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11/04/2024 CURSO DE DIREITO RELAÇÕES JURÍDICAS INTERNACIONAIS FONTES DO DIP: TRATADOS INTERNACIONAIS Profa. Henara Marques 2024.1 OBJETIVO DE APRENDIZAGEM Explicar a natureza dos tratados internacionais. 1 2 11/04/2024 DIREITO DOS TRATADOS 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Trata-se do ramo do Direito Internacional Público que regula a celebração, a vigência e a extinção dos atos internacionais. Os tratados são a principal fonte de Direito Internacional, isto não significa que há hierarquia entre as fontes. 2. CONCEITO O art. 2º, 1., “a” da Convenção de Viena define tratado como um “um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica”. A doutrina, por sua vez, define tratado como um acordo escrito, celebrado por sujeitos de Direito Internacional e regido pelo Direito das Gentes (Direito Internacional Público), que visa produzir efeitos jurídicos em relação a temas de interesse comum, qualquer que seja sua denominação específica. 3 4 11/04/2024 2.1 ACORDO Consiste na convergência de vontade (consenso – animus contraendi) entre as partes, criando verdadeiro vínculo jurídico. 2.2 FORMA ESCRITA Tratado é um acordo formal entre as partes, por isso adota a forma escrita, tanto que a Convenção de Viena veda a possibilidade tratados verbais. Salienta-se que a forma escrita dos tratados aumenta a segurança jurídica, o que contribui para estabilidade internacional (um dos objetivos da ONU). 2.3 CAPACIDADE CONVENCIONAL Apenas sujeitos de Direito Internacional Público com capacidade convencional (nem todos terão) poderão celebrar um tratado, são eles: Estados, organizações internacionais, blocos regionais, Santa Sé, Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Estado Palestino. Atenção! Indivíduos e empresas não podem celebrar tratados internacionais. 5 6 11/04/2024 2.4 TUTELADO PELO DIREITO INTERNACIONAL O tratado é regido pelo Direito Internacional Público, a exemplo dos costumes e da Convenção de Viena, de 1969 (tratado sobre tratados). 2.5 MULTIPLICIDADE DE INSTRUMENTOS Significa que o tratado poderá ser celebrado apenas por um instrumento ou por instrumentos múltiplos (anexos, ajustes complementares, outros tratados). 3 REGULAMENTAÇÃO O Direito dos Tratados é regulamentado pela Convenção de Viena, de 1969. O Brasil ratificou (Decreto 7030/2009), com reservas aos arts. 25 e 66, em 2009 (significa que tais dispositivos não serão aplicados). A partir de 2022, o Brasil voltou a discutir os dispositivos da Convenção de Viena, pedindo celeridade em sua aplicação. 7 8 11/04/2024 Fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/11/29/senado-aprova-texto-de-convencao-sobre- tratados-de-direito-internacional 4. HISTÓRICO De acordo com Valério Mazzuoli, “um dos primeiros tratados firmados entre nações parece ter se dado em 1282 a.C. entre egípcios e hititas (tratado que pôs fim à batalha de Kadesh). O governante dos hititas teria enviado uma barra de prata em escrita cuneiforme propondo a paz entre as duas nações e, ainda, acordos de cooperação, alianças contra inimigos comuns etc.” Em um primeiro momento, os tratados eram regulados pelos costumes, que foram codificados pela Convenção de Viena, em 1969. Em 1986, adotou-se a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais. 9 10 11/04/2024 65. CLASSIFICAÇÃO 5.1 QUANTO AO NÚMERO DE PARTES BILATERAIS MULTILATERAIS Possui apenas duas partes Segundo Paulo Portela, “um tratado celebrado ente um estado e uma organização internacional (independente de quantos membros possua) é um tratado entre dois sujeitos apenas, visto que a organização internacional é detentora de personalidade jurídica distinta da de seus membros” Possui, pelo menos, três partes 5.2 QUANTO AO PROCEDIMENTO DE CONCLUSÃO FORMA SOLENE, EM DEVIDA FORMA, FORMA SIMPLIFICADA STRICTO SENSU Possui mais etapas de elaboração, é a regra geral. Negociação – assinatura – aprovação parlamentar – ratificação pelo Presidente da República – promulgação – publicação. Possui menos etapas de elaboração. Conhecidos como “acordos executivos”, entram em vigor com a sua assinatura (art. 12 CV). 