se houver sua reconstrução no prazo de 10 anos. A questão está errada, pois o prazo para a reconstrução é de 5 anos (art. 1.510-A, II, CC). Errado. 027. 027. (FAUEL/ADVOGADO/AGEPAR/2018/ADAPTADA) A ruína da construção-base implica extinção do direito real de laje instituído sobre o subsolo. A questão está errada, porque a ruína da construção-base só implica a extinção do direito real de laje se não houver reconstrução nos 5 anos seguintes (art. 1.510-A, II, CC). Errado. A extinção do direito real de laje pode ser voluntária ou legal. É voluntário quando ocorrer uma fusão da matrícula da laje com a da laje imediatamente anterior ou, na falta desta, com a da construção-base. A fusão, no entanto, depende de o titular das matrículas em fusão ser a mesma pessoa (art. 234, LRP). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 49 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias É legal quando a extinção decorrer de lei. Tal ocorre no caso do art. 1.510-E do CC, ou seja, no caso de haver ruína da construção-base sem que, nos 5 anos seguintes, a edificação seja reconstruída. Nesse caso, as lajes aéreas se extinguirão pela perda da sua base material: a construção. A ruína, porém, não implica a extinção das lajes subterrâneas, pois estas não perdem a sua base material com a ruína da construção-base. De qualquer sorte, o culpado pela ruína terá de indenizar os prejudicados. Chama-se a atenção para erro meramente redacional no inciso II do art. 1.510-E do CC, que, ao se valer do advérbio “não”, inverteu o sentido efetivamente querido e chegaria a um resultado absolutamente impossível. Diante disso, por uma interpretação lógica (no sentido de utilização de recursos da lógica), deve-se desconsiderar o sentido desse excedente advérbio. 14 .11 . ProCeDIMeNto No CArtÓrIo De reGIStro De IMÓveIS14 .11 . ProCeDIMeNto No CArtÓrIo De reGIStro De IMÓveIS A instituição do direito real de laje decorre de um ato assinado pelo titular da construção- base a ser protocolado no Cartório de Registro de Imóveis, que, após a qualificação positiva, deverá registrar o ato de instituição na matrícula-mãe (a da construção-base) e abrir uma matrícula-filha (a da laje), consignando remissões recíprocas nas matrículas (art. 176, § 9º, LRP). Entendemos que, se o ato de instituição envolver a indicação de outrem a titularizar a laje, há dois fatos jurídicos a ingressarem na tábua registral: a instituição da laje e a alienação da laje. Assim, nesse caso, será necessário que, além do procedimento acima, seja feita um registro na matrícula-filha (a da laje) da transferência da laje para outrem, o que será fato gerador do ITBI ou do ITCD conforme a alienação seja gratuita ou onerosa. Temos ser inviável abrir a matrícula desde logo em nome de terceiro, pois há dois fatos jurídicos inscritíveis. O ato de instituição da laje tem de ser por escritura pública, se o imóvel for de valor superior a 30 salários mínimos (art. 108, CC). No ato de instituição, convém que o instituidor especifique: (1) forma de administração das partes comuns da edificação e critério para rateio das despesas, sob pena de o rateio ser pro rata, conforme já explicitado acima; e (2) o prazo para exercício do direito de preferência, sob pena de ser aplicável o prazo de 30 dias do art. 1.510-D do CC. No caso de instituição de lajes sucessivas, o procedimento será similar: registra-se o ato de instituição na matrícula-mãe (a da laje anterior) e abre-se a matrícula-filha (a da laje posterior). Há, porém, uma exigência adicional: o Cartório de Imóveis precisa exigir o consentimento expresso dos demais lajeários e do titular da construção-base no mesmo instrumento do ato de instituição ou, em nome do princípio do paralelismo da forma, em instrumento em separado que observe a forma legalmente exigida para o ato de instituição (art. 1.510-A, § 6º, CC). Como a construção é única, em nome do princípio da especialidade objetiva – que exige que a matrícula retrate fielmente o estado do imóvel –, entendemos que a edificações O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 50 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias feitas pelo lajeário no espaço da laje deve ser averbada não apenas na matrícula da laje, mas também na matrícula das lajes antecedentes e na matrícula da construção-base. O motivo é que, em todas as matrículas, é fundamental haver a descrição integral do prédio no qual está inserida a laje e a construção-base. Entendemos que, nesse caso, é desnecessário consentimento expresso de toda a comunidade imobiliária: basta que o lajeário que realizou a obra, de posse dos documentos necessários para a averbação da construção (com inclusão do habite-se), requeira ao Cartório de Imóveis. 14 .12 . DIreIto reAl De AQUISIÇÃo14 .12 . DIreIto reAl De AQUISIÇÃo Direito real de aquisição Promessa de compra e venda de imóvel Registro na matrícula do imóvel Sem direito de arrependimento Alienação fiduciária em garantia Devedor fiduciante tem direito de adquirir a propriedade após pagar a dívida Cessão fiduciária de direitos creditórios relativos a contratos de alienação de imóveis Cedente tem direito real de aquisição 028. 028. (FGV/ADVOGADO/AL-RO/2018) Para que seja válido e eficaz, o compromisso de compra e venda de bem imóvel deverá revestir a forma pública. A questão está errada, porque os arts. 462 e 1.417 do CC admitem instrumento particular ou público para o contrato preliminar (compromisso) de compra e venda de imóvel. Errado. Vamos tratar mais do tema. O direito real de aquisição ocorre em dois casos principais: na promessa de compra e venda de imóvel e na alienação fiduciária em garantia. Contratos preliminares, também chamados de promessas de contrato, são aqueles cujo objeto é a celebração de um contrato definitivo no futuro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 51 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Quando se trata de uma promessa de compra e venda de imóvel, o promitente vendedor se compromete a, no futuro, após algum termo ou condição (o comum é que a condição seja o pagamento do preço), celebrar o contrato definitivo de compra e venda. Se essa promessa de compra e venda não contiver pacto expresso admitindoo direito de arrependimento, o promitente vendedor não pode desfazer o contrato preliminar por vontade unilateral, de modo que, no caso de sua recusa, o promitente comprador poderá obter uma sentença que equivalha ao contrato definitivo por meio de uma ação de adjudicação compulsória (arts. 463 e 464, CC). Nesses casos de promessa de compra e venda de imóvel sem direito de arrependimento pactuado, o promitente comprador pode registrá-la na matrícula do imóvel no Cartório e, assim, adquirir um direito real de aquisição (arts. 1.417 e 1.418, CC). A vantagem é que o direito real de aquisição tem eficácia erga omnes, de modo que, se o promitente vendedor vender o imóvel a um terceiro, este estará sujeito a perder a coisa em proveito do promitente comprador. Sem registrar a promessa de compra e venda, o promitente vendedor terá mero direito obrigacional oponível apenas contra o promitente comprador e, assim, somente lhe restará direito de pleitear indenização contra este no caso de eventual venda do imóvel a terceiros. Igualmente, na alienação fiduciária em garantia de móvel ou imóvel, enquanto o credor fiduciário se torna titular do direito real de propriedade sob condição resolutiva consistente no pagamento da dívida garantida, o devedor fiduciante fica com um direito real de aquisição, pois poderá adquirir a propriedade da coisa após pagar a dívida (art. 1.368-B, CC). Além desses dois casos principais, também há direito real de aquisição na cessão fiduciária de direitos creditórios relativos a contratos de alienação de imóveis: o cedente – que é o devedor fiduciante – tem direito real de aquisição (arts. 17, § 1º, II, Lei n. 9.514/97). Por fim, entendemos que, apesar de os arts. 1.417 e 1.418 do CC tratar apenas de promessa de compra e venda de imóvel, entendemos que contratos preliminares (promessas) de outros contratos translativos da propriedade de modo oneroso também devem ser aptos a registro na matrícula do imóvel para a constituição de direito real de aquisição em razão do fato da necessária extensão das regras de compra e venda para esses tipos de negócios. Assim, por exemplo, a promessa de permuta ou a promessa de dação em pagamento seriam aptas a tanto, especialmente porque as regras de compra e venda lhe são aplicáveis não apenas da similitude dos negócios, mas também por ordem expressa dos arts. 357 e 533, caput, do CC. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 52 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias RESUMORESUMO Amigos e amigas, quem tem pressa deve ler, ao menos, este resumo e, depois, ir para os exercícios. É fundamental você ver os exercícios e ler os comentários, pois, além de eu aprofundar o conteúdo e tratar de algumas questões adicionais, você adquirirá familiaridade com as questões. De nada adianta um jogador de futebol ter lido muitos livros se não tiver familiaridade com a bola. Seja como for, o ideal é você ler o restante da teoria, e não só o resumo, para, depois, ir às questões. O resumo desta aula é este: a. O Direito das Coisas é o ramo do Direito Civil que lida com a relação jurídica entre o indivíduo e a coisa (teoria realista) ou, na visão da teoria personalista, entre um indivíduo e a coletividade em relação a uma coisa. É dividido entre três principais matérias: direitos reais; posse e detenção; e direito de vizinhança (capítulo 2). b. Propriedade em sentido amplo abrange todas as espécies de titularidades, seja sobre coisas corpóreas, seja sobre incorpóreas. Abrange, inclusive, o conceito de o direito real de propriedade. Domínio é a titularidade de coisa corpórea e corresponde ao direito real de propriedade (capítulo 4). c. Direito real é, pois, o vínculo jurídico em razão do qual o titular pode exercer, total ou parcialmente, poderes sobre uma coisa com exclusão de qualquer outra pessoa. É, pois, um direito grudado à coisa, é um ius in re (na expressão dos juristas medievais), é uma lepra grudada na coisa (na metáfora romana). d. Há duas teorias para definir os direitos reais: a realista e a personalista. A teoria realista ou clássica define-o como um vínculo da pessoa (o titular) com a coisa. E, como a relação jurídica é com a coisa, o titular pode opor-se a terceiros. O adjetivo realista é por que a teoria focaliza a coisa (res). A teoria personalista define o direito real como um vínculo jurídico da pessoa (titular) com toda a sociedade, que se torna obrigada a respeitar o direito do titular sobre a coisa. O adjetivo personalista é por que a teoria se centra nas pessoas que tem de respeitar o direito real. e. Princípio da taxatividade: só direito real o que está previsto em lei como tal. f. Princípio do absolutismo: direitos reais são oponíveis erga omnes. g. Princípio da aderência: os direitos reais aderem à coisa. Daí decorre o direito de sequela. h. Princípio da prevalência (prior in tempore, potio in iure): A prevalência é a característica de que os direitos reais instituídos em primeiro lugar prevalecem sobre direitos reais contraditórios instituídos posteriormente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 53 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias i. Os direitos reais sobre imóveis nascem, em regra, com o registro do título na matrícula do imóvel perante o Cartório de Imóveis (arts. 1.227 e 1.245, CC). Trata-se do princípio da inscrição. Já a constituição do direito real sobre móveis ocorre com tradição (arts. 1.226, 1.267 e 1.268, CC). j. A plasticidade (ou a elasticidade) do direito de propriedade diz respeito a flexibilizações que podem ser feitas nos poderes inerentes à propriedade: o poder de usar (ius utendi), o poder de fruir (ius fruendi), o poder de dispor (ius abutendi) e o poder de perseguir a coisa nas mãos de terceiro (ius persequendi). Eles estão previstos no art. 1.228, CC. k. Em razão da elasticidade ou plasticidade do direito real de propriedade, é possível classificar a propriedade quanto à sua plenitude: 1) propriedade plena; 2) propriedade menos plena: pode ser subdividida em: 2.1) propriedade restrita; 2.2) propriedade temporária: pode ser subdivida em: 2.2.1) propriedade revogável 2.2.2) propriedade resolúvel 2.2.3) propriedade fiduciária l. Princípio da perpetuidade: o direito real de propriedade é perpétuo, ou seja, ele não se extingue pelo desuso, nem pelo tempo, nem mesmo pela morte do dono (caso em que haverá transmissão da titularidade para os herdeiros). m. Princípio da exclusividade: a propriedade é exclusiva de uma única pessoa, de modo que não é viável que duas ou mais pessoas simultaneamente sejam titulares da mesma coisa. Esse atributo é a regra da propriedade, conforme art. 1.231 do CC, que afirma que “a propriedade presume-se exclusiva, salvo prova em contrário”. n. Os direitos reais podem ser divididos em: 1.1) Direito real sobre coisa própria: a propriedade e, embora haja controvérsia, a laje. 1.2) Direito real sobre coisa alheia: podem ser: 1.2.1) direitos reais de aquisição: abrangem os direitos reais do promitente comprador e o do devedor fiduciante; 1.2.1) direitos reais de gozo: abrangem os direitos reais de superfície, de