Prévia do material em texto
RELATO DE CASO PULPITE IRREVERSÍVEL ASSINTOMÁTICA (ARIAL 14) Ivana Agnoletto SOUZA, João Victor F CANEDO 27153789 / Letícia DANTAS 39278867, (Arial 9) Resumo A polpa dental é um tecido conjuntivo altamente vascularizado e inervado, essencial para a vitalidade dentária, desempenhando funções sensoriais, formativas e imunológicas. Frente a estímulos agressivos, como cáries profundas e traumas, pode ocorrer inflamação pulpar, que, quando persistente e intensa, evolui para pulpite irreversível, condição frequentemente assintomática e de difícil diagnóstico clínico. A revisão da literatura, com base em autores como Lopes et al. (2015) e Hargreaves e Berman (2016), evidencia que a ausência de dor não indica saúde pulpar, sendo comum que o processo inflamatório avançado esteja presente mesmo sem manifestações clínicas perceptíveis. O objetivo deste trabalho foi discutir os principais aspectos da pulpite irreversível assintomática, incluindo etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. A metodologia adotada consistiu em revisão bibliográfica de obras clássicas e atuais em Endodontia. Os resultados mostraram que o diagnóstico correto requer associação de testes clínicos, exames radiográficos e atenção a sinais indiretos, como alteração de cor do dente e lesões periapicais. Na discussão, destaca-se que a detecção incidental em exames de rotina reforça a necessidade de uma abordagem minuciosa mesmo diante de dentes assintomáticos. O diagnóstico precoce permite a adoção de condutas terapêuticas adequadas, evitando complicações como necrose total da polpa e infecções periapicais. Conclui-se que a pulpite irreversível assintomática representa um desafio clínico relevante na prática endodôntica e que o conhecimento aprofundado do profissional, aliado à interpretação criteriosa dos exames, é fundamental para a identificação e manejo eficaz dessa condição silenciosa e progressiva. Abstract Dental pulp is a richly vascularized and innervated connective tissue essential for tooth vitality, performing sensory, formative, and immunological functions. When exposed to aggressive stimuli such as deep caries, trauma, or extensive restorative procedures, it may undergo inflammation, potentially progressing to irreversible pulpitis—a persistent and intense condition marked by the pulp’s inability to recover. This condition is often asymptomatic, posing a diagnostic challenge since pulp degeneration may occur without pain. Literature reviewed, including works by Lopes et al. (2015) and Hargreaves & Berman (2016), emphasizes that the absence of pain does not equate to pulpal health, and inflammation may be advanced despite the lack of clinical symptoms. This study aimed to discuss the key aspects of asymptomatic irreversible pulpitis, including its etiology, pathophysiology, diagnosis, and therapeutic approaches. The methodology involved a literature review of classical and contemporary sources in Endodontics. Findings show that accurate diagnosis requires careful clinical evaluation, vitality tests, and periapical radiographs, along with attention to indirect signs such as tooth discoloration, prolonged sensitivity to thermal stimuli, or periapical lesions in asymptomatic teeth. The discussion highlights the frequent incidental diagnosis during routine exams, reinforcing the importance of detailed clinical assessment. Early diagnosis enables appropriate therapeutic interventions, preventing progression to total pulp necrosis and periapical infection. In conclusion, asymptomatic irreversible pulpitis presents a significant clinical challenge in endodontic practice. The professional’s deep knowledge, combined with critical interpretation of diagnostic tests, is essential for effective identification and management of this silent and progressive condition. 