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816 Dee Unglaub Silverthorn REPRODUÇÃO FEMININA movimento de líquido criado pelos cílios e ajudado pe- las contrações musculares transporta o ovócito ao longo das tubas A reprodução feminina é um exemplo de processo fisiológico cí- uterinas até o útero. Se o espermatozoide se movendo para cima clico, em vez de contínuo. Os ciclos da produção de gametas no na tuba uterina encontra um ovócito, que se move para baixo na ovário e as interações dos hormônios reprodutivos e as vias de tuba uterina, a fertilização pode ocorrer. Condições patológicas retroalimentação são parte de um dos sistemas de controle mais nas quais a função ciliar está ausente estão associadas à infertili- complexos do corpo humano. dade feminina e a gestações nas quais o embrião se implanta nas A genitália externa feminina é coletivamente conhecida tubas uterinas, em vez de no útero. como vulva ou pudendo. Ela é mostrada na FIGURA 26.9c, do As extremidades alargadas abertas das tubas uterinas for- ponto de vista de um profissional da saúde que está prestes a mam projeções digitiformes, chamadas de fímbrias. As fímbrias realizar um exame ginecológico ou coletar amostras para o teste (Fig. 26.9a) são mantidas próximas ao ovário adjacente por te- de Papanicolau 87). cido conectivo, o qual ajuda a assegurar que o ovócito liberado Lateralmente, estão os lábios maiores do pudendo, dobras na superfície do ovário será capturado para dentro da tuba e não de pele que se originam do mesmo tecido embrionário que o es- cairá na cavidade abdominal. croto. Medial e internamente aos lábios maiores, estão os lábios menores do pudendo, derivados dos tecidos embrionários que, ovário produz ovócitos e hormônios nos homens, dão origem ao corpo do pênis (ver Fig. 26.2b). cli- tóris é uma pequena saliência de tecido sensorial erétil, situado na ovário é uma estrutura elíptica, com cerca de 2 a 4 cm de com- extremidade anterior da vulva, envolto pelos lábios menores e por primento (Fig. 26.9e). Ele possui uma camada externa de tecido uma dobra adicional de tecido equivalente ao prepúcio do pênis. conectivo e uma estrutura de tecido conectivo interior, chamada Nas mulheres, a uretra abre-se para o ambiente externo de estroma. Grande parte do ovário é constituído por um espes- entre o clitóris e a vagina, cavidade que recebe o pênis durante so córtex externo preenchido por folículos ovarianos em diversos as relações sexuais. Ao nascimento, a abertura externa da vagina estágios de desenvolvimento ou de degradação. A pequena me- está parcialmente fechada por um anel fino de tecido, chamado de dula central contém nervos e vasos sanguíneos. hímen, ou "virgindade". hímen é externo à vagina, e não dentro ovário, assim como os testículos, produz gametas e hor- dela, de modo que o uso normal de tampões durante a menstrua- mônios. Como mencionado anteriormente, cerca de 7 milhões ção não rompe o hímen. Entretanto, ele pode ser estirado durante de ovogônias no ovário embrionário se desenvolvem, forman- atividades normais, como andar de biclicleta e andar a cavalo, e, do meio milhão de ovócitos primários. Cada ovócito primário dessa forma, não é um indicador preciso da virgindade feminina. é circundado por uma única camada de precursores das células Agora, seguiremos o trajeto do espermatozoide deposita- da granulosa e envolvido por uma lâmina basal, formando um do na vagina durante a relação sexual. Para continuar pelo tra- folículo primordial (FIG. 26.10). A maior parte dos folículos to genital feminino, o espermatozoide deve passar pela estreita primordiais nunca se desenvolverá, degradando-se ao longo dos abertura do colo do útero (ou cérvice uterino), que se projeta anos por um processo semelhante à apoptose, chamado de atresia ligeiramente para dentro da extremidade superior da vagina (morte celular regulada hormonalmente). (Fig. 26.9a). canal cervical é revestido com glândulas mucosas, Alguns folículos primordiais se desenvolvem lentamente, cujas secreções criam uma barreira entre a vagina e o útero. originando folículos primários. ovócito aumenta, e as células espermatozoide que passa através do canal cervical entra da granulosa dividem-se, mas permanecem em uma única ca- no lúmen do útero, um órgão muscular oco levemente menor que mada. Na puberdade, sinais químicos fazem grupos de folículos o tamanho de um punho fechado da mulher. útero é a estrutura primários deixarem o seu estado de repouso e entrarem em um onde o ovócito fertilizado se implanta e se desenvolve durante a período de crescimento ativo que pode levar alguns meses. Con- gestação. Ele é composto por três camadas de tecido (Fig. 26.9d): forme os folículos em crescimento aumentam de tamanho, uma uma fina camada externa de tecido conectivo, uma camada inter- camada de células, conhecida como teca, desenvolve-se na parte média espessa de músculo liso, denominada miométrio, e uma externa da lâmina basal. Neste ponto, os folículos são conhecidos camada interna, denominada endométrio. como pré-antrais ou folículos secundários. Alguns folículos pri- endométrio consiste em um epitélio com glândulas que mários nunca completam a transição para folículos secundários e se aprofundam na camada de tecido conectivo situada abaixo. são perdidos por atresia. A espessura e as características do endométrio variam durante Conforme os folículos secundários crescem, as células o ciclo menstrual. As células do revestimento epitelial alternada- da granulosa começam a secretar o líquido que se acumula na mente proliferam e desprendem-se, acompanhadas de uma pe- cavidade central do folículo, denominada antro. líquido an- quena quantidade de sangramento no processo conhecido como tral contém hormônios e enzimas necessários para a ovulação. menstruação. Neste ponto, o folículo torna-se um folículo terciário. A partir Os espermatozoides nadam em direção ascendente e dei- do pool de folículos terciários iniciais, somente alguns folícu- xam a cavidade do útero pelas aberturas das duas tubas uterinas los sobrevivem até alcançar os estágios finais de crescimento, (Fig. 26.9a). As tubas uterinas têm de 20 a 25 cm de comprimen- e geralmente um único folículo, chamado de folículo dominan- to, e um diâmetro aproximado de um canudinho de refrigerante. te, desenvolve-se-á até o momento em que libera seu ovócito. Suas paredes têm duas camadas de músculo liso, uma longitudi- O tempo necessário para o crescimento de um folículo secun- nal e uma circular, similar às paredes do intestino. Um epitélio dário até o folículo terciário dominante é estimado em cerca de ciliado reveste interior das tubas. três meses ou mais.Fisiologia humana: uma abordagem integrada 817 Um ciclo menstrual dura cerca de um mês SOLUCIONANDO 0 PROBLEMA As mulheres produzem gametas em ciclos mensais (em média de 28 dias, com variação normal de 24-35 dias). Esses ciclos são Os resultados do espermograma de John são normais. Dr. Baker pode agora desconsiderar anormalidades no comumente denominados ciclos menstruais, uma vez que apre- esperma como causa da infertilidade de Kate e John. Kate, sentam um período de 3 a 7 dias de sangramento uterino, conhe- que recém completou 30 anos, possui um histórico de cido como menstruação. ciclo menstrual pode ser descrito de períodos menstruais irregulares. Dr. Baker solicitou que acordo com as mudanças que ocorrem nos folículos ovarianos, o Kate aferisse sua temperatura corporal diária por alguns ciclo ovariano, ou pelas mudanças que ocorrem no revestimento meses e anotasse os resultados em um gráfico. acom- endometrial do útero, o ciclo uterino. A FIGURA 26.11 é um re- panhamento da temperatura é realizado para determinar se sumo que mostra os ciclos menstruais típicos e suas fases. ela está ou não ovulando. Após a ovulação, a temperatura Observe que o ciclo ovariano é dividido em três fases: do corpo aumenta um pouco e permanece elevada no res- tante do ciclo menstrual. 1. Fase folicular. A primeira parte do ciclo ovariano, conhe- cida como fase folicular, é um período de crescimento P4: Para quais causas de infertilidade feminina acompanha- mento da temperatura é útil? E para quais causas não é útil? folicular no ovário. Essa fase é a que tem duração mais variável, de 10 a 21 dias. 801 814 817 823 830 834 2. Ovulação. Quando um ou mais folículos amadurecem, o ovário libera o(s) ovócito(s) durante a ovulação. 3. Fase lútea. A fase do ciclo ovariano que segue a ovulação Durante a fase folicular do ciclo, estrogênio é hormô- é conhecida como pós-ovulatória ou fase lútea. segundo nio esteroide dominante (Fig. 26.11). A ovulação é desencadeada nome tem origem na transformação do folículo rompido pelo pico de LH e de FSH. Na fase lútea, a progesterona é domi- em um corpo lúteo, assim denominado devido ao pig- nante, embora o estrogênio ainda esteja presente. hormônio anti-mülleriano (AMH) foi inicialmente co- mento amarelo e aos depósitos de lipídeos. corpo lú- teo secreta hormônios que continuam a preparação para a nhecido pelo seu papel no desenvolvimento masculino, porém os gestação. Se a gestação não ocorre, o corpo lúteo para de cientistas descobriram que o AMH também é produzido pelos funcionar após cerca de duas semanas, e o ciclo ovariano é folículos ovarianos na primeira parte do ciclo ovariano. AMH reiniciado. aparentemente atua como um regulador para evitar que muitos folículos ovarianos se desenvolvam ao mesmo tempo. revestimento endometrial do útero também segue um Agora, examinaremos o ciclo ovariano em detalhes. ciclo o ciclo uterino regulado por hormônios ovarianos: Fase folicular inicial primeiro dia da menstruação é 1. Menstruação. O começo da fase folicular no ovário cor- dia 1 do ciclo. Este ponto foi escolhido como início do ciclo responde ao sangramento menstrual do útero. porque o sangramento menstrual é um sinal físico facilmente 2. Fase proliferativa. A parte final da fase folicular do ovário observável. Pouco antes do início de cada ciclo, a secreção de go- corresponde à fase proliferativa no útero, durante a qual o nadotrofinas pela adeno-hipófise aumenta. Sob a influência do endométrio produz uma nova camada de células em ante- FSH, um grupo de folículos ovarianos terciários começa a cres- cipação à gestação. cer (Fig. 26.10 e segunda linha da Fig. 26.11). 3. Fase secretora. Após a ovulação, os hormônios liberados Conforme os folículos crescem, as suas células da gra- pelo corpo lúteo convertem endométrio espessado em nulosa (sob a influência do FSH) e suas células da teca (sob a uma estrutura secretora. Assim, a fase lútea do ciclo ova- influência do LH) começam a produzir hormônios esteroides riano corresponde à fase secretora do ciclo uterino. Se não (FIG. 26.12a). As células da granulosa também começam a se- ocorrer gravidez, as camadas superficiais do endométrio cretar AMH. Esse AMH diminui a sensibilidade do folículo ao secretor são perdidas durante a menstruação, quando o ci- FSH, o que aparentemente impede o recrutamento de folículos clo uterino inicia novamente. primários adicionais após um grupo ter iniciado o desenvolvi- mento. Os médicos, atualmente, usam os níveis sanguíneos de AMH como indicador de quantos folículos estão em desenvolvi- controle hormonal do ciclo menstrual é mento inicial em um ciclo e como um marcador para uma condi- complexo ção chamada de síndrome dos ovários policísticos (SOP), em que os folículos ovarianos formam cistos cheios de líquido. Os ciclos ovariano e uterino estão sob o controle primário de As células da teca sintetizam androgênios que se difun- vários hormônios: dem para as células vizinhas da granulosa, onde a aromatase os GnRH do hipotálamo. converte em estrogênios (Fig. 26.12a). Gradualmente, os níveis crescentes de estrogênio na circulação têm diversos efeitos. Os es- FSH e LH da adeno-hipófise. trogênios exercem retroalimentação negativa na secreção de FSH Estrogênio, progesterona, inibina e AMH do ovário. e de LH pela adeno-hipófise, o que impede o desenvolvimen-FIGURA 26.9 RESUMO ANATÔMICO sistema reprodutivo feminino (a) Estruturas reprodutivas internas Cavidade Tuba Ovário uterina uterina Fímbrias Glândulas mamárias Útero Canal Colo do útero cervical (cérvice) Vagina (b) Vista em secção transversal da pelve Ovário Tuba uterina Útero Bexiga urinária Colo do útero Sínfise púbica Reto Uretra Vagina Clitóris Lábio Lábio Ânus menor maiorGenitália externa feminina Esta é a visão de um profissional da saúde enquanto realiza um exame pélvico (ginecológico). Clitóris Óstio da uretra Lábio menor Lábio maior Vagina Hímen (estirado) Ânus (d) Estrutura do útero endométrio é composto miométrio é Tecido por epitélio glandular, cuja composto por conectivo (e) Secção transversal esquemática de um ovário, mostrando estrutura varia de acordo com músculo liso. externo todos os diferentes estágios do desenvolvimento folicular. as fases do ciclo menstrual. Folículo terciário Folículo Folículos inicial secundário Ovócito primários Cavidade Folículo uterina dominante Artéria uterina Estroma Folículo rompido Artéria Veia Ovócito Corpo Corpo lúteo ovulado lúteo regredindo820 Dee Unglaub Silverthorn Teca Células da Superfície epitelial granulosa Lâmina basal Líquido antral Ovulação Antro Folículo Folículo Folículo Folículo terciário Corpo Corpo primordial primário secundário Folículo dominante lúteo albicante ESTÁGIO FOLÍCULO FOLÍCULO FOLÍCULO FOLÍCULO FOLÍCULO CORPO CORPO PRIMORDIAL PRIMÁRIO SECUNDÁRIO TERCIÁRIO PRÉ-OVULATÓRIO LÚTEO ALBICANTE SELECIONADO PÓS-LUTEAL (Folículo dominante) Atividade Repouso Crescimento Crescimento, Crescimento, antral Crescimento rápido Secreta Nenhuma pré-antral hormônios Tamanho 0,03 mm 0,04-0,1 mm 0,1-0,2 mm 0,2-2 mm 5 mm até 20-30 mm Ovócito Pequeno Ovócito Ovócito Ovócito A meiose completa-se Nenhum Nenhum ovócito primário primário primário para formar o ovócito primário aumentado aumentado aumentado secundário (2n) e (DNA 4n) corpúsculo polar (2n) Zona pelúcida* Aparece Presente Presente Presente Nenhuma Nenhuma Células da Células Camada única. 3-6 camadas Múltiplas camadas Aumento no Convertidas As células granulosa precursoras número de número de células em células lúteas células aumenta lúteas degeneram Antro Desenvolve-se no interior Aumento do Preenchido None da camada de células da tamanho com células granulosa e é preenchido migratórias com líquido Lâmina basal Presente Presente Presente Presente Presente Desaparece Teca Aparece e Camada interna: células Convertidas As células começa a secretoras e pequenos em células lúteas formar duas vasos sanguíneos lúteas degeneram camadas Camada externa: tecido conectivo, músculo liso, grandes vasos sanguíneos Vascularização Aparece Vasos sanguíneos Aumenta Aumenta Desaparece na teca *A zona pelúcida é uma capa de glicoproteínas que protege o ovócito. FIGURA 26.10 Desenvolvimento folicular. crescimento de um folículo secundário até a ovulação requer vários ciclos ovarianos. to adicional de folículos no mesmo ciclo. Ao mesmo tempo, o levar nutrientes e oxigênio para o endométrio espessado. es- estrogênio estimula a produção de mais estrogênio pelas célu- trogênio também estimula as glândulas mucosas do colo do útero las da granulosa. Esta alça de retroalimentação positiva permi- a produzirem um muco claro e aquoso. te que os folículos continuem sua produção de estrogênio mesmo que os níveis de FSH e de LH diminuam. Fase folicular tardia Conforme a fase folicular se aproxima do No útero, a menstruação termina durante a fase folicular final, a secreção de estrogênio ovariano atinge o seu ponto máxi- inicial (Fig. 26.11). Sob a influência do estrogênio proveniente mo (Fig. 26.12b). Neste ponto do ciclo, somente um folículo ainda dos folículos que estão se desenvolvendo, o endométrio começa está se desenvolvendo. Assim que a fase folicular está completa, a crescer, ou proliferar. Este período é caracterizado por aumento as células da granulosa do folículo dominante começam a secretar no número de células e aumento do suprimento sanguíneo para inibina e progesterona, além do estrogênio. O estrogênio, que atéFisiologia humana: uma abordagem integrada 821 Este ciclo menstrual de 28 dias é dividido em fases de acordo com OS eventos que ocorrem no ovário (ciclo ovariano) e no útero (ciclo uterino). FASES DO CICLO OVARIANO FASE FOLICULAR OVULAÇÃO FASE LÚTEA Níveis de LH gonadotrofinas FSH Ciclo ovariano Antro Formação Corpo Folículo Folículo Ovulação do corpo lúteo terciário dominante lúteo maduro Níveis dos hormônios Progesterona ovarianos Estrogênio Inibina Ciclo uterino FASES DO CICLO MENSTRUAÇÃO FASE FASE SECRETORA UTERINO PROLIFERATIVA Temperatura 36,7 corporal basal (°C) 36,4 DIAS 28/0 7 14 21 28/0 FIGURA 26.11 ciclo menstrual.822 Dee Unglaub Silverthorn então tinha exercido um efeito de retroalimentação negativa sobre cresce, atingindo seu maior tamanho, preparando-se para liberar o a secreção de GnRH na fase folicular inicial, muda para uma re- ovócito. troalimentação positiva, levando ao pico pré-ovulatório de GnRH. Os altos níveis de estrogênio na fase folicular tardia prepa- Imediatamente antes da ovulação, os níveis persistente- ram o útero para uma possível gestação. endométrio cresce até mente altos de estrogênio, auxiliados pelos níveis crescentes de uma espessura de 3 a 4 mm (Fig. 26.11). Imediatamente antes da progesterona, aumentam a responsividade da adeno-hipófise ao ovulação, as glândulas cervicais produzem grandes quantidades GnRH. Como resultado, a secreção de LH aumenta significa- de muco fino e filante (elástico) para facilitar a entrada do esper- tivamente, um fenômeno conhecido como pico de LH. FSH matozoide. A cena está preparada para a ovulação. também aumenta, mas em menor grau, presumivelmente por es- tar sendo suprimido pela inibina e pelo estrogênio. Ovulação Cerca de 16 a 24 horas após o pico de LH, a ovu- pico de LH é parte essencial da ovulação, pois ele desenca- lação ocorre (Fig. 26.11). folículo maduro secreta prostaglan- deia a secreção de inúmeros sinais químicos necessários para os pas- dinas e enzimas proteolíticas, como metaloproteinases de matriz finais da maturação do ovócito. A meiose é retomada no folículo (MMPs) (p. 74) que dissolvem o colágeno e outros componentes em desenvolvimento com a primeira divisão meiótica. Esta etapa do tecido conectivo que mantêm as células foliculares unidas. divide o ovócito primário em ovócito secundário (2n DNA) e em As prostaglandinas podem contribuir para a ruptura da parede um primeiro corpúsculo polar (2n), que se degenera (Fig. 26.5). En- folicular em seu ponto mais fraco. líquido antral jorra do ová- quanto essa divisão ocorre, o líquido antral acumula-se, e o folículo rio junto com o ovócito, o qual é circundado por duas ou três ca- LH FSH Ovócito Folículo Corpo lúteo Estrogênio Inibina Progesterona (a) Fase folicular inicial (b) Fase folicular tardia e ovulação Fase lútea inicial (d) Fase lútea tardia Baixos níveis de estrogênio exercem Níveis elevados de estrogênio somados A combinação de estrogênio estrogênio e a progesterona retroalimentação negativa sobre GnRH, ao nível crescente de progesterona e progesterona inibe FSH decaem quando corpo lúteo FSH e LH. estrogênio promove maior causam pico de LH. FSH é suprimido e LH. degenera. As gonadotrofinas secreção de estrogênio pelo folículo. AMH pela inibina. iniciam desenvolvimento de previne que mais folículos se desenvolvam. um novo ciclo. GnRH GnRH GnRH GnRH Hipófise Hipotálamo Retomada da secreção tônica + FSH LH FSH LH FSH LH FSH LH Corpo lúteo Folículo (do folículo Novos corpo Folículo lúteo ovulado) folículos morre + Células da Células começam a Células da Células granulosa da teca secreta se desenvolver granulosa da teca Estrogênio Inibina Androgênios Progesterona Estrogênio e AMH Androgênios Inibina progesterona Estrogênios Grande produção Pequena quantidade de estrogênio de progesterona FIGURA 26.12 Controle hormonal do ciclo menstrual.Fisiologia humana: uma abordagem integrada 823 madas de células da granulosa. O óvocito é arrastado para dentro SOLUCIONANDO 0 PROBLEMA da tuba uterina para ser fertilizado ou para morrer. Fase lútea inicial Após a ovulação, as células foliculares da Os resultados do acompanhamento da temperatura por alguns meses mostraram que Kate não está ovulando. teca migram para o espaço antral, misturando-se com as células Dr. Baker supeita que Kate deva ter uma condição conhe- da granulosa e preenchendo a cavidade. Ambos tipos celulares, cida como insuficiência ovariana primária (POI, do inglês, então, transformam-se em células lúteas do corpo lúteo. Esse pro- primary ovarian insufficiency, também conhecida como fa- cesso, conhecido como luteinização, envolve mudanças bioquími- lência ovariana precoce). A POI não tem tratamento, que cas e morfológicas. As células lúteas recém-formadas acumulam impede que casais inférteis tenham o seu próprio bebê. gotículas de lipídeos e grânulos de glicogênio em seu citoplasma Dr. Baker solicitou novos exames para confirmar seu diag- e começam a secretar hormônios. Conforme a fase lútea progri- nóstico de POI. Kate e John estão desolados com a notícia de, o corpo lúteo produz continuamente quantidades crescentes e começaram a considerar as opções restantes: adoção ou de progesterona, estrogênio e inibina. utilização de um ovócito de uma doadora para a tecnologia de reprodução assistida (ART, do inglês, assisted reproductive te- A progesterona é o hormônio dominante na fase lútea. chnologies), mais comumente chamada de fertilização in vitro. A síntese de estrogênio diminui inicialmente e depois aumenta. Entretanto, os níveis de estrogênio nunca atingem o pico obser- P5: Os exames que Dr. Baker solicitou incluem níveis sanguí- vado antes da ovulação. neos de FSH e de estrogênio. Devido à POI ser a falha dos ovários em produzir folículos maduros, como você espera A combinação de estrogênio e progesterona exerce re- que os níveis de FSH e de estrogênio (comparados ao nor- troalimentação negativa sobre o hipotálamo e a adeno-hipófise mal) estejam em uma mulher com POI? (Fig. 26.12c). A secreção de gonadotrofinas, adicionalmente ini- bidas pela produção de inibina lútea, permanece baixa ao longo 801 814 817 823 830 834 da maior parte da fase lútea. Sob influência da progesterona, o endométrio continua sua preparação para a gestação e se torna uma estrutura secretora. A quantidade total de menstruação liberada do útero é de As glândulas endometriais enrolam-se e crescem vasos sanguíneos aproximadamente 40 mL de sangue e 35 mL de líquido seroso adicionais na camada de tecido conectivo. As células endometriais e restos celulares. Em geral, existem poucos coágulos no fluxo depositam lipídeos e