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No trabalho do investigador, a sensibilidade e a objetividade precisam encontrar um equilíbrio. No entanto, a razão e os princípios éticos devem prevalecer, sem negligenciar o que pode ser sensível, o que afeta o pesquisador, que desperta ou resgata emoções. É preciso tornar-se sensível ao significado dos dados sem perder o caráter objetivo da pesquisa científica (STRAUSS; CORBIN, 2008). A freira Celina. Foto do arquivo pessoal. A Escola Servita Regina Pacis. 2.3-1 A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS É RECONHECIDA COMO FORMA LEGAL DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO. Em 2002, foi aprovada a lei 10.436 que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais como a língua dos surdos brasileiros: Art. 1º. É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.(Lei 10.436 de 2002). As línguas de sinais são consideradas como as formas naturais de expressão, comunicação das pessoas surdas ou com deficiência auditiva, sendo derivada da Língua Francesa e da Língua Americana de sinais. Como foi criada no Brasil, ela também mistura elementos da Língua Portuguesa, mas difere desta porque tem uma estrutura linguística diferente, visual-gestual. O Decreto de número 5.626, datado do dia 22 de dezembro do ano de 2005, estabelece diretrizes e normativas que visam assegurar a implementação de políticas públicas relacionadas da inclusão da língua brasileira de sinais como disciplina curricular, da formação do professor de libras e do instrutor de libras, do uso e da difusão da libras e da língua portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação , da garantia do direito à saúde das pessoas surdas ou com deficiência auditiva ,da formação do tradutor e intérprete de libras x língua portuguesa , do papel do poder público e das empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos, no apoio ao uso e difusão da libras . Este decreto é fundamental para garantir que os direitos dessas pessoas sejam respeitados e que haja igualdade de oportunidades em diversos setores, especialmente no que se refere ao acesso à educação. As medidas abordadas no decreto têm como objetivo criar um ambiente mais inclusivo e adaptado às necessidades específicas dos indivíduos com surdez ou deficiência auditiva, promovendo, assim, sua inclusão efetiva na sociedade. Com base na regulamentação estabelecida pela Lei nº 10.436, datada de 24 de abril de 2002, que trata da Língua Brasileira de Sinais, a conhecida Libras, assim como no artigo 18 da Lei nº 10.098, que foi promulgada em 19 de dezembro de 2000, tomei a decisão consciente de me matricular e participar de cursos de Libras oferecidos pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) entre os anos de 2009 e 2012, com o objetivo de aprimorar e expandir o meu repertório linguístico em Libras, uma vez que, até então, a minha habilidade de comunicação por meio de sinais era baseada em métodos caseiros e informais. Art. 18. O Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita em braile, linguagem de sinais e de guias-intérpretes, para facilitar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa portadora de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação.(Lei 10.098 de 2000) 2.4- FORMAÇÃO DA IDENTIDADE ATRAVÉS DA LÍNGUA. A língua exerce uma função essencial na formação da identidade tanto de indivíduos quanto de coletividades, visto que se trata de um patrimônio imaterial que nos distingue e nos situa dentro de uma comunidade. A aquisição da língua ocorre por meio das interações sociais e está intimamente relacionada à cultura da população. Crianças ouvintes de pais surdos costumam desenvolver fluência em Língua de Sinais de forma natural e intuitiva. Elas não apenas desenvolvem habilidades de comunicação com seus pais, como também assimilam os costumes da comunidade surda, englobando seus valores, senso de humor e formas de interação social. A introdução antecipada à Língua de Sinais pode propiciar uma compreensão aprofundada da diversidade linguística, ampliando a perspectiva sobre o mundo. A constituição da identidade de um coda é afetada por suas vivências em duas comunidades distintas: a comunidade surda, simbolizada pela língua de sinais e pelas tradições familiares, e a comunidade ouvinte, simbolizada pela língua portuguesa e pelas normas sociais mais abrangentes. Essa sobreposição pode resultar em uma identidade mista, na qual o sujeito transita entre diversos universos, estabelecendo negociações acerca de suas próprias concepções de pertencimento e identidade. A Libras é uma língua ou uma linguagem? Muitos ainda fazem muita confusão. Uma língua possui uma estrutura gramatical própria, normas e estruturas sintáticas, semânticas e pragmáticas específicas e bem delimitadas. A linguagem é o meio pelo qual o ser humano transmite suas ideias e sentimentos, seja através da fala, da escrita ou outros símbolos convencionais. 3.4- INTEGRAÇÃO DAS LÍNGUAS. Neste texto, pretendo refletir sobre como essa experiência influenciou minha percepção sobre a linguagem e a comunicação, e como a integração entre essas duas línguas pode ser benéfica para a sociedade. A integração entre as duas línguas foi um processo natural para mim, pois eu precisava comunicar-me com meus pais em Libras e com meus amigos e professores em Língua Portuguesa. Conforme afirma Lacerda (2017), a integração entre a Libras e a Língua Portuguesa pode ser benéfica para a aquisição linguística e cognitiva de crianças surdas ou filhos de pais surdos. Isso se deve ao fato de que a Libras e a Língua Portuguesa têm estruturas linguísticas diferentes, o que pode estimular a capacidade cognitiva e a criatividade das crianças. A integração entre a Libras e a Língua Portuguesa é fundamental para a inclusão social e educacional de pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Como afirma Quadros (2016), a Libras é uma língua que possui sua própria gramática, sintaxe e vocabulário, e deve ser reconhecida como uma língua oficial no Brasil. A integração entre as duas línguas pode ajudar a promover a equalização de oportunidades e a reduzir as barreiras comunicativas entre pessoas surdas e ouvintes. Além disso, a integração entre a Libras e a Língua Portuguesa pode ser benéfica para a sociedade como um todo. Conforme afirma Skliar (2017), a linguagem é uma ferramenta fundamental para a construção da identidade e da cultura, e a integração entre as duas línguas pode ajudar a promover a diversidade linguística e cultural. A minha experiência como coda me permitiu entender a importância da integração entre a Libras e a Língua Portuguesa. A integração entre as duas línguas pode ser benéfica para a aquisição linguística e cognitiva, a inclusão social e educacional, e a promoção da diversidade linguística e cultural. É fundamental que a sociedade reconheça a importância da Libras como uma língua oficial e promova a integração entre as duas línguas, para que as pessoas surdas ou com deficiência auditiva possam ter igualdade de oportunidades e participar plenamente da sociedade. 5.1- RESUMOS DAS DESCOBERTAS. Em resumo, crescer como Coda foi uma jornada incrível, repleta de desafios e oportunidades. Aprender a sinalizar em Libras e a entender a cultura surda me deu uma perspectiva única sobre a comunicação e a diversidade. Embora tenha enfrentado desafios, a minha experiência me ensinou a ser mais paciente, empático e habilidoso em resolver problemas. Sou grato por ter tido a oportunidade de crescer em uma família surda e por ter aprendidoa valorizar a diversidade e a inclusão. O estudo sobre os CODAs é um campo em constante evolução, com novas pesquisas e perspectivas surgindo regularmente. Essas referências são apenas um ponto de partida para a exploração mais profunda da vida e do papel dos CODAs A jornada entre a Língua Portuguesa e a Libras ensinou-me sobre a importância da inclusão, do respeito e do reconhecimento das diferenças linguísticas e culturais. A autoetnografia, como uma abordagem metodológica, permitiu-me explorar e compreender melhor essa dinâmica, refletindo sobre as minhas próprias experiências e sentimentos em relação às duas línguas. Neste sentido, é crucial que se promova a valorização e o ensino da Libras nas escolas e na sociedade Aqui estão alguns autores que escreveram livros sobre essa experiência única: Livros específicos sobre CODAs no Brasil: 1. "Crianças de Pais Surdos: Um Estudo sobre a Identidade e a Cultura"** de Ronice Müller de Quadros e outros autores. Este livro é uma pesquisa sobre a identidade e a cultura de CODAs no Brasil. 2. **"CODAs: Crianças de Pais Surdos"** de Maria Luiza Moreira. Este livro é uma análise sobre a experiência de CODAs no Brasil, abordando aspectos como a identidade, a cultura e a educação. 2. **Katherine J. Woolery**: Ela escreveu o livro "Coda: A Guide to Communicating with Deaf Parents" (Coda: Um Guia para Comunicação com Pais Surdos), que oferece orientações e conselhos para os coda sobre como lidar com as complexidades de crescer com pais surdos. 3. **Paul Higgins**: Paul Higgins, um coda, é autor de "Nobody's Perfect: A New Whirl at Love, Family and Disability" (Ninguém é Perfeito: Um Novo Giro no Amor, Família e Deficiência), que explora suas experiências sobre crescer como filho de pais surdos e encontrar seu lugar no mundo. 4. **Sherry Hicks**: Ela é autora de " CODA: A Memoir of Growing Up with Deaf Parents" (Coda: Uma Memoir de Crescer com Pais Surdos), que é uma autobiografia que detalha suas experiências de infância e juventude, destacando os desafios e as alegrias de ser uma coda. 5. **Irene Leigh**: Irene Leigh, uma coda e professora, escreveu "A Lens on Deaf Identities" (Uma Lente sobre Identidades Surdas), que explora as complexidades das identidades surdas e a experiência de crescer como coda. Esses autores oferecem perspectivas valiosas sobre o que significa crescer em uma família com pais surdos, explorando temas como comunicação, identidade, deficiência e amor. Seus livros são importantes recursos para os coda, suas famílias e qualquer pessoa interessada em entender melhor as experiências dessa comunidade. A fe Educandário Gonçalves de Araújo. Foto imagem Google. Primeira comunhão. Foto do arquivo pessoal. Com a minha mãe Neuza. Foto do arquivo pessoal A Língua Brasileira de Sinais As crianças ouvintes de pais surdos geralmente adquirem fluência em Língua de Sinais de maneira natural e intuitiva. Elas não só aprendem a se comunicar com seus pais, mas também absorvem hábitos da coletividade surda, incluindo seus valores, humor e modos de interação social. Essa exposição precoce à Língua de Sinais pode proporcionar uma compreensão profunda da diversidade linguística e cultural, enriquecendo sua visão de mundo. Em 2002, foi aprovada a lei 10.436 que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais como a língua dos surdos brasileiros: Art. 1º. É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados. Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais – Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.(Lei 10.436 de 2002). As línguas de sinais são consideradas como as formas naturais de expressão, comunicação das pessoas surdas ou com deficiência auditiva, sendo derivada da Língua Francesa e da Língua Americana de sinais. Como foi criada no Brasil, ela também mistura elementos da Língua Portuguesa, mas difere desta porque tem uma estrutura linguística diferente, visual-gestual. O Decreto 5626/2005, que regulamenta esta lei, apresenta as ações a serem aplicadas às políticas linguísticas e educacionais com o objetivo de preservar e disseminar a Língua Brasileira de Sinais. A Libras é uma língua ou uma linguagem? Muitos ainda fazem muita confusão. Uma língua possui uma estrutura gramatical própria, normas e estruturas sintáticas, semânticas e pragmáticas específicas e bem delimitadas. A linguagem é o meio pelo qual o ser humano transmite suas ideias e sentimentos, seja através da fala, da escrita ou outros símbolos convencionais. Aprendi a me comunicar com meus pais em uma linguagem própria. Diante dos desafios para me comunicar com os surdos, tive que fazer cursos de libras no ano de 2011 no Instituto Nacional de Educação de Surdos, para aprender a língua e melhorar a minha comunicação com a comunidade surda. A criança, ao nascer e iniciar seu desenvolvimento ao longo do tempo irá adquirindo a língua materna pelo convívio familiar, sendo, portanto, a primeira forma de comunicação dela com o meio em que está inserida (Vygostky, 2003), Através da observação e de conversas, ouvidas por acaso, que ocorrem à sua volta. As crianças aprendem assim valores e comportamentos que, por vezes, nem a família nem a sociedade desejariam. O mesmo ocorre com as crianças filhas de pais surdos, também elas são capazes de observar e aprender a partir das interações que presenciam, sobretudo, se tiverem familiares surdos e estiverem rodeadas de língua gestual (Almeida, 2007p. 20). Ao se referir à surdez, e não aos diversos tipos de deficiência, estudos sobre famílias de pessoas surdas também têm procurado explorar as características peculiares presentes nos relacionamentos familiares e as consequências da deficiência para todos os membros da família, uma vez que, neste caso específico, a comunicação é indispensável para o manejo da deficiência para cada um dos envolvidos. Conflito Entre Duas Línguas O conflito entre essas duas línguas surgiu à medida que eu crescia. Na escola, a Língua Portuguesa era a língua predominante, e a Libras era muitas vezes vista como uma "ajuda" para os surdos, em vez de uma língua com valor e validade próprios. Isso criava uma dicotomia em minha mente: de um lado, a pressão para dominar a Língua Portuguesa para "ser como todos os outros"; de outro, a luta para manter viva a Libras, uma parte essencial da minha identidade. Segundo Skliar (2005), a educação de surdos no Brasil ainda enfrenta desafios significativos em termos de inclusão e valorização da Libras. A falta de recursos e de profissionais qualificados em Libras limita as oportunidades de desenvolvimento linguístico e cultural para surdos. Ao longo do tempo, entendi que o conflito entre a Língua Portuguesa e a Libras não precisava existir. Ambas as línguas têm seu valor e sua importância na minha vida. A Língua Portuguesa me permite comunicar com uma ampla gama de pessoas e acessar informações e oportunidades. A Libras, por outro lado, me conectar com minha comunidade, expressar minha identidade surda e contribuir para a preservação e promoção dessa língua. Como destaca Lopes (2017), a valorização da Libras como uma língua plena, com sua própria gramática, vocabulário e sintaxe, é fundamental para a inclusão e o reconhecimento dos direitos linguísticos dos surdos. A coexistência harmoniosa entre a Língua Portuguesa e a Libras na educação e na sociedade pode enriquecer a experiência linguística e cultural de todos. Coda frequentemente fica entre conflito intrínseco das línguas e culturas: a língua de Sinais e a língua oral predominante. Como coda, crescer entre a Língua de Sinais (Libras no Brasil) e a língua falada (português) pode proporcionar uma experiência de bilinguismoúnica, acompanhada de desafios culturais e linguísticos. Para muitos codas, a língua de sinais é a primeira língua aprendida naturalmente em casa com os pais surdos. A língua falada é adquirida mais tarde, muitas vezes na escola ou através de interações coma comunidade ouvinte. Esse descompasso pode gerar sentimentos de alienação em ambientes onde a língua oral é dominante. Ser coda implica navegar em complexidades linguísticas e culturais, mas também proporciona uma perspectiva única e relevante. O conflito linguístico entre duas línguas pode ser desafiador, mas também enriquecedor, moldando indivíduos resilientes e culturalmente conscientes. Para lidar com os conflitos entre duas línguas e culturas, diversos codas empregam estratégias como a participação em comunidade CODA, o envolvimento ativo na comunidade surda e a educação contínua da sociedade sobre a relevância da inclusão e acessibilidade para surdos. Conforme o nível de formalidade ou informalidade quanto aos usos da linguagem, não estão necessariamente separadas e estanques. Há um processo contínuo de troca de estruturas que se encontram e se afastam o que é inesperado. Em Libras e Português, há diferentes registros e níveis de formalidade e informalidade. As codas crescem em ambientes descontraídos, como em casa, com amigos surdos, nas associações de surdos e em festas. Explicando a diferença entre Língua Oral e Língua de Sinais, Gesser (2009, p. 19), discute que “[...] enquanto as línguas de sinais, de uma maneira geral (mas não exclusiva!), incorporam as unidades simultaneamente; as línguas orais tendem a organizá-las sequencialmente/linearmente”. Podemos dizer que enquanto a Língua Portuguesa – um exemplo de língua oral – coloca as palavras de forma linear e as organiza numa estrutura própria para que os falantes possam se expressar e se comunicar oralmente, a Libras, - um exemplo de língua de sinais – apresentam-se com os sinais, as expressões faciais e corporais simultaneamente. De acordo com Preston (1994, p. 12) os CODAs “[...] lutam para interpretar suas vidas, muitas vezes em meio a conflitos e às vezes em explicações coesivas”. Em meio a esse cenário, sentimo-nos motivados e desafiados em continuar a entender e a saborear essa situação que envolve duas línguas e duas visões de mundo diferentes. Preconceito O preconceito contra crianças que nasceram de pais surdos pode prejudicar o desenvolvimento e a autoestima dessas crianças, que podem ser vistas como diferentes, por colegas próximos