Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
ADMINISTRAÇÃO 
PÚBLICA
Unidade 3
CEO 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial 
ALESSANDRA FERREIRA
Gerente Editorial 
LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
JULIANE MARISE BARBOSA TEIXEIRA
KARINE HERANI
4 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
A
U
TO
RI
A
Juliane Marise Barbosa Teixeira
Olá. Sou Doutoranda em Engenharia da Produção 
e Sistemas pela (PUCPR) com foco em Engenharia das 
Organizações, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento do 
PPGTE na UTFPR, Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas 
pela PUCPR, Especialização em Psicopedagogia; Especialista em 
Pedagogia Empresarial e Educação Corporativa, Especialista 
em Formação Docente e Tutoria em EaD e possuo MBA em 
Administração pública e Gerenciamento de Cidades. Graduada 
em Letras pela PUCPR e Graduanda em Administração. Atuei 
como Diretora de EaD e Professora na Faculdade Inspirar. 
Orientadora do Programa Agentes Locais de Inovação (ALI 
SebraePR). Coordenadora da Agência de Inovação da UNINTER, 
Coordenadora Adjunta do Curso Tecnológico Superior em Gestão 
Pública, MBA em Administração pública e Gerência de Cidades e 
MBA em Marketing Político e Organização de Campanha Eleitoral, 
além de Especialização em Sustentabilidade e Políticas Públicas 
na Escola de Gestão Pública, Política e Jurídica da EGPPJ no Centro 
Universitário Internacional da UNINTER. Atuei como professora 
Tutora convidada na Coordenação de Tecnologia na Educação 
na COTED da UTFPR. Trabalhei quatro anos em Angola como 
coordenadora de Recursos Humanos em empresa de engenharia 
com aproximadamente dois mil funcionários e cinco filiais pelo 
país. Possuo experiência na área de Administração, com ênfase 
em Gestão Estratégica de Pessoas e Formação Profissional. Sou 
docente na área de Gestão de Pessoas na administração pública 
e Gestão da Inovação e Modelos de Gestão. Sou apaixonada pelo 
que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles 
que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada 
pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores 
independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta 
fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
5ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Karine Herani
Sou advogada com mais de 22 anos de experiência na 
área de consultoria jurídica empresarial e gestão de negócios, 
desenvolvimento de negócios, processos de inovação, negócios 
internacionais e gestão de projetos. Trabalho como consultora 
e tive oportunidade de trabalhar em diferentes setores da 
indústria, de alimentos a equipamentos, em 3 países diferentes. 
Estou imensamente feliz em iniciar com você essa jornada rumo 
a novos conhecimentos. Vamos lá?
A
U
TO
RI
A
6 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÍC
O
N
ES
7ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
A estrutura jurídica da administração pública é um 
importante pilar da gestão pública, da manutenção e do 
funcionamento dos serviços públicos e do suporte aos privados. 
Basicamente, trata-se de compostos, instrumentos, órgãos, leis e 
organizações que agem a favor de mecanismos e processos em 
prol das finalidades do Estado.
Vamos aprender, ao longo desta unidade, a teia de 
relações entre organizações sociais, agências executivas 
e agências reguladoras. Falaremos sobre as tão famosas 
licitações e os contratos administrativos, sem deixar de lado 
particularidades entre a economia e a administração pública, 
alcançando, finalmente, alcançar o entendimento das relações 
entre funcionalismo público e terceirizações.
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai 
mergulhar nesse universo!
 
 IN
TR
O
D
U
ÇÃ
O
8 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Olá. Seja muito bem-vindo à nossa Unidade 3, e o nosso 
objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes 
competências profissionais até o término desta etapa de estudos.
1. Compreender as relações entre organizações sociais, 
agências executivas e agências reguladoras.
2. Listar as normas gerais de licitações e contratos 
administrativos.
3. Identificar as particularidades entre economia e 
administração Pública.
4. Discernir sobre as relações entre funcionalismo público 
e terceirizações.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
 
CO
M
PE
TÊ
N
CI
A
S
9ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 S
U
M
Á
RI
O
Organizações Sociais, Agências Executivas e Reguladoras . 10
O Que é Uma Organização Social? .................................................................10
A Fundamentação Legal da Organização Social no Brasil ..........................18
Agências Executivas e Agências Reguladoras ...............................................20
Normas Gerais sobre Licitações e Contratos 
Administrativos ....................................................................... 26
Licitação ...............................................................................................................26
Princípios da Licitação ......................................................................................30
Modalidades de licitação ...................................................................39
Contrato administrativo ......................................................41
Administração Pública e a Economia .................................... 47
Entendendo a Economia ..................................................................................47
Intervenção do Governo no Mercado ............................................................53
A Influência da História e dos Reflexos Internacionais ................55
Funcionalismo Público e as Terceirizações ........................... 62
Do Instrumento Convocatório ........................................................................67
Gestão e Fiscalização da Execução dos Contratos ......................................72
 Lei 13.429/2017 ................................................................................................75
10 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Organizações Sociais, Agências 
Executivas e Reguladoras
OBJETIVO
Ao término desta unidade, você será capaz 
de entender as relações entre processos, 
procedimentos e comandos da administração 
pública como fatores essenciais para que atue 
conforme a Constituição Federal eos interesses 
da sociedade. Você aprenderá que qualquer 
profissional que exerça serviço público deve 
respeitar e dominar as regras desse tipo de 
prestação de serviço. No decorrer deste capítulo, 
faremos importantes reflexões sobre como 
funcionam as organizações sociais e as agências 
executivas. Como se relacionam e quais as 
implicações dessas relações para a prestação de 
serviço à comunidade.
O Que é Uma Organização Social?
Organização social se refere a uma pessoa jurídica de 
direito privado, sem fins lucrativos, qualificada como organização 
social por meio de decreto. Tem, como objetivo, exclusivamente, 
atividade de interesse público em parceria com o Estado nos 
setores de ensino, pesquisa científica, tecnologia, meio ambiente, 
cultura e saúde.
A parceria entre Poder Executivo e organizações sociais 
foi estabelecida na Lei 9.637/98 e no Decreto 9.190/2017, que 
definem padrões de publicização que as organizações sociais 
devem cumprir e outros requisitos de qualificação da organização 
social.
Publicização se refere ao processo de transferência da 
execução de atividades e de funções originalmente realizadas 
11ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
por organizações privadas ou de sociedade civil para o 
âmbito público, passando a ser gerenciadas pelos governos 
ou administração pública. Por exemplo, uma organização 
social pode se comprometer a realizar a atividade conforme 
contrato de gestão, e o Estado se compromete a fomentar 
a atividade por meio de transferência direta de recursos.A saúde financeira de um país depende de um sistema 
financeiro eficiente e diversificado, o qual propicia uma atração 
de poupança interna ou internacional que é indispensável para 
transformar esses recursos em investimentos produtivos.
Reduzir a inflação com a elevação da taxa de juros é uma 
estratégia comum e difundida. A combinação de altas taxas de 
juros com a redução dos gastos públicos (política fiscal) é capaz, 
portanto, de reduzir a inflação rapidamente. Porém, causa alguns 
efeitos, como redução dos gastos, desaceleração da economia e 
elevação dos níveis de desemprego.
O sistema financeiro nacional é uma estrutura complexa 
que abrange instituições, mercados e instrumentos financeiros. 
Desempenha um papel crucial na economia, facilitando a alocação 
eficiente de recursos, promovendo o crescimento econômico, 
intermediando poupadores e investidores e fornecendo serviços 
financeiros essenciais. 
Do ponto de vista organizacional, o sistema financeiro 
nacional está dividido em dois subsistemas.
a. Normativo: composto pelo Conselho Monetário 
Nacional, pelo Banco Central e pela Comissão de 
Valores Monetários.
b. Cooperativo ou operativo: composto pelos seguintes 
mercados e suas características.
 • Mercado monetário – local em que se realizam 
operações de curtíssimo prazo para atender às 
necessidades imediatas de caixa de diversos agentes 
econômicos.
59ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Mercado de crédito – ambiente em que são atendidas 
às necessidades de recursos para financiamento do 
consumo e do capital de giro das empresas.
 • Mercado de capitais – ambiente em que são realizadas 
colocações diretas de títulos de propriedade (ações) ou 
de dívida (bônus, debêntures etc.) para redução dos 
custos associados às operações individualizadas de 
crédito. 
 • Mercado de câmbio – nesse segmento, são realizadas a 
compra e a venda de moedas estrangeiras necessárias 
às operações internacionais, por meio das instituições 
(bancos ou casas de câmbio) autorizadas pelo Banco 
Central. 
 • Mercado de seguros, capitalização e previdência 
privada - nesse mercado, são captados recursos 
para a cobertura de finalidades específicas, como 
proteção de riscos (seguros), capitalização, pensões e 
aposentadorias (previdência privada).
O sistema financeiro nacional é composto por diversos 
elementos interligados.
 • Instituições financeiras: essas instituições são os pilares 
do sistema financeiro e incluem bancos comerciais, 
bancos de investimento, cooperativas de crédito, 
seguradoras, fundos de pensão, corretoras e outras 
entidades que oferecem serviços financeiros. Facilitam 
a mobilização de fundos, a concessão de crédito, a 
gestão de riscos e a facilitação de investimentos.
 • Banco Central: é a principal autoridade monetária 
e reguladora do sistema financeiro nacional. Emite 
moeda, define políticas monetárias, regula bancos 
60 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
e outras instituições financeiras e busca manter a 
estabilidade econômica e financeira.
 • Mercados financeiros: nos mercados financeiros, 
ocorre a negociação de diversos ativos financeiros, 
como ações, títulos, moedas e commodities. Fornecem 
um ambiente para a formação de preços, permitindo 
que investidores comprem e vendam ativos com base 
nas suas avaliações de risco e retorno.
 • Instrumentos financeiros: são contratos que 
representam valores monetários e permitem 
transações financeiras. Exemplos incluem ações, 
títulos, empréstimos, derivativos e seguros.
 • Intermediação financeira: é o processo pelo qual as 
instituições financeiras facilitam a transferência de 
recursos dos poupadores para os investidores. Coletam 
depósitos e fornecem crédito, criando um elo essencial 
na economia.
 • Políticas e regulamentações: o sistema financeiro é 
regulado pelo governo para garantir a integridade, 
a estabilidade e o bom funcionamento do sistema. 
As políticas regulatórias abrangem aspectos como 
requisitos de capital, proteção ao consumidor, 
prevenção de lavagem de dinheiro e regulamentações 
prudenciais.
 • Tecnologia financeira (FinTech): a evolução da tecnologia 
tem impactado, profundamente, o sistema financeiro, 
levando ao surgimento de soluções inovadoras, como 
pagamentos digitais, empréstimos P2P (peer-to-peer), 
plataformas de investimento automatizado e muito 
mais.
61ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Inclusão financeira: um aspecto importante do sistema 
financeiro é a inclusão de segmentos da população 
que, historicamente, tiveram acesso limitado a serviços 
financeiros. Iniciativas visam a fornecer acesso a 
serviços bancários básicos e seguros e a crédito para 
todos.
O equilíbrio entre a inovação, a regulamentação eficaz 
e a estabilidade é fundamental para garantir que o sistema 
financeiro cumpra seu papel de maneira eficiente e sustentável.
RESUMINDO
Neste capítulo, você estudou alguns termos e 
expressões que aderem ao vocabulário cotidiano 
das diversas instâncias da gestão pública nacional, 
tendo, como foco, o resultado e a saúde financeira. 
Você entendeu os conceitos de economia e as 
necessidades do ser humano. Estudou o sistema 
econômico capitalista e a influência da história e 
dos reflexos internacionais na economia.
62 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Funcionalismo Público e as 
Terceirizações
OBJETIVO
Neste capítulo, você vai compreender a 
terceirização dos serviços públicos, permitida com 
base no Decreto-Lei n.º 200, de 25 de fevereiro 
de 1967. Envolve adaptações nos sistemas de 
administração pública e na forma de prestação de 
serviço via entidades privadas. Vamos explorar as 
considerações dispostas no Decreto-Lei em sua 
íntegra. 
Como vimos até aqui, a administração pública 
desempenha um papel fundamental na organização e na 
prestação de serviços essenciais para a sociedade. Abrange 
atividades e operações conduzidas pelo governo nos níveis 
federal, estadual e municipal, visando a atender às necessidades 
públicas e a garantir o bem-estar da população. No entanto, 
diante de desafios como a busca por eficiência, a redução de 
custos e uma melhor alocação de recursos, a terceirização tem 
se tornado uma abordagem frequentemente discutida e adotada 
nesse contexto.
A terceirização na administração pública envolve a 
contratação de empresas privadas para realizar serviços e 
atividades que, tradicionalmente, eram executados por órgãos 
governamentais. Essa prática tem, como objetivo principal, 
aproveitar a expertise, a agilidade e os recursos disponíveis no 
setor privado, a fim de melhorar a qualidade e a eficiência na 
entrega de serviços públicos. No entanto, a terceirização suscita 
debates sobre a qualidade do serviço prestado, o controle 
governamental sobre as operações terceirizadas e possíveis 
impactos nos servidores públicos.
63ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Para melhor desincumbir-se das tarefas 
de planejamento, coordenação, supervisão 
e controle e com o objetivo de impedir o 
crescimento desmesurado da máquina 
administrativa, a Administração procurará 
desobrigar-se da realização material de tarefas 
executivas, recorrendo, sempre que possível, 
à execução indireta, mediante contrato, 
desde que exista, na área, iniciativa privada 
suficientemente desenvolvida e capacitada 
a desempenhar os encargos de execução. 
(BRASIL, 1967, on-line)
O Decreto n.º 9.507/2018 trata da execução indireta de 
serviços da administração pública federal direta, autárquica e 
fundacional, bem como das empresas públicas e das sociedades 
de economia mista controladas pela União. Esse decreto versa 
sobre a contratação de serviços por meio de terceirização, 
buscando estabelecer regras e diretrizes para esse processo.
 • Terceirização de serviços: trata da possibilidade de 
órgãos e entidades da administração pública federal 
contratarem serviços de terceiros para a execução de 
atividades que sejam consideradas não essenciais.
 • Categorias de serviços: divide os serviços que podem 
ser objeto de terceirizaçãoem três categorias: serviços 
que apoiam a realização das atividades finalísticas; 
serviços que apoiam a gestão e o funcionamento dos 
órgãos e entidades; e serviços que compõem a atividade 
finalística do órgão ou entidade.
 • Regras para contratação: estabelece critérios e 
procedimentos para a contratação de serviços 
terceirizados, incluindo a necessidade de justificativas 
e autorizações prévias.
64 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Vedação de substituição de pessoal: é vedada a 
terceirização de serviços para substituição de servidores 
ou empregados públicos em greve.
 • Fiscalização e acompanhamento: prevê mecanismos 
de fiscalização e acompanhamento dos contratos 
de terceirização, visando a garantir a qualidade dos 
serviços e o cumprimento das obrigações.
 • Capacitação de gestores: a norma estabelece a 
necessidade de capacitação de gestores para gerenciar 
contratos de terceirização de serviços.
Imagem 3.12 - Capacitação de gestores 
 
