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PROJETO EM ENERGIA RENOVÁVEIS Sumário Unidade 1: Meio Ambiente: Energias Renováveis ................................................. 5 Seção 1.1: Introdução ................................................................................................. 5 Seção 1.2: Meio ambiente e energias renováveis ....................................................... 6 Seção 1.3: Políticas sobre o meio ambiente ............................................................. 10 Seção 1.4: Considerações ........................................................................................ 14 Unidade 2: Energias Renováveis: Um Futuro Sustentável .................................. 16 Seção 2.1: Energia e as necessidades humanas ...................................................... 16 Seção 2.2: Classificação das fontes de energia: renováveis e não-renováveis ........ 19 Seção 2.3: Status atual da matriz energética mundial .............................................. 21 Seção 2.4: Os desafios de hoje ................................................................................. 22 Seção 2.5: As soluções possíveis ............................................................................. 26 Unidade 3: Novas Energias Renováveis no Brasil: Desafios e Oportunidades . 28 Seção 3.1: Introdução ............................................................................................... 28 Seção 3.2: Externalidades ambientais dos combustíveis fósseis e esforço internacional de mitigação ......................................................................................... 29 Seção 3.3: Especificidades brasileiras: da renovável para as novas renováveis ...... 30 Seção 3.4: Promoção das novas energias renováveis no brasil: mix de política energética e industrial ............................................................................................... 33 Seção 3.5: Considerações e proposições ................................................................. 51 Referências .............................................................................................................. 53 Unidade 1: Meio Ambiente: Energias Renováveis Seção 1.1: Introdução A presente unidade aborda sobre as energias renováveis e as políticas públicas utilizadas para a preservação do meio ambiente; de que forma as energias renováveis contribuem para a proteção da fauna e da flora e como as políticas internacionais e internas do Brasil cooperam para reduzir a degradação da natureza (AYALA; SENN, 2012). Nesse caso as fontes de energias renováveis são de suma importância na questão ambiental, social, econômica e política de um país, principalmente, quando os avanços são considerados rápidos e podem conscientizar a população de que existem outras fontes de energias que não prejudicam o meio ambiente (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012; ACRÍTICA, 2018). A pergunta de pesquisa dessa unidade é: Qual a importância de incluir políticas públicas de energias renováveis para o meio ambiente? A presente unidade tem como objetivo: apresentar informações sobre o meio ambiente e energias renováveis; fornecer conhecimentos sobre legislações que protegem o meio ambiente; proporcionar dados internacionais que manifestam preocupação com o meio ambiente brasileiro. Justifica-se quando se trata da política de um país onde a conscientização da população é de suma responsabilidade, não só da parte de órgãos de proteção ao ambiente, mas para que garanta às pessoas uma educação ambiental. Permitindo, assim entender a definição de sustentabilidade e a importância para o meio ambiente, em que todos devem ter um único interesse em preservar o ecossistema brasileiro, propiciando uma vida melhor à população (BRANDÃO et. al., 2015). Portanto, conclui-se que existe a necessidade de uma educação ambiental. Que as leis foram feitas e que devem ser respeitadas e cumpridas por todas as comunidades, possibilitando-lhes usufruir dos seus benefícios. Além de ressaltar como é importante fazer a implementação das fontes de energias renováveis no país, ainda que tais informações precisem ser mais bem divulgadas à população. Seção 1.2: Meio ambiente e energias renováveis A Constituição Federal do Brasil de 1988 trata em seu Capítulo VI do MEIO AMBIENTE: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondose ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; (Regulamento) II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; (Regulamento) III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; (Regulamento) IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; (Regulamento) V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; (Regulamento) VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade. (Regulamento) § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. (Regulamento) § 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que, não poderão ser instaladas (BRASIL, 1988). Tem-se a necessidade de todas as pessoas estarem conscientes e começarem a se preocupar em preservar o meio ambiente; saberem como é essencial para a qualidade de vida de a população manter os recursos naturais. Porém, na atualidade vivencia-se o desmatamento das florestas e a contaminação das nascentes e dos rios cada vez mais frequente, trazendo amplos prejuízos para a fauna e a flora brasileira. Para a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) consideram para o: Grupo chamado “Outras Fontes” estão abrigados o vento (energia eólica), sol (energia solar), mar, geotérmica (calor existente no interior da Terra), esgoto, lixo e dejetos animais, entre outros. Em comum elas têm o fato de serem renováveis e, portanto, corretas do ponto de vista ambiental. Permitem não só a diversificação, mas também a ‘limpeza’ da matrizestabelecimentos comerciais e industriais conectados à rede de distribuição, a segunda se refere à geração solar conectada ao Sistema Interligado Nacional. Entre a geração centralizada, chama-se atenção aquelas contratadas por meio do leilão de energia de reservas. Essa separação é importante, uma vez que as regras, os incentivos e os principais atores se diferenciam muito. Atualmente, a energia fotovoltaica centralizada é menos custosa que a descentralizada. Note que isso não garante, contudo, que para o sistema como um todo seja sempre mais vantajoso implementar geração centralizada, pois a opção descentralizada pode implicar menores custos de transporte, já que está localizada junto à carga. A importância de cada um dos tipos de geração varia substancialmente de país para país, chamando atenção para o fato de que os mecanismos de incentivos podem ser um aspecto central na escolha do tipo de tecnologia solar implementada. Na América Latina, há forte tendência na escolha do uso da fotovoltaica centralizada. A interação entre fotovoltaica centralizada e descentralizada é complexa. Por um lado, esses investimentos podem ser observados como complementares, uma vez que grande parte da tecnologia empregada é similar. Logo, um aumento do consumo de energia fotovoltaica centralizada ou descentralizada pode gerar aumento da escala, maior aprendizado e queda dos custos dos equipamentos. Por outro lado, esses dois tipos de geração competem, pois a escolha da implantação de solar descentralizada é feita comparando o custo final para o consumidor em produzir a própria energia ou comprar da rede. Assim, há uma competição entre os modos de geração elétrica centralizada incluindo-se a centralizada e descentralizada (Vazquez e Hallack, 2017). Fotovoltaica centralizada no Brasil O mecanismo de introdução de energia solar centralizada foi a inclusão dessa tecnologia nos leilões de reserva. A energia de reserva contratada nesses leilões é destinada a aumentar segurança no fornecimento de energia elétrica no SIN, sem impactar nos contratos das distribuidoras. A quantidade de energia de reserva que deve ser contratada depende da percepção dos agentes quanto à necessidade de aumento de investimento de segurança no sistema, que, dada a matriz elétrica brasileira e a forma como é a energia despachada, possui forte relação com o nível dos reservatórios e as previsões meteorológicas. Essa espécie de seguro do sistema é paga através de um encargo, o encargo de energia de reserva (EER), rateado entre os diferentes usuários do SIN, incluindo distribuidoras e consumidores livres. Percebemos no gráfico 8 um aumento substancial na conta de energia de reserva. Isso foi determinado pelo número de leilões de reserva implementados nos últimos anos, entre outros motivos. A maior frequência de leilões pode ser vista como consequência de uma percepção de crise eminente de oferta, que poderia colocar em perigo a segurança de abastecimento do SIN. Esses leilões de segurança foram usados também para aumentar a introdução de renováveis no país. GRÁFICO 8 Saldo da conta de energia de reserva (2010-2016) (Em R$ milhões) Fonte: Aneel. Disponível em: . Diferentemente dos leilões tradicionais, o LER permite ao governo determinar quantidades que podem ser adquiridas por tipo de tecnologia, criando nichos de mercados para energias renováveis. Esses leilões oferecem contratos de vinte anos com preços definidos no período do leilão. Do leilão ao momento de início das operações, se estabelece um período de construção, no caso da energia solar, de três anos. A energia solar foi contratada em três LERs (6°, 7° e 8° LER) em 2014 e 2015. O objetivo é contratar os projetos mais eficientes (mais baratos) de solar, até que se atinja o volume desejado ou o teto de preços que o governo está disposto a pagar pela energia solar. De acordo com Andreão, Hallack e Vasquez (2017), esses leilões geraram contratação de 2.653 MW de energia solar. No entanto, observa-se que a capacidade efetivamente em construção é limitada, o que vem levantando questões sobre as potenciais barreiras que esses projetos enfrentam. Essas questões são conjunturais e estruturais. No que se refere às conjunturais, chama-se atenção para o cenário macroeconômico e cambial, que traz incerteza e custos para os contratos assinados no LER, cuja remuneração é em moeda nacional. Esse cenário dificulta a possibilidade de empréstimos internacionais para a implementação de projetos. O que nos remete a um problema estrutural: a dificuldade de financiamento de infraestrutura através de mecanismos privados no Brasil (Vazquez, Hallack e Queiroz, 2016). Assim como grande parte do financiamento de infraestrutura, a indústria de energia vem dependendo fortemente do financiamento do BNDES para ser efetivamente construída. No entanto, como explicado na subseção anterior, o financiamento é condicionado a obrigações de conteúdo local, uma vez que ambiciona impulsionar a indústria nacional. Contudo, atender a essas condições depende do potencial nacional e das características da indústria. O modelo de aplicação do conteúdo local de solar seguiu muitos princípios da energia eólica pode-se perceber como uma espécie de aprendizado institucional, visto que há também etapas progressivas a serem seguidas, aumentando a complexidade da internalização tecnológica (Zanetti, 2017; BNDES, 2014b). Há um esforço em adaptar o mecanismo da eólica para a solar, visto a grande diferença, a seguir, da tecnoeconômica de ambas as indústrias. 