11 12 11/04/2024 Salienta-se que há certa polêmica acerca da existência da forma simplificada no Brasil, isto porque o art. 49, I, da CF prevê como competência exclusiva do Congresso Nacional aprovação dos tratados. Contudo, a forma simplificada dispensa tal fase de aprovação parlamentar. Em uma leitura a contrário sensu do art. 49, I, da CF, pode-se afirmar que os tratados que não acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional, não necessitam de aprovação do Congresso Nacional. Consequentemente, seria admitida a forma simplificada. Destaca-se que os acordos com forma simplificada tratam de questões formais nas relações entre dois ou mais países e esclarecer o teor de acordos já celebrados. 5.3 QUANTO À POSSIBILIDADE DE ADESÃO Adesão significa a entrada de um Estado que não participou das negociações. Haverá, ainda, quando um Estado denuncia o tratado e depois deseja voltar a fazer parte. ABERTOS FECHADOS Permitem adesão, podem ser: • Abertos limitados: restringem o rol de Estados que podem aderir. Por exemplo, tratados do Mercosul só podem ser aderidos pelos estados que compõem a ALADI (associação latino-americana de integração). • Abertos ilimitados: não restringem o rol de Estados que podem aderir, a exemplo da Carta da ONU. Não permitem adesão. 13 14 11/04/2024 5.4 QUANTO À NATUREZA JURÍDICA TRATADO-LEI TRATADO-CONTRATO Segundo Valério Mazzuoli, “são gerais, abstratos e impessoais. Todas as partes naquele instrumento querem regular aquela matéria, os interesses dos membros são paralelos. É o caso da própria Convenção de Viena, que traz a regulamentação de uma matéria, valendo igualmente para todos” Segundo Valério Mazzuoli, “as vontades das partes não são paralelas. As obrigações são diferentes para cada uma das partes. É o caso de um tratado de compra e venda, por exemplo, onde cada parte tem uma obrigação. Normalmente são realizados entre dois estados” Tratados de Direitos Humanos Tratado de cooperação criminal 5.5 QUANTO À EXECUÇÃO NO TEMPO TRANSITÓRIOS, EXECUTADOS OU DE EFEITOS LIMITADOS PERMANENTES, EXECUTÓRIOS OU DE EFEITOS SUCESSIVOS Criam situações que perduram no tempo, mas cuja realização é imediata. A execução se consuma durante o período em que estão em vigor. No entender de Mazzuoli: “execução se consuma em um momento determinado, criando uma situação jurídica estática” Para Mazzuoli: “é aquele cuja execução se prolonga no tempo, criando uma situação jurídica dinâmica, ainda que em potencial” Tratado que define uma fronteira. Tratado de extradição entre países. 15 16 11/04/2024 5.6 QUANTO À ESTRUTURA DE EXECUÇÃO MUTALIZÁVEIS NÃO MUTALIZÁVEIS Inexecução por parte de um dos membros não causa sua extinção. Perdem seu objeto se um dos estados se desliga de seu cumprimento. O tratado depende daquele estado para produzir seus efeitos 5.7 QUANTO AOS EFEITOS LIMITADOS ÀS PARTES SOBRE ESTADOS QUE NÃO PARTES Em razão do predomínio da vontade, em regra, os tratados produzem efeitos apenas para as partes. Há tratados que produzirão efeitos mesmo para os Estados que não manifestaram à vontade em aceita-lo (exceção ao voluntarismo). Ex.: Carta da ONU. 17 18 11/04/2024 6. REQUISITOS DE VALIDADE O tratado nada mais é do que um negócio jurídico, justamente por isso, terá requisitos de validade. 6.1 CAPACIDADE DAS PARTES Refere-se à capacidade convencional das partes, ou seja, sua capacidade para a celebração de tratados. Possuem: • Estados Soberanos (Brasil, Paraguai etc.) • Organizações internacionais (ONU, OIT, OEA etc.)• Blocos regionais (Mercosul, União Europeia) • Santa Sé (cúpula da Igreja Católica, não se confunde com o Vaticano) • Beligerantes, insurgentes e nações em luta pela soberania que tenham reconhecido o poder para tal (Estado da Palestina) A Catalunha e a Escócia não tiverem reconhecimento por outros Estados, por isso não possuem capacidade convencional. 6.2 HABILITAÇÃO DOS AGENTES Os sujeitos de Direito Internacional, para a celebração de um tratado, precisam ser representados por pessoas naturais, as quais devem estar devidamente habilitadas. Por exemplo, a ratificação de um tratado pelo Brasil é feita pelo Presidente da República. Ver os arts. 46 e 47 da Convenção de Viena. 19 20 11/04/2024 Nulidade de Tratados Artigo 46 Disposições do Direito Interno sobre Competência para Concluir Tratados 1. Um Estado não pode invocar o fato de que seu consentimento em obrigar-se por um tratado foi expresso em violação de uma disposição de seu direito interno sobre competência para concluir tratados, a não ser que essa violação fosse manifesta e dissesse respeito a uma norma de seu direito interno de importância fundamental. 2. Uma violação é manifesta se for objetivamente evidente para qualquer Estado que proceda, na matéria, de conformidade com a prática normal e de boa fé. Artigo 47 Restrições Específicas ao Poder de Manifestar o Consentimento de um Estado Se o poder conferido a um representante de manifestar o consentimento de um Estado em obrigar-se por um determinado tratado tiver sido objeto de restrição específica, o fato de o representante não respeitar a restrição não pode ser invocado como invalidando o consentimento expresso, a não ser que a restrição tenha sido notificada aos outros Estados negociadores antes da manifestação do consentimento. 21 22 11/04/2024 6.3 OBJETO LÍCITO E POSSÍVEL Os tratados devem regular objetos viáveis e respeitar o jus cogens, sob pena de nulidade, nos termos do art. 53 da Convenção de Viena. Artigo 53 Tratado em Conflito com uma Norma Imperativa de Direito Internacional Geral (jus cogens) É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito Internacional geral da mesma natureza. 6.4 CONSENTIMENTO REGULAR Artigo 48 Erro 1. Um Estado pode invocar erro no tratado como tendo invalidado o seu consentimento em obrigar-se pelo tratado se o erro se referir a um fato ou situação que esse Estado supunha existir no momento em que o tratado foi concluído e que constituía uma base essencial de seu consentimento em obrigar-se pelo tratado. 2. O parágrafo 1 não se aplica se o referido Estado contribui para tal erro pela sua conduta ou se as circunstâncias foram tais que o Estado devia ter-se apercebido da possibilidade de erro. 3. Um erro relativo à redação do texto de um tratado não prejudicará sua validade; neste caso, aplicar-se-á o artigo 79. 23 24 11/04/2024 Dolo (art. 49) – torna o tratado anulável, é uma faculdade. Artigo 49 Dolo Se um Estado foi levado a concluir um tratado pela conduta fraudulenta de outro Estado negociador, o Estado pode invocar a fraude como tendo invalidado o seu consentimento em obrigar-se pelo tratado. • Corrupção de Representante de um Estado (art. 50) - torna o tratado anulável, é uma faculdade. Artigo 50 Corrupção de Representante de um Estado Se a manifestação do consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado foi obtida por meio da corrupção de seu representante, pela ação direta ou indireta de outro Estado negociador, o Estado pode alegar tal corrupção como tendo invalidado o seu consentimento em obrigar-se pelo tratado. 25 26 11/04/2024 • Coação de Representante de um Estado (art. 51) - torna o tratado nulo. Artigo 51 Coação de Representante de um Estado Não produzirá qualquer efeito jurídico a manifestação do consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado que tenha sido obtida pela coação de seu representante, por meio de atos ou ameaças dirigidas contra ele. • Coação de um Estado pela ameaça ou emprego de força (art. 52) - torna o tratado nulo. Artigo 52 Coação de um Estado pela Ameaça ou Emprego da Força É nulo um tratado cuja conclusão foi obtida pela ameaça ou o emprego da força em violação dos princípios de Direito Internacional incorporados na Carta das Nações Unidas. 