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Técnico em Contabilidade Processo de elaboração da folha de pagamento: cálculo de proventos (salário, salário-família, horas extras, comissões, abonos, gratificações, prêmios, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, adicional noturno), afastamentos, salário- maternidade, cálculo de descontos (INSS, imposto de renda, descontos para sindicato, faltas e atrasos, desconto do repouso semanal remunerado, vale-transporte, pensão alimentícia, adiantamento de salário, seguro de vida, vale-refeição, plano de saúde) Você está chegando a mais uma etapa do curso Técnico em Contabilidade. Este conhecimento, assim, tem como objetivo ajudar você, futuro profissional da área, a auxiliar os gestores do departamento pessoal nas rotinas trabalhistas e previdenciárias. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 1/45 A folha de pagamento nada mais é do que um controle mensal do montante pago aos empregados por seus serviços prestados à empresa durante determinado período de tempo. Essa folha é composta dos eventos de proventos e descontos, conforme demonstrado a seguir. Cálculo de proventos Também conhecidos como vencimentos, os proventos compõem o salário bruto de um empregado, isto é, são todos os valores que a empresa deve pagar a seus funcionários mensalmente (por exemplo, o salário, que é uma remuneração fixa, e os adicionais de hora extra, descanso semanal remunerado – DSR, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, entre outras remunerações variáveis). Já se sabe que uma das principais atividades do profissional que trabalha no departamento pessoal é a elaboração da folha de pagamento. Para isso, é necessário estar atualizado das informações sobre direitos trabalhistas, benefícios, remuneração e descontos, pois todos esses elementos devem estar de acordo com o contrato de trabalho de cada empregado devidamente registrado na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 2/45 Veja a seguir o detalhamento dos proventos: Salário O salário é a remuneração devida e paga pelo empregador diretamente ao empregado pelo trabalho prestado. Com relação às diferenças entre salário mínimo e salário-base, salário mínimo é o valor base legal mínimo que os empregadores devem pagar aos empregados para compensar a força e o tempo gastos na produção ou no serviço. Conforme o artigo 76 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o salário mínimo deve ser pago tanto a trabalhadores urbanos quanto a trabalhadores rurais, sem distinção de sexo, e deve cobrir as necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte do trabalhador. Já salário-base é aquele cujo valor está expresso em lei, de acordo com a profissão que o empregado exerce (por exemplo: médicos, engenheiros, administradores etc.). Salário-família O salário-família, de acordo com as regras da Previdência Social, é um auxílio previdenciário pago ao empregado com filhos menores de 14 anos que vivam sob sua guarda. Somente têm direito a esse auxílio os trabalhadores que recebem salários dentro dos limites fixados pela Previdência Social. O pagamento do benefício está sujeito à apresentação de certidão de nascimento do dependente, caderneta de vacinação para os dependentes de até 6 anos de idade e comprovação semestral de frequência à escola dos 6 anos aos 14 anos de idade. Se pai e mãe são empregados, ambos têm direito a receber o auxílio. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 3/45 A tabela do salário-família, com as faixas de limites de valores e as suas respectivas cotas, é atualizada anualmente pelo Ministério da Economia. Horas extras As horas extras são adicionais devidos ao empregado que prorrogar, diária ou semanalmente, sua jornada de trabalho legal ou contratual. Esse percentual de horas extras deve ser pago caso o empregado passe do seu horário normal de trabalho. As horas excedentes praticadas em dias normais (de segunda-feira a sábado) são remuneradas a 50%, e as praticadas em domingos e feriados são remuneradas a 100%. Conforme a CLT, o limite das horas extras que um funcionário pode cumprir é de duas horas diárias, não podendo ultrapassar a carga diária de dez horas de trabalho. Como calcular a hora extra? É simples: basta dividir o valor do salário-base do trabalhador pelas horas da jornada mensal (a qual normalmente compreende 220 horas), multiplicar o valor resultante pelo percentual (conforme for o caso) e multiplicar novamente pelas horas extras realizadas, conforme esta fórmula: Confira alguns cálculos por meio dos exemplos práticos a seguir: Exemplo prático Pedro é assistente de logística em uma loja de calçados e, devido a uma grande demanda de importação, teve que fazer 12 horas extras no mês, sendo 8 horas em dias úteis e 4 horas em um feriado. Para calcular os adicionais de hora extra, é preciso saber o valor do salário-base de Pedro, que é de R$ 1.200,00, e a sua jornada mensal, que é de 220 horas. Então, pode-se partir para a organização das informações: 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 4/45 Pedro: assistente de logística 8 horas a 50% 4 horas a 100% Salário-base: R$ 1.200,00 Horas no mês: 220 horas Horas excedentes: 8 horas Comece calculando o adicional de 8 horas extras a 50%: R$ 1.200,00 ÷ 220 = R$ 5,45 (hora normal) R$ 5,45 × 1,50 = R$ 8,17 (hora acrescida de 50%) R$ 8,17 × 8 = R$ 65,36 (8 horas acrescidas de 50%) Para facilitar o cálculo, em vez de multiplicar por 50%, utilize o decimal 1,50. Agora, calcule o adicional de 4 horas extras a 100%: R$ 5,45 (hora normal) R$ 5,45 × 2 = R$ 10,90 (hora acrescida de 100%) R$ 10,90 × 4 = R$ 43,60 (4 horas acrescidas de 100%) Para facilitar o cálculo mais uma vez, em vez de multiplicar por 100%, multiplique por 2. Resposta: Pedro receberá o valor de R$ 65,36 referente às 8 horas extras a 50% e o valor de R$ 43,60 referente às 4 horas extras a 100%. O valor total de horas extras de Pedro é de R$ 108,96. DSR 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 5/45 O DSR, que significa “descanso semanal remunerado”, é um direito assegurado do empregado de receber o valor correspondente a um dia de serviço pela sua folga. Contudo, para que o trabalhador tenha direito ao DSR, é necessário que seu horário de trabalho tenha sido cumprido integralmente, ou seja, sem faltas, atrasos ou saídas sem motivo justificado. As horas extras aumentam a jornada de trabalho e, consequentemente, refletem no pagamento do DSR. Como calcular o DSR sobre as horas extras? É fácil: basta dividir o total de horas extras realizadas pelo número de dias úteis do mês e multiplicar o valor resultante pelo número de domingos e feriados do mês, conforme a fórmula que segue: Exemplo prático É o momento de calcular o DSR sobre as horas extras de Pedro. Para isso, você precisará de algumas informações, que são o valor total de horas extras e o número de dias úteis e de domingos e feriados do mês corrente. Para saber o valor que corresponde ao DSR, é necessário dividir o valor em reais das horas extras de Pedro pelo número de dias úteis do mês e multiplicar o valor resultante pelo número de domingos e feriados do mês de referência. Suponha que o mês em questão seja o de outubro, que tem 25 dias úteis, 5 domingos e 1 feriado. Parte-se, então, para a organização das informações: Total de horas extras: R$ 108,96 Número de dias úteis: 25 Domingos e feriados: 6 R$ 108,96 ÷ 25 = R$ 4,35 R$ 4,35 × 6 = R$ 26,15 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 6/45 Resposta: Pedro receberá o valor de R$ 26,15 referente ao DSR pelas horas extras realizadas. Comissões Abono salarial O abono salarial é um benefício pago ao trabalhador vinculado ao Programa de Integração Social (PIS). Esse abono foi instituído pela Lei n.º 7.998/1990 e equivale ao pagamento de no máximo um salário mínimo anual aos empregados que recebem até As comissões são os valores pagos de acordo comos resultados de atividades desenvolvidas, normalmente com relação aos empregados do comércio, e estão vinculadas ao atingimento de metas estipuladas, gerando um valor variável para o trabalhador. O contrato de trabalho define essa situação particular do empregado comissionista, mas a remuneração não pode ser inferior a um salário mínimo. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 7/45 dois salários mínimos mensais. O benefício é sustentado por fundos originados da contribuição das empresas ao PIS. Para ter direito ao benefício, o empregado deve: estar inscrito no PIS há pelo menos cinco anos; ter recebido remuneração média anual de até dois salários mínimos mensais durante o ano-base; ter exercido atividade remunerada de pelo menos 30 dias no ano-base considerado para a apuração; e ter seus dados preenchidos corretamente pelo empregador (pessoa jurídica) na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), entregue anualmente ao Ministério da Economia. Existe um calendário para o recebimento do abono, e os pagamentos são realizados pela Caixa Econômica Federal. Porém, trabalhadores de empresas conveniadas ao convênio Caixa PIS-Empresa podem receber o valor do abono salarial diretamente na folha de pagamento, desde que a empresa esteja certificada pelo portal Conectividade Social, que é um canal eletrônico de relacionamento desenvolvido pela Caixa e disponibilizado gratuitamente às empresas. O abono salarial é apenas um repasse de valores. Portanto, quando pago pelo empregador no contracheque, não deverá ser somado aos encargos do mês. Gratificações e prêmios 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 8/45 Adicional de insalubridade Conforme a Portaria n.º 3.214/1978 do Ministério do Trabalho, o adicional de insalubridade é pago a todos os empregados expostos a atividades insalubres, com base na Norma Regulamentadora 15 (NR-15), anexa à portaria. O cálculo de pagamento baseia-se em três níveis, de acordo com a exposição de risco: As gratificações e os prêmios, assim como as comissões, correspondem à parte variável do salário. São valores pagos de acordo com contrato de trabalho, acordos ou dissídios, ou por liberalidade do empregador, correspondendo, normalmente, a pagamentos extras eventuais, como forma de reconhecimento por dedicação, tempo de serviço (as gratificações) ou produção, qualidade, assiduidade (os prêmios). 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 9/45 Grau de insalubridade Adicional Máximo 40% Médio 20% Mínimo 10% Tabela 1 – Graus de insalubridade Fonte: Senac EAD (2022) Como calcular o adicional de insalubridade? O cálculo não é difícil: deve-se multiplicar o valor do salário mínimo pela alíquota correspondente ao grau de risco da empresa, que pode ser de 10%, 20% ou 40%, conforme a fórmula a seguir: Exemplo prático Guilherme é auxiliar de serviços gerais em uma fábrica classificada com grau de risco de 20%. Como o adicional é calculado sobre o salário mínimo, que, no ano de 2022, é de R$ 1.212,00, deve-se multiplicar esse valor por 20%. Guilherme: auxiliar de serviços gerais Salário mínimo (ano de 2022): R$ 1.212,00 Insalubridade (grau médio): 20% 1.212 x 20% = R$ 242,40 Resposta: Guilherme receberá o valor de R$ 242,40 de adicional de insalubridade. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 10/45 Adicional de periculosidade Quando exposto a situações de periculosidade no ambiente de trabalho (contato com substâncias inflamáveis ou explosivas, por exemplo), o trabalhador terá direito a um adicional de 30% sobre o salário-base, conforme assegurado pelo artigo 193 da CLT. O adicional é calculado tendo como referência somente o salário-base recebido pelo trabalhador, não incidindo sobre outras vantagens constantes da remuneração. A periculosidade cessa com a eliminação do risco. O artigo 193 da CLT, com redação dada pela Lei n.º 12.740, de 8 de dezembro de 2012, diz o seguinte: São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma de regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a: I - Inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. (BRASIL, 1943) A existência de condições insalubres e perigosas em um mesmo ambiente de trabalho não justifica o recebimento de dois adicionais. O empregado deverá optar somente por um deles. Como calcular o adicional de periculosidade? Para calcular o adicional de periculosidade, deve-se multiplicar o valor do salário- base por 30%, conforme a fórmula que segue: Exemplo prático 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 11/45 Joana trabalha como vigilante em um banco, recebendo como salário-base o valor de R$ 1.392,20. Por estar exposta a atividades periculosas, ela também deve receber o adicional de periculosidade, que é de 30%. As informações ficam assim: Joana: vigilante Salário-base: R$ 1.392,20 Periculosidade: 30% 1.392,20 × 30% = R$ 417,66 Resposta: Joana receberá como adicional de periculosidade o valor de R$ 417,66. Observação: em caso de horas extras, a base de cálculo é composta da soma do salário-base com o adicional de periculosidade. Adicional noturno O trabalhador que exercer suas atividades no período das 22h às 5h terá direito a um acréscimo de 20% sobre o valor da hora normal diurna. A regra vale tanto para o empregado urbano quanto para o empregado rural. Vale ressaltar, entretanto, que as faixas de horários noturnos são diferentes para o trabalhador rural da lavoura e para o trabalhador rural da pecuária. Na lavoura, o trabalho noturno está compreendido entre 21h de um dia até as 5h do dia seguinte. Na pecuária, é considerado trabalho noturno o período das 20h de um dia às 4h do dia seguinte. Se ocorrer a transferência para o período diurno de trabalho, perde-se o direito ao adicional noturno (Súmula n.º 265 do Tribunal Superior do Trabalho). Como calcular o adicional noturno? 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 12/45 Para calcular o adicional noturno, basta dividir o salário-base pelas horas da jornada mensal, multiplicar o valor resultante por 20% e multiplicar novamente pelo número de horas noturnas realizadas, conforme a fórmula a seguir: Lembre-se de que a hora noturna é computada como sendo de 52 minutos e 30 segundos. Logo, deve-se transformar a hora noturna em minutos. Para tanto, você precisará utilizar uma regra de três para converter os 30 segundos em minutos. Então, se 1 minuto tem 60 segundos, 30 segundos terão quantos minutos? 1 - 60 X - 30 60 X = 1 × 30 60 X = 30 X = 30 ÷ 60 X = 0,5 Sendo assim, a hora noturna é de 52,5 minutos (52 + 0,5). Agora, para apurar a quantidade de horas noturnas a que o trabalhador tem direito, deve-se multiplicar a quantidade de horas trabalhadas por 60 e dividir o resultado por 52,5. Exemplo prático Joana, que é vigilante, trabalha das 22h às 5h em um evento. Sabendo que a hora noturna é reduzida se comparada com as horas normais, quantas horas Joana teria direito a receber? 7 × 60 = 420 420 ÷ 52,5 = 8 horas Adicional noturno = 1.392,20 ÷ 220 × 1,20 × 8 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 13/45 Adicional noturno = 6,32 × 1,20 × 8 Adicional noturno = 7,58 × 8 Adicional noturno = R$ 60,67 Resposta: Joana receberá o valor de R$ 60,67 referente ao adicional noturno de 8 horas. Afastamentos Quando o empregado, em função de alguma situação, como doença ou acidente, fica impedido de exercer suas atividades normais no ambiente de trabalho, ocorre o afastamento de salário. Os primeiros 15 dias de afastamento ainda serão pagos pela empresa, mas, a partir do 16.º dia, o salário do funcionário deverá ser pago pela Previdência Social, por meio do auxílio-doença previdenciário. Para concessão do auxílio-doença,é necessária a comprovação da incapacidade mediante perícia médica da Previdência Social. O valor do benefício corresponderá a 91% do salário do segurado, sempre limitado ao teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e substituirá o salário do trabalhador enquanto este estiver incapacitado de exercer sua atividade. Salário-maternidade A gestante trabalhadora fará jus ao salário-maternidade, que se trata de um benefício pago diretamente pelo empregador, durante o período de 120 dias, independentemente de carência. As(os) adotantes também têm direito ao benefício, a partir da adoção ou da guarda para fins de adoção. O pedido deve ser feito no INSS, com apresentação do termo de guarda ou da certidão de adoção. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 14/45 Para as contribuintes individuais, facultativas e especiais, exige-se uma carência de dez contribuições mensais. O benefício será pago pelo INSS mediante solicitação. O início do pagamento coincide com a data do afastamento do trabalho, e o afastamento é determinado por atestado médico do serviço de saúde da empresa ou do convênio de saúde. Esse período de afastamento corresponde a 120 dias, considerando o parto e todo evento que ocorrer após o sexto mês de gestação. A prorrogação da licença por mais 60 dias (Lei n.º 11.770/2008) é facultativa às empresas. Caso resolvam aderir ao benefício, as empresas poderão ter benefícios fiscais, deduzindo do imposto de renda o valor pago. No entanto, só podem auferir o benefício as empresas tributadas pelo regime de lucro real. Essa situação e questões culturais fazem, por vezes, com que o benefício tenha baixa adesão das organizações. Ainda, em situações de aborto não criminoso, comprovado por atestado médico, a segurada terá direito ao salário-maternidade que corresponde a duas semanas. Os valores do salário-maternidade, de acordo com a categoria da trabalhadora, são: Trabalhadora Valor Empregada doméstica Valor do último salário de contribuição (respeitando o teto previdenciário) Empregada de empresa Valor referente à última remuneração, limitando-se a um valor fixado no artigo 37, XI, da Constituição Federal, nos termos do artigo 248 do mesmo diploma legal Contribuinte individual Valor de um doze avos da soma referente aos 12 últimos salários de contribuição (respeitando o período não superior a 15 meses) Seguradas especiais Valor de um salário mínimo 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 15/45 Quadro 1 – Valores do salário-maternidade Fonte: Senac EAD (2022) A tabela do salário-maternidade é atualizada anualmente. Você pode encontrá-la no portal do INSS. Cálculo de descontos Os descontos são demonstrados na folha de pagamento. São somados todos os proventos e, do total, são subtraídos todos os descontos. O principal item da coluna de proventos será o salário. INSS O desconto referente ao INSS é o valor da contribuição do empregado para a Previdência Social. É um valor calculado sobre o salário bruto do trabalhador, de acordo com as diversas faixas salariais, conforme tabela disponibilizada pelo governo todo início de ano no portal do INSS. Segundo a Portaria SEPRT n.º 3.659/2020, a nova tabela do INSS é progressiva, ou seja, diferentemente dos anos anteriores, agora não basta apenas aplicar a alíquota sobre a base de contribuição do trabalhador. É preciso aplicar as alíquotas progressivamente, começando com 7,5% sobre o valor do salário mínimo; depois, na segunda faixa, deve-se considerar o valor máximo e abatê-lo daquilo que já foi tributado na faixa anterior e aplicar 9%, e assim sucessivamente. Devido à complexidade dos cálculos, muitos contadores, administradores e gestores de recursos humanos estão utilizando um método alternativo para conferir tais cálculos. Para calcular de forma mais simples, basta utilizar a tabela a seguir, sabendo a parcela a deduzir para cada faixa salarial: 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 16/45 Salário de contribuição de 2022 Alíquota Parcela a deduzir Salário mínimo: R$ 1.212,00 7,5% - De R$ 1,212,01 até R$ 2.427,35 9% R$ 18,18 De R$ 2.427,36 até R$ 3.641,03 12% R$ 91,00 De R$ 3.641,04 até R$ 7.087,22 14% R$ 163,82 Tabela 2 – Tabela do INSS (vigência: de 1.º de janeiro de 2022 até 31 de dezembro de 2022) Fonte: . Acesso em: 8 abr. 2022. Como calcular o desconto de INSS? Exemplo prático Pâmela é secretária e recebe o salário-base de R$ 1.549,60. Sabendo que ela não tem faltas e não realizou nenhuma hora extra, qual seria o seu desconto de INSS? Primeiramente, organize as informações: Pâmela: secretária Salário bruto: R$ 1.549,60 Base de cálculo para desconto de INSS: R$ 1.549,60 Alíquota: 9% (vide tabela 2022) 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 17/45 Salário de contribuição de 2022 Alíquota Parcela a deduzir Salário mínimo: R$ 1.212,00 7,5% - De R$ 1,212,01 até R$ 2.427,35 9% R$ 18,18 De R$ 2.427,36 até R$ 3.641,03 12% R$ 91,00 De R$ 3.641,04 até R$ 7.087,22 14% R$ 163,82 R$ 1.549,60 × 9% = R$ 139,46 - R$ 18,18 = R$ 121,28 Resposta: o valor a ser descontado de Pâmela referente ao INSS é de R$ 121,28. Observação: o exemplo refere-se à tabela de incidências do ano de 2022, mas lembre que os valores são atualizados anualmente. Imposto de renda O desconto de imposto de renda consiste em um valor retido na fonte pagadora (empresa), referente ao imposto de renda, que incide sobre as remunerações dos trabalhadores todos os meses. A tabela do imposto, conforme as faixas salariais do trabalhador, é divulgada pelo governo a cada início de ano, referenciando a alíquota de acordo com o salário. O imposto de renda é calculado sobre a remuneração, após descontada a contribuição da previdência. Como calcular o desconto de imposto de renda? O primeiro passo para calcular o desconto é encontrar a base de cálculo. Para saber a base de cálculo, é preciso subtrair o valor do desconto de INSS e o valor correspondente ao abatimento por dependentes (se for o caso) do valor do rendimento bruto. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 18/45 Depois de encontrar a base de cálculo, basta multiplicar o valor pela alíquota e subtrair pela parcela dedutível prevista na tabela de incidências do imposto de renda. Veja as fórmulas a seguir: Exemplo prático Juliana, que trabalha como vendedora, recebe um salário fixo de R$ 1.500,00 e tem uma comissão a receber para esta folha no valor de R$ 1.150,00, somando um total de proventos de R$ 2.650,00. Ela tem um filho. Para a base de cálculo do imposto de renda, é preciso calcular o desconto de INSS primeiro, bem como organizar as informações: Juliana: vendedora Salário: R$ 1.500,00 Jornada mensal: 220 horas Comissão: R$ 1.150,00 Dependentes: R$ 189,59 (1) Total de proventos = R$ 2.650,00 (salário + comissão) Salário de contribuição de 2022 Alíquota Parcela a deduzir Salário mínimo: R$ 1.212,00 7,5% - De R$ 1,212,01 até R$ 2.427,35 9% R$ 18,18 De R$ 2.427,36 até R$ 3.641,03 12% R$ 91,00 De R$ 3.641,04 até R$ 7.087,22 14% R$ 163,82 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 19/45 INSS = 2.650 x 12% (vide tabela 2022) = R$ 318,00 - R$ 91,00 = R$ 227,00 Base de cálculo do imposto de renda = 2.650 - 227,00 - 189,59 Base de cálculo do imposto de renda = R$ 2.233,41 Base de cálculo mensal Alíquota Parcela a deduzir Até R$ 1.903,98 Isento R$ 0,00 De R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65 7,5 % R$ 142,80 De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 15 % R$ 354,80 De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 22,5 % R$ 636,13 Acima de R$ 4.664,68 27,5 % R$ 869,36 Dedução por dependente: R$ 189,59 Tabela 3 – Tabela progressiva mensal do imposto de renda (pessoa física) Fonte: . Acesso em: 8 abr. 2022. Imposto de renda = (2.233,41 x 7,5%) - 142,80 Imposto de renda = 167,50 - 142,80 Imposto de renda = R$ 24,70 Resposta: o valor a ser descontado de Juliana referente ao INSS é de R$ 227,00; e o valor a ser descontado de impostode renda é de R$ 24,70. Observação: o exemplo refere-se à tabela de incidências do ano de 2022, mas lembre que os valores são atualizados anualmente. Descontos para sindicato 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 20/45 A contribuição sindical é um valor descontado do salário do funcionário (contratado sob regime CLT) destinado ao sindicato da categoria profissional pelo qual ele é representado perante outras entidades. Essa contribuição foi criada por volta dos anos 1940, pelo então presidente Getúlio Vargas, e está prevista no artigo 579 da CLT. Até 2017, a contribuição sindical era obrigatória, devendo ser paga por todos os trabalhadores celetistas no mês de março. Porém, com a proposta da reforma trabalhista aprovada, essa contribuição passou a ser opcional. Faltas e atrasos Desconto de repouso semanal remunerado As faltas e os atrasos são registrados quando o empregado, sem motivo justificado, chega atrasado ou falta ao trabalho. Nessa situação, o empregador poderá descontar do empregado a quantia correspondente ao atraso ou à falta. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 21/45 No Brasil, é assegurado ao trabalhador um descanso de 24 horas consecutivas – período que deve ser remunerado e coincidir, de preferência, com os domingos pelo menos uma vez ao mês, de acordo com o artigo 67 da CLT e o artigo 7.º, inciso XV, da Constituição Federal de 1988. Esse repouso também é devido aos trabalhadores que recebem seu salário em comissão fixada em percentuais sobre as vendas ou sobre os negócios que efetuam. O empregado que faltar ao trabalho sem justificativa por um ou mais dias perderá o repouso semanal. Vale-transporte O vale-transporte é um benefício baseado em lei, pago ao trabalhador pela empresa, mas inclui a participação do trabalhador. Via de regra, essa participação representa um desconto de 6% do salário bruto. O momento oportuno para discutir a concessão é na admissão, pois a iniciativa quanto a aceitar ou não o benefício deve ser do empregado. Contudo, a empresa, por cautela, pode exigir um documento assinado caso o funcionário não tenha interesse no benefício. A entrega do vale-transporte deve ocorrer no primeiro dia de cada mês, e, na folha de pagamento, o desconto máximo será de 6% do salário. As únicas três situações em que o vale-transporte será menor que 6% são: Quando for previsto em convenção coletiva Quando a empresa conceder um valor menor que 6% Quando o valor comprado no mês for menor que 6% Como calcular o desconto de vale-transporte? É fácil: basta multiplicar o valor do salário por 6%, conforme a seguinte fórmula: 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 22/45 Exemplo prático Ana é atendente em um consultório médico e recebe o valor de R$ 1.100,00 como salário-base. Ela utiliza dois vales-transportes diariamente em seu deslocamento (ida e volta), sendo o valor unitário do vale de R$ 4,05. Ela trabalha de segunda-feira a sexta-feira, então teve 21 dias trabalhados durante o mês de outubro. Agora, organize as informações para saber se o total de vale-transporte é menor ou maior que os 6% sobre o salário, pois, para fins de desconto, a empresa sempre deverá considerar o menor valor. Ana: atendente Salário-base: R$ 1.100,00 Vale-transporte unitário: R$ 4,05 Dias trabalhados: 21 4,05 × 2 = R$ 8,10 (valor diário de vale-transporte) 8,10 × 21 = R$ 170,10 (valor total de vale-transporte) 1.100 × 6% = R$ 66,00 (valor a ser descontado de vale-transporte) Resposta: como o valor total de vale-transporte é maior que os 6% sobre o salário, deve-se considerar, para fins de desconto de vale-transporte, o valor de R$ 66,00. Pensão alimentícia 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 23/45 Adiantamento de salário A pensão alimentícia é um desconto na remuneração do trabalhador por força de sentença judicial transitada em julgado, em favor de pessoa designada pela justiça como dependente do empregado. A administração deve estar atenta aos termos e às condições judiciais determinados pelo juiz, em ofício direcionado à empresa. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 24/45 Seguro de vida e plano de saúde A CLT não prevê a obrigatoriedade de contratação de seguro de vida e plano de saúde para funcionários. No entanto, isso não significa que todas as empresas estão isentas de oferecer a seus colaboradores esses tipos de benefícios. Afinal, algumas categorias profissionais (como construção civil, padarias, motobóis etc.) têm esse direito assegurado em convenções coletivas. O ideal é consultar o sindicato e recorrer aos serviços de consultoria jurídica para garantir o cumprimento das obrigações legais. Além disso, a Súmula n.º 342 do Tribunal Superior do Trabalho prevê: Descontos salariais efetuados pelo empregador, com a autorização prévia e por escrito do empregado, para ser integrado em planos de assistência odontológica, médico-hospitalar, de seguro, de previdência privada, ou de entidade cooperativa, As empresas podem fornecer um adiantamento salarial aos seus empregados, de acordo com a necessidade. Esses adiantamentos, também conhecidos como “vales”, são permitidos em até 50% do salário. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 25/45 cultural ou recreativo-associativa de seus trabalhadores, em seu benefício e de seus dependentes, não afrontam o disposto no art. 462 da CLT, salvo se ficar demonstrada a existência de coação ou de outro defeito que vicie o ato jurídico. (BRASIL, 2003) O desconto deve ser feito mediante convenção coletiva ou acordo entre empregado e empregador. Vale-refeição O vale-refeição é utilizado para pagamento de refeições na rede de parceiros do cartão. Esse cartão não compra produtos alimentícios em mercados, por se tratar de um vale-refeição. Os empregados optam pelo recebimento ou não desse benefício. Caso o colaborador não esteja interessado em receber o benefício, deverá fazer uma declaração de próprio punho solicitando a exclusão do cartão. A empresa poderá pagar um valor mensal, caracterizado como salário in natura, quando concede esse benefício em dinheiro, que é adicionado ao salário do mês. No caso de o vale-refeição ser concedido por força de contrato de trabalho, o benefício passa a ter caráter salarial, somando-se à remuneração do empregado para todos os efeitos legais. Já o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) é um programa do governo, de adesão facultativa, por meio do qual as empresas podem utilizar serviços próprios de preparação de refeições, distribuir cestas de alimentos ou contratar empresas que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, como administradoras de vale- refeição e vale-alimentação. As empresas que optam pelo PAT recebem isenções fiscais que são determinadas pela Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e pela Lei n.º 6.321, de 14 de abril de 1976. O PAT é voltado aos trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos mensais (Decreto n.º 5/1991). Como calcular o desconto de vale-refeição? 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 26/45 Para calcular o desconto de vale-refeição, basta multiplicar o valor total mensal do vale-refeição disponibilizado pela empresa por 20%, conforme esta fórmula: Exemplo prático A atendente Ana recebe vale-refeição com valor unitário de R$ 18,00. Sabendo que o mês em questão é de 21 dias úteis, organize as informações: Ana: atendente Vale-refeição unitário: R$ 22,00 Dias trabalhados: 21 22,00 × 21 = R$ 462,00 (total mensal de vale-refeição) 462,00 × 20% = R$ 92,40 (valor a ser descontado de vale-refeição) Resposta: o valor que Ana terá descontado de vale-refeição é de R$ 92,40. Outros componentes da folha de pagamento Além dos eventos periódicos da folha de pagamento, há também alguns eventos que devem ser considerados nos cálculos do departamento pessoal de um funcionário. Veja: FGTS O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é composto de um depósito mensalde 8% sobre o salário do empregado e de 2% nos casos de contrato de aprendizagem. É importante mencionar que, diferentemente de outros encargos 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 27/45 sociais (por exemplo: INSS e imposto de renda), o valor de FGTS não é descontado do salário do funcionário. O objetivo do fundo é auxiliar o trabalhador no caso de ele ser demitido, em situações de doenças graves e até catástrofes naturais. O valor pode ser destinado também a investimentos em habitação, saneamento e infraestrutura, em alguns casos. Como calcular o valor a ser depositado de FGTS? É simples: basta multiplicar o salário bruto por 8%, conforme fórmula a seguir: Férias As férias devem ser concedidas ao empregado após o exercício de suas atividades por um ano e equivalem à remuneração mensal do trabalhador com um adicional de um terço. Esse pagamento deve ser realizado até dois dias antes das férias. Como calcular as férias? Exemplo prático Cláudio é auxiliar administrativo e recebe um salário de R$ 1.322,00. Você precisa descobrir o valor equivalente a um terço, que será o salário dividido por 3: 1/3 = 1.322 ÷ 3 1/3 = 440,66 Agora basta somar o salário a um terço para saber o valor bruto das férias: 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 28/45 1.322 + 440,66 = 1.762,66 Resposta: o valor bruto das férias de Cláudio (sem os descontos) é de R$ 1.762,66. Quando o colaborador optar por tirar menos de 30 dias de férias, calculam-se os dias proporcionalmente. Para tanto, divide-se o salário por 30 para saber o valor-dia, multiplica-se o resultado pelo número de dias de férias de que o colaborador gozará e, em seguida, soma-se tudo a um terço desse total. Observe: Gratificação natalina A gratificação natalina, popularmente conhecida como 13.º salário, é uma bonificação salarial que corresponde ao valor do salário integral do empregado, caso ele tenha trabalhado durante todo o ano na empresa. Do contrário, o 13.º salário deve ser proporcional aos meses trabalhados. Esse benefício pode ser quitado em duas parcelas: o pagamento da primeira pode ser realizado entre 1.º de fevereiro e 30 de novembro; e o da segunda, até 20 de dezembro. Como calcular o 13.º salário? Para calcular o 13.º salário, basta dividir o valor do salário bruto por 12 e multiplicar o resultado pelo número de meses trabalhados até o mês de outubro. A primeira parcela será equivalente à metade do valor encontrado; e a segunda, ao total encontrado subtraído do adiantamento da primeira parcela e dos descontos de INSS e imposto de renda. Exemplo prático 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 29/45 Raquel é recepcionista e recebe um salário bruto de R$ 1.256,00. Ela tem dez meses trabalhados até outubro daquele ano. Organizando as informações, tem-se o seguinte: Raquel: recepcionista Salário: R$ 1.256,00 Meses trabalhados até outubro: 10 Comece dividindo o salário por 12 e multiplicando o resultado por 10: 1.256 ÷ 12 = 104,66 104,66 × 10 = 1.046,00 Para saber o valor da primeira parcela, divida o total por 2: 1.046 ÷ 2 = 523,00 Já para saber o valor da segunda parcela, subtraia do total o valor da primeira parcela e o encargo de INSS, pois, neste caso, o valor de imposto de renda é isento: 1.046 - 523,00 = 523,00 523,00 × 7,5% = 39,22 (INSS) 523,00 - 39,22 = 483,78 Resposta: Raquel receberá o valor de R$ 523,00 referente à primeira parcela e o de R$ 483,78 referente à segunda parcela do 13.º salário, totalizando R$ 1.006,78. Tabela de rubricas Com o início do envio da folha de pagamento para o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), muitas empresas tiveram problemas na tabela de rubricas que impactaram o fechamento da folha e dos totalizadores de INSS, FGTS e Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no eSocial. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 30/45 A tabela de rubricas é a tabela mais complexa do eSocial, pois ela influencia diretamente a folha de pagamento, e a parametrização errada de uma rubrica poderá trazer sérias consequências para a empresa. Essa tabela detalha as informações das rubricas constantes da folha de pagamento (proventos, descontos, bases de cálculo e verbas informativas) e informa a tributação de INSS, IRRF, FGTS e contribuição sindical. Segundo o Manual de Orientação do eSocial (2022): Conceito: apresenta o detalhamento das informações das rubricas constantes da folha de pagamento do declarante, permitindo a correlação destas com as constantes da ‘Tabela 3 – Natureza das Rubricas da Folha de Pagamento’ do eSocial. É utilizada para inclusão, alteração e exclusão de registros na Tabela de Rubricas do declarante. As informações consolidadas desta tabela são utilizadas para validação dos eventos de remuneração dos trabalhadores. (BRASIL, 2022) O evento exige o cadastro completo das informações das rubricas na primeira vez que o declarante precisar enviar informação de remuneração ao eSocial e toda vez que for criada, alterada ou excluída determinada rubrica. Além disso, o cadastro também é obrigado quando há processo administrativo ou judicial que altere as incidências previdenciárias e/ou tributárias e do FGTS. Quanto ao prazo, os eventos de cada rubrica devem ser enviados antes dos eventos relacionados com a remuneração do trabalhador, bem como antes dos eventos que referenciam rubricas pagas na rescisão. Com relação à estrutura da tabela de rubricas do eSocial, ela é feita da seguinte forma: Primeiro dígito 1: verbas relacionadas com os proventos dos funcionários. Primeiro dígito 3: verbas relacionadas com os contribuintes individuais e outros. Primeiro dígito 4: verbas relacionadas com auxílios vinculados, afastamentos e benefícios (salário-maternidade, auxílio-acidente de trabalho, licença-prêmio ou remuneração do dirigente sindical). 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 31/45 Primeiro dígito 5: verbas relacionadas com o 13.º salário e as férias. Primeiro dígito 6: verbas rescisórias. Primeiro dígito 7: insuficiência de saldo. Primeiro dígito 9: bases. Seguem alguns exemplos que estão no quadro a seguir, de acordo com o leiaute do eSocial: 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 32/45 Cód. Nome da natureza da rubrica Descrição da natureza da rubrica 1000 Salário, vencimento, saldo Salário básico contratual do empregado contratado de acordo com a CLT e o vencimento mensal do servidor público e do militar 3501 Remuneração por prestação de serviços Remuneração (incluindo adiantamentos) a contribuintes individuais, inclusive honorários, em trabalhos de natureza eventual e sem vínculo trabalhista 4050 Salário-maternidade Remuneração mensal da trabalhadora empregada durante a licença-maternidade, quando paga pelo contratante ou por órgão público 5005 13.º salário complementar Valor do 13.º salário complementar relativo a diferenças apuradas não consideradas na folha de fechamento do 13.º salário 6003 Indenização compensatória do aviso-prévio Valor da maior remuneração do trabalhador, correspondente ao número de dias relativo ao aviso-prévio, calculado de acordo com o tempo de serviço do empregado 7008 Complementação de aposentadoria/pensão Valor relativo à complementação de aposentadoria/pensão vinculada ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) 9250 Seguro de vida – desconto Desconto referente à participação do trabalhador no custo ou à concessão do benefício em valor maior 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 33/45 Quadro 2 – Natureza das rubricas da folha de pagamento Fonte: Adaptado de . Acesso em: 8 abr. 2022. A parametrização no sistema de folha de pagamento da tabela de rubricas com o sistema do eSocial necessita de muita atenção e de profissionais qualificados, que conheçam as legislações trabalhista e previdenciária, para quenão cometam erros que prejudiquem a empresa. É preciso muita atenção para evitar erros. Muitas empresas utilizam sistemas de folha de pagamento que já vêm com a tabela de rubricas configurada. Mesmo que a empresa trabalhe com um sistema de folha de pagamento no qual a tabela de rubricas já esteja devidamente configurada, é muito importante acompanhar as alterações na legislação que afetam diretamente as incidências de INSS, FGTS, IRRF e PIS sobre a folha, para evitar surpresas desagradáveis futuramente. Essa é uma situação muito séria, pois uma rubrica que tenha incidências parametrizadas incorretamente pode ocasionar o fechamento de uma empresa. Lançamentos contábeis No que diz respeito à folha de pagamento, já se sabe que a empresa, protegida pela legislação, pode pagar até o dia 10 do mês seguinte. Todavia, no último dia do mês, deve-se reconhecer a conta “Despesa com salários” na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) do mês da competência e lançar, como uma obrigação (passivo circulante – PC), o total na conta “Salários a pagar”. No último dia útil do mês da referência, a contabilidade, mediante folha de pagamento, efetua estes lançamentos: Apropriação do valor bruto da folha 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 34/45 Primeiramente, debita-se a conta “Despesa com salários” ou “Salários”, pois o valor bruto da folha é considerado despesa do mês da referência. Com esse débito, sabe-se a despesa de salários no mês. Depois, credita-se a conta “Salários a pagar” para registrar a obrigação que a empresa tem com os empregados (cujo líquido será pago no mês seguinte). Assim, o lançamento seria feito da seguinte maneira: D – Salários (DRE) C – Salários a pagar (PC) Exemplo prático Suponha que a folha de pagamento de uma empresa em abril é de R$ 10.000,00. Logo, o lançamento seria: D – Salários: R$ 10.000,00 C – Salários a pagar: R$ 10.000,00 Figura 1 – Exemplo de lançamentos (“Salário” e “Salários a pagar”) Fonte: Senac EAD (2022) Registro das retenções sobre o salário dos empregados Para registrar as retenções sobre os salários, debita-se a conta “Salários a pagar” pelo valor das retenções, pois tal conta registra o valor que a empresa terá que pagar aos empregados. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 35/45 Depois, creditam-se as contas “Contribuições de Previdência a recolher” e “Imposto a recolher”, ambas do passivo circulante (PC), pois elas representam a obrigação que a empresa tem de recolher à Previdência Social (INSS) e à Receita Federal. Assim, o lançamento seria o seguinte: D – Salários a pagar (PC) C – Contribuições de Previdência a recolher (PC) C – Imposto a recolher (PC) Exemplo prático Continuando o exemplo da empresa que está fechando a folha de abril, suponha uma retenção de INSS no valor de R$ 800,00 e de imposto de renda no valor de R$ 400,00. Os lançamentos seriam feitos da seguinte maneira: D – Salários a pagar: R$ 1.200,00 (800 + 400) C – Contribuições de Previdência a recolher: R$ 800,00 C – Imposto a recolher: R$ 400,00 Figura 2 – Exemplo de lançamentos (“Contribuições de Previdência a recolher” e “Imposto a recolher”) Fonte: Senac EAD (2022) Observação: no lançamento (1), a conta foi creditada pelo bruto da folha e, no lançamento (2), está sendo debitada pelas deduções. Registro do salário-família 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 36/45 O salário-família é uma ajuda da Previdência Social aos trabalhadores de baixa renda que têm filhos com até 14 anos de idade. O valor do salário-família pago por dependente é fixado periodicamente pela Previdência Social. Quem paga o salário- família aos empregados é a empresa, a qual será reembolsada pela Previdência Social quando efetuar os recolhimentos correspondentes. Portanto, debita-se a conta “Contribuições de Previdência a recolher” pela importância do salário-família para baixar o referido valor da obrigação de recolher à Previdência Social, uma vez que a empresa pagará a ajuda aos empregados, mas será reembolsada pela Previdência Social quando efetuar o recolhimento por meio de documento próprio. Depois, credita-se a conta “Salários a pagar” para acrescentar, nessa conta, a obrigação de pagar aos empregados o salário-família correspondente. Dessa forma, o lançamento seria feito assim: D – Contribuições de Previdência a recolher (PC) C – Salários a pagar (PC) Exemplo prático Continuando o exemplo da empresa que está fechando a folha de abril, suponha um salário-família de R$ 150,00. Os lançamentos seriam feitos da seguinte maneira: D – Contribuições de Previdência a recolher: R$ 150,00 C – Salários a pagar: R$ 150,00 Figura 3 – Exemplo de lançamentos (salário-família) Fonte: Senac EAD (2022) 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 37/45 Registro dos encargos sociais Além das despesas já registradas, a empresa tem ainda os seguintes encargos sobre o valor bruto da folha: a) Contribuição de previdência patronal: a parte paga pela empresa corresponde até 28,8% do valor bruto da folha. Os 28,8% sobre o total bruto da folha de pagamento, devidos pela empresa para a Previdência Social, têm o seguinte destino: As siglas significam, respectivamente: SAT: seguro de acidentes do trabalho; Incra: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária; Senai: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; Senac: Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial; 1. Para a própria Previdência Social 2. Para o SAT 3. Para terceiros: 3.1 Salário-educação 3.2 Incra 3.3 Senai/Senac/Senat 3.4 SESI/Sesc/SEST 3.5 Sebrae Total 20% 3% 2,5% 0,2% 1,0% 1,5% 0,6% _5,8%_ 28,8% 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 38/45 Senat: Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte; SESI: Serviço Social da Indústria; Sesc: Serviço Social do Comércio; SEST: Serviço Social do Transporte; Sebrae: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. A porcentagem destinada ao SAT poderá ser de 1%, 2% ou 3%, conforme o risco de acidentes do trabalho da atividade preponderante (leve, médio ou grave). É importante lembrar que essas porcentagens estão sujeitas a alterações constantes da Previdência Social. Quanto ao lançamento contábil, debita-se a conta “Encargos sociais”, que é uma conta de despesa, a qual registra o valor do encargo. Depois, credita-se a conta “Contribuições de Previdência a recolher” (a mesma utilizada no registro das retenções dos empregados e dos salários-família), pois a empresa tem a obrigação de recolher a referida importância à Previdência Social. Sendo assim, o lançamento seria feito desta forma: D – Encargos sociais (DRE) C – Contribuições de Previdência a recolher (PC) Exemplo prático Ainda pensando no exemplo da empresa que está fechando a folha de abril, suponha uma contribuição patronal de 26,8%. Os cálculos e os lançamentos seriam feitos assim: Contribuição de previdência patronal: 10.000 x 26,8% = R$ 2.680,00 D – Encargos sociais: R$ 2.680,00 C – Contribuições de Previdência a recolher: R$ 2.680,00 b) FGTS: o FGTS corresponde a 8% do valor bruto da folha, o qual será recolhido em banco, em nome dos empregados. No lançamento, debita-se novamente a conta “Encargos sociais”, pois o valor a recolher do FGTS é despesa para a empresa. Depois, credita-se a conta “FGTS a recolher” para registrar a referida obrigação. Desse modo, o lançamento seria feito 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 39/45 assim: D – Encargos sociais (DRE) C – FGTS a recolher (PC) Exemplo prático Dando seguimento ao exemplo da empresa que está fechando a folha de abril, considere o FGTS de 8%. Os cálculos e os lançamentos seriam feitos da seguinte maneira: Contribuição de previdência patronal: 10.000 x 8% = R$ 800,00 D – Encargos sociais: R$ 800,00 C – FGTS a recolher: R$ 800,00 Registro dos lançamentos de liquidação da folha de pagamento Com o lançamento de liquidação da folha de pagamento, encerram-se os registros daapropriação da folha de pagamento dentro do mês da competência. No mês seguinte, serão cumpridas as obrigações referentes a essa folha de pagamento. Veja agora os lançamentos feitos no exemplo citado da liquidação da folha de pagamento. Note que constam as seguintes contas: 1. “Salários” – É a conta de despesa, com débito de R$ 10.000,00, cujo valor corresponde ao valor bruto da folha de pagamento. 2. “Salários a pagar” – Representa o líquido a ser pago aos empregados, com saldo credor de R$ 8.950,00. 3. “Contribuições de Previdência a recolher” (com saldo credor de R$ 3.330,00) – Representa o valor a ser recolhido à Previdência Social. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 40/45 4. “Imposto a recolher” (com saldo credor de R$ 400,00) – Representa a obrigação de recolher o imposto de renda retido dos empregados. 5. “Encargos sociais” (com saldo devedor de R$ 3.480,00) – Representa os encargos com a Previdência Social (parte da empresa) e com o FGTS. 6. “FGTS a recolher” (com saldo credor de R$ 800,00) – Representa o valor a ser recolhido a título de FGTS, em nome dos empregados. Supondo que a empresa tenha pago em dinheiro todas as obrigações referentes à folha de pagamento, será feito o seguinte lançamento: D – Salários a pagar: R$ 8.950,00 D – Contribuições de Previdência a recolher: R$ 3.330,00 D – FGTS a recolher: R$ 800,00 D – Imposto a recolher: R$ 400,00 C – Caixa: R$ 13.480,00 ou D – Salários a pagar: R$ 8.950,00 C – Caixa: R$ 8.950,00 D – Contribuições de Previdência a recolher: R$ 3.330,00 C – Caixa: R$ 3.330,00 D – FGTS a recolher: R$ 800,00 C – Caixa: R$ 800,00 D – Imposto a recolher: R$ 400,00 C – Caixa: R$ 400,00 Após esse lançamento, veja como ficaram os razonetes das contas envolvidas: 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 41/45 Figura 4 – Razonetes das contas envolvidas Fonte: Senac EAD (2022) Note que as obrigações, uma vez liquidadas, tiveram seus saldos zerados. As despesas referentes à folha permaneceram abertas, com saldos (“Salários” e “Encargos sociais”) que serão encerrados somente quando da apuração do resultado. Com relação à conta “Caixa”, foi mencionado apenas o crédito, pois não interessa o controle dela neste caso. Registro dos lançamentos de adiantamentos a empregados Os adiantamentos a empregados nada mais são do que empréstimos que a empresa faz ao empregado, e este os devolve ao receber seu salário. O adiantamento representa um direito da empresa (e não uma despesa) e, via de regra, pertence ao ativo circulante (AC), pois o prazo de devolução é curto. Na folha de pagamento, o valor do adiantamento é deduzido do salário bruto, para se chegar ao líquido. Exemplo prático Suponha que determinada empresa comercial tenha três empregados. Em 20 de setembro, ela fornece adiantamento de salário, pagando, em dinheiro, a importância de R$ 6.000,00. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 42/45 D – Adiantamentos a empregados (AC): R$ 6.000,00 C – Caixa (AC): R$ 6.000,00 Registro dos lançamentos de férias A apropriação mensal das férias (antiga provisão de férias) deve ser classificada no subgrupo “passivo circulante (PC)” do balanço patrimonial (BP) da empresa, tendo como contrapartida uma conta de resultado, custo ou despesa operacional. O valor a lançar corresponde ao total de férias ainda não pago aos empregados na folha de pagamento, bem como aos encargos ainda não recolhidos, calculados até a data do fechamento do período. Para evitar distorções mensais nos demonstrativos contábeis, a apropriação deverá ser feita mensalmente em obediência ao regime de competência, tomando como base a remuneração mensal de cada funcionário e a quantidade de dias a que cada um fizer jus na data da apropriação. Essa apropriação mensal deverá agregar o terço constitucional nas férias dos funcionários. Para reconhecimento da provisão de férias: D – Férias de empregados (DRE) D – FGTS sobre férias (DRE) D – INSS sobre férias (DRE) C – Férias a pagar (PC) C – FGTS sobre férias a recolher (PC) C – INSS sobre férias a recolher (PC) Registro dos lançamentos de 13.º salário 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 43/45 O 13.º salário e os respectivos encargos sociais incidentes sobre a verba devem ser contabilizados como custo de produção, tratando-se de pessoal dos departamentos de produção de bens ou serviços; ou como despesa operacional, tratando-se de pessoal dos departamentos administrativo ou de vendas. A contrapartida desses lançamentos pode ser feita nas contas intituladas “13.º salário a pagar (PC)”, “INSS sobre 13.º salário a pagar (PC)” e “FGTS sobre 13.º salário a pagar (PC)” do grupo passivo circulante (PC) do balanço patrimonial (BP). Como exemplo, confira a seguir os lançamentos contábeis a serem feitos na apropriação mensal das verbas devidas a título de 13.º salário, bem como os respectivos encargos sociais: Apropriação mensal do 13.º salário: D – 13.º salário (DRE) C – 13.º salário a pagar (PC) Apropriação do INSS sobre a apropriação mensal do 13.º salário: D – INSS sobre 13.º salário (DRE) C – INSS sobre 13.º salário a pagar (PC) Apropriação do FGTS sobre a apropriação mensal do 13.º salário: D – FGTS sobre 13.º salário (DRE) C – FGTS sobre 13.º salário a pagar (PC) A empresa que não apropriar mensalmente o valor do 13.º salário, em obediência ao princípio contábil da competência, contabilizará essa gratificação diretamente em conta de custo ou despesa operacional, conforme o caso, no mês em que se der o pagamento da gratificação em folha de pagamento. 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 44/45 Os pagamentos a título de adiantamento deverão ser registrados em conta própria do grupo “ativo circulante (AC)” e baixados por ocasião do pagamento da gratificação (em dezembro ou no mês em que se der a rescisão do contrato de trabalho). 24/09/2025, 17:36 Versão para impressão about:blank 45/45