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E-book sobre a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) que explica princípios e objetivos da reforma, impactos em ITCMD, IPVA e IPTU, novas tributações (IBS, CSBS), imunidades, contribuição para iluminação, fundo regional e atualização 02/2024.

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Entretanto, há um regramento 
mínimo estabelecido na Constituição Federal, que parametriza um conteúdo mínimo 
do tributo.
O regramento mínimo do imposto vem elencado no extenso artigo 156-A. Vejamos aqui 
quais são suas principais características constitutivas.
A primeira delas, que merece destaque, é que o IBS passa a ser calculado “por fora”, 
ou seja, sem integrar a sua própria base de cálculo (art. 156-A, §1º, IX: “não integrará sua 
própria base de cálculo”). Comparativamente, o ICMS é calculado por dentro (art. 155, § 2º, 
XII, i: “cabe à lei complementar fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto 
a integre”). Isso significa que o tributo passará a ser calculado de um modo mais claro e 
simples. Trata-se de uma significativa alteração, se compararmos ao regime de cálculo e 
apuração do ICMS. Inclusive, indo ao encontro dessa finalidade, o inciso XIII determina que 
o IBS, “sempre que possível, terá seu valor informado, de forma específica, no respectivo 
documento fiscal”.
Outro ponto que merece destaque é a amplitude da base tributável. A Constituição 
Federal deixa claro que a materialidade do imposto alcança as “operações com bens materiais 
ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços” (art. 156-A, §1º, I). A tributação de bens 
imateriais espanca diversos problemas para a tributação, gerando uma isonomia para a 
incidência do tributo sobre a atividade econômica.
A pretensão do atingimento da isonomia na incidência sobre a base tributária mais 
ampla fica clara na previsão do art. 156-A, § 1º, segundo a qual a alíquota fixada pelo ente 
federativo na forma será a mesma para todas as operações com bens materiais ou imateriais, 
inclusive direitos, ou com serviços, ressalvadas as hipóteses previstas na Constituição.
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
Dentro da perspectiva de neutralidade e para evitar a famosa “guerra fiscal”, a Constituição 
Federal determina que o IBS não será objeto de concessão de incentivos e benefícios 
financeiros ou fiscais relativos ao imposto ou de regimes específicos, diferenciados ou 
favorecidos de tributação, excetuadas as hipóteses previstas na Constituição (art. 156-
A, §1º, X).
No demais, o imposto seguirá muitas das normas que já estão estabelecidas para o 
ICMS: não cumulatividade, imunidade nas operações para o exterior, o não aproveitamento 
dos créditos nos casos de isenção e de imunidade.
Vamos aguardar a edição da lei complementar para o tributo, de modo a poder discorrer 
sobre a sua incidência de maneira completa.
É importante destacar que o tributo começará uma fase de testes somente em 2026.
14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)
A Constituição Federal passou a prever uma nova contribuição no rol do art. 195:
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, 
nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(...)
V – sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar.
A Constituição Federal espelha a maior parte do regramento do IBS para a CBS (art. 
195, § 16). Do mesmo modo, deve-se aguardar a regulação mediante lei complementar 
para mais considerações sobre o imposto – que, assim como o CBS, não terá incidência 
imediata, mas apenas a partir de 2026.
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	Sumário
	Reforma TributáriaTudo o que Você Precisa Saber
	1. Considerações Gerais sobre a Reforma Tributária
	2. Os Princípios Tributários Expressos na Reforma Tributária (EC n. 132/2023)
	3. Os Objetivos Centrais da Reforma Tributária e a Atenuação de Efeitos Regressivos
	4. A Nova Contribuição de Custeio, a Expansão e a Melhoria do Serviço de Iluminação Pública e de Sistemas de Monitoramento para Segurança e Preservação de Logradouros Públicos
	5. Previsão na Reforma Tributária (EC n. 132/2023) de Alíquota Zero
	6. Condicionante para o Gozo da Imunidade Recíproca
	7. A Imunidade das Entidades Religiosas e dos Templos de Qualquer Culto – Reforma Tributária (EC n. 132/2023)
	8. Imposto sobre a Produção, Extração, Comercialização ou Importação de Bens e Serviços Prejudiciais à Saúde ou ao Meio Ambiente, nos Termos de Lei Complementar
	9. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no ITCMD
	10. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPVA
	11. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPTU
	12. A Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional – EC n. 132/2023 (Reforma Tributária)
	13. Previsões de Bitributação Jurídica
	14. A Substituição no Sistema de Tributação dos Bens: Criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CSBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços)de transporte interestadual 
e intermunicipal e de comunicação (ICMS). 10.3. 
Imposto sobre a propriedade de veículos automotores 
(IPVA). 10.4 Conselho Nacional de Política Fazendária 
(CONFAZ).
PONTOS ALCANÇADOS PELA REFORMA – Destaque:
Novos regimes e regras para os impostos estaduais.
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
1 Sistema Tributário Nacional na Constituição 
Federal. 1.1 Limitações do poder de tributar. 1.2 
Princípios do Direito Tributário. 1.3 Repartição das 
receitas tributárias.
PONTOS ALCANÇADOS PELA REFORMA – Destaques:
Nova enunciação de princípios expressos na 
Constituição aplicáveis à tributação.
Novas regras de repartição de competência.
11 Impostos dos municípios. PONTOS ALCANÇADOS PELA REFORMA – Destaque:
Novos regimes e regras para os impostos municipais.
12 Legislação federal aplicada. 12.1 Lei n. 5.172/1966 
(Sistema Tributário Nacional e normas gerais de 
Direito Tributário). 12.2 Lei Complementar n. 
123/2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e da 
Empresa de Pequeno Porte). 12.3 Lei Complementar 
n. 116/2003 (ISSQN). 12.4 Lei Complementar n. 87/96 
e alterações posteriores (Imposto dos Estados e do 
Distrito Federal sobre operações relativas à circulação 
de mercadorias e sobre prestações de serviços de 
transporte interestadual e intermunicipal e de 
comunicação).
PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA
Obs.: Momentaneamente não alcançados. A 
regulação da Reforma Tributária ainda está por 
vir, em nível infraconstitucional, e deverá alcançar 
alguns pontos dentre estes.
13. Legislação do Estado do Rio Grande do Norte 
aplicada. 13.1 Lei Estadual n. 6.968/1996 (imposto 
sobre operações relativas à circulação de mercadorias 
e sobre prestações de serviços de transporte 
interestadual e intermunicipal e de comunicação). 
13.2. Lei Estadual n. 6.967/1996 e suas alterações 
(imposto de propriedade de veículos automotores – 
IPVA). 13.3. Lei Estadual n. 5.887/1989 (imposto sobre 
transmissão causa mortis e doação de quaisquer 
bens e direitos – ITCD). 13.4. Decreto Estadual n. 
31.825/2022 (ICMS).
PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA
Obs.: Momentaneamente não alcançados. 
Dependerá de alteração das leis locais. É preciso 
acompanhar.
14 Ilícito tributário. 14.1 Ilícito administrativo 
tributário. 14.2 Ilícito penal tributário. 14.3 Crimes 
contra a ordem tributária. 14.4 Lei n. 8.137/1990 
(Crimes contra a ordem tributária, econômica e contra 
as relações de consumo).
PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA.
15 Norma geral antielisão. PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA.
16 Processo administrativo tributário. 16.1 Princípios. 
16.2 Acepções e espécies. 16.3 Determinação e 
exigência do crédito tributário. 16.4 Representação 
fiscal para fins penais. 16.5 Processo administrativo 
tributário do Rio Grande do Norte. 16.6. Decreto 
Estadual n. 13.796/1998.
PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA.
*Obs.: Lei Complementar vai dispor sobre normas 
específicas de processo tributário para o IBS.
17 Processo judicial tributário. 17.1 Ação de execução 
fiscal. 17.2 Lei n. 6.830/1980 e suas alterações 
(execução fiscal). 17.3 Ação cautelar fiscal. 17.4 
Ação declaratória da inexistência de relação jurídico-
tributária. 17.5 Ação anulatória de débito fiscal. 17.6 
Mandado de segurança. 17.7 Ação de repetição de 
indébito. 17.8 Ação de consignação em pagamento. 
17.9 Ações de controle de constitucionalidade. 17.10 
Ação civil pública.
PONTOS NÃO ALCANÇADOS PELA REFORMA.
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
De um modo geral, é isso. O regime do CTN segue a mesma lógica: não foi alterada a teoria 
da obrigação tributária, as espécies de lançamento tributário etc. Não houve alterações 
na execução fiscal, no processo judicial tributário, tampouco nas normas sancionatórias e 
de responsabilidade tributária.
