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INVESTIGAÇÃO CRIMINAL E A CIÊNCIA 
DNA: para que serve? 
Professora: Crisliane Machado 
 
EMENTA: 
 A proposta dessa eletiva é abordar conceitos da área de investigação 
forense, como impressões digitais, intervalo pós-morte, pegadas e manchas de 
sangue, estimulando o raciocínio investigativo e o pensamento crítico e criativo. Os 
aspectos de uma cena de crime serão analisados e estudados do ponto de vista da 
ciência, utilizando diferentes áreas (biologia, química, física e matemática) para 
desvendar um crime. 
TEMA: 
Genética Forense 
Em 1986, na Inglaterra, um caso criminal envolvendo um estupro e 
homicídio de duas adolescentes foi solucionado com a determinação da autoria do 
delito após toda a população masculina de dois vilarejos do condado de Leicester 
ter contribuído com a doação de amostras de sangue para confronto com vestígios 
de sêmen coletados do corpo das vítimas. Estava assim inaugurada uma nova 
página no emprego da biologia molecular e sua utilização na identificação humana 
criminal. 
A Genética Forense é a parte responsável pela identificação de DNA. As 
amostras mais frequentemente usadas para essa análise são o sangue, sêmen, fios 
de cabelo, saliva e os restos mortais das vítimas. 
O exame de DNA 
Sem dúvidas é uma das maiores revoluções 
científica na esfera forense desde o reconhecimento 
das impressões digitais como uma característica 
pessoal, as técnicas de identificação fundamentadas 
na análise direta do ácido desoxirribonucléico 
(significado da sigla DNA, de Deoxyribonucleic Acid) 
ostenta pelo menos duas vantagens sobre os 
 
 
métodos convencionais de identificação: a estabilidade química do DNA, mesmo 
após longo período de tempo, e a sua ocorrência em todas as células nucleadas do 
organismo humano, o que permite condenar ou absolver um suspeito com uma 
única gota de sangue ou através de um único fio de cabelo encontrado na cena do 
crime. 
O exames de DNA podem ser empregados nos seguintes casos: 
● Identificação de suspeitos em casos de violência sexual (estupros, atentado 
violento ao pudor, atos libidinosos) 
● Identificação de cadáveres carbonizados ou em decomposição 
● Identificação de corpos mutilados 
● Identificação de peças ósseas e órgãos humanos 
● Investigação de paternidade 
● Produção de perfis de material genético recuperado a partir de evidências de 
natureza biológica presentes em suportes diversos encontrados em locais de 
crimes (manchas de sangue, manchas de esperma, manchas de saliva, pêlos 
e outros). 
O DNA (ácido desoxirribonucleico) é o material que constitui os genes. 
Através do DNA é possível identificar pessoas para esclarecer uma possível 
participação em um crime e também na realização de testes de paternidade. É 
importante lembrar que, com exceção dos gêmeos univitelinos, o DNA de cada 
pessoa é único. 
O teste de DNA, chamado de DNA ​figerprint ou impressão digital genética, 
fornece um grau de confiabilidade bastante alto, ultrapassando 99,9% de certeza 
em seu resultado. 
Para que haja a 
identificação de uma 
pessoa através de seu DNA 
são utilizadas sondas 
capazes de detectar 
sequências do DNA 
humano. Essas sequências 
de DNA são chamadas de 
VNTR (Variable Number of 
Tandem Repeats - número variável de repetições em sequência) e são compostas 
por sequências curtas de nucleotídeos que se repetem ao longo de trechos da 
molécula de DNA. Cada pessoa tem um padrão específico de repetição dessas 
 
 
unidades, esse sequenciamento é realizado no mínimo em 17 lócus. 
Quando amostras de DNA são obtidas através de pêlos, sangue, pedaços de 
pele, esperma etc., é possível o isolamento do DNA utilizando enzimas de restrição. 
Após o uso das enzimas, o DNA fica fragmentado, ou seja, separado em pequenos 
pedacinhos. Em seguida, esses pequenos pedaços são separados em um processo 
chamado de eletroforese, que utiliza corrente elétrica. Após o término da 
eletroforese, um equipamento que utiliza luz ultravioleta e corante específico traduz 
a imagem do DNA, que então poderá ser estudada. 
As faixas observadas são únicas para cada pessoa e por isso ela é chamada 
de impressão digital de DNA ou impressão digital genética. 
Amostras de DNA 
Em muitos seriados como CSI 
ou em filmes, extrair o DNA é 
fácil e rápido mas, não é bem 
assim. O DNA é delicado e 
quando não armazenado em 
condições adequadas, vai se 
degradar até não haver mais 
material genético suficiente 
para uma análise. 
As amostras para retirar o DNA podem ser: 
● Sangue:é um dos vestígios biológicos mais comumente encontrados, 
especialmente em locais de crime. 
 
● Preservativos:Costumam ser boa fonte de material genético, pois no 
caso de terem sido usados para relações sexuais, conterão fluídos 
biológicos de ambos os envolvidos no ato (sêmen, secreção vaginal 
ou mesmo sangue) 
 
● Saliva:É uma das amostras com menor risco de contaminação, além 
de poder ser coletada de maneira muito simples e não exigir grandes 
especificidades de armazenamento. 
 
● Roupas íntimas:As amostras só poderão ser utilizadas se houver 
presença de fluído corporal na peça. Roupas íntimas também podem 
 
 
ser usadas como amostras genéticas forenses em casos de suspeita 
de violência sexual. 
● Unhas:São mais úteis que os cabelos para extração de material 
genético, já que preservam uma quantidade maior de DNA mesmo 
quando cortadas (se comparadas aos fios de cabelo) 
● Cabelos: Apesar da popularidade, fios de cabelo precisam estar com 
a raiz para que haja material genético para análise, ou seja, precisam 
ter sido arrancados do couro cabeludo 
● Restos mortais: Embora não seja uma empreitada fácil, ainda pode 
ser extraído material genético após anos da autópsia realizada. As 
amostras podem ser utilizadas em último caso, já que o processo é 
de alto custo e exige preparação e manuseio cuidadosos. 
Cruzando DNA com base de dados 
O Banco Nacional de Perfis Genéticos, além de ter um lado acusatório, pode 
comprovar a inocência de um suspeito, ou ainda interligar um determinado caso 
com outras investigações das demais esferas policiais. 
Atualmente, o maior banco de dados de perfis genéticos do mundo é o da 
China, com mais de 50 milhões de perfis inseridos. O banco dos Estados Unidos 
armazena mais de 13,5 milhões de perfis genéticos de condenados, cerca de 895 
mil perfis de vestígios de local de crime. As informações auxiliaram mais de 428 mil 
investigações criminais nos EUA. O banco do Reino Unido é considerado o mais 
eficiente do mundo, armazena o perfil genético de mais de 5 milhões de indivíduos 
suspeitos de cometerem crimes. 
O Banco Nacional de Perfis Genéticos brasileiro contém aproximadamente 
6.500 perfis genéticos de condenados, 440 de investigados e 7.800 de vestígios de 
local de crime. No Brasil, até o momento, 559 investigações foram auxiliadas por 
essa ferramenta. Uma das propostas defendidas é a ampliação do escopo para os 
condenados em crimes dolosos. 
Casos reais solucionados pelo exame de DNA 
 
caso 1 
O resultado do cruzamento de DNA colhido em cenas de crime com o 
material genético de um suspeito, preso em 2018, conseguiu provar a participação 
 
 
dele em três crimes distintos.No homicídio do agente federal de execução penal 
Alex Belarmino, em Cascavel (PR), ocorrido em 2016; no roubo à base da Prosegur, 
em Ciudad Del Este, Paraguai, em 2017; e na explosão de caixa eletrônico do 
Banco do Brasil, em Campo Grande (MS), no mesmo ano. 
As investigações da Polícia Federal apontavam a participação do criminoso 
no homicídio e havia suspeita de que ele tinha participado do crime no Paraguai. O 
terceiro crime nem estava no radar das investigações. O cruzamento das 
informações só foi possível porque os vestígios biológicos, coletados por peritos nos 
respectivos locais do crime, estavam inseridos no Banco Nacional de Perfis 
Genéticos (BNPG). 
 
caso 2 
Quase 11 anos depois do crime, a Polícia Civil do Paraná identificou um 
suspeito pelo assassinato da menina Raquel Genofre, de 9 anos, cujo corpo foi 
encontrado dentro de uma mala abandonada na rodoviária de Curitiba, em 
novembro de 2008. 
Carlos Eduardo dos Santos, de 54 anos, já estava preso na Penitenciária de 
Sorocaba (SP) e foi identificado a partir do compartilhamento do banco de DNA 
entre as instituições de segurança de São Paulo e Brasília com a do Paraná. 
O material genético é totalmente compatível com o encontrado no corpo da 
menina. O DNA de Santos foi colhido na prisão, e inserido num software que fez o 
cruzamento dos dados. 
Laudos técnicos apontavam que Raquel sofreu violência sexual e diversas 
agressões. A causa da morte foi asfixia. O DNA de confronto foi encontrado debaixo 
das unhas da menina. O corpo, nu da cintura para baixo, foi envolvido em lençóis e 
colocado em uma mala. Havia sacolas plásticas em volta da sua cabeça. 
caso 3 
Durante 50 anos, o assassinato da estudante Jane Britton, de 23 anos, foi 
um mistério que intrigou a polícia americana e a comunidade de Cambridge, no 
Estado de Massachusetts. Onde foi encontrada morta em seu apartamento em 
janeiro de 1969. O corpo apresentava sinais de agressão sexual e vários golpes na 
cabeça. 
Graças a avanços na tecnologia de testes de DNA, os investigadores 
identificaram Michael Sumpter como o assassino. Stumper morreu em 2001, aos 54 
 
 
anos de idade, pouco tempo depois de sair da prisão em liberdade condicional, 
onde cumpria pena por estupro. 
YouTube 
Canal Amanda CSI 
Disponível 
em:​https://www.youtube.com/watch?v=_gjHwRxS6T4 
Ciência contra o crime: cruzamento de DNA 
soluciona caso de estupro. 
Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=-AV6DHYPp7A 
 
Referências Bibliográficas 
Garrido RG. ​Evolução dos Processos de Identificação Humana: das 
características antropométricas ao DNA​. Genética na Escola 2009; 5: 38-40. 
Frois, C. (2008b), ​Vigilância e identidade: para uma nova antropologia da 
pessoa. ​In C. Frois (org.), ​A Sociedade Vigilante: Ensaios sobre 
Identificação, Vigilância e Privacidade​, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 
pp. 175-191. 
Latour, B. (2009), Como falar do corpo? A dimensão normativa dos estudos 
sobre a ciência. ​In J. A. Nunes e R. Roque (orgs.), ​Objectos Impuros. 
Experiências em Estudos sobre a Ciência,​ Porto, Afrontamento, pp. 39-61. 
Lei n.º 5/2008, ​Aprova a criação de uma base de dados de perfis de ADN 
para fins de identificação civil e criminal. ​Diário da República, ​1.ª série, n.º 30, 
12 de Fevereiro de 2008. 
Medeiros RJ. ​A Genética na Prova Penal​. Ed. Pilares; 2009. 
Skinner, D. (2006), ​Racialized futures: biologism and the changing politics of 
identity. ​Social Studies of Science​, ​36 (3), pp. 459-488. 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=_gjHwRxS6T4
https://www.youtube.com/watch?v=-AV6DHYPp7A

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