4 4 Introdução A polpa dental, um tecido conjuntivo ricamente vascularizado e inervado, é responsável pela vitalidade do dente, desempenhando funções sensoriais, formativas e imunológicas. Quando submetida a estímulos agressivos, como cáries profundas, traumas ou procedimentos restauradores extensos, a polpa pode responder com inflamação, caracterizando a pulpite (Lopes et al., 2015). A evolução dessa condição pode culminar na pulpite irreversível, uma inflamação intensa e persistente, que leva à perda da capacidade de recuperação do tecido pulpar. A forma assintomática dessa condição representa um desafio clínico, pois, apesar da ausência de dor, a degeneração pulpar já é irreversível (Lopes et al., 2015). A dificuldade no diagnóstico da pulpite irreversível assintomática reside justamente na ausência de sintomas clínicos evidentes. Embora o paciente não relate dor, a polpa encontra-se comprometida e, muitas vezes, já em processo de necrose. Segundo Hargreaves e Berman (2016), autores da renomada obra Caminhos da Polpa, o diagnóstico correto exige uma análise criteriosa de exames clínicos, testes de vitalidade e radiografias periapicais. A falta de dor não pode ser interpretada como ausência de doença, pois o processo inflamatório pode estar avançado, mesmo sem manifestações clínicas visíveis. Além disso, a literatura destaca que, em muitos casos, a polpite irreversível assintomática é identificada de forma incidental durante tratamentos restauradores ou em exames radiográficos de rotina (Lopes et al., 2015). Essas situações reforçam a importância do exame clínico detalhado e da atenção aos sinais indiretos, como alteração na coloração dentária, sensibilidade prolongada a estímulos térmicos ou presença de lesão periapical mesmo em dentes assintomáticos. O diagnóstico precoce evita a progressão da doença para estágios mais severos, como necrose total da polpa e infecção periapical (Hargreaves & Berman, 2016). Este trabalho tem como objetivo discutir os principais aspectos da pulpite irreversível assintomática, abordando sua etiologia, fisiopatologia, diagnóstico e condutas terapêuticas indicadas. Serão utilizados autores clássicos e contemporâneos da Endodontia, como Hélio Pereira Lopes e os autores de Caminhos da Polpa, para embasar o conteúdo com respaldo científico sólido, além de destacar a relevância do diagnóstico precoce e da conduta clínica eficaz frente a essa condição silenciosa e progressiva. Revisão de literatura A pulpite irreversível é uma inflamação da polpa dentária que, mesmo na ausência de sintomas clínicos evidentes, pode estar em estágio avançado, o que caracteriza a forma assintomática dessa condição. Segundo Lopes et al. (2015), mesmo quando não há dor espontânea, a inflamação pode estar presente em nível microscópico, comprometendo a vitalidade pulpar. Essa forma de manifestação dificulta o diagnóstico clínico, tornando essencial a utilização de testes térmicos e elétricos, além da interpretação criteriosa de radiografias. De acordo com Hargreaves e Berman (2016), na obra Caminhos da Polpa, a resposta da polpa a estímulos nocivos é inicialmente reversível, mas quando não tratada, pode evoluir para um processo irreversível, mesmo sem sintomas perceptíveis pelo paciente. Essa evolução é caracterizada por uma inflamação persistente, com presença de infiltrado inflamatório, alteração vascular e dano celular irreparável. O diagnóstico diferencial entre uma pulpite reversível e uma irreversível assintomática é um dos maiores desafios da prática clínica. Estudos recentes demonstram que fatores como profundidade da lesão cariosa, proximidade da câmara pulpar e presença de exposição pulpar são preditores importantes de inflamação pulpar irreversível (Silva et al., 2021). Entretanto, esses fatores não garantem, por si só, o diagnóstico, exigindo uma abordagem combinada entre exame clínico, radiográfico e histórico do paciente. Lopes et al. (2020) reforçam que, muitas vezes, mesmo em dentes assintomáticos, a pulpa já se encontra irreversivelmente comprometida, o que justifica a necessidade de tratamento endodôntico. A fisiopatologia da pulpite envolve uma resposta inflamatória mediada por liberação de citocinas, prostaglandinas e metaloproteinases,que contribuem para a degradação