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Entretanto, há um regramento mínimo estabelecido na Constituição Federal, que parametriza um conteúdo mínimo do tributo. O regramento mínimo do imposto vem elencado no extenso artigo 156-A. Vejamos aqui quais são suas principais características constitutivas. A primeira delas, que merece destaque, é que o IBS passa a ser calculado “por fora”, ou seja, sem integrar a sua própria base de cálculo (art. 156-A, §1º, IX: “não integrará sua própria base de cálculo”). Comparativamente, o ICMS é calculado por dentro (art. 155, § 2º, XII, i: “cabe à lei complementar fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre”). Isso significa que o tributo passará a ser calculado de um modo mais claro e simples. Trata-se de uma significativa alteração, se compararmos ao regime de cálculo e apuração do ICMS. Inclusive, indo ao encontro dessa finalidade, o inciso XIII determina que o IBS, “sempre que possível, terá seu valor informado, de forma específica, no respectivo documento fiscal”. Outro ponto que merece destaque é a amplitude da base tributável. A Constituição Federal deixa claro que a materialidade do imposto alcança as “operações com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços” (art. 156-A, §1º, I). A tributação de bens imateriais espanca diversos problemas para a tributação, gerando uma isonomia para a incidência do tributo sobre a atividade econômica. A pretensão do atingimento da isonomia na incidência sobre a base tributária mais ampla fica clara na previsão do art. 156-A, § 1º, segundo a qual a alíquota fixada pelo ente federativo na forma será a mesma para todas as operações com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços, ressalvadas as hipóteses previstas na Constituição. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Dentro da perspectiva de neutralidade e para evitar a famosa “guerra fiscal”, a Constituição Federal determina que o IBS não será objeto de concessão de incentivos e benefícios financeiros ou fiscais relativos ao imposto ou de regimes específicos, diferenciados ou favorecidos de tributação, excetuadas as hipóteses previstas na Constituição (art. 156- A, §1º, X). No demais, o imposto seguirá muitas das normas que já estão estabelecidas para o ICMS: não cumulatividade, imunidade nas operações para o exterior, o não aproveitamento dos créditos nos casos de isenção e de imunidade. Vamos aguardar a edição da lei complementar para o tributo, de modo a poder discorrer sobre a sua incidência de maneira completa. É importante destacar que o tributo começará uma fase de testes somente em 2026. 14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS) A Constituição Federal passou a prever uma nova contribuição no rol do art. 195: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) V – sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar. A Constituição Federal espelha a maior parte do regramento do IBS para a CBS (art. 195, § 16). Do mesmo modo, deve-se aguardar a regulação mediante lei complementar para mais considerações sobre o imposto – que, assim como o CBS, não terá incidência imediata, mas apenas a partir de 2026. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br A realização do seu sonho merece um investimento de qualidade. Não desperdice tempo, dinheiro e energia. Invista no seu sucesso, no seu futuro e na sua realização profissional. Assine AGORA a melhor e mais completa plataforma de ensino para concursos públicos. Sua nomeação na palma da sua mão com a Assinatura Ilimitada 9.0 do Gran Cursos Online. Mude de vida. Garanta seu futuro com a melhor plataforma de estudos para concurso público. FACILITE SEUS ESTUDOS: rotas de aprovação, mapas mentais, resumos e exercícios irão te guiar por um caminho mais simples e rápido. 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Contato para vendas: Quero ser assinante ilimitado agora https://www.grancursosonline.com.br/assinatura-ilimitada#utm_source=Landing_Page&utm_medium=Simulados&utm_campaign=anuncio_simulado_AI Sumário Reforma TributáriaTudo o que Você Precisa Saber 1. Considerações Gerais sobre a Reforma Tributária 2. Os Princípios Tributários Expressos na Reforma Tributária (EC n. 132/2023) 3. Os Objetivos Centrais da Reforma Tributária e a Atenuação de Efeitos Regressivos 4. A Nova Contribuição de Custeio, a Expansão e a Melhoria do Serviço de Iluminação Pública e de Sistemas de Monitoramento para Segurança e Preservação de Logradouros Públicos 5. Previsão na Reforma Tributária (EC n. 132/2023) de Alíquota Zero 6. Condicionante para o Gozo da Imunidade Recíproca 7. A Imunidade das Entidades Religiosas e dos Templos de Qualquer Culto – Reforma Tributária (EC n. 132/2023) 8. Imposto sobre a Produção, Extração, Comercialização ou Importação de Bens e Serviços Prejudiciais à Saúde ou ao Meio Ambiente, nos Termos de Lei Complementar 9. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no ITCMD 10. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPVA 11. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPTU 12. A Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional – EC n. 132/2023 (Reforma Tributária) 13. Previsões de Bitributação Jurídica 14. A Substituição no Sistema de Tributação dos Bens: Criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CSBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços)de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS). 10.3. Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA). 10.4 Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ). PONTOS ALCANÇADOS PELA REFORMA – Destaque: Novos regimes e regras para os impostos estaduais. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber 1 Sistema Tributário Nacional na Constituição Federal. 1.1 Limitações do poder de tributar. 1.2 Princípios do Direito Tributário. 1.3 Repartição das receitas tributárias. PONTOS ALCANÇADOS PELA REFORMA – Destaques: Nova enunciação de princípios expressos na Constituição aplicáveis à tributação. Novas regras de repartição de competência. 11 Impostos dos municípios. PONTOS ALCANÇADOS PELA REFORMA – Destaque: Novos regimes e regras para os impostos municipais. 12 Legislação federal aplicada. 12.1 Lei n. 5.172/1966 (Sistema Tributário Nacional e normas gerais de Direito Tributário). 12.2 Lei Complementar n. 123/2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte). 12.3 Lei Complementar n. 116/2003 (ISSQN). 12.4 Lei Complementar n. 87/96 e alterações posteriores (Imposto dos Estados e do Distrito Federal sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação). PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA Obs.: Momentaneamente não alcançados. A regulação da Reforma Tributária ainda está por vir, em nível infraconstitucional, e deverá alcançar alguns pontos dentre estes. 13. Legislação do Estado do Rio Grande do Norte aplicada. 13.1 Lei Estadual n. 6.968/1996 (imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação). 13.2. Lei Estadual n. 6.967/1996 e suas alterações (imposto de propriedade de veículos automotores – IPVA). 13.3. Lei Estadual n. 5.887/1989 (imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens e direitos – ITCD). 13.4. Decreto Estadual n. 31.825/2022 (ICMS). PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA Obs.: Momentaneamente não alcançados. Dependerá de alteração das leis locais. É preciso acompanhar. 14 Ilícito tributário. 14.1 Ilícito administrativo tributário. 14.2 Ilícito penal tributário. 14.3 Crimes contra a ordem tributária. 14.4 Lei n. 8.137/1990 (Crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo). PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA. 15 Norma geral antielisão. PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA. 16 Processo administrativo tributário. 16.1 Princípios. 16.2 Acepções e espécies. 16.3 Determinação e exigência do crédito tributário. 16.4 Representação fiscal para fins penais. 16.5 Processo administrativo tributário do Rio Grande do Norte. 16.6. Decreto Estadual n. 13.796/1998. PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA. *Obs.: Lei Complementar vai dispor sobre normas específicas de processo tributário para o IBS. 17 Processo judicial tributário. 17.1 Ação de execução fiscal. 17.2 Lei n. 6.830/1980 e suas alterações (execução fiscal). 17.3 Ação cautelar fiscal. 17.4 Ação declaratória da inexistência de relação jurídico- tributária. 17.5 Ação anulatória de débito fiscal. 17.6 Mandado de segurança. 17.7 Ação de repetição de indébito. 17.8 Ação de consignação em pagamento. 17.9 Ações de controle de constitucionalidade. 