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Aula 06
PGE-AL (Procurador) Direito Civil - 2022
(Pré-Edital)
Autor:
Equipe Materiais Carreiras
Jurídicas
10 de Novembro de 2022
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Sumário
Considerações iniciais ........................................................................................................................................ 2
IV. Fato jurídico .................................................................................................................................................. 4
6. Teoria das invalidades ................................................................................................................................ 4
I. Sujeito ............................................................................................................................................................................ 5
II. Objeto ........................................................................................................................................................................... 7
III. Forma .......................................................................................................................................................................... 7
6.1. Nulidades ................................................................................................................................................ 8
1. Sujeito ......................................................................................................................................................................... 11
2. Objeto ......................................................................................................................................................................... 14
3. Forma ......................................................................................................................................................................... 15
6.2. Anulabilidades ....................................................................................................................................... 17
1. Sujeito ......................................................................................................................................................................... 20
2. Objeto ......................................................................................................................................................................... 30
7. Conservação do negócio jurídico ............................................................................................................. 33
7.1. Convalescimento do negócio jurídico anulável ..................................................................................... 34
7.2. Conversão substancial do negócio jurídico nulo ................................................................................... 35
Jurisprudência Correlata .................................................................................................................................. 36
Jornadas de Direito Civil................................................................................................................................... 38
Considerações finais ........................................................................................................................................ 41
Questões Comentadas ..................................................................................................................................... 42
Lista de Questões ............................................................................................................................................. 75
Gabarito ........................................................................................................................................................... 89
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Inicialmente, lembro que sempre estou disponível, para você, aluno Estratégia, no Fórum de Dúvidas do
Portal do Aluno e, alternativamente, também, nas minhas redes sociais:
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Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno
Nesta aula, você verá um tema que é praticamente onipresente nas provas das Carreiras Jurídicas: as
nulidades e as anulabilidades previstas no CC/2002. Onipresente porque, diferentemente de outros tópicos
que por vezes aparecem mais nas provas do MP, ou mais nas provas da Magistratura, ou mais nas provas de
Defensorias, por exemplo, as invalidades aparecerem frequentemente em todas as provas das Carreiras
Jurídicas.
Não há exceção aqui. Repito: TODAS as provas das Carreiras Jurídicas cobram esse tema. Sempre. É
impressionante ver a frequência com a qual as invalidades são vistas pululando nos certames.
Eu já tratei da teoria das invalidades, em versões anteriores do Curso de Direito Civil, juntamente com a
teoria do fato jurídico em geral. Com o passar do tempo, notei que apesar de ser um item contido dentro de
um tema, ele, por si só, merecia uma aula própria.
Qual a razão? Precisamente por essa peculiaridade de aparecer com frequência altíssima nas provas e ser
cobrado em todas elas. Esse é um tema, portanto, que deve ser dissecado cuidadosamente pelo candidato
que quer ser aprovado, indubitavelmente.
A doutrina mais técnica e acurada critica veementemente – e cá me incluo – a ausência de uma Teoria Geral
das Invalidades. Infelizmente, nosso legislador continuou a ser um tanto “romano”, apelando para a
aplicabilidade muito pragmática dos institutos, descurando dos aspectos mais técnicos.
O CC/2002 avançou bastante em relação ao CC/1916, mas ainda não é possível fazer uma Teoria Geral das
Invalidades dada a existência de um sem-número de exceções. Felizmente, as provas não costumam apelar
para esses meandros, e acabam recaindo em questões que exploram as noções mais gerais e assentadas.
Por isso, a compreensão da “lógica” a respeito da teoria das invalidades ajuda – e muito – você no dia da
prova. Essa “lógica” evita a necessidade de se decorar a miríade de regras aparentemente desconexas
contidas no Código.
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E qual é o ponto do seu Edital que eu analisarei nesta aula? Veja:
Teoria das invalidades
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TEORIA GERAL
IV. FATO JURÍDICO
6. TEORIA DAS INVALIDADES
Os elementos de existência estão presentes (uma pessoa assina um contrato e a outra, após assinar, promete
cumprir certa obrigação), mas é necessário verificar se eles estão perfectibilizados. Se sim, o ato é válido; se
não, se há um deficit, o ato é inválido; validade, portanto, é sinônimo de perfeição do negócio jurídico, em
síntese.
Assim, a invalidade (nulidade ou anulabilidade) é uma sanção àquele que infringe as normas jurídicas, no
plano privado. As normas que invalidam o ato são classificadas como perfeitas, segundo a doutrina.
Vale lembrar que, sob a égide do CC/1916, a doutrina mais clássica não tratava das invalidades, mas das
nulidades. Poderiam ser as nulidades absolutas ou relativas, a depender do grau de nulificação do ato.
Contemporaneamente, de maneira mais técnica, não se fala mais em teoria das nulidades, mas em teoria
das invalidades, que abrangem tanto a sanção mais rígida, a nulidade, quanto a sanção mais branda, a
anulabilidade.
Porém, a terminologia clássica ainda permaneceO Enunciado 290 da IV Jornada de Direito Civil evidencia que a lesão exige que a desproporção seja vista na
formação do negócio jurídico. De outra banda, não se presume a premente necessidade ou a inexperiência
do lesado, que deve ser provada pela parte pretensamente lesada.
A lesão é instituto controvertido, especialmente porque facilmente confundida com o
estado de perigo. Você deve atentar para as diferenças! Primeiro, na lesão ocorrida por
inexperiência, o “lesado” às vezes sequer sabe que está sendo lesado, ou seja, não há
necessidade de se verificar elementos subjetivos (pessoais), mas apenas objetivos
(patrimoniais).
Segundo, e mais importante, a lesão independe de o “lesador” saber do estado de necessidade ou
inexperiência da contraparte; no estado de perigo, a desproporção da obrigação origina-se exatamente
porque eu sei que o outro precisa, sob risco de perder bem jurídico mais importante a ela. Nesse sentido, o
Enunciado 150 da III Jornada de Direito Civil esclarece que o Código Civil não exige dolo de aproveitamento
na lesão.
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Pode ainda o beneficiário manter o negócio, reduzindo a onerosidade a patamar justo, segundo o art. 157,
§2º. De qualquer forma, o juiz deve incitar as partes a evitar a anulação do negócio, na esteira do Enunciado
149 da III Jornada de Direito Civil.
(FUNDATEC / PGM-Porto Alegre - 2016) Em relação às causas de invalidade, é correto afirmar que:
A) A lesão não será decretada caso a parte favorecida aceite a redução do seu proveito.
B) Quando a declaração de vontade emanar de erro não essencial, a invalidade só será decretada por
provocação de uma das partes.
C) Quando as duas partes agirem com dolo, o negócio é considerado nulo de pleno direito, e não
apenas anulável, podendo a declaração de invalidade ser requerida por qualquer uma das partes.
D) O exercício regular de um direito, quando capaz de gerar graves dificuldades à parte contrária,
caracteriza coação.
E) O erro de cálculo vicia o negócio, retirando-lhe todos os efeitos.
Comentários
LESÃO
• Independe do conhecimento da
outra parte
• Patrimonial, não pessoal
• Desproporcionalidade na prestação
ESTADO DE PERIGO
• Dolo da outra parte
• Pessoal, não patrimonial
• Excessiva onerosidade na prestação
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A alternativa A está correta, conforme o art. 157, §2º: “Não se decretará a anulação do negócio, se for
oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito”.
A alternativa B está incorreta, dado que os arts. 138 e 139 permitem a anulação apenas por erro
substancial (ou essencial); se não é substancial (essencial), o negócio jurídico não é anulável, ainda que
por provocação de apenas uma parte.
A alternativa C está incorreta, na forma do art. 150: “Se ambas as partes procederem com dolo,
nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização”.
A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 153: “Não se considera coação a ameaça do
exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial”.
A alternativa E está incorreta, conforme a regra do art. 143: “O erro de cálculo apenas autoriza a
retificação da declaração de vontade”.
2. Objeto
Em realidade, há uma única situação de anulabilidade quanto ao objeto presente nesse início de CC/2002,
a fraude contra credores.
Juntamente com a simulação, a fraude contra credores é classificada como um vício social. Diferentemente
dos vícios de consentimento, que são todos anuláveis, a simulação, vício social, é causa de nulidade; a
fraude contra credores, outro vício social, por sua vez, é anulável, como os vícios de consentimento.
Marcos Bernardes de Mello assim conceitua a fraude contra credores:
Constitui fraude contra credores todo o ato de disposição e oneração de bens, créditos e direitos,
a título gratuito ou oneroso, praticado por devedor insolvente, ou por ele tornado insolvente,
que acarrete redução de seu patrimônio, em prejuízo de credor preexistente.
São cinco os pressupostos de sua constituição:
1. Ato de disposição: redução do patrimônio apto a saldar dívidas, por meio de quaisquer
negócios: doação, venda, dação em pagamento, pagamento de credor quirografário
antecipadamente, perdão de dívida, dar garantias a dívida e renúncia a direitos hereditários,
segundo os arts. 158 e 159;
2. Insolvência ou iminência de insolvência: mesmo grande redução patrimonial não leva à
insolvência, necessariamente, pois o objetivo aqui é assegurar os credores. Ademais, mesmo que
o estado de insolvência seja desconhecido do próprio devedor, fala-se em fraude. A análise é
puramente matemática, na dicção do art. 158;
3. Anterioridade do crédito: a dívida tem de ser anterior ao ato de disposição que leve à
insolvência, segundo o §2º do art. 158;
4. Eventus damni: o evento deve trazer prejuízo, dano, ao credor;
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5. Scientia fraudis: o terceiro, envolvido na fraude, precisa estar a par da intenção fraudatória.
Há situações nas quais o conluio (colusão ou consilium fraudis) é presumido.
A doutrina clássica aponta como quinto requisito o consilium fraudis, que exige prova de manifesta intenção
de lesar o credor, numa aproximação bastante grande com a má-fé. No entanto, na esteira da doutrina
contemporânea, o STJ esposa o entendimento de que tal requisito deve ser substituído pelo scientia
fraudis, ou seja, a comprovação do conhecimento, pelo terceiro adquirente, da situação de insolvência do
devedor.
Em termos práticos, a diferença é enorme. Isso porque a prova de má-fé é sempre extremamente difícil. A
demonstração do consilium fraudis é, na maioria das vezes, impossível, pelo que a adoção da scientia fraudis
é bem menos gravosa ao credor prejudicado.
As ações em relação à fraude contra credores vão variar, conforme sejam dívidas civis (feitas por não-
empresários ou por empresários em dívidas que não sejam próprias da atividade empresarial) ou
empresariais (feitas por empresários na atividade empresarial). O Direito Empresarial apresentará as
soluções ao segundo caso.
Quanto ao Direito Civil é importante mencionar a ação anulatória, também chamada de ação revocatória
ou ação pauliana. Sim, eu tenho uma ação processual com o MEU NOME! E é a única ação no Direito Civil
com um nome =)
A Ação Pauliana independe de instauração de procedimento falimentar. Assim, a prova da fraude (scientia
fraudis) ocorre na própria ação. Veja também que essa ação se restringe aos credores quirografários
lesados. Se o credor tiver garantia fidejussória ou real, não se fala em anulação do ato por fraude contra
credores.
A exceção fica por conta do §1º do art. 158, que permite aos credores com garantias o apelo à fraude contra
credores quando suas garantias se tornarem insuficientes.
Diferentemente do que apontam variadas decisões dos Tribunais, o Enunciado 292 da IV Jornada de Direito
Civil aduz que a anterioridade do crédito exigida pelo art. 158, §2º, é determinada pela causa que lhe dá
origem, independentemente de seu reconhecimento por decisão judicial.
Cuidado! Anulado o ato fraudulento, a vantagem resultante não reverte ao autor da ação, mas em
proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores (art. 165). Se o ato tinha como
objeto apenas atribuir direitos preferenciais (hipoteca, penhor ou anticrese), a invalidade atinge apenas a
preferência indevidamente ajustada,não o negócio principal.
Essa ação não atinge terceiros adquirentes de boa-fé, segundo norma do art. 161. Porém, a ação pode ser
manejada contra o devedor insolvente, quem com ele celebrou a estipulação e terceiros de má-fé
(litisconsórcio passivo necessário):
A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa
que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam
procedido de má-fé.
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Se o credor quirografário receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará
obrigado a repor, em proveito do acervo sobre o qual se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo
que recebeu, nos termos do art. 162 do CC/2002.
Além disso, segundo o art. 163, presumem-se fraudulentas dos direitos dos outros credores as
garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor. Presumivelmente
fraudatórios também os contratos onerosos do devedor insolvente, quando a insolvência for
notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante, evidencia o art. 159.
Porém, presumem-se de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção
de estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família, segundo
o art. 164. Trata-se de imperiosa observância da função social da empresa, evidentemente.
Ademais, se o adquirente ainda não tiver pago o preço, ele se desobriga, depositando os valores em juízo,
permite o art. 160. Mas se o preço for inferior ao de mercado, o adquirente, para conservar os bens, deve
depositar o valor real do bem, e não apenas o preço pago, de modo a evitar prejuízos ao credor.
Por fim, há de se destacar que a fraude contra credores não se confunde com a fraude à execução (prevista
no art. 792 do CPC). Nesta, exige-se a existência de uma demanda, envolvendo credor e devedor, ao passo
que na fraude contra credores é irrelevante haver lide. Na fraude à execução é desnecessário provar o
elemento fraudatório (scientia fraudis, conluio ou colusão), já que há presunção juris et de jure (absoluta) a
esse respeito, desde que já registrada a penhora do bem alienado (Súmula 375 do STJ).
A
n
u
la
b
ili
d
ad
es
1. Sujeito
A. Incapacidade
I. Menoridade relativa (16 a 18 anos)
II. Vício em tóxicos e embriaguez habitual
III. Expressão da vontade maculada
IV. Prodigalidade
B. Imperfeição da
manifestação
I. Erro
II. Dolo
III. Coação
IV. Estado de perigo
V. Lesão
2. Objeto
Fraude contra
credores
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7. CONSERVAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO
Como eu disse anteriormente, o núcleo das anulabilidades está no art. 171. Esse rol, não obstante, é
incompleto, pois faltam as anulabilidades específicas, que estão determinadas na lei e por ela espalhadas.
Igualmente, temos as nulidades virtuais, que estão espalhadas pelo ordenamento jurídico, fora dos casos
estabelecidos textualmente no art. 166.
A despeito dessas situações, em termos mais pragmáticos, nem sempre é razoável que o ato jurídico (lato
sensu) seja desperdiçado, simplesmente porque realizado fora dos padrões gerais juridicamente exigíveis.
Por isso, formulou-se no Direito uma noção de salvamento dos atos anuláveis e de conversão dos atos
nulos.
Isso porque não é incomum que determinado negócio jurídico esteja viciado. As pessoas, geralmente por
desconhecimento das regras jurídicas que tratam dos mais diversos negócios jurídicos, especialmente
aqueles que possuem solenidades ou formas específicas, concluem negócios eivados de nulidade ou
anulabilidade.
É o caso, por exemplo, da compra e venda de ascendente a descendente no qual se necessita da
concordância dos demais herdeiros e do cônjuge do vendedor, sob pena de invalidade por anulabilidade.
Suponha que, a despeito da ausência dessa concordância, o negócio foi feito. Posteriormente, com a
concordância dos demais, faz sentido em anular o negócio e, novamente, refazer o ato?
Obviamente que não, pelo que é possível salvar o negócio jurídico. Como? A base está, nas palavras de
Antonio Junqueira de Azevedo, no princípio da conservação:
O princípio da conservação consiste, pois, em se procurar salvar tudo que é possível num negócio
jurídico concreto, tanto no plano da existência, quanto da validade, quanto da eficácia. Seu
fundamento se prende à própria razão de ser do negócio jurídico.
Pretende-se, assim, evitar o desperdício jurídico e prático de vários atos viciados, sobretudo
em face dos princípios de economicidade, da razoabilidade e da proporcionalidade. O
princípio da conservação está na velha regra do pas de nullité sans grief, ou seja, não se deve
pronunciar a invalidade de um ato se não há prejuízo às partes ou à ordem pública.
Em que pese esse princípio tenha se notabilizado no Direito Penal, ele tem origem no Direito
Privado, mais precisamente no Processo Civil. Essa máxima jurídica foi criada pela jurisprudência do
Parlamento de Toulouse, para evitar o abuso da chicana processual (pois é; já no séc. XVI esse era um
problema), originada de um sistema de nulidades automáticas, afiança Yves Strickler (na obra Procedure
Civile).
Para evitar o abuso do recurso às nulidades automáticas, o Parlamento recorreu a essa máxima. A partir de
então essa regra se disseminou mundo afora, tendo sido rapidamente incorporada ao Direito Privado e,
posteriormente, ao Direito Penal e Processual Penal.
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São duas hipóteses nas quais se aplicará o princípio da conservação no tocante aos negócios jurídicos,
relativamente ao negócio jurídico anulável e nulo, respectivamente.
7.1. CONVALESCIMENTO DO NEGÓCIO JURÍDICO ANULÁVEL
Em que pese o negócio jurídico ser anulável, pode ser que seja mais interessante às partes sanar o vício e
continuar com ele. Nestes casos, pode haver convalescença do negócio jurídico por dois meios:
Cuidado, porque a doutrina do Direito Administrativo, apropriando-se atecnicamente dessas noções, aplicou
o convalescimento do negócio jurídico anulável à Administração Pública. No entanto, o fez de maneira
equivocada, tomando o gênero pela espécie.
O art. 55 da Lei 9.784/1999 toma a convalidação pela sanação. Vale dizer, no Direito Administrativo quando
se diz “convalidar o ato viciado” praticado pela Administração Pública, quer se dizer, em realidade, “ratificar
o ato viciado”, uma das espécies da sanação.
Mesmo a melhor doutrina administrativista incorre no erro, pelo que você precisa prestar máxima atenção!
Nesse sentido, Celso Antonio Bandeira de Mello afiança que só pode ser convalidado (rectius, ratificado) o
ato administrativo inválido que possa ser produzido validamente no presente.
Assim, o Direito Administrativo usa os termos de maneira sinonímia, não os distinguindo
apropriadamente. Convalidar um ato administrativo inválido por meio do saneamento acaba sendo
utilizado como sinônimo de convalidação.
• Ocorre por meio da prescrição (que encobre a pretensão) e da decadência (que encobre
o próprio direito), perfectibilizando o ato anulável, ainda que sem o conhecimento da
parte ou contra sua vontade.
• Seu traço distintivo é que ocorre independentemente de vontade, por meio do ato-fato
jurídico da prescrição e da decadência
1. Convalidação
• Suprimento do defeito por ato de vontade, que pode ser feito de por:
• A. Ratificação: a integração do negócio incompleto, a aquisição superveniente de
requisitoanteriormente faltante, até o momento da perfectibilização do negócio
• B. Confirmação: declaração negocial que requer a renúncia à faculdade de anular o
contrato
2. Saneamento (sanação)
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7.2. CONVERSÃO SUBSTANCIAL DO NEGÓCIO JURÍDICO NULO
A primeira previsão sobre a conversão deu-se com o §140 do BGB, que assim dispunha, em tradução de João
Alberto Schützer Del Nero em sua obra prima, “Conversão substancial do negócio jurídico”:
Presentes num negócio jurídico nulo os requisitos de um outro negócio jurídico, vale o último,
se for de presumir-se que a validade dele, à vista do conhecimento da nulidade, teria sido
querida.
A discussão da conversão do negócio jurídico surgiu já na vigência do CC/1916, mas somente com o CC/2002
foi positivada a conversão, no art. 170, cuja redação muito semelhante ao do §140 do BGB:
Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim
a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.
Evidente, pela disposição acima transcrita, que o suporte fático do negócio a se converter tem de ser
suficiente para o negócio convertido. O Enunciado 13 da I Jornada de Direito Civil sublinha esse aspecto, a
partir da obra de Del Nero: “O aspecto objetivo da convenção requer a existência do suporte fático no
negócio a converter-se”.
Os elementos da conversão são:
Assim, se a função de determinado negócio jurídico é desvirtuada, mas pode ser aceita, desde
que haja uma “correção” no pacto, deve-se primar por sua conservação e manutenção. A boa-
fé objetiva serve, também, para atenuar a excessiva subjetividade do quarto requisito, já que
se importa muito mais com a exteriorização da vontade e as repercussões dessa exteriorização
do que com a intenção dos contratantes.
1. Negócio nulo, mas juridicamente existente
2. Presença no negócio nulo dos requisitos
necessários a um negócio jurídico válido
3. Requisitos apropriados a produzir os
efeitos jurídicos que razoavelmente
satisfaçam os negociantes
4. Fim pretendido pelos negociantes leve à
convicção de que eles teriam querido esse
novo negócio, em lugar daquele que
originariamente fizeram, se houvessem
previsto a sua nulidade
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Por fim, obviamente que não se pode aceitar a conversão nos casos em que as partes, ambas, conheciam
da nulidade do ato, quando a ilicitude do contrato for motivo determinante para ambas as partes
contratarem e quando a nulidade é decretada judicialmente.
Nesse caso, já evidente simulação de ato jurídico no qual ambos agiram dolosamente. Por aplicação
analógica do art. 150, não se pode invalidar o ato nem se pensar em direito de indenização, haja vista que
se premiaria o contratante malicioso.
JURISPRUDÊNCIA CORRELATA
O STJ já reconheceu, mesmo que sob a égide do Código revogado, que não se exclui a possibilidade de a
simulação inocente ser alegada por um dos contraentes. Por se tratar de nulidade, qualquer interessado
pode alegar a simulação, mesmo que seja a parte beneficiária e mesmo que seja o caso de simulação
inocente:
Simulação inocente. Alegação pelos contraentes. A disposição contida no artigo 103 do Código
Civil, entendida em consonância com o artigo 104, não exclui a possibilidade de a simulação
inocente ser alegada por um dos contraentes. Hipótese, entretanto, em que a simulação é
relativa, dissimulando-se em promessa de compra e venda o que seria dação em pagamento.
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Convalescimento do
negócio anulável
Convalidação
Sanação
Ratificação
Confirmação
Conversão substancial do
negócio nulo
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Produção de efeitos como tal, não afetando o resultado da demanda (REsp 243.767/MS, Rel.
Ministro EDUARDO RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/02/2000, DJ 12/06/2000, p. 110).
Ainda que a lide versasse sobre outros temas, o STJ, na ocasião, decidiu tema importantíssimo à análise
desta aula. Em seu voto, o Min. Cesar Asfor Rocha afirma que os atos praticados pelo interditado anteriores
à interdição podem ser anulados, desde que provada a existência de anomalia psíquica – causa da
incapacidade – já no momento em que se praticou o ato que se quer anular.
Mas, como isso é possível, já que “registralmente” falando a pessoa é plenamente capaz? Citando Lopes da
Costa, o relator esclarece que “a única diferença entre um e outro tempo é que, antes da interdição, é
necessário que o interessado na anulação do ato prove as condições em que se achava a contraparte, ao
passo que, depois da interdição, publicada pela inscrição nos Registros Públicos e por editais, para a prova
do estado basta a sentença”.
No âmbito processual, Barbosa Moreira vai no mesmo sentido. Desnecessário é fazer com que a sentença
retroaja para abranger atos pretéritos. Mas, “quanto aos atos anteriores, e só quanto a eles, se faz necessária
a prova de que já existia a anomalia psíquica – causa de incapacidade – no momento em que se praticaram”:
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. PROVA. INTERDIÇÃO. Somente a ausência de
fundamentação, não ocorrente na espécie, é que enseja a decretação de nulidade da sentença
com base no art. 458, II, não a fundamentação sucinta. Sendo o processo anulado por motivo
não referente à prova, esta pode ser utilizada, no mesmo feito, desde que ratificada, em respeito
ao princípio da economia processual. Os atos praticados pelo interditado anteriores à interdição
podem ser anulados, desde que provada a existência de anomalia psíquica - causa da
incapacidade - já no momento em que se praticou o ato que se quer anular (REsp 255.271/GO,
Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 28/11/2000, DJ 05/03/2001, p.
171).
O contrato de doação é, por essência, solene, exigindo a lei, sob pena de nulidade, que seja celebrado por
escritura pública ou instrumento particular, salvo quando tiver por objeto bens móveis e de pequeno valor.
A despeito da inexistência de formalidade essencial, o que, a priori, ensejaria a invalidação da suposta
doação, no caso concreto houve a efetiva tradição de bem móvel fungível (dinheiro), da mãe à filha.
Isso produziu, à época, efeitos na esfera patrimonial de ambas e agora está a produzir efeitos hereditários.
Em situações como essa, o art. 170 autoriza a conversão do negócio jurídico, a fim de que sejam aproveitados
os seus elementos prestantes, considerando que as partes, ao celebrá-lo, têm em vista os efeitos jurídicos
do ato, independentemente da qualificação que o Direito lhe dá (princípio da conservação dos atos
jurídicos).
Com base nisso, o STJ converteu a malfadada doação em um comodato, evitando a perda do negócio
jurídico nulo. Esse é um dos raros casos que já apareceram na jurisprudência a respeito da conversão
substancial do negócio jurídico nulo:
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==64240==
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CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE DOAÇÃO. AUSÊNCIA DE SOLENIDADE ESSENCIAL.
PRODUÇÃO DE EFEITOS. CONVERSÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO NULO. PRINCÍPIO DA
CONSERVAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. CONTRATO DE MÚTUO GRATUITO. ART. ANALISADO: 170
DO CC/02. Na hipótese, sendo nulo o negócio jurídico de doação, o mais consentâneo é que se
lhe converta em um contrato de mútuo gratuito,de fins não econômicos, porquanto é
incontroverso o efetivo empréstimo do bem fungível, por prazo indeterminado, e, de algum
modo, a intenção da beneficiária de restituí-lo. Em sendo o negócio jurídico convertido em
contrato de mútuo, tem a recorrente, com o falecimento da filha, legitimidade ativa e interesse
de agir para cobrar a dívida do espólio, a fim de ter restituída a coisa emprestada (REsp
1225861/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe
26/05/2014).
JORNADAS DE DIREITO CIVIL
O CC/2002 determina que a ação pauliana só cabe para o credor quirografário. A exceção é o credor com
garantia que se torna insuficiente, que pode também apelar para a anulação do negócio jurídico celebrado
em fraude contra credores.
Em se tratando de ação pauliana movida por um credor com garantia real, desnecessário é o
reconhecimento judicial da garantia, afiança o Enunciado 151 da III Jornada de Direito Civil. Isso porque a
verificação da insuficiência da garantia será vista de maneira objetiva e direta pelo juiz:
Enunciado 151
O ajuizamento da ação pauliana pelo credor com garantia real (art. 158, § 1º) prescinde de prévio
reconhecimento judicial da insuficiência da garantia.
O Enunciado 153 do CJF repete, em larga medida, entendimento doutrinário e legal fixado no CC/2002.
Segundo esse entendimento, no caso de simulação relativa, na qual é um negócio dissimulado, é possível
salvar esse negócio. Isso só será possível, porém, se o negócio jurídico dissimulado for válido,
compreendendo-se sua validade nas situações em que não se ofende a lei nem há prejuízos a terceiros:
Enunciado 153
Na simulação relativa, o negócio simulado (aparente) é nulo, mas o dissimulado será válido se
não ofender a lei nem causar prejuízos a terceiros.
Na IV Jornada de Direito Civil, a lesão voltou à tona. Antes de mais nada, um adendo linguístico. O Enunciado
pecou por utilizar o verbo “lesionar” em vez de “lesar” (é, pois é, os civilistas – de vez em quando, mas muito
raramente – erram também!). Lesar, segundo os dicionários Houaiss e Aurélio, significa, apertadamente,
“causar ou sofrer lesão física a alguém ou a si mesmo; ferir ou ferir-se), contundir ou contundir-se”.
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Ou seja, lesionar tem conexão com um pressuposto físico. Os dois dicionários entendem que “lesar” também
tem esse sentido, sendo visto como um sinônimo de “lesionar”, nesses casos. Fato é que o sentido jurídico-
moral do termo não está contido em “lesionar”, mas apenas em “lesar”.
Ao se falar no instituto da lesão, há quem lese outrem, há quem se sinta lesado; felizmente, ninguém sai de
maca do negócio jurídico, lesionado! Superado o elemento linguístico (sim, tenho birra com o uso
inadequado desse termo; não fale “lesionado”, por favor), volto ao Enunciado em si.
O Enunciado determina, de maneira adequada, creio, que o lesado pode pleitear não apenas a anulação do
negócio viciado, mas também sua revisão, de modo a se reduzir o proveito do beneficiário ou o
complemento do preço:
Enunciado 291
Nas hipóteses de lesão previstas no art. 157 do Código Civil, pode o lesionado optar por não
pleitear a anulação do negócio jurídico, deduzindo, desde logo, pretensão com vista à revisão
judicial do negócio por meio da redução do proveito do lesionador ou do complemento do preço.
Enunciado da V Jornada de Direito Civil, ao versar sobre a interpretação do negócio jurídico prevista pelo
art. 13 (“Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração”), amplia o sentido da norma.
Quando se fala em usos e em boa-fé, evidentemente que não se trata dessas noções de maneira genérica,
mas também de maneira relacional. Vale dizer, a boa-fé e os usos levam em consideração também o habitus
havido entre as partes, as práticas adotadas entre os negociantes:
Enunciado 409
Os negócios jurídicos devem ser interpretados não só conforme a boa-fé e os usos do lugar de
sua celebração, mas também de acordo com as práticas habitualmente adotadas entre as partes.
Variados termos do CC/2002 não são precisos, comportando margem de interpretação bastante ampla. É o
caso do art. 157, que, ao prever para a verificação da lesão o requisito da “inexperiência”. Em termos
correntes, inexperiente é aquele que desconhece, que é imaturo em relação a algo.
No entanto, essa inexperiência, em se tratando de negócios jurídicos, deve ser relida de maneira mais ampla.
Assim, apesar de o lesado estipular costumeiramente contratos, pode ele ser considerado inexperiente se
não tiver conhecimento específico sobre o negócio em causa, afirma o Enunciado 410 do CJF:
Enunciado 410
A inexperiência a que se refere o art. 157 não deve necessariamente significar imaturidade ou
desconhecimento em relação à prática de negócios jurídicos em geral, podendo ocorrer também
quando o lesado, ainda que estipule contratos costumeiramente, não tenha conhecimento
específico sobre o negócio em causa.
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A tradição brasileira afirma que a nulidade, por ser vício insanável, com fundamento na ordem pública,
conduz à absoluta ineficácia do negócio jurídico, sendo o art. 169. No entanto, o próprio CC/2002 relativiza
essa conclusão ao reconhecer, em diversos dispositivos, a possibilidade de negócios nulos produzirem
efeitos merecedores de tutela pelo ordenamento.
Exemplo é o art. 182 que, ao dispor sobre a indenização com o equivalente, considera que o negócio nulo
pode ter produzido efeitos perante terceiros de boa-fé. Outro exemplo é o art. 1.561, que assegura ao
casamento putativo a produção de efeitos até o reconhecimento da invalidade. A jurisprudência do STJ
também relativiza a regra do art. 169 em casos em que a ordem social justifica a preservação dos efeitos
produzidos pelo ato nulo, como ocorre na “adoção à brasileira”.
Além disso, o Código consagrou o princípio da conservação do negócio jurídico nulo e anulável nos arts. 170,
172 e 184. Por isso, impõe-se que se busque, sempre que possível, a preservação dos negócios e seus efeitos
de modo a proteger os que, de boa-fé, confiaram na estabilidade das relações jurídicas e também a prestigiar
a função social do contrato.
É necessário, assim, reler a tese da ineficácia absoluta da nulidade à luz dos valores e interesses envolvidos
no caso concreto. Certo é que somente se justifica a incidência do art. 169 quando o interesse subjacente à
causa da nulidade se mostrar mais relevante para o ordenamento do que o interesse social na preservação
do negócio jurídico.
Consequentemente, compete ao juízo de merecimento de tutela, por meio do controle funcional da
invalidade, o reconhecimento dos efeitos decorrentes do negócio nulo, prevê o Enunciado 537 do CJF:
Enunciado 537
A previsão contida no art. 169 não impossibilita que, excepcionalmente, negócios jurídicos nulos
produzam efeitos a serem preservados quando justificados por interesses merecedores de
tutela.
O art. 178, embora estabeleça o mesmo prazo decadencial de 4 anos para todos os casos de anulabilidade
previstos, de forma agrupada, no art. 171, prevê termos iniciais distintos, a depender da hipótese versada.
Assim é que, havendo erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, o prazo para pleitear a
anulação se conta da celebração do negócio jurídico. Já na hipótese de coação, o prazo tem início no “dia
em que ela cessar”, ao passo que, em se tratando de ato praticado por incapaz, o dies a quo é o da cessação
da incapacidade.
O art. 179, por seu turno, versando sobre os demais casos de anulabilidade dispersos pelo código, unificanão apenas o prazo para demandar a anulação – 2 anos –, mas também seu termo a quo, que coincidirá, em
todas aquelas hipóteses, com a “data da conclusão do ato”, salvo disposição legal em contrário.
Sucede que, entre as anulabilidades espalhadas pelo Código, há aquelas que resultam da proteção
dispensada a interesses de terceiros não envolvidos na celebração do negócio jurídico. É o que ocorre, por
exemplo, na venda de ascendente a descendente sem a anuência dos demais descendentes do alienante
(art. 496).
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Ora, exatamente porque os descendentes, enquanto vivo o autor da herança, não são credores dos
respectivos quinhões (tendo, em relação a estes, apenas expectativa), não se pode exigir deles nenhuma
postura de “vigilância” sobre os atos de seus ascendentes. Daí não ser incomum que a celebração de compra
e venda com infringência ao art. 496 apenas venha ao conhecimento dos prejudicados anos depois, quando
da abertura da sucessão.
Frustra-se, assim, por inação, que não se pode imputar a eventual desídia dos interessados, a finalidade da
regra. Desse modo, a fim de resguardar a efetividade dos dispositivos legais a que se aplica o prazo
decadencial previsto no art. 179 do Código Civil, é razoável e conveniente que se o interprete de maneira
a compreender que no que diz respeito a terceiros eventualmente prejudicados, o prazo decadencial d o
art. 179 se conta da ciência do ato, esclarece Enunciado da VI Jornada de Direito Civil:
Enunciado 538
No que diz respeito a terceiros eventualmente prejudicados, o prazo decadencial de que trata o
art. 179 do Código Civil não se conta da celebração do negócio jurídico, mas da ciência que dele
tiverem.
Com o advento do CC/ 2002 e o fortalecimento do princípio da boa-fé nas relações jurídicas, o “vício social”
da simulação passou a receber tratamento jurídico distinto daquele conferido aos demais vícios do negócio
jurídico. Diferentemente das consequências impostas aos negócios jurídicos que contenham os vícios do
erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores, os quais podem ensejar a anulação do
negócio, no caso do negócio jurídico simulado, a consequência será a de nulidade.
Ocorre que ainda tem sido frequente, no âmbito dos tribunais, aplicar-se à simulação tratamento jurídico
análogo àquele conferido à fraude contra credores, invocando-se, inclusive, a Súmula 195 do STJ (de 1997).
Contudo, salvo melhor juízo, referido tratamento jurídico conferido à simulação mostra-se equivocado na
vigência do CC/2002, pois tecnicamente a simulação não se encontra mais inserida no capítulo destinado a
tratar dos “defeitos do negócio jurídico”, mas sim no capítulo seguinte, que regula o sistema das invalidades
do negócio jurídico.
Assim, tratando-se de hipótese que gera a nulidade do negócio, aplicam-se o disposto no art. 168, caput e
parágrafo único, e no art. 169, os quais estabelecem, inclusive, que o juiz deve se pronunciar a respeito de
hipótese de nulidade “quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas”,
pronunciando-se, portanto, de ofício. Por isso, a simulação não exige ação própria:
Enunciado 578
Sendo a simulação causa de nulidade do negócio jurídico, sua alegação prescinde de ação
própria.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final desta aula! A rigor, os temas que envolvem as invalidades não são difíceis, mas como a
maioria está habituada a estudá-los de maneira dispersa, a dificuldade aumenta.
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Uma boa compreensão da teoria do fato jurídico, repiso aqui, facilita incomensuravelmente o entendimento
da “lógica” que ilumina a teoria das invalidades. Ainda que não se possa fazer uma teoria geral, a teoria do
fato jurídico é ímpar ao trazer uma “lógica” de raciocínio que evita numerosos problemas e dificuldades.
Tome cuidado com alguns dos Enunciados do CJF, que acabam transbordando e mesmo contrariando a
dicção literal do CC/2002 e alguns entendimentos doutrinários mais arraigados. De qualquer forma, você
pôde ver que as invalidades são temas nitidamente legislativo-doutrinários. Pouquíssima jurisprudência há
a respeito.
A doutrina tem papel fundamental aqui e eu procurei trazer, sempre que necessário, quais eram as
divergências e dentre elas quais são possivelmente objeto de prova e gabarito do examinador.
Quaisquer dúvidas, sugestões, críticas ou mesmo elogios, não hesite em entrar em contato comigo. Estou
disponível preferencialmente no Fórum de Dúvidas do Curso, mas também nas redes sociais, claro. Estou
aguardando você na próxima aula. Até lá!
Paulo H M Sousa
QUESTÕES COMENTADAS
Além das questões vistas ao longo da aula, agora você agora terá uma longa lista de questões para treino.
Eu as apresento assim: a. questões sem comentários; b. gabaritos das questões; c. questões com
comentários. Mesmo as questões vistas na aula estarão nessa bateria, para que você faça o máximo de
exercícios que puder. Lembre-se de que as questões comentadas são parte fundamental do seu
aprendizado com nosso material eletrônico!
Se você quer testar seus conhecimentos, faça as questões sem os comentários, anote os gabaritos e confira
com o gabarito apresentado; nas que você não sabia responder, chutou, ou ficou com dúvida, vá aos
comentários. Se preferir, passe diretamente às questões comentadas!
Defensor
(FGV/ DPE-RJ - 2021) Ângelo, médico, pai de Fernando, vê-se em uma emergência médica com seu
filho, que sofreu grave acidente doméstico. Imediatamente leva seu filho ao pronto-atendimento de
unidade hospitalar particular. Fernando não possui plano de saúde e Ângelo vai arcar diretamente com
as despesas do tratamento. Diagnosticou-se, na triagem, que o paciente deveria ser imediatamente
internado, pois corre risco de morte. Na recepção do hospital, Ângelo é surpreendido com a cobrança
da diária de internação em altíssimo valor, mas, para salvar seu filho, não hesita e assina autorização
de internação, obrigando-se ao pagamento. Posteriormente, Ângelo descobre que a diária cobrada, na
ocasião, estava dez vezes superior à média dos hospitais daquele porte e naquela época.
A respeito dos direitos de Ângelo, é correto afirmar que:
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a) por ter sido praticado sob premente necessidade, o negócio jurídico é nulo, desde seu nascedouro,
podendo a nulidade ser suscitada por qualquer interessado ou pelo Ministério Público, quando lhe couber
intervir;
b) Ângelo, em situação imprevisível e inevitável, obrigou-se a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta, podendo suscitar a anulabilidade do negócio em até cinco anos a contar de sua
celebração;
c) Ângelo, sob premente necessidade, obrigou-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta, podendo suscitar a anulabilidade do negócio em até quatro anos a contar de sua
celebração;
d) Ângelo, por ser médico, tem experiência e conhecimento das regras de mercado e teria condições plenas
de avaliar, consciente e livremente, as condições no momento da contratação, não podendo reclamar
indenização posterior;
e) Ângelo e o hospital não podem, em razão da anulabilidade em que recai sobre o negócio, celebrar acordo
posterior para confirmar o conteúdo do negócio, nos seus termos iniciais, limitando-se a autonomia privada
das partes para essa transação, em razão de norma de ordem pública.
Comentários
A alternativa C está correta,pois, de acordo com o art. 156 do CC/2002, a situação trata-se de estado de
perigo ("Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa
de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa"),
sendo assim, o prazo para o pleito da anulação é de quatro anos, nos termos do art. 178, inc. II, do CC (" É
de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: no de erro,
dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico").
Consequentemente, as alternativas A, B, D e E estão incorretas.
(CESPE / DPE-PE - 2018) Nonato ficou desempregado e deixou de pagar as prestações do financiamento
de sua única casa. Na iminência de ter a sua residência leiloada e sem outro local para morar com a
família, Nonato procurou Raimundo e a ele vendeu o seu veículo por R$ 5.000; o valor de mercado do
veículo era R$ 25.000 e Raimundo sabia da desesperada situação financeira de Nonato. Três anos
depois, Nonato procurou a Defensoria Pública com o intuito de reaver o seu veículo.
Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Operou-se a decadência para discutir a venda do veículo: o prazo decadencial para anular o negócio
jurídico em virtude de vício de consentimento é de dois anos.
b) O negócio jurídico realizado por Nonato e Raimundo é anulável pelo vício de consentimento da lesão.
c) Trata-se de anulação de negócio jurídico por vício de consentimento, então, dessa forma, não é possível
a revisão do contrato para que Raimundo pague pelo veículo o valor de mercado da época da realização do
negócio.
d) O negócio jurídico é anulável pelo dolo, já que Raimundo se aproveitou da situação desesperadora de
Nonato.
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e) O caso é de anulação de negócio jurídico pelo estado de perigo: Nonato, sob premente perigo de perder
seu único imóvel, assumiu obrigação excessivamente onerosa.
Comentários
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 178, inc. II: “É de quatro anos o prazo de decadência para
pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de
perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico”.
A alternativa B está correta, porque o caso se amolda à hipótese do art. 157: “Ocorre a lesão quando uma
pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente
desproporcional ao valor da prestação oposta”.
A alternativa C está incorreta, pois, tratando-se de lesão, “não se decretará a anulação do negócio, se for
oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito” (art. 157,
§2º, CC).
A alternativa D está incorreta, não se tratando de dolo, uma vez que Nonato não foi induzido a erro.
A alternativa E está incorreta, não se podendo confundir lesão com estado de perigo, porquanto esta
hipótese, descrita no art. 156, configura-se quando “alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a
pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente
onerosa”.
(FCC / DPE-PR - 2017) Considere as assertivas abaixo.
I. É possível confirmar um ato a priori anulável, tornando-o válido a posteriori, como na hipótese em que um
menor de idade compra um bem e, ao atingir a sua maioridade civil, confirma esse negócio jurídico,
ressalvado direito de terceiro.
II. Um determinado contrato nulo pode ser convertido em contrato válido, como na hipótese de compra e
venda de bem imóvel, com valor superior a trinta vezes o maior salário-mínimo vigente no país, sem a
lavratura de escritura pública; perfazendo-se apenas em compromisso de compra e venda.
III. A invalidade parcial de um negócio jurídico o prejudicará em sua totalidade, ainda que seja possível
separar a parte válida da inválida.
IV. Entre duas interpretações possíveis da declaração de vontade, uma que prive de validade e outra que lhe
assegure a validade, há de ser adotada a última.
Segundo o Código Civil, está correto o que se afirma APENAS em
a) III e IV.
b) II, III e IV.
c) I, II e IV.
d) II e IV.
e) I e III.
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Comentários
Essa questão posteriormente revista pela banca, conforme previ. Originalmente, tinha-se considerado o item
I correto, mas depois o excluiu da resposta final, consignando a letra D como correta
O item I está incorreto, tratando a questão de convalidação, possibilidade que pode ser depreendida da
leitura conjunta dos arts. 171, inc. I (“Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio
jurídico por incapacidade relativa do agente”) e 172 (“O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes,
salvo direito de terceiro”). No entanto, a questão não menciona a idade do “menor de idade”, pelo que se
ele for menor de 16 anos será reputado absolutamente incapaz e, consequentemente, o negócio jurídico
será nulo, impassível de convalidação a posteriori e nem mesmo de conversão substancial.
O item II está correto, segundo o art. 170: “Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro,
subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem
previsto a nulidade”. No caso, há o vício da forma para se perfectibilizar a compra e venda, porém, poderá
o contrato ser convertido em promessa de compra e venda, uma vez que esta não exige a forma pública.
O item III está incorreto, de acordo com o art. 184: “Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial
de um negócio jurídico não o prejudicará na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação
principal implica a das obrigações acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal”.
O item IV está correto, pois se trata do princípio da conservação do negócio jurídico, previsto no art. 144:
“O erro não prejudica a validade do negócio jurídico quando a pessoa, a quem a manifestação de vontade
se dirige, se oferecer para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante”.
A resposta correta, portanto, é a alternativa D.
(FCC / DPE-BA - 2016) Hugo, ao descobrir que sua filha precisava de uma cirurgia de urgência, emite ao
hospital, por exigência deste, um cheque no valor de cem mil reais. Após a realização do procedimento,
Hugo descobriu que o valor comumente cobrado para a mesma cirurgia é de sete mil reais. Agora, está
sendo cobrado pelo cheque emitido e, não tendo a mínima condição de arcar com o pagamento da
cártula, procura a Defensoria Pública de sua cidade. Diante desta situação, é possível buscar
judicialmente a anulação do negócio com a alegação de vício do consentimento chamado de
a) coação.
b) erro substancial.
c) lesão.
d) estado de perigo.
e) dolo.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que a coação exige um ato do coator, e não meramente uma exigência para
que atue.
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A alternativa B está incorreta, dado que Hugo não teve representação mental da realidade incorreta, ao
contrário, justamente por ver o perigo de dano iminente é que tomou a atitude mencionada no exercício.
A alternativa C está incorreta, porque, apesar de haver um componente de lesão no caso, o ponto principal
é a necessidade de salvar sua filha, que configura o caso de estado de perigo, e não mera lesão.
A alternativaD está correta, na forma do art. 156: “Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido
da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume
obrigação excessivamente onerosa”.
A alternativa E está incorreta, porque não foi o Hospital a incutir uma realidade distorcida em Hugo, mas
apenas a exigir prestação excessivamente onerosa.
(FCC / DPE-PB - 2014) Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do
valor de mercado. Tal negócio é
a) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das partes.
b) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela vontade das partes.
c) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das partes.
d) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela vontade das partes.
e) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade das partes.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que o exercício não traz informação alguma sobre João ter sido coagido a
vender o bem; simplesmente se diz que ele o vendeu por um terço do valor.
A alternativa B está incorreta, porque o exercício não menciona, em momento algum, que João passava por
necessidade premente de salvar a si ou familiar, de qualquer natureza, mas apenas por necessidade
financeira.
A alternativa C está correta, pois, neste caso, ocorreu lesão, já que é possível visualizar a manifesta
desproporção entre a prestação e a contraprestação, dando-se o negócio por premente necessidade
financeira de João.
A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa B, acima.
A alternativa E está incorreta, porque, apesar de se tratar de situação de lesão, pode o negócio ser
convalidado pelas partes, a teor do art. 157, § 2º, quando a contraparte reduzir equitativamente o valor da
prestação, readequando o negócio.
(FCC / DPE-RS - 2014) Conforme a teoria das invalidades e as categorias sistematizadas pelo Código
Civil de 2002, considera-se como nulidade absoluta a situação em que o sujeito
a) confessa dívida em favor de amigo para fraudar a esposa deste em processo de separação.
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b) assina caução excessivamente onerosa a instituição hospitalar por estar premido da necessidade de salvar
familiar.
c) adquire bem com qualidade essencial que este não possui, em razão de induzimento doloso por parte do
vendedor.
d) realiza negócio jurídico contra sua vontade, em razão de ameaça praticada pelo declaratário contra o
declarante e sua família.
e) pratica doação de patrimônio que o coloca em situação de insolvência, com o objetivo de prejudicar
credores.
