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. 1 Embasa Assistente de Saneamento – Operador de Processos de Água e de Esgoto 1. Conhecimento e funcionamento dos diversos tipos de unidades de tratamento; fases, etapas do processo de tratamento de água e esgoto.2. Operação e controle das unidades dos sistemas de água e esgoto.3. Manutenção preventiva e corretiva em equipamentos das unidades operacionais ETA/ETE, elevatórias e subestação. 2. Medidas de volume, peso e vazão. ............................................................. 1 3 Procedimentos analíticos de rotina tais como: pH, turbidez, cloro, cor, flúor, temperatura, sólidos. 4. Equipamentos, reagentes e vidraria. 5. Preparo de solução de produtos químicos. 6. Controle de estoque de produtos químicos: formas de armazenamento dos produtos químicos, tais como cloro, cal hidratada, sulfato de alumínio, flúor, hipocloritos, formas de transporte e manuseio dos produtos químicos. Manutenção de ETA/ETE. 7. Maneiras de utilização dos materiais de expediente, limpeza e conservação das instalações internas e externas das ETAs/ETEs; diferentes formas de medição de vazões (vertedores, calha parshall). 8. Coleta correta de amostras; identificação das unidades de uma ETA e ETE. 9. Monitoramento e operação de ETA/ETE: tipos possíveis de estações de tratamento de água e esgotos. 10. Processos físicos, químicos e biológicos em ETEs e ETAs. ............................................................. 38 11. Noções básicas de química: reações simples de coagulação e oxidação. ................................. 101 12. Normas Técnicas de Segurança no trabalho no manuseio de produtos químicos, transporte de materiais, ergonomia ............................................................................................................................ 103 13. Conceito de segurança do trabalho: EPIs e EPCs ..................................................................... 121 14. Ética no trabalho ........................................................................................................................ 146 Candidatos ao Concurso Público, O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom desempenho na prova. As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar em contato, informe: - Apostila (concurso e cargo); - Disciplina (matéria); - Número da página onde se encontra a dúvida; e - Qual a dúvida. Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. Bons estudos! Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 1 Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores @maxieduca.com.br Conceitos e Competências na Área de Saneamento Segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre o bem-estar físico, mental e social do homem. De outra forma, pode-se dizer que saneamento, caracteriza o conjunto de ações socioeconômicas que tem por objetivo alcançar Salubridade Ambiental. A Lei define que SANEAMENTO BÁSICO é o conjunto dos serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável; b) esgotamento sanitário; c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; e d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas. Dentre os serviços formadores do Saneamento, é incumbência do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto - SAMAE, o desempenho dos serviços de ABASTECIMENTO DE ÁGUA e ESGOTAMENTO SANITÁRIO, os quais também constituem o que se chama de Saneamento Básico, sendo que este é definido pela Lei nº 11.445, de 05 de janeiro de 2007, que é a Lei de Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico. Saneamento básico CICLO HIDROLÓGICO Uma vez visto como a água se distribui em nosso planeta, é importante também o conhecimento de como a água se movimenta de um meio para outro na Terra. A essa circulação de água se dá o nome de ciclo hidrológico. Neste ciclo distinguem-se os seguintes mecanismos de transferência da água. -precipitação 1. Conhecimento e funcionamento dos diversos tipos de unidades de tratamento; fases, etapas do processo de tratamento de água e esgoto.2. Operação e controle das unidades dos sistemas de água e esgoto.3. Manutenção preventiva e corretiva em equipamentos das unidades operacionais ETA/ETE, elevatórias e subestação. 2. Medidas de volume, peso e vazão. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 2 -escoamento superficial -infiltração -evaporação -transpiração a) Precipitação A precipitação compreende toda a água que cai da atmosfera na superfície da Terra. As principais formas são: chuva, neve, granizo e orvalho. A precipitação é formada a partir dos seguintes estágios: -Resfriamento do ar à proximidade de saturação -Condensação do vapor d`água na forma de gotículas -Aumento do tamanho das gotículas por coalizão e aderência até que estejam grandes o suficiente para formar a precipitação b) Escoamento superficial A precipitação que atinge a superfície da Terra tem dois caminhos por onde seguir: escoar na superfície ou infiltrar no solo. O escoamento superficial é responsável pelo deslocamento da água sobre o terreno, formando córregos, lagos e rios eventualmente atingindo o mar. A quantidade de água que escoa depende dos seguintes fatores principais: -intensidade da chuva -capacidade de infiltração do solo c) Infiltração A infiltração corresponde à água que atinge o solo, formando os lençóis d`água. A água subterrânea é grandemente responsável pela alimentação dos corpo d´água superficiais, principalmente nos períodos secos. Um solo coberto com vegetação (ou seja, com menor impermeabilização advinda, por exemplo, da urbanização) é capaz de desempenhar melhor as seguintes funções: -Menos escoamento superficial (menos enchentes nos períodos chuvosos) -Mais infiltração (maior alimentação dos rios nos períodos secos) -Menos carreamento de partículas do solo para os cursos d´água. d) Evapotranspiração A transferência da água para o meio atmosférico se dá através dos seguintes principais mecanismos, conjuntamente denominados de evapotranspiração: -Evaporação: transferência da água superficial do estado líquido para o gasoso. A evaporação depende da temperatura e da umidade relativa do ar. -Transpiração: as plantas retiram a água do solo pelas raízes. A água é transferida para as folhas e então evapora. Este mecanismo é importante, considerando-se que em uma área coberta com vegetação a superfície das folhas para a evaporação é bastante elevada. Questões 01. Durante o ciclo da água, observamos a formação de nuvens, que ocorre graças à transformação do vapor de água em pequenas gotículas. Essa mudança do estado gasoso para o líquido é chamada de: (A) evaporação. (B) solidificação. (C) sublimação. (D) fusão. (E) condensação 02. (Enem). O sol participa do ciclo da água, pois além de aquecer a superfície da Terra dando origem aos ventos, provoca a evaporação da água dos rios, lagos e mares. O vapor da água, ao se resfriar, condensa-se em minúsculas gotinhas, que se agrupam formando as nuvens, neblinas ou névoas úmidas. As nuvens podem ser levadassaber exatamente onde está o vazamento. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 36 ∙∙ Dependendo da experiência do operador, ele pode verificar que, em um determinado PV, a lâmina de água que chegava se reduziu, mas também é difícil definir o local exato do vazamento. Corrosão e odor em sistemas de coleta e transporte de esgoto sanitário Os principais produtos responsáveis pela produção de odor e corrosão, quando em concentrações elevadas, são, também, tóxicos ao homem e representam um perigo aos operadores de redes coletoras de esgotos. As substâncias responsáveis pela geração de odores ofensivos encontradas em esgoto sanitário são, de modo geral, resultantes da decomposição anaeróbia de matéria orgânica contendo enxofre e nitrogênio e, notadamente, pela redução de sulfatos a sulfetos, também em anaerobiose. O sulfeto de hidrogênio (H2S), ou gás sulfídrico, é o mais importante gás observado em sistemas de coleta e transporte de esgoto sanitário. Processo de corrosão por sulfeto de hidrogênio Devido ao fato de que o esgoto fresco apresenta quantidade apreciável de oxigênio dissolvido, normalmente, as redes coletoras de esgoto não apresentam problemas relativos a sulfeto de hidrogênio (H2S). Entretanto, à medida que o esgoto escoa pela rede em grandes extensões, por vezes com velocidade baixa, a concentração de oxigênio diminui gradualmente, prevalecendo as condições anaeróbias no esgoto e propiciando a formação de sulfetos. A película de limo formada nas partes submersas da parede da tubulação é a principal fonte de geração de sulfeto em tubulações de esgoto, pois é nessa película que ocorrem as condições estritamente anaeróbias, favoráveis ao desenvolvimento do processo. A espessura da camada de limo varia, normalmente, de 1,0 a 1,5 mm, dependendo da velocidade de escoamento dos esgotos. Quando a velocidade é muito baixa, as camadas de limo podem atingir e mesmo ultrapassar 3 mm. A presença de areia no esgoto, fluindo com baixas velocidades, permitirá a deposição de areia nos condutos, formando depósitos que reterão também matéria orgânica e se tornarão anaeróbios, com desenvolvimento de bactérias anaeróbias, o que resultará em condições adequadas para a geração de sulfetos. A camada de limo, normalmente, contém uma população heterogênea de microrganismos. A espessura da camada anaeróbia inerte aumenta gradualmente e, periodicamente, uma porção se desprende da parede do conduto. Sulfato (SO4 2-), matéria orgânica e nutrientes são transferidos, por difusão, para dentro da camada anaeróbia, e o sulfeto produzido dentro desta camada se transfere para fora dela, também por difusão. Se existir uma camada aeróbia de limo, em vista da presença de OD no líquido, o sulfeto, deixando a camada anaeróbia, será oxidado e não chegará ao líquido. Por outro lado, quando se tem o OD=0, o sulfeto que deixa a camada anaeróbia é incorporado ao fluxo de esgoto. O sulfeto de hidrogênio presente na fase líquida escapa para a atmosfera local, em quantidade que depende da sua concentração no líquido. O H2S é, então, transferido da atmosfera local para as paredes do conduto, acima da superfície líquida, que são normalmente úmidas devido ao líquido aí condensado. O sulfeto de hidrogênio retido nessa unidade é, então, convertido a ácido sulfúrico por bactérias aeróbias. O ácido sulfúrico reage com o cimento dos condutos de concreto (em tubos de ferro de sistemas de esgoto, o processo é similar), formando uma pasta que fica fracamente ligada aos agregados inertes do concreto, que se espalha por toda a superfície do conduto acima do nível do líquido. Essa pasta se desprende das paredes do conduto, por seu próprio peso, ou é arrastada pelo líquido quando seu nível sobe. De modo geral, as maiores taxas de corrosão ocorrem na parte superior e nas proximidades da superfície líquida dos condutos. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 37 A escolha adequada de materiais para a construção das tubulações de esgoto e a limpeza periódica de trechos críticos são medidas que podem contribuir para a minimização da produção de H2S no esgoto sanitário. Odor e outros efeitos devido aos gases em esgoto sanitário Em sistemas de coleta e transporte de esgoto sanitário, a ocorrência de gases pode ser decorrente da sua chegada aos condutos de esgoto por vazamento de gás natural ou manufaturado, vapores de gasolina, monóxido de carbono, gases provenientes de despejos industriais, ou pela liberação de gases produzidos pelas transformações biológicas que ocorrem no sistema, em que o sulfeto de hidrogênio é o mais importante deles. Uma das consequências da presença de gases mal cheirosos do esgoto em sistemas de coleta e transporte é o perigo potencial para os trabalhadores. Gases inodoros em sistemas de esgoto também podem ser tóxicos. Outro efeito da presença de gases em esgoto sanitário é o perigo de explosões que podem resultar da ignição de gases, como o metano. Os procedimentos para o controle dos gases de esgotos incluem: controle na fonte do lançamento de despejos industriais que possam gerar gases indesejáveis no esgoto; projeto adequado da rede coletora de esgoto, ventilação e saída de gases para evitar o seu acúmulo no sistema; aeração ou introdução de oxigênio ou peróxido de hidrogênio ou nitrato, de modo a se ter o oxigênio como receptor de hidrogênio e se evitarem transformações biológicas tipicamente anaeróbias, como no caso da geração de sulfetos. Planejamento dos serviços de operação e manutenção de redes coletoras de esgotos Uma obra de manutenção de rede de esgotos deve ser objeto de muita atenção, visto que promove problemas no tráfego, ruído de máquinas e equipamentos, sujeira, mau cheiro, risco de acidentes, além da presença de curiosos que circulam nas proximidades. Desta forma há necessidade de planejamento de forma que tenha a duração mais curta possível visando minimizar os impactos causados junto à sociedade e ao meio ambiente. Deve-se fazer o planejamento, estando de posse do cadastro da rede bem como das possíveis interferências com outras instalações subterrâneas, plano de desvio do tráfego, definição do local de bota- fora do material escavado, disponibilidade de material para o reaterro de vala, dimensionamento de materiais e equipamentos em perfeitas condições de operação e principalmente pessoal qualificado e munido de equipamentos de proteção individual e coletiva. Manutenção preventiva e corretiva O bom funcionamento das redes coletoras de esgoto depende substancialmente de um adequado programa de manutenção, que deve prever ações de caráter preventivo. Quando ocorrerem problemas ou inconformidades, o programa deve considerar, também, as ações corretivas necessárias. A manutenção corretiva é uma forma menos racional e pouco eficiente de cuidar das redes coletoras de esgoto. Isso porque esse tipo de manutenção reativa pode levar a um constante estado de “apagar fogo”. Nesse caso, o fogo é a rede coletora avariada e apagar o fogo é o restabelecimento do estado normal ou parcialmente normal da operacionalidade da rede coletora. Em outras palavras, somente quando a consequência do problema aparece, é que se busca a solução parcial ou total para aquilo que causou o problema. Soluções parciais em manutenções corretivas geram o improviso, o que pode gerar novas manutenções corretivas no futuro. É verdade que, quando se improvisa, pode-se evitar a paralisação da operação, mas perde-se em eficiência. A improvisação pode e deve ser evitada por meio de métodos preventivos. Com o propósito de evitar operações não planejadas, de última hora, que frequentemente são exigidas para desobstruções e reparos ou limpezas de emergência, é de extrema importância a existência de um serviço de manutenção preventiva, isto é, trabalhos rotineiros e previamente programados que têm como objetivo manter o sistema de esgotos operandointegralmente, ou seja, com as mesmas características de funcionamento para as quais foi projetado e construído. As manutenções preventivas em redes coletoras de esgotos têm como início o cadastro. De posse do cadastro é de grande valia o registro de todas as ocorrências verificadas nos trechos críticos das redes, por exemplo, redes com problemas de refluxo e histórico de entupimento. Uma boa prática é identificar os locais críticos do sistema onde ocorre reincidência de entupimento por gordura e programar sistematicamente a lavagem da rede através de caminhão hidrojateador. Outra medida preventiva é promover inspeções nos imóveis potencialmente contribuintes de gordura e orientá-los a construir e promover a limpeza da caixa de gordura sistematicamente. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 38 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DAS ÁGUAS: COR, TURBIDEZ, SÓLIDOS, TEMPERATURA. SABOR E ODOR O que tomamos por base para caracterizar a água no seu aspecto físico, são: a cor, a turbidez, os níveis de sólidos em suas diversas frações, a temperatura, o sabor e o odor. Ainda que sejam considerados aspectos físicos, estes contribuem para a caracterização da qualidade química da água, que são os níveis de sólidos em suspensão (associados à turbidez) e as concentrações de sólidos dissolvidos (associados à cor), os sólidos orgânicos (voláteis) e os sólidos minerais (fixos), os compostos que produzem odor, etc. Cor das Águas A cor da amostra de água está ligada ao grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá- la, em virtude da presença de sólidos dissolvidos, principalmente material em estado coloidal orgânico e inorgânico. São exemplos de coloides orgânicos: os ácidos húmico e fúlvico, estes são resultantes da decomposição parcial de compostos orgânicos encontrados em folhas. Da mesma forma, os esgotos sanitários se caracterizam por apresentarem predominantemente matéria em estado coloidal, além de diversos efluentes industriais contendo taninos (efluentes de curtumes, por exemplo), anilinas (efluentes de indústrias têxteis, indústrias de pigmentos, etc), lignina e celulose (efluentes de indústrias de celulose e papel, da madeira, etc.). Nas estações de tratamento, a cor é essencial quando se fala em tratamento de água. Não se trata apenas de um padrão de potabilidade como também de controle de qualidade da água bruta, da decantada e da filtrada. É com base na cor da água que será determinada a dosagem de produtos químicos a serem adicionados, os graus de mistura, tempos de contato e sedimentação das partículas floculadas. A cor das águas é medida através de comparação visual, empregando-se soluções padrão de cor e fonte de luz. Quando os valores da cor são muito elevados, como é caso dos efluentes industriais, devem ser preparadas diluições prévias da amostra até reduzir a cor abaixo do alcance do disco, mas para este caso, o método espectrofotométrico é mais recomendado. Cor real e cor aparente Na determinação da cor, a turbidez da amostra causa interferência, absorvendo parte da radiação eletromagnética. O que diferencia a cor aparente da cor verdadeira, se dá pelo tamanho das partículas. Para a obtenção da cor real ou verdadeira há a necessidade de se eliminar previamente a turbidez através de centrifugação, filtração ou sedimentação. 3 Procedimentos analíticos de rotina tais como: pH, turbidez, cloro, cor, flúor, temperatura, sólidos. 4. Equipamentos, reagentes e vidraria. 5. Preparo de solução de produtos químicos. 6. Controle de estoque de produtos químicos: formas de armazenamento dos produtos químicos, tais como cloro, cal hidratada, sulfato de alumínio, flúor, hipocloritos, formas de transporte e manuseio dos produtos químicos. Manutenção de ETA/ETE. 7. Maneiras de utilização dos materiais de expediente, limpeza e conservação das instalações internas e externas das ETAs/ETEs; diferentes formas de medição de vazões (vertedores, calha parshall). 8. Coleta correta de amostras; identificação das unidades de uma ETA e ETE. 9. Monitoramento e operação de ETA/ETE: tipos possíveis de estações de tratamento de água e esgotos. 10. Processos físicos, químicos e biológicos em ETEs e ETAs. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 39 Remoção de cor Os métodos de remoção de cor de águas para abastecimento público e residuárias industriais são à base de coagulação e floculação. Os tipos e dosagens de coagulantes, além dos efeitos auxiliares de floculação, variam de acordo com as características das águas. Turbidez das águas A turbidez da amostra de água é o grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz sofre ao atravessá-la, em virtude da presença de sólidos em suspensão, tais como partículas inorgânicas e de detritos orgânicos, algas e bactérias, plâncton, entre outros. A erosão das margens dos rios em estações chuvosas é um caso de fenômeno que resulta em aumento da turbidez das águas e que exige manobras operacionais, como alterações nas dosagens de coagulantes e auxiliares, nas estações de tratamento de águas. A determinação da turbidez em águas teve início com o turbidímetro de vela. O turbidímetro é formado de um tubo de vidro graduado sob o qual se posiciona uma vela acesa. Remoção da turbidez As partículas que provocam turbidez nas águas são as mais fáceis de serem separadas, pois se trata de sólidos em suspensão, devido às baixas relações área superficial/volume apresentadas, ocorre a predominância de fenômenos gravitacionais. A turbidez pode ser removida por meio da sedimentação simples, com a utilização de decantadores, sendo também possível em casos o emprego de flotação por ar dissolvido. A filtração é entendida como um processo complementar aos anteriores ou empregada diretamente em casos de águas de baixa cor e turbidez. Sólidos em águas Em saneamento, sólidos nas águas correspondem a toda matéria que permanece como resíduo, após evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante determinado tempo. As operações de secagem, calcinação e filtração são as que resolvem as diversas frações de sólidos presentes na água (sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e voláteis). Os métodos utilizados para a determinação de sólidos são gravimétricos, com exceção dos sólidos sedimentáveis, cujo método mais comum é o volumétrico. As diversas frações podem ser definidas em: - Sólidos totais (ST): também conhecida como resíduo total, resta na cápsula após a evaporação em banho-maria, de uma porção de atmosfera e sua posterior secagem em estufa a 103-105ºC; - Sólidos em suspensão (ou sólidos suspensos) (SS): é a porção dos sólidos totais que fica retida em em um filtro que permite a retenção de partículas de diâmetro maior ou igual a 1,2 µm. - c) Sólidos Voláteis (SV): também conhecido como resíduo volátil, trata-se da porção de sólidos que se perde após a ignição ou calcinação da amostra a 550-660ºC, durante uma hora para sólidos totais ou dissolvidos voláteis ou 15 minutos para sólidos em suspensão voláteis, em forno mufla. - Sólidos Fixos (SF): também denominado resíduo fixo, é a porção dos sólidos (totais, suspensos ou dissolvidos) que resta após a ignição ou calcinação a 550-600º C, após uma hora (para sólidos totais ou dissolvidos fixos) ou 15 minutos (para sólidos em suspensão fixos) em fornomufla. - Sólidos Sedimentáveis (SSed): trata-se da porção dos sólidos em suspensão que se sedimenta sob a ação da gravidade durante um período de uma hora, a partir de um litro de amostra mantida em repouso em um cone Imhoff. Remoção de sólidos Embora os sólidos, sob o ponto de vista de tamanho, sejam classificados apenas em sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos, existem três faixas de tamanho com comportamentos distintos sob o ponto de vista do tratamento. Os sólidos em suspensão, são fáceis de serem separados daágua. Prevalecem sobre eles fenômenos de massa e geralmente são removidos por sedimentação simples. Os flocos que apresentam baixas velocidades de sedimentação nos decantadores podem ser separados em filtros de areia ou filtros de camada dupla de areia e carvão antracito. Nas estações de tratamento de esgotos sanitários e de efluentes industriais predominantemente orgânicos, ocorrem reduções nas concentrações de sólidos voláteis dos despejos que são tratados por processos biológicos. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 40 Temperatura É uma condição ambiental muito importante em estudos voltados ao monitoramento da qualidade de águas. Entretanto, o aumento da temperatura provoca o aumento da velocidade das reações, em particular as de natureza bioquímica de decomposição de compostos orgânicos. Por outro lado, reduz a solubilidade de gases dissolvidos na água, principalmente o oxigênio, base para a decomposição aeróbia. Juntos, esses dois fatores se superpõem, fazendo com que nos meses quentes de verão os níveis de oxigênio diluídos nas águas poluídas sejam ínfimos, frequentemente provocando mortandade de peixes e, em casos extremos, exalação de maus odores devido ao esgotamento total do oxigênio e consequente decomposição anaeróbia dos compostos orgânicos sulfatados, produzindo o gás sulfídrico, H2S. No campo de tratamento biológico de esgoto, as temperaturas mais altas, que foram registradas nos países do hemisfério sul levam a distintos comportamentos dos registrados em sistemas existentes no hemisfério norte. Os processos físico-químicos em que ocorre equilíbrio, como por exemplo a dissociação do cloro e os processos de precipitação química, também dependem da temperatura, porém o efeito não é tão significativo como nos processos biológicos. A temperatura da água é normalmente superior à temperatura do ar, uma vez que o calor específico da água é bem maior do que o do ar. A temperatura das águas é medida por meio de termômetros de mercúrio. A temperatura do ar, variável controlada em diversos estudos ambientais, pode também ser medida através dos termômetros de máximas e mínimas, que registram as temperaturas limites durante determinado período, por exemplo, 24 horas. A temperatura de efluentes industriais pode ser diminuída por meio do emprego de torres de resfriamento. Qualquer outro processo que provoque elevação da superfície de contato ar/água pode ser usado, como aspersores, cascateamento, etc. Em diversos casos, apenas o tempo de detenção hidráulico dos efluentes em tanques de equalização é suficiente para promover a redução desejada de temperatura. Sabor e odor Uma da características da água pura é que ela não produz sensação de odor ou sabor nos sentidos humanos. Uma das principais fontes de odor nas águas naturais é a decomposição biológica de matéria orgânica. No fundo de rios e represa, ocorre a formação de gás sulfídrico, H2S, que apresenta odor típico de ovo podre, de mercaptanas e amônia, esta última ocorrendo também em meio aeróbio. Outro lugar onde se pode encontrar forte odor é nas águas em que ocorre a floração excessiva de algas devido à presença de grandes concentrações de nutrientes liberados de compostos orgânicos biodegradados, Em alguns casos, esse odor pode ser tóxico, que é o caso das algas azuis, onde se produz compostos odoríficos. Os fenóis também contribuem para o odor nas águas, pois reage com o cloro residual, formando clorofenóis que apresentam cheiro forte. O sabor encontrada na água é proveniente de metais, acidez ou alcalinidade, que dão sabor salgado a agua. Para que se identifique concentrações dos compostos aromáticos presentes na água, algumas técnicas sofisticadas foram lançadas, como a cromatografia gasosa ou espectrometria de massa. No entanto, a técnica mais utilizada é a do carvão ativado granulado em pó, para combate a odor. No caso da liberação de H2S de processos anaeróbicos, perceptível pelo olfato humano em concentração de apenas 1 ppb, técnicas oxidativas podem ser utilizadas, como é o caso do cloro, peróxido de hidrogênio e ozonização, entre outras. A inibição da proliferação de odores interferindo na atividade biológica tem sido aplicada com êxito. Algumas cidades, que na maior parte do ano possuem clima quente, sofrem com o problema da exalação de maus odores pela rede coletora de esgotos. Isso ocorre com a redução anaeróbia do sulfato para sulfeto, com consequente liberação do H2S. Aplicada de forma contínua, uma solução de nitrato de sódio, ocorre preferencialmente a redução do nitrato em nitrogênio gasoso, diminuindo o crescimento das bactérias redutoras de sulfato e a exalação do gás sulfídrico. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 41 Produtos Químicos usados no Tratamento de Água2 Questões 01. (SABESP - Agente de Saneamento – FCC). As águas destinadas ao consumo humano devem passar por cloração para atender a padrões de potabilidade. Nas águas naturais, encontram-se, em maior ou menor escala, íons resultantes da dissolução de minerais, despejos industriais e/ou águas utilizadas para irrigação. A presença do íon Cloro (Cl−) em determinadas concentrações nas águas destinadas ao consumo humano pode conferir a ela (A) sabor doce. (B) sabor salgado. (C) sabor azedo. (D) turbidez. (E) cor. 02. (SAAE/SP - Químico – VUNESP). Um polímero produzido a partir do tanino de Acacia mearnsii, popularmente chamada de acácia negra, está sendo utilizado em estações de tratamento de água (ETA) e de tratamento de efluentes (ETE) em substituição aos sais de alumínio ou de ferro. (Rev. Virtual Quim., 2014, 6 (1), 2 15. Acesso em março de 2014. Adaptado) Com base nessas informações, é correto afirmar que o polímero derivado do tanino é utilizado no tratamento de águas na etapa de (A) filtração. (B) floculação. (C) peneiração. (D) desinfecção. (E) controle de pH. 2 http://www.snatural.com.br/Produtos-Quimicos-tratamento-agua.html Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 null F . 42 03. (CPRM - Analista em Geociências – Química – CESPE). Julgue os itens seguintes a respeito do tratamento de águas potáveis e industriais. No tratamento de águas para consumo humano, as partículas coloidais, responsáveis pela turbidez das águas, podem ser removidas pela tecnologia de tratamento em ciclo completo, constituída apenas pelos processos de coagulação/floculação, sedimentação ou flotação, desinfecção, fluoração e ajuste de pH. ( ) Certo ( ) Errado 04. (CPRM - Analista em Geociências – Química – CESPE). Julgue os itens seguintes a respeito do tratamento de águas potáveis e industriais. A coagulação seguida de floculação é empregada para a remoção de cor nas águas naturais, causada pela presença de substâncias orgânicas e de substâncias húmicas, como ácidos húmicos e fúlvicos. ( ) Certo ( ) Errado Respostas 01. Resposta: B. O sabor encontrada na água é proveniente de metais, acidez ou alcalinidade, que dão sabor salgado a agua. Para que se identifique concentrações dos compostos aromáticos presentes na água, algumas técnicas sofisticadas foram lançadas, como a cromatografia gasosa ou espectrometria de massa. 02. Resposta: B. Floculação = formação de flocos, mediante a introdução de energia na massa líquida, capaz de favorecer o contato entre os colóides desestabilizados e permitir a sua aglutinação. 03. Resposta: ERRADO. Dentre os processos mencionados, faltou falar sobre a filtração. Vejamos: A turbidez pode ser removida por meio da sedimentação simples, com a utilização de decantadores, sendo também possível em casos o emprego de flotação por ar dissolvido. A filtração é entendida como um processo complementar aos anteriores ou empregada diretamente em casos de águas de baixa core turbidez. 04. Resposta: CERTO. Os métodos de remoção de cor de águas para abastecimento público e residuárias industriais são à base de coagulação e floculação. Os tipos e dosagens de coagulantes, além dos efeitos auxiliares de floculação, variam de acordo com as características das águas. NOÇÕES DE PH A sigla pH significa potencial hidrogeniônico e indica o teor de íons hidrônio (H3O+ (aq)) livres por unidade de volume da solução. Quanto mais hidrônios houver no meio, mais ácida será a solução. Por consequência, podemos dizer que quanto mais íons OH- (aq) houver no meio, mais básica ou alcalina será a solução Em uma solução aquosa, sempre há esses dois íons (H3O+ e OH-), pois a própria água sofre uma auto ionização. Veja: 2 H2O H3O+ e OH- Assim, para ser ácida, uma solução deve ter uma concentração maior de cátions H3O+ do que de OH- livres em seu meio, e o contrário ocorre com as soluções básicas. Ácidas: [H3O+] > [OH-] Básicas: [H3O+] [OH-] Uma solução será básica quando a concentração de H+ for menor que a concentração de OH- ou o pH estiver entre 7 e 14. [H+] 1 . 10-7 mol . L-1 apresenta pH > 7. (B) Uma solução com [H+] > 1 . 10-7 mol . L-1 apresenta caráter ácido. (C) Uma solução de hidróxido de sódio (base forte) apresenta pH maior que 7, qualquer que seja sua concentração. (D) Uma solução de ácido sulfúrico (ácido forte) apresenta pH menor que 7, qualquer que seja sua concentração. (E) Uma solução de pH = 9 apresenta concentração de OH- = 1 . 10-5 mol . L-1. 03 (UNESP) O pH de um vinagre é igual a 3. Determine concentração de íons H+ nesse vinagre. 04(ESCS-DF) A tabela a seguir fornece a concentração hidrogeniônica ou hidroxiliônica a 25°C, em mol/L, de alguns produtos: Com base nesses dados, NÃO é correto afirmar que: (A) a água do mar tem pOH = 6; (B) a água com gás tem pH maior do que a Coca-Cola e menor do que o leite de vaca; (C) a água do mar tem pH básico; (D) a clara de ovo é mais básica que o leite de vaca; (E) a clara de ovo tem maior pH do que a água do mar. 05. Calcular o pH de uma solução 0,125mol/L de ácido clorídrico, sabendo-se que está 80% ionizada. 06. O pH de uma solução de ácido clorídrico é 2. Adicionando-se um litro de água a um litro de solução de ácido clorídrico , qual o novo pH? Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 46 Respostas 01.Resposta o pH é calculado a partir da equação: pH=-log[H3O+]. Para os ácidos fortes, a molaridade do H3O+ é igual a molaridade do ácido; para ácidos espera-se pHpH = -log (2,5×10-13 ) = 12,50 02.Resposta (A) Falsa. Uma solução com [H+] > 1 . 10-7 mol . L-1 apresenta pH 1 H1+ + 1 Cl1- Inicio: 0,125 ............... 0 ................ 0 Ionização: 0,8 x 0,125 .... 0,8 x 0,125 .... 0,8 x 0,125 Teremos 0,8 x 0,125 mol/litro ou 0,1 mol/L de íons hidrogênio. pH = - log [H1+] = - log 10-1 pH = 1 06. Resposta A manipulação de um reagente químico deve ser realizada mediante alguns cuidados e precauções. O primeiro cuidado refere-se à leitura do rótulo do reagente. Procura-se identificar neste as informações básicas deste reagente, tais como: massa molar, fórmula química e informações quanto ao grau de pureza. No rótulo do reagente devem conter também indicações de: perigo, riscos e orientações de primeiros socorros e incompatibilidade química do reagente. Embora o rótulo de um reagente seja a informação mais próxima e fácil deste reagente, deve-se ter claro que estas informações são apenas as mais básicas. Maiores informações sobre os reagentes podem ser obtidas nas fichas técnicas. Essas fichas, em geral são disponibilizadas pelos fabricantes e nelas estão contidas informações mais completas tais como: função do produto, descrição física, validação, armazenamento, composição, impurezas, toxicidade, primeiro socorros, entre outras. Durante o uso de um reagente é muito importante adotar procedimentos corretos de manipulação, não somente pelos riscos inerentes de cada reagente, mas também para preservação das condições do reagente. Várias regras devem ser obedecidas para evitar contaminação do reagente. Ver as regras que se seguem. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 48 Os cuidados no manuseio devem levar em conta também a escolha e a limpeza do material de coleta. Por exemplo, o uso de espátulas de aço inox ou de porcelana. No caso específico de reagentes líquidos concentrados é recomendado retirar uma quantidade deste reagente e colocá-lo em outro recipiente e só então utilizar uma vidraria adequada para retirar o volume adequado. Por exemplo: se for retirar uma alíquota de 25,00 mL de ácido nítrico concentrado, então transfira uma quantidade do frasco do reagente concentrado para um béquer e depois retire deste béquer a alíquota necessária utilizando a vidraria adequada. O armazenamento e o manuseio das soluções O armazenamento de soluções, em laboratório é geralmente feito em recipientes de vidro ou de plástico, dependendo do caso. Os recipientes mais comumente utilizados para o armazenamento de soluções e reagentes são os construídos em vidro. Os frascos utilizados para armazenamento de substâncias químicas são de composição especial, à base de borossilicatos ou com elevado teor de sílica, que apresentam boa resistência química e ao choque térmico. O volume do frasco utilizado está diretamente ligado à quantidade da solução usada em cada procedimento analítico e ao número de análises procedidas diariamente ou semanalmente no laboratório. Para armazenar soluções de indicadores, frascos conta-gotas, com capacidade de 60 e 100 mL, são os desejáveis. Dependendo da solução a ser estocada, devem-se preferir os frascos de cor âmbar aos claros ou “brancos” (leitosos), pois oferecem certa proteção contra a ação da luz. Para armazenamento de outras soluções geralmente são empregados frascos de 500 a 5.000 mL (de cor âmbar ou clara). Os tipos mais comumente utilizados são: a) frascos para estocar reagentes, de boca estreita com tampa esmerilhada, com capacidade para 500, 1.000 ou 2.000 mL. b) balões de fundo chato, com gargalo longo ou curto e capacidade para 1.000 ou 2.000 mL; c) frascos tipo garrafão, com ou sem tampa esmerilhada, branco ou âmbar, com capacidade para 5, 9 ou 14 litros Esses recipientes devem sempre ser rigorosamente limpos. Em hipótese alguma devem ser usados balões volumétricos para armazenar soluções. Embora eles sejam construídos com vidros resistentes quimicamente, quando em contato prolongado com qualquer solução eles têm as suas paredes atacadas quimicamente. Em alguns casos, o seu volume pode até ser alterado, como acontece quando se estoca soluções fortemente alcalinas, como as de NaOH. Embora se possa usar um balão de vidro para preparar esse tipo de solução, ela deve logo ser transferida para um recipiente de plástico e o balão deve ser lavado imediatamente. Nunca estocar soluções de fluoretos ou de ácido fluorídrico em recipientes de vidro. As soluções padrões estoques também não devem ser armazenadas em frascos de vidro, pois as interações iônicas com os sítios ativos das paredes internas tendem a alterar as suas concentrações. Independentemente do tipo de recipiente e tamanho usado, um cuidado especial a ser tomado é quanto à identificação ou rotulação da solução. A identificação deve ser feita de forma a ficar claro o nome da substância, a sua concentração, a sua periculosidade, a data da sua preparação e o nome de quem a preparou. De preferência, usar o Diagrama de Hommel. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 49 Mesmo em frascos pequenos, mas principalmente nos de capacidades maiores, a transferência deve ser feita preferencialmente com pipetas automáticas, buretas semiautomáticas ou automáticas ou com dispensadores. Os cuidados referidos acima estão mais relacionados ao recipiente. Contudo, atenção especial deve também ser dada às condições das soluções. Algumas delas, como a de acetato de cálcio, com muita facilidade permitem o crescimento de micro-organismos em seu interior, devendo ser descartadas sempre que isto vier a ocorrer. Outras soluções, como a de sulfato ferroso amoniacal, são muito susceptíveis a ação da luz e por isso devem ser armazenadas em frasco escuro ou âmbar. As soluções padrões devem ser mantidas sob refrigeração. Neste particular, quando essas soluções forem ser usadas, deve se retirar o frasco do refrigerador e transferir um volume conveniente para um béquer limpo e seco, e o frasco contendo o estoque deve ser imediatamente devolvido ao refrigerador. A porção contida no béquer, devidamente tampado com um vidro de relógio, deverá ficar sobre a bancada até atingir a temperatura ambiente para então ser usada. Os frascos plásticos mais apropriados para o armazenamento de soluções de reagentes ou de soluções padrões são os de Teflon. Por serem caros, geralmente são substituídos pelos de polietileno ou polipropileno, que também oferecem boa resistênciaao ataque químico e boa resistência ao choque mecânico. Esses frascos são imprescindíveis para se armazenar ácido fluorídrico, o qual não pode ser mantido em frasco de vidro. Por outro lado, alguns tipos de frascos plásticos podem ser atacados por solventes orgânicos e podem não servir para armazenar agentes corrosivos ou oxidantes fortes, tais como os ácidos nítrico, sulfúrico, perclórico, etc.. Desta forma, sempre que for utilizar um frasco plástico para o estoque de substâncias ou soluções, verifique cuidadosamente a sua resistência frente ao agente químico ao qual será exposto. Tabelas com estes dados devem ser fornecidas pelos fabricantes e podem ser encontradas nos catálogos especializados. O manuseio e os procedimentos de limpeza desses materiais são semelhantes ao descrito para os construídos em vidro. Vale lembrar que um erro frequente em laboratórios é o operador iniciar novas tarefas com produtos químicos que ele desconhece, sem tomar as precauções necessárias. Assim sendo, sempre que iniciar uma nova tarefa, conhecer as características dos produtos tais como: inflamabilidade, reatividade (ver simbologia internacional de classificação de produtos químicos a seguir). Conhecendo essas informações, planejar as operações quanto ao(s) local(is) adequado(s) e eventual uso de EPIs. Verificar também formas de armazenagem, descarte e ações em caso de derrame acidental. As soluções preparadas rotineiramente em laboratório são compradas e preparadas a partir da forma concentrada ou de um sal. As soluções de concentrações mais baixas podem ser obtidas pela adição de água, processo chamado de diluição. Um método de preparar soluções de concentração desejada é realizar a pesagem de certa massa de substância e conveniente diluição. Tais substâncias devem obedecer a uma série de exigências, mas são poucas as que as cumprem totalmente. Estas substâncias são denominadas de substância padrão primário e possuem grau de pureza superior a 99,95%, devem ser facilmente secadas para eliminar qualquer traço de umidade e, serem estáveis tanto em solução como no estado sólido. Também não devem absorver muita água nem reagir com substâncias existentes no ar. Substâncias que não são padrão primário fornecem soluções que necessitam ter sua concentração determinada, sendo que um dos procedimentos usados para esta determinação é denominado Titulação, que envolve a reação química de uma amostra de solução com concentração desconhecida com uma solução de concentração conhecida, denominada de solução padrão. As reações podem ser do tipo ácido-base, precipitação ou oxirredução. O ponto no qual as quantidades estequiométricas se equivalem é conhecido como ponto de viragem ou equivalência, que pode ser determinado com ajuda de um indicador químico que variará sua cor quando este ponto for atingido. As soluções preparadas devem ser armazenadas em frascos apropriados conforme o tipo de solução como, por exemplo, se a solução é sensível à ação da luz, deve-se armazenar em frasco âmbar. Os frascos devem ser identificados com rótulos, os quais devem conter o nome, a concentração da solução, a data de preparação, nome ou iniciais do preparador. Quando o líquido é retirado do frasco, deve-se tomar o cuidado de que ele escoe pelo lado oposto ao rótulo, o qual não se molhará e não se danificará. Transferência quantitativa de líquido para um balão volumétrico. Quando estamos preparando uma solução padrão, toda e qualquer perda de soluto acarretará em erros na análise. Por isso, devemos ter o máximo de cuidado para não ocorrer perdas de massa nos processos de transferências de um frasco para outro. Caso seja necessário, insira um funil no balão Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 50 volumétrico. Use um bastão de vidro para direcionar o fluxo do líquido do béquer para o funil. Retire a última gota de líquido do béquer com a ajuda do bastão de vidro. Enxágue tanto o bastão como o interior do béquer com o solvente e transfira a "água de enxágue" para o balão volumétrico. Repita este processo de enxágue pelo menos duas vezes mais. 2. Pipetas: Existem duas espécies de pipetas: a) Pipetas volumétricas ou de transferência, construídas para dar escoamento, a um determinado volume (Fig. 5B). As pipetas volumétricas são constituídas por um tubo de vidro com um bulbo na parte central. O traço de referência é gravado na parte do tubo acima do bulbo. A extremidade inferior é afilada e o orifício deve ser ajustado de modo que o escoamento não se processe rápido demais, o que faria com que pequenas diferenças de tempo de escoamento ocasionassem erros apreciáveis. As pipetas volumétricas são construídas com as capacidades de 1, 2, 5, 10, 20, 50, 100 e 200 mL, sendo de uso mais frequente as de 10, 25 e 50 mL. b) Pipetas graduadas ou cilíndricas que servem para escoar volumes variáveis de líquidos (Fig. 5A). As pipetas graduadas consistem de um tubo de vidro estreito, geralmente graduado em 0,1mL. São usadas para medir pequenos volumes líquidos. Encontram pouca aplicação sempre que se quer medir volumes líquidos com elevada precisão. Têm a vantagem de se poderem medir volumes variáveis. Para se encher uma pipeta, coloca-se a ponta da mesma no líquido e faz-se a sucção com a pêra de sucção (NÃO usar a boca para pipetagem em laboratórios). Deve-se ter o cuidado em manter a ponta da mesma sempre abaixo do nível da solução do líquido. Caso contrário, ao se fazer a sucção, o líquido alcança a pêra de sucção. A sucção deve ser feita até o líquido ultrapassar o traço de referência. Feito isto, tapa-se a pipeta com o dedo indicador (ligeiramente úmido) - caso não se esteja usando a pêra de sucção - e deixa-se escoar o líquido lentamente até o traço de referência (zero). O ajustamento deve ser feito de maneira a evitar erros de paralaxe. Os líquidos que desprendem vapores tóxicos e os líquidos corrosivos devem sempre ser introduzidos na pipeta, através de pêras de sucção. Para escoar os líquidos, deve-se colocar a pipeta na posição vertical, com a ponta encostada na parede do recipiente que vai receber o líquido; caso esteja usando a boca na pipetagem (técnica desaconselhável), levanta-se o dedo indicador até que o líquido escoe totalmente. Esperam-se 15 ou 20 segundos e retira-se a gota aderida a ponta da pipeta, encostando-a a parede do recipiente (Figura 6). Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 51 Fig 6. Procedimento para uso de pipetas de transferência i) Pipetas com escoamento total: contêm duas faixas na parte superior, indicando que as mesmas são calibradas para - assoprando-se até a última gota - liberar sua capacidade total. ii) Pipetas com esgotamento parcial: contêm na parte superior uma faixa estreita que as diferencia das pipetas de escoamento total. Não precisa ser assoprada (vide figura 6- letra D). 3- Buretas As buretas servem para dar escoamento a volumes variáveis de líquidos. São constituídas de tubos de vidro uniformemente calibrados, graduados em 1mL e 0,1 mL. São providas de dispositivos, torneiras de vidro ou polietileno entre o tubo graduado e sua ponta afilada, que permitem o fácil controle de escoamento As buretas podem ser dispostas em suportes universais contendo mufas (Figura 7). As buretas de uso mais constantes são as de 50 mL, graduadas em décimos de mL; também são muito usadas as de 25 mL. Nos trabalhos de escala semimicro, são frequentemente usadas as buretas de 5 e 10 mL, graduadas em 0,01 ou 0,02mL. Para o uso com soluções que possam sofrer o efeito da luz, são recomendadas buretas de vidro castanho. As torneiras das buretas, quando forem de vidro, devem ser levemente lubrificadas para que possam ser manipuladas com mais facilidade. Serve para este fim uma mistura de partes iguais de vaselina e cera de abelhas; misturas especiais são encontradas no comércio.RECOMENDAÇÕES PARA USO DA BURETA a) A bureta limpa e vazia deve ser fixada em um suporte na posição vertical. b) Antes de se usar um reagente líquido, deve-se agitar o frasco que o contém, pois não é raro haver na parte superior do mesmo, gotas de água condensada. c) A bureta deve ser lavada, pelo menos uma vez, com uma porção de 5 mL do reagente em questão, o qual deverá ser adicionado por meio de um funil, em buretas que não possuam gargalo especial; cada porção é deixada escoar completamente antes da adição da seguinte. d) Enche-se então a bureta até um pouco acima do zero da escala e remove-se o funil. e) Abre-se a torneira para encher a ponta ou expulsar todo o ar e, deixa-se escoar o líquido, até que a parte inferior do menisco coincida exatamente com a divisão zero (Figura 7). Quando se calibra a bureta (acerto do zero) deve-se tomar o cuidado de eliminar todas as bolhas de ar que possam existir. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 52 f) Coloca-se o frasco que vai receber o líquido sob a bureta e deixa-se o líquido escoar, gota a gota, geralmente a uma velocidade não superior a 10 mL por minuto. Controla-se a torneira da bureta com a mão esquerda (Figura 8). Após o escoamento da quantidade necessária de líquido, espera-se de 10 a 20 segundos e lê-se o volume retirado. Notas: 1. Se ainda não estiver habituado com uma titulação, é aconselhável preparar uma amostra extra. Nenhum cuidado é tomado neste caso, já que sua função é a de determinar somente o valor aproximado do ponto final da titulação. Este procedimento de sacrificar uma amostra frequentemente resulta em ganho no tempo total de análise. 2. Adições menores do que uma gota podem ser feitas permitindo que um pequeno volume de titulante forme-se na ponta da bureta (na forma de uma gota suspensa) e então encosta-se a ponta na parede interna do erlenmeyer. Esta gota é então combinada com o resto do líquido, como descreve a nota 3. Este procedimento é chamado de técnica da meia-gota. 3. Ao invés de ser enxaguado perto do ponto final da titulação, o erlenmeyer pode ser inclinado e rodado de forma que o líquido capture qualquer gota que fique aderida nas paredes internas do erlenmeyer. Resumindo: Transferência de líquidos e sólidos As transferências realizadas em laboratório devem ser feitas segundo determinadas técnicas, desenvolvidas com o objetivo de evitar acidentes de trabalho. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 53 Transferência de líquidos e soluções líquidas É necessário o uso adequado do bastão de vidro, para evitar que haja projeção do líquido e que o mesmo escorra pelas paredes externas do recipiente que o contém. Nas transferências para frascos contendo aberturas estreitas, é recomendável o uso de funil. Transferência de sólidos Em pesagens utilizar uma espátula adequada e limpa para transferir o sólido do frasco reagente. Ter o cuidado de não contaminar as tampas dos frascos dos reagentes utilizados (durante o procedimento mantenha a tampa do frasco sobre uma folha de papel limpa). Para recipientes de abertura estreita deve ser utilizado um funil de sólidos (haste curta e diâmetro apreciável). No caso de não haver funil de sólidos, pode-se utilizar um papel de filtro, dobrado na forma de um funil, ou uma pequena tira de papel. Dicas importantes: 1. Lembrar que numa transferência quantitativa todo o material deve ser transferido. Não pode haver perdas. 2. Transferência de líquidos: usar o bastão de vidro para guiar o líquido. Lavar o recipiente anterior e o bastão com pisseta. 3. Transferência de sólidos: assegurar-se que nenhum grão de material ficou retido no recipiente anterior. Se necessário, usar um pincel. Para pesagens, empregar um papel não aderente tal como papel manteiga, por exemplo. Questões 1 Com relação às medidas de segurança que devem ser adotadas em um laboratório químico, assinale a opção que corresponde a procedimento correto. (A) Misturar substâncias ao acaso. (B) Não verificar as indicações dos rótulos dos frascos, em especial, os símbolos de aviso. (C) Fumar, comer e beber dentro do laboratório. (D) Não evitar o contato de substâncias com a pele. (E) Não se deve devolver as sobras de reagentes aos frascos de origem. 2. Quanto à vidraria utilizada em laboratórios de análises químicas, considere as afirmativas: I. O volume medido na pipeta volumétrica é menos preciso que aquele medido na pipeta graduada. II. A diluição de uma substância em balão volumétrico não permite seu aquecimento em água fervente. III. O balão de fundo chato permite medidas de volumes com precisão. IV. As provetas são utilizadas, por permitirem medir diferentes volumes de forma aproximada. V. O volume de um titulante gasto em uma titulação utilizando uma bureta não tem a mesma precisão que o volume de uma pipeta volumétrica. Assinale a alternativa correta. (A) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. (B) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. (C) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. (D) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. (E) Somente as afirmativas III e V são verdadeiras. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 54 3.Numere a coluna da direita com base na informação da coluna da esquerda. 1. Proveta 2. Bureta 3. Becker 4. Frasco erlenmeyer 5. Pipeta graduada ( ) Tem como finalidade medir e escoar volumes variáveis de líquidos ( ) Recipiente com ou sem graduação usado no preparo de soluções, pesagens de sólidos e aquecimento de líquidos ( ) Tem como finalidade medidas aproximadas de volume ( ) Permite o escoamento de volumes precisos de líquidos ( ) Recipiente utilizado na análise título métrica, tem forma cônica, apropriada para conter líquidos durante reações conduzidas sob agitação Assinale a alternativa que contém a seqüência correta, de cima para baixo, na coluna da direita. (A) 5, 3, 2, 4, 1 (B) 5, 2, 1, 4, 3 (C) 5, 3, 1, 2, 4 (D) 3, 5, 1, 4, 2 (E) 1, 4, 3, 2, 5 4. Assinale a opção que apresenta a sequência correta, da esquerda para a direita, dos nomes de vidrarias de laboratório. (A) Condensador, pipeta, béquer, funil de haste longa. (B) Dessecador, pipeta volumétrica, erlenmeyer, funil de separação. (C) Dessecador, bureta, erlenmeyer, funil de separação. (D) Condensador, pipeta, erlenmeyer, funil de haste longa. (E) Cadinho, bureta, béquer, funil de haste longa. 5. A solução de ácido clorídrico é muito utilizada para corrigir o pH de soluções químicas. Assinale a opção correta em relação ao procedimento para o preparo dessa solução. (A) Em uma proveta, colocar o volume necessário de ácido e completar com água destilada até o volume de solução desejado. (B) Em um béquer, colocar o volume necessário de ácido e completar com água destilada até o volume de solução desejado. (C) Em um balão volumétrico, colocar o volume necessário de ácido, adicionando a água em seguida. (D) Em um erlenmeyer, colocar volume suficiente de água destilada para diluir o ácido; adicionar a quantidade necessária do ácido e, em seguida, o volume de água necessário para completar a solução. (E) Em um balão volumétrico, colocar volume suficiente de água destilada para diluir o ácido; adicionar a quantidade necessária do ácido e, em seguida, o volume de água necessário para completar a solução. Respostas 1. E/ 2. C/ 3. C/ 4. C/ 5. E LIMPEZA, DESINFECÇÃO E ANTISSEPSIA DE VIDRARIAS, EQUIPAMENTOS E MATERIAIS COMUNS DE LABORATÓRIO QUÍMICO Assepsia: é o conjunto de medidas que utilizamos para impedir a penetração de microrganismos num ambiente que logicamente não os tem, logo um ambiente asséptico é aquele que está livre de infecção. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 55 Antissepsia:é o conjunto de medidas propostas para inibir o crescimento de microrganismos ou removê-los de um determinado ambiente, podendo ou não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos ou desinfetantes. A descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos: degermação e antissepsia. É a destruição de micro-organismos existentes nas camadas superficiais ou profundas da pele, mediante a aplicação de um agente germicida de baixa causticidade, hipoalergenico e passível de ser aplicado em tecido vivo. Os detergentes sintéticos não-iônicos praticamente são destituídos de ação germicida. Sabões e detergentes sintéticos aniônicos exercem ação bactericida contra microrganismos muito frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para Stafilococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias Gram negativas. Consequentemente, sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniônicos) devem ser classificados como degermantes, e não como antissépticos. Degermação: Vem do inglês degermation, ou desinquimação, e significa a diminuição do número de microrganismos patogênicos ou não, após a escovação da pele com água e sabão. É a remoção de detritos e impurezas depositados sobre a pele. Sabões e detergentes sintéticos, graças a sua propriedade de umidificação, penetração, emulsificação e dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora microbiana existente nas camadas superficiais da pele, também chamada flora transitória, mas não conseguem remover aquela que coloniza as camadas mais profundas ou flora residente. Fumigação: é a dispersão sob forma de partículas, de agentes desinfectantes como gases, líquidos ou sólidos. Desinfecção: é o processo pelo qual se destroem particularmente os germes patogênicos e/ou se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimento. Os esporos não são necessariamente destruídos. Esterilização: é processo de destruição de todas as formas de vida microbiana (bactérias nas formas vegetativas e esporuladas, fungos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos e ou químicos. Toda esterilização deve ser precedida de lavagem e enxaguadura do artigo para remoção de detritos. Esterilizantes: são meios físicos (calor, filtração, radiações, etc) capazes de matar os esporos e a forma vegetativa, isto é, destruir todas as formas microscópicas de vida. Esterilização: o conceito de esterilização é absoluto. O material é esterilizado ou é contaminado, não existe meio termo. Germicidas: são meios químicos utilizados para destruir todas as formas microscópicas de vida e são designados pelos sufixos "cida" ou "lise", como por exemplo, bactericida, fungicida, virucida, bacteriólise etc. Na rotina, os termos antissépticos, desinfetantes e germicidas são empregados como sinônimos, fazendo que não haja diferenças absolutas entre desinfetantes e antissépticos. Entretanto, caracterizamos como antisséptico quando a empregamos em tecidos vivo e desinfetante quando a utilizamos em objetos inanimados. Sanitização, neologismo do inglês sanitization, em que emprega sanitizer, tipo particular de desinfetante que reduz o número de bactérias contaminantes a níveis julgados seguros para as exigências de saúde pública. Antissépticos: Um antisséptico adequado deve exercer a atividade germicida sobre a flora cutaneomucosa em presença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as mucosas. Muitos testes in vitro foram propostos para avaliar a ação de antissépticos, mas a avaliação definitiva desses germicidas só pode feita mediante testes in vivo. Os agentes que melhor satisfazem as exigências para aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o hexaclorofeno. Para a desinfecção das mãos temos: - Soluções antissépticas com detergentes (degermantes) e se destinam à degermação da pele, removendo detritos e impurezas e realizando antissepsia parcial. Como exemplos citam: Solução detergente de PVPI a 10% (1% de iodo ativo); Solução detergente de clorhexidina a 4 %, com 4% de álcool etílico. - Solução alcoólica para antissepsia das mãos: Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 % (álcool etílico a 70%, com ou sem 2 % de glicerina); Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de glicerina. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 56 Técnicas de Esterilização Esterilização é a destruição de todos os organismos vivos, mesmo os esporos bacterianos, de um objeto. Para isso dispomos de agentes físicos e químicos. Meios de esterilização: Físico: Calor seco (Estufa, Flambagem e Fulguração); Calor úmido (Fervura e Autoclave); Radiações (Raios alfa, Raios gama e Raios x). Químico: Desinfetantes - Para conseguir-se a esterilização, há vários fatores importantes: Das características dos microrganismos, o grau de resistência das formas vegetativas; a resistência das bactérias produtoras de esporos e o número de microrganismos e da característica do agente empregado para a esterilização. Esterilização pelo calor: A susceptibilidade dos organismos ao calor é muito variável e dependem de alguns fatores, e dentre eles citamos: - Variação individual de resistência, - Capacidade de formação de esporos, - Quantidade de água do meio, - ph do meio, - Composição do meio. Esterilização pelo calor seco: A incineração afeta os microrganismos de forma muito parecida a como afeta as demais proteínas. Os microrganismos são carbonizados ou consumidos pelo calor (oxidação), assim, podemos usar a chama para esterilizar (flambagem) e a eletricidade (fulguração). O aparelho mais comum para a esterilização pelo calor seco é a estufa, que consiste em uma caixa com paredes duplas, entre as quais circula ar quente, proveniente de uma chama de gás ou de uma resistência elétrica. A temperatura interior é controlada por um termostato. As estufas são usadas para esterilizar materiais ¨secos¨, como vidraria, principalmente as de precisão, seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes, gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina, etc. A esterilização acontece quando a temperatura no interior da estufa atinge de 160 oC a 170oC, durante 2 horas, ocorrendo destruição de microrganismos, inclusive os esporos. Deve-se salientar que a temperatura precisa permanecer constante por todo esse tempo, evitando-se abrir a porta da estufa antes de vencer o tempo. Esterilização pelo calor úmido: Podemos usar o calor das seguintes formas: Fervura: Foi um método correntemente usado na prática diária, mas não oferece uma esterilização completa, pois a temperatura máxima que pode atingir é 100°C ao nível do mar, e sabemos que os esporos, e alguns vírus, como o da hepatite, resistem a essa temperatura, alguns até por 45 h. Por outro lado, a temperatura de ebulição varia com a altitude do lugar. Cuidados na esterilização pela fervura: Devem-se eliminar as bolhas, pois estas protegem as bactérias - no interior da bolha impera o calor seco, e a temperatura de fervura (100°C), este calor é insuficiente para a esterilização; Devem-se eliminar as substâncias gordurosas e proteicas dos instrumentos, pois estas impedem o contato direto do calor úmido com as bactérias. Esterilização pelo vapor sob pressão (autoclave): Age através da difusão do vapor d'água para dentro da membrana celular (osmose), hidratando o protoplasma celular, produzindo alterações químicas (hidrólise) e coagulando mais facilmente o protoplasma, sob ação do calor. O autoclave é uma caixa metálica de paredes duplas, delimitando assim duas câmaras; uma mais externa que é a câmara de vapor, e uma interna, que é a câmara de esterilização ou de pressão de vapor. A entrada de vapor na câmara de esterilização se faz por uma abertura posterior e superior, e a saída de vapor se fazem por uma abertura anterior e inferior, devido ao fato de ser o ar mais pesado que o vapor. O vapor é admitido primeiramente na câmara externa com o objetivo de aquecer a câmara de esterilização,evitando assim a condensação de vapor em suas paredes internas. Sabe-se que 1 grama de vapor saturado sob pressão, libera 524 calorias ao se condensar. Ao entrar em contato com as superfícies frias o vapor saturado se condensa imediatamente, molhando e aquecendo o objeto, fornecendo assim dois fatores importantes para a destruição dos micro-organismos. O vapor d'água, ao Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 57 ser admitido na câmara de esterilização é menos denso que o ar, e portanto empurra este para baixo, até que sai da câmara, e através de correntes de convecção, retira todo o ar dos interstícios dos materiais colocados na câmara. Ao condensar-se, reduz de volume, surgindo assim áreas de pressão negativa, que atraem novas quantidades de vapor. Desse modo, as disposições dos materiais a serem esterilizados dentro da autoclave devem obedecer a certas regras, formando espaços entre eles e facilitando o escoamento do ar e vapor, tendo-se em mente a analogia com o escoamento de água de um reservatório, evitando assim a formação de “bolsões” de ar seco (onde agiria apenas o calor seco, insuficiente para esterilizar nas temperaturas atingidas habitualmente pelo autoclave. A quantidade efetiva de água sob a forma de vapor dentro da câmara de pressão pode ser reduzida, de modo que, ao retirar-se os objetos esterilizados, estes estejam quase secos. A ação combinada de temperatura, pressão e da umidade são suficientes para uma esterilização rápida, de modo que vapor saturado a 750 mmHg e temperatura de 121ºC são suficientes para destruir os esporos mais resistentes, em 30 minutos. Essa é a combinação mais usada, servindo para todos os objetos que não estragam com a umidade e temperatura alta como panos meios bacteriológicos, soluções salinas, instrumentais (não os de corte), agulhas, seringas, vidraria (não as de precisão) etc. Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º C, o tempo cai para 6 minutos, podendo se assim evitar a ação destruidora do calor sobre panos e borracha. Em casos de emergência, usamos durante 2 minutos a temperatura de 132ºC e 1400 mmHg. Para testar a eficiência da esterilização em autoclave lançamos mão de indicadores, que pode ser tintas que mudam de cor quando submetidas a determinada temperatura durante certo tempo, ou tiras de papel com esporos bacterianos, que são cultivados em caldos após serem retirados do autoclave. Como exemplo citamos tubinho contendo ácido benzoico mais eosina, que tem ponto de fusão de 121ºC. Anidrido ftalico mais verde metila tem ponto de fusão de 132ºC. Ácido salicílico mais violeta de genciana tem ponto de fusão de 156ºC. Bioindicadores: Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo de cultura com açúcares mais um indicador de pH e esporos de bacilo Stearo thermophilus (espécie não patogênica), esporo estes que morrem quando submetidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a 48 horas a 55ºC, e se a esterilização foi suficiente a cor violeta não se altera. Podemos também usar cadarços embebidos com suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em esporulação acentuada) colocados no interior de um campo cirúrgico dobrado, que será colocado no centro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo de esterilização, o cadarço é enviado para cultura no laboratório. (o Bacilo subtilis não é patogênico e é um dos mais resistentes ao calor) Éter cíclico - Óxido de etileno: É um gás incolor, inflamável, tóxico, altamente reativo, é completamente solúvel em água, álcool, éter e muitos solventes orgânicos, borracha, couro e plásticos. É bactericida esporicida e virucida. Eficaz em temperatura relativamente baixa, penetra em substâncias porosas, não corroe ou danifica materiais, age rapidamente, removível rapidamente. Esterilização pelo óxido de etileno: Autorizado pelo Ministério da Saúde como agente químico para esterilização, portaria 930/1992. Necessita de três unidades: aparelho de autoclave combinado, gás e vapor; aparelho de comando que vai misturar o gás, e o freon na concentração pré-estabelecida e o aparelho aerador. Existem quatro condições que são primordiais e que guardam relação entre si para que o óxido de etileno se torne um agente esterilizante: - Tempo - o tempo de exposição ao gás varia de acordo com a temperatura do aparelho, - Temperatura - Geralmente utiliza a temperatura de 55oC e a exposição em 2 horas. Em temperaturas mais baixas necessitamos de exposições maiores e vice-versa. - Umidade relativa - usa de 20 a 40%, - Concentração do gás - usa a concentração de 450 mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser altamente inflamável quando puro, usamos misturar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%). Técnica - Preparo do material - deverão estar completamente limpos e secos. O material que os empacota deve ser permeável, flexível e forte para aguentar a manipulação normal do processo de esterilização. Usar fitas adesivas para identificação e indicadores de óxido de etileno dentro dos pacotes. - Não sobrecarregar o esterilizador para evitar bolsões isoladores e também o rompimento e abertura dos pacotes durante o aumento de pressão da câmara. - Aeração - o objetivo é ventilar para remover o gás contido no material esterilizado e sendo executado a 50ºC, o tempo varia de acordo com o tipo de material, assim: Borracha e material plástico fino = 6 horas; Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 58 Borracha e material plástico grosso = 24 horas; Marca passos internos = 4 dias; Luvas, cateteres e outros materiais em invólucros de plásticos = 7 dias; Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7 dias. Vantagens - É bactericida, esporicida e virucida; - Agente esterilizante em temperatura relativamente baixa; - Facilmente removível; - Fácil de obter, armazenar e manusear; - Penetra em qualquer material permeável e poroso; - Esteriliza uma grande variedade de instrumentos e equipamentos sem danificar a maioria; - É método simples, eficaz econômico e seguro; - O material esterilizado pode ser estocado por período prolongado. Desvantagens - Necessita de controle cuidadoso da concentração de gás, temperatura e umidade. - A aparelhagem é cara e requer supervisão técnica especializada. - O gás etileno possui efeito tóxico. - O processo é demorado. - A utilização do aparelho é limitada a estabelecimentos grandes. Flambagem: O Ministério da Saúde, através da portaria 930 de 27 de agosto de 1992, relaciona a flambagem como meio possível de esterilização nas laboratórios de microbiologia para a manipulação de material biológico ou transferência de massa bacteriana pela alça bacteriológica e para a esterilização de agulhas, na vacina de BCG intradérmico. Radiação: A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termossensíveis, (seringa de plástico, agulha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar em baixas temperaturas, é um método disponível em escala industrial devido aos elevados custos de implantação e controle. Radiações ionizantes: (raios beta, gama, (cobalto), X, alfa). Tem boa penetrabilidade nos materiais mesmos já empacotados o que justifica a sal comodidade. Radiações não ionizantes: (raios ultravioleta, ondas curtas e raios infravermelhos) devido a sua baixa eficiência está vetado o seu uso pelo Ministério da Saúde desde 1992. Filtração é usada como controle ambiental, criando áreas limpas e áreas estéreis, podendo inclusive lançar utilizar se do fluxo laminar. Aldeído: Agente químico autorizado pelo Ministério da Saúde, (portaria 930/1992). Glutaraldeído a 2%, associada a um antioxidante, por 8 a 12 horas, é usado para esterilizar material de acrílica, cateteres, drenos, nylon, silicone, teflon, pvc, laringoscópios e outros); Formaldeído, usado tanto na forma líquida ou gasosa por 18 horas. Paraformaldeído, as pastilhas tem ação esterilizante na concentração de 3 gramas por 100 centímetros cúbico de volumedo recipiente onde o material é esterilizado por um período de 4 horas a 50°C. MATERIAIS COMUNS DE LABORATÓRIO QUÍMICO Instrumentos e/ou equipamentos utilizados para realizar experiências, efetuar medições, estudar substâncias ou recolher dados e PREPARAR SOLUÇÕES. Abaixo, segue uma relação de alguns destes materiais e vidrarias, com suas principais utilizações no laboratório químico: Balão de fundo chato: Para armazenar, preparar, aquecer ou recolher soluções. Podem ser de vidro transparente ou âmbar. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 59 Erlenmeyer: Serve para recolher frações de materiais destilados ou para conter misturas que serão homogeneizadas. Béquer: Resistem ao aquecimento, resfriamento e ataques de produtos químicos, com escala de pouca precisão. Funil de vidro: Empregado para transferir líquidos e para apoiar o papel de filtro. Tubos de ensaio: Recipientes de vidro onde ocorrem reações e análises. Também utilizados para coleta de amostras em pequena quantidade. Condensadores: São colunas de vidro com tamanho variável entre 10 cm e 1,7 metro, dentro das quais existem tubos em forma reta, espiral ou bolas sequenciais. São utilizados em destilações. Bastão ou baqueta: é um bastão maciço de vidro. Serve para agitar e facilitar as dissoluções ou manter massas líquidas em constante movimento. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 60 Proveta ou cilindro graduado: Serve para medição precisa de volumes maiores de líquidos. Bureta: Serve para determinar pequenos volumes de reagentes com precisão. Pode ser de vidro ou de polietileno. Pipetas: Utilizadas para medir e transferir mínimas quantidades de líquidos com precisão. Podem ser graduadas ou volumétricas. Existem as pipetas automáticas, que não são de vidro. Balão volumétrico com saída lateral: Empregado na ebulição de líquidos em pequenas destilações. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 61 Bico de Bunsen: Aquecedor a gás com chama de temperatura variável, de acordo com a regulagem. Cadinho ou cápsula de porcelana: É usada em evaporação ou secagem e pode ser levada ao fogo sobre tela de amianto. Suporte universal, garra e pinças de fixação: Usados para segurar e sustentar vidrarias, como balões e condensadores, entre outros. Tripé de ferro: Usado como apoio para tela de amianto e outros objetos a serem aquecidos. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 62 Tela de amianto: suporte para as peças a serem aquecidas. A função do amianto é distribuir uniformemente o calor recebido pela chama do bico de Bunsen. Há alguns anos está proibido seu uso por ser cancerígeno. Substituídos por mantas elétricas ou placas de aquecimento, termostatizadas. Estante para tubos de ensaio: É utilizado para apoiar tubos de ensaio. Funil de Büchner: Usado em filtrações a vácuo, pode substituir os cadinhos de Gooch. Kitassato: Recipiente de vidro com paredes super-reforçadas e indicado para filtrações a vácuo. Funil de separação: Utilizado na separação de misturas de líquidos imiscíveis. Também pode ser chamado funil de decantação ou funil de bromo. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 63 Pisseta: Deve conter solventes, água ou soluções de sabões e é utilizada para efetuar lavagens de outras vidrarias. NOÇÕES DE GERENCIAMENTO DE LABORATÓRIO QUÍMICO A gerência da organização ou laboratório deve estabelece, implementar e manter um sistema de gestão da qualidade apropriado para o alcance das suas atividades, incluindo o tipo, serie e volume dos ensaios e/ou atividade de calibrações, validação e verificação relacionadas. A gerência do laboratório deve assegurar que as suas políticas, sistemas, programas, procedimentos e instruções descrevam a sua extensão necessária para que permita ao laboratório assegurar a qualidade dos resultados dos ensaios que gera. A documentação usada neste sistema de gestão da qualidade deve ser comunicada, estar disponível e ser entendida, e implementada pelo pessoal apropriado. Os elementos deste sistema devem estar documentados em um manual da qualidade, para a organização e seu conjunto ou para um laboratório dentro da organização. Nota: Os laboratórios de controle de qualidade de um fabricante podem ter esta informação em documentos distintos do manual da qualidade O manual da qualidade deve conter no mínimo: a) uma declaração de política de qualidade, que inclua pelo menos o seguinte: (i) uma declaração das intenções da gerência do laboratório com relação ao padrão de serviço que proporcionará; (II) um compromisso de estabelecer, implementar e manter um sistema de gestão da qualidade efetivo, (III) o compromisso da gerência do laboratório com as boas práticas profissionais e de qualidade de ensaios, calibração, validação e verificação, (IV) o compromisso da gerência do laboratório com o cumprimento do conteúdo deste guia, (V) o requisito de que todo o pessoal relacionado com as atividades de análise e calibração dentro do laboratório esteja familiarizado com a documentação concernente a qualidade e a implementação das políticas e procedimentos de seu trabalho. (b) a estrutura do laboratório (organograma); (c) as atividades operacionais e funcionais relacionadas com a qualidade, de modo que o alcance e os limites das responsabilidades estejam claramente definidas; (d) o esboço da estrutura da documentação usada no sistema de gestão da qualidade do laboratório (e) os procedimentos gerais internos de gestão da qualidade; (f) referências aos procedimentos específicos para cada ensaio; (e) informação sobre as qualificações apropriadas, experiências e competências que são requeridas para o pessoal (h) informação sobre capacitação do pessoal, inicial e em serviço; (i) uma política para auditorias interna e externa (j) Uma política para implementar e verificar ações preventivas e corretivas; (k) uma política para tratar as reclamações; (l) uma política para realizar revisões gerenciais do sistema de gestão da qualidade; (m) uma política para selecionar, estabelecer e aprovar os procedimentos analíticos; (n) uma política para tratamento dos resultados fora de especificação (OOS); (o) uma política para o emprego de substância e materiais de referência apropriados; (p) uma política para a participação em sistema adequados de ensaios de proficiência e ensaios colaborativos e avaliação de desempenho (aplicáveis a laboratórios farmacêuticos nacionais de controle de qualidade, para que se possa aplicar a outros laboratórios); Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 64 (q) uma política para selecionar os fornecedores de serviços e materiais; O laboratório deve estabelecer, implementar e manter procedimentos operacionais padrão (POPs) autorizados e escritos incluindo, mas não se limitando, a operações técnicas e administrativa, tais como: (a) ações relativas ao pessoal, incluindo qualificações, treinamento, vestuário e higiene; (b) controle de alterações; (c) auditoria interna (d) procedimento de reclamações (e) implementação e verificação de ações corretivas e preventivas (f) a compra e recebimento de materiais (por exemplo, amostras, reagentes); (g) a obtenção, preparação e controle de sustâncias e materiais de referência; (h) rotulagem interna, quarentena e armazenamento de materiais; (i) a qualificação de equipamentos; (j) a calibração de equipamentos; (k) manutenção preventiva e verificação de instrumentos e equipamentos; (l) amostragem, se realizada pelo laboratório, e inspeção visual; (m) a análise das amostras com descrições dos métodos e equipamentos utilizados; (n) resultadospelos ventos de uma região para outra. Com a condensação e, em seguida, a chuva, a água volta à superfície da Terra, caindo sobre o solo, rios, lagos e mares. Parte dessa água evapora retornando à atmosfera, outra parte escoa superficialmente ou infiltra-se no solo, indo alimentar rios e lagos. Esse processo é chamado de ciclo da água. Considere, então, as seguintes afirmativas: I. a evaporação é maior nos continentes, uma vez que o aquecimento ali é maior do que nos oceanos. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 3 II. a vegetação participa do ciclo hidrológico por meio da transpiração. III. o ciclo hidrológico condiciona processos que ocorrem na litosfera, na atmosfera e na biosfera. IV. a energia gravitacional movimenta a água dentro do seu ciclo. V. o ciclo hidrológico é passível de sofrer interferência humana, podendo apresentar desequilíbrios. (A) somente a afirmativa III está correta. (B) somente as afirmativas III e IV estão corretas (C) somente as afirmativas I, II e V estão corretas. (D) somente as afirmativas II, III, IV e V estão corretas. (E) todas as afirmativas estão corretas. 03. Os ciclos biogeoquímicos podem ser definidos como processos em que os elementos químicos circulam entre os seres vivos e o meio ambiente. Com o ciclo da água não é diferente e os seres vivos interferem ativamente no movimento cíclico dessa molécula. Marque a alternativa que indica corretamente o nome do processo caracterizado pela perda de água pelas plantas na forma de vapor. (A) Respiração. (B) Transpiração. (C) Fotossíntese. (D) Gutação Respostas 01. Resposta E Dá-se o nome de condensação à mudança do estado gasoso para o líquido. 02. Resposta D Apenas a afirmativa I está incorreta. O aquecimento dos continentes é o mesmo dos oceanos, mas nestes há maiores taxas de evaporação, em razão do maior volume de água. 03. Resposta B As plantas eliminam água na forma de vapor pelos seus estômatos no processo de transpiração. O processo de eliminação de água no estado líquido recebe o nome de gutação. SISTEMA DE ABASTECIMENTO As águas que utilizamos, percorre um longo caminho até chegar a nossa residência. Inicialmente são captados na superfície em barragens, rios ou lagos, passando por uma série de tratamento, com o objetivo de purificá-las para o consumo humano. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 4 As águas são tratadas nas Estações de Tratamento de Água (ETAs) de onde são direcionadas as redes de abastecimento de água que compreendem as adutoras, as linhas alimentadoras e as linhas distribuidoras. Cabe as adutoras conduzir a água dos mananciais às estações de tratamento e dessas aos reservatórios principais, estabelecendo a intercomunicação entre eles. Nas linhas alimentadoras vai ocorrer o abastecimento dos reservatórios secundários e das linhas de distribuição, cuja função é fornecer água as derivações para o abastecimento de cada prédio. Sistemas de distribuição Normalmente encontramos nas cidades a alimentação das redes de distribuição predial sendo alimentadas por redes públicas de fornecimento de água. Porém, podemos encontrar a alimentação predial realizada por sistemas particulares como, por exemplo, nascentes e poços. Sendo, no entanto, garantida sua potabilidade por exames realizados em laboratório. De acordo, com a existência ou não de separação entre a rede pública e a rede interna, podemos classificar os sistemas de abastecimento em: Distribuição Direta - Alimentação direta da rede pública, sem reservatório. - Equipamentos hidráulicos abastecidos com a água da rua. - Baixo custo. - Pode ocorrer falta de água. - Pressão da água não é constante. Distribuição Indireta - Alimentação feita por reservatório superior. - Água da rua sobe até a caixa d’água e é distribuída para a edificação. - Na falta de água da rua, utiliza-se o reservatório superior, podendo ser: • Sem Bombeamento A pressão da água na rede pública alimenta o reservatório superior. • Com Bombeamento A pressão da água na rede pública não é capaz de alimentar o reservatório superior. Usa-se o reservatório inferior. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 5 • Hidropneumático Necessário determinar uma pressão fixa, importante utilizar um pressurizador. Distribuição Mista Alimentação da rede predial é feita: - Parte pela rede pública. - Parte pelo reservatório superior. TERMINOLOGIA Alimentador predial – tubulação compreendida entre o ramal predial e a primeira derivação ou válvula de flutuador do reservatório. Barrilete – conjunto de tubulações que se origina no reservatório e do qual se derivam as colunas de distribuição. Coluna de distribuição – tubulação derivada do barrilete e destinada a alimentar os ramais. Peça de utilização – dispositivo ligado a um sub-ramal para permitir a utilização da água. Ponto de utilização – extremidade de jusante do sub-ramal. Ramal – tubulação derivada da coluna de distribuição e destinada a alimentar os subramais. Ramal predial – tubulação compreendida entre a rede pública de abastecimento e a instalação predial. O limite entre no ramal predial e o alimentador predial deve ser definido pelo regulamento das concessionárias locais de distribuição de água (ex.: CAERN). Rede predial de distribuição – conjunto de tubulações constituído de barriletes, colunas de distribuição, ramais e sub-ramais, ou de alguns destes elementos. Registro de gaveta – registro instalado em uma tubulação para permitir a interrupção de passagem de água. Registro de pressão – registro instalado no sub-ramal, ou no ponto de utilização, destinado ao fechamento ou regulagem da vazão de água a ser utilizada. Regulador de vazão – aparelho intercalado numa tubulação para manter constante sua vazão, qualquer que seja a pressão a montante. Reservatório inferior – reservatório intercalado entre o alimentador predial e a instalação elevatória, destinado a reservar água e a funcionar como poço de sucção da instalação elevatória Reservatório superior – reservatório ligado ao alimentador predial ou a tubulação de recalque, destinado a alimentar a rede predial de distribuição. Sistema de abastecimento – rede pública ou qualquer sistema particular de água que abasteça a instalação predial. Sub-ramal – tubulação que liga o ramal à peça de utilização ou à ligação do aparelho sanitário. Torneira de bóia – válvula com bóia destinada a interromper a entrada de água nos reservatórios e caixas de descarga quando se atinge o nível operacional máximo previsto. Trecho – comprimento de tubulação entre duas derivações ou entre uma derivação e a última conexão da coluna de distribuição. Válvula de descarga – válvula de acionamento manual ou automático, instalada no sub-ramal de alimentação de bacias sanitárias ou de mictórios, destinada a permitir a utilização da água para sua limpeza. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 6 CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS DE ESGOTAMENTO1 A expansão demográfica e o desenvolvimento tecnológico trazem como consequência imediata o aumento de consumo de água e a ampliação constante do volume de águas residuais não reaproveitáveis que, quando não condicionadas de modo adequado, acabam poluindo as áreas receptoras causando desequilíbrios ecológicos e destruindo os recursos naturais da região atingida ou mesmo dificultando o aproveitamento desses recursos naturais pelo homem. Essas águas, conjuntamente com as de escoamento superficial e de possíveis drenagens subterrâneas, formarão as vazões de esgotamento ou simplesmente esgotos. Sendo assim, de acordo com a sua origem, os esgotos podem ser classificados tecnicamente da seguinte forma: - esgoto sanitário ou doméstico ou comum; - esgoto industrial; - esgoto pluvial. Denomina-se de esgoto sanitário toda a vazãoatípicos e fora de especificações (OOS); (o) validação de procedimentos analíticos (p) limpeza de instalações do laboratório, incluindo a parte superior dos bancos, equipamentos, bancadas de trabalho, salas limpas (salas assépticas) e vidraria; (q) monitoramento e controle das condições ambientais, por exemplo, temperatura e umidade; (r) monitoramento e controle das condições de armazenamento; (s) eliminação de reagentes e amostras de solventes; e (t) medidas de biossegurança; As atividades do laboratório devem ser periódica e sistematicamente auditadas (internamente e onde corresponda, por auditorias ou inspeções externas) para verificar o cumprimento dos requisitos do sistema de gestão da qualidade e se for necessário, para aplicar ações preventivas e corretivas. As auditorias devem ser realizadas por pessoas qualificadas e treinadas, que sejam independentes da atividade a ser auditada. O gerente de qualidade é responsável pelo planejamento e organização de auditorias internas abordando todos os elementos do sistema de gestão da qualidade. Tais auditorias devem ser registradas, junto com os detalhes de qualquer ação corretiva e preventiva adotadas. A revisão gerencial em questões de qualidade deve ser realizada regularmente (pelo menos anualmente) incluindo: (a) relatórios de auditorias ou inspeções internas e externas e qualquer controle necessário para corrigir todas as deficiências; (b) o resultado das investigações realizadas como consequência de reclamações recebidas, resultados anormais ou duvidosos (atípicos) informados em análises de colaboração e/ou ensaios de proficiência; e (c) Ações corretivas aplicadas e ações preventivas introduzidas como resultados destas investigações. Controle de documentos A documentação é parte essencial do sistema de gestão da qualidade. O laboratório deve estabelecer e manter procedimentos para controlar e revisar todos os documentos (tanto os gerados internamente como provenientes de origem externa) que fazem parte da documentação da qualidade. Deve-se estabelecer e estar disponível facilmente, uma lista mestra para identificar o estado da versão atual e da distribuição de documentos Os procedimentos devem assegurar que: (a) cada documento, seja um documento da qualidade ou técnico, tenha uma identificação, número de revisão e data de implementação unívocos; (b) procedimentos operacionais padrão (POPs) autorizados e apropriados estejam disponíveis nos locais pertinentes, por exemplo, próximo de equipamentos; (c) os documentos são mantidos atualizados e revisados segundo seu requisitos; (d) Qualquer documento inválido seja removido e substituído pelo documento revisado e autorizado com efeito imediato; (e) um documento revisado inclua referências ao documento anterior; Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 65 (f) os documentos antigos e inválidos sejam conservados em arquivos para assegurar a rastreabilidade e a evolução dos procedimentos, caso alguma cópia seja destruída; (g) todos os membros pertinentes do grupo de trabalho sejam treinados nos procedimentos operacionais padrão (POPs) novos e revisados; e (h) a documentação da qualidade, incluindo os registros, seja conservada por no mínimo 5 anos. Um sistema de controle de alteração deve estar incluído para informar ao grupo de trabalho os procedimentos novos e revisados. O sistema deve assegurar que: (a) os documentos revisados sejam preparados por um elaborador, ou uma pessoa que realize a mesma função, revisados e aprovados no mesmo nível que o documento original e conhecido posteriormente pelo gerente de qualidade (unidade de qualidade); e b) o pessoal reconhecido por uma assinatura tenha conhecimento das mudanças aplicáveis e seus dados de implementação. Registros O laboratório deve estabelecer e manter procedimentos para a identificação, coleção, indexação, recuperação, armazenamento, manutenção, eliminação e acesso a todos os registros da qualidade e técnico-científicos. Todas as observações originais, incluindo os cálculos e dados brutos, registros de calibrações, validação e verificações, e resultados finais, devem ser conservados como registros, por um período apropriado de tempo em conformidade com as regulamentações nacionais, e corresponde, mediante disposições contratuais, o que for mais longo. Os registros devem incluir os dados registrados nos registros de trabalho analítico pelo técnico ou analista em páginas numeradas consecutivamente com referências aos apêndices que contêm os registros pertinentes, por exemplo cromatogramas e espectros. Os registros de cada ensaio devem conter informação suficiente que permita que os ensaios sejam repetidos e/ou os resultados recalculados, se necessário. Os registros devem incluir a identidade do pessoal envolvido na amostragem, preparação e análises das amostras. Os registros das amostras que são usadas em procedimentos legais, devem ser mantidos de acordo com os requisitos legais que lhes sejam aplicáveis. Nota: recomenda-se como período de retenção a vida útil mais um ano para um produto farmacêutico no mercado e 15 anos para um produto em investigação, a menos que regulações nacionais sejam mais restritivas ou ajustes contratuais não o requeiram. Todos os registros da qualidade e técnico/científicos (incluindo registros de ensaios analíticos, laudos de análise e registros de trabalho analítico) devem ser legíveis, prontamente recuperáveis, armazenados e retidos dentro de dependências que propiciem um ambiente adequado para impedir modificações, danos ou deterioração e/ou perda. As condições sob os quais todos os registros originais devem ser armazenados são aquelas que assegurem sua segurança e confidencialidade, e o acesso a eles devem ser restringidos ao pessoal autorizado. Armazenamento e assinatura eletrônicos devem ser implementados com acesso restrito e em conformidade com os requisitos de registros eletrônicos. Os registros de gestão da qualidade devem incluir relatórios de auditorias internas (e externas, se forem realizadas) e análise crítica pela direção, assim como os registros de todas as denúncias e suas investigações, incluindo as possíveis ações preventivas e corretivas. Pessoal O laboratório deve ter pessoal suficiente com formação, treinamento, conhecimento técnico e experiência necessária para as funções atribuídas. A gerência técnica deve assegurar a competência de todas as pessoas que operam equipamentos específicos, instrumentos ou outros dispositivos, e que realizam ensaios e/ou calibrações, validações ou verificações. As suas obrigações também incluem tanto a avaliação de resultados, bem como a assinatura dos registros de ensaios analíticos e laudos de análises. O pessoal em treinamento deve ser supervisionado apropriadamente, sendo recomendável uma avaliação formal após o treinamento. O pessoal que realiza tarefas específicas deve ser qualificado apropriadamente ao término de sua formação, treinamento, experiência e/ou habilidades demonstradas, como requerido. O pessoal do laboratório deve ter vínculo empregatício permanente ou por contrato. O laboratório deve assegurar que o pessoal técnico adicional e de apoio chave contratado seja supervisionado, suficientemente competente e que seu trabalho esteja em conformidade com o sistema de gestão da qualidade. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 66 O laboratório deve manter descrições dos cargos vigentes para todo o pessoal envolvido nos ensaios e/ou calibrações, validações e verificações. Também deve manter registros de todo o pessoal técnico, descrevendo suas qualificações, treinamentos e experiências. O laboratório deve ter o seguinte pessoal técnico e de gerência: (a) um chefe de laboratório (supervisor), que deve ter qualificações apropriadas para a função, com uma extensa experiência na análise de medicamentose gestão de laboratório, em laboratório farmacêutico de controle de qualidade em setor regulador ou na indústria. O chefe do laboratório é responsável pelo conteúdo dos laudos de análise e relatórios de ensaios analíticos. Esta pessoa é também responsável por garantir que: (i) todos os membros chave do pessoal do laboratório tenham competência necessária para as funções requeridas e sua qualificação reflita as suas responsabilidades; (ii) revise periodicamente a adequação do pessoal atual, a gestão e os procedimentos de treinamento; (iii) a gestão técnica seja adequadamente supervisionada; (b) A gestão técnica deve assegura que: (i) Os procedimentos para realizar a calibração, verificação e (re)qualificação de instrumentos, controle das condições ambientais e armazenamento estejam previstos e sejam realizados como requeridos, (ii) sejam preparados programas de treinamento em serviço, para atualizar e melhorar as competências tanto do pessoal de nível superior como técnico, (iii) seja guardado em segurança qualquer material sujeito a regulação como veneno ou substâncias narcóticas controladas e psicotrópicas e mantida em local de trabalho sob a supervisão de uma pessoa autorizada; (iv) os laboratórios farmacêuticos nacionais de controle de qualidade participem regularmente em ensaios de proficiência adequados e ensaios de colaboração para avaliar os procedimentos analíticos e de substâncias de referência; (c) os analistas, com graduação em farmácia, química analítica, microbiologia ou outras matérias pertinentes com o requisito de conhecimento, destreza e habilidade, com capacidade para executar corretamente as funções atribuídas pela gestão e supervisão do pessoal técnico; (d) o pessoal técnico, tem que ter diploma em matérias afins, outorgados por escolas técnicas ou vocacionais; e (e) um gerente da qualidade. Instalações As instalações do laboratório devem ser de tamanho, construção e localização adequados. Estas instalações devem ser projetadas para atender as funções e operações que são realizadas. As salas de repouso e descanso devem ser separadas das áreas de laboratório. Os vestiários e os banheiros devem ser de fácil acesso e adequados para o número de usuários. As instalações do laboratório devem dispor de equipamentos de segurança adequados situados apropriadamente e devem ser incluídas as medidas para assegurar uma boa manutenção. Cada laboratório deve estar equipado com os instrumentos e equipamentos adequados, incluindo bancos, bancadas de trabalho e sistemas de exaustão. As condições ambientais, incluindo iluminação, fontes de energia, temperatura, umidade e pressão do ar devem ser adequadas para as funções e operações a serem realizadas. O laboratório deve garantir que as condições ambientais sejam monitoradas, controladas e documentadas para que não invalidem os resultados ou afetem de forma adversa a qualidade das medições. Deve ser tomadas precauções especiais e, se for necessário, devem existir uma unidade separada e dedicada ao equipamento (por exemplo isolador, mesa de trabalho com fluxo laminar) para manejar, pesar e manipular substâncias altamente tóxicas, incluindo substâncias genotóxicas. Devem ser estabelecidos procedimentos para evitar a exposição e contaminação. As instalações de arquivo devem ser proporcionais para garantir um armazenamento seguro e recuperação de todos os documentos. O desenho e as condições dos arquivos devem servir para proteger o conteúdo da deterioração. O acesso aos arquivos deve ser restrito ao pessoal designado. Devem estar previstos os procedimentos para a eliminação segura dos tipos de resíduos, incluindo resíduos tóxicos (químicos e biológicos), reagentes, amostras, solventes e filtros de ar; Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 67 As análises microbiológicas, quando realizadas, devem ser conduzidas em uma unidade de laboratório projetada e construída apropriadamente. Para maiores orientações, ver a minuta de documento de trabalho "Guia da OMS sobre as boas práticas para laboratórios de microbiologia farmacêutica (referência QAS/09.297). Se um ensaios biológicos in vivo (por exemplo ensaio de pirogêneo em coelhos) está incluído no escopo das atividades do laboratório, os biotérios devem ser isolados de outras áreas do laboratório com uma entrada e sistema de ar condicionado separados. Devem ser aplicadas orientações e regulamentos pertinentes. Instalações de armazenamento do laboratório As instalações de armazenamento devem ser bem organizadas para o armazenamento corretos das amostras, reagentes e equipamentos. Devem ser mantidas dependências separadas para o armazenamento seguro de amostras, amostras retidas, reagentes e acessórios de laboratório, substâncias e materiais de referência. As instalações de armazenamento devem estar equipadas para armazenar material, se necessário, sob refrigeração (2-8 °C) e congelamento (-20 °C) e protegida com chave. Todas as condições de armazenamento devem ser controladas, monitoradas e mantidas em registros. O acesso deve ser restrito ao pessoal autorizado. Procedimentos apropriados de segurança devem ser elaborados e implementados rigorosamente para as áreas de estocagem e utilização de reagentes inflamáveis ou tóxicos. O laboratório deve fornecer salas ou áreas separadas para o armazenamento de substâncias inflamáveis, bases e ácidos concentrados e fumegantes, aminas voláteis e outros reagentes como o ácido clorídrico, ácido nítrico, amônia e bromo. Materiais auto inflamáveis tais como sódio e potássio metálicos, também devem ser armazenados separadamente. Provisões pequenas de ácidos, bases e solventes podem ser mantidos em depósitos do laboratório, mas grandes quantidades destes produtos devem ser retidas preferencialmente em um local separado do edifício do laboratório. Os reagentes sujeitos a regulamentações de venenos ou substâncias narcóticas controladas e psicotrópicas devem ser identificadas claramente segundo as exigências da legislação nacional. Devem ser mantidos separadamente de outros reagentes em armários trancados a chave. Um membro do pessoal designado como responsável, deverá manter um registro destas substâncias. O chefe de cada unidade deve aceitar a responsabilidade pessoal pela guarda destes reagentes mantidos no local de trabalho. Os gases também devem ser guardados em instalações dedicadas, se possível isolados do edifício principal. Sempre que possível, deve-se evitar recipientes de gás no laboratório e é preferível a distribuição a partir de um deposito externo de gás. Se os recipientes de gás estão presentes no laboratório, devem ser fixados com segurança. Nota: Deve-se considerar a instalação de geradores de gás. Equipamentos, instrumentos e outros dispositivos Os equipamentos, instrumentos e outros dispositivos devem ser projetados, construídos, adaptados, localizados, calibrados, qualificados, verificados e mantidos segundo seja requerido pelas operações de impacto ambiental. O usuário deve adquirir os equipamentos de um representante capaz de oferecer pleno apoio técnico e manutenção, se necessário. O laboratório deve ter equipamentos de ensaio, instrumentos e outros dispositivos para a execução correta dos ensaios e / ou calibração, validação e verificação (incluindo a preparação de amostras e o processamento e análise destes ensaios e / ou os dados de calibração). Os equipamentos, instrumentos e outros dispositivos, incluindo aqueles usados para amostragem, devem cumprir com os requisitos do laboratório e com as especificações do padrão correspondente, bem como ser verificados, qualificados e/ou calibrados regularmente (vide Parte Dois, seção 12). Contratos Aquisição de serviços e suprimentos O laboratório deve ter um procedimento para a seleção e aquisição de serviços e suprimentos que afetam a qualidade dos ensaios. O laboratório deve avaliaros fornecedores de insumos críticos, suprimentos e serviços que afetam a qualidade dos ensaios, manter registros destas avaliações e listas de fornecedores aprovados, que tenham demonstrado a qualidade adequada com relação aos requisitos do laboratório. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 68 Subcontratação de ensaios Quando um laboratório subcontrata trabalho, que podem incluir um ensaio específico, deve ser feito com as organizações autorizadas para o tipo de atividade necessária. O laboratório é responsável pela avaliação periódica da competência de uma organização contratada. Quando um laboratório realiza ensaios para um cliente e subcontrata parte do ensaio, deve informar por escrito ao cliente este acordo e, se for o caso, obter sua aprovação. Deve haver um contrato escrito que estabeleça claramente os direitos e as responsabilidades de cada parte, defina os trabalhos contratados e os acordos técnicos realizados em relação ao mesmo. O contrato deve permitir ao laboratório auditar as instalações e competências da organização contratada e assegurar o acesso do laboratório aos registros e amostras retidas. A organização contratada não deve passar a uma terceira parte nenhum trabalho que lhe seja encomendado no contrato sem uma avaliação prévia do laboratório e a aprovação dos acordos. O laboratório deve manter um registro de todos os subcontratados com a evolução da competência. O laboratório é responsável por todos os resultados informados, incluindo aqueles fornecidos pela organização subcontratada. Parte dois. Materiais, equipamentos, instrumentos e outros dispositivos Reagentes Todos os reagentes químicos, incluindo solventes e materiais utilizados em ensaios e análises, devem ter qualidade apropriada. Os reagentes devem ser comprados de fornecedores aprovados e acreditados e devem vir acompanhados do certificado de análise e pela ficha de dados de segurança de material, se aplicável. Para a preparação de soluções de reagentes no laboratório: (a) a responsabilidade desta tarefa deve ser claramente especificada na descrição de cargo da pessoa designada para realizá-la; e (b) Os procedimentos a serem seguidos devem estar de acordo com o publicado em farmacopeias ou outros padrões, quando estiverem disponíveis. Devem ser conservados os registros da preparação e padronização das soluções volumétricas. Os rótulos de todos os reagentes devem especificar claramente: (a) o conteúdo; (b) o fabricante; (c) a data de recebimento e data que o recipiente foi aberto; (d) a concentração se for aplicado (e) as condições de armazenamento; e (f) a data de validade ou reanálise, quando justificar. Os rótulos das soluções de reagentes preparadas no laboratório devem especificar claramente: (a) O nome (b) a data de preparação e as iniciais do técnico ou do analista (c) a data de validade ou de reanálises, segundo a justificativa; e (d) a concentração, se aplicável. O rótulo das soluções volumétricas preparadas no laboratório devem indicar claramente: (a) O nome; (b) a molaridade (ou concentração); (c) a data da preparação e as iniciais do técnico/analista (d) a data da padronização e as iniciais do técnico/analista; e (e) o fator de correção Nota: O laboratório deve assegurar que as soluções volumétricas estejam adequadas no momento de uso. No transporte e fracionamento de reagentes: (a) sempre que possível, devem ser transportados nas embalagens originais; (b) quando for necessário o fracionamento, devem ser usadas embalagens limpas e apropriadamente rotuladas. Inspeção visual Todos os recipientes de reagentes devem ser inspecionados visualmente para garantir que os lacres estão intactos, quando se enviar para o armazenamento e quando distribuídos para as unidades. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 69 Os reagentes com suspeita de terem sido adulterados devem ser recusados. Entretanto, este requisito pode ser excepcionalmente omitido se a identidade e a pureza do reagente puderem ser confirmadas por análise. Água A água deve ser considerada como um reagente. Deve ser usado o grau apropriado para um ensaio específico conforme descrito em farmacopeias ou um ensaio aprovado quando estiver disponível. Devem ser tomadas precauções para evitar a contaminação durante o fornecimento, armazenamento e distribuição. A qualidade da água deve ser verificada regularmente para assegurar que diversos graus da água cumprem as especificações apropriadas. Armazenamento Os estoques de reagentes devem ser mantidos em um depósito sob condições de armazenamento apropriadas (temperatura ambiente, refrigeração ou congelamento). O depósito deve manter um fornecimento de recipientes limpos, frascos, espátulas, funis e rótulos, se necessário, para dispensar reagentes de recipientes maiores para menores. Equipamentos especiais podem ser necessários para a transferência de grandes volumes de líquidos corrosivos. A pessoa responsável pelo depósito é responsável por controlar as instalações de armazenamento e seu estoque e registrar a data de validade dos produtos químicos e reagentes. Pode ser necessário um treinamento em manipulação de produtos químicos com segurança e com o cuidado necessário. Substâncias e materiais de referência As substâncias de referência (substância de referência primária ou substância de referência secundária são utilizadas para a análise de uma amostra. Nota: Deve-se deve utilizar substâncias de referência farmacopêicas, quando disponíveis e sejam apropriadas para análise. Quando uma substância de referência farmacopêica não tenha sido estabelecida, o fabricante deve utilizar sua própria substância de referência. Os materiais de referência podem ser necessários para a calibração e / ou qualificação de equipamentos, instrumentos ou outros dispositivos. ESPECIFICAÇÕES, COMPRAS E ESTOQUE DE INSUMOS DE LABORATÓRIO QUÍMICO As unidades médicas precisam ter um controle de entrada e saída de seus produtos hospitalares e para isso é necessário usar os recursos de gestão de insumos, por meio de um sistema digital que permita que isso integre-se como parte de um fluxo natural. Quando se realiza a gestão de insumos, o setor administrativo do hospital pode criar um planejamento padronizados dos medicamentos e produtos para que o financeiro contabilize, fature e cobre os convênios correspondentes de maneira correta. Esse procedimento faz parte do cadastro de custo que concede parâmetros de uso, preço e informações de cobrança. Quando se integra esse processo ao sistema hospitalar, possibilita-se uma automatização na rotina de trabalho, havendo um controle mais rigoroso com relação a entrada e saída de produtos do estoque. Isso tudo faz parte da gestão de insumos, que também controla os setores de central de abastecimento, compras e financeiro. O departamento de compras pode se juntar a gestão de insumos, para que que os produtos sejam cotados, por meio do acesso online, com relatórios do sistema e os respectivos valores da cotação, posteriormente avalia-se com quem quer comprar, qual será a empresa vencedora, escolhida pela unidade médica. Recebimento de medicamentos Devem existir instruções por escrito, descrevendo com detalhes o recebimento, a identificação e o manuseio dos medicamentos. Elas devem indicar adequadamente os métodos de estocagem e definir os procedimentos burocráticos para com as outras áreas de organização. Quando o pedido for entregue, deve-se notar se houve ou não alteração no valor, sendo que o sistema poderá ou não aceitar os produtos. Caso os produtos sejam aceitos, eles serão cadastrados no sistema, onde se lança quantidade, valor e lote, de acordo com o preenchimento dos dados. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 70 Cada entrada deve ser examinada quantoa sua documentação e fisicamente inspecionada para se verificar suas condições, rotulagem, tipo e quantidade. - Se for o caso de recebimento de um produto com mais de um lote de fabricação, ele deve ser subdividido em quantos lotes forem necessários e estocados dessa forma. - Os lotes que forem submetidos a amostragem ou os julgados passíveis de análise, devem ser conservados em quarentena até decisão do Controle de Qualidade. Estocagem. Considerações gerais - Toda e qualquer área destinada a estocagem de medicamentos deve ter condições que permitam preservar suas condições de uso. - Nenhum medicamento poderá ser estocado antes de ser oficialmente recebido e nem liberado para entrega sem a devida permissão, também oficial. - Os estoques devem ser inventariados periodicamente e qualquer discrepância devidamente esclarecida. - Os estoques devem ser inspecionados com frequência para verificar-se qualquer degradação visível, especialmente se os medicamentos ainda estiverem sob garantia de seus prazos de validade. - Medicamentos com prazos de validade vencidos, devem ser baixados do estoque e destruídos, com registro justificado por escrito pelo farmacêutico responsável, obedecendo o disposto na legislação vigente. - A estocagem, quer em estantes, armários, prateleiras ou estrados, deve permitir a fácil visualização para a perfeita identificação dos medicamentos, quanto ao nome do produto, seu número de lote e seu prazo de validade. - A estocagem nunca deve ser efetuada diretamente em contato direto com o solo e nem em lugar que receba luz solar direta. - As áreas para estocagem devem ser livres de pó, lixo, roedores, aves, insetos e quaisquer animais. - Para facilitar a limpeza e a circulação de pessoas, os medicamentos devem ser estocados à distância mínima de 1(um) metro das paredes. - A movimentação de pessoas, escadas e veículos internos nas áreas de estocagem deve ser cuidadosa para evitar avarias e comprometimento e/ou perda de medicamentos. - Embalagens parcialmente utilizadas devem ser fechadas novamente, para prevenir perdas e/ou contaminações, indicando a eventual quantidade faltante no lado externo da embalagem. - A liberação de medicamentos para entrega deve obedecer a ordem cronológica de seus lotes de fabricação, ou seja, expedição dos lotes mais antigos antes dos mais novos. - A presença de pessoas estranhas aos almoxarifados deve ser terminantemente proibida nas áreas de estocagem. Estocagem de medicamentos termo lábeis Para os medicamentos que não podem sofrer variações excessivas de temperatura, além das recomendações do tópico anterior, devem ser observadas as seguintes: - O local de estocagem deve manter uma temperatura constante, ao redor de 20ºC (±2º). - As medições de temperatura devem ser efetuadas de maneira constante e segura, com registros escritos. - Deverão existir sistemas de alerta que possibilite detectar defeitos no equipamento de ar condicionado para pronta reparação. Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros) Esses produtos, para manterem suas efetividades de uso, requerem condições ótimas de estocagem, especialmente no que se refere a temperatura. Assim, sem prejuízo das recomendações do tópico Estocagem. Considerações Gerais, mais as seguintes, devem ser observadas. - O manuseio de medicamentos imunobiológicos deve ter prioridade em relação aos demais, bem como sua liberação para entrega. - Deve ser evitada, ao máximo, a exposição desses produtos a qualquer tipo de luz. - As áreas de estocagem devem ser em equipamento frigorífico, constituído de refrigeradores, “freezers” e câmaras frias. - Refrigerador é o equipamento que permite temperaturas entre 4ºC e 8ºC. - “Freezer” é o equipamento que permite temperaturas não superiores a -10ºC. - Câmara fria é o equipamento que permite temperaturas entre 8ºC e 15ºC. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 71 - Os equipamentos frigoríficos devem ser controlados diariamente por: Termógrafos, nas câmaras frias. Termômetros de máxima e mínima em refrigeradores e “freezers”. - As medições de temperatura efetuadas devem ser registradas diariamente pelo responsável pelo almoxarifado e, qualquer anormalidade, corrigida no mais breve espaço de tempo. - A distribuição dos produtos dentro dos equipamentos frigoríficos deve permitir a livre circulação do ar frio entre as diversas embalagens contidas nos mesmos. - No caso das câmaras frias é aconselhável a existência de antecâmaras para evitar a perda desnecessária de frio, quando da abertura das portas dessas câmaras. - As entradas e retiradas de produtos de qualquer equipamento frigorífico devem ser programadas antecipadamente, visando diminuir, ao máximo, as variações internas de temperatura. - Os equipamentos frigoríficos devem estar permanentemente em funcionamento, ligados a rede elétrica local e sempre que possível, possuindo uma rede alternativa de energia (gerador) para atender eventuais faltas de energia no sistema. - Cada equipamento do sistema frigorífico deve ter ligação exclusiva para evitar sobrecarga de energia elétrica e facilitar seu controle de uso. - Tanto os refrigeradores como os “freezers”, devem ser aproveitados também para a produção de gelo, a ser utilizado na remessa dos produtos e para segurança do próprio equipamento e dos produtos que ele contém, numa eventual falha do seu sistema interno de resfriamento. - Todo o pessoal do almoxarifado, especialmente os ligados a estocagem de medicamentos imunobiológicos, deve estar familiarizado com as técnicas de estocagem desses produtos, para poder atender qualquer situação de emergência, consequente a um eventual corte de energia elétrica ou defeito no sistema de refrigeração. - Todos os equipamentos, geladeiras, “freezers” e câmaras frias, devem possuir um sistema de alarme confiável, que indique prontamente qualquer tipo de anormalidade em seu funcionamento. Estocagem de medicamentos de uso controlado Dada às características desses medicamentos, sua área de estocagem deve ser considerada de segurança máxima. - Independentemente das recomendações contidas nos tópico Estocagem. Considerações Gerais, Estocagem de medicamentos termo lábeis e Estocagem de medicamentos imunobiológicos (vacinas e soros), onde elas couberem, esses medicamentos precisam estar em área isolada das demais, somente podendo ter acesso a ela o pessoal autorizado pelo farmacêutico responsável do almoxarifado. - Os registros de entrada e de saída desses medicamentos, devem ser feitos de acordo com a legislação sanitária específica, sem prejuízo daquelas que foram determinadas pela própria administração do almoxarifado. Cuidados com soluções As soluções não podem ser dispostas de forma aleatória, além dos demais cuidados com o preparo das mesmas, devendo ser rotuladas e armazenadas de forma adequada pelo laboratório, evitando dessa maneira, a ocorrência de acidentes e garantia de um trabalho organizado. Estocagem de soluções Deve-se manter os grupos incompatíveis distantes uns dos outros, não devendo serem estocados em ordem alfabética. Além disso deve-se separar os líquidos dos sólidos, evitando assim o cometimento de reações, caso os frascos venham a se quebrarem. Um dos primeiros procedimentos a se tomar é escolher o frasco que irá armazenar a solução, devendo- se respeitar alguns parâmetros: - Grande exatidão: são os frascos de vidro pyrex ou outro semelhante por ser resistente, que contenha tampas esmerilhadas ou rolhas de borracha. Por sua vez, as substâncias que ataquem o vidro devem ser guardadas em frascos plásticos e as que tenham sensibilidade a luz, devem ser armazenadas em frascos âmbar. Se for preciso reutilizar um frasco, deve ser feito com muita cautela, seguindo uma série de precauções. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 72 Enfim, quandoa solução for transferida, o rótulo contendo as informações devem ser colocadas imediatamente na parte externa. Os ácidos podem ser guardados em frascos de vidro, pois não reagem com ele, salvo o HF. Já os frascos feitos com metais reativos que o H não devem em nenhum momento serem utilizados para guardar esse ácido, já que será corroído por eles. Bases também podem ser acondicionadas em frascos plásticos, porém não em frascos de vidro, já que reagem com ele (o SiO2 presente no vidro é um óxido ácido). Frascos de zinco, alumínio, estanho e chumbo também não podem ser usados. Distribuição - Deve existir um sistema de distribuição que permita a fácil identificação do seu destino. Para tanto, os registros de distribuição devem conter a identificação do produto, seu número de lote, nome e endereço do destinatário, data e quantidade enviada e o número da nota fiscal, ou do documento de despacho. Da mesma forma que uma Farmácia pública, uma Farmácia Hospitalar precisa estar organizada para dispensar adequadamente os produtos que dispõe para os pacientes. A escolha da forma de dispensação a ser adotada deve levar em consideração características de cada Hospital, e os recursos disponíveis para sua implantação. Os recursos resumem-se em financeiros e técnicos, sendo que neste último caso, ainda há uma carência de farmacêuticos especialistas no mercado capazes de implantar com eficiência um sistema de dispensação. Um sistema hospitalar de dispensação de medicamentos deve ter alguns objetivos importantes, dos quais destacamos: - Uso racional de medicamentos; - Redução de gastos com medicamentos; - Aumentar o controle sobre o uso dos medicamentos, permitindo acesso do farmacêutico às informações do paciente. - Diminuição dos erros de administração de medicamentos; - Colaboração na Farmacoterapia iniciada pelo médico; - Aumentar a segurança para o paciente; Podemos destacar 03 tipos de sistemas de dispensação de medicamentos, sendo: - Dose Coletiva; - Dose Individualizada; - Dose Unitária. Dose Coletiva: É o sistema pelo qual a farmácia fornece materiais e medicamentos, atendendo a um pedido feito pela unidade solicitante. Estas requisições são feitas em nome de setores, e não de pacientes, gerando total descontrole do uso. Na Dose Coletiva, a farmácia se torna um mero fornecedor de medicamentos, ocorrendo armazenamento em estoques descentralizados e retirando da farmácia a atividade de dispensação. Vantagens: - As movimentações do estoque são registradas com facilidade; - Custo de implantação muito baixo; - Baixo número de colaboradores na farmácia; - Horário de funcionamento da farmácia: reduzido. Desvantagens: - Formação de subestoques; - Dificuldades no controle logístico dos estoques; - Erros de administração de medicamentos; - Maior quantidade de perdas; - Dispensação feita pela enfermagem: desvio de atividade. Dose Individualizada: É um pré-requisito para implantação da Dose Unitária. Neste caso, a farmácia já recebe as solicitações de medicamentos através de uma transcrição de prescrição médica feita pela enfermagem, ou mesmo através de um pedido médico, só que sem esquema posológico rígido. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 73 Vantagens: - A Farmácia centraliza os estoques; - Quantidade reduzida de estoques, se comparado com a Dose Coletiva; - Menor quantidade de perdas e desvios; - Possibilidade de garantia de qualidade. Desvantagens: - Custo de implantação e nº de colaboradores é maior, em comparação à Dose Coletiva; - Farmácia funciona em horário integral; - Erros de medicação ainda podem ocorrer; Dose Unitária: Sistema de dispensação existente nos Estados Unidos, já desde os anos 60, apresentando inúmera vantagens em relação aos outros modelos, principalmente pelo controle que proporciona à Farmácia, no que se refere ao consumo de medicamentos. Neste sistema os medicamentos são dispensados de acordo com a prescrição médica, sendo separados e identificados pelo nome do paciente, nº do leito e horário de administração. Objetivos da Dose Unitária: - Integrar o farmacêutico à equipe multidisciplinar; - Medicamento correto na hora certa; - Reduzir incidência de erros de administração de medicamentos; Vantagens: - Segurança na farmacoterapia: otimizada; - Redução dos custos; - Disponibiliza maior tempo para a enfermagem se dedicar ao paciente; - Promove a Instituição: qualidade; Desvantagens: - Custo de implantação, embora seja facilmente recuperado a curto ou médio prazo; - Investimento em contratação de colaboradores e treinamento; Portanto, com base nas informações acima, fica fácil identificar na Dose Unitária, um modelo eficaz e capaz de trazer algumas vantagens ao hospital, entretanto, ratificando o que já fora dito, há a necessidade de planejamento e do preenchimento de pré-requisitos, sem os quais fica impossível a introdução da dose unitária. Controle de validade de medicamentos A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), define prazo de validade como a data limite para utilização de um produto farmacêutico definido pelo fabricante, com base nos seus respectivos testes de estabilidade, mantidas as condições de armazenamento e transporte estabelecidas pelo mesmo. Normalmente, este é expresso em mês/ano, o que denota que o medicamento poderá ser usado, até o último dia do mês estipulado. Por exemplo, se um produto tem prazo de validade de 03/2014, significa que poderá ser utilizado até o dia 31 de março do ano 2014, respeitadas as orientações do fabricante. Entretanto, deve‑se considerar antecipadamente vencido o medicamento cuja posologia não possa ser inteiramente efetivada no prazo de validade ainda remanescente, como os anticoncepcionais que, para obtenção dos resultados esperados, devem ser ingeridos diariamente por 21 a 30 dias. Para um eficaz controle de validade, é indispensável uma estocagem adequada, onde os medicamentos fiquem distribuídos, de forma a permitir a fácil visualização da validade, ficando os produtos de vencimento próximo, colocados na frente dos demais. Sugere‑se, ainda, que sejam separados, em local específico, os medicamentos a vencer, nos próximos seis meses, facilitando a priorização de sua venda e a sua retirada do estoque, após o vencimento. O destino dos produtos vencidos deve ser definido e escrito no “Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde” (Resolução RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004). Constatado o vencimento, os produtos devem ser acondicionados em caixas lacradas e armazenados em local devidamente identificado, até serem entregues à vigilância sanitária local. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 74 Os medicamentos sujeitos ao controle especial obedecem a critérios mais rígidos, devendo ser seu vencimento registrado no SNGPC (Resolução RDC nº 27, de 30 de março de 2007) e sua segregação feita em armários chaveados, até o recolhimento ou envio à Visa municipal. Legislação A legislação sanitária exige o controle da estabilidade dos medicamentos para definição e acompanhamento do prazo de validade do produto a ser comercializado - Resolução RE n.1 de 29.07.2005 – Guia para a realização de estudos de estabilidade; - RDC 210 de 04.08.2003 Boas Práticas para a fabricação de medicamentos; - RDC 67 de 08.10.2007 – Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais. RESOLUÇÃO - RE N° 1, DE 29 DE JULHO DE 2005 (DOU 01/08/05) O Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 111, inciso II, alínea “a” do Regimento Interno da ANVISA aprovado pela Portaria nº 593, de 25 de agosto de 2000, republicada em 22 de dezembro de 2000, resolve: Art. 1º Autorizar ad referendum, a publicação do Guia para a Realização de Estudos de Estabilidade, em anexo. Art. 2° Ficarevogada a Resolução - RE n° 398, de 12 de novembro de 2004, publicada no Diário Oficial da União de 16 de novembro de 2004. Art. 3° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. DIRCEU RAPOSO DE MELLO ANEXO GUIA PARA A REALIZAÇÃO DE ESTUDOS DE ESTABILIDADE A estabilidade de produtos farmacêuticos depende de fatores ambientais como temperatura, umidade e luz, e de outros relacionados ao próprio produto como propriedades físicas e químicas de substâncias ativas e excipientes farmacêuticos, forma farmacêutica e sua composição, processo de fabricação, tipo e propriedades dos materiais de embalagem. APLICABILIDADE Guia para realização dos testes de estabilidade de produtos farmacêuticos a fim de prever, determinar ou acompanhar o seu prazo de validade. 1. DEFINIÇÕES ESTUDO DE ESTABILIDADE ACELERADO Estudo projetado para acelerar a degradação química e/ou mudanças físicas de um produto farmacêutico em condições forçadas de armazenamento. Os dados assim obtidos, juntamente com aqueles derivados dos estudos de longa duração, podem ser usados para avaliar efeitos químicos e físicos prolongados em condições não aceleradas e para avaliar o impacto de curtas exposições a condições fora daquelas estabelecidas no rótulo do produto, que podem ocorrer durante o transporte. ESTUDO DE ESTABILIDADE DE ACOMPANHAMENTO Estudo realizado para verificar que o produto farmacêutico mantém suas características físicas, químicas, biológicas, e microbiológicas conforme os resultados obtidos nos estudos de estabilidade de longa duração. ESTUDO DE ESTABILIDADE DE LONGA DURAÇÃO Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 75 Estudo projetado para verificação das características físicas, químicas, biológicas e microbiológicas de um produto farmacêutico durante e, opcionalmente, depois do prazo de validade esperado. Os resultados são usados para estabelecer ou confirmar o prazo de validade e recomendar as condições de armazenamento. LOTE Quantidade de um produto obtido em um único processo ou série de processos, cujas características essenciais são a homogeneidade e qualidade dentro dos limites especificados. LOTE EM ESCALA PILOTO Um lote de produto farmacêutico produzido por um processo totalmente representativo simulando o lote de produção industrial e estabelecido por uma quantidade mínima equivalente a 10% do industrial previsto, ou quantidade equivalente à capacidade mínima do equipamento industrial a ser utilizado. PRAZO DE VALIDADE Data limite para a utilização de um produto farmacêutico definida pelo fabricante, com base nos seus respectivos testes estabilidade, mantidas as condições de armazenamento e transporte estabelecidos. TESTE DE ESTABILIDADE Conjunto de testes projetados para obter informações sobre estabilidade de produtos farmacêuticos visando definir seu prazo validade e período de utilização em embalagem e condições armazenamento especificadas. 2. DISPOSIÇÕES GERAIS 2.1 O prazo de validade de um produto a ser comercializado no Brasil é determinado por um estudo de estabilidade de longa duração de acordo com os parâmetros definidos em tabela abaixo. Por ocasião do registro poderá ser concedido um prazo de validade provisório de 24 meses se aprovado o relatório de estudo de estabilidade de longa duração de 12 meses ou relatório de estudo de estabilidade acelerado de 6 meses acompanhado dos resultados preliminares do estudo de longa duração com, conforme parâmetros definidos em tabela abaixo. Forma Farmacêutica Condição de armazenamento* Embalagem Temperatura e umidade Acelerado** Temperatura e umidade Longa Duração ** Sólido 15°C -30°C Semipermeável 40ºC ± 2ºC / 75% UR ± 5% UR 30ºC ± 2ºC / 75% UR ± 5% UR Sólido 15°C -30°C Impermeável 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC Semissólido *** 15°C -30°C Semipermeável 40ºC ± 2ºC / 75% UR ± 5% UR 30ºC ± 2ºC / 75% UR ± 5% UR Semissólido 15°C -30°C Impermeável 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC Líquidos *** 15°C -30°C Semipermeável 40ºC ± 2ºC / 75% UR ± 5% UR 30ºC ± 2ºC / 75% UR ± 5% UR Líquidos 15°C -30°C Impermeável 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC Gases 15°C -30°C Impermeável 40ºC ± 2ºC 30ºC ± 2ºC Todas as formas farmacêuticas 2°C - 8°C Impermeável 25ºC ± 2ºC 5ºC ± 3ºC Todas as formas farmacêuticas 2°C - 8°C Semipermeável 25ºC ± 2ºC / 60 % UR ± 5% UR 5ºC ± 3ºC Todas as formas farmacêuticas -20 °C To d a s - 20ºC ± 5ºC - 20ºC ± 5ºC Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 76 - temperatura dentro destas faixas deve constar de bulas e rótulos. A temperatura recomendada não exime de que os testes de estabilidade sejam realizados com as temperaturas definidas nas duas últimas colunas da tabela. ** Os valores de temperatura e umidade são fixos e as variações são inerentes às oscilações esperadas pela câmara climática e por eventuais aberturas para retirada ou colocação de material. *** Líquidos e semissólidos de base aquosa devem realizar o estudo com umidade a 25% UR ou 75% UR. Caso se opte por 75% UR, o valor da perda de peso deverá ser multiplicado por 3,0. 2.2. O prazo de validade deve ser confirmado mediante a apresentação de um estudo de estabilidade de longa duração de 24 meses de duração, protocolado na forma de complementação de informações ao processo. A presença desta documentação no processo é necessária para a renovação do registro. 2.3. O estudo de estabilidade deve ser executado com o produto farmacêutico em sua embalagem primária. 2.4. Os produtos importados a granel devem descrever nos seus rótulos a data de fabricação, a validade e a condição de armazenamento até a execução da embalagem primária para serem liberados pela autoridade sanitária de portos e aeroportos. O estudo será avaliado durante a inspeção na empresa fabricante. 2.5. Para produtos importados, os estudos de estabilidade podem ser realizados no exterior de acordo com os parâmetros definidos nesta Resolução. Nos casos de produtos importados a granel, o prazo de validade deve levar em consideração o tempo máximo de armazenamento até a execução da embalagem primária. 2.6. Para produtos importados, a granel ou em embalagem primária, os estudos de estabilidade de acompanhamento devem ser realizados em solo brasileiro de acordo com os parâmetros definidos nesta Resolução. 2.7. Estudos adicionais, tais como fotoestabilidade que se façam pertinentes de acordo com as propriedades do produto em questão, poderão ser necessárias para a comprovação da estabilidade de produtos farmacêuticos. Nestes casos sugerimos seguir recomendação técnica disponível no portal da Anvisa. A não apresentação de estudo de fotoestabilidade deve vir acompanhada de justificativa técnica com evidência científica de que o(s) ativos(s) não sofre(m) degradação em presença de luz ou de que a embalagem primária não permite a passagem de luz. 2.8. É facultado utilizar modelos reduzidos de plano de estudo de estabilidade, baseados nos princípios estabelecidos na recomendação técnica disponível no portal da Anvisa. 2.9. Todo relatório de estudo de estabilidade, independente da forma farmacêutica, deve apresentar as seguintes informações ou justificativa técnica de ausência: Descrição do produto com respectiva especificação da embalagem primária Número do lote para cada lote envolvido no estudo Descrição do fabricante dos princípios ativos utilizados Aparência Plano de estudo: material, métodos (desenho) e cronograma. Data de início do estudo Teor do princípio ativo e método analítico correspondente Quantificação de produtos de degradação e método analítico correspondente Limites microbianos Para toda a forma farmacêutica sólida a empresa deve acrescentar as seguintes informações ou justificativa técnica de ausência: Dissolução Dureza Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 77Para as formas farmacêuticas líquidas e semissólidas, a empresa deve acrescentar as seguintes informações ou justificativa técnica de ausência: pH Sedimentação pós agitação em suspensões Claridade em soluções Separação de fase em emulsões e cremes Perda de peso em produtos de base aquosa 2.10. Para fins de prazo de validade provisório de 24 meses será aprovado o relatório de estabilidade acelerado ou de longa duração de 12 meses que apresentar variação menor ou igual a 5,0% do valor de análise da liberação do lote, mantidas as demais especificações. Caso as variações de doseamento estejam entre 5,1% e 10,0% no estudo de estabilidade acelerado, o prazo de validade provisório será reduzido à metade, ou seja, será de 12 meses. O doseamento no momento zero não pode ultrapassar as especificações do produto de acordo com farmacopeias reconhecidas pela Anvisa ou, na ausência de informação farmacopeica, com método validado de acordo com o Guia para validação de métodos analíticos e bioanalíticos. Caso a especificação farmacopeica e/ou proveniente de método validado permitir que o momento zero seja acima de 10% do declarado a variação da queda será analisada caso a caso. 2.11. Para fins de prazo de validade definitivo, somente será aprovado o relatório de estabilidade que apresentar a variação do doseamento dos princípios ativos dentro das especificações farmacopeicas e/ou proveniente de método validado do produto de acordo com o Guia para validação de métodos analíticos e bioanalíticos, e mantidas as demais características do produto. 2.12. Em caso de produtos que requeiram reconstituição ou diluição deve-se apresentar informações iniciais e finais que comprovem o período de utilização pelo qual o produto mantém a sua estabilidade depois da reconstituição, nas condições de armazenamento determinadas. Os estudos devem ser conduzidos utilizando o diluente especificado para reconstituição do produto farmacêutico. Se existir a opção de mais de um diluente, o estudo deve ser conduzido com aquele que apresente o produto farmacêutico reconstituído menos estável. 2.13. Em caso de comprimidos efervescentes deve-se apresentar informações iniciais e finais que comprovem o período de utilização pelo qual o produto remanescente mantém a sua estabilidade depois da abertura da embalagem primária nas condições de armazenamento determinadas. Estes estudos devem ser realizados com os parâmetros e testes definidos por esta Resolução. 2.14. Excepcionalmente, para os produtos cujos cuidados de conservação sejam inferiores a 25°C e de uso exclusivo em hospitais e clínicas médicas, serão aceitos estudos de estabilidade nas condições especificadas para Zona II (25°C/60%UR), desde que seja devidamente comprovado que o produto não suporta as condições estabelecidas nesta Resolução. Entretanto o titular do registro do produto deve assegurar a conservação recomendada durante o transporte e a distribuição. 3. SELEÇÃO DE LOTES 3.1. Para fins de registro e alterações pós-registro, nos estudos de estabilidade acelerado e longa duração: um ou três lotes, de acordo com as normas legais e regulamentares pertinentes. 3.2. Os lotes a serem amostrados devem ser representativos do processo de fabricação, tanto em escala piloto quanto escala industrial. 3.3. Para os produtos cuja concentração do princípio ativo esteja na ordem de dosagem abaixo de 0.99 miligramas por unidade posológica, não serão permitidos lotes pilotos com quantitativos diferentes dos lotes industriais. Não aplicável a soluções. 3.4. Os estudos de acompanhamento deverão ser realizados nas condições climáticas preconizadas neste Guia. A amostragem deve seguir os parâmetros abaixo descritos: Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 78 a) Um lote anual, para produção acima de 15 lotes/ano. b) Um lote a cada 2 anos, produção abaixo ou igual de 15 lotes/ano. c) Para produtos com diferentes concentrações e formulações proporcionais, poderá ser utilizado como critério de escolha, aquele que apresentar o maior número de lotes produzidos ao ano. 3.5. O estudo de acompanhamento somente poderá ser realizado se o produto não sofrer nenhuma alteração após a conclusão do estudo de estabilidade de longa duração. Caso ocorra qualquer alteração no produto deverá ser realizado novo estudo de estabilidade de longa duração conforme preconizado neste Guia. 4. FREQUÊNCIA DOS TESTES 4.1. Estudo acelerado: 0, 3 e 6 meses para doseamento, quantificação de produtos de degradação, dissolução (quando aplicável) e pH (quando aplicável). Para as demais provas apresentar estudo aos 6 meses comparativo ao momento zero. 4.2. Estudo de longa duração: 0, 3, 6, 9, 12, 18, 24 meses para doseamento, quantificação de produtos de degradação, dissolução (quando aplicável) e pH (quando aplicável). Para as demais provas, apresentar estudo no prazo de validade requerido comparativo ao momento zero. 4.3. Estudo de acompanhamento: a cada 12 meses deverão ser realizados todos os testes de um relatório de estudo de estabilidade, relatório que deve ser disponibilizado no momento da inspeção. 5. DA ADEQUAÇÃO 5.1. É obrigatória a apresentação de estudos de estabilidade no momento da primeira renovação de registro após a publicação desta Resolução caso este estudo não conste do dossiê do registro, mesmo que conduzidos de acordo com os parâmetros vigentes quando do início dos estudos. 5.2. A Anvisa aceitará até 31 de julho de 2007, no momento do registro, pós-registro ou da renovação de registro, estudos de estabilidade de longa duração que já estejam em andamento com o parâmetro de umidade abaixo de 75%. Entretanto as câmaras climáticas devem ser requalificadas para umidade de 75% a partir da data de publicação desta Resolução. Fica a critério da empresa reiniciar ou não estes estudos. 5.3. Caso os estudos de estabilidade de longa duração tenham sido realizados somente com parâmetros de umidade distintos do definido nesta Resolução, as empresas deverão na primeira renovação de registro após 1 de agosto de 2007, apresentar estudos de estabilidade de acompanhamento em um lote, de acordo com esta Resolução. Para produtos que atendam a esta circunstância, o momento da renovação é entre 1 de agosto de 2007 e 31 de julho de 2008 e já tenham validade igual ou superior a 36 meses, é possível aprovar um período de validade de 36 meses com a apresentação de estudos de no mínimo de 24 meses. 5.4. Caso os estudos de estabilidade de longa duração tenham sido realizados com parâmetros de temperatura e umidade distintos do definido nesta Resolução, as empresas deverão na primeira renovação de registro após 1 de agosto de 2007, apresentar estudos de estabilidade de longa duração de 12 meses, ou estudo acelerado de 6 meses acompanhado do respectivo estudo de longa duração de acordo com esta Resolução. Caso as condições de estabilidade não forem comprovadas na submissão da renovação de registro, a empresa deverá solicitar suspensão de comercialização para manter o registro, caso contrário o registro não será renovado. 5.5. Casos os estudos de longa duração, realizados através das condições desta Resolução, comprovem um prazo de validade menor que o estabelecido no registro do produto, a empresa deverá imediata e provisoriamente implementar e solicitar alteração pós-registro para alteração de prazo de validade com base nos dados obtidos. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 79 Inventário O inventário é uma ferramenta para que o gestor tenha o controle físico do que há de mercadoria na loja. Esta é cadastrada, assim que chega, com preço de custo. Sua baixa é dada quando o produto é vendido e passa pelo caixa. Ela ajuda o ponto de venda a evitar, ou ao menos, diminuir as perdas com rupturas, estoque, roubos ou furtos. Se o gestor sabe que vende duas unidades de certa mercadoriapor dia e o fornecedor demora cinco dias para entregar após o pedido, o estoque mínimo são dez unidades deste item – o número de venda média de produto vezes os dias de entrega. O inventário também facilita a relação dos produtos vendidos no final do mês, quanto eles custaram e, assim por diante. No varejo farmacêutico ele é ainda mais importante devido à presença de medicamentos controlados, principalmente aqueles que têm retenção e obrigam à prestação de contas aos órgãos controladores. Controle de qualidade físico-químico em farmácia com manipulação A farmácia com manipulação é um estabelecimento de saúde que possui por função manipular fórmulas magistrais e oficinais a partir da prescrição de profissional habilitado, destinada a um paciente individualizado (BRASIL, 2007). Deste modo, proporciona benefícios ao paciente, não somente de caráter financeiro, mas principalmente terapêutico, pois trabalha com os fármacos em concentrações e formas nem sempre disponibilizadas pela indústria farmacêutica. É imprescindível à farmácia com manipulação o controle das matérias-primas, qualificação dos fornecedores, obediência ao Manual da Qualidade, controle e monitoramento de todos os processos e controle dos produtos acabados, conferindo, desta forma, confiabilidade ao paciente e ao médico prescritor. Conceitualmente o controle de qualidade seria o conjunto de operações (programação, coordenação e execução) que possui como objetivo verificar a conformidade das matérias-primas, materiais de embalagem e do produto acabado, com as especificações estabelecidas em Resoluções da Diretoria Colegiada e literaturas aprovadas pela mesma (BRASIL, 2007; BRASIL, 2009). Muito além deste conceito estão os deveres da farmácia com manipulação para a comunidade e desta forma amplia-se o conceito e acrescenta-se a ideia de prover qualidade contínua aliada a um serviço adequado e a custo acessível. Para que isto seja possível, o profissional farmacêutico, responsável pela manipulação, deve prosseguir uma rotina de estudos e aperfeiçoamento contínuos. E este conhecimento, obtido e apreendido, deve estar continuamente sendo repassado a toda equipe de colaboradores para que todos busquem a filosofia do “kaizen” (BRASIL, 2000). O controle de qualidade para as farmácias com manipulação está inserido na garantia da qualidade, com as Boas Práticas de Manipulação (BPM) e Boas Práticas de Laboratório (BPL). A garantia da qualidade é o esforço organizado e documentado dentro da farmácia que pretende assegurar as características do produto, de modo que cada unidade do mesmo esteja de acordo com as especificações estabelecidas de acordo com o determinado pelas autoridades sanitárias (BRASIL, 2000; BRASIL, 2007; BRASIL, 2008). A farmácia com manipulação, assim como os demais estabelecimentos de saúde, possui legislação aplicada específica e, a partir desta (BRASIL, 2007; BRASIL, 2008) e de sua atualização. fica claro que o controle deve ser realizado no início, no meio e no final da prestação do serviço ao paciente. Realizar adequadamente o controle de qualidade interno à farmácia com manipulação e saber discutir os resultados enviados, quando do controle de qualidade externo realizado por laboratórios terceirizados, é de fundamental importância para a adequação e a competitividade das farmácias perante as autoridades sanitárias e o mercado consumidor. ESTAÇÕES DE TRATAMENTO A água é um constituinte inorgânico em relação a matéria viva: no ser humano, mais de 60% do seu peso é constituído por água, sendo que em determinados animais aquáticos o percentual é de 98%. A água abrange entre 97% referente aos mares e 3% relacionados às aguas doces. Entretanto, apenas poderá ser usado para consumo 0,0,1% que é encontrada em rios e lagos e o restante em poços ou nascentes. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 80 Fonte: Sabesp 1 – Represa 2 – Captação e bombeamento: após a captação, a água é bombeada para as Estações de Tratamento de Água. Depois de bombeada, a água passará por um processo de tratamento, passando por diversas etapas explicadas a seguir. 3 - Pré cloração , Pré-alcalinização e Coagulação 4 – Floculação 5 – Decantação 6 – Filtração 7 – Cloração e Fluoretação 8 – Reservatório 9 – Distribuição 10 – Redes de distribuição 11 - Cidade Tratamento de água Tratamento convencional: é aplicado às aguas com partículas divididas em suspensão e partículas coloidais, que ensejam um tratamento químico mais avançado, que consiga fazer sua deposição, com baixo período de detenção. Para que este tratamento ocorra é necessário subdividi-lo em algumas etapas: a. coagulação: ocorre através de uma mistura rápida adicionando-se sulfato de alumínio ou sulfato ferroso, ocasionando a coagulação, em virtude dos compostos químicos. A união desses compostos por meio de choques com as partículas de impurezas, são absorvidas por elas, causando desequilíbrio das cargas elétricas superficiais. b. floculação: os compostos químicos, misturados anteriormente, irão de encontro com a alcalinidade da água e serão formados compostos que levam a adsorção, que nada mais é do que a capacidade de atrair partículas com cargas elétricas contrárias. Este tipo de partícula tem cargas elétricas positivas, já as impurezas possuem carga elétrica negativa. Na fase da floculação é que será dado início a formação dos flocos, que crescem em tamanho, indo em caminho ao decantador. c. decantação: os flocos que já agregaram as impurezas dão início ao processo de sedimentação e clarificação da água. Isto se dá porque os flocos que são mais pesados do que a própria água, juntamente com a baixa velocidade da mesma, na área do decantador irão afundar em decorrência da ação gravitacional. Desta maneira, ficarão depositados no fundo do tanque, de forma que deixe a água da superfície mais clara, permitindo que dirija-se a próxima etapa. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 81 d. filtração: grande parte das partículas fida retida no decantador, porém uma persiste na suspensão, na qual a filtração irá remover essa parte. Hidraulicamente, a água irá transpassar uma camada filtrante, formada por leito arenoso, com granulometria predimensionada, sustentada por uma camada de cascalho, de forma que as impurezas, partículas e maiorias das bactérias fiquem retidos e água filtrada ficará límpida. e. desinfeção: uma água que tenha sido filtrada corretamente elimina as partículas e grande parte das bactérias, contudo todas as bactérias devem ser removidas. A desinfecção irá cuidar desse procedimento, com a adição de produtos químicos, em especial o cloro. Este processo de aplicação do cloro na água é conhecido como cloração, que será feito com dosagens de compostos de água e cloro, desinfetando a água. f. fluoretação: será acrescido flúor à água em tratamento, com a finalidade de diminuir o elevado número de cáries dentárias. Para esta finalidade será utilizado o fluorsilicato de sódio e o ácido fluorsilícico. Vejamos o esquema abaixo para entendermos o processo de tratamento da água: Fonte: http://www.samaecaxias.com.br/documents/50537/0/Apostila%20Operador%20ETAE.pdf O tratamento convencional para que se dê de forma adequada deve obedecer aos controles de processo, quais sejam: a) Controle Analítico A realização de análises físico-químicas, durante as várias etapas do tratamento, possibilita o acompanhamento da eficiência do mesmo e determina a necessidade, ou não, da implementação de medidas preventivas e/ou corretivas. Além disto, serve para monitorar os principais parâmetros relativos à potabilidade da água. Para cada etapa, distintas análises são feitas, a saber: - Água Bruta: normalmente, são realizadas as seguintes análises: temperatura, cor, turbidez, pH, odor, alcalinidade, matéria orgânica, oxigênio dissolvido, dióxidode carbono, ferro, manganês e dureza. Esta bateria de análises é realizada a cada turno de trabalho e tem como objetivo monitorar a qualidade da água bruta que chega à ETA e detectar alterações na mesma. - Água Coagulada: analisa-se pH, alcalinidade, cor, turbidez e alumínio. - Água Decantada: cor, turbidez, pH, alcalinidade. - Água Tratada: na água tratada são analisados os mesmos parâmetros avaliados na água bruta. Além disto, a cada duas horas, são efetuadas análises de pH, turbidez, cor, flúor, cloro residual livre e alumínio residual. Diariamente, análise bacteriológica. b) Controle Operacional O controle operacional compreende todas as ações necessárias ao bom andamento do processo de tratamento da água. A seguir estão elencadas as principais atividades relativas à operação de estações de tratamento de água: - medição da vazão de água bruta; -ajustes e conferências nas dosagens dos produtos químicos utilizados no tratamento; - preparo de soluções dos produtos químicos utilizados no tratamento; - lavagem de filtros; Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 82 - medição dos níveis dos reservatórios de água tratada; - registro de consumo de produtos químicos, e - verificação periódica do funcionamento de bombas, válvulas, dosadores e demais equipamentos existentes nas estações de tratamento de água. As águas bruta e tratadas passam pela análise do parâmetro físico, que indica a turbidez da água, sua cor, sabor e odor, além da temperatura. Por sua vez os parâmetros químicos indicam o PH, alcalinidade, dureza, cloretos, ferro e manganês, alumínio, fluoretos, oxigênio e cloro residual. Já os parâmetros bacteriológicos levam a transmissão de algumas doenças, como é o caso da cólera, febre tifoide, disenterias. As principais doenças transmitidas pela água são causadas por bactérias e vírus. Quanto à distribuição da água: A água tratada será conduzida por meio de tubulações, aos mais diversos pontos de consumo da população. Sua formação ocorre por malhas hidráulicas que são compostas por tubulações de adução, subadução, redes distribuidoras e prédios. Essas malhas comportam grandes reservatórios de distribuição, com estações de bombeamento para as regiões mais elevadas e o emprego de outros equipamentos que permitam que a distribuição tenha continuidade. A ESTAÇÃO CLÁSSICA DE TRATAMENTO DE ÁGUA A estação clássica efetua o tratamento convencional em compartimentos separados uns dos outros. Nesse tipo de estação existem, portanto, os misturadores rápidos, os floculadores, os decantadores, os filtros e o tanque de contato (onde a adequada desinfecção é assegurada). A Figura apresenta alguns dos arranjos possíveis para os floculadores, decantadores e filtros de uma estação clássica de tratamento de água, mais a denominada casa de química. Essa casa é, na realidade, um prédio no interior do qual são realizadas, entre outras, as seguintes atividades: Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 83 (a) armazenagem, preparo e dosagem de produtos químicos; (b) análises de qualidade da água; (c) administração da estação de tratamento de água. De acordo com esses processos, a floculação, a decantação e a filtração podem ser realizadas no interior de meios granulares (e.g.: colunas contendo seixos rolados). A reunião dos três processos anteriores numa só coluna constitui o que se denomina impropriamente de clarificador de contato (também impropriamente denominado de filtro russo, ou ainda filtro ascendente, tendo em vista que essa unidade não é apenas um filtro, mas a reunião dos três processos citados). Notação: CQ = casa de química; F = filtro; FL = floculador(es); D = decantador(es) MISTURADORES RÁPIDOS O conceito de mistura rápida A mistura rápida é a fase crucial no tratamento convencional da água. Nessa fase, as partículas existentes em suspensão na massa líquida, cuja remoção se pretende efetuar, são bombardeadas por agentes químicos, com o objetivo de desestabilizá-las, para que, em fases posteriores do tratamento, sejam aglutinadas umas às outras, formando flocos que serão removidos por sedimentação e filtração. Disposições da NBR-12216 A NBR 12216 reconhece como dispositivos de mistura os seguintes: a) qualquer trecho ou seção de canal ou de canalização que produza perda de carga compatível com as condições desejadas, em termos de gradiente de velocidade e tempo de mistura; b) difusores que produzam jatos da solução de coagulante, aplicados no interior da água a ser tratada; c) agitadores mecanizados; d) entrada de bombas centrífugas. Ainda, de acordo com essa Norma, podem ser utilizados como dispositivos hidráulicos de mistura: a) qualquer singularidade onde ocorra turbulência intensa; b) canal ou canalização com anteparos ou chicanas; c) ressalto hidráulico; d) qualquer outro trecho ou seção de canal ou canalização que atenda às condições especificadas por essa Norma para dispositivos de mistura rápida. Misturadores hidráulicos Podem ser de diversos tipos. No Brasil, dois tipos são os mais utilizados: o medidor Parshall e a queda d'água originária de vertedouros. Outro tipo também utilizado no Brasil, porém com frequência bem menor, é a malha difusora, conforme concebida originalmente ou com pequenas variações. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 84 Medidor Parshall Também denominado algumas vezes calha Parshall ou vertedor Parshall, este é, sem dúvida, o dispositivo mais utilizado como misturador rápido em estações de tratamento de água brasileiras. O medidor Parshall, idealizado pelo engenheiro R. L. Parshall, do Servico de Irrigação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, alia, nas estações de tratamento de água, a função de medidor de vazão à de misturador rápido, quando convenientemente utilizado. A Figura representa um medidor Parshall em planta e em seção longitudinal. Observe, na próxima figura: a lâmina d’água a montante do Parshall é alta e, em consequência, a velocidade média de escoamento é baixa. Nesse local, o número de Froude é inferior a 1, e o regime de escoamento é subcrítico. Na garganta, a lâmina d’água vai baixando, de forma que a seção de escoamento e, consequentemente, a velocidade média e o número de Froude, vão aumentando. Em alguma seção da garganta, o número de Froude torna-se superior a 1, e o regime de escoamento passa a ser supercrítico. Ocorrendo a passagem do regime subcrítico para o supercrítico, é possível conhecer a vazão que atravessa o medidor Parshall através da realização da leitura da altura da lamina d'água numa seção a montante de sua garganta. No tratamento da água, aproveita-se a ocorrência do ressalto hidráulico no trecho imediatamente a jusante de sua garganta para a aplicação do produto químico coagulante, (na realidade, o valor do número de Froude na garganta do medidor, embora superior a 1, é insuficiente para que se obtenha ressaltos verdadeiros a jusante dessa unidade, segundo sua classificação conforme o número de Froude). Esse ressalto precisa ser provocado, fazendo-se tentativas, aumentando-se a lâmina d'água no canal de jusante através de um artifício qualquer, utilizando, por exemplo, stop-logs, afogados ou não. O ressalto, como foi visto, produz uma dissipação de energia relativamente grande. Queda d'água de vertedouros Caso exista, numa estação de tratamento, um vertedouro para medir a vazão afluente, será possível aproveitar a queda d'água resultante para efetuar a mistura rápida. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 85 Para tanto, deve-se distribuir, do modo mais uniforme possível, o floculante ao longo de toda a queda d'água Utiliza-se uma calha perfurada para esse fim, assegurando-se de que todos os seus orifícios estarão sempre desobstruídos. O ideal é que alâmina d’água vertente caia sobre um pequeno anteparo. Nestas condições, a energia resultante dessa queda propiciará a máxima energia, possibilitando excelentes condições de mistura rápida. Misturadores mecanizados Muito especificados pelos projetistas há até alguns anos atrás, os misturadores mecanizados vem caindo em desuso. Isto porque os misturadores hidráulicos produzem resultados tão bons, ou mesmo superiores, e apresentam uma grande vantagem: não possuem equipamentos que, devido ao uso, manutenção inadequada, ou ambos, possam ficar fora de serviço, ainda que temporariamente. Não obstante, algumas estações de tratamento de água ainda utilizam, com sucesso, misturadores mecanizados. Turbinas e hélices São equipamentos especialmente construídos para efetuarem a mistura dos produtos químicos. Por serem bastante utilizados na indústria, onde efetuam a mistura de líquidos diversos entre si, ou mesmo de sólidos e gases em líquidos, diversos fabricantes especializaram-se em construir equipamentos desse tipo. Entretanto, por mais diversos que sejam os modelos oferecidos no mercado, podemos classificá-los como turbinas ou hélices. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 86 FLOCULADORES Uma vez desestabilizadas as partículas coloidais, na fase de tratamento denominada coagulação, pode-se, em seguida, tratar de reuni-las umas às outras, formando os denominados flocos. Para tanto, deve-se manter a água em agitação durante certo tempo, de forma que as partículas desestabilizadas choquem-se entre si. No início do processo, existem, na água em tratamento, muitas partículas desestabilizadas a serem reunidas. Por este motivo, e para propiciar condições favoráveis ao choque entre elas, a agitação é inicialmente intensa. Com o passar do tempo, os flocos que se formam como resultado desses choques vão se tornando menos numerosos e mais volumosos. Flocos maiores não resistem a agitações intensas, como as utilizadas no início da floculação: as forças de cisalhamento aí prevalecentes seriam capazes de rompê-los. Por este motivo, a intensidade da agitação vai sendo reduzida com o tempo, e os flocos crescem cada vez mais ao longo do processo. Tipos de floculadores Normalmente, inicia-se a floculação com muita agitação da água em tratamento (isto é, com gradientes de velocidade mais elevados). Ao longo do floculador, esse grau de agitação (vale dizer: o gradiente de velocidade) vai sendo reduzido. Com isto, os flocos vão crescendo e se tornando mais pesados. Na saída do floculador, deseja-se obter flocos pesados o suficiente para que a maioria deles possa ser separada da água em tratamento, por sedimentação, no interior dos decantadores. Existem, basicamente, duas formas de se efetuar essa agitação: · fazendo com que a água percorra um caminho cheio de mudanças de direção, ou... · introduzindo equipamentos mecânicos, capazes de manter a água em constante agitação. No primeiro caso, tem-se os floculadores hidráulicos. No segundo caso, tem-se os floculadores mecanizados. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 87 DECANTADORES Após sair do floculador, espera-se que praticamente toda a matéria em suspensão existente na água bruta esteja aglutinada entre si e com o hidróxido de alumínio, constituindo o que se denomina de flocos. Da mesma forma, espera-se que esses flocos tenham adquirido tamanho e peso suficientes para que possam ser separados da água em tratamento através da decantação. Decantar significa, segundo Aurélio Buarque de Holanda: separar, por gravidade, impurezas sólidas que se contenham em (um líquido); limpar, livrar, purificar. Portanto, água decantada é aquela que se purificou através de separação, por gravidade, das partículas sólidas trazidas consigo. Tais partículas sólidas separam-se por ação da gravidade, sedimentando-se no interior da água (citando novamente Aurélio: sedimento: substância depositada, pela ação da gravidade, na água ou ar; sedimentar: formar sedimentos). Assim sendo: - os flocos separam-se da água porque sedimentam-se; - a água, isenta desses flocos, é chamada de água decantada; (portanto, o floco não decanta, mas sedimenta-se; quem decanta é a água!) As partículas trazidas pela água podem sedimentar-se como partículas discretas ou como partículas floculentas. O primeiro caso aplica-se principalmente, no tratamento da água, aos desarenadores, enquanto que o segundo caso aplica-se aos decantadores instalados após os floculadores. Dimensionamento de desarenadores (caixas de areia) O modelo apresentado a seguir, embora bastante simplista, é adotado de modo mais generalizado pelos engenheiros no projeto de desarenadores. Unidades desse tipo são muito utilizadas na captação de águas superficiais. Destinam-se à remoção de areia e partículas mais pesadas que, por sua natureza, sejam capazes de danificar equipamentos mecânicos (e.g.: rotores e carcaças de bombas centrífugas) ou sedimentarem no interior de condutos, levando à sua obstrução parcial ou total. Uma vez conhecida a velocidade terminal da partícula que se deseja remover, pode-se proceder ao dimensionamento dessas unidades. Tipos de decantadores De modo geral, dois tipos de decantadores são utilizados no Brasil para o tratamento da água: • decantadores clássicos; • decantadores tubulares. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 88 Decantadores clássicos O tipo mais utilizado é o de seção retangular, em planta. Entretanto, algumas estações de tratamento de água possuem decantadores de seção circular, também em planta. Embora menos utilizado, esse último tipo permite, em determinadas situações, que se crie um manto de lodo em seu interior, capaz de melhorar muito a qualidade da água decantada. De modo geral, imediatamente após ser admitida no interior do decantador, a água floculada é distribuída em toda sua seção transversal através de uma cortina distribuidora. Em seguida, ela percorre a extensão do decantador com velocidade muito baixa, até atingir a zona de saída. Nesse local, a água decantada é recolhida, através de calhas coletoras ou tubos perfurados, sendo o primeiro tipo o modo mais comum no Brasil. Decantadores tubulares A água floculada é introduzida sob as placas, Ao escoar entre elas, ocorre a sedimentação dos flocos. A água decantada sai pela parte de cima do decantador, após haver escoado entre as placas paralelas, e é coletada por calhas coletoras. Observe que as bandejas, ou módulos para decantação laminar (que podem ser placas paralelas ou dutos superpostos, de diversas seções) são dispostos de modo a formarem um ângulo com a horizontal superior a 50 graus. Essa inclinação assegura a autolimpeza dos módulos, ou seja, à medida que os flocos vão se sedimentando em seu interior, e aglutinando-se uns aos outros, as maiores massas de flocos que vão se formando adquirem peso suficiente para se soltarem dos módulos e se arrastarem em direção ao fundo. Dessa forma, os flocos removidos pelo decantador acabam por se precipitarem para o poço de lodo, onde permanecem acumulados até serem removidos através da abertura da descarga de fundo. Em algumas situações, em que se faz necessário ampliar a capacidade de tratamento das ETAs, cujos decantadores são clássicos, e em que não há interesse, ou possibilidade, de se construir novos decantadores desse tipo, eles podem ser convertidos em decantadores tubulares. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 89 Dimensionamento O sistema distribuidor deve ser dimensionado de modo que os gradientes de velocidade em seu interior sejam, no máximo, iguais ao da última câmara de floculação, com o objetivo de evitar a quebra dos flocos previamente formados. Além disto, devem assegurar que a água floculada seja distribuída do modoesgotável originada do desempenho das atividades domésticas, tais como lavagem de piso e de roupas, consumo em pias de cozinha e esgotamento de peças sanitárias, como por exemplo, lavatórios, bacias sanitárias e ralos de chuveiro. O chamado esgoto industrial é aquele gerado através das atividades industriais, salientando-se que uma unidade fabril onde seja consumida água no processamento de sua produção, gera um tipo de esgoto com características inerentes ao tipo de atividade (esgoto industrial) e uma vazão tipicamente de esgoto doméstico originada nas unidades sanitárias (pias, bacias, lavatórios, etc). O esgoto pluvial tem a sua vazão gerada a partir da coleta de águas de escoamento superficial originada das chuvas e, em alguns casos, lavagem das ruas e de drenos subterrâneos ou de outro tipo de precipitação atmosférica. SISTEMAS DE ESGOTOS Definições Para que sejam esgotadas com rapidez e segurança as águas residuais indesejáveis, faz-se necessário a construção de um conjunto estrutural que compreende canalizações coletoras funcionando por gravidade, unidades de tratamento e de recalque quando imprescindíveis, obras de transporte e de lançamento final, além de uma série de órgãos acessórios indispensáveis para que o sistema funcione e seja operado com eficiência. Esse conjunto de obras para coletar, transportar, tratar e dar o destino final adequado às vazões de esgotos, compõem o que se denomina de Sistema de Esgotos. 1 http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/ES01_02.html Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 7 O conjunto de condutos e obras destinados a coletar e transportar as vazões para um determinado local de convergência dessas vazões é denominado de Rede Coletora de Esgotos. Portanto, por definição, a rede coletora é apenas uma componente do sistema de esgotamento. Evolução dos Sistemas de Esgotamento Os primeiros sistemas de esgotamento executados pelo homem tinham como objetivo protegê-lo das vazões pluviais, devendo-se isto, principalmente, à inexistência de redes regulares de distribuição de água potável encanada e de peças sanitárias com descargas hídricas, fazendo com que não houvesse, à primeira vista, vazões de esgotos tipicamente domésticos. Porém, como as cidades tendiam a se desenvolver às margens de vias fluviais, por causa da necessidade da água como substância vital, principalmente para beber, com o passar do tempo os rios se tornavam tão poluídos com esgoto e o lixo, que os moradores tinham que se mudar para outro lugar. Este padrão universal foi seguido pelos humanos por muitos e muitos séculos. Poucas foram as exceções a esse padrão. Sítios escavados em Mohenjo-Daro, no vale da Índia, e em Harappa, no Punjab, indicam a existência de ruas alinhadas, pavimentadas e drenadas com esgotos canalizados em galerias subterrâneas de tijolos argamassados a, pelo menos 50 centímetros abaixo do nível da rua. Nas residências constatou-se a existência de banheiros com esgotos canalizados em manilhas cerâmicas rejuntadas com gesso. Isto a mais de 3000 a. C. No Egito, no Médio Império (2100-1700 a. C.), em Kahum, uma cidade arquitetonicamente planejada, construíram-se nas partes centrais, galerias em pedras de mármore para drenagem urbana de águas superficiais, assim como em Tel-el-Amarma, onde até algumas moradias mais modestas dispunham de banheiros. Em Tróia regulamentava-se o destino dos dejetos, sendo que a cidade contava com um desenvolvido sistemas de esgotos. E Knossos, em Creta, a mais de 1000 a. C., contava com excelentes instalações hidrosanirtárias, notadamente nos palácios e edifícios reais. Na América do Sul os incas e vizinhos de língua quíchua, desenvolveram adiantados conhecimentos em engenharia sanitária como atestam ruínas de sistemas de esgoto e drenagem de áreas encharcadas, em suas cidades. Historicamente é observado que as civilizações primitivas não se destacaram por práticas higiênicas individuais por razões absolutamente sanitárias e sim, muito frequentemente, por religiosidade, de modo a se apresentarem limpos e puros aos olhos dos deuses de modo a não serem castigados com doenças. Os primeiros indícios de tratamento científico do assunto, ou seja, de que as doenças não eram exclusivamente castigos divinos, começaram a aparecer na Grécia, por volta dos anos 500 a. C., particularmente a partir do trabalho de Empédocles de Agrigenco (492-432 AC), que construiu obras de drenagem das águas estagnadas de dois rios, em Selenute, na Sicília, visando combater uma epidemia de malária. No livro hipocrático Ares, Águas e Lugares (1), um texto médico por excelência, consideravam-se insalubres planícies encharcadas e regiões pantanosas, sugerindo a construção de casas em áreas elevadas, ensolaradas e com ventilação saudável. Saliente-se que nas cidades gregas havia os administradores públicos, os astínomos, responsáveis pelos serviços de abastecimento de água e de esgotamentos urbanos como, por exemplo, a manutenção e a limpeza dos condutos. Nas cidades romanas do período republicano esta gerência era desempenhada pelos censores e no imperial, a partir de Augusto (63 AC-14 DC), pelos zeladores e atendentes. A prestação destes serviços, no entanto, eram prioridade das áreas nobres das cidades gregas e principalmente das romanas, onde os moradores tinham de pagar pelo uso do serviço. É importante citar que uma obra como a cloaca máxima, destinada ao esgotamento subterrâneo de águas estagnadas dos pés da colina do Capitólio até o Tibre, ainda hoje em operação, foi concluída no governo de Tarquínio Prisco. Em De Arquitetura, Vitrúvio (70-25 a. C) justificava a importância de se construírem as cidades em áreas livres de águas estagnadas e onde a drenagem das edificações fossem facilitadas. Relatos de Josefos (37-96 d. C) sobre o Oriente Médio, descrevem elogios ao sistema de drenagem em Cesaréia, construído por Herodes (73-4 a. C). Já Estrabão surpreendeu-se negativamente com a construção de galerias a céu aberto em Nova Esmirna. Sistemas de drenagens construídos em concreto com aglomerantes naturais também existiram nas cidades antigas como Babilônia, Jerusalém e Bizâncio, porém por sua insuficiência quantitativa, estas cidades tornaram-se notáveis por seus peculiares e ofensivos odores. A partir de 476 da era cristã, com a queda do Império Romano, iniciou-se o período medieval, que duraria cerca de um milênio, e desgraçadamente para o Ocidente, caracterizou-se por uma fusão de culturas clássicas, bárbaras e ensinamentos cristãos, centralizado em Constatinopla. Grande parte dos conhecimentos científicos foram deslocados pelos cientistas em fuga, para o mundo árabe, notadamente a Pérsia, dando início na Europa, a uma substituição deste conhecimento por uma cultura a base de superstições, gerando a hoje denominada Idade das Trevas (500-1000 d. C.). Como a ênfase de que as Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 8 doenças eram castigos divinos às impurezas espirituais humanas e seus tratamentos eram resolvidos com procedimentos místicos ou orações e penitências, as práticas sanitárias urbanas sofreram, se não um retrocesso, pelo menos uma estagnação. Neste período, no Ocidente, como o conhecimento científico restringiu-se ao interior dos mosteiros, as instalações sanitárias como encanamentos de água e esgotamentos canalizados, ficaram por conta da iniciativa eclesiástica. Como exemplos desta afirmativa, pode-se citar que enquanto no século IX, a cidade do Cairo, no Egito, já dispunha de um serviço público de adução de água encanada, só em 1310 os franciscanos concordaram em que habitantes da cidade de Southampton utilizassem a água excedente de um convento que tinha um sistema próprio de abastecimento de água desde 1290. Na Idade Média, nas cidades as pessoas construíram casas permanentes e esgoto, lixo e refugos em geral eram depositadosmais uniforme possível sob as placas dos decantadores. Para atingir esse objetivo, pode-se fazer com que o duto principal (que distribui a água floculada para os orifícios ou tubos de prolongamento) tenha seção variável, como foi feito para o canal de acesso aos decantadores clássicos. Se isto não for possível, uma receita de bolo é fazer com que a área da seção transversal do duto distribuidor seja igual ao superior ao dobro da soma das áreas dos orifícios ou tubos de prolongamento alimentados por ele. Finalmente, é importante assegurar que a velocidade média no interior do duto principal seja igual ou superior a 0,10 m/s, com o objetivo de impedir a sedimentação de flocos em seu interior. FILTROS Em tratamento de água, a filtração pode ser realizada através de processos que podem ser: a) predominantemente biológicos: nos filtros lentos; b) predominantemente físicos, químicos e físico-químicos: nos filtros rápidos. Após decantada, a água em tratamento é encaminhada aos filtros. Em algumas estações de tratamento, a água é apenas previamente coagulada ou, noutros casos, previamente coagulada e floculada. Conforme vimos anteriormente, denominam-se estações clássicas de tratamento de água as estações que realizam, em unidades separadas, a mistura rápida, a floculação, a decantação e a filtração. Quando os filtros recebem água coagulada ou floculada, sem passar, portanto, pelo decantador, diz- se que a estação de tratamento de água é do tipo de filtração direta. A filtração, numa estação de tratamento clássica, remove, da água em tratamento, as partículas em suspensão que não foram retidas na decantação. Juntamente com essas partículas, a filtração remove também os microrganismos que a elas estiverem associados. Existem diversos tipos de filtros, concebidos para atuarem de diferentes formas no tratamento da água. Do ponto de vista da análise hidráulica do comportamento básico dos filtros, a filtração pode ser efetuada segundo uma das seguintes concepções: Filtração de fluxo descendente · de baixa taxa de filtração (filtros lentos); · de alta taxa de filtração (filtros rápidos): a) de camada simples; b) de camadas múltiplas: duplos (areia e antracito) Filtração de fluxo ascendente · de baixa taxa de filtração (filtros lentos ascendentes); · de alta taxa de filtração: filtros rápidos ascendentes (ou clarificadores de contato, ou filtros russos). Filtros lentos Destinados a potabilizar águas brutas de excelente qualidade física, química e físico-química, os filtros lentos são capazes de propiciar águas tratadas com expressivas reduções no índice de coliformes, entre outras melhorias. Entretanto, por requererem águas brutas de boa qualidade, e por imporem áreas filtrantes muito grandes, isto é, por exigirem grandes áreas para sua implantação (esses dois requisitos infelizmente vêm se tornando cada vez mais raros), os filtros lentos vêm caindo em desuso. Filtros rápidos de fluxo descendente São os mais utilizados em estações clássicas de tratamento de água. Observe que a água a filtrar é introduzida na parte superior do filtro; percola, em seguida, através do leito filtrante e, logo após, através da camada suporte; atravessa, posteriormente, o fundo falso e é encaminhada, finalmente, ao duto ou reservatório de água filtrada. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 90 Filtros rápidos de fluxo ascendente Muitos estudos vêm sendo realizados a respeito desse tipo de filtro, procurando determinar, entre outros elementos, as especificações mais adequadas para a camada de areia e para a camada suporte. Acima da camada de areia, calhas coletoras ou tubos perfurados recolhem a água filtrada. A lavagem é efetuada injetando-se água para lavagem da mesma forma – de baixo para cima - com velocidade suficiente para expandir o leito de areia. A água de lavagem é recolhida por calhas coletoras instaladas acima do leito de areia. Leitos filtrantes, camada suporte e fundos falsos Basicamente, os filtros são constituídos de um leito filtrante, formado por uma ou mais camadas de material granular, instalada(s) sobre um sistema drenante, denominado fundo falso (tendo em vista que sob ele é que se encontra o fundo verdadeiro do filtro). Entre ambos é instalada a denominada camada suporte. TANQUE DE CONTATO O tratamento da água para fins de potabilização só sé estará completo após haver sido assegurada à eliminação dos organismos patogênicos que porventura tenham conseguido atravessar as fases de tratamento anteriores. Conforme foi visto, grande parte dos microorganismos patogênicos, especialmente vírus e bactérias, é removida da água em tratamento pela decantação e filtração. Entretanto, alguns deles poderão estar presente na água filtrada. Por este motivo, ela é desinfetada, para o que quase sempre utiliza-se o cloro. Outros métodos podem ser utilizados para a desinfecção, tais como: ozonização, utilização de raios ultravioleta e utilização de compostos alternativos de cloro. Além disto, o tratamento da água deve assegurar que a água tratada não seja corrosiva, nem incrustante, aos componentes do sistema de abastecimento. Finalmente, a água tratada deve ser utilizada para veicular, às crianças em fase de dentição, o íon flúor, reconhecidamente capaz de reduzir o índice de cáries dentárias nas populações. De modo geral, nas estações de tratamento de água brasileiras, os agentes desinfetantes, fluoretadores e de correção do pH são adicionados à água filtrada numa mesma câmara, denominada tanque de contato: o desinfetante imediatamente a montante do tanque; o produto químico destinado à Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 91 correção do pH, na saída desse tanque: e o produto destinado à fluoretação, num ponto qualquer entre os dois anteriores. Este último é utilizado em estações de tratamento de água após as quais é necessário bombear água tratada para a cidade. Os principais tipos de microrganismos patogênicos existentes em águas contaminadas são: vírus, bactérias, fungos, protozoários e vermes, originários, conforme foi visto, do lançamento de excrementos humanos. Identificar cada representante de uma população tão grande exigiria métodos e equipamento capazes de tornar impraticável a implantação dos laboratórios de análise de águas, bem como a rotina de trabalho de seus técnicos. Desinfecção Assim sendo, optou-se pela escola de um grupo de bactérias capazes de identificar a presença de matéria fecal na agia. Tais bactérias pertencem ao denominado grupo coliforme, e sua presença é facilmente detetável através de ensaios simples de laboratório. Estão presentes no trato intestinal dos animais denominados de sangue quente, entre os quais encontra-se o homem, cuja matéria fecal contém cerca de 300 milhões dessas bactérias por grama³ extremamente sensível. Muitos organismos patogênicos eventualmente presentes na água bruta são eliminados nas fases de tratamento que antecedem a desinfecção. Trabalhos antigos, confirmados por outros mais recentes, permitem concluir que o tratamento convencional (coagulação, floculação, decantação e filtração em filtros rápidos de areia) elimina cerca de 98% de bactérias, podendo atingir até 99%. Assim sendo a desinfecção fica reservada aos organismos patogênicos que porventura atravessem o tratamento convencional. Diversos desinfetantes vêm sendo utilizados em todo mundo no tratamento da água. Citam-se entre eles, os seguintes: cloro molecular (gás cloro) e seus compostos (dos quais o hipoclorito de sódio, a cal clorada e o dióxido de cloro são os mais importantes); ozona; luz ultravioleta. O iodo (e seus compostos) é utilizado apenas em situações especiais, de campo. No Brasil, o desinfetante mais utilizado em praticamente todas as estações de tratamento de água é o gás cloro, em sua forma molecular (CI²). Em escala bem mais reduzida, sãotambém utilizados o hipoclorito de sódio e a cal clorada. Cloração A avaliação da eficiência da cloração da água filtrada é feita através da determinação do número de organismos coliformes. Conforme foi descrito, supõe-se que, sendo nulo esse número na água tratada, os organismos patogênicos porventura existentes terão sido eliminados. Entretanto, deve-se ressaltar que existem espécies muito resistentes à ação do cloro, capazes de superar a resistência dos coliformes. Vírus causadores da doença de Coxsakie, da hepatite infecciosa e da poliomielite (eliminados na proporção de 95 a 99% mediante o tratamento por coagulação e decantação) podem estar entre essas espécies. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 92 Fluoretação A adição do flúor à água constitui a mais simples, segura e, para as condições brasileiras, a mais econômica forma de se levar esse elemento à dieta das crianças. A fluoretação da água em sistemas de abastecimento em que existe estação de tratamento é obrigatória no Brasil, de acordo com a Lei Federal N.6050, de 24 de maio de 1974. Essa lei foi posteriormente regulamentada pelo Decreto Federal N.76.872, de 22 de fevereiro de 1975. Entretanto, é importante salientar que, enquanto dosagens abaixo da adequada resultam ineficazes, dosagens elevadas poderão ocasionar a fluorose dentária, pelo aparecimento de manchas nos dentes. Diversos compostos de flúor podem ser utilizados com essa finalidade, entre os quais merecem destaque: fluoreto de sódio, fluorsilicato de sódio, fluossilicato de amônio, fluorita (todos sódios); ácido fluorídico e ácido fluossilícico (líquidos). CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS DE ESGOTAMENTO3 A expansão demográfica e o desenvolvimento tecnológico trazem como consequência imediata o aumento de consumo de água e a ampliação constante do volume de águas residuais não reaproveitáveis que, quando não condicionadas de modo adequado, acabam poluindo as áreas receptoras causando desequilíbrios ecológicos e destruindo os recursos naturais da região atingida ou mesmo dificultando o aproveitamento desses recursos naturais pelo homem. Essas águas, conjuntamente com as de escoamento superficial e de possíveis drenagens subterrâneas, formarão as vazões de esgotamento ou simplesmente esgotos. Sendo assim, de acordo com a sua origem, os esgotos podem ser classificados tecnicamente da seguinte forma: - esgoto sanitário ou doméstico ou comum; - esgoto industrial; - esgoto pluvial. Denomina-se de esgoto sanitário toda a vazão esgotável originada do desempenho das atividades domésticas, tais como lavagem de piso e de roupas, consumo em pias de cozinha e esgotamento de peças sanitárias, como por exemplo, lavatórios, bacias sanitárias e ralos de chuveiro. O chamado esgoto industrial é aquele gerado através das atividades industriais, salientando-se que uma unidade fabril onde seja consumida água no processamento de sua produção, gera um tipo de esgoto com características inerentes ao tipo de atividade (esgoto industrial) e uma vazão tipicamente de esgoto doméstico originada nas unidades sanitárias (pias, bacias, lavatórios, etc). O esgoto pluvial tem a sua vazão gerada a partir da coleta de águas de escoamento superficial originada das chuvas e, em alguns casos, lavagem das ruas e de drenos subterrâneos ou de outro tipo de precipitação atmosférica. SISTEMAS DE ESGOTOS Definições Para que sejam esgotadas com rapidez e segurança as águas residuais indesejáveis, faz-se necessário a construção de um conjunto estrutural que compreende canalizações coletoras funcionando por gravidade, unidades de tratamento e de recalque quando imprescindíveis, obras de transporte e de lançamento final, além de uma série de órgãos acessórios indispensáveis para que o sistema funcione e seja operado com eficiência. Esse conjunto de obras para coletar, transportar, tratar e dar o destino final adequado às vazões de esgotos, compõem o que se denomina de Sistema de Esgotos. O conjunto de condutos e obras destinados a coletar e transportar as vazões para um determinado local de convergência dessas vazões é denominado de Rede Coletora de Esgotos. Portanto, por definição, a rede coletora é apenas uma componente do sistema de esgotamento. Evolução dos Sistemas de Esgotamento Os primeiros sistemas de esgotamento executados pelo homem tinham como objetivo protegê-lo das vazões pluviais, devendo-se isto, principalmente, à inexistência de redes regulares de distribuição de água potável encanada e de peças sanitárias com descargas hídricas, fazendo com que não houvesse, à primeira vista, vazões de esgotos tipicamente domésticos. Porém, como as cidades tendiam a se 3 http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/ES01_02.html Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 93 desenvolver às margens de vias fluviais, por causa da necessidade da água como substância vital, principalmente para beber, com o passar do tempo os rios se tornavam tão poluídos com esgoto e o lixo, que os moradores tinham que se mudar para outro lugar. Este padrão universal foi seguido pelos humanos por muitos e muitos séculos. Poucas foram as exceções a esse padrão. Sítios escavados em Mohenjo-Daro, no vale da Índia, e em Harappa, no Punjab, indicam a existência de ruas alinhadas, pavimentadas e drenadas com esgotos canalizados em galerias subterrâneas de tijolos argamassados a, pelo menos 50 centímetros abaixo do nível da rua. Nas residências constatou-se a existência de banheiros com esgotos canalizados em manilhas cerâmicas rejuntadas com gesso. Isto a mais de 3000 a. C. No Egito, no Médio Império (2100-1700 a. C.), em Kahum, uma cidade arquitetonicamente planejada, construíram-se nas partes centrais, galerias em pedras de mármore para drenagem urbana de águas superficiais, assim como em Tel-el-Amarma, onde até algumas moradias mais modestas dispunham de banheiros. Em Tróia regulamentava-se o destino dos dejetos, sendo que a cidade contava com um desenvolvido sistemas de esgotos. E Knossos, em Creta, a mais de 1000 a. C., contava com excelentes instalações hidrosanirtárias, notadamente nos palácios e edifícios reais. Na América do Sul os incas e vizinhos de língua quíchua, desenvolveram adiantados conhecimentos em engenharia sanitária como atestam ruínas de sistemas de esgoto e drenagem de áreas encharcadas, em suas cidades. Historicamente é observado que as civilizações primitivas não se destacaram por práticas higiênicas individuais por razões absolutamente sanitárias e sim, muito frequentemente, por religiosidade, de modo a se apresentarem limpos e puros aos olhos dos deuses de modo a não serem castigados com doenças. Os primeiros indícios de tratamento científico do assunto, ou seja, de que as doenças não eram exclusivamente castigos divinos, começaram a aparecer na Grécia, por volta dos anos 500 a. C., particularmente a partir do trabalho de Empédocles de Agrigenco (492-432 AC), que construiu obras de drenagem das águas estagnadas de dois rios, em Selenute, na Sicília, visando combater uma epidemia de malária. No livro hipocrático Ares, Águas e Lugares (1), um texto médico por excelência, consideravam-se insalubres planícies encharcadas e regiões pantanosas, sugerindo a construção de casas em áreas elevadas, ensolaradas e com ventilação saudável. Saliente-se que nas cidades gregas havia os administradores públicos, os astínomos, responsáveis pelos serviços de abastecimento de água e de esgotamentos urbanos como, por exemplo, a manutenção e a limpeza dos condutos. Nas cidades romanas do período republicano esta gerência era desempenhada pelos censores e no imperial, a partir de Augusto (63 AC-14 DC), pelos zeladores e atendentes. A prestação destes serviços, no entanto, eram prioridade das áreas nobres das cidades gregas e principalmente das romanas, onde os moradores tinham de pagar pelouso do serviço. É importante citar que uma obra como a cloaca máxima, destinada ao esgotamento subterrâneo de águas estagnadas dos pés da colina do Capitólio até o Tibre, ainda hoje em operação, foi concluída no governo de Tarquínio Prisco. Em De Arquitetura, Vitrúvio (70-25 a. C) justificava a importância de se construírem as cidades em áreas livres de águas estagnadas e onde a drenagem das edificações fossem facilitadas. Relatos de Josefos (37-96 d. C) sobre o Oriente Médio, descrevem elogios ao sistema de drenagem em Cesaréia, construído por Herodes (73-4 a. C). Já Estrabão surpreendeu-se negativamente com a construção de galerias a céu aberto em Nova Esmirna. Sistemas de drenagens construídos em concreto com aglomerantes naturais também existiram nas cidades antigas como Babilônia, Jerusalém e Bizâncio, porém por sua insuficiência quantitativa, estas cidades tornaram-se notáveis por seus peculiares e ofensivos odores. A partir de 476 da era cristã, com a queda do Império Romano, iniciou-se o período medieval, que duraria cerca de um milênio, e desgraçadamente para o Ocidente, caracterizou-se por uma fusão de culturas clássicas, bárbaras e ensinamentos cristãos, centralizado em Constatinopla. Grande parte dos conhecimentos científicos foram deslocados pelos cientistas em fuga, para o mundo árabe, notadamente a Pérsia, dando início na Europa, a uma substituição deste conhecimento por uma cultura a base de superstições, gerando a hoje denominada Idade das Trevas (500-1000 d. C.). Como a ênfase de que as doenças eram castigos divinos às impurezas espirituais humanas e seus tratamentos eram resolvidos com procedimentos místicos ou orações e penitências, as práticas sanitárias urbanas sofreram, se não um retrocesso, pelo menos uma estagnação. Neste período, no Ocidente, como o conhecimento científico restringiu-se ao interior dos mosteiros, as instalações sanitárias como encanamentos de água e esgotamentos canalizados, ficaram por conta da iniciativa eclesiástica. Como exemplos desta afirmativa, pode-se citar que enquanto no século IX, a cidade do Cairo, no Egito, já dispunha de um serviço público de adução de água encanada, só em 1310 os franciscanos concordaram em que habitantes da cidade de Southampton utilizassem a água excedente de um convento que tinha um sistema próprio de abastecimento de água desde 1290. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 94 Na Idade Média, nas cidades as pessoas construíram casas permanentes e esgoto, lixo e refugos em geral eram depositados nas ruas. Quando as pilhas ficaram altas, e o mau odor tornava-se insuportável, a sujeira era retirada com a utilização de pás e veículos de tração animal. Esta condição prevaleceu até o final do século XVIII, principalmente nas cidades menores. A iniciativa de pavimentação das ruas nas cidades europeias, com a finalidade de mantê-las limpas e alinhadas, a partir do final do século XII, exemplos de Paris (1185), Praga (1331), Nuremberg (1368) e Basiléia (1387), tornou-se o marco inicial da retomada da construção de sistemas de drenagem pública das águas de escoamento superficial e o encanamento subterrâneo de águas servidas, estas inicialmente para fossas domésticas e, posteriormente, para os canais pluviais. As primeiras leis públicas notáveis de instalação, controle e uso destes serviços têm origem a partir do século XIV. Em termos de saneamento o período histórico dos séculos XVI e XVIII é considerado de transição. A partir do século XVI, já no Renascimento, com a crescente poluição dos mananciais de água o maior problema era o destino dos esgotos e do lixo urbanos. No século seguinte, o abastecimento de água urbano teve radical desenvolvimento, pois se passou a empregar bombeamentos com máquinas movidas a vapor e tubos de ferro fundido para recalques de água, notadamente a partir da Alemanha, procedimentos que viriam a se generalizar no século seguinte, juntamente com a formação de empresas fornecedoras de água. Os estudos de John Snow (1813-1858), o movimento iluminista, a revolução industrial e as mudanças agrárias provocaram alterações revolucionárias no final do século XVIII, com profundas alterações na vida das cidades e, consequentemente, nas instalações sanitárias. Ruas estreitas e sinuosas foram alargadas e alinhadas, pavimentadas, iluminadas e drenadas, tanto na Inglaterra como no continente. O aparecimento da água encanada e das peças sanitárias com descarga hídrica, fizeram com que a água passasse a servir com uma nova finalidade: afastar propositadamente dejetos e outras impurezas indesejáveis ao ambiente de vivência. A sistemática de carreamento de refugos e dejetos domésticos com o uso da água, embora fosse conhecido desde o século XVI, quando John Harrington (1561-1612) instalou a primeira latrina no palácio da Rainha Isabel, sua disseminação só veio a partir de 1778, quando Joseph Bramah (1748-1814) inventou a bacia sanitária com descarga hídrica, inicialmente empregada em hospitais e moradias nobres. A generalização dos sistemas de distribuição de água e as descargas hídricas para evacuar o esgoto, provocaram a saturação do solo, contaminando as ruas e o lençol freático. A extravasão para os leitos das ruas criou, também, constrangimentos do ponto de vista estéticos, levando a necessidade de criação de esquemas para limpeza das vias públicas das cidades grandes. Muitas cidades como Paris, Londres e Baltimore tentaram o emprego de fossas individuais com resultados desastrosos, pois as mesmas, com manutenção inadequada, se tornaram fontes de geração de doenças. Raramente eram limpas e seu conteúdo se infiltrava pelo solo, saturando grandes áreas do terreno e poluindo fontes e poços usados para o suprimento de água. As fossas, portanto, tornaram-se um problema de saúde pública. Além disso, era ilusoriamente fácil eliminar a água de esgoto, permitindo-a alcançar os canais de esgotamento existentes sob muitas cidades. Como esses canais de esgotamento se destinavam a carrear água de chuva, a generalização dessa prática levou os rios de cidades maiores transformarem-se em esgotos a céu aberto, um dos maiores desafios enfrentados pelos reformadores sanitários do século XIX. Paralelamente começava a se concretizar a ideia de serem organismos microscópicos como possível causa das doenças transmissíveis. No início do século XIX havia na Grã-Bretanha várias cidades consideradas de grande porte, mas elas pareciam tão incapazes como suas predecessoras de evitar as contrastantes ondas de mortes por doenças e epidemias, que ainda eram o preço inevitável da vida urbana. Apesar das consideráveis melhorias executadas nos esgotos londrinos no século anterior, as galerias continuavam despejando seus bacilos no rio Tâmisa, contaminando a principal fonte de água potável da capital. O sistema de esgotos utilizado em todo o Brasil, é do tipo “separador absoluto”. Este sistema constitui a veiculação do esgoto sanitário (doméstico, industrial e infiltração) em um sistema independente denominado de sistema de esgoto sanitário. As águas pluviais são coletadas e transportadas em um sistema de drenagem pluvial totalmente independente. Classificação dos esgotos Doméstico – constitui de efluentes gerados em uma residência, em hábitos higiênicos e atividades fisiológicas, além de efluentes gerados em outros ambientes, cujas características físico-químicas sejam aquelas peculiares ao esgoto residencial. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 95 Não Doméstico – constitui de despejo líquido resultante de atividades produtivas ou de processo de indústria, de comércio ou de prestação de serviço, com características físico-químicas distintas do esgoto doméstico. Infiltração – parcela devida às águas do subsolo que penetram nas tubulações, através das juntas e órgãos acessórios. Caracterização da qualidade dos esgotos Os esgotos domésticos contêm aproximadamente99,9% de água, e apenas 0,1% de sólidos. É devido a essa fração de 0,1% de sólidos que ocorrem os problemas de poluição das águas. As características dos esgotos gerados por uma comunidade são função dos usos a que a água foi submetida. Esses usos, e a forma com que são exercidos, variam com o clima, os hábitos, a situação social e econômica da população. As características físicas dos esgotos podem ser interpretadas pela obtenção das grandezas correspondentes a matéria sólida, temperatura, odor, cor e turbidez. As características químicas podem ser classificadas em dois grandes grupos: matéria orgânica e inorgânica. Os principais parâmetros utilizados são: pH, DBO, DQO, Nitrogênio e Fósforo. As características biológicas dos esgotos são de grande importância no controle da poluição e tratamento dos esgotos. Os principais organismos encontrados nos rios e esgotos são: as bactérias, os fungos, os protozoários, os vírus, as algas e grupos de plantas e de animais. O organismo mais utilizado como indicador de poluição é do grupo das bactérias coliformes. Os esgotos domésticos e não domésticos produzidos são coletados dentro das residências, comércios ou indústrias por meio de tubulações hidráulico-sanitárias (ramais internos) de responsabilidade do proprietário até a interligação no PL (Poço Luminar) localizado no passeio. Estas conduzem os esgotos para as ligações prediais que se interligam às redes coletoras por meio dos coletores secundários. O esgoto coletado nas redes escoa por gravidade, utilizando no máximo 75% do diâmetro da tubulação. Assim, é necessário que as tubulações sejam implantadas com declividades adequadas para garantir o escoamento por gravidade e o arraste dos sólidos contidos nos esgotos. Os coletores secundários conduzem os esgotos para os coletores tronco. O coletor tronco é o coletor principal, que recebe a contribuição dos coletores secundários, conduzindo os efluentes para um interceptor ou emissário. O interceptor é uma tubulação que recebe os coletores ao longo de sua extensão, não recebendo ligações prediais diretas. O emissário é uma tubulação que transporta os esgotos a um destino (estação de tratamento, lançamento final, elevatória), sem receber nenhuma contribuição ao longo de sua extensão. Em algumas situações são necessárias as estações elevatórias, que objetivam a transferência dos esgotos de uma cota mais baixa para outra mais alta, ou a transposição de sub-bacias por meio de bombeamento. As unidades anteriores se destinam ao transporte dos esgotos para a estação de tratamento, onde ocorrerá a depuração dos esgotos para possibilitar o seu retorno aos corpos d’água. NIVEIS DE TRATAMENTO DO ESGOTO O tratamento de esgotos pode ser dividido em níveis de acordo com o grau de remoção de poluentes ao qual se deseja atingir. Níveis de tratamento 1- Preliminar 2 -Primário 3 -Secundário 4 -Terciário. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 96 Tratamento Preliminar - remoção de grandes sólidos e areia para proteger as demais unidades de tratamento, os dispositivos de transporte (bombas e tubulações) e os corpos receptores. A remoção da areia previne, ainda, a ocorrência de abrasão nos equipamentos e tubulações e facilita o transporte dos líquidos. É feita com o uso de grades que impedem a passagem de trapos, papéis, pedaços de madeira, etc; caixas de areia, para retenção deste material; e tanques de flutuação para retirada de óleos e graxas em casos de esgoto industrial com alto teor destas substâncias. Tratamento Primário - os esgotos ainda contém sólidos em suspensão não grosseiros cuja remoção pode ser feita em unidades de sedimentação, reduzindo a matéria orgânica contida no efluente. Os sólidos sedimentáveis e flutuantes são retirados através de mecanismos físicos. Os esgotos fluem vagarosamente, permitindo que os sólidos em suspensão de maior densidade sedimentem gradualmente no fundo, formando o lodo primário bruto. Os materiais flutuantes como graxas e óleos, de menor densidade, são removidos na superfície. A eliminação média do DBO é de 30%. Poluentes removidos: - Sólidos em suspensão sedimentáveis: matéria orgânica em suspensão (lodo primário) - Sólidos flutuantes: óleos e graxas Tratamento Secundário - processa, principalmente, a remoção de sólidos e de matéria orgânica não sedimentável e, eventualmente, nutrientes como nitrogênio e fósforo. Após as fases primária e secundária a eliminação de DBO deve alcançar 90%. É a etapa de remoção biológica dos poluentes e sua eficiência permite produzir um efluente em conformidade com o padrão de lançamento previsto na legislação ambiental. Basicamente, são reproduzidos os fenômenos naturais de estabilização da matéria orgânica que ocorrem no corpo receptor, sendo que a diferença está na maior velocidade do processo, na necessidade de utilização de uma área menor e na evolução do tratamento em condições controladas. Tratamento Terciário - remoção de poluentes tóxicos ou não biodegradáveis ou eliminação adicional de poluentes não degradados na fase secundária. Etapa de Desinfecção - grande parte dos microrganismos patogênicos foi eliminada nas etapas anteriores, mas não a sua totalidade. A desinfecção total pode ser feita pelo processo natural - lagoa de maturação, por exemplo – ou artificial - via cloração, ozonização ou radiação ultravioleta. A lagoa de maturação demanda grandes áreas, pois necessita de pouca profundidade para permitir a penetração da radiação solar ultravioleta. Entre os processos artificiais, a cloração é o de menor custo, mas pode gerar subprodutos tóxicos, como organoclorados. A ozonição é muito dispendiosa e a radiação ultravioleta não se aplica a qualquer situação. O desenvolvimento tecnológico no tratamento de esgotos está concentrado na etapa secundária e posteriores. Uma das tendências verificada é o aumento na dependência de equipamentos em detrimento do uso de produtos químicos para o tratamento. Os fabricantes de equipamentos para saneamento, por sua vez, vêm desenvolvendo novas tecnologias para o tratamento biológico. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 97 TRATAMENTO DE ESGOTO LODOS ATIVADOS É um processo biológico onde o esgoto afluente, na presença de oxigênio dissolvido, agitação mecânica e pelo crescimento e atuação de microrganismos específicos, forma flocos denominados lodo ativado ou lodo biológico. Essa fase do tratamento objetiva a remoção de matéria orgânica biodegradável presente nos esgotos. Após essa etapa, a fase sólida é separada da fase líquida em outra unidade operacional denominada decantador. O lodo ativado separado retorna para o processo ou é retirado para tratamento específico ou destino final. Este processo de tratamento de esgotos apresenta vantagens e desvantagens: Vantagens - exige pouca área para implantação; - maior eficiência no tratamento; - maior flexibilidade de operação; Desvantagens - custo operacional elevado; - controle laboratorial diário; - operação mais delicada. LODOS ATIVADOS REGIME INTERMITENTE OU BATELADA Os sistemas de tratamento de esgotos denominados lodos ativados convencional e aeração prolongada, são exemplos de sistemas de tratamento que apresentam fluxo contínuo. Em outras palavras, à medida que o esgoto bruto alimenta o sistema, o tratamento está sendo realizado. Há sempre fluxo (movimento) no sistema – esgoto bruto alimentando e esgoto tratado deixando o sistema. No processo de tratamento de esgoto denominado lodos ativados regime intermitente ou batelada, há uma diferença, onde se tem apenas um único tanque que serve tanto de reator biológico (quando aeração presente) quanto de tanque de decantação (quando aeração ausente). Desta forma, as etapas de aeração e decantação, necessárias para o tratamento do esgoto, tornam-se apenas sequências no tempo e não são mais unidades físicas distintasconstruídas em separado. Assim sendo, a incorporação de todas as unidades, operações e processos normalmente associados ao tratamento convencional de lodos Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 98 ativados, sejam elas decantação primária, oxidação biológica e decantação secundária, em um único tanque, é o princípio do processo de lodos ativados conhecido como regime intermitente ou batelada. Representação esquemática simplificada de um sistema de tratamento de esgotos lodos ativados do tipo regime intermitente. O sistema de tratamento de esgotos do tipo lodos ativados intermitente pode ser utilizado tanto na modalidade convencional como também na aeração prolongada, sendo que nesta última, o tanque único passa a agregar adicionalmente a unidade de digestão do lodo. Conforme mencionando anteriormente, este processo consiste em um reator de mistura completa onde acontecem todas as etapas do tratamento. Isso é alcançado porque no fluxo intermitente, o sistema de lodos ativados possui ciclos bem definidos de operação, sendo eles: 1. Enchimento (entrada de esgoto bruto ou decantado para o interior do reator). 2. Reação (aeração/mistura da massa líquida contida no reator). 3. Sedimentação (sedimentação e separação dos sólidos em suspensão da fase líquida sobrenadante do esgoto tratado). 4. Esvaziamento (retirada do esgoto tratado do interior do reator). 5. Repouso (ajuste de ciclos e remoção do lodo excedente). A massa biológica permanece no reator durante todos esses ciclos, eliminando assim a existência de tanques decantadores como unidades físicas separadas. A duração usual de cada ciclo pode sofrer alterações em função das variações da vazão afluente, das características do esgoto, das necessidades do tratamento e da biomassa no sistema. No ciclo denominado repouso é onde geralmente ocorre o descarte do lodo excedente, mas como o descarte é opcional, tendo em vista que sua função é permitir o ajuste entre os ciclos de operação de cada reator, ele pode se dar também em outras fases do processo. Existem algumas modificações nos sistemas intermitentes, relacionadas à forma de operação e à sequência e duração dos ciclos associados a cada fase do processo. Com estas variações permitem-se a simplificação adicional no processo ou a remoção biológica de nutrientes. VALO DE OXIDAÇÃO Os valos de oxidação são unidades compactadas de tratamento com os mesmos princípios básicos da aeração prolongada e constituem estações de tratamento completo de nível secundário. Suas instalações, com o mínimo possível de unidades de tratamento, concentra processos físicos químicos e biológicos. A decantação no final é uma inclusão optativa e dependem do tipo de operação estabelecido mas, a existência desta unidade no efluente do valo eliminará sólidos decantáveis transportados além de permitir o funcionamento contínuo do sistema. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 99 As unidades mais simples são compostas de: - dispositivo de entrada: caixa de passagem e de distribuição quando houver mais de um valo que podem ser precedidas por sistema de gradeamento e medição; - tanque de aeração: têm os formatos mais variados, sendo que o mais comum é o de fluxo orbital. O importante sobre o seu funcionamento é que seja mantido os critérios estabelecidos para a velocidade média do fluxo de 0,3m/s durante o período de operação e que o fluxo escoe sem a possibilidade de zonas mortas. O esgoto é submetido a um processo de aeração onde ocorre a oxidação biológica e o que promove o crescimento de flocos biológicos e consequentemente a redução da DBO (Demanda bioquímica de Oxigênio). - dispositivo de saída: são projetados em função do tipo de operação, que poderá exigir fluxo contínuo ou intermitente. Sistema de tratamento de esgotos da Lagoa de Conceição – Florianópolis Lagoas de Estabilização Processo simples e natural para tratar esgotos domésticos e o seu principal objetivo é remover matéria orgânica. São indicados para as condições brasileiras devido ao clima favorável, suficiente disponibilidade de área, à operação simples e à utilização de poucos equipamentos. As lagoas de estabilização podem ser classificadas em três tipos: lagoas anaeróbias, lagoas facultativas e lagoas de maturação. Lagoas anaeróbias: São lagoas com profundidades da ordem de 3 a 5 metros, cujo objetivo é minimizar ao máximo a presença de oxigênio para que a estabilização da matéria orgânica ocorra estritamente em condições anaeróbias. A eficiência nesse tipo de sistema poderá atingir até 60% na remoção de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) dependendo da temperatura. Lagoas facultativas: São lagoas com profundidade de 1,5 a 3 metros. Neste tipo de lagoa ocorrem 2 processos distintos: aeróbios e anaeróbios. Na região superficial ocorre os processos fotossintéticos Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 100 realizados pelas algas onde há liberação de óxigenio no meio, favorecendo o processo aeróbio e, no fundo quando a matéria orgânica tende a sedimentar ocorrem os processos anaeróbios. Lagoas de maturação: São lagoas com profundidades de 0,8 a 1,5 m e sua principal função é remover patogênicos devido a boa penetração de radiação solar, elevado pH e elevada concentração de oxigênio dissolvido. Florianópolis: Área Continental - Sistema de Potecas Filtro Biológico (Leito Percolador) Filtros biológicos são unidades de tratamento de esgotos destinados a oxidação biológica da matéria orgânica remanescente de decantadores. O efluente do decantador é aspergido continuamente sobre um leito de pedras justapostas entre os quais o ar pode circular. O ambiente ecológico desempenhado pelo filtro biológico tem como condicionantes a matéria orgânica, luz, oxigênio temperatura e pH.O leito de pedras, atravessado por líquido contendo matéria orgânica e os outros fatores acima citados, propicia o desenvolvimento de microrganismos aeróbios. A variabilidade dos fatores de oxigenação também permite desenvolvimento anaeróbio resultando uma alternância de condições que permite a predominância de organismos facultativos. As populações microbianas nos leitos dos filtros biológicos são principalmente bactérias heterotróficas formadoras da zooglea, são consumidoras da matéria orgânica predominante e por isso consideradas os principais agentes primários da purificação. DESTINAÇÃO FINAL DE LODOS DE ETAS E ETES4 Os lodos de ETAs têm sido dispostos em cursos de água sem nenhum tratamento. Todavia essa prática tem sido questionada pelos órgãos ambientais devido aos possíveis riscos à saúde pública e à vida aquática. Estima-se que a produção de lodos de ETA’s nos municípios operados pela Sabesp, no Estado de São Paulo seja de aproximadamente 90 toneladas por dia, em base seca. Observou-se uma grande variabilidade nos quantitativos de lodos gerados ao longo do período de um ano em cada ETA. Normalmente, ocorreu uma maior produção de lodo no período chuvoso, que vai de novembro a março, época em que há piora na qualidade geral das águas dos mananciais, representada pelos parâmetros cor aparente e turbidez, necessitando, consequentemente, da aplicação de maiores quantidades de produtos químicos para o tratamento, notadamente de coagulantes. Os usos benéficos mais utilizados ou de maior potencial de utilização para o Estado de São Paulo são: fabricação de cimento, disposição no solo, cultivo de grama comercial, fabricação de tijolos, solo comercial, compostagem e plantações de cítricos. O lodo também poderá ser utilizado para a melhoria da sedimentabilidade em águas de baixa turbidez, recuperação de coagulantes e controle de H2S. Além das utilizações benéficas citadas, muitas vantagens têm sido observadas, quando os lodos de ETAs são lançados em redes coletoras de esgotos ou diretamente nas estaçõesde tratamento de esgotos. A busca de soluções economicamente viáveis e ambientalmente vantajosas para o tratamento e disposição final de lodos de ETAs continua sendo um desafio em vários países, principalmente no Brasil, onde o assunto é mais recente. A caracterização adequada do lodo é o passo inicial para poder avançar nesse sentido. As legislações ambientais específicas devem ser analisadas para cada tipo de disposição final desejada. 4 www.tratamentodeagua.com.br Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 101 Também é imprescindível que seja realizada uma pesquisa de mercado, identificando potenciais clientes, aceitação do produto por fabricantes e pelo consumidor final, além da viabilidade da comercialização do produto. Dentre as várias soluções de disposição final para o Estado de São Paulo destacam- se: a fabricação de tijolos, o aterro e a descarga em redes coletoras de esgoto. REAÇÕES SIMPLES DE COAGULAÇÃO E OXIDAÇÃO Sabemos bem que a água é indispensável para a manutenção da vida em nosso planeta e é fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Porém, conforme mostrado no texto “Tipos de poluição das águas”, esse recurso hídrico está sendo contaminado de diversas formas, o que pode transmitir doenças, como a cólera e o tifo. Independentemente da origem, quer sejam provenientes de rios, lagos e represas, quer venham de lençóis freáticos no subsolo, todas essas fontes de água estão propensas à poluição. É por isso que antes de ser encaminhada para as nossas casas, as águas desses mananciais passam primeiro pelas Estações de Tratamento de Água (ETAs). Cabe aqui ressaltar a diferença entre as ETAs e as ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto). Conforme dito, nas ETAs, o tratamento feito é das águas doces encontradas na natureza que contêm resíduos orgânicos, sais dissolvidos, metais pesados, partículas em suspensão e micro-organismos. Essas águas tratadas são encaminhadas para as residências, indústrias e outros estabelecimentos para serem consumidas. Já nas ETEs, o tratamento feito é dos esgotos residenciais e industriais, sendo que, depois de tratada, essa água pode ser introduzida novamente nos rios e lagos sem causar grande impacto ambiental como causaria se fosse despejada diretamente sem o tratamento. Uma das etapas do processo de tratamento de água nas ETAs envolve a coagulação e a floculação. Nessas águas que serão tratadas existem impurezas cujas partículas são coloidais, isto é, possuem diâmetro médio entre 1 e 1000 nm. Por serem pequenas, elas não se sedimentam (não se depositam no fundo do recipiente) sob a ação da gravidade. Por isso, é necessário acrescentar à água coagulantes químicos. Geralmente, aqui no Brasil, o coagulante utilizado é o sulfato de alumínio (Al2(SO4)3). Mas há outros agentes químicos que podem ser utilizados com essa mesma função, como os sais de ferro (III) ou ainda polímeros orgânicos. Esses coagulantes são insolúveis na água e geram íons positivos (cátions) que atraem as impurezas carregadas negativamente nas águas. Quimicamente, podemos explicar assim: o sulfato de alumínio gera os seguintes íons na água: Al2(SO4)3 → 2 Al3+ + 3 SO4 2- Uma menor parte dos cátions Al3+ neutraliza as cargas negativas das impurezas presentes na água, e a maior parte deles interage com os íons hidroxila (OH-) da água, formando o hidróxido de alumínio: Al2(SO4)3 + 6 H2O → 2 Al(OH)3 +6 H+ + 3 SO4 2- Esse hidróxido de alumínio é um coloide carregado positivamente que neutraliza as impurezas coloidais carregadas negativamente que estiverem na água. Observe que há um excesso de H+, o que torna o meio ácido e pode impedir a formação do hidróxido de alumínio. Por isso, com o coagulante é adicionado à água também algum composto que aumente o pH (a alcalinidade) do meio, tais como as bases hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) e hidróxido de sódio (NaOH), ou um sal de caráter básico, como o carbonato de sódio (Na2CO3), conhecido como barrilha. Assim, as partículas poluidoras desestabilizam-se e sofrem uma aglutinação, o que facilita a sua deposição ou aglomeração em flóculos. Podemos dizer então que a coagulação é um processo químico usado para desestabilizar partículas coloidais. Na parte seguinte e complementar, chamada de floculação, a água é agitada fortemente por cerca de 30 segundos por um agitador mecânico, como o mostrado na figura a seguir, com a finalidade de aumentar a dispersão do coagulante. Depois o sistema é agitado lentamente, permitindo o contato entre as partículas. 11. Noções básicas de química: reações simples de coagulação e oxidação. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 102 Agitador mecânico usado em floculação da água Esses flóculos formados são então encaminhados para outra etapa do tratamento, que é a sedimentação e a decantação, onde eles depositam-se no fundo dos tanques e são coletados. O texto Separação de misturas por decantação mostra do que se trata esse processo físico. O processo coagulação/floculação é considerado um tipo de tratamento terciário de efluentes, pois emprega técnicas físico-químicas para a remoção de poluentes específicos. Infelizmente, essa é uma tecnologia de transferência do poluente da água para outro lugar, pois eles são transformados em resíduos sólidos, mas a poluição não é destruída. Coagulação química A coagulação é empregada para a remoção de material em suspensão ou coloidal. Os colóides são apresentados por partículas que tem uma faixa de tamanho de 1 nm (10-7) a 0,1 nm (10-8), e causam cor e turbidez. As partículas coloidais não sedimentam e não podem ser removidas por processos de tratamento físicos convencionais. Os colóides possuem propriedades elétricas que criam uma força de repulsão que impede a aglomeração e a sedimentação. Na maior parte dos efluentes industriais o colóide possui carga negativa (Eckenfelder, 1989). Se suas características não forem alteradas, permanecem no meio líquido. Para que as impurezas possam ser removidas, é preciso então alterar algumas características por meio da coagulação, floculação, sedimentação (ou flotação) e filtração. É comum referir-se aos sistemas coloidais como hidrófobos ou suspensóides quando repelem a água, e como hidrófilos ou emulsóides quando apresentam afinidade com a água (Di Bernardo, 2005). A matéria particulada na água residuária é na maior parte orgânica. As condições de mistura e de floculação para a agregação de colóides orgânicos serão diferentes daquelas empregadas para colóides inorgânicos: as superfícies hidrofílicas destas partículas orgânicas reagem diferentemente à adição de coagulante. Em geral, coagulante é o produto químico que é adicionado para desestabilizar as partículas coloidais de modo que possa formar o floco. Em geral são utilizados sais de alumínio e ferro. Floculante é o produto químico, geralmente orgânico, adicionado para acentuar o processo de floculação (Metcalf & Eddy, 2003). A maioria dos floculantes usados consiste em polieletrólitos tais como derivados de poliacrilamida e de poliestireno (BekriAbbes, Bayoudh e Baklouti, 2007). A coagulação é o processo de desestabilização das partículas coloidais de modo que o crescimento da partícula possa ocorrer em consequência das colisões entre partículas (Metcalf & Eddy, 2003). O papel do coagulante aqui é desestabilizar a suspensão coloidal reduzindo todas as forças atrativas, desse modo abaixando a barreira de energia e permitindo partículas de se agregarem. Dependendo das propriedades físicas e químicas da solução, do poluente e do coagulante, um número de mecanismos de coagulação (por exemplo, neutralização da carga, compressão da dupla camada, formação de pontes e arraste) foram postulados. A dosagem do produto químico entrega o coagulante como um sal que se dissocia na solução com hidrólise do cátion de alumínio (e de ânionsassociados) que determinam a especiação da solução e pH. Adição de alumínio (isto é, sulfato de alumínio), por exemplo, acidifica a água (Holt, 2002). A coagulação, resulta de dois fenômenos: o primeiro, essencialmente químico, consiste nas reações do coagulante com a água e na formação de espécies hidrolisadas com carga positiva e depende da concentração do metal e pH final da mistura; o segundo, fundamentalmente físico, consiste no transporte das espécies hidrolisadas para que haja contato entre as impurezas presentes na água. O processo é Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 103 muito rápido, variando desde décimos de segundo a cerca de 100 segundos, dependendo das demais características (pH, temperatura, condutividade elétrica, concentração de impurezas, etc.). Daí em diante há necessidade de agitação lenta, para que ocorram choques entre as impurezas, que se aglomeram formando partículas maiores, denominadas flocos, que podem ser removidos por sedimentação, flotação ou filtração rápida. Essa etapa é denominada floculação (Di Bernardo, 2005). Uma característica essencial da floculação da água residuária é a eliminação dos sólidos em suspensão e do material orgânico tanto quanto possível (Amuda e Alade, 2006). O processo de coagulação/floculação pode ser usado como pré-tratamento antecedente ao tratamento biológico a fim de aumentar a biodegradabilidade da água residuária durante o tratamento biológico. Se o tratamento físico-químico feito no estágio inicial do tratamento de água residuária for eficaz, a carga orgânica em toda a fase biológica subsequente ao tratamento estará então reduzida consideravelmente (Amuda e Amoo, 2006). A planta de tratamento completa será mais compacta e terá maior eficiência de energia (Bhuptawat, Folkard e Chaudhari, 2006). As dosagens dos coagulantes variam em grande escala para maximizar a eficiência de remoção dos poluentes, usando doses mínimas no pH ótimo (Amuda e Alade, 2006). As condições ótimas para a coagulação podem ser determinadas fazendo-se o Jar Test. Estes testes podem ser usados para estabelecer o melhor tipo e a melhor concentração do coagulante, as condições apropriadas de mistura e as taxas de sedimentação floculenta para melhor remoção orgânica e/ou da toxicidade (Al-Mutairi, 2006 apud Adams et al., 1981). Referências Operação e manutenção de redes coletoras de esgotos PUC-Rio – Certificação Digital nº 0511120/CA - https://www.maxwell.vrac.puc- rio.br/11608/11608_5.PDF BRASIL. Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – NBR ISO9000 2: Normas de Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade: diretrizes gerais para a aplicação nas normas ISO9001, 9002 e 9003, 2000. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº67, de 8 de outubro de 2007. Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 09 de outubro de 2007, Seção 1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº87, 21 novembro de 2008. Altera o Regulamento Técnico sobre Boas Práticas de Manipulação em Farmácias. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 24 de novembro de 2008, Seção 1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº37, de 06 de julho de 2009. Trata da admissibilidade das Farmacopeias estrangeiras. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 08 de julho de 2009, Seção 1. Hidráulica Aplicada as ETAs Apostila elaborada pelos servidores do SAMAE, Eng.ª Liseane Peluso Rech, Eng.º Edson Charles Rippel, Eng.ª Fernanda Ballardin Spiandorello e Silvana de Fátima da Silva Mastella, designados através da Portaria n.º 23.314, de 01 de agosto de 2014. http://www.casan.com.br http://tudosobretratamentodeesgoto.blogspot.com.br http://www.comusa.rs.gov.br www.brasilescola.uol.com.br FISPQ (Ficha de Segurança de Produtos Químicos)5 A sigla FISPQ significa Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos, é um documento normalizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) conforme NBR 14725-4. 5 NETO, NESTOR WALDHELM. O que é FISPQ (Ficha de Segurança de Produtos Químicos). Disponível em: http://segurancadotrabalhonwn.com/o-que-e-fispq-ficha-de-seguranca-de-produtos-quimicos/. 12. Normas Técnicas de Segurança no trabalho no manuseio de produtos químicos, transporte de materiais, ergonomia Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 104 Produtos químicos Em nosso ambiente cotidiano seja em casa ou no trabalho, sempre temos algum tipo de contato com produtos químicos. Eles estão lá para nos auxiliar, no entanto, alguns são altamente prejudiciais. Muitas vezes lidamos com produtos químicos de forma inadequada, e a FISPQ vem exatamente para nos avisar dos riscos, medidas de proteção e cuidado que devem ser adotados no manuseio e transporte desse tipo de produto. A FISPQ é um documento para comunicação dos perigos relacionados aos produtos químicos. E deve ser recebido pelos empregadores que utilizem, movimentem ou transportem produtos químicos, é um documento obrigatório para a comercialização destes produtos. A FISPQ é o meio de o fornecedor divulgar informações importantes sobre os perigos dos produtos químicos que fabrica e comercializa. O documento é dividido por seções, no total são 16, e contemplam informações sobre vários aspectos do produto, mistura, composição, aspectos de proteção, segurança, saúde e meio ambiente, para esses aspectos, a FISPQ fornece informações detalhadas sobre os produtos e também sobre ações de emergência a serem adotadas em caso de acidente. Como ter acesso a FISPQ Quando a empresa adquire o produto químico a FISPQ deve vir junto. Trata-se de um direito de quem adquire o produto. E deve ficar à disposição de todos os que trabalham com o produto. São capítulos da FISPQ: 1 – Identificação do produto e da empresa Esta seção informa o nome comercial do produto conforme utilizado no rótulo de produto químico, o nome da empresa fabricante com telefone e endereço. 2 – Identificação de perigos Esta seção apresenta de forma clara e brevemente os perigos mais importantes e efeitos do produto (efeitos adversos à saúde humana, efeitos ambientais, perigos físicos e químicos) e, quando apropriado, perigos específicos. É como se fosse uma visão geral sobre emergência. 3 – Composição e informações sobre os ingredientes Esta seção informa se o produto químico é uma substância ou uma mistura. – No caso de ser uma substância, o nome químico ou comum será informado. – No caso de ser uma mistura, a natureza química do produto será informada. 4 – Medidas de primeiros-socorros Nesta seção será informar as medidas de primeiros-socorros a serem tomadas de forma detalhada, e também indicação de quais as ações devem ser evitadas. 5 – Medidas de combate a incêndio Esta seção informa quais são os meios de extinção apropriados e os que não são recomendados. 6 – Medidas de controle para derramamento ou vazamento Essa sessão contém as informações relativas: – As instruções específicas de precauções pessoais; – Procedimentos a serem adotados em relação à proteção ao meio ambiente; – Procedimentos de emergência e acionamento de alarmes; – Métodos de limpeza, coleta, neutralização e descontaminação do ambiente ou meio ambiente. 7 – Manuseio e armazenamento Procedimentos de segurança no manuseio e armazenamento. Deve contemplar as ações de segurança, prevendo também ações em caso de contado acidental com o produto. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 105 8 – Controle de exposição e proteção individual São indicados parâmetros de controle para sustâncias e ingredientes, limites detolerância, e/ou indicadores biológicos ou outros limites. – Propriedades físicas e químicas Essa sessão inclui informação detalhada sobre o produto químico, incluindo sua aparência e cor. 10 – Estabilidade e reatividade Esta seção indica: a) estabilidade química: Indica se a substância ou mistura é estável ou instável em condições normais de temperatura e pressão. b) reatividade: Descreve os perigos de reatividade da substância ou mistura nesta seção. c) possibilidade de reações perigosas: Estabelece se a substância ou mistura reage ou polimeriza, liberando excesso de pressão ou calor, ou gerando outras condições perigosas. d) condições a serem evitadas: Lista as condições a serem evitadas, tais como: temperatura, pressão, choque/impacto/atrito, luz, descarga estática, vibrações, envelhecimento, umidade e outras condições que podem resultar em uma situação de perigo; e) materiais incompatíveis: Lista as classes de substâncias ou as substâncias específicas com as quais a substância ou mistura pode reagir para uma situação de perigo (por exemplo, explosão, liberação de materiais tóxicos ou inflamáveis, liberação de calor excessivo); f) produtos perigosos da decomposição: lista os produtos perigosos da decomposição conhecidos, resultantes do manuseio, armazenagem e aquecimento. 11 – Informações toxicológicas Essa seção é utilizada principalmente por médicos, toxicologistas e profissionais da área de segurança do trabalho. É fornecida uma descrição concisa, completa, e compreensível dos vários efeitos Toxicológicos no corpo humano, bem como os dados disponíveis para identificar esses efeitos. 12 – Informações ecológicas Fornecer informações para avaliar o impacto ambiental da substância ou mistura quando liberada ao meio ambiente. Essas informações visam auxiliar em casos de vazamentos/derramamentos, bem como nas práticas de tratamento de resíduos. 13 – Considerações sobre tratamento e disposição Esta seção informa sobre os métodos recomendados para tratamento e disposição segura dos produtos, e esses devem ser ambientalmente aprovados. 14 – Informações sobre transporte Contém informações sobre códigos e classificações de acordo com regulamentações nacionais e internacionais para transporte dos produtos. 15 – Regulamentações Contém informações sobre as regulamentações especificamente aplicáveis ao produto químico. 16 – Outras informações Esta seção fornece qualquer outra informação que possa ser importante do ponto de vista da segurança, saúde e meio ambiente, mas não especificamente pertinente às seções anteriores. Por exemplo, necessidades especiais de treinamento, o uso recomendado e possíveis restrições ao produto químico podem ser indicados. → Na prática, a FISPQ é um grande auxílio para o profissional de segurança, pois mostra ao profissional os principais riscos do produto utilizado, e ainda, sugere proteções para o trabalho com o produto. Além disso, utilizando-se da FISPQ, consegue-se economizar nas avaliações ambientais quantitativas. Como a FISPQ já traz a composição do produto, é possível fazer avaliações ambientais específicas para os agentes agressivos de forma direta. Sem a FIPSQ em muitos casos o profissional tem que contratar uma varredura para encontrar o agente agressivo do produto, com a FISPQ é só consulta-la que vem tudo detalhado. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 106 NORMA BRASILEIRA - ABNT NBR 14725-46 Produtos químicos — Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente. Parte 4: Ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ). Prefácio A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais (ABNT/CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidade, laboratório e outros). Os Documentos Técnicos ABNT são elaborados conforme as regras das Diretivas ABNT, Parte 2. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) chama atenção para a possibilidade de que alguns dos elementos deste documento podem ser objeto de direito de patente. A ABNT não deve ser considerada responsável pela identificação de quaisquer direitos de patentes. A ABNT NBR 14725-4 foi elaborada no Comitê Brasileito de Química (ABNT/CB-10), pela Comissão de Estudo de Informações sobre Segurança, Saúde e Meio Ambiente Relacionadas a Produtos Químicos (CE-10:101.05). O seu 1º Projeto circulou em Consulta Nacional conforme Edital nº 12, de 21.12.2007 a 18.02.2008, com o número de Projeto ABNT NBR 14725. O seu 2º Projeto circulou em Consulta Nacional conforme Edital nº 09, de 02.09.2008 a 01.10.2008, com o número de 2º Projeto 10:101.05-005. A ABNT NBR 14725, sob o título geral “Produtos químicos – Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente”, tem previsão de conter as seguintes partes: Parte 1: Terminologia → Disponível em: http://www2.iq.usp.br/pos-graduacao/images/documentos/seg_2_2013/nbr147251.pdf. Parte 2: Sistema de classificação de perigo → Disponível em: http://www2.iq.usp.br/pos-graduacao/images/documentos/seg_2_2013/nbr147252.pdf. Parte 3: Rotulagem → Disponível em: http://www3.icb.usp.br/corpoeditorial/ARQUIVOS/residuos_quimicos/normas_leis/Parte3_NBR_1472 5-3-2012.pdf. Parte 4: Ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ). Introdução A ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ) fornece informações sobre vários aspectos de produtos químicos (substâncias ou misturas) quanto à proteção, à segurança, à saúde e ao meio ambiente. A FISPQ fornece, para esses aspectos, conhecimentos básicos sobre os produtos químicos, recomendações sobre medidas de proteção e ações em situação de emergência. Em alguns países, essa ficha é chamada safety data sheet (SDS). Ao longo desta parte da ABNT NBR 14725, o termo FISPQ será utilizado. A FISPQ também é conhecida como Ficha de/com Dados de Segurança (FDS). A FISPQ é um meio de o fornecedor transferir informações essenciais sobre os perigos de um produto químico (incluindo informações sobre o transporte, manuseio, armazenagem e ações de emergência) ao usuário deste, possibilitando a ele tomar as medidas necessárias relativas à segurança, saúde e meio ambiente. A FISPQ também pode ser usada para transferir essas informações para trabalhadores, empregadores, profissionais da saúde e segurança, pessoal de emergência, agências governamentais, assim como membros da comunidade, instituições, serviços e outras partes envolvidas com o produto químico. Esta parte da ABNT NBR 14725 estabelece condições para criar consistência no fornecimento de informações sobre questões de segurança, saúde e meio ambiente, relacionadas ao produto químico. 6 Disponível em: http://www3.icb.usp.br/corpoeditorial/ARQUIVOS/residuos_quimicos/normas_leis/Parte4_NBR_14725-4-2009.pdf. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 107 Para estabelecer uniformidade, certos requisitos foram definidos sobre a forma de como as informações relativas ao produto devem ser apresentadas (por exemplo, a terminologia, a numeração e a sequência das seções). Esta parte da ABNT NBR 14725 permite flexibilidade para adaptar diferentes sistemas de edição e transmissão de texto. As obrigações do usuário de uma FISPQ estão além da abrangência desta parte da ABNT NBR 14725. Algumas delas estão incluídas, no entanto, para que seja feita uma diferença clara entre as obrigações do fornecedor da FISPQ e aquelas do usuário da FISPQ. A ABNT NBR 14725 constitui parte do esforço para a aplicação do Sistema Globalmente Harmonizado (GHS) de informaçãode segurança de produtos químicos perigosos. O Decreto 2657, de 03 de julho de 1998, que promulgou a Convenção 170 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estabelece algumas responsabilidades de implementação da ABNT NBR 14725. A elaboração da ABNT NBR 14725 foi embasada pelas seguintes premissas básicas do Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals (GHS): A necessidade de fornecer informações sobre produtos químicos perigosos relativas à segurança, à saúde e ao meio ambiente; O direito do público-alvo de conhecer e de identificar os produtos químicos perigosos que utilizam e os perigos que eles oferecem; A utilização de um sistema simples de identificação, de fácil entendimento e aplicação, nos diferentes locais onde os produtos químicos perigosos são utilizados; A necessidade de compatibilização deste sistema com o critério de classificação para todos os perigos previstos pelo GHS; A necessidade de facilitar acordos internacionais e de proteger o segredo industrial e as informações confidenciais; A capacitação e o treinamento dos trabalhadores; e a educação e a conscientização dos consumidores. 1 Escopo Esta parte da ABNT NBR 14725 apresenta informações para a elaboração de uma ficha de informações de segurança de produto químico (FISPQ). Esta parte da ABNT NBR 14725 define especificamente: O modelo geral de apresentação da FISPQ; As 16 seções obrigatórias; A numeração e sequência das seções; As informações a serem preenchidas na FISPQ e as condições de sua aplicabilidade ou utilização. Esta parte da ABNT NBR 14725 não define um formato fixo para a FISPQ. 2 Referências normativas Os documentos relacionados a seguir são indispensáveis à aplicação deste documento. Para referências datadas, aplicam-se somente as edições citadas. Para referências não datadas, aplicam-se as edições mais recentes do referido documento (incluindo emendas). Resolução 11 do Conmetro, de 12.10.1988, Aprovação da Regulamentação Metrológica das Unidades de Medida Resolução 12 do Conmetro, de 12.10.1988, Adoção do quadro geral de unidades de medida e emprego de unidades do Sistema Internacional de Unidades - S.I ABNT NBR 14725-1, Produtos químicos – Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente – Parte 1: Terminologia ABNT NBR 14725-2, Produtos químicos – Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente – Parte 2: Sistema de classificação de perigo 3 Termos e definições Para os efeitos desta parte da ABNT NBR 14725, aplicam-se os termos e definições da ABNT NBR 14725-1. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 108 4 Aspectos gerais Uma FISPQ deve ser aplicada a um produto químico como um todo. A FISPQ não é um documento confidencial. Não é necessário informar a composição completa do produto químico, porém, para não comprometer a saúde e a segurança dos usuários e a proteção do meio ambiente, as informações referentes ao(s) perigo(s) de substância(s) ou mistura(s), ainda que consideradas confidenciais, devem ser fornecidas. As condições adotadas para a proteção do segredo industrial não podem comprometer a saúde e a segurança dos trabalhadores ou consumidores e a proteção do meio ambiente. Por este motivo, os perigos associados a produtos químicos perigosos protegidos por estes critérios devem ser divulgados na FISPQ, ainda que as informações relativas à composição do produto químico perigoso não sejam completamente fornecidas. O fornecedor deve tornar disponível ao receptor/usuário uma FISPQ completa, na qual estão relatadas informações pertinentes quanto à segurança, saúde e meio ambiente. O fornecedor tem o dever de manter a FISPQ sempre atualizada e tornar disponível ao usuário/receptor a edição mais recente. No caso de alterações na composição do produto químico que impliquem alteração na sua classificação de perigo, porém com manutenção do nome comercial, o fornecedor deve disponibilizar as diversas versões da FISPQ, para os produtos disponíveis no mercado, assegurando a correta utilização do produto químico correlacionado com a sua respectiva FISPQ. Para a elaboração da FISPQ são exigidos conhecimentos técnicos específicos do produto em relação ao requisitos desta parte da ABNT NBR 14725. O usuário da FISPQ é responsável por agir de acordo com uma avaliação de riscos, tendo em vista as condições de uso do produto, por tomar as medidas de precaução necessárias numa dada situação de trabalho e por manter os trabalhadores informados quanto aos perigos pertinentes no seu local de trabalho. O usuário da FISPQ é responsável por escolher a melhor maneira de informar e treinar os trabalhadores, quanto a, no mínimo, identificação do produto, composição, identificação dos perigos, medidas de primeiros-socorros, medidas de combate a incêndio, medidas de controle para derramamento ou vazamento, instruções para manuseio e armazenamento, medidas de controle de exposição e proteção individual, as informações sobre estabilidade e reatividade, as informações toxicológicas e as considerações sobre tratamento e disposição. Quando formular as instruções específicas para o local de trabalho, o receptor deve levar em consideração as recomendações pertinentes da FISPQ de cada produto. As informações quantitativas contidas na FISPQ devem ser expressas pelo Sistema Internacional de Unidades (SI). NOTA A FISPQ serve de base para a elaboração do rótulo e da ficha de emergência, não substituindo estes documentos. 5 Conteúdo e modelo geral de uma FISPQ Uma FISPQ deve fornecer as informações sobre o produto químico nas seções abaixo, cujos títulos, numeração e sequência não podem ser alterados: 1 Identificação do produto e da empresa 2 Identificação de perigos 3 Composição e informações sobre os ingredientes 4 Medidas de primeiros-socorros 5 Medidas de combate a incêndio 6 Medidas de controle para derramamento ou vazamento 7 Manuseio e armazenamento 8 Controle de exposição e proteção individual 9 Propriedades físicas e químicas 10 Estabilidade e reatividade 11 Informações toxicológicas 12 Informações ecológicas 13 Considerações sobre tratamento e disposição 14 Informações sobre transporte 15 Regulamentações 16 Outras informações Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 109 Cada seção da FISPQ correspondente ao seu título-padrão deve ser preenchida de acordo com as instruções e recomendações do Anexo A (produto químico). Um modelo orientativo de FISPQ é dado no Anexo B. Anexos7 Questões 01. (IF/RJ – Técnico Seg. Trabalho – IF/RJ/2012) A Ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ) é um documento normalizado pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. A respeito da FISPQ, é correto afirmar que ela (A) estabelece medidas de penalidade contra os fabricantes infratores. (B) é um documento facultativo para a comercialização de produtos químicos. (C) fornece informações sobre a fabricação dos produtos químicos. (D) fornece informações como proteção à segurança, à saúde e ao meio ambiente. 02. (IF/RJ – Engenheiro – BIO-RIO/2015) A ____ fornece informações sobre vários aspectos dos produtos químicos (substâncias ou misturas) quanto à segurança, à saúde e ao meio ambiente; transmitindo desta maneira, conhecimentos sobre produtos químicos, recomendações sobre medidas de proteção e ações em situação de emergência. A lacuna é corretamente preenchida por: (A) Ficha de saúde de produtos perigosos (FSPP). (B) Ficha de informações de segurança (FIS). (C) Ficha superficial de produtos químicos (FSPQ). (D) Ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ). (E) Ficha de segurança de produtos (FSP). Respostas 01. D/ 02. D. Transporte de Materiais NR 11 - TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS 11.1 Normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriaise máquinas transportadoras. 11.1.1 Os poços de elevadores e monta-cargas deverão ser cercados, solidamente, em toda sua altura, exceto as portas ou cancelas necessárias nos pavimentos. 11.1.2 Quando a cabina do elevador não estiver ao nível do pavimento, a abertura deverá estar protegida por corrimão ou outros dispositivos convenientes. 11.1.3 Os equipamentos utilizados na movimentação de materiais, tais como ascensores, elevadores de carga, guindastes, monta-carga, pontes-rolantes, talhas, empilhadeiras, guinchos, esteiras-rolantes, transportadores de diferentes tipos, serão calculados e construídos de maneira que ofereçam as necessárias garantias de resistência e segurança e conservados em perfeitas condições de trabalho. 11.1.3.1 Especial atenção será dada aos cabos de aço, cordas, correntes, roldanas e ganchos que deverão ser inspecionados, permanentemente, substituindo-se as suas partes defeituosas. 11.1.3.2 Em todo o equipamento será indicado, em lugar visível, a carga máxima de trabalho permitida. 11.1.3.3 Para os equipamentos destinados à movimentação do pessoal serão exigidas condições especiais de segurança. 11.1.4 Os carros manuais para transporte devem possuir protetores das mãos. 11.1.5 Nos equipamentos de transporte, com força motriz própria, o operador deverá receber treinamento específico, dado pela empresa, que o habilitará nessa função. 11.1.6 Os operadores de equipamentos de transporte motorizado deverão ser habilitados e só poderão dirigir se durante o horário de trabalho portarem um cartão de identificação, com o nome e fotografia, em lugar visível. 7 Anexos disponíveis em: http://www3.icb.usp.br/corpoeditorial/ARQUIVOS/residuos_quimicos/normas_leis/Parte4_NBR_14725-4-2009.pdf. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 110 11.1.6.1 O cartão terá a validade de 1 (um) ano, salvo imprevisto, e, para a revalidação, o empregado deverá passar por exame de saúde completo, por conta do empregador. 11.1.7 Os equipamentos de transporte motorizados deverão possuir sinal de advertência sonora (buzina). 11.1.8 Todos os transportadores industriais serão permanentemente inspecionados e as peças defeituosas, ou que apresentem deficiências, deverão ser imediatamente substituídas. 11.1.9 Nos locais fechados ou pouco ventilados, a emissão de gases tóxicos, por máquinas transportadoras, deverá ser controlada para evitar concentrações, no ambiente de trabalho, acima dos limites permissíveis. 11.1.10 Em locais fechados e sem ventilação, é proibida a utilização de máquinas transportadoras, movidas a motores de combustão interna, salvo se providas de dispositivos neutralizadores adequados. 11.2 Normas de segurança do trabalho em atividades de transporte de sacas. 11.2.1 Denomina-se, para fins de aplicação da presente regulamentação a expressão "Transporte manual de sacos" toda atividade realizada de maneira contínua ou descontínua, essencial ao transporte manual de sacos, na qual o peso da carga é suportado, integralmente, por um só trabalhador, compreendendo também o levantamento e sua deposição. 11.2.2 Fica estabelecida a distância máxima de 60,00m (sessenta metros) para o transporte manual de um saco. 11.2.2.1 Além do limite previsto nesta norma, o transporte descarga deverá ser realizado mediante impulsão de vagonetes, carros, carretas, carros de mão apropriados, ou qualquer tipo de tração mecanizada. 11.2.3 É vedado o transporte manual de sacos, através de pranchas, sobre vãos superiores a 1,00m (um metro) ou mais de extensão. 11.2.3.1 As pranchas de que trata o item 11.2.3 deverão ter a largura mínima de 0,50m (cinquenta centímetros). 11.2.4 Na operação manual de carga e descarga de sacos, em caminhão ou vagão, o trabalhador terá o auxílio de ajudante. 11.2.5 As pilhas de sacos, nos armazéns, devem ter altura máxima limitada ao nível de resistência do piso, à forma e resistência dos materiais de embalagem e à estabilidade, baseada na geometria, tipo de amarração e inclinação das pilhas. 11.2.6 (Revogado). 11.2.7 No processo mecanizado de empilhamento, aconselha-se o uso de esteiras-rolantes, dadas ou empilhadeiras. 11.2.8 Quando não for possível o emprego de processo mecanizado, admite-se o processo manual, mediante a utilização de escada removível de madeira, com as seguintes características: a) lance único de degraus com acesso a um patamar final; b) a largura mínima de 1,00m (um metro), apresentando o patamar as dimensões mínimas de 1,00m x 1,00m (um metro x um metro) e a altura máxima, em relação ao solo, de 2,25m (dois metros e vinte e cinco centímetros); c) deverá ser guardada proporção conveniente entre o piso e o espelho dos degraus, não podendo o espelho ter altura superior a 0,15m (quinze centímetros), nem o piso largura inferior a 0,25m (vinte e cinco centímetros); d) deverá ser reforçada, lateral e verticalmente, por meio de estrutura metálica ou de madeira que assegure sua estabilidade; e) deverá possuir, lateralmente, um corrimão ou guarda-corpo na altura de 1,00m (um metro) em toda a extensão; f) perfeitas condições de estabilidade e segurança, sendo substituída imediatamente a que apresente qualquer defeito. 11.2.9 O piso do armazém deverá ser constituído de material não escorregadio, sem aspereza, utilizando-se, de preferência, o mastique asfáltico, e mantido em perfeito estado de conservação. 11.2.10 Deve ser evitado o transporte manual de sacos em pisos escorregadios ou molhados. 11.2.11 A empresa deverá providenciar cobertura apropriada dos locais de carga e descarga da sacaria. 11.3 Armazenamento de materiais. 11.3.1 O peso do material armazenado não poderá exceder a capacidade de carga calculada para o piso. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 111 11.3.2 O material armazenado deverá ser disposto de forma a evitar a obstrução de portas, equipamentos contra incêndio, saídas de emergências, etc. 11.3.3. Material empilhado deverá ficar afastado das estruturas laterais do prédio a uma distância de pelo menos 0,50m (cinquenta centímetros). 11.3.4 A disposição da carga não deverá dificultar o trânsito, a iluminação, e o acesso às saídas de emergência. 11.3.5 O armazenamento deverá obedecer aos requisitos de segurança especiais a cada tipo de material. 11.4 Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Chapas de Mármore, Granito e outras rochas. (Acrescentado pela Portaria SIT n.º 56, de 17 de setembro de 2003) 11.4.1 A movimentação, armazenagem e manuseio de chapas de mármore, granito e outras rochas deve obedecer ao disposto no Regulamento Técnico de Procedimentos constante no Anexo I desta NR. Anexo Disponível em: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR11.pdf Questões 01. (EBSERH – Técnico em Segurança do Trabalho – IBFC/2016) Dentro do programa de capacitação existe o Módulo III - Segurança na Operação de Ponte Rolante. É correto afirmar que estamos falando da: Assinale a alternativa correta. (A) NR - 12 (B) NR - 18 (C) NR - 36 (D) NR - 35 (E) NR - 11 02. (EBSERH – Engenheiro de Segurança do Trabalho – IBFC/2016) De acordo com a NR-11, é correto afirmar que: (A) Os carros manuais para transporte devem possuir protetores das mãos (B) Os equipamentos de transporte motorizados com capacidade superior a 1 tonelada, deverão possuir sinal de advertência visual (C) É permitido transporte manual de sacos, através de pranchas, sobre vãos inferiores a 1,00m (um metro) de extensão, desde que as pranchas tenham largura mínima de 0,40m (quarenta centímetros) (D) As pilhas de sacos, nos armazéns, devem ter altura máxima limitada a 3,00m (três metros) baseada na geometria, tipo de amarração e inclinação mais desfavoráveis (E) Na operação manual de carga e descarga de sacos, em caminhão ou vagão, o trabalhador terá o auxílio de ajudante, quando a distância exceder 80,00m (oitenta metros)nas ruas. Quando as pilhas ficaram altas, e o mau odor tornava-se insuportável, a sujeira era retirada com a utilização de pás e veículos de tração animal. Esta condição prevaleceu até o final do século XVIII, principalmente nas cidades menores. A iniciativa de pavimentação das ruas nas cidades europeias, com a finalidade de mantê-las limpas e alinhadas, a partir do final do século XII, exemplos de Paris (1185), Praga (1331), Nuremberg (1368) e Basiléia (1387), tornou-se o marco inicial da retomada da construção de sistemas de drenagem pública das águas de escoamento superficial e o encanamento subterrâneo de águas servidas, estas inicialmente para fossas domésticas e, posteriormente, para os canais pluviais. As primeiras leis públicas notáveis de instalação, controle e uso destes serviços têm origem a partir do século XIV. Em termos de saneamento o período histórico dos séculos XVI e XVIII é considerado de transição. A partir do século XVI, já no Renascimento, com a crescente poluição dos mananciais de água o maior problema era o destino dos esgotos e do lixo urbanos. No século seguinte, o abastecimento de água urbano teve radical desenvolvimento, pois se passou a empregar bombeamentos com máquinas movidas a vapor e tubos de ferro fundido para recalques de água, notadamente a partir da Alemanha, procedimentos que viriam a se generalizar no século seguinte, juntamente com a formação de empresas fornecedoras de água. Os estudos de John Snow (1813-1858), o movimento iluminista, a revolução industrial e as mudanças agrárias provocaram alterações revolucionárias no final do século XVIII, com profundas alterações na vida das cidades e, consequentemente, nas instalações sanitárias. Ruas estreitas e sinuosas foram alargadas e alinhadas, pavimentadas, iluminadas e drenadas, tanto na Inglaterra como no continente. O aparecimento da água encanada e das peças sanitárias com descarga hídrica, fizeram com que a água passasse a servir com uma nova finalidade: afastar propositadamente dejetos e outras impurezas indesejáveis ao ambiente de vivência. A sistemática de carreamento de refugos e dejetos domésticos com o uso da água, embora fosse conhecido desde o século XVI, quando John Harrington (1561-1612) instalou a primeira latrina no palácio da Rainha Isabel, sua disseminação só veio a partir de 1778, quando Joseph Bramah (1748-1814) inventou a bacia sanitária com descarga hídrica, inicialmente empregada em hospitais e moradias nobres. A generalização dos sistemas de distribuição de água e as descargas hídricas para evacuar o esgoto, provocaram a saturação do solo, contaminando as ruas e o lençol freático. A extravasão para os leitos das ruas criou, também, constrangimentos do ponto de vista estéticos, levando a necessidade de criação de esquemas para limpeza das vias públicas das cidades grandes. Muitas cidades como Paris, Londres e Baltimore tentaram o emprego de fossas individuais com resultados desastrosos, pois as mesmas, com manutenção inadequada, se tornaram fontes de geração de doenças. Raramente eram limpas e seu conteúdo se infiltrava pelo solo, saturando grandes áreas do terreno e poluindo fontes e poços usados para o suprimento de água. As fossas, portanto, tornaram-se um problema de saúde pública. Além disso, era ilusoriamente fácil eliminar a água de esgoto, permitindo-a alcançar os canais de esgotamento existentes sob muitas cidades. Como esses canais de esgotamento se destinavam a carrear água de chuva, a generalização dessa prática levou os rios de cidades maiores transformarem-se em esgotos a céu aberto, um dos maiores desafios enfrentados pelos reformadores sanitários do século XIX. Paralelamente começava a se concretizar a ideia de serem organismos microscópicos como possível causa das doenças transmissíveis. No início do século XIX havia na Grã-Bretanha várias cidades consideradas de grande porte, mas elas pareciam tão incapazes como suas predecessoras de evitar as contrastantes ondas de mortes por doenças e epidemias, que ainda eram o preço inevitável da vida urbana. Apesar das consideráveis melhorias executadas nos esgotos londrinos no século anterior, as galerias continuavam despejando seus bacilos no rio Tâmisa, contaminando a principal fonte de água potável da capital. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 9 O sistema de esgotos utilizado em todo o Brasil, é do tipo “separador absoluto”. Este sistema constitui a veiculação do esgoto sanitário (doméstico, industrial e infiltração) em um sistema independente denominado de sistema de esgoto sanitário. As águas pluviais são coletadas e transportadas em um sistema de drenagem pluvial totalmente independente. Classificação dos esgotos Doméstico – constitui de efluentes gerados em uma residência, em hábitos higiênicos e atividades fisiológicas, além de efluentes gerados em outros ambientes, cujas características físico-químicas sejam aquelas peculiares ao esgoto residencial. Não Doméstico – constitui de despejo líquido resultante de atividades produtivas ou de processo de indústria, de comércio ou de prestação de serviço, com características físico-químicas distintas do esgoto doméstico. Infiltração – parcela devida às águas do subsolo que penetram nas tubulações, através das juntas e órgãos acessórios. Caracterização da qualidade dos esgotos Os esgotos domésticos contêm aproximadamente 99,9% de água, e apenas 0,1% de sólidos. É devido a essa fração de 0,1% de sólidos que ocorrem os problemas de poluição das águas. As características dos esgotos gerados por uma comunidade são função dos usos a que a água foi submetida. Esses usos, e a forma com que são exercidos, variam com o clima, os hábitos, a situação social e econômica da população. As características físicas dos esgotos podem ser interpretadas pela obtenção das grandezas correspondentes a matéria sólida, temperatura, odor, cor e turbidez. As características químicas podem ser classificadas em dois grandes grupos: matéria orgânica e inorgânica. Os principais parâmetros utilizados são: pH, DBO, DQO, Nitrogênio e Fósforo. As características biológicas dos esgotos são de grande importância no controle da poluição e tratamento dos esgotos. Os principais organismos encontrados nos rios e esgotos são: as bactérias, os fungos, os protozoários, os vírus, as algas e grupos de plantas e de animais. O organismo mais utilizado como indicador de poluição é do grupo das bactérias coliformes. Os esgotos domésticos e não domésticos produzidos são coletados dentro das residências, comércios ou indústrias por meio de tubulações hidráulico-sanitárias (ramais internos) de responsabilidade do proprietário até a interligação no PL (Poço Luminar) localizado no passeio. Estas conduzem os esgotos para as ligações prediais que se interligam às redes coletoras por meio dos coletores secundários. O esgoto coletado nas redes escoa por gravidade, utilizando no máximo 75% do diâmetro da tubulação. Assim, é necessário que as tubulações sejam implantadas com declividades adequadas para garantir o escoamento por gravidade e o arraste dos sólidos contidos nos esgotos. Os coletores secundários conduzem os esgotos para os coletores tronco. O coletor tronco é o coletor principal, que recebe a contribuição dos coletores secundários, conduzindo os efluentes para um interceptor ou emissário. O interceptor é uma tubulação que recebe os coletores ao longo de sua extensão, não recebendo ligações prediais diretas. O emissário é uma tubulação que transporta os esgotos a um destino (estação de tratamento, lançamento final, elevatória), sem receber nenhuma contribuição ao longo de sua extensão. Em algumas situações são necessárias as estações elevatórias, que objetivam a transferência dos esgotos de uma cota mais baixa para outra mais alta, ou a transposição de sub-bacias por meio de bombeamento. As unidades anteriores se destinam ao transporte dos esgotos para a estaçãoRespostas 01. E/ 02. A. Análise Ergonômica do Trabalho Ergonomia – Posturas adequadas para realização das atividades Ergonomia8 vem do grego ergon, que significa trabalho e nomos, que quer dizer normas, ou seja, normas para organizar o trabalho. Ergonomia é a ciência que estuda as relações do homem com seu trabalho sob o aspecto psicofisiológico. A NR 17 da Portaria nº 3.214/78 estabelece regras para as condições de trabalho relacionadas com levantamento, transporte e descarga de materiais. A CLT estabelece no Artigo 198 que é de 60 quilos o peso máximo que um empregado pode remover individualmente, ressalvado o uso de material que utilize tração ou impulsão por vagonetes, trilhos, carros de mão ou outros aparelhos mecânicos, para o qual poderá ser fixado outro limite pelo Ministério do 8 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 31ª edição. São Paulo: Atlas, 2015. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 112 Trabalho. A mulher não poderá fazer serviços que empreguem força superior a 20 quilos para o trabalho contínuo, ou 25 quilos para o trabalho ocasional (Artigo 390 da CLT), não se compreendendo nessa orientação a remoção por vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou aparelhos mecânicos. Os menores devem obedecer às mesmas limitações de peso previstas quanto /ás mulheres (§5º do Artigo 405 da CLT). Será obrigatória a colocação de assentos que assegurem postura correta ao trabalhador, capazes de evitar posições incomodas ou forçadas, sempre que a execução da tarefa exija que se trabalhe sentado. Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito de pé, bancadas, mesas, escrivaninhas e painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização e operação. Quando o trabalhador for feita de pé´, os empregados terão à disposição assentos para serem utilizados nas pausas que o serviço permitir. Objetivos da ergonomia A ergonomia pode apresentar os seguintes objetivos: • Controlar a introdução de novas tecnologias nas organizações e sua adaptação às capacidades e habilidades da força laboral existente. • Aumentar a satisfação e motivação no trabalho. • Adaptar o local e as condições de trabalho em relação às características do trabalhador. • Definir requisitos para a compra de máquinas, equipamentos ergonômicos e outros materiais. • Identificar, analisar e minimizar os riscos ocupacionais. As definições de ergonomia, na sua maioria, questionam dois objetivos fundamentais conforme citados a seguir: • O conforto e a saúde dos trabalhadores – quando aplicado para evitar os riscos (acidentais e ocupacionais) e para diminuir a fadiga. • Eficácia – utilizada pela organização para medir as suas diferentes dimensões (produtividade e qualidade), sendo dependente da eficiência humana. De acordo com Iida (2005), a ergonomia visa inicialmente à saúde, segurança e satisfação do trabalhador e, que podem ser assim descritas: • Saúde – mantém-se a saúde do trabalhador a partir do momento em que não são ultrapassadas as limitações energéticas e cognitivas das exigências do trabalho e do ambiente. • Segurança – obtida através de projetos do posto de trabalho, ambiente e da sua organização, desde que dentro das limitações e capacidades do trabalhador, permitindo reduzir acidentes, estresse, erros e fadiga. • Satisfação – é o resultado referente ao atendimento das necessidades e expectativas do trabalhador. Conforme Dul & Weerdmeester (2004), Em projetos de trabalho e em situações cotidianas, a ergonomia enfoca o homem, na busca da adaptação de suas capacidades e limitações físicas e psicológicas em relação à eliminação das condições de insegurança, desconforto, ineficiência e insalubridade. Segundo este mesmo autor, a ergonomia estuda vários aspectos, tais como: • Postura e movimentos corporais, os quais podem ser assim relacionados – sentados, em pé, puxando e levantando cargas, empurrando. • Fatores ambientais – evidenciados através de ruídos, vibrações, iluminação, clima e agentes químicos. • Informação, captadas por meio da audição, visão e demais sentidos. A ergonomia também aborda conhecimento de diferentes áreas científicas, como a antropometria, biomecânica, toxicologia, engenharias, etc. Segundo a Associação Brasileira de Ergonomia – Abergo (2013), Em agosto de 2000, a Associação Internacional de Ergonomia – IEA adotou a definição oficial de ergonomia, como sendo uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e diferentes elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos com o objetivo de aperfeiçoar o bem estar humano e o desempenho global do sistema. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 113 Atualmente, o desenvolvimento da ergonomia pode ser caracterizado de acordo com quatro níveis de exigências: Exigências tecnológicas – relativas ao aparecimento de novas técnicas de produção que impõem novas formas de organização do trabalho. Exigências organizacionais – relativas a uma gestão mais participativa, trabalho em times e produção enxuta em células que impõem uma maior capacitação e polivalência profissional. Exigências econômicas – relativas à qualidade e ao custo da produção que impõem novas condicionantes às atividades de trabalho, como zero defeito, zero desperdício, zero estoque, etc. Exigências sociais – relativas a melhoria das condições de trabalho e, também, do meio ambiente. De maneira geral e segundo a Abergo (2013), os domínios de especialização da ergonomia são: • Ergonomia física – a qual está relacionada com as características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação à atividade física. De forma que os temas relevantes abrangem o estudo da postura no trabalho, manejo de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios músculo-esqueléticos relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde. • Ergonomia cognitiva – refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e a forma de como afetam as interações entre seres humanos e diferentes elementos de um sistema. Neste sentido ressalta-se o estudo da carga mental de trabalho, tomada de decisão, desempenho especializado, interação homem computador, estresse e treinamento. • Ergonomia organizacional – reportar-se à otimização dos sistemas sócio técnicos, abrangendo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos, principalmente através das comunicações, projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações em rede e gestão da qualidade. Aplicação da Ergonomia Aplicação ergonômica nas diversas etapas do processo produtivo. A ergonomia pode ser aplicada em diversas etapas do processo produtivo, principalmente nas etapas que seguem a seguir: a) Etapa de projetação - Fase em que ocorre a identificação de dificuldades, riscos e problemas de produtividade relacionados a projetos que envolvem novas instalações, máquinas e equipamentos, e postos de trabalho. Constatação dos requisitos legais e normativos da ergonomia com a conformidade do projeto. Redefinição de layout visando aperfeiçoar o funcionamento da área laboral, especificando com detalhes os fluxogramas, equipamentos, deslocamentos, tarefas, etc. b) Etapa do planejamento - Fase em que é realizado o estudo de impacto de mudanças organizacionais na operação com a identificação das limitações e necessidades de investimento em novas tecnologias, tais como equipamentos, máquinas, ferramentas, softwares, recursos ou competências. Gerenciamento de riscos ergonômicos e desenvolvimento e aplicação de metodologias de identificação precoce. Aplicação operacionalpor meio de modelagem e otimização de processos e/ou métodos de trabalhos. c) Etapa do investimento/aplicações - Definição das condições para compra de ferramentas, máquinas, equipamentos, mobiliários, acessórios e materiais compatíveis com as atividades desenvolvidas e de acordo com as características dos trabalhadores. d) Etapa de produção - Está relacionada à solução de problemas referentes à saúde, qualidade, segurança, os quais podem ser assim descritos: • Má qualidade identificada em produtos e serviços. • Reclamações de trabalhadores. • Ocorrência de acidentes graves. • Trabalho fisicamente repetitivo. • Posturas rígidas durante jornada laboral. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 114 Aplicação ergonômica nos diversos setores da atividade produtiva Ergonomia na indústria Geralmente, nas atividades laborais na indústria, de acordo com Iida (2005), cada trabalhador tem uma função e local bem definido, utilizando determinadas máquinas e equipamentos. Neste caso, o trabalhador geralmente recebe treinamento e conta com o apoio de outros diversos profissionais, tais como, ferramenteiros, profissionais em higiene e segurança, bombeiros, médicos, etc. A ergonomia na indústria refere-se à ergonomia utilizada para melhorar as: • Interfaces dos sistemas seres humanos/tarefas. • Condições ambientais de trabalho. • Condições organizacionais de trabalho Ergonomia na agricultura e na construção Nas atividades laborais agrícolas ou de construções ocorre geralmente uma variedade de tarefas para cada trabalhador, de forma que podem utilizar diversos tipos de instrumentos, expostos a possíveis e frequentes mudanças climáticas nos ambientes de trabalho. De acordo com Iida (2005) em relação às aplicações da ergonomia nas atividades laborais efetuadas na agricultura, pode-se afirmar que são relativamente recentes se comparadas com as da indústria. Estas atividades em geral são árduas, executadas em posturas inconvenientes, frequentemente exigindo grandes esforços musculares e em determinados casos sob ambientes climáticos desfavoráveis. Nesse caso, a ergonomia também é utilizada no projeto de máquinas e equipamentos da área agrícola para aprimorar o transporte e armazenagem. Estes equipamentos permitem abranger com menor tempo e esforço atividades excessivamente duras e árduas, evitando, dessa forma, maiores esforços físicos e as amplas e duras jornadas de trabalho, próprias do trabalho exclusivamente manual. Ergonomia no setor de serviços Empregado para aperfeiçoar o projeto de sistemas de informação através da aplicação da ergonomia no setor de informática, principalmente em relação ao desenvolvimento de problemas na saúde física, relacionados à anatomia humana muscular e esquelética, que ocorrem devido ao uso prolongado e sob condições ergonômicas inadequadas. Neste caso, e como exemplo, envolvendo posturas incorretas e movimentos repetitivos na área de informática, pode ser citada a interação homem-computador. A aplicação ergonômica no setor de serviços se faz também pela necessidade de alterar o projeto em sistemas complexos de controle (layout), e que pode ser realizado em inúmeros locais, entre eles, hospitais, bancos, supermercados, etc. Ergonomia na vida diária Refere-se às recomendações ergonômicas voltadas a concepção de objetos e equipamentos eletrodomésticos utilizados no dia-a-dia, considerando que a altura de balcões e armários pode influir durante o uso e manuseio de objetos próximos. A COLUNA E A POSTURA A coluna sofre forte influência da idade, perceptível através do tempo de permanência sentado. Inicialmente o indivíduo suporta altas horas e, com o passar da idade, esse tempo diminui acentuadamente. A coluna vertebral reage às vibrações e às pressões excessivas ocorridas no ambiente de trabalho. Viel (2000) cita que as dores resultantes de atividades profissionais realizadas em pé terão como consequência o surgimento de dores na posição sentada. A POSTURA SENTADA Esta posição é a mais frequentemente utilizada pelas pessoas no seu ambiente de trabalho. Boa parte das pessoas permanece longos períodos nessa posição, podendo sofrer mais de dores em coluna. Se permanecer sentado é uma condição necessária para a realização do trabalho, o ideal é que se observem algumas características, como: • Posição da coluna; • Presença de encosto; • Possibilidade de inclinação do encosto; • Possibilidade de inclinação do assento; • Altura do assento; Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 115 • Altura do encosto; • Textura/maciez; • Outras. Moraes (1992) diz que “a pressão dos discos intervertebrais é maior quando se está sentado, mesmo com o tronco ereto. Chega a ser 40% maior do que quando o indivíduo está em pé. Quando se flexiona o tronco, a situação é ainda pior, as bordas frontais das vértebras são pressionadas umas contra as outras com uma força considerável. Nessa postura, a pressão intradiscal é ainda maior, cerca de 90% a mais que a postura em pé. Esse fato pode levar a lesões, tanto nos discos intervertebrais como nas vértebras e até em áreas periféricas à coluna”. Algumas vantagens são: • baixa solicitação da musculatura dos membros inferiores, reduzindo, assim, a sensação de desconforto e cansaço; • possibilidade de evitar posições forçadas do corpo; • menor consumo de energia; • facilitação da circulação sanguínea pelos membros inferiores. Em contrapartida podem apresentar: • pequena atividade física geral (sedentarismo); • adoção de posturas desfavoráveis: lordose ou cifose excessiva; • estase sanguínea nos membros inferiores, situação agravada quando há compressão da face posterior das coxas ou da panturrilha, provocada pela altura incorreta do assento. A POSTURA DE PÉ Essa postura é altamente fatigante, exigindo um elevado trabalho muscular estático em que o coração encontra maior resistência para bombear o sangue, além da dificuldade de encontrar um ponto de referência. A pressão na coluna é menor que na posição sentada, mas ainda é alta. Neste tipo de postura a influência é sistêmica. Há sobrecarga do sistema cardiovascular e o principal acometimento são as varizes, pela dificuldade em fazer o sangue retornar para o coração, já que não há o efeito de bomba externa (contração muscular). As rotações realizadas nesta posição são mais aceitas, em relação à posição sentada, pois o movimento não ocorre somente na coluna, mas também na pelve e nas pernas. Outras desvantagens desta postura são: • Sensações dolorosas nas superfícies de contato articulares que suportam o peso do corpo (pés, joelhos, quadris); • A tensão muscular permanentemente desenvolvida para manter o equilíbrio dificulta a execução de tarefas de precisão; • A penosidade da posição em pé pode ser reforçada se o trabalhador tiver ainda que manter posturas inadequadas dos braços (acima do ombro, por exemplo), inclinação ou torção de tronco etc. A escolha da postura em pé como posição de trabalho se justificada quando as condições exigirem: • deslocamentos contínuos; • manipulação de cargas com peso igual ou superior a 4,5 kg; • alcances amplos frequentes, para cima, para frente ou para baixo; • operações frequentes em vários locais de trabalho, separados fisicamente; • a aplicação de forças para baixo, como em empacotamento. Métodos de Avaliação O método OWAS Foi desenvolvido na Finlândia e baseia-se em analisar determinadas atividades em intervalos variáveis ou constantes, observando-se a frequência e o tempo despendido em cada postura. Permite que os dados posturais sejam analisados para catalogar posturas combinadas entre as costas, braços, pernas e forças exercidas e determinar o efeito resultante sobre o sistema músculo-esquelético; e para examinar o tempo relativo gasto em uma postura específica para cada região corporal,determinando o efeito resultante sobre o sistema osteomuscular. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 116 É possível obter os dados mediante observação direta (em campo) ou indireta (por vídeo), devendo ser observado todo o ciclo, em atividades cíclicas, e nas atividades não cíclicas ser observado um período de no mínimo trinta segundos. São atribuídos valores e um código de seis dígitos às posturas laborais. Após a categorização destas posturas, o método calcula e classifica a carga de trabalho em quatro categorias, determinando ainda as medidas a serem adotadas. O método REBA Criado com o intuito de desenvolver um sistema de análise postural que fosse sensível aos riscos músculo-esqueléticos presentes em uma variedade de atividades, dividisse o corpo em segmentos para serem codificados individualmente, com referência aos planos de movimento, proporcionasse um sistema de pontuação para a atividade muscular decorrente de posturas estáticas, dinâmicas e mudanças rápidas ou posturas instáveis, com o objetivo de refletir a importância da interação entre a pessoa e a carga quando do manejo de cargas, mas que nem sempre esse manejo é feito com as mãos, que incluísse a variável “apoio” para avaliar o manejo de cargas, e que propusesse um nível de ação com uma indicação da urgência de intervenção ergonômica. A avaliação dos fatores de risco se inicia mediante a observação do trabalhador durante alguns ciclos de trabalho para selecionar as atividades e posturas que serão avaliadas. Pode selecionar-se a postura de maior duração dentro do ciclo de trabalho ou aquela que necessite maior esforço do trabalhador. O REBA é uma técnica de análise rápida, tornando possível analisar todas as posturas adotadas pelo trabalhador durante o ciclo de trabalho. Só um lado poderá ser avaliado. Se o avaliador se interessa em ambos os lados, será necessário realizar duas avaliações. O método RULA É um método de estudo desenvolvido para ser usado em investigações ergonômicas de postos de trabalho onde existe a possibilidade de desenvolvimento de lesões por esforços repetitivos em membros superiores. Este método foi desenvolvido para ser aplicado em operadores de máquinas industriais, técnicos que realizam inspeção, pessoas que trabalham com corte de peças ou embrulhadores. Também foi desenvolvido para avaliação de posturas, forças necessárias e atividade muscular de operadores de terminais de vídeo. O método utiliza diagramas de posturas do corpo e três tabelas que avaliam o risco de exposição a fatores de risco, como fatores de carga externos, que incluem: 1. número de movimentos; 2. postura estática; 3. força; 4. postura de trabalho determinada por equipamentos e mobiliários; 5. tempo de trabalho e pausa. Além destes existem outros fatores importantes que influenciam, mas que variam de pessoa para pessoa, como posturas adotadas, atividade muscular estática desnecessária, velocidade e precisão de movimentos, a frequência e duração das pausas feitas pelo operador. Existem, ainda, fatores que alteram a resposta de cada indivíduo para carregamentos específicos, fatores individuais (como experiência ou idade), fatores ambientais do posto de trabalho e variáveis psicológicas. Muitos outros fatores também são associados como fatores de risco para lesões dos membros superiores. O método Back School Foi desenvolvido por uma fisioterapeuta sueca com o objetivo de capacitar os indivíduos para que assumissem atitudes de autocuidado com a coluna, por meio de orientações sobre a lombalgia. Para tanto, a Back School é estruturada em lições compostas por conteúdos teóricos e práticos (exercícios específicos). Atualmente, a Back School pode representar uma alternativa de intervenção para pacientes portadores de problemas na coluna, necessitando, primeiro, de uma sistematização em sua metodologia. Questões 01. (Prefeitura de Poá – Engenheiro de Segurança do Trabalho – VUNESP/2015) A Ergonomia (A) é a disciplina que, aplicada à organização do trabalho de um sistema produtivo, obriga considerar, entre outros aspectos, as normas de produção, o modo operatório, a exigência de tempo, a determinação do conteúdo de tempo, o ritmo de trabalho e o conteúdo das tarefas. (B) fundamenta-se, na análise do levantamento de cargas, em estudos desenvolvidos em outras áreas do conhecimento, como a fisiologia e a biomecânica, que apontam como risco principal do excesso de carga a força de cisalhamento do disco L5/S1 na coluna vertebral. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 117 (C) aplicada na análise da atividade, mais especificamente na determinação do conteúdo do tempo, tem o propósito exclusivo de avaliar o impacto à saúde causado por demandas cognitivas superiores àquelas suportáveis pelo operador padrão. (D) antropométrica, que se observava na Administração Científica do Trabalho, considera que a adequação do posto de trabalho às características métricas e biomecânicas do operador é independente dos fatores organizacionais, ambientais e sociais. (E) aplicada à organização do trabalho foi conceituada, em 1959, pela American Ergonomics Society, como o conjunto de conhecimentos empíricos e científicos relacionados ao homem e imprescindíveis à adaptação de instrumentos, máquinas e dispositivos que proporcionem conforto, segurança e eficiência. 02. (EBSERH – Técnico em Enfermagem – INSTITUTO AOCP/2015) Qual é a Norma Regulamentadora que estabelece os princípios de ergonomia? (A) NR- 23. (B) NR- 21. (C) NR- 17. (D) NR- 16. (E) NR- 7. 03. (IF/RJ - Fonoaudiólogo - BIO-RIO/2015) A Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO) define a ergonomia como sendo o estudo das interações das pessoas com a tecnologia, a organização e o ambiente para intervenções e projetos que visem melhorar de forma integrada e não dissociada a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia das atividades humanas (BRASIL, 2002). No âmbito internacional, a ergonomia é dividida em três domínios de especialização; são eles: (A) ergonomia física, ergonomia cognitiva e ergonomia organizacional. (B) ergonomia corporal, ergonomia psíquica e ergonomia do trabalho. (C) ergonomia estrutural, ergonomia emocional, ergonomia do trabalho. (D) ergonomia física, ergonomia emocional e ergonomia organizacional. (E) ergonomia corporal, ergonomia cognitiva e ergonomia do trabalho. 04. (CVM - Analista - Recursos Humanos – ESAF/Adaptada) Marque a única informação sobre ergonomia que está incorreta. (A) Ergonomia física: está relacionada com as características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação à atividade física. Os tópicos relevantes incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios músculoesqueletais relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde. (B) Ergonomia cognitiva: refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora conforme afetem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes incluem o estudo da carga mental de trabalho, tomada de decisão, desempenho especializado, interação homem computador, estresse e treinamento conforme esses se relacionem a projetos envolvendo seres humanos e sistemas. (C) Ergonomia organizacional: concerne à otimização dos sistemas sociotécnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevantes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de tripulações (domínio aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações em rede, teletrabalho e gestão da qualidade. (D) Os Ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho,produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. (E) A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano. Respostas 01. Resposta: A. Ergonomia9 vem do grego ergon, que significa trabalho e nomos, que quer dizer normas, ou seja, normas para organizar o trabalho. 