servidão, de usufruto, de uso e de habitação; e 1.2.3) direitos reais de garantia: abrangem a hipoteca, o penhor e a anticrese. Quando se tratar de imóvel por natureza (o solo), o direito real de propriedade abrangerá o subsolo e o espaço aéreo até uma profundidadeou uma altura que seja útil ao exercício do direito da propriedade (art. 1.229, CC). o. Descoberta: é o fato jurídico de alguém achar coisa perdida e está disciplinada nos arts. 1.233 ao 1.237 do CC e no art. 746 do CPC. Era chamada de “invenção” pelo CC/1916, que a listava atecnicamente entre as hipóteses de aquisição da propriedade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 54 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias p. Aluvião (art. 1.250, CC; arts. 16 ao 18, Código de Águas): é o acréscimo vagaroso e lento de terra às margens de um imóvel banhado por um rio não navegável, ocasionando o aumento da superfície. q. Avulsão (art. 1.251, CC; arts. 19, 20 e 28 do Código de Águas): no vernáculo, avulsão significa o ato de extrair ou arrancar algo com violência. No Direito, avulsão é o acréscimo de uma porção de terra a um terreno que foi arrancada abruptamente de outro terreno por força natural violenta, a exemplo de uma violenta corrente de água de um rio. r. Formação de ilha (art. 1.249, CC; art. 23, Código de Águas): se uma ilha se formar em rios não navegáveis, a propriedade dela será dos proprietários dos terrenos frontais e marginais na proporção de sua testada (= sua frente), até a linha imaginária que divide o álveo em partes iguais. s. Álveo abandonado (art. 1.252, CC; arts. 26 e 27, Código de Águas): se o rio não navegável secar ou desviar seu curso emergindo o álveo, os proprietários dos imóveis ribeiros passarão a ser titulares desse álveo na proporção da respectiva testada até a linha média, sem ter de indenizar terceiros cujos imóveis tenham sido total ou parcialmente submersos pelo desvio do curso do rio. t. Os arts. 1.255 ao 1.259 do Código Civil estabelecem regras para situações em que alguém planta ou constrói em terreno alheio. u. Há figuras específicas para aquisição de móveis, nomeadamente a ocupação (art. 1.263, CC), achado de tesouro (arts. 1.264 ao 1.266, CC); especificação (arts. 1.269 ao 1.271, CC); acessão de móvel a móvel (confusão, adjunção e comistão (arts. 1.272 ao 1.273, CC). v. As hipóteses de extinção do direito real de propriedade estão catalogadas no art. 1.275 do CC e ocorrem por ato de vontade explícita ou implícita do proprietário (alienação, abandono ou renúncia), por ato de império do Estado (desapropriação) ou pela perda do objeto do direito real de propriedade (perecimento). w. Disciplinado nos arts. 1.510-A ao 1.510-E do CC e no art. 176. § 9º, da LRP, o direito real de laje é aquele por meio do qual o titular da construção-base cede a superfície superior (o telhado) ou inferior (a base) para a criação de uma unidade autônoma em projeção vertical ascendente (aérea) ou descendente (subterrânea). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 55 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (IDCAP/PROCURADOR/CÂMARA DE BOA ESPERANÇA-ES/2019/ADAPTADA) De acordo com o Código Civil, assinale a alternativa correta sobre as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. a) A propriedade do solo abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. b) A propriedade do solo abrange as jazidas, mas não os demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. c) A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas, mas abrange os demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. d) A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, mas abrange os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. e) A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. 002. 002. (IBFC/PROCURADOR/PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO/2019/ADAPTADA) A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo, subsolo, jazidas, minas, potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. 003. 003. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato na transformação industrial. 004. 004. (IBFC/PROCURADOR/PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO/2019/ADAPTADA) O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 005. 005. (IBFC/PROCURADOR/PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO/2019/ADAPTADA) A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário. 006. 006. (FURB/ADVOGADO/PREFEITURA DE TIMBÓ-SC/2019/ADAPTADA) A propriedade é considerada um direito fundamental pela Constituição da República e, ressalvada sua função social relacionada à proteção ao meio ambiente, não encontra limites na legislação atual. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 56 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 007. 007. (FCC/PROMOTOR/MPE-MT/2019/ADAPTADA) São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. Essa norma, prevista no Código Civil, concerne ao direito à propriedade e defende a plena possibilidade de uso, fruição e disponibilidade do bem, direito real que é. 008. 008. (FCC/PROMOTOR/MPE-MT/2019/ADAPTADA) São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. Essa norma, prevista no Código Civil, diz respeito à vedação do abuso do direito, considerado ato ilícito pela legislação civil, e interpreta-se em harmonia com o princípio da função social da propriedade. 009. 009. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) A propriedade das coisas móveis transfere-se pelos negócios jurídicos praticados antes da tradição. 010. 010. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP /2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. 011. 011. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) Quanto às formas de aquisição da propriedade imóvel, Quando isto se der pelo registro do título, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade desse título, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. 012. 012. (FURB/ADVOGADO/PREFEITURA DE TIMBÓ-SC/2019/ADAPTADA) Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. 013. 013. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) Aquele que semeia, planta ou edificaaos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias APreSeNtAÇÃoAPreSeNtAÇÃo Olá, queridos amigos e queridas amigas!! Começo com as seguintes advertências. Primeiro: irei aprofundar bastante nas aulas, porque quero que você esteja preparado para as questões mais difíceis em Direito das Coisas. Segundo: se você está com pouco tempo para estudar e percebe que não conseguirá ler tudo vagarosamente, recomendo que você faça o seguinte: (1) leia o resumo, passe os olhos ao longo desta aula, vá para as questões de concurso que estiverem disponibilizadas ao longo das aulas; (2) parta, em seguida, para as questões de concurso ao final da aula, pois eu as separei e as comentei de modo a que você se ambiente no assunto. Terceiro: leia as minhas aulas de PDF acompanhando tudo o que eu falar na legislação. Você precisa ler o texto da lei! Isso é que vai te dar memória fotográfica do Código, o que permitirá você resolver várias questões de concurso. Eu não costumo transcrever os artigos do Código na aula por dois motivos: (1) evitar que as aulas fiquem muito grandes e (2) estimular que você adquira familiaridade com o teu vade mecum. Aliás, eu recomendo que você use um Vade Mecum impresso mesmo, pois isso facilitará a tua memória fotográfica do texto da lei. Compre algum disponível no mercado. No pior das hipóteses, imprima a lei no site do Planalto. Rabisque o seu Vade Mecum com anotações importantes. Isso vai ajudar demais você. Não recomendo que você leia o texto da lei diretamente na internet, porque isso, além de impedir que você faça anotações, dificulta a memorização. Por fim, vai aqui minha última recomendação: faça você mesmo o seu resumo ou seu próprio mapa mental. Não basta você ler o PDF; é fundamental você escrever o que você está aprendendo, pois isso é que faz você fixar a matéria. Escrever o que você estuda te ajudará também a treinar para as provas discursivas. Você é que precisa sistematizar o conhecimento. Não recomendo que você busque resumos ou mapas mentais feitos por outras pessoas, a não ser que, posteriormente, você elabore o seu próprio resumo ou mapa mental. Eu, pessoalmente, prefiro fazer um resumo a fazer um mapa mental. Eu fixo mais assim. Fique, porém, à vontade para adotar a metodologia de sua preferência. Vamos em frente! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias COISAS – PARTE ICOISAS – PARTE I 1 . NoÇÕeS GerAIS De DIreItoS DAS CoISAS1 . NoÇÕeS GerAIS De DIreItoS DAS CoISAS Direito das Coisas Teorias Teoria realista Indivíduo vs Coisa Teoria personalista Indivíduo vs Coletividade Institutos Direitos reais Posse e detenção Direitos de vizinhança Queridos e queridas, vamos começar com alguns conceitos teóricos básicos. O Direito das Coisas é o ramo do Direito Civil que lida com a relação jurídica entre o indivíduo e a coisa (teoria realista) ou, na visão da teoria personalista, entre um indivíduo e a coletividade em relação a uma coisa. Quem é titular do direito real de propriedade pode opor seu direito contra qualquer pessoa, mas que quem apenas é apenas titular de um crédito proveniente de um contrato só pode opor esse direito contra a outra parte do contrato, e não contra terceiros (ex.: não pode cobrar a dívida de um amigo da parte devedora). O Direito das Coisas é dividido em três principais grupos de matérias: (1) direitos reais; (2) posse e detenção; e (3) direito de vizinhança. No CC, os direitos reais estão tratados nos arts. 1.225 ao 1.276 e nos arts. 1.314 ao 1.510-E, a posse está nos arts. 1.196 a 1.224 e o direito de vizinhança está nos arts. 1.277 ao 1.313. Vale a pena você passar os olhos nesses dispositivos para “pegar” uma visão panorâmica do Código Civil nessa parte. Qual é a diferença entre “Direito das Coisas” e “Direitos obrigacionais”, professor?Qual é a diferença entre “Direito das Coisas” e “Direitos obrigacionais”, professor? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Enquanto o Direito das Coisas disciplina a relação entre um indivíduo e a coisa (um titular e a coisa), o Direito das Obrigações cuida de relações jurídicas entre os indivíduos (um credor e um devedor). A distinção clássica assenta-se na diferença entre os direitos reais (um dos conceitos centrais do Direito das Coisas) e os direitos obrigacionais. Os direitos reais envolvem uma eficácia erga omnes, ao contrário dos direitos obrigacionais, que gozam de eficácia inter partes, ou seja, de eficácia apenas entre as partes da obrigação (credor e devedor). Essa distinção fica clara quando se lembra do velho jargão: “quem não registra não é dono”. Se alguém celebra um contrato de compra e venda de um imóvel, mas não o registra, tem apenas um direito obrigacional e, portanto, ficará sem imóvel algum na hipótese de o vendedor malandramente vender o mesmo imóvel um terceiro que venha a promover o registro no Cartório de Imóveis. O terceiro, com esse registro, terá adquirido um direito real de propriedade, o qual é oponível contra qualquer pessoa, até mesmo contra aquele negligente primeiro comprador. A questão, porém, não é simples, especialmente diante da existência de direitos obrigacionais com eficácia real e de situações obrigacionais que, à luz da doutrina do terceiro cúmplice – que é fruto da chamada tutela externa do crédito, um instituto assentado na boa-fé objetiva –, atinge terceiros. Há quem desconfie da existência de uma efetiva diferença teórica entre direitos reais e direitos obrigacionais. De qualquer forma, ainda prevalece na doutrina a distinção clássica supracitada. 2 . ProPrIeDADe e DoMÍNIo2 . ProPrIeDADe e DoMÍNIo Propriedade e domínio Propriedade = bens corpóreos ou incorpóreos Domínio = bem corpóreo Obs: o conceito de propriedade é mais amplo e abrange o conceito de domínio. Legislador nem sempre atentar para essas nomenclaturas. Veja esta questão: 001. 001. (FAPEMS/DELEGADO/PC-MS/2017/ADAPTADA) De acordo com os civilistas, o direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. A posse, de sua feita, é um poder de fato sobre a coisa cuja configuração não exige o elemento “função social”. A questão está “errada”, porque a posse também tem de observar a função social. Quando o art. 5º, inciso XXIII, da CF estabelece que a propriedade tem de observar a função social, ela está valendo-se do sentido amplo de “propriedade”, que abrange todos os tipos de titularidades, inclusive a posse. Errado. 002. 002. (PUC-PR/JUIZ/TJ-PR/2014) Ao manter, no caput do art. 1228 do CC, a descrição dos direitos do proprietário de usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa, foi preservadoem terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes, sem a obrigação de pagar-lhes o valor correspondente se agiu de boa-fé. 014. 014. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adquire-se propriedade por avulsão em decorrência de acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas desta. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 57 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 015. 015. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O aumento que o rio acresce às terras de modo vagaroso recebe o nome de aluvião, e estes acréscimos pertencem aos donos dos terrenos marginais, mediante indenização. 016. 016. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) Quanto às formas de aquisição da propriedade imóvel, ter-se-á o aluvião quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, acrescendo-o. 017. 017. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adquire-se a propriedade por abandono de álveo quando houver acréscimo de terras às margens de um rio, provocado pelo desvio de águas por força natural violenta, desde que sejam indenizados os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso. 018. 018. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O descobridor da coisa responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou possuidor legítimo, quando tiver procedido com culpa. 019. 019. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O Município não poderá abandonar a coisa em favor de quem a achou, mesmo se diminuto o seu valor. 020. 020. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adquire a propriedade pela confusão aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, se não se puder restituir à forma anterior. 021. 021. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adjunção é uma forma de aquisição da propriedade móvel prevista no Código Civil. 022. 022. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) No direito brasileiro, não é admitido o assenhoramento de coisa sem dono. 023. 023. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP/2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: o imóvel urbano abandonado pelo proprietário, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, mesmo na posse de outra pessoa, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, caso se encontre nas respectivas circunscrições. 024. 024. (FURB/ADVOGADO/PREFEITURA DE TIMBÓ-SC/2019/ADAPTADA) A usucapião é modo originário de aquisição da propriedade, mediante o exercício da posse pacífica e contínua, durante certo período de tempo previsto em lei. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 58 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 025. 025. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) A usucapião é modo derivado de aquisição da propriedade e a sentença que a reconhece é de natureza constitutiva do domínio. 026. 026. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP /2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: a usucapião especial urbana por abandono do lar corresponde à forma de aquisição derivada da propriedade do bem imóvel em sua totalidade. 027. 027. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP/2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: a propriedade móvel, por ser transmitida pela tradição, não permite sua aquisição pela usucapião. 028. 028. (FCC/JUIZ/TJMS/2020/ADAPTADA) Examine o seguinte enunciado legal: Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, se não se puder restituir à forma anterior. Esta disposição refere-se à a) adjunção. b) ocupação. c) extinção. d) confusão. e) especificação. 029. 029. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A laje não gera a abertura de matrícula autônoma, sendo registrada mediante averbação na matrícula da construção-base. 030. 030. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A instituição do direito real de laje implica na atribuição de fração ideal de terreno ao titular da laje. 031. 031. (FUNDEP/ADVOGADO/CAU-MG/2019/ADAPTADA) A laje pode ser constituída tanto de forma ascendente quanto descendente em relação à construção original, não importando se trata-se de construção sobre o solo ou construção que já se fez em laje. 032. 032. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) Se houver mais de uma laje, em caso de alienação, terá preferência para a aquisição, sucessivamente, o titular das lajes descendentes e o titular das lajes ascendentes, não assegurada a prioridade para a laje mais próxima. 033. 033. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A ruína da construção-base não implica extinção do direito real de laje se esta for reconstruída no prazo de cinco anos. 034. 034. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A ruína da construção-base implica extinção do direito real de laje, mesmo se este tiver sido instituído sobre o subsolo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 59 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias GABARITOGABARITO 1. e 2. E 3. E 4. C 5. C 6. E 7. E 8. C 9. E 10. C 11. C 12. C 13. E 14. E 15. E 16. E 17. E 18. E 19. E 20. E 21. C 22. E 23. E 24. C 25. E 26. E 27. E 28. e 29. E 30. E 31. C 32. E 33. C 34. E O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 60 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (IDCAP/PROCURADOR/CÂMARA DE BOA ESPERANÇA-ES/2019/ADAPTADA) De acordo com o Código Civil, assinale a alternativa correta sobre as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. a) A propriedade do solo abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. b) A propriedade do solo abrange as jazidas, mas não os demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. c) A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas, mas abrange os demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. d) A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, mas abrange os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. e) A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. É o art. 1.230, parágrafo único, CC: Art. 1.230, CC. A propriedadedo solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato na construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial, obedecido o disposto em lei especial. Lembramos que esse dispositivo coaduna com o art. 20 da Constituição Federal, que dá a titularidade dos recursos minerais, dos potenciais de energia hidráulica e dos monumentos arqueológicos. Confira-se: Art. 20, CF. São bens da União: (...) V – os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; (...) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 61 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias VIII – os potenciais de energia hidráulica; IX – os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X – as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; (...) § 1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica a e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. (...) Há leis especiais tratando da exploração, por particulares, desses bens públicos federais, geralmente assegurando uma participação financeira em favor do Poder Público, a exemplo da Lei n. 7.990/1989 e do Código das Águas (Decreto n. 24.643/1934). Letra e. 002. 002. (IBFC/PROCURADOR/PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO/2019/ADAPTADA) A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo, subsolo, jazidas, minas, potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais. A parte final da questão (a partir de “jazidas”) contraria o art. 1.230 do CC. Errado. 003. 003. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato na transformação industrial. Só a parte final está errada por contrariar o parágrafo único do art. 1.230 do CC: se o recurso mineral a ser empregado na construção civil depender de transformação industrial, não há esse direito de exploração Errado. 004. 004. (IBFC/PROCURADOR/PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO/2019/ADAPTADA) O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 62 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias É o art. 1.228, caput, do CC: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê- la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. § 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. § 3º O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. § 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. § 5º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. Certo. 005. 005. (IBFC/PROCURADOR/PREFEITURA DE CABO DE SANTO AGOSTINHO/2019/ADAPTADA) A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário. É o art. 1.231 do CC: Art. 1.231. A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário. Certo. 006. 006. (FURB/ADVOGADO/PREFEITURA DE TIMBÓ-SC/2019/ADAPTADA) A propriedade é considerada um direito fundamental pela Constituição da República e, ressalvada sua função social relacionada à proteção ao meio ambiente, não encontra limites na legislação atual. Ao contrário do dito na questão, a propriedade tem vários outros limites impostos pela lei além da proteção do meio ambiente, como: a) as restrições ao patrimônio histórico e artístico (art. 1.228, § 1º, do CC); b) a proibição de comportamentos abusivos pelo proprietário (art. 1.228, § 2º, da CF). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 63 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias c) a vedação ao subaproveitamento, a exemplo das sanções urbanísticas previstas para imóveis urbanos (arts. 182, § 4º, da CF) ou da desapropriação para fins de reforma agrária para propriedade improdutiva (art. 184, 185, II, e 186 da CF); d) os limites urbanísticos, a exemplo dos limites de construção (art. 182, CF). Veja os dispositivos supracitados: Art. 1.228, CC. (...) § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. § 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. (...) Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. § 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: I – parcelamento ou edificação compulsórios; II – imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III – desapropriação com pagamentomediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Art. 184, CF. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. § 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. § 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação. § 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação. § 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 64 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias § 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Art. 185, CF. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: I – a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra; II – a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social. Art. 186, CF. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I – aproveitamento racional e adequado; II – utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III – observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV – exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Errado. 007. 007. (FCC/PROMOTOR/MPE-MT/2019/ADAPTADA) São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. Essa norma, prevista no Código Civil, concerne ao direito à propriedade e defende a plena possibilidade de uso, fruição e disponibilidade do bem, direito real que é. O enunciado da questão transcreve o § 2º do art. 1.228 do CC. Esse dispositivo demonstra que não há “plena possibilidade de uso, fruição e disponibilidade do bem”, ao contrário do dito na questão. Esse dispositivo demonstra que há limites ao uso, fruição e disponibilidade do bem pelo proprietário. Errado. 008. 008. (FCC/PROMOTOR/MPE-MT/2019/ADAPTADA) São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. Essa norma, prevista no Código Civil, diz respeito à vedação do abuso do direito, considerado ato ilícito pela legislação civil, e interpreta-se em harmonia com o princípio da função social da propriedade. É o enunciado n. 49/JDC (“Interpreta-se restritivamente a regra do art. 1.228, § 2º, do novo Código Civil, em harmonia com o princípio da função social da propriedade e com o disposto no art. 187”). Esse art. 187 do CC trata do abuso de direito. De fato, por meio do O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 65 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias § 2º do art. 1.228 do CC, nós, “com mais de 100 anos de atraso em relação aos precedentes franceses, consagramos a teoria dos atos emulativos e o abuso de direito de propriedade” (ROSENVALD, Nelson; FARIAS, Cristiano Chaves de. Curso de Direito Civil, vol. 5: direitos reais. Salvador/BA: Ed. JusPodivm, 2020, p. 327). Certo. 009. 009. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) A propriedade das coisas móveis transfere-se pelos negócios jurídicos praticados antes da tradição. Ocorre com a tradição (arts. 1.226 e 1.267 do CC). Veja: Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição. Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Parágrafo único. Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico. Errado. 010. 010. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP /2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. É o § 1º do art. 1.245 do CC. Veja: Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1 o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2 o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 66 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 011. 011. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) Quanto às formas de aquisição da propriedade imóvel, Quando isto se der pelo registro do título, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade desse título, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. É o § 1º do art. 1.245 do CC. Certo. 012. 012. (FURB/ADVOGADO/PREFEITURA DE TIMBÓ-SC/2019/ADAPTADA) Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. É o art. 1.253 do CC: Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. Certo. 013. 013. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes, sem a obrigação de pagar-lhes o valor correspondente se agiu de boa-fé. Parte final está errada: tem de pagar o valor das sementes (ainda que tenha agido de boa- fé), além de, se tiver agido de ma-fé, ter de pagar indenização por perdas e danos. É o art. 1.254 do CC: Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS- 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 67 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 014. 014. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adquire-se propriedade por avulsão em decorrência de acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas desta. A questão define a aluvião (art. 1.250 do CC), e não a avulsão (art. 1.251 do CC). Veja: Subseção II Da Aluvião Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. Subseção III Da Avulsão Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Errado. 015. 015. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O aumento que o rio acresce às terras de modo vagaroso recebe o nome de aluvião, e estes acréscimos pertencem aos donos dos terrenos marginais, mediante indenização. O único erro da questão é a parte final: não há dever de indenizar nessa hipótese por força do art. 1.250 do CC. Errado. 016. 016. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) Quanto às formas de aquisição da propriedade imóvel, ter-se-á o aluvião quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, acrescendo-o. A questão define a avulsão (art. 1.251, CC), e não a aluvião12 (art. 1.250, CC). Errado. 12 Apesar de a Academia Brasileira de Letras registrar o verbete “aluvião” como substantivo feminino (http://www.aca- demia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario), há quem defenda o seu gênero masculino (https://ciberduvidas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario http://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-geenero-de-aluviao/18403#:~:text=O caso de aluvi%C3%A3o %C3%A9,interpretada como um aumentativo masculino. 68 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 017. 017. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adquire-se a propriedade por abandono de álveo quando houver acréscimo de terras às margens de um rio, provocado pelo desvio de águas por força natural violenta, desde que sejam indenizados os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso. Não há dever de indenizar, ao contrário do dito na questão (art. 1.252, CC). Veja: Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. Errado. 018. 018. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O descobridor da coisa responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou possuidor legítimo, quando tiver procedido com culpa. Só responde por dolo, e não por culpa (art. 1.235, CC). Afinal de contas, trata-se de um ato gratuito (de generosidade), pois o descobridor devolverá a coisa perdida ao proprietário. Essa regra guarda coerência com o princípio da proteção simplificada do agraciado. Veja: Art. 1.235. O descobridor responde pelos prejuízos causados ao proprietário ou possuidor legítimo, quando tiver procedido com dolo. Errado. 019. 019. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) O Município não poderá abandonar a coisa em favor de quem a achou, mesmo se diminuto o seu valor. É o contrário (art. 1.237, parágrafo único, CC). Errado. 020. 020. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adquire a propriedade pela confusão aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, se não se puder restituir à forma anterior. A questão trata a especificação (art. 1.269 do CC), e não da confusão, que é a mistura de coisas líquidas (art. 1.272, CC). Veja: iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-geenero-de-aluviao/18403#:~:text=O%20caso%20de%20aluvi%C3%A3º%20 %C3%A9,interpretada%20como%20um%20aumentativo%20masculino.). Na prática, admite-se os dois usos: trata-se de um substantivo de gênero vacilante, à semelhança dos verbetes “usucapião”. Como o Código Civil utiliza o verbete no gênero feminino, preferiremos essa opção. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-geenero-de-aluviao/18403#:~:text=O caso de aluvi%C3%A3o %C3%A9,interpretada como um aumentativo masculino. https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/o-geenero-de-aluviao/18403#:~:text=O caso de aluvi%C3%A3o %C3%A9,interpretada como um aumentativo masculino. 69 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Seção V Da Especificação Art. 1.269. Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, se não se puder restituir à forma anterior. Art. 1.270. Se toda a matéria for alheia, e não se puder reduzir à forma precedente, será do especificador de boa-fé a espécie nova. § 1º Sendo praticável a redução, ou quando impraticável, se a espécie nova se obteve de má-fé, pertencerá ao dono da matéria-prima. § 2º Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, escritura e outro qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador, se o seu valor exceder consideravelmente o da matéria-prima. Art. 1.271. Aos prejudicados, nas hipóteses dos arts. 1.269 e 1.270 , se ressarcirá o dano que sofrerem, menos ao especificador de má-fé, no caso do § 1 o do artigo antecedente, quando irredutível a especificação. Seção VI Da Confusão, da Comissão e da Adjunção Art. 1.272. As coisas pertencentes a diversos donos, confundidas, misturadas ou adjuntadas sem o consentimento deles, continuam a pertencer-lhes, sendo possível separá-las sem deterioração. § 1º Não sendo possível a separação das coisas, ou exigindo dispêndio excessivo, subsiste indiviso o todo, cabendo a cada um dos donos quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura ou agregado. § 2º Se uma das coisas puder considerar-se principal, o dono sê-lo-á do todo, indenizando os outros. Art. 1.273. Se a confusão, comissão ou adjunção se operou de má-fé, à outra parte caberá escolher entre adquirir a propriedade do todo, pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida, ou renunciar ao que lhe pertencer, caso em que será indenizado. Art. 1.274. Se da união de matérias de natureza diversa se formar espécie nova, à confusão, comissão ou adjunção aplicam-se as normas dos arts. 1.272 e 1.273 . Errado. 021. 021. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) Adjunção é uma formade aquisição da propriedade móvel prevista no Código Civil. Adjunção é a justaposição de coisas sólidas (ex.: soldar uma barra de ferro em outra) e constitui uma hipótese de aquisição da propriedade móvel, conforme arts. 1.272 ao 1.274 do CC. Certo. 022. 022. (MPE-SP/PROMOTOR/MPE-SP/2019/ADAPTADA) No direito brasileiro, não é admitido o assenhoramento de coisa sem dono. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1269 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1272 70 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias O art. 1.263 do CC disciplina, como uma das formas de aquisição da propriedade móvel, a “ocupação”, assim entendido o ato de se apropriar de coisa sem dono. Veja: Seção II Da Ocupação Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei. Errado. 023. 023. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP/2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: o imóvel urbano abandonado pelo proprietário, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, mesmo na posse de outra pessoa, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, caso se encontre nas respectivas circunscrições. O erro está no excerto “mesmo na posse de outra pessoa”, pois o Município e o Distrito Federal só poderão arrecadar, declarar vago e apropriar-se de imóveis desocupados na forma do art. 1.276 do CC. Veja: Art. 1.276. O imóvel urbano que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, e que se não encontrar na posse de outrem, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, se se achar nas respectivas circunscrições. § 1º O imóvel situado na zona rural, abandonado nas mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade da União, onde quer que ele se localize. § 2º Presumir-se-á de modo absoluto a intenção a que se refere este artigo, quando, cessados os atos de posse, deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. Errado. 024. 024. (FURB/ADVOGADO/PREFEITURA DE TIMBÓ-SC/2019/ADAPTADA) A usucapião é modo originário de aquisição da propriedade, mediante o exercício da posse pacífica e contínua, durante certo período de tempo previsto em lei. É a definição doutrinária da usucapião. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 71 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 025. 025. (FCC/ADVOGADO/AFAP/2019/ADAPTADA) A usucapião é modo derivado de aquisição da propriedade e a sentença que a reconhece é de natureza constitutiva do domínio. Ao contrário do dito a questão, é forma de aquisição originária, conforme definição doutrinária. Ademais, a sentença é declaratória (e não constitutiva), pois apenas declara algo que ocorreu antes: a aquisição da propriedade pelo transcurso de prazo de posse ad usucapionem. Errado. 026. 026. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP /2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: a usucapião especial urbana por abandono do lar corresponde à forma de aquisição derivada da propriedade do bem imóvel em sua totalidade. Usucapião é forma de aquisição originária, e não derivada. Errado. 027. 027. (VUNESP/ADVOGADO/CÂMARA DE PIRACICABA-SP/2019/ADAPTADA) Quanto à aquisição e perda da propriedade, é correto afirmar: a propriedade móvel, por ser transmitida pela tradição, não permite sua aquisição pela usucapião. É admitido usucapião para bens móveis também (arts. 1.260 ao 1.262 do CC). Veja: Seção I Da Usucapião Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade. Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título ou boa-fé. Art. 1.262. Aplica-se à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244 . Errado. 028. 028. (FCC/JUIZ/TJMS/2020/ADAPTADA) Examine o seguinte enunciado legal: Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, se não se puder restituir à forma anterior. Esta disposição refere-se à a) adjunção. b) ocupação. c) extinção. d) confusão. e) especificação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1243 72 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias A questão define a especificação (art. 1.269, CC). Letra e. 029. 029. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A laje não gera a abertura de matrícula autônoma, sendo registrada mediante averbação na matrícula da construção-base. Gera sim (art. 1.510-A, § 3º, do CC e art. 176, § 9º, da Lei n. 6.015/73 – Lei de Registros Públicos – LRP). Veja: Art. 1.510-A. O proprietário de uma construção-base poderá ceder a superfície superior ou inferior de sua construção a fim de que o titular da laje mantenha unidade distinta daquela originalmente construída sobre o solo. § 1º O direito real de laje contempla o espaço aéreo ou o subsolo de terrenos públicos ou privados, tomados em projeção vertical, como unidade imobiliária autônoma, não contemplando as demais áreas edificadas ou não pertencentes ao proprietário da construção-base. § 2º O titular do direito real de laje responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre a sua unidade. § 3º Os titulares da laje, unidade imobiliária autônoma constituída em matrícula própria, poderão dela usar, gozar e dispor. § 4º A instituição do direito real de laje não implica a atribuição de fração ideal de terreno ao titular da laje ou a participação proporcional em áreas já edificadas. § 5º Os Municípios e o Distrito Federal poderão dispor sobre posturas edilícias e urbanísticas associadas ao direito real de laje. § 6º O titular da laje poderá ceder a superfície de sua construção para a instituição de um sucessivo direito real de laje, desde que haja autorização expressa dos titulares da construção-base e das demais lajes, respeitadas as posturas edilícias e urbanísticas vigentes. Art. 176, § 9º, LRP. A instituição do direito real de laje ocorrerá por meio da abertura de uma matrícula própria no registro de imóveis e por meio da averbação desse fato na matrícula da construção-base e nas matrículas de lajes anteriores, com remissão recíproca. Errado. 030. 030. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A instituição do direito real de laje implica na atribuição de fração ideal de terreno ao titular da laje. Não há essa atribuição de fração ideal, conforme § 4º do art. 1.510-A do CC. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 73 de 75gran.com.br DIreIto CIvIlCoisas – Parte I Carlos Elias 031. 031. (FUNDEP/ADVOGADO/CAU-MG/2019/ADAPTADA) A laje pode ser constituída tanto de forma ascendente quanto descendente em relação à construção original, não importando se trata-se de construção sobre o solo ou construção que já se fez em laje. É o art. 1.510-A, § 1º, do CC. De fato, “na forma como foi redigido o Código Civil nesse ponto, o Direito Real de Laje é uma espécie de Direito Real de Propriedade sobre um espaço tridimensional que se expande a partir da laje de uma construção-base em direção ascendente ou a partir do solo dessa construção em direção subterrânea” (OLIVEIRA, Carlos Eduardo Elias de. Direito Real de Laje à luz da Lei 13.465/2017: nova lei, nova hermenêutica. Brasília: Núcleo de Estudos e Pesquisas/CONLEG/Senado, Julho/2017. Disponível em: www.senado. leg.br/estudos. Acesso em 13 de julho de 2017). Certo. 