1 .2 O FATIAMENTO DO ESTUDO DA REFORMA TRIBUTÁRIA1 .2 O FATIAMENTO DO ESTUDO DA REFORMA TRIBUTÁRIA
Para sua melhor compreensão, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023), que possui 23 
artigos, pode ser dividida didaticamente nas seguintes partes:
• Artigos 1º e 2º da EC n. 132/2023;
• Artigos 3º e 11 – vigência a partir de 2027;
• Artigos 4º e 5º – vigência a partir de 2033;
• Artigos 12 a 21;
• Artigos 22 e 23.
Artigo 1º: Trata-se do artigo mais relevante da Reforma Tributária, que tem vigência 
imediata e altera diretamente a Constituição Federal.
Artigo 1º da Reforma Tributária (EC n. 132/2023)
• Artigo mais relevante da Reforma;
• Vigência imediata;
• Altera diversos dispositivos da Constituição Federal;
• Dispõe, em síntese, sobre:
1) Enunciação de princípios expressos para o Sistema Tributário Nacional: simplicidade, da transparência, 
da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente;
2) Institui os novos tributos: IBS (imposto sobre bens e serviços) e CBS (contribuição social sobre bens e serviços);
3) Adequa o sistema do SIMPLES à instituição dos novos tributos (IBS e CBS);
4) Altera a antiga COSIP (Contribuição de Iluminação Pública);
5) Passa a prever um oitavo e novo possível imposto para a União: imposto sobre produção, extração, 
comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de 
lei complementar;
6) Altera o regime jurídico (regras constitucionais para a incidência) dos seguintes tributos estaduais: ITCMD e IPVA;
7) Passa a permitir que o IPTU tenha sua base de cálculo atualizada pelo Poder Executivo, conforme critérios 
estabelecidos em lei municipal;
8) Altera as regras de repartição constitucional do produto da arrecadação tributária.
Artigo 2º: Altera o ADCT, também com vigência imediata. Estabelece regras 
direcionadas ao legislador complementar, fixando parâmetros para a regulação futura 
da Reforma. Fixa um regime de transição para os tributos criados: IBS e CBS.
Artigo 2º da Reforma Tributária (EC n. 132/2023)
• Artigo não tão relevante quanto o art. 1º, para efeito de concursos;
• Vigência imediata;
• Altera diversos dispositivos do ADCT;
• Dispõe, em síntese, sobre:
1) Desvinculação de receitas;
2) Mecanismos de salvaguarda à Zona Franca de Manaus;
3) Regras de transição para os tributos criados pela reforma: CBS e IBS.
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
Artigos 3º e 11 da Reforma (SEM VIGÊNCIA IMEDIATA): Alteram diversos dispositivos 
da Constituição Federal, mas com entrada em vigor protraída. As alterações dos arts. 
3º e 11 entram em vigor em 2027. Salvo melhor juízo, precisamos aguardar o modo 
como as bancas examinadoras cobrarão a Reforma Tributária. Penso que as alterações 
na Constituição Federal que ainda não entraram em vigor não merecem a atenção dos 
concurseiros.
Artigos 4º e 5º da Reforma (SEM VIGÊNCIA IMEDIATA): Também alteram diversos 
dispositivos da Constituição Federal e do ADCT, mas com entrada em vigor protraída. 
As alterações dos artigos 4º e 5º somente entram em vigor em 2033. Aqui vale o mesmo 
que foi dito acima para os artigos 3º e 11 da Reforma.
Esses artigos que alteram a Constituição Federal, mas com entrada em vigor somente 
em 2027 e 2033, não merecem, salvo melhor juízo (a conferir como as bancas vão exigir 
a Reforma), a mesma atenção dos demais dispositivos. A Constituição Federal segue em 
vigor com a redação atual, em relação aos dispositivos da Reforma que só entram em vigor 
em 2027 e 2033. Se a norma ainda não está em vigor, portanto, me parece não merecer a 
preocupação e a energia dos concurseiros.
Os artigos 12 a 21 da Reforma (excluído o artigo 11) tratam de questões de transição 
de incidência das normas da Constituição no tempo. Por exemplo, vejamos o caput 
do art. 12:
Art. 12. Fica instituído o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais ou Financeiro-Fiscais do 
imposto de que trata o art. 155, II, da Constituição Federal, com vistas a compensar, entre 1ºde 
janeiro de 2029 e 31 de dezembro de 2032, pessoas físicas ou jurídicas beneficiárias de isenções, 
incentivos e benefícios fiscais ou financeiro-fiscais relativos àquele imposto, concedidos por 
prazo certo e sob condição.
Vejam que o dispositivo serve para “compensar, entre 1º de janeiro de 2029 e 31 de 
dezembro de 2032”. Portanto, normas com esse conteúdo também não merecem a atenção 
do estudioso de concurso (ao meu ver).
O ponto alto desse intervalo de artigos é a regulação do modo como incidirá o ITCMD, 
nas hipóteses de o doador ter domicílio ou residência no exterior, ou se o de cujus possuía 
bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
I – transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;
(...)
§ 1º O imposto previsto no inciso I:
(...)
II – relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado o 
de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal;
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Reforma Tributária
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III – terá competência para sua instituição regulada por lei complementar:
a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior;
b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado 
no exterior;
(...)
Art. 16. Até que lei complementar regule o disposto no art. 155, § 1º, III, da Constituição Federal, 
o imposto incidente nas hipóteses de que trata o referido dispositivo competirá:
I – relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, ao Estado da situação do bem, ou ao 
Distrito Federal;
II – se o doador tiver domicílio ou residência no exterior:
a) ao Estado onde tiver domicílio o donatário ou ao Distrito Federal;
b) se o donatário tiver domicílio ou residir no exterior, ao Estado em que se encontrar o bem ou 
ao Distrito Federal;
III – relativamente aos bens do de cujus, ainda que situados no exterior, ao Estado onde era 
domiciliado, ou, se domiciliado ou residente no exterior, onde tiver domicílio o sucessor ou 
legatário, ou ao Distrito Federal.
Art. 17. A alteração do art. 155, § 1º, II, da Constituição Federal, promovida pelo art. 1º desta 
Emenda Constitucional, aplica-se às sucessões abertas a partir da data de publicação desta 
Emenda Constitucional.
Ainda assim, trata-se de normas a serem aplicadas até que seja editada a lei complementar 
sobre o assunto. Normas de transição, portanto. O art. 17, por sua vez, é uma norma de 
direito intertemporal (Dentre muitas da reforma).
São dois pontos bastante relevantes, especialmente para concursos estaduais.
Por fim, os artigos 22 e 23 da Reforma tratam das regras de sua entrada em vigor:
Art. 22. Revogam-se:
I – em 2027, o art. 195, I, “b”, e IV, e § 12, da Constituição Federal;
II – em 2033:
a) os arts. 155, II, e §§ 2º a 5º, 156, III, e § 3º, 158, IV, “a”, e § 1º, e 161, I, da Constituição Federal; e
b) os arts. 80, II, 82, § 2º, e 83 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Art. 23. Esta Emenda Constitucional entra em vigor:
I – em 2027, em relação aos arts. 3º e 11;
II – em 2033, em relação aos arts. 4º e 5º; e
III – na data de sua publicação, em relação aos demais dispositivos.
Brasília, em 20 de dezembro de 2023
Tomando da Reforma apenas os dispositivos que já estão em vigor e excluindo destes 
os artigos que tratam de regras de transição, os pontos mais relevantes são: as alterações 
do art. 1º da Reforma e os artigos 16 e 17 da Reforma (que tratam da incidência do ITCMD).
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
Conclusivamente, os artigos que ainda não estão em vigor (que “entra em vigor em 
2027 e 2033”), nos termos do art. 23 da Reforma, parecem não ter grande relevância. Como 
exemplo, cito o seguinte item do Edital 03/2023 da PGE-SP, banca Vunesp, publicado em 
26/12/2023:
11.2. A legislação que vier a vigorar após a data de publicação deste Edital, bem como alterações 
em dispositivos de lei e atos normativos a ele posteriores, não serão objeto de avaliação nas 
provas do Concurso.
Caberá ao candidato ficar atento aos editais, especialmente aos itens da disciplina de 
Direito Tributário. Entretanto, podemos “fatiar” o estudo da Reforma, concentrando-nos 
naquilo que tem vigência imediata e que é mais relevante, abstraindo as normas de transição 
e as normas que ainda não estão em vigor.
Nos tópicos seguintes, procuro abordar os pontos mais relevantes, e já em vigor, da 
Reforma Tributária.
