Prévia do material em texto
1ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Unidade 3 CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS Diretora Editorial ALESSANDRA FERREIRA Gerente Editorial LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria JULIANE MARISE BARBOSA TEIXEIRA KARINE HERANI 4 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 A U TO RI A Juliane Marise Barbosa Teixeira Olá. Sou Doutoranda em Engenharia da Produção e Sistemas pela (PUCPR) com foco em Engenharia das Organizações, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento do PPGTE na UTFPR, Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUCPR, Especialização em Psicopedagogia; Especialista em Pedagogia Empresarial e Educação Corporativa, Especialista em Formação Docente e Tutoria em EaD e possuo MBA em Administração pública e Gerenciamento de Cidades. Graduada em Letras pela PUCPR e Graduanda em Administração. Atuei como Diretora de EaD e Professora na Faculdade Inspirar. Orientadora do Programa Agentes Locais de Inovação (ALI SebraePR). Coordenadora da Agência de Inovação da UNINTER, Coordenadora Adjunta do Curso Tecnológico Superior em Gestão Pública, MBA em Administração pública e Gerência de Cidades e MBA em Marketing Político e Organização de Campanha Eleitoral, além de Especialização em Sustentabilidade e Políticas Públicas na Escola de Gestão Pública, Política e Jurídica da EGPPJ no Centro Universitário Internacional da UNINTER. Atuei como professora Tutora convidada na Coordenação de Tecnologia na Educação na COTED da UTFPR. Trabalhei quatro anos em Angola como coordenadora de Recursos Humanos em empresa de engenharia com aproximadamente dois mil funcionários e cinco filiais pelo país. Possuo experiência na área de Administração, com ênfase em Gestão Estratégica de Pessoas e Formação Profissional. Sou docente na área de Gestão de Pessoas na administração pública e Gestão da Inovação e Modelos de Gestão. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Karine Herani Sou advogada com mais de 22 anos de experiência na área de consultoria jurídica empresarial e gestão de negócios, desenvolvimento de negócios, processos de inovação, negócios internacionais e gestão de projetos. Trabalho como consultora e tive oportunidade de trabalhar em diferentes setores da indústria, de alimentos a equipamentos, em 3 países diferentes. Estou imensamente feliz em iniciar com você essa jornada rumo a novos conhecimentos. Vamos lá? A U TO RI A 6 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 ÍC O N ES 7ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 A estrutura jurídica da administração pública é um importante pilar da gestão pública, da manutenção e do funcionamento dos serviços públicos e do suporte aos privados. Basicamente, trata-se de compostos, instrumentos, órgãos, leis e organizações que agem a favor de mecanismos e processos em prol das finalidades do Estado. Vamos aprender, ao longo desta unidade, a teia de relações entre organizações sociais, agências executivas e agências reguladoras. Falaremos sobre as tão famosas licitações e os contratos administrativos, sem deixar de lado particularidades entre a economia e a administração pública, alcançando, finalmente, alcançar o entendimento das relações entre funcionalismo público e terceirizações. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar nesse universo! IN TR O D U ÇÃ O 8 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Olá. Seja muito bem-vindo à nossa Unidade 3, e o nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos. 1. Compreender as relações entre organizações sociais, agências executivas e agências reguladoras. 2. Listar as normas gerais de licitações e contratos administrativos. 3. Identificar as particularidades entre economia e administração Pública. 4. Discernir sobre as relações entre funcionalismo público e terceirizações. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! CO M PE TÊ N CI A S 9ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 S U M Á RI O Organizações Sociais, Agências Executivas e Reguladoras . 10 O Que é Uma Organização Social? .................................................................10 A Fundamentação Legal da Organização Social no Brasil ..........................18 Agências Executivas e Agências Reguladoras ...............................................20 Normas Gerais sobre Licitações e Contratos Administrativos ....................................................................... 26 Licitação ...............................................................................................................26 Princípios da Licitação ......................................................................................30 Modalidades de licitação ...................................................................39 Contrato administrativo ......................................................41 Administração Pública e a Economia .................................... 47 Entendendo a Economia ..................................................................................47 Intervenção do Governo no Mercado ............................................................53 A Influência da História e dos Reflexos Internacionais ................55 Funcionalismo Público e as Terceirizações ........................... 62 Do Instrumento Convocatório ........................................................................67 Gestão e Fiscalização da Execução dos Contratos ......................................72 Lei 13.429/2017 ................................................................................................75 10 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Organizações Sociais, Agências Executivas e Reguladoras OBJETIVO Ao término desta unidade, você será capaz de entender as relações entre processos, procedimentos e comandos da administração pública como fatores essenciais para que atue conforme a Constituição Federal eos interesses da sociedade. Você aprenderá que qualquer profissional que exerça serviço público deve respeitar e dominar as regras desse tipo de prestação de serviço. No decorrer deste capítulo, faremos importantes reflexões sobre como funcionam as organizações sociais e as agências executivas. Como se relacionam e quais as implicações dessas relações para a prestação de serviço à comunidade. O Que é Uma Organização Social? Organização social se refere a uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, qualificada como organização social por meio de decreto. Tem, como objetivo, exclusivamente, atividade de interesse público em parceria com o Estado nos setores de ensino, pesquisa científica, tecnologia, meio ambiente, cultura e saúde. A parceria entre Poder Executivo e organizações sociais foi estabelecida na Lei 9.637/98 e no Decreto 9.190/2017, que definem padrões de publicização que as organizações sociais devem cumprir e outros requisitos de qualificação da organização social. Publicização se refere ao processo de transferência da execução de atividades e de funções originalmente realizadas 11ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 por organizações privadas ou de sociedade civil para o âmbito público, passando a ser gerenciadas pelos governos ou administração pública. Por exemplo, uma organização social pode se comprometer a realizar a atividade conforme contrato de gestão, e o Estado se compromete a fomentar a atividade por meio de transferência direta de recursos.A saúde financeira de um país depende de um sistema financeiro eficiente e diversificado, o qual propicia uma atração de poupança interna ou internacional que é indispensável para transformar esses recursos em investimentos produtivos. Reduzir a inflação com a elevação da taxa de juros é uma estratégia comum e difundida. A combinação de altas taxas de juros com a redução dos gastos públicos (política fiscal) é capaz, portanto, de reduzir a inflação rapidamente. Porém, causa alguns efeitos, como redução dos gastos, desaceleração da economia e elevação dos níveis de desemprego. O sistema financeiro nacional é uma estrutura complexa que abrange instituições, mercados e instrumentos financeiros. Desempenha um papel crucial na economia, facilitando a alocação eficiente de recursos, promovendo o crescimento econômico, intermediando poupadores e investidores e fornecendo serviços financeiros essenciais. Do ponto de vista organizacional, o sistema financeiro nacional está dividido em dois subsistemas. a. Normativo: composto pelo Conselho Monetário Nacional, pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Monetários. b. Cooperativo ou operativo: composto pelos seguintes mercados e suas características. • Mercado monetário – local em que se realizam operações de curtíssimo prazo para atender às necessidades imediatas de caixa de diversos agentes econômicos. 59ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Mercado de crédito – ambiente em que são atendidas às necessidades de recursos para financiamento do consumo e do capital de giro das empresas. • Mercado de capitais – ambiente em que são realizadas colocações diretas de títulos de propriedade (ações) ou de dívida (bônus, debêntures etc.) para redução dos custos associados às operações individualizadas de crédito. • Mercado de câmbio – nesse segmento, são realizadas a compra e a venda de moedas estrangeiras necessárias às operações internacionais, por meio das instituições (bancos ou casas de câmbio) autorizadas pelo Banco Central. • Mercado de seguros, capitalização e previdência privada - nesse mercado, são captados recursos para a cobertura de finalidades específicas, como proteção de riscos (seguros), capitalização, pensões e aposentadorias (previdência privada). O sistema financeiro nacional é composto por diversos elementos interligados. • Instituições financeiras: essas instituições são os pilares do sistema financeiro e incluem bancos comerciais, bancos de investimento, cooperativas de crédito, seguradoras, fundos de pensão, corretoras e outras entidades que oferecem serviços financeiros. Facilitam a mobilização de fundos, a concessão de crédito, a gestão de riscos e a facilitação de investimentos. • Banco Central: é a principal autoridade monetária e reguladora do sistema financeiro nacional. Emite moeda, define políticas monetárias, regula bancos 60 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 e outras instituições financeiras e busca manter a estabilidade econômica e financeira. • Mercados financeiros: nos mercados financeiros, ocorre a negociação de diversos ativos financeiros, como ações, títulos, moedas e commodities. Fornecem um ambiente para a formação de preços, permitindo que investidores comprem e vendam ativos com base nas suas avaliações de risco e retorno. • Instrumentos financeiros: são contratos que representam valores monetários e permitem transações financeiras. Exemplos incluem ações, títulos, empréstimos, derivativos e seguros. • Intermediação financeira: é o processo pelo qual as instituições financeiras facilitam a transferência de recursos dos poupadores para os investidores. Coletam depósitos e fornecem crédito, criando um elo essencial na economia. • Políticas e regulamentações: o sistema financeiro é regulado pelo governo para garantir a integridade, a estabilidade e o bom funcionamento do sistema. As políticas regulatórias abrangem aspectos como requisitos de capital, proteção ao consumidor, prevenção de lavagem de dinheiro e regulamentações prudenciais. • Tecnologia financeira (FinTech): a evolução da tecnologia tem impactado, profundamente, o sistema financeiro, levando ao surgimento de soluções inovadoras, como pagamentos digitais, empréstimos P2P (peer-to-peer), plataformas de investimento automatizado e muito mais. 61ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Inclusão financeira: um aspecto importante do sistema financeiro é a inclusão de segmentos da população que, historicamente, tiveram acesso limitado a serviços financeiros. Iniciativas visam a fornecer acesso a serviços bancários básicos e seguros e a crédito para todos. O equilíbrio entre a inovação, a regulamentação eficaz e a estabilidade é fundamental para garantir que o sistema financeiro cumpra seu papel de maneira eficiente e sustentável. RESUMINDO Neste capítulo, você estudou alguns termos e expressões que aderem ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias da gestão pública nacional, tendo, como foco, o resultado e a saúde financeira. Você entendeu os conceitos de economia e as necessidades do ser humano. Estudou o sistema econômico capitalista e a influência da história e dos reflexos internacionais na economia. 