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HIV, APG 24 – SOI IV 
CLASSIFICAÇÃO E ORIGEM 
HIV pertence ao gênero Lentivirus, subfamília 
Orthoretrovirinae da família Retroviridae; todos os 
retrovírus são definidos pela existência de uma 
enzima específica, a transcriptase reversa, que 
catalisa a síntese de DNA a partir de um modelo de 
RNA, o evento central e único na replicação do 
retrovírus que permite a integração do DNA viral 
ao genoma do hospedeiro. Retroviridae é uma 
grande família de vírus que infecta diversos 
hospedeiros vertebrados, principalmente 
mamíferos e aves. Os retrovírus são responsáveis 
por um espectro de doenças, incluindo 
imunodeficiências e distúrbios neoplásicos, 
neurológicos, hematológicos, encefalíticos e 
inflamatórios. Membros do gênero Lentivirus 
causam doenças crônicas, recidivantes ou 
progressivas, incluindo imunodeficiências, em 
várias espécies de mamíferos. 
ESTRUTURA E BIOLOGIA MOLECULAR 
O HIV é um retrovírus que possui seu material 
genético em forma de RNA fita simples de 
polaridade positiva (+). No entanto, ele não utiliza 
diretamente esse RNA para produzir proteínas. Ao 
invadir uma célula, o vírus utiliza a enzima 
transcriptase reversa para transformar seu RNA 
em DNA fita dupla, que depois é integrado ao 
DNA da célula hospedeira — esse DNA viral 
integrado é chamado de provírus. 
O genoma do HIV possui uma organização 
específica nas extremidades, tanto na região 5′ 
quanto na 3′, que apresentam sequências chamadas 
de U5 (única 5′) e U3 (única 3′), além de uma 
pequena sequência repetida. Durante o processo de 
conversão de RNA em DNA, essas extremidades 
passam por um mecanismo de duplicação, 
formando nas pontas do DNA viral estruturas 
chamadas de LTRs (Repetições Terminais 
Longas). 
As LTRs são fundamentais para o ciclo de vida do 
HIV, pois controlam a integração do provírus no 
genoma da célula, além de regular a transcrição e a 
replicação do vírus. 
 
 
 
ESTRUTURA DO VÍRION 
O vírion do HIV é uma partícula viral quase 
esférica, com diâmetro de 80 a 120 nm, composta 
por um core interno e um envelope externo. O core 
tem formato cônico e é formado pela proteína p24 
(capsídeo), que envolve os elementos necessários 
para a replicação viral: duas cópias do RNA 
genômico do HIV, associadas ao nucleocapsídeo 
p6, um tRNA lisina (tRNALys) que serve como 
iniciador da síntese de DNA, e as enzimas 
essenciais para o ciclo viral — transcriptase 
reversa, integrase e protease — além da proteína 
Vif, que auxilia na evasão dos mecanismos 
antivirais celulares. 
O envelope viral é uma membrana lipídica 
derivada da célula hospedeira, obtida durante o 
brotamento do vírus. Nele estão inseridas as 
proteínas Gp120 e Gp41, fundamentais para a 
ligação e fusão do vírus com a célula-alvo, além da 
proteína de matriz MA, que confere estabilidade 
estrutural ao vírion. 
 
LIGAÇÃO E FUSÃO DO HIV 
O ciclo de replicação do HIV se inicia com a 
ligação do vírus às células hospedeiras, sendo 
essa etapa fundamental para a infecção. A entrada 
do vírus depende de interações altamente 
específicas, mediadas pelo complexo trimérico da 
glicoproteína Env, formado pela associação da 
Gp120 (SU) e da Gp41 (TM). 
O processo começa quando a Gp120 se liga ao 
receptor CD4, presente principalmente nos 
linfócitos T CD4+. Essa ligação provoca uma 
HIV, APG 24 – SOI IV 
alteração conformacional na Gp120, que então 
permite a interação com um correceptor, que 
geralmente é o CCR5 ou o CXCR4, ambos 
receptores de quimiocinas. Após essa dupla 
interação (CD4 + correceptor), a proteína Gp41 
promove a fusão da membrana viral com a 
membrana da célula, permitindo que o material 
genético viral entre na célula hospedeira. 
A infecção inicial, na maioria dos casos, é mediada 
por vírus que utilizam o correceptor CCR5. 
Inclusive, existem indivíduos que possuem uma 
mutação no gene do CCR5, tornando-o não 
funcional, o que confere uma resistência natural à 
infecção pelo HIV. 
Farmacologicamente, já existem estratégias para 
bloquear essa etapa. O medicamento maraviroque 
atua inibindo a interação entre o HIV e o 
correceptor CCR5, impedindo a entrada do vírus 
na célula. No entanto, o HIV pode sofrer mutações 
e passar a utilizar o correceptor CXCR4, 
escapando da ação desse fármaco. Outra estratégia 
terapêutica envolve o uso do anticorpo 
monoclonal ibalizumabe, que se liga ao CD4 e 
bloqueia a interação com o HIV sem comprometer 
a função imunológica do CD4, sendo uma opção 
importante especialmente para casos de infecção 
por HIV resistente a múltiplas drogas. 
DESNUDAMENTO DO HIV 
Após a entrada do HIV na célula, ocorre o processo 
chamado desnudamento, que consiste na remoção 
do core viral, liberando o material genético e 
enzimas do vírus no interior da célula hospedeira. 
Esse passo é essencial para que o vírus consiga 
iniciar sua replicação. 
O desnudamento funciona como um ponto de 
controle natural, onde proteínas do sistema imune 
poderiam agir para bloquear a infecção. Uma 
dessas proteínas é a TRIM5-alfa, ativada por 
interferons, que tem a capacidade de impedir o 
desnudamento de vários retrovírus. No entanto, ela 
não é eficaz contra o HIV-1 nem o HIV-2, 
permitindo que o vírus continue seu ciclo 
normalmente. 
Curiosamente, a TRIM5-alfa carrega uma história 
evolutiva: ela foi moldada para proteger nossos 
ancestrais contra outros retrovírus antigos, que já 
nem existem. Por isso, apesar de ter sido uma 
defesa eficiente no passado, hoje ela não é capaz 
de conter o HIV. 
Ainda assim, esse processo tem chamado atenção 
da ciência como alvo terapêutico. Compostos em 
estudo, como o PF74, buscam interromper o 
desnudamento do HIV, bloqueando a infecção 
logo nas primeiras etapas dentro da célula. 
EPIDEMIOLOGIA 
Desde que a epidemia do HIV iniciou na primeira 
metade do século XX, mais de 76 milhões de 
pessoas foram infectadas pelo HIV e 35 milhões 
morreram em decorrência dessa infecção. 
A UNAIDS (Joint United Nations Program on 
HIV-AIDS), um programa que une 10 agências do 
sistema das Nações Unidas, estima que 37,9 
milhões de adultos e 1,7 milhões de crianças 
viviam infectados pelo HIV ao final de 2018 e que 
770.000 indivíduos morreram pela doença nesse 
mesmo ano. No Brasil, dados do Ministério da 
Saúde registram 926.000 casos de pessoas com 
notificação de AIDS de 1980 a 2018. 
DIAGNÓSTICO 
Embora os pacientes com infecção aguda pelo HIV 
possam manifestar sintomas como febre, cefaleia 
ou mal-estar ou sinais como linfadenopatia – mais 
comumente cerca de 2 semanas após a infecção, 
quando a contagem viral atinge o pico – estima-se 
que 10 a 60% dos pacientes não apresentarão sinais 
nem sintomas 
Os achados que mais aumentam a probabilidade de 
infecção precoce pelo HIV incluem úlceras 
genitais, perda de peso, vômitos e linfadenopatia. 
No entanto, como a anamnese e o exame físico têm 
valor muito limitado para a realização do 
diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, a 
testagem laboratorial é crucial para o 
estabelecimento do diagnóstico. 
A U.S. Preventive Services Task Force on HIV 
recomenda que os médicos façam o rastreamento 
da infecção pelo HIV em todos os adolescentes e 
adultos entre 15 e 65 anos. 
Além disso, a U.S. Preventive Services Task Force 
on HIV recomenda que os médicos façam testagem 
para HIV em todas as gestantes, incluindo aquelas 
em trabalho de parto que não tenham sido testadas 
HIV, APG 24 – SOI IV 
e cujo estado sorológico de HIV não seja 
conhecido. 