Comentários
Apesar de ser de 2014, esse exercício ainda usa a nominação dos vícios do CC/1916, distinguindo as nulidades
absolutas das nulidades relativas, atualmente nominadas de nulidades e anulabilidades, respectivamente.
A alternativa A está correta. Que vício é esse? A alternativa tem uma PEGADINHA maldosa, já que fala em
“fraudar”. Na realidade, o que o sujeito fez? Ele simulou um negócio. Segundo o art. 167, § 1º, inc. I: “Haverá
simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas
daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem”.
A alternativa B está incorreta, já que este é um caso de estado de perigo, cujo defeito gera a anulabilidade
e não nulidade (“Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de
salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação
excessivamente onerosa”).
A alternativa C está incorreta, pois temos aí um caso de dolo, também anulável (“Art. 145. São os negócios
jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa”).
A alternativa D está incorreta, porque essa situação retrata a coação, mais uma vez, anulável (“Art. 151. A
coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano
iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens”).
A alternativa E está incorreta, dado que a fraude contra credores, igualmente, gera anulação do negócio, e
não sua nulidade (“Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os
praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser
anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”).
(FCC / DPE-AM - 2013) São nulos os atos
a) praticados com a reserva mental de se descumprir a avença, tenha ou não conhecimento do fato o
destinatário da manifestação.
b) emanados de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das
circunstâncias do negócio.
c) quando a lei taxativamente os declarar nulos ou lhes proibir a prática sem cominar sanção.
d) praticados sob coação ou em fraude contra credores.
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e) praticados pelos relativamente incapazes.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que, segundo o art. 110, “A manifestação de vontade subsiste ainda que o
seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha
conhecimento”.
A alternativa B está incorreta, a teor do art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações
de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em
face das circunstâncias do negócio.”
A alternativa C está correta, de acordo com o art. 166, inc. VII: “É nulo o negócio jurídico quando a lei
taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção."
A alternativa D está incorreta, na forma do art. 171, inc. II: “Além dos casos expressamente declarados na
lei, é anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude
contra credores.”
A alternativa E está incorreta, consoante regra do art. 171, inc. I: “Além dos casos expressamente declarados
na lei, é anulável o negócio jurídico por incapacidade relativa do agente”.
(FCC – DPE/PR – Defensor Público – 2012) Devido a dificuldades financeiras, Andrei teve de penhorar
antigo relógio deixado de herança pelo seu falecido pai. O bem foi repassado a terceiro, deixando
Andrei com um grande sentimento de culpa pelo ocorrido. Contudo, durante um almoço, Andrei vê o
relógio que julga ser aquele que pertenceu ao seu genitor na posse de Marcus, seu colega de trabalho.
Informando ao colega detalhes da história familiar e que possui a relojoaria como hobby, devido ao
aprendizado que teve com seu pai, relojeiro de profissão, Andrei questiona Marcus “se este venderia
o relógio que era do seu pai pelo valor X”, o que é aceito pelo vendedor, que silencia tratar-se de peça
que jamais pertenceu a família de Andrei, fato que vem a ser constatado pelo menos três semanas
após a aquisição. O adquirente sentiu-se lesado por ter pago preço que considera desproporcional pelo
bem, o qual não iria adquirir em razão da ausência de identidade do objeto adquirido. Trata-se de
hipótese de
a) nulidade do negócio jurídico por simulação relativa.
b) anulabilidade do negócio jurídico por erro essencial de Andrei.
c) anulabilidade do negócio jurídico por dolo substancial praticado de forma omissiva por
Marcus.
d) inexistência do negócio jurídico, por inidoneidade do objeto.
e) anulabilidade do negócio jurídico pela configuração de lesão.
Comentários
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A alternativa A está incorreta, pois o caso não representa hipótese de simulação. Nesta, é preciso que o
comprador também tenha ciência de que o negócio jurídico realizado não corresponde ao declarado. No
caso, o comprador não tinha ciência do fato escondido pelo vendedor.
A alternativa B está incorreta, visto que não se trata de erro essencial de Andrei. Embora Andrei até tenha
errado quanto à qualidade do objeto que pretendia adquirir, o vendedor sabia de tal erro e, mesmo assim,
silenciou a respeito. No erro, a pessoa “erra sozinha”, ninguém omite ou a induz a fazer algo, como no caso
da questão.
A alternativa C está correta. O caso enunciado trata de dolo omissivo por parte do vendedor, ciente do que
motivou o comprador a adquirir o relógio. Sobre o dolo omissivo, dispõe o artigo 147: “Nos negócios jurídicos
bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja
ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado”.
A alternativa D está incorreta, já que o negócio jurídico existiu e o objeto era idôneo, embora não
correspondesse ao que o comprador acreditava que fosse.
A alternativa E está incorreta, vez que o comprador não estava sob premente necessidade e nem era
inexperiente. Ele apenas foi induzido a acreditar que, realmente, o objeto que pretendia comprar era de seu
pai por omissão do vendedor. Configura-se a lesão, segundo o art. 157: “Ocorre a lesão quando uma pessoa,
sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta.
(FCC / DPE-PR - 2012) Devido a dificuldades financeiras, Andrei teve de penhorar antigo relógio
deixado de herança pelo seu falecido pai. O bem foi repassado a terceiro, deixando Andrei com um
grande sentimento de culpa pelo ocorrido. Contudo, durante um almoço, Andrei vê o relógio que julga
ser aquele que pertenceu ao seu genitor na posse de Marcus, seu colega de trabalho. Informando ao
colega detalhes da história familiar e que possui a relojoaria como hobby, devido ao aprendizado que
teve com seu pai, relojoeiro de profissão, Andrei questiona Marcus “se este venderia o relógio que era
do seu pai pelo valor X”, o que é aceito pelo vendedor, que silencia tratar-se de peça que jamais
pertenceu a família de Andrei, fato que vem a ser constatado pelo mesmo três semanas após a
aquisição. O adquirente sentiu-se lesado por ter pago preço que considera desproporcional pelo bem,
o qual não iria adquirir em razão da ausência de identidade do objeto adquirido. Trata-se de hipótese
de
a) nulidade do negócio jurídico por simulação relativa.
b) anulabilidade do negócio jurídico por erro essencial de Andrei.
c) anulabilidade do negócio jurídico por dolo substancial praticado de forma omissiva por Marcus.
d) inexistência do negócio jurídico, por inidoneidade do objeto.
e) anulabilidade do negócio jurídico pela configuração de lesão.
Comentários
A alternativa A está incorreta, dado que no negócio em questão não houve simulação por outro,
dissimulado.
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A alternativa B está incorreta, quase correta. De fato, houve erro de Andrei, por sua falsa representação
mental, mas como ele mencionou tal fato e o alienante nada disse, o erro é afastado.
A alternativa C está correta, já que Marcus, ao silenciar, reforçou o erro de Andrei, omissivamente.
A alternativa D está incorreta, porque o objeto em questão era plenamente lícito, possível e determinado.
A alternativa E está incorreta, pois não houve qualquer desequilíbrio na prestação realizada.
(Instituto Cidades / DPE-AM - 2011) Dentre os defeitos do negócio jurídico, o direito elenca aqueles
relacionados aos vícios de consentimento. Desses, é correto afirmar que o erro
a) de direito é admitido no direito brasileiro para o não cumprimento do negócio, eximindo-se o interessado
do cumprimento da lei.
b) de direito sobre o motivo do negócio, é admitido e dá causa à sua anulação quando for seu motivo
principal, não afastando o cumprimento da lei.
c) de direito enquanto exceptio ignorantiae juris não afasta os efeitos da lei e do negócio em casos em que
ficar demonstrada sua existência.
d) referente à lei torna o negócio válido, mas essa lei aplicável a ele não será de cumprimento obrigatório.
e) consubstancia exceptio ignorantiae juris, impedindo os efeitos da lei quando demonstrada a sua
ignorância no negócio jurídico.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois o erro de direito não pode afastar o cumprimento da lei. Nesse sentido,
vide o art. 139, inc. III: “O erro é substancial quando, sendo de direito e não implicando recusa à aplicação
da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico”.
A alternativa B está correta, pelas mesmas razões adiantadas já na alternativa A.
A alternativa C está incorreta, porque apesar de não afastar o cumprimento da lei, o erro de direito é causa
de anulação do negócio, que é afastado.
A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões adiantadas já na alternativa A.
A alternativa E está incorreta, exatamente pela mesma razão da alternativa C, mas de modo inverso, porque
apesar de ser causa de anulação do negócio, que é afastado, não pode o erro de direito ser usado para
afastar o cumprimento da lei.
(CESPE / DPU - 2010) André, em situação de risco de morte, concordou em pagar honorários excessivos
a médico-cirurgião que se encontrava de plantão, sob a promessa de que o procedimento cirúrgico
imediato lhe salvaria a vida. Com relação a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
O referido negócio está viciado pela ocorrência de estado de perigo e o dolo de aproveitamento por parte
do médico é essencial à sua configuração.
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Comentários
O item está correto, já que para a configuração do estado de perigo devem convergir o dano, a urgência e
gravidade do dano/risco, a relação de causalidade, o dolo da contraparte e a excessiva onerosidade.
(CESPE / DPU - 2010) André, em situação de risco de morte, concordou em pagar honorários excessivos
a médico-cirurgião que se encontrava de plantão, sob a promessa de que o procedimento cirúrgico
imediato lhe salvaria a vida. Com relação a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
Para anulação do referido negócio, faz-se necessária a comprovação da inexperiência de André́.
Comentários
O item está incorreto, dado que a inexperiência é pressuposto da lesão, como veremos adiante.
(CESPE / DPE-BA - 2010) Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios
jurídicos.
Caso o declaratário desconheça o grave dano a que se expõe o declarante ou pessoa de sua família, não
ficará caracterizado o estado de perigo.
Comentários
O item está correto, já que, deve haver dolo da contraparte, ou seja, o outro tem de saber que a pessoa faria
o negócio a qualquer custo.
(CESPE / DPE-BA - 2010) Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios
jurídicos.
Para que se caracterize lesão ao negócio jurídico, a desproporção entre a obrigação assumida pela parte
declarante e a prestação oposta deve ser mensurada no momento da constituição do negócio.
Comentários
O item está correto, já que a lesão se verifica no momento da assunção da obrigação, que será
desproporcional.
(CESPE / DPU - 2005) A lesão inclui-se entreos vícios de consentimento e acarreta a anulabilidade do
negócio, permitindo-se, porém, para evitá-la, a oferta de suplemento suficiente ou, se o favorecido
concordar, a redução da vantagem, aproveitando-se, assim, o negócio.
Comentários
O item está correto, na forma do art. 157, §2º: “Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido
suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito”.
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Procurador
(IADES / AL-GO - 2019) Quando uma pessoa, sob premente necessidade ou inexperiência, se obriga a
prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, ocorre o defeito do negócio
jurídico denominado
a) erro.
b) dolo.
c) lesão.
d) estado de perigo.
e) coação.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois de acordo com o art. 138, resta caracterizado o erro quando “as
declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência
normal, em face das circunstâncias do negócio”.
A alternativa B está incorreta, porque se caracteriza como dolo o ato praticado por uma parte destinado a
enganar a outra na relação jurídica, gerando benefício para o agente do dolo ou para terceiro.
A alternativa C está correta, de acordo com o art. 157: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta”.
A alternativa D está incorreta, segundo preconiza o art. 156: “Configura-se o estado de perigo quando
alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela
outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa”.
A alternativa E está incorreta, já que o art. 151 explicita que, para que reste caracterizada a coação, “há de
ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família,
ou aos seus bens”, o que não é observado na hipótese apresentada pela questão.
(UFPR – PGM/Curitiba – Procurador Municipal – 2019) Maria, aos 20 anos, grávida em avançado
estágio gestacional, preocupa-se em adquirir alguns itens básicos do enxoval de seu bebê (como alguns
pacotes de fraldas, pomadas, um carrinho de bebê, berço e algumas roupas). No entanto, encontra-se
desempregada e suas economias não são suficientes para arcar com os gastos necessários. João, seu
vizinho, sabendo de sua premente necessidade de recursos, sugere que Maria faça um bazar de alguns
de seus itens pessoais e oferece-se para comprar um relógio antigo que Maria mantinha em casa,
herança de sua bisavó, pelo valor de R$ 300,00. A peça sempre foi seu objeto de desejo, e João, que
era um colecionador, sabia que estava oferecendo um preço muito abaixo do preço de mercado.
Maria, que desconhecia o valor real do objeto e estava desesperada por recursos, aceita o negócio.
Quando vai a uma loja de antiguidades em busca de um berço usado, encontra relógio idêntico sendo
vendido por R$ 3.000,00. O negócio jurídico em questão é:
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a) válido, sendo que as condições pactuadas resultaram da livre negociação dos agentes, não cabendo ao
judiciário corrigir erros de avaliação praticados por uma das partes.
b) ineficaz, uma vez que a desproporcionalidade das prestações no caso concreto suspende a eficácia do
negócio jurídico até que seja oferecido suplemento suficiente.
c) nulo, uma vez que João aproveitou-se da necessidade de Maria e de sua inexperiência quanto ao valor de
peças antigas colecionáveis para obter vantagem desproporcional.
d) anulável, pois a desproporcionalidade das prestações deveu-se à vontade viciada de Maria, em razão de
sua premente necessidade e inexperiência. Tal vício, no entanto, poderá ser sanado se João oferecer
suplemento suficiente.
e) anulável, em razão do erro, quanto à qualidade essencial do objeto, cometido por Maria
Comentários
A alternativa A está incorreta, visto que Maria sofreu lesão, dado que não tinha experiência e
precisava do dinheiro, conforme previsão do art. 157: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob
premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente
desproporcional ao valor da prestação oposta”. Assim, o negócio jurídico é anulável, dado o que
dispõe o art. 171, inc. II: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio
jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra
credores”.
A alternativa B está incorreta, pois o negócio é anulável, não ineficaz.
A alternativa C está incorreta, dado que o negócio é anulável, não nulo.
A alternativa D está correta, pois se trata de lesão, conforme o art. 157, §2º: “Não se decretará a anulação
do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do
proveito”.
A alternativa E está incorreta, pois no caso ocorreu lesão, não erro, dado que Maria não tinha conhecimento
sobre o valor do objeto.
(CESPE – SEFAZ/RS – Auditor Fiscal – 2019) Julia e Mateus, noivos e sem experiência acerca de imóveis,
decidiram comprar um apartamento. André, corretor de imóveis que os atendeu, percebendo a
inexperiência do casal, alterou o valor do contrato de venda e compra do imóvel para três vezes acima
do preço de mercado. O contrato foi celebrado e, no ano seguinte, após terem pago a maior parte das
parcelas, em uma conversa com um amigo corretor de imóveis, Julia e Mateus descobriram o caráter
abusivo do valor entabulado e decidiram ajuizar uma ação com o objetivo de permanecerem no imóvel
e serem ressarcidos somente do valor excedente já pago.
Considerando a situação hipotética, em conformidade com o disposto no Código Civil, deve ser alegado em
juízo que o negócio jurídico celebrado tem como defeito
a)o estado de perigo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico.
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b) a coação, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico.
c) o erro ou a ignorância, sendo possíveis a revisão judicial e a anulação d negócio jurídico.
d) a lesão, sendo possíveis a revisão judicial bem como a anulação do negócio jurídico.
e) o dolo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois o estado de perigo caracteriza-se quando a pessoa assume obrigação
excessivamente onerosa, por necessidade de salvar-se ou a alguém de sua família, de um dano conhecido
pela outra parte (art. 156).
A alternativa B está incorreta, dado que a coação causa temor de um possível dano a pessoa, a sua família
ou aos seus bens (art. 151).
A alternativa C está incorreta, pois no erro ou ignorância, a própria pessoa o comete, sem influência de
outrem (art. 138).
A alternativa D está correta, visto que a lesão ocorre por inexperiência ou necessidade, situação na qual a
pessoa assume obrigação desproporcional (art. 157). Ainda, o §2º do mesmo artigo determina que o
contrato pode ser revisto, não se procedendo à anulação.
A alternativa E está incorreta, já que o dolo consiste em levar o outro, de forma intencional, a celebrar um
contrato que lhe seja prejudicial.
(VUNESP / PGE-SP - 2018) O ato de assumir obrigação excessivamente onerosa, premido pela
necessidade de salvar-se ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outraparte,
caracteriza:
a) estado de perigo, sujeito ao prazo decadencial de 4 anos para declaração da sua nulidade, contado da
cessação do risco.
b) lesão, sujeita ao prazo prescricional de 4 anos para declaração da sua nulidade, contado da cessação do
risco.
c) estado de perigo, sujeito ao prazo decadencial de 4 anos para sua desconstituição, contado da data da
celebração do negócio jurídico.
d) lesão, sujeita ao prazo decadencial de 4 anos para sua desconstituição, contado da data da celebração do
negócio jurídico.
e) lesão, que torna o negócio jurídico ineficaz enquanto não promovido o reequilíbrio econômico do contrato
em sede judicial.
Comentários
A alternativa A está incorreta, pois apesar de se tratar de estado de perigo, não se fala em nulidade do ato
e a contagem está igualmente incorreta, segundo o art. 178, inc. II: “É de quatro anos o prazo de decadência
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para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de
perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico”.
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 157: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta”.
A alternativa C está correta, pela conjugação do supracitado art. 178, inc. II, com o art. 156 (“Configura-se o
estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave
dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa”).
A alternativa D está incorreta, novamente, porque não se trata de lesão, vício esse objetivo (desnecessidade
de conhecimento da contraparte) e inexistente a necessidade de salvamento.
A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões aduzidas anteriormente.
(CESPE / PGE-PE - 2018) Quando alguém obtém lucro exagerado, desproporcional, aproveitando-se da
situação de necessidade real e notória do outro contratante, configura-se o vício do negócio jurídico
denominado
a) abuso de direito.
b) lesão.
c) dolo de aproveitamento.
d) coação.
e) estado de perigo.
Comentários
A alternativa A está incorreta, dado que o abuso de direito consiste em um ato jurídico de objeto lícito, cujo
exercício não observa os limites que são impostos. Assim, o ato em si é lícito, mas perderá a licitude,
tornando-se ilícito, na medida de sua execução.
A alternativa B está correta, na literalidade da previsão do art. 157: “Ocorre a lesão quando uma pessoa,
sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta”.
A alternativa C está incorreta, pois o dolo de aproveitamento ocorre quando terceiro tem conhecido da
necessidade da parte com quem está firmando a obrigação e deve ser beneficiada pelo negócio jurídico
celebrado.
A alternativa D está incorreta, já que a coação (prevista nos arts. 151 e 152), é a pressão física ou moral
exercida sobre a pessoa, os bens e a honra de um contraente para obrigá-lo ou induzi-lo a efetivar um
negócio jurídico. A coação incide sobre a liberdade da pessoa, por isso, é considerado entre os vícios
encontrados o mais grave.
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A alternativa E está incorreta, caracterizando-se o estado de perigo (art. 156) quando alguém, agindo por
necessidade para evitar grave dano, assume obrigação excessivamente onerosa. A ação do indivíduo é
guiada pela necessidade e urgência em salvar-se ou para salvar alguém de sua família, pois em outra
circunstância não celebraria tal negócio.
(CESPE / PGM-Manaus-AM - 2018) À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de
integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue os itens a
seguir.
Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, ainda
que a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrida anteriormente ao surgimento do direito do credor.
Comentários
O item está incorreto, pela dicção do art. 158: “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de
dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore,
poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”. Veja que o dispositivo
exige que para a anulação do negócio jurídico fraudulento o ato de transmissão seja posterior à constituição
do crédito. Compreender inversamente significaria que o credor de minha dívida de 2018 poderia anular a
doação que fiz em 1960, o que não é razoável.
(FCC / PGM-Caruaru-PE - 2018) No tocante aos defeitos dos negócios jurídicos,
a) são anuláveis quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido
por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.
b) a fraude contra credores acarreta a nulidade dos contratos, onerosos ou gratuitos, podendo a ação
pauliana ser proposta somente pelos credores quirografários.
c) tanto o dolo essencial ou principal, como o dolo acidental, anulam o que foi contratado pelas partes.
d) o temor reverencial equipara-se à coação quanto aos efeitos jurídicos decorrentes de sua caracterização.
e) a lesão sempre conduzirá à anulação da avença, por se tratar de situação jurídica que não admite sua
convalidação.
Comentários
A alternativa A está correta, já que ela é transcrição literal do art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos,
quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de
diligência normal, em face das circunstâncias do negócio”.
A alternativa B está incorreta, porque a ação pauliana também poderá ser proposta por credores cuja
garantia se tornar insuficiente, conforme disposto no art. 158, § 1º.
A alternativa C está incorreta, de acordo com os arts. 145 e 146. Apenas o dolo principal ou essencial anula
o negócio jurídico, ao passo que o dolo acidental apenas obriga à satisfação das perdas e danos.
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A alternativa D está incorreta, na literalidade do art. 153: “Não se considera coação a ameaça do exercício
normal de um direito, nem o simples temor reverencial.”
A alternativa E está incorreta, dado que não se anula o negócio jurídico quando for oferecida
complementação suficiente ou, ainda, quando a parte favorecida concordar com a redução do seu proveito
(art. 157, § 2º).
(CONSULPLAN / Câmara Municipal-Belo Horizonte-MG - 2018) Sobre os Defeitos e a Invalidade dos
Negócios Jurídicos, analise as afirmativas a seguir.
I. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.
II. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade
que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria
celebrado.
III. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a
parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos.
IV. É anulável o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e
na forma.
V. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será validado se este a der
posteriormente.
Estão corretasforte. Mesmo provas recentes
continuam distinguindo a nulidade absoluta (sinônimo de nulidade) da nulidade
relativa (sinônimo de anulabilidade). Veja que mesmo o verbo relativo à invalidação
continua sendo o “anular”, o que às vezes gera confusão, já que são poucos a
distinguir o termo “anular” do termo “reconhecer a nulidade” e mesmo ainda a usar
o termo “nulificar”.
Por isso, cuidado! Anular pode ser usado em dois sentidos; anular (em sentido amplo) significa tanto anular
(em sentido estrito) quanto reconhecer a nulidade ou nulificar. Ou seja, tanto o ato nulo quanto o ato
anulável podem ser “anulados” (lato sensu).
Infelizmente, não podemos traçar uma “teoria geral das invalidades” (ou “teoria geral das nulidades”)
porque há tantas exceções que uma teoria geral se tornaria inútil. Ainda assim, só falaremos de validade nos
atos jurídicos em sentido amplo, mas não no fato jurídico em sentido estrito (nascimento, morte), no ato-
fato jurídico (caça, achado de tesouro) ou nos fatos ilícitos em sentido amplo (latrocínio, contrabando).
Mas você pode se perguntar o porquê. Porque é no ato jurídico lato sensu que a vontade é dirigida a obter
determinados efeitos, uma vantagem a quem exerce o ato. Não importa se é um ato jurídico stricto sensu
(ato não negocial) ou um negócio jurídico; ambos os atos jurídicos lato sensu têm no núcleo do suporte fático
o elemento “vontade”, ainda que nos primeiros os efeitos jurídicos relevantes já estejam todos
predeterminados. Isso é irrelevante.
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Contraprova está no art. 185, que textualmente determina que aos atos jurídicos lícitos, que não sejam
negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as disposições relativas aos negócios jurídicos. Atécnico,
como sempre, o CC/2002. Isso porque é evidente que nem todas as disposições a respeito das invalidades
são aplicáveis indistintamente aos atos jurídicos stricto sensu (chamados pelo art. 185 de “atos jurídicos
lícitos”) e aos negócios jurídicos.
A razão é óbvia, já que nos atos jurídicos em sentido estrito a modulação dos efeitos não é possível. Em se
tratando de uma invalidade que versa a respeito da modulação dos efeitos, não é possível falar em
invalidação do ato jurídico stricto sensu. O exemplo do pagamento (ato jurídico em sentido estrito) é
interessante nesse aspecto, já que ele se vicia por erro, mas não por estado de perigo. Celebra-se um negócio
jurídico em estado de perigo, evidentemente, mas não se paga em estado de perigo.
