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1 O Impacto da Utilização de Telas em Crianças com TDAH Adriely Fernandes Xavier1 Yolanda Santana de Menezes2 Sandra Aparecida da Silva2 Júlia Clara Rocha da Silva2 Danilo de Oliveira Sant'Ana2 Resumo: O presente artigo tem como objetivo analisar os impactos e consequências do uso excessivo de telas em crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), com ênfase nos prejuízos cognitivos, sociais e emocionais. A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica utilizando como base estudos recentes que abordam a relação entre o tempo de tela e o desenvolvimento neurológico. Verificou-se que a exposição prolongada a dispositivos eletrônicos pode agravar sintomas como desatenção, impulsividade, hiperatividade e dificuldades no sono, além de comprometer o desempenho escolar e as interações sociais. O estudo destaca a importância da mediação parental, da comunicação efetiva entre pais e filhos e da adoção de estratégias que promovam o uso consciente da tecnologia. A importância da supervisão familiar do estabelecimento de limites no tempo de tela e de atividades que estimulem a interação social e a concentração. Com orientação e acompanhamento adequado, é possível reduzir os riscos associados ao uso excessivo de telas e favorecer um desenvolvimento mais equilibrado. Palavras-Chaves: Adolescente; Criança; Impacto; TDAH; Telas. _________________________________________ 1Docente do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Jacareí; email:adrielyfernandesxavier@gmail.com; 2estudante de psicologia; 2 1. Introdução A era digital transformou profundamente a vida cotidiana, especialmente no que se refere às práticas sociais e às interações interpessoais. Crianças e adolescentes, frequentemente imersos em ambientes saturados de telas, compõem um grupo etário particularmente vulnerável aos impactos do uso excessivo desses dispositivos. A exposição prolongada a conteúdos digitais pode afetar diretamente o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo dos jovens, contribuindo para distúrbios do sono, problemas de atenção e dificuldades de socialização — condições que vêm se tornando cada vez mais prevalentes nas últimas décadas. Como afirma Greenfield (2015), as tecnologias digitais estão provocando alterações profundas no cérebro e no comportamento humano, especialmente entre os jovens, afetando funções como atenção, empatia e regulação emocional. Um dos fatores centrais nesse cenário é a banalização da tecnologia nas atividades diárias, tanto no âmbito educacional quanto no entretenimento. Conforme aponta a Sociedade Brasileira de Pediatria (2019), “o uso excessivo e precoce de telas pode causar atrasos no desenvolvimento da linguagem, dificuldades na atenção e prejuízo nas interações sociais” (SBP, 2019, p. 8). Diversos estudos (Twenge, 2017; Strasburger et al., 2013) demonstram que o tempo excessivo de tela pode comprometer habilidades sociais e cognitivas, uma vez que o contato humano — fundamental para o fortalecimento de vínculos emocionais — é significativamente reduzido. Twenge (2017, p. 115) alerta que “os adolescentes que passam mais tempo em redes sociais relatam níveis mais altos de infelicidade e insatisfação com a própria vida”, destacando os efeitos psicológicos do uso intenso dessas plataformas. "Portanto, a análise dos efeitos do uso excessivo de telas exige uma abordagem multidisciplinar, que considere não apenas os impactos fisiológicos — como o sedentarismo e a obesidade — mas também os prejuízos psicológicos e sociais associados. Compreender essas dimensões é fundamental para pais, educadores e formuladores de políticas públicas, que precisam buscar estratégias para integrar a tecnologia de forma saudável à rotina infantojuvenil. Essa discussão, assim, evidencia a urgência de uma mediação consciente e crítica do uso das telas durante as diversas etapas do desenvolvimento infantil e adolescente. "De acordo com Lino de Macedo (2006), o desenvolvimento infantil saudável depende de múltiplas experiências concretas e interações sociais, sendo necessário equilibrar o uso de tecnologias com atividades que promovam o brincar, a criatividade e o contato humano. 3 2. Objetivos Gerais Este trabalho tem como propósito investigar as implicações do uso excessivo de dispositivos eletrônicos na vida de crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A pesquisa visa compreender como a interação constante com essas tecnologias pode afetar o crescimento cognitivo, as interações sociais e o bem-estar emocional desses indivíduos. Ademais, procura-se analisar de que maneira a exposição frequente a ambientes digitais pode agravar sintomas como a desatenção, a impulsividade e a hiperatividade, comprometendo tanto o rendimento acadêmico quanto as relações interpessoais. Por último, o estudo propõe explorar alternativas que promovam um uso mais equilibrado e saudável das telas, contribuindo para a mitigação dos efeitos adversos observados. 