progressiva do tecido pulpar (Hahn & Liewehr, 2007). Essas alterações acontecem mesmo na ausência de dor clínica, sendo detectáveis apenas por exames histológicos. De acordo com Bergenholtz (2006), o aumento da pressão interna na câmara pulpar devido ao processo inflamatório pode levar à isquemia e necrose, comprometendo ainda mais o prognóstico do dente. Por fim, as opções terapêuticas indicadas para a pulpite irreversível assintomática são semelhantes às adotadas para casos sintomáticos: a remoção completa da polpa inflamada, por meio da pulpectomia e subsequente tratamento endodôntico. De acordo com Aguilar & Linsuwanont (2011), em casos muito selecionados, pode-se considerar terapias conservadoras, como a pulpotomia, quando há diagnóstico preciso e materiais bioativos disponíveis. No entanto, como enfatiza Hélio Pereira Lopes (2015), o tratamento mais seguro é a intervenção endodôntica completa, a fim de evitar complicações como necrose total e lesões periapicais. Relato do caso Paciente do sexo masculino G.W.S. de 65 anos já tinha iniciado seu tratamento na clínica escola UDF, se apresentou a clínica Integrada IV com queixa de dor moderada, provocada ao dente 15, que apresentava uma destruição coronária extensa. Apresentou resposta positiva e prolongada ao teste frio, positiva ao teste de percussão horizontal e negativa ao teste de percussão vertical. Para a adequação do meio, periodontia e endodontia foram necessárias. Foi realizada a raspagem supragengival em todos os sextantes, bem com, uma raspagem subgengival do segundo sextante. Alem disso, foi realizada a biopulpectomia do elemento 15 sendo realizada radiografia periapical inicial, acesso coronário com broca esférica 1014, broca 3082 e endo Z, exploração com lima #10, preparo do terço cervical e médio com a lima mecanizada do tipo TKD X-GRAY, odontometria com o localizador apical (CRT-21mm), preparo químico mecânico com limas mecanizadas tipo TKD X-GRAY , medicação com pasta de hidróxido de cálcio PA e na ultima sessão será obiturado com cone de guta-percha 30.05, cimento de hidróxido de cálcio + resina composta. Figura 1 Radiografia Inicial Figura 2 Acesso coronário Figura 3 Odontometria Resultados e Discussão A condução do presente caso clínico proporcionou uma compreensão aprofundada da complexidade envolvida no diagnóstico e tratamento da pulpite irreversível assintomática. A partir dos exames realizados e da resposta clínica do paciente, foi possível confirmar que, mesmo na ausência de dor espontânea, havia sinais compatíveis com comprometimento pulpar irreversível. A resposta prolongada ao teste de sensibilidade térmica e a presença de destruição coronária extensa foram determinantes para a definição do diagnóstico. Esses achados corroboram as observações de Lopes et al. (2015), que enfatizam a existência de inflamação significativa mesmo em dentes assintomáticos. A literatura consultada, especialmente os estudos de Hargreaves e Berman (2016), ressalta que o diagnóstico de pulpite irreversível deve se basear em uma análise integrada de testes clínicos e exames radiográficos, e não exclusivamente na presença de dor. O caso analisado confirmou essa perspectiva, demonstrando que a ausência de dor não é um indicativo confiável de saúde pulpar. A sintomatologia provocada, aliada aos exames clínicos, foi fundamental para a escolha da conduta terapêutica. Nesse sentido, os achados clínicos do presente trabalho reforçam os critérios diagnósticos propostos pela literatura especializada. Embora autores como Aguilar & Linsuwanont (2011) sugiram que, em casos muito específicos, intervenções conservadoras como a pulpotomia podem ser eficazes, os achados clínicos e radiográficos deste caso não sustentavam tal abordagem. O grau de destruição coronária e o comprometimento do tecido pulpar apontaram para a necessidade de tratamento endodôntico completo, seguido por reabilitação protética. Esse posicionamento vai ao encontro da abordagem proposta por Lopes (2015), que defende a remoção total da polpa em casos onde a reversibilidade