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Técnico em Secretariado Processos organizacionais: conceito, inter- relações e aplicabilidade Os processos estão muito presentes na vida das pessoas, pois, cada vez que alguém precisa executar uma atividade, necessita, igualmente, se planejar, mesmo que mentalmente, pensando em um passo a passo do que precisa ser feito para concluir aquilo que planejou. Para entender os processos organizacionais, veja, primeiramente, o que significa processo: Processo é o conjunto de tarefas sequenciais que são realizadas para alcançar um objetivo, ou seja, são etapas que devem ser desenvolvidas para determinada finalidade. Observe a situação a seguir: Conceitos, inter-relações e aplicabilidade Quanto aos processos empresariais, ou seja, a ideia de processos inserida nas atividades desenvolvidas dentro de uma organização, existem diversos conceitos. Rodrigues (2014, p. 13) define processo como um conjunto de atividades ou funções estruturadas em uma sequência lógico-temporal, com objetivo definido, realizadas por pessoas e/ou máquinas, que visam a transformar recursos (entrada), agregando valores, por meio de recursos de transformação e de uma lógica preestabelecida (metodologia de processamento), resultando em bens e serviços (produtos) para a sociedade e/ou os clientes. Isso quer dizer que os processos das empresas estão voltados ao desenvolvimento de produtos e serviços que atendam às demandas dos clientes. Além disso, existem processos que não estão diretamente ligados às necessidades dos clientes, mas que fazem parte do apoio aos setores que agregam valor aos clientes e à sociedade. Conforme Gonçalves (2000), existem três tipos de processos: Portanto, é imprescindível que as empresas tenham esses processos bem definidos, pois todos eles impactam direta ou indiretamente o negócio. Também é importante manter a satisfação dos clientes com relação aos produtos e aos serviços oferecidos. Com esses objetivos, as empresas trabalham para a melhoria contínua dos processos, ou seja, buscam a eficiência por meio da execução dos processos da forma mais adequada possível. Quando se fala que uma organização faz a gestão de seus processos, isso quer dizer que essa empresa tem uma visão de cada processo desempenhado, e não somente das atividades que cada setor executa. Tal fato ocorre porque os processos são vistos de maneira integral, existindo etapas que, muitas vezes, são de responsabilidade de setores diferentes. Essa visão global permite que os processos sejam analisados do início ao fim, o que possibilita a percepção de problemas e oportunidades de melhorias. Até o momento, diz-se que cada organização gerencia os próprios processos por meio de uma percepção geral sobre cada um deles. Então, você pode estar se perguntando: como a organização consegue gerir todos os processos que executa? Existe uma pessoa responsável por todos os processos da empresa? É possível responder às duas perguntas de uma só vez: geralmente, os processos estão ligados a um setor específico, de acordo com a atividade principal do processo, mesmo que este tenha relação com outros setores da organização. Portanto, na maioria das vezes, cada setor da empresa tem próprios processos para gerenciar, e, dentro de cada departamento, deve haver um gestor responsável pelos processos inerentes àquele setor. Entretanto, muitas organizações contam com uma área de apoio, a qual tem profissionais capacitados para auxiliar os outros setores no mapeamento, na análise, na revisão, na melhoria e na auditoria de processos. Em vista disso, de acordo com Rodrigues (2014, p. 13), para que seja possível gerenciar os processos adequadamente, é necessário dividi-los em fases com objetivos e ações. Observe o quadro a seguir: Fases Objetivos Ações Definição do processo Determinar o processo a ser analisado Mapear as ações Conhecer o desempenho atual Planejar mudanças Identificar requisitos dos clientes 1. Organizar- se 2. Conversar com o cliente 3. Entender o processo 4. Definir prioridades Análise do processo Identificar problemas Buscar causas Definir oportunidades de melhoria Desenvolver os planos de melhoria Buscar as bases para implantação 1. Avaliar alternativas 2. Desenvolver as soluções 3. Criar parcerias 4. Finalizar os planos Melhoria do processo Implantar planos de melhoria Obter primeiros resultados Analisar feedbacks dos clientes Corrigir e ajustar os planos 1. Testar a solução 2. Gerenciar o processo 3. Verificar os custos do processo Excelência do processo Apresentar desempenho global do processo Quando avaliado, auditado ou certificado, ser reconhecido como superior em relação ao ambiente externo do negócio 1. Obter resultados 2. Buscar diferencial competitivo Figura 1 – Quadro com fases, objetivos e ações Fonte: Rodrigues (2014, p. 13). As informações do quadro podem auxiliar todos aqueles que estão envolvidos em processos organizacionais, pois trazem, detalhadamente, o que deve ser observado em cada fase. Sendo assim, quando o responsável por um processo for descrevê-lo, ele já saberá que deve iniciar fazendo a definição, passando, posteriormente, pela análise e pela implantação de melhorias e finalizando com os resultados obtidos por meio da excelência daquele processo. A importância de conhecer os processos organizacionais para o profissional técnico em secretariado vai muito além dos processos de seu departamento. Imagine que você trabalha em uma empresa multinacional onde existem centenas de processos. Talvez você não conheça todos eles detalhadamente, mas precisa saber que existem, pois a área secretarial das empresas, por muitas vezes, é o departamento responsável por encaminhar alguma demanda para as demais áreas da empresa. O seu gestor pode, por exemplo, solicitar dados e informações de outros setores, e é importante que você tenha um breve conhecimento dos processos de cada setor. Contudo, dependendo do tamanho da organização, você conhecerá aos poucos cada setor e seus respectivos processos. Esteja sempre atento às demandas solicitadas para que você compreenda qual é a forma mais adequada de resolvê-las. Veja a seguir um exemplo simples das etapas de um processo da área de secretaria de uma organização. Clique ou toque para visualizar o conteúdo. Para a área de secretaria, o processo somente finaliza após o arquivamento dos e-mails. Entretanto, como visto nas etapas, depois que a secretaria envia os documentos à contabilidade e ao financeiro, estes deverão encaminhar os documentos recebidos. Sendo assim, a contabilidade deverá ter um processo para as notas fiscais recebidas, bem como o financeiro deverá ter um processo para os boletos, e isso ocorre com todos os setores da empresa. Cada departamento deve gerenciar os processos que estão sob sua responsabilidade e incluir os outros setores que se relacionarem com o seu processo em alguma das etapas. O exemplo demonstra como são as etapas do processo de reserva de hospedagem para os consultores da empresa J. C. Estratégia e Gestão. Entretanto, conhecer as etapas é apenas um dos passos para entender os processos. Existem maneiras de organizar os processos em cada empresa, e, para tanto, geralmente são utilizadas representações gráficas que esquematizam os processos, ajudando na visualização e no entendimento do fluxo destes. O gráfico mais utilizado nas empresas para fazer essa esquematização é o fluxograma. O fluxograma apresenta um formato universal que consegue demonstrar o fluxo do trabalho desenvolvido, inclusive documentos e produtos. O fluxograma é composto por símbolos específicos que representam as etapas do processo. Existem alguns símbolos padrões e outros que não são muito utilizados. Por isso, recomenda-se que, abaixo do fluxograma de cada processo, seja inserida uma legenda com o significado de cada símbolo, o que facilita entender o fluxo por parte de quem vai consultá-lo. Veja a seguir o quadro, adaptado de Cury (2017,p. 352 e 353), com os símbolos e os seus respectivos significados: Símbolo Significado Inicia ou termina um processo. Identifica uma etapa do processo que não tenha um símbolo fixo. Indica um documento dentro do fluxo. Demonstra uma decisão que deve ser tomada dentro do processo. Significa conferência ou inspeção de um fluxo de trabalho. É um conector que liga uma rotina a outra, quando necessário trocar a página. É preciso haver uma numeração para identificar os conectores. Figura 2 – Quadro de símbolos e significados Fonte: adaptado de Cury (2017, p. 352 e 353) Conforme Cury (2017), as vantagens de utilizar os fluxogramas para ilustrar os processos são estas: Possibilidade de verificar como funcionam, realmente, todos os componentes de um sistema, mecanizado ou não, facilitando a análise de sua eficácia Entendimento mais simples e objetivo do que o de outros métodos descritivos Facilidade de localização das deficiências, pela fácil visualização de passos, transportes, operações, formulários etc. Aplicação a qualquer sistema, desde o mais simples até o mais complexo Rápido entendimento de qualquer alteração que se proponha nos sistemas existentes, por demonstrar claramente as modificações introduzidas As etapas dentro de um fluxograma devem ser descritas de forma simples. Aqui, ainda não será necessário detalhar cada etapa, pois há um documento específico para isso (procedimento operacional padrão – POP), o qual será visto mais adiante. Existirão processos com poucas ou muitas etapas. Alguns processos são internos de cada setor, e outros relacionam-se com outras áreas. Em razão disso, haverá fluxogramas que poderão ser desenhados em uma página e outros que serão maiores. Portanto, não se preocupe com o tamanho, mas, sim, com a qualidade e com o correto desenho dos processos. Como os fluxogramas geralmente são utilizados para todos os processos da empresa, não seria diferente para os processos que envolvam a área da secretaria, principalmente porque muitos destes relacionam-se com os demais setores, e vice- versa. Portanto, é importante que o profissional técnico em secretariado tenha conhecimento do fluxograma dos processos, pois deve ter a visão de todo o processo, e não somente de suas atividades dentro da empresa. Sendo assim, pelo fluxograma fica mais fácil perceber todo o trajeto do processo, pois ele tem início em determinada área e pode percorrer diversas outras áreas da organização. Com isso, visualiza-se a inter-relação entre os departamentos da empresa. No momento em que os profissionais estão desenhando os processos, é importante fazer reuniões entre os setores da empresa que fazem parte das etapas daquele processo. Tal prática facilitará o entendimento de todos, pois cada área exporá a sua maneira de realizar a etapa que corresponde a ela, sendo possível, assim, identificar possíveis falhas que poderão ser sanadas por meio de melhorias que serão feitas no processo. A inter-relação proporcionará uma visão sistêmica dos processos da organização, ou seja, os colaboradores terão uma percepção geral de como são realizadas as etapas de cada processo. Além disso, será possível entender como as áreas relacionam-se entre si e com o ambiente externo. Observe agora um modelo de fluxograma do processo baseado no exemplo anterior sobre o processo de reserva de hospedagem da empresa J. C. Estratégia e Gestão. Os fluxogramas podem variar de acordo com a empresa, pois cada uma delas tem os próprios métodos de trabalho e modelos de documentos. Aqui, os setores estão divididos para que seja possível visualizar a etapa do processo que cada setor executa. Veja que existe um cabeçalho em que são inseridos os controles do processo, como código, número da revisão, número de páginas e data da revisão. Ainda, no rodapé, existe um campo para que seja inserido o histórico de melhorias, ou seja, a cada revisão, é necessário inserir a(s) melhoria(s) identificada(s) ou informar que a revisão foi efetuada, mesmo sem alteração no processo. Ademais, também há no rodapé um campo com as legendas das formas utilizadas no fluxograma Após analisar o fluxograma do processo da área da secretaria da empresa J. C. Estratégia e Gestão, percebe-se que as etapas estão relacionadas e que, no fluxograma, são apresentadas de forma mais abrangente. Portanto, caso deseje criar fluxogramas, utilize o quadro com as fases dos processos como apoio para organizar e entender todas as etapas. Você pode criar um fluxograma manualmente, utilizando as ferramentas disponíveis no Microsoft Office (Word, Excel ou PowerPoint). Contudo, ainda existe a opção de ferramentas on-line, as quais podem auxiliar na criação dos fluxos. Conheça a seguir algumas das ferramentas disponíveis: Clique ou toque para visualizar o conteúdo. Bizagi Modeler É a ferramenta mais conhecida pelos profissionais da área de processos. Para baixá-la, basta buscar pelo nome da ferramenta no navegador. ARIS Express É uma versão mais enxuta da plataforma de análise de processos, o ARIS Platform. Para baixá-la, basta buscar pelo nome da ferramenta no navegador. BPMN.io É uma ferramenta on-line para criação de diagramas de processo, sem necessidade de instalação do aplicativo. Para baixá-la, basta buscar pelo nome da ferramenta no navegador. HEFLO É uma ferramenta on-line de criação de fluxogramas. Para baixá-la, basta buscar pelo nome da ferramenta no navegador. Experimente as ferramentas apresentadas, descubra a que você mais se identifica e, então, faça o teste: crie fluxogramas, mesmo que tenha que imaginar processos. Use a imaginação e mãos à obra! Além do fluxograma, que apresenta as etapas do processo, também existem documentos que padronizam os processos das empresas. Nesse sentido, mencionam-se os documentos no formato de formulários, políticas da empresa, manuais, além dos documentos de POP, os quais apresentam o processo detalhadamente. Os POPs são muito utilizados na área da saúde, pois, como o próprio nome diz, referem-se a uma padronização dos procedimentos operacionais. Como na área da saúde existem muitos protocolos relativos aos procedimentos com pacientes, o POP serve para direcionar os profissionais a seguir corretamente as boas práticas, ou seja, os procedimentos de forma mais adequada. Os POPs, no ambiente organizacional, complementam os fluxogramas, pois o desenho dos fluxos demonstra o processo sucintamente. Porém, os POPs são muito mais que um simples complemento, pois detalham a execução do processo passo a passo, possibilitando entendê-lo como um todo. Além disso, as seguintes informações relacionadas a cada processo devem estar inseridas no POP: Ao analisar todas as informações que o POP disponibiliza, percebe-se que ele é muito útil para a execução dos processos. Imagine, por exemplo, que você começou a trabalhar em uma clínica médica. Já no primeiro dia de trabalho, a sua gestora teve que se ausentar por algumas horas. Porém, ela ainda não teve tempo hábil para ensinar a você todas as atividades, mas, em compensação, avisou que existem POPs para cada processo que os profissionais de secretariado executam na clínica. Então, para adiantar o trabalho, você consulta os POPs e consegue entender os processos e a forma como eles devem ser realizados. Sendo assim, você continua o seu trabalho sentindo-se mais seguro caso precise realizar alguma etapa de um processo antes de a sua gestora chegar. Os POPs também devem ser utilizados para o aprendizado do processo. Os formulários são documentos que fazem parte dos processos, pois, muitas vezes, é necessário preenchê-los com informações ou até solicitações internas ou externas. Segundo Cury (2017, p. 372), um formulário é um documento padronizado, estruturado segundo sua finalidade específica, contendo características e campos apropriados, destinado a receber, preservar e transmitir informações, cujos lançamentos são necessários para definir a natureza ou cobrir um fluxo qualquerde trabalho, desde seu início até sua conclusão. Veja o exemplo a seguir: Um colaborador de uma empresa precisa solicitar passagens aéreas para o setor de secretaria. Portanto, ele pode acessar o repositório de documentos, preencher o formulário de solicitação de passagens aéreas, validar com o gestor e, posteriormente, encaminhar o formulário para que o profissional de secretariado efetue a compra. Além disso, o formulário também fará parte do fluxograma desse processo, que, neste caso, deve ser um processo gerenciado pela secretaria. Os manuais são documentos elaborados com a finalidade de padronizar procedimentos de diversos setores da organização. Conforme Cury (2017, p. 428), os manuais são instrumentos de gerência, de relativa duração, reunidos dentro de uma capa característica, de fácil identificação, classificados, codificados, providos de índices e organizados a fim de tornar máximo o seu valor como obra de referência. Dessa forma, é possível perceber que os manuais devem servir como diretrizes norteadoras em alguns processos da empresa, principalmente para auxiliar no gerenciamento e na execução de algumas atividades. Os manuais, assim como os demais documentos referentes aos processos organizacionais, devem estar organizados e disponíveis aos setores que precisam consultá-los, podendo, portanto, ser disponibilizados no repositório de documentos para que sejam consultados quando necessário. Caso não haja confidencialidade com relação aos documentos que foram apresentados, eles devem ser compartilhados no repositório, o que possibilita a consulta de todos os setores da organização e, de certa maneira, amplia a comunicação entre os diversos setores da empresa. Observe este exemplo: Assim, demonstra-se a importância de disseminar o conhecimento da documentação inerente aos processos dentro de uma organização, pois, quanto mais os colaboradores conhecerem as normas e os padrões, mais a empresa conseguirá alinhar os seus processos. Os processos organizacionais trazem muitos benefícios para as organizações, pois padronizam e organizam documentos e atividades e auxiliam na execução de ações de planejamento relativas à gestão. Isso porque, por meio do controle dos processos, também é possível identificar inconformidades, para que elas sejam corrigidas e os processos sejam aprimorados. Portanto, com os processos mapeados, as empresas têm mais assertividade no desempenho das diversas atividades das áreas.