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1 AULA 1 Data: 12/08/2020 Disciplina: Hematologia Professor: Natália Soares Digitada por: Gabriela Lozano Introdução ao estudo da Hematologia Nessa primeira aula faremos uma introdução falando das células hematológicas e o estudo do hemograma para que não fiquemos perdidos estudando as doenças a partir da semana que vem. ➢ Medula óssea: onde são produzidos todos os elementos que circulam no sangue. • Medula óssea amarela: tecido adiposo • Medula óssea vermelha: é o ambiente onde ficam localizadas as células tronco hematopoiéticas. Essas células são importantes para o nosso estudo, na medula elas se dividem e amadurecem, e que são as células maduras que aparecem no nosso hemograma. 1. Estroma: adipócitos, fibroblastos, células endoteliais, macrófagos, fatores de crescimento, colágeno, fibronectina, trombospondina, ácido hialurônico. 2. Células hematopoiéticas: células tronco hematopoiéticas, células precursoras ou progenitoras (UFC), células diferenciadas. (a professora não leu nem explicou essa parte, apenas uma nomenclatura que estava no slide). ➢ Células Tronco Hematopoiéticas ou Stem Cells: • São elementos pluripotenciais: uma mesma célula tronco é capaz de dar origem a todos os elementos que temos no hemograma. • São auto-renováveis: a própria divisão da célula tronco dá origem a outra. • Divisão celular simétrica ou assimétrica: Ou seja, uma célula tronco tanto pode dar origem a outra célula idêntica a ela, garantindo a auto-renovação do compartimento como pode dar origem a uma célula diferente dela, que se comprometerá a uma linhagem hematopoiética: mielóide ou linfoide. • São células grandes, com basofilia citoplasmática, alta relação núcleo/citoplasma, cromatina frouxa e nucléolos visíveis. • Fatores de crescimento: 1. Eritropoetina: principal de uso clínico; hormônio produzido no rim que estimula a proliferação e diferenciação da série vermelha. 2. Trombopoetina: produzida no fígado e referente a série megacariocítica (plaquetas). Também é relevante no uso clínico. 3. G-CSF: sigla em inglês para Fator Estimulador de Colônia de Granulócito. 4. Citocinas. OBS: os 3 primeiros são importantes pois tem implicância clínica. Eles tem análogos dessas substâncias que podemos usar como medicamentos em situações que um compartimento ou outro precisa de estímulos. ➢ Hematopoiese: processo de formação, desenvolvimento e maturação dos elementos do sangue (eritrócitos, leucócitos e plaquetas). 2 Podemos dizer que a partir da primeira divisão, separamos totalmente mielóide e linfoide. Lembrando que hemácias e plaquetas pertencem ao compartimento mielóide, assim como os leucócitos granulócitos. ➢ Eritropoiese (série vermelha): • Eritropoetina: produzida na córtex renal e no fígado (neste pouca quantidade), é o principal fator de estimulação e diferenciação da eritropoiese. Ou seja, na ausência de eritropoietina não há produção de hemácias na quantidade adequada. Por isso em pacientes renais crônicos e com o rim comprometido, fazemos a suplementação de eritropoietina, para tentar recuperar essa produção de série vermelha, pelo menos em parte. Essa reposição/suplementação pode ser feita por via subcutânea ou venosa. • Reticulócito: é a hemácia jovem, fase em que há a expulsão do núcleo e ainda podemos ver restos de RNA no citoplasma. Após 1 a 3 dias sai da medula óssea e ganha a circulação. O valor estará diminuído se a eritropoiese estiver prejudicada; se a medula não estiver conseguindo produzir por qualquer motivo. E apresentará um valor aumentado em caso de destruição periférica de hemácias como mecanismo compensatório de medula. 3 • Eritrócito: célula anucleada que funciona como um “reservatório de hemoglobina”, que é a proteína que faz o transporte de oxigênio do pulmão até os tecidos. Tem receptor pra eritropoetina (EPO), que é o seu principal estimulador, e para transferrina que faz o transporte do ferro, levando-o e permitindo a sua entrada na hemácia, para que seja utilizado na síntese de hemoglobina. • Hepcidina: hormônio sintetizado no fígado principalmente, regulador do metabolismo do ferro. Guardem sempre assim: hepcidina alta, ferro baixo! Se liga a ferroportina internalizando-a e promovendo sua degradação. Inibe a absorção intestinal de ferro e dificulta sua liberação dos estoques para utilização na hematopoiese. Níveis séricos diminuídos na presença de hipóxia (mais crônica) e deficiência de ferro. ➢ Hemoglobina: proteína transportadora do ferro, formada pelo Radical HEME (ferro + protoporfirinas) e 4 cadeias de globina. Na hematologia, quando nos referimos ao valores de referencia, não é algo tão engessado quanto ao de outras especialidades, ou seja, é algo mais flexível. No nosso caso, a referencia significa que 95% da população tem uma condição saudável dentro daqueles valores, mas pode ser que uma pequena porcentagem da população fuja 1 ou 2 pontos daquele valor sem que isso signifique alguma doença. As células apontadas na seta são os reticulóticos, esses pontinhos azuis são restos de RNA, que é o que caracteriza essa fase de reticulócito da células vermelha. As outras células são hemácias maduras. 4 • Anemia: valor de hematócrito/hemoglobina abaixo da referencia. • Policitemia: acima do valor de referencia. OBS: o hematócrito equivale aproximadamente 3x o valor da hemoglobina. VALORES DE REFERENCIA: ➢ Indices Hematimétricos: • Volume Corpuscular Médio (VCM): 80 a 100fL – tamanho médio das hemácias. o Microcitose: VCM diminuído – anemia ferropriva. o Macrocitose: VCM aumentado – deficiências de vit B12 e folato. o Hemácias normocíticas. • HCM: 27 a 32pg – quantidade média de hemoglobina por hemácia. o Hipocromia: HCM diminuído – anemia ferropriva (descoradas e pálidas) o Hemácias normocrômicas Obs: o termo hipercromica em teórica existe mas na prática não usamos. • CHCM: podemos esquecer dele. • RDW: Red Distriburion Width ou índice de anisocitose. o RDW normal: até 14,5 - não há valor mínimo. o RDW elevado: acima de 14,5 – anisocitose ➢ Reticulócitos: valor de referência 25000 a 75000/mm3. • Anemia hipoproliferativa: reticulócito 100000. Uma analogia para entendermos: no hipotireoidismo o TSH está alto para compensar o t4 baixo. A mesma coisa acontece na anemia. Se tenho anemia a medula aumenta a produção de hemácias para compensar, caso a medula não consiga aumentar essa produção, algo nela está errado. Logo, frente a um quadro anêmico, esperamos encontrar o valor de reticulócito 5 aumentado, por mecanismo compensatório. Caso não esteja, concluímos que o problema vem da medula, e chamamos de anemia hipoproliferativa. O primeiro exame a ser solicitado para investigação de qualquer caso anêmico, independente do caso do paciente, chama-se contagem de reticulócito. Devemos preferencialmente corrigir o valor percentual para número absoluto, quando o laboratório não fizer, por exemplo: ➢ Reticulocitose: Para anemias hemolíticas, esse é o laboratório complementar de hemólise: • Elevação de LDH: enzima intracelular, liberação aumentada na presença de hemólise. • Bilirrubina indireta: produto da degradação do heme, circula ligada a albumina. • Se for uma hemólise intravascular, há haptoglobina consumida que se liga na hemoglobina livre do plasma. Então, encontrei reticulocitose no hemograma (a menos que haja uma história de perda sanguínea aguda, como uma facada por exemplo) solicitar esse laboratório complementar. Teremos uma aula só sobre a interpretação do hemograma de hemólise, não se preocupem. ➢ Hemólise: • Reticulócitos: ALTO • Bilirrubinas: ALTO (B. indireta) • LDH: ALTO • Haptoglobina: CONSUMIDA (ela é consumida pois se liga a hemoglobina queestava livre do plasma e fazer um tamponamento). Hemácias: 5000000/mm3 (100%) Reticulócitos (hemácias jovens) = 1% !% de 5000000 = 50000/mm3 Por exemplo, se o paciente tem 5 milhões de hemácias em seu hemograma, aquilo seria 100% das hemácias. Se o reticulócito é 1%, faremos e regra de 3 e daria um reticulócito de 50mil. Hemocaterese / Hemólise: Sempre bom lembrar a diferença das duas. A hemocaterese é a destruição fisiológica da hemácia que ficou “velhinha” e o baço a remove da circulação e a medula produz uma nova no lugar. Já a hemólise é uma destruição prematura ou aumentada da hemácia. Esse é o laboratório de hemólise, guardem isso! 6 OBS: Já vimos que podemos dividir as hemácias/anemia/hemograma em dois grandes grupos que vão se interligar: pode ser quanto aos valores de VCM, HCM e RDW. E também quanto a contagem de reticulócitos frente a um quadro anêmico. Vamos ver depois misturando as duas situações. Sabemos então que as anemias podem ser classificadas quanto a quantidade de reticulócitos (hiperproliferativa ou hipoproliferativa) ou quanto ao VCM (microcitica e macrocítica), mas essas anemias podem estar no mesmo quadro, como mostra o esquema abaixo, e nunca devemos esquecer de fazer essa associação. Caso clínico 1: Diagnóstico: Anemia Microcítica Hipocrômica com elevado índice de anisocitose. Caso clínico 2: Diagnóstico: Anemia macrocítica com elevado índice de anisocitose. Este quadro também apresenta leucopenia, plaquetopenia e pancitopenia, mas não vimos ainda. 