9 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 31ª edição. São Paulo: Atlas, 2015, p. 727-728. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 118 Ergonomia é a ciência que estuda as relações do homem com seu trabalho sob o aspecto psicofisiológico. 02. Resposta: C. A NR 17 da Portaria nº 3.214/78 estabelece regras para as condições de trabalho relacionadas com levantamento, transporte e descarga de materiais. 03. Resposta: A No âmbito internacional, a ergonomia é dividida em três domínios de especialização; são eles: ergonomia física, ergonomia cognitiva e ergonomia organizacional. 04. Resposta: E Segundo a Associação Brasileira de Ergonomia – Abergo (2013), Em agosto de 2000, a Associação Internacional de Ergonomia – IEA adotou a definição oficial de ergonomia, como sendo uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e diferentes elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos com o objetivo de aperfeiçoar o bem estar humano e o desempenho global do sistema. Não podemos dizer que a ergonomia é a ciência que estuda as interações entre os seres humanos! A ergonomia estuda a relação dos homens com as maquinas, equipamentos e com o ambiente (ou seja, a relação do homem com os diferentes elementos e sistemas). NR 17 – ERGONOMIA 17.1. Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. 17.1.1. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho. 17.1.2. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora. 17.2. Levantamento, transporte e descarga individual de materiais. 17.2.1. Para efeito desta Norma Regulamentadora: 17.2.1.1. Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da carga. 17.2.1.2. Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual de cargas. 17.2.1.3. Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a dezoito anos e maior de quatorze anos. 17.2.2. Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança. 17.2.3. Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes. 17.2.4. Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas deverão ser usados meios técnicos apropriados. 17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua segurança. 17.2.6. O transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. 17.2.7. O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecânico de ação manual deverá ser executado de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou a sua segurança. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 119 17.3. Mobiliário dos postos de trabalho. 17.3.1. Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição. 17.3.2. Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa postura, visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos mínimos: a) ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade, com a distância requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento; b) ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador; c) ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação adequados dos segmentos corporais. 17.3.2.1. Para trabalho que necessite também da utilização dos pés, além dos requisitos estabelecidos no subitem 17.3.2, os pedais e demais comandos para acionamento pelos pés devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil alcance, bem como ângulos adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador, em função das características e peculiaridades do trabalho a ser executado. 17.3.3. Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender aos seguintes requisitos mínimos de conforto: a) altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida; b) características de pouca ou nenhuma conformação na base do assento; c) borda frontal arredondada; d) encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar. 17.3.4. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, a partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser exigido suporte para os pés, que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador. 17.3.5. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas. 17.4. Equipamentos dos postos de trabalho. 17.4.1. Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. 17.4.2. Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitação, datilografia ou mecanografia deve: a) ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser ajustado proporcionando boa postura, visualização e operação, evitando movimentação frequente do pescoço e fadiga visual; b) ser utilizado documento de fácil legibilidade sempre que possível, sendo vedada a utilização do papel brilhante, ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento. 17.4.3. Os equipamentos utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo devem observar o seguinte: a) condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ângulos de visibilidade ao trabalhador; b) o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de acordo com as tarefas a seremexecutadas; c) a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as distâncias olho-tela, olho teclado e olho-documento sejam aproximadamente iguais; d) serem posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável. 17.4.3.1. Quando os equipamentos de processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo forem utilizados eventualmente poderão ser dispensadas as exigências previstas no subitem 17.4.3, observada a natureza das tarefas executadas e levando-se em conta a análise ergonômica do trabalho. 17.5. Condições ambientais de trabalho. 17.5.1. As condições ambientais de trabalho devem estar adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. 17.5.2. Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes, tais como: salas de controle, laboratórios, escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, dentre outros, são recomendadas as seguintes condições de conforto: a) níveis de ruído de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no INMETRO; b) índice de temperatura efetiva entre 20oC (vinte) e 23oC (vinte e três graus centígrados); Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 120 c) velocidade do ar não superior a 0,75m/s; d) umidade relativa do ar não inferior a 40 (quarenta) por cento. 17.5.2.1. Para as atividades que possuam as características definidas no subitem 17.5.2, mas não apresentam equivalência ou correlação com aquelas relacionadas na NBR 10152, o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC) de valor não superior a 60 dB. 17.5.2.2. Os parâmetros previstos no subitem 17.5.2 devem ser medidos nos postos de trabalho, sendo os níveis de ruído determinados próximos à zona auditiva e as demais variáveis na altura do tórax do trabalhador. 17.5.3. Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade. 17.5.3.1. A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa. 17.5.3.2. A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. 17.5.3.3. Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO. 17.5.3.4. A medição dos níveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxímetro com fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em função do ângulo de incidência. 17.5.3.5. Quando não puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4, este será um plano horizontal a 0,75m (setenta e cinco centímetros) do piso. 17.6. Organização do trabalho. 17.6.1. A organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado. 17.6.2. A organização do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em consideração, no mínimo: a) as normas de produção; b) o modo operatório; c) a exigência de tempo; d) a determinação do conteúdo de tempo; e) o ritmo de trabalho; f) o conteúdo das tarefas. 17.6.3. Nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte: a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores; b) devem ser incluídas pausas para descanso; c) quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na época anterior ao afastamento. 17.6.4. Nas atividades de processamento eletrônico de dados, deve-se, salvo o disposto em convenções e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte: a) o empregador não deve promover qualquer sistema de avaliação dos trabalhadores envolvidos nas atividades de digitação, baseado no número individual de toques sobre o teclado, inclusive o automatizado, para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie; b) o número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve ser superior a 8.000 por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito desta NR, cada movimento de pressão sobre o teclado; c) o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite máximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, o trabalhador poderá exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que não exijam movimentos repetitivos, nem esforço visual; d) nas atividades de entrada de dados deve haver, no mínimo, uma pausa de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados, não deduzidos da jornada normal de trabalho; e) quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção em relação ao número de toques deverá ser iniciado em níveis inferiores do máximo estabelecido na alínea "b" e ser ampliada progressivamente. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 121 Anexos Disponíveis em: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR17.pdf; http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas- regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia. Questões 01. (IFB – Professor – IFB/2017) Na avaliação da adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, visando melhorar as condições laborais, conforme estabelecido na Norma Regulamentadora (NR): (A) NR 5. (B) NR 6. (C) NR 7. (D) NR 9. (E) NR 17. 02. (EBSERH – Engenheiro de Segurança do Trabalho – INSTITUTO AOCP/2015) Em relação à NR 17 – Ergonomia –, assinale a alternativa correta. (A) Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a trinta anos e maior de dezoito anos. (B) Todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar, com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes. (C) Deverá ser exigido o transporte manual de cargas, por um trabalhador, cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança. (D) Para as atividades em que os trabalhos devem ser realizados sentados, a partir da análise ergonômica do trabalho, o comprimento da perna do trabalhador deverá se adaptar ao mobiliário, portanto pessoas pequenas ou grandes demais não poderão trabalhar nesse mobiliário. (E) Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, apropriada à natureza da atividade, exceto quando o empregador passar por uma crise financeira. Respostas 01. E/ 02. B. Da Segurança e Higiene do Trabalho: História: Concordamos com o ensinamento do ilustre Amauri Mascaro Nascimento10 que, com o desenvolvimento do processo tecnológico, no apogeu da Revolução Industrial do século XVIII, a máquina, ao lado dos enormes benefícios que trouxe para a humanidade, também fez as suas vítimas, aumentando, consideravelmente, o número de acidentes profissionais. Assim, a ideia da necessidade da introdução de dispositivos legais regulamentando os novos processos industriais para a diminuição dos perigos a que estava exposto o operário passou a ser uma das preocupações dos juristas. Na época contemporânea,a segurança e higiene no trabalho são um objetivo que as leis dos diferentes países procuram atingir, quer por medidas de engenharia referentes às condições mínimas de segurança oferecidas pelos locais de trabalho, quer por meio de exigências destinadas à manutenção das condições básicas impostas pela higiene, quer mediante a regulamentação dos efeitos jurídicos dos acidentes de trabalho e moléstias profissionais. 10 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p. 411 – 420. 13. Conceito de segurança do trabalho: EPIs e EPCs Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 122 Fundamentos: Para que o trabalhador atue em local apropriado, o direito fixa condições mínimas a serem observadas pelas empresas, quer quanto às instalações onde as oficinas e demais dependências se situam, quer quanto às condições de contágio com agentes nocivos à saúde ou de perigo que a atividade possa oferecer. Assim, a relação entre o homem e o fator técnico exige uma legislação tutelar da saúde, integridade física e da vida do trabalhador. Não é possível admitir o sacrifício de vidas humanas pela simples necessidade de aumentar a produção ou para melhorá-la. É preciso ter em conta que a primeira condição que o patrão está obrigado a cumprir é de assegurar que os trabalhadores se desenvolvam em um ambiente moral e rodeados da segurança e higiene próprias da condição de que se revestem. Conceito: Segurança do Trabalho: É o conjunto de medidas que versam condições específicas de instalação do estabelecimento e de suas máquinas, visando à garantia do trabalhador contra a natural exposição aos riscos inerentes à prática da atividade profissional. Não se destina, portanto, aos aspectos sanitários, mas os complementa, uma vez que a higiene pressupõe instalações condignas, segundo determinadas regras básicas de construção e de disposição de bens. Higiene do Trabalho: Higiene é a parte da medicina que tem por fim a conservação da saúde. Higiene do Trabalho ou Higiene Industrial é para alguns uma parte da medicina do trabalho, restrita às medidas preventivas, enquanto a medicina abrange as providências curativas. Higiene do Trabalho é a aplicação dos sistemas e princípios que a medicina estabelece pra proteger o trabalhador, prevendo ativamente os perigos que, para a saúde física ou psíquica, se originam do trabalho. A eliminação dos agentes nocivos em relação ao trabalhador constitui o objeto principal da higiene laboral. A Higiene do Trabalho divide-se em higiene do ambiente (refere-se ao local de trabalho); e higiene do trabalhador (refere-se aos aspectos pessoais do trabalhador). Observação: Essa denominação de Higiene e Segurança do Trabalho, por força da edição da Lei nº 6.504/77, passou à Segurança e Medicina do Trabalho. O uso da palavra higiene mostrava o enfoque que era feito apenas quanto à conservação da saúde do trabalhador. O vocábulo medicina é mais abrangente, pois evidencia não só o aspecto saúde, mas também a cura das doenças e sua prevenção no trabalho. A Segurança e Medicina do Trabalho são o segmento do Direito do Trabalho incumbido de oferecer condições de proteção à saúde do trabalhador no local de trabalho, e de sua recuperação quando não estiver em condições de prestar serviços ao empregador. Segurança e Medicina do Trabalho11 A matéria denominada no Capítulo V da CLT de Segurança e Medicina do Trabalho (artigos 154 a 200 da CLT) também e chamada de direito tutelar do trabalho ou meio ambiente do trabalho. O ambiente de trabalho é o local onde o trabalhador presta serviços. Em razão disso, é dever do empregador manter esse ambiente o mais seguro possível, evitando que ocorra acidentes de trabalho. As normas que tratam da proteção à saúde e à segurança do trabalho são de ordem pública, portanto, são normas de indisponibilidade absoluta, portanto não cabe flexibilização para redução de direitos dos empregados, nesse aspecto de segurança. Essas normas representam cláusulas implícitas ao contrato de trabalho, não havendo a necessidade de previsão expressa no contrato. 11 CORREIA, Henrique. Direito do Trabalho. Editora JusPodivm. 2015, p. 615 a 619. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 123 Há expressa previsão constitucional, sobre princípio de prevenção do local de trabalho. E também há menção de que o ambiente de trabalho insere-se dentro do meio ambiente como um todo: Art. 7º da CF: É direito dos empregados urbanos e rurais, além de outros: XXII – a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Art. 200 da CF: É direito dos empregados urbanos e rurais, além de outros: VIII – a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. DICA! Quando for exigida a matéria de saúde, segurança e medicina do trabalho nos editais em geral, o candidato deverá estudar os temas: Normas de segurança e saúde do trabalhador; Deveres do empregador, do empregado, órgãos de fiscalização, CIPA e EPI; Proteção do trabalho do menor e da mulher; Atividades insalubres e perigosas; Jornada de trabalho; Períodos de descanso. As partes da relação empregatícia, tanto empregado quanto empregador estão obrigados a deixar o ambiente de trabalho de forma segura e hígida. A seguir serão descritos os deveres do empregado e do empregado. E, na sequência, o papel do Ministério do Trabalho e Emprego e os órgãos de prevenção ao ambiente seguro. Deveres do Empregador: Compete ao empregador manter o ambiente de trabalho seguro e saudável. Deve, portanto, adotar todas as normas preventivas como forma de proteger a integridade física e psíquica dos trabalhadores. (Art. 157 CLT). Conforme o inciso I do artigo 157 da CLT, o empregador deverá cumprir as normas de saúde e medicina do trabalho. Uma dessas normas é entregar, gratuitamente, equipamentos de proteção. Cabe ressaltar que o simples fornecimento de EPI não afasta a obrigatoriedade do pagamento do adicional de periculosidade ou insalubridade. Para cessar o pagamento desses adicionais, o empregador deverá eliminar, por completo, o agente nocivo e perigoso. (Súmula 289 do TST). Em resumo, caso o empregador não cumpra com suas responsabilidades no tocante ao ambiente de trabalho, ocasionará dias consequências: a) será autuado pela fiscalização do trabalho por descumprimento da legislação trabalhista; b) caberá a rescisão indireta, com fundamento no artigo 483, alínea c ou d, da CLT. Deveres do Empregado: Compete aos trabalhadores obedecer às normas de medicina e segurança e colaborar com a empresa para a aplicação dessas normas. Aliás deverá utilizar os equipamentos de proteção fornecidos pelo empregador. Se o empregado se recusa, injustificadamente, ao cumprimento das normas de segurança e à utilização dos equipamentos de proteção, caberá dispensa por justa causa, como determina o artigo 158 da CLT. O sindicato da categoria profissional (trabalhadores) tem um importante papel para o esclarecimento da importância de se adotar as normas de saúde e segurança. Aliás, além dessa atribuição, os sindicatos poderão prever em cláusulas de acordos ou convenções coletivas normas de proteção, exigindo que empregadores e empregados respeitem o ambiente de trabalho. Do papel do Ministério do Trabalho e Emprego: Inicialmente, cabe ressaltar que a competência para legislar sobre o direito do trabalho é privativa da União, conforme o artigo 22, I, da CF/88. Já a competência legislativa acerca de norma de saúde e segurança é concorrente, competindo à União, Estados, DF e Municípios, nos termos do artigo 24, XII, CF/88. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 124 A CLT delegou à autoridadeadministrativa (MTE) a regulamentação detalhada das normas de saúde e segurança. O Ministério do Trabalho tem competência para expedir as Normas Regulamentadoras (NR), que regulamentam matérias específicas sobre normas de saúde e segurança. A fiscalização tem a atribuição de verificar se as normas trabalhistas estão sendo respeitadas. Caso haja descumprimento, caberá a aplicação de multa. As microempresas também estão sujeitas à fiscalização quanto ao meio ambiente de trabalho. (Artigo 156 da CLT). Interdição ou embargo e inspeção prévia: A inspeção prévia (NR 2) ocorre antes do início das atividades de qualquer estabelecimento, e é realizada pelo TEM, nos termos do artigo 160 da CLT. Todos os novos empreendimentos devem ser vistoriados pela autoridade competente. Novas inspeções devem ser realizadas quando ocorrer modificação substancial em sua estrutura. (Artigo 160 da CLT). Interdição ou embargo está previsto na NR 3. A interdição ocorre em estabelecimentos ou setores da empresa, ao passo que os embargos são utilizados quando há obra em construção. O delegado do trabalho, hoje superintendente do trabalho, é o único que pode determinar o embargo da obra, sendo requisito indispensável a apresentação do laudo técnico que comprove o risco iminente. Contra a decisão de embargo ou interdição caberá recurso administrativo no prazo de 1 0dias, ao qual pode ser atribuído efeito suspensivo pelo delegado do trabalho (artigo 161, §3º, CLT). O levantamento do embargo ou interdição é feito pelo próprio delegado do trabalho, mediante laudo que comprove que o risco iminente foi cessado. É comum, na prática, a interdição pelo auditor e o estabelecimento continuar a funcionar normalmente. Neste caso, se o equipamento interditado for utilizado pelo empregador, incorrerá no crime de desobediência, artigo 330 do Código Penal, ou ainda criem por expor a vida e a saúde de outrem a perigo iminente, conforme o artigo 132 do Código Penal. Caso haja paralisação das atividades em razão de embargo u interdição, configura hipótese de interrupção do contrato, ou seja, o trabalhador receberá normalmente pelos dias de paralisação da empresa (artigo 161, §6º). Isso porque, os riscos do empreendimento correm por conta do empregador, conforme princípio da alteridade. NORMAS LEGAIS BÁSICAS: LEI 6514/77: As normas legais básicas referentes à Segurança do Trabalho são estabelecidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT com nova redação decorrente da Lei 6514/77. Referem-se aos órgãos aos quais incumbe velar: . Pela Segurança e Medicina do Trabalho (Artigos 155 a 159 da CLT); . À inspeção prévia, embargo ou interdição de estabelecimento (Artigo 160 CLT); . Aos órgãos de segurança e medicina na empresa (Artigos 162 a 165 CLT); . Ao equipamento de proteção individual (Artigos 166 e 167 CLT); . Às medidas preventivas de medicina do trabalho (Artigos 168 e 169 CLT); . Às edificações (Artigos 170 a 174 CLT); . À iluminação (Artigo 175 CLT); . Ao conforto térmico (Artigos 176 a 178 CLT); . Às instalações elétricas (Artigos 179 e 181 CLT); . Ao movimento, armazenagem e manuseio de materiais (Artigos 182 e 183 CLT); . Às máquinas e equipamentos (Artigos 184 a 186 CLT); . Às caldeiras, fornos e recipientes sob pressão (Artigos 187 e 188 CLT); . Às atividades insalubres ou perigosas (Artigos 189 a 197 CLT); . À prevenção da fadiga (Artigos 198 e 199 CLT); . Aos critérios para normas complementares a serem baixadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (Artigo 200 CLT); . Às penalidades aplicáveis ao empregador pelo descumprimento das determinações (Artigo 201 CLT). COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES – CIPA Artigo 164 CLT: A CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes é um órgão interno das empresas, obrigatório às empresas com mais de 50 (cinquenta) empregados (este número é fixado em Portaria, expedida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, portanto, sujeito a alterações e condições de riscos), instituído com o fim precípuo de prevenir acidentes. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 125 A CIPA é integrada por representante dos empregados, eleitos em escrutínio secreto, de representantes indicados pelo empregador. O mandato dos membros da CIPA é de 1 (um) ano, admitida uma reeleição. Durante o seu exercício, os representantes dos empregados na CIPA, possuem estabilidade no emprego, ou seja, não poderão sofrer despedida arbitrária (aquela não fundada em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro – Art. 165 CLT). EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E COLETIVA: Toda empresa é obrigada a fornecer, gratuitamente, os equipamentos de proteção individual e coletiva, sendo adequados ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados: Art. 166 CLT. PRIMEIROS SOCORROS: Todo estabelecimento deve estar equipado com material necessário à prestação de primeiros socorros médicos: Art. 168, § 4º, CLT. Acidente de Trabalho: Art. 169 CLT: Acidente de Trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos demais segurados obrigatórios, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou a redução, permanente ou temporária, da capacidade de trabalho. Considera-se também Acidente de Trabalho as seguintes entidades mórbidas: I Doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério da Previdência Social; II Doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais, em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no Inciso I. Insalubridade: São consideradas atividades insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos: Artigos 189 e 190 CLT. A eliminação ou a neutralização da insalubridade ocorrerá com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância e com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que diminuam a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância: Art. 191 CLT. Porém, o simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade, devendo tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, dentre as quais as relativas ao uso efetivo dos equipamentos de proteção individual – EPIs, pelo empregado. Periculosidade: São consideradas atividades perigosas aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado: Art. 193 CLT. Serviços de Medicina e Segurança: Artigo 162 CLT: Conforme o grau de risco e número de empregados as empresas precisam ter um ou mais médicos, engenheiros, auxiliares de enfermagem e inspetores de segurança. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 126 Proteção Ambiental: Meio Ambiente do Trabalho é o conjunto de condições regidas pela legislação trabalhista com o nome de segurança e medicina do trabalho. A CLT traz as normas sobre segurança e medicina do trabalho em seus Artigos 154 a 200. LEI Nº 6.514, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1977 Altera o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à segurança e medicina do trabalho, e dá outras providências. Art. 1º O Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-lei nº5.452, de 1º de maio de 1943, passa a vigorar com a seguinte redação: CAPÍTULO V DA SEGURANÇA E DA MEDICINA DO TRABALHO SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 154. A observância, em todos os locais de trabalho, do disposto neste Capitulo, não desobriga as empresas do cumprimento de outras disposições que, com relação à matéria, sejam incluídas em códigos de obras ou regulamentos sanitários dos Estados ou Municípios em que se situem os respectivos estabelecimentos, bem como daquelas oriundas de convenções coletivas de trabalho. Art. 155. Incumbe ao órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho: I - estabelecer, nos limites de sua competência, normas sobre a aplicação dos preceitos deste Capítulo, especialmente os referidos no art. 200; II - coordenar, orientar, controlar e supervisionar a fiscalização e as demais atividades relacionadas com a segurança e a medicina do trabalho em todo o território nacional, inclusive a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho; III - conhecer, em última instância, dos recursos, voluntários ou de ofício, das decisões proferidas pelos Delegados Regionais do Trabalho, em matéria de segurança e medicina do trabalho. Art. 156. Compete especialmente às Delegacias Regionais do Trabalho, nos limites de sua jurisdição: I - promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho; II - adotar as medidas que se tornem exigíveis, em virtude das disposições deste Capítulo, determinando as obras e reparos que, em qualquer local de trabalho, se façam necessárias; III - impor as penalidades cabíveis por descumprimento das normas constantes deste Capítulo, nos termos do art. 201. Art. 157. Cabe às empresas: I - cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho; II - instruir os empregados, através de ordens de serviço, quanto às precauções a tomar no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais; III - adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão regional competente; IV - facilitar o exercício da fiscalização pela autoridade competente. Art. 158. Cabe aos empregados: I - observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as instruções de que trata o item II do artigo anterior; II - colaborar com a empresa na aplicação dos dispositivos deste Capítulo. Parágrafo único. Constitui ato faltoso do empregado a recusa injustificada: a) à observância das instruções expedidas pelo empregador na forma do item II do artigo anterior; b) ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 127 Art. 159. Mediante convênio autorizado pelo Ministro do Trabalho, poderão ser delegadas a outros órgãos federais, estaduais ou municipais atribuições de fiscalização ou orientação às empresas quanto ao cumprimento das disposições constantes deste Capítulo. SEÇÃO II DA INSPEÇÃO PRÉVIA E DO EMBARGO OU INTERDIÇÃO Art. 160. Nenhum estabelecimento poderá iniciar suas atividades sem prévia inspeção e aprovação das respectivas instalações pela autoridade regional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho. § 1º Nova inspeção deverá ser feita quando ocorrer modificação substancial nas instalações, inclusive equipamentos, que a empresa fica obrigada a comunicar, prontamente, à Delegacia Regional do Trabalho. § 2º É facultado às empresas solicitar prévia aprovação, pela Delegacia Regional do Trabalho, dos projetos de construção e respectivas instalações. Art. 161. O Delegado Regional do Trabalho, à vista do laudo técnico do serviço competente que demonstre grave e iminente risco para o trabalhador, poderá interditar estabelecimento, setor de serviço, máquina ou equipamento, ou embargar obra, indicando na decisão, tomada com a brevidade que a ocorrência exigir, as providências que deverão ser adotadas para prevenção de infortúnios de trabalho. § 1º As autoridades federais, estaduais e municipais darão imediato apoio às medidas determinadas pelo Delegado Regional do Trabalho. § 2º A interdição ou embargo poderão ser requeridos pelo serviço competente da Delegacia Regional do Trabalho e, ainda, por agente da inspeção do trabalho ou por entidade sindical. § 3º Da decisão do Delegado Regional do Trabalho poderão os interessados recorrer, no prazo de 10 (dez) dias, para o órgão de âmbito nacional competente em matéria de segurança e medicina do trabalho, ao qual será facultado dar efeito suspensivo ao recurso. § 4º Responderá por desobediência, além das medidas penais cabíveis, quem, após determinada a interdição ou embargo, ordenar ou permitir o funcionamento do estabelecimento ou de um dos seus setores, a utilização de máquina ou equipamento, ou o prosseguimento de obra, se, em consequência, resultarem danos a terceiros. § 5º O Delegado Regional do Trabalho, independente de recurso, e após laudo técnico do serviço competente, poderá levantar a interdição. § 6º Durante a paralização dos serviços, em decorrência da interdição ou embargo, os empregados receberão os salários como se estivessem em efetivo exercício. SEÇÃO III DOS ÓRGÃOS DE SEGURANÇA E DE MEDICINA DO TRABALHO NAS EMPRESAS Art. 162. As empresas, de acordo com normas a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho, estarão obrigadas a manter serviços especializados em segurança e em medicina do trabalho. Parágrafo único. As normas a que se refere este artigo estabelecerão: a) classificação das empresas segundo o número de empregados e a natureza do risco de suas atividades; b) o número mínimo de profissionais especializados exigido de cada empresa, segundo o grupo em que se classifique, na forma da alínea anterior; c) a qualificação exigida para os profissionais em questão e o seu regime de trabalho; d) as demais características e atribuições dos serviços especializados em segurança e em medicina do trabalho, nas empresas. Art. 163. Será obrigatória a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), de conformidade com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de obra nelas especificadas. Parágrafo único. O Ministério do Trabalho regulamentará as atribuições, a composição e o funcionamento das CIPA (s). Art. 164. Cada CIPA será composta de representantes da empresa e dos empregados, de acordo com os critérios que vierem a ser adotados na regulamentação de que trata o parágrafo único do artigo anterior. § 1º Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes, serão por eles designados. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 128 § 2º Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem, independentemente de filiação sindical, exclusivamente os empregados interessados. § 3º O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de 1 (um) ano, permitida uma reeleição. § 4º O disposto no parágrafo anterior não se aplicará ao membro suplente que, durante o seu mandato, tenha participado de menos da metade do número de reuniões da CIPA. § 5º O empregador designará, anualmente, dentre os seus representantes, o Presidente da CIPA e os empregados elegerão, dentre eles, o Vice-Presidente. Art. 165. Os titulares da representação dos empregados nas CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo-se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro. Parágrafo único. Ocorrendo a despedida, caberá ao empregador, em caso de reclamação à Justiça do Trabalho, comprovar a existência de qualquer dos motivos mencionados neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado. SEÇÃO IV DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL Art. 166. A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamentode proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados. Art. 167. O equipamento de proteção só poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho. SEÇÃO V DAS MEDIDAS PREVENTIVAS DE MEDICINA DO TRABALHO Art. 168. Será obrigatório o exame médico do empregado, por conta do empregador. § 1º Por ocasião da admissão, o exame médico obrigatório compreenderá investigação clínica e, nas localidades em que houver, abreugrafia. § 2º Em decorrência da investigação clínica ou da abreugrafia, outros exames complementares poderão ser exigidos, a critério médico, para apuração da capacidade ou aptidão física e mental do empregado para a função que deva exercer. § 3º O exame médico será renovado, de seis em seis meses, nas atividades e operações insalubres e, anualmente, nos demais casos. A abreugrafia será repetida a cada dois anos. § 4º O mesmo exame médico de que trata o § 1º será obrigatório por ocasião da cessação do contrato de trabalho, nas atividades, a serem discriminadas pelo Ministério do Trabalho, desde que o último exame tenha sido realizado há mais de 90 (noventa) dias. § 5º Todo estabelecimento deve estar equipado com material necessário à prestação de primeiros socorros médicos. § 6º Serão exigidos exames toxicológicos, previamente à admissão e por ocasião do desligamento, quando se tratar de motorista profissional, assegurados o direito à contraprova em caso de resultado positivo e a confidencialidade dos resultados dos respectivos exames. (Incluído pela Lei nº 13.103, de 2015) § 7º Para os fins do disposto no § 6o, será obrigatório exame toxicológico com janela de detecção mínima de 90 (noventa) dias, específico para substâncias psicoativas que causem dependência ou, comprovadamente, comprometam a capacidade de direção, podendo ser utilizado para essa finalidade o exame toxicológico previsto na Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro, desde que realizado nos últimos 60 (sessenta) dias. (Incluído pela Lei nº 13.103, de 2015) Art. 169. Será obrigatória a notificação das doenças profissionais e das produzidas em virtude de condições especiais de trabalho, comprovadas ou objeto de suspeita, de conformidade com as instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 129 SEÇÃO VI DAS EDIFICAÇÕES Art. 170. As edificações deverão obedecer aos requisitos técnicos que garantam perfeita segurança aos que nelas trabalhem. Art. 171. Os locais de trabalho deverão ter, no mínimo, 3 (três) metros de pé-direito, assim considerada a altura livre do piso ao teto. Parágrafo único. Poderá ser reduzido esse mínimo desde que atendidas as condições de iluminação e conforto térmico compatíveis com a natureza do trabalho, sujeitando-se tal redução ao controle do órgão competente em matéria de segurança e medicina do trabalho. Art. 172. Os pisos dos locais de trabalho não deverão apresentar saliências nem depressões que prejudiquem a circulação de pessoas ou a movimentação de materiais. Art. 173. As aberturas nos pisos e paredes serão protegidas de forma que impeçam a queda de pessoas ou de objetos. Art. 174. As paredes, escadas, rampas de acesso, passarelas, pisos, corredores, coberturas e passagens dos locais de trabalho deverão obedecer às condições de segurança e de higiene do trabalho estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e manter-se em perfeito estado de conservação e limpeza. SEÇÃO VII DA ILUMINAÇÃO Art. 175. Em todos os locais de trabalho deverá haver iluminação adequada, natural ou artificial, apropriada natureza da atividade. § 1º A iluminação deverá ser uniformemente distribuída, geral e difusa, a fim de evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos. § 2º O Ministério do Trabalho estabelecerá os níveis mínimos de iluminamento a serem observados. SEÇÃO VIII DO CONFORTO TÉRMICO Art. 176. Os locais de trabalho deverão ter ventilação natural, compatível com o serviço realizado. Parágrafo único. A ventilação artificial será obrigatória sempre que a natural não preencha as condições de conforto térmico. Art. 177. Se as condições de ambiente se tornarem desconfortáveis, em virtude de instalações geradoras de frio ou de calor, será obrigatório o uso de vestimenta adequada para o trabalho em tais condições ou de capelas, anteparos, paredes duplas, isolamento térmico e recursos similares, de forma que os empregados fiquem protegidos contra as radiações térmicas. Art. 178. As condições de conforto térmico dos locais de trabalho devem ser mantidas dentro dos limites fixados pelo Ministério do Trabalho. SEÇÃO IX DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Art. 179. O Ministério do Trabalho disporá sobre as condições de segurança e as medidas especiais a serem observadas relativamente a instalações elétricas, em qualquer das fases de produção, transmissão, distribuição ou consumo de energia. Art. 180. Somente profissional qualificado poderá instalar, operar, inspecionar ou reparar instalações elétricas. Art. 181. Os que trabalharem em serviços de eletricidade ou instalações elétricas devem estar familiarizados com os métodos de socorro a acidentados por choque elétrico. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 130 SEÇÃO X DA MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS Art. 182. O Ministério do Trabalho estabelecerá normas sobre: I - as precauções de segurança na movimentação de materiais nos locais de trabalho, os equipamentos a serem obrigatoriamente utilizados e as condições especiais a que estão sujeitas a operação e a manutenção desses equipamentos, inclusive exigências de pessoal habilitado; II - as exigências similares relativas ao manuseio e à armazenagem de materiais, inclusive quanto às condições de segurança e higiene relativas aos recipientes e locais de armazenagem e os equipamentos de proteção individual; III - a obrigatoriedade de indicação de carga máxima permitida nos equipamentos de transporte, dos avisos de proibição de fumar e de advertência quanto à natureza perigosa ou nociva à saúde das substâncias em movimentação ou em depósito, bem como das recomendações de primeiros socorros e de atendimento médico e símbolo de perigo, segundo padronização internacional, nos rótulos dos materiais ou substâncias armazenados ou transportados. Parágrafo único. As disposições relativas ao transporte de materiais aplicam-se, também, no que couber, ao transporte de pessoas nos locais de trabalho. Art. 183. As pessoas que trabalharem na movimentação de materiais deverão estar familiarizados com os métodos racionais de levantamento de cargas. SEÇÃO XI DAS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Art. 184. As máquinas e os equipamentos deverão ser dotados de dispositivos de partida e parada e outros que se fizerem necessários para a prevenção de acidentes do trabalho, especialmente quanto ao risco de acionamento acidental. Parágrafo único. É proibida a fabricação, a importação, a venda, a locação e o uso de máquinas e equipamentos que não atendam ao disposto neste artigo. Art. 185. Os reparos, limpeza e ajustes somente poderão ser executados com as máquinas paradas, salvo se o movimento for indispensável à realização do ajuste. Art. 186. O Ministério do Trabalho estabelecerá normas adicionais sobre proteção e medidas de segurança na operação de máquinas e equipamentos, especialmente quanto à proteção das partes móveis, distância entre estas, vias de acesso às máquinas e equipamentos de grandes dimensões, emprego de ferramentas, sua adequação e medidas de proteção exigidas quando motorizadas ou elétricas.SEÇÃO XII DAS CALDEIRAS, FORNOS E RECIPIENTES SOB PRESSÃO Art. 187. As caldeiras, equipamentos e recipientes em geral que operam sob pressão deverão dispor de válvula e outros dispositivos de segurança, que evitem seja ultrapassada a pressão interna de trabalho compatível com a sua resistência. Parágrafo único. O Ministério do Trabalho expedirá normas complementares quanto à segurança das caldeiras, fornos e recipientes sob pressão, especialmente quanto ao revestimento interno, à localização, à ventilação dos locais e outros meios de eliminação de gases ou vapores prejudiciais à saúde, e demais instalações ou equipamentos necessários à execução segura das tarefas de cada empregado. Art. 188. As caldeiras serão periodicamente submetidas a inspeções de segurança, por engenheiro ou empresa especializada, inscritos no Ministério do Trabalho, de conformidade com as instruções que, para esse fim, forem expedidas. § 1º Toda caldeira será acompanhada de "Prontuário", com documentação original do fabricante, abrangendo, no mínimo: especificação técnica, desenhos, detalhes, provas e testes realizados durante a fabricação e a montagem, características funcionais e a pressão máxima de trabalho permitida (PMTP), esta última indicada, em local visível, na própria caldeira. § 2º O proprietário da caldeira deverá organizar, manter atualizado e apresentar, quando exigido pela autoridade competente, o Registro de Segurança, no qual serão anotadas, sistematicamente, as indicações das provas efetuadas, inspeções, reparos e quaisquer outras ocorrências. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 131 § 3º Os projetos de instalação de caldeiras, fornos e recipientes sob pressão deverão ser submetidos à aprovação prévia do órgão regional competente em matéria de segurança do trabalho. SEÇÃO XIII DAS ATIVIDADES INSALUBRES OU PERIGOSAS Art. 189. Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos. Art. 190. O Ministério do Trabalho aprovará o quadro das atividades e operações insalubres e adotará normas sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os limites de tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de exposição do empregado a esses agentes. Parágrafo único. As normas referidas neste artigo incluirão medidas de proteção do organismo do trabalhador nas operações que produzem aerodispersóides tóxicos, irritantes, alérgicos ou incômodos. Art. 191. A eliminação ou a neutralização da insalubridade ocorrerá: I - com a adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância; II - com a utilização de equipamentos de proteção individual ao trabalhador, que diminuam a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância. Parágrafo único. Caberá às Delegacias Regionais do Trabalho, comprovada a insalubridade, notificar as empresas, estipulando prazos para sua eliminação ou neutralização, na forma deste artigo. Art. 192. O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário-mínimo da região, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo. Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. § 1º O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. § 2º O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido. Art. 194. O direito do empregado ao adicional de insalubridade ou de periculosidade cessará com a eliminação do risco à sua saúde ou integridade física, nos termos desta Seção e das normas expedidas pelo Ministério do Trabalho. Art. 195. A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho. § 1º É facultado às empresas e aos sindicatos das categorias profissionais interessadas requererem ao Ministério do Trabalho a realização de perícia em estabelecimento ou setor deste, com o objetivo de caracterizar e classificar ou delimitar as atividades insalubres ou perigosas. § 2º Arguida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por Sindicato em favor de grupo de associado, o juiz designará perito habilitado na forma deste artigo, e, onde não houver, requisitará perícia ao órgão competente do Ministério do Trabalho. § 3º O disposto nos parágrafos anteriores não prejudica a ação fiscalizadora do Ministério do Trabalho, nem a realização ex officio da perícia. Art. 196. Os efeitos pecuniários decorrentes do trabalho em condições de insalubridade ou periculosidade serão devidos a contar da data da inclusão da respectiva atividade nos quadros aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitadas as normas do artigo 11. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 132 Art. 197. Os materiais e substâncias empregados, manipulados ou transportados nos locais de trabalho, quando perigosos ou nocivos à saúde, devem conter, no rótulo, sua composição, recomendações de socorro imediato e o símbolo de perigo correspondente, segundo a padronização internacional. Parágrafo único. Os estabelecimentos que mantenham as atividades previstas neste artigo afixarão, nos setores de trabalho atingidos, avisos ou cartazes, com advertência quanto aos materiais e substâncias perigosos ou nocivos à saúde. SEÇÃO XIV DA PREVENÇÃO DA FADIGA Art. 198. É de 60 kg (sessenta quilogramas) o peso máximo que um empregado pode remover individualmente, ressalvadas as disposições especiais relativas ao trabalho do menor e da mulher. Parágrafo único. Não está compreendida na proibição deste artigo a remoção de material feita por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou quaisquer outros aparelhos mecânicos, podendo o Ministério do Trabalho, em tais casos, fixar limites diversos, que evitem sejam exigidos do empregado serviços superiores às suas forças. Art. 199. Será obrigatória a colocação de assentos que assegurem postura correta ao trabalhador, capazes de evitar posições incômodas ou forçadas, sempre que a execução da tarefa exija que trabalhe sentado. Parágrafo único. Quando o trabalho deva ser executado de pé, os empregados terão à sua disposição assentos para serem utilizados nas pausas que o serviço permitir. SEÇÃO XV DAS OUTRAS MEDIDAS ESPECIAIS DE PROTEÇÃO Art. 200. Cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições complementares às normas de que trata este Capítulo, tendo em vista as peculiaridades de cada atividade ou setor de trabalho, especialmente sobre: I - medidas de prevenção de acidentes e os equipamentos de proteção individual em obras de construção, demolição ou reparos; II - depósitos, armazenagem e manuseio de combustíveis, inflamáveis e explosivos, bem como trânsito e permanência nas áreas respectivas; III - trabalho em escavações, túneis, galerias, minas e pedreiras, sobretudo quanto à prevenção de explosões, incêndios, desmoronamentos e soterramentos, eliminação de poeiras, gases, etc. e facilidades de rápidade tratamento, onde ocorrerá a depuração dos esgotos para possibilitar o seu retorno aos corpos d’água. DISPOSITOS DE ESGOTO Para facilitar o escoamento e para que se possa direcionar o fluxo do esgoto, deve-se utilizar junções e curvas de 45o. As curvas de 90o devem ser utilizadas somente na transição da vertical para a horizontal. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 10 Para não permitir que os gases da decomposição do esgoto provenientes da fossa ou coletor público entrem no ambiente e na edificação são instalados os chamados desconectores separando o esgoto que possui gases, chamado de esgoto primário, do esgoto livre de gases da decomposição que se chama esgoto secundário. Desconectores Os desconectores estão presentes em alguns aparelhos sanitários, tais como bacias sanitárias, caixas sifonadas e sifões de pias de lavatórios e de cozinhas: A lâmina d'água (selo hídrico) presente nesses aparelhos impede a entrada dos gases do esgoto e consequentemente o mau cheiro. Porém, além da colocação dos desconectores, deve-se garantir que a pressão interna do tubo seja igual a pressão atmosférica. Se a pressão interna não for igual a pressão atmosférica, o escoamento deixa de ser livre e passa a ser forçado. Se existir sucção a montante do escoamento do esgoto, pode haver o que chamamos de quebra do selo hídrico. No decorrer do tempo o sistema de esgoto vai necessitar de manutenção. As tubulações de esgoto não podem passar por dentro de elementos estruturais, tais como lajes, pilares e vigas pois inviabiliza a sua manutenção. Na forma tradicional de instalação, as tubulações horizontais passam sob a laje e as verticais (em edifícios) em shafts. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 11 A Coleta do esgoto em residências: Os ramais de esgoto dos ambientes devem ser direcionados para fora da residência. O ramal de esgoto da cozinha não pode ser ligado diretamente aos sub coletores. As águas residuais da cozinha possuem óleo e gordura que podem entupir as tubulações. Esses óleos e gorduras não podem ser lançados no sistema de esgoto e devem ser retidos no que chamamos de caixa de gordura (CG). As caixas de gordura podem ser moldadas in loco ou adquiridas prontas no mercado. Os ramais de esgoto podem se juntar em caixas de passagem antes de se dirigirem para o coletor predial. Essas caixas também podem ser feitas no local ou compradas prontas. São pontos de acesso para permitir a inspeção, limpeza e desobstrução da tubulação. Junto ao limite do terreno ainda fazemos uma última caixa de inspeção antes de lançar o esgoto no coletor público. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 12 DEFINIÇÕES Ramal de descarga – tubulação que recebe diretamente efluentes de um aparelho sanitário. Ramal de esgoto – tubulação que recebe efluentes de ramais de descarga. Subcoletor – tubulação que recebe efluentes de um ou mais tubos de queda ou ramais de esgoto. Coletor predial – trecho de tubulação compreendido entre a última inserção de subcoletor, ramal de esgoto ou de descarga e o coletor público ou sistema particular. Fossa séptica – unidade de sedimentação e digestão, de fluxo horizontal e funcionamento contínuo, destinada ao tratamento primário do esgoto sanitário. Sumidouro – cavidade destinada a receber o efluente de dispositivo de tratamento e a permitir sua infiltração no solo. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 13 Fecho hídrico – camada líquida que em um desconector, veda a passagem de gases. Desconector – dispositivo provido de fecho hídrico destinado a vedar a passagem de gases. Sifão – desconector destinado a receber efluentes de instalação de esgoto sanitário. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 14 Tubo ventilador – tubo destinado a possibilitar a troca do ar da instalação do esgoto para a atmosfera e vice-versa. Coluna de ventilação – tubo ventilador vertical que se desenvolve através de um ou mais andares e cuja extremidade superior é aberta para a atmosfera ou ligada a um tubo ventilador primário ou barrilete de ventilação. Caixa sifonada – caixa dotada de fecho hídrico destinada a receber efluentes da instalação secundária de esgoto. Caixa de inspeção – caixa destinada a permitir a inspeção, limpeza e desobstrução das tubulações. Instalação primária de esgoto – conjunto de tubulações e dispositivos onde tem acesso gases provenientes do coletor público ou dos dispositivos de tratamento. Instalação secundária de esgoto – conjunto de tubulações e dispositivos onde não tem acesso gases provenientes do coletor público ou dos dispositivos de tratamento. Unidade Hunter de contribuição – fator probabilístico numérico que representa a frequência habitual de utilização, associada a vazão típica de cada uma das diferentes peças de um conjunto de aparelhos heterogêneos, em funcionamento simultâneo em hora de contribuição máxima no hidrograma diário. Ralos – existem ralos secos e ralos sifonados. Ralos Secos: não têm fecho hídrico. Recebem água de pisos, terraços, sacadas e box. - Ralos Sifonados: Possuem sifonagem. Podem ter formato cilíndrico, cônico ou quadrado. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 15 Válvula de Retenção - tem a função de evitar o retorno do esgoto da rede pública para a residência, assim como a entrada de insetos e roedores para dentro da residência através do esgoto. - Só libera o fluxo por um lado. NOÇÕES DE HIDRÁULICA O que é hidráulica? É a ciência que estuda as características físicas de fluidos líquidos em repouso (confinados) ou em movimento (escoamentos). A lei fundamental da hidráulica é: "A pressão exercida em um ponto qualquer de um líquido em repouso (estático) é a mesma em todas as direções e exerce forças iguais em áreas iguais". Em outras palavras, a hidráulica consiste no estudo das características e uso dos fluidos confinados ou em escoamento como meio de transmitir energia. Conceitos fundamentais - Força, Pressão e Perda de Carga Quando uma força é aplicada sobre uma área, ocorre o que chamamos de pressão. Imagine um reservatório com 10 metros de altura, completamente cheio de água. Qual é a força, ou pressão, que teremos sobre o fundo deste reservatório? Será de 10 metros de força em cada cm² do seu fundo, não importando qual seja o seu diâmetro. Força - é o esforço feito sobre um objeto. Unidades de medida: quilograma-força (kgf) ou Newton (N), sendo que 1 kgf = 9,80 N. A água como qualquer outro objeto tem peso, por isso em Hidráulica as forças exercidas pelos líquidos estão associadas à Área (A) onde os líquidos estão contidos. Essa relação é conhecida como Pressão (P). Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 16 Área – é a quantidade de espaço existente em uma superfície. Quando aplicada à Hidráulica, a área por onde a água passa é a seção do tubo ou a área de um reservatório. Unidades de medida: metro quadrado (m²), centímetro quadrado (cm²) e quilômetro quadrado (km²). Pressão (P) - é a quantidade de Força (F) que foi aplicada em uma determinada área (A). a) Pressão Hidrostática: forças exercidas pelo líquido contido em reservatórios. A água contida em um tubo tem um determinado peso, o qual exerce uma determinada pressão nas paredes desse tubo. Qual é essa pressão? Olhando para os dois copos, A e B, em qual dos dois existe maior pressão sobre o fundo? No copo A ou no copo B? A primeira ideia que nos vem à cabeça é de que existe maior pressão no fundo do copo A. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 17 No entanto, se ligarmos os dois copos, comosaída dos empregados; IV - proteção contra incêndio em geral e as medidas preventivas adequadas, com exigências ao especial revestimento de portas e paredes, construção de paredes contrafogo, diques e outros anteparos, assim como garantia geral de fácil circulação, corredores de acesso e saídas amplas e protegidas, com suficiente sinalização; V - proteção contra insolação, calor, frio, umidade e ventos, sobretudo no trabalho a céu aberto, com provisão, quanto a este, de água potável, alojamento profilaxia de endemias; VI - proteção do trabalhador exposto a substâncias químicas nocivas, radiações ionizantes e não ionizantes, ruídos, vibrações e trepidações ou pressões anormais ao ambiente de trabalho, com especificação das medidas cabíveis para eliminação ou atenuação desses efeitos limites máximos quanto ao tempo de exposição, à intensidade da ação ou de seus efeitos sobre o organismo do trabalhador, exames médicos obrigatórios, limites de idade controle permanente dos locais de trabalho e das demais exigências que se façam necessárias; VII - higiene nos locais de trabalho, com discriminação das exigências, instalações sanitárias, com separação de sexos, chuveiros, lavatórios, vestiários e armários individuais, refeitórios ou condições de conforto por ocasião das refeições, fornecimento de água potável, condições de limpeza dos locais de trabalho e modo de sua execução, tratamento de resíduos industriais; VIII - emprego das cores nos locais de trabalho, inclusive nas sinalizações de perigo. Parágrafo único. Tratando-se de radiações ionizantes e explosivos, as normas a que se referem este artigo serão expedidas de acordo com as resoluções a respeito adotadas pelo órgão técnico. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 133 SEÇÃO XVI DAS PENALIDADES Art. 201. As infrações ao disposto neste Capítulo relativas à medicina do trabalho serão punidas com multa de 3 (três) a 30 (trinta) vezes o valor de referência previsto no artigo 2º, parágrafo único, da Lei nº 6.205, de 29 de abril de 1975, e as concernentes à segurança do trabalho com multa de 5 (cinco) a 50 (cinquenta) vezes o mesmo valor. Parágrafo único. Em caso de reincidência, embaraço ou resistência à fiscalização, emprego de artifício ou simulação com o objetivo de fraudar a lei, a multa será aplicada em seu valor máximo. Art. 2º A retroação dos efeitos pecuniários decorrentes do trabalho em condições de insalubridade ou periculosidade, de que trata o artigo 196 da Consolidação das Leis do Trabalho, com a nova redação dada por esta Lei, terá como limite a data da vigência desta Lei, enquanto não decorridos 2 (dois) anos da sua vigência. Art. 3º As disposições contidas nesta Lei aplicam-se, no que couber, aos trabalhadores avulsos, as entidades ou empresas que lhes tomem o serviço e aos sindicatos representativos das respectivas categorias profissionais. § 1º Ao Delegado de Trabalho Marítimo ou ao Delegado Regional do Trabalho, conforme o caso, caberá promover a fiscalização do cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho em relação ao trabalhador avulso, adotando as medidas necessárias inclusive as previstas na Seção II, do Capítulo V, do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, com a redação que lhe for conferida pela presente Lei. § 2º Os exames de que tratam os§§ 1º e 3º do art. 168 da Consolidação das Leis do Trabalho, com a redação desta Lei, ficarão a cargo do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social - INAMPS, ou dos serviços médicos das entidades sindicais correspondentes. Art. 4º O Ministro do Trabalho relacionará o artigos do Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, cuja aplicação será fiscalizada exclusivamente por engenheiros de segurança e médicos do trabalho. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogados os artigos 202 a 223 da Consolidação das Leis do Trabalho; a Lei nº 2.573, de 15 de agosto de 1955; o Decreto-lei nº 389, de 26 de dezembro de 1968 e demais disposições em contrário. CIPA12 De acordo com o Artigo 163 da CLT, é obrigatória a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), conforme as instruções do Ministério do Trabalho que estão contidas na NR 5 da Portaria nº 3.214/78. Tem a CIPA por objetivo observar e relatar as condições de risco nos ambientes de trabalho e solicitar as medidas para reduzir até eliminar os riscos existentes e/ou neutraliza-los, discutindo os acidentes ocorridos e solicitado medias que os previnam, assim como orientando os trabalhos quanto a sua prevenção. Será a CIPA composta de representantes da empresa e dos empregados. Os representantes do empregador, titulares e suplentes, serão por ele designados, anualmente, entre os quais o presidente da CIPA. Os representantes dos empregados, titulares e suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto pelos interessados, independentemente de serem sindicalizados, entre os quais estará o vice-presidente da CIPA. O mandato dos membros eleitos da CIPA é de um ano, permitida uma reeleição. Os representantes titulares do empregador não poderão ser reconduzidos por mais de dois mandatos consecutivos. Deverá a CIPA ser registrada no órgão regional do Ministério do Trabalho até 10 dias depois da eleição, devendo suas atas ser registradas em livro próprio. A eleição para o novo mandato da CIPA deverá ser convocada pelo empregador, com prazo mínimo de 45 dias antes do término do mandato e realizada com antecedência mínima de 30 dias de seu término. O membro titular perderá o mandato e será substituído pelo suplente quando faltar a mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa. Os empregados deverão fazer um curso de CIPA. Tratando-se de empreiteiras ou de empresas prestadoras de serviços, considera-se estabelecimento o local em que seus empregados estiverem exercendo suas atividades. 12 MARTINS, Sergio Pinto. Direito do Trabalho. 28ª edição. São Paulo: Atlas, 2012, p. 669-670. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 134 A CIPA não poderá ter seu número de representantes reduzido, nem ser desativada ates do término do mandato de seus membros, ainda que haja redução do número de empregados da empresa ou reclassificação de risco, salvo em caso de encerramento da atividade do estabelecimento (Artigo 5º da Portaria nº SSST nº 9/96). O Artigo 165 da CLT determina que os titulares da representação dos empregados nas CIPAS não poderão sofrer despedida arbitrária, que é a que não se fundar em motivo econômico, financeiro, técnico ou disciplinar. Ocorrendo a despedida, se o empregado reclamar na Justiça do Trabalho, deverá o empregador comprovar os motivos retro indicados, sob pena de ter de reintegrar o trabalhador. A alínea a do inciso II do Artigo 10 do ADCT determinou que o empregado eleito para cargo de direção da CIPA tem estabilidade no emprego, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. A garantia de emprego é para o empregado eleito e não para o indicado pelo empregador para ser o presidente da CIPA. Questões 01. (CODAR – Coletor de Lixo Reciclável – EXATUS/PR/2016) Todas as siglas abaixo estão relacionadas direta ou indiretamente com a segurança do trabalho. Em qual delas funcionários são eleitos para ter uma participação efetiva e representar seus colegas de trabalho dentro da empresa? (A) ABPA. (B) ABNT. (C) CIPA. (D) NR-MTE. 02. (UFPEL – Assistente Administrativo – INSTITUTO AOCP/2015) O setor responsável pela prevenção de acidentes de trabalho é caracterizado pela SIGLA: (A) LTCAT. (B) CIPA. (C) PPP. (D) PPRA. (E) PCMSO. 03. (TRT/9R – Analista Judiciário – FCC/2015) Segundo as normas de segurança e medicina do trabalho, (A) são consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovadamostra a figura abaixo, observaremos que os níveis permanecem exatamente os mesmos. Isto significa que: se as pressões dos copos fossem diferentes, a água contida no copo A empurraria a água do copo B, que transbordaria. As pressões, portanto, são iguais em ambos os copos! É isto mesmo o que ocorre na prática. Esta experiência é chamada “Princípio dos Vasos Comunicantes”. Agora, se adicionarmos água no copo A, inicialmente ocorre um pequeno aumento da altura ”hA“. O nível do copo A, então, vai baixando aos poucos. Com a adição de água, houve um aumento de pressão no fundo do mesmo, a qual tenderá a se igualar com a pressão exercida pela água do copo B. A pressão que a água exerce sobre uma superfície qualquer (no nosso caso, o fundo e as paredes dos copos) só depende da altura do nível da água até essa superfície. É o mesmo que dizer: a pressão não depende do volume de água contido em um tubo, e sim da altura. Níveis iguais geram pressões iguais. A pressão não depende da forma no recipiente. Dentro do sistema de abastecimento e da instalação predial, a água exerce uma força sobre as paredes das tubulações. A esta força damos o nome de “pressão”. Nos prédios, o que ocorre com a pressão exercida pela água nos diversos pontos das tubulações é o mesmo que no exemplo dos copos. Isto é: a pressão só depende da altura do nível da água, desde um ponto qualquer da tubulação até o nível da água do reservatório. Quanto maior for a altura, maior será a pressão. Se diminuirmos a altura, a pressão diminui. No esquema abaixo, observamos que a pressão no ponto C é maior que em A, pois ali a altura da coluna da água é maior que a coluna do ponto A. b) Pressão Hidrodinâmica: pressão que a água exerce quando está em movimento. c) Pressão de Serviço: pressão máxima que pode existir na rede para que a instalação hidráulica funcione em condições normais. Velocidade - rapidez com que um corpo muda de posição em um determinado tempo. Unidades de medida: - m/s - metro por segundo - km/h - quilômetro por hora A velocidade aumenta: Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 18 - quanto mais inclinado estiver o tubo com escoamento livre - quando diminui a pressão na tubulação Vazão - rapidez com que o volume de líquido passa pelo tubo em um determinado tempo. Unidades de medida: m³/s - metro cúbico por segundo L/min - litro por minuto Golpe de Aríete - aumento instantâneo de pressão da água dentro da tubulação. Ocorre quando a descida da água é interrompida bruscamente. 1) Válvula fechada: apenas a pressão nominal atua dentro da coluna. 2) Válvula aberta: a água desce, aumentando sua velocidade dentro do tubo. A pressão hidrostática contra as paredes reduz ao máximo. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 19 3) Fechamento rápido da válvula: interrupção brusca da água, que causa violento impacto na válvula e equipamentos. E também vibrações e fortes pressões que tendem a dilatar o tubo. Para solucionar: - regule as válvulas de descarga a cada 6 meses - troque as válvulas de fechamento rápido - instale válvulas redutoras de pressão Conduto livre - o líquido dentro do tubo está sujeito apenas à pressão atmosférica e não preenche toda a seção no tubo. Ex: escoamento de esgoto e águas pluviais. Conduto sob pressão - o líquido dentro do tubo está sob pressão, positiva ou negativa, e preenche toda a seção do tubo. Ex: água fria, incêndio e água quente. Perda de Carga - resistência ao movimento da água. Pode ser: a) Localizada - o choque entre as partículas causam turbulências. b) Distribuídas - atrito ao longo da tubulação Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 20 As principais causas da perda de carga são: - Traçados de tubulações: quanto maior o comprimento da rede, maior será a perda de carga. - Número de conexões: quanto mais conexões, maior será a perda de carga. - Rugosidade: quanto mais rugosas forem as paredes internas dos tubos, maior será a perda de carga. - Quanto menor forem os diâmetros dos tubos, maior será a perda de carga. TIPOS DE INSTALAÇÃO a) Tubulações suspensas ou aéreas: - Fixar com abraçadeiras ou suportes. - Mais utilizadas para instalações de água fria e esgoto. b) Tubulações enterradas: - Assentadas em: terreno resistente ou sobre base apropriada, sem detritos nem materiais pontiagudos - Mais utilizadas para instalações de esgoto. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 21 c) Tubulações embutidas: - Ficam independentes da alvenaria. - Devem permitir movimentação. - Deixam uma abertura na alvenaria maior que a do diâmetro do tubo. SISTEMAS DE ÁGUA FRIA Conjunto de tubulações e dispositivos destinados ao abastecimento dos pontos de água da edificação. Componentes - Ambiente externo: entrada de água. - Ambiente interno: instalação e distribuição. a) Ambiente externo - Executado pela concessionária pública. - Colocação do kit cavalete e hidrômetro - medidor de consumo b) Ambiente interno - Instalação predial - fica toda a tubulação dentro da edificação. - Distribuição de água - são 3 tipos: Direto, Indireto e Misto. SISTEMAS DE ÁGUA QUENTE Fornece água quente nos pontos de consumo, utilizando a tubulação de entrada de água da instalação de água fria. Tipos de aquecimento Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 22 a) Individual local - Água quente é fornecida em um ponto de consumo. Ex: duchas elétricas. b) Central privado - aquecedores residenciais Ex.: Aquecedor de acumulação de passagem. c) Central coletivo - aquecedores centrais da edificação. - Produtos 1) Aquecedores - Aumentam a temperatura da água que será fornecida. a) Classificação por tipo de funcionamento - são 2 modelos: • Aquecedor de passagem: não armazena a água quente, apenas aquece quando ela passa. • Aquecedor de acumulação: armazena a água quente em reservatórios conhecidos como “boilers”. b) Classificação por tipo de alimentação - são 3 modelos: • Aquecedor a gás natural ou elétrico: Instalação - em local com ventilação e chaminé. Manutenção - no mínimo uma vez por ano. • Aquecedor Solar: - Utiliza a luz solar como fonte de energia. - A captação da energia solar é feita por placas colocadas sobre o telhado, que retém o calor e aquece a água. Depois essa água fica armazenada no “boiler” pronta para o uso. - Precisa ter um sistema de aquecimento complementar. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 23 SISTEMAS DE ESGOTO Coletam, conduzem e afastam da edificação os despejos do uso dos aparelhos sanitários, levando para a rede pública. NBR 8160 recomenda que: - Evite a contaminação da água potável. - Tenha fácil acesso à inspeção. - Impeça retorno de gases. - Seja separado do sistema de águas pluviais. Partes do Sistema - Instalação secundária. - Instalação primária. - Ventilação. Tensionamento por instalação fora de prumo - Partes internas e flanges fragilizados. - Rompimento pelo deslocamento da tubulação. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 24 Bolsas/curvas feitas por aquecimento - Fragilizam as instalações. - Perdem resistência à pressão. - Causam rupturas. Excesso de adesivo - Fragiliza as partes internas. - Reduz o diâmetro interno. - Causa rompimento por fadiga. Tensionamento por excesso de aperto - Observe as marcas de chave de grifo na peça. - Compromete a resistência do produto. - Deforma o fundo da rosca. Ruptura por impacto na tubulação - Apresenta linha de rompimento em forma de estrela. - Trincas e rupturas. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 25UNIDADE DE MEDIDAS: Para realizarmos qualquer experimento é preciso conhecer algumas unidades de medida. A medida de uma grandeza é um número que expressa uma quantidade, comparada com um padrão previamente estabelecido. O volume, comprimento, massa, temperatura, tempo, volume, força, quantidade de matéria , a densidade e a pressão são unidades de medida. Essas grandezas são avaliadas pelas unidades de medida adotadas por convenção e cada unidade tem seu símbolo. Por exemplo, o m o símbolo do metro. O valor de uma grandeza pode ser expresso por um número e uma unidade de medida. Exemplo: 25ºC, 100m. SISTEMAS DE UNIDADES DE MEDIDA Um grupo de unidade é conhecido como sistema de unidades de medida. O mais utilizado é o SI (Sistema Internacional de Unidades). GRANDEZA NOME DA UNIDADE SÍMBOLO massa quilograma Kg comprimento metro m tempo segundo S Quantidade de matéria mol mol temperatura termodinâmica Kelvin K área metro quadrado m² pressão Pascal Pa Às vezes é necessário usar unidades maiores oi menores do que as do SI. Se a grandeza comprimento, onde a unidade no SI é o metro, tiver que ser expressa em unidades maiores usamos os seus múltiplos (quilômetro, hectômetro, decâmetro, etc.) e para utilizar unidades menores, usamos os submúltiplos (centímetro, decímetro, milímetro, etc.). Observe a formação dos múltiplos e submúltiplos das unidades de medida mediante o emprego dos prefixos SI Em uma tabela mais simplificada: km hm dam m dm cm mm 10³ 10² 10 1 10-1 10-2 10-3 Então: 1km = 1.10³ 1µm = 1.10-6 1cm = 1.10-2 1nm = 1.10-9 1mm = 1.10-3 Se a grandeza for massa: Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 26 1kg = 10³g 1g = 10-3 kg 1g = 10³ mg 1mg = 10-3g 1g = 106µg 1 µg = 10-6 Para a grandeza volume, utilize-se muito a unidade de l (litro) e mL (mililitro), onde: 1l = 1dm³ 1mL = 1cm³ Outras unidades: Alguns países não utilizam unidades métricas. São as unidades do sistema inglês (milha, jarda, polegada, pé, libra e onça). 1milha = 1609m 1polegada = 25,40mm = 2,540cm 1jarda = 0,914m 1onça= 28,35g 1pé = 0,3048m 1libra = 453,6g Unidade de medida de massa A unidade padrão de massa é o quilograma abreviado por kg. OBS: O grama é um substantivo masculino, então se diz “duzentos gramas de queijo”. A grama é uma planta rasteira para forração de jardins e gramados. Você pode perceber que existem situações em que a unidade quilograma (kg) é inadequada, e para essas situações existem múltiplos e submúltiplos do kg. Para transformarmos uma unidade em outra, basta deslocarmos a vírgula para a esquerda ou para a direita o número de casas quantas forem as casas da transformação. A unidade de massa bastante usada na pecuária é a arroba que equivale a 15 kg. Ex: 1,309 hg = 13 90 cg 765,3 mg = 0,7653 g As massas podem ser determinadas nas unidas da tabela a seguir: Quilogram a hectogram a decagram a gram a decigram a centigram a miligram a kg hg dag g dg cg mg 1000 g 100 g 10 g 1 g 0,1 g 0,01 g 0,001 g MEDIDAS DE MASSAS Medir a massa de uma amostra é uma operação de pesagem. O instrumento usado é balança, que geralmente é graduada em gramas (g). Para medir uma amostra são necessários alguns cuidados como: garantir que a balança esteja colocada sobre uma base firme, livre de vibrações mecânicas e nivelada; não colocar a amostra diretamente sobre a balança, mas sim, dentro de um recipiente limpo e seco (vidro de relógio, papel de filtro, entre outros); transferir o material a ser pesado na balança com o auxílio de uma pinça ou espátula; após a medida não deve deixar nada sobre o prato da balança, qualquer substância acidentalmente entornada deverá ser imediatamente removida. As balanças mais utilizadas em laboratórios são as analíticas e semi- analíticas. As analíticas são utilizadas para se obter massas com alta exatidão, já as semi-analíticas, são usadas para medidas nas quais a necessidade de resultados confiáveis não é critica. Procedimento experimental: Medidas de Massa: Balança analítica - Centralize o material a ser pesado no prato da balança; - Nunca colocar reagentes diretamente no prato da balança; pesá-los em recipientes adequados (pesa- filtro, béquer pequeno, vidro de relógio, barquinha de pesagem, papel apropriado para a pesagem); - Não toque diretamente com as mãos o material a ser pesado (utilize uma pinça ou uma tira de papel). - A massa de muitos sólidos varia com a umidade. Uma análise típica envolve a secagem da amostra Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 27 para que os resultados não sejam influenciados pela umidade do ambiente. Relações entre unidades: Temos que: 1 kg = 1l = 1 dm3 1 hm2 = 1 ha = 10.000m2 1 m3 = 1000 l Volume Quando compramos leite ou suco, ou abastecemos o carro com combustível, o preço desses produtos é calculado de acordo com o volume que estamos adquirindo. O volume pode ser entendido como o espaço ocupado por um objeto. Quando trabalhamos com recipientes, como garrafas e copos, é comum nos referirmos ao espaço interno deles. Esse volume recebe a denominação de capacidade. Para calcularmos o volume de um paralelepípedo, basta multiplicarmos as 3 dimensões. V = altura x largura x comprimento Tanto o volume de um objeto como sua capacidade podem ser medidos por meio de duas unidades padrão, que estudaremos separadamente: o litro e o metro cúbico Metro cúbico (m 3 ) Pelo Sistema Internacional de Medidas (SI ), o metro cúbico é a unidade padrão de medida de volume. Ele é definido como o espaço ocupado por um cubo cujo comprimento da aresta é um metro. Seu volume é dado por: V= a 3 Os múltiplos e submúltiplos do metro cúbico estão na tabela abaixo: Quilômetro cúbico Hectômet ro cúbico Decâmet ro cúbico Metr o cúbic o Decímet ro cúbico Centímet ro cúbico Milímetro cúbico km 3 hm 3 dam 3 m 3 dm 3 cm 3 mm 3 100000000 0m 3 1000000 m 3 1000m 3 1m 3 0,001m 3 0,000001 m 3 0,00000000 1m 3 Repare que cada unidade é mil vezes maior que a unidade que a antecede Para transformarmos uma unidade em outra, basta deslocarmos a vírgula para a esquerda ou para a direita o triplo de casas quantas forem as casas da transformação. Ex: 32 m 3 = 0,000032 hm 3 0,00067 dam 3 = 670 dm 3 Litro ( L ) O litro é uma unidade de medida de capacidade (volume) usada para medir líquidos e é definido como o espaço ocupado por um cubo cujo comprimento da aresta é um decímetro, ou seja 10 cm. 1 L = 1 dm 3 Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 28 Os múltiplos e submúltiplos do litro estão na tabela abaixo: Quilolitro hectolitro decalitro litro decilitro centilitro mililitro kl hl dal L dl cl ml 1000 L 100 L 10 L 1 L 0,1 L 0, 01 L 0,001 L Para transformarmos uma unidade em outra, basta deslocarmos a vírgula para a esquerda ou para a direita tantas casas quantas forem as casas da transformação. Ex: 235 cl = 2350 ml 67 dl = 6,7 L OBS: Um litro de água destilada, à temperatura de 15 graus Celsius, tem massa de, aproximadamente, 1 kg. MEDIDAS DE VOLUME: Para medir volumes aproximados de líquidos, podemos utilizar um equipamento volumétrico não muito preciso embora prático, que é a proveta ou cilindro graduado, enquanto que, para medidas precisas, utilizamos equipamentos, tais como balões volumétricos, bureta e pipetas. Estes equipamentos são calibrados pelo fabricante a uma temperatura padrão de 20 ºC, devendo-se utilizá-los de preferência nesta temperatura, para evitar desvios, em virtude de anomalias ocasionadas pelas alterações de temperatura. Vale lembrar que, um erro de medida ocorre quando há uma diferença entre o valor real e o valor experimental. Vários fatores introduzem erros sistemáticos ou determinados (erros no sistemaque podem ser detectados e eliminados). Por exemplo: equipamentos não calibrados, reagentes impuros e erros no procedimento. A medida é também afetada por erros indeterminados ou aleatórios (erros que estão além do controle do operador). Estes incluem o efeito de fatores como: pequenas variações de temperaturas durante uma experiência, absorção de água por substâncias enquanto estão sendo pesadas, diferenças em julgamento sobre a mudança de cor do indicador ou perda de pequenas quantidades de material ao transferir, filtrar ou em outras manipulações. Questões 01. (PM/SP – OFICIAL ADMINISTRATIVO – VUNESP/2014) Em 25 de maio de 2014, o jornal Folha de S. Paulo publicou a seguinte informação sobre a capacidade de retirada de água dos sistemas de abastecimento, em metros cúbicos por segundo (m3/s): De acordo com essas informações, o número de segundos necessários para que o sistema Rio Grande retire a mesma quantidade de água que o sistema Cantareira retira em um segundo é: (A) 5,4. (B) 5,8. (C) 6,3. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 29 (D) 6,6. (E) 6,9. 02. (SAAE/SP – AUXILIAR DE MANUTENÇÃO GERAL – VUNESP/2014) Um consumidor introduziu um objeto dentro da caixa acoplada de uma descarga, o que provocou uma economia de 600 mL de água a cada descarga. Supondo que 1 000 000 de consumidores façam o mesmo, num dia em que cada um desses consumidores der 3 descargas, a economia de água será de (A) 600000 L. (B) 1200000 L. (C) 1800000 L. (D) 2400000 L. (E) 3000000 L. 03. (MP/SP – AUXILIAR DE PROMOTORIA I – ADMINISTRATIVO – VUNESP/2014) O suco existente em uma jarra preenchia 3 4 da sua capacidade total. Após o consumo de 495 ml, a quantidade de suco restante na jarra passou a preencher 1 5 da sua capacidade total. Em seguida, foi adicionada certa quantidade de suco na jarra, que ficou completamente cheia. Nessas condições, é correto afirmar que a quantidade de suco adicionada foi igual, em mililitros, a (A) 580. (B) 720. (C) 900. (D) 660. (E) 840. 04. (SABESP/SP – AGENTE DE SANEAMENTO AMBIENTAL – FCC/2014) Uma piscina está vazia e tem capacidade de 65,4m³ de água. A vazão da torneira que irá encher continuamente essa piscina é de 250mL por segundo. Nessas condições, o tempo necessário e suficiente para encher essa piscina é de Dado: 1m³ equivale a 1000dm³ (A) 73 horas e 40 minutos. (B) 72 horas e 10 minutos. (C) 73 horas e 06 minutos. (D) 72 horas e 20 minutos. (E) 72 horas e 40 minutos. 05. (SABESP – CONTROLADOR DE SISTEMAS DE SANEAMENTO 01 – FCC/2014) Uma piscina de forma quadrada tem 25 m² na superfície, quando está cheia. O dono da piscina quer cobrir toda a superfície com placas de isopor quadradas, cujo lado mede 25 cm. Encaixando as placas sobre a água o número de placas necessárias para realizar esse intento é igual a (A) 250. (B) 4000. (C) 2000. (D) 200. (E) 400. 06. Na leitura do hidrômetro de uma casa, verificou-se que o consumo do último mês foi de 36 m3. Quantos litros de água foram consumidos? (A) 3,6 litros (B) 0,036 litros (C) 3600 litros (D) 36000litros (E) 36000000000 litros Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 30 Respostas 01.Resposta: D m3 seg 33 ------- 1 5 ------- x 5.x = 33 . 1 x = 33 / 5 = 6,6 seg 02. Resposta: C 3 . 1 000 000 = 3 000 000 descargas 3 000 000 . 600 = 1800000000 mL = 1 800 000 L (: 1000) 03.Resposta: B Para facilitar os cálculos vamos chamar de x a capacidade total da jarra. Assim: 3 4 . 𝑥 − 495 = 1 5 . 𝑥 3 4 . 𝑥 − 1 5 . 𝑥 = 495 5.3.𝑥 − 4.𝑥=20.495 20 15x – 4x = 9900 11x = 9900 x = 9900 / 11 x = 900 mL (capacidade total) Como havia 1/5 do total (1/5 . 900 = 180 mL), a quantidade adicionada foi de 900 – 180 = 720 mL 04.Resposta: E 1m³------1000dm³ 65,4------x X=65400 dm³ 1dm³----1000ml 65400----y Y=65400000ml Vazão da torneira 250ml por segundo 250 ml-----1s 65400000—z Z=261600s 1 hora-----3600s x---------261600 x=72,67 h 1hora---60 minutos 0,67-----y Y=40 minutos Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 31 O tempo necessário para encher o tanque é de 72 horas e 40 minutos. 05 Resposta: E * Piscina: 25 m² = 250000 cm² * Placas: 25 cm . 25 cm = 625 cm² 250000 / 625 = 400 placas 06 Resposta: D Solução: 36 m3 = 36 000 dm3 = 36 000 litros OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE REDES COLETORAS DE ESGOTOS As principais atividades de operação e de manutenção preventiva e corretiva de redes coletoras de esgotos, tais como: entupimento de rede e os equipamentos para desobstrução e limpeza das redes através dos poços de visita; vazamento em redes coletoras de esgotos devido à corrosão e juntas mal executadas; identificação das ligações clandestinas e cadastro de redes coletoras. Redes coletoras de esgotos Uma rede coletora de esgotos é um conjunto constituído pelos ramais internos, pelas ligações prediais, pelos coletores de esgoto e seus órgãos acessórios. Ramal interno (instalação predial) são os elementos internos ao imóvel de responsabilidade do proprietário ou usuário. A caixa de gordura é destinada a coletar e reter os resíduos gordurosos dos esgotos provenientes da pia da cozinha ou do tanque se este for utilizado para lavagem dos utensílios de cozinha. Caso trate de instalações de restaurantes, lanchonetes, açougues ou outros fins que impliquem em produção de gordura, a água do piso, também, deverá ser encaminhada à caixa de gordura. A caixa de gordura deve ser verificada e limpa, sempre que necessário. A gordura, os detritos alimentares e demais resíduos retirados devem ser acondicionados em sacos plásticos e colocados no lixo. A caixa de passagem é instalada nos pontos onde ocorre mudança de direção do ramal interno e permitem o acesso para desobstrução, quando necessário. O poço luminar (PL) não existe em todos os sistemas de esgotamento, mas onde os serviços são prestados por concessionárias, sendo o elemento que determina o limite de responsabilidade entre o cliente e a concessionária. É instalado no passeio e permite o acesso aos equipamentos para a desobstrução da ligação predial, quando necessário. Ligação predial (ramal predial) é a parte à jusante ao PL, caso exista, ou a parte além da divisa do imóvel até a rede coletora, de responsabilidade da concessionária. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 32 As redes coletoras, antigamente, eram construídas em manilhas cerâmicas. Atualmente, o PVC vem sendo aplicado com mais frequência face à facilidade de construção. Quando da confecção de uma ligação predial, é muito comum à conexão de tubos de PVC com manilha cerâmica. Nestes casos devem- se utilizar os adaptadores específicos, evitando sempre a improvisação que irá resultar certamente em manutenções futuras. Coletor de esgoto é a tubulação da rede coletora que recebe contribuição de esgoto das ligações prediais em qualquer ponto ao longo de seu comprimento. Coletor tronco é a tubulação da rede coletora que recebe apenas contribuição de esgoto de outros coletores. Coletor principal é o coletor de esgoto de maior extensão dentro de uma mesma bacia. Devido à presença nos esgotos de grande quantidade de sólidos e ainda pelo fato de ser necessário à rede coletora funcionar como conduto livre, é preciso que as canalizações tenham órgãos acessórios. Os órgãos acessórios são utilizados com a finalidade de evitar ou pelo menos minimizar entupimentos nos pontos singulares das tubulações, como curvas, pontos de afluência de tubulações, possibilitando ainda o acesso de pessoas ou equipamentos a esses pontos. Os principais órgãos acessórios de uma rede coletora de esgotos são apresentados a seguir. Poços de Visita (PV) é um poço que, através de abertura existente em sua partesuperior, permite o acesso de pessoas e equipamentos para executar trabalhos de manutenção, compreendendo atividades de inspeção, conservação, reparos, desobstrução e limpeza dos condutos. Os poços de visita (PV) devem ser usados, obrigatoriamente, nos seguintes casos: ∙∙ Na reunião de mais de dois trechos ao coletor. ∙∙ Na reunião de coletores quando há necessidade de tubo de queda. ∙∙ Nas extremidades de sifões invertidos e passagens forçadas. Quando se dispõe de equipamentos adequados de limpeza das redes de esgoto, o poço de visita pode ser substituído por tubo de inspeção e limpeza (TIL), terminal de limpeza (TL) e caixas de passagem (CP). Tubo de Inspeção e Limpeza (TIL) ou Poço de Inspeção (PI) é um dispositivo não visitável que permite inspeção visual e introdução de equipamentos de limpeza. Pode ser usado em substituição ao PV nos seguintes casos: ∙∙ Na reunião de até dois trechos ao coletor (três entradas e uma saída). ∙∙ Nos pontos com degrau de altura inferior a 0,50 m. ∙∙ A jusante de ligações prediais cujas contribuições podem acarretar problemas de manutenção. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 33 Terminal de limpeza (TL) é um dispositivo que permite introdução de equipamentos de limpeza, podendo ser usado em substituição ao PV no início dos coletores. Quando o coletor chega ao poço de visita (PV) com diferença de cota inferior a 0,50 m, executa-se o degrau, ou seja, o coletor afluente lança seus esgotos diretamente no PV. O tubo de queda é um dispositivo instalado no poço de visita (PV), ligando um coletor afluente em cota mais alta ao fundo do poço. O tubo de queda deve ser colocado quando o coletor afluente apresentar degrau com altura maior ou igual a 0,50 m para evitar respingos que prejudiquem o trabalho no poço. O espaçamento entre órgãos acessórios consecutivos, ou seja, o comprimento de um trecho, deve ser limitado pelo alcance dos equipamentos de desobstrução. Normalmente, adota-se a distância de 100 m entre órgãos acessórios consecutivos. Materiais utilizados em redes coletoras de esgotos Os materiais mais utilizados em sistemas de coleta e transporte de esgoto têm sido o tubo cerâmico, o concreto, o PVC, o ferro fundido e o aço. De um modo geral, para a escolha adequada do material a ser utilizado no sistema de coleta de esgoto, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: A escolha adequada dos tubos que serão utilizados em uma rede coletora deve ser bastante criteriosa, pois dependendo de suas características, esses tubos podem gerar gastos excessivos na manutenção, por apresentarem os seguintes problemas: ∙∙ Baixa resistência às solicitações mecânicas. ∙∙ Baixa resistência às condições agressivas tanto no terreno quanto no efluente. ∙∙ Baixa resistência à abrasão. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 34 ∙∙ Permitem movimentação no perfil da linha d’água, gerando acúmulo de material. ∙∙ Permitem infiltração, carreando material do terreno. Os tubos cerâmicos (manilhas de barro vidrado) possuem alta resistência à ação de agentes agressivos existentes nos esgotos residenciais e industriais, à ação dos gases que se formam na própria rede coletora, bem como ao ataque do próprio solo, entretanto, é mais frágil e susceptível a quebras em relação aos outros materiais. Os tubos de concreto são utilizados quando as cargas externas atuantes sobre a canalização ultrapassam aquelas permitidas pelos tubos cerâmicos. Enquanto as manilhas de barro vidrado quase não são afetadas pelos ácidos ou produtos de decomposição oriunda da matéria orgânica presente nos esgotos, cuidados especiais devem ser levados em consideração quando os tubos de concreto são utilizados. Se o esgoto que for transportado possuir temperaturas acima dos valores normais e altas taxas de concentração de matéria orgânica e sulfato, tem-se a formação do gás sulfídrico. Este ataca a parte seca da tubulação formando o enxofre que, por sua vez, é utilizado por bactérias aeróbias em seus processos respiratórios, tendo como consequência a produção do ácido sulfúrico que ataca o cimento do concreto, originando, como subproduto, sulfatos de cálcio, ferro e alumínio. Os tubos de PVC têm como principal característica a alta resistência à corrosão. Em regiões com lençol freático acima dos coletores de esgoto, constitui-se na principal alternativa de utilização. Os tubos de ferro fundido são largamente utilizados em linhas de recalque de elevatórias. Para escoamento livre, são utilizados em travessias aéreas, passagem sob rios, passagem sob estruturas sujeitas à trepidação (pontes ferroviárias ou rodoviárias) ou em situações que necessitam de tubos que suportem cargas extremamente altas. Apostila gerada especialmente para: Tais Vieira Cananea 042.599.025-71 . 35 Uma das principais vantagens desses tubos é a facilidade na desmontagem, caso haja necessidade de se fazer reparo ou mesmo substituir o sistema de coleta e transporte de esgoto. Não é aconselhável a utilização desses tubos em sistemas de coleta e transporte, em que o esgoto e o solo apresentem características ácidas, pois são sensíveis à corrosão. Os tubos de aço são recomendados nos casos em que ocorrem esforços elevados sobre a linha, como no caso de travessias diretas de grandes vãos, cruzamentos subaquáticos, ou ainda quando se deseja uma tubulação com pequeno peso, de absoluta estanqueidade e com grande resistência a pressões de ruptura. Devido à sua grande flexibilidade, os tubos de aço resistem aos efeitos de choques, deslocamentos e pressões externas. Entupimento de rede coletora de esgotos por aporte indevido de resíduos sólidos Um dos grandes problemas encontrados nas tubulações de esgoto consiste no entupimento das mesmas, devido ao mau uso das pessoas que jogam objetos estranhos nos vasos sanitários e, em alguns casos, diretamente nos poços de visita. Os objetos que, comumente, são mais encontrados na rede são: cigarro, cotonete, fralda, fio dental, cabelos, absorvente higiênico, preservativo, algodão, gaze, cigarro, embalagens de shampoo etc. Essa prática incorreta pode comprometer toda a rede coletora de esgotos, gerando grandes gastos com manutenção. Quando é detectado um entupimento na rede coletora, primeiramente, é encaminhada uma equipe de desentupimento equipada com um rolo de arame de aço, que é aplicado nos PV. Enquanto um profissional guia o arame na rede coletora, outros dois fazem à rotação manual do arame, introduzindo-o na rede e promovendo a remoção do material que provocou o entupimento. Caso essa equipe não tenha sucesso, são mobilizados equipamentos mecânicos para promover a desobstrução, como as varas metálicas acopláveis, acionadas por um motor que provoca a rotação das varas, até que as mesmas sejam inseridas na tubulação. Incrustação nas tubulações de esgoto Outro grave problema nas redes coletoras de esgotos é a incrustação das tubulações devido à gordura. Na grande maioria dos imóveis mais antigos não existem as caixas de gordura. Muitos usuários fazem o lançamento de gordura de forma indevida que será encaminhada para as redes coletoras. Vazamento em redes coletoras de esgoto Vazamentos na rede coletora de esgotos podem ocorrer devido à corrosão das tubulações ou por meio de juntas mal executadas. Esse problema é de difícil detecção, pois, normalmente, a água infiltra no solo e, quando se percebe o problema, ele já está em estágio avançado. Vazamentos em redes coletoras de esgotos podem ser detectados nas seguintes situações: ∙∙ Abatimento do pavimento, pois o solo é carreado. Quando a rua afunda, o estágio já está bastante avançado. ∙∙ Pode ocorrer uma coincidência de o operador abrir uma vala próxima, para outro serviço, e verificar grande acúmulo de água no solo. ∙∙ Lençol freático contaminado. Neste caso, é muito difícil