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EPIDEMIOLOGIA E PROCESSO 
SAÚDE-DOENÇA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ivana Maria Saes Busato 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
As aplicações da epidemiologia são norteadas por níveis de determinação 
da doença, agravo ou evento, da molecular até a etnoepidemiologia, com 
destaque para epidemiologia clínica. Nesta etapa, será estudada a aplicabilidade 
da epidemiologia na farmacoepidemiologia visando compreender os efeitos 
benéficos e adversos dos medicamentos em grandes populações utilizando-se 
do método epidemiológico, o processo de produção de fármacos e vacinas, e o 
papel do farmacêutico. 
 Vamos estudar a epidemiologia aplicada à atenção básica para análise de 
situação de saúde de territórios, como porta de entrada para o Sistema Único de 
Saúde. A aplicação da epidemiologia em serviços hospitalares é apresentada na 
epidemiologia hospitalar. 
Finalizaremos estudando a causalidade em saúde para entender como 
podemos passar de uma associação observada para um veredito mais assertivo 
em relação às causas. 
TEMA 1 – EPIDEMIOLOGIA APLICADA POR NÍVEIS DE DETERMINAÇÃO 
A epidemiologia aplicada é estudada por meio de diferentes planos, 
interligado com a multicausalidade da ocorrência de doença/agravo/evento, 
considerando que a saúde é um conjunto complexo de eventos que se organizam 
em diferentes níveis, do molecular ao social (Busato, 2016). A epidemiologia 
ambiental e epidemiologia social, que estudamos em conteúdos anteriores, tem 
uma interface com a saúde única; assim, vamos desbravar a epidemiologia 
molecular e genética inicialmente. 
1.1 Epidemiologia molecular, genética 
A epidemiologia molecular tem sua aplicabilidade na identificação de 
moléculas com capacidade de acumular informação sobre eventos de saúde que 
ocorrem no organismo, genericamente chamados de biomarcadores (Busato, 
2016). 
Conforme explicado em Busato (2016, p. 105), 
o monitoramento de biomarcadores permite uma compreensão 
detalhada dos eventos biológicos envolvidos na etiopatogênese das 
doenças e reforça a importância na identificação precoce de eventos 
 
 
3 
associados à história natural da doença e na determinação mais precisa 
de indivíduos ou grupos de risco. 
[...] 
A caracterização de linhagens por tipagem molecular, como instrumento 
adicional para as investigações epidemiológicas, é um meio para se 
entender melhor os mecanismos que influenciam a dinâmica de 
transmissão e a identificação dos fatores de risco em uma comunidade. 
Essas técnicas estão a serviço da epidemiologia para ajudar a responder 
como a doença se distribui em relação à pessoa, ao espaço e ao tempo, quais 
são os determinantes de risco para ocorrência de doenças e quais fatores 
determinam manifestações clínicas e evoluções diferentes para uma mesma 
doença. Nesse plano são utilizados desenhos de estudo em geral observacionais, 
descritivos e analíticos, e, em alguns casos específicos, os estudos de 
intervenção. 
Wünsch Filho e Gattás (2001), em estudo do conhecimento da biologia 
molecular aplicado nos estudos epidemiológicos, em especial no estudo de 
biomarcadores na história natural do câncer, apontam que será necessária a 
aproximação de epidemiologistas e biólogos moleculares, procurando 
compatibilizar linguagens e métodos de pesquisa que são distintos. 
Cabe destacar a importância da biomedicina no processo da biologia 
molécula no estudo das interações bioquímicas celulares entre os vários sistemas 
da célula, desde a relação entre o DNA, o RNA e a síntese de proteínas, e o modo 
como essas interações são reguladas. 
As técnicas de epidemiologia molecular devem sofrer adaptações nos 
desenhos epidemiológicos para ajustá-los à logística de coleta de material 
biológico, com uma transição dos experimentos laboratoriais e a epidemiologia de 
base populacional, caracterizar a variabilidade intra e interindividual dos 
biomarcadores, avaliar a viabilidade do uso de determinado marcador nas 
condições de pesquisa de campo e otimizar o uso de biomarcadores (Wünsch 
Filho, Gattás; 2001). 
A epidemiologia genética é o “estudo da etiologia, distribuição e controle de 
uma doença em grupos de familiares e dos determinantes genéticos de uma 
doença nas populações” (Busato, 2016, p. 105). 
Busato (2016, p. 106) explica que as principais “finalidades da 
epidemiologia genética estão na identificação de fatores genéticos de risco 
envolvidos na patologia em estudo e a quantificação do seu impacto na ocorrência 
da população em geral”. Epidemiologia genética é entendida como a ciência que 
trata com a etiologia, distribuição e controle de doenças em grupos de familiares 
 
 
4 
ou com as causas genéticas das doenças nas populações, admitindo o conceito 
de genético em sentido amplo, o que inclui tanto as heranças biológicas quanto 
culturais (Gonçalves; Gonçalves; 1990) 
Os avanços tecnológicos permitiram examinar o genoma humano em 
detalhes de forma econômica e de grande escala. A análise genética moderna 
necessita integração com o conhecimento sobre outros aspectos relacionados 
com os riscos individuais e populacionais. Nesse sentido, o mapeamento do 
genoma humano e os avanços das tecnologias moleculares tornam ainda mais 
importantes as aplicações da epidemiologia genética. 
1.2 Epidemiologia clínica e etnoepidemiologia 
A epidemiologia clínica compõe os elementos essenciais da epidemiologia. 
Segundo em Fletcher (2021, p. 3), a epidemiologia clínica “é a ciência que faz 
predições sobre pacientes individuais, objetiva desenvolver e aplicar métodos de 
observação clínica que conduzam a conclusões válidas, evitando uma 
interpretação equivocada por erros sistemáticos ou pelo acaso”. 
Na década de 60 percebeu-se a necessidade do desenvolvimento de 
técnicas avaliativas das inovações tecnológicas que ocorrem no diagnóstico, 
prevenção e tratamento. Diante dessa necessidade, a pesquisa clínica juntou-se 
aos demais elementos epidemiológicos e metodológico da epidemiologia na 
busca das evidências clínicas baseadas em evidências científicas. 
As evidências clínicas geradas pelas pesquisas clínico-epidemiológicas e 
o aumento das opções de diagnóstico, tratamento e prevenção geradas por essas 
pesquisas têm gerado necessidade do clínico em escolher as melhores evidências 
para prática clínica, surgindo na medicina o elo entre a boa pesquisa científica e 
a prática clínica, com a Medicina Baseada em Evidência – MBE, tradução do 
inglês Evidence-Based Medicine. A epidemiologia clínica é uma abordagem 
importante para obter o tipo de informação de que os clínicos necessitam para 
tomar boas decisões no cuidado com o paciente (Fletcher, 2021). 
Todos os profissionais de saúde realizam a epidemiologia clínica no 
cuidado das pessoas, nutricionistas, enfermeiros, biomédicos, farmacêuticos, 
médicos, cirurgião-dentista, fisioterapeutas, gerontólogos, entre outros, por isso 
vale ressaltar a importância de se manter atualizado sobre mas melhores práticas 
clínicas de sua área. 
 
 
 
5 
Saiba mais 
O Centro Cochrane do Brasil utiliza os níveis e graus de cientificidade para 
indicar as pesquisas com maior evidência científica na tomada de decisão no 
cuidados de saúde do paciente. Consulte a homepage do Centro Cochrane do 
Brasil acessando o link a seguir: 
CENTRO COCHRANE DO BRASIL. Disponível em: 
. Acesso em: 31 jan. 2023. 
O Ministério da Saúde mantém o Portal Saúde Baseado em Evidência, em 
parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, 
para o desenvolvimento de uma biblioteca eletrônica com o objetivo de aprimorar 
o exercício dos trabalhadores da saúde por meio do acesso a conteúdos 
cientificamente fundamentados, na perspectiva de melhor atender à população. 
Os sete níveis de evidência científica, segundo Galvão (2007, p. 1), 
apontam a qualidade da evidência, iniciando a partir da melhor qualidadeque traz 
a melhor evidência: 
• Nível 1 – as evidências são provenientes de revisão sistemática ou 
metanálise de todos relevantes ensaios clínicos randomizados controlados 
ou oriundos de diretrizes clínicas baseadas em revisões sistemáticas de 
ensaios clínicos randomizados controlados. 
• Nível 2 – as evidências derivadas de pelo menos um ensaio clínico 
randomizado controlado bem delineado; 
• Nível 3 – evidências obtidas de ensaios clínicos bem delineados sem 
randomização; 
• Nível 4 – evidências provenientes de estudos de coorte e de caso-controle 
bem delineados; 
• Nível 5 – evidências originárias de revisão sistemática de estudos 
descritivos e qualitativos; 
• Nível 6 – evidências derivadas de um único estudo descritivo ou qualitativo. 
• Nível 7 – evidências oriundas de opinião de autoridades e/ou relatório de 
comitês de especialistas. 
A etnoepidemiologia aplica os métodos epidemiológicos à pesquisa 
transcultural em saúde, buscando explicações baseadas na abordagem de risco 
nos elementos necessários ao entendimento das formas de adoecer ou de se 
sentir doente, podendo resultar em uma maior contribuição para o conhecimento 
 
 
6 
acerca das possibilidades de promoção da saúde (Fernandes, 2003). Almeida-
Filho (2020) aponta que a etnoepidemiologia faz parte do movimento de saúde 
coletiva na América Latina para integrar a perspectiva epidemiológica com a das 
ciências sociais, sociologia e antropologia médica em particular, o que suscita a 
necessidade de situar os problemas de saúde em seu contexto sócio-histórico, 
cultural, político e econômico. 
A autora Fernandes (2003) ainda explica que a etnoepidemiologia pode 
oferecer sustentação teórico-metodológica, reservada às especificidades de cada 
objeto estudado, para a construção de novas abordagens para o estudo da 
relação saúde-doença, no estudo das diversidades étnicas e culturais como 
fatores de risco, de proteção ou fatores prognósticos para moléstias e outros 
problemas de saúde; nos estudos de modelos comunitários de distribuição e 
ocorrência de doença em populações, ou seja, estudos interessados na 
ocorrência e prevenção de moléstia em grupos, populações e culturas; e no 
estudo da prática científica epidemiológica com a aplicação de métodos 
antropológicos. 
TEMA 2 – FARMACOEPIDEMIOLOGIA 
A farmacoepidemiologia é a ciência que estuda o uso e o efeito dos 
medicamentos em grande número de pessoas com base no método 
epidemiológico, utilizando-se dos conhecimentos da farmacocinétrica e 
farmacodinâmica para prever o efeito medicamentoso no paciente. Castro (2009) 
aponta que essa ciência provém do conhecimento bastante antigo dos efeitos 
adversos dos medicamentos. Podemos complementar que a “utilização dos 
efeitos dos medicamentos nas populações partiu da necessidade de avaliar os 
efeitos inesperados dos medicamentos, introduzidos pela farmacoterapia” 
(Hartzema; Martini, 2019, p. 1) 
A farmacoepidemiologia detecta riscos associados ao uso generalizado 
de medicamentos e sua efetividade e emprega conceitos da farmacologia clínica 
e da epidemiologia, destacando os estudos da segurança dos fármacos na etapa 
de pós-comercialização e estudos de utilização de medicamentos (OMS, 2005). 
Hartzema e Martini (2019, p. 1) destacam que a farmacoepidemiologia 
contribui de forma significativa para o conhecimento base do farmacêutico. E 
apontam a importância da participação dos farmacêuticos na notificação de 
 
 
7 
efeitos adversos e nos estudos de utilização de medicamentos para a qualidade 
de vida. 
No Brasil, a Lei n. 5.991, de 17 de dezembro de 1973 diz que o 
medicamento é “produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com 
finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico” (Brasil, 
1973). 
Em Brasil (2015, p. 69) indica-se que os estudos de utilização dos 
medicamentos visam à melhoria da qualidade de uso dos medicamentos 
mediante o progresso do nível de conhecimento sobre eles, a partir da 
identificação de problemas relacionados à sua utilização, além de fatores que 
condicionam a sua má utilização. 
Castro (2009, p. 147) aponta que o medicamento, após a comercialização, 
amplia a sua faixa de usuários e passa a ser usado por populações 
potencialmente diferentes daquelas em que foi testado, como crianças, idosos, 
pacientes portadores de comorbidades, além de pacientes em diferentes 
estágios da doença e uso do medicamento para tratar outras doenças. 
A farmacoepidemiologia “utiliza os dados demográficos e de 
morbimortalidade, e tem potencialidade de estudar esses novos usos do 
medicamento, permitindo conhecer sua eficácia e segurança” (Brasil, 2015a). 
A OMS (2005, p. 15) descreve o processo de avaliação de medicamento: 
incluindo três passos complementares. Primeiro, a avaliação dos benefícios dos 
medicamentos, por exemplo, a avaliação quantitativa e qualitativa de sua 
eficácia. Eficácia (ou atividade intrínseca) é a capacidade de o fármaco fazer 
efeito. Está relacionada ao efeito esperado do fármaco na terapêutica. Em 
segundo lugar, inclui o estudo do risco dos medicamentos, tanto em estudos 
controlados quanto em condições normais de cuidado. 
E, terceiro, é preciso levar em conta a avaliação do impacto dos 
tratamentos na história natural das doenças na sociedade. Dada a complexidade 
da vigilância do comportamento do fármaco no mercado, foram desenvolvidos 
os sistemas de farmacovigilância, os quais incluem um conjunto de práticas e 
atividades de detecção de efeitos indesejáveis. 
A OMS (2005) aponta que a “farmacovigilância é um dos componentes da 
farmacoepidemiologia, tem a responsabilidade de detecção, avaliação, 
compreensão e prevenção dos efeitos adversos ou qualquer outro problema 
 
 
8 
relacionado com medicamento”. Todas as pessoas que utilizam medicamentos 
estão sujeitas a sofrer alguma reação adversa. 
Conforme a OMS, reação adversa pode ser definida como qualquer 
reação ou resposta que seja prejudicial e não intencional após a administração 
de um medicamento. Tal resposta se manifesta após a administração em doses 
usuais para profilaxia, diagnóstico ou tratamento. 
Atualmente, encontramos os termos efeito adverso e reação adversa, que 
são utilizados como sinônimos, ainda que para os especialistas eles possam ser 
vistos de formas diferentes: 
• Reação adversa: está associado ao paciente, ou seja, é a manifestação 
de uma reação no paciente; 
• Efeito adverso: está associado ao medicamento, ou seja, é o que o 
medicamento causa. Quando falamos em efeito adverso, podemos 
atribuir como causa a dose, o intervalo de administração ou a via de 
administração, pois se trata de qualquer efeito desfavorável associado ao 
uso do medicamento. 
Assim, podemos dizer que um medicamento, quando administrado em 
dosagem superior à recomendada, irá causar um efeito adverso indesejado e 
não uma reação adversa. 
2.1 Desenvolvimento de medicamentos e imunobiológicos 
A Lei n. 6.360/1976 regula as ações relativas à cadeia do medicamento, 
"desde a fabricação até a propaganda, determina a transmissão à autoridade 
sanitária competente dos acidentes ou reações nocivas, define produto alterado, 
adulterado ou impróprio para consumo e tipifica as infrações" (Brasil, 1976). 
O medicamento é desenvolvido com base em pesquisas pré-clínicas e 
clínicas. Além disso, são realizados estudos pós-comercialização, por exemplo: 
• Estudos pré-clínicos (estudos realizados em animais) – sua finalidade 
básica é estabelecer parâmetros e características farmacológicas, 
toxicológicas (efeitos por doses elevadas e efeitos sobre diferentes 
órgãos) e farmacocinéticos. 
• Estudos clínicos (estudos realizados em humanos) – subdividem-se em 
quatro fases basicamente pelo tipo e quantidade de pacientes que 
participam e o objetivo: 
 
 
9 
• Fase I (estudos clínicos de farmacocinética e segurança); 
• Fase II (estudos clínicos deeficácia); 
• Fase III (estudos clínicos multicêntricos); e 
• Fase IV (pós-comercialização com estudos clínicos. 
Vacinas são preparações biológicas que fornecem imunidade adquirida 
ativa para uma doença específica. O seu processo de desenvolvimento é 
demorado, caro e associado a riscos elevados (Souto, 2020). 
O processo de produção vacinal segue as fases de um estudo clínico, com 
etapas pré-clínicas, realizadas em laboratórios, em geral, em modelos animais, 
objetivando avaliação de dose e toxicidade nesta população. 
Os ensaios clínicos, em humanos, são divididos em três etapas. Os 
estudos de fase 1 visam avaliar a segurança do produto, enquanto os de fase 2 
avaliam segurança, dose e frequência de administração, bem como sua 
imunogenicidade. Os de fase 3 têm como desfecho principal a avaliação de 
eficácia do produto, por meio de ensaios clínicos controlados, randomizados, 
envolvendo milhares de voluntários. 
Após a publicação científica desses dados, a vacina candidata é 
submetida à avaliação pelas agências reguladoras para posterior produção e 
distribuição. Por fim, os estudos de fase 4, ou de pós-licenciamento, estimam os 
efeitos e eventos adversos após a utilização da vacina em larga escala na 
população alvo. 
Cada etapa desse processo dura em média vários meses a anos, Lima, 
Almeida e Kfouri (2021) afirmam que a redução de todo o processo a um período 
de 12 a 18 meses foi inédito na história da epidemiologia. 
Como a vacina contra Sars-Cov-2 foi produzida de forma célere? 
O primeiro ponto foi a disponibilização rápida do sequenciamento genético 
do vírus para comunidade científica, o grande investimento financeiro de 
recursos tanto público como privado, a evolução das técnicas de ensaios 
clínicos, as diferentes tecnologias de produção de vacinas foram desenvolvidas 
concomitantemente. 
Lima, Almeida e Kfouri (2021) destacam que cerca de 175 equipes de 
pesquisa em todo o mundo estudaram as diversas plataformas de vacinas, além 
dos programas de desenvolvimento de vacinas que são continuadamente 
atualizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com projetos oriundos 
de fontes públicas e privada. 
 
 
10 
TEMA 3 – EPIDEMIOLOGIA NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE 
A epidemiologia aplicada na análise da situação de saúde indica as 
principais prioridades de saúde determinadas da população no território, 
formando um painel de indicadores capazes de refletir os determinantes e 
condicionantes do processo saúde-doença para atuação da atenção básica, 
necessários para planejamento local. 
A Política Nacional de Atenção Básica conceitua Atenção Básica (Portaria 
n. 2.436, de 21 de setembro de 2017) como: 
conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que 
envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, 
reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em 
saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e 
gestão qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à 
população em território definido, sobre as quais as equipes assumem 
responsabilidade sanitária. (Brasil, 2017, art 2º) 
Para a atenção básica realizar a análise da situação de saúde do território 
de sua responsabilidade, especialmente da estratégia de saúde da família, a 
epidemiologia é utilizada para descrição da doença na comunidade, na 
identificação de grupos vulneráveis e na avaliação de serviços e programas de 
saúde, além de analisar as desigualdades em saúde, aprofundar a 
territorialização, buscando conhecer o meio ambiente, o processo de 
urbanização, saneamento básico, infraestrutura, acesso à serviços públicos, 
entre outros que possam constituir determinantes e condicionantes do processo 
saúde-doença. 
A Política Nacional de Atenção Básica indica a responsabilidade sanitária 
de toda a equipe, que envolve “práticas e processos de trabalho voltados para a 
vigilância da situação de saúde da população, com análises que subsidiem o 
planejamento, estabelecimento de prioridades e estratégias, monitoramento e 
avaliação das ações de saúde pública” (Brasil, 2017). 
A equipe da atenção básica é composta por equipe multiprofissional, em 
especial agentes comunitários de saúde, equipe de enfermagem, enfermeiro, 
médico, equipe da odontologia, cirurgião-dentista, além das equipes de apoio, 
como farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, orientador físico, assistentes 
sociais, entre outros. 
A Portaria n. 2.436/2017 também determina que é obrigação de todos os 
profissionais na atenção básica a realização de “busca ativa e notificação de 
 
 
11 
doenças e agravos de notificação compulsória, bem como outras doenças, 
agravos, surtos, acidentes, violências, situações sanitárias e ambientais de 
importância local” (Brasil, 2017). 
No art. 4º da Portaria n. 2.436/2017, é reafirmado que a Saúde da Família 
é estratégia prioritária para expansão e consolidação da Atenção Básica. Na sua 
operacionalização, conceitua a Equipe de Saúde da Família (eSF) estratégia de 
expansão, qualificação e consolidação da Atenção Básica, por favorecer uma 
reorientação do processo de trabalho com maior potencial de ampliar a 
resolutividade e impactar na situação de saúde das pessoas e coletividades, 
além de propiciar uma importante relação custo-efetividade (Brasil, 2017). 
Todos os profissionais da atenção básica desenvolvem territorialização e 
levantamento de informações epidemiológicas do território da Unidade Básica 
de Saúde, com destaque para agente comunitário de saúde e agente de 
endemias que são a ligação entre a comunidade e demais profissionais da 
equipe. 
A enfermagem atua em diversas áreas na atenção básica do ponto de 
vista da epidemiologia, e a coordenação de cargos técnicos da Vigilância 
Epidemiológica direciona a equipe multidisciplinar (Almeida, Lopes, 2019). A 
Política Nacional de Atenção Básica (Portaria n. 2436/17) define diversas 
funções para enfermeiros, porém destacamos algumas, que estão bem 
direcionadas para epidemiologia na atenção básica, realizar e/ou supervisionar 
acolhimento com escuta qualificada e classificação de risco, de acordo com 
protocolos estabelecidos e realizar estratificação de risco e elaborar plano de 
cuidados para as pessoas que possuem condições crônicas no território, junto 
aos demais membros da equipe; realizar atividades em grupo e encaminhar, 
quando necessário, usuários a outros serviços, conforme fluxo estabelecido pela 
rede local. 
No contexto da epidemiologia na atenção básica não se pode negar sua 
importância na promoção da saúde e na prevenção da doença. A promoção da 
saúde representa uma estratégia capaz de enfrentar os múltiplos problemas de 
saúde que afetam as populações, abrangendo uma concepção ampla do 
processo saúde-doença e de seus determinantes e propondo a articulação de 
saberes técnicos e populares e a mobilização de recursos institucionais e 
comunitários, públicos e privados (Buss; Carvalho, 2009). 
 
 
12 
Em 2002, o Ministério da Saúde elaborou o documento intitulado “Política 
Nacional de Promoção da Saúde”. Em 2006, priorizou os seguintes eixos: 
“alimentação saudável; práticas corporais/ atividade física; tabagismo; álcool e 
outras drogas; acidentes de trânsito; cultura da paz, e desenvolvimento 
sustentável” (Brasil, 2015b). 
O Programa Nacional de Imunização (PNI), criado em 1973, é 
considerado um dos mais importantes para a saúde pública no Brasil, 
principalmente da qualidade da prestação de serviços. A vacinação é vista como 
uma ação de prevenção de doenças imunopreveníveis, executada 
preferencialmente nos serviços de atenção básica. 
TEMA 4 – EPIDEMIOLOGIA HOSPITALAR 
A epidemiologia hospitalar ganhou força com a publicação realizada pelo 
Ministério da Saúde com a “Portaria GM n. 2529, de 23 de novembro de 2004, 
quando instituiu o Subsistema Nacional de Vigilância Epidemiológica em Âmbito 
Hospitalar, integradoao Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica” (Brasil, 
2004). Essa portaria foi revogada pela Portaria n. 2.254, de 5 de agosto de 2010, 
porém deve-se conhecer as deliberações da portaria de 2004 pelas inovações 
trazidas na epidemiologia hospitalar. 
O Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica foi instituído pela Lei n. 
6.259/1975 e define no art. 1º: 
Ministério da Saúde coordenará as ações relacionadas com o controle 
das doenças transmissíveis, orientando sua execução inclusive quanto 
à vigilância epidemiológica, à aplicação da notificação compulsória, ao 
programa de imunizações e ao atendimento de agravos coletivos à 
saúde, bem como os decorrentes de calamidade pública. (Brasil, 1975) 
A finalidade da criação do subsistema é o “aperfeiçoamento da vigilância 
epidemiológica na ampliação da rede de notificação e investigação de agravos, 
em especial doenças transmissíveis, com aumento da sensibilidade e da 
oportunidade na detecção de doenças de notificação compulsória” (Brasil, 2004). 
O objetivo da vigilância epidemiológica em âmbito hospitalar é detectar e 
investigar doenças de notificação compulsória atendidas no hospital. O art. 3º da 
Portaria GM n. 2.529/2004 aponta as responsabilidades dos estabelecimentos 
hospitalares no Subsistema Nacional de Vigilância Epidemiológica em âmbito 
Hospitalar: preencher a Ficha Individual de Notificação quando da ocorrência de 
agravo inusitado à saúde e de surtos, encaminhando-a de acordo com o fluxo 
 
 
13 
estabelecido, e Ficha de Notificação para a notificação negativa encaminhando-
as de acordo com o fluxo estabelecido. (Brasil, 2004) 
Foi estabelecida uma “Rede Nacional de Hospitais de Referência para o 
Subsistema Nacional de Vigilância Epidemiológica em Âmbito Hospitalar nos 
hospitais de referência no Brasil”, apresentado no art. 8º Portaria GM/n. 
2.529/2004 (Brasil, 2004). 
A Portaria aponta que esses hospitais recebem um “incentivo financeiro 
específico, e a instituição da rede de hospitais de referência serve de apoio para 
o planejamento das ações de vigilância e o planejamento e gestão hospitalar” 
(Brasil, 2004). 
A Portaria n. 1/SVS, de 17 de janeiro de 2005, “aprovou o Regulamento 
para a implantação do Subsistema Nacional de Vigilância Epidemiológica em 
âmbito Hospitalar, integrando o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, 
referente aos fluxos para a qualificação dos hospitais” (Brasil, 2005). 
A Portaria n. 2.254, de 5 de agosto de 2010, que revogou a Portaria GM 
n.2.529/2004, retoma o estabelecimento da vigilância epidemiológica em âmbito 
hospitalar, definindo as competências para a União, os Estados, o Distrito 
Federal, os Municípios, e estabelece os critérios para a qualificação das 
unidades hospitalares de referência nacional, além de definir o escopo das 
atividades a serem desenvolvidas pelos Núcleos Hospitalares de Epidemiologia. 
(Brasil, 2010). Essa portaria, em seu art. 2º, define que a vigilância 
epidemiológica hospitalar deve ocorrer “por meio do Núcleo Hospitalar de 
Epidemiologia (NHE), unidade operacional responsável pelo desenvolvimento 
das atividades de vigilância epidemiológica no ambiente hospitalar” (Brasil, 
2010). 
No anexo I, item 4, da Portaria n. 2.254/2010 (Brasil, 2010), é determinado 
que os NHE devem desenvolver atividades prioritárias na detecção, a notificação 
e a investigação dos agravos, articulação com a Rede Nacional de Alerta e 
Resposta às Emergências em Saúde Pública (Rede CIEVS). Destaca-se, 
também, a detecção de óbitos de mulheres em idade fértil, de óbitos maternos 
declarados, de óbitos infantis e fetais, de óbitos por doença infecciosa e por 
causa mal definida. 
Há necessidade de integração das atividades entre o Núcleo 
Epidemiológico Hospitalar com a Gerência de Riscos e a Comissão de Controle 
de Infecção Hospitalar (CCIH), entendendo que o Programa de Controle de 
 
 
14 
Infecções Hospitalares (PCIH) é um conjunto de ações que visam a redução 
máxima possível da incidência e da gravidade das infecções hospitalares, 
executada pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. Considera-se 
infecção hospitalar a “infecção adquirida durante a hospitalização e que não 
estava presente ou em período de incubação por ocasião da admissão do 
paciente, são diagnosticadas, em geral, ‘a partir de 48 horas’ após a internação” 
(Brasil, 1998). 
Vale destacar que a Portaria MS n. 2616/1998 define que o Programa de 
Controle de Infecções Hospitalares é composto por uma comissão, a qual é um 
órgão de assessoria à autoridade máxima da instituição, e a ela diretamente 
subordinada. A criação do Programa de Controle de Infecções Hospitalares 
(PCIH) com a Portaria MS n. 2616/1998 definiu a estrutura mínima e o 
funcionamento da CCIH, cabe à CCIH a execução das ações do PCIH, 
lembrando que PCIH é um “conjunto de ações desenvolvidas com vistas a 
reduzir ao máximo possível a incidência e a gravidade das infecções 
hospitalares” (Brasil, 1998). 
Quem compõe a Comissão de Controle de Infecções Hospitalares – 
CCIH? Profissionais da área de saúde, de nível superior, formalmente 
designados e nomeados pela Direção do hospital. 
Como os componentes se organizam? Agrupam-se em dois tipos: 
membros consultores e membros executores. Membros consultores deverão 
incluir representantes dos seguintes serviços: médico (clínico e cirúrgico), 
enfermagem, farmácia, laboratório de microbiologia e administração 
Saiba mais 
Em instituições com número igual ou menor que 70 leitos, a CCIH pode 
ser composta apenas por 01 (um) médico e 01 (um) enfermeiro. 
Os membros executores, por sua vez, representam o Serviço de Controle 
de Infecção Hospitalar (SCIH) são os responsáveis diretos pela execução das 
ações do PCIH. É recomendável que pelo menos 1 (um) membro executor seja 
um profissional de enfermagem. 
No mínimo, deve conter dois técnicos de nível superior da área da saúde 
para cada 200 (duzentos) leitos ou fração deste número, com carga horária diária 
mínima de seis horas, para o enfermeiro, e quatro horas para o médico. Além de 
duas horas de trabalho diárias, para cada 10 (dez) leitos destinados aos 
 
 
15 
pacientes críticos (terapia intensiva adulto, pediátrico e neonatal; berçário de alto 
risco; queimados; transplantes de órgãos; hemato-oncológicos; e Síndrome da 
Imunodeficiência Adquirida). 
Quem é o presidente? O presidente da CCIH poderá ser qualquer um de 
seus membros, indicado pela Direção. 
São atribuições dos núcleos epidemiológicos hospitalares a busca ativa 
de pacientes com doença, agravos de notificação compulsória e óbitos; 
participação em investigação de surtos; a consolidação, análise e divulgação da 
informação; a realização de estudos epidemiológicos; uso de indicadores para 
avaliação das ações de vigilância epidemiológica; participação em atividades de 
imunização; a investigação epidemiológica das doenças, eventos e agravos e de 
óbitos; validar as autorizações de internação hospitalar (AIH) cujo código da 
Classificação Internacional de Doenças (CID) indique tratar-se de internação por 
doença de notificação compulsória; entre outros. 
TEMA 5 – CAUSALIDADE EM SAÚDE 
A causa em epidemiologia é o evento, condição ou característica que 
precede a condição de saúde e sem os quais ela não teria ocorrido ou teria 
ocorrido tardiamente. A exposição mostra a quantidade ou intensidade de um 
fator de risco ao qual o indivíduo ou grupo está ou esteve sujeito. o conhecimento 
sobre a causalidade em saúde como estratégia metodológica para identificação 
da associação entre supostas causas (fatores de risco) e seus efeitos sobre a 
saúde (desfechos). 
A causalidade é demonstrada por meio da associação entre causa e 
efeito. A existência de uma dependência estatística entre dois ou mais eventos, 
características ou outras variáveis mostra a associação. Uma associação ocorre 
quando a probabilidade da ocorrência de um evento ou característicavaria em 
função da ocorrência ou não de um ou mais eventos, ou da presença ou não de 
uma ou mais características. 
A associação pode ser positiva se a causa e o efeito têm o mesmo sentido, 
por exemplo, aumentam concomitantemente, ou pode ser negativa, indicando 
sentidos opostos entre os eventos, quando um aumenta o outro diminui. Assim, 
podemos afirmar que associação é a relação estatística entre dois eventos, 
usualmente entre uma variável explicativa, explanatória ou independente (fator 
de exposição ou fator de risco) e o desfecho em saúde, variável dependente ou 
 
 
16 
resposta, a variável que será explicada, buscando-se a explicação de sua 
ocorrência. 
Nem toda associação estatística é uma associação causal. Para 
sabermos se uma associação estatística pode ser uma indicação de causalidade 
em epidemiologia, devemos verificar se determinadas condições ou critérios 
foram atendidos. 
 A discussão de causa na epidemiologia é realizada por meio de modelos, 
que são maneiras de pensar a realidade e expressam nossa imaginação sobre 
como o mundo deve funcionar. Foram diversos os modelos de causalidade já 
descritos. 
5.1 Modelos de causas únicas 
Inicialmente vieram os postulados de Henle, em 1840, existindo poucos 
relatos de seus estudos. Esse postulado foi expandido por Koch, em 1890, que 
são conhecidos por postulados de Henle-Koch, ou somente postulados de Koch. 
Os postulados de Koch contribuíram enormemente para o conceito de 
causalidade. Antes de Koch, acreditava-se que muitas bactérias diferentes 
causassem qualquer doença. A aplicação de seus postulados ajudou a trazer 
ordem ao caos (Fletcher, 2021) 
Os postulados de Koch têm como base principal que um único agente 
infeccioso causa uma determinada doença infecciosa, ou seja, a ocorrência de 
uma doença existe na presença de determinado microrganismo, agente causal. 
Esse modelo foi fruto da revolução microbiana. Os postulados são explicados 
em quatro pontos: 
1. Associação constante – o agente causal (microrganismo) deve estar 
sempre presente nas lesões de hospedeiros doentes; 
2. Cultura pura – o agente causal deve ser isolado e cultivado numa cultura; 
3. Reprodução dos sintomas – o agente causal, quando isolado, deve 
reproduzir os mesmos sintomas quando inoculado em um hospedeiro 
sadio; 
4. Reisolamento – o agente causal pode ser isolado novamente do 
hospedeiro, inoculado artificialmente e corresponder, em todas as suas 
características, com o isolado das lesões. 
 
 
 
17 
5.2 Modelos de causas múltiplas 
Com a transição epidemiológica e a importância crescente das doenças 
não infecciosas, a partir do século XX, as associações causais dessas doenças 
não possibilitavam explicação por meio do modelo dos postulados de Koch, 
havendo necessidade de outros modelos para preencher essa dificuldade. Foi 
necessário compreender a “rede de causalidade”, que acontece quando muitos 
fatores agem em conjunto para causar uma doença (Fletcher, 2021). 
Uma rede de causalidade é bem compreendida em doenças crônicas 
degenerativas, como doenças cardiovasculares e câncer, mas também 
é a base para o desenvolvimento de doenças infecciosas, em que a 
presença do microrganismo é uma causa necessária para a doença 
ocorrer, mas não necessariamente suficiente. A Aids não pode ocorrer 
sem exposição ao HIV, mas a exposição ao vírus não resulta 
necessariamente na doença. (Fletcher, 2021, p. 206) 
Em 1965, Hill propôs um novo modelo, usado para diferenciar as 
associações causais das não causais, chamado de Critérios de Causalidade de 
Hill. O modelo de Hill indica nove critérios para avaliação da causalidade. A força 
de associação mostra que, quanto mais forte for a associação encontrada entre 
causa e efeito, maior é possibilidade de se tratar de uma relação causal. A 
consistência ou replicação consiste em confirmar que a relação causal acontece, 
o gradiente biológico traz o aspecto da presença de uma curva dose-resposta, 
ou seja, aumento de uma causa aumenta o efeito. 
O critério da especificidade é avaliado por meio da confirmação de uma 
causa específica para determinado efeito. A coerência ocorre quando os 
achados da associação encontrada não entram em conflito com o conhecimento 
da história natural da doença. A evidência experimental tem o poder de 
comprovar a causalidade, mas conflita com preceitos éticos de experimentos 
com humanos, dificultando a realização de estudos experimentais. Outro critério 
que deve ser analisado, apontado por Hill, está na temporalidade entre a 
ocorrência de causa e efeito: a causa deve ser sempre anterior ao efeito. A 
analogia indica que efeitos podem ser produzidos por causas que sejam 
análogas entre si, e por fim a plausibilidade existe quando é possível inferir 
causalidade diante do conhecimento vigente. 
Uma doença em geral não está associada exclusivamente a uma única 
causa. Rothman, em 1986, propôs um outro modelo de causalidade no qual um 
certo fenômeno (doença, por exemplo) não é explicado por um único fator (causa 
 
 
18 
única), mas sim por uma constelação de fatores, que são as causas 
componentes, que agem de forma conjunta para a produção de determinado 
efeito. Algumas causas componentes, quando estão presentes nas causas 
suficientes, são chamadas causas necessárias. Isso introduz o conceito de 
causa suficiente, que consiste numa constelação mínima de causas 
componentes para provocar uma doença. Para a ocorrência de determinada 
doença, podem existir diversos conjuntos de causas suficientes. 
NA PRÁTICA 
Analise as funções de sua futura profissão e destaque em cada ponto da 
epidemiologia aplicada que estudada quais serão suas atribuições e as possíveis 
contribuições no desenvolvimento da epidemiologia aplicada. 
FINALIZANDO 
O estudo da causalidade mostrou que não é simples determinar 
causa/efeito. As aplicações da epidemiologia estudadas mostram que, em todas 
as profissões de saúde, seja no cuidado direto ao paciente, na gestão e atuação 
em serviços de saúde, ou ainda na pesquisa e desenvolvimento de fármacos e 
vacinas, é essencial a utilização do raciocínio epidemiológico para a melhoria na 
qualidade de vida das pessoas. 
 
 
 
19 
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