E a teoria é aplicável apenas ao Direito Civil? Não. A teoria do fato jurídico ponteana se aplica de maneira
geral a todo o ordenamento jurídico. Por exemplo, de acordo com o Enunciado 616 da VIII Jornada de Direito
Civil, os requisitos de validade previstos no Código Civil são aplicáveis aos negócios jurídicos processuais,
observadas as regras processuais pertinentes. Ou seja, a teoria se aplica, mas precisa observar sempre as
peculiaridades de cada ramo do Direito.
Quais são os pressupostos de validade dos atos jurídicos em sentido amplo? Dividem-se em três categorias,
segundo estabelece o art. 104, incisos, do CC/2002, que bem se adequa à teoria do fato jurídico ponteana:
I. Sujeito
Quando se analisa a validade do elemento subjetivo de uma situação jurídica, examina-se a manifestação de
vontade em si, se livre e perfeita. Considerar-se-á se a exteriorização consciente de vontade se deu
corretamente, ou não. São dois, em resumo, os elementos que versarão sobre a manifestação de vontade,
a despeito de o art. 104, inc. I, aparentemente indicar apenas a “capacidade”.
A. Capacidade de agir
A capacidade de agir é a aptidão a tutelar seus próprios interesses prevista no art. 1º do CC/2002: a
possibilidade de ser titular de direitos e obrigações. Não obstante, a capacidade de agir vai além.
Trata-se tanto da capacidade genérica (prevista no art. 1º) quanto das capacidades especiais, que são
desenvolvidas em atos jurídicos específicos. Exemplo é a pessoa “capaz de ser titular de direitos e
obrigações”, genericamente, mas que não tem capacidade específica de herdar (art. 1.801), como a
testemunha do testamento ou o irmão daquele que redigiu o testamento a rogo.
Outros exemplos são a capacidade de negociar ou a capacidade de ser empresário. De modo a evitar
confusões, tornou-se comum utilizar o termo “legitimidade” como sinônimo dessas capacidades específicas.
Assim, a pessoa pode ter capacidade (art. 1º), mas não legitimidade (art. 1.801) para herdar. Legitimidade
é a aptidão pessoal, ao passo que a capacidade é a aptidão genérica.
O Código Civil, por uma questão de divisão, não se ocupa da legitimidade (ou capacidade específica) na Parte
Geral, já que isso deve ser visto em cada situação específica. Inicialmente, a preocupação da norma recai
sobre a capacidade (ou capacidade genérica).
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Em homenagem à vedação ao comportamento contraditório (venire contra factum
proprium), o art. 105 determina que a incapacidade relativa de uma das partes não pode
ser invocada pela outra em benefício próprio. Igualmente, a incapacidade relativa de uma
das partes não aproveita aos cointeressados capazes, salvo se, nesse caso, for indivisível o
objeto do direito ou da obrigação comum.
O Código traz extensa regulação a respeito da representação. Evidente que os poderes do representante só
podem ser conferidos por lei ou pelo interessado, esclarece o art. 115. Os requisitos e os efeitos da
representação legal são os estabelecidos nas normas respectivas. É o caso do advogado, que representa o
cliente em juízo (Lei 8.906/1994, o Estatuto da Advocacia, e a Lei 13.105/2015, o CPC).
No caso da representação voluntária, os requisitos e os efeitos são os da Parte Especial do CC/2002. É o caso
do agente e/ou distribuidor (arts. 710 e ss. do CC/2002). Estando “dentro da lei”, a manifestação de vontade
pelo representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado, evidencia o
art. 116.
Mas, como terceiros saberão que aquela pessoa que se apresenta como representante de outrem
efetivamente o é? O art. 118 prevê que o representante é obrigado a provar às pessoas com quem tratar,
em nome do representado, a qualidade de representante e a extensão de seus poderes. Se não o fizer,
responde pelos atos que a eles excederem.
B. Perfeição da manifestação
Não se questiona mais aqui a autenticidade da autoria (foi ou não foi ele, pois isso é elemento da existência).
Sim, foi aquele agente quem praticou o ato jurídico. Sim, ele é capaz para a prática desse ato jurídico.
Aqui o questionamento é outro. Além de ter capacidade, o sujeito tem que manifestar a
vontade de maneira hígida e íntegra, ou seja, sem vícios que contaminem sua manifestação,
como o erro, o dolo etc. Na perfeição da manifestação entrará a longa lista de “vícios de
vontade” previstas no CC/2002, o que evidencia o voluntarismo que marcou os grandes Códigos
Civis do Ocidente.
Toda a teoria do negócio jurídico é construída sobre o elemento “vontade”, eis dado ela é a pedra angular
dos sistemas jusprivatistas ocidentais contemporâneos marcadamente liberais. A construção do contrato
dependerá em larga medida do reconhecimento da “vontade livre”.
Claro que “livre” aqui tem significado jurídico, não psicológico ou filosófico. Por exemplo, não se questiona,
num contrato de compra e venda, se a pessoa comprou determinado produto porque efetivamente
precisava, ou se comprou por impulso, ou pelo neuromarketing bem feito pela sociedade empresária, ou
porque sua figura paterna/materna foi ausente na sua primeira infância.
Não são poucos a dizerapenas as afirmativas
a) I, IV e V.
b) I, II, III e IV.
c) I, II, III e V.
d) II, III, IV e V.
Comentários
O item I está correto, de acordo com o que dispõe o art. 140: “O falso motivo só vicia a declaração de vontade
quando expresso como razão determinante”.
O item II está correto, e trata do dolo. É a reprodução do art. 147: “Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio
intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui
omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado”.
O item III está correto, consoante dispõe o art. 154: “Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro,
se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com
aquele por perdas e danos”.
O item IV está incorreto porque nessa hipótese o negócio jurídico é nulo, de acordo com o art. 167: “É nulo
o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.
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O item V está correto, conforme o art. 176: “Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização
de terceiro, será validado se este a der posteriormente”.
A alternativa C está correta, portanto.
(CESGRANRIO / PETROBRAS - 2018) Um homem decide ajudar seu afilhado a iniciar carreira de
motorista particular, doando-lhe um de seus carros. Para não contrariar sua esposa, que não concorda
com essa ajuda, o padrinho celebra com o afilhado contrato de compra e venda para encobrir a doação
do automóvel. Dois anos após se divorciar do marido, a agora ex-esposa descobre a verdade e ingressa
com ação judicial pretendendo o desfazimento do contrato de compra e venda de bem móvel realizado
entre padrinho e afilhado. Nessa situação, verifica-se, de acordo com o Código Civil de 2002, a
ocorrência de simulação
a) absoluta, e o contrato poderá ser anulado ou confirmado por vontade das partes.
b) absoluta, e o negócio jurídico nulo será suscetível de confirmação.
c) absoluta, e o contrato será nulo e insuscetível de confirmação.
d) relativa, e subsistirá a doação, se válida for na substância e na forma.
e) subjetiva, que é um vício de consentimento, que gera a anulabilidade do contrato.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que a simulação absoluta ocorre quando o negócio jurídico dissimulado é
inexistente. Assim, as partes não têm a intenção de praticar negócio algum e o ato simulado não encobre
qualquer outro. Na simulação absoluta, não havendo negócio dissimulado, não há como se confirmá-lo pela
vontade das partes.
A alternativa B está incorreta, pois o negócio jurídico é nulo e, assim, não é suscetível de convalidação pelas
partes.
A alternativa C está incorreta, porque se trata de uma simulação relativa ou dissimulação. Ou seja, foi
realizado um negócio válido, houve um contrato, ainda que encoberto por outro. A venda, ao invés de uma
doação, torna a simulação relativa.
A alternativa D está correta, dado que na simulação relativa há um negócio jurídico válido dissimulando o
verdadeiro. Ou seja, as partes criam um negócio jurídico, quando na verdade querem outro, diferente da
simulação absoluta, em que não há um negócio jurídico. Assim, de acordo com o art. 167: “É nulo o negócio
jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.
A alternativa E está incorreta, na simulação relativa subjetiva, a pessoa declarada no negócio não é parte ou
beneficiária do mesmo, conhecida como interposta pessoa. Já a objetiva ocorre quando a simulação diz
respeito à natureza do negócio jurídico, ao seu objeto ou algumas características, que é exatamente o caso
do enunciado da questão. Os contratos simulados são nulos, não anuláveis, mas prevalece o negócio
dissimulado, se válido na substância e na forma.
(FUNDATEC / PGM-Porto Alegre-RS - 2016) Em relação às causas de invalidade, é correto afirmar que:
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a) A lesão não será decretada caso a parte favorecida aceite a redução do seu proveito.
b) Quando a declaração de vontade emanar de erro não essencial, a invalidade só será decretada por
provocação de uma das partes.
c) Quando as duas partes agirem com dolo, o negócio é considerado nulo de pleno direito, e não apenas
anulável, podendo a declaração de invalidade ser requerida por qualquer uma das partes.
d) O exercício regular de um direito, quando capaz de gerar graves dificuldades à parte contrária, caracteriza
coação.
e) O erro de cálculo vicia o negócio, retirando-lhe todos os efeitos.
Comentários
A alternativa A está correta, conforme o art. 157, §2º: “Não se decretará a anulação do negócio, se for
oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito”.
A alternativa B está incorreta, dado que os arts. 138 e 139 permitem a anulação apenas por erro substancial
(ou essencial); se não é substancial (essencial), o negócio jurídico não é anulável, ainda que por provocação
de apenas uma parte.
A alternativa C está incorreta, na forma do art. 150: “Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma
pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização”.
A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 153: “Não se considera coação a ameaça do exercício
normal de um direito, nem o simples temor reverencial”.
A alternativa E está incorreta, conforme a regra do art. 143: “O erro de cálculo apenas autoriza a retificação
da declaração de vontade”.
(FUNRIO / PGM-Trindade-GO - 2016) O defeito na manifestação da vontade gera consequências graves
na validade do negócio jurídico. Diante dos defeitos do negócio jurídico, é correta a seguinte
afirmativa:
a) O dolo, seja ele essencial ou substancial, é suficiente para invalidação do negócio jurídico.
b) O erro, enquanto falsa percepção da realidade induzida por terceiro, gera a anulabilidade do negócio
jurídico.
c) A coação é hipótese de nulidade no Código Civil e, consequentemente, não convalesce pelo decurso do
tempo.
d) No estado de perigo, o agente, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave
dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.
e) A coação suficiente para anular o negócio jurídico é aquela cuja ameaça recai sobre o paciente, sendo
certo que a ameaça à família ou aos bens apenas autoriza o ressarcimento das perdas e danos.
Comentários
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A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 145: “São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando
este for a sua causa”.
A alternativa B está incorreta, tratando a alternativa em questão de dolo de terceiro, já que foi a pessoa
induzida.
A alternativa C está incorreta, sendo a coação causa de anulabilidade, como se pode extrair do art. 155
(“Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse
ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver
causado ao coacto”).
A alternativa D está correta, de acordo com o art. 156: “Configura-se o estado de perigo quando alguém,
premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte,
assume obrigação excessivamente onerosa”.
A alternativa E está incorreta, na forma do art. 151: “A coação, para viciar a declaraçãoda vontade, há de
ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família,
ou aos seus bens”.
(FUNRIO / PGM-Trindade-GO - 2016) Em relação à Teoria Geral dos Negócios Jurídicos e seus efeitos,
a alternativa correta é:
a) A incapacidade do agente gera a nulidade do negócio jurídico.
b) O negócio jurídico nulo sempre pode ser confirmado pelas partes.
c) A simulação gera a nulidade do negócio jurídico, independentemente da posição de terceiros, por se tratar
de matéria de ordem pública.
d) A impossibilidade inicial do objeto sempre invalida o negócio jurídico, ainda que venha a cessar antes de
realizada a condição a que estiver subordinado.
e) No ordenamento jurídico brasileiro, a forma do negócio jurídico está submetida ao princípio do
consensualismo e, excepcionalmente, exige-se forma especial.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que a incapacidade relativa é causa de anulabilidade, sendo nulo apenas o
negócio realizado por absolutamente incapaz.
A alternativa B está incorreta, já que a confirmação se limita aos negócios jurídicos anuláveis.
A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 167, §2º (“Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-
fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado”).
A alternativa D está incorreta, segundo o art. 106: “A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio
jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado”.
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A alternativa E está correta, como se extrai do art. 108: “Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública
é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou
renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no
País”.
(CESPE / AGU - 2015) É absolutamente nulo e sem possibilidade de conversão substancial o
compromisso de compra e venda fictício celebrado entre locador de imóvel residencial e terceiro,
como objetivo de reaver imóvel do locatário mediante ação de despejo proposta pelo suposto
adquirente do bem.
Comentários
O item está correto, já que, segundo o art. 167, §1º, inc. II (“Haverá simulação nos negócios jurídicos quando
contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira”) esse é um negócio simulado, que
impede a conversão substancial.
(PGR / PGR - 2015) Assinale a alternativa correta:
a) O pai, na administração dos bens do filho incapaz, não pode aliená-los sem autorização judicial, podendo,
entretanto, gravá-los.
b) O erro in substância exige que a quantidade pretendida seja o motivo determinante do ato praticado.
c) Nos direitos de personalidade puros e nas relações de família não se admite a aposição de termo.
d) É possível a renúncia antecipada a prescrição sempre que o titular puder desistir antecipadamente do
direito.
Comentários
A alternativa A está incorreta, segundo o art. 1.691: “Não podem os pais alienar, ou gravar de ônus real os
imóveis dos filhos, nem contrair, em nome deles, obrigações que ultrapassem os limites da simples
administração, salvo por necessidade ou evidente interesse da prole, mediante prévia autorização do juiz”.
A alternativa B está incorreta, já que não está presente essa hipótese em nenhum dos incisos do art. 139:
“O erro é substancial quando:
I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a
ele essenciais;
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de
vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do
negócio jurídico”.
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A alternativa C está correta, conforme a doutrina majoritária, sendo incompatível a aposição de termo
quando da natureza do ato ou nos casos expressos em lei, como nos casos de direitos de personalidade
puros, nas relações de família e nos direitos que por sua própria natureza requerem execução imediata.
A alternativa D está incorreta, pela literalidade da segunda parte do art. 191: “A renúncia da prescrição pode
ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se
consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição”.
(ESAF / PGFN - 2015) Analise as proposições abaixo e assinale a opção incorreta.
a) Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente,
ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores
quirografários, como lesivos dos seus direitos.
b) Os contratos onerosos do devedor insolvente serão anuláveis quando a insolvência for notória ou
conhecida do outro contratante.
c) Os negócios fraudulentos serão nulos em relação aos credores cuja garantia se tornar insuficiente.
d) Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre o qual
se tenha de efetuar o concurso de credores.
e) Se os negócios fraudulentos tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca,
penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.
Comentários
A alternativa A está correta, nos termos do art. 158: “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou
remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando
o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”.
A alternativa B está correta, na forma do art. 159: “Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos do
devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro
contratante”.
A alternativa C está incorreta, de acordo do art. 159, §1º: “Igual direito assiste aos credores cuja garantia se
tornar insuficiente”.
A alternativa D está correta, consoante regra do art. 165: “Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem
resultante reverterá em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores”.
A alternativa E está correta, conforme o art. 165, parágrafo único: “Se esses negócios tinham por único
objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese, sua invalidade importará
somente na anulação da preferência ajustada”.
(FCC / MANAUSPREV - 2015) O negócio jurídico praticado sob coação
a) é nulo, não se convalidando com o decurso do tempo nem podendo ser confirmado pela vontade das
partes.
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b) equipara-se aos praticados sob temor reverencial.
c) é nulo, podendo ser invalidado, a pedido da parte prejudicada, no prazo decadencial de 4 anos, contado
da celebração do negócio.
d) deve ser interpretado tendo em conta o que, na mesma circunstância, teria feito o homem médio.
e) é anulável, convalidando-se com o decurso do tempo e podendo ser confirmado pela vontade das partes.
Comentários
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 171, inc. I: “Além dos casos expressamente declarados na
lei, é anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude
contra credores”.
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 153:“Não se considera coação a ameaça do exercício normal
de um direito, nem o simples temor reverencial”.
A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões expostas na alternativa A.
A alternativa D está incorreta, já que o art. 152 estabelece exatamente o que se deve observar: “No apreciar
a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as
demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela”.
A alternativa E está correta, por aplicação do referido art. 171, inc. I c/c o art. 169, a contrario sensu: “O
negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo”.
(FMP / PGE-AC - 2014) O dolo:
a) só pode gerar a anulabilidade do negócio, mesmo que seja acidental.
b) pode gerar a indenização por perdas e danos caso seja acidental.
c) não comporta a modalidade bilateral.
d) deve ser sempre próprio não comportando o dolo de terceiro.
Comentários
A alternativa A está incorreta, conforme o art. 146: “O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e
danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo”.
A alternativa B está correta, exatamente como dito na alternativa anterior.
A alternativa C está incorreta, já que o art. 150 (“Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode
alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar indenização”) textualmente o prevê, ainda que afaste a
possibilidade de anulação do negócio.
A alternativa D está incorreta, na literalidade do art. 148: “Pode também ser anulado o negócio jurídico por
dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário,
ainda
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que subsista o negócio jurídico, o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem
ludibriou”.
(CESPE / PGE-BA - 2014) Acerca dos negócios jurídicos, julgue os itens a seguir.
Ocorre a lesão quando uma pessoa, em premente necessidade ou por inexperiência, se obriga a prestação
manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, exigindo-se, para a sua configuração, ainda,
o dolo de aproveitamento, conforme a doutrina majoritária.
Comentários
O item é incorreto, dado que o art. 157 estabelece que: “Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta”. Por sua vez, o §1º complementa que: “Aprecia-se a desproporção das prestações
segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico”. Veja que ele trata da
desproporção de maneira objetiva, “segundo os valores vigentes...”, sem que se faça qualquer menção a
dolo de aproveitamento.
(FUNDATEC / Câmara Municipal-Porto Alegre-RS - 2014) Assinale a alternativa correta em relação ao
regime da nulidade dos negócios jurídicos:
a) O descumprimento da forma imposta, por lei ao ato jurídico importará na sua ineficácia relativa, uma vez
que somente os terceiros prejudicados pelo ato é que poderão postular a sua anulação.
b) A simulação, quando praticada com o escopo de burlar a lei ou prejudicar terceiros, constitui causa de
anulabilidade do ato jurídico.
c) O negócio jurídico é nulo quando celebrado por relativamente incapaz.
d) Considera-se simulação nocente aquela que causa danos a terceiros.
e) O erro sobre o objeto do negócio jurídico redunda na sua nulidade.
Comentários
A questão, em realidade, for anulada, porque o item considerado correto usou, na prova, o termos
“inocente” ao invés do termo “nocente”, pretendido pelo examinador. Possivelmente, o recurso de
autocorreção acabou por pregar uma peça no examinador que pretendia fazer uma pegadinha. Eu mantive
a mens examinatoris, corrigindo o erro.
A alternativa A está incorreta, de acordo com o art. 166, inc. IV: “É nulo o negócio jurídico quando não
revestir a forma prescrita em lei”.
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 167: “É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que
se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.
A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 171, inc. I: “Além dos casos expressamente declarados
na lei, é anulável o negócio jurídico por incapacidade relativa do agente”.
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A alternativa D está correta, porque o art. 167, §2º resguarda o direito dos terceiros de boa-fé (“Ressalvam-
se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado”) no caso de
simulação inocente.
A alternativa E está incorreta, na dicção do art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as
declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência
normal, em face das circunstâncias do negócio”.
(CESPE / AGU - 2013) A nulidade do negócio jurídico realizado em fraude contra credores é subjetiva,
de forma que, para a sua tipificação, deve ser provada a intenção de burlar o mandamento legal.
Comentários
O item está incorreto, porque não é requisito da verificação da fraude contra credores o elemento subjetivo,
contemporaneamente.
(CESPE / BACEN - 2013) A respeito dos negócios jurídicos, assinale a opção correta.
a) Erro referente ao objeto principal da declaração importa a anulação do negócio jurídico, mas o referente
à natureza do negócio, não.
b) A conversão substancial do negócio jurídico nulo ocorre ex lege, prescindindo do elemento subjetivo das
partes.
c) O contrato que contiver declaração contrária à verdade poderá ser anulado por ocorrência de dolo.
d) Se o encargo for ilícito, a consequência, de regra, será a nulidade da cláusula, mantendo-se o negócio
jurídico, ainda que gratuito.
e) Considera-se condição a cláusula que estabeleça, por exemplo, a doação de um imóvel quando o
beneficiário atingir a maioridade.
Comentários
A alternativa A está incorreta, conforme a regra do art. 139, inc. II: “O erro é substancial quando interessa à
natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais”.
A alternativa B está incorreta, dado que é necessário que as partes queiram converter o negócio, ainda que
a parte que não o queira possa ser considerada contratante de má-fé, em situações peculiares.
A alternativa C está incorreta, porque o dolo é entendido como “induzir em erro”.
A alternativa D está incorreta, na forma do art. 137: “Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível,
salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico”. A
banca havia considerado essa a assertiva correta, mas ela está incorreta, já que no caso de ilicitude, o
encargo é considerado não escrito (inexistente), e não nulo.
A alternativa E está incorreta, dado que o caso indica termo (“quando”), e não condição (“se”), dado que a
maioridade é futura e certa.
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(FMP / PGE-AC - 2013) Assinale a alternativa INCORRETA:
a) A cláusula rebus sic stantibus - teoria da imprevisão - está fundada, assim como a lesão, na ocorrência de
onerosidade excessiva. Sua ocorrência e aferição, no entanto, são posteriores à formação do vínculo, pois
nesse momento o que se dá é a possibilidade de ocorrência e aferição da lesão.
b) Ambas, teoria da imprevisão e lesão, são causas de anulabilidade do negócio jurídico.
c) A lesão é causa de anulabilidade do negócio jurídico apenasse a parte favorecida pelo desequilíbrio do
contrato não concordar em restabelecer o equilíbrio contratual.
d) Estado de perigo e lesão são causas de anulabilidade que se diferenciam, dentre outros aspectos, porque
a lesão se refere à iminência de dano patrimonial, enquanto o estado de perigo exige a ocorrência de risco
pessoal.
Comentários
A alternativa A está correta, como pode se extrair do art. 157 (“Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob
premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta”), que, ao tratar da lesão, trata da conclusão do negócio.
A alternativa B está incorreta, pois a teoria da imprevisão levará à rescisão em sentido amplo ou à revisão
do negócio.
A alternativa C está correta, conforme o art. 157, §2º: “Não se decretará a anulação do negócio, se for
oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito”.
A alternativa D está correta, consoante interpretação conjunta do art. 157, supramencionado, com o art.
156: “Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de
sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa”.
(FMP / PGE-AC - 2013) Assinale a alternativa INCORRETA.
a) A fraude contra credores exige a existência de um crédito, seja ele com garantia real ou quirografário.
b) A arguição da nulidade de um negócio jurídico, ao contrário da arguição da anulabilidade, não está sujeita
a prazo.
c) Se a impossibilidade do objeto de um negócio jurídico for inicial, mas relativa, o negócio é válido.
d) A simulação invalida o negócio aparente. O negócio que se pretendeu esconder, dissimular, no entanto,
se for válido, na substância e na forma, subsistirá.
Comentários
A alternativa A está incorreta, como deixa claro a parte final do art. 158: “Os negócios de transmissão
gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à
insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos
seus direitos”.
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A alternativa B está correta, segundo a parte final do art. 169: “O negócio jurídico nulo não é suscetível de
confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo”.
A alternativa C está correta, conforme o art. 106: “A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio
jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver subordinado”.
A alternativa D está correta, de acordo com o art. 167: “É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o
que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.