Um estudo randomizado (HPTN 052) demonstrou 
claramente que o TARV está associado a 
diminuição substancial do risco de transmissão de 
pessoas HIV-positivas para parceiros sexuais não 
infectados.A4 Além disso, as evidências também 
demonstram que a identificação e o tratamento de 
gestantes reduzem drasticamente as taxas de 
transmissão de mãe para filho. Os benefícios gerais 
do rastreamento da infecção pelo HIV em 
adolescentes, adultos e gestantes são, portanto, 
substanciais. 
O diagnóstico da infecção pelo HIV geralmente 
baseia-se na combinação de detecçãosorológica de 
anticorpos tipo imunoglobulina contra proteínas 
específicas do HIV, detecção de antígenos de HIV 
(p. ex., p24), ou detecção de RNA do HIV. 
 
 
BIOPATOLOGIA DO HIV 
INFECÇÃO PRIMÁRIA 
 
A infecção primária pelo HIV-1 é caracterizada por 
uma intensa replicação viral nos primeiros dias 
após a infecção, especialmente na ausência de uma 
resposta imune adaptativa efetiva. O principal alvo 
do HIV são os linfócitos T CD4+, particularmente 
aqueles presentes no tecido linfoide associado ao 
intestino (GALT), que expressam altos níveis do 
correceptor CCR5. Essa região se torna um dos 
primeiros e mais afetados sítios de depleção 
celular. 
Estudos demonstram que, cerca de quatro dias após 
a infecção, aproximadamente 30% dos linfócitos T 
CD4+ de memória localizados no GALT podem 
estar infectados e destruídos. Esse fenômeno 
contrasta com a fase crônica da infecção, na qual 
menos de 1% dos linfócitos T CD4+ apresentam 
infecção produtiva. 
Como consequência dessa replicação viral maciça, 
observa-se um pico de viremia em torno de duas 
semanas após a infecção, com níveis que podem 
ultrapassar 1 milhão de cópias de RNA viral por 
mililitro de sangue. Clinicamente, esse momento 
costuma ser acompanhado pela síndrome 
retroviral aguda, que se manifesta com sintomas 
inespecíficos, semelhantes a um quadro gripal 
intenso. 
Após esse pico, o organismo desenvolve uma 
resposta imune celular, especialmente mediada 
pelos linfócitos T CD8+, capazes de controlar 
parcialmente a replicação viral. Isso resulta em 
uma diminuição da carga viral até um valor 
relativamente estável, conhecido como ponto de 
ajuste (set point). Este ponto reflete o equilíbrio 
dinâmico entre a replicação viral e a resposta 
imune. 
A magnitude do ponto de ajuste tem importância 
prognóstica direta: indivíduos com set point 
elevado tendem a progredir mais rapidamente para 
a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), 
enquanto aqueles com set point baixo podem 
permanecer assintomáticos por muitos anos, sendo 
classificados como não progressores de longo 
prazo. 
HIV, APG 24 – SOI IV 
Um subgrupo raro, correspondente a menos de 1% 
dos infectados, é conhecido como controladores 
de elite. Esses indivíduos conseguem suprimir 
espontaneamente a viremia a níveis indetectáveis 
 
sem o uso de terapia antirretroviral (TARV). Este 
controle está frequentemente associado a alelos 
específicos, como HLA-B27 e HLA-B57, que 
conferem uma resposta imunológica mais eficaz 
contra o HIV. Apesar do excelente controle viral, 
esses indivíduos ainda apresentam ativação imune 
crônica, o que os predispõe a maiores taxas de 
comorbidades, especialmente cardiovasculares. 
 
CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS DA 
INFECÇÃO PELO VÍRUS DE 
IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA 
A imunodeficiência clínica está associada aos 
estágios avançados da infecção pelo HIV-1, 
quando já ocorreu depleção profunda dos linfócitos 
T CD4+.8 No entanto, algum nível de 
imunodeficiência pode ocorrer logo após a 
infecção em decorrência de alterações qualitativas 
na resposta imune relacionadas à replicação viral 
em evolução. Como resultado, os pacientes são 
mais suscetíveis a infecções como causada por 
Mycobacterium tuberculosis (Capítulo 308) antes 
que a contagem de linfócitos T CD4 atinja o limite 
de 200/μℓ que define a AIDS. Os pacientes também 
são muito mais suscetíveis a neoplasias malignas, 
como linfoma não Hodgkin (Capítulo 176) em 
qualquer contagem de linfócitos T CD4+. Outras 
IOs surgem em contagens de linfócitos T CD4+ 
razoavelmente previsíveis. As infecções por 
Pneumocystis jiroveci (Capítulo 321) ocorrem em 
contagens de linfócitos T CD4 inferiores a 200/μℓ, 
Cryptococcus neoformans (Capítulo 317) e 
infecções por Toxoplasma gondii (Capítulo 328) 
ocorrem em contagens de linfócitos T CD4 
inferiores a 100/μℓ e complexo Mycobacterium 
avium (Capítulo 309) e infecções por 
citomegalovírus (Capítulo 346) ocorrem em 
contagens de linfócitos T CD4 abaixo de 50/μℓ. 