3. Objetivos Específicos 3.1 Analisar os impactos cognitivos em crianças e adolescentes 3.2 Promover ações norteadoras para a utilização consciente das telas 3.3 Fomentar habilidades de comunicação efetiva entre pais e filhos 3.4 Fornecer apoio socioemocional sobre o uso de telas 4. Problemática Como o uso excessivo de telas afetam o desenvolvimento do TDAH no cérebro de crianças e adolescentes? 5. Justificativa Pessoal O aumento do uso de dispositivos digitais tem levantado preocupações sobre os possíveis efeitos negativos do tempo de tela no desenvolvimento infantil, especialmente entre crianças com TDAH. O objetivo pessoal deste estudo é analisar o impacto que o uso excessivo de telas vem causando no desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes com TDAH, 4 contribuindo com a construção de novas habilidades que possam minimizar os efeitos deste transtorno na vida do indivíduo, associado ao uso de telas. No ambiente escolar, as habilidades sociais são construídas a partir da interação entre os indivíduos, e o uso excessivo de telas pode prejudicar esse convívio, limitando as oportunidades de aprendizado emocional e relacional. As intervenções sobre o uso de telas, portanto, não devem se restringir à redução do tempo de exposição, mas também incluir o incentivo ao contato humano, à prática de atividades coletivas e ao desenvolvimento de competências socioemocionais. Além disso, compreender como a tecnologia pode ser utilizada de forma equilibrada e saudável é fundamental para auxiliar crianças e adolescentes com TDAH a desenvolverem autonomia, controle emocional e foco, sem renunciar aos benefícios que os recursos digitais podem oferecer quando bem orientados. Este estudo busca, assim, promover uma reflexão sobre o uso consciente das telas e contribuir com estratégias que fortaleçam o bem-estar e o desenvolvimento integral desses jovens. 6. Referencial Teórico 6.1. Utilização de telas e o processo cognitivo A tecnologia está cada vez mais presente em nosso cotidiano, e hoje usamos o mundo digital para atender grande parte das nossas necessidades. Tablets e celulares, por exemplo, já fazem parte da rotina de muitas crianças, ocupando o espaço que antes era reservado a brincadeiras ao ar livre e interações presenciais, comuns até o final dos anos 1990. Conforme destaca Montessori (2004), o desenvolvimento infantil saudável depende de experiências concretas com o ambiente e com os outros; quando essas vivências são substituídas precocemente por interações digitais, há o risco de comprometimento no desenvolvimento sensorial, motor e afetivo." Segundo Rosa e Souza (2021), essa dependência digital tem provocado mudanças significativas no processo cognitivo de crianças e adolescentes.Entre os efeitos mais evidentes estão a dificuldade de concentração, a desatenção e a ansiedade, muitas vezes causadas pela ausência momentânea das telas. O excesso de estímulos virtuais e a necessidade constante de conexão também impactam diretamente o comportamento e as atitudes dessa nova geração, que tende a passar mais tempo em ambientes online do que em atividades presenciais. 5 É importante lembrar que as experiências vividas fora das telas como: interações sociais, brincadeiras, frustrações e aprendizados cotidianos são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e emocional saudável da criança. Essas vivências auxiliam na construção da autonomia, no controle emocional e na capacidade de resolver conflitos e desafios reais, aspectos que a interação digital, quando exagerada e sem equilíbrio, não consegue proporcionar. Como ilustra poeticamente Manoel de Barros (2010), ao descrever a riqueza do universo infantil encontrado nas coisas simples: "Nos fundos do quintal há um menino e suas latas maravilhosas." Essa imagem evoca a capacidade da criança de transformar o ordinário em extraordinário através da brincadeira e da imaginação, algo essencial que floresce longe das telas. 6.2. De acordo com o ECA o que é ser criança e adolescente? De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), a definição de criança e adolescente é baseada na faixa etária, com a legislação estabelecendo as seguintes distinções: Criança: A pessoa com até 12 anos de idade incompletos (art. 2º do ECA). Adolescente: A pessoa com idade entre 12 e 18 anos completos (art. 2º do ECA). Essa classificação visa garantir a aplicação de direitos e medidas de proteção conforme as necessidades e o estágio de desenvolvimento de cada grupo etário. O ECA reconhece que tanto crianças quanto adolescentes são sujeitos de direitos, mas destaca que, em razão das diferenças nas fases do desenvolvimento, esses grupos demandam abordagens específicas de proteção, que devem ser proporcionadas pelo Estado e pelos genitores (Brasil, 1990). 6.3 Utilização das telas por crianças e adolescentes Já parou para pensar em como as crianças e adolescentes utilizam as telas atualmente? O uso excessivo de tecnologias digitais, como smartphones, tablets e computadores, tem sido associado a diversos problemas, como a falta de atenção (TDAH), dificuldades de sono e a diminuição da interação social (Twenge, 2017). Estes efeitos, conforme estudos, têm se tornado mais comuns à medida que o tempo de exposição às telas cresce de forma descontrolada. 6 O Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), também aborda a necessidade de proteger os jovens, estabelecendo responsabilidades para os pais, que devem orientar e controlar o tempo de uso das telas. De acordo com o artigo 227 da Constituição Federal, em conjunto com o ECA, é dever dos pais "garantir o pleno desenvolvimento dos filhos, protegendo-os de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão" (Brasil, 1990). Nesse contexto, a conscientização sobre a importância de equilibrar o tempo de tela com outras atividades, como esportes e brincadeiras ao ar livre, torna-se fundamental para a promoção de um desenvolvimento saudável. A reflexão sobre esse equilíbrio está em conformidade com a recomendação de especialistas, que indicam que a exposição excessiva às telas pode prejudicar não apenas o desenvolvimento cognitivo e social, mas também a saúde física e emocional das crianças e adolescentes. Nesse sentido, é imprescindível que os pais e responsáveis adotem uma abordagem consciente e equilibrada quanto ao tempo e à qualidade do uso das tecnologias pelos jovens, respeitando o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), que prevê a proteção integral e o direito à saúde, ao desenvolvimento e à dignidade dos menores. 7. TDAH seus sintomas e tratamentos O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é considerado um sério problema de saúde pública, visto que ele vem sendo diagnosticado com crescente frequência. De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR, 2023), o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por uma sequência frequente de desatenção ou hiperatividade-impulsividade, que interfere diretamente no funcionamento social, profissional e de lazeres do indivíduo (American Psychiatric Association , 2023, p. 59). Os principais sintomas do TDAH são divididos em três categorias: desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem afetar negativamente o desenvolvimento de várias funções e tarefas em crianças e adolescentes. A desatenção é um desafio no sentido de manter o foco, sendo tendenciosa para distração, falta de organização e baixa motivação para enfrentar desafios que exigem demandas mentais contínuas. Esses comportamentos não são feitos de forma consciente pelo indivíduo, pois trata- se de uma questão cognitiva que afeta diretamente a autorregulação da atenção. Segundo Barkley (2015, p. 35), "a dificuldade em manter o foco está relacionada à disfunção nos 7 processos executivos do cérebro, o que prejudica a capacidade de realizar tarefas que exigem atenção sustentada". Já a hiperatividade ocorre por meio de comportamentos físicos - motores que, em alguns tipos de ambientes, podem ser considerados inadequados ou fora do contexto. Para adultos, é comum que a agitação se manifeste como uma inquietude interna. A impulsividade é caracterizada por ações tomadas sem a prévia análise de suas possíveis consequências, como atravessar a rua sem olhar, interromper os interlocutores durante uma conversa, agir impulsivamente por conta da emoção ou realizar compras ou investimentos de grande impacto financeiro sem ponderar as consequências. “A impulsividade está intimamente ligada à dificuldade em prever os efeitos das próprias ações, levando a escolhas imediatas e desconsideradas” (Santos e Lima, 2017, p. 22). A impulsividade também está relacionada à busca de gratificação imediata e à dificuldade de adiar recompensas. O DSM-5-TR (2023) estabelece que, para o diagnóstico de TDAH, os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade, enfatizando que as características do transtorno estão associadas a quadros de desenvolvimento neurológico (American Psychiatric Association, 2023, p. 60). Deve-se realizar uma observação criteriosa do quadro para garantir um diagnóstico preciso e descartar hipóteses de que os sintomas possam ter sido causados por outras comorbidades, quadros psiquiátricos, ou até pelo uso de substâncias ilícitas ou efeitos colaterais de medicamentos. Um diagnóstico conclusivo pode ser favorecido ao reconhecer que os sintomas não se manifestam apenas em um único ambiente, mas em dois ou mais contextos em que o indivíduo interage, garantindo que não são questões pontuais. No caso de crianças menores de 12 anos, deve-se sempre realizar uma entrevista com os pais ou responsáveis para obter informações que ajudem na formulação do laudo. Assim, o diagnóstico do (TDAH) deve ser baseado em uma avaliação criteriosa, multidimensional e com evidências que respeitem os critérios do DSM-5- TR (2023). Para que o transtorno seja categorizado na vida do indivíduo, é necessário que uma ou mais características estejam presentes em mais de um ambiente em que ele conviva. No caso das crianças, os sintomas devem começar antes dos 12 anos e persistir por pelo menos seis meses, podendo se manifestar no lar ou na escola. Nos adultos, os sintomas podem se expressar no trabalho ou no círculo social, por exemplo (American Psychiatric Association, 2023, p. 61). 8 Cabe ressaltar que os sintomas não se limitam a comportamentos opositores, hostis, desafiadores ou dificuldades em seguir instruções. Em adolescentes ou adultos, é necessário observara manifestação de pelo menos cinco sintomas. É possível observar uma constante falta de atenção aos detalhes, o que leva o indivíduo a cometer erros frequentes durante a execução de tarefas escolares, acadêmicas, profissionais ou em outros ambientes (Nunes e Pereira, 2018; Melo, 2015). Dessa forma, o TDAH não se resume a eventos esporádicos de impulsividade ou desatenção, mas sim a uma gama de fatores comportamentais persistentes que afetam o âmbito escolar, de trabalho e de lazer dos indivíduos que expressam essa condição. Fica comprovado, portanto, que todo caso clínico de (TDAH) deve ser acompanhado por um profissional devidamente capacitado e especializado no trato infanto-juvenil e adulto, que tenha a sensibilidade necessária para compor um diagnóstico correto, utilizando o DSM-5- TR (2023) para a padronização dos tratamentos, buscando a melhoria e evolução de cada paciente. 7.1. O impacto da utilização de telas em indivíduos com TDAH Alguns estudos demonstram que sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) podem ser agravados pelo uso excessivo de telas, especialmente entre crianças e adolescentes. Dentre os sintomas mais frequentemente exacerbados, destacam-se a desatenção e a impulsividade. Twenge (2017, p. 145) aponta que “a exposição constante a dispositivos digitais, principalmente às redes sociais, pode prejudicar a capacidade de concentração, agravando os sintomas de TDAH em crianças e adolescentes”. Compreender o efeito do uso excessivo de tecnologia é fundamental, pois ele pode influenciar comportamentos e hábitos que se perpetuam na vida adulta. A dependência de plataformas digitais pode resultar em uma diminuição das habilidades interpessoais, levando ao isolamento social, uma vez que interações virtuais tendem a substituir as experiências presenciais. Além disso, a estimulação constante proporcionada por jogos e redes sociais pode desencadear problemas como ansiedade e depressão, bem como afetar a capacidade de concentração e de resolução de problemas nas atividades escolares e na vida cotidiana. Como ressalta Strasburger et al. (2013, p. 112), “as plataformas digitais, ao fornecerem estímulos constantes e imediatos, podem prejudicar a habilidade de um indivíduo com TDAH de manter 9 o foco em tarefas prolongadas e mais exigentes, como aquelas típicas de ambientes educacionais”. Esses efeitos são particularmente preocupantes no contexto do TDAH, pois a dificuldade em manter a atenção em atividades mais longas e a impulsividade já são características do transtorno, o que pode ser amplificado pela constante troca de estímulos oferecida pelas telas. 8. Resultados e Discursões A infância e a adolescência são fases marcadas por uma série de mudanças e desafios, nos quais os jovens enfrentam diversas decisões que moldam seus caminhos futuros. Os resultados deste estudo revelaram várias contribuições para auxiliar os pais a monitorarem o uso de telas em crianças e adolescentes com TDAH. A utilização excessiva de dispositivos eletrônicos está associada à diminuição da capacidade de atenção, memória e autorregulação, habilidades que já são prejudicadas em indivíduos com TDAH. O DSM-5-TR (APA, 2023, p. 59) destaca que crianças com esse transtorno possuem maior vulnerabilidade à distração, o que se agrava com conteúdos digitais rápidos e recompensadores. Além disso, há dificuldades em compreender e usar a informação, o que impacta negativamente o desempenho escolar (APA, 2023, p. 60). Diante desse cenário, é essencial adotar ações educativas que promovam o uso consciente das telas. O Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990) estabelece que todas as crianças têm direito a receber informações de forma equilibrada e educativa. Para garantir esse direito, foram sugeridas algumas ações, como definir horários e rotinas para o uso das telas, supervisionar os conteúdos acessados, promover pausas regulares durante o uso e sugerir atividades que não envolvam dispositivos digitais. Essas medidas têm como objetivo promover um uso consciente das telas, assegurando o direito ao lazer saudável e ao desenvolvimento integral da criança. Outro ponto essencial para um uso equilibrado das tecnologias é a comunicação efetiva entre pais e filhos. As relações familiares desempenham um papel fundamental na mediação do uso das tecnologias. Diálogos abertos e uma boa comunicação familiar demonstram melhores resultados no controle do uso excessivo das telas. Existem algumas estratégias que podem ser adotadas, como a prática de um diálogo frequente sobre os riscos e benefícios do uso digital, a 10 criação de regras negociadas em conjunto e a prática da escuta ativa por parte dos pais, reforçando os vínculos de confiança (Santos e Lima, 2017, p. 84). Essas práticas se alinham com os princípios do ECA e promovem o fortalecimento dos laços familiares como base para a proteção integral da criança e do adolescente. Segundo Santos e Lima (2017, p. 86), “as ações de mediação familiar são essenciais para garantir que as tecnologias sejam utilizadas de forma benéfica ao desenvolvimento emocional e social dos jovens”. Além disso, é importante considerar os impactos emocionais do uso excessivo de telas, que podem gerar ansiedade, isolamento social e sintomas depressivos. Crianças e adolescentes relataram maior sensação de solidão, especialmente quando o uso das tecnologias não é mediado. Portanto, é essencial oferecer apoio psicológico que valorize a expressão emocional dos jovens, o desenvolvimento da empatia e da autorreflexão, além de fortalecer a autoestima por meio de experiências fora do mundo digital. Barkley (2015, p. 72) enfatiza que "o apoio emocional deve ser integrado ao processo educacional, garantindo que a criança desenvolva habilidades para lidar com as pressões sociais e digitais". Educadores e profissionais de saúde desempenham um papel fundamental nesse processo. Por isso, é importante que estejam preparados para oferecer esse apoio de forma integrada, sempre levando em consideração a realidade de cada jovem e de sua família. 9. Conclusão A presente pesquisa evidenciou que o uso excessivo de telas exerce um impacto significativo no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A exposição prolongada e desregulada a conteúdos digitais compromete funções essenciais, tais como atenção, concentração, memória e autorregulação emocional, aspectos já fragilizados nesses indivíduos devido às características do transtorno. Observou-se que, embora os dispositivos eletrônicos ofereçam diversas utilidades, seu uso sem supervisão adequada e critérios bem definidos podem agravar sintomas típicos do TDAH, como impulsividade, desatenção e hiperatividade. Além disso, a substituição de interações presenciais por atividades virtuais pode contribuir para o isolamento social, aumento da ansiedade, distúrbios do sono e dificuldades no desempenho escolar. 11 Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de implementar estratégias educativas que promovam, um uso consciente das tecnologias digitais, envolvendo a participação ativa de pais, educadores e profissionais da saúde. Entre as medidas recomendadas, estão o estabelecimento de limites temporais para o uso de telas, a supervisão dos conteúdos acessados, o incentivo à prática de atividades alternativas ao ambiente digital e o fortalecimento dos vínculos familiares. Essas ações são fundamentais para mitigar os efeitos negativos decorrentes do uso excessivo de telas e promover um desenvolvimento mais equilibrado. Conclui-se que o equilíbrio entre o uso da tecnologia e práticas saudáveis no cotidiano é imprescindível para favorecer o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes com TDAH. 10. Referências BibliográficasAlmeida, M. A.; Gomes, P. S.; Lima, C. F. O impacto do uso excessivo de telas no desenvolvimento emocional de crianças com TDAH. Revista Brasileira de Psicologia Infantil, v. 21, n. 1, p. 42-56, 2023. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5-TR. 5. ed. Arlington: American Psychiatric Publishing, 2023. Arantes, M. C. B.; De-Morais, E. 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