17.10 Ação civil pública. PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber De um modo geral, é isso. O regime do CTN segue a mesma lógica: não foi alterada a teoria da obrigação tributária, as espécies de lançamento tributário etc. Não houve alterações na execução fiscal, no processo judicial tributário, tampouco nas normas sancionatórias e de responsabilidade tributária. 1 .2 O FATIAMENTO DO ESTUDO DA REFORMA TRIBUTÁRIA1 .2 O FATIAMENTO DO ESTUDO DA REFORMA TRIBUTÁRIA Para sua melhor compreensão, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023), que possui 23 artigos, pode ser dividida didaticamente nas seguintes partes: • Artigos 1º e 2º da EC n. 132/2023; • Artigos 3º e 11 – vigência a partir de 2027; • Artigos 4º e 5º – vigência a partir de 2033; • Artigos 12 a 21; • Artigos 22 e 23. Artigo 1º: Trata-se do artigo mais relevante da Reforma Tributária, que tem vigência imediata e altera diretamente a Constituição Federal. Artigo 1º da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) • Artigo mais relevante da Reforma; • Vigência imediata; • Altera diversos dispositivos da Constituição Federal; • Dispõe, em síntese, sobre: 1) Enunciação de princípios expressos para o Sistema Tributário Nacional: simplicidade, da transparência, da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente; 2) Institui os novos tributos: IBS (imposto sobre bens e serviços) e CBS (contribuição social sobre bens e serviços); 3) Adequa o sistema do SIMPLES à instituição dos novos tributos (IBS e CBS); 4) Altera a antiga COSIP (Contribuição de Iluminação Pública); 5) Passa a prever um oitavo e novo possível imposto para a União: imposto sobre produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar; 6) Altera o regime jurídico (regras constitucionais para a incidência) dos seguintes tributos estaduais: ITCMD e IPVA; 7) Passa a permitir que o IPTU tenha sua base de cálculo atualizada pelo Poder Executivo, conforme critérios estabelecidos em lei municipal; 8) Altera as regras de repartição constitucional do produto da arrecadação tributária. Artigo 2º: Altera o ADCT, também com vigência imediata. Estabelece regras direcionadas ao legislador complementar, fixando parâmetros para a regulação futura da Reforma. Fixa um regime de transição para os tributos criados: IBS e CBS. Artigo 2º da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) • Artigo não tão relevante quanto o art. 1º, para efeito de concursos; • Vigência imediata; • Altera diversos dispositivos do ADCT; • Dispõe, em síntese, sobre: 1) Desvinculação de receitas; 2) Mecanismos de salvaguarda à Zona Franca de Manaus; 3) Regras de transição para os tributos criados pela reforma: CBS e IBS. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Artigos 3º e 11 da Reforma (SEM VIGÊNCIA IMEDIATA): Alteram diversos dispositivos da Constituição Federal, mas com entrada em vigor protraída. As alterações dos arts. 3º e 11 entram em vigor em 2027. Salvo melhor juízo, precisamos aguardar o modo como as bancas examinadoras cobrarão a Reforma Tributária. Penso que as alterações na Constituição Federal que ainda não entraram em vigor não merecem a atenção dos concurseiros. Artigos 4º e 5º da Reforma (SEM VIGÊNCIA IMEDIATA): Também alteram diversos dispositivos da Constituição Federal e do ADCT, mas com entrada em vigor protraída. As alterações dos artigos 4º e 5º somente entram em vigor em 2033. Aqui vale o mesmo que foi dito acima para os artigos 3º e 11 da Reforma. Esses artigos que alteram a Constituição Federal, mas com entrada em vigor somente em 2027 e 2033, não merecem, salvo melhor juízo (a conferir como as bancas vão exigir a Reforma), a mesma atenção dos demais dispositivos. A Constituição Federal segue em vigor com a redação atual, em relação aos dispositivos da Reforma que só entram em vigor em 2027 e 2033. Se a norma ainda não está em vigor, portanto, me parece não merecer a preocupação e a energia dos concurseiros. Os artigos 12 a 21 da Reforma (excluído o artigo 11) tratam de questões de transição de incidência das normas da Constituição no tempo. Por exemplo, vejamos o caput do art. 12: Art. 12. Fica instituído o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais ou Financeiro-Fiscais do imposto de que trata o art. 155, II, da Constituição Federal, com vistas a compensar, entre 1ºde janeiro de 2029 e 31 de dezembro de 2032, pessoas físicas ou jurídicas beneficiárias de isenções, incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos àquele imposto, concedidos por prazo certo e sob condição. Vejam que o dispositivo serve para “compensar, entre 1º de janeiro de 2029 e 31 de dezembro de 2032”. Portanto, normas com esse conteúdo também não merecem a atenção do estudioso de concurso (ao meu ver). O ponto alto desse intervalo de artigos é a regulação do modo como incidirá o ITCMD, nas hipóteses de o doador ter domicílio ou residência no exterior, ou se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I – transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (...) § 1º O imposto previsto no inciso I: (...) II – relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber III – terá competência para sua instituição regulada por lei complementar: a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior; b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior; (...) Art. 16. Até que lei complementar regule o disposto no art. 155, § 1º, III, da Constituição Federal, o imposto incidente nas hipóteses de que trata o referido dispositivo competirá: I – relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal; II – se o doador tiver domicílio ou residência no exterior: a) ao Estado onde tiver domicílio o donatário ou ao Distrito Federal; b) se o donatário tiver domicílio ou residir no exterior, ao Estado em que se encontrar o bem ou ao Distrito Federal; III – relativamente aos bens do de cujus, ainda que situados no exterior, ao Estado onde era domiciliado, ou, se domiciliado ou residente no exterior, onde tiver domicílio o sucessor ou legatário, ou ao Distrito Federal. Art. 17. A alteração do art. 155, § 1º, II, da Constituição Federal, promovida pelo art. 1º desta Emenda Constitucional, aplica-se às sucessões abertas a partir da data de publicação desta Emenda Constitucional. Ainda assim, trata-se de normas a serem aplicadas até que seja editada a lei complementar sobre o assunto. Normas de transição, portanto. O art. 17, por sua vez, é uma norma de direito intertemporal (Dentre muitas da reforma). São dois pontos bastante relevantes, especialmente para concursos estaduais. Por fim, os artigos 22 e 23 da Reforma tratam das regras de sua entrada em vigor: Art. 22. Revogam-se: I – em 2027, o art. 195, I, “b”, e IV, e § 12, da Constituição Federal; II – em 2033: a) os arts. 155, II, e §§ 2º a 5º, 156, III, e § 3º, 158, IV, “a”, e § 1º, e 161, I, da Constituição Federal; e b) os arts. 80, II, 82, § 2º, e 83 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Art. 23. Esta Emenda Constitucional entra em vigor: I – em 2027, em relação aos arts. 3º e 11; II – em 2033, em relação aos arts. 4º e 5º; e III – na data de sua publicação, em relação aos demais dispositivos. Brasília, em 20 de dezembro de 2023 Tomando da Reforma apenas os dispositivos que já estão em vigor e excluindo destes os artigos que tratam de regras de transição, os pontos mais relevantes são: as alterações do art. 1º da Reforma e os artigos 16 e 17 da Reforma (que tratam da incidência do ITCMD). https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Conclusivamente, os artigos que ainda não estão em vigor (que “entra em vigor em 2027 e 2033”), nos termos do art. 23 da Reforma, parecem não ter grande relevância. Como exemplo, cito o seguinte item do Edital 03/2023 da PGE-SP, banca Vunesp, publicado em 26/12/2023: 11.2. A legislação que vier a vigorar após a data de publicação deste Edital, bem como alterações em dispositivos de lei e atos normativos a ele posteriores, não serão objeto de avaliação nas provas do Concurso. Caberá ao candidato ficar atento aos editais, especialmente aos itens da disciplina de Direito Tributário. Entretanto, podemos “fatiar” o estudo da Reforma, concentrando-nos naquilo que tem vigência imediata e que é mais relevante, abstraindo as normas de transição e as normas que ainda não estão em vigor. Nos tópicos seguintes, procuro abordar os pontos mais relevantes, e já em vigor, da Reforma Tributária. 