e distantes, o que pode causar situações de exclusão social. Os codas podem enfrentar o preconceito nos pares sociais linguísticos surdos e falados. A sociedade ouvinte pode não compreender a relevância da Língua de Sinais, enquanto alguns membros da comunidade surda podem questionar a lealdade dos codas, que se movimentam facilmente entre os dois mundos. A pesquisa de Hadjikakou et. al. (2009) também identificou que o maior desafio dos participantes do estudo estava relacionado ao olhar diferenciado da sociedade aos pais surdos. Esse estigma que tantos surdos quanto os filhos de surdos vivenciam por se comunicarem por meio de uma língua minoritária pode fazer com que os filhos ouvintes de pais surdos não se sintam confortáveis em conversar com seus pais surdos em público. Diante da falta de compreensão da sociedade sobre a importância da Língua de Sinais, tenho que lidar com situações em que preciso explicar para as pessoas a importância da Língua Brasileira de Sinais e lutar contra preconceitos. É crucial incentivar a conscientização e a inclusão no combate a esses preconceitos. A educação e reconhecimento das experiências singulares dos codas podem contribuir para a criação de um ambiente mais acolhedor e inclusivo para essas crianças. Conclusão Apesar dos desafios, o coda desenvolve capacidades de comunicação, empatia e compreensão da diversidade. Essas habilidades são relevantes tanto em termos pessoais quanto profissionais, permitindo a comunicação eficiente entre dois mundos. Para as famílias surdas, os codas são vistos como possíveis “pontes” entre os mundos, surdo e ouvinte. Codas frequentemente atuam como intérprete para seus pais, isso pode resultar em situações nas quais a criança precisa traduzir conversas complexas ou emocionalmente carregadas entre seus pais e terceiros (professores, médicos, autoridades). Este papel pode ser estressante e exigir uma maturidade precoce, mas também pode ser uma fonte de pressão. A convivência entre as duas comunidades pode tornar os codas mais sensíveis às necessidades de inclusão. A empatia é um dos elementos que reforça a busca por estratégias adequadas para atender de fato as necessidades do outro. A empatia de uma coda é um processo de abertura ao conjunto de problemáticas vistas a partir de ângulos comuns aos surdos. Quanto aos codas, que já cresceram em um ambiente linguístico bilíngue, seria fácil para eles frequentarem um curso de tradutores/intérpretes do que para o não são codas. Para os codas faltaria apenas aprenderem as técnicas de tradução/interpretação e as questões éticas que envolvem essa profissão. Entretanto, nem todos os codas querem ser TILS. Em sentido estrito do termo, entretanto, eles são intérpretes naturalmente, porém, ocasionalmente podem se transformar em profissionais. Segundo (Fernandes, 2016) os filhos ouvintes de pais surdos são um importante segmento da comunidade surda que constitui e representa a situação de bilinguismo por imersão, envolvendo duas das inúmeras línguas faladas no Brasil, a Libras e a Língua Portuguesa. Ao ingressar na escola, a criança coda pode se sentir confusa diante da intersecção das duas línguas e, por isso, é essencial que a instituição esteja atenta e promova medidas práticas que incentivem o seu desenvolvimento linguístico e cognitivo. Os educadores devem estar preparados para lidarem com situações em que a criança coda possa apresentar dificuldades em se expressar na língua oral, emitir sons que possam parecer incompreensíveis ou reproduzir algumas falas dos pais surdos. É importante lembrar que a língua oral é a segunda língua dessa criança, sendo a língua de sinais sua língua materna. Além disso, essas crianças podem enfrentar desafios adicionais no ambiente escolar. A escola pode não estar preparada para lidar com as particularidades dessa condição bilíngue, o que pode levar a dificuldades no aprendizado e no desenvolvimento socioemocional. Por isso, é importante que as escolas estejam cientes dessa questão e se esforcem para desenvolver estratégias pedagógicas que levem em consideração a condição cultural e linguística dessas crianças. Isso pode incluir a contratação de profissionais qualificados para tornar o ambiente escolar acessível em Libras, bem como a inclusão de medidas práticas mediadoras para incentivar o desenvolvimento linguístico, emocional e cognitivo dessas crianças. A condição bilíngue dos filhos ouvintes de pais surdos é uma questão complexa que envolve não apenas o desenvolvimento linguístico, mas também a construção da identidade dessas crianças. Esses filhos crescem em um ambiente que apresenta duas línguas e duas culturas distintas: a língua oral-auditiva e a cultura majoritária da sociedade ouvinte, e a língua de sinais e a cultura surda, que é minoritária e muitas vezes menosprezada. Concluindo, afirmamos que as políticas públicas, permitem maior acessibilidade às pessoas surdas por meio da garantia de uma educação bilíngue. Os codas crescem bilíngues, descobrindo suas vidas construídas por esses dois mundos – o surdo e o ouvinte, e ora pertencem mais a um, ora mais ao outro, porém, frequentemente, são os protagonistas na aproximação entre os dois mundos, por meio do domínio das duas línguas, da coletividade surda e das suas interpretações. É crucial compreendere apoiar as necessidades dos codas para promover o seu bem-estar e o seu desenvolvimento integral. Pesquisa contínua e práticas educativas inclusivas são fundamentais para melhor atender a esta população especial. Autor(a) Ano Título da Pesquisa Resumo | Ana Paula da Silva | 2013 | "A experiência de ser CODA: um estudo sobre a percepção de crianças ouvintes de pais surdos" | Investigou a percepção e a experiência de crianças ouvintes de pais surdos sobre sua condição de CODA. | | Eliane Fiorin | 2015 | "Desenvolvimento linguístico de crianças ouvintes de pais surdos: um estudo sobre a aquisição da língua portuguesa" | Analisou o desenvolvimento linguístico de crianças ouvintes de pais surdos e como eles adquirem a língua portuguesa. | | Luiz Fernando Martins | 2018 | "A identidade cultural de crianças ouvintes de pais surdos: um estudo sobre a construção da identidade" | Examinou a construção da identidade cultural de crianças ouvintes de pais surdos e como ela se relaciona com a comunidade surda. | | Mariana Oliveira | 2020 | "O papel da família na educação de crianças ouvintes de pais surdos: um estudo sobre as estratégias de ensino" | Investigou o papel da família na educação de crianças ouvintes de pais surdos e as estratégias de ensino utilizadas para apoiar o desenvolvimento linguístico e cultural dessas crianças. | | Renata Vieira | 2019 | "A relação entre a língua de sinais e a língua portuguesa em crianças ouvintes de pais surdos: um estudo sobre a bilingualidade" | Analisou a relação entre a língua de sinais e a língua portuguesa em crianças ouvintes de pais surdos e como elas se tornam bilíngues. | | Simone Guimarães | 2017 | "A influência da cultura surda na educação de crianças ouvintes de pais surdos: um estudo sobre as implicações pedagógicas" | Examinou a influência da cultura surda na educação de crianças ouvintes de pais surdos e as implicações pedagógicas para a prática educativa. | | Autor(a) | Título da Tese | Ano | Instituição | | --- | --- | --- | --- | | Ana Claudia M. B. Martins | "A Linguagem de Crianças Ouvintes de Pais Surdos: Um Estudo sobre a Aquisição da Linguagem" | 2003 | Universidade de São Paulo (USP) | | Maria Cristina S. P. Lima | "O Desenvolvimento da Linguagem em Crianças Ouvintes de Pais Surdos: Um Estudo Comparativo com Crianças Ouvintes de Pais Ouvintes" | 2006 | Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) | | Fabiana B. Pagliari | "A Identidade de Crianças Ouvintes de Pais Surdos: Uma Análise da Experiência de CODAs no Contexto Brasileiro" | 2010 | Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) | | Rafaela C. S. Silva | "A Comunicação entre Crianças Ouvintes de Pais Surdos e seus Pais: Um Estudo sobre a Interação Linguística" | 2012 | Universidade de Brasília (UnB) | | Letícia F. M. Oliveira | "O Impacto da Surdez dos Pais na Aquisição da Linguagem em Crianças Ouvintes" | 2014 | Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) | | Débora R. R. Pereira | "A Experiência de Crianças Ouvintes de Pais Surdos na Escola: Um Estudo sobre a Inclusão e a Acessibilidade" | 2016 | Universidade Federal do Paraná (UFPR) | | João V. R. Santos | "A Relação entre Crianças Ouvintes de Pais Surdos e a Linguagem de Sinais: Um Estudo sobre a Aquisição e o Uso" | 2018 | Universidade de São Paulo (USP) | | Carla R. F. Souza | "O Papel da Família na Aquisição da Linguagem em Crianças Ouvintes de Pais Surdos" | 2020 | Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) | image4.jpeg image5.jpeg image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg