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Programa ABC Cerrado Mudanças Climáticas e Agricultura 20 horas 2019 - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR 1a. Edição - 2019 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui viola- ção dos direitos autorais (Lei nº 9.610). A coleção ABC Cerrado é uma iniciativa do Senar com objetivo de manter disponível ao público rural os cursos elaborados no âmbito do Projeto ABC Cerrado e demais tecnologias sustentáveis de produção agropecuária preconizadas no Plano ABC. Fotos Banco de imagens do SENAR Banco Multimídia Embrapa iStock Shutterstock Informações e contato SENAR Administração Central SGAN 601 – Módulo K Edifício Antônio Ernesto de Salvo – 1º andar Brasília – CEP 70830-021 Telefone: 61 2109-1300 www.senar.org.br Presidente do Conselho Deliberativo do SENAR João Martins da Silva Junior Diretor Geral do SENAR Daniel Klüppel Carrara Diretora de Educação Profissional e Promoção Social Andréa Barbosa Alves Coordenadora de Programas Especiais Janei Cristina Santos Resende Coordenadora do Núcleo de Educação a Distância Ana Ângela de Medeiros Sousa Coordenador Técnico do Projeto ABC Cerrado Mateus Moraes Tavares Equipe técnica Senar Dyovanna Depolo de Souza Pinto Larissa Arêa Sousa Sumário Apresentação .......................................................................................................................... 4 Módulo 1: Contextualização ..............................................................................................16 Aula 1: Conceitos importantes .......................................................................................................19 Aula 2: Histórico e cenário mundial ...............................................................................................33 Aula 3: O Brasil no contexto global ...............................................................................................42 Aula 4: Marco legal ............................................................................................................................47 Atividade de aprendizagem .............................................................................................................52 Módulo 2: Setor Agropecuário e as Mudanças Climáticas .........................................55 Aula 1: Impactos negativos .............................................................................................................57 Aula 2: Medidas possíveis ................................................................................................................74 Aula 3: Importância do setor agropecuário na redução das emissões de GEE ...................79 Atividade de aprendizagem .............................................................................................................82 Módulo 3: Ações Setoriais .................................................................................................85 Aula 1: O Plano ABC .........................................................................................................................87 Aula 2: Linha de crédito do Programa ABC .............................................................................. 105 Atividade de aprendizagem .......................................................................................................... 109 Encerramento ..................................................................................................................... 111 Referências ......................................................................................................................... 112 Apresentação Bem-vindo(a) ao curso Mudanças Climáticas e Agricultura! Você verá, neste curso, conceitos importantes inerentes às mudanças cli- máticas, acordos e programas que foram criados para conter os impac- tos negativos do aquecimento global e diminuir a emissão dos gases que causam o efeito estufa. Você também vai conhecer, com mais detalhes o Plano ABC, que promove uma agricultura de baixa emissão de carbono. Fonte: CNA Brasil / Foto: Adriano Brito Apresentação 5 O curso está organizado em três módulos. Confira as aulas que compõem cada um. Aula 1 – Conceitos importantes Aula 2 – Histórico e cenário mundial Aula 3 – O Brasil no contexto global Aula 4 – Marco legal Módulo 1 – O Bioma Cerrado Aula 1 – Impactos negativos Aula 2 – Medidas possíveis Aula 2 – Importância do setor na redução das emissões de GEE Módulo 2 – Setor Agropecuário e as Mudanças Climáticas Aula 1 – O Plano ABC Aula 2 – Linha de crédito do Programa ABC Módulo 3 – Ações Setoriais Este curso faz parte da Coleção ABC Cerrado – Tecnologias Sustentáveis de Produção Agropecuária no Bioma Cerrado. Essa coleção, que é com- posta de sete cursos, é fruto do Projeto ABC Cerrado, que foi implemen- tado durante os anos de 2014 a 2019. Vamos conhecer um pouco mais sobre esse projeto? Apresentação 6 O Projeto ABC Cerrado O Brasil ocupa um lugar de destaque entre os maiores produtores de ali- mentos do mundo, além de ser um dos países que mais preserva o meio ambiente – consegue produzir em apenas 27,7% do seu território, en- quanto mantém 61% coberto com vegetação nativa. Mesmo assim, durante a 15ª Conferência das Partes (COP-15), em 2009, o País assumiu o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). De lá para cá, a agricultura de baixa emissão de carbono (ABC) passou a receber uma atenção maior por parte do Governo e de diversas instituições, que criaram programas para incentivar o produtor rural brasileiro a adotar técnicas sustentáveis. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) participa dessas iniciativas que contribuem com a meta nacional de redução de emis- são de gases do efeito estufa pela atividade agropecuária. É o caso do Projeto ABC Cerrado, que disseminou práticas de agricultura de baixa emissão de carbono e estimula o produtor a investir na sua propriedade, para impulsionar a produtividade e a renda, ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente. Oito estados do bioma Cerrado participaram do Projeto: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí e Tocantins. O projeto foi desenvolvido em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com recursos do Programa de Investimento em Florestas (FIP) e o Banco Mundial. O SENAR atuou como responsável pela transferência de tecnologias aos produtores rurais do bioma Cerrado por meio de capacitação, pela formação de instrutores e de técnicos de campo, além de fornecer assistência técnica e gerencial à atividade rural, com foco em tecnologias preconizadas pelo Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC). Apresentação 7 Desde a sua criação, o SENAR levou aos agricultores e pecuaristas bra- sileiros os avanços da