1 .3 OS OBJETIVOS E IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA1 .3 OS OBJETIVOS E IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA A Reforma Tributária aprovada com a EC n. 132/2023 é, na verdade, uma fatia das futuras reformas pelas quais devem passar o Sistema Tributário Nacional. O centro da Reforma da EC n. 132/2023 foram os tributos incidentes sobre o consumo: a substituição progressiva pelo IBS e pela CBS. Entretanto, não foram enfrentados tantos outros gargalos da tributação no Brasil – como a tributação da renda. Portanto, podemos esperar novas alterações no Direito Tributário, muito em breve. Trata-se de um primeiro passo direcionado no sentido de simplificar a tributação do consumo no Brasil. De um modo geral, a ideia da Reforma foi substituir, num total de 10 anos, o PIS, a COFINS, o IPI, o ICMS e o ISS, pelo IBS e pela CBS. Isso se dará de modo gradual e também não integral: ainda restará, nos 10 anos de transição, pouco de incidência residual de determinados tributos, especialmente no contexto da Zona Franca de Manaus. Nos tópicos seguintes, veremos também que a Reforma altera, pontualmente, a estrutura de alguns temas relevantes de Direito Tributário (como a antiga COSIP, art. 149-A da CF, a imunidade dos templos, normas de incidência de ITCMD e IPVA). Podemos concluir que a Reforma possui um núcleo, cujo objetivo é modificar a tributação do consumo no Brasil, e aspectos pontuais que alteram algumas normas do Sistema Tributário Nacional. Vejamos os principais e mais relevantes pontos da Reforma Tributária (EC n. 132/2023). https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber 2 . OS PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS EXPRESSOS NA REFORMA 2 . OS PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS EXPRESSOS NA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023)TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) A Reforma Tributária (EC n. 132/2023), na parte que entrou em vigor em 20 de dezembro de 2023, trouxe a enunciação expressa de alguns princípios tributários. Alguns desses princípios veiculados de modo expresso no texto da Emenda Constitucional n. 132/2023 já faziam parte implícita da disciplina tributária e da tributação. Entretanto, é importante que a Reforma diga, de modo expresso, quais são as diretrizes principiológicas que a caracterizam. Assim, foram inseridos no art. 145 da Constituição Federal os seguintes dispositivos: Art. 145. (...) § 3º O Sistema Tributário Nacional deve observar os princípios da simplicidade, da transparência, da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente. § 4º As alterações na legislação tributária buscarão atenuar efeitos regressivos. PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS EXPRESSOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) SIMPLICIDADE TRANSPARÊNCIA JUSTIÇA TRIBUTÁRIA COOPERAÇÃO DEFESA DO MEIO AMBIENTE ATENUAÇÃO DE EFEITOS REGRESSIVOS A simplicidade e a transparência são princípios que devem nortear a tributação em toda a sua amplitude: desde a criação e formatação dos tributos, até a constituição e cobrança dos créditos tributários pela administração tributária. Os tributos devem ser criados com as respectivas materialidades bem expressas e expostas de modo claro aos contribuintes, evitando discussões judiciais acerca da futura cobrança (como ocorreu em relação aos conceitos de receita e faturamento, por exemplo).A cobrança do tributo, o processo administrativo tributário e judicial deve transcorrer de modo simples, evitando- se constituições e discussões administrativas complexas. A administração tributária deve se pautar pelo princípio da transparência, especialmente em relação aos entendimentos que seguirá, dando previsibilidade aos contribuintes. A justiça tributária é uma diretriz principiológica matriz, da qual derivam todos os princípios constitucionais tributários. Trata-se de metaprincípio que deve guiar desde o constituinte derivado reformador até o auditor fiscal que lavra um auto de infração. A legalidade, a irretroatividade, as anterioridades, enfim, todos os princípios tributários convergem para a obtenção de uma justiça tributária. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber A cooperação também é um princípio bastante presente na pragmática tributária. Diferentemente da justiça tributária, a cooperação está presente na atividade de tributação efetiva, ou seja, na atividade de lançamento e cobrança dos tributos. Essa cooperação terá duas vertentes: a do Fisco e do contribuinte, esperando-se que haja um espírito cooperativo e não beligerante; e a cooperação esperada entre os Fiscos, ou seja, entre as esferas federativas tributantes (União, estados e municípios). A defesa do meio ambiente é uma diretriz principiológica bastante presente na Reforma Tributária. Por meio dela, busca-se atingir um efeito extrafiscal na tributação, de modo que o tributo seja utilizado como mecanismo protetivo ambiental. Nesse sentido, a Reforma trouxe um novo tributo, da espécie imposto e de competência da União: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: VIII – produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar. No mesmo sentido, ao criar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) também determina a utilização de recursos com prioridade a projetos que prevejam ações de sustentabilidade ambiental e redução das emissões de carbono. Art. 159-A. Fica instituído o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais e sociais, nos termos do art. 3º, III, mediante a entrega de recursos da União aos Estados e ao Distrito Federal para: § 2º Na aplicação dos recursos de que trata o caput, os Estados e o Distrito Federal priorizarão projetos que prevejam ações de sustentabilidade. Com a mesma vertente de proteção ambiental, a Reforma altera o art. 43 da Constituição Federal para prever o seguinte (art. 43, § 4º): Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. (...) § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) III – isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; (...) § 4º Sempre que possível, a concessão dos incentivos regionais a que se refere o § 2º, III, considerará critérios de sustentabilidade ambiental e redução das emissões de carbono. Por fim, ao alterar o regime jurídico do IPVA (imposto estadual incidente sobre a propriedade de veículos automotores – Art. 155, III, da CF/1988), a Reforma Tributária https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber também passa a permitir a utilização de alíquotas diferenciadas em função da utilização e do impacto ambiental. Nesse sentido: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) III – propriedade de veículos automotores. (...) § 6º O imposto previsto no inciso III: (...) II – poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto ambiental; 3 . OS OBJETIVOS CENTRAIS DA REFORMA TRIBUTÁRIA E A 3 . OS OBJETIVOS CENTRAIS DA REFORMA TRIBUTÁRIA E A ATENUAÇÃO DE EFEITOS REGRESSIVOSATENUAÇÃO DE EFEITOS REGRESSIVOS Quanto ao § 4º do art. 145, a Reforma traz uma diretriz principiológica relevantíssima para um bom funcionamento do Sistema Tributário Nacional: atenuação de efeitos regressivos. A regressividade tributária é o reverso da progressividade. A tributação “progride” quando ela se amolda à capacidade do sujeito passivo de ser tributado – ou seja, quando quem tem maior capacidade econômica é alcançado por uma carga tributária mais elevada. A regressividade é a tributação não isonômica, e ela alcança, de modo especial, a tributação dos bens. Um exemplo: Imagine uma funcionária que trabalhe como cuidadora de crianças em uma residência de pessoas com altíssima capacidade econômica. Supondo que essa funcionária também tenha filhos, ela e seus empregadores precisarão ir ao mercado adquirir bens semelhantes: leite, chupeta, mamadeiras, frutas, verduras, papinhas etc. A tributação dos bens, quando ela é elevada (tomemos como exemplo uma tributação sobre os bens acima de 20%), atinge indistintamente a todos os contribuintes que adquirem aqueles bens. É o que eu chamo de “tributação sem rosto”, na medida em que a incidência do tributo desconsidera a capacidade econômica de quem o adquire. Obviamente seria impraticável que os tributos sobre os bens variassem conforme a comprovação da capacidade econômica de quem os adquirem nos mercados. Isso seria impossível. Para atenuar esse efeito, tributos que incidem sobre os bens e sobre o consumo devem observar o princípio tributário da seletividade, de modo que um perfume será tributado de modo mais intenso do que uma lata de leite em pó. A essencialidade do produto vai exigir uma tributação menor. De outro lado, o bem supérfluo (ou que não seja essencial à sobrevivência humana) pode ser tributado de modo mais intenso. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Todavia, no nosso exemplo, a tributação que recairá sobre uma mãe, na aquisição dos mesmos produtos (provavelmente essenciais, como o leite etc.), não será dosada em conformidade com a sua capacidade contributiva. Um parêntese: os tributos que incidem sobre os bens e serviços, como o IPI, o ICMS e o ISS, possuem repercussão econômica sobre o chamado contribuinte de fato. Contribuinte de direito será o industrial, o comerciante e o prestador de serviços. Contribuinte de fato será o consumidor final desses bens e serviços, que arcará com o custo de toda a cadeia de incidência tributária. A regressividade fica clara na medida em que uma alta concentração de tributação sobre os bens resultará na mesma repercussão econômica de uma cadeia de tributos, desconsiderando a capacidade econômica dos contribuintes de fato. Repiso que não há como resolver efetivamente esse problema na incidência tributária sobre os bens. Essa questão é mais propriamente resolvida na tributação da renda. Quando incide o imposto sobre a renda ou proventos de qualquer natureza, ganhos de capital e etc., há uma efetiva “tributação com rosto”, como eu chamo: o tributo progredirá conforme avance numericamente o tamanho da grandeza econômica subjacente. Por esse motivo, os países desenvolvidos, integrantes da OCDE, tributam mais pesadamente a renda. O imposto sobre os bens que se paga nos EUA é calculado “por fora” do produto, favorecendo a transparência (que também é princípio expresso da Reforma – EC n. 132/2023), e em alíquotas que não ultrapassam 9% (até onde eu conheço). Todavia, o imposto sobre a renda e ganhos de capital nos EUA é extremamente pesado. Por exemplo, enquanto no Brasil os dividendos são isentos, nos EUA eles pagam 30% de imposto de renda. A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) avança, nesse primeiro momento, sobre a tributação sobreos bens e serviços precisamente para buscar uma maior aproximação à fórmula adotada em países desenvolvidos: tributar mais severamente a renda, e menos severamente os bens e serviços. Se o mercadinho não tem como dosar o efeito econômico dos tributos sobre os bens, quando uma mãe de baixa renda e uma mãe de alta renda compram os mesmos produtos essenciais para seus filhos (leite, mamadeira etc.), a solução é reduzir a carga (de um modo geral) sobre os bens e elevar, em contrapartida, sobre a renda. Essa é a razão subjacente ao principal objetivo da Reforma Tributária, que fica claro com a perseguição de efeitos não regressivos. Como dito acima, essa é apenas uma primeira parte do problema. Será preciso reformar completamente a tributação sobre a renda (o que, na EC n. 132/2023, não foi feito). https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber 4 . A NOVA CONTRIBUIÇÃO DE CUSTEIO, A EXPANSÃO E 4 . A NOVA CONTRIBUIÇÃO DE CUSTEIO, A EXPANSÃO E A MELHORIA DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E A MELHORIA DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E DE SISTEMAS DE MONITORAMENTO PARA SEGURANÇA E DE SISTEMAS DE MONITORAMENTO PARA SEGURANÇA E PRESERVAÇÃO DE LOGRADOUROS PÚBLICOSPRESERVAÇÃO DE LOGRADOUROS PÚBLICOS É muito importante destacar que a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) alterou sensivelmente o tributo previsto no Art. 149-A da Constituição Federal. Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio, a expansão e a melhoria do serviço de iluminação pública e de sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos, observado o disposto no art. 150, I e III. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica. Precisamos rememorar que a antiga “Contribuição de Iluminação Pública” (COSIP) foi criada como uma alternativa às taxas de iluminação pública (criadas por diversos entes federativos e que foi considerada inconstitucional pelo STF, diante da ausência dos requisitos de divisibilidade e especificidade das taxas). Em seguida, a Constituição foi alterada para permitir a mesma cobrança, mas albergada em espécie tributária peculiar: a contribuição (e não a taxa). Agora a materialidade de incidência do tributo foi alargada: antes da Reforma Tributária, ela incidia tão somente sobre a “iluminação pública”. Materialidades antigas do art. 149-A Novas materialidades do art. 149-A O custeio do serviço de iluminação pública. • O custeio, a expansão e a melhoria do serviço de iluminação pública; • O custeio, a expansão e a melhoria de sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos. Sobre a expansão e a melhoria do SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA, o STF já havia permitido sua cobrança em sede de repercussão geral: Tema n. 696 – Validade da destinação de recursos advindos da contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública também ao melhoramento e à expansão da rede. Tese: É constitucional a aplicação dos recursos arrecadados por meio de contribuição para o custeio da iluminação pública na expansão e aprimoramento da rede. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber A EC n. 132/2023 constitucionalizou o Tema n. 696, no ponto, mas não apenas isso. Houve um grande incremento de incidência: o custeio, a expansão e a melhoria de sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos. Agora, a contribuição que veio substituir uma inconstitucional taxa de serviço (antiga taxa de iluminação pública), poderá custear também a expansão e a melhoria de sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos. 5. PREVISÃO NA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 5. PREVISÃO NA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) DE ALÍQUOTA ZERODE ALÍQUOTA ZERO É interessante perceber que a Constituição Federal passou a prever, direta e normativamente, uma situação de alíquota zero, a partir da Reforma Tributária de dezembro de 2023 (EC n. 132/2023): Art. 149-C. O produto da arrecadação do imposto previsto no art. 156-A e da contribuição prevista no art. 195, V, incidentes sobre operações contratadas pela administração pública direta, por autarquias e por fundações públicas, inclusive suas importações, será integralmente destinado ao ente federativo contratante, mediante redução a zero das alíquotas do imposto e da contribuição devidos aos demais entes e equivalente elevação da alíquota do tributo devido ao ente contratante. § 1º As operações de que trata o caput poderão ter alíquotas reduzidas de modo uniforme, nos termos de lei complementar. § 2º Lei complementar poderá prever hipóteses em que não se aplicará o disposto no caput e no § 1º. § 3º Nas importações efetuadas pela administração pública direta, por autarquias e por fundações públicas, o disposto no art. 150, VI, “a”, será implementado na forma do disposto no caput e no § 1º, assegurada a igualdade de tratamento em relação às aquisições internas. Trata-se de contexto no qual o ente adquirente é a própria administração pública, zerando a Constituição a alíquota para a respectiva aquisição do valor que seria destinado aos demais entes tributantes, e compensando com a elevação da alíquota relacionada ao tributo que seria destinado ao ente contratante. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber 6 . CONDICIONANTE PARA O GOZO DA IMUNIDADE 6 . CONDICIONANTE PARA O GOZO DA IMUNIDADE RECÍPROCARECÍPROCA A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) alterou a redação do § 2º do art. 150 da Constituição Federal para prever o seguinte: Redação anterior Redação dada pela Reforma Tributária (EC n. 132/2023) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora de serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 132, de 2023) Houve o acréscimo da “empresa pública prestadora de serviço postal”, em uma clara referência aos CORREIOS (ECT), de modo que se aplica a imunidade tributária recíproca, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Esse já era um entendimento do STF, que agora está constitucionalizado. 7 . A IMUNIDADE DAS ENTIDADES RELIGIOSAS E DOS 7 . A IMUNIDADE DAS ENTIDADES RELIGIOSAS E DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO – REFORMA TRIBUTÁRIA TEMPLOS DE QUALQUER CULTO – REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023)(EC N. 132/2023) Dispõe a CF, art. 150, VI, b, com a redação dada pela EC n. 132/2023: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI – instituir impostos sobre: b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; (...) § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. A compreensão do termo “culto” envolve a invocação de uma ou mais divindades, às quais se resolve cultuar coletivamente. Nesse contexto, o STF negou a aplicação da imunidade às lojas maçônicas. A imunidade tributária conferida pelo art. 150, VI, b, é restrita aos templos de qualquer cultoreligioso, não se aplicando à maçonaria, em cujas lojas não se professa qualquer religião. [RE 562.351, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 4-9-2012, 1ª T, DJE de 14-12-2012.] https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Essa imunidade é uma salvaguarda à liberdade de crença e da garantia de livre exercício dos cultos religiosos, assegurada proteção aos locais de culto e às suas liturgias, conforme se colhe do art. 5º, VI, da CF. O § 4º do art. 150 da CF impõe vinculação à finalidade essencial da imunidade religiosa. Nesse sentido, são os seguintes precedentes do STF: Recurso extraordinário. Constitucional. Imunidade tributária. IPTU. Art. 150, VI, b, CF/1988. Cemitério. Extensão de entidade de cunho religioso. Os cemitérios que consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso estão abrangidos pela garantia contemplada no art. 150 da Constituição do Brasil. Impossibilidade da incidência de IPTU em relação a eles. A imunidade aos tributos de que gozam os templos de qualquer culto é projetada a partir da interpretação da totalidade que o texto da Constituição é, sobretudo do disposto nos arts. 5º, VI; 19, I; e 150, VI, b. As áreas da incidência e da imunidade tributária são antípodas. [RE 578.562, rel. min. Eros Grau, j. 21-5-2008, P, DJE de 12-9-2008.] Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. A imunidade prevista no art. 150, VI, b, da CF deve abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços “relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas”. O § 4º do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas b e c do inciso VI do art. 150 da CF. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas. [RE 325.822, rel. p/ o ac. min. Gilmar Mendes, j. 18-12-2002, P, DJ de 14-5-2004.] O fato de os imóveis estarem sendo utilizados como escritório e residência de membros da entidade não afasta a imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, §4º, da Constituição Federal (STJ, Segunda Turma, Min. MARCO AURÉLIO, RE221.395-8/SP, 2000). Com a Reforma Tributária (EC n. 132/2023), houve um notável alargamento das possibilidades de aplicação da imunidade constitucional. Primeiramente, embora já se compreendesse que se trata de uma imunidade subjetiva, acresceu-se ao termo “templos de qualquer culto” a expressão “entidades religiosas”. Ou seja, a imunidade é do templo e da própria entidade. Ademais, passa a alcançar as organizações assistenciais e beneficentes vinculadas à entidade religiosa. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Vale dizer: se a entidade religiosa mantém um espaço de acolhimento de idosos, população vulnerável, órfãos, essa organização (subjetiva e objetivamente) será igualmente alcançada pela imunidade constitucional. 8 . IMPOSTO SOBRE A PRODUÇÃO, EXTRAÇÃO, 8 . IMPOSTO SOBRE A PRODUÇÃO, EXTRAÇÃO, COMERCIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMERCIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS PREJUDICIAIS À SAÚDE OU AO MEIO AMBIENTE, NOS PREJUDICIAIS À SAÚDE OU AO MEIO AMBIENTE, NOS TERMOS DE LEI COMPLEMENTARTERMOS DE LEI COMPLEMENTAR A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) abriu uma nova materialidade para a tributação, mediante o exercício de competência da União. A União poderá criar, nos termos de lei complementar, um imposto incidente sobre a “produção, extração, comercialização ou importação” de “bens e serviços”, que sejam “prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente”. A base é bastante larga (bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente), uma vez que basta atentar às embalagens dos produtos, que indicam “alto teor de açúcar”, “alto teor de sódio” etc. Será difícil dizer que um pacote de bolachas recheadas, com gordura saturada e alto teor de açúcar não é “prejudicial à saúde”. Pode-se dizer que um refrigerante não é “prejudicial à saúde”? Além da base ser possivelmente extensa, os verbos relacionados a ela são igualmente amplos, alcançando praticamente todas as etapas da cadeia econômica: “produção, extração, comercialização ou importação”. Existe mais um aspecto relevante a ser considerado: há a possibilidade de ser instituída uma bitributação jurídica (art. 153, § 6º, V – poderá ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de outros tributos). Além dessa norma, há a seguinte previsão na Constituição Federal de regulação mínima para o futuro imposto: Art. 153. [...] (...) VIII – produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar. (...) § 6º O imposto previsto no inciso VIII do caput deste artigo: I – não incidirá sobre as exportações nem sobre as operações com energia elétrica e com telecomunicações; II – incidirá uma única vez sobre o bem ou serviço; III – não integrará sua própria base de cálculo; IV - integrará a base de cálculo dos tributos previstos nos arts. 155, II, 156, III, 156-A e 195, V; V – poderá ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de outros tributos; https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber VI – terá suas alíquotas fixadas em lei ordinária, podendo ser específicas, por unidade de medida adotada, ou ad valorem; VII – na extração, o imposto será cobrado independentemente da destinação, caso em que a alíquota máxima corresponderá a 1% (um por cento) do valor de mercado do produto. Como a instituição dependerá de uma futura lei complementar, restará esperar o modo como o legislador regulamentará a temática. 9. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) NO 9. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) NO ITCMDITCMD Em relação ao ITCMD, de modo imediato, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) estabelece o seguinte regramento: Art. 155. [...] II – relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado ode cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; VI – será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação; VII – não incidirá sobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar. A primeira mudança está relacionada à incidência do ITCMD sobre o fato da transmissão de bens “causa mortis”, ou seja, com a morte do proprietário dos ativos a serem objeto da partilha. O ponto alterado diz respeito ao destino do imposto, em relação a quem competirá o exercício da tributação para os casos de bens móveis, títulos e créditos: antes da Reforma, prioritariamente, a competência era do ente tributante onde se processava o inventário; agora, com a Reforma, será do ente tributante onde era domiciliado o de cujus. Vejamos um comparativo das redações: ANTES DA REFORMA APÓS A REFORMA O ITCMD relativamente a bens móveis, títulos e créditos compete ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal. O ITCMD relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal. Nos termos do art. 17 da Reforma Tributária (EC n. 132/2023), a alteração acima só se aplicará às sucessões abertas a partir de 20 de dezembro de 2023. Art. 17. A alteração do art. 155, § 1º, II, da Constituição Federal, promovida pelo art. 1º desta Emenda Constitucional, aplica-se às sucessões abertas a partir da data de publicação desta Emenda Constitucional. https://www.gran.com.brhttps://www.gran.com.br 21 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Portanto, não importa o local onde será processado o inventário. Hipoteticamente, pensemos em alguém que faleça tendo domicílio no DF, possuindo apenas bens móveis (ações negociadas em bolsa, dinheiro em depósito bancário, título do tesouro direto etc.), mas cujos herdeiros são domiciliados no Rio de Janeiro. Por uma questão de logística, os herdeiros resolvem processar o inventário no Rio de Janeiro (local de sua residência). Pela redação antiga, o imposto caberia ao Rio de Janeiro; pela redação nova, o imposto caberá ao DF. A segunda alteração no regime do ITCMD está na permissão da progressividade em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação, de modo que o tributo poderá variar de um modo a se adequar ao princípio da capacidade contributiva: quanto maior a grandeza tributável, maior o tributo. É um processo de progressividade tributária semelhante ao que ocorre com o imposto de renda, em relação às faixas de renda tributáveis e às respectivas alíquotas. Essa alteração também atende a um princípio expressado na reforma tributária, que é a de evitar que os tributos tenham efeitos regressivos. Adota-se a possibilidade de uma fixação de faixas de alíquotas do tributo que progridam em conformidade com o aumento da base de cálculo. Por exemplo, em heranças com valores até 100 mil, a alíquota será de 1%. De 100,01 mil até 200 mil, a alíquota será de 2%. Assim em diante. O interessante da progressividade é que uma herança de 180 mil, nesse exemplo hipotético, vai pagar 1% de alíquota até 100 mil (1 mil reais), e 2% no que ultrapassar esse valor. A terceira alteração diz respeito à criação de uma imunidade constitucional no art. 155, § 1º, VII. A imunidade é específica para as doações. Quando o beneficiário ou o doador forem instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, o tributo não incidirá. Por fim, há uma quarta alteração no