032. 032. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) Se houver mais de uma laje, em caso de alienação, terá preferência para a aquisição, sucessivamente, o titular das lajes descendentes e o titular das lajes ascendentes, não assegurada a prioridade para a laje mais próxima. Há prioridade para as lajes mais próximas, ao contrário do dito na questão (art. 1.510-D, § 2º, do CC). Veja: Art. 1.510-D. Em caso de alienação de qualquer das unidades sobrepostas, terão direito de preferência, em igualdade de condições com terceiros, os titulares da construção-base e da laje, nessa ordem, que serão cientificados por escrito para que se manifestem no prazo de trinta dias, salvo se o contrato dispuser de modo diverso. § 1º O titular da construção-base ou da laje a quem não se der conhecimento da alienação poderá, mediante depósito do respectivo preço, haver para si a parte alienada a terceiros, se o requerer no prazo decadencial de cento e oitenta dias, contado da data de alienação. § 2º Se houver mais de uma laje, terá preferência, sucessivamente, o titular das lajes ascendentes e o titular das lajes descendentes, assegurada a prioridade para a laje mais próxima à unidade sobreposta a ser alienada. Errado. 033. 033. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A ruína da construção-base não implica extinção do direito real de laje se esta for reconstruída no prazo de cinco anos. É o art. 1.510-E, II, do CC. Veja: Art. 1.510-E. A ruína da construção-base implica extinção do direito real de laje, salvo: I – se este tiver sido instituído sobre o subsolo; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br http://www.senado.leg.br/estudos http://www.senado.leg.br/estudos 74 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias II – se a construção-base não for reconstruída no prazo de cinco anos; Parágrafo único. O disposto neste artigo não afasta o direito a eventual reparação civil contra o culpado pela ruína. Certo. 034. 034. (VUNESP/PROCURADOR/DAEM/2019/ADAPTADA) A ruína da construção-base implica extinção do direito real de laje, mesmo se este tiver sido instituído sobre o subsolo. Contraria o art. 1.510-E, I, do CC. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Coisas – Parte I 1. Noções Gerais de Direitos das Coisas 2. Propriedade e Domínio 3. Noções Gerais de Direitos reais 4. Teoria Realista vs Teoria Personalista 5. Princípios dos Direitos Reais 5.1. Princípio da Taxatividade 5.2. Princípio do Absolutismo 5.3. Princípio da Prevalência (Prior in Tempore, Potio in Iure) 6. Constituição de Direitos Reais 7. Poderes Inerentes à Propriedade e a Plasticidade 8. Classificação da Propriedade quanto à Plenitude 9. Princípio da Perpetuidade do Direito Real de Propriedade 10. Princípio da Exclusividade 11. Direitos Reais em Espécies: Noções Gerais 12. Direito Real de Propriedade 12.1. Noções Gerais 12.2. Descoberta (Antiga “Invenção”) 12.3. Aquisição Imobiliária 12.4. Acessão sobre Imóveis 12.5. Construção ou Plantação em Terreno Alheio e a Acessão Inversa 12.6. Construção Parcialmente em Terreno Alheio 12.7. Aquisição Mobiliária 12.8. Ocupação, Tesouro, Especificação e Acessão de Móvel a Móvel (Confusão, Comistão e Adjunção) 12.9. Extinção 13. Imissão Provisória na Posse e Respectivas Cessão ou Promessa de Cessão 14. Direito Real de Laje 14.1. Noções Gerais 14.2. Mesma Pessoa como Titular da Construção-Base e das Lajes 14.3. Lajes Sucessivas (Graus de Laje) 14.4. Dispensa de Entrada para as Lajes e a Aplicação do Direito de Vizinhança 14.5. Natureza Jurídica: Direito Real sobre Coisa Própria ou Alheia? Questões Práticas: Tributos Reais (IPTU Etc.), Ônus Reais etc. 14.6. Observância da Legislação Urbanística e a Qualificação do Título pelo Cartório de Imóveis 14.7. Titularidade do Solo: Ausência de Frações Ideais 14.8. Condomínio Necessário sobre Partes Comuns do Edifício: Consequências Práticas e Regras de Administração 14.9. Direito de Preferência 14.10. Extinção da Laje 14.11. Procedimento no Cartório de Registro de Imóveis 14.12. Direito Real de Aquisição Resumo Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentadoo direito real vinculado e submetido ao poder absoluto daquele (proprietário). O gabarito é “errado”, porque não há mais poder absoluto do proprietário, pois o poder do proprietário é flexibilizado pela função social, que deve ser observada pelo proprietário (art. 5º, inciso XXIII, da CF). Errado. 003. 003. (FCC/DEFENSOR/DPE-AM/2018) São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. Esse enunciado normativo diz respeito a) à onerosidade excessiva. b) à lesão. c) ao enriquecimento sem causa. d) à comutatividade. e) ao abuso de direito. A questão retrata uma espécie de abuso de direito, consistente na adoção de comportamento destinado a prejudicar outrem mediante o exercício de um direito. O enunciado é um retrato da Teoria dos Atos Emulativos (art. 1.228, § 2º, CC). Vamos explicar mais. Propriedade em sentido amplo abrange qualquer titularidade de bens corpóreos ou incorpóreos. Não se restringe ao direito das coisas. Abrange também propriedade sobre imateriais, como é o caso dos direitos de crédito, dos direitos autorais, da propriedade industrial, dos direitos decorrentes da posse etc. É esse sentido amplo que a Constituição O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Federal utiliza quando protege o direito de propriedade e o sujeita à função social no art. 5º, caput, XXII e XXIII. Domínio é a titularidade de coisa corpórea por meio de um direito real de propriedade. Por isso, não podemos falar em domínio intelectual, e sim em propriedade intelectual. Como se vê, o conceito de propriedade é mais amplo e abrange também o de domínio. Em várias ocasiões, a legislação emprega a palavra “propriedade” para se referir apenas ao domínio, a exemplo do conceito de direito real de propriedade (art. 1.225, I, CC), que se restringe aos bens corpóreos. O legislador, porém, não leva essa distinção terminológica com rigorismo, de modo que o jurista deverá ser flexível ao se deparar com esses verbetes na legislação a fim de identificar a real intenção da lei. Letra e. 3 . NoÇÕeS GerAIS De DIreItoS reAIS3 . NoÇÕeS GerAIS De DIreItoS reAIS Direitos reais vs Direitos obrigacionais Direitos reais Adesão à propria coisa Oponibilidade erga omnes Direitos obrigacionais Sem adesão à outra parte Oponibilidade inter partes Direito obrigacional se distingue do direito real. No direito obrigacional, o credor tem um direito perante o devedor para receber alguma prestação, que pode ou não estar vinculado a fruir alguma coisa. É o caso do contrato de aluguel. Se alguém aluga um imóvel, ele tem um direito meramente obrigacional de exigir que o locador lhe disponibilize o uso do imóvel. Não se cuida de um direito NA coisa (ius in re), e sim direito À coisa (ius ad rem). Em outras palavras, o inquilino tem um direito de constranger o locador a garantir o uso da coisa. O direito do inquilino não está “na coisa” e, portanto, só é oponível perante o locador, e não contra terceiros. Assim, se o inquilino estiver morando no imóvel alugado, o locador não pode retirá-lo de lá. Todavia, se aparecer um terceiro que comprove ser o verdadeiro proprietário do imóvel (ex.: provou que o título de propriedade do O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias locador é nulo), esse terceiro pode expulsar o inquilino do imóvel, pois o inquilino não tem um direito “na coisa”, e sim direito perante o locador apenas. Igualmente, se o locador transferir o direito real de propriedade do imóvel para um terceiro (vendendo-lhe, por exemplo, o imóvel), o novo proprietário poderá exigir que o inquilino saia do imóvel: o inquilino nada poderá fazer diante desse novo proprietário, pois o direito do inquilino é apenas um direito oponível perante o antigo proprietário, ou seja, é um direito meramente obrigacional1. É diferente o que sucede no direito real. Neste não há credor e devedor. Há apenas um titular do direito real. Ele tem um direito “na coisa” e, portanto, pode se opor contra qualquer um que ameace esse direito. Por exemplo, se alguém, no lugar de celebrar um contrato de locação, adquire um direito real de usufruto sobre o imóvel, ele passa a ter um vínculo jurídico com a coisa em razão do qual poderá exercer os poderes de usá-la e fruí-la com exclusão de quem quer que seja. Se o proprietário vender o imóvel, o novo proprietário não poderá expulsar o usufrutuário da coisa, pois o direito do usufrutuário é um direito real, e não um direito obrigacional, ou seja, o usufrutuário tem um direito “na coisa”. Trocando em miúdos, o adquirente do imóvel comprou um imóvel já manchado com um direito real de usufruto ou, na metáfora dos romanos, comprou um imóvel leproso. Os romanos diziam que o direito real adere à coisa, como a lepra ao corpo (uti lepra cuti). Outro exemplo: se o banco tem um direito real de hipoteca sobre um imóvel como garantia de uma dívida contraída pelo proprietário do imóvel, esse direito do banco está grudado à coisa, porque é um direito real. Como consequência, se um terceiro adquirir a coisa, estará adquirindo um imóvel hipotecado e, portanto, estará vulnerável diante do banco caso o antigo proprietário não pague a dívida garantida pela hipoteca. O banco tem um direito real de hipoteca que lhe garantirá penhorar e leiloar o imóvel no caso de inadimplência da dívida garantida ainda que outra pessoa tenha adquirido a propriedade do bem. Outro exemplo: Direito real é, pois, o vínculo jurídico em razão do qual o titular pode exercer, total ou parcialmente, poderes sobre uma coisa com exclusão de qualquer outra pessoa. É, pois, um direito grudado à coisa, é um ius in re (na expressão dos juristas medievais), é uma lepra grudada na coisa (na metáfora romana). 4 . teorIA reAlIStA vS teorIA PerSoNAlIStA4 . teorIA reAlIStA vS teorIA PerSoNAlIStA Há duas teorias para definir os direitos reais: a realista e a personalista. A teoria realista ou clássica define-o como um vínculo da pessoa (o titular) com a coisa. E, como a relação jurídica é com a coisa, o titular pode opor-se a terceiros. O adjetivo realista é por que a teoria focaliza a coisa (res). 1 Se o inquilino tivesse pactuado uma cláusula de vigência da locação e a tivesse averbado na matrícula do imóvel, aí ele teria um direito com eficácia real perante o novo proprietário e, assim, poderia continuar no imóvel até o fim do con- trato de locação. Esse direito de continuar no imóvel, todavia, não é um direito puramente obrigacional, e sim um direito obrigacional com eficácia real (art. 8º, Lei n. 8.245/91; art. 576, CC; art. 167, I, “3”, Lei n. 6.015/73). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias A teoria personalista define o direito real como um vínculo jurídico da pessoa (titular) com toda a sociedade, que se torna obrigada a respeitar o direito do titular sobre a coisa. O adjetivo personalista é por que a teoria centra-se nas pessoas que tem de respeitar o direito real. As duas teoriaschegam ao mesmo resultado prático: assegurar a eficácia erga omnes dos direitos reais. A diferença entre elas é estética, pois uma foca na existência de uma relação jurídica entre pessoa e coisa (teoria realista) e a outra, na existência de uma relação entre uma pessoa e terceiros indeterminados em relação a uma coisa. 5 . PrINCÍPIoS DoS DIreItoS reAIS5 . PrINCÍPIoS DoS DIreItoS reAIS Princípios dos Direitos Reais Taxatividade Controvérsia Direitos obrigacionais com eficácia real? Absolutismo oponibilidade erga omnes Aderência direito de sequela Prevalência Prior in tempore potio in iure 5 .1 . PrINCÍPIo DA tAXAtIvIDADe5 .1 . PrINCÍPIo DA tAXAtIvIDADe Veja esta questão: 004. 004. (MPE-RS/PROMOTOR/MPE-RS/2017/ADAPTADA) As leis extravagantes podem criar novos direitos reais, sem a sua descrição expressa no dispositivo civil que os prevê. O gabarito é “correto”, pois qualquer lei pode criar direitos reais, a exemplo da caução e da cessão fiduciária de direitos creditórios relativos a contratos de alienação de imóveis nos termos do art. 17, § 1º, da Lei n. 9.514/97. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Vamos tratar mais do assunto. Ainda hoje, há controvérsia sobre a adoção ou não do princípio da taxatividade. Merece ser anulada questão de prova objetiva que afirme ter sido adotada ou não esse princípio. Pelo princípio da taxatividade ou do numerus clausus, os direitos reais só podem ser criados mediante lei. As espécies de direitos reais estão catalogadas taxatividade na lei (numerus clausus). É vedado, pois, que os particulares, por mero acordo de vontade, criem direitos reais, ao contrário do que sucede com os contratos. Prevalece, na doutrina majoritária, que o princípio da taxatividade dos direitos reais vigora no Brasil. E há motivo para tanto: como os direitos reais são oponíveis contra terceiros e como eles restringem o regime do direito real de propriedade, só lei poderia vincular terceiros ou limitar o direito de propriedade perante terceiros, pois, pelo princípio da legalidade, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei. Sob essa ótica, os direitos reais não estão apenas no art. 1.225 do CC, mas também em outros dispositivos legais. Como exemplo de direitos reais previstos fora do art. 1.225 do CC, podem-se citar: a) a caução de direitos creditórios ou aquisitivos decorrentes de contratos de venda ou promessa de venda de imóveis (Art. 17, III, e § 1º, da Lei n. 9.514/97; art. 167, II, “8”, da Lei n. 6.015/73). b) a cessão fiduciária de direitos creditórios decorrentes de contratos de alienação de imóveis (art. 17, II, e § 1º, da Lei n. 9.514/97; e art. 167, II, “8”, da LRP). O tema, porém, vem sendo objeto de controvérsias. 5 .1 .1 . DIreItoS reAIS vS DIreItoS oBrIGACIoNAIS CoM eFICÁCIA reAl Direitos reais são aqueles assim nominados em lei em razão do princípio da taxatividade. Há, porém, direitos obrigacionais que, por força de lei, podem adquirir eficácia contra terceiros mediante sua publicação nos registros públicos. Trata-se dos direitos obrigacionais com eficácia real. São exemplos deles: a. a cláusula de vigência do contrato de locação no caso de alienação se for inscrita nos registros públicos (art. 8º, Lei n. 8.245/91; art. 576, CC; art. 167, I, “3”, Lei n. 6.015/73); b. o direito de preferência do inquilino em adquirir o imóvel urbano alugado (art. 33 da Lei n. 8.245/91; art. 167, II, “16”, Lei n. 6.015/73). c. caução de bens móveis e de bens imóveis em contrato de locação de imóvel urbano quando inscrita nos registros públicos (art. 38, Lei n. 8.245/91). Em relação às cláusulas especiais de compra e venda (retrovenda, venda a contento, preempção, venda com reserva de domínio e venda sobre documentos), consideramos que elas apenas representam formas de expressão do direito real de propriedade. Não são, pois, direitos reais autônomos nem direitos obrigacionais com eficácia real. No caso da venda O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias sobre documentos, trata-se apenas de uma forma de presunção de tradição por meio da entrega de documento representativo da coisa. Nos demais casos, cuida-se de formas de condições suspensivas ou resolutivas que modelam o direito real de propriedade. 5 .1 .2 . eXeMPlo De UtIlIDADe PrÁtICA No DeBAte: APlICAÇÃo Do Art . 108, CC Há repercussão prática em definir um direito como real ou como obrigacional com eficácia real. Um exemplo é o fato de que o art. 108 do CC exige escritura pública para negócios jurídicos envolvendo direitos reais sobre imóveis de valor superior a 30 salários mínimos. Esse dispositivo só se aplica para direitos reais. Assim, no caso dos direitos obrigacionais com eficácia real – a exemplo da caução de bens imóveis em locação, da cláusula de vigência da locação ou do direito de preferência na locação –, não se aplica o art. 108 do CC: esses direitos obrigacionais com eficácia real podem ser formalizados por instrumentos particulares a serem inscritos no Cartório de Imóveis. O legislador pressupôs a taxatividade dos direitos reais na redação dos dispositivos. Negá-la para considerar, como direitos reais, situações obrigacionais com eficácia erga omnes é subverter o sistema legal brasileiro e, por consequência, causar problemas como o da aplicação do art. 108 do CC para hipóteses em que esse preceito não seria aplicável. É verdade que os direitos reais se assemelham aos obrigacionais com eficácia real em razão de ambos terem eficácia erga omnes; todavia, o legislador não considerou as duas categorias como sinônimas nem com o mesmo regime jurídico, e isso tem de ser observado. 5 .2 . PrINCÍPIo Do ABSolUtISMo5 .2 . PrINCÍPIo Do ABSolUtISMo Os direitos são direitos absolutos, ou seja, são direitos oponíveis erga omnes (contra todos). Difere dos direitos obrigacionais, que são direitos relativos, ou seja, são oponíveis inter partes (entre as partes). 5.2.1. PRINCÍPIO DA ADERÊNCIA OU DA INERÊNCIA (DIREITO DE SEQUELA) Os direitos reais aderem à coisa, o que autoriza o seu titular a opor-se perante terceiros. Trata-se do princípio da aderência ou da inerência. Daí decorre o direito de sequela, por meio do qual o titular do direito real pode reivindicar a coisa das mãos de quem quer que seja. O direito real segue a coisa (daí o nome “direito de sequela2”). Esse direito está no art. 1.228 do CC. Assim, quem tem um direito real de hipoteca sobre um imóvel poderá exercer esse direito mesmo no caso de o imóvel ter sido vendido para terceiros, visto que o direito real de hipoteca acompanhará a coisa. Igualmente o titular de um direito real de propriedade pode reivindicar a coisa das mãos de algum invasor. 2 Sequela, entre outros significados, significa o ato ou efeito de seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 5.3. PRINCÍPIO DA PREVALÊNCIA (PRIOR IN TEMPORE, POTIO IN IURE)5.3. PRINCÍPIO DA PREVALÊNCIA (PRIOR IN TEMPORE, POTIO IN IURE) A prevalência é a característicade que os direitos reais instituídos em primeiro lugar prevalecem sobre direitos reais contraditórios instituídos posteriormente3. Trata-se da máxima romana prior in tempore potio in iure (primeiro no tempo, mais forte no direito). Assim, se uma pessoa ardilosamente vende duas vezes o mesmo imóvel, o comprador que, em primeiro lugar, registrar a escritura de compra e venda terá um direito de propriedade que prevalecerá sobre o outro comprador. Igualmente, se uma pessoa oferece o imóvel em hipoteca perante dois credores, aquele que, em primeiro lugar, registrar a hipoteca prevalecerá sobre o outro e terá uma hipoteca de primeiro grau, de modo que restará ao outro uma hipoteca de segundo grau. 6 . CoNStItUIÇÃo De DIreItoS reAIS6 . CoNStItUIÇÃo De DIreItoS reAIS Constituição de direitos reais Móvel Tradição Exceções: registro público Penhor comum Penhor rural Penhor de direitos Penhor de veículos Alienação fiduciária sobre bens móveis Alienação fiduciária sobre veículo Imóvel Registro no Cartório de Imóveis Exceções Usucapião (mero transcurso do tempo) Sucessão causa mortis (morte) Aquisição de imóvel por acessão (momento da acessão) Comunicação pelo regime de bens (momento da aquisição dos bens) Perda da propriedade por perecimento da coisa (momento do perecimento da coisa) 3 O civilista português Luís Manuel Teles de Menezes Cordeiro O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 005. 005. (CONSUPLAN/TITULAR DE CARTÓRIO/TJMG/2018 - ADAPTADA) Os direitos reais sobre coisas imóveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição. O item está “errado”, pois os direitos reais sobre imóveis se constituem, em regra, com o registro (arts. 1.227 e 1.245, CC). Errado. 006. 006. (CESPE/PROCURADOR/PGE-PI/2014) A aquisição da propriedade imobiliária em decorrência do direito hereditário se dá com o registro do título na serventia extrajudicial competente. O gabarito é “errado”, pois, no caso de sucessão causa mortis (direito hereditário), a aquisição da propriedade pelos herdeiros ocorre no momento da morte por força do princípio da Saisine previsto no art. 1.784 do CC, de sorte que o registro do título no Cartório de Imóveis (serventia extrajudicial) tem natureza declaratória. Errado. Vamos tratar mais disso. A constituição dos direitos reais varia a depender de o objeto ser imóvel ou móvel. Os direitos reais sobre imóveis nascem, em regra, com o registro do título na matrícula do imóvel perante o Cartório de Imóveis (arts. 1.227 e 1.245, CC). Trata-se do princípio da inscrição. Antes do registro, não há direito real. Assim, quem assina uma escritura pública de compra e venda de um imóvel tem apenas um direito obrigacional a adquirir o bem, mas, no momento em que registrar essa escritura no Cartório de Registro de Imóveis, tornar- se-á titular de um direito real de propriedade. Há exceções decorrentes de lei ao princípio da inscrição, especialmente estes: a. Usucapião (arts. 1.238 e 1.260, CC): o direito real de propriedade do usucapiente nasce com o mero transcurso do tempo, de modo que a sentença é declaratória. b. sucessão causa mortis (art. 1.784, CC): a transmissão ocorre no momento da morte por conta do princípio da Saisine. c. Aquisição de imóvel por acessão (art. 1.248, CC): a aquisição da propriedade sobre a acessão, como no caso de uma construção, ocorre no momento em que ela ocorre, de modo que a averbação posterior no Cartório de Imóveis é meramente declaratória. d. Comunicação pelo regime de bens (art. 1.639, § 1º, CC): a comunicação ocorre automaticamente com a aquisição dos bens. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias e. perda da propriedade por perecimento da coisa (art. 1.275, IV, CC): a extinção do direito real de propriedade ocorre com o perecimento da coisa, de modo que posterior averbação no Cartório de Imóveis é meramente declaratória. f. A constituição do direito real sobre móveis ocorre com tradição (arts. 1.226, 1.267 e 1.268, CC). Há, porém, exceções. De um lado, há exceções legais que são comuns aos direitos reais sobre imóveis, a saber: a. usucapião (arts. 1.262 ao 1.262, CC); b. sucessão causa mortis (art. 1.784, CC). c. Comunicação pelo regime de bens (art. 1.639, § 1º, CC); De outro lado, há exceções legais que consistem na exigência de um registro para o nascimento do direito real, a exemplo destes casos: a. Penhor comum: além da tradição, é necessário o registro no Registro de Títulos e Documentos – RTD para oponibilidade erga omnes (art. 1.431 e 1.432, CC). b. Penhor rural (agrícola ou pecuário) e industrial: direito real surge com o registro no Registro de Imóveis – RI (arts. 1.438 e 1.448, CC). O registro não é feito na matrícula do imóvel, e sim no Livro 3, que é o livro do Registro Auxiliar4 (art. 178, II e VI, da Lei n. 6.015/73). c. Penhor de direitos: direito real nasce com registro no RTD (art. 1.452, CC). d. Penhor de veículos: direito real surge mediante registro no RTD e anotação no certificado de propriedade (Detran local), conforme art. 1.466, CC). e. Alienação fiduciária sobre bens móveis: registro no RTD (art. 1.361, § 1º, do CC), mesmo que conste de cédula de crédito rural ou industrial (caso em que será necessário o registro da cédula no Livro 3 do RI e o registro da alienação fiduciária de móveis no RTD, consoante arts. 129, “5º”, e 178, II, da Lei n. 6.017/73). f. Alienação fiduciária sobre veículo: basta registro no DETRAN, consoante art. 1.361, § 1º, CC, que prevalece sobre o art. 129, “5”, da Lei n. 6.015/73: não há necessidade de registro no RTD para a transferência de veículo. O registro no RTD só teria importância para preservar direitos contra terceiros, segundo o STJ (STJ, AgRg nos EREsp 875.634/PB, 1ª Seção, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 01/03/2010). 7 . PoDereS INereNteS À ProPrIeDADe e A PlAStICIDADe7 . PoDereS INereNteS À ProPrIeDADe e A PlAStICIDADe Plasticidade do direito real de propriedade Direitos Reais sobre coisa alheia Desmembramento de poderes inerentes Elementos acidentais Restrições 4 Art. 177 da Lei n. 6.015/73: “O Livro n. 3 – Registro Auxiliar – será destinado ao registro dos atos que, sendo atribuídos ao Registro de Imóveis por disposição legal, não digam respeito diretamente a imóvel matriculado”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 007. 007. (PUC-PR/JUIZ/TJ-PR/2014/ADAPTADA) A faculdade de dispor da coisa abrange tanto a disposição jurídica quanto a material. Ou seja, pode o proprietário exercer livremente a prerrogativa de alienar o bem, consumi-lo ou até destruí-lo, sem ingerências externas. Essa questão foi anulada. Em princípio, ela está correta, pois o poder de dispor (ius abutendi) envolve o poder de dispor da coisa física ou juridicamente. A anulação, porém, decorreu do fato de que, no contexto da questão (que era um item ao lado de outros), é preciso lembrar que a função social tem ser de observada pelo proprietário, o que impede que hajao exercício do ius abutendi de modo arbitrário. Assim, não poderia, por exemplo, um proprietário submergir o seu terreno causando uma inundação; não pode também deixar o imóvel sem os devidos reparos se ele estiver ameaçando ruir sobre o vizinho por força de regras de direito de vizinhança (art. 1.280, CC). Ao nosso sentir, não havia necessidade de anular a questão, porque ela não nega a aplicação da função social. Anulada. Seja como for, vamos tratar de alguns aspectos envolvendo os poderes inerentes à propriedade e a plasticidade. A plasticidade (ou a elasticidade) do direito de propriedade diz respeito a flexibilizações que podem ser feitas nos poderes inerentes à propriedade: o poder de usar (ius utendi), o poder de fruir (ius fruendi), o poder de dispor (ius abutendi) e o poder de perseguir a coisa nas mãos de terceiro (ius persequendi). Eles estão previstos no art. 1.228, CC. Quem é titular do direito real de propriedade tem esses poderes (ou faculdades) sobre a coisa. Essas flexibilizações podem ocorrer por meio de direitos reais sobre coisa alheia ou por elementos acidentais do negócio jurídico (termo, condição e encargo). Por intermédio dos direitos reais sobre coisa alheia, esses poderes inerentes à propriedade podem ser desmembrados (destacados, arrancados) das mãos do proprietário em favor do titular desse direito real sobre coisa alheia. Por exemplo, ao se instituir um direito real de usufruto sobre um imóvel, os poderes de usar, fruir e parcialmente o de perseguir a coisa são destacados da propriedade e revertidos em favor do usufrutuário. Só sobrará ao proprietário o poder de dispor e parcialmente o de perseguir a coisa. O usufrutuário ficará com os poderes desmembrados5 de usar, de fruir e, parcialmente, de dispor. O direito real de propriedade, assim, ficou limitado, ficou amassado, ficou comprimido. Ele, todavia, tenderá a voltar ao seu estado inicial de plenitude quando, no futuro, o direito real de usufruto se extinguir. Outro exemplo é o direito real de hipoteca, que desmembra parcialmente o poder de dispor da coisa: o proprietário ainda poderá vender o imóvel hipotecado, mas o adquirente estará exposto aos efeitos de uma execução hipotecária no caso de inadimplemento da dívida garantida. 5 É atécnico afirmar que o usufrutário tem alguns poderes INERENTES à propriedade, pois ele não é proprietário. Ele, na verdade, tem alguns poderes DESMEMBRADOS da propriedade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Em regra, os direitos reais sobre coisa alheia recaem apenas sobre o direito real de propriedade, pois, além de essa ser a natureza desses direitos reais, a legislação os disciplina sobre esse pressuposto. Assim, não se pode falar em usufruto sobre outro usufruto. Todavia, excepcionalmente, quando a lei autorizar, é possível que um direito real sobre coisa alheia recai sobre um outro congênere, como na hipótese do direito real de hipoteca, que pode recair sobre o direito real de superfície por força do art. 1.473, X, CC. De mais a mais, por meio dos elementos acidentais do negócio jurídico, os poderes inerentes à propriedade podem ser flexibilizados também. Nesse caso, não se trata de um desmembramento, pois esses poderes inerentes não estão sendo revertidos em prol de um terceiro. Trata-se apenas de restrições ao direito real de propriedade. Assim, quando alguém adquire um imóvel sob condição resolutiva, ele terá uma propriedade que se extinguirá com o advento da condição resolutiva. Os seus poderes inerentes à propriedade são temporários. Igualmente, quem adquire um imóvel por meio de uma doação com encargo poderá vir a perder a propriedade se descumprir o encargo. A propósito da viabilidade jurídica de impor encargo a um direito real de propriedade, há controvérsia sobre o assunto, de modo que o recomendável é sempre prever o encargo como uma condição suspensiva ou resolutiva de modo expresso a fim de fugir à controvérsia (Oliveira, 2020-D6). Essas outras restrições podem recair também sobre direitos reais sobre coisa alheia, salvo se houver proibição expressa ou se for contrário à natureza do direito real. Por exemplo, o direito real de usufruto pode estar sujeito a um termo ou a uma condição resolutivos. Pode também está restrito por um encargo. Não há proibição legal nem contrariedade com a natureza do direito real de usufruto. 8 . ClASSIFICAÇÃo DA ProPrIeDADe QUANto À PleNItUDe8 . ClASSIFICAÇÃo DA ProPrIeDADe QUANto À PleNItUDe Propriedade quanto à sua plenitude Propriedade Plena Poderes inerentes à propriedade sem qualquer restrição Presunção de plenitude da propriedade Propriedade Menos plena Propriedade restrita Limitações substanciais nos poderes inerentes à propriedade Ex.: direitos reais sobre coisa alheia Propriedade temporária Resolúvel Termo ou condição resolutivo expressos Revogável ou ad tempus outra causa 6 Disponível em: https://migalhas.uol.com.br/coluna/migalhas-notariais-e-registrais/334813/doacao -com-encargo-e-a-eficacia-contra-terceiros-e-o-registro-de-imoveis. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br https://migalhas.uol.com.br/coluna/migalhas-notariais-e-registrais/334813/doacao-com-encargo-e-a-eficacia-contra-terceiros-e-o-registro-de-imoveis https://migalhas.uol.com.br/coluna/migalhas-notariais-e-registrais/334813/doacao-com-encargo-e-a-eficacia-contra-terceiros-e-o-registro-de-imoveis 19 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 008. 008. (IBFC/PROCURADOR/CÂMARA FEIRA DE SANTANA-BA/2018) Assinale a alternativa correta sobre a noção de propriedade e a questão que envolve sua distinção entre plena e limitada. a) Propriedade plena é aquela que reúne os seus direitos elementares no do proprietário b) A propriedade é plena ainda que exista ônus real sobre o bem c) A propriedade é plena ainda que seja resolúvel d) Toda propriedade é plena e a existência de ônus real representa sua ausência O gabarito é “A”, porque, se houver ônus real ou condição resolutiva, a propriedade não é menos plena. Letra a. Vamos tratar mais do tema. Em razão da elasticidade ou plasticidade do direito real de propriedade, é possível classificar a propriedade quanto à sua plenitude: propriedade plena; propriedade menos plena: pode ser subdividida em: b.1) propriedade restrita; b.2) propriedade temporária: pode ser subdivida em: b.2.1.) propriedade revogável b.2.2.) propriedade resolúvel b.2.3.) propriedade fiduciária Propriedade plena ou ilimitada é aquela cujo titular exerce plenamente todos os poderes inerentes à propriedade, sem qualquer limitação, nem mesmo temporal. Também pode ser chamada de propriedade alodial. A regra geral é a que a propriedade é plena, conforme art. 1.231 do CC, que afirma que “a propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário”. Portanto, a propriedade menos plena é exceção. Propriedade menos plena é aquela cujo titular tem limitações substanciais ou temporais para exercer os poderes inerentes à propriedade em razão de um fato jurídico. As faculdades de usar, fruir ou dispor estão com alguma restrição: ou foram desmembrada em favor de terceiros, ou se extinguirão com algum evento futuro, ou seu exercício está condicionado a alguma conduta prévia etc. Metaforicamente, é um direito real de propriedade aleijado ou, para se lembrar dos romanos antigos, com uma lepra. A propriedade menos plena pode ser restritaou temporária. A propriedade é restrita quando o titular do direito sofre limitações substanciais para exercer os poderes inerentes à propriedade. Isso ocorre quando há o desmembramento de poderes inerentes à propriedade, o que pode ocorrer por conta de direitos reais sobre O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias coisa alheia, de direitos obrigacionais com eficácia real ou de constrições judiciais. Assim, um imóvel gravado por um direito real de hipoteca, de usufruto ou de servidão é exemplo de propriedade restrita. Também o são um imóvel penhorado. A propriedade é temporária quando ela poderá a vir se extinguir no futuro por conta do advento de um fato jurídico resolutivo. A propriedade temporária pode ser revogável ou resolúvel. A propriedade resolúvel é aquela que se extingue pelo advento de um termo resolutivo ou pelo implemento de uma condição resolutiva. No caso, por exemplo, de uma doação sob condição resolutiva, o donatário terá uma propriedade resolúvel: se a condição resolutiva se implementar, a propriedade se extingue. Esses elementos acidentais (termo e condição) já são previamente conhecidos por estarem previstos no negócio que gerou o direito real de propriedade. No exemplo acima, a condição resolutiva estará noticiada na matrícula do imóvel para terceiros tomarem ciência. Por isso, o art. 1.359 do CC estabelece que, no caso da propriedade resolúvel, a extinção da propriedade é retroativa até a data da instituição da cláusula resolutiva apenas para o efeito de extinguir direitos reais contraditórios. Trata-se do que chamamos de “efeito dominó”. Assim, ainda no exemplo acima da doação sob condição suspensiva, se o donatário vender o imóvel para um terceiro e se a condição resolutiva posteriormente se implementar, haverá o efeito dominó: a doação se extinguirá e, em consequência, a posterior venda também. O terceiro perderá o imóvel. Não há injustiça nisso, pois o terceiro adquirente já sabia que estava a comprar uma propriedade menos plena, ou seja, uma propriedade leprosa: a matrícula do imóvel já noticiava a existência da condição resolutiva. A propriedade revogável ou ad tempus é aquela que se extingue por outra causa superveniente que não seja o implemento de uma condição ou termo resolutivos. Nesse caso, a extinção não tem efeito retroativo. O efeito é ex nunc. Não há extinção de direitos anteriores. Só sobrará ao beneficiário da extinção o direito de pleitear uma coisa similar ou o valor equivalente, tudo conforme art. 1.360, CC. Por exemplo, se João doa um imóvel a Manoel, que, a seu turno, vende o imóvel a Artur, e se, após isso, Manoel pratica um ato de ingratidão contra João a autorizar a revogação da doação na forma do art. 555 do CC, não haverá o efeito dominó: Artur continuará como dono do imóvel. Não havia aí uma condição ou termo resolutivo expressos na matrícula do imóvel. A propriedade é revogável. Só sobrará ao João o direito de exigir que Manoel pague-lhe o valor do imóvel. Igualmente, no caso de doação com encargo, a eventual revogação da doação por posterior descumprimento do encargo na forma do art. 555 do CC não tem efeito retroativo, pois se cuida de hipótese de propriedade revogável. A propriedade fiduciária nada mais é do que uma espécie de propriedade resolúvel com a particularidade de decorrer de uma alienação fiduciária em garantia. A alienação O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias fiduciária em garantia é a transferência de uma coisa sob a condição resolutiva consistente no adimplemento de uma dívida. Assim, se, como garantia de um empréstimo que tomei, posso transferir ao banco a propriedade do meu veículo até que eu pague integralmente as prestações. O banco se torna proprietário do bem, mas sob uma condição resolutiva: o pagamento integral das prestações dos empréstimos. A propriedade fiduciária está genericamente disciplinada nos arts. 1.361 e seguintes do Código Civil. Todavia, quando se tratar de imóvel, a regência será dada, de modo principal, pela Lei n. 9.514/97, caso em que, nesse ponto, o Código Civil terá aplicação subsidiária (art. 1.367, CC). Quando se tratar de móvel, além do CC, deve-se aplicar também o Decreto- Lei n. 911/67 e, no caso de a dívida garantida ter sido contraída no âmbito do mercado financeiro e de capitais, deve-se aplicar também o art. 66-B da Lei de Mercado de Capitais (Lei n. 4.728/65). 9 . PrINCÍPIo DA PerPetUIDADe Do DIreIto reAl De 9 . PrINCÍPIo DA PerPetUIDADe Do DIreIto reAl De ProPrIeDADeProPrIeDADe O direito real de propriedade é perpétuo, ou seja, ele não se extingue pelo desuso, nem pelo tempo, nem mesmo pela morte do dono (caso em que haverá transmissão da titularidade para os herdeiros). Trata-se do princípio da perpetuidade da propriedade, também chamado de atributo ou característica da perpetuidade da propriedade. Se um titular de direito real de propriedade deixa seu imóvel sem utilização por muitos anos, ele não perderá a propriedade por desuso, mas poderá voltar, a qualquer momento, exercer o seu direito. É diferente do que sucede com os direitos obrigacionais, que deixam de ser exigíveis após o prazo prescricional. Ao contrário da propriedade, os direitos reais sobre coisa alheia não são perpétuos. Os direitos reais sobre coisa alheia tendem a juridicamente se extinguir. Eles restringem um direito real de propriedade, mas tendem a desaparecer juridicamente. De fato, se o direito real de propriedade - qual um acordeão (= uma sanfona) pressionado pelo músico - for comprimido por um direito real sobre coisa alheia ou por um elemento acidental do negócio jurídico (termo, condição ou encargo), haverá uma tendência jurídica de a propriedade voltar a se tornar plena, pois esses ônus não são perpétuos. Perpetuidade não se confunde com imortalidade. Perpetuidade é a ausência de uma tendência jurídica (de uma “força elástica” pelo Direito) de extinção do direito real. A propriedade é perpétua, pois não há essa tendência jurídica de extinção. Isso, porém, não significa que a propriedade seja imortal. Ela pode se extinguir com o perecimento do próprio objeto, como no caso de um imóvel que foi submerso pelo avanço de um rio (art. 1.275, IV, CC). Isso porque, embora o direito real de propriedade seja perpétuo, ele não é O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias imortal. Imortalidade é a impossibilidade jurídica de extinção do direito real, fato que não se dá com a propriedade, que pode vir a extinguir-se por ato de vontade do proprietário, por ato de império do Estado ou pelo perecimento do objeto do direito real Ademais, o direito real de propriedade também pode ser extinto quando o proprietário assim decide assim (alienação, renúncia e abandono) ou é forçado a tanto por um ato de império do Estado (como no caso desapropriação). Inexiste, porém, uma força elástica que juridicamente instigue, de forma contínua, o proprietário a promover essa extinção da propriedade, razão por queo direito real de propriedade é perpétuo. Isso é diferente do que sucede com os direitos reais sobre coisa alheia, em relação aos quais há uma força jurídica elástica que continuamente tende a causar a sua extinção. Assim, por exemplo, no usufruto, a morte é causa de extinção; na servidão, o não uso por 10 anos extingue-a; etc. Os direitos reais sobre coisa alheia não são perpétuos. 10 . PrINCÍPIo DA eXClUSIvIDADe10 . PrINCÍPIo DA eXClUSIvIDADe Pelo princípio da exclusividade da propriedade (ou do atributo da exclusividade da propriedade), a propriedade é exclusiva de uma única pessoa, de modo que não é viável que duas ou mais pessoas simultaneamente sejam titulares da mesma coisa. Esse atributo é a regra da propriedade, conforme art. 1.231 do CC, que afirma que “a propriedade presume- se exclusiva, salvo prova em contrário”. 11 . DIreItoS reAIS eM eSPÉCIeS: NoÇÕeS GerAIS11 . DIreItoS reAIS eM eSPÉCIeS: NoÇÕeS GerAIS Direitos reais em espécies Direitos reais sobre coisa própria Direito de propriedade (com todas as suas variações) Direitos reais sobre coisa alheia Direitos reais de aquisição Promitente comprador Devedor fiduciante Direitos reais de gozo Usufruto Servidão Superfície Habitação Uso CUEM CDRU Direitos reais de garantia Penhor Hipoteca Anticrese Controvérsia laje e imissão provisória O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 009. 009. (FCC/AUDITOR/SEFAZ-SC/2018) São considerados direitos reais: a) o penhor, a hipoteca, a anticrese e o aval. b) o uso, a habitação, o direito do promitente comprador do imóvel, a concessão real de uso e a laje. c) a propriedade, a habitação, a posse e a detenção. d) as servidões, a superfície, o usufruto e o contrato de locação. e) a concessão de uso especial para fins de moradia, o direito à sucessão aberta e a doação. O gabarito é a letra “b”, conforme art. 1.225 do Código Civil. Chamamos a atenção para o fato de que o direito do promitente comprador do imóvel é uma espécie de direito real de aquisição, conforme art. 1.417 do Código Civil. Letra b. 010. 010. (CONSUPLAN/TITULAR CARTÓRIO/TJMG/2017) De acordo com o Código Civil, são direitos reais, EXCETO: a) o uso. b) a concessão de uso especial para fins de moradia. c) o penhor. d) a posse. O gabarito é a letra “D”, pois posse não é direito real, conforme art. 1.225 do CC. Letra d. Vamos falar mais o tema. Veja o art. 1.225 do CC: Art. 1.225. São direitos reais: I – a propriedade; II – a superfície; III – as servidões; IV – o usufruto; V – o uso; VI – a habitação; VII – o direito do promitente comprador do imóvel; VIII – o penhor; IX – a hipoteca; X – a anticrese. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias XI – a concessão de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei n. 11.481, de 2007) XII – a concessão de direito real de uso; (Redação dada pela Lei n. 14.620, de 2023) XIII – a laje; (Redação dada pela Lei n. 14.620, de 2023) XIV – os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou às suas entidades delegadas e a respectiva cessão e promessa de cessão. (Incluído pela Lei n. 14.620, de 2023) Partindo do pressuposto de que os direitos reais são taxativamente arrolados em lei (princípio da taxatividade) – embora já tenhamos realçado que esse assunto é controverso –, é possível listar os direitos reais disponíveis no Direito Brasileiro. Para tanto, convém agrupá-los dentro de duas categorias: os direitos reais sobre coisa própria e os direitos reais sobre coisa alheia. Como direito real sobre coisa própria, há o direito de propriedade com todas as suas variações (espécies de condomínio, propriedade resolúvel, propriedade fiduciária, propriedade onerada por gravame, propriedade em regime de patrimônio de afetação etc.). Entendemos que o direito real de laje também é um direito real sobre coisa própria, conforme exporemos mais a frente, mas há controvérsia doutrinária. Como direito real sobre coisa alheia, incluem-se os demais, que podem ser subdividos nas seguintes categorias: (1) direitos reais de aquisição: abrangem os direitos reais do promitente comprador e o do devedor fiduciante; (2) direitos reais de gozo: abrangem os direitos reais de superfície, de servidão, de usufruto, de uso e de habitação bem como a CUEM (concessão de uso especial para fins de moradia) e a CDRU (concessão de direito real de uso); e (3) direitos reais de garantia: abrangem a hipoteca, o penhor e a anticrese. A enfiteuse é encaixada como direito real de gozo. Trata-se de um direito real que ainda existe no direito brasileiro de modo excepcional, especificamente se tiver sido instituída antes do CC/2002 nos termos do art. 2.028 ou se envolver os casos de terreno de marinha na forma de lei especial7. Quanto ao direito real de laje, há controvérsia se ele é um direito real sobre coisa própria ou sobre coisa alheia, assunto que trataremos mais à frente. Em relação aos direitos oriundos da imissão provisória, há discussão se ela é um novo direito real ou se, na verdade, é o direito real de propriedade. Trataremos disso mais à frente. As principais espécies de direitos reais estão arroladas no art. 1.225 do Código Civil, mas há direitos reais previstos em lei esparsa, como a caução e a cessão fiduciária de direito creditória (art. 17, § 1º, Lei n. 9.514/97). Esses outros direitos também poderão ser enquadrados sobre coisa própria ou sobre coisa alheia conforme seu perfil: a caução de direito creditório, por exemplo, é direito real sobre coisa alheia, ao passo que a cessão 7 Lei n. 9.636/1998 e Decreto-Lei n. 9.760/1946 tratam de bens públicos federais e lida com os casos de aforamento (= enfiteuse). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11481.htm#art10 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14620.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14620.htm#art30 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14620.htm#art30 25 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias fiduciária de direito creditório é direito real sobre coisa própria. Não é comum, porém, a doutrina listar esses direitos reais na classificação acima, seja porque estão em leis esparsas, seja porque há controvérsia se realmente é cabível direito real sobre coisa incorpórea (como o direito creditório). 12 . DIreIto reAl De ProPrIeDADe12 . DIreIto reAl De ProPrIeDADe 12 .1 . NoÇÕeS GerAIS12 .1 . NoÇÕeS GerAIS Meus amigos e minhas amigas, resolva esta questão: 011. 011. (IBFC/ANALISTA/TJPE /2017/ADAPTADA) O Direito real de propriedade abrange o solo. Este, por sua vez, compreende o espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas fora desses espaços, sendo sua realização, portanto, precedida de autorização expressa daquele. A questão está “errada”, porque, fora do espaçosubterrâneo ou aéreo de utilidade do imóvel, o proprietário do terreno não tem direito algum e, portanto, não pode opor-se a atividades aí realizadas. Di-lo o art. 1.229 do CC. Assim, não pode o dono de um terreno, por exemplo, impedir um avião de sobrevoar sua propriedade, pois o avião transita em uma altura superior ao de utilidade do terreno. Errado. 012. 012. (FAPEMS/DELEGADO/PC-MS/2017/ADAPTADA) O proprietário pode ser privado da coisa, no caso de requisição por perigo público iminente. Tal privação enseja indenização ulterior, independentemente da existência de dano. A questão está “errada”, porque, embora o Poder Público possa requisitar o uso de bens privados (art. 1.228, § 3º, CC), só há o direito de indenização se tiver havido dano. Afinal de contas, o conceito de indenização envolve reparar danos que ocorreram. Errado. 013. 013. (PUC-PR/JUIZ/TJ-PR/2014/ADAPTADA) O proprietário pode perder a propriedade por meio da desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, como também por requisição, em caso de perigo público iminente, e ainda ser privado dela por alienação compulsória aos possuidores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias A questão é “correto” por retratar a possibilidade de o Poder Público intervir sobre a propriedade por meio da desapropriação e da requisição (art. 1.228, § 3º, CC) e por contemplar a hipótese da “desapropriação judicial” prevista no art. 1.228, §§ 4º e 5º, CC. Certo. Vamos falar mais sobre o tema. Ao tratarmos de noções gerais de Direitos Reais, tratamos de características importantes do direito real de propriedade, como a sua condição de direito real sobre coisa própria, a sua elasticidade e a sua perpetuidade. E assim foi feito pelo fato de o direito real de propriedade ser o centro da disciplina dos Direitos Reais: todos os demais direitos reais giram em torno da propriedade, pois eles são restrições impostas aos poderes inerentes à propriedade. O usufruto, por exemplo, é o desmembramento dos poderes de usar e fruir. Bens móveis e imóveis podem ser objeto de direito real de propriedade. Quando se tratar de imóvel por natureza (o solo), o direito real de propriedade abrangerá o subsolo e o espaço aéreo até uma profundidade ou uma altura que seja útil ao exercício do direito da propriedade (art. 1.229, CC). Não chega, pois, ao céu nem ao inferno, ao contrário da velha concepção romana de que “qui dominus est soli dominus est usque ad caelum et usque ad inferos” (quem é dono do solo é dono do céu até o inferno”). Portanto, não pode o proprietário de um terreno impedir que um avião sobrevoe seu imóvel, pois esta está em uma altitude inútil ao exercício do direito de propriedade. Tampouco poderá o proprietário exigir indenização do município pela construção de um túnel de metrô subterrâneo ao terreno, pois a profundidade desses túneis ultrapassa o espaço subterrâneo efetivamente útil ao proprietário. Ficam de fora da propriedade os recursos minerais que estejam no subsolo, pois são bens da União. Só sobra ao proprietário do subsolo um direito de participação na exploração desses recursos minerais (art. 1.230 do CC e art. 20, IX, CF). 12.2. DESCOBERTA (ANTIGA “INVENÇÃO”)12.2. DESCOBERTA (ANTIGA “INVENÇÃO”) Descoberta Fato jurídico de achar coisa perdida Dever de devolução ao legítimo dono/possuidor à autoridade competente Achádego Recompensa no valor mínimo de 5% do valor da coisa O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias Descoberta é o fato jurídico de alguém achar coisa perdida e está disciplinada nos arts. 1.233 ao 1.237 do CC e no art. 746 do CPC. Era chamada de “invenção” pelo CC/1916, que a listava atecnicamente entre as hipóteses de aquisição da propriedade. A descoberta não implica aquisição da coisa achada, pois há o dever de o descobridor adotar as providências legais destinadas à entrega da coisa ao legítimo dono ou possuidor. A expressão popular “achado não é roubado” é equivocado. Quem acha algo e não devolve na forma da lei pode incorrer no crime de apropriação indébita (art. 179, II, CP). Em suma, o descobridor tem de devolver a coisa perdida ao legítimo dono ou possuidor, mas, se não o conhecer, tem de entregar à autoridade competente. Entendemos que o descobridor pode, se preferir, deixar a coisa perdida no local onde encontrou, pois não é razoável exigir que os particulares despendam tempo e recursos com bens alheios para atender interesses puramente privados de outrem. O que o art. 1.233 do CC proíbe é que o descobridor aproprie-se da coisa perdida. O descobridor que devolve a coisa perdida ou entrega à autoridade competente tem direito a uma recompensa (chamada doutrinariamente de achádego) no valor mínimo de 5% do valor da coisa, além das despesas tidas com conservação e transporte da coisa. É, porém, facultado ao dono da coisa abandoná-la em favor do descobridor para se livrar do dever de pagar o achádego e a indenização por despesa (art. 1.234, CC). Interpretamos, porém, esse dispositivo art. 1.234 do CC restritivamente para entender que o descobridor não é obrigado a aceitar a coisa abandonada pelo dono, mas, se ele não aceitar, poderá pedir a indenização integralmente pelas despesas, sob pena de enriquecimento sem causa. Se, porém, ele aceitar a coisa abandonada, ele terá direito a pedir ainda o pagamento do achádego e da indenização pelas despesas que teve no excedente ao valor da coisa achada. A autoridade competente deverá, mediante publicações em canais de comunicação, convocar o legítimo dono ou possuidor para resgatar a coisa no prazo de 60 dias, sob pena de a coisa ser vendida em hasta pública para que o dinheiro obtido seja utilizado para indenizar as despesas, pagar a recompensa devida ao descobridor e, no caso de sobra, incorporar-se ao patrimônio municipal. Se a coisa for de valor irrisório, o município pode abandonar a coisa em favor do descobridor (arts. 1.235 ao 1.237, CC). Por força do art. 746 do CPC, o descobridor pode entregar a coisa diretamente ao juiz mediante procedimento de jurisdição voluntária ou à autoridade policial, que deverá encaminhar a coisa ao juiz a fim de que este promova a publicação de editais de convocação do interessado se o valor da coisa comportar. Trata-se, a nosso sentir, de exigência condenada ao desuso, pois, além de a maior parte das coisas perdidas ser de pequeno valor, a prática é a de que as autoridades administrativas não provocam o Judiciário. A definição da autoridade competente depende do que é disposto em lei local, que costuma definir seções de “Achados e Perdidos”. As agências centrais dos Correios (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT) também fornecem esse serviço de “Achados e Perdidos” para caso de documentos perdidos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para TANIA MARIA LUIZ SANTOS - 07391898759, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 75gran.com.br DIreIto CIvIl Coisas – Parte I Carlos Elias 12 .3 . AQUISIÇÃo IMoBIlIÁrIA12 .3 . AQUISIÇÃo IMoBIlIÁrIA Acessão por imóveis Acessão natural Aluvião Avulsão Formação de ilha Álveo abandonado Acessão Artificial