A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
20 pág.
URBANISMO - EVOLUÇÃO DO CONCEITO

Pré-visualização | Página 3 de 7

por estrelas onde se 
irradiam numerosos caminhos. Essas estrelas das florestas de caça são transportadas 
para a cidade e se transformam no modelo dos entroncamentos urbanos. 
 
Ainda segundo o mesmo autor (Jean Harouel, 1998), foi Alberti (século XV), 
inspirado na cultura antiga, que inseriu no contexto urbano a voluptas, segundo a qual, a 
cidade devia não somente ser cômoda mas também bela. Em seu tratado de urbanismo, 
De re aedificatoria, assim como em suas obras arquitetônicas, ele traduz as aspirações 
de sua época urbana nos moldes da antiguidade, aparecendo pela primeira vez a idéia de 
que a estrutura de um edifício ou de uma cidade pode depender de um conjunto de 
considerações racionais que possuem sua lógica própria. 
 
Filarete, o inventor de traçados urbanos revolucionários, com tratados de 
arquitetura, o
 
Sforzinda (condotero François Sforza), concebeu o plano radial e concêntrico 
para a cidade ideal. Seu desenho tem uma forma de estrela de oito pontas, portando um 
polígono de 16 lados, com 16 ruas radiadas que convergem para a praça central onde está 
edificado o palácio do soberano, acrescentando-se a este conjunto praças secundárias e 
uma grande rua formando um anel. 
 
A idéia de Filarete é retomada e adaptada por Francesco de Giogio Marini, artista e 
engenheiro de Siena. No seu tratado ele admite o plano como dependente do sítio civil e 
militar, adaptado ao terreno sobre uma colina, quadriculada para uma cidade plana 
estabelecida ao lado de um rio. Mas a cidade ideal é um octógono regular que possui no 
centro uma praça octogonal de onde irradiam oito ruas cortadas por vias circulares 
concêntricas ao seu traçado. 
Página 6 de 20Universidade Federal da Bahia – MEAU
31/3/2007file://D:\trabalhos\37.htm
Enciclopédia Biosfera, N.01, 2005 ISSN 1809-0583
 
Os arquitetos italianos do século XVI, alunos de Bramante, Fra Giocondo e 
Cesariano, elaboram um projeto de cidade ideal circular com duas muralhas, com ruas 
radiadas e no centro, um grande monumento redondo, com valor estético relevante, para o 
qual poderão convergir os olhares da cidade. 
 
Na segunda metade do século, os arquitetos Vasari e Scamozzi, procuram combinar 
esse princípio de centralidade com o retorno aos traçados ortogonais. As ruas se cortam 
em ângulos retos e a praça central possui a forma de um quadrado ou de um retângulo. 
 
No início do século XVI, a utopia de Thomas More, caracteriza-se como uma 
“modelagem espacial” de uma realidade futura desejada, num modelo de organização do 
espaço suscetível de ser realizado, tendo a capacidade de formar o mundo natural 
instaurando espaços que antes não existiam. Torna-se necessário insistir sobre a 
padronização do espaço construído, urbano e rural. Suas cidades são edificadas sobre o 
mesmo plano e oferecem o mesmo aspecto, de valor universal cuja reprodução é 
desejável em todo lugar e em qualquer época. More atribui ao seu modelo espacial uma 
virtude terapêutica, assegurando a passagem de sociedades existentes não muito 
corrompidas a sociedades virtuosas. 
 
Nos séculos XVII e XVIII, encontra-se uma nova fase da evolução do urbanismo, 
essencialmente dominado pela influência francesa, que substitui a italiana. As 
preocupações de ordem prática, quanto a limitação do número de habitantes por cidade 
(Paris com 500 mil habitantes) e a legislação real, que, contudo, não são respeitadas, 
havendo um crescimento de novas moradias ao longo das estradas que partem de uma 
cidade para outra. No interior das cidades existe a liberdade do modelo da escolha do tipo 
da moradia (mansões); nos subúrbios, só são autorizadas construções de casas baixas e 
com frente para as ruas já existentes, delimitando a extensão longitudinal das vias de 
comunicação. 
 
