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ECONOMIA RURAL
ECONOMIA RURALORGANIZADORES VICTORIA MARIA FERREIRA DINIZ ; MARINA OLIVEIRA DANELUZ
ORGANIZADORES VICTORIA MARIA FERREIRA DINIZ ;
MARINA OLIVEIRA DANELUZ
Econom
ia rural
GRUPO SER EDUCACIONAL
Economia rural é uma obra direcionada a estudantes de cursos das áreas de 
economia rural, economia, agronomia e correlatos. 
Além de abordar assuntos triviais, a obra reúne informações sobre fundamen-
tos da economia, microeconomia, macroeconomia e economia brasileira.
Após a leitura da obra, o leitor vai compreender mais que após o término da 
República Velha, a industrialização começa de fato a acontecer no Brasil, princi-
palmente dentro de uma perspectiva desenvolvimentista; aprender mais sobre 
abordagens, conceitos e aspectos do dilema econômico enfrentado pela socie-
dade; conceituar e aprender sobre a elasticidade, em termos de oferta e 
demanda; abordar a teoria do consumidor e pontuar os fatores que in�uenciam 
o comportamento dos mesmos, no âmbito do consumo, para identi�car possi- 
bilidades de atuação no seu ambiente pro�ssional; classi�car os diferentes 
tipos de bens existentes no âmbito microeconômico e seus principais exemplos 
práticos; apreender sobre parâmetros utilizados para realizar análise de dados 
econômicos; conhecer mais sobre as políticas econômicas e as políticas 
econômicas agrícolas, observando fatores que afetam essas políticas e como 
estão conectadas; considerar as nuances da comercialização agrícola no Brasil 
e no mundo; perceber as características que de�nem os mercados de derivati-
vos agrícolas; analisar os principais aspectos relacionados à avaliação econômi-
ca das empresas rurais, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
gente criando futuro
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ECONOMIA RURAL
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. 
Diretor de EAD: Enzo Moreira
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato 
Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes
Coordenadora educacional: Pamela Marques
Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa
Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha
Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi 
 
Diniz, Victoria Maria Ferreira.
 Economia rural / Victoria Maria Ferreira Diniz; Marina Oliveira Daneluz. – São Paulo: 
Cengage – 2020.
 Bibliografia.
 ISBN 9786555581591
 1. Economia rural 2. Economia 3. Agronomia 4. Daneluz, Marina Oliveira. 
Grupo Ser Educacional
 Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro 
CEP: 50100-160, Recife - PE 
PABX: (81) 3413-4611 
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com 
isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns 
anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também 
passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o 
aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino 
Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, 
tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar 
seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento 
da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da 
democracia com a ampliação da escolaridade.
Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar 
as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-
lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no 
contexto da sociedade.”
Janguiê Diniz
PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL
Autoria
Thauane Lima de Souza
Mestre em Ensino de Astronomia pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), especialista 
em Controladoria Empresarial pela Universidade Candido Mendes (AVM Educacional) e bacharel em 
Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................................................................8
UNIDADE 1 - Fundamentos da economia .......................................................................................9
Introdução.............................................................................................................................................10
1 Conceitos e princípios econômicos .................................................................................................... 11
2 Principais pensadores da Economia ................................................................................................... 16
3 Formação o pensamento e das relações econômicas no Brasil .........................................................20
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................28
UNIDADE 2 - Microeconomia .........................................................................................................29
Introdução.............................................................................................................................................30
1 Lei da oferta e demanda e a teoria utilitarista ................................................................................... 31
2 Elasticidade ........................................................................................................................................33
3 Teoria do consumidor ........................................................................................................................ 36
4 Teoria da Firma .................................................................................................................................. 38
5 Tipos de bens ..................................................................................................................................... 40
6 Estruturas de Mercado....................................................................................................................... 43
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................49
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................50
UNIDADE 3 - Macroeconomia ........................................................................................................51
Introdução.............................................................................................................................................52
1 Principais indicadores macroeconômicos .......................................................................................... 53
2 Análise de dados econômicos ............................................................................................................ 57
3 Política Econômica ............................................................................................................................. 59
4. Política Econômica Agrícola .............................................................................................................. 64
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................70
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................71do ambiente rural são as sementes e insumos utilizados para o plantio. 
Eles não são o produto final, mas fazem parte do processo de produção que direciona ao objetivo 
final: produção de determinado grão ou insumo para a produção.
41
5.3 Bens de capitais
Bens de capitais são aqueles que não atendem também diretamente às necessidades dos 
consumidores, mas tem como objetivo principal aumentar a eficiência do trabalho, seja através 
de máquinas, estradas, recursos que alterem o produto final do processo produtivo (DALLAGNOL, 
2008). Esses bens são considerados como terminais ao fluxo de produção, ou seja, servem para 
que seja finalizada determinada demanda de serviço ou produto.
Na microeconomia, os bens e serviços podem ser classificados ainda, em um segundo 
momento em uma escala secundária, de acordo com o seu comportamento frente a variações de 
renda (em bens normais e inferiores) e ainda, frente à variação de preços (bens complementares, 
bens comuns, bens substitutos).
5.4 Classificação de bens frente às variações de renda
As variações de renda podem gerar duas divisões de bens citadas anteriormente. São os 
chamados bens normais e bens inferiores. Os bens normais são aqueles os quais a demanda por 
si aumenta, a medida que a renda cresce. Por exemplo prático podemos citar o consumo de carne 
de primeira qualidade.No momento em que há aumento da renda dos trabalhadores, há maior 
procura por produtos que tenham preço agregado e valor acima do normal dos bens consumidos 
diariamente.
Os bens inferiores, por sua vez são aqueles que sua quantidade diminui a medida que a renda 
aumenta. Ou seja, apresenta uma relação inversamente proporcional com o aumento de renda. 
Um exemplo de bens inferiores que podem citar são os produtos para os quais existem melhores 
alternativas no que se refere à qualidade e escolha.
Por exemplo: com o lançamento de cada vez mais produtos e máquinas tecnológicas para 
implementos agrícolas e maquinários, tratores mais antigos, por exemplo, com o surgimento de 
novos modelos acabam tornando-se ultrapassados em termos de tecnologia de produção e são 
considerados inferiores pelos consumidores no momento da escolha da compra. Se há recurso 
financeiro melhor disponível, opta-se por melhor opção em termos de tecnologia e custo benefício.
5.5 Classificação de bens quanto à variação de preços
As variações dos preços de mercado dos bens classificam-nos em duas categorias distintas: os 
bens complementares, bens comuns e bens substitutos.
Os bens complementares referem-se àqueles bens que são consumidos/comercializados em 
conjunto na maior parte das vezes. Isso é, um aumento no preço de um determinado bem “X” 
ocasiona a queda da demanda do bem “X”, mas também do bem “Y”. Um exemplo muito prático 
42
e conhecido dessa situação de bens consumidos conjuntamente é o do café e açúcar. Ambos os 
produtos se comportam semelhantemente em termos de curvas de oferta e demanda a medida 
que seus preços volatilizam porque são chamados bens complementares.
Os bens comuns são aqueles considerados, como o próprio nome sugere, bens que se 
comportam normalmente na curva de oferta e demanda. Ou seja, a medida que seus preços 
caem, aumenta a demanda pelo produto. Vale ressaltar aqui que a maior parte dos bens se aloca 
nessa categoria de classificação de tipos de bens.
Por fim, ainda na classificação referente à variação em preços, temos os bens substitutos. 
Esses bens têm sua relação ocorrendo de maneira concorrente. Como exemplo prático dessa 
classificação podemos citar a dinâmica do mercado de carne: toda vez que há um aumento no 
preço da carne bovina, há uma tendência de maior consumo e demanda por carne de frango, 
que apresentará valores inferiores de preço quando comparada à carne do bovino. Nesse caso, 
a carne de frango comporta-se como um substituto à opção de consumir carne, quando não 
vermelha. Ou seja, nesse contexto, um aumento no preço do bem “Y” acarreta em aumento na 
demanda do bem “X”: isso significa que os bens X e Y são substitutos ou concorrentes.
Podemos perceber que os tipos de bens existentes no mercado são inúmeros e são 
dependentes de renda disponível por parte do consumidor e ainda, oscilação de preços da oferta 
por parte dos produtores / fornecedores. Importante destacarmos dentro desse contexto que, 
ainda que esses bens sofram influência direta de preços e renda, ainda há outros fatores que 
podem afetar o comportamento dos consumidores.
Principalmente a propaganda, as ofertas, hábitos particulares e gostos podem ser alterados 
ou modificados, sendo tendenciados pela mídia e campanhas promocionais, o que irá, em 
determinados momentos estimular ou desestimular o consumidor.
FIQUE DE OLHO
Existem diversos produtos no agronegócio que possuem relações diferentes de bens 
entre si. Se você avaliar o comportamento de mercado das carnes, verá que a relação que 
mais predomina é a de bens de concorrência ou substituição. Além disso, no mercado de 
derivados lácteos podemos encontrar a mesma relação: pense na sua escolha na hora da 
compra da manteiga ou margarina. Ou você compra um, ou outro. Um aumento significativo 
no preço de um direciona seu consumo para a escolha do outro bem, e assim podendo 
ocorrer o inverso.
43
6 ESTRUTURAS DE MERCADO
De acordo com Ajub (2009), podemos definir o mercado pela existência da procura e da 
oferta (2009, p. 49):
Quando a procura por trabalhadores de pessoas dispostas a trabalhar; ou então quando 
procurando por empréstimos nos bancos; quando, enfim, recursos humanos, financeiros e de capital 
são ofertados e procurados, pode-se dizer que há um mercado de recursos.
Ou, então, mais especificamente, mercado de trabalho, no mercado financeiro, o mercado de 
capitais. Todos são abstrações, que dizem respeito à oferta e a procura dos recursos correspondentes.
Como compreender a dinâmica do mercado? Ao compreender que ocorrem mais 
deslocamentos de procura e oferta, entende-se que o mesmo se encontra em expansão. De 
maneira contrária, quando procura e oferta estão contraindo-se, tem-se mercado em retração. 
Essa dinâmica é de super importância para o conhecimento dos acontecimentos que regem a 
política de preços, transações e organizações que se referem aos mercados.
Diante desse contexto, Aiub (2009) determina alguns fatores que influenciam a estrutura do 
mercado:
• Número de firmas.
• Tamanho ou dimensão das firmas.
• Extensão da interdependência entre as firmas.
• Homogeneidade ou o grau de heterogeneidade do produto das diferentes firmas.
• Natureza e o número dos compradores.
• Extensão das informações que compradores e vendedores dispõem dos preços das tran-
sações de outros produtos.
• Habilidade das firmas individuais para influenciar a procura do mercado por meio da 
promoção do produto, melhoria na sua qualidade, facilidades especiais de comercializa-
ção, etc.
• Facilidade com que firmas entram e saem da indústria.
Todos esses fatores, de maneira individual e também coletivamente, afetam diretamente a 
forma como a estrutura de mercado se comporta. Ademais, existem modelos de estrutura de 
mercado existentes classificados em: Concorrência perfeita; Monopólio; Oligopólio; Concorrência 
monopolística. 
44
6.1 Concorrência perfeita
A concorrência perfeita ocorre quando existem um grande número de vendedores e um 
grande número de compradores, o que significa dizer que a decisão de um indivíduo não afeta 
o restante do mercado. Ela é insignificante. Ou seja, nenhum comprador ou vendedor exerce 
influência sobre os preços.
Para que o mercado de concorrência perfeita exista, ele deve apresentar algumas 
características além da existência de grande número de vendedores e compradores.
O produto comercializado no mercado necessita ser homogêneo, isto é, consumidores não 
fazem distinção entre as empresas que ofertam o produto; além disso, produtores não são 
tomadores de preços, ou seja, o mercado define os preços praticados; e ainda, devem inexistir 
barreiras à entrada ousaída das empresas, ou seja, é fácil uma empresa sair ou entrar em 
determinado ramo de negócio, pela dinâmica que existe no mercado.
Para que um mercado seja considerado como em concorrência perfeita, deve seguir alguns 
requisitos, conforme destaca Barbosa (2011):
Atomização
Refere-se ao grande número de envolvidos no processo (consumidores e produtores).
Homogeneidade
Não há diferenciação entre os produtos das diferentes empresas, e sim, uma padronização de 
recursos físicos, humanos e intelectuais.
Mobilidade
Não há acordos entre os que participam do mercado, estando dessa forma, todos aptos para 
atuação, sem relação entre eles.
Permeabilidade
Não há barreiras para que os agentes atuem ou saiam do mercado. No intuito barreiras, 
ressaltamos as técnicas, financeiras, legais, emocionais ou quaisquer outras existentes.
Preço limite
O mercado estabelece os preços que devem ser praticados, não há uma imposição de preços 
abaixo ou acima preconizados pelos produtores. Tal fato resulta da livre atuação das forças de 
oferta e procura.
45
Extrapreço
Mecanismos utilizados como extra preço, como propaganda ou diferenciação de produtos 
não são eficazes, não sendo realizadas pois não impactam o consumidor.
Transparência
Nenhum membro do mercado possui informações privilegiadas, ou seja, todos detêm o 
mesmo acesso às informações existentes no mercado e utilizam-se delas de maneira correta. 
6.2 Monopólio
Extremamente contrário ao mercado de concorrência perfeita, temos a estrutura monopólio. 
Nesse tipo de estrutura de mercado, há a unicidade (apenas um vendedor que controla de 
maneira total a oferta do produto), a insubstitutibilidade (em que a empresa monopolista não 
tem substitutos capazes de suprir sua produção), barreiras à entrada (é de extrema dificuldade 
adentrar ao mercado, sejam por barreiras de governança, concessões governamentais, patentes 
ou domínios de “know-how”).
Além disso, temos a política de extra preço (como são geralmente únicos produtores do 
mercado, essas empresas que se caracterizam por monopólio não precisam competir com preços 
em comparação com outras, o que torna a política extremamente viável para as mesmas), e, 
por fim, opacidade (ou seja, o acesso à informações sobre os processos de produção, níveis de 
ofertas, resultados alcançados, são impenetráveis, dificilmente conhece-se essas informações).
Faz-se de suma importância ressaltar que os monopólios apresentam características em que 
o mercado exige um elevado capital para entrada, plantas industriais maiores e com maiores 
investimentos no setor de tecnologia e informação.
E, ainda, por tratarem-se de elevadas economias de escala, possuem uma competitividade 
de preço muito maior quando comparada às demais estruturas, porque a medida que produzem 
maior escala, seus custos unitários tornam-se muito menores quando comparados com outras 
empresas. Esses aspectos definem os monopólios como estrutura de mercado inatingível, na 
maioria das vezes. Além disso, os monopólios são caracterizados por lucros extremamente altos 
no longo prazo. Como exemplo na área de Medicina veterinária, podemos citar monopólios de 
patentes de medicamentos e patentes de tecnologias de sementes e insumos.
46
6.3 Oligopólio
A estrutura de mercado que iremos abordar na sequência são os oligopólios. Nesse contexto, 
temos a presença de uma pequena quantidade de empresas que dominam a oferta de mercado 
ou ainda, grande número de empresas, mas que uma pequena porção delas domina as ofertas.
Alguns autores, como Silva (2015, p. 22) destacam que no caso dos oligopólios: “o pequeno 
número de grandes corporações dominando o mercado modifica os mecanismos de precificação 
tradicionais, nos quais o preço iguala-se ao custo marginal”. Tais aspectos refutam a ideia de que 
tanto as quantias ofertadas pelas empresas quanto os preços são previamente fixados, através 
delas, por conluios ou “cartéis”.
As próprias empresas acabam por discutir suas estruturas de custo e chegam a um 
denominador comum de preços praticados. Importante ressaltar que, estratégias de marketing 
e propagandas não são discutidas entre si, apenas as questões que se referenciam aos preços de 
mercado e influenciados pelos processos produtivos das empresas.
Conforme ressaltado por Camilo (2019), à medida que grandes oligopólios se consolidam 
(sejam oligopólios industriais e do varejo), os benefícios podem ser percebidos em redução 
de custos. Os processos de produção por sua vez, otimizados, não refletem sob os preços das 
mercadorias e produtos e são absorvidos pela capacidade das empresas em dominarem a cadeia 
como um todo e adquirirem para si os benefícios (lucros maiores).
Para Silva (2015, p. 22):
FIQUE DE OLHO
O sistema de patentes é uma troca entre Estado e inventor de determinada tecnologia/
processo/ produto útil à sociedade. Nesse contexto, podem ser destacados máquinas, 
implementos, remédios, processos industriais, em que o Estado recompensa a um direito de 
exclusividade temporário de produção. Isso garante ao inventor uma proteção em relação 
à situação de terceiros que desejem explorar determinada invenção sem consentimento 
e liberação. No agronegócio, existem inúmeras patentes que podemos citar utilizados na 
produção de medicamentos veterinários, assim como implementos e insumos agrícolas.
47
Basicamente, os oligopólios apresentam tendências de maximar lucros e maximizar os custos 
diretos e indiretos dos produtos (custos fixos e variáveis), a fim de determinar maior lucro para 
as empresas envolvidas nesse processo. Ao proporcionar lucros significativos para as empresas 
estabelecidas, devemos ressaltar que tal fato viabiliza a ocorrência de inovações no ramo dessas 
empresas, mantendo o sistema em transformações.
Por fim, o que você estudante deve sempre compreender quando abordar o tema oligopólios 
é que eles se tratam de estruturas de mercado em que as estratégias das empresas são 
dependentes dos seus consumidores e seu comportamento frente às mudanças de preços nos 
produtos, e da reação dos concorrentes a eles. Nesse contexto, destaca-se que nos oligopólios 
as empresas influenciam os preços (em maiores ou menores graus, dependendo de suas forças), 
que a maximização de lucros é o objetivo primordial no longo prazo e que existem barreiras à 
entrada e à saída, conforme ressaltado por Silva (2015).
6.4 Concorrência monopolística
A próxima estrutura de mercado que abordaremos é a da concorrência monopolística. Para 
Zozzoli (2005, p. 7), “a formulação do modelo de concorrência monopolista, adequire poder 
explicativo, levando em conta a heterogeneidade dos produtos”. De acordo com Zozzoli (2005), 
os axiomas que explicam esse modelo são os seguintes:
• Todos os produtos não são iguais, ou seja: os produtos são diferenciados. A marca assina-
la uma diferença e comunica a natureza dessa diferença.
• Os oferecedores podem, então, ser distinguidos uns dos outros, ou seja: mesmo se man-
tendo uma certa atomicidade no plano global, criam-se, contudo, relações individuais e 
regulares entre certos oferecedores e certos compradores.
• Os compradores por sua vez podem também ser distinguidos, como se viu, certas rela-
ções individuais e regulares podem emergir. Todavia uma certa atomicidade da demanda 
deve permanecer no plano global;
• Há troca satisfatória de informações, no quadro dessas relações naturais e regulares, 
contudo, elas não se difundem de maneira equivalente em todos os canais de relações 
FIQUE DE OLHO
O estudo do oligopólio caracteriza-se como o estudo das estruturas de mercado com 
aspectos que se afastam daqueles presentes em concorrência perfeita; estruturas em que as 
firmas perdem sua qualidade de “firma atomística”, transformando-se em grandes empresas 
ou grupos que possuem relativo controle sobre os preços; estruturas em que é possível 
a existência de barreiras à entrada e à saída de novos concorrentes e diferenciação de 
produtos; estruturas tais que os próprios grupos industriais podem transformar,moldando-
as conforme seus interesses e suas estratégias competitivas. 
48
comerciais, cada um tendo de uma certa forma sua própria informação bilateral.
Dessa forma, podemos ressaltar que a concorrência monopolística envolve um grande número 
de empresas no mercado, pode apresentar diferenciação em termos de produtos concorrentes, 
não existem barreiras à entrada de novas empresas na estrutura desse mercado, e por fim, os 
preços não são controlados pelas empresas e apresentam poucas margens de manobra em 
decorrência de existirem muitos produtos diferentes e substitutos.
Na concorrência monopolística, entende-se que há diferenciação dos produtos em termos 
de marca, produção, composição, forma, apresentação e promoção, ainda que possam interagir 
como substitutos uns dos outros.
Essas características, talvez a maior descritiva desta estrutura de mercado, faz com que não 
haja controle dos preços por parte das empresas, pela grande existência de possibilidades ao 
consumidor, que pode optar a qualquer momento por diferentes tipos de produtos de acordo 
com suas necessidades e disponibilidades de renda para compra. Ainda que sejam semelhantes, 
os produtos não são os mesmos e não apresentam o mesmo padrão em termos de qualidade.
6.5 Comparativo das estruturas de mercado
Sintetizando o comportamento das diferentes estruturas de mercado abordadas até o 
momento, podemos acompanhar algumas características cruciais de cada estrutura para que 
possa diferenciá-las, assim como aos fatores que as classificam, na tabela “Quadro comparativo 
das estruturas de mercado”.
Figura 2 - Quadro comparativo das estruturas de mercado 
Fonte: Elaborado pela autora, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, podemos ver um quadro colaborativo que descreve as principais 
características das estruturas de mercado que abordamos no decorrer deste capítulo. Ele auxiliará 
você a diferenciar e entender a dinâmica de cada estrutura, bem como suas principais diferenças.
49
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender e entender a dinâmica das curvas de oferta e demanda que regem o 
mercado econômico;
• conceituar e aprender sobre a elasticidade, em termos de oferta e demanda e o 
quanto ela atinge o comportamento dos consumidores e o comportamento dos 
preços e quantidades ofertadas e demandadas;
• abordar a teoria do consumidor e pontuar os fatores que influenciam o comporta-
mento dos mesmos, no âmbito do consumo, para identificar possibilidades de atua-
ção no seu ambiente profissional;
• abordar a teoria da firma e das empresas, conceituando-a de maneira a compreen-
der as particularidades de suas ações, bem como meios de controle de viabilidade 
de existência;
• classificar os diferentes tipos de bens existentes no âmbito microeconômico e seus 
principais exemplos práticos
• compreender sobre o mercado e sua estrutura e principalmente, suas classificações 
existentes e reconhecidas atualmente.
PARA RESUMIR
AIUB, G.W. Economia para Administração. São Paulo: Saraiva, 2009.
BARBOSA, F.F. Agronegócio - Economia Rural. Montes Claros: Universidad Federal de 
Montes Claros, 2011.
CAMILO, P.J. A internacionalização do mercado brasileiro de derivados lácteos – análises 
sobre a atuação de oligopólios,oligopsônios e Trade Company. In: Geosul, v. 34, n. 71- 
Dossiê Agronegócios no Brasil, p. 260-275, 2019.
CARRERA-FERNANDEZ, J. Curso básico de microeconomia. Salvador: EDUFBA, 2009. 498 
p.
DALLAGNOL, R. C. C. Apostila Economia I. Cascavel> Fag- Faculdade Assis Gurgacz, 2008.
POSSAMAI, A. Apostila Economia. Jaraguá do Sul: UNERJ, 2001.
SILVA, R. P. A indústria de máquinas agrícolas: formação de um oligopólio, 
internacionalização e poder de mercado. Dissertação apresentada para obtenção do 
título de Mestre em Ciências. Área de concentração: Economia Aplicada - Piracicaba, 
2015. 113 p.
ZOZZOLI, J.C.J. Publicidade, Marca e Concorrência Monopolista. In: Anais do Intercom 
– Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXVIII Congresso 
Brasileiro de Ciências da Comunicação. Rio de Janeiro: Uerj, 5 a 9 de setembro de 2005.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 3
Macroeconomia
Introdução
Você está na unidade Macroeconomia. Conheça aqui os principais indicadores 
macroeconômicos e análise de dados econômicos. Aprenda sobre as políticas econômicas 
agrícolas. Esses conceitos são muito importantes para a compreender os fatores 
econômicos, como se relacionam e como afetam diversos setores da economia, dentre 
eles o agronegócio.
Bons estudos!
53
1 PRINCIPAIS INDICADORES MACROECONÔMICOS
Para Neves et al. (2012), a macroeconomia é uma área da teoria econômica que estuda o 
fundamento da economia de maneira geral. Busca analisar fatores que determinam o volume de 
produção, nível de emprego e o nível geral de preços do sistema econômico, e sua introdução na 
economia.
Enquanto a microeconomia analisa as partes individuais da economia a macroeconomia 
analisa os setores de maneira mais ampla. No entanto, as duas analisam as atividades de consumo 
e produção, a mudança está no foco. Um conjunto de dados estatístico passíveis de oscilações e 
mudanças, com condições de darem informações a respeito do estado de uma economia em um 
determinado período é chamado de indicadores macroeconômicos (SANDRONI, 2005).
Entre os indicadores macroeconômicos mais relevantes no Brasil destaca-se o Produto Interno 
Bruto (PIB); Índices de Preços; Índices do Mercado de Trabalho; Balanço de Pagamentos; Contas 
Nacionais; Base Monetária; Risco-País ou Risco Soberano; Reservas Internacionais; e Índices de 
Commodities. Esses indicadores ajudam a explicar a economia brasileira como um todo.
1.1 Produto Interno Bruto (PIB)
Uma das mais fundamentais abordagens da economia refere-se ao tamanho e crescimento 
das economias. A medida mais utilizada para analisar o tamanho econômico é o Produto Interno 
Bruto (PIB).
Para compreendermos o PIB, devemos analisar dois conceitos importantes: bens e serviços 
finais e bens e serviços intermediários. Veja a seguir suas definições:
Bens e serviços finais
Bem ou serviço comprado por um usuário final.
Bens e serviços intermediários
Insumos que compõem bens e serviços finais.
O PIB está relacionado com à produção de bens e serviços finais. Ele mede o valor de vários 
bens e serviços ofertados pelas empresas dentro de um período, podendo ser de 3 meses a 
12 meses. A estimativa do PIB pode ser afetada pelo não registro do pagamento de atividade 
econômica, ou seja, quando bens e serviços são adquiridos por meio de mercado clandestino 
(GARRATT, 2015).
54
Nada é calculado caso tenha havido transações em uma economia informal. A economia 
informal é a parte da economia que as pessoas ocultam do governo, seja porque desejam sonegar 
impostos ou por considerar a atividade praticada ilegal. Podendo ser a empregada doméstica que 
não tem sua carteira de trabalho assinada, assim como o comércio de droga ilegais. A dimensão da 
economia informal varia entre países. Segundo Mankiw (2018), nos Estados Unidos a economia 
informal corresponde a 10% da economia formal. Em alguns países como a Tailândia, a economia 
informal é praticamente do mesmo tamanho que da economia formal. Portanto, o PIB pode ser 
calculado sob três aspectos, pelo da produção, da renda e do dispêndio, como veremos a seguir.
Na produção, o PIB se refere ao somatório dos valores agregados dos setores primário 
(extrativismo e agropecuária), secundário (industrial) e terciário (serviços) da economia, 
adicionado aos impostos indiretos, mais a depreciação do capital subtraído dos subsídios 
governamentais. Sob o aspecto da renda, o PIB é obtido a partir das remunerações realizadas 
dentro do território de um país, podendo ser salários, aluguéis, juros e lucros distribuídos. 
Somando os lucros não distribuídos, os impostos indiretos e a depreciação do capital, subtraindo 
os subsídios. E ainda, sob o aspecto do dispêndio, em que o PIB corresponde ao somatório 
dos gastos em consumo, investimento,despesas dos governos e exportações liquidas, ou seja, 
exportações menos importações (SANDRONI, 2005).
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
1.2 Índices de preços
Os índices de preços medem as variações dos preços em uma economia, são índices que 
medem a inflação da economia. Para Neves et al. (2012), a inflação é a alta, persistente e 
generalizada dos preços da economia. Ao apontar que a alta deve ser persistente, eles destacam 
que não deve sofrer queda ao longo de um período e ao destacar que deva ser generalizada 
defende que todos os produtos da economia devem sofrer um aumento em seus preços, não 
apenas alguns bens e serviços. Desse modo a inflação pode ser definida como uma elevação 
55
persistente do nível geral de preços ao longo do tempo. Se a inflação se refere ao crescimento do 
preço, a taxa de inflação mede o ritmo desse crescimento. Quando a taxa de inflação decresce é 
chamado de desinflação, assim como quando há uma queda do nível geral do preço da economia 
chama-se deflação.
Desse modo, os índices de preços permitem a medição das variações dos preços dos 
produtos consumidos pela população e variação dos preços dos insumos e fatores de produção 
(SANDRONI, 2005).
1.3 Índices do mercado de trabalho
Os índices de mercado de trabalho estão relacionados a elementos do mercado de trabalho e 
â força de trabalho. Diversas informações são observadas, tais como ocupação, horas trabalhadas, 
grupos de vulnerabilidade, formas de trabalho dentre outros.
Cabe destacar que nem sempre todos que integram a força de trabalho estão empregados 
o tempo todo. Em todas as economias de livre mercado, em algum momento, algumas pessoas 
ficam desempregadas. A força de trabalho é definida por pessoas que estão empregadas e 
desempregadas. É possível observar todos os dias um fluxo existente entre pessoas que perdem 
ou abandonam seus trabalhos e ficam desempregadas, assim como pessoas que conseguem 
trabalho e se tornam empregadas. Em todos os períodos, um percentual das pessoas empregadas 
perde seus empregos e um percentual das pessoas desempregadas consegue emprego. As taxas 
de perda de emprego e de obtenção de emprego determinam a taxa de desemprego.
1.4 Balanço de pagamentos
O Balanço de pagamentos é um indicador que registra todas as transações econômico-
financeiro realizadas por moradores de um país com moradores dos demais países (SANDRONI, 
2005). É composto pelos níveis macroeconômicos da balança corrente, a balança de capital e a 
balança financeira.
Na balança corrente é registrada pela balança comercial (exportações, importações e receitas 
e despesas de serviços), os rendimentos e transferências unilaterais correntes. A balança de 
capital registra a entrada líquida de investimentos e créditos externos líquidos recebidos (de curto 
e de longo prazo). E, enfim, a balança financeira estão os registos relacionados aos investimentos 
diretos, em ações e títulos, investimentos em derivativos e outros investimentos de estrangeiros.
1.5 Contas nacionais
As contas nacionais são compostas da atividade econômica global de um país em um 
determinado período, geralmente em doze meses. Os agregados são contabilizados duas vezes 
a débito e a crédito, pelo método das partidas dobradas. Os sistemas de contas nacionais são 
56
ferramentas essenciais para análises macroeconômicas.
As contas nacionais são compostas por conta do produto interno, renda nacional, conta dos 
consumidores, conta do governo, conta das transações com o exterior, e a conta consolidada 
de capital. No desenvolvimento do cálculo, cada uma das contas é composta de agregados e 
subagregados, apresentados a preços deflacionados (SANDRONI, 2005).
1.6 Base monetária
A base monetária é um indicador de moeda e crédito, nela é possível obter o volume de 
moeda em circulação no país mais os depósitos à vista junto às autoridades monetárias. No Brasil, 
corresponde ao resultado líquido de todas as transações ativas e passivas do Banco Central do 
Brasil. Diferente do que ocorre em outros países, o modelo de regulação do sistema bancário 
brasileiro permite a formação de depósitos não apenas pelos bancos comerciais, mas também 
pelo Banco Central. Dornbusch et al. (2013) destacam que, de maneira resumida, as ações que 
dizem respeito à base monetária estimulam sua expansão ou provocam sua contração, sendo 
fundamental no combate à inflação.
1.7 Risco-país ou risco soberano
O risco-país ou risco soberano representa o risco que investidores estrangeiros estão sendo 
submetidos caso invistam em outro país. Ou seja, quanto maior o risco-país, menor é a capacidade 
de atração de capital estrangeiro para esse país. Por outro lado, maior é o prêmio pelo risco 
desse investidor, já que ao realizar investimentos muito arriscados resultam em prêmio maiores 
também. E quando se tem um risco-país menor, mais investidores se sentem atraídos a investir 
nesse país, logo, o prêmio de risco também é menor.
1.8 Reservas internacionais
As reservas internacionais são as reservas que um país possui. Ela é realizada com uma moeda 
forte, valorizada, sendo geralmente adotado o dólar americano. Essa reserva ajuda o país a manter 
a estabilidade da taxa de câmbio e do seu setor externo. Também, sob ótica macroeconômica, são 
as reservas que permitem que os países tenham liquidez internacional.
O tamanho das reservas internacionais demonstra a capacidade que um país possui em 
cumprir seus compromissos financeiros com agentes econômicos de outros países. A reserva 
internacional, é utilizada por investidores estrangeiros quando estão decidindo se devem investir 
em um país ou não.
1.9 Índice de commodities
O índice de commodities é um indicador da economia internacional mede a variação de 
57
preços dos produtos básicos mais sensíveis a mudanças nas condições macroeconômicas. No 
Brasil, é monitorado, todo mês, a cotação de produtos agropecuários como algodão, óleo de soja, 
trigo, milho, café, carne suína, carne bovina e açúcar. Também são monitorados os metais, como 
alumínio, cobre, chumbo, estanho, níquel, minério, zinco e minério de ferro. Na área de energia, 
também são acompanhados o gás natural, carvão e o petróleo.
2 ANÁLISE DE DADOS ECONÔMICOS
Muitas vezes ouvimos pessoas, principalmente em organizações, falarem que é necessário 
realizar uma análise econômica, até mesmo financeira ou técnica. E por que isso é importante? 
Bom, a análise econômica nos permite compreender como alguns fatores econômicos estão se 
comportando e como eles podem de algum modo afetar a dinâmica dos negócios mundos a fora. 
A economia é composta por diversos elementos e mexer uma peça desse quebra-cabeça tem 
impacto direto ou indireto em outra peça. Muito dos fatores econômicos estão de algum modo 
conectados.
São diversas as possibilidades de análise de dados econômicos. Pensando no agronegócio, 
como apenas um setor da nossa economia, temos uma infinidade de elementos que uma vez 
modificados, geram impacto em todos os elos da cadeia de produção. Por exemplo, com a 
desvalorização cambial, os exportadores de soja, carne suína, frango, milho acabam tendo maior 
retorno, já que na conversão da moeda estrangeira para a moeda nacional, gerará um montante 
maior. Mas essa análise está sendo desenvolvida apenas observando um dado, ou variável, que 
é o câmbio, existem uma série de outros fatores que são afetados economicamente, com essa 
variação cambial. Se o Estado subsidia um insumo na produção, na ração, por exemplo, isenta 
algum imposto sob a ração, gera um impacto na produção, que terá um custo de produção 
reduzido, também impactando os demais elos. Ou seja, são muitos os movimentos políticos e 
econômicos, e como compreender os impactos dessa dinâmica no meu segmento, ou no meu 
negócio? Isso é possível por meio de análises econômicas.
FIQUE DE OLHO
No texto desenvolvido por Miranda et al. (2020), de título “Peste Suína Africana: os desafios 
e as oportunidades que a globalização adiciona à gestão sanitária”, os autores destacamde maneira muito assertiva alguns aspectos fundamentais para a compreensão de 
questões econômicas e sanitárias na agropecuária. Esse é um excelente modelo de análise 
econômica no setor do agronegócio, em que é analisado o cenário tendo como abordagem 
o enfrentamento de uma doença na suinocultura – a peste suína africana, em um ambiente 
de incerteza
58
2.1 Análise econômica no Agronegócio
Vamos observar aspectos econômicos no agronegócio. Como exemplo, temos relações 
comerciais que o Brasil possui com a Arábia Saudita, um dos nossos maiores compradores. Ao 
realizar uma análise econômica é necessário buscar informações relevantes sobre as variáveis 
que estamos analisando no caso do Brasil e Arábia Saudita e suas transações, fatores que afetam 
nossa relação com eles.
Inicialmente observamos que os principais produtos comercializados pelo Brasil em 2019 
foram a carne de frango, açúcar, milho, carne bovina desossada e minério de ferro. Esses 
produtos correspondem a 70% de todos os produtos exportados para a Liga Árabe. Os principais 
produtos comprados pelo Brasil (importado) incluem combustíveis minerais (petróleo e outros) 
e adubos (fertilizantes). Eles correspondem a 80% do valor total realizado pelo Brasil em 2019. 
É importante observar que os países da Liga Árabe possuem elevadas rendas per capita além de 
dependência por alimentos importados.
Nesse contexto, cabe destacar que há uma previsão de aumento de 73% da população 
muçulmana mundial (2010 e 2050), as projeções apontam para um aumento de produção 
e exportação do Brasil para os países da Liga Árabe. Mostrando uma grande oportunidade de 
consolidar e ampliar o fluxo comercial de produtos agropecuários e agroindustriais brasileiros, 
especialmente carnes e seus derivados (PEW RESEARCH CENTER, 2015; MAPA, 2018).
No mercado de proteína animal, o Brasil é um dos países mais importantes, especificamente 
por possuir a certificação Halal (bovino e frango). Algumas empresas brasileiras, decidem 
realizar internacionalização com presença física em alguns países árabes. Estrategicamente isso 
é importante, pois permite que empresa adquira mais conhecimento sobre a cultura, hábitos e 
padrões de exigência desse mercado.
FIQUE DE OLHO
O termo “Halal” significa lícito ou permitido e é aplicado para qualquer ato ou produto 
cujo uso ou consumo não seja proibido (Haram), de acordo com a Lei Islâmica (Sharia). 
A certificação Halal atesta que a produção de determinado produto foi conduzida sob as 
normas islâmicas e é exigida para os produtos que entram em contato com o corpo humano, 
como produtos farmacêuticos, cosméticos e, principalmente, os alimentícios, em especial, 
os produtos de origem animal (cárneos e seus derivados). Quanto às proteínas animais, 
a certificação Halal se concentra no momento do abate. As exigências para esse abate de 
acordo com a Lei Islâmica.
59
Cuervo-Cazurra (2007) aponta para duas estratégias referente a internacionalização no 
mercado de carnes. Uma delas se refere a subsidiária de produção em países que são reconhecidos 
pelo seu poder no mercado como produtores (Austrália, Estados Unidos e Argentina). A outra é a 
subsidiária de venda, que são aqueles países reconhecidos no mercado por serem compradores, 
como é o caso dos países Árabes.
O que é importante observar quando se realiza uma análise de dados e informações a respeito 
de um setor ou segmento da economia é identificar os elementos que afetam e se relacionam 
com ele. Quando trouxemos esse exemplo, conseguimos mostrar que o Brasil é um importante 
player no comércio internacional de produtos agrícolas, e que questões ambientais, sanitárias, 
políticas públicas e parcerias entre setor privado e público, são fundamentais para continuar 
promovendo o desenvolvimento do setor. Isso permitirá que seja mais eficiente e competitivo 
no comercio internacional, estreitando relações com grandes mercados consumidores, como o 
exemplo utilizado aqui dos países do Oriente Médio.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
3 POLÍTICA ECONÔMICA
A política econômica apresenta seus objetivos e instrumentos. Os objetivos podem ser 
divididos em dois grupos os objetivos de curto prazo e os de longo prazo. Os objetivos de curto 
prazo, também chamadas de conjuntura tem como objetivo a estabilidade de preços (baixa 
inflação), o alto nível de emprego (estabilidade do produto) e o equilíbrio das contas externas. Já 
os objetivos no longo prazo são chamados de estruturais, possuindo dois duas propósitos que é a 
distribuição de renda socialmente justa e o crescimento econômico.
Os instrumentos são o meio para atingir os objetivos, ou seja, os instrumentos são as 
ferramentas disponíveis para alcançar os objetivos. Alguns exemplos são a taxa de juros, a taxa de 
60
câmbio, os impostos, o gasto público etc. Vamos tratar as principais políticas macroeconômicas, 
que são a fiscal, a monetária e a cambial.
3.1 Política Fiscal
A política fiscal possui dois instrumentos: os impostos e as despesas públicas. É uma abordagem 
que define e contém os níveis de gastos públicos e impostos de variáveis econômicas e políticas. Ou 
seja, envolve todas as decisões do governo a respeito das receitas e dos gastos públicos.
De maneira básica o governo possui três funções econômicas a cumprir: a função alocativa, 
distributiva e estabilizadora. Veja a seguir suas definições:
Função alocativa 
Diz respeito ao fornecimento de bens e serviços que não é oferecido de maneira adequada 
ao mercado, e assim o governo assume o papel de fornecer, especialmente os tipos de bens e 
serviços que são para a coletividade. 
Função distributiva 
Refere-se à função que o governo faz de retirar renda de setores que possui maiores riquezas 
e transferir para segmentos menos favorecidos da sociedade. 
Função estabilizadora 
Relacionada com a interferência, intervenção governamental afetando os níveis de preço e 
emprego.
A política fiscal pode ser expansionista ou contracionista, dependendo dos objetivos 
macroeconômicos que os governos almejam alcançar. Para citar alguns exemplos, dentre as 
políticas expansionistas o aumento do gasto público, já dentre as políticas contracionistas 
aumento dos impostos.
3.2 Política Monetária
Para Vasconcellos (2011), a política monetária está relacionada a atuação do Banco Central 
que estabelece a quantidade de moeda gerada e consequentemente a quantidade de crédito 
e a taxa de juros. A política monetária é uma alternativa que os governos utilizam para intervir 
na economia e atingir os objetivos macroeconômicos. Outro aspecto é considerado, em que a 
política monetária é uma alternativa à política fiscal, ainda que haja combinação de instrumentos 
fiscais e monetários (SANDRONI, 2005).
A política monetária pode ser expansionista ou contracionista. Veja a seguir suas definições:
61
Políica monetária expansionista
Possui um aumento da quantidade de moeda em circulação e o crédito fica mais barato, isso 
permite aquecer a demanda e contribuir para o crescimento econômico.
Política monetária contracionista
A quantidade de moeda em circulação é reduzida e o crédito fica mais caro, essa ação tem o 
objetivo de desaquecer a economia e evitar o aumento do preço, a inflação.
Os governos possuem basicamente cinco instrumentos para estabelecer suas políticas 
monetárias o controle ao crédito, as reservas compulsórias, a compra e venda de títulos públicos, 
redesconto e regulamentação sobre a taxa de juros. Como veremos futuramente, essas políticas 
têm um impacto cabal sobre as políticas agrícolas. Veja a seguir suas definições, de acordo com 
as abordagens desenvolvidas por Sandroni (2005), Vasconcelos (2009) e Dornbusch et al. (2013):
Controle ao crédito 
As autoridades monetárias determinam se vão estimular ou restringir o acesso ao crédito em 
alguns setores da economia. O controle pode ser realizado estabelecendo a quantidade (volume) 
e/ou preço do crédito. Por exemplo, se o governo deseja expandir o setor de metalomecânica, 
pode definirincentivos para conceder créditos às indústrias desse setor. Agora se tem objetivo 
restringir o consumo do segmento, do agronegócio por exemplo, ele restringe o acesso ao crédito 
pelos produtores rurais. Ou seja, o governo pode estabelecer estratégias diferenciadas de acesso 
a crédito entre os diferentes segmentos, buscando atingir os objetivos macroeconômicos. 
Reservas compulsórias
As taxas compulsórias é o mesmo que a taxa de reserva e diz respeito a porcentagem que os 
bancos comerciais devem depositar no Banco Central (BC). Os bancos comerciais devem reter 
parte dos seus recursos no BC, isso é uma condição obrigatória. Essa estratégia é utilizada pelo 
governo com objetivo de restringir o poder que os bancos comerciais têm em multiplicar a moeda 
em circulação. Os bancos fazem isso por meio de empréstimos, que podem aumentar ou diminuir 
a liquidez do sistema econômico. Quanto maior as reservas estabelecidas pelo BC, menor será 
a capacidade dos bancos de realizarem empréstimos. Se o BC estabelecer uma taxa de reserva 
menor, os bancos comerciais terão maior capacidade de emprestar dinheiro.
Compra e venda de títulos públicos 
A compra e venda de títulos públicos é também chamado de open Market, essa ação, definida 
pelo Banco Central afeta de maneira direta a quantidade de moeda em circulação. Então, temos 
que se o Banco Central decide vender títulos públicos, ele quer na verdade retirar moeda em 
62
circulação, promovendo uma política monetária contracionista. Agora se decide comprar títulos 
públicos, o Banco Central injeta mais moeda no mercado, ou seja, em circulação, promovendo 
uma política monetária expansionista. 
Redesconto
Os redescontos são operações de empréstimo do BC aos bancos comerciais. As operações se 
realizam pela cobrança de taxa pelos empréstimos que é a taxa do redesconto. Nesse contexto, 
o BC passa a assumir um papel de banco dos bancos comerciais. Desse modo, ele desconta 
títulos dos bancos a uma taxa prefixada, com objetivo de atender as necessidades que os bancos 
possuem de obter caixa (o chamado dinheiro em caixa), no curto prazo. O que varia nesse caso é 
a taxa de redesconto. 
Regulamentação sobre taxas de juros 
A regulamentação da taxa de juros possibilita que o Banco Central regule o custo do dinheiro. 
Isso possui um efeito direto na poupança e nos investimentos, estimulando a remuneração do 
capital e do custo do capital, respectivamente. Ou seja, se o governo tem o objetivo de aplicar 
uma política monetária expansionista, haverá uma redução da taxa de juros, o que aumentara 
a quantidade de moedas em circulação, nesse caso haverá um incentivo para o consumo e 
investimentos. 
3.3 Política externa
A política externa diz respeito às medidas adotadas pelo governo que afetam variáveis 
relacionadas com o setor externo da economia. Para Vasconcellos (2009), a política externa é 
composta pela política cambial e pela política comercial. Os objetivos da política cambial são 
o equilíbrio do balanço de pagamentos e a estabilidade de preços, baixa inflação. Ela está 
relacionada ao controle, pelo governo da taxa de câmbio. Já a política comercial se refere aos 
instrumentos de incentivo às exportações, incentivos e desincentivo às importações. De maneira 
geral, a política externa afeta de maneira direta o fluxo internacional de um país.
No tocante à política cambial, o governo federal regula a principal variável relacionada com o 
comercio exterior, que é a taxa de câmbio. A taxa de câmbio é um dos principais preços de uma 
economia, e pode ser usada para estabilizar os preços internos. Ela é o preço em moeda nacional, 
para uma unidade de moeda estrangeira. Assim, quando a taxa de câmbio está desvalorizada, ou 
seja, a moeda nacional possui um valor reduzido frente à moeda estrangeira, esse fator estimula 
a exportação, por exemplo, já que os exportadores passarão a receber mais reais por dólar de 
produto exportado. Esse cenário também desestimula as importações, pois os compradores 
precisarão de mais moeda nacional para obter o produto importado, ficando mais caro.
63
A política cambial define o regime cambial. Nele, o governo adota estratégias a respeito 
das taxas de câmbio, podendo ser fixo ou flutuante. No regime de cambo fixo, o preço da 
moeda estrangeira em relação à moeda nacional é fixo, estabelecido pelo Banco Central. Já no 
regime cambial flutuante, o Banco Central permite que o próprio mercado defina o preço da 
moeda estrangeira, por meio do fluxo de oferta e demanda de entrada ou saída do país. Nessa 
modalidade de regime flutuante, pode acontecer de duas formas: o flutuante limpo, no qual 
o Banco Central nunca interfere, e o flutuante sujo, em que o governo interfere caso julgue 
conveniente (SANDRONI, 2005).
Referente a política comercial, ela está relacionada aos mecanismos adotados pelo governo 
para interferir nas relações comerciais com os estrangeiros. Isso pode ser de duas formas, 
incentivando as exportações ou incentivando e/ou restringindo as importações.
Quando um país exporta ele está vendendo produtos ou serviços para outro país. Quando 
ele importa, ele está comprando. Isto é, o processo de compra e venda no comércio exterior é 
a importação ou exportação de um país. Para realizar tal política, os governos adotam algumas 
medidas destacado por Vasconcellos (2009):
• Imposto sobre importação (tarifas);
• Subsídios, para estimular as exportações ou para desestimular as importações;
• Restrições de quantidade seja de volume ou o valor das importações (quotas de impor-
tação);
• Manipulação da taxa de câmbio pelo governo (controles cambiais) que permite aumentar 
ou reduzir as importações;
• Proibição de importações, pode estar relacionada a mercadoria ou ao país de origem;
• Monopólio estatal, onde o governo concentra a importação de um produto e impede a 
atuação de outros acessem esse mercado;
• Depósito antecipado à importação, onde o governo recolhe o valor total da importação 
de maneira antecipada, antes mesmo que a operação comercial aconteça;
• Barreiras não tarifárias, que são barreiras burocráticas, geralmente relacionadas a ques-
tões de sanidade e normativas técnicas. Isso contribui na redução de importações.
3.4 Política de rendas
A política de rendas está relacionada aos controles dos governos sobre os preços e salários. 
Geralmente esses controles são utilizados para combater a inflação. No Brasil, podemos citar a 
política do salário mínimo, em que o governo estabelece legislação com o valor mínimo do preço do 
trabalho. Outro exemplo, são as políticas de preço dos produtos agrícolas, política de preço mínimo 
64
e a política de garantia de preços da agricultura familiar. De maneira resumida, é todo controle que 
impacta a renda, podendo ser salários, lucros, juros e aluguéis (VASCONCELLOS, 2009).
4. POLÍTICA ECONÔMICA AGRÍCOLA
O tema que abordaremos agora diz respeito à política agrícola em nosso país. Como veremos, 
os temas tradados anteriormente impactam de forma decisiva nessas políticas, uma vez que tudo 
em econômica está intimamente ligado. Para tanto vamos recordar alguns elementos históricos, 
sem ousar fazer uma abordagem mais profundo, mas no sentido de apresentar principais 
acontecimentos e trabalhar elementos da política econômica voltada à questão agrícola.
No Brasil, a política econômica agrícola se desenvolveu no próprio processo da construção 
histórica no nosso país. Lembremos que o processo de ocupação do território brasileiro, iniciado 
em seus tempos de colônia, foi baseado na exploração de riquezas para atender as demandas do 
Império português. Dentre elas, podemos marcar as principais atividades como o extrativismo 
vegetal (por exemplo, os canaviais no Nordeste) e riquezas minerais (como ouro) no período 
colonial e a monocultura do café; já no Brasil império, estendendo-se ao período da República 
Velha (1889-1930). Esses acontecimentos históricos nos ajudam a entender o processo de 
industrialização tardia no país, que somente vem a acontecerde fato a partir da Era Vargas 
(1930-1945). Entretanto, tendo suas origens no período imperial de Dom Pedro II, o Ministério da 
Agricultura, Indústria e Comércio é criado em 1909, durante a República Velha.
Já no período de Regime Militar (1964-1985) com a linha ideológica do desenvolvimentismo 
para impulsionamento da Indústria, marca uma proposta de modernização tecnológica da 
Agricultura no Brasil, chamada Revolução Verde. No entanto, isso gerou impactos negativos como 
aumento da violência agrária, concentração de terra, enfraquecimento da agricultura familiar, 
gerando mais condicionantes à hiperinflação deflagrada na década de 80, aprofundando assim a 
chamada questão agrária. Nesse período temos a identificação de três conceitos diretores como 
parte da política macroeconômica: o crédito subsidiário destinado à aquisição de tecnologias 
(insumos e mecanização), extensão do setor agrícola (política de extensão rural) e a pesquisa 
agrícola (Política de pesquisa).
Criada em 1973, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é uma das principais 
instituições vinculadas ao Ministério da Agricultura para desenvolvimento de pesquisas do setor, 
de apoio e fomento de políticas extensionistas. De fato, o crédito subsidiário foi fundamental 
para o desenvolvimento do setor, porém o devido ao baixo retorno financeiro, principalmente 
ao pequeno produtor, gerou um grande endividamento da agricultura familiar e concentração 
de renda por parte dos grandes produtores. Interessantes tabelas mostram o aumento de 
crédito subsidiários no período podem seres vistas de forma mais completa e detalhada em 
(Albuquerque, 1987).
65
Os problemas da questão agrária se sucedem e se aprofundam durante a década de 1990. 
Porém, notadamente a agricultura apresenta em alguns períodos uma melhora na participação 
do PIB total, mesmo em um período de instabilidade monetária (de recuperação e controle da 
inflação pelo plano Real) e da produção de grãos, tais como arroz, feijão, soja e milho. Na tabela a 
seguir é apresentada a participação do setor agrário no PIB na década de 1990:
Figura 1 - Participação do setor agrário no PIB na década de 1990 
Fonte: IBGE apud. CAMPOS, et al., 2002 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A imagem mostra uma tabela de onze linhas e seis colunas apresentando a 
participação do setor agrário da agropecuária, indústria e serviços do PIB na década de 90.
Já nos anos 2000, com aumento da produção pela mecanização e aumento do valor das 
commodities, em grande parte para atender o grande mercado chinês emergente, o país entrou 
em um período de alto crescimento (2004-2010) com surgimento de uma ‘nova’ classe média e 
alto consumo, até a recessão 2014-2016 (CAPUTI et al., 2019).
Nesse brevíssimo resumo que fizemos, é importante resgatarmos algumas definições 
importantes. Como citamos anteriormente, o Brasil entra em um período de rápido crescimento 
com o aumento do valor das commodities em particular na primeira década dos anos 2000. 
Lembremos que elas são definidas como produtos de base do setor primário que sevem de 
matéria-prima, mas que possibilitem alta estocagem, como por exemplo, grão de soja, milho etc. 
Lembre-se ainda que na divisão tradicional da economia, o setor secundário toma como base 
os produtos do setor primário para uso e transformação pela Indústria e aplicação no comércio. 
Bens e serviços representam o setor terciário.
A ideia de agronegócio (agrobusiness) firma a relação entre o setor agrário (e pecuário) a 
toda cadeia de relações (cadeia produtiva) mantida por eles, na produção, na distribuição e na 
indústria. Nesse sentido, cabe lembrar que o termo “agropecuária” diz respeito às atividades 
rurais relacionadas, porém bem definidas. Enquanto a agricultura se refere à cultura vegetal, 
66
a pecuária centra-se na produção animal. Abordaremos a seguir as principais diretrizes para 
políticas ao setor agropecuário no Brasil.
4.1 Política de Crédito
A política de crédito foi criada durante o Regime Militar, com a criação do Sistema Nacional 
de Crédito Rural (SNCR) em 1965. As modalidades de crédito se subdividem em: custeio (capital 
de giro para a empresa), Investimento (voltado à infraestrutura e melhoria tecnológica) e 
comercialização (para segurança de estoque da produção ajudando na redução de excesso de 
oferta e adoção de preço mínimo no mercado).
No gráfico abaixo, mostra-se a evolução do crédito rural em bilhões de reais no período de 
2003-2016. É importante citar o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e 
Social (BNDES), criado em 1952, volta-se ao financiamento para melhoria de infraestrutura de 
vários setores da economia. No que diz respeito à agricultura, visa apoiar pequenos e médios 
agricultores e cooperativas, com programas por exemplo, como a MODERFROTA (voltado à 
aquisição de nova mecanização) e o MODERINFRA (voltado à irrigação e estocagem de grãos).
FIQUE DE OLHO
Um fator muito importante para a compreensão das políticas econômicas agrícolas é 
compreender o conceito do agronegócio. Ele é composto por elos produtivos que estão 
interligados e são interdependentes, composto por fornecedores, produtores, processadores, 
transformadores, distribuidores, revendedores, da produção até o consumidor final. 
Observa-se, portanto, que elos que compõem uma cadeia sugerem uma organização dos 
elementos que compõe o Agronegócio (BATALHA, 2007).
67
Figura 2 - Evolução do crédito rural (2003-2016) 
Fonte: INPUT BRASIL, 2020 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A imagem mostra um gráfico que apresenta a evolução do crédito rural de 
2003-2016.
Uma outra importante modalidade de financiamento é o Programa Nacional de Fortalecimento 
da Agricultura Familiar (PRONAF) voltado à assistência e desenvolvimento do pequeno produtor.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
4.2 Política de garantia de pagamentos mínimos
Originada em 1943, a política de preços mínimos foi pensada para dar uma maior estabilidade 
aos preços no mercado a partir do estoque da produção de alimentos, mediante as Aquisições 
do Governo Federal (AGF) e o Empréstimo do Governo Federal (EGF). A dinâmica do processo 
68
inicia-se na fixação de dois preços pelo Governo Federal: o preço para compra, que define o preço 
mínimo; e o preço para a venda ou preço de intervenção. O preço mínimo regula a intervenção do 
Governo o qual compra o produto do produtor realizando o estoque quando o preço de mercado 
estiver abaixo do preço mínimo. Caso contrário, se o preço de mercado estiver acima do preço de 
intervenção, o Governo então realiza leilão do estoque de alimentos (CONCEIÇÃO, 2003).
4.3 Política de Abastecimento
A política de abastecimento é a resultante de outras políticas agrícolas para assegurar 
a disponibilidade de produtos advindos do agronegócio e matérias-primas bem como sua 
distribuição, armazenagem e comercialização, principalmente na garantia dos mesmo em 
tempos de instabilidade nacional e/ou internacional. Atualmente, temos a Companhia Nacional 
de Abastecimento (Conab), que está vinculada ao Ministério da Agricultura, Agropecuária e 
Abastecimento (MAPA), responsável pela fiscalização e execução de programas, como na política 
de preços mínimos, mediando as relações entre produtores, distribuidores e varejistas, bem 
como na aquisição de dados para planejamento e tomada de decisão do Governo Federal.
4.4 Política de extensão rural
Entende-se por extensão rural o conjunto de atividades direcionadas a transmitir aos 
agricultores novos conhecimentos técnicos e comerciais a respeito de culturas e criação de 
animais. O estímulo à expansão rural seria uma das consequências da política do crédito rural. 
Nesse sentido, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é órgão do Governo 
Federal a quem cabe promover e executar as tarefas de pesquisas agropecuárias no Brasil, 
integrando os Estados, instituições privadas (empresas e cooperativas) e universidades envolvidas 
com pesquisas agropecuárias. As denominadas A Associação deCrédito e Assistência Rural (Acar) 
foram substituídas pelas Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), as quais 
passaram a dedicar-se basicamente na questão da extensão rural, deixando de se preocupar com 
a busca de recursos para o crédito rural.
4.5 Política tributária
A política tributária procura instituir mecanismos de regulação e arrecadação de tributos 
para o poder público gerir e reaplicar em políticas públicas em benefício da sociedade. Em 
geral, podemos classificar os tributos em três divisões. A primeira se refere à taxa que é um 
tributo sobre alguma prestação de serviço público, como a taxa de energia elétrica ou de água. O 
segundo tipo de tributo é a contribuição (de melhoria) no qual permite ao poder público cobrar 
por uma benfeitoria realizada. Por fim, temos o Imposto, que pode ser subdivido em imposto 
direto (destinado diretamente ao pagador, isto é, o contribuinte) e indireto (está ‘embutido’ nas 
operações de comércio, bens e serviços). É importante lembrar que essas tributações podem 
ser executadas em todas as esferas públicas, isto é, nas esferas municipais, estaduais e federais. 
69
No setor rural, por exemplo, o principal imposto a ser pago é o Imposto sobre a propriedade 
Territorial Rural (ITR), que quanto maior seja a propriedade, maior será o ITR. Em parte, o ITR 
ajudou a forçar grandes donos de terras (latifundiários) a tornar suas terras produtivas, pois o 
aumento da produtividade da terra resulta na diminuição do ITR.
Sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais de alimentos atingindo a marca, por 
exemplo, de US$ 2 bilhões de dólares em 2018 (Fiesp, 2018) de grãos de soja, talvez o maior 
desafio no setor seja a questão tributária, que aflige toda a cadeia produtiva, do grande ao 
pequeno produtor uma vez que o Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo. 
Todavia, há incentivos para alívio do setor como por exemplo desoneração fiscal e isenções 
advindos de programas de governo (federal e estaduais).
4.6 Política de seguro rural
A atividade rural é uma atividade de risco que envolve dois fatores fundamentais: variações 
de preços de mercados (nacional e internacional) e fatores climáticos. Como política nacional, 
temos a Companhia Nacional de Seguro Agrícola (CNSA) fundada em que 1954 e posteriormente 
substituída em 1975 pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro). Uma política 
de seguro rural, assim como qualquer seguro no senso comum, visa minimizar prejuízos dadas 
as flutuações de mercado (que pode ser minimizada pela política de preço mínimo) ou dada a 
imprevisibilidade climática levando a perdas de produção e/ou estoque (baixa de produtividade). 
Nesse sentido, o produtor paga a uma seguradora uma determinada quantia (prêmio) e caso 
necessário o acionamento do seguro, o produtor irá receber o devido valor de apólice conforme 
contrato com a seguradora. Com programa Zoneamento agrícola de risco climático vinculado à 
Embrapa, busca-se dados para servir de orientação na tomada de decisão pelas incertezas das 
condições climáticas.
70
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender um pouco mais sobre os principais indicadores macroeconômicos;
• aprender sobre parâmetros utilizados para realizar análise de dados econômicos;
• conhecer mais sobre as políticas econômicas e as políticas econômicas agrícolas 
observando fatores que afetam essas políticas e como estão conectadas.
PARA RESUMIR
ALBUQUERQUE, M. C. C. de. Economia agrícola. São Paulo: McGraw-Hill, 1987.
BACHA, C J. C. Economia e política agrícola no Brasil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
CAPUTI, M. T. et al. O choque nos preços das commodities e a economia brasileira 
nos anos 2000. In: Revista de Economia Política, vol 39, nº 3 (156), pp 427-448, julho-
setembro/2019.
CAMPOS, A. C. et al. A evolução da agropecuária brasileira nos anos 90. In: Indic. Econ. 
FEE, Porto Alegre, v.29, n. 4, p.177-199, 2002.
CONCEIÇÃO, J. C. Política de Preços Mínimos e a Questão do Abastecimento Alimentar. 
Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada- IPEA, 2003.
CUERVO-CAZURRA, A. Sequence of value-added activities in the internationalization of 
developing country MNEs. In: Journal of International Management, v. 13, n. 3, 2007, 
p. 258-277.
DORNBUSCH, R. et al. Macroeconomia. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
GARRAT, D. Macroeconomia - Série Express. São Paulo; Saraiva, 2015.
INPUT BRASIL. Mapeamento: evolução do Crédito Rural no Brasil entre 2003-2016. 
Disponível em: www.inputbrasil.org Acesso em: 04 maio 2020.
MANKIW, N. G. Macroeconomia. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018.
MAPA.. Projeções do Agronegócio: Brasil 2017/2018 a 2027/2028: Projeções de longo 
prazo. Brasília-DF: Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento, 2018
MIRANDA, S.H.G. et al. Peste Suína Africana: os desafios e as oportunidades que a 
globalização adiciona à gestão sanitária. São Paulo: Centro de Estudos Avançados em 
Economia Aplicada, 2020.
MIRANDA, S.H.G. et al. Relação comercial entre o Brasil e os Países Árabes: desafios e 
oportunidades. São Paulo: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, 2020.
NEVES, S. das et al. Introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 2012.
PEW RESEARCH CENTER. The Future of World Religions: Population Growth Projections, 
2010-2050 - April, 2015. Disponível em: https://www.pewforum.org/2015/04/02/
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
VASCONCELLOS, M. A. Economia: micro e macro. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
VASCONCELLOS, S., M. A. (org.). Introdução à Economia. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
UNIDADE 4
Economia brasileira
Você está na unidade Economia Brasileira. Conheça aqui o conceito de comercialização 
agrícola, mercados, análise econômica de negócios rurais e estrutura fundiária rural no 
Brasil. Entenda ainda o papel da Agricultura no desenvolvimento econômico brasileiro e 
seus impactos diretos e indiretos na economia. Além disso, essa unidade auxiliará você no 
entendimento dos principais tipos de avaliações econômicas no agronegócio, com vistas a 
identificar as diferentes formas de realizar as avaliações em negócios rurais.
Bons estudos!
Introdução
75
1 PAPEL DA AGRICULTURA NO DESENVOLVIMENTO 
ECONÔMICO
A Agricultura consiste no uso dos solos para cultivo de vegetais a fim de garantir a subsistência 
alimentar do ser humano, produzindo ainda, dessa forma, matéria-prima para produção de 
outros produtos secundários da atividade econômica. Essa é uma das práticas mais antigas e que 
me transformam o espaço geográfico, conforme Fochezatto et al (2012).
Para Lucena (2000, p. 14), “a agricultura desempenha um papel fundamental no processo 
de desenvolvimento econômico, tornando dinâmico a indústria, o comércio, os serviços e 
encadeando o restante da economia. ”.
Alguns estudos, como o de Hayami et al. (1998), têm direcionado esforços para relacionar 
a pobreza rural e criação de bolsões emergentes de periferia decorrentes da agricultura, 
principalmente na América Latina. Porém, têm-se na literatura moderna correntes de estudos 
significativas que debatem sobre o fato de que a agricultura, na maior parte dos países 
em desenvolvimento detém grande parcela do Produto Interno Bruto (PIB) das economias 
(FOCHEZATTO et al, 2012). Além disso, o dinamismo do setor agropecuário e a interação dele 
com os demais setores nas econômicas tem movimentado discussões acerca da participação na 
economia e nos ganhos de países em desenvolvimento, países industrializados e também nos de 
alta renda.
Percebe-se, nesse contexto a importância da agricultura no desenvolvimento econômico dos 
países, conforme ressaltado por Fochezatto et al. (2012, p. 747):
Assim, segundo a teoria da base econômica, além de contribuir diretamente para o crescimento 
do produto agregado, a dispersão espacial da agropecuária impulsionaas atividades produtivas 
destinadas a suprir os mercados locais, como é o caso da construção civil, comércio e outros serviços, 
formando um círculo virtuoso rural-urbano nessas localidades.
A Agricultura brasileira tem atingido níveis significativos de produção e produtividade, o que 
permite ao Brasil um destaque no cenário mundial como produtor e fornecedor de alimentos, o 
que contribui diretamente para o desenvolvimento econômico do país (ABBADE, 2014).
1.1 Agricultura no Brasil e seu impacto mundial
A Agricultura brasileira atualmente é reconhecida como um dos maiores “celeiros” de 
produção mundial. Porém, essa posição de destaque é existente a partir de algumas mudanças 
nos aspectos internos da comercialização, que se alterou em meados dos anos 1930, de acordo 
com Abbade (2014).
76
A reversão da posição de importador de alimentos para uma posição de grandes produtos 
dos mesmos foi uma transição significativa ao Brasil. Segundo Cremaq (2010), o Brasil tornou-se 
o primeiro país a alcançar os níveis de produção e exportação dos tradicionais “Cinco maiores 
exportadores”, desempenhando nessa lista papel de grande destaque junto a país desenvolvidos 
como Canadá, Austrália Argentina e União Europeia. Em um período de 10 anos (1996 a 2006), 
o valor aproximado das lavouras brasileiras passou de R$ 23 bilhões para a quantia de R$ 108 
bilhões, aumentando à uma taxa de 365%.
Além da produção de grãos e insumos, é importante ressaltar que as exportações de carne 
transformaram o Brasil em segundo maior exportador mundial. Tais aspectos refutam a importância 
dessa área de produção do agronegócio na economia brasileira e desenvolvimento econômico.
O aumento do PIB tem sido afetado diretamente pela Agricultura e seu desenvolvimento que 
é direcionado e influenciado por constantes aportes e investimentos em tecnologias e informação 
de potencializadores da produtividade (ABBADE, 2014). Para Yan et al. (2009, p. 921): “o excelente 
desempenho brasileiro pode ser atribuído a uma série de reformas na política agrícola realizada 
pelo governo brasileiro, especialmente nas políticas de exportações”.
Faz-se de suma importância destacar nesse contexto de grande destaque brasileiro na 
produção de alimentos alguns fatores que contribuíram diretamente para o crescimento da 
Agricultura brasileira, de acordo com Abbade (2014, p. 151):
Industrialização e migração do meio rural para o urbano 
A migração para os centos urbanos permitiu que a área de terra exploradas anteriormente 
por família em minifúndios pudessem ser utilizadas e ter sua otimização em produção. 
Associamos ainda a pouca mudança nos níveis de vida das pessoas nos grandes certos urbanos 
ao êxodo rural. Vale ressaltar que o incremento de tecnologias e investimento no campo reduziu 
significativamente a mão de obra empregada no setor agrícola, o que refuta a ainda de que a 
migração ocorre simultaneamente a esse desenvolvimento.
Crédito financeiro subsidiado 
Conforme destacado por Carvalho et al. (2011), o crédito rural significou um grande impulso 
para modernizar e potencializar a agricultura brasileira. A criação do Sistema Nacional de Crédito 
Rural (SNRC) em meados de 1960, objetivava inicialmente o financiamento de defensivos 
agroquímicos, sementes e máquinas aos produtores, com intuito de propulsionar crescimentos 
significativos em relação à área plantada, cultivada e produtividade.
Apoio à extensão rural 
O apoio do governo deu-se através da criação de inúmeros programas que visavam melhorar 
77
a capacidade produtiva do Brasil. Podemos citar programas como o PROTERRA (1971) – Programa 
de Redistribuição de Terras e Estímulos a Agroindústria do Norte e Nordeste; PROVALE (1972) – 
Programa Espacial para o São Francisco e o; POLOAMAZONIA – Programa de Desenvolvimento das 
Áreas da Amazônia. Na região Centro-Oeste destaca-se a criação do PROAGO (1973) – Programa 
de Garantia de Atividade Agropecuária; POLOCENTRO (1975) – Programa de Desenvolvimento 
dos Cerrados; PRODECER (1976) – Programa Nipo-Brasileiro de Desenvolvimento Agrícola da 
Região dos Cerrados. 
Apoio à pesquisa agrícola 
Outro fator de grande importância e que contribuiu em grande parte para a política de 
comercialização agrícola brasileira foi o apoio à pesquisa, através de órgãos como a EMBRAPA 
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e 
Extensão Rural (EMBRATER). Através de extensão rural e participação em desenvolvimento de 
tecnologias e processos, viabilizou a implantação de novas ferramentas para a produção agrícola e 
contribuiu significativamente para o desenvolvimento no Brasil e crescimento da comercialização 
agrícola, que será abordada na sequência desta unidade curricular.
2 COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA
O conceito de comercialização agrícola envolve, para Carvalho et al. (2011, p. 95): 
“a transferência de bens, no caso a produção agrícola ou produtos semiprocessados aos 
consumidores. Em seu aspecto funcionalista, a comercialização agrícola perpassa a teoria e a 
prática de comércio”. Para Mendonça (2015, p. 383): “além do mercado de grãos, que exercem 
papel central como commodities agrícolas, a padronização de alimentos industrializados foi 
fundamental para a expansão do modelo do agronegócio em nível internacional”. Tal aspecto 
ressalta a importância da comercialização mundial agrícola existentes no cenário mundial entre 
os países que pertencem ao bloco das negociações agrícolas.
O setor de distribuição e comercialização agrícola, de acordo com Mendonça (2015), 
adquiriram foco cada vez mais monopolista com o passar dos anos. Os esforços continuados 
para garantir economia de escala, poder de acesso a maiores linhas de crédito, facilidades de 
entradas em novos mercados e proteção de mercados amplos e concorrência contribuíram para 
esta temática.
2.1 Comercialização agrícola braisleira
A comercialização agrícola é, atualmente, uma das atividades mais complexas dentre aquelas 
que envolvem o sistema da agricultura porque ela o momento em que a produção se torna 
mercadoria.
78
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Diversos agentes compõem a cadeia de comercialização de produtos agrícolas, de acordo 
com as diferentes fases do processo de produção que o produto passa, como processamento, 
armazenamento, entre outros, que visam promover o crescimento econômico (CARVALHO 
et al., 2011). No Brasil, o surgimento do termo agronegócio justifica seu uso pela criação das 
cadeias produtivas, cujo objetivo é agregar atividades agroquímicas, industriais e comerciais 
(MENDONÇA, 2015).
A política agrícola brasileira em relação à comercialização visa priorizar incentivos para 
exportar commodities agrícolas e minerais, conforme ressalta Mendonça (2015). Além disso, 
faz-se fundamental conceituar nesse contexto, que o agronegócio é baseado em uma ideia de 
desenvolvimento como sinônimo de progresso de tecnologia.
Nesse progresso de tecnologias, surgem as chamadas Cadeias produtivas, termo instituído 
inicialmente pela Embrapa para incluir clientes “antes” e “depois” da porteira, relacionando entre 
si os diferentes elos da cadeira agroindustrial (CASTRO et al. 2006).
O uso das máquinas agrícolas, até 1920 era utilizado somente na produção canavieira. A partir 
de meados de 1940, o Rio Grande do Sul adotou a mecanização na produção de trigo e arroz, e 
o estado de São Paulo na produção de café (MENDONÇA, 2015). A partir de 1960, o plantio de 
soja também apresenta maior mecanização utilizado em sua cultura, principalmente subsidiado 
pelos incentivos de crédito aos produtores. Além disso, conforme destaca Mendonça (2015), os 
pacotes tecnológicos dessas mecanizações junto aos defensivos agrícolas foram disseminados no 
Brasil a partir de 1961, quando o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento eliminou as 
barreiras às importações desses insumos.
A partir da década de 1990, as políticas de privatizações das estatais e o processo de êxodo 
rural transformaram a novaordem econômica. Com ela, deu-se início à elevação da concentração 
79
de capitais privados, principalmente no agronegócio (MENDONÇA, 2015). O uso cada vez mais 
intensivo de máquinas e insumos, a intensificação do uso de água e recursos naturais no processo 
de produção, a demanda cresce por subsídios e o apelo dos sistemas estatais de crédito têm 
contribuído para o cenário de comercialização agrícola brasileiro. A expansão do comércio 
mundial de grãos e internacionalização do agronegócio demandaram maiores investimentos para 
o setor, o que segundo Mendonça (2015), resultou em processo de concentração monopolística 
(principalmente em relação às empresas de insumos industriais e de comercialização).
2.2 Componentes da cadeia produtiva da comercialização agrícola
A cadeia produtiva de artigos agrícolas é constituída por: fornecedores de insumos, 
agricultores, processadores, comerciantes e consumidores finais. As diferentes relações existentes 
entre os elos da cadeia definem a política dos preços praticados, da qualidade, sazonalidade 
da produção, agregando quando necessário novos elos e intermediações entre a cadeia, que 
definem a organização da cadeia como um todo (CARVALHO et al., 2011).
A Figura “Cadeia de processamento de leite” demonstra um esquema prático dos envolvidos 
na cadeia para que o estudante tenha entendido da dimensão dos elos da cadeia.
Figura 1 - Cadeia de processamento de leite 
Fonte: MicroOne, Shutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, temos a representação da cadeia produtiva de leite, iniciando 
desde a fazenda de leite até o consumidor final, para ilustrar a dimensão da cadeia como um 
todo.
80
Inúmeras cadeias produtivas de comercialização agrícola existem no Brasil. Produtos como 
leite, soja, café, carnes em geral, hortifrutigranjeiros e outros cereais, como arroz e trigo, têm 
suas cadeias definidas e em constante alteração e atualização ao longo do tempo. Isso porque as 
condições econômicas e naturais das cadeias influenciam na forma como elas se organizam e nas 
intervenções que o Estado realiza frente às mesmas, conforme ressaltado por Carvalho et al. (2011).
Pela grande dimensão de territórios disponíveis para produção agrícola, o Brasil destaca-se 
e tem apresentado grande importância no plantio e comercialização de diversas culturas, quase 
que em toda totalidade do seu território. Porém, ainda tem sido temas de discussões políticas de 
estruturação agrícola as demandas e fomentos para que essa comercialização cresça cada vez mais 
em nosso país.
A cadeia produtiva e seus componentes, bem como a comercialização dos produtos agrícolas 
é conforme ressaltado por Carvalho et al. (2011, p. 104): “[...] imbricada nas especificidades que 
remetem ao desenvolvimento capitalista, uma vez que essa se encontra subordinada às atividades 
de circulação e de distribuição [...]”.
Tais processos têm contribuído para diminuir a participação de intermediários e consolidado, 
dessa forma, grandes capitais comerciais, centralizando o fluxo das mercadorias agrícolas e ainda, 
circulação de capitais, o que movimenta a comercialização agrícola como um todo.
2.3 Problemas da comercialização agrícola
Um dos maiores impactos na comercialização agrícola trata-se dos efeitos das variações 
adversas do mercado sobre as atividades dos diferentes setores que integram a cadeia produtiva. 
FIQUE DE OLHO
Nem todas as cadeias de comercialização comportam-se da mesma maneira e nem 
possuem os mesmos elos. Esse fato dá-se em decorrência de que ela depende de variáveis 
que determinam quais produtos são comercializados. Isto é, ela depende de fatores 
estruturais, tipo de produto, etapas do processamento, existência ou não de atravessadores 
e intermediários, tipos de consumidores (se atacado ou varejo) e ainda, de elementos 
econômicos (como sazonalidade de preços, tipos de produtos, conservação dos produtos, 
regiões foco de comercialização, entre outros. Para aprender mais sobre o assunto, sugerimos 
a leitura do livro: MARQUES, P. V.; AGUIAR, D. R. D. de. Comercialização de produtos agrícola 
(São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1993). Ele traz diversas informações sobre 
a temática. Trata-se de uma bibliografia base para quem deseja explorar um pouco mais 
sobre as cadeias produtivas.
81
Conforme destacado por Waquil et al. (2010, p. 33):
Os produtos agrícolas estão expostos a diversos riscos e incertezas, inerentes à própria 
atividade rural, que impactam diretamente os custos de produção e a lucratividade dos negócios, 
não somente das propriedades agropecuárias, mas de todos os agentes que integram as cadeias 
produtivas (fornecedores de insumos, propriedades rurais, indústria, atacado e varejo).
Podemos dividir os riscos relacionados à comercialização agrícola, conforme Waquil et al. 
(2010), da seguinte maneira:
Riscos relacionados à produção
Provenientes de oscilações em condições climáticas, problemas de cultivo e manejo, doenças, 
pragas, entre outros, inerentes ao processo de produção e etapas base da agricultura.
Riscos relacionados ao crédito
Provenientes de valores de juros altos, financeiros inexistentes para investimentos e 
manutenção de custos operacionais, incapacidade de negociações, entre outros.
Riscos relacionados aos preços
Provenientes de alterações no comportamento da oferta e demanda de produtos agrícolas e 
elasticidade de preços
Esses riscos são importantes de serem avaliados no contexto da comercialização agrícola, 
pois eles interferem diretamente nas margens operacionais dos produtos agrícolas, o que afeta, 
de antemão, a rentabilidade de diversos elos da cadeia, essencialmente os produtores rurais. 
Conforme destacado por Waquil et al. (2010, p. 35):
Uma das principais incertezas, considerando-se que os produtores não possuem nenhuma ou 
pouca possibilidade de influência, está relacionada ao risco de preços.
Os produtos agrícolas, particularmente as commodities, estão expostos a incertezas quanto ao 
comportamento futuro dos preços, influenciados fundamentalmente por movimentos de oferta e 
demanda no mercado. 
Dessa forma, percebemos que a maior parte dos problemas enfrentados na comercialização 
agrícola por parte dos produtores dá-se porque os mesmos estão a mercê do consumo, das 
mudanças de preços, da oferta mundial, da negociação de preços, das políticas entre países 
exportadores e importadores, áreas cultivadas, culturas mais exploradas, entre tantos outros 
fatores que afetam as negociações de preço.
82
Por isso, os agricultores e produtores rurais são considerados como tomadores de preços 
no mercado, sendo influenciados totalmente pelo aspecto macroeconômico da comercialização. 
Porém, há formas de minimizar ou eliminar os riscos de oscilações de preço inerentes ao processo, 
através por exemplo, de mercados de derivativos agrícolas, uma ferramenta que pode auxiliar na 
negociação.
2.4 Mercado de derivativos agrícolas
Para entender como minimizar as influências de preços e dificuldades no processo de 
comercialização agrícola, surgem a gestão de riscos através do mercado de derivativos agrícolas. 
Nessa prática, as partes negociam contratos que estabelecem valores prévios de qualidade, 
volume e preço de produtos que podem ser disponibilizados no momento da transação (por 
exemplo, na safra de determinado produto), acordada entre os elos do mercado, firmando dessa 
forma contratos de comercialização entre compradores e fornecedores, eliminando dessa forma 
o risco de alterações futuras nos preços das commodities (WAQUIL et al., 2010). Para Corrêa et al. 
(2005, p. 9), a transação de derivativos trata-se de: “uma operação que deriva de algum negócio 
tradicional do mercado físico ou algum título negociado no mercado financeiro”.
A negociação de contratos estabelece preços pré-fixados, protegendo o produtor e fornecedor 
de oscilações que podem desestabilizar totalmente a cadeia produtiva como um todo. Esses 
contratos permitem ao produtor planejar a produção e novos investimentos na suaUNIDADE 4 - Economia brasileira ...................................................................................................73
Introdução.............................................................................................................................................74
1 Papel da Agricultura no desenvolvimento econômico .......................................................................75
2 Comercialização agrícola .................................................................................................................... 77
3 Análise econômica da empresa rural ................................................................................................. 84
4 Estrutura fundiária no Brasil .............................................................................................................. 90
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................95
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................96
O livro Economia rural traz ao leitor, além de informações básicas da área, o 
conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades.
Em linhas gerais, a primeira unidade, Fundamentos da Economia, explica os 
principais conceitos econômicos, o dilema fundamental da economia, e os dez 
princípios econômicos. O leitor conhecerá os principais pensadores econômicos, a 
formação do pensamento econômico brasileiro, e os aspectos históricos da economia 
do Brasil desde a colônia até as políticas de distribuição de renda. 
A segunda unidade, Microeconomia, trata das principais leis que regem o mercado 
e a economia no âmbito microeconômico, como as leis de oferta e demanda e teoria 
utilitarista. A teoria do consumidor e seus principais aspectos relevantes, a teoria 
da firma, os tipos de bens na economia rural, e a elasticidade também são assuntos 
abordados aqui. 
A terceira unidade, Macroeconomia, indica os principais indicadores 
macroeconômicos, explica a análise de dados econômicos e trata das políticas 
econômicas agrícolas, fatores imprescindíveis para o entendimento dos fatores 
econômicos, como se relacionam e como afetam diversos setores da economia, dentre 
eles o agronegócio.
Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Economia Brasileira, apresenta os 
conceitos de comercialização agrícola, mercados, análise econômica de negócios rurais 
e estrutura fundiária rural no Brasil. O leitor terá conhecimento do papel da agricultura 
no desenvolvimento econômico brasileiro e seus impactos diretos e indiretos na 
economia. Para ajudar o leitor a identificar as diferentes maneiras de realizar as 
avaliações em negócios rurais, a unidade o auxiliará na compreensão dos principais 
tipos de avaliações econômicas no agronegócio.
Enfim, esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a 
leitura do livro. 
Agora é com você! Sorte em seus estudos!
PREFÁCIO
UNIDADE 1
Fundamentos da economia
Olá,
Você está na unidade Fundamentos da Economia. Conheça aqui os principais conceitos 
econômicos, o dilema fundamental da economia, e os dez princípios econômicos. Aprenda 
sobre os principais pensadores econômicos, a formação do pensamento econômico 
brasileiro e aspectos históricos da economia do Brasil desde a colônia até as políticas 
de distribuição de renda. Esses conceitos são muito importantes para a compreender os 
fatores econômicos, como se relacionam e como afetam diversos setores da economia, 
como, por exemplo, o agronegócio.
Bons estudos!
Introdução
11
1 CONCEITOS E PRINCÍPIOS ECONÔMICOS
O termo economia deriva do grego oikonomia e significa “administração da casa ou governo”. 
Trata-se, então, do estudo das formas de gerir os recursos, produção e a troca de bens e serviços. 
É possível que a definição mais completa seja de Lonel Robbins, que, em 1932, definiu economia 
como a ciência que estuda o comportamento humano como inter-relações entre fins e meios 
escassos que tem usos alternativos. Assim, o que diferencia a economia das outras ciências é que 
os sistemas que ela examina são instáveis (KISHTAINY, 2013).
Para Vasconcellos (2012), a Economia é entendida como uma ciência social em que o 
indivíduo e a sociedade definem onde alocar seus recursos produtivos escassos na produção de 
bens e serviços, podendo distribuí-los a várias pessoas e grupos da sociedade, a fim de satisfazer 
as necessidades humanas da melhor forma possível.
 1.1 Escassez: o dilema fundamental da economia
Albergoni (2015) destaca que a ciência econômica é a ciência que estuda a escassez. Por 
escassez entende-se encontro entre as necessidades ilimitadas das pessoas e do outro lado os 
recursos limitados, recursos são finitos. Não significa que são poucos, mas destaca que um dia 
eles irão acabar.
Por mais rica que uma sociedade seja, por mais recursos produtivos que ela tenha, os fatores 
de produção serão sempre escassos para realizar a fabricação de todos os bens e serviços que 
essa sociedade deseje. Veja você, por mais que tenha um salário de um determinado valor, não 
pode naturalmente consumir todos os bens e serviços que deseja, necessitando assim realizar 
escolhas das quais pode adquirir e que estejam ao alcance da sua renda.
Desse modo, ao considerar que as necessidades humanas são ilimitadas e os recursos 
naturais limitados, enfrentamos um trade-off, forçando a sociedade a fazer escolhas, originam-se 
as chamadas questões econômicas fundamentais. Veja a seguir algumas delas:
O que e quanto produzir? 
Os indivíduos de uma sociedade escolhem o que será produzido. As decisões realizadas 
pelos consumidores, empresas e governo determinam o que será produzido dentro do leque de 
opções existente. Você faz parte dessas escolhas, todos os dias você ajuda a decidir quais bens 
e serviços devam ser produzidos. Ao escolher ente comprar um livro impresso por uma editora 
ou um e-book (livro digital), ou um smartphone ao invés de um laptop. O governo também toma 
decisões de onde devem ser gastos seus recursos, enfrentado um trade-off de um bem ou serviço 
por outro, como por exemplo, realizar investimentos em pesquisas contra o câncer de mama ou 
gastar na segurança pública.
12
Como produzir?
É necessário escolher como os produtos e serviços devam ser produzidos. As empresas 
por exemplo, enfrentam um trade-off entre utilizar mais trabalhadores ou mais máquinas. Em 
um estúdio de animação, é mais apropriado obter animadores especializados para realizar os 
desenhos à mão, ou mais computadores e consequentemente menos animadores. 
Para quem produzir? 
A sociedade decidirá quem acessará aos resultados dessa produção, ou seja, se todos 
participarão igualmente dos resultados ou quais serão os mais ou menos beneficiados. Políticas 
de distribuição de renda geram muitas discussões, se deve haver mais ou menos distribuição e, se 
os governos devem ou não intervir para tornar a distribuição de renda mais igualitária.
 1.2 Curva de Possibilidade de Produção
Um aspecto importante de ser compreendido em que se busca solucionar o problema de 
escassez é a Curva de Possibilidades de Produção (CPP). Vasconcellos (2011) destaca que é um 
recurso utilizado por economistas para ilustrar o problema da escassez. Ela permite definir uma 
fronteira máxima de produção de uma sociedade, que terá que tomar decisões entre as alternativas 
de produção. É possível observar na tabela “Dois fatores de produção da economia x”, que em uma 
dada economia se produza apenas máquinas e alimentos, com as alternativas de produção.
Figura 1 - Dois fatores de produção da economia X 
Fonte: VASCONCELLOS, 2011 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A tabela mostra as alternativas de produção de uma economia X, a partir das 
máquinas (em milhares de unidades) e dos alimentos (em milhões de toneladas).
Conforme observa-se na tabela caso decida-se pela alternativa A, todos os fatores de 
produção seriamatividade à 
medida que diminuem ou minimizam riscos e incertezas com relação aos preços dos produtos 
(WAQUIL et al., 2010).
Ao utilizar contratos de derivativos para travar preços futuros, as oscilações de preços do 
mercado spot são minimizadas, o que viabiliza os invenstimentos por parte dos produtores e 
resguarda os direcionamentos estratégicos que devem ser utilizados para tanto.
Há duas formas de negociar os contratos de derivativos: através de mercado de bolsa e 
mercado de balcão. No mercado de bolsa, os contratos são padronizados e ficando a critério da 
bolsa a responsabilidade de tornar-se um ambiente propício à negociação, com ofertas viáveis e 
registros de entradas e saídas do mercado.
No mercado de balcão, por sua vez, os contratos são negociados a termo e opções mais 
flexíveis, em que as partes negociam diretamente entre si, conforme necessidade de fornecedores 
e compradores.
É importante ressaltar, por fim, no que se relaciona à contratos de mercados derivativos, 
haverá dois lados na negociação (o que compra e o que vende contratos). Alguns atuam no 
mercado visando maiores obtenções de lucro, enquanto outros, visam proteger a política de 
preços praticados.
83
2.5 Mercado de futuros agropecuários
Com o objetivo de superar problemas de rompimentos de contratos entre os comercializadores, 
produtores e compradores desenvolveram, de acordo com Waquil et al. (2010, p. 45) “novo 
mecanismo de operação no mercado, mantendo-se o princípio da eliminação das variações 
adversas mediante a fixação dos preços da mercadoria”. Isto é, através de ajustes diários, 
a diferença entre o preço negociado a futuro e o preço acertado um dia antes ocorria no dia 
seguinte, e não apenas em uma transação, o que minimiza os erros do contrato a termo: é o 
mercado de futuros agropecuários
Dessa forma, os ajustes que são verificados diariamente na relação dos preços dos 
commodities e produtos comercializados devem ser pagos sempre no dia que segue à operação 
de transação de mercado, conforme oscilações de preços, e garante ao sistema de negociação 
uma estabilidade maior sem ter que romper contratos. Para Waquil et al. (2010, p. 46), “as 
incertezas inerentes à previsão das diferenças entre os preços no mercado futuro e no mercado 
físico local são chamadas de risco de base”. Frente a isso, ao fixar os preços para seus produtos no 
mercado futuro, os produtores limitam o risco relacionado às oscilações adversas que podem vir 
a ocorrer no mercado da bolsa ou próprio mercado local.
De acordo com Correa et al. (2005), o mercado futuro não é uma alternativa tão recente. Ele 
foi instituído em 1848, com a criação da bolsa de contrato futuros de grãos – Chicago Board of 
Trade (CBOT), mais conhecida como a Bolsa de Chicago.
No Brasil, a primeira comercialização de contratos futuros de grãos ocorreu na Bolsa de 
Mercadorias de São Paulo, através do café, e posteriormente nos anos que seguiram, a soja e o 
milho. A bolsa que opera com contratos futuros no Brasil atualmente é a Bolsa de Mercadorias & 
Futuros – BM&F, localizada em São Paulo/SP. Mais recentemente, em 2008, ocorreu a integração 
entre as duas maiores bolsas do Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e a Bolsa de 
Mercadorias & Futuros (BM&F), dando origem à BM&F/BOVESPA, uma das maiores bolsas do 
mundo e a maior da América Latina. A BM&F/BOVESPA opera, além de outros tipos de contratos, 
FIQUE DE OLHO
É necessário distinguirmos mercado físico de mercado financeiro. O mercado financeiro é 
caracterizado pela comercialização de taxas de câmbio, juros, moedas, ações de empresas, 
índices de preços e títulos de governos. Em contrapartida, o mercado físico é caracterizado 
pela comercialização de produtos reais, como milho, boi gordo, leite, café, açúcar, algodão, 
trigo, arroz, soja. Nesse contexto, faz-se de suma importância destacar que a formação 
de preços, na maior parte das vezes, deriva de oscilações e comportamentos do mercado 
físico (e são diretamente afetados pelo comportamento de consumo frente à aos produtos 
agrícolas), seja através de negociações a prazo ou a vista.
84
também com contratos de opções sobre futuros (WAQUIL et al., 2010).
As principais características dos mercados futuros que influenciam positivamente a 
negociação para os produtores é porque ele proporciona garantias contra aumentos e também 
quedas de preços, há a necessidade de fluxo de caixa disponível para honrar os ajustes diários e, 
além disso, há depósitos de margens de garantias, tanto para vendedores quanto compradores, o 
que torna o processo mais seguro (WAQUIL et al., 2010)
No que tange à fixação dos preços em bolsa, há um fenômeno reconhecido como convergência 
de preços, que segundo Waquil et al. (2010, p. 48):
No caso de os preços subirem, o produtor terá que pagar ajustes diários na bolsa, valores esses 
que serão recuperados quando o produto for vendido no mercado físico, que, por sua vez, apresentará 
preços mais altos do que foi contratado inicialmente.
No caso de os preços caírem, o produtor receberá ajustes diários, como forma de compensar a 
queda de preços dos produtos quando forem vendidos no mercado físico.
Essa convergência de preços provoca uma pressão de demanda e oferta entre mercados 
físicos e futuros, o que pode causar, em dois cenários: primeiro, quando o preço da commoditie 
agrícola futuro é maior do que no mercado físico, ocorre pressão de venda no futuro (o produtor 
tem preferência lógica por entregar a mercadoria à bolsa) e pressão de compra no mercado físico; 
outro cenário provável, conforme destacado por Waquil et al. (2010) ocorre quando o preço da 
commoditie for maior no mercado físico é maior do que no mercado futuro, desencadeando em 
uma pressão de compra neste mesmo mercado e uma pressão de venda (o produtor preferirá 
vender no mercado físico, e, não, futuro).
Ambos mercados apresentam dinamicamente de acordo com as oscilações normais do setor 
agropecuário, fazendo-se de suma importância, nessas circunstâncias, que os envolvidos nas 
negociações estejam por dentro dos preços praticados e suas convergências e divergências de 
mercado.
3 ANÁLISE ECONÔMICA DA EMPRESA RURAL
Toda empresa rural deve, por intermédio de avaliações de custo de produção e levantamento 
de indicadores financeiros e econômicos, utilizar-se dessas informações para tomada de decisões, 
formulação de estratégias e interpretação da real viabilidade do negócio.
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Toda e qualquer atividade rural, conforme ressaltado por Huppes et al. (2006), deve ter seus 
controles funcionando de maneira eficiente, pois o conhecimento dos itens administrativos da 
atividade sob o patrimônio é fundamental para que tenhamos uma gestão prática e eficaz. O 
gestor da atividade tem o dever de saber onde e como estão sendo aplicados seus recursos (sejam 
eles físicos, estruturais, de renda e humanos), a fim de compreender se o retorno financeiro 
obtido é proporcional às expectativas criadas e delineadas para tanto.
A avaliação econômica de uma empresa rural deve ser realizada através da coleta e análise de 
dados, de controle e custos de produção, para que sejam possibilitadas análises mais direcionadas 
(como análise de indicadores econômicos e financeiros pertinentes à cada atividade).
3.1 Custos de produção agropecuários
O levantamento dos custos de produção tem sido amplamente discutido na literatura 
econômica rural e direcionado estudos que demonstram custos pertinentes às diferentes 
atividades rurais desempenhadas no Brasil e no mundo.
Segundo Martin et al. (1994), conhecer os custos de produção vêm se tornando cada vez mais 
importante na administração rural, para determinar a eficiência da produção e o planejamento 
das empresas rurais. Entretanto, as dificuldades de estimar esses custos começaram a ser 
superada com a adoção da informática na gestão das empresas agropecuárias.
Para iniciarmos nosso entendimento sobre custos de produção, vamos conceituá-los como 
sendo,de acordo com Matsunaga et al. (1976), a soma de todos os valores de remuneração dos 
fatores de produção, ou seja, o sacrifício monetário da empresa ao produzir determinado bem 
ou produto. Vale ressaltar nessa conceituação que os fatores de produção aqui considerados são 
todos que envolvem a produção (terra, capital e empresário).
86
De acordo com Matsunaga et al. (1976, p. 126), os custos de produção são compostos por:
Despesas diretas da atividade
São considerados os desembolsos diários para a produção – gastos com mão de obra, adubos, 
defensivos agrícolas, alimentação dos animais, energia elétrica, combustíveis, lubrificantes, 
vacinas, medicamentos, entre outros.
Despesas indiretas da atividade
Representadas por gastos com impostos, taxas, juros e encargos sociais, além das despesas 
estruturais.
Remuneração dos demais componentes
Relacionada ao capital fixo (depreciação) – máquinas, equipamentos, terra e capital geral.
Diversas classificações de custos na agropecuária têm movimentado debates em relação ao 
tipo de metodologia de análise para avaliação econômica. Iremos abordar a metodologia mais 
utilizada no âmbito rural, que leva em consideração a variação em quantidades de insumos 
proporcionalmente ao volume produzido. Veja a seguir as definições de algumas dessas 
classificações de custos:
Custos variáveis
Aqueles que, como o próprio nome sugere, variam de acordo com a produção.
Custos fixos
Tratam-se de custos que não se alteram a cada ciclo de produção, isto é, mantêm-se 
constantes ao longo de um período, podendo ser citados como exemplos a depreciação de 
máquinas, equipamentos, impostos, taxas e mão de obra familiar
Custo total do produto
Avaliado através da soma dos custos variáveis e fixos.
Custos operacionais efetivos
Similares aos custos variáveis, representam os desembolsos realizados na produção da 
atividade diariamente.
Custos operacionais totais
87
Além de contemplarem os custos operacionais efetivos, são somados ainda as depreciações, 
impostos, taxas e demais itens considerados semelhantemente à metodologia de custos fixos.
Todos os fatores envolvidos na produção agropecuária representam determinadas etapas 
do processo produtivo, o que define a quantidade de insumos necessários para a produção, a 
quantidade e de que forma são envolvidos no processo.
As informações de levantamentos de custos fazem-se de suma importância no âmbito da 
avaliação econômica rural. Isto porque, ao avaliar o custo variável de uma empresa, têm-se ideia 
do quanto ela demanda de capital de giro para remunerar apenas os fatores de produção (ou seja, 
manter-se ativa no curto prazo).
A potencialização dos resultados econômicos de um empreendimento rural é diretamente 
dependente da avaliação dos custos de produção. Portanto, em sua vida profissional, o estudante 
deverá sempre munir-se de informações acerca da metodologia de custos existentes no negócio 
rural para poder avaliá-lo como um todo e respaldar-se em relação à dados reais e que nortearão 
a tomada de decisões e estratégias no ambiente de atuação.
Além disso, permite-se através dessa avaliação a análise de viabilidade da atividade como um 
todo, em conjunto com as demais ferramentas e indicadores financeiros e econômicos. 
3.2 Indicadores econômicos e financeiros
A análise econômica dos negócios rurais demanda levantamento de algumas informações 
fundamentais para o êxito do processo. Veja a seguir alguns indicadores econômicos e financeiros 
importantes para a economia rural:
A renda bruta (RB) da atividade rural pode ser descrita como o valor como um todo que 
entra na propriedade, multiplicando-se a quantidade vendida pelo preço recebido do produto. 
Juntamente à receita total (RT) ela nos dá ideia de todas as entradas na empresa rural.
A margem bruta (MB) é atualmente um importante indicador na atividade rural. Ela é 
resultado da subtração entre receita total da atividade menos os custos operacionais efetivos 
para produzir os produtos. Uma margem bruta positiva nesse caso, demonstra que a curto prazo, 
a empresa tem chances de sobreviver, está sendo remunerada. Se a margem bruta se comporta 
negativa, há um comprometimento do futuro da empresa. Ou seja, a curto e longo prazo, a 
empresa não está sendo eficiente economicamente, porque seus custos ultrapassam os valores 
recebidos pela produção.
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A margem líquida (ML) por sua vez, corresponde à subtração entre a receita total da atividade 
menos os custos totais da mesma (considerando desembolsos variáveis e fixos – operacionais 
efetivos e totais). Mais seguramente avaliada do que a margem bruta, ela pode nortear na 
avaliação econômica da atividade de maneira mais eficiente e segura, pois trata-se de “tudo que 
sobra depois que todos os custos de produção são remunerados”.
O lucro representa a diferença que há entre renda bruta e custo total (L = RB - CT). Ao 
avaliarmos o lucro e o mesmo encontrar-se positivo, concluímos que a atividade possui 
possibilidade de crescimento e expansão e, atualmente, é estável. Em contrapartida, em casos de 
lucro negativo, há uma restrição em continuidade da atividade, devendo ser avaliados todos os 
fatores de produção (identificando se os custos variáveis ou fixos estão delimitando o crescimento 
e viabilidade econômica) ou se ainda, há oscilações de mercado que trazem instabilidade 
momentânea à atividade. Tal tópico deve ser respeitosamente avaliado, pois a descapitalização 
do empreendedor a curto prazo é um dos entraves referentes ao lucro negativo.
Outro indicador econômico de grande valia para a tomada de decisões nos negócios rurais 
trata-se da taxa de remuneração de capital, o que, basicamente, demonstra qual o grau de 
atratividade e viabilidade de depositar capital (financeiro) em determinada atividade. Isto é, 
calcula-se dividindo a margem líquida pelo capital investido na atividade (máquinas, terra, 
animais, estruturas e benfeitorias).
Se a taxa de remuneração resultante for maior que a taxa de juras de determinadas 
aplicações alternativas (por exemplo, poupança), diz-se que a atividade é atrativa. Essa 
informação é muito pertinente e auxilia o processo de tomada de decisões e orientações do 
profissional na avaliação econômica.
Outros indicadores ainda extremamente interessantes de serem comparados entre atividades 
89
rurais trata-se da rentabilidade do capital imobilizado e ponto de nivelamento – ou equilíbrio. A 
rentabilidade é o valor percentual obtido pela divisão do lucro pelo capital imobilizado e nos 
remete a ideia semelhante da taxa de remuneração de capital, onde a avaliação da viabilidade 
econômica do negócio é comparada com outras taxas existentes e outros negócios; e o ponto de 
nivelamento do custo total, que é o cálculo da necessidade do nº produtos produzidos por dia 
para igualar ao custo total.
De acordo com Corso et al. (2018, p. 811) “uma análise econômica para pequenas 
propriedades serve para serem tomadas decisões, mas isso exige um embasamento muito 
grande, quando estão envolvidos altos valores ”. Ou seja, a avaliação econômica, em grandes 
ou pequenos negócios rurais deve ser precedida pelo levantamento de informações palpáveis e 
tangíveis, permitindo ao avaliador uma análise completa e segura da atividade.
Existem diversos indicadores econômicos e financeiros que podem auxiliar no processo 
de avaliação econômica das empresas rurais. Nesse tópico, compreendemos os principais e 
indispensáveis para o processo de avaliação por parte do profissional que fará a avaliação econômica.
3.3 Fatores que afetam os resultados econômicos e financeiros dos 
negócios agropecuários
Alguns fatores afetam os resultados financeiros e a viabilidade dos negócios agropecuários, 
inúmeras vezes decorrente de, segundo Silva et al. (2008, p. 3) “que a pouca disponibilidade 
de terra, consequência da indisponibilidade de capital, está limitada de imediato à adoção de 
técnicas que exijam uma escala de produção mínima, como, porexemplo, a mecanização”.
Nesse contexto, esses limitantes acabam por afetar diretamente o êxito econômico da 
atividade, à medida que limita o aumento de escalas e ganhos em diminuição de custos 
(ferramentas utilizadas na maior parte das vezes para potencializar a atividade rural).
A tecnologia tem se apresentado como fator que afeta diretamente os resultados econômicas 
dos negócios rurais. Isso porque através dela, transformações significativas podem ocorrer para 
levar a atividade, o empreendimento à um patamar de unidade de produção rentável.
Outro aspecto a ser ressaltado e que interfere diretamente nos resultados econômicos, são os 
recursos disponíveis para o negócio. Recursos esses, conforme destacados por Silva et al (2008), 
como físicos e financeiros, com processo de produção, divisão do trabalho, mão de obra, área 
disponível para produção, entre outros. Além disso, no ambiente externo à atividade rural, estão 
os mercados e seus envolvimentos em relação a comercialização e negociações, além de claro, 
opções de financiamentos e créditos.
Outro importante aspecto a ser ressaltado dentre os fatores que afetam os resultados 
90
econômicos está a disponibilidade de mão de obra para o negócio rural. Ao longo dos anos, esse é 
um fator de extrema importância porque ele delimitará investimentos (em estruturas, capacitação, 
máquinas, etc), principalmente no que tange à atmosfera da evasão dos jovens no campo.
Esse item, conforme ressaltado nos estudos de Silva et al. (2008), desempenha importante 
contribuição no que diz respeito a avaliação econômica. O envelhecimento da população no 
campo acaba por direcionar cada vez menos investimentos e com isso, diminuir tecnologia 
implantada, bem como capital para investimentos, o que, consequentemente, afeta diretamente 
o êxito econômico da atividade.
A assistência técnica, por sua vez, item de grande importância no impacto do êxito econômico 
também desempenha papel fundamental nesse contexto. Isso porque a através dela chegam as 
tecnologias, orientações e direcionamentos estratégicos para melhorias do setor de produção.
O profissional que trabalhará com assistência técnica no campo torna-se um elo entre 
propriedade rural e tecnologias, manejos, orientações que auxiliam nos ganhos econômicos. O 
estudante precisa compreender, nesse sentido, a importância da figura do profissional Médico 
Veterinário nos sistemas de assistência técnica. Sua atuação, delineamentos e orientações são 
decisivas e podem afetar o êxito econômico das atividades.
Além desses fatores supracitados como influentes no processo econômico, podemos abordar 
ainda a situação de cooperativismo e associativismo ligados aos diferentes mercados de produção 
agropecuária (por tratarem-se de locais onde são realizadas as negociações e barganhas, 
com vistas a melhorias de preços de negociação de compra e venda de produtos); mudanças 
mercadológicas; questões jurídicas e políticas do Estado.
Esses fatores atuam em conjunto como um todo e afetam de maneira incisiva o bom 
funcionamento econômico e saudável do negócio rural. Faz-se importante nesse contexto 
que o estudante compreenda a dimensão dos itens abordados e entenda que eles funcionam 
simultaneamente entre si, afetando por horas mais ou menos os indicadores econômicos, mas 
sempre participando dessas mudanças que existem nos negócios.
Trabalhando esses fatores em conjunto com a análise econômica é possível delimitar 
estratégias de atuação, formular planejamentos e planos de ações que visam minimizar os 
impactos negativos dos fatores, e, consequentemente, auxiliem no processo de tomada de 
decisões da atividade.
4 ESTRUTURA FUNDIÁRIA NO BRASIL
A estrutura fundiária no Brasil corresponde à forma como as propriedades rurais estão 
delineadas pelo território nacional, com seus respectivos tamanhos e particularidades. De acordo 
91
com o EducaBras (2020, p. 1):
A realidade da distribuição de terras no Brasil é uma herança do sistema colonial – da “Lei das 
Sesmarias” – onde havia o predomínio de grandes propriedades de terras – as “plantations” – cuja 
produção estava voltada ao mercado externo.
A estrutura fundiária brasileira é extremamente conservadora: os latifúndios com mais de mil 
hectares ocupam 44,4% das terras. A maioria dos proprietários, cerca de 48%, é pequena. Já os 
grandes latifundiários, que representam apenas 1% dos donos de terras no Brasil, controlam quase 
metade delas.
De acordo com Ramos (2001, p.151):
A percepção de que a manutenção de estrutura fundiária concentrada, reforçada com a 
implementação de políticas agrícolas modernizadoras do latifúndio no Brasil, estiveram na base de um 
processo de crescimento econômico que manteve e mesmo ampliou a fome e a pobreza, a exclusão e 
a desigualdade social, e que, portanto, nada tiveram e nada têm de desenvolvimentistas – sequer no 
antigo sentido do termo – foi devidamente percebido por Silva.
Em relação à estrutura fundiária brasileira, faz-se de suma importância compreender a lógica 
das alterações geográficas e mudanças concomitantes à estrutura, por meio dos processos 
de territorialização e desterritorialização reordenam a lógica da estrutura como um todo 
(CAVALCANTE et al., 2006).
4.1 Definições gerais de propriedades rurais
Segundo o Estatuto da Terra, os móveis rurais se caracterizam de acordo com a quantidade de 
módulos fiscais que o mesmo detém. Nesse contexto, subdividem-se entre: minifúndio, pequena 
propriedade, média propriedade ou latifúndios. Veja a seguir suas definições:
Minifúndios
Propriedades com 1 módulo fiscal ou menos de 10 héctares.
Pequena propriedade
Propriedades entre 1 e 4 módulos fiscais ou menos de 200 héctares.
Média propriedade
Propriedades entre 5 e 15 módulos fiscais ou de 200 a 2000 héctares.
Latifúndios
Propriedades com mais de 15 módulos fiscais ou mais de 2000 héctares
92
4.2 Reforma agrária
Diversas discussões têm questionado, conforme ressalta Alcantara Filho et al. (2009), as 
desigualdades sociais existentes no meio rural são decorrentes da distribuição errônea de terras. 
Nesse contexto, surge o papel da reforma agrária como forma de amenizar essas desigualdades, 
gerando debates e movimentações nas políticas de distribuição de terras brasileiras. Para 
Alcantara Filho et al. (2009, p. 83):
É possível afirmar que o Brasil é um país cuja distribuição de terras está altamente concentrada e 
altos níveis de desigualdade ainda perduram.
Mesmo contendo grande quantidade de terras improdutivas, públicas e devolutas no país, o 
conservadorismo no campo prevalece aos interesses sociais
A realização de políticas de assentamento por parte de governos federais não se consolida como 
propostas claras de políticas públicas para o setor.
A reforma agrária vem sendo discutida no Brasil através de três lentes, segundo Albuquerque 
(1987): a justiça social, eficiência econômica e paradigmas ideológicos.Baseando-se na justiça 
social, questiona-se a igualdade de oportunidades para todos; em relação à eficiência econômica, 
tem-se como premissa a maximização da utilidade social; e por fim, os paradigmas ideológicos 
que questionam o uso da terra.
Nesse contexto, a relação entre apropriar-se da terra e utilizar os recursos naturaus – 
essencialmente a terra, têm sido reconsiderados com o desenvolvimento das nações (RAMOS, 
2001). Ainda que elas movimentem discussões acerca de países desenvolvidos, eles são de 
grande valia nos países em desenvolvimento, ou subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil.
Tal fato dá-se a medida que no caso desses países, como Brasil, a terra é o principal meio de 
exploração para produção, o que acaba por afetar diretamente a economia e seus mercados.
Conforme destacado por Ramos (2001, p. 147) “são as alterações na posse/uso da terra, 
ou seja, na estrutura fundiária que permitem associar desenvolvimento socioeconômico com 
desenvolvimento agrário-agrícola”. Tal aspecto ressalta-se através de uma discussão mais 
aprofundada sobre desenvolvimento rural.
Asdiscussões sobre reforma agrária têm, portanto, movimentado debates acerca da utilização 
dos recursos naturais findáveis para um desenvolvimento rural que minimize desigualdades 
sociais, pobreza e fome, essencialmente no meio rural, em decorrência da estrutura fundiária ser 
mal distribuída. Este é um tema complexo, que exige discussões aprofundadas para estabelecer 
políticas e orientações para sua organização.
93
4.3 Fontes de crescimento econômico da Agricultura brasileira
De acordo com Johnston et al.(1961), apud. Feix et al. (2013), a Agricultura brasileira pode 
contribuir para o crescimento econômico das seguintes a partir das seguintes proposições:
• Garantir a oferta de alimentos em compasso com o crescimento da demanda.
• Expandir as exportações de produtos primários pode se constituir em fonte importante 
de geração de renda e divisas, particularmente nos primeiros estágios de desenvolvimen-
to.
• Fornecer mão de obra à indústria e outros setores em expansão.
• Contribuir com capital necessário para viabilizar grandes investimentos e a expansão da 
indústria.
• Fomentar a expansão industrial via estímulos de demanda.
• Prover energia renovável em larga escala e de menor intensidade em geração de carbono 
do que os derivados do petróleo.
Para que o setor desempenhe essas funções supracitadas, são necessários incentivos no âmbito 
macroeconômico alterações nas políticas fiscais e monetárias, bem como cambiais, aberturas de 
mercados econômicos, entre outros. As externalidades advindas do setor agropecuário se dão 
através de aumentos de produtividade de grãos e commodities, conforme destacado por Feix et 
al. (2013). A capacidade de ganhos expressivos em produtividade altera a demanda e oferta de 
mercado e por sua vez, todo o processo econômico. Nesse contexto, grãos como milho, soja e 
arroz têm desempenhado papel de suma importância no setor agrícola e econômico brasileiro. 
Além disso, há também uma tendência de aumentos em áreas produzidas, o que leva a maiores 
quantidades de produção.
Outro aspecto importante a ser ressaltado refere-se ao aumento expressivo da produção 
agropecuária nos últimos 10 anos. Segundo Vieira Filho et al. (2011), ele é resultante do aumento 
da produtividade total dos fatores em relação à carnes, leite, entre outros. Esse comportamento 
pode estar ligado à avanços tecnológicos para desempenhos de exportadores e garantir de 
abastecimento do mercado interno.
De acordo com os estudos de Vieira Filho et al. (2011): “analisando-se produtos importantes 
para a economia brasileira, percebe-se que o país tem grande habilidade em aumentar a 
produção daqueles produtos em que o mercado sinaliza uma demanda crescente e sustentada 
”. Importante ressaltar que as fontes de crescimento agropecuário têm tido projeções positivas 
para o contexto brasileiro. Vieira Filho et al. (2011, p. 23) ressaltam que:
94
O crescimento da produção agrícola no Brasil deve se dar com base na produtividade. Deverá ser 
mantido forte desenvolvimento da PTF como trabalhos recentes têm mostrado.
Os resultados revelam maior acréscimo da produção agropecuária que os acréscimos de área. As 
projeções indicam que, de 2010 a 2020, a taxa anual média de crescimento da produção de lavouras 
deve ser de 2,67%, enquanto a área deverá expandir-se anualmente em 0,45%.
Diante do exposto, faz-se necessário ressaltar o papel da agropecuária e agronegócio na 
economia brasileira, até então discutida em nossa unidade curricular. Em termos de geração 
de renda, é um fator importante tanto para promover mudanças no mercado quanto para 
movimentações e transações. No que tange à políticas de importação e exportação, tem-se que 
a agricultura e pecuária participam diretamente da agroindústria e distribuição de toda cadeia 
produtiva, desempenhando papel chave em nosso setor econômico.
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender e entender o papel da agricultura no desenvolvimento econômico do 
país
• analisar as nuances da comercialização agrícola no Brasil e no mundo;
• entender as características que definem os mercados de derivativos agrícolas;
• analisar os principais aspectos relacionados à avaliação econômica das empresas 
rurais;
• compreender a questão da estrutura fundiária brasileira, bem como as discussões de 
reforma agrária que norteiam suas políticas públicas e ações no Brasil.
PARA RESUMIR
ABBADE, E. B. O papel do agronegócio brasileiro no seu desenvolvimento econômico. 
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Administration (5th). v. 2, p. 919-923, 2009.
Economia rural é uma obra direcionada a estudantes de cursos 
das áreas de economia rural, economia, agronomia e correlatos. 
Além de abordar assuntos triviais, a obra reúne informações 
sobre fundamentos da economia, microeconomia, macroeconomia 
e economia brasileira.
Após a leitura da obra, o leitor vai compreender mais que após 
o término da República Velha, a industrialização começa de fato a 
acontecer no Brasil, principalmente dentro de uma perspectiva 
desenvolvimentista; aprender mais sobre abordagens, conceitos 
e aspectos do dilema econômico enfrentado pela sociedade; 
conceituar e aprender sobre a elasticidade, em termos de oferta 
e demanda; abordar a teoria do consumidor e pontuar os fatores 
que influenciam o comportamento dos mesmos, no âmbito 
do consumo, para identificar possibilidades de atuação no seu 
ambiente profissional; classificar os diferentes tipos de bens 
existentes no âmbito microeconômico e seus principais exemplos 
práticos; apreender sobre parâmetros utilizados para realizar análise 
de dados econômicos; conhecer mais sobre as políticas econômicas 
e as políticas econômicas agrícolas, observando fatores que afetam 
essas políticas e como estão conectadas; considerar as nuances 
da comercialização agrícola no Brasil e no mundo; perceber as 
características que definem os mercados de derivativos agrícolas; 
analisar os principais aspectos relacionados à avaliação econômica 
das empresas rurais, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!direcionados para produção de máquinas. Na outra extremidade, na alternativa 
D, todos os fatores seriam direcionados para somente a produção de alimentos. E, nas alternativas 
intermediárias, B e C, os fatores de produção seriam compartilhados na produção de um e do 
outro. Observa-se como esses fatores ficam distribuídos graficamente na curva de possibilidade 
de produção.
13
Figura 2 - Curva de Possibilidade Produção (CPP) da economia X 
Fonte: VASCONCELLOS, 2011 (Adaptado).
#ParaCegoVer: O gráfico demonstra a relação existente entre os fatores de produção em uma 
economia, demonstrando as alternativas produtivas e o trade-off vivido em uma sociedade.
No gráfico “Curva de Possibilidade Produção (CPP) da economia X”, a curva ABCD destaca 
todas as alternativas de produção de máquinas e de alimentos na economia X. Em qualquer um 
dos pontos sobre a curva indicam que a economia está operando em pleno emprego, à plena 
capacidade, fazendo uso de todos os fatores de produção disponíveis. Pontos abaixo da curva 
apontam para uma ineficiência, podendo de algum modo aumentar a produção dos dois bens, 
tanto máquinas quanto alimentos. E enfim, pontos acima da curva não podem ser alcançados 
Olhando para os pontos que estão fora da curva, do exemplo utilizado, o ponto E, na parte inferior 
a curva, destaca que economia está operando com capacidade ociosa ou com desemprego, sendo 
produzido somente 8 mil maquinas e 3 milhões de toneladas de alimentos. Por outro lado, o 
ponto F apresenta uma relação impossível de ser alcançada, pois os fatores de produção e a 
tecnologia desta economia são insuficientes para produzir essa quantidade de bens.
Assim, esse exemplo hipotético, podemos ilustrar o problema de escassez, em que os 
recursos produtivos são limitados não podem atender a produção de todos os bens e serviços 
demandados pelas pessoas. A sociedade para obter mais de máquinas, por exemplo, precisa 
sacrificar a produção de alimentos e vice-versa. A quantidade perdida de alimentos, para aumentar 
a produção de máquinas é chamada de custo de oportunidade, ou seja, ele é o sacrifício de deixar 
de produzir um bem por outro.
14
1.3 Funcionamento de uma economia de mercado
A forma com que esses problemas são solucionados definem a organização econômica da 
sociedade. Nesse sentido observaremos a seguir como é o funcionamento, de maneira simplificada, 
do sistema econômico. Desse modo, definiremos dois agentes econômicos fundamentais: as 
unidades produtivas (as empresas) e as unidades consumidoras ou proprietários dos fatores de 
produção (famílias) (NEVES et al., 2012).
Figura 3 - Fluxo circular de renda 
Fonte: VASCONCELLOS, 2011 (Adaptado).
#ParaCegoVer: A figura demonstra o fluxo de oferta e procura das famílias e empresas em 
relação ao mercado de fatores de produção e o mercado de bens e serviços.
A figura “Fluxo circular de renda” ilustra os fluxos econômicos que é um fluxo básico, 
estabelecendo as relações entre empresas e famílias. No entanto, o fluxo completo tem a 
participação do setor público, incorporando os efeitos de impostos e dos gatos públicos, assim 
15
como o setor externo, as transações realizadas com mercadorias, movimento financeiro e serviços 
com outros países do mundo (NEVES et al., 2012; VASCONCELLOS, 2011).
O fluxo circular da renda é composto pelo fluxo real e monetário. Neste fluxo é possível 
observar que as famílias e as empresas exercem um papel duplo. No mercado de bens e serviços 
a as famílias procuram por bens e serviços e as empresas os oferecem. No mercado de fatores 
de produção, as famílias oferecem os serviços dos fatores de produção, enquanto as empresas os 
procuram, essa lógica do esquema é chamado de fluxo real. No entanto ele só ocorre porque tem-
se a presença da moeda, utilizada para remunerar as famílias proprietárias do fatores de produção 
e para pagar os bens e serviços adquiridos - comprados pelas famílias. Os dois mercados, tanto 
o de fatores de produção como o de bens e serviços atuam de maneira conjunta uma exercendo 
força na outra, numa relação de oferta e procura (demanda), determinando o preço
1.4 Dez princípios da economia
Veja a seguir os dez princípios da economia, conforme Mankiw (2005):
• O enfretamento de trade-offs todo tempo pelas pessoas, em todas as decisões, envolvem 
trocas.
• O custo de oportunidade em que tomar decisão é comparar custos e benefícios das al-
ternativas. Não está relacionado apenas com valor monetário dispendido em fazer algo, 
mas nos benefícios que poderia ser obtido utilizando o recurso, seja tempo, espaço ou 
dinheiro.
• As pessoas racionais pensam na margem, ou seja, avaliam custos e benéficos para toma-
da de decisão frente a uma mudança.
• As pessoas reagem a incentivos, sendo incentivo algo que estimule a mudança ou ação.
• O comércio pode ser bom para todos, destacando que os produtores podem se especiali-
zar na produção de um bem ou serviço, não havendo necessidade de ser autossuficiente. 
Isso permite haver troca entre produtores com condições mais interessantes, como o 
preço.
• Os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica, o 
mercado é definido pelo autor como um grupo de compradores e vendedores.
• Os governos podem melhorar os resultados dos mercados, umas das funções impor-
tantes do governo é garantir o direito à propriedade privada. Os agentes econômicos, 
empresa ou famílias farão, terão garantia de que aquilo que foi conquistado pertence 
apenas a quem a conquistou.
• O padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços, 
um fator determinante para o aumento do padrão de vida de um país e a produtividade, 
ela se refere a quantidade de bens e serviços que podem ser produzidos por unidade de 
trabalho.
16
• Os preços sobem quando o governo emite moedas demais, este princípio está relaciona-
do ao conceito de inflação que é, de maneira resumida e simples, o aumento do nível de 
preços. Ela quase sempre está relacionada com a grande quantidade de dinheiro disponí-
vel, fazendo com que o valor do dinheiro caia.
• A sociedade enfrenta um trade-off de curto prazo entre inflação e desemprego, isso sig-
nifica que no curto prazo, os preços dirigem-se para o aumento por causa da crescente 
demanda.
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2 PRINCIPAIS PENSADORES DA ECONOMIA
Nesse tópico, vamos compreender as principais contribuições de pensadores importantes no 
processo de construção e entendimento da economia ocidental.
2.1 Adam Smith
A Era da Razão (Século XVIII) é marcada por uma das contribuições mais relevantes dentro da 
economia, realizadas por Adam Smith. Ele realizou uma ampla análise da economia de mercado e 
de sua contribuição para o bem-estar do povo. Uma compreensão que também foi fundamental 
para o desenvolvimento de seus estudos foi o conceito do homem econômico. Esse conceito 
propunha que as pessoas tomavam decisões econômicas considerando seus próprios interesses 
e a razão, não pelo bem da sociedade (KISHTAINY, 2013).
Albergoni (2015) aponta que para Smith é a busca egoísta que movimenta a economia, destaca 
que “não é da boa vontade do açougueiro, padeiro, comerciantes que esperamos o nosso jantar, 
mas da consideração que eles têm de seu próprio interesse”. Corroborando com essa abordagem 
Smith destacou outro conceito fundamental, o da mão invisível, em que na busca pelo próprio 
interesse, as pessoas produzem e compram bens e serviços, e sua demanda é sinalizada pelo 
17
preço. Assim, cada pessoa se preocupa com seu próprio bem-estar e busca satisfazer as suas 
necessidades, mas nessa procura, acaba por tomar decisões que equilibram o mercado.
Essa foi a primeira descrição detalhada do que seria uma economia de livre mercado, 
defendo a prosperidade e o livre mercado. O enfoque defendido por Smith é chamado com 
frequência de economia “clássica”. A abordagem de uma economia de mercado competitiva é 
um detalhamento do que se conhece hoje como capitalismo. O esquema detalhacomo esses 
elementos se relacionam.
Adam Smith observava como as pessoas livres iriam agir em um mercado ordenado e estável 
em que fosse possível, fazer, comprar e vender o que em quisesse. Destaca-se aqui alguns aspectos 
das contribuições desse pensador o primeiro deles é o conceito de economia laissez-faire que já 
foi, de certo modo mencionado anteriormente, esse termo é usado em economia em defesa do 
governo mínimo. Adam Smith acreditava que os governos não deviam interferir no comércio, o 
governo tinha um papel importante, dando a defesa, a justiça e certos “bens públicos” que só 
mercados privados dificilmente forneceriam, como estradas (KISHTAINY, 2013).
Outro aspecto é o preço justo em que o próprio sistema de mercado definia o preço justo dos 
bens, assim bens possuem um preço natural refletido no esforço de produzi-los. A concorrência 
é fundamental para que os preços sejam justos. Assim, pode-se observar que as contribuições 
de Smith são enormes. No período das revoluções industrial e econômica, nos deparamos 
com aspectos de mudança social, econômica e política, em que nações agrícolas se tornavam 
economias industriais – ou mesmo comerciantes que negociavam bens aos produtores para 
donos do capital (VASCONCELLOS, 2011).
2.2 Karl Marx
Karl Marx foi um dos grandes nomes da evolução do pensamento econômico, era economista. 
Diferente do que muitos pensam, suas defesas políticas estiveram embasadas a análises 
econômicas, alguns conceitos como o mais-valia, capital constante, acumulação de capital, 
distribuição de renda etc., foram desenvolvidas por ele. Marx acreditava que a organização 
econômica da sociedade forma o alicerce de sua organização política e social, sendo a economia 
a responsável por direcionar as mudanças na sociedade. Ele observou que com a crescimento do 
mercado surgiram os comerciantes e com a expansão das estruturas fabris vieram o proletariado 
industrial. Acreditava que os sistemas econômicos passariam por mudanças e revoluções, assim 
como o feudalismo fora substituído pelo capitalismo o próximo seria o capitalismo ser substituído 
pelo comunismo, um inevitável processo de transição. Considerava uma mudança inevitável, 
destacando isso em sua obra “O Manifesto Comunista”. Ele analisou profundamente o capitalismo 
e suas fraquezas, considerando vários aspectos, e com admiração descreveu o capitalismo como 
motor impulsor da inovação tecnológica e da eficiência industrial, conforme pode ser observado 
em sua obra “O Capital” (MARX, 2012).
18
Num sistema capitalista, o trabalhador deve produzir um valor maior que o que ele recebe 
em salários. Assim, os capitalistas extraem dos trabalhadores um mais valia - o lucro. Para elevar 
seus lucros, os donos do capital (industriais e donos de fábricas), mantinham baixos os salários 
do proletariado, mantendo – os a um trabalho degradante, ou monótono ou ao desemprego. 
Essa exploração da mão de obra, é analisada por Marx como aspecto central do capitalismo. Os 
donos do capital, ao se recusarem em oferecer um pagamento adequado ao proletariado, não 
dar boas condições de trabalho e aliená-los em um processo de produção de maneira inevitável 
ocasionaria uma tensão social (MARX, 2012).
Outro aspecto que tem destaque nas contribuições realizadas por Marx, refere-se à 
concorrência e ao monopólio. Marx considera que a concorrência representa a falha do sistema 
capitalista, pois a ampliação da produção com o desejo de ampliar mercados ocasionaria uma 
superprodução levando à estagnação e declínio da economia, já que não haveria compradores 
suficientes para suprir essa produção. A defasagem entre a oferta e a procura resultaria em crises 
e o capitalismo não possuía um planejamento, no sentido prever tal situação. Além disso, apontou 
que os efeitos das crises seriam sentidos especialmente pelo proletariado. Na visão de Marx, esse 
descontentamento social ocasionaria uma revolução proletarizada, isso pode ser amplamente 
visto no “Manifesto Comunista” (KISHTAINY, 2013).
Após o proletariado, ou seja, a maioria tomar o poder, haveria o que Marx chamou de 
‘‘ditadura’’ do proletariado, em que a maioria teria poder econômico. Ele destacou poucos pontos 
a respeito da economia comunista, não existindo um plano econômico, apenas aspectos ligados 
à abolição da propriedade privada (no sentido da exploração capitalista) em favor da propriedade 
coletiva, a ser controlada pelo Estado. A propriedade privada vinda do esforço individual era 
uma garantia. Na prática, o que houve foi o Socialismo Real, que levou a regimes autoritários, 
ao contrário da utópica ideia de uma sociedade com igualdade e justiça social. Outro aspecto 
diz respeito a economia planificada que garantia coesão entre oferta e procura, um ponto de 
equilíbrio definido, para evitar possíveis crises (MARX, 2012).
2.3 Joseph Shumpeter
No período após a II Guerra Mundial (1937-1945), inicia-se um processo de reconstrução 
da economia mundial, pós-Revolução Industrial. Nesse momento, observa-se outro pensador 
importante: o Joseph Schumpeter. De modo geral, quando passamos por um período de recessão 
ou crises econômicas, observa-se um clamor para que o governo intervenha e conduza estratégias 
e ações para solucionar o problema. No entanto, Schumpeter que descreveu e vivenciou a grande 
depressão de 1929, discordou desse cenário. Ele defendia que as recessões são fundamentais 
para que o capitalismo possa avançar, isso por meio de inovações, definindo novas estratégias e 
novos caminhos para driblar o problema enfrentado.
Schumpeter via uma nova classe de gente, o empreendedor. Diferentemente do capitalista e 
19
do trabalhador, o empreendedor inova, cria, e estabelece formas de produção em um ambiente 
incerto, assumindo todos os riscos. Para Schumpeter, os donos das empresas existentes só dão 
respostas adaptativas ao ambiente enfrentado, enquanto o empreendedor vai além, abrindo 
novas oportunidades de lucros. Schumpeter destacou que mesmo havendo uma inovação no 
mercado, é muito provável que outra empresa a imitaria passando a receber parte desses lucros 
do mercado, havendo uma nova estagnação do mercado trazendo novamente a necessidade de 
as coisas voltarem a progredir (KISHTAINY, 2013).
2.4 John Mayanard Keynes
Muitos economistas buscaram uma maneira de estimular novamente a economia, como o 
economista Jonh Mayanard Keynes, que identificou falhas de um mercado totalmente livre, sem 
nenhuma intervenção. Diferentemente dos apoiadores. de que o sistema econômico se regulava 
sozinho, Keynes defendeu a interferência do Estado, especialmente em gastos públicos para 
estimular a procura podendo assim retomar suas economias.
De maneira simplista seu modelo estava apoiado em uma compreensão de que os governos 
iriam regular ofertas de moeda e gastos públicos. Em 1993, Kenneys estabeleceu uma política 
de estímulo econômico aos EUA chamada de New Deal, em que o governo injetava dinheiro em 
infraestrutura e os bancos ficavam no controle federal.
Até meados do final do séc. XIX o desemprego dos trabalhadores passou a causar muitas 
preocupações, no início achou-se que o desemprego era um problema do indivíduo, que por algum 
motivo eram incapazes de trabalhar, como falta de iniciativa, falha de caráter ou indolência e não 
por um problema da sociedade em geral. Em 1909, pela primeira vez, falou-se em desemprego 
involuntário em que os trabalhadores desejavam trabalhar, mas não era lhe dado esta opção. 
Ainda em 1913 a visão do desemprego voluntário, ou seja, as pessoas não trabalhavam porque 
não tinham interesse, ainda era prevalecia, na visão clássica. Esses que defendiam esta visão 
apontavam que o desemprego involuntário era resolvido por meio de um mecanismo automático 
que se autocorrigia pelo livre mercado. No entanto, com a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, 
e da Grande Depressão, Keynes mudou essa visão. Após esse colapso em um ciclo de produção 
decrescente e 14 milhões de americanos desempregados, contribui para que Keynesescrever a 
Teoria Geral. Ele observou que um depressão pode causar um círculo vicioso em que o desemprego 
reduz a demanda de tal modo que não criam empregos, ou seja, a queda nas vendas implica nas 
demissões de pessoas, e as vendas não aumentam porque não tem pessoas com recursos suficiente 
para comprar produtos. Desse modo, o Estado financia projetos e cria empregos, possibilitando que 
mais gente tenha renda e consiga voltar a comprar (KISHTAINY, 2013).
É importante destacar que muitos dessas reflexões cabem nos dias de hoje, e modelos 
ainda são utilizados para realização de análise, mas cabe destacar os temos são outros e muitas 
mudanças do ponto de vista de política e sociedade também ocorreram, isso é fundamental 
20
para realizar análises consistentes. Quando observamos proposições com as quais o Karl Marx 
realizou, chamando o proletariado para uma revolução ele estava inserido em um contexto 
histórico completamente diferente do vivenciado atualmente.
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3 FORMAÇÃO O PENSAMENTO E DAS RELAÇÕES 
ECONÔMICAS NO BRASIL
O pensamento econômico brasileiro é marcado por suas contradições e desafios em busca 
de uma política econômica estável que possa promover o desenvolvimento sustentável de 
instituições e empresas, bem como relações de trabalho mais justas e à melhora da qualidade de 
vida da sociedade como um todo. Essas contradições remontam à uma herança de um passado 
colonial, de caráter essencialmente exploratório. Para melhor entendê-las, precisamos conhecer 
a forma que se deu o processo histórico das relações econômicas no Brasil.
3.1 Brasil-colônia e o Império (1500-1889)
Assim como aconteceu nas colônias espanholas na América Hispânica, a colonização era 
de caráter exploratório para abastecimento dos impérios e manutenção de seus mercados. A 
exploração do Brasil-colônia se dá pela atividade da exploração agrícola e da centralização do 
poder sobre a colônia pela formação de uma elite ligada à coroa portuguesa. A ocupação se 
deu fundamentalmente pelo interesse econômico da Coroa portuguesa, na aquisição da riqueza 
vegetal na Amazônia (extrativismo), ao minério do planalto central e as lavouras no litoral do 
Nordeste, estendendo-se do litoral ao interior durante os séculos XVII e XVIII.
Com o início do declínio da atividade canavieira marcada pelos grandes latifundiários e 
senhores de engenho, a indústria da produção de café foi se desenvolvendo a partir do século 
21
XVIII no sentido de se buscar alternativas de renda para o Império português. Isso se deveu às 
pressões econômicas do Império inglês (Portugal tinha débitos de ordem econômica e política 
com a Inglaterra por acordos anteriores).
Diferentemente no Brasil-colônia, tivemos o aparecimento das primeiras tensões sociais 
pelo aumento da concentração de renda por uma minoria, além das pressões internacionais, 
principalmente pela Inglaterra.
Furtado (2003) define esse período do café como uma fase de transição do Brasil-colônia, 
de quase três séculos de atraso, ao lento processo de industrialização do país, que ocorreria 
somente no século XX. Devido ao surgimento de um novo mundo: o mundo industrial, as pressões 
inglesas, em busca de mercados e matérias-primas, fizeram paulatinamente o Brasil flexibilizar a 
escravidão e o tráfico de escravos. Em 1889, com a proclamação da República, temos o início do 
período conhecido como República Velha (1889-1930).
3.2 A indústria do café
O período da República Velha é marcado principalmente pela indústria do café que altera 
as condições da estrutura socioeconômica no país. Porém, a estrutura de elite centralizadora 
acaba se consolidando ainda mais. A elite do café (burguesia cafeeira) vislumbra alto lucro com 
as extensas lavouras ainda muito baseada na mão-de-obra escrava como a força produtora, 
mesmo após a assinatura da Lei Aurea. No período, o Brasil se torna o maior produtor mundial do 
Café experimentando assim o início de uma industrialização tímida e tardia. Essa época marca o 
surgimento de grandes centros urbanos, tais como São Paulo (FURTADO, 2003).
3.3 Estado Novo e a política de substituição de importações
Após o término da República Velha, na chamada Revolução de 1930, o Brasil entra em um 
período em que a ideia de controle pelo Estado seria a pedra fundamental para intervenção 
nos diversos setores sociais, da cultura, da economia e da política. Durante boa parte da nossa 
história fomos explorados por outros países, e em poucos momentos de fatos pudemos ter capital 
suficiente para desenvolver riquezas e exportar produtor. Isso permitiria a inserção de recursos 
no país, o que possibilitaria o desenvolvimento interno.
O que nos permitiria reduzir importações e desenvolver internamente, tanto internamente, 
como permitir o aprimoramento produtivo para a exportação. A substituição de importações que 
surge nesse período é um conceito que merece grande destaque. Ela foi motivada pela grande 
depressão de 1929, levando os mercados mundiais a ser contraírem e entrarem em crise. A ideia 
fundamental da substituição de importações reside no fato da necessidade do fortalecimento do 
mercado interno, com o aumento das taxas de importação de bens e produtos, e manipulação 
das taxas de câmbio.
22
De fato, essa alteração promoveu um dinamismo na economia do Brasil nunca visto, 
propiciando a concentração de capital interno, dando as condições necessárias à industrialização 
do país, ao custo de um Estado forte e centralizador com suspensão de eleições. Getúlio Vargas, 
principal expoente da revolução de 1930, tornava-se então um ditador com o golpe de 1937 e a 
instituição do Estado Novo (1937-1945).
O Estado Novo, com sua figura central, o então presidente Getúlio Vargas que fica no poder 
desde 1930 a 1945, marca o desenvolvimento da industrialização do Brasil muito impulsionada 
com a vinda de imigrantes no início do século XX, já que no período da República Velha, a 
industrialização ainda estava em sua forma inicial, muito atrasada pela monocultura do café 
e pela resistência da burguesia cafeeira à industrialização em grande escala. A noção de um 
nacionalismo emergente como política de controle (propaganda nacionalista) começa a ter papel 
importante nos anos seguintes durante até final da década de 1970.
Em conjunto com a política de substituição de importações, começou-se a gerar mais 
empregos e renda, mesmo após a crise internacional de 1929. Tal política foi sugerida pela 
Comissão para a América Latina e Caribe (Cepal), em 1948, como reação da América latina ao 
ficar excluída da participação do Plano Marshall (que era um plano econômico fornecido pelos 
Estados Unidos para a recuperação europeia no pós-guerra) prevendo uma mudança das relações 
econômicas com ênfase no mercado interno e no processo de industrialização. Esses conjuntos 
de fatores serviriam de tática para ‘’harmonizar’’ as tensões sociais herdadas da República Velha, 
que em parte foi muito bem-sucedida inicialmente.
3.4 Desenvolvimentismo
A noção de desenvolvimentismo inicia-se na era Vargas e atinge seu ápice na Ditadura 
Militar (1964-1985). A deposição de Vargas do governo ditatorial em 1945 marca o retorno 
da democracia, lembrando sempre que o governo Vagas tinha um grande viés autoritário e 
centralizador, que durou 15 anos. De 1945 a 1964, tivemos um período de regime democrático, 
com uma nova Constituição (1946) e retorno de Vargas ao poder em 1951, desta vez por vias de 
eleições diretas, até seu suicídio em 1954. Em 1964, com a forte propaganda anticomunista, dada 
a influência norte-americana na América latina durante a guerra-fria (1947-1991) e aumento das 
tensões sociais, ocorre o golpe civil-militar. Assim, inicia-se o regime militar que duraria até 1985 
que herdou uma grande dívida do governo anterior com baixíssimo nível de produto interno 
bruto (PIB).
Umas das obras básica de entender esse período econômico é de Bielschowisky (2000). 
Segundo o autor, o desenvolvimentismo é uma ideologia de mudançasocial de um viés econômico, 
baseada nos seguintes aspectos:
• O subdesenvolvimento pode ser superado por uma industrialização completa;
23
• O planejamento feito pelo Estado irá garantir a industrialização com a expansão dos seto-
res da economia, promovendo a captação, execução e investimentos aos setores público 
e privado.
O autor também define cinco importantes ideias sobre o desenvolvimentismo no período de 
1930-1980:
1 Desenvolvimentismo do setor privado.
2 Desenvolvimentismo neonacionalista do setor público.
3 Desenvolvimentismo nacionalista do setor público.
4 Liberalismo brasileiro.
5 Corrente Socialista.
Durante os governos militares gerou-se uma tensão interna, já que cada presidente militar 
tinha uma postura ora mais liberal em relação à economia na captação de recurso estrangeiro 
e entrada de multinacionais, ou uma tendência mais nacionalista de apoio a empresas estatais.
Inicialmente, esses elementos ajudaram na geração de empregos, no controle da alta inflação 
e aumento do PIB, do aumento da produtividade econômica e na recuperação da infraestrutura 
do país. Era o crescimento acelerado chamado de Milagre econômico. Nesse período temos por 
exemplo a criação da Zona franca de Manaus e as grandes obras de infraestrutura como a ponte Rio-
Niterói, Usina Nuclear de Angra, e a usina hidroelétrica de Itaipu, na fronteira Brasil - Paraguai. No 
entanto, tal desenvolvimento foi possível graças a captação de capital externo (ao gosto dos liberais) 
pelo endividamento externo, e do controle forte pelo Estado da política e do social, com doutrina 
de segurança nacional e atos institucionais para suspensão e repressão de garantias individuais. 
Assim, em contraste com o milagre econômico brasileiro, havia um enorme crescimento da dívida 
pública interna e externa (pelos empréstimos contratados ao Banco Mundial e do Fundo Monetário 
Internacional (FMI), baixos salários e aumento das tensões sociais. Algo que iria se agravar após 
1974, com grande aumento da desigualdade social. A situação dos militares se agrava ainda mais 
com a expansão monetária e crise internacional do petróleo agravada no final da década de 1970, 
exercendo mais pressão internacional no Brasil elevando a inflação a níveis nunca vistos.
3.5 O Plano Real
O governo provisório de Itamar Franco gerou um novo plano econômico, o plano Real (1994), 
controlando a hiperinflação que dominava o cenário econômico brasileiro desde os últimos 
anos da ditadura. Uma série de medidas de austeridade, novos impostos e responsabilidade 
fiscal foram criadas nesse período o que possibilitou a estabilidade da nova moeda, tais como 
24
Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos 
de Natureza Financeira (CPMF), e aumento da taxa básica de juros.
Um fator marcante do governo FHC foi o processo de privatização para aumento das reservas 
dos cofres públicos na tentativa de diminuir a dívida interna. Entretanto, o motor das privatizações 
não teve o efeito desejado na diminuição da dívida pública, mas forneceu a possibilidade de acesso 
da sociedade a melhores condições de infraestrutura, notadamente no setor de telecomunicações. 
É importante colocar que mesmo assim, o setor elétrico entrou em crise em 2000. Junto com a crise 
cambial, o aumento de desemprego e sucateamento de instituições públicas, eles foram fatores 
que favoreceram o então candidato à presidência, Luís Inácio “Lula” da Silva, a sair vitorioso nas 
eleições, com um programa voltado ao desenvolvimento social.
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3.6 Os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e a política de 
distribuição de rendas
Com a vitória de Lula, inicia-se no Brasil um período de 13 anos (2003-2016) do Partido dos 
Trabalhadores (PT) na presidência, marcado também por avanços e contradições. No governo Lula 
(2003-2011), assentado sobre uma estrutura econômica criada no governo anterior, realiza um 
programa desenvolvimentista voltado à uma política social de inclusão como seu lema, porém, 
assim como o governo anterior, dentro de uma proposta neoliberal. O governo aproveitou-se da 
plena oportunidade de expansão pela venda de commodities com as demandas principalmente 
da economia chinesa em rápida emergência naquele período.
Com a injeção de recursos na economia interna e efetivos programas de transferência de 
renda, houve a geração de mudança de certas estruturas sociais com a inclusão de milhões 
de pessoas da linha da pobreza na vida econômica ativa como consumidores, realizando um 
verdadeiro boom social de consumo e acesso a produtos, gerando uma nova dinâmica na 
25
economia do país. A estabilidade é necessária para a atuação do capital financeiro em transações 
e investimentos, diminuindo o risco das operações econômicas. O risco-Brasil atinge seu menor 
patamar durante esse período.
Por outro lado, embora vários programas de transferência de renda como o Bolsa família, 
houve o aumento da dívida interna, (mesmo com ampliação de crédito durante o governo) e 
o aumento no déficit da Previdência, algo que seria a semente da instabilidade econômico-
política e social, a partir de 2014. Mesmo assim, ao final do mandato, o governo Lula atingiu 
a impressionante marca de US$ 288,5 bilhões em reservas internacionais terminando com 
aproximadamente 5% de inflação e PIB na ordem de 32% (FONSECA et al., 2013).
Já durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, de 2012 a 2016, houve um forte declínio 
na economia brasileira, embora tenha havido várias tentativas para evitar a crise de seria 
deflagrada em 2015, como, por exemplo, um aumento moderado na taxa de juros, restrição ao 
crédito e o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Tais tentativas não tiveram 
efeito desejado pois mesmo com a taxa cambial controlada e a diminuição tardia da taxa de juros 
(que limitava a atração de investimentos externos), houve o início de um aumento descontrolado 
nos gastos do setor público levando a uma queda no PIB e aumento da dívida pública. O aumento 
das tensões sociais pelo aumento do desemprego levara à uma crise política e o aparecimento de 
grupos conservadores com a temática contra a corrupção e nacionalismo, marcantes na eleição 
de 2018, deflagrando uma crise institucional até hoje. Com o início da crise de 2015, ocorre o 
declínio em vários setores sociais pelo retrocesso econômico.
Devido ao impeachment da presidenta Dilma, o seu então vice-presidente, Michel Temer, 
assume a presidência retomando uma política de austeridade na tentativa de buscar a 
estabilidade monetária a partir de reformas estruturais no governo como a reforma trabalhista 
de 2017 e a lei da terceirização. Embora não tenha sido de fato um governo reformista, a inflação 
foi controlada, a taxa de juros chegou a 4,5% e o país sinalizava uma saída na recessão ocorrida 
no segundo mandato da presidenta Dilma. Com a eleição do atual presidente em 2019, Jair 
Bolsonaro, a política econômica de Paulo Guedes tenta continuar a fase de recuperação com 
menor intervenção do Estado na economia, baixa de juros e atração de investimento. No entanto, 
mesmo com a reforma da previdência aprovada, não houve o crescimento esperado e uma 
instabilidade das relações institucionais entre o atual governo, Supremo Tributal Federal (STF) e 
Congresso Nacional, parecem se aprofundar. A taxa de crescimento do PIB em 2019 foi de 1,1% 
com desemprego em alta (mais de 12 milhões de desempregados).
26
FIQUE DE OLHO
O artigo de Delgado (2001), “Desenvolvimento Rural - Expansão e modernização do setor 
agropecuário no pós-guerra: um estudo da reflexão agrária”, aborda o lugar do setor rural na 
economia brasileira e as interpretações que são feitas ao longo de mais de meio século do 
pós-guerra. Em um ambiente econômico, é primordial compreender os posicionamentos e 
movimentos realizados pelos setores da economia e nesse contexto, podemos ver como a 
Economia Rural se comportou e se comporta ao logo do tempo.
27Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• aprender sobre abordagens, conceitos e aspectos do dilema econômico enfrentado 
pela sociedade;
• conhecer as principais abordagens do pensamento econômico desenvolvida por 
Adam Smith, Karl Marx, Joseph Schumpeter e Jonh Mayanard Keynes;
• analisar a evolução do pensamento e das práticas econômicas no Brasil.
PARA RESUMIR
ALBERGONI, L. Introdução à Economia: Aplicações no Cotidiano. São Paulo: Atlas, 2015.
BIELSCHOWISKY, R. Pensamento econômico brasileiro. O ciclo ideológico do desenvolvi-
mentismo 1930-1964. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.
CUNHA, M. F. A escravidão em números: demografia escrava. Campinas: Núcleo de Estu-
dos de População - Unicamp, 2015.
FILHO, H. S. Era Vargas: desenvolvimentismo, economia e sociedade, Economia e Socie-
dade. Campinas: Unicamp, 2013.
FONSECA, P. C. D. et al. O Brasil na Era Lula: retorno ao desenvolvimentismo? Nova Eco-
nomia. In: Nova Economia, vol. 23, 2013.
FURTADO, C. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 
2003.
HUBBARD, G. et al. Introdução à Economia. 2. Ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.
KARNAL, LEANDRO et al. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São 
Paulo: Contexto, 2007.
KISHTAINY, NIALL et al. O livro da economia. São Paulo: Globo, 2013.
MALTA, M. de M. et al. Ecos do desenvolvimento: uma história do pensamento econô-
mico, brasileiro. Rio de Janeiro: Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o 
Desenvolvimento, 2011.
MANKIW, GREGORY, N. Macroeconomia. Rio de Janeiro: LTC, 2018.
MANKIW, N. G. et al. Introdução à economia. São Paulo: Pioneira Thomson, 2005.
MARX, K. O capital: crítica da economia política: livro 1, 30a. ed., Rio de Janeiro: Civiliza-
ção Brasileira, 2012.
MÉNARD, C. Formas Plurais de Organização: Onde estamos? In: MÉNARD, C. et al (Org.). 
Economias das organizações: formas plurais e desafios. São Paulo: Atlas, 2014.
NEVES, S. et al. Introdução à economia. São Paulo: Saraiva, 2012.
PIRES, J. M. Desenvolvimentismo versus liberalismo econômico no período populista e o 
gasto público social. In: Economia e Sociedade, vol. 19, n. 3 (40), 2010.
ROSSETTI, P. et al. Introdução à Economia. São Paulo: Atlas, 2016.
VASCONCELLOS, S., M. A. (org.). Introdução à Economia. São Paulo: Saraiva, 2011.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 2
Microeconomia
Você está na unidade Microeconomia. Conheça aqui os principais conhecimentos 
relacionados à essa temática e aprenda essa importante área para atuação de sua 
profissão. Conheça as principais leis que regem o mercado e a economia no âmbito 
microeconômico, como as leis de oferta e demanda e teoria utilitarista. Aprenda também 
sobre a teoria do consumidor e seus principais aspectos relevantes, a teoria da firma e os 
tipos de bens na economia rural, bem como a elasticidade. Além disso, você será capaz, 
ao final dessa unidade, de diferenciar as estruturas de mercado existentes na avaliação 
da economia rural.
Bons estudos!
Introdução
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1 LEI DA OFERTA E DEMANDA E A TEORIA 
UTILITARISTA
A Microeconomia é um ramo da economia rural que estuda as inúmeras formas de 
comportamento nas escolhas individuais dos agentes econômicos, atrelando-se às leis de oferta 
e demanda, e basicamente, todas as leis de mercado capitalista. Além disso, a Microeconomia 
compreende também os agentes econômicos, consumidores, empresas e suas relações mútuas.
Ao iniciarmos os estudos da Microeconomia, vamos abordar a lei da oferta e demanda 
que é uma das mais relevantes e conhecidas e rege o mercado econômico de acordo com seu 
comportamento. Isso porque ela se refere à análise do comportamento individual dos envolvidos 
na relação econômica (consumidores e fornecedores) e como esse comportamento afeta a 
formação de preços no mercado e seus fatores de produção.
1.1 Lei da oferta e demanda
De acordo com Dallagnol (2008), é possível conceituar oferta como as várias quantidades de 
produto que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo. 
Ela depende de inúmeros fatores (seu próprio preço, custo dos fatores de produção, metas e 
objetivos dos empresários). Basicamente, a oferta refere-se à escala e a quantidade ofertada 
economicamente.
A demanda, por sua vez, refere-se, de acordo com Possamai (2001, p. 48): “às várias 
quantidades que os consumidores estarão dispostos e aptos a adquirir, em função dos vários 
níveis de preços possíveis, em determinado período de tempo, o que representa a Lei da Procura”. 
A demanda é dependente diretamente do preço dos produtos, preço de outros bens e serviços, a 
renda do consumidor e, ainda, hábitos e preferências do indivíduo.
É válido ressaltar que as curvas de oferta e demanda são alteradas e mudam à medida que 
alguns fatores que influenciam diretamente na decisão do consumidor assumem posição. Isto é, 
de maneira lógica, à medida que o preço de determinado produto ou serviço aumenta, menor 
será o número de consumidores dispostos a pagar por determinado produto; ademais, há o fator 
substituição que pode aparecer nesses casos. Por exemplo, se um consumidor vai até o mercado 
para comprar manteiga e o preço dela aumentou mais do que o esperado ou comumente 
encontrado por ele, automaticamente esse consumidor irá avaliar as demais opções de derivados 
lácteos que podem substituir tal produto e seus preços (como requeijão, margarina, entre outros).
32
Figura 1 - Gráfico oferta e demanda 
Fonte: Eviart, Shutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, temos a representação do gráfico de oferta e demanda, que 
demonstra o comportamento dos consumidores de maneira a ser influenciado pela quantidade 
de produto disponível e o preço do mesmo.
Ainda no que se refere à lei da oferta e demanda, para compreender o comportamento de 
suas curvas e suas leis individualmente, é necessário que alguns quesitos sejam levados em 
consideração. De acordo com Aiub (2009, p. 60):
A curva de demanda é a representação gráfica das quantidades de um bem que os consumidores 
estão aptos / dispostos a comprar aos diferentes preços por unidade de tempo.
Nesse contexto, Lei da demanda expressa a relação inversa que existe entre quantidade 
demandada e preço. Ou seja, quando maior o preço de um bem, menor a quantidade demandada 
desse bem.
A oferta refere-se à escala (ou toda a curva), enquanto a quantidade ofertada diz respeito a um 
ponto específico na curva de oferta. Assim, um aumento no preço de um bem provoca um aumento da 
quantidade ofertada, enquanto uma alteração nas outras variáveis (como nos custos de produção ou 
no nível tecnológico) desloca a oferta.
As curvas de oferta e demanda devem ser avaliadas concomitantemente, isto é, individualmente 
nem uma nem a outra poderiam dizer-nos até onde os preços e seus valores chegam. Por isso, a 
sugestão é que o estudante sempre avalie ambas as curvas e seus comportamentos de preços e 
consumos, para identificar o equilíbrio de mercado.
O comportamento das curvas de oferta e demanda são regidas pelas quatro leis da oferta e 
da procura. Veja a seguir as suas definições:
33
• Lei 1- Um acréscimo na procura de um bem provoca um acréscimo no preço e quantida-
de de equilíbrio.
• Lei 2 - Um decréscimo na procura de um bem provoca um decréscimo no preço e quanti-
dade de equilíbrio.
• Lei 3 - Um acréscimo na oferta de um bem provoca um decréscimo no preço de equilíbrio 
e um acréscimo na quantidade de equilíbrio.
• Lei 4 - Um decréscimo na oferta de um bem provoca um acréscimo no preço de equilíbrio 
e um decréscimo na quantidade de equilíbrio.
1.2 Teoria utilitarista e equilíbrio de mercado
O equilíbrio de mercado é uma situação em que se igualam as quantidades de oferta e 
quantidades de demanda. Isso é conhecido como marco zero do mercado. Para Dallagnol (2008), 
são as forças de oferta e demanda que, concomitantemente, conduzem à fixação de um preço 
de equilíbrio para determinado produto ou serviço, harmonizando e controlando o conflito de 
interesses que existe entreprodutores e consumidores.
2 ELASTICIDADE
A elasticidade está presente na dinâmica dos mercados e da economia e pode ser entendida 
como o impacto que algumas variáveis apresentam sobre outras. O conceito de elasticidade 
refere-se à medida do quanto os produtores e consumidores reagem a mudanças no mercado. 
Possamai (2001) destaca alguns conceitos relacionando a elasticidade à microeconomia, como 
ao preço da procura ou oferta e preço da demanda. Vamos abordar cada uma delas e suas 
particularidades para entender o quanto a elasticidade é afetada por esses dois componentes do 
mercado econômico já citados anteriormente.
Mas, para que você compreenda o essencialismo da elasticidade, é importante entender o 
conceito de variações elásticas e inelásticas:
Variáveis elásticas
São aquelas que respondem às mudanças de outras variáveis.
Variáveis inelásticas
São aquelas que têm dificuldade de responder as mudanças de outras variáveis
2.1 Elasticidade e preço da procura (oferta)
Quando abordamos o comportamento da oferta e disponibilidade da mesma, devemos 
34
compreender que as alterações são verificadas em seus respectivos preços dos produtos. Isso 
é, tem-se uma mudança na quantidade ofertada em decorrência da alteração do preço de 
determinado bem ou serviço.
De acordo com Barbosa (2011), a elasticidade preço da oferta determina o quanto a 
quantidade ofertada será afetada quando se variam os preços dos produtos ou serviços. Ademais, 
segundo Barbosa (2011, p. 47): “o coeficiente da elasticidade-preço da oferta também nos dá a 
intensidade da sensibilidade dessa inter-relação. ”
O coeficiente de elasticidade da oferta (Eo) é calculado dividindo-se a variação percentual da 
quantidade ofertada pela variação percentual do preço, conforme observado na fórmula que segue:
Eo = Variação Percentual da quantidade ofertada dividida pela Variação Percentual do preço
Calculamos esse coeficiente para determinar se a oferta é elástica, inelástica ou se ela possui 
elasticidade unitária. Se, ao calcularmos o coeficiente o resultado for maior que um (Eo> 1), inferimos 
que a oferta se trata de uma oferta elástica, isto é, há uma variação na quantidade demandada 
maior em relação e proporção à alterações da mesma direção que a variação dos preços.
Quando calculamos o coeficiente e este for menor que um (Eo 1), inferimos que a 
demanda se trata de uma demanda elástica, isto é, há uma variação na quantidade demandada 
maior em relação e proporção a alterações da mesma direção que a variação dos preços.
Quando calculamos o coeficiente e este for menor que um (Eda teoria do consumidor tem como princípio 
fundamental a racionalidade e defende que por parte dos consumidores há um comportamento 
otimizador, no intuito de aproveitar o máximo possível de um bem ou serviço, em troca do 
mínimo esforço, chamado princípio hedonístico. Tal comportamento, além de adequar-se aos 
consumidores racionais, é adequado para todo e qualquer tipo de consumidor, de acordo com a 
teoria em questão.
Faz-se importante ressaltar nesse contexto da teoria do consumidor que ela está fundamentada 
em dois pilares do comportamento: a maximização da utilidade e a minimização do gasto ou 
custo. Veja a seguir seus conceitos:
37
Maximização da utilidade 
Baseia-se no entendimento de que cada consumidor escolhe o consumo de determinada 
mercadoria (seja ela bem ou serviço) visando maximizar a sua satisfação e seu uso, condicionando 
dessa forma inúmeras possibilidades de consumo para determinado bem adquirido. Isto é, no 
entendimento do consumidor, essa compra deve trazer não só objetivo básico de ter determinado 
produto ou serviço, mas de que ele seja ao máximo aproveitável.
Minimização do custo
Baseia-se no pressuposto de que o consumidor, ao escolher adquirir determinado produto 
ou serviço, escolhe as quantias das várias opções disponíveis com intuito de atingir o objetivo de 
consumo (comprar o que ele deseja) a um preço mais acessível (menor custo). Tal comportamento, 
como o próprio pressuposto sugere, visa diminuir os gastos com a de determinado bem ou serviço.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Percebemos, portanto, que a teoria do consumidor se centra na ideia de que: o consumidor 
compra o que deseja, e tenta, dessa forma, otimizar o seu ganho com a compra a um custo 
mínimo possível.
Vale ressaltar dentro do entendimento da teoria do consumidor que, o conceito de 
mercadoria, bem ou serviço é muito amplo, e pode ser adequado para toda e qualquer relação 
na teoria econômica que envolva algo consumível.
Na área da Medicina Veterinária esse item é de extrema importância para que o estudante 
compreenda a dinâmica dos diversos acontecimentos que regem o mercado econômico rural, 
os preços de commodities, o preço da comercialização de animais de consumo, bem como os 
processos e relações que estes geram no agronegócio.
38
4 TEORIA DA FIRMA
De acordo com Barbosa (2011, p. 51), firma ou empresa conceitua-se como a unidade básica 
produção de bens ou prestação de serviços, por exemplo: uma sorveteria, um supermercado, cujo 
objetivo principal e essencial em uma economia de mercado é o lucro.
Criada pelo economista britânico Ronald Coase, em 1937, a teoria da firma compreende o 
entendimento de que os agentes econômicos envolvidos no processo de produção e transações 
não atuam diretamente no mercado e sim as empresas que são criadas e estruturadas para tal 
assumem esse papel.
Para Barbosa (2011), as firmas são direcionadas para diminuir custos de produção atuando 
nos mercados, isto é, minimizando o impacto econômico dos terceiros envolvidos nas negociações 
econômicas do mercado.
O que seriam essas negociações econômicas de terceiros? Envolvimentos com custos de 
informação e processamento, relações de atravessadores e contratos, que podem onerar o 
processo como um todo.
Diante do exposto, entende-se a teoria da firma como o estudo do comportamento da unidade 
do setor de produção. Ou seja, essa teoria objetiva essencialmente explicar o que chamamos de 
“know-how” da sociedade empresária quando ela desenvolve seu processo de produção (seja 
produzindo bens ou serviços), para que o mesmo seja de grande eficiência e tenha intercorrências 
e interferências mínimas nesse contexto.
Compreende-se que as relações econômicas ocorrem no mercado, que é o ambiente em 
que acontecem a circulação de bens, celebração de contratos entre consumidores e sociedade. 
Podemos inferir diante disso que, os custos existentes do processo de transação existem. O que 
ocorre é que depender exclusivamente dele para realizar as trocas, de acordo com Barbosa (2011, 
p. 61) “torna-se ineficiente, porque há momentos em que haverá escassez de fatores de produção 
necessários, o que onerará o sistema como um todo”.
Para tanto, a teoria da firma faz-se imprescindível para que os custos de transações sejam 
minimizados e não recaiam diretamente aos empreendedores, aliando-se às instabilidades e 
imperfeições do mercado e prejudicando o sistema como um todo.
4.1 Receitas e custos
Lucros são obtidos pela diferença existente entre a Receita Total (RT) da empresa e seus 
Custos Totais (CT). A Receita total é tudo aquilo que a empresa recebe de valor pela venda 
de seus produtos ou serviços, em determinado período de tempo. Os custos totais os custos 
39
variáveis e fixos inerentes ao processo produtivo. Os custos variáveis de uma empresa ou firma 
são aqueles que se alteram a cada ciclo de produção, isto é, eles se alteram de acordo com o nível 
e quantidade de produção pertinentes ao momento.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Por sua vez, os custos fixos são aqueles que não se alteram a cada ciclo de produção. Ou 
seja, independentemente da situação do exemplo anterior, se a empresa rural trabalha com 60 
animais ordenhados ou 120, alguns custos não são alterados nesse contexto, como por exemplo: 
aluguel, impostos, taxas fixas, despesas relacionadas depreciação, entre outros.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Dentro do processo produtivo, o curto prazo refere-se ao período no qual pelo menos um dos 
fatores de produção é fixo. Isso é, se exemplificássemos como uma fazenda, a terra, por exemplo, 
não seria ampliada em termos de expansão (porque tal situação demandaria investimentos). 
Nessa mesma fazenda, as máquinas utilizadas no plantio e colheita por exemplo, também seriam 
40
constantes, e o que seria possível de variar seriam as matérias-primas, o fator trabalho, por 
exemplo.
Por sua vez, o longo prazo da empresa é considerado em uma “fatia” de tempo maior, mais 
ampla, no qual todos os fatores de produção são considerados variáveis, podendo receber 
aumento em número de recursos físicos e humanos (por exemplo, funcionários, número 
de matéria prima, tamanho da área disponível para produção). E tais aspectos são de suma 
importância para entendermos a teoria da firma.
5 TIPOS DE BENS
Já sabemos que o objetivo de toda e qualquer empresa é produzir bens e serviços para que 
esses possam ser comercializados, objetivando o lucro. De acordo com Dallagnol (2008), os bens 
podem ser classificados de acordo com sua destinação em três categorias: bens e serviços de 
consumo; bens e serviços intermediários e bens de capital.
5.1 Bens e serviços de consumo
Bens e serviços de consumo referem-se a todos aqueles que, de acordo com Aiub (2009, p. 
30) “são aqueles bens e serviços que satisfazem às necessidades das pessoas quando consumidos 
no estado em que se encontram como alimentos, roupas, serviços médicos, etc.”. Ou seja, são 
bens que atendem as necessidades das pessoas, fisiológicas e de necessidade moral / pessoal. 
São bens considerados ilimitados, por essa característica.
5.2 Bens e serviços intermediários
Por sua vez, os bens e serviços intermediários são aqueles que não atendem de imediato 
as necessidades das pessoas, mas precisam passar por processo de transformação para que as 
necessidades sejam sanadas. Como por exemplo podemos citar os circuitos elétricos de uma 
máquina de ordenha de uma fazenda de leite. Sozinhos, os circuitos por si só não servem para 
o serviço – ordenha dos animais -, mas quando associados aos demais itens que compõem a 
produção do equipamento, permitem realizar as atividades e suprir as necessidades para as quais 
foram comprados.
Basicamente, Aiub (2009) destaca que os bens intermediários são aqueles que se constituem 
ao reprocessamento, conforme são adicionados ao mercado e junto ao reprocessamento 
satisfazem a necessidade dos consumidores. Um outro exemplo de bens intermediários que pode 
ser trazido à realidade

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