7 ➢ Trombocitopoiese (Plaquetas) As plaquetas são fragmentos celulares de megacariócitos (núcleo multilobulado, citoplasma eosinófilo, muitos grânulos de distribuição, membranas de demarcação, plaquetogênicos). São responsáveis junto com a cascata de coagulação pela formação do coágulo estável – tampão. Quando elas se agrupam e aderem ao subendotélio lesado chama-se adesão plaquetária e quando elas se ligam entre si chama-se ligação plaquetária. A contagem plaquetária normal é de 150 a 450mil/mm3. Para aula de hoje ninguém precisa gravar a cascata de coagulação, só entender o fibrinogênio como produto final, que vai resultar no coagulo estável. • Trombocitopenia: contagem plaquetaria abaixo de 150mil/mm3 • Trombocitose: contagem plaquetária acima de 450mil/mm3 8 ➢ Leucopoiese (série branca) • Granulocitopoiese: Caso clínico 3: Diagnóstico: anemia macrocítica com anisocitose e trombocitopenia. Bicitopenia: 2 séries do hemograma diminuídas *Hemograma clássico da deficiência de vitB12 ou folato. Caso clínico 4: Diagnóstico: anemia microcítica hipocrômica e trombocitose. *Hemograma clássico da deficiência de ferro. 9 o Bastão: recebe esse nome pela usa forma de bastao, citoplasma com granulações secundárias, presente na circulação em condições normais. Apresenta número aumentado em infecções bacterianas. o Segmentado ou Polimorfonuclear: é o leucócito em maior circulação, núcleo com 2 ou mais segmentações (até 4), citoplasma granular. Função de fagocitose, célula apresentadora de antígeno. o Neutrófilos: soma de bastões + segmentados. Importante dizer que na hematologia e na oncologia isso aqui é a definição, qualquer outro termo não vale. o Eosinófilo: granulações características que se coram fortemente por corantes ácidos (rosa, laranja). Produção de IgE. Eosinofilia é encontrada em parasitoses intestinais, quadros alérgicos e síndromes paraneoplásicas. o Basófilo: granulações grosseiras que se coram por corantes básicos (azul/roxo bem escuro). Também está aumentado em quadros alérgicos e na leucemia mielóide crônica, onde é o seu crescimento característico. o Monócito/ Macrófago: célula ainda grande, núcleo irregular com chanfraduras, cromatina permanece delicada, mas não se observam nucléolos. Citoplasma abundante e basofílico. Sua função principal é a fagocitose a apresentação de antígenos. • Linfocitopoiese: o Linfócitos: elevada relação núcleo/citoplasma (núcleo ocupa a célula quase toda), cromatina compacta, não se vê nucléolos. O escaço citoplasma é agranular e basofílico. É a segunda células em maior número no sangue periférico, depois do segmentado. o Linfócitos B: são responsáveis por memória imunológica e produção de imunoglobulinas. Terminam a sua maturação na própria MO, linfonodos ou MALT. o Linfócitos T: fazem a sua maturação no timo. Fazem a imunidade celular e função citotóxica. 1. CD4+ (T citotóxicos) 2. CD8+ (T helper – Th1 e Th2) 3. Células NK 4. Relação CD4+/CD8+: 1,5 a 3,0. O marcador de superfície CD4+ mais que de CD8+. A importância disso é no HIV, ele infecta e depleta os linfócitos T CD4+ e na fase aguda, ele terá um CD4 diminuído. Ou seja, invertido. VALORES DE REFERENCIA: 10 Caso clínico 5: Diagnóstico: Anemia macrocítica, leucopenia, plaquetopenia e pancitopenia (= 3 séries diminuídas) *Altamente sugestivo de deficiência de B12 e ácido fólico. 11 Caso clínico 6: Diagnóstico: Leucocitose com desvio a esquerda, característico de infecção bacteriana. Caso clínico 7: Diagnóstico: Anemia normo-normo. Segmentado proporcionalmente aumentado pois o linfócito estar diminuído – temos que analisar no valor absoluto. *Hemograma clássico de paciente com HIV+ em fase AIDS. 12 • obs: Sempre na anamnese hematológica perguntar se o paciente já transfundiu. • Obs2: não está escrito nesse caso mas uma aprte importantíssima do exame físico do hematologista é a palpação dos linfonodos periféricos. • Sobre esse caso, pediríamos hemograma e raio x de tórax. • O raio x apresentou infiltrado difuso bilateral. • O hemograma: • O paciente apresenta pancitopenia, leucopenia com linfopenia importante. Neste caso, temos que lembrar do HIV, e logo, pensar nas infecções pulmonares que acometem esse paciente. Este é muito característico de pneumocistose, oportunista respiratória comum de vírus HIV.