regime do ITCMD, relativa ao fato da transmissão causa mortis, em um contexto no qual há bens situados no exterior, ou no contexto do fato da doação quando o doador for domiciliado no exterior. O artigo 16 da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) regulamenta provisoriamente, enquanto não instituída lei complementar, o seguinte dispositivo constitucional: Art. 155. [...] § 1º (...) III – terá competência para sua instituição regulada por lei complementar: a) se o doador tiver domicílio ou residência no exterior; b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior; https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber É importante destacar que essa foi uma questão objeto de intensos debates na jurisprudência, culminando com a edição da seguinte tese de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal: Tema n. 0825 Título: Possibilidade de os Estados-membros fazerem uso de sua competência legislativa plena, com fulcro no art. 24, § 3º, da Constituição e no art. 34, § 3º, do ADCT, ante a omissão do legislador nacional em estabelecer as normas gerais pertinentes à competência para instituir o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis ou Doação de quaisquer Bens ou Direitos – ITCMD, nas hipóteses previstas no art. 155, § 1º, III, a e b, da Lei Maior. Descrição: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos arts. 24, I, e § 3º, e 155, I, e § 1º, II e III, b, da Constituição Federal e do art. 34, § 3º e § 4º, do ADCT, a possibilidade de os Estados-membros fazerem uso de sua competência legislativa plena, com base no art. 24, § 3º, da CF e no art. 34, § 3º, do ADCT, ante a omissão do legislador nacional em estabelecer as normas gerais pertinentes à competência para instituir o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis ou Doação de quaisquer Bens ou Direitos – ITCMD, nas hipóteses previstas no art. 155, § 1º, III, a e b, da Lei Maior. Foi firmada a seguinte Tese de repercussão geral: “É vedado aos estados e ao Distrito Federal instituir o ITCMD nas hipóteses referidas no art. 155, § 1º, III, da Constituição Federal sem a edição da lei complementar exigida pelo referido dispositivo constitucional”. Esse contexto se refere à possibilidade de o ITCMD ser cobrado (também) no Brasil, em relação aos doadores domiciliados no exterior, ou nos casos de o de cujus possuir bens no exterior, lá ter sido domiciliado ou lá ter tido processado o seu inventário. Imagine que uma tia, residente nos EUA, doe suas joias a uma sobrinha residente em São Paulo. Esse é um fato que se amolda à materialidade tributável pelo ITCMD: uma transmissão de bens móveis mediante o instituto da doação. Entretanto, não havia regulação para a referida incidência. Precisamos sempre repetir: a Constituição Federal não cria tributos; ela viabiliza as condições para a futura criação dos tributos. Agora, na segunda hipótese, imagine alguém, residente nos EUA, que tem bens no Brasil e no exterior (ações, imóveis etc.). Vindo a falecer, seus herdeiros brasileiros, residentes no Brasil, abrem o inventário no estado de São Paulo. Não há, no entendimento do STF, a condição completa para a incidência de ITCMD sobre o fato da transmissão causa mortis dos bens existentes no exterior, ante a ausência de lei complementar. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Assim, para esses dois pontos, o STF compreendeu que a incidência demanda a edição de lei complementar. A Reforma Tributária, EC n. 132/2023, promove a seguinte regulamentação provisória do tema: Art. 16. Até que lei complementar regule o disposto no art. 155, § 1º, III, da Constituição Federal, o imposto incidente nas hipóteses de que trata o referido dispositivo competirá: I – relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal; II – se o doador tiver domicílio ou residência no exterior: a) ao Estado onde tiver domicílio o donatário ou ao Distrito Federal; b) se o donatário tiver domicílio ou residir no exterior, ao Estado em que se encontrar o bem ou ao Distrito Federal; III – relativamente aos bens do de cujus, ainda que situados no exterior, ao Estado onde era domiciliado, ou, se domiciliado ou residente no exterior, onde tiver domicílio o sucessor ou legatário, ou ao Distrito Federal. O objetivo do reformador foi o de viabilizar a tributação desses fatos, diante da repercussão geral do STF. 10. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 10. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) NO IPVANO IPVA Em relação ao IPVA, de modo imediato, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) estabelece o seguinte regramento: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) III – propriedade de veículos automotores. (...) § 6º O imposto previsto no inciso III [ipva]: (...) II – poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto ambiental; III – incidirá sobre a propriedade de veículos automotores terrestres, aquáticos e aéreos, excetuados: a) aeronaves agrícolas e de operador certificado para prestar serviços aéreos a terceiros; b) embarcações de pessoa jurídica que detenha outorga para prestar serviços de transporte aquaviário ou de pessoa física ou jurídica que pratique pesca industrial, artesanal, científica ou de subsistência; https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber c) plataformas suscetíveis de se locomoverem na água por meios próprios, inclusive aquelas cuja finalidade principal seja a exploração de atividades econômicas em águas territoriais e na zona econômicaexclusiva e embarcações que tenham essa mesma finalidade principal; d) tratores e máquinas agrícolas. O IPVA agora poderá variar conforme o valor e o impacto ambiental do veículo automotor. Além disso, impactando a jurisprudência que existia, passará a poder incidir sobre aeronaves e embarcações, com as limitações agora previstas na Constituição Federal (na redação dada pela EC n. 132/2023). A questão relativa às aeronaves e embarcações era um ponto de constante menção em aulas e manuais da disciplina. Vejamos que o chamado “fato signo presuntivo de riqueza” é a PROPRIEDADE, adjetivada do seguinte modo: “VEÍCULO AUTOMOTOR”. E o que vem a ser um veículo automotor? Podemos dizer que uma bicicleta, por mais cara que ela seja, não é um veículo automotor, uma vez que não se desloca por motorização própria. Em um outro exemplo, a força motora de uma carroça de burro não é automotora, afastando a possibilidade de uma futura tributação. A Constituição Federal não cria tributos; ela permite que os tributos sejam criados na trilha das espécies, competências e materialidades que elenca. Confesso que eu nunca compreendi o motivo pelo qual o Poder Judiciário vedava a tributação das embarcações e das aeronaves automotoras. Um planador, uma asa-delta, um barco movido pelo vento, um caiaque, efetivamente não poderiam ser tributados. Mas uma motonáutica não é um veículo automotor? Qual a diferença conceitual de uma lancha e um carro, senão tão somente o ambiente em que se desloca? Portanto, salvo melhor juízo, a Constituição Federal sequer precisaria ter sido alterada – com o devido respeito aos precedentes, eles desconsideravam o conteúdo da materialidade aberta à tributação (o fato signo da riqueza, propriedade, em relação a veículos automotores). A reforma corrige essa má leitura ou desvio de compreensão da expressão de riqueza que a Constituição abriu para ser tributada. Ademais, a reforma cria certas imunidades objetivas: alguns bens estarão fora da incidência. Aeronaves e tratores agrícolas atendem à força política e econômica do agronegócio brasileiro. As plataformas estão relacionadas, muito provavelmente, à exploração de recursos naturais; a PETROBRAS, por exemplo, parece ser a beneficiária da imunidade objetiva atribuída a esses veículos. E as embarcações de transporte e de pesca artesanal parece ter por finalidade proteger pequenos pescadores e empresas que realizam transportes essenciais para determinadas áreas; basta pensar que Manaus depende bastante do transporte via rio, para o seu abastecimento. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Pensar assim parece ficar mais fácil a memorização dessas exceções: agronegócio, exploração natural, pesca de subsistência e de pequena exploração econômica e transporte para áreas que dele dependem para o seu abastecimento. Por fim, a questão da dosagem da tributação conforme o impacto ambiental do veículo automotor atende a um dos princípios que vieram enunciados na Reforma Tributária, que é o da utilização extrafiscal dos tributos como mecanismo de proteção ambiental. 11. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 11. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) NO IPTUNO IPTU Em relação ao IPTU, de modo imediato, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) estabelece o seguinte regramento: Art. 156. [...] § 1º (...) III – ter sua base de cálculo atualizada pelo Poder Executivo, conforme critérios estabelecidos em lei municipal. Essa é uma questão que também já foi objeto de alguns pronunciamentos do Supremo Tribunal Federal. A base de cálculo do tributo da espécie imposto e de competência municipal, incidente sobre a grandeza econômica “propriedade”, especificamente a “territorial e predial urbana”, vem prevista no seguinte dispositivo do CTN: Art. 33. A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel. O valor venal costuma ser atualizado pelos municípios, por ato infralegal, mediante a aplicação dos índices inflacionários de correção monetária. Assim, a base de cálculo do IPTU pode ser atualizada, sem lei formal, de modo a recompor as perdas inflacionárias anuais. Vale dizer: nominalmente o valor aumenta, mas economicamente se compreende que é uma mera atualização monetária. O STF definiu a questão ao julgar o Tema n. 211 da sua repercussão geral: Tema n. 211 - Necessidade de lei em sentido formal para a atualização do valor venal de imóveis. Há Repercussão? Sim Relator(a): MIN. GILMAR MENDES Leading Case: RE 648245 Descrição: Agravo de instrumento interposto contra decisão que inadmitiu recurso extraordinário em que se discute, à luz do art. 150, I, da Constituição Federal, a necessidade, ou não, de lei em sentido formal para fins de atualização do valor venal de imóveis para o cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Tese: A majoração do valor venal dos imóveis para efeito da cobrança de IPTU não prescinde da edição de lei em sentido formal, exigência que somente se pode afastar quando a atualização não excede os índices inflacionários anuais de correção monetária. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento sumulado no mesmo sentido (Súmula n. 160): É defeso, ao município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. A reforma passa a dispor que a lei municipal poderá estabelecer os critérios de atualização da base de cálculo do IPTU. A mera correção monetária da base de cálculo, nos termos da jurisprudência, já vinha sendo feita. O que a reforma faz é passar a permitir a efetiva recomposição real da base de cálculo por atos infralegais, desde que seguidas as diretrizes firmadas nas leis municipais – salvo melhor juízo. Repito: uma coisa é a mera atualização monetária do valor; outra é a sua efetiva majoração ou aumento, para além da correspondência monetária dos índices oficiais e anuais de recomposição inflacionária da moeda. 12 . A CRIAÇÃO DO FUNDO NACIONAL DE 12 . A CRIAÇÃO DO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL – EC N. 132/2023 DESENVOLVIMENTO REGIONAL – EC N. 132/2023 (REFORMA TRIBUTÁRIA)(REFORMA TRIBUTÁRIA) Com a finalidade de reduzir as desigualdades regionais e sociais, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) criou o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (art. 159-A da CF/1988). O Fundo será composto de recursos entregues pela União aos Estados e ao Distrito Federal, com as seguintes finalidades: I – realização de estudos, projetos e obras de infraestrutura; II – fomento a atividades produtivas com elevado potencial de geração de emprego e renda, incluindo a concessão de subvenções econômicas e financeiras; e III – promoção de ações com vistas ao desenvolvimento científico e tecnológico e à inovação. A Reforma Tributária de 2023 concedeu algumas características peculiares ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. Em primeiro lugar, a União não poderá opor qualquer retenção ou restrição ao recebimento de recursos pelos estados e municípios. Em segundo lugar, na mesma direção de uma forte tendência da Reforma (que é a cautela com o meio ambiente), na utilização dos recursos, os estados e o Distrito Federal priorizarão projetos que prevejam ações de sustentabilidade ambiental e redução das emissões de carbono. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Em terceiro lugar, caberá ao Tribunal de Contas da União a responsabilidade de regulamentar e calcular os coeficientes individuais de participação, que serão calculados com base nos seguintes indicadores e com os seguintes pesos: I – população do Estado ou do Distrito Federal, com peso de 30% (trinta por cento); II – coeficiente individual de participação do Estadoou do Distrito Federal nos recursos de que trata o art. 159, I, “a”, da Constituição Federal, com peso de 70% (setenta por cento). 13 . PREVISÕES DE BITRIBUTAÇÃO JURÍDICA13 . PREVISÕES DE BITRIBUTAÇÃO JURÍDICA A regra da VEDAÇÃO À BITRUBUTAÇÃO JURÍDICA passa a ter algumas exceções com a Reforma Tributária de 2023 (EC n. 132/2023). Agora a Constituição Federal passa a prever algumas hipóteses em que os entes tributantes exercem competência tributária compartilhadas. É o caso do chamado IBS (imposto sobre bens e serviços), de competência compartilhada entre estados, Distrito Federal e municípios (Art. 156-A da Constituição Federal). As características e peculiaridades do novo imposto serão definidas em lei complementar. Um outro caso de bitributação jurídica (repiso, que ocorre quando um ente tributante pode criar tributo com as mesmas materialidades, fatos geradores, de tributos da competência de outro ente tributante) prevista na Reforma Tributária de 2023 (EC n. 132/2023) envolve nova espécie de imposto federal. Trata-se do imposto sobre produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar (Art. 153, VIII). Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) VIII – produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar. (...) § 6º O imposto previsto no inciso VIII do caput deste artigo: I – não incidirá sobre as exportações nem sobre as operações com energia elétrica e com telecomunicações; II – incidirá uma única vez sobre o bem ou serviço; III – não integrará sua própria base de cálculo; IV - integrará a base de cálculo dos tributos previstos nos arts. 155, II, 156, III, 156-A e 195, V; V – poderá ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de outros tributos; VI – terá suas alíquotas fixadas em lei ordinária, podendo ser específicas, por unidade de medida adotada, ou ad valorem; VII – na extração, o imposto será cobrado independentemente da destinação, caso em que a alíquota máxima corresponderá a 1% (um por cento) do valor de mercado do produto. Merece destaque o inciso V do § 6º do art. 153: o imposto poderá ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de outros tributos. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber 14 . A SUBSTITUIÇÃO NO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO 14 . A SUBSTITUIÇÃO NO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO DOS BENS: CRIAÇÃO DO IBS (IMPOSTO SOBRE BENS E DOS BENS: CRIAÇÃO DO IBS (IMPOSTO SOBRE BENS E SERVIÇOS) E DA CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE SERVIÇOS) E DA CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)BENS E SERVIÇOS) Embora tenha alterado pontualmente variados dispositivos constitucionais, como vimos anteriormente, a reforma tributária teve como principal objetivo promover uma substancial reformulação da tributação incidente sobre o consumo, bens e serviços. Aqui vale novamente o alerta feito no início deste material: essa mudança de tributação no consumo será feita de modo gradual, incluindo uma fase inicial de “teste”. Portanto, para concursos, tenham cautela ao dar relevância a aspectos normativos da reforma que ainda não estão em vigor, bem como para normas de transição de menor importância (para cobrança em concursos!). Retirei do portal AGÊNCIA SENADO a seguinte imagem, que bem ilustra a substituição de tributos a incidirem sobre o consumo: Outra imagem retirada do portal AGÊNCIA SENADO demonstra o período de transição do ICMS + ISS para o IBS: https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Portanto, haverá um período de “teste” antes da efetiva transição. Esse período de teste se inicia em 2026. A transição terá início em 2027 e tem prazo para ser concluída em 2033. A extinção do ICMS e do ISS somente ocorrerá em 2033. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Em relação ao PIS e à COFINS, bem como ao IPI, tributos federais, outra imagem da AGÊNCIA SENADO bem ilustra o impacto para eles: https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber O IPI sobreviverá à Reforma, exclusivamente em razão da Zona Franca de Manaus. Entretanto, excluída sua utilização para o regime incentivado da ZFM, o IPI não mais incidirá a partir de 2027. Do mesmo modo, o PIS e a COFINS serão extintos em 2027, no final do período de testes. 