1 .3 OS OBJETIVOS E IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA1 .3 OS OBJETIVOS E IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA
A Reforma Tributária aprovada com a EC n. 132/2023 é, na verdade, uma fatia das 
futuras reformas pelas quais devem passar o Sistema Tributário Nacional.
O centro da Reforma da EC n. 132/2023 foram os tributos incidentes sobre o consumo: 
a substituição progressiva pelo IBS e pela CBS. Entretanto, não foram enfrentados tantos 
outros gargalos da tributação no Brasil – como a tributação da renda.
Portanto, podemos esperar novas alterações no Direito Tributário, muito em breve. 
Trata-se de um primeiro passo direcionado no sentido de simplificar a tributação do 
consumo no Brasil.
De um modo geral, a ideia da Reforma foi substituir, num total de 10 anos, o PIS, a 
COFINS, o IPI, o ICMS e o ISS, pelo IBS e pela CBS. Isso se dará de modo gradual e também 
não integral: ainda restará, nos 10 anos de transição, pouco de incidência residual de 
determinados tributos, especialmente no contexto da Zona Franca de Manaus.
Nos tópicos seguintes, veremos também que a Reforma altera, pontualmente, a estrutura 
de alguns temas relevantes de Direito Tributário (como a antiga COSIP, art. 149-A da CF, a 
imunidade dos templos, normas de incidência de ITCMD e IPVA).
Podemos concluir que a Reforma possui um núcleo, cujo objetivo é modificar a tributação 
do consumo no Brasil, e aspectos pontuais que alteram algumas normas do Sistema 
Tributário Nacional.
Vejamos os principais e mais relevantes pontos da Reforma Tributária (EC n. 132/2023).
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
2 . OS PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS EXPRESSOS NA REFORMA 2 . OS PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS EXPRESSOS NA REFORMA 
TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023)TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023)
A Reforma Tributária (EC n. 132/2023), na parte que entrou em vigor em 20 de dezembro 
de 2023, trouxe a enunciação expressa de alguns princípios tributários.
Alguns desses princípios veiculados de modo expresso no texto da Emenda Constitucional 
n. 132/2023 já faziam parte implícita da disciplina tributária e da tributação. Entretanto, é 
importante que a Reforma diga, de modo expresso, quais são as diretrizes principiológicas 
que a caracterizam.
Assim, foram inseridos no art. 145 da Constituição Federal os seguintes dispositivos:
Art. 145. (...)
§ 3º O Sistema Tributário Nacional deve observar os princípios da simplicidade, da transparência, 
da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio ambiente.
§ 4º As alterações na legislação tributária buscarão atenuar efeitos regressivos.
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS EXPRESSOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023)
SIMPLICIDADE
TRANSPARÊNCIA
JUSTIÇA TRIBUTÁRIA
COOPERAÇÃO
DEFESA DO MEIO AMBIENTE
ATENUAÇÃO DE EFEITOS REGRESSIVOS
A simplicidade e a transparência são princípios que devem nortear a tributação em 
toda a sua amplitude: desde a criação e formatação dos tributos, até a constituição e 
cobrança dos créditos tributários pela administração tributária. Os tributos devem ser 
criados com as respectivas materialidades bem expressas e expostas de modo claro aos 
contribuintes, evitando discussões judiciais acerca da futura cobrança (como ocorreu em 
relação aos conceitos de receita e faturamento, por exemplo).A cobrança do tributo, o 
processo administrativo tributário e judicial deve transcorrer de modo simples, evitando-
se constituições e discussões administrativas complexas. A administração tributária deve 
se pautar pelo princípio da transparência, especialmente em relação aos entendimentos 
que seguirá, dando previsibilidade aos contribuintes.
A justiça tributária é uma diretriz principiológica matriz, da qual derivam todos os 
princípios constitucionais tributários. Trata-se de metaprincípio que deve guiar desde 
o constituinte derivado reformador até o auditor fiscal que lavra um auto de infração. 
A legalidade, a irretroatividade, as anterioridades, enfim, todos os princípios tributários 
convergem para a obtenção de uma justiça tributária.
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Reforma Tributária
Tudo o que você precisa saber
A cooperação também é um princípio bastante presente na pragmática tributária. 
Diferentemente da justiça tributária, a cooperação está presente na atividade de tributação 
efetiva, ou seja, na atividade de lançamento e cobrança dos tributos. Essa cooperação 
terá duas vertentes: a do Fisco e do contribuinte, esperando-se que haja um espírito 
cooperativo e não beligerante; e a cooperação esperada entre os Fiscos, ou seja, entre as 
esferas federativas tributantes (União, estados e municípios).
A defesa do meio ambiente é uma diretriz principiológica bastante presente na Reforma 
Tributária. Por meio dela, busca-se atingir um efeito extrafiscal na tributação, de modo que 
o tributo seja utilizado como mecanismo protetivo ambiental. Nesse sentido, a Reforma 
trouxe um novo tributo, da espécie imposto e de competência da União:
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
VIII – produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde 
ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar.
No mesmo sentido, ao criar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, a Reforma 
Tributária (EC n. 132/2023) também determina a utilização de recursos com prioridade 
a projetos que prevejam ações de sustentabilidade ambiental e redução das emissões 
de carbono.
Art. 159-A. Fica instituído o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, com o objetivo de 
reduzir as desigualdades regionais e sociais, nos termos do art. 3º, III, mediante a entrega de 
recursos da União aos Estados e ao Distrito Federal para:
§ 2º Na aplicação dos recursos de que trata o caput, os Estados e o Distrito Federal priorizarão 
projetos que prevejam ações de sustentabilidade.
Com a mesma vertente de proteção ambiental, a Reforma altera o art. 43 da Constituição 
Federal para prever o seguinte (art. 43, § 4º):
Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo 
geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.
(...)
§ 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...)
III – isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas 
físicas ou jurídicas;
(...)
§ 4º Sempre que possível, a concessão dos incentivos regionais a que se refere o § 2º, III, considerará 
critérios de sustentabilidade ambiental e redução das emissões de carbono.
Por fim, ao alterar o regime jurídico do IPVA (imposto estadual incidente sobre a 
propriedade de veículos automotores – Art. 155, III, da CF/1988), a Reforma Tributária 
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também passa a permitir a utilização de alíquotas diferenciadas em função da utilização 
e do impacto ambiental. Nesse sentido:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
(...)
III – propriedade de veículos automotores.
(...)
§ 6º O imposto previsto no inciso III:
(...)
II – poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto 
ambiental;
3 . OS OBJETIVOS CENTRAIS DA REFORMA TRIBUTÁRIA E A 3 . OS OBJETIVOS CENTRAIS DA REFORMA TRIBUTÁRIA E A 
ATENUAÇÃO DE EFEITOS REGRESSIVOSATENUAÇÃO DE EFEITOS REGRESSIVOS
Quanto ao § 4º do art. 145, a Reforma traz uma diretriz principiológica relevantíssima para 
um bom funcionamento do Sistema Tributário Nacional: atenuação de efeitos regressivos.
A regressividade tributária é o reverso da progressividade. A tributação “progride” 
quando ela se amolda à capacidade do sujeito passivo de ser tributado – ou seja, quando 
quem tem maior capacidade econômica é alcançado por uma carga tributária mais elevada.
A regressividade é a tributação não isonômica, e ela alcança, de modo especial, a 
tributação dos bens. Um exemplo: Imagine uma funcionária que trabalhe como cuidadora de 
crianças em uma residência de pessoas com altíssima capacidade econômica. Supondo que 
essa funcionária também tenha filhos, ela e seus empregadores precisarão ir ao mercado 
adquirir bens semelhantes: leite, chupeta, mamadeiras, frutas, verduras, papinhas etc.
A tributação dos bens, quando ela é elevada (tomemos como exemplo uma tributação 
sobre os bens acima de 20%), atinge indistintamente a todos os contribuintes que adquirem 
aqueles bens.
É o que eu chamo de “tributação sem rosto”, na medida em que a incidência do tributo 
desconsidera a capacidade econômica de quem o adquire.
Obviamente seria impraticável que os tributos sobre os bens variassem conforme a 
comprovação da capacidade econômica de quem os adquirem nos mercados. Isso seria 
impossível.
Para atenuar esse efeito, tributos que incidem sobre os bens e sobre o consumo devem 
observar o princípio tributário da seletividade, de modo que um perfume será tributado 
de modo mais intenso do que uma lata de leite em pó. A essencialidade do produto vai 
exigir uma tributação menor. De outro lado, o bem supérfluo (ou que não seja essencial à 
sobrevivência humana) pode ser tributado de modo mais intenso.
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Todavia, no nosso exemplo, a tributação que recairá sobre uma mãe, na aquisição 
dos mesmos produtos (provavelmente essenciais, como o leite etc.), não será dosada em 
conformidade com a sua capacidade contributiva.
Um parêntese: os tributos que incidem sobre os bens e serviços, como o IPI, o ICMS e o 
ISS, possuem repercussão econômica sobre o chamado contribuinte de fato. Contribuinte 
de direito será o industrial, o comerciante e o prestador de serviços. Contribuinte de fato 
será o consumidor final desses bens e serviços, que arcará com o custo de toda a cadeia 
de incidência tributária.
A regressividade fica clara na medida em que uma alta concentração de tributação 
sobre os bens resultará na mesma repercussão econômica de uma cadeia de tributos, 
desconsiderando a capacidade econômica dos contribuintes de fato.
Repiso que não há como resolver efetivamente esse problema na incidência tributária 
sobre os bens. Essa questão é mais propriamente resolvida na tributação da renda. Quando 
incide o imposto sobre a renda ou proventos de qualquer natureza, ganhos de capital e 
etc., há uma efetiva “tributação com rosto”, como eu chamo: o tributo progredirá conforme 
avance numericamente o tamanho da grandeza econômica subjacente.
Por esse motivo, os países desenvolvidos, integrantes da OCDE, tributam mais pesadamente 
a renda. O imposto sobre os bens que se paga nos EUA é calculado “por fora” do produto, 
favorecendo a transparência (que também é princípio expresso da Reforma – EC n. 132/2023), 
e em alíquotas que não ultrapassam 9% (até onde eu conheço).
Todavia, o imposto sobre a renda e ganhos de capital nos EUA é extremamente pesado. 
Por exemplo, enquanto no Brasil os dividendos são isentos, nos EUA eles pagam 30% de 
imposto de renda.
A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) avança, nesse primeiro momento, sobre a 
tributação sobreos bens e serviços precisamente para buscar uma maior aproximação à 
fórmula adotada em países desenvolvidos: tributar mais severamente a renda, e menos 
severamente os bens e serviços.
Se o mercadinho não tem como dosar o efeito econômico dos tributos sobre os bens, 
quando uma mãe de baixa renda e uma mãe de alta renda compram os mesmos produtos 
essenciais para seus filhos (leite, mamadeira etc.), a solução é reduzir a carga (de um modo 
geral) sobre os bens e elevar, em contrapartida, sobre a renda.
Essa é a razão subjacente ao principal objetivo da Reforma Tributária, que fica claro com 
a perseguição de efeitos não regressivos. Como dito acima, essa é apenas uma primeira 
parte do problema. Será preciso reformar completamente a tributação sobre a renda (o 
que, na EC n. 132/2023, não foi feito).
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4 . A NOVA CONTRIBUIÇÃO DE CUSTEIO, A EXPANSÃO E 4 . A NOVA CONTRIBUIÇÃO DE CUSTEIO, A EXPANSÃO E 
A MELHORIA DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E A MELHORIA DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA E 
DE SISTEMAS DE MONITORAMENTO PARA SEGURANÇA E DE SISTEMAS DE MONITORAMENTO PARA SEGURANÇA E 
PRESERVAÇÃO DE LOGRADOUROS PÚBLICOSPRESERVAÇÃO DE LOGRADOUROS PÚBLICOS
É muito importante destacar que a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) alterou 
sensivelmente o tributo previsto no Art. 149-A da Constituição Federal.
Art. 149-A. Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das 
respectivas leis, para o custeio, a expansão e a melhoria do serviço de iluminação pública e de 
sistemas de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos, observado 
o disposto no art. 150, I e III.
Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de 
consumo de energia elétrica.
Precisamos rememorar que a antiga “Contribuição de Iluminação Pública” (COSIP) foi 
criada como uma alternativa às taxas de iluminação pública (criadas por diversos entes 
federativos e que foi considerada inconstitucional pelo STF, diante da ausência dos requisitos 
de divisibilidade e especificidade das taxas). Em seguida, a Constituição foi alterada para 
permitir a mesma cobrança, mas albergada em espécie tributária peculiar: a contribuição 
(e não a taxa).
Agora a materialidade de incidência do tributo foi alargada: antes da Reforma Tributária, 
ela incidia tão somente sobre a “iluminação pública”.
Materialidades antigas do art. 149-A Novas materialidades do art. 149-A
O custeio do serviço de iluminação pública. • O custeio, a expansão e a melhoria do serviço de 
iluminação pública;
• O custeio, a expansão e a melhoria de sistemas de 
monitoramento para segurança e preservação de 
logradouros públicos.
Sobre a expansão e a melhoria do SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA, o STF já havia 
permitido sua cobrança em sede de repercussão geral:
Tema n. 696 – Validade da destinação de recursos advindos da contribuição para o 
custeio do serviço de iluminação pública também ao melhoramento e à expansão da 
rede.
Tese: É constitucional a aplicação dos recursos arrecadados por meio de contribuição 
para o custeio da iluminação pública na expansão e aprimoramento da rede.
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A EC n. 132/2023 constitucionalizou o Tema n. 696, no ponto, mas não apenas isso. 
Houve um grande incremento de incidência: o custeio, a expansão e a melhoria de sistemas 
de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos.
Agora, a contribuição que veio substituir uma inconstitucional taxa de serviço (antiga 
taxa de iluminação pública), poderá custear também a expansão e a melhoria de sistemas 
de monitoramento para segurança e preservação de logradouros públicos.
5. PREVISÃO NA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 5. PREVISÃO NA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 
DE ALÍQUOTA ZERODE ALÍQUOTA ZERO
É interessante perceber que a Constituição Federal passou a prever, direta e 
normativamente, uma situação de alíquota zero, a partir da Reforma Tributária de dezembro 
de 2023 (EC n. 132/2023):
Art. 149-C. O produto da arrecadação do imposto previsto no art. 156-A e da contribuição 
prevista no art. 195, V, incidentes sobre operações contratadas pela administração pública 
direta, por autarquias e por fundações públicas, inclusive suas importações, será integralmente 
destinado ao ente federativo contratante, mediante redução a zero das alíquotas do imposto e 
da contribuição devidos aos demais entes e equivalente elevação da alíquota do tributo devido 
ao ente contratante.
§ 1º As operações de que trata o caput poderão ter alíquotas reduzidas de modo uniforme, nos 
termos de lei complementar.
§ 2º Lei complementar poderá prever hipóteses em que não se aplicará o disposto no caput e 
no § 1º.
§ 3º Nas importações efetuadas pela administração pública direta, por autarquias e por fundações 
públicas, o disposto no art. 150, VI, “a”, será implementado na forma do disposto no caput e no 
§ 1º, assegurada a igualdade de tratamento em relação às aquisições internas.
Trata-se de contexto no qual o ente adquirente é a própria administração pública, 
zerando a Constituição a alíquota para a respectiva aquisição do valor que seria destinado 
aos demais entes tributantes, e compensando com a elevação da alíquota relacionada ao 
tributo que seria destinado ao ente contratante.
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6 . CONDICIONANTE PARA O GOZO DA IMUNIDADE 6 . CONDICIONANTE PARA O GOZO DA IMUNIDADE 
RECÍPROCARECÍPROCA
A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) alterou a redação do § 2º do art. 150 da Constituição 
Federal para prever o seguinte:
Redação anterior
Redação dada pela Reforma Tributária 
(EC n. 132/2023)
§ 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às 
autarquias e às fundações instituídas e mantidas 
pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, 
à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades 
essenciais ou às delas decorrentes.
§ 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às 
autarquias e às fundações instituídas e mantidas 
pelo poder público e à empresa pública prestadora 
de serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à 
renda e aos serviços vinculados a suas finalidades 
essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada 
pela Emenda Constitucional n. 132, de 2023)
Houve o acréscimo da “empresa pública prestadora de serviço postal”, em uma clara 
referência aos CORREIOS (ECT), de modo que se aplica a imunidade tributária recíproca, no que 
se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às 
delas decorrentes. Esse já era um entendimento do STF, que agora está constitucionalizado.
7 . A IMUNIDADE DAS ENTIDADES RELIGIOSAS E DOS 7 . A IMUNIDADE DAS ENTIDADES RELIGIOSAS E DOS 
TEMPLOS DE QUALQUER CULTO – REFORMA TRIBUTÁRIA TEMPLOS DE QUALQUER CULTO – REFORMA TRIBUTÁRIA 
(EC N. 132/2023)(EC N. 132/2023)
Dispõe a CF, art. 150, VI, b, com a redação dada pela EC n. 132/2023:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos 
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI – instituir impostos sobre:
b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e 
beneficentes;
(...)