da inflamação já está comprometida. Por fim, considerando a destruição estrutural significativa do elemento 15, optou-se por um plano de reabilitação que inclua a instalação de um pino intra-radicular e posterior confecção de uma coroa protética. Essa conduta visa restaurar a função e a estética do dente tratado, garantindo sua longevidade na cavidade bucal. Dessa forma, o presente trabalho não apenas confirmou a relevância do diagnóstico precoce e do tratamento endodôntico em casos assintomáticos, como também destacou a importância de um planejamento restaurador adequado para a completa reabilitação do paciente, em conformidade com os princípios da odontologia restauradora contemporânea. Conclusão A análise do caso clínico permitiu observar, na prática, os desafios descritos na literatura quanto ao diagnóstico da pulpite irreversível assintomática. Apesar de o paciente relatar dor provocada e não espontânea, os sinais clínicos e testes diagnósticos – como a resposta prolongada ao teste de frio e a positividade à percussão horizontal – apontavam para um quadro de comprometimento pulpar severo. Esses achados confirmam a afirmação de Lopes et al. (2015) de que a degeneração pulpar pode estar presente mesmo na ausência de dor espontânea, exigindo uma avaliação criteriosa e multidimensional por parte do profissional. Durante a investigação clínica e radiográfica, foi possível constatar a presença de uma destruição coronária extensa no dente 15, com necessidade de intervenção endodôntica imediata. A literatura consultada, especialmente os autores Hargreaves e Berman (2016), corrobora essa conduta, ao enfatizar que o diagnóstico da pulpite irreversível não deve se basear apenas na sintomatologia dolorosa, mas sim na análise integrada de diversos sinais clínicos e radiográficos. No caso relatado, o tratamento indicado foi a biopulpectomia, o que se mostrou coerente com os protocolos estabelecidos para casos confirmados de pulpite irreversível. Entretanto, é importante destacar que, embora a literatura reconheça a possibilidade de tratamentos conservadores, como a pulpotomia com materiais bioativos (Aguilar & Linsuwanont, 2011), no presente caso essa abordagem não seria viável devido à condição avançada do tecido pulpar e à destruição estrutural do dente. Essa constatação reforça o posicionamento de Lopes (2015), que defende a segurança da intervenção endodôntica completa frente a quadros mais comprometidos, evitando assim complicações como necrose total e lesões periapicais futuras. Dessa forma, o confronto entre a teoria e a prática clínica demonstrou que, embora a pulpite irreversível assintomática represente um desafio diagnóstico relevante, é possível identificá-la de forma eficaz por meio de uma abordagem cuidadosa e bem fundamentada. O caso clínico analisado reforça a importância do conhecimento teórico sólido, aliado à habilidade de interpretação dos exames complementares, para garantir o diagnóstico precoce e a escolha terapêutica mais adequada. Conclui-se que a atuação criteriosa do profissional é essencial para o sucesso do tratamento e a preservação da saúde bucal do paciente, mesmo diante de condições clínicas silenciosas. Referência bibliográficas 1. Lopes HP, Siqueira JF Jr, Elias CN, Estrela C, Figueiredo JAP. Endodontia: Biologia e Técnica. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2015. 2. Hargreaves KM, Berman LH. Caminhos da Polpa. 11ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2016. 3. Silva LD, Andrade MG, Soares AJ. Diagnóstico diferencial entre pulpite reversível e irreversível: revisão de literatura. Rev Bras Odontol. 2021;78(1):45–50. 4. Hahn CL, Liewehr FR. Innate immune responses of the dental pulp to caries. J Endod. 2007;33(6):643–51. 5. Bergenholtz G. Pathogenic mechanisms in pulpal disease. J Endod. 2006;32(5):409–17. 6. Aguilar P, Linsuwanont P. Vital pulp therapy in vital permanent teeth with cariously exposed pulp: a systematic review. J Endod. 2011;37(5):581–7.image1.jpg image2.jpg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg