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ADMINISTRADOR DE ORGANIZAÇÕES 
CIVIS: DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA 
 
 
 
 
Venilson Luciano Benigno Fonseca
Formação Inicial e 
Continuada 
IFMG 
+ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Venilson Luciano Benigno Fonseca 
 
 
 
 
 
ADMINISTRADOR DE ORGANIZAÇÕES CIVIS: 
DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA 
1ª Edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
Instituto Federal de Minas Gerais 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 
 
F676a Fonseca, Venilson Luciano Benigno 
 Administrador de organizações civis: direitos humanos e 
justiça [recurso eletrônico] / Venilson Luciano Benigno Fonseca. 
– Belo Horizonte : Instituto Federal de Minas Gerais, 2021. 
 34 p. : il. color. 
 E-book, no formato PDF. 
 Material didático para Formação Inicial e Continuada. 
 ISBN 978-65-5876-096-2 
 
 1. Direitos Humanos. 2. Direito Civil. 3. Direitos 
Fundamentais. I. Fonseca, Venilson Luciano Benigno. 
II. Título. 
 
 CDU 342.71 
Catalogação: Márcio Carlos Pires - CRB-6/2406 
Índice para catálogo sistemático: 
Direitos Humanos- 342.71 
 
 
 
2021 
Direitos exclusivos cedidos ao 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Avenida Mário Werneck, 2590, 
CEP: 30575-180, Buritis, Belo Horizonte – MG, 
Telefone: (31) 2513-5157 
Pró-reitor de Extensão 
Diretor de Programas de Extensão 
Coordenação do curso 
Arte gráfica 
Diagramação 
© 2021 by Instituto Federal de Minas Gerais 
Todos os direitos autorais reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser 
reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico 
ou mecânico. Incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de 
armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito do 
Instituto Federal de Minas Gerais. 
Carlos Bernardes Rosa Júnior 
Niltom Vieira Junior 
Venilson Luciano Benigno Fonseca 
Ângela Bacon 
Eduardo dos Santos Oliveira 
Sobre o material 
 
 
 
Este curso é autoexplicativo e não possui tutoria. O material didático, 
incluindo suas videoaulas, foi projetado para que você consiga evoluir de forma 
autônoma e suficiente. 
 Caso opte por imprimir este e-book, você não perderá a possiblidade de 
acessar os materiais multimídia e complementares. Os links podem ser 
acessados usando o seu celular, por meio do glossário de Códigos QR 
disponível no fim deste livro. 
Embora o material passe por revisão, somos gratos em receber suas 
sugestões para possíveis correções (erros ortográficos, conceituais, links 
inativos etc.). A sua participação é muito importante para a nossa constante 
melhoria. Acesse, a qualquer momento, o Formulário “Sugestões para 
Correção do Material Didático” clicando nesse link ou acessando o QR Code a 
seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para saber mais sobre a Plataforma +IFMG acesse 
https://mais.ifmg.edu.br 
 
Formulário de 
Sugestões 
http://forms.gle/b873EGYtkvK99Vaw7
https://mais.ifmg.edu.br/
 
 
 
 
 
 
Palavra do autor 
 
Nobre estudante, 
O Curso de Administrador de Organizações Civis – Direitos Humanos – 
se propõe a ser um importante aliado em sua atuação profissional em entidades 
e organizações civis que lidam com os Direitos Fundamentais. 
Tem como objetivos principais qualificar pessoas para agirem na defesa 
dos valores e princípios gerais dos direitos humanos, objetivando a justiça, a 
ética, a moral, a equidade, a igualdade e a liberdade. Busca lhe proporcionar 
uma compreensão do que são os Direitos Fundamentais da pessoa humana e 
sua aplicação no cotidiano dos cidadãos, além de reconhecer a importância da 
sua proteção internacional e as garantias dos Direitos Fundamentais no 
ordenamento jurídico brasileiro. 
O curso é oferecido tendo como foco os gestores, administradores e 
líderes comunitários que atuam na garantia, defesa e promoção dos Direitos 
Humanos, bem como aqueles que desejam se aprofundar na temática. Destina-
se também a qualquer pessoa interessada, não sendo necessária formação 
específica anterior. 
O meu compromisso, bem como o do IFMG, é a promoção de uma 
sociedade justa, fraterna, igualitária, sem discriminação de raça, cor, credo, 
gênero, idade e nacionalidade. A educação mostra-se o meio mais eficaz, 
democrático e acessível para que concretizemos esses valores e espero que 
este curso lhe proporcione uma ampliação de horizontes. 
Como dizia João Guimarães Rosa: “[...] o que a vida quer da gente é 
coragem”. 
Te desejo muito sucesso! 
No mais, Geraes. 
 
 
 
 
Bons estudos! 
Venilson Luciano Benigno Fonseca 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bons estudos! 
Nome do autor. 
 
 
 
Apresentação do curso 
 
 
Este curso está dividido em três semanas, cujos objetivos de cada uma são 
apresentados, sucintamente, a seguir. 
 
SEMANA 1 
Antecedentes Históricos: Conceito de Direitos; Dimensões 
dos Direitos Fundamentais: 1ª Dimensão – Liberdade 
(Direitos Civis); 2ª Dimensão: Igualdade (Direitos Sociais); 
3ª Dimensão: Fraternidade (Direitos Transindividuais); 4ª 
Dimensão: Novos Direitos. 
SEMANA 2 
Características dos Direitos Humanos. Proteção Global 
aos Direitos Humanos - Evolução Histórica dos Direitos 
Fundamentais; Declaração Francesa 1789; Declaração 
Americana 1787; Constituição do México 1917, de Weimar 
1919, do Brasil 1934. Carta das Nações Unidas de 1945; 
Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948; 
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de Nova 
Iorque – 1966. 
SEMANA 3 
Direitos Humanos na Constituição Brasileira de 1988: 
Princípios Fundamentais - Art. 1º: soberania; cidadania; 
dignidade da pessoa humana; os valores sociais do 
trabalho e da livre iniciativa; pluralismo político; 
Art. 4º, II - Prevalência dos direitos humanos; 
Dos Direitos e Garantias Fundamentais - Art. 5º Caput e 
incisos: Direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e 
propriedade. 
 
 
Carga horária: 30 horas. 
Estudo proposto: 2h por dia em cinco dias por semana (10 horas semanais). 
 
 
Apresentação dos Ícones 
 
 
Os ícones são elementos gráficos para facilitar os estudos, fique atento quando 
eles aparecem no texto. Veja aqui o seu significado: 
 
 
 
 
Atenção: indica pontos de maior importância 
no texto. 
 
Dica do professor: novas informações ou 
curiosidades relacionadas ao tema em estudo. 
 
Atividade: sugestão de tarefas e atividades 
para o desenvolvimento da aprendizagem. 
 
Mídia digital: sugestão de recursos 
audiovisuais para enriquecer a aprendizagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
Semana 1 – Direitos Humanos: antecedentes históricos e suas Dimensões . 15 
1.1. O Conceito de Direitos Humanos ou Fundamentais ........................... 15 
1.2 – As dimensões dos Direitos Humanos ................................................... 16 
Semana 2 – Direitos Humanos: características e evolução nos Tratados 
Internacionais ................................................................................................ 19 
2.1 As principais características dos Direitos Humanos .............................. 19 
Semana 3 – Direitos Humanos na Constituição Brasileira de 1988: Princípios 
Fundamentais ............................................................................................... 23 
3.1 A Constituição de 1988 e os Direitos Humanos .................................... 23 
3.2 Considerações Finais .............................................................................. 28 
Referências ................................................................................................... 29 
Glossário de códigos QR (Quick Response) ................................................. 33 
 
 
 
 
file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566255
file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566258file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566258
file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566262
file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566262
 
 
 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
15 
 
 
 
 
 
 
 
Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala 
virtual e assista ao vídeo “Apresentação do curso”. 
 
1.1. O Conceito de Direitos Humanos ou Fundamentais 
 
A ideia de que o homem possui alguns direitos fundamentais consolida-se, por assim 
dizer, nas concepções de Estado desenvolvidas por Thomas Hobbes e John Locke, nos 
séculos XV e XVI – ainda que o reconhecimento de direitos dos seres humanos em 
contraposição a um certo tipo de Estado ou poder sejam ainda mais antigas, como por 
exemplo, a Carta Magna de 1215, que limitava o poder dos Monarcas na Grã-Bretanha. Não 
obstante, uma proposta constitucional, de garantias de direitos frente a um certo tipo de 
Estado, situa-se, preponderantemente, no limiar da Constituição Estadunidense e da 
Revolução Francesa, principalmente com pensadores como Jean-Jacques Rousseau e 
Montesquieu, no século XVIII. 
O entendimento de que o cidadão, frente ao Estado Moderno, deveria ser protegido 
através de Leis e Garantias Fundamentais, enseja as principais ideias e ideais presentes na 
Revolução Francesa, bem como na Constituição Estadunidense, no amanhecer da 
Modernidade. Direitos como a liberdade, a igualdade e a propriedade privada orientarão a 
construção do conceito de democracia e estado, presentes na maioria dos países ocidentais. 
 Ao longo de todo o século XX, diversos direitos foram sendo incorporados e 
entendidos como fundamentais, demonstrando o caráter dinâmico e processual do 
desenvolvimento das sociedades modernas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
promulgada pela ONU, logo no pós-guerra, também é um dos marcos da consolidação dos 
chamados estados democráticos de direito. 
 No caso brasileiro, a Constituição de 1988 - apelidada de Constituição Cidadã – 
consolidou, em seu Art. 5º, um rol exemplificativo de direitos dos cidadãos frente ao Estado, 
o que garante aos primeiros um instrumento legal de proteção, principalmente os mais 
vulneráveis. Entretanto, a grande maioria dos cidadãos brasileiros desconhece estes direitos 
e, principalmente, ignora suas garantias fundamentais e o dever do Estado e de quaisquer 
governos e governantes de manter intactos os preceitos constitucionais, no que tange aos 
direitos humanos. 
Objetivos 
Nesta semana buscaremos compreender os antecedentes 
históricos dos chamados “Direitos Humanos ou 
Fundamentais”, bem como as chamadas Dimensões ou 
Gerações de Direitos ao longo do tempo, principalmente 
através do século XX. 
Semana 1 – Direitos Humanos: antecedentes históricos e suas 
Dimensões 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
16 
É muito importante compreender que os direitos humanos não são naturais, não 
surgem ao acaso: eles são produtos de contextos históricos e geográficos e foram 
conquistados, em muitos casos, à custa de sacrifícios de diversos grupos sociais. Dessa 
maneira, os direitos não “nascem” todos de uma vez: 
 
Nascem quando devem ou podem nascer. Nascem quando o aumento do poder do 
homem sobre o homem – que acompanha inevitavelmente o progresso técnico, isto 
é, o progresso da capacidade do homem de dominar a natureza e os outros homens 
– ou cria novas ameaças à liberdade do indivíduo, ou permite novos remédios para 
as suas indigências: ameaças que são enfrentadas através de demandas de 
limitações do poder; remédios que são providenciados através da exigência de que 
o mesmo poder intervenha de modo protetor (BOBBIO, 2004: Pág. 06). 
 
Observe que a conquista de direitos – dos cidadãos frente ao Estado Moderno – foi 
se ampliando na medida em que a própria sociedade moderna ocidental adentrava ao século 
XX, passando de direitos como a liberdade até os chamados direitos transindividuais. É o 
que veremos nas próximas seções, onde estudaremos as diferentes dimensões dos direitos 
humanos. 
 
1.2 – As dimensões dos Direitos Humanos 
 
Os primeiros direitos – também chamados de primeira dimensão – se referem à 
liberdade do cidadão, ou seja, aos seus direitos civis e políticos. Os direitos humanos de 
primeira dimensão guardam uma posição de liberdade frente ao Estado, uma prestação 
negativa deste último em relação às individualidades. Em outras palavras, o Estado não 
deve interferir na esfera da vida privada ou íntima do cidadão – ou interferir o mínimo possível 
– e é nessa seara que nascem os direitos como a liberdade de reunião, de culto e a 
inviolabilidade do domicílio. 
Os direitos de segunda dimensão buscam assegurar os direitos sociais, econômicos 
e culturais. Se o fundamento dos direitos de primeira dimensão era a liberdade, neste caso, 
ele encontra-se no princípio da igualdade e obriga o Estado a prestações positivas, 
demandadas em Lei, que visam à igualdade social entre os cidadãos. O estado devia agir 
visando a diminuir as desigualdades sociais, na medida em que provia aos cidadãos 
condições mínimas de sobrevivência, principalmente aquelas relacionadas às 
contraprestações devida pelo Estado na promoção da saúde, segurança, educação e bem-
estar social. É relevante notar que os direitos fundamentais de segunda dimensão também 
englobam as liberdades sociais: as liberdades de sindicalização e o direito de greve, bem 
como a previsão legal de direitos fundamentais do trabalhador, como as férias, o repouso 
semanal remunerado, a limitação da jornada de trabalho e a garantia de uma remuneração 
mínima exigível para sua sobrevivência (VIEIRA JÚNIOR, 2015). 
Os chamados direitos de terceira dimensão – também conhecidos como 
transindividuais - são marcados pela titularidade difusa ou coletiva. A sua titularidade não se 
assenta no homem isoladamente considerado, mas toda a coletividade e os grupos sociais. 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
17 
Como rol exemplificativo, temos o direito ao meio ambiente, à proteção ao patrimônio 
histórico e cultural da humanidade, o direito à paz e à autodeterminação entre os povos. 
Segundo BOBBIO (2004): 
 
Com a Declaração [Universal] de 1948, tem início uma terceira e última fase, na qual 
a afirmação dos direitos é, ao mesmo tempo, universal e positiva: universal no sentido 
de que os destinatários dos princípios nela contidos não são mais os cidadãos deste 
ou daquele Estado, mas todos os homens; positiva no sentido de que põe em 
movimento um processo em cujo final os direitos do homem deverão ser não mais 
apenas proclamados ou apenas idealmente reconhecidos, porém efetivamente 
protegidos até mesmo contra o próprio Estado que os tenha violado (BOBBIO, 2004: 
Págs. 29-30). 
 
 Por fim, os chamados Direitos de quarta e quinta dimensão são caracterizados pelo 
direito à democracia, à informação e ao pluralismo de pessoas e ideias e ao acesso à água 
potável. São decorrentes da globalização política e correspondem à chamada fase de 
institucionalização do Estado Social. 
 
 
Dica do Professor: Para resumir o aprendizado desta 
semana, lembre-se: Os Direitos de Primeira Dimensão 
dizem respeito aos direitos como a liberdade, a vida e a 
propriedade. Os de Segunda Dimensão referem-se aos 
direitos de igualdade dos cidadãos, como os sociais, 
econômicos, culturais e trabalhistas. Os de Terceira 
Dimensão são chamados de transindividuais ou 
coletivos e se referem à paz, ao meio ambiente e ao 
patrimônio coletivo da humanidade. Os de Quarta e 
Quinta Dimensão referem-se ao pluralismo, à 
democracia e ao acesso à água, por exemplo. 
 
 
 
Atividade: Para concluir a primeira semana de estudos, 
vá até a sala virtual e participedo Fórum “Meu curso”. 
Inicie uma nova publicação ou contribua com a 
publicação de algum outro colega, considerando a 
seguinte questão: existe algum direito ou alguma 
dimensão de direitos mais importante do que outra(s)? 
Justifique sua resposta. 
 
Nos encontramos na próxima semana. 
Bons estudos! 
 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
18 
 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
19 
 
 
 
 
 
 
 
Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala 
virtual e assista ao vídeo “Semana 2”. 
 
2.1 As principais características dos Direitos Humanos 
 
Como vimos na semana anterior, os Direitos Humanos ou Fundamentais foram se 
consolidando ao mesmo tempo em que se impunham os Estados Modernos Ocidentais. 
Nessas chamadas democracias liberais e burguesas, diversos direitos serão compreendidos 
como fundamentais para os cidadãos, frente a um Estado-juiz, dono dos meios de controle 
e da esfera jurisdicional. Se num primeiro momento os organizadores desse novo Estado 
Democrático de Direito se preocuparam com as garantias individuais – principalmente a 
liberdade: de ir e vir; de credo; de opinião; de possuir bens – em um segundo momento a 
busca foi a tentativa de preservar a igualdade entre os seres humanos. Cobrou-se do Estado 
um conjunto de ações visando à garantia de direitos sociais, mormente aqueles 
representados pela saúde, educação e bem estar social. 
Dessa maneira, depreende-se que os direitos humanos possuem algumas 
características muito particulares, em rol exemplificativo: 
a) Inerência - os direitos humanos pertencem a toda a humanidade; 
b) Universalidade – eles são extensivos a todos e todas, sem distinção de raça, cor, 
gênero, origem, condição social, língua, religião ou sexualidade; 
c) Transnacionalidade – os direitos humanos são extensivos a todos os seres humanos 
não importando em que lugar, região ou país se encontrem; 
d) Indivisibilidade – eles não podem ser vistos separadamente e sim em unidade, ou 
seja, não se reconhece este ou aquele direito, se reconhecem todos, 
simultaneamente; 
e) Interdependência – determinados direitos de uma dimensão, para serem 
reconhecidos, carecem de reconhecimento dos direitos de uma dimensão anterior; 
f) Indisponibilidade - o ser humano não pode dispor de um direito fundamental, haja 
vista que é inerente a ele. Nem mesmo os Estados podem suprimi-los após o seu 
reconhecimento; 
Objetivos 
Nesta semana estudaremos as principais características dos 
Direitos Humanos, bem como a sua evolução no ordenamento 
jurídico internacional, através de seus Tratados e 
Declarações. 
Semana 2 – Direitos Humanos: características e evolução nos 
Tratados Internacionais 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
20 
g) Imprescritibilidade – nenhum direito fundamental prescreve por decurso de prazo; 
h) Individualidade – podem ser exercidos por apenas uma pessoa; 
i) Complementaridade – não há hierarquia entre direitos humanos, todos devem ser 
compreendidos em seu conjunto; 
j) Inviolabilidade – nenhuma pessoa, autoridade ou Estado pode violar quaisquer 
desses direitos; 
k) Irrenunciabilidade – ninguém poderá renunciar a esses direitos mesmo que o deseje 
fazer de livre e espontânea vontade; 
l) Proibição de retrocesso – uma vez reconhecidos não se admite retrocesso legal que 
os limitem ou diminuam; 
m) Prevalência da norma mais benéfica – em casos concretos de violação dos direitos 
humanos prevalecerá a norma que mais beneficiará à vítima. 
 
2.2 Proteção Global aos Direitos Humanos: Evolução Histórica dos Direitos 
Fundamentais 
 
Conforme já dissemos, os direitos fundamentais não devem ser entendidos como 
valores universais e atemporais, originários de uma razão natural e fora da história, mas 
como uma construção histórico-cultural, com base em axiomas assinalados por princípios, 
expressos ou implícitos em diversas cartas, tratados, convenções e Constituições de 
diversos países do mundo ocidental (VIEIRA JÚNIOR, 2015). 
 Nesse sentido, organizamos abaixo alguns desses Tratados Internacionais ou Leis 
para que você consiga compreender melhor a evolução dos direitos humanos ao longo do 
tempo, com destaque – mas não só - para a Era Moderna da Civilização Ocidental, conforme 
o Quadro 01: 
 
Tratado/Ano Ementa 
A Carta Magna das Liberdades ou 
Concórdia – 1215 
Inglaterra 
Com base na teoria do direito natural, pregava a existência de leis 
fundamentais, naturais, superiores e limitadoras do poder do 
monarca. 
 
A Lei de Habeas Corpus – 1679 
Inglaterra 
Tem raiz na Magna Carta, com expressão no item 29 que 
reconhecia injusta qualquer prisão não estabelecida de direito ou 
decretada arbitrariamente. 
 
A Declaração de Direitos 
(Bill of Rights) – 1689 
Inglaterra 
Os poderes de legislar e criar tributos não são mais prerrogativas 
no monarca e, sim, competência reservada do Parlamento. Instituiu 
a separação dos poderes, com a afirmação de que o Parlamento é 
um órgão precipuamente encarregado de defender os súditos 
perante o monarca. 
 
A Declaração de Independência e a 
Constituição dos Estados Unidos da 
América do Norte – 1776 
 
Representa o ato inaugural da democracia moderna, a combinar 
sob o regime constitucional, a representação popular com a 
limitação de poderes governamentais e o respeito aos direitos 
humanos. Constituiu-se, tipicamente, como uma sociedade 
burguesa organizada por cidadãos livres, a defesa das liberdades 
individuais, e a submissão dos poderes governamentais ao 
consentimento popular. 
As Declarações de Direitos da 
Revolução Francesa - 1789 
Liberdade, igualdade e fraternidade. 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
21 
 
 
A Constituição Francesa – 1848 
 
Instituiu deveres sociais ao Estado para com a classe trabalhadora 
e os necessitados. Apontou para o surgimento do que viria a ser o 
Estado do Bem-Estar Social no século XX. Criou disposições sobre 
direitos fundamentais como a abolição da pena de morte e a 
proibição da escravatura. 
 
A Constituição Mexicana - 1917 
O ideário constitucional era proteger o trabalho assalariado, 
promover a reforma agrária, expandir o sistema educacional público 
e quebrar o poderio da Igreja Católica. 
 
 
 
 
A Constituição Alemã (Weimar) – 
1919 
Infelizmente destruída pelo Nazismo, vigorando por pouco tempo, 
ficou marcada pelo dualismo entre a organização do Estado e a 
declaração dos direitos e deveres fundamentais, com previsão das 
clássicas liberdades individuais e dos novos direitos sociais. Inovou 
no direito de família ao prever – pela primeira vez na história do 
direito ocidental – a igualdade jurídica entre marido e mulher, bem 
como a equiparação entre filhos ilegítimos aos legitimamente 
havidos durante o matrimônio. 
 
A Carta das Nações Unidas - 1945 
Caracterizada como a internacionalização dos direitos humanos, 
estabeleceu uma nova ordem internacional como resposta às 
atrocidades cometidas durante o nazismo, identificando o Estado 
como grande violador de direitos humanos. 
 
 
A Declaração Universal dos Direitos 
Humanos – 1948 
Com a universalidade dos direitos humanos alcançada em 1945, 
passam a ser dotados de indivisibilidade ao se conjugar o catálogo 
dos direitos civis e políticos com os direitos econômicos, sociais e 
culturais. Combinou o discurso liberal e o social da cidadania, 
juntando os valores da liberdade e da igualdade. Indivisibilidade dos 
direitos humanos. Quebrou a dicotomia historicamente existente 
entre o direito à liberdade e o direito à igualdade. 
 
 
Os Pactos Internacionais de Direitos 
Humanos – 1966 
Nova Iorque 
Proclamou o dever dos Estados-partes de assegurar os direitos 
neles elencados a todos os indivíduos que estejam sob sua 
jurisdição e essas obrigações estatais são tanto de natureza 
negativacomo de natureza positiva (dever de não fazer e de fazer). 
Elencou um catálogo de direitos tais como: de trabalho e de justa 
remuneração, de associação sindical, de moradia, de educação, de 
previdência social. 
 
 
A Convenção Americana de Direitos 
Humanos – 1969 
São José da Costa Rica 
Estabeleceu um aparato de monitoramento e implementação dos 
direitos que declara por meio da Comissão Interamericana de 
Direitos Humanos e pela Corte Interamericana. A formação do 
sistema interamericano de direitos humanos assume extraordinária 
relevância na proteção dos direitos humanos ao revelar dupla 
função, isto é, impedir retrocessos e fomentar avanços no regime 
protetivo dos direitos humanos. 
Quadro 01: Tratados/Leis e Ementas sobre os Direitos Humanos. 
Fonte: Extraído e adaptado de TESTA JÚNIOR (2009). 
 
Resta, evidente, que, no decurso do desenvolvimento das sociedades moderno 
ocidentais, os direitos humanos foram ganhando relevo e importância. Seja através da luta 
dos trabalhadores, dos movimentos feministas, das minorias sociais – como o movimento 
negro e dos direitos das comunidades LGBT+ - e em função dos horrores das guerras, os 
direitos humanos ou fundamentais se consolidaram, ao longo do tempo, nas democracias 
ocidentais. Num movimento dialético, do ir e vir, de constantes lutas de diversos atores 
sociais, as sociedades se permitiram discutir a diversidade, a igualdade, as relações 
econômicas desiguais e o entendimento de que os cidadãos deveriam ser protegidos e 
assistidos, do Estado e pelo Estado, no decorrer de suas vidas. 
Plataforma +IFMG 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 
22 
Assistimos hoje, no decorrer do Século XXI, ainda a diversas lutas, principalmente de 
minorias historicamente desamparadas, que buscam não só a garantia de seus direitos de 
cidadãos e cidadãs, mas também a efetividade desses mesmos direitos. Ainda que 
positivados – escritos, expressos – na maioria das Constituições e Tratados Internacionais, 
muitos deles ainda não encontraram efetiva aplicação no dia a dia, na vida de milhões de 
seres humanos mundo afora. Ainda presenciamos ataques diretos à democracia, violações 
de todo tipo, desconhecimento e ignorância acerca dos significados e importância dos 
Direitos Humanos para a vida de todos nós: a defesa do direito de todos é a defesa da 
própria democracia, é a defesa e a garantia de que um Estado ou um Governante – 
provisório, é bom que se diga – que não se paute pela observância desses preceitos, deve 
ser legalmente responsabilizado e ter seu busto erguido no hall da infâmia universal. 
 
 
Atividade: Para concluir a segunda semana de estudos, 
vá até a sala virtual e participe do Fórum “Avaliando as 
políticas públicas nacionais”. Inicie uma nova publicação 
compartilhando suas percepções sobre como o Estado 
Brasileiro e seus governantes vêm atuando, na prática, 
para a garantia dos Direitos Fundamentais, através da 
implementação de políticas públicas para a sua 
promoção dos. Conte pra gente! 
 
 
Dica do Professor: Concluída esta intensa semana de 
estudos, vale uma pausa para reflexão: como você, até 
hoje, antes de iniciar este curso, entendia os Direitos 
Humanos e sua aplicação? Você tinha consciência da 
sua importância e de que sua defesa é um dever de 
todos? Pense nisso e discuta com seus amigos e 
familiares, sobre o que eles pensam sobre os Direitos 
Humanos. 
 
 
 
 
 
 
Nos encontramos na próxima semana. 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 23 
 
 
 
 
 
 
 
Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala 
virtual e assista ao vídeo “Semana 3”. 
 
3.1 A Constituição de 1988 e os Direitos Humanos 
 
A doutrina majoritária tem defendido que os direitos fundamentais possuem como 
característica marcante o seu conteúdo ético-normativo. Esse conteúdo encontra-se 
principalmente no princípio da dignidade da pessoa humana (VIEIRA JÚNIOR, 2015). 
Na apresentação de sua cartilha sobre os Direitos Humanos, publicada pelo Senado 
Federal, diz-se que: 
Os direitos e garantias fundamentais contemplados no art. 5º da Constituição de 1988 
foram o marco histórico da transição para a democracia e o início da efetivação dos 
Direitos Humanos no Brasil. De fato, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, ter por 
preceito a observância desses direitos tornou-se condição sine qua non, seja no 
direito interno, seja no âmbito da política externa do País. Por terem natureza 
essencialmente universal, os Direitos Humanos englobam os demais, tais como o 
direito dos refugiados, o direito ao desenvolvimento, o direito à filiação partidária, 
entre outros. São eles merecedores do privilégio de proteção no intuito de 
acompanhar as transformações socioeconômicas e políticas, que, apesar de lentas 
e paulatinas, são inerentes ao processo evolutivo dos Estados (BRASIL, 2013: Pág. 
09). 
 
A Carta Magna brasileira define com muita clareza os seus princípios fundamentais, 
bem como a preservação dos direitos humanos em todas as instâncias. Repare em seu Art. 
1º, III: 
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS 
 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos 
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado 
Democrático de Direito e tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania; 
III - a dignidade da pessoa humana [...]. 
Objetivos 
Nesta semana discutiremos como os Direitos Humanos estão 
presentes no nosso ordenamento jurídico, ou seja, a sua 
previsão legal no texto Constitucional, em especial, do Art. 5º 
ao Art. 14. 
Semana 3 – Direitos Humanos na Constituição Brasileira de 1988: 
Princípios Fundamentais 
 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 24 
Perceba que a dignidade da pessoa humana é princípio fundamental do ordenamento 
jurídico brasileiro e alcança todas as pessoas, sejam elas homens, mulheres, crianças, 
refugiados, presos ou minorias étnicas, de gênero ou religiosas. 
Em seu Art. 3º, IV, fica bem claro um dos objetivos da República Federativa do Brasil: 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do 
Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais 
e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, 
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
 
Ainda em seu Art. 4º, II, está indicada expressamente a prevalência dos direitos 
humanos: 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações 
internacionais pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; [...] 
 
Mas, sem dúvida alguma, é no Art. 5º da Constituição Federal onde estão expressos, 
em rol exemplificativo e não taxativo – ou seja, não excluem outros que possam surgir ao 
longo do tempo – os direitos fundamentais da pessoa humana. Em outras palavras, os 
direitos humanos estão expressos tanto como normas – em seus artigos e Leis 
infraconstitucionais – bem como em princípios, que nortearam a elaboração da Carta Magna 
pelo poder Constituinte Originário, em 1988. É desta maneira que dizemos que os Direitos 
Humanos são considerados como cláusulas pétreas da Constituição Brasileira e não podem 
ser ignoradas, violadas ou limitadas por nenhum cidadão, governante e nem mesmo pelo 
próprio Estado brasileiro. 
Segundo Moraes (2014) os direitos fundamentais no Brasil classificam-se em: 
a) Direitos e Garantias Individuais e Coletivos – Art. 5º; 
b) Direitos Sociais (Arts. 6º a 11); 
c) Direitos de Nacionalidade (Art. 12); 
d) Direitos Políticos (Art. 14); 
e) Direitos de Criação, Organização e Participação em Partidos Políticos (Art. 17). 
 
 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 25Não seríamos capazes, obviamente, de apenas neste curso, discutirmos artigo por 
artigo e todos os incisos que tratam dos Direitos Fundamentais. Mas, de uma maneira mais 
geral e ampla, podemos dizer que vários deles afetam nossa vida cotidiana. Como exemplo, 
temos o direito à vida; o princípio da igualdade; da legalidade; da liberdade de pensamento 
e expressão; da liberdade de consciência, crença religiosa ou convicção política e filosófica; 
inviolabilidade da vida privada, do devido processo legal, dentre outros. 
Moraes (2014) assinala que 
O Art. 5º da Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a Lei, sem 
distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros 
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e a à propriedade (MORAES, 2014: Pág. 33) 
 
A ideia do princípio da legalidade reside no fato de que ninguém será obrigado a fazer 
ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei anterior que o preceitue, combatendo as 
prováveis arbitrariedades do Estado e/ou de seus governantes. Cessa, portanto, a vontade 
caprichosa do detentor provisório do poder, no sentido de obrigar os cidadãos a fazerem ou 
deixarem de fazer algo, em acordo com a vontade daquele. Sem o devido processo 
legislativo estabelecido não há que se falar em obrigações para os cidadãos. 
O inciso III do Art. 5º trata especificamente da não possibilidade de se utilizar de 
tortura ou tratamento desumano ou degradante, seja contra quem for, seja por qual motivo 
for. A lei considera a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas, o terrorismo 
e os crimes definidos como hediondos como inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia 
(MORAES, 2014). 
Os incisos IV e V trazem a garantia da liberdade de pensamento (vedado o 
anonimato), bem como assegurado o direito de resposta em casos de ofensa. Não se admite, 
portanto, no Brasil, a censura prévia de textos, espetáculos artísticos e a manifestação do 
pensamento, inclusive em locais públicos (conforme inciso IX). Também é inviolável a 
liberdade de consciência e de crença e ninguém será privado de seus direitos em razão de 
sua religiosidade e reforça o caráter laico do Estado brasileiro, que afasta quaisquer 
condutas estatais que se baseiem em uma única crença religiosa. 
O inciso X denota que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem 
das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de 
sua violação, bem como é inviolável a casa do cidadão (XI) e sua correspondência (XII) e 
ligações telefônicas (salvo por ordem judicial, flagrante delito ou desastre). 
São livres as reuniões pacíficas, sem a presença de armas, em locais públicos e não 
cabe autorização prévia do poder público para tal, ainda que seja exigida a informação prévia 
à autoridade competente (XVI). É plena a liberdade de associação pra fins lícitos (proibindo-
se as de caráter paramilitar), bem como a criação de associações ou cooperativas, sem 
necessidade de autorização prévia e sem interferência estatal em sua gestão (XVII e XVIII). 
É garantido o direito de propriedade (XXII), mas ela deve cumprir sua função social 
(XXIII). Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse 
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena 
de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da 
 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 26 
sociedade e do Estado (XXXIII); São a todos assegurados, independentemente do 
pagamento de taxas (XXXIV): 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra 
ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e 
esclarecimento de situações de interesse pessoal. 
Não haverá crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação 
legal (XXXIX); A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (XL); A lei punirá 
qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais (XLI); A prática do 
racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos 
da lei (XLII). 
O Inciso XLVII aduz que não haverá penas no Brasil: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a 
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; 
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com 
seus filhos durante o período de amamentação. 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo 
legal; 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral 
são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória. 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e 
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar 
ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados 
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; 
 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 27 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer 
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu 
interrogatório policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade 
provisória, com ou sem fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento 
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar 
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou 
abuso de poder. 
No que se refere aos Direitos Sociais, temos como mais significativos aqueles 
previstos no Art. 6º: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade 
e à infância, a assistência aos desamparados. 
No art. 7º do texto Constitucional encontramos os direitos dos trabalhadores e 
trabalhadoras, os quais destacamos o inciso IV - salário mínimo, fixado em lei, 
nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua 
família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e 
previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo 
vedada sua vinculação para qualquer fim. 
O Art. 8º trata da livre associação profissional ou sindical, observado o seguinte: 
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, 
ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a 
intervenção na organização sindical. No Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo 
aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que 
devam por meio dele defender. 
No rol de direitos políticos, destacam-se no CapítuloIV: 
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e 
secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: 
I - plebiscito; 
II - referendo; 
III - iniciativa popular. 
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são: 
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; 
II - facultativos para: 
 
 
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Pró-Reitoria de Extensão 28 
a) os analfabetos; 
b) os maiores de setenta anos; 
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. 
 
3.2 Considerações Finais 
 
Enfim, chegamos ao final de nossa trajetória sobre os Direitos Humanos no mundo e 
no Brasil. Ao longo de nossa trajetória, buscamos identificar a origem desses direitos e seu 
processo de luta e desenvolvimento ao longo do tempo, em especial na Era Moderna. 
Estudamos as diversas dimensões desses direitos e, principalmente, ao final, observamos 
como eles se consubstanciaram no texto da Constituição Brasileira de 1988. 
 Gostaria de lembrá-lo de que os Direitos Humanos foram conquistados e não dados 
ou entregues por algum governo ou alma bondosa: foi através de lutas constantes e 
sacrifícios pessoais que temos hoje um rol significativo de proteção individual dos cidadãos 
frente aos Estados. É nosso dever defender esses direitos - inalienáveis e irrenunciáveis – 
contra todos aqueles que, disfarçados de salvadores da pátria ou enviados divinos, lutam 
para calar as vozes dissonantes, fazendo crer que a culpa dos males sociais é o “excesso 
de direitos”. 
Após este curso, espero que você compreenda que a presença desses direitos em 
nosso ordenamento jurídico é nossa única defesa contra a ditadura, contra a desigualdade 
e contra a arbitrariedade de governantes e políticos populistas e provisórios, que a cada 
quatro anos se aboletam no poder. A única saída para as mazelas sociais é o respeito 
irrestrito ao direito de todas as pessoas humanas e isto só se faz defendendo a democracia 
e a nossa Constituição Cidadã. 
 
 
Atividade: Para concluir o curso e gerar o seu 
certificado, vá até a sala virtual e responda ao 
Questionário “Avaliação geral”. 
Este teste é constituído por 10 perguntas de múltipla 
escolha, que se baseiam no conteúdo das três semanas 
de estudo que tivemos até aqui, com destaque para a 
previsão legal em nosso ordenamento jurídico. 
 
 Parabéns pela conclusão do curso. Foi um prazer tê-lo conosco! 
 
 
 
Instituto Federal de Minas Gerais 
Pró-Reitoria de Extensão 29 
Referências 
 
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil - 1988. Brasília: Senado 
Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016. 
BRASIL. Direitos Humanos: atos internacionais e normas correlatas. Brasília: Senado 
Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2013. 
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2014. 
TESTA JÚNIOR, Washington L. A construção dos direitos humanos fundamentais. Revista 
do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da FUNDINOPI. Jacarezinho – PR, 17 fev. 
2009. Págs. 103-130. 
VIEIRA JÚNIOR, Dicesar B. Teoria dos direitos fundamentais: evolução histórico-positiva, 
regras e princípios. Revista da Faculdade de Direito-RFD-UERJ. Rio de Janeiro, n. 28, 
dez. 2015. Págs. 73-96 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Currículo do autor 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Feito por (professor-autor) Data Revisão de layout Data Versão 
Venilson Luciano Benigno Fonseca 18/10/2020 Viviane Lima Martins 19/04/2021 1.0 
 
 
 
 Venilson Luciano Benigno Fonseca é Graduado (2001), Mestre (2004) e Doutor 
(2014) em Geografia Humana pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. 
Graduando em Direito pela Faculdade de Direito de Cons. Lafaiete - MG. Professor do 
Curso de Licenciatura em Geografia, na Pós-Graduação em Docência do IFMG e no 
Programa de Pós Graduação em Ensino de Geografia em Rede Nacional (PROFGEO) 
- Mestrado. Atua nas disciplinas voltadas à produção científica, em especial, da ciência 
geográfica, tais como: Teoria e Métodos em Geografia, Seminários da Pesquisa em 
Geografia, Monografia, Epistemologia do Ensino de Geografia e Introdução ao Ensino 
à Distância (Para os cursos de Licenciatura em Física e Geografia). Atua também em 
disciplinas vinculadas à Gestão Pública e Ordenamento Territorial. Pesquisa temas 
relacionados à produção do espaço e ordenamento territorial, além de temáticas 
ligadas à educação, ensino de geografia e Direito Público. Atua desde 2017 como 
avaliador externo ad hoc do mérito científico e/ou tecnológico dos projetos de pesquisa 
e extensão submetidos aos Editais do Instituto Federal Fluminense - IFF e do Campus Santa Luzia do 
IFMG. Atua desde 2020 como Revisor da Revista Geografia, Ensino & Pesquisa, do Programa de Pós 
Graduação em Geografia da UFSM. Possui experiência em Gestão Pública Escolar, tendo exercido a 
função de Diretor de Ensino do Campus Ouro Preto do IFMG em duas oportunidades. 
 
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4392452858016775 
 
http://lattes.cnpq.br/4392452858016775
 
 
 
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Glossário de códigos QR (Quick Response) 
 
 
 
 
Mídia digital 
Apresentação do 
curso 
 
 
 
Mídia digital 
Videoaula Semana 2 
 
 
 
 
 
 
Mídia digital 
Videoaula Semana 3 
 
 
 
 
 
 
 
34 
 
 
 
 
 
Plataforma +IFMG 
Formação Inicial e Continuada EaD 
 
 
 
 A Pró-Reitoria de Extensão (Proex), neste ano de 
2020 concentrou seus esforços na criação do Programa 
+IFMG. Esta iniciativa consiste em uma plataforma de cursos 
online, cujo objetivo, além de multiplicar o conhecimento 
institucional em Educação à Distância (EaD), é aumentar a 
abrangência social do IFMG, incentivando a qualificação 
profissional. Assim, o programa contribui para o IFMG cumprir 
seu papel na oferta de uma educação pública, de qualidade e 
cada vez mais acessível. 
 Para essa realização, a Proex constituiu uma equipe 
multidisciplinar, contando com especialistas em educação, 
web design, design instrucional, programação, revisão de 
texto, locução, produção e edição de vídeos e muito mais. 
Além disso, contamos com o apoio sinérgico de diversos 
setores institucionais e também com a imprescindível 
contribuição de muitos servidores (professores e técnico-
administrativos) que trabalharam como autores dos materiais 
didáticos, compartilhando conhecimento em suas áreas de 
atuação. 
A fim de assegurar a mais alta qualidade na produção destes cursos, a Proex adquiriu 
estúdios de EaD, equipados com câmeras de vídeo, microfones, sistemas de iluminação e 
isolação acústica, para todos os 18 campi do IFMG. 
Somando à nossa plataforma de cursos online, o Programa +IFMG disponibilizará 
também, para toda a comunidade, uma Rádio Web Educativa, um aplicativo móvel para 
Android e IOS, um canal no Youtube com a finalidade de promover a divulgação cultural e 
científica e cursos preparatórios para nosso processo seletivo, bem como para o Enem, 
considerando os saberes contemplados por todos os nossos cursos. 
 Parafraseando Freire, acreditamos que a educação muda as pessoas e estas, por 
sua vez, transformam o mundo. Foi assim que o +IFMG foi criado. 
 
 
 
O +IFMG significa um IFMG cada vez mais perto de você! 
 
 
 
Professor Carlos Bernardes Rosa Jr. 
Pró-Reitor de Extensão do IFMG 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Características deste livro: 
Formato: A4 
Tipologia: Arial e Capriola. 
E-book: 
1ª. Edição 
Formato digital

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