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Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
18/07/2024
Prof. Pedro Ivo
A bioestatística dentro da medicina tem uma
função primordial.
Conceitos fundamentais: conceitos
experimentais e tipos de variáveis
1. População:
A população refere-se ao conjunto completo de
elementos que compartilham uma característica
comum. Pode ser uma população de pacientes,
células, órgãos ou qualquer grupo de interesse.
Exemplo médico: a população de pacientes com
diabetes tipo 2 em um hospital universitário.
Todos os indivíduos em um espaço que podem ser
de interesse de uma pesquisa científica.
2. Amostra:
Uma amostra é um subconjunto representativo da
população. Ela é usada para fazer inferências sobre
a população maior.
Exemplo médico: selecionar aleatoriamente 100
pacientes com hipertensão arterial para um estudo
clínico.
Tomar cuidado com as amostras pois se elas não
representam a população, o resultado estará
enviesado.
3. Técnica amostral/plano amostral
É a forma com que vou selecionar a amostra, pode
acontecer de duas maneiras: probabilísticas e não
probabilísticas.
• Probabilísticas
Aleatória simples
Técnica amostral onde envolve algo aleatório
(sorteio). A probabilidade de o indivíduo ser
sorteado é a mesma dentro da amostra.
o Aleatória estratificada
Exemplo: divido a amostra em homens e mulheres
e sorteio entre os dois grupos o mesmo número de
participantes.
• Não probabilísticas
Técnicas que não envolvem sorteio.
Conveniência
Exemplo: vou até uma clínica e peço para que os
primeiros 50 homens e as primeiras 50 mulheres
participem da pesquisa.
Aumento o risco de viés.
Intenção
É uma técnica de amostragem na qual a pessoa
encarregada de conduzir a investigação depende
de seu próprio julgamento para escolher os
membros que farão parte do estudo.
O pesquisador principal deve conhecer
profundamente o estilo de estudo que está sendo
realizado para evitar viés.
Por cotas
Faço estratos populacionais
À esmo
É aquela em que o amostrador, para simplificar o
processo, procura ser aleatório sem, no entanto,
realizar propriamente o sorteio usando algum
dispositivo aleatório confiável.
Observação: em vários estudos acontecem mescla
dessas técnicas de seleção de plano amostral.
4. Unidade amostral/elemento da amostra:
A unidade amostral é um elemento individual
dentro da amostra. Pode ser um paciente, uma
célula, um exame de imagem etc.
Exemplo médico: cada paciente selecionado para o
estudo representa uma unidade amostral.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
5. Dados:
Dados são informações coletadas ou observadas
em um estudo. Podem ser quantitativos (números)
ou qualitativos (categorias).
Exemplo médico: dados de pressão arterial, níveis
de glicose, histórico de doenças, peso, etc.
6. Variáveis e os tipos de variáveis:
Variáveis são características que variam entre
indivíduos ou unidades amostrais. Existem quatro
tipos principais:
• Variáveis qualitativas:
As variáveis qualitativas também são conhecidas
como variáveis categóricas.
Elas não usam valores numéricos, mas descrevem
os dados por categorias ou características sem uma
ordem natural.
Existem dois tipos de variáveis qualitativas:
Nominal: refere-se ao nome dado a cada categoria,
que não possui número ou classificação numa
escala.
Exemplo médico: grupos sanguíneos (A, B, AB,
O).
Ordinal: refere-se aos graus de uma escala de
medição, que não podem ser somados ou
submetidos ao cálculo de uma média.
Exemplo médico: graus de lesão por queimadura
(leve, moderada, grave).
• Variáveis quantitativas:
As variáveis quantitativas representam quantidades
mensuráveis.
Existem dois tipos de variáveis quantitativas:
Contínua: existem valores entre os seus valores;
portanto, são infinitas.
(Aquela que pode ter vírgula)
Exemplos médicos:
Idade: pode variar continuamente (exemplo: 45
anos, 45.5 anos, etc.).
Pressão arterial sistólica: pode variar em qualquer
valor (exemplo: 130 mmHg, 131 mmHg, etc.).
Discreta: não existem valores entre eles; são
contáveis e finitos.
Exemplo médico: quantidade de pacientes em uma
clínica (não é possível ter 1.5 pacientes).
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
25/07/2024
Prof. Pedro Ivo
Estatística descritiva
• Medidas de tendência central + medidas
de variabilidade
Estatística descritiva e preditiva – que é utilizada
para predizer algumas coisas, esse tipo de
estatística não será nosso foco.
Conceitos fundamentais: parâmetros
estatísticos empregados na análise descritiva
1. Média – x̅ ou µ:
A média é a soma de todos os valores dividida pelo
número total de valores (é um valor central).
Suponhamos que temos as idades de 5 pacientes
com diabetes tipo 2: 50, 55, 60, 65 e 70 anos.
A média é calculada como:
Média = 50 + 55 + 60 + 65 + 70 / 5 = 60
2. Mediana:
A mediana é o valor central de um conjunto de
dados quando organizados em ordem crescente ou
decrescente.
Se tivermos os mesmos dados de idade,
organizados em ordem crescente: 50, 55, 60, 65,
70.
A mediana é o valor central, que é 60 anos. * Para
casos em que n for número par, a mediana é média
dos dois valores centrais.
3. Moda:
A moda é o valor mais frequente em um conjunto
de dados.
Suponhamos que temos os níveis de pressão
arterial sistólica (PAS) de 10 pacientes: 120, 130,
140, 130, 140, 140, 150, 130, 140, 150.
A moda é o valor mais frequente, que é 140 mmHg.
Medidas de variabilidade (mede quanto um
conjunto de dados é variável dentro de si)
1. Variância:
A variância é a média dos quadrados das diferenças
entre cada valor e a média.
A variância é o quadrado do desvio-padrão:
Variância= (Desvio-padrão) 2 = 9.352 ≈ 87.22
2. Desvio-padrão:
O desvio-padrão mede a dispersão dos dados em
torno da média.
Vamos usar os níveis de glicose em jejum (mg/dL)
de 6 pacientes: 100, 110, 120, 130, 140, 150.
Primeiro, calculamos a média:
Média= 100 + 110 + 120 + 130 + 140 + 150 / 6 =
125
Em seguida, calculamos as diferenças entre cada
valor e a média: (100 - 125), (110 - 125), (120 -
125), (130 - 125), (140 - 125), (150 - 125).
Calculamos os quadrados dessas diferenças: 625,
225, 25, 25, 225, 625.
A soma dos quadrados é 1750.
O desvio-padrão é a raiz quadrada da média dos
quadrados:
Desvio-padrão = √1750 / 6 ≈ 9.35
Quanto maior o desvio padrão, maior a
variabilidade daquele grupo.
3. Coeficiente de variação:
O coeficiente de variação é o desvio-padrão
expresso como uma porcentagem da média.
Suponhamos que temos os níveis de creatinina
sérica (mg/dL) em 8 pacientes: 1.0, 1.2, 1.5, 1.3,
1.4, 1.2, 1.6, 1.1.
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A média é 1.3 e o desvio-padrão é 0.2.
O coeficiente de variação é calculado como:
Coeficiente de variação = (Desvio-padrão / média)
* 100
Coeficiente de variação = (0.2 / 1.3) * 100 =
15.38%
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
05/08/2024
Prof. Pedro Ivo
Intervalos de confiança
Parâmetro µ é uma medida de tendência central.
É determinado em termos de %.
Por exemplo: IC = 95%; IC = 98%; IC = 97,5%
O que significa IC? Para que serve IC?
Cálculo: x̅ ± t1 – a/2 . S/√𝑛
O intervalo de confiança é um índice simples de se
interpretar. Por exemplo: considereE o HDL e triglicerídeos? 🤔
Para todos os pacientes, objetiva-se:
• Triglicerídeos:vez ao dia
Tratamento da hipertrigliceridemia
Normalmente, quando se trata a
hipercolesterolemia, existe uma melhora associada
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
da Hipertrigliceridemia. No entanto, nos casos em
que os triglicerídeos se encontram acima de 500
mg/dl, de forma isolada ou associada, o tratamento
direcionado da hipertrigliceridemia se torna
fundamental. Isso é feito com a primeira opção
(Fibratos) ou segunda opção (Ácido Nicotínico)
1) Fibratos:
Indicação: É indicado como primeira opção para
tratar hipertrigliceridemia e/ou redução de HDL
isolado.
Mecanismo de ação: aumenta hidrólise
intravascular dos triglicerídeos (pelo estímulo à
PPAR-alfa)
Efeito: Redução dos triglicerídeos em 35 - 50%,
podendo elevar o HDL em 15-25%
Reações adversas: em geral são bem tolerados,
porém pacientes podem apresentar alterações
gastrointestinal, formação de cálculos biliares e
potencialização de anticoagulação, redução de
libido
Quando suspender ou não usar: insuficiência renal,
insuficiência hepática, cirrose biliar primária
• Atenção, quando for utilizado junto com
estatinas, deve-se evitar o uso Genfibrozila,
uma vez que leva a um aumento do risco de
rabdomiólise.
Opções: São diversas as opções possíveis:
• Genfibrozila (Lopid®) (Comprimidos 600
e 900 mg): posologia de 600 mg 2 vezes ao
dia - 30 minutos antes das refeições, quando
atingir o nível adequado de triglicerídeo
pode reduzir para 900 mg antes do jantar
• Bezafibrato (Cedur®) (Comprimido com
200 mg): posologia de 200 mg três vezes ao
dia durante ou após as refeições - se atingir
o objetivo de triglicerídeo, pode reduzir
para duas vezes ao dia
• Fenofibrato (Lipidil®) (Cápsula 200 mg):
posologia 200 mg à noite
• Ciprofibrato (Lipless®) (Comprimido com
100 mg): posologia 100 mg à noite longe
das refeições
2) Ácido nicotínico (niacina):
Indicação: É utilizado como segunda escolha em
hipertrigliceridemia e HDL baixo
Mecanismo de ação: reduz a síntese hepática de
VLDL (e consequentemente LDL) e aumento nos
níveis de HDL
Efeito: Redução do LDL em 5 - 20%, redução de
triglicerídeos em 20 - 50% e aumento de 15 - 35%
nos níveis de HDL
Reações adversas: efeitos adversos são frequentes,
e incluem: rash cutâneo, rubor facial, mialgia,
desconforto gastrointestinal, aumento de ácido
úrico, aumento de homocisteína, piora do controle
glicêmico
Quando suspender ou não usar: doença hepática;
úlcera péptica ativa; hipotensão severa; etilistas;
insuficiência coronariana; diabetes mellitus;
doença renal; gota; hemorragia arterial
Opção:
• Ácido Nicotínico (apresentação:
comprimido com 500, 750 e 1000 mg)
(Nome comercial: Metri®)- posologia:
iniciar com 100 mg vira oral duas vezes ao
dia, aumentando gradualmente até a dose-
alvo tolerada (máximo de 1,5 - 2 g ao dia
em 3 doses diárias)
Tratamento da redução do hdl isolado
Pacientes com HDL reduzido de forma isolada
devem tentar tratamento não medicamentoso (vide
subitem específico). Se não houver melhora, iniciar
o uso de fármacos. A primeira opção são os
fibratos, a segunda é o ácido nicotínico:
1) Fibratos:
Indicação: É indicado como primeira opção para
tratar hipertrigliceridemia e/ou redução de HDL
isolado.
