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UNIVERSIDADE ANHANGUERA EDUCACIONAL ANA EDNEIDE DE LIRA SOARES RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ANÁLISES CLÍNICAS Currais Novos - RN 2025 ANA EDNEIDE DE LIRA SOARES RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ANÁLISES CLÍNICAS Este relatório apresenta as atividades realizadas durante o estágio supervisionado em análises clínicas, cumprindo os requisitos do plano de estágio curricular obrigatório da Universidade Anhanguera Educacional, sob a supervisão de Flavia Soares Lassie. Currais Novos - RN 2025 SUMÁRIO 1. apresentação 1 1.1. Informações gerais do campo de estágio 1 1.2. Objetivo e período 1 2. introdução 1 3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS 2 3.1 Atividades desenvolvidas durante a etapa pré-analítica 2 3.1.1. Processos e procedimentos na etapa analítica 2 3.1.2. Importância da etapa pós-analítica no contexto da formação farmacêutica 3 3.1.3. Biossegurança e Controle de Qualidade 4 4. ATIVIDADES DO PLANO DE TRABALHO ADAPTADO 10 5. TERMO DE VALIDAÇÃO DO RELATÓRIO.. 11 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 12 7. REFERÊNCIAS......................................................................................................25 1. APRESENTAÇÃO 1.1 Informações gerais do campo de estágio: O Hospital e Maternidade Clotilde Santana, localizado em Cerro Corá (RN), é uma unidade pública de saúde de grande importância para a população local e de municípios vizinhos. A instituição oferece uma ampla gama de serviços, incluindo atendimento de urgência e emergência, consultas ambulatoriais, pré-natal, parto, diagnóstico laboratorial e fisioterapia, sendo referência para a atenção materno-infantil na região. Ao longo de sua história, a unidade consolidou-se como um centro estratégico no fortalecimento da rede pública de saúde municipal, garantindo assistência contínua e de qualidade. Sua infraestrutura, aliada à atuação de profissionais capacitados, permite o atendimento integral às demandas de saúde da população, refletindo diretamente na melhoria dos indicadores de saúde local e no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao cuidado materno e infantil. Neste contexto, o estágio em análises clínicas nesta instituição oferece ao estudante de Farmácia a oportunidade de vivenciar de forma prática os procedimentos laboratoriais essenciais ao diagnóstico e acompanhamento clínico. A experiência permite acompanhar todas as etapas do exame laboratorial, desde a coleta e processamento das amostras até a análise e liberação dos resultados, desenvolvendo competências técnicas, éticas e profissionais fundamentais para a formação de um farmacêutico capacitado e comprometido com a qualidade do cuidado em saúde. 1.1.2. Objetivo e período: Este relatório refere-se ao Estágio Supervisionado em Análises Clínicas, realizado entre os dias *-----* do ano presente, com carga horária total de 240 horas. A vivência deste estágio curricular é de grande importância, pois além de consolidar os conhecimentos adquiridos na graduação, proporciona contato direto com a realidade profissional do farmacêutico na área laboratorial, contribuindo significativamente para a formação de competências técnicas, éticas e analíticas essenciais ao futuro exercício profissional. O estágio teve como principal objetivo proporcionar a oportunidade de aplicar, ampliar e adequar os conhecimentos técnico-científicos adquiridos na graduação, integrando teoria e prática por meio de sua inserção em situações reais de trabalho. A atuação no laboratório permitiu observar e participar de procedimentos analíticos complexos, consolidando a aprendizagem prática e reforçando a importância da precisão técnica e da responsabilidade na execução dos exames laboratoriais. Além disso, o estágio promoveu o desenvolvimento de competências, capacidades e habilidades essenciais à formação profissional do farmacêutico. Durante o período, foi possível vivenciar atividades que exigiram raciocínio crítico, análise de resultados e