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Apostila sobre títulos de crédito: definição legal, princípios (cartularidade, literalidade, autonomia), características, modos de circulação (portador, nominal, endosso, cessão), classificações por modelo e estrutura (promessa vs ordem) e requisitos formais da letra de câmbio.

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título de crédito
— Documentos escritos em que se afirma certo e determinado direito creditório ou 
uma obrigação de pagar a alguém certo valor ou certa prestação (art. 887 do Código 
Civil). Os títulos de crédito só produzirão efeitos se preencherem os requisitos previstos 
na legislação específica e, não dispondo de modo diverso a lei especial, reger-se-ão 
pelo disposto no novo CC. Assim, as disposições do CC, em princípio, não se aplicam 
aos títulos de crédito nominados/típicos, que possuem legislação especial. 
são obrigações quesíveis (querable), cabendo ao credor dirigir-se ao devedor para 
receber a importância devida
princípio
s:
1° Cartularidade ou Incorporação: O crédito está materializado no 
documento.
2° Literalidade: Só vale o que está escrito no título, sendo nulos 
qualquer alegação ou adendo não escrito. 
3° Autonomia: No título, as obrigações assumidas são independentes 
umas das outras e é desvinculado da relação que lhe deu origem 
(abstração)
característica
s: 
• natureza essencialmente comercial
• documentos formais
• natureza de bens móveis (art. 82 a 84, CC)
• são títulos de apresentação (documentos necessários ao 
exercício dos direitos neles contidos)
• constituem títulos executivos extrajudiciais (art. 784 do 
Código de Processo Civil), por configurarem uma obrigação 
líquida e certa.
• é um título de resgate, porque sua emissão pressupõe futuro 
pagamento em dinheiro que extinguirá a relação cambiária
• é título de circulação, uma vez que sua principal função é, 
como já afirmamos reiteradas vezes, a circulabilidade do 
crédito.
quanto ao modo de circulação 
a. Título ao portador: é aquele que circula pela mera tradição (art.904 CC) 
b. Título nominal: é aquele que identifica expressamente o seu titular, ou seja, o credor, 
é preciso praticar um ato formal que opere a transferência da titularidade do crédito.
• Nos títulos nominais com cláusula “à ordem”, esse ato formal é o endosso, 
típico do regime jurídico cambial (art. 910 do Código Civil). 
• Já nos títulos nominais com cláusula “não à ordem” esse ato formal é a cessão 
civil de crédito, a qual, como o próprio nome já indica, submete-se ao regime 
jurídico civil
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08/09/2025, 15:27 título de crédito
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c. títulos nominativos: são aqueles emitidos em favor de pessoa determinada, cujo 
nome consta de registro específico mantido pelo emitente do título. (art.921 CC)
quanto ao modelo
— Título de modelo livre é aquele para o qual a lei não estabelece uma padronização 
obrigatória, ou seja, a sua emissão não se sujeita a uma forma específica preestabelecida.
— título de modelo vinculado, ao contrário, se submete a uma rígida padronização 
fixada pela legislação cambiária específica, só produzindo feitos legais quando 
preenchidas as formalidades legais exigidas.
quanto à estrutura
— Nessa classificação, os títulos de crédito podem ser uma promessa de pagamento ou 
uma ordem de pagamento. Um exemplo de promessa de pagamento é a nota 
promissória, onde há duas figuras jurídicas. Assim, há o sacador, que é quem se obriga a 
fazer o pagamento, e o tomador que é o beneficiário. 
— Já na ordem de pagamento, há três figuras jurídicas: sacador: emite o título; sacado: 
contra quem é emitido o título; tomador: quem se beneficia do título. São exemplos o 
cheque, a letra de câmbio e a duplicata.
Quanto às hipóteses de emissão
— Título causal é aquele que somente pode ser emitido nas restritas hipóteses em que a 
lei autoriza a sua emissão
— Título abstrato, por sua vez, é aquele cuja emissão não está condicionada a nenhuma 
causa preestabelecida em lei.
1. Letra de câmbio ( Decreto Lei 5.7663/1966- LUG) 
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— é um título de crédito que se estrutura como ordem de pagamento, razão pela qual, 
ao ser emitida, dá origem a três situações jurídicas distintas: a) a do sacador, que emite a 
ordem; b) a do sacado, a quem a ordem é destinada; c) a do tomador, que é o 
beneficiário da ordem. Essas três situações jurídicas distintas a que nos referimos acima 
não precisam, necessariamente, estar ocupadas por três pessoas diferentes
— deve ser emitida preenchendo os seus requisitos essenciais, estabelecidos na 
legislação (arts. 1.º e 2.º da Lei Uniforme): 
a) a expressão letra de câmbio (cláusula 
cambiária);
b) uma ordem incondicional para 
pagamento de quantia determinada; 
c) o nome do sacado;
d) o nome do tomador; 
e) a assinatura do sacador;
f) a data do saque; 
g) o lugar do pagamento ou a menção 
de um lugar junto ao nome do sacado; 
h) o lugar do saque ou a menção de um 
lugar junto ao nome do sacador.
— não se admite que o cumprimento da obrigação mencionada na letra fique sujeito à 
implementação de qualquer condição, suspensiva ou resolutiva
— pagas em moeda nacional
— a letra de câmbio emitida para pagamento em domicílio de terceiro é o que a 
doutrina chama de letra domiciliada.
“a cambial emitida ou aceita com omissões ou em branco, pode ser 
completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto”. No mesmo 
sentido, dispõe o , que “o título de crédito, incompleto ao 
tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados”.
Enunciado 387 STF 
Código Civil, em seu art. 891
— Emitida a letra de câmbio, ela será entregue ao tomador, o qual, por sua vez, a levará 
ao sacado, para que este a aceite (art. 25 da Lei Uniforme), o que deve ser feito no 
próprio título por meio da expressão “aceito” ou “aceitamos”, seguida da assinatura do 
sacado ou de procurador com poderes especiais para tanto (art. 11 do Decreto 
2.044/1908). 
— o sacado não tem obrigação cambial alguma, uma vez que ele não é obrigado a 
cumprir a ordem de pagamento emitida pelo sacador contra a sua vontade. O aceite, 
portanto, é o ato pelo qual o sacado assume obrigação cambial e se torna o devedor 
principal da letra (aceitante).
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