14.1 A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA COMPARTILHADA: IBS (IMPOSTO SOBRE 14.1 A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA COMPARTILHADA: IBS (IMPOSTO SOBRE BENS E SERVIÇOS)BENS E SERVIÇOS) A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) inova no Direito Tributário ao prever a criação, por lei complementar, de imposto cuja competência chama de “compartilhada”. A competência tributária é uma prerrogativa que a Constituição Federal dá aos entes federativos (União, Estados, DF, Municípios) para que se viabilizem financeiramente, mediante a criação dos seus próprios tributos. Competência tributária é a prerrogativa de criar tributos. Capacidade tributária ativa é a prerrogativa de cobrar tributos, ocupando o polo ativo da relação obrigacional tributária como sujeito ativo. A Constituição Federal, por obra da Reforma Tributária, passa a prever uma hipótese de competência tributária compartilhada: Art. 156-A. Lei complementar instituirá imposto sobre bens e serviços de competência compartilhada entre Estados, Distrito Federal e Municípios. O exercício dessa competência compartilhada, contudo, será limitado. Isso porque o IBS terá uma “legislação única e uniforme em todo o território nacional” (art. 156-A, IV), com a ressalva da fixação das alíquotas por cada ente federativo (art. 156-A, V: “cada ente federativo fixará sua alíquota própria por lei específica”). 14 .2 . O IBS SERÁ INFORMADO PELO PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE14 .2 . O IBS SERÁ INFORMADO PELO PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE A Constituição Federal determina que o imposto seja “informado pelo princípio da neutralidade” (art. 156-A, §1º). Todos os tributos têm um duplo efeito: fiscal e extrafiscal. Vale dizer, respectivamente, que os tributos têm um efeito arrecadatório e causam impactos colaterais. Há tributos que são marcadamente extrafiscais, quando se mostram mais relevantes como mecanismo de indução ou incentivo de comportamento, do que como mecanismo arrecadatório (fiscal). É o caso dos impostos de exportação e de importação, cujo manuseio e alterações promovidas pela União têm por finalidade principal interferir na política macroeconômica. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Já o imposto de renda tem uma característica marcadamente fiscal. É um dos principais instrumentos de carreamento de recursos para os cofres públicos. Isso não significa que o imposto de renda não possa ser utilizado como mecanismo extrafiscal. Quando a União instituiu uma isenção de imposto de renda até determinado valor, ou para proventos percebidos por portadores de neoplasia maligna, há a utilização do imposto como um mecanismo de distribuição de renda e humanitário. Pois bem. Dizer que um tributo será neutro é dizer que ele terá como objetivo não interferir na decisão dos agentes econômicos, ou não induzir, não estimular, ou não determinar decisões econômicas. Ser “informado” pela neutralidade é uma determinação constitucional para que o IBS não seja um mecanismo de política econômica, ou de política extrafiscal. Com isso, a Constituição busca “isolar” ou “neutralizar” o tributo de qualquer utilização com finalidade “colateral” ou extrafiscal. 14 .3 . O REGRAMENTO CONSTITUCIONAL PARA O IBS14 .3 . O REGRAMENTO CONSTITUCIONAL PARA O IBS A regulação do IBS virá em uma futura lei complementar.Entretanto, há um regramento mínimo estabelecido na Constituição Federal, que parametriza um conteúdo mínimo do tributo. O regramento mínimo do imposto vem elencado no extenso artigo 156-A. Vejamos aqui quais são suas principais características constitutivas. A primeira delas, que merece destaque, é que o IBS passa a ser calculado “por fora”, ou seja, sem integrar a sua própria base de cálculo (art. 156-A, §1º, IX: “não integrará sua própria base de cálculo”). Comparativamente, o ICMS é calculado por dentro (art. 155, § 2º, XII, i: “cabe à lei complementar fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre”). Isso significa que o tributo passará a ser calculado de um modo mais claro e simples. Trata-se de uma significativa alteração, se compararmos ao regime de cálculo e apuração do ICMS. Inclusive, indo ao encontro dessa finalidade, o inciso XIII determina que o IBS, “sempre que possível, terá seu valor informado, de forma específica, no respectivo documento fiscal”. Outro ponto que merece destaque é a amplitude da base tributável. A Constituição Federal deixa claro que a materialidade do imposto alcança as “operações com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços” (art. 156-A, §1º, I). A tributação de bens imateriais espanca diversos problemas para a tributação, gerando uma isonomia para a incidência do tributo sobre a atividade econômica. A pretensão do atingimento da isonomia na incidência sobre a base tributária mais ampla fica clara na previsão do art. 156-A, § 1º, segundo a qual a alíquota fixada pelo ente federativo na forma será a mesma para todas as operações com bens materiais ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços, ressalvadas as hipóteses previstas na Constituição. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 34gran.com.br Reforma Tributária Tudo o que você precisa saber Dentro da perspectiva de neutralidade e para evitar a famosa “guerra fiscal”, a Constituição Federal determina que o IBS não será objeto de concessão de incentivos e benefícios financeiros ou fiscais relativos ao imposto ou de regimes específicos, diferenciados ou favorecidos de tributação, excetuadas as hipóteses previstas na Constituição (art. 156- A, §1º, X). No demais, o imposto seguirá muitas das normas que já estão estabelecidas para o ICMS: não cumulatividade, imunidade nas operações para o exterior, o não aproveitamento dos créditos nos casos de isenção e de imunidade. Vamos aguardar a edição da lei complementar para o tributo, de modo a poder discorrer sobre a sua incidência de maneira completa. É importante destacar que o tributo começará uma fase de testes somente em 2026. 14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS) A Constituição Federal passou a prever uma nova contribuição no rol do art. 195: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) V – sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar. A Constituição Federal espelha a maior parte do regramento do IBS para a CBS (art. 195, § 16). Do mesmo modo, deve-se aguardar a regulação mediante lei complementar para mais considerações sobre o imposto – que, assim como o CBS, não terá incidência imediata, mas apenas a partir de 2026. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br A realização do seu sonho merece um investimento de qualidade. Não desperdice tempo, dinheiro e energia. Invista no seu sucesso, no seu futuro e na sua realização profissional. Assine AGORA a melhor e mais completa plataforma de ensino para concursos públicos. Sua nomeação na palma da sua mão com a Assinatura Ilimitada 9.0 do Gran Cursos Online. Mude de vida. Garanta seu futuro com a melhor plataforma de estudos para concurso público. FACILITE SEUS ESTUDOS: rotas de aprovação, mapas mentais, resumos e exercícios irão te guiar por um caminho mais simples e rápido. 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Contato para vendas: Quero ser assinante ilimitado agora https://www.grancursosonline.com.br/assinatura-ilimitada#utm_source=Landing_Page&utm_medium=Simulados&utm_campaign=anuncio_simulado_AI Sumário Reforma TributáriaTudo o que Você Precisa Saber 1. Considerações Gerais sobre a Reforma Tributária 2. Os Princípios Tributários Expressos na Reforma Tributária (EC n. 132/2023) 3. Os Objetivos Centrais da Reforma Tributária e a Atenuação de Efeitos Regressivos 4. A Nova Contribuição de Custeio, a Expansão e a Melhoria do Serviço de Iluminação Pública e de Sistemas de Monitoramento para Segurança e Preservação de Logradouros Públicos 5. Previsão na Reforma Tributária (EC n. 132/2023) de Alíquota Zero 6. Condicionante para o Gozo da Imunidade Recíproca 7. A Imunidade das Entidades Religiosas e dos Templos de Qualquer Culto – Reforma Tributária (EC n. 132/2023) 8. Imposto sobre a Produção, Extração, Comercialização ou Importação de Bens e Serviços Prejudiciais à Saúde ou ao Meio Ambiente, nos Termos de Lei Complementar 9. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no ITCMD 10. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPVA 11. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPTU 12. A Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional – EC n. 132/2023 (Reforma Tributária) 13. Previsões de Bitributação Jurídica 14. A Substituição no Sistema de Tributação dos Bens: Criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CSBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços)