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FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA JURÍDICA 
 
 
 
 
FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA 
JURÍDICA 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
Fundamentos da Ciência Jurídica ................................................................................. 3 
1 - A CIÊNCIA DO DIREITO: UMA BREVE ABORDAGEM .......................................... 3 
1.1 - O SIGNIFICADO DO TERMO “CIÊNCIA” ........................................................... 4 
1.2 - O PROBLEMA DA CIÊNCIA DO DIREITO ........................................................... 5 
1.3 - A CIÊNCIA DO DIREITO ...................................................................................... 7 
1.4 - A CIÊNCIA DO DIREITO — MÉTODO E OBJETO ............................................... 9 
1.5 - HANS KELSEN E A CIÊNCIA DO DIREITO ....................................................... 10 
2 - A Ciência Jurídica .................................................................................................. 11 
NOTAS ....................................................................................................................... 16 
Referências ................................................................................................................ 20 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fundamentos da Ciência Jurídica 
1 - A CIÊNCIA DO DIREITO: UMA BREVE ABORDAGEM 
Pretendemos com este texto fazer uma breve abordagem a respeito da 
ciência do Direito, enfocando tanto aspectos relacionados com a sua 
conceituação como com a sua problemática. Ainda que se possa discutir se o 
Direito constitui uma ciência própria, efetiva (a chamada ciência do Direito), a 
verdade é que poucos são os autores que ousam desafiar a visão dominante do 
Direito como ciência e suas principais consequências, especialmente após o 
advento da obra Teoria Pura do Direito, de Hans Kelsen, em que o autor se 
esmerou em demonstrar, como expoente do positivismo jurídico, a pureza 
jurídica do Direito em seu aspecto tipicamente científico1 . Nesse sentido, num 
primeiro momento, faz-se necessária a abordagem de como se dá a construção 
do conhecimento, ou seja, a construção da ciência, já que ela advém do 
conhecimento. 
Como observa Agostinho Ramalho Marques Netto, “conhecer é trazer 
para o sujeito algo que se põe como objeto. É a operação imanente pela qual a 
um sujeito pensante se representa um objeto” (1982, p. 12). A construção do 
conhecimento se dá numa relação de conjunção entre o objeto e o que pensou 
intelectualmente a respeito dele o sujeito que o observou. O conhecimento é fato 
e não podemos duvidar de sua existência. Podemos indagar sobre sua validade, 
objetividade e precisão, porque diversas1são as formas de adquiri-lo. O 
conhecimento pode ser religioso, filosófico, histórico, político, sociológico, 
 
1Todavia, sabemos que o surgimento do positivismo é anterior às discussões metodológicas de Hans Kelsen. 
Conforme Corrêa, “o positivismo jurídico é a teoria que veio contrapor-se à doutrina do Direito natural. 
Para esta nova matriz metodológica de explicação dos fundamentos do Direito, a ciência jurídica tem 
por objeto o conhecimento do conjunto de normas formadas pelo Direito vigente, positivo. No intuito 
de separar o Direito da moral e da política, pregam seus seguidores que o jurista deve limitar sua análise 
ao Direito estabelecido pelo Estado ou pelos fatos sociais, abstendo-se de qualquer valoração ético-
política, isolando o mundo das normas de sua realidade social: o objeto de estudo do Direito é o sistema 
de normas coercitivas fora de seu contexto concreto” (1999, p. 89-90). 
 
2No empirismo, a escola mais conhecida e radical é a do positivismo, representada pelo pensador francês 
Augusto Comte (1798-1857). Essa escola afirma que o conhecimento científico nasce do objeto. É 
neste que repousa a verdade científica, apresentando-se ao sujeito como de fato é na realidade (cf. 
Nunes, l996, p. l5). 
3 Em posição exatamente oposta ao empirismo e positivismo está a escola racionalista. O conhecido 
filósofo francês Descartes (1596-1650), da famosa frase “Penso, logo existo”, é considerado o fundador 
do racionalismo moderno (cf. Nunes, 1996, p. 16). 
 
 
científico etc. Nesse sentido, é possível afirmar que não existe um único tipo de 
conhecimento que possa ter um sentido unívoco no mundo. Diversos são os 
autores que abordam a relação existente entre sujeito e objeto. Todavia existem 
correntes que levantam essa problemática da relação sujeito-objeto, divergindo 
entre si quanto à construção do conhecimento. No que concerne a essa relação 
entre sujeito e objeto existem duas correntes que discutem a problemática. 
A corrente empirista2 parte da ideia de que o conhecimento só se adquire 
porque nasce do objeto e ao sujeito cabe somente registrá-lo e descrevê-lo, ou 
seja, ele partiria do real (objeto) para o racional (sujeito). O objeto seria algo 
transparente, invisível, se apresentaria ao sujeito como ele é, e a este caberia 
somente saber ver e assim construir o conhecimento. O conhecimento é para o 
empirista uma descrição do objeto, tanto mais exata quanto melhor apontar as 
suas características. 
A corrente racionalista3 , ao contrário da anterior, coloca seu fundamento 
de validade no sujeito e o objeto é somente um ponto de referência, quando não 
é ignorado. Essa corrente tem algumas semelhanças com o positivismo lógico, 
pois esse trabalha ou confere à razão uma importância mais alta, bem afastada 
do objeto, que não há como confundi-los. Dentro do racionalismo encontramos 
o idealismo, que seria o extremo dessa postura, pois para um idealista o 
conhecimento nasce e se esgota no sujeito, como ideia pura (cf. Marques Netto, 
1982, p.5). A problemática sobre o conhecimento e a divergência existente entre 
essas duas correntes, empírica e racional, faz com que busquemos entender 
dentro da relação sujeito-objeto a construção do termo “ciência” , que é o objeto 
de tal abordagem. 
 
1.1 - O SIGNIFICADO DO TERMO “CIÊNCIA” 
O termo “ciência”, na acepção vulgar, indica conhecimento, já que deriva 
da palavra latina scientia, oriunda de scire, ou seja, saber. O vocábulo “ciência”, 
em todos os autores por nós estudados, significa conhecimento, saber, possui 
um sentido dos mais variados e define todos os ramos do saber. 
 
 
Para Tércio Sampaio Ferraz Junior “o termo ciência não é unívoco, se é 
verdade que com ele designamos um tipo específico de conhecimento; não há, 
entretanto, um critério único que determine a extensão, a natureza e os 
caracteres deste conhecimento; tem fundamentos filosóficos que ultrapassam a 
prática científica, mesmo quando esta prática pretende ser ela própria usada 
como critério” (1986, p. 9). Dessa forma a expressão utilizada pelo autor, de que 
a ciência não possui sentido unívoco, evidencia que é composta de elementos e 
de enunciados que visam a transmitir informações verdadeiras sobre tudo o que 
existe, existiu ou existirá. O conhecimento científico quer, na verdade, que essas 
constatações e enunciados tornem-se descritivos, comprovando assim a 
existência desses dados. O conhecimento científico se constitui, nesse sentido, 
num corpo sistemático de enunciados verdadeiros. 
Como não se limita a constatar o que existiu e o que existe, mas também 
o que existirá, o conhecimento científico possui um manifesto sentido 
operacional, constituindo-se num sistema de previsões, bem como de 
reprodução e inferência dos fenômenos que descreve (cf. Ferraz Junior, 1986, 
p. 17). 
 
1.2 - O PROBLEMA DA CIÊNCIA DO DIREITO 
Segundo Angel La Torre (1978, p. 123), se a ciência é, em primeiro lugar, 
conhecimento de novos fatos da realidade, cabe perguntar que fatos, que 
realidade o jurista investiga. São os fatos e a realidade legais, isto é, o direito 
positivo vigente num dado momento e num dado país? Mas esse direito é 
mutável e efêmero. A problemática da ciênciado Direito reside justamente na 
questão do seu método e de seu objeto de conhecimento, pois para alguns 
juristas a ciência do Direito é uma atividade intelectual que tem por objeto o 
conhecimento racional e sistemático dos fenômenos jurídicos, enquadrando-se 
então num conhecimento unívoco e não variado. É este, portanto, o conceito de 
ciência do Direito que se encontra nos mais variados manuais estudados, ou 
seja, de uma ciência dogmática, estática, chamada dogmática jurídica. Por 
possuir essas características, seu papel seria somente avaliar o que está contido 
basicamente nas leis e nos códigos. Não é de natureza crítica, isto é, não penetra 
 
 
no plano da discussão quanto à conveniência social das normas jurídicas. Nesse 
sentido, ao operar no plano da ciência do Direito, o cientista tão somente cogita 
dos juízos de constatações, a fim de converter as determinações contidas no 
conjunto normativo. 
É irrelevante qualquer constatação sobre o valor de justiça, mantendo-se 
alheia a valores. Apenas define e sistematiza o conjunto de normas que o Estado 
impõe à sociedade. A partir disso se pode questionar como uma ciência como o 
Direito pode permanecer alheia a valores, se o princípio fundamental dessa área 
do saber é trabalhar com questões humanas, que são variáveis, jamais estáticas 
ou vinculadas à norma posta. Se a ciência é conhecimento ela é mutável, mesmo 
que se trabalhe com conceitos que digam que deve ser descritiva. Para que se 
concretize numa verdadeira ciência, temos de trabalhar então com normas 
descritíveis, mas que estejam sempre preparadas para possíveis modificações 
de acordo com o progresso social que envolve o Direito. Nesse sentido, o que 
mais intriga a maioria dos juristas é como a ciência se constitui, se há 
divergências sobre a sua real existência (método e objeto). 
A dificuldade surge no aspecto da existência de uma ciência autônoma do 
Direito, o que traz à discussão se os fenômenos jurídicos podem ser ou não 
objeto de reflexão e análise sob os diversos pontos de vista de outros ramos do 
saber (cf. La Torre, 1978, p.124). A discussão sobre a existência de uma ciência 
do Direito é muito antiga. Os romanos a qualificam como “Iurisprudentia” e a 
definiram como ciência porque nasceu e se desenvolveu com a filosofia grega, 
que permitiu à ciência analisar e gerenciar seus materiais. Mesmo assim havia 
uma incerteza quanto à doutrina jurídica e sua prática, pois havia dúvidas se 
poderia chamar-se ciência uma doutrina que era incapaz de decidir com certeza 
os problemas a ela submetidos. 
Dessa forma, somente no século passado, quando houve um assombroso 
progresso da maioria das ciências, foi possível conhecer melhor os aspectos da 
realidade social, possibilitando assim a certeza de estarmos adquirindo um 
conhecimento que permitiu investigar a lei e dar a ela um caráter mais científico 
(cf. La Torre, 1978, p. 128-31). Nesse sentido, H. J. Von Kirchmann (1961, p.54), 
refere-se ao fato de que, estando a ciência jurídica vinculada à legislação e 
 
 
variando esta segundo a vontade do legislador, a obra do jurista é efêmera, 
depende do capricho daquele e não pode seriamente pretender descobrir nada 
de real e permanente. Isso torna impossível estabelecer leis gerais. O que H. J. 
Von Kirchmann quer dizer-nos é que “todas as ciências têm leis e as leis são a 
sua finalidade suprema. Todas as ciências em todos os tempos têm, além das 
leis verdadeiras, outras falsas. Mas a falsidade destas não exerce qualquer 
influência sobre o seu objeto” (1961, p. 54). O que é diferente do Direito, pois 
nesse ocorrem fatores imprevisíveis, dados novos, a influência da vontade do 
legislador é bastante forte, por isso é difícil acatar a cientificidade do Direito. 
 
