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PÁGINA 31 Introdução Caro aluno, nesta unidade você entenderá que a garantia dos direitos de toda a população e a busca por uma sociedade mais justa e inclusiva se pauta em três aspectos que devem ser abordados simultaneamente, isto é, todos os as- pectos têm oferecem a mesma relevância social e devem ser discutidos em to- dos os patamares da sociedade. Desenvolvimento Silveira (2004) destaca que os estudiosos que se debruçam sobre as questões dos direitos humanos apontam para a necessidade de reconhecer e buscar al- cançar três patamares destes direitos, os quais serão esmiuçados a seguir. Em primeiro lugar, temos que a luta pela formação de sujeitos de direito, se prima em fazer com que chegue ao conhecimento de todas as classes, po- vos e etnias que as pessoas são detentoras de garantias, e que os mesmos têm as normas fundamentais resguardadas, e que devem exigir tal tratamento onde estejam, sendo esta uma das justificativas de todo o debate em torno da educação a respeito dos direitos humanos. Em nosso país, de maneira “infe- liz”, através da instrução da penalização e políticas arcaicas em determinadas frentes, obstaculizou-se a disseminação de garantias fundamentais a todos, ou seja, algumas pessoas, principalmente as economicamente desfavorecidas, ainda têm em si que os direitos são uma dádiva ou privilégio de poucos. Por exemplo, expressões como “o patrão é bom porque me deu férias”, expressam esta posição; as férias viram uma ques- tão de “generosidade” e não de direito. (SILVEIRA, 2004, pg 404). Uma outra questão que nos aparece como ilustradora do desconhecimento de que existem direitos assegurados universalmente, encontra-se na concepção de proteção social que, até a promulgação da Constituição de 1988, estava inti- mamente associada à ideia de assistencialismo, isto é, uma prática, geralmente consubstanciada pelo sentimento de caridade, que visa promover uma ajuda momentânea, sanando algumas necessidades mais evidentes, sem preocupar- se com o desenvolvimento de autonomia da pessoa ajudada. Entretanto, den- tre as várias questões abordadas na nova Constituição Federal, vemos surgir a Assistência Social, não mais exercida por pessoas caridosas, mas sim como uma Política Pública que busca garantir, a todos que dela necessitarem, o cum- primento de direitos fundamentais, bem como prevenir vulnerabilidades sociais. (ANDRADE & ROMAGNOLIS, 2010). Não obstante, a garantia da assistência social ainda é percebida pela maioria da população como uma espécie de privi- légio oferecido por pessoas caridosas, e não como obrigação estatal. PÁGINA 32 Outro patamar fundamental, salientado por Silveira (2004), diz respeito ao cha- mado “empoderamento”. O termo arduamente utilizado nos últimos tempos, significa engrandecer aqueles que tiveram, historicamente, os seus direitos vio- lados. Podemos dizer, então, que tal premissa traz a ideia de possibilitar poder a esses indivíduos, para que eles possam, portanto, figurar como atores sociais e sujeitos do poder de decisão sobre temas que são relevantes a sua própria realidade, ou seja, implica em desenvolver nestes sujeitos a autonomia neces- sária para conduzir sua vida sem ter seus direitos básicos violados. Falando em uma amplitude maior, é preciso direcionar um olhar cauteloso para aqueles que são marginalizados e descriminalizados, pois estes povos têm premissas a serem respeitadas de modo a resguardar a eles as oportunidades que seus antepassados não tiveram. O terceiro aspecto, mais pragmático, diz respeito às mudanças, os pontos a serem transformados para que possamos alcançar a almejada sociedade justa, democrática e humana, de modo a resgatar as atrocidades do passado e fazer com que se aprenda a quebrar a barreira do silencio, para que as atuais bar- baridades sejam denunciadas assim como as que já ocorreram. Observa-se, então, que é possível construir a identidade de um povo através das diferenças sociais.