tomada de decisões, fortalecendo a autonomia e a confiança do acadêmico na execução de procedimentos laboratoriais. Outro aspecto relevante foi o contato com a realidade socioeconômica e cultural da população atendida pelo Hospital e Maternidade Clotilde Santana. A experiência permitiu desenvolver a capacidade crítica e humanística, permitindo ao acadêmico compreender seu papel como agente de transformação da sociedade e reforçando a importância do compromisso ético e social do farmacêutico. O estágio também possibilitou a atuação em diferentes níveis de atenção à saúde, incluindo programas de promoção, manutenção, prevenção, proteção e recuperação da saúde. Essa vivência proporcionou compreensão sobre a importância da atuação do farmacêutico como parte integrante de equipes multiprofissionais, promovendo a saúde da população de forma integral e humanizada. Além do conhecimento técnico, o estágio estimulou o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional, incentivando o desenvolvimento da cidadania e dos princípios éticos, como autonomia, responsabilidade, solidariedade e respeito ao bem comum. O contato com situações reais de trabalho reforçou a necessidade de atualização constante e aprimoramento contínuo para a prática profissional de qualidade. Por fim, o estágio permitiu o fortalecimento da atuação em equipes multiprofissionais, favorecendo a integração interdisciplinar e transdisciplinar, essencial para a máxima produtividade na promoção e assistência à saúde. Ao vivenciar essas experiências, o acadêmico pôde desenvolver habilidades de tomada de decisão e solução de problemas, consolidando sua formação como farmacêutico generalista, capacitado e qualificado para atuar em laboratórios de análises clínicas, garantindo segurança, qualidade e responsabilidade técnica no exercício profissional. 2. INTRODUÇÃO O estágio supervisionado em análises clínicas constitui uma etapa essencial na formação do farmacêutico, permitindo a aplicação prática dos conteúdos estudados ao longo da graduação e promovendo a integração entre teoria e prática em situações reais de trabalho. Essa vivência é indispensável para que o acadêmico compreenda a complexidade do processo laboratorial e desenvolva habilidades técnicas, científicas e éticas fundamentais para o exercício profissional (BRASIL, 2017). No Hospital e Maternidade Clotilde Santana, localizado em Cerro Corá (RN), o estágio proporcionou ao estudante contato direto com a rotina laboratorial em suas diversas etapas: pré-analítica, analítica e pós-analítica. Na fase pré-analítica, foram vivenciadas atividades como a coleta, identificação e acondicionamento adequado das amostras biológicas, etapa que representa um dos principais determinantes da qualidade do exame, visto que erros nesse momento podem comprometer todo o diagnóstico (FERREIRA; ANDRADE, 2021). Na fase analítica, o acadêmico pôde acompanhar e executar procedimentos técnicos de grande relevância, como a realização de exames bioquímicos, hematológicos, imunológicos e microbiológicos. Essas práticas favorecem o desenvolvimento de competências em manuseio de equipamentos, padronização de técnicas e interpretação de resultados, além de estimular a responsabilidade e a atenção aos detalhes — características indispensáveis à profissão farmacêutica (SILVA; MARTINS, 2020). Já na fase pós-analítica, atividades como a validação e liberação de laudos, bem como a comunicação dos resultados, destacaram a importância da precisão, da ética e do compromisso com a saúde do paciente. Essa etapa reforça a necessidade de sigilo profissional e da tomada de decisões embasadas em princípios técnicos e éticos, habilidades que o farmacêutico deve cultivar em toda a sua trajetória (SANTOS et al., 2019). Ademais, o estágio permitiu vivenciar a dinâmica multiprofissional no contexto hospitalar, evidenciando a relevância da atuação integrada com médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. Essa experiência contribuiu não apenas para o desenvolvimento técnico, mas também para a formação