27 28 11/04/2024 7. EFEITOS Os tratados são dotados de efeito vinculante, ou seja, suas normas são de observância obrigatória, estabelecendo normas de conduta (forma que os destinatários devem se comportar). Além disso, em regra, os efeitos restringem-se às partes signatárias. Contudo, excepcionalmente, os tratados produzirão efeitos sobre os Estados que não são partes signatárias, é o que ocorre, por exemplo, com a carta da ONU. Artigo 2. A Organização e seus Membros, para a realização dos propósitos mencionados no Artigo 1, agirão de acordo com os seguintes Princípios: 6. A Organização fará com que os Estados que não são Membros das Nações Unidas ajam de acordo com esses Princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais. 29 30 11/04/2024 8. ETAPAS DE ELABORAÇÃO 8.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS No julgamento da ADI 1480, o Ministro Celso de Melo, expressou o entendimento que o processo de elaboração dos tratados no Brasil é complexo, tendo em vista que envolve o Poder Executivo (negocia e ratifica) e o Poder Legislativo (autoriza ou não ratificação do tratado). Por fim, todo tratado é dotado de vigência interna e de vigência externa, responsabilizando os países que celebraram e não cumprem as suas normas. 8.2 NEGOCIAÇÃO É a fase de elaboração de um tratado. Não há uma norma geral do Direito Internacional Público que regulamente a negociação de um tratado. Cada processo de negociação terá um prazo, uma forma, suas temáticas de discussão etc. No Brasil, é a União (art. 21, I, da CF) que possui capacidade negocial, ou seja, é a autoridade encarregada das relações internacionais. 31 32 11/04/2024 8.3 ADOÇÃO Após o término da etapa de negociação, com a elaboração do tratado, há a adoção do tratado. Trata-se do ato pelo qual o texto é objeto da concordância dos Estados negociadores (art. 9º da Convenção de Viena). Tratando-se de tratado bilateral, é necessário a adesão de ambos os Estados negociadores. Por outro lado, tratando-se de tratado multilateral exige-se a adesão de dois terços dos Estados negociadores, salvo se a maioria definir outro número. Artigo 9 Adoção do Texto 1. A adoção do texto do tratado efetua-se pelo consentimento de todos os Estados que participam da sua elaboração, exceto quando se aplica o disposto no parágrafo 2. 2. A adoção do texto de um tratado numa conferência internacional efetua-se pela maioria de dois terços dos Estados presentes e votantes, salvo se esses Estados, pela mesma maioria, decidirem aplicar uma regra diversa. 33 34 11/04/2024 8.4 ASSINATURA Consiste na autenticação do texto do tratado. Nos dizeres de Valério Mazzuoli: “é um aceite formal pois não atesta o conteúdo do texto, mas apenas que não há vício de forma, que aquele documento pode seguir o trâmite”. Importante consignar que a assinatura não vincula o Estado, mas expressa o consentimento preliminar das negociações, manifestando o interesse do Estado em avançar para as demais fases de elaboração do tratado. Obs.: nos tratados de forma simplificada a assinatura vincula o Estado. A competência para a assinatura será do: • Chefe de Estado e de Governo. • Ministro das Relações Exteriores. • Embaixador plenipotenciário: para tratados com os Estados junto aos quais estão acreditados. • Chefe de delegação a uma reunião internacional: para tratados assinados na reunião para a qual foiindicado. • Qualquer pessoa capaz, com carta de plenos poderes. • Qualquer pessoa capaz, quando a prática dos Estados interessados ou outras circunstâncias indicarem que a intenção do Estado era considerar essa pessoa seu representante para esses fins e dispensar os plenos poderes. 35 36 11/04/2024 8.5 APROVAÇÃO PARLAMENTAR E RATIFICAÇÃO Consiste no ato de confirmação do interesse do Estado em celebrar o tratado e assumir o compromisso de cumpri-lo assim que entrar em vigor. É dispensada nos casos de acordos de forma simplificada. Conforme Paulo Portela, “o consentimento fica estabelecido apenas com a notificação da ratificação ou com a troca dos instrumentos de ratificação (tratados bilaterais) e com o depósito da ratificação junto ao depositário (tratados multilaterais) - formalização da ratificação”. 8.6 ENTRADA EM VIGOR NO ÂMBITO INTERNACIONAL 8.6.1. Tratado bilateral É necessária a ratificação das duas partes. Assim, havendo notificação das duas ratificações ou a troca de instrumentos de ratificação, após eventual período de vacatio legis, o tratado entra em vigor no âmbito internacional. Lembrar que o tratado possui duas vigências: uma internacional (ocorre primeiro) e uma interna (após a vigência internacional). Portanto, pode-se afirmar que a vigência internacional é condicionante à vigência interna. 37 38 11/04/2024 9.6.2. Tratado multilateral Os critérios para a entrada em vigor de um tratado multilateral são definidos no texto do próprio tratado. Geralmente, exige-se um número mínimo de ratificações, as quais são entregues ao depositários (um Estado, uma organização internacional) e por ele custodiadas. Obs.: o depositário não precisa, necessariamente, ser parte do tratado. Após atingir o número mínimo, passado eventual período de vacatio legis, o tratado entrará em vigor no âmbito internacional apenas para os Estados que o ratificaram. Para os demais Estados, à medida que forem ratificando o tratado, este entrará em vigor. 8.7 REGISTRO E PUBLICAÇÃO Após a entrada em vigor, os tratados serão remetidos ao Secretariado das Nações Unidas para que ocorra o registro, que poderá ser feito pelo depositário para que seja publicado. Portanto, os tratados não dependem do registro para entrar em vigor, ressalvados os casos em que as partes convencionarem o contrário. Obs.: Artigo 102. 1. Todo tratado e todo acordo internacional, concluídos por qualquer Membro das Nações Unidas depois da entrada em vigor da presente Carta, deverão, dentro do mais breve prazo possível, ser registrados e publicados pelo Secretariado. 39 40 11/04/2024 8.8 VIGÊNCIA INTERNA Inicialmente, salienta-se que a vigência interna está condicionada à vigência internacional. Portanto, um tratado não terá vigência interna sem que antes tenha havido a sua vigência internacional. 9. CLÁUSULAS PROCESSUALISTAS 9.1 ADESÃO Trata-se da entrada de um sujeito internacional, com capacidade convencional, em um tratado que já está em vigor. Está condicionada aos termos elencados pelo próprio texto do tratado. Como já visto, a adesão é admitida em tratados abertos limitados e ilimitados e vetada nos tratados fechados. Por fim, a adesão é também a forma de retorno a um tratado que foi denunciado pelo Estado. 41 42 11/04/2024 9.2 EMENDA A possibilidade de emenda está regulada nos arts. 39 a 41 da Convenção de Viena. Não podem ser formuladas unilateralmente pelo parlamento. Atenção para o Princípio da Duplicidade de Regimes Jurídicos, segundo o qual o acordo de emenda valerá para os Estados que o aprovarem e o texto antigo valerá para os Estados que não aderirem ao acordo de emenda. Em suma aplica-se: • Tratado emendado aos Estados que aprovaram a emenda; • Tratado emendado às novas partes, salvo disposição em contrário; • Tratado não emendado aos Estados que não aprovaram a emenda; • Tratado não emendado entre os Estados que aprovaram e os Estados que não aprovaram a emenda. 43 44 11/04/2024 9.3 RESERVA 9.3.1. Conceito Trata-se do ato pelo qual se permite que a parte exclua ou altere para si o efeito de determinadas normas do tratado. Admite- se a reserva para facilitar a adesão do Estado aos tratados. Segundo Valério Mazzuoli, “é um ato unilateral do Estado (qualquer que seja a denominação) pelo qual ele manifesta sua vontade de subtrair determinada cláusula do tratado com relação a si. Na reserva o estado busca suprimir a obrigação contida em determinada cláusula relativamente a ele”. 9.3.2 Previsão Está regulamentada nos arts. 19 a 23 da Convenção de Viena. 9.3.3 Espécies de reserva RESERVA EXCLUSIVA RESERVA INTERPRETATIVA O Estado exclui, para si, a aplicação de determinadas cláusulas do tratado. O Estado define como determinadas normas serão aplicadas para si. Brasil com relação aos arts. 25 e 66 da Convenção de Viena Brasil em relação à inspeção in loco feita pela CADH, deve haver autorização do governo brasileiro 45 46 11/04/2024 9.3.4. Momento de formulação A reserva poderá ser feita na assinatura, na ratificação, na aceitação ou na aprovação do tratado, ou seja, nos momentos “chave” do tratado. 9.3.5. Vedação Há casos em que poderá haver vedação total ou parcial da reserva, podendo ser expressa ou tácita, nos casos em que for incompatível com a finalidade do tratado. ⦁ Título:nome do tratado ⦁ Preâmbulo:partes doTratado ⦁ Considerandos:intenções dos Estados no Tratado ⦁ Articulando:artigos do tratado em ordem cronológica ⦁ Fecho:local e data ⦁ Assinatura ⦁ Selo de lacre:só o original ESTRUTURA DOS TRATADOS 47 48 11/04/2024 PROCEDIMENTO DE INTERNALIZAÇÃO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS NO BRASIL Fonte: https://www.camara.leg.br/noticias/1039219-camara-aprova-tres-acordos-internacionais-textos-vao-ao- senado/ 49 50 11/04/2024 • Na CF há vários dispositivos que remetem aos Tratados Internacionais, por exemplo: Art. 5º, § 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: III – as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional; V – os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; V-A – as causas relativas a direitos humanos a que se refere o §5º deste artigo; Art. 178. A lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade. (EC nº7/95). Parágrafo único. Na ordenação do transporte aquático, a lei estabelecerá as condições em que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navegação interior poderão ser feitos por embarcações estrangeiras. 51 52 11/04/2024 FASE INTERNACIONAL 1. Negociações a. Chefes de Estado e de Governo: Fundamento legal: CF, art. 84, inciso VIII: “Compete privativamente ao Presidente da República: VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais sujeitos a referendo do Congresso Nacional.” b. Plenipotenciários -> carta de plenos poderes: Chefes de missões diplomáticas, ministros das Relações Internacionais c. Delegações nacionais: Delegados, assessores 2. Assinatura a. Expressão do consentimento b. não obriga/vincula ao tratado (forma solene) c. Não pode agir contra os termos do tratado. d. Quem pode assinar: - Chefes de Estado e de Governo - Plenipotenciários -> carta de plenos poderes 3. Ressalvas Trechos do tratado que o país não concorda. 53 54 11/04/2024 FASE INTERNA – CONGRESSO NACIONAL 1. Fundamento legal: CF, art. 49, inciso I Compete exclusivamente ao Congresso Nacional: a) resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional.2. Tramitação na CD a. Recebimento da Mensagem do Presidente da República •Encaminha ao CN inteiro teor do tratado, acompanhado de Exposição de Motivos Ministerial b. Distribuição da “Mensagem” às Comissões competentes por meio de Ato do Presidente da Câmara dos Deputados (art.17, inciso II, alínea “a”, do RICD) •Regime de tramitação: prioridade (art. 151, inciso II, alínea “a”, do RICD) •Prazo de exame da 1ª Comissão: 10 sessões (art. 52, inciso II, do RICD) c. Apresentação do Projeto de Decreto Legislativo - Normalmente realizado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional ou pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. • Analisa, na Comissão de Relações Exteriores, o texto do Tratado e sua compatibilidade com o texto constitucional. • Apresenta ressalvas, se achar necessário. d. Projeto de Decreto Legislativo • Regime de tramitação: urgência (art. 151, inciso I, alínea “j”, do RICD). • Consequência: Se o tratado tiver sido distribuído a mais de uma Comissão, ele deverá ser discutido e votado ao mesmo tempo, em cada uma dessas Comissões (art. 139, inciso VI, do RI). • Prazo de tramitação nas Comissões a partir da edição do Projeto de Decreto Legislativo: 5 sessões (art. 52, inciso I, do RICD). 55 56 11/04/2024 e. Apreciação do tratado pelo Plenário da CD •No Plenário, aprova ou rejeita o texto do tratado. Remete para o Senado Arquivo 3. Tramitação na SF a. Decreto Legislativo lido no Plenário e despachado à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional: • Nos cinco dias úteis subsequentes à distribuição de avulsos, poderão ser oferecidas emendas; a Comissão terá, para opinar sobre o projeto, e emendas, o prazo de quinze dias úteis, prorrogável por igual período. • Votação do Parecer. b. Apreciação do tratado pelo Plenário do SF • No Plenário, aprova ou rejeita o texto do tratado. FASE INTERNA – CONGRESSO NACIONAL Remete para sessão solene do CN Arquivo 57 58 11/04/2024 Há duas espécies de procedimento para aprovação de tratados: art. 47 da CF (tratados em geral) e art. 5º, §3º, da CF (tratados sobre direitos humanos). Art. 47. Salvo disposição constitucional em contrário, as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros. Art. 5º, § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. IMPORTANTE!! 1. Competência para ratificar: • “Ato unilateral com que o sujeito de direito internacional, signatário de um tratado, exprime definitivamente, no plano internacional, sua vontade de obrigar-se.” (Rezek) • A ratificação é irretroativa (efeitos ex tunc) e irretratável. 2. Decreto Presidencial 3. Publicação no Diário Oficial da União • Tratado passa a ter validade no plano interno. 4. Registro do tratado • Pode ser Nas Nações Unidas ou na Secretaria do Tratado, se for o caso. FASE INTERNA – PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA 59 60 11/04/2024 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] VII - manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos; VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; [...] CONGRESSO NACIONAL PRESIDENTE DA REPÚBLICA Autoriza a ratificação Pode ou não ratificar Não autoriza a ratificação Não pode ratificar PROCEDIMENTO DE INTERNALIZAÇÃO DOS TRATADOS EM MATÉRIA DE DIREITOS HUMANOS 61 62 11/04/2024 1. Dos tratados aprovados antes e depois da EC nº 45, de 2004 • Norma infraconstitucional – Lei Ordinária. • Norma Constitucional (Tratado sobre DH) – Emenda à Constituição. • Norma Supralegal (Tratado sobre DH). • HC 92.566/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, 3-12-2008 – revogação da súm. 619 do STF. 2. Art. 5º § 3º, CF Trâmite de Emenda Constitucional: • A aprovação com o quórum qualificado de 3/5 (três quintos) dos votos dos membros de cada Casa do Congresso, em dois turnos. • Ausência de norma nos Regimentos da CD e do SF (PDC 204, de 2005). • Decretos Legislativo e Presidencial publicados no mesmo dia. 3. Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. (Decreto nº 6.949, de 2009) FASE INTERNA – PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA REFERÊNCIAS REZEK, Francisco. Direito internacional público. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2021. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788553172894/ MAZZUOLI, Valerio de Oliveira. Curso de direito internacional público. 14. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/97865596413 07/pages/recent 63 64 11/04/2024 65