§ 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, compreendem somente o patrimônio, a 
renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.
A compreensão do termo “culto” envolve a invocação de uma ou mais divindades, às quais 
se resolve cultuar coletivamente. Nesse contexto, o STF negou a aplicação da imunidade 
às lojas maçônicas.
A imunidade tributária conferida pelo art. 150, VI, b, é restrita aos templos de qualquer 
cultoreligioso, não se aplicando à maçonaria, em cujas lojas não se professa qualquer 
religião.
[RE 562.351, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 4-9-2012, 1ª T, DJE de 14-12-2012.]
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Essa imunidade é uma salvaguarda à liberdade de crença e da garantia de livre exercício 
dos cultos religiosos, assegurada proteção aos locais de culto e às suas liturgias, conforme 
se colhe do art. 5º, VI, da CF.
O § 4º do art. 150 da CF impõe vinculação à finalidade essencial da imunidade religiosa. 
Nesse sentido, são os seguintes precedentes do STF:
Recurso extraordinário. Constitucional. Imunidade tributária. IPTU. Art. 150, VI, b, 
CF/1988. Cemitério. Extensão de entidade de cunho religioso. Os cemitérios que 
consubstanciam extensões de entidades de cunho religioso estão abrangidos pela 
garantia contemplada no art. 150 da Constituição do Brasil. Impossibilidade da incidência 
de IPTU em relação a eles. A imunidade aos tributos de que gozam os templos de 
qualquer culto é projetada a partir da interpretação da totalidade que o texto da 
Constituição é, sobretudo do disposto nos arts. 5º, VI; 19, I; e 150, VI, b. As áreas da 
incidência e da imunidade tributária são antípodas.
[RE 578.562, rel. min. Eros Grau, j. 21-5-2008, P, DJE de 12-9-2008.]
Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. 
A imunidade prevista no art. 150, VI, b, da CF deve abranger não somente os prédios 
destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços “relacionados 
com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas”. O § 4º do dispositivo 
constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas b e c do inciso VI do art. 150 
da CF. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas.
[RE 325.822, rel. p/ o ac. min. Gilmar Mendes, j. 18-12-2002, P, DJ de 14-5-2004.]
O fato de os imóveis estarem sendo utilizados como escritório e residência de membros 
da entidade não afasta a imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, §4º, da 
Constituição Federal (STJ, Segunda Turma, Min. MARCO AURÉLIO, RE221.395-8/SP, 2000).
Com a Reforma Tributária (EC n. 132/2023), houve um notável alargamento das 
possibilidades de aplicação da imunidade constitucional. Primeiramente, embora já se 
compreendesse que se trata de uma imunidade subjetiva, acresceu-se ao termo “templos 
de qualquer culto” a expressão “entidades religiosas”. Ou seja, a imunidade é do templo e da 
própria entidade. Ademais, passa a alcançar as organizações assistenciais e beneficentes 
vinculadas à entidade religiosa.
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Vale dizer: se a entidade religiosa mantém um espaço de acolhimento de idosos, população 
vulnerável, órfãos, essa organização (subjetiva e objetivamente) será igualmente alcançada 
pela imunidade constitucional.
8 . IMPOSTO SOBRE A PRODUÇÃO, EXTRAÇÃO, 8 . IMPOSTO SOBRE A PRODUÇÃO, EXTRAÇÃO, 
COMERCIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMERCIALIZAÇÃO OU IMPORTAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS 
PREJUDICIAIS À SAÚDE OU AO MEIO AMBIENTE, NOS PREJUDICIAIS À SAÚDE OU AO MEIO AMBIENTE, NOS 
TERMOS DE LEI COMPLEMENTARTERMOS DE LEI COMPLEMENTAR
A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) abriu uma nova materialidade para a tributação, 
mediante o exercício de competência da União.
A União poderá criar, nos termos de lei complementar, um imposto incidente sobre 
a “produção, extração, comercialização ou importação” de “bens e serviços”, que sejam 
“prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente”.
A base é bastante larga (bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente), uma 
vez que basta atentar às embalagens dos produtos, que indicam “alto teor de açúcar”, “alto 
teor de sódio” etc. Será difícil dizer que um pacote de bolachas recheadas, com gordura 
saturada e alto teor de açúcar não é “prejudicial à saúde”. Pode-se dizer que um refrigerante 
não é “prejudicial à saúde”?
Além da base ser possivelmente extensa, os verbos relacionados a ela são igualmente 
amplos, alcançando praticamente todas as etapas da cadeia econômica: “produção, extração, 
comercialização ou importação”.
Existe mais um aspecto relevante a ser considerado: há a possibilidade de ser instituída 
uma bitributação jurídica (art. 153, § 6º, V – poderá ter o mesmo fato gerador e base de 
cálculo de outros tributos). Além dessa norma, há a seguinte previsão na Constituição 
Federal de regulação mínima para o futuro imposto:
Art. 153. [...]
(...)
VIII – produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde 
ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar.
(...)
§ 6º O imposto previsto no inciso VIII do caput deste artigo:
I – não incidirá sobre as exportações nem sobre as operações com energia elétrica e com 
telecomunicações;
II – incidirá uma única vez sobre o bem ou serviço;
III – não integrará sua própria base de cálculo;
IV - integrará a base de cálculo dos tributos previstos nos arts. 155, II, 156, III, 156-A e 195, V;
V – poderá ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de outros tributos;
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VI – terá suas alíquotas fixadas em lei ordinária, podendo ser específicas, por unidade de medida 
adotada, ou ad valorem;
VII – na extração, o imposto será cobrado independentemente da destinação, caso em que a 
alíquota máxima corresponderá a 1% (um por cento) do valor de mercado do produto.
Como a instituição dependerá de uma futura lei complementar, restará esperar o modo 
como o legislador regulamentará a temática.
9. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) NO 9. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) NO 
ITCMDITCMD
Em relação ao ITCMD, de modo imediato, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) estabelece 
o seguinte regramento:
Art. 155. [...]
II – relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado 
ode cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal;
VI – será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação;
VII – não incidirá sobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com 
finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de 
entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução 
dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar.
A primeira mudança está relacionada à incidência do ITCMD sobre o fato da transmissão 
de bens “causa mortis”, ou seja, com a morte do proprietário dos ativos a serem objeto 
da partilha.
O ponto alterado diz respeito ao destino do imposto, em relação a quem competirá o 
exercício da tributação para os casos de bens móveis, títulos e créditos: antes da Reforma, 
prioritariamente, a competência era do ente tributante onde se processava o inventário; 
agora, com a Reforma, será do ente tributante onde era domiciliado o de cujus. Vejamos 
um comparativo das redações:
ANTES DA REFORMA APÓS A REFORMA
O ITCMD relativamente a bens móveis, títulos e 
créditos compete ao Estado onde se processar 
o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o 
doador, ou ao Distrito Federal.
O ITCMD relativamente a bens móveis, títulos e 
créditos, compete ao Estado onde era domiciliado 
o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito 
Federal.
Nos termos do art. 17 da Reforma Tributária (EC n. 132/2023), a alteração acima só se 
aplicará às sucessões abertas a partir de 20 de dezembro de 2023.
Art. 17. A alteração do art. 155, § 1º, II, da Constituição Federal, promovida pelo art. 1º desta 
Emenda Constitucional, aplica-se às sucessões abertas a partir da data de publicação desta 
Emenda Constitucional.
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Portanto, não importa o local onde será processado o inventário. Hipoteticamente, 
pensemos em alguém que faleça tendo domicílio no DF, possuindo apenas bens móveis 
(ações negociadas em bolsa, dinheiro em depósito bancário, título do tesouro direto etc.), 
mas cujos herdeiros são domiciliados no Rio de Janeiro. Por uma questão de logística, 
os herdeiros resolvem processar o inventário no Rio de Janeiro (local de sua residência). 
Pela redação antiga, o imposto caberia ao Rio de Janeiro; pela redação nova, o imposto 
caberá ao DF.
A segunda alteração no regime do ITCMD está na permissão da progressividade em 
razão do valor do quinhão, do legado ou da doação, de modo que o tributo poderá variar de 
um modo a se adequar ao princípio da capacidade contributiva: quanto maior a grandeza 
tributável, maior o tributo. É um processo de progressividade tributária semelhante ao que 
ocorre com o imposto de renda, em relação às faixas de renda tributáveis e às respectivas 
alíquotas. Essa alteração também atende a um princípio expressado na reforma tributária, 
que é a de evitar que os tributos tenham efeitos regressivos. Adota-se a possibilidade de uma 
fixação de faixas de alíquotas do tributo que progridam em conformidade com o aumento 
da base de cálculo. Por exemplo, em heranças com valores até 100 mil, a alíquota será de 
1%. De 100,01 mil até 200 mil, a alíquota será de 2%. Assim em diante. O interessante da 
progressividade é que uma herança de 180 mil, nesse exemplo hipotético, vai pagar 1% de 
alíquota até 100 mil (1 mil reais), e 2% no que ultrapassar esse valor.