1.3 - A CIÊNCIA DO DIREITO 
Se considerarmos ciência qualquer tipo de conhecimento racional que 
engloba dados da realidade natural, social ou cultural, não teremos problemas 
para falar de uma ciência jurídica, visto que essa estuda dados da realidade, 
embora de forma racional. Suponhamos, no entanto, que exista uma ciência e 
que a sua utilização seja lícita. Assim, poderemos entendê-la então como 
arbitrária, nada progressiva, distante da realidade social e tomaríamos como 
exemplo a ciência jurídica, pois seu problema reside aí: é a ciência jurídica, por 
ser “ciência”, arbitrária e nada progressiva? 
Segundo Angel La Torre (1978, p. 141), um dos maiores problemas da 
ciência do Direito é a sua arbitrariedade, por ser constituída de leis arbitrárias 
que se modificam com o tempo, pois uma mera palavra do legislador “converte 
bibliotecas inteiras em lixo”, ou seja, uma mudança na legislação torna inúteis a 
maioria dos manuais de Direito. Não podemos exagerar esse feito, pois um 
ordenamento jurídico num todo não se modifica, mas evolui. Assim, o que muda 
são algumas normas, o que ocorre na verdade é um progresso, uma evolução 
da ciência jurídica quando se busca atender a dados da realidade social. 
Temos de ter presente que se a ciência jurídica é arbitrária é porque o 
legislador fica preso à doutrina tradicional, com métodos, sistemas e conceitos, 
e que esse, mesmo querendo realizar inovações, se prende a técnicas habituais 
de determinada época histórica. Por isso uma ciência jurídica, mesmo entendida 
 
 
no modesto sentido de ordenação de conceitos e métodos de análise de normas 
legais, não se improvisa, mas adquire-se através de uma educação 
especializada que transmite seus métodos e suas rotinas de geração para 
geração. 
Hoje, por mais radicais que sejam as mudanças, o jurista continua 
utilizando técnicas e hábitos da tradição doutrinária, já que o progresso social da 
ciência jurídica é discutível. Se considerarmos como objeto da ciência jurídica 
apenas o conhecimento do Direito, esse progresso é duvidoso. Nesse sentido, 
na realidade, quando se fala de progresso da ciência jurídica, teria que se pensar 
especialmente na forma como, graças ao desenvolvimento desses métodos de 
análise, o jurista é capaz de enfrentar novos problemas e realidades partindo de 
um Direito que inevitavelmente vai ficando ultrapassado pela evolução social (La 
Torre, 1978, p. 146). 
A resolução de tal problema está em sabermos se existe ou não um 
progresso social da ciência do Direito e que importância tem o jurista na 
existência desse progresso. Tal constatação se dá através da própria evolução 
dos homens e de suas realidades e é através dessas que o Direito, ou o 
conhecimento do Direito (já que ciência é conhecimento) poderá realmente se 
caracterizar como progresso social, regulando e controlando a vida da 
comunidade. Quando nos propomos a estudar a ciência jurídica, a primeira 
análise feita é de que o Direito não pode ser algo diverso, ou que não faz parte 
da realidade social. Ele precisa, isto sim, fazer parte da realidade social global, 
deve ser ciência à medida que é conhecimento, pois o jurista deve integrar-se 
na construção desse progresso que o Direito persegue. Cabe a pergunta: o 
jurista também persegue esse progresso social, faz dele ciência jurídica, ou ela 
deve ser “pura”, livre de qualquer influência ideológica? Buscamos a concepção 
de ciência jurídica e para que isso ocorra é necessário examinarmos qual o seu 
verdadeiro método e objeto. 
 
 
 