 
Fonte: Freepik.
O Decreto n.º 9.507/2018 tem, como objetivo, promover a 
eficiência e a qualidade dos serviços prestados pela administração 
pública federal, ao mesmo tempo em que estabelece parâmetros 
e salvaguardas para a terceirização desses serviços. Busca um 
equilíbrio entre a necessidade de utilizar serviços terceirizados e 
https://www.freepik.com/free-photo/confident-female-businesswoman-drawing-whiteboard_6882202.htm#query=capacita%C3%A7%C3%A3o%20de%20gestores&position=3&from_view=search&track=ais">Image by pch.vector
65ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
a garantia de que os interesses da administração pública e dos 
trabalhadores envolvidos sejam protegidos.
SAIBA MAIS
Para conhecer a lei na íntegra, acesse o link a 
seguir. Disponível abaixo. 
A lei é expressa ao definir como será feita a execução 
indireta dos serviços: “Art. 2º Ato do Ministro de Estado do 
Planejamento, Desenvolvimento e Gestão estabelecerá os 
serviços que serão preferencialmente objeto de execução 
indireta mediante contratação” (BRASIL, 2018, on-line).
O Decreto n.º 9.507/2018, em seu artigo 3º, estabelece 
algumas vedações relacionadas à terceirização e à execução 
indireta de serviços da administração pública federal. Essas 
vedações têm, como objetivo, garantir que a terceirização seja 
feita de forma adequada e que os interesses dos trabalhadores 
e da administração pública sejam protegidos. Algumas das 
vedações incluídas no decreto são as seguintes.
 • Substituição de servidores em greve: é vedada a 
terceirização de serviços para substituição de servidores 
ou empregados públicos em greve. Isso evita que a 
terceirização seja usada como uma forma de contornar 
os direitos de trabalhadores em greve.
 • Atividades que compõem a atividade finalística: a 
terceirização de atividades que compõem a atividade 
finalística do órgão ou entidade da administração 
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DEC&numero=9507&ano=2018&ato=fc8ATRU9UeZpWT7c8
66 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
pública federal é vedada. Portanto, serviços essenciais 
para o cumprimento da missão principal do órgão ou 
entidade não podem ser terceirizados.
 • Atividades que demandem conhecimento específico: é 
vedada a terceirização de atividades que demandem 
conhecimento técnico ou científico específico. Isso visa 
a garantir que atividades que exigem expertise não 
sejam transferidas a terceiros sem a devida qualificação.
 • Gestão de políticas públicas: a terceirização de 
atividades de planejamento, coordenação, supervisão 
e controle de políticas públicas também é vedada. Isso 
preserva a capacidade do órgão público de gerenciar 
suas próprias políticas e programas.
 • Tomada de decisões: atividades que envolvam tomada 
de decisões e formulação de políticas também não 
podem ser terceirizadas. Isso garante que as decisões 
estratégicas da administração pública sejam mantidas 
internamente.
 • Fiscalização e regulação: a terceirização de atividades 
relacionadas à fiscalização e à regulação também é 
vedada. Isso previne possíveis conflitos de interesse e 
assegura a imparcialidade na aplicação das regras.
Essas vedações têm, como objetivo, assegurar que 
a terceirização seja utilizada de maneira responsável e em 
conformidade com as necessidades da administração pública 
e dos trabalhadores. Visam a evitar abusos e a garantir que 
atividades cruciais e sensíveis sejam mantidas sob controle 
direto das instituições governamentais.
Conforme vimos anteriormente, no ato da administração 
pública, deve-se considerar que o agente administrativo público 
67ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
só poderá fazer o que está previsto em lei. Assim, mesmo que, 
em determinadas situações, um processo, uma ação ou uma 
tomada de decisão seja emergente, só poderá acontecer se 
estiver previsto em lei ou salvaguardado nas exceções.
Art. 5º É vedada a contratação, por órgão ou 
entidade de que trata o art. 1º, de pessoa 
jurídica na qual haja administrador ou sócio 
com poder de direção que tenham relação de 
parentesco com:
I - detentor de cargo em comissão ou função 
de confiança que atue na área responsável 
pela demanda ou pela contratação; ou
II - autoridade hierarquicamente superior no 
âmbito de cada órgão ou entidade. (BRASIL, 
2018, on-line) 
Do Instrumento Convocatório 
O artigo 6º do Decreto-Lei estabelece diretrizes para a 
convocação e o contrato. A seguir, são destacados alguns pontos 
relacionados a esses aspectos.
 • Conteúdo do edital: o edital ou instrumento convocatório 
deve conter todas as informações necessárias para 
a contratação, incluindo a descrição detalhada de 
serviços, critérios de julgamento, condições de 
execução e requisitos para participação.
 • Justificativa: o edital deve conter justificativas claras e 
objetivas para a contratação dos serviços, demonstrando 
a conveniência e a necessidade da terceirização.
 • Critérios de julgamento: devem ser definidos critérios 
objetivos para avaliar as propostas dos licitantes, 
68 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
como preço, qualidade técnica e capacidade técnico-
operacional.
 • Especificidades técnicas: o edital deve estabelecer 
requisitos técnicos mínimos a que os serviços 
terceirizados devem atender, garantindo a qualidade e 
a adequação às necessidades da administração pública.
Art. 6º Para a execução indireta de serviços, 
no âmbito dos órgãos e das entidades 
de que trata o art. 1º, as contratações 
deverão ser precedidas de planejamento e 
o objeto será definido de forma precisa no 
instrumento convocatório, no projeto básico 
ou no termo de referência e no contrato como 
exclusivamente de prestação de serviços. 
Parágrafo único. Os instrumentos 
convocatórios e os contratos de que 
trata o caput poderão prever padrões de 
aceitabilidade e nível de desempenho para 
aferição da qualidade esperada na prestação 
dos serviços, com previsão de adequação 
de pagamento em decorrência do resultado. 
(BRASIL, 2018, on-line)
69ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.13 - Contrato 
 
 
Fonte: Freepik.
 • Repactuação e reajuste: poderão ser previstos 
mecanismos de repactuação de preços e reajuste, 
considerando a evolução dos custos ao longo da 
vigência do contrato.
 • Garantias contratuais: o contrato pode exigir garantias, 
como seguro-garantia ou caução, para assegurar o 
cumprimento das obrigações pela empresa terceirizada.
Essas diretrizes são fundamentais para criar um ambiente 
transparente, justo e que atenda aos interesses de todas as 
partes envolvidas.
Disposições contratuais obrigatórias
Art. 8º Os contratos de que trata este 
decreto conterão cláusulas que:
I - exijam da contratada declaração 
de responsabilidade exclusiva sobre a 
https://www.freepik.com/free-photo/glasses-documents_866633.htm#query=edital&position=13&from_view=search&track=sph
70 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
quitação dos encargos trabalhistas e 
sociais decorrentes do contrato;
II - exijam a indicação de preposto 
da contratadapara representá-la na 
execução do contrato;
III - estabeleçam que o pagamento 
mensal pela contratante ocorrerá após 
a comprovação do pagamento das 
obrigações trabalhistas, previdenciárias e 
para com o Fundo de Garantia do Tempo 
de Serviço - FGTS pela contratada relativas 
aos empregados que tenham participado 
da execução dos serviços contratados;
IV - estabeleçam a possibilidade de 
rescisão do contrato por ato unilateral e 
escrito do contratante e a aplicação das 
penalidades cabíveis, na hipótese de não 
pagamento dos salários e das verbas 
trabalhistas, e pelo não recolhimento das 
contribuições sociais, previdenciárias e 
para com o FGTS;
V - prevejam, com vistas à garantia do 
cumprimento das obrigações trabalhistas 
nas contratações de serviços continuados 
com dedicação exclusiva de mão de obra:
a) que os valores destinados ao 
pagamento de férias, décimo terceiro 
salário, ausências legais e verbas 
rescisórias dos empregados da 
contratada que participarem da execução 
dos serviços contratados serão efetuados 
pela contratante à contratada somente 
na ocorrência do fato gerador; ou
71ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
b) que os valores destinados ao pagamento 
das férias, décimo terceiro salário e 
verbas rescisórias dos empregados 
da contratada que participarem da 
execução dos serviços contratados serão 
depositados pela contratante em conta 
vinculada específica, aberta em nome 
da contratada, e com movimentação 
autorizada pela contratante;
VI - exijam a prestação de garantia, 
inclusive para pagamento de obrigações 
de natureza trabalhista, previdenciária e 
para com o FGTS, em valor correspondente 
a cinco por cento do valor do contrato, 
limitada ao equivalente a dois meses 
do custo da folha de pagamento dos 
empregados da contratada que venham 
a participar da execução dos serviços 
contratados, com prazo de validade de 
até noventa dias, contado da data de 
encerramento do contrato; e
VII - prevejam a verificação pela 
contratante, do cumprimento das 
obrigações trabalhistas, previdenciárias 
e para com o FGTS, em relação aos 
empregados da contratada que 
participarem da execução dos serviços 
contratados [...]. (BRASIL, 2018, on-line)
 
72 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Gestão e Fiscalização da Execução 
dos Contratos
As diretrizes da lei visam a garantir a qualidade, a 
transparência e a eficiência na execução dos serviços contratados. 
A seguir, estão alguns pontos-chave relacionados à gestão e às 
fiscalização dos contratos, dispostos no artigo 10º do decreto.
 • Designação de gestor do contrato: deve ser designado 
um gestor do contrato, responsável por acompanhar e 
fiscalizar a execução dos serviços. O gestor é o ponto 
de contato entre a administração pública e a empresa 
terceirizada.
 • Comissão de fiscalização: pode ser instituída uma 
comissão de fiscalização, composta por servidores, 
para auxiliar o gestor do contrato na monitorização dos 
serviços e no cumprimento das obrigações contratuais.
 • Fiscalização contínua: a administração pública deve 
realizar uma fiscalização contínua e sistemática da 
execução dos serviços, verificando se os prazos, a 
qualidade e as condições estipuladas no contrato estão 
sendo cumpridos.
 • Registros e relatórios de fiscalização: devem ser 
mantidos registros e relatórios detalhados das 
atividades de fiscalização, incluindo registros de visitas 
técnicas, avaliações de desempenho e eventuais não 
conformidades.
 • Avaliação de desempenho: deve ser feita uma avaliação 
periódica do desempenho da empresa terceirizada, 
considerando critérios como qualidade, pontualidade e 
cumprimento das obrigações.
73ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Notificações e providências: a administração pública 
deve notificar a empresa terceirizada caso identifique 
problemas ou não conformidades na execução 
dos serviços. A empresa terceirizada deve tomar 
providências para corrigir as irregularidades.
 • Sanções e multas: em caso de descumprimento das 
obrigações contratuais, a administração pública pode 
aplicar sanções previstas no contrato, como multas, 
suspensão temporária e rescisão.
 • Garantia de qualidade: a administração pública deve 
assegurar que os serviços terceirizados atendam aos 
padrões de qualidade estabelecidos no contrato.
 • Comunicação com a empresa terceirizada: a 
administração pública deve manter uma comunicação 
constante e transparente com a empresa terceirizada, 
esclarecendo dúvidas e orientando sobre as 
expectativas.
 • Registro e arquivamento de documentos: todos os 
documentos relacionados à fiscalização e à gestão 
do contrato devem ser devidamente registrados e 
arquivados para fins de transparência e prestação de 
contas.
Essas diretrizes têm, como objetivo, criar um processo 
de monitoramento eficiente, que contribua para a qualidade 
dos serviços prestados e para o cumprimento das obrigações 
contratuais por ambas as partes.
 
 
 
 
 
74 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Art. 10. A gestão e a fiscalização da execução 
dos contratos compreendem o conjunto de 
ações que objetivam:
I - aferir o cumprimento dos resultados 
estabelecidos pela contratada;
II - verificar a regularidade das obrigações 
previdenciárias, fiscais e trabalhistas; e
III - prestar apoio à instrução processual 
e ao encaminhamento da documentação 
pertinente para a formalização dos 
procedimentos relativos à repactuação, 
reajuste, alteração, reequilíbrio, prorrogação, 
pagamento, aplicação de sanções, extinção 
dos contratos, entre outras, com vistas a 
assegurar o cumprimento das cláusulas do 
contrato a solução de problemas relacionados 
ao objeto.
Art. 11. A gestão e a fiscalização de que trata o 
art. 10 competem ao gestor da execução dos 
contratos, auxiliado pela fiscalização técnica, 
administrativa, setorial e pelo público usuário 
e, se necessário, poderá ter o auxílio de 
terceiro ou de empresa especializada, desde 
que justificada a necessidade de assistência 
especializada. (BRASIL, 2018, on-line).
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
75ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.14 - Terceirização 
 
 
Fonte: Freepik.
 Lei 13.429/2017
A Lei n.º 13.429/2017, também conhecida como Lei da 
Terceirização ou Lei da Reforma Trabalhista, é uma legislação 
brasileira que trouxe alterações significativas nas regras de 
terceirização e nas relações de trabalho. Foi sancionada em 
março de 2017 e teve, como objetivo, modernizar a legislação 
trabalhista e regulamentar, de forma mais abrangente, a 
terceirização de atividades.
Alguns pontos-chave da Lei n.º 13.429/2017 incluem os 
seguintes.
 • Terceirização ampliada: a lei permite a terceirização de 
qualquer atividade da empresa, inclusive a atividade-
fim. Anteriormente, a terceirização estava restrita a 
atividades-meio, como serviços de limpeza e segurança.
https://www.freepik.com/free-photo/still-life-business-roles-with-various-mechanism-pieces_24749604.htm#page=2&query=terceiriza%C3%A7%C3%A3o&position=42&from_view=search&track=ais
76 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Responsabilidade solidária: a empresa contratante 
passa a ser solidariamente responsável pelas obrigações 
trabalhistas e previdenciárias da empresa terceirizada. 
Isso significa que, em caso de descumprimento das 
obrigações pela terceirizada, a empresa contratante 
também pode ser acionada judicialmente.
 • Trabalho temporário: a lei também regulamentou o 
trabalho temporário, permitindo sua prorrogação por 
até 180 dias, consecutivos ou não, além de estabelecer 
um intervalo mínimo de 90 dias entre os contratos de 
trabalho temporário para a mesma empresa.
 • Direitos dos trabalhadores terceirizados: a lei 
assegura aos trabalhadores terceirizados direitos 
como segurança, medicina do trabalho, alimentação e 
transporte fornecidos aos empregados da contratante, 
quando esses benefícios forem oferecidos.
 • Vedações: a lei proíbe a terceirização para substituir 
trabalhadores em greve e a contratação de 
trabalhadores terceirizadospara realizar atividades 
ligadas à atividade-fim da empresa contratante.
 • Atividade-fim e atividade-meio: a lei estabeleceu que 
a empresa contratante e a terceirizada podem ter 
qualquer objeto social e não precisam ser do mesmo 
ramo de atividade.
 • Relações sindicais: a lei trouxe mudanças nas relações 
sindicais, como a possibilidade de negociação coletiva 
prevalecer sobre a legislação em diversos aspectos.
A Lei n.º 13.429/2017 gerou debates intensos sobre suas 
implicações para os trabalhadores e as relações de trabalho, com 
opiniões divergentes sobre seus impactos positivos e negativos. 
77ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Enquanto alguns acreditam que pode trazer maior flexibilidade 
para as empresas e promover o emprego, outros argumentam que 
pode enfraquecer direitos trabalhistas e precarizar as condições 
de trabalho. Como toda legislação, sua implementação e seus 
efeitos na prática são sujeitos a interpretações e a avaliações ao 
longo do tempo.
RESUMINDO
Você estudou a teia de relações entre organizações 
sociais, agências executivas e agências reguladoras. 
Pudemos nos aprofundar em licitações e 
contratos administrativos e compreender o 
papel fundamental que desempenham para a 
atuação efetiva da administração pública, sem 
deixar de lado particularidades da economia 
e da administração pública. Finalmente, você 
alcançou o entendimento das relações entre 
funcionalismo público e terceirizações. Vimos 
como a administração contrata e as possibilidades 
de terceirização, fundamentadas em um conjunto 
de leis. Tratamos, em específico, do Decreto 
9507/2018 e da lei 13.429/2017 para desenvolver 
um conhecimento panorâmico do tema proposto.
78 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Administrativo 
descomplicado. 20. ed. São Paulo; Método, 2012.
BRASIL. Lei n.º 9.637, de 15 de maio de 1998. Dispõe sobre a 
qualificação de entidades como organizações sociais, a criação 
do Programa Nacional de Publicização, a extinção dos órgãos 
e entidades que menciona e a absorção de suas atividades por 
organizações sociais, e dá outras providências. Diário Oficial da 
União. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível em: 
www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/LEIS/L9637.htm. Acesso em: 8 set. 
2023.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da 
República, [1988]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Acesso em: 28 mar. 2023.
BRASIL. Decreto-Lei n.º 9.507, de 21 de setembro de 2018. Dispõe 
sobre a execução indireta, mediante contratação, de serviços da 
administração pública federal direta, autárquica e fundacional 
e das empresas públicas e das sociedades de economia mista 
controladas pela União. Diário Oficial da União. Brasília, DF: 
Presidência da República, 2018. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9507.
htm Acesso em: 8 set. 2023.
BRASIL. Lei n.º 14.133, de 1.º de abril de 2021. Lei de Licitações e 
Contratos Administrativos. Diário Oficial da União. Brasília, DF: 
Presidência da República, 2021. Disponível em: www.planalto.gov.
br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14133.htm. Acesso em: 8 
set. 2023.
RE
FE
RÊ
N
CI
A
S
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
79ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
BRANCHIER, A.; TESOLIN, J. Direito e legislação aplicada. Curitiba: 
IBPEX, 2006.
DI PIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 33 ed. Rio de Janeiro: 
Forense, 2020.
MELLO, C. A. B. de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed. São 
Paulo: Malheiros, 2009.
SCATOLINO, G.; TRINDADE, J. Manual de Direito Administrativo. 
4º ed. Salvador: Juspodivm, 2016.
SOUTO, M. J. V. Desestatização: privatização, concessões e 
terceirizações. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2000. p. 246-247.
OLIVEIRA, D. P. R. Administração pública: foco na otimização do 
modelo administrativo. São Paulo: Atlas, 2014.
RE
FE
RÊ
N
CI
A
S
	Organizações Sociais, Agências Executivas e Reguladoras
	O Que é Uma Organização Social?
	A Fundamentação Legal da Organização Social no Brasil
	Agências Executivas e Agências Reguladoras
	Normas Gerais sobre Licitações e Contratos Administrativos
	Licitação
	Princípios da Licitação
	Modalidades de licitação
	Contrato administrativo
	Administração Pública e a Economia
	Entendendo a Economia
	Intervenção do Governo no Mercado
	A Influência da História e dos Reflexos Internacionais
	Funcionalismo Público e as Terceirizações
	Do Instrumento Convocatório 
	Gestão e Fiscalização da Execução dos Contratos
	 Lei 13.429/2017A 
organização social é autônoma e independente. Cabe ao Estado 
a fiscalização da realização da atividade, o acompanhamento e 
a avaliação dos resultados. O poder público ocupa posições no 
conselho de administração das organizações e na comissão de 
acompanhamento e avaliação do contrato de gestão. Isso ocorre 
nas parcerias público-privadas e em parcerias entre organização 
social e setor público. 
A publicização envolve transferência da execução de 
atividade, responsabilidade, recursos e gestão de serviços ou 
projetos específicos da organização privada para a administração 
pública, buscando garantir maior controle, coordenação e 
monitoramento pelo governo.
A publicização pode ocorrer por diferentes motivos.
 • Melhorar eficiência na prestação de serviço.
 • Reduzir custos.
 • Garantir acesso universal aos serviços públicos.
 • Melhorar a coordenação e a integração das ações 
governamentais.
 • Estratégia para reduzir influência ou autonomia das 
organizações sociais.
12 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 1.1 - Sistematização de indivíduos 
 
Fonte: Freepik.
A publicização é um processo que envolve negociação, 
acordos e planejamento acurado, a fim de garantir a transferência 
de responsabilidade de forma eficaz e que os interesses das 
partes sejam considerados. Não é um ato unilateral, não 
representa uma “tomada” da atividade pelo poder público. A 
organização social não é afastada da atividade, continua a ter 
um papel importante na execução da atividade, contudo sob 
gerência e fiscalização da administração pública.
Vê-se que a publicização segue o caminho contrário 
da privatização. Ambos os termos são relacionados à gestão 
de atividades ou serviços de interesse social, entretanto vão 
em direção opostas. A privatização envolve a transferência 
de propriedade, controle ou gestão de atividades ou serviços 
do setor público (governo) para o setor privado (empresas e 
organizações privadas). Recursos e responsabilidades de domínio 
do governo são transferidos para organizações privadas. Já a 
publicização envolve a transferência de atividade, gestão e/ou 
https://br.freepik.com/fotos-gratis/executivos-cumprimentando-cumprimentando-se_12192988.htm#query=empresas%20conectadas&position=1&from_view=search&track=country_rows_v1
13ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
responsabilidade do setor privado para o setor público (governo) 
ou organização da sociedade civil. Ambos têm forte impacto no 
acesso a serviços e na relação setor público e setor privado.
Publicização também não se confunde com terceirização. 
A terceirização envolve contratação de terceiros para execução 
de atividade específica, podendo ser empresas privadas ou 
organizações da sociedade civil. Esse formato permite que as 
entidades forneçam os serviços e que o governo mantenha 
a supervisão e a responsabilidade geral sobre a execução da 
atividade.
A Lei 9.637/98 define quais atividades podem ser 
publicizadas e quais atividades são exclusivas do Estados e, 
portanto, estão vedadas a organizações sociais.
Processo de publicização
1. O órgão interessado elabora um estudo envolvendo análise 
de cenários, argumentos técnicos e argumentos legais que 
justifiquem a publicização.
2. A publicização é formalizada por portaria interministerial 
assinada pelo órgão proponente e pelo Ministério da 
Economia.
3. Seleção de entidade privada que atenda a requisitos e a 
necessidades do órgão.
4. Edital de chamamento.
5. Qualificação da entidade.
6. Celebração do contrato de gestão com definição de metas e 
indicadores de resultados da atividade.
Dessa forma, a organização social ou OS corresponde, 
exatamente, ao que seu nome representa: uma sistematização 
14 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
de indivíduos que tenham em comum ideias, princípios, 
posicionamentos, comportamentos, padrões e ações na 
sociedade.
Para que um grupo de pessoas seja, de fato, considerado 
uma OS, é preciso que tenha um propósito bem definido, solidário 
e que ultrapasse interesses individuais. Uma OS representa um 
bem coletivo e de manutenção constante; não se caracteriza por 
ações ou intenções momentâneas.
Por meio da OS, relacionam-se atividades produtivas, 
econômicas, políticas, comerciais, de serviços e religiosas da 
sociedade, estabelecendo hierarquias, regras, estruturas, 
práticas e comandos ao todo.
Uma organização social é uma entidade sem fins 
lucrativos que busca promover atividades de cunho social, 
cultural, educacional, assistencial, recreativo, dentre outros 
fins. Os requisitos para a formação e o funcionamento de uma 
organização social pode variar conforme a legislação da região. 
Contudo, em relação aos requisitos gerais não há variações.
a. Objetivos sociais definidos: a definição do objetivo é 
primordial para a organização social; seu propósito deve 
ser inequívoco, restando claros a atividade realizada e 
o impacto almejado.
b. Estrutura organizacional: a estrutura define 
envolvidos, competências, hierarquia e funções, 
distinguindo, claramente, diretos, conselho 
administrativo ou diretivo e demais cargos necessários 
para a tomada de decisão e o funcionamento rotineiro 
da organização social.
c. Elaboração do estatuto social: o estatuto é a lei 
interna da organização; estabelece regras, objetivos, 
15ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
funcionamento interno, forma de gestão, direitos e 
responsabilidades de membros e associados e todas as 
demais informações relevantes para a organização. 
d. Registro: sendo uma organização formal, a OS precisa 
estar registrada nos órgãos competentes, como órgãos 
de registro civil, cartórios, secretarias de justiça e 
entidades reguladoras, conforme a legislação local.
e. Definição de composição e atuação do conselho: toda 
OS deve ter um conselho administrativo definido desde 
sua formação, o qual, geralmente, é responsável por 
tomar decisões estratégicas e garantir a conformidade 
com os objetivos sociais.
f. Definir as fontes de recursos: como a OS se manterá 
financeiramente e como angariará os recursos 
necessários para a realização das atividades são pontos 
fundamentais para seu funcionamento. Assim, é preciso 
que haja planejamento e que as fontes de recurso sejam 
identificadas. Podem ser variadas, incluindo doações, 
parcerias, captação de recursos e eventuais subsídios 
governamentais.
g. Adotar processos e práticas de transparência 
financeira: a transparência é atribuição fundamental 
para as OS garantir que se alcancem os objetivos 
pretendidos. Por isso, devem adotar, em todas as 
fases, práticas que implementam e asseguram a 
transparência das rotinas, como criação de relatórios 
periódicos de prestação de contas e manutenção de 
registros contábeis precisos.
h. Definir atividades e programas de objetivos sociais: 
desenvolver programas e atividades que estejam 
alinhados com os objetivos sociais da organização e 
16 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
que tenham um impacto positivo na comunidade ou 
público-alvo.
i. Definir critérios e alinhamento de responsabilidade 
social: demonstrar um compromisso efetivo com 
a responsabilidade social e práticas sustentáveis, 
mostrando como a organização pretende contribuir 
para o bem-estar da sociedade e das pessoas atendidas.
j. Documentação: cumprir os requisitos legais e fiscais 
aplicáveis à organização, incluindo registros tributários, 
emissão de notas fiscais (se aplicável) e outras 
obrigações fiscais.
Os requisitos específicos de cada atividade e setor podem 
variar de acordo com a legislação local e as regulamentações 
vigentes no momento da formação da OS e no local sede.
Impacto das organizações sociais na administração 
pública
As organizações sociais podem ter um impacto significativo 
na administração pública de várias maneiras. Aqui, estão alguns 
dos principais impactos que essas organizações podem ter.
1. Maior colaboração e parcerias: as organizações sociais podem 
e, muitas vezes, trabalham em parceria com o governo para 
atenderàs necessidades sociais e comunitárias. Isso pode 
levar a uma maior colaboração entre o setor público e o setor 
privado, permitindo que a administração pública alcance 
objetivos sociais de maneira mais eficaz.
2. Mais eficiência e inovação: as organizações sociais podem 
trazer inovação e novas abordagens para a administração 
pública. Sua flexibilidade e sua capacidade de adaptação, 
muitas vezes, permitem a implementação de programas 
17ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
e projetos de maneira mais eficiente e eficaz do que seria 
possível apenas com recursos governamentais.
3. Alcance ampliado: as organizações sociais, muitas vezes, 
têm um alcance mais amplo em comunidades específicas 
ou em grupos de população que podem ser difíceis para a 
administração pública atingir diretamente. Isso pode ajudar 
a preencher lacunas no atendimento e a garantir que as 
necessidades de grupos marginalizados sejam atendidas.
4. Maior participação da comunidade e dos cidadãos: a 
presença de organizações sociais pode promover uma maior 
participação dos cidadãos, incluindo-os no processo de 
tomada de decisões e permitindo que tenham um papel ativo 
na resolução de problemas sociais.
5. Maior nível de controle e fiscalização: organizações sociais, 
muitas vezes, desempenham um papel importante na 
fiscalização e no monitoramento das atividades do governo. 
Podem identificar e ressaltar questões negligenciadas, 
denunciar abusos ou ineficiências e pressionar por mudanças 
políticas e administrativas.
6. Maior descentralização: a presença de organizações sociais 
pode levar a uma maior descentralização das atividades 
governamentais. Isso pode permitir uma abordagem mais 
localizada para a prestação de serviços e uma maior adaptação 
às necessidades específicas de diferentes comunidades.
7. Redução da carga financeira: as organizações sociais, 
frequentemente, recebem financiamento de fontes não 
governamentais, aliviando a carga financeira sobre o 
governo. Isso pode permitir à administração pública alocar 
recursos para outras áreas prioritárias.
18 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Para que a atuação em conjunto da OS e da administração 
pública possa maximizar seus resultados, é fundamental que 
haja comunicação efetiva e clara, transparência e alinhamento 
de objetivos.
A Fundamentação Legal da 
Organização Social no Brasil
A constituição e a operação das organizações sociais no 
Brasil têm fundamento na Lei n.º 9.637, de 15 de maio de 1998, 
que dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações 
sociais, a criação do Programa Nacional de Publicização, a 
extinção dos órgãos e entidades que menciona, a absorção de 
suas atividades por organizações sociais e outras providências:
Uma organização não governamental (ONG) é 
organização social?
Também é! Uma organização não governamental (ONG) 
caracteriza-se pelo seu caráter privado sem fins lucrativos, 
atuando em áreas sociais em que o poder público não se 
faz presente. Assim, com atos de manutenção, organização e 
assistência, também colabora para a organização social. 
A prestação de serviço via ONG se caracteriza pelo perfil 
de voluntariado. As ONGs são mais expressivas em setores 
como as políticas públicas, a luta em defesa ao meio ambiente, 
a questões diretamente conectadas à saúde e à educação, entre 
outros.
 
19ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.2 - Serviço voluntariado das ONGs 
 
 
Fonte: Freepik.
A Organização das Nações Unidas (ONU), na década de 
50, trouxe, para nosso contexto, a expressão “organização não 
governamental”, reconhecendo ações e atos civis sem vínculos 
com entidades governamentais, em prol da manutenção dos 
serviços básicos essenciais aos setores mais vulneráveis 
da sociedade: educação, saúde, assistência social e direitos 
humanos. As ONGs, geralmente, viram notícia por seus 
movimentos e denúncias de exclusão, alienação e omissão do 
poder público frente a esses serviços, agindo, também, como um 
meio fiscalizador dos serviços prestados pelo governo, quando 
têm uma postura séria e sem viés ideológico-partidário. 
Por tratar-se de instituições privadas sem fins lucrativos, 
as ONGs necessitam, constantemente, de apoio financeiro para 
executar seu propósito. Esse apoio vem, também, do governo, 
além de instituições privadas e pessoas físicas. Veja a Figura 3.
https://br.freepik.com/fotos-gratis/diferentes-pessoas-fazendo-trabalho-voluntario-com-alimentos_15574035.htm#query=ONG&position=4&from_view=search&track=sph
20 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.3 - Conexões entre os setores 
 
Fonte: Elaborada pela autoria.
Entendemos, então, que governo, instituições privadas e 
organizações sociais estão conectados em prol de um único bem: 
a manutenção social.
Agências Executivas e Agências 
Reguladoras
As agências executivas são setores do governo que 
gozam de autonomia de gestão. Devem, obrigatoriamente, 
obediência aos princípios da administração pública. Devem, 
também, seguir e respeitar as leis, mas suas ações, seus 
processos e suas decisões são menos “engessados” e mais livres 
da burocracia administrativa instituída aos sistemas de gestão 
da máquina pública. Um exemplo bem claro dessa flexibilidade 
é que as agências executivas não precisam de licitações para 
contratar serviços quando esses não ultrapassam o dobro do 
valor estipulado para a licitação. 
21ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Para Souto (2000), a atuação das agências executivas 
é expressiva em setores de implementação de “políticas como 
tributária, previdenciária social básica, de segurança pública, 
de proteção ambiental e fiscalização. Elas poderiam também 
‘colaborar’ com a formulação de políticas públicas, mas o seu 
papel principal seria o de execução”. A formação, a atuação e a 
regulação está pautada no artigo 37 da Constituição Federal.
A autonomia gerencial, orçamentária e 
financeira dos órgãos e entidades da 
administração direta e indireta poderá ser 
ampliada mediante contrato, a ser firmado 
entre seus administradores e o poder público, 
que tenha por objeto a fixação de metas 
de desempenho para o órgão ou entidade, 
cabendo à lei dispor sobre:
I–o prazo de duração do contrato; 
II–os controles e critérios de avaliação 
de desempenho, direitos, obrigações e 
responsabilidade dos dirigentes;
III–a remuneração do pessoal. (BRASIL, 1988, 
on-line)
O Decreto n.º 2.487, de 2 de fevereiro de 1998, que dispõe 
sobre a qualificação de autarquias e fundações como agências 
executivas, estabelece critérios e procedimentos para elaboração, 
acompanhamento e avaliação dos contratos de gestão e dos 
planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento 
institucional das entidades qualificadas.
22 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
ACESSE
Para conhecer o Decreto 2487/1998 na íntegra, 
acesse o link a seguir. Disponível abaixo.
As agências executivas e as agências reguladoras são 
tipos distintos de entidades governamentais. A agência executiva 
é uma entidade do governo responsável pela implementação e 
pela execução de políticas, programas e projetos específicos. 
Opera dentro da estrutura do poder executivo e é encarregada 
de realizar tarefas práticas, administrativas e operacionais para 
garantir a execução eficiente das políticas estabelecidas pelo 
governo ou pela legislação. As agências executivas, normalmente, 
têm autonomia administrativa e financeira para realizar suas 
atividades.
Já as agências reguladoras são entidades independentes 
do governo que têm a responsabilidade de regular e fiscalizar 
um setor específico da economia ou da sociedade. O principal 
objetivo das agências reguladoras é assegurar que as atividades 
econômicas ou sociais sob sua jurisdição sejam conduzidas de 
acordo com padrões e regras estabelecidos, garantindo a proteção 
dos interesses públicos, a concorrência justa e a qualidade dos 
serviços. As agências reguladoras podem estabelecer normas, 
monitorar o cumprimento dasregulamentações, aplicar sanções 
e promover a transparência e a eficiência no setor regulado.
As agências reguladoras são fundamentadas no artigo 
37 da Constituição Federal. Configuram-se pela atividade de 
regulação da atuação do poder público na prestação de serviços 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2487.htm
23ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
à sociedade. A atividade se concretiza por meio da agência de 
regulação, instituída para fiscalizar a prestação de serviços 
públicos das empresas. Controlam a qualidade dos serviços e 
estabelece regras para setores como petróleo, telefonia, energia 
elétrica, medicamentos, alimentos, planos de saúde e transporte 
de passageiros.
O governo deve trabalhar de forma a planejar, disciplinar, 
fiscalizar e avaliar as atividades de prestação de serviços à 
sociedade. Para tanto, existem sistemas, meios, parceiros e 
órgão específicos.
A Lei 13.848/2019, chamada de Lei Geral das Agências 
Reguladoras, estabelece normas gerais para a organização, o 
funcionamento e o controle social das agências reguladoras 
federais no Brasil. Busca promover transparência, eficiência 
e responsabilidade nas atividades desempenhadas por essas 
agências, que são responsáveis por regular diversos setores da 
economia e da sociedade. Sendo o governo aquele que comanda, 
não o que faz, é preciso que esses comandos retornem não 
só como serviços prestados, mas também como informação 
que balizará a efetividade e o aproveitamento da sociedade, 
assim como um direcionamento da real e atual necessidade da 
população.
As empresas privadas atuam como apoio para o governo 
na oferta e na prestação de serviços. Dessa forma, é preciso 
que sejam acompanhadas e parametrizadas por um órgão, para 
que os serviços “terceirizados” do governo sejam cumpridos de 
acordo com o planejado. Oliveira (2014, p. 31) define a atividade 
de regulação como um “marco regulatório, referente ao conjunto 
de regras, orientações, medidas de controle e de valoração que 
permitem exercer controle social sobre os serviços públicos”.
24 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.4 - Fluxograma das obrigações observadas na prestação de serviço a entidades 
públicas por entidades privadas 
 
Fonte: Elaborada pela autoria.
Mesmo sendo instituição privada, deve observar, seguir 
e respeitar às condições instituídas pelo sistema e pelo processo 
da administração pública.
EXEMPLO: São vários os exemplos de agências Reguladoras.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA): Lei n.º 
9.782 /99. Disponível aqui. 
Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL): Lei n.º 
9.427/96. Disponível aqui.
Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL): Lei n.º 
9.472/97. Disponível aqui.
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 
(ANP): Lei n.º 9.478/97. Disponível aqui.
https://www.gov.br/anvisa
https://www.gov.br/aneel/pt-br/
https://www.gov.br/anatel/pt-br
http://www.anp.gov.br.
25ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
RESUMINDO
Você percebeu que, mesmo sendo a máquina 
pública responsável pela manutenção da 
sociedade, não consegue fazer isso sozinha? Assim, 
tanto a prestação de serviços quanto a fiscalização 
dessa prestação precisa ser dividida com a 
sociedade. Essa “divisão” gera novos agentes, que, 
desconectados da condição de agente público, 
precisam, também, recorrer à máquina pública 
realizar seu trabalho. As organizações sociais 
têm papel fundamental para que o governo 
possa alcançar objetivos de interesse público. 
Representam uma transferência de publicização, 
isto é, a transferência do setor privado para o 
público da realização de atividade específica de 
interesse público. A publicização vai no caminho 
contrário da privatização, em que que a execução 
da atividade sai do setor público para o privado. 
Publicização e privatização não se confundem com 
terceirização, que é a contratação de terceiros para 
realizar uma atividade. Os impactos da atuação 
das organizações sociais são significativos para 
que o Estado possa alcançar seus objetivos sociais.
26 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Normas Gerais sobre Licitações 
e Contratos Administrativos
OBJETIVO
Você vai explorar as formas possíveis de prestar 
serviços à sociedade via administração púbica. 
Nesta fase do nosso aprendizado, falaremos 
sobre licitação e contratos administrativos. 
Entenderemos o conceito e as regras de ambos, 
assim como suas formas mais comuns de serem 
exercidos. 
Licitação
Licitação é um procedimento administrativo pelo qual a 
administração pública direta ou indireta busca as propostas mais 
vantajosas para atender às suas necessidades conforme critérios 
claros e objetivos. É realizada a fim de selecionar a proposta mais 
vantajosa entre as apresentadas por aqueles que desejam ser 
contratados pela administração pública.
O processo licitatório visa a prevenir prejuízo ao poder 
público e contratações contra o interesse público, evitando 
contratações som sobrepreço e com preços manifestamente 
inexequíveis. Esse processo baseia-se na Lei n.º 14.133, de 1º 
de abril de 2021, que regulamenta o artigo 37 (inciso XXI), da 
Constituição Federal e institui normas para licitações e contratos 
da administração pública, entre outras providências:
XXI - ressalvados os casos especificados 
na legislação, as obras, serviços, compras 
e alienações serão contratados mediante 
processo de licitação pública que assegure 
igualdade de condições a todos os 
concorrentes, com cláusulas que estabeleçam 
obrigações de pagamento, mantidas as 
27ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
condições efetivas da proposta, nos termos 
da lei, o qual somente permitirá as exigências 
de qualificação técnica e econômica 
indispensáveis à garantia do cumprimento 
das obrigações. (BRASIL, 1988, on-line)
Como regra geral, o dever de licitar, segundo as normas 
da Lei 14.133/21, é obrigatório para toda a administração pública 
direta, suas autarquias e suas fundações em todos os níveis 
da Federação (União, estados, Distrito Federal e municípios), 
incluindo os poderes Judiciário e Legislativo quando estiverem 
realizando funções administrativas, assim como os fundos e as 
entidades controladas pela administração pública.
IMPORTANTE
As empresas públicas, as sociedades de economia 
mista e suas subsidiárias deverão seguir as regras 
estabelecida na Lei 13.303/16, salvo quanto às 
disposições penais, aos critérios de desempate e 
ao pregão.
São objetos de licitação alienação e concessão do direito 
real de uso de bens; compra, inclusive por encomenda; locação, 
concessão e permissão de uso de bens públicos; prestação 
de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados; 
obras e serviços de arquitetura e engenharia; e contratações de 
tecnologia da informação e de comunicação (BRASIL, 2021).
28 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.5 
 
 
Fonte: Freepik.
Esse tema passou por forte transformações com a 
promulgação da lei 14.133/2021, que vem substituir a lei 
8.666/90, visando a atender, de forma mais precisa e eficiente, 
as necessidades da administração pública e da sociedade, assim 
como aos mais modernos padrões de governança administrativa 
e ao princípio da eficiência.
Buscando garantir a segurança jurídica na transição da lei 
anterior (8.666/1990) para a atualizada (14.133/2021), uma vez 
que já havia processos licitatórios em andamento, o legislador 
definiu um período de transição para a implementação e a efetiva 
adoção exclusiva da lei atualizada. 
Os processos licitatórios já iniciados e os contratos 
firmado durante a vigência da lei 8.666/1990 devem continuar 
regidos pela lei revogada (artigo 190 da Lei 14.133/2021) até o 
prazo estabelecido de dois anos de sua vigência. Portanto, o 
https://br.freepik.com/fotos-gratis/setas-dardos-no-conceito-de-negocio-de-centro-de-destino_3976102.htm#page=2&query=objetivos&position=43&from_view=search&track=sph">Imagem%20de%20jcomp
29ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
prazo se encerrouem abril de 2023 (a lei entrou em vigência em 
2021). 
Durante o prazo de transição, a administração pública 
poderá optar por licitar ou contratar de acordo com a Lei 
14.1333/21 ou com a Lei 8.666/90. A legislação escolhida deverá 
ser indicada no edital ou contrato. É importante ressaltar que 
é vetada a aplicação combinada das duas leis. O contrato será 
regido pela lei escolhida.
Após transcorrido o prazo estabelecido para adequação 
à nova lei de licitações, atendendo a pedidos de prefeituras e 
estados, o governo federal, por meio de medida provisória, 
prorrogou o prazo de transição até o fim de 2023, sendo a efetiva 
alteração postergada para 2024. Essa prorrogação alonga o tempo 
de convivência das Leis 14.133/2021 e 8666/1990. Não inviabiliza 
a aplicação da lei 14.133/2021 pelos entes públicos, mas apenas 
estende o tempo de convivência das leis. Pode, assim, o ente 
público escolher qual regime legal aplicar na situação concreta.
SAIBA MAIS
A MP 1.167/2023 alterou para o fim de 2023 o 
período de transição das leis de licitação. Para 
saber mais, acesse o link a seguir. Disponível 
abaixo.
O objetivo da nova lei é desburocratizar os processos 
licitatórios e as contratações públicas, tornando-os mais ágeis, 
eficientes e econômicos; e promovendo uma competição justa 
https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/156662
30 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
e uma maior acessibilidade às oportunidades por um número 
maior de empresas.
O artigo 11 da lei 14.133/2021 define os objetivos do 
processo licitatório.
a. Garantir a todos as mesmas oportunidades.
b. Evitar contratações com preços acima dos do mercado 
ou inexequíveis.
c. Promover inovações.
d. Promover o desenvolvimento nacional sustentável.
O artigo 22 da Constituição Federal de 1988 traz, 
expressamente, a previsão de competência da União para legislar 
sobre licitação e contratação com a administração pública em 
qualquer esfera de governo.
Princípios da Licitação
A Lei 14.133/21, em seu artigo 5º, expressa um rol de 
princípios com que o procedimento licitatório deverá estar 
em conformidade: legalidade, impessoalidade, moralidade, 
igualdade, publicidade, eficiência (princípios da administração 
pública), transparência, motivação, economicidade, interesse 
público, probidade administrativa, eficácia, razoabilidade, 
proporcionalidade, segregação de funções, vinculação ao 
edital, julgamento objetivo, segurança jurídica, celeridade, 
competitividade, planejamento e desenvolvimento nacional 
sustentável.
Princípio da legalidade
De acordo com Scatolino e Trindade (2012), o princípio da 
legalidade é aplicável a todo o Direito Administrativo, prevendo 
31ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
que o agente só pode fazer aquilo que a lei autoriza, pois sua 
função é cumprir a lei. Dessa forma, o agente público que atua 
no ramo das licitações está ligado aos limites definidos em lei, e 
toda a sua atividade deve ser pautada em lei.
Princípio da publicidade
Todos os atos devem ser públicos, desde os avisos de sua 
abertura até o conhecimento do edital, o exame da documentação 
e das propostas pelos interessados e o fornecimento de certidões 
(BRANCHIER; TESOLIN, 2006). Contudo, existem casos em que a 
publicidade deverá ser mitigada, como determina o artigo 13 da 
Lei 14.133/21.
Os atos praticados no processo licitatório 
são públicos, ressalvadas as hipóteses de 
informações cujo sigilo seja imprescindível 
à segurança da sociedade e do Estado, na 
forma da lei. 
Parágrafo único. A publicidade será diferida: 
I – quanto ao conteúdo das propostas, até a 
respectiva abertura;
II – quanto ao orçamento da Administração, 
nos termos do art. 24 desta Lei. (BRASIL, 2021, 
on-line)
Princípio da igualdade
Não pode haver discriminação entre os participantes 
da licitação, seja por meio de cláusulas que favoreçam uns em 
prejuízo dos outros ou pela escolha da proposta por convite 
(BRANCHIER; TESOLIN, 2006). No entanto, esse princípio 
comporta exceções, como no caso da margem de preferência.
Art. 26. No processo de licitação, poderá ser 
estabelecida margem de preferência para:
32 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
I – bens manufaturados e serviços nacionais 
que atendam a normas técnicas brasileiras;
II – bens reciclados, recicláveis ou 
biodegradáveis, conforme regulamento. 
(BRASIL, 2021, on-line)
Esse princípio é conceituado por muitos autores como 
associado ao da impessoalidade e ao da competitividade. 
Princípio da impessoalidade e do interesse público
A atuação da administração deverá estar pautada no 
atendimento do interesse público, e não nos interesses dos 
agentes que conduzirão o processo licitatório e de qualquer 
outro interessado que não seja o público. Assim, a administração 
não pode levar em conta as condições pessoais dos licitantes, 
pois suas decisões devem estar pautadas em critérios objetivos.
Princípio da vinculação ao edital
É o princípio básico de toda licitação. O edital é a lei 
interna da licitação. Sua inobservância acarreta nulidade do 
procedimento (BRANCHIER; TESOLIN, 2006).
Princípio do julgamento objetivo
O julgamento das propostas deve ser baseado no critério 
indicado no edital e nos termos específicos das propostas. 
Portanto, deve se apoiar em fatos pedidos pela administração 
(BRANCHIER; TESOLIN, 2006).
Princípio da probidade administrativa e moralidade
O administrador público deve se comportar de forma 
lícita, de acordo com a moral e os bons costumes, sob pena 
de cometer atos de improbidade administrativa. Os atos de 
improbidade administrativa são aqueles que causam lesão 
33ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
ao erário, ensejando perda patrimonial, desvio, apropriação 
e dilapidação dos bens das entidades públicas. Também 
podem frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo 
indevidamente. 
A pena para o administrador que pratique atos de 
improbidade envolve ressarcimento do dano, perda dos bens 
ou valores acrescidos ao patrimônio ilicitamente, perda da 
função pública e suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos 
(BRANCHIER; TESOLIN, 2006).
Princípio da competitividade
Mello (2009) destaca que a competitividade é da mesma 
essência do procedimento, sendo um dos princípios norteadores 
das licitações públicas. Logo, durante o processo licitatório, 
não devem existir restrições indevidas, bem como deve ser 
incentivada a competitividade entre os licitantes em busca do 
interesse público.
Imagem 3.5 
 
 
Fonte: Freepik.
https://www.freepik.com/free-vector/businessmen-set-their-business-goals-help-them-reach-top-market-beat-their-competitors-1st-place_33906673.htm#page=3&query=competitividade%20das%20empresas&position=22&from_view=search&track=ais
34 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Alexandrino e Paulo (2012) complementam afirmando 
que somente o procedimento em que exista efetiva competição 
entre os participantes, impedindo manipulações de preços, terá 
capacidade de garantir a administração e a obtenção da proposta 
mais vantajosa para a consecução de seus fins.
Princípio da transparência
O princípio da transparência não se confunde com o 
da publicidade: não basta apenas que as informações sejam 
divulgadas, também devem ter o seu conteúdo disponibilizado 
de forma clara, para que possam ser compreendidas facilmente, 
possibilitando, assim, que a população acompanhe a atuação 
pública.
Princípio de eficiência, eficácia e economicidade
A eficiência se refere à relação entre os custos e os 
produtos e utilização dos recursos de forma racional. Segundo 
Di Pietro (2020), esse princípio pode ser visto como um modo de 
organizar, estruturar e disciplinar a administração pública com o 
objetivo de obter melhores resultados na prestação do serviço 
público.
A economicidade se refere à aplicação da relação custo-
benefício, devendo buscar a minimização dos custos sem 
comprometer a qualidade. Já a eficácia trata-se do cumprimento 
dos objetivos, buscando alcançar os resultadosesperados.
35ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
SAIBA MAIS
Para saber mais sobre o princípio da eficiência, 
leia o artigo “Legalidade e eficiência nas licitações: 
possíveis controvérsias”. Disponível abaixo.
Princípio da motivação
De acordo com Scatolino e Trindade (2016). a motivação 
é a indicação de fatos e fundamentos jurídicos que causaram a 
prática do ato administrativo. Apresenta-se como a justificação 
do ato cometido, tratando-se da explicação da conduta 
administrativa com a apresentação da sua justificativa.
Princípio do planejamento
Deve existir um planejamento em todas as contratações, 
independentemente do nível. Essa é uma das características da 
fase preparatória, na qual deve existir a compatibilização com o 
plano anual de contratações e com as leis orçamentárias. 
Princípio da segregação de funções
É definido pela Lei 14.133/2021, de acordo com a qual um 
mesmo agente público não deve atuar, de forma simultânea, em 
funções mais propensas a riscos, com a finalidade de diminuir a 
possibilidade de ocultação de erros e de fraudes na respectiva 
contratação.
https://www.conjur.com.br/2022-jul-22/licitacoes-contratos-legalidade-eficiencia-licitacoes-possiveis-controversias#:~:text=O%20princípio%20da%20eficiência%20no,tecnocrática%20(perdão%20à%20proposital%20redundância)
https://www.conjur.com.br/2022-jul-22/licitacoes-contratos-legalidade-eficiencia-licitacoes-possiveis-controversias#:~:text=O%20princ%C3%ADpio%20da%20efici%C3%AAncia%20no,tecnocr%C3%A1tica%20(perd%C3%A3o%20%C3%A0%20proposital%20redund%C3%A2ncia)
36 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Princípio da segurança jurídica
Tem, como finalidade, dar mais estabilidade às 
situações jurídicas e garantir a aplicação justa da lei. Apresenta 
muita relação com a ideia de respeito à boa-fé, pois, caso a 
administração adote determinada interpretação como correta 
e a aplique em casos concretos, não pode, depois, anular atos 
anteriores sob o pretexto de que foram realizados com base em 
uma interpretação errada (DI PIETRO, 2020).
Princípio da razoabilidade e da proporcionalidade
O princípio da razoabilidade, segundo Alexandrino 
e Paulo (2012), é conexo à adequação e à necessidade do ato 
ou da atuação da administração pública. Portanto, não satisfaz 
que o ato tenha uma finalidade legítima; é preciso, ainda, que 
os meios empregados pela administração sejam adequados à 
consecução do fim almejado e que sua utilização seja necessária, 
principalmente quando se trate de medidas restritivas ou 
punitivas. 
Já o princípio da proporcionalidade é conhecido como 
o “princípio da proibição dos excessos”. Impossibilita que a 
administração limite os direitos do particular além do que seria 
necessário, pois ditar medidas com intensidade ou extensão 
excessiva influencia a ilegalidade do ato por abuso de poder, 
conforme explicam Alexandrino e Paulo (2012).
Princípio da celeridade
Os atos da licitação devem ser realizados dentro de um 
prazo razoável, devendo buscar o cumprimento dos prazos 
estabelecidos, sem atrasos injustificados. A demora excessiva 
pode trazer prejuízos para as partes envolvidas, especialmente 
para a administração pública.
37ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Princípio do desenvolvimento nacional 
Está voltado, principalmente, para aspectos ambientais. 
Assim, inclui todos os aspectos que envolvem uma licitação, como 
questões de ordem econômica e de desenvolvimento regional. 
Deve buscar o fortalecimento de cadeias produtivas de bens e 
serviços domésticos e o desenvolvimento econômico com o 
objetivo de instituir incentivos à pesquisa e à inovação. Apresenta-
se como de grande importância em prol do considerável impacto 
que as compras governamentais têm na economia (SCATOLINO; 
TRINDADE, 2016).
Obrigatoriedade, dispensa, inexigibilidade da licitação 
e princípios da licitação
A Constituição Federal, em seu artigo 37 (inciso XXI) 
destaca que “ressalvados os casos especificados na legislação, as 
obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante 
processo de licitação que assegure a igualdade de condições a 
todos os concorrentes” (BRASIL, 1988, on-line). Quando menciona 
“ressalvados os casos especificados na legislação”, o documento 
permite que, em determinadas situações, não seja obrigatório 
o procedimento licitatório. Esses são os casos de contratação 
direta.
As hipóteses de contratação direta estão descritas na 
Lei 14.133/21, podendo se dar por meio da inexigibilidade e da 
dispensa de licitação. Os casos de dispensa compõem a licitação 
dispensada e a licitação dispensável. Na licitação dispensada, 
temos situações em que a lei estabelece a contratação direta, 
não sendo possível o procedimento licitatório. Na licitação 
dispensável, a administração pode optar por fazer ou não 
o procedimento licitatório, por se tratar de uma atuação 
discricionária. As hipóteses estão descritas no artigo 75, um rol 
exaustivo, como “casos de guerra, estado de defesa, estado de 
38 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
sítio, intervenção federal ou de grave perturbação da ordem” 
(BRASIL, 2021, on-line).
EXPLICANDO 
MELHOR
A principal diferença entre um rol exaustivo e um 
rol exemplificativo está na intenção de inclusão 
ou exclusão. Um rol exemplificativo permite a 
inclusão de itens não listados, desde que sejam 
semelhantes aos exemplos fornecidos. Um rol 
exaustivo, por outro lado, abrange apenas os itens 
listados explicitamente, excluindo tudo o que não 
está na lista.
A inexigibilidade ocorre quando há impossibilidade 
jurídica de competição entre contratantes, porque só existe 
um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades da 
administração, tornando-se, portanto, inviável (BRANCHIER; 
TESOLIN, 2006). 
A lei traz alguns exemplos no artigo 74: “aquisição de 
materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de 
serviços que só possam ser fornecidos por produtor, empresa 
ou representante comercial exclusivos” (BRASIL, 2021, on-line).
 