ciência e da tecnologia. Com esse curso, espera contribuir para o crescimento do seu empreendimento e da produção de alimentos com sustentabilidade. No ambiente virtual de aprendizagem (AVA), você poderá assistir ao vídeo que conta a história de sucesso do Senhor Alcides e de sua família que foram beneficiados pelo Projeto ABC Cerrado. Vale a pena conferir! Os Cursos A coleção ABC Cerrado é composta por um conjunto de sete cursos: Recuperação de Pastagens Degradadas Carga horária: 20 horas Sistema Plantio Direto Carga horária: 30 horas Florestas Plantadas Carga horária: 30 horas Apresentação 8 Integração Lavoura-Pecuária-Floresta Carga horária: 30 horas Tratamento de Dejetos Animais Carga horária: 20 horas Fixação Biológica de Nitrogênio Carga horária: 20 horas Mudanças Climáticas e Agricultura Carga horária: 20 horas Esses cursos foram desenvolvidos com o objetivo de levar a você e aos demais produtores do bioma Cerra- do a atualização sobre novas técnicas que favorecem a redução na emissão de gases de efeito estufaque pro- movem o aquecimento global, ao mesmo tempo que entregam ao produtor maior produtividade e retorno econômico na atividade. Apresentação 9 Fazenda Rio Novo Para facilitar sua compreensão dos assuntos e das técnicas abordadas nos sete cursos, apresentaremos o caso fictício da fazenda Rio Novo. Ela é de propriedade da família do Sr. Antônio e da Sra. Teresa e fica no esta- do de Goiás, em uma região onde predomina o bioma Cerrado. Todos dessa família vão se empenhar em adotar práticas sustentáveis na propriedade, que trarão maior produtividade e ainda contribuirão para re- duzir a emissão dos GEEs. Cada membro será o responsável principal por uma ação específica na fazenda e acompanhará os participantes dos dife- rentes cursos. Conheça um pouco dessa família. Antônio 76 anos Teresa 72 anos João 49 anos Carmen 47 anos Rogério 28 anos Natália 24 anos Mariana 20 anos Apresentação 10 Antônio 76 anos Ensino fundamental completo No final da década de 1960, Antônio herdou um pedaço de terra no interior de Goiás, região de Cerrado, e lá iniciou um discreto plantio de milho. Alguns anos mais tarde, passou também a criar gado na mesma propriedade. Sem muito estudo, viu sua propriedade crescer, fruto de seus esforços e de sua esposa, Dona Teresa. No entanto, junto com o crescimento da propriedade também veio a degradação das pastagens pelo gado e pelo manejo incorreto da própria pastagem. Hoje, o Sr. Antônio quer reintegrar as áreas degradadas pela pastagem ao pro- cesso de produção de alimentos. Com isso, quer evitar a abertura de novas áreas para a pastagem, o que é benéfico ao meio ambiente, além de trazer economia para o próprio bolso. Para isso, pretende aplicar práticas que recuperem a capacidade produtiva do solo degradado na fazenda Rio Novo. Você pode acompanhar essa empreitada do Sr. Antônio no curso Recuperação de Pastagens Degradadas. Teresa 72 anos Ensino fundamental completo Ao lado do Sr. Antônio, Teresa plantou as primeiras sementes de milho na pro- priedade Rio Novo ainda na década de 1960. Juntos, trabalharam duro para que essa propriedade crescesse e fosse produtiva. Ela é uma pessoa muito observadora e gosta de conversar com outros produ- tores da região. Sempre em contato com os vizinhos e “antenada” em tudo que acontece por ali. Apesar de não ter tido a oportunidade de estudar além do ensino fundamental, viu que seus vizinhos utilizavam uma técnica muito interessante para proteger o solo e evitar erosões. Quem sabe a técnica não daria certo na fazenda Rio Novo? Resolveu testar e... deu! Agora, Dona Teresa quer aprimorar ainda mais a aplicação da técnica para re- solver os problemas de conservação de água e solo, como a erosão na fazenda Rio Novo. Você pode conferir mais sobre a técnica e os resultados que ela ob- teve no curso Sistema Plantio Direto. Apresentação 11 João 49 anos Técnico agrícola João cresceu vendo seus pais, Antônio e Teresa, darem duro na fazenda Rio Novo e presenciou o grande crescimento da propriedade. Inspirado pela dedicação e amor dos pais pela terra, nunca passou pela sua cabeça deixar o campo para exercer outra atividade... Queria fazer a diferença no campo! Assim, ao terminar o Ensino Médio, matriculou-se em um curso técnico agrí- cola. Lá teve a ideia, junto com Carmen, hoje sua esposa, de plantar árvores comerciais de rápido crescimento na fazenda, como uma alternativa de renda para a família. Acompanhe o João no curso Florestas Plantadas. Carmen 47 anos Técnica agrícola Carmen conheceu seu marido João ainda na adolescência, no colégio onde es- tudavam. Ao se casar com João, mudou-se para a fazenda Rio Novo, de pro- priedade de seu sogro Antônio. Fizeram juntos o mesmo curso técnico agrícola, onde tiveram a ideia de plantar espécies florestais na propriedade. Para fazer a ideia dar ainda mais certo, Carmen tem se empenhado em integrar a lavoura e as pastagens à nova área florestal. Sempre cuidadosa, quer aumentar a renda da propriedade, mas sem descuidar da legislação ambiental vigente. Você pode acompanhar o passo a passo de suas ações no curso integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Apresentação 12 Rogério 28 anos Engenheiro agrônomo Rogério é o filho mais velho do casal João e Carmen, primeiro neto de Antônio e Teresa. Apaixonado pela terra, formou-se engenheiro agrônomo. Durante a graduação, percebeu que o dejeto de animais pode se tornar uma potencial fonte de energia e até mesmo de renda. Por isso, tem se empenhado em tratar esses dejetos da forma correta na pro- priedade Rio Novo. Você pode aprender a técnica utilizada pelo Rogério no curso Tratamento de Dejetos Animais. Natália 24 anos Bióloga Natália é filha do casal João e Carmen e neta de Antônio e Teresa. Sempre mui- to curiosa, desde criança desejava ser “cientista”. Influenciada pelo ambiente em que cresceu, e enxergando uma oportunidade para colocar em prática toda a sua curiosidade sobre as plantas e animais, tor- nou-se bióloga. Seu Trabalho de Conclusão de Curso foi sobre o ciclo do nitrogênio na natu- reza. Com base nos amplos conhecimentos obtidos em seus estudos, tem de- fendido o plantio, na fazenda Rio Novo, de propriedade da família, de espécies que possibilitem a fixação de nitrogênio no solo. Isso permitirá uma melhora na fertilidade do solo da propriedade. Você também pode ter acesso a esses conhecimentos da Natália realizando o curso Fixação Biológica de Nitrogênio. Apresentação 13 Mariana 20 anos Estudante de Engenharia Ambiental Filha mais nova do casal João e Carmen, defende o meio ambiente com unhas e dentes, mas sem se descuidar do setor produtivo da fazenda! Está no terceiro ano da faculdade de Engenharia Ambiental e deseja especiali- zar-se na área de sustentabilidade no campo. Quer permanecer na