(ESAF / PGFN - 2012) Em relação aos defeitos do negócio jurídico, assinale a opção incorreta.
a) O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio
quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada.
b) O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a
importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante convencional, o representado
responderá subsidiariamente pelas perdas e danos suportados pelo terceiro prejudicado.
c) A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano
iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Se disser respeito a pessoa não
pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.
d) Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a
prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Não se decretará a anulação do
negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do
proveito.
e) O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida,
ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo
que recebeu.
Comentários
A alternativa A está correta, na forma do art. 142: “O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se
referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se
puder identificar a coisa ou pessoa cogitada”.
A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 149: “O dolo do representante legal de uma das partes
só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo
for do representante convencional, o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos”.
A alternativa C está correta, conforme regra do art. 151: “A coação, para viciar a declaração da vontade, há
de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família,
ou aos seus bens”.
A alternativa D está correta, na regra do art. 157, caput (“Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta”) e seu §2º (“Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento
suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito”).
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A alternativa E está correta, consoante estabelece o art. 162: “O credor quirografário, que receber do
devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo
sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu”.
(FCC / PGE-SP - 2012) Celebrado negócio jurídico não oneroso pelo devedor, que o reduza à insolvência,
será ele considerado
a) ineficaz por fraude contra credores, por se tratar de ato gratuito.
b) nulo por fraude à execução, por presunção absoluta de consilium fraudis.
c) anulável por fraude à execução, ante a clara intenção de frustrar o cumprimento das suas obrigações.
d) nulo por fraude contra credores, por revelar ato atentatório contra a dignidade da justiça.
e) anulável por fraude contra credores, por iniciativa do credor quirografário com crédito anterior à
alienação.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que a fraude contra credores é causa de anulabilidade, não de ineficácia.
A alternativa B está incorreta, pois a fraude contra credores é causa de anulabilidade, não de nulidade.
A alternativa C está incorreta, pois o consilium fraudis, segundo o art. 161, precisa ser provado pelo credor,
já que o terceiro pode ter agido de boa-fé, o que impede a caracterização do consilium fraudis.
A alternativa D está incorreta, igualmente, dado que a fraude contra credores é causa de anulabilidade, não
de nulidade.
A alternativa E está correta, pois o credor quirografário poderá, a teor do art. 162, requerer a anulação do
negócio, nesse caso.
(PGR / PGR - 2011) No que tange aos negócios jurídicos:
a) O erro de cálculo, quando viciar o consentimento, pode gerar a anulação do negócio jurídico;
b) O dolo positivo ocorre quando uma das partes ocultar algo que, se a outra fosse sabedora, não efetivaria
o negócio;
c) O negócio jurídico é anulável tanto em virtude de vícios sociais quanto em virtude de vícios de
consentimento;
d) O erro de direito, para gerar a anulação do negócio, tanto pode recair sobre normas cogentes quanto
sobre normas dispositivas.
Comentários
A alternativa A está incorreta, na literalidade do art. 143: “O errode cálculo apenas autoriza a retificação da
declaração de vontade.
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A alternativa B está incorreta, tratando o complemento do dolo negativo, de ocultação; positivo seria se
ativo fosse.
A alternativa C está correta, segundo o gabarito oficial, e, mais uma vez, evidentemente incorreta. Isso
porque a simulação, um vício social, gera nulidade, como fica solarmente evidente no art. 167: “É nulo o
negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.
Infelizmente, a PGR costumeiramente mantém questões que são absurdamente erradas...
A alternativa D está incorreta, já que o art. 139, inc. III (“O erro é substancial quando, sendo de direito e não
implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico”) fala em recusa à
aplicação da lei, e as normas dispositivas, como o próprio nome diz, constituem opção para os negociantes,
e não obrigação, pelo que o não seguimento delas não importa em recusa a lei apta a atrair a aplicação do
erro.
(CESPE / AGU - 2010) Se cabalmente comprovada a inexperiência do contratante, configura-se a lesão,
mesmo que a desproporcionalidade entre as prestações das partes seja superveniente.
Comentários
O item está incorreto, pois a realização do negócio depende da desproporcionalidade, que, se
superveniente, não invalida o negócio.
(CETAP / AL-RR - 2010) Julgue os itens seguintes em Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa
que apresenta a sequência CORRETA:
( ) A causa é requisito de validade dos negócios jurídicos no direito brasileiro, que adotou o modelo causal
germânico.
( ) A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de
realizada a condição a que ele estiver subordinado.
( ) A forma do negócio jurídico exteriorizado através de instrumento público sem que a lei tivesse exigido
sequer forma escrita é ad probationem.
( ) A lesão, para viciar o negócio jurídico, exige, por parte do beneficiado, conhecimento do estado de
premente necessidade ou inexperiência do prejudicado.
a) F, V, V, F.
b) V, F, F, V.
c) V, F, V, F.
d) F, V, F, V.
e) F, V, V, V.
Comentários
O primeiro item porque, em que pese a doutrina mais fortemente ligada à perspectiva germânica (como o
faz Pontes de Miranda) afirme ter o Brasil adotado o sistema causal alemão, a legislação milita em sentido
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inverso. São requisitos de validade apenas a licitude, possiblidade e determinabilidade do objeto, a
capacidade do sujeito e o seguimento da forma prescrita em lei ou o não seguimento de forma defesa.
Nesse sentido, pode-se apontar indício de que o elemento causal é meramente acidental nos negócios
jurídicos no art. 140, que assim dispõe: “O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso
como razão determinante”. Interpretando-se o dispositivo a contrario sensu, o motivo não expresso como
razão determinante não influencia a declaração de vontade e, consequentemente, o negócio daí derivado.
O segundo item é verdadeiro, e trata-se da reprodução do art. 106: “A impossibilidade inicial do objeto não
invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver
subordinado”.
O terceiro item é verdadeiro, de acordo com o art. 107: “A validade da declaração de vontade não dependerá
de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”. Porém, nada impede que seja adotada a
forma de instrumento público para facilitar a comprovação do negócio. Ad probationem significa “para a
prova”. Além disso, o parágrafo único do art. 227 menciona: “Qualquer que seja o valor do negócio jurídico,
a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito”.
O quarto item é falso porque não se exige dolo de aproveitamento na lesão. Nesse sentido é o Enunciado
150 da III Jornada de Direito Civil: “A lesão de que trata o art. 157 do Código Civil não exige dolo de
aproveitamento”. Os pressupostos são: a) prestação manifestamente desproporcional; b) o negócio se dar
por estado de necessidade ou de inexperiência.
A sequência, portanto, é F, V, V, F. Assim, a resposta é a alternativa A.
(CESPE / BACEN - 2009) A respeito dos elementos, dos defeitos e da validade dos atos jurídicos, assinale
a opção correta:
a) A conversão substancial do negócio jurídico é meio jurídico capaz de sanar sua invalidade absoluta.
b) Se o adquirente de determinado bem ignorava o estado de insolvência do alienante, tal negócio não será
passível de anulação por fraude contra credores.
c) Embora haja significativas diferenças entre nulidade e anulabilidades, ambas são reconhecidas por meio
de ação desconstitutiva.
d) Se comprovada a inexperiência do contratante, a lesão restará configurada ainda que a
desproporcionalidade entre as prestações que incumbem às partes seja superveniente.
e) A consequência da inserção de termo inicial ou suspensivo no contrato é o adiamento da aquisição do
direito.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que a conversão não sana o negócio em si, mas o converte em negócio
válido, apenas.
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A alternativa B está correta, segundo o art. 158: “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão
de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore,
poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”.
Atenção porque muitos candidatos impugnaram essa questão com fundamento no art. 158: “Os negócios
de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles
reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como
lesivos dos seus direitos”. A ignorância, aqui, não é do terceiro (o que afastaria a exigência de conluio), mas
do devedor, ou seja, mesmo que o devedor não saiba que está insolvente pode o negócio ser anulado, desde
que o saiba o adquirente.
A alternativa C está incorreta, já que em se tratando de nulidade, a ação tem conteúdo declaratório, não se
sujeitando à caducidade; já a anulação do ato importará em desconstituição, sujeitando-se à decadência, na
esteira do pensamento de Agnelo Amorim Filho.
A alternativa D está incorreta, pois a desproporção tem de se manifestar na conclusão do negócio; se
superveniente, é irrelevante, ao menos à lesão.
A alternativa E está incorreta, porque a aquisição do direito ocorre independentemente do termo, que adia
apenas a eficácia parcial do negócio jurídico celebrado.
(CESPE / PGE-SE - 2008) Acerca dos fatos jurídicos, assinale a opção correta.
a) Configura-se o estado de perigo quando uma pessoa, por inexperiência, ou sob premente necessidade,
obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, gerando lucro
exagerado ao outro contratante. Nessa situação, a pessoa pode demandar a nulidade do negócio jurídico,
dispensando-se a verificação de dolo ou má-fé da parte adversa.
b) A fraude contra a execução é um defeito do negócio jurídico, caracterizando-se como vício de
consentimento e viciando, como consequência, a declaração de vontade dos partícipes do negócio jurídico.
c) A simulação relativa é um vício social que acarreta a nulidade do negócio jurídico, que não pode subsistir,
mesmoque seja válido na substância e na forma.
d) O negócio jurídico realizado com infração a norma de ordem pública, mesmo depois de declarado nulo
por sentença judicial, por se tratar de direito patrimonial e, portanto, disponível, pode ser ratificado pelas
partes, convalidando-se, assim, o ato negocial.
e) A reserva mental caracteriza-se pela não-coincidência entre a vontade real e a declarada, com o propósito
de enganar a outra parte. Se for desconhecida pelo destinatário, a manifestação de vontade subsiste ainda
que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou.
Comentários
A alternativa A está incorreta, conforme prevê o art. 156: “Configura-se o estado de perigo quando alguém,
premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte,
assume obrigação excessivamente onerosa”.
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A alternativa B está incorreta, consistindo ela em fraude processual, diferentemente da fraude contra
credores.
A alternativa C está incorreta, como se vê pelo art. 167: “É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá
o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”, ou seja, subsiste o negócio dissimulado,
eventualmente.
A alternativa D está incorreta, na previsão do art. 169: “O negócio jurídico nulo não é suscetível de
confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo”.
A alternativa E está correta, na literalidade do art. 110: “A manifestação de vontade subsiste ainda que o
seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha
conhecimento”.
(PGE / PGE-MS - 2004) Assinale a alternativa correta, tendo em vista o negócio jurídico simulado:
a) A simulação é causa da anulabilidade do negócio jurídico, sendo vedada a sua alegação em juízo pelos
simuladores;
b) A simulação é causa de nulidade do negócio jurídico, sendo vedada sua alegação em juízo pelos
simuladores;
c) A simulação é causa da nulidade do negócio jurídico, sendo admitida sua alegação em juízo pelos
simuladores, resguardando-se os direitos de terceiro de boa-fé;
d) Na simulação subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma;
e) “c” e “d” estão corretas.
Comentários
A alternativa A está incorreta, na forma do art. 167, primeira parte: “É nulo o negócio jurídico simulado”.
A alternativa B está incorreta, já que o art. 168 assim prescreve: “As nulidades dos artigos antecedentes
podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir”. Como
mesmo o juiz pode fazê-lo de ofício, a própria parte também o pode, desde que não objetive benefício, ou
haverá conflito com o princípio de que “a ninguém é dado beneficiar-se da própria torpeza”.
A alternativa C está correta, conforme estabelece o art. 167: “É nulo o negócio jurídico simulado, mas
subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”.
A alternativa D está correta, nos termos da alternativa B, adicionando-se o art. 167,§2º: “Ressalvam-se os
direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado”.
A alternativa E está correta, dado que as alternativas C e D estão corretas, como visto acima.
(FUNDEP / Câmara Municipal/Belo Horizonte-MG - 2004) Considerandose os defeitos do negócio
jurídico, é CORRETO afirmar que
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a) a coação exercida por terceiro, sem que a parte a que gere proveito dela tivesse ou devesse ter
conhecimento, não acarreta nulidade do negócio jurídico.
b) a pessoa que, por inexperiência, se obrigue à prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta não pode pleitear a anulação do negócio jurídico em virtude de lesão.
c) o dolo acidental não vicia os negócios jurídicos e, portanto, não obriga à satisfação de eventuais perdas e
danos.
e) os negócios jurídicos são sempre anuláveis quando as declarações de vontade emanarem de erro
substancial ou acidental.
Comentários
A alternativa A está correta, segundo o art. 155: “Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de
terceiro, sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação
responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto”.
A alternativa B está incorreta, pois o ato contido no art. 157 (“Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob
premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta”) gera a anulabilidade.
A alternativa C está incorreta, na forma do art. 146: “O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e
danos, e é acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo”.
A alternativa D está incorreta, porque o erro substancial, segundo o art. 138 é que vicia o negócio jurídico.
(ESAF / PGFN - 2003) Se um contratante supõe estar adquirindo um lote de terreno de excelente
localização, quando, na verdade, está comprando um situado em péssimo local, configurado está:
a) o dolo acidental.
b) o dolo negativo.
c) o dolo principal.
d) o erro sobre o objeto principal da declaração.
e) o dolo positivo.
Comentários
A alternativa A está incorreta, dado que o exercício não menciona a intenção lesiva da contraparte, dolosa.
A alternativa B está incorreta, igualmente, porque o exercício nada menciona a respeito.
A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões adiantadas na alternativa A, supracitada.
A alternativa D está correta, já que ele representou falsamente a realidade sobre o terreno.
A alternativa E está incorreta, mais uma vez, pela mesma razão das alternativas A, B e C.
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(FCC / PGE-MA - 2003) Sobre a invalidade dos negócios jurídicos considere as seguintes afirmações:
I. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se for válido na substância e na
forma.
II. É nulo o negócio jurídico celebrado em estado de perigo.
III. É anulável o negócio jurídico quando se verifica a lesão, porém não se decretará a anulação se a parte
favorecida concordar com a redução do proveito.
IV. É anulável o negócio jurídico celebrado por pessoa absoluta ou relativamente incapaz.
V. É nulo o negócio jurídico quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa.
SOMENTE está correto o que se afirma em
a) I, II e III.
b) I, III e V.
c) II, III e IV.
d) II, IV e V.
e) III, IV e V.
Comentários
O item I está correto, na dicção do art. 167: “É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se
dissimulou, se válido for na substância e na forma.”
O item II está incorreto, por força do art. 171, inc. II: “Além dos casos expressamente declarados na lei, é
anulável o negócio jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude
contra credores”.
O item III está correto, segundo o artigo supramencionado, adicionado ao art. 157, §2º: “Não se decretará
a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a
redução do proveito”.
O item IV está incorreto, pois, segundo o art. 171, inc. I: “Além dos casos expressamente declarados na lei,
é anulável o negócio jurídico por incapacidade relativa do agente”, mas no caso de absolutamente incapaz
ele é nulo.
O item V está correto, de acordo com o art. 166, inc. VI: “É nulo o negócio jurídico quando tiver por objetivofraudar lei imperativa”.
Portanto, correta a alternativa B.
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LISTA DE QUESTÕES
Defensor
(FGV/ DPE-RJ - 2021) Ângelo, médico, pai de Fernando, vê-se em uma emergência médica com seu
filho, que sofreu grave acidente doméstico. Imediatamente leva seu filho ao pronto-atendimento de
unidade hospitalar particular. Fernando não possui plano de saúde e Ângelo vai arcar diretamente com
as despesas do tratamento. Diagnosticou-se, na triagem, que o paciente deveria ser imediatamente
internado, pois corre risco de morte. Na recepção do hospital, Ângelo é surpreendido com a cobrança
da diária de internação em altíssimo valor, mas, para salvar seu filho, não hesita e assina autorização
de internação, obrigando-se ao pagamento. Posteriormente, Ângelo descobre que a diária cobrada, na
ocasião, estava dez vezes superior à média dos hospitais daquele porte e naquela época.
A respeito dos direitos de Ângelo, é correto afirmar que:
a) por ter sido praticado sob premente necessidade, o negócio jurídico é nulo, desde seu nascedouro,
podendo a nulidade ser suscitada por qualquer interessado ou pelo Ministério Público, quando lhe couber
intervir;
b) Ângelo, em situação imprevisível e inevitável, obrigou-se a prestação manifestamente desproporcional ao
valor da prestação oposta, podendo suscitar a anulabilidade do negócio em até cinco anos a contar de sua
celebração;
c) Ângelo, sob premente necessidade, obrigou-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta, podendo suscitar a anulabilidade do negócio em até quatro anos a contar de sua
celebração;
d) Ângelo, por ser médico, tem experiência e conhecimento das regras de mercado e teria condições plenas
de avaliar, consciente e livremente, as condições no momento da contratação, não podendo reclamar
indenização posterior;
e) Ângelo e o hospital não podem, em razão da anulabilidade em que recai sobre o negócio, celebrar acordo
posterior para confirmar o conteúdo do negócio, nos seus termos iniciais, limitando-se a autonomia privada
das partes para essa transação, em razão de norma de ordem pública.
(CESPE / DPE-PE - 2018) Nonato ficou desempregado e deixou de pagar as prestações do financiamento
de sua única casa. Na iminência de ter a sua residência leiloada e sem outro local para morar com a
família, Nonato procurou Raimundo e a ele vendeu o seu veículo por R$ 5.000; o valor de mercado do
veículo era R$ 25.000 e Raimundo sabia da desesperada situação financeira de Nonato. Três anos
depois, Nonato procurou a Defensoria Pública com o intuito de reaver o seu veículo.
Com referência a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Operou-se a decadência para discutir a venda do veículo: o prazo decadencial para anular o negócio
jurídico em virtude de vício de consentimento é de dois anos.
b) O negócio jurídico realizado por Nonato e Raimundo é anulável pelo vício de consentimento da lesão.
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c) Trata-se de anulação de negócio jurídico por vício de consentimento, então, dessa forma, não é possível
a revisão do contrato para que Raimundo pague pelo veículo o valor de mercado da época da realização do
negócio.
d) O negócio jurídico é anulável pelo dolo, já que Raimundo se aproveitou da situação desesperadora de
Nonato.
e) O caso é de anulação de negócio jurídico pelo estado de perigo: Nonato, sob premente perigo de perder
seu único imóvel, assumiu obrigação excessivamente onerosa.
(FCC / DPE-PR - 2017) Considere as assertivas abaixo.
I. É possível confirmar um ato a priori anulável, tornando-o válido a posteriori, como na hipótese em que um
menor de idade compra um bem e, ao atingir a sua maioridade civil, confirma esse negócio jurídico,
ressalvado direito de terceiro.
II. Um determinado contrato nulo pode ser convertido em contrato válido, como na hipótese de compra e
venda de bem imóvel, com valor superior a trinta vezes o maior salário-mínimo vigente no país, sem a
lavratura de escritura pública; perfazendo-se apenas em compromisso de compra e venda.
III. A invalidade parcial de um negócio jurídico o prejudicará em sua totalidade, ainda que seja possível
separar a parte válida da inválida.
IV. Entre duas interpretações possíveis da declaração de vontade, uma que prive de validade e outra que lhe
assegure a validade, há de ser adotada a última.
Segundo o Código Civil, está correto o que se afirma APENAS em
a) III e IV.
b) II, III e IV.
c) I, II e IV.
d) II e IV.
e) I e III.
(FCC / DPE-BA - 2016) Hugo, ao descobrir que sua filha precisava de uma cirurgia de urgência, emite
ao hospital, por exigência deste, um cheque no valor de cem mil reais. Após a realização do
procedimento, Hugo descobriu que o valor comumente cobrado para a mesma cirurgia é de sete mil
reais. Agora, está sendo cobrado pelo cheque emitido e, não tendo a mínima condição de arcar com o
pagamento da cártula, procura a Defensoria Pública de sua cidade. Diante desta situação, é possível
buscar judicialmente a anulação do negócio com a alegação de vício do consentimento chamado de
a) coação.
b) erro substancial.
c) lesão.
d) estado de perigo.
e) dolo.
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(FCC / DPE-PB - 2014) Sob premente necessidade financeira, João vende a Luís imóvel por um terço do
valor de mercado. Tal negócio é
a) nulo, pelo vício denominado coação, não podendo ser convalidado pela vontade das partes.
b) nulo, pelo vício denominado estado de perigo, não podendo ser convalidado pela vontade das partes.
c) anulável, pelo vício denominado lesão, podendo ser convalidado pela vontade das partes.
d) anulável, pelo vício denominado estado de perigo, podendo ser convalidado pela vontade das partes.
e) anulável, pelo vício denominado lesão, não podendo ser convalidado pela vontade das partes.
(FCC / DPE-RS - 2014) Conforme a teoria das invalidades e as categorias sistematizadas pelo Código
Civil de 2002, considera-se como nulidade absoluta a situação em que o sujeito
a) confessa dívida em favor de amigo para fraudar a esposa deste em processo de separação.
b) assina caução excessivamente onerosa a instituição hospitalar por estar premido da necessidade de salvar
familiar.
c) adquire bem com qualidade essencial que este não possui, em razão de induzimento doloso por parte do
vendedor.
d) realiza negócio jurídico contra sua vontade, em razão de ameaça praticada pelo declaratário contra o
declarante e sua família.
e) pratica doação de patrimônio que o coloca em situação de insolvência, com o objetivo de prejudicar
credores.
(FCC / DPE-AM - 2013) São nulos os atos
a) praticados com a reserva mental de se descumprir a avença, tenha ou não conhecimento do fato o
destinatário da manifestação.
b) emanados de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das
circunstâncias do negócio.
c) quando a lei taxativamente os declarar nulos ou lhes proibir a prática sem cominar sanção.
d) praticados sob coação ou em fraude contra credores.
e) praticados pelos relativamente incapazes.
(FCC – DPE/PR – Defensor Público – 2012) Devido a dificuldades financeiras, Andrei teve de penhorar
antigo relógio deixado de herança pelo seu falecido pai. O bem foi repassado a terceiro, deixando
Andrei com um grande sentimento de culpa pelo ocorrido. Contudo, durante um almoço, Andrei vê o
relógio que julga ser aquele quepertenceu ao seu genitor na posse de Marcus, seu colega de trabalho.
Informando ao colega detalhes da história familiar e que possui a relojoaria como hobby, devido ao
aprendizado que teve com seu pai, relojeiro de profissão, Andrei questiona Marcus “se este venderia
o relógio que era do seu pai pelo valor X”, o que é aceito pelo vendedor, que silencia tratar-se de peça
que jamais pertenceu a família de Andrei, fato que vem a ser constatado pelo menos três semanas
após a aquisição. O adquirente sentiu-se lesado por ter pago preço que considera desproporcional pelo
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bem, o qual não iria adquirir em razão da ausência de identidade do objeto adquirido. Trata-se de
hipótese de
a) nulidade do negócio jurídico por simulação relativa.
b) anulabilidade do negócio jurídico por erro essencial de Andrei.
c) anulabilidade do negócio jurídico por dolo substancial praticado de forma omissiva por Marcus.
d) inexistência do negócio jurídico, por inidoneidade do objeto.
e) anulabilidade do negócio jurídico pela configuração de lesão.
(FCC / DPE-PR - 2012) Devido a dificuldades financeiras, Andrei teve de penhorar antigo relógio
deixado de herança pelo seu falecido pai. O bem foi repassado a terceiro, deixando Andrei com um
grande sentimento de culpa pelo ocorrido. Contudo, durante um almoço, Andrei vê o relógio que julga
ser aquele que pertenceu ao seu genitor na posse de Marcus, seu colega de trabalho. Informando ao
colega detalhes da história familiar e que possui a relojoaria como hobby, devido ao aprendizado que
teve com seu pai, relojoeiro de profissão, Andrei questiona Marcus “se este venderia o relógio que era
do seu pai pelo valor X”, o que é aceito pelo vendedor, que silencia tratar-se de peça que jamais
pertenceu a família de Andrei, fato que vem a ser constatado pelo mesmo três semanas após a
aquisição. O adquirente sentiu-se lesado por ter pago preço que considera desproporcional pelo bem,
o qual não iria adquirir em razão da ausência de identidade do objeto adquirido. Trata-se de hipótese
de
a) nulidade do negócio jurídico por simulação relativa.
b) anulabilidade do negócio jurídico por erro essencial de Andrei.
c) anulabilidade do negócio jurídico por dolo substancial praticado de forma omissiva por Marcus.
d) inexistência do negócio jurídico, por inidoneidade do objeto.
e) anulabilidade do negócio jurídico pela configuração de lesão.
(Instituto Cidades / DPE-AM - 2011) Dentre os defeitos do negócio jurídico, o direito elenca aqueles
relacionados aos vícios de consentimento. Desses, é correto afirmar que o erro
a) de direito é admitido no direito brasileiro para o não cumprimento do negócio, eximindo-se o interessado
do cumprimento da lei.
b) de direito sobre o motivo do negócio, é admitido e dá causa à sua anulação quando for seu motivo
principal, não afastando o cumprimento da lei.
c) de direito enquanto exceptio ignorantiae juris não afasta os efeitos da lei e do negócio em casos em que
ficar demonstrada sua existência.
d) referente à lei torna o negócio válido, mas essa lei aplicável a ele não será de cumprimento obrigatório.
e) consubstancia exceptio ignorantiae juris, impedindo os efeitos da lei quando demonstrada a sua
ignorância no negócio jurídico.
(CESPE / DPU - 2010) André, em situação de risco de morte, concordou em pagar honorários excessivos
a
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médico-cirurgião que se encontrava de plantão, sob a promessa de que o procedimento cirúrgico
imediato lhe salvaria a vida. Com relação a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
O referido negócio está viciado pela ocorrência de estado de perigo e o dolo de aproveitamento por parte
do médico é essencial à sua configuração.
(CESPE / DPU - 2010) André, em situação de risco de morte, concordou em pagar honorários excessivos
a médico-cirurgião que se encontrava de plantão, sob a promessa de que o procedimento cirúrgico
imediato lhe salvaria a vida. Com relação a essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.
Para anulação do referido negócio, faz-se necessária a comprovação da inexperiência de André́.
(CESPE / DPE-BA - 2010) Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios
jurídicos.
Caso o declaratário desconheça o grave dano a que se expõe o declarante ou pessoa de sua família, não
ficará caracterizado o estado de perigo.
(CESPE / DPE-BA - 2010) Julgue os próximos itens, a respeito dos defeitos e da nulidade dos negócios
jurídicos.
Para que se caracterize lesão ao negócio jurídico, a desproporção entre a obrigação assumida pela parte
declarante e a prestação oposta deve ser mensurada no momento da constituição do negócio.
(CESPE / DPU - 2005) A lesão inclui-se entre os vícios de consentimento e acarreta a anulabilidade do
negócio, permitindo-se, porém, para evitá-la, a oferta de suplemento suficiente ou, se o favorecido
concordar, a redução da vantagem, aproveitando-se, assim, o negócio.
Procurador
(IADES / AL-GO - 2019) Quando uma pessoa, sob premente necessidade ou inexperiência, se obriga a
prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, ocorre o defeito do negócio
jurídico denominado
a) erro.
b) dolo.
c) lesão.
d) estado de perigo.
e) coação.
(UFPR – PGM/Curitiba – Procurador Municipal – 2019) Maria, aos 20 anos, grávida em avançado
estágio gestacional, preocupa-se em adquirir alguns itens básicos do enxoval de seu bebê (como alguns
pacotes de fraldas, pomadas, um carrinho de bebê, berço e algumas roupas). No entanto, encontra-se
desempregada e suas economias não são suficientes para arcar com os gastos necessários. João, seu
vizinho, sabendo de sua premente necessidade de recursos, sugere que Maria faça um bazar de alguns
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de seus itens pessoais e oferece-se para comprar um relógio antigo que Maria mantinha em casa,
herança de sua bisavó, pelo valor de R$ 300,00. A peça sempre foi seu objeto de desejo, e João, que
era um colecionador, sabia que estava oferecendo um preço muito abaixo do preço de mercado.
Maria, que desconhecia o valor real do objeto e estava desesperada por recursos, aceita o negócio.
Quando vai a uma loja de antiguidades em busca de um berço usado, encontra relógio idêntico sendo
vendido por R$ 3.000,00. O negócio jurídico em questão é:
a) válido, sendo que as condições pactuadas resultaram da livre negociação dos agentes, não cabendo ao
judiciário corrigir erros de avaliação praticados por uma das partes.
b) ineficaz, uma vez que a desproporcionalidade das prestações no caso concreto suspende a eficácia do
negócio jurídico até que seja oferecido suplemento suficiente.
c) nulo, uma vez que João aproveitou-se da necessidade de Maria e de sua inexperiência quanto ao valor de
peças antigas colecionáveis para obter vantagem desproporcional.
d) anulável, pois a desproporcionalidade das prestações deveu-se à vontade viciada de Maria, em razão de
sua premente necessidade e inexperiência. Tal vício, no entanto, poderá ser sanado se João oferecer
suplemento suficiente.
e) anulável, em razão do erro, quanto à qualidade essencial do objeto, cometido por Maria
(CESPE – SEFAZ/RS – Auditor Fiscal – 2019) Julia e Mateus, noivos e sem experiência acerca de imóveis,
decidiram comprar um apartamento. André, corretor de imóveis que os atendeu, percebendo a
inexperiência do casal, alterou o valordo contrato de venda e compra do imóvel para três vezes acima
do preço de mercado. O contrato foi celebrado e, no ano seguinte, após terem pago a maior parte das
parcelas, em uma conversa com um amigo corretor de imóveis, Julia e Mateus descobriram o caráter
abusivo do valor entabulado e decidiram ajuizar uma ação com o objetivo de permanecerem no imóvel
e serem ressarcidos somente do valor excedente já pago.
Considerando a situação hipotética, em conformidade com o disposto no Código Civil, deve ser alegado em
juízo que o negócio jurídico celebrado tem como defeito
a)o estado de perigo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico.
b) a coação, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico.
c) o erro ou a ignorância, sendo possíveis a revisão judicial e a anulação d negócio jurídico.
d) a lesão, sendo possíveis a revisão judicial bem como a anulação do negócio jurídico.
e) o dolo, não sendo possível a revisão judicial, mas apenas a anulação do negócio jurídico.
(VUNESP / PGE-SP - 2018) O ato de assumir obrigação excessivamente onerosa, premido pela
necessidade de salvar-se ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte,
caracteriza:
a) estado de perigo, sujeito ao prazo decadencial de 4 anos para declaração da sua nulidade, contado da
cessação do risco.
b) lesão, sujeita ao prazo prescricional de 4 anos para declaração da sua nulidade, contado da cessação do
risco.
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c) estado de perigo, sujeito ao prazo decadencial de 4 anos para sua desconstituição, contado da data da
celebração do negócio jurídico.
d) lesão, sujeita ao prazo decadencial de 4 anos para sua desconstituição, contado da data da celebração do
negócio jurídico.
e) lesão, que torna o negócio jurídico ineficaz enquanto não promovido o reequilíbrio econômico do contrato
em sede judicial.
(CESPE / PGE-PE - 2018) Quando alguém obtém lucro exagerado, desproporcional, aproveitando-se
da situação de necessidade real e notória do outro contratante, configura-se o vício do negócio jurídico
denominado
a) abuso de direito.
b) lesão.
c) dolo de aproveitamento.
d) coação.
e) estado de perigo.
(CESPE / PGM-Manaus-AM - 2018) À luz das disposições do direito civil pertinentes ao processo de
integração das leis, aos negócios jurídicos, à prescrição e às obrigações e contratos, julgue os itens a
seguir.
Será viável a anulação de transmissão gratuita de bens por caracterização de fraude contra credores, ainda
que a conduta que se alegue fraudulenta tenha ocorrida anteriormente ao surgimento do direito do credor.
(FCC / PGM-Caruaru-PE - 2018) No tocante aos defeitos dos negócios jurídicos,
a) são anuláveis quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido
por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.
b) a fraude contra credores acarreta a nulidade dos contratos, onerosos ou gratuitos, podendo a ação
pauliana ser proposta somente pelos credores quirografários.
c) tanto o dolo essencial ou principal, como o dolo acidental, anulam o que foi contratado pelas partes.
d) o temor reverencial equipara-se à coação quanto aos efeitos jurídicos decorrentes de sua caracterização.
e) a lesão sempre conduzirá à anulação da avença, por se tratar de situação jurídica que não admite sua
convalidação.
(CONSULPLAN / Câmara Municipal-Belo Horizonte-MG - 2018) Sobre os Defeitos e a Invalidade dos
Negócios Jurídicos, analise as afirmativas a seguir.
I. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.
II. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade
que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se teria
celebrado.
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III. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a
parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos.
IV. É anulável o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e
na forma.
V. Quando a anulabilidade do ato resultar da falta de autorização de terceiro, será validado se este a der
posteriormente.
Estão corretas apenas as afirmativas
a) I, IV e V.
b) I, II, III e IV.
c) I, II, III e V.
d) II, III, IV e V.
(CESGRANRIO / PETROBRAS - 2018) Um homem decide ajudar seu afilhado a iniciar carreira de
motorista particular, doando-lhe um de seus carros. Para não contrariar sua esposa, que não concorda
com essa ajuda, o padrinho celebra com o afilhado contrato de compra e venda para encobrir a doação
do automóvel. Dois anos após se divorciar do marido, a agora ex-esposa descobre a verdade e ingressa
com ação judicial pretendendo o desfazimento do contrato de compra e venda de bem móvel realizado
entre padrinho e afilhado. Nessa situação, verifica-se, de acordo com o Código Civil de 2002, a
ocorrência de simulação
a) absoluta, e o contrato poderá ser anulado ou confirmado por vontade das partes.
b) absoluta, e o negócio jurídico nulo será suscetível de confirmação.
c) absoluta, e o contrato será nulo e insuscetível de confirmação.
d) relativa, e subsistirá a doação, se válida for na substância e na forma.
e) subjetiva, que é um vício de consentimento, que gera a anulabilidade do contrato.
(FUNDATEC / PGM-Porto Alegre-RS - 2016) Em relação às causas de invalidade, é correto afirmar que:
a) A lesão não será decretada caso a parte favorecida aceite a redução do seu proveito.
b) Quando a declaração de vontade emanar de erro não essencial, a invalidade só será decretada por
provocação de uma das partes.
c) Quando as duas partes agirem com dolo, o negócio é considerado nulo de pleno direito, e não apenas
anulável, podendo a declaração de invalidade ser requerida por qualquer uma das partes.
d) O exercício regular de um direito, quando capaz de gerar graves dificuldades à parte contrária, caracteriza
coação.
e) O erro de cálculo vicia o negócio, retirando-lhe todos os efeitos.
(FUNRIO / PGM-Trindade-GO - 2016) O defeito na manifestação da vontade gera consequências graves
na validade do negócio jurídico. Diante dos defeitos do negócio jurídico, é correta a seguinte
afirmativa:
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a) O dolo, seja ele essencial ou substancial, é suficiente para invalidação do negócio jurídico.
b) O erro, enquanto falsa percepção da realidade induzida por terceiro, gera a anulabilidade do negócio
jurídico.
c) A coação é hipótese de nulidade no Código Civil e, consequentemente, não convalesce pelo decurso do
tempo.
d) No estado de perigo, o agente, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave
dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.
e) A coação suficiente para anular o negócio jurídico é aquela cuja ameaça recai sobre o paciente, sendo
certo que a ameaça à família ou aos bens apenas autoriza o ressarcimento das perdas e danos.
(FUNRIO / PGM-Trindade-GO - 2016) Em relação à Teoria Geral dos Negócios Jurídicos e seus efeitos,
a alternativa correta é:
a) A incapacidade do agente gera a nulidade do negócio jurídico.
b) O negócio jurídico nulo sempre pode ser confirmado pelas partes.c) A simulação gera a nulidade do negócio jurídico, independentemente da posição de terceiros, por se tratar
de matéria de ordem pública.
d) A impossibilidade inicial do objeto sempre invalida o negócio jurídico, ainda que venha a cessar antes de
realizada a condição a que estiver subordinado.
e) No ordenamento jurídico brasileiro, a forma do negócio jurídico está submetida ao princípio do
consensualismo e, excepcionalmente, exige-se forma especial.
(CESPE / AGU - 2015) É absolutamente nulo e sem possibilidade de conversão substancial o
compromisso de compra e venda fictício celebrado entre locador de imóvel residencial e terceiro,
como objetivo de reaver imóvel do locatário mediante ação de despejo proposta pelo suposto
adquirente do bem.
(PGR / PGR - 2015) Assinale a alternativa correta:
a) O pai, na administração dos bens do filho incapaz, não pode aliená-los sem autorização judicial, podendo,
entretanto, gravá-los.
b) O erro in substância exige que a quantidade pretendida seja o motivo determinante do ato praticado.
c) Nos direitos de personalidade puros e nas relações de família não se admite a aposição de termo.
d) É possível a renúncia antecipada a prescrição sempre que o titular puder desistir antecipadamente do
direito.
(ESAF / PGFN - 2015) Analise as proposições abaixo e assinale a opção incorreta.
a) Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente,
ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores
quirografários, como lesivos dos seus direitos.
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b) Os contratos onerosos do devedor insolvente serão anuláveis quando a insolvência for notória ou
conhecida do outro contratante.
c) Os negócios fraudulentos serão nulos em relação aos credores cuja garantia se tornar insuficiente.
d) Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do acervo sobre o qual
se tenha de efetuar o concurso de credores.
e) Se os negócios fraudulentos tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca,
penhor ou anticrese, sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.
(FCC / MANAUSPREV - 2015) O negócio jurídico praticado sob coação
a) é nulo, não se convalidando com o decurso do tempo nem podendo ser confirmado pela vontade das
partes.
b) equipara-se aos praticados sob temor reverencial.
c) é nulo, podendo ser invalidado, a pedido da parte prejudicada, no prazo decadencial de 4 anos, contado
da celebração do negócio.
d) deve ser interpretado tendo em conta o que, na mesma circunstância, teria feito o homem médio.
e) é anulável, convalidando-se com o decurso do tempo e podendo ser confirmado pela vontade das partes.
(FMP / PGE-AC - 2014) O dolo:
a) só pode gerar a anulabilidade do negócio, mesmo que seja acidental.
b) pode gerar a indenização por perdas e danos caso seja acidental.
c) não comporta a modalidade bilateral.
d) deve ser sempre próprio não comportando o dolo de terceiro.
(CESPE / PGE-BA - 2014) Acerca dos negócios jurídicos, julgue os itens a seguir.
Ocorre a lesão quando uma pessoa, em premente necessidade ou por inexperiência, se obriga a prestação
manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, exigindo-se, para a sua configuração, ainda,
o dolo de aproveitamento, conforme a doutrina majoritária.
(FUNDATEC / Câmara Municipal-Porto Alegre-RS - 2014) Assinale a alternativa correta em relação ao
regime da nulidade dos negócios jurídicos:
a) O descumprimento da forma imposta, por lei ao ato jurídico importará na sua ineficácia relativa, uma vez
que somente os terceiros prejudicados pelo ato é que poderão postular a sua anulação.
b) A simulação, quando praticada com o escopo de burlar a lei ou prejudicar terceiros, constitui causa de
anulabilidade do ato jurídico.
c) O negócio jurídico é nulo quando celebrado por relativamente incapaz.
d) Considera-se simulação nocente aquela que causa danos a terceiros.
e) O erro sobre o objeto do negócio jurídico redunda na sua nulidade.
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(CESPE / AGU - 2013) A nulidade do negócio jurídico realizado em fraude contra credores é subjetiva,
de forma que, para a sua tipificação, deve ser provada a intenção de burlar o mandamento legal.
(CESPE / BACEN - 2013) A respeito dos negócios jurídicos, assinale a opção correta.
a) Erro referente ao objeto principal da declaração importa a anulação do negócio jurídico, mas o referente
à natureza do negócio, não.
b) A conversão substancial do negócio jurídico nulo ocorre ex lege, prescindindo do elemento subjetivo das
partes.
c) O contrato que contiver declaração contrária à verdade poderá ser anulado por ocorrência de dolo.
d) Se o encargo for ilícito, a consequência, de regra, será a nulidade da cláusula, mantendo-se o negócio
jurídico, ainda que gratuito.
e) Considera-se condição a cláusula que estabeleça, por exemplo, a doação de um imóvel quando o
beneficiário atingir a maioridade.
(FMP / PGE-AC - 2013) Assinale a alternativa INCORRETA:
a) A cláusula rebus sic stantibus - teoria da imprevisão - está fundada, assim como a lesão, na ocorrência de
onerosidade excessiva. Sua ocorrência e aferição, no entanto, são posteriores à formação do vínculo, pois
nesse momento o que se dá é a possibilidade de ocorrência e aferição da lesão.
b) Ambas, teoria da imprevisão e lesão, são causas de anulabilidade do negócio jurídico.
c) A lesão é causa de anulabilidade do negócio jurídico apenas se a parte favorecida pelo desequilíbrio do
contrato não concordar em restabelecer o equilíbrio contratual.
d) Estado de perigo e lesão são causas de anulabilidade que se diferenciam, dentre outros aspectos, porque
a lesão se refere à iminência de dano patrimonial, enquanto o estado de perigo exige a ocorrência de risco
pessoal.
(FMP / PGE-AC - 2013) Assinale a alternativa INCORRETA.
a) A fraude contra credores exige a existência de um crédito, seja ele com garantia real ou quirografário.
b) A arguição da nulidade de um negócio jurídico, ao contrário da arguição da anulabilidade, não está sujeita
a prazo.
c) Se a impossibilidade do objeto de um negócio jurídico for inicial, mas relativa, o negócio é válido.
d) A simulação invalida o negócio aparente. O negócio que se pretendeu esconder, dissimular, no entanto,
se for válido, na substância e na forma, subsistirá.
(ESAF / PGFN - 2012) Em relação aos defeitos do negócio jurídico, assinale a opção incorreta.
a) O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio
quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada.
b) O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a
importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante convencional, o representado
responderá subsidiariamente pelas perdas e danos suportados pelo terceiro prejudicado.
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c) A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano
iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Se disser respeito a pessoa não
pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.
d) Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob prementeque a vontade nunca é livre, mas sempre induzida pelas pulsões psíquicas do id, da
busca pelo prazer e da aversão pelo desprazer. Essas são digressões que escapam ao direito, irrelevantes,
portanto.
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De maneira polêmica, porém, o art. 112 prevê que nas declarações de vontade se deve atender mais à
intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. Ou seja, há inequívoco assento
subjetivo, voluntarista, ainda, no CC/2002 relativamente à interpretação dos fatos jurídicos.
De toda sorte, a interpretação dos negócios jurídicos sempre será feita conforme a boa-fé e os usos do
lugar de sua celebração (art. 113). Como? O §1º prevê que tal interpretação deve atribuir ao negócio
jurídico dados sentidos, minudenciados nos incisos.
Primeiro, o sentido que for confirmado pelo comportamento das partes, posteriormente à celebração do
negócio. Segundo, o sentido que corresponda aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de
negócio em questão. Terceiro, sentido correspondente à boa-fé.
Além disso, deve a interpretação seguir o sentido que for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo,
se identificável no caso. Por fim, o inc. V prevê que seja o sentido que corresponder a qual seria a razoável
negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais disposições do negócio e da
racionalidade econômica das partes, consideradas as informações disponíveis no momento de sua
celebração.
II. Objeto
Quanto à validade do objeto, é necessário verificar se o ato está de acordo com o direito e a natureza, ou
seja, é preciso que ele esteja em conformidade com a licitude, a determinabilidade e a possibilidade. Não
se discute a existência do objeto, já que esse é elemento do plano da existência, já superado; discute-se se
o objeto existe está adequado aos requisitos do plano de validade.
III. Forma
Atos relevantes exigem formas específicas. Atenção!!! Não cometa o erro de dizer que o ato é “informal”
no sentido de que não tem forma! Todo ato tem forma, já que a forma é, nos atos jurídicos, o modo de
exteriorização da vontade. A rigor, porém, a forma é qualquer uma, desde que seja um comportamento
concludente, ou mesmo o silêncio, em certas situações.
Ou seja, dizer que determinado ato “não precisa de forma nenhuma” significa dizer que ele simplesmente
não existe. Quando paro diante de uma vitrine e me vejo comprando uma gravata, não existe um negócio
jurídico (de compra e venda) porque eu não exteriorizei minha vontade sob uma forma. Qualquer forma
aqui era válida, vale dizer, a compra e venda poderia ser verbal.
Pode haver mesmo um negócio jurídico celebrado sem qualquer verbalização, como ocorre na compra e
venda de um refrigerante numa máquina. A forma desse negócio jurídico é o comportamento concludente
(o “apertar o botão” conclui a compra e venda).
Melhor dizer que o negócio não exige forma ESPECÍFICA. Assim, a falta de forma exigida ou a
utilização de forma proibida acarretarão a invalidade do ato. Esse problema é, em geral,
pequeno, porque vige a liberdade de formas no ordenamento jurídico brasileiro. O art. 107
evidencia isso ao dispor que a validade da declaração de vontade não depende de forma
especial, exceto quando a lei expressamente a exigir.
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O próprio silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária
a declaração de vontade expressa, elucida o art. 111. E assim tem de ser, ou o formalismo excessivo
invalidaria um sem-número de atos jurídicos.
6.1. NULIDADES
As nulidades têm por núcleo os arts. 166 e 167 do CC/2002. A ação para nulificação de um ato jurídico em
sentido amplo é uma ação declaratória, ou seja, o ato já é nulo, mas necessário é declaração judicial a
respeito. Por isso, as ações que pretendem reconhecer a nulidade são imprescritíveis (rectius, incaducáveis).
Como regra, as nulidades podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério
Público, quando lhe couber intervir, segundo dicção do art. 168. Por isso, segundo o parágrafo
único desse mesmo artigo, as nulidades devem ser pronunciadas de ofício pelo juiz, quando
conhecer do negócio jurídico.
Nem o juiz, nem as partes podem suprir, assim, uma nulidade. Isso impede, também, que o
negócio jurídico nulo seja confirmado pelas partes (“ah, eu sei que é nulo, mas confirmo o negócio mesmo
assim!”), ou convalesça pelo decurso do tempo (prescrição ou decadência), segundo o art. 169. Por isso, a
eficácia da nulificação é ex tunc, retroagindo ao ato e fazendo com que as partes retornem ao status quo
ante.
Invalidades
Sujeito
Capacidade de agir
Perfeição da manifestação
Objeto
Licitude
Possibilidade
Determinabilidade
Forma
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(MPT / MPT - 2017) Sobre os negócios jurídicos, assinale a alternativa CORRETA:
A) Equiparam-se à coação a ameaça do exercício regular de direito e o temor reverencial, ainda que
decorram de terceiro.
B) As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou de seus
efeitos, e as encontrar provadas, salvo se, sendo possível o suprimento da nulidade, esta for requerida
pelas partes.
C) A simulação, que torna nulo o negócio jurídico, será absoluta quando o ato negocial sequer existir
na realidade ou quando contiver cláusula, declaração, confissão ou condição totalmente falsa,
inexistindo qualquer relação jurídica.
D) O erro é substancial quando interessa à natureza do negócio jurídico, ao objeto principal da
declaração ou a alguma das qualidades a ele essenciais, tornando nulo o negócio jurídico por ele
atingido.
Comentários
A alternativa A está incorreta, segundo o art. 153: “Não se considera coação a ameaça do exercício
normal de um direito, nem o simples temor reverencial”.
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 168, parágrafo único: “As nulidades devem ser
pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar
provadas, não lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes”.
A alternativa C está correta, ocorrendo nulidade por simulação absoluta quando negócio algum há
(como nos exemplos mencionados na assertiva) e a relativa quando há dissimulação de um negócio
por outro.
A alternativa D está incorreta, na conjugação do art. 139, inc. I (“O erro é substancial quando interessa
à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele essenciais”)
com o art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de
erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias
do negócio”.
Há uma norma excepcional, porém, que prevê decadência de ato nulo. É o caso do art. 48, parágrafo
único, visto anteriormente:
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Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular as decisões a que se refere este artigo, quando
violarem a lei ou estatuto, ou forem eivadas de erro, dolo, simulação ou fraude”, “Se a pessoa jurídica
tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioria de votos dos presentes, salvo se o
ato constitutivo dispuser de modo diverso.
Quais são as situaçõesnecessidade, ou por inexperiência, se obriga a
prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Não se decretará a anulação do
negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do
proveito.
e) O credor quirografário, que receber do devedor insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida,
ficará obrigado a repor, em proveito do acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo
que recebeu.
(FCC / PGE-SP - 2012) Celebrado negócio jurídico não oneroso pelo devedor, que o reduza à
insolvência, será ele considerado
a) ineficaz por fraude contra credores, por se tratar de ato gratuito.
b) nulo por fraude à execução, por presunção absoluta de consilium fraudis.
c) anulável por fraude à execução, ante a clara intenção de frustrar o cumprimento das suas obrigações.
d) nulo por fraude contra credores, por revelar ato atentatório contra a dignidade da justiça.
e) anulável por fraude contra credores, por iniciativa do credor quirografário com crédito anterior à
alienação.
(PGR / PGR - 2011) No que tange aos negócios jurídicos:
a) O erro de cálculo, quando viciar o consentimento, pode gerar a anulação do negócio jurídico;
b) O dolo positivo ocorre quando uma das partes ocultar algo que, se a outra fosse sabedora, não efetivaria
o negócio;
c) O negócio jurídico é anulável tanto em virtude de vícios sociais quanto em virtude de vícios de
consentimento;
d) O erro de direito, para gerar a anulação do negócio, tanto pode recair sobre normas cogentes quanto
sobre normas dispositivas.
(CESPE / AGU - 2010) Se cabalmente comprovada a inexperiência do contratante, configura-se a lesão,
mesmo que a desproporcionalidade entre as prestações das partes seja superveniente.
(CETAP / AL-RR - 2010) Julgue os itens seguintes em Verdadeiro (V) ou Falso (F) e assinale a alternativa
que apresenta a sequência CORRETA:
( ) A causa é requisito de validade dos negócios jurídicos no direito brasileiro, que adotou o modelo causal
germânico.
( ) A impossibilidade inicial do objeto não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de
realizada a condição a que ele estiver subordinado.
( ) A forma do negócio jurídico exteriorizado através de instrumento público sem que a lei tivesse exigido
sequer forma escrita é ad probationem.
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( ) A lesão, para viciar o negócio jurídico, exige, por parte do beneficiado, conhecimento do estado de
premente necessidade ou inexperiência do prejudicado.
a) F, V, V, F.
b) V, F, F, V.
c) V, F, V, F.
d) F, V, F, V.
e) F, V, V, V.
(CESPE / BACEN - 2009) A respeito dos elementos, dos defeitos e da validade dos atos jurídicos,
assinale a opção correta:
a) A conversão substancial do negócio jurídico é meio jurídico capaz de sanar sua invalidade absoluta.
b) Se o adquirente de determinado bem ignorava o estado de insolvência do alienante, tal negócio não será
passível de anulação por fraude contra credores.
c) Embora haja significativas diferenças entre nulidade e anulabilidades, ambas são reconhecidas por meio
de ação desconstitutiva.
d) Se comprovada a inexperiência do contratante, a lesão restará configurada ainda que a
desproporcionalidade entre as prestações que incumbem às partes seja superveniente.
e) A consequência da inserção de termo inicial ou suspensivo no contrato é o adiamento da aquisição do
direito.
(CESPE / PGE-SE - 2008) Acerca dos fatos jurídicos, assinale a opção correta.
a) Configura-se o estado de perigo quando uma pessoa, por inexperiência, ou sob premente necessidade,
obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, gerando lucro
exagerado ao outro contratante. Nessa situação, a pessoa pode demandar a nulidade do negócio jurídico,
dispensando-se a verificação de dolo ou má-fé da parte adversa.
b) A fraude contra a execução é um defeito do negócio jurídico, caracterizando-se como vício de
consentimento e viciando, como consequência, a declaração de vontade dos partícipes do negócio jurídico.
c) A simulação relativa é um vício social que acarreta a nulidade do negócio jurídico, que não pode subsistir,
mesmo que seja válido na substância e na forma.
d) O negócio jurídico realizado com infração a norma de ordem pública, mesmo depois de declarado nulo
por sentença judicial, por se tratar de direito patrimonial e, portanto, disponível, pode ser ratificado pelas
partes, convalidando-se, assim, o ato negocial.
e) A reserva mental caracteriza-se pela não-coincidência entre a vontade real e a declarada, com o propósito
de enganar a outra parte. Se for desconhecida pelo destinatário, a manifestação de vontade subsiste ainda
que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou.
(PGE / PGE-MS - 2004) Assinale a alternativa correta, tendo em vista o negócio jurídico simulado:
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a) A simulação é causa da anulabilidade do negócio jurídico, sendo vedada a sua alegação em juízo pelos
simuladores;
b) A simulação é causa de nulidade do negócio jurídico, sendo vedada sua alegação em juízo pelos
simuladores;
c) A simulação é causa da nulidade do negócio jurídico, sendo admitida sua alegação em juízo pelos
simuladores, resguardando-se os direitos de terceiro de boa-fé;
d) Na simulação subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma;
e) “c” e “d” estão corretas.
(FUNDEP / Câmara Municipal/Belo Horizonte-MG - 2004) Considerandose os defeitos do negócio
jurídico, é CORRETO afirmar que
a) a coação exercida por terceiro, sem que a parte a que gere proveito dela tivesse ou devesse ter
conhecimento, não acarreta nulidade do negócio jurídico.
b) a pessoa que, por inexperiência, se obrigue à prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta não pode pleitear a anulação do negócio jurídico em virtude de lesão.
c) o dolo acidental não vicia os negócios jurídicos e, portanto, não obriga à satisfação de eventuais perdas e
danos.
e) os negócios jurídicos são sempre anuláveis quando as declarações de vontade emanarem de erro
substancial ou acidental.
(ESAF / PGFN - 2003) Se um contratante supõe estar adquirindo um lote de terreno de excelente
localização, quando, na verdade, está comprando um situado em péssimo local, configurado está:
a) o dolo acidental.
b) o dolo negativo.
c) o dolo principal.
d) o erro sobre o objeto principal da declaração.
e) o dolo positivo.
(FCC / PGE-MA - 2003) Sobre a invalidade dos negócios jurídicos considere as seguintes afirmações:
I. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se for válido na substância e na
forma.
II. É nulo o negócio jurídico celebrado em estado de perigo.
III. É anulável o negócio jurídico quando se verifica a lesão, porém não se decretará a anulação se a parte
favorecida concordar com a redução do proveito.
IV. É anulável o negócio jurídico celebrado por pessoa absoluta ou relativamente incapaz.
V. É nulo o negócio jurídico quando tiver por objetivo fraudar lei imperativa.
SOMENTE está correto o que se afirma em
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a) I, II e III.
b) I, III e V.
c) II, III e IV.
d) II, IV e V.
e) III, IV e V.
GABARITO
Defensor
1. DPE-RJ C
2. DPE-PE B
3. DPE-PR D
4. DPE-BA D
5. DPE-PB C
6. DPE-RS A
7. DPE-AMC
8. DPE/PR C
9. DPE-PR C
10. DPE-AM B
11. DPU C
12. DPU E
13. DPE-BA C
14. DPE-BA C
15. DPU C
Procurador
16. PGM/Curitiba D
17. SEFAZ/RS D
18. AL-GO C
19. PGE-SP C
20. PGE-PE B
21. PGM-Manaus-AM E
22. PGM-Caruaru-PE A
23. CM Belo Horizonte C
24. PETROBRAS D
25. PGM-Porto Alegre A
26. PGM-Trindade D
27. PGM-Trindade E
28. AGU C
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29. PGR C
30. PGFN C
31. MANAUSPREV E
32. PGE-AC B
33. PGE-BA E
34. CM Porto Alegre D
35. AGU E
36. BACEN NENHUMA
37. PGE-AC B
38. PGE-AC A
39. PGFN B
40. PGE-SP E
41. PGR C
42. AGU E
43. AL-RR A
44. BACEN B
45. PGE-SE E
46. PGE-MS E
47. CM Belo Horizonte A
48. PGFN D
49. PGE-MA B
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76294005272 - JEAN CARLOS DA SILVA OLIVEIRAde nulidade previstas pelo CC/2002? Vale lembrar que há diversas nulidades textuais
e nulidades virtuais espalhadas pelo ordenamento. No caso de infração direta, você vê as nulidades textuais,
ou seja, a norma diz claramente que o ato é nulo, como o faz o art. 489:
Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a
fixação do preço.
As nulidades virtuais, porém, são mais difíceis de detectar, já que o dispositivo legal em si não fala claramente
que se trata de hipótese de nulidade. Por isso, se faz necessária construção doutrinária e jurisprudencial
sobre cada caso. Exemplo disso é o art. 556 do CC/2002:
Não se pode renunciar antecipadamente o direito de revogar a liberalidade por ingratidão do
donatário.
O artigo não menciona a sanção, mas se entende que é nulo. Como saber que se está diante de uma nulidade
virtual? A parte final do art. 167, inc. VII esclarece que é nulo o negócio jurídico quando a lei lhe proibir a
prática, sem cominar sanção. Assim, se determinado ato for proibido, mas não houver sanção por sua
prática, entende-se que ele é nulo, como no caso do supracitado art. 556.
Ambas, nulidades textuais e virtuais, estão previstas no art. 166, inc. VII, genericamente. São muitas as
hipóteses de nulidade. Eu vou me ater às nulidades trazidas pela Parte Geral, evidentemente.
Não convalescem pelo decurso do tempo
(prescrição e decadência)
Nem o juiz nem as partes podem suprir
Devem ser pronunciadas de ofício pelo juiz
Podem ser alegadas por qualquer interessado e
pelo MP
NULIDADES
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1. Sujeito
A. Incapacidade de agir
A incapacidade absoluta está exposta no art. 3º do CC/2002, conforme você já viu. Qual a consequência da
violação do art. 3º? Prevê o art. 166, inc. I, a nulidade de atos praticados por absolutamente incapazes.
Quando o sujeito será absolutamente incapaz?
Até a entrada em vigor da Lei 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência – EPD, tínhamos duas
espécies de nulidades por falta de capacidade de agir: a menoridade e a ausência de discernimento. Veja as
hipóteses do defunto art. 3º, tendo eu já sobrescrito as hipóteses revogadas, para não confundir você:
Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I - os menores de dezesseis anos;
II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para
a prática desses atos;
III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.
Com a vigência do EPD, os dois incisos finais (II e III) foram revogados, em consonância com os objetivos do
Estatuto de dotar as pessoas com deficiência de igualdade no tratamento das relações sociais e jurídicas.
Assim, as pessoas com deficiência, agora, não mais são consideradas incapazes (absoluta ou
relativamente), qualquer que seja a deficiência e qualquer que seja a gravidade dela. O ato praticado pela
pessoa com deficiência é, portanto, válido, não nulo nem anulável.
Muito se discute acerca do acerto dessa escolha e as consequências práticas dela, mas o fato é que esses
dois incisos foram extirpados do art. 3º em definitivo. O tempo dirá se o legislador agiu com (des)acerto e
como se fará para contornar os eventuais problemas causados pelo desarranjo entre o CC/2002, o EPD e o
CPC/2015.
Assim, atualmente, após o EPD entrar em vigor, apenas a menoridade gera nulidade dos atos por ausência
de capacidade de agir. Por razões biológicas e históricas, até os 16 anos é a pessoa incapaz, não podendo
praticar qualquer ato jurídico. A realização desses atos se dá pelo representante. Cuidado! Sua prova pode
questionar se todos os atos praticados pelo absolutamente incapaz são nulos. Se você ler o art. 166, inc.
I, sem o devido cuidado, pode dizer que sim.
Mas a doutrina, por razões práticas, vai dizer que o ato praticado pelo absolutamente capaz,
caso seja de pequena monta, é válido, ou os absolutamente incapazes não poderiam celebrar
qualquer tipo de negócio. É só imaginar uma pessoa com 13 anos. Quer dizer que a entrada de
cinema que ela comprou é nula? Ou a roupa pela qual pagou no shopping? Obviamente que
não.
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B. Imperfeição da manifestação
I. Má-fé (objetiva) e Iniquidade
A ausência de boa-fé, é, talvez, a situação mais corriqueira de negócio jurídico nulo. Todo negócio celebrado
de má-fé é, assim, nulo. Lembra que quando a lei veda determinada conduta sem cominar sanção você
estará diante de uma nulidade virtual?
Pois bem, parte da doutrina aponta aí o fundamento da compreensão de que a violação da boa-fé objetiva
gera a nulidade do negócio jurídico. Veja a dicção do art. 422 do CC/2002:
Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua
execução, os princípios de probidade e boa-fé.
A equidade funciona da mesma forma. Em apertada síntese, equidade é a igualdade “ajustada”, numa visão
aristotélica de justiça, ou seja, a igualdade dos iguais e a desigualdade dos desiguais, na medida de sua
desigualdade. É o caso de prestações excessivamente onerosas, que se tornam iníquas e,
consequentemente, nulas. Exemplo é o art. 478 do CC/2002:
Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos
extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da
sentença que a decretar retroagirão à data da citação.
II. Simulação
O que é simulação? Na linguagem jurídica, segundo Pontes de Miranda, ocorre simulação quando:
Ostenta-se o que não se quis; e deixa-se inostensivo aquilo que se quis.
A simulação está contida no art. 167 que prevê a nulidade do negócio jurídico simulado, mas estabelece
que o negócio dissimulado subsiste, se válido for na substância e na forma. Mas, quando haverá simulação?
O § 1º do artigo traz, nos incisos, as situações de simulação, de maneira exemplificativa (rol aberto, numerus
apertus):
I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se
conferem, ou transmitem (compra e venda de imóvel por “laranja”);
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira (compra e venda de
um imóvel gratuitamente para o adúltero);
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados (faço um recibo pós-
datado, para usar como prova, ou pagar menos tributos).
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A simulação absoluta ocorre quando ato algum é realizado, ao passo que que na relativa há
um ato, que simula outro, dissimulado. Ou seja, se repasso a você um recibo de pagamento de
determinados valores, sem que tenha havido qualquer negócio, a simulação é absoluta, e não
permite salvamento. O mesmo vale para o reconhecimento de dívida inexistente ou a doação de
um valor que jamais saiu do meu patrimônio.
Já na simulação relativa, eu repasso a você um recibo de pagamento de determinados valores, mas pós-dato
ele para que a dívida pareça mais antiga. O mesmo ocorre com uma doação travestida de compra e venda;
e com o reconhecimento de dívida em valor superior ao real.
Nesses casos todos, os atos jurídicos dissimulados subsistem. O pagamento, a doação e o reconhecimento
de dívida são válidos, mas inválidos a datação inverídica, a compra e venda e o valor a maior reconhecido na
dívida. Elucida o Enunciado 293da IV Jornada de Direito Civil, repetindo o art. 167, que na simulação relativa,
o aproveitamento do negócio jurídico dissimulado não decorre tão-somente do afastamento do negócio
jurídico simulado, mas do necessário preenchimento de todos os requisitos substanciais e formais de
validade daquele.
Pode-se ainda analisar a simulação a partir do sujeito que recebe o benefício. No caso de simulação de um
negócio jurídico por interposta pessoa, há simulação subjetiva ou ad personam. Exemplo é a venda de um
imóvel feita a um terceiro que revende ao verdadeiro adquirente ou donatário (ambas as alienações
fictícias), que não poderia receber o bem licitamente, como no caso do art. 496: “É anulável a venda de
ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente
houverem consentido”). É o típico caso do “testa de ferro” ou do “elemento cítrico da relação jurídica”, o
“laranja”.
Portanto, na simulação subjetiva a parte contratante não obtém nenhuma vantagem
porque é mero sujeito aparente do negócio (art. 167, §1º, inc. I). Já na simulação objetiva,
o beneficiário da simulação é a contraparte, verificando-se a invalidade apenas em seu
aspecto objetivo (art. 167, §1º, incs. II e III).
Ademais, pode-se ver a simulação a partir do prejuízo que ela causa. Pode a simulação pretender prejudicar
terceiros ou violar preceito normativo; trata-se de caso de simulação maliciosa. Ao contrário, se não há
prejuízo a terceiros nem se viola determinação legal, há simulação benigna ou inocente.
Há forte divergência doutrinária a respeito da consequência do propósito das partes da simulação. Há quem
considere, como Paulo Nader e Silvio Venosa, a simulação inocente válida, na esteira do art. 103 do CC/1916.
Isso porque haveria atentado contra o princípio da conservação do negócio jurídico, invalidando-se
desnecessariamente o ato.
A maior parte da doutrina e o STJ (REsp 243.767), contrariamente, entendem que com a edição do CC/2002,
o propósito do legislador, ao evitar a repetição do revogado dispositivo, foi precisamente extirpar essa
distinção. A simulação, mesmo que benigna, invalidaria o negócio jurídico, portanto. No mesmo sentido, o
Enunciado 152 da III Jornada de Direito Civil reconhece que toda simulação, inclusive a inocente, é
invalidante.
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De qualquer sorte, em regra, os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico
simulado são preservados, na dicção do art. 167, §2º. Ainda assim, o Enunciado 294 da IV Jornada de Direito
Civil afiança que, por ser causa de nulidade do negócio jurídico, a simulação pode ser alegada por uma das
partes contra a outra.
III. Motivo determinante ilícito
O motivo é a razão, o “porquê” do negócio. Em regra, o motivo é irrelevante, pois relevante é
a causa, o fim do negócio (o “para quê”). Assim, se eu adquiro seu carro para ir ao trabalho,
para “curtir o fim de semana”, para usar como carro de fuga num assalto a banco, para
transportar tóxicos ilícitos pela fronteira terrestre brasileira ou para atropelar um desafeto e
simular um acidente, isso é completamente irrelevante para o negócio jurídico entabulado,
normalmente.
Porém, a razão, o motivo, pode ser relevante, quando o motivo declarado for falso ou for ilícito. Se for falso,
é o caso de erro (visto adiante). Nesse caso, o negócio jurídico é anulável. Contrariamente, se o motivo for
ilícito, é nulo, conforme determina o art. 166, inc. III do CC/2002.
O motivo tem de ser determinante, condutor do negócio e a ilicitude depende da lei, da moral, dos bons
costumes e da boa-fé, segundo leciona o art. 122 do CC/2002:
São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons
costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio
jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.
O motivo determinante ilícito tem que ser comum aos contraentes. Ou seja, se um sabia e o outro não, o
motivo determinante não é ilícito, como nos exemplos que eu dei acima; se eu comprei o carro para
sequestrar pessoas, a compra e venda é válida, já que você não sabia disso.
2. Objeto
A. Ilicitude
Nulidade prevista no art. 166, inc. II. Pode-se ter objeto ilícito tanto diretamente (por exemplo, um contrato
para que o contratado mate alguém), quanto indiretamente (eu doo dinheiro ao matador de aluguel). O
cuidado a se ter é que se tem de analisar os atos em conjunto, pois isoladamente são lícitos,
eventualmente.
B. Impossibilidade
Nulidade também prevista no art. 166, inc. II. São quatro as situações de impossibilidade do objeto, segundo
construção doutrinária:
I. Cognoscitiva: impossibilidade de conhecer o objeto, como no caso de contrato no qual a pessoa se obriga
a guardar um lugar no céu à outra.
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II. Lógica: nesse caso, há impossibilidade de cumprimento por contradição no negócio, como, por exemplo,
o contrato com cláusulas ininteligíveis.
III. Física: a impossibilidade deve ser analisada no momento da execução da prestação, como é o caso do
contrato no qual eu compro um carro que dirige sozinho por qualquer lugar. Em geral, a impossibilidade
física não será perene, mas temporária, por conta dos avanços científicos. Vide os carros que estão sendo
desenvolvidos pelas montadoras e pelo próprio Google, que já conseguem, de maneira ainda limitada, se
autodirigirem.
IV. Jurídica: o objeto é fisicamente possível, mas não juridicamente, seja por lei ou por contrato. Por
exemplo, a divisão da uma parcela de terra em porção menor que o módulo rural, fisicamente é possível,
mas juridicamente eu digo que não é possível.
Atente porque o art. 106 evidencia que a impossibilidade inicial do objeto não invalida o
negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver
subordinado. Ou seja, invalida-se o ato jurídico apenas se a impossibilidade for absoluta, ou seja,
erga omnes; se apenas determinado sujeito não puder cumprir aquele objeto o ato é válido, por
exemplo.
Ademais, ainda quanto ao objeto, o art. 114 exige do intérprete que os negócios jurídicos benéficos e a
renúncia sejam interpretados estritamente. Isso objetiva preservar a vontade daquele que praticou o ato
benévolo.
C. Indeterminabilidade
Nulidade igualmente prevista no art. 166. A indeterminação tem de ser absoluta, ou seja, não consigo
determinar a prestação, de modo algum. Via de regra, variados contratos estabelecerão objeto
determinável, em maior ou menor grau. Raríssima na prática, pelo que pouco importante,
consequentemente.
3. Forma
A lei pode exigir forma específica ou proibir outras, em determinados atos, conforme estabelecem os incs.
IV e V do art. 166 do CC/2002.
Cuidado! Não confundir forma com instrumento no qual essa forma se realiza. Há inúmeros
atos sem instrumento, mas com forma, como uma doação verbal, por exemplo.
O ato nulo pode estar em instrumento válido, como a compra e venda em escritura particular,
por exemplo; e o ato válido pode estar em instrumento nulo, como na escritura pública de
compra e venda sem data, ou cujo oficial do registro foi afastado, por algum motivo.
Mas, e por que isso é importante? Porque temos o direito processual. Se o instrumento é nulo, a ação é uma,
se a forma é nula, a ação é outra. Assim, se a nulidade ocorre porque o tabelião foi afastado, a ação é contra
ele e contra o Estado. Se a nulidade decorre da falta de assinatura do vendedor, é contra ele que eu
manejarei a ação.
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Veja que a invalidade do instrumento não induz a invalidação do negócio jurídico sempre que este puder
ser provado por outro meio. A dicção do art. 183, em realidade, evidencia a compreensão do Direito Civil
brasileiro de que o conteúdo se sobrepõe à forma, de modo que o ato pode ser salvo mesmo que o
instrumento tenha sido invalidado.
Cuidado porque no negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é
da substância do ato, determina o art. 109. Sendo substância do ato, ele é elemento essencial do negócio
jurídico, que o torna nulo se não presente. Veja que mesmo se um dispositivo legal a respeito de um contrato
não estabelece a exigência de forma específica, como ocorre com a compra e venda em geral, nada impede
que as partes insiram nele uma cláusula que exige escritura pública.
Em regra, desnecessária será a escritura, mas como as partes estipularam inversamente, o instrumento
público é essencial ao ato, acarretando a nulidade, se ausente. Exige-se escritura pública apenas para os
negócios jurídicos que visem a constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre
imóveis de valor superior a 30 vezes o maior salário mínimo vigente, elucida o art. 108.
NULIDADES
1. Sujeito
A. Incapacidade
B. Imperfeição da
manifestação
I. Má-fé e
iniquidade
II. Simulação
III. Motivo
determinante
ilícito
2. Objeto
A. Ilicitude
B. Impossibi-lidade
C. Indeterminabi-
lidade
3. Forma
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6.2. ANULABILIDADES
O núcleo das anulabilidades está no art. 171, mas ele é incompleto, pois faltam as anulabilidades
específicas, que estão determinadas na lei e por ela espalhadas. Veja que mesmo antes do rol de
anulabilidades do art. 171, o CC/2002 já trouxe outras hipóteses.
As ações anulatórias são de natureza desconstitutiva. Por isso, sujeitam-se as anulabilidades a prazos
decadenciais, e não prescricionais.