1.4 - A CIÊNCIA DO DIREITO — MÉTODO E OBJETO 
Para que possamos enfocar aspectos relacionados com o objeto e o 
método da ciência jurídica, uma primeira proposta pode ser a seguinte: “a ciência 
tem por objeto o conhecimento do conjunto de normas que constituem o Direito 
vigente ou positivo” (La Torre, 1978, p. 152). O jurista, ao utilizar esse objeto de 
conhecimento, deve buscar e desenvolver seus conceitos, sua metodologia, 
utilizando-se somente da lei. Nessa ótica, o jurista deve limitar-se ao Direito 
assim como ele nos é posto, estabelecido, não podendo adentrar e envolver-se 
em questões éticas ou valorativas,ou ainda ater-se a questões sociais ou, 
especificamente, a normas que se prendam à realidade social. 
O direito normativo/dogmático e somente esse é seu objeto de estudo. 
Diante disso, o jurista não precisa ser indiferente ao que diz respeito a valores 
éticos, morais e sociais. Ele pode criticar o Direito positivo e esforçar-se para 
modificá-lo, alcançando assim sua reforma e estruturação de algumas normas 
quando achar necessário. Entretanto, agindo assim, ele estará fora de seu 
campo de atuação como cientista do Direito. Para Angel La Torre, um jurista 
analisa objetivamente leis, ainda que se esforce para que o Direito de seu país 
se ajuste aos conceitos éticos mais perfeitos, tal como ele os concebe. A atitude 
positivista não pressupõe e tampouco nega a importância dos estudos da 
sociologia jurídica, isto é, das indagações sobre a atuação do Direito na realidade 
social, mas simplesmente afasta da ciência jurídica e da análise das normas este 
tipo de consideração (1978, p. 152). Isso significa que o objeto do Direito nessa 
concepção pode e deve ser estudado como algo diverso/separado dos 
fenômenos sociais. Nesse sentido J. Austin, em sua jurisprudência analítica, nos 
diz que “se deve distinguir o Direito positivo de outros tipos de normas, como os 
usos sociais ou outros preceitos independentes daquele que se considera o 
único e verdadeiro Direito” (1954, p. 10). Para esse autor a ciência jurídica deve 
ocupar-se só das leis positivas, sem preocupar-se se são boas ou más. 
Depois de buscarmos entender a problemática que envolve a 
cientificidade ou não da ciência do Direito, abordando aspectos desde a 
construção do conceito de conhecimento e de ciência e sua vinculação com o 
 
 
Direito, procuraremos enfocar alguns aspectos relacionados com Ciência jurídica 
de acordo com Hans Kelsen. 
 
1.5 - HANS KELSEN E A CIÊNCIA DO DIREITO 
O conceito de ciência jurídica apresentado por Hans Kelsen é o de uma 
ciência purificada de qualquer valor, tanto social como ético ou moral. Tal postura 
tornou-se algo realmente polêmico e bastante discutido, porém são poucos os 
que ousam desafiar essas premissas com competência e clareza de afirmações. 
Nesse sentido, partimos da ideia de quais são ou devem ser os métodos de 
estudo do Direito. Hans Kelsen parte do mesmo ponto dos demais positivistas 
tradicionais, ou seja, a análise do Direito deve fazer-se independentemente de 
qualquer juízo de valor ético, político, e de qualquer referência à realidade social 
em que atua. 
O Direito é um fenômeno autônomo, cujo conhecimento é o objeto da 
ciência jurídica como atividade intelectual distinta da ética e das ciências sociais. 
A autonomia da ciência jurídica requer que ela se liberte das contaminações 
ideológicas que, de forma mais ou menos consciente, têm perturbado o estudo 
do Direito. Hans Kelsen parte de uma concepção de ciência que está fundada 
na objetividade, exatidão e neutralidade de suas proposições, que vão descrever 
o objeto dado. Seu objetivo é “purificar” a ciência jurídica de todos os elementos 
estranhos, fixando como seu único objeto o conhecimento do que é o Direito, 
sem tentar justificá-lo nem colocá-lo sob pontos de vista alheios a ele. Ou seja, 
uma teoria consciente da legalidade específica de seu objeto (cf. 1994, p.1-3). 
Para constituir uma ciência tão purificada e limpa, sem quaisquer “impurezas”, o 
fundamental para Hans Kelsen é que o Direito se resuma exclusivamente à 
norma. Cabe, portanto, à ciência jurídica transformar essas normas em regras, 
criar a forma lógica do jurídico. Aqui o objeto é a norma e não o fato. 
Todos os fatos deverão obedecer ao que a lei ordena. Por isso comenta 
EugenyPashukanis: “Esta ‘teoria’ no intenta en absoluto examinar el derecho, la 
forma jurídica como forma histórica, pues no trata de estudiarlarealidaden forma 
alguna. Por esto, para emplear una expresión vulgar, no haygran cosa que se 
 
 
pueda sacar ahí” (1976, p. 60). Obviamente, para enfocarmos toda a 
problemática que envolve a Teoria Pura do Direito, ou mais especificamente a 
ciência do Direito, precisaríamos aprofundar todos os elementos até aqui 
apresentados no que concerne a esse tema. Entretanto, optamos somente em 
fornecer pequenas noções do que é ciência do Direito e como tal tema é 
entendido/abordado por alguns autores por nós estudados. 
Entre os autores estudados, Luiz Alberto Warat (l985, p. 137) questiona 
essa visão positivista e tenta trabalhar com a desconstrução do modelo 
kelseniano de ciência, fazendo perceber através de um contra discurso que a 
visão positivista abordada por Kelsen, ou a visão de ciência jurídica como uma 
ciência dogmática do Direito, não pode mais ter força de sistema normativo, pois 
se apresenta como um corpo confuso de regras, cheias de defeitos e 
insuficientes para satisfazer às necessidades reais da sociedade moderna. 
Para esse autor, o termo/palavra “Direito” é somente um preceito 
obrigatório que organiza e conforma a sociedade. Por isso, é preciso deslocar a 
ideia de uma ciência rigorosa e objetiva e estabelecer o “caráter imaginário das 
verdades”, para que possamos compreender que através do “gênero” científico 
nunca se poderá efetivar a crítica à sociedade e reconhecer o homem com seus 
anseios. No contexto dessa discussão uma questão é certa: a partir da segunda 
metade do século XX a ciência do Direito firmou-se como uma ciência dogmática 
do Direito, apesar de persistirem opiniões e críticas contrárias a esse 
dogmatismo. De qualquer forma, o que se está discutindo e muito na área 
jurídica a respeito dessa concepção dogmática de ciência é a sua relação com 
a hermenêutica como teoria da interpretação, ou a busca de métodos de 
interpretação que possibilitem uma adequação/readequação da dogmática à 
realidade social. 
 
 
2 - A Ciência Jurídica 
Constitui este trabalho um breve estudo acerca da Ciência do Direito. Qual 
motivo o inspira ? Unicamente o desiderato de apreender o conhecimento em 
 
 
torno da temática. Imprescindível estudar para conhecer precisamente um 
determinado objeto. [01] 
A Ciência do Direito [02], classificada entre as disciplinas 
jurídicas fundamentais [03], constitui um conjunto ordenado e sistemático [04] de 
princípios e regras que tem por tarefa definir e sistematizar o ordenamento 
jurídico (Direito positivo ou direito posto [05], vale dizer, produzido pelo Estado) 
que o Estado impõe à sociedade e apontar solução para os problemas ligados à 
sua interpretação e aplicação. [06] 
Seu objeto [07] é o Direito positivo (ou direito posto), mas considerado o 
Direito positivo de um Estado determinado, num dado momento histórico-
cultural, ou como direito em certo ponto do espaço-tempo, com suas 
peculiaridades histórico-sócio-culturais. [08] 
O Direito-objeto, além de estudado e descrito pela ciência, é normativo. 
Já a ciência que o estuda e descreve, no entanto, não é normativa, porém 
descritiva, como ensina o preclaro jurista Eros Roberto Grau. [09]- [10]- [11]Dir-se-
á, com o eminente jusfilósofo Miguel Reale, que a "Ciência do Direito é sempre 
ciência de um Direito positivo, isto é, positivado no espaço e no tempo, como 
experiência efetiva, passada ou atual. Assim é que o Direito dos gregos antigos 
pode ser objeto de ciência, tanto como o da Grécia de nossos dias". [12]A Ciência 
do Direito preocupa-se com o estudo da norma jurídica positiva. Contudo, divide-
se em duas partes: a regra jurídica não é somente objeto do conhecimento 
teórico, mas também do saber essencialmente prático ou técnico, do qual 
emergem os problemas relativos à sua aplicação. Denomina-se a parte teórica 
de sistemática jurídica, enquanto à prática empresta-se a denominação 
de técnica jurídica. [13]Importa anotar a advertência de Daniel Coelho de Souza 
no sentido de que a Ciência do Direito, como sistemática jurídica, tem caráter 
dogmático, a justificar uma de suas denominaçõescomo dogmática jurídica, 
consistindo em que a realização da atividade estritamente científica pelo jurista 
importa aceitação da regra jurídica como dogma, devendo, pois, aceitá-la e 
interpretá-la. [14]Aliás, como bem preleciona Wilson de Souza Campos Batalha, 
o "cientista do Direito, estritamente como cientista do Direito, aceita o 
ordenamento jurídico como um "dado" que elabora, com vistas à sistematização, 
 
 
mas que não pode alterar e que admite com sua indiscutível imperatividade. Daí 
a denominação de Dogmática Jurídica atribuída à Ciência do Direito". [15] 
Essa aceitação, no entanto, não significa que o jurista não possa 
empreender esforços com vistas a alcançar a revogação da lei. Mas não é este 
o escopo próprio daquele profissional no campo científico, máxime porque toda 
atividade científica é neutra, de mera sensibilidade voltada para o real, e não há 
de ser afetada por juízos críticos com comprometimento da pureza ascética da 
ação avalorativa. De qualquer modo, a aceitação de que se trata assenta-se na 
imprescindibilidade de que o jurista reconheça como ponto de partida 
os dogmas estabelecidos pela escola jurídica, tais como valores, modelos e 
regras preexistentes. [16] 
Bem por isso, explicita Legaz y Lacambra que o jurista tem uma função 
valoradora que é imprescindível, tem a faculdade de criticar o dogma, de valorá-
lo sob diversos pontos de vista, assinalando suas injustiças, suas imperfeições 
técnicas, sua inadequação às necessidades sociais, sua falta de vinculação aos 
antecedentes históricos [17], sempre com o escopo de aprimorá-la e adequá-la 
aos mais puros anseios da sociedade. 
Sob o enfoque ainda do dogmatismo, convém lembrar a observação do 
preclaro jurista Tércio Sampaio Ferraz Júnior, no sentido de que "os juristas, em 
termos de um estudo estrito do direito, procurem sempre compreendê-lo e torná-
lo aplicável dentro dos marcos da ordem vigente. Esta ordem que lhes parece 
como um dado, que eles aceitam e não negam, é o ponto de partida inelutável 
de qualquer investigação. Ela constitui uma espécie de limitação, dentro da qual 
eles podem explorar as diferentes combinações para a determinação 
operacional de comportamentos juridicamente possíveis". [18] 
Caracteriza-se a Ciência do Direito pelo aspecto reprodutivo, pois não cria 
as normas, que são o seu objeto [19]- [20], mas apenas cuida de reproduzi-las. 
Essa reprodução evidentemente não se fará com base num plano abstrato. 
Porém, acontecerá tendo em mira os valores eleitos pela comunidade e, pois, a 
expressão de modelos sociais de comportamento. [21]Cabe ressaltar que a 
Ciência do Direito adota vários métodos [22], em especial devido à sua natureza 
investigativa, como o analítico, o sintético, o analógico, para alcançar os seus 
 
 
fins consistentes em construir um sistema jurídico adequado à realidade atual, 
não correspondente ao momento histórico em que foram construídas as suas 
partes, como enfatiza 
Paulo Dourado de Gusmão. [23]A essa tríade, Miguel Reale acrescenta os 
métodos indutivo e dedutivo, que de há muito já eram defendidos por Enrico 
Ferri [24], os quais se completam na tarefa científica, lembrando que nossa época 
caracteriza-se pelo pluralismo metodológico. [25] 
Diferencia-se da Filosofia do Direito e da Teoria Geral do Direito. Com 
relação à primeira, dela se distingue por ser a Ciência do Direito eminentemente 
valorativa. Ademais, a Filosofia do Direito erige-se à condição de crítica do 
Direito positivo, enquanto que a Ciência do Direito o analisa e descreve. E à 
Filosofia do Direito cumpre analisar e criticar os pressupostos da Ciência do 
Direito, ao passo que esta considera indiscutíveis aqueles pressupostos. 
Também o método desta é indicado por aquela. 
Enquanto a Ciência do Direito tem em mira o estudo do sistema de Direito 
positivo de um determinado Estado, num dado momento histórico-cultural - como 
o Direito romano, o Direito brasileiro, o Direito francês etc. -, a Teoria Geral do 
Direito dedica-se ao estudo dos Direitos positivos existentes, atuais ou 
passados, com vistas a identificar as suas semelhanças e, pelo método de 
indução, generalizar princípios fundamentais, de caráter lógico, válidos para 
todos eles. [26]- [27] Oportuno registrar, também, que não existe apenas uma 
Ciência do Direito, mas, sim, uma gama de Ciências do Direito, dentro de cujo 
contexto encontram-se a Filosofia do Direito, a Teoria Geral do Direito, a História 
do Direito, a Sociologia do Direito, a Dogmática Jurídica etc., todas elas dotadas 
de linguagens próprias que se denominam metalinguagens. [28] 
Convém observar que o que o homem busca e anseia com o Direito 
repousa na paz e na segurança sociais. O Direito representa instrumento que 
visa a assegurar a coexistência pacífica na sociedade. [29] Isso deixa evidente 
que o Direito, longe de constituir-se num fim, erige-se inequivocamente à 
condição de meio, como corretamente emerge do pensamento kelseniano. Para 
Kelsen, a função do Direito está na realização de fins sociais inatingíveis senão 
através dessa forma de controle social, fins esses que variam de sociedade para 
https://jus.com.br/tudo/filosofia-do-direito
 
 
sociedade, de época para época. [30]Nada obstante cuidar-se de um ramo do 
conhecimento humano dotado de objeto, sistematização e metodologia próprios, 
a Ciência do Direito é contestada por alguns que não a reconhecem como 
ciência. Expressão desse posicionamento é o alemão Julius Herman von 
Kirchmann [31], que se vale para tanto de célebre frase: "bastariam três palavras 
retificadoras do legislador e bibliotecas inteiras se transformariam em papel sem 
valor". [32] 
Olvidou, contudo, o jurista Tedesco que a revogação de uma norma 
jurídica não significa necessariamente a profligação dos princípios jurídicos que 
a fundamentaram ou informaram. É válido anotar que a transformação em um 
sistema jurídico opera-se de maneira paulatina, como observa Angel La 
Torre. [33] Cabe acrescentar, também, um dado importante consistente na 
"persistência duma tradição doutrinal, de métodos, sistemas e conceitos, que se 
mantem através dos tempos", sobrevivendo às leis e condicionando o 
legislador. [34] 
Isto mostra, à saciedade, como o argumento impugnativo da cientificidade 
do Direito peca pela base, partindo de premissa caracterizada pela falta de 
compromisso com a verdade (portanto, premissa falsa). E, aliás, a verdade é o 
valor supremo que a ciência sempre teve em mira. Tudo isso, sem contar que tal 
jurista cometeu o desatino de considerar o Direito Positivo como se fora o Direito 
na sua mais ampla abrangência e significação gnosiológica, esquecendo-se de 
que o Direito Positivo não significa senão um dos múltiplos aspectos da Ciência 
do Direito ou, como preconiza o eminente Ministro Eros Roberto Grau, o Direito 
produzido pelo Estado. [35] Assim, sem razão Kirchmann. 
Por isso mesmo, merece referência o escólio de Machado Neto, para 
quem, contrário à postura doutrinária de Kirchmann, "o certo é que a 
subsequente história do pensamento jurídico não confirmou sua desenganada 
negação da ciência jurídica, embora o jurista contemporâneo ainda persevere na 
atitude de má consciência acima aludida". [36] 
Não bastasse isso, a Ciência do Direito ou Jurisprudência possui caráter 
científico, sob rigorosa perspectiva epistemológica, notadamente por ser um 
conhecimento sistemático, metodicamente obtido e demonstrado, dirigido a um 
 
 
objeto determinado, que é separado por abstração dos demais fenômenos. E 
mais, nela avulta a sistematicidade como argumento eloquente para afirmar a 
cientificidade do conhecimento jurídico. [37] 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTAS 
01 Importante anotar que o conhecimento, sob o vértice do objeto, consiste na 
transferência das propriedades do objeto para o sujeito. Aliás, a função do sujeito está 
em apreender o objeto e a deste serapreendido por aquele (JohannesHessen, Teoria do 
Conhecimento, Armenio Amado Editor, Coimbra/Portugal, Tradução de António 
Correia, 7ª edição, 1980, p. 26-27). 
02 A expressão "Ciência do Direito" não teve nascimento em tempos primevos, mas foi 
criada pelos alemães da Escola Histórica, no século XIX, no afã de conceder tratamento 
científico a seus estudos jurídicos (Tércio Sampaio Ferraz Júnior, A ciência do direito, 
São Paulo, Atlas, 1980, p. 18; Ronaldo Poletti, Introdução ao Direito, São Paulo, 
Saraiva, 1991, p. 64). É bom lembrar, no entanto, que a ciência jurídica durante muito 
tempo teve a denominação de Jurisprudência, que lhe foi emprestada pelos romanos, 
para cujos jurisconsultos tratava-se do "conhecimento das coisas divinas e humanas, a 
 
 
ciência do justo e do injusto (divinarum et humanarumrerumnotitia, justi, 
justiatqueinjustiscientia) (cf. Maria Helena Diniz, Compêndio de Introdução à Ciência 
do Direito, São Paulo, Saraiva, 3ª edição, 1991, p. 198). Contudo, há quem atribua a 
esse saber científico a denominação de Ciência Dogmática do Direito, por ter como 
dogma as fontes formais do direito, tais como Código, leis, regulamentos, precedentes 
judiciais, tratados etc. (Paulo Dourado de Gusmão, Filosofia do Direito, Rio de Janeiro, 
Forense, 1ª edição, 1985, p. 20). 
03 Em sua Introdução ao Estudo do Direito, Rio de Janeiro, Editora Forense, 24ª edição, 
2004, p. 9, Paulo Nader explica que as disciplinas jurídicas se dividem 
em fundamentais (Ciência do Direito, Filosofia do Direito e Sociologia do Direito) 
e auxiliares (História do Direito, Direito Comparado, entre outras), ao passo que 
Ronaldo Poletti, em sua Introdução ao Direito, São Paulo, Editora Saraiva, 1991, p. 46-
47, considera como disciplinas básicas e, portanto, fundamentais do direito apenas a 
Ciência do Direito e a Filosofia do Direito, situando a Sociologia do Direito entre 
as auxiliares. . 
04 Cabe considerar, com Maria Helena Diniz, que a sistematicidade constitui o principal 
argumento para afirmar a cientificidade de um saber ou conhecimento, incluído aí o 
jurídico (Compêndio de Introdução à Ciência do Direito, São Paulo, Editora Saraiva, 3ª 
edição, 1991, p. 16 e 31). 
05 Eros Roberto Grau prefere referir-se ao direito positivo como direito posto, é dizer, 
direito produzido pelo Estado (O Direito Posto e o Direito Pressuposto, São Paulo, 
Malheiros Editores, 5ª edição, 2003). 
06 Nader, Paulo - Introdução... cit., p. 10. 
07 Alguns doutrinadores, como Miguel Reale, Ronaldo Poletti e Tércio Sampaio Ferraz 
Jr., usam a expressão "fenômeno jurídico" para designar o objeto da Ciência do Direito 
(Lições cit., p. 16; Introdução cit., p. 63; Introdução cit., p. 44, respectivamente). Já 
Carlos Cossio explica ser objeto do Direito a "conduta humana em interferência 
intersubjetiva", cujo esquema interpretativo repousa na norma (apud Wilson de Souza 
Campos Batalha, Introdução ao Estudo do Direito, São Paulo/Rio de Janeiro, Forense, 
2ª edição, 1986, p. 172-173). 
08 Reale, Miguel - Lições Preliminares de Direito, São Paulo, Editora Saraiva, 17ª 
edição, 1990, p. 17. 
09 O Direito Posto e o Direito Pressuposto, São Paulo, Malheiros Editores, 5ª edição, 
2003, p. 36-37. 
10 Tércio Sampaio Ferraz Júnior, depois de defender o caráter científico do Direito - 
cientificidade essa negada de maneira confusa e desordenada por Kirchmann -, salienta 
que se trata de ciência interpretativa e, ainda, normativa, possibilidade essa assaz 
discutida pela Filosofia da Ciência (A Ciência do Direito, São Paulo, Editora Atlas, 2ª 
edição, 1980, p. 15-16). 
11 Também a profª Maria Helena Diniz, após exaustivo e profundo estudo, classifica a 
Ciência do Direito do ciência normativa, mas chama a atenção para as três acepções 
https://jus.com.br/tudo/sociologia
 
 
dessa expressão: a) "ciência que estabelece normas (Wundt)"; b) ciência que estuda 
normas (Kelsen)"; c) ciência que conhece a conduta através de normas (Cossio)" (A 
Ciência Jurídica, Editora Saraiva, 3ª edição, 1995, p. 159). 
12 Lições Preliminares de Direito, Editora Saraiva, São Paulo, 17ª edição, 1990, p. 17. 
13 Preleciona Paulo Dourado de Gusmão consistir a técnica jurídica na "arte de 
construir, com elementos fornecidos pela ciência jurídica, a regra de direito, integrando-
a com as demais regras e princípios jurídicos, concentrando-os e sistematizando-os de 
modo a criar um corpo orgânico de normas". E acrescenta que a técnica jurídica divide-
se em: a) técnica de formulação do direito; b) técnica da Ciência do Direito; c) técnica 
de aplicação do direito (Introdução à Ciência do Direito, São Paulo/Rio de Janeiro, 
Editora Forense, 5ª edição, 1972, p. 13). 
14 Introdução à Ciência do Direito, São Paulo, Editora Saraiva, 5ª edição, 1988, p. 88. 
15 Introdução ao Estudo do Direito - Os Fundamentos e a visão histórica, Forense, 2ª 
edição, 1986, p. 233. 
16 Nunes, Luiz AntonioRizzatto, Manual de Introdução ao Estudo do Direito, São Paulo, 
Ed. Saraiva, 3a edição, 2000, p. 43-45, para cujo professor, aliás, o "saber jurídico 
aponta, assim, para amplo controle social, no qual se instrumentaliza o próprio cientista 
jurídico, que passa a ser um técnico, cujo acesso ao Direito se faz somente pelo manejo 
de ferramentas – regras de intepretação – sem as quais não tem como realizar seu 
trabalho, que desempenha depois de aceitar os pontos de partida (dogmas) estabelecidos 
pela escola jurídica" (p. 43). 
17 Filosofia delDerecho, p. 69. 
18 Introdução ao Estudo do Direito, São Paulo, Editora Atlas, 1ª edição/3ª tiragem, 1990, 
p. 49. 
19 Vale enfatizar, com Eros Roberto Grau, a distinção consistente em que a Ciência do 
Direito não é normativa, mas o seu objeto, sim, o é, consoante, aliás, salientado alhures 
(O direito posto... cit., p. 36-37). 
20 Carlos Cossio discorda do entendimento de que as normas são o objeto do Direito, 
explicando que a conduta humana é que é o objeto da Ciência Jurídica (apud Ylves José 
de Miranda Guimarães, Direito Natural - Visão Metafísica e Antropológica, São 
Paulo/Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1ª edição, 1991, p. 197-198; Wilson de 
Souza Campos Batalha, Introdução ao Estudo do Direito - Os fundamentos e a visão 
histórica, Rio de Janeiro, Forense, 2ª edição, 1986, p. 172-173; A.L. Machado Neto, 
Compêndio de Introdução à Ciência do Direito, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1988, p. 
50-59). 
21 Souza, Daniel Coelho - Introdução à Ciência do Direito, São Paulo, Editora Saraiva, 
5ª edição, 1988, p. 88. 
22 Significativa é a importância do método para a ciência, máxime porque "possibilita 
fundamentar a certeza e a validade desse saber, por demonstrar que os enunciados 
 
 
científicos são verdadeiros", consoante emerge da ensinança de Maria Helena Diniz 
(Compêndio... cit., p. 17). 
23 Gusmão, Paulo Dourado - Introdução à Ciência do Direito, São Paulo/Rio de Janeiro, 
Editora Forense, 5ª edição, 1972, p. 12. 
24 Princípios de Direito Criminal, Campinas, Bookseller Ed. e Dist., 2ª edição, 1999, p. 
90. 
25 Lições Preliminares de Direito, São Paulo, Saraiva, 17ª edição, 1990, p. 83-86. 
26 Souza, Daniel Coelho de - Introdução à Ciência do Direito, São Paulo, Editora 
Saraiva, 5ª edição, 1988, p. 89. 
27 Miguel Reale bem explica que a Ciência Jurídica "estuda o fenômeno jurídico tal 
como ele se concretiza no espaço e no tempo", enquanto que a Teoria Geral do Direito 
constitui a parte geral do Direito, "na qual se fixam os princípios ou diretrizes capazes 
de elucidar-nos sobre a estrutura das regras jurídicas e sua concatenação lógica, bem 
como sobre os motivos que governam os distintos campos da experiência jurídica" 
(Lições... cit., p. 17 e 18). 
28 Grau, Eros Roberto - O direito posto... cit., p. 37. 
29 Paupério, A. Machado, Introdução ao Estudo do Direito, Rio de Janeiro, Ed. Forense, 
3a edição, 1993, p. 37. 
30 Grau, Eros Roberto - O direito posto... cit., p. 105. 
31 Segundo Orlando Soares,Kirchmann opôs o mais vigoroso ataque à Ciência do 
Direito, em conferência realizada em 1847, quando era procurador do rei da Prússia, 
insurgindo-se precipuamente contra o caráter mutável do Direito e a atuação da Justiça 
(Introdução ao Estudo do Direito, Rio de Janeiro/São Paulo, Forense, 1ª edição, 1991, p. 
100-101). 
32Apud Diniz, Maria Helena, em seu Compêndio...cit., p. 30, nota 61; Ferraz Jr., Tércio 
Sampaio, em su''A ciência do direito cit., p. 16. 
33Apud Plauto Faraco de Azevedo, Crítica à Dogmática e Hermenêutica Jurídica, Porto 
Alegre, Sérgio Antonio Fabris Editor, 5ª reimpressão, 1989, p. 32-33. 
34Apud Plauto Faraco de Azevedo, Crítica à Dogmática e Hermenêutica Jurídica cit., p. 
cits. 
35 Eros Roberto Grau prefere referir-se ao direito positivo como direito posto, é dizer, 
direito produzido pelo Estado (O Direito Posto e o Direito Pressuposto, São Paulo, 
Malheiros Editores, 5ª edição, 2003). 
36 Machado Neto, A.L-Compêndio de Introdução à Ciência do Direito cit., p. 15. 
 
 
37 Diniz, Maria Helena- Compêndio...cit., p. 30-31; Ferraz Jr., Tércio Sampaio - A 
ciência do direito cit., p. 63. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
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