Imagem 3.7 
 
 
Fonte: Freepik.
https://www.freepik.com/free-vector/legal-statement-court-notice-judge-decision-judicial-system-lawyer-attorney-studying-papers-cartoon-character_11667035.htm#query=licitação&position=9&from_view=search&track=ais
39ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Modalidades de licitação
As modalidades de licitação estão elencadas na Lei 
14.133/21 (artigo 28) e são definidas pela natureza do objeto: 
o pregão, a concorrência, o concurso, o leilão e o diálogo 
competitivo. A lei citada ainda determina que é proibido criar 
modalidades e fazer combinações entre essas.
Já os critérios de julgamento são utilizados para avaliar as 
propostas e podem ser o maior lance, o maior retorno econômico, 
o menor preço, o maior desconto, a técnica e o preço, a melhor 
técnica ou o conteúdo artístico (BRASIL, 2021, on-line).
São modalidades do processo de licitação as seguintes.
1. Concorrência
Segundo a Lei 14.133/21, a concorrência é a modalidade 
de licitação empregada para contratação de
 • Bens e serviços especiais.
 • Obras.
 • Serviços comuns e especiais de engenharia.
Podem ser utilizados na concorrência todos os critérios 
de julgamento definidos no edital - menor preço, melhor técnica, 
maior retorno econômico ou maior desconto -, exceto o maior 
lance.
2. Diálogo competitivo
A lei 14.133/21 define o diálogo competitivo como a 
modalidade de licitação para a contratação de obras, compras 
e serviços em que a administração pública efetua diálogos com 
os licitantes selecionados por meio de critérios objetivos, com a 
finalidade de apresentar uma ou mais alternativas que possam 
40 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
atender às suas necessidades. Para isso, deve ser indicada pelos 
licitantes uma proposta final após o encerramento dos diálogos. 
1. Concurso
Será utilizado para escolha de trabalho técnico, científico 
ou artístico, sendo atribuído ao vencedor um prêmio ou uma 
remuneração. Terá, como critério de julgamento, a melhor 
técnica ou conteúdo artístico(BRASIL, 2021).
1. Leilão
É utilizado para alienação de bens imóveis ou de bens 
móveis inservíveis ou apreendidos legalmente. O critério de 
julgamento será o maior lance (BRASIL, 2021).
1. Pregão
É a modalidade de licitação que deverá ser utilizada, 
obrigatoriamente, para a aquisição de bens e serviços comuns. 
Poderão ser utilizados, como critérios de julgamento, o menor 
preço e o maior desconto (BRASIL, 2021). Pode ser realizado na 
modalidade eletrônica e na presencial, mas, preferencialmente, 
na eletrônica.
Imagem 3.8 
 
 
Fonte: Freepik.
https://br.freepik.com/vetores-gratis/leilao-de-computador-on-line_5974454.htm#query=licitação&position=5&from_view=search&track=sph">Imagem%20de%20macrovector
41ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
SAIBA MAIS
Os crimes em licitações e contratos administrativos 
estão incluídos no Código Penal, no Capítulo II-B, do 
artigo 337-E até o artigo 337-P. Disponível abaixo.
Contrato administrativo
Um contrato administrativo é um acordo jurídico formal 
estabelecido entre a administração pública, representada por 
um órgão ou entidade governamental, e um particular (pessoa 
física ou jurídica) para realização de obras, prestação de serviços, 
aquisição de bens ou outras atividades relacionadas ao interesse 
público. Esse tipo de contrato é regido por normas específicas 
estabelecidas pelo Direito Administrativo e tem características 
que o distinguem dos contratos celebrados entre particulares.
Características de um contrato administrativo
 • Finalidade pública: o contrato administrativo tem, 
como objetivo principal, atender às necessidades e aos 
interesses públicos, visando ao bem-estar da sociedade 
como um todo.
 • Desigualdade jurídica: existe uma relação de 
desigualdade jurídica entre as partes contratantes, de 
modo que a administração pública tem prerrogativas 
e poderes especiais para fiscalizar e gerenciar o 
contrato, visando ao interesse público. A posição da 
administração pública é de supremacia.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm 
42 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Regime jurídico especial: é regido por normas específicas 
do Direito Público, que estabelecem procedimentos, 
prazos e requisitos próprios para formação, execução 
e eventual rescisão.
 • Princípios da administração pública: os princípios 
que regem a administração pública, como legalidade, 
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, 
também se aplicam aos contratos administrativos.
 • Cláusulas exorbitantes: são cláusulas presentes nos 
contratos administrativos que conferem à administração 
pública certos poderes extraordinários, como a 
possibilidade de alterar o contrato unilateralmente e 
rescindi-lo em caso de interesse público, entre outros.
 • Controle e fiscalização: a administração pública exerce 
um papel de controle e fiscalização mais amplo sobre a 
execução do contrato, a fim de garantir o cumprimento 
das obrigações estabelecidas e a qualidade dos serviços 
ou produtos fornecidos.
 • Prerrogativas de cobrança e sanções: a administração 
pública pode impor sanções e cobrar multas em caso 
de descumprimento contratual por parte do particular.
 • Equilíbrio econômico-financeiro: os contratos 
administrativos podem prever mecanismos para 
manter o equilíbrio entre as partes em caso de eventos 
imprevistos que impactem a execução do contrato, 
como reajustes de preços em função de variações de 
custos.
 • Os contratos administrativos são instrumentos 
fundamentais para a consecução de políticas públicas 
e para a viabilização de obras e serviços essenciais à 
sociedade, garantindo que os interesses do Estado e da 
43ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
população sejam protegidos e atendidos devidamente. 
Celebram um acordo com a participação predominante 
do poder público e com a finalidade de atender a 
interesses da sociedade. Tendo em vista seu propósito, 
faz-se relevante destacar que existem situações 
especiais.
Licitação prévia: em regra, o contrato administrativo é, 
obrigatoriamente, precedido de licitação, sob pena de nulidade.
A duração dos contratos regidos pela Lei 14.133/21 deverá 
constar no edital, assim como deverão ser observadas, no ato da 
contratação e a cada exercício financeiro, a disponibilidade de 
créditos orçamentários; e a previsão no plano plurianual (caso 
ultrapasse um exercício financeiro).
Existe, ainda, a possibilidade de que o contrato tenha 
um prazo indeterminado, na hipótese de ser usuário de serviço 
público disponibilizado em regime de monopólio. Para isso, 
deverá ser realizada a comprovação de existência de créditos 
orçamentários a cada exercício financeiro (BRASIL, 2021).
Poderá haver a prorrogação, de forma sucessiva, dos 
contratos de serviços e fornecimentos contínuos, desde que 
respeitada a vigência máxima de 10 anos e que exista a previsão 
em edital. A autoridade competente deve atestar que as condições 
e os preços continuam vantajosos para a administração, sendo 
aceita a negociação com o contratado ou a extinção contratual 
sem ônus para qualquer uma das partes (BRASIL, 2021).
A administração pública tem prerrogativas em seus 
contratos que a colocam em uma situação de superioridade em 
relação ao particular contratado. São as chamadas cláusulas 
exorbitantes, que, de acordo com a Lei 14.133/21, são as 
seguintes.
44 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
 • Modificação unilateral.
 • Extinção unilateral.
 • Fiscalização.
 • Aplicação de sanções.
 • Ocupação provisória em casos necessidade de 
apuração administrativa e de risco à prestação de 
serviços essenciais.
IMPORTANTE
Existem situações em que pode haver a extinção 
do contrato, sendo elencadas na Lei 14.133/21, no 
artigo 137. A extinção pode partir do contratado ou 
da própria administração. Dependendo da situação 
em que ocorrer a extinção, caberão o recebimento 
de direitos e o ressarcimento de prejuízos.
Dividem-se em categorias e subcategorias.
Contratos de colaboração
Esse tipo de contrato pode ser firmado para prestação de 
obra pública, serviços e fornecimento.
a. CONTRATOS DE OBRA PÚBLICA: voltados para ações de 
engenharia civil, como construção, reforma e ampliação 
de objeto público. A remuneração para quitação do 
contrato é feita por empreitada (preço unitário, global 
ou integral) ou por tarefa (o valor é devido na proporção 
em que se realiza a obra).
b. CONTRATO DE SERVIÇO: contratado pela Administração, 
tem, como objetivo, basear a prestação de uma 
atividade ou serviço de execução comum ou técnica.
45ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
c. CONTRATO DE FORNECIMENTO: destinado a 
validar processos de aquisição de bens móveis pela 
administração.
Contratos de concessão
Dividem-se em categorias e subcategorias.
CONCESSÃO DE OBRA PÚBLICA: é o documento que 
valida a administração pública a transferir a execução de uma 
obra pública, a fim de que seja executada por conta e risco do 
contratado. Aquele que toma para si a tarefa de execução não 
receberá, diretamente, pelo serviço, e, sim, pelo direito de 
explorar o objeto que transforma, como é o caso de rodovias 
pedagiadas. Não se recebe para construir ou fazer a manutenção 
das estradas, mas se recebe, por um tempo determinado, o valor 
do pedágio cobrado dos usuários. 
CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO: é o documento 
que valida a administração pública a transferir a prestação de 
serviço, a fim de que um ente o preste em seu nome, por sua 
conta e risco. Aquele que toma para si a tarefa de execução 
não receberá, diretamente, pelo serviço, e, sim, pelo direito de 
explorar o objeto que transforma, mediante remuneração paga 
pelo usuário, como é o caso de serviços de telecomunicações. 
CONTRATO DE GERENCIAMENTO: é o documento que 
valida a administração pública a transferir a condução de um 
empreendimento, conservando, porém, a capacidade decisória, 
como é o caso da Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional. 
46 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
RESUMINDO
Neste capítulo,você estudou o que vêm a ser 
licitação, suas modalidades e seus princípios, que 
são os princípios da legalidade; da publicidade; 
da igualdade; da impessoalidade e do interesse 
público; da vinculação ao edital; do julgamento; 
da probidade administrativa e da moralidade; 
da competitividade; da transparência; da 
eficiência, da eficácia e da economicidade; da 
motivação; do planejamento; da segregação de 
funções; da segurança jurídica; da razoabilidade 
e da proporcionalidade; da celeridade; e do 
desenvolvimento nacional. Estudou, também, a 
dispensa de licitação e sua inexigibilidade.
47ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Administração Pública e a 
Economia
OBJETIVO
Neste capítulo, você verá que estamos conectados, 
direta ou indiretamente, a várias organizações, 
tanto na esferas pública quanto na privada, 
que nos proporcionam produtos e/ou serviços. 
Para tanto, essas organizações necessitam de 
máquinas, infraestrutura, pessoas e variações da 
economia, que interferem e influenciam o sucesso 
de suas relações.
Esses processos se relacionam por meio de uma 
hierarquia de funções que deve ser respeitadas, mantendo o foco 
no bem-estar social, sem ferir normas e leis de responsabilidade 
financeira com a gestão. A preocupação com a lisura na prestação 
de contas é um traço que parece caracterizar a gestão pública 
brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e 
práticas gerenciais e financeiras típicas do mundo corporativo, 
além da preocupação com criatividade, postura empreendedora, 
inovação gerencial, gestão por resultados, contratos de gestão e 
gestão por competências. Esses são alguns termos e expressões 
que aderem ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias 
da gestão pública nacional, tendo, como focos, o resultado e a 
saúde financeira.
Entendendo a Economia
A economia é um campo de estudo fundamental que se 
concentra na análise e na compreensão de como os recursos 
escassos podem ser utilizados, de maneira eficaz, para atender 
às demandas sempre crescentes das sociedades humanas. 
Essa disciplina abrange uma ampla gama de tópicos, desde a 
48 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
produção e a distribuição de bens e serviços até a tomada de 
decisões financeiras e o funcionamento dos mercados.
No cerne da economia, está o desafio de lidar com 
recursos limitados diante das necessidades humanas infinitas. À 
medida que indivíduos, empresas e governos procuram satisfazer 
suas aspirações e seus requisitos, a economia explora maneiras 
de alocar os recursos eficientemente, como mão de obra, capital 
e terra, de modo a otimizar o bem-estar e a prosperidade.
A pirâmide de necessidades de Maslow, frequentemente 
lembrada ao discutir as necessidades humanas, oferece um 
modelo útil para entender as diferentes prioridades que as 
pessoas têm ao longo da vida. À medida que progredimos 
na pirâmide, desde necessidades fisiológicas básicas até 
necessidades de autorrealização, percebemos que a economia 
desempenha um papel vital em fornecer as condições e os meios 
para que essas necessidades sejam satisfeitas.
Imagem 3.9 - Pirâmide de Maslow: hierarquia das necessidades
 
Fonte: Wikimedia Commons.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pirâmide_de_Maslow.png
49ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
No entanto, a economia é muito mais do que apenas 
um mecanismo de distribuição de recursos. Também investiga 
as dinâmicas dos mercados, os impactos das políticas 
governamentais, as tendências econômicas globais e a interação 
entre agentes econômicos. Além disso, a economia é influenciada 
por fatores psicológicos, sociais e culturais que moldam as 
escolhas e os comportamentos econômicos.
Ao longo dos séculos, a economia evoluiu na forma de 
diferentes teorias e escolas de pensamento, cada uma com 
abordagem única para entender e melhorar o funcionamento 
da economia. Isso resultou em uma disciplina rica e diversificada 
que busca, continuamente, explorar maneiras de maximizar 
a eficiência, a equidade e a prosperidade dentro dos sistemas 
econômicos.
A economia é considerada uma ciência social, pois estuda 
o homem em sociedade, principalmente quando atua na atividade 
produtiva. Um problema econômico fundamental é a escassez 
de recursos físicos, como energia, máquinas, ferramentas etc. 
Outro é a escassez de trabalho humano, principalmente de mão 
de obra qualificada, frente à necessidade humana ilimitada.
SAIBA MAIS
Para se aprofundar na influência da economia na 
atuação da administração pública, leia o artigo 
“Economia e administração possuem relação?”. 
Disponível abaixo.
https://hs.toledoprudente.edu.br/blog-de-administracao/economia-e-administracao-possuem-relacao#:~:text=A%20Economia%20possibilita%20que%20o,necess%C3%A1ria%20para%20alcan%C3%A7ar%20melhores%20resultados
50 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
O sistema econômico capitalista é um dos sistemas 
mais prevalentes em todo o mundo e desempenha um papel 
significativo na organização das atividades econômicas. É 
caracterizado pela propriedade privada dos recursos de produção 
e pela alocação de bens e serviços com base na demanda e 
na oferta do mercado. O sistema capitalista é orientado pelo 
princípio da busca pelo lucro e pela competição entre empresas.
A relação entre o sistema capitalista e a administração 
pública é complexa e, frequentemente, influenciada por fatores 
políticos, econômicos e sociais. Enquanto o sistema capitalista 
se concentra na propriedade privada, na busca pelo lucro e na 
livre competição no mercado, a administração pública lida com o 
gerenciamento de interesses públicos, serviços governamentais 
e regulação.
Os aspectos da relação entre o sistema capitalista e a 
administração pública incluem os seguintes.
 • Regulação econômica: a administração pública, muitas 
vezes, desempenha um papel na regulamentação das 
atividades econômicas no sistema capitalista. Isso pode 
envolver a implementação de políticas de concorrência 
justa, proteção ao consumidor, preservação ambiental 
e segurança no trabalho.
 • Proteção social: a administração pública pode 
estabelecer programas de proteção social para lidar 
com as desigualdades inerentes ao sistema capitalista. 
Isso pode incluir políticas de assistência social, saúde 
pública, educação acessível e previdência social.
 • Infraestrutura e serviços públicos: a administração 
pública é responsável pela provisão de serviços 
públicos essenciais, como transporte, saneamento, 
energia e segurança. Esses serviços podem ser cruciais 
51ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
para garantir o funcionamento eficiente da economia 
capitalista.
 • Política tributária: a administração pública utiliza a 
política tributária para arrecadar recursos financeiros 
para financiar serviços e projetos públicos. A forma 
como os impostos são estruturados e aplicados pode 
influenciar a distribuição de renda e a alocação de 
recursos na economia.
 • Planejamento urbano e desenvolvimento: a 
administração pública desempenha um papel 
importante no planejamento urbano e no 
desenvolvimento econômico. Pode estabelecer 
regulamentos de zoneamento, diretrizes de construção 
e incentivos para promover o crescimento econômico 
sustentável.
 • Parcerias público-privadas: em muitos casos, a 
administração pública colabora com o setor privado 
por meio de parcerias público-privadas (PPPs). Essas 
parcerias visam a utilizar os recursos e a experiência 
do setor privado para fornecer serviços e infraestrutura 
públicos de maneira eficiente.
 • Políticas de emprego: a administração pública pode 
adotar políticas que influenciam o mercado de trabalho, 
como regulamentações de direitos trabalhistas 
e programas de treinamento para aumentar a 
empregabilidade.
 • Gestão da dívida pública: a administração pública é 
responsável pelo gerenciamento da dívida pública, 
que pode ter impacto na estabilidade econômica e nos 
gastos governamentais.
52 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
A relação entre o sistema capitalistae a administração 
pública é um campo complexo e em constante evolução, com 
diferentes abordagens e modelos em todo o mundo. Encontrar 
um equilíbrio entre os princípios do sistema capitalista e os 
objetivos de bem-estar social, justiça econômica e estabilidade 
requer abordagem cuidadosa e consideração das necessidades 
e dos valores da sociedade.
O sistema econômico capitalista é formado por três 
agentes principais.
a. UNIDADES FAMILIARES –consumidoras de bens e 
serviços.
b. FIRMAS OU EMPRESAS –produtoras de bens ou serviços, 
combinando recursos e gerando renda.
c. GOVERNO - sua intervenção possibilita minimizar 
falhas de mercado e redução da instabilidade por meio 
da gestão da política econômica.
Existem circunstâncias em que o governo pode intervir 
melhorando os resultados do mercado. Uma das formas de 
intervenção do governo é a utilização de instrumentos que, 
por meio da política econômica governamental, estabilizam 
a economia. Esses instrumentos podem ser de ordem fiscal, 
nos casos de aumentos/redução de tributos e, até mesmo, de 
aumento ou redução dos gastos governamentais. A intervenção 
também pode ser de natureza monetária, por meio do aumento 
ou da redução do crédito e da taxa de juros. Com isso, o governo 
pode conciliar a eficiência produtiva das economias capitalistas 
com melhor distribuição de renda e justiça social, como, também, 
com a redução das instabilidades da produção e do emprego.
53ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Imagem 3.10 - Sistema capitalista 
 
 
Fonte: Freepik.
SAIBA MAIS
Em casos nos quais não existe a figura do mercado, 
temos o sistema socialista, um sistema econômico 
em que o Estado define o que, quanto e para 
quem produzir em função das necessidades da 
população. Além disso, a propriedade dos meios 
de produção é do Estado.
Intervenção do Governo no 
Mercado
A intervenção do governo no mercado se refere às ações e 
às políticas adotadas pelo governo para influenciar ou regular as 
atividades econômicas. Essas intervenções são implementadas 
com o objetivo de atingir metas econômicas, sociais ou políticas 
específicas e podem variar em escopo e intensidade, dependendo 
do sistema econômico, das circunstâncias e das preferências 
políticas.
https://www.freepik.com/free-photo/high-angle-coins-banknotes-arrangement_11621106.htm#query=sistema%20capitalista&position=21&from_view=search&track=ais
54 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
Existem várias formas de intervenção do governo no 
mercado, incluindo as seguintes.
Regulação: o governo estabelece regras, normas e 
regulamentos para governar a conduta de empresas, indústrias 
e mercados. Isso visa a garantir a concorrência justa, a proteger 
os direitos do consumidor, a preservar o meio ambiente e a 
prevenir abusos de poder econômico.
Política monetária: os governos podem ajustar a oferta 
de dinheiro e as taxas de juros para influenciar a atividade 
econômica. Aumentar ou diminuir as taxas de juros, por 
exemplo, afeta os níveis de empréstimo, investimento e gastos 
dos consumidores.
Política fiscal: o governo usa a política fiscal para 
influenciar a economia por meio de mudanças nos níveis de 
gastos públicos e impostos. Aumentar os gastos públicos pode 
estimular a demanda agregada, enquanto reduzir os impostos 
pode liberar mais dinheiro para consumidores e empresas.
Subsídios e incentivos: o governo pode fornecer 
subsídios, incentivos fiscais e outros tipos de apoio financeiro 
para setores específicos da economia, a fim de promover o 
crescimento, a inovação e os objetivos sociais.
Controle de preços: em algumas situações, o governo 
pode intervir para fixar preços máximos ou mínimos para 
determinados produtos ou serviços, visando a proteger os 
consumidores ou a garantir um retorno justo aos produtores.
Bens públicos e serviços: o governo, muitas vezes, 
fornece bens e serviços que são considerados essenciais 
para a sociedade, mas que o mercado pode não fornecer 
55ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
adequadamente. Isso inclui infraestrutura, saúde pública, 
educação e segurança.
Políticas de redistribuição de renda: o governo pode 
implementar políticas que visam a reduzir desigualdades 
econômicas por meio de tributação progressiva, programas de 
assistência social e outras medidas.
A intervenção do governo no mercado é um tópico 
debatido amplamente e pode gerar controvérsias. Alguns 
defendem uma abordagem mais intervencionista para corrigir 
falhas de mercado e promover o bem-estar social, enquanto 
outros argumentam a favor de um papel mais limitado do governo 
para permitir a eficiência e a liberdade econômica. A natureza e o 
alcance da intervenção podem variar de acordo com a ideologia 
política, as condições econômicas e os objetivos de cada país.
A Influência da História e dos Reflexos 
Internacionais
Na evolução da economia mundial, surgiram diversas 
correntes de pensamento econômico (chamadas de escola). 
Destacamos algumas e suas características a seguir.
a. Escola do marxismo – seu idealizador, Karl Marx, opôs-
se aos clássicos, desenvolvendo novos conceitos, como 
o da mais-valia e o conceito do exército de reserva 
industrial.
b. Escola neoclássica –considera a nova realidade, que 
conta com os fatores concentração econômica, com 
forte tendência monopolística; interferência estatal; 
56 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
crescimento dos salários; fortalecimento dos sindicatos; 
e notável prosperidade das economias ocidentais. 
c. Escola keynesiana – o fundador da macroeconomia, 
John Keynes, mostrou que as economias capitalistas não 
tinham capacidade de promover, automaticamente, o 
pleno emprego, abrindo caminho para o uso da política 
econômica. Nessa teoria, o que determina o nível de 
produção é o conjunto de despesas de consumo, 
nível de investimentos privados e gastos do governo e 
exportações líquidas.
Imagem 3.11 
 
 
Fonte: Freepik.
Um sistema econômico pode ser considerado o formato 
da sociedade em aspectos políticos, jurídicos e socioeconômicos, 
por meio do qual se busca atingir o objetivo de melhoria do bem-
estar. Existem alguns elementos básicos que compõem esse 
sistema. 
https://www.freepik.com/free-vector/business-people-celebrating-success-working-earth-globe_4949441.htm#query=sistema%20econômico&position=19&from_view=search&track=ais
57ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
a. Fatores de produção - são o conjunto de recursos 
produtivos, representados por máquinas, 
equipamentos, ferramentas, terra cultivável, energia e 
mão de obra.
b. Unidades consumidoras ou famílias – são detentoras 
de rendimentos e têm, como objetivo fundamental, 
maximizar seu bem-estar por meio do consumo de 
bens e serviços.
c. Unidades produtoras ou firmas – têm, como objetivo, 
a geração de lucros por meio da produção de bens e 
serviços, mediante a combinação de capital e trabalho, 
sob a coordenação de um empresário.
d. Instituições - indicam as “regras do jogo” sob as quais 
operam os agentes.
No Brasil, a emissão primária de moeda é de 
responsabilidade do Banco Central, o qual tem seus ativos 
(reservas internacionais, tesouro nacional, títulos públicos, 
redesconto e empréstimos) e seus passivos (papel moeda emitido 
e reservas bancárias).
Para a expansão da oferta monetária primária (base 
monetária), o sistema bancário gera a expansão múltipla de 
moeda escritural, cujo montante depende do comportamento 
do público e das reservas bancárias. 
Em relação à política monetária, as taxas de juros 
são afetadas em primeira instância. As mudanças na oferta 
institucional de meios de pagamento são determinadas pelo 
Banco Central mediante deslocamentos da base monetária e/
ou das reservas compulsórias dos bancos comerciais, dada certa 
demanda de moeda. Caso o Banco Central exercesse uma forte 
redução da oferta monetária diante de determinado nível de 
58 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
U
ni
da
de
 3
demanda de moeda, reduziria as possibilidades de empréstimo 
dos bancos comerciais ao setor privado.

Mais conteúdos dessa disciplina