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SEGURANÇA DO TRABALHO E 
ERGONOMIA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Carlos Costa 
Prof. Emerson Seixas 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Nesta aula sobre a periculosidade e a insalubridade no trabalho, 
começamos notando que qualquer local apresenta seus riscos. Seja por gases, 
ruído, poeira, frio, calor, correntes elétricas, vibrações, riscos químicos ou 
biológicos. Dessa forma, as NRs 15 e 16 apresentam um norte de ação para lidar 
com as condições que afetam o local de trabalho e os trabalhadores. 
A NR 15 prevê que trabalhadores em locais insalubres obtenham 
adicionais financeiros ao seu ordenado, com base no salário-mínimo vigente. O 
ruído, seja por exposição a barulho intenso de veículos de carga, máquinas, 
equipamentos, pessoas, geradores, entre outros, também afeta o bem-estar do 
trabalhador. Essa exposição afeta a saúde física e emocional do trabalhador que 
é exposto aos ruídos. 
As condições ambientais previstas na NR 16 tratam do trabalhador que 
executa atividades e operações perigosas, destacando que também tem direito 
a adicionais financeiros ao seu ordenado, com base no salário-mínimo vigente. 
Considerando esse contexto, convido você a estudar esse tema nesta 
aula. 
TEMA 1 – PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE 
É imprescindível ter atenção à legislação vigente, consultando 
especialistas em caso dúvidas na interpretação de termos e procedimentos. 
Sendo assim, os adicionais de insalubridade e periculosidade referem-se às 
classes adicionais legais abarcantes, porque são legalmente tipificados (art. 192 
e 193 da CLT), de modo que se justapõem a qualquer categoria de funcionários, 
desde que o empregado se enquadre nas situações da tipificação legal (Delgado, 
2013, p. 766). 
 
 
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Crédito: Robertlamphoto/Shutterstock. 
Não é suficiente fornecer o EPI, ainda que adequado. Ainda fazem parte 
do processo o treinamento ao uso correto, a fiscalização no uso e a substituição 
quando necessário, assim como a documentação das etapas, devidamente 
assinada pelo trabalhador. 
Em face da estrutura lógico-normativa vigente, para o reconhecimento 
do adicional de insalubridade ou periculosidade, quando a percepção 
do adicional pelo trabalhador depende de processo judicial, a prova 
pericial é o elemento determinante para a conclusão da lide. Por que 
razão, o estudo dos elementos jurídicos e técnicos que compõem a 
produção do laudo pericial é fulcral para a análise da concretização dos 
princípios constitucionais processuais do acesso à justiça, do devido 
processo legal e do contraditório nos processos judiciais trabalhistas 
que tem por objeto os adicionais de insalubridade e periculosidade. 
(Vieira, 2014). 
Deliberadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as operações que 
tipificam o adicional de insalubridade, de acordo com o art. 190 da CLT, são 
aquelas que expõem os funcionários a agentes físicos, químicos ou biológicos 
prejudiciais à saúde. 
Highlight
 
 
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Crédito: Joe Belanger/Shutterstock. 
Conforme a NR 15, quando o empregado está sujeito a diversos agentes 
nocivos e biológicos, a insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa, 
sendo necessário considerar somente o fator de insalubridade em maior grau. 
Assim, é “aplicável um adicional de insalubridade para cada agente nocivo a que 
está exposto o trabalhador, haja vista o múltiplo risco gerado à saúde do 
empregado e o baixo estímulo para que o empregador elimine os agentes 
nocivos do ambiente de trabalho” (Vieira, 2014). 
A NR 15 classifica as características insalubres a partir de dois critérios 
gerais. Vejamos, primeiramente, a insalubridade de grau máximo, que abarca 
trabalhos ou operações em contato permanente com: 
• pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas, bem como 
objetos de seu uso, não previamente esterilizados; 
• carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pelos e dejeções de 
animais portadores de doenças infectocontagiosas (carbunculose, 
brucelose, tuberculose); 
• esgotos (galerias e tanques); 
• lixo urbano (coleta e industrialização). 
Na sequência, apresenta a insalubridade de grau médio, com trabalhos 
e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com material 
infecto contagiante em: 
Highlight
 