propriedade Rio Novo da família, adaptando a produ- ção às mudanças climáticas e fiscalizando a adoção de práticas sustentá- veis por todos! O curso Mudanças Climáticas e Agricultura fala sobre esse assunto e apre- senta as práticas sustentáveis defendidas pela Mariana. A família do Sr. Antônio contará com a ajuda do Marcos, técnico do SENAR que atende à região. Você perceberá que, em diferentes momentos dos cursos, o técnico Marcos enviará dicas e orientações por meio de áudios. Portanto, ao se deparar com o ícone ao lado nos cursos, não deixe de ouvir suas valiosas dicas! Mas aqui na apostila vamos facilitar para você e colocar a transcrição dos áudios. Por isso que é tão importante você acessar o ambiente virtual de aprendizagem e passar por essa experiência de interação com o conteúdo. Apresentação 14 Recursos educacionais e interativos Ao longo do curso, você encontrará imagens, áudios e vídeos. O objeti- vo é tornar seu aprendizado mais interessante e prazeroso. Além disso, também se deparará com recursos interativos que ajudarão a aplicar da melhor forma os novos conhecimentos. No AVA, sempre que você vir um ícone com alguma animação, principalmente com setas, significa que uma informação será exibida ao clicar sobre ele. Não deixe de conferi-la, pois esses elementos fazem parte de uma experiência de aprendizagem completa! Outro exemplo de recurso interativo são as palavras destacadas, que exi- birão sua definição ou uma explicação extra quando forem acionadas. Veja como vai aparecer lá no AVA. A maioria dos solos no cerrado é muito antiga, bas- tante modificada pela ação de processos químicos e físicos, e possui baixa fertilidade, com sérias limita- ções à produção. Durante todo o curso, você terá a companhia da Mariana, a caçula da família do Sr. Antônio e da Dona Teresa. Como você já viu, ela é estudante de Engenharia Ambiental e defende o meio ambiente, mas sem se descuidar do setor produtivo da fazenda! Neste curso você vai conhecer as práticas susten- táveis defendidas pela Mariana. Então, sempre preste muita atenção ao que ela tem a dizer! Processos químicos e físicos Também chamados de intemperismo. Apresentação 15 Atividades de aprendizagemA navegação pelo conteúdo deste curso é sequencial e linear. Isso signifi- ca que você deve acessar o primeiro módulo e conferir todos as aulas. Ao final, você realizará a atividade de aprendizagem para, então, liberar o conteúdo do módulo seguinte. As atividades de aprendizagem têm o objetivo de verificar se você teve um bom aproveitamento em relação ao con- teúdo do módulo. Por isso é tão importante acessar o AVA e responder à atividade para liberar o módulo seguinte. Canais de comunicação Este é um curso autoinstrucional, mas isso não significa que você está sozinho nesta jornada! Durante seus estudos, você poderá utilizar os canais de comunicação dis- ponibilizados no seu AVA para esclarecer dúvidas técnicas com a monito- ria do curso. Os monitores dão o suporte necessário às dúvidas de cunho mais técnico relacionadas ao AVA e às regras de conclusão do curso. Siga em frente e bom estudo! Módulo 1: Contextualização O setor agropecuário possui uma estreita relação com o tema mudanças climáticas, tanto por ainda ser considerado um dos setores mais respon- sáveis pelas emissões de Gases Efeito Estufa (GEE), como por sofrer im- portantes impactos no desenvolvimento de suas atividades. Módulo 1 – Contextualização 17 Neste primeiro módulo, falaremos sobre as características do cerrado. Veja o que preparamos para cada aula deste módulo: Aula 1 - Conceitos importantes • O que é mudança climática? • O que é efeito estufa? • O que é aquecimento global? • Análise da vulnerabilidade nas mudanças climáticas Aula 2 - Histórico e cenário mundial Aula 3 - O Brasil no contexto global Aula 2 - Marco legal Módulo 1 – Contextualização 18 Você pode buscar mais conhecimentos com a Embrapa! Visite a Unidade da Embrapa mais próxima de sua pro- priedade. Todas elas possuem biblioteca com muitas pu- blicações disponíveis para leitura, além de pesquisadores para poder conversar. No site da Biblioteca da Embrapa, também é possível en- contrar muitas informações. Acesse: • https://www.embrapa.br/biblioteca O serviço Informação Tecnológica em Agricultura (Info- teca-e) dá acesso a informações técnicas na forma de car- tilhas, livros para transferência de tecnologia, programas de rádio e de televisão editados com linguagem adaptada de modo que produtores rurais, extensionistas, técnicos agrícolas, estudantes e professores de escolas rurais, co- operativas e outros segmentos da produção agrícola pos- sam assimilá-los com maior facilidade. Visite: • https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br Você também poderá comprar livros publicados pela Em- brapa diretamente no site de comunicação. Acesse: • http://vendasliv.sct.embrapa.br/liv4/principal. do?metodo=iniciar Pronto(a) para começar a primeira aula? Módulo 1 – Contextualização 19 Aula 1: Conceitos importantes Nesta primeira aula do Módulo 1, você conhecerá alguns conceitos impor- tantes referentes às alterações no clima que ocorrem no nosso planeta. O que é Mudança Climática? Mudança climática é uma variação a longo prazo, estatisticamente significante, em um parâmetro climático médio ou na sua variabilidade, durante um período extenso. São exemplos de parâmetros climáticos que podem sofrer tais variações: temperatura, precipitação, regime de chuvas e ventos. As mudanças climáticas verificadas ao longo do tempo podem ser devidas a causas naturais, neste caso sendo chamadas de variabilidade climática natural ou, então, podem ser atribuídas à realização de algumas atividades humanas ou antrópicas. Módulo 1 – Contextualização 20 O que é efeito estufa? Efeito estufa é um fenômeno natural, caracterizado pela retenção de calor feita por gases que estão presentes na atmosfera. Esse processo é responsável por manter a Terra em uma temperatura adequada, garantido o calor necessário à vida. Sem ele, certamente nosso planeta seria muito frio e a sobrevivência dos seres vivos seria afetada. 1) O sol emite radiação em direção ao planeta. 2) Parte dessa radiação atravessa os gases presentes na atmosfera e atinge a Terra. 3) Outra parte da radiação solar é refletida pelas nuvens, não chegando a atingir a superfície da Terra. 4) Da radiação que atinge a superfície da Terra, parte é absorvida pelos solos e oceanos e parte também é refletida de volta para a atmosfera, na forma de radiação infravermelha (calor). 5) É esse calor refletido de volta para a atmosfera que é retido pelos gases que estão presentes nesta camada, formando um efeito estufa e gerando o aquecimento do planeta. camada de ozônio gases 1 2 4 5 3 Efeito Estufa Módulo 1 – Contextualização 21 É que a intensificação de atividades industriais e agrícolas, que deman- dam áreas para produção (e, consequentemente, geram desmatamento), e o uso dos transportes aumentaram muito a emissão e a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, espessando essa camada e elevando a retenção de calor. A partir da Revolução Industrial o homem passou a emitir quantidades significativas de GEE. Desde o início da era Industrial, houve um aumento de 35% da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera. Assim, as atividades humanas passaram a ter influência importante nas mudanças climáticas. Gases causadores do efeito estufa Os gases causadores do efeito estufa (GEE) são aqueles presentes na at- mosfera que absorvem o calor advindo da radiação emitida de volta para o espaço pela superfície terrestre. Talvez você esteja se perguntando: “Mas se é um fenômeno natural importante para a manutenção da vida na Terra, por que o efeito estufa se relaciona às atividades humanas causadoras do aquecimento global?” Módulo 1 – Contextualização 22 Os principais são: (CO2) Dióxido de carbono: é o mais abundante entre os gases de efeito estufa, visto que pode ser emitido a partir de diversas atividades huma- nas. O uso de combustíveis fósseis, como carvão mineral e petróleo, é uma das atividades que mais emitem esses gases. (CH4) Gás metano: é o segundo maior contribuinte para o aumento das temperaturas da Terra, com poder 21 vezes maior que o dióxido de car- bono. Provém de atividades humanas ligadas a aterros sanitários, lixões e pecuária. Além disso, pode ser produzido por meio da digestão de rumi- nantes e eliminado por eructação (arroto) ou por fontes naturais. Cerca de 60% da emissão de metano provém de ações antrópicas. (N2O) Óxido nitroso: pode ser emitido por bactérias no solo ou no ocea- no. As práticas agrícolas são as principais fontes de óxido nitroso advindo da ação humana. Exemplos dessas atividades são o cultivo do solo, o uso de fertilizantes nitrogenados e o tratamento de dejetos. O poder do óxido nitroso de aumentar as temperaturas é 298 vezes maior que o do dióxido de carbono. Módulo 1 – Contextualização 23 (Outros) Gases fluoretados: são produzidos pelo homem a fim de aten- der às necessidades industriais. Como exemplos desses gases, pode-se citar os hidrofluorcarbonetos, usados em sistemas de arrefecimento e re- frigeração; hexafluoreto de enxofre, usado na indústria eletrônica; perflu- orocarbono, emitido na produção de alumínio; e clorofluorcarbono (CFC). (H2O) O vapor d’água presente na atmosfera também capta o calor ir- radiado pela superfície terrestre, distribuindo-o novamente em diversas direções, contribuindo, dessa forma, para o aquecimento do planeta. O que é aquecimento global? É aumento da temperatura média dos oceanos e da camada de ar pró- xima à superfície da Terra, verificada em relação a médias históricas de temperaturas de períodos anteriores, relacionado ao desenvolvimento de atividades humanas. O principal responsável pela sistematização e divulgação de estudos relacionados ao aquecimento global é o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Inter- governmental Panel Climate Change – IPCC, na sigla em inglês), órgão atrelado à Organização das Nações Unidas (ONU). Conforme o Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, 2007, nos últimos séculos, a temperatura médiada superfície da Terra aumentou cerca de 0,8 °C e a projeção é de uma elevação entre 1,4 °C a 5,8 °C nos próximos 100 anos. Importante destacar que esse incremento da temperatura não é espacialmente distribuído na Terra, sendo algumas regiões mais afetadas pelo fenômeno que outras. Módulo 1 – Contextualização 24 Lá na fazenda Rio Novo Olá! Já estou por aqui para te dizer algo bem interessante sobre o aquecimento global. Os 20 anos mais quentes foram registrados nos úl- timos 22 anos, sendo que 2015 a 2018 são os anos que ocupam os quatro primeiros lugares do ranking, é o que apontou a Organização Meteorológica Mun- dial (OMM), em 2018. Se essa tendência continuar, as temperaturas poderão subir de 3 a 5 graus até 2100. Segundo o IPCC, um grau pode não parecer muito, mas, se os países não tomarem uma atitude, o mundo enfrentará mudanças catastróficas. Em 2018, foram registradas temperaturas altas em diversos lugares do mundo em meio a um período de clima quente excepcionalmente prolongado. Grandes porções do hemisfério norte presenciaram uma su- cessão de ondas de calor que atingiu a Europa, a Ásia, a América do Norte e o norte da África – resultado de fortes sistemas de alta pressão que criaram uma “redoma de calor”. E você sabe o que causa o aquecimento global? Segundo a maioria dos estudos científicos e dos relatórios de painéis climáticos, a ocorrência do aquecimento global é um fenômeno causado pelas atividades humanas. Para o IPCC, é mais do que comprovada a série de mudanças climáticas ocorridas nos últimos tempos e a participação do ser humano nesse processo. O IPCC afirma que há 90% de certeza de que o aumento de temperatura na Terra está sendo causado pela ação do homem. Módulo 1 – Contextualização 25 Quais atividades humanas podem ser responsá- veis pelo aquecimento global? Indústria Queima de combustíveis fósseis (derivados do petróleo, carvão mineral e gás natural) para geração de energia. Aumento do uso dos transportes e gases emitidos por escapamentos de carros. Descarte inadequado de resíduos sólidos em lixões e os aterros sanitários. Módulo 1 – Contextualização 26 Agropecuária: queima de matéria orgânica, queima de palhada, tratamento inadequado de dejetos animais, revolvimento dos solos, alimentação inadequada dos animais com pastagens degradadas e muito fibrosas, fer- mentação entérica dos animais, especialmente dos bovinos, uso inadequado de fertilizantes. A mudança no uso do solo, principalmente com a conversão de áreas de vegetação nativas em áreas de uso pelas atividades econômicas. Consequências do aquecimento global São várias as consequências do aquecimento global e algumas delas já podem ser sentidas em diferentes partes do planeta. As consequências podem ser divididas em diretas e indiretas. Dentre as diretas estão o au- mento da frequência e intensidade de eventos climatológicos extremos (tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca, nevascas, fu- racões, tornados e tsunamis). Já entre as indiretas estão a perda da bio- diversidade, a maior incidência de doenças e o aumento do número de migrações. Módulo 1 – Contextualização 27 A previsão de uma frequência maior de eventos extremos climáticos im- plica em graves consequências para populações humanas e ecossistemas naturais, podendo ocasionar a extinção de espécies de animais e de plan- tas. Existem previsões de que os impactos negativos serão maiores nas regiões tropicais e subtropicais