Logo Passei Direto
Buscar

O Impacto da Utilizacao de Telas em Criancas com TDAH

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
 
 O Impacto da Utilização de Telas em Crianças com TDAH 
 
Adriely Fernandes Xavier1 
Yolanda Santana de Menezes2 
Sandra Aparecida da Silva2 
Júlia Clara Rocha da Silva2 
Danilo de Oliveira Sant'Ana2 
 
Resumo: O presente artigo tem como objetivo analisar os impactos e consequências do uso 
excessivo de telas em crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e 
Hiperatividade (TDAH), com ênfase nos prejuízos cognitivos, sociais e emocionais. A pesquisa 
foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica utilizando como base estudos recentes que 
abordam a relação entre o tempo de tela e o desenvolvimento neurológico. Verificou-se que a 
exposição prolongada a dispositivos eletrônicos pode agravar sintomas como desatenção, 
impulsividade, hiperatividade e dificuldades no sono, além de comprometer o desempenho 
escolar e as interações sociais. O estudo destaca a importância da mediação parental, da 
comunicação efetiva entre pais e filhos e da adoção de estratégias que promovam o uso 
consciente da tecnologia. A importância da supervisão familiar do estabelecimento de limites 
no tempo de tela e de atividades que estimulem a interação social e a concentração. Com 
orientação e acompanhamento adequado, é possível reduzir os riscos associados ao uso 
excessivo de telas e favorecer um desenvolvimento mais equilibrado. 
 
Palavras-Chaves: Adolescente; Criança; Impacto; TDAH; Telas. 
 
_________________________________________ 
1Docente do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Jacareí; email:adrielyfernandesxavier@gmail.com; 
2estudante de psicologia; 
 
 
 
2 
1. Introdução 
A era digital transformou profundamente a vida cotidiana, especialmente no que se 
refere às práticas sociais e às interações interpessoais. Crianças e adolescentes, frequentemente 
imersos em ambientes saturados de telas, compõem um grupo etário particularmente vulnerável 
aos impactos do uso excessivo desses dispositivos. A exposição prolongada a conteúdos digitais 
pode afetar diretamente o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo dos jovens, 
contribuindo para distúrbios do sono, problemas de atenção e dificuldades de socialização — 
condições que vêm se tornando cada vez mais prevalentes nas últimas décadas. Como afirma 
Greenfield (2015), as tecnologias digitais estão provocando alterações profundas no cérebro e 
no comportamento humano, especialmente entre os jovens, afetando funções como atenção, 
empatia e regulação emocional. 
Um dos fatores centrais nesse cenário é a banalização da tecnologia nas atividades 
diárias, tanto no âmbito educacional quanto no entretenimento. Conforme aponta a Sociedade 
Brasileira de Pediatria (2019), “o uso excessivo e precoce de telas pode causar atrasos no 
desenvolvimento da linguagem, dificuldades na atenção e prejuízo nas interações sociais” (SBP, 
2019, p. 8). Diversos estudos (Twenge, 2017; Strasburger et al., 2013) demonstram que o tempo 
excessivo de tela pode comprometer habilidades sociais e cognitivas, uma vez que o contato 
humano — fundamental para o fortalecimento de vínculos emocionais — é significativamente 
reduzido. Twenge (2017, p. 115) alerta que “os adolescentes que passam mais tempo em redes 
sociais relatam níveis mais altos de infelicidade e insatisfação com a própria vida”, destacando 
os efeitos psicológicos do uso intenso dessas plataformas. 
"Portanto, a análise dos efeitos do uso excessivo de telas exige uma abordagem 
multidisciplinar, que considere não apenas os impactos fisiológicos — como o sedentarismo e 
a obesidade — mas também os prejuízos psicológicos e sociais associados. Compreender essas 
dimensões é fundamental para pais, educadores e formuladores de políticas públicas, que 
precisam buscar estratégias para integrar a tecnologia de forma saudável à rotina infantojuvenil. 
Essa discussão, assim, evidencia a urgência de uma mediação consciente e crítica do uso das 
telas durante as diversas etapas do desenvolvimento infantil e adolescente. "De acordo com 
Lino de Macedo (2006), o desenvolvimento infantil saudável depende de múltiplas experiências 
concretas e interações sociais, sendo necessário equilibrar o uso de tecnologias com atividades 
que promovam o brincar, a criatividade e o contato humano. 
 