 
5 
• hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de 
vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde 
humana (aplica-se unicamente ao pessoal que tenha contato com os 
pacientes, bem como aos que manuseiam objetos de usos desses 
pacientes, não previamente esterilizados); 
• hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos 
destinados ao atendimento e tratamento de animais (aplica-se apenas ao 
pessoal que tenha contato com tais animais); 
• contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de soro, 
vacinas e outros produtos; 
• laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão só ao 
pessoal técnico); 
• gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia (aplica-se 
somente ao pessoal técnico); 
• cemitérios (exumação de corpos); 
• estábulos e cavalariças; 
• resíduos de animais deteriorados. 
Determinadas atitudes de proteção e prevenção podem ser adotadas 
quanto ao contato com os agentes biológicos: 
• Instruir e informar os trabalhadores quanto ao risco biológico; 
• Reduzir quando possível o número de pessoas expostas ao agente 
biológico; 
• Estabelecer normas e procedimentos de trabalho à exposição ao agente 
biológico; 
• Criar um plano de emergência considerando possíveis acidentes de 
trabalho com esses agentes; 
• Utilizar meios de proteção como os equipamentos de proteção individual 
(EPI) para a situação de risco; 
• Sinalizar o local do perigo, utilizando a simbologia e informando os riscos. 
 
 
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Crédito: Lisner/Shutterstock. 
Segundo Seguier (1925, p. 863), a periculosidade é “circunstância que 
ameaça a existência ou interesses de uma pessoa”. Por meio do significado de 
risco, é admissível identificar o perigo ou aviso a que se sujeita o trabalhador 
submisso às condições perigosas, segundo a definição originada pela NR 16, 
diferentemente da estabelecida para insalubridade. 
Segundo Pinto (2007, p. 424-425), “a insalubridade é insidiosa e lenta em 
seus resultados”. Por outro lado, “a periculosidade, por sua natureza, é uniforme, 
de impacto instantâneo e dispensa graduação indenizatória”. 
TEMA 2 – RUÍDO E TEMPERATURA 
A NR 15, é a norma regulamentadora que trata dos ambientes e suas 
consequentes atividades consideradas insalubres. Por meio dessa norma, são 
considerados como insalubres ambientes e/ou exposição do trabalhador acima 
dos limites de tolerância prescrito pela legislação. 
Quando o trabalhador está exposto a uma situação considerada insalubre, 
tem direito ao adicional de insalubridade, conforme percentuais abaixo: 
• 40% para insalubridade grau máximo 
• 20% para insalubridade grau médio 
• 10% para insalubridade grau mínimo 
 
 
7 
É importante salientar que esses percentuais se referem ao salário-
mínimo vigente. 
De acordo com a NR 15, são considerados como atividades insalubres 
aquelas realizadas em ambientes caracterizados por: 
• ruído; 
• exposição ao calor e frio; 
• radiações ionizantes e não ionizantes; 
• umidade; 
• agentes químicos; 
• poeiras e agentes biológicos. 
Conforme vimos, é importante salientar o grau de concentração dos 
agentes citados para considerar se o ambiente é insalubre ou não. Diante disso, 
a NR 15 descreve como limite de tolerância: “a concentração ou intensidade 
máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição do 
agente, que não causar danos à saúde do trabalhador, durante a sua vida 
laboral” (Brasil, 1978). 
2.1 Ruído 
O ruído também é conhecido como pressão sonora. É todo som contínuo 
ou intermitente que se sobressai em um ambiente laboral. Está normalmente 
presente em toda indústria.Como elementos causadores do ruído, podemos listar: 
• aglomeração de pessoas; 
• funcionamento de máquinas e equipamentos; 
• movimentação de veículos de carga; 
• geração de energia. 
A exposição contínua ao ruído resulta em danos temporários, entre eles: 
irritação, perda de concentração, dificuldade de comunicação e até mesmo 
distúrbios irreparáveis, como a Perda Auditiva Induzida pelo Ruído – Pair. 
De acordo com a evolução clínica, a Pair pode ser classificada em quatro 
grupos: 
 