1) A metodologia deixa de considerar a apuração do índice de nacionalização, calculado com base no peso e no valor do equipamento, e passa a exigir a nacionalização progressiva de componentes e processos específicos, ao longo do período de implementação do plano. 2) A metodologia objetiva oferecer regras mais flexíveis de nacionalização, mas com uma relação mínima de componentes e processos produtivos exigidos para o credenciamento e a manutenção no Credenciamento Informatizado de Fabricantes (CFI) do BNDES. 3) Ademais, a metodologia desenvolve uma relação de itens eletivos, que incentivam e premiam o aumento do conteúdo nacional. O objetivo do banco, de acordo com BNDES (2014a), é que “a participação máxima do BNDES no apoio aos empreendimentos fotovoltaicos crescerá proporcionalmente ao número de processos industriais e componentes incorporados no país.” No entanto, as empresas encontram dificuldades em cumprir as exigências de conteúdo local. Dois desafios complementares ajudam a explicar essa dificuldade: i) as caraterísticas da tecnologia da energia solar; e ii) a inexistência de uma política energética de introdução de solar estável e de longo prazo. Vazquez, Hallack e Queiroz (2016) mostram que, apesar de a tecnologia de painéis fotovoltaicos de silício C-Si representar 90% dos painéis solares, em 2015, no mundo, há diversidade de tecnologias que estão sendo desenvolvidas e com potencial de ganharem espaço no mercado como os painéis solares de filme fino, painel solar de telureto de cadmo e células fotovoltaicas orgânicas. Nesse sentido, a rota tecnológica de solar é menos madura, havendo tecnologias competindo pelo mercado em desenvolvimento. Por outro lado, a tecnologia que é a comercialmente dominante possui forte economia de escala, pequenos custos de transporte e forte concentração em alguns países; em especial, na China o país produz 80% dos componentes centrais das placas, como os lingotes e wafers de silício. Ademais, de acordo com IEA (2016), observa-se capacidade ociosa relevante, a partir de 2011, na produção de módulos das placas solares internacionalmente. Nesse contexto, nota-se queda substancial dos preços dos painéis solares. Esses fatores explicam, em parte, a dificuldade de internalizar a produção de equipamentosda energia solar no Brasil. A outra parte da explicação, no entanto, passa pela ausência de uma política clara e estável de implementação de solar no país. Como descrito anteriormente, o uso do LER garante contratos pontuais sem que haja compromisso de continuidade de demanda. Isso gera variações importantes na contratação. Por exemplo, houve três leilões em 2014 e 2015, nenhum leilão em 2016 e se aprovou um leilão de descontratação (diminuição da demanda) em 2017. O investimento e a implementação de uma indústria fortemente dependente de investimento, economia de escala e inovação são dificultados pela volatilidade da demanda. Frente a esse cenário, Andreão, Hallack e Vasquez (2017) mostram que as duas principais empresas que participam de projetos com maior capacidade contratada nesses leilões são a Enel envolvida com projetos que equivalem a 24% da capacidade solar contratada e a Canadian Solar implicada em projetos que equivalem a 13% da capacidade solar contratada. As estratégias das duas empresas, no que refere às exigências de conteúdo local do financiamento do BNDES, são bastante diferentes. A primeira vem se apoiando em investimento próprio sem financiamento do BNDES, com obras mais avançadas e sem restrições de conteúdo local. A segunda conseguiu, em maio de 2017, a aprovação do primeiro financiamento de energia solar no BNDES (R$ 529 milhões) para implantação do Complexo Solar Pirapora, em Minas Gerais, com cinco usinas fotovoltaicas, potência instalada total de 150 MW e potência fotovoltaica instalada de 191 megawatts picos (MWp). As diferentes estratégias parecem coerentes com as características das empresas envolvidas. A Enel é uma empresa especialmente focada em energia, possuindo parcerias que fabricam painéis solares. A Canadian Solar é uma das principais empresas produtoras de placas solares no mundo a principal que não é de propriedade de firmas chinesas. A empresa canadense possui ativos de geração solar em diferentes partes do mundo; no entanto, o que a destaca na indústria é sua importância na manufatura de equipamento de solar fotovoltaica. Todavia, resta saber se algumas dessas estratégias serão vencedoras, ou se conviverão na evolução do setor no Brasil. Certamente, dependerá tanto do desenvolvimento tecnológico quanto da evolução da regulação setorial e da política de financiamento do BNDES. Fotovoltaica distribuída no Brasil A geração distribuída (GD) é aquela realizada junto ou próxima dos consumidores. Apesar da reconhecida economia de escala das fontes tradicionais de geração elétrica, recentemente, as tecnologias têm evoluído para incluir potências cada vez menores, podendo assim se tornar distribuídas. A GD tem vantagem sobre a geração central, pois economiza investimentos em transmissão e reduz as perdas nesses sistemas, melhorando a estabilidade do serviço de energia elétrica (Martins, 2015). A importância desse tipo de geração é grande em países europeus, como na Alemanha, em que menos de 20% da energia solar é centralizada. No entanto, na América Latina, em que os leilões têm sido os impulsionares dessa tecnologia, a energia descentralizada ainda é pouco representativa. O manual para o Procedimento de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional (Prodist) criado pela Resolução Normativa n° 345/2008 da Aneel e alterado em 2012 define GD como a produção de energia elétrica de qualquer potência conectada diretamente ao sistema elétrico de distribuição ou mediante instalações de consumidores, podendo operar em paralelo ou de forma isolada, e despachada ou não pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) (Aneel, 2012). Essa definição está alinhada com a citada pela legislação brasileira, no art. 14 do Decreto n° 5.163, de 30 de julho de 2004, que considera GD os investimentos em produção de energia elétrica originada dos investimentos de agentes concessionários, permissionários ou autorizados, conectados diretamente no sistema elétrico de distribuição do comprador exceto alguns empreendimentos hidroelétricos e termoelétricos. Assim, GD inclui diferentes fontes de energia; no entanto, são as características da energia solar que vêm aumentando a importância dessa forma de geração. Alguns estudos, como MIT (2016), chamam atenção para as mudanças substanciais na caracterização do uso e da economia da rede da energia elétrica, que decorrem da difusão maciça de GD. O modelo de energia centralizado é organizado técnica e economicamente partindo do princípio que os fluxos seguem dos produtores para os consumidores de energia, que são agentes separados conectados pela rede. Um modelo de organização do sistema elétrico com grande participação da geração distribuída deverá partir do princípio que o mesmo agente pode ser consumidor e produtor de energia (prosumers); nesse modelo, os fluxos se tornarão, cada vez mais, bidirecionais. No Brasil, a regulamentação da GD conectada à rede é relativamente nova. Em abril de 2012, entrou em vigor a Resolução Normativa n° 482 da Aneel, que regulamentou a microgeração e a minigeração distribuída de energia elétrica. Essa resolução estabeleceu o Sistema de Compensação de Energia. Nesse arranjo, a energia ativa injetada por unidade consumidora/produtora distribuída é cedida, por meio de um empréstimo, à distribuidora local e posteriormente compensada com o consumo de energia elétrica ativa. Os créditos de energia elétrica gerados continuam válidos por sessenta meses. Ademais, a Resolução Normativa n° 482/2015 permite a instalação de GD em locais diferentes do ponto de consumo, podendo usar no local de geração ou outras unidades previamente cadastradas dentro da mesma área de concessão e caracterizada como autoconsumo remoto, geração compartilhada ou integrante de empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras (condomínios). Essa opção de deslocação abre oportunidades de modelos de negócios diferenciados para a implantação de GDs (Aneel, 2016a). No entanto, ainda há restrições e incertezas a esses arranjos. Aneel (2017) explica que compete à distribuidora analisar o ato constitutivo da cooperativa ou do consórcio apresentado pelo consumidor, junto à solicitação de acesso, no intuito de comprovar a adequação do documento à legislação específica, não podendo ser aceito outro arranjo jurídico na modalidade geração compartilhada (Aneel, 2017). Atualmente, o número de conexões de geração compartilhada ainda é insignificante no país. Há um enorme crescimento das GDs no Brasil, como podemos observar no gráfico 9. Comparando o primeiro trimestre de 2016 com o primeiro trimestre de 2017, o número de conexões foi aproximadamente quatro vezes maior. Dessas interconexões, mais de 98% são referentes à energia solar distribuída. GRÁFICO 9 Número de conexões GD no Brasil (2012-2017) Fonte: Astra Solar. Atualmente, o tipo de consumidor que mais adota a GD solar são os consumidores residenciais de alta renda. Segundo Astra Solar (2017), 79% das GDS são residenciais, seguidas do setor comercial (16%), e os demais (inclui rural, industrial e poder público) somam 5% das unidades de GD. Isso pode ser entendido em parte como consequência do Sistema de Compensação Nacional, uma vez que o retorno financeiro do empreendimento está relacionado com o preço que o consumidor deveria pagar pela energia se tivesse consumido da rede; logo, o retorno é maior para aqueles que pagam maiores tarifas, que são os consumidores residenciais. Considerando os dados do perfil dos interessados em instalar energia solar distribuída divulgado pelo Portal Solar (2017), observa-se concentração dos agentes que possuem perfil de alta renda, cuja conta de eletricidade é superior a R$ 200,00 por mês (75% dos que fazem orçamento), e que são proprietário dos imóveis (85% dos que fazem orçamento). Apesar do crescimentoda GD distribuída, há ainda importantes desafios a serem considerados. Vazquez e Hallack (2017) chamam atenção que a regulação e os incentivos governamentais podem ter papel central como promotores e como barreiras à evolução da geração distribuída. Entre os incentivos regulatórios e governamentais, destaca-se a diferença de incentivos e subsídios no financiamento da energia centralizada e descentralizada. Como a energia descentralizada não tem acesso a financiamento de bancos de desenvolvimento, como o BNDES, tende a ser financiada em condições menos atrativas que as da energia centralizada. Ademais, como os preços da GD dependem do preço final da energia, que varia ao longo do tempo, enquanto a solar centralizada depende de leilões, cujos preços são fixados por leilões de longo prazo, há o risco de remuneração menor que a primeira. Por outro lado, o desenvolvimento da GD também impactará e será impactada com a regulação da distribuição de eletricidade. Se a regulação não se desenvolver considerando essa interação, poderá gerar distorções importantes na indústria. Seção 3.5: Considerações e proposições Apesar do sucesso do avanço da energia eólica no país, colocando-o entre os países com maior instalação de capacidade do mundo, um caminho virtuoso para as novas renováveis no Brasil dependerá do tratamento de alguns desafios. 1) Adequação e consistências entre os objetivos de políticas: energética, ambiental e industrial. 2) Desenvolvimento de instrumentos de análise de custo-benefício transparente das políticas de conteúdo local, na promoção e no financiamento de renováveis. 3) Adequação dos mecanismos de incentivo para a geração descentralizada. 4) Readequação do desenho de mercado elétrico para compatibilizar a formação de preço com as características de intermitência das renováveis. Adequação das políticas: objetivos e instrumentos Os objetivos de políticas de introdução de renováveis não são claramente definidos no Brasil. Os leilões de expansão constituíram um mecanismo efetivo para a introdução das novas renováveis, mas o ritmo de contratação é condicionado pela situação de suprimento de eletricidade, implicando picos e vales de contratação. Essa descontinuidade pode gerar custos, principalmente se o objetivo é criar uma cadeia de produção nacional de equipamentos. Ultimamente, o uso de leilão de reserva é uma ilustração da subordinação do objetivo de difusão de renováveis ao objetivo de segurança do abastecimento. Do ponto de vista do instrumento, este foi criado para garantir a seguridade do sistema e não pode ser creditado como a única forma de introdução de novas renováveis. O uso apenas do BNDES como mecanismo de política industrial em um contexto de política energética e de renováveis pouco definida pode gerar custos relativamente altos. A questão dos subsídios via condições vantajosas de financiamento é um elemento central na expansão da geração de eletricidade no Brasil, visto a ampla e histórica participação do BNDES nas diferentes fontes de energia. Assim, se não forem cuidadosamente adequadas, as condições para o financiamento das novas fontes renováveis podem impactar fortemente na escolha tecnológica, considerando que outras fontes de geração usualmente contam com financiamento do BNDES. As cláusulas de conteúdo local, comuns nos financiamentos do banco, ao priorizar tecnologias nacionais, podem gerar viés no uso de tecnologias maduras com pouca inovação e já internalizadas, o que pode impactar a composição da matriz energética nacional. Por outro lado, esse tipo de cláusula, se bem ajustada, pode gerar a internalização de parte da cadeia, possibilitando queda de custos no longo prazo que, idealmente, pode ser mais que suficiente para cobrir os custos de curto prazo. Dados os potenciais efeitos positivos e negativos desse tipo de mecanismo, é necessária a avaliação custo-benefício periódica de seus impactos. É de se esperar que os efeitos não sejam os mesmos para todo o conjunto de fontes renováveis e nem para todas as partes da cadeia dessa indústria. Assim, as metas e os mecanismos da PCL, via financiamento, devem ser específicos para cada fonte energética e diferenciados pelos equipamentos, conforme os benefícios esperados e os custos associados. Interação das novas renováveis com o mix energético do país: readequação dos incentivos Ainda que o Sistema Elétrico Brasileiro conte com elevada participação de fontes de geração renováveis tradicionais (hidrelétrica e biomassa), a difusão das novas fontes renováveis muda o perfil da geração do país. Enquanto as variações relevantes das fontes hídrica e de biomassa ocorrem em períodos longos (estações e anuais), as novas fontes têm variações importantes no curtíssimo prazo (intermitência intradiária); isso gera a necessidade de adaptar o atual modelo para considerar essas variações, até então pouco relevantes e desconsideradas. Atualmente, o regime de operação é guiado por programas computacionais e por custos esperados de geração, que não levam em conta a intermitência de curto prazo da geração. O preço é calculado em base semanal e diferenciado por patamares de carga (consumo) de eletricidade. O valor da água, que é a variável mais influente para determinar a operação no Brasil, deveria incorporar o impacto da flexibilidade de curto prazo. Como a água contida nos reservatórios hídricos é a forma menos custosa de complementar a intermitência das novas renováveis, os sinais de preço devem refletir esse serviço. Ou seja, com a difusão das renováveis, o valor da água deve ser mais elevado, com o objetivo de orientar o armazenamento que reserve quantidade suficiente para complementar a geração intermitente renovável no curto prazo. Do ponto de vista estrutural, o desenho de mercado deve evoluir para compatibilizar uma massiva introdução de novas renováveis e prosumers. Nesse novo modelo, a flexibilidade deve ser valorizada, permitindo a interação entre a geração dos prosumers, a geração centralizada, as preferências dos consumidores e o uso dos sistemas de rede e de confiabilidade de suprimento. Esse novo arranjo deve considerar as restrições de pagamento de grande parte dos consumidores brasileiros. Como a parcela mais pobre da população deve continuar sendo suprida via rede, a solução não deve onerar excessivamente as tarifas de consumo a partir da rede. Referências ACRÍTICA. 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Considera-se pelo contexto a necessidade de o país investir em energias renováveis reduzindo a oferta do petróleo e de seus derivados. Assim, as energias renováveis vieram para ficar, e o que se tem como conceito é que o Brasil se destaca na ampliação da geração hidráulica. Ao analisar com mais apuro, pode-se afirmar que o Brasil é rico nesse sentido, pois trata-se de um país que não necessita de outros países para a obtenção e manutenção de energia, assim, possui diversos meios para utilizar a energia renovável, disponibilizando-a toda a população brasileira (ACRÍTICA, 2018). Sendo assim, essa informação relevante foi apresentada pelo especialista Pedro Jara Xavier, o qual possui mais de 33 anos de experiência no setor elétrico do Brasil. O especialista afirma que as fontes de energias renováveis surgiram devido a muitas alterações que ocorreram no meio ambiente, em especial o Aquecimento global, mas não só por isso, mas devido a que, economicamente, seria uma maneira de economizar, impedindo que maiores danos fossem causados ao país. Desta forma, poder-se-ia retirar do poder público mais um fardo que se apresenta cada dia mais pesado, no que diz respeito a cobranças e olhares críticos, em um país que possui imensas riquezas naturais que podem ser aproveitadas e em que, de repente se faz vista grossa e a questão passa despercebida por muitos (ACRÍTICA, 2018). Para ampliar o conhecimento das fontes renováveis são apresentadas algumas delas: Energia Solar, aquela que provém de raios solares lançados que emanam as radiações solares e que podem ser aproveitadas quando armazenadas corretamente, para produzir eletricidade. São economicamente mais baratas e também menos agressivas ao meio ambiente. Assim, quando a luz solar alcança as células fotovoltaicas é espontaneamente transformada em eletricidade. As células fotovoltaicas possuem um preço alto, porém barateiam o custeio de energia elétrica nas residências, pois mesmo em dias chuvosos e nublados, elas conseguem captar os raios solares, assim como também conseguem atuar na energia termelétrica, armazenando energia elétrica (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012). Em âmbito nacional, o estado de Minas Gerais tem se destacado pelo uso da energia solar, o que permite uma maior otimização do uso de energia elétrica, dando menos despesas aos cofres públicos, o que politicamente permite um status, mas economicamente um prejuízo pelo fato de não se ter oportunidade de lucrar com essa fonte de energia (ACRÍTICA, 2018). A energia eólica, gerada pela força dos ventos, representados por cata-ventos enormes ou turbinas eólicas são construídos para que possa ser captada, armazenada e gerada a energia elétrica (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012). Desta forma, quando esses geradores são construídos, possibilita que essa energia gerada consiga chegar às residências e sustentar ecologicamente uma cidade. No caso dos estados do Nordeste, em especial Bahia, que possui muitas usinas, estas se utilizam dessa fonte renovável e infinitamente rica, ainda que apresente insuficiência no armazenamento, pela dependência da natureza (pouco vento) (ACRÍTICA, 2018). Ao que se refere à energia eólica, sendo o Brasil emergente no fornecimento dessa fonte de energia renovável, constata-se que na política externa em relação a outros países, oferece relativa autonomia na geração de energia; limpa e possível desde que seja implantada em locais adequados. Todavia, em argumentos políticos que têm como foco a elaboração de estratégias acerca da expansão da energia eólica, encontra entraves que dificultam que essa energia internacionalmente seja considerada possível, porque o Brasil pode ter destaque neste âmbito, melhorando até economicamente. A fonte de energia eólica pode dar ao Brasil, uma maior credibilidade, por esse motivo precisa ser bem explicitada quanto ao uso, assim como cuidados e manutenção, e quando a população que utiliza conhece o funcionamento e não só isso, quando sabe colaborar com essa fonte de energia renovável, por isso a política de apoio ainda precisa ser feita por todos (ANEEL, 2008). A geração de energia hidráulica/hidrelétrica ocorre por meio do movimento das águas, com isso consegue ser rica na captação e para aproveitar o seu máximo potencial hidráulico pode ser realizada em um rio que tenha um elevado volume de água, porém para isso é necessária a construção de usinas em rios. A energia hidráulica é muito utilizada aqui no Brasil, no qual se podem destacar as bacias do Rio Paraná e do Rio Amazonas (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012). Essa fonte de energia renovável, apesar de muito eficiente, causa grandes impactos à natureza, por conta disso é construída em espaços isolados, para não causar inundações, mas quando são construídas nas cidades pode trazer grandes prejuízos à população ribeirinha, devido aos alagamentos nas casas mais próximas, provocando quebra na economia do município ou do estado. Pode ainda causar prejuízos enormes quanto ao seu custeio de manutenção de funcionamento em locais mais isolados (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012). Energia biomassa tem como fonte de energia a matéria orgânica, não fóssil é gerada com a utilização de restos de cana de açúcar, como o bagaço, entre outros restos agrícolas. A biomassa consiste em se empregar na produção de energia, procedimentos como a reação de um combustível com oxigênio de materiais orgânicos que são gerados e aglomerados em um ecossistema (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012). Ao se tratar de energia de biomassa que provém de sobras vegetais e animais, o Brasil tem condições para essa implantação, tanto que a cana de açúcar, muito utilizada, vem comprovando essa fonte de energia, pois em seu espaço territorial, é eixo principal na geração de energia elétrica, mas como suas bases são espalhadas e dispersas, é utilizada para consumo, dando lucro na exportação, Ainda que todo o tipo de dificuldade seja colocado, tanto política quanto economicamente, para que essa fonte de energia renovável não chame a atenção para ser explorada devem ser criadas usinas para seu melhor aproveitamento (ANEEL, 2008). A energia geotérmica é obtida por meio do calor no interior da Terra, assim a geração de eletricidade consiste na produção, por meio de uma turbina movida a vapor de água, a partir do aquecimento do interior da terra. Sendo considerada uma das energias mais limpas e em quantidades enormes, essa energia vem se desenvolvendo em diversos países além Brasil. Como fonte condutora de eletricidade, seu funcionamento é preciso e eficaz (AGUILAR; OLIVEIRA; ARCANJO, 2012). Na questão da energia geotérmica, considerada econômica, ainda tem algumas ressalvas quanto a sua implantação, sendo um dos motivos para que alguns pesquisadores considerem o Brasil um país de pouco potencial para tal avanço. Entre os contrapontos estão a natureza e a economia, que aumentam o desinteresse em se criar normas que possam chamar a atenção de investidores para tal implantação. Outro motivo é que o Brasil, por ser uma país tropical, é considerado relativamente mais quente (ANEEL, 2008). Como politicamente as fontes de energias renováveis dão ao Brasil um destaque positivo, é preciso que se analisem, por outro lado, os riscos que podem ser causados à sociedade o uso da energia hidráulica/hidrelétrica, referentes a rachaduras nas barragens, falta de manutenção e projetos ambientais que preservem a população de possíveis desastres causados pelo homem.Seção 1.3: Políticas sobre o meio ambiente Segundo os autores Ayala e Senn (2012, p. 12), que utilizam a Declaração do Rio do ano de 1992, no princípio 7 está descrito “que o dever de cooperação entre Estados para a preservação do meio ambiente é enfatizado, sendo estabelecido que os Estados irão cooperar, em espírito de parceria global, para a conservação, proteção e restauração da saúde e da integridade do ecossistema terrestre”. Nota-se que essa preocupação com o meio ambiente existe há várias décadas possibilitando tratados internacionais que abordam o tema, como: Quadro 1 - Tratados internacionais que abordam sobre o meio ambiente Fonte: adaptado de Ayala e Senn (2012, p. 13). Verificou-se nesses tratados internacionais que versam sobre a colaboração internacional de como preservar o meio ambiente e sobre a necessidade de responsabilizar os Estados brasileiros por suas obrigações de impedir de forma eficiente a destruição da natureza (AYALA; SENN, 2012). Siqueira (2008) afirma que para formular, estabelecer e principalmente implementar qualquer tipo de política ambiental existe a necessidade de envolver todos os indivíduos desde de: políticos, professores, educadores, escolas, agentes públicos, cientistas, empresas e etc., resumindo, a população de modo geral, tem que fazer parte desse processo. Assim, o autor afirma que: Todos os segmentos sociais têm interesse em que as políticas ambientais sejam formuladas e executadas de forma a refletir o máximo possível as suas pretensões. Isso seria capaz de possibilitar um gasto mais eficiente do dinheiro público, a satisfação da população com o desempenho dos agentes governamentais, a efetiva proteção ambiental, o desenvolvimento social e econômico sustentável (SIQUEIRA, 2008, p.426). No entanto, quando são estabelecidas algumas normas para ajudar na preservação do meio ambiente, estas ocorrem pelo fato de que algo já aconteceu e é preciso tomar atitudes para mediar tal incidente (SIQUEIRA, 2008). Quando existem, as formas convencionais de participação diretas proporcionadas aos cidadãos são marcadas por ocorrerem em fases tardias do processo de decisão. As audiências públicas, exigidas pela legislação como uma etapa do processo de licenciamento a empreendimentos que gerem impactos no meio ambiente, propõem-se a ser um espaço democrático para o debate e a troca de ideias entre os diferentes setores da sociedade (SIQUEIRA, 2008, p.426). No começo da década de 1990 acentuou-se a preocupação com o meio ambiente, abrangendo espaço nas principais agendas de representantes de vários países para discutir assuntos ambientais. No Brasil desenvolveram-se diferentes processos para implementar a educação ambiental de maneira que gerasse uma evolução do país para tornar-se sustentável. Uma ação desenvolvida foi capacitar pessoas para multiplicarem o conhecimento sobre a Educação Ambiental. Desta forma, pode-se resumir que a década de 1990 significou um progresso para os órgãos ambientais de Estado considerando os avanços conquistados nos debates sobre a precisão de implementar políticas que dirigissem para a formação de um ambiente social sustentável (BRANDÃO et. al., 2015). No dia 12 de fevereiro de 1998, no Brasil, foi criada a Lei nº 9.605 referente aos Crimes Ambientais a qual discorre sobre as sanções penais e infrações administrativas para qualquer tipo de conduta que prejudique o meio ambiente. E a Lei nº 9.605/1998 em seu capítulo VII contempla a COOPERAÇÃO INTERNACIONAL PARA A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE: Art. 77. Resguardados a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes, o Governo brasileiro prestará, no que concerne ao meio ambiente, a necessária cooperação a outro país, sem qualquer ônus, quando solicitado para: I - produção de prova; II - exame de objetos e lugares; III - informações sobre pessoas e coisas; IV - presença temporária da pessoa presa, cujas declarações tenham relevância para a decisão de uma causa; V - outras formas de assistência permitidas pela legislação em vigor ou pelos tratados de que o Brasil seja parte. § 1° A solicitação de que trata este artigo será dirigida ao Ministério da Justiça, que a remeterá, quando necessário, ao órgão judiciário competente para decidir a seu respeito, ou a encaminhará à autoridade capaz de atendê- la. § 2º A solicitação deverá conter: I - o nome e a qualificação da autoridade solicitante; II - o objeto e o motivo de sua formulação; III - a descrição sumária do procedimento em curso no país solicitante; IV - a especificação da assistência solicitada; V - a documentação indispensável ao seu esclarecimento, quando for o caso. Art. 78. Para a consecução dos fins visados nesta Lei e especialmente para a reciprocidade da cooperação internacional, deve ser mantido sistema de comunicações apto a facilitar o intercâmbio rápido e seguro de informações com órgãos de outros países (BRASIL, 1998). A importância de se ter criado uma lei para penalizar quem comete qualquer tipo de crime contra com o meio ambiente ajuda, porém não garante que não irá acontecer. A preocupação de manter a fauna e flora de todo o ecossistema brasileiro é uma preocupação nacional e internacional (AYALA; SENN, 2012). LAFER (1992 apud BRANDÃO et. al., 2015, p. 13) afirma que: Para tornar viável o desenvolvimento sustentável dos países em desenvolvimento, são imprescindíveis formas inovadoras de cooperação nas áreas econômica e financeira. Recursos financeiros democráticos e transparentes serão essenciais para assegurar a plena implementação dos compromissos que assumirmos nesta conferência. Consideráveis investimentos serão necessários para internalização dos custos ambientais. Segundo Silva (2007) afirma, o mundo nunca modificará seu vínculo de inconsciente com a natureza enquanto não houver modificação na relação entre o desenvolvimento e a justiça social. Desta forma, para proteger o meio ambiente que é um patrimônio compartilhado entre todos, é preciso uma nova forma de repartição equilibrada das riquezas, isso tem que acontecer com equidade tanto dentro de cada nação quanto no âmbito internacional. E complementa que a igualdade social é considerada a mais perfeita arma contra a deterioração do planeta Terra. Assim, cada ser humano tem que ser responsável em assumir sua parte, pois somente se cobra dos outros e poucos assumem a responsabilidade fazendo a sua parte. E as irresponsabilidades de alguns recaem sempre sobre os mais pobres que vivem nessa Terra. Macedo (2014) aponta algumas relevâncias referentes às dificuldades de o Brasil continuar se expandindo, principalmente pensando nos desafios que ocorrem nas políticas externas do país. É certo que é preciso se preparar para tornar-se uma política pública harmônica e transparente condizente a um país globalizado, que seus problemas locais acabam repercutindo em todas as partes do mundo, e inclusive a população brasileira acaba sofrendo altos impactos com essas instabilidades. No entanto, o Brasil conseguiu se elevar como potência emergente, e com essa ampliação estável no mercado e participação mais intensa em fóruns renomados e regiões, possibilitou maior visibilidade ao país, conseguindo obter reconhecimento internacional. Em 2003, foi implantado no Brasil o PROINFA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica) Maior programa nacional para estímulo à produção de energia elétrica por meio das fontes renováveis, com base na Lei no 10.438, de abril de 2002. O programa é gerenciado pela Eletrobrás, empresa constituída pelo Governo Federal em 1962 para investir na expansão do sistema elétrico nacional. Para a primeira fase do programa, previa-se a instalação de uma capacidade total de 3,3 mil MW. A energia produzida pelo Proinfa tem garantia de contratação por 20 anos pela Eletrobrás (ANEEL, 2008) Aqui no Brasil, tambémtem o (PRoGD), que é um Programa de Desenvolvimento de Geração e Distribuição de Energia Elétrica, criado em 2015 “para ampliar e aprofundar as ações de estímulo à geração de energia pelos próprios consumidores, com base nas fontes renováveis de energia (em especial a solar fotovoltaica)” (MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA, 2015). Assim como o (PRODEEM) Programa de Energia de Estados e Munícipios instituído em 2017, criado como oportunidade de implantar essa fonte de energia renovável; as metodologias desse programa vêm colaborando com a população brasileira em diversos estados e municípios, para fornecer linha de crédito para indústrias e residências assim como hospitais, dando também a municípios em estados mais distantes, uma geração de energia saudável (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2017). Segundo Gil (2008) a metodologia de pesquisa utilizada para escrever esse artigo cientifico consistiu na revisão bibliográfica que foi realizada em artigos científicos e livros, assim sendo, a fundamentação teórica ocorreu do uso de material já existente. As autoras Marconi e Lakatos (2003, p. 183) conceituam que a: Pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc., até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fita magnética e audiovisuais: filmes e televisão. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferencias seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas, quer gravadas. Cervo, Bervian e Silva (2007) descrevem a pesquisa bibliográfica como a que busca interpretar um problema partindo de fundamentações teóricas já publicadas, utilizando como base, livros, artigos científicos, dissertações e teses. Assim podendo ser desempenhada independentemente ou fazendo parte de uma pesquisa experimental ou descritiva. Desta forma, em qualquer um dos casos, procura-se analisar e conhecer as informações culturais ou científicas referentes ao passado a propósito de tema, assunto ou problema específico. Seção 1.4: Considerações Respondendo à pergunta de pesquisa dessa unidade que é: Qual a importância de incluir políticas públicas de energias renováveis para o meio ambiente? Quando se trata de fontes de energias renováveis, um leque de possibilidades se abre, principalmente em um país rico em possibilidades de desenvolver energias sustentáveis, as quais precisam ser pesquisadas e até mesmo custeadas e há algumas cujo custeio é muito baixo em alguns casos. Analisando as fontes de energias renováveis quanto ao consumo, infelizmente, ainda não há consciência total da tamanha riqueza que um país como o Brasil possui, poucos sabem, esses poucos complicam o acesso, ou colocam para a população somente a parte complicada, e, alguns economicamente levam vantagem. Na atualidade precisa-se criar políticas para ajudar a economia do país, e há a necessidade de estar atento a essas fontes de energia que são de empresas privadas e possuem altas taxas de uso, por exemplo, de energias hidráulica/hidrelétrica, que utilizam também o petróleo e outros combustíveis fósseis e nucleares porque dão mais lucro. Com isso o meio ambiente é afetado, pois tais fontes, por mais simples que aparentem ser, devem ser repensadas, no caso da hidrelétrica, por exemplo, que causa alagamentos e não pode ser executada de qualquer forma. Por outro lado a energia solar, por necessitar de ações do próprio ambiente, mas devido a mudanças climáticas, o sucesso se torna restrito devido aos valores das células. Por atitude do homem há queda de barragens, solos são danificados, efeito estufa, aquecimento global e vários outros impactos ambientais. Nesse caso o que acontece ao custeio de utilização da fonte de energia renovável, a forma como é extraída da natureza, em alguns casos, de forma inconsequente, por não ter muita preocupação a quem ou onde trará resultados danosos. Alguns questionamentos são levantados por conta da questão ambiental, porém quando o assunto trata de energias renováveis, duas ou até mais questões são relevantes já que, infelizmente, cada órgão seja público ou até mesmo privado, têm interesses próprios e todos querem tirar vantagens e não ter prejuízos. Se por um lado a questão política envolve toda uma sociedade cheia de problemas e dificuldades em seu cotidiano, que clama por um olhar diferenciado quanto às condições precárias em que se encontram no caso do Brasil, por outro, há inúmeras situações embaraçosas envolvem corrupção e falta de organização. Portanto, é necessário criar métodos que possam incluir o homem enquanto ser social e política, que haja empenho e práticas, onde todos se beneficiem, pois a sustentabilidade e o meio ambiente, que caminham juntos tenham na sustentabilidade uma forma de preservação do meio ambiente. Quanto à parte política, esta se divide em outros assuntos, não demostrando tanto interesse em inovar as fontes de energia de modo a favorecer a saúde da população. Países até menores conseguem justificar as leis e com isso argumentar para a sociedade que quanto mais riquezas o país possui, menor será a dependência de outro país para a manutenção de energia. Assim como o combustível fóssil, que até pode ser melhor, porém mesmo com banco atuando no financiamento, quantos projetos de proteção ambiental vão ser necessários até a sociedade se sinta responsável pela utilização de outros métodos e com isso obtenha uma vida mais saudável, sem prejuízos na saúde e no bolso A diminuição de juros, o incentivo à utilização tem que partir de quem tem mais conhecimento sobre o assunto de energias renováveis, mas para isso todos os congressos, seminários, devem ser do conhecimento não só dos órgãos públicos mas da população em geral para que possam exercer de fato a cidadania. Unidade 2: Energias Renováveis: Um Futuro Sustentável Seção 2.1: Energia e as necessidades humanas O homem é uma máquina maravilhosa movida a água, oxigênio e alimentos. Extremamente eficiente, o corpo humano tem a potência de uma lâmpada (100W). Sua inteligência criou grandes obras e se engajou em guerras. Ao longo dos séculos, foi capaz de passar da pedra lascada às viagens para fora do Sistema Solar. O homem se multiplicou e dominou o planeta, tirando dele os recursos necessários à sua sobrevivência e à satisfação de suas necessidades e desejos. Um milhão de anos atrás, as necessidades do homem primitivo eram relativamente poucas e relacionavam-se intrinsecamente à sua sobrevivência. Energeticamente, dependia das cerca de 2 mil quilocalorias (kcal) extraídas dos alimentos que conseguia obter a duras penas. Há 7 mil anos o homem dominava a energia de animais de tração: um cavalo substituía a força de oito homens. Para o homem nômade primitivo, os recursos naturais eram aqueles que estavam diretamente ao seu alcance. Com o tempo, dominou o fogo e passou a cortar lenha para se aquecer e cozinhar. Com o aumento da população há pouco mais de 7 mil anos, foi necessário aumentar a produtividade na obtenção dos recursos através da agricultura. Os nobres do Império Romano quantificavam suas riquezas em número de escravos, o que correspondia em termos energéticos a múltiplos de 2 mil kcal por dia. Nos dias de hoje, o consumo energético por habitante no mundo equivaleria a cerca de 20 “escravos”. No começo da Idade Moderna (1400 d.C.), o homem passou a utilizar as quedas d’água e os ventos para moer trigo e realizar outras tarefas. A energia de origem fóssil também era utilizada, mas com baixa intensidade: carvão mineral que aflorava da terra aquecia ambientes e fornecia calorpara pequenas manufaturas, como a siderurgia. O petróleo também aflorava mas era praticamente desconhecido: era utilizado na iluminação quando o óleo de baleia se tornava escasso. Com a Revolução Industrial de 1875 o homem desenvolveu a máquina a vapor e multiplicou ainda mais suas capacidades na indústria e no transporte. A população cresceu e, junto, o consumo de energia. No século XX, o homem tecnológico aprimorou a máquina a vapor e desenvolveu motores de combustão interna movidos a gasolina e diesel, que são derivados do petróleo. Alguns experimentos também foram realizados com óleos vegetais, mas os derivados de petróleo eram bastante confiáveis, abundantes, baratos, fáceis de estocar e transportar. Vieram mais tarde os motores elétricos e a energia nuclear, mas o mundo nunca mais rompeu sua relação de dependência com o petróleo. A energia de 2 kcal que mantinha o homem primitivo por um dia corresponde àquela contida num copo de petróleo. Ficou mais fácil o acesso à energia. As 2 kcal estão contidas num único lanche “combinado tamanho grande” que pode ser comprado em cadeias de lanchonetes. Uma Ferrari que transporta uma ou duas pessoas tem a força de 600 cavalos. No ano 2003, cada um dos 6 bilhões de habitantes do planeta consumiu em média 1,69 .107 kcal (ou 1,69 tonelada equivalente de petróleo per capita no ano), cerca de um milhão de vezes o que consumia o homem primitivo. Seção 2.2: Classificação das fontes de energia: renováveis e não- renováveis Muita energia vem do Sol para a Terra, mas pouco é aproveitado. Uma parte da radiação solar fornece calor, outra forma os ventos, outra, os potenciais hidráulicos dos rios (pela evaporação e condensação), outra, as correntes marinhas. Uma pequena parte é incorporada nos vegetais através da fotossíntese e serve para sustentar toda a cadeia alimentar do planeta. Ao longo das eras, a matéria orgânica dos seres que pereciam se acumulou no subsolo terrestre, formando as chamadas fontes fósseis de energia: petróleo, carvão mineral, gás natural, xisto betuminoso e outros. O processo ocorreu em milhões de anos. Da mesma forma, alguns elementos químicos que sempre estiveram presentes na crosta terrestre podem gerar energia através da fissão de seus núcleos: é o caso do urânio. Esses elementos são as fontes primárias de energia nuclear. Como a reposição das fontes de energia fóssil e nuclear requer um horizonte de tempo geológico, essas são consideradas não-renováveis. Já as fontes renováveis de energia são repostas imediatamente pela natureza; é o caso dos potenciais hidráulicos (quedas d’água), eólicos (ventos), a energia das marés e das ondas, a radiação solar e o calor do fundo da Terra (geotermal). A biomassa também é uma fonte renovável de energia e engloba diversas subcategorias, desde as mais tradicionais (como a lenha e os resíduos animais e vegetais) até as mais modernas (como o etanol para automóveis, biodiesel, bagaço de cana para co-geração energética e gás de aterros sanitários utilizados para a geração de eletricidade). Impactos do uso da lenha nas antigas civilizações Apesar de a lenha ser uma fonte renovável de energia, os estoques utilizados nem sempre são repostos. A expansão da civilização desde a época greco- romana induziu ao consumo de grandes quantidades de lenha para produzir calor e para construir edifícios, embarcações, armamentos e outros bens. A devastação foi tal que hoje praticamente não há fl orestas virgens na região do Mediterrâneo. Como não havia preocupação com a capacidade do ambiente em repor os recursos naturais, algumas regiões foram devastadas. Quando os recursos se tornavam escassos, a questão se resolvia pelo abandono da região ou disputando-se as melhores terras. Algumas vezes isso não era possível e populações inteiras foram dizimadas pela fome. Algumas formas de conversão de energias renováveis são, portanto, tradicionais. É o caso do fogão primitivo, movido a lenha catada ou desmatada. Por sua vez, as fontes modernas podem ser subdivididas em “convencionais” e “novas”. As “convencionais” são tecnologias dominadas e comercialmente disseminadas há muitas décadas, como é o caso das usinas hidrelétricas de grande e médio porte. As “novas” são aquelas que começam a competir comercialmente com as fontes tradicionais, renováveis ou não. É o caso dos painéis solares fotovoltaicos, dos aquecedores solares, das pequenas centrais hidrelétricas (que, apesar de conhecidas, ainda não têm equipamentos a preços amplamente acessíveis), das usinas de geração de eletricidade a partir das ondas e marés, das turbinas eólicas, das usinas geotermais, da biomassa “moderna”. Assim, as fontes de energia podem ser classificadas conforme o quadro a seguir. Seção 2.3: Status atual da matriz energética mundial As fontes fósseis de energia predominam até hoje na matriz energética mundial e de todos os países individualmente. Em 2001, o mundo consumiu quase 80% de energias fósseis em um total de 10,2 bilhões de toneladas equivalentes de petróleo. A principal delas é o petróleo (35% do total), mas as parcelas de carvão (23%) e gás natural (22%) também são bastante significativas. A energia nuclear, também não- renovável, contribuiu com cerca de 7%. As fontes renováveis contribuíram com os 13% restantes. Entretanto, pouco menos de metade dessa parcela, 9% do total mundial, correspondeu à biomassa tradicional, basicamente à lenha queimada de forma primitiva. Apenas 4% da matriz energética mundial foi suprida com a energia hidrelétrica (2%) e com as outras opções “modernas” (2%), como eólica, solar e biocombustíveis. Cada habitante do planeta consumiu 1,67 tonelada equivalente de petróleo (tep) nesse ano. Contudo, o consumo de energia é muito diferente entre países desenvolvidos (do grupo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE) e os em desenvolvimento (chamados de não-OCDE), tanto em quantidade quanto em qualidade. Assim: • países desenvolvidos consomem quase cinco vezes mais que os em desenvolvimento por habitante: 4,7 contra 0,95 tep per capita; • no mundo desenvolvido vivem pouco mais de 1 bilhão de pessoas, que consomem 83% de sua energia por fontes fósseis, mais 11% de eletricidade de origem nuclear; somente 6% da energia é renovável; • já nos países em desenvolvimento vivem quase 5 bilhões de pessoas, que utilizam 22% de energia renovável, principalmente a biomassa (cerca de 19% do total); a energia nuclear ainda é pouco desenvolvida e os combustíveis fósseis predominam. Seção 2.4: Os desafios de hoje A manutenção da situação atual não é possível por uma série de razões. As principais são: 1) os limites nas reservas disponíveis; e 2) os impactos ambientais, principalmente os das mudanças climáticas. Fora isso, os países defrontam-se com desafios, como por exemplo: 3) conflitos regionais, como disputas pelo petróleo e uso da tecnologia nuclear para fins não-pacíficos; e 4) pressões na dívida externa dos países em desenvolvimento, que precisam importar derivados de petróleo. Assim, a forma com que a energia vem sendo produzida e consumida é incompatível com o desenvolvimento sustentável. Mas o que é desenvolvimento sustentável? Em 1987, um grupo de especialistas de todo o mundo se reuniu, formando a chamada Comissão para o Meio Ambiente e Desenvolvimento e emitiu o relatório “Nosso Futuro Comum” com a seguinte definição: “desenvolvimento que supre as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações atenderem às suas necessidades”. Existe uma medida de sustentabilidade chamada ecological footprint ou “pegada ecológica”, que mede a área produtiva necessária para propiciar os recursos que são utilizados e para assimilar os rejeitos que são produzidos por umadeterminada população com um certo padrão de vida. Em 1999, a “pegada” de cada habitante do planeta era de 2,3 hectares (ou 23 mil m2). Em 2050, seu valor total será o dobro da capacidade da Terra. Os limites nas reservas disponíveis Cerca de metade do petróleo que o planeta possuía originalmente já foi exploradas até hoje. Restam cerca de 1 trilhão de barris a explorar, o que deve se esgotar em cerca de 50 anos. Isso leva os países a prospectar e desenvolver outras opções energéticas. O gás natural é uma interessante alternativa, porém também finita: deve levar cerca de 60 anos para se esgotar, mantido o atual ritmo de consumo. Muitas nações possuem vastas reservas de carvão pouco exploradas, o que lhes garante o suprimento por mais 250 anos, mas gera altos níveis de poluição. Novas descobertas e novas tecnologias de extração de recursos energéticos de origem fóssil podem ampliar um pouco esses horizontes, mas o fato é que mais e mais dinheiro é e será gasto para buscar cada vez menos energia em locais cada vez mais remotos. Os potenciais nucleares atuais são da ordem de 80 anos, podendo se estender por centenas de anos. Entretanto, enquanto não vier uma revolução tecnológica, para a obtenção de energia nuclear será necessário petróleo. Além disso, após o acidente de Chernobyl em 1986, as medidas de segurança para os novos reatores nucleares e rejeitos radioativos requerem mais energia. As energias renováveis também possuem limites, mas esses estão longe de serem atingidos. O mundo possui vastos potenciais em renováveis, muitos dos quais já estão ao alcance da tecnologia atual. É o que acontece com a hidreletricidade, a energia eólica, os potenciais geotermais e, especialmente no mundo em desenvolvimento, a biomassa moderna. Impactos ambientais: locais, regionais, globais Pode-se dizer com razoável grau de certeza que a principal ameaça à existência da raça humana sobre a Terra são as mudanças climáticas, causadas pelo aumento nas concentrações atmosféricas dos gases que causam o aumento do efeito estufa. Mas há outros impactos a considerar. O sistema energético mundial é responsável por severos impactos ambientais, como derramamentos de óleo, perda de biodiversidade, chuva ácida e a poluição urbana. Os impactos ambientais podem ser categorizados em locais, regionais e globais. Em nível local, as emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis, inclusive as do setor de transportes, são as maiores responsáveis pela poluição urbana e, conseqüentemente, por centenas de milhares de mortes por problemas respiratórios, cardiovasculares e câncer (Molina & Molina, 2004). Metade da população mundial vive em cidades. No início do século passado existiam apenas 3 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, hoje existem 281. Várias metrópoles têm mais de 10 milhões de moradores e a conurbação de pequenas cidades também cria focos de problemas com material particulado (MP, principalmente os finos e ultrafinos que penetram nos bronquíolos pulmonares), dióxido de enxofre e sulfatos (SO2 e SO4- -), óxidos de nitrogênio (NO e NO2, os chamados NOx), compostos orgânicos voláteis (COVs, que incluem os hidrocarbonetos – HCs), monóxido de carbono (CO), ozônio de baixa altitude (O3 troposférico) e outros poluentes. Em nível regional, precursores da chuva ácida (SO2, NOx e outros) gerados por processos de combustão podem se precipitar milhares de quilômetros de distância de seu ponto de origem, muitas vezes atravessando fronteiras de países. Com a chuva e a neve, tais óxidos se convertem em ácidos (como o sulfúrico e o nítrico), atingindo diretamente ecossistemas, plantações, edifícios históricos, estruturas e outros receptores vulneráveis. Um exemplo está no carvão queimado na Europa, emitindo enxofre que se precipita sobre rios na Escandinávia, abaixando seu pH (medida de acidez) de 7 (neutro) para 4 ou menos. Globalmente, um assunto crítico são as mudanças climáticas causadas pelo aumento do efeito estufa, que por sua vez se deve às crescentes emissões de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e outras substâncias na atmosfera por processos naturais e antropogênicos (causados pelo homem). O principal desses processos é a produção de energia (como termelétricas, transporte, indústrias, aquecimento de ambientes, etc.) de origem fóssil. O carbono depositado na crosta terrestre durante eras é lançado quase que imediatamente em termos geológicos pelos processos pós- Revolução Industrial e pela queima de florestas. Na atmosfera, o carbono atua como um vidro, que deixa passar os raios do Sol para a Terra mas não deixa o calor sair: esse é o chamado efeito estufa. A participação dos países em desenvolvimento (pouco menos de 30%) no total de emissões por queima de combustíveis fósseis vem crescendo rapidamente nos últimos anos e deve se igualar à dos países desenvolvidos até 2035, quando cerca de 12 bilhões de toneladas de CO2 ao ano serão lançadas no total (hoje são pouco menos de 7). O desmatamento também é uma fonte importante a considerar: pouco menos de 2 bilhões de toneladas/ano de CO2 são lançadas e o Brasil é o maior emissor. Ainda que com uma matriz energética consideravelmente “limpa”, o país está bem “avançado” no ranking dos maiores emissores do planeta graças ao desmatamento. ESTIMATIVAS DE EMISSÕES DE CARBONO EM 2000 (1) estimativa multiplicando o desmatamento líquido pela quantidade de madeira nas florestas (dados da UN FAO, 2004) e por 25% (isto é, 50% de madeira seca e 50% de carbono contido). (2) Gregg Marland et al, 2004 Seção 2.5: As soluções possíveis Energias renováveis são a única solução para tais problemas, pois são intrinsecamente duráveis. A conservação de energia, fóssil ou não, é complementar à transição para um novo padrão de desenvolvimento, e prolongará a vida útil das reservas existentes. O que é preciso é mudar as atuais prioridades de maneira rápida e significativa. Pequenas mudanças em suas prioridades podem fazer uma grande diferença em termos de sustentabilidade. A energia move todo ano vultosas cifras econômicas, algo em torno de 1,5 trilhão de dólares. As energias fósseis recebem vultosas somas de subsídios, das mais variadas formas, algo como 151 bilhões de dólares ao ano entre 1995 e 1998. Os renováveis receberam no mesmo período 9 bilhões de dólares ao ano. Um considerável esforço vem sendo feito por muitos países para “limpar” as impurezas de combustíveis fósseis, mas isso não consegue resolver o problema das mudanças climáticas. A captura de CO2 (e lançamento em depósitos subterrâneos) é complexa, cara e limitada a poucos processos. Além disso, vazamentos são uma possibilidade desastrosa. Acima de tudo, não reduz os padrões de extração dos recursos presentes no planeta. Os renováveis evitam todos esses problemas, pois emitem pouquíssimo carbono em seu ciclo de vida e são praticamente inexauríveis. Além disso, emitem muito menos poluentes locais e geram muitos empregos (biomassa gera 150 vezes mais empregos por unidade de energia que petróleo; energia solar ainda mais). Para acelerar o crescimento dos renováveis é preciso: 1) vencer as resistências dos mercados e eliminar os subsídios às fontes não- renováveis (fósseis e nuclear); 2) subvencionar a entrada de novas tecnologias, reduzindo seus custos; 3) estabelecer políticas mandatórias e progressivas para sua introdução; 4) disseminar as tecnologias para que os países em desenvolvimento as incorporem mais rapidamente sem ter de passar por estágios intermediários e mais poluentes (efeito leapfrogging). O Brasil sabe bem como isso funciona, pois desde 1975 o Proálcool obrigou a adição do biocombustível na gasolina. A produção cresceu, a tecnologia se desenvolveu e, hoje, temos os veículos flex, que dão liberdade de escolha ao consumidor, e um combustível competitivo nos mercadosinternacionais. Os custos baixaram com o tempo e tornaram o etanol competitivo com a gasolina no mercado de Rotterdam. O mesmo deve ser feito em nível mundial para todos os renováveis “modernos”, em suas curvas de aprendizado que vêm evoluindo ao longo dos anos. Para que isso aconteça, uma postura proativa de todos os países é necessária. Uma meta tangível e perfeitamente possível seria a expansão das energias renováveis de 4 para 10% na matriz mundial até 2012. Tal objetivo seria um importante passo na direção de um futuro energético sustentável. Unidade 3: Novas Energias Renováveis no Brasil: Desafios e Oportunidades Seção 3.1: Introdução A questão ambiental, tanto global quanto local, e os recentes avanços tecnológicos transformaram as energias renováveis na escolha prioritária para a expansão de capacidade de geração elétrica. Segundo Irena (2017), desde 2012, a instalação de capacidade de renováveis ultrapassou a instalação das não renováveis de forma crescente. Em 2015, a capacidade instalada de renováveis representou 61% da capacidade total adicionada no mundo. Esse aumento das renováveis no mundo se deve principalmente ao aumento das novas tecnologias de energia renováveis; em especial, eólica e solar. Em 2015, o aumento da capacidade instalada das duas fontes mais importantes das novas energias renováveis, solar e eólica, superou a de hidráulica pela primeira vez. O Brasil se posiciona nesse cenário de forma bastante peculiar, visto a importância histórica das hidráulicas na matriz elétrica nacional. Por um lado, as energias renováveis no Brasil são um caso de sucesso: a participação de fontes renováveis na matriz de geração brasileira é de 85%. Isto se deve, principalmente, à participação da energia hidroelétrica; uma tecnologia conhecida e amplamente aplicada no Brasil. Por outro lado, a expansão das hidráulicas enfrenta progressivamente maiores custos e restrições. Assim, se o Brasil quiser manter uma matriz limpa, terá que fazer face às novas oportunidades e aos desafios relacionados à introdução das novas energias renováveis. Assim, para manter uma matriz limpa, se juntando ao esforço mundial de controle das taxas de emissão de CO2, o Brasil terá que aproveitar as novas oportunidades e fazer face aos desafios relacionados à introdução das novas energias renováveis. Esta unidade busca traçar as oportunidades e os desafios para o país na introdução massiva de novas energias renováveis. Para tanto, primeiro apresentaremos as motivações e os compromissos internacionais em direção à transição energética; em seguida, discutiremos as especificidades-chave da indústria de energia no Brasil. Então, abordaremos os casos específicos das políticas de introdução de eólica e de solar até então aplicadas. Por fim, levantaremos os principais elementos de política que devem ser tratados para aperfeiçoar os incentivos às novas renováveis no país. Seção 3.2: Externalidades ambientais dos combustíveis fósseis e esforço internacional de mitigação Historicamente, os combustíveis fósseis se tornaram o recurso central da matriz energética mundial. Desde a Revolução Industrial, os sucessivos paradigmas tecnológicos calcaram-se na utilização crescente de combustíveis fósseis. Em 2014, 80% da demanda energética mundial foi atendida por petróleo, gás natural e carvão (IEA, 2016). A base fóssil da energia, no entanto, gerou externalidades ambientais importantes, que nas últimas décadas começaram a ser colocadas na pauta de política energética dos países – nacionalmente e internacionalmente. A dominância dos combustíveis fósseis foi considerada determinante para o aquecimento global, e a redução dessa participação é vista como a principal política para evitar a ocorrência de catástrofes ambientais. A 21° Conferência das Partes (COP21), realizada em dezembro de 2015, em Paris, traçou ações efetivas para limitar o aumento da temperatura média no mundo abaixo de 2º C até 2100, a partir de planos nacionais de compromisso de redução de emissões, chamados de Intended Nationally Determined Contributions (INDCs). A transição energética mundial para uma economia com baixa emissão de carbono dependerá, significativamente, da redução da utilização de combustíveis fósseis na geração de eletricidade, que responde, atualmente, por um terço das emissões globais. Além disso, o caminho para a redução das emissões de outros segmentos de consumo, como transporte e aquecimento, deve envolver maior utilização de eletricidade com carros e sistemas de aquecimento de ambiente elétricos, por exemplo, indicando que uma matriz elétrica limpa, com elevada participação de fontes renováveis, será essencial para permitir que a eletrificação do futuro reduza os níveis atuais de emissão. Seção 3.3: Especificidades brasileiras: da renovável para as novas renováveis A inserção do Brasil nesse contexto internacional tem suas peculiaridades. Por conta da disponibilidade de recursos renováveis, o Brasil seguiu uma trajetória distinta e, hoje, conta com uma matriz energética limpa em relação à média mundial. O gráfico 1 compara a meta global de redução da intensidade de emissões de CO2 na geração de eletricidade condizente com o cenário 450 da Agência Internacional de Energia (IEA – em inglês, International Energy Agency) no horizonte 2040, que limitaria o aumento da temperatura global em 2° C, e a intensidade do Sistema Elétrico Brasileiro (SEB) em 2014. Se o esforço global mitigatório das emissões tiver êxito, a intensidade de emissão para a geração de energia global alcançará o índice brasileiro próximo do final do período de previsão. Ou seja, em matéria de matriz de geração limpa, o Brasil está vinte anos à frente da média global. O desafio que se coloca, no entanto, é manter a participação de renováveis na matriz de geração. Assim, a liderança não exime o Brasil de seguir políticas de mitigação de emissões. GRÁFICO 1 Meta de intensidade de emissão de CO2 para geração elétrica no cenário 450 da IEA e intensidade no Brasil em 2014 (1990-2050) (gCO2/kWh) Fontes: Dados mundiais da IEA, disponíveis em: . Dados do Brasil do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), disponíveis em: . Nesse sentido, na COP21, o Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de gás de efeito estufa (GEE) em 37% em 2025, em relação aos níveis de 2005, e em 43%, na mesma base de comparação até 2030. Para o setor de energia, o Brasil estabeleceu três metas (INDCs) no Acordo de Paris: i) atingir participação de 45% de energias renováveis na matriz energética em 2030; ii) aumentar a participação de bioenergia para 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis, a oferta de etanol – inclusive segunda geração – e a parcela de biodiesel na mistura do diesel; e iii) expandir o uso de fontes renováveis, além da energia hídrica, na matriz total de energia para uma participação de 28% a 33% até 2030 (EPE, 2016). No gráfico 2, pode-se observar a participação das diferentes tecnologias no crescimento da capacidade instalada brasileira. Em relação a 2012, o crescimento da capacidade instalada de 2013 se concentrou fortemente em hidráulica e térmica. Em 2014, notam-se o maior crescimento das térmicas e o crescimento moderado das renováveis. A partir de 2015, há diminuição da importância das térmicas no crescimento de capacidade e ocorre crescimento importante da eólica. A energia solar, nos anos observados, continua sendo pouco relevante para o incremento de capacidade no período analisado. GRÁFICO 2 Participação das diferentes tecnologias no crescimento da capacidade instalada brasileira– referente ao ano anterior (2013-2017) (Em %) Fontes: Boletins mensais no monitoramento do SEB para os meses de janeiro do período 2012-2017, disponíveis em: . Para atender aos objetivos propostos, o Brasil terá de repensar o papel das térmicas. Nos últimos anos, o papel desempenhado pelas termelétricas no Brasil tem sido inadequado em termos econômicos e ambientais. Baseada na perspectiva de utilização pouco frequente, a construção do parque termelétrico brasileiro priorizou a flexibilidade, com tecnologias com menores custos de investimento, apesar de obterem menor eficiência energética e maiores custos operacionais. Essas tecnologias, como é o caso de sistemas térmicos em ciclo aberto, acarretam maior emissão por KWh produzido. No entanto, desde 2013, as térmicas brasileiras têm sido utilizadas intensamente, em longos períodos contínuos durante o ano. Essa inadequação da tecnologia para o tipo de uso impacta negativamente nos custos de suprimento elétrico e nas emissões de CO2. Por sua vez, a matriz energética brasileira conta com posição privilegiada para acomodar uma expansão significativa de energias renováveis intermitentes – características das novas renováveis, como a solar e a eólica. Por um lado, o Sistema Elétrico Brasileiro pode ser considerado dinâmico, com crescimento elevado projetado para o longo prazo, o que permite ajustes na expansão para adequar o sistema a maior geração de fontes renováveis intermitentes. Por outro lado, o sistema já dispõe de elevado grau de flexibilidade em decorrência: i) da preponderância hidrelétrica, que representa 70% da capacidade instalada; ii) da estocagem através dos reservatórios hídricos com potencial de armazenagem de 211 TWh, equivalente a pouco menos de cinco meses da carga anual; e iii) da possibilidade intercâmbio elétrico-energético por meio de um sistema de transmissão de dimensão continental, o Sistema Interligado Nacional (SIN), que atende a 98% da carga do país. Com essas características, a expansão renovável no Brasil pode ocorrer com custos de integração reduzidos. Os reservatórios acomodam a intermitência provendo flexibilidade e ainda estocam a geração intermitente sob a forma de água, com o deslocamento da energia hidráulica evitada. Seção 3.4: Promoção das novas energias renováveis no brasil: mix de política energética e industrial Visto o potencial nacional tanto eólico quanto solar, o Brasil criou mecanismos de incentivos à promoção dessas fontes energéticas. Os principais elementos desses mecanismos são os contratos de longo prazo estabelecidos através dos leilões (power purchase agreement – PPAs) e o financiamento privilegiado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Visto que grande parte dos financiamentos da indústria de energia passa pelo BNDES, isso não poderia ser diferente para novas energias renováveis. O financiamento desse banco, no entanto, está relacionado com a política industrial de produção local de componentes. Assim, o BNDES criou políticas de conteúdo local (PCLs) específicas para as novas renováveis. Enquanto a evolução da indústria da eólica mostrou grade efetividade na internalização de componentes (Ferreira, 2017), a adaptação à política de energia solar ainda deverá ser avaliada. A aplicação da política de conteúdo local para solar é muito recente: o primeiro financiamento do BNDES, respeitando as regras de conteúdo local, foi aprovado em 2017; logo, não se podem avaliar, ainda, seus resultados. No entanto, diversos agentes no setor apontam para dificuldades relevantes na internalização de algumas tecnologias na cadeia de produção da placa de solar fotovoltaica. A história de sucesso da energia eólica: difusão e desenvolvimento produtivo A introdução da energia eólica no Brasil foi inicialmente impulsionada pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), em 2002. O programa previa a contratação de 3,3 GW de capacidade de geração de três fontes de geração renováveis: pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e eólica, através de tarifas incentivadas (regime feed in). O programa passou por algumas dificuldades que acarretaram contratação inferior ao projetado, mas teve o papel de conferir uma nova dinâmica para a energia eólica no Brasil. Com a implantação da sistemática de leilões como forma principal de contratação da expansão do parque gerador de eletricidade, em 2004, a expansão da energia eólica se consolidou no Brasil. No final de 2016, a capacidade instalada de geração eólica alcançou 10,7 GW (gráfico 3), o que representava 7% do parque gerador brasileiro. Em 2016, o Brasil alcançou a nona posição em capacidade instalada em energia eólica e foi o quinto país que mais adicionou capacidade de geração eólica no ano (Abeeólica, 2017). GRÁFICO 3 Evolução da capacidade de geração de energia eólica (2005-2016) (Em GW) Fonte: Abeeólica (2017). Os parques eólicos foram contratados inicialmente através de leilões específicos para fontes alternativas – leilão de fontes alternativas (LFA) e leilão de energia de reserva (LER). Posteriormente, com o ganho de competitividade da energia eólica no Brasil, os parques eólicos passaram a ser contratados em leilões não específicos, concorrendo com as demais fontes de geração em leilões A-3 e A-5. O gráfico 4 ilustra a contratação de energia eólica nos leilões de expansão. GRÁFICO 4 Contratação de energia eólica por leilão de expansão e acumulada (Em GW) Fonte: Goldenzweig (2017). Conforme aponta o gráfico 5, o preço de contratação de energia eólica caiu fortemente desde o primeiro leilão, quando a energia foi negociada pelo valor médio de R$ 240,00/megawatts-hora (MWh), em valores atualizados. No leilão A-5 de 2012, a energia eólica foi comercializada a R$ 120,00/MWh, a preços atualizados. Posteriormente, o preço de contratação da energia eólica se elevou, refletindo a deterioração das condições macroeconômicas do Brasil. O volume contratado também se reduziu nos últimos anos, e não houve contratação de novas usinas eólicas em 2016, o que arrefecerá o ritmo de crescimento da capacidade instalada no futuro. GRÁFICO 5 Preço médio da contratação de energia eólica em leilões de expansão (2009-2015) (Em R$/MWh) Fonte: Goldenzweig (2017). Nota: Valores atualizados para janeiro de 2017. As características do potencial eólico brasileiro contribuíram para o sucesso na sua difusão. Em primeiro lugar, particularmente no Nordeste, os ventos apresentam intensidade e constância favoráveis para a produção de eletricidade. O fator de utilização médio dos parques eólicos brasileiros, 38%, é bastante superior à média mundial, 24% (gráfico 6). GRÁFICO 6 Fator de capacidade de parques eólicos – países selecionados (Em %) Fonte: Abeeólica (2017). Em segundo lugar, a fonte energética dominante (hidrelétrica) apresenta complementariedade com a geração eólica. O gráfico 7 relaciona a hidrologia brasileira, em termos da energia que chega aos reservatórios mensalmente (ENA), e o fator de utilização mensal do parque gerador eólico no Brasil. Percebe-se claramente que os momentos de maior incidência hidrológica correspondem aos momentos de ventos desfavoráveis e vice-versa. Ou seja, ventos e chuvas apresentam correlação negativa, que contribui para a segurança do abastecimento. GRÁFICO 7 Evolução mensal da energia natural afluente (MWmed) e do fator de utilização de parques eólicos no Brasil (jan. 2013/dez. 2016) Fonte: Goldenzweig (2017). Por último, a disponibilidade de reservatórios hidrelétricos resulta em menores custos de integração de centrais eólicas ao sistema. A intermitência eólica pode ser regularizada por meio de água acumulada nos reservatórios no Brasil, o que é bem menos custoso do que ocorre emsistemas predominantemente termelétricos, em que é necessário manter centrais de backup para essa finalidade (Losekann, 2013). Energia eólica e desenvolvimento produtivo A difusão da energia eólica no Brasil foi impactada pelo interesse em desenvolver um parque fornecedor local para os equipamentos dessa fonte. Para tanto, o governo brasileiro implantou um conjunto de políticas com essa finalidade. Ferreira (2017) aponta que o governo federal e os governos estaduais promoveram isenções fiscais para empreendedores eólicos e fornecedores de equipamentos. O setor conta com os incentivos do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura (Reidi), Convênio ICMS n° 101/1997, que prevê a isenção do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) para certos equipamentos de aerogeradores. Vários estados brasileiros concederam isenção de ICMS para atrair parques eólicas e fornecedores. Ademais, a isenção da cláusula de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que obriga geradores a dedicarem 1% da receita líquida para esse fim, dá vantagem aos empreendimentos eólicos em relação às fontes convencionais de geração. O segmento eólico é contemplado também por políticas tecnológicas. O fundo setorial CT-Energia, criado em 2000, disponibiliza recursos para atividades de desenvolvimento tecnológico para fontes renováveis. Entre as chamadas públicas para a seleção de projetos, o segmento eólico foi considerado como tema prioritário somente na chamada de 2006. Em 2013, o governo brasileiro lançou o programa Inova Energia, que contempla energias alternativas em uma de suas linhas de financiamento. A principal política de incentivo ao desenvolvimento da cadeia produtiva do aerogerador no Brasil, a política de conteúdo local do BNDES, teve início com a contratação de energia eólica no Proinfa. Inicialmente, os requisitos para concessão de financiamento eram os mesmos de outros setores econômicos, uma vez que se exigia um índice global de nacionalização do aerogerador de 60%. Por avaliar que esse critério distorcia as escolhas de tecnologias e não era suficiente para impulsionar a nacionalização de equipamentos de maior intensidade tecnológica, o BNDES implantou uma nova metodologia a partir de 2013. A nova política do BNDES implementou regras que aumentavam gradativamente o requisito de conteúdo local de todas as partes do aerogerador (torre, rotor e nacele), visando à internalização de componentes de maior complexidade tecnológica, com destaque para os equipamentos da nacele – que contêm os componentes de maior requisito tecnológico do aerogerador. A metodologia contempla metas alternativas com seis etapas, com duração semestral, encerradas em dezembro de 2015, para a internalização da produção das partes do aerogerador. Esses requisitos deveriam refletir a maturidade dos fornecedores locais. Ferreira (2017) conduziu entrevistas com agentes do setor para avaliar a efetividade da política de conteúdo local do BNDES. Sua análise aponta que o desenho da política segue as boas práticas de políticas de conteúdo local, contemplando as seguintes características: • não é compulsória – A política é um requisito para obter financiamento do BNDES. Se a política implicar sobrecustos excessivos para o empreendedor, este pode buscar outras fontes de financiamento sem esse condicionante. Nesse sentido, a seleção de parques eólicos em regime competitivo através dos leilões limita a possibilidade de sobrecustos; • metas exequíveis – As metas foram definidas com a participação da cadeia produtiva. Ainda que alguns gargalos tenham ocorrido, as empresas entrevistadas consideram que os objetivos refletiam o potencial de evolução da cadeia produtiva; • regras claras – As montadoras de aerogerador eram capazes de identificar quais metas deveriam atingir para o credenciamento; • cronograma definido – As etapas tinham datas estabelecidas desde a implementação da política; • flexibilidade – A política estabeleceu metas alternativas para o cumprimento dos requisitos de conteúdo local. Os fornecedores podiam escolher qual “caminho” escolher; e • progressiva – Os compromissos aumentavam gradativamente, idealmente, acompanhando a capacidade dos fornecedores locais. Apesar de um balanço positivo, a análise de Ferreira (2017) aponta algumas deficiências e lacunas da política: • competitividade em termos de preço não foi foco – Os requisitos não contemplavam explicitamente os preços dos equipamentos em relação aos produtos importados; • ausência de análise custo-benefício – Não foram conduzidos estudos para comparar os benefícios da política em relação aos seus custos para a sociedade; e • desarticulação com as políticas energética e tecnológica – A política de promoção de renováveis não é articulada à política de conteúdo local. O ritmo de contratação de energia eólica, com picos e vales, dificulta o estabelecimento de fornecedores domésticos. A política tecnológica aplicável ao setor pouco contribuiu para o desenvolvimento tecnológico da produção local de equipamentos do aerogerador. Podemos considerar que o objetivo de desenvolver a cadeia produtiva local do aerogerador foi atingido. Atualmente, o Brasil conta com seis montadoras de geradores credenciadas no BNDES (tabela 1). Um conjunto de empresas estrangeiras se instalou no Brasil a partir da difusão da energia eólica na matriz. Em 2012, a WEG, uma empresa nacional de competitividade global em equipamentos elétricos, iniciou a produção de aerogerador. Ainda que sua participação de mercado seja pequena, sua entrada no setor é considerada promissora. TABELA 1 Montadoras de aerogeradores instaladas no Brasil (1995 e 2011- 2014) Fonte: Ferreira (2017). O Brasil conta com fornecedores de pás antes mesmo do desenvolvimento da energia eólica no país. A Tecsis e a Woben tinham, inicialmente, a produção voltada para a exportação. Com a difusão da energia eólica no Brasil, a dinamarquesa LM e a brasileira Aerys passaram a atuar no segmento em 2013 (quadro 1). Os fornecedores de capital nacional utilizam a capacitação tecnológica derivada dos usos aeronáuticos, segmento em que o Brasil detém competitividade global. QUADRO 1 Fabricantes de pás instaladas no Brasil (1995, 1998 e 2013) Fonte: Ferreira (2017). Além da produção local dos chamados macrocomponentes (torre, pás e nacele), o Brasil desenvolveu nos últimos anos a produção local de diversos equipamentos do aerogerador (quadro 2). Dos 24 equipamentos elencados na política de conteúdo local do BNDES, dezoito contam com fornecedores domésticos. Entre os equipamentos não internalizados, a caixa multiplicadora representa um desafio mais significativo, por sua relevância no custo do aerogerador e por contar com poucos fornecedores no mercado global. Quanto a nacionalidade dos produtores elencados no quadro 2, vinte são estrangeiros e 22, nacionais. Os países com maior difusão de energia eólica, como Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Dinamarca, são a origem da maior parte das empresas estrangeiras atuantes no Brasil. QUADRO 2 Fornecedores de equipamentos eólicos no Brasil Fonte: Ferreira (2017). Nota: Empresas estrangeiras. A energia fotovoltaica no Brasil: avanços e percalços iniciais Apesar do grande potencial da energia solar no Brasil (Irena, 2017), essa fonte possui uma participação ainda insignificante no país. Recentemente, tem havido esforços e um crescente movimento para o desenvolvimento de energia solar no Brasil. Podemos dividir esse movimento em dois grupos: energia solar distribuída e energia centralizada. Enquanto a primeira está relacionada com a geração de eletricidade em residências,