Mecanismo de ação: aumenta hidrólise
intravascular dos triglicerídeos (pelo estímulo à
PPAR-alfa)
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Efeito: Redução dos triglicerídeos em 35 - 50%,
podendo elevar o HDL em 15 - 25%
Reações adversas: em geral são bem tolerados,
porém pacientes podem apresentar alterações
gastrointestinal, formação de cálculos biliares e
potencialização de anticoagulação, redução de
libido
Quando suspender ou não usar: insuficiência renal,
insuficiência hepática, cirrose biliar primária
• Atenção, quando for utilizado junto com
estatinas, deve-se evitar o uso de
Genfibrozila, uma vez que leva a um
aumento do risco de rabdomiólise.
Opções: São diversas as opções possíveis:
• Genfibrozila (Lopid®) (Comprimidos 600
e 900 mg): posologia de 600 mg 2 vezes ao
dia - 30 minutos antes das refeições, quando
atingir o nível adequado de triglicerídeo
pode reduzir para 900 mg antes do jantar
• Bezafibrato (Cedur®) (Comprimido com
200 mg): posologia de 200 mg três vezes ao
dia durante ou após as refeições - se atingir
o objetivo de triglicerídeo, pode reduzir
para duas vezes ao dia
• Fenofibrato (Lipidil®) (Cápsula 200 mg):
posologia 200 mg à noite
• Ciprofibrato (Lipless®) (Comprimido com
100 mg): posologia 100 mg à noite longe
das refeições
2) Ácido nicotínico (niacina):
Indicação: É utilizado como segunda escolha em
hipertrigliceridemia e HDL baixo
Mecanismo de ação: reduz a síntese hepática de
VLDL (e consequentemente LDL) e aumento nos
níveis de HDL
Efeito: Redução do LDL em 5 - 20%, redução de
triglicerídeos em 20 - 50% e aumento de 15 - 35%
nos níveis de HDL
Reações adversas: efeitos adversos são frequentes,
e incluem: rash cutâneo, rubor facial, mialgia,
desconforto gastrointestinal, aumento de Ácido
úrico, aumento de Homocisteína, piora do controle
glicêmico
Quando suspender ou não usar: doença hepática;
Úlcera péptica ativa; hipotensão severa; Etilistas;
insuficiência coronariana; Diabetes mellitus;
doença renal; Gota; hemorragia arterial
Opção:
• Ácido Nicotínico (apresentação:
comprimido com 500, 750 e 1000 mg)
(Nome comercial: Metri®) - posologia:
iniciar com 100 mg via oral duas vezes ao
dia, aumentando gradualmente até a dose-
alvo tolerada (máximo de 1,5 - 2 g ao dia
em 3 doses diárias)
Quando internar
A dislipidemia, por si só, não necessita de
internamento. O internamento deverá ser feito
diante de complicações como Infarto Agudo do
Miocárdio, AVC, Pancreatite etc
Seguimento
O perfil lipídico (Colesterol total, VLDL, LDL,
HDL e Triglicerídeos) deverá ser repetido cerca de
3 meses após iniciar o tratamento. Após isso, caso
a meta não seja atingida, repetir a cada 3 meses até
atingir. Por outro lado, atingida a meta, monitorizar
a cada 6 meses
• Em resumo: Tempo de tratamento
indefinido; reavaliação a cada 4 - 12
semanas.
Com o uso de estatinas, deve-se avaliar
periodicamente os níveis de transaminases
(TGO/TGP) e CPK
Com o uso de resinas de troca, deve-se avaliar
periodicamente os níveis de transaminases
(TGO/TGP) e Fosfatase Alcalina
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
08/08/2024
Prof. Francine Edwiges
Diagnóstico:
O diagnóstico de diabetes é feito utilizando valores
de glicemia de jejum (maior ou igual a 126 mg/di
em duas ocasiões) ou após a ingestão de uma
quantidade específica de glicose (colhendo-se a
glicemia 2 horas depois com valor maior ou igual a
200 mg/di).
Em glicemia aleatória colhida em qualquer
momento um valor maior ou igual a 200 mg/di, na
presença dos sintomas clássicos também confere o
diagnóstico de diabetes.
O desenvolvimento do DM2 ocorre ao longo de
anos e pessoas com valores de glicemia de jejum
entre 100 e 125 mg/di e/ou entre 140 e 199 mg/di
são diagnosticadas como portadoras de pré-
diabetes.
Passo a passo:
Recomendações de rastreamento de pacientes com:
• 40 anos: rastreio universal.
Em qualquer idade com sobrepeso ou obesidade
(IMC>25) + fator de risco cardiometabólico (HAS
e sobrepeso, histórico familiar, DM gestacional,
dislipidemia).
ADA X SBD: ada sugere com 35 anos (americanos
mais obesos).
Qual é o exame?
Glicemia de jejum: 126mg/dl (repetido e
confirmado).
• Pré-DM: 100- 125mg/di >>> TOTG: que
pode ser feito junto com a HbA1C.
Tratamento: orientações da SBD.
Não farmacológico
• Dieta e atividade física (MEV).
• 150 minutos de atividades físicas (SBD:
exercício aeróbico) e duas sessões de
exercícios resistidos. (veja se seu paciente é
sedentário).
Dados da ADA: exercício físico reduz HbA1C em
0.6% de forma isolada somada a outras estratégias.
Obs: benefícios metabólicos do exercício físico
duram até 48 horas após a sessão de treino.
Dieta:
• Aumentoda ingestão de fibras;
• Redução de carboidratos simples:
• Reduzir consumo de gorduras saturados.
SUS: cadê a nutricionista?
• Use linguagem clara para ter impacto na
vida do seu paciente.
• Bolacha de água e sal não é saudável
Tratamento medicamentoso: terapia oral
• Metformina: biguanidas. (500mg/850 mg).
• Sulfaniluréias: glibenclamina (5mg) e
gliclazida (30mg e 60 mg).
• SGLT2: Dapaglifozina 10 mg (cenário
limitado : critérios para indicação).
Tratamento medicamentoso: terapia injetável:
• Insulina NPH
• Insulina regular
• Alto custo: análogos de insulina insulina
asparte, lispro e glulisina) para casos onde
não tem controle ou muitos casos de
hipoglicemia.
Como iniciar o tratamento farmacológico do
paciente DM2 no SUS de acordo com a diretriz?
Droga inicial: sempre metformina.
Como iniciar a metformina?
Menor dose, e vai titulando essa dose até a dose
máxima que a SBD colocou como 2000mg(2g/dia).
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Dificuldade: dose máxima de 2550 mg (três
comprimidos de 850mg ao dia).
ATENÇÃO: sabemos que a dose acima de 2000mg
não tem tanto benefício para controle glicêmico.
• Metformina isolada não conseguiu ajustar
os níveis glicêmicos e agora?
• Associe uma sulfaniluréia (glibenclamida
ou gliclazida), na menor dose, titulando até
a dose máxima tolerável.
Paciente não controlou com as duas medicações, e
agora?
• Iniciar o tratamento injetável:
insulinoterapia.
População em geral e para aquele subgrupo com
doença cardiovascular estabelecida teria a opção da
Dapaglifozina (EDISTRIDE 10MG E FORXIGA
10MG) ambos disponíveis na farmácia popular.
Paciente com Doença Renal Crônica:
Perfil: idoso que possui diagnóstico há muito
tempo e tem uma creatinina alterada.
Quais cuidados temos que ter com este paciente:
No contexto do SUS: dosar creatinina E
CALCULE O CLERANCE (CKD-EPI
https://sbn.org.br/calculadoras/CalculadpraCKD-
EPI/mobile/1 e estratifique seu paciente)
• Paciente com TFG ≤ 60: use até 2000mg.
• Paciente com TFG ≤ 45: use a dose máxima
de 1000mg.
• Paciente com TFG ≤ 30: não usar a
metformina ou suspender a metformina se o
paciente estiver usando devido o risco de
ACIDOSE LÁTICA.
Obs: a metformina interfere com a função
mitocondrial.
Cuidados com a Metformina:
Deficiência de vitamina B12, no SUS orienta a
dosagem imediata e as diretrizes a cada quatro anos
(que são os que os dados epidemiológicos mostram
que a deficiência de B12 está associado a uso
prolongado).
Terapia dupla como iniciar: HAB1C acima de 7.5
ou 8, interfira precocemente para ter mais
benefícios.
SLIDE IMPORTANTE:
NOVO CRITÉRIO PARA DIGNÓSTICO DE
DM.
ESTA VALIDADO O NOVO CRITÉRIO PARA
DIAGNOSTICO DE PRÉ-DM E DM
(12/07/2024).
A diretriz incluiu o critério de diagnóstico da
doença e conclui:
• 1h após ao TOTG (com 75g de dextrosol) é
superior à de 2h na detecção do DM, além
de ser mais prático para o paciente e para o
laboratório.
• SBD 2024 de DM: glicemia 1H APÓS
TOTG > 209MG/dl, é o NOVO CRITÉRIO
DIAGNÓSTICO.
• SBD 2024 de PRÉ-DM: GLICEMIA 1
HORA APÓS TOTG ENTRE 155-
208MG/dl.
Uso da metformina na gestação e lactação:
Metformina não é teratogênica e representa uma
das opções de tratamento do DM gestacional.
Segura para mulheres que estejam amamentando.
Indicações de uso:DM2, PRÉ-DM, DMG, SOP
Efeitos adversos: sintomas gastrointestinais
(diarreia, náusea, anorexia, gosto metálico)
geralmente são transitórios, deficiência de B12 e
acidose lática (rara).
Contraindicações da metformina:
Insuficiência respiratória grave.
Insuficiência cardíaca congestiva (classe IV)
Doença hepática grave.
Infecção grave necessitando de hospitalização.
TFGepodem ser anotadas, complementarmente à DO, em
ficha específica (Apêndice C), para, em seguida,
ser arquivada juntamente ao prontuário e/ou ao
laudo de necropsia da pessoa falecida.
Legislação
Lei dos Registros Públicos – Lei nº 6.015
(31/12/1973), alterada pela Lei nº 6.216
(30.06.1975)
Capítulo IX
Do Óbito
Art 77– Nenhum sepultamento será feito sem
certidão, do Oficial de Registro do lugar do
falecimento, extraída após a lavratura do assento de
óbito, em vista do atestado de médico, se houver no
lugar, ou, em caso contrário, de duas pessoas
qualificadas que tiverem presenciado ou verificado
a morte.
Resolução CFM n° 2.217, de 27 de setembro de
2018, modificada pelas Resoluções CFM nº
2.222/2018 e 2.226/2019
CFM Brasília
Código de ética médica
Capítulo X
Documentos médicos
É vedado ao médico:
Art. 83. Atestar óbito quando não o tenha
verificado pessoalmente, ou quando não tenha
prestado assistência ao paciente, salvo, no último
caso, se o fizer como plantonista, médico substituto
ou em caso de necropsia e verificação médico-
legal.
Art. 84. Deixar de atestar óbito de paciente ao qual
vinha prestando assistência, exceto quando houver
indícios de morte violenta.
Em que situações preencher a DO
Em todos os óbitos (natural ou violento)
No óbito fetal, se a gestação teve duração igual ou
superior a 20 semanas, ou o feto com peso igual ou
superior a 500 gramas ou estatura igual ou superior
a 25 centímetros
Quando a criança que nascer viva e morrer logo
após o nascimento, independentemente da duração
da gestação, do peso do recém-nascido e do tempo
que tenha permanecido vivo
A Declaração de Nascido Vivo também será
emitida
Não é necessário exigir a Certidão de Nascimento
para emitir a DO dos que venham a falecer logo
após o nascimento.
Em que situações não emitir a declaração de
óbito
Nos óbitos fetais com gestação de menos de 20
semanas. E se o feto tiver peso corporal menor que
500 gramas. E estatura menor que 25 cm
Peças anatômicas removidas por ato cirúrgico ou
de membros amputados
Notas:
1. A legislação atualmente existente permite
que, na prática, a emissão da DO. seja
facultativa para os casos em que a família
queira realizar o sepultamento do produto
de concepção com menos de 20 semanas,
ou feto com peso menor que 500 gramas, ou
estatura menor que 25 cm
2. Para peças anatômicas retiradas por ato
cirúrgico ou de membros amputados:
nesses casos, o médico elaborará um
relatório em papel timbrado do hospital
descrevendo o procedimento realizado. esse
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
documento será levado ao cemitério, caso o
destino da peça venha a ser o sepultamento.
São unidades notificadoras aptas a receber
formulários de DO:
Estabelecimentos e serviços de saúde, inclusive o
de atendimento ou internação domiciliar.
Instituto Médico-Legal (IML).
Serviço de Verificação de Óbito (SVO).
Médico cadastrado pela SMS.
Cartório de Registro Civil, somente em localidades
onde não exista médico.
É vedada a distribuição da Declaração de Óbito
para as empresas funerárias.
Óbito por causa natural ocorrido em localidade
sem médico
A DO será emitida pelo oficial do Cartório de
Registro Civil (art. 23 da Portaria SVS/MS n.º
116/2009)
1ª VIA: secretaria de saúde recolhe, digita e arquiva
2ª VIA: fica no cartório
3ª VIA: secretaria de saúde recolhe e arquiva
Obs: declarante: geralmente é o responsável pelo
falecido. Testemunhas: 2
Óbito por causa natural ocorrido em aldeia
indígena com assistência médica
A DO será emitida pelo médico atestante da aldeia
indígena (art. 24 da Portaria SVS/MS n.º
116/2009).
1ª via: distrito sanitário indígena digita e arquiva
2ª via: cartório de registro civil arquiva
3ª via: arquivada no prontuário do paciente,
estabelecimento de saúde arquiva
Declaração de óbito epidemiológica
A DO epidemiológica é o documento-padrão de
uso sugerido em todo o território nacional para a
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
coleta dos dados sobre o óbito identificado
tardiamente pelo sistema de saúde e em
circunstâncias em que não seja mais possível emitir
uma DO oficial.
É importante pontuar que a DO epidemiológica não
é um documento hábil para a lavratura da Certidão
de Óbito pelo Cartório de Registro Civil, ou seja,
não atende ao que é preceituado no art. 77 da Lei
n.º 6.015/1973.
O instrumento é impresso com sequência numérica
e via única – FUNDO VERDE
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
01 e 22/08/2024
Prof. Ivana Araújo
Indicador de mortalidade
Diferença entre taxa e índice
Toda vez que estiver falando de taxa, tem-se uma
fração
𝑇𝑎𝑥𝑎 =
𝑛º 𝑑𝑒 ó𝑏𝑖𝑡𝑜𝑠
𝑝𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑣𝑖𝑣𝑎 𝑥 10
Taxa expressa risco de morrer, portando no
denominador a população é viva
Í𝑛𝑑𝑖𝑐𝑒 = !º $% ó'()*+
)*),- $% ó'()*+
𝑥 102
Índice é %
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑟𝑡𝑎𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑔𝑒𝑟𝑎𝑙 =
!º $% ó'()*+ .%/,(+
0*01-,çã* 4(4,
𝑥 10n
Específicas: sexo, idade, doença
𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑟𝑡𝑎𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑓𝑎𝑛𝑡𝑖𝑙 =
!º $% ó'()*+56 ,!*
!,+7($*+ 4(4*+
𝑥 10n
n em taxa de mortalidade infantil sempre será 3 –
ou seja, taxa será expressa por mil nascidos vivos
Número de óbitos abaixo de 1 ano = SIM
Nascidos vivos = SINASC
Neonatal: 0 auma pesquisa
com 95% de nível de confiança. Isso significa que,
caso ela fosse refeita 100 vezes, em 95 ela
apresentaria resultados dentro da margem de erro.
Exemplo:
IC (95%) = [22; 28]
Se eu repetisse esse estudo 100 vezes, em 95 vezes
a média de peso das crianças estaria entre 22 e 28
kg
Os fatores que impactam sobre a amplitude do
intervalo de confiança são:
• Grau de certeza (95%, 98%, etc);
• A variabilidade dos dados (Desvio-padrão)
• Número de elementos da amostra (n)
Questão 1:
Sabe-se que a altura dos estudantes de uma
universidade é modelada por uma distribuição
normal com média desconhecida e desvio-padrão
de 12 cm. Em um primeiro estudo, a partir de uma
amostra com 64 estudantes dessa universidade,
construiu-se o intervalo de confiança [167,54 cm;
172,46 cm] para a média populacional.
Em um segundo estudo na mesma universidade
uma amostra de tamanho 4 vezes maior foi
coletada, o desvio-padrão foi o mesmo. Em relação
ao intervalo de confiança IC (95%) assinale a
alternativa correta:
a) O IC95% no segundo estudo será
aproximadamente o mesmo que no
primeiro estudo.
b) O IC95% no segundo estudo será menor
em amplitude do que no primeiro estudo.
c) O IC95% no segundo estudo será maior em
amplitude do que no primeiro estudo.
d) Não há relação entre o IC95% dos dois
estudos por se tratarem de amostras
distintas.
e) O 1C95% será sempre igual nos dois
estudos por se tratar de amostras retiradas
da mesma população.
Exemplo 1:
Em um estudo para verificar a eficácia da perda de
peso por adultos obesos utilizando-se duas
medicações, 90 pessoas foram avaliadas por 50
dias recebendo drogas A e B (cada grupo amostral
com 90 pessoas). Analise o intervalo de confiança
da média de perda de peso e julgue qual droga foi
mais eficaz.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
• Grupo A = média de perda de peso = 13,8
kg e IC (95%) = [10,6; 17)
• Grupo B = média de perda de peso = 12,5
kg e IC (95%) = [10; 15]
Grupos A e B são iguais.
Exemplo 2:
Em um estudo para verificar a eficácia da perda de
peso por adultos obesos utilizando-se duas
medicações, 90 pessoas foram avaliadas por 50
dias recebendo drogas A e B (cada grupo amostral
com 90 pessoas). Analise o intervalo de confiança
da média de perda de peso e julgue qual droga foi
mais eficaz.
• Grupo A = média de perda de peso = 13,8
kg e IC (95%) = [10,6; 17)
• Grupo B = média de perda de peso = 7,1 kg
e IC (95%) = [5,1; 9,1]
Grupo A é superior ao grupo B
Exemplo 3:
Em um estudo para verificar a eficácia da perda de
peso por adultos obesos utilizando-se duas
medicações, 90 pessoas foram avaliadas por 50
dias recebendo drogas A e B (cada grupo amostral
com 90 pessoas). Analise o intervalo de confiança
da média de perda de peso e julgue qual droga foi
mais eficaz.
• Grupo A = média de perda de peso = 13,8
kg e IC (95%) = [10,6; 17]
• Grupo B = média de perda de peso = 7,1 kg
e IC (95%) = [5,1;9,1]
• Grupo C = média de perda de peso = 9,7 kg
e IC (95%) = [8,7; 10,7]
Grupo A e C são iguais.
C e B são iguais.
A maior que B.
Grupo A é o mais eficaz, juntamente com grupo C.
Grupo B é o menos eficaz juntamente com grupo
C.
Questão 2:
Um estudo clínico randomizado avaliou a eficácia
de três medicamentos anti-inflamatórios não
esteroides (AINEs): Medicamento A,
Medicamento B e Medicamento C no tratamento da
dor crônica em pacientes com osteoartrite. Os
pacientes foram divididos aleatoriamente em três
grupos: Grupo 1 (Medicamento A), Grupo 2
(Medicamento B) e Grupo 3 (Medicamento C).
Após um período de tratamento de quatro semanas,
a pontuação da dor de cada paciente foi medida na
Escala Visual Analógica (EVA), com valores
variando de 0 (sem dor) a 10 (dor máxima). Os
resultados para cada grupo foram resumidos nas
seguintes estatísticas:
Grupo
Medicação Média de
dor
(EVA)
IC (95%)
da Média
Grupo 1
Medicação
A
4.2
(3.8; 4.6)
Grupo 2
Medicação
B
3.6
(3.2; 4.0)
Grupo 3
Medicação
C
5.0
(4.7; 5.3)
Com base nos dados da tabela e nos intervalos de
confiança de 95% (IC95%) da média da dor, qual
das alternativas a seguir melhor interpreta a relação
entre os três grupos em termos da efetividade dos
medicamentos no alívio da dor crônica em
pacientes com osteoartrite?
a) As três medicações são igualmente efetivas
no controle da dor com suas médias
estatisticamente iguais pelo IC 95%.
b) O Medicamento B (Grupo 2) é mais eficaz
pois apresenta a menor média de dor e
estatisticamente distinta dos demais grupos
pelo IC 95%.
c) O Medicamento A (Grupo 1) não difere
estatisticamente da Medicação B (Grupo 2)
e da Medicação C (Grupo 3) pelo IC 95%.
d) O Medicamento C (Grupo 3) é o menos
efetivo pois apresenta a maior média de
dor e estatisticamente distinta dos
demais grupos pelo IC 95%.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
e) A comparação da efetividade dos
medicamentos com base nos intervalos de
confiança de 95% da média da dor é
inconclusiva devido à possibilidade de se
verificar a influência da variabilidade
individual dos pacientes (Ex.: desvio-
padrão).