Considerando que essas infecções são uma 
consequência da imunidade celular diminuída, há 
também aumento acentuado de infecções 
pneumocócicas invasivas (Capítulo 273) em 
pacientes infectados pelo HIV-1, possivelmente em 
decorrência de defeitos na imunidade humoral. 
HIV vs. AIDS 
A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência 
Adquirida) corresponde à fase avançada da 
infecção pelo HIV, caracterizada por uma 
imunossupressão grave. Ela se estabelece quando a 
quantidade de linfócitos T CD4+ cai abaixo de 200 
células/mm³ ou na presença de infecções 
oportunistas e neoplasias definidoras, 
independentemente da contagem de CD4. 
Entre as principais condições associadas estão: 
pneumocistose, toxoplasmose cerebral, 
criptococose, candidíase esofágica, tuberculose 
extrapulmonar, citomegalovirose (como retinite), 
sarcoma de Kaposi, linfomas não-Hodgkin e 
leucoencefalopatia multifocal progressiva. 
Sem tratamento, a progressão da infecção pelo HIV 
até a fase de AIDS costuma ocorrer em média de 8 
a 10 anos. No entanto, com o uso adequado da 
terapia antirretroviral (TARV), é possível manter a 
carga viral indetectável, preservar os níveis de CD4 
e impedir que o paciente evolua para a AIDS, 
garantindo qualidade de vida e expectativa de vida 
semelhantes à da população geral. 
RESPOSTA AO TRATAMENTO 
ANTIRRETROVIRAL 
O tratamento com determinadas combinações de 
agentes antirretrovirais (TARV) suprime a 
replicação viral para níveis abaixo dos limites de 
detecção dos testes comerciais atuais (20 cópias de 
RNA do HIV-1 por mililitro de plasma). 
Evidências atuais sugerem que o TARV provoque 
interrupção completa ou quase completa da 
replicação viral nos pacientes que aderem ao 
esquema terapêutico prescrito, mas viremia 
vestigial persiste em razão de reservatórios virais 
estáveis, incluindo o reservatório latente nos 
linfócitos T CD4+ em repouso. Essa supressão da 
replicação viral geralmente é acompanhada por 
aumento substancial das contagens de linfócitos T 
CD4+. O aumento inicial das contagens de 
linfócitos T CD4+ ocorre principalmente como 
consequência da migração dessas células dos 
linfonodos (onde estão 98% dos linfócitos T CD4) 
para o sangue periférico conforme a inflamação 
diminui no tecido linfoide. Posteriormente, ocorre 
HIV, APG 24 – SOI IV 
aumento na produção de linfócitos T CD4+ de 
memória na maioria dos indivíduos. A produção de 
linfócitos T näive, às vezes, também é observada 
em níveis mais baixos. Estudos clínicos 
demonstraram que os pacientes que apresentam 
reconstituição imunológica significativa podem 
interromper com segurança a terapia profilática 
para IOs. No entanto, não está claro se os pacientes 
que mantêm cargas virais indetectáveis durante o 
TARV, mas não atingiram reconstituição 
imunológica significativa de linfócitos T CD4, 
ainda correm risco de IOs. Dois grandes estudos 
demonstraram que, embora o uso conjunto de IL-2 
com TARV cause aumento significativo das 
contagens de linfócitos T CD4+ nesses pacientes, a 
reconstituição imunológica intensificada não está 
associada a benefícios clínicos. 
Assim como um declínio é observado na resposta 
funcional dos linfócitos T CD4+ logo após a 
infecção primária, há melhora qualitativa na função 
dos linfócitos T CD4+ logo após o início do TARV. 