62 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Funcionalismo Público e as Terceirizações OBJETIVO Neste capítulo, você vai compreender a terceirização dos serviços públicos, permitida com base no Decreto-Lei n.º 200, de 25 de fevereiro de 1967. Envolve adaptações nos sistemas de administração pública e na forma de prestação de serviço via entidades privadas. Vamos explorar as considerações dispostas no Decreto-Lei em sua íntegra. Como vimos até aqui, a administração pública desempenha um papel fundamental na organização e na prestação de serviços essenciais para a sociedade. Abrange atividades e operações conduzidas pelo governo nos níveis federal, estadual e municipal, visando a atender às necessidades públicas e a garantir o bem-estar da população. No entanto, diante de desafios como a busca por eficiência, a redução de custos e uma melhor alocação de recursos, a terceirização tem se tornado uma abordagem frequentemente discutida e adotada nesse contexto. A terceirização na administração pública envolve a contratação de empresas privadas para realizar serviços e atividades que, tradicionalmente, eram executados por órgãos governamentais. Essa prática tem, como objetivo principal, aproveitar a expertise, a agilidade e os recursos disponíveis no setor privado, a fim de melhorar a qualidade e a eficiência na entrega de serviços públicos. No entanto, a terceirização suscita debates sobre a qualidade do serviço prestado, o controle governamental sobre as operações terceirizadas e possíveis impactos nos servidores públicos. 63ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Para melhor desincumbir-se das tarefas de planejamento, coordenação, supervisão e controle e com o objetivo de impedir o crescimento desmesurado da máquina administrativa, a Administração procurará desobrigar-se da realização material de tarefas executivas, recorrendo, sempre que possível, à execução indireta, mediante contrato, desde que exista, na área, iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capacitada a desempenhar os encargos de execução. (BRASIL, 1967, on-line) O Decreto n.º 9.507/2018 trata da execução indireta de serviços da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, bem como das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. Esse decreto versa sobre a contratação de serviços por meio de terceirização, buscando estabelecer regras e diretrizes para esse processo. • Terceirização de serviços: trata da possibilidade de órgãos e entidades da administração pública federal contratarem serviços de terceiros para a execução de atividades que sejam consideradas não essenciais. • Categorias de serviços: divide os serviços que podem ser objeto de terceirizaçãoem três categorias: serviços que apoiam a realização das atividades finalísticas; serviços que apoiam a gestão e o funcionamento dos órgãos e entidades; e serviços que compõem a atividade finalística do órgão ou entidade. • Regras para contratação: estabelece critérios e procedimentos para a contratação de serviços terceirizados, incluindo a necessidade de justificativas e autorizações prévias. 64 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Vedação de substituição de pessoal: é vedada a terceirização de serviços para substituição de servidores ou empregados públicos em greve. • Fiscalização e acompanhamento: prevê mecanismos de fiscalização e acompanhamento dos contratos de terceirização, visando a garantir a qualidade dos serviços e o cumprimento das obrigações. • Capacitação de gestores: a norma estabelece a necessidade de capacitação de gestores para gerenciar contratos de terceirização de serviços. Imagem 3.12 - Capacitação de gestores Fonte: Freepik. O Decreto n.º 9.507/2018 tem, como objetivo, promover a eficiência e a qualidade dos serviços prestados pela administração pública federal, ao mesmo tempo em que estabelece parâmetros e salvaguardas para a terceirização desses serviços. Busca um equilíbrio entre a necessidade de utilizar serviços terceirizados e https://www.freepik.com/free-photo/confident-female-businesswoman-drawing-whiteboard_6882202.htm#query=capacita%C3%A7%C3%A3o%20de%20gestores&position=3&from_view=search&track=ais">Image by pch.vector 65ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 a garantia de que os interesses da administração pública e dos trabalhadores envolvidos sejam protegidos. SAIBA MAIS Para conhecer a lei na íntegra, acesse o link a seguir. Disponível abaixo. A lei é expressa ao definir como será feita a execução indireta dos serviços: “Art. 2º Ato do Ministro de Estado do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão estabelecerá os serviços que serão preferencialmente objeto de execução indireta mediante contratação” (BRASIL, 2018, on-line). O Decreto n.º 9.507/2018, em seu artigo 3º, estabelece algumas vedações relacionadas à terceirização e à execução indireta de serviços da administração pública federal. Essas vedações têm, como objetivo, garantir que a terceirização seja feita de forma adequada e que os interesses dos trabalhadores e da administração pública sejam protegidos. Algumas das vedações incluídas no decreto são as seguintes. • Substituição de servidores em greve: é vedada a terceirização de serviços para substituição de servidores ou empregados públicos em greve. Isso evita que a terceirização seja usada como uma forma de contornar os direitos de trabalhadores em greve. • Atividades que compõem a atividade finalística: a terceirização de atividades que compõem a atividade finalística do órgão ou entidade da administração https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DEC&numero=9507&ano=2018&ato=fc8ATRU9UeZpWT7c8 66 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 pública federal é vedada. Portanto, serviços essenciais para o cumprimento da missão principal do órgão ou entidade não podem ser terceirizados. • Atividades que demandem conhecimento específico: é vedada a terceirização de atividades que demandem conhecimento técnico ou científico específico. Isso visa a garantir que atividades que exigem expertise não sejam transferidas a terceiros sem a devida qualificação. • Gestão de políticas públicas: a terceirização de atividades de planejamento, coordenação, supervisão e controle de políticas públicas também é vedada. Isso preserva a capacidade do órgão público de gerenciar suas próprias políticas e programas. • Tomada de decisões: atividades que envolvam tomada de decisões e formulação de políticas também não podem ser terceirizadas. Isso garante que as decisões estratégicas da administração pública sejam mantidas internamente. • Fiscalização e regulação: a terceirização de atividades relacionadas à fiscalização e à regulação também é vedada. Isso previne possíveis conflitos de interesse e assegura a imparcialidade na aplicação das regras. Essas vedações têm, como objetivo, assegurar que a terceirização seja utilizada de maneira responsável e em conformidade com as necessidades da administração pública e dos trabalhadores. Visam a evitar abusos e a garantir que atividades cruciais e sensíveis sejam mantidas sob controle direto das instituições governamentais. Conforme vimos anteriormente, no ato da administração pública, deve-se considerar que o agente administrativo público 67ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 só poderá fazer o que está previsto em lei. Assim, mesmo que, em determinadas situações, um processo, uma ação ou uma tomada de decisão seja emergente, só poderá acontecer se estiver previsto em lei ou salvaguardado nas exceções. Art. 5º É vedada a contratação, por órgão ou entidade de que trata o art. 1º, de pessoa jurídica na qual haja administrador ou sócio com poder de direção que tenham relação de parentesco com: I - detentor de cargo em comissão ou função de confiança que atue na área responsável pela demanda ou pela contratação; ou II - autoridade hierarquicamente superior no âmbito de cada órgão ou entidade. (BRASIL, 2018, on-line) Do Instrumento Convocatório O artigo 6º do Decreto-Lei estabelece diretrizes para a convocação e o contrato. A seguir, são destacados alguns pontos relacionados a esses aspectos. • Conteúdo do edital: o edital ou instrumento convocatório deve conter todas as informações necessárias para a contratação, incluindo a descrição detalhada de serviços, critérios de julgamento, condições de execução e requisitos para participação. • Justificativa: o edital deve conter justificativas claras e objetivas para a contratação dos serviços, demonstrando a conveniência e a necessidade da terceirização. • Critérios de julgamento: devem ser definidos critérios objetivos para avaliar as propostas dos licitantes, 68 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 como preço, qualidade técnica e capacidade técnico- operacional. • Especificidades técnicas: o edital deve estabelecer requisitos técnicos mínimos a que os serviços terceirizados devem atender, garantindo a qualidade e a adequação às necessidades da administração pública. Art. 6º Para a execução indireta de serviços, no âmbito dos órgãos e das entidades de que trata o art. 1º, as contratações deverão ser precedidas de planejamento e o objeto será definido de forma precisa no instrumento convocatório, no projeto básico ou no termo de referência e no contrato como exclusivamente de prestação de serviços. Parágrafo único. Os instrumentos convocatórios e os contratos de que trata o caput poderão prever padrões de aceitabilidade e nível de desempenho para aferição da qualidade esperada na prestação dos serviços, com previsão de adequação de pagamento em decorrência do resultado. (BRASIL, 2018, on-line) 69ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.13 - Contrato Fonte: Freepik. • Repactuação e reajuste: poderão ser previstos mecanismos de repactuação de preços e reajuste, considerando a evolução dos custos ao longo da vigência do contrato. • Garantias contratuais: o contrato pode exigir garantias, como seguro-garantia ou caução, para assegurar o cumprimento das obrigações pela empresa terceirizada. Essas diretrizes são fundamentais para criar um ambiente transparente, justo e que atenda aos interesses de todas as partes envolvidas. Disposições contratuais obrigatórias Art. 8º Os contratos de que trata este decreto conterão cláusulas que: I - exijam da contratada declaração de responsabilidade exclusiva sobre a https://www.freepik.com/free-photo/glasses-documents_866633.htm#query=edital&position=13&from_view=search&track=sph 70 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 quitação dos encargos trabalhistas e sociais decorrentes do contrato; II - exijam a indicação de preposto da contratadapara representá-la na execução do contrato; III - estabeleçam que o pagamento mensal pela contratante ocorrerá após a comprovação do pagamento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e para com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS pela contratada relativas aos empregados que tenham participado da execução dos serviços contratados; IV - estabeleçam a possibilidade de rescisão do contrato por ato unilateral e escrito do contratante e a aplicação das penalidades cabíveis, na hipótese de não pagamento dos salários e das verbas trabalhistas, e pelo não recolhimento das contribuições sociais, previdenciárias e para com o FGTS; V - prevejam, com vistas à garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra: a) que os valores destinados ao pagamento de férias, décimo terceiro salário, ausências legais e verbas rescisórias dos empregados da contratada que participarem da execução dos serviços contratados serão efetuados pela contratante à contratada somente na ocorrência do fato gerador; ou 71ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 b) que os valores destinados ao pagamento das férias, décimo terceiro salário e verbas rescisórias dos empregados da contratada que participarem da execução dos serviços contratados serão depositados pela contratante em conta vinculada específica, aberta em nome da contratada, e com movimentação autorizada pela contratante; VI - exijam a prestação de garantia, inclusive para pagamento de obrigações de natureza trabalhista, previdenciária e para com o FGTS, em valor correspondente a cinco por cento do valor do contrato, limitada ao equivalente a dois meses do custo da folha de pagamento dos empregados da contratada que venham a participar da execução dos serviços contratados, com prazo de validade de até noventa dias, contado da data de encerramento do contrato; e VII - prevejam a verificação pela contratante, do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e para com o FGTS, em relação aos empregados da contratada que participarem da execução dos serviços contratados [...]. (BRASIL, 2018, on-line) 72 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Gestão e Fiscalização da Execução dos Contratos As diretrizes da lei visam a garantir a qualidade, a transparência e a eficiência na execução dos serviços contratados. A seguir, estão alguns pontos-chave relacionados à gestão e às fiscalização dos contratos, dispostos no artigo 10º do decreto. • Designação de gestor do contrato: deve ser designado um gestor do contrato, responsável por acompanhar e fiscalizar a execução dos serviços. O gestor é o ponto de contato entre a administração pública e a empresa terceirizada. • Comissão de fiscalização: pode ser instituída uma comissão de fiscalização, composta por servidores, para auxiliar o gestor do contrato na monitorização dos serviços e no cumprimento das obrigações contratuais. • Fiscalização contínua: a administração pública deve realizar uma fiscalização contínua e sistemática da execução dos serviços, verificando se os prazos, a qualidade e as condições estipuladas no contrato estão sendo cumpridos. • Registros e relatórios de fiscalização: devem ser mantidos registros e relatórios detalhados das atividades de fiscalização, incluindo registros de visitas técnicas, avaliações de desempenho e eventuais não conformidades. • Avaliação de desempenho: deve ser feita uma avaliação periódica do desempenho da empresa terceirizada, considerando critérios como qualidade, pontualidade e cumprimento das obrigações. 73ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Notificações e providências: a administração pública deve notificar a empresa terceirizada caso identifique problemas ou não conformidades na execução dos serviços. A empresa terceirizada deve tomar providências para corrigir as irregularidades. • Sanções e multas: em caso de descumprimento das obrigações contratuais, a administração pública pode aplicar sanções previstas no contrato, como multas, suspensão temporária e rescisão. • Garantia de qualidade: a administração pública deve assegurar que os serviços terceirizados atendam aos padrões de qualidade estabelecidos no contrato. • Comunicação com a empresa terceirizada: a administração pública deve manter uma comunicação constante e transparente com a empresa terceirizada, esclarecendo dúvidas e orientando sobre as expectativas. • Registro e arquivamento de documentos: todos os documentos relacionados à fiscalização e à gestão do contrato devem ser devidamente registrados e arquivados para fins de transparência e prestação de contas. Essas diretrizes têm, como objetivo, criar um processo de monitoramento eficiente, que contribua para a qualidade dos serviços prestados e para o cumprimento das obrigações contratuais por ambas as partes. 74 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Art. 10. A gestão e a fiscalização da execução dos contratos compreendem o conjunto de ações que objetivam: I - aferir o cumprimento dos resultados estabelecidos pela contratada; II - verificar a regularidade das obrigações previdenciárias, fiscais e trabalhistas; e III - prestar apoio à instrução processual e ao encaminhamento da documentação pertinente para a formalização dos procedimentos relativos à repactuação, reajuste, alteração, reequilíbrio, prorrogação, pagamento, aplicação de sanções, extinção dos contratos, entre outras, com vistas a assegurar o cumprimento das cláusulas do contrato a solução de problemas relacionados ao objeto. Art. 11. A gestão e a fiscalização de que trata o art. 10 competem ao gestor da execução dos contratos, auxiliado pela fiscalização técnica, administrativa, setorial e pelo público usuário e, se necessário, poderá ter o auxílio de terceiro ou de empresa especializada, desde que justificada a necessidade de assistência especializada. (BRASIL, 2018, on-line). 75ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.14 - Terceirização Fonte: Freepik. Lei 13.429/2017 A Lei n.º 13.429/2017, também conhecida como Lei da Terceirização ou Lei da Reforma Trabalhista, é uma legislação brasileira que trouxe alterações significativas nas regras de terceirização e nas relações de trabalho. Foi sancionada em março de 2017 e teve, como objetivo, modernizar a legislação trabalhista e regulamentar, de forma mais abrangente, a terceirização de atividades. Alguns pontos-chave da Lei n.º 13.429/2017 incluem os seguintes. • Terceirização ampliada: a lei permite a terceirização de qualquer atividade da empresa, inclusive a atividade- fim. Anteriormente, a terceirização estava restrita a atividades-meio, como serviços de limpeza e segurança. https://www.freepik.com/free-photo/still-life-business-roles-with-various-mechanism-pieces_24749604.htm#page=2&query=terceiriza%C3%A7%C3%A3o&position=42&from_view=search&track=ais 76 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Responsabilidade solidária: a empresa contratante passa a ser solidariamente responsável pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias da empresa terceirizada. Isso significa que, em caso de descumprimento das obrigações pela terceirizada, a empresa contratante também pode ser acionada judicialmente. • Trabalho temporário: a lei também regulamentou o trabalho temporário, permitindo sua prorrogação por até 180 dias, consecutivos ou não, além de estabelecer um intervalo mínimo de 90 dias entre os contratos de trabalho temporário para a mesma empresa. • Direitos dos trabalhadores terceirizados: a lei assegura aos trabalhadores terceirizados direitos como segurança, medicina do trabalho, alimentação e transporte fornecidos aos empregados da contratante, quando esses benefícios forem oferecidos. • Vedações: a lei proíbe a terceirização para substituir trabalhadores em greve e a contratação de trabalhadores terceirizadospara realizar atividades ligadas à atividade-fim da empresa contratante. • Atividade-fim e atividade-meio: a lei estabeleceu que a empresa contratante e a terceirizada podem ter qualquer objeto social e não precisam ser do mesmo ramo de atividade. • Relações sindicais: a lei trouxe mudanças nas relações sindicais, como a possibilidade de negociação coletiva prevalecer sobre a legislação em diversos aspectos. A Lei n.º 13.429/2017 gerou debates intensos sobre suas implicações para os trabalhadores e as relações de trabalho, com opiniões divergentes sobre seus impactos positivos e negativos. 77ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Enquanto alguns acreditam que pode trazer maior flexibilidade para as empresas e promover o emprego, outros argumentam que pode enfraquecer direitos trabalhistas e precarizar as condições de trabalho. Como toda legislação, sua implementação e seus efeitos na prática são sujeitos a interpretações e a avaliações ao longo do tempo. RESUMINDO Você estudou a teia de relações entre organizações sociais, agências executivas e agências reguladoras. Pudemos nos aprofundar em licitações e contratos administrativos e compreender o papel fundamental que desempenham para a atuação efetiva da administração pública, sem deixar de lado particularidades da economia e da administração pública. Finalmente, você alcançou o entendimento das relações entre funcionalismo público e terceirizações. Vimos como a administração contrata e as possibilidades de terceirização, fundamentadas em um conjunto de leis. Tratamos, em específico, do Decreto 9507/2018 e da lei 13.429/2017 para desenvolver um conhecimento panorâmico do tema proposto. 78 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 ALEXANDRINO, M.; PAULO, V. Direito Administrativo descomplicado. 20. ed. São Paulo; Método, 2012. BRASIL. Lei n.º 9.637, de 15 de maio de 1998. Dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações sociais, a criação do Programa Nacional de Publicização, a extinção dos órgãos e entidades que menciona e a absorção de suas atividades por organizações sociais, e dá outras providências. Diário Oficial da União. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível em: www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/LEIS/L9637.htm. Acesso em: 8 set. 2023. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [1988]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Acesso em: 28 mar. 2023. BRASIL. Decreto-Lei n.º 9.507, de 21 de setembro de 2018. Dispõe sobre a execução indireta, mediante contratação, de serviços da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. Diário Oficial da União. Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Decreto/D9507. htm Acesso em: 8 set. 2023. BRASIL. Lei n.º 14.133, de 1.º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Diário Oficial da União. Brasília, DF: Presidência da República, 2021. Disponível em: www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14133.htm. Acesso em: 8 set. 2023. RE FE RÊ N CI A S http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm 79ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 BRANCHIER, A.; TESOLIN, J. Direito e legislação aplicada. Curitiba: IBPEX, 2006. DI PIETRO, M. S. Z. Direito Administrativo. 33 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. MELLO, C. A. B. de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2009. SCATOLINO, G.; TRINDADE, J. Manual de Direito Administrativo. 4º ed. Salvador: Juspodivm, 2016. SOUTO, M. J. V. Desestatização: privatização, concessões e terceirizações. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2000. p. 246-247. OLIVEIRA, D. P. R. Administração pública: foco na otimização do modelo administrativo. São Paulo: Atlas, 2014. RE FE RÊ N CI A S Organizações Sociais, Agências Executivas e Reguladoras O Que é Uma Organização Social? A Fundamentação Legal da Organização Social no Brasil Agências Executivas e Agências Reguladoras Normas Gerais sobre Licitações e Contratos Administrativos Licitação Princípios da Licitação Modalidades de licitação Contrato administrativo Administração Pública e a Economia Entendendo a Economia Intervenção do Governo no Mercado A Influência da História e dos Reflexos Internacionais Funcionalismo Público e as Terceirizações Do Instrumento Convocatório Gestão e Fiscalização da Execução dos Contratos Lei 13.429/2017A organização social é autônoma e independente. Cabe ao Estado a fiscalização da realização da atividade, o acompanhamento e a avaliação dos resultados. O poder público ocupa posições no conselho de administração das organizações e na comissão de acompanhamento e avaliação do contrato de gestão. Isso ocorre nas parcerias público-privadas e em parcerias entre organização social e setor público. A publicização envolve transferência da execução de atividade, responsabilidade, recursos e gestão de serviços ou projetos específicos da organização privada para a administração pública, buscando garantir maior controle, coordenação e monitoramento pelo governo. A publicização pode ocorrer por diferentes motivos. • Melhorar eficiência na prestação de serviço. • Reduzir custos. • Garantir acesso universal aos serviços públicos. • Melhorar a coordenação e a integração das ações governamentais. • Estratégia para reduzir influência ou autonomia das organizações sociais. 12 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 1.1 - Sistematização de indivíduos Fonte: Freepik. A publicização é um processo que envolve negociação, acordos e planejamento acurado, a fim de garantir a transferência de responsabilidade de forma eficaz e que os interesses das partes sejam considerados. Não é um ato unilateral, não representa uma “tomada” da atividade pelo poder público. A organização social não é afastada da atividade, continua a ter um papel importante na execução da atividade, contudo sob gerência e fiscalização da administração pública. Vê-se que a publicização segue o caminho contrário da privatização. Ambos os termos são relacionados à gestão de atividades ou serviços de interesse social, entretanto vão em direção opostas. A privatização envolve a transferência de propriedade, controle ou gestão de atividades ou serviços do setor público (governo) para o setor privado (empresas e organizações privadas). Recursos e responsabilidades de domínio do governo são transferidos para organizações privadas. Já a publicização envolve a transferência de atividade, gestão e/ou https://br.freepik.com/fotos-gratis/executivos-cumprimentando-cumprimentando-se_12192988.htm#query=empresas%20conectadas&position=1&from_view=search&track=country_rows_v1 13ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 responsabilidade do setor privado para o setor público (governo) ou organização da sociedade civil. Ambos têm forte impacto no acesso a serviços e na relação setor público e setor privado. Publicização também não se confunde com terceirização. A terceirização envolve contratação de terceiros para execução de atividade específica, podendo ser empresas privadas ou organizações da sociedade civil. Esse formato permite que as entidades forneçam os serviços e que o governo mantenha a supervisão e a responsabilidade geral sobre a execução da atividade. A Lei 9.637/98 define quais atividades podem ser publicizadas e quais atividades são exclusivas do Estados e, portanto, estão vedadas a organizações sociais. Processo de publicização 1. O órgão interessado elabora um estudo envolvendo análise de cenários, argumentos técnicos e argumentos legais que justifiquem a publicização. 2. A publicização é formalizada por portaria interministerial assinada pelo órgão proponente e pelo Ministério da Economia. 3. Seleção de entidade privada que atenda a requisitos e a necessidades do órgão. 4. Edital de chamamento. 5. Qualificação da entidade. 6. Celebração do contrato de gestão com definição de metas e indicadores de resultados da atividade. Dessa forma, a organização social ou OS corresponde, exatamente, ao que seu nome representa: uma sistematização 14 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 de indivíduos que tenham em comum ideias, princípios, posicionamentos, comportamentos, padrões e ações na sociedade. Para que um grupo de pessoas seja, de fato, considerado uma OS, é preciso que tenha um propósito bem definido, solidário e que ultrapasse interesses individuais. Uma OS representa um bem coletivo e de manutenção constante; não se caracteriza por ações ou intenções momentâneas. Por meio da OS, relacionam-se atividades produtivas, econômicas, políticas, comerciais, de serviços e religiosas da sociedade, estabelecendo hierarquias, regras, estruturas, práticas e comandos ao todo. Uma organização social é uma entidade sem fins lucrativos que busca promover atividades de cunho social, cultural, educacional, assistencial, recreativo, dentre outros fins. Os requisitos para a formação e o funcionamento de uma organização social pode variar conforme a legislação da região. Contudo, em relação aos requisitos gerais não há variações. a. Objetivos sociais definidos: a definição do objetivo é primordial para a organização social; seu propósito deve ser inequívoco, restando claros a atividade realizada e o impacto almejado. b. Estrutura organizacional: a estrutura define envolvidos, competências, hierarquia e funções, distinguindo, claramente, diretos, conselho administrativo ou diretivo e demais cargos necessários para a tomada de decisão e o funcionamento rotineiro da organização social. c. Elaboração do estatuto social: o estatuto é a lei interna da organização; estabelece regras, objetivos, 15ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 funcionamento interno, forma de gestão, direitos e responsabilidades de membros e associados e todas as demais informações relevantes para a organização. d. Registro: sendo uma organização formal, a OS precisa estar registrada nos órgãos competentes, como órgãos de registro civil, cartórios, secretarias de justiça e entidades reguladoras, conforme a legislação local. e. Definição de composição e atuação do conselho: toda OS deve ter um conselho administrativo definido desde sua formação, o qual, geralmente, é responsável por tomar decisões estratégicas e garantir a conformidade com os objetivos sociais. f. Definir as fontes de recursos: como a OS se manterá financeiramente e como angariará os recursos necessários para a realização das atividades são pontos fundamentais para seu funcionamento. Assim, é preciso que haja planejamento e que as fontes de recurso sejam identificadas. Podem ser variadas, incluindo doações, parcerias, captação de recursos e eventuais subsídios governamentais. g. Adotar processos e práticas de transparência financeira: a transparência é atribuição fundamental para as OS garantir que se alcancem os objetivos pretendidos. Por isso, devem adotar, em todas as fases, práticas que implementam e asseguram a transparência das rotinas, como criação de relatórios periódicos de prestação de contas e manutenção de registros contábeis precisos. h. Definir atividades e programas de objetivos sociais: desenvolver programas e atividades que estejam alinhados com os objetivos sociais da organização e 16 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 que tenham um impacto positivo na comunidade ou público-alvo. i. Definir critérios e alinhamento de responsabilidade social: demonstrar um compromisso efetivo com a responsabilidade social e práticas sustentáveis, mostrando como a organização pretende contribuir para o bem-estar da sociedade e das pessoas atendidas. j. Documentação: cumprir os requisitos legais e fiscais aplicáveis à organização, incluindo registros tributários, emissão de notas fiscais (se aplicável) e outras obrigações fiscais. Os requisitos específicos de cada atividade e setor podem variar de acordo com a legislação local e as regulamentações vigentes no momento da formação da OS e no local sede. Impacto das organizações sociais na administração pública As organizações sociais podem ter um impacto significativo na administração pública de várias maneiras. Aqui, estão alguns dos principais impactos que essas organizações podem ter. 1. Maior colaboração e parcerias: as organizações sociais podem e, muitas vezes, trabalham em parceria com o governo para atenderàs necessidades sociais e comunitárias. Isso pode levar a uma maior colaboração entre o setor público e o setor privado, permitindo que a administração pública alcance objetivos sociais de maneira mais eficaz. 2. Mais eficiência e inovação: as organizações sociais podem trazer inovação e novas abordagens para a administração pública. Sua flexibilidade e sua capacidade de adaptação, muitas vezes, permitem a implementação de programas 17ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 e projetos de maneira mais eficiente e eficaz do que seria possível apenas com recursos governamentais. 3. Alcance ampliado: as organizações sociais, muitas vezes, têm um alcance mais amplo em comunidades específicas ou em grupos de população que podem ser difíceis para a administração pública atingir diretamente. Isso pode ajudar a preencher lacunas no atendimento e a garantir que as necessidades de grupos marginalizados sejam atendidas. 4. Maior participação da comunidade e dos cidadãos: a presença de organizações sociais pode promover uma maior participação dos cidadãos, incluindo-os no processo de tomada de decisões e permitindo que tenham um papel ativo na resolução de problemas sociais. 5. Maior nível de controle e fiscalização: organizações sociais, muitas vezes, desempenham um papel importante na fiscalização e no monitoramento das atividades do governo. Podem identificar e ressaltar questões negligenciadas, denunciar abusos ou ineficiências e pressionar por mudanças políticas e administrativas. 6. Maior descentralização: a presença de organizações sociais pode levar a uma maior descentralização das atividades governamentais. Isso pode permitir uma abordagem mais localizada para a prestação de serviços e uma maior adaptação às necessidades específicas de diferentes comunidades. 7. Redução da carga financeira: as organizações sociais, frequentemente, recebem financiamento de fontes não governamentais, aliviando a carga financeira sobre o governo. Isso pode permitir à administração pública alocar recursos para outras áreas prioritárias. 18 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Para que a atuação em conjunto da OS e da administração pública possa maximizar seus resultados, é fundamental que haja comunicação efetiva e clara, transparência e alinhamento de objetivos. A Fundamentação Legal da Organização Social no Brasil A constituição e a operação das organizações sociais no Brasil têm fundamento na Lei n.º 9.637, de 15 de maio de 1998, que dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações sociais, a criação do Programa Nacional de Publicização, a extinção dos órgãos e entidades que menciona, a absorção de suas atividades por organizações sociais e outras providências: Uma organização não governamental (ONG) é organização social? Também é! Uma organização não governamental (ONG) caracteriza-se pelo seu caráter privado sem fins lucrativos, atuando em áreas sociais em que o poder público não se faz presente. Assim, com atos de manutenção, organização e assistência, também colabora para a organização social. A prestação de serviço via ONG se caracteriza pelo perfil de voluntariado. As ONGs são mais expressivas em setores como as políticas públicas, a luta em defesa ao meio ambiente, a questões diretamente conectadas à saúde e à educação, entre outros. 19ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.2 - Serviço voluntariado das ONGs Fonte: Freepik. A Organização das Nações Unidas (ONU), na década de 50, trouxe, para nosso contexto, a expressão “organização não governamental”, reconhecendo ações e atos civis sem vínculos com entidades governamentais, em prol da manutenção dos serviços básicos essenciais aos setores mais vulneráveis da sociedade: educação, saúde, assistência social e direitos humanos. As ONGs, geralmente, viram notícia por seus movimentos e denúncias de exclusão, alienação e omissão do poder público frente a esses serviços, agindo, também, como um meio fiscalizador dos serviços prestados pelo governo, quando têm uma postura séria e sem viés ideológico-partidário. Por tratar-se de instituições privadas sem fins lucrativos, as ONGs necessitam, constantemente, de apoio financeiro para executar seu propósito. Esse apoio vem, também, do governo, além de instituições privadas e pessoas físicas. Veja a Figura 3. https://br.freepik.com/fotos-gratis/diferentes-pessoas-fazendo-trabalho-voluntario-com-alimentos_15574035.htm#query=ONG&position=4&from_view=search&track=sph 20 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.3 - Conexões entre os setores Fonte: Elaborada pela autoria. Entendemos, então, que governo, instituições privadas e organizações sociais estão conectados em prol de um único bem: a manutenção social. Agências Executivas e Agências Reguladoras As agências executivas são setores do governo que gozam de autonomia de gestão. Devem, obrigatoriamente, obediência aos princípios da administração pública. Devem, também, seguir e respeitar as leis, mas suas ações, seus processos e suas decisões são menos “engessados” e mais livres da burocracia administrativa instituída aos sistemas de gestão da máquina pública. Um exemplo bem claro dessa flexibilidade é que as agências executivas não precisam de licitações para contratar serviços quando esses não ultrapassam o dobro do valor estipulado para a licitação. 21ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Para Souto (2000), a atuação das agências executivas é expressiva em setores de implementação de “políticas como tributária, previdenciária social básica, de segurança pública, de proteção ambiental e fiscalização. Elas poderiam também ‘colaborar’ com a formulação de políticas públicas, mas o seu papel principal seria o de execução”. A formação, a atuação e a regulação está pautada no artigo 37 da Constituição Federal. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I–o prazo de duração do contrato; II–os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III–a remuneração do pessoal. (BRASIL, 1988, on-line) O Decreto n.º 2.487, de 2 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre a qualificação de autarquias e fundações como agências executivas, estabelece critérios e procedimentos para elaboração, acompanhamento e avaliação dos contratos de gestão e dos planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional das entidades qualificadas. 22 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 ACESSE Para conhecer o Decreto 2487/1998 na íntegra, acesse o link a seguir. Disponível abaixo. As agências executivas e as agências reguladoras são tipos distintos de entidades governamentais. A agência executiva é uma entidade do governo responsável pela implementação e pela execução de políticas, programas e projetos específicos. Opera dentro da estrutura do poder executivo e é encarregada de realizar tarefas práticas, administrativas e operacionais para garantir a execução eficiente das políticas estabelecidas pelo governo ou pela legislação. As agências executivas, normalmente, têm autonomia administrativa e financeira para realizar suas atividades. Já as agências reguladoras são entidades independentes do governo que têm a responsabilidade de regular e fiscalizar um setor específico da economia ou da sociedade. O principal objetivo das agências reguladoras é assegurar que as atividades econômicas ou sociais sob sua jurisdição sejam conduzidas de acordo com padrões e regras estabelecidos, garantindo a proteção dos interesses públicos, a concorrência justa e a qualidade dos serviços. As agências reguladoras podem estabelecer normas, monitorar o cumprimento dasregulamentações, aplicar sanções e promover a transparência e a eficiência no setor regulado. As agências reguladoras são fundamentadas no artigo 37 da Constituição Federal. Configuram-se pela atividade de regulação da atuação do poder público na prestação de serviços https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d2487.htm 23ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 à sociedade. A atividade se concretiza por meio da agência de regulação, instituída para fiscalizar a prestação de serviços públicos das empresas. Controlam a qualidade dos serviços e estabelece regras para setores como petróleo, telefonia, energia elétrica, medicamentos, alimentos, planos de saúde e transporte de passageiros. O governo deve trabalhar de forma a planejar, disciplinar, fiscalizar e avaliar as atividades de prestação de serviços à sociedade. Para tanto, existem sistemas, meios, parceiros e órgão específicos. A Lei 13.848/2019, chamada de Lei Geral das Agências Reguladoras, estabelece normas gerais para a organização, o funcionamento e o controle social das agências reguladoras federais no Brasil. Busca promover transparência, eficiência e responsabilidade nas atividades desempenhadas por essas agências, que são responsáveis por regular diversos setores da economia e da sociedade. Sendo o governo aquele que comanda, não o que faz, é preciso que esses comandos retornem não só como serviços prestados, mas também como informação que balizará a efetividade e o aproveitamento da sociedade, assim como um direcionamento da real e atual necessidade da população. As empresas privadas atuam como apoio para o governo na oferta e na prestação de serviços. Dessa forma, é preciso que sejam acompanhadas e parametrizadas por um órgão, para que os serviços “terceirizados” do governo sejam cumpridos de acordo com o planejado. Oliveira (2014, p. 31) define a atividade de regulação como um “marco regulatório, referente ao conjunto de regras, orientações, medidas de controle e de valoração que permitem exercer controle social sobre os serviços públicos”. 24 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.4 - Fluxograma das obrigações observadas na prestação de serviço a entidades públicas por entidades privadas Fonte: Elaborada pela autoria. Mesmo sendo instituição privada, deve observar, seguir e respeitar às condições instituídas pelo sistema e pelo processo da administração pública. EXEMPLO: São vários os exemplos de agências Reguladoras. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA): Lei n.º 9.782 /99. Disponível aqui. Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL): Lei n.º 9.427/96. Disponível aqui. Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL): Lei n.º 9.472/97. Disponível aqui. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): Lei n.º 9.478/97. Disponível aqui. https://www.gov.br/anvisa https://www.gov.br/aneel/pt-br/ https://www.gov.br/anatel/pt-br http://www.anp.gov.br. 25ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 RESUMINDO Você percebeu que, mesmo sendo a máquina pública responsável pela manutenção da sociedade, não consegue fazer isso sozinha? Assim, tanto a prestação de serviços quanto a fiscalização dessa prestação precisa ser dividida com a sociedade. Essa “divisão” gera novos agentes, que, desconectados da condição de agente público, precisam, também, recorrer à máquina pública realizar seu trabalho. As organizações sociais têm papel fundamental para que o governo possa alcançar objetivos de interesse público. Representam uma transferência de publicização, isto é, a transferência do setor privado para o público da realização de atividade específica de interesse público. A publicização vai no caminho contrário da privatização, em que que a execução da atividade sai do setor público para o privado. Publicização e privatização não se confundem com terceirização, que é a contratação de terceiros para realizar uma atividade. Os impactos da atuação das organizações sociais são significativos para que o Estado possa alcançar seus objetivos sociais. 26 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Normas Gerais sobre Licitações e Contratos Administrativos OBJETIVO Você vai explorar as formas possíveis de prestar serviços à sociedade via administração púbica. Nesta fase do nosso aprendizado, falaremos sobre licitação e contratos administrativos. Entenderemos o conceito e as regras de ambos, assim como suas formas mais comuns de serem exercidos. Licitação Licitação é um procedimento administrativo pelo qual a administração pública direta ou indireta busca as propostas mais vantajosas para atender às suas necessidades conforme critérios claros e objetivos. É realizada a fim de selecionar a proposta mais vantajosa entre as apresentadas por aqueles que desejam ser contratados pela administração pública. O processo licitatório visa a prevenir prejuízo ao poder público e contratações contra o interesse público, evitando contratações som sobrepreço e com preços manifestamente inexequíveis. Esse processo baseia-se na Lei n.º 14.133, de 1º de abril de 2021, que regulamenta o artigo 37 (inciso XXI), da Constituição Federal e institui normas para licitações e contratos da administração pública, entre outras providências: XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as 27ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. (BRASIL, 1988, on-line) Como regra geral, o dever de licitar, segundo as normas da Lei 14.133/21, é obrigatório para toda a administração pública direta, suas autarquias e suas fundações em todos os níveis da Federação (União, estados, Distrito Federal e municípios), incluindo os poderes Judiciário e Legislativo quando estiverem realizando funções administrativas, assim como os fundos e as entidades controladas pela administração pública. IMPORTANTE As empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias deverão seguir as regras estabelecida na Lei 13.303/16, salvo quanto às disposições penais, aos critérios de desempate e ao pregão. São objetos de licitação alienação e concessão do direito real de uso de bens; compra, inclusive por encomenda; locação, concessão e permissão de uso de bens públicos; prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados; obras e serviços de arquitetura e engenharia; e contratações de tecnologia da informação e de comunicação (BRASIL, 2021). 28 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.5 Fonte: Freepik. Esse tema passou por forte transformações com a promulgação da lei 14.133/2021, que vem substituir a lei 8.666/90, visando a atender, de forma mais precisa e eficiente, as necessidades da administração pública e da sociedade, assim como aos mais modernos padrões de governança administrativa e ao princípio da eficiência. Buscando garantir a segurança jurídica na transição da lei anterior (8.666/1990) para a atualizada (14.133/2021), uma vez que já havia processos licitatórios em andamento, o legislador definiu um período de transição para a implementação e a efetiva adoção exclusiva da lei atualizada. Os processos licitatórios já iniciados e os contratos firmado durante a vigência da lei 8.666/1990 devem continuar regidos pela lei revogada (artigo 190 da Lei 14.133/2021) até o prazo estabelecido de dois anos de sua vigência. Portanto, o https://br.freepik.com/fotos-gratis/setas-dardos-no-conceito-de-negocio-de-centro-de-destino_3976102.htm#page=2&query=objetivos&position=43&from_view=search&track=sph">Imagem%20de%20jcomp 29ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 prazo se encerrouem abril de 2023 (a lei entrou em vigência em 2021). Durante o prazo de transição, a administração pública poderá optar por licitar ou contratar de acordo com a Lei 14.1333/21 ou com a Lei 8.666/90. A legislação escolhida deverá ser indicada no edital ou contrato. É importante ressaltar que é vetada a aplicação combinada das duas leis. O contrato será regido pela lei escolhida. Após transcorrido o prazo estabelecido para adequação à nova lei de licitações, atendendo a pedidos de prefeituras e estados, o governo federal, por meio de medida provisória, prorrogou o prazo de transição até o fim de 2023, sendo a efetiva alteração postergada para 2024. Essa prorrogação alonga o tempo de convivência das Leis 14.133/2021 e 8666/1990. Não inviabiliza a aplicação da lei 14.133/2021 pelos entes públicos, mas apenas estende o tempo de convivência das leis. Pode, assim, o ente público escolher qual regime legal aplicar na situação concreta. SAIBA MAIS A MP 1.167/2023 alterou para o fim de 2023 o período de transição das leis de licitação. Para saber mais, acesse o link a seguir. Disponível abaixo. O objetivo da nova lei é desburocratizar os processos licitatórios e as contratações públicas, tornando-os mais ágeis, eficientes e econômicos; e promovendo uma competição justa https://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/156662 30 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 e uma maior acessibilidade às oportunidades por um número maior de empresas. O artigo 11 da lei 14.133/2021 define os objetivos do processo licitatório. a. Garantir a todos as mesmas oportunidades. b. Evitar contratações com preços acima dos do mercado ou inexequíveis. c. Promover inovações. d. Promover o desenvolvimento nacional sustentável. O artigo 22 da Constituição Federal de 1988 traz, expressamente, a previsão de competência da União para legislar sobre licitação e contratação com a administração pública em qualquer esfera de governo. Princípios da Licitação A Lei 14.133/21, em seu artigo 5º, expressa um rol de princípios com que o procedimento licitatório deverá estar em conformidade: legalidade, impessoalidade, moralidade, igualdade, publicidade, eficiência (princípios da administração pública), transparência, motivação, economicidade, interesse público, probidade administrativa, eficácia, razoabilidade, proporcionalidade, segregação de funções, vinculação ao edital, julgamento objetivo, segurança jurídica, celeridade, competitividade, planejamento e desenvolvimento nacional sustentável. Princípio da legalidade De acordo com Scatolino e Trindade (2012), o princípio da legalidade é aplicável a todo o Direito Administrativo, prevendo 31ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 que o agente só pode fazer aquilo que a lei autoriza, pois sua função é cumprir a lei. Dessa forma, o agente público que atua no ramo das licitações está ligado aos limites definidos em lei, e toda a sua atividade deve ser pautada em lei. Princípio da publicidade Todos os atos devem ser públicos, desde os avisos de sua abertura até o conhecimento do edital, o exame da documentação e das propostas pelos interessados e o fornecimento de certidões (BRANCHIER; TESOLIN, 2006). Contudo, existem casos em que a publicidade deverá ser mitigada, como determina o artigo 13 da Lei 14.133/21. Os atos praticados no processo licitatório são públicos, ressalvadas as hipóteses de informações cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, na forma da lei. Parágrafo único. A publicidade será diferida: I – quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva abertura; II – quanto ao orçamento da Administração, nos termos do art. 24 desta Lei. (BRASIL, 2021, on-line) Princípio da igualdade Não pode haver discriminação entre os participantes da licitação, seja por meio de cláusulas que favoreçam uns em prejuízo dos outros ou pela escolha da proposta por convite (BRANCHIER; TESOLIN, 2006). No entanto, esse princípio comporta exceções, como no caso da margem de preferência. Art. 26. No processo de licitação, poderá ser estabelecida margem de preferência para: 32 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 I – bens manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras; II – bens reciclados, recicláveis ou biodegradáveis, conforme regulamento. (BRASIL, 2021, on-line) Esse princípio é conceituado por muitos autores como associado ao da impessoalidade e ao da competitividade. Princípio da impessoalidade e do interesse público A atuação da administração deverá estar pautada no atendimento do interesse público, e não nos interesses dos agentes que conduzirão o processo licitatório e de qualquer outro interessado que não seja o público. Assim, a administração não pode levar em conta as condições pessoais dos licitantes, pois suas decisões devem estar pautadas em critérios objetivos. Princípio da vinculação ao edital É o princípio básico de toda licitação. O edital é a lei interna da licitação. Sua inobservância acarreta nulidade do procedimento (BRANCHIER; TESOLIN, 2006). Princípio do julgamento objetivo O julgamento das propostas deve ser baseado no critério indicado no edital e nos termos específicos das propostas. Portanto, deve se apoiar em fatos pedidos pela administração (BRANCHIER; TESOLIN, 2006). Princípio da probidade administrativa e moralidade O administrador público deve se comportar de forma lícita, de acordo com a moral e os bons costumes, sob pena de cometer atos de improbidade administrativa. Os atos de improbidade administrativa são aqueles que causam lesão 33ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 ao erário, ensejando perda patrimonial, desvio, apropriação e dilapidação dos bens das entidades públicas. Também podem frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente. A pena para o administrador que pratique atos de improbidade envolve ressarcimento do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ao patrimônio ilicitamente, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos de 5 a 8 anos (BRANCHIER; TESOLIN, 2006). Princípio da competitividade Mello (2009) destaca que a competitividade é da mesma essência do procedimento, sendo um dos princípios norteadores das licitações públicas. Logo, durante o processo licitatório, não devem existir restrições indevidas, bem como deve ser incentivada a competitividade entre os licitantes em busca do interesse público. Imagem 3.5 Fonte: Freepik. https://www.freepik.com/free-vector/businessmen-set-their-business-goals-help-them-reach-top-market-beat-their-competitors-1st-place_33906673.htm#page=3&query=competitividade%20das%20empresas&position=22&from_view=search&track=ais 34 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Alexandrino e Paulo (2012) complementam afirmando que somente o procedimento em que exista efetiva competição entre os participantes, impedindo manipulações de preços, terá capacidade de garantir a administração e a obtenção da proposta mais vantajosa para a consecução de seus fins. Princípio da transparência O princípio da transparência não se confunde com o da publicidade: não basta apenas que as informações sejam divulgadas, também devem ter o seu conteúdo disponibilizado de forma clara, para que possam ser compreendidas facilmente, possibilitando, assim, que a população acompanhe a atuação pública. Princípio de eficiência, eficácia e economicidade A eficiência se refere à relação entre os custos e os produtos e utilização dos recursos de forma racional. Segundo Di Pietro (2020), esse princípio pode ser visto como um modo de organizar, estruturar e disciplinar a administração pública com o objetivo de obter melhores resultados na prestação do serviço público. A economicidade se refere à aplicação da relação custo- benefício, devendo buscar a minimização dos custos sem comprometer a qualidade. Já a eficácia trata-se do cumprimento dos objetivos, buscando alcançar os resultadosesperados. 35ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 SAIBA MAIS Para saber mais sobre o princípio da eficiência, leia o artigo “Legalidade e eficiência nas licitações: possíveis controvérsias”. Disponível abaixo. Princípio da motivação De acordo com Scatolino e Trindade (2016). a motivação é a indicação de fatos e fundamentos jurídicos que causaram a prática do ato administrativo. Apresenta-se como a justificação do ato cometido, tratando-se da explicação da conduta administrativa com a apresentação da sua justificativa. Princípio do planejamento Deve existir um planejamento em todas as contratações, independentemente do nível. Essa é uma das características da fase preparatória, na qual deve existir a compatibilização com o plano anual de contratações e com as leis orçamentárias. Princípio da segregação de funções É definido pela Lei 14.133/2021, de acordo com a qual um mesmo agente público não deve atuar, de forma simultânea, em funções mais propensas a riscos, com a finalidade de diminuir a possibilidade de ocultação de erros e de fraudes na respectiva contratação. https://www.conjur.com.br/2022-jul-22/licitacoes-contratos-legalidade-eficiencia-licitacoes-possiveis-controversias#:~:text=O%20princípio%20da%20eficiência%20no,tecnocrática%20(perdão%20à%20proposital%20redundância) https://www.conjur.com.br/2022-jul-22/licitacoes-contratos-legalidade-eficiencia-licitacoes-possiveis-controversias#:~:text=O%20princ%C3%ADpio%20da%20efici%C3%AAncia%20no,tecnocr%C3%A1tica%20(perd%C3%A3o%20%C3%A0%20proposital%20redund%C3%A2ncia) 36 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Princípio da segurança jurídica Tem, como finalidade, dar mais estabilidade às situações jurídicas e garantir a aplicação justa da lei. Apresenta muita relação com a ideia de respeito à boa-fé, pois, caso a administração adote determinada interpretação como correta e a aplique em casos concretos, não pode, depois, anular atos anteriores sob o pretexto de que foram realizados com base em uma interpretação errada (DI PIETRO, 2020). Princípio da razoabilidade e da proporcionalidade O princípio da razoabilidade, segundo Alexandrino e Paulo (2012), é conexo à adequação e à necessidade do ato ou da atuação da administração pública. Portanto, não satisfaz que o ato tenha uma finalidade legítima; é preciso, ainda, que os meios empregados pela administração sejam adequados à consecução do fim almejado e que sua utilização seja necessária, principalmente quando se trate de medidas restritivas ou punitivas. Já o princípio da proporcionalidade é conhecido como o “princípio da proibição dos excessos”. Impossibilita que a administração limite os direitos do particular além do que seria necessário, pois ditar medidas com intensidade ou extensão excessiva influencia a ilegalidade do ato por abuso de poder, conforme explicam Alexandrino e Paulo (2012). Princípio da celeridade Os atos da licitação devem ser realizados dentro de um prazo razoável, devendo buscar o cumprimento dos prazos estabelecidos, sem atrasos injustificados. A demora excessiva pode trazer prejuízos para as partes envolvidas, especialmente para a administração pública. 37ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Princípio do desenvolvimento nacional Está voltado, principalmente, para aspectos ambientais. Assim, inclui todos os aspectos que envolvem uma licitação, como questões de ordem econômica e de desenvolvimento regional. Deve buscar o fortalecimento de cadeias produtivas de bens e serviços domésticos e o desenvolvimento econômico com o objetivo de instituir incentivos à pesquisa e à inovação. Apresenta- se como de grande importância em prol do considerável impacto que as compras governamentais têm na economia (SCATOLINO; TRINDADE, 2016). Obrigatoriedade, dispensa, inexigibilidade da licitação e princípios da licitação A Constituição Federal, em seu artigo 37 (inciso XXI) destaca que “ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação que assegure a igualdade de condições a todos os concorrentes” (BRASIL, 1988, on-line). Quando menciona “ressalvados os casos especificados na legislação”, o documento permite que, em determinadas situações, não seja obrigatório o procedimento licitatório. Esses são os casos de contratação direta. As hipóteses de contratação direta estão descritas na Lei 14.133/21, podendo se dar por meio da inexigibilidade e da dispensa de licitação. Os casos de dispensa compõem a licitação dispensada e a licitação dispensável. Na licitação dispensada, temos situações em que a lei estabelece a contratação direta, não sendo possível o procedimento licitatório. Na licitação dispensável, a administração pode optar por fazer ou não o procedimento licitatório, por se tratar de uma atuação discricionária. As hipóteses estão descritas no artigo 75, um rol exaustivo, como “casos de guerra, estado de defesa, estado de 38 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 sítio, intervenção federal ou de grave perturbação da ordem” (BRASIL, 2021, on-line). EXPLICANDO MELHOR A principal diferença entre um rol exaustivo e um rol exemplificativo está na intenção de inclusão ou exclusão. Um rol exemplificativo permite a inclusão de itens não listados, desde que sejam semelhantes aos exemplos fornecidos. Um rol exaustivo, por outro lado, abrange apenas os itens listados explicitamente, excluindo tudo o que não está na lista. A inexigibilidade ocorre quando há impossibilidade jurídica de competição entre contratantes, porque só existe um objeto ou uma pessoa que atenda às necessidades da administração, tornando-se, portanto, inviável (BRANCHIER; TESOLIN, 2006). A lei traz alguns exemplos no artigo 74: “aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de serviços que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos” (BRASIL, 2021, on-line). Imagem 3.7 Fonte: Freepik. https://www.freepik.com/free-vector/legal-statement-court-notice-judge-decision-judicial-system-lawyer-attorney-studying-papers-cartoon-character_11667035.htm#query=licitação&position=9&from_view=search&track=ais 39ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Modalidades de licitação As modalidades de licitação estão elencadas na Lei 14.133/21 (artigo 28) e são definidas pela natureza do objeto: o pregão, a concorrência, o concurso, o leilão e o diálogo competitivo. A lei citada ainda determina que é proibido criar modalidades e fazer combinações entre essas. Já os critérios de julgamento são utilizados para avaliar as propostas e podem ser o maior lance, o maior retorno econômico, o menor preço, o maior desconto, a técnica e o preço, a melhor técnica ou o conteúdo artístico (BRASIL, 2021, on-line). São modalidades do processo de licitação as seguintes. 1. Concorrência Segundo a Lei 14.133/21, a concorrência é a modalidade de licitação empregada para contratação de • Bens e serviços especiais. • Obras. • Serviços comuns e especiais de engenharia. Podem ser utilizados na concorrência todos os critérios de julgamento definidos no edital - menor preço, melhor técnica, maior retorno econômico ou maior desconto -, exceto o maior lance. 2. Diálogo competitivo A lei 14.133/21 define o diálogo competitivo como a modalidade de licitação para a contratação de obras, compras e serviços em que a administração pública efetua diálogos com os licitantes selecionados por meio de critérios objetivos, com a finalidade de apresentar uma ou mais alternativas que possam 40 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 atender às suas necessidades. Para isso, deve ser indicada pelos licitantes uma proposta final após o encerramento dos diálogos. 1. Concurso Será utilizado para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, sendo atribuído ao vencedor um prêmio ou uma remuneração. Terá, como critério de julgamento, a melhor técnica ou conteúdo artístico(BRASIL, 2021). 1. Leilão É utilizado para alienação de bens imóveis ou de bens móveis inservíveis ou apreendidos legalmente. O critério de julgamento será o maior lance (BRASIL, 2021). 1. Pregão É a modalidade de licitação que deverá ser utilizada, obrigatoriamente, para a aquisição de bens e serviços comuns. Poderão ser utilizados, como critérios de julgamento, o menor preço e o maior desconto (BRASIL, 2021). Pode ser realizado na modalidade eletrônica e na presencial, mas, preferencialmente, na eletrônica. Imagem 3.8 Fonte: Freepik. https://br.freepik.com/vetores-gratis/leilao-de-computador-on-line_5974454.htm#query=licitação&position=5&from_view=search&track=sph">Imagem%20de%20macrovector 41ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 SAIBA MAIS Os crimes em licitações e contratos administrativos estão incluídos no Código Penal, no Capítulo II-B, do artigo 337-E até o artigo 337-P. Disponível abaixo. Contrato administrativo Um contrato administrativo é um acordo jurídico formal estabelecido entre a administração pública, representada por um órgão ou entidade governamental, e um particular (pessoa física ou jurídica) para realização de obras, prestação de serviços, aquisição de bens ou outras atividades relacionadas ao interesse público. Esse tipo de contrato é regido por normas específicas estabelecidas pelo Direito Administrativo e tem características que o distinguem dos contratos celebrados entre particulares. Características de um contrato administrativo • Finalidade pública: o contrato administrativo tem, como objetivo principal, atender às necessidades e aos interesses públicos, visando ao bem-estar da sociedade como um todo. • Desigualdade jurídica: existe uma relação de desigualdade jurídica entre as partes contratantes, de modo que a administração pública tem prerrogativas e poderes especiais para fiscalizar e gerenciar o contrato, visando ao interesse público. A posição da administração pública é de supremacia. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm 42 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Regime jurídico especial: é regido por normas específicas do Direito Público, que estabelecem procedimentos, prazos e requisitos próprios para formação, execução e eventual rescisão. • Princípios da administração pública: os princípios que regem a administração pública, como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, também se aplicam aos contratos administrativos. • Cláusulas exorbitantes: são cláusulas presentes nos contratos administrativos que conferem à administração pública certos poderes extraordinários, como a possibilidade de alterar o contrato unilateralmente e rescindi-lo em caso de interesse público, entre outros. • Controle e fiscalização: a administração pública exerce um papel de controle e fiscalização mais amplo sobre a execução do contrato, a fim de garantir o cumprimento das obrigações estabelecidas e a qualidade dos serviços ou produtos fornecidos. • Prerrogativas de cobrança e sanções: a administração pública pode impor sanções e cobrar multas em caso de descumprimento contratual por parte do particular. • Equilíbrio econômico-financeiro: os contratos administrativos podem prever mecanismos para manter o equilíbrio entre as partes em caso de eventos imprevistos que impactem a execução do contrato, como reajustes de preços em função de variações de custos. • Os contratos administrativos são instrumentos fundamentais para a consecução de políticas públicas e para a viabilização de obras e serviços essenciais à sociedade, garantindo que os interesses do Estado e da 43ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 população sejam protegidos e atendidos devidamente. Celebram um acordo com a participação predominante do poder público e com a finalidade de atender a interesses da sociedade. Tendo em vista seu propósito, faz-se relevante destacar que existem situações especiais. Licitação prévia: em regra, o contrato administrativo é, obrigatoriamente, precedido de licitação, sob pena de nulidade. A duração dos contratos regidos pela Lei 14.133/21 deverá constar no edital, assim como deverão ser observadas, no ato da contratação e a cada exercício financeiro, a disponibilidade de créditos orçamentários; e a previsão no plano plurianual (caso ultrapasse um exercício financeiro). Existe, ainda, a possibilidade de que o contrato tenha um prazo indeterminado, na hipótese de ser usuário de serviço público disponibilizado em regime de monopólio. Para isso, deverá ser realizada a comprovação de existência de créditos orçamentários a cada exercício financeiro (BRASIL, 2021). Poderá haver a prorrogação, de forma sucessiva, dos contratos de serviços e fornecimentos contínuos, desde que respeitada a vigência máxima de 10 anos e que exista a previsão em edital. A autoridade competente deve atestar que as condições e os preços continuam vantajosos para a administração, sendo aceita a negociação com o contratado ou a extinção contratual sem ônus para qualquer uma das partes (BRASIL, 2021). A administração pública tem prerrogativas em seus contratos que a colocam em uma situação de superioridade em relação ao particular contratado. São as chamadas cláusulas exorbitantes, que, de acordo com a Lei 14.133/21, são as seguintes. 44 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 • Modificação unilateral. • Extinção unilateral. • Fiscalização. • Aplicação de sanções. • Ocupação provisória em casos necessidade de apuração administrativa e de risco à prestação de serviços essenciais. IMPORTANTE Existem situações em que pode haver a extinção do contrato, sendo elencadas na Lei 14.133/21, no artigo 137. A extinção pode partir do contratado ou da própria administração. Dependendo da situação em que ocorrer a extinção, caberão o recebimento de direitos e o ressarcimento de prejuízos. Dividem-se em categorias e subcategorias. Contratos de colaboração Esse tipo de contrato pode ser firmado para prestação de obra pública, serviços e fornecimento. a. CONTRATOS DE OBRA PÚBLICA: voltados para ações de engenharia civil, como construção, reforma e ampliação de objeto público. A remuneração para quitação do contrato é feita por empreitada (preço unitário, global ou integral) ou por tarefa (o valor é devido na proporção em que se realiza a obra). b. CONTRATO DE SERVIÇO: contratado pela Administração, tem, como objetivo, basear a prestação de uma atividade ou serviço de execução comum ou técnica. 45ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 c. CONTRATO DE FORNECIMENTO: destinado a validar processos de aquisição de bens móveis pela administração. Contratos de concessão Dividem-se em categorias e subcategorias. CONCESSÃO DE OBRA PÚBLICA: é o documento que valida a administração pública a transferir a execução de uma obra pública, a fim de que seja executada por conta e risco do contratado. Aquele que toma para si a tarefa de execução não receberá, diretamente, pelo serviço, e, sim, pelo direito de explorar o objeto que transforma, como é o caso de rodovias pedagiadas. Não se recebe para construir ou fazer a manutenção das estradas, mas se recebe, por um tempo determinado, o valor do pedágio cobrado dos usuários. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO: é o documento que valida a administração pública a transferir a prestação de serviço, a fim de que um ente o preste em seu nome, por sua conta e risco. Aquele que toma para si a tarefa de execução não receberá, diretamente, pelo serviço, e, sim, pelo direito de explorar o objeto que transforma, mediante remuneração paga pelo usuário, como é o caso de serviços de telecomunicações. CONTRATO DE GERENCIAMENTO: é o documento que valida a administração pública a transferir a condução de um empreendimento, conservando, porém, a capacidade decisória, como é o caso da Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional. 46 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 RESUMINDO Neste capítulo,você estudou o que vêm a ser licitação, suas modalidades e seus princípios, que são os princípios da legalidade; da publicidade; da igualdade; da impessoalidade e do interesse público; da vinculação ao edital; do julgamento; da probidade administrativa e da moralidade; da competitividade; da transparência; da eficiência, da eficácia e da economicidade; da motivação; do planejamento; da segregação de funções; da segurança jurídica; da razoabilidade e da proporcionalidade; da celeridade; e do desenvolvimento nacional. Estudou, também, a dispensa de licitação e sua inexigibilidade. 47ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Administração Pública e a Economia OBJETIVO Neste capítulo, você verá que estamos conectados, direta ou indiretamente, a várias organizações, tanto na esferas pública quanto na privada, que nos proporcionam produtos e/ou serviços. Para tanto, essas organizações necessitam de máquinas, infraestrutura, pessoas e variações da economia, que interferem e influenciam o sucesso de suas relações. Esses processos se relacionam por meio de uma hierarquia de funções que deve ser respeitadas, mantendo o foco no bem-estar social, sem ferir normas e leis de responsabilidade financeira com a gestão. A preocupação com a lisura na prestação de contas é um traço que parece caracterizar a gestão pública brasileira contemporânea: a adoção de conceitos, discursos e práticas gerenciais e financeiras típicas do mundo corporativo, além da preocupação com criatividade, postura empreendedora, inovação gerencial, gestão por resultados, contratos de gestão e gestão por competências. Esses são alguns termos e expressões que aderem ao vocabulário cotidiano das diversas instâncias da gestão pública nacional, tendo, como focos, o resultado e a saúde financeira. Entendendo a Economia A economia é um campo de estudo fundamental que se concentra na análise e na compreensão de como os recursos escassos podem ser utilizados, de maneira eficaz, para atender às demandas sempre crescentes das sociedades humanas. Essa disciplina abrange uma ampla gama de tópicos, desde a 48 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 produção e a distribuição de bens e serviços até a tomada de decisões financeiras e o funcionamento dos mercados. No cerne da economia, está o desafio de lidar com recursos limitados diante das necessidades humanas infinitas. À medida que indivíduos, empresas e governos procuram satisfazer suas aspirações e seus requisitos, a economia explora maneiras de alocar os recursos eficientemente, como mão de obra, capital e terra, de modo a otimizar o bem-estar e a prosperidade. A pirâmide de necessidades de Maslow, frequentemente lembrada ao discutir as necessidades humanas, oferece um modelo útil para entender as diferentes prioridades que as pessoas têm ao longo da vida. À medida que progredimos na pirâmide, desde necessidades fisiológicas básicas até necessidades de autorrealização, percebemos que a economia desempenha um papel vital em fornecer as condições e os meios para que essas necessidades sejam satisfeitas. Imagem 3.9 - Pirâmide de Maslow: hierarquia das necessidades Fonte: Wikimedia Commons. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pirâmide_de_Maslow.png 49ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 No entanto, a economia é muito mais do que apenas um mecanismo de distribuição de recursos. Também investiga as dinâmicas dos mercados, os impactos das políticas governamentais, as tendências econômicas globais e a interação entre agentes econômicos. Além disso, a economia é influenciada por fatores psicológicos, sociais e culturais que moldam as escolhas e os comportamentos econômicos. Ao longo dos séculos, a economia evoluiu na forma de diferentes teorias e escolas de pensamento, cada uma com abordagem única para entender e melhorar o funcionamento da economia. Isso resultou em uma disciplina rica e diversificada que busca, continuamente, explorar maneiras de maximizar a eficiência, a equidade e a prosperidade dentro dos sistemas econômicos. A economia é considerada uma ciência social, pois estuda o homem em sociedade, principalmente quando atua na atividade produtiva. Um problema econômico fundamental é a escassez de recursos físicos, como energia, máquinas, ferramentas etc. Outro é a escassez de trabalho humano, principalmente de mão de obra qualificada, frente à necessidade humana ilimitada. SAIBA MAIS Para se aprofundar na influência da economia na atuação da administração pública, leia o artigo “Economia e administração possuem relação?”. Disponível abaixo. https://hs.toledoprudente.edu.br/blog-de-administracao/economia-e-administracao-possuem-relacao#:~:text=A%20Economia%20possibilita%20que%20o,necess%C3%A1ria%20para%20alcan%C3%A7ar%20melhores%20resultados 50 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 O sistema econômico capitalista é um dos sistemas mais prevalentes em todo o mundo e desempenha um papel significativo na organização das atividades econômicas. É caracterizado pela propriedade privada dos recursos de produção e pela alocação de bens e serviços com base na demanda e na oferta do mercado. O sistema capitalista é orientado pelo princípio da busca pelo lucro e pela competição entre empresas. A relação entre o sistema capitalista e a administração pública é complexa e, frequentemente, influenciada por fatores políticos, econômicos e sociais. Enquanto o sistema capitalista se concentra na propriedade privada, na busca pelo lucro e na livre competição no mercado, a administração pública lida com o gerenciamento de interesses públicos, serviços governamentais e regulação. Os aspectos da relação entre o sistema capitalista e a administração pública incluem os seguintes. • Regulação econômica: a administração pública, muitas vezes, desempenha um papel na regulamentação das atividades econômicas no sistema capitalista. Isso pode envolver a implementação de políticas de concorrência justa, proteção ao consumidor, preservação ambiental e segurança no trabalho. • Proteção social: a administração pública pode estabelecer programas de proteção social para lidar com as desigualdades inerentes ao sistema capitalista. Isso pode incluir políticas de assistência social, saúde pública, educação acessível e previdência social. • Infraestrutura e serviços públicos: a administração pública é responsável pela provisão de serviços públicos essenciais, como transporte, saneamento, energia e segurança. Esses serviços podem ser cruciais 51ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 para garantir o funcionamento eficiente da economia capitalista. • Política tributária: a administração pública utiliza a política tributária para arrecadar recursos financeiros para financiar serviços e projetos públicos. A forma como os impostos são estruturados e aplicados pode influenciar a distribuição de renda e a alocação de recursos na economia. • Planejamento urbano e desenvolvimento: a administração pública desempenha um papel importante no planejamento urbano e no desenvolvimento econômico. Pode estabelecer regulamentos de zoneamento, diretrizes de construção e incentivos para promover o crescimento econômico sustentável. • Parcerias público-privadas: em muitos casos, a administração pública colabora com o setor privado por meio de parcerias público-privadas (PPPs). Essas parcerias visam a utilizar os recursos e a experiência do setor privado para fornecer serviços e infraestrutura públicos de maneira eficiente. • Políticas de emprego: a administração pública pode adotar políticas que influenciam o mercado de trabalho, como regulamentações de direitos trabalhistas e programas de treinamento para aumentar a empregabilidade. • Gestão da dívida pública: a administração pública é responsável pelo gerenciamento da dívida pública, que pode ter impacto na estabilidade econômica e nos gastos governamentais. 52 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 A relação entre o sistema capitalistae a administração pública é um campo complexo e em constante evolução, com diferentes abordagens e modelos em todo o mundo. Encontrar um equilíbrio entre os princípios do sistema capitalista e os objetivos de bem-estar social, justiça econômica e estabilidade requer abordagem cuidadosa e consideração das necessidades e dos valores da sociedade. O sistema econômico capitalista é formado por três agentes principais. a. UNIDADES FAMILIARES –consumidoras de bens e serviços. b. FIRMAS OU EMPRESAS –produtoras de bens ou serviços, combinando recursos e gerando renda. c. GOVERNO - sua intervenção possibilita minimizar falhas de mercado e redução da instabilidade por meio da gestão da política econômica. Existem circunstâncias em que o governo pode intervir melhorando os resultados do mercado. Uma das formas de intervenção do governo é a utilização de instrumentos que, por meio da política econômica governamental, estabilizam a economia. Esses instrumentos podem ser de ordem fiscal, nos casos de aumentos/redução de tributos e, até mesmo, de aumento ou redução dos gastos governamentais. A intervenção também pode ser de natureza monetária, por meio do aumento ou da redução do crédito e da taxa de juros. Com isso, o governo pode conciliar a eficiência produtiva das economias capitalistas com melhor distribuição de renda e justiça social, como, também, com a redução das instabilidades da produção e do emprego. 53ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Imagem 3.10 - Sistema capitalista Fonte: Freepik. SAIBA MAIS Em casos nos quais não existe a figura do mercado, temos o sistema socialista, um sistema econômico em que o Estado define o que, quanto e para quem produzir em função das necessidades da população. Além disso, a propriedade dos meios de produção é do Estado. Intervenção do Governo no Mercado A intervenção do governo no mercado se refere às ações e às políticas adotadas pelo governo para influenciar ou regular as atividades econômicas. Essas intervenções são implementadas com o objetivo de atingir metas econômicas, sociais ou políticas específicas e podem variar em escopo e intensidade, dependendo do sistema econômico, das circunstâncias e das preferências políticas. https://www.freepik.com/free-photo/high-angle-coins-banknotes-arrangement_11621106.htm#query=sistema%20capitalista&position=21&from_view=search&track=ais 54 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 Existem várias formas de intervenção do governo no mercado, incluindo as seguintes. Regulação: o governo estabelece regras, normas e regulamentos para governar a conduta de empresas, indústrias e mercados. Isso visa a garantir a concorrência justa, a proteger os direitos do consumidor, a preservar o meio ambiente e a prevenir abusos de poder econômico. Política monetária: os governos podem ajustar a oferta de dinheiro e as taxas de juros para influenciar a atividade econômica. Aumentar ou diminuir as taxas de juros, por exemplo, afeta os níveis de empréstimo, investimento e gastos dos consumidores. Política fiscal: o governo usa a política fiscal para influenciar a economia por meio de mudanças nos níveis de gastos públicos e impostos. Aumentar os gastos públicos pode estimular a demanda agregada, enquanto reduzir os impostos pode liberar mais dinheiro para consumidores e empresas. Subsídios e incentivos: o governo pode fornecer subsídios, incentivos fiscais e outros tipos de apoio financeiro para setores específicos da economia, a fim de promover o crescimento, a inovação e os objetivos sociais. Controle de preços: em algumas situações, o governo pode intervir para fixar preços máximos ou mínimos para determinados produtos ou serviços, visando a proteger os consumidores ou a garantir um retorno justo aos produtores. Bens públicos e serviços: o governo, muitas vezes, fornece bens e serviços que são considerados essenciais para a sociedade, mas que o mercado pode não fornecer 55ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 adequadamente. Isso inclui infraestrutura, saúde pública, educação e segurança. Políticas de redistribuição de renda: o governo pode implementar políticas que visam a reduzir desigualdades econômicas por meio de tributação progressiva, programas de assistência social e outras medidas. A intervenção do governo no mercado é um tópico debatido amplamente e pode gerar controvérsias. Alguns defendem uma abordagem mais intervencionista para corrigir falhas de mercado e promover o bem-estar social, enquanto outros argumentam a favor de um papel mais limitado do governo para permitir a eficiência e a liberdade econômica. A natureza e o alcance da intervenção podem variar de acordo com a ideologia política, as condições econômicas e os objetivos de cada país. A Influência da História e dos Reflexos Internacionais Na evolução da economia mundial, surgiram diversas correntes de pensamento econômico (chamadas de escola). Destacamos algumas e suas características a seguir. a. Escola do marxismo – seu idealizador, Karl Marx, opôs- se aos clássicos, desenvolvendo novos conceitos, como o da mais-valia e o conceito do exército de reserva industrial. b. Escola neoclássica –considera a nova realidade, que conta com os fatores concentração econômica, com forte tendência monopolística; interferência estatal; 56 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 crescimento dos salários; fortalecimento dos sindicatos; e notável prosperidade das economias ocidentais. c. Escola keynesiana – o fundador da macroeconomia, John Keynes, mostrou que as economias capitalistas não tinham capacidade de promover, automaticamente, o pleno emprego, abrindo caminho para o uso da política econômica. Nessa teoria, o que determina o nível de produção é o conjunto de despesas de consumo, nível de investimentos privados e gastos do governo e exportações líquidas. Imagem 3.11 Fonte: Freepik. Um sistema econômico pode ser considerado o formato da sociedade em aspectos políticos, jurídicos e socioeconômicos, por meio do qual se busca atingir o objetivo de melhoria do bem- estar. Existem alguns elementos básicos que compõem esse sistema. https://www.freepik.com/free-vector/business-people-celebrating-success-working-earth-globe_4949441.htm#query=sistema%20econômico&position=19&from_view=search&track=ais 57ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 a. Fatores de produção - são o conjunto de recursos produtivos, representados por máquinas, equipamentos, ferramentas, terra cultivável, energia e mão de obra. b. Unidades consumidoras ou famílias – são detentoras de rendimentos e têm, como objetivo fundamental, maximizar seu bem-estar por meio do consumo de bens e serviços. c. Unidades produtoras ou firmas – têm, como objetivo, a geração de lucros por meio da produção de bens e serviços, mediante a combinação de capital e trabalho, sob a coordenação de um empresário. d. Instituições - indicam as “regras do jogo” sob as quais operam os agentes. No Brasil, a emissão primária de moeda é de responsabilidade do Banco Central, o qual tem seus ativos (reservas internacionais, tesouro nacional, títulos públicos, redesconto e empréstimos) e seus passivos (papel moeda emitido e reservas bancárias). Para a expansão da oferta monetária primária (base monetária), o sistema bancário gera a expansão múltipla de moeda escritural, cujo montante depende do comportamento do público e das reservas bancárias. Em relação à política monetária, as taxas de juros são afetadas em primeira instância. As mudanças na oferta institucional de meios de pagamento são determinadas pelo Banco Central mediante deslocamentos da base monetária e/ ou das reservas compulsórias dos bancos comerciais, dada certa demanda de moeda. Caso o Banco Central exercesse uma forte redução da oferta monetária diante de determinado nível de 58 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA U ni da de 3 demanda de moeda, reduziria as possibilidades de empréstimo dos bancos comerciais ao setor privado.