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Proteção Penal aos Interesses Sociais
Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e Contra o Respeito aos Mortos
Art. 208: ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo
Escarnecer de alguém publicamente, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de
culto religioso, vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso; pena de 1
mês a 1 ano de detenção, ou multa, podendo ser aumentad para ⅓ quando houver
emprego de violência (crime de menor potencial ofensivo)
Sujeitos:
● ativo - crime comum (qualquer pessoa);
● passivo - pessoa determinada; não configura crime em caso de ofensas
genéricas, passa a ser configurado a coletividade como sujeito passivo
Objeto jurídico: proteção ao expressar sentimento religioso e a integridade física da
vítima
Objeto material: a pessoa (1ª parte), a cerimônia ou culto (2ª parte), ou ato ou objeto
de culto
Elemento subjetivo do crime: dolo, que se trata da vontade livre e consciente de
praticar a conduta. O dolo específico é a vontade de denegrir uma determinada
religião contra ato, culto ou objeto
Consumação ocorre quando o agente zomba da crença ou religião de alguém,
mesmo a vítima não se sentir menosprezada, interromper ou perturbar cerimônia o
culto, ou quando houver o vilipêndio de imagem sacra; admite-se tentativa
(plurissubsistente)
Ação penal pública incondicionada
Tipo penal cumulativo: a prática das condutas implica em três crimes em concurso
Art. 209: impedimento ou perturbação de cerimônia funerária
Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária; pena de 1 mês a 1 ano de
detenção, ou multa, podendo ser aumentada para ⅓ em caso de violência, sem
prejuízo de correspondente à violação
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade representada pelo Estado, família do falecido
Objeto jurídico: sentimento de respeito à memória dos mortos
Elemento subjetivo: dolo
Elemento subjetivo do tipo: ultrajar a memória do falecido
Consumação: efeito de impedimento ou perturbação - apenas com a prática da
conduta; admite-se tentativa
Ação penal pública incondicionada
Tipo penal alternativo: prática de duas condutas previstas no tipo leva à
configuração de apenas um delito
Art. 210: violação de sepultura
Violar ou profanar sepultura ou urna funerária; pena de 1 a 3 anos de reclusão, ou
multa. Concurso de crimes: calúnia contra os mortos, furto, subtração ou destruição
de cadáver
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade representada pelo Estado, família do falecido
Objeto jurídico: sentimento de respeito à memória dos mortos
Objeto material: sepultura ou urna funerária
Elemento subjetivo do crime: dolo
Elemento subjetivo do tipo: ultrajar a memória do falecido
Consumação: se dá no momento da prática; admite-se tentativa
Ação penal pública incondicionada
Art. 211: destruição, subtração ou ocultação de cadáver
Deestruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele; pena de 1 a 3 anos de reclusão,
e multa
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade representada pelo Estado
Objeto jurídico: sentimento de respeito à memória dos mortos
Objeto material: cadáver ou parte deles; não se incluem cinzas ou a múmia
Elemento subjetivo do crime: dolo genérico, que significa a prática da conduta sem
nenhuma finalidade específica. Dependendo do caso, pode configurar concurso de
crimes (art. 347 - fraude processual)
Consumação se dá pela destruição, subtração ou ocultação do cadáver; Admite-se
tentativa (plurissubsistente)
Tipo penal alternativo: duas condutas configura um único delito
Art. 212: vilipêndio a cadáver
Vilipendiar cadáver ou suas cinzas
Pena de 1 a 3 anos de detenção, e multa
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade representada pelo Estado, família do falecido
Objeto jurídico: sentimento de respeito à memória dos mortos
Objeto material: cadáver ou cinzas
Elementos subjetivos de tipo: dolo específico (prática da conduta com certa
finalidade)
Consumação ocorre com a prática da conduta; admite-se tentativa, exceto em caso
de forma verbal
Dos Crimes contra a Paz Pública
Art. 286: incitação ao crime
Incitar, publicamente, a prática de crime; pena de 3 a 6 meses de detenção, e multa.
O parágrafo único assegura que incorre na mesma pena aquele que incitar,
publicamente, animosidade entre as Forças Armadas, ou delas contra os poderes
constitucionais, as instituiçõs civis ou a sociedade
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade
Elemento subjetivo: dolo genérico; a coautoria trata-se do crime cometido por várias
pessoas. Incitação genérica não configura delito. O agente estimula outras pessoas
a praticarem crime determinado
Consumação se dá pela prática da incitação, desde que percebida por determinado
número de pessoas (crime de perigo abstrato - não ocorre risco dde lesão ou dano
ao bem jurídico tutelado); admite-se tentativa quando o iter criminis (processo de
evolução do crime) puder ser fracionado
Ação penal pública incondicionada
Art. 287: apologia de crime ou criminoso
Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou autor de crime; pena de 3 a 6
meses de detenção, ou multa. Não é considerado crime fazer elogio ao criminoso
por comportamento desvinculado da prática delitiva
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade
Objeto jurídico: paz pública
Elemento subjetivo: dolo genérico (vontade de praticar a conduta criminosa), não
havendo modalidade culposa
Consumação se dá pela apologia em local público; admite-se tentativa, exceto em
caso de modalidade oral
Ação penal pública incondicionada
Art. 288: associação criminosa
Associarem-se 3 ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes; pena
de 1 a 3 anos de reclusão, podendo ser aumentada em caso de organização
criminosa armada, ou se houver a participação de menores de idade (art. 8º da lei nº
8072/1990 - crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo)
Sujeitos:
● ativo - crime comum;
● passivo - coletividade
Objeto jurídico: paz pública
Crime de perigo comum (atinge um número indeterminado de pessoas) e abstrato
(não ocorre risco de dano ao bem jurídico tutelado), comissivo (praticado por meio
de uma ação) e permanente (continua a produzir efeitos mesmo após a prática do
crime)
Elemento subjetivo: dolo específico; neste caso, é o fim de associar-se para a
prática indeterminada de crimes
Consumação ocorre quando se aperfeiçoa a convergência às vontades de mais de
três pessoas; não se admite tentativa, pois os atos são meramente preparatórios
para a prática dos delitos; trata-se de delito unissubsistente (tais atos cometidos são
cometidos em uma única ação ou omissão)
Ação penal pública incondicionada

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