Em alguns casos, há respostas imunes exageradas 
às IOs que levam à síndrome inflamatória de 
reconstituição imune (SIRI; Capítulo 367), 
sobretudo quando há controle rápido da replicação 
viral após o início do TARV. A SIRI geralmente se 
apresenta como agravamento paradoxal da doença 
algumas semanas após o início do TARV e pode 
ocorrer até mesmo antes de haver alterações 
significativas nas contagens absolutas dos 
linfócitos T CD4+. A SIRI tem sido descrita para 
praticamente todas as IOs conhecidas e, em alguns 
casos, ocorre em resposta a infecções 
anteriormente não reconhecidas. Não houve 
ensaios clínicos para o tratamento dessa condição, 
mas anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e 
corticosteroides têm sido usados rotineiramentecom graus variáveis de sucesso (Capítulo 367). 
TRATAMENTO E MECANISMO DE AÇÃO 
Atualmente, existem um total de 33 medicamentos 
antirretrovirais. As metas do TARV são suprimir a 
replicação viral, evitar o surgimento de cepas virais 
resistentes aos medicamentos, aumentar as 
respostas imunológicas, diminuir os eventos 
clínicos e prolongar a vida saudável. 
A primeira etapa do ciclo é a entrada do HIV, um 
processo composto por três etapas que se inicia 
com a ligação da glicoproteína de membrana 
externa do HIV (gp120) ao receptor CD4 na 
superfície do linfócito T CD4+. Essa ligação induz 
uma alteração conformacional em gp120, 
permitindo a segunda etapa da entrada do HIV, que 
é a ligação a um segundo receptor celular, o 
receptor de quimiocina, seja CCR5 (ligado por 
vírus R5) ou CXCR4 (ligado por vírus X4). 
Algumas cepas de HIV apresentam tropismo duplo 
e podem se ligar ao receptor CCR5 ou CXCR4, e 
alguns indivíduos são infectados por uma 
população mista de cepas virais R5 e X4. A ligação 
do HIV ao receptor de quimiocina induz uma 
alteração conformacional adicional, permitindo 
que a proteína viral gp41 perfure a membrana da 
célula-alvo e, em seguida, dobre-se sobre si mesma 
em uma interação “espiral enrolada” (coil-on-coil), 
levando à fusão das membranas virais e celulares e 
à extrusão do conteúdo da partícula viral (RNA 
viral, proteínas virais) no citoplasma da célula. 
Dentro da célula, o RNA viral é transcrito em DNA 
viral por uma enzima viral específica chamada 
transcriptase reversa do HIV. Após a transcrição, 
duas fitas de DNA viral formam um complexo de 
fita dupla catalisado por uma segunda enzima 
específica do vírus chamada integrase do HIV, que 
também promove o transporte do complexo do 
DNA viral para o núcleo da célula e a transferência 
da fita de DNA – a integração aleatória do DNA 
viral no genoma celular. No ponto de integração do 
DNA viral, a célula é infectada por toda a vida. A 
célula pode entrar em um período latente, com uma 
vida útil celular de até 60 anos, ou pode ser ativada 
para transcrever o DNA celular e viral em RNA e, 
em seguida, traduzir o RNA em proteínas, 
incluindo proteínas virais, que se agrupam na 
superfície da célula e então brotam como novas 
partículas virais. Após o brotamento, uma terceira 
enzima viral específica, a protease do HIV, cliva as 
proteínas 
precursoras virais, uma etapa necessária para a 
maturação e a infecciosidade viral. Uma célula 
infectada produz centenas a milhares de partículas 
virais, e muitas serão capazes de reiniciar o 
processo ao encontrar outros linfócitos T CD4+. 
INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA 
DO HIV ANÁLOGOS DE NUCLEOSÍDIOS 
(ITRN): zidovudina 
HIV, APG 24 – SOI IV 
INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA 
DO HIV NÃO ANÁLOGOS DE NUCLEOSÍDIOS 
(ITRNN): Nevirapina 
INIBIDORES DA PROTEASE DO HIV (IP): 
Saquinavir 
INIBIDORES DE ENTRADA DO HIV (IE): 
Enfuvirtida 
INIBIDORES DA INTEGRASE DO HIV (INI): 
Raltergravir 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
Objetivo 1 – Goldman; Bogliolo; 
Objetivo 2 - Protocolo Clínico e Diretrizes 
Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em 
Adultos : Módulo 1 : Tratamento Ministério da 
Saúde, 2024; Goldman 
Objetivo 3 - Goldman

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