humanísticado estudante, fortalecendo competências relacionadas à comunicação, ao trabalho em equipe e à responsabilidade social (BRASIL, 2017). Por fim, o estágio em análises clínicas mostrou-se fundamental para despertar no acadêmico o desejo contínuo de aprimoramento cultural e científico, estimulando a busca por atualização profissional e fortalecendo os princípios de cidadania, autonomia, solidariedade e ética. Trata-se, portanto, de uma experiência que não apenas consolida o conhecimento técnico, mas também contribui para a formação de um farmacêutico generalista, crítico, reflexivo e comprometido com a saúde coletiva. ATIVIDADE DO ESTAGIÁRIO: 3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS 3.1. Atividades desenvolvidas durante a etapa pré-analítica Durante as atividades no laboratório supervisionado, tive a oportunidade de acompanhar de forma integral o fluxo da fase pré-analítica, desde a recepção até o transporte das amostras biológicas. No início da manhã, estive presente na recepção e triagem das amostras, participando da conferência dos dados de identificação dos pacientes e das solicitações médicas, assegurando a correta correspondência entre os registros e o material coletado. Essa etapa revelou-se essencial para a confiabilidade dos exames, uma vez que qualquer falha na identificação pode comprometer não apenas o diagnóstico, mas também a escolha terapêutica e a segurança do paciente (PINHO; KAWAKAMI, 2021). Posteriormente, por volta das 9h, observei e auxiliei na coleta de sangue venoso, realizada de acordo com os protocolos de biossegurança e os princípios técnicos da punção venosa. Essa experiência foi fundamental para compreender a relação direta entre a execução correta do procedimento, a segurança do paciente e a proteção do profissional de saúde, destacando ainda a importância do uso adequado dos equipamentos de proteção individual (EPIs), prática reforçada pelas normativas da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2019) e pelas regulamentações nacionais (ANVISA, 2020). Mais adiante, aproximadamente às 10h, participei do acondicionamento e transporte das amostras, verificando as condições de temperatura e tempo de envio, de modo a garantir a preservação da estabilidade dos analitos. Essa atividade possibilitou perceber de forma prática que a qualidade do exame depende diretamente da atenção dedicada a cada detalhe do processo pré-analítico. Tal constatação é confirmada pela literatura, que aponta que cerca de 60% a 70% dos erros laboratoriais ocorrem nessa fase, sendo os mais frequentes relacionados a amostras hemolisadas, identificação inadequada, volume insuficiente, uso incorreto de anticoagulantes e falhas no armazenamento (BONINI et al., 2002; PEREIRA; OLIVEIRA, 2020; LOPES; RODRIGUES, 2021). Além dos aspectos técnicos, a experiência também evidenciou a importância da padronização de procedimentos. Sob supervisão do farmacêutico responsável, participei da aplicação de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), compreendendo como a gestão documental contribui para a rastreabilidade, segurança e confiabilidade dos resultados laboratoriais. Nesse sentido, o farmacêutico se destaca como agente de qualidade e gestor do processo laboratorial, sendo responsável por assegurar que cada etapa esteja em conformidade com as legislações vigentes (ANVISA, 2018; SBPC/ML, 2022; OLIVEIRA; COSTA, 2021). Outro ponto relevante foi a vivência da relação direta com o paciente, onde pude perceber a importância da comunicação clara e empática. A escuta atenta, a orientação sobre os procedimentos e a postura humanizada revelaram-se fundamentais para reduzir a ansiedade, garantir adesão às recomendações e fortalecer o vínculo de confiança entre paciente e serviço de saúde. Estudos recentes reforçam que a humanização no atendimento laboratorial impacta positivamente na percepção de qualidade e na segurança do paciente (MARTINS; SANTOS, 2019; SILVA; ALMEIDA, 2022). Dessa forma, a fase pré-analítica revelou-se não apenas como um espaço de aplicação técnica, mas também de integração entre ciência, gestão e humanização. A experiência prática permitiu consolidar competências essenciais para a formação farmacêutica, destacando-se a importância da atenção aos detalhes, do cumprimento rigoroso dos protocolos e da postura ética e responsável. Assim, compreendi que a precisão diagnóstica e a efetividade terapêutica estão diretamente condicionadas à qualidade dos procedimentos realizados nesse estágio inicial do processo laboratorial, o que reforça o papel do estagiário como futuro profissional comprometido com a excelência e a segurança em saúde. 3.1.1. Processos e procedimentos na etapa analítica Durante a vivência na etapa analítica, acompanhei a preparação das amostras biológicas destinadas aos exames laboratoriais. Sob supervisão do farmacêutico, participei da conferência dos tubos e da verificação da correta identificação das amostras, assegurando que cada material estivesse devidamente preparado para análise. Essa atividade destacou a importância da rastreabilidade e da padronização, fatores determinantes para reduzir a possibilidade de erros e garantir a confiabilidade dos resultados (PINTO; SOUZA, 2019). No decorrer da manhã, por volta das 9h30, envolvi-me na manipulação técnica das amostras, observando e auxiliando no manuseio de equipamentos automatizados e semi-automatizados. Essa experiência permitiu compreender de forma prática a relevância da calibração periódica dos instrumentos, da manutenção preventiva e do cumprimento rigoroso dos protocolos metodológicos, uma vez que esses fatores são essenciais para a precisão e a reprodutibilidade dos exames (MARTINS; LIMA, 2020; SBPC/ML, 2022). Posteriormente, aproximadamente às 11h, participei das rotinas de controle de qualidade interno e externo. Realizei testes de repetibilidade, conferi curvas de calibração e analisei controles comerciais sob orientação do farmacêutico responsável. Essa prática possibilitou compreender como a monitorização contínua da qualidade analítica assegura a validade dos resultados, evitando erros sistemáticos e aleatórios que poderiam comprometer diagnósticos médicos e condutas terapêuticas. A literatura ressalta que os programas de controle de qualidade são indispensáveis para a harmonização dos processos laboratoriais e para o atendimento às normas de acreditação nacional e internacional (ANVISA, 2010; WESTGARD, 2019; RIBEIRO; ALVES, 2021). Outro aspecto essencial da vivência foi a observância contínua das normas de biossegurança. Durante todo o período, mantive atenção ao uso adequado dos equipamentos de proteção individual (EPIs), ao correto descarte de resíduos biológicos e químicos e à adoção de práticas de segurança voltadas tanto para a proteção do profissional quanto do paciente. A experiência evidenciou que a adesão rigorosa a essas medidas constitui pilar fundamental da rotina laboratorial e integra diretamente a cultura de segurança do paciente (BRASIL, 2018; WHO, 2020). Essa etapa prática contribuiu significativamente para o desenvolvimento das competências técnicas e críticas, permitindo a integração entre teoria e prática. Tornou-se evidente que a acurácia dos resultados laboratoriais não apenas respalda o diagnóstico clínico, mas também fundamenta decisões terapêuticas, impactando diretamente a qualidade de vida do paciente. Nesse contexto, o papel do farmacêutico se consolida como essencial, tanto no âmbito técnico quanto no gerencial, reafirmando sua relevância social e profissional dentro do cenário das análises clínicas (SILVA; PEREIRA; COSTA, 2021; OLIVEIRA; MOURA, 2022). 3.1.2. Importância da Etapa Pós-analítica no Contexto da Formação Farmacêutica Na etapa pós-analítica, participei do acompanhamento das rotinas de liberação e interpretação dos resultados laboratoriais, compreendendo a importância desse momento para a prática clínica. Inicialmente, acompanhei a validação técnica dos exames sob responsabilidade do farmacêutico, processo no qual se assegura que os resultados liberados estejam dentro dos parâmetrosde qualidade estabelecidos. Essa vivência evidenciou a relevância da análise crítica dos dados, uma vez que erros não identificados nessa fase podem comprometer diretamente o diagnóstico médico e a conduta terapêutica (PEREIRA; OLIVEIRA, 2020). No decorrer do período, por volta das 11h30, estive presente no processo de emissão de laudos, observando a conferência de dados e a utilização de sistemas informatizados para registro e liberação dos resultados. Essa atividade possibilitou compreender a importância da tecnologia da informação em saúde, principalmente no que se refere à rastreabilidade, ao sigilo dos dados e à agilidade no acesso às informações pelos profissionais solicitantes (SBPC/ML, 2022; FONSECA; ALMEIDA, 2021). Ainda nessa etapa, acompanhei a comunicação direta com a equipe multiprofissional acerca de resultados críticos, reforçando o papel do farmacêutico como elo entre o laboratório e os demais profissionais de saúde. Aproximadamente às 12h, presenciei situações em que foi necessário contato imediato com a equipe médica, a fim de assegurar condutas rápidas frente a achados laboratoriais com risco potencial ao paciente. Esse aspecto ressaltou a importância da integração entre as equipes e da atuação do farmacêutico como agente de segurança do paciente (WHO, 2019; OLIVEIRA; MOURA, 2022). Além das atribuições técnicas, foi possível perceber a relevância do atendimento humanizado também na fase pós-analítica. O esclarecimento de dúvidas de pacientes e familiares, bem como a orientação sobre a entrega dos resultados, reforçou a necessidade de comunicação clara, ética e empática. Esse contato revelou que a qualidade do serviço laboratorial não se limita à execução técnica, mas envolve também a confiança e a satisfação do usuário (MARTINS; SANTOS, 2019; SILVA; ALMEIDA, 2022). Dessa forma, a experiência na etapa pós-analítica consolidou o entendimento de que a qualidade laboratorial depende de todas as fases do ciclo: pré-analítica, analítica e pós-analítica. Compreendi que a atuação farmacêutica é essencial em cada uma dessas etapas, seja no controle da qualidade técnica, na gestão dos processos ou na interface com pacientes e equipe de saúde. Assim, reforçou-se a percepção de que o trabalho do farmacêutico em análises clínicas transcende a execução laboratorial, contribuindo de forma decisiva para diagnósticos precisos, terapias adequadas e a promoção da segurança do paciente. 3.1.3. Biossegurança e Controle de Qualidade Durante o estágio, percebi que a biossegurança e o controle de qualidade são essenciais para garantir a segurança do profissional, do paciente e a confiabilidade dos resultados laboratoriais. Por volta das 7h45, ao iniciar minhas atividades, participei da preparação do ambiente de trabalho, organizando EPIs, verificando a integridade de jalecos, luvas, máscaras e óculos de proteção. Essa etapa reforçou a importância da prevenção de riscos biológicos e químicos, bem como da manutenção de um ambiente seguro. Ao longo da manhã, observei e participei de procedimentos de higienização das mãos, bancadas e equipamentos, seguindo protocolos rigorosos estabelecidos pela ANVISA. Compreendi que esses cuidados não são apenas rotineiros, mas fundamentais para evitar contaminações cruzadas e preservar a integridade das amostras durante todas as fases do processo laboratorial (ANVISA, 2021). Por volta das 11:30, auxiliei na separação e descarte adequado de resíduos biológicos, químicos e perfurocortantes, identificando as cores corretas das lixeiras e seguindo os fluxos de coleta e destinação final. Essa prática destacou a responsabilidade ambiental do laboratório e a importância de seguir normas regulamentares, reduzindo riscos ocupacionais e contribuindo para a saúde coletiva. No período da tarde, por volta das 13h, participei das atividades de controle interno de qualidade, como a verificação de calibradores, reagentes e amostras-padrão, registrando os resultados sob supervisão do farmacêutico responsável. Em seguida, acompanhei a execução de programas de controle externo de qualidade, nos quais os resultados do laboratório são comparados com padrões nacionais e internacionais, permitindo identificar desvios e propor ações corretivas (BRASIL, 2016). Durante todas essas atividades, percebi como o farmacêutico atua não apenas na execução técnica, mas como gestor do processo, orientando a equipe, garantindo o cumprimento de POPs e promovendo treinamentos sobre biossegurança e qualidade. A participação do estagiário nessas rotinas permitiu desenvolver habilidades práticas, atenção aos detalhes e senso crítico, consolidando o entendimento de que cada etapa é crucial para a segurança do paciente e a confiabilidade dos exames (FERREIRA; ALMEIDA, 2018; FELDMAN et al., 2019). Ao final do turno, ficou evidente que a integração entre biossegurança e controle de qualidade não se restringe a normas e procedimentos técnicos, mas representa um compromisso ético e social do farmacêutico. A experiência prática reforçou que o estagiário, ao vivenciar essas atividades, não apenas aplica conhecimentos teóricos, mas também internaliza responsabilidades profissionais essenciais para a atuação segura e qualificada no contexto clínico-laboratorial. 4. ATIVIDADES DO PLANO DE TRABALHO ADAPTADO Estudo de Caso 1 - A Labslin Análises Diagnósticas Ltda., um laboratório de médio porte localizado em diversas cidades do país. Em uma de suas unidades atende diariamente cerca de 250 pacientes para coletas de exames laboratoriais, incluindo análises bioquímicas, hematológicas, urinálise, microbiológicas e sorológicas. O laboratório é acreditado pelo DICQ-SBAC (Sistema Nacional de Acreditação da Qualidade para Laboratórios Clínicos) e conta com uma equipe multiprofissional, composta por biomédicos, farmacêuticos, técnicos de laboratório, enfermeiros e auxiliares administrativos. Atuando há 12 anos na cidade, o laboratório mantém convênios com clínicas médicas, empresas e operadoras de planos de saúde. Atualmente, a equipe técnica enfrenta alguns desafios que têm impactado a rotina e a segurança laboratorial: Problemas identificados: · Alto índice de não conformidades no setor de pré-analítico, especialmente na identificação inadequada de amostras e erro na solicitação de exames. · Desorganização na rotina de controle de estoque de reagentes e materiais de coleta, com ausência de registro de validade e falta de conferência de temperatura na estocagem. · Pouca adesão dos pacientes a orientações de preparo para exames, o que afeta a validade de resultados (ex.: pacientes que não respeitam jejum, uso de medicamentos ou coleta em horário inadequado). Desta forma, considere ser o responsável técnico farmacêutico (a) da unidade e desenvolva os seguintes desafios: Desafio 1 – Plano de Intervenção para Redução de Não Conformidades no Setor Pré-Analítico Atividade: Desenvolver um plano de ações corretivas e preventivas para reduzir falhas no setor pré-analítico, com foco na identificação correta de amostras, conferência de requisições de exames e preparo adequado dos pacientes antes da coleta, contemplando: · Um fluxograma da rotina de identificação e conferência de amostras. · Um checklist de conferência de requisições e preparo pré-coleta. O aluno deverá apresentar esses materiais no relatório, indicando como eles podem contribuir para a redução de erros no setor. Resposta: Plano de Intervenção para Redução de Não Conformidades no Setor Pré-Analítico 1. Objetivo: Reduzir erros no setor pré-analítico do laboratório, garantindo a identificação correta das amostras, a conferência adequada das requisições e o preparo correto dos pacientes, promovendo maior confiabilidade nos resultados laboratoriais. 2. Estratégias de Ação: 2.1 Treinamento da equipe · Capacitar biomédicos, técnicos e auxiliares sobre: • Procedimentos de identificação de amostras. • Conferência de requisições. • Orientações de preparo do paciente (jejum, horários, uso de medicamentos). • Realizar reciclagens periódicas a cada 6 meses. 2.2 Implementaçãode fluxograma de rotina · Padronizar o processo de recepção e identificação de amostras. · Reduzir falhas humanas e promover rastreabilidade. 2.3 Checklist de conferência · Garantir que todas as etapas pré-analíticas sejam verificadas. · Facilitar auditorias internas e controle de qualidade. 2.4 Orientação aos pacientes · Disponibilizar instruções impressas e digitais sobre preparo para exames. · Reforçar a importância do cumprimento das orientações para a validade dos resultados. 2.5 Controle e monitoramento · Registrar todas as não conformidades. · Analisar mensalmente causas e implementar ações corretivas contínuas. 3. Fluxograma da Rotina Pré-Analítica: 4. Checklist pré-coleta · Importância: O uso integrado de fluxogramas e checklists constitui uma estratégia fundamental para a redução de erros na etapa de pré-coleta de exames laboratoriais, etapa crítica para a segurança do paciente e a confiabilidade dos resultados laboratoriais. Segundo Plebani (2006), aproximadamente 60% a 70% dos erros em laboratórios clínicos ocorrem na fase pré-analítica, sendo a coleta e o preparo das amostras os principais pontos de vulnerabilidade. Nesse contexto, o fluxograma permite a visualização sistemática das etapas do processo, desde a recepção do paciente até a identificação da amostra e conferência da requisição. Essa representação facilita a padronização das atividades, a identificação de pontos críticos e a correção de desvios, minimizando falhas decorrentes de omissões ou execução fora de sequência (CAPPELLO & REED, 2015). Paralelamente, o checklist atua como instrumento de verificação estruturada, assegurando que cada etapa essencial seja cumprida de forma consistente. Itens como conferência de dados do paciente, confirmação do exame solicitado e adequação do preparo prévio são listados e associados a responsáveis específicos, promovendo responsabilização individual e reduzindo a chance de falhas humanas. Além disso, o registro sistemático das verificações permite auditoria e rastreabilidade de eventuais incidentes, fortalecendo a cultura de qualidade e segurança no laboratório (GOLDMAN et al., 2019). A combinação de fluxograma e checklist proporciona uma dupla proteção: enquanto o fluxograma orienta a sequência ideal de execução das atividades, o checklist garante que cada etapa crítica seja cumprida de forma inequívoca. Na etapa de pré-coleta, essa integração é especialmente relevante, pois contribui diretamente para a eliminação de erros como coleta de amostras inadequadas, identificação incorreta do paciente ou não observância das instruções de preparo, assegurando maior precisão e confiabilidade nos resultados laboratoriais, bem como a segurança do paciente (Plebani, 2012; CAPPELLO & REED, 2015). Além disso, é essencial implementar um plano de ações corretivas para tratar imediatamente qualquer não conformidade identificada durante a pré-coleta. Esse plano permite analisar a causa raiz dos erros, definir medidas preventivas e acompanhar a efetividade das ações adotadas. Segundo Plebani (2012), a adoção de ações corretivas estruturadas fortalece o sistema de gestão da qualidade, reduz a reincidência de falhas e contribui para a melhoria contínua dos processos laboratoriais, garantindo maior segurança e confiabilidade na execução das atividades. 2 – Controle de Estoque de Insumos e Reagentes O farmacêutico clínico, no ambiente laboratorial, tem entre suas atribuições garantir a adequada rastreabilidade, conservação, controle de validade e uso racional dos insumos e reagentes, prevenindo desperdícios, o uso de materiais vencidos e possíveis falhas analíticas. Diante disso, elabore um Procedimento Operacional Padrão (POP) para o controle de estoque de insumos e reagentes de análises clínicas, contemplando orientações para: • Recebimento e conferência de materiais. • Registro e armazenamento adequado. • Controle de validade e prazo pós-abertura. • Procedimentos para controle de temperatura (quando aplicável). • Registro de saídas e inventário periódico. O POP deverá ser apresentado no relatório de estágio, organizado em formato técnico, contendo identificação, objetivo, responsabilidades, procedimentos e anexos, se necessário. · POP- Controle de Estoque de Insumos e Reagentes: Atividade: Elaborar um material educativo acessível e objetivo, contendo informações sobre preparo adequado para exames laboratoriais, com a finalidade de melhorar a adesão dos pacientes às orientações e reduzir erros pré-analíticos. Contendo orientações sobre: •Jejum. •Uso de medicamentos. •Horário de coleta. •Cuidados específicos para exames de urina, fezes e sangue. O texto deverá ser apresentado como proposta de material educativo para melhorar a adesão dos pacientes às orientações laboratoriais. 5. TERMO DE VALIDAÇÃO DO RELATÓRIO 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização do estágio em análises clínicas foi fundamental para o desenvolvimento das competências técnicas e humanas necessárias à prática farmacêutica. O contato direto com os procedimentos laboratoriais, aliado ao acompanhamento de profissionais experientes, possibilitou o aprimoramento dos conhecimentos adquiridos durante a graduação e consolidou a importância da atuação ética e responsável do farmacêutico. Além de permitir a vivência prática de atividades como a coleta, processamento e análise de amostras biológicas, o estágio contribuiu para a compreensão da relevância da qualidade técnica, da biossegurança e da rastreabilidade nos processos analíticos, elementos indispensáveis para a confiabilidade dos resultados laboratoriais. Ademais, a experiência possibilitou o desenvolvimento de competências transversais, como a comunicação eficaz com a equipe multiprofissional, a resolução de problemas diante de situações imprevistas e a gestão responsável dos recursos utilizados. Essas vivências reforçam a necessidade de uma formação crítica, reflexiva e humanizada, em consonância com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual o farmacêutico atua não apenas como executor de análises, mas também como agente promotor da saúde. Dessa forma, o estágio supervisionado em análises clínicas mostrou-se não apenas um requisito curricular, mas sobretudo um processo formativo essencial, que amplia a visão do acadêmico sobre sua futura prática profissional. A experiência permitiu consolidar conhecimentos, adquirir segurança técnica e fortalecer valores éticos, preparando o futuro farmacêutico para exercer sua profissão com excelência, responsabilidade social e compromisso com a melhoria contínua da atenção à saúde. 7. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). MANUAL DE BIOSSEGURANÇA LABORATORIAL. BRASÍLIA: ANVISA, 2020. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). MANUAL DE GESTÃO DA QUALIDADE EM LABORATÓRIOS CLÍNICOS. BRASÍLIA: ANVISA, 2010. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). RESOLUÇÃO RDC Nº 302, DE 13 DE OUTUBRO DE 2005. DISPÕE SOBRE O REGULAMENTO TÉCNICO PARA FUNCIONAMENTO DE LABORATÓRIOS CLÍNICOS. BRASÍLIA: ANVISA, 2018. BONINI, P. ET AL. ERRORS IN LABORATORY MEDICINE. CLINICAL CHEMISTRY, WASHINGTON, V. 48, N. 5, P. 691-698, 2002. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. MANUAL DE BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIOS DE SAÚDE PÚBLICA. BRASÍLIA: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018. FONSECA, A. C.; ALMEIDA, M. R. TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO APLICADA À GESTÃO LABORATORIAL. REVISTA GESTÃO EM SAÚDE, BELO HORIZONTE, V. 13, N. 2, P. 55-66, 2021. OLIVEIRA, D. M.; MOURA, F. C. O PAPEL DO FARMACÊUTICO CLÍNICO NA ETAPA ANALÍTICA: DESAFIOS E PERSPECTIVAS. REVISTA SAÚDE E CIÊNCIA, TERESINA, V. 11, N. 3, P. 12-21, 2022. OLIVEIRA, F. P.; COSTA, R. S. GESTÃO DA QUALIDADE EM ANÁLISES CLÍNICAS: IMPORTÂNCIA DOS POPS E INDICADORES LABORATORIAIS. JORNAL BRASILEIRO DE PATOLOGIA E MEDICINA LABORATORIAL, RIO DE JANEIRO, V. 57, N. 1, P. 1-9, 2021. PEREIRA, D. S.; OLIVEIRA, T. C. IMPACTO DOS ERROS PRÉE PÓS-ANALÍTICOS NA CONFIABILIDADE DOS EXAMES LABORATORIAIS. REVISTA SAÚDE EM FOCO, RECIFE, V. 12, P. 77-86, 2020. image1.tmp image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg