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INCENTIVOS FISCAIS E SUBSÍDIOS. Apresentação As políticas públicas possuem papel fundamental na vida das pessoas, uma vez que, além de regularem as relações entre as pessoas e entre elas e as instituições, também buscam solucionar os problemas da sociedade, promovendo o seu bem-estar. Os incentivos fiscais e os subsídios são outros benefícios concedidos pelo governo para promover o bem-estar social e estimular a atividade econômica. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as fases do processo de políticas públicas, o conceito de incentivos fiscais e algumas leis brasileiras de incentivo e o conceito de subsídios. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as fases de implementação das políticas públicas.• Explicar o conceito de incentivos fiscais e sua aplicação.• Diferenciar o conceito de incentivo fiscal e subsídio.• Desafio Você é o controlador financeiro da empresa SuperCompany, empresa exportadora e líder de mercado no varejo de materiais de construção. Seus analistas tributários identificaram duas excelentes oportunidades para a empresa: 1. Investir R$1.000.000,00 no Programa Influencriançando, um engenhoso modelo que prevê a aquisição de brinquedos fabricados por pessoas com necessidades especiais, os quais são entregues a crianças carentes em datas festivas, como o Dia das Crianças e o Natal. De acordo com a legislação vigente, o valor investido no programa pode ser deduzido diretamente do valor do imposto de renda a ser pago pela SuperCompany. 2. Pleitear subsídios com base no Programa Exportaozão, que permite reduzir R$1.000.000,00 no montante a ser pago pela SuperCompany em Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), tributo federal brasileiro criado pela Lei n.o 7869/1988. Como foi informado a você, os benefícios não podem ser cumulativos. Portanto, você deve optar por somente um deles. Qual você escolhe? Infográfico Veja, no Infográfico, como os incentivos fiscais e os subsídios podem colaborar para o bem-estar social e o aquecimento da economia. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/a436f55d-dc10-4e77-9b72-ecba6c029974/f11afee6-06a5-476d-8162-5e5650090ff1.jpg Conteúdo do livro No capítulo Incentivos fiscais e subsídios, da obra Elaboração e implementação de políticas públicas, você verá que as políticas públicas são promovidas pelo governo, visando ao bem-estar da sociedade e ao interesse público. Os incentivos fiscais contribuem nesse sentido, uma vez que estimulam as empresas a investirem em projetos sociais em diversas áreas, como saúde, educação, cultura e esporte. Os subsídios por sua vez, visam a estimular ou proteger determinadas indústrias instaladas no país, aquecendo o mercado interno e internacional e reduzindo as desigualdades sociais regionais. Boa leitura! ELABORAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS Lígia Maria Fonseca Affonso Revisão técnica: Luciana Bernadete de Oliveira Graduada em Ciências Políticas e Econômicas Especialista em Administração Financeira Mestre em Desenvolvimento Regional Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094 E37 Elaboração e implementação de políticas públicas / Guilherme Corrêa Gonçalves ... [et al.] ; [revisão técnica: Luciana Bernadete de Oliveira]. – Porto Alegre : SAGAH, 2017. 324 p. il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-194-5 1. Políticas públicas. I. Gonçalves, Guilherme Corrêa. CDU 304 Incentivos fiscais e subsídios Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as fases de implementação das políticas públicas. Explicar o conceito de incentivos � scais e sua aplicação. Diferenciar o conceito de incentivo � scal e subsídio. Introdução As políticas públicas possuem papel fundamental na vida das pessoas, uma vez que, além de regular as relações entre elas e entre elas e as instituições, também buscam solucionar os problemas da sociedade promovendo o seu bem-estar. Os incentivos fiscais e os subsídios são outros benefícios concedidos pelo governo para promover o bem estar social e estimular a atividade econômica. Neste texto você vai estudar as fases do processo de políticas públicas; o conceito de incentivos fiscais e algumas leis brasileiras de incentivo; e o conceito de subsídios. Fases do processo de políticas públicas Sabemos que o papel do Estado é promover o bem-estar da sociedade e que, para isso, é necessário o desenvolvimento de ações em diversas áreas como saúde, educação, meio ambiente, segurança, etc. Para tal os governos fazem uso de políticas públicas, defi nidas como um conjunto de ações e decisões do governo, com a fi nalidade de solucionar problemas da sociedade, ou seja, as políticas públicas são todas as ações, metas e planos traçados pelos governos, nas três esferas de atuação, para promover o bem-estar da sociedade e o interesse público. Cabe ressaltar que quem escolhe as ações e a ordem de prioridade dessas ações são os gestores públicos, uma vez que a sociedade ainda não consegue se expressar de forma integral, ficando essa tarefa para os representantes por ela escolhidos, bem como para os sindicatos, as entidades de representação empresarial, as asso ciações de moradores e patronais e as Organizações Não Governamentais (ONGs) em geral, chamados de So ciedade Civil Organizada (SCO) (CALDAS, 2008). Na verdade, esses grupos se formam para defender os interesses que pos- suem em comum, uma vez que não há recursos disponíveis para atender a todas as demandas. Essa escassez gera disputas e conflitos que, dentro dos limites da lei, impulsionam mudanças e melhorias na sociedade. Dessa forma, a disputa entre diversos grupos da sociedade recebe o nome de interesse público, que são, na verdade, as deman das e as expectativas da sociedade. Para priorizar as demandas e expectativas da sociedade é preciso compreender cada uma delas. É claro que as respostas não atenderão a todas as demandas. Isso quer dizer que alguns grupos serão contemplados e outros não. Para os grupos contemplados o governo formula e desenvolve ações que atendam integral ou parcialmente as demandas priorizadas. Assim, diz-se que o governo está atuando em favor do interesse público e promovendo o bem-estar social. Veja algumas características das políticas públicas (SARAVIA, c2017): É institucional, uma vez que quem elabora ou decide é uma autoridade formal, legalmente constituída no âmbito de sua competência. É decisória, pois se constitui em um conjunto e uma sequência de decisões para escolher os meios e fins que respondam aos problemas e às necessidades. É comportamental, uma vez que uma política é um curso em ação. É causal, pois as ações resultam em produtos que afetam o sistema político e social. De forma mais simples, uma política pública envolve um conjunto de decisões; recursos a serem alocados; um plano geral de ação; um público alvo ou vários públicos; e metas e objetivos a serem atingidos, definidos em função de normas e valores (THOENIG, 1998 apud SARAVIA, c2017). Veja, agora, as etapas do processo de política pública (CALDAS, 2008; SARAVIA, c2017): Formação da agenda. Elaboração. Formulação de políticas. Implementação. Incentivos fiscais e subsídios218 Execução. Acompanhamento. Avaliação. A formação da agenda é o primeiro momento do processo de política pública, no qual as demandas ou necessidades da sociedade são incluídas na agenda do poder público. Nesse processo, estão envolvidos a emergência e o reconhecimento das questões e a definição das prioridades, ou seja, quais questões serão tratadas e quais ficarão de lado. Alguns fatores são determi- nantes para entrarem na agenda do governo como, por exemplo,indicadores que apontem problemas graves, como o alto índice de mortalidade por doenças crônicas ou falhas em outros programas do governo que chegaram ao fim e que devem ser ajustadas. A elaboração das políticas é o segundo momento do processo e envolve a identificação e a delimitação do problema. Esse é o momento de definir quais ações serão adotadas para solucioná-lo, avaliar os custos, os recursos necessários, os riscos de cada alternativa e os efeitos de cada ação, ou seja, se essas ações serão eficientes e eficazes para o atingimento do objetivo da política e atendimento dos interesses sociais. A formulação envolve a seleção e especificação da alternativa escolhida e a declaração, explicitando a decisão adotada e seus objetivos, expressas em leis, decretos, normas, resoluções e ou tros atos da administração pública. Para que o processo de elaboração de uma política pública seja eficaz, é preciso fazer uso de dados estatísticos como informação, analisar as preferências dos atores envolvidos e utilizar o conhecimento adquirido para formular as ações. É importante que o responsável pela elaboração da política se reúna com os interessados solicitando propostas e opiniões e que elas sejam analisadas objetivamente, considerando a viabilidade técnica, legal, financeira, política e outros aspectos que podem influenciar na elaboração das políticas. No cenário da criação e execução das políticas públicas existem dois tipos de atores: os estatais (políticos e servidores públicos) e os privados (imprensa, associações da sociedade civil organizada, grupos de pressão, grupos de interesse, lobbies e outros que não possuem vínculo dire to com a estrutura administrativa do Estado) (CALDAS, 2008). 219Incentivos fiscais e subsídios A implementação é a quarta etapa do processo e consiste em planejamento e organização do aparelho administrativo e dos recursos necessários para executar uma política. Nessa etapa, também é necessário o recrutamento e treinamento das pessoas responsáveis por execução, coordenação, seguimento e avaliação da política. A execução é a quinta etapa do processo de uma política. É o momento em que todos os planos, programas e projetos são executados, e a política pública é colocada em prática. Esse é o momento mais delicado, pois as coisas podem não sair como planejado. É importante estudar os obstáculos que se opõem aos resultados, principalmente a burocracia que permeia a máquina pública. O acompanhamento é a sexta etapa do processo e consiste na supervisão da execução da política e de todos os elementos que a compõem. O acompa- nhamento tem a finalidade de fornecer informações que permitam realizar eventuais ajustes, assegurando que os objetivos da política sejam alcançados. A avaliação é a última etapa do processo de uma política pública, no entanto, tem papel fundamental, não somente quando termina o ciclo da política, mas durante todos os momentos de sua atuação. Avaliar todo o ciclo da política permite ajustes, correção e prevenção de falhas, identificação de barreiras que impedem o sucesso do programa e, dessa forma, contribuir para a maximiza- ção dos resultados esperados. Além disso, a avaliação pode ser uma fonte de aprendizado, uma vez que o gestor pode identificar as melhores ações e seus efeitos, gerando informações que podem ser uteis em futuras políticas públicas. Alguns fatores podem comprometer a execução e o sucesso das políticas públicas. Entre eles podemos destacar a natureza dos problemas; o contexto político, econômico, tecnológico e social em que estão inseridos; a forma como os aparatos administrativos estão organizados; os recursos políticos e econômicos do público-alvo; e o apoio político disponível (SARAVIA, c2017). Outros fatores que podem influenciar o andamento e a eficácia das políticas públicas são (CALDAS, 2008): A disputa de poder entre as organizações: quanto maior for o número de organizações envolvidas na execução de uma política, maior será a quantidade de ordens expedidas, o que acarreta em um maior tempo para a realização das tarefas. Fatores internos como recursos humanos, financeiros, materiais, preparo e treinamento do quadro administrativo encarregado da execução de políticas. Alterações na implementação das políticas públicas acarretadas pela insuficiência de cooperação entre as organi zações e a lealdade da bu- rocracia entre os formuladores. Incentivos fiscais e subsídios220 Fatores externos como a opinião pública, con dições econômicas e sociais da população, e posição de grupos privados que podem dificultar a execução das políticas. A resistência e indiferença contra as medidas que podem prejudicar a aplicação dos objetivos e metas propostas na política. É importante reconhecer e entender as principais limitações de todo o ciclo das políticas públicas. A participação e colaboração dos stakeholders ao processo das políticas públicas são fundamentais para a democracia, caso contrário, as deficiências acumuladas podem levar a um grande fracasso (RUA, 2009). Acesse o link ou o código a seguir para aprender ainda mais sobre políticas públicas (QUEIROZ, 2016): https://goo.gl/MGrL3G Incentivos fiscais Há mais de vinte anos o Brasil dispõe de mecanismos de incentivo fi scal que permitem às pessoas jurídicas destinarem impostos para realizar projetos. O conceito de responsabilidade social empresarial foi um fator importante para estimular a conscientização de empresários brasileiros, que aos poucos foram se engajando em projetos sociais e têm contribuído de forma signifi cativa para transformações na vida de muitas pessoas, comunidades e regiões, de forma sistemática e sustentável. Nesse sentido, as leis de incentivo são uma oportuni- dade que as empresas têm de, além de promover o bem-estar social investindo em projetos culturais, sociais e esportivos, construir e consolidar sua marca de forma positiva junto à sociedade. Esses investimentos são estimulados pelo Governo, a título de doação ou patrocínio para esses projetos, chancelados pelos órgãos competentes, chamado de incentivo fi scal (ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE PESQUISA, 2015; FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, 2015). 221Incentivos fiscais e subsídios Podemos conceituar incentivo fiscal como um instrumento utilizado pelo governo para estimular pessoas físicas ou jurídicas a desenvolverem projetos culturais, sociais e esportivos para a sociedade, e que em troca têm redução ou isenção de alguns impostos e contribuições. Isso significa que o poder público deixa de receber parte de recursos tributários para incentivar iniciativas sociais, culturais, educacionais, de saúde e esportivas, que beneficiam várias pessoas, ao passo que os investidores apoiam causas nas quais acreditam. Com essa iniciativa, o governo, além de estimular projetos que beneficiem a sociedade, permite que as empresas invistam em suas operações, gerando mais empregos e movimentando a economia. Essas reduções, isenções, eliminação (direta ou indireta), compensação e outros modelos que diminuem a carga tributária são reguladas por leis, decretos ou medidas provisórias e oferecidas nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal. São concedidos de acordo com o regime tributário adotado pela empresa. No âmbito Federal, cujas deduções são feitas a partir do Imposto de Renda (IR), apenas as empresas optantes pelo lucro real é que podem fazer uso dos incentivos fiscais, ou seja, empresas optantes pelo lucro presumido, arbitrado ou pelo Simples Nacional, não podem se valer desse benefício. Nos âmbitos Estadual e Municipal, o tipo de tributação adotado pelas empresas não é relevante, pois não causa impacto na apuração de impostos estaduais e municipais (FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, 2015). Lucro real: é o lucro líquido do período de apuração, ajustado pelas adições, exclu- sões e compensações autorizadas pela Lei. É regra geral para apuração doimporto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre lucro líquido (CSLL), exige completa escrituração contábil e fiscal e livros que garantam controle e segurança das informações declaradas. Lucro presumido: é uma forma de tributação simplificada para determinação da base de cálculo do IR e da CSLL das pessoas jurídicas; não é um regime obrigatório e, por isso, é muito utilizado; podem optar pelo regime, pessoas jurídicas que possuam receita bruta total inferior a 78 milhões, ou seja, aquelas que não são obrigadas ao regime de tributação pelo lucro real. Lucro arbitrado: é adotado pelo Fisco para arbitrar o percentual a ser pago pelas empresas; utilizado quando não é possível apurar a receita tributável da pessoa jurídica por meio do lucro presumido ou real (FABRETTI, 2007). Incentivos fiscais e subsídios222 Você verá, a seguir, quais são os tributos atingidos pelos incentivos fiscais no Brasil, nos três níveis de governo: CSLL e IRPJ, ambos federais. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), estadual. Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS), ambos municipais. Para requerer o benefício, as empresas devem apresentar certidão negativa de débito, ou seja, devem comprovar que estão em dia com a Receita Federal, lembrando que as certidões devem ser requeridas de acordo com o tipo de lei utilizada, ou seja, se for utilizada uma lei federal, a certidão deve ser reque- rida junto a Receita Federal; se for lei estadual deve ser requerida em âmbito estadual e, se for municipal, deve ser requerida em âmbito municipal. Outros documentos podem ser requeridos, dependendo da lei e de cada ministério, conselho ou secretaria (ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE PESQUISA, 2015). As empresas podem escolher em que área querem investir (cultura, edu- cação, esporte ou saúde) sendo que o ideal seria que combinassem áreas temáticas ou todas as áreas ao mesmo tempo privilegiando mais pessoas. Cabe destacar que existem incentivos focados em grupos específicos de be- neficiados, como crianças e adolescentes, idosos ou pessoas com deficiência. Após a escolha da área e do público a ser beneficiado, é preciso encontrar um projeto devidamente registrado em um ministério (Cultura, Esporte ou Saúde), conselho (Criança e Adolescência ou Idoso) ou secretarias estaduais e municipais (Cultura ou Esporte). Veja, na Figura 1 algumas Leis de Incentivo. 223Incentivos fiscais e subsídios Figura 1. Principais Leis de Incentivo brasileiras. Fonte: Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (2015). Empresas com apuração pelo lucro real podem deduzir o investimento realizado utilizando o incentivo fiscal federal das seguintes formas (ASSO- CIAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE PESQUISA, 2015): Deduzir a base de cálculo do IR como despesa operacional, ou seja, o investimento realizado é deduzido do lucro operacional da empresa como sendo uma despesa operacional, antes de calcular o IR e a CSLL. Ao deduzir o investimento como despesa, o lucro é reduzido fazendo o IR incidir sobre uma base de cálculo menor. Deduzir o investimento diretamente do valor do IR devido pela pessoa jurídica, ou seja, deduzir do valor do imposto a pagar. Unir as duas formas acima, ou seja, por lucro operacional e também por IR devido. Incentivos fiscais e subsídios224 No entanto, pela lei, alguns incentivos fiscais podem aparecer em despesa operacional e outros, não. Por isso, a importância de o contador da empresa discriminar tudo com detalhes, inclusive as leis utilizadas. As empresas devem informar o incentivo dado em seu período de apuração do imposto, seja ele qual for. O valor a ser resgatado do incentivo fiscal será descontado do imposto no mesmo ano-base em que ele foi aplicado no projeto escolhido, ou seja, se a doação for feita em 2017, deverá constar no ano-base 2017. Já em relação às leis estaduais e municipais de incentivo, os cálculos e as declarações contábeis são realizadas de acordo com cada período de vencimento de ICMS e de ISS e/ou IPTU, dependendo do prazo estipulado pelos governos. Os incentivos fiscais estão previstos na Constituição Federal (CF), de 1988 (BRASIL, 1988), ou seja, estão legalmente amparados para cumprir com os objetivos aos quais se destinam: fortalecer os direitos individuais e sociais da sociedade, promovendo o bem comum e o desenvolvimento nacional, tanto no âmbito público como no privado. Dessa forma, além de ser uma contribuição do Estado, constituem-se como instrumento de desenvolvimento e crescimento econômico de uma sociedade, uma vez que promovem melhor qualidade de vida aos seus cidadãos, seja por meio do acesso à cultura, educação, lazer, saúde, aumento de empregos, distribuição de renda e outros. O Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) retribui o in- vestimento que recebe das empresas que o ajudaram na ampliação de sua rede hospitalar em São Paulo, gravando placas com o nome delas e expondo-as nas alas, andares e elevadores do novo prédio, como forma de reconhecimento (ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE PESQUISA, 2015). Subsídios Os subsídios econômicos, assim como os incentivos fi scais, compõem o con- junto de políticas econômicas do país. O subsídio é concedido a empresas ou particulares como um auxílio ou benefício para algo de interesse público, que tenha papel signifi cativo para a nossa economia, ou seja, visa promover uma atividade econômica de interesse social. Ele pode ocorrer por meio da isenção de impostos, contribuição fi nanceira, fi scal ou cambial, oferecidos 225Incentivos fiscais e subsídios pelo governo a alguns setores da economia, visando o desenvolvimento e a competitividade deles. Ou seja, os subsídios são “[...] toda ajuda ofi cial de governo, seja de natureza comercial, fi nanceira, cambial ou fi scal, com o fi m de estimular a produtividade de indústrias instaladas no país.” (PIRES, 2003, p. 1114). Portanto, constituem-se em instrumentos de estímulo tributário, ajuda comercial, fi nanceira e cambial. Sob o ponto de vista macroeconômico, os subsídios têm a finalidade de equalizar e padronizar preços, pois têm ligação direta com o preço final de venda de um bem; reduzir as desigualdades sociais regionais; e corrigir distorções do mercado. Isso significa que eles não estão restritos apenas à modalidade fiscal, mas também, são um meio de estimular ou proteger de- terminadas indústrias instaladas no país. Para Pires (2001, p. 201) subsídio é: Toda ajuda oficial do governo com o fim de estimular a produtividade de indústrias, tendo como objetivo promover o desenvolvimento de setores estratégicos sob o ponto de vista econômico, ou de regiões mais atrasadas, além de servir como instrumento de incentivo às exportações, sobretudo em países em desenvolvimento. O subsídio é um incentivo que tem gerado preocupação cada vez maior para o Governo, uma vez que sua ligação com a formação de preços no mercado internacional acaba exigindo a criação e o desenvolvimento de mecanismos de defesa comercial. Cabe ressaltar que esse incentivo possui grande relevância para o comércio internacional e sua prática é regulada pelo ordenamento interno e pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) (PIRES, 2001). O subsídio é praticado em todo o mundo, não sendo privilégio do Brasil. O subsídio agrícola, por exemplo, é pago ao produtor por unidade produzida ou exportada, por meio de financiamentos com juros abaixo do mercado, isenção ou redução de impostos, financiamentos para compra de adubos, defensivos agrícolas, maquinário e outros, com o objetivo de baratear a produção, tornando os produtores mais competitivos, veja a Figura 2. Incentivos fiscais e subsídios226 Figura 2. Colheita de soja. Fonte: Aprosoja Brasil (2014). Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) o Brasil é um dos países que menos concede subsídios para seusagricultores, representando 5% do valor bruto das receitas agrícolas, abaixo da média de 30% concedida por países como França, Itália, Estados Unidos e Reino Unido (BRASIL, c2017). Estudos realizados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) (c2017) apontam que os subsídios agrícolas concedidos pela União Europeia reduzem o custo de produção do trigo em 30 ou 35% e do açúcar de 60 a 75%. Nos Estados Unidos, o custo do milho é reduzido de 5 até 35% e do algodão, de 15 a 20%. Juntos, os Estados Unidos e a União Europeia investem US$ 350 bilhões por ano para proteger demais produtos agrícolas como laticínios, arroz e carne, o que impede uma competição de igual para igual entre outros países produtores. Isso é uma barreira para a expansão agrícola de países pobres ou em desenvolvimento, que dependem da extração primária de riquezas para sobreviverem, pois sua economia não é baseada na industrialização. Os países em desenvolvimento, por sua vez, precisam de subsídios para tornar seus produtos competitivos no mundo exterior, pois a demanda interna também não é suficiente para que se mantenham (DIAS, 2016). No Brasil, a principal ferramenta de subsídio para a safra são os emprés- timos para financiamento, custeio e investimentos, com taxas de juros abaixo do praticado pelo mercado. Assim, subsidiar a agricultura é fundamental para proteger o mercado interno, uma vez que o agronegócio atualmente é responsável por 20% do produto interno bruto (PIB) nacional, responsável pela geração de empregos diretos e indiretos em 46% e, responsável por 90% do saldo positivo da balança comercial (DIAS, 2016). 227Incentivos fiscais e subsídios Outros exemplos de subsídios aqui no Brasil são os voltados para a indústria automobilística, de eletrônicos e para a compra da casa própria para pessoas de baixa renda. Na verdade, a concessão de subsídios ainda gera muitas polêmicas em todo o mundo, uma vez que como já apresentado acima, dependendo do montante concedido, favorece alguns mercados e prejudica outros. Ainda sobre a polêmica da concessão de subsídios ao setor automobilístico no Brasil, você pode saber mais a respeito no link ou código a seguir (LAPORTA, 2017): https://goo.gl/SmeqVJ 1. Políticas públicas são definidas como: a) um conjunto de ações e decisões do público, com a finalidade de solucionar problemas do governo. b) um conjunto de ações e decisões da sociedade, com a finalidade de solucionar problemas do público. c) um conjunto de ações e decisões do governo, com a finalidade de solucionar problemas da sociedade. d) um conjunto de ações e decisões dos gestores, com a finalidade de solucionar problemas das empresas públicas. e) um conjunto de ações e decisões do governador, com a finalidade de solucionar problemas do Estado. 2. Quem escolhe as ações e a ordem de prioridade das ações referentes às políticas públicas? a) A sociedade. b) Os gestores públicos. c) Os indivíduos. d) Os empregados. e) Os donos das empresas públicas. 3. Sobre as etapas das políticas públicas, qual é o segundo momento do processo e que envolve a identificação e a delimitação do problema? a) A elaboração das políticas. b) A formação da agenda. c) A formulação. d) A implementação. e) A execução. Incentivos fiscais e subsídios228 4. Por que nos âmbitos estadual e municipal o tipo de tributação do imposto de renda adotado pelas empresas não é relevante? a) Porque não causa impacto na apuração de impostos estaduais e municipais. b) Porque elas não pagam imposto de renda. c) Porque elas recolhem pelo Simples. d) Porque elas optam entre pagar o imposto de renda ou os impostos estaduais e municipais. e) Porque as empresas estaduais e municipais são isentas de imposto de renda. 5. O que são subsídios? a) Um instrumento utilizado pelo governo para estimular pessoas físicas ou jurídicas a desenvolverem projetos culturais, sociais e esportivos para a sociedade, em troca da redução ou isenção de alguns impostos e contribuições. b) São todas as ações, metas e planos traçados pelos governos, nas três esferas de atuação, para promover o bem-estar da sociedade e o interesse público. c) O poder público abre mão de uma parte dos recursos que receberia para incentivar a execução de iniciativas sociais, culturais, educacionais, de saúde e esportivas, em benefício de várias pessoas. d) Toda ajuda oficial de governo, seja de natureza comercial, financeira, cambial ou fiscal, com a finalidade de estimular a produtividade de indústrias instaladas no país e) Um conjunto de decisões; recursos a serem alocados; um plano geral de ação; um público alvo ou vários públicos; e metas e objetivos a serem atingidos, definidos em função de normas e valores. APROSOJA BRASIL. A história da soja. Brasília, DF, 2014. Disponível em: . Acesso em: 09 out. 2017. ASSOCIAÇÃO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE PESQUISA. Cartilha sobre uso de incentivos fiscais. São Paulo: INTERFARMA, 2015. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF, 1988. Disponível em: . Acesso em: 14 dez. 2016. BRASIL. Ministério da Fazenda. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. Brasília, DF, c2017. Disponível em: . Acesso em: 10 out. 2017. CALDAS, R. W. (Coord.). Políticas públicas: conceitos e práticas. Belo Horizonte: Sebrae, 2008. DIAS, D. Subsídio não é coisa de gente preguiçosa! É praticado pelo mundo inteiro: en- tenda essa ferramenta. [S.l.]: Blog do Daniel Dias, 2016. Disponível em . Acesso em: 06 out. 2017. FABRETTI, L. C. Contabilidade tributária. 10.ed. São Paulo: Atlas, 2007. FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Manual das leis de incentivo: estratégias de investimento social. Rio de Janeiro: Sistema FIRJAN, 2015. LAPORTA, T. OMC pede que Brasil retire subsídios à indústria em até 90 dias. G1, Rio de Janeiro, 30 ago. 2017. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2017. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E A AGRICULTURA. Brasil. Roma: FAO, c2017. Disponível em: . Acesso em: 10 out. 2017. PIRES, A. R. Incentivos fiscais e o desenvolvimento econômico. In: SCHOUERI, L. E. (Coord.). Direito tributário: homenagem a Alcides Jorge Costa. São Paulo: Quartier Latin, 2003. PIRES, A. R. Práticas abusivas no comércio internacional. Rio de Janeiro: Forense, 2001. QUEIROZ, A. A. Políticas públicas e o ciclo orçamentário. Brasília, DF: DIAP, 2016. (Série Educação Política). RUA, M. G. Políticas públicas. Florianópolis: UFSC, 2009. SARAVIA, E. J. Gestão e avaliação de políticas públicas. Rio de Janeiro: FGV, c2017. Leitura recomendada HOWLETT, M.; RAMESH, M.; PERL, A. Política pública: seus ciclos e subsistemas: uma abordagem integral. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Incentivos fiscais e subsídios230 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: Audiodescrição do Capítulo do Livro: Clique aqui https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//12898caplivro__1_-2025-02-13T14:42:43-03:00.docx Dica do professor Os incentivos fiscais, além de contribuírem para fazer o bem a um grupo de pessoas ou à sociedade, colaboram para a construção de uma boa imagem da empresa que doa. Ovídeo a seguir apresenta um exemplo de por que somente as empresas que adotam o regime tributário pelo lucro real podem utilizar os incentivos fiscais federais e deduzi-los do imposto de renda. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Audiodescrição da Dica do Professor Clique aqui https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/3870ac2de3d903477c206f2aff3d2335 https://creator-files.plataforma.grupoa.education/learning-unit//12898audiodescrio__1_-2025-02-13T15:39:33-03:00.docx Exercícios 1) Políticas públicas são definidas como: A) a) Um conjunto de ações e decisões do público, com a finalidade de solucionar problemas do governo. B) b) Um conjunto de ações e decisões da sociedade, com a finalidade de solucionar problemas do público. C) c) Um conjunto de ações e decisões do governo, com a finalidade de solucionar problemas da sociedade. D) d) Um conjunto de ações e decisões dos gestores, com a finalidade de solucionar problemas das empresas públicas. E) e) Um conjunto de ações e decisões do governador, com a finalidade de solucionar problemas do Estado. 2) Quem escolhe as ações e a ordem de prioridade das ações referentes às políticas públicas? A) a) A sociedade. B) b) Os gestores públicos. C) c) Os indivíduos. D) d) Os empregados. E) e) Os donos das empresas públicas. 3) É o segundo momento do processo de política pública e envolve a identificação e delimitação do problema. Estamos falando de qual etapa? A) a) A elaboração das políticas. B) b) A formação da agenda. C) c) A formulação. D) d) A implementação. E) e) A execução. 4) Por que, nos âmbitos estadual e municipal, o tipo de tributação do imposto de renda adotado pelas empresas não é relevante? A) a) Porque não causa impacto na apuração de impostos estaduais e municipais. B) b) Porque elas não pagam imposto de renda. C) c) Porque elas recolhem pelo Simples. D) d) Porque elas optam entre pagar o imposto de renda ou os impostos estaduais e municipais. E) e) Porque as empresas estaduais e municipais são isentas de imposto de renda. 5) O que são subsídios? A) a) Instrumentos utilizados pelo governo a fim de estimular pessoas físicas ou jurídicas a desenvolverem projetos culturais, sociais e esportivos para a sociedade e terem em troca redução ou isenção de alguns impostos e contribuições. B) b) Todas as ações, metas e planos traçados pelos governos, nas três esferas de atuação, para promover o bem-estar da sociedade e o interesse público. C) c) Ato do poder público quando abre mão de uma parte dos recursos que receberia para incentivar a execução de iniciativas sociais, culturais, educacionais, de saúde e esportivas, em benefício de várias pessoas. D) d) Toda ajuda oficial de governo, seja de natureza comercial, financeira, cambial ou fiscal, com o fim de estimular a produtividade de indústrias instaladas no país. E) e) Conjunto de decisões, recursos a serem alocados, um plano geral de ação, um público-alvo ou vários públicos, metas e objetivos a serem atingidos, definidos em função de normas e valores. Na prática O que você acha de montar uma fábrica em plena floresta amazônica, longe de fornecedores, longe dos mercados consumidores, sem mão de obra disponível e com enormes dificuldades e altíssimos custos para receber os insumos necessários e entregar seus produtos aos consumidores? Não acha tal investimento promissor? A política tributária vigente na Zona Franca de Manaus é diferenciada do restante do país, oferecendo benefícios locacionais, com o objetivo de minimizar os custos amazônicos. Além de vantagens oferecidas pelo Governo Federal, o modelo é reforçado por políticas tributárias estadual e municipal. Veja a seguir os dados sobre os tributos federais e as vantagens locacionais divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa): Tributos federais: • redução de até 88% do Imposto de Importação (I.I.) sobre os insumos destinados à industrialização; • isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.); • redução de 75% do imposto de renda de pessoa jurídica, inclusive adicionais de empreendimentos classificados como prioritários para o desenvolvimento regional, calculados com base no Lucro da Exploração até 2013; • isenção da contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins nas operações internas na Zona Franca de Manaus. Tributos estaduais: • restituição parcial ou total, variando de 55% a 100% – dependendo do projeto – do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Vantagens locacionais: No parque industrial de Manaus, o investidor tem à disposição terreno a preço simbólico, com infraestrutura de captação e tratamento de água, sistema viário urbanizado, rede de abastecimento de água, rede de telecomunicações, rede de esgoto sanitário e drenagem pluvial. A área industrial é de 3,9 mil hectares, sendo que as empresas instaladas atualmente ocupam menos de 1,7 hectare. Há mais de 2,2 hectares disponíveis para receber novos empreendimentos. O governo brasileiro, por meio da Suframa e de outros organismos governamentais, realiza elevados investimentos em infraestrutura a fim de que o investidor tenha atendidas todas as condições para instalar seu empreendimento no Polo Industrial de Manaus. Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Leia o artigo a seguir para saber mais sobre os mecanismos de promoção da inovação tecnológica nas empresas, dentre eles: financiamentos reembolsáveis, não reembolsáveis e incentivos fiscais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Por meio da leitura do artigo a seguir, você verá como a política nacional de ciência, tecnologia e inovação tem contribuído para o setor de energia a fim de construir um ambiente favorável à inovação. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. O artigo a seguir apresenta um mapeamento dos atores envolvidos na formulação e implementação do Programa Mais Médicos e busca compreender as dinâmicas e contribuições desses atores. https://www.revistas.usp.br/rai/article/view/100276 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-39512016000700506&lng=en&nrm=iso Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Leia o artigo a seguir, que reconstitui a trajetória da análise de políticas públicas no Brasil, com base na literatura que distingue policy studies e policy analysis na teoria do campo científico. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-39512016000700593&lng=en&nrm=iso http://www.scielo.br/pdf/rap/v50n6/0034-7612-rap-50-06-00959.pdf