A terceira alteração diz respeito à criação de uma imunidade constitucional no art. 155, 
§ 1º, VII. A imunidade é específica para as doações. Quando o beneficiário ou o doador forem 
instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as 
organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e 
tecnológicos, o tributo não incidirá.
Por fim, há uma quarta alteração no regime do ITCMD, relativa ao fato da transmissão 
causa mortis, em um contexto no qual há bens situados no exterior, ou no contexto do fato 
da doação quando o doador for domiciliado no exterior. O artigo 16 da Reforma Tributária 
(EC n. 132/2023) regulamenta provisoriamente, enquanto não instituída lei complementar, 
o seguinte dispositivo constitucional:
Art. 155. [...]
§ 1º (...)
III – terá competência para sua instituição regulada por lei complementar:
a) se o doador tiver domicílio ou residência no exterior;
b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado 
no exterior;
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É importante destacar que essa foi uma questão objeto de intensos debates na 
jurisprudência, culminando com a edição da seguinte tese de repercussão geral pelo 
Supremo Tribunal Federal:
Tema n. 0825
Título: Possibilidade de os Estados-membros fazerem uso de sua competência legislativa 
plena, com fulcro no art. 24, § 3º, da Constituição e no art. 34, § 3º, do ADCT, ante 
a omissão do legislador nacional em estabelecer as normas gerais pertinentes à 
competência para instituir o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis ou Doação de 
quaisquer Bens ou Direitos – ITCMD, nas hipóteses previstas no art. 155, § 1º, III, a e 
b, da Lei Maior.
Descrição: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos arts. 24, I, e § 3º, e 
155, I, e § 1º, II e III, b, da Constituição Federal e do art. 34, § 3º e § 4º, do ADCT, a 
possibilidade de os Estados-membros fazerem uso de sua competência legislativa 
plena, com base no art. 24, § 3º, da CF e no art. 34, § 3º, do ADCT, ante a omissão do 
legislador nacional em estabelecer as normas gerais pertinentes à competência para 
instituir o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis ou Doação de quaisquer Bens ou 
Direitos – ITCMD, nas hipóteses previstas no art. 155, § 1º, III, a e b, da Lei Maior.
Foi firmada a seguinte Tese de repercussão geral: “É vedado aos estados e ao Distrito 
Federal instituir o ITCMD nas hipóteses referidas no art. 155, § 1º, III, da Constituição 
Federal sem a edição da lei complementar exigida pelo referido dispositivo constitucional”.
Esse contexto se refere à possibilidade de o ITCMD ser cobrado (também) no Brasil, em 
relação aos doadores domiciliados no exterior, ou nos casos de o de cujus possuir bens no 
exterior, lá ter sido domiciliado ou lá ter tido processado o seu inventário.
Imagine que uma tia, residente nos EUA, doe suas joias a uma sobrinha residente em São 
Paulo. Esse é um fato que se amolda à materialidade tributável pelo ITCMD: uma transmissão 
de bens móveis mediante o instituto da doação. Entretanto, não havia regulação para a 
referida incidência. Precisamos sempre repetir: a Constituição Federal não cria tributos; 
ela viabiliza as condições para a futura criação dos tributos.
Agora, na segunda hipótese, imagine alguém, residente nos EUA, que tem bens no Brasil 
e no exterior (ações, imóveis etc.). Vindo a falecer, seus herdeiros brasileiros, residentes 
no Brasil, abrem o inventário no estado de São Paulo. Não há, no entendimento do STF, a 
condição completa para a incidência de ITCMD sobre o fato da transmissão causa mortis 
dos bens existentes no exterior, ante a ausência de lei complementar.
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Assim, para esses dois pontos, o STF compreendeu que a incidência demanda a edição 
de lei complementar.
A Reforma Tributária, EC n. 132/2023, promove a seguinte regulamentação 
provisória do tema:
Art. 16. Até que lei complementar regule o disposto no art. 155, § 1º, III, da Constituição Federal, 
o imposto incidente nas hipóteses de que trata o referido dispositivo competirá:
I – relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, ao Estado da situação do bem, ou ao 
Distrito Federal;
II – se o doador tiver domicílio ou residência no exterior:
a) ao Estado onde tiver domicílio o donatário ou ao Distrito Federal;
b) se o donatário tiver domicílio ou residir no exterior, ao Estado em que se encontrar o bem ou 
ao Distrito Federal;
III – relativamente aos bens do de cujus, ainda que situados no exterior, ao Estado onde era 
domiciliado, ou, se domiciliado ou residente no exterior, onde tiver domicílio o sucessor ou 
legatário, ou ao Distrito Federal.
O objetivo do reformador foi o de viabilizar a tributação desses fatos, diante da 
repercussão geral do STF.
10. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 10. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 
NO IPVANO IPVA
Em relação ao IPVA, de modo imediato, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) estabelece 
o seguinte regramento:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
(...)
III – propriedade de veículos automotores.
(...)
§ 6º O imposto previsto no inciso III [ipva]:
(...)
II – poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo, do valor, da utilização e do impacto 
ambiental;
III – incidirá sobre a propriedade de veículos automotores terrestres, aquáticos e aéreos, 
excetuados:
a) aeronaves agrícolas e de operador certificado para prestar serviços aéreos a terceiros;
b) embarcações de pessoa jurídica que detenha outorga para prestar serviços de transporte 
aquaviário ou de pessoa física ou jurídica que pratique pesca industrial, artesanal, científica ou 
de subsistência;
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c) plataformas suscetíveis de se locomoverem na água por meios próprios, inclusive aquelas cuja 
finalidade principal seja a exploração de atividades econômicas em águas territoriais e na zona 
econômicaexclusiva e embarcações que tenham essa mesma finalidade principal;
d) tratores e máquinas agrícolas.
O IPVA agora poderá variar conforme o valor e o impacto ambiental do veículo automotor. 
Além disso, impactando a jurisprudência que existia, passará a poder incidir sobre aeronaves 
e embarcações, com as limitações agora previstas na Constituição Federal (na redação 
dada pela EC n. 132/2023).
A questão relativa às aeronaves e embarcações era um ponto de constante menção em 
aulas e manuais da disciplina. Vejamos que o chamado “fato signo presuntivo de riqueza” 
é a PROPRIEDADE, adjetivada do seguinte modo: “VEÍCULO AUTOMOTOR”. E o que vem a 
ser um veículo automotor? Podemos dizer que uma bicicleta, por mais cara que ela seja, 
não é um veículo automotor, uma vez que não se desloca por motorização própria. Em um 
outro exemplo, a força motora de uma carroça de burro não é automotora, afastando a 
possibilidade de uma futura tributação.
A Constituição Federal não cria tributos; ela permite que os tributos sejam criados na 
trilha das espécies, competências e materialidades que elenca. Confesso que eu nunca 
compreendi o motivo pelo qual o Poder Judiciário vedava a tributação das embarcações e 
das aeronaves automotoras.
Um planador, uma asa-delta, um barco movido pelo vento, um caiaque, efetivamente 
não poderiam ser tributados. Mas uma motonáutica não é um veículo automotor? Qual 
a diferença conceitual de uma lancha e um carro, senão tão somente o ambiente em que 
se desloca?
Portanto, salvo melhor juízo, a Constituição Federal sequer precisaria ter sido alterada – 
com o devido respeito aos precedentes, eles desconsideravam o conteúdo da materialidade 
aberta à tributação (o fato signo da riqueza, propriedade, em relação a veículos automotores).
A reforma corrige essa má leitura ou desvio de compreensão da expressão de riqueza 
que a Constituição abriu para ser tributada. Ademais, a reforma cria certas imunidades 
objetivas: alguns bens estarão fora da incidência.
Aeronaves e tratores agrícolas atendem à força política e econômica do agronegócio 
brasileiro. As plataformas estão relacionadas, muito provavelmente, à exploração de recursos 
naturais; a PETROBRAS, por exemplo, parece ser a beneficiária da imunidade objetiva 
atribuída a esses veículos. E as embarcações de transporte e de pesca artesanal parece ter 
por finalidade proteger pequenos pescadores e empresas que realizam transportes essenciais 
para determinadas áreas; basta pensar que Manaus depende bastante do transporte via 
rio, para o seu abastecimento.
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Pensar assim parece ficar mais fácil a memorização dessas exceções: agronegócio, 
exploração natural, pesca de subsistência e de pequena exploração econômica e transporte 
para áreas que dele dependem para o seu abastecimento.
Por fim, a questão da dosagem da tributação conforme o impacto ambiental do veículo 
automotor atende a um dos princípios que vieram enunciados na Reforma Tributária, que 
é o da utilização extrafiscal dos tributos como mecanismo de proteção ambiental.
11. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 11. IMPACTO DA REFORMA TRIBUTÁRIA (EC N. 132/2023) 
NO IPTUNO IPTU
Em relação ao IPTU, de modo imediato, a Reforma Tributária (EC n. 132/2023) estabelece 
o seguinte regramento:
Art. 156. [...]
§ 1º (...)
III – ter sua base de cálculo atualizada pelo Poder Executivo, conforme critérios estabelecidos 
em lei municipal.
Essa é uma questão que também já foi objeto de alguns pronunciamentos do Supremo 
Tribunal Federal. A base de cálculo do tributo da espécie imposto e de competência municipal, 
incidente sobre a grandeza econômica “propriedade”, especificamente a “territorial e predial 
urbana”, vem prevista no seguinte dispositivo do CTN:
Art. 33. A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel.
O valor venal costuma ser atualizado pelos municípios, por ato infralegal, mediante a 
aplicação dos índices inflacionários de correção monetária. Assim, a base de cálculo do IPTU 
pode ser atualizada, sem lei formal, de modo a recompor as perdas inflacionárias anuais. 
Vale dizer: nominalmente o valor aumenta, mas economicamente se compreende que é 
uma mera atualização monetária.
O STF definiu a questão ao julgar o Tema n. 211 da sua repercussão geral:
Tema n. 211 - Necessidade de lei em sentido formal para a atualização do valor venal 
de imóveis. Há Repercussão? Sim
Relator(a): MIN. GILMAR MENDES Leading Case: RE 648245
Descrição: Agravo de instrumento interposto contra decisão que inadmitiu recurso 
extraordinário em que se discute, à luz do art. 150, I, da Constituição Federal, a 
necessidade, ou não, de lei em sentido formal para fins de atualização do valor venal 
de imóveis para o cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU.
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Tese: A majoração do valor venal dos imóveis para efeito da cobrança de IPTU 
não prescinde da edição de lei em sentido formal, exigência que somente se 
pode afastar quando a atualização não excede os índices inflacionários anuais de 
correção monetária.
O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento sumulado no mesmo sentido 
(Súmula n. 160):
É defeso, ao município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior 
ao índice oficial de correção monetária.
A reforma passa a dispor que a lei municipal poderá estabelecer os critérios de atualização 
da base de cálculo do IPTU. A mera correção monetária da base de cálculo, nos termos 
da jurisprudência, já vinha sendo feita. O que a reforma faz é passar a permitir a efetiva 
recomposição real da base de cálculo por atos infralegais, desde que seguidas as diretrizes 
firmadas nas leis municipais – salvo melhor juízo.
Repito: uma coisa é a mera atualização monetária do valor; outra é a sua efetiva majoração 
ou aumento, para além da correspondência monetária dos índices oficiais e anuais de 
recomposição inflacionária da moeda.
12 . A CRIAÇÃO DO FUNDO NACIONAL DE 12 . A CRIAÇÃO DO FUNDO NACIONAL DE 
DESENVOLVIMENTO REGIONAL – EC N. 132/2023 DESENVOLVIMENTO REGIONAL – EC N. 132/2023 
(REFORMA TRIBUTÁRIA)(REFORMA TRIBUTÁRIA)
Com a finalidade de reduzir as desigualdades regionais e sociais, a Reforma Tributária (EC 
n. 132/2023) criou o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (art. 159-A da CF/1988).
O Fundo será composto de recursos entregues pela União aos Estados e ao Distrito Federal, 
com as seguintes finalidades: I – realização de estudos, projetos e obras de infraestrutura; 
II – fomento a atividades produtivas com elevado potencial de geração de emprego e renda, 
incluindo a concessão de subvenções econômicas e financeiras; e III – promoção de ações 
com vistas ao desenvolvimento científico e tecnológico e à inovação.
A Reforma Tributária de 2023 concedeu algumas características peculiares ao Fundo 
Nacional de Desenvolvimento Regional.
Em primeiro lugar, a União não poderá opor qualquer retenção ou restrição ao recebimento 
de recursos pelos estados e municípios.
Em segundo lugar, na mesma direção de uma forte tendência da Reforma (que é a 
cautela com o meio ambiente), na utilização dos recursos, os estados e o Distrito Federal 
priorizarão projetos que prevejam ações de sustentabilidade ambiental e redução das 
emissões de carbono.
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Em terceiro lugar, caberá ao Tribunal de Contas da União a responsabilidade de 
regulamentar e calcular os coeficientes individuais de participação, que serão calculados 
com base nos seguintes indicadores e com os seguintes pesos: I – população do Estado 
ou do Distrito Federal, com peso de 30% (trinta por cento); II – coeficiente individual de 
participação do Estadoou do Distrito Federal nos recursos de que trata o art. 159, I, “a”, 
da Constituição Federal, com peso de 70% (setenta por cento).
13 . PREVISÕES DE BITRIBUTAÇÃO JURÍDICA13 . PREVISÕES DE BITRIBUTAÇÃO JURÍDICA
A regra da VEDAÇÃO À BITRUBUTAÇÃO JURÍDICA passa a ter algumas exceções com a Reforma 
Tributária de 2023 (EC n. 132/2023). Agora a Constituição Federal passa a prever algumas 
hipóteses em que os entes tributantes exercem competência tributária compartilhadas.
É o caso do chamado IBS (imposto sobre bens e serviços), de competência compartilhada 
entre estados, Distrito Federal e municípios (Art. 156-A da Constituição Federal). As 
características e peculiaridades do novo imposto serão definidas em lei complementar.
Um outro caso de bitributação jurídica (repiso, que ocorre quando um ente tributante pode 
criar tributo com as mesmas materialidades, fatos geradores, de tributos da competência de 
outro ente tributante) prevista na Reforma Tributária de 2023 (EC n. 132/2023) envolve nova 
espécie de imposto federal. Trata-se do imposto sobre produção, extração, comercialização 
ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de 
lei complementar (Art. 153, VIII).
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
(...)
VIII – produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde 
ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar.
(...)
§ 6º O imposto previsto no inciso VIII do caput deste artigo:
I – não incidirá sobre as exportações nem sobre as operações com energia elétrica e com 
telecomunicações;
II – incidirá uma única vez sobre o bem ou serviço;
III – não integrará sua própria base de cálculo;
IV - integrará a base de cálculo dos tributos previstos nos arts. 155, II, 156, III, 156-A e 195, V;
V – poderá ter o mesmo fato gerador e base de cálculo de outros tributos;
VI – terá suas alíquotas fixadas em lei ordinária, podendo ser específicas, por unidade de medida 
adotada, ou ad valorem;
VII – na extração, o imposto será cobrado independentemente da destinação, caso em que a 
alíquota máxima corresponderá a 1% (um por cento) do valor de mercado do produto.
Merece destaque o inciso V do § 6º do art. 153: o imposto poderá ter o mesmo fato 
gerador e base de cálculo de outros tributos.
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14 . A SUBSTITUIÇÃO NO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO 14 . A SUBSTITUIÇÃO NO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO 
DOS BENS: CRIAÇÃO DO IBS (IMPOSTO SOBRE BENS E DOS BENS: CRIAÇÃO DO IBS (IMPOSTO SOBRE BENS E 
SERVIÇOS) E DA CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE SERVIÇOS) E DA CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 
BENS E SERVIÇOS)BENS E SERVIÇOS)
Embora tenha alterado pontualmente variados dispositivos constitucionais, como vimos 
anteriormente, a reforma tributária teve como principal objetivo promover uma substancial 
reformulação da tributação incidente sobre o consumo, bens e serviços.
Aqui vale novamente o alerta feito no início deste material: essa mudança de tributação 
no consumo será feita de modo gradual, incluindo uma fase inicial de “teste”.
Portanto, para concursos, tenham cautela ao dar relevância a aspectos normativos 
da reforma que ainda não estão em vigor, bem como para normas de transição de menor 
importância (para cobrança em concursos!).
Retirei do portal AGÊNCIA SENADO a seguinte imagem, que bem ilustra a substituição 
de tributos a incidirem sobre o consumo:
Outra imagem retirada do portal AGÊNCIA SENADO demonstra o período de transição 
do ICMS + ISS para o IBS:
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Portanto, haverá um período de “teste” antes da efetiva transição. Esse período de teste 
se inicia em 2026. A transição terá início em 2027 e tem prazo para ser concluída em 2033.
A extinção do ICMS e do ISS somente ocorrerá em 2033.
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Em relação ao PIS e à COFINS, bem como ao IPI, tributos federais, outra imagem da 
AGÊNCIA SENADO bem ilustra o impacto para eles:
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O IPI sobreviverá à Reforma, exclusivamente em razão da Zona Franca de Manaus. 
Entretanto, excluída sua utilização para o regime incentivado da ZFM, o IPI não mais incidirá 
a partir de 2027.
Do mesmo modo, o PIS e a COFINS serão extintos em 2027, no final do período de testes.
14.1 A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA COMPARTILHADA: IBS (IMPOSTO SOBRE 14.1 A COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA COMPARTILHADA: IBS (IMPOSTO SOBRE 
BENS E SERVIÇOS)BENS E SERVIÇOS)
A Reforma Tributária (EC n. 132/2023) inova no Direito Tributário ao prever a criação, 
por lei complementar, de imposto cuja competência chama de “compartilhada”.
A competência tributária é uma prerrogativa que a Constituição Federal dá aos entes 
federativos (União, Estados, DF, Municípios) para que se viabilizem financeiramente, mediante 
a criação dos seus próprios tributos.
Competência tributária é a prerrogativa de criar tributos. Capacidade tributária ativa é 
a prerrogativa de cobrar tributos, ocupando o polo ativo da relação obrigacional tributária 
como sujeito ativo.
A Constituição Federal, por obra da Reforma Tributária, passa a prever uma hipótese 
de competência tributária compartilhada:
Art. 156-A. Lei complementar instituirá imposto sobre bens e serviços de competência 
compartilhada entre Estados, Distrito Federal e Municípios.
O exercício dessa competência compartilhada, contudo, será limitado. Isso porque o 
IBS terá uma “legislação única e uniforme em todo o território nacional” (art. 156-A, IV), 
com a ressalva da fixação das alíquotas por cada ente federativo (art. 156-A, V: “cada ente 
federativo fixará sua alíquota própria por lei específica”).
14 .2 . O IBS SERÁ INFORMADO PELO PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE14 .2 . O IBS SERÁ INFORMADO PELO PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE
A Constituição Federal determina que o imposto seja “informado pelo princípio da 
neutralidade” (art. 156-A, §1º). Todos os tributos têm um duplo efeito: fiscal e extrafiscal. 
Vale dizer, respectivamente, que os tributos têm um efeito arrecadatório e causam impactos 
colaterais.
Há tributos que são marcadamente extrafiscais, quando se mostram mais relevantes 
como mecanismo de indução ou incentivo de comportamento, do que como mecanismo 
arrecadatório (fiscal). É o caso dos impostos de exportação e de importação, cujo manuseio 
e alterações promovidas pela União têm por finalidade principal interferir na política 
macroeconômica.
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Já o imposto de renda tem uma característica marcadamente fiscal. É um dos principais 
instrumentos de carreamento de recursos para os cofres públicos. Isso não significa que 
o imposto de renda não possa ser utilizado como mecanismo extrafiscal. Quando a União 
instituiu uma isenção de imposto de renda até determinado valor, ou para proventos 
percebidos por portadores de neoplasia maligna, há a utilização do imposto como um 
mecanismo de distribuição de renda e humanitário.
Pois bem. Dizer que um tributo será neutro é dizer que ele terá como objetivo não 
interferir na decisão dos agentes econômicos, ou não induzir, não estimular, ou não determinar 
decisões econômicas. Ser “informado” pela neutralidade é uma determinação constitucional 
para que o IBS não seja um mecanismo de política econômica, ou de política extrafiscal.
Com isso, a Constituição busca “isolar” ou “neutralizar” o tributo de qualquer utilização 
com finalidade “colateral” ou extrafiscal.
14 .3 . O REGRAMENTO CONSTITUCIONAL PARA O IBS14 .3 . O REGRAMENTO CONSTITUCIONAL PARA O IBS
A regulação do IBS virá em uma futura lei complementar.Entretanto, há um regramento 
mínimo estabelecido na Constituição Federal, que parametriza um conteúdo mínimo 
do tributo.
O regramento mínimo do imposto vem elencado no extenso artigo 156-A. Vejamos aqui 
quais são suas principais características constitutivas.
A primeira delas, que merece destaque, é que o IBS passa a ser calculado “por fora”, 
ou seja, sem integrar a sua própria base de cálculo (art. 156-A, §1º, IX: “não integrará sua 
própria base de cálculo”). Comparativamente, o ICMS é calculado por dentro (art. 155, § 2º, 
XII, i: “cabe à lei complementar fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto 
a integre”). Isso significa que o tributo passará a ser calculado de um modo mais claro e 
simples. Trata-se de uma significativa alteração, se compararmos ao regime de cálculo e 
apuração do ICMS. Inclusive, indo ao encontro dessa finalidade, o inciso XIII determina que 
o IBS, “sempre que possível, terá seu valor informado, de forma específica, no respectivo 
documento fiscal”.
Outro ponto que merece destaque é a amplitude da base tributável. A Constituição 
Federal deixa claro que a materialidade do imposto alcança as “operações com bens materiais 
ou imateriais, inclusive direitos, ou com serviços” (art. 156-A, §1º, I). A tributação de bens 
imateriais espanca diversos problemas para a tributação, gerando uma isonomia para a 
incidência do tributo sobre a atividade econômica.
A pretensão do atingimento da isonomia na incidência sobre a base tributária mais 
ampla fica clara na previsão do art. 156-A, § 1º, segundo a qual a alíquota fixada pelo ente 
federativo na forma será a mesma para todas as operações com bens materiais ou imateriais, 
inclusive direitos, ou com serviços, ressalvadas as hipóteses previstas na Constituição.
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Dentro da perspectiva de neutralidade e para evitar a famosa “guerra fiscal”, a Constituição 
Federal determina que o IBS não será objeto de concessão de incentivos e benefícios 
financeiros ou fiscais relativos ao imposto ou de regimes específicos, diferenciados ou 
favorecidos de tributação, excetuadas as hipóteses previstas na Constituição (art. 156-
A, §1º, X).
No demais, o imposto seguirá muitas das normas que já estão estabelecidas para o 
ICMS: não cumulatividade, imunidade nas operações para o exterior, o não aproveitamento 
dos créditos nos casos de isenção e de imunidade.
Vamos aguardar a edição da lei complementar para o tributo, de modo a poder discorrer 
sobre a sua incidência de maneira completa.
É importante destacar que o tributo começará uma fase de testes somente em 2026.
14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)14.4. A CSBS (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BENS E SERVIÇOS)
A Constituição Federal passou a prever uma nova contribuição no rol do art. 195:
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, 
nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(...)
V – sobre bens e serviços, nos termos de lei complementar.
A Constituição Federal espelha a maior parte do regramento do IBS para a CBS (art. 
195, § 16). Do mesmo modo, deve-se aguardar a regulação mediante lei complementar 
para mais considerações sobre o imposto – que, assim como o CBS, não terá incidência 
imediata, mas apenas a partir de 2026.
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	Sumário
	Reforma TributáriaTudo o que Você Precisa Saber
	1. Considerações Gerais sobre a Reforma Tributária
	2. Os Princípios Tributários Expressos na Reforma Tributária (EC n. 132/2023)
	3. Os Objetivos Centrais da Reforma Tributária e a Atenuação de Efeitos Regressivos
	4. A Nova Contribuição de Custeio, a Expansão e a Melhoria do Serviço de Iluminação Pública e de Sistemas de Monitoramento para Segurança e Preservação de Logradouros Públicos
	5. Previsão na Reforma Tributária (EC n. 132/2023) de Alíquota Zero
	6. Condicionante para o Gozo da Imunidade Recíproca
	7. A Imunidade das Entidades Religiosas e dos Templos de Qualquer Culto – Reforma Tributária (EC n. 132/2023)
	8. Imposto sobre a Produção, Extração, Comercialização ou Importação de Bens e Serviços Prejudiciais à Saúde ou ao Meio Ambiente, nos Termos de Lei Complementar
	9. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no ITCMD
	10. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPVA
	11. Impacto da Reforma Tributária (EC n. 132/2023) no IPTU
	12. A Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional – EC n. 132/2023 (Reforma Tributária)
	13. Previsões de Bitributação Jurídica
	14. A Substituição no Sistema de Tributação dos Bens: Criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CSBS (Contribuição Social sobre Bens e Serviços)

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