glicogênio no seu citoplasma. Esses depósitos menstrual devido à presença de plasmina (p. 528), que degrada fornecerão a nutrição para o embrião em desenvolvimento enquan- os coágulos. A menstruação continua por 3 a 7 dias, já na fase to a placenta, a conexão materno-fetal, está se desenvolvendo. folicular do próximo ciclo ovulatório. A progesterona também causa o espessamento do muco cervical. muco mais espesso cria um tampão que bloqueia a abertura do colo uterino, impedindo que bactérias e espermato- Os hormônios influenciam as características zoides entrem no útero. sexuais secundárias femininas Um efeito interessante da progesterona é a sua capacidade termogênica. Durante a fase lútea de um ciclo ovulatório, a tem- estrogênio controla o desenvolvimento das características peratura corporal basal da mulher, medida logo que ela acordar sexuais primárias das mulheres, assim como os androgênios as pela manhã e antes de sair da cama, aumenta cerca de 0,3 a 0,5°C controlam nos homens. Os estrogênios também controlam a mais e permanece elevada até a menstruação. Como essa mudança no proeminente característica sexual secundária da mulher: desen- ponto de ajuste da temperatura ocorre após a ovulação, ela não volvimento das mamas e o padrão de distribuição da gordura cor- pode ser usada para prever efetivamente a ovulação. Todavia, é poral (nos quadris e na parte superior das coxas). Entretanto, outras uma maneira simples de verificar se a mulher está tendo ciclos características sexuais secundárias são determinadas por androgê- ovulatórios ou ciclos anovulatórios (sem ovulação). nios produzidos no córtex da glândula suprarrenal. crescimento de pelos pubianos e axilares e a libido (desejo sexual) estão sob o Fase lútea tardia e menstruação corpo lúteo tem uma controle dos androgênios da glândula suprarrenal. duração intrínseca de aproximadamente 12 dias. Se a gestação não ocorrer, o corpo lúteo sofre apoptose espontânea. Conforme REVISANDO 16. Cite as fases do ciclo ovariano e as fases as células lúteas degeneram, a produção de progesterona e de es- trogênio diminui (Fig. 26.12d). Essa queda retira o sinal de retro- CONCEITOS correspondentes do ciclo uterino. 17. Quais efeitos colaterais você poderia prever alimentação negativa sobre a hipófise e o hipotálamo, e, assim, a em mulheres atletas que usam esteroides secreção de FSH e de LH aumenta. Os remanescentes do corpo anabolizantes para aumentar os músculos? lúteo formam uma estrutura inativa, chamada de corpo albicante. 18. A aromatase converte a testosterona em A manutenção de um endométrio secretor depende da estradiol. 0 que aconteceria ao ciclo ovariano presença de progesterona. Quando o corpo lúteo degenera e a de uma mulher se fosse dado a ela um produção hormonal diminui, os vasos sanguíneos da camada inibidor da enzima aromatase? superficial do endométrio contraem. Sem oxigênio e nutrien- 19. Determine em que dia do ciclo menstrual uma tes, as células superficiais morrem. Cerca de dois dias após o mulher ovularia, tendo ciclos com a seguinte corpo lúteo parar de funcionar, ou 14 dias após a ovulação, duração: o endométrio começa a descamar a sua camada superficial, e a (a) 28 dias (b) 23 dias 31 dias menstruação inicia.824 Dee Unglaub Silverthorn PROCRIAÇÃO mulos táteis ou psicológicos desencadeia o reflexo da ereção, um reflexo espinal que está sujeito ao controle dos centros superiores A reprodução em todo o reino animal é marcada por comporta- do encéfalo. Os reflexos da micção e da defecação são tipos de mentos específicos de cada espécie que ocorrem para assegurar reflexos similares (pp. 613, 686). que o ovócito e o espermatozoide se encontrem. Para animais Em sua forma mais simples, o reflexo da ereção inicia com aquáticos que liberam seus gametas na água, a sincronização é estímulos táteis detectados por mecanorreceptores da glande do tudo. A interação entre machos e fêmeas dessas espécies pode ser pênis ou de outras zonas erógenas (FIG. 26.13). Os neurônios limitada à comunicação química via feromônios. sensoriais sinalizam para o centro integrador espinal, o qual inibe Em vertebrados terrestres, a fertilização interna requer o estímulo vasoconstritor simpático sobre as arteríolas do pênis. comportamentos interativos e adaptações especializadas da Simultaneamente, óxido nítrico produzido por estímulo paras- genitália. Por exemplo, a fêmea deve ter um receptáculo inter- simpático dilata ativamente as arteríolas do pênis. À medida que no para os espermatozoides (a vagina, em seres humanos), e o o sangue arterial flui para os espaços abertos do tecido erétil, este macho deve possuir um órgão (o pênis, em seres humanos) que comprime passivamente as veias e aprisona o sangue. tecido possa colocar os espermatozoides no receptáculo. No estado de erétil torna-se túrgido, enrijecendo e aumentando o tamanho do repouso, o pênis humano é flácido (mole) e incapaz de penetrar pênis dentro de 5 a 10 segundos. na abertura estreita da vagina. No ato sexual masculino, o pênis clímax do ato sexual masculino coincide com a emissão primeiro aumenta e enrijece durante a ereção, liberando, então, e a ejaculação. A emissão é o movimento dos espermatozoides os espermatozoides a partir dos ductos do trato genital durante do ducto deferente para a uretra, onde se juntam às secreções a ejaculação. Sem esses eventos, a fertilização não pode ocorrer. das glândulas acessórias, formando o sêmen. volume médio do sêmen é de 3 mL (varia de 2-6 mL), dos quais menos de 10% são A resposta sexual humana tem quatro fases espermatozoides. ato sexual humano também conhecido como relação sexual, Durante a ejaculação, o sêmen é expelido da uretra para cópula ou coito é extremamente variável em alguns aspectos e o meio externo por uma série de contrações musculares rápi- extremamente estereotipado em outros. das acompanhadas por sensação de intenso prazer o orgasmo. A resposta sexual humana em ambos os sexos é dividida Um esfincter presente na base da bexiga urinária contrai para em quatro fases: (1) excitação; (2) platô; (3) orgasmo; (4) resolu- impedir que os espermatozoides entrem na bexiga ou que a urina ção. Na fase de excitação, vários estímulos eróticos preparam a ge- se junte ao sêmen. nitália para o ato da cópula. Para os homens, a excitação envolve A ereção e a ejaculação podem ocorrer na ausência de estí- a ereção do pênis. Para as mulheres, a excitação inclui a ereção do mulo mecânico. Estímulos sexuais visuais, auditivos, emocionais, clitóris e a lubrificação vaginal. Em ambos os sexos, a ereção é um pensamentos e sonhos podem iniciar a excitação sexual e até le- estado de congestão vascular no qual o sangue arterial que flui var ao orgasmo, tanto em homens quanto em mulheres. Além para o tecido esponjoso erétil excede o efluxo venoso. disso, ocorre ereção peniana não sexual durante a fase do sono de Os estímulos eróticos incluem tanto estímulos táteis se- movimento rápido dos olhos (sono REM). xualmente excitantes quanto estímulos psicológicos. Como estes últimos variam muito entre os indivíduos e entre as culturas, o A disfunção sexual afeta homens e que é erótico para uma pessoa ou uma cultura pode ser conside- mulheres rado repulsivo por outro indivíduo ou outra cultura. As regiões do corpo que possuem receptores para estímulos táteis sexuais A incapacidade de atingir ou sustentar a ereção peniana é conhecida são chamadas de zonas erógenas e incluem tanto a genitália como disfunção erétil (DE) ou impotência. A disfunção erétil é um quanto os lábios, a língua, os mamilos e os lóbulos das orelhas. tema de interesse global, visto que a incapacidade de ter e sustentar Na fase de platô, mudanças que iniciaram durante a ex- uma ereção interrompe o ato sexual, tanto para os homens quanto citação são intensificadas e atingem um pico conhecido como para as mulheres. As causas orgânicas (fisiológicas e anatômicas) da orgasmo (clímax). Em ambos os sexos, o orgasmo é uma série disfunção erétil incluem problemas endócrinos e neurais, insuficiên- de contrações musculares acompanhada de sensações de prazer cia vascular e disfunção erétil induzida por fármacos. Várias causas intenso, aumento da pressão arterial e das frequências cardíaca psicológicas também podem contribuir para a disfunção erétil. e respiratória. Nas mulheres, o útero e as paredes da vagina álcool inibe o desempenho sexual tanto em homens contraem-se. Nos homens, as contrações normalmente resultam quanto em mulheres, como observado por Shakespeare em na ejaculação do sêmen pelo pênis. orgasmo feminino não é Macbeth (II, iii). Quando MacDuff pergunta, "Quais são as três necessário para que ocorra fertilização. coisas que a bebida provoca especialmente?", o mordomo respon- A fase final da resposta sexual é a resolução, um período de, "Ora, Senhor, nariz vermelho, sono e urina. Luxúria, Senhor, no qual os parâmetros fisiológicos que mudaram nas primeiras ele provoca e deixa sem efeito: provoca o desejo, mas prejudica o três fases retornam lentamente ao normal. desempenho". Muitos antidepressivos também têm como efeito colateral a perda da libido. ato sexual masculino inclui a ereção e a A disfunção erétil no homem com mais de 40 anos agora ejaculação é considerada um marcador de doença cardiovascular e ateros- clerose, e algumas vezes ela é o primeiro sinal clínico dessas con- elemento-chave para o sucesso da cópula é a capacidade do dições. A ereção ocorre quando os neurotransmissores liberados homem de ter e manter a ereção. A excitação sexual devida a estí- pelos nervos pélvicos aumentam a produção endotelial de óxidoFisiologia humana: uma abordagem integrada 825 Federal Aviation Administration (Administração da Avia- Pensamentos ção Aérea Americana) determinou que os pilotos não podem sobre LEGENDA sexo tomar sildenafil dentro de seis horas antes de voar, uma vez Estímulo que 3% dos homens relataram problemas na visão das cores (confusão entre azul e verde). Esse problema ocorre porque Sensor sildenafil também inibe uma enzima na retina. Via aferente Centros Quando a FDA aprovou os inibidores da PDE-5 para Estímulos encefálicos Centro integrador eróticos superiores a disfunção erétil dos homens, as mulheres perguntaram-se se esse fármaco que promove o reflexo da ereção poderia melho- Sinal de saída rar a sua resposta sexual. Ainda que a mulher tenha ereção do Alvo clitóris, a resposta sexual feminina é mais complicada. Estudos Resposta tecidual Vias Vias sobre a eficácia dos inibidores da PDE-5 na disfunção orgás- descendentes ascendentes tica em mulheres têm apresentado resultados inconclusivos. autonômicas sensoriais A indústria farmacêutica está testando outros medicamentos para a disfunção sexual da mulher. Os candidatos mais promis- sores, já na fase final dos ensaios clínicos, baseiam-se na tes- Estímulo tosterona, o androgênio que gera a libido em ambos os sexos. parassimpático Simpático - Os contraceptivos são projetados para inibido evitar a gestação Uma desvantagem do ato sexual realizado pelo prazer, em vez Medula de para a reprodução, é a possibilidade de uma gravidez não Vasodilatação das espinal planejada. Em média, 85% das mulheres jovens que têm rela- arteríolas do pênis ções sexuais sem fazer qualquer tipo de controle de natalidade ficarão grávidas dentro de um ano. Muitas mulheres, porém, ficam grávidas após um único encontro sexual sem proteção. Casais que querem evitar a gravidez indesejada geralmente usam algum tipo de controle de natalidade ou contracepção. Ereção As práticas contraceptivas podem ser incluídas em di- Neurônio versos grupos. A abstinência, a abstenção total de relações sensorial sexuais, é o método mais seguro de evitar a gestação (e as doen- ças sexualmente transmissíveis). Alguns casais praticam a abs- Estímulos táteis Mecanorreceptor tinência somente durante os períodos em que a fertilidade está aumentada, calculados pela utilização de métodos de controle de natalidade baseados na conscientização da fertilidade.** A esterilização é o método contraceptivo mais eficaz FIGURA 26.13 reflexo da ereção. A ereção pode ocorrer sem para pessoas sexualmente ativas, porém é um procedimento influência dos centros superiores do encéfalo. A ereção também pode cirúrgico e não é facilmente revertido. A esterilização femini- ser estimulada (e inibida) por vias descendentes provenientes do cór- na é chamada de ligação tubária.*** Ela consiste na ligação e tex cerebral. Ereções espontâneas ocorrem durante o sono REM. das tubas uterinas. Uma mulher com uma ligação tu- bária ainda ovula, mas os ovócitos permanecem no abdome. nítrico (NO), o qual aumenta o GMPc e resulta na vasodilatação A esterilização masculina é a vasectomia, em que ductos das arteríolas do pênis. A disfunção endotelial e a falha na pro- deferentes são ligados e seccionados ou clampeados. Os esperma- dução adequada de NO ocorrem na aterosclerose e no diabetes tozoides ainda são produzidos nos túbulos seminíferos, mas, como melito, fazendo a disfunção erétil ser uma manifestação precoce não podem sair do trato genital, são reabsorvidos. de alterações vasculares. Os métodos de intervenção da contracepção incluem: Em 1998, o FDA (Food and Drug Administration)* apro- (1) métodos de barreira, que impedem a união do espermatozoi- vou o sildenafil para o tratamento da disfunção erétil. de com o ovócito; (2) métodos que impedem a implantação do sildenafil e fármacos similares da mesma classe prolongam os ovócito fertilizado; e (3) tratamentos hormonais que diminuem efeitos do óxido nítrico, bloqueando 5 (PDE-5), a ou interrompem a produção de gametas. A eficácia da interven- enzima que degrada o GMPc. Os ensaios clínicos têm mostrado ção contraceptiva depende em parte de quão constante e correta- que os inibidores da fosfodiesterase são muito eficazes na corre- mente ela é usada (TAB. 26.1). ção da disfunção erétil, porém possuem efeitos colaterais. A U.S. *N. de T. Agência reguladora de liberação e controle de medicamentos e de T. No Brasil, o método da abstinência temporária é popularmente alimentos. No Brasil, órgão similar seria a ANVISA (Agência Nacional conhecido como "método da de Vigilância Sanitária) do Ministério da Saúde. ***N. de T. No Brasil, também é chamada de ligadura ou laqueadura.826 Dee Unglaub Silverthorn Eficácia dos diversos métodos momento do intercurso e, consequentemente, 20% das mulheres TABELA 26.1 contraceptivos que dependem do diafragma para a contracepção engravidam no primeiro ano de uso. Outra barreira contraceptiva feminina é a Taxa de esponja contraceptiva, que contém um espermicida químico. gravidez com A barreira contraceptiva do homem é o preservativo, uma Método uso regular* capa que se encaixa sobre o pênis e coleta o sêmen ejaculado. Os homens usaram preservativos feitos de bexigas e intestinos Sem contracepção 85% de animais durante séculos. Os preservativos perderam popula- Espermicidas 28% ridade quando os contraceptivos orais tiveram seu uso ampliado nas décadas de 1960 e 1970, mas recentemente eles voltaram a Abstinência durante o período fértil estimado 24% ser utilizados por combinar proteção contraceptiva com proteção (tabelinha) contra muitas doenças sexualmente transmissíveis. Entretanto, preservativos de látex podem causar reações alérgicas, e existem Diafragma, capuz cervical ou esponja vaginal 12-24%** evidências de que o HIV pode passar através dos poros de alguns Contraceptivos orais (pílulas) 9% preservativos que são hoje produzidos. Uma versão feminina do preservativo também está disponível comercialmente. Ela reco- Dispositivos intrauterinos (DIUs)Fisiologia humana: uma abordagem integrada 827 zar esse método. Alguns dos primeiros contraceptivos orais mas- fertilização requer capacitação culinos suprimiam irreversivelmente a produção de espermato- zoides, o que também não é aceitável. Atualmente, vários ensaios Uma vez que o ovócito é liberado a partir da ruptura do folí- clínicos estão avaliando métodos hormonais e não hormonais culo, ele é levado para dentro da tuba uterina pelos batimentos para diminuir a fertilidade masculina. ciliares. Enquanto isso, os espermatozoides depositados no trato As vacinas contraceptivas baseiam-se em anticorpos reprodutor feminino devem passar pela etapa de maturação final, contra vários componentes dos sistemas genitais masculino e a capacitação, que permitirá que o espermatozoide nade rapida- feminino, como anticorpos antiespermatozoide e antiovócito. mente e fertilize ovócito. Aparentemente, o processo envolve Todavia, ensaios clínicos de vacinas humanas têm apresentado mudanças na membrana externa da cabeça do espermatozoide. resultados desapontadores e, para os seres humanos, as vacinas Normalmente, a capacitação ocorre no trato reprodutor parecem não ser um contraceptivo prático. feminino, que apresenta um problema para a fertilização in vi- tro. Estes espermatozoides devem ser artificialmente capacitados, A infertilidade é a incapacidade de conceber sendo colocados em presença de uma solução salina fisiológica suplementada com soro humano. Muito do que hoje sabemos Enquanto alguns casais tentam prevenir a gravidez, outros gastam sobre a fertilização humana veio a partir das pesquisas realizadas muito dinheiro tentando engravidar. A infertilidade é a incapacida- sobre infertilidade que buscavam uma maior taxa de sucesso da de de um casal conceber um filho após um ano de relações sexuais fertilização in vitro. sem proteção. Durante anos, casais inférteis não tinham escolha A fertilização do ovócito pelo espermatozoide é o resulta- além da adoção caso quisessem ter um filho, mas avanços incríveis do de um encontro ao acaso, possivelmente auxiliado por molé- têm sido feitos neste campo desde a década de 1970. Como resul- culas químicas de atração produzidas pelo ovócito. Um ovócito tado, hoje muitos casais inférteis são capazes de ter filhos. pode ser fertilizado durante apenas cerca de 12 a 14 horas após A infertilidade pode se originar de problemas no homem, a ovulação. No trato reprodutor feminino, os espermatozoides na mulher ou em ambos. A infertilidade masculina, em geral, permanencem viáveis por cerca de 5 a 6 dias. Aparentemente, resulta do baixo número de espermatozoides ou de um número eles ligam-se ao epitélio das tubas uterinas enquanto aguardam anormalmente alto de espermatozoides defeituosos. A inferti- os sinais químicos liberados pelo ovócito recém-ovulado. lidade feminina pode ter causas mecânicas (bloqueio das tubas A fertilização normalmente ocorre na parte distal da tuba uterinas ou outros problemas estruturais) ou hormonais, que le- uterina. Dos milhões de espermatozoides oriundos de uma vam à diminuição ou à ausência de ovulação. Um problema que única ejaculação, somente cerca de 100 chegam até este ponto. envolve o casal é que a mulher pode produzir anticorpos contra Para fertilizar o ovócito, o espermatozoide deve penetrar uma espermatozoides do parceiro. Além disso, nem todas as gesta- camada externa de células frouxamente unidas, chamadas de ções chegam ao final com sucesso. É estimado que um terço de células da granulosa (a corona radiata), e uma capa protetora todas as gestações terminam espontaneamente muitas dentro de glicoproteínas, chamada de zona pelúcida (FIG. 26.14b). das primeiras semanas, antes mesmo que a mulher tenha cons- Para passar por essas barreiras, o espermatozoide capacitado li- ciência de que estava grávida. bera enzimas poderosas a partir do acrossomo da cabeça do es- Algumas das mudanças mais significativas ocorreram no permatozoide, em um processo conhecido como reação acros- campo da tecnologia de reprodução assistida (ART, do inglês, sômica. As enzimas dissolvem as junções celulares e a zona assisted reproductive technology), com estratégias nas quais tanto pelúcida, permitindo que o espermatozoide siga seu caminho ovócitos quanto espermatozoides são manipulados. Para a ferti- em direção ao ovócito. lização in vitro, os ovários da mulher são estimulados hormonal- primeiro espermatozoide a encontrar o ovócito encon- mente, a fim de liberarem mais de um ovócito por vez. Os ovó- tra receptores ligadores de espermatozoides na membrana do citos são coletados cirurgicamente e fertilizados fora do corpo. ovócito e liga-se a este (Fig. 26.14c). A fusão da membrana Os embriões em desenvolvimento são, então, colocados no útero do espermatozoide com a membrana do ovócito inicia uma da mulher, a qual foi preparada para a gestação com tratamento reação química, chamada de reação cortical, que impede que hormonal. Como a natureza do procedimento é complicada e outros espermatozoides fecundem este ovócito. Na reação cara, múltiplos embriões são colocados no útero ao mesmo tem- cortical, os grânulos corticais ligados à membrana na região po, o que pode resultar em gestações múltiplas. A fertilização periférica do citoplasma do ovócito liberam seus conteúdos in vitro permite que alguns casais inférteis tenham seus próprios no espaço imediatamente externo da membrana do ovócito. bebês, com uma taxa de bebês nascidos vivos de 37% nos Estados Esses compostos químicos alteram rapidamente a membrana Unidos em 2009. sucesso da ART varia de acordo com a ida- e a zona pelúcida circundante para prevenir a polispermia, em de, sendo de 41% em mulheres de até 35 anos a 12% em mulhe- que um ovócito é fertilizado por mais de um espermatozoide. res com mais de 40 anos. Para completar a fertilização, a parte que se fundiu das membranas do espermatozoide e do ovócito se abre, e o núcleo GESTAÇÃO E PARTO do espermatozoide entra no citoplasma do ovócito. Isso sinaliza para que o ovócito retome a meiose e complete a sua segunda Agora, retornaremos ao ovócito recém-ovulado e aos espema- divisão. A divisão meiótica final gera o segundo corpúsculo polar, tozoides depositados na vagina e os acompanharemos ao lon- o qual é ejetado. Neste ponto, os 23 cromossomos do espermato- go da fertilização, da gestação e do parto, que é o processo do zoide juntam-se aos 23 cromossomos do óvulo, criando o núcleo nascimento. do zigoto com o material genético completo.FIGURA 26.14 CONTEÚDO ESSENCIAL Fertilização A fertilização deve ocorrer dentro de 24 horas após a ovulação. (a) Esta fotografia mostra a enorme diferença entre os (b) espermatozoide capacitado libera enzimas a partir dos seus acrossomos tamanhos do espermatozoide e do ovócito humanos. para penetrar as células e a zona pelúcida que circundam o ovócito. Remanescentes do Primeiro corpúsculo polar primeiro corpúsculo Ovócito polar Ovócito Segunda divisão Células da meiótica suspensa Corona radiata corona radiata Espermatozoides Espermatozoide capacitado Zona pelúcida primeiro espermatozoide a penetrar ovócito fertiliza. As membranas do espermatozoide e do núcleo do espermatozoide ovócito fundem-se, desencadeando a move-se para dentro do o núcleo do ovócito completa Os núcleos do óvulo e do espermatozoide reação cortical. citoplasma do ovócito. a divisão meiótica. fundem-se, formando núcleo do zigoto. Primeiro corpúsculo polar segundo corpúsculo Ovócito Ovócito polar é expulso. Núcleo do espermatozoide Núcleo do espermatozoide (d) Cronograma da ovulação, fertilização e implantação. 3 Dias 2-4: a divisão 4 Dias 4-5: blastocisto celular ocorre. chega ao útero. 2 Dia 1: Massa celular interna fertilização. Zigoto Tuba uterina Ovócito Blastocisto 1 Ovulação. Ovário Útero 5 Dias 5-9: implantação do blastocisto.Fisiologia humana: uma abordagem integrada 829 Uma vez que um ovócito é fertilizado e dá origem ao zigo- truturas similares a dedos, denominadas vilosidades coriônicas, to, ele inicia a mitose e lentamente segue pela tuba uterina até o que penetram no endométrio vascularizado. As enzimas libera- útero, onde permanecerá ao longo de todo o período da gestação. das pelas vilosidades rompem as paredes dos vasos sanguíneos maternos até que as vilosidades sejam circundadas por lagos embrião em desenvolvimento se implanta de sangue materno (Fig. 26.15b). sangue do embrião e o da mãe não se misturam, porém os nutrientes, gases e resíduos são no endométrio trocados através das membranas das vilosidades. Muitas dessas embrião em divisão leva de 4 a 5 dias para se mover da tuba substâncias se movem por difusão simples, mas algumas, como uterina até a cavidade uterina (Fig. 26.14d). Sob a influência da os anticorpos maternos, devem ser transportadas através da progesterona, as células musculares lisas da tuba relaxam, e o membrana. transporte ocorre lentamente. Quando o embrião em desenvol- A placenta continua a crescer durante a gestação, e ao nas- vimento chega ao útero, ele consiste em uma bola oca de cerca de cimento tem cerca de 20 cm de diâmetro (o tamanho de um pra- 100 células, denominada blastocisto. to raso pequeno). A placenta recebe até 10% do débito cardíaco Parte da camada externa de células do blastocisto dará ori- materno total. enorme fluxo sanguíneo para a placenta é uma gem ao cório, uma membrana extraembrionária que envolverá o razão para que a separação súbita e anormal da placenta da pare- embrião e dará origem à placenta (FIG. 26.15a). A massa celular de uterina seja uma emergência médica. interna do blastocisto desenvolve-se, formando o embrião e três outras membranas extraembrionárias. Essas membranas incluem A placenta secreta hormônios durante a o âmnio, que secreta o líquido amniótico em que o embrião em gestação desenvolvimento ficará mergulhado; o alantoide, que fará parte do cordão umbilical que une o embrião à mãe; e o saco vitelino, Quando o blastocisto se implanta na parede uterina e a placenta que se degenera no início do desenvolvimento humano. começa a se formar, o corpo lúteo está próximo do final da sua A implantação do blastocisto na parede uterina normal- duração programada de 12 dias. A menos que o embrião em de- mente ocorre dentro de aproximadamente 7 dias após a fertiliza- senvolvimento envie um sinal hormonal, o corpo lúteo degenera- ção. blastocisto secreta enzimas que permitem que ele invada o -se, os níveis de estrogênio e progesterona caem e o embrião é endométrio, como um parasito se instalando no seu hospedeiro. eliminado do corpo junto com as camadas superficiais do en- Enquanto isso, as células endometriais crescem ao redor do blas- dométrio durante a menstruação. A placenta secreta diversos tocisto até que ele seja completamente englobado. hormônios que previnem a menstruação durante a gestação, in- À medida que o blastocisto continua a se dividir e se torna cluindo gonadotrofina coriônica humana, hormônio lactogênio um embrião, as células que se tornarão a placenta formam es- placentário humano, estrogênio e progesterona. (a) embrião em desenvolvimento flutua no líquido (b) Parte do material é trocada através das amniótico. Ele obtém oxigênio e nutrientes da mãe membranas da placenta por difusão, mas outros pela placenta e pelo cordão umbilical. materiais precisam ser transportados. A veia umbilical carrega As artérias umbilicais sangue oxigenado para levam sangue embrionário embrião. Cordão umbilical para a placenta. Placenta As vilosidades coriônicas contêm vasos sanguíneos do Membranas extraembrionárias que envolvem embrião e formam a placenta. Cordão umbilical sangue materno Saco vitelino banha as vilosidades coriônicas. Cório Líquido amniótico Âmnio SEMANA Vasos sanguíneos maternos Âmnio FIGURA 26.15 A placenta.830 Dee Unglaub Silverthorn Gonadotrofina coriônica humana corpo lúteo perma- (lactação). Provavelmente, o hPL contribui para a lactação, mas nece ativo durante o início da gestação devido à gonadotrofina mulheres que não produzem hPL durante a gestação devido a coriônica humana (hCG), um hormônio peptídico secretado um defeito genético também apresentam desenvolvimento das pelas vilosidades coriônicas e pela placenta em desenvolvimento. mamas e produção de leite adequados. Um segundo papel do A hCG é estruturalmente relacionada ao LH e se liga aos recep- hPL é a alteração do metabolismo da glicose e dos ácidos graxos tores do LH. Sob a influência da hCG, o corpo lúteo continua da mãe para sustentar o crescimento fetal. produzindo progesterona para manter o endométrio intacto. A glicose materna move-se através das membranas placen- Entretanto, por volta da sétima semana de desenvolvimen- tárias por difusão facilitada e entra na circulação fetal. Durante to, a placenta assume a produção de progesterona, e o corpo lúteo a gestação, cerca de 4% das mulheres desenvolvem diabetes me- não é mais necessário. Neste ponto, ele finalmente se degenera. lito gestacional (DMG), com níveis elevados de glicose sanguínea pico de produção de hCG pela placenta ocorre aos três meses causados por resistência à insulina, semelhante ao diabetes tipo de desenvolvimento e depois diminui. 2. A causa não está clara. Após o parto, o metabolismo da glicose Uma segunda função da hCG é estimular a produção de na grande maioria das mulheres com DMG volta ao normal, mas testosterona pelo testículo em desenvolvimento em fetos mascu- essas mulheres e seus bebês possuem um maior risco de desen- linos. Como você aprendeu nas primeriras seções deste capítulo, volverem diabetes tipo 2 ao longo de suas vidas. a testosterona fetal e seu metabólito DHT são essenciais para a expressão das características masculinas e para a descida dos Estrogênio e progesterona estrogênio e a progestero- testículos para dentro do escroto antes do nascimento. na são produzidos continuamente durante a gestação, primeiro A hCG é a molécula detectada pelos testes de gravidez. Pelo pelo corpo lúteo sob a influência da hCG e depois pela placenta. fato de a hCG ser capaz de induzir a ovulação em coelhas, há anos Com os altos níveis circulantes desses hormônios esteroides, a esses animais eram utilizados para os testes de gravidez. Se uma supressão por retroalimentação da adeno-hipófise continua du- mulher estivesse suspeitando de gravidez, sua urina era injetada em rante toda a gestação, impedindo que outro conjunto de folículos coelhas. Os ovários dessas coelhas eram, então, analisados em bus- comece a se desenvolver. ca de sinais de ovulação. Levava vários dias para que resultados Durante a gestação, o estrogênio contribui para o desen- desse teste pudessem ser analisados. Hoje, com modernas técnicas volvimento dos ductos das mamas. A progesterona é essencial bioquímicas, as mulheres podem fazer os seus próprios testes de para a manutenção do endométrio e também auxilia na supressão gravidez em poucos minutos na privacidade do seu lar. das contrações uterinas. A placenta produz vários outros hormô- nios, incluindo inibina e pró-renina, mas a função da maioria Hormônio lactogênio placentário humano (hPL) Outro deles ainda não está clara. hormônio peptídico produzido pela placenta é hormônio lac- togênio placentário (hPL), também conhecido como somato- A gestação termina no parto mamotrofina coriônica humana (bSC). Inicialmente, acreditava-se que esse hormônio, estruturalmente relacionado ao hormônio parto normalmente ocorre entre a e a semana de ges- do crescimento e à prolactina, era necessário para o desenvolvi- tação. que desencadeia esse processo? Por muitos anos, os mento das mamas durante a gestação e para a produção de leite pesquisadores desenvolveram modelos animais para estudar os sinais que iniciam o parto, e descobriram recentemente que não existe um modelo não primata ideal que possa ser aplicado aos seres humanos. parto inicia com o trabalho de parto, as con- SOLUCIONANDO 0 PROBLEMA trações rítmicas do útero que empurram o feto para o mundo (FIG. 26.16a). Os sinais que iniciam essas contrações podem co- Alguns meses após recebem a triste notícia, Kate e John meçar na mãe, no feto ou em ambos. receberam uma ligação do médico. "Eu tenho boas notí- Em muitos mamíferos não humanos, uma diminuição nos cias para vocês! Finalmente está disponível um tratamento para mulheres com POI e eu acredito que ele funcionará níveis de estrogênio e de progesterona marca o início do parto. para vocês", explicou o Dr. Baker. Em um procedimen- A diminuição dos níveis de progesterona é lógica, visto que a to recentemente desenvolvido, conhecido como ativação progesterona inibe as contrações uterinas. Nos seres humanos, in vitro (IVA), os ovários da mãe são removidos, cortados entretanto, níveis desse hormônio não diminuem até que o em fatias e novamente inseridos no abdome após serem trabalho de parto esteja em andamento. tratados com fármacos estimuladores da ovulação. Depois Outro possível desencadeante do trabalho de parto é a oci- de aproximadamente seis semanas, os ovócitos maduros tocina, um hormônio peptídico que causa a contração do músculo são coletados cirurgicamente e fertilizados in vitro. Os zigo- uterino. Quando a gestação se aproxima do final, o número de re- tos desenvolvem-se até embriões primários antes de serem ceptores para ocitocina no útero aumenta. Entretanto, estudos têm congelados para posterior transferência ao útero materno. mostrado que a secreção de ocitocina não aumenta antes do início P6: Devido ao tempo de demora da IVA, a mãe deve receber do trabalho de parto. A ocitocina sintética frequentemente é uti- um tratamento hormonal para preparar endométrio uteri- lizada para induzir o trabalho de parto nas mulheres grávidas, mas no para a implantação do embrião. Quais hormônios Kate nem sempre é eficaz. Aparentemente, o início do trabalho de par- deve receber para que seu útero seja capaz de receber um embrião? to requer algo mais do que quantidades adequadas de ocitocina. Outra possibilidade para a indução do trabalho de parto é que o feto libere alguns sinais que indiquem que o seu desenvol- 801 814 817 823 830 834 vimento está completo. Uma teoria apoiada por evidências clí-Fisiologia humana: uma abordagem integrada 831 (a) Feto completamente desenvolvido. Quando o trabalho (d) processo do trabalho de parto é controlado por de parto começa, o feto normalmente está posicionado uma alça de retroalimentação positiva que termina no útero com a cabeça para baixo. com a expulsão do feto. feto Cordão umbilical desce para a parte inferior do útero. + Colo do útero colo Placenta do útero Vagina estira-se, Canal cervical + Ocitocina da + Contrações neuro-hipófise uterinas + Prostaglandinas das paredes do útero (b) Dilatação cervical. As contrações uterinas empurram o feto contra colo do útero amolecido, estirando-o e dilatando-o. nascimento do bebê interrompe o ciclo. Parto. Uma vez que o colo do útero esteja completamente dilatado e estirado, as contrações uterinas empurram o feto para fora através da vagina. FIGURA 26.16 Parto: o processo do nascimento.832 Dee Unglaub Silverthorn nicas é a de que o hormônio liberador da corticotrofina (CRH) suas secreções dentro de um ducto, de modo semelhante às se- secretado pela placenta é o sinal que começa o trabalho de parto. creções exócrinas do pâncreas (Fig. 21.14, p. 676). alvéolo é (O CRH também é um fator liberador hipotalâmico que contro- circundado por um mioepitélio contrátil. la a liberação do ACTH pela adeno-hipófise.) Nas semanas an- Durante a puberdade, as mamas começam a desenvolver- teriores ao parto, os níveis de CRH no sangue materno aumen- -se sob a influência do estrogênio. Os ductos crescem e ramifi- tam rapidamente. Além disso, as mulheres com níveis de CRH cam-se, e é depositada gordura atrás do tecido glandular. Du- elevados já na semana da gestação têm maior probabilidade rante a gestação, as glândulas desenvolvem-se ainda mais sob o de entrar em trabalho de parto prematuro. estímulo do estrogênio, do hormônio do crescimento e do corti- Ainda que não seja conhecido com certeza o que inicia o sol. passo final do desenvolvimento também requer progeste- parto, entendemos a sequência de eventos. Nos dias que antece- rona para converter o epitélio do ducto em uma estrutura secre- dem o início do trabalho de parto ativo, o colo do útero torna-se tora. Esse processo é similar ao efeito da progesterona no útero, mais macio ("amadurece"), e os ligamentos que mantêm os no qual a progesterona faz o endométrio passar a ser um tecido pélvicos unidos se afrouxam à medida que as enzimas desestabili- secretor durante a fase lútea. zam o colágeno do tecido conectivo. controle desses processos Ainda que estrogênio e a progesterona estimulem o de- não é claro e pode ser devido ao estrogênio ou ao hormônio pep- senvolvimento mamário, eles inibem a secreção do leite. A pro- tídico relaxina, a qual é secretada pelos ovários e pela placenta. dução de leite é estimulada pela prolactina liberada pela adeno- Uma vez que as contrações do trabalho de parto começam, -hipófise (p. 213). A prolactina é um hormônio incomum da inicia-se uma alça de retroalimentação positiva que consiste em hipófise, uma vez que sua secreção é primariamente controlada fatores mecânicos e hormonais. feto geralmente está orienta- pelo hormônio inibidor da prolactina (PIH) secretado pelo hi- do de cabeça para baixo (Fig. 26.16a). No incío do trabalho de potálamo. A maioria das evidências sugere que a PIH é, na ver- parto, ele reposiciona-se sozinho na parte inferior do abdome ("o dade, a dopamina, um neuro-hormônio relacionado à adrenalina bebê desceu") e a sua cabeça pressiona o colo do útero amolecido e à noradrenalina (p. 206). (Fig. 26.16b). Durante as fases finais da gestação, a secreção do PIH dimi- estiramento cervical desencadeia contrações uterinas que nui, e a prolactina chega a níveis dez ou mais vezes maiores do que se deslocam como uma onda do topo do útero para baixo, empur- os encontrados em uma mulher não grávida. Antes do parto, quan- rando o feto mais para dentro da pelve. A porção inferior do útero do os níveis de estrogênio e de progesterona também estão altos, as permanece relaxada, e o colo estira-se e dilata-se. dilatamento glândulas mamárias produzem somente pequenas quantidades de cervical inicia um ciclo de retroalimentação positiva de contrações uma secreção fina e com baixa quantidade de gordura, denominada progressivas (Fig. 26.16d). As contrações são reforçadas pela secre- colostro. Após o parto, quando os níveis de estrogênio e de pro- ção da ocitocina proveniente da neuro-hipófise (p. 209), e o estira- gesterona diminuem, as glândulas produzem quantidades maiores mento continuado do colo do útero reforça a secreção da ocitocina. de leite que contêm 4% de gordura e quantidades substanciais de As prostaglandinas são produzidas no útero em resposta à cálcio. As proteínas no colostro e no leite incluem imunoglobulinas secreção de CRH e de ocitocina. As prostaglandinas são muito maternas secretadas nos ductos e absorvidas pelo epitélio intestinal eficazes em causar contrações musculares uterinas em qualquer do bebê (p. 682). Esse processo transfere parte da imunidade da momento. Elas são a causa primária das cólicas menstruais e mãe para o bebê durante as suas primeiras semanas de vida. têm sido utilizadas para induzir o aborto no início da gestação. A sucção, o estímulo mecânico do bebê sugando o mamilo Durante o trabalho de parto e o período expulsivo do parto, as da mãe, também inibe a produção de PIH (Fig. 26.17b). Na au- prostaglandinas reforçam as contrações uterinas induzidas pela sência do PIH, a secreção da prolactina aumenta, resultando na ocitocina (Fig. 26.16d). produção de leite. A gestação não é necessária para a lactação, e À medida que as contrações do trabalho de parto se in- algumas mulheres que adotam crianças conseguem amamentar tensificam, o feto move-se para baixo através da vagina para fora com sucesso. do útero (Fig. 26.16c), ainda ligado à placenta. A placenta, en- A ejeção do leite a partir das glândulas mamárias é co- tão, se solta da parede uterina e é expelida pouco tempo depois. nhecida como reflexo de ejeção do leite e necessita da presença As contrações uterinas comprimem os vasos sanguíneos mater- da ocitocina liberada pela neuro-hipófise. A ocitocina inicia a nos e ajudam a impedir o sangramento excessivo, embora geral- contração do músculo liso no útero e nas mamas. No período mente a mãe perca cerca de 240 mL de sangue no parto. pós-parto, as contrações induzidas pela ocitocina ajudam o útero a voltar ao seu tamanho anterior à gestação. As glândulas mamárias secretam leite Na mama produtora de leite (lactante), a ocitocina causa durante a lactação a contração das células mioepiteliais que circundam os alvéolos e nas paredes dos ductos. A contração cria uma alta pressão nos recém-nascido perde a nutrição materna fornecida pela pla- ductos, que enviam o leite em jatos para a boca do bebê. Embo- centa e precisa contar com uma fonte externa de alimentos. ra a liberação de prolactina necessite do estímulo mecânico da Os primatas, que normalmente têm somente um ou dois filhos sucção, a liberação de ocitocina pode ser estimulada por vários em cada gestação, possuem duas glândulas mamárias funcionais. estímulos cerebrais, incluindo pensar na criança. Muitas mães A glândula mamária é composta por 15 a 20 lobos secretores de que estão amamentando têm liberação inapropriada de leite de- leite (FIG. 26.17a). Cada lobo ramifica-se em lóbulos, e lóbulos sencadeada pelo choro de alguma outra criança. terminam em grupamentos de células, chamados de alvéolos ou A prolactina é relacionada ao hormônio do crescimento e ácinos. Cada alvéolo é composto por epitélio secretor, que libera tem um papel em outros processos reprodutivos e não reprodu-Fisiologia humana: uma abordagem integrada 833 (a) Glândulas mamárias (b) Controle hormonal da secreção e da liberação do leite As células epiteliais das glândulas mamárias secretam leite no A prolactina controla a secreção de leite, e a ocitocina causa lúmen da glândula. A contração do mioepitélio empurra o líquido a contração do músculo liso para a ejeção do para fora dos ductos através das aberturas no mamilo. Som de Centros criança encefálicos Músculo peitoral chorando superiores maior Gordura peitoral Ligamentos Hipotálamo suspensores Célula Lobos de produtora tecido glandular de PIH Neurônio produtor de ocitocina Ducto lactífero Mamilo Sistema porta Aréola PIH Neuro- Adeno- -hipófise -hipófise A inibição das células produtoras de prolactina é removida. Prolactina 1 Ocitocina Lóbulo da glândula mamária Informação sensorial ascendente Secreção de leite Leite Contração do ejetado músculo liso Ducto lactífero Células musculares na parede do ducto Células epiteliais secretoras de leite Sucção Mecanorreceptores no mamilo Células mioepiteliais Alvéolo da glândula mamária FIGURA 26.17 Lactação. tivos. Todos os homens e todas as mulheres não lactantes pos- CRESCIMENTO E ENVELHECIMENTO suem uma secreção tônica de prolactina, que apresenta um ciclo diurno, tendo seu pico durante o sono. A prolactina também está período reprodutivo começa com eventos que ocorrem apro- envolviva na fertilidade tanto em homens quanto em mulheres, ximadamente na puberdade e terminam com a diminuição da mas esta função ainda está sendo investigada. produção hormonal pelas gônadas.834 Dee Unglaub Silverthorn A puberdade marca 0 início do período A menopausa e a andropausa são reprodutivo consequências do envelhecimento Nas mulheres, o início da puberdade é marcado pelo crescimento Na América do século 19, muitas pessoas morriam devido a das mamas e pela primeira menstruação, conhecida como me- doenças agudas, embora permanecessem ativas reprodutivamen- narca, um momento com significado ritual em muitas cultu- te. Agora, a medicina moderna tem controlado a maioria das ras. Nos Estados Unidos, a idade média da menarca é 12 anos doenças agudas, e a maioria de nós vive bem mais do que a idade (a faixa considerada normal é entre 8-13 anos). em que é provável que nós tenhamos filhos. Nos meninos, o início da puberdade é mais sutil. Os sinais Os ciclos reprodutivos femininos cessam completamente incluem crescimento e maturação da genitália externa; desen- no momento conhecido como menopausa. A fisiologia da me- volvimento das características sexuais secundárias, como pelos nopausa tem sido bem estudada. Após cerca de 40 anos de ciclos pubianos e faciais, engrossamento da voz; mudança na forma menstruais, os períodos menstruais da mulher tornam-se irre- corporal e aumento da estatura. A idade do início da puberdade gulares (perimenopausa) até que finalmente cessam. A cessação masculina varia entre 9 e 14 anos. dos ciclos reprodutivos não é causada pela hipófise, mas pelos A puberdade requer a maturação das vias de controle hi- ovários, que não respondem mais às gonadotrofinas. Na ausên- potálamo-hipófise. Antes da puberdade, a criança apresenta bai- cia da retroalimentação negativa, níveis de gonadotrofinas XOS níveis de hormônios esteroides sexuais e de gonadotrofinas. aumentam bastante em um esforço para estimular os ovários a Como baixos níveis de hormônios sexuais normalmente au- amadurecerem mais folículos. mentam a liberação das gonadotrofinas, a combinação de baixos A ausência do estrogênio na mulher pós-menopáusica leva níveis de esteroides e de gonadotrofinas indica que o hipotálamo a sintomas com gravidade variável. Eles podem incluir fogachos e a hipófise ainda não estão sensíveis aos níveis de esteroides no (p. 723), atrofia da genitália e das mamas e osteoporose causada sangue. pela perda de cálcio dos (p. 749). A terapia de reposição Na puberdade, os neurônios hipotalâmicos secretores de hormonal (HRT) para mulheres na menopausa tradicionalmen- GnRH aumentam a sua secreção pulsátil de GnRH, o que, por te consiste em administrar estrogênio ou uma combinação de sua vez, aumenta a liberação de gonadotrofinas. Os sinais res- estrogênio e progesterona. Entretanto, esse tratamento se tornou ponsáveis pelo início da puberdade são complexos. Uma teoria controverso em 2002, quando alguns estudos sugeriram que os propõe que a maturação geneticamente programada dos neurô- riscos da HRT superam os benefícios. Um consenso internacio- nios hipotalâmicos inicia a puberdade. Sabe-se que a puberdade nal de 2013, declarado por diversas sociedades profisionais, pu- possui uma base genética, pois os padrões herdados de maturação blicou orientações para o uso da HRT. são comuns. Se uma mulher não começa a menstruar antes dos Uma nova terapia farmacológica para a menopausa utiliza 16 anos, por exemplo, é provável que suas irmãs também tenham moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERMs, do inglês, uma menarca tardia. selective estrogen receptor modulators). Esses fármacos se ligam hormônio do tecido adiposo leptina (p. 694) também com diferentes afinidades aos dois subtipos do receptor de estro- contribui para o início da puberdade. Em mulheres desnutridas gênio, o que permite que eles mimetizem os efeitos benéficos dos com pouco tecido adiposo e níveis baixos de leptina, frequente- estrogênios nos ossos, ao passo que evitam efeitos potencial- mente existe interrupção da menstruação (amenorreia), e camun- mente prejudiciais nas mamas e no útero. dongos nocaute* para leptina são inférteis. Presumivelmente, a Nos homens, a produção de testosterona decai com a ida- melhora da nutrição no último século aumentou estoques de de, e cerca de metade dos homens com mais de 50 anos apre- gordura pré-puberal e a secreção da leptina, o que poderia intera- sentarão os sintomas da andropausa, um termo cunhado como gir com outros fatores para iniciar a puberdade. equivalente masculino para a menopausa. A existência da andro- pausa fisiológica nos homens ainda permanece controversa pelo fato de os sintomas físicos e psicológicos do envelhecimento nos homens não estarem claramente ligados à queda da testosterona, *N. de T. Camundongos nocaute são modelos experimentais genetica- embora exista uma recente tendência publicitária de estimular a mente modificados em que um determinado gene é eliminado. terapia de reposição da testosterona.Fisiologia humana: uma abordagem integrada 835 SOLUCIONANDO PROBLEMA CONCLUSÃO Infertilidade Kate e John ficam entusiasmados com as novidades do Dr. Baker e decidi- No problema apresentado, você aprendeu como a causa da infertilidade é diag- ram seguir com 0 novo tratamento. Seis semanas após 0 procedimento, três nosticada em um casal típico. ovócitos foram coletados das tubas uterinas de Kate e fertilizados in vitro com os espermatozoides de John. Um por vez, embriões foram descongelados, Para testar 0 seu conhecimento, compare as suas respostas com as informa- transferidos para 0 útero de Kate e dado tempo para que se implantassem e ções sintetizadas na tabela a seguir. desenvolvessem. Os primeiros dois ciclos não tiveram sucesso, porém a última transferência deu origem a um saudável menino. Pergunta Fatos Integração e análise P1: Cite (em ordem) as estruturas do trato genital As estruturas genitais masculinas incluem Os espermatozoides deixam túbulos seminíferos dos masculino que transportam espermatozoides testículos, órgãos glandulares acessórios, testículos, passam pelo epidídimo, depois pelos vasos dos túbulos seminíferos para meio externo. uma série de ductos e a genitália externa. deferentes e, por fim, deixam 0 corpo pela uretra. P2: Em qual estrutura reprodutiva masculina Quando deixam túbulos seminíferos, A maturação ocorre no epidídimo, auxiliada pelas espermatozoides alcançam a maturidade? espermatozoides ainda não estão maduros. secreções dessa estrutura. Eles levam cerca de duas semanas para se moverem ao longo do epidídimo. P3: Em quais causas da infertilidade masculina 0 epidídimo é 0 primeiro ducto no qual 0 Se 0 problema de infertilidade é devido a um bloqueio a técnica de retirada de espermatozoides do espermatozoide entra após deixar testículos. ou defeito congênito no ducto deferente ou na uretra, epidídimo poderia ser necessária? a remoção dos espermatozoides do epidídimo poderia ser útil. Se 0 problema é causado por baixo número ou morfologia anormal dos espermatozoides, essa técnica provavelmente não seria útil. P4: Para quais causas de infertilidade feminina A temperatura corporal basal aumenta 0 acompanhamento da temperatura é uma maneira acompanhamento da temperatura é útil? E para levemente após a ovulação. útil de se dizer se uma mulher está ovulando, mas não quais causas não é útil? revela problemas estruturais ou fisiológicos nas tubas uterinas ou no útero. P5: Como você espera que os níveis de FSH e de Os ovários de uma mulher com POI não 0 estrogênio é secretado pelos folículos maduros e pelo estrogênio (comparados ao normal) estejam em produzem folículos maduros. 0 estrogênio corpo lúteo. Dessa forma, níveis de estrogênio estarão uma mulher com POI? exerce um efeito de retroalimentação negativa baixos. Baixos níveis de estrogênio resultam em menor na adeno-hipófise. retroalimentação negativa e níveis de FSH elevados. P6: Quais hormônios Kate deve receber para que Normalmente, 0 endométrio transforma-se em 0 corpo lúteo secreta estrogênio e progesterona para seu útero seja capaz de receber um embrião? uma estrutura secretora capaz de receber 0 preparar 0 útero para a implantação de um embrião, embrião durante a fase lútea do ciclo ovariano. assim Kate deve receber esses hormônios. Este caso clínico foi desenvolvido por Douglas Shannon enquanto era estudante da University of Texas e se preparava para entrar na residência. Reproduzido com autorização. 801 814 817 823 830 835 RESUMO DO CAPÍTULO Neste capítulo, você aprendeu como a espécie humana se autoperpetua 2. Os testículos produzem os espermatozoides. Os ovários pro- pela reprodução. sistema reprodutivo possui um dos mais complexos duzem os ovócitos. As células embrionárias que dão origem aos sistemas de controle do corpo humano, no qual múltiplos hormônios e ou- gametas (espermatozoides e ovócitos) são chamadas de células tras moléculas de sinalização interagem em um padrão de contínua mu- germinativas. (p. 801) dança. A homeostasia do sistema reprodutivo adulto está longe de ser um 3. Os seres humanos possuem 23 pares de cromossomos, ou 46 cro- estado estacionário, principalmente durante o ciclo menstrual feminino, mossomos. (p. 801; Fig. 26.1a) quando efeitos de retroalimentação do estrogênio mudam de negativos para positivos e retornam a negativos novamente. Um exemplo de retro- 4. o sexo genético de um indivíduo depende dos cromossomos sexuais: as mulheres são XX e homens são XY. Na ausência de alimentação positiva ocorre com a secreção de ocitocina durante o parto. um cromossomo Y, um embrião se desenvolverá como mulher. Os testículos fornecem um ótimo exemplo de compartimentalização, com o lúmen dos túbulos seminíferos, onde os espermatozoides se desenvol- (p. 801; Fig. 26.1b) vem, isolados do resto do compartimento extracelular. 5. gene SRY do cromossomo Y codifica a proteína SRY, um fator de determinação testicular que converte a glândula bipotencial em Determinação do sexo testículo. Na ausência da proteína SRY, a gônada torna-se um ová- rio. (p. 802) 1. Os orgãos sexuais consistem em gônadas, genitália interna e ge- nitália externa. (p. 801)836 Dee Unglaub Silverthorn 6. As células de Sertoli testiculares secretam hormônio anti- 19. As células de Sertoli regulam desenvolvimento dos espermato- -mülleriano (AMH), que faz ductos de Müller regredirem. zoides. Eles também produzem inibina, ativina, fatores de cresci- As células intersticiais (Leydig) secretam testosterona, que mento, enzimas e proteína ligadora de androgênio (p. 811; converte os ductos de Wolff em estruturas acessórias masculinas. Fig. 26.8) A (DHT) promove o desenvolvimento da 20. As células intersticiais produzem 95% da testosterona masculina. próstata e da genitália externa. (pp. 802, 803; Fig. 26.2) Os outros 5% são provenientes do córtex da glândula suprarrenal. 7. A ausência de testosterona e de AMH faz os ductos de Müller da- (p. 811) rem origem às tubas uterinas ou trompas de Falópio (ovidutos), 21. FSH estimula as células de Sertoli a produzirem a proteína ao útero e à vagina. Nas mulheres, o ducto de Wolff regride. ligadora de androgênio, inibina e moléculas parácrinas. As células (p. 803; Fig. 26.2) intersticiais produzem testosterona sob controle do LH. (p. 815; Fig. 26.8) Padrões básicos da reprodução 22. A glândula prostática, as vesículas seminais e as glândulas bul- 8. A gametogênese inicia com a divisão mitótica da espermatogônia bouretrais secretam o líquido que compõe o sêmen. (pp. 811, 815) e da ovogônia. o primeiro passo da meiose dá origem aos esper- 23. As características sexuais primárias são os órgãos sexuais internos matócitos primários e aos ovócitos primários. A primeira divisão e a genitália externa. As características sexuais secundárias são meiótica origina dois espermatócitos secundários idênticos nos outras características corporais, como a forma do corpo. (p. 815) homens ou um grande ovócito secundário e um minúsculo cor- púsculo polar primário nas mulheres. (pp. 806, 807; Fig. 26.5) Reprodução feminina 9. Nos homens, a segunda divisão meiótica dá origem a espermáti- des haploides que maturam até espermatozoides. Nas mulheres, 24. A genitália externa feminina, chamada de vulva ou pudendo, é a segunda divisão meiótica não se completa até que ovócito seja formada pelos lábios maiores do pudendo, lábios menores do fecundado. (p. 807; Fig. 26.5) pudendo e o clitóris. A abertura ou óstio da uretra encontra-se entre clitóris e a vagina. (p. 816; Fig. 26.9) 10. Em ambos os sexos, hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) controla a secreção do hormônio folículo-estimulante 25. As camadas de tecido uterino são: tecido conectivo externo, mio- (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) pela adeno-hipófise. métrio e endométrio. (p. 816; Fig. 26.9d) FSH e os hormônios esteroides sexuais regulam a gametogênese 26. As tubas uterinas são revestidas por um epitélio ciliado. A maior nas células gonadais produtoras de gametas. LH estimula a pro- parte de um ovário consiste nos folículos ovarianos. (p. 816; dução de hormônios esteroides sexuais. (p. 809; Fig. 26.6) Fig. 26.9e) 11. Os hormônios esteroides sexuais incluem androgênios, estrogê- 27. Os ovócitos são produzidos mensalmente em ciclos menstruais. nios e progesterona. A aromatase converte androgênios em es- (p. 817; Fig. 26.11) trogênios. A inibina inibe a secreção de FSH, e a ativina estimula 28. No ciclo ovariano, a fase folicular é período de crescimento a secreção de FSH. (pp. 807, 808, 809) folicular. A ovulação é a liberação do ovócito do seu folículo. 12. Os esteroides gonadais geralmente suprimem a secreção de Na fase lútea, o folículo rompido torna-se o corpo lúteo. (p. 817; GnRH, FSH e LH. Entretanto, se estrogênio aumenta rapida- Fig. 26.11) mente acima do nível limiar por no mínimo 36 horas, a retroali- 29. A menstruação inicia o ciclo uterino. Esta é seguida pela fase mentação muda para positiva e estimula a liberação de gonadotro- proliferativa, com o espessamento do endométrio. Após a ovula- finas. (p. 809) ção, endométrio entra na fase secretora. (p. 817; Fig. 26.11) 13. Após a puberdade, a liberação tônica do GnRH ocorre em peque- 30. As células da granulosa foliculares secretam estrogênio. No final nos pulsos a cada 1 a 3 horas, a partir de uma região hipotalâmica da fase folicular, um pico de LH é necessário para a maturação do denominada gerador de pulso. (p. 810) ovócito. (p. 820; Fig. 26.11) Reprodução masculina 31. O corpo lúteo secreta progesterona e pouco estrogênio, o qual exerce retroalimentação negativa no hipotálamo e na adeno-hipó- 14. corpo esponjoso e os corpos cavernosos formam o tecido erétil fise. (p. 823; Fig. 26.12) do pênis. A glande é coberta pelo prepúcio. A uretra passa ao lon- 32. Os estrogênios e androgênios são responsáveis pelas caracterís- go do pênis. (p. 810; Fig. 26.7) ticas sexuais primárias e secundárias da mulher. (p. 823) 15. Os testículos migram para dentro do escroto durante o desenvolvi- mento fetal. A falha na descida de um ou mais testísculos é conhe- cida como criptorquidismo. (p. 811) Procriação 16. Os testículos são compostos por túbulos seminíferos e por te- 33. ato sexual humano é dividido em quatro fases: (1) excitação, cido intersticial contendo vasos sanguíneos e células de Leydig. (2) platô, (3) orgasmo e (4) resolução. (p. 824) Os túbulos seminíferos entram no epidídimo, que dá origem ao 34. reflexo de ereção masculino é um reflexo espinal que pode ser ducto deferente. ducto deferente desemboca na uretra. (p. 811; influenciado pelos centros encefálicos superiores. O estímulo do Fig. 26.7b) parassimpático mediado pelo óxido nítrico dilata ativamente as 17. Os túbulos seminíferos contêm espermatogônias, espermatócitos arteríolas penianas. (p. 824; Fig. 26.13) e células de Sertoli. As junções oclusivas entre as células de Sertoli 35. A emissão é o movimento dos espermatozoides do ducto deferen- formam a barreira hematotesticular. (p. 811; Fig. 26.7d, e) te para a uretra. A ejaculação é a expulsão do sêmen para meio 18. As espermatogônias nos túbulos sofrem meiose, tornando-se es- externo. (p. 824) permatócitos primários, espermátides e, por fim, espermatozoides 36. Os métodos contraceptivos incluem abstinência, métodos de em aproximadamente 64 dias. Os espermatozoides alcançam sua barreira, prevenção da implantação e tratamentos hormonais. maturidade no epidídimo. (p. 811; Fig. 26.7e) (pp. 825, 826)Fisiologia humana: uma abordagem integrada 837 37. A infertilidade pode se originar de problemas no homem, na mu- 44. A placenta secreta hCG, estrogênio, progesterona e lactogênio lher ou em ambos. A fertilização in vitro tem permitido que alguns placentário humano. Este último hormônio tem um papel impor- casais inférteis tenham filhos. (p. 827) tante no metabolismo (p. 830) 45. Durante a gestação, o estrogênio contribui para o desenvolvimento Gestação e parto dos ductos lactíferos das mamas. A progesterona é essencial para a 38. espermatozoide deve sofrer capacitação antes de poder fertili- manutenção do endométrio e, juntamente com a relaxina, ajuda a zar o ovócito. (p. 827) inibir as contrações uterinas. (p. 832) 39. A fertilização geralmente ocorre na tuba uterina. espermatozoi- 46. parto normalmente ocorre entre a e a semanas de gesta- de capacitado libera as enzimas acrossomais (reação acrossômica) ção. Ele inicia com o trabalho de parto e termina com a expulsão para dissolver as junções celulares e a zona pelúcida do ovócito. do feto e da placenta. Uma alça de retroalimentação positiva da primeiro espermatozoide a alcançar o ovócito fertiliza-o. (p. 827; secreção da ocitocina causa contrações musculares uterinas. Fig. 26.14) (pp. 827, 830; Fig. 26.16) 40. A fusão das membranas do ovócito e do espermatozoide inicia a 47. Após o parto, as glândulas mamárias produzem leite sob a influên- reação cortical, que previne a polispermia. (p. 827) cia da prolactina. leite é liberado durante a amamentação pela ocitocina, que faz as células mioepiteliais das glândulas mamárias 41. Quando alcança útero, embrião em desenvolvimento é um se contraírem. (p. 832; Fig. 26.17) blactocisto Uma vez que blastocisto se implanta, as mem- branas extraembrionárias desenvolvem-se. (p. 827; Figs. 26.14d, 26.15) Crescimento e envelhecimento 42. As vilosidades coriônicas da placenta são rodeadas por lagos de 48. Nas meninas, a puberdade inicia com a menarca, o primeiro sangue materno onde os nutrientes, gases e resíduos são tro- período menstrual, na idade de 8 a 13 anos. A idade do início da cados entre a mãe e embrião. (p. 829; Fig. 26.15) puberdade dos meninos varia entre 9 e 14 anos. (p. 834) 43. o corpo lúteo permanece ativo durante início da gestação devido 49. A interrupção dos ciclos reprodutivos nas mulheres é conhecida à gonadotrofina coriônica humana (hCG) produzida pelo em- como menopausa. Com o avançar da idade, alguns homens apre- brião em desenvolvimento. (p. 829) sentam sintomas da deficiência de testosterona. (p. 834) QUESTÕES PARA REVISÃO Além da resolução destas questões e da checagem de suas respostas na p. reveja os Tópicos abordados e objetivos de aprendizagem, no início deste capítulo. Nível um Revisando fatos e termos 5. Desenhe as rotas anatômicas em direção ao meio externo seguidas por um espermatozoide recém-formado e por um ovócito ovulado. 1. Relacione cada um dos seguintes itens com todos os termos aos Dê o nome de todas as estruturas pelas quais gametas passam quais se aplicam: no seu trajeto. (a) ou Y 1. outros cromossomos que não 6. Decida se cada uma das seguintes afirmativas é verdadeira ou falsa (b) cromossomo inativado os cromossomos sexuais e justifique a sua resposta. (c) XX 2. ovócito fertilizado (a) Toda testosterona é produzida pelos testículos. (b) Somente homens produzem testosterona e somente mulheres (d) XY 3. espermatozoide ou ovócito produzem estrogênios. (e) XX ou XY 4. cromossomos sexuais (c) uso de esteroides anabólicos parece gerar dependência, e os (f) autossomos 5. células germinativas sintomas de abstinência incluem distúrbios psicológicos. 6. cromossomos do homem (d) Altos níveis de estrogênio na fase folicular tardia ajudam a preparar útero para a menstruação. 7. cromossomos da mulher (e) A progesterona é o hormônio dominante na fase lútea do 8. corpúsculo de Barr ciclo ovariano. 7. que é sêmen? Quais são seus componentes principais e onde 2. cromossomo Y contém uma região para determinação do sexo eles são produzidos? masculino que é conhecida como gene 8. Liste e dê um exemplo específico dos diversos métodos contracep- 3. Liste as funções das gônadas. Em que produtos da função das tivos. Qual(is) é(são) o(s) mais eficaz(es)? E o menos eficaz? gônadas diferem em homens e em mulheres? 4. Defina cada um dos seguintes termos e descreva seu significado Nível dois Revisando conceitos para a fisiologia reprodutiva: (a) aromatase. 9. Por que as características ligadas ao X aparecem mais frequente- (b) barreira hematotesticular. mente nos homens do que nas mulheres? (c) proteína ligadora de androgênio. 10. Faça um diagrama do controle hormonal da gametogênese (d) primeiro corpúsculo polar. masculina. (e) acrossomo. 11. Faça um diagrama do ciclo menstrual, distinguindo entre o ciclo ovariano e o ciclo uterino. Inclua todos os hormônios relevantes.838 Dee Unglaub Silverthorn 12. Mapas conceituais: faça um mapa com os seguintes grupos de 18. Às vezes, folículo não se rompe na ovulação, embora pareça ter termos. Você pode adicionar outros termos se desejar. passado por todos estágios do desenvolvimento. Essa condi- Lista 1 ção resulta em cistos ovarianos benignos, e os folículos que não se romperam podem ser palpados como saliências na superfície AMH espermátides dos ovários. Se os cistos persistem, sintomas dessa condição células de Sertoli espermatócitos frequentemente mimetizam uma gravidez, com falha de períodos células intersticiais menstruais e mamas doloridas. Explique o que causa esses sinto- espermatogônia mas, utilizando esquemas se necessário. DHT espermatozoide 19. Um indivíduo XY herda uma mutação que resulta em receptores ductos de Müller SRY de androgênio completamente não funcionais. ductos de Wolff testosterona (a) Esta pessoa é geneticamente masculina ou feminina? (b) Esta pessoa possuirá ovários funcionais, testículos funcionais ou gônadas não funcionais ou incompletamente desenvolvidas? Lista 2 (c) Esta pessoa possuirá ductos de Wolff e seus derivados? E os antro endométrio ductos de Müller e seus derivados? (d) Esta pessoa possuirá aparência externa masculina ou feminina? células da granulosa folículo 20. Os bebês de mães com diabetes melito gestacional tendem a ser células da teca miométrio mais pesados ao nascimento. Eles também têm risco de desenvol- corpo lúteo ovócito ver hipoglicemia imediatamente após o nascimento. Utilize o que você aprendeu sobre diabetes e insulina para explicar essas duas 13. Defina e relacione cada um dos seguintes termos em cada grupo: observações. Dica: estes bebês têm resposta normal à insulina. (a) gameta, zigoto, célula germinativa, embrião, feto. (b) coito, ereção, ejaculação, orgasmo, emissão, zonas Nível quatro Problemas quantitativos erógenas. (c) capacitação, zona pelúcida, reação acrossômica, reação corti- 21. gráfico a seguir mostra os resultados de um experimento no cal, grânulos corticais. qual a testosterona é dada a homens saudáveis por um período de (d) puberdade, menarca, menopausa, andropausa. meses (indicado pela barra que vai de A a E). Valores-controle dos hormônios foram medidos antes do início do experimento. 14. Compare as ações em homens e em mulheres de cada um dos se- Entre os tempos e C, também foi dado FSH aos homens. Entre guintes hormônios. os tempos D e E também foi dado LH. Com base na informação (a) FSH. dada, responda às seguintes questões: (b) Inibina. (c) Ativina. (d) GnRH. 400 FSH LH (e) LH. (f) DHT. (g) Estrogênio. (h) Testosterona. 15. Compare e diferencie os eventos das quatro fases da relação sexual Testosterona plasmática Gonadotrofinas plasmáticas (mg/mL) 200 (i) Progesterona. LH FSH em homens e em mulheres. 0 16. Discuta o papel de cada um dos seguintes hormônios na gestação, no trabalho de parto, período expulsivo do parto, no desenvolvi- mento das glândulas mamárias e na lactação: 1000 (a) gonadotrofina coriônica humana. (mg/mL) 500 (b) hormônio luteinizante. Testosterona (c) lactogênio placentário humano. 0 (d) estrogênio. A D E (e) progesterona. Meses (f) relaxina. (g) prolactina. (a) Por que os níveis de testosterona começaram a se elevar a partir do ponto A? Nivel três Solucionando problemas (b) Por que os níveis de LH e de FSH começaram a diminuir a partir 17. A síndrome de Down é um defeito cromossômico conhecido do ponto A? como "trissomia" (três cópias, em vez de duas) do cromossomo 21. (c) Diga o que acontecerá com a produção de espermatozoides nos O cromossomo extra geralmente vem da mãe. Descubra as causas intervalos A-B, B-C e D-E. da trissomia utilizando que você aprendeu sobre os eventos que envolvem a fertilização. As respostas para as questões de Revisando conceitos, Figuras, Questões gráficas e Questões para revisão ao final do capítulo podem ser encontradas no Apêndice A (p. A-1).

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