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
08/08/2024
Prof. Pedro Ivo
Tipos de estudos observacionais
Tipos de estudo:
• Estudos experimentais
• Estudos observacionais
• Relatos de caso
Estudo observacional difere da experimental
devido a falta de experimentação, na pesquisa
experimental são feitos testes, experimentos,
tratamento, ou seja, o pesquisador interfere na
amostra, diferentemente dos estudos
observacionais, onde o pesquisador não interfere na
amostra.
Observacionais são pesquisas mais simples que as
experimentais.
Tipos de estudos observacionais:
• Transversal (3º em grau de evidência) –
esse estudo não tem uma linha do tempo
nele, acontece no presente, não me interessa
estudar o passado nem o futuro da amostra;
o intuito é epidemiológico. Trabalha com
dados de prevalência.
Difere do estudo longitudinal, onde a amostra é
estudada durante determinado tempo –
retrospectivo ou prospectivo
• Caso-controle (2º em grau de evidência) – é
longitudinal, estudo o grupo de pessoas
hoje e investigo seu passado;
É um estudo observacional retrospectivo, isto é, os
dados são coletados a partir de informações do
passado, através da análise de registros,
entrevistas e assim por diante. O objetivo desse
estudo é identificar a frequência com que ocorrem
as exposições nos diferentes grupos (casos e
controles).
• Coorte (1º em grau de evidência) – tem
como característica principal ser um estudo
longitudinal prospectivo. A amostra de
estudo é ÚNICA e nessa amostra as pessoas
são sadias em relação ao desfecho de
interesse. É um estudo caro e por, na
maioria das vezes, ser muito longo, acabo
perdendo amostra.
Correlação
Ferramenta de Pearson
A correlação de Pearson mede como duas
variáveis estão relacionadas de maneira linear, ou
seja, se elas aumentam ou diminuem juntas.
R2 – coeficiente de correlação: -1 até +1
O coeficiente de determinação, também chamado
de R², é uma medida de ajuste de um modelo
estatístico linear generalizado, como a regressão
linear simples ou múltipla, aos valores observados
de uma variável aleatória. O R² varia entre 0 e 1,
por vezes sendo expresso em termos percentuais.
Se forem próximas de 0, são baixas = correlações
fracas
• 0 a 0,25 correlações fracas
• 0,26 a 0,50 correlações intermediárias
• Acima de 0,51 correlações fortes
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
15/08/2024
Prof. Pedro Ivo
População
Todas as pessoas que são contempladas para aquele
enunciado de questão.
A população refere-se ao conjunto completo de
elementos que compartilham uma característicacomum.
Exemplo: estudo sobre pessoas com esclerose – a
população são todos os indivíduos portadores de
esclerose.
Pergunta para definir a população: quais são os
indivíduos habilitados para fazer parte do estudo?
Posso ter estudos onde a população pode ser
limitada, por exemplo: região, sexo, idade.
Amostra
Pessoas que preenchem os requisitos para fazer
parte da população definida.
Uma amostra é um subconjunto representativo da
população.
Técnicas amostrais
Técnicas amostrais possuem relação direta com o
tipo de estudo a ser feito.
Temos técnicas probabilísticas: que são feitas com
base em sorteio – os indivíduos da população
possuem a mesma chance de compor a amostra.
Exemplo: aleatória simples, aleatória estratificada.
Não probabilísticas – técnicas que não envolvem
sorteio. Exemplo: conveniência, a esmo, por cotas.
Dados são informações coletadas ou observadas
em um estudo. Podem ser quantitativos (números)
ou qualitativos (categorias).
Variáveis
Quantitativas e qualitativas – para cada tipo de
variável eu possuo técnicas estatísticas específicas
para cada tipo de variável que vai ser analisada no
estudo.
Quantitativas: discretas (não existem valores entre
eles; são contáveis e finitos) e contínuas (existem
valores entre os seus valores; portanto, são
infinitas. Aquela que pode ter vírgula)
Qualitativas: ordinais (refere-se aos graus de uma
escala de medição, que não podem ser somados ou
submetidos ao cálculo de uma média. Exemplo
médico: graus de lesão por queimadura) e nominais
(refere-se ao nome dado a cada categoria, que não
possui número ou classificação numa escala.
Exemplo médico: grupos sanguíneos)
Tipos de estudo
Experimentais – o pesquisador interfere na
amostra. Pesquisador intervém sob o curso natural
da doença/do foco da pesquisa.
Clínicas são feitas com pessoas. Exemplo:
ensaio clínico randomizado.
Com animais – normalmente feitos antes da
pesquisa clínica.
Pesquisas experimentais laboratoriais –
antes da testagem em animais.
Relatos de caso – fruto de uma intervenção clínica
ou cirúrgica do médico. Tem como origem o
trabalho de campo. Com 3 ou mais pacientes: série
de casos.
Pesquisa observacional – aquelas em que o
pesquisador não interfere sob o curso natural da
doença. Apenas observa-se o fato que acontece
Transversal – esse estudo não tem uma
linha do tempo nele, acontece no presente, não me
interessa estudar o passado nem o futuro da
amostra; o intuito é epidemiológico. Trabalha com
dados de prevalência.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Caso-controle – longitudinal: preocupação
em acompanhar o paciente, seja retrospectivo ou
prospectivo.
Dados são coletados a partir de informações do
passado, através da análise de registros,
entrevistas e assim por diante. O objetivo desse
estudo é identificar a frequência com que ocorrem
as exposições nos diferentes grupos
Coorte – longitudinal: preocupação em
acompanhar o paciente, prospectivo. Amostra sadia
em relação à doença estudada.
Estatística descritiva
Feita para conhecer melhor a amostra.
Feita a partir do cálculo de tendência central
(média, moda ou mediana) e estatística de
variabilidade (variância, desvio padrão e
coeficiente de variação)
Intervalos de confiança
IC 95% significa que se eu repetir aquele estudo
100 vezes, 95% das vezes o resultado será o limite
inferior e o limite superior daquela amostra.
Pode ser usado para comparar tratamentos.
Maior amostra = menos amplitude
Maior desvio padrão = maior amplitude
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
22/08/2024
Prof. Pedro Ivo
Medidas de associação
Identificar e tornar estatístico se um fator
realmente interfere no desfecho de uma doença em
que o estudo está interessado.
Fator x desfecho
Temos uma medida de associação específica para
cada tipo de estudo observacional
• Transversais = razão de prevalência (R.P.)
• Caso controle = odds ratio (O.R.)/razão de
chance
• Coorte = risco relativo (R.R.)
Tabela de contingência
Vai ter na primeira coluna o desfecho da doença
que está sendo estudada (por exemplo:
mortalidade, ocorrência); na segunda coluna
teremos o não desfecho
Na primeira linha teremos expostos e na segunda
linha não expostos.
Exemplo: tabela de contingência 2x2
Desfechos Não
desfechos
Total
Expostos A B A + B
Não
expostos
C D C + D
Total A + C B + D
Risco relativo
Suponha que em um estudo de coorte com 2.000
pessoas durante 15 anos, 200 expostos ao
tabagismo desenvolveram câncer de pulmão,
enquanto apenas 20 não expostos tiveram a doença.
O RR é calculado como:
Tabela de contingência 2x2
O cálculo RR é feito por:
𝑅𝑅 =
𝐼𝑛𝑐𝑖𝑑ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜𝑠
𝐼𝑛𝑐𝑖𝑑ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑛ã𝑜 𝑒𝑥𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜𝑠
Simplificando:
𝑅𝑅 =
𝐴
𝐴 + 𝐵
𝐶
𝐶 + 𝐷
Lembrando que incidência é Incidência= Número
de novos casos / População em risco
Aplicando ao exemplo acima, temos:
Doentes Não
doentes
Total
Expostos 200 800 1000
Não
expostos
20 980 1000
Total 220 1780 2000
𝑅𝑅 =
!""
#"""
!"
#"""
= 0,2 / 0,02 = 10
Interpretando: Os expostos têm 10 vezes mais risco
de câncer de pulmão em comparação com os não
expostos. Definido também como força de
associação.
Para essa medida de associação é importante
termos a interpretação baseada em um intervalo de
confiança.
Interpretação:
• RR = 1 (não há associação de risco);
• RR > 1 (há aumento do risco para o fator de
exposição);
• RR 1 (há aumento do risco para o fator de
exposição);
• RP 1 (há aumento do risco para o fator de
exposição);
• ORconfiança:
• Menor que 1 = fator protetivo
• Intervalo engloba o número 1 = não há
associação
• Intervalo inteiro maior que 1 = fator de
risco
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
18/07/2024
Prof. Francine Edwiges
O que é prescrição médica?
A prescrição médica é um documento com
orientações básicas de uso de medicamentos
entregue ao paciente em consultório.
Ela é elaborada com base na anamnese e exame
físico do paciente, que a partir disso estabelece qual
será o tratamento do paciente.
O ideal é que, ao prescrever medicamentos, o
médico considere aspectos que impactam
diretamente no engajamento do paciente, como
eficácia, comodidade, segurança e custo financeiro.
Um paciente que está com orçamento “apertado”
em determinado mês, por exemplo, pode preferir
uma prescrição com mais medicamentos genéricos,
mas que ainda têm alta qualidade para seu
tratamento.
Qual a diferença entre receita e prescrição
médica?
Não existe diferença entre receita médica e
prescrição médica, ambas significam a mesma
coisa.
Quais são as regras da prescrição médica?
Na prescrição deve constar, de forma objetiva,
legível e dentro dos padrões definidos pelos órgãos
reguladores, todas as orientações sobre o
tratamento medicamentoso e/ou não
medicamentoso a ser seguido pelo paciente.
Ficar atento à efeitos adversos da medicação
prescrita.
Normas que disciplinam a prescrição médica
Resolução do CFM nº 2.299/2021 de 26 de
dezembro de 2021, que regulamenta, disciplina e
normatiza a emissão de documentos médicos
eletrônicos, como a prescrição médica.
Resolução RDC nº 471 de 23 de fevereiro de 2021
Resolução CFM nº 1931/2009 que revogou a
resolução 1246, de 8 de janeiro de 1988 (Código de
Ética Médica), nos artigos 30, 39, 42, 43, 44 e 62
Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF)
nº 357, de 20 de abril de 2001, que define as boas
práticas em farmácias
Decreto nº 3181, de 23 de setembro de 1999 que
regulamenta a lei Nº 9787, de 10 de fevereiro de
1999
Decreto nº 793, de 5/4/1993 no inciso II de artigo
3, o qual disciplina a prescrição médica ao
determinar a legibilidade da letra, por extenso,
nomenclatura e pesos oficiais, posologia e duração
total do tratamento, entretanto, a legibilidade das
receitas é obrigatória desde 1973, por melo da Lei
Federal n° 5.991:
Lel Federal nº 5991, de 17 de dezembro de 1973.
Quais são os passos para fazer uma prescrição
médica corretamente?
A OMS (Organização Mundial de Saúde)
recomenda estes passos para assegurar o sucesso da
prescrição:
• Identificar o problema do paciente;
• Definir o objetivo terapêutico;
• Alinhar o tratamento aos aspectos
individuais do paciente (custo, segurança,
praticidade e eficácia)
• Garantir uma prescrição legível, clara e
com todas as orientações necessárias;
• Descrever as instruções de uso, possíveis
efeitos colaterais e avisos;
• Monitorar o engajamento do paciente no
tratamento;
• Acompanhar os resultados.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
O paciente pode não se adaptar ao medicamento
prescrito, seja por um efeito colateral
desconfortável ou custo elevado. É importante
enfatizar ao paciente que é possível adequar a
prescrição ao longo do tratamento.
Quais são os tipos de prescrição médica?
1. Receita simples
Existem diversos medicamentos (medicamentos
anódinos e de tarja vermelha) que não necessitam
de receituário médico para compra, mas que só
devem ser adquiridos quando prescritos por um
profissional.
Nesse caso, é utilizado apenas uma receita simples,
com uma via geralmente em papel de cor branca.
2. Receita de controle especial
Prescrição para medicamentos de tarja vermelha
substâncias sujeitas a controle especial, retinóicas
de uso tópico, imunossupressoras e antirretrovirais,
anabolizantes, antidepressivos, entre outros).
As substâncias controladas ou sujeitas a controle
especial são substâncias com ação no sistema
nervoso central e capazes de causar dependência
física ou psíquica, motivo pelo qual necessitam de
um controle mais rígido do que o controle existente
pare as substâncias comuns.
Por serem medicamentos de controle especial é
necessário a prescrição em duas vias: uma para o
paciente e outra para a farmácia.
Além disso, a prescrição médica, nesse caso,
costuma possuir validade de 30 dias após a sua
emissão e limita a quantidade de medicamento para
o tratamento durante este período.
3. Receita amarela ou receita A
Impressa com padrão de cor amarela, para
prescrição de psicotrópicos e entorpecentes.
A receita amarela pode conter a prescrição de
apenas uma substância, com quantidade necessária
para tratamento durante 30 dias – que é, também, o
período de validade da receita.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
4. Receita azul ou receita B
Impressa com padrão de cor azul, para prescrição
de medicamentos com substâncias psicotrópicas e
psicotrópicas anorexígenos.
Cada receita tem numeração controlada e deve
padronizada e deve estar sempre acompanhada por
uma receita branca – a via azul fica retida na
farmácia e a via branca fica com o paciente, para
acompanhamento do tratamento.
Assim como na receita amarela, a receita azul
permite a dispensação de apenas uma medicação
suficiente pera um mês de tratamento, e tem
validade de 30 dias.
5. Receita renovável
Modelo criado exclusivamente para oferecer mais
praticidade para pacientes que usam medicamentos
recorrentes, como aqueles com doenças crônicas.
Não há necessidade de voltar à instituição para uma
nova receita.
Informações obrigatórias em qualquer tipo de
receita
Alguns dados, independentemente de qual tipo de
prescrição seja, devem obrigatoriamente estar na
receita. Veja quais são eles:
• Identificação do tipo de receita;
• Data;
• Individualidade;
• Via de administração (parenteral,
sublingual, oral);
• Fármaco (nome);
• Posologia e forma de apresentação;
Informações obrigatórias em qualquer tipo de
receita
• Tempo de uso
• Indicação (instrução de cuidado com o
medicamento)
• Advertências
• Efeitos colaterais principais
Cabeçalho
O cabeçalho (parte superior da receita) deve ter o
nome da clínica, de preferência com um meio de
contato como telefone ou e-mail. Também e
possível adicionar o logo da clínica, caso exista.
Identificação do paciente e do médico
Tanto o paciente quanto o médico devem estar
identificados na receita.
O paciente deve ter seu nome, idade, endereço e
documento de Identificação registrados, enquanto
o médico deve registrar sua assinatura e número da
inscrição.
No caso da prescrição de papel, a assinatura do
médico será escrita à mão, enquanto na prescrição
eletrônica, o profissional conta com a assinatura
digital, que garante a mesma validade jurídica.
Data da emissão
Mesmo que a receita não tenha uma validade
especificada, como no caso da receita renovável, é
fundamental registrar a data da prescrição, tanto
para documentação médica quanto para histórico
do paciente.
Prescrição eletrônica: o que é e quais são as suas
vantagens?
A prescrição eletrônica é a versão digital da
prescrição de papel. Ela costuma ser utilizada
dentro de um sistema que inclui outras ferramentas,
como prontuário eletrônico, tele consulta, agenda
online, entre outros.
Essa inovação é cada vez mais utilizada devido às
suas inúmeras vantagens, como eliminar o
problema de letra ilegível, padronizar o layout das
receitas da clínica, envio por WhatsApp e e-mail
para o paciente e aumento de segurança.
Segundo um estudo realizado em um hospital
universitário:
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
“O Instituto de Medicina dos EUA afirma que a
prescrição médica eletrônicairá contribuir na
redução dos custos no cuidado à saúde e manter a
qualidade do trabalho, proporcionando aos
médicos e profissionais informações mais precisas”
Como a prescrição costuma estar dentro de um
prontuário eletrônico, o profissional responsável
pelo paciente pode compartilhar o acesso com a
equipe clínica, o que auxilia na centralização dos
dados e discussões.
O que é necessário para emitir uma prescrição
digital?
De acordo com a Portaria nº 401 de 20 de março de
2020, do Ministério da Saúde, para realizar a
prescrição digital, o médico deve usar assinatura
eletrônica, por meio de certificado digital emitido
pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira
(ICP-Brasil modelo A3, cartão ou token).
Com a assinatura digital garante se autoria,
integridade, autenticidade do documento, já que a
tecnologia da ICP-Brasil criptografa o seu
conteúdo no momento da assinatura, evitando
alterações.
E caso haja alguma tentativa, o documento mostra
uma mensagem de erro ao ser aberto.
Como funciona na prática a prescrição
eletrônica?
O processo de elaboração da prescrição eletrônica
é a mesma da prescrição comum.
O profissional deverá preenchê-lo com os
formulários médicos (receitas, laudos e atestados),
assiná-lo digitalmente e em seguida, encaminhar a
prescrição eletrônica para o paciente.
O paciente pode também validar a receita digital
por meio do validador de documentos do Governo
O documento será então apresentado ao
farmacêutico para a compra dos medicamentos, e
este por sua vez deverá realizar a dispensação da
receita, assinando-a digitalmente e registrando-a
em seguida no Registro de Dispensação
Quais são os erros mais comuns das prescrições
médicas?
• Letra legível;
• Ausência de identificação do registro no
CRM;
• Rasuras, rabiscos;
• Ausência da data de validade, quando
necessário;
• Omissão da dose na prescrição;
• Orientação errada do horário de
administração.
O médico pode prescrever sem realizar o exame
físico no paciente?
O médico não deve prescrever medicamentos sem
realizar uma consulta com o paciente. Entretanto,
esse atendimento pode ser feito por Telemedicina,
quando não há necessidade de exame físico.
No caso das consultas a distância, feitas de forma
legal e ética, não há problema em prescrever sem
ter realizado um exame físico.
Apenas médicos podem prescrever?
A prescrição de uma receita (medicamentosa) quer
seja de formulação magistral ou de produto
industrializado, é de atribuição de todo e qualquer
profissional regularmente habilitado (médicos,
farmacêuticos, enfermeiros, veterinários e
odontólogos), observando-se as normas sanitárias
vigentes e aquelas que versam sobre o exercício
profissional.
O que são as tarjas dos medicamentos?
Venda livre: medicamentos que não exigem receita
médica, são isentos de prescrição
Tarja amarela: fármacos genéricos, marcados com
um “G”
Tarja vermelha: medicamentos que só podem ser
vendidos quando a receita é apresentada no ato da
compra, separados em retenção de receita (é
preciso deixar uma das vias na farmácia) e sem
retenção de receita (a receita é mostrada apenas
para autorizar a compra)
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Tarja preta: medicamentos que trazem mais riscos
à saúde do paciente, pois contém substâncias que
afetam o sistema nervoso central, indicados para
doenças como depressão.
Quais tipos de medicamentos podem ser
prescritos?
Qualquer medicamento, para ser prescrito e
comercializado, deve ter a aprovação da ANVISA.
Entre as principais categorias, podemos citar
Medicamentos de referência e inovadores:
fármacos registrados como inovação pelo
INP/Instituto Nacional de Propriedade Intelectual).
Quando um medicamento de referência recebe uma
proteção patentária, temporariamente ele não pode
ser temporariamente ele não pode ser copiado por
outras empresas;
Comercial ou marca.
Medicamentos genéricos: são os medicamentos
produzidos após a proteção patentária acabar. Ele
passa por um controle de qualidade antes de ser
comercializado, logo, a ideia é que eles funcionem
da mesma forma que os medicamentos de
referência;
Medicamentos similares: contém os mesmos
princípios ativos, concentração e forma
farmacêutica dos medicamentos de referência, mas
o prazo de validade costuma ser bem menor, e a
embalagem e rotulagem sempre identificam o
nome comercial ou marca.
É obrigatório ter carimbo na prescrição?
O carimbo não é obrigatório de acordo como CFM
e a ANVISA desde que o médico consiga escrever
de forma legível seu nome completo e número do
CRM. Apenas a assinatura já basta para que a
prescrição tenha validade.
Porém, lembre-se que o carimbo é obrigatório para
o recebimento do talonário para prescrição de
medicamentos e substâncias entorpecentes e
psicotrópicos.
Caso o médico prefira o carimbo, é necessário ter a
data, assinatura, endereço da clínica e número de
inscrição no CRM.
Cirurgiões dentistas podem prescrever?
Sim, cirurgiões-dentistas também podem
prescrever fármacos indicados para a odontologia
(analgésicos, antissépticos, anti-inflamatórios), por
exemplo.
Em casos de emergência e urgência, tanto a
prescrição quanto a aplicação são regulamentadas.
Conclusão
A prescrição médica é um dos mais importantes
processos da assistência farmacêutica, visto que é a
partir da prescrição que há a sugestão da
farmacoterapia a ser utilizada pelo paciente.
Uma boa prescrição médica não se resume apenas
à ausência de erros, mas na necessidade do
prescritor olhar o paciente de forma holística para
realizar a prescrição.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
25/07/2024
Prof. Francine Edwiges
Principais questões sobre DIU de cobre x DIU
hormonal: diferenças e indicações
Existem inúmeros métodos contraceptivos
disponíveis no SUS, incluindo métodos de longa e
curta duração, hormonais e não hormonais e os
métodos de barreira. O método anticoncepcional de
longa duração (LARC) é o método mais utilizado
mundialmente.
Os dois tipos de dispositivos são plásticos, medem
cerca de 30 mm, sendo considerados métodos
contraceptivos seguros, reversíveis, eficazes e
associados a poucos efeitos colaterais, com taxas
de falhas extremamente baixas.
• Não contém hormônios (DIU de cobre)
• Ação hormonal local (DIU de
levornogestrel)
• Melhor custo-benefício – custo baixo e
disponível na rede pública (DIU de cobre)
• Altamente efetivo – mais de 99%
• Praticidade – não precisa de lembrança
diária
• Longa ação – até 10 anos
• Retorno rápido à fertilidade – quase que
imediato, após a retirada
• Altas taxas de continuidade – as maiores
entre os métodos reversíveis
O dispositivo intrauterino – DIU é um método
contraceptivo do grupo dos LARCs, sigla em inglês
para Método Contraceptivo de Longa Duração. Os
LARCs têm as maiores taxas de satisfação e
continuação de todos os métodos contraceptivos
reversíveis.
A efetividade do DIU está acima de 99%, índice
superior ao da pílula anticoncepcional e de outros
métodos. O DIU não depende da lembrança da
mulher para o uso e não tem sua eficácia diminuída
por interação com outras medicações.
Entre os métodos contraceptivos modernos, o DIU
é um método reversível com índice de falha menor
que 1%, equivalente a métodos irreversíveis, como
a laqueadura tubária e a vasectomia.
Estrutura
O DIU com cobre TCu 380 é constituído por um
pequeno e flexível dispositivo de polietileno em
formato de T, revestido com 314 mm2 de cobre na
haste vertical e dois anéis de 33 mm2 de cobre em
cada haste horizontal.
Mecanismo de ação – DIU de cobre
O dispositivo provoca mudanças bioquímicas e
morfológicas no endométrio, o que acarreta o
desenvolvimento de ação inflamatória e citotóxica
com efeito espermicida na região.
O cobre, material presente no dispositivo, é
responsável pelo aumento da produção de
prostaglandinas e pela inibiçãode enzimas
endometriais, que agem tanto nos espermatozoides
quanto nos ovócitos secundários.
O muco cervical também é alterado e se torna mais
espesso. Essas circunstâncias interferem na
mobilidade e qualidade dos espermatozoides,
dificultando a sua ascensão da vagina até o útero.
Desmistificando
O DIU com cobre não é abortivo e não provoca
infertilidade. Com a sua presença no útero, o
dispositivo dificulta o encontro do espermatozoide
com o óvulo, agindo, portanto, antes da
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
fecundação. Se a pessoa decidir engravidar, o DIU
com cobre pode ser retirado a qualquer momento e
a gravidez pode acontecer logo em seguida.
https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340
37513|Portuguese-AppendixD.pdf
Indicações para uso do DIU
O DIU com cobre é um método contraceptivo com
amplas possibilidades de indicações, podendo ser
usado por pessoas de todas as idades que não
tenham contraindicações – de acordo com os
critérios médicos de elegibilidade da OMS para uso
de métodos contraceptivos.
• Pessoas em qualquer fase de sua vida
reprodutiva: da adolescência ao climatério;
• Pessoas que amamentam;
• Pessoas que nunca engravidaram ou que já
tiveram filhos;
• Pessoas que têm contraindicações ao uso de
anticoncepcionais com hormônios (como
tabagistas, obesas, hipertensas e diabéticas,
com risco cardiovascular e outras
condições).
Contraindicações
• Útero que não tenha condição de alojar o
dispositivo devido a má-formação ou outras
alterações anatômicas;
• Câncer cervical ou de endométrio ou
doença trofoblástica gestacional maligna;
• Sangramento uterino anormal sem
diagnóstico;
• Presença de infecções genitais atuais;
• Condições específicas apresentadas nos
critérios médicos de elegibilidade da OMS
para uso de métodos anticoncepcionais.
• Anormalidades uterinas como útero
bicorno, septado ou intensa estenose
cervical;
• Miomas uterinos submucosos com
distorção da cavidade endometrial
(dificuldade de inserção e risco de
expulsão);
• Vigência de IST, como clamídia, gonorreia
e AIDS;
• Infecção inflamatória pélvica aguda ou
crônica (endometrite, cervicite
mucopurulenta e tuberculose pélvica);
Efeitos colaterais
Alterações nos padrões de menstruação
(especialmente nos primeiros 3 a 6 meses), dentre
as quais:
• Sangramento prolongado e intenso
• Sangramento irregular
• Mais cólicas e dor durante a menstruação
Importante
Para avaliar mais detalhadamente a aplicação do
DIU em situações específicas e não citadas, as/os
profissionais de saúde podem se amparar nos
Critérios Médicos de Elegibilidade para uso de
Métodos Contraceptivos, documento da
Organização Mundial de Saúde (OMS) que contém
recomendações baseadas em evidências para a
utilização segura dos diferentes métodos
anticoncepcionais em diversas situações.
Inserção do DIU no pós-parto e pós-
abortamento
A inserção do DIU no pós-parto imediato, tanto do
parto normal quanto da cesariana, é segura, efetiva
e não interfere na lactação.
A ausência de abordagem e oferta prévia do DIU de
cobre para ser inserido no pós-parto e pós-aborto
pode contribuir para a ocorrência de gestação
futura não intencional.
Por isso, a oferta do DIU com cobre e sua Inserção
em mulheres no pós-parto e pós-abortamento
imediatos nas maternidades contribui para a
garantia de escolhas voluntárias e autonomia.
Desmistificando
O DIU pode ser utilizado por adolescentes, mesmo
as que não passaram por uma gestação. O
dispositivo é considerado seguro, altamente eficaz
e é recomendado pela OMS, pela Academia
Americana de Pediatria e o American College of
Gynecologists and Obstetricians (ACOG) como
uma boa opção anticoncepcional para adolescentes.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Preparação para inserção
O DIU com cobre pode ser inserido em qualquer
dia do ciclo menstrual (desde que excluída
possibilidade de gravidez).
Recomenda-se exame ginecológico completo
(especular e toque bimanual) antes da inserção do
DIU com cobre.
Com este cuidado, pode-se avaliar o conteúdo
vaginal, posição e volume uterino. Não há
indicação de profilaxia antibiótica para a inserção
do DIU.
Após a constatação de que a mulher tem indicação
para usar o DIU, ela deve ser informada pela/o
profissional de saúde sobre o seu funcionamento,
benefícios, procedimento de inserção e cuidados
pós-inserção, bem como a taxa de falha, efeitos
colaterais, riscos de expulsão e sinas de alerta.
É direito da mulher ou pessoa que deseja o uso do
DIU ter todas as informações necessárias para uma
tomada de decisão consciente.
Deve ser disponibilizado, para a pessoa que optar
pela inserção do dispositivo intrauterino, um Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido, contendo as
informações sobre o procedimento a ser realizado e
documentando a vontade da usuária e a autorização
para o procedimento com informações, também,
quanto à consulta de seguimento que deverá
ocorrer entre 30 a 40 dias após a inserção.
Passo a passo para inserção do DIU
Se alojado corretamente no útero, o DIU com cobre
apresenta mínimo risco de expulsão e desconforto
para a mulher.
A inserção do DIU pode ocorrer durante a consulta
na Unidade Básica de Saúde, desde que os critérios
de elegibilidade sejam atendidos e haja
manifestação do desejo por parte da mulher.
Para inserção do DIU na UBS (fora do período
puerperal), são usados os instrumentos a seguir:
• Histerômetro
• Pinça de Pozzi
• Pinça Cheron (para antissepsia)
• Espéculo (pode ser descartável)
• Tesoura longa
• Gaze
• Luva de procedimento
• Luva estéril
• Foco de luz
• Solução antisséptica
• DIU T Cu 380 A ou Hormonal
Técnica de inserção do DIU na UBS
1. Algumas pessoas têm dor ou se sentem
desconfortáveis com a manipulação do colo
e passagem do dispositivo pelo orifício
interno. Portanto, é importante explicar
todo o procedimento, respondendo
perguntas e dúvidas.
2. Após a inserção das luvas, realizar
gentilmente a introdução do espéculo no
canal vaginal e a antissepsia do colo do
útero. Isto minimiza as chances de infecção
uterina posterior à inserção do DIU.
3. Com a pinça de Pozzi, realizar pinçamento
do lábio anterior do colo, delicadamente.
Isso permite tracionar o útero, retificando-
o, e minimiza as chances de perfuração.
4. Fazer a medida da profundidade uterina
com o histerômetro de forma lenta e
cuidadosa. Isso também reduz o risco de
erros na inserção ou perfuração do útero, o
que pode ocorrer se o histerômetro ou o
DIU for inserido de forma abrupta, muito
profundamente ou em ângulo incorreto.
5. Preparação do DIU – Montar o DIU dentro
de sua própria embalagem estéril,
sinalizando no tubo insertor a medida de
profundidade. As hastes do DIU devem ser
introduzidas no tubo de inserção.
6. Inserção na cavidade uterina – introduzir
delicadamente o DIU até o fundo da
cavidade e liberar o dispositivo, removendo
o tubo de inserção.
7. Com a tesoura de haste longa, realizar o
corte do fio a 2 ou 3cm em relação ao colo
uterino.
É importante perguntar à usuária como ela está se
sentindo durante todo o procedimento e passar
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
confiança necessária para que a pessoa se sinta
segura e confortável.
Desmistificando
O DIU com cobre não deve ser sentido durante a
relação sexual. O que pode ser sentido pelo
parceiro na relação sexual é o fio de nylon que
acompanha o dispositivo, se ele for cortado muito
curto depois da inserção. Se o DIU for percebido
significa que está mal posicionado, exteriorizando-
se através do colo uterino. Nesta situação deverá
ser retirado.
Retirada do DIU
A técnica de remoção do DIU é simples e pode ser
feita em ambulatório. Basta identificar os fios do
DIU no exame especular, apreendê-los com uma
pinça longa e puxar o DIU para fora da cavidade
uterina. Caso o fio não seja localizado ou se
apresente maior do que o deixado no momento da
inserção, deve ser considerada a possiblidadede
mal posicionamento ou expulsão parcial do DIU.
Toda pessoa usuária de DIU deve ser estimulada a
sentir pelo toque o seu colo uterino e identificar o
fio. Isso ajudará a perceber precocemente
alterações no tamanho do fio ou a ausência do
mesmo.
O impresso contido dentro da embalagem do DIU
de cobre com informações e lote do produto deve
ser entregue à pessoa que recebeu o dispositivo,
devidamente assinado e carimbado pela/o
profissional de saúde que realizou a inserção.
Deve-se registrar, também, o comprimento do fio
do DIU em relação à cérvice uterina para controle
da paciente e da/o profissional de saúde em
consultas subsequentes.
Pós inserção do DIU
Apesar de muitas mulheres sentirem certo
desconforto com a colocação do DIU, menos de 5%
sentem níveis moderados ou acentuados de dor. As
reações vasovagais, tais como suor, vômito ou
desmaios breves ocorrem em, no máximo, 0,5 a 1%
das mulheres.
Geralmente, estes problemas são de duração curta
e raramente exigem a remoção imediata do DIU.
Além disso, não afetam o desempenho posterior do
DIU.
Desmistificando
O DIU não causa câncer de endométrio. Ao
contrário, o DIU é associado à redução desse tipo
de câncer, devido a alguns mecanismos biológicos
como alterações inflamatórias, efeitos na
proliferação endometrial e efeito na resposta
endometrial aos hormônios, incluindo a inibição de
receptores de estrogênio e progesterona
Efeitos adversos e orientações pós-inserção
Alguns dos efeitos colaterais da inserção do DIU
com cobre são o aumento do fluxo menstrual,
observado principalmente nos três primeiros meses
de uso e o aumento ou aparecimento transitório de
cólicas menstruais - especialmente nos primeiros
meses e em mulheres sem filhos. Tanto o aumento
do sangramento quanto as cólicas uterinas podem
ser manejados clinicamente.
Após a inserção do DIU com cobre, a mulher deve
ser orientada a procurar atendimento, a qualquer
tempo, caso apresente algum sintoma de alarme
como febre, dor pélvica aguda e persistente, que
podem ser sinal de doença inflamatória pélvica por
presença de cervicite por Chlamydia ou outra
bactéria, assintomática no momento da inserção.
Além disso, toda pessoa usuária deve retornar para
uma consulta de revisão entre 30 a 40 dias da
inserção do dispositivo intrauterino. Neste
momento, é realizado exame clínico-ginecológico
e avaliação do padrão de sangramento e da
satisfação da mulher com o método.
Não há contraindicação para a pessoa realizar suas
atividades cotidianas após a inserção do DIU. O
DIU não previne contra IST. As usuárias dever ser
estimuladas a usar outros métodos de proteção que
cumpram essa função.
Para as usuárias de DIU com cobre que desejam
substitui-lo, a remoção do antigo e inserção do
novo dispositivo pode ser efetuada no mesmo
momento e em qualquer dia do ciclo.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
Método contraceptivo de longa duração
(LARC- long acting reversible contraception)
Modo de ação: liberação contínua de íons de cobre
O que acontece: reação citotóxica inflamatória no
endométrio e do muco cervical, tóxica ao esperma
e ao óvulo
O que causa: efeito espermicida, diminuição da
mobilidade do espermatozoide e hostilidade no
implante do óvulo no endométrio (A).
Seguro e adequado Podem usar
Para aquelas que não
apresentam
contraindicações ao
método
Sem testes pare IST
Praticamente todas as
mulheres que desejam
contracepção, de longa
duração, de alta
eficácia e reversível
podem fazer uso,
critério de
elegibilidade amplo
Sem exames de sangue
ou de secreção vaginal
Para todas as idades,
adolescentes ou idosas,
tenham ou não filhos,
estejam amamentando,
que tenham tido
gravidez ectópica ou
DIP, tenham HIV ou
em TARV e bem de
saúde
Sem CP de colo de
útero ou USG
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
01/08/2024
Prof. Francine Edwiges
Definição
Condição metabólica em que há elevação no
plasma sanguíneo de determinadas lipoproteínas -
colesterol (LDL, IDL ou VLDL) e/ou aumento de
triglicerídeos e/ou redução de HDL - o que acaba
aumentando o risco de aterosclerose e
consequentemente maior risco cardiovascular.
Epidemiologia
A prevalência estimada da condição é de
acometimento de 50% dos adultos
É um dos principais fatores de risco para doenças
cardiovasculares como coronariopatias e acidentes
vasculares cerebrais (AVC), e como consequência
um dos principais fatores de risco para óbito
Etiologia
São duas as principais etiologias da Dislipidemia:
as causas primárias (genéticas) ou secundárias
(adquiridas), essas últimas muito mais comuns.
Pontualmente as mais frequentes incluem:
1) Causas Primárias (genéticas)
Hipercolesterolemia Familiar: defeito no receptor
de LDL, cursando com menor remoção de LDL
Defeito familiar de apoB-100: cursando com
diminuição na remoção de LDL
Hipertrigliceridemia familiar: desconhecido o
mecanismo, provavelmente múltiplos
Hipercolesterolemia poligênica: desconhecido o
mecanismo, provavelmente múltiplos
Hiperlipidemia familiar combinada: desconhecido
o mecanismo, provavelmente múltiplos
Hipoalfalipoproteinemia primária (familiar ou não
familiar): desconhecido o mecanismo
2) Causas Secundárias (adquiridas)
Ingestão excessiva de gorduras saturadas,
colesterol, ácido graxo trans
Estilo de vida sedentário
Diabetes Mellitus
Hipotireoidismo
Abuso de Álcool
Tabagismo
Insuficiência Renal
Síndrome Metabólica
Colestase
HIV
Medicamentos: glicocorticoides, beta-
bloqueadores, antipsicóticos, tiazídicos,
ciclosporina, Inibidores de protease (HIV),
retinoides, anticoncepcionais orais
A prevalência estimada da condição é de
acometimento de 50% dos adultos
É um dos principais fatores de risco para doenças
cardiovasculares como coronariopatias e acidentes
vasculares cerebrais (AVC), e como consequência
um dos principais fatores de risco para óbito
Metabolismo lipídico
Quando pensamos em "Lipídios", logo vem à
mente a palavra "Gordura". E de forma
simplificada é exatamente isso. No nosso
organismo temos diversos compostos lipídicos,
com destaque para:
• Fosfolipídios: são compostos que contêm
ácido fosfórico como mono ou diéster. São
os principais constituintes das membranas
celulares
• Colesterol: é um álcool policíclico de
cadeia longa. É um importante componente
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
da membrana celular, além de ser precursor
de diversos hormônios (ex: Cortisol,
Testosterona), ácidos biliares e da Vitamina
D. Pode ser livre (OH) ou esterificado
(insolúvel).
• Triglicerídeos: é um tri-éster oriundo da
combinação do glicerol (um triálcool) com
ácidos graxos. São as principais reservas de
energia do organismo e são depositados no
tecido adiposo e muscular
O triglicerídeo e o colesterol esterificado provêm
tanto da dieta quanto da produção endógena pelo
fígado. Uma vez que são tipicamente hidrofóbicos,
eles precisam ser transportados para os diversos
tecidos por meio de estruturas chamadas
"Lipoproteínas". A lipoproteína é uma estrutura
esférica apresentando uma superfície hidrofílica e
um centro hidrofóbico.
• A superfície hidrofílica é composta de
fosfolipídio, colesterol OH e apresenta
proteínas chamadas "Apolipoproteínas" -
que são a identidade constituinte ("crachá")
da lipoproteína além de apresentar
propriedade enzimáticas/funcionais - sendo
nomeada com letras: A, B, C etc
• O centro hidrofóbico é composto por
triglicerídeos e colesterol esterificado
O conteúdo proteico (superfície externa) é
praticamente constante. No entanto, o centro
hidrofóbico varia - e isso que configura as
diferentes lipoproteínas: quanto maior o volume
lipídico, ou seja maior quantidade de triglicerídeos,
menor a densidade (Densidade = Massa/Volume -
uma vez que a massa (conteúdo proteico) é
constante;quanto maior o volume menor a
densidade). Assim da menor densidade (e maior
quantidade de triglicerídeos) para a maior
densidade (e menor quantidade de triglicerídeos)
temos:
• Quilomícrons (QM): são as lipoproteínas
maiores. São constituídas de 85% de
triglicerídeos. A apolipoproteína
constituinte ("crachá") é a "B-48"; possui
ainda a Apolipoproteína CII que serve para
os triglicerídeos serem "quebrados" pelas
enzimas "Lipoproteína lipase (LPL) nos
tecidos periféricos, e a Apolipoproteína E
que serve para a estrutura ser absorvida pelo
fígado
• VLDL (Lipoproteína de densidade muito
baixa): é praticamente um quilomícron. É
constituída de 50% de triglicerídeos e 20%
de colesterol éster. A apolipoproteína
constituinte ("crachá") é a "B-100"; possui
ainda a Apolipoproteína CII e a
Apolipoproteína E
A diferença básica entre Quilomícrons e VLDL é
que os Quilomícrons são os responsáveis por
transportar os triglicerídeos (e colesterol) da
alimentação até os diversos tecidos do organismo,
quando sobra só o quilomícron e pouco lipídio o
fígado absorve esse composto (por meio da
apolipoproteína E). Já o VLDL é sintetizado no
fígado, e de lá leva triglicerídeos e colesterol para
os tecidos. Conforme o VLDL vai distribuindo
triglicerídeo para os tecidos, ele vai reduzindo a sua
densidade, virando assim sucessivamente:
• IDL (Lipoproteína de densidade
intermediária): É constituída de 30% de
triglicerídeos e 30% de colesterol éster. A
apolipoproteína constituinte ("crachá") é a
"B-100", uma vez que é o VLDL com
menos triglicerídeo; no entanto, perde a
apolipoproteína CII, ficando somente com
a Apolipoproteína E
• LDL (Lipoproteína de densidade baixa) :É
constituída de 8% de triglicerídeos e 50%
de colesterol éster. A apolipoproteína
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
constituinte ("crachá") é a "B-100", uma
vez que é o VLDL com menos triglicerídeo;
no entanto, perde a apolipoproteína E,
ficando sem a Apoliproteína CII e sem a
Apolipoproteína E.
o Uma vez que não possui a
Apolipoproteína E, o fígado
reabsorve essa lipoproteína por
meio de endocitose
Já que o quilomícrons, o VLDL, IDL e LDL levam
os lipídios para os tecidos, quem vai retirar? A
resposta é o HDL:
• HDL (Lipoproteína de Alta Densidade):
produzido pelo fígado é constituída
principalmente de proteínas (50%) e pouco
colesterol éster (30%) - esse retirado do
tecido periférico. A apolipoproteína
constituinte ("crachá") é a "A". O HDL
possui ainda uma enzima importante a
"LCAT" (Lecitina-colesterol
aciltransferase) que transforma o colesterol
livre (OH) em colesterol éster, por meio da
adição de triglicerídeos provenientes do
VLDL - armazenando então esse colesterol
esterificado.
o A partir do momento que o HDL
estiver repleto de colesterol, é
retirado da circulação pela ação do
fígado, que pode liberar esse
colesterol pela bile ou pode utilizá-
lo para fazer novas lipoproteínas
§ Obs: o HDL é ainda
responsável por "dar" as
apolipoproteínas "CII" e "E"
para o VLDL, além disso
provê colesterol para o
VLDL.
O LDL é popularmente chamado de "colesterol
ruim" pois é responsável pelo processo de
aterosclerose; já o HDL é chamado de "colesterol
bom", pois retira o excesso de colesterol do
organismo.
Arterosclerose
Aterosclerose é um termo genérico que descreve
condições em que a parede da artéria se torna mais
espessa, rígida e menos elástica que o normal.
Subdivide-se em dois grandes grupos:
Aterosclerose é usado para definir enrijecimento de
artérias médias e grandes, causada pela formação
de placas ("placas ateromatosas") na camada mais
interior do vaso - "túnica íntima ou endotélio"
Aterosclerose é o termo que reflete o enrijecimento
de artérias pequenas e arteríolas.
1) Aterosclerose:
A parede de um vaso é formada de dentro para fora
por:
• Túnica Íntima: é o endotélio - camada mais
interna, ou seja, que está em contato com o
fluxo sanguíneo
• Túnica Média: camada composta por
músculo liso, fibras colágenas e tecido
elástico
• Túnica Adventícia: camada mais externa,
composta por tecido conjuntivo.
O endotélio do vaso sanguíneo é formado por uma
única camada de células, tendo duas ações
principais: proteção do fluxo sanguíneo e impedir
que o sangue coagule. Ele pode ser lesado por
diversos fatores como alta pressão arterial
(principal fator), por tabagismo e elevada
concentração de LDL (Lipoproteína de Baixa
Densidade) no sangue
• Uma vez lesado o endotélio, o LDL penetra
na parede do vaso (túnica íntima). O
problema é que monócitos (viram
macrófagos quando entram no tecido)
começam a fagocitar o LDL, e como é
muito LDL, acabam morrendo de "tanto
comer". Esses macrófagos mortos vão
permanecer na parede do vaso, sendo
chamados então de "Células Espumosas"
(ao microscópio parecem espumas na
praia). Os macrófagos "mortos" acabam
liberando citocinas, atraindo mais
macrófagos, cursando com um ciclo
vicioso.
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
À medida que as células espumosas se acumulam,
elas formam um "abaulamento" no vaso, chamado
de "Estria Gordurosa". Essa estrutura é
trombogênica, fazendo com que plaquetas
comecem a se acumular no endotélio lesado. As
plaquetas liberam fator de crescimento que
estimula o crescimento das células musculares lisas
adjacentes, que começam a secretar proteoglicanos
e colágeno formando um tecido fibroso ao redor da
estria gordurosa. Esse tecido fibroso é chamado de
"capa fibrosa" e impede que o sangue que passa
pelo vaso se coagule, uma vez que a estria
gordurosa é trombogênica. A junção da capa
fibrosa com a estria gordurosa é a "placa
ateromatosa". Com o tempo, o músculo liso
subjacente começa a acumular cálcio, sob a forma
de cristais nessa placa, formando uma placa
enrijecida.
• Perceba, então, que a formação de uma
placa nada mais é que um processo
inflamatório.
A capa fibrosa pode eventualmente se romper,
expondo a estria gordura trombogênica subjacente.
Isso faz com que se forme um coágulo sanguíneo,
ocluindo ainda mais o lúmen vascular,
comprometendo ainda mais o suprimento
sanguíneo local. Não só isso, essa placa com
coágulo pode eventualmente se soltar - dando
origem a um "trombo", que pode ocluir vasos
menores distantes. Além disso, esse processo
fisiopatológico acaba por enfraquecer a parede do
vaso, podendo dar origem a Aneurismas (dilatação
anormal de vaso sanguíneo) na parede arterial.
2) Arterosclerose: é causada basicamente por
Hipertensão e Diabetes:
Arterosclerose Hialina: a Hipertensão faz com que
proteínas que circulam no sangue entrem pela
parede dos vasos sanguíneos. Com o tempo, essas
proteínas começam a se acumular na parede,
fazendo com que os vasos fiquem mais rígidos e o
lúmen mais estreito. Isso é visto tipicamente nos
rins, onde não existe sangue suficiente suprindo os
capilares glomerulares; assim começa a reduzir a
quantidade de sangue no glomérulo, levando a sua
cicatrização - processo chamado de
"Nefroesclerose Glomerular"
Aterosclerose Hiperplásica: a Hipertensão grave
faz com que os vasos compensem esse aumento de
pressão adicionando camadas luminais "extras" -
de músculo liso e de membrana basal à parede do
vaso (à histologia parece uma "casca de cebola"),
fazendo com que o vaso fique mais forte. O
problema é que isso acaba reduzindo o lúmen do
vaso - reduzindo da mesma forma o suprimento
vascular, principalmente para os rins
A Diabetes leva ao dano endotelial, por alterar o
metabolismo de gorduras e carboidratos - o que
leva a lesão da membrana basal dos vasos
sanguíneos
Fisiopatologia
A principal consequência da dislipidemia é a
formação de uma placa aterosclerótica nos vasos de
médio e grande calibre – fisiopatologicamente
conforme visto no subitem "Aterosclerose". Isso
decorre do aumento do LDL (Lipoproteína de
densidade baixa) que deposita colesterol no vaso e
redução do HDL (Lipoproteína de Alta Densidade)
que tem como função retirar lipídio dos tecidos,vasos e circulação. Os triglicerídeos, por sua vez,
acabam acelerando o processo de aterosclerose e é,
por si só, um fator isolado de risco de doença
coronariana.
• O resultado da formação da placa
aterosclerótica é a obstrução do lúmen do
vaso local, ou formação de trombos com
obstrução de vasos de menor calibre
distantes - levando a diversas condições
como Infarto Agudo do Miocárdio (IAM),
Acidente Vascular Encefálico (AVC),
Doença Arterial Obstrutiva Periférica
(DAOP) etc. Além disso, a placa
aterosclerótica cursa com enfraquecimento
da parede do vaso, culminando com a
formação de Aneurismas (dilatação
anormal de um vaso sanguíneo) - p.ex
Aneurisma da Artéria Aorta.
Sinais e sintomas
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
A dislipidemia, per si, é assintomática. No entanto,
pode levar à doença vascular sintomática - o que
inclui Infarto Agudo do Miocárdio (IAM),
Acidente Vascular Encefálico (AVC), Doença
Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) etc.
• Nas hipercolesterolemias primárias
(familiares), com aumento de LDL e/ou
Triglicerídeos, pode existir depósitos
cutâneos de colesterol como xantelasmas na
pálpebra e xantomas nos tendões
extensores. Além disso, pode estar presente
o "arco córneo" - halo de cor branca que
surge na córnea.
• Hipertrigliceridemias importantes (>
1.000mg/dl) podem levar à pancreatite
aguda
Diagnóstico
O diagnóstico é feito através do exame de sangue
chamado: "Lipidograma Completo" ou "Perfil
Lipídico", que inclui os seguintes exames:
Colesterol total + HDL + Triglicerídeos + cálculo
de VLDL e LDL.
• VLDL é calculado através da divisão
triglicerídeos/5 - uma vez que a
concentração de colesterol em partículas de
VLDL correspondem a 1/5 dos lipídeos
totais na partícula.
• O LDL tipicamente é calculado pela
"Equação de Friedewald":
o LDL = Colesterol total - (HDL +
triglicerídeos/5)
Essas fórmulas são confiáveis se os triglicerídeos
estiverem 1000
/dl), porém as principais complicações gerais são
aquelas relacionadas à formação de placa
aterosclerótica, aumentando o risco cardiovascular,
o que inclui:
• Infarto Agudo do Miocárdio (IAM)
• Coronariopatias
• Acidente Vascular Encefálico (AVC)
• Doença Arterial Obstrutiva Periférica
(DAOP)
• Oclusão Arterial Aguda de Membros
Inferiores
Diagnósticos diferenciais
Os diagnósticos diferenciais acabam sendo as
próprias possibilidades etiológicas da
hiperlipidemia, o que inclui principalmente:
• Diabetes Mellitus
• Hipotireoidismo
• Insuficiência Renal
• HIV
• Medicamentos: glicocorticoides,
betabloqueadores, antipsicóticos,
tiazídicos, ciclosporina, Inibidores de
protease (HIV), retinoides,
anticoncepcionais orais
Prognóstico
O prognóstico de forma geral é bom, caso a
condição seja diagnosticada e tratada
precocemente, evitando assim que existam as
complicações cardiovasculares
Orientações gerais
A pedra angular do tratamento é fazer com que os
níveis de LDL ("colesterol ruim") estejam dentro
da faixa desejada para o risco cardiovascular do
paciente
Objetiva-se, ainda, manter os níveis de HDL acima
de do estabelecido, uma vez que tal conduta reduz
o risco cardiovascular do paciente
O tratamento direcionado para
Hipertrigliceridemia é realizado apenas quando os
níveis de triglicerídeos estiverem acima de 500
mg/dl
1º passo – avaliação de risco
O primeiro passo é avaliar o risco cardiovascular
do paciente: alto, intermediário ou baixo. Para isso,
deve-se realizar a sequência de condutas:
1º Avaliar se o paciente é de alto risco direto: isso
é, se apresenta qualquer um dos seguintes:
• DM (Diabetes mellitus)
• AVC (acidente vascular cerebral)
previamente
• IAM (infarto agudo do miocárdio)
previamente
• LESÃO PERIFÉRICA (LOA – lesão de
órgão alvo)
• AIT (ataque isquêmico transitório)
• HVE (hipertrofia de ventrículo esquerdo)
• Nefropatia
• Retinopatia
• Aneurisma de aorta abdominal
• Estenose de carótida sintomática
2º Estratificar novos fatores de risco: caso o
paciente não seja considerado de "alto risco" de
forma inicial, deve-se avaliar a presença de outros
fatores de risco, para estratificá-lo corretamente.
Os fatores são os seguintes:
• Tabagismo
• HAS (hipertensão)
• Obesidade
Carollayne Mendonça Rocha | TXXXIX
• Sedentarismo
• Sexo masculino
• Idade > 65 anos
• História familiar com parente de primeiro
grau (H