É o caso do negócio jurídico que o representante, no seu interesse ou por conta de outrem, celebrar
consigo mesmo, reputado anulável pelo art. 117, salvo se o permitir a lei ou o representado.
Igualmente, considera-se anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com
o representado, se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou (art. 119). Nesse
caso, é de 180 dias o prazo decadencial para se pleitear a anulação do negócio, a contar da conclusão do
negócio ou da cessação da incapacidade.
De qualquer forma, analisarei detidamente apenas as anulabilidades presentes nesse núcleo da Parte Geral,
sendo que as demais serão vistas a seu tempo, conforme for exigido.
Ao contrário das nulidades, as anulabilidades podem ser alegadas somente pelos
interessados, segundo o art. 177. Por isso, segundo esse mesmo dispositivo, as anulabilidades
não podem ser pronunciadas de ofício pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico.
Por isso, a anulabilidade tem eficácia ex nunc. Não obstante, evidente que determinadas
situações jurídicas exigirão eficácia retroativa, como é o caso da anulação do matrimônio, que
retorna os agora ex-cônjuges ao status de solteiros. Não se descura dessas possibilidades, mas a regra
continua válida; a eficácia da desconstituição não retroage, ordinariamente.
Daí o negócio anulável poder ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiros, segundo regra do art.
172. Essa confirmação, inclusive, nem precisa ser expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo
devedor, ciente do vício que o inquinava, nos termos do art. 174. Com a confirmação extinguem-se todas as
ações, ou exceções, de que contra ele dispusesse o devedor, a rigor, pelo teor do art. 175 do CC/2002.
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Por isso, as anulabilidades caducam. O art. 178 do CC/2002 estabelece 4 anos de prazo de decadência para
pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou
o negócio jurídico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.
(TRF / TRF-2ª R - 2017) Leia as assertivas adiante e, a seguir, marque a opção correta:
I - O ato de renúncia à herança ou de remissão de dívida, praticado por quem tem muitos débitos
vincendos, é considerado fraudulento independentemente de prova do dano (eventus damni), que é
presumido pelo legislador.
II - São anuláveis os contratos onerosos do devedor insolvente, gravosos ao seu patrimônio, quando a
insolvência for notória, ainda que não haja prova de ser ela conhecida do outro contratante.
III A ação pauliana é a via para postular a invalidade do ato em fraude a credores, e está submetida ao
prazo prescricional de cinco anos, contados da prática do ato.
IV - O pagamento antecipado, feito pelo devedor insolvente a um de seus credores quirografários, em
relação a débito realmente existente, é apto a ser invalidado em benefício do acervo concursal.
A) Apenas as assertivas I e II estão corretas.
B) Apenas as assertivas I e III estão corretas.
C) Apenas as assertivas II e IV estão corretas.
Convalescem pelo decurso do tempo (prescrição
e decadência)
Podem ser supridas
Não podem ser pronunciadas de ofício pelo juiz
Não podem ser alegadas por qualquer
interessado, apenas pelas próprias partes
ANULABILIDADES
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D) Apenas a assertiva II está correta.
E) Apenas as assertivas I e IV estão corretas.
Comentários
O item I está incorreto, já que débitos vincendos não são causa para decretação de fraude, como se
vê pelo teor do art. 158: “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os
praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão
ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”.
O item II está correto, pela literalidade do art. 159: “Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos
do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do
outro contratante”.
O item III está incorreto, dada a previsão do art. 178, inc. II: “É de quatro anos o prazo de decadência
para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado no de erro, dolo, fraude contra credores,
estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico”.
O item IV está correto, como se extrai do art. 162: “O credor quirografário, que receber do devedor
insolvente o pagamento da dívida ainda não vencida, ficará obrigado a repor, em proveito do acervo
sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores, aquilo que recebeu”.
A alternativa C está correta, portanto.
Quando, porém, a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a
anulação, será o prazo de 2 anos, a contar da data da conclusão do ato, segundo o art. 179. Quando for
anulado o negócio jurídico, restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Se não for
mais possível, serão indenizadas com o equivalente, na regra do art. 182.
Por fim, em consonância com o princípio da conservação dos negócios jurídicos, o art. 184 do CC/2002
estabelece que:
Respeitada a intenção das partes, a invalidade parcial de um negócio jurídico não oprejudicará
na parte válida, se esta for separável; a invalidade da obrigação principal implica a das obrigações
acessórias, mas a destas não induz a da obrigação principal.
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1. Sujeito
A. Incapacidade de agir
I. Falta de assentimento
Prevista no art. 171, inc. I, trata da incapacidade relativa. O assentimento tem o sentido de
aprovação, autorização. O correto não é dizer que a incapacidade relativa traz a
anulabilidade, mas a falta de assentimento do responsável. Quando isso ocorrerá? Nas
situações do art. 4º, cuja redação foi alterada pela Lei 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa
com Deficiência – EPD:
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade;
IV - os pródigos.
Lembro, mais uma vez, que o ato praticado pela pessoa com deficiência é válido, não nulo nem anulável.
Se a pessoa tem deficiência grave e toma um medicamento forte para controlar suas alucinações, mas
consegue exprimir sua vontade, age validamente. No entanto, se, por alguma razão, não toma o
medicamento ou o medicamento falha (lote de placebo), seu ato é anulável.
Quem pratica o ato é sempre a própria pessoa reputada incapaz, ao contrário do absolutamente incapaz,
cujos atos são praticados pelo representante legal, em nome dele. Porém, para os relativamente incapazes
os pais, tutores ou curadores devem assentir, seja no mesmo ato ou posteriormente, segundo dispõe o
art. 176. Por isso, pode ocorrer de o relativamente incapaz praticar o ato, o responsável se negar a assentir
e o incapaz requerer suprimento judicial do assentimento, caso a negativa seja por razão injusta.
Assim, pode ocorrer de o relativamente incapaz praticar o ato, o responsável se negar a assentir e o incapaz
requerer suprimento judicial do assentimento. Caso a negativa tenha por fundamento razão injusta, o juiz
suprirá sua omissão.
Exceções à regra de que o ato praticado por incapaz sem assistência é anulável existem. Primeiro, ninguém
pode reclamar o que, por uma obrigação anulada, pagou a um incapaz, se não provar que reverteu em
proveito dele a importância paga, determina o art. 181. Ademais, excepcionam a regra as situações previstas
no art. 181:
O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação, invocar a
sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-
se, declarou-se maior.
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B. Imperfeição da manifestação (vícios de vontade)
A vontade tem de ser exteriorizada. Se for interna, não se fala em vício, considerando-se o
caso de reserva mental, conforme estabelece o art. 110. Nessa situação, a manifestação de
vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que
manifestou.
Mas, nesse caso, por que a reserva não subsiste? Pontes de Miranda e Moreira Alves
consideram que a reserva mental interna, não externalizada ou conhecida, configura situação de inexistência
do ato jurídico, porque vontade não havia. A vontade precisa ser externalizada de alguma forma. Se não há
externalização, se a vontade é interna ao agente, falta ao ato jurídico um dos elementos do plano da
existência, a forma.
Há discordância forte na doutrina, no entanto. Aqueles que divergem dessa compreensão, porém, não
esclarecem adequadamente a razão pela qual deve ser compreendida a reserva mental como existente, mas
defeituosa (nula, em geral). A posição de Pontes de Miranda e Moreira Alves, de qualquer sorte, parece ser
a adotada pelo art. 110: “A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva
mental de não querer o que manifestou”.
Ou seja, se o que se manifestou é o que existe, aquilo que não foi manifestado não existe,
consequentemente. A exceção fica por conta da reserva mental conhecida da contraparte. Nesse caso, não
subsiste o ato.
E o que significa aqui o “não subsiste”? Na esteira da previsão expressa do BGB, Marcos Bernardes de Mello
e Flávio Tartuce apontam ser o caso de nulidade, porque há verdadeira equiparação à simulação. Cuidado!
Não é simulação; é semelhante, apenas. Se, mesmo tomando conhecimento da reserva mental da
contraparte, celebro o contrato, conheço da real intenção da contraparte e com ela compactuo. Em outras
palavras, estou simulando negócio com base em declaração não verdadeira, na esteira da previsão do art.
167, § 1º, inc. II (“Haverá simulação nos negócios jurídicos quando contiverem declaração, confissão,
condição ou cláusula não verdadeira”).
Se, porém, a vontade é exteriorizada defeituosamente, será inválida, segundo o art. 171, inc. II. Quais são os
casos de anulação do ato por imperfeição de manifestação? São os chamados “vícios de vontade”, ou seja,
os casos nos quais a manifestação de vontade está contaminada, viciada.
São vários os casos regulados pelo CC/2002: erro, dolo, coação, estado de perigo e lesão. O estado de perigo
e a lesão são novidades do legislador de 2002, não estando esses dois vícios previstos no CC/1916. Passarei
a analisar cada um deles em detalhe.
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I. Erro
O erro, ou ignorância, nada mais é do que “a falsa representação psicológica da realidade”,
da situação em face da qual a pessoa se encontra. Há, portanto, uma distorção da vontade
relativamente ao mundo exterior.
O ato será anulável quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial que
poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.
No entanto, o Enunciado 12 da I Jornada de Direito Civil, prevê que é irrelevante ser ou não escusável o
erro, porque o dispositivo adota o princípio da confiança.
O erro pode se dar de variados modos, afiança Marcos Bernardes de Mello. Há erro quando não há
paralelismo nas manifestações, como no caso em que eu empresto minha caneta de ouro para uma pessoa
assinar um documento e ela acha que eu a doei. Também há erro quando eu utilizo uma palavra plurívoca
ou equívoca, como ocorre nas malfadadas propagandas de carro “completão”.
Igualmente há erro quando minha vontade não é transmitida corretamente, como, por exemplo, na
declaração feita pelo representante num anúncio incorreto. Erro, ainda, quando o objeto não corresponde
ao que se negociou, qualitativa ou quantitativamente, como no caso do brinco de ouro que é apenas
folheado, ou na aquisição de uma obra de arte que é apenas uma réplica do trabalho original.
Erro, ainda, quando a pessoa não é ou não tem as qualidades imaginadas, situação essa que só se aplica aos
negócios intuitu personae, a exemplo da contratação de um pianista para um recital de órgão. Por fim,
verifica-se o erro mesmo quando acabo negociando algo “errado”, no caso em que dito uma coisa e a pessoa
escreve errado e eu assino sem ler.
Mas, quando se verificará o erro, de acordo com o CC/2002? Primeiro, há de se lembrar que o erro precisa
ser substancial, exige o art. 138. Quando há erro substancial? Estabelece o art. 139 que o erro é substancial
quando:
I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades
a ele essenciais;
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de
vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante;
III - sendo de direito e não implicando recusaà aplicação da lei, for o motivo único ou principal
do negócio jurídico.
Aqui, há de se fazer a necessária conexão do CC/2002 com a LINDB. O art. 3º da LINDB prevê que ninguém
se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. A doutrina aponta no art. 139, inc. III do CC/2002,
uma exceção do brocardo ignorantia legis neminem excusat inserido no art. 3º da LINDB.
Não me parece a melhor interpretação, já que o referido dispositivo é claro ao dispor que não pode a lei ser
descumprida pela alegação de desconhecimento. O art. 139, inc. III, mantém essa lógica, ao estabelecer que
o erro de direito é causa de anulação do negócio jurídico, desde que não implique em “recusa à aplicação da
lei”.
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Ao contrário de muitos doutrinadores, não consigo entender que o art. 139, inc. III, do CC/2002, excepcione
o art. 3º da LINDB. Ele apenas permite a anulação do negócio celebrado por erro, mas não o descumprimento
da lei.
O art. 140 ainda adiciona mais uma situação de erro. Segundo esse dispositivo, haverá erro quando o motivo,
falseado, for razão determinante do negócio. Inversamente, mesmo que falso, o motivo não viciará o ato
quando não for razão determinante do negócio jurídico. Mesmo que a transmissão errônea da vontade não
se dê por declaração direta, mas por meios interpostos, o ato é anulável, esclarece o art. 141.
De qualquer sorte, ao contrário do erro quanto à natureza do negócio (error in negotio), o
erro de indicação da pessoa (error in persona) ou da coisa (error in corpore), a que se
referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas
circunstâncias, puder se identificar a coisa ou pessoa cogitada. Igualmente, o erro de
cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade, mas não comporta
anulação.
Sempre que constatado o erro, o outro deverá indenizar. Pode-se, em qualquer caso, afastar a anulação do
ato se o outro consentir em cumprir o ato em conformidade com a vontade daquele que havia feito a
declaração, conforme estabelece o art. 144.
(FCC / TRT-1ª R - 2016) A respeito dos defeitos dos negócios jurídicos previstos no Código Civil,
considere:
I. São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial
que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.
II. O erro é substancial quando sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo
único ou principal do negócio jurídico.
III. O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante.
IV. O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da declaração de vontade.
Está correto o que se afirma em
A) I, II, III e IV.
B) I e II, apenas.
C) I e III, apenas.
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D) II e III, apenas.
E) I, II e IV, apenas.
Comentários
O item I está correto, segundo o art. 138: “São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações
de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal,
em face das circunstâncias do negócio”.
O item II está correto, conforme o art. 139, inc. III: “O erro é substancial quando sendo de direito e
não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico”.
O item III está correto, nos termos do art. 140: “O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando
expresso como razão determinante”.
O item IV está correto, dada a previsão do art. 143: “O erro de cálculo apenas autoriza a retificação da
declaração de vontade”.
A alternativa A está correta, portanto.
II. Dolo
Inicialmente, vale esclarecer que o dolo como elemento invalidante do ato jurídico em sentido amplo nada
tem a ver com o dolo caracterizado como espécie de culpa em sentido amplo da responsabilidade civil ou
do Direito Penal. O dolo da responsabilidade civil não se liga a um ato jurídico lato sensu, mas a ato ilícito
(com repercussões tanto civis quanto criminais).
Dolo, aqui, significa engano, embuste, traição, trapaça. É a ação ou omissão em induzir,
fortalecer ou manter o outro na falsa representação da realidade para beneficiar a si ou a
outrem, de modo que o negócio não se realizaria de outra maneira (dolus causam). Ou seja, o
dolo nada mais é do que “induzir alguém em erro”, resumidamente. Veja que o dolo deve ser
a causa eficiente do negócio, conforme estabelece o art. 145.
No dolo, portanto, não se exige qualquer sofisticação, basta “ajudar” o erro alheio que já se configura o dolo.
Há linha tênue entre a propaganda enganosa e a exaltação das qualidades do produto. A doutrina e a
jurisprudência entendem que o espalhafato e o exagero não são dolo (o chamado dolus bonus, em oposição
ao dolus malus).
Porém, o silêncio, a depender do caso, pode ser considerado igualmente dolo, conforme estipula o art. 147.
Por isso, nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou
qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio
não se teria celebrado.
Distingue-se aí o dolo positivo ou comissivo do dolo negativo ou omissivo. No dolo positivo o agente pratica
uma conduta para ludibriar o agente, como é o caso do vendedor que costura “um jacarezinho” numa
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camiseta para fazê-la parecer com uma de famosa marca. Já no dolo negativo, como é o caso da omissão
dolosa, o agente maliciosamente se omite, deixando que o agente aja em erro.
E precisa o dolo ser praticado diretamente? Não, se terceiro colabora no dolo, desde que o outro
negociante saiba ou devesse saber que aquilo não correspondia à realidade, é dolo, na dicção do art. 148.
Por exemplo, enquanto estou comprando uma réplica de um relógio suíço, uma pessoa qualquer olha o
produto e diz: “ah, esse aí é muito bom, já que é fabricado na Suíça, na longa tradição relojoeira de lá”. O
vendedor nada diz, aproveitando-se da minha crença de que comprarei um relógio verdadeiramente suíço.
Ao contrário, se o dolo foi praticado por terceiro sem o conhecimento do beneficiário, o negócio é válido e
este não responde pelo prejuízo. Evidentemente, o terceiro, que ludibriou a pessoa responde pelas perdas
e danos que causar, mas o beneficiário não poderá ser acionado e nem o negócio anulado.
De qualquer forma, se o negócio se realizaria mesmo que eu soubesse que o produto era mera réplica, mas
não por aquele preço, há dolo incidental/acidental (dolo incidens). Nesse caso, não se anula o negócio,
apenas se indeniza o negociante prejudicado pelas perdas e danos, consoante regra do art. 146.
Assim, se ambos sabiam do defeito, não é dolo invalidante, mas se caracteriza o dolo recíproco (bilateral
ou enantiomórfico), conforme o art. 150, pelo que ninguém pode reclamar do negócio. Por exemplo, se eu
compro um produto que é réplica, sabendo que era uma réplica, para me aproveitar do preço baixo, não
posso alegar dolo da contraparte para receber meu dinheiro de volta.
Haveria benefício na própria torpeza em violação ao brocardo nemo auditur propriam turpitudinem allegans.
Entretanto, havendo prejuízo de monta diversa, é de pensar que a compensação dos prejuízos com os lucros
(compensatio lucri cum damno) deve ser feita equitativamente, por vezes tendo uma parte que indenizar a
outra pelo prejuízo maior que sofreu.
III. Coação
A vontade, aqui éviciada pelo medo de dano a si, à família, a outrem ou aos bens, a partir de
uma pressão física ou moral, segundo o art. 151. O parágrafo único desse artigo diz que se a
coação for contra terceiro, não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas
circunstâncias, decidirá se houve coação.
O dano tem de ser considerável, mas isso depende da análise judicial. O medo é igualmente
relativo, pois varia de pessoa a pessoa, já que há mais fracos e mais fortes para suportar tortura psicológica.
Por isso, conforme estabelece o art. 152, ao apreciar a coação, deve-se ter em conta o sexo, a idade, a
condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na
gravidade dela. Assim, a ameaça com arma de brinquedo é coação, ainda que não seja suficiente para o
aumento/qualificadora de pena do roubo, no juízo criminal.
Há algumas situações que não caracterizam coação, ainda que pareçam, conforme estabelece o art. 153:
a ameaça do exercício normal de um direito e o simples temor reverencial.
Tal qual no dolo, o coator pode ser terceiro, mas a parte beneficiada, para indenizar, deveria saber ou teria
o
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dever de saber do temor. Se não soubesse, o terceiro coator é quem indeniza, mas o negócio continua válido.
Ou seja, há dever de indenizar independentemente da validade do negócio, conforme estabelecem os arts.
154 e 155. Se o beneficiário sabia da coação, responde solidariamente com o coator, inclusive, diante do
paciente (coato ou coagido).
Em se tratando de coação física que retira completamente a vontade do coato (vis absoluta,
em contraposição à vis compulsiva, ou coação moral/psicológica), o negócio jurídico é, em
verdade, inexistente, já que vontade não há. É o caso do analfabeto que, algemado, tem sua
impressão digital colhida em instrumento de doação, por exemplo. Parte da doutrina afiança que
a vis absoluta tornaria o negócio nulo.
Desde a edição do EPD, retirou-se a “causa transitória que impede a manifestação de vontade” do rol da
incapacidade absoluta. Consequentemente, o ato praticado pela pessoa que transitoriamente não pode
exprimir sua vontade não é mais nulo, mas apenas anulável.
Será difícil para a doutrina menos afeita à teoria do fato jurídico ponteana continuar a sustentar essa tese.
Continuo sustentando, com base em Pontes de Miranda, que a vis absoluta torna o negócio jurídico
inexistente, sem que esse raciocínio precise ser mudado ou adaptado por força do EPD.
IV. Estado de perigo
O estado de perigo está previsto no art. 156:
Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a
pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação
excessivamente onerosa.
É o caso do pai que, vendo o filho ser atingido por um tiro em confronto policial na rua, leva-o ao hospital,
que exige soma excessiva para realizar a cirurgia. Atente, porém, porque o termo “premente”, contido nesse
dispositivo, significa “sério”; ou seja, a necessidade de salvar a pessoa ou a si mesmo precisa ser séria.
Tal qual a coação, o parágrafo único estendeu a verificação do estado de perigo a uma relação afetiva que
não decorre de Direito de Família, mas que pode ter significado para a pessoa. Assim, tratando-se de pessoa
não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias do caso.
Para que o estado de perigo se verifique devo analisar 5 pressupostos:
1. Dano: deve ser pessoal, não patrimonial, por mais importante que seja, ao contrário da
coação;
2. Urgência e gravidade do dano/risco: que gera fundado temor, numa avaliação subjetiva
(elemento subjetivo), já que a ignorância e o desespero geralmente ocasionam temor exagerado,
como, p.ex., a mãe que vê o filho com muito sangue no rosto, mas são apenas machucados na
região do supercílio, que habitualmente sangra bastante;
3. Relação de causa e efeito entre o perigo e o negócio: fiz o negócio para evitar o perigo;
4. Dolo da contraparte: o outro tem que saber que eu farei o negócio a qualquer custo;
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5. Excessiva onerosidade: avaliada pelo negócio em si, e não em relação ao patrimônio do sujeito
(elemento objetivo).
(FCC / DPE-BA - 2016) Hugo, ao descobrir que sua filha precisava de uma cirurgia de urgência, emite
ao hospital, por exigência deste, um cheque no valor de cem mil reais. Após a realização do
procedimento, Hugo descobriu que o valor comumente cobrado para a mesma cirurgia é de sete mil
reais. Agora, está sendo cobrado pelo cheque emitido e, não tendo a mínima condição de arcar com
o pagamento da cártula, procura a Defensoria Pública de sua cidade. Diante desta situação, é
possível buscar judicialmente a anulação do negócio com a alegação de vício do consentimento
chamado de
A) coação.
B) erro substancial.
C) lesão.
D) estado de perigo.
E) dolo.
Comentários
A alternativa A está incorreta, já que a coação exige um ato do coator, e não meramente uma exigência
para que atue.
A alternativa B está incorreta, dado que Hugo não teve representação mental da realidade incorreta,
ao contrário, justamente por ver o perigo de dano iminente é que tomou a atitude mencionada no
exercício.
A alternativa C está incorreta, porque, apesar de haver um componente de lesão no caso, o ponto
principal é a necessidade de salvar sua filha, que configura o caso de estado de perigo, e não mera
lesão.
A alternativa D está correta, na forma do art. 156: “Configura-se o estado de perigo quando alguém,
premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra
parte, assume obrigação excessivamente onerosa”.
A alternativa E está incorreta, porque não foi o Hospital a incutir uma realidade distorcida em Hugo,
mas apenas a exigir prestação excessivamente onerosa.
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De maneira altamente criticável, o Enunciado 148 da III Jornada de Direito Civil prevê que se aplica
também ao estado de perigo, por analogia, o disposto no art. 157, §2º (“Não se decretará a anulação
do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução
do proveito”). Cuidado, porém, porque já vi alguns certames considerarem incorreta a assertiva que
previa que “no estado de perigo, se o beneficiário concordar com a redução do preço, não será o
negócio anulado”.
V. lesão
A lesão, popularmente conhecida como “galinha morta” ou “negócio da China”, já está presente no
ordenamento jurídico brasileiro há tempos. O art. 4º da Lei 1.521/1951, que versa sobre a proteção da
economia popular, veda a criminosa conduta de cobrar juros elevados quando da premente necessidade ou
inexperiência do mutuário (boa e velha agiotagem). No CC/2002, a lesão está prevista no art. 157 e tem dois
pressupostos:
1. Prestação manifestamente desproporcional: valorada pelo juiz (elemento objetivo). Por
exemplo, vende a casa de 1 milhão por 100 mil;
2. O negócio se deu por estado de necessidade ou inexperiência (elemento subjetivo).
Veja que a apreciação da desproporção das prestações se dá segundo os valores vigentes ao tempo em que
foi celebrado o negócio jurídico. Assim, se é verificada desproporção de valores durante a execução do
contrato, por exemplo, não há que se falar em lesão, como é comum se ver em ações revisionais que
pululam no Poder Judiciário. Pode haver onerosidade excessiva, mas não lesão.