 
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• Estágio 1: neste caso, o trabalhador estará exposto por poucos dias ou 
semanas. Como consequência, observa penedos tinidos que cessam 
quando subtraído o ruído. 
• Estágio 2: Neste caso, o trabalhador estará exposto a meses ou anos. 
Neste caso, a audiometria pode apresentar perdas entre 30 e 40 decibéis. 
• Estágio 3: A audiometria revela perdas entre 45 e 60 decibéis. O 
trabalhador necessita de volume mais alto ao ouvir TV e rádio, por 
exemplo. 
• Estágio 4: É comum nesta fase que o trabalhador apresente muita 
dificuldade de ouvir e, consequentemente, de comunicação, afetando até 
mesmo o ambiente familiar. 
 
Crédito: Lakeview Images/Shutterstock. 
O nível de pressão sonora é verificado por meio de dois instrumentos 
básicos: decibelímetro e dosímetro. 
Por meio desses dois instrumentos, é possível captar o som, comparando-
o com os limites preestabelecidos pela NR 15, que elenca valores limites ao 
trabalhados. As medições devem ser executadas entre o ouvido direito e o 
esquerdo, em relação à fonte geradora. Podem ser obtidos valores diferentes em 
cada um dos lados. 
A Tabela 1 apresenta um resumo dos limites de tolerâncias para níveis de 
ruído contínuo ou intermitente. 
 
 
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Tabela 1 – Limites de tolerâncias para níveis de ruído contínuo ou intermitente 
Nível de ruído dB (A) Máxima exposição diária 
permissível 
85 8 horas 
86 7 horas 
87 6 horas 
88 5 horas 
89 4 horas e 30 minutos 
90 4 horas 
91 3 horas e 30 minutos 
92 3 horas 
93 2 horas e 40 minutos 
94 2 horas e 15 minutos 
95 2 horas 
96 1 horas e 45 minutos 
98 1 horas e 15 minutos 
100 1 horas 
102 45 minutos 
104 35 minutos 
105 30 minutos 
106 25 minutos 
108 20 minutos 
110 15 minutos 
112 10 minutos 
114 8 minutos 
115 7 minutos 
Fonte: Brasil, 1978. 
Observação: por meio da tabela, podemos ver que o tempo de exposição 
do trabalhador ao ambiente diminui com o aumento do nível de ruído. 
Diante do exposto, fica evidente a necessidade de minimizar a exposição 
do trabalhador ao ruído. Vejamos algumas possibilidades: 
• Enclausuramento de máquinas e equipamentos 
• Isolamento de fontes geradoras 
• Protetores auditivos 
 
 
10 
Independentemente da medida ou das medidas tomadas, é importante 
observar que, aplicada tal solução, o ruído do ambiente deve ser inferior ao 
preestabelecido pela norma. 
2.2 Temperatura 
De um modo simplista, podemos dividir a temperatura no ambiente de 
trabalho em dois grupos: calor e frio. É notório que valores acima do aceitável 
pelo corpo humano são influenciados negativamente. 
É interessante salientar que a medida de exposição ao calor não é obtida 
somente no ambiente. A temperatura ou o calor no ambiente de trabalho são 
avaliados por meio do IBUTG – índice de bulbo de temperatura de globo. 
A quantificação da temperatura em ambiente de trabalho é realizada 
tomando por base o tipo de atividade realizada e o consequente fator de 
metabolismo envolvido. 
A quantificação é realizada considerando os níveis de calorias, conforme 
a tabela. 
Tabela 2 – Quantificação vs Kcal/h 
Tipo de atividade Kcal/h 
Trabalho leve (sentado, em repouso) 100 
Trabalho moderado (sentado, movimento 
rigoroso) 
180 
Trabalho pesado (trabalho intermitente de 
levantar, de empurrar amassar pesos) 
440 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
Uma vez exposto a determinadas atividades, o trabalhador tem direito a 
descanso, que pode ocorrer no local laboral ou em seu aposento, a depender do 
tipo de atividade e da carga horária de exposição. 
 
 
 
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Crédito: industryviews/Shutterstock. 
Tanto o calor como o frio alteram consideravelmente o metabolismo do 
trabalhador. No Quadro 1, vemos exemplos de reações de acordo com o 
ambiente ao qual o trabalhador está exposto: 
Quadro 1 – Efeitos de exposição ao frio e ao calor 
Calor Frio 
Desidratação Problemas vasculares 
Hipertermia Hipotermia 
Fadiga Alergias 
Doença de pele Ulcerações 
Fonte: Brasil, 1978. 
De acordo com o grau do efeito determinado pela legislação, o trabalhador 
terá direto a 15 minutos fora da área a cada 45 minutos trabalhados. 
Além do tempo especificado, outros fatores devem ser observados e 
seguidos, com vistas a preservar o trabalhador. Vejamos alguns deles: 
• Vestimenta direcionada (ao frio e ao calor) 
• Circulação de ar no ambiente (ventilação forçada ou natural) 
• Assistência do sistema de saúde ocupacional 
TEMA 3 – VIBRAÇÕES, AGENTES QUÍMICOS E BIOLÓGICOS 
A vibração pode ser definida como movimento oscilatório em torno de um 
ponto fixo. O número de vezes em que o ciclo completo do movimento se repete 
durante o período de um segundo é chamado de frequência, que é medida em 
ciclos por segundo ou Hertz [Hz]. 
A vibração ocupacional é um fato extremamente prejudicial ao 
trabalhador, podendo causar breve desconforto a dano permanente. A vibração 
é transferida para o corpo humano, provocando ressonância e amplificando o 
tremor, causando danos. 
De acordo com a NR 15, as vibrações são classificadas de acordo com o 
nível de vibração e a parte do corpo sumariamente exposta. Valores acima dos 
definidos caracterizam a necessidade de pagamento de insalubridade: 
 
 
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• Órgãos diretamente afetados: mãos e braços, com aceleração igual ou 
superior a 5 m/s². 
• O corpo todo é afetado: aceleração igual ou superior a 1,1 m/s². 
Exemplos de atividades que por características próprias causam vibração 
ocupacional e as consequentes doenças degenerativas: 
• Na construção civil: asfaltamento de ruas, compactação de terra, 
perfuração. 
• Na indústria metalmecânica: atividades com prensas, furadeiras. 
• No meio de transporte: direção, principalmente de veículos pesados 
(caminhões, ônibus, tratores). 
 
Crédito: Rawi Rochanavipart/Shutterstock. 
Os resultados da vibração para o trabalhador acontecem e se propagam 
a partir de: 
• ponto de aplicação; 
• frequência da oscilação; 
• aceleração da oscilação 
• tempo de duração do ciclo. 
Quando o tempo de duração da exposição do trabalhador a atividades 
que envolvem vibração é pequeno, sofre como resultado: 
• dores musculares; 
 
 
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• dores abdominais; 
• náuseas; 
• aumento dos batimentos cardíacos por conta do estresse. 
Quando o tempo de duração da exposição do trabalhador a atividades 
que resultam vibração, sofre como resultado: 
• alteração do sistema nervoso; 
• dificuldades de concentração; 
• problemas cardíacos; 
• desvios colunário; 
• e até impotência do aparelho reprodutório. 
Uma doença ocupacional também resultante desse caso é a Raynaud. 
Essa doença prejudica a irrigação de sangue nas mãos, por conta da obstrução 
de vasos e artérias, podendo até causar necrose dos dedos. 
Reconhecidos os fatos, partimos então para as providências, visando a 
mitigação de tais doenças ocupacionais, considerando as seguintes aplicações: 
• uso de ferramentas com controle de impacto, com manutenção adequada; 
• luvas antivibração e limitação do período de exposição; 
• massagem dos dedos, braços e pernas (ginástica laboral); 
• período adequado de repouso após a exposição laboral; 
• rodízio de funções. 
3.1 Agentes biológicos 
Na sequência, encontramos listados alguns dos principais agentes 
biológicos: 
• Microrganismos: bactérias, fungo e vírus. 
• Parasitas internos: vermes. 
• Parasitas externos: sarna, piolho e berne. 
• Protozoários. 
De um modo geral, os agentes biológicos são causadoresde doenças 
ocupacionais como: 
• Infecções: causadas por parasitas, vírus ou bactérias. 
• Alergias: causadas pela exposição a poeiras orgânicas (bolor, pó, ácaros). 
 
 
14 
• Envenenamento, ou efeitos tóxicos: causados por toxinas produzidas por 
fungos e bactérias. 
É interessante salientar que os agentes biológicos estão presentes 
principalmente nos seguintes ambientes laborais: 
• hospitais; 
• laboratórios; 
• indústrias alimentícias; abatedouros; 
• agricultura. 
No meio laboral, de um modo geral, os agentes biológicos são observados 
em ambientes como refeitórios e banheiros. 
De acordo com o grau de exposição ao agente biológico, a insalubridade 
é caracterizada de acordo com a NR 15, conforme o quadro seguir. 
Quadro 2 – Grau de insalubridade de acordo com NR 15 
Grau de insalubridade Contato permanente com 
Máximo Pacientes com isolamento por doenças infectocontagiosas 
Esgoto – galerias e tanques 
Lixo urbano – coleta e industrialização 
Médio Hospitais, enfermarias, postos de atendimentos – pessoas ou 
animais 
Laboratórios de análise clínica 
Cemitérios – exumação de corpos 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
As possibilidades de transmissão dos agentes biológicos podem 
acontecer por três meios principais ou simultâneos, conforme o quadro a seguir. 
 
 
 
15 
Quadro 3 – Possibilidades de transmissão dos agentes biológicos 
Meio de transmissão Como ocorre 
Direto Contato pessoa a pessoa (mão, abraço) 
Manuseio de materiais contaminados 
Não cumprimento de regras básicas de higiene 
Indireto Contato com equipamentos contaminados, quando a 
descontaminação (limpeza) é deficiente 
Aéreo Por meio de bactérias expostas ao ar 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
Vejamos agora os meios de entrada dos agentes biológicos. 
Quadro 4 – Meios de entrada dos agentes biológicos 
Canal de entrada Como ocorre 
Respiratório Na presença de agentes no ambiente de trabalho na forma de 
bioaerossóis 
Dérmica ou cutânea Por meio da pele íntegra, pele fissurada ou mucosas (olhos, boca, 
nariz) 
Digestiva ou oral Ingestão de alimento, água, ou outro elemento 
Percutânea Inoculação nas camadas profundas da pele quando exposto por 
exemplo por meio de corte, perfurações e mordedura de animais 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
Como meios de prevenção aos riscos impostos pelos agentes biológicos, 
destacam-se prioritariamente: eliminação do agente na origem e utilização de 
EPIs adequados. 
3.2 Agentes químicos 
Em nosso dia a dia, observamos a existência de muitos produtos químicos 
(chegando à casa milhões). No entanto, apenas cerca de 200 produtos são 
citados na NR 15 como indicadores de insalubridade. Diante desse fato, é 
preciso dar atenção especial ao ambiente, considerando consulta a especialista 
caso não seja entendido do assunto. 
O principal documento para validar o direito a insalubridade, 
especialmente no caso de agentes químicos, é o PPP – Perfil Profissiográfico 
Previdenciário. 
 
 
16 
O PPP deverá apresentar, prioritariamente: o período, o tipo, o fator de 
risco, a técnica utilizada para mitigação, o EPC utilizado, o EPI utilizado e o CA 
de cada equipamento. 
Para serem caracterizados como insalubres, os agentes químicos podem 
ser classificados em dois grandes grupos, conforme o quadro a seguir. 
Quadro 5 – Grupos de agentes químicos 
Agente químico Quanto ao nível de exposição 
Químicos quantitativos É necessário que a empresa registre o nível de exposição 
Químicos qualitativos Garantem o direito ao tempo especial pela simples presença 
deles no ambiente de trabalho, independentemente do nível 
de exposição 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
Além do exposto pelo PPP, é de fundamental importância que os agentes 
químicos no ambiente laboral apresentem a FISPQ – Ficha de Informação de 
Segurança de Produtos Químicos, devidamente preenchida e reconhecida por 
um químico, que deve estar devidamente registrado em seu órgão de 
competência. 
Vejamos alguns dos elementos químicos mais vistos em casos de 
requerimento de insalubridade pelo trabalhador: arsênico, carvão, chumbo, 
cromo, fósforo, hidrocarbonetos e outros componentes de carbono, mercúrio, 
silicato e substâncias cancerígenas. 
Observação: os elementos citados fazem parte do grupo qualitativo. 
TEMA 4 – ATIVIDADES E OPERAÇÕES PERIGOSAS 
É importante ressaltar que nem somente máquinas, equipamentos e 
elementos considerados de grande dimensão causam danos à saúde 
ocupacional do trabalhador. Um bom exemplo disso são as poeiras minerais. 
4.1 Poeiras minerais 
Definição de poeira: partícula sólida produzida por um rompimento 
mecânico de sólidos, por meio de moagem, atrito, impacto. 
O quadro apresenta a classificação e origem das poeiras no ambiente 
laboral. 
Highlight
Highlight
 
 
17 
Quadro 6 – Classificação e origem das poeiras 
Classificação Origem 
Mineral Extração de minerais (em geral todos os minerais geram a sílica em sua 
extração) 
Alcalina É originária do calcário (responsável pelas doenças pulmonares crônicas 
como o enfisema pulmonar) 
Vegetal Resultado de atividades em campos de algodão, cana de açúcar (doença 
ocupacional “bissinese”) 
Metálica Lixamento de peças metálicas (doenças como febre e calafrios) 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
 
Crédito: David Antonio Lopez Moya/Shutterstock. 
A poeira mineral apresenta elevados danos ao trabalhador. Na sequência, 
por meio do quadro, trazemos um breve relato das principais doenças 
ocupacionais resultantes da poeira mineral, com seus sintomas costumeiros. 
Quadro 7 – Doença ocupacional e respectivos sintomas 
Doença Sintomas 
Silicose Fraqueza, tosse intensa, dores nos peitos, perda de peso e 
sudorese noturna 
Câncer de pulmão Falta de ar, ponta dos dedos inchados e tosse seca 
Dermatite Coceira ou formação de bolhas e manchas na pele 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
É o objetivo de todas as normas regulamentadoras preservar a vida e a 
saúde do trabalhador. No caso da NR 15, por hora tratada, especialmente no 
Anexo 12, descobrimos a caracterização ou não de insalubridade, devendo ser 
Highlight
 
 
18 
realizada análise quantitativa das substâncias que, em função de sua natureza 
(origem e composição), podem estar presentes. Nesse anexo, são fixados os 
seguintes limites de tolerâncias: manganês (5mg/m³) e fibras de asbeto (2,0 
fibras/cm³); e poeiras que contêm sílica livre cristalina. 
 
Crédito: Wirestock Creators/Shutterstock. 
Conforme abordamos anteriormente, a sílica em especial está presente 
em todos os materiais quando trabalhados desde a extração, em seu tratamento 
e polimento. Assim, é de extrema importância ter cuidados especiais para 
minimizar o impacto dessa realidade sobre o trabalhador. 
O quadro a seguir apresenta os métodos mais indicados de prevenção às 
doenças ocupacionais resultantes das poeiras. 
Quadro 8 – Métodos de prevenção de doença ocupacional 
Método Aplicação 
Coletivo Umidificação do ambiente (lavando o piso, por exemplo), ventilar o local 
Individual Fornecer protetores respiratórios, aparelhos purificadores (máscara a filtro), 
máscaras protetoras e luvas 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
TEMA 5 – CONDIÇÕES AMBIENTAIS 
A NR 16 é uma norma regulamentadora que trata de atividades e 
operações perigosas. O art. 16.3 direciona ao empregador a responsabilidade 
de caracterizar ou descaracterizar uma atividade quanto ao grau de 
periculosidade. Porém, tal indicação deve sempre estar embasada em laudos 
técnicos, realizados por médicos e/ou engenheiros de segurança do trabalho. 
 
 
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Uma vez que uma atividade ou operação é considerada perigosa, a NR 
16 define ser justo um adicional de 30% sobre o salário do profissional. 
No quadro a seguir, alguns exemplos de atividades consideradas 
perigosas pela NR 16. 
Quadro 9 – Exemplos de atividades perigosas 
Atividade com Onde 
ExplosivoEm todas as atividades relacionadas ao produto (fabricação, 
transporte, armazenamento, detonação) 
Inflamável Na produção, armazenamento, transporte, postos de 
distribuição) 
Radiação ionizante Produção, transporte, manuseio de materiais radioativos 
Exposição a roubo ou outra 
espécie de violência física 
Vigilância patrimonial, de eventos, de transporte coletivo, 
ambiental e florestal, transporte de valores, escolta ramada 
Energia elétrica Conforme a NR 10 (desde a geração, transmissão, 
distribuição e uso coletivo) 
Fonte: Elaborado com base em Brasil, 1978. 
Observações importantes: 
• De acordo com o Anexo 5 da NR 16, apesar do risco, o deslocamento 
com motocicletas, independente de circunstância e local, não é 
considerado como atividade perigosa, não tendo, portanto, direito ao 
adicional de periculosidade. 
• De acordo com o art. 193 da Consolidação das leis do trabalho – CLT, 
caso o trabalhador esteja exposto à insalubridade NR 15 e à 
periculosidade NR 16, ele deverá optar por uma das situações (não 
podendo acumular as duas). Nesse caso, é interessante notar que a 
insalubridade vai de 10 a 40% sobre o salário-mínimo, enquanto a 
periculosidade é de 40% sobre o salário base do profissional. 
De acordo com Iida (2000, p. 146-170), as condições ambientais 
pertinentes ao planejamento das instalações produtivas e à colaboração 
ergonômica ocorrem em três níveis. 
1. Projeto do macroespaço: no layout, são estabelecidas as dimensões 
(metragens) de cada departamento e também das áreas de apoio 
(estoques, movimentação, apoio de pessoal, utilidades, manutenção etc.). 
 
 
20 
Nesse nível, são definidos inputs, transformação e outputs da matéria-
prima em produtos, bem como a posição de operadores, máquinas e 
equipamentos, além de estudos do ambiente geral de trabalho, 
observando iluminação, temperaturas e ruídos, bem como a organização 
do trabalho em horários, turnos, equipe, sistemas de transporte, entre 
outros aspectos. 
 
Crédito: Tartila/Shutterstock. 
2. Projeto do microespaço: o foco está na ergonomia da Unidade de 
Estação de Trabalho (UET), incluindo o operador no seu ambiente de 
trabalho e compreendendo as máquina e equipamento que serão 
utilizados, bem como os aspectos ergonômicos envolvidos. 
 
Crédito: vectortatu/Shutterstock. 
 
 
21 
3. Projeto detalhado: são estabelecidos os projetos e a seleção dos 
instrumentos de informação e de controle da produção. 
 
Crédito: Macrovector/Shutterstock. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, trabalhamos a periculosidade e a insalubridade no trabalho. 
Abordamos de forma simples e objetiva as condições que a maioria dos 
trabalhadores enfrentam, como frio extremo, calor excessivo, riscos biológicos 
que envolvem determinados setores, além de riscos químicos. 
Em locais ermos, onde o trabalhador está exposto às condições 
climáticas, esses riscos se agravam, pois poeira, ruído, defensivos agrícolas, 
vibrações, umidade, entre outros fatores, causam inúmeras consequências, e 
até produzem doenças ocupacionais que o ser humano não está preparado para 
enfrentar. 
Como consequência dessas condições que afetam o local de trabalho e 
os trabalhadores, foram regulamentadas as NRs 15 e 16, que descrevem os 
níveis mínimos de aceitação. Se há exposição ao risco, as normas estabelecem 
direitos financeiros agregados aos salários dos trabalhadores. 
Até o nosso próximo encontro, e bons estudos! 
 
 
 
 
22 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Portaria n. 3.214, de 8 de junho de 1978. Diário oficial da União, 
Brasília, DF, 6 jul. 1978. 
DELGADO, M. G. Curso de Direito do Trabalho. 12. ed. São Paulo: LTr, 2013. 
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