3 
2. Objetivos Gerais 
 
 Este trabalho tem como propósito investigar as implicações do uso excessivo de 
dispositivos eletrônicos na vida de crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno do 
Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A pesquisa visa compreender como a interação 
constante com essas tecnologias pode afetar o crescimento cognitivo, as interações sociais e o 
bem-estar emocional desses indivíduos. Ademais, procura-se analisar de que maneira a 
exposição frequente a ambientes digitais pode agravar sintomas como a desatenção, a 
impulsividade e a hiperatividade, comprometendo tanto o rendimento acadêmico quanto as 
relações interpessoais. Por último, o estudo propõe explorar alternativas que promovam um uso 
mais equilibrado e saudável das telas, contribuindo para a mitigação dos efeitos adversos 
observados. 
 
3. Objetivos Específicos 
 
3.1 Analisar os impactos cognitivos em crianças e adolescentes 
3.2 Promover ações norteadoras para a utilização consciente das telas 
3.3 Fomentar habilidades de comunicação efetiva entre pais e filhos 
3.4 Fornecer apoio socioemocional sobre o uso de telas 
 
4. Problemática 
 
Como o uso excessivo de telas afetam o desenvolvimento do TDAH no cérebro de 
crianças e adolescentes? 
 
5. Justificativa Pessoal 
 
O aumento do uso de dispositivos digitais tem levantado preocupações sobre os 
possíveis efeitos negativos do tempo de tela no desenvolvimento infantil, especialmente entre 
crianças com TDAH. O objetivo pessoal deste estudo é analisar o impacto que o uso excessivo 
de telas vem causando no desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes com TDAH, 
 
4 
contribuindo com a construção de novas habilidades que possam minimizar os efeitos deste 
transtorno na vida do indivíduo, associado ao uso de telas. 
No ambiente escolar, as habilidades sociais são construídas a partir da interação entre 
os indivíduos, e o uso excessivo de telas pode prejudicar esse convívio, limitando as 
oportunidades de aprendizado emocional e relacional. As intervenções sobre o uso de telas, 
portanto, não devem se restringir à redução do tempo de exposição, mas também incluir o 
incentivo ao contato humano, à prática de atividades coletivas e ao desenvolvimento de 
competências socioemocionais. 
Além disso, compreender como a tecnologia pode ser utilizada de forma equilibrada e 
saudável é fundamental para auxiliar crianças e adolescentes com TDAH a desenvolverem 
autonomia, controle emocional e foco, sem renunciar aos benefícios que os recursos digitais 
podem oferecer quando bem orientados. Este estudo busca, assim, promover uma reflexão sobre 
o uso consciente das telas e contribuir com estratégias que fortaleçam o bem-estar e o 
desenvolvimento integral desses jovens. 
 
6. Referencial Teórico 
6.1. Utilização de telas e o processo cognitivo 
 
A tecnologia está cada vez mais presente em nosso cotidiano, e hoje usamos o mundo 
digital para atender grande parte das nossas necessidades. Tablets e celulares, por exemplo, já 
fazem parte da rotina de muitas crianças, ocupando o espaço que antes era reservado a 
brincadeiras ao ar livre e interações presenciais, comuns até o final dos anos 1990. Conforme 
destaca Montessori (2004), o desenvolvimento infantil saudável depende de experiências 
concretas com o ambiente e com os outros; quando essas vivências são substituídas 
precocemente por interações digitais, há o risco de comprometimento no desenvolvimento 
sensorial, motor e afetivo." 
Segundo Rosa e Souza (2021), essa dependência digital tem provocado mudanças 
significativas no processo cognitivo de crianças e adolescentes.Entre os efeitos mais evidentes 
estão a dificuldade de concentração, a desatenção e a ansiedade, muitas vezes causadas pela 
ausência momentânea das telas. O excesso de estímulos virtuais e a necessidade constante de 
conexão também impactam diretamente o comportamento e as atitudes dessa nova geração, que 
tende a passar mais tempo em ambientes online do que em atividades presenciais. 
 
5 
É importante lembrar que as experiências vividas fora das telas como: interações sociais, 
brincadeiras, frustrações e aprendizados cotidianos são fundamentais para o desenvolvimento 
cognitivo e emocional saudável da criança. Essas vivências auxiliam na construção da 
autonomia, no controle emocional e na capacidade de resolver conflitos e desafios reais, 
aspectos que a interação digital, quando exagerada e sem equilíbrio, não consegue proporcionar. 
Como ilustra poeticamente Manoel de Barros (2010), ao descrever a riqueza do universo 
infantil encontrado nas coisas simples: "Nos fundos do quintal há um menino e suas latas 
maravilhosas." Essa imagem evoca a capacidade da criança de transformar o ordinário em 
extraordinário através da brincadeira e da imaginação, algo essencial que floresce longe das 
telas. 
 
6.2. De acordo com o ECA o que é ser criança e adolescente? 
 
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), a definição de 
criança e adolescente é baseada na faixa etária, com a legislação estabelecendo as seguintes 
distinções: 
 Criança: A pessoa com até 12 anos de idade incompletos (art. 2º do ECA). 
 Adolescente: A pessoa com idade entre 12 e 18 anos completos (art. 2º do ECA). 
Essa classificação visa garantir a aplicação de direitos e medidas de proteção conforme 
as necessidades e o estágio de desenvolvimento de cada grupo etário. O ECA reconhece que 
tanto crianças quanto adolescentes são sujeitos de direitos, mas destaca que, em razão das 
diferenças nas fases do desenvolvimento, esses grupos demandam abordagens específicas de 
proteção, que devem ser proporcionadas pelo Estado e pelos genitores (Brasil, 1990). 
 
6.3 Utilização das telas por crianças e adolescentes 
 
Já parou para pensar em como as crianças e adolescentes utilizam as telas atualmente? 
O uso excessivo de tecnologias digitais, como smartphones, tablets e computadores, tem sido 
associado a diversos problemas, como a falta de atenção (TDAH), dificuldades de sono e a 
diminuição da interação social (Twenge, 2017). Estes efeitos, conforme estudos, têm se tornado 
mais comuns à medida que o tempo de exposição às telas cresce de forma descontrolada. 
 
6 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), também aborda a necessidade 
de proteger os jovens, estabelecendo responsabilidades para os pais, que devem orientar e 
controlar o tempo de uso das telas. De acordo com o artigo 227 da Constituição Federal, em 
conjunto com o ECA, é dever dos pais "garantir o pleno desenvolvimento dos filhos, 
protegendo-os de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão" 
(Brasil, 1990). Nesse contexto, a conscientização sobre a importância de equilibrar o tempo de 
tela com outras atividades, como esportes e brincadeiras ao ar livre, torna-se fundamental para 
a promoção de um desenvolvimento saudável. 
A reflexão sobre esse equilíbrio está em conformidade com a recomendação de 
especialistas, que indicam que a exposição excessiva às telas pode prejudicar não apenas o 
desenvolvimento cognitivo e social, mas também a saúde física e emocional das crianças e 
adolescentes. Nesse sentido, é imprescindível que os pais e responsáveis adotem uma 
abordagem consciente e equilibrada quanto ao tempo e à qualidade do uso das tecnologias pelos 
jovens, respeitando o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), que 
prevê a proteção integral e o direito à saúde, ao desenvolvimento e à dignidade dos menores. 
 
7. TDAH seus sintomas e tratamentos 
 
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é considerado um sério 
problema de saúde pública, visto que ele vem sendo diagnosticado com crescente frequência. 
De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR, 2023), o 
TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por uma sequência frequente 
de desatenção ou hiperatividade-impulsividade, que interfere diretamente no funcionamento 
social, profissional e de lazeres do indivíduo (American Psychiatric Association , 2023, p. 59). 
Os principais sintomas do TDAH são divididos em três categorias: desatenção, hiperatividade 
e impulsividade, que podem afetar negativamente o desenvolvimento de várias funções e tarefas 
em crianças e adolescentes. 
A desatenção é um desafio no sentido de manter o foco, sendo tendenciosa para distração, 
falta de organização e baixa motivação para enfrentar desafios que exigem demandas mentais 
contínuas. Esses comportamentos não são feitos de forma consciente pelo indivíduo, pois trata-
se de uma questão cognitiva que afeta diretamente a autorregulação da atenção. Segundo 
Barkley (2015, p. 35), "a dificuldade em manter o foco está relacionada à disfunção nos 
 
7 
processos executivos do cérebro, o que prejudica a capacidade de realizar tarefas que exigem 
atenção sustentada". 
Já a hiperatividade ocorre por meio de comportamentos físicos - motores que, em alguns 
tipos de ambientes, podem ser considerados inadequados ou fora do contexto. Para adultos, é 
comum que a agitação se manifeste como uma inquietude interna. A impulsividade é 
caracterizada por ações tomadas sem a prévia análise de suas possíveis consequências, como 
atravessar a rua sem olhar, interromper os interlocutores durante uma conversa, agir 
impulsivamente por conta da emoção ou realizar compras ou investimentos de grande impacto 
financeiro sem ponderar as consequências. “A impulsividade está intimamente ligada à 
dificuldade em prever os efeitos das próprias ações, levando a escolhas imediatas e 
desconsideradas” (Santos e Lima, 2017, p. 22). 
A impulsividade também está relacionada à busca de gratificação imediata e à 
dificuldade de adiar recompensas. O DSM-5-TR (2023) estabelece que, para o diagnóstico de 
TDAH, os sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade, enfatizando que as 
características do transtorno estão associadas a quadros de desenvolvimento neurológico 
(American Psychiatric Association, 2023, p. 60). Deve-se realizar uma observação criteriosa do 
quadro para garantir um diagnóstico preciso e descartar hipóteses de que os sintomas possam 
ter sido causados por outras comorbidades, quadros psiquiátricos, ou até pelo uso de substâncias 
ilícitas ou efeitos colaterais de medicamentos. 
Um diagnóstico conclusivo pode ser favorecido ao reconhecer que os sintomas não se 
manifestam apenas em um único ambiente, mas em dois ou mais contextos em que o indivíduo 
interage, garantindo que não são questões pontuais. No caso de crianças menores de 12 anos, 
deve-se sempre realizar uma entrevista com os pais ou responsáveis para obter informações que 
ajudem na formulação do laudo. Assim, o diagnóstico do (TDAH) deve ser baseado em uma 
avaliação criteriosa, multidimensional e com evidências que respeitem os critérios do DSM-5-
TR (2023). 
Para que o transtorno seja categorizado na vida do indivíduo, é necessário que uma ou 
mais características estejam presentes em mais de um ambiente em que ele conviva. No caso 
das crianças, os sintomas devem começar antes dos 12 anos e persistir por pelo menos seis 
meses, podendo se manifestar no lar ou na escola. Nos adultos, os sintomas podem se expressar 
no trabalho ou no círculo social, por exemplo (American Psychiatric Association, 2023, p. 61). 
 
8 
Cabe ressaltar que os sintomas não se limitam a comportamentos opositores, hostis, 
desafiadores ou dificuldades em seguir instruções. Em adolescentes ou adultos, é necessário 
observara manifestação de pelo menos cinco sintomas. É possível observar uma constante falta 
de atenção aos detalhes, o que leva o indivíduo a cometer erros frequentes durante a execução 
de tarefas escolares, acadêmicas, profissionais ou em outros ambientes (Nunes e Pereira, 2018; 
Melo, 2015). Dessa forma, o TDAH não se resume a eventos esporádicos de impulsividade ou 
desatenção, mas sim a uma gama de fatores comportamentais persistentes que afetam o âmbito 
escolar, de trabalho e de lazer dos indivíduos que expressam essa condição. 
Fica comprovado, portanto, que todo caso clínico de (TDAH) deve ser acompanhado 
por um profissional devidamente capacitado e especializado no trato infanto-juvenil e adulto, 
que tenha a sensibilidade necessária para compor um diagnóstico correto, utilizando o DSM-5-
TR (2023) para a padronização dos tratamentos, buscando a melhoria e evolução de cada 
paciente. 
 
7.1. O impacto da utilização de telas em indivíduos com TDAH 
 
Alguns estudos demonstram que sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e 
Hiperatividade (TDAH) podem ser agravados pelo uso excessivo de telas, especialmente entre 
crianças e adolescentes. Dentre os sintomas mais frequentemente exacerbados, destacam-se a 
desatenção e a impulsividade. Twenge (2017, p. 145) aponta que “a exposição constante a 
dispositivos digitais, principalmente às redes sociais, pode prejudicar a capacidade de 
concentração, agravando os sintomas de TDAH em crianças e adolescentes”. 
Compreender o efeito do uso excessivo de tecnologia é fundamental, pois ele pode 
influenciar comportamentos e hábitos que se perpetuam na vida adulta. A dependência de 
plataformas digitais pode resultar em uma diminuição das habilidades interpessoais, levando 
ao isolamento social, uma vez que interações virtuais tendem a substituir as experiências 
presenciais. Além disso, a estimulação constante proporcionada por jogos e redes sociais pode 
desencadear problemas como ansiedade e depressão, bem como afetar a capacidade de 
concentração e de resolução de problemas nas atividades escolares e na vida cotidiana. Como 
ressalta Strasburger et al. (2013, p. 112), “as plataformas digitais, ao fornecerem estímulos 
constantes e imediatos, podem prejudicar a habilidade de um indivíduo com TDAH de manter 
 
9 
o foco em tarefas prolongadas e mais exigentes, como aquelas típicas de ambientes 
educacionais”. 
Esses efeitos são particularmente preocupantes no contexto do TDAH, pois a 
dificuldade em manter a atenção em atividades mais longas e a impulsividade já são 
características do transtorno, o que pode ser amplificado pela constante troca de estímulos 
oferecida pelas telas. 
 
8. Resultados e Discursões 
 
A infância e a adolescência são fases marcadas por uma série de mudanças e desafios, 
nos quais os jovens enfrentam diversas decisões que moldam seus caminhos futuros. Os 
resultados deste estudo revelaram várias contribuições para auxiliar os pais a monitorarem o 
uso de telas em crianças e adolescentes com TDAH. 
A utilização excessiva de dispositivos eletrônicos está associada à diminuição da 
capacidade de atenção, memória e autorregulação, habilidades que já são prejudicadas em 
indivíduos com TDAH. O DSM-5-TR (APA, 2023, p. 59) destaca que crianças com esse 
transtorno possuem maior vulnerabilidade à distração, o que se agrava com conteúdos digitais 
rápidos e recompensadores. Além disso, há dificuldades em compreender e usar a informação, 
o que impacta negativamente o desempenho escolar (APA, 2023, p. 60). 
Diante desse cenário, é essencial adotar ações educativas que promovam o uso 
consciente das telas. O Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990) estabelece que todas 
as crianças têm direito a receber informações de forma equilibrada e educativa. Para garantir 
esse direito, foram sugeridas algumas ações, como definir horários e rotinas para o uso das telas, 
supervisionar os conteúdos acessados, promover pausas regulares durante o uso e sugerir 
atividades que não envolvam dispositivos digitais. Essas medidas têm como objetivo promover 
um uso consciente das telas, assegurando o direito ao lazer saudável e ao desenvolvimento 
integral da criança. 
Outro ponto essencial para um uso equilibrado das tecnologias é a comunicação efetiva 
entre pais e filhos. As relações familiares desempenham um papel fundamental na mediação do 
uso das tecnologias. Diálogos abertos e uma boa comunicação familiar demonstram melhores 
resultados no controle do uso excessivo das telas. Existem algumas estratégias que podem ser 
adotadas, como a prática de um diálogo frequente sobre os riscos e benefícios do uso digital, a 
 
10 
criação de regras negociadas em conjunto e a prática da escuta ativa por parte dos pais, 
reforçando os vínculos de confiança (Santos e Lima, 2017, p. 84). 
Essas práticas se alinham com os princípios do ECA e promovem o fortalecimento dos 
laços familiares como base para a proteção integral da criança e do adolescente. Segundo Santos 
e Lima (2017, p. 86), “as ações de mediação familiar são essenciais para garantir que as 
tecnologias sejam utilizadas de forma benéfica ao desenvolvimento emocional e social dos 
jovens”. 
Além disso, é importante considerar os impactos emocionais do uso excessivo de telas, 
que podem gerar ansiedade, isolamento social e sintomas depressivos. Crianças e adolescentes 
relataram maior sensação de solidão, especialmente quando o uso das tecnologias não é 
mediado. Portanto, é essencial oferecer apoio psicológico que valorize a expressão emocional 
dos jovens, o desenvolvimento da empatia e da autorreflexão, além de fortalecer a autoestima 
por meio de experiências fora do mundo digital. Barkley (2015, p. 72) enfatiza que "o apoio 
emocional deve ser integrado ao processo educacional, garantindo que a criança desenvolva 
habilidades para lidar com as pressões sociais e digitais". 
Educadores e profissionais de saúde desempenham um papel fundamental nesse 
processo. Por isso, é importante que estejam preparados para oferecer esse apoio de forma 
integrada, sempre levando em consideração a realidade de cada jovem e de sua família. 
 
9. Conclusão 
 
A presente pesquisa evidenciou que o uso excessivo de telas exerce um impacto 
significativo no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes 
diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A exposição 
prolongada e desregulada a conteúdos digitais compromete funções essenciais, tais como 
atenção, concentração, memória e autorregulação emocional, aspectos já fragilizados nesses 
indivíduos devido às características do transtorno. 
Observou-se que, embora os dispositivos eletrônicos ofereçam diversas utilidades, seu 
uso sem supervisão adequada e critérios bem definidos podem agravar sintomas típicos do 
TDAH, como impulsividade, desatenção e hiperatividade. Além disso, a substituição de 
interações presenciais por atividades virtuais pode contribuir para o isolamento social, aumento 
da ansiedade, distúrbios do sono e dificuldades no desempenho escolar. 
 
11 
Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de implementar estratégias educativas que 
promovam, um uso consciente das tecnologias digitais, envolvendo a participação ativa de pais, 
educadores e profissionais da saúde. Entre as medidas recomendadas, estão o estabelecimento 
de limites temporais para o uso de telas, a supervisão dos conteúdos acessados, o incentivo à 
prática de atividades alternativas ao ambiente digital e o fortalecimento dos vínculos familiares. 
Essas ações são fundamentais para mitigar os efeitos negativos decorrentes do uso excessivo 
de telas e promover um desenvolvimento mais equilibrado. Conclui-se que o equilíbrio entre o 
uso da tecnologia e práticas saudáveis no cotidiano é imprescindível para favorecer o pleno 
desenvolvimento de crianças e adolescentes com TDAH. 
 
10. Referências BibliográficasAlmeida, M. A.; Gomes, P. S.; Lima, C. F. O impacto do uso excessivo de telas no 
desenvolvimento emocional de crianças com TDAH. Revista Brasileira de Psicologia 
Infantil, v. 21, n. 1, p. 42-56, 2023. 
American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: 
DSM-5-TR. 5. ed. Arlington: American Psychiatric Publishing, 2023. 
Arantes, M. C. B.; De-Morais, E. A. Exposição e uso de dispositivo de mídia na primeira 
infância. Residência Pediátrica, v. 12, n. 4, 2022. DOI: 10.25060/residpediatr-2022.v12n4-
535. 
Barkley, R. A. Attention-deficit hyperactivity disorder: a handbook for diagnosis and 
treatment. 4. ed. New York: The Guilford Press, 2015. 
Barros, M. de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. 
Becker, S. P.; Lienesch, J. A. Nighttime media use in adolescents with ADHD: links to sleep 
problems and internalizing symptoms. Sleep Medicine, v. 51, p. 171, 2018. DOI: 
10.1016/j.sleep.2018.06.021. 
Brasil. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília: 
Diário Oficial da União, 1990. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm. Acesso em: 05 maio 2025. 
Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de atenção à criança com transtorno de déficit de 
atenção e hiperatividade (TDAH). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. 
Coelho, L. et al. Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na criança: 
aspectos neurobiológicos, diagnóstico e conduta terapêutica. Acta Médica Portuguesa, v. 23, 
n. 4, p. 689, 2010. 
Costa, J. F.; Pereira, L. F.; Silva, T. L. O impacto da tecnologia no comportamento de 
crianças com TDAH: uma revisão sistemática. Psicologia e Tecnologia, v. 15, n. 3, p. 210-
225, 2021. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm
 
12 
Cruz, A. A. P.; Marinho, E. P.; Parente, H. E. S.; Araujo, H. B.; Pereira, K. A.; Marquez, S. 
M.; Gontijo, É. E. L. Uso de telas como fator agravante comportamental em crianças com 
transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH): revisão sistemática (I. A. Pereira, 
trad.). Revista CPAQV – Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, v. 17, n. 1, 
p. 15, 2025. 
Cupertino, R. B. Genética e neuroimagem no TDAH e fenótipos relacionados. 2019. Tese 
(Doutorado em Genética e Biologia Molecular) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 
Porto Alegre, 2019. 
Ferreira, A. P.; Souza, M. R.; Oliveira, G. S. Tecnologia e o desenvolvimento social de 
crianças e adolescentes: um estudo sobre a interação com as telas. Revista de Psicologia 
Infantil, v. 18, n. 2, p. 134-150, 2022. 
Gomes, L. A.; Silveira, R. C.; Alves, J. M. A relação entre o uso de telas e a ansiedade em 
adolescentes com TDAH. Revista Brasileira de Saúde Mental, v. 34, n. 4, p. 178-190, 2022. 
Greenfield, S. Mudança de mente: como as tecnologias digitais estão deixando sua marca em 
nossos cérebros. Rio de Janeiro: Editora Record, 2015. 
Macedo, L. de. Ensaios construtivistas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. 
Martins, R. P.; Almeida, M. A.; Costa, L. P. Impactos do uso excessivo de telas no sono de 
crianças com TDAH. Jornal Brasileiro de Pediatria, v. 47, n. 1, p. 55-67, 2023. 
Montessori, M. A criança. 4. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2004. 
Oliveira, D. F. Tecnologia e transtornos do neurodesenvolvimento: impactos no TDAH. 
Revista de Estudos Psicológicos, v. 25, n. 1, p. 87-99, 2021. 
Oliveira, R. C. et al. TDAH e o uso prolongado das mídias sociais. Brazilian Journal of 
Health Review, Curitiba, v. 4, n. 1, p. 2425-2437, 2021. DOI: 10.34119/bjhrv4n1-194. 
Radesky, J. S.; Schumacher, J.; Zuckerman, B. Mobile and interactive media use by young 
children: the good, the bad, and the unknown. Pediatrics, v. 135, n. 1, p. 1-3, 2015. 
Ribeiro, F. L.; Santos, E. M.; Oliveira, D. A. As relações sociais de crianças com TDAH na 
era digital: o papel das telas. Revista Brasileira de Educação e Tecnologia, v. 11, n. 4, p. 230-
245, 2022. 
Ribeiro, J. R. S. P.; Ferreira, H. L.; Aguiar, J. G.; Sá, C. E. N.; Bevilacqua, E. E. M. Tempo 
de tela digital e sua relação com o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade 
(TDAH). Revista Brasileira de Revisão de Saúde, [s. l.], v. 9, p. e74665, 2024. 
Santos, F. G.; Lima, C. M. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: aspectos 
clínicos e terapêuticos. São Paulo: Editora Moderna, 2017. 
Seidman, L. J. et al. Neuropsychological functioning in adults with attention deficit 
hyperactivity disorder. Psychological Medicine, v. 36, n. 2, p. 245-256, 2006. 
Shaw, P. et al. Maturation of the cerebral cortex in attention deficit hyperactivity disorder. 
Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 104, n. 49, p. 19649-19654, 2007. 
Silva, J. Tecnologia e saúde mental: impactos e intervenções. São Paulo: Editora XYZ, 2020. 
Silva, M. A. A influência das telas no comportamento infantil: desafios do TDAH. Psicologia 
e Sociedade, v. 31, n. 2, p. 45-58, 2023. 
 
13 
Silva, Maria; Pereira, João; Lima, Ana. Impacto do uso excessivo de telas no 
desenvolvimento infantil com TDAH. Revista Brasileira de Psicologia, v. 15, n. 3, p. 45-60, 
2019. 
Siqueira, E.; Lins, I.; Pol Fachin, L. A relação entre TDAH e o tempo de tela na infância: um 
protocolo de revisão de escopo. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, 
n. 8, p. 5124-5147, 2024. DOI: 10.36557/2674-8169.2024v6n8p5124-5147. 
Souza, L.; Carvalho, J. B. M. de. Uso abusivo de telas na infância e suas consequências. 
Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 23, n. 2, p. e11594, 2023. 
Souza, Maria. Desenvolvimento socioemocional na infância e adolescência. Rio de Janeiro: 
Editora ABC, 2018. 
Strasburger, V. C.; Wilson, B. J.; Jordan, A. B. Children, adolescents, and the media. 3. ed. 
Thousand Oaks: SAGE Publications, 2013. 
Twenge, J. M. iGen: por que os jovens superconectados de hoje estão crescendo menos 
rebeldes, mais tolerantes, menos felizes – e completamente despreparados para a vida adulta. 
Rio de Janeiro: Editora Record, 2017. 
Volkow, N. D. et al. Neurotransmitter systems in ADHD: a review of neurochemical and 
neuroimaging studies. Journal of Child Neurology, v. 29, n. 4, p. 468-477, 2014.

Mais conteúdos dessa disciplina