As motivações do poder baseiam-se numa análise dos perigos do gigantismo 
urbano. São evocadas às dificuldades de abastecimento e o aumento de preço das 
mercadorias, o distanciamento dos diversos bairros que impedem as facilidades de 
comunicação. Encontra-se aí, o processo da grande cidade moderna. 
 
Aparecem nesta época as exigências de salubridade: a circulação do ar, fluido vital, 
tem que ser assegurada pelo alargamento das ruas e limitação das alturas das casas; a 
existência dos jardins, que são destruídos pelas novas construções, dando lugar a 
limitados jardins públicos e particulares; a higienização urbana: pavimentação das ruas, 
criação de um sistema de esgotos; atividades poluidoras tais como os matadouros, 
Página 7 de 20Universidade Federal da Bahia – MEAU
31/3/2007file://D:\trabalhos\37.htm
Enciclopédia Biosfera, N.01, 2005 ISSN 1809-0583
curtumes e fundições de gordura; as prisões e hospitais, os quais eram também 
considerados pelos administradores e higienistas como insalubres e outras edificações tais 
como câmaras municipais, palácios de justiça, hotéis, mercados e igrejas. 
 
O abastecimento de água se torna crítico: os processos de adução e a construção 
dos reservatórios multiplicaram-se nas cidades. Surge a necessidade de bombas 
hidráulicas. Na França o engenheiro de pontes e açudes, Perronet, propõe um sistema de 
aquedutos que permite captar as águas dos rios. Em Paris, os irmãos Perrier, em 1777, 
recebem o privilégio de exclusividade de abastecimento por bombas a vapor, por 15 anos. 
A idéia de captação fluvial triunfa no início do século XIX. 
 
Segundo Pedro Vasconselos (1999) entre 1810 e 1869, o contexto urbano sofre a 
influência remota da independência americana (1776), da revolução industrial iniciada em 
1760, da hegemonia da economia inglesa, das transformações tecnológicas, com o 
surgimento de duas novas classes sociais: operária e patronal, com o nascimento da 
Sociologia e da primeira cadeira de Geografia em Sorbonne, com documentários em forma 
de enciclopédias sobre várias cidades do mundo, “Geografias Universais”, em especial o 
destaque para o estudo realizado por Alexander Von Humbolt sobre a cidade do México. 
 
Além deste grandioso estudo podemos citar outras similares nas quais seus autores 
deram importantes contribuições para a evolução do Urbanismo moderno: 
 
•
 Robert Owen realizou experiências na construção de cidades isoladas para 
operários, considerando que os mesmos eram ignorantes e deviam ser educados 
isoladamente, em pequenos núcleos urbanos distantes do centro; 
 
 
•
 Charles Fourier propôs a existência dos “falestérios”, ou edifícios destinados à 
falange, mais tarde, Victor Considerant, aprimorou a proposta de Fourier, adotando 
a mesma como solução para a cidade do Texas; 
 
•
 Etienne Cabert, advogado e deputado, organizou nos Estados Unidos um modelo 
de cidade ideal, caracterizada por uma uniformidade extrema; 
 
•
 Karl Marx em conjunto com Friedrich Engels, socialistas revolucionários, iniciaram 
o processo de formulação quanto à concepção materialista da história. Trabalharam 
em escala regional destacando as relações entre cidade e campo. Tiveram a 
preocupação de tratar a questão urbana, sobretudo a partir da crítica das condições 
habitacionais dos trabalhadores, colocando a impossibilidade de resolução das 
questões urbanas dentro do quadro do capitalismo; 
 
Página 8 de 20Universidade Federal da Bahia – MEAU
31/3/2007file://D:\trabalhos\37.htm
Enciclopédia Biosfera, N.01, 2005 ISSN 1809-0583
•
 Ildefonso Cerda Y Sunyer, arquiteto e engenheiro, foi o autor da proposta do 
Plano de Extensão de Barcelona ( 1857), escreveu, em 1867, a Teoria Geral da 
Urbanização, sendo considerado o inventor da palavra Urbanismo e seu primeiro 
teórico. 
 
Segundo Vasconcelos (1999), entre 1870 e 1913, considerada a segunda fase da 
Revolução Industrial, houve a difusão da industrialização na Europa Ocidental, América do 
Norte e Japão, resultando