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ADMINISTRADOR DE ORGANIZAÇÕES CIVIS: DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA Venilson Luciano Benigno Fonseca Formação Inicial e Continuada IFMG + Venilson Luciano Benigno Fonseca ADMINISTRADOR DE ORGANIZAÇÕES CIVIS: DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA 1ª Edição Belo Horizonte Instituto Federal de Minas Gerais 2021 FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) F676a Fonseca, Venilson Luciano Benigno Administrador de organizações civis: direitos humanos e justiça [recurso eletrônico] / Venilson Luciano Benigno Fonseca. – Belo Horizonte : Instituto Federal de Minas Gerais, 2021. 34 p. : il. color. E-book, no formato PDF. Material didático para Formação Inicial e Continuada. ISBN 978-65-5876-096-2 1. Direitos Humanos. 2. Direito Civil. 3. Direitos Fundamentais. I. Fonseca, Venilson Luciano Benigno. II. Título. CDU 342.71 Catalogação: Márcio Carlos Pires - CRB-6/2406 Índice para catálogo sistemático: Direitos Humanos- 342.71 2021 Direitos exclusivos cedidos ao Instituto Federal de Minas Gerais Avenida Mário Werneck, 2590, CEP: 30575-180, Buritis, Belo Horizonte – MG, Telefone: (31) 2513-5157 Pró-reitor de Extensão Diretor de Programas de Extensão Coordenação do curso Arte gráfica Diagramação © 2021 by Instituto Federal de Minas Gerais Todos os direitos autorais reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico. Incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização por escrito do Instituto Federal de Minas Gerais. Carlos Bernardes Rosa Júnior Niltom Vieira Junior Venilson Luciano Benigno Fonseca Ângela Bacon Eduardo dos Santos Oliveira Sobre o material Este curso é autoexplicativo e não possui tutoria. O material didático, incluindo suas videoaulas, foi projetado para que você consiga evoluir de forma autônoma e suficiente. Caso opte por imprimir este e-book, você não perderá a possiblidade de acessar os materiais multimídia e complementares. Os links podem ser acessados usando o seu celular, por meio do glossário de Códigos QR disponível no fim deste livro. Embora o material passe por revisão, somos gratos em receber suas sugestões para possíveis correções (erros ortográficos, conceituais, links inativos etc.). A sua participação é muito importante para a nossa constante melhoria. 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Busca lhe proporcionar uma compreensão do que são os Direitos Fundamentais da pessoa humana e sua aplicação no cotidiano dos cidadãos, além de reconhecer a importância da sua proteção internacional e as garantias dos Direitos Fundamentais no ordenamento jurídico brasileiro. O curso é oferecido tendo como foco os gestores, administradores e líderes comunitários que atuam na garantia, defesa e promoção dos Direitos Humanos, bem como aqueles que desejam se aprofundar na temática. Destina- se também a qualquer pessoa interessada, não sendo necessária formação específica anterior. O meu compromisso, bem como o do IFMG, é a promoção de uma sociedade justa, fraterna, igualitária, sem discriminação de raça, cor, credo, gênero, idade e nacionalidade. A educação mostra-se o meio mais eficaz, democrático e acessível para que concretizemos esses valores e espero que este curso lhe proporcione uma ampliação de horizontes. Como dizia João Guimarães Rosa: “[...] o que a vida quer da gente é coragem”. Te desejo muito sucesso! No mais, Geraes. Bons estudos! Venilson Luciano Benigno Fonseca Bons estudos! Nome do autor. Apresentação do curso Este curso está dividido em três semanas, cujos objetivos de cada uma são apresentados, sucintamente, a seguir. SEMANA 1 Antecedentes Históricos: Conceito de Direitos; Dimensões dos Direitos Fundamentais: 1ª Dimensão – Liberdade (Direitos Civis); 2ª Dimensão: Igualdade (Direitos Sociais); 3ª Dimensão: Fraternidade (Direitos Transindividuais); 4ª Dimensão: Novos Direitos. SEMANA 2 Características dos Direitos Humanos. Proteção Global aos Direitos Humanos - Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais; Declaração Francesa 1789; Declaração Americana 1787; Constituição do México 1917, de Weimar 1919, do Brasil 1934. Carta das Nações Unidas de 1945; Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948; Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de Nova Iorque – 1966. SEMANA 3 Direitos Humanos na Constituição Brasileira de 1988: Princípios Fundamentais - Art. 1º: soberania; cidadania; dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; pluralismo político; Art. 4º, II - Prevalência dos direitos humanos; Dos Direitos e Garantias Fundamentais - Art. 5º Caput e incisos: Direito à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade. Carga horária: 30 horas. Estudo proposto: 2h por dia em cinco dias por semana (10 horas semanais). Apresentação dos Ícones Os ícones são elementos gráficos para facilitar os estudos, fique atento quando eles aparecem no texto. Veja aqui o seu significado: Atenção: indica pontos de maior importância no texto. Dica do professor: novas informações ou curiosidades relacionadas ao tema em estudo. Atividade: sugestão de tarefas e atividades para o desenvolvimento da aprendizagem. Mídia digital: sugestão de recursos audiovisuais para enriquecer a aprendizagem. Sumário Semana 1 – Direitos Humanos: antecedentes históricos e suas Dimensões . 15 1.1. O Conceito de Direitos Humanos ou Fundamentais ........................... 15 1.2 – As dimensões dos Direitos Humanos ................................................... 16 Semana 2 – Direitos Humanos: características e evolução nos Tratados Internacionais ................................................................................................ 19 2.1 As principais características dos Direitos Humanos .............................. 19 Semana 3 – Direitos Humanos na Constituição Brasileira de 1988: Princípios Fundamentais ............................................................................................... 23 3.1 A Constituição de 1988 e os Direitos Humanos .................................... 23 3.2 Considerações Finais .............................................................................. 28 Referências ................................................................................................... 29 Glossário de códigos QR (Quick Response) ................................................. 33 file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566255 file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566258file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566258 file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566262 file:///C:/Users/Niltom/Downloads/(E-book%20+IFMG)%20-%20Direitos%20humanos.docx%23_Toc79566262 Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 15 Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala virtual e assista ao vídeo “Apresentação do curso”. 1.1. O Conceito de Direitos Humanos ou Fundamentais A ideia de que o homem possui alguns direitos fundamentais consolida-se, por assim dizer, nas concepções de Estado desenvolvidas por Thomas Hobbes e John Locke, nos séculos XV e XVI – ainda que o reconhecimento de direitos dos seres humanos em contraposição a um certo tipo de Estado ou poder sejam ainda mais antigas, como por exemplo, a Carta Magna de 1215, que limitava o poder dos Monarcas na Grã-Bretanha. Não obstante, uma proposta constitucional, de garantias de direitos frente a um certo tipo de Estado, situa-se, preponderantemente, no limiar da Constituição Estadunidense e da Revolução Francesa, principalmente com pensadores como Jean-Jacques Rousseau e Montesquieu, no século XVIII. O entendimento de que o cidadão, frente ao Estado Moderno, deveria ser protegido através de Leis e Garantias Fundamentais, enseja as principais ideias e ideais presentes na Revolução Francesa, bem como na Constituição Estadunidense, no amanhecer da Modernidade. Direitos como a liberdade, a igualdade e a propriedade privada orientarão a construção do conceito de democracia e estado, presentes na maioria dos países ocidentais. Ao longo de todo o século XX, diversos direitos foram sendo incorporados e entendidos como fundamentais, demonstrando o caráter dinâmico e processual do desenvolvimento das sociedades modernas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU, logo no pós-guerra, também é um dos marcos da consolidação dos chamados estados democráticos de direito. No caso brasileiro, a Constituição de 1988 - apelidada de Constituição Cidadã – consolidou, em seu Art. 5º, um rol exemplificativo de direitos dos cidadãos frente ao Estado, o que garante aos primeiros um instrumento legal de proteção, principalmente os mais vulneráveis. Entretanto, a grande maioria dos cidadãos brasileiros desconhece estes direitos e, principalmente, ignora suas garantias fundamentais e o dever do Estado e de quaisquer governos e governantes de manter intactos os preceitos constitucionais, no que tange aos direitos humanos. Objetivos Nesta semana buscaremos compreender os antecedentes históricos dos chamados “Direitos Humanos ou Fundamentais”, bem como as chamadas Dimensões ou Gerações de Direitos ao longo do tempo, principalmente através do século XX. Semana 1 – Direitos Humanos: antecedentes históricos e suas Dimensões Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 16 É muito importante compreender que os direitos humanos não são naturais, não surgem ao acaso: eles são produtos de contextos históricos e geográficos e foram conquistados, em muitos casos, à custa de sacrifícios de diversos grupos sociais. Dessa maneira, os direitos não “nascem” todos de uma vez: Nascem quando devem ou podem nascer. Nascem quando o aumento do poder do homem sobre o homem – que acompanha inevitavelmente o progresso técnico, isto é, o progresso da capacidade do homem de dominar a natureza e os outros homens – ou cria novas ameaças à liberdade do indivíduo, ou permite novos remédios para as suas indigências: ameaças que são enfrentadas através de demandas de limitações do poder; remédios que são providenciados através da exigência de que o mesmo poder intervenha de modo protetor (BOBBIO, 2004: Pág. 06). Observe que a conquista de direitos – dos cidadãos frente ao Estado Moderno – foi se ampliando na medida em que a própria sociedade moderna ocidental adentrava ao século XX, passando de direitos como a liberdade até os chamados direitos transindividuais. É o que veremos nas próximas seções, onde estudaremos as diferentes dimensões dos direitos humanos. 1.2 – As dimensões dos Direitos Humanos Os primeiros direitos – também chamados de primeira dimensão – se referem à liberdade do cidadão, ou seja, aos seus direitos civis e políticos. Os direitos humanos de primeira dimensão guardam uma posição de liberdade frente ao Estado, uma prestação negativa deste último em relação às individualidades. Em outras palavras, o Estado não deve interferir na esfera da vida privada ou íntima do cidadão – ou interferir o mínimo possível – e é nessa seara que nascem os direitos como a liberdade de reunião, de culto e a inviolabilidade do domicílio. Os direitos de segunda dimensão buscam assegurar os direitos sociais, econômicos e culturais. Se o fundamento dos direitos de primeira dimensão era a liberdade, neste caso, ele encontra-se no princípio da igualdade e obriga o Estado a prestações positivas, demandadas em Lei, que visam à igualdade social entre os cidadãos. O estado devia agir visando a diminuir as desigualdades sociais, na medida em que provia aos cidadãos condições mínimas de sobrevivência, principalmente aquelas relacionadas às contraprestações devida pelo Estado na promoção da saúde, segurança, educação e bem- estar social. É relevante notar que os direitos fundamentais de segunda dimensão também englobam as liberdades sociais: as liberdades de sindicalização e o direito de greve, bem como a previsão legal de direitos fundamentais do trabalhador, como as férias, o repouso semanal remunerado, a limitação da jornada de trabalho e a garantia de uma remuneração mínima exigível para sua sobrevivência (VIEIRA JÚNIOR, 2015). Os chamados direitos de terceira dimensão – também conhecidos como transindividuais - são marcados pela titularidade difusa ou coletiva. A sua titularidade não se assenta no homem isoladamente considerado, mas toda a coletividade e os grupos sociais. Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 17 Como rol exemplificativo, temos o direito ao meio ambiente, à proteção ao patrimônio histórico e cultural da humanidade, o direito à paz e à autodeterminação entre os povos. Segundo BOBBIO (2004): Com a Declaração [Universal] de 1948, tem início uma terceira e última fase, na qual a afirmação dos direitos é, ao mesmo tempo, universal e positiva: universal no sentido de que os destinatários dos princípios nela contidos não são mais os cidadãos deste ou daquele Estado, mas todos os homens; positiva no sentido de que põe em movimento um processo em cujo final os direitos do homem deverão ser não mais apenas proclamados ou apenas idealmente reconhecidos, porém efetivamente protegidos até mesmo contra o próprio Estado que os tenha violado (BOBBIO, 2004: Págs. 29-30). Por fim, os chamados Direitos de quarta e quinta dimensão são caracterizados pelo direito à democracia, à informação e ao pluralismo de pessoas e ideias e ao acesso à água potável. São decorrentes da globalização política e correspondem à chamada fase de institucionalização do Estado Social. Dica do Professor: Para resumir o aprendizado desta semana, lembre-se: Os Direitos de Primeira Dimensão dizem respeito aos direitos como a liberdade, a vida e a propriedade. Os de Segunda Dimensão referem-se aos direitos de igualdade dos cidadãos, como os sociais, econômicos, culturais e trabalhistas. Os de Terceira Dimensão são chamados de transindividuais ou coletivos e se referem à paz, ao meio ambiente e ao patrimônio coletivo da humanidade. Os de Quarta e Quinta Dimensão referem-se ao pluralismo, à democracia e ao acesso à água, por exemplo. Atividade: Para concluir a primeira semana de estudos, vá até a sala virtual e participedo Fórum “Meu curso”. Inicie uma nova publicação ou contribua com a publicação de algum outro colega, considerando a seguinte questão: existe algum direito ou alguma dimensão de direitos mais importante do que outra(s)? Justifique sua resposta. Nos encontramos na próxima semana. Bons estudos! Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 18 Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 19 Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala virtual e assista ao vídeo “Semana 2”. 2.1 As principais características dos Direitos Humanos Como vimos na semana anterior, os Direitos Humanos ou Fundamentais foram se consolidando ao mesmo tempo em que se impunham os Estados Modernos Ocidentais. Nessas chamadas democracias liberais e burguesas, diversos direitos serão compreendidos como fundamentais para os cidadãos, frente a um Estado-juiz, dono dos meios de controle e da esfera jurisdicional. Se num primeiro momento os organizadores desse novo Estado Democrático de Direito se preocuparam com as garantias individuais – principalmente a liberdade: de ir e vir; de credo; de opinião; de possuir bens – em um segundo momento a busca foi a tentativa de preservar a igualdade entre os seres humanos. Cobrou-se do Estado um conjunto de ações visando à garantia de direitos sociais, mormente aqueles representados pela saúde, educação e bem estar social. Dessa maneira, depreende-se que os direitos humanos possuem algumas características muito particulares, em rol exemplificativo: a) Inerência - os direitos humanos pertencem a toda a humanidade; b) Universalidade – eles são extensivos a todos e todas, sem distinção de raça, cor, gênero, origem, condição social, língua, religião ou sexualidade; c) Transnacionalidade – os direitos humanos são extensivos a todos os seres humanos não importando em que lugar, região ou país se encontrem; d) Indivisibilidade – eles não podem ser vistos separadamente e sim em unidade, ou seja, não se reconhece este ou aquele direito, se reconhecem todos, simultaneamente; e) Interdependência – determinados direitos de uma dimensão, para serem reconhecidos, carecem de reconhecimento dos direitos de uma dimensão anterior; f) Indisponibilidade - o ser humano não pode dispor de um direito fundamental, haja vista que é inerente a ele. Nem mesmo os Estados podem suprimi-los após o seu reconhecimento; Objetivos Nesta semana estudaremos as principais características dos Direitos Humanos, bem como a sua evolução no ordenamento jurídico internacional, através de seus Tratados e Declarações. Semana 2 – Direitos Humanos: características e evolução nos Tratados Internacionais Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 20 g) Imprescritibilidade – nenhum direito fundamental prescreve por decurso de prazo; h) Individualidade – podem ser exercidos por apenas uma pessoa; i) Complementaridade – não há hierarquia entre direitos humanos, todos devem ser compreendidos em seu conjunto; j) Inviolabilidade – nenhuma pessoa, autoridade ou Estado pode violar quaisquer desses direitos; k) Irrenunciabilidade – ninguém poderá renunciar a esses direitos mesmo que o deseje fazer de livre e espontânea vontade; l) Proibição de retrocesso – uma vez reconhecidos não se admite retrocesso legal que os limitem ou diminuam; m) Prevalência da norma mais benéfica – em casos concretos de violação dos direitos humanos prevalecerá a norma que mais beneficiará à vítima. 2.2 Proteção Global aos Direitos Humanos: Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais Conforme já dissemos, os direitos fundamentais não devem ser entendidos como valores universais e atemporais, originários de uma razão natural e fora da história, mas como uma construção histórico-cultural, com base em axiomas assinalados por princípios, expressos ou implícitos em diversas cartas, tratados, convenções e Constituições de diversos países do mundo ocidental (VIEIRA JÚNIOR, 2015). Nesse sentido, organizamos abaixo alguns desses Tratados Internacionais ou Leis para que você consiga compreender melhor a evolução dos direitos humanos ao longo do tempo, com destaque – mas não só - para a Era Moderna da Civilização Ocidental, conforme o Quadro 01: Tratado/Ano Ementa A Carta Magna das Liberdades ou Concórdia – 1215 Inglaterra Com base na teoria do direito natural, pregava a existência de leis fundamentais, naturais, superiores e limitadoras do poder do monarca. A Lei de Habeas Corpus – 1679 Inglaterra Tem raiz na Magna Carta, com expressão no item 29 que reconhecia injusta qualquer prisão não estabelecida de direito ou decretada arbitrariamente. A Declaração de Direitos (Bill of Rights) – 1689 Inglaterra Os poderes de legislar e criar tributos não são mais prerrogativas no monarca e, sim, competência reservada do Parlamento. Instituiu a separação dos poderes, com a afirmação de que o Parlamento é um órgão precipuamente encarregado de defender os súditos perante o monarca. A Declaração de Independência e a Constituição dos Estados Unidos da América do Norte – 1776 Representa o ato inaugural da democracia moderna, a combinar sob o regime constitucional, a representação popular com a limitação de poderes governamentais e o respeito aos direitos humanos. Constituiu-se, tipicamente, como uma sociedade burguesa organizada por cidadãos livres, a defesa das liberdades individuais, e a submissão dos poderes governamentais ao consentimento popular. As Declarações de Direitos da Revolução Francesa - 1789 Liberdade, igualdade e fraternidade. Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 21 A Constituição Francesa – 1848 Instituiu deveres sociais ao Estado para com a classe trabalhadora e os necessitados. Apontou para o surgimento do que viria a ser o Estado do Bem-Estar Social no século XX. Criou disposições sobre direitos fundamentais como a abolição da pena de morte e a proibição da escravatura. A Constituição Mexicana - 1917 O ideário constitucional era proteger o trabalho assalariado, promover a reforma agrária, expandir o sistema educacional público e quebrar o poderio da Igreja Católica. A Constituição Alemã (Weimar) – 1919 Infelizmente destruída pelo Nazismo, vigorando por pouco tempo, ficou marcada pelo dualismo entre a organização do Estado e a declaração dos direitos e deveres fundamentais, com previsão das clássicas liberdades individuais e dos novos direitos sociais. Inovou no direito de família ao prever – pela primeira vez na história do direito ocidental – a igualdade jurídica entre marido e mulher, bem como a equiparação entre filhos ilegítimos aos legitimamente havidos durante o matrimônio. A Carta das Nações Unidas - 1945 Caracterizada como a internacionalização dos direitos humanos, estabeleceu uma nova ordem internacional como resposta às atrocidades cometidas durante o nazismo, identificando o Estado como grande violador de direitos humanos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos – 1948 Com a universalidade dos direitos humanos alcançada em 1945, passam a ser dotados de indivisibilidade ao se conjugar o catálogo dos direitos civis e políticos com os direitos econômicos, sociais e culturais. Combinou o discurso liberal e o social da cidadania, juntando os valores da liberdade e da igualdade. Indivisibilidade dos direitos humanos. Quebrou a dicotomia historicamente existente entre o direito à liberdade e o direito à igualdade. Os Pactos Internacionais de Direitos Humanos – 1966 Nova Iorque Proclamou o dever dos Estados-partes de assegurar os direitos neles elencados a todos os indivíduos que estejam sob sua jurisdição e essas obrigações estatais são tanto de natureza negativacomo de natureza positiva (dever de não fazer e de fazer). Elencou um catálogo de direitos tais como: de trabalho e de justa remuneração, de associação sindical, de moradia, de educação, de previdência social. A Convenção Americana de Direitos Humanos – 1969 São José da Costa Rica Estabeleceu um aparato de monitoramento e implementação dos direitos que declara por meio da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e pela Corte Interamericana. A formação do sistema interamericano de direitos humanos assume extraordinária relevância na proteção dos direitos humanos ao revelar dupla função, isto é, impedir retrocessos e fomentar avanços no regime protetivo dos direitos humanos. Quadro 01: Tratados/Leis e Ementas sobre os Direitos Humanos. Fonte: Extraído e adaptado de TESTA JÚNIOR (2009). Resta, evidente, que, no decurso do desenvolvimento das sociedades moderno ocidentais, os direitos humanos foram ganhando relevo e importância. Seja através da luta dos trabalhadores, dos movimentos feministas, das minorias sociais – como o movimento negro e dos direitos das comunidades LGBT+ - e em função dos horrores das guerras, os direitos humanos ou fundamentais se consolidaram, ao longo do tempo, nas democracias ocidentais. Num movimento dialético, do ir e vir, de constantes lutas de diversos atores sociais, as sociedades se permitiram discutir a diversidade, a igualdade, as relações econômicas desiguais e o entendimento de que os cidadãos deveriam ser protegidos e assistidos, do Estado e pelo Estado, no decorrer de suas vidas. Plataforma +IFMG Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 22 Assistimos hoje, no decorrer do Século XXI, ainda a diversas lutas, principalmente de minorias historicamente desamparadas, que buscam não só a garantia de seus direitos de cidadãos e cidadãs, mas também a efetividade desses mesmos direitos. Ainda que positivados – escritos, expressos – na maioria das Constituições e Tratados Internacionais, muitos deles ainda não encontraram efetiva aplicação no dia a dia, na vida de milhões de seres humanos mundo afora. Ainda presenciamos ataques diretos à democracia, violações de todo tipo, desconhecimento e ignorância acerca dos significados e importância dos Direitos Humanos para a vida de todos nós: a defesa do direito de todos é a defesa da própria democracia, é a defesa e a garantia de que um Estado ou um Governante – provisório, é bom que se diga – que não se paute pela observância desses preceitos, deve ser legalmente responsabilizado e ter seu busto erguido no hall da infâmia universal. Atividade: Para concluir a segunda semana de estudos, vá até a sala virtual e participe do Fórum “Avaliando as políticas públicas nacionais”. Inicie uma nova publicação compartilhando suas percepções sobre como o Estado Brasileiro e seus governantes vêm atuando, na prática, para a garantia dos Direitos Fundamentais, através da implementação de políticas públicas para a sua promoção dos. Conte pra gente! Dica do Professor: Concluída esta intensa semana de estudos, vale uma pausa para reflexão: como você, até hoje, antes de iniciar este curso, entendia os Direitos Humanos e sua aplicação? Você tinha consciência da sua importância e de que sua defesa é um dever de todos? Pense nisso e discuta com seus amigos e familiares, sobre o que eles pensam sobre os Direitos Humanos. Nos encontramos na próxima semana. Bons estudos! Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 23 Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala virtual e assista ao vídeo “Semana 3”. 3.1 A Constituição de 1988 e os Direitos Humanos A doutrina majoritária tem defendido que os direitos fundamentais possuem como característica marcante o seu conteúdo ético-normativo. Esse conteúdo encontra-se principalmente no princípio da dignidade da pessoa humana (VIEIRA JÚNIOR, 2015). Na apresentação de sua cartilha sobre os Direitos Humanos, publicada pelo Senado Federal, diz-se que: Os direitos e garantias fundamentais contemplados no art. 5º da Constituição de 1988 foram o marco histórico da transição para a democracia e o início da efetivação dos Direitos Humanos no Brasil. De fato, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, ter por preceito a observância desses direitos tornou-se condição sine qua non, seja no direito interno, seja no âmbito da política externa do País. Por terem natureza essencialmente universal, os Direitos Humanos englobam os demais, tais como o direito dos refugiados, o direito ao desenvolvimento, o direito à filiação partidária, entre outros. São eles merecedores do privilégio de proteção no intuito de acompanhar as transformações socioeconômicas e políticas, que, apesar de lentas e paulatinas, são inerentes ao processo evolutivo dos Estados (BRASIL, 2013: Pág. 09). A Carta Magna brasileira define com muita clareza os seus princípios fundamentais, bem como a preservação dos direitos humanos em todas as instâncias. Repare em seu Art. 1º, III: DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana [...]. Objetivos Nesta semana discutiremos como os Direitos Humanos estão presentes no nosso ordenamento jurídico, ou seja, a sua previsão legal no texto Constitucional, em especial, do Art. 5º ao Art. 14. Semana 3 – Direitos Humanos na Constituição Brasileira de 1988: Princípios Fundamentais Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 24 Perceba que a dignidade da pessoa humana é princípio fundamental do ordenamento jurídico brasileiro e alcança todas as pessoas, sejam elas homens, mulheres, crianças, refugiados, presos ou minorias étnicas, de gênero ou religiosas. Em seu Art. 3º, IV, fica bem claro um dos objetivos da República Federativa do Brasil: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Ainda em seu Art. 4º, II, está indicada expressamente a prevalência dos direitos humanos: Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; [...] Mas, sem dúvida alguma, é no Art. 5º da Constituição Federal onde estão expressos, em rol exemplificativo e não taxativo – ou seja, não excluem outros que possam surgir ao longo do tempo – os direitos fundamentais da pessoa humana. Em outras palavras, os direitos humanos estão expressos tanto como normas – em seus artigos e Leis infraconstitucionais – bem como em princípios, que nortearam a elaboração da Carta Magna pelo poder Constituinte Originário, em 1988. É desta maneira que dizemos que os Direitos Humanos são considerados como cláusulas pétreas da Constituição Brasileira e não podem ser ignoradas, violadas ou limitadas por nenhum cidadão, governante e nem mesmo pelo próprio Estado brasileiro. Segundo Moraes (2014) os direitos fundamentais no Brasil classificam-se em: a) Direitos e Garantias Individuais e Coletivos – Art. 5º; b) Direitos Sociais (Arts. 6º a 11); c) Direitos de Nacionalidade (Art. 12); d) Direitos Políticos (Art. 14); e) Direitos de Criação, Organização e Participação em Partidos Políticos (Art. 17). Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 25Não seríamos capazes, obviamente, de apenas neste curso, discutirmos artigo por artigo e todos os incisos que tratam dos Direitos Fundamentais. Mas, de uma maneira mais geral e ampla, podemos dizer que vários deles afetam nossa vida cotidiana. Como exemplo, temos o direito à vida; o princípio da igualdade; da legalidade; da liberdade de pensamento e expressão; da liberdade de consciência, crença religiosa ou convicção política e filosófica; inviolabilidade da vida privada, do devido processo legal, dentre outros. Moraes (2014) assinala que O Art. 5º da Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e a à propriedade (MORAES, 2014: Pág. 33) A ideia do princípio da legalidade reside no fato de que ninguém será obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa senão em virtude de lei anterior que o preceitue, combatendo as prováveis arbitrariedades do Estado e/ou de seus governantes. Cessa, portanto, a vontade caprichosa do detentor provisório do poder, no sentido de obrigar os cidadãos a fazerem ou deixarem de fazer algo, em acordo com a vontade daquele. Sem o devido processo legislativo estabelecido não há que se falar em obrigações para os cidadãos. O inciso III do Art. 5º trata especificamente da não possibilidade de se utilizar de tortura ou tratamento desumano ou degradante, seja contra quem for, seja por qual motivo for. A lei considera a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas, o terrorismo e os crimes definidos como hediondos como inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia (MORAES, 2014). Os incisos IV e V trazem a garantia da liberdade de pensamento (vedado o anonimato), bem como assegurado o direito de resposta em casos de ofensa. Não se admite, portanto, no Brasil, a censura prévia de textos, espetáculos artísticos e a manifestação do pensamento, inclusive em locais públicos (conforme inciso IX). Também é inviolável a liberdade de consciência e de crença e ninguém será privado de seus direitos em razão de sua religiosidade e reforça o caráter laico do Estado brasileiro, que afasta quaisquer condutas estatais que se baseiem em uma única crença religiosa. O inciso X denota que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação, bem como é inviolável a casa do cidadão (XI) e sua correspondência (XII) e ligações telefônicas (salvo por ordem judicial, flagrante delito ou desastre). São livres as reuniões pacíficas, sem a presença de armas, em locais públicos e não cabe autorização prévia do poder público para tal, ainda que seja exigida a informação prévia à autoridade competente (XVI). É plena a liberdade de associação pra fins lícitos (proibindo- se as de caráter paramilitar), bem como a criação de associações ou cooperativas, sem necessidade de autorização prévia e sem interferência estatal em sua gestão (XVII e XVIII). É garantido o direito de propriedade (XXII), mas ela deve cumprir sua função social (XXIII). Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 26 sociedade e do Estado (XXXIII); São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas (XXXIV): a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Não haverá crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal (XXXIX); A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu (XL); A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais (XLI); A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei (XLII). O Inciso XLVII aduz que não haverá penas no Brasil: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 27 LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. No que se refere aos Direitos Sociais, temos como mais significativos aqueles previstos no Art. 6º: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. No art. 7º do texto Constitucional encontramos os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, os quais destacamos o inciso IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. O Art. 8º trata da livre associação profissional ou sindical, observado o seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical. No Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. No rol de direitos políticos, destacam-se no CapítuloIV: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular. § 1º O alistamento eleitoral e o voto são: I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; II - facultativos para: Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 28 a) os analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. 3.2 Considerações Finais Enfim, chegamos ao final de nossa trajetória sobre os Direitos Humanos no mundo e no Brasil. Ao longo de nossa trajetória, buscamos identificar a origem desses direitos e seu processo de luta e desenvolvimento ao longo do tempo, em especial na Era Moderna. Estudamos as diversas dimensões desses direitos e, principalmente, ao final, observamos como eles se consubstanciaram no texto da Constituição Brasileira de 1988. Gostaria de lembrá-lo de que os Direitos Humanos foram conquistados e não dados ou entregues por algum governo ou alma bondosa: foi através de lutas constantes e sacrifícios pessoais que temos hoje um rol significativo de proteção individual dos cidadãos frente aos Estados. É nosso dever defender esses direitos - inalienáveis e irrenunciáveis – contra todos aqueles que, disfarçados de salvadores da pátria ou enviados divinos, lutam para calar as vozes dissonantes, fazendo crer que a culpa dos males sociais é o “excesso de direitos”. Após este curso, espero que você compreenda que a presença desses direitos em nosso ordenamento jurídico é nossa única defesa contra a ditadura, contra a desigualdade e contra a arbitrariedade de governantes e políticos populistas e provisórios, que a cada quatro anos se aboletam no poder. A única saída para as mazelas sociais é o respeito irrestrito ao direito de todas as pessoas humanas e isto só se faz defendendo a democracia e a nossa Constituição Cidadã. Atividade: Para concluir o curso e gerar o seu certificado, vá até a sala virtual e responda ao Questionário “Avaliação geral”. Este teste é constituído por 10 perguntas de múltipla escolha, que se baseiam no conteúdo das três semanas de estudo que tivemos até aqui, com destaque para a previsão legal em nosso ordenamento jurídico. Parabéns pela conclusão do curso. Foi um prazer tê-lo conosco! Instituto Federal de Minas Gerais Pró-Reitoria de Extensão 29 Referências BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil - 1988. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016. BRASIL. Direitos Humanos: atos internacionais e normas correlatas. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2013. MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2014. TESTA JÚNIOR, Washington L. A construção dos direitos humanos fundamentais. Revista do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da FUNDINOPI. Jacarezinho – PR, 17 fev. 2009. Págs. 103-130. VIEIRA JÚNIOR, Dicesar B. Teoria dos direitos fundamentais: evolução histórico-positiva, regras e princípios. Revista da Faculdade de Direito-RFD-UERJ. Rio de Janeiro, n. 28, dez. 2015. Págs. 73-96 30 31 Currículo do autor Feito por (professor-autor) Data Revisão de layout Data Versão Venilson Luciano Benigno Fonseca 18/10/2020 Viviane Lima Martins 19/04/2021 1.0 Venilson Luciano Benigno Fonseca é Graduado (2001), Mestre (2004) e Doutor (2014) em Geografia Humana pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Graduando em Direito pela Faculdade de Direito de Cons. Lafaiete - MG. Professor do Curso de Licenciatura em Geografia, na Pós-Graduação em Docência do IFMG e no Programa de Pós Graduação em Ensino de Geografia em Rede Nacional (PROFGEO) - Mestrado. Atua nas disciplinas voltadas à produção científica, em especial, da ciência geográfica, tais como: Teoria e Métodos em Geografia, Seminários da Pesquisa em Geografia, Monografia, Epistemologia do Ensino de Geografia e Introdução ao Ensino à Distância (Para os cursos de Licenciatura em Física e Geografia). Atua também em disciplinas vinculadas à Gestão Pública e Ordenamento Territorial. Pesquisa temas relacionados à produção do espaço e ordenamento territorial, além de temáticas ligadas à educação, ensino de geografia e Direito Público. Atua desde 2017 como avaliador externo ad hoc do mérito científico e/ou tecnológico dos projetos de pesquisa e extensão submetidos aos Editais do Instituto Federal Fluminense - IFF e do Campus Santa Luzia do IFMG. Atua desde 2020 como Revisor da Revista Geografia, Ensino & Pesquisa, do Programa de Pós Graduação em Geografia da UFSM. Possui experiência em Gestão Pública Escolar, tendo exercido a função de Diretor de Ensino do Campus Ouro Preto do IFMG em duas oportunidades. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4392452858016775 http://lattes.cnpq.br/4392452858016775 32 33 Glossário de códigos QR (Quick Response) Mídia digital Apresentação do curso Mídia digital Videoaula Semana 2 Mídia digital Videoaula Semana 3 34 Plataforma +IFMG Formação Inicial e Continuada EaD A Pró-Reitoria de Extensão (Proex), neste ano de 2020 concentrou seus esforços na criação do Programa +IFMG. Esta iniciativa consiste em uma plataforma de cursos online, cujo objetivo, além de multiplicar o conhecimento institucional em Educação à Distância (EaD), é aumentar a abrangência social do IFMG, incentivando a qualificação profissional. Assim, o programa contribui para o IFMG cumprir seu papel na oferta de uma educação pública, de qualidade e cada vez mais acessível. Para essa realização, a Proex constituiu uma equipe multidisciplinar, contando com especialistas em educação, web design, design instrucional, programação, revisão de texto, locução, produção e edição de vídeos e muito mais. Além disso, contamos com o apoio sinérgico de diversos setores institucionais e também com a imprescindível contribuição de muitos servidores (professores e técnico- administrativos) que trabalharam como autores dos materiais didáticos, compartilhando conhecimento em suas áreas de atuação. A fim de assegurar a mais alta qualidade na produção destes cursos, a Proex adquiriu estúdios de EaD, equipados com câmeras de vídeo, microfones, sistemas de iluminação e isolação acústica, para todos os 18 campi do IFMG. Somando à nossa plataforma de cursos online, o Programa +IFMG disponibilizará também, para toda a comunidade, uma Rádio Web Educativa, um aplicativo móvel para Android e IOS, um canal no Youtube com a finalidade de promover a divulgação cultural e científica e cursos preparatórios para nosso processo seletivo, bem como para o Enem, considerando os saberes contemplados por todos os nossos cursos. Parafraseando Freire, acreditamos que a educação muda as pessoas e estas, por sua vez, transformam o mundo. Foi assim que o +IFMG foi criado. O +IFMG significa um IFMG cada vez mais perto de você! Professor Carlos Bernardes Rosa Jr. Pró-Reitor de Extensão do IFMG Características deste livro: Formato: A4 Tipologia: Arial e Capriola. E-book: 1ª. Edição Formato digital