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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIIRO INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA ANALÍTICA IC 667 - QUÍMICA ANALÍTICA I EQUILÍBRIO IÔNICO EM SOLUÇÃO AQUOSA (Desvendando a metodologia de cálculo, a representação gráfica no estudo do equilíbrio químico em solução aquosa e a estequiometria de soluções em solução aquosa) Texto de apoio bibliográfico Cristina Maria Barra 2023 IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 1 EQUILÍBRIO IÔNICO EM SOLUÇÕES AQUOSAS 1 INTRODUÇÃO Até onde uma reação química acontece? O que é o estado equilíbrio? Todos já estudaram que a reação pode ser completa (quase), de tal modo que quase nenhum traço remanescente de material de partida pode ser detectado. Ou o inverso, em que a reação quase não acontece, e apenas traços de produtos detectáveis são formados. A extensão com que a reação acontece pode depender de muitas condições experimentais, incluindo a temperatura, a pressão, a identidade e as propriedades do solvente, a natureza e a concentração de qualquer eletrólito presente, a acidez da solução, etc. Algumas reações são quase instantâneas, enquanto outras se arrastam por dias ou séculos. Porém, independentemente de quão complicado seja o mecanismo da reação, as propriedades do sistema em equilíbrio são independentes do caminho que percorrem as substâncias reagentes para converter-se em produto da reação. Daí tem-se o estado de equilíbrio, determinada pela razão entre produtos e reagentes, para o sistema reacional a partir da reação total (Lei de ação das massas). Esta razão é denominada constante de equilíbrio, e se refere somente ao estado final do sistema, denominado de estado de equilíbrio. Na Tabela 1 têm-se exemplos típicos de reações em equilíbrio em solução aquosa e suas respectivas constantes de equilíbrio, e que são estudadas em Química Analítica. Destas classes, apenas o equilíbrio ácido-base será abordado na Química Analítica I, em toda a sua extensão, pois pode ser estudado de forma independente das demais classes de equilíbrio. Os outros equilíbrios serão abordados em Química Analítica II. São eles os equilíbrios de complexação, de solubilidade e de oxidação-redução, que, geralmente, são acompanhados de reações ácido-base. Por exemplo, em equilíbrios de solubilidade, raramente pode se aplicar equilíbrio de solubilidade para um composto pouco solúvel em água, sem levar em conta os outros equilíbrios, que sempre estão presentes. Os exemplos de equilíbrio de solubilidade de sais pouco solúveis que não reagem com água e nem formam complexos, são poucos, tal como: BaSO4, SrSO4, PbSO4, que são exemplos raros, em que o equilíbrio de solubilidade pode ser estudado isoladamente. A solubilidade do AgCl, por exemplo, composto normalmente IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 2 utilizado como introdução ao estudo da solubilidade, em um cálculo mais exatos, é acompanhada de uma fraca formação de cloro-complexos de prata em soluções clorídricas, quando predomina o íon comum Cl-, como vai se poder verificar no estudo do equilíbrio de solubilidade envolvendo a formação de complexos. O equilíbrio de oxidação-redução, da mesma forma, na maioria dos casos, também deve ser estudado considerando equilíbrios simultâneos de solubilidade e de formação de íons complexos. Tabela 1 – Exemplos de diferentes reações em equilíbrio e suas respectivas constantes de equilíbrio. Assim, neste texto, o estudo do equilíbrio iônico em solução aquosa deverá ser abordado, na medida do possível, como um conjunto de equilíbrios simultâneos no qual serão consideradas as diferentes condições de equilíbrio e as relações entre as concentrações das espécies, de acordo com as constantes dos equilíbrios envolvidos. A metodologia mais apropriada para os cálculos de equilíbrio iônico em solução aquosa, consiste no tratamento matemático, que estabelece um sistema de várias equações para igual ou menor número de incógnitas, calculando-se todas as incógnitas que, por sua vez, devem satisfazer simultaneamente todas as equações matemáticas estabelecidas. Após este entedimento, poderemos usar as equações aproximadas, que vão ser utilizadas corriqueiramente, mas com critério. IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 3 Outro aspecto fundamental que será abordado é conhecer como o efeito eletrolítico (força iônica ou efeito salino) afeta os sistemas de equilíbrio contêm concentrações iônicas acima de 0,01 mol L-1, em razão das interações interiônicas de natureza eletrostática (forças de dispersão), interações íon-solvente e formação de pares iônicos, que deve ser considerado, de modo a tornar os cálculos mais reais, ou seja, mais aplicáveis na previsão do comportamento experimental. Nesse texto também vai ser abordada a representação gráfica do equilíbrio, que é uma ferramenta poderosa para a solução de problemas de equilíbrio. Esses diagramas servem para a análise de predominância das espécies em determinado equilíbrio, em função das reações químicas, de acordo com o meio reacional. Serão estudados alguns diagramas simples, construídos com base nas relações entre concentrações das diferentes espécies, obtidas através das constantes e relações gerais dos equilíbrios considerados (as mesmas consideradas no método matemático). Na parte final da disciplina vai se estudar como aplicar o equilíbrio em solução em titulações ácido-base, escolha de indicadores, erro de titulação e aplicações desse equilíbrio em volumetria ácido-base. Este texto compilado em vários capítulos (aulas) tem a finalidade de subsidiar o estudante no estudo do equilíbrio químico em solução aquosa, e foi baseado nas referências bibliográficas citadas. Este texto é uma ferramenta que ajudará os estudos ao longo deste curso. Seja crítico!!! IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 4 AULA 01 EFEITO ELETROLÍTICO SOBRE O EQUILÍBRIO QUÍMICO EM SOLUÇÃO AQUOSA (EQUILÍBRIO IÔNICO). TEORIA CLÁSSICA DA DISSOCIAÇÃO ELETROLÍTICA A Teoria Clássica e a Teoria Moderna, neste texto, abordam sucintamente como os pesquisadores, através da compreensão de observações experimentais e conhecimento de química e/ou física, desenvolveram teorias de como uma substância (molécula ou íon) se comporta em solução aquosa, e estimaram as constantes de equilíbrio de diversos compostos em solução. SOLUÇÕES EM MEIO AQUOSO/ÁGUA A água é uma substância extremamente importante para a manutenção da vida no planeta. Ela faz parte do corpo de todos os organismos vivos, transporta substâncias, garante a realização de diversas reações químicas. É composta por um átomo de oxigênio e dois átomos de hidrogênio (H2O) que se ligam por meio de ligações covalentes. É uma molécula polar, em virtude da presença de um ângulo de 104,5° entre as ligações O-H. E, uma molécula de água liga-se à outra molécula de água por meio de ligações de hidrogênio. A água é o solvente universal e mais disponível na Terra; é facilmente purificada e não é tóxica. No organismo humano, a água dissolve substâncias que se tornam disponíveis para as reações químicas. Além disso, a água transporta substâncias pelo corpo (plasma sanguíneo), ajuda a absorver impactos, como é o caso do saco amniótico que protege o bebê, lubrifica estruturas do corpo, garante a manutenção da temperatura, por meio da produção do suor, ajuda a excretar substâncias tóxicas e em excesso, entre outras funções. A importância do estudo das soluções aquosas se deve a fatores, tais como: ocorrência comum de soluções aquosas na natureza e o fato de processos vitais ocorrerem em solução aquosa;e, além disto, a solução aquosa é um meio extremamente conveniente para se conduzir reações químicas de modo controlado. IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 5 A solução aquosa é uma mistura homogênea quando se dissolve uma substância (soluto) em água (solvente em que se está fazendo a dissolução) e o interesse é a interação dessa substância (íons ou moléculas) com a solução. No caso de se ter uma mistura heterogênea, em que uma determinada substância possa estar parcialmente dissolvida na água, o interesse ainda é a interação dessa substância (íons ou moléculas) com a solução. O equilíbrio químico, principalmente em solução aquosa, é um fenômeno presente em inúmeros sistemas químicos, sendo de grande interesse deter o conhecimento em diferentes áreas, tais como a Química Analítica, Química Ambiental, Química Farmacêutica, Química Tecnológica etc. Em meados do século XIX foram iniciados os primeiros estudos da interação entre íons e/ou moléculas com a água. Esses estudos envolveram as propriedades coligativas (eletrólito e não eletrólito) e a condutividade elétrica (eletrólito forte ou fraco) em solução aquosa. As medidas da variação das propriedades coligativas (coletivas) (diminuição da pressão de vapor e da temperatura de fusão, aumento da temperatura de ebulição e pressão osmótica), quando uma substância (soluto) é adicionada à água pura. O tipo de soluto influencia na variação da propriedade coligativa, diferenciando e classificando as soluções em grupos muito importantes. A variação das propriedades coligativas diferenciou soluções moleculares (somente moléculas em solução) de soluções iônicas (soluções que formavam muito ou pouco íons em solução), somente pela adição da substância e medida da propriedade coligativa. A variação das propriedades coligativas em soluções iônicas, aliada às medidas de condutividade elétrica de soluções contendo eletrólitos formaram a base da Teoria Clássica da Dissociação Eletrolítica. PROPRIEDADES COLIGATIVAS DAS SOLUÇÕES MOLECULARES E IÔNICAS A variação nas Propriedades Coligativas ocorre quando se adiciona um soluto (molécula ou íon) à água. Esta variação nas propriedades coligativas depende única e exclusivamente do número de partículas (ou seja, número de mols de moléculas ou íons em uma reação). É importante informar que 1 mol de Na+, ou 1 mol de Ba2+, ou 1 mol de CH3OH IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 6 dispersos em 1,0 litro ( ou 1 kg) de água, que tem a mesma concentração igual a 1,0 molal (1,0 mol de soluto/kg de água), tem o mesmo número de partículas ou mol, independente da natureza (massa) do soluto. Este fato foi verificado experimentalmente, indicando que o número de mol de partículas que está na solução é que irá influenciar na variação das propriedades coligativas daquela solução. Para ilustrar com mais detalhes que é o número de partículas na solução e não a natureza que afeta as propriedades coligativas, na Tabela 1 estão algumas propriedades coligativas da água pura (1 kg) e a da solução aquosa resultante quando é adicionado 1,0 mol de glicose (não eletrólito), 1 mol de NaCl e 1mol de HCl 95% ionizado à água. Como a glicose é um composto molecular (não-eletrólito), tem-se 1 mol de partículas de moléculas de glicose, 2 mols de íons (Na++Cl-), e 1,95 mols de íons (H3O++Cl-) Tabela 1 – Variação de temperatura de fusão e ebulição quando se adiciona diferentes tipos de substâncias à 1,0 L de água pura. Todas as soluções são 1 molal. Propriedade coligativa Água (1 kg) C6H12O6 (180 g glicose kg-1) NaCl (58,5 g NaCl kg-1) HCl 95% ionizado (36,5 g kg-1) Kebulição/fusão (relacionado a 1 mol de partícula kg-1 Tebulição 100oC 10,52oC 101,02oC 0,9945 oC +0,52oC Tfusão 0oC -1,86oC -3,73oC -3,627 oC -1,86oC Observação: molal = massa(g) de soluto/MM (g/mol) x kg-1 de água 1) Ao repetir a mesma experiência com o soluto metanol, ou sacarose, ou qualquer outra molécula (na mesma concentração), que não consegue se ionizar, a variação na temperatura de ebulição será a mesma (0,52oC), e é denominada de constante ebulioscópica. Essas soluções são denominadas de soluções moleculares. Idem para todas as outras propriedades coligativas. 2) Ao repetir a mesma experiência com o NaCl, ou KBr, ou qualquer composto iônico com carga +/-1, tal como cloreto de sódio ou cloreto de magnésio (na mesma concentração), o que se observa experimentalmente é que a variação nas propriedades coligativas nessas soluções é aproximadamente 2 e 3 vezes maior, respectivamente, que na solução molecular. Isto é devido ao composto se dissociar em íons. No caso do NaCl, eletrólito Forte, se dissocia totalmente em dois íons (duas partículas) e MgCl2 se dissocia em três íons (3 partículas). Essas soluções são denominadas de soluções iônicas. IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 7 Como conclusão, tem-se que a variação nas propriedades coligativas é proporcional ao número de partículas. Na prática, a dissociação pode não ser completa, porque em uma solução mais concentrada têm-se menos moléculas de água disponíveis para a dissociação completa. Assim, para soluções mais concentradas, tem-se que incluir este efeito, que é a fração de partículas que estão dissociadas, quando a dissociação não é completa (grau de dissociação – Teoria de Arrhenius). Com base em observações experimentais, Van’t Hoff propôs um fator de correção, denominado i, no cálculo das propriedades coligativas, que corrige a variação na propriedade coligativa, quando a dissociação não é completa. Na equação 1, utilizada para o cálculo de variação da temperatura de ebulição da água, está incluído o fator de Van’t Hoff. Tebulição=imKebulição (equação 1) Onde: m – molalidade ou molal (mol kg-1) Kebulição – constante ebulioscópica (para água pura Keb=0,51°C kg mol-1) i – fator de Van’t Hoff O Fator de Van’t Hoff (i) tem o mesmo princípio do grau de dissociação já aprendido na Química Analítica I, e seu valor empírico é utilizado analisar e comprovar os efeitos coligativos em diferentes soluções mais concentradas. É definido como “a relação feita (razão) entre o número total de partículas finais em relação ao número de partículas iniciais nas soluções”. i=1+(q–1) (equação 2) Onde: - grau de dissociação q - número de partículas liberadas na dissociação Exemplo: sacarose (C12H22O11) 1,0 molal C12H22O11(s) + água C12H22O11(aq) Início: 1 0 Final: 0 1 } 1 partículas (mol) - Aplicando o fator de Van’t Hoff: i = número total de partículas finais /número de partículas iniciais nas soluções i = 1/1 = 1 IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 8 (equação 1) tem=se: Tebulição= 0,51°C. Ou, aplicando o fator de Van’t Hoff, incluindo a fração alfa, tem-se: i =1+(q–1) (equação 2) i =1+(1–1) (equação 2) i =1 Assim, para a sacarose, que é uma solução molecular (não há dissociação em íons - =0), ou seja, a quantidade de moléculas dissolvidas é a mesma de moléculas adicionadas. (equação 2) i =1 (equação 1) Tebulição= 0,51°C. Em soluções iônicas há dissociação em íons, daí o fator de Van’t Hoff ser diferente de 1, pois dependendo do número de íons liberados na solução final (q), i irá aumentar. É Também interessante, aplicar e entender a equação (2) que inclui o grau de dissociação alfa. Exemplo: 1,0 mol NaCl em 1,0 L (1000g) de água, tem-se: NaCl 1,0 molal Na solução final, sendo o NaCl um sólido iônico, se dissocia totalmente dando 1,0 mol de partículas de Na+ e 1,0 mol de partículas de Cl-, conforme mostra a equação de dissociação do sal abaixo: NaCl→ Na+ (aq)+Cl-(aq) Início: 1 Final: 0 1 + 1 } 2 partículas (mols) - Aplicando o fator de Van’t Hoff, tem-se o mesmo resultado. i=número total de partículas finais/número total de partículas iniciais i=2/1=2 - Aplicando o fator de Van’t Hoff, tem-se o mesmo resultado. i=1+(q-1)=1+1(2-1)=2 (onde q é número de partículas na solução final). Tebulição=imKebulição=2x1x0,51=1,02oC Observação 1: NaCl está 100% dissociada - =1. Observação 2: nem todas as soluções iônicas estão completamente dissociadas, daí o grau de dissociação pode ser menor 1 (oudessas medidas foram surpreendentemente acuradas, e têm sido verificadas que estão corretas por estudos 𝐾 = [𝐾 ][𝐶𝑙 ] [KCl] IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 13 modernos que utilizam as técnicas mais sofisticadas. Observando com mais detalhes a condutividade de soluções de eletrólitos: CONDUTIVIDADE ELÉTRICA DAS SOLUÇÕES CONTENDO ELETRÓLITOS. É fundamental, para a teoria dos eletrólitos, verificar a influência da variação da condutividade ou condutância de certa massa de eletrólito com a diluição. A condutância específica de uma solução contendo eletrólitos depende da quantidade de íons presentes, e, portanto, varia com a concentração. Quando se dilui uma solução contendo um eletrólito, a condutividade específica ou condutância específica diminui, pois na solução há menos íons por mL (cm3) para conduzir a corrente elétrica. A condutância específica ou condutividade específica, k (equação 3), é o inverso da resistência (R) quando se aplica uma corrente elétrica a um condutor (célula eletrolítica contendo dois eletrodos de área A de 1cm2 por uma distância l de 1cm) que está imerso em uma solução eletrolítica de concentração molar C. Esta medida é feita com um condutivímetro, e k é diretamente proporcional à distância, l, do condutor (em cm) e inversamente proporcional à área (A) dada em cm2. AxR l K (equação 3) Onde: k – condutância ou condutividade específica (ohm-1cm-1 ou Scm-1, onde: S=Siemens) R – resistência (ohm); l – comprimento (cm); A – área (cm2) Quando A=1cm2 e l =1cm, tem-se que: k=1/R A condutância específica da solução de um eletrólito é função da concentração deste eletrólito. Para um eletrólito forte, a condutância específica diminui marcadamente com a diluição (diminuição da concentração do eletrólito implica em diminuição da condutividade). Abaixo tem-se alguns valores experimentais, que, se colocados em um gráfico, pode se observar que, partindo de soluções mais diluídas para as mais concentradas, k aumenta quase que proporcionalmente com o aumento da concentração. IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 14 Os dados a seguir são referentes às soluções de KCl, a 25°C: C (mol/L) 0,0001 0,0010 0,010 0,10 1,0000 K (S cm-1) 0,000015 0,00015 0,001413 0,01289 0,1119 Em contrapartida, as condutâncias específicas dos eletrólitos fracos aumentam gradualmente e não proporcionalmente, com o aumento da concentração. Os dados a seguir são referentes às soluções de HAc, a 25oC: C (mol/L) 0,0001 0,0010 0,010 0,10 1,0000 *K (Scm-1) - 0,00012 0,00025 0,000476 0,00015 Observação: *A condutância específica do HAc foi estimada com base na condutância molar da Figura 4. Em ambos os casos, o aumento da condutância específica é devido ao aumento do número de íons por volume da solução (concentração molar). Com os eletrólitos fortes, o número de íons por unidade de volume aumenta na proporção da concentração; cabe observar que em soluções muito mais concentradas, a não-linearidade no aumento de k com a concentração é devida às interações iônicas (não estão completamente dissociados). A variação gradual de k nas soluções de eletrólitos fracos se relaciona com a ionização parcial do soluto e a diminuição do grau de ionização com o aumento da concentração. Para facilitar a comparação das condutâncias de soluções de diferentes eletrólitos, foi introduzido o conceito de condutância molar, ou m, que relaciona a capacidade de condução (k) de qualquer solução eletrolítica (C mol/L), com a capacidade de condução de dessa mesma solução eletrolítica, se ela fosse 1mol/mL (mol/cm3). Condutância molar ou condutividade molar ( ou m): é a capacidade que 1 mol de eletrólito tem de transportar corrente elétrica em uma célula entre dois eletrodos de área S (1 cm2) e distância l (1 cm), ou seja, é a condutância exercida por um mol do eletrólito/cm3 de solução eletrolítica. A condutância específica, k, se correlaciona com a condutância molar pela equação (3): C Kx1000 (Equação 3) Onde: C - Concentração do eletrólito (mol/L) IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 15 - Condutância molar (ohm-1cm2mol-1 ou Scm2mol-1) k – Condutância específica (ohm-1cm-1= S/cm). Observação 1: O fator 1000 é para transformar mol/L (dm3) = mol/1000mL (1000 cm3). Observação 2: quando C for expresso em mol/L, se a estequiometria for diferente de 1:1, tem-se que introduzir a razão estequiométrica no cálculo de k. Observação 3: S (Siemens) = -1 (ohm-1). - No exemplo do KCl tem-se: C (mol/L) 1,0000 0,10000 0,01000 0,0010 0,0001 diluição infinita k (Scm-1) 0,1119 0,01289 0,001413 0,00015 0,000015 (Scm2mol-1) 111,9 128,9 141, 3 149,0 149,5 150,1 A condutância específica de KCl diminui proporcionalmente com C. Se, tanto C quanto k variam proporcionalmente, ao se calcular (equação 3), espera-se que esta não varie, pois está sempre relacionado com a mesma concentração relativa (1 mol/cm3). Na Figura 4 pode se observar um ligeiro aumento da condutividade do eletrólito forte, tendendo a um valor constante com a diluição. A variação de em soluções mais concentradas, se deve ao fato de o eletrólito não estar mais totalmente dissociado. - No exemplo do HAc tem-se: C (mol/L) 1,0000 0,10 0,010 0,0010 0,0001 diluição infinita k (S cm-1) 0,00015 0,000476 0,00025 0,00012 - * (Scm2mol-1) 0,15 4,76 25 120 - 357,8 (calculado) Observação: *Os dados para o cálculo da condutância específica do HAc foram estimados da condutância molar da Figura 4. A condutância específica de HAc diminui proporcionalmente com C, sendo observado o mesmo comportamento que para o eletrólito forte até C=0,010mol/L. Porém, com a diluição, observa-se que a diminuição de K não é mais proporcional a C. Assim, ao se calcular (equação 3), o que se observa que o valor de aumenta muito (Figura 3). Daí, se tem uma informação importante, que é que, com a diluição, se aumenta, o eletrólito está mais dissociado. IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 16 Figura 3 – Variação da condutância molar com a concentração para um eletrólito fraco (HAc) e um eletrólito forte univalentes (KCl e um eletrólito forte bivalente. Observando a Figura 3 pode-se concluir que: (1) A variação da condutância molar com a concentração depende, em grande extensão, do tipo do eletrólito. (2) As condutâncias molares de um eletrólito tendem para um valor limite em soluções muito diluídas, sendo a condutância molar em diluição infinita representada por o. (3) KCl e HCl, eletrólitos fortes típicos, têm uma relação linear entre C e . Neste caso, pode-se fazer a extrapolação da linha reta até C=0, e tem-se a condutância molar à diluição infinita. Porém, tem-se uma informação importante. Se a condutância molar quase não varia com a diluição o eletrólito forte está completamente dissociado, mesmo nas soluções mais concentradas. (4) No caso do HAc, um eletrólito fraco típico, tem um comportamento diferente; a condutância molar é baixa e linear para concentrações até cerca de C1/2=0,05. Porém, para soluções mais diluídas aumenta muito rapidamente. Como IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 17 consequência não se pode fazer a extrapolação à diluição infinita. mas informa que o eletrólito fraco tende a se dissociar mais com a diluição. (5) Como a condutânciade uma solução de um eletrólito depende do número de íons, o grande aumento da condutância molar dos eletrólitos fracos com a diluição implica, essencialmente, no grande aumento do grau de dissociação. (6) Como o aumento gradual da condutância molar dos eletrólitos fortes com a diluição se deve a um aumento da velocidade de migração dos íons (mais livres em solução diluída) implica, essencialmente, que o eletrólito forte está totalmente dissociado. Como em soluções muito diluídas (concentração em torno de 0,0001 mol/L) fica inviável medir a condutância dos eletrólitos, pois a condutância da água começa a ter uma influência considerável. Kohlrausch, para eletrólitos +1/-1, na Figura 4, demonstrou que a condutância molar é uma função linear da C. Assim, a condutância molar à diluição infinita pode ser obtida por extrapolação da reta (ou pelo coeficiente linear da equação da reta de cada eletrólito, Na literatura tabeladas a condutância molar de uma série de eletrólitos. Exemplo: Estimar a condutância molar à diluição infinita dos eletrólitos KCl e HCl. Da Figura 4, tem-se o(KCl)=150 Scm2mol-1 e o(HCl)=379 Scm2mol-1, retirado por extrapolação das retas. - No caso de eletrólitos fracos à diluição infinita não se pode empregar o método de extrapolação, pois a condutância molar aumenta não linearmente. Porém, pode-se calcular através da condutância molar à diluição infinita dos eletrólitos fortes que tenham íons comuns com esse eletrólito fraco., utilizando a Lei de migração independente dos íons de Kohlrausch, que examinando as condutividades molares à diluição infinita para diversos pares de eletrólitos fortes, que continham íons comuns, a diferença de condutividade molar era mesma independente do outro íon de carga oposta associado (Tabela 5) Daí, postulou a Lei de migração independente dos íons, que diz: “Em diluição infinita, quando a dissolução de um eletrólito é completa e todos os efeitos interiônicos desaparecem, cada íon migra independente da natureza do seu contra-íon associado, e faz uma contribuição definida para a condutividade molar à diluição infinita do eletrólito, independente da natureza do outro íon do eletrólito.” IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 18 Tabela 5 – Exemplos de Lei da diluição infinita de postulada por Kohlrausch. Eletrólito o (Scm2mol-1) Diferença Eletrólito o (Scm2mol-1) Diferença KCl 149,86 23,41 KBr 151,92 0,206 NaCl 126,45 KCl 149,86 KBr 151,92 23,41 NaBr 128,51 0,206 NaBr 128,51 NaCl 126,45 KNO3 144,96 23,41 LiBr 117,09 0,206 NaNO3 121,55 LiCl 115,03 A partir dessa observação, Kohlrausch concluiu que a condutividade molar do eletrólito é o somatório das condutâncias molares dos íons componentes do eletrólito, mas que matematicamente, não era necessário tabelar (mas existem valores tabelados de condutividade molar à diluição infinita para íons. Matematicamente isto pode ser expresso como: o= o ++o -, onde: o + e o - são as condutâncias molares à diluição infinita do cátion e do ânion (íons), respectivamente. Mas também pode se utilizar as condutâncias molares dos eletrólitos à diluição infinita, sem recorrer a novas Tabela, Tomando como exemplo o KCl, sua condutância molar à diluição infinita é a soma das contribuições independentes de K+ e Cl-, que é igual a o(KCl)=150,0 Scm2mol-1. Sabendo que a diferença de o de um eletrólito é independente do seu contra-íon associado pode-se então, através da combinação da condutância molar à diluição infinita de uma série de eletrólitos, estimar a condutância de algum outro eletrólito pela combinação das o de outros três eletrólitos conhecidos. Observa: Exemplo: Calcular a o(NaNO3) sabendo-se que as: o(NaCl)=126,5 Scm2mol-1, o(KNO3) = 145,0 Scm2mol-1 e o(KCl)=150,0 Scm2mol-1 Combinando-se os três eletrólitos para dar NaNO3, assumindo-se que o sal consiste de íons que migram independentemente, tem-se: o(NaCl) + o(KNO3) - o(KCl) = o(NaNO3) o(NaNO3) = 126,5 + 145,0 – 150,0 =121,5 Scm2mol-1 - A condutância molar do eletrólito fraco, CH3COOH, não pode ser estimada por extrapolação, pois com a diluição a condutância molar aumenta muito, pois fazer a extrapolação à diluição infinita, produz um resultado é incerto. Assim, lançando mão da IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 19 Lei da migração independente dos íons, e, conhecendo a condutividade molar à diluição infinita de uma série de eletrólitos pode-se estimar, mais convenientemente a condutância molar do HAc. Assim: Exemplo: Sabendo-se que as condutâncias molares dos eletrólitos listados abaixo são: NaAc (o=107,4 Scm2mol-1), HCl (o=379,4 Scm2mol-1) e NaCl (o=109,0 Scm2mol-1), estimar a condutividades do HAc. Assumindo-se que cada sal consiste de íons positivos e negativos que migram independentemente, tem-se, eliminando os íons iguais nos diferentes sais, a condutância molar de interesse: o(NaAc) + o(HCl) - o(NaCl) = o(HAc) o(HAc) = 107,4 + 379,4 – 126,0 = 360,8 Scm2mol-1 Esta observação experimental indicou para Arrhenius que, com a diluição as moléculas de ácido acético se ionizam mais em íons acetato e prótons. Desse conceito de dissociação parcial surgiu o fator “grau de dissociação” – denominado atualmente de “” (alfa), que é a fração dissociada de uma espécie química em relação à quantidade inicial adicionada. 𝛼 = 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑚𝑜𝑙)𝑑𝑒 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐𝑖𝑎𝑑𝑎 quantidade (mol) de substância adicionada - Assim, na reação de dissociação de 1,0 mol de ácido HA se dissociam 0,3 mol. Qual a fração dissociada? REAÇÃO: HA H+ + A- Início 1,0 Reagiu -0,3 +0,3 +0,3 Equilíbrio 0,7 3 0,3 = 0,3 mol A-/1,0 mol HA adicionado = 0,3 Observação 1: A quantidade de HA no equilíbrio é igual a 7 mol, mas a quantidade de HA adicionada continua sendo 1,0. Houve dissociação de 0,3 mol de HA para formar A-, mas o balanço de massa não mudou, ou seja, no equilíbrio tem-se 1,0 mol de HA total (0,7 mol HA + 0,3 mol A-). O balanço de massa é a soma de todas as espécies em HA, no equilíbrio (HA+A-). IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 20 𝛼 = 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑚𝑜𝑙)𝑑𝑒 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐𝑖𝑎𝑑𝑎 quantidade (mol) da substância total no equilíbrio Observação 2: Se, este 1,0 mol de ácido HA que se dissocia 3 mol de A- estivesse em 1,0 L de solução, a fração dissociada continua sendo 0,3, mas em vez de trabalhar com número de mol, pode se trabalhar com concentração molar e ter uma outra maneira de expressar o grau de dissociação. - Que é igual a: 𝛼 = 𝑞𝑢𝑎𝑛𝑡𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑚𝑜𝑙𝐿)𝑑𝑒 𝑠𝑢𝑏𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑐𝑖𝑎𝑑𝑎 quantidade (mol/L)de substância no equilíbrio - Que pode ser escrita assim: Observação 3: O ácido HA vai ser classificado em eletrólito Forte ou fraco, em função do seu grau de dissociação, que depende da constante de dissociação (K), definida inicialmente. Então, de acordo com o grau de dissociação, os eletrólitos se classificam em: Eletrólitos Fortes quando apresentam valores altos para ; e eletrólitos fracos quando apresentam valores baixos para . - O grau de dissociação é variável com a concentração de eletrólito, ainda mais se ele for fraco. Exemplo: Dado um HA (molecular) de concentração total igual a C mol/L, que se ioniza em água. - Reação: HA + H2O H3O+ + A- - Espécies dissociadas: H3O+ e A- - Espécies não dissociada: HA 𝛼 = [𝐴−] [𝐻𝐴] + [𝐴−] = [𝐴−] 𝐶 IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 21 Como o grau de dissociação é o quanto dissocia de HA, o que se quer na realidade é quantose tem de A- na solução. Assim: Como: - [A-] – espécie dissociada. - [HA]+[A-]= C (concentração analítica – a concentração molar de espécies as espécies de HA, que são HA e A-). = [A-]/[HA]+[A-] = [A-]/C Lei da diluição de Ostwald Assim, a partir das considerações de Arrehnius, Ostwald utilizou a Lei da migração independente dos íons de Kahlrousch para estimar a condutância molar à diluição infinita de uma série de compostos. Por exemplo, para um ácido fraco, ele partiu da premissa que em diluição infinita o eletrólito fraco está totalmente dissociado; e assim, ele pode estimar o grau de dissociação desse ácido HA em função da razão da condutância molar em uma determinada concentração e a condutância molar à diluição infinita (quando este HA está completamente dissociado). Ostwald =/o Associando o grau de dissociação em função das condutâncias molar com o grau de dissociação do ácido () de Arrhenius em função da concentração, pode-se, por meio de medidas de condutividade, calcular a constante de equilíbrio desse ácido fraco. Arrhenius =[A-]/C Assim, para o HA, por exemplo, conhecendo a concentração do ácido C e a medida da condutância molar , pode-se obter facilmente a constante de equilíbrio do HA. - Sabendo que: (1) C=[HA]+[A-], que rearranjada fornece: (1) [A-]=C E a solução aquosa de ácido acético dissocia-se um H3O+ para íon Ac-, ytm-se a equação (2): (2) [H3O+]=[A-]=C - A concentração do ácido não dissociado é obtida pela diferença (1) – (2), fornecendo a equação (3): IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 22 (3) [HA]=C–[A-]=C–C (3) [HA]= (1–)C - Os valores obtidos experimentalmente, obedecem à relação de equilíbrio, ao substituir na constante de equilíbrio: Ka=[H3O+]x[A-]/[HA]=2C/(1–) l - Considerando, peal Lei da diluição infinita de Ostwad que =/o, tem-se que: Ka=2C/o 2(1–/o) Ka=2C/o(o –) Assim, medindo a condutividade elétrica de uma solução de HA em determinada concentração e tendo o valor da condutância à diluição infinita, tem-se o grau de ionização de ácido acético, e colocando-se na constante de ionização tem-se Ka. Por exemplo, calcular a constante de ionização do HAc 0,1 mol/L sabendo-se que a medida de condutividade específica dessa solução foi k=0,000476S/cm e que o(HAc)=360,8 Scm2/mol. A partir de K acha-se , que é =1000x0,000476/0,1=4,76 Scm2/mol Após acha-se α=4,76/360,8=0,0132 [Ac-]=[H3O+] = 0,1x0,0132=0,00132mol/L [HAc]=0,1-0,00132=0,0988mol/L Colocando esses valores em K=(0,00132)2/0,0988=1,76x10-5 CLASSIFICAÇÃO DE SOLUÇÕES E DE ELETRÓLITOS As soluções aquosas são classificadas em soluções moleculares ou iônicas dependendo do tipo de soluto dissolvido. A dissolução de sacarose em água dá origem à presença de moléculas de sacarose na solução aquosa, e essa solução é denominada solução molecular. A substância ou soluto presente na solução é denominado de não- eletrólito porque não é capaz de conduzir corrente elétrica. A dissolução de cloreto de sódio em água tem a capacidade de conduzir a corrente elétrica, denunciando a presença de partículas transportadoras de cargas, ou seja, íons. Tais soluções são denominadas soluções iônicas e as substâncias, ou solutos, que as constituem, são denominados eletrólitos. A definição clássica para não-eletrólitos e eletrólitos: IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 23 Não-eletrólitos: são substâncias moleculares (sólidas ou líquidas), que quando dissolvidas em solução aquosa formam moléculas; não conduzem eletricidade porque como não possuem carga, não podem migrar em um campo elétrico. Exemplo: metanol e sacarose em solução aquosa. CH3OH(líq)+águaCH3OH(aq) C12H22O11(s)+águaC12H22O11(aq) Eletrólitos: são substâncias moleculares ou iônicas, que em solução aquosa podem formar íons positivos e negativos; conduzem corrente elétrica quando em solução porque por serem carregados positivamente e negativamente podem migrar em um campo elétrico. Exemplo: NaCl(s)+águaNa+ (aq)+Cl-(aq) Li2CO3(s)+água2Li+(aq)+CO3 2- (aq) Ce2(SO4)3(s)+água2Ce3+ (aq)+2SO4 2- (aq) HCl(líq)+H2OH3O + (aq)+Cl-(aq Observação: O HCl (composto molecular) se comporta como um eletrólito forte porque seus íons (hidrônio e cloreto) formam dipolos (cloro muito mais eletronegativo que hidrogênio) com momento dipolar () diferente de zero, e ao reagir com a água esses dipolos (íons) podem migrar em um campo elétrico, conduzindo corrente elétrica. O HAc (composto molecular) forma poucos dipolos, ou seja, se comporta como um eletrólito fraco pois ioniza pouco em solução aquosa, então conduz mal a corrente elétrica por ter poucos íons em solução. A condução de eletricidade em solução eletrolítica envolve a migração de íons, sejam íons positivos ou negativos, guiados por um campo elétrico, em direção ao eletrodo de sinal contrário. Soluções eletrolíticas que são boas condutoras indicam um elevado grau de dissociação/ionização da substância (sólido iônico ou molécula) na solução aquosa, e essas substâncias são denominadas de eletrólitos fortes. Por outro lado, soluções eletrolíticas pouco condutoras indicam um baixo grau de dissociação/ionização da substância (sólido iônico ou molécula) na solução aquosa e por isso essas substâncias são denominadas de eletrólitos fracos. As soluções iônicas estão divididas em duas classes – eletrólitos fortes e fracos – como pode ser observado na Tabela 4. Destacando os eletrólitos da Tabela 4: - Sais como KCl, NaCl, KNO3 e CH3COONa; ácidos fortes tais como HCl e HNO3; e bases fortes tais como KOH e NaOH estão dentro da classe de Eletrólitos Fortes – solutos que se IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 24 dissociam/ionizam completamente em solução aquosa e têm alta condutividade elétrica quando em solução. - Os ácidos HF e CH3COOH estão dentro da classe de Eletrólitos fracos – solutos que se ionizam parcialmente em solução aquosa e têm baixa condutividade elétrica quando em solução. Tabela 4 – Classificação de eletrólitos. FORTES Fracos 1. ácidos inorgânicos:*H2SO4, HNO3, HCl, HClO4, HI, HBr, HClO3, HBrO3 2.Hidróxidos alcalinos e alcalinos terrosos. 3. A maioria dos sais. 1. Muitos ácidos inorgânicos, incluindo HF, H2CO3, H3BO3, H3PO4, H2S, H2SO3. 2. A maioria dos ácidos orgânicos. 3. amônia e a maioria das bases orgânicas. 4. Haletos, cianetos e tiocianatos de Hg, Zn e Cd. *H2SO4 é completamente ionizado para formar os íons HSO4- e H3O+ e, por essa razão, é considerado um eletrólito forte. Deve-se observar, entretanto, que íon HSO4- é um eletrólito fraco, sendo apenas parcialmente ionizado para formar SO4= e H3O+. SKOOG, Fundamentos de Química Analítica, 2004. PELA TEORIA CLÁSSICA, EXISTEM DOIS GRUPOS DE SOLUÇÕES COM COMPORTAMENTOS DIFERENTES (RESUMO) - O primeiro grupo (soluções iônicas compostas por eletrólitos fortes): formado pelos ácidos fortes, bases fortes e sais (incluindo os derivados de ácidos e bases fracos). Estes se dissociam quase que completamente, e quando em soluções de concentração relativamente baixa (abaixo de 0,01 mol L-1) produzem apenas pequenas variações nos graus de dissociação. Soluções mais concentradas a dissociação não é completa por conta da forte interação iônica entre os íons, além de outras interações. - O segundo grupo (soluções fracamente iônicas compostas por eletrólitos fracos): ácidos e bases fracos, somente começa a dissociar em concentrações muito baixas, e, nesta faixa de concentração, apresentam uma variação considerável em seu grau de dissociação. - Uma crítica à teoria de Arrhenius é que para eletrólitos fracos sua teoria se adapta muito bem, porémquando se tratava de eletrólitos fortes, a mesma teoria não se aplica, pois com a descoberta do raio-X ficou evidenciado que os eletrólitos fortes já estão 100% na forma de íons no estado sólido, e quando ao se “dissociam” em solução aquosa apenas o fazem por um mecanismo de solvatação e não de reação como previra Arrhenius. Assim, A teoria de Arrhenius acabou sofrendo algumas alterações com relação aos eletrólitos fortes em razão IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 25 da descoberta do estado cristalino, com o advento dos raios-X, mas até hoje é perfeitamente aplicável para eletrólitos fracos. - A teoria, como desenvolvida por Arrhenius, pode ser aplicada sem grandes desvios no que concerne aos eletrólitos fracos, mas à medida que novas evidências surgiram, principalmente a respeito da estrutura da matéria no estado sólido, essa teoria se tornou cada vez menos adequada para os eletrólitos fortes. Tornou-se claro que as substâncias classificadas como eletrólitos fortes são constituídas por íons no estado sólido (cristalino). Em um cristal de NaCl, por exemplo, não existe moléculas de NaCl (estas moléculas só existem no cloreto de sódio em estado vapor). Como os íons já estão presentes em estado sólido é incorreto sugerir que na dissolução ocorre a ionização de moléculas em íons. A dissolução de um cristal iônico em água é um processo físico. Dissociação Nesse caso, em que já existiam íons e apenas os separamos, chamamos o processo de dissociação iônica, pois tudo o que fizemos, repito, foi separar íons pré-existentes. É o que acontece com os sais e as bases. NaCl(s) + água Na+ (aq)+Cl-(aq) CaCO3(s) + água Ca2+ (aq)+CO3 2- (aq) LiOH + água Li+(aq)+-OH (aq) Al(OH)3+ água Al3+ (aq)+3-OH(aq) Importante: Compostos iônicos sofrem dissociação quando em solução e quando fundidos. Ionização Alguns compostos moleculares, como os ácidos, quando colocados em um solvente são "atacados" por esse solvente e acabam formando íons. Perceba claramente que não existiam íons na solução original. Quando ela foi colocada na presença do solvente, este conseguiu por força magnética, "arrancar" um ou mais de seus átomos, mas nesse processo, o átomo arrancado acaba tendo que deixar um elétron para trás, tornando-se um íon. Nesses casos, diz-se que houve uma ionização, pois, uma molécula que não possuía originalmente íons passa a tê-los (livres no solvente). É o que acontece com os ácidos. HCl+H2OH3O++Cl- H2SO4+H2OH3O++HSO4 - HSO4 -+H2OH3O++SO4 2- H3CCOOH+H2O H3O++H3CCOO- IC 667 – Texto de Apoio Bibliográfico UFRRJ – Prof. Cristina Maria Barra AULA 01 26 Importante: Substâncias moleculares que sofrem ionização só o fazem quando em solução. O processo não ocorre quando essas substâncias estão fundidas. O que você deve lembrar!!!!!!!! - Sais e bases: por serem compostos iônicos, sofrem dissociação quando em solução ou fundidos. - Ácidos: por serem compostos moleculares, sofrem ionização quando em solução. - A dissociação/ionização é de grande importância para o favorecimento da ocorrência de reações. - É muito mais fácil promover reações com íons livres do que com moléculas agrupadas. Talvez seja por isso que, na sábia natureza, a esmagadora maioria das reações químicas - inclusive no corpo humano - aconteça em solução. Além disso, íons livres permitem a passagem de corrente elétrica, o que, em casos, tal como neurotransmissores, é absolutamente fundamental.