do que nas temperadas. As consequências das mudanças do clima que ocorrem no meio físico ou na biota e que têm efeitos deletérios significativos sobre a composição, a resiliência ou a produtividade de ecossistemas naturais e manejados, so- bre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou, ainda, sobre a saú- de e o bem-estar humanos são consideradas efeitos adversos do aqueci- mento global. Os cientistas já observam que o aumento da temperatura média do pla- neta tem causado o derretimento das geleiras das calotas polares e a ele- vação do nível do mar, podendo ocasionar o desaparecimento de ilhas e cidades litorâneas densamente povoadas. Módulo 1 – Contextualização 28 A mudança do clima poderá ser tão intensa nas próximas décadas a ponto de mudar a geografia da produção agrícola no Brasil e no mundo. Estudo recente mostra que o aumento de temperatura pode provocar, no Brasil, de modo geral, uma diminuição de regiões aptas para o cultivo dos grãos. Assim, municípios que hoje são grandes produtores podem não ser mais em 2020 ou 2050, por exemplo. Diante desse cenário, é possível ver que as atividades agropecuárias apre- sentam uma relação direta com as mudanças climáticas, podendo tanto ser responsáveis pelo aumento das concentrações atmosféricas de GEE, como ter sua viabilidade afetada pelas mudanças climáticas. Lá na fazenda Rio Novo Cabe destacar que, de todas as atividades econômicas que o homem exerce, a agricultura e a pecuária são, naturalmente, as mais dependen- tes do clima e, consequentemente, as mais vulneráveis à sua mudança. Portanto, a ocorrência das mudan- ças do clima pode afetar a produção agropecuária e trazer consequências negativas e imprevisíveis para esse setor. Minha família está ciente dessas con- sequências, e estão todos aplicando as boas práticas do Plano ABC lá na fazenda Rio Novo. E com o apoio do Técnico do SENAR, o Marcos, esta- mos conseguindo fazer mudanças significativas, tanto na nossa propriedade quanto nas dos nossos vizinhos. Vulnerável é algo ou alguém frágil, que pode ser facilmente afetado, ferido. Módulo 1 – Contextualização 29 Análise da vulnerabilidade nas mudan- ças climáticas Vulnerabilidade é um parâmetro que mede o grau de suscetibilidade de um sistema ou setor aos efeitos adversos da mudança do clima, como a agricultura, por exemplo. Os fatores que determinam a vulnerabilidade de um determinado sistema são: os impactos potenciais aos quais um sistema está sujeito e sua capa- cidade de se adaptar a novas temperaturas. Confira mais informações sobre cada um dos fatores no esquema a seguir. Exposição Sensibilidade Impactos Potenciais Vulnerabilidade Capacitade Adaptativa Módulo 1 – Contextualização 30 Exposição: Representa todas as mudanças do clima relacionadas aos componentes que causam a alteração meteorológica, como: • a alteração da média de precipitação (acréscimo ou decréscimo); • a variabilidade (maior dificuldade de manter o equilíbrio hidrológico, sobretudo, o relacionado aos níveis de umidade do solo); • a ocorrência de extremos climáticos, como secas (incluindo sua frequ- ência/magnitude). Sensibilidade: Representa o contexto socioeconômico e ambiental que contribui para ampliar ou reduzir os efeitos da exposição à mudança do clima. Impactos potenciais: Irão depender da exposição e sensibilidade do sistema. Capacidade adaptativa: Representa a capacidade de resposta e de reordenamento dos sistemas humanos frente às possíveis mudanças do clima. E o que podemos fazer para lidar com essa realidade do aquecimento global? Módulo 1 – Contextualização 31 Para lidar com essa realidade do aquecimento global podem ser tomados dois tipos de medidas: mitigadoras ou adaptativas. Medidas adaptativas As medidas adaptativas são inicia- tivas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos, ou dos setores, aos efeitos adversos atuais e esperados da mudança do clima. Medidas mitigadoras Já as medidas mitigadoras são aquelas voltadas para a redução das emissões de gases causadores de efeito estufa. Mudanças e substitui- ções tecnológicas que reduzam as emissões por unidade de produção são bons exemplos de medidas miti- gadoras. Também é possível aumen- tar os sumidouros: processo, ativida- de ou mecanismo que removem da atmosfera os GEE. Módulo 1 – Contextualização 32 Lá na fazenda Rio Novo Olá! Quantas informações importantes, não é mesmo? Existem várias maneiras de reduzir as emissões deGEE e os efeitos adversos do aquecimento global. Tal- vez você já conheça algumas delas. • evitar a abertura de novas áreas; • investir no reflorestamento e na conservação de áreas naturais; • incentivar o uso de energias renováveis não con- vencionais como, por exemplo, solar, eólica, bio- massa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs); • preferir biocombustíveis (etanol, biodiesel) a com- bustíveis fósseis (gasolina, óleo diesel); • investir na redução do consumo de energia e na efi- ciência energética; • reduzir, reaproveitar e reciclar materiais; • investir em tecnologias de baixo carbono; • melhorar o transporte público com baixa emissão de GEE; • entre outras possibilidades. Algumas dessas medidas podem ser adotadas por nós, em casa. E outras podem ser estabelecidas através de políticas nacionais e internacionais de clima. Na próxima aula conheça um breve histórico sobre como as mudanças climáticas vem sendo abordada no cenário mundial. Siga em frente! Módulo 1 – Contextualização 33 Aula 2: histórico e cenário mundial Agora que você já entende os principais conceitos sobre mudanças climáticas, podemos conferir um breve histórico que nos mostra como o assunto vem sendo abordado no cenário mundial. Conheça os acordos que foram sendo tratados entre os países, ao longo dos anos, para frear os efeitos negativos do aquecimento global. Em 1979 Ocorreu a primeira Conferência Mundial do Clima, com caráter cien- tífico, apelando às nações que to- massem conhecimento e investigas- sem as mudanças climáticas e seus impactos. A Conferência foi orga- nizada pela Organização Meteoro- lógica Mundial (OMM) e reuniu, em Genebra (Suíça), cientistas e espe- cialistas de 53 países e 24 organiza- ções internacionais, com o objetivo de debater questões ambientais re- ferentes à agricultura, recursos hídri- cos, energia, biologia e economia. Módulo 1 – Contextualização 34 Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (em inglês, United Nations Framework Convention on Climate Change ou UNFCCC) é uma base de cooperação internacional, em que os seus países membros buscam estabelecer políticas para reduzir e estabilizar as emissões de gases de efeito estufa em um nível no qual as atividades humanas não interfiram seriamente nos processos climáticos. Em 1988 A ONU criou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change – IPCC). O IPCC é um órgão intergovernamental que avalia e endossa pesquisas científicas, sintetiza e divulga conhecimento sobre mudanças climáticas no mundo. O órgão é aberto para todos os países membros das Nações Unidas. Em 1990 Aconteceu a segunda Conferência Mundial do Clima, na qual ocorreu a avaliação e atualização das decisões tomadas na primeira conferência, só que dessa vez, com base nas novas pesquisas sobre o aquecimento global realizadas no tempo decorrido entre ambas, e fundamentada no primeiro relatório produzido pelo IPCC. Em 1992 Aconteceu o primeiro passo para a formalização de um tratado interna- cional vinculativo, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Am- biente e Desenvolvimento. Também conhecida como ECO-92, a confe- rência reuniu chefes e representan- tes de Estado de vários países do mundo, no Rio de Janeiro (Brasil), para debater temas gerais da agen- da ambiental. Na ECO-92 teve início o processo de criação da Conven- ção-Quadro das Nações Unidas so- bre Mudanças do Clima (UNFCCC). Módulo 1 – Contextualização 35 Princípios da UNFCCC Um dos princípios fundamentais da UNFCCC é o de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Os países desenvolvidos, por suas respon- sabilidades históricas e atuais pelo aquecimento global e sua maior capaci- dade financeira e tecnológica, devem tomar a dianteira na implementação de metas ambiciosas de redução de emissões de gases de efeito estufa e prover apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento. Estes, por sua vez, devem contribuir para enfrentar a mudança do clima de forma compatível com o imperativo do crescimento econômico e social, conforme reconhecido pela Convenção-Quadro. Assinado e ratificado por 175 países O texto da Convenção foi assinado e ratificado por 175 países, que reco- nheceram a necessidade de um esforço global para o enfrentamento das questões climáticas. Com a entrada em vigor da Convenção do Clima, os representantes dos diferentes países passaram a se reunir anualmente para discutir a sua implementação. Estas reuniões são chamadas de Con- ferências das Partes (COPs). Em 1997 Foi assinado o Protocolo de Quioto, um tratado internacional que esti- pulou metas de reduções obrigató- rias dos principais gases de efeito estufa para os países signatários, no período de 2008 a 2012. Apesar da resistência por parte de alguns países desenvolvidos, foi acordado o princípio da responsabilidade co- mum, porém, diferenciada, confor- me descrito anteriormente. Assim, os países desenvolvidos e indus- trializados, por serem responsáveis históricos pelas emissões e por te- rem mais condições econômicas para arcar com os respectivos custos, seriam os primeiros a assumir as metas de redução até 2012. Módulo 1 – Contextualização 36 Em 2005 Contudo, o Protocolo só entrou em vigor em 2005, quando 192 países ratificaram o acordo, representando juntos 55% das emissões de gases de estufa do mundo e atingindo a condição necessária para que este en- trasse em vigor. Protocolo de Quioto O Protocolo de Quioto complementou a UNFCCC, ao estabelecer metas quantitativas legalmente obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa para países desenvolvidos. Suas regras rígidas para mo- nitoramento, informação e verificação de emissões e remoções desses gases oferecem base de comparabilidade entre os esforços dos países desenvolvidos e integridade ambiental dos resultados. Em 2012 Durante a COP 18, em Doha, quan- do estava prevista a finalização do Protocolo de Quioto, foi observado o não atingimento das metas por diversos países e o Protocolo foi prorrogado até 2020. Em 2015 Na reunião da COP, em Paris, foi assinado o Acordo de Paris, su- cessor do Protocolo de Quioto. Ao contrário do Protocolo de Quioto, que se baseava na obrigatoriedade de redução das emissões de gases estufa aos países desenvolvidos, o Acordo de Paris quer envolver to- das as nações na redução de emis- sões e incentivar as ações voluntá- rias e a transparência. Módulo 1 – Contextualização 37 A adoção do Acordo de Paris, em 2015, inaugurou uma nova fase do re- gime multilateral, marcada por maior ambição para o enfrentamento da mudança do clima em escala mundial. Os principais objetivos do acordo de Paris são: • conter o aumento da temperatura global em até 2 °C em relação ao período pré-industrial; • limitar o aumento da temperatura até 1,5 °C acima dos níveis pré-in- dustriais; • envolver todos os países, não apenas os desenvolvidos; • apoiar os países menos industrializados na mitigação de suas emis- sões; • definir metas e compromissos voluntários; • acompanhar regularmente o progresso dos países em suas metas. No Acordo, que leva em consideração as medidas e intenções que os mais de 190 países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima apresentaram, voluntariamente, cada nação estabe- leceu um compromisso diferente de redução das emissões de carbono, conforme sua realidade. Segundo o Relatório das Nações Unidas, divulgado em novembro de Lá na fazenda Rio Novo De acordo com o 5º Relatório de Avaliação do IPCC, em 2015, o setor energético foi responsável por 78% das emissões de GEE nos 28 países (Estados-Membros) da União Europeia. As emissões da agricultura contri- buem com 10,1%, os processos industriais com 8,7% e a gestão de resíduos com 3,2%. Módulo 1 – Contextualização 38 2018, no ano de 2017 as emissões de gases de efeito estufa aumentaram,depois de três anos em níveis estáveis. O estudo mostra que as emissões globais atingiram níveis históricos de 53,5 gigatoneladas de gás carbô- nico equivalente (Gg CO eq). Os cientistas alertam que, se persistir a ten- dência atual, até o fim do século, a temperatura global poderá subir pelo menos 3°C. Diante do crescimento das emissões globais de gás carbônico em 2017, o Relatório da ONU alerta que os países devem triplicar os esforços para alcançar a meta de manter o aquecimento global, até 2030, abaixo de 2 °C ou quintuplicar as ações para limitar o aumento da temperatura abai- xo de 1,5 °C, conforme prevê o Acordo de Paris. Apenas 57 países, que representam 60% das emissões globais, estão no caminho para atingir a meta em 2030. As negociações internacionais e multilaterais sob a UNFCCC, subsidiadas pelos trabalhos científicos do IPCC, em curso nas Conferências das Partes (COPs), que se realizam anualmente, têm como enfoque a adoção de decisões e normas para a implementação do Acordo de Paris. A última COP aconteceu na Polônia, em 2018. Módulo 1 – Contextualização 39 Confira, a seguir, os países principais emissores de GEE em 2012. Módulo 1 – Contextualização 40 Apesar da China emitir mais gases de efeito estufa do que os EUA, es- tes lideram as emissões per capita, ou seja, por habitante. Isso quer dizer que cada chinês emite menos GEE que cada americano. As emissões da China são bastante elevadas, já que é o país mais populoso do mundo (abrigando de 20 a 25% da população mundial) e está também em pleno desenvolvimento econômico, com intensificação de atividades econômi- cas emissoras de GEE. Por outro lado, os EUA possuem 300 milhões de habitantes, ou seja, ape- nas 5% da população mundial, e até o ano de 2005 figuravam como os maiores emissores de GEE do planeta. Entre 1990 e 2002, aumentaram em 15% o nível de emissão, segundo dados da U.S. Energy Information Administration. Veja o gráfico e confira as emissões globais de gases de efeito estufa por setor em 2004. 7,90% 25,90% 19,40% 17,40% 13,10% 13,50% 2,80% Edificações comerciais e residenciais Transporte Agricultura Florestas Indústria Suprimento de Energia Resíduos Módulo 1 – Contextualização 41 13,10% Transporte – Inclui transporte internacional (marítimo e avia- ção), excluindo-se a pesca. Exclui o uso de veículos e maquinários utiliza- dos na agricultura e em atividades florestais. 7,90% Edificações comerciais e residenciais – Inclui o uso tradi- cional de biomassa e a parcela de emissões provenientes da geração de eletricidade centralizada. 19,40% Indústria – Inclui refinarias e fornos de carvão. 13,50% Agricultura – Inclui as emissões de gases não-CO2 pela quei- ma de resíduos agrícolas e queima de vegetação no cerrado. As emissões ou remoções de CO2 por solos agrícolas não estão incluídas. 17,40% Florestas – Os dados incluem emissões de CO2 por desma- tamento, por decomposição da biomassa acima do solo que permanece após o desmatamento ou corte seletivo de madeira, e CO2 por queima de turfa e decomposição de solos drenados de turfa. 2,80% Resíduos – Inclui aterros sanitários e emissões de óxido nitroso pela incineração de resíduos. Lá na fazenda Rio Novo Você consegue imaginar as consequências positivas, para o mundo e para nós, quando houver a redução de emissão de gases nos próximos anos e décadas? É bem provável que diminua: • o aumento no nível do mar; • os picos de temperaturas (mínimas e máximas); • a quantidade de eventos extremos (secas e tem- pestades). E também haverá consequências positivas menos in- tensas para a vida na Terra, incluindo a produção de alimentos e a biodiversidade. Módulo 1 – Contextualização 42 Aula 3: o brasil no contexto global Conforme visto na aula anterior, em 2015, o Brasil estava na quinta posi- ção no ranking dos países mais emissores de GEE. Principais emissores de GEE em 2012 [quilotoneladas de equivalente de CO2] China 12.454.711 Estados Unidos 6.343.841 União Europeia 4.702.090 Índia 3.002.895 Brasil 2.989.418 Rússia 2.803.398 Japão 1.478.859 Indonésia 780.551 Austrália 761.686 México 663.425 Bolívia 621.727 491.982 Sudão 445.640 Turquia 440.412 Tailândia 404.900 Ucrânia Mianmar/Birmânia 528.416 República Centro-Africana 515.134 Canadá 1.027.064 R. D. do Congo 802.271 Coreia do Sul 668.990 Módulo 1 – Contextualização 43 Ele estava atrás da China, dos EUA, da União Europeia e da Índia, nessa ordem. Embora classificado como país em desenvolvimento, o Brasil está comprometido com a proteção do sistema climático global para as pre- sentes e futuras gerações. Para tanto, atua no plano multilateral a fim de fortalecer o regime internacional de combate às mudanças do clima, base da colaboração internacional nessa área. A Contribuição Nacionalmente Determinada (Intended Nationally Determined Contribution – INDC, sigla em in- glês) é o principal instrumento de comunicação dos com- promissos individuais voluntariamente assumidos pelas Partes no Acordo de Paris. Em setembro de 2015, o Go- verno brasileiro anunciou a INDC brasileira, partindo dos resultados positivos já alcançados pelo País na redução de GEE e estabelecendo compromissos ainda mais ambi- ciosos. Conforme a CND do Brasil, o País tem metas de redução das emissões de GEE a cumprir para os anos 2025 e 2030, de até 37%, e até 43% respectivamente, em relação aos níveis de 2005. A contribuição Brasileira leva em consideração o desenvolvimento sus- tentável, e inclui, além de compromissos de mitigação, ações de adap- tação, oportunidades de cooperação internacional e referências a meios de implementação. O Brasil é um dos únicos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões, tão ou mais ambiciosa que as metas de países desenvolvidos. Para subsidiar a elaboração da NDC brasileira, o Ministério das Relações Exteriores conduziu amplo processo de consultas à sociedade civil, ao setor privado e ao meio acadêmico. Os dados sobre as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, relati- vos à 4ª edição das Estimativas Anuais, disponibilizados no fim de 2017, mostram as emissões nacionais entre 1990 e 2015, conforme gráfico a seguir. Módulo 1 – Contextualização 44 Fonte: EducaClima, com base em informações da 4ª edição das Estimativas Anuais de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil, disponíveis no SIRENE. Sobre o gráfico, confira alguns destaques: 2004 O pico das emissões brasileiras ocorreu em 2004, quando lançou-se na atmosfera 3,453 bilhões de toneladas de CO2 eq, principalmente, devido às elevadas taxas de desmata- mento ilegal daquele ano. 2005 Em 2005, o setor de mudança do uso do solo e florestas re- presentava 70% das emissões, com os setores de agropecuá- ria e energia contribuindo com 14% e 11%, respectivamente. 2005 a 2017 Entre os anos de 2005 e 2017 houve queda na taxa de des- matamento da Amazônia de 65%, fato que alterou significa- tivamente o perfil brasileiro de emissões de gases de efeito estufa. 2015 Em 2015, as emissões totais do Brasil foram de 1,368 bilhão de toneladas de CO2 eq (GWP-AR2). E também, as emissões do setor de mudança do uso do solo e florestas foram da or- dem de 24%, enquanto a participação da agropecuária e da energia passaram para 31% e 33%, respectivamente. Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil, por setor em gigatoneladas de CO2, utilizando a métrica Global Warming Potential (GWP). 4.000.000 3.500.000 3.000.000 2.500.000 2.000.000 1.500.000 1.000.000 500.000 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 20 14 20 15 Mudança de uso da terra e florestas Agropecuária Processos industriais Tratamento de resíduos Energia Módulo 1 – Contextualização 45 Agora, veja dados relativos às emissões nacionais de gases de efeito estufa, no ano de 2015, por setor. Participação de emissõesdo País, para, ao mesmo tempo, aumentar sua produção agropecuária e reduzir as emissões de GEE. É exatamente sobre esse assunto que vamos tratar no Módulo 2. Mas, antes, você deverá acessar o AVA e realizar a atividade de aprendizagem obrigatória. Módulo 1 – Contextualização 52 Atividade de aprendizagem As atividades aqui na apostila servem apenas para você ler e respondê-las com mais tranquilidade. Entretanto, você deverá acessar o AVA e resolver lá as questões. Você terá duas tentativas para realizar cada questão e só desbloqueará o próximo módulo depois que: 1. acertar as questões; ou 2. usar todas as suas tentativas. Questão 1 Sobre os conceitos relacionados às mudanças climáticas, assinale a alter- nativa correta. a) O aquecimento global é um tipo de mudança climática caracteriza- da pelo aumento da temperatura da Terra, resultante de uma varia- bilidade natural desse parâmetro climático ao longo do tempo. b) O aquecimento global é um tipo de mudança do clima caracterizada pelo aumento da temperatura da Terra, resultante da intensificação de gases causadores do efeito estufa (GEE) em decorrência das ati- vidades humanas. c) O efeito estufa é um fenômeno natural responsável pela manuten- Módulo 1 – Contextualização 53 ção do calor na Terra, e sua intensificação, decorrente do aumento das emissões de GEE, não se relaciona às atividades humanas.pa- mentos e mão de obra na propriedade; aumento dos riscos climáti- cos; geração de empregos. d) O efeito estufa é um fenômeno prejudicial à vida na Terra, o qual se caracteriza pela retenção de calor feita por gases que estão presen- tes na atmosfera. Questão 2 Com relação ao Brasil no Contexto Global das Mudanças Climáticas, assi- nale a alternativa correta. a) Em 2015, por ocasião do Acordo de Paris, o Brasil estava na ter- ceira posição no ranking dos países mais emissores de GEE, sendo considerado um país comprometido internacionalmente com a pro- teção do sistema climático global, embora classificado como país em desenvolvimento. b) A Contribuição Nacionalmente Determinada (Intended Nationally Determined Contribution – INDC, na sigla em inglês) é o principal instrumento de comunicação dos compromissos individuais volun- tariamente assumidos pelas partes no Acordo de Paris. Por ser um país em desenvolvimento, o Brasil não elaborou uma INDC brasilei- ra. c) Em setembro de 2015, o Governo brasileiro anunciou a INDC bra- sileira, partindo dos resultados positivos já alcançados pelo País na redução de GEE e estabelecendo compromissos bem modestos. d) O Brasil é um dos únicos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões, tão ou mais ambiciosa que as metas de países desenvolvidos. Módulo 1 – Contextualização 54 Questão 3 Sobre o marco legal do Brasil relacionado às mudanças climáticas, assina- le a alternativa correta. a) Os compromissos internacionais de redução das emissões de GEE assumidos pelo Brasil não foram ratificados pela Lei nº 12.187/2009, que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC). b) A PNMC prevê que o Poder Executivo estabelecerá o Plano Nacio- nal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas visando à consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono. c) De acordo com o Decreto nº 7.390/2010, para o setor da agricultu- ra, ficou estabelecida a constituição do Plano para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. d) O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima, lançado pela Portaria nº 150/2016, do Ministério do Meio Ambiente, não contempla as ações de adaptação propostas pelo Plano ABC.do País, para, ao mesmo tempo, aumentar sua produção agropecuária e reduzir as emissões de GEE. É exatamente sobre esse assunto que vamos tratar no Módulo 2. Mas, antes, você deverá acessar o AVA e realizar a atividade de aprendizagem obrigatória. Módulo 1 – Contextualização 52 Atividade de aprendizagem As atividades aqui na apostila servem apenas para você ler e respondê-las com mais tranquilidade. Entretanto, você deverá acessar o AVA e resolver lá as questões. Você terá duas tentativas para realizar cada questão e só desbloqueará o próximo módulo depois que: 1. acertar as questões; ou 2. usar todas as suas tentativas. Questão 1 Sobre os conceitos relacionados às mudanças climáticas, assinale a alter- nativa correta. a) O aquecimento global é um tipo de mudança climática caracteriza- da pelo aumento da temperatura da Terra, resultante de uma varia- bilidade natural desse parâmetro climático ao longo do tempo. b) O aquecimento global é um tipo de mudança do clima caracterizada pelo aumento da temperatura da Terra, resultante da intensificação de gases causadores do efeito estufa (GEE) em decorrência das ati- vidades humanas. c) O efeito estufa é um fenômeno natural responsável pela manuten- Módulo 1 – Contextualização 53 ção do calor na Terra, e sua intensificação, decorrente do aumento das emissões de GEE, não se relaciona às atividades humanas.pa- mentos e mão de obra na propriedade; aumento dos riscos climáti- cos; geração de empregos. d) O efeito estufa é um fenômeno prejudicial à vida na Terra, o qual se caracteriza pela retenção de calor feita por gases que estão presen- tes na atmosfera. Questão 2 Com relação ao Brasil no Contexto Global das Mudanças Climáticas, assi- nale a alternativa correta. a) Em 2015, por ocasião do Acordo de Paris, o Brasil estava na ter- ceira posição no ranking dos países mais emissores de GEE, sendo considerado um país comprometido internacionalmente com a pro- teção do sistema climático global, embora classificado como país em desenvolvimento. b) A Contribuição Nacionalmente Determinada (Intended Nationally Determined Contribution – INDC, na sigla em inglês) é o principal instrumento de comunicação dos compromissos individuais volun- tariamente assumidos pelas partes no Acordo de Paris. Por ser um país em desenvolvimento, o Brasil não elaborou uma INDC brasilei- ra. c) Em setembro de 2015, o Governo brasileiro anunciou a INDC bra- sileira, partindo dos resultados positivos já alcançados pelo País na redução de GEE e estabelecendo compromissos bem modestos. d) O Brasil é um dos únicos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões, tão ou mais ambiciosa que as metas de países desenvolvidos. Módulo 1 – Contextualização 54 Questão 3 Sobre o marco legal do Brasil relacionado às mudanças climáticas, assina- le a alternativa correta. a) Os compromissos internacionais de redução das emissões de GEE assumidos pelo Brasil não foram ratificados pela Lei nº 12.187/2009, que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC). b) A PNMC prevê que o Poder Executivo estabelecerá o Plano Nacio- nal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas visando à consolidação de uma economia de baixa emissão de carbono. c) De acordo com o Decreto nº 7.390/2010, para o setor da agricultu- ra, ficou estabelecida a constituição do Plano para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. d) O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima, lançado pela Portaria nº 150/2016, do Ministério do Meio